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<p>GESTÃO DA</p><p>AVALIAÇÃO</p><p>EXTERNA E</p><p>CONSELHOS</p><p>ESCOLARES</p><p>Maria Elena Roman de Oliveira Toledo</p><p>Indicadores de</p><p>aprendizagem</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir indicadores de aprendizagem.</p><p> Reconhecer a forma de organização dos indicadores de aprendizagem.</p><p> Identificar os indicadores de aprendizagem como instrumentos fun-</p><p>damentais na qualificação educacional.</p><p>Introdução</p><p>Para realizar uma avaliação fidedigna da qualidade da educação oferecida</p><p>no Brasil, foi necessária a construção de indicadores de aprendizagem que</p><p>permitissem um diagnóstico da qualidade dessa educação, levando-se</p><p>em consideração os múltiplos fatores que interferem nos processos de</p><p>aprendizagem.</p><p>A consideração desses múltiplos fatores requer a construção de instru-</p><p>mentos de avaliação que não sejam apenas voltados para o desempenho</p><p>dos alunos, mas, também, para o contexto no qual as ações educativas</p><p>estão sendo oferecidas e na qualificação dos diferentes agentes dos</p><p>processos de ensino e de aprendizagem.</p><p>Portanto, neste capítulo, você vai conhecer esses indicadores de</p><p>aprendizagem, a forma como se organizam e a sua importância como</p><p>instrumentos fundamentais na qualificação educacional.</p><p>1 Os indicadores de qualidade da educação</p><p>brasileira</p><p>Quando falamos em indicadores de qualidade, referimo-nos aos instrumentos</p><p>de acompanhamento e medição que são utilizados para avaliar o desempenho</p><p>de uma determinada organização. São os indicadores que permitem verifi car</p><p>se os objetivos pretendidos estão sendo atingidos, quais são os problemas</p><p>existentes e oferecem ações para resolvê-los.</p><p>Avaliar a qualidade das ações e seus resultados é fundamental para a</p><p>melhoria da qualidade dos serviços oferecidos. No que se refere à educação,</p><p>essa necessidade não é diferente. Mas o que é uma educação de qualidade?</p><p>Essa é uma questão difícil de ser respondida, uma vez que o conceito de</p><p>qualidade varia de acordo com os contextos nos quais as ações educativas são</p><p>desenvolvidas. Não existe um padrão único para uma escola de qualidade,</p><p>e quem pode melhor definir o que é qualidade na escola, de acordo com os</p><p>contextos socioculturais locais, é a própria comunidade escolar. “Qualidade</p><p>é um conceito dinâmico, reconstruído constantemente. Cada escola tem auto-</p><p>nomia para refletir, propor e agir na busca da qualidade da educação” (AÇÃO</p><p>EDUCATIVA et al., p. 5).</p><p>Já há algum tempo, os órgãos responsáveis pela educação têm buscado</p><p>avaliar, em larga escala, a educação no país. Para que as avaliações em larga</p><p>escala forneçam dados importantes sobre as diferentes realidades educacionais,</p><p>precisam ser pautadas por parâmetros únicos, passíveis de serem comparados.</p><p>Assim, para que isso fosse possível, foram criados indicadores de qualidade</p><p>da educação que levam em consideração diferentes aspectos que interagem</p><p>para o sucesso ou para o fracasso das ações educativas.</p><p>Os indicadores são sinais que revelam aspectos de uma realidade e que</p><p>podem qualificá-la — diferentes esferas requerem diferentes indicadores.</p><p>Assim, na área econômica, por exemplo, indicadores como inflação e taxas de</p><p>juros qualificam a situação econômica do país, e a variação dos indicadores</p><p>permite constatar mudanças na situação avaliada.</p><p>Os indicadores de qualidade na educação foram criados para auxiliar a</p><p>comunidade escolar a avaliar a qualidade da escola e melhorá-la. Dessa forma,</p><p>a partir da identificação dos seus pontos fortes e fracos, a escola pode intervir</p><p>para melhorar a qualidade da educação oferecida de acordo com seus próprios</p><p>critérios e prioridades.</p><p>O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira</p><p>(INEP) é o grande responsável pela realização das avaliações em larga escala</p><p>da educação brasileira. Segundo o INEP, os indicadores de qualidade da edu-</p><p>cação brasileira atribuem um valor estatístico à qualidade do ensino, levando</p><p>em consideração o desempenho dos alunos, bem como o contexto econômico</p><p>e social em que as escolas avaliadas estão inseridas (BRASIL, 2019a).</p><p>Os indicadores de aprendizagem são úteis para o monitoramento do de-</p><p>sempenho dos alunos em relação aos objetivos propostos e às expectativas de</p><p>Indicadores de aprendizagem2</p><p>aprendizagem para cada etapa da escolarização. Veja, a seguir, os principais</p><p>indicadores de qualidade utilizados na educação.</p><p> Ambiente escolar: os indicadores buscam verificar se a escola tem-se</p><p>constituído como um ambiente agradável e saudável, no qual os valores</p><p>humanos (solidariedade, ética, amizade, respeito) são valorizados e</p><p>que possibilita, aos alunos, oportunidades de socialização, ludicidade</p><p>e convivência com a diversidade.</p><p> Prática pedagógica: voltados para a verificação da maneira pela qual</p><p>a proposta pedagógica está sendo desenvolvida, sua capacidade de</p><p>atendimento às necessidades dos alunos e de inclusão dos alunos com</p><p>necessidades especiais.</p><p> Avaliação: os resultados das avaliações subsidiam a reflexão sobre</p><p>as práticas desenvolvidas por todos os atores escolares, possibilitando</p><p>mudanças.</p><p> Ambiente físico: contemplam limpeza, organização, estado da mobília</p><p>e dos equipamentos, bem como a adequação do material didático.</p><p> Gestão participativa: verificam se há a efetiva participação de toda</p><p>a comunidade escolar nos processos de tomada de decisões por meio</p><p>dos Conselhos Escolares e do acompanhamento das ações realizadas.</p><p>Considera, também, a resolução de conflitos e o estabelecimento de</p><p>parcerias locais.</p><p> Formação e condições de trabalho dos profissionais: verificam se a</p><p>quantidade de funcionários é suficiente para o bom funcionamento da</p><p>escola, as ações de formação continuada dos professores, a assiduidade</p><p>e a estabilidade de toda a equipe escolar.</p><p> Acesso e permanência dos alunos na escola: analisam as medidas</p><p>tomadas quando são recebidos alunos com defasagem de aprendizagem,</p><p>como se dá o acompanhamento dos alunos com necessidades especiais,</p><p>os índices de faltas e de evasão escolar. Nesse item, também é verificado</p><p>o nível de satisfação dos pais e dos alunos.</p><p> Indicadores oficiais: são nacionais e buscam possibilitar o estabeleci-</p><p>mento de comparações das estratégias utilizadas por diferentes escolas.</p><p>Esses indicadores, atrelados a outras informações sobre o contexto no qual</p><p>as ações educativas ocorrem e sobre o seu entorno, permitem um diagnóstico</p><p>dos sistemas educacionais no que diz respeito ao acesso, à permanência e à</p><p>aprendizagem dos alunos.</p><p>3Indicadores de aprendizagem</p><p>Como tal, fornecem informações fundamentais para a elaboração e para</p><p>a implementação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade</p><p>do ensino e de outros serviços oferecidos pela escola para a sociedade. Essas</p><p>informações também são utilizadas para a destinação adequada de recursos</p><p>para as escolas mais carentes e para o pleito de serviços públicos importantes</p><p>para o entorno da escola, como linhas de transporte público, hospitais, postos</p><p>de saúde e saneamento básico.</p><p>2 A organização dos indicadores</p><p>de aprendizagem</p><p>As avaliações educacionais, realizadas em larga escala, constituem-se como um</p><p>caso particular das avaliações de programas e políticas, uma vez que buscam</p><p>diagnosticar os resultados obtidos, sem que, no entanto, deixem de considerar</p><p>o contexto no qual as ações educativas são desenvolvidas.</p><p>Considerar o contexto no qual as ações são realizadas significa incluir</p><p>nos indicadores de resultados tanto os insumos de que uma unidade escolar</p><p>dispõe (infraestrutura, formação dos professores, etc.) quanto os processos</p><p>utilizados (método de ensino, estrutura curricular, etc.). A consideração desses</p><p>dois fatores, atrelados aos resultados dos exames padronizados, oferece infor-</p><p>mações sobre a qualidade do ensino oferecido ao mesmo tempo que sinaliza</p><p>os pontos vulneráveis e que precisam ser atacados.</p><p>Embora a situação ideal seja a realização de avaliações que considerem todos</p><p>esses aspectos, na prática, nem sempre isso ocorreu. No percurso</p><p>histórico de</p><p>realização das avaliações educacionais em larga escala, tanto no Brasil quanto</p><p>em outros países, durante muito tempo, houve a predominância de avaliações</p><p>que ou priorizaram a análise dos resultados obtidos nos testes realizados pelos</p><p>alunos ou priorizaram a questão dos insumos e dos processos utilizados.</p><p>As críticas feitas a essas avaliações fizeram com que se buscasse um</p><p>modelo no qual as duas abordagens fossem contempladas e os indicadores de</p><p>resultado, ampliados. Dessa maneira, surgiram as avaliações em larga escala,</p><p>que começaram a integrar os testes padronizados e os questionários sobre o</p><p>contexto no qual a aprendizagem ocorre. O Sistema de Avaliação da Educação</p><p>Básica (SAEB) é um exemplo desse tipo de avaliação.</p><p>Indicadores de aprendizagem4</p><p>O SAEB como um marco na avaliação educacional</p><p>brasileira</p><p>No Brasil, o SAEB foi como um marco na avaliação educacional. Segundo</p><p>Fernandes e Gremaud (2009), esse sistema começou a ser planejado no fi nal dos</p><p>anos 1980 e foi aplicado, pela primeira vez, em 1990. Atualmente, constitui-se</p><p>como o principal sistema de avaliação diagnóstica da educação brasileira.</p><p>O SAEB é pautado em testes de desempenho aplicados aos estudantes e em</p><p>questionários sobre os fatores associados aos resultados obtidos, respondidos</p><p>pelos diferentes atores que compõem a escola (SILVA et al., [2013]). A análise</p><p>dos dados obtidos por meio dos testes e dos questionários reflete os níveis de</p><p>desempenho do conjunto de estudantes avaliados e contextualiza os resultados</p><p>a partir de uma série de informações.</p><p>Os níveis de desempenho são descritos e organizados, de modo crescente,</p><p>em escalas de proficiência de língua portuguesa e matemática para cada uma</p><p>das etapas avaliadas. Em meados de 2018, foi lançado o “novo SAEB”, que</p><p>passou a vigorar a partir de 2019. A revisão do antigo modelo foi motivada pela</p><p>implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a partir de 2018.</p><p>Dentre as mudanças realizadas, está a inclusão da educação infantil no</p><p>sistema de avaliação, tendo por foco as condições de oferta, infraestrutura e</p><p>gestão. Nessa etapa, não se pretende avaliar o desempenho das crianças por</p><p>meio da aplicação de testes em respeito às especificidades etárias. A avalia-</p><p>ção é feita por meio de questionários eletrônicos respondidos por diretores,</p><p>professores e secretários estaduais e municipais de educação.</p><p>Os alunos do 2º e 5º anos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino</p><p>médio realizam testes de língua portuguesa e matemática; já os alunos do 9º</p><p>ano do ensino fundamental realizam testes de língua portuguesa, matemática,</p><p>ciências humanas e ciências da natureza.</p><p>Para a elaboração dos testes, são utilizadas matrizes de referência para cada</p><p>disciplina e para cada nível de escolarização. Assim, os testes são pensados</p><p>para que estejam de acordo com as aprendizagens esperadas para cada ano</p><p>escolar no qual os alunos realizarão as provas.</p><p>No Quadro 1, a seguir, você pode ver as disciplinas avaliadas em cada um</p><p>dos anos avaliados pelo SAEB, o foco das avaliações e as habilidades presentes</p><p>nas matrizes de referência para a elaboração dos testes.</p><p>5Indicadores de aprendizagem</p><p>Etapa da</p><p>educação</p><p>básica</p><p>Disciplina</p><p>curricular Foco</p><p>Habilidades presentes nas</p><p>matrizes de referência</p><p>2º ano do</p><p>ensino</p><p>fundamental</p><p>Língua</p><p>portuguesa</p><p>Níveis de alfabetiza-</p><p>ção (apropriação do</p><p>sistema de escrita</p><p>alfabética de modo</p><p>articulado ao domí-</p><p>nio progressivo de</p><p>habilidades de leitura</p><p>e produção de textos</p><p>com autonomia).</p><p> Domínio do princípio</p><p>alfabético.</p><p> Leitura e escrita de palavras</p><p>com diferentes padrões</p><p>silábicos.</p><p> Leitura e produção autô-</p><p>noma de textos.</p><p>2º ano do</p><p>ensino</p><p>fundamental</p><p>Matemática Letramento matemá-</p><p>tico (compreensão e</p><p>aplicação de conceitos</p><p>e procedimentos</p><p>matemáticos); resolu-</p><p>ção de problemas e</p><p>argumentação (nos</p><p>campos de números,</p><p>álgebra, geometria,</p><p>grandezas e medi-</p><p>das, probabilidade</p><p>e estatística).</p><p> Domínio sobre as ferra-</p><p>mentas com que se faz</p><p>matemática (reconheci-</p><p>mento de objetos mate-</p><p>máticos; conexões entre</p><p>conceitos e procedimentos</p><p>matemáticos; uso de dife-</p><p>rentes representações).</p><p> Domínio e uso de ferra-</p><p>mentas para fazer mate-</p><p>mática (se são capazes</p><p>de resolver problemas;</p><p>analisar a plausibilidade</p><p>dos resultados de um pro-</p><p>blema; construir, analisar</p><p>ou avaliar argumentos,</p><p>estratégias, explicações,</p><p>justificativas; construir</p><p>ou avaliar propostas de</p><p>intervenção na realidade,</p><p>entre outros).</p><p>Quadro 1. Foco dos testes realizados pelos alunos nas diferentes etapas da escolarização</p><p>(Continua)</p><p>Indicadores de aprendizagem6</p><p>Enquanto a realização dos testes cognitivos permite avaliar os resultados dos</p><p>estudantes no que diz respeito à aprendizagem, as respostas dos questionários</p><p>permitem a análise do nível socioeconômico, dos serviços sociais, da infraestrutura,</p><p>da formação dos professores, do material didático e dos programas estruturados</p><p>Fonte: Adaptado de Brasil (2019b).</p><p>Etapa da</p><p>educação</p><p>básica</p><p>Disciplina</p><p>curricular Foco</p><p>Habilidades presentes nas</p><p>matrizes de referência</p><p>5º e 9º anos</p><p>do ensino</p><p>fundamental</p><p>+ 3º ano do</p><p>ensino médio</p><p>Língua</p><p>portuguesa</p><p>Leitura  Apreensão e compreensão</p><p>de textos.</p><p> Análise e interpretação de</p><p>textos.</p><p> Habilidade de interação,</p><p>por meio de textos, em</p><p>diferentes situações de</p><p>comunicação.</p><p> Desenvolvimento de</p><p>habilidades de reconhecer,</p><p>identificar, agrupar, asso-</p><p>ciar, relacionar, generalizar,</p><p>abstrair, comparar, deduzir,</p><p>inferir e hierarquizar.</p><p>5º e 9º anos</p><p>do ensino</p><p>fundamental</p><p>+ 3º ano do</p><p>ensino médio</p><p>Matemática Resolução de</p><p>problemas</p><p> Capacidade de observar,</p><p>estabelecer relações,</p><p>comunicar-se utilizando</p><p>diferentes linguagens,</p><p>argumentar, validar</p><p>processos.</p><p> Uso de formas de raciocí-</p><p>nio como intuição, indu-</p><p>ção, dedução e estimativa.</p><p>Quadro 1. Foco dos testes realizados pelos alunos nas diferentes etapas da escolarização</p><p>(Continuação)</p><p>7Indicadores de aprendizagem</p><p>3 Indicadores de aprendizagem: instrumentos</p><p>fundamentais na qualificação educacional</p><p>As políticas de avaliação em larga escala foram pensadas para diagnosticar possí-</p><p>veis insufi ciências na aprendizagem dos educandos e problemas nos contextos nos</p><p>quais essa aprendizagem ocorre, visando o planejamento de ações pedagógicas,</p><p>administrativas e fi nanceiras que possam corrigir os problemas diagnosticados.</p><p>De acordo com Riscal (2016), o Ministério da Educação entende que as</p><p>avaliações em larga escala contribuem para a melhoria da qualidade do en-</p><p>sino, para a redução das desigualdades e para a democratização da gestão do</p><p>ensino público.</p><p>O INEP é, hoje, o grande responsável pela realização das avaliações de</p><p>larga escala em nível nacional e é também, com o MEC, o responsável pela</p><p>divulgação dos resultados dessas avaliações, que só têm validade se subsi-</p><p>diarem ações educativas e políticas públicas que contribuam para uma maior</p><p>qualidade da educação.</p><p>Para que possamos compreender a importância dos indicadores de aprendizagem</p><p>como instrumentos fundamentais na qualificação educacional, precisamos, antes,</p><p>ter clareza sobre o que significa uma educação de qualidade. Segundo Dourado e</p><p>Oliveira (2009), o conceito de qualidade é um conceito histórico, que sofre alterações</p><p>de acordo com o tempo e o espaço, ou seja, seu alcance se vincula às demandas</p><p>e exigências sociais de um dado processo histórico. Ainda segundo os autores:</p><p>[...] caso se tome como referência o momento atual, tal perspectiva implica</p><p>compreender que embates e visões de mundo se apresentam no cenário atual</p><p>de reforma do Estado, de rediscussão dos marcos da educação – como direito</p><p>social e como mercadoria – entre outros (DOURADO; OLIVEIRA, 2009,</p><p>documento on-line).</p><p>Pensar na qualidade da educação brasileira significa, também:</p><p>[...] compreender o papel dos sistemas e das escolas como espaços de regu-</p><p>lação e de produção de uma dada dinâmica pedagógica, bem como o papel</p><p>dos diferentes atores institucionais ou não do processo de construção das</p><p>referidas regulações (DOURADO; OLIVEIRA, 2009, documento on-line).</p><p>Assim, pensar em uma escola de qualidade significa levar em conside-</p><p>ração uma multiplicidade de fatores e de regulações que permeiam as ações</p><p>educativas.</p><p>Indicadores de aprendizagem8</p><p>Acesso e permanência como indicadores de qualidade</p><p>da educação brasileira</p><p>Um exemplo de indicador incluído no SAEB, a partir de 2019, diz respeito</p><p>aos dados de acesso à educação infantil.</p><p>A meta número 1 do Plano Nacional de Educação (PNE), cuja vigência</p><p>começou em 2014, era de:</p><p>[...] universalizar, até 2016, a educação infantil na pré-escola para as crianças</p><p>de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de educação infantil</p><p>em creches de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das</p><p>crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE (BRASIL,</p><p>2020, documento on-line).</p><p>O Plano Nacional de Educação (PNE) determina diretrizes, metas e estratégias para a política</p><p>educacional no período de 2014 a 2024 e tem por objetivo direcionar esforços e investimentos</p><p>para a melhoria da qualidade da educação no país. Com força de lei, o PNE estabelece 20</p><p>metas que devem ser atingidas no seu período de vigência. Seus principais desafios dizem</p><p>respeito à evolução dos indicadores de alfabetização e inclusão, à formação continuada de</p><p>professores e à expansão do ensino profissionalizante para adolescentes e adultos.</p><p>Segundo a organização não governamental “Todos pela Educação”, no início</p><p>do PNE, 89,1% das crianças de 4 a 5 anos estavam matriculadas na pré-escola. Em</p><p>2015, esse número passou para 90,%, sinalizando, com seu escasso crescimento,</p><p>que a meta não seria cumprida no período estipulado. Para que o cumprimento das</p><p>metas seja possível, é preciso saber quantos alunos dessa faixa etária estão fora da</p><p>escola, para que, então, possam ser empreendidos esforços para que o número de</p><p>vagas oferecidas seja compatível com a demanda ainda existente (BRASIL, 2014).</p><p>Outra meta bastante importante é a de número nove, que diz respeito à</p><p>ampliação da taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais para 93,5%</p><p>até o ano de 2015 e erradicar, até o final da vigência do PNE, o analfabetismo</p><p>absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional (BRASIL, 2020).</p><p>Uma das estratégias para que essa meta fosse atingida era assegurar a oferta</p><p>gratuita da educação de jovens e adultos a todos os que não tiveram acesso à</p><p>educação básica na idade própria. Para isso, é fundamental identificar quais</p><p>sujeitos se encontram nessa situação e onde eles estão — de nada adianta</p><p>9Indicadores de aprendizagem</p><p>oferecer vagas para os jovens e adultos analfabetos se eles não tiverem condi-</p><p>ções de chegar à unidade escolar por meio da utilização de transporte público.</p><p>Nesse sentido, é fundamental que os indicadores de qualidade apontem não</p><p>só para a necessidade de vagas, mas, também, para as condições do entorno</p><p>e para o acesso aos serviços disponíveis no entorno da escola.</p><p>O acesso à escola é apenas um primeiro passo para a qualidade da educação;</p><p>uma vez que o aluno chegou até a escola, é fundamental garantir suas condi-</p><p>ções de permanência. De acordo com a Constituição Federal de 1988, artigo</p><p>206, inciso 1, a igualdade de condições para o acesso e para a permanência</p><p>na escola é um dever do Estado (BRASIL, 1988).</p><p>Assim, a não permanência na escola, sinalizada pela evasão escolar, é um</p><p>problema que precisa ser combatido, e muitos são os fatores que podem levar à</p><p>sua ocorrência, como: as condições socioeconômicas dos alunos, a necessidade</p><p>de ingresso no mercado de trabalho para ajudar no sustento da família, as difi-</p><p>culdades de aprendizagem, a distorção idade/série e o desinteresse pela escola.</p><p>Se os fatores socioeconômicos não podem ser combatidos pela escola, os</p><p>demais fatores podem ser enfrentados com o planejamento de ações adequadas.</p><p>Nesse sentido, os indicadores de aprendizagem e de qualidade da educação se</p><p>constituem como elementos fundamentais para que todos os indivíduos tenham</p><p>assegurado o seu direito de acesso e permanência em uma escola de qualidade.</p><p>AÇÃO EDUCATIVA et al. (coord). Indicadores da qualidade na educação. São Paulo: Ação</p><p>Educativa, 2004. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/</p><p>ce_indqua.pdf. Acesso em: 21 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da União, 5</p><p>out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.</p><p>htm. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira. Testes e questionários.</p><p>2019b. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/educacao-basica/saeb/instrumentos-de-</p><p>-avaliacao. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira. Indicadores educacionais.</p><p>2019a. Disponível em: http://inep.gov.br/indicadores-educacionais. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Plano nacional de educação - Lei no. 13.005/2014. Pne</p><p>em Movimento, 2020. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-</p><p>-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>Indicadores de aprendizagem10</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-</p><p>cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a</p><p>rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de</p><p>local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade</p><p>sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Relatório educação para todos no Brasil 2000-2015. Brasília: Mi-</p><p>nistério da Educação, 2014. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_</p><p>docman&view=download&alias=15774-ept-relatorio-06062014&Itemid=30192. Acesso em:</p><p>20 fev. 2020.</p><p>DOURADO, L. F.; OLIVEIRA, J. F. A qualidade da educação: perspectivas e desafios. Ca-</p><p>dernos CEDES, v. 29, n. 78, p. 201-215, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.</p><p>php?script=sci_arttext&pid=S0101-32622009000200004&lng=en&nrm=iso. Acesso em:</p><p>20 fev. 2020.</p><p>FERNANDES, R.; GREMAUD, A. P. Qualidade da educação: avaliação, indicadores e metas.</p><p>In: VELOSO, F. et al. (org.). Educação básica no Brasil: construindo o país do futuro. Rio de</p><p>Janeiro: Campus, 2009.</p><p>SILVA, M. M. C. et al. Desempenho escolar dos alunos do ensino fundamental cearense em</p><p>2007: uma análise quantílica. [S. n.], [2013]. Disponível em: https://www.ipece.ce.gov.br/</p><p>wp-content/uploads/sites/45/2013/05/DESEMPENHO_ESCOLAR_DOS_ALUNOS_DO_EN-</p><p>SINO_FUNDAMENTAL_CEARENSE_EM_2007_UMA_ANALISE_QUANTILICA.pdf. Acesso</p><p>em: 20 fev. 2020.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BONAMINO, A. Matriz de referência. In: FAE UFMG. Glossário CEALE. Minas Gerais: UFMG,</p><p>2020. Disponível em: http://ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/matriz-</p><p>-de-referencia. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>INDICADORES de qualidade - conversas sobre avaliação. [S. l.: s. n.], 2019. 1 vídeo (16</p><p>min). Publicado pelo canal SEaD UFSCar. Disponível em: https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=XvU7RmVvQrw. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>OBSERVATÓRIO DO PNE. O observatório. 2018. Disponível em: https://www.observatorio-</p><p>dopne.org.br/home/1/1/#a-plataforma. Acesso em: 20 fev. 2020.</p><p>SCHNEIDER, M. P.; ROSTIROLA, C. R.; MOZZ, G. S. Avaliações em larga escala e os desafios à</p><p>qualidade educacional. Roteiro, v. 36, n. 2, p. 309-314, 2011.</p><p>11Indicadores de aprendizagem</p>

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