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soi-iv-manual-do-professor-20222-rev-1-3

Manual do professor do módulo Sistemas Orgânicos Integrados IV (SOI IV), do curso de Medicina (4º período). Inclui carga horária (Prática 120h, Teórica 60h, APG 120h, TIC 20h), ementa, objetivos, estratégias de ensino, atividades semanais (ex.: sistema digestório) e versões.

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<p>SISTEMAS ORGÂNICOS INTEGRADOS – SOI IV</p><p>MANUAL DO PROFESSOR</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 2</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Módulo: Sistemas Orgânicos Integrados IV (SOI IV)</p><p>Curso de Medicina</p><p>Período: 4º Período</p><p>Instituição:</p><p>Direção-Geral:</p><p>Direção acadêmica:</p><p>Coordenador do Curso:</p><p>Supervisor do Módulo:</p><p>Professores:</p><p>Carga Horária:</p><p>Prática = 120 horas</p><p>Teórica = 60 horas</p><p>Aprendizagem em Pequenos Grupos (APG) = 120 horas</p><p>Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) = 20 horas</p><p>Coordenação da Elaboração e Planejamento do Módulo SOI IV</p><p>Versões: 2018.2</p><p>Prof. Daniel Riani Gotardelo – UNIPTAN</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>Equipe de Elaboração e Planejamento do Módulo SOI IV</p><p>Versões 2017.2 e 2018.1</p><p>Profª. Any Carolina Cardoso Guimarães Vasconcelos – IESVAP</p><p>Prof. Márcio Braz Monteiro – IESVAP</p><p>Profª. Vanessa Meneses de Brito – IESVAP</p><p>Prof. Yuri Dias Macedo Campelo – IESVAP</p><p>Profª. Ana Carolina Vale Campos Lisboa – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Flávia Albuquerque Magalhães – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Jaqueline Melo Soares – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Letícia Guimarães Carvalho de Souza Lima – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Melissa Araújo Ulhôa Quintão – IMES/UNIVAÇO</p><p>Prof. Orlando Barreto Zocratto – IMES/UNIVAÇO</p><p>Prof. Vinícius Lana Ferreira – IMES/UNIVAÇO</p><p>Prof. Cristiano da Silva Granadier – ITPAC PORTO</p><p>Profª. Raquel da Silva Aires – ITPAC PORTO</p><p>Profª. Lorena Dias Monteiro – ITPAC PALMAS</p><p>Profª. Nubia Cristina de Freitas Maia – ITPAC PALMAS</p><p>Prof. Allysson D’Angelo de Carvalho – UNIPTAN</p><p>Profª. Brisa D'Louar Costa Maia – UNIPTAN</p><p>Prof. Carlos André Dilascio Detomi – UNIPTAN</p><p>Prof. Mauro César Tavares de Souza – UNIPTAN</p><p>Prof. Rodrigo Chávez Penha – UNIPTAN</p><p>Prof. Vilson Geraldo de Campos – UNIPTAN</p><p>Prof. Bruno Medrado Araújo – UNITPAC</p><p>Prof. Luis Fernando D’Albuquerque e Castro – UNITPAC</p><p>Prof. Remy Faria Alves – UNITPAC</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 3</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>1a Revisão – maio/2018 – versão 2018.2</p><p>Profª. Monica Pereira Campanha Viegas – UNIPTAN</p><p>Prof. Remy Faria Alves – UNITPAC</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>2a Revisão – outubro/2018 – versão 2019.1</p><p>Profª. Valéria Camargo de Lacerda Carvalho – FMIT</p><p>Prof. Paulo Marcondes Carvalho Junior – FMIT</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>3 a Revisão – junho/2019 – versão 2019.2</p><p>Profª. Jaqueline Melo Soares – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Núbia Cristina de Freitas Maia – ITPAC PALMAS</p><p>4 a Revisão – setembro/2019 – versão 2019.2</p><p>Prof. Vilson Geraldo de Campos – UNIPTAN</p><p>Prof. Rafael Cerqueira Campos Luna – FASA Vitória da Conquista</p><p>Profª. Maria Emília de Oliveira – IMES/UNIVAÇO</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>5ª Revisão- Novembro / 2021- versão 2022.1</p><p>Profª. Fernanda de Abreu Silva – FASA Vitória da Conquista</p><p>Profª. Fernanda Luiza Andrade Azevedo – FASA ITABUNA</p><p>Profª. Gabrielle Agostinho Rolim Marques – IESVAP</p><p>Prof. Júlio César dos Santos Boechat – UNIREDENTOR</p><p>Profª. Luiza Ivete Vieira Batista (Uninovafapi)</p><p>Prof. Mauro Fernandes Teles – FASA Vitória da Conquista</p><p>Profª. Mércia Alves da Silva Margotto – FASA ITABUNA</p><p>Profª. Tereza Cristina de Carvalho Souza Garcês – IESVAP</p><p>Prof. Wellington Luiz – ITPAC PALMAS</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>6ª Revisão – Maio/2022 – versão 2022.2</p><p>Profª. Fernanda Luiza Andrade Azevedo – FASA ITABUNA</p><p>Profª. Fernanda de Abreu Silva – FASA Vitória da Conquista</p><p>Profª. Gabrielle Agostinho Rolim Marques – IESVAP</p><p>Prof. Luiz Eduardo Canton Santos – UNIPTAN</p><p>Prof. Mauro Fernandes Teles – FASA Vitória da Conquista</p><p>Profª Maria Suzana Marques – UNIFIPMOC</p><p>Profª. Nubia Cristina De Freitas Maia – ITPAC PALMAS</p><p>Prof. Ricardo Consigliero Guerra – UNITPAC</p><p>Profª. Marcia Hiromi Sakai – Corporativo AFYA</p><p>Profª. Maria José Sparça Salles</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 4</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Sumário</p><p>1 Apresentação .............................................................................................................. 5</p><p>2 Conhecimentos, Habilidades e Atitudes Associadas ao Eixo de Sistemas Orgânicos</p><p>Integrados (1º ao 5º Período) ............................................................................................ 5</p><p>3 Ementa SOI IV ............................................................................................................ 6</p><p>4 Objetivos SOI IV .......................................................................................................... 6</p><p>5 Estratégias de Ensino-Aprendizagem ........................................................................ 6</p><p>6 Atividades Educacionais por Semana ........................................................................ 8</p><p>Semana 1: Sistema Digestório.................................................................................... 8</p><p>Semana 2: Sistema Digestório .................................................................................15</p><p>Semana 3: Sistema Digestório .................................................................................22</p><p>Semana 4: Sistema Digestório..................................................................................27</p><p>Semana 5: Sistema Digestório .................................................................................33</p><p>Semana 6: Sistema Digestório .................................................................................40</p><p>Semana 7: Sistema Digestório..................................................................................47</p><p>Semana 8: Sistema Renal ........................................................................................51</p><p>Semana 9: Sistema Renal ........................................................................................61</p><p>Semana 10: Sistema Reprodutor ..............................................................................71</p><p>Semana 11: Sistema Reprodutor .............................................................................79</p><p>Semana 12: Sistema Reprodutor .............................................................................87</p><p>Semana 13: Sistema Reprodutor ..............................................................................96</p><p>Semana 14: Sistema Reprodutor ...........................................................................102</p><p>Semana 15: Sistema Reprodutor ...........................................................................110</p><p>Semana 16: Sistema Reprodutor ............................................................................117</p><p>Semana 17: Sistema Reprodutor ...........................................................................123</p><p>7 Sistema de Avaliação ..............................................................................................129</p><p>8 Bibliografia Básica ...................................................................................................132</p><p>9 Bibliografia Complementar ......................................................................................133</p><p>10 Anexos .....................................................................................................................135</p><p>10.1 Anexo I ..................................................................................................................135</p><p>10.2 Anexo II.................................................................................................................137</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 5</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>1 Apresentação</p><p>O conteúdo das áreas básicas e clínicas foram reunidos nos módulos de Sistemas</p><p>Orgânicos Integrados (SOI), presentes nas cinco primeiras fases do curso de Medicina.</p><p>A medicina baseada em problemas oportuniza o debate em pequenos grupos de temas</p><p>com ênfase na morfofisiologia e na fisiopatologia.</p><p>A compreensão do processo saúde-doença, no âmbito da abordagem de situações</p><p>no lúmen intestinal ou no urinário, a</p><p>partir dos quais podem ser eliminados, podendo finalmente alcançar a água e perpetuar</p><p>o ciclo evolutivo. A persistência de ovos nos tecidos leva a uma resposta granulomatosa</p><p>do hospedeiro e fibrose.</p><p>Ocorrem cerca de 230 milhões de infecções (principalmente em crianças e</p><p>adultos jovens), com > 70% das pessoas infectadas vivendo na África subsaariana.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 25</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Manifestações clínicas: A esquistossomose ocorre em três estágios que variam de</p><p>acordo com espécie, intensidade da infecção e fatores do hospedeiro (p. ex., idade,</p><p>genética).</p><p>A dermatite por cercárias causa uma erupção cutânea maculopapular (“prurido</p><p>do nadador”) que dura 1-2 semanas. A esquistossomose aguda (febre Katayama)</p><p>apresenta-se entre 2 semanas e 3 meses após a exposição ao parasita com febre,</p><p>mialgia, mal-estar geral, fadiga, cefaleia, tosse, dor abdominal, eosinofilia e infiltrados</p><p>pulmonares transitórios.</p><p>A esquistossomose crônica causa manifestações que dependem primariamente</p><p>da espécie de esquistossoma.</p><p>A esquistossomose intestinal envolve inflamação granulomatosa da mucosa com</p><p>microulcerações, sangramento superficial e, algumas vezes, pseudopolipose. A doença</p><p>causada por S. mansoni e S. japonicum é geralmente mais grave e também pode</p><p>envolver manifestações hepatoesplênicas que podem progredir para fibrose periportal.</p><p>A esquistossomose urogenital causada por S. haematobium consiste de um</p><p>estágio inflamatório ativo (disúria; hematúria, particularmente ao final da micção;</p><p>excreção de ovos na urina; uropatia obstrutiva) em crianças e adultos jovens que</p><p>progride mais tarde para um estágio de fibrose crônica (noctúria, retenção urinária,</p><p>gotejamento e incontinência).</p><p>A doença pulmonar (p. ex., hipertensão pulmonar, cor pulmonale) e a doença do</p><p>SNC (p. ex., convulsões, encefalopatia, mielite transversa) podem ocorrer e se devem</p><p>a granulomas e fibrose.</p><p>Diagnóstico: Parasitológico de fezes (Sedimentação espontânea, Kato-Katz).</p><p>Tratamento. Praziquantel e glicocorticóides.</p><p>Prevenção. Os viajantes para regiões endêmicas devem evitar o contato com todas as</p><p>coleções de água doce.</p><p>TENÍASE (T. saginata). Microbiologia: Os humanos constituem o hospedeiro definitivo</p><p>para a Taenia saginata, a tênia da carne de vaca. Os ovos são excretados nas fezes e</p><p>ingeridos pelo gado ou outros herbívoros (T. saginata); as larvas se encistam</p><p>(cisticercos) no músculo estriado desses animais. Quando os humanos ingerem carne</p><p>crua ou malcozida, os cisticercos amadurecem em vermes adultos em cerca de 2</p><p>meses.</p><p>Manifestações clínicas: Podem apresentar desconforto perianal, dor abdominal leve,</p><p>náuseas, alteração no apetite, fraqueza e perda de peso.</p><p>Diagnóstico: Parasitológico de fezes, pesquisa de proglótides, método da fita gomada.</p><p>Eosinofilia e níveis de IgE elevados costumam estar ausentes.</p><p>Tratamento: Praziquantel, administrado em dose única de 10 mg/kg.</p><p>TENÍASE (T. solium) E CISTICERCOSE. Microbiologia e patogênese: Os humanos</p><p>constituem o hospedeiro definitivo, sendo os porcos os hospedeiros intermediários</p><p>habituais da T. solium, a tênia do porco. A doença tem duas apresentações e depende</p><p>da forma como o parasita é ingerido.</p><p>Ao ingerir carne de porco malcozida contendo cisticercos, os humanos</p><p>desenvolvem tênias intestinais e uma doença semelhante à teníase saginata.</p><p>Se os humanos ingerem ovos de T. solium (p. ex., em consequência do contato</p><p>íntimo com um portador de tênia ou por autoinfecção), desenvolvem cisticercose por</p><p>penetração das larvas na parede intestinal e migração para muitos tecidos.</p><p>Manifestações clínicas: As infecções intestinais costumam ser assintomáticas, exceto</p><p>pela eliminação de proglótides nas fezes. A apresentação da cisticercose depende do</p><p>número e da localização dos cisticercos, bem como da extensão da resposta</p><p>inflamatória associada e da fibrose.</p><p>Os cisticercos podem ser encontrados em qualquer local do corpo, porém são</p><p>detectados mais frequentemente no cérebro, músculo esquelético, tecido SC ou olho.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 26</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>As manifestações neurológicas são as mais comuns, consistindo em convulsões devido</p><p>à inflamação que circunda os cisticercos no cérebro, hidrocefalia (em consequência da</p><p>obstrução do fluxo de LCS pelos cisticercos e inflamação associada ou por aracnoidite)</p><p>e sinais de pressão intracraniana elevada (p. ex., cefaleia, náuseas, vômitos, alterações</p><p>da visão).</p><p>Diagnóstico. Parasitológico de fezes, pesquisa de proglótides, método da fita gomada.</p><p>Uma conferência de consenso estabeleceu critérios para o diagnóstico da</p><p>neurocisticercose. Os achados nos exames de neuroimagem incluem lesões císticas</p><p>com ou sem realce, uma ou mais calcificações nodulares ou lesões focais com realce.</p><p>Tratamento. Praziquantel e glicocorticoide.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Manual de medicina de</p><p>Harrison. Grupo A, 2021. 9786558040040. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040040/. Acesso em: 30 mai.</p><p>2022.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Compreender o diagnóstico diferencial das doenças inflamatórias intestinais e</p><p>das alergias alimentares.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: Radiografia simples de abdome. TC de abdome</p><p>(intestino normal)</p><p>• Anatomopatologia: Conhecer aspectos histopatológicos das Doenças</p><p>Inflamatórias Intestinais (Doença de Crohn e Retocolite ulcerativa).</p><p>• Patologia Clínica: Propedêutica das doenças inflamatórias intestinais e alergias</p><p>alimentares (teste de tolerância a lactose, intolerância ao glúten, exames para</p><p>doença celíaca).</p><p>Palestra</p><p>- PALESTRA 1: Compreender o tratamento das infecções intestinais (Mecanismo de</p><p>ação / Farmacocinética / Efeitos Adversos / Aplicação terapêutica)</p><p>• Fármacos antiprotozoários - Amebicidas (Metronidazol; Tinidazol) -</p><p>Quimioterapia contra Giardíase (Nitazoxanida).</p><p>• Fármacos anti-helmínticos (Mebendazol; Pamoato de pirantel; Tiabendazol;</p><p>Ivermectina; Praziquantel; Niclosamida; Albendazol)</p><p>- PALESTRA 02: Discutir sobre as complicações gastrointestinais da Doença de</p><p>Chagas.</p><p>• Relembrar o ciclo da doença de Chagas</p><p>• Discutir a fisiopatologia do megacólon e megaesôfago</p><p>TICS</p><p>• 1. Entender os mecanismos patológicos relacionados aos microrganismos e</p><p>parasitoses intestinais. 2. Entender a ação das toxinas da cólera.</p><p>• Ciclo biológico micro-organismos - parasitoses intestinais.</p><p>Semana 4: Sistema Digestório</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 27</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Compreender os distúrbios que alteram a motilidade do trato gastrointestinal e</p><p>os distúrbios anorretais.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S4P1: QUE FRAQUEZA!</p><p>Elisa leva sua filha Luísa, de 2 anos de idade, ao médico relatando que a criança</p><p>iniciou há 5 dias quadro de fezes amolecidas de odor fétido, com vários episódios ao</p><p>dia, com presença de sangue e muco, associado a febre alta e vômitos. A mãe relata</p><p>que a criança nunca foi amamentada e, desde que nasceu, toma fórmula infantil. Ao</p><p>exame físico a criança está com estado geral comprometido, hipoativa e o sinal da prega</p><p>desaparece lentamente. A mãe ficou preocupada, pois seu filho mais velho estava com</p><p>diarreia recorrente há mais de 3 semanas e foi diagnosticado com amebíase.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Diferenciar a fisiopatologia dos mecanismos básicos da diarreia</p><p>• Discutir a epidemiologia, fisiopatologia, etiologia, diagnóstico e tratamento das</p><p>doenças diarreicas agudas e crônicas.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Diferenciar os mecanismos fisiopatológicos das doenças diarreicas</p><p>A classificação das diarreias pode ser feita com base no tempo de duração do</p><p>sintoma, nas características clínicas e topográficas e na fisiopatologia. Assim, diarreias</p><p>agudas são aquelas com duração menor que 2 semanas, sendo a causa mais</p><p>comum</p><p>por infecções. A crônica acima de 4 semanas. Por fim, a diarreia persistente, aquela de</p><p>duração entre 2 e 4 semanas. Quanto ao mecanismo fisiopatológico, são categorizadas</p><p>em osmótica, secretória, inflamatória, disabsortiva e funcional, sendo as 4 primeiras</p><p>diarreias orgânicas e a última não orgânica.</p><p>Diarreia osmótica: Ocorre por acúmulo de solutos osmoticamente ativos não absorvíveis</p><p>no lúmen intestinal. Assim, ocorre retenção de líquidos intraluminais e</p><p>consequentemente diarreia. É a partir desse mesmo mecanismo que funcionam os</p><p>laxativos. Ex.: deficiência de dissacarídeos, alta ingestão de carboidratos pouco</p><p>absorvíveis (sorbitol, manitol, lactulose), abuso de laxativos.</p><p>Diarreia secretória: Distúrbio no processo hidroeletrolítico pela mucosa intestinal, por</p><p>meio do aumento de secreção de íons e água para o lúmen ou inibição da absorção,</p><p>por meio de drogas ou toxinas. Diferentemente da osmótica, tem gap osmolar baixo,</p><p>não melhora com jejum e é responsável por um grande volume de fezes aquosas. Esse</p><p>é o tipo de diarreia provocada por E. coli enterotoxigênica, Vibrio cholerae, Salmonella</p><p>sp.</p><p>Diarreia inflamatória: Como o próprio nome induz, é causada por uma alteração</p><p>inflamatória, levando a produção de muco, pus e/ ou sangue nas fezes. Pode ter</p><p>alteração laboratorial da calprotectina ou lactoferrina fecal. Entre as causas, destacam-</p><p>se a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.</p><p>Diarreia funcional: Nesse tipo de diarreia, a absorção e secreção estão normais, porém</p><p>não há tempo suficiente para ocorrer a absorção desses nutrientes corretamente. Ocor-</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 28</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>re por hipermotilidade intestinal. Exemplos: síndrome do intestino irritável e diarreia</p><p>diabética (neuropatia autonômica).</p><p>Diarreia disabsortiva: Também conhecido como esteatorreia. A causa dessa diarreia</p><p>está associada a baixa absorção dos lipídios no intestino delgado. Por exemplo doença</p><p>celíaca, doença de Crohn, doença de Whipple, giardíase, estrongiloidíase e linfoma</p><p>intestinal.</p><p>• Discutir a epidemiologia, fisiopatologia, etiologia, diagnóstico e</p><p>tratamento das doenças diarreicas agudas e crônicas</p><p>Diarreia aguda. A diarreia que começa subitamente e persiste por menos de 2 semanas</p><p>geralmente é causada por agentes infecciosos. As diarreias agudas frequentemente são</p><p>subdivididas em não inflamatórias (volumes grandes) e inflamatórias (volumes</p><p>pequenos) com base nas características das fezes diarreicas. Alguns patógenos</p><p>entéricos não são invasivos e não provocam inflamação, mas secretam toxinas que</p><p>estimulam a secreção de líquidos. Outros invadem e destroem as células epiteliais e</p><p>alteram o transporte de líquidos, de modo que a atividade secretória continua, mas a</p><p>atividade absortiva é interrompida.</p><p>A diarreia não inflamatória está associada à eliminação de fezes líquidas</p><p>volumosas, mas sem sangue; cólicas periumbilicais, distensão abdominal por gases; e</p><p>náuseas ou vômitos. Em muitos casos, esse tipo de diarreia é causado por bactérias</p><p>produtoras de toxinas (p. ex., S. aureus, E. coli enterotoxigênica, Cryptosporidium</p><p>parvum, Vibrio cholerae) ou outros patógenos (p. ex., vírus, Giardia) que interrompem a</p><p>absorção ou o processo secretório normal do intestino delgado. Vômitos abundantes</p><p>sugerem enterite viral ou intoxicação alimentar por S. aureus. Embora geralmente seja</p><p>branda, a diarreia pode ser volumosa e causar desidratação com hipopotassemia e</p><p>acidose metabólica (i. e., cólera). Como não há invasão dos tecidos, também não há</p><p>leucócitos nas fezes.</p><p>A diarreia inflamatória geralmente se caracteriza por febre e diarreia</p><p>sanguinolenta (disenteria). Esse tipo de diarreia é causado pela invasão das células</p><p>intestinais (p. ex., Shigella, Salmonella, Yersinia e Campylobacter) ou toxinas</p><p>associadas às infecções descritas antes por C. difficile ou E. coli O157:H7. Como as</p><p>infecções associadas a esses microrganismos afetam predominantemente o intestino</p><p>grosso, a eliminação de fezes é frequente e a defecação está associada a cólicas no</p><p>quadrante inferior esquerdo do abdome, urgência para defecar e tenesmo. A disenteria</p><p>infecciosa deve ser diferenciada da colite ulcerativa aguda, que pode causar diarreia</p><p>sanguinolenta, febre e dor abdominal. Diarreia que persiste por 14 dias não pode ser</p><p>atribuída a patógenos bacterianos (exceto C. difficile) e o paciente deve ser avaliado a</p><p>procura de outra causa de diarreia crônica.</p><p>Diarreia crônica. A diarreia é considerada crônica quando os sintomas persistem por 4</p><p>semanas ou mais. A diarreia crônica está associada frequentemente aos distúrbios</p><p>como DII, SCI, síndromes de má absorção, doenças endócrinas (hipertireoidismo,</p><p>neuropatia autônoma diabética) ou colite pós-irradiação. Existem quatro grupos</p><p>principais de diarreia crônica: conteúdo intraluminal hiperosmótico; aumento dos</p><p>processos secretórios do intestino; doenças inflamatórias; e processos infecciosos. A</p><p>diarreia factícia é causada pelo uso indiscriminado de laxantes ou pela ingestão</p><p>excessiva de alimentos laxativos.</p><p>Com a diarreia osmótica, a água é atraída para dentro do lúmen intestinal pela</p><p>concentração hiperosmótica do seu conteúdo, a tal volume que o cólon não consegue</p><p>reabsorver o excesso de líquido. Em pessoas com deficiência de lactase, a intolerância</p><p>à lactose se deve à ausência da enzima lactase no intestino delgado para degradar a</p><p>lactose em glicose e galactose. A lactose não digerida pode provocar diarreia osmótica;</p><p>os produtos de sua digestão bacteriana podem provocar diarreia secretória e distensão</p><p>intestinal por gás, eventos que provavelmente provocam sintomas. A intolerância à</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 29</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>lactose se caracteriza por sinais/sintomas abdominais após a ingestão de laticínios. Os</p><p>sais de magnésio no leite de magnésia e em alguns antiácidos não são bem absorvidos</p><p>e causam diarreia quando são ingeridos em quantidades expressivas. Outra causa de</p><p>diarreia crônica é a redução do tempo de trânsito, que interfere na absorção. Em geral,</p><p>a diarreia osmótica regride com a suspensão da ingestão alimentar.</p><p>A diarreia secretória ocorre quando os processos secretórios do intestino estão</p><p>exacerbados. Esse tipo de diarreia também ocorre quando ácidos biliares em excesso</p><p>permanecem no conteúdo intestinal à medida que chegam ao cólon. Isso acontece</p><p>frequentemente com as doenças do íleo, porque os sais biliares são absorvidos neste</p><p>segmento intestinal. Também pode ocorrer quando há proliferação bacteriana excessiva</p><p>no intestino delgado, interferindo na absorção da bile. Alguns tumores (p. ex., síndrome</p><p>de Zollinger-Ellison e síndrome carcinoide) produzem hormônios, que aumentam a</p><p>atividade secretória do intestino.</p><p>A diarreia inflamatória está associada comumente à inflamação aguda ou</p><p>crônica, ou a uma doença intrínseca do intestino grosso, inclusive colite ulcerativa ou</p><p>doença de Crohn. Em geral, a diarreia inflamatória evidencia-se por aumento da</p><p>frequência e urgência para defecar e dor abdominal em caráter em cólica.</p><p>Infecções parasitárias persistentes podem causar diarreia crônica por alguns</p><p>mecanismos. Os patógenos associados mais comumente à diarreia crônica incluem os</p><p>protozoários Giardia, E. histolytica e Cyclospora. Pacientes imunossuprimidos são</p><p>especialmente suscetíveis aos agentes infecciosos causadores de diarreias agudas e</p><p>crônicas, inclusive Cryptosporidium, citomegalovírus (CMV) e complexo Mycobacterium</p><p>avium-intracellulare.</p><p>Diagnóstico e tratamento. O diagnóstico da diarreia baseia-se nas queixas de</p><p>defecação frequente e no relato de fatores associados, inclusive doenças coexistentes,</p><p>uso de fármacos e exposição a possíveis patógenos intestinais. Os distúrbios como DII</p><p>e doença celíaca devem ser considerados. Quando o início da diarreia está relacionado</p><p>com uma viagem ao exterior, deve-se considerar a possibilidade de diarreia do viajante.</p><p>Embora a maioria das diarreias agudas seja autolimitada e não requeira</p><p>tratamento, a diarreia pode ser especialmente grave nos lactentes e nas crianças</p><p>pequenas, nos pacientes com doenças coexistentes, nos idosos e nos indivíduos</p><p>previamente saudáveis quando se estende por períodos longos. Desse modo, a</p><p>reposição de líquidos e eletrólitos é incluída como um dos objetivos do tratamento da</p><p>diarreia. Os fármacos usados para tratar diarreia incluem difenoxilato e loperamida, que</p><p>são derivados opioides. Esses fármacos reduzem a motilidade GI e estimulam a</p><p>absorção de água e eletrólitos</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 30 mai. 2022.</p><p>S4P2 "Intestino preso"</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 30</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: Adaptado de https://www.contraovento.com.br/2020/03/ja-o-peixe-morre-pela-boca/.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia do reto e ânus.</p><p>• Conhecer a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, fatores de risco,</p><p>manifestações clínico e diagnóstico da constipação intestinal / doença</p><p>hemorroidária.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>CONSTIPAÇÃO. Constipação intestinal não é uma doença, mas meramente um</p><p>sintoma. Isso ocasiona confusão entre médicos e pacientes, acarretando falhas na</p><p>terapêutica. Como sintoma, pode indicar várias doenças. O diagnóstico tem um espectro</p><p>tão amplo quanto o da dor abdominal. Apresenta diferentes significados para diferentes</p><p>pacientes, dependendo do que cada um considera padrão normal de defecação. O</p><p>paciente pode estar querendo dizer que as fezes são muito pequenas, muito duras,</p><p>muito difíceis de serem expelidas, ou que as evacuações são pouco frequentes, ou,</p><p>ainda, que persiste sensação de evacuação incompleta após a defecação.</p><p>Trata-se de uma das principais queixas em Medicina, constituindo a segunda</p><p>causa mais frequente de visita ao gastrenterologista. Nos EUA, estima-se em 2,5</p><p>milhões de consultas anuais devido à constipação intestinal.</p><p>DOENÇA HEMORROIDÁRIA. Incidência e epidemiologia: As hemorroidas</p><p>sintomáticas afetam mais de 1 milhão de indivíduos a cada ano no Ocidente. A</p><p>prevalência de doença hemorroidária não é seletiva para idade ou sexo. No entanto,</p><p>sabe-se que a idade é um fator de risco. A prevalência é menor nos países em</p><p>desenvolvimento. A dieta ocidental típica pobre em fibras e rica em gorduras está</p><p>associada à constipação, ao esforço excessivo para defecar e ao desenvolvimento de</p><p>hemorroidas sintomáticas.</p><p>Anatomia e fisiopatologia: Os plexos hemorroidários são uma parte normal do canal</p><p>anal. As estruturas vasculares contidas nesse tecido ajudam na continência e impedem</p><p>que o músculo esfinctérico seja danificado. Três complexos hemorroidários principais</p><p>atravessam o canal anal – o lateral esquerdo, o anterior direito e o posterior direito. O</p><p>ingurgitamento e o esforço excessivo para defecar levam ao prolapso desse tecido para</p><p>dentro do canal anal. Com o passar do tempo, o sistema de apoio anatômico do</p><p>complexo hemorroidário enfraquece, expondo esse tecido ao segmento externo do</p><p>canal anal, onde é suscetível a uma possível lesão. As hemorroidas são classificadas</p><p>https://www.contraovento.com.br/2020/03/ja-o-peixe-morre-pela-boca/</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 31</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>geralmente como internas ou externas. As hemorroidas externas originam-se abaixo da</p><p>linha denteada, são cobertas por epitélio escamoso e estão associadas a um</p><p>componente interno, são dolorosas quando há trombose. As hemorroidas internas se</p><p>originam acima da linha denteada, são cobertas por mucosa e epitélio da zona de</p><p>transição e são responsáveis pela maioria dos casos. A classificação padronizada da</p><p>doença hemorroidária baseia-se na progressão da doença, que começa nas estruturas</p><p>internas e sofre prolapso para a posição externa.</p><p>Manifestações clínicas e avaliação. Os pacientes geralmente procuram seu médico</p><p>por duas razões: sangramento e protrusão. Dor é menos comum quando comparada às</p><p>fissuras e, se estiver presente, é descrita como uma dor difusa e imprecisa devido ao</p><p>ingurgitamento do tecido hemorroidário. Dor intensa pode indicar uma trombose</p><p>hemorroidária. O sangramento hemorroidário é descrito como sangue vermelho-</p><p>brilhante sem dor, no vaso sanitário ou no papel higiênico. Alguns pacientes podem ter</p><p>sangramento significativo, que pode ser causa de anemia; contudo, a presença de uma</p><p>neoplasia colônica deve ser excluída nos pacientes anêmicos.</p><p>O diagnóstico de doença hemorroidária é feito pelo exame físico. O médico faz</p><p>a inspeção da região perianal para possível evidência de trombose ou escoriação,</p><p>seguida por um exame digital minucioso. A anoscopia é realizada com a devida atenção</p><p>à posição conhecida da doença hemorroidária. Durante o exame, o médico pede ao</p><p>paciente que faça esforço significativo para evacuar. Se isso for difícil para o paciente,</p><p>a manobra pode ser executada com o paciente sentado no vaso sanitário. O médico</p><p>observa o prolapso tecidual. É importante diferenciar o aspecto circunferencial de um</p><p>prolapso retal de espessura total da natureza radial das hemorroidas que sofrem</p><p>prolapso. Esse exame define o estágio e a localização dos complexos hemorroidários.</p><p>Tratamento. O tratamento para as hemorroidas sangrantes baseia-se no estágio da</p><p>doença. Em todos os pacientes com sangramento, deve ser considerada a possibilidade</p><p>de outras causas. Nos pacientes jovens sem história familiar de câncer colorretal, a</p><p>doença hemorroidária pode ser tratada primeiro e, depois, realiza-se um exame</p><p>colonoscópico caso o sangramento continue. Os pacientes de mais idade que ainda não</p><p>foram submetidos a uma triagem para câncer colorretal devem fazer uma colonoscopia</p><p>ou sigmoidoscopia flexível.</p><p>Com raras exceções, as tromboses hemorroidárias agudas podem ser retiradas</p><p>no transcorrer das primeiras 72 horas realizando-se uma excisão elíptica. São prescritos</p><p>banhos de assento, suplementos de fibras e emolientes fecais. Outros tratamentos para</p><p>hemorroidas sangrantes são os procedimentos realizados no consultório, incluindo</p><p>ligadura elástica, coagulação com infravermelho e escleroterapia.</p><p>Para o tratamento cirúrgico da doença hemorroidária, os procedimentos de</p><p>escolha são hemorroidectomia excisional, desarterialização trans-hemorroidária (THD)</p><p>ou hemorroidectomia com grampeador (“o procedimento para prolapso ou hemorroidas”</p><p>[PPH]). Todos os métodos cirúrgicos são igualmente eficazes no tratamento das</p><p>hemorroidas sintomáticas de terceiro e quarto graus. No entanto, levando-se em</p><p>consideração que a hemorroidectomia suturada envolve a remoção do tecido</p><p>redundante até a margem anal, devem ser removidos também os pólipos cutâneos anais</p><p>de aspecto desagradável</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>[Digite o Local da Editora]: Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. Grupo A, 2019. 9788580556346. Disponível em:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 32</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/. Acesso em: 30 mai.</p><p>2022.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Conhecer as técnicas laboratoriais para identificação e diagnóstico diferencial</p><p>das agentes infecciosos intestinais mais comuns.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagens: Compreender o uso da enterografia por TC no</p><p>diagnóstico da Doença de Crohn.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender as principais causas de enterocolite</p><p>infecciosa, com ênfase nas doenças parasitárias.</p><p>• Patologia Clínica: Apresentar as técnicas de diagnóstico parasitológico e</p><p>microbiológico EPF, coprocultura.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01: Conhecer o diagnóstico diferencial das doenças diarreicas agudas.</p><p>• O diagnóstico diferencial nos casos de diarreia aguda deve ter como enfoque</p><p>cinco fatores principais: infecções, alergias alimentares, intoxicação alimentar,</p><p>uso de medicações e apresentação inicial da diarreia crônica.</p><p>- PALESTRA 02: Apresentar as soluções de reidratação oral, reidratação endovenosa,</p><p>bem como as ações de promoção e intervenção em saúde.</p><p>• Discutir sobre o mecanismo de ação das soluções de reidratação oral e</p><p>endovenosa.</p><p>• Abordar sobre as ações governamentais de promoção e intervenção a saúde</p><p>para as diarreias agudas.</p><p>TICS</p><p>• 1. Entender os princípios de biossegurança e proteção radiológica. 2.</p><p>Correlacionar o uso de iodo radioativo nas neoplasias.</p><p>• Conhecer a radioterapia: mecanismo de ação.</p><p>Semana 05: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer a fisiopatologia das obstruções do trato gastrointestinal bem como as</p><p>neoplasias que acometem o intestino grosso.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S5P1: O que você tem?</p><p>Mariana leva o filho Marcos ao serviço de atendimento médico pediátrico e informa que</p><p>a criança chora intensamente e que apresenta histórico de dores abdominais. Além</p><p>disso, diz que a criança apresenta cólicas intensas, súbitas e cíclicas, que iam e</p><p>voltavam nas últimas 2 semanas, mas a cada episódio aumentava-se a intensidade,</p><p>sendo repetitiva e recidivante. A mãe relata que as fezes do garoto estavam em aspecto</p><p>de geleia de morango. Ao exame físico, o médico conseguiu identificar massa palpável,</p><p>o que sugere intussuscepção.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 33</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico da obstrução do trato digestório.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>Obstrução intestinal é uma das causas mais frequentes de emergência.</p><p>Aproximadamente 20% das internações por doença abdominal aguda ocorrem por</p><p>obstrução intestinal. A desatenção ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado</p><p>ocasiona o fato de a mortalidade ainda permanecer acima do desejável, embora já tenha</p><p>declinado de 60%, que prevalecia em meados do século passado, para os atuais 6 a</p><p>8%. É fundamental assinalar a importância de se fazer o diagnóstico de localização da</p><p>obstrução, principalmente nos casos menos evidentes, em que a causa não é facilmente</p><p>identificável.</p><p>Obstrução intestinal é uma condição em que há falha na progressão normal do</p><p>conteúdo intestinal. O conteúdo do tubo digestivo percorre um trajeto da boca em</p><p>direção ao ânus. Obstrução intestinal estará presente a partir do momento em que</p><p>qualquer obstáculo impeça esta progressão, seja por uma barreira física ou por distúrbio</p><p>funcional da força propulsora da musculatura intestinal. Alguns pacientes apresentam</p><p>estrangulamento com necrose do intestino e perfuração, peritonite e sepse.</p><p>A obstrução mecânica pode ser causada por alguns distúrbios – intrínsecos e</p><p>extrínsecos – que comprometem a perviedade do lúmen intestinal. As causas pré-</p><p>operatórias, como hérnias externas (i. e., inguinal, femoral ou umbilical) e aderências</p><p>pós-operatórias, são responsáveis por 75% dos casos de obstrução intestinal. Causas</p><p>menos frequentes são estenoses, tumores, corpos estranhos, intussuscepção e vólvulo.</p><p>A intussuscepção consiste na telescopagem do intestino dentro de um segmento</p><p>adjacente e é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças com menos de</p><p>2 anos de idade. O tipo mais frequente de intussuscepção é do íleo terminal para dentro</p><p>do cólon direito, mas outros segmentos intestinais também podem ser afetados. A</p><p>condição é diagnosticada mais frequentemente no primeiro ano de vida e em crianças</p><p>pequenas; acomete cerca de 2.000 lactentes (primeiro ano de vida) nos EUA. Na</p><p>maioria dos casos, a causa do problema é desconhecida. A condição também pode</p><p>ocorrer em adultos, quando massa ou tumor intraluminal funciona como força de tração</p><p>e puxa o segmento, à medida que ele sofre telescopagem para dentro do segmento</p><p>distal. O termo vólvulo refere-se à torção completa do intestino sobre um eixo formado</p><p>por seu mesentério. Isso pode ocorrer com qualquer parte do sistema digestório, mas</p><p>afeta mais comumente o cólon sigmoide (75%) e depois o ceco (22%). A obstrução</p><p>intestinal mecânica pode ser simples, sem alterações da circulação sanguínea, ou com</p><p>estrangulamento (quando há redução do fluxo sanguíneo e necrose dos tecidos</p><p>intestinais).</p><p>A obstrução paralítica ou adinâmica é causada por redução da peristalse por</p><p>distúrbios musculares ou neurogênicos. O íleo paralítico é observado mais comumente</p><p>depois de procedimentos cirúrgicos do abdome, mas também ocorre com doenças</p><p>inflamatórias do abdome, isquemia intestinal, fraturas da pelve e lesões da coluna</p><p>lombar. Isso ocorre nos estágios iniciais da peritonite e pode ser causado por irritação</p><p>química por bile, toxinas bacterianas, distúrbios eletrolíticos (p. ex., hipopotassemia) e</p><p>insuficiência vascular.</p><p>Os efeitos principais dos dois tipos de obstrução intestinal são distensão</p><p>abdominal e perdas de líquidos e eletrólitos. Gases e líquidos acumulam-se no</p><p>segmento afetado e, se o problema não for sanado, a distensão causada pela obstrução</p><p>intestinal tende a perfurar e causar atonia intestinal com distensão adicional. A distensão</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 34</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>é agravada ainda mais pela acumulação de gases. À medida que o processo avança, a</p><p>distensão estende-se aos segmentos mais proximais (i. e., na direção da boca) e</p><p>envolve outros segmentos intestinais. Por fim, as duas formas de obstrução podem</p><p>causar estrangulamento (i. e., interrupção da irrigação sanguínea), gangrena e</p><p>finalmente perfuração intestinal. A pressão alta dentro do intestino tende a reduzir o</p><p>fluxo sanguíneo da mucosa, resultando em necrose e passagem de sangue para os</p><p>líquidos luminais. Isso favorece a proliferação rápida das bactérias no intestino</p><p>obstruído, que podem passar para o sistema linfático e os órgãos adjacentes. A</p><p>passagem das bactérias para fora do sistema digestório agrava a inflamação e pode</p><p>acentuar a isquemia e causar falência dos órgãos.</p><p>As manifestações clínicas da obstrução intestinal dependem da gravidade do</p><p>processo obstrutivo e de sua duração. Quando a obstrução é aguda, o início geralmente</p><p>é súbito e dramático. Nos casos de obstrução crônica, o início geralmente é mais</p><p>gradativo. Os sinais e sintomas principais de obstrução são dor, constipação intestinal</p><p>completa, distensão abdominal, sinais de déficit de volume de líquidos e vômitos. Nos</p><p>casos de obstrução mecânica, a dor é intensa e espasmódica, ao contrário da dor</p><p>contínua e do abdome silencioso do íleo paralítico. Também há borborigmo (i. e., sons</p><p>de borbulho produzidos pela propulsão de gases no intestino); ruídos peristálticos</p><p>agudos e audíveis; e ondas peristálticas exacerbadas, que tendem a ocorrer com</p><p>episódios de dor abdominal. Ondas peristálticas visíveis podem ocorrer ao longo do</p><p>trajeto do intestino distendido. Os pacientes têm agitação extrema e percepção</p><p>consciente dos movimentos intestinais, assim como fraqueza, sudorese e ansiedade.</p><p>Quando há estrangulamento intestinal, os sinais e sintomas mudam. O tipo de dor passa</p><p>de espasmódica e intermitente causada pelos movimentos peristálticos exacerbados do</p><p>intestino para dor contínua e grave. Vômitos e distúrbios hidroeletrolíticos ocorrem com</p><p>os dois tipos de obstrução.</p><p>Em geral, o diagnóstico de obstrução intestinal se baseia na história e no exame</p><p>físico. As radiografias simples do abdome podem ser usadas para determinar a</p><p>existência de obstrução e também diferenciar entre obstruções parciais e completas</p><p>com base na análise dos padrões dos gases no intestino. TC e ultrassonografia também</p><p>podem ser realizadas para revelar obstrução mecânica.</p><p>O tratamento depende da causa e do tipo de obstrução. A normalização</p><p>dos</p><p>distúrbios hidroeletrolíticos e a determinação do débito urinário por meio de um cateter</p><p>de Foley são medidas recomendadas. A maioria dos casos de obstrução adinâmica</p><p>responde à descompressão do intestino por drenagem nasogástrica. Estrangulamento</p><p>e obstrução intestinal completa exigem intervenção cirúrgica.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 09 jun. 2022.</p><p>S5P2: Herança de família</p><p>Nunca foi tão tarde como agora, aos 72 anos de vida bem vividos, mas alguns</p><p>arrependimentos vêm à cabeça quando penso no que está acontecendo comigo neste</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 35</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>instante. Hoje, depois de 8 anos e cansado de fazer meu acompanhamento dos pólipos</p><p>que tenho desde a minha juventude, e tantas colonoscopias e biópsias, achei que nada</p><p>aconteceria, até que agora tive um sangramento “vivo” nas fezes, fiquei pálido como</p><p>uma cera. Mas, enfim, depois de tanto tempo saio do consultório com o pedido de</p><p>biópsia de um pólipo suspeito. O que será que quer dizer isso? Será que não vai ser</p><p>diferente do que acontece na minha família?</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações do pólipo de cólon.</p><p>• Identificar a classificação e o progresso histopatológico das lesões colônicas.</p><p>• Conhecer os fatores de risco, a epidemiologia e mecanismos carcinogênicos</p><p>para o desenvolvimento de câncer de cólon</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações</p><p>clínicas, diagnóstico e complicações do pólipo de cólon</p><p>Os tumores de células epiteliais dos intestinos são causas significativas de</p><p>morbidade e mortalidade em todo o mundo. O intestino grosso é o local de origem de</p><p>mais neoplasias primárias que qualquer outro órgão do corpo. Embora o intestino</p><p>delgado represente cerca de 75% do comprimento do sistema digestório, esse órgão</p><p>não é uma localização comum de tumores benignos e malignos.</p><p>Pólipos adenomatosos</p><p>Sem sombra de dúvida, os tipos mais comuns de neoplasias intestinais são os</p><p>pólipos adenomatosos. O pólipo gastrintestinal pode ser descrito como uma massa que</p><p>avança para o lúmen intestinal. Os pólipos podem ser subclassificados de acordo com</p><p>sua inserção à parede do intestino delgado (sésseis [nódulos elevados da mucosa] ou</p><p>pedunculados [inseridos por um pedículo]), aspecto histopatológico (hiperplásico ou</p><p>adenomatoso) e seu potencial neoplásico (benigno ou maligno).</p><p>Pólipos adenomatosos (adenomas) são neoplasias benignas que se originam do</p><p>epitélio da mucosa intestinal. Esses pólipos são formados de células neoplásicas que</p><p>proliferaram mais que a necessidade para repor as células que normalmente se</p><p>desprendem da superfície da mucosa. A patogênese da formação dos adenomas</p><p>consiste em alteração neoplásica da replicação das células epiteliais das criptas. Pode</p><p>haver apoptose reduzida, persistência da replicação celular e falhas de maturação e</p><p>diferenciação das células que migram para a superfície das criptas. Normalmente, a</p><p>síntese de DNA cessa à medida que as células alcançam os dois terços superiores das</p><p>criptas e, em seguida, sofrem maturação, migram para a superfície e tornam-se</p><p>senescentes. Em seguida, essas células sofrem apoptose e desprendem-se da</p><p>superfície. Os adenomas são formados quando há uma anormalidade dessa sequência.</p><p>As alterações da diferenciação celular podem causar displasia e progressão a um</p><p>carcinoma invasivo.</p><p>Mais de 50% de todos os pólipos adenomatosos estão localizados no cólon</p><p>retossigmoide e podem ser detectados por toque retal ou sigmoidoscopia. Os restantes</p><p>estão distribuídos uniformemente ao longo de todos os outros segmentos do intestino</p><p>grosso. As dimensões de um adenoma podem variar de um nódulo praticamente</p><p>imperceptível até uma grande massa séssil e podem ser classificados como adenomas</p><p>tubulares, vilosos ou tubulovilosos.</p><p>Os adenomas tubulares, que representam 65% dos adenomas benignos do</p><p>intestino grosso, geralmente são lesões esféricas com superfícies lisas e diâmetro</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 36</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>menor que 2 cm, que se encontram ligadas à superfície da mucosa por um pedículo. Os</p><p>adenomas vilosos constituem 10% dos adenomas do intestino grosso, e são</p><p>encontrados principalmente no cólon retossigmoide. Nos casos típicos, esses</p><p>adenomas são lesões elevadas com bases amplas e superfície rugosa semelhante a</p><p>couve-flor. Ao contrário dos adenomas tubulares, os adenomas vilosos têm mais</p><p>propensão a conter células malignas. Quando se desenvolve um carcinoma invasivo,</p><p>não há pedículo que isole o tumor e observa-se invasão direta da parede do intestino</p><p>grosso. Os adenomas tubulovilosos têm arquitetura com elementos tubulares e vilosos.</p><p>Os adenomas desse tipo ocupam uma posição intermediária entre os adenomas</p><p>tubulares e vilosos, no que se refere ao risco de desenvolvimento de carcinoma invasivo.</p><p>A maioria dos cânceres colorretais começa como pólipos adenomatosos</p><p>benignos do intestino grosso. A frequência dos pólipos aumenta com a idade e a</p><p>prevalência dos pólipos adenomatosos aumenta significativamente depois dos 60 anos.</p><p>Homens e mulheres são igualmente afetados. O pico de incidência dos pólipos</p><p>adenomatosos precede em alguns anos o pico do câncer colorretal. Os programas que</p><p>oferecem monitoramento cuidadoso aos pacientes com pólipos adenomatosos e</p><p>ressecção de todas as lesões suspeitas reduziram expressivamente a incidência do</p><p>câncer colorretal.</p><p>• Conhecer os fatores de risco, a epidemiologia e mecanismos</p><p>carcinogênicos para o desenvolvimento de câncer de cólon</p><p>Para o Brasil, estimam-se, para cada ano do triênio de 2020-2022, 20.520 casos</p><p>de câncer de cólon e reto em homens e 20.470 em mulheres. Esses valores</p><p>correspondem a um risco estimado de 19,63 casos novos a cada 100 mil homens e</p><p>19,03 para cada 100 mil mulheres.</p><p>O câncer de cólon e reto abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino</p><p>grosso (chamada cólon) e no reto (final do intestino, imediatamente antes do ânus) e</p><p>ânus. Também é conhecido como câncer colorretal. É passível de tratamento e, na</p><p>maioria dos casos, é curável, quando detectado precocemente e ainda não atingiu</p><p>outros órgãos. Grande parte desses tumores inicia-se a partir de pólipos, que são lesões</p><p>benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso.</p><p>A causa dos cânceres de cólon e de reto é, em grande parte, desconhecida. Os</p><p>principais fatores relacionados ao maior risco de desenvolver câncer de cólon e reto</p><p>são: idade igual ou acima de 50 anos, obesidade, inatividade física, tabagismo</p><p>prolongado, alto consumo de carne vermelha ou processada, baixa ingestão de cálcio,</p><p>consumo excessivo de álcool e alimentação pobre em frutas e fibras. Existem fatores</p><p>de origem hereditária que aumentam o risco, os quais incluem histórico familiar de</p><p>câncer colorretal e/ou pólipos adenomatosos, algumas condições genéticas como a</p><p>polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário sem polipose, histórico</p><p>de doença inflamatória intestinal crônica (colite ulcerativa ou doença de Crohn) e</p><p>diabetes tipo 2; e ainda fatores como a exposição ocupacional à radiação ionizante.</p><p>A incidência é maior em pacientes com história familiar de câncer, portadores de</p><p>doença de Crohn ou colite ulcerativa e pacientes com polipose adenomatosa familiar do</p><p>intestino grosso. Os pacientes com risco familiar</p><p>– que têm dois ou mais parentes de</p><p>primeiro ou segundo grau (ou ambos) com câncer colorretal – constituem cerca de 20%</p><p>de todos os casos deste carcinoma. A polipose adenomatosa familiar é um distúrbio</p><p>autossômico dominante raro associado a uma mutação no braço longo do cromossomo</p><p>5. Os pacientes com essa doença desenvolvem vários pólipos adenomatosos no</p><p>intestino grosso em uma idade precoce. O carcinoma do cólon é inevitável, geralmente</p><p>em torno da quarta década de vida, a menos que seja realizada colectomia total.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 37</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>A dieta também parece desempenhar um papel importante. O foco da atenção</p><p>está na ingestão de gorduras, açúcares refinados e fibras e no consumo dietético</p><p>adequado de micronutrientes protetores como vitaminas A, C e E. Alguns autores</p><p>sugeriram a hipótese de que níveis altos de gordura na dieta aumentem a síntese de</p><p>ácidos biliares no fígado, os quais podem ser convertidos em carcinógenos potenciais</p><p>pela flora bacteriana do intestino. Em especial, as bactérias são suspeitas como</p><p>responsáveis pela conversão dos ácidos biliares em carcinógenos.</p><p>Alguns estudos sugeriram que o AAS pode conferir proteção contra o câncer</p><p>colorretal. Embora o mecanismo de ação do AAS seja desconhecido, pode estar</p><p>relacionado com seu efeito na síntese das prostaglandinas, das quais uma ou mais</p><p>podem estar envolvidas nos sistemas de sinalização que afetam a proliferação celular</p><p>ou o crescimento tumoral.</p><p>Em geral, os cânceres de cólon e reto se instalam muito tempo antes do</p><p>aparecimento dos sintomas. O sangramento é uma queixa inicial muito significativa e,</p><p>em geral, é uma das causas que levam pessoas a buscarem atendimento médico.</p><p>Outros sinais e sintomas são alterações dos hábitos intestinais, diarreia ou constipação</p><p>intestinal e, em alguns casos, sensação de urgência ou esvaziamento incompleto do</p><p>intestino. Em geral, dor é um sintoma tardio.</p><p>Triagem, diagnóstico e tratamento. Isoladamente, o indicador prognóstico mais</p><p>importante do câncer colorretal é a extensão (estágio) do tumor por ocasião do</p><p>diagnóstico. Por isso, o desafio é detectar os tumores em seus estágios mais precoces.</p><p>Entre as abordagens usadas para detectar cânceres colorretais, estão o toque retal e a</p><p>pesquisa de sangue oculto nas fezes, geralmente realizados durante os exames físicos</p><p>de rotina; radiografias contrastadas com bário (p. ex., clister opaco); e</p><p>retossigmoidoscopia e colonoscopia flexíveis. O toque retal é muito útil para detectar</p><p>neoplasias retais e deve ser realizado como componente rotineiro de um exame físico</p><p>adequado. A partir da idade de 50 anos, homens e mulheres devem iniciar uma das</p><p>cinco opções de triagem seguintes: pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente;</p><p>retossigmoidoscopia flexível a cada 5 anos; pesquisa de sangue oculto nas fezes</p><p>anualmente, e retossigmoidoscopia flexível a cada 5 anos; clister opaco com contraste</p><p>duplo a cada 5 anos; ou colonoscopia a cada 10 anos. Os pacientes com risco mais alto</p><p>de desenvolver câncer colorretal devem iniciar a triagem mais cedo e realizar exames</p><p>mais frequentes. A colonoscopia é recomendada sempre que um teste de triagem for</p><p>positivo.</p><p>O único tratamento conhecido para câncer colorretal é ressecção cirúrgica.</p><p>Radioterapia pré-operatória pode ser realizada e, em alguns casos, tem ampliado as</p><p>taxas de sobrevida em 5 anos. Outra abordagem consiste na quimioterapia adjuvante</p><p>pós-operatória. Radioterapia e quimioterapia são utilizadas como métodos paliativos.</p><p>• Identificar a classificação e o progresso histopatológico das lesões</p><p>colônicas</p><p>O prognóstico dos pacientes com câncer colorretal depende em grande parte da</p><p>extensão do acometimento intestinal e da existência de metástases por ocasião do</p><p>diagnóstico. Em geral, o câncer colorretal é classificado em quatro estágios com base</p><p>no sistema TNM (tumor, linfonodo e metástase). De acordo com esse sistema, o tumor</p><p>em estágio I limita-se à invasão das camadas mucosa e submucosa do intestino grosso,</p><p>e está associado a uma taxa de sobrevida entre 90 e 100% em 5 anos. O tumor em</p><p>estágio II (linfonodos negativos) infiltra, mas não ultrapassa a camada muscular própria,</p><p>e tem taxa de sobrevida de 80% em 5 anos. No tumor em estágio III (linfonodos</p><p>positivos), no qual há invasão da serosa e dos linfonodos regionais, a taxa de sobrevida</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 38</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>diminui para 30 a 50% em 5 anos. Os tumores em estágio IV (metastáticos) penetram</p><p>na serosa ou nos órgãos adjacentes e têm prognóstico muito mais desfavorável.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Estimativa 2020: incidência</p><p>de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio</p><p>de Janeiro: INCA, 2019.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 03 jun. 2022.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Interpretar os achados anatomopatológicos e bioquímicos para o rastreio de</p><p>câncer de cólon.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: US abdominal na avaliação da hipertrofia pilórica. //</p><p>Compreender o uso da colonoscopia na avaliação da anatomia e das alterações</p><p>do cólon.</p><p>• Anatomopatologia: Aprender sobre pólipos intestinais e achados histológicos</p><p>do câncer colorretal.</p><p>• Patologia clínica: Discutir os exames laboratoriais utilizados no monitoramento</p><p>do CA de intestino grosso, com ênfase no CEA, CA19.9, pesquisa de sangue</p><p>oculto nas fezes.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01- Compreender o impacto da neoplasia de cólon na saúde pública.</p><p>• Abordar sobre a epidemiologia, a hereditariedade e a taxa de mortalidade do</p><p>câncer de cólon</p><p>• Discutir sobre a fisiopatologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento</p><p>• Discorrer sobre as políticas de triagem precoce do câncer de cólon.</p><p>- PALESTRA 02- Conhecer as doenças anorretais.</p><p>• Abordar sobre a epidemiologia, etiologia e fisiopatologia das principais doenças</p><p>anorretais: Fissura anal, verrugas anais, hemorroidas, fístulas anais, prurido anal</p><p>e câncer anal.</p><p>TICS</p><p>• 1. Compreender as apresentações clínicas das síndromes associadas às</p><p>neoplasias do cólon. 2. Conhecer as manifestações da síndrome de Peutz-</p><p>Jeghers. 3. Correlacionar os procedimentos de ressecção de pólipos retais.</p><p>• Síndromes clínicas associadas neoplasias cólon</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 39</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Semana 06: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Identificar as patologias que afetam os hepatócitos e deprimem as funções</p><p>metabólicas e sintéticas do fígado.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S6P1: ALFABETIZAÇÃO HEPÁTICA</p><p>Fonte: Adaptado de https://anaemaurobioifes.wordpress.com</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Conhecer a classificação das hepatites virais.</p><p>• Conhecer os aspectos microbiológicos e sorológicos das hepatites virais.</p><p>• Comparar as hepatites virais em termos de epidemiologia, etiologia, período de</p><p>incubação, fisiopatologia, vias de transmissão, manifestações clínicas e</p><p>diagnóstico.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>A hepatite se refere à inflamação do fígado, a qual pode ser causada por vírus</p><p>hepatotrópicos que afetam primariamente as células hepáticas (ou hepatócitos);</p><p>mecanismos autoimunes; reações a fármacos e toxinas; ou outros distúrbios sistêmicos.</p><p>Entre os vírus que causam doença sistêmica e podem afetar o fígado, está o vírus</p><p>Epstein-Barr (EBV, mononucleose infecciosa), que pode causar hepatite branda durante</p><p>a fase aguda; citomegalovírus (CMV, principalmente nos recém-nascidos e nos</p><p>pacientes imunossuprimidos);</p><p>herpes-vírus (HSV) e enterovírus.</p><p>Os vírus hepatotrópicos conhecidos são os seguintes: vírus da hepatite A (HAV),</p><p>hepatite B (HBV), vírus delta associado à hepatite B (HDV), vírus da hepatite C (HCV)</p><p>e vírus da hepatite E (HEV). Embora todos esses vírus causem hepatite aguda, eles</p><p>diferem quanto ao mecanismo de transmissão e ao período de incubação; ao</p><p>mecanismo, à gravidade e à cronicidade da lesão hepática; bem como à capacidade de</p><p>evoluir a um estado de portador. A existência de antígenos virais e seus anticorpos pode</p><p>ser determinada por exames laboratoriais. Estudos epidemiológicos indicaram que</p><p>https://anaemaurobioifes.wordpress.com/</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 40</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>alguns casos de hepatite infecciosa foram causados por outros agentes etiológicos. Um</p><p>vírus semelhante ao HCV foi clonado e identificado como vírus da hepatite G (HGV),</p><p>também referido como HGV-C. Estudos encontraram evidências de infecção por HGV</p><p>em 2% dos doadores de sangue nos EUA. Contudo, o HGV não está relacionado com</p><p>doença hepática ou exacerbações de uma hepatopatia preexistente.</p><p>Etiologia e patogênese. Existem dois mecanismos de lesão hepática com as hepatites</p><p>virais: agressão celular direta e indução de reações imunes contra os antígenos virais.</p><p>Os mecanismos de lesão hepática foram estudados com mais detalhes na hepatite B</p><p>(HBV) e acredita-se que a magnitude da inflamação e da necrose dependa da reação</p><p>imune do paciente. Desse modo, uma reação imune imediata durante a fase aguda da</p><p>infecção poderia causar lesão celular, mas ao mesmo tempo erradicar o vírus. Por isso,</p><p>pacientes que respondem com menos sintomas e reação imune limítrofe têm menos</p><p>tendência de erradicar o vírus e seus hepatócitos expressam níveis persistentes de</p><p>antígenos virais, resultando em doença crônica ou estado de portador. A hepatite</p><p>fulminante poderia ser explicada por uma reação imune acelerada seguida de necrose</p><p>hepática grave.</p><p>A evolução clínica das hepatites virais caracteriza-se por algumas síndromes,</p><p>inclusive infecção assintomática apenas com indícios sorológicos da doença; hepatite</p><p>aguda; estado de portador sem doença clinicamente evidente ou com hepatite crônica;</p><p>hepatite crônica com ou sem progressão para cirrose; ou doença fulminante com início</p><p>rápido de insuficiência hepática. Nem todos os vírus hepatotóxicos causam todas essas</p><p>síndromes clínicas.</p><p>Manifestações clínicas. As manifestações clínicas das hepatites virais agudas podem</p><p>ser divididas em três fases: pródromo ou período pré-ictérico, fase ictérica e período de</p><p>recuperação. As manifestações do período prodrômico podem ter início súbito ou</p><p>insidioso de mal-estar, mialgia, artralgia, fadiga aos mínimos esforços e anorexia.</p><p>Também podem ocorrer queixas gastrintestinais como náuseas, vômitos e diarreia ou</p><p>constipação intestinal. Os níveis séricos de AST e ALT mostram elevações variáveis</p><p>durante a fase pré-ictérica da hepatite aguda e as alterações destas enzimas precedem</p><p>a elevação da bilirrubina, que acompanha o início da fase ictérica da infecção. Quando</p><p>ocorre, a fase ictérica geralmente começa em 7 a 14 dias depois do período prodrômico.</p><p>Os pacientes têm hipersensibilidade na região ao redor do fígado, emagrecimento</p><p>discreto e hemangiomas aracneiformes. Aproximadamente 80% das pessoas com</p><p>hepatite C aguda são assintomáticas. A fase de recuperação caracteriza-se por</p><p>sensação crescente de bem-estar, recuperação do apetite e desaparecimento da</p><p>icterícia. Em geral, a doença aguda regride gradativamente ao longo de um período de</p><p>2 a 12 semanas, com recuperação clínica completa depois de 1 a 4 meses, dependendo</p><p>do tipo de hepatite. As infecções pelo HBV e HCV podem levar a um estado de portador,</p><p>no qual o indivíduo não tem sintomas, mas é portador do vírus e consequentemente</p><p>pode transmitir a doença. Também existem evidências sugestivas de que o HDV possa</p><p>causar estado de portador, mas isto não ocorre com o HAV. Existem dois tipos de estado</p><p>de portador: portadores saudáveis, que mostram pouco ou nenhum efeito da doença, e</p><p>portadores crônicos, que podem ter sintomas ou não. Entre os fatores que aumentam o</p><p>risco de tornar-se portador estão a idade por ocasião da infecção e estado imune. A</p><p>taxa de portador das infecções que ocorrem nos primeiros anos de vida (p. ex., filhos de</p><p>mulheres infectadas pelo HBV) pode chegar a 90%. Outros grupos com risco elevado</p><p>de tornar-se portadores são pacientes imunossuprimidos, indivíduos que receberam</p><p>várias transfusões de sangue ou hemocomponentes, pacientes em hemodiálise e</p><p>dependentes químicos.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 41</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 09 jun. 2022.</p><p>S6P2 Tempo Perdido</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 42</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: Adaptado de http://educacaosobredrogas.com.br/ferramentas-de-aula-sobre-drogas/.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia do fígado e sistema porta.</p><p>• Entender a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações da cirrose.</p><p>• Compreender a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas e</p><p>diagnóstico da hipertensão portal.</p><p>• Discutir os impactos do abuso de álcool nas relações familiares.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Entender a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações da cirrose</p><p>Cirrose é uma condição definida por sua histopatologia e que tem ampla</p><p>variedade de manifestações clínicas e complicações, das quais algumas podem ser</p><p>fatais.</p><p>Independentemente da causa da cirrose, as características patológicas</p><p>consistem no desenvolvimento de fibrose até o ponto em que se observa distorção</p><p>arquitetônica com formação de nódulos regenerativos. Isso resulta na diminuição da</p><p>massa hepatocelular e, portanto, em sua função, assim como em alteração do fluxo</p><p>sanguíneo. A indução da fibrose ocorre com a ativação de células estreladas hepáticas,</p><p>resultando na formação de maior quantidade de colágeno e outros componentes da</p><p>matriz extracelular.</p><p>As manifestações clínicas da cirrose são o resultado das alterações patológicas</p><p>e refletem a gravidade da doença hepática subjacente. A maioria dos</p><p>hepatopatologistas, ao avaliar as amostras de biópsia do fígado, procura fornecer uma</p><p>avaliação do grau e estágio da fibrose. Esses esquemas de graduação e estadiamento</p><p>variam com cada estado patológico e foram desenvolvidos para a maioria das doenças,</p><p>incluindo hepatite viral crônica, doença hepática gordurosa não alcoólica e cirrose biliar</p><p>primária. A fibrose avançada geralmente inclui fibrose confluente com formação de</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 43</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>nódulos, que é designada como estágio 3, enquanto a cirrose é referida como estágio</p><p>4. Os pacientes cirróticos têm graus variáveis de função hepática compensada, e os</p><p>clínicos devem estabelecer a diferença entre os que apresentam cirrose estável</p><p>compensada e os que têm cirrose descompensada. Os pacientes que desenvolveram</p><p>complicações de sua hepatopatia e se tornaram descompensados devem ser avaliados</p><p>quanto à possibilidade de transplante de fígado. Muitas das complicações da cirrose</p><p>exigem tratamento específico. A hipertensão portal é um fator agravante significativo da</p><p>cirrose descompensada e é responsável pelo desenvolvimento de ascite e sangramento</p><p>de varizes esofágicas – duas complicações que indicam a existência</p><p>de cirrose</p><p>descompensada. A perda da função hepatocelular resulta em icterícia, distúrbios da</p><p>coagulação e hipoalbuminemia, e contribui para as causas de encefalopatia</p><p>portossistêmica. As complicações da cirrose são essencialmente as mesmas,</p><p>independentemente da etiologia. No entanto, é útil classificar os pacientes de acordo</p><p>com a causa da doença hepática; os pacientes podem ser classificados nos seguintes</p><p>grupos gerais: cirrose alcoólica; cirrose decorrente de hepatite viral crônica; cirrose</p><p>biliar; e outras causas menos comuns, como cirrose cardíaca, cirrose criptogênica e</p><p>outras etiologias.</p><p>Causas da cirrose: Alcoolismo; Hepatite viral crônica; Hepatite B; Hepatite C;</p><p>Hepatite autoimune; Esteato-hepatite não alcoólica; Cirrose biliar; Colangite biliar</p><p>primária; Colangite esclerosante primária; Colangiopatia autoimune; Cirrose cardíaca;</p><p>Doença hepática metabólica hereditária; Hemocromatose; Doença de Wilson;</p><p>Deficiência de α1-antitripsina; Fibrose cística e Cirrose criptogênica.</p><p>• Compreender a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações</p><p>clínicas e diagnóstico da hipertensão portal.</p><p>A hipertensão portal é definida por elevação do gradiente de pressão venosa</p><p>hepática (GPVH) > 5 mmHg. A hipertensão portal é causada por uma combinação de</p><p>dois processos hemodinâmicos que ocorrem simultaneamente: (1) resistência intra-</p><p>hepática aumentada à passagem do fluxo sanguíneo pelo fígado em função da cirrose</p><p>e dos nódulos regenerativos, e (2) fluxo sanguíneo esplâncnico aumentado secundário</p><p>à vasodilatação dentro do leito vascular esplâncnico. A hipertensão portal é diretamente</p><p>responsável pelas duas principais complicações da cirrose: hemorragia varicosa e</p><p>ascite. A hemorragia varicosa é um problema imediato e ameaçador com taxa de</p><p>mortalidade associada de 20 a 30% a cada episódio de sangramento. O sistema venoso</p><p>portal drena normalmente o sangue proveniente do estômago, intestinos, baço,</p><p>pâncreas e vesícula biliar, enquanto a veia porta é formada pela confluência das veias</p><p>mesentérica superior e esplênica. O sangue desoxigenado proveniente do intestino</p><p>delgado drena para dentro da veia mesentérica superior junto com o sangue proveniente</p><p>da cabeça do pâncreas, cólon ascendente e parte do cólon transverso. Por outro lado,</p><p>a veia esplênica drena o baço e o pâncreas, e comunica-se com a veia mesentérica</p><p>inferior, que traz sangue proveniente dos cólons transverso e descendente, assim como</p><p>dos dois terços superiores do reto. Assim, a veia porta recebe normalmente sangue</p><p>proveniente de quase todo o trato GI.</p><p>As causas de hipertensão portal geralmente são subdivididas em pré-hepáticas,</p><p>intra-hepáticas e pós-hepáticas. As causas pré-hepáticas de hipertensão portal são as</p><p>que afetam o sistema venoso portal antes de entrar no fígado; isso inclui trombose da</p><p>veia porta e trombose da veia esplênica. As causas pós-hepáticas reúnem as que</p><p>afetam as veias hepáticas e a drenagem venosa para o coração; isso inclui SBC, doença</p><p>venoclusiva e congestão cardíaca crônica do lado direito. As causas intra-hepáticas são</p><p>responsáveis por > 95% dos casos de hipertensão portal e são representadas pelas</p><p>principais formas de cirrose. As causas intra-hepáticas de hipertensão portal podem ser</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 44</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>subdivididas em causas pré-sinusoidais, sinusoidais e pós-sinusoidais. As causas pós-</p><p>sinusoidais incluem doença venoclusiva, enquanto as causas pré-sinusoidais incluem</p><p>fibrose hepática congênita e esquistossomose. As causas sinusoidais estão</p><p>relacionadas com diversas causas de cirrose.</p><p>Cirrose é a causa mais comum de hipertensão portal nos Estados Unidos, e ></p><p>60% dos pacientes cirróticos têm hipertensão portal clinicamente significativa. A</p><p>obstrução da veia porta pode ser idiopática ou está associada à cirrose ou infecção,</p><p>pancreatite ou traumatismo abdominal.</p><p>Os distúrbios da coagulação que podem causar trombose da veia porta incluem</p><p>policitemia vera; trombocitose essencial; deficiências de proteína C, proteína S,</p><p>antitrombina 3 e fator V de Leiden; e anormalidades do gene que regula a produção de</p><p>protrombina. Alguns pacientes podem ter um distúrbio mieloproliferativo subclínico.</p><p>Manifestações clínicas. As três complicações principais da hipertensão portal são</p><p>varizes gastresofágicas com hemorragia, ascite e hiperesplenismo. Desse modo, os</p><p>pacientes podem apresentar-se com hemorragia digestiva alta que, ao exame</p><p>endoscópico, demonstra ser decorrente de varizes esofágicas ou gástricas; ascite com</p><p>edema periférico; ou baço aumentado de volume com redução associada das plaquetas</p><p>e dos leucócitos nos exames laboratoriais de rotina.</p><p>VARIZES ESOFÁGICAS No transcorrer da última década, tornou-se prática comum</p><p>realizar rastreamento dos pacientes cirróticos diagnosticados por endoscopia em busca</p><p>de varizes esofágicas. Esses estudos mostraram que cerca de um terço dos pacientes</p><p>com cirrose histologicamente confirmada têm varizes. A cada ano, cerca de 5 a 15%</p><p>dos cirróticos desenvolvem varizes e foi estimado que a maioria dos pacientes com</p><p>cirrose desenvolve varizes no decorrer de sua vida. Além disso, admite-se que um terço</p><p>dos pacientes com varizes têm algum sangramento. Vários fatores permitem prever o</p><p>risco de sangramento, incluindo a gravidade da cirrose (classificação de Child, escore</p><p>MELD); a medida da pressão da veia hepática ocluída; o calibre das varizes; a</p><p>localização das varizes e certos sinais endoscópicos, incluindo sinais de vergões</p><p>avermelhados, manchas hematocísticas, eritema difuso, coloração azul, manchas</p><p>vermelho-cereja, ou áreas com mamilos esbranquiçados. Os pacientes com ascite tensa</p><p>também correm maior risco de sangramento das varizes.</p><p>Diagnóstico. Nos pacientes com cirrose que estão sendo acompanhados</p><p>cronicamente, o desenvolvimento de hipertensão portal geralmente é revelado pela</p><p>presença de trombocitopenia; crescimento do baço; ou desenvolvimento de ascite,</p><p>encefalopatia e/ou varizes esofágicas com ou sem sangramento. Nos pacientes ainda</p><p>não diagnosticados, qualquer uma dessas características deve justificar a avaliação</p><p>adicional destinada a determinar a presença de hipertensão portal e hepatopatia. As</p><p>varizes devem ser identificadas por endoscopia. O estudo por imagem do abdome, seja</p><p>tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), pode ser útil para</p><p>demonstrar um fígado nodular e evidenciar alterações decorrentes da hipertensão portal</p><p>com circulação colateral intra-abdominal. Se necessário, procedimentos radiológicos</p><p>intervencionistas podem ser realizados para determinar as pressões na veia hepática</p><p>ocluída e livre, que permitem fazer o cálculo do gradiente das pressões ocluída-livre</p><p>(equivalente à pressão portal). O gradiente médio normal entre as pressões ocluída-livre</p><p>é de 5 mmHg e os pacientes com gradiente > 12 mmHg correm risco de sofrer</p><p>hemorragia varicosa.</p><p>• Discutir os impactos do abuso de álcool nas relações familiares.</p><p>O uso de bebidas alcoólicas está atrelado à cultura em que, desde os primórdios,</p><p>se fazia uso da mesma como gesto de comemoração em diversas festividades, atos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 45</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>religiosos, comerciais ou complementos culinários. Contudo, o uso</p><p>inapropriado/excessivo destas acarreta complicações para a vida do indivíduo. O</p><p>alcoolismo tem aumentado progressivamente em toda sociedade, tornando-se um</p><p>grande problema de saúde pública, e seu uso constante está ligado aos fatores de fácil</p><p>acesso e baixo custo.</p><p>Considerada uma droga lícita, o álcool é um dos principais responsáveis pelas</p><p>causas de óbitos por abuso de drogas no Brasil. De oito mil mortes por ano, o álcool é</p><p>responsável por 85% delas. O número de dependentes cresce substancialmente,</p><p>afetando tanto jovens quanto adultos. Ainda que seja ingerido em poucas quantidades,</p><p>acarreta consequências graves para todos ao redor do alcoolista. Os malefícios</p><p>provocados pelo alcoolismo vão além, pois pessoas</p><p>que possuem essa dependência</p><p>têm maiores chances de sofrer algum tipo interferência no ambiente de trabalho, ou</p><p>seja, é prejudicial tanto para as relações familiares quanto para as relações do meio</p><p>social e profissional.</p><p>Fonte: SOUZA, Lavinia Luzia Gomes et al. Alcoolismo: impactos na vida familiar.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970-4/pageid/675</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 09 jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37]!/4</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Analisar os achados laboratoriais, bioquímicos, sorológicos, histológicos e de</p><p>imagem das alterações hepáticas.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: Aprender sobre as alterações da cirrose hepática e</p><p>hipertensão portal na ultrassonografia e tomografia computadorizada.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender os achados histológicos das hepatites virais</p><p>crônicas (B e C) e reconhecer lâminas de cirrose.</p><p>• Patologia Clínica: Conhecer os marcadores de função e lesão hepática:</p><p>bilirrubina total e frações, Proteína total e frações, AST, ALT, GGT, TP, TTPA,</p><p>INR. Sorologia das hepatites virais.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01: Interpretar os marcadores sorológicos das hepatites.</p><p>• Abordar sobre os marcadores sorológicos das hepatites virais (A, B, C, D e E).</p><p>- PALESTRA 02: Comparar as neoplasias benignas e malignas hepáticas.</p><p>• Foco na epidemiologia, fisiopatologia, fatores de risco, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e manejo terapêutico.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970-4/pageid/675</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 46</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>TICS</p><p>• 1. Entender os mecanismos fisiopatológicos de hepatopatia por vírus. 2.</p><p>Conhecer os tipos de vírus relacionados às hepatites. 3. Correlacionar os tipos</p><p>de marcadores das hepatites virais.</p><p>• Vacinas e drogas para hepatites</p><p>Semana 07: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Entender os processos fisiopatológicos da vesícula biliar e do pâncreas</p><p>exócrino.</p><p>• Conhecer os tipos de abdôme agudo.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S7P1: "Final de festa"</p><p>Que saudade das festas de família. Tenho uma tia que adora leitoa, principalmente</p><p>aquela que tem uma pururuca bem crocante, acompanhada de uma cerveja. No último</p><p>Natal, fomos todos parar na emergência por causa dela. Gritava que estava morrendo</p><p>com uma dor intensa no hipocôndrio esquerdo “indo para as costas”, vomitava sem</p><p>parar e quase não conseguia erguer o corpo, com a mão sobre o local da dor. Fim de</p><p>festa, mas feliz, pois a minha tia está muito bem agora que foi tratada.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia do pâncreas e da vesícula biliar.</p><p>• Conhecer a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas e</p><p>diagnósticas da pancreatite aguda e crônica.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever a morfofisiologia do pâncreas e da vesícula biliar</p><p>A vesícula biliar é uma “bolsa” muscular distensível com formato de pera, que</p><p>está localizada na superfície ventral do fígado. Tem uma camada peritoneal serosa</p><p>externa, uma camada de musculatura lisa intermediária e uma camada de mucosa</p><p>interna em continuidade com o revestimento do ducto biliar. A função da vesícula é</p><p>armazenar e concentrar bile. A bile contém sais biliares, colesterol, bilirrubina, lecitina,</p><p>ácidos graxos, água e eletrólitos encontrados normalmente no plasma. O colesterol</p><p>acumulado na bile não tem função conhecida, mas se supõe que seja um subproduto</p><p>da formação dos sais biliares; sua presença está relacionada com a função excretora</p><p>da bile. Na vesícula biliar, a água e os eletrólitos são absorvidos da bile hepática,</p><p>tornando-α mais concentrada. Como a lecitina e os sais biliares não são absorvidos na</p><p>vesícula biliar, sua concentração aumenta proporcionalmente à do colesterol; deste</p><p>modo, a solubilidade do colesterol é mantida.</p><p>A entrada dos alimentos no intestino provoca contração da vesícula biliar e</p><p>relaxamento do esfíncter do ducto biliar, de forma que a bile armazenada na vesícula</p><p>seja levada ao duodeno. O estímulo para a contração da vesícula é basicamente</p><p>hormonal. Os produtos da digestão alimentar, principalmente lipídios, estimulam a</p><p>secreção do hormônio gastrintestinal conhecido como colecistocinina pela mucosa</p><p>duodenal. Esse hormônio é um estímulo potente para a contração da vesícula biliar. O</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 47</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>papel dos hormônios gastrintestinais na secreção biliar não está esclarecido com tantos</p><p>detalhes.</p><p>O pâncreas está situado transversalmente na região posterior do abdome</p><p>superior. A cabeça do pâncreas está localizada no lado direito do abdome e fica apoiada</p><p>sobre a curvatura do duodeno, na região da ampola hepatopancreática e sua entrada</p><p>no duodeno. O corpo do pâncreas está localizado sob o estômago e a cauda toca no</p><p>baço. Por causa de sua posição posterior, o pâncreas está praticamente oculto e, ao</p><p>contrário de alguns outros órgãos, não pode ser palpado. Em vista da posição do</p><p>pâncreas e de sua reserva funcional ampla, os sinais e sintomas causados por doenças</p><p>como câncer do pâncreas geralmente aparecem apenas em estágios avançados.</p><p>O pâncreas é um órgão endócrino e exócrino. O pâncreas exócrino é formado</p><p>por lóbulos, que consistem em células acinares que secretam enzimas digestivas em</p><p>um sistema de ductos microscópicos. Esses ductos drenam para o ducto pancreático</p><p>principal, que se estende da esquerda para a direita dentro do parênquima do órgão.</p><p>O ducto pancreático principal e o ducto biliar reúnem-se para formar a ampola</p><p>hepatopancreática, que se abre no duodeno. O esfíncter do ducto pancreático controla</p><p>o fluxo das secreções pancreáticas para dentro do duodeno.</p><p>As secreções pancreáticas contêm enzimas proteolíticas que decompõem as</p><p>proteínas da dieta, inclusive tripsina, quimotripsina, carboxipolipeptidase, ribonuclease</p><p>e desoxirribonuclease. Além disso, o pâncreas secreta amilase pancreática que</p><p>decompõe amido e lipases que hidrolisam gorduras neutras em glicerol e ácidos graxos.</p><p>As enzimas pancreáticas são secretadas em suas formas inativas e são ativadas no</p><p>intestino. Isso é importante porque as enzimas poderiam digerir os tecidos do próprio</p><p>pâncreas, se fossem secretadas em suas formas ativas. As células acinares secretam</p><p>um inibidor de tripsina, que impede a ativação desta enzima. Como a tripsina ativa</p><p>outras enzimas proteolíticas, seu inibidor evita a ativação subsequente destas últimas</p><p>enzimas.</p><p>• Conhecer a etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas</p><p>e diagnósticas da pancreatite aguda e crônica</p><p>Pancreatite aguda. Pancreatite aguda é um processo inflamatório reversível dos ácinos</p><p>pancreáticos, desencadeado pela ativação prematura das enzimas pancreáticas.</p><p>Embora o processo patológico possa ficar limitado aos tecidos pancreáticos, também</p><p>pode afetar os tecidos peripancreáticos ou órgãos mais distantes. Nos EUA, até 220.000</p><p>pacientes são hospitalizados anualmente com pancreatite aguda. A pancreatite aguda</p><p>é mais bem definida clinicamente quando o paciente apresenta dois dos seguintes</p><p>critérios: (1) sintomas (p. ex., epigastralgia) compatível com pancreatite, (2) níveis</p><p>séricos de amilase</p><p>ou lipase mais de três vezes acima do limite superior da normalidade</p><p>e (3) achados nos exames de imagem compatíveis com pancreatite, em geral TC ou</p><p>RM.</p><p>A patogênese da pancreatite aguda consiste na autodigestão dos tecidos</p><p>pancreáticos por enzimas pancreáticas anormalmente ativadas. Aparentemente, o</p><p>processo começa com a ativação da tripsina. Depois de ser ativada, essa enzima ativa</p><p>várias enzimas digestivas que causam danos ao pâncreas e uma reação inflamatória</p><p>intensa. A própria reação inflamatória aguda causa destruição significativa dos tecidos</p><p>e pode estender-se para fora do pâncreas, produzindo uma síndrome de resposta</p><p>inflamatória sistêmica e falência de múltiplos órgãos. Embora alguns fatores estejam</p><p>associados ao desenvolvimento da pancreatite aguda, a maioria dos casos resulta de</p><p>cálculos biliares (cálculos no ducto biliar comum) ou consumo abusivo de álcool etílico.</p><p>Nos casos de obstrução das vias biliares por cálculos, a obstrução do ducto pancreático</p><p>ou o refluxo de bile parece ativar as enzimas no sistema de ductos pancreáticos. Os</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 48</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>mecanismos exatos por meio dos quais o álcool produz seus efeitos são praticamente</p><p>desconhecidos. Os processos de metabolismo oxidativo e não oxidativo do etanol pelo</p><p>pâncreas e os subprodutos deletérios resultantes foram relacionados com a pancreatite</p><p>aguda. A pancreatite aguda também está associada a hiperlipidemia, hipercalcemia,</p><p>infecções (especialmente virais), traumatismos abdominais e cirúrgicos, além de</p><p>fármacos (p. ex., diuréticos tiazídicos).</p><p>Manifestações clínicas. As manifestações clínicas da pancreatite aguda podem ser</p><p>brandas com disfunção mínima do órgão, ou casos graves e potencialmente fatais. Dor</p><p>abdominal é uma das principais manifestações clínicas. Em geral, a dor localiza-se na</p><p>região epigástrica ou periumbilical e pode irradiar para o dorso, o tórax ou a região do</p><p>flanco. As alterações do exame físico são variadas e incluem febre, taquicardia,</p><p>hipotensão, hipersensibilidade grave à palpação do abdome, angústia respiratória e</p><p>distensão abdominal. Os marcadores comprovados de doença grave são valores</p><p>laboratoriais que refletem a resposta inflamatória (p. ex., proteína C reativa); sistemas</p><p>de classificação que avaliam a inflamação ou a falência de órgãos; e resultados dos</p><p>exames de imagem. As manifestações clínicas como sede, débito urinário reduzido,</p><p>taquicardia crescente, taquipneia, hipoxemia, agitação, confusão mental, nível</p><p>crescente de hematócrito e inexistência de melhora dos sintomas nas primeiras 48 h</p><p>são sinais indicativos de doença grave iminente. As complicações são reação</p><p>inflamatória sistêmica, síndrome de angústia respiratória aguda, necrose tubular aguda</p><p>e falência de órgãos. Um distúrbio importante associado à pancreatite aguda é perda de</p><p>grande volume de líquidos para os espaços retroperitoneal e peripancreáticos, e para a</p><p>cavidade abdominal.</p><p>Diagnóstico. O diagnóstico de pancreatite aguda exige dois dos seguintes</p><p>sinais/sintomas: (1) dor abdominal característica de pancreatite aguda; (2) níveis séricos</p><p>de amilase e/ou lipase duas ou três vezes acima do limite superior do normal e (3)</p><p>achados característicos de pancreatite aguda na ultrassonografia, na TC contrastada ou</p><p>na RM transabdominal.</p><p>Pancreatite crônica. A pancreatite crônica caracteriza-se por destruição progressiva</p><p>do pâncreas exócrino, fibrose e destruição do pâncreas exócrino nos estágios mais</p><p>avançados. A maioria dos fatores que causam pancreatite aguda também pode</p><p>acarretar pancreatite crônica. Entretanto, a diferença principal entre essas duas</p><p>condições é a irreversibilidade da perda da função pancreática, que é típica da</p><p>pancreatite crônica. Nos países ocidentais, a causa mais comum de pancreatite crônica</p><p>certamente é alcoolismo de longa duração. Causas menos frequentes são obstruções</p><p>crônicas do ducto pancreático por pseudocisto, cálculos ou neoplasias; pancreatite</p><p>crônica autoimune, que está associada aos distúrbios autoimunes como síndrome de</p><p>Sjögren, colangite esclerosante primária e doença intestinal inflamatória; pancreatite</p><p>crônica idiopática associada à fibrose cística; e pancreatite hereditária, uma doença</p><p>autossômica dominante rara associada às formas aguda e crônica de pancreatite.</p><p>Manifestações clínicas. A pancreatite crônica evidencia-se por episódios semelhantes</p><p>aos da pancreatite aguda, embora com menor gravidade. Os pacientes com pancreatite</p><p>crônica têm episódios persistentes e recidivantes de dor no epigástrio e no quadrante</p><p>superior esquerdo; em geral, esses episódios são desencadeados por ingestão</p><p>excessiva de álcool ou alimentos. Anorexia, náuseas, vômitos, constipação intestinal e</p><p>flatulência são queixas comuns. Por fim, a doença progride a ponto de causar</p><p>insuficiência das funções pancreáticas exócrinas e endócrinas. Nesse ponto, os</p><p>pacientes apresentam sinais de diabetes melito e síndrome de má absorção (p. ex.,</p><p>emagrecimento, fezes gordurosas [esteatorreia]).</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 49</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 09</p><p>jun. 2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 09 jun. 2022.</p><p>S7P2: Onde dói?</p><p>Jeane, gestante de 6 meses, não sabe o que está acontecendo com ela. Nos últimos</p><p>meses, relata um certo desconforto após as alimentações. Tem sentido náuseas e dor</p><p>em hipocôndrio direito. Hoje está gritando de dor, não sabe nem informar onde dói e</p><p>procurou o pronto-socorro. Chegou com temperatura axilar de 38,4ºC e quase sem</p><p>conseguir andar!</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>- Discutir as síndromes abdominais agudas.</p><p>- Conhecer as causas abdominal e extra-abdominal bem como o diagnóstico do abdome</p><p>agudo (anamnese, exame físico, exames complementares básicos e de imagem).</p><p>Orientações para os tutores</p><p>O discente deve entender os tipos de abdome agudo: inflamatório/infeccioso</p><p>Apendicite aguda, colecistite aguda, pancreatite aguda, diverticulite, doença inflamatória</p><p>pélvica. • Perfurativo: Perfurações gastroduodenais (úlceras pépticas, tumores) e</p><p>intestinais (diverticulite, tumores, sofrimento vascular). • Obstrutivo: Aderências e bridas,</p><p>hérnias, neoplasias, volvo, intussuscepções, estenoses inflamatórias, íleo biliar e</p><p>infestações por vermes. • Vascular Isquêmico: Oclusões arteriais (trombose, embolia,</p><p>vasculites), venosas (trombose) nos vasos do mesentéricos, ruptura de aneurismas,</p><p>isquemia não oclusiva. • Hemorrágico: Ruptura de aneurismas, gravidez ectópica rota,</p><p>ruptura de folículo ovariano com sangramento, ruptura hepática espontânea”.</p><p>Disponível em: http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882479/abdome-agudo-diagnostico-</p><p>sindromico.pdf.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Conhecer os mecanismos fisiopatológicos e os achados clínicos da pancreatite</p><p>e do abdome agudo.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: Entender o papel do ultrassom na suspeita de</p><p>cálculo da vesícula biliar.</p><p>• Anatomopatologia: Discutir os tipos de cálculos biliares e compreender a</p><p>pancreatite aguda e crônica. Analisar achados microscópicos da apendicite</p><p>aguda.</p><p>• Patologia clínica: Interpretar os marcadores laboratoriais: FA, GGT, amilase,</p><p>lipase. Rever triglicérides e colesterol total e frações.</p><p>Palestras</p><p>-PALESTRA 01: Comparar as neoplasias benignas e malignas do pâncreas.</p><p>http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882479/abdome-agudo-diagnostico-sindromico.pdf</p><p>http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882479/abdome-agudo-diagnostico-sindromico.pdf</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 50</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>problemas e casos clínicos, baseia-se no aprendizado centrado no aluno. O</p><p>levantamento de hipóteses é incentivado pelo docente facilitador frente às situações-</p><p>problemas, particularmente por meio da utilização sistemática de metodologias ativas,</p><p>com ênfase na autoaprendizagem e na discussão em grupo.</p><p>Os módulos de Sistemas Orgânicos Integrados serão ofertados do 1o ao 5o período do</p><p>curso e os conhecimentos, as habilidades e as atitudes serão desenvolvidos em níveis</p><p>crescentes de complexidade ao longo dos períodos. Os módulos estão integrados</p><p>longitudinalmente e verticalmente. De maneira pormenorizada, integram-se, ainda, os</p><p>módulos de Habilidades e Atitudes Médicas e de Integração Ensino-Serviço-</p><p>Comunidade.</p><p>2 Conhecimentos, Habilidades e Atitudes Associadas</p><p>ao Eixo de Sistemas Orgânicos Integrados (1º ao 5º</p><p>Período)</p><p>• Compreender de maneira contextualizada e voltada para a prática</p><p>profissional a estrutura e função dos tecidos, órgãos, sistemas e aparelhos.</p><p>Aplicar os conhecimentos científicos básicos da natureza</p><p>ecobiopsicossocial subjacentes à prática médica e ter raciocínio crítico na</p><p>interpretação dos dados, na identificação da natureza dos problemas</p><p>prevalentes e no seu enfrentamento.</p><p>• Utilizar os conhecimentos da estrutura e funções do corpo humano para a</p><p>avaliação clínica e complementar do indivíduo.</p><p>• Conhecer elementos para estabelecer a conduta diagnóstica e terapêutica</p><p>dos agravos prevalentes no ser humano em todas as fases do ciclo de vida</p><p>norteados pela Medicina Baseada em Evidências.</p><p>• Interpretar e proceder à análise crítica de artigos científicos em língua</p><p>inglesa.</p><p>• Aprender a aprender e ter responsabilidade e compromisso com a sua</p><p>educação permanente; desenvolver habilidades e competências para atuar</p><p>em equipe.</p><p>• Aplicar com responsabilidade legal, inerente a atuação do profissional e do</p><p>estudante de Medicina, os princípios morais, éticos e bioéticos para a</p><p>tomada de decisão.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 6</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>3 Ementa SOI IV</p><p>Abordagem integrada dos principais mecanismos de agressão e defesa, bases</p><p>fisiopatológicas, fundamentos da terapêutica, propedêutica radiológica e laboratorial</p><p>aplicada aos problemas prevalentes do desenvolvimento humano e do meio ambiente</p><p>relacionados aos sistemas digestório, renal e reprodutor.</p><p>4 Objetivos SOI IV</p><p>• Compreender os mecanismos de agressão e defesa envolvidos nas doenças do</p><p>ser humano em todas as fases do ciclo biológico, tendo como critérios a</p><p>prevalência, a letalidade, o potencial de prevenção e o potencial mórbido, bem</p><p>como a eficácia da ação médica relacionadas aos sistemas digestório, renal e</p><p>reprodutor;</p><p>• Conhecer elementos para estabelecer a conduta diagnóstica e agravos</p><p>prevalentes no ser humano norteados pela Medicina Baseada em Evidências;</p><p>• Reconhecer estados morfofuncionais alterados, com vistas à compreensão dos</p><p>mecanismos envolvidos em diversas afecções relacionadas aos sistemas</p><p>digestório, renal e reprodutor;</p><p>• Explicar os fatores ambientais e os mecanismos do processo de saúde-doença</p><p>no indivíduo e na coletividade;</p><p>• Aplicar os conhecimentos dos princípios da ação e uso dos medicamentos.</p><p>• Desenvolver a capacidade de buscar e analisar informações nas principais</p><p>bases de dados;</p><p>• Desenvolver a capacidade de atuar em pequenos grupos pautados em princípios</p><p>éticos e humanísticos;</p><p>• Aplicar os princípios éticos e de Biossegurança nos cenários de prática.</p><p>5 Estratégias de Ensino-Aprendizagem</p><p>O curso utiliza estratégias ancoradas em métodos ativos de ensino-aprendizagem,</p><p>preferencialmente em pequenos grupos, nos quais a motivação, a problematização, a</p><p>interdisciplinaridade e a vivência prática no sistema de saúde permitem uma</p><p>individualização da experiência educacional do aluno.</p><p>Essas estratégias aplicadas no curso promovem o aprender a aprender, no qual se</p><p>desenvolve a autonomia do aprendizado e o raciocínio crítico-reflexivo, e parte-se do</p><p>conhecimento prévio sobre o tema em busca da solução dos problemas e situações de</p><p>saúde que enfrentará no dia a dia da futura profissão. Além disso, incentiva o</p><p>desenvolvimento das habilidades de metacognição.</p><p>O outro pressuposto das metodologias ativas é o aprender fazendo, por meio da</p><p>integração teoria-prática, desde o início do curso, em todos os módulos.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 7</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Nos módulos de Sistemas Orgânicos Integrados serão aplicadas as seguintes</p><p>estratégias de ensino-aprendizagem:</p><p>• Palestras.</p><p>• Aprendizagem em Pequeno Grupo (APG).</p><p>• Práticas integradas (demonstração, treinamento/retreinamento, experimentos,</p><p>simulação, games, entre outros).</p><p>• Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC).</p><p>5.1 Palestras</p><p>Serão desenvolvidas no formato de exposições em método ativo, mesas-redondas e</p><p>conferências, uni ou multiproffissionais e integradoras. Os objetivos são introduzir o</p><p>estudante</p><p>em uma nova area do conhecimento da qual não tenha conhecimentos prévios ou</p><p>resumir e ordenar uma area de conhecimento que os estudantes tenham estudado, mas</p><p>cuja complexidade possa ser esclarecida pelo participação de um ou mais especialistas.</p><p>5.2 Aprendizagem em Pequeno Grupo (APG)</p><p>É um método de aprendizado centrado no estudante e desenvolvido em pequenos</p><p>grupos, que tem uma situação-problema como elemento disparador do aprendizado e</p><p>integrador do conhecimento.</p><p>O pequeno grupo será composto por 8 - 9 estudantes e o professor será o mediador do</p><p>processo de ensino-aprendizagem. A dinâmica do grupo será de acordo com os 9 (nove)</p><p>passos. Os passos de 1 a 6 ocorrem em um APG, o passo 7 é desenvolvido em diversos</p><p>cenários de aprendizagem, tais como biblioteca, laboratórios, comunidade, palestras,</p><p>entre outros. O passo 8 é desenvolvido noAPG subsequente.</p><p>O tempo de duração do APG é de 2h30, subdivido em duas etapas, na primeira etapa</p><p>é realizada o passo 9, com duração de 1h15min e na segunda etapa os passos 1, 2, 3,</p><p>4, 5, e 6, com duração de 1h15min.</p><p>Finalizar a atividade do APG com os passos 9, na qual se realizam a avaliação das 2</p><p>etapas.</p><p>MÉTODO DOS 9 PASSOS</p><p>1. Leitura do problema - termos desconhecidos</p><p>2. Definir o problema (formular questões).</p><p>3. Analisar o problema baseado em conhecimentos prévios (levantar hipóteses).</p><p>4. Resumir as conclusões.</p><p>5. Formular objetivos de estudo.</p><p>6. Socialização dos objetivos de estudo.</p><p>7. Autoaprendizagem.</p><p>8. Dividir conhecimentos com o grupo.</p><p>9. Avaliação formativa.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 8</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>5.3 Práticas integradas</p><p>São desenvolvidas nos laboratórios morfofuncionais integrados e aplicação de diversas</p><p>estratégias de ensino-aprendizagem.</p><p>5.4 TIC</p><p>Considerada um dos pilares nos processos de ensino e aprendizagem, mobiliza</p><p>compreensões, saberes e habilidades específicas de diversos campos do</p><p>conhecimento. Norteada em teorias de aprendizagem significativa, trabalha os</p><p>conhecimentos de maneira relacionada aos aspectos pedagógicos e de conteúdo.</p><p>Abrange uma seleção do recurso tecnológico que melhor desenvolve os objetos de</p><p>aprendizagem, levando em conta a metodologia a ser utilizada, a faixa etária dos</p><p>estudantes e o contexto educacional no qual está inserido, e são disponibilizados vários</p><p>recursos educacionais para complementação da aprendizagem.</p><p>6 Atividades Educacionais por Semana</p><p>Semana 1: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>- Descrever o mecanismo de agressão e proteção das mucosas esofágica e gástrica.</p><p>Problemas da semana</p><p>S1P1: AINDA EM DESENVOLVIMENTO...</p><p>Rosália e Maria Eduarda, mães primíparas, se encontraram na pracinha do condomínio.</p><p>Rosália ficou surpresa como André, filho de Maria Eduarda regurgitava leite após ter</p><p>sido amamentado. Lembrou-se das orientações do enfermeiro sobre cuidados com os</p><p>bebês, alertando sobre a necessidade de elevar a cabeceira, posicionar o filho sempre</p><p>em decúbito dorsal e não deixar adereços no berço. Maria Eduarda afirmou</p><p>• Foco na epidemiologia, fisiopatologia, fatores de risco, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e manejo terapêutico.</p><p>- PALESTRA 02: Discutir sobre as características do abdome agudo.</p><p>• Abordar sobre as características da classificação sindrômica do abdome agudo</p><p>(Inflamatório/infeccioso; Perfurativo; Obstrutivo; Vascular isquêmico;</p><p>Hemorrágico).</p><p>TICS</p><p>• 1. Conhecer os tipos de abdome agudo. 2. Correlacionar os achados</p><p>propedêuticos com as respectivas síndromes.</p><p>• Abdome agudo</p><p>Semana 08: Sistema Renal</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Reconhecer os mecanismos patológicos que acometem o parênquima renal e</p><p>as vias urinárias.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S8P1: PEDINDO AJUDA ÀS FLUOROQUINOLONAS</p><p>Joana, 25 anos, saudável, sem antecedentes patológicos, chega ao consultório</p><p>queixando-se de disúria, polaciúria e urgência urinária há dois dias. Evolui com febre e</p><p>calafrios e nega perda de peso. Tem dor a punho-percussão no ângulo costovertebral</p><p>direito e respiração profunda. Na uroanálise observou-se piúria, hematúria e nitrito</p><p>positivo.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Relembrar a morfofisiologia das vias urinárias.</p><p>• Citar mecanismos fisiológicos que evitam a infecção urinária (Interação</p><p>patógeno-hospedeiro).</p><p>• Compreender a epidemiologia, a etiologia, a fisiopatologia, as manifestações</p><p>clínicas, o diagnóstico e o tratamento das infecções do trato urinário.</p><p>• Identificar os grupos de riscos com maior predisposição a infecção urinária</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Relembrar a morfofisiologia das vias urinárias.</p><p>Os dois rins localizam-se ao lado da coluna vertebral, abaixo do diafragma e do</p><p>fígado. Cada rim adulto pesa aproximadamente 160 g, possui um comprimento cerca</p><p>de 11 cm e uma largura de 5-7 cm. A urina produzida nos rins é drenada para o interior</p><p>de uma cavidade denominada pelve renal e, a seguir, é canalizada de ambos os rins</p><p>através de longos ductos – os ureteres – até a bexiga urinária. Um corte coronal do rim</p><p>mostra duas regiões distintas. O córtex externo é castanho-avermelhado e com aspecto</p><p>granuloso por causa de seus muitos capilares. A região mais profunda, ou medula, é</p><p>mais clara, e a presença de túbulos e vasos sanguíneos microscópicos lhe conferem</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 51</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>um aspecto listrado. A medula é composta de oito a quinze pirâmides renais cônicas</p><p>separadas por colunas renais.</p><p>A cavidade do rim é dividida em várias porções. Cada pirâmide projeta-se no</p><p>interior de uma pequena depressão denominada cálice menor. Vários cálices menores</p><p>se unem para formar um cálice maior. A seguir, os cálices maiores unem-se para formar</p><p>a pelve renal em forma de funil. A pelve renal coleta a urina dos cálices e a transporta</p><p>para os ureteres e estes para a bexiga urinária.</p><p>A bexiga urinária é um saco de armazenamento de urina, e a quantidade de urina</p><p>nela contida determina sua forma. Uma bexiga urinária vazia possui forma piramidal.</p><p>Quando ela enche, a bexiga urinária torna-se ovóide e projeta-se para cima, no interior</p><p>da cavidade abdominal. A bexiga urinária é drenada inferiormente pela uretra tubular.</p><p>Nas mulheres, a uretra possui 4 cm de comprimento e se abre num espaço entre os</p><p>lábios menores. Nos homens, ela possui aproximadamente 20 cm e abre-se na ponta</p><p>do pênis, podendo descarregar urina ou sêmen.</p><p>• Citar mecanismos fisiológicos que evitam a infecção urinária.</p><p>Múltiplos fatores bacterianos, genéticos, biológicos e comportamentais</p><p>predispõem crianças e mulheres jovens, mais frequentemente, à ITU complicada e não</p><p>complicada.</p><p>Fatores bacterianos. Os genes das ECUP codificam vários fatores de virulência –</p><p>adesinas, protectinas, sideróforos e toxinas –, também sintetizando substâncias naturais</p><p>que facilitam a colonização do trato urogenital. Esses fatores, atuando em cadeia,</p><p>iniciando pela fixação ao urotélio e terminando pela lesão tecidual, devem se sobrepor</p><p>aos mecanismos imunológicos de defesa do hospedeiro.</p><p>A maioria das bactérias causadoras de ITU tem a capacidade de aderir às células</p><p>do epitélio urinário ou à uromucoide, prevenindo o wash-out e possibilitando a invasão</p><p>bacteriana. Essa aderência está associada à existência de fímbrias ou pilli, filamentos</p><p>proteicos que existem na superfície de bactérias Gram-negativas uropatogênicas.</p><p>Além desses elementos, as enterobacteriáceas dispõem de estruturas e</p><p>substâncias flagelares (antígeno H), capsulares (antígeno K) e lipopolissacarídios</p><p>(antígeno O), responsáveis pela motilidade, a resistência à fagocitose e a</p><p>antigenicidade, respectivamente. Outros fatores que contribuem para a virulência</p><p>bacteriana são a hemolisina, lisando hemácias, e a aerobactina, quelante do ferro,</p><p>elemento importante para o desenvolvimento bacteriano. A permanência de algumas</p><p>cepas de E. coli uropatogênicas e outras bactérias, em reservatórios intracelulares do</p><p>urotélio na bexiga, formando um biofilme, poderia explicar a recorrência das infecções</p><p>e a resistência à resposta imune do hospedeiro.</p><p>Fatores do hospedeiro. Com relação aos fatores comportamentais, já é conhecida a</p><p>maior prevalência da ITU em mulheres, em relação ao início e à maior atividade sexual</p><p>e à utilização de espermicidas. Também o uso pregresso, inadequado ou necessário de</p><p>antibióticos, alterando a microflora vaginal normal constituída principalmente de</p><p>lactobacilos e estafilococos, que estabelecem proteção à infecção com uropatógenos,</p><p>facilita a colonização vaginal pela E. coli. No homem, o maior comprimento da uretra, o</p><p>maior fluxo urinário e, também, o fator antibacteriano prostático contribuem para uma</p><p>menor incidência de ITU. Eventualmente, pode haver persistência da infecção com a</p><p>mesma bactéria a partir de um foco inaparente, como cálculo infectado ou próstata. A</p><p>disfunção miccional, promovendo esvaziamento vesical incompleto, e a constipação</p><p>intestinal, comprimindo e alterando o funcionamento normal da bexiga, favorecem a</p><p>recorrência da ITU. Em qualquer período etário, tanto no sexo masculino quanto no</p><p>feminino, toda e qualquer condição congênita ou adquirida, orgânica ou funcional, que</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 52</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>promova, em maior ou menor grau, estase da urina deve ser minuciosamente</p><p>investigada, no intuito de diminuir o risco de lesões futuras.</p><p>Fatores genéticos. Entre eles, observou-se a capacidade da proteína de</p><p>Tamm­Horsfall e de receptores uroteliais celulares de impedir a aderência da E. coli tipo</p><p>fimbriada, constituindo-se em eficiente defesa contra a ITU causada por bactérias</p><p>uropatogênicas.</p><p>Fatores biológicos. Fatores antibacterianos na urina e na mucosa vesical contribuem</p><p>para uma maior proteção contra bactérias uropatogênicas – IgA secretória, pH ácido,</p><p>concentração de ureia, osmolaridade e vários ácidos orgânicos evitam a multiplicação</p><p>da maioria das bactérias no trato urinário. Por sua vez, anormalidades hormonais e</p><p>metabólicas, como gravidez, diabetes melito e diminuição de estrógenos em pacientes</p><p>idosas, representam fatores para maior incidência e recorrência da ITU.</p><p>• Compreender a epidemiologia, a etiologia, a fisiopatologia, as</p><p>manifestações clínicas, o diagnóstico e o tratamento das infecções do trato</p><p>urinário.</p><p>A infecção do trato urinário (ITU) compreende a colonização bacteriana da urina</p><p>e a infecção de várias estruturas que formam o aparelho urinário, desde a uretra até o</p><p>parênquima renal. As ITUs estão entre as infecções bacterianas mais comuns, com alta</p><p>recorrência.</p><p>A ITU abrange uma grande variedade de síndromes clínicas, desde quadros</p><p>assintomáticos, praticamente sem sequelas, como a bacteriúria assintomática, até</p><p>quadros graves, como a urosepse, com índices elevados de mortalidade.</p><p>Epidemiologia. A ITU surge em ambos os sexos e em todas as idades. Nos jovens, é</p><p>20 a 30 vezes mais frequente na mulher que no homem. O padrão das infecções difere</p><p>em homens e mulheres: naqueles são mais comuns nos extremos da vida e, nas</p><p>mulheres, aumentam com a idade.</p><p>Infecções agudas não complicadas ocorrem como episódios de cistite, em vários</p><p>milhões de pessoas, e de pielonefrite em aproximadamente 250 mil pessoas/ano, nos</p><p>EUA. As infecções complicadas são associadas a uma grande variedade de doenças,</p><p>responsabilizando-se por 5 em cada 100 internações hospitalares, na grande maioria</p><p>associadas à sondagem vesical de demora.</p><p>A bacteriúria assintomática ocorre em 1 a 2% dos recém-nascidos, sendo o sexo</p><p>masculino mais acometido que o feminino e não circuncidados apresentando risco ainda</p><p>maior. Já depois do 1° ano de vida, as ITU são mais frequentes (1,2%) em meninas,</p><p>com prevalência entre 5 e 18 anos, e 0,03% em meninos. A incidência em meninas é</p><p>de 0,4% ao ano, não afetada pela menarca. A frequência cumulativa de bacteriúria</p><p>assintomática em mulheres jovens é de 5%, aumentando 1% a cada década, com</p><p>acentuações no início da atividade sexual e na gravidez, variando nesta de 2 a 6%, com</p><p>prevalência entre 3 e 7%, a partir dos 16 anos. Bem menos frequente em homens</p><p>(0,008%), volta a ser mais comum em idosos de ambos os sexos (5,4 a 43% em</p><p>mulheres e 1,5 a 21% em homens).</p><p>Pode-se prevenir a pielonefrite aguda (PNA) durante o 3° trimestre da gravidez</p><p>pela triagem e o tratamento precoce da bacteriúria assintomática.</p><p>Infecções associadas ao cateter são muito frequentes e ocorrem em qualquer</p><p>idade, devendo-se seguir normas estritas quanto a sua indicação e cuidados em sua</p><p>manutenção para minimizar os riscos.</p><p>Conceitos e manifestações clínicas. Define-se infecção bacteriana pela localização e</p><p>multiplicação, no trato urinário, de bactérias obtidas na cultura de urina, na maior parte</p><p>das vezes com contagem ≥ 100 UFC/mℓ de urina.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 53</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>As manifestações clínicas da ITU, aguda ou crônica, estão relacionadas com sua</p><p>localização no trato urinário, os agentes etiológicos, a gravidade da infecção, possíveis</p><p>alterações anatômicas ou neurológicas e a resposta do paciente.</p><p>Define-se a ITU como sintomática ou assintomática na dependência da</p><p>existência ou não de sintomas e sinais clínicos mais ou menos específicos,</p><p>acompanhando o diagnóstico bacteriológico. É aguda ou recorrente quando se está</p><p>diante de um caso sintomático atual ou de outro com episódios repetidos (mais de três</p><p>episódios no intervalo de 1 ano) e inequivocamente diagnosticados como infecção.</p><p>A pielonefrite aguda refere-se à infecção alta, ou seja, dos rins e da pelve, e a</p><p>cistite, quando localizada na bexiga. A síndrome uretral não é mais incluída entre as</p><p>ITU, mas faz parte do complexo sindrômico cistite intersticial/síndrome da bexiga</p><p>dolorosa, associada à dor pélvica crônica. A cura é indicada pela urocultura negativa</p><p>e/ou normalização dos dados da urinálise, durante ou imediatamente após o término do</p><p>tratamento.</p><p>Etiologia. Dados da literatura mostram que, em mais de 80% dos casos, a E. coli</p><p>permanece, ao longo dos anos, a bactéria mais frequentemente isolada em pacientes</p><p>com ITU ambulatorial e, menos, em pacientes hospitalizados, vindo, na sequência,</p><p>Klebsiella, Enterobacter, Proteus e outras enterobacteriáceas menos comuns. Entre as</p><p>Gram-positivas, pode-se encontrar Staphyloccus saprophyticus plasma-coagulase-</p><p>negativo, S. aureus, Enterococcus sp etc. No Brasil, nos pacientes ambulatoriais, as ITU</p><p>originam-se de bactérias Gram-negativas em 85% dos pacientes, sendo as Gram-</p><p>positivas responsáveis pelos 15% restantes.</p><p>Patogênese. A interação entre bactéria infectante e as características do epitélio</p><p>urinário representa a base da patogênese nessa doença. Diversos fatores relacionados</p><p>com as bactérias predispõem ao desenvolvimento e à recorrência da ITU, incluindo</p><p>colonização periuretral e virulência da bactéria. As bactérias uropatogênicas derivadas</p><p>da microbiota fecal apresentam características que possibilitam a aderência, o</p><p>crescimento e a resistência às defesas do hospedeiro, resultando em colonização e ITU.</p><p>A Escherichia coli uropatogênica (ECUP) permanece o patógeno mais frequentemente</p><p>isolado nos pacientes com ITU, além de a maioria dos dados bacterianos derivar de</p><p>pesquisas com essa bactéria.</p><p>A ITU tem como origem a colonização com infecção ascendente, a disseminação</p><p>hematogênica e a via linfática, possível, mas controversa, e não suficientemente</p><p>comprovada.</p><p>As enterobacteriáceas originam-se da microbiota fecal, colonizam as regiões</p><p>perineal, vaginal, periuretral e uretral distal, e, facilitadas pela turbulência do jato</p><p>urinário, localizam-se e multiplicam-se na bexiga. A via ascendente é a forma mais</p><p>comum de infecção.</p><p>Diagnóstico. Em geral, o diagnóstico de uma infecção urinária baseia-se nos sintomas</p><p>e nos exames de urina para mostrar a existência de microrganismos. Quando é</p><p>necessário, são realizadas radiografias, ultrassonografia, TC e cintigrafia renal a fim de</p><p>evidenciar fatores contribuintes, inclusive obstrução.</p><p>Exames de urina são realizados para revelar bactérias na urina e diagnosticar</p><p>infecção urinária. Um critério diagnóstico amplamente aceito de infecção urinária é a</p><p>detecção de 100.000 unidades formadoras de colônia (UFC) ou mais bactérias por</p><p>mililitro (μℓ) de urina na urocultura. A coloração de Gram pode ser realizada para</p><p>determinar o tipo (gram-positivo ou gram-negativo) de microrganismo.</p><p>Com a urinálise, utilizam-se as tiras reativas para a detecção dos vários</p><p>parâmetros presentes na ITU, como esterase leucocitária, nitrito, proteinúria e</p><p>hematúria. Na avaliação da tira reativa, é importante lembrar que se devem analisar os</p><p>resultados em seu conjunto com o quadro clínico.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 54</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Tratamento. O manejo adequado das ITU tem sido dificultado pela utilização</p><p>inadequada dos antibióticos em pacientes ambulatoriais e a falta de cuidados</p><p>hospitalares na sua prevenção ao lado de procedimentos invasivos, levando ao</p><p>aparecimento de bactérias multirresistentes. Há pouco mais de uma década, no Brasil,</p><p>a sensibilidade das bactérias prevalentes aos medicamentos mais utilizados –</p><p>amicacina, gentamicina, cefalosporinas de primeira geração, ácido nalidíxico (agora fora</p><p>do mercado) e nitrofurantoina – situava-se na faixa de 88% a 96%. Atualmente, entre</p><p>as bactérias Gram-positivas, a sensibilidade está em torno de 75% e, entre as Gram-</p><p>negativas, de somente 34%. No ambiente hospitalar, há um grande aumento da</p><p>ocorrência de K. pneumoniae multirresistente, produtora de betalactamase de espectro</p><p>estendido (ESBL) e da enzima carbapenemase (KPC), com níveis de resistência de 70</p><p>e 80%, respectivamente. Também nos EUA e globalmente, descrevem-se atualmente</p><p>aumentos significativos de resistência aos antibióticos em relação à P. aeruginosa, tanto</p><p>multirresistente quanto resistente à carbapenemase, em crianças. Daí a necessidade,</p><p>urgente, de utilizar adequadamente antimicrobianos no nível ambulatorial e ter cuidados</p><p>intensivos intra-hospitalares na prevenção da ITU, com otimização do antibiograma.</p><p>• Identificar os grupos de riscos com maior predisposição à infecção</p><p>urinária.</p><p>-Usuários de cateter;</p><p>-Gestantes;</p><p>- Idosos;</p><p>- Lactentes.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2018. 9788527733267. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>S8P2: PEDRAS NO CAMINHO</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI</p><p>55</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: http://patologiaacademica.blogspot.com</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia da unidade funcional do rim.</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, fatores de risco, fisiopatologia,</p><p>manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da nefrolitíase.</p><p>• Identificar os tipos de cálculos renais.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever a morfofisiologia da unidade funcional do rim.</p><p>A unidade funcional do rim é o néfron. Os rins filtram, reabsorvem e secretam.</p><p>Três processos básicos ocorrem nos néfrons: filtração, reabsorção e secreção. Filtração</p><p>é o movimento de líquido do sangue para o lúmen do néfron. A filtração ocorre apenas</p><p>no corpúsculo renal, onde as paredes dos capilares glomerulares e da cápsula de</p><p>Bowman são modificadas para permitir o fluxo do líquido. Uma vez que o fluido filtrado,</p><p>chamado de filtrado, chega ao lúmen do néfron, ele se torna parte do meio externo ao</p><p>corpo, da mesma forma que as substâncias no lúmen intestinal fazem parte do meio</p><p>externo. Devido a essa razão, tudo que é filtrado nos néfrons é destinado à excreção na</p><p>urina, a não ser que seja reabsorvido para o corpo. Após o filtrado deixar a cápsula de</p><p>Bowman, ele é modificado pelos processos de reabsorção e secreção. A reabsorção é</p><p>um processo de transporte de substâncias presentes no filtrado, do lúmen tubular de</p><p>volta para o sangue através dos capilares peritubulares. A secreção remove</p><p>seletivamente moléculas do sangue e as adiciona ao filtrado no lúmen tubular. Embora</p><p>a secreção e a filtração glomerular movam substâncias do sangue para dentro do túbulo,</p><p>a secreção é um processo mais seletivo que, em geral, usa proteínas de membrana</p><p>para transportar as moléculas através do epitélio tubular.</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, fatores de risco, fisiopatologia,</p><p>manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da nefrolitíase.</p><p>A nefrolitíase, ou doença calculosa renal, é uma condição comum, dolorosa e de</p><p>alto custo. A cada ano, bilhões de dólares são gastos no manejo da nefrolitíase, e a</p><p>maior parte do gasto resulta do tratamento cirúrgico dos cálculos. Embora um cálculo</p><p>possa se formar em consequência da cristalização de fatores litogênicos no trato urinário</p><p>superior, subsequentemente ele pode se deslocar para o ureter e causar cólica renal.</p><p>Embora a nefrolitíase raramente seja fatal, os pacientes que tiveram cólica renal relatam</p><p>que se trata da pior dor já experimentada.</p><p>Epidemiologia: A nefrolitíase é uma doença global. Dados sugerem uma prevalência</p><p>crescente, provavelmente como resultado da ocidentalização dos hábitos de estilo de</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 56</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>vida (p. ex., mudanças dietéticas, aumento do índice de massa corporal). Os dados do</p><p>National Health and Nutrition Examination Survey de 2007-2010 indicam que até 19%</p><p>dos homens e 9% das mulheres irão desenvolver pelo menos um cálculo durante a sua</p><p>vida. A prevalência é cerca de 50% menor em indivíduos negros, em comparação aos</p><p>brancos. A incidência da nefrolitíase (i.e., a taxa com que indivíduos previamente não</p><p>afetados desenvolvem o primeiro cálculo) também varia de acordo com a idade, o sexo</p><p>e a raça. Entre homens brancos, a incidência anual máxima é de cerca de 3,5</p><p>casos/1.000 aos 40 anos de idade, com declínio para cerca de 2 casos/1.000 aos 70</p><p>anos. Entre mulheres brancas na quarta década de vida, a incidência anual é de cerca</p><p>de 2,5 casos/1.000, com declínio para cerca de 1,5/1.000 a partir dos 50 anos. Além dos</p><p>custos médicos associados à nefrolitíase, essa condição também apresenta impacto</p><p>econômico substancial, visto que os indivíduos acometidos frequentemente estão em</p><p>idade ativa. Quando um indivíduo desenvolve um cálculo, a prevenção da recidiva é</p><p>essencial.</p><p>Condições clínicas associadas. A nefrolitíase é um distúrbio sistêmico. Várias</p><p>condições predispõem à formação de cálculos, incluindo má absorção gastrintestinal (p.</p><p>ex., doença de Crohn, cirurgia de bypass gástrico), hiperparatireoidismo primário,</p><p>obesidade, diabetes melito tipo II e acidose tubular renal distal. Diversas outras</p><p>condições clínicas tendem a estarem mais presentes em indivíduos com história de</p><p>nefrolitíase, incluindo hipertensão, gota, doença cardiovascular, colelitíase, diminuição</p><p>da densidade mineral óssea e doença renal crônica. Embora a nefrolitíase não provoque</p><p>diretamente infecções do trato urinário (ITUs) superior, a ocorrência de ITU na presença</p><p>de cálculo obstrutivo constitui uma emergência urológica (“pus sob pressão”) e exige</p><p>intervenção urgente para restabelecer a drenagem.</p><p>Patogênese. Na análise dos processos envolvidos na formação de cristais, é</p><p>conveniente considerar a urina como uma solução complexa. Um conceito clinicamente</p><p>útil é o de supersaturação (o ponto a partir do qual a concentração do produto ultrapassa</p><p>sua solubilidade). Entretanto, embora a urina na maioria dos indivíduos esteja</p><p>supersaturada com um ou mais tipos de cristais, a presença de inibidores da</p><p>cristalização impede a formação contínua de cálculos na maior parte da população. O</p><p>inibidor de cálculos formados por cálcio de maior relevância clínica é o citrato urinário.</p><p>Embora o valor de supersaturação calculado não possa prever perfeitamente a</p><p>formação de cálculos, é um guia útil por integrar os múltiplos fatores medidos em uma</p><p>coleta de urina de 24 horas.</p><p>Estudos recentes modificaram o paradigma relacionado com o local de início da</p><p>formação de cálculos. As biópsias renais de indivíduos formadores de cálculos</p><p>revelaram a presença de fosfato de cálcio no interstício renal. Foi formulada a hipótese</p><p>de que esse fosfato de cálcio se deposita no ramo delgado da alça de Henle e, então,</p><p>estende-se até a papila e provoca erosão do epitélio papilar, onde fornece um local de</p><p>deposição de cristais de oxalato de cálcio e de fosfato de cálcio. A maioria dos cálculos</p><p>de oxalato de cálcio cresce sobre o fosfato de cálcio na extremidade da papila renal</p><p>(placa de Randall). Os tampões tubulares de fosfato de cálcio podem ser o evento</p><p>iniciador no desenvolvimento de cálculos de fosfato de cálcio. Por conseguinte, o</p><p>processo de formação de cálculos pode começar vários anos antes da identificação de</p><p>um cálculo clinicamente detectável. Os processos envolvidos na deposição intersticial</p><p>estão sendo ativamente pesquisados.</p><p>Fatores de risco. Os fatores de risco de nefrolitíase podem ser classificados como</p><p>dietéticos, não dietéticos ou urinários. Esses fatores de risco variam de acordo com o</p><p>tipo de cálculo e com as características clínicas.</p><p>Fatores de risco dietéticos- Os pacientes que desenvolvem cálculos muitas vezes</p><p>modificam a sua dieta; como consequência, os estudos que avaliam retrospectivamente</p><p>a dieta podem ser dificultados por viés de memória. Alguns estudos examinaram a</p><p>relação entre a dieta e mudanças na composição litogênica da urina, utilizando</p><p>frequentemente a supersaturação calculada. Todavia, a composição da urina não</p><p>fornece uma previsão perfeita do risco, e nem todos os componentes que modificam o</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 57</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>risco estão incluídos no cálculo da supersaturação. Por esse motivo, as associações</p><p>dietéticas são mais bem investigadas por estudos prospectivos que examinam a</p><p>formação efetiva de cálculos como desfecho. Os fatores dietéticos que estão associados</p><p>a um risco aumentado de nefrolitíase incluem proteína animal, oxalato, sódio, sacarose</p><p>e frutose. Os fatores dietéticos associados à redução do risco incluem cálcio, potássio</p><p>e fitato.</p><p>Fatores de risco não dietéticos- A idade, a raça, o tamanho corporal e o ambiente</p><p>constituem fatores de risco importantes para a nefrolitíase. A incidência de doença</p><p>calculosa é maior em homens brancos de meia-idade, mas pode ocorrer formação de</p><p>cálculos tanto em lactentes quanto nos idosos. Existe uma variabilidade geográfica,</p><p>com</p><p>maior prevalência observada no Sudeste dos Estados Unidos. O ganho de peso</p><p>aumenta o risco de formação de cálculos, e a prevalência crescente da nefrolitíase nos</p><p>Estados Unidos pode resultar, em parte, da prevalência crescente da obesidade. As</p><p>influências ambientais e ocupacionais que podem levar a uma redução do volume de</p><p>urina, como trabalhar em ambiente quente ou não ter um fácil acesso à água ou a um</p><p>banheiro, constituem considerações importantes.</p><p>Fatores de risco urinários</p><p>Volume da urina: Conforme assinalado antes, um volume urinário menor resulta em</p><p>maiores concentrações de fatores litogênicos e representa um fator de risco comum e</p><p>prontamente modificável.</p><p>Cálcio urinário: Uma excreção maior de cálcio urinário aumenta a probabilidade de</p><p>formação de cálculos de oxalato de cálcio e de fosfato de cálcio. De fato, a relação entre</p><p>o cálcio urinário e o risco de formação de cálculos parece ser contínua; por esse motivo,</p><p>deve-se evitar o uso de um limiar arbitrário. Os níveis urinários de cálcio são mais</p><p>elevados em indivíduos com história de nefrolitíase; entretanto, os mecanismos</p><p>envolvidos estão pouco elucidados. Uma absorção gastrintestinal maior de cálcio</p><p>constitui um fator contribuinte importante, e outro possível fator pode ser um maior</p><p>turnover ósseo (com consequente redução na densidade mineral óssea). A perda renal</p><p>primária de cálcio, com concentrações séricas mais baixas de cálcio e níveis séricos</p><p>elevados de paratormônio (PTH) (e nível normal de 25-hidroxi vitamina D), é rara.</p><p>Oxalato urinário: A excreção urinária mais elevada de oxalato aumenta a probabilidade</p><p>de formação de cálculos de oxalato de cálcio. Como ocorre com o cálcio urinário,</p><p>nenhuma definição de excreção urinária “anormal” de oxalato é amplamente aceita.</p><p>Como a relação entre o oxalato urinário e o risco de formação de cálculos é contínua,</p><p>uma dicotomização simples da excreção urinária de oxalato não é útil na avaliação dos</p><p>riscos. As duas fontes de oxalato urinário consistem na sua produção endógena e no</p><p>aporte dietético.</p><p>Citrato urinário: O citrato urinário é um inibidor natural dos cálculos que contêm cálcio;</p><p>portanto, uma menor excreção de citrato urinário aumenta o risco de formação de</p><p>cálculos. A reabsorção do citrato é influenciada pelo pH intracelular das células</p><p>tubulares proximais.</p><p>Ácido úrico urinário: São encontrados níveis urinários mais elevados de ácido úrico –</p><p>um fator de risco para a formação de cálculos de ácido úrico – em indivíduos com</p><p>consumo excessivo de purinas e condições genéticas raras que levam à superprodução</p><p>de ácido úrico.</p><p>pH urinário: O pH urinário influencia a solubilidade de alguns tipos de cristais. Os</p><p>cálculos de ácido úrico só se formam quando o pH da urina é consistentemente ≤ 5,5,</p><p>enquanto os cálculos de fosfato de cálcio tendem mais a se formar quando o pH da urina</p><p>é ≥ 6,5. A cistina é mais solúvel em pH urinário mais elevado. Os cálculos de oxalato de</p><p>cálcio não são influenciados pelo pH urinário.</p><p>Fatores de risco genéticos. O risco de nefrolitíase é mais de duas vezes maior em</p><p>indivíduos com história familiar de doença calculosa. Essa associação deve-se,</p><p>provavelmente, a uma combinação de predisposição genética e exposições ambientais</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 58</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>semelhantes. Embora vários dos distúrbios monogênicos raros causem nefrolitíase, os</p><p>fatores genéticos contribuintes para formas comuns de doença calculosa ainda não</p><p>foram determinados.</p><p>Manifestações clínicas: A nefrolitíase pode ser totalmente assintomática, com</p><p>diagnóstico acidental por meio de exames de imagens, ou causar apenas dor vaga, em</p><p>flancos. Entretanto, a apresentação característica é de cólica nefrética. Em geral, inicia-</p><p>se com dor localizada na região lombar, no flanco ou na fossa ilíaca, súbita, forte,</p><p>geralmente unilateral, em cólica, não aliviada com repouso ou posição, irradiada para o</p><p>trajeto ureteral, a região de bexiga e a genitália externa. Pode haver disúria e hematúria</p><p>macroscópica concomitantes. Náuseas e vômitos são comuns. Ao exame físico, notam-</p><p>se frequentemente taquicardia, palidez, sudorese, dor à palpação em região de ângulo</p><p>costovertebral e distensão abdominal leve, porém não associada a sinais de irritação</p><p>peritoneal. O quadro clínico é bastante sugestivo, porém deve-se fazer o diagnóstico</p><p>diferencial com patologias gastrintestinais (apendicite aguda, diverticulite, colecistite),</p><p>ginecológicas (cisto ovariano, anexite, gravidez ectópica), urológicas (orquite,</p><p>epididimite, prostatite), afecções vasculares (infarto intestinal, aneurisma de aorta</p><p>abdominal) e algumas causas médicas (cetoacidose diabética, infarto agudo do</p><p>miocárdio).</p><p>Diagnóstico: Os pacientes com cálculos renais frequentemente referem cólica renal</p><p>aguda e o diagnóstico se baseia no quadro clínico e nos exames complementares, que</p><p>incluem exame simples de urina (EAS), radiografias simples, urografia excretora ou</p><p>pielografia intravenosa (PIV) e ultrassonografia abdominal. O EAS revela indícios de</p><p>hematúria, infecção, cristais formadores de cálculos e pH urinário. A maioria dos</p><p>cálculos é radiopaca e facilmente identificada nas radiografias simples do abdome. TC</p><p>helicoidal sem contraste é o exame de imagem preferido para pacientes com cólica renal</p><p>aguda. A PIV consiste em injetar um contraste intravenoso, que é filtrado nos glomérulos</p><p>e mostra o sistema coletor dos rins e os ureteres. A ultrassonografia abdominal é</p><p>altamente sensível à hidronefrose, que pode ser uma complicação da obstrução</p><p>ureteral. Uma técnica nova de exame de imagem conhecida como cintigrafia nuclear</p><p>usa bifosfonatos marcados para apresentar imagens dos cálculos. A esse método tem</p><p>sido atribuída a capacidade de mostrar cálculos muito pequenos para serem detectados</p><p>por outras técnicas.</p><p>Tratamento: O tratamento da cólica renal aguda geralmente consiste em medidas de</p><p>suporte. Pode ser necessário aliviar a dor durante as fases agudas da obstrução e</p><p>antibióticos podem ser usados para erradicar infecção urinária. A maioria dos cálculos</p><p>com menos de 5 mm de diâmetro é eliminada espontaneamente. Toda a urina do</p><p>paciente deve ser filtrada durante a crise na tentativa de recuperar o cálculo para análise</p><p>química e determinação do seu tipo. Em combinação com a histórica clínica detalhada</p><p>e os exames laboratoriais, essa informação constitui a base das medidas profiláticas a</p><p>longo prazo.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 59</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Os diuréticos tiazídicos reduzem o cálcio urinário aumentando a reabsorção</p><p>tubular, de modo que quantidades menores permaneçam na urina. Os fármacos que se</p><p>ligam ao cálcio no intestino (p. ex., fosfato de celulose) podem ser usados para inibir a</p><p>absorção de cálcio e sua excreção urinária.</p><p>Em alguns casos, pode ser necessário remover cálculos. Existem várias técnicas</p><p>disponíveis para isso – remoção ureteroscópica ou percutânea e litotripsia</p><p>extracorpórea. Todos esses procedimentos evitam a realização de uma cirurgia aberta,</p><p>que também é uma abordagem terapêutica disponível. Ela pode ser necessária para</p><p>retirar cálculos grandes ou resistentes às outras técnicas de remoção.</p><p>• Identificar os tipos de cálculos renais.</p><p>Atualmente, a maioria dos cálculos tem origem renal. Cálculos vesicais são encontrados</p><p>apenas em situações especiais, como quando há obstrução uretral, corpo estranho</p><p>intravesical ou bexiga neurogênica. Também são descritos em crianças de países em</p><p>desenvolvimento, formados por urato de amônio e associados à desnutrição.</p><p>Os cálculos formados por deposição de cálcio são os mais comuns,</p><p>correspondendo a 70 a 80% dos casos. Na maioria das vezes, compõem-se de oxalato</p><p>de cálcio e, eventualmente, em menos de 5% dos casos, podem ser de fosfato de cálcio</p><p>(apatita ou brushita). Esses cálculos são formados quando há urina alcalina, que</p><p>aumenta a supersaturação do fosfato, podendo ser encontrados na acidose</p><p>tubular renal</p><p>distal ou no hiperparatireoidismo primário. Em geral, os cálculos de cálcio são</p><p>arredondados, radiodensos e não costumam apresentar aspecto coraliforme.</p><p>Cálculos de ácido úrico constituem aproximadamente 10 a 15% dos casos.</p><p>Podem ser puros ou abrigar quantidades variáveis de cálcio. Caracteristicamente, são</p><p>radiotransparentes, não visíveis, portanto, à radiografia simples de rins, ureter e bexiga</p><p>(RUB), e aparecem na urografia excretora como falhas de enchimento.</p><p>Os cálculos de estruvita (assim chamados em homenagem ao Barão von Struve,</p><p>diplomata e naturalista russo, que descreveu o cristal pela primeira vez) são formados</p><p>por fosfato amoníaco magnésio e representam aproximadamente 5 a 10% dos cálculos.</p><p>Pouco radiodensos, são grandes e caracteristicamente coraliformes.</p><p>Cálculos de cistina – pouco radiopacos e com aspecto de vidro moído (ground-</p><p>glass) à RUB – constituem aproximadamente 1% do total.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. Grupo A, 2019. 9788580556346. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/. Acesso em: 03 jun.</p><p>2022.</p><p>RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2018. 9788527733267. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 60</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Compreender e interpretar alterações morfofisiológicas das vias urinárias e</p><p>principais agentes patológicos.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Discutir o uso da UCM (uretrocistografia miccional),</p><p>ultrassom e TC na infecção urinária.</p><p>• Anatomopatologia: Conhecer a histopatologia renal na pielonefrite (aguda e</p><p>crônica). Correlacionar as patologias com cálculos renais.</p><p>• Patologia Clínica: Analisar o sumário de urina, bacterioscopia. Urocultura e</p><p>Antibiograma. CIM - concentração inibitória mínima.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01- A importância do EAS na abordagem laboratorial nos pacientes com</p><p>doença nefrológica/ urológica.</p><p>• Discutir os achados nas análises físicas, químicas e microscópicas do sumário</p><p>de urinária frente a patologias nefrológicas e urológicas.</p><p>- PALESTRA 02: Discutir o tratamento das ITUs.</p><p>• Abordar sobre Aminoglicosídeos, quinolonas, antagonistas do ácido fólico e</p><p>antissépticos do trato urinário (Mecanismo de ação; farmacocinética; Reação</p><p>adversas).</p><p>TICS</p><p>• 1. Entender os processos que culminam com a formação da urolitíase. 2.</p><p>Identificar os cálculos urinários nos exames de imagem. 3. Correlacionar as</p><p>técnicas de extração e tratamento da litíase com a topografia de cada lesão.</p><p>• Urolitíase / tratamento e litotripsia.</p><p>Semana 09: Sistema Renal</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer os processos fisiopatológicos associados a comprometimento das</p><p>funções renais de filtração e excreção.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S9P1: FIM DA PICADA</p><p>João, 19 anos de idade, residente do Estado do Amazonas, foi picado por uma cobra</p><p>Crotalus sp na face lateral da perna direita. Procurou atendimento médico no Hospital</p><p>do Município, por apresentar ptose bipalpebral, parestesia no local da picada, sem dor</p><p>ou edema, sonolência, com fácies neurotóxica. Observou-se colúria logo após a picada,</p><p>evoluindo com anúria. Assim, o acidente foi considerado de grau moderado e iniciou-se</p><p>a hidratação endovenosa.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações da lesão renal aguda (Pré, intra e pós renal).</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 61</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Conhecer as características do acidente ofídico.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações</p><p>clínicas e diagnóstico da injúria renal aguda</p><p>Anteriormente denominada insuficiência renal aguda, a lesão renal aguda (LRA)</p><p>representa um problema de saúde pública mundial com altas taxas de morbimortalidade,</p><p>além de apresentar altos custos para a saúde, com maior tempo de internação e</p><p>possibilidade de evolução para doença renal crônica em longo prazo.</p><p>A LRA caracteriza-se por redução abrupta (em horas a dias) da taxa de filtração</p><p>glomerular, resultando na inabilidade de o rim exercer suas funções básicas de excreção</p><p>das escórias nitrogenadas e manutenção da homeostase hidroeletrolítica do organismo.</p><p>Frequentemente, é reversível, podendo se manter por tempo variável.</p><p>Etiologia. A LRA pode ser de origem pré-renal, renal (ou intrínseca) ou pós-renal, a</p><p>depender do nível de acometimento.</p><p>A LRA pré-renal resulta da redução da perfusão renal, isto é, de eventos que</p><p>culminam em diminuição do volume circulante, como no caso de desidratação (p. ex.,</p><p>diarreia, vômitos, febre), sangramentos, uso de diuréticos e insuficiência cardíaca.</p><p>Caracteriza-se por redução da excreção urinária de sódio e de água, com elevação da</p><p>osmolaridade urinária. A LRA pré-renal é facilmente reversível, desde que os fatores</p><p>precipitantes sejam rapidamente corrigidos.</p><p>A LRA renal é causada por fatores intrínsecos ao rim, sendo classificada de</p><p>acordo com o principal local afetado: glomérulo; túbulos; interstício; e vasos. Sua</p><p>etiologia mais comum é a lesão tubular, principalmente de origem isquêmica ou tóxica.</p><p>No entanto, a principal e mais frequente causa de necrose tubular aguda (NTA) é</p><p>isquêmica e o seu principal fator causal tem origem pré-renal, como consequência da</p><p>redução do fluxo sanguíneo não revertida, especialmente se houver comprometimento</p><p>suficiente para provocar a morte das células tubulares. Eventos isquêmicos mais graves</p><p>(como nas complicações obstétricas e síndrome hemolítico-urêmica), sobretudo se</p><p>ocorrer coagulação microvascular, podem resultar em necrose cortical irreversível.</p><p>Depois das isquêmicas, as causas nefrotóxicas são as mais frequentes na LRA</p><p>renal. Os agentes nefrotóxicos incluem principalmente antibióticos aminoglicosídeos,</p><p>contrastes radiológicos e quimioterápicos, além de pigmentos (p. ex., mioglobina) e</p><p>venenos ofídicos. De modo geral, os medicamentos e as drogas podem causar diversos</p><p>tipos de danos por: Modificações hemodinâmicas, dano tubular direto, reação alérgica,</p><p>causando a nefrite intersticial aguda, obstrução intratubular, desenvolvimento da</p><p>síndrome hemolítico-urêmica. Apesar da predominância de um mecanismo</p><p>fisiopatológico, a LRA por fármacos nefrotóxicos é frequentemente causada por</p><p>associação de um ou mais mecanismos.</p><p>A LRA por nefrite intersticial é mais frequentemente causada por reações</p><p>alérgicas a medicamentos. Causas menos frequentes incluem doenças autoimunes</p><p>(lúpus eritematoso) e agentes infecciosos, determinadas, por exemplo, pela leptospirose</p><p>ou, ainda, pela pielonefrite aguda por bactérias, como E. coli, Proteus sp, Klebsiella sp,</p><p>entre outras bactérias.</p><p>Outras causas de LRA renal incluem, ainda, as glomerulonefrites, as doenças</p><p>sistêmicas (como vasculites e lúpus eritematoso sistêmico) e infecções.</p><p>Por fim, a LRA pós-renal ocorre na vigência de obstrução das vias urinárias, que</p><p>pode ser observada em qualquer nível do trato urinário, porém, no acometimento de</p><p>ureteres, depende da presença de obstrução bilateral. A obstrução pode ser causada</p><p>por hiperplasia prostática benigna, neoplasia de próstata ou bexiga, distúrbios</p><p>retroperitoneais, bexiga neurogênica, cálculos renais bilaterais, fibrose retroperitoneal,</p><p>Mobile User</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 62</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>entre outros. A elevação da pressão hidráulica da via urinária, de maneira ascendente,</p><p>resulta na ação de vasoconstritores locais, de modo que a obstrução prolongada tem</p><p>como consequência a lesão parenquimatosa. Dessa forma, a reversibilidade da LRA</p><p>pós-renal depende do tempo de duração da obstrução.</p><p>Fisiopatologia. A fisiopatologia</p><p>das lesões renais isquêmica e tóxica, origens mais</p><p>comuns de LRA intrínseca (renal), envolve alterações estruturais e bioquímicas que</p><p>resultam no comprometimento vascular e/ou celular. A partir dessas alterações, ocorrem</p><p>vasoconstrição, alteração da função e morte celular, descamação do epitélio tubular e</p><p>obstrução intraluminal, vazamento transtubular do filtrado glomerular e inflamação.</p><p>As principais alterações fisiopatológicas na LRA são:</p><p>- Vasoconstrição intrarrenal: causada pelo desequilíbrio entre os fatores</p><p>vasoconstritores e vasodilatadores, tanto de ação sistêmica quanto local. Mecanismo</p><p>particularmente importante na LRA por nefrotóxicos, com ativação de hormônios</p><p>vasoconstritores (angiotensina II, endotelina etc.) e/ou inibição de vasodilatadores</p><p>(prostaglandinas, óxido nítrico etc.)</p><p>- Lesão tubular: associada principalmente a uma redução dos níveis intracelulares de</p><p>ATP e a lesões de reperfusão. A reversibilidade do dano às células tubulares dependerá</p><p>da intensidade, do tempo de duração e do tipo do evento agressor.</p><p>A possibilidade de reversão da LRA decorre da capacidade de regeneração e</p><p>diferenciação das células tubulares renais, restabelecendo um epitélio íntegro e</p><p>funcionante. Mesmo em situações mais graves com destruição de 90% das células</p><p>epiteliais do túbulo proximal, os 10% de células remanescentes podem entrar em</p><p>processo de proliferação, estimulados por hormônios e fatores de crescimento,</p><p>recompondo a epitélio tubular.</p><p>Diagnóstico e tratamento. Por causa das taxas elevadas de morbidade e mortalidade</p><p>associadas à LRA, deve-se dar atenção especial às medidas preventivas e ao</p><p>diagnóstico precoce. Isso inclui procedimentos de avaliação para detectar pacientes</p><p>com risco de desenvolver LRA, inclusive os que têm disfunção renal e diabetes melito</p><p>preexistentes. Esses grupos são especialmente suscetíveis a desenvolver LRA causada</p><p>por fármacos nefrotóxicos (p. ex., aminoglicosídeos e contrastes radiológicos) ou</p><p>fármacos que alteram a hemodinâmica intrarrenal (p. ex., AINE). Os idosos são</p><p>suscetíveis a todos os tipos de insuficiência renal aguda, em consequência dos efeitos</p><p>do envelhecimento nas reservas renais.</p><p>O monitoramento cuidadoso do débito urinário é essencial aos pacientes em</p><p>risco de desenvolver LRA. Os exames de urina que medem a osmolaridade urinária, a</p><p>concentração de sódio na urina e a excreção percentual de sódio ajudam a diferenciar</p><p>entre azotemia pré-renal (na qual a capacidade de reabsorção das células tubulares</p><p>está mantida) e necrose tubular (na qual esta função é perdida). Uma das primeiras</p><p>manifestações de lesão tubular é incapacidade de concentrar a urina.</p><p>Outros dados diagnósticos que podem ser fornecidos pelo exame simples de</p><p>urina (EAS) incluem proteinúria, hemoglobinúria e cilindros ou cristais na urina. A</p><p>determinação dos níveis séricos de ureia e creatinina fornece informações sobre a</p><p>capacidade de remover escórias nitrogenadas do sangue. Também é importante</p><p>descartar a possibilidade de obstrução urinária. Entretanto, esses marcadores</p><p>tradicionais como creatinina sérica e ureia sanguínea, a excreção percentual de sódio</p><p>para avaliar a TFG e o débito urinário só se manifestam 1 ou 2 dias depois do início da</p><p>insuficiência renal aguda. Portanto, o aumento do nível de creatinina ocorre algum</p><p>tempo depois da lesão renal. A ureia também não é produzida a uma taxa constante e</p><p>a quantidade de ureia aumenta com a dieta, o uso de alguns fármacos e infecções, além</p><p>de ser alterada também por doença hepática.</p><p>Mobile User</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 63</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Ureia é formada pelo metabolismo hepático de aminoácidos e excretada</p><p>basicamente por filtração glomerular. As concentrações séricas de ureia podem variar</p><p>em decorrência de alterações na produção de ureia, como hemorragia digestiva e</p><p>reabsorção tubular de ureia durante estados hipovolêmicos sem alterações da TFG.</p><p>Isso faz com que a ureia não seja um marcador confiável de função renal. Por fim, a</p><p>excreção percentual de sódio é alterada por diuréticos, doenças específicas e infecção,</p><p>ou seja, não é um marcador preciso de TFG reduzida. Em situações associadas com</p><p>hipovolemia ou hipoperfusão, a resposta dos rins saudáveis consiste em elevação da</p><p>osmolaridade urinária e redução da excreção de sódio e/ou ureia ou ácido úrico. Hoje</p><p>em dia, existem pesquisas em andamento sobre o uso de biomarcadores novos para</p><p>avaliar a LRA em uma fase mais precoce que os parâmetros convencionais. A</p><p>interleucina 18 (IL-18) é produzida pelo túbulo proximal depois da LRA e é uma citocina</p><p>inflamatória. Esse marcador aumenta nos casos de LRA isquêmica e pode ser dosado</p><p>facilmente na urina.</p><p>Um aspecto importante do tratamento da LRA é definir e reverter a causa (p. ex.,</p><p>aumentar a perfusão renal, suspender o uso dos fármacos nefrotóxicos). Os líquidos</p><p>administrados devem ser cuidadosamente regulados na tentativa de manter o volume</p><p>de líquidos e as concentrações dos eletrólitos nas faixas normais. Como infecções</p><p>secundárias são causas importantes dos óbitos dos pacientes com insuficiência renal</p><p>aguda, devem ser envidados esforços constantes para evitar e tratar processos</p><p>infecciosos.</p><p>Hemodiálise ou terapia renal substitutiva contínua (TRSC) pode ser indicada</p><p>quando as escórias nitrogenadas e a hemostasia hidroeletrolítica não podem ser</p><p>mantidas sob controle por outras medidas. A TRSC foi introduzida como método para</p><p>tratar insuficiência renal aguda dos pacientes hemodinamicamente muito instáveis para</p><p>tolerar hemodiálise. Uma das vantagens associadas à TRSC é a possibilidade de</p><p>administrar suporte nutricional. As desvantagens incluem a necessidade de tratamento</p><p>anticoagulante prolongado e monitoramento sofisticado contínuo.</p><p>• Conhecer as características do acidente ofídico com Crotalus sp.</p><p>As serpentes do gênero Crotalus (cascavéis) distribuem-se de maneira irregular pelo</p><p>país, determinando as variações com que a frequência de acidentes é registrada.</p><p>Responsáveis por cerca de 7,7 % dos acidentes ofídicos registrados no Brasil, podendo</p><p>representar até 30% dos acidentes em algumas regiões. Apresentam o maior coeficiente</p><p>de letalidade dentre todos os acidentes ofídicos (1,87%), pela frequência com que</p><p>evoluem para lesão renal aguda (LRA).</p><p>Ações do Veneno:</p><p>Ação neurotóxica: Fundamentalmente produzida pela crotoxina, uma neurotoxina de</p><p>ação pré-sináptica, que atua nas terminações nervosas, inibindo a liberação de</p><p>acetilcolina. Esta inibição é o principal responsável pelo bloqueio neuromuscular, do</p><p>qual decorrem as paralisias motoras apresentadas pelos pacientes.</p><p>Ação miotóxica: Produz lesões de fibras musculares esqueléticas (rabdomiólise), com</p><p>liberação de enzimas e mioglobina para o sangue, que são posteriormente excretadas</p><p>pela urina. Não está perfeitamente identificada a fração do veneno que produz esse</p><p>efeito miotóxico sistêmico, mas há referências experimentais de ação miotóxica local da</p><p>crotoxina e da crotamina. A mioglobina excretada na urina foi erroneamente identificada</p><p>como hemoglobina, atribuindo-se ao veneno uma atividade hemolítica in vivo. Estudos</p><p>mais recentes não demonstraram a ocorrência de hemólise nos acidentes humanos.</p><p>Ação Coagulante: Decorre de atividade do tipo trombina que converte o fibrinogênio</p><p>diretamente em fibrina. O consumo do fibrinogênio pode levar à incoagulabilidade</p><p>sanguínea. Geralmente não há redução do número de plaquetas. As manifestações</p><p>hemorrágicas, quando presentes, são discretas.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 64</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Quadro Clínico:</p><p>Manifestações Locais: Podem ser encontradas as marcas das presas, edema e</p><p>eritema discretos. Não há dor, ou se existe, é de pequena intensidade. Há parestesia</p><p>local ou regional, que pode persistir por tempo variável, podendo ser acompanhada de</p><p>edema discreto ou eritema no ponto da picada. Procedimentos desaconselhados como</p><p>garroteamento, sucção ou escarificação locais com finalidade de extrair o veneno,</p><p>podem</p><p>provocar edema acentuado e lesões cutâneas variáveis.</p><p>Manifestações Sistêmicas</p><p>Gerais: Mal-estar, sudorese, náuseas, vômitos, cefaleia, secura da boca, prostração e</p><p>sonolência ou inquietação, são de aparecimento precoce e podem estar relacionados a</p><p>estímulos de origem diversas, nas quais devem atuar o medo e a tensão emocional</p><p>desencadeada pelo acidente.</p><p>Neurológicas, decorrentes da ação neurotóxica do veneno: Apresentam-se nas</p><p>primeiras horas e caracterizam o “fáscies miastênica” (fáscies neurotóxica de Rosenfeld)</p><p>evidenciadas por ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face, há</p><p>oftalmoplegia e dificuldade de acomodação (visão turva) ou visão dupla (diplopia) e</p><p>alteração do diâmetro pupilar (midríase). Com menor frequência pode aparecer paralisia</p><p>velopalatina, com dificuldade à deglutição, diminuição do reflexo do vômito,</p><p>modificações no olfato e no paladar. As alterações descritas são sintomas e sinais que</p><p>regridem após 3 a 5 dias.</p><p>Musculares, decorrentes da Atividade Miotóxica: Caracterizam-se por dores</p><p>musculares generalizadas (mialgias), de aparecimento precoce. A urina pode estar clara</p><p>nas primeiras horas e assim permanecer, ou tornar-se avermelhada (mioglobinúria) e</p><p>progressivamente marrom nas horas subsequentes, traduzindo a eliminação de</p><p>quantidades variáveis de mioglobina, pigmento liberado pela necrose do tecido</p><p>muscular esquelético (rabdomiólise). Não havendo dano renal, a urina readquire a sua</p><p>coloração habitual em 1 ou 2 dias.</p><p>Distúrbios da Coagulação: Pode haver aumento do Tempo de Coagulação (TC) ou</p><p>incoagulabilidade sanguínea, com queda do fibrinogênio plasmático, em</p><p>aproximadamente 40% dos pacientes. Raramente há pequenos sangramentos,</p><p>geralmente restritos às gengivas (gengivorragia).</p><p>Manifestações Clínicas pouco frequentes: Insuficiência respiratória aguda,</p><p>fasciculações e paralisia de grupos musculares têm sido relatadas e interpretadas como</p><p>decorrentes das atividades neurotóxicas e miotóxicas do veneno.</p><p>Com base nas manifestações clínicas, os acidentes crotálicos são classificados</p><p>em leves, moderados e graves.</p><p>a. Leves: Sinais e sintomas neurotóxicos discretos, de aparecimento tardio, fáscies</p><p>miastênica discreta, mialgia discreta ou ausente, sem alteração da cor da urina.</p><p>b. Moderado: Sinais e sintomas neurotóxicos: fáscies miastênica evidente, mialgia</p><p>discreta ou provocada ao exame. A urina pode apresentar coloração alterada.</p><p>c. Grave: Sinais e sintoma neurotóxicos evidentes: fáscies miastênica, fraqueza</p><p>muscular, mialgia intensa e urina escura, podendo haver oligúria ou anúria, insuficiência</p><p>respiratória.</p><p>Complicações:</p><p>Locais: Raramente parestesias locais duradouras, porém reversíveis após algumas</p><p>semanas.</p><p>Sistêmicas: Lesão renal aguda (LRA) com necrose tubular, geralmente de instalação</p><p>nas primeiras 48 horas.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 65</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2018. 9788527733267. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>S9P2: SOFRENDO HÁ MUITO TEMPO!!!</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Discutir sobre a epidemiologia, etiologia, grupos de risco, fisiopatologia,</p><p>manifestações clínicas e diagnóstico da Doença Renal Crônica (DRC).</p><p>• Conhecer os mecanismos da progressão da doença renal crônica (DRC).</p><p>• Discutir sobre a automedicação.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Discutir sobre a epidemiologia, etiologia, grupos de risco, fisiopatologia,</p><p>manifestações clínicas e diagnóstico da Doença Renal Crônica (DRC).</p><p>O termo doença renal crônica (DRC) engloba um espectro de processos</p><p>fisiopatológicos associados à função renal anormal e ao declínio progressivo da taxa de</p><p>filtração glomerular (TFG). O risco de progressão da DRC está estreitamente</p><p>relacionado à TFG e à quantidade de albuminúria.</p><p>A DRC é um problema mundial que afeta pessoas de todas as idades, raças e</p><p>grupos socioeconômicos. A prevalência e a incidência dessa doença – que refletem as</p><p>das doenças como diabetes, hipertensão e obesidade – estão aumentando. Apenas nos</p><p>EUA, mais de 20 milhões de pessoas (ou 1 entre 9 adultos) têm DRC. Outro grupo de</p><p>20 milhões encontra-se em risco de desenvolver essa doença.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 66</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fisiopatologia. A fisiopatologia da DRC caracteriza-se por dois amplos grupos de</p><p>mecanismos lesivos: (1) mecanismos iniciais específicos da etiologia subjacente (p. ex.,</p><p>anormalidades do desenvolvimento ou da integridade renal, deposição de</p><p>imunocomplexos e inflamação em alguns tipos de glomerulonefrite, ou exposição a</p><p>toxinas em algumas doenças dos túbulos e do interstício renais); e (2) hiperfiltração e</p><p>hipertrofia dos néfrons viáveis remanescentes, que são uma consequência comum da</p><p>redução da massa renal a longo prazo, independentemente da etiologia subjacente e</p><p>que leva ao declínio adicional da função renal. As respostas à redução da quantidade</p><p>de néfrons são mediadas por hormônios vasoativos, citocinas e fatores de crescimento.</p><p>Por fim, essas adaptações de curto prazo (hiperfiltração e hipertrofia) para manter a</p><p>TFG tornam-se mal-adaptativas à medida que a pressão e o fluxo sanguíneo</p><p>aumentados dentro do néfron predispõem à distorção da arquitetura dos glomérulos,</p><p>função anormal dos podócitos e rompimento da barreira de filtração, levando à esclerose</p><p>e à destruição dos néfrons remanescentes. O aumento da atividade intrarrenal do</p><p>sistema renina-angiotensina (SRA) parece contribuir para a hiperfiltração compensatória</p><p>inicial e para a subsequente hipertrofia e esclerose mal adaptativas. Esse processo</p><p>explica por que a redução da massa renal secundária a uma agressão isolada pode</p><p>levar ao declínio progressivo da função renal ao longo de muitos anos.</p><p>Etiologia e Epidemiologia. Com base em dados de estudos populacionais, alguns</p><p>autores estimaram que, nos Estados Unidos, no mínimo 6% da população adulta tenha</p><p>DRC em estágios 1 e 2. As mesmas estimativas sugeriram que outros 4,5% da</p><p>população norte-americana tenha DRC nos estágios 3 e 4. A contribuição relativa de</p><p>cada categoria varia nas diferentes regiões geográficas. Na América do Norte e na</p><p>Europa, a causa mais comum de DRC é nefropatia diabética, na maioria dos casos</p><p>secundária ao diabetes melito tipo 2. Os pacientes com DRC recém-diagnosticada</p><p>costumam apresentar hipertensão. Quando não há outras evidências de doença renal</p><p>glomerular ou tubulointersticial primária, a DRC, em geral, é atribuída à hipertensão.</p><p>Todavia, hoje se sabe que esses pacientes podem ser classificados em duas categorias.</p><p>A primeira categoria inclui os pacientes com glomerulopatia primária subclínica, como</p><p>glomerulosclerose focal segmentar ou global. A segunda categoria inclui os pacientes</p><p>nos quais a hipertensão e a nefrosclerose progressivas representam o correspondente</p><p>renal de uma doença vascular sistêmica, que muitas vezes inclui também patologias de</p><p>pequenos e grandes vasos cardíacos e cerebrais. Essa última combinação é</p><p>especialmente comum em idosos, nos quais a isquemia renal crônica como causa de</p><p>DRC pode não ser diagnosticada de maneira adequada. A incidência crescente de DRC</p><p>na população idosa é atribuída em parte à queda das taxas de mortalidade devido a</p><p>complicações cardíacas e cerebrais da doença vascular aterosclerótica, permitindo que</p><p>um segmento maior da população evolua para os estágios mais avançados da DRC. No</p><p>entanto, é importante entender que a grande maioria dos pacientes com DRC nos</p><p>estágios iniciais morre em razão das complicações cardiovasculares e</p><p>cerebrovasculares, antes de progredir para os estágios mais avançados da DRC. Na</p><p>verdade, até mesmo uma redução</p><p>mínima da TFG ou a presença de albuminúria</p><p>atualmente é reconhecida como importante fator de risco de doença cardiovascular.</p><p>Manifestações clínicas. As manifestações clínicas e laboratoriais da DRC incluem</p><p>acumulação de escórias nitrogenadas; distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos;</p><p>distúrbios minerais e ósseos; anemia e distúrbios da coagulação; hipertensão e</p><p>alterações da função cardiovascular; distúrbios gastrintestinais; complicações</p><p>neurológicas; distúrbios dermatológicos; e distúrbios do sistema imune. A ocasião em</p><p>que esses distúrbios aparecem e a gravidade das suas manifestações clínicas são</p><p>determinadas em grande parte pelo grau de função renal existente e pelas doenças</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 67</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>coexistentes. Algumas dessas manifestações clínicas e laboratoriais da DRC ocorrem</p><p>antes que a TFG tenha alcançado o estágio de insuficiência renal.</p><p>Diagnóstico.</p><p>Anamnese e exame físico. Os sinais e sintomas francos de doença renal são</p><p>frequentemente sutis ou estão ausentes, até que o paciente atinja estados mais</p><p>avançados da DRC. Por essa razão, o diagnóstico da doença renal costuma</p><p>surpreender os pacientes e pode gerar ceticismo e negação. Os elementos específicos</p><p>da história clínica que sugerem doença renal incluem relatos de hipertensão (que pode</p><p>causar DRC ou, mais comumente, ser uma consequência da doença), diabetes melito,</p><p>anormalidades do exame de urina e distúrbios gestacionais como pré-eclâmpsia ou</p><p>abortamento precoce. É necessário obter uma história farmacológica detalhada. Os</p><p>fármacos a serem considerados incluem anti-inflamatórios não esteroides (AINEs),</p><p>inibidores da cicloxigenase-2 (COX-2), antimicrobianos, quimioterápicos,</p><p>antirretrovirais, inibidores da bomba de prótons, laxantes contendo fosfato e lítio. O</p><p>exame físico deve concentrar-se na pressão arterial e nas lesões dos órgãos-alvo</p><p>secundárias à hipertensão. Portanto, é necessário realizar exames fundoscópico e</p><p>precordial. O exame do fundo de olho é importante no paciente diabético para detectar</p><p>evidências de retinopatia diabética, que está associada à nefropatia. Outras</p><p>manifestações de DRC ao exame físico dos pacientes são edema e polineuropatia</p><p>sensitiva.</p><p>Investigação laboratorial. Os exames laboratoriais devem enfatizar a busca por</p><p>indícios de um processo patológico desencadeante ou agravante subjacente, bem como</p><p>a avaliação do grau de disfunção renal e suas consequências. A eletroforese das</p><p>proteínas séricas e urinárias à procura de mieloma múltiplo deve ser realizada em todos</p><p>os pacientes com mais de 35 anos e DRC inexplicável, principalmente se houver anemia</p><p>associada e níveis séricos altos ou inapropriadamente normais de cálcio em presença</p><p>de disfunção renal. Nos pacientes com glomerulonefrite, as doenças autoimunes (p. ex.,</p><p>lúpus) e as etiologias infecciosas (p. ex., hepatites B e C e infecção por HIV) subjacentes</p><p>devem ser investigadas. Determinações seriadas da função renal devem ser realizadas</p><p>para avaliar a velocidade de deterioração renal e confirmar que a doença é, de fato,</p><p>crônica, em vez de aguda ou subaguda que seriam, portanto, potencialmente</p><p>reversíveis. As concentrações séricas do cálcio, do fósforo, da vitamina D e do PTH</p><p>devem ser determinadas para avaliar doença óssea metabólica. A concentração de</p><p>hemoglobina e os níveis de ferro, B12 e folato também devem ser dosados. A coleta da</p><p>urina por 24 horas pode ser útil, tendo em vista que a excreção proteica > 300 mg pode</p><p>ser uma indicação para tratamento com inibidores da ECA ou BRAs.</p><p>Exames de imagem - A ultrassonografia do aparelho urinário é o exame de imagem</p><p>mais útil porque permite verificar a presença dos dois rins, determinar se são simétricos,</p><p>obter uma estimativa das dimensões renais e excluir a existência de massas renais e</p><p>evidências de obstrução. O diagnóstico da doença renovascular pode ser estabelecido</p><p>por diferentes técnicas, inclusive eco-Doppler, exames de medicina nuclear ou TC e</p><p>RM. Se houver suspeita de nefropatia por refluxo (infecções urinárias recidivantes na</p><p>infância, rins com dimensões assimétricas e cicatrizes nos polos renais), pode-se indicar</p><p>uma uretrocistografia miccional. Os exames radiográficos contrastados não são</p><p>particularmente úteis à investigação da DRC. Sempre que possível, a administração</p><p>intravenosa ou intra-arterial de contraste deve ser evitada nos pacientes com DRC,</p><p>especialmente com nefropatia diabética, tendo em vista o risco de provocar lesão renal</p><p>aguda induzida pelos contrastes radiográficos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 68</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Biópsia renal- Nos pacientes com rins pequenos bilateralmente, a biópsia renal não é</p><p>recomendável porque (1) é tecnicamente difícil e tem maior tendência a provocar</p><p>sangramento e outras consequências desfavoráveis; (2) costuma haver tanta fibrose</p><p>que a doença primária não pode ser definida; e (3) a janela de oportunidade para</p><p>promover um tratamento para a doença específica já passou. Outras contraindicações</p><p>à biópsia renal são hipertensão descontrolada, infecção urinária em atividade, diátese</p><p>hemorrágica (inclusive sob tratamento anticoagulante) e obesidade grave. A biópsia</p><p>percutânea orientada pela ultrassonografia é a abordagem preferível, mas a técnica</p><p>cirúrgica ou laparoscópica pode ser considerada, especialmente nos pacientes com rim</p><p>único, nos quais a visualização direta e o controle do sangramento são cruciais. Em</p><p>pacientes com DRC para os quais a biópsia renal é indicada (p. ex., suspeita de</p><p>processo concomitante ou superposto em atividade, como nefrite intersticial, ou nos</p><p>casos de perda acelerada da TFG), o tempo de sangramento precisa ser determinado</p><p>e, se estiver aumentado, deve-se administrar desmopressina imediatamente antes do</p><p>procedimento.</p><p>Tratamento. As medidas terapêuticas recomendadas aos pacientes com DRC podem</p><p>ser divididas em dois grupos: tratamento conservador e terapia renal substitutiva. O</p><p>tratamento conservador consiste nas medidas usadas para evitar ou retardar a</p><p>deterioração da função renal restante e ajudar o organismo a compensar a disfunção</p><p>existente. Entre as intervenções comprovadamente eficazes para retardar a progressão</p><p>da DRC, estão normalização da pressão arterial e controle da glicemia dos pacientes</p><p>diabéticos. A vitamina D ativada pode ser usada para aumentar a absorção do cálcio e</p><p>controlar o hiperparatireoidismo secundário. A rhEPO está em processo de investigação</p><p>a fim de determinar se deve ser usada para corrigir a anemia grave que ocorre nos</p><p>pacientes com DRC. A terapia renal substitutiva (diálise ou transplante renal) está</p><p>indicada quando o paciente tem uremia avançada e distúrbios eletrolíticos graves.</p><p>• Conhecer os mecanismos da progressão da doença renal crônica (DRC).</p><p>O risco de progressão da DRC está estreitamente relacionado à TFG e à quantidade de</p><p>albuminúria. A figua abaixo mostra o estadiamento da DRC estratificada pelas</p><p>estimativas desses dois parâmetros.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 69</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: Classificação do Kidney Disease Improving Global Outcome (KDIGO) da doença renal crônica</p><p>(DRC). A graduação de cores que vai do verde ao vermelho representa o risco crescente e a progressão</p><p>da DRC. TFG, taxa de filtração glomerular. (Reproduzida de Jameson, J., L. et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. Disponível em: Minha Biblioteca, (20th edição). Grupo A, 2019.)</p><p>• Discutir sobre a automedicação.</p><p>A automedicação pode ser entendida como a seleção e o uso de medicamentos</p><p>por pessoas para tratar doenças ou sintomas sem a supervisão ou a prescrição de um</p><p>profissional, inserida no contexto do autocuidado.</p><p>Essa prática tem se mostrado muito comum na sociedade e pode estar</p><p>relacionada a diferentes causas. Dentre elas, pode-se citar a variedade de produtos</p><p>fabricados pela indústria farmacêutica, a facilidade de comercialização de</p><p>medicamentos, a própria cultura e comodidade assimilada pela sociedade, a grande</p><p>variedade de informações médicas disponíveis e a substituição inadvertida da</p><p>orientação médica por sugestões de medicamentos provenientes de pessoas não</p><p>autorizadas, entre estes familiares, amigos ou balconistas em farmácias.</p><p>Uma preocupante consequência da automedicação são as intoxicações</p><p>medicamentosas, as quais surgem devido a mecanismos complexos, relacionados a</p><p>processos farmacodinâmicos e farmacocinéticos envolvidos, por sua vez, com</p><p>características individuais, com propriedades farmacêuticas do produto e com</p><p>interações com medicamentos e alimentos.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>XAVIER, Mateus Silva et al. Automedicação e o risco à saúde: uma revisão de</p><p>literatura. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 1, p. 225-240, 2021.</p><p>https://brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/22665/18160</p><p>MELO, José Romério Rabelo et al. Automedicação e uso indiscriminado de</p><p>medicamentos durante a pandemia da COVID-19. Cadernos de Saúde Pública, v. 37,</p><p>2021.</p><p>https://brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/22665/18160</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 70</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2019. 9788580556346.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2018. 9788527733267. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Interpretar diferentes achados laboratoriais da avaliação renal.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Aprender sobre a biópsia renal guiada por US e TC.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender os principais tipos de neoplasia renal</p><p>benignas e malignas (carcinoma de células claras).</p><p>• Patologia Clínica: Entender os exames: proteinúria de 24h, microalbuminúria,</p><p>cistatina C, N-GAL e dismorfismo eritrocitário.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01- Demonstrar os achados clínicos e laboratoriais da Lesão Renal Aguda</p><p>e Doença Renal Crônica.</p><p>• Comparar os achados clínicos, imagem e laboratoriais da LRA e DRC.</p><p>- PALESTRA 02- Alterações laboratoriais nos acidentes ofídicos.</p><p>• Discutir sobre os achados laboratoriais frente a acidentes ofídicos</p><p>(coagulograma, hemograma, ureia, creatinina, CKP, TGO e desidrogenase láctica.</p><p>TICS</p><p>• 1. Identificar corretamente as serpentes peçonhentas. 2. Compreender o</p><p>mecanismo tóxico dos venenos das serpentes. 3. Conhecer o manejo dos</p><p>acidentes por escorpiões e aranhas.</p><p>• Acidentes ofídicos / por escorpiões e por aranhas.</p><p>N1 ESPECÍFICA</p><p>Semana 10: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer mecanismos de agressão funcionais e imunológicos aos glomerulos.</p><p>Problemas da Semana</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 71</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>S10P1: IMUNOCOMPLEXIDADE</p><p>Antônio, 8 anos de idade, foi levado para consulta na unidade básica de saúde pela mãe</p><p>devido a edema facial e hematúria. Ao exame físico, o pediatra observou presença de</p><p>edema bipalpebral e pressão arterial de 140×95 mmHg. Pensando em um provável</p><p>diagnóstico, o médico interrogou se a criança apresentou alguma infecção de garganta</p><p>ou de pele anteriormente.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia dos glomérulos.</p><p>• Discutir os mecanismos imunes envolvidos na patogênese da doença</p><p>glomerular.</p><p>• Identificar as glomerulopatias associadas a Síndrome Nefrítica.</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas e</p><p>diagnóstico da síndrome nefrítica.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever a morfofisiologia dos glomérulos</p><p>Glomérulos são tufos de capilares situados entre as arteríolas aferentes e eferentes.</p><p>Esses capilares estão dispostos em lóbulos e são sustentados por pedículos formados</p><p>por células mesangiais e matriz extracelular semelhante à membrana basal. A</p><p>membrana dos glomérulos é formada por três camadas estruturais: uma camada de</p><p>células endoteliais que revestem a superfície mais interna do capilar; membrana basal</p><p>constituída por uma rede de proteínas matriciais; e uma camada de células epiteliais</p><p>que circunda a superfície mais externa do capilar e recobre a superfície mais interna da</p><p>cápsula de Bowman. As células epiteliais estão ligadas à membrana basal por</p><p>prolongamentos longos semelhantes a pés (podócitos), que circundam a superfície</p><p>externa dos capilares. A membrana capilar glomerular tem permeabilidade seletiva, ou</p><p>seja, possibilita que água e partículas pequenas (p. ex., eletrólitos e moléculas</p><p>dissolvidas, inclusive glicose e aminoácidos) deixem o sangue e entrem no espaço de</p><p>Bowman; ao mesmo tempo, impedem que partículas maiores (p. ex., proteínas</p><p>plasmáticas e células sanguíneas) saiam do sangue.</p><p>• Discutir os mecanismos imunes envolvidos na patogênese da doença</p><p>glomerular</p><p>Dois tipos de mecanismos imunes foram implicados na patogênese da doença</p><p>glomerular:</p><p>1. Lesão resultante de anticorpos que reagem com antígenos glomerulares fixos ou</p><p>antígenos depositados dentro do glomérulo.</p><p>2. Lesão resultante de complexos antígeno-anticorpo circulantes retidos na membrana</p><p>glomerular.</p><p>Os antígenos responsáveis pelo desenvolvimento da reação imune podem ter</p><p>origem endógena, como autoanticorpos contra o ácido desoxirribonucleico (DNA) no</p><p>LES, ou podem ser exógenos, como os antígenos da membrana dos estreptococos na</p><p>glomerulonefrite pós-estreptocócica. Em muitos casos, a origem do antígeno não é</p><p>conhecida.</p><p>As alterações celulares na doença glomerular aumentam as contagens de</p><p>células glomerulares ou inflamatórias (proliferativas ou hipercelulares), causam</p><p>espessamento da membrana basal (membranosa) e acarretam alterações dos</p><p>componentes não celulares do glomérulo (esclerose e fibrose). O aumento da</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 72</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>quantidade de células caracteriza-se por uma ou mais das seguintes alterações:</p><p>proliferação das células endoteliais ou mesangiais, infiltração de leucócitos (neutrófilos,</p><p>monócitos e linfócitos em alguns casos) e formação de crescentes (acúmulos com</p><p>formato de crescentes de células epiteliais em proliferação e leucócitos infiltrantes) no</p><p>espaço de Bowman. O espessamento da membrana basal consiste em deposição de</p><p>material acelular denso nas superfícies endotelial e epitelial da membrana basal, ou</p><p>dentro da própria membrana. “Esclerose” é o termo usado para descrever um aumento</p><p>da quantidade de material extracelular nos tecidos mesangiais, subendoteliais ou</p><p>subepiteliais do glomérulo, enquanto “fibrose” refere-se à deposição de fibras de</p><p>colágeno. As alterações glomerulares podem ser difusas, ou seja, envolvendo todos os</p><p>glomérulos e todos os seus componentes; focais, quando apenas alguns glomérulos</p><p>são afetados; segmentares, quando há envolvimento apenas de determinado segmento</p><p>de cada glomérulo; ou mesangiais, quando as células mesangiais são afetadas.</p><p>Fonte: Mecanismos imunes das doenças glomerulares. A. Anticorpos dirigidos contra a membrana basal</p><p>do glomérulo deixam a circulação e interagem com antígenos existentes em sua estrutura. B. Os</p><p>complexos antígeno-anticorpo circulantes no sangue ficam retidos à medida que são filtrados no</p><p>glomérulo (Reproduzida por Norris, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Disponível em: Minha Biblioteca,</p><p>(10th edição). Grupo GEN, 2021.)</p><p>• Identificar as glomerulopatias associadas a Síndrome Nefrítica</p><p>Fonte: Glomerulonefrites primárias e secundárias (Reproduzida de Norris, Tommie L. Porth -</p><p>Fisiopatologia. Disponível em: Minha</p><p>Biblioteca, (10th edição). Grupo GEN, 2021.).</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações</p><p>clínicas e diagnóstico da síndrome nefrítica.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 73</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Glomerulonefrite é um processo inflamatório que envolve as estruturas</p><p>glomerulares. É a segunda causa mais frequente de insuficiência renal em todo o mundo</p><p>e ocupa o terceiro lugar (depois do diabetes e da hipertensão) entre as causas de</p><p>doença renal crônica nos EUA. Existem muitas causas de doença glomerular. A</p><p>glomerulonefrite pode ser um distúrbio primário, no qual a anormalidade glomerular é o</p><p>único problema existente; ou pode ser uma condição secundária, na qual a</p><p>anormalidade glomerular resulta de outra doença, inclusive diabetes melito ou LES.</p><p>Os agentes ou eventos causadores de lesão glomerular incluem mecanismos</p><p>imunológicos, não imunológicos e hereditários. Muitos casos de doença glomerular</p><p>primária e doença glomerular secundária provavelmente têm origem imune. Embora</p><p>várias doenças glomerulares sejam suscitadas por eventos imunológicos, inúmeros</p><p>estressores não imunológicos metabólicos (i. e., diabetes), hemodinâmicos (i. e.,</p><p>hipertensão arterial) e tóxicos (i. e., drogas ilícitas e fármacos), tanto sozinhos como</p><p>associados a mecanismos imunológicos, podem ocasionar lesão glomerular. Doenças</p><p>glomerulares hereditárias como a síndrome de Alport, apesar de relativamente raras,</p><p>são uma importante categoria de doença glomerular, devido à sua associação à perda</p><p>progressiva da função renal e à sua transmissão a futuras gerações.</p><p>Síndrome nefrítica aguda- Síndrome nefrítica aguda é o correspondente clínico da</p><p>inflamação glomerular aguda. Em sua forma mais grave, caracteriza-se por início súbito</p><p>de hematúria (microscópica ou macroscópica com cilindros hemáticos), graus variáveis</p><p>de proteinúria, redução da TFG, oligúria e sinais de disfunção renal. É causada por</p><p>processos inflamatórios que obstruem os lumens dos capilares glomerulares e lesam a</p><p>parede capilar. Essa lesão da parede capilar possibilita que as hemácias entrem na</p><p>urina e causa as alterações hemodinâmicas que reduzem a TFG. Acumulação</p><p>extracelular de líquidos, hipertensão e edema ocorrem em consequência da TFG</p><p>reduzida e da reabsorção tubular aumentada de sal e água.</p><p>A síndrome nefrítica aguda pode ocorrer com doenças sistêmicas como o LES.</p><p>Entretanto, nos casos típicos, essa síndrome está associada às glomerulonefrites</p><p>proliferativas agudas, inclusive glomerulonefrite pós-infecciosa.</p><p>- Glomerulonefrite pós-infecciosa aguda. Em geral, a glomerulonefrite pós-infecciosa</p><p>aguda ocorre depois da infecção por algumas cepas de estreptococos beta-hemolíticos</p><p>do grupo A, e é causada pela deposição de imunocomplexos de anticorpo e antígenos</p><p>bacterianos. Isso também pode ocorrer depois de infecções por outros microrganismos,</p><p>inclusive estafilococos, vírus (p. ex., vírus da hepatite) e vários parasitas. Embora essa</p><p>doença seja encontrada principalmente nas crianças, todas as faixas etárias podem ser</p><p>afetadas.</p><p>A fase aguda da glomerulonefrite pós-infecciosa caracteriza-se por crescimento</p><p>difuso e hipercelularidade dos glomérulos. A hipercelularidade é causada por infiltração</p><p>de leucócitos (neutrófilos e monócitos) e pela proliferação das células endoteliais e</p><p>mesangiais. Também há edema das células endoteliais. A combinação de proliferação,</p><p>edema e infiltração por leucócitos fecha os lumens dos capilares glomerulares. Também</p><p>pode haver edema e inflamação do interstício, e os túbulos comumente contêm</p><p>hemácias. Nas primeiras semanas da doença, a microscopia de imunofluorescência</p><p>geralmente mostra depósitos granulares de IgG e componente C3 do complemento no</p><p>mesângio e ao longo da membrana basal.</p><p>Os casos clássicos da glomerulonefrite pós-estreptocócica começam depois de</p><p>uma infecção estreptocócica 7 a 12 dias antes. Esse é o intervalo necessário à produção</p><p>dos anticorpos. Em geral, a infecção primária afeta a faringe, mas a pele também pode</p><p>ser afetada. Uma das primeiras manifestações clínicas é oligúria, que ocorre à medida</p><p>que a TFG diminui. Proteinúria e hematúria são consequentes ao aumento da</p><p>permeabilidade das membranas dos capilares glomerulares. As substâncias na urina</p><p>destroem as hemácias, e urina marrom-escura pode ser o primeiro sinal dessa</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 74</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>síndrome. A retenção de sódio e água causa edema (principalmente da face e das</p><p>mãos) e hipertensão. Entre as anormalidades laboratoriais significativas, observam-se</p><p>aumentos dos títulos de anticorpo antiestreptocócico (ASO), redução das concentrações</p><p>séricas de C3 e outros componentes do sistema complemento e formação de</p><p>crioglobulinas (i. e., imunocomplexos grandes) no soro.</p><p>O tratamento da glomerulonefrite pós-estreptocócica aguda consiste em</p><p>erradicar a infecção estreptocócica com antibióticos e instituir medidas de suporte. Esse</p><p>tipo de glomerulonefrite tem prognóstico excelente e raramente causa doença renal</p><p>crônica.</p><p>Glomerulonefrite rapidamente progressiva- É uma síndrome clínica que se</p><p>caracteriza por sinais e sintomas de lesão glomerular grave, sem uma causa específica</p><p>determinável. Como seu nome sugere, esse tipo de glomerulonefrite é rapidamente</p><p>progressivo, em geral no intervalo de alguns meses. A doença consiste em proliferação</p><p>focal e segmentar das células glomerulares e recrutamento de monócitos e macrófagos</p><p>com formação de estruturas com configuração de crescentes, que fecham o espaço de</p><p>Bowman. A glomerulonefrite rapidamente progressiva pode ser causada por algumas</p><p>doenças imunes, condições sistêmicas e patologias limitadas aos rins. Entre as doenças</p><p>associadas, estão distúrbios imunes complexos como LES, vasculites de pequenos</p><p>vasos (p. ex., poliangiite microscópica) e uma doença conhecida como síndrome de</p><p>Goodpasture.</p><p>Síndrome de Goodpasture. É uma forma rara e agressiva de glomerulonefrite</p><p>causada por anticorpos dirigidos contra as membranas basais dos glomérulos (MBG) e</p><p>dos alvéolos. Os anticorpos anti-MBG têm reatividade cruzada com a membrana basal</p><p>dos alvéolos pulmonares e são responsáveis pela síndrome de hemorragia pulmonar</p><p>associada à insuficiência renal. A alteração histopatológica típica da glomerulonefrite</p><p>por anticorpos anti-MBG é a coloração linear difusa das membranas basais para IgG. A</p><p>etiologia dessa síndrome é desconhecida, embora tenham sido implicadas infecções</p><p>por vírus influenza, exposição aos hidrocarbonetos solventes (encontrados nas tintas e</p><p>nos corantes), vários fármacos e câncer em alguns casos. Acredita-se que a síndrome</p><p>de Goodpasture tenha predisposição genética, mas isso não está comprovado. O</p><p>tratamento inclui plasmaférese para remover os anticorpos anti-MBG circulantes e</p><p>imunossupressores (i. e., corticoides e ciclofosfamida) a fim de inibir a formação de mais</p><p>anticorpos.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. [Digite o Local da Editora]: Grupo A, 2019. 9788580556346.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2022.</p><p>RIELLA, Miguel C. Princípios de Nefrologia e Distúrbios Hidroeletrolíticos, 6ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2018. 9788527733267. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527733267/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>S10P2: O QUE É ISSO, DOUTOR?</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 75</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Marli, 47 anos, estava apresentando, há 60 dias, edema periorbital, seguido de edema</p><p>de membros inferiores (MMII) e ascite. Há 30 dias, percebeu piora evoluindo para</p><p>anasarca. Ela relatou que sua urina tinha aspecto espumoso. Diante da circunstância</p><p>resolveu procurar um</p><p>seguir essas</p><p>orientações, mas que não surtiram efeito, resolvendo procurar o pediatra para verificar</p><p>se existia alguma opção de medicamento.</p><p>Objetivos de Aprendizagem:</p><p>• Rever a morfofisiologia do esôfago.</p><p>• Entender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações do refluxo gastro-esofágico nos adultos e nas</p><p>crianças.</p><p>• Compreender os aspectos farmacodinâmicos do tratamento da síndrome</p><p>dispéptica.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever morfofisiologia do esôfago</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 9</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>O esôfago é um tubo que liga a orofaringe ao estômago e está localizado por</p><p>trás da traqueia e da laringe, estendendo-se ao longo do mediastino e cruzando o</p><p>diafragma no nível da 11a vértebra torácica. Funciona basicamente como um conduto</p><p>para passagem de alimentos e líquidos provenientes da faringe em direção ao</p><p>estômago.</p><p>As paredes do esôfago são formadas de mucosa, submucosa, muscular externa</p><p>e adventícia, refletindo a organização estrutural geral do sistema digestório. Existem</p><p>esfíncteres em cada extremidade do esôfago: um esfíncter esofágico superior (EES) e</p><p>um esfíncter esofágico inferior (EEI). O EES – ou faringoesofágico – consiste em uma</p><p>camada circular de músculo estriado conhecido como músculo cricofaríngeo. O EEI –</p><p>ou gastresofágico – é uma área de aproximadamente 3 cm situada acima da junção com</p><p>o esôfago.</p><p>• Entender a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e complicações do refluxo gastresofágico nos adultos e nas</p><p>crianças.</p><p>O refluxo gastresofágico (RGE) é, por definição, o deslocamento, sem esforço,</p><p>do conteúdo gástrico do estômago para o esôfago. Ocorre em lactentes, crianças e</p><p>adultos saudáveis várias vezes ao dia e, desde que não haja sintomas ou sinais de lesão</p><p>mucosa, pode ser considerado um processo fisiológico.</p><p>A capacidade reduzida do reservatório esofágico dos lactentes, combinada com</p><p>reduções espontâneas e frequentes da pressão dos esfíncteres, contribui para o refluxo.</p><p>Em cerca de 50% dos recém-nascidos até os 3 meses de idade, ocorre no mínimo um</p><p>episódio de regurgitação por dia. Com 8 meses, o refluxo torna-se menos frequente e</p><p>desaparece aos 2 anos de idade, à medida que a dieta da criança avança naturalmente</p><p>e ela consegue manter uma postura mais ereta. Embora muitos recém-nascidos</p><p>apresentem refluxo leve, as complicações podem ocorrer nas crianças com episódios</p><p>mais frequentes ou persistentes. Essa condição é mais comum nas crianças com</p><p>paralisia cerebral, síndrome de Down, fibrose cística e outras doenças neurológicas.</p><p>Na maioria dos casos, os recém-nascidos com refluxo simples crescem</p><p>normalmente e são saudáveis e seus sintomas regridem entre 9 e 24 meses de idade.</p><p>O refluxo patológico nas crianças é classificado em três grupos: regurgitação com</p><p>desnutrição, esofagite e problemas respiratórios.</p><p>Atualmente, a DRGE é considerada um problema de saúde pública em razão de</p><p>sua elevada prevalência, evolução crônica, recorrências frequentes e comprometimento</p><p>da qualidade de vida. A prevalência estimada da DRGE baseia-se apenas na presença</p><p>de sintomas clássicos. Existe uma quantidade crescente de informação sobre</p><p>manifestações extraesofágicas da DRGE, com evidências de que a DRGE pode ser</p><p>mais comum do que estimado atualmente. Dados epidemiológicos baseados na</p><p>presença de pirose como indicador da DRGE revelam que 15 a 44% dos adultos norte-</p><p>americanos têm este sintoma pelo menos uma vez por mês, e 14 a 17,8%, diariamente.</p><p>No Brasil, foi realizado um estudo populacional que avaliou a frequência de pirose,</p><p>entrevistando quase 14.000 pessoas em 22 cidades, que conclui que 12% da população</p><p>urbana tem a DRGE. A DRGE afeta todos os grupos etários, mas os idosos procuram</p><p>tratamento mais frequentemente.</p><p>A etiologia da DRGE é multifatorial. Tanto os sintomas quanto as lesões teciduais</p><p>resultam do contato da mucosa com o conteúdo gástrico refluxado, decorrentes de falha</p><p>em uma ou mais das seguintes defesas do esôfago: barreira antirrefluxo, mecanismos</p><p>de depuração intraluminal e resistência intrínseca do epitélio.</p><p>A barreira antirrefluxo, principal proteção contra o RGE, é composta por:</p><p>esfíncter interno (ou esfíncter inferior do esôfago – EIE) e esfíncter externo (formado</p><p>pela porção crural do diafragma). O EIE mantém-se fechado em repouso e relaxa com</p><p>a deglutição e com a distensão gástrica. O relaxamento não relacionado com a</p><p>deglutição é chamado relaxamento transitório do EIE (RTEIE), sendo considerado o</p><p>principal mecanismo fisiopatológico associado à DRGE, responsável por 63 a 74% dos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 10</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>episódios de RGE. A depuração (ou “clareamento”) do material refluxado presente na</p><p>luz do esôfago decorre de uma combinação de mecanismos mecânicos (retirando a</p><p>maior quantidade do volume refluído, através do peristaltismo e da gravidade) e</p><p>químicos (neutralização do conteúdo residual pela saliva ou pela mucosa).</p><p>A resistência intrínseca da mucosa é constituída pelos seguintes mecanismos</p><p>de defesa, normalmente presentes no epitélio esofágico:</p><p>• Defesa pré-epitelial (composta por muco, bicarbonato e água no lúmen do esôfago,</p><p>formando uma barreira físico-química, que é pouco desenvolvida no esôfago, quando</p><p>comparada à mucosa gástrica e duodenal);</p><p>• Defesa epitelial (junções intercelulares firmes, características do epitélio estratificado</p><p>pavimentoso, o que dificulta a retrodifusão de íons, e substâncias tamponadoras</p><p>intersticiais, como proteínas, fosfato e bicarbonato);</p><p>• Defesa pós-epitelial (suprimento sanguíneo, responsável tanto pelo aporte de oxigênio</p><p>e nutrientes quanto pela remoção de metabólitos). O defeito mais comum da resistência</p><p>epitelial é o aumento da permeabilidade paracelular. A esofagite ocorre quando os</p><p>fatores de defesa são sobrepujados pelos fatores agressivos.</p><p>Outro constituinte do material refluxado, que tem sido correlacionado com maior</p><p>agressividade para a mucosa do esôfago, é o conteúdo duodenal (bile e secreções</p><p>pancreáticas), que atinge o estômago, através do piloro e, subsequentemente, chega</p><p>ao esôfago. O refluxo duodeno-gastresofágico é um fenô- meno fisiológico, de</p><p>composição variada, que lesa a mucosa esofágica pela ação das enzimas proteolíticas,</p><p>potencializando a lesão provocada pelo ácido.</p><p>Manifestações clínicas. Pirose (azia) e regurgitação são os sintomas característicos</p><p>da DRGE. Outras queixas são eructações e dor torácica. Em geral, a dor é localizada</p><p>na região epigástrica ou retrosternal e frequentemente irradia para a garganta, o ombro</p><p>ou o dorso. Por causa de sua localização, essa dor pode ser confundida com angina do</p><p>peito. O refluxo do conteúdo gástrico também pode causar sinais e sintomas</p><p>respiratórios como asma, tosse crônica e laringite, mas é importante ressaltar que a</p><p>causa desses sintomas geralmente é multifatorial, além do diagnóstico de DRGE.</p><p>A esofagite de refluxo consiste em lesão da mucosa do esôfago, hiperemia e</p><p>inflamação. As complicações como estenoses e esôfago de Barrett desencadeiam um</p><p>ciclo de lesão da mucosa seguida de hiperemia, edema e erosão da superfície interna</p><p>do órgão.</p><p>Diagnóstico. O diagnóstico do refluxo gastresofágico baseia-se principalmente no</p><p>relato de sintomas de refluxo e nos exames diagnósticos opcionais, incluindo teste de</p><p>supressão da acidez, esofagoscopia e monitoramento ambulatorial do pH esofágico.</p><p>Tratamento. O tratamento do refluxo gastresofágico geralmente enfatiza medidas</p><p>conservadoras. Isso inclui evitar posições e condições que aumentam o refluxo gástrico.</p><p>Também é recomendável evitar refeições lautas e alimentos que diminuem o tônus do</p><p>EEI (p. ex., cafeína, gorduras e chocolate), etilismo e tabagismo. Os pacientes devem</p><p>ser orientados a ingerir suas refeições sentados</p><p>médico.</p><p>- O que é isso, Doutor?</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, patogênese, manifestações clínicas e</p><p>diagnóstico da Síndrome nefrótica.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, patogênese, manifestações clínicas</p><p>e diagnóstico da Síndrome nefrótica.</p><p>Originalmente, a síndrome nefrótica foi definida como proteinúria de 24h acima</p><p>de 3,5 g, acompanhada de hipoalbuminemia, hipercolesterolemia e edema. O</p><p>entendimento de que as três últimas alterações se referem apenas a uma consequência</p><p>da intensidade da proteinúria levou à definição mais recente de síndrome nefrótica:</p><p>proteinúria maciça, com tendência a edema, hipoalbuminemia e hipercolesterolemia. A</p><p>glomerulopatia primária que representa melhor essa síndrome é a doença por lesões</p><p>mínimas, mas a glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) e a nefropatia</p><p>membranosa (NM) também se encaixam bem nesse grupo. Algumas vezes, as GNMP</p><p>ou glomerulopatias de depósito também se manifestam como síndromes nefróticas.</p><p>Patogênese. Qualquer aumento da permeabilidade da membrana glomerular possibilita</p><p>que proteínas saiam do plasma e entrem no filtrado glomerular. O resultado disso é</p><p>proteinúria maciça, que acarreta hipoalbuminemia. O edema generalizado – marca</p><p>característica da síndrome nefrótica – é causado pela redução da pressão</p><p>coloidosmótica do sangue, com acumulação subsequente de líquidos nos tecidos</p><p>intersticiais. Também há retenção de sódio e água, agravando o edema. Isso parece</p><p>atribuível a vários fatores, inclusive aumento compensatório da aldosterona,</p><p>estimulação do sistema nervoso simpático e redução da secreção dos fatores</p><p>natriuréticos. Inicialmente, o edema acumula-se nas partes inferiores do corpo (inclusive</p><p>membros inferiores), mas torna-se generalizado à medida que a doença avança. Os</p><p>pacientes com síndrome nefrótica podem ter dispneia causada por edema pulmonar,</p><p>derrames pleurais e compressão diafragmática pela ascite.</p><p>A hiperlipidemia nos pacientes com nefrose caracteriza-se por níveis altos de</p><p>triglicerídeos e lipoproteínas de densidade baixa (LDL). Os níveis das lipoproteínas de</p><p>densidade alta (HDL) geralmente estão normais. Por causa da elevação das</p><p>concentrações de LDL, é mais provável que pacientes com síndrome nefrótica</p><p>desenvolvam aterosclerose.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 76</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: Fisiopatologia da Síndrome nefrótica (Reproduzido de Norris, Tommie L. Porth -</p><p>Fisiopatologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (10th edição). Grupo GEN, 2021.)</p><p>Etiologia. As anormalidades glomerulares com a nefrose podem ser primárias</p><p>ou secundárias às alterações causadas por doenças sistêmicas como diabetes melito e</p><p>LES. Entre as lesões glomerulares primárias que acarretam síndrome nefrótica, está a</p><p>doença de lesão mínima (nefrose lipoídica), a glomerulosclerose segmentar focal e a</p><p>glomerulonefrite membranosa. A frequência relativa dessas causas varia com a idade.</p><p>Na faixa etária abaixo de 15 anos, a síndrome nefrótica quase sempre é causada por</p><p>doenças glomerulares idiopáticas primárias, enquanto nos adultos geralmente é um</p><p>distúrbio secundário.</p><p>Doença de lesão mínima | Nefrose lipoídica. Caracteriza-se por destruição difusa</p><p>(causada por fusão) dos pseudópodos das células da camada epitelial da membrana</p><p>glomerular. A nefrose lipoídica é encontrada mais comumente nas crianças, mas pode</p><p>ocorrer ocasionalmente nos adultos. A causa dessa doença é desconhecida. Embora a</p><p>doença de lesão mínima não evolua para insuficiência renal, pode produzir</p><p>complicações significativas, inclusive predisposição às infecções por bactérias gram-</p><p>negativas, tendência a episódios tromboembólicos, hiperlipidemia e desnutrição</p><p>proteica.</p><p>Glomerulonefrite membranosa. É a causa mais comum de nefrose primária dos</p><p>adultos, mais comumente entre a quinta e a sexta décadas de vida, quase sempre</p><p>depois dos 30 anos. A doença é causada por espessamento difuso da MBG em</p><p>consequência da deposição de imunocomplexos. A glomerulonefrite membranosa pode</p><p>ser idiopática ou estar associada a alguns distúrbios, inclusive doenças autoimunes (p.</p><p>ex., LES), infecções (p. ex., hepatite B crônica) e transtornos metabólicos (p. ex.,</p><p>diabetes melito). Imunoglobulinas e complemento nos depósitos subendoteliais</p><p>sugerem que a doença seja um distúrbio crônico mediado por imunocomplexos.</p><p>Em geral, a glomerulonefrite membranosa começa com síndrome nefrótica de</p><p>início insidioso ou, em uma porcentagem pequena dos casos, com proteinúria fora da</p><p>faixa nefrótica. Também pode haver hematúria e hipertensão branda. A progressão da</p><p>doença é variável. Alguns pacientes têm remissões completas, outros apresentam</p><p>remissões e recidivas repetidas e, por fim, outros evoluem para insuficiência renal</p><p>terminal e até mesmo morte. As remissões espontâneas e uma evolução relativamente</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 77</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>benigna são mais comuns nas mulheres e nos pacientes com proteinúria fora da faixa</p><p>nefrótica. Ainda existem controvérsias quanto ao tratamento.</p><p>Glomerulosclerose segmentar focal. Caracteriza-se por esclerose (i. e., aumento da</p><p>deposição de colágeno) de alguns, mas não de todos, os glomérulos; nas unidades</p><p>glomerulares afetadas, apenas uma parte do tufo glomerular está afetada. Essa é uma</p><p>causa especialmente comum de síndrome nefrótica nas populações afro-americana e</p><p>hispânica.</p><p>Embora a esclerose segmentar focal geralmente seja uma síndrome idiopática,</p><p>também pode estar associada à redução da concentração de oxigênio no sangue (p.</p><p>ex., doença falciforme e cardiopatia congênita cianótica), à infecção pelo vírus da</p><p>imunodeficiência humana (HIV) ou ao uso de substâncias intravenosas, ou também</p><p>pode ser um distúrbio secundário associado à fibrose glomerular em consequência de</p><p>outros tipos de glomerulonefrite. O comprometimento da autofagia (processo de reparo</p><p>necessário para manter a homeostase após lesão celular) seria responsável pela</p><p>capacidade limitada de regeneração dos podócitos. A ocorrência de hipertensão arterial</p><p>e redução da função renal diferencia a esclerose focal da doença por alteração mínima.</p><p>Além disso, a pesquisa indica que pessoas com doença por alteração mínima (uma</p><p>manifestação de síndrome nefrótica diagnosticada por biopsia renal) evoluem</p><p>posteriormente para glomeruloesclerose segmentar focal. A proteína nefrina parece ser</p><p>um marcador de lesão de podócitos. Pessoas com doença por alteração mínima</p><p>respondem em graus variáveis aos corticosteroides. Pessoas tratadas e que não</p><p>sofreram perda de nefrina apresentaram taxa de remissão de 96%, em comparação com</p><p>a taxa de remissão de 61% entre pacientes que apresentaram perda de néfrons. A</p><p>maioria dos pacientes evolui para insuficiência renal em 5 a 10 anos.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Entender e interpretar alterações morfofisiológicas das vias urinárias e a ação</p><p>do imunocomplexo Ag-Ac.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Aprender sobre litíase renal ao ultrassom e</p><p>tomografia computadorizada.</p><p>• Anatomopatologia: Observar as características glomerulares na</p><p>glomerulonefrite pós-estreptocócica. Estudar os achados laboratoriais</p><p>presentes na síndrome nefrítica e nefrótica.</p><p>• Patologia Clínica: Conhecer a farmacologia das ITU. Tratamento</p><p>farmacológico da síndrome nefrítica e nefrótica.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01: Diferenciar os achados clínicos e laboratoriais entre a Síndrome</p><p>Nefrítica e a Síndrome Nefrótica.</p><p>• Comparar os achados clínicos, imagem e laboratoriais da Síndrome</p><p>Nefrítica e Síndrome Nefrótica.</p><p>- PALESTRA 02: Conhecer os princípios da hemodiálise.</p><p>• Abordar sobre o que é, como funciona, em que situações é indicada, os</p><p>riscos e os cuidados com os pacientes que realizam hemodiálise.</p><p>TICS</p><p>• 1. Revisar os mecanismos de atuação dos anticorpos. 2. Compreender o</p><p>funcionamento do sistema complemento.</p><p>• Antígenos e anticorpos / sistema complemento</p><p>MANUAL DO PROFESSOR |</p><p>SOI 78</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Semana 11: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer os métodos contraceptivos, bem como os métodos diagnósticos da</p><p>gestação, as alterações fisiológicas da gestação e a importância da assistência</p><p>pré-natal.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S11P1: E AGORA, O QUE VAI MUDAR?</p><p>Fonte: http://dstsaidsnaadolescencia.blogspot.com/2017/08/interpretacao-das-charges.html.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever as alterações fisiológicas da gravidez.</p><p>• Entender as técnicas diagnósticas da gravidez.</p><p>• Conhecer os métodos contraceptivos.</p><p>• Discutir o impacto de gravidez na adolescência.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever as alterações fisiológicas da gravidez.</p><p>As alterações fisiológicas observadas na gestação são decorrentes,</p><p>principalmente, de fatores hormonais e mecânicos, e os ajustes verificados no</p><p>organismo da mulher devem ser considerados normais durante o estado gravídico,</p><p>embora possam determinar pequenos sintomas que afetam a saúde da paciente.</p><p>A fim de se compreender melhor essas modificações experimentadas pela</p><p>gestante, sugere-se distingui-las em sistêmicas e dos órgãos genitais.</p><p>Modificações Sistêmicas-</p><p>Postura e Deambulação.</p><p>Metabolismo</p><p>Metabolismo glicídico</p><p>Metabolismo lipídico</p><p>Metabolismo protéico</p><p>Metabolismo hidroeletrolítico</p><p>Metabolismo do cálcio</p><p>Sistema cardiovascular</p><p>Sistema sanguíneo</p><p>Sistema urinário</p><p>http://dstsaidsnaadolescencia.blogspot.com/2017/08/interpretacao-das-charges.html</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 79</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Sistema respiratório</p><p>Sistema digestório</p><p>Sistema endócrino</p><p>Pele e Fâneros</p><p>Modificação nos órgãos genitais - Vulva; vagina; útero.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/42[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter07]!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/32[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchap4.xhtml]!/4[blue]/2/636/1:5[Olh%2Cos</p><p>• Entender as técnicas diagnósticas da gravidez</p><p>Na prática clínica, é muito importante o diagnóstico precoce da gravidez, o que tantas</p><p>vezes coloca em risco o prestígio do médico. Esse diagnóstico pode ser clínico,</p><p>hormonal ou ultrassônico.</p><p>Diagnóstico Clínico: Os sintomas da gravidez são classificados em de presunção, de</p><p>probabilidade e de certeza.</p><p>Sinais de presunção</p><p>■Quatro semanas</p><p>Amenorreia - É o sinal mais precoce. Em mulheres jovens, com ciclos menstruais</p><p>regulares e vida sexual ativa, a ausência da menstruação pressupõe gravidez.</p><p>■Cinco semanas</p><p>Náuseas - Durante o primeiro trimestre da gestação, mais de 50% das mulheres sofrem</p><p>de náuseas, geralmente matutinas, tendo como consequência imediata vômitos e</p><p>anorexia. Outras, ao contrário, apresentam maior apetite, não sendo rara sua perversão</p><p>(pica ou malacia) ou extravagância alimentar.</p><p>Congestão mamária - Com 5 semanas, as pacientes relatam que as mamas estão</p><p>congestas e doloridas. Na 8ª semana, a aréola primária torna-se mais pigmentada e</p><p>surgem os tubérculos de Montgomery; em torno de 16 semanas, é produzida secreção</p><p>amarela (colostro), e pode ser obtida por expressão mamária correta. Além disso, o</p><p>aumento da circulação venosa é comum – rede de Haller. Em torno da 20ª semana,</p><p>surge a aréola secundária, que aumenta a pigmentação em volta do mamilo.</p><p>■Seis semanas</p><p>Polaciúria - No segundo e no terceiro mês de gestação, o útero, com maior volume e</p><p>em anteflexão acentuada, comprime a bexiga, levando à micção frequente, com</p><p>emissão de quantidade reduzida de urina. No segundo trimestre, tal sintomatologia</p><p>cessa, retornando nas duas últimas semanas, ao insinuar a apresentação fetal.</p><p>Sinais de probabilidade</p><p>■Seis semanas</p><p>Amenorreia- Após 10 a 14 dias de atraso menstrual, considera-se provável sinal de</p><p>amenorreia, o que nem sempre indica gravidez, pois esse sintoma também ocorre em</p><p>diversas circunstâncias fisiológicas e patológicas. O aleitamento e a menopausa</p><p>determinam amenorreia; contudo, muitas mulheres concebem durante o aleitamento ao</p><p>se intercalar o ciclo ovulatório. Há pacientes que gestam sucessivamente, ano após ano,</p><p>sem ter restabelecido o ciclo menstrual. A fecundação após alguns meses de</p><p>amenorreia climatérica é difícil, embora não seja impossível.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/42%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter07%5d!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/42%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter07%5d!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/32%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap4.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/636/1:5%5bOlh%2Cos</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/32%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap4.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/636/1:5%5bOlh%2Cos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 80</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Dentre as amenorreias patológicas, destacam-se as de origem emocional e as</p><p>vigentes durante o uso dos anovulatórios.</p><p>Embora seja mais escassa, a perda sanguínea cíclica semelhante à</p><p>menstruação não exclui gravidez, pois isso pode ocorrer nos primeiros meses</p><p>(hemorragia de implantação ovular).</p><p>Aumento do volume uterino - O toque combinado infere as alterações que a gravidez</p><p>imprime ao útero. Fora da gestação, o órgão é intrapélvico, localizado abaixo do estreito</p><p>superior; na gravidez, expande-se; com 6 semanas, apresenta volume de tangerina;</p><p>com 10 semanas, de uma laranja; e com 12 semanas, o tamanho da cabeça fetal a</p><p>termo, sendo palpável logo acima da sínfise púbica.</p><p>■Oito semanas</p><p>Alteração da consistência uterina - O útero vazio é firme; na gravidez, com 8</p><p>semanas, adquire consistência cística, elástico-pastosa, principalmente no istmo (sinal</p><p>de Hegar). Por vezes, o amolecimento intenso dessa região faz parecer que o corpo</p><p>está separado do colo.</p><p>Alteração do formato uterino - Inicialmente, o útero cresce de modo assimétrico,</p><p>desenvolvendo-se mais acentuadamente na zona de implantação. A sensação tátil é de</p><p>abaulamento e amolecimento no local, sendo possível notar, eventualmente, sulco</p><p>separando as duas regiões (sinal de Piskacek). Na ausência de gravidez, em geral, os</p><p>fundos de saco estão vazios; a partir de 8 semanas, quando a matriz de piriforme</p><p>assume o formato globoso, o dedo que examina encontra-os ocupados pelo corpo</p><p>uterino (sinal de Nobile-Budin). Há percepção dos batimentos do pulso vaginal nos</p><p>fundos de saco (sinal de Osiander) devido à hipertrofia do sistema vascular.</p><p>O procedimento do toque é completado pelo exame especular, que poderá</p><p>precedê-lo de acordo com a rotina estabelecida. Ao entreabrir a vulva, destaca-se a</p><p>coloração violácea da sua mucosa (vestíbulo e meato uretral), denominada sinal de</p><p>Jacquemier ou de Chadwick; a mesma tonalidade da mucosa vaginal constitui o sinal</p><p>de Kluge.</p><p>■Dezesseis semanas</p><p>Aumento do volume abdominal - Conforme já mencionado, o útero torna-se palpável</p><p>com 12 semanas e nota-se o aumento do volume abdominal progressivo em torno de</p><p>16 semanas.</p><p>Sinais de certeza</p><p>São dados pela existência do concepto, anunciada pelos batimentos cardiofetais e pela</p><p>sua movimentação ativa; a ultrassonografia é capaz de rastreá-los com 7 a 8 semanas.</p><p>■ Quatorze semanas</p><p>Sinal de Puzos - Trata-se do rechaço fetal intrauterino, que se obtém ao impulsionar o</p><p>feto com os dedos dispostos no fundo de saco anterior. Dessa maneira, ocorre</p><p>impressão de rechaço quando o concepto se afasta e quando ele retorna.</p><p>■ Dezoito semanas</p><p>Percepção e palpação dos movimentos ativos do feto - Inicialmente discretos,</p><p>tornam-se vigorosos com o evoluir da gestação.</p><p>Palpação dos segmentos fetais- Nesse período, o volume do feto é maior e começa-</p><p>se a palpar cabeça e membros.</p><p>■Vinte semanas</p><p>Auscultação - Trata-se da identificação dos batimentos cardíacos fetais (BCF), o mais</p><p>fidedigno dos sinais de gravidez. Sua comprovação, com o estetoscópio de Pinard,</p><p>atualmente é obtida com</p><p>sonar Doppler.</p><p>Diagnóstico hormonal</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 81</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Constitui, atualmente, o melhor parâmetro para o diagnóstico de gravidez</p><p>incipiente, de acordo com sua precocidade e exatidão.</p><p>Apoia-se na produção de gonadotrofina coriônica humana (hCG) pelo ovo. Uma</p><p>semana após a fertilização, o trofoblasto, implantado no endométrio, começa a produzir</p><p>a hCG em quantidades crescentes, que podem ser encontradas no plasma ou na urina</p><p>maternos.</p><p>Há basicamente três tipos de testes para a identificação de hCG: imunológico,</p><p>radioimunológico (RIA) e enzima-imunoensaio (ELISA).</p><p>Diagnóstico ultrassonográfico - Com 4 a 5 semanas, na parte superior do útero,</p><p>começa a aparecer formação arredondada, anelar, de contornos nítidos, que</p><p>corresponde à estrutura ovular, denominada, em ultrassonografia, saco gestacional</p><p>(SG). A partir de 5 semanas, é possível visualizar a vesícula vitelina (VV) e, com 6</p><p>semanas, o eco embrionário e a sua pulsação cardíaca (BCF).</p><p>Em torno de 10 a 12 semanas, nota-se espessamento no SG, que representa a</p><p>placenta em desenvolvimento e seu local de implantação no útero. Com 12 semanas, a</p><p>placenta pode ser facilmente identificada e apresenta estrutura definida com 16</p><p>semanas.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/46[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter09]!/4/94/2%4052:87</p><p>• Conhecer os métodos contraceptivos.</p><p>MÉTODOS REVERSÍVEIS (NÃO-DEFINITIVOS)</p><p>1. Tabelinha</p><p>2. Método da ovulação ou do muco cervical (método Billings)</p><p>3. Temperatura (Método de Ogino-Knauss)</p><p>4. Coito interrompido</p><p>5. Camisinha, condom ou preservativo</p><p>6. Preservativo ou camisinha feminina</p><p>7. Espermicidas</p><p>8. Diafragma</p><p>9. Diu (dispositivo intrauterino)</p><p>10. Pílula anticoncepcional</p><p>11. Anticoncepcionais injetáveis</p><p>12. Implantes subdérmicos: Norplant</p><p>13. Anticoncepcional de emergência – pílula do dia seguinte</p><p>MÉTODOS IRREVERSÍVEIS (DEFINITIVOS)</p><p>1. Ligação de trompas (laqueadura)</p><p>2. Vasectomia</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/252[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter106]!/4/86/1:251[015%2C%5E).</p><p>• Discutir o preconceito de gravidez na adolescência.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter09%5d!/4/94/2%4052:87</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter09%5d!/4/94/2%4052:87</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/252%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter106%5d!/4/86/1:251%5b015%2C%5E)</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/252%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter106%5d!/4/86/1:251%5b015%2C%5E)</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 82</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>A gravidez na adolescência é uma realidade que nos convoca a refletir sobre o</p><p>assunto para buscar compreendê-lo e, a partir desta compreensão, propor modos de</p><p>lidar com o fenômeno. Sem dúvida, existem evidências a indicar que há uma série de</p><p>riscos para a saúde relacionados com a gravidez na adolescência, tanto para a mãe</p><p>quanto para o bebê. Sabe-se, também, que as demandas da gestação e da maternidade</p><p>implicam diversas transformações no modo de vida das adolescentes, o que acaba</p><p>limitando ou prejudicando o seu envolvimento em atividades importantes para o seu</p><p>desenvolvimento durante esse período da vida, como escola e lazer.</p><p>Conforme ressaltado pela literatura, porém, a gravidez na adolescência não é</p><p>um fenômeno homogêneo. Dependendo do contexto social em que a adolescente vive,</p><p>o significado da gestação, assim como o impacto dessa experiência de vida no</p><p>desenvolvimento da jovem, pode assumir diferentes contornos. Em camadas sociais</p><p>mais abastadas, por exemplo, a gravidez na adolescência tende a não prejudicar tanto</p><p>o percurso de escolarização e profissionalização das jovens quanto nas camadas</p><p>menos favorecidas, em virtude da maior disponibilidade de recursos e apoios para lidar</p><p>com essa situação e suas demandas. Dessa forma, a perspectiva de futuro das</p><p>adolescentes grávidas de classe média não é afetada tão intensamente quanto a</p><p>perspectiva das adolescentes de classe baixa, considerando-se os aspectos de</p><p>escolarização e profissionalização.</p><p>Contudo, a análise do fenômeno da gravidez na adolescência não pode se</p><p>resumir aos impactos negativos quanto às perspectivas de vida. As pesquisas mostram</p><p>que, muitas vezes, a gravidez pode ser desejada pelas jovens, pois é tida como uma via</p><p>de acesso a um novo estatuto de identidade e de reconhecimento através do papel</p><p>materno. A maternidade, nesses casos, pode ser vista como uma ocupação, um papel</p><p>que dá um sentido à vida da jovem. Na falta de outros projetos de vida, ou frente à</p><p>dificuldade em vislumbrar a possibilidade de efetivar planos alternativos, a gravidez</p><p>pode ser percebida pela adolescente como uma forma de reconhecer a si mesma, de</p><p>marcar seu próprio espaço na família e de ser reconhecida nos seus ambientes de</p><p>convívio.</p><p>Portanto, é preciso cuidado ao se emitir juízos de valor a respeito da gravidez na</p><p>adolescência. Ainda que, do ponto de vista da saúde pública, esse seja um fenômeno</p><p>com repercussões negativas, na medida em que implica riscos de saúde para mães e</p><p>bebês, riscos de cuidados inadequados aos bebês e riscos de empobrecimento nas</p><p>perspectivas de escolarização, trabalho e renda das adolescentes e suas famílias, ele</p><p>também pode ter consequências consideradas positivas pelas adolescentes. Além</p><p>disso, é preciso reconhecer que, nas camadas sociais nas quais as possibilidades</p><p>educacionais e de ascensão social são restritas, a maternidade precoce pode ser um</p><p>dos projetos de vida mais acessíveis para as adolescentes, devido à falta de outras</p><p>oportunidades oferecidas em seu contexto de vida. Assim, pensar a gravidez na</p><p>adolescência como algo não desejado ou fora do esperado corresponde a uma</p><p>perspectiva normativa da adolescência que exclui a maternidade precoce como uma</p><p>alternativa de vida. As evidências sugerem, contudo, que podem existir - e certamente</p><p>existem - outros modos de ser adolescente e viver a adolescência, sendo que a</p><p>maternidade pode fazer parte desses diferentes modos de ser adolescente, ainda que</p><p>isso possa trazer consequências negativas, dependendo do ângulo sob o qual se</p><p>analisa a questão.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/248[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter104]!/4/122/3:359[mor%2Cal%5E</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/248%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter104%5d!/4/122/3:359%5bmor%2Cal%5E</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/248%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter104%5d!/4/122/3:359%5bmor%2Cal%5E</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 83</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>S11P2: Caderneta da gestante</p><p>Carla, 22 anos, está gestante do seu primeiro filho. Na primeira consulta, recebeu a</p><p>caderneta da gestante e já está ansiosa para realizar todos os exames durante seu pré-</p><p>natal. Sempre foi muito preocupada com a alimentação e agora não seria diferente</p><p>durante a gestação, cujo médico já orientou sobre a suplementação de alguns</p><p>micronutrientes.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>• Discutir sobre a assistência pré-natal</p><p>• Conhecer os exames complementares solicitados no pré-natal</p><p>• Compreender as recomendações quanto a ingestão dos macronutrientes e a</p><p>suplementação dos micronutrientes na gestação</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Discutir sobre a assistência pré-natal</p><p>A assistência pré-natal engloba aplicação individualizada de condutas clínico-</p><p>obstétricas protocolares ao longo de todo o período gestacional. Estratégia</p><p>interdisciplinar de atendimento</p><p>profissional otimiza o alcance e a manutenção da</p><p>integridade das condições de saúde materna e fetal (Maternidade Escola, UFRJ, 2015).</p><p>Os objetivos básicos da assistência pré-natal são:</p><p>- Orientar os hábitos de vida (higiene pré-natal)</p><p>- Assistir a gestante psicologicamente</p><p>- Preparar a gestante para a maternidade, instruindo-a sobre o parto (parto</p><p>humanizado), dando-lhe noções de puericultura</p><p>- Evitar o uso de medicação e de medidas que se tornem prejudiciais para o feto (p. ex.,</p><p>teratogênese)</p><p>- Tratar os pequenos distúrbios da gravidez</p><p>- Realizar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças próprias da gravidez</p><p>ou nela intercorrentes.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/54[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter13]!/4/106/1:54[bor%2Ca%20p</p><p>• Conhecer os exames complementares solicitados no pré-natal</p><p>Os exames de rotina para triagem de situações clínicas de maior risco no pré-natal são</p><p>solicitados no acolhimento da mulher no serviço de saúde, imediatamente após o</p><p>diagnóstico de gravidez. Alguns exames solicitados deverão ser repetidos no início do</p><p>3º trimestre da gestação.</p><p>Exames complementar de rotina são:</p><p>- Hemograma completo – repetir entre 28-30 semanas.</p><p>- Grupo sanguíneo e fator Rh.</p><p>- Sorologia para sífilis (VDRL); repetir entre 28-30 semanas.</p><p>- Glicemia em jejum – repetir entre 28-30 semanas; em gestantes sem fator de risco</p><p>para diabetes e se o resultado da primeira glicemia for menor que 85 mg/dL.</p><p>- Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG – 75g, 2h) – para os casos triados com fator</p><p>de risco para diabetes gestacional presente e/ou com glicemia de jejum inicial maior ou</p><p>igual a 85mg/dL.</p><p>- Exame sumário de urina (Tipo I).</p><p>- Urocultura com antibiograma para o diagnóstico de bacteriúria assintomática – repetir</p><p>entre 28-30 semanas.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/54%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter13%5d!/4/106/1:54%5bbor%2Ca%20p</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/54%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter13%5d!/4/106/1:54%5bbor%2Ca%20p</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 84</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>- Sorologia anti-HIV – repetir entre 28-30 semanas.</p><p>- Sorologia para toxoplasmose, IgG e IgM – repetir trimestralmente se for IgG não</p><p>reagente.</p><p>- Sorologia para hepatite B (HBSAg).</p><p>- Protoparasitológico de fezes.</p><p>- Colpocitologia oncótica.</p><p>- Bacterioscopia da secreção vaginal – avaliação de perfil bacteriológico do conteúdo</p><p>vaginal por critério de Nugent, indicada para pacientes com antecedente de</p><p>prematuridade, possibilitando a detecção e o tratamento precoce da vaginose</p><p>bacteriana, idealmente antes da 20ª semana.</p><p>- Cultura específica do estreptococo do grupo B, coleta anovaginal entre 35-37</p><p>semanas.</p><p>- Ultrassonografia obstétrica – Caso a gestante inicie o pré-natal precocemente o</p><p>primeiro ultrassom pode ser realizado entre 10º à 13º semana e deve se repetir entre</p><p>20º à 24º semanas.</p><p>Fonte: https://www.saude.go.gov.br/biblioteca/7637-pr%C3%A9-natal.</p><p>• Compreender as recomendações quanto a ingestão dos macronutrientes</p><p>e a suplementação dos micronutrientes na gestação</p><p>A homeostase dos níveis de nutrientes está alterada na gravidez e, como regra geral,</p><p>os nutrientes solúveis em água são encontrados em concentrações plasmáticas na mãe</p><p>em níveis mais baixos em comparação com as não grávidas, o contrário acontecendo</p><p>para os lipossolúveis (Royal College of Obstetricians and Gynaecologists [RCOG,</p><p>2010]).</p><p>Macronutrientes: A necessidade de proteínas aumenta para suprir a demanda para o</p><p>crescimento e remodelamento do feto, da placenta, do útero e das mamas, bem como</p><p>para o aumento do volume sanguíneo materno. Durante a segunda metade da gestação,</p><p>cerca de 1.000 g de proteínas são incorporados, atingindo 5 a 6 g/dia. Para chegar a</p><p>isso, recomenda-se a ingesta de cerca de 1 g/kg/dia. Os dados sugerem que isso deve</p><p>ser duplicado ao final da gestação. As concentrações da maioria dos aminoácidos no</p><p>plasma materno diminuem acentuadamente, como as de ornitina, glicina, taurina e</p><p>prolina. As exceções durante a gravidez são o ácido glutâmico e a alanina, cujas</p><p>concentrações aumentam.</p><p>Preferencialmente, as proteínas são supridas de fontes animais, como carne,</p><p>leite, ovos, queijos, frango e peixe. Esses alimentos fornecem aminoácidos em</p><p>combinações ideais. O leite e seus derivados são considerados fontes ideais de</p><p>nutrientes, em especial de proteínas e cálcio, para gestantes ou lactantes. A ingestão</p><p>de peixes específicos e a toxicidade potencial pelo metilmercúrio são discutidas adiante.</p><p>A glicose atravessa a placenta por difusão facilitada e provê cerca de 80% das</p><p>necessidades energéticas fetais. Os aminoácidos são transportados pela placenta por</p><p>transporte ativo, contra gradiente de concentração, e os ácidos graxos livres transitam</p><p>pela placenta por difusão simples; a síntese dos lipídios ocorre no compartimento fetal.</p><p>Os corpos cetônicos produzidos pela lipólise materna, que está exaltada na gravidez</p><p>em especial após uma noite de jejum, atravessam a placenta livremente por difusão. O</p><p>carbono dos corpos cetônicos é incorporado aos tecidos fetais e estes ainda são fonte</p><p>de energia.</p><p>Micronutrientes.</p><p>Vitaminas. As vitaminas lipossolúveis A e D franqueiam a placenta livremente por</p><p>difusão (RCOG, 2010). As outras vitaminas lipossolúveis, Ee K, atravessam com</p><p>dificuldade a placenta e seus níveis no feto e no recém-nascido são inferiores aos da</p><p>mãe, o que aparentemente está desprovido de significado.</p><p>https://www.saude.go.gov.br/biblioteca/7637-pr%C3%A9-natal</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 85</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Das vitaminas solúveis em água, a C é transportada pela placenta por difusão</p><p>facilitada e compete com a glicose, pois apresenta os mesmos receptores. As vitaminas</p><p>do complexo B são conduzidas pela placenta de diferentes maneiras. O folato liga-se a</p><p>receptores e o transporte é feito seguindo o gradiente de concentração, da mãe para o</p><p>feto. Há também receptores placentários para a vitamina B12. A piridoxina (vitamina B6)</p><p>é transportada passivamente, mas a tiamina (vitamina B1) e a riboflavina (vitamina B2)</p><p>sofrem transporte ativo, alcançando maiores concentrações no feto do que na mãe.</p><p>Vitamina D. É conhecida a relação entre deficiência grave de vitamina D na gravidez e</p><p>raquitismo congênito. A deficiência de vitamina D na gravidez, avaliada pelos níveis</p><p>plasmáticos maternos de 25-hidroxivitamina D (25OHD), tem sido associada a risco</p><p>aumentado de diabetes melito gestacional (DMG), pré-eclâmpsia, vaginose bacteriana</p><p>e recém-nascido de baixo peso.</p><p>Minerais e oligoelementos. O cálcio é ativamente transportado pela placenta e, no</p><p>feto, seus níveis são maiores que na mãe. Da mesma maneira, o magnésio é ativamente</p><p>transportado, mas não há clara relação entre os níveis maternos e os fetais. O zinco</p><p>sofre transporte ativo ligado à albumina e é encontrado de maneira significativa em</p><p>maior concentração na circulação fetal que na materna. O transporte de ferro para o feto</p><p>é relevante, principalmente na gravidez tardia (quando a demanda fetal é máxima), e,</p><p>na placenta, há receptores transferrina que facilitam o transporte por endocitose do ferro</p><p>ligado à transferrina.</p><p>Na gravidez normal, a mulher precisa de 1.000 mg de ferro para suprir as</p><p>necessidades maternas e fetais. O aumento da massa eritrocitária de cerca de 450 mℓ</p><p>demanda 500 mg de ferro; o feto requer outros 300 mg. A quantidade de ferro na dieta</p><p>e as reservas maternas não são suficientes para as necessidades da gravidez,</p><p>especialmente durante a segunda metade.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/56[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter14]!/4/68/1:231[ent%2Ca</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/46[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchap9.xhtml]!/4[blue]/2/250/1:216[env%2Colv</p><p>Objetivos do laboratório integrado</p><p>• Interpretar os exames utilizados no diagnóstico da gestação bem como os</p><p>achados nas dosagens hormonais feminina.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Discutir sobre o ultrassom gestacional.</p><p>• Anatomopatologia: Discutir alterações fisiológicas na histologia da mama</p><p>(Adenoma lactacional) e do útero (endométrio gravídico) relacionados à</p><p>gestação.</p><p>• Patologia Clínica: Discutir dosagem dos hormônios sexuais femininos. Rever</p><p>FSH e LH. Interpretação laboratorial da dosagem de beta HCG.</p><p>Palestra</p><p>- PALESTRA 01: Compreender os contraceptivos hormonais (Mecanismo de</p><p>ação / Farmacocinética/Reações adversas)</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/56%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter14%5d!/4/68/1:231%5bent%2Ca</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/56%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter14%5d!/4/68/1:231%5bent%2Ca</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap9.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/250/1:216%5benv%2Colv</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap9.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/250/1:216%5benv%2Colv</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 86</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Principais classes de contraceptivos (Associação de contraceptivos orais;</p><p>adesivos transdérmicos; Anéis vaginais; Pílulas que contêm apenas</p><p>progestinas, Progestógeno injetável; implantes de progestina; dispositivo</p><p>uterino com progestógeno; contracepção pós-coito).</p><p>- PALESTRA 02: Conhecer o calendário da vacina da gestante.</p><p>• Abordar sobre a imunização que podem e não podem ser administradas</p><p>no período da gestação para garantir a segurança e saúde gestacional.</p><p>TICS</p><p>• IST’s / planejamento familiar / gestação e IST</p><p>• Entender a Política de Atenção Integral às Pessoas com IST’s. 2.</p><p>Compreender os procedimentos adequados para Planejamento Familiar. 3.</p><p>Revisar os procedimentos de triagem das IST’s na gestação.</p><p>Semana 12: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Entender o mecanismo de trabalho de parto, as alterações fisiológicas do</p><p>puerpério, os benefícios do aleitamento materno, bem como a avaliação do</p><p>crescimento e desenvolvimento.</p><p>S12P1: É AGORA, DOUTORA?</p><p>Já com 38 semanas, Carla está sentindo fortes contrações e vai à emergência</p><p>obstétrica. Dra. Helena a examina e refere que o colo está com 4,0 cm de dilatação, que</p><p>ela apresenta 3 contrações a cada 5 minutos, mas o feto ainda está alto. A médica</p><p>pergunta então aos internos:</p><p>- A Carla está em trabalho de parto? Vamos interná-la?</p><p>João prontamente responde às perguntas. Dra. Helena então faz novos</p><p>questionamentos:</p><p>- O que acontece com o corpo da gestante após o parto?</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Conhecer o mecanismo do trabalho de parto, com ênfase na dinâmica fetal e</p><p>uterina.</p><p>• Compreender a assistência e fases clínicas do parto.</p><p>• Entender o puerpério.</p><p>Orientações para tutores:</p><p>• Conhecer o mecanismo do trabalho de parto, com ênfase na dinâmica fetal</p><p>e uterina</p><p>Clinicamente, o estudo do parto analisa três fases principais (dilatação, expulsão</p><p>e secundamento), precedidas de estádio preliminar, o período premonitório (pré-parto).</p><p>Tende-se a considerar um quarto período, que compreenderia a primeira hora após a</p><p>saída da placenta, pelo fato de ser uma fase de riscos imanentes, frequentemente</p><p>ignorada pelo profissional que presta assistência ao parto. Esses episódios constituem</p><p>os fenômenos passivos do parto, que se completam com a análise dos movimentos</p><p>executados pelo feto, na sua penetração rotativa pelo canal parturitivo, impulsionado</p><p>pelas contrações uterinas (mecanismo do parto).</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 87</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Na realidade, os fenômenos clínicos e mecânicos do parto compõem uma</p><p>unidade, completando-se ou se sucedendo em um ritmo que a contratilidade uterina, e</p><p>só ela, comanda. Esses fenômenos resumem-se na abertura de dois diafragmas, o</p><p>cervicossegmentário (colo do útero) e o vulvoperineal, através dos quais passa o feto.</p><p>Sob ponto de vista clínico, a ampliação do diafragma cervicossegmentário corresponde</p><p>ao primeiro período do parto (fase de dilatação), e a passagem do feto pelo diafragma</p><p>vulvoperineal corresponde ao segundo período (fase de expulsão).</p><p>Embora os movimentos desse mecanismo sejam contínuos e entrelaçados, para</p><p>facilitar sua descrição, costuma-se dividi-los em vários tempos, com análise minuciosa</p><p>de cada fase. Didaticamente, divide-se apenas em três: insinuação, descida e</p><p>desprendimento.</p><p>Insinuação (ou encaixamento): é a passagem da maior circunferência da</p><p>apresentação através do anel do estreito superior. Nessas condições, e pelo geral, está</p><p>o ponto mais baixo da apresentação à altura das espinhas ciáticas (plano “O” de DeLee).</p><p>Tem como tempo preliminar a redução dos diâmetros, o que, nas apresentações</p><p>cefálicas, é conseguido pela flexão (apresentação de vértice), ou deflexão</p><p>(apresentação de face).</p><p>Na apresentação pélvica, a redução dos diâmetros é obtida aconchegando-se</p><p>os membros inferiores sobre o tronco ou desdobrando-se os mesmos, para baixo ou</p><p>para cima.</p><p>Descida: completando a insinuação, a cabeça migra até as proximidades do assoalho</p><p>pélvico, onde começa o cotovelo do canal. Até aí mantém a mesma atitude e conserva</p><p>o mesmo sentido, apenas exagerando um pouco a flexão. O ápice do ovoide cefálico</p><p>atinge o assoalho pélvico, e a circunferência máxima encontra-se na altura do estreito</p><p>médio da bacia.</p><p>A descida, na realidade, ocorre desde o início do trabalho de parto e só termina</p><p>com a expulsão total do feto. Seu estudo, como tempo autônomo, tem apenas propósito</p><p>didático, facilitando a descrição. Durante esse mecanismo do parto, o movimento da</p><p>cabeça é turbinal: à medida que o polo cefálico roda, vai progredindo no seu trajeto</p><p>descendente.</p><p>Desprendimento: Terminado o movimento de rotação, o suboccipital coloca-se sob a</p><p>arcada púbica; a sutura sagital orienta-se em sentido anteroposterior.</p><p>Dada a curvatura inferior do canal do parto, o desprendimento ocorre por</p><p>movimento de deflexão. A nuca do feto apoia-se na arcada púbica e a cabeça oscila em</p><p>torno desse ponto, em um movimento de bisagra. Com o maior diâmetro do ovoide</p><p>cefálico (occipitomentoniano) continuando orientado no sentido do eixo do canal, a</p><p>passagem da cabeça através do anel vulvar deve ser feita pelos diâmetros</p><p>anteroposteriores, de menores dimensões originados do suboccipital. Essa região</p><p>acomoda-se, assim, à arcada inferior da sínfise, em redor da qual a cabeça vai bascular</p><p>para o desprendimento (Figura 19.5). Com o movimento de deflexão, estando o</p><p>suboccipital colocado sob a arcada púbica, liberta-se o diâmetro suboccipitobregmático,</p><p>seguido pelo suboccipitofrontal, suboccipitonasal e, assim por diante, até o completo</p><p>desprendimento.</p><p>Nas apresentações córmicas, a insinuação não ocorre com feto de tamanho</p><p>normal, em decorrência da grande dimensão dos diâmetros. Por isso, o parto pela via</p><p>vaginal é impossível. Mecanismos atípicos que promovem o parto transpélvico</p><p>espontâneo podem ser processados somente nos fetos mortos, ou de pequenas</p><p>dimensões.</p><p>Para mais informações, acesse o link abaixo:</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 88</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/66[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter19]!/4/100/1:12[men%2Cto</p><p>• Compreender a assistência</p><p>e fases clínicas do parto</p><p>Quanto à assistência:</p><p>Assistência pré parto - Diversas medidas anteparto podem ser adotadas para que a</p><p>gestante possa se preparar para o parto e aumentar as chances de que tudo transcorra</p><p>conforme desejado e planejado. Algumas informações devem ser prestadas no pré-</p><p>natal, seja individualmente, pelo próprio profissional de saúde que atende a grávida,</p><p>seja em grupos de gestantes. O objetivo é fazer com que a mulher tenha conhecimento</p><p>da fisiologia do parto e dos cuidados que o cercam, para que suas escolhas e sua</p><p>participação no processo sejam conscientes. Intervenções anteparto: Exercício do</p><p>assoalho pélvico; massagem perianal.</p><p>Assistência ao primeiro período</p><p>Local do parto. Tradicionalmente, com a hospitalização, a assistência ao parto era</p><p>prestada – e ainda é assim em muitos serviços no Brasil e no mundo – nas salas de</p><p>parto, unidades montadas com todo o aparato médico-hospitalar à vista, tendo ao centro</p><p>a mesa com estribos em que se deitava a parturiente na posição de talha litotômica</p><p>(assim denominada no passado por ser a usada para extração dos cálculos de bexiga).</p><p>Essas salas de parto convencionais em muito se assemelham à lógica do quarto de</p><p>hospital e seu uso a parturientes saudáveis foi questionado, como tantas outras práticas,</p><p>rotinas e procedimentos. Antes de passar à sala de parto, já em período expulsivo, o</p><p>que pode resultar bastante incômodo, as parturientes costumam aguardar em repouso</p><p>em leitos comuns no centro obstétrico ou no setor de pré-parto, onde não há privacidade</p><p>e, dada a frequente superlotação, há muitas outras mulheres no mesmo ambiente.</p><p>Unidades conhecidas como labor-delivery-recovery room (LDR) ou, no Brasil, suítes</p><p>pré-parto, parto e pós-parto (PPP) foram propostas como alternativa para assistência</p><p>ao parto. A ideia é oferecer privacidade, conforto e liberdade para deambulação, de</p><p>modo que possam ser assumidas as posições consideradas confortáveis pela</p><p>parturiente, além de que todo o parto, 1° e 2° estágios, e o pós-parto possam transcorrer</p><p>no mesmo ambiente, sem necessidade de transferência. Banheiro privativo é</p><p>obrigatório. A cama deve possibilitar o parto em várias posições, sendo opcionais</p><p>banqueta ou cadeira de parto.</p><p>Profissional que presta assistência ao parto. É recomendação da OMS que a</p><p>assistência ao parto seja realizada por profissional qualificado. Sob essa epígrafe</p><p>incluem-se enfermeiros-obstetras, obstetrizes, médicos de família com capacitação em</p><p>obstetrícia e médicos obstetras. Como o parto é um evento integrativo, com múltiplas</p><p>dimensões, biopsicossociais e espirituais, sua assistência demanda a visão da equipe</p><p>transdisciplinar, e, em condições ideais, o sistema integrado de saúde deve contar com</p><p>médicos, enfermeiras-obstetras e obstetrizes trabalhando harmoniosamente para</p><p>garantir o completo bem-estar da mãe e do bebê. Acolhimento e classificação de risco</p><p>são fundamentais durante a gravidez e na assistência ao parto.</p><p>Admissão. Deve-se ter todo o cuidado para se diagnosticar corretamente a fase ativa</p><p>do trabalho de parto e internar somente as parturientes nessa fase, para evitar</p><p>internações precoces, que costumam acarretar intervenções desnecessárias em série,</p><p>como excesso de exames de toque, uso de ocitocina, maior necessidade de analgesia</p><p>e cesariana (cascata de intervenções).</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/66%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter19%5d!/4/100/1:12%5bmen%2Cto</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/66%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter19%5d!/4/100/1:12%5bmen%2Cto</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 89</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Cuidados iniciais. No novo modelo de assistência, muitos procedimentos antigos</p><p>foram considerados obsoletos e foram abolidos. Parturientes saudáveis de baixo risco</p><p>ou risco habitual não são doentes, podem ficar com suas vestimentas, não devem</p><p>submeter-se a jejum, tricoxisma, tricotomia nem enteróclise (enema).</p><p>Alimentação. Em muitas maternidades, ainda vigora a regra de não se permitir a</p><p>ingesta oral durante o trabalho de parto, o que é reforçado por alguns serviços de</p><p>anestesiologia. Essa prática deriva da observação de Mendelson, na década de 1940,</p><p>de que havia maior risco de mortalidade materna na gestante submetida à cesárea com</p><p>anestesia geral, em decorrência de possível broncospiração. Essa conduta, entretanto,</p><p>não é mais justificada.</p><p>Apoio contínuo. O apoio geralmente é constituído por diversos componentes, que</p><p>incluem o suporte emocional (presença contínua, encorajamento, elogios), medidas de</p><p>conforto físico (toque, massagem, banho morno), medidas favorecendo a evolução</p><p>fisiológica do trabalho de parto (livre deambulação, mudança de posição, exercícios) e</p><p>informações sobre o progresso do parto, além de interlocução com a equipe obstétrica</p><p>para facilitar a comunicação da mulher e ajudá-la a expressar suas preferências e</p><p>escolhas, até mesmo em situações em que seja necessário atendimento de urgência.</p><p>Posição e deambulação. No mundo ocidental, ainda é comum que a mulher</p><p>permaneça restrita, deitada no leito durante o trabalho de parto, o que facilita o exame</p><p>físico e as intervenções pelo profissional de saúde. No entanto, há muito se sabe que a</p><p>posição supina leva à compressão dos vasos abdominais, o que compromete a</p><p>circulação uteroplacentária, podendo ocasionar risco ao feto. A conclusão é que</p><p>mulheres devem ser encorajadas a escolher as posições em que se sintam mais</p><p>confortáveis durante o trabalho de parto, com liberdade de escolha e de deambulação.</p><p>Toque vaginal. Pode ser uni- ou bidigital. Para efetuá-lo é preciso tomar todos os</p><p>cuidados de antissepsia e estar com as mãos corretamente enluvadas. De início,</p><p>afastam-se as ninfas e introduzem-se na vagina os dedos indicador e médio, ou apenas</p><p>o primeiro, untados em vaselina esterilizada ou clorexedina aquosa.</p><p>As doulas são acompanhantes treinadas de parto.</p><p>Quanto às fases clínicas do parto:</p><p>-Fase da dilatação: A fase de dilatação ou primeiro período do parto tem início com as</p><p>contrações uterinas rítmicas, que começam por modificar ativamente a cérvice, e</p><p>terminam quando a sua ampliação está completa (10 cm). Cerca de 70% das</p><p>parturientes referem dor por contração uterina no hipogástrio, 20% na região sacra e</p><p>10% em ambos os lugares.</p><p>O colo dilata-se graças ao efeito de tração das fibras longitudinais do corpo, que</p><p>se encurta durante as contrações uterinas, e a outros fatores convergentes (bolsa das</p><p>águas e apresentação). O primeiro período consiste em uma fase latente e uma fase</p><p>ativa, sendo a fase latente caracterizada por dilatação cervical gradual e a fase ativa por</p><p>dilatação cervical rápida. A curva de trabalho de parto em multíparas tende a mostrar</p><p>um ponto de inflexão por volta dos 5 cm de dilatação, sendo esse ponto quase sempre</p><p>não caracterizado ou ausente em primíparas. Quando presente, ocorre com dilatação</p><p>cervical mais avançada e sempre é, em qualquer situação, diagnóstico retrospectivo.</p><p>Fase de Expulsão: Inicia-se quando a dilatação está completa e se encerra com a saída</p><p>do feto. Caracteriza-se pela associação sincrônica das metrossístoles (contrações</p><p>uterinas), da força contrátil do diafragma e da parede abdominal, cujas formações</p><p>musculoaponeuróticas, ao se retesarem, formam uma cinta muscular poderosa que</p><p>comprime o útero de cima para baixo e da frente para trás. Estudos mais recentes</p><p>demonstram a importância das metrossístoles que representam o componente</p><p>fundamental no processo expulsivo, com menor relevo para a prensa abdominal, que</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 90</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>não deve ser forçada caso a parturiente não demonstre desejo de fazê-lo. No curso do</p><p>segundo período, ocorre a sucessão das contrações uterinas, cada vez mais intensas e</p><p>frequentes, com intervalos progressivamente menores, até adquirirem o aspecto</p><p>subintrante de cinco contrações a cada 10 min. Por efeito das metrossístoles,</p><p>o feto é</p><p>propelido pelo canal do parto, franqueia o colo dilatado, e passa a distender lenta e</p><p>progressivamente a parede inferior do diafragma vulvoperineal depois de palmilhar a</p><p>vagina. São movimentos de reptação, de vaivém, fisiológicos, que a apresentação</p><p>descreve ao impulso assim das metrossístoles como da musculatura do abdome. Ao</p><p>comprimir as paredes vaginais, o reto e a bexiga, o polo inferior do feto provoca, por via</p><p>reflexa, o aparecimento das contrações voluntárias da prensa abdominal. Origina-se,</p><p>então, a vontade de espremer, os puxos, movimentos enérgicos da parede do ventre,</p><p>semelhantes aos suscitados pela evacuação ou micção. São esses os puxos</p><p>involuntários, tardios, que não demandam encorajamento dos presentes à cena do</p><p>parto.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>CUNNINGHAM, F G. Obstetrícia de Williams. Grupo A, 2021. 9786558040064.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040064/.</p><p>Acesso em: 12 jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/78[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchap22.xhtml]!/4/2/394/2/1:19[tra%2Cbal</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/68[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter20]!/4/22/5:19[uls%2C%C3%A3o</p><p>• Entender o puerpério</p><p>O puerpério, também denominado pós-parto, é o período que sucede o parto e,</p><p>sob o ponto de vista fisiológico, compreende os processos involutivos e de recuperação</p><p>do organismo materno após a gestação. Embora o caráter gradual e progressivo</p><p>assumido por essas manifestações torne o puerpério um período de demarcação</p><p>temporal imprecisa, é aceitável dividi-lo em: pós-parto imediato, do 1° ao 10° dia; pós-</p><p>parto tardio, do 10° ao 45° dia; e pós-parto remoto, além do 45° dia. Muitos estudos</p><p>assumem como pós-parto os 12 meses que sucedem o parto.</p><p>Além da relevância desses mecanismos fisiológicos para o restabelecimento do</p><p>estado pré-gravídico da mulher, o puerpério é também caracterizado por marcantes</p><p>mudanças em diversos outros aspectos da vida feminina, sejam eles conjugais,</p><p>familiares, sociais ou profissionais. Nesse sentido, há de se compreender a importância</p><p>de uma assistência materno-infantil multidisciplinar e integrada, projetada no sentido de</p><p>favorecer uma experiência materna efetivamente saudável e de bem-estar.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/74[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter23]!/4/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/78%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap22.xhtml%5d!/4/2/394/2/1:19%5btra%2Cbal</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/78%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap22.xhtml%5d!/4/2/394/2/1:19%5btra%2Cbal</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/68%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter20%5d!/4/22/5:19%5buls%2C%C3%A3o</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/68%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter20%5d!/4/22/5:19%5buls%2C%C3%A3o</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/74%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter23%5d!/4/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/74%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter23%5d!/4/4/2</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 91</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>S12P2: Crescimento e Desenvolvimento</p><p>Beatriz já está com 3 meses, mamando bastante, e Carla está muito satisfeita, pois</p><p>segue em aleitamento materno exclusivo. Ela procura o pediatra para consulta de rotina.</p><p>Dr. Ricardo informa que Beatriz está ótima, com crescimento e desenvolvimento normal</p><p>para a idade.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Conhecer os benefícios do aleitamento materno.</p><p>• Compreender o crescimento e avaliação nutricional.</p><p>• Discutir sobre o desenvolvimento neuropsicomotor (Linguagem, cognitivo,</p><p>motor, adaptativo, sensorial e emocional).</p><p>Orientações para o tutor:</p><p>• Conhecer os benefícios do aleitamento materno</p><p>A amamentação é importante à saúde do lactente sob o aspecto nutricional,</p><p>imunológico, gastrintestinal, psicológico, do desenvolvimento e da interação entre mãe</p><p>e filho. Com o intuito de prevenir a desnutrição precoce e reduzir a morbimortalidade</p><p>infantil, a OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo (AME) até o 6° mês de vida</p><p>e a sua complementação até os 2 anos de idade ou após. No entanto, pelo menos 85%</p><p>das mães em todo o mundo não seguem essas recomendações e apenas 35% das</p><p>crianças com menos de 4 meses são alimentadas por AME. Estudos demonstram que</p><p>o AME até o 6° mês de vida pode evitar, anualmente, mais de 1,3 milhão de mortes de</p><p>crianças com menos de 5 anos de idade nos países em desenvolvimento.</p><p>A incidência da amamentação varia desde taxas tão baixas quanto 25% nos EUA</p><p>para quase 100% nas áreas rurais dos países em desenvolvimento. As mulheres do</p><p>campo, nessas regiões, costumam amamentar por 18 a 24 meses, enquanto as</p><p>lactantes dos países desenvolvidos o fazem por apenas 2 a 3 meses.</p><p>A amamentação traz inúmeros benefícios e estes estão integrados com a</p><p>redução do risco para desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes melito, câncer</p><p>antes dos 15 anos e sobrepeso/obesidade. “O efeito protetor do leite materno contra o</p><p>sobrepeso/obesidade é de crescente importância em virtude do problema da obesidade</p><p>infantil em todas as regiões do mundo, em particular nos países desenvolvidos”.</p><p>Nessa fase, é relevante considerar a possibilidade de diversos medicamentos,</p><p>nicotina, álcool e outras substâncias serem eliminados pela secreção láctea, fator a ser</p><p>observado em face de possíveis prejuízos ao recém-nascido. Doenças virais também</p><p>podem ser transmitidas pelo leite materno, como síndrome da imunodeficiência</p><p>adquirida (AIDS) e infecções causadas pelo vírus HTLV-1 (oncovírus do tipo C,</p><p>pertencente à família Retroviridae).</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/76[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter24]!/4/14/3:240[r%20a%2C%20de</p><p>• Compreender o crescimento e avaliação nutricional</p><p>A criança apresenta-se em constante crescimento e desenvolvimento. Diante</p><p>disso, avaliar a evolução (física e mental) em toda consulta é parte obrigatória da</p><p>semiologia infantil. O crescimento é definido pelo aumento linear contínuo, mas não</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/76%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter24%5d!/4/14/3:240%5br%20a%2C%20de</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/76%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter24%5d!/4/14/3:240%5br%20a%2C%20de</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 92</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>constante, das estruturas que o compõem e é resultante da interação de fatores</p><p>intrínsecos ou orgânicos (genéticos, neuroendócrinos) e extrínsecos ou ambientais</p><p>(nutricionais, condições geofísicas, atividades físicas, vínculo mãe-filho).</p><p>Embora a informação genética defina as características físicas de cada</p><p>indivíduo, incluindo altura, peso e outras características fenotípicas,</p><p>os fatores</p><p>extrínsecos e intrínsecos já citados interferem na tradução da mensagem genética,</p><p>podendo comprometer sua expressão (potencial de crescimento). Essa interferência é</p><p>maior ou menor conforme o tempo e a intensidade do agravo e da fase de</p><p>desenvolvimento do indivíduo. Evidências científicas mostram que até 20% dos genes</p><p>são influenciados pela herança genética; os outros 80% são influenciados pelo estilo de</p><p>vida, principalmente a nutrição.</p><p>A idade de um ano até a puberdade é um período de crescimento lento em</p><p>comparação ao primeiro ano de vida, quando a criança triplica seu peso de nascimento.</p><p>Em vista dessa desaceleração fisiológica do crescimento, ocorre uma redução na</p><p>ingestão alimentar nessa fase do desenvolvimento. Embora o padrão de crescimento</p><p>seja bastante individualizado, crianças com dois anos de idade até a puberdade ganham</p><p>em torno de 2 a 3 kg e crescem 5 a 8 cm ao ano.</p><p>Fatores extrínsecos</p><p>A alimentação é, sem dúvida, o fator que está mais diretamente relacionado com</p><p>o processo de crescimento. A privação ou o excesso de alimentos pode levar a dezenas</p><p>de distúrbios, de maior ou menor gravidade, devendo haver um equilíbrio entre demanda</p><p>e ingestão para a nutrição adequada (eutrofia). Quando ocorre predomínio de um dos</p><p>fatores, aparece a subnutrição (proteico-calórica, anemias ferropriva e megaloblástica,</p><p>deficiência de vitamina A, raquitismo, entre outras) ou a hipernutrição (obesidade,</p><p>diabetes, hipervitaminoses).</p><p>Fatores intrínsecos</p><p>Podem ser:</p><p>pré-concepcionais ou genéticos: fisiológicos ou patológicos, com ou sem alteração</p><p>cromossômica;</p><p>pós-concepcionais (hormônios).</p><p>Os fatores genéticos são as características herdadas dos pais (genes herdados).</p><p>Em certas famílias, o crescimento acelerado e a maturação precoce são a regra, ao</p><p>passo que, em outras, esse processo é lento. A herança genética também é responsável</p><p>pela transmissão de genes anormais capazes de alterar os ritmos de crescimento e de</p><p>desenvolvimento (cromossomopatias, erros inatos do metabolismo).</p><p>Alguns hormônios devem ser lembrados como influentes nas 4 fases do</p><p>crescimento:</p><p>Crescimento intrauterino: insulina, lactogênio placentário (ação semelhante à</p><p>do hormônio de crescimento hipofisário [GH]), somatotrofina coriônica e</p><p>somatomedinas).</p><p>Fase de lactente: os hormônios tireoidianos são os mais importantes,</p><p>associados à insulina e ao GH.</p><p>Fase pré-puberal: a ação fisiológica mais importante é a do GH.</p><p>Fase puberal: dependente do aumento dos esteroides sexuais, GH e</p><p>somatomedinas.</p><p>Os agravos decorrentes das alterações nutricionais (desnutrição e obesidade)</p><p>justificam a avaliação da condição nutricional em crianças e adolescentes em toda</p><p>consulta médica, independentemente de seu motivo, para identificar, o mais cedo</p><p>possível, pacientes com risco ou distúrbio alimentar e planejar o suporte nutricional mais</p><p>adequado. Nos casos de pacientes hospitalizados, a avaliação deve ser realizada nas</p><p>primeiras 24 horas da internação.</p><p>Avaliação do crescimento- A média da velocidade de crescimento (VC) do feto é de</p><p>1,2 a 1,5 cm/semana, mas apresenta grandes variações. A VC no meio da gestação é</p><p>de 2,5 cm/semana e diminui para quase 0,5 cm/semana logo antes do nascimento. O</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 93</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>final da gestação é caracterizado, portanto, por baixa VC e intenso ganho ponderal. Nas</p><p>Tabelas 3 a 5, são apresentados alguns aspectos do crescimento fetal.</p><p>Antropometria. Para a avaliação do crescimento físico, utiliza-se a antropometria com</p><p>as seguintes medidas:</p><p>- Fundamentais: peso e estatura/altura;</p><p>- Acessórias:</p><p>- Circunferências (braço, perna, cintura, abdominal);</p><p>- Comprimento superior do braço (CSB), da tíbia (CT) e do membro inferior a</p><p>partir do joelho (CJ);</p><p>- Diâmetros (bicrista, biacrômio);</p><p>- Envergadura;</p><p>- Fontanelas;</p><p>- Perímetros cefálico (PC), torácico (PT) e abdominal (PA);</p><p>- Pregas cutâneas (tricipital, subescapular, suprailíaca, abdominal);</p><p>- Segmento superior (SS) e inferior (SI).</p><p>O crescimento infantil é um processo dinâmico ao longo do tempo que deve ser</p><p>observado e quantificado mediante múltiplas medidas, em várias ocasiões, conforme a</p><p>idade, o sexo e a fase do crescimento. Na avaliação dinâmica do crescimento, são</p><p>comparados os dados extraídos em determinado momento (avaliação transversal) com</p><p>os das curvas de crescimento já padronizadas, analisando o canal ou a zona de</p><p>crescimento e a VC na avaliação baseada em dados obtidos em vários momentos</p><p>(avaliação longitudinal). O desenvolvimento somático é avaliado por meio da dentição,</p><p>da idade óssea e do desenvolvimento sexual.</p><p>Todas as medidas estão sujeitas a erros se não forem adequadamente</p><p>padronizadas. Por isso, o observador deve estar com as técnicas treinadas e com</p><p>equipamentos adequados, ajustar os equipamentos necessários antes de cada medição</p><p>e repetir as medidas até que a diferença entre elas seja a menor possível.</p><p>As medidas de peso, comprimento e perímetros cefálico, torácico e abdominal</p><p>devem ser realizadas mensalmente até os 2 anos de idade.</p><p>Peso- É uma medida de relevância em pediatria em razão da fácil obtenção e da alta</p><p>sensibilidade durante os agravos nutricionais agudos e crônicos. Uma observação</p><p>isolada tem valor relativo, por isso deve-se valorizar a curva ponderal.</p><p>Estatura- Essa medida reflete o estado nutricional atual e pregresso e sofre alteração</p><p>e recuperação mais lentas. O comprimento ao nascimento é, em média, de 50 cm (de</p><p>49 a 55 cm). O termo estatura compreende o comprimento (medido com o indivíduo</p><p>deitado) e a altura (medida com o indivíduo em pé).</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>Weffort, Virgínia Resende, S. e Joel Alves Lamounier. Nutrição em pediatria: da</p><p>neonatologia à adolescência 2a ed. Disponível em: Minha Biblioteca, (2nd edição).</p><p>Editora Manole, 2017.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555762266/epubcfi/6/46[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchapter10]!/4/2/326/1:211[nas%2C%20qu</p><p>• Discutir sobre o desenvolvimento neuropsicomotor (Linguagem, cognitivo,</p><p>motor, adaptativo, sensorial e emocional)</p><p>O conceito de desenvolvimento é amplo e refere-se a uma transformação</p><p>complexa, contínua, dinâmica e progressiva, que inclui, além do crescimento,</p><p>maturação, aprendizagem e aspectos psíquicos e sociais.</p><p>Costuma-se falar em desenvolvimento de forma distinta entre desenvolvimento</p><p>físico, cognitivo e psicossocial, como uma forma de facilitar o estudo do</p><p>desenvolvimento humano. Mas cabe apontar que tais aspectos estão interligados e</p><p>influenciam-se mutuamente durante a vida do indivíduo.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555762266/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter10%5d!/4/2/326/1:211%5bnas%2C%20qu</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786555762266/epubcfi/6/46%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter10%5d!/4/2/326/1:211%5bnas%2C%20qu</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 94</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>A criança deve atravessar cada estádio segundo uma sequência regular, ou seja,</p><p>os estádios de desenvolvimento cognitivo são sequenciais. Se a criança não for</p><p>estimulada ou motivada no devido momento, ela não conseguirá superar o atraso do</p><p>seu desenvolvimento. Afinal, o desenvolvimento infantil se dá à medida que a criança</p><p>vai crescendo e vai se desenvolvendo de acordo com os meios onde vive e os estímulos</p><p>deles recebido. A identificação de problemas (tais como: atraso no desenvolvimento da</p><p>fala, alterações relacionais, tendência ao isolamento social, dificuldade no aprendizado,</p><p>agressividade, entre outros) é fundamental para o desenvolvimento e a intervenção</p><p>precoce para o prognóstico dessas crianças. Portanto, são de relevância o diagnóstico</p><p>e o acompanhamento do desenvolvimento das crianças, sendo que os principais</p><p>protocolos preconizam a avaliação objetiva de habilidades motoras, de comunicação,</p><p>de interação social e cognitivas nas consultas de supervisão de saúde.</p><p>Ver o quadro do aspecto do desenvolvimento</p><p>da criança de 0 a 10 anos.</p><p>(Disponível</p><p>em:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf). Págs.</p><p>123 e 124.</p><p>Objetivos do laboratório integrado</p><p>• Compreender os achados laboratoriais do pré-natal, a histologia da placenta e</p><p>os parâmetros de avalição da vitalidade fetal.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Conhecer os métodos de avaliação biofísica da</p><p>vitalidade fetal.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender a macroscopia da placenta (faces materna e</p><p>fetal). Observar a histologia das vilosidades coriônicas em diferentes trimestres</p><p>de gestação. Discutir os achados histológicos da corioamnionite.</p><p>• Patologia Clínica: Interpretar os exames laboratoriais solicitados no pré-natal.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01: Entender a assistência e os benefícios do parto humanizado.</p><p>• Abordar o conceito, os cuidados, a assistência multiprofissional e a</p><p>legislação do parto humanizado no SUS.</p><p>- PALESTRA 02- Conhecer as orientação de alimentação no primeiro ano de</p><p>vida.</p><p>• Abordar sobre os macro e micronutrientes essenciais no primeiro ano de</p><p>vida.</p><p>TICS</p><p>• 1. Comprender o exame abdominal na gestante. 2. Correlacionar as posições</p><p>fetais e os mecanismos de parto. 3. Entender as condutas no trabalho de parto</p><p>e parto normal. 4. Identificar as peculiaridades na gestação com placenta prévia.</p><p>• Trabalho de parto / exame abdominal na gestante / Placenta prévia.</p><p>Semana 13: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer os microrganismos e as substâncias químicas teratogênicas.</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_crescimento_desenvolvimento.pdf</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 95</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Discutir sobre a classificação e o manejo do aborto.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S13P1: O CUIDADO VERTICAL</p><p>Luciana, 35 anos, G4P2A1, comparece à primeira consulta do ambulatório de pré-natal</p><p>de alto risco. Está com 16 semanas de gestação e, apesar de assintomática, foi</p><p>diagnosticada com toxoplasmose nos exames de rotina do pré-natal. Ela já está se</p><p>preparando para o que o médico vai dizer: “Toda gravidez é a mesma coisa, não posso</p><p>beber minha cerveja, não pode qualquer remédio...E agora mais essa de toxo sei lá o</p><p>quê.”</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Discutir as infecções congênitas (Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus,</p><p>Herpes Simples, Sífilis).</p><p>• Investigar a triagem neonatal, manifestações clínicas, investigação e notificação</p><p>compulsória das infecções congênitas.</p><p>• Compreender os riscos sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas durante a</p><p>gestação.</p><p>Orientações para tutores:</p><p>• Discutir as infecções congênitas (Toxoplasmose, Rubéola,</p><p>Citomegalovírus, Herpes Simples, Sífilis)</p><p>O termo “infecção congênita” refere-se as infecções adquiridas intraútero ou</p><p>durante o trabalho de parto, devido à uma infecção aguda materna ou reativação/</p><p>reinfecção materna. As anomalias congênitas (AC) são alterações que ocorrem durante</p><p>o desenvolvimento embrionário/fetal e que afetam a estrutura ou a função do corpo,</p><p>podendo ser detectadas ao nascimento ou não. Muitas causam deficiências e podem</p><p>comprometer o desenvolvimento integral do indivíduo. As AC podem ser diagnosticadas</p><p>durante o pré-natal ou no momento do nascimento, como, por exemplo, a anencefalia,</p><p>que é uma malformação; após o nascimento, como as cardiopatias; ou mais tardiamente</p><p>na vida, como a doença de Huntington. É importante destacar que nem todas as AC</p><p>têm causas genéticas.</p><p>No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento de rotina para sífilis,</p><p>toxoplasmose e HIV desde a primeira consulta pré-natal, enquanto o rastreamento para</p><p>rubéola é indicado apenas se a gestante apresentar sinais sugestivos da doença. A</p><p>hepatite B deve ser rastreada na primeira consulta e no terceiro trimestre. O</p><p>rastreamento de CMV não é recomendado, pois a evidência disponível não embasa o</p><p>rastreamento de rotina, já que a descoberta da infecção não traria benefícios/prevenção</p><p>para o feto. Vale ressaltar que, apesar de algumas doenças não serem rastreadas, não</p><p>é incorreto sua solicitação.</p><p>Deve-se suspeitar de infecções congênitas em casos de: Restrição de</p><p>crescimento intrauterino; Hepatoesplenomegalia; Exantema; Cardiopatias; Lesões</p><p>ósseas; Alterações Sistema Nervoso Central, como: micro/hidrocefalia, calcificações</p><p>intracranianas; Alterações oculares: cariorretinte, catarata; Alterações hematológicas:</p><p>anemia, plaquetopenia.</p><p>Toxoplasmose congênita: O Toxoplasma gondii é um protozoário intracelular</p><p>obrigatório que afeta cerca de 1/3 da população mundial. Cerca de 40% das gestantes</p><p>infectadas transmitirão a doença para o feto se não forem tratadas adequadamente. O</p><p>risco de transmissão e aumenta com o avanço da gravidez (já que a permeabilidade da</p><p>barreira placentária aumenta com a idade gestacional), enquanto que o grau de</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 96</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>comprometimento é maior no início da gravidez. A maioria das crianças (70%) serão</p><p>assintomáticas ao nascimento, porém têm elevadas frequências de prematuridade,</p><p>retardo do crescimento intrauterino, anormalidades liquóricas e cicatrizes de</p><p>coriorretinite. Cerca de 10% terão manifestação grave nos primeiros dias de vida.</p><p>Podem apresentar doença multissistêmica ou isoladamente, afetando o sistema</p><p>nervoso e/ou a forma ocular. As sequelas neurológicas mais encontradas são</p><p>hidrocefalia, microcefalia, retardo psicomotor, convulsões, hipertonia muscular,</p><p>hiperreflexia tendinosa e paralisias. Quanto às complicações oftalmológicas, podem-se</p><p>observar microftalmia, sinéquia de globo ocular, estrabismo, nistagmo e catarata.</p><p>Sífilis congênita: A sífilis congênita é adquirida por meio da disseminação do</p><p>Treponema pallidum da mãe para o feto, principalmente por via transplacentária. O</p><p>Treponema pallidum provoca um processo inflamatório, comprometendo todos os</p><p>órgãos do recém-nascido, com lesões viscerais, ósseas, pele e mucosas, e sistema</p><p>nervoso central. Além da prematuridade e do baixo peso ao nascimento, as principais</p><p>manifestações clínicas são hepatomegalia com ou sem esplenomegalia, lesões</p><p>cutâneas (pênfigo palmoplantar, condiloma plano), periostite, osteíte ou osteocondrite,</p><p>pseudoparalisia dos membros (pseudoparalisia de Parrot), sofrimento respiratório com</p><p>ou sem pneumonia, rinite serossanguinolenta, icterícia, anemia e linfadenopatia</p><p>generalizada. Além disso, pode se manifestar tardiamente após o segundo ano de vida</p><p>(sífilis congênita tardia).</p><p>Rubéola congênita: Causada pelo vírus RNA do gênero Rubivirus. Pode se apresentar</p><p>de duas formas: infecção congênita ou síndrome da rubéola congênita (SRC). A</p><p>infecção engloba os eventos associados à infecção intrauterina pelo vírus, como morte</p><p>fetal, parto prematuro e defeitos congênitos; enquanto que a SRC refere-se à variedade</p><p>de defeitos presentes em neonatos filhos de mães que apresentaram infecção pelo vírus</p><p>da rubéola durante a gestação (deficiência auditiva, catarata, defeitos cardíacos, etc.).</p><p>As manifestações precoces são: perda auditiva, cardiopatias congênitas, catarata e</p><p>microcefalia. Já as tardias incluem: perda auditiva, distúrbios endócrinos e</p><p>panencefalite.</p><p>Herpes simples vírus: O HSV é vírus DNA membro da família Herpesviridae. Infecta o</p><p>ser humano através de inoculação oral, genital, mucosa conjuntival ou pele com solução</p><p>de continuidade. Daí infecta os nervos terminais de onde é transportado, via axônios,</p><p>até as raízes ganglionares dorsais, onde permanece latente durante toda a vida do</p><p>hospedeiro. No estado de latência, esses vírus não são suscetíveis às drogas antivirais.</p><p>Na infecção transmitida por viremia materna predominam sinais de infecção placentária,</p><p>como infarto, necrose, calcificações e sinais de envolvimento fetal grave como hidropsia.</p><p>A morte do concepto geralmente ocorre. Os sobreviventes exibem lesões de pele</p><p>(vesículas, ulcerações</p><p>ou cicatrizes), lesões oculares e graves anomalias do SNC, como</p><p>microcefalia e hidranencefalia.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/160[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter64]!/4/108/5:28[%C3%AAni%2Cta</p><p>• Compreender os riscos sobre o uso de drogas ilícitas, medicamentos e</p><p>bebidas alcóolicas durante a gestação</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/160%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter64%5d!/4/108/5:28%5b%C3%AAni%2Cta</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/160%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter64%5d!/4/108/5:28%5b%C3%AAni%2Cta</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 97</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>As anomalias congênitas são comuns, sendo que 2 a 3% de todos os recém-nascidos</p><p>têm alguma malformação congênita significativa detectável ao nascer. É importante</p><p>ressaltar que cerca de 70% das anomalias congênitas não têm causa evidente e, entre</p><p>as que têm causa identificada, a malformação tem probabilidade muito maior de ter</p><p>etiologia genética do que teratogênica. A Food and Drug Administration (FDA) estimou</p><p>que menos de 1% de todas as anomalias congênitas sejam causadas por fármacos.</p><p>Embora apenas um número relativamente pequeno de fármacos cause efeitos</p><p>deletérios comprovados, há preocupação significativa quanto ao uso de fármacos</p><p>durante a gravidez. Isso se deve ao fato de que a maioria das gestantes usa fármacos</p><p>e, para a maior parte deles, existem poucos dados quanto à sua segurança. Um</p><p>medicamento pode acometer o feto por ação direta, promovendo defeito congênito ou</p><p>morte fetal, e por ação indireta, alterando a função placentária e reduzindo o suprimento</p><p>de nutrientes e oxigênio. Mas é importante ressaltar que o fato de a mulher ter feito uso</p><p>de medicamento sabidamente teratogênico não significa que necessariamente o feto</p><p>será acometido.</p><p>Sistema de avaliação da segurança dos fármacos na gestação. O sistema para a</p><p>avaliação da segurança dos fármacos na gestação foi proposto pela FDA, em 1979. O</p><p>sistema destinava-se a fornecer orientações terapêuticas com base em cinco</p><p>categorias: A, B, C, D ou X. No entanto, em seu formato atual, o sistema tem limitações</p><p>importantes, que são reconhecidas pela FDA. Uma é que os fármacos das categorias D</p><p>e X, e alguns da categoria C, podem causar riscos similares, embora estejam</p><p>classificados em categorias diferentes, em razão de considerações diversas quanto ao</p><p>risco-benefício. Uma letra de grau mais avançado não acarreta necessariamente mais</p><p>risco, e mesmo alguns fármacos da mesma categoria podem acarretar riscos muito</p><p>diferentes. Além disso, as categorias de letras em geral se baseiam em dados obtidos</p><p>de estudos com animais. Dessa maneira, é possível perceber que pode ser insuficiente</p><p>ou mesmo inadequado confiar nessa classificação para tomar decisões terapêuticas</p><p>complexas relativas às gestantes. Portanto, cabe ao médico avaliar criticamente a</p><p>classificação e adequá-la a cada caso.</p><p>Uso de drogas na gestação: https://200.128.7.132/index.php/enfermagem/article/view/664</p><p>https://200.128.7.132/index.php/enfermagem/article/view/664</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 98</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: Principais teratógenos reconhecidos em seres humanos e suas anomalias congênitas mais</p><p>frequentes. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-</p><p>svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>CUNNINGHAM, F G. Obstetrícia de Williams. Grupo A, 2021. 9786558040064.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040064/.</p><p>Acesso em: 12 jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/54[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchap12.xhtml]!/4/2/86/1:362[%20de%2C%2027</p><p>MONTENEGRO, Carlos Antonio B.; FILHO, Jorge de R. Rezende Obstetrícia, 13ª</p><p>edição. Grupo GEN, 2016. 9788527730723. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527730723/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/54%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap12.xhtml%5d!/4/2/86/1:362%5b%20de%2C%2027</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/54%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap12.xhtml%5d!/4/2/86/1:362%5b%20de%2C%2027</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 99</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/184[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter76]!/4/2[chapter76]/4</p><p>Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de</p><p>Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis.</p><p>Saúde Brasil 2020/2021: anomalias congênitas prioritárias para a vigilância ao</p><p>nascimento / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de</p><p>Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. – Brasília: Ministério da</p><p>Saúde, 2021. 414 p.: il.</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-</p><p>svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/</p><p>S13P2: É LEGAL?</p><p>Marina, 24 anos, tem muita vontade de ter um filho. No entanto, já teve duas gestações</p><p>e houve aborto espontâneo no início da gestação. Ela fica se questionando, pois</p><p>conhece várias mulheres que embora consigam engravidar, já utilizaram medicamentos</p><p>para induzir o aborto.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Conhecer sobre a classificação e a epidemiologia do aborto.</p><p>• Investigar sobre a apresentação clínica do aborto (Completo, retido, incompleto,</p><p>infectado e inevitável).</p><p>• Compreender o tratamento farmacológico e mecânico do aborto.</p><p>• Discutir sobre a legislação do aborto.</p><p>Orientações para o tutor:</p><p>• Conhecer sobre a classificação e a epidemiologia do aborto</p><p>No início da gestação, o abortamento é um evento comum. A maioria das perdas</p><p>precoces se origina de anormalidades genéticas ou de razões ainda não identificadas.</p><p>Assim, a possibilidade de prevenção é atualmente pequena. As mulheres com aborto</p><p>mais tardio ou com abortos recorrentes têm mais chance de apresentar uma causa</p><p>repetitiva que pode ser modificada. Além dessas perdas espontâneas, pode-se optar</p><p>pela interrupção da gestação. Tanto no caso de abortamento induzido como no de</p><p>abortamento espontâneo, evoluções no manejo levaram a opções cirúrgicas e</p><p>medicamentosas, e os profissionais devem compreender essas técnicas e as possíveis</p><p>complicações.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) define aborto como interrupção da gravidez</p><p>antes das 22 semanas de gestação ou um feto < 500g ou 16,5 cm, é importante fixar</p><p>este conceito para não confundir abortamento com situações em que se trata de</p><p>trabalho de parto prematuro extremo, por exemplo.</p><p>Vale ressaltar que, no Brasil, o aborto é considerado crime salvo em 3 situações</p><p>específicas: quando a gravidez representa risco de vida para a gestante, quando a</p><p>gravidez é resultado de um estupro ou quando o feto for anencéfalo. Logo, diante de</p><p>uma situação de aborto, é importante que os profissionais de saúde tenham uma prática</p><p>destituída de julgamentos arbitrários e rotulações.</p><p>O aborto</p><p>com o corpo ereto e que o decúbito</p><p>dorsal ou ventral deve ser evitado por várias horas depois de uma refeição. A inclinação</p><p>do corpo para frente por períodos longos também deve ser evitada, porque tende a</p><p>aumentar a pressão intra-abdominal e causar refluxo gástrico. Dormir com a cabeceira</p><p>elevada ajuda a evitar refluxo durante a noite. Isso é conseguido mais facilmente com a</p><p>colocação de blocos de tijolo sob a cabeceira do leito ou utilização de um apoio em</p><p>forma de cunha para levantar a cabeça e os ombros no mínimo em 20 cm. Em geral, o</p><p>emagrecimento é recomendável aos pacientes com sobrepeso.</p><p>• Compreender os aspectos farmacodinâmicos do tratamento da síndrome</p><p>dispéptica.</p><p>Quanto ao tratamento medicamento são administrados os Inibidores da bomba de</p><p>prótons (IBP), antagonistas dos receptores H2 e os procinéticos.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 11</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Para mais informações, acessar o link:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastrenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 15</p><p>mai. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970 4/pageid/134</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 15 mai. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37]!/4/66/3:16[%C3%94FA%2CGO</p><p>S1P2: É INFECÇÃO OU PREOCUPAÇÃO?</p><p>Otávio, 45 anos, procura atendimento com queixa de pirose e dor epigástrica.</p><p>O médico comenta:</p><p>- Precisa cuidar melhor da proteção do seu estômago.</p><p>Otávio responde:</p><p>- Quase impossível doutor! Aumentou o gás, aumentou a gasolina e aumentou</p><p>meu gasto, a agressão está cada vez mais intensa!</p><p>Fonte: Adaptado de http://carlosnewton.com.br/charge-do-duke-2544/</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Relembrar a morfofisiologia do estômago.</p><p>• Discutir os mecanismos de agressão e proteção da mucosa gástrica.</p><p>• Diferenciar gastrite aguda e crônica.</p><p>• Descrever a epidemiologia, etiologia, manifestações clínicas, fisiopatologia,</p><p>diagnóstico e complicações das gastrites aguda e crônica.</p><p>• Rever os aspectos microbiológicos das infecções por H. pylori e sua associação</p><p>com a neoplasia gástrica.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970%204/pageid/134</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4/66/3:16%5b%C3%94FA%2CGO</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4/66/3:16%5b%C3%94FA%2CGO</p><p>http://carlosnewton.com.br/charge-do-duke-2544/</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 12</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Conhecer os princípios do tratamento para erradicação da H. pylori.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Relembrar a morfofisiologia do estômago.</p><p>O estômago é um reservatório que tem a função de receber o conteúdo que entra</p><p>no sistema digestório. Está localizado na parte superior do abdome, à frente do</p><p>pâncreas, dos vasos esplênicos e do rim esquerdo. Em sua face anterior, o estômago</p><p>está limitado pela parede abdominal anterior e pelo lobo inferior esquerdo do fígado.</p><p>Enquanto permanece no estômago, o alimento é agitado e misturado com ácido</p><p>clorídrico e pepsina antes de ser liberado dentro do intestino delgado. Em condições</p><p>normais, a superfície mucosa do estômago forma uma barreira que o protege do ácido</p><p>clorídrico e da pepsina encontrados nas secreções gástricas.</p><p>• Discutir os mecanismos de agressão e proteção da mucosa gástrica.</p><p>Em geral, o revestimento do estômago é impermeável ao ácido que ele secreta</p><p>e esta peculiaridade possibilita que o órgão contenha ácido e pepsina, sem ter suas</p><p>paredes digeridas. Vários fatores contribuem para a proteção da mucosa gástrica,</p><p>inclusive uma cobertura de células epiteliais superficiais excepcionalmente justapostas</p><p>umas às outras e, portanto, impermeável. Além disso, também há muco espesso e tenaz</p><p>secretado pelas células, que forma uma cobertura protetora para a parede interna do</p><p>estômago e que também contém bicarbonato (usado para manter o pH neutro).</p><p>Coletivamente, esses mecanismos são conhecidos como barreira mucosa gástrica.</p><p>As células do epitélio gástrico estão conectadas por junções estreitas que</p><p>impedem a penetração do ácido e estão cobertas por uma camada lipídica hidrofóbica</p><p>impermeável, que não viabiliza a difusão das moléculas hidrossolúveis ionizadas. O</p><p>ácido acetilsalicílico (AAS) consegue atravessar a camada lipídica e causar danos às</p><p>células superficiais, que podem resultar em erosões agudas. Irritação gástrica e</p><p>sangramento oculto devido à irritação gástrica ocorrem em uma porcentagem</p><p>significativa dos pacientes tratados com AAS regularmente. O álcool etílico, que é</p><p>lipossolúvel como o AAS, também rompe a barreira mucosa. Quando álcool etílico e</p><p>AAS são ingeridos simultaneamente, a permeabilidade da barreira mucosa do estômago</p><p>é significativamente aumentada e ocorre destruição das células. Os ácidos biliares</p><p>também atacam os componentes lipídicos da barreira mucosa e podem causar irritação</p><p>quando há refluxo do conteúdo duodenal para o estômago.</p><p>O AAS e os AINEs também reduzem a secreção de HCO3– por inibição da COX-</p><p>1 gástrica, uma enzima de ácido graxo que sintetiza as prostaglandinas mediadoras da</p><p>secreção de bicarbonato.</p><p>As prostaglandinas desempenham um papel importante como proteção da</p><p>mucosa gástrica contra lesão. Aparentemente, as prostaglandinas exercem seu efeito</p><p>por aumento da irrigação sanguínea da mucosa, redução da secreção ácida, aumento</p><p>da secreção de íons bicarbonato e intensificação da produção de muco.</p><p>• Descrever a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínica</p><p>e diagnóstica das gastrites aguda e crônica.</p><p>O termo gastrite refere-se à inflamação da mucosa gástrica. Existem várias</p><p>causas de gastrite, mas a maioria pode ser agrupada em agudas ou crônicas.</p><p>Gastrite aguda: A gastrite aguda caracteriza-se por um processo inflamatório agudo da</p><p>mucosa, geralmente de natureza transitória. A inflamação pode causar vômitos, dor e</p><p>hemorragia, assim como ulceração nos casos graves. A forma erosiva é uma causa</p><p>importante de sangramento gastrintestinal agudo. A gastrite aguda está associada mais</p><p>comumente aos compostos irritativos locais, inclusive AAS ou outros AINEs, álcool ou</p><p>toxinas bacterianas. A administração oral de corticoides também pode ser complicada</p><p>por gastrite hemorrágica aguda. Qualquer doença ou traumatismo grave associado a</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 13</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>estresse fisiológico grave, que requeira tratamento clínico ou cirúrgico substancial, torna</p><p>a mucosa gástrica mais suscetível à gastrite hemorrágica aguda causada por lesões da</p><p>mucosa. Uremia, tratamento com quimioterápicos para câncer e radioterapia do</p><p>estômago também causam gastrite aguda.</p><p>As queixas dos pacientes com gastrite aguda são variadas. Alguns pacientes</p><p>com gastrite causada por AAS podem ser totalmente assintomáticos, ou se queixar</p><p>apenas de pirose ou acidez gástrica. A gastrite associada à ingestão excessiva de álcool</p><p>geralmente é uma situação atípica; em muitos casos, essa condição causa um</p><p>desconforto gástrico transitório que pode provocar vômitos e, nos casos mais graves,</p><p>sangramento e hematêmese. A gastrite causada por toxinas de microrganismos</p><p>infecciosos, inclusive enterotoxinas estafilocócicas, geralmente tem início súbito e</p><p>violento, com desconforto gástrico e vômitos que começam cerca de 5 h depois da</p><p>ingestão de um alimento contaminado. Em geral, a gastrite aguda</p><p>pode ser classificado em:</p><p>Precoce ou tardio: O abortamento é considerado precoce se ocorre até a 12ª semana</p><p>e tardio se ocorre entre a 13ª e 20ª semana.</p><p>Espontâneo ou provocado: O espontâneo ocorre sem nenhum tipo de intervenção</p><p>externa, podendo ser causado por doenças da mãe ou anormalidades do feto. O</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/184%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter76%5d!/4/2%5bchapter76%5d/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730723/epubcfi/6/184%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter76%5d!/4/2%5bchapter76%5d/4</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/</p><p>https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/publicacoes-svs/analise-de-situacao-de-saude/saude-brasil_anomalias-congenitas_26out21.pdf/</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 100</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>provocado decorre de uma interrupção externa e intencional que acarreta na interrupção</p><p>da gestação. Esta representa custos altos para o Sistema Único de Saúde em</p><p>consequência das suas complicações, principalmente, quando há evolução para aborto</p><p>infectado.</p><p>Esporádico ou habitual: A separação em aborto esporádico e habitual nos auxilia na</p><p>melhor compreensão das etiologias do abortamento. Os abortamentos esporádicos têm</p><p>como principal causa as anormalidades cromossômicas que chegam a abranger 50-</p><p>80% dos abortamentos esporádicos, sendo as aneuploidias aquelas que representam</p><p>maior frequência seguidas das triploidias e tetraploidias. Dentre as aneuploidias, a</p><p>trissomia autossômica possui 52% de frequência e 19% de síndrome de Turner.</p><p>Chama-se abortamento habitual aquele que ocorre 3 vezes ou mais na mesma gestante,</p><p>neste caso, as principais causas são: incompetência istmo cervical e síndrome do</p><p>anticorpo antifosfolípide (SAAF).</p><p>Seguro ou inseguro: A OMS costuma designar como seguros aqueles realizados por</p><p>um médico bem treinado, com materiais e ambiente adequados representando risco</p><p>menor para a saúde da mulher. E, inseguro é aquele aborto realizado sem os recursos</p><p>médicos mínimos e/ou sem pessoa capacitada para realizá-lo.</p><p>• Investigar sobre a apresentação clínica do aborto (Completo, retido,</p><p>incompleto, infectado e inevitável)</p><p>Para melhor compreensão das apresentações clínicas em cada tipo de abortamento,</p><p>podemos separar em dois grupos, sendo o primeiro: ameaça de abortamento, completo</p><p>e retido; o segundo grupo: incompleto, infectado e inevitável.</p><p>Ameaça de Abortamento. Neste caso, como o próprio nome sugere, trata-se de um</p><p>abortamento em que há chance de reversão do quadro por haver ainda perspectivas de</p><p>evolução da gravidez. O sangramento é pouco e a dor, quando presente, diz respeito</p><p>às contrações uterinas incapazes de produzir modificações cervicais. Abortamento</p><p>Completo. Consiste no abortamento em que há eliminação total do concepto. Os</p><p>sintomas são redução ou parada do sangramento e das cólicas após a expulsão do ovo</p><p>íntegro. No entanto, se o episódio aconteceu e o diagnóstico seria dado apenas com o</p><p>relato colhido na anamnese, o ideal é que seja solicitado um exame de imagem que</p><p>possibilite a confirmação do diagnóstico.</p><p>Abortamento Retido. Trata-se de um aborto em que o concepto permaneceu retido na</p><p>cavidade uterina sem vitalidade. Com isso, há regressão dos sinais gravídicos (redução</p><p>da altura uterina e da circunferência abdominal, perda da turgescência mamária e dos</p><p>sinais de presunção de gravidez) e perda dos batimentos cardioembrionários (BCE).</p><p>Abortamento Incompleto. Esta forma clínica é a mais frequente, sendo decorrente da</p><p>expulsão do feto, mas permanência da placenta ou restos placentários. O sangramento</p><p>é o principal sintoma, ocorre redução uterina em comparação com a idade gestacional</p><p>(IG) e as dores tipo cólica surgem na tentativa de expulsão do conteúdo intrauterino.</p><p>Abortamento Infectado: Esse abortamento resulta da tentativa de esvaziar o útero com</p><p>uso de instrumentos inadequados e técnicas inseguras, o que leva a infecções</p><p>polimicrobianas compreendendo microrganismos da flora genital e intestinal. Com isso,</p><p>a anamnese tem uma importância ainda maior por ser capaz de identificar o episódio</p><p>causador.</p><p>• Compreender o tratamento farmacológico e mecânico do aborto</p><p>No Brasil, a técnica farmacológica para tratamento do abortamento é o Misoprostol, o</p><p>qual tem como apresentação comprimidos para uso vaginal de 25, 100 e 200 mcg,</p><p>devendo ser utilizado apenas em contexto hospitalar. As vantagens do seu uso são:</p><p>ausência de possibilidade de perfuração uterina e formação de sinéquias, redução dos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 101</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>riscos decorrentes da dilatação do colo e eliminação do risco anestésico. Vale ressaltar</p><p>que o uso do Misoprostol deve ser feito com base no tamanho uterino e não com base</p><p>na idade gestacional.</p><p>Mecânico: Os métodos mais utilizados para esvaziamento uterino são a aspiração</p><p>intrauterina (manual ou elétrica) e curetagem.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>CUNNINGHAM, F G. Obstetrícia de Williams. Grupo A, 2021. 9786558040064.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040064/.</p><p>Acesso em: 12 jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/68[%</p><p>3Bvnd.vst.idref%3Dchap18.xhtml]!/4[blue]/2/8/1:28[190%2C3%5E</p><p>Objetivos das práticas integradas:</p><p>• Compreender a análise de imagem para avaliação e diagnóstico do aborto e o</p><p>mecanismo de ação dos fármacos abortivos.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Aprender sobre o uso do ultrassom na avaliação e</p><p>diagnóstico do aborto.</p><p>• Anatomopatologia: Avaliar restos ovulares. Conhecer os achados</p><p>macroscópicos e microscópicos da mola hidatiforme.</p><p>• Farmacologia: Conhecer o mecanismo de ação e efeitos colaterais dos</p><p>fármacos que estimulam contrações uterinas.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01 : Discutir sobre a legislação do aborto no Brasil</p><p>• Abordar sobre a legislação do aborto no Brasil e fazer comparativo com outros</p><p>países.</p><p>• Classificação e epidemiologia do aborto, investigar sobre apresentação clínica.</p><p>- PALESTRA 02- Zika e Microcefalia</p><p>• Abordar sobre os aspectos epidemiológicos, microbiológicos da Zika</p><p>Vírus e os fatores de riscos da infecção em gestantes para o</p><p>desenvolvimento de microcefalia.</p><p>TICS</p><p>• Entender os conceitos fisiopatológicos e jurídicos do aborto. 2. Conhecer</p><p>os tipos de aborto. 3. Compreender as etapas da curetagem uterina.</p><p>o Tipos e causas de aborto / curetagem.</p><p>Semana 14: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Entender as possíveis patologias benignas e malignas que acometem a mama,</p><p>bem como as alterações fisiológicas do corpo frente ao climatério.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/68%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap18.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/8/1:28%5b190%2C3%5E</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040064/epubcfi/6/68%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchap18.xhtml%5d!/4%5bblue%5d/2/8/1:28%5b190%2C3%5E</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 102</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Problemas da Semana</p><p>S14P1: O TOQUE QUE FAZ DIFERENÇA</p><p>Joana, 28 anos, em sua segunda semana pós-parto apresenta mastalgia de início</p><p>recente e sensibilidade na área adjacente de uma das mamas, que está endurecida,</p><p>quente e edemaciada, aparentemente eritematosa. Procura o médico e demonstra</p><p>preocupação, pois sua mãe faleceu devido a um câncer de mama. O ginecologista a</p><p>tranquiliza e diz que se trata de uma alteração benigna.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Rever a morfofisiologia da mama.</p><p>• Discutir sobre a avaliação da mama.</p><p>• Compreender a etiologia, a epidemiologia, a fisiopatologia, as manifestações</p><p>clínicas e os exames complementares</p><p>das alterações patológicas benignas e</p><p>malignas das mamas.</p><p>Orientações para tutores:</p><p>• Rever a morfofisiologia da mama</p><p>As mamas (ou tecidos mamários) estão localizadas entre a terceira e a sétima</p><p>costelas da parede torácica anterior e são sustentadas pelos músculos peitorais e pelas</p><p>fáscias superficiais. São estruturas glandulares especializadas que contêm nervos,</p><p>vasos sanguíneos e canais linfáticos compartilhados. O que se conhece comumente</p><p>como “mamas” são duas partes de uma única estrutura anatômica mamária. Essa</p><p>configuração contínua dos tecidos mamários é importante à saúde e à doença. Homens</p><p>e mulheres nascem com tecidos mamários rudimentares que contêm ductos revestidos</p><p>de epitélio. Nas mulheres, a secreção dos hormônios hipofisários FSH, LH e prolactina</p><p>durante a puberdade estimula os ovários a produzir e secretar estrogênio. Este último</p><p>hormônio incita o crescimento e a proliferação do sistema ductal. Com o início dos ciclos</p><p>ovulatórios, a secreção de progesterona estimula o crescimento e o desenvolvimento</p><p>dos epitélios ductal e secretor alveolar. Na adolescência, as mamas desenvolvem os</p><p>padrões de deposição de gordura e seus contornos típicos.</p><p>Estruturalmente, a mama consiste em gordura, tecido conjuntivo fibroso e tecidos</p><p>glandulares. O tecido conjuntivo fibroso superficial está ligado à pele e esse é um fato</p><p>importante para o exame visual dos movimentos da pele sobre a mama durante o</p><p>autoexame.</p><p>• Discutir sobre a avaliação da mama</p><p>Inspeção- A inspeção é iniciada com a paciente sentada em posição confortável, com</p><p>os braços relaxados ao lado do corpo. As mamas são comparadas com relação à</p><p>simetria, contorno e aspecto da pele. O edema ou eritema é identificado com facilidade,</p><p>e a ondulação da pele ou retração da papila é demonstrada ao solicitar que a paciente</p><p>levante os braços acima da cabeça e, depois, coloque as mãos sobre os quadris e</p><p>pressione, contraindo assim os músculos peitorais. Os tumores palpáveis e mesmo</p><p>impalpáveis que distorcem os ligamentos de Cooper podem causar abaulamentos na</p><p>pele durante essas manobras.</p><p>Palpação- Com a paciente sentada, é necessário palpar ambas as mamas</p><p>metodicamente. Alguns médicos recomendam palpar a mama em faixas longas;</p><p>contudo, é provável que a técnica exata de palpação usada não seja tão importante</p><p>quanto sua aplicação completa em toda a mama. Um método muito eficaz é a palpação</p><p>em círculos concêntricos crescentes, até que toda a mama tenha sido palpada. A mama</p><p>pendular pode ser examinada colocando-se uma das mãos entre a mama e a parede</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 103</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>torácica e palpando-se com delicadeza a mama entre as mãos do examinador. As</p><p>regiões, axilar e supraclavicular, devem ser palpadas à procura de linfonodos</p><p>aumentados. Toda a axila, o quadrante superior externo da mama e o prolongamento</p><p>axilar de Spence são palpados à procura de possíveis tumores. Com a paciente em</p><p>decúbito dorsal, com um braço sobre a cabeça, a mama ipsilateral é mais uma vez</p><p>palpada metodicamente desde a clavícula até a margem costal, e desde o esterno até</p><p>o músculo latíssimo dorsilateralmente. Se a mama for grande, é necessário pôr um</p><p>travesseiro ou uma toalha sob a escápula para elevar o lado examinado; caso contrário,</p><p>a mama tende a cair para o lado, dificultando a palpação da sua porção lateral. As</p><p>principais características a identificar durante a palpação da mama são: temperatura,</p><p>textura e espessura da pele, dor à palpação generalizada ou local, nodularidade,</p><p>densidade, assimetria, tumores dominantes e descarga papilar. A maioria das pacientes</p><p>na pré-menopausa costuma ter um parênquima mamário nodular. A nodularidade é</p><p>difusa, mas predomina nos quadrantes superiores externos, em que é maior a</p><p>quantidade de tecido mamário. Esses nódulos parenquimatosos benignos são</p><p>pequenos, de tamanhos semelhantes e indistintos. Por sua vez, o câncer de mama</p><p>geralmente é um tumor firme, indolor, com margens irregulares. Um tumor maligno</p><p>mostra-se bem diferente da nodularidade adjacente à palpação; sendo maligno, pode</p><p>estar fixado à pele ou à fáscia subjacente. Em geral, um tumor suspeito é unilateral.</p><p>Achados semelhantes em ambas as mamas provavelmente não são doença maligna.</p><p>• Compreender a etiologia, a epidemiologia, a fisiopatologia, as</p><p>manifestações clínicas e os exames complementares das alterações</p><p>patológicas benignas e malignas das mamas.</p><p>A maioria das doenças da mama pode ser descrita como benigna ou maligna.</p><p>Os tecidos mamários nunca estão estáticos, ou seja, as mamas reagem continuamente</p><p>às alterações dos estímulos hormonais, nutricionais, psicológicos e ambientais que</p><p>acarretam alterações celulares contínuas. As doenças benignas das mamas não são</p><p>progressivas. Contudo, algumas doenças mamárias benignas aumentam o risco de</p><p>desenvolver câncer. Por isso, a adesão rigorosa a uma dicotomia entre doenças</p><p>benignas versus malignas nem sempre pode ser apropriada. Contudo, essa divisão é</p><p>útil por motivos didáticos e de clareza.</p><p>Galactorreia- É secreção de leite pelas mamas de mulheres que não estão</p><p>amamentando. Isso pode ser causado por estimulação vigorosa dos mamilos,</p><p>hormônios exógenos, desequilíbrio dos hormônios endógenos ou infecção ou</p><p>traumatismo torácico localizado. Tumores hipofisários (p. ex., prolactinoma) podem</p><p>aumentar expressivamente os níveis de prolactina e causar galactorreia. Galactorreia</p><p>ocorre em homens e mulheres e, geralmente, é benigna.</p><p>Mastite- Significa inflamação da mama. Na maioria das vezes, isso ocorre durante a</p><p>lactação, mas também pode ser causado por outras condições em mulheres não</p><p>lactantes. Nas lactantes, a inflamação é causada por uma infecção ascendente que se</p><p>estende do mamilo até as estruturas dos ductos lactíferos. Os microrganismos isolados</p><p>mais comumente são estafilococos. Os agentes patogênicos originam-se da</p><p>nasofaringe do lactente ou das mãos da mãe. Durante as primeiras semanas da</p><p>amamentação, as mamas são especialmente suscetíveis à invasão bacteriana por</p><p>causa das soluções de continuidade e das fissuras causadas pela sucção. A mastite</p><p>não ocorre apenas no período pós-parto e também pode ser causada por flutuações</p><p>hormonais, tumores, traumatismo ou infecção da pele.</p><p>Distúrbios do sistema ductal- Nas mulheres idosas, a dilatação dos ductos mamários</p><p>evidencia-se por secreção mamilar cinza-esverdeada intermitente, geralmente</p><p>unilateral. A palpação da mama aumenta o volume da secreção. A dilatação ductal</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 104</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>ocorre durante ou depois da menopausa e está associada a sinais e sintomas como</p><p>ardência, prurido, dor e sensação de tração do mamilo e da aréola. Essa doença causa</p><p>inflamação e espessamento subsequente dos ductos.</p><p>Papilomas intraductais- são tumores benignos dos tecidos epiteliais, cujas dimensões</p><p>podem variar de 2 a 5 cm. Uma porcentagem muito pequena dessas lesões terá células</p><p>atípicas que podem progredir para câncer e a excisão é recomendada. Em geral, os</p><p>papilomas são evidenciados por secreção mamilar sanguinolenta. O tumor pode ser</p><p>palpado na região areolar.</p><p>Fibroadenoma e alterações fibrocísticas- São encontrados nas mulheres pré-</p><p>menopausa, mais comumente entre a terceira e a quarta década de vida. As</p><p>manifestações clínicas incluem massa arredondada firme e bem demarcada com</p><p>consistência de borracha. À palpação, a massa “escorrega” entre os dedos e pode ser</p><p>mobilizada facilmente. Em geral, a paciente tem apenas um fibroadenoma, mas as</p><p>lesões são bilaterais ou múltiplas em apenas 15%. Os fibroadenomas são</p><p>assintomáticos e geralmente detectados casualmente. Esses tumores benignos não</p><p>parecem ser precursores de câncer e o tratamento consiste em excisão simples.</p><p>Alterações fibrocísticas são as lesões mais comuns das mamas. Essas</p><p>alterações são mais frequentes nas mulheres entre a 2ª e a 5ª década de vida e são</p><p>raras nas mulheres pós-menopausa</p><p>que não fazem tratamento de reposição hormonal.</p><p>Em geral, as alterações fibrocísticas evidenciam-se por massas mamárias granulares e</p><p>nodulares, que são mais proeminentes e dolorosas durante a fase lútea – ou de</p><p>predomínio da progesterona – do ciclo menstrual.</p><p>As alterações fibrocísticas englobam grande variedade de lesões e variações</p><p>mamárias. Ao exame microscópico, as alterações fibrocísticas significam um conjunto</p><p>de alterações morfológicas evidenciadas por: (a) cistos microscópicos, (b) metaplasia</p><p>apócrina, (c) hiperplasia epitelial branda e (d) aumento do estroma fibroso. Embora as</p><p>alterações fibrocísticas tenham sido relacionadas com um aumento aparente do risco</p><p>de câncer mamário, apenas algumas variantes nas quais há proliferação dos</p><p>componentes ductais estão realmente associadas a um risco real.</p><p>Câncer de mama- É a neoplasia maligna mais comum das mulheres. Uma em oito</p><p>mulheres americanas desenvolverá câncer de mama em alguma fase de sua vida. Em</p><p>2017, o câncer de mama invasivo afetou cerca de 252.710 mulheres americanas e</p><p>matou cerca de 40.610 mulheres. Embora a taxa de mortalidade por câncer de mama</p><p>tenha apresentado um ligeiro declínio, ainda é a segunda causa de mortes por câncer</p><p>entre mulheres americanas, superada apenas por carcinoma de pulmão. Outras 63.410</p><p>mulheres americanas tiveram o diagnóstico de câncer in situ ou lesão pré-neoplásica no</p><p>mesmo ano. As taxas de incidência do carcinoma in situ têm aumentado</p><p>dramaticamente desde meados da década de 1970, por causa das recomendações</p><p>referentes à triagem por mamografia. As taxas de mortalidade diminuíram,</p><p>principalmente entre as mulheres com menos de 50 anos. O declínio da taxa de</p><p>mortalidade por câncer de mama desde 1989 é atribuído ao diagnóstico mais precoce</p><p>por meio dos programas de triagem e à conscientização do público, assim como ao</p><p>aperfeiçoamento dos tratamentos do câncer. Lembrando que há diferentes tipos de</p><p>cânceres de mama.</p><p>Fatores de risco- Sexo feminino, envelhecimento, história pessoal ou familiar de câncer</p><p>mamário, história de doença mamária benigna e fatores hormonais que estimulam a</p><p>maturação das mamas e podem aumentar as chances de ocorrerem mutações celulares</p><p>(i. e., menarca precoce, menopausa tardia, nenhuma gestação a termo ou primeiro filho</p><p>depois da idade de 30 anos e não ter amamentado). Os fatores de risco modificáveis</p><p>são obesidade (especialmente depois da menopausa), inatividade física e etilismo.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 105</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Contudo, a maioria das mulheres com cânceres de mama não tem fatores de risco</p><p>detectáveis.</p><p>Cerca de 5 a 10% de todos os cânceres de mama são hereditários e mutações</p><p>genéticas causam até 80% desses carcinomas que se desenvolvem nas mulheres com</p><p>menos de 50 anos. Dois genes de suscetibilidade ao câncer de mama – BRCA1 no</p><p>cromossomo 17 e BRCA2 no cromossomo 13 – podem ser responsáveis pela maioria</p><p>das formas hereditárias desse câncer.</p><p>Diagnóstico- O câncer de mama pode manifestar-se clinicamente como massa,</p><p>retração mamilar deprimida, ou secreção mamária anormal. Alguns tumores são</p><p>percebidos pelas próprias pacientes – algumas vezes quando há apenas espessamento</p><p>ou alteração sutil do contorno mamário. A variedade de sintomas e a possibilidade de</p><p>autodetecção ressaltam a necessidade de que todas as mulheres estejam familiarizadas</p><p>com o aspecto e a textura normais de suas mamas.</p><p>Mamografia é o único exame de triagem eficaz para estabelecer o diagnóstico</p><p>precoce de lesões clinicamente imperceptíveis. A mamografia pode detectar lesões de</p><p>apenas 1 mm e áreas de calcificação, que podem justificar uma biopsia para excluir</p><p>câncer.</p><p>Os procedimentos realizados para diagnosticar câncer de mama incluem exame</p><p>físico, mamografia, ultrassonografia, biopsia de aspiração por agulha fina, biopsia por</p><p>agulha estereostática (i. e., biopsia com agulha cilíndrica) e biopsia excisional.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>HOFFMAN, Barbara L.; SCHORGE, John O.; HALVORSON, Lisa M.; et al. Ginecologia</p><p>de Williams.Grupo A, 2014. 9788580553116. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Acesso em: 15 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/361</p><p>S14P2: POEMAS COM RIMA</p><p>É frio, é calor</p><p>Virtudes da menopausa</p><p>Todo o corpo é um ardor</p><p>Sem que se veja uma causa.</p><p>É um constante veste e despe</p><p>De noite tapa e destapa</p><p>Isto parece uma peste</p><p>A que a gente não escapa.</p><p>Usa o leque, abre a janela</p><p>Todos olham espantados</p><p>O que se passa com ela?</p><p>Parafusos desapertados?</p><p>É um corpo diferente</p><p>Do que eu estava habituada</p><p>Mas por mais que me impaciente</p><p>Não posso fazer nada.</p><p>Publicada por Paula Boaventura.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/361</p><p>https://plus.google.com/117484100303564418293</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 106</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>• Investigar sobre o conceito, a fisiopatologia, os fatores influenciadores, as</p><p>alterações fisiológicas, o diagnóstico e tratamento da menopausa / climatério.</p><p>Orientações para o tutor:</p><p>• Investigar sobre o conceito, a fisiopatologia, os fatores influenciadores, as</p><p>alterações fisiológicas, o diagnóstico e tratamento da menopausa /</p><p>climatério.</p><p>Menopausa é a cessação dos ciclos menstruais. Como ocorre com a menarca,</p><p>é basicamente um processo, em vez de um evento isolado. A maioria das mulheres para</p><p>de menstruar entre 48 e 55 anos. A perimenopausa (poucos anos em torno da</p><p>menopausa) precede a menopausa em aproximadamente 4 anos e caracteriza-se por</p><p>irregularidade menstrual e outros sintomas da menopausa. Climatério é um termo mais</p><p>abrangente; refere-se a toda a transição ao estágio não reprodutivo de vida. A</p><p>expressão insuficiência ovariana prematura descreve o que acontece com cerca de 1%</p><p>das mulheres, que entram na menopausa antes dos 40 anos. As que não menstruaram</p><p>por 1 ano inteiro ou apresentam níveis persistentemente altos de FSH (> 20 mUI/μℓ)</p><p>estão na menopausa.</p><p>Alterações funcionais- A menopausa é causada pela cessação gradativa da função</p><p>ovariana e pela redução resultante dos níveis de estrogênio. Embora os estrogênios</p><p>originados do córtex suprarrenal continuem a circular no corpo das mulheres, não são</p><p>suficientes para manter as características sexuais secundárias da mesma maneira que</p><p>os estrogênios ovarianos. Por essa razão, os pelos corporais, a elasticidade da pele e</p><p>a gordura subcutânea diminuem. As mamas tornam-se pendulares com a redução da</p><p>massa de tecidos, restando apenas ductos, gordura e tecido conjuntivo. Os ovários e o</p><p>útero diminuem de tamanho e o colo do útero e a vagina tornam-se pálidos e friáveis. O</p><p>pH vaginal aumenta: em geral, pH maior que 4,5 indica deficiência de estrogênio.</p><p>Entre os problemas que podem resultar da atrofia do sistema urogenital estão</p><p>ressecamento vaginal, incontinência urinária de esforço, urgência urinária, noctúria,</p><p>vaginite e infecções urinárias. Algumas mulheres podem achar as relações sexuais</p><p>dolorosas e traumáticas, ainda que seja útil usar algum tipo de lubrificante vaginal. Um</p><p>creme vaginal de estrogênio pode ser recomendado para tratar o ressecamento e a</p><p>atrofia da vagina. Ainda existem controvérsias quanto às vantagens e desvantagens de</p><p>uma quantidade pequena de estrogênio transdérmico (mais provavelmente um gel ou</p><p>spray) para atenuar as queixas vulvovaginais. Alguns especialistas acreditam que o gel</p><p>ou spray transdérmicos sejam mais eficazes que um adesivo e causem menos riscos à</p><p>saúde.</p><p>Em nível sistêmico, as mulheres podem ter instabilidade vasomotora significativa</p><p>secundária à redução dos níveis dos estrogênios e aos aumentos relativos dos outros</p><p>hormônios, inclusive FSH, LH, GnRH, di-hidroepiandrosterona, androstenediona,</p><p>epinefrina, corticotrofina, β-endorfina, hormônio do crescimento e peptídeo relacionado</p><p>com o gene da calcitonina. Essa instabilidade pode</p><p>causar “fogachos” (ou ondas de</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 107</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>calor), palpitações, tontura e cefaleias à medida que os vasos sanguíneos dilatem.</p><p>Apesar da coexistência com essas alterações bioquímicas, a causa básica dos fogachos</p><p>é desconhecida. Existem variações substanciais quanto ao início, à frequência, à</p><p>gravidade e à duração do período em que as mulheres têm ondas de calor. Quando</p><p>ocorrem à noite e acompanhados de transpiração significativa, os fogachos são</p><p>descritos como sudorese noturna. Insônia e despertares frequentes em consequência</p><p>dos sintomas vasomotores podem causar privação de sono. Algumas mulheres podem</p><p>ter irritabilidade, ansiedade e depressão em consequência dos episódios incontroláveis</p><p>e imprevisíveis.</p><p>Além das alterações que acompanham diretamente a cessação da função</p><p>ovariana, ao longo dos anos ocorrem outras que afetam a saúde e o bem-estar das</p><p>mulheres pós-menopausa. Entre as consequências da privação crônica de estrogênio</p><p>estão osteoporose secundária a um desequilíbrio da remodelação óssea (i. e., a</p><p>reabsorção óssea ocorre a uma taxa mais acelerada que a formação) e aumento do</p><p>risco de doença cardiovascular (a aterosclerose é acelerada), principal causa da morte</p><p>de mulheres após a menopausa. Outros riscos potenciais à saúde, que refletem o</p><p>envelhecimento e a cessação da função ovariana, incluem déficit visual secundário à</p><p>degeneração macular e disfunção cognitiva.</p><p>Tratamento de reposição hormonal- Ao longo das últimas quatro décadas, o</p><p>tratamento de reposição hormonal (TRH) tem sido prescrito com frequência às mulheres</p><p>na pós-menopausa. Inicialmente, era usado apenas para atenuar os sintomas e depois</p><p>como profilaxia da osteoporose. Durante a década de 1990, evoluiu à condição de</p><p>reposição de um hormônio vital perdido em razão da falência dos órgãos endócrinos</p><p>(menopausa). Esse tratamento era oferecido rotineiramente a todas as mulheres depois</p><p>da menopausa com base nas evidências crescentes de que trazia efeitos benéficos</p><p>profiláticos em diversas áreas. Durante esses anos, dados fornecidos por estudos de</p><p>acompanhamento revelaram redução de 50% nos índices de mortalidade por</p><p>cardiopatia coronariana (CC) entre as mulheres que se submetiam ao TRH. Outras</p><p>vantagens atribuídas ao tratamento eram redução dos riscos de disfunção</p><p>neurocognitiva, perda de densidade óssea e doença periodôntica.</p><p>O tipo de TRH prescrito era determinado pelo útero normal. As mulheres nessa</p><p>situação recebiam uma combinação de estrogênio e progesterona (EPT), enquanto as</p><p>pacientes que tinham retirado o útero usavam apenas estrogênio (ET). O acréscimo de</p><p>progesterona ao TRH era o protocolo estabelecido para mulheres com útero intacto, em</p><p>vista da associação demonstrada na década de 1970 entre ação desimpedida do</p><p>estrogênio e desenvolvimento de câncer de endométrio. A ação desimpedida do</p><p>estrogênio pode resultar no desenvolvimento de hiperplasia endometrial, que, em</p><p>alguns casos, pode aumentar o risco de câncer de endométrio. O TRH que inclui</p><p>estrogênio e progesterona não está associado a esse tipo de câncer. Quando</p><p>administrada a intervalos cíclicos (tratamento sequencial contínuo com estrogênio-</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 108</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>progesterona [TSCEP]), a progesterona é acrescentada por 12 a 14 dias para estimular</p><p>a maturação de qualquer endométrio que tenha sido desenvolvido em resposta ao</p><p>estrogênio. A interrupção da administração provoca desprendimento do endométrio (i.</p><p>e., sangramento cíclico). Quando o TRH é usado continuamente, uma dose pequena de</p><p>progesterona é acrescentada ao esquema diário de estrogênio. Essa exposição</p><p>contínua à progesterona inibe o desenvolvimento do endométrio. Por fim, o tratamento</p><p>prolongado combinado com estrogênio e progesterona (TCCEP) não causa</p><p>sangramento. Contudo, pode estar associado a sangramentos irregulares e manchas</p><p>de sangue até que o revestimento endometrial esteja atrofiado. A prevenção da</p><p>hiperplasia endometrial por desprendimento do endométrio desenvolvido ou por</p><p>impedimento de seu desenvolvimento reduz o risco de câncer do endométrio. Hoje em</p><p>dia, essa proteção é considerada quando se comparam os riscos e os benefícios do</p><p>TRH.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>BEREK, Jonathan S. Tratado de Ginecologia. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN,</p><p>2014. 978-85-277-2398-5. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2398-5/. Acesso em: 12</p><p>jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-</p><p>5/epubcfi/6/78[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter21]!/4/2</p><p>HOFFMAN, Barbara L.; SCHORGE, John O.; HALVORSON, Lisa M.; et al. Ginecologia</p><p>de Williams. Grupo A, 2014. 9788580553116. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/570</p><p>Objetivos do laboratório de práticas:</p><p>• Conhecer os métodos de rastreamento e acompanhamento de alterações</p><p>benignas e malignas da mama.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: Entender o papel da mamografia e ultrassom na</p><p>avaliação das mamas.</p><p>• Anatomopatologia: Conhecer a biópsia da mama e suas principais alterações</p><p>benignas e/ou malignas.</p><p>• Patologia Clínica: Conhecer os marcadores tumorais para rastreamento de CA</p><p>de mama e ovário.</p><p>Palestra</p><p>- PALESTRA 01: Conhecer a terapia de reposição hormonal e não hormonal para</p><p>a remissão de sintomas associados ao climatério.</p><p>• Orientações dieteticas</p><p>• Orientações com relação aos hábitos de vida (Bebida alcóolica,</p><p>tabagismo e sedentarismo)</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/78%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter21%5d!/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/78%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter21%5d!/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/570</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 109</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Terapia hormonal x Terapia não hormonal</p><p>- PALESTRA 02: Entender a fisiopatologia da Síndrome ovário policístico.</p><p>• Abordar sobre a epidemiologia, etiologia, patogênese, diagnóstico e</p><p>tratamento da Síndrome do ovário policístico.</p><p>TICS</p><p>• 1. Entender os aspectos clínicos, diagnóstico e estancamento do câncer de</p><p>mama. 2. Compreender o rastreamento do câncer de mama na APS. 3.</p><p>Descrever os fatores que modificam o risco de câncer de mama nas mulheres.</p><p>• Câncer de mama / fatores de risco em mulheres / diagnóstico e</p><p>estadiamento / BIRADS.</p><p>Semana 15: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer as ISTs causadoras de corrimento uretral, vaginal e úlceras genitais.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S15P1: QUE CHEIRO É ESSE?</p><p>Paulinha queixa-se de corrimento vaginal fétido e pruriginoso na última semana. Relata</p><p>que o odor piora após as relações sexuais e que tem cor branco-amarelada. Relembra</p><p>que há 5 anos apresentou corrimento vaginal, porém inodoro e associado a intenso</p><p>prurido; na ocasião, as paredes vaginais ficaram recobertas por placas brancas, em um</p><p>aspecto de leite talhado. Quanto ao parceiro, o mesmo apresenta histórico de gonorreia.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>- Conhecer os agentes etiológicos, a epidemiologia, os mecanismos de transmissão, os</p><p>fatores de risco, o quadro clínico, o diagnóstico e as complicações das ISTs que causam</p><p>corrimento vaginal (Trichomonas vaginalis, Candida albicans, Gardnerella vaginalis) /</p><p>uretral (Chlamydia tracomatis, Neisseria gonorrhoeae; Mycoplasma sp.).</p><p>Orientações para tutores:</p><p>Candidíase, tricomoníase e vaginose bacteriana (Gardnerella vaginalis) são</p><p>infecções vaginais comuns, que causam sintomas quando ocorrem alterações do</p><p>ecossistema vaginal. Apenas a tricomoníase é disseminada por contato sexual. A</p><p>candidíase, é uma causa frequente de vulvovaginite. Pode haver Candida sp. sem</p><p>sintomas;</p><p>em geral, algum fator do hospedeiro (p. ex., imunossupressão) contribui para</p><p>o desenvolvimento da vulvovaginite, que pode ser tratada com fármacos</p><p>comercializados sem prescrição. A infecção causada pelo protozoário anaeróbio T.</p><p>vaginalis acarreta a produção de secreção amarelada ou esverdeada, espumosa, fétida</p><p>e abundante. A tricomoníase é um fator de risco de transmissão do HIV e é contagiosa</p><p>nos homens e nas mulheres. Nas mulheres, essa infecção aumenta os riscos de</p><p>infertilidade tubária e DIP atípica e, nas gestantes, está associada a complicações como</p><p>nascimento prematuro. Vaginose bacteriana é a causa mais comum de secreção</p><p>vaginal. Essa doença é uma infecção polimicrobiana complexa, que se caracteriza por</p><p>alteração da flora vaginal com predomínio de lactobacilos produtores de peróxido de</p><p>hidrogênio para uma flora com quantidades acentuadamente reduzidas de lactobacilos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 110</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>e proliferação excessiva de outros microrganismos, como a G. vaginalis. O sinal</p><p>principal da vaginose bacteriana é secreção vaginal branco-acinzentada fina com odor</p><p>fétido de peixe. Como não causa inflamação, essa condição geralmente é conhecida</p><p>como vaginose, em vez de vaginite.</p><p>Infecções por clamídia e gonorreia– podem afetar gravemente as estruturas</p><p>genitais e causar manifestações sistêmicas. Gonorreia e infecções por Chlamydia</p><p>podem causar grande variedade de complicações geniturinárias nos homens e nas</p><p>mulheres e ambas podem acarretar doença ocular e cegueira dos recém-nascidos de</p><p>mães infectadas.</p><p>A gonorreia é IST de notificação compulsória causada pela bactéria Neisseria</p><p>gonorrhoeae. Em 2015, houve 395.216 casos notificados, em uma proporção de 123,9</p><p>casos de gonorreia por 100 mil pessoas nos EUA.</p><p>O gonococo é um diplococo Gram-negativo piogênico (i. e., formador de pus).</p><p>Os seres humanos são os únicos hospedeiros naturais da N. gonorrhoeae. O</p><p>microrganismo prolifera mais facilmente em epitélios quentes secretores de muco. A</p><p>porta de entrada pode ser o sistema geniturinário, os olhos, a orofaringe, a região</p><p>anorretal ou a pele.</p><p>A transmissão geralmente ocorre por relações sexuais, exceto nos casos de</p><p>transmissão perinatal. A autoinoculação do microrganismo nas conjuntivas pode</p><p>ocorrer. Outra complicação das infecções gonocócicas das gestantes é uma síndrome</p><p>de infecção amniótica, que se caracteriza por ruptura prematura das membranas,</p><p>nascimento prematuro e risco aumentado de morbimortalidade neonatal. Gonorreia</p><p>genital nas crianças pequenas deve sugerir a possibilidade de abuso sexual.</p><p>Em muitos casos, a infecção evidencia-se 2 a 7 dias depois da exposição. Nos</p><p>casos típicos, a gonorreia começa na uretra anterior, nas glândulas uretrais acessórias,</p><p>nas glândulas de Bartholin ou Skene e no colo do útero. Se não for tratada, a gonorreia</p><p>espalha-se dos focos iniciais para os segmentos proximais do sistema geniturinário. Nos</p><p>homens, a doença espalha-se para a próstata e o epidídimo. Nas mulheres, a gonorreia</p><p>frequentemente causa endometrite, salpingite e DIP. Faringite pode ocorrer depois do</p><p>contato orogenital. Além disso, N. gonorrhoeae pode invadir a circulação sanguínea (i.</p><p>e., infecção gonocócica disseminada) e causar sequelas graves, inclusive</p><p>acometimento bacteriêmico dos espaços articulares, das valvas cardíacas, das</p><p>meninges e de outros órgãos e tecidos do corpo.</p><p>Os pacientes com gonorreia podem ser assintomáticos e disseminar</p><p>involuntariamente a doença para seus contatos sexuais. Nos homens, os primeiros</p><p>sinais e sintomas são dor uretral e secreção amarelo-cremosa, algumas vezes</p><p>sanguinolenta. Nas mulheres, os sinais e sintomas perceptíveis são secreção urinária</p><p>ou genital incomum, disúria, dispareunia, dor ou hipersensibilidade pélvica,</p><p>sangramento vaginal diferente (inclusive sangramento depois de relações sexuais),</p><p>febre e proctite. Os sintomas podem ocorrer ou piorar durante ou pouco depois das</p><p>menstruações, porque a bactéria é um diplococo intracelular que prolifera no sangue</p><p>menstrual, mas não consegue sobreviver muito tempo fora do corpo humano. Também</p><p>podem ocorrer infecções do útero e formação de focos infecciosos agudos ou crônicos</p><p>nas tubas uterinas (i. e., salpingite), que por fim causam retrações fibróticas e</p><p>esterilidade.</p><p>O diagnóstico se baseia na história de exposição sexual e nos sintomas referidos</p><p>e pode ser confirmado pela demonstração do microrganismo por coloração com Gram</p><p>ou cultura.</p><p>As infecções por Chlamydia são as DST mais prevalentes nos EUA, com</p><p>incidência estimada em mais de duas vezes maior que a da gonorreia.</p><p>Chlamydia trachomatis é um patógeno bacteriano exclusivamente intracelular,</p><p>que tende a ser muito menor que a maioria das bactérias. Esse microrganismo é</p><p>semelhante aos vírus porque exige cultura de tecidos para seu isolamento, mas, como</p><p>as bactérias, tem ácido ribonucleico (RNA) e DNA e é suscetível a alguns antibióticos.</p><p>A C. trachomatis causa diversos tipos de infecção geniturinária, inclusive uretrite não</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 111</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>gonocócica nos homens e DIP nas mulheres. A C. trachomatis pode causar doença</p><p>ocular significativa nos recém-nascidos e é uma das principais causas de cegueira nos</p><p>países subdesenvolvidos.</p><p>Os sinais e sintomas da infecção por clamídia são semelhantes aos da gonorreia.</p><p>A diferença mais significativa entre as salpingites causadas por gonorreia e clamídia é</p><p>que esta última pode ser assintomática ou clinicamente inespecífica. Quando as</p><p>mulheres são assintomáticas, a queixa mais comum é secreção cervical mucopurulenta.</p><p>O colo do útero frequentemente está hipertrofiado e torna-se eritematoso, edemaciado</p><p>e extremamente friável. Isso pode agravar a lesão das tubas uterinas e aumentar o</p><p>reservatório para infecções subsequentes por esse microrganismo.</p><p>Nos homens sintomáticos, as infecções por clamídia causam uretrite (inclusive</p><p>com eritema e hipersensibilidade no meato uretral), secreção peniana purulenta e</p><p>prurida uretral. Alguns pacientes podem ter prostatite e epididimite com infertilidade</p><p>subsequente.</p><p>A complicação mais grave da infecção por Chlamydia não tratada é síndrome de</p><p>Reiter. Essa tríade inclui uretrite, conjuntivite e artrite das articulações que sustentam</p><p>peso, inclusive joelhos e articulações sacroilíacas e vertebrais.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>HOFFMAN, Barbara L.; SCHORGE, John O.; HALVORSON, Lisa M.; et al. Ginecologia</p><p>de Williams. Grupo A, 2014. 9788580553116. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Acesso em: 12 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/80</p><p>BEREK, Jonathan S. Tratado de Ginecologia. [Digite o Local da Editora]: Grupo GEN,</p><p>2014. 978-85-277-2398-5. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2398-5/. Acesso em: 12</p><p>jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-</p><p>5/epubcfi/6/72[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18]!/4/2</p><p>S15P2: BRINCANDO COM O PERIGO</p><p>Henrique, aproximadamente há 6 meses, notou o aparecimento de uma única úlcera na</p><p>região genital, porém não deu importância. Atualmente apresenta febre vespertina,</p><p>associada a mialgia, astenia e presença de múltiplos caroços disseminados em todo o</p><p>corpo, além de lesões em formas de úlceras nas palmas das mãos e planta dos pés.</p><p>Revelou ter mantido relações sexuais desprotegidas e com múltiplas parceiras.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>- Investigar os agentes etiológicos, a epidemiologia, os mecanismos de transmissão, os</p><p>fatores de risco, o quadro clínico, o diagnóstico e as complicações das ISTs que causam</p><p>úlceras genitais (Herpes simplex vírus, Treponema Pallidum, Haemophilus ducreyi e</p><p>Klebsiella granulomatis).</p><p>Orientações para o tutor:</p><p>As ISTs podem invadir seletivamente os tecidos mucocutâneos dos órgãos</p><p>genitais externos e causar vaginite nas mulheres ou manifestações geniturinárias</p><p>e</p><p>sistêmicas simultâneas em ambos os sexos. Algumas dessas infecções podem ser</p><p>transmitidas pela mãe infectada ao feto ou ao recém-nascido, causando anomalias</p><p>congênitas ou morte da criança.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/80</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/72%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18%5d!/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/72%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18%5d!/4/2</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 112</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Herpes genital- Uma das causas mais comuns de úlceras genitais nos EUA. Como a</p><p>infecção por herpes-vírus não é notificável em todos os estados do país, não existem</p><p>dados confiáveis quanto à sua real incidência (número estimado de casos novos por</p><p>ano) e prevalência (número estimado de pacientes infectados em determinado tempo).</p><p>Nos EUA, estimativas recentes sugeriram que a prevalência do herpes genital seja de</p><p>16,2%. As mulheres têm superfícies mucosas expostas mais amplas e,</p><p>consequentemente, têm risco mais alto de adquirir a infecção.</p><p>Os herpes-vírus são vírus encapsulados grandes com genoma bicatenar (hélice</p><p>dupla). Existem três grupos e nove tipos de herpes-vírus que causam infecções nos</p><p>seres humanos:</p><p>1. Vírus neurotrópico do grupo a, inclusive herpes-vírus simples tipo 1 (VHS-1;</p><p>geralmente associado ao herpes labial, embora tenha crescido um número de infecções</p><p>herpéticas anogenitais comprovadamente causadas pelo VHS-1) e tipo 2 (VHS-2)</p><p>2. Vírus varicela-zóster (causa varicela e herpes-zóster)</p><p>3. Vírus linfotrópicos do grupo b, inclusive citomegalovírus (causa</p><p>citomegalovirose ou doença de inclusão citomegálica), vírus Epstein-Barr (causa</p><p>mononucleose infecciosa e linfoma de Burkitt) e herpes-vírus humano do tipo 8</p><p>(provavelmente causa sarcoma de Kaposi).</p><p>O HSV-1 e o HSV-2 são geneticamente semelhantes. Ambos causam diversas</p><p>infecções primárias e recidivantes semelhantes e os dois podem causar lesões genitais.</p><p>Esses vírus replicam-se na pele e nas mucosas infectadas (orofaringe ou genitália),</p><p>onde causam lesões vesiculares da epiderme e infectam os neurônios que inervam a</p><p>região. O HSV-1 e o HSV-2 são vírus neurotrópicos, ou seja, proliferam nos neurônios</p><p>e compartilham da propriedade biológica de latência. O termo “latência” refere-se à</p><p>capacidade de manter potencial patogênico, mesmo que não existam sinais e sintomas</p><p>clínicos. No herpes genital, o vírus ascende pelos nervos periféricos até os gânglios das</p><p>raízes dorsais sacrais.</p><p>A infecção genital por HSV pode ser evidenciada por um episódio de</p><p>primoinfecção (infecção primária) ou recidivante. Em geral, o primeiro episódio é o mais</p><p>doloroso com uma lesão evidente. Entretanto, alguns indivíduos podem ter testes</p><p>positivos para HSV, embora não se lembrem de ter quaisquer sintomas. A expressão</p><p>“infecção recidivante” refere-se a um segundo episódio ou aos demais que envolvem o</p><p>mesmo tipo de vírus. As infecções primárias (primeiros episódios) causam lesões mais</p><p>numerosas e dispersas e acarretam mais manifestações sistêmicas. A disseminação do</p><p>vírus persiste por mais tempo durante os episódios de primoinfecção (10 a 15 dias), e</p><p>lesões recém-formadas continuam a aparecer por cerca de 10 dias depois da infecção</p><p>inicial. Alguns casos “graves” presumivelmente primários são, na verdade, recidivas</p><p>detectadas pela primeira vez nos indivíduos com infecções de longa duração.</p><p>Os sintomas iniciais das infecções herpéticas genitais primárias incluem</p><p>formigamento, prurido e dor na região genital, seguidos da erupção de pequenas</p><p>pústulas e vesículas. Essas lesões rompem-se em torno do 5° dia e formam úlceras</p><p>com bases úmidas, extremamente dolorosas ao toque e que podem causar disúria,</p><p>dispareunia e retenção urinária. Esse período é seguido de um intervalo de 10 a 12 dias,</p><p>durante o qual as lesões formam crostas e cicatrizam gradativamente. O acometimento</p><p>do colo do útero, vagina, uretra e linfonodos inguinais é comum nas mulheres com</p><p>infecções primárias. Nos homens, a infecção pode causar uretrite e lesões no pênis e</p><p>no escroto. As infecções retais e perianais podem ocorrer depois do contato anal. Os</p><p>sinais e sintomas sistêmicos associados às infecções primárias são febre, cefaleia, mal-</p><p>estar, dores musculares e linfadenopatia.</p><p>O diagnóstico do herpes genital se baseia nos sintomas referidos, no aspecto</p><p>das lesões e no isolamento do vírus por meio de esfregaços retirados das lesões e</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 113</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>implantados em meios de cultura. A reação em cadeia de polimerase (PCR) para DNA</p><p>do HSV é mais sensível que a cultura. Embora o teste de PCR seja mais dispendioso</p><p>que a cultura, quantidades mesmo que pequenas do vírus podem resultar em testes</p><p>positivos, os resultados ficam disponíveis em menos tempo e a técnica possibilita</p><p>diferenciar entre o HSV-1 e o HSV-2. Em algumas clínicas, o teste de PCR tornou-se o</p><p>método preferido para avaliar pacientes com lesões em atividade. Os testes sorológicos</p><p>tipo-específicos (HSV-1 e HSV-2) estão disponíveis para confirmar infecção pregressa.</p><p>Sífilis- IST sistêmica de notificação compulsória causada pela espiroqueta Treponema</p><p>pallidum. Em 2015, foram diagnosticados nos EUA 23.872 casos de sífilis primária e</p><p>secundária e 26.170 casos no estágio de latência e no estágio final.</p><p>T. pallidum é disseminado por contato direto com uma lesão úmida contagiosa,</p><p>geralmente por relação sexual. Secreções repletas de bactérias podem transferir o</p><p>microrganismo durante qualquer tipo de contato íntimo. Abrasões da pele podem ser</p><p>outra porta de entrada. A transmissão transplacentária de T. pallidum da mãe para o</p><p>feto depois da 16ª semana é rápida, de modo que a infecção materna em atividade</p><p>durante a gestação pode causar sífilis congênita do feto. A sífilis não tratada pode</p><p>causar prematuridade, morte fetal e anomalias congênitas, além de infecção ativa do</p><p>feto/recém-nascido. Como as manifestações clínicas da sífilis materna podem ser sutis,</p><p>o teste para sífilis é obrigatório para todas as gestantes. Depois de ser tratada para</p><p>sífilis, a gestante geralmente é acompanhada ao longo de toda a gestação por dosagens</p><p>repetidas dos títulos séricos.</p><p>Clinicamente, a sífilis é dividida em três estágios: primário, secundário e terciário.</p><p>A sífilis primária caracteriza-se pelo aparecimento de um cancro no local da exposição,</p><p>ou seja, pênis, vulva, ânus ou boca. O cancro primário começa com uma única pápula</p><p>endurecida com até vários centímetros de diâmetro, que sofre erosão e forma uma</p><p>úlcera com base limpa e elevada. Os cancros também são solitários e têm bordas</p><p>elevadas e bem demarcadas. Em geral, essas lesões são indolores e estão situadas no</p><p>local da exposição sexual. A sífilis primária é facilmente detectada nos homens, nos</p><p>quais a lesão se localiza no escroto ou no pênis. Embora cancros possam formar-se na</p><p>genitália externa das mulheres, eles são mais comuns na vagina ou no colo do útero e,</p><p>por essa razão, a sífilis primária pode passar despercebida, porque não são detectáveis</p><p>sem um exame especular. Em geral, há linfadenopatia inguinal associada. A sífilis é</p><p>altamente contagiosa nesse estágio, mas como os sintomas são brandos, a doença</p><p>frequentemente passa despercebida. O cancro geralmente cicatriza dentro de 3 a 12</p><p>semanas, com ou sem tratamento.</p><p>A duração do estágio da sífilis secundária varia ainda mais que a do primeiro</p><p>estágio, estendendo-se de 1 semana até 6 meses. Os sinais e sintomas de erupção</p><p>(especialmente nas palmas das mãos, mucosas, meninges, linfonodos, estômago,</p><p>plantas dos pés e fígado), febre, dor de garganta, estomatite, náuseas, perda de apetite</p><p>e inflamação ocular podem aparecer e desaparecer ao longo de 1 ano, mas geralmente</p><p>se estendem por 3 a 6 meses. As manifestações clínicas da sífilis secundária podem</p><p>incluir algum grau de queda dos cabelos e condilomas planos. Essas últimas lesões são</p><p>placas elevadas marrom-avermelhadas, que podem ulcerar e liberar secreção fétida. As</p><p>lesões têm 2 a 3 cm de diâmetro, contêm muitas espiroquetas e são altamente</p><p>contagiosas.</p><p>Depois do segundo estágio, a sífilis frequentemente entra em uma fase de</p><p>latência, que pode estender-se por toda a vida ou progredir à sífilis terciária em alguma</p><p>época.</p><p>A sífilis terciária é uma reação tardia à doença não tratada e pode começar</p><p>décadas depois da infecção inicial. Quando a sífilis progride para o estágio terciário</p><p>sintomático, isso geralmente se evidencia de três formas: formação de lesões</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 114</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>granulomatosas destrutivas localizadas conhecidas como gomas; desenvolvimento de</p><p>lesões cardiovasculares; ou desenvolvimento de lesões no sistema nervoso central. As</p><p>gomas são encontradas mais comumente no fígado, nos testículos e nos ossos. As</p><p>lesões do sistema nervoso central podem causar demência, cegueira ou acometimento</p><p>da medula espinal com ataxia e déficit sensorial. Em geral, as manifestações</p><p>cardiovasculares resultam das retrações fibróticas da camada média da aorta torácica</p><p>com formação de aneurismas.</p><p>O T. pallidum é difícil de isolar em cultura e sua detecção segura requer exame</p><p>especial de microscopia em campo escuro. À medida que a infecção estimula uma</p><p>resposta imune humoral com formação de anticorpos, testes sorológicos podem ser</p><p>realizados. Embora os testes de PCR tenham sido desenvolvidos recentemente para</p><p>sífilis, sorologia ainda é o exame diagnóstico fundamental.</p><p>Os testes não treponêmicos detectam reagina, que é um autoanticorpo dirigido</p><p>contra antígenos de cardiolipina. Esses anticorpos são detectados por testes de</p><p>floculação, inclusive o VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) ou o teste da</p><p>reagina plasmática rápido. Utiliza-se também o FTABs como diagnóstico.</p><p>Granuloma inguinal (i. e., donovanose, granuloma venéreo) - É causado por um</p><p>bastonete Gram-negativo – Klebsiella granulomatis, que é uma bactéria intracelular</p><p>encapsulada minúscula. Essa doença praticamente inexiste nos EUA, mas é encontrada</p><p>mais comumente nas regiões tropicais como Índia, Brasil e Índias Ocidentais e em</p><p>algumas partes da China, Austrália e África.</p><p>Causa ulceração da genitália, que começa como uma pápula inócua. A pápula</p><p>passa por estágios nodular ou vesicular até começar a irromper na forma de tecido</p><p>granulomatoso rosado. No estágio final, os tecidos tornam-se finos e friáveis e sangram</p><p>facilmente. O paciente queixa-se de edema, dor e prurido. A retração inflamatória</p><p>extensiva pode causar sequelas tardias como obstrução linfática com crescimento e</p><p>deformação elefantoide da genitália externa. Fígado, bexiga, ossos e articulações,</p><p>pulmões e intestino delgado podem ser afetados. As complicações genitais são</p><p>abscesso tubo-ovariano, fístula, estenose vaginal e obstrução do orifício vaginal ou anal.</p><p>As lesões podem sofrer transformação neoplásica.</p><p>O diagnóstico é firmado por identificação dos corpúsculos de Donovan (i. e.,</p><p>células mononucleares grandes preenchidas por bastonetes Gram-negativos</p><p>intracitoplasmáticos) nos esfregaços de tecidos, nas amostras de biopsia ou em cultura.</p><p>Cancroide (i. e., cancro mole) - É uma doença da genitália externa e dos linfonodos.</p><p>O agente etiológico é a bactéria Gram-negativa Haemophilus ducreyi, que causa lesões</p><p>ulcerativas agudas com secreção profusa. Hoje em dia, essa doença é rara nos EUA e</p><p>a maioria dos casos ocorre na África e no Caribe. Nos casos típicos, o cancroide ocorre</p><p>em surtos bem delimitados, em vez de caracterizar uma doença endêmica nesses</p><p>países. Por ser uma doença altamente contagiosa, o cancroide geralmente é transmitido</p><p>por relações sexuais ou por abrasões da pele e das mucosas. A autoinoculação pode</p><p>formar vários cancros moles.</p><p>As lesões começam na forma de máculas que se transformam em pústulas e</p><p>depois rompem. Essa úlcera dolorosa tem base necrótica e bordas entrecortadas. Por</p><p>outro lado, o cancro sifilítico é indolor e duro. A secreção que se forma em seguida pode</p><p>espalhar a infecção para outras pessoas. Ao exame físico, podem ser detectadas lesões</p><p>e linfadenopatia regional. A infecção secundária pode causar destruição significativa dos</p><p>tecidos. Em geral, o diagnóstico é estabelecido clinicamente, mas pode ser confirmado</p><p>por cultura. A coloração com Gram raramente é realizada porque não é sensível nem</p><p>específica.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 115</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>BEREK, Jonathan S. Tratado de Ginecologia. Grupo GEN, 2014. 978-85-277-2398-5.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2398-5/.</p><p>Acesso em: 15 jun. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-</p><p>5/epubcfi/6/72[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18]!/4/2</p><p>HOFFMAN, Barbara L.; SCHORGE, John O.; HALVORSON, Lisa M.; et al. Ginecologia</p><p>de Williams. Grupo A, 2014. 9788580553116. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Acesso em: 15 jun.</p><p>2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/80</p><p>Objetivos do laboratório de práticas:</p><p>• Compreender os exames complementares de avaliação da pelve, do colo uterino</p><p>e diagnóstico laboratorial das ISTs.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagem: Discutir o uso do ultrassom e ressonância magnética</p><p>na avaliação da pelve feminina.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender a citologia cervicovaginal (sistema</p><p>Bethesda), agentes infecciosos. Discutir os critérios para rastreamento do CA</p><p>colo útero.</p><p>• Patologia Clínica: Discutir os exames de pesquisa direta para as principais</p><p>ISTs. Compreender o diagnóstico laboratorial da Sífilis.</p><p>Palestra</p><p>- PALESTRA 01: Conhecer o mecanismo de ação dos antimicrobianos.</p><p>• Discutir sobre a farmacodinâmica dos antimicrobianos inibidores da</p><p>síntese da parede celular e inibidores da síntese proteica.</p><p>- PALESTRA 02: Discutir coinfecções, reinfecções e resistência bacteriana</p><p>• Discutir sobre as principais coinfecções e reinfecções envolvendo as</p><p>ISTs</p><p>• Abordar sobre os mecanismos de resistência bacteriana</p><p>TICS</p><p>• Discutir os impactos do envelhecimento na questão hormonal masculina e</p><p>feminina. 2. Discutir sobre amor e sexo na terceira idade. 3. Conhecer as terapias</p><p>de reposição hormonal no climatério.</p><p>o Envelhecimento, reposição climatério e SERMs, além se sexo na terceira</p><p>idade.</p><p>Semana 16: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Conhecer as ISTs causadoras de verrugas e imunossupressão.</p><p>Problemas da Semana</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/72%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18%5d!/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-2398-5/epubcfi/6/72%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter18%5d!/4/2</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/80</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 116</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>S16P1: VACINEI...VACILEI!!!</p><p>Fonte: https://domtotal.com/charge/709/2014/03/nacional-par-2-x-2-atletico/.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apontar as características microbiológicas, a epidemiologia, os mecanismos de</p><p>transmissão, os fatores de risco, quadro clínico, o diagnóstico e as complicações</p><p>do HPV.</p><p>• Discutir sobre o HPV e o potencial carcinogênico.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Apontar as características microbiológicas, a epidemiologia, os</p><p>mecanismos de transmissão, os fatores de risco, quadro clínico, o</p><p>diagnóstico e as complicações do HPV</p><p>O Papilomavírus humano (HPV) é DNA-vírus com mais de 100 genótipos, sendo</p><p>que cerca de 40 tipos podem infectar o trato anogenital (vulva, colo uterino, vagina,</p><p>pênis, escroto, uretra e ânus), podendo ainda ser classificados em subtipos de alto e</p><p>baixo risco, de acordo com o seu potencial de oncogenicidade, sendo os principais</p><p>subtipos de baixo</p><p>risco os HPV 6, 11, 42, 43 e 44 (6 e 11 sendo responsáveis por 90%</p><p>das verrugas genitais), e os de alto risco os HPV 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 46, 51, 52,</p><p>56, 58, 59 e 68 (16 e 18 relacionados a 70% dos casos de câncer de colo uterino).</p><p>A infecção pode ser subclínica, detectável somente a partir de uso de</p><p>magnificação de imagem (colpo ou peniscopia) ou aplicação de reagentes (iodo, ácido</p><p>acético), ou se manifestar na forma de verrugas genitais (condiloma acuminado). A</p><p>maioria dos casos se apresenta como infecção latente, na qual o DNA viral está</p><p>incorporado aos queratinócitos sem manifestação clínica, detectáveis apenas por meio</p><p>de técnicas moleculares. O condiloma acuminado é caracterizado por pápulas</p><p>verrucosas de poucos milímetros a muitos centímetros (placas), de superfície áspera e</p><p>cores variando do vermelho-vivo ao castanho e marrom. A suspeita de infecção por HPV</p><p>https://domtotal.com/charge/709/2014/03/nacional-par-2-x-2-atletico/</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 117</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>decorre do aparecimento de lesões clínicas e achados citológicos, histológicos e de</p><p>colposcopia. A sorologia não é confiável, sendo incapaz de distinguir entre infecção</p><p>prévia e recente. Portanto, o diagnóstico definitivo só pode ser estabelecido por</p><p>detecção direta do DNA do HPV. Isso pode ser feito histologicamente via hibridização</p><p>in situ, amplificação do ácido nucleico por reação em cadeia da polimerase. Caso sejam</p><p>encontradas verrugas típicas em uma jovem, ou caso seja identificada neoplasia de colo</p><p>uterino de alto grau ou câncer invasivo por citologia ou histologia, presume-se que haja</p><p>infecção por HPV e a confirmação por teste para HPV não é necessária. O teste de</p><p>rotina para HPV não é indicado além dos seguintes cenários: rastreamento para câncer</p><p>de colo uterino, rastreamento ou acompanhamento de determinados achados</p><p>citológicos anormais e vigilância pós-tratamento.</p><p>O diagnóstico de condiloma acuminado é feito por meio de: avaliação clínica,</p><p>visualização sob ácido acético (útil nas áreas de mucosa e semimucosa.</p><p>Branqueamento das lesões aparentes, e mesmo das inaparentes, é visível a olho nu,</p><p>mas o método é pouco específico), exame anatomopatológico (indicado em casos de</p><p>dúvida diagnóstica, na ausência de resposta ao tratamento ou para afastar malignidades</p><p>associadas - papulose bowenoide, eritroplasia de Queyrat, doença de Bowen e</p><p>carcinoma invasivo); colposcopia e peniscopia (exames realizados sob aumento de 20</p><p>ou 40 vezes e aplicação de reagentes, útil no seguimento de pacientes com tipos virais</p><p>oncogênicos, detecção de lesões subclínicas ou para seguimento pós-tratamento);</p><p>hibridização in situ e PCR (técnicas realizadas em blocos parafinados de biopsias</p><p>prévias e em tecido fresco, respectivamente. Identificam o DNA viral e podem classificar</p><p>o HPV do paciente como de alto ou baixo risco de oncogenicidade, de acordo com o</p><p>genótipo encontrado. Seu valor na prática clínica e o seu uso para guiar decisões em</p><p>relação à conduta ainda não estão bem estabelecidos. Podem ser úteis para qualificar</p><p>o risco envolvido, mas sua pesquisa ainda não é recomendada na rotina).</p><p>O tratamento tem como principal objetivo a remoção das verrugas sintomáticas,</p><p>ainda que não haja evidência de que isso afete o curso clínico natural da infeção ou a</p><p>erradique, tampouco altere o risco de malignização. Se não tratadas, as lesões</p><p>condilomatosas podem involuir espontaneamente, permanecer estáveis ou aumentar</p><p>em número e tamanho. Em raríssimos casos, podem evoluir pra lesões pré-malignas ou</p><p>malignas. As opções de tratamento são: Podofilina de 10 a 25% (tem propriedades</p><p>antimitóticas. Aplicar sobre as lesões e deixar quatro horas, lavando a lesão após esse</p><p>período. Pode ser aplicada semanalmente. Utilizada apenas para os genitais externos</p><p>e contraindicada para gestantes. Pode causar irritação local e ser tóxica se aplicada e</p><p>absorvida em grandes quantidades, levando a efeitos sistêmicos - restringir a aplicação</p><p>a menos que 0,5 mℓ de podofilina ou área tratada < 10 cm2); podofilotoxina 0,15%</p><p>(creme comercial com purificado ativo da podofilina. Tem a vantagem de ser aplicado</p><p>pelo paciente, minimizando visitas ao médico. Deve-se aplicar apenas nas verrugas</p><p>visíveis, 2 vezes/dia, por 3 dias consecutivos, descansando nos 4 dias seguintes da</p><p>semana. O ciclo semanal pode ser repetido até quatro vezes. A ausência de resolução</p><p>em 4 semanas obriga nova visita ao médico. Não pode ser usado na vagina, no colo e</p><p>em gestantes); crioterapia com nitrogênio líquido (visa à destruição física das verrugas</p><p>pelos ciclos de congelamento e descongelamento. São feitas aplicações semanais em</p><p>jato aberto de 20 a 30 s. O pós-operatório pode ter edema, ulceração e alguma dor);</p><p>eletrocoagulação e laser ablativo (destruição física pela cauterização das células</p><p>infectadas, sob anestesia infiltrativa. Feita quinzenalmente, seu pós-operatório é</p><p>doloroso e cursa com ulceração e dor); ácido tricloroacético - ATA (utilizado em solução</p><p>aquosa a 80 a 90%, visando à cauterização química. Também de aplicação semanal,</p><p>deve-se evitar que a solução escorra, a fim de não lesar a pele sã. Também cursa com</p><p>ulceração no pós-operatório); imiquimode 5% creme (mecanismo de ação por liberação</p><p>de citocinas e ativação da imunidade contra o vírus. Aplicar 3 vezes/semana, em dias</p><p>alternados, por até 12 semanas). Não é possível determinar o momento da infecção</p><p>quando da detecção das lesões, visto que o período de latência pode durar anos.</p><p>Portanto, o diagnóstico de HPV não significa necessariamente infidelidade de um dos</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 118</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>parceiros. A recorrência das lesões é bastante frequente, principalmente nos três</p><p>primeiros meses pós-tratamento. Os pacientes devem ser orientados a retornar, caso</p><p>haja novas lesões. O uso de preservativos diminui o risco, mas não impede a</p><p>transmissão do vírus, visto que pode haver lesões em áreas não cobertas.</p><p>No Brasil, foram aprovadas duas vacinas profiláticas contra o HPV, sendo elas</p><p>a bivalente, que previne infecção pelos subtipos 16 e 18 (relacionados a 70% dos casos</p><p>de câncer de colo uterino), e a quadrivalente que, além desses dois subtipos de alto</p><p>risco, previne também contra os subtipos 6 e 11 (responsáveis por 90% das verrugas</p><p>genitais). As duas vacinas são indicadas em três doses, sendo que a quadrivalente é</p><p>indicada com 0, 60 e 180 dias, para homens e mulheres de 9 a 26 anos e a bivalente,</p><p>indicada com 0, 30 e 180 dias, para mulheres de 10 a 25 anos. Em 2014, o Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS) lançou campanha nacional para imunizar meninas de 11 a 13</p><p>anos contra o HPV. A vacina aplicada é a quadrivalente, em esquema de três doses</p><p>com 6 meses e dose de reforço após 5 anos.</p><p>• Discutir sobre o HPV e o potencial carcinogênico</p><p>A importância do HPV como fator causador na gênese de quase todas as</p><p>neoplasias do colo uterino e de uma variável, mas significativa parte, das neoplasias</p><p>vulvares, vaginais e anais encontra-se bem estabelecida. Mais de 100 genótipos, sendo</p><p>que cerca de 40 tipos podem infectar o trato anogenital (vulva, colo uterino, vagina,</p><p>pênis, escroto, uretra e ânus), podendo ainda ser classificados em subtipos de alto e</p><p>baixo risco, de acordo com o seu potencial de oncogenicidade, sendo os principais</p><p>subtipos de baixo risco os HPV 6, 11, 42, 43 e 44 (6 e 11 sendo responsáveis por 90%</p><p>das verrugas genitais), e os de alto risco os HPV 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 46, 51, 52,</p><p>56, 58, 59 e 68 (16 e 18 relacionados a 70% dos casos de câncer de colo uterino).</p><p>SALOMÃO, Reinaldo. Infectologia - Bases Clínicas e Tratamento. Rio de Janeiro: Grupo</p><p>GEN, 2017. 9788527732628. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527732628/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%</p><p>5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>HOFFMAN, Barbara L.;</p><p>SCHORGE, John O.; HALVORSON, Lisa M.; et al. Ginecologia</p><p>de Williams. Grupo A, 2014. 9788580553116. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553116/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/749</p><p>S16P2: INFIDELIDADE FATAL</p><p>Luana foi casada por 20 anos e ficou viúva há 4 meses. Relata ao médico que está</p><p>muito triste pela morte do marido, que foi definando muito rápido e morreu sem</p><p>diagnóstico. Informa que está apresentando os mesmos sintomas que ele: intensa perda</p><p>de peso, febre irregular, queda de cabelo, tosse seca e presença de placas</p><p>esbranquiçadas na mucosa oral.</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>• Compreender as características microbiológicas, a epidemiologia, os</p><p>mecanismos de transmissão, os fatores de risco, quadro clínico, o diagnóstico e</p><p>as complicações da HIV.</p><p>• Relacionar quadro clínico HIV/ AIDS.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553116/pageid/749</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 119</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Orientações para os tutores</p><p>A infecção pelo HIV/Aids é uma pandemia mundial, com casos relatados em</p><p>praticamente todos os países. No fim de 2016, 36,7 milhões de indivíduos viviam com a</p><p>infecção pelo HIV, de acordo com o Joint United Nations Programme on HIV/Aids</p><p>(UNAIDS). Estima-se que 95% das pessoas que vivem com HIV/Aids residem nos</p><p>países de renda média ou baixa; cerca de 50% são mulheres e 2,1 milhões são crianças</p><p>< 15 anos. O agente etiológico da Aids é o HIV, que pertence à família dos retrovírus</p><p>humanos (Retroviridae) e à subfamília dos lentivírus. No mundo inteiro, a causa mais</p><p>comum da doença causada pelo HIV é o HIV-1, que engloba vários subtipos com</p><p>distribuições geográficas diferentes. O HIV-2 foi identificado pela primeira vez em 1986</p><p>nos pacientes da África ocidental e, inicialmente, estava limitado a essa região.</p><p>Entretanto, foram detectados casos que puderam ser rastreados até a África ocidental</p><p>ou atribuídos aos contatos sexuais com pacientes dessa região.</p><p>O HIV é um vírus de RNA cuja característica fundamental é a transcrição reversa</p><p>do seu RNA genômico em DNA pela enzima transcriptase reversa. O ciclo de replicação</p><p>do HIV começa com a ligação de alta afinidade por meio de resíduos expostos à</p><p>superfície dentro da proteína gp120 ao seu receptor localizado na superfície da célula</p><p>do hospedeiro, a molécula CD4. Depois da fixação à molécula CD4, a proteína gp120</p><p>sofre uma alteração de conformação que facilita a ligação a um dos dois correceptores</p><p>principais (CCR5 e o CXCR4). O acoplamento do vírus a um ou aos dois receptores</p><p>permite sua entrada na célula e é um determinante importante do tropismo celular do</p><p>vírus. O ciclo de replicação do vírus é observado na figura a seguir:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 120</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Fonte: JAMESON; FAUCI; KASPER, 2019.</p><p>O HIV é transmitido principalmente por relações sexuais; pelo sangue e</p><p>hemocomponentes; e pelas mães infectadas aos seus filhos nos períodos intraparto e</p><p>perinatal, ou durante o aleitamento materno. Após mais de 35 anos de experiência e</p><p>observações, não há evidências de que o HIV seja transmitido por qualquer outra</p><p>modalidade. A marca característica da doença causada pelo HIV é a imunodeficiência</p><p>profunda, que resulta basicamente das deficiências quantitativa e qualitativa</p><p>progressivas da subpopulação de linfócitos T conhecidos como células T auxiliares, que</p><p>ocorre no contexto da ativação imune policlonal. O subgrupo de células T auxiliares é</p><p>definido fenotipicamente pela presença da molécula CD4 em sua superfície, a qual</p><p>serve como receptor celular primário para o HIV. Também é necessária a presença de</p><p>um correceptor que se liga à molécula CD4 para que haja ligação, fusão e entrada</p><p>eficientes do HIV-1 nas células-alvo.</p><p>O HIV-1 utiliza dois correceptores principais (CCR5 e CXCR4) para a fusão e</p><p>entrada; esses correceptores também são os receptores principais de certas citocinas</p><p>quimiotáxicas conhecidas como quimiocinas e pertencem à família de receptores</p><p>acoplados à proteína G dotados de sete domínios transmembrana. Alguns dos</p><p>mecanismos responsáveis pela depleção celular e/ou pela disfunção imune das células</p><p>T CD4+ já foram demonstrados in vitro; isso inclui a infecção e a destruição diretas</p><p>dessas células pelo HIV e os efeitos indiretos, como a “depuração” imune das células</p><p>infectadas, a morte celular induzida pela ativação imune aberrante e a exaustão imune</p><p>causada pela ativação celular anômala com resultante disfunção celular.</p><p>Os pacientes com níveis de células T CD4+ abaixo de determinados limiares têm</p><p>riscos elevados de desenvolver várias doenças oportunistas, particularmente as</p><p>infecções e as neoplasias que constituem as doenças definidoras da Aids. Algumas</p><p>manifestações da Aids, como o sarcoma de Kaposi e as anormalidades neurológicas,</p><p>não podem ser totalmente explicadas pela imunodeficiência causada pela infecção pelo</p><p>HIV porque essas complicações podem surgir antes do desenvolvimento de</p><p>imunodeficiência grave. A combinação dos efeitos patogênicos e imunopatogênicos</p><p>virais que ocorre durante a evolução da doença causada pelo HIV, desde o momento</p><p>da infecção inicial (primária) até o aparecimento da doença em estágio avançado, é</p><p>complexa e variada. É importante reconhecer que os mecanismos patogênicos da</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 121</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>doença causada pelo HIV são multifatoriais e polifásicos, diferindo nos diferentes</p><p>estágios da doença. Os CDC recomendaram que a triagem para infecção pelo HIV fosse</p><p>realizada como prática de saúde rotineira. O diagnóstico da infecção pelo HIV depende</p><p>da demonstração dos anticorpos anti-HIV e/ou da detecção direta do vírus ou de um dos</p><p>seus componentes. Conforme assinalado antes, os anticorpos contra o HIV geralmente</p><p>aparecem na circulação dentro de 3 a 12 semanas depois da infecção. Um dos testes é</p><p>o ELISA, também chamado de imunoensaio enzimático (EIA) que é um exame de</p><p>triagem extremamente confiável, com sensibilidade > 99,5%. Apesar de extremamente</p><p>sensível, o EIA não é o teste ideal em termos de especificidade. Por essas razões,</p><p>qualquer indivíduo suspeito de infecção pelo HIV com base em um resultado positivo ou</p><p>inconclusivo do EIA deve ter o resultado confirmado por um ensaio mais específico,</p><p>como o imunoensaio para anticorpos específicos para HIV-1 ou HIV-2, o Western blot</p><p>ou um nível plasmático de RNA do HIV.</p><p>O tratamento dos pacientes HIV-positivos exige não apenas conhecimentos</p><p>abrangentes quanto às possíveis doenças que podem ocorrer e conhecimentos</p><p>atualizados e experiência com a utilização da TARV, como também a capacidade de</p><p>lidar com os problemas acarretados por uma doença crônica potencialmente fatal.</p><p>Fonte: SALOMÃO, 2017.</p><p>Para mais informações, consultar:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. Porto Alegre: Grupo A, 2019. 9788580556346. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/412%</p><p>5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter197.xhtml%5D!/4</p><p>SALOMÃO, Reinaldo. Infectologia - Bases Clínicas e Tratamento. Rio de Janeiro: Grupo</p><p>GEN, 2017. 9788527732628. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527732628/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%</p><p>5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/412%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter197.xhtml%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/412%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter197.xhtml%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527732628/epubcfi/6/126%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter46%5D!/4</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 122</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Objetivo das Práticas Integradas:</p><p>• Compreender as técnicas e os achados laboratoriais do rastreamento e</p><p>diagnóstico do câncer de colo do útero, bem como para HPV e HIV.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de Imagem: Discutir o estadiamento do CA de colo de útero.</p><p>• Anatomopatologia: Discutir Ca do colo útero: biópsia e achados morfológicos</p><p>NIC I, NIC II, NIC III, e carcinoma epidermoide.</p><p>• Patologia Clínica: Compreender o diagnóstico laboratorial do HIV e HPV.</p><p>Palestra</p><p>- PALESTRA 01: Compreender sobre a profilaxia do HPV</p><p>• Abordar sobre as medidas de controle individual e coletiva do HPV (foco</p><p>na vacinação).</p><p>- PALESTRA 02: Tratamento sindrômico das ISTs</p><p>• Abordar sobre o manejo sindrômico das ISTs de acordo com o</p><p>fluxograma da Atenção Básica a Saúde.</p><p>TICS</p><p>• Conhecer a história natural da infecção pelo HIV. 2. Entender o monitoramento</p><p>e o manejo do HIV/AIDS na atenção primária.</p><p>• HIV /AIDS.</p><p>Semana 17: Sistema Reprodutor</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Identificar os distúrbios do sistema reprodutor masculino que acometem a</p><p>próstata e o pênis.</p><p>Problemas da Semana</p><p>S17P1: O TOQUE DO BEM</p><p>Senhor Marcone, casado há quarenta anos, relata disúria, estrangúria e sua esposa</p><p>reclama ainda da noctúria de seu companheiro. Mesmo com insistência de familiares,</p><p>ele se recusava a procurar o médico para fazer o toque retal. Certo dia, Sr. Marcone</p><p>acordou com dor intensa no hipogástrio e sem conseguir urinar; procurou o serviço de</p><p>urgência e foi detectado bexigoma, com necessidade de passagem de sonda vesical de</p><p>demora. Posteriormente, foi observado o aumento da próstata e do PSA livre, sendo</p><p>realizada biópsia.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia da próstata.</p><p>• Comparar a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e tratamento da hiperplasia prostática benigna e do câncer de próstata.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Rever a morfofisiologia da próstata</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 123</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>A próstata é uma glândula única em forma de rosca, aproximadamente do</p><p>tamanho de uma bola de golfe. Ela mede cerca de 4 cm de um lado a outro,</p><p>aproximadamente 3 cm de cima a baixo, e cerca de 2 cm de anterior a posterior.</p><p>Encontra-se inferiormente à bexiga urinária e circunda a parte prostática da uretra. A</p><p>próstata aumenta de tamanho lentamente desde o nascimento até a puberdade. Em</p><p>seguida, se expande rapidamente até aproximadamente os 30 anos de idade; após esse</p><p>período, seu tamanho normalmente permanece estável até os 45 anos, quando podem</p><p>ocorrer novos aumentos.</p><p>A próstata secreta um líquido leitoso e ligeiramente ácido (pH de</p><p>aproximadamente 6,5) que contém diversas substâncias. (1) O ácido cítrico do líquido</p><p>prostático é usado pelos espermatozoides para a produção de ATP por meio do ciclo de</p><p>Krebs. (2) Várias enzimas proteolíticas, como o antígeno prostático específico (PSA),</p><p>pepsinogênios, lisozima, amilase e hialuronidase, que por fim quebram as proteínas de</p><p>coagulação das glândulas seminais. (3) A função da fosfatase ácida secretada pela</p><p>próstata é desconhecida. (4) A plasmina seminal do líquido prostático é um antibiótico</p><p>que pode destruir as bactérias. A plasmina seminal pode ajudar a diminuir a quantidade</p><p>de bactérias que ocorrem naturalmente no sêmen e no sistema genital inferior da</p><p>mulher. As secreções da próstata entram na parte prostática da uretra por meio de</p><p>diversos canais prostáticos. As secreções prostáticas constituem aproximadamente</p><p>25% do volume do sêmen e contribuem para a motilidade e viabilidade dos</p><p>espermatozoides.</p><p>• Comparar a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações</p><p>clínicas, diagnóstico e tratamento da hiperplasia prostática benigna e do</p><p>câncer de próstata.</p><p>A HPB é o tumor benigno mais comum nos homens, e sua incidência está</p><p>relacionada com a idade. A prevalência de HPB se eleva de aproximadamente 20% em</p><p>homens na idade de 41 a 50 anos, para 50% naqueles com idade de 51 a 60, e maior</p><p>que 90% em homens com mais de 80 anos. Embora evidências clínicas de doença</p><p>ocorram menos comumente, os sintomas de obstrução prostática também se</p><p>correlacionam com a idade. Os fatores de risco para o desenvolvimento de HPB são</p><p>mal compreendidos. Alguns estudos têm sugerido uma predisposição genética, e alguns</p><p>têm notado diferenças raciais. Aproximadamente 50% dos homens com menos de 60</p><p>anos que sofrem cirurgia para HPB podem ter uma forma hereditária da doença. Essa</p><p>forma é mais provavelmente um traço autossômico dominante, e parentes masculinos</p><p>em primeiro grau têm um risco relativo aumentado em aproximadamente quatro vezes.</p><p>A hiperplasia prostática benigna (HPB) é um processo patológico que contribui</p><p>para o desenvolvimento de sintomas do trato urinário inferior (STUI) nos homens. Esses</p><p>sintomas, que resultam de disfunção do trato urinário inferior, são, ainda, subdivididos</p><p>em sintomas obstrutivos (hesitação urinária, esforço ao urinar, jato fraco, gotejamento</p><p>terminal, micção prolongada, esvaziamento incompleto) e sintomas irritativos</p><p>(polaciúria, urgência, noctúria, incontinência de urgência, pequenos volumes de urina).</p><p>Os STUI e outras sequelas da HPB não resultam apenas de um efeito expansivo, mas</p><p>também são provavelmente causados por uma combinação de aumento da próstata e</p><p>disfunção do detrusor relacionada com a idade. Os pacientes assintomáticos não</p><p>necessitam de tratamento, independentemente do tamanho da glândula, ao passo que</p><p>aqueles com incapacidade de urinar, hematúria macroscópica, infecção recorrente ou</p><p>cálculos vesicais podem exigir cirurgia. Nos pacientes com sintomas, a urofluxometria</p><p>pode identificar aqueles com taxas de fluxo normais que têm pouca probabilidade de se</p><p>beneficiar do tratamento, ao passo que a ultrassonografia da bexiga pode identificar</p><p>aqueles com alto volume residual pós-miccional, que podem necessitar de intervenção.</p><p>Os estudos de pressão e fluxo (urodinâmicos) detectam a presença de disfunção vesical</p><p>primária. Recomenda-se a cistoscopia se a hematúria for documentada, bem como para</p><p>avaliar o fluxo de saída urinária antes da cirurgia. Aconselha-se a realização de exames</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 124</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>de imagem do trato urinário superior para pacientes com hematúria, história de cálculos</p><p>ou problemas prévios do trato urinário.</p><p>O alívio sintomático é o motivo mais comum pelo qual os homens com HPB</p><p>procuram tratamento, de modo que a meta da terapia para a HPB consiste</p><p>habitualmente em alívio dos sintomas. Acredita-se que os antagonistas dos receptores</p><p>α-adrenérgicos tratem o aspecto dinâmico da HPB ao reduzir o tônus simpático da via</p><p>de saída vesical, diminuindo, assim, a resistência e melhorando o fluxo urinário.</p><p>Acredita-se que os 5ARIs tratem o aspecto estático da HPB ao reduzir o volume da</p><p>próstata, exercendo um efeito semelhante, embora tardio. Esses agentes também</p><p>demonstraram ser benéficos na prevenção da evolução da HPB, conforme evidenciado</p><p>pelo volume da próstata, risco de desenvolver retenção urinária aguda e risco de cirurgia</p><p>relacionada com a HPB. O uso de um antagonista dos receptores α-adrenérgicos e de</p><p>um 5ARI como terapia de combinação tem por objetivo proporcionar alívio sintomático</p><p>e, ao mesmo tempo, prevenir a progressão da HPB. Outra</p><p>é um distúrbio</p><p>autolimitado, com recuperação e cicatrização completas dentro de alguns dias depois</p><p>da eliminação da condição ou do agente desencadeante.</p><p>Gastrite crônica: Gastrite crônica é uma condição diferente da gastrite aguda e</p><p>caracteriza-se pela inexistência de erosões visíveis macroscopicamente e pela</p><p>existência de alterações inflamatórias crônicas que, por fim, acarretam atrofia do epitélio</p><p>glandular do estômago. Existem três tipos de gastrite crônica: infecção por H. pylori,</p><p>gastrite atrófica metaplásica e gastropatia química.</p><p>Infecção por Helicobacter pylori é uma doença inflamatória crônica do antro e do</p><p>corpo do estômago, é a causa mais comum de gastrite crônica. Nos EUA, a prevalência</p><p>dessa doença está relacionada com nível socioeconômico, idade avançada e etnias</p><p>afroamericana e hispânica. H. pylori é encontrado em dois terços da população mundial.</p><p>Alguns estudos sugeriram que, nos países industrializados, a transmissão desse</p><p>patógeno ocorra principalmente de pessoa a pessoa por vômitos, saliva ou fezes,</p><p>enquanto as outras vias de transmissão (como a água) podem ser importantes nos</p><p>países em desenvolvimento. Nos países industrializados, o índice de infecção por H.</p><p>pylori diminuiu expressivamente ao longo das últimas décadas em razão dos avanços</p><p>na área de saneamento.</p><p>Diagnóstico. Métodos Invasivos: Teste rápido da urease; Biópsia; Cultura</p><p>microbiológica. Métodos Não-invasivos: Teste respiratório com Ureia 13C; teste de</p><p>antígeno fecal e a sorologia.</p><p>• Rever os aspectos microbiológicos das infecções por H. pylori e sua</p><p>associação com a neoplasia gástrica.</p><p>Helicobacter pylori é um bastonete gram-negativo, espiralado ou curvo</p><p>(protobactéria), que pode colonizar as células epiteliais secretoras de muco do</p><p>estômago. H. pylori tem vários flagelos que lhe possibilitam movimentar-se na camada</p><p>mucosa do estômago; também secreta urease, que contribui para que produza amônia</p><p>suficiente para tamponar a acidez do seu ambiente imediato. H. pylori produz enzimas</p><p>e toxinas que têm a capacidade de interferir na proteção local da mucosa gástrica contra</p><p>a ação do ácido, causar inflamação intensa e desencadear uma reação imune Desse</p><p>modo, há aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-6, IL-8), que ajudam</p><p>a recrutar e ativar neutrófilos. Várias proteínas do H. pylori são imunogênicas e</p><p>desencadeiam uma reação imune intensa na mucosa. Linfócitos B e T podem ser</p><p>encontrados na gastrite crônica causada por esse microrganismo. Embora não tenham</p><p>sido esclarecidas, a ativação das células B pelas células T pode estar envolvida na</p><p>patogênese dos linfomas gástricos.</p><p>• Conhecer os princípios do tratamento para erradicação da H. pylori.</p><p>A terapia tripla consistindo na combinação de IBP, Amoxicilina e Claritromicina por 14</p><p>dias é recomendada como tratamento de primeira linha. Alternativas incluem terapia</p><p>quádrupla com Bismuto por 10 a 14 dias e terapia concomitante por 14 dias.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 14</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Para mais informações, acessar o link:</p><p>DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial, 4ª edição.</p><p>Grupo GEN, 2011. 978-85-277-1970-4. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-1970-4/. Acesso em: 15</p><p>mai. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970-4/pageid/204</p><p>MARTINS, Mílton.de. A.; CARRILHO, Flair. J.; ALVES, Venâncio.Avancini. F.;</p><p>CASTILHO, Euclid. Clínica Médica, Volume 4: Doenças do Aparelho Digestivo, Nutrição</p><p>e Doenças Nutricionais. [Digite o Local da Editora]: Editora Manole, 2016.</p><p>9788520447741. Acesso em: 27 mai. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520447741/pageid/129</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 15 mai. 2022.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116[</p><p>%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37]!/4/188/3:17[%C3%94MA%2CGO</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• As atividades de laboratório irão iniciar a partir da segunda semana de APG</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 1: Conhecer as características das neoplasias gástricas e esofágicas</p><p>(Benignas e Malignas).</p><p>• Abordar a epidemiologia, fisiopatologia, fatores de risco, manifestações clínicas</p><p>e diagnósticas das neoplasias benignas e malignas gástricas e esofágicas.</p><p>- PALESTRA 2: Discutir Princípios do tratamento da Síndrome Dispéptica</p><p>• Abordar mecanismo de ação / farmacocinética/ uso terapêutico</p><p>• Esquema de tratamento da H. pylori</p><p>• Antibióticos utilizados na erradicação da H. pylori</p><p>• Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs)</p><p>• Antagonistas de receptor H2</p><p>• Antiácidos</p><p>• Prostaglandinas</p><p>• Fármacos protetores da mucosa</p><p>TICS</p><p>• Reconhecer os mecanismos de defesa e agressão da mucosa gástrica.</p><p>o AINES / úlcera péptica / H pylori.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/978-85-277-1970-4/pageid/204</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520447741/pageid/129</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4/188/3:17%5b%C3%94MA%2CGO</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737876/epubcfi/6/116%5b%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter37%5d!/4/188/3:17%5b%C3%94MA%2CGO</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 15</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Semana 2: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>- Conhecer os distúrbios gastrointestinais ocasionados por anormalidades do sistema</p><p>imune que podem afetar na digestão e absorção.</p><p>Problemas da semana</p><p>S2P1: SE NÃO FOR UM PROBLEMA NA ROTA BIOQUÍMICA, É UMA FALHA NO</p><p>SISTEMA IMUNOLÓGICO...</p><p>João, de 45 anos, observa que 30 a 60 minutos depois do café da manhã, todos</p><p>os dias, ele tem cólicas, empachamento, eliminação de flatos fétidos e uma dejeção</p><p>muito mole, aquosa. Ele não observa sangue ou muco nas fezes e também nega perda</p><p>de peso. Isso não acontece após o almoço ou jantar. Todos os dias, no café da manhã,</p><p>ele come pão integral, uma grande tigela de cereal com leite e iogurte. Ele foi</p><p>aconselhado a fazer uma experiência na dieta de suspender a ingestão de laticínios por</p><p>1 semana, e observou que todos os sintomas regrediram.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever os mecanismos imunológicos envolvidos na resposta alérgica</p><p>• Discutir a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas e</p><p>diagnóstico de alergias alimentares / intolerâncias alimentares.</p><p>• Identificar os alimentos que são mais suscetíveis ao desenvolvimento de alergias</p><p>alimentares / intolerância alimentares.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>INTOLERÂNCIA ALIMENTAR- Conceitua-se intolerância alimentar como uma reação</p><p>adversa a componentes do alimento, podendo ser de natureza tóxica, metabólica ou</p><p>alérgica. As reações adversas tóxicas ocorrem quando o indivíduo ingere uma</p><p>quantidade suficiente de alimento contaminado (p. ex., toxinas bacterianas na</p><p>intoxicação alimentar). As reações adversas não tóxicas, ao contrário, dependem de</p><p>características individuais e resultam de mecanismos imunes ou não imunes. Os</p><p>principais mecanismos que explicam a intolerância alimentar são:</p><p>• Tóxicos (causados por contaminação bacteriana ou por aditivos alimentares).</p><p>• Intolerância secundária à deficiência enzimática (p. ex., intolerância à lactose).</p><p>• Reações alérgicas, tanto IgE-mediadas como não mediadas por IgE (p. ex., alergia ao</p><p>leite de vaca).</p><p>• Sintomas secundários a reações farmacológicas a componentes alimentares (reação</p><p>à tiramina contida em queijos e vinhos tintos).</p><p>INTOLERÂNCIA AOS CARBOIDRATOS A intolerância aos carboidratos é uma</p><p>síndrome que se manifesta por diarreia, distensão abdominal, vômitos ou dor abdominal</p><p>após a ingestão de um ou diversos tipos de carboidratos</p><p>classe de medicamentos que</p><p>demonstrou melhorar os STUI secundários à HPB é a dos inibidores da fosfodiesterase</p><p>5 (PDE5), que atualmente são usados no tratamento da disfunção erétil. Todos os</p><p>quatro inibidores da PDE5 disponíveis nos Estados Unidos – sildenafila, vardenafila,</p><p>tadalafila e avanafila – parecem ser efetivos no tratamento dos STUI decorrentes da</p><p>HPB. Entretanto, existem controvérsias quanto ao uso dos inibidores da PDE5, tendo</p><p>em vista o fato de que os inibidores da fosfodiesterase de ação curta, como a sildenafila,</p><p>precisam ter sua dose oferecida separadamente dos alfabloqueadores, como a</p><p>tansulosina, em virtude dos efeitos hipotensores potenciais. Os sintomas associados à</p><p>HPB frequentemente coexistem com sintomas causados pela bexiga hiperativa; os</p><p>agentes farmacológicos mais comuns para o tratamento dos sintomas da bexiga</p><p>hiperativa consistem em agentes anticolinérgicos. Isso levou à realização de múltiplos</p><p>estudos para avaliar a eficácia dos agentes anticolinérgicos no tratamento dos STUI</p><p>causados pela HPB.</p><p>Hoje, o tratamento cirúrgico é considerado como tratamento de segunda linha e</p><p>costuma ser reservado para pacientes após um curso de tratamento clínico. A meta do</p><p>tratamento cirúrgico consiste em reduzir o tamanho da próstata, diminuindo</p><p>efetivamente a resistência ao fluxo urinário. As abordagens cirúrgicas incluem RTUP,</p><p>incisão transuretral ou remoção da glândula por via retropúbica, suprapúbica ou</p><p>perineal. Também são utilizados prostatectomia transuretral induzida por laser guiada</p><p>por ultrassom.</p><p>O câncer de próstata (CaP) representa o tumor de maior incidência entre os</p><p>homens, excluindo câncer de pele (27%). A utilização do antígeno prostático específico</p><p>(PSA) na prática clínica promoveu uma maior detecção de CaP localizado e em estágios</p><p>iniciais. Sabe-se que a cada sete homens, um (15,3%) será diagnosticado com</p><p>neoplasia de próstata, e desses, 2,6% irão a óbito por essa doença. A mortalidade por</p><p>CaP tem diminuído em cerca de 40% desde meados da década de 1990, período a</p><p>partir do qual os homens têm vivido mais e, portanto, têm maior probabilidade de atingir</p><p>idades mais avançadas, nas quais se esperaria um aumento na mortalidade por câncer</p><p>de próstata. O continuum do câncer de próstata – que se estende desde o aparecimento</p><p>de uma lesão pré-neoplásica e invasiva, localizada na próstata, até uma lesão</p><p>metastática, que provoca sintomas e, por fim, mortalidade – pode ter uma duração de</p><p>várias décadas. Os estudos epidemiológicos mostram que o risco de diagnóstico de</p><p>câncer de próstata aumenta em 2,5 vezes quando um parente de primeiro grau é</p><p>acometido e em cinco vezes quando dois ou mais forem acometidos.</p><p>Acredita-se que o consumo elevado de gorduras da dieta, como o ácido α-</p><p>linoleico, ou dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que se formam durante o</p><p>cozimento de carnes vermelhas, aumente o risco. A grande maioria dos pacientes com</p><p>CaP em estágio inicial é assintomática. A presença de sintomas frequentemente sugere</p><p>doença avançada localmente ou metastática. Queixas miccionais obstrutivas ou</p><p>irritativas podem resultar de crescimento local do tumor para dentro da uretra ou do colo</p><p>vesical, ou de sua extensão direta para o trígono da bexiga. É muito mais comum,</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 125</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>entretanto, que esses sintomas sejam atribuíveis a HPB coexistente. A doença</p><p>metastática para os ossos pode causar dor óssea. Doença metastática para a coluna</p><p>vertebral com invasão para a medula espinal pode estar associada a sintomas de</p><p>compressão medular, inclusive parestesias e fraqueza das extremidades inferiores, e</p><p>incontinência urinária ou fecal. Um exame físico, incluindo toque retal, é necessário.</p><p>Endurecimento ou nodularidade, se detectados, devem alertar o médico para a</p><p>possibilidade de câncer e a necessidade de avaliação adicional (i. e., PSA, USTR e</p><p>biópsia). Doença localmente avançada com linfadenopatia regional volumosa pode levar</p><p>a linfedema das extremidades inferiores. Sinais específicos de compressão da medula</p><p>relacionam-se com o nível da compressão e podem incluir fraqueza ou espasticidade</p><p>das extremidades inferiores e um reflexo bulbocavernoso exacerbado. Atualmente, a</p><p>doença é detectada apenas pela elevação dos níveis sanguíneos do PSA em</p><p>aproximadamente 70% dos pacientes, quando o tumor ainda não é palpável. Há</p><p>evidências científicas de que o rastreamento aumenta a probabilidade de diagnóstico</p><p>do CaP em estágio inicial, contudo, não foi observada redução da mortalidade câncer-</p><p>especifica nem global.</p><p>Para o diagnóstico são utilizados o toque digital; PSA total e livre; Biópsia</p><p>transretal de próstata (mínimo de 12 fragmentos); Ressonância nuclear magnética</p><p>(RNM) multiparamétrica da próstata. O tratamento dependerá do estadiamento e poderá</p><p>incluir hormonioterapia, radioterapia e intervenções cirúrgicas.</p><p>Para mais informações, acessar o link:</p><p>TORTORA, Gerard J.; DERRICKSON, Bryan. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Rio</p><p>de Janeiro: Grupo GEN, 2016. 9788527728867. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527728867/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527728867/epubcfi/6/76%5</p><p>B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter28%5D!/4/242/4</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Medicina interna de</p><p>Harrison - 2 volumes. Porto Alegre: Grupo A, 2019. 9788580556346. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580556346/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/184%</p><p>5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter83.xhtml%5D!/4%5Bred%5D/2/196/1:887%5Btic%2Co</p><p>%20e%5D</p><p>MCANINCH, J.W.; LUE, T.F. Urologia geral de Smith e Tanagho. São Paulo: Grupo</p><p>A, 2014. 9788580553703. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580553703/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553703/pageid/364</p><p>MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F.; AGUR, Anne M R. Anatomia Orientada para</p><p>Clínica, 8ª edição. Rio de Janeira: Grupo GEN, 2018. 9788527734608. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527734608/. Acesso em: 11 jun.</p><p>2022.</p><p>Acessar o link:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/38%5</p><p>B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter06%5D!/4/644/1:6%5BSTA%2CTA%5D</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527728867/epubcfi/6/76%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter28%5D!/4/242/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527728867/epubcfi/6/76%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter28%5D!/4/242/4</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/184%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter83.xhtml%5D!/4%5Bred%5D/2/196/1:887%5Btic%2Co%20e%5D</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/184%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter83.xhtml%5D!/4%5Bred%5D/2/196/1:887%5Btic%2Co%20e%5D</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580556346/epubcfi/6/184%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter83.xhtml%5D!/4%5Bred%5D/2/196/1:887%5Btic%2Co%20e%5D</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580553703/pageid/364</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/38%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter06%5D!/4/644/1:6%5BSTA%2CTA%5D</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/38%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter06%5D!/4/644/1:6%5BSTA%2CTA%5D</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 126</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>S17P2: DIA DOS NAMORADOS</p><p>João, 72 anos de idade, comenta com a esposa Maria.</p><p>- Amor, que saudade dos nossos encontros no dia dos namorados, hoje já não tenho o</p><p>mesmo vigor de antes.</p><p>Maria responde:</p><p>- Fique tranquilo, o que importa é o amor. Será que uma pílula azul não resolve?</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>• Relembrar o mecanismo</p><p>da dieta, tanto mono quanto</p><p>dissacarídeos. A intolerância aos dissacarídeos, especialmente a lactose, é a forma</p><p>mais frequente de intolerância aos carboidratos na infância. Pode ser primária</p><p>(geneticamente determinada) ou secundária a doenças que cursam com alteração da</p><p>superfície absortiva intestinal, ou seja, em qualquer situação clínica que altere a</p><p>estrutura da mucosa intestinal e provoque redução na concentração das dissacaridases.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 16</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>INTOLERÂNCIA À LACTOSE: A deficiência primária de lactase é rara em crianças</p><p>menores de 4 anos, embora seja muito comum em crianças maiores e adultos</p><p>(intolerância ontogenética à lactose). É muito frequente entre os asiáticos, nos quais,</p><p>em alguns grupos, chega a acometer 100% dos indivíduos, e é rara entre caucasianos,</p><p>especialmente nos oriundos do oeste europeu. A gastroenterite infecciosa é uma das</p><p>causas mais frequentes de intolerância secundária à lactose. Essa alteração na digestão</p><p>é causa importante no aumento da morbimortalidade associada à diarreia infecciosa,</p><p>contribuindo para a instalação da diarreia persistente.</p><p>Intolerância ontogenética à lactose: Na maioria dos indivíduos, a lactase atinge seu</p><p>maior nível de atividade no fim da gestação e permanece elevada até o fim do 1° ano</p><p>de vida. Entre o 1° e o 3° ano de vida, a atividade da lactase diminui. Em algumas áreas,</p><p>principalmente entre os escandinavos, esse declínio ocorre a partir do 8° ano. Esse fato</p><p>é decorrente tanto da diferença nos níveis de exposição a infecções e desnutrição</p><p>quanto da alteração genética. A má digestão da lactose documentada em testes de</p><p>tolerância pode não estar associada a sintomas clínicos (intolerância) desde que a</p><p>criança receba pequenas cotas de leite na dieta, podendo ocorrer sintomas quando ela</p><p>é exposta a uma sobrecarga de lactose por aumento do volume do leite ingerido ou pelo</p><p>uso de produtos com concentração elevada desse açúcar (p. ex., leite condensado). A</p><p>intolerância à lactose é quantitativa, ou seja, as reações clínicas dependem da</p><p>quantidade do açúcar ingerida e do nível de atividade da lactase do indivíduo. Portanto,</p><p>não está indicada a restrição completa de leite e derivados em todos os pacientes</p><p>portadores dessa condição, ao contrário do que ocorre na alergia à proteína do leite de</p><p>vaca. Em lactentes e pré-escolares, a intolerância à lactose se manifesta como diarreia</p><p>aquosa, com evacuações explosivas e fezes ácidas. É frequente também a distensão</p><p>abdominal, associada a cólicas e hiperemia perianal. Nos casos mais graves, a diarreia</p><p>pode levar à desidratação e desnutrição. Nas crianças maiores e adolescentes</p><p>portadores de intolerância à lactose, o componente de diarreia é menos importante. São</p><p>mais frequentes as apresentações com distensão e dor abdominal após a ingestão de</p><p>leite e, quando existe diarreia, as perdas são de menor volume. Na investigação</p><p>complementar podem ser solicitados:</p><p>1. Substâncias redutoras e pH fecal: nas crianças menores, quando associada a um</p><p>quadro clínico sugestivo de intolerância aos açúcares, a presença de substâncias</p><p>redutoras e de fezes ácidas é mais um elemento diagnóstico. É um exame inespecífico</p><p>e pode estar positivo não apenas em situações de má digestão ou má-absorção de</p><p>açúcares, mas também quando existe uma oferta exagerada dessas substâncias na</p><p>dieta. É frequente o achado de substâncias redutoras e fezes ácidas em lactentes</p><p>assintomáticos em aleitamento materno, não tendo valor diagnóstico nessa situação.</p><p>Não é válido indicar a pesquisa de açúcares redutores nas fezes quando a suspeita é</p><p>de intolerância à sacarose-isomal-tose.</p><p>2. Testes de tolerância oral aos açúcares: a curva de tolerância aos açúcares é</p><p>realizada com a dosagem da glicemia antes e 15, 30 e 60 minutos após a ingestão de</p><p>2g/kg (dissacarídeo) e 1g/kg (monossacarídeo), em solução a 10%, do açúcar a ser</p><p>testado (máximo de 50g para os dissacarídeos e 25g para os monossacarídeos). São</p><p>considerados valores normais quando existe um aumento de 30mg% entre o jejum e</p><p>quaisquer das medidas subsequentes. Além disso, deve ser observada a sintomatologia</p><p>da criança durante o teste. O aparecimento de diarreia após a sobrecarga oral do açúcar</p><p>é de maior valor diagnóstico do que o achado isolado de uma curva plana. Falso-positivo</p><p>pode ocorrer por não haver ingestão de toda a solução oferecida ou por retardo no</p><p>esvaziamento gástrico.</p><p>3. Dosagem do hidrogênio em ar expirado: a presença de hidrogênio no ar expirado</p><p>é secundária à digestão do excesso de carboidratos por bactérias colônicas, indicando</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 17</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>que houve má digestão desses açúcares no intestino delgado. O teste é realizado após</p><p>uma dose oral do açúcar, sendo considerado positivo um aumento de 20 ppm de</p><p>hidrogênio entre 1 e 3 horas após a refeição com o açúcar.</p><p>4. Teste de exclusão: o melhor critério diagnóstico para a intolerância aos açúcares é</p><p>a resposta clínica à retirada do açúcar da dieta. Porém, em alguns pacientes, existe</p><p>grande dificuldade na interpretação desse teste por falta de adesão à dieta de exclusão.</p><p>Em outras situações, em que a intolerância aos dissacarídeos é secundária a outra</p><p>situação clínica, pode ocorrer melhora parcial ou transitória apenas dos sintomas de má</p><p>digestão.</p><p>ALERGIA ALIMENTAR Alergia alimentar é um problema que atinge principalmente as</p><p>crianças nos primeiros anos de vida. Com frequência, as crianças desenvolvem alergia</p><p>na mesma ordem a partir da qual os alimentos são introduzidos na dieta, mas, como em</p><p>geral o leite de vaca é a primeira proteína estranha introduzida, a alergia à proteína do</p><p>leite de vaca é a doença alérgica mais comum da infância. A redução na frequência e</p><p>na duração do aleitamento materno impõe o uso cada vez mais precoce de fórmulas à</p><p>base de leite de vaca, o que tem contribuído para o aumento da incidência de alergia à</p><p>proteína do leite de vaca. Também é mais frequente nos indivíduos atópicos, mas</p><p>existem muitos casos que não estão relacionados à atopia. Muitas formas de alergia</p><p>alimentar com manifestação gastrointestinal são transitórias, e existe possibilidade de</p><p>mudança da localização dos sintomas entre as reações de pele, respiratórias e</p><p>gastrointestinais no decorrer do tempo.</p><p>Embora o alimento causador de alergia alimentar mais frequente seja o leite de</p><p>vaca, também são possíveis alergias desencadeadas por soja, ovo, peixe, amendoim,</p><p>trigo, milho, arroz, frutos do mar e outras proteínas.</p><p>Barreira mucosa intestinal: tolerância oral e sensibilização - A mucosa intestinal</p><p>funciona como uma barreira, limitando a entrada de patógenos, toxinas e antígenos</p><p>estranhos, sendo a interface entre o interior do organismo e o ambiente. Logo após o</p><p>nascimento, o trato gastrointestinal do recém-nascido entra em contato com proteínas</p><p>estranhas sob a forma de bactérias e antígenos alimentares. Esse sistema, ainda</p><p>imaturo, tem de desenvolver respostas rápidas e potentes contra os vários antígenos</p><p>(produzir imunidade) e permanecer não responsivo a uma quantidade enorme de</p><p>nutrientes (gerar tolerância). Uma rede de mecanismos, imunológicos e não</p><p>imunológicos, interage para regular a permeabilidade mucosa e a resposta imune a</p><p>antígenos e patógenos da luz intestinal. São eles:</p><p>• Mecanismos não imunológicos: amilase salivar, lisozima, lactoferrina, secreção ácida</p><p>do estômago, ácidos biliares, flora e motilidade intestinais, muco que recobre a</p><p>superfície epitelial, microvilosidades e zona juncional firme.</p><p>• Mecanismos imunológicos: tecido linfoide associado ao intestino, a imunoglobulina (Ig)</p><p>A secretora, o sistema imune celular local (linfócitos B e T, plasmócitos, macrófagos,</p><p>mastócitos, eosinófilos e basófilos) e outras imunoglobulinas (IgG, IgM e IgE).</p><p>As proteínas que acaso chegam à circulação e são reconhecidas pelo sistema</p><p>imunológico normalmente não causam reações adversas porque a tolerância se</p><p>desenvolve na maioria dos indivíduos, mas no</p><p>hospedeiro sensibilizado pode ser</p><p>desencadeada uma série de respostas de hipersensibilidade. Nos indivíduos com</p><p>imaturidade dos mecanismos de tolerância oral, quando há predisposição genética e/ou</p><p>agressão ambiental excessiva, a tolerância oral a um determinado alimento pode não</p><p>se desenvolver, ocorrendo o quadro clínico de alergia alimentar. A hipersensibilidade</p><p>gastrointestinal pode ser:</p><p>1. Exclusivamente mediada por IgE</p><p>2. Mista (IgE e não IgE)</p><p>3. Não mediada por IgE</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 18</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Alterações no sistema digestório causadas por alergia - As alterações motoras</p><p>estão presentes na origem dos sintomas na alergia alimentar. Esse mecanismo é</p><p>preponderante no refluxo gastroesofágico secundário à alergia à proteína do leite de</p><p>vaca e nos pacientes com constipação secundária à alergia alimentar. Possivelmente,</p><p>o epitélio é o primeiro alvo na hipersensibilidade alimentar, causando uma alteração</p><p>estrutural, mas alterações na motilidade indicam que o músculo liso também é um alvo</p><p>nas reações alérgicas intestinais. As manifestações clínicas na alergia alimentar podem</p><p>ser consequência apenas do processo inflamatório decorrente da reação imune. Má</p><p>absorção na alergia alimentar pode ocorrer como um resultado de lesão do intestino</p><p>delgado, levando à enteropatia perdedora de proteína. Na proctocolite alérgica, a dor à</p><p>defecação, a inflamação retal, presença de sangue oculto ou vivo nas fezes e fissura</p><p>anal interna são causadas por inflamação da mucosa. A presença de fissura anal e a</p><p>inflamação local, promovendo defecações dolorosas, também podem ser a causa de</p><p>constipação crônica por alergia alimentar, pois esse quadro favoreceria o maior acúmulo</p><p>e o ressecamento das fezes (ciclo dor-retenção-dor). A perda de sangue pelo trato</p><p>intestinal na alergia à proteína do leite de vaca pode ocorrer por efeito tóxico direto do</p><p>leite de vaca ou secundário à reação imune (lesão e inflamação da mucosa).</p><p>S2P2- “ERA PRA PROTEGER..., MAS PREJUDICA...”</p><p>Sofia estava muito preocupada com sua amiga Andréa, pois, durante a Intermed, ela</p><p>não conseguiu participar de nenhuma competição. Estava sempre se queixando de</p><p>dores abdominais, falta de apetite e astenia. Sofia ainda notou que ela permanecia por</p><p>muito tempo no banheiro e estava cada dia mais magra. Ao questionar a amiga, Sofia</p><p>ficou ainda mais preocupada, pois Andréa confidenciou-lhe que se trata de uma "doença</p><p>autoimune" no intestino.</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Rever a morfofisiologia do intestino delgado e grosso.</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, fatores de risco,</p><p>manifestações clínicas e tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Conhecer a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, fatores de risco,</p><p>manifestações clínicas e tratamento das Doenças Inflamatórias Intestinais.</p><p>O termo doença intestinal inflamatória (DII) é usado para designar dois distúrbios</p><p>intestinais inflamatórios semelhantes: doença de Crohn e colite ulcerativa. Estima-se</p><p>que a condição esteja presente em mais de um milhão de pessoas nos EUA, e em 2,5</p><p>milhões de pessoas na Europa. Atualmente, a prevalência de DII no mundo ocidental é</p><p>de até 0,5% da população geral. Embora essas duas doenças tenham diferenças</p><p>expressivas que viabilizam sua diferenciação, ambas têm algumas manifestações</p><p>clínicas em comum. As duas condições causam inflamação intestinal, não têm evidência</p><p>confirmatória de um agente etiológico comprovado, não seguem um padrão de</p><p>ocorrência familiar e podem ser acompanhadas de manifestações sistêmicas. A doença</p><p>de Crohn acomete mais comumente os segmentos distais do intestino delgado e o cólon</p><p>proximal, mas pode afetar qualquer área do sistema digestório desde o esôfago até o</p><p>ânus; por outro lado, a colite ulcerativa limita-se ao cólon e ao reto.</p><p>Etiologia e patogênese. Um aspecto notável do sistema digestório é que o sistema</p><p>imune da mucosa sempre está pronto para reagir aos patógenos ingeridos, mas não</p><p>reage à microflora intestinal normal. De acordo com a hipótese vigente, esse estado</p><p>homeostático normal é perdido na DII, o que acarreta reações imunes exageradas e</p><p>desreguladas. A questão ainda não resolvida é se a resposta é um mecanismo de</p><p>defesa apropriado a um patógeno, ou se o sistema imune responde de maneira anormal.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 19</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Por essa razão, como também ocorre com muitas outras doenças autoimunes, a</p><p>patogênese da doença de Crohn e da colite ulcerativa inclui anormalidade da regulação</p><p>imune, predisposição genética e fator ambiental desencadeante, especialmente a flora</p><p>microbiana.</p><p>Predisposição genética. Há muito tempo, existe a suspeita de uma base genética para</p><p>a DII. Parentes de primeiro grau de pessoas com diagnóstico de DII apresentam uma</p><p>incidência 30 a 100 vezes maior de DII. Estudos de associação genômica ampla</p><p>(GWAS, do inglês genome-wide association studies) já identificaram 163 loci distintos</p><p>que conferem risco de (ou proteção contra o) desenvolvimento de doença de Crohn ou</p><p>colite ulcerativa, com uma porção substancial desses loci comuns às duas doenças. A</p><p>taxa de concordância em gêmeos monozigóticos é de 30 a 35% para doença de Crohn</p><p>em comparação com apenas 10 a 15% para colite ulcerativa. Não obstante, a história</p><p>familiar ainda é o fator preditivo mais forte de DII, embora apenas 10% das pessoas</p><p>tenham um parente em primeiro grau com a doença. Essas relações indicam claramente</p><p>que a predisposição genética desempenha um papel importante na patogênese da DII.</p><p>Entretanto, o padrão hereditário não é o mendeliano clássico e, por esta razão, a DII</p><p>não pode ser atribuída a um único gene. Numerosos genes implicados estão</p><p>reconhecidamente associados e é possível que contribuam para o desenvolvimento da</p><p>doença. Isso inclui associações com os antígenos leucocitários humanos (HLA).</p><p>Evidências crescentes também sugerem que a doença de Crohn e a colite ulcerativa</p><p>estejam associadas a profundas anomalias da imunidade da mucosa. A proteína 2</p><p>contendo domínio de oligomerização ligadora de nucleotídio (NOD2), também</p><p>conhecida como proteína 15 contendo domínio de recrutamento de caspase (CARD15)</p><p>ou proteína 1 da doença intestinal inflamatória (IBD1), é uma proteína codificada pelo</p><p>gene NOD2, localizado no cromossomo 16 humano. A proteína NOD2 está expressa</p><p>em alguns tipos de leucócitos, bem como nas células epiteliais, e parece atuar como</p><p>receptor intracelular para os lipopolissacarídeos microbianos. Depois de sua ligação aos</p><p>produtos microbianos, essa proteína pode ativar a via do NFkb, resultando na formação</p><p>de citocinas e outras proteínas envolvidas na defesa imune inata contra microrganismos.</p><p>As mutações da NOD2 associadas à doença de Crohn podem reduzir a atividade da</p><p>proteína, resultando na persistência dos microrganismos intracelulares e no</p><p>prolongamento das respostas imunes. Outra região estudada detalhadamente é a IBD3,</p><p>no cromossomo 6. Essa área inclui o complexo HLA, que foi relacionado com a doença</p><p>de Crohn e a colite ulcerativa. Outra área ligada especificamente à doença de Crohn</p><p>está no cromossomo 5q (IBD5). Essa área abriga muitos genes codificadores de várias</p><p>citocinas que contribuem para a patogênese da doença.</p><p>Participação dos fatores ambientais. Embora a história familiar seja o fator de risco</p><p>mais significativo de DII e os genes tenham uma participação importante, como foi</p><p>demonstrado pela identificação dos 163 alelos distintos de risco genético, dados</p><p>epidemiológicos consideráveis apoiam a participação crucial do meio ambiente. O</p><p>tabagismo é o fator ambiental mais antigo e mais consistentemente descrito como</p><p>influenciador da incidência de doença de Crohn e colite ulcerativa.</p><p>Estudos em animais já estabeleceram de modo definitivo a importância da flora</p><p>intestinal na DII. Os locais afetados pela DII, a parte distal do íleo e o cólon,</p><p>apresentam</p><p>contagens elevadas de bactérias. O uso de antibióticos em 2 a 5 anos do diagnóstico</p><p>de DII também foi associado ao risco aumentado de DII de aparecimento no adulto, com</p><p>efeito crescente concomitante ao aumento do número de ciclos de antibioticoterapia e</p><p>à exposição mais precoce. Embora seja improvável que a DII seja causada diretamente</p><p>por micróbios, existe a possibilidade de os microrganismos serem o antígeno</p><p>deflagrador de uma resposta imune desregulada.</p><p>Manifestações clínicas. As manifestações clínicas da doença de Crohn e da colite</p><p>ulcerativa resultam no final da ativação das células inflamatórias com produção de</p><p>mediadores inflamatórios, que causam lesão inespecífica dos tecidos. Essas duas</p><p>doenças caracterizam-se por remissões e exacerbações de diarreia, urgência fecal e</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 20</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>emagrecimento. As complicações agudas (p. ex., obstrução intestinal) podem</p><p>desenvolver-se durante os períodos de doença fulminante.</p><p>Algumas manifestações sistêmicas são observadas nos pacientes com doença</p><p>de Crohn e colite ulcerativa. Entre elas, estão artrite axial envolvendo a coluna vertebral</p><p>e as articulações sacroilíacas, e artrite oligoarticular afetando as grandes articulações</p><p>dos braços e das pernas; distúrbios inflamatórios dos olhos, geralmente uveíte; lesões</p><p>cutâneas, especialmente eritema nodoso; estomatite; e anemia autoimune,</p><p>hipercoagulabilidade sanguínea e colangite esclerosante. Em alguns casos, essas</p><p>manifestações sistêmicas podem prenunciar a recidiva da doença intestinal. Nas</p><p>crianças, pode haver atraso do crescimento, principalmente quando os sintomas são</p><p>persistentes e a ingestão de nutrientes não é satisfatória.</p><p>RETOCOLITE ULCERATIVA</p><p>Patologia. Inflamação da mucosa colônica; o reto é acometido quase sempre,</p><p>estendendo-se a inflamação continuamente (nenhuma área sendo poupada) no sentido</p><p>proximal por uma distância variável; as características histológicas incluem dano</p><p>epitelial, inflamação, abscessos das criptas e rarefação das células caliciformes.</p><p>Manifestações clínicas. Diarreia sanguinolenta, muco, febre, dor abdominal, tenesmo</p><p>e perda de peso; espectro de gravidade (a maioria dos casos é leve, limitada ao</p><p>retossigmoide). Nos casos graves, observam-se desidratação, anemia, hipopotassemia</p><p>e hipoalbuminemia.</p><p>Complicações. Megacólon tóxico, perfuração colônica; risco de câncer relacionado</p><p>com a extensão e duração da colite; com frequência, precedida por ou coincidente com</p><p>displasia, que pode ser detectada nas biópsias colonoscópicas de vigilância.</p><p>Diagnóstico. Sigmoidoscopia/colonoscopia: eritema mucoso, granularidade,</p><p>friabilidade, exsudato, hemorragia, úlceras, pólipos inflamatórios (pseudopólipos).</p><p>Enema baritado: desaparecimento das haustrações, irregularidade da mucosa e</p><p>ulcerações.</p><p>DOENÇA DE CROHN</p><p>Patologia. Acomete qualquer parte do trato GI, habitualmente o íleo terminal e/ou o</p><p>cólon; inflamação transmural, espessamento da parede intestinal, ulcerações lineares e</p><p>espessamento submucoso que conferem um padrão de pedras de calçamento;</p><p>acometimento descontínuo (áreas saltadas); as características histológicas incluem</p><p>inflamação transmural, granulomas (com frequência ausentes), fissuras e fístulas.</p><p>Manifestações clínicas. Febre, dor abdominal, diarreia (na maioria das vezes, sem</p><p>sangue), fadiga, perda de peso e retardo do crescimento em crianças; a ileíte aguda</p><p>simula a apendicite; fissuras anorretais, fístulas e abscessos. A evolução clínica</p><p>enquadra-se em três amplos padrões: (1) inflamatória, (2) estenosante e (3) fistulizante.</p><p>Complicações. Obstrução intestinal (edema versus fibrose); raras vezes, megacólon</p><p>tóxico ou perfuração; fístulas para o intestino, bexiga, vagina, pele, tecidos moles,</p><p>comumente com a formação de abscessos; má absorção de sais biliares que resulta em</p><p>cálculos biliares de colesterol e/ou em cálculos renais de oxalato; doença maligna</p><p>intestinal; amiloidose.</p><p>Diagnóstico. Obtido por sigmoidoscopia/colonoscopia, enema baritado, radiografia</p><p>trânsito de intestino delgado, mostrando nodularidade, rigidez, úlceras que podem ser</p><p>profundas ou longitudinais, aspecto de pedras de calçamento, áreas saltadas,</p><p>estenoses, fístulas. A TC pode mostrar alças intestinais espessadas e emaranhadas ou</p><p>um abscesso.</p><p>Tratamento. Terapia de suporte com o uso de agentes antidiarreicos (difenoxilato e</p><p>atropina, loperamida) na doença leve; hidratação iv e transfusões de sangue na doença</p><p>grave; nutrição parenteral ou fórmulas enterais definidas. Sulfassalazina e</p><p>aminossalicilatos; glicocorticoides; agentes imunossupressivos; metronidazol e cirurgia.</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 21</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Para mais informações, acessar o link:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Manual de medicina de</p><p>Harrison: Grupo A, 2021. 9786558040040. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040040/. Acesso em: 30 mai.</p><p>2022.</p><p>NORRIS, Tommie L. Porth - Fisiopatologia. Grupo GEN, 2021. 9788527737876.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527737876/.</p><p>Acesso em: 30 mai. 2022.</p><p>Objetivos dos Laboratórios Integrados</p><p>• Identificar as alterações morfofisiológicas do esôfago e estômago e alguns</p><p>agentes patológicos.</p><p>Atividades Práticas</p><p>• Propedêutica de imagens: EDA - aspectos básicos.</p><p>• Anatomopatologia: Compreender biópsia normal de esôfago e estômago,</p><p>infecção por H. pylori (gastrite) e neoplasia esofágica e gástrica.</p><p>• Patologia Clínica e Farmacologia: Teste da Urease e sorologia H. pylori /</p><p>FARMACO: Antiácidos / Drogas anti-H. pylori.</p><p>Palestras</p><p>- PALESTRA 01: Discutir o diagnóstico diferencial das doenças inflamatórias intestinais.</p><p>• Abordar os aspectos epidemiológicos e fisiopatológicos das doenças</p><p>inflamatórias intestinais.</p><p>• Comparar os achados clínicos, radiológicos, histológicos e endoscópicos da</p><p>doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa.</p><p>• Traçar os diagnósticos diferenciais com patologias tais como espiroquetoses,</p><p>síndrome inflamatória intestinal pós-infecção, infecções mistas por Clostridium</p><p>difficile e Campylobacter sp.</p><p>•</p><p>- PALESTRA 02: Discutir a doença celíaca</p><p>• Abordar sobre a epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas,</p><p>diagnóstico e tratamento da doença celíaca.</p><p>TICS</p><p>• Imunologia dos tumores, anticorpos monoclonais, edição genética.</p><p>• 1. Conhecer os mecanismos de edição genética. 2. Compreender a imunologia</p><p>tumoral. 3. Entender os mecanismos de ação dos anticorpos monoclonais.</p><p>Semana 3: Sistema Digestório</p><p>Objetivos da Semana</p><p>• Descrever os mecanismos de agressão das mucosas intestinais ocasionadas</p><p>por protozoários e helmintos.</p><p>S3P1: BRINCADEIRA DE CRIANÇA</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 22</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>Estudantes do IESC/Comunidade, durante a territorização, observaram crianças</p><p>brincando em córrego contaminado. Ficaram indignados com o descaso do</p><p>cumprimento das Políticas de Saneamento Básico, e lembraram que alguns</p><p>protozoários intestinais são de transmissão hídrica.</p><p>Fonte: Adaptado de http://www2.correio24horas.com.br/detalhe/agenda-bahia/noticia/contato-direto-com-</p><p>esgoto-ameaca-desenvolvimento-do-cerebro-infantil/?cHash=4bb4021e7f4365a40ebc5ebfa12ccf03</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, ciclo biológico, via de transmissão,</p><p>patogenia, manifestações clínicas e tratamento das protozooses intestinais</p><p>(Giardia lamblia e Entamoeba histolytica).</p><p>• Discutir as políticas públicas de saneamento básico.</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, ciclo biológico, via de</p><p>transmissão, patogenia, manifestações clínicas e tratamento das</p><p>protozooses intestinais (Giardia lamblia e Entamoeba histolytica).</p><p>AMEBÍASE. Microbiologia e epidemiologia:</p><p>A Entamoeba histolytica, a causa da</p><p>amebíase, infecta cerca de 10% da população mundial e é a terceira causa mais comum</p><p>de morte por doenças parasitárias (após a malária). A infecção segue a ingestão de</p><p>cistos da água, alimentos ou mãos contaminados por fezes. Os trofozoítos móveis são</p><p>liberados dos cistos no intestino delgado e, em seguida, causam a infecção no intestino</p><p>grosso. Os trofozoítos podem ser eliminados nas fezes (na disenteria ativa) ou encistar.</p><p>Os cistos excretados sobrevivem por semanas em ambiente úmido.</p><p>Manifestações clínicas. A maioria dos pacientes portadores de espécies de</p><p>Entamoeba são assintomáticos, mas alguns desenvolvem colite inflamatória 2 a 6</p><p>semanas após a ingestão de cistos amebianos. A disenteria pode desenvolver-se, com</p><p>10 a 12 pequenas defecações diárias, consistindo, na sua maioria, em sangue e muco.</p><p>Menos de 40% dos pacientes apresentam febre. A colite amebiana fulminante –</p><p>caracterizada por diarreia mais profusa, dor abdominal intensa com sinais peritoneais e</p><p>febre – é mais comum em crianças. O abscesso hepático é o tipo mais comum de</p><p>infecção extraintestinal e pode surgir meses (geralmente ≤ 5 meses) após a exposição</p><p>à E. histolytica. Os pacientes apresentam dor no quadrante superior direito, febre,</p><p>derrame pleural à direita e dor à palpação hepática e tipicamente não apresentam colite.</p><p>http://www2.correio24horas.com.br/detalhe/agenda-bahia/noticia/contato-direto-com-esgoto-ameaca-desenvolvimento-do-cerebro-infantil/?cHash=4bb4021e7f4365a40ebc5ebfa12ccf03</p><p>http://www2.correio24horas.com.br/detalhe/agenda-bahia/noticia/contato-direto-com-esgoto-ameaca-desenvolvimento-do-cerebro-infantil/?cHash=4bb4021e7f4365a40ebc5ebfa12ccf03</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 23</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>O abscesso pode romper através do diafragma e disseminar-se para outros órgãos (p.</p><p>ex., pulmão, coração).</p><p>Diagnóstico. O exame microscópico de três amostras de fezes, em geral combinado</p><p>com exames sorológicos, permanece a abordagem-padrão para o diagnóstico. Até 10%</p><p>dos pacientes com abscesso amebiano do fígado podem ter sorologias negativas; o</p><p>exame deve ser repetido em uma semana se a suspeita clínica permanecer alta.</p><p>Tratamento. Metronidazol, Tinidazol.</p><p>GIARDÍASE. Microbiologia e epidemiologia: A Giardia lamblia (também conhecida</p><p>como G. intestinalis ou G. duodenalis) é um parasita protozoário que habita o intestino</p><p>delgado dos humanos e de outros mamíferos. Os cistos são ingeridos do ambiente,</p><p>eclodem no intestino delgado e liberam trofozoítos flagelados que permanecem no</p><p>intestino delgado proximal. Alguns trofozoítos formam cistos, os quais são excretados</p><p>nas fezes.</p><p>A transmissão acontece pela via fecal-oral, por ingestão de alimento e água</p><p>contaminados ou de uma pessoa para outra nos ambientes com higiene fecal deficiente</p><p>(p. ex., creches, ambientes institucionais).</p><p>Os cistos viáveis podem ser erradicados da água mediante fervura ou filtração.</p><p>As técnicas habituais de cloração usadas para controlar as bactérias não destroem os</p><p>cistos.</p><p>Manifestações clínicas. Após um período de incubação de 5 dias a 3 semanas, a</p><p>doença varia desde o portador assintomático (mais comum) até a diarreia fulminante e</p><p>má absorção. Sintomas precoces proeminentes incluem diarreia, dor e distensão</p><p>abdominais, eructação, flatulência, náuseas e vômitos e geralmente duram mais de 1</p><p>semana. A febre é rara, assim como sangue ou muco nas fezes. A giardíase crônica</p><p>pode ser contínua ou episódica; a diarreia pode não ser proeminente, mas pode ocorrer</p><p>flatulência aumentada, eructação sulfurosa e perda de peso. Em alguns casos, a doença</p><p>pode ser grave, com má absorção, retardo do crescimento, desidratação e/ou</p><p>manifestações extraintestinais (p. ex., uveíte anterior, artrite).</p><p>Diagnóstico. A giardíase pode ser diagnosticada por detecção do antígeno do parasita</p><p>nas fezes e/ou identificação de cistos (ovais, com quatro núcleos) ou trofozoítos em</p><p>amostras de fezes ou por testes de amplificação do ácido nucleico. Devido à</p><p>variabilidade na excreção dos cistos, pode haver necessidade de exame em diversas</p><p>amostras.</p><p>Tratamento. Metronidazol, tinidazol.</p><p>Para mais informações, acesse o link:</p><p>JAMESON, J L.; FAUCI, Anthony S.; KASPER, Dennis L.; et al. Manual de medicina de</p><p>Harrison. Grupo A, 2021. 9786558040040. Disponível em:</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786558040040/. Acesso em: 30 mai.</p><p>2022.</p><p>S3P2: ESTUDANTE EM AÇÃO</p><p>Luana está ansiosa porque irá apresentar um seminário na Unidade Básica de Saúde</p><p>sobre helmintos que realizam o ciclo de Loss, os que causam prurido anal, os que têm</p><p>o caramujo como hospedeiro intermediário e os que são transmitidas pela ingestão de</p><p>carnes cruas ou malcozidas.</p><p>Objetivos de aprendizagem:</p><p>MANUAL DO PROFESSOR | SOI 24</p><p>CIRCULAÇÃO RESTRITA</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, ciclo biológico, via de transmissão,</p><p>patogenia, manifestações clínicas e tratamento dos principais helmintos (Ascaris</p><p>lumbricoides; Enterobius vermiculares; Schistosoma mansoni e Taenia sp.).</p><p>Orientações para os tutores</p><p>• Compreender a epidemiologia, etiologia, ciclo biológico, via de</p><p>transmissão, patogenia, manifestações clínicas e tratamento dos</p><p>principais helmintos (Ascaris lumbricoides; Enterobius vermiculares;</p><p>Schistosoma mansoni e Taenia sp.).</p><p>ASCARIDÍASE. Microbiologia: É causada pelo Ascaris lumbricoides, o maior parasita</p><p>nematódeo intestinal, que alcança até 40 cm de comprimento. Os humanos –</p><p>especialmente crianças pequenas – são infectados pela ingestão de solo contaminado</p><p>por fezes contendo ovos de ascarídeos. As larvas eclodem no intestino, invadem a</p><p>mucosa, migram para os pulmões, rompem para dentro dos alvéolos, ascendem pela</p><p>árvore brônquica, são deglutidas, alcançam a maturidade no intestino delgado e</p><p>produzem até 240.000 ovos por dia, eliminados nas fezes.</p><p>Manifestações clínicas: A maioria das infecções tem baixa carga de vermes, sendo</p><p>assintomática. Durante a migração do parasita para os pulmões (cerca de 9 a 12 dias</p><p>após a ingestão dos ovos), os pacientes podem desenvolver tosse e desconforto</p><p>subesternal, algumas vezes com dispneia ou escarro hemático, febre e eosinofilia. A</p><p>pneumonite eosinofílica (síndrome de Löffler) pode ser evidente. Em certas ocasiões,</p><p>as infecções maciças com numerosos vermes emaranhados causam dor, obstrução do</p><p>intestino delgado, perfuração, vólvulo, obstrução e cólica biliar ou pancreatite.</p><p>Achados laboratoriais. Parasitológico de fezes.</p><p>Tratamento. Albendazol, mebendazol, ivermectina.</p><p>ENTEROBÍASE. Microbiologia e epidemiologia: A enterobíase (oxiuríase) é causada</p><p>pelo Enterobius vermicularis e acomete cerca de 40 milhões de pessoas nos EUA</p><p>(primariamente crianças). As fêmeas grávidas dos vermes migram à noite do ceco para</p><p>a região perianal, cada uma delas liberando até 2.000 ovos imaturos que se tornam</p><p>infecciosos em questão de horas. Ocorre autoinfecção e transmissão de pessoa a</p><p>pessoa em consequência da coçadura perianal e transporte dos ovos infecciosos até a</p><p>boca.</p><p>Manifestações clínicas: O prurido perianal constitui o principal sintoma, que</p><p>frequentemente piora à noite. A eosinofilia é incomum.</p><p>Diagnóstico: Método da fita gomada e parasitológico de fezes.</p><p>Tratamento: Albendazol, mebendazol e ivermectina.</p><p>ESQUISTOSSOMOSE. Microbiologia e epidemiologia: Cinco espécies causam a</p><p>esquistossomose humana: Schistosoma mansoni, S. japonicum, S. mekongi e S.</p><p>intercalatum causam esquistossomose intestinal e hepática, enquanto o S.</p><p>haematobium causa esquistossomose urogenital.</p><p>Após as cercárias infectantes penetrarem a pele intacta, elas amadurecem para</p><p>a forma de esquistossômulos e migram através de vasos venosos ou linfáticos para os</p><p>pulmões e, por fim, até o parênquima hepático. Os vermes sexualmente maduros</p><p>migram para as veias da bexiga e pelve (S. haematobium) ou mesentério (S. mansoni,</p><p>S. japonicum, S. mekongi e S. intercalatum), onde depositam os seus ovos.</p><p>Alguns ovos maduros são exteriorizados</p>

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