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<p>1. Identificar as variáveis preditoras do maior envolvimento familiar no ensino e</p><p>discutir os resultados desta pesquisa.</p><p>Segundo Ferrarotto e Malavasi (2016), para analisarmos o papel de destaque dado</p><p>à participação das famílias – seja de envolvimento ou de afastamento destas no</p><p>processo de ensino e aprendizagem – e às diferentes formas de relação entre</p><p>família-escola, segundo as políticas públicas educacionais, as variáveis que</p><p>precisam ser consideradas para o sucesso ou fracasso escolar são:</p><p>▪ Nível socioeconômico e origem social da família: classe dominante ou</p><p>popular, segundo Nogueira (2006), Lomonaco e Garrafa (2009) e Silva (2009);</p><p>▪ perfil familiar facilitador idealizado pelas instituições escolares, segundo</p><p>López (2008);</p><p>▪ convergência, ou não, entre as culturas familiar e escolar (BOURDIEU, 1998);</p><p>▪ qualidade associada aos índices, por exemplo, IDEB, por meio programas e</p><p>ações de assistência técnica e financeira, visando à mobilização social pela</p><p>melhoria da qualidade da educação básica” (BRASIL, 2007);</p><p>▪ variáveis externas à escola enquanto políticas públicas necessárias:</p><p>moradia, saúde pública, segurança, cultura e o combate à miséria são</p><p>essenciais para que, além da oportunidade de acesso à escola, seja</p><p>garantida a permanência e o êxito escolar, segundo Freitas (2013, p. 363);</p><p>▪ participação da comunidade nas discussões coletivas sobre o PPP da</p><p>escola, como forma de contextualizá-lo - Ravitch (2013);</p><p>▪ posicionamento de controle, fiscalização e, portanto, desconfiança em</p><p>relação à escola, por parte das famílias (Ferrarotto e Malavasi - 2016);</p><p>▪ processo avaliativo das instituições como ferramenta potente, alternativa e</p><p>propositiva na criação de uma relação de cumplicidade entre família e</p><p>escola – ou não! (Ferrarotto e Malavasi – 2016).</p><p>2. Quais as vantagens e desafios do envolvimento familiar na escola?</p><p>Ferrarotto e Malavasi (2016), nos alertam de que, “para além de análises que</p><p>sustentem seus argumentos na vontade de ensinar, por parte do professor, e de</p><p>aprender, por parte dos alunos, é preciso olhar para a escola a partir de seu</p><p>contexto. Na realidade brasileira, a instituição escolar insere-se em um sistema</p><p>capitalista, cujas desigualdades produzidas ultrapassam os muros da escola.</p><p>Todavia, aceitar como natural que alguns estudantes aprendem e outros não e</p><p>reduzir a não aprendizagem a culpabilização de famílias e escolas é perpetuar a</p><p>lógica neoliberal que, como já destacamos, sustenta que o êxito escolar se vincula</p><p>ao esforço individual, tanto de professores quanto de famílias/estudantes”. Há um</p><p>círculo vicioso, que aponta professores como responsáveis pelos resultados dos</p><p>testes padronizados de seus alunos e as famílias como omissas no processo</p><p>educativo. Escola e família precisam refletir sobre as semelhanças e divergências</p><p>no modo de pensar e agir, expondo e negociando cada uma destas variantes em</p><p>prol da formação integral dos estudantes, a partir de uma cumplicidade entre tais</p><p>instituições e em uma perspectiva ampla, que ultrapasse o simples acompanhar</p><p>de deveres escolares ou a presença em reuniões bimestrais, conforme propõe o</p><p>PNE. Romper com as tradicionais formas de relação entre tais instituições não se</p><p>dá da noite para o dia. A construção é processual, complexa, contraditória e,</p><p>portanto, inversa ao proposto pelo PNE. Para isso, o protagonismo deve ser exercido</p><p>por meio da escola e sua comunidade. Avaliar e planejar, no compromisso com a</p><p>qualidade social, só será possível se as relações estabelecidas forem ancoradas na</p><p>horizontalidade e no conhecimento profundo da realidade local, numa aliança que</p><p>envolva tais instituições no estudo permanente de como era, como está e o que se</p><p>deseja para a educação dos estudantes. Significa, ainda, um pacto com propósitos</p><p>emancipadores de uma sociedade menos desigual, mais solidária e humana.</p><p>(Ferrarotto e Malavasi – 2016).</p><p>Referências:</p><p>Amuchástegui, G., Valle, M. I. D., & Renna, H. (2017). Reconstruir sin ladrillos: guías</p><p>de apoyo para el sector educativo en contextos de emergencia. Unesco. Retirado</p><p>de http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Santiago/pdf/Guia 4</p><p>webeducacion_emergencias.pdf</p><p>Aubert, A, e García, C. (2009). La pedagogía crítica y el éxito académico de todos y</p><p>todas. Teoría de la Educación. Educación y Cultura en la Sociedad de la Información</p><p>[on-line] 2009, 10 (Novembro-Sem mês).</p><p>Retirado de http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=201014898014</p><p>Betini, G. A. Avaliação Institucional em Escolas Públicas de Ensino Fundamental de</p><p>Campinas. 2009. 394f. Tese (Doutorado em Educação) Faculdade de Educação,</p><p>Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2009.</p><p>Blanco, R., & Umayahara. (2004) Participación de las familias en la educacion</p><p>intantil latinoamericana. UNESCO.</p><p>Bourdieu. P. Escritos de Educação. Petrópolis: Vozes, 1998. 251 p.</p><p>BRASIL. Plano Nacional de Educação - PNE/Ministério da Educação. Brasília: INEP,</p><p>2014.</p><p>Casanova, E. M. (1989). El proceso educativo según Carl R. Rogers: la igualdad y</p><p>formación de la persona. Revista interuniversitaria de formación del profesorado,</p><p>(6), 599-603. Retirado de https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/117692.pdf</p><p>http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Santiago/pdf/Guia%204%20webeducacion_emergencias.pdf</p><p>http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/FIELD/Santiago/pdf/Guia%204%20webeducacion_emergencias.pdf</p><p>http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=201014898014</p><p>https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/117692.pdf</p><p>Fernández, O., Luquez, P., & Leal, E. (2010). Procesos socio-afectivos asociados al</p><p>aprendizaje y práctica de valores en el ámbito escolar. Telos. 12 (1), 63-78. Retirado</p><p>de http://www.redalyc.org/pdf/993/99312518005.pdf</p><p>Ferrarotto, L., Malavasi, M. A relação família-escola como alvo das atuais políticas</p><p>públicas educacionais: uma discussão necessária. EDUCAÇÃO: Teoria e Prática.</p><p>26. 232. 10.18675/1981-8106.vol26.n52.p232-246. Disponível em:</p><p>https://www.researchgate.net/publication/307554943_A_relacao_familia-</p><p>escola_como_alvo_das_atuais_politicas_publicas_educacionais_uma_discussao</p><p>_necessaria. Acesso em: 07 set. 2024.</p><p>Freitas, L. C. Eliminação adiada: o ocaso das classes populares no interior da</p><p>escola e a ocultação da (má) qualidade do ensino. Educ. Soc., Campinas, v. 28, n.</p><p>100, p. 965-987, 2007.</p><p>______ Políticas de responsabilização: entre a falta de evidência e a ética. Cad.</p><p>Pesq. São Paulo, v. 43, n. 148, p. 348-365, abr. 2013.</p><p>Lahire, B. Sucesso escolar nos meios populares: as razões do improvável. São</p><p>Paulo: Ática, 1997. 367 p.</p><p>Lomonaco, B. P.; Garrafa, T. C. A complexidade da relação escola-família em</p><p>territórios vulneráveis. Cadernos CENPEC. v. 4, n. 6, p. 27-38, jun. 2009.</p><p>López, N. A escola e o bairro. Reflexões sobre o caráter territorial dos processos</p><p>educacionais nas cidades. In. Ribeiro, L. 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Reuniones de Apoderados: Acercando las familias a la escuela.</p><p>Retirado de http://www.unicef.cl/web/wp-content/uploads/doc wp/Manual Profes</p><p>Jefe.pdf</p><p>https://www.unicef.org/spanish/publications/files/Child%20Friendly%20Schools%20Manual%20SP05282009.pdf</p><p>https://www.unicef.org/spanish/publications/files/Child%20Friendly%20Schools%20Manual%20SP05282009.pdf</p><p>http://www.unicef.cl/web/wp-content/uploads/doc%20wp/Manual%20Profes%20Jefe.pdf</p><p>http://www.unicef.cl/web/wp-content/uploads/doc%20wp/Manual%20Profes%20Jefe.pdf</p>