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<p>ACESSE AQUI ESTE</p><p>MATERIAL DIGITAL!</p><p>KARLA NATÁRIO DOS SANTOS</p><p>KELVIN CUSTÓDIO MACIEL</p><p>INTELIGÊNCIA</p><p>EMOCIONAL</p><p>E RELACIONAL</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo</p><p>Juliana Dalcin Donini e Silva</p><p>Projeto Gráfico</p><p>Arthur Cantareli Silva</p><p>Editoração</p><p>Daiane Victória Maass, Lilian Andreia</p><p>Hasse e Silvielly dos Santos</p><p>Ilustração</p><p>Eduardo Aparecido Alves</p><p>Fotos</p><p>Shutterstock</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.</p><p>Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).</p><p>Núcleo de Educação a Distância. SANTOS, Karla Natário dos; MACIEL,</p><p>Kelvin Custódio.</p><p>Inteligência Emocional e Relacional/ Karla Natário dos Santos, Kelvin</p><p>Custódio Maciel; - Indaial, SC: Arqué, 2023.</p><p>224 p.</p><p>“Graduação - EaD”.</p><p>1. Inteligência 1 2. Emocional 2 3. EaD. I. Título.</p><p>CDD - 153.2</p><p>EXPEDIENTE</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci.C397</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>iSBN papel: 978-65-6137-396-8</p><p>ISBN digital: 978-65-6137-397-5</p><p>03506618</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/20897</p><p>RECURSOS DE IMERSÃO</p><p>Utilizado para temas, assuntos</p><p>ou conceitos avançados, levando</p><p>ao aprofundamento do que</p><p>está sendo trabalhado naquele</p><p>momento do texto.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Utilizado para aprofundar o</p><p>conhecimento em conteúdos</p><p>relevantes utilizando uma</p><p>linguagem audiovisual.</p><p>Disponibilizado por meio de QR-</p><p>code.</p><p>Professores especialistas e</p><p>convidados, ampliando as</p><p>discussões sobre os temas</p><p>por meio de fantásticos</p><p>podcasts.</p><p>PLAY NO CONHECIMENTO</p><p>Utilizado para agregar</p><p>um conteúdo externo.</p><p>Utilizando o QR-code você</p><p>poderá acessar links de</p><p>vídeos, artigos, sites, etc.</p><p>Acrescentando muito</p><p>aprendizado em toda a sua trajetória.</p><p>EU INDICO</p><p>Este item corresponde a uma</p><p>proposta de reflexão que pode</p><p>ser apresentada por meio de uma</p><p>frase, um trecho breve ou uma</p><p>pergunta.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Utilizado para desmistificar</p><p>pontos que possam gerar</p><p>confusão sobre o tema. Após o</p><p>texto trazer a explicação, essa</p><p>interlocução pode trazer pontos</p><p>adicionais que contribuam para</p><p>que o estudante não fique com</p><p>dúvidas sobre o tema.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você terá</p><p>indicações de filmes que se</p><p>conectam com o tema do</p><p>conteúdo.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>Uma dose extra de</p><p>conhecimento é sempre</p><p>bem-vinda. Aqui você terá</p><p>indicações de livros que</p><p>agregarão muito na sua vida</p><p>profissional.</p><p>INDICAÇÃO DE LIVROEM FOCO</p><p>4</p><p>5</p><p>SUMÁRIO</p><p>165U N I D A D E 3</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS E TRABALHO 166</p><p>RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO 180</p><p>ÉTICA E VALORES NAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS 204</p><p>7U N I D A D E 1</p><p>O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL? 8</p><p>INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E COMPETÊNCIAS PESSOAIS E SOCIAIS 26</p><p>MENSURAÇÃO DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, ESTADOS DE ÂNIMO E TRANSTORNOS</p><p>EMOCIONAIS 52</p><p>77U N I D A D E 2</p><p>TEORIAS DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 78</p><p>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO 102</p><p>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO EM AMBIENTE DE TRABALHO 132</p><p>UNIDADE 1</p><p>MINHAS METAS</p><p>O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?</p><p>Compreender o conceito de inteligência emocional.</p><p>Compreender as competências emocionais, tanto pessoais quanto sociais.</p><p>Conhecer os estados de ânimo.</p><p>Conhecer os principais transtornos emocionais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 1</p><p>8</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>“Inteligência emocional” – que expressão misteriosa e ao mesmo tempo apa-</p><p>rentemente inusitada, talvez até incongruente? Afinal, estamos acostumados a</p><p>ler e a ouvir frases que parecem cindir inteligência e emoção, como se uma coisa</p><p>fosse uma coisa e outra coisa fosse outra coisa...</p><p>Talvez seja por isso que "inteligência emocional" soa algo como “vitamina de</p><p>manga”. Poucos anos atrás, as mães sempre diziam que não era possível misturar</p><p>leite com manga, que tal mistura era tão perigosa que poderia causar um “rever-</p><p>tério” fatal no sistema digestivo do sujeito que resolvesse experimentar tal iguaria!</p><p>Algo que é bem mais familiar aos nossos ouvidos são as canções e as histórias</p><p>literárias que ora engrandecem a razão, ora engrandecem a emoção. Por exemplo,</p><p>a obra Um Sopro de Vida, de Clarice Lispector (1999), mostra um diálogo entre</p><p>um autor e uma das personagens criadas por ele. Uma das frases do diálogo nos</p><p>conclama a pensar em temas que entrecruzam esse tópico: "Mas é preciso me</p><p>amar como involuntariamente sou. Apenas me responsabilizo pelo que há de</p><p>voluntário em mim e que é muito pouco" (LISPECTOR, 1999, p. 130).</p><p>Então, o que há de voluntário seria consciente, portanto, ligado à cognição,</p><p>à inteligência? E o involuntário (que ocupa a maior parte) é da ordem do</p><p>inconsciente, portanto, ligado à emoção?</p><p>Prezado acadêmico, não foque sua leitura visando responder às perguntas que</p><p>acabou de ler. Apenas continue lendo, com o aviso de que você encontrará alguns</p><p>frutos de estudos sobre interações entre emoção (manga?) e inteligência (leite?).</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>O QUE É INTELIGÊNCIA EMOCIONAL?</p><p>A expressão “Inteligência Emocional” foi se tornando amplamente conhecida</p><p>em virtude dos estudos do professor da famosa Universidade de Harvard, Daniel</p><p>Goleman. Em 1995, Goleman publicou o livro intitulado Inteligência Emocional.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>Contudo, ele não foi o pioneiro a pesquisar sobre essa temática, já que os psicó-</p><p>logos americanos Peter Salovey e John Mayer foram os primeiros a explicar esse</p><p>conceito (COBÊRO, 2003).</p><p>É válido lembrar que, em 1990, na primeira vez que utilizaram o termo "Inte-</p><p>ligência Emocional", Peter Salovey e John Mayer estavam partindo dos estudos do</p><p>psicólogo Howard Gardner acerca das "Inteligências Múltiplas", com o intuito de</p><p>questionar a supremacia da inteligência cognitiva nas pesquisas sobre inteligência</p><p>(ALMEIDA; SOBRAL, 2005).</p><p>Agüera (2008), por sua vez, atribui a criação do termo “Inteligência Emocional”</p><p>ao psicólogo israelita Reuvem Baron, em 1985, que também foi o pesquisador</p><p>que criou a denominação “quociente emocional”.</p><p>Segundo Woyciekoski e Hutz (2009), a inteligência emocional explicita</p><p>um convite à reflexão sobre os conceitos tradicionais de inteligência, passando</p><p>a agregar à inteligência dimensões emocionais e sentimentais. Conforme Al-</p><p>meida e Sobral (2005), tão logo a expressão inteligência emocional tenha sido</p><p>cunhada, já foi embebida com os sentidos de perceber, compreender e regular</p><p>as próprias emoções.</p><p>Em linhas gerais, a inteligência emocional se re-</p><p>fere à consonância entre a razão e a emoção. Trata-se,</p><p>assim, de manejar as emoções de modo inteligente</p><p>(REGO; ROCHA, 2009).</p><p>Já para Agüera (2008), a inteligência emocional equivale à capacidade hu-</p><p>mana de fazer a gestão das emoções , isto é, adaptar-se às circunstâncias que</p><p>emergem no dia a dia.</p><p>O que significa supremacia da inteligência cognitiva?</p><p>Até então, a quantidade massiva de pesquisas que diziam respeito à inteligên-</p><p>cia era aquela que se concentrava nas esferas intelectuais, que envolvia lógica,</p><p>razão, habilidades de memorizar e analisar proposições, características que se</p><p>destacam na escola, relacionadas à apropriação dos conteúdos que eram abor-</p><p>dados no ambiente educacional, por exemplo.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>a inteligência</p><p>emocional se refere</p><p>à consonância entre</p><p>a razão e a emoção</p><p>1</p><p>1</p><p>Por conseguinte, facilmente pode-se supor os mo-</p><p>tivos pelos quais tantas pessoas têm procurado saber</p><p>mais sobre esse assunto. Santos, Almeida e Lemos</p><p>(1999) esclarecem que está cada vez mais evidente</p><p>que a inteligência não é uma habilidade de teor exclu-</p><p>sivamente cognitivo, isto é, intelectual/mental. Não basta se destacar</p><p>emocionais e prevenção do abandono nos estudantes do</p><p>ensino superior politécnico. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, Por-</p><p>to, n. spe 6, p. 17-24, nov. 2018. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S1647-21602018000200003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>MIGUEL, F. K.; ZUANAZZI, A. C.; VILLEMOR-AMARAL, A. E. de. Avaliação de Aspectos da Inte-</p><p>ligência Emocional nas Técnicas de Pfister e Zulliger. Trends Psychol., Ribeirão Preto, v. 25,</p><p>n. 4, p. 1853-1862, Dec. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S2358-18832017000401853&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>MUNIZ, M.; FERNANDES, D. C. Autoconceito e ansiedade escolar: um estudo com alu-</p><p>nos do ensino fundamental. Psicol. Esc. Educ., Maringá, v. 20, n. 3, p. 427-436,</p><p>dez. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1413-85572016000300427&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>PEREIRA, A. S.; DUTRA-THOME, L.; KOLLER, S. H. Habilidades sociais e fatores de ris-</p><p>co e proteção na adultez emergente. Psico, Porto Alegre, v. 47, n. 4, p. 268-278,</p><p>2016. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-53712016000400003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>PRIMI, R.; BUENO, J. M. H.; MUNIZ, M. Inteligência emocional: validade convergente e dis-</p><p>criminante do MSCEIT com a BPR-5 e o 16PF. Psicol. Cienc. prof., Brasília,DF, v. 26, n. 1,</p><p>p. 26-45, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1414-98932006000100004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>QUELUZ, F. N. F. R. et al. Inventário de habilidades sociais para cuidadores familiares de idosos</p><p>(IHS-CI): relações com indicadores de bem-estar psicológico. Temas psicol., Ribeirão Preto,</p><p>v. 26, n. 2, p. 537-549, jun. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S1413-389X2018000200001&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>RIBAS, G. C. As bases neuroanatômicas do comportamento: histórico e contribuições recen-</p><p>tes. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 29, n. 1, p. 63-71, mar. 2007. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462007000100017&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>4</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>SIMÕES, N. C.; CASTRO, P. F. de. Avaliação psicológica em escolares: relação entre personali-</p><p>dade, autoconceito e habilidades sociais. Gerais, Rev. Interinst. Psicol., Belo Horizonte, v.</p><p>11, n. 1, p. 26-44, 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S1983-82202018000100004&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>SOMBRA NETO, L. L. et al. Habilidade de comunicação da má notícia: o estudante de</p><p>medicina está preparado? Rev. bras. educ. med., Rio de Janeiro, v. 41, n. 2, p. 260-</p><p>268, jun. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0100-55022017000200260&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>4</p><p>9</p><p>1. Diria para esse sujeito que ele precisa manter a calma durante as discussões e demonstrar</p><p>que é alguém pacífico e tranquilo. Possivelmente o sujeito irá se sentir espontaneamente</p><p>nervoso ou com raiva diante da esposa "descontrolada". Porém, o marido não pode se</p><p>deixar levar pelo nervosismo ou pela raiva. Precisa optar pelo silêncio até que ambos se</p><p>acalmem, no entanto, não ficar totalmente calado, dando a entender que está tratando</p><p>a mulher com desdém ou ignorando-a, afinal, isso pode deixá-la ainda mais alterada</p><p>emocionalmente. É melhor demonstrar que respeita a mulher, que está atento a ela e</p><p>responder serenamente ao que ela perguntar. É importante não usar palavras ou ações</p><p>agressivas direcionadas a ela. Lembrar a si mesmo que não se pode fazer algo do qual</p><p>vá se arrepender mais tarde. O melhor é adiar a conversa para outro momento, em que</p><p>ambos estiverem tranquilos.</p><p>2. Resiliente: ser resiliente significa ter resiliência, ou seja, resistência, firmeza e, ao mesmo</p><p>tempo, flexibilidade, no sentido de ser alguém flexível e maleável. Ser resiliente diante das</p><p>adversidades significa não ficar abalado, mas levantar-se e reagir aos empecilhos com</p><p>flexibilidade, procurando estratégias criativas de tornar o mal diante de mim, em bem.</p><p>3. Assertividade: é uma característica comportamental que tem a ver com o posicionamento</p><p>de alguém. Ser assertivo é não ficar passivo diante do que se escuta, mas apresentar o</p><p>seu ponto de vista com objetividade e clareza. Significa falar o que pensa com firmeza e</p><p>segurança, sem apelar para a força e sem optar pela esquiva – isto é, calar-se por medo</p><p>do que irão pensar dele. Geralmente é uma característica de pessoas que possuem au-</p><p>toconfiança.</p><p>4. Em linhas gerais, correspondem ao conjunto de capacidades que abrange o ato de dar</p><p>início ao contato com outras pessoas, conservar e intensificar tal contato. As habilidades</p><p>sociais partem de atitudes positivas sobre as relações sociais. Habilidades sociais se</p><p>perpetuam na medida em que a pessoa troca pensamentos ou sentimentos negativos</p><p>por outros que sejam positivos acerca das pessoas com as quais se relacionam. Desse</p><p>modo, as interações sociais tendem a ficar mais próximas e genuínas.</p><p>GABARITO</p><p>5</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>5</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>MENSURAÇÃO DA INTELIGÊNCIA</p><p>EMOCIONAL, ESTADOS DE ÂNIMO E</p><p>TRANSTORNOS EMOCIONAIS</p><p>Conhecer os instrumentos que mensuram a inteligência emocional.</p><p>Conhecer os estados de ânimo.</p><p>Conhecer os principais transtornos emocionais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 3</p><p>5</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>Podemos antecipar a você que, de maneira geral, existem duas categorias de</p><p>instrumentos que se propõem a mensurar, a medir a inteligência emocional: os</p><p>fundamentados em autorrelato e os fundamentados em desempenho (BUENO</p><p>et al., 2006). Várias pesquisas têm sido feitas sobre instrumentos de avaliação da</p><p>inteligência emocional. Na sequência, serão mencionadas algumas dessas pes-</p><p>quisas, bem como algumas das constatações que elas têm possibilitado.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>MENSURAÇÃO DA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, ESTADOS DE</p><p>ÂNIMO E TRANSTORNOS EMOCIONAIS</p><p>Gimenez-Espert e Prado-Gasco (2017) analisaram a escala Trait Meta-Mood</p><p>Scale, com intuito de realizar um estudo de validação dessa escala para averiguar</p><p>a inteligência emocional de enfermeiros espanhóis. “Os resultados indicam que</p><p>as propriedades psicométricas da TMMS-24 são adequadas e seu uso parece</p><p>ser justificado. Por último, são apresentados percentis para interpretar os níveis</p><p>de inteligência emocional em enfermeiros espanhóis” (GIMENEZ-ESPERT;</p><p>PRADO-GASCO, 2017, p. 204). Os pesquisadores também constataram que</p><p>a escala contribui para levantar as necessidades de treinamento com vistas à</p><p>melhoria da inteligência emocional, além de colaborar para a avaliação da</p><p>formação desses enfermeiros.</p><p>Miguel, Zuanazzi e Villemor-Amaral (2017) investigaram especificamente</p><p>a sondagem da capacidade de regulação cognitiva das emoções por meio de dois</p><p>testes psicológicos caracterizados por técnicas projetivas. Participaram dessa</p><p>investigação científica, como sujeitos de pesquisa, 98 pessoas. Os pesquisadores</p><p>concluíram: “considera-se que aspectos de inteligência emocional podem</p><p>ser encontrados também em técnicas projetivas” (MIGUEL; ZUANAZZI;</p><p>VILLEMOR-AMARAL, 2017, p. 1853).</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>Primi, Bueno e Muniz (2006) fizeram uma pesquisa para conferir a validade</p><p>de uma medida de inteligência emocional: Mayer-Salovey-Caruso Emotional</p><p>Intelligence Test (MSCEIT), com instrumentos de avaliação psicológicos de</p><p>personalidade e inteligência. Fizeram parte da pesquisa 107 pessoas.</p><p>Portanto, na concepção desses pesquisadores, a inteligência emocional possui</p><p>tanto dimensões cognitivas quanto emocionais. Primi, Bueno e Muniz (2006)</p><p>justificaram o interesse por esse tema por conta da delimitação do construto</p><p>inteligência emocional que permanece aparentemente truncada até os dias atuais.</p><p>Os resultados encontrados</p><p>nesse estudo permitem um posicionamento</p><p>mais favorável em relação à existência do construto inteligência emocional</p><p>que, ao longo desses quinze anos de sua criação tem sido muito contestado e</p><p>desacreditado por vários pesquisadores, que realmente encontraram, em seus</p><p>trabalhos, indícios que colocaram em dúvida a sua existência. Os estudos de</p><p>Primi, Bueno e Muniz (2006), evidenciam que, embora o construto da inteligência</p><p>emocional seja muito contestado e desacreditado por pesquisadores, após o</p><p>desenvolvimento dos instrumentos que avaliam inteligência emocional por</p><p>desempenho, considerando-a uma habilidade, os resultados mostram-se mais</p><p>promissores e convincentes.</p><p>Assim, os autores sugerem que determinados estilos de instrumentos avalia-</p><p>tivos são mais adequados para mensurar a inteligência emocional, logo, pode</p><p>não ser adequado procurar mensurá-la por meio de instrumentos de avaliação</p><p>psicológica que foram elaborados para verificar outras habilidades.</p><p>5</p><p>4</p><p>Cobêro, Primi e Muniz (2006) elaboraram uma pesquisa acerca da validade da</p><p>avaliação psicológica da inteligência emocional em processos seletivos. Trata-se</p><p>de mais uma pesquisa que se debruçou sobre o Mayer-Salovey-Caruso-Emotio-</p><p>nal Intelligence Test (MSCEIT).</p><p>“ O presente trabalho teve como objetivo investigar a validade de uma</p><p>medida de inteligência emocional correlacionando-a com medidas</p><p>de inteligência, personalidade e desempenho profissional. Partici-</p><p>param do estudo 119 sujeitos, com idade entre 17 e 64 anos, de am-</p><p>bos os sexos e que trabalham em empresas situadas em municípios</p><p>do interior do estado de São Paulo. [...] os resultados apontam baixa</p><p>correlação entre inteligência emocional e personalidade, bem como</p><p>com inteligência. Indicam também que a faceta regulação das emo-</p><p>ções se correlaciona com o desempenho profissional e apresenta</p><p>validade incremental em relação à inteligência. Em suma conclui-se</p><p>que a inteligência emocional constitui um tipo diferenciado de in-</p><p>teligência útil na avaliação psicológica no contexto organizacional</p><p>(COBÊRO; PRIMI; MUNIZ, 2006, p. 337).</p><p>Assim, Cobêro, Primi e Muniz (2006) perfilham que o MSCEIT pode ser útil</p><p>no momento de recrutamento e seleção, já que ele dá indícios do desempenho</p><p>profissional, complementando as já consagradas medidas de inteligência e, in-</p><p>Dantas e Noronha (2006) fizeram um estudo com o intuito de examinar a</p><p>validade do MSCEIT por meio de um paralelo estabelecido com um instrumen-</p><p>to de avaliação psicológica de personalidade. Os sujeitos de pesquisa foram</p><p>270 acadêmicos de quatro diferentes cursos de graduação. “A análise dos re-</p><p>sultados indica que não houve equivalência entre construtos de inteligência</p><p>emocional e personalidade, embora algumas dimensões deste último possam</p><p>contribuir para um adequado desempenho em IE” (DANTAS; NORONHA, 2006,</p><p>p. 59). O estudo também concluiu que a inteligência emocional não pode ser</p><p>categorizada como um traço de personalidade.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>5</p><p>clusive, acrescentando novas informações. A pesquisa ainda dá sinais de que a</p><p>inteligência emocional constitui um tipo peculiar de inteligência, possivelmente</p><p>apartado das medidas de personalidade e parcialmente atrelado às medidas</p><p>tradicionais de inteligência.</p><p>“Diz-se, então, que a probabilidade de uma pessoa inteligente emocional-</p><p>mente ter melhor desempenho no trabalho é maior do que de uma com baixa IE</p><p>[inteligência emocional]” (COBÊRO; PRIMI; MUNIZ, 2006, p. 346).</p><p>Por fim, menciona-se a pesquisa de Teques et al. (2015, p. 270), sobre ava-</p><p>liação da inteligência emocional atrelada ao desenvolvimento psicométrico:</p><p>“ Este estudo pretendeu desenvolver e avaliar as características psi-</p><p>cométricas de um novo instrumento para avaliar a autopercepção</p><p>de capacidades de inteligência emocional (IE) baseado no mode-</p><p>lo de IE de Mayer e Salovey (1997): o Questionário de Auto-Per-</p><p>cepção de Inteligência Emocional (QIE-AP). Foram desenvolvi-</p><p>dos dois estudos transversais. A amostra inclui 401 participantes</p><p>(n1=191; n2=210) com idades entre 16 e 75 anos. Os dados foram</p><p>analisados considerando uma análise fatorial exploratória (AFE),</p><p>análise fatorial confirmatória (AFC), análise multigrupos, confia-</p><p>bilidade, e análises de correlação. Os resultados da análise fatorial</p><p>exploratória suportam a retenção de quatro fatores do modelo teó-</p><p>rico original: percepção, avaliação e expressão emocional, facilita-</p><p>ção emocional do pensamento, compreensão e análise emocional,</p><p>e regulação emocional. A análise fatorial confirmatória demonstrou</p><p>um bom ajustamento dos dados à estrutura original de quatro fa-</p><p>tores, e os fatores revelaram confiabilidade, validade convergente</p><p>e discriminante. Adicionalmente, as duas análises multigrupos</p><p>demonstraram que o modelo final é totalmente invariante entre</p><p>as duas amostras independentes e parcialmente invariantes entre</p><p>gêneros. O estudo suporta a validade e confiabilidade inicial do</p><p>QIE-AP, tornando-o num instrumento útil na área da IE.</p><p>Essa parte do nosso estudo concentrou muitos termos específicos do campo da</p><p>Psicologia, mais especificamente da avaliação psicológica. Não se preocupe por</p><p>ter se deparado com tantas palavras que possivelmente não façam parte do seu</p><p>cotidiano. O objetivo de reunir, de modo sintetizado, os resultados ou conclu-</p><p>5</p><p>1</p><p>sões dessas pesquisas foi o de elucidar que existem pesquisas científicas sobre</p><p>a mensuração (medição, aferição) da inteligência emocional, para que você se</p><p>certifique de que já existem instrumentos de avaliação que se dispõem a realizar</p><p>a medida da inteligência emocional.</p><p>Na verdade, a maior quantia de pesquisas quantitativas brasileiras recentes</p><p>sobre inteligência emocional tem sido realizada para validar ou aplicar testes</p><p>de inteligência emocional, ou ainda, para conferir a associação de subescalas</p><p>(GONZAGA; MONTEIRO, 2011).</p><p>Esperamos que a sua leitura até aqui tenha deixado elucidado que inteligência</p><p>emocional é o conhecimento processual que permite a alguém:</p><p>■ Sondar, discernir, explorar, assumir seus próprios sentimentos e emoções.</p><p>■ Averiguar e identificar as emoções e os sentimentos alheios.</p><p>■ Regular os níveis de suas próprias emoções.</p><p>■ Germinar, produzir motivação em si mesmo para encarar as circunstân-</p><p>cias que se descortinam e para fazer as atividades necessárias, mesmo que</p><p>existam insatisfações, desilusões, empecilhos, insucessos ou desgostos.</p><p>■ Lidar satisfatoriamente com as interações sociais.</p><p>■ Lidar devidamente consigo mesmo.</p><p>Além disso, deve ter ficado evidente que o campo de estudos da inteligência</p><p>emocional tem sido marcado desde a sua origem por dificuldades na definição</p><p>clara de um construto (objeto de estudo) e na mensuração dessa forma de aptidão</p><p>(JESUS JUNIOR; NORONHA, 2007).</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>1</p><p>ESTADOS DE ÂNIMO E TRANSTORNOS EMOCIONAIS</p><p>Tendo compreendido o conceito de inteligência emocional, refletido sobre com-</p><p>petências pessoais e sociais e assimilado algumas noções sobre a mensuração</p><p>da inteligência emocional, chegou o momento de ponderar sobre os estados de</p><p>ânimo e transtornos emocionais. Nesse sentido, esse tópico abordará o estresse,</p><p>a ansiedade, a depressão e o transtorno ou síndrome do pânico.</p><p>Estados de ânimo</p><p>Conforme Agüera (2008), os estados de ânimo são constituídos pela retroali-</p><p>mentação de uma emoção que fica estacionada na psique de uma pessoa. Isto é,</p><p>são sentimentos despertados por acontecimentos externos que ficam realimen-</p><p>tando tais sentimentos, mesmo depois de ter se afastado dos acontecimentos.</p><p>Um exemplo é quando uma pessoa está muito satisfeita por trabalhar numa</p><p>determinada empresa e, sem desconfiar de nada, é demitida. Ela fica muito triste</p><p>com isso, mas depois de semanas, se recupera. Passados alguns meses, ela en-</p><p>contra acidentalmente a pessoa que era sua líder naquela empresa. Por mais que</p><p>tenha sido um encontro fortuito, pode desencadear a tristeza, que se conservará</p><p>na vida de tal pessoa até que ela consiga quebrar essa realimentação negativa.</p><p>Essa emoção que fica ali</p><p>pairando, estagnada, não é facilmente interrompida</p><p>pela pessoa que está sendo acometida por ela, até porque se trata de uma emoção</p><p>fortíssima, que teve repercussões desmedidas. Segundo Agüera (2008), outra</p><p>nomenclatura comumente empregada aos estados de ânimo é "sentimentos de</p><p>fundo", dependendo de sua durabilidade.</p><p>Agüera (2008) cita quatro estados de ânimos: depressão, ansiedade, euforia</p><p>e agressividade.</p><p>5</p><p>8</p><p>Vejamos agora os quatro estados de ânimo:</p><p>Divertida Mente</p><p>Ano: 2015</p><p>Sinopse: não se trata de um filme científico ou um</p><p>documentário sobre o tema. É uma animação, mas</p><p>ela retrata como um estado de ânimo é despertado</p><p>e como ele permanece retroalimentando sentimentos</p><p>por um período de tempo. Assista, portanto, ao filme</p><p>dirigido por  Pete Docter, lançado no Brasil em 2015,</p><p>cujo título aqui no nosso país é Divertida Mente. O</p><p>filme que, por sinal, recebeu várias premiações, apre-</p><p>senta cinco protagonistas que comandam o painel de con-</p><p>trole da menina chamada Riley. É a Alegria, o Medo, a Raiva, a</p><p>Tristeza e a Nojinho (repulsa). Desejamos que você tenha uma</p><p>divertida e esclarecedora apreciação!</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>ESTADOS DE</p><p>ÂNIMO</p><p>DECORRE DA</p><p>PERMANÊNCIA</p><p>ALGUMAS CARACTERÍSTICAS</p><p>Depressão Da tristeza</p><p>Infelicidade, desânimo, desgosto, prostração,</p><p>descontentamento, abatimento e desolação.</p><p>Ansiedade Do medo</p><p>Pavor, pânico, receio de acontecimento des-</p><p>agradável, apreensão e falta de coragem.</p><p>Euforia Da alegria</p><p>Contentamento, animação, aprazimento, deleite,</p><p>entusiasmo, júbilo e regozijo.</p><p>Agressividade Da raiva</p><p>Fúria, grande aversão, ira, cólera, irri-</p><p>tação, ódio, gana,</p><p>furor, zanga e</p><p>animosidade.</p><p>Quadro 1 – Estados de ânimo e suas características / Fonte: o autor.</p><p>UNIASSELVI</p><p>5</p><p>9</p><p>https://www.google.com/search?sa=X&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR821BR821&biw=1366&bih=657&q=divertida+mente+dire%C3%A7%C3%A3o&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LSz9U3KC8oz0nP0RLLTrbST8vMyQUTVimZRanJJflFAEdY2WAmAAAA&ved=2ahUKEwjDgOfv3_LfAhVBDrkGHaW4DhAQ6BMoADAlegQIBxAJ</p><p>https://www.google.com/search?sa=X&rlz=1C1GCEU_pt-BRBR821BR821&biw=1366&bih=657&q=divertida+mente+pete+docter&stick=H4sIAAAAAAAAAOPgE-LSz9U3KC8oz0nPUeIEsU2zkvMstMSyk6300zJzcsGEVUpmUWpySX4RACDu9-gxAAAA&ved=2ahUKEwjDgOfv3_LfAhVBDrkGHaW4DhAQmxMoATAlegQIBxAK</p><p>https://www.sinonimos.com.br/descontentamento/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/abatimento/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/desolacao/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/panico/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/apreensao/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/animacao/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/aprazimento/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/deleite/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/entusiasmo/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/jubilo/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/ira/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/colera/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/irritacao/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/irritacao/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/odio/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/gana/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/furor/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/zanga/</p><p>https://www.sinonimos.com.br/animosidade/</p><p>DEPRESSÃO</p><p>Apesar desse quadro listar algumas características dos estados de ânimo, é neces-</p><p>sário esclarecer que nem sempre eles apresentam essas características, o que difi-</p><p>culta a identificação precisa dos estados. Os estados de ânimo diferem das emoções</p><p>básicas, na sua manifestação e na resposta aos estímulos que lhes são apresentados.</p><p>Ainda que os estímulos-resposta sejam eficazes no que concerne às emoções, rara-</p><p>mente são proveitosas quanto aos estados de ânimo (AGÜERA, 2008).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Se o estado de ânimo se detém na psique, ou seja, está lá empacado, o que</p><p>pode ser feito para quebrar o ciclo de realimentação? Como sair de um estado</p><p>de ânimo?</p><p>Agüera (2008) sugere duas recomendações:</p><p>1) DISSIPAR A SENSAÇÃO QUE FOI O ESTOPIM DA EMOÇÃO BÁSICA</p><p>Isto é, eliminar ou enfraquecer consideravelmente a sensação que iniciou a</p><p>sucessão de emoções que veio a paralisar um dado estado de ânimo;</p><p>2) POR MEIO DA RACIONALIDADE, INSTIGAR UMA REDUÇÃO DA EXCITAÇÃO OU</p><p>AGITAÇÃO NO SISTEMA LÍMBICO</p><p>Para as duas recomendações sugere-se a psicoterapia. Em alguns casos, pode</p><p>ser necessário o uso de medicamentos associado à psicoterapia.</p><p>Observe o exemplo a seguir:</p><p>Uma pessoa está experienciando um estado de ânimo de agressividade, por</p><p>conta de atritos frequentes com o líder no ambiente de trabalho. A quantidade</p><p>de furor está tão elevada que a pessoa se sente prestes a perder as estribeiras. Para</p><p>iniciar o processo de interromper esse estado de ânimo é ideal que essa pessoa</p><p>1</p><p>1</p><p>deixe de ter atritos com o líder. Isso pode ser possível mediante uma conversa</p><p>franca com o líder, ou uma transferência de setor, ou solicitação de férias etc.</p><p>Depois desse período de afastamento com o estímulo aversivo (desavenças com</p><p>o gestor) é o momento de empenhar-se em controlar racionalmente a mente, de</p><p>modo que consiga desvencilhar-se desse estado de ânimo.</p><p>É pertinente lembrar que existe o risco de que a pessoa se enclausure obses-</p><p>sivamente nesse quadro de ira contínua (AGÜERA 2008). Nesse caso, é melhor</p><p>procurar tratamento psicológico ou psicoterapêutico. Existem situações, como</p><p>por exemplo, em determinados transtornos emocionais, que mesmo o total afas-</p><p>tamento da causa que desdobrou o estado de ânimo, não ajude a cessar a reali-</p><p>mentação do estado de ânimo. Assim, há ainda maiores probabilidades de que</p><p>seja necessário procurar ajuda de um psicólogo e, talvez, até de um médico. So-</p><p>mente com o auxílio de tal profissional a mente analítica poderá regular o estado</p><p>de ânimo que se apresentou de modo obsessivo e patológico até então. Pessoas</p><p>que sobreviveram a desastres naturais, por exemplo, podem vivenciar um estado</p><p>de ânimo de depressão ou de ansiedade e, ainda que se mudem para longe de</p><p>onde ocorreu o desastre (um terremoto, um tsunami etc.), as emoções relacio-</p><p>nadas ao desastre persistem em manter o estado de depressão ou de ansiedade.</p><p>A expressão "estado de ânimo" se faz presente no artigo</p><p>intitulado Melancolia, depressão e suas narrativas, publicado</p><p>em 2013, por Eder Schmidt.</p><p>Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>Antes de abordarmos os transtornos emocionais, faremos duas importantes res-</p><p>salvas quanto aos estados de ânimo.</p><p>A primeira é a estreita relação entre os estados de ânimo e o corpo humano</p><p>(AGÜERA, 2008). Você reluta em admitir que existem interações entre a mente</p><p>e o corpo? Então, de que maneira você explica as alterações no ciclo menstrual</p><p>da mulher que está sob um estado de ânimo de depressão ou de ansiedade? Ou,</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v16n1/07.pdf.</p><p>DEPRESSÃO</p><p>então, as modificações no impulso sexual de pessoas que estão sob um estado</p><p>de ânimo de depressão? Fica evidente que a ansiedade e a depressão atuam na</p><p>regulação dos hormônios sexuais.</p><p>Sugerimos a leitura do artigo intitulado Disfunção erétil:</p><p>resultados do estudo da vida sexual do brasileiro, escrito por</p><p>Abdo et al. (2006). Nele há fortes indícios de que a depressão</p><p>pode contribuir para o surgimento da disfunção erétil, por</p><p>conta da redução de desejo sexual. Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>A segunda ressalva é sobre a propagação dos estados de ânimo. Você já deve ter</p><p>ouvido falar sobre a tendência que nós temos de imitar com o nosso corpo os</p><p>movimentos e expressões que o nosso interlocutor transmite com seu semblante</p><p>ou fisionomia. Uma das explicações para a imitação de comportamento encon-</p><p>tra-se nos neurônios-espelho (LAMEIRA; GAWRYSZEWSKI, 2006). Ao que</p><p>tudo indica, as pessoas foram providas de recursos que lhes permitem conseguir</p><p>rapidamente a empatia de pessoas com as quais elas interagem. Assim, têm maio-</p><p>res condições para entender como as demais pessoas estão se sentindo e mais</p><p>elementos para dar início e continuidade ao diálogo</p><p>com elas. Entretanto, essa propensão à imitação das</p><p>expressões de outrem parece se estender para a imita-</p><p>ção de seu estado de ânimo. O estado de ânimo pode</p><p>ser transmissível, ele é contagioso (AGÜERA, 2008).</p><p>Na Bíblia, há um versículo sugerindo que a amargura pode contagiar muitas pes-</p><p>soas! “Cuidem</p><p>que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de</p><p>amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos” Hebreus 12:15 (BÍ-</p><p>BLIA ON, on-line, grifo do autor).</p><p>O estado de</p><p>ânimo pode ser</p><p>transmissível, ele é</p><p>contagioso</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/ramb/v52n6/a23v52n6.pdf</p><p>Provavelmente você lembra de alguma ocasião em que tenha ficado na presença</p><p>de uma pessoa que estava sob um estado de ânimo de euforia e ao se despedir</p><p>dela você se sentiu mais animado, como se a alegria esfuziante dela tivesse trans-</p><p>bordado para você! Da mesma forma, pessoas que estão num estado de ânimo de</p><p>depressão podem deixar as pessoas que convivem com elas mais acabrunhadas</p><p>e desanimadas.</p><p>Nas redes sociais, muitas mensagens têm sido propagadas alertando para que</p><p>nos afastemos por completo de pessoas pessimistas, tristes, para que não se-</p><p>jamos atingidos pelas “energias” delas. Esse conselho é, no mínimo, egoísta.</p><p>“Vou me distanciar em prol da preservação do meu bom humor e a outra pessoa</p><p>que se dane? E se um dia eu estiver numa fase desanimada, tristonha, verei</p><p>todos os meus colegas e amigos evaporarem, numa boa?”. Uma coisa é nos</p><p>controlarmos analiticamente e regularmos nossas emoções no intuito de não</p><p>sermos contagiado por um estado de ânimo negativo, outra coisa é ter uma</p><p>atitude desumana, interesseira, autocentrada e egocêntrica (AGÜERA, 2008).</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>DEPRESSÃO</p><p>TRANSTORNOS EMOCIONAIS</p><p>Disfunções que acontecem em determinadas regiões cerebrais ou mesmo falhas</p><p>de caráter bioquímico que atingem os neurotransmissores do sistema nervoso</p><p>central podem dar origem a algum transtorno emocional. Muitas vezes, pessoas</p><p>que estão apresentando certo transtorno emocional precisam recorrer a algum</p><p>psicólogo ou médico especialista. Sendo assim, seguem algumas considerações</p><p>sobre os transtornos emocionais mais comuns. O intuito de apresentá-las não é</p><p>torná-lo um perito no assunto, mas é importante que você tenha alguma noção,</p><p>e se você se identificar com algum deles ou notar que alguém do seu convívio</p><p>pode estar com um desses transtornos emocionais, lhe encorajamos a recorrer a</p><p>um profissional da saúde especializado (AGÜERA, 2008).</p><p>Na sequência, serão brevemente mencionadas algumas características do</p><p>estresse, da ansiedade, da depressão e da síndrome do pânico.</p><p>Estresse</p><p>De acordo com Agüera (2008), existem circunstâncias que podem ocasionar</p><p>estresse, bem como estados de ânimo que levem a pessoa a se sentir fracassada,</p><p>desanimada, nervosa, enfurecida ou agoniada. Situações que são consideradas</p><p>aversivas, estressantes para uma pessoa, podem não ser para outras. Aliás, a</p><p>mesma pessoa pode mudar com o passar do tempo e considerar situações que</p><p>ela julgava estressantes antes, totalmente amenas agora.</p><p>O que precisa ficar claro é que os limites de sensibi-</p><p>lidade são diferentes para cada pessoa. Esses limites es-</p><p>tão diretamente relacionados às resistências (internas)</p><p>de uma pessoa e à carga de estresse (externas) que se</p><p>apresenta a ela. Por exemplo, imaginemos três colegas</p><p>de trabalho que possuem o mesmo cargo e dividem</p><p>exatamente as mesmas funções e chefias. Todos recebem as mesmas tarefas, recursos</p><p>e tempo para executá-las. Então, por que um deles faz as atividades com tranquilida-</p><p>de, o outro faz dando o melhor de si e, o último colega, embora faça o máximo que</p><p>pode, não consegue dar conta de tudo o que lhe é solicitado e reclama de fazer parte</p><p>de um ambiente de trabalho altamente estressante? Nesse exemplo, supostamente</p><p>os três recebiam a mesma carga de estresse, o que difere entra eles é o limite de re-</p><p>os limites de</p><p>sensibilidade são</p><p>diferentes para cada</p><p>pessoa</p><p>1</p><p>4</p><p>sistência de cada um. Provavelmente, o primeiro não se mostraria muito estressado,</p><p>mesmo que não atingisse suas metas no trabalho, pois ele se mostra mais resistente.</p><p>O artigo A polêmica em torno do conceito de estresse pode</p><p>contribuir com os seus estudos desse tópico! Foi escrito por</p><p>Filgueiras e Hippert, em 1999. Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>Agüera (2008) esclarece que o estresse é inerente à vida humana. Trata-se de</p><p>um mecanismo biológico que se propõe a contribuir para a adaptação do orga-</p><p>nismo às novas circunstâncias que se desvendam para ele. O estresse não é algo</p><p>necessariamente ruim, afinal, em certas doses o estresse pode até colaborar nos</p><p>processos de motivação e aumentar a produtividade de uma pessoa.</p><p>Todavia, quando uma pessoa não consegue controlar o nível de estresse e se</p><p>encontra diante de elevadas cargas de estresse, pode se desgastar com isso e sofrer</p><p>prejuízos tanto na mente quanto no corpo. Agüera (2008) explica que grandes</p><p>quantias de estresse podem afetar inclusive a saúde de uma pessoa (em nível</p><p>físico ou psicológico), gerando infecções e patologias no sistema circulatório,</p><p>por exemplo. O estresse também pode acarretar a ansiedade, bem como com-</p><p>portamentos deletérios, tais como compulsão alimentar ou abuso de substâncias</p><p>psicoativas como o álcool ou outras drogas.</p><p>Se você quer saber mais sobre o estresse, como por exemplo,</p><p>os sintomas desse transtorno, indicamos a leitura de um artigo</p><p>que trata sobre as estratégias de coping em pessoas idosas</p><p>que são saudáveis, escrito por Talarico et al. (2009). Acesse o</p><p>QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>http://www.scielo.br/pdf/pcp/v19n3/05.pdf.</p><p>http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n4/a10v43n4.pdf</p><p>DEPRESSÃO</p><p>Ansiedade</p><p>Conforme Agüera (2008), a ansiedade é um estado de ânimo constante de</p><p>apreensão, inquietação ou de amedrontamento. É difícil localizar a origem des-</p><p>sas sensações aflitivas, o que faz com que a pessoa se sinta ainda mais angustiada.</p><p>Algumas causas da ansiedade são:</p><p>■ Um perigo real gera o receio, como uma reação adequada.</p><p>■ Estados emocionais, tais como a aflição.</p><p>■ Outros transtornos emocionais, psicológicos, podem gerar a ansiedade</p><p>como morbidade. Um exemplo deles é a depressão.</p><p>■ Condições físicas, tais como desregramentos na atividade da tireoide,</p><p>reduzido nível de açúcar no sangue ou complicações cardíacas.</p><p>Para saber mais sobre ansiedade e infância no ambiente</p><p>escolar, leia o artigo Autoconceito e ansiedade escolar: um</p><p>estudo com alunos do ensino fundamental, publicado por</p><p>Muniz e Fernandes (2016). Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/pee/v20n3/2175-3539-pee-20-03-00427.pdf.</p><p>Depressão</p><p>Muitas pessoas fazem confusão entre a depressão enquanto transtorno psicoló-</p><p>gico e entre um episódio de tristeza. Por exemplo, quando uma pessoa termina</p><p>um relacionamento amoroso e sente-se muito triste, passando cerca de cinco</p><p>dias tendo crises de choro, mas que depois desse período vai se recuperando,</p><p>não pode dizer que teve depressão. Ela pode ter tido um quadro de desalento, de</p><p>consternação, mas não teve depressão patologicamente falando. Sentir tristeza</p><p>é algo próprio do ser humano frente a uma situação de perda, durante curtos</p><p>espaços de tempo.</p><p>Agüera (2008) elucida que a depressão enquanto</p><p>problema de saúde é caracterizada por sentimentos</p><p>de tristeza, melancolia, infelicidade, abatimento,</p><p>frustração ou derrota, que formam um estado de</p><p>ânimo que interfere na vida diária no decorrer de</p><p>um longo tempo. “Os transtornos depressivos podem</p><p>ser definidos como episódios de humor deprimido ou perda de interesse e prazer</p><p>por quase todas as atividades” (LOPES et al., 2015, p. 521).</p><p>Por vezes, a pessoa depressiva abandona todos os investimentos que ela</p><p>fazia até então. Deixa de alimentar, de sair, de trabalhar, de ter atividade sexual,</p><p>de ter até mesmo os hábitos de higiene. Por vezes, ela abandona até mesmo</p><p>suas atividades favoritas. Isso dependerá da gravidade da depressão. Ela pode</p><p>ser categorizada em depressão leve, depressão moderada ou depressão severa.</p><p>Dependendo do caso, o tratamento</p><p>recomendado é psicoterápico ou médico.</p><p>Em alguns casos, pode ser necessária</p><p>até mesmo a internação. O psicólogo é</p><p>um profissional que pode auxiliar no</p><p>tratamento, independentemente do grau</p><p>de gravidade.</p><p>Pessoas com baixa autoestima</p><p>pare-</p><p>cem ser mais propensas a desenvolver o</p><p>transtorno, bem como as pessoas que são</p><p>acometidas por arroubos súbitos de raiva</p><p>(AGÜERA, 2008).</p><p>sentimentos de</p><p>tristeza, melancolia,</p><p>infelicidade,</p><p>abatimento,</p><p>frustração</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>DEPRESSÃO</p><p>Transtorno ou síndrome do pânico</p><p>Assim como a depressão tem sido confundida com</p><p>episódios de tristeza que são absolutamente normais</p><p>entre as pessoas, a síndrome do pânico tem sido</p><p>confundida com episódios de medo. Talvez você já</p><p>tenha ouvido alguém relatar uma situação em que</p><p>estava prestes a ser sequestrada, ou outra ocasião que oferecia risco real, dizendo</p><p>que teve síndrome do pânico naquele momento.</p><p>No entanto, o transtorno de pânico é caracterizado justamente por ataques</p><p>de pânico de curta duração sem causa ou motivo aparente. Ou seja, quando ela</p><p>menos espera, a pessoa é surpreendida por um ataque, um forte mal-estar, em que</p><p>sente os batimentos cardíacos acelerados, falta de ar, sensação de sufocamento</p><p>ou que desmaiará. Esses ataques se repetem frequentemente e são involuntários,</p><p>abruptos. Não podem ser justificados por nenhuma situação em particular. A</p><p>pessoa pode estar em casa, no lazer, no trabalho, na escola e, por mais que esteja</p><p>se sentindo tranquila, ou distraída, ou feliz, um ataque de pânico sobrevém. As</p><p>pessoas que apresentam o transtorno de pânico podem revelar ideação suicida</p><p>e propensão a consumir substâncias psicotrópicas (AGÜERA, 2008).</p><p>A pessoa precisa procurar ajuda de profissionais da saúde e o tratamento</p><p>envolve a combinação de psicoterapia e acompanhamento médico.</p><p>Para saber mais sobre o transtorno depressivo, leia o artigo</p><p>Associação da depressão com as características sociode-</p><p>mográficas, qualidade do sono e hábitos de vida em idosos</p><p>do Nordeste brasileiro: estudo seccional de base populacional,</p><p>escrito por Lopes et al. (2015). Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>a síndrome do</p><p>pânico tem sido</p><p>confundida com</p><p>episódios de medo</p><p>1</p><p>8</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rbgg/v18n3/1809-9823-rbgg-18-03-00521.pdf</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Estamos finalizando este Tema de Aprendizagem! Antes disso, uma última infor-</p><p>mação para você, aluno. Você já ouviu uma dessas expressões: "arroubo emo-</p><p>cional" ou "sequestro emocional"? Para Agüera (2008), elas são imbuídas do</p><p>mesmo significado! Expressam que emoções fortes ou paixões podem derrubar</p><p>o equilíbrio entre razão e emoção, ou seja, as emoções se tornam imperativas</p><p>sobre a racionalidade da pessoa, fazendo com que as ações dela passem a ser go-</p><p>vernadas emocionalmente e não mais de forma racional. Como se a capacidade</p><p>racional da pessoa ficasse inutilizada.</p><p>O arroubo emocional apresenta curta duração, questão de segundos ou</p><p>minutos, mas as consequências dele podem ser duradouras. Muitos crimes</p><p>decorrem de arroubo emocional de raiva, muitos atos generosos advêm de</p><p>arroubo emocional de alegria e suicídios costumeiramente são antecedidos por</p><p>arroubo emocional de tristeza.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. Leia um dos artigos indicados no UNI DICAS e escreva cinco pontos que chamaram a</p><p>sua atenção. Dê preferência a algum tema que seja do seu interesse.</p><p>2. O que fazer para romper com um estado de ânimo negativo?</p><p>3. Se um amigo lhe procura, relatando estar se sentindo deprimido há meses e que está</p><p>pensando em cometer suicídio. Qual é a melhor reação que você pode ter diante dele?</p><p>a) Digo qualquer coisa e me afasto o quanto antes para não me contaminar com a ener-</p><p>gia negativa que está nele.</p><p>b) Digo para ele dominar a si mesmo, controlar-se e trocar os pensamentos ruins por</p><p>pensamentos bons.</p><p>c) Falo para ele se suicidar logo! Afinal, pessoas que ameaçam fazer isso não estão</p><p>realmente planejando fazer isso.</p><p>d) Ouço atentamente e recomendo procurar a ajuda de um psicólogo e/ou de um médico.</p><p>Me prontifico a ir com ele ao profissional da saúde.</p><p>e) Nenhuma das alternativas.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABDO, C. H. N. et al. Disfunção erétil: resultados do estudo da vida sexual do brasileiro. Rev.</p><p>Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 52, n. 6, p. 424-429, dez. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302006000600023&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>AGÜERA, L. G. Além da inteligência emocional. As cinco dimensões da mente. São Paulo.</p><p>Cenage Learning, 2009.</p><p>BÍBLIA ON. Versículos de domínio próprio. 2019. Disponível em: https://www.bibliaon.</p><p>com/dominio_proprio/. Acesso em: 8 maio 2019.</p><p>BUENO, J. M. H. et al. Inteligência emocional em estudantes universitários. Psic. Teor. e</p><p>Pesq., Brasília,DF, v. 22, n. 3, p. 305-316, dez. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/</p><p>scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722006000300007&lng=pt&nrm=iso. Acesso</p><p>em: 8 jan. 2019.</p><p>BUENO, J. M. H.; PRIMI, R. Inteligência emocional: um estudo de validade sobre a ca-</p><p>pacidade de perceber emoções. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 279-</p><p>291, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-79722003000200008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>COBÊRO, C. Manual de inteligência emocional. Psico-USF, Itatiba, v. 8, n. 1, p. 95-</p><p>96, jun. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1413-82712003000100014&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 5 jan. 2019.</p><p>COBÊRO, C.; PRIMI, R.; MUNIZ, M. Inteligência emocional e desempenho no traba-</p><p>lho: um estudo com MSCEIT, BPR-5 e 16PF. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 16, n. 35, p. 337-</p><p>348, Dec. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-863X2006000300005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>DANTAS, M. A.; NORONHA, A. P. P. Inteligência emocional: validade discriminante entre MSCEIT</p><p>e 16 PF. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 16, n. 33, p. 59-70, abr. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2006000100009&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>FERNANDES, L. M. de. et al. Preditores do desempenho escolar ao final do ensino fundamen-</p><p>tal: histórico de reprovação, habilidades sociais e apoio social. Temas psicol., Ribeirão Preto,</p><p>v. 26, n. 1, p. 215-228, mar. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S1413-389X2018000100009&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>GIMENEZ-ESPERT, M. C. del; PRADO-GASCO, V. J. Inteligência emocional em enfermei-</p><p>ros: a escala Trait Meta-Mood Scale. Acta paul. enferm., São Paulo, v. 30, n. 2, p. 204-</p><p>209, abr. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-21002017000200204&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>GONZAGA, A. R.; MONTEIRO, J. K. Inteligência emocional no Brasil: um panorama da pesquisa</p><p>científica. Psic. Teor. e Pesq., Brasília, v. 27, n. 2, p. 225-232, jun. 2011. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722011000200013&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 5 jan. 2019.</p><p>JESUS JUNIOR, A. G. de; NORONHA, A. P. P. Inteligência emocional e provas de ra-</p><p>ciocínio: um estudo correlacional. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 3, p.</p><p>480-489, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-79722007000300016&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>LAMEIRA, A. P.; GAWRYSZEWSKI, L. G. de; PEREIRA JR., A. Neurônios-espelho. Psicol. USP,</p><p>São Paulo, v. 17, n. 4, p. 123-133, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S0103-65642006000400007&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>LOPES, J. M. et al. Associação da depressão com as características sociodemográfi-</p><p>cas, qualidade do sono e hábitos de vida em idosos do Nordeste brasileiro: estudo sec-</p><p>cional de base populacional. Rev. bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, p.</p><p>521-531, set. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1809-98232015000300521&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>MIGUEL, F. K.; ZUANAZZI, A. C.; VILLEMOR-AMARAL, A. E. de. Avaliação de aspectos da inte-</p><p>ligência emocional nas Técnicas de Pfister e Zulliger. Trends Psychol., Ribeirão Preto, v. 25,</p><p>n. 4, p. 1853-1862, Dec. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S2358-18832017000401853&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>MONTEIRO, L. P.; SMOLE, K. S. Um caminho para atender às diferenças na escola. Educação</p><p>e Pesquisa, v. 36, n. 1, p. 357-371, 2010.</p><p>MUNIZ, M.; FERNANDES, D. C. Autoconceito e ansiedade escolar: um estudo com alu-</p><p>nos do ensino fundamental. Psicol. Esc. Educ., Maringá, v. 20, n. 3, p. 427-436,</p><p>dez. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1413-85572016000300427&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>PARENTE, E. O. de; NASCIMENTO, R. O. do; VIEIRA, L. J. E. S. de. Enfrentamento da violência</p><p>doméstica por um grupo de mulheres após a denúncia. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 17,</p><p>n. 2, p. 445-465, ago. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S0104-026X2009000200008&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>PRIMI, R.; BUENO, J. M. H.; MUNIZ, M. Inteligência emocional: validade convergente e dis-</p><p>criminante do MSCEIT com a BPR-5 e o 16PF. Psicol. Cienc. prof., Brasília, v. 26, n. 1, p.</p><p>26-45, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1414-98932006000100004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>REGO, C. C. A. B. de; ROCHA, N. M. F. Avaliando a educação emocional: subsídios para um</p><p>repensar da sala de aula. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., Rio de Janeiro, v. 17, n. 62, p. 135-</p><p>152, mar. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0104-40362009000100007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>ROCHA, A. C. F. da. O estresse no ambiente de trabalho. Rio de Janeiro: Pedagogia em</p><p>Foco, 2005. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm. Acesso em:</p><p>10 fev. 2019.</p><p>TALARICO, J. N. S. de. et al. Sintomas de estresse e estratégias de coping em idosos saudáveis.</p><p>Rev. esc. enferm., USP, São Paulo, v. 43, n. 4, p. 803-809, dez. 2009. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080-62342009000400010&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>TEQUES, A. P. et al. Desenvolvimento e avaliação das características psicométricas do Ques-</p><p>tionário de Auto-Percepção de Inteligência Emocional (QIE-AP). Psicol. Re��x. Crit., Porto</p><p>Alegre, v. 28, n. 2, p. 270-279, jun. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S0102-79722015000200270&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>1. A título de exemplo, foi escolhido o artigo Associação da depressão com as características</p><p>sociodemográficas, qualidade do sono e hábitos de vida em idosos do Nordeste brasileiro:</p><p>estudo seccional de base populacional.</p><p>• Tanto a depressão quanto a obesidade podem aumentar os riscos de incapacidade e</p><p>de reduzir a qualidade de vida.</p><p>• Tanto a depressão quanto a obesidade podem elevar as chances de desenvolver</p><p>doenças, além de aumentar a mortalidade.</p><p>• A depressão eleva o risco de desenvolver eventos/problemas cardiovasculares.</p><p>• A pesquisa não permitiu detectar associação da depressão com os hábitos de vida.</p><p>• O estudo não permitiu afirmar que a depressão afeta necessariamente a qualidade do</p><p>sono.</p><p>2. Agüera (2008) sugere duas recomendações: 1) Dissipar a sensação que foi o estopim da</p><p>emoção básica, isto é, eliminar ou enfraquecer consideravelmente a sensação que iniciou</p><p>a sucessão de emoções que veio a paralisar um dado estado de ânimo; 2) Por meio da</p><p>racionalidade, instigar uma redução da excitação ou agitação no sistema límbico. Para</p><p>as duas recomendações sugere-se psicoterapia. Em alguns casos, pode ser necessário</p><p>o uso de medicamentos associado à psicoterapia.</p><p>3. D. Ouço atentamente e recomendo a ele procurar ajuda de um psicólogo e/ou de um</p><p>médico. Me prontifico a ir com ele ao profissional da saúde.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>4</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>5</p><p>UNIDADE 2</p><p>MINHAS METAS</p><p>TEORIAS DAS INTELIGÊNCIAS</p><p>MÚLTIPLAS</p><p>Conhecer a noção de quociente de inteligência (QI).</p><p>Conhecer o conceito de inteligências múltiplas.</p><p>Compreender as definições de inteligências múltiplas.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 4</p><p>1</p><p>8</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>Neste Tema de Aprendizagem, serão apresentados alguns conceitos que são</p><p>necessários para uma compreensão mais ampla quando falamos em inteligência</p><p>emocional.</p><p>Você sabia que há recentemente mais de 12 teorias sobre as inteligências?</p><p>E que a inteligência emocional é apenas uma entre tantas outras já estudadas</p><p>por pesquisadores do mundo inteiro? Vamos aprender neste tema alguns tipos</p><p>de inteligências e como elas são descritas, para que você possa verificar em qual</p><p>a inteligência você tem maior nível de competência e em qual você tem menor.</p><p>Para tanto, não deixe de realizar as leituras complementares, que tratam sobre</p><p>algumas reflexões e questionamentos que farão você pensar um pouco mais sobre</p><p>a noção de inteligência.</p><p>Será que a noção de quociente (QI) é mais eficiente quando se trata de</p><p>medir a inteligência do indivíduo? Como a teoria das inteligências múltiplas de</p><p>Gardner é vista no meio acadêmico? Boa leitura!</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>TEORIAS DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS</p><p>Você sabe de que maneira é medida a inteligência? Como é possível avaliar que</p><p>uma pessoa é mais inteligente que outra? A inteligência é uma grandeza? Ser</p><p>inteligente é ter a habilidade de não titubear diante de um raciocínio lógico-ma-</p><p>temático ou ser inteligente é conhecer de tudo um pouco?</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você sabe responder quem é mais inteligente: um engenheiro renomado ou um</p><p>pedreiro? Um professor de física quântica ou um atleta habilidoso? Um chefe</p><p>de cozinha ou uma cozinheira nordestina? Um membro do alto clero da Igreja</p><p>Católica ou um pajé da aldeia indígena?</p><p>Sabe-se que ao longo da história muitas teorias têm se ocupado dessa questão. A</p><p>teoria mais difundida e conhecida é o QI, ou seja, o Quociente de Inteligência,</p><p>idealizados pelo psicólogo francês Alfred Binet na década de 1920, que ainda é</p><p>utilizado no mundo inteiro, principalmente por empresas que desejam selecionar</p><p>as pessoas mais “qualificadas” para vagas específicas.</p><p>Figura 1 – Alfred Binet (1857-1911)</p><p>Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Al-</p><p>fred_Binet#/media/Ficheiro:Alfred_Bi-</p><p>net.jpg. Acesso em: 13 de jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta um homem,</p><p>cabelos lisos e negros, barba e bigodes. Ele veste um ca-</p><p>saco escuro, uma camisa clara e uma gravata. Usa óculos</p><p>arredondados. A imagem é em preto e branco.</p><p>No início do século XX, Binet e o pedagogo Pierre Simon elaboraram uma</p><p>metodologia com o objetivo de identificar a capacidade de aprendizagem de</p><p>crianças, selecionando aquelas que apresentavam algum problema que poderia</p><p>comprometer suas aprendizagens ao longo do tempo. Nesse sentido, os dois pes-</p><p>quisadores não pretendiam testar a inteligência das crianças, mas a preocupação</p><p>central residia em identificar alunos que mostrassem dificuldades para aprender</p><p>8</p><p>1</p><p>e ajudá-los a melhorar. Segundo Smole (1999, p. 6), “os pesquisadores não plane-</p><p>javam atribuir um rótulo aos alunos, nem determinar seus limites, qual fosse a</p><p>causa do mau desempenho escolar, mas apenas identificar essa causa”.</p><p>A metodologia empregada pelos pesquisadores consistia em realizar uma</p><p>série de perguntas e figuras lógicas, buscando identificar a idade mental de uma</p><p>criança. O pressuposto era que, independentemente da idade cronológica, as</p><p>crianças teriam uma determinada idade mental. Nos estudos de Binet, que em</p><p>1905 criou o primeiro teste de QI, o ser humano é avaliado no grau de suas capa-</p><p>cidades de compreensão, de invenção, de direção, de</p><p>censura, entre outras, mas basicamente abordando</p><p>compreensões lógico-matemática, viso-espacial e</p><p>verbolinguística (ABRANTES, 2009).</p><p>em 1905 criou o</p><p>primeiro teste de QI</p><p>Desse</p><p>modo, os pesquisadores constataram que a idade mental de uma criança</p><p>resultaria do empenho da maioria das crianças diante de atividades complexas</p><p>e específicas em relação a uma criança sozinha. Dito de outro modo, o conceito</p><p>de Quociente de Inteligência (QI) foi alcançado por meio da divisão entre a idade</p><p>mental (aferida no teste) e a idade cronológica, multiplicada por cem (100) para</p><p>evitar o uso de casas decimais. Através desse método, uma criança que tivesse</p><p>uma idade mental de 11 anos e idade cronológica de 9 anos, teria um QI igual a</p><p>122, pois 11 dividido por 9 é igual a 1,22 e multiplicado por 100 dá 122 (11/9 x 100</p><p>= 122) (ABRANTES, 2009).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Na época do experimento, Binet e Simon estabeleceram que um QI igual a 100</p><p>equivaleria a uma criança normal, ou seja, a sua idade mental seria igual a sua</p><p>idade cronológica, a divisão é igual a 1 e multiplicada por 100 resultaria no QI</p><p>igual a 100. Assim, as crianças que apresentassem um QI menor que 100 eram</p><p>consideradas retardadas em seu desenvolvimento, e as que apresentassem QI</p><p>maior que 100 seriam precoces. Segundo Abrantes (2009), mais tarde esse con-</p><p>ceito de QI foi aperfeiçoado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos</p><p>da América do Norte, onde foram incluídos conceitos estatísticos, especialmente</p><p>considerando o desvio padrão (que em palavras simples significa o quanto um</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>valor é diferente da média). Com essa mudança, a medida de QI passou a ser</p><p>utilizada como o “grau de inteligência” de uma pessoa (crianças e adultos), ou</p><p>seja, maior QI, maior inteligência.</p><p>Para Smole (1999), a utilização dos testes de Ql caminhou junto à crença de</p><p>que a inteligência era herdada, passada de uma geração par outra. De acordo</p><p>com essa perspectiva, cada indivíduo nasceria com uma determinada “quanti-</p><p>dade” de inteligência, sendo possível elaborar testes para qualificar e classificar as</p><p>pessoas em relação a sua inteligência. Será que os testes de QI realmente medem</p><p>a inteligência de uma pessoa? Você já fez algum teste de QI? Será que os testes de</p><p>QI conseguem medir com eficiência e precisão a inteligência de um indivíduo?</p><p>Sabe-se que não há uma escala rígida para definir a inteligência de uma pessoa</p><p>por meio de testes de QI. Entretanto, existem pesquisas estatísticas que são</p><p>desenvolvidas em todo o mundo, especialmente nos EUA, que classificam os</p><p>níveis de QI de uma população. Segundo Abrantes (2009), cerca de 5% da po-</p><p>pulação com QI abaixo de 74 são considerados infradotados; 20% da população</p><p>com QI entre 75 e 89 são considerados abaixo da média; 50% (a maioria) tem QI</p><p>entre 90 e 110 e são considerados medianos (estão na média); 20% da popula-</p><p>ção com QI entre 111 e 125 são considerados acima da média e cerca de 5%, com</p><p>QI acima de 126, são considerados superdotados; e apenas uma mísera parcela</p><p>de pessoas com QI acima de 140 representam cerca de 2% da população são</p><p>considerados “gênios”.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Há também outra classificação proposta por Lewis Terman (1877-1956), da</p><p>Universidade de Stanfod. Para Terman, criador do teste de QI chamado de “Stan-</p><p>ford-Binet IQ Test”, QI acima de 140 significa genialidade; entre 120 e 140, inteli-</p><p>gência muito acima da média; entre 110 e 120, inteligência acima da média; entre</p><p>90 e 110, inteligência normal (ou média); entre 80 e 90, significa embotamento;</p><p>entre 70 e 80, está na zona limítrofe e, finalmente, entre 50 e 70 significa um baixo</p><p>desenvolvimento mental (ABRANTES, 2009).</p><p>8</p><p>1</p><p>O QUE O TESTE DE QI MEDE</p><p>COM EFICIÊNCIA</p><p>O QUE O TESTE DE QI NÃO MEDE</p><p>COM EFICIÊNCIA</p><p>Habilidade linguística</p><p>Senso comum e conhecimento infor-</p><p>mal</p><p>Raciocínio lógico-matemático Intuição e bom senso</p><p>Pensamento analítico Criatividade e originalidade</p><p>Capacidade de abstração teórica Liderança e sociabilidade</p><p>Aptidão escolar e pensamento acadê-</p><p>mico</p><p>Aptidão artística</p><p>Erudição e escolaridade efetiva Capacidade musical</p><p>Visão espacial Moral e ética</p><p>Motivação</p><p>Controle emocional</p><p>A seguir apresentaremos um quadro que explica a eficiência dos testes de QI.</p><p>Quadro 1 – A eficiência dos testes de QI / Fonte: adaptado de Abrantes (2009).</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Para Smole (1999), desde a criação dos testes de</p><p>QI eles vêm sofrendo fortes críticas, em especial</p><p>a partir da década de 1970. Segundo os críticos</p><p>dos testes de QI, a eficiência dos testes quase</p><p>sempre se resume em medir aptidões linguísti-</p><p>cas e lógico-matemáticas do indivíduo, deixando de fora uma série de outras ha-</p><p>bilidades que também podem constituir manifestações de inteligência. Na visão</p><p>de Smole (1999), os pesquisadores críticos dessa concepção de inteligência</p><p>única, que pode ser mensurada e comparada, demonstram evidências muito</p><p>convincentes de que há diversas competências intelectuais humanas, indicando</p><p>que a inteligência consiste em algo mais amplo que apenas a capacidade de dar</p><p>respostas curtas para perguntas curtas.</p><p>Desse modo, existem tendências atuais que</p><p>demonstram que a inteligência não é algo que</p><p>se tem ou que não se tem, nem é algo que</p><p>pode ser quantificado em uma escala. Segun-</p><p>do as novas concepções, “a inteligência realiza</p><p>diversas coisas, além de computar informações: inventa projetos, pensa em va-</p><p>lores, dirige a aplicação da energia pessoal, constrói critérios, avalia e realiza ta-</p><p>refas” (SMOLE, 1999, p. 8). Portanto, as reflexões recentes acerca da inteligência,</p><p>constatam que não há uma única inteligência, uniforme e igual para todos, mas</p><p>uma multiplicidade de inteligências, que são independentes entre si.</p><p>Você já ouviu falar de inteligências múltiplas? Nos últimos 20 anos, os crité-</p><p>rios para determinar se alguém é inteligente ou não mudaram radicalmente</p><p>através dessa nova concepção. Um dos responsáveis por essa quebra de pa-</p><p>radigma é o psicólogo americano Howard Gardner. Gardner se formou em</p><p>Harvard e tem pós-doutorado em Neurologia e Neuropsicologia. Desde 1986</p><p>é professor de Cognição e Educação na Escola de Graduação em Educação da</p><p>Universidade de Harvard (Harvard Graduate School of Education). No ano de</p><p>1997 esteve no Brasil, proferindo palestras sobre o seu conceito das Inteligências</p><p>Múltiplas. Em 2010, possuía mais de 20 livros publicados e traduzidos para diver-</p><p>sos idiomas, além de mais de uma centena de artigos científicos, tendo recebido</p><p>inúmeros prêmios em diversas universidades (ABRANTES; ABRANTES, 2009).</p><p>vêm sofrendo fortes</p><p>críticas, em especial a</p><p>partir da década de 1970</p><p>não há uma única</p><p>inteligência, uniforme</p><p>e igual para todos</p><p>8</p><p>4</p><p>Figura 2 – Howard Gardner</p><p>Fonte: https://bit.ly/43VRlCV. Acesso</p><p>em: 13 de jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: um ho-</p><p>mem de meia-idade, cabelos li-</p><p>sos e grisalhos, apoiando o rosto</p><p>nas mãos. Veste um terno preto</p><p>e uma camisa branca. O homem</p><p>olha para frente. Ao fundo vê-se</p><p>uma janela.</p><p>A abordagem sobre as inteligências múltiplas de Gardner, proposta na década</p><p>de 1980, considera que as pessoas manifestam diferentes habilidades, como por</p><p>exemplo, pessoas com habilidades para compor uma música, programar um</p><p>computador ou construir um edifício, pintar um quadro, gerenciar uma empresa</p><p>de negócios, ser um vendedor, um empreendedor de sucesso</p><p>etc. Os exemplos de pessoas com habilidades para fazer coisas</p><p>distintas são muitos, exatamente porque nenhum ser huma-</p><p>no é igual ao outro e, portanto, todas as atividades humanas</p><p>requerem algum tipo de inteligência, mas não exatamente o</p><p>mesmo tipo de inteligência.</p><p>Segundo a teoria de Gardner, as pessoas possuem diferentes capacidades</p><p>e as usam para distintas finalidades. Na visão de Smole (1999, p. 9), a teoria</p><p>de Gardner pressupõe que:</p><p>as pessoas</p><p>manifestam</p><p>diferentes</p><p>habilidades</p><p>HÁ MAIS DE UMA INTELIGÊNCIA</p><p>Ele, inicialmente, propôs sete, mas é possível que existam outras.</p><p>AS INTELIGÊNCIAS PODEM SER ESTIMULADAS</p><p>O contexto social, a escola, a oportunidade de explorar e realizar atividades dif-</p><p>erentes são fatores que podem interferir no desenvolvimento das inteligências.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>5</p><p>TEMA DE</p><p>APRENDIZAGEM 4</p><p>AS INTELIGÊNCIAS SE COMBINAM DE FORMA ÚNICA EM CADA PESSOA</p><p>Cada pessoa nasce com todas as inteligências que se desenvolverão durante sua</p><p>vida, de modo único.</p><p>NÃO HÁ COMO PADRONIZAR</p><p>As combinações das inteligências são únicas, tal como as impressões digitais.</p><p>Nesse sentido, Gardner se opôs às noções vigentes que abordavam a inteligên-</p><p>cia de maneira limitada, não considerando o real potencial do ser humano. Foi</p><p>em seu livro Estruturas da Mente que Gardner evidenciou a existência de, no</p><p>mínimo, sete inteligências básicas. Para o psicólogo, os testes de QI reduzem a</p><p>inteligência a um contexto específico, excluindo esse indivíduo do seu ambiente</p><p>natural, exigindo tarefas isoladas as quais o sujeito nunca teve contato anterior-</p><p>mente. Desse modo, Gardner propõe que a inteligência está ligada à capacidade</p><p>de resolver problemas e criar produtos em ambientes com contextos ricos e na-</p><p>turais (ARMSTRONG, 2001).</p><p>Figura 3 – Livro Estrutura da Mente, de Gardner</p><p>Fonte: https://bit.ly/3q5peTM. Acesso em: 22 jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma capa de</p><p>livro, onde na parte superior se encontram as informações,</p><p>sob um fundo laranja: Howard Gardner, “Estrutura da Mente:</p><p>a Teoria das Inteligências Múltiplas”. Na parte inferior, apre-</p><p>senta-se uma escultura na cor verde, aparentemente uma</p><p>imagem oriental, sob um fundo preto.</p><p>8</p><p>1</p><p>Num primeiro momento, Gardner constatou a existência de sete inteligências:</p><p>a inteligência lógico-matemática, a linguística, a cinestésica-corporal, a musical,</p><p>a espacial, a interpessoal e a intrapessoal. Mais tarde, com auxílio de órgãos de</p><p>fomento americanos e com o impacto de sua abordagem, foram incorporadas</p><p>outras formas de inteligência, como a naturalista e a existencialista. Segundo</p><p>Gáspari e Schwarts (2002, p. 264), “uma das implicações imediatas da Teoria</p><p>das Inteligências Múltiplas é a explicação do porquê uma pessoa parecer mais</p><p>inteligente que outra”. Segundo as autoras, esse fato aparente, de uma pessoa pa-</p><p>recer mais inteligente que a outra, se sustenta na teorização de Gardner, quando</p><p>ele afirma que todos os indivíduos têm oportunidades distintas de desenvolver</p><p>e estimular as capacidades cognitivas, entretanto, todos detêm as mesmas con-</p><p>dições em potencial.</p><p>Em Estrutura da Mente, Gardner apresenta os pré-requisitos de uma inteli-</p><p>gência, enfatizando que:</p><p>“ [...] uma competência intelectual humana deve apresentar um con-</p><p>junto de habilidades de resolução de problemas – capacitando o</p><p>indivíduo a resolver problemas ou dificuldades genuínas que ele</p><p>encontra e, quando adequado, a criar um produto eficaz – e deve</p><p>também apresentar o potencial para encontrar ou criar problemas</p><p>– por meio disso propiciando o lastro para a aquisição de conheci-</p><p>mento novo (GARDNER, 2002, p. 46).</p><p>Segundo o psicólogo, as inteligências não se reduzem a sistemas sensoriais, ou</p><p>seja, “em nenhum caso uma inteligência é completamente dependente de um</p><p>único sistema sensorial, nem nenhum sistema sensorial foi imortalizado como</p><p>uma inteligência” (GARDNER, 2002, p. 51). Na teoria de Gardner, as inteligên-</p><p>cias, por sua própria natureza, são capazes de realização (pelo menos em parte)</p><p>por meio de mais de um sistema sensorial. Portanto,</p><p>elas devem ser pensadas como “entidades num deter-</p><p>minado nível de generalidade, mais amplas do que</p><p>mecanismos computacionais altamente específicos”</p><p>(GARDNER, 2002, p. 51).</p><p>as inteligências</p><p>não se reduzem a</p><p>sistemas sensoriais</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Portanto, quando falamos em inteligências não podemos compará-las</p><p>umas às outras, como se equivalessem ou que pudessem ser medidas quan-</p><p>titativamente. Na abordagem gardneriana, cada inteligência deve ser pensada</p><p>como um sistema independente e com suas próprias regras. Gardner oferece</p><p>um exemplo que esclarece sua compreensão. Segundo o psicólogo, “embora o</p><p>olho, o coração e os rins sejam todos órgãos do corpo, é um erro tentar comparar</p><p>estes órgãos em cada detalhe: a mesma restrição deveria ser observada no caso</p><p>das inteligências” (GARDNER, 2002, p. 51).</p><p>Nessa linha de raciocínio, as inteligências não podem ser pensadas em termos</p><p>valorativos, embora isso esteja muito presente em nossa cultura. Costumeira-</p><p>mente afirmamos que uma inteligência deva necessariamente servir a boas fina-</p><p>lidades, entretanto, segundo Gardner (2002), uma pessoa pode utilizar de suas</p><p>inteligências lógico-matemática, musical ou pessoal para outros propósitos que</p><p>não são necessariamente bons. Podemos citar, como exemplos, os líderes políticos</p><p>que em posse de uma inteligência cometem as maiores barbáries, ou mesmo al-</p><p>guns hackers que utilizam de sua inteligência lógico-matemática para invadirem</p><p>ou obterem informações de outras pessoas ou de governos.</p><p>Assim, a posse de uma inteligência, segundo a teoria das inteligências múl-</p><p>tiplas de Gardner, é pensada como um potencial, em que o indivíduo em posse</p><p>de uma inteligência não tem qualquer circunstância que o impeça de a utilizar.</p><p>Nesse contexto, o conceito de inteligência passou a ser considerado de modo</p><p>amplo e funcional, em que</p><p>pode ser observado operando</p><p>na vida das pessoas. Para tanto,</p><p>Gardner propôs um modo para</p><p>mapear a ampla gama de capa-</p><p>cidades dos seres humanos. Se-</p><p>gundo o seu agrupamento das</p><p>capacidades humanas existem</p><p>oito categorias ou inteligências</p><p>abrangentes. Vamos estudá-las?</p><p>Aqui você poderá identifi-</p><p>car em qual inteligência você é</p><p>mais competente e qual delas</p><p>você não é tão competente.</p><p>8</p><p>8</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Será que você é uma pessoa com o potencial de uma inteligência linguística?</p><p>Lógico-matemática? Corporal-sinestésica? Inteligência musical? Espacial? In-</p><p>trapessoal? Interpessoal? Naturalista?</p><p>Vamos conhecer cada uma dessas inteligências.</p><p>Segundo a teoria de Gardner, a inteligência é responsável por nossas habi-</p><p>lidades para criar, solucionar problemas e realizar projetos, inseridos em um</p><p>determinado contexto cultural. Nesse sentido, cada indivíduo possui alguns ti-</p><p>pos diferentes de capacidade que caracterizam sua inteligência (SMOLE, 1999).</p><p>Antes de abordarmos as múltiplas inteligências, vamos elencar alguns tipos de</p><p>capacidades que cada indivíduo desenvolve (SMOLE, 1999, p. 10):</p><p>A INTELIGÊNCIA COMO HABILIDADE PARA CRIAR</p><p>Como seres humanos, podemos inventar e descobrir. Sempre pensamos em fazer</p><p>coisas de um modo novo, sob um ângulo diferente. Portanto, a capacidade criado-</p><p>ra que nos move é uma característica própria da inteligência humana.</p><p>A INTELIGÊNCIA COMO HABILIDADE PARA RESOLVER PROBLEMAS</p><p>Muitas de nossas atividades cotidianas requerem tomadas de decisão, a busca dos</p><p>melhores caminhos ou a superação de dificuldades. A resolução de problemas está</p><p>presente em todos esses casos, e o que nos habilita a resolvê-los são nossas dif-</p><p>erentes capacidades cognitivas.</p><p>A INTELIGÊNCIA COMO HABILIDADE PARA CONTRIBUIR EM UM CONTEXTO</p><p>CULTURAL</p><p>Um indivíduo pode ser capaz de usar sua inteligência para criar e resolver prob-</p><p>lemas de acordo com seu contexto social. Por exemplo: no Brasil, a habilidade de</p><p>reconhecer e nomear diferentes tipos de neve, ou toda a gama de suas colorações,</p><p>pode ser um mero exercício técnico. Mas, para quem vive no Alasca, ou faz pesqui-</p><p>sas na Antártida, essas informações talvez sejam essenciais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>8</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>INTELIGÊNCIA LINGUÍSTICA</p><p>A capacidade de usar as palavras de forma efetiva, quer oralmente (por exemp-</p><p>lo, como contador de histórias, orador ou político), quer escrevendo (por exemplo,</p><p>como poeta, dramaturgo, editor ou jornalista). Esta inteligência inclui a capacidade</p><p>de manipular a sintaxe ou a estrutura da linguagem, a semântica ou os significa-</p><p>dos da linguagem, e as dimensões pragmáticas ou os usos práticos da linguagem.</p><p>Alguns desses usos incluem a retórica (usar a linguagem para convencer os outros</p><p>a seguirem um curso de ação específico), a mnemônica (usar a linguagem para</p><p>lembrar informações), a explicação (usar a linguagem para informar) e a metalin-</p><p>guagem (usar</p><p>a linguagem para falar sobre ela mesma).</p><p>INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA</p><p>A capacidade de usar os números de forma efetiva (por exemplo, como matemáti-</p><p>co, contador ou estatístico) e para raciocinar bem (por exemplo, como cientista,</p><p>programador de computador ou lógico). Esta inteligência inclui sensibilidade a pa-</p><p>drões e relacionamentos lógicos, afirmações e proposições (se-então, causa-efei-</p><p>to), funções e outras abstrações relacionadas. Os tipos de processo usados a</p><p>serviço da inteligência lógico-matemática incluem: categorização, classificação,</p><p>inferência, generalização, cálculo e testagem de hipóteses.</p><p>INTELIGÊNCIA ESPACIAL</p><p>A capacidade de perceber com precisão o mundo visuoespacial (por exemplo, como</p><p>caçador, escoteiro ou guia) e de realizar transformações sobre essas percepções</p><p>(por exemplo, como decorador de interiores, arquiteto, artista ou inventor). Esta</p><p>inteligência envolve sensibilidade à cor, linha, forma, configuração e espaço, e às</p><p>relações existentes entre esses elementos. Ela inclui a capacidade de visualizar, de</p><p>representar graficamente ideias visuais ou espaciais e de orientar-se apropriada-</p><p>mente em uma matriz espacial.</p><p>A seguir veremos como se caracteriza cada uma das inteligências propostas por</p><p>Gardner (ARMSTRONG, 2001, p. 14-15):</p><p>9</p><p>1</p><p>INTELIGÊNCIA CORPORAL-CINESTÉSICA</p><p>Perícia no uso do corpo todo para expressar ideias e sentimentos (por exemplo,</p><p>como ator, mímico, atleta ou dançarino) e facilidade no uso das mãos para pro-</p><p>duzir ou transformar coisas (por exemplo, como artesão, escultor, mecânico ou</p><p>cirurgião). Esta inteligência inclui habilidades físicas específicas, tais como coor-</p><p>denação, equilíbrio, destreza, força, flexibilidade e velocidade, assim como capaci-</p><p>dades proprioceptivas, táteis e hápticas.</p><p>INTELIGÊNCIA MUSICAL</p><p>A capacidade de perceber (por exemplo, como aficionado por música), discriminar (como</p><p>um crítico de música), transformar (como compositor) e expressar (como musicista) for-</p><p>mas musicais. Esta inteligência inclui sensibilidade ao ritmo, tom ou melodia, e timbre de</p><p>uma peça musical. Podemos ter um entendimento figural ou “geral” da música (global,</p><p>intuitivo), um entendimento formal ou detalhado (analítico, técnico), ou ambos.</p><p>INTELIGÊNCIA INTERPESSOAL</p><p>A capacidade de perceber e fazer distinções no humor, intenções, motivações e sen-</p><p>timentos das outras pessoas. Isso pode incluir sensibilidade a expressões faciais, voz</p><p>e gestos; a capacidade de discriminar muitos tipos diferentes de sinais interpessoais;</p><p>e a capacidade de responder efetivamente a estes sinais de uma maneira pragmática</p><p>(por exemplo, influenciar um grupo de pessoas para que sigam certa linha de ação).</p><p>INTELIGÊNCIA INTRAPESSOAL</p><p>Autoconhecimento e a capacidade de agir adaptativamente com base neste con-</p><p>hecimento. Esta inteligência inclui possuir uma imagem precisa de si mesmo (das</p><p>próprias forças e limitações); consciência dos estados de humor, intenções, moti-</p><p>vações, temperamento e desejos; e a capacidade de autodisciplina, autoentendi-</p><p>mento e autoestima.</p><p>INTELIGÊNCIA NATURALISTA</p><p>Perícia no reconhecimento e classificação das numerosas espécies – a flora e a</p><p>fauna – do meio ambiente do indivíduo. Inclui também sensibilidade a outros</p><p>fenômenos naturais (por exemplo, formação de nuvens e montanhas) e, no caso</p><p>das pessoas que cresceram num meio ambiente urbano, a capacidade de discrimi-</p><p>nar entre seres inanimados como carros, tênis e capas de CDs musicais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>Figura 4 – Tipos de inteligências múltiplas / Fonte: https://bit.ly/44Hm9YY. Acesso em: 13 jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta um esquema em que se relacionam os seguintes elementos, a</p><p>partir do centro, ilustrado por uma lâmpada sobre fundo amarelo: “Espacial - visual” (compreender imagens e</p><p>produções gráficas), representado por um desenho de máquina fotográfica, sobre fundo verde; “Verbo-linguísti-</p><p>ca” (analisar informações e produzir trabalhos envolvendo linguagem), representado por um desenho de folhas</p><p>de papel escritas, sobre fundo vermelho; “Interpessoal” (reconhecer e entender os sentimentos, motivações e</p><p>intenções de outras pessoas), representado por desenho de duas pessoas, sobre fundo verde; “Intrapessoal”</p><p>(conhecer a si mesmo, seus sentimentos, desejos e personalidade), representado por um desenho de uma</p><p>pessoa, sobre fundo laranja; “Naturalista” (identificar e distinguir entre diferentes tipos de plantas, animais e</p><p>fenômenos da natureza), representado por um desenho de planta, sobre um fundo azul; “Corporal-sinestésica”</p><p>(coordenar e utilizar seu próprio corpo para criar ou resolver problemas), representado por um desenho de</p><p>um corpo em movimento, sobre um fundo roxo; “Musical” (Produzir e compreender diferentes tipos de som),</p><p>representado por uma imagem de clave musical, sobre um fundo azul claro; “Lógico-matemática” (desenvolver</p><p>equações, fazer cálculos e resolver problemas), representado por um gráfico, sobre fundo laranja claro.</p><p>9</p><p>1</p><p>É interessante destacar que não é somente o psicólogo Gardner que traba-</p><p>lha com o conceito de Inteligências Múltiplas, mas também outros pesquisa-</p><p>dores, como Daniel Goleman (Universidade de Havard), Robert Emmons</p><p>(Universidade de Califórnia) e Nilson José Machado (Universidade de São</p><p>Paulo – USP). As abordagens sobre as múltiplas inteligências não se restrin-</p><p>gem em apenas oito inteligências existentes. Sabe-se recentemente que há</p><p>mais de 12 tipos de inteligências diferentes estudadas e trabalhadas. Cam-</p><p>pbell, Campbell, Dickinson (2000) e Antunes (2002) resumem os 12 tipos</p><p>de inteligências estudas na atualidade:</p><p>NOME DA</p><p>INTELIGÊNCIA</p><p>AUTOR E</p><p>DATA DA</p><p>PROPOS-</p><p>TA</p><p>SÍNTESE DA INTELIGÊNCIA</p><p>1</p><p>Verbo-linguís-</p><p>tica</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>Está relacionada ao uso das palavras, tanto na forma</p><p>falada ou oral quanto na escrita. Expressa a capacidade</p><p>de processar rapidamente mensagens linguísticas, de</p><p>ordenar palavras e de dar sentido lúcido às mensagens. É</p><p>dentro dessa inteligência que se encontra a retórica, ou</p><p>seja, a capacidade de convencer o próximo. É com essa</p><p>inteligência que se pode entender porque algumas pes-</p><p>soas têm mais facilidade em aprender outros idiomas.</p><p>2</p><p>Viso-espacial</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>Expressa a habilidade para pensar de maneira tridimen-</p><p>sional (comprimento, largura e altura), além de perceber,</p><p>criar e modificar imagens. Expressa a capacidade em</p><p>produzir e entender informações gráficas, bem como a</p><p>capacidade de perceber o mundo visual com precisão. É</p><p>muito desenvolvida nas pessoas que têm grande facilida-</p><p>de de localização espacial e geográfica.</p><p>3</p><p>Lógico-mate-</p><p>mática</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>Expressa a capacidade de calcular, quantificar, considerar</p><p>proposições e hipóteses e realizar operações matemáticas,</p><p>desde as mais simples até as mais complexas. Expressa</p><p>a sensibilidade e capacidade de discernir padrões lógicos</p><p>ou numéricos, capacidade de lidar com longas cadeias de</p><p>raciocínio e facilidade para o cálculo e para a percepção</p><p>da geometria espacial. Diversos estudos mostram que as</p><p>pessoas que possuem essa inteligência muito desenvolvi-</p><p>da têm algumas características específicas. Normalmente</p><p>são pontuais e não admitem atrasos, de qualquer espécie.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>4</p><p>Cinestésico-</p><p>corporal</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>O termo cinestésico está relacionado aos movimentos do</p><p>corpo. Também é conhecido como a inteligência dos es-</p><p>portistas. Expressa a capacidade de manipular objetos e</p><p>de expressão corporal ou ainda dos que têm a capacidade</p><p>para usar seu corpo por inteiro ou partes dele. É típica</p><p>dos atletas, dançarinos, cirurgiões, artesões, coreógrafos,</p><p>mímicos e escultores. Essa inteligência não está apenas</p><p>relacionada à capacidade física ou força muscular, mas</p><p>também a sentidos como tato, olfato e paladar.</p><p>5</p><p>Musical</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>É expressa através da habilidade para a composição,</p><p>entoação, melodia, o ritmo e o tom,</p><p>bem como é comum</p><p>às pessoas que gostam de ouvir música e têm habilidade</p><p>para tocar instrumentos musicais. É a inteligência que se</p><p>desenvolve mais precocemente, podendo-se observar</p><p>como as crianças, especialmente os bebês, gostam de</p><p>música. Essa inteligência explica porque algumas pessoas</p><p>adoram ouvir músicas e constantemente ficam batucando</p><p>na mesa, mesmo durante reuniões de trabalho.</p><p>6</p><p>Interpessoal</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>Em síntese é a capacidade de compreender e interagir</p><p>com outras pessoas. É característica de quem sabe ouvir,</p><p>aconselhar, consolar, sugerir e motivar outras pessoas.</p><p>A facilidade para criar e manter relacionamentos sociais</p><p>são características dessa inteligência. Ela também se</p><p>manifesta através do humor e do espírito de liderança</p><p>situacional, ou seja, um líder que se adapta às necessida-</p><p>des do momento, não sendo carismático nem autocrático.</p><p>A pessoa estilo “vaselina”, ou seja, escorregadia ou que</p><p>muda de assunto ou se adapta a qualquer situação, tem</p><p>essa inteligência bem desenvolvida.</p><p>9</p><p>4</p><p>7</p><p>Intrapessoal</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1983</p><p>Expressa a capacidade em construir uma percepção pro-</p><p>funda de si mesmo, bem como para planejar e direcionar</p><p>sua vida. Está relacionada à autoestima. É típica da pes-</p><p>soa que se conhece (e se gosta) e sabe os seus limites. É</p><p>a inteligência do seu mundo interior. Motivação, deter-</p><p>minação, ética, honestidade, integridade moral, empatia</p><p>e altruísmo são as grandes características desse tipo de</p><p>inteligência. Inclui nossos pensamentos e sentimentos. É</p><p>forte nas pessoas que transformam erros em aprendiza-</p><p>dos.</p><p>8</p><p>Pictórica</p><p>Nilson</p><p>José Ma-</p><p>chado, em</p><p>1994</p><p>O termo “pictórica” refere-se à pintura, traços e símbolos.</p><p>O professor Nilson José Machado defendeu em 1994 o</p><p>seu trabalho de Livre-Docência, na USP, onde comple-</p><p>mentando os conceitos de Gardner, propôs a existência</p><p>da inteligência pictórica formando um par complementar</p><p>com a musical, ao lado dos outros três pares: Inter/Intra-</p><p>pessoal, Corporal/Espacial e Verbo-Linguística/Lógico-</p><p>-Matemática. Essa inteligência pode ser identificada pela</p><p>capacidade de expressão por meio do traço, sensibilidade</p><p>para o movimento, beleza e expressão a desenhos e pin-</p><p>turas e pela autonomia em apanhar as cores da natureza</p><p>e traduzi-las de várias formas. Essa capacidade pode ser</p><p>expressa tanto pela pintura artística clássica quanto pelo</p><p>desenho publicitário, bem como por caricaturas e traços</p><p>humorísticos.</p><p>9</p><p>Emocional</p><p>Daniel</p><p>Goleman,</p><p>em 1995</p><p>Está relacionada à emoção e como um equilíbrio entre as</p><p>inteligências inter e intrapessoal. Uma pessoa com forte</p><p>inteligência emocional possui fortes inteligências inter</p><p>e intrapessoal e um perfeito equilíbrio entre elas. Cada</p><p>vez mais esse tipo de inteligência vem sendo valorizado,</p><p>principalmente nas empresas e instituições que precisam</p><p>de gestores e dirigentes com grande equilíbrio emocional,</p><p>para poder ter tranquilidade e raciocínio estratégico diante</p><p>das pressões e mudanças quase que diárias. Essa inteli-</p><p>gência está relacionada a aspectos como: autoconsciên-</p><p>cia, sentimentos, motivação, empatia e relacionamento</p><p>social. Até em tom de brincadeira pode-se dizer que uma</p><p>pessoa muito nervosa, o famoso “pavio curto”, tem baixa</p><p>inteligência emocional (ou algum problema orgânico ou</p><p>mental).</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 4</p><p>10</p><p>Naturalista</p><p>Howard</p><p>Gardner,</p><p>em 1996</p><p>Refere-se à capacidade de observar padrões da natureza,</p><p>identificando, classificando objetos e compreenden-</p><p>do, tanto os sistemas naturais quanto os criados pelo</p><p>homem. Pertence especialmente aos apaixonados pela</p><p>natureza. Com certeza é a inteligência do novo milênio.</p><p>Pacifistas, naturalistas, ecologistas, geógrafos, jardineiros,</p><p>fazendeiros, biólogos, botânicos, agrônomos, médicos</p><p>veterinários e paisagistas estão entre as pessoas com for-</p><p>te inteligência naturalista. Pessoas que apreciam o nascer</p><p>e o pôr do sol, que curtem olhar a chuva batendo no chão,</p><p>que passam horas contemplando uma cachoeira, que</p><p>observam o canto e os ninhos de pássaros (mesmo os</p><p>urbanos), que se encantam com o voo do beija-flor e que</p><p>se emocionam ao ver gatinhos mamando na gata, são</p><p>exemplos de pessoas com forte inteligência naturalista.</p><p>11</p><p>Existencial</p><p>Robert</p><p>Emmons,</p><p>em 2000</p><p>É a capacidade da pessoa em articular questionamentos</p><p>éticos, filosóficos e religiosos. De onde vim? Quem sou eu?</p><p>Para onde vou? Deus existe? Como podemos explicar a</p><p>existência de Deus? Como a terra foi criada? Por que exis-</p><p>te o mal? Para onde está indo a humanidade? Existe signi-</p><p>ficado na vida? São questões típicas das pessoas que têm</p><p>essa inteligência bem desenvolvida. Ao mesmo tempo,</p><p>existem muitas pessoas que vivem toda uma vida e jamais</p><p>expressam essas preocupações. Gardner a define como</p><p>relacionada às perguntas básicas sobre a vida, a morte e</p><p>o universo, bem como às experiências fortes como o amor</p><p>por alguém ou a total imersão num trabalho de arte.</p><p>12</p><p>Social</p><p>Daniel</p><p>Goleman,</p><p>em 2006</p><p>Segundo Goleman, o cérebro pode ser moldado pelas práti-</p><p>cas e interações sociais. Mais do que alterar o comporta-</p><p>mento, as interações sociais delineiam novos mecanismos</p><p>cerebrais através da neuroplasticidade, ou seja, essas</p><p>interações sociais moldam a forma, o tamanho e o número</p><p>de neurônios. Segundo ele, tanto as experiências negati-</p><p>vas quanto as positivas com as pessoas com as quais nos</p><p>relacionamos, após anos, podem moldar nosso cérebro.</p><p>Goleman ainda afirma que a convivência faz com que</p><p>imitemos o modo de agir de outras pessoas. Podem ser</p><p>apontados os seguintes aspectos relevantes da Inteligên-</p><p>cia Social: empatia; captação de sinais não verbais do com-</p><p>portamento humano; harmonia nas relações interpessoais;</p><p>respeito às emoções e sentimentos alheios equilíbrio entre</p><p>competitividade no trabalho e qualidade de vida.</p><p>Quadro 2 – Síntese das 12 inteligências múltiplas / Fonte: adaptado de Abrantes (2009)</p><p>9</p><p>1</p><p>Para entender melhor a proposta de inteligências múltiplas</p><p>de Howard Gardner e como ela tem sido aplicada no mundo,</p><p>convidamos você a acessar uma conferência proferida pelo</p><p>psicólogo norte-americano, disponível no canal do Youtube.</p><p>Use o QR-Code para acessá-la. (Howard Gardner – Para cada</p><p>pessoa, um tipo de educação).</p><p>EU INDICO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem! Diante do exposto, alguns</p><p>pontos são necessários deixar claro quando falamos em teoria das inteligências</p><p>múltiplas. O primeiro ponto é que toda pessoa possui todas as oito ou mais</p><p>inteligências propostas pelos pesquisadores. Entretanto, as pessoas desenvol-</p><p>vem algumas em um grau alto e outras nem tanto. A maioria das pessoas pode</p><p>desenvolver cada inteligência num nível adequado de competência. Além disso,</p><p>as inteligências, na abordagem de Gardner, normalmente funcionam juntas de</p><p>maneira complexa, ou seja, as inteligências estão sempre interagindo umas com</p><p>as outras (ARMSTRONS, 2001).</p><p>Portanto, lembremos que existem muitas maneiras de ser inteligente se-</p><p>gundo as teorias das inteligências múltiplas, pois cada indivíduo pode ser inte-</p><p>ligente na categoria que houver maior estímulo e desenvolvimento. Para Arms-</p><p>trong (2001, p. 22), “não existe um conjunto-padrão de atributos que precisamos</p><p>ter para sermos considerados inteligentes numa área específica”. Dito de outro</p><p>modo, uma pessoa pode não ser alfabetizada de maneira formal na escola, mas</p><p>ser altamente linguística, pois consegue contar histórias surpreendentes e ter um</p><p>rico vocabulário oral.</p><p>UNIASSELVI</p><p>9</p><p>1</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=tLHrC1ISPXE</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. Segundo a teoria das inteligências múltiplas de Gardner, a posse de uma inteligência</p><p>é considerada um potencial. Essa afirmação quer dizer que:</p><p>a) Possuir uma inteligência enquanto potencial é se identificar com uma inteligência</p><p>específica: lógico-matemática, linguística, cinestésica-corporal, musical, espacial,</p><p>interpessoal, intrapessoal</p><p>em habilida-</p><p>des e competências intelectuais e não conseguir controlar as próprias emoções.</p><p>Seguindo essa linha de raciocínio, Roberts, Flores-Mendoza e Nascimento</p><p>(2002) acrescentam que a inteligência emocional de uma pessoa possibilita</p><p>que se anteveja seu futuro desempenho profissional. Por isso, as empresas têm</p><p>procurado analisar as habilidades cognitivas, comportamentais e emocionais,</p><p>antes de efetuar a contratação de profissionais. Para Santos, Almeida e Lemos</p><p>(1999, p. 401), “[...] ser emocionalmente inteligente está se tomando requisito</p><p>imprescindível para todo profissional”, principalmente porque o mercado de</p><p>trabalho tem se mostrado cada vez mais competitivo, na medida em que passa a</p><p>ser mediado por dispositivos tecnológicos e apresenta baixos níveis de emprego,</p><p>aumentando assim a concorrência e a disputa por uma vaga de trabalho entre os</p><p>desempregados. Portanto, as pessoas que têm investido no desenvolvimento de</p><p>sua inteligência emocional estão apresentando um diferencial, potencializando</p><p>sua empregabilidade.</p><p>a inteligência não é</p><p>uma habilidade de</p><p>teor exclusivamente</p><p>cognitivo</p><p>Santos, Almeida e Lemos (1999, p. 403) são ainda mais contundentes ao</p><p>declararem que "[...] não existe mais espaço para o profissional que não consegue</p><p>desenvolver habilidades de compreender como se efetuam os mecanismos de</p><p>manejo relacionados ao controle, estabilização e utilização das emoções".</p><p>Por essas e outras, a inteligência emocional vem sendo discutida em inúmeros</p><p>países, e diversas áreas do conhecimento têm contribuído nos estudos sobre ela.</p><p>Por isso, ela está se caracterizando como uma temática de interesse multidis-</p><p>ciplinar. Algumas áreas que estão se debruçando sobre ela são a Psicologia, a</p><p>Sociologia, a Comunicação Social, a Administração, a Medicina, a Biologia e</p><p>a Educação (GONZAGA; MONTEIRO, 2011).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>Além de ampliarem as chances no mercado de trabalho, as pessoas que são mais</p><p>hábeis no comando das próprias emoções provavelmente desfrutam de melhor</p><p>qualidade de vida (ROBERTS; FLORES-MENDOZA; NASCIMENTO, 2002).</p><p>Por que? Porque ter capacidade para coordenar o que pensam e o que sentem,</p><p>provavelmente lhes dá possibilidades mais eficazes de:</p><p>■ terem um melhor relacionamento consigo mesmas;</p><p>■ enfrentarem circunstâncias adversas;</p><p>■ conquistarem seus objetivos;</p><p>■ lutarem por seus sonhos;</p><p>■ se portarem diante dos relacionamentos interpessoais, envolvendo fa-</p><p>mília, amigos etc.;</p><p>■ conduzirem adequadamente uma negociação quando forem comprar</p><p>ou vender algo.</p><p>Talvez seja mais fácil entender que o desenvolvimento da inteligência emocional</p><p>possibilite que uma pessoa seja "bem resolvida" consigo mesmo.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Mas será que esse atributo poderia interferir nos relacionamentos com outras</p><p>pessoas?</p><p>1</p><p>1</p><p>"Acredita-se que ela [Inteligência Emocional] esteja associada à capacidade das</p><p>pessoas de perceber e gerenciar suas próprias emoções assim como perceber</p><p>e, porque não, conduzir as dos outros (ROBERTS; FLORES-MENDOZA;</p><p>NASCIMENTO, 2002, p. 89).</p><p>Caso você discorde que a inteligência emocional dá o poder de "conduzir as</p><p>emoções de outrem", ao menos, faça o exercício de imaginar uma situação ten-</p><p>sa entre duas pessoas. Pode ser no contexto jurídico, por exemplo, dois advoga-</p><p>dos oponentes em uma audiência. Se aquele que dispõe de uma inteligência</p><p>emocional mais desenvolvida não puder interferir diretamente nas emoções do</p><p>outro advogado, ao menos terá uma suposta vantagem por conseguir mant-</p><p>er-se calmo, concentrado na ocasião, assumindo uma postura mais profission-</p><p>al. O advogado opositor, por sua vez, poderá perder a assertividade, entregar-se</p><p>por completo às emoções e perder as estribeiras no tribunal.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>É possível que você esteja pensando que desenvol-</p><p>ver a inteligência emocional lhe dará garantias de</p><p>sucesso na vida pessoal, familiar, profissional etc.</p><p>No entanto, é necessário clarificar que a inteligência</p><p>emocional pressupõe um construto psicológico que</p><p>surgiu há pouco tempo, além de apresentar um cam-</p><p>po conceitual complexo, se considerarmos o estilo e material de seu conteúdo.</p><p>Consequentemente, tem demonstrado dificuldades metodológicas (WOYCIE-</p><p>KOSKI; HUTZ, 2009).</p><p>Tanto as investigações quanto os debates em torno da inteligência emocional</p><p>ainda estão em estágio inicial, portanto, há impasses conceituais, além dos meto-</p><p>dológicos, cujas medidas necessitam ser aprimoradas. Por exemplo: a inteligência</p><p>emocional diz respeito a um tipo específico de inteligência, ou seria mais adequa-</p><p>do enquadrá-la no campo da personalidade? É possível medir, mensurar o grau</p><p>de inteligência emocional de cada pessoa? (ROBERTS; FLORES-MENDOZA;</p><p>NASCIMENTO, 2002).</p><p>a inteligência</p><p>emocional</p><p>pressupõe</p><p>um construto</p><p>psicológico</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>Essas são apenas algumas perguntas que permanecem sem respostas conclu-</p><p>sivas sobre essa temática, alguns questionamentos que dividem opiniões entre os</p><p>pesquisadores. Mas não é por ser um conhecimento que está em fase de cons-</p><p>trução (se é que algum conhecimento pode-se afirmar como completamente</p><p>concluído) que deve ser desprezado.</p><p>Sendo assim, agora que você já tem uma noção do que a inteligência emo-</p><p>cional abrange e de como anda o desenvolvimento de suas pesquisas, vamos</p><p>aprofundar um pouco mais esse conceito?</p><p>“ A inteligência emocional (IE) constitui um campo de estudo que</p><p>reúne pesquisas extensivas sobre a inter-relação entre pensamen-</p><p>tos, sentimentos e habilidades. Sobretudo, investigam-se as reações</p><p>e interpretações emocionais de sujeitos, bem como a função das</p><p>emoções no comportamento inteligente. A consideração das in-</p><p>terações entre cognição e emoção poderia resultar no reconheci-</p><p>mento da capacidade do homem em lidar com suas emoções de</p><p>forma inteligente e compatível com seus mais caros objetivos de</p><p>vida (WOYCIEKOSKI; HUTZ, 2010, p. 152).</p><p>Essa citação parece se articular aos tópicos que foram listados nos parágrafos</p><p>anteriores, sobre a forma de lidar com os relacionamentos, sonhos, situações</p><p>funestas etc. Assim, passa-se a fortificar a ideia de que o ser humano tem virtudes</p><p>que lhe permite direcionar seu estado emocional de modo perspicaz, em sintonia</p><p>com seus propósitos de vida.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Acadêmico, essas frases disparam algum gatilho de memória de cunho religio-</p><p>so em você? Parecem assemelhar-se às ideias contidas nos versículos bíblicos</p><p>que seguem?</p><p>1</p><p>4</p><p>■ "Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o</p><p>seu espírito do que conquistar uma cidade". Provérbios 16:32</p><p>■ "Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe</p><p>dominar-se". Provérbios 25:28</p><p>■ "Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bonda-</p><p>de, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei".</p><p>Gálatas 5:22-23 (BÍBLIA ON, 2019, on-line, grifo do autor).</p><p>Quiçá, as frases que você tem lido neste material estão lhe fazendo recordar das</p><p>"filosofias" orientais que enfatizam o aniquilamento da ira.</p><p>Na concepção de Agüera (2008), a ideia de não se deixar apoderar-se pelas</p><p>paixões remonta à Idade Antiga, sendo Platão, um filósofo que a defendia. Na</p><p>filosofia platônica, as paixões e sensações pertencem ao mundo das ilusões e das</p><p>ideias imperfeitas . Para o pensador, não devemos nos conduzir pelas paixões,</p><p>pois as paixões são efêmeras e passageiras.</p><p>Porventura, você que conhece um pouco sobre abordagens relacionadas à</p><p>Psicologia, está se perguntando se a contenção das emoções pode causar danos</p><p>psicológicos à pessoa que tem buscado frear as emoções que julga nocivas para</p><p>ela. Porém, o que acontece com as pessoas que soltam totalmente os freios e</p><p>lançam-se por inteiro aos impulsos emocionais? Será que elas correm riscos de</p><p>desenvolver psicopatologias? E o que dizer das perdas (que poderiam ser evita-</p><p>das) que elas podem sofrer em seu cotidiano?</p><p>Só para constar, o desregramento emocional pode acarretar:</p><p>TÉRMINO DE RELACIONAMENTOS</p><p>amorosos/familiares/profissionais/amigáveis.</p><p>ou naturalista.</p><p>b) A teoria das inteligências múltiplas de Gardner é pensada como um potencial, em</p><p>que o indivíduo em posse de uma inteligência não tem qualquer circunstância que o</p><p>impeça de a utilizar.</p><p>c) A teoria das inteligências múltiplas de Gardner é pensada como potencial, pois con-</p><p>sidera que todos têm a mesma capacidade de utilizar sua inteligência.</p><p>d) Tal afirmação que dizer que o indivíduo terá posse de uma inteligência apenas quando</p><p>for submetido aos testes de QI.</p><p>2. Os estudos recentes acerca da inteligência constatam que não há uma única inteli-</p><p>gência, uniforme e igual para todos, mas uma multiplicidade de inteligências, que são</p><p>independentes entre si. O psicólogo americano Howard Gardner descreve em seu livro</p><p>Estrutura da mente a existência de, no mínimo, oito tipos de inteligências humanas.</p><p>Diante do exposto, assinale a alternativa que apresenta as oito inteligências propostas</p><p>por Gardner:</p><p>a) Linguística, musical, interpessoal, sobrenatural, existencial, naturalista e espacial.</p><p>b) Espacial, linguística, naturalista, social, emocional, interpessoal, intrapessoal e lógi-</p><p>co-matemática.</p><p>c) Lógico-matemática, cinestésica-corporal, musical, interpessoal, naturalista, linguís-</p><p>tica, espacial e existencial.</p><p>d) Lógico-matemática, linguística, cinestésica-corporal, musical, espacial, interpessoal</p><p>intrapessoal e naturalista.</p><p>9</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABRANTES, J. A pedagogia empresarial nas organizações que aprendem. Rio de Ja-</p><p>neiro: WAK, 2009.</p><p>ABRANTES, J.; ABRANTES, M. H. B. Por que as mulheres são mais inteligentes que os</p><p>homens? Rio de Janeiro: Wak, 2009, 144 p.</p><p>ANTUNES, C. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências. 11. ed. Petrópolis,</p><p>Rio de Janeiro: Vozes, 2002.</p><p>ARMSTRONG, T. Inteligências múltiplas na sala de aula. Porto Alegre: ArtMed, 2001.</p><p>CAMPBELL, L.; CAMPBELL, B.; DICKINSON, D. Ensino e aprendizagem por meio das inte-</p><p>ligências Múltiplas. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.</p><p>GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. ed. 2. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 1995.</p><p>GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2002.</p><p>GÁSPARI, J. C. de; SCHWARTS, G. M. Inteligências Múltiplas e Representações. Psicologia:</p><p>teoria e pesquisa, Brasília, v. 18 n. 3, p. 261-266, set./dez. 2002.</p><p>PARENTE, E. O. de; NASCIMENTO, R. O. do; VIEIRA, L. J. E. S. de. Enfrentamento da violência</p><p>doméstica por um grupo de mulheres após a denúncia. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 17,</p><p>n. 2, p. 445-465, ago. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S0104-026X2009000200008&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>SMOLE, K. C. S. Múltiplas inteligências na prática escolar. Brasília,DF,: Ministério da Edu-</p><p>cação, Secretaria de Educação a Distância, 1999.</p><p>9</p><p>9</p><p>1. b - A teoria das inteligências múltiplas de Gardner é pensada como um potencial, em que</p><p>o indivíduo em posse de uma inteligência não tem qualquer circunstância que o impeça</p><p>de a utilizar.</p><p>2. d - Lógico-matemática, linguística, cinestésica-corporal, musical, espacial, interpessoal</p><p>intrapessoal e naturalista.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO</p><p>Conhecer conceitos que permeiam o universo da inteligência emocional</p><p>como resiliência humana, coping e buffers.</p><p>Conhecer as estratégias de enfrentamento frente às situações adversas da</p><p>vida e do trabalho.</p><p>Compreender como as estratégias de enfrentamento são importantes para</p><p>a saúde física e psíquica.</p><p>Compreender as condições de reconfigurar o significado da situação viven-</p><p>ciada e superar a condição de vulnerabilidade diante da situação adversa.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 5</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>Enfrentamento. Você já pensou um pouco sobre os sentidos dessa palavra?</p><p>Antes de continuar a leitura, escreva o que você compreende sobre “enfrentamen-</p><p>to”. Resista à vontade de prosseguir a leitura antes de fazer isso e também suporte</p><p>a volição de recorrer aos dicionários ou às buscas na internet para registrar sig-</p><p>nificados “corretos”. Será que o enfrentamento está relacionado ao otimismo e</p><p>ao pessimismo? Possivelmente você já leu em algum livro ou em alguma posta-</p><p>gem das redes sociais que é aquilo que acontece conosco que determina a nossa</p><p>infelicidade. O que nos deixa infelizes (ou não) é a nossa atitude frente ao que</p><p>acontece conosco.</p><p>Assim, enfrentamento, tem relação com confrontação, com embate, com</p><p>conflito, com oposição, com contraposição. Mas, enfrentar também envolve</p><p>encontro. Diante de situações adversas, as pessoas podem se deparar com choque</p><p>e tumultos, contudo, pode acarretar em conflitos que tenham desfechos constru-</p><p>tivos. Um verdadeiro encontro consigo mesmo e um crescimento pessoal. Sendo</p><p>assim, esse tema está relacionado às formas de enfrentamento que visam abreviar</p><p>ou amenizar o sofrimento, por isso o constructo otimismo-pessimismo está</p><p>sim abrangido. Afinal, o otimismo representa pensamentos e atitudes positivos</p><p>(impressões agradáveis, ter percepções esperançosas, satisfatórias, gratificantes)</p><p>enquanto o pessimismo está vinculado à deformação derrotista das expectativas,</p><p>contando sempre que o pior está por vir – portanto, uma visão negativa da vida</p><p>(OMAR et al., 2011).</p><p>Você aprenderá sobre dois conceitos diretamente vinculados às ações de en-</p><p>frentamento: resiliência e coping. Depois, você terá contato com pesquisas acer-</p><p>ca das relações entre coping e espiritualidade. Por fim, averiguará alguns estudos</p><p>sobre o coping na vida adulta.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>CONCEITOS RELATIVOS ÀS ESTRATÉGIAS DE</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>Duas palavras que costumam aparecer nos livros e artigos que discorrem sobre</p><p>estratégias de enfrentamento são resiliência e coping. Veremos seus conceitos</p><p>nos subtópicos a seguir!</p><p>Resiliência</p><p>Embora existam controvérsias sobre as origens da construção do conceito de</p><p>resiliência em psicologia, há quem diga que esse conceito foi apropriado pela</p><p>psicologia a partir de sua utilização na física (BRANDÃO; MAHFOUD; GIA-</p><p>NORDOLI-NASCIMENTO, 2011).</p><p>“ Físicos e engenheiros utilizam a noção de módulo de resiliência para</p><p>calcular a quantidade máxima de energia que um dado material</p><p>pode absorver ao ser submetido a determinado impacto, deforman-</p><p>do-se sem se romper e voltando posteriormente à forma primitiva.</p><p>Tal noção relaciona-se ao limite de elasticidade do material (BRAN-</p><p>DÃO; MAHFOUD; GIANORDOLI-NASCIMENTO, 2011, p. 264).</p><p>Assim, a mola tem sido apresentada como um exemplo de resiliência, já que</p><p>ela pode ser distendida ou pressionada. Quando o estímulo para distender ou</p><p>pressionar cessa, ela geralmente volta ao seu estado original, sem ser danificada.</p><p>Figura 1 – Mola: Símbolo da Resiliência</p><p>Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/</p><p>commons/f/f3/2006-02-04_Metal_spiral.jpg.</p><p>Acesso em: 31 jul. 2023.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta uma mola, de metal,</p><p>sobre um fundo branco.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>A resiliência também aparece na Ciência do Solo, que “a resiliência do solo refe-</p><p>re-se à sua habilidade em recuperar-se da degradação (ou do estresse a que foi</p><p>submetido [...]” (BAVOSO et al., 2012, p. 1893). Isto é, a resiliência é a capacidade</p><p>que o solo manifesta quando é submetido a períodos em que é molhado, ume-</p><p>decido, enxuto, congelado, descongelado, por exemplo.</p><p>Figura 2 – Resiliência do Solo</p><p>https://www.colegioweb.com.br/wp-content/</p><p>uploads/2013/12/Esgotamento-Solo.jpg. Acesso em:</p><p>31 jul. 2023.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta um solo</p><p>seco, de cor terrosa, vê-se as rachaduras desse solo e</p><p>pequenas vegetações ressecadas.</p><p>A partir desses exemplos sobre aplicação da palavra “resiliência”, fica fácil in-</p><p>ferir que, no que diz respeito ao comportamento humano, a resiliência está</p><p>relacionada com a capacidade de superar os contratempos e infortúnios, para</p><p>em seguida erguer-se com mais resistência e forças dos percalços e dissabores</p><p>(OMAR</p><p>et al., 2011).</p><p>Para Omar et al. (2011), a resiliência abrange fatores protetivos que ajudam a</p><p>pessoa a se adaptar aos imprevistos e aos revezes que a vida apresenta. Assim,</p><p>a pessoa possui recursos para contornar aborrecimentos, responder positiva-</p><p>mente aos desafios e preservar-se diante de situações alarmantes ou perigo-</p><p>sas. Isso não significa que pessoas resilientes sejam inatingíveis por problemas</p><p>ou imunizadas a acontecimentos desagradáveis. Elas não são impermeáveis às</p><p>dificuldades ou às agruras do dia a dia.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Se essas pessoas têm a mesma propensão para se deparar aos obstáculos, o</p><p>que as diferencia das demais?</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>A resposta para essa pergunta é a capacidade delas de encarar, solucionar as</p><p>eventualidades e, ainda por cima, sair das situações adversas mais fortalecidas,</p><p>revigoradas, e talvez até mais animadas.</p><p>Por vezes, a vida nos oferece situações inesperadas que demandam uma transi-</p><p>ção psicossocial de cada um. Essa transição pode acontecer ou não. A pessoa pode</p><p>permitir se moldar pelas intempéries e mudar, atravessar uma completa jornada</p><p>de transformação, ou pode prostrar-se e desistir de agir. Aceitar ser engolida pelos</p><p>apertos e permanecer tal qual era antes de conhecê-los. As pessoas que se levantam</p><p>e se dispõem a encarar os desafios e adotam uma postura positiva tendem a usufruir</p><p>de um estado de saúde mais favorável, conhecido como “bem-estar”.</p><p>O conceito de “bem-estar” está intimamente ligado à qualidade de vida, uma</p><p>vez que abarca a percepção do estado de satisfação em termos físicos, mentais</p><p>e sociais. Trata-se de uma sensação de conforto ou de tranquilidade, quiçá</p><p>até de felicidade, atrelada à saúde, às relações familiares, ao trabalho, à vida</p><p>financeira, à vida acadêmica e ao relacionamento consigo mesmo (autoconcei-</p><p>to). Os indicadores relativos ao bem-estar possuem componentes objetivos e</p><p>subjetivos (OMAR et al., 2011).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Que tal uma metáfora para a resiliência? Há uma música bastante curiosa, dispo-</p><p>nível em vários sites na internet, que fala sobre dois sapos que caíram num barril</p><p>de leite. Um deles ficou desanimado, interpretou esse infortúnio como a hora da</p><p>sua morte e assim feneceu, expirou. O outro sapo se recusou a se dar por vencido.</p><p>Ele defrontou a situação, batalhou com toda a sua força, movimentou suas pernas</p><p>exaustivamente e, para sua surpresa, o leite acabou virando manteiga. Assim, ele</p><p>se firmou sobre a consistência sólida da manteiga e, num impulso, projetou o</p><p>corpo para fora desse barril.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Outro exemplo para a resiliência: vamos supor que uma senhora idosa es-</p><p>teja sofrendo há anos pela morte de um de seus filhos e um dia ela resolve pedir</p><p>que suas filhas a acompanhem até um banco para realizar uma transação bancária</p><p>trivial. Nessa ocasião, surgem alguns criminosos que, fortemente armados, ren-</p><p>dem todos os funcionários e clientes, ameaçando-os com armas apontadas para</p><p>suas cabeças. A senhora vê suas filhas na mira do revólver. Ela mesma se torna</p><p>mira de pistolas dos delinquentes.</p><p>Por fim, todos saem com as vidas ilesas, sem nenhum arranhão. Pode-se dedu-</p><p>zir que o sofrimento dela se avolume, pois estar no alvo de qualquer armamento</p><p>pressupõe uma situação altamente chocante e inclinada a ficar marcada como</p><p>uma experiência emocional desagradável.</p><p>No entanto, vamos supor que essa senhora diga, após o sobressalto: “Ver mi-</p><p>nhas filhas sob a ponta da carabina me fez pensar que apesar de ter perdido um</p><p>filho, elas permanecem vivas. E devo ter forças por elas”.</p><p>A partir de então, a idosa começa a gastar menos tempo se lamentando pela</p><p>morte do filho e, dia após dia, consegue adotar um estilo de vida mais emocio-</p><p>nalmente saudável, demonstrando que ela conseguiu mover-se para cima do seu</p><p>estado de luto. Isso significa que ela foi resiliente à investida dos marginais e que</p><p>ela finalmente ascendeu ao dissabor.</p><p>Assim, a resiliência pode estar associada a atitudes otimistas, com a capaci-</p><p>dade de brincar com emoções construtivas e esperançosas, bem como com a</p><p>inteligência emocional.</p><p>A resiliência é a propensão a se ajustar com triunfo</p><p>às adversidades ou às ocasiões temerárias e arris-</p><p>cadas. Essa capacidade pode ser desenvolvida</p><p>com o transcorrer do tempo.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Coping</p><p>Vez ou outra a vida se mostra surpreendente, com casualidades e com ocor-</p><p>rências inesperadas. Parte delas parece exigir de nós forças para além do que</p><p>temos e coragem quando estamos tomados pelo medo. Nós achamos que não</p><p>conseguiremos lidar com os desafios ou com as objeções que a vida nos impõe.</p><p>A sensação de tensão que experimentamos nessas ocasiões são chamadas de</p><p>estresse (BUSNELLO; SCHAEFER; KRISTENSEN, 2009).</p><p>Contudo, o evento estressor não é o único elemento que ocasiona o estresse</p><p>propriamente dito numa pessoa. O impacto de um evento estressor não de-</p><p>pende unicamente da qualidade desse evento ou nas suas particularidades.</p><p>Outra variável que estipula a proporção do impacto que o evento estressor exerce</p><p>é a forma pela qual a pessoa o interpreta, lida com ele e reage a ele.</p><p>Sendo assim, conforme Omar et al. (2011), o coping diz respeito às respostas</p><p>emocionais para administrar e sobrelevar o estresse. Essas respostas emocionais</p><p>englobam as percepções, as emoções, os comportamentos da pessoa frente às</p><p>mudanças ou às adaptações que são necessárias. Trata-se de um modo de inte-</p><p>ragir com os eventos estressores ou com a sensação interna de estresse. Tem a ver</p><p>com a habilidade de enfrentar as circunstâncias e manobrar as emoções como a</p><p>ansiedade e o medo.</p><p>Relações entre Coping e Espiritualidade</p><p>De acordo com Panzini e Bandeira (2007), existem muitas pesquisas que têm</p><p>sido desenvolvidas no exterior e em solo brasileiro, indicando que crenças e prá-</p><p>ticas religiosas estão correlacionadas com melhor estado de saúde, em nível físico</p><p>e mental. Portanto, parece haver uma conexão entre religião/espiritualidade, o</p><p>coping e a qualidade de vida.</p><p>Assim, as estratégias do coping religioso/espiritual equivalem ao uso da fé,</p><p>da espiritualidade ou da religiosidade para manejar o estresse. Os estudos sinali-</p><p>zam que as pessoas tendem a aplicar o coping religioso/espiritual sobretudo em</p><p>momentos de crise, quando os resultados dessas aplicações costumam ser mais</p><p>positivos do que negativos. Panzini e Bandeira (2007) explicam que existem cinco</p><p>modalidades de coping religioso/espiritual:</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>■ Autodireção.</p><p>■ Colaboração.</p><p>■ Delegação.</p><p>■ Súplica.</p><p>■ Renúncia.</p><p>O coping religioso/espiritual é um conceito que tem sido alvo de pesquisas em</p><p>algumas áreas da Psicologia, tais como: Psicologia Cognitivo-Comportamental,</p><p>Psicologia da Religião, Psicologia Positiva e Psicologia da Saúde. Outras áreas que</p><p>vêm se debruçando sobre o coping religioso/espiritual fazem parte da religião, da</p><p>saúde, da medicina e da espiritualidade, geralmente atreladas ao estudo cogniti-</p><p>vista do estresse e do coping (PANZINI; BANDEIRA, 2007).</p><p>Inclusive, existem instrumentos de avaliação espiritual que podem ser utili-</p><p>zados no planejamento e nas intervenções psicoespirituais orientados aos pa-</p><p>cientes. Esses instrumentos avaliativos de coping religioso/espiritual podem ser</p><p>benéficos tanto no desenvolvimento de pesquisas sobre essa temática quanto</p><p>na prática clínica (PANZINI; BANDEIRA, 2007).</p><p>Desse modo, os pacientes podem receber ajuda para usar recursos do coping re-</p><p>ligioso/espiritual, com vistas a melhorar a saúde deles e elevar sua qualidade de</p><p>vida. Se considerarmos essas intervenções panorâmicamente, podemos inferir</p><p>que essas estratégias podem diminuir os custos de tratamentos da saúde pú-</p><p>blica. Panzini e Bandeira (2007) defendem que esse tema é tão relevante que</p><p>merece integrar os cursos de formação dos profissionais da saúde, compondo,</p><p>assim, o currículo de cursos de Medicina, de Psicologia, dentre outros.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Os estudos atinentes ao coping religioso/espiritual no campo universitário</p><p>da</p><p>saúde envolvem a abordagem científica de aspectos espirituais/religiosos e de</p><p>suas influências na saúde e na qualidade de vida. O objetivo de apresentar esses</p><p>conteúdos para os acadêmicos é municiá-los de informações que lhes permi-</p><p>tam associar estratégias de desenvolvimento de coping religioso/espiritual com</p><p>seus pacientes. Além disso, esses conteúdos podem estar a serviço dos próprios</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>universitários, na medida em que podem contribuir para refletirem sobre seus</p><p>dilemas com as questões de sua fé, de sua espiritualidade e os possíveis conflitos</p><p>existenciais que decorrem desses impasses (PANZINI; BANDEIRA, 2007).</p><p>Por exemplo: alguns acadêmicos se veem diante de questões de difícil resolu-</p><p>ção entre suas crenças pessoais em termos de religião/espiritualidade versus</p><p>os preceitos científicos ou a maneira pela qual algumas teorias vinculadas à ciên-</p><p>cia enxergam e entendem a religião/espiritualidade. Além do mais, Chaves et al.</p><p>(2015) esclarecem que o período em que uma pessoa permanece vinculada com</p><p>estudos universitários é suscetível às eventualidades que podem gerar a ansiedade.</p><p>Seja pela quantidade de leituras que são solicitadas ou pelos trabalhos e avaliações</p><p>que o universitário precisa realizar com certa frequência. Outros estudantes ficam</p><p>ansiosos na tentativa de organizarem sua vida, seus afazeres pessoais, profissionais</p><p>e familiares com a rotina de estudos. Muitos universitários experimentam situações</p><p>de risco ou desenvolvem hábitos nocivos, tais como o sedentarismo, a drástica</p><p>redução de horas de sono e o abandono de atividades de lazer.</p><p>Que tal dar uma pausa na leitura nesse momento e refletir um pouco sobre suas</p><p>crenças e sobre as coisas que já ouviu ou leu em salas de aula, que entram em</p><p>choque com o que você acredita? Você julga que tem lidado com esses atritos</p><p>de modo saudável? Como está a sua qualidade de vida?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Chaves et al. (2015) realizaram uma pesquisa a fim de analisar como estudantes</p><p>universitários de Ciências da Saúde vêm estabelecendo relações entre a ansie-</p><p>dade e a espiritualidade. A quantidade de alunos que contribuíram com esses</p><p>pesquisadores, como sujeitos de pesquisa, foi de 609 acadêmicos. Desses, “91,5%</p><p>apresentam níveis moderados e altos de ansiedade-traço; 92,9%, os mesmos níveis</p><p>de ansiedade-estado e 93,8% alto escore de espiritualidade” (CHAVES et al., 2015,</p><p>p. 504). Seguem algumas conclusões que essa pesquisa possibilitou:</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://www.sinonimos.com.br/nocivos/</p><p>■ A ansiedade parece bastante associada a desconfortos físicos e que de-</p><p>mandavam tratamento.</p><p>■ Os indicadores mais elevados de ansiedade se mostraram preponderan-</p><p>temente ligados ao sexo feminino, à privação de atividades de lazer e aos</p><p>reduzidos níveis de otimismo da escala de espiritualidade.</p><p>■ O desenvolvimento de estratégias de enfrentamento da ansiedade é valoroso.</p><p>■ A espiritualidade pode ser um fator de proteção à ansiedade.</p><p>■ A procura por tratamentos não medicamentosos para a ansiedade, como</p><p>terapias cognitivo-comportamentais, foi mais realizada por estudantes que</p><p>apresentavam uma condição de ansiedade dirigida à própria personalidade.</p><p>Zonta, Robles e Grosseman (2006) também fizeram um estudo sobre a qua-</p><p>lidade de vida de universitários. Se debruçaram sobre a qualidade de vida do</p><p>estudante de Medicina de uma universidade catarinense. Um dos temas que se</p><p>destacou foram as estratégias de enfrentamento do estresse. Na sequência, cons-</p><p>tam algumas dessas estratégias:</p><p>■ Valorização dos relacionamentos interpessoais.</p><p>■ Apreciação de fenômenos do cotidiano.</p><p>■ Equilíbrio entre estudo e lazer.</p><p>■ Organização do tempo.</p><p>■ Cuidados com a saúde, alimentação e o sono.</p><p>■ Prática de atividade física.</p><p>■ Religiosidade.</p><p>■ Trabalhar a própria personalidade para lidar com situações adversas.</p><p>■ Procura por assistência psicológica.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://www.sinonimos.com.br/apreciacao/</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Segundo Panzini e Bandeira (2007), as pesquisas já permitem asseverar que o coping</p><p>religioso/espiritual, quando utilizado na esfera da saúde, pode ser de grande valia desde</p><p>a prevenção e promoção de saúde, como no diagnóstico, nos processos terapêuticos,</p><p>como também nos procedimentos empregados com a finalidade de solucionar ou ate-</p><p>nuar os problemas de saúde dos pacientes. Assim, Panzini e Bandeira (2007) concluem</p><p>que o ato de questionar o paciente sobre coping religioso/espiritual pode configurar</p><p>uma maneira de intervir positivamente no tratamento da doença do paciente.</p><p>Como sugerem Valcanti et al. (2012), se o enfermeiro conhecer a relevân-</p><p>cia que o paciente atribui à religião/espiritualidade pode obter subsídios para</p><p>estimular tal paciente a adotar estratégias de coping religioso. Na medida em</p><p>que o enfermeiro compreende os processos potenciais que os pacientes usam</p><p>no enfrentamento de situações adversas e amplia o material para que oriente</p><p>adequadamente esses pacientes no enfrentamento da doença.</p><p>Para saber mais sobre essa pesquisa intitulada Estratégias de</p><p>enfrentamento do estresse desenvolvidas por estudantes de</p><p>Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina, acesse</p><p>o QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>A formação de médicos precisa abranger a atenção com a qualidade de vida de</p><p>tais estudantes, que seja composta por respeito, auxílio e incentivo para o desen-</p><p>volvimento de estratégias que o equipem para lidar com a pressão que faz e fará</p><p>parte de seu cotidiano acadêmico e profissional. Seria ideal que acadêmicos de</p><p>medicina pudessem contar com suporte psicológico e pedagógico de forma geral,</p><p>sobretudo quando estão enfrentando dificuldades mais acentuadas (ZONTA;</p><p>ROBLES; GROSSEMAN, 2006).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rbem/v30n3/04.pdf</p><p>Para saber mais sobre a pesquisa feita por Panzini e Bandeira</p><p>(2007), cujo título é Coping (enfrentamento) religioso/espiritu-</p><p>al, leia o artigo na íntegra. Nele você encontrará uma revisão</p><p>de literatura sobre a temática, em termos teóricos, avaliativos</p><p>e sobre seus usos na prática clínica. Foram utilizadas pesqui-</p><p>sas disponíveis em bases de dados científicas entre os anos</p><p>de 1979 e 2006 para a elaboração desse artigo. Aproveite o</p><p>QR-Code para acessar.</p><p>Quer obter mais informações sobre esse assunto? Então leia o</p><p>artigo de Chaves et al. (2015) na íntegra: Ansiedade e espiritu-</p><p>alidade em estudantes universitários: um estudo transversal.</p><p>Use o QR-Code para ter acesso ao artigo.</p><p>EU INDICO</p><p>Como apontam Chaves et al. (2015), as pesquisas sobre coping religioso/espiritual</p><p>já permitem o estabelecimento de estratégias de enfrentamento da ansiedade.</p><p>Tais estratégias podem ou não estar atreladas à espiritualidade e/ou à religiosi-</p><p>dade. De qualquer modo, elas são frutíferas no que concerne à promoção e à</p><p>preservação da saúde.</p><p>Valcanti et al. (2012, p. 838) fizeram uma investigação acerca da utilização</p><p>do coping religioso/espiritual em pacientes com doença renal crônica em hemo-</p><p>diálise. Essa investigação contou com 123 indivíduos que foram entrevistados,</p><p>“[...] dos quais 79,6% apresentaram escore alto para o coping religioso/espiritual</p><p>e nenhum deles apresentou os escores baixos e irrisórios”.</p><p>Outros resultados proporcionados pela pesquisa de Valcanti et al. (2012) foram:</p><p>■ Sexo, faixa etária, tempo de tratamento, renda familiar e prática religiosa</p><p>foram as variáveis que interferiram no comportamento do coping reli-</p><p>gioso/espiritual.</p><p>■ Os pacientes com doença renal crônica submetidos à hemodiálise ado-</p><p>taram de modo positivo o coping religioso/espiritual como estratégia de</p><p>enfrentamento da doença.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/rpc/v34s1/a16v34s1.pdf</p><p>http://www.scielo.br/pdf/reben/v68n3/0034-7167-reben-68-03-0504.pdf</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Em busca de aprofundamento sobre essa pesquisa? Acesse</p><p>o artigo completo, cujo título é Coping religioso/espiritual em</p><p>pessoas com doença renal crônica em tratamento hemodia-</p><p>lítico. O artigo focaliza o papel dos enfermeiros no que tange à</p><p>interpretação</p><p>do comportamento espiritual do paciente e</p><p>o direcionamento dessa interpretação para o enfrentamento</p><p>de problemas de saúde ou processos vitais. Os autores es-</p><p>clarecem que escolheram pesquisar sobre os enfermeiros pela</p><p>proximidade que essa profissão implica entre profissional e pa-</p><p>ciente. Os autores defendem que os enfermeiros têm melhores</p><p>condições de estimular a utilização da religião/espiritualidade</p><p>no processo de enfrentamento da doença por conta dessa</p><p>proximidade. Assim, podem orientar os pacientes a substituir</p><p>atitudes de pessimismo e desânimo por atitudes positivas</p><p>(VALCANTI et al., 2012). Inicie a leitura usando o QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>■ Os pacientes aplicam o coping religioso/espiritual de forma representativa</p><p>e positiva, tanto quanto valorizam a religião/espiritualidade em suas vidas.</p><p>■ Ficou notória a necessidade da elaboração de novos estudos que exa-</p><p>minem o prisma dos profissionais de saúde perante a importância da</p><p>religião/espiritualidade na assistência empreendida ao paciente.</p><p>■ A ampliação e aprofundamento de pesquisas sobre o coping religioso/</p><p>espiritual pode beneficiar a aplicação clínica desse fenômeno.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v46n4/08.pdf</p><p>Coping e Adolescência/Juventude</p><p>Diniz e Zanini (2010) defendem que a personalidade dos jovens influencia nas</p><p>escolhas de estratégias de coping que eles empregam. Os traços de personalidade</p><p>parecem afetar a análise lógica, a descarga emocional e a resolução de problemas.</p><p>Algumas estratégias são de aproximação, enquanto outras são de afastamento.</p><p>O artigo sobre coping e adolescência que acabou de ser referi-</p><p>do é intitulado Relação entre fatores de personalidade e estra-</p><p>tégias de coping em adolescentes. O objetivo dessa produção</p><p>textual é analisar a relação entre fatores de personalidade</p><p>e estratégias de coping utilizadas por adolescentes (DINIZ;</p><p>ZANINI, 2010). Participaram dessa pesquisa 102 jovens de uma</p><p>escola municipal de Goiânia com idades entre 11 e 15 anos,</p><p>utilizando o Coping Response Inventory e a Bateria Fatorial de</p><p>Personalidade. Os dados obtidos demonstraram que meninas</p><p>utilizam mais a análise lógica para resolver seus problemas e</p><p>os meninos apresentam maior pontuação em neuroticismo;</p><p>que os adolescentes mais jovens utilizam mais coping de evi-</p><p>tação e os mais velhos, o coping de aproximação; e que tanto</p><p>a apreciação do problema como os traços de personalidade</p><p>relacionam-se significativamente com o uso de estratégias de</p><p>coping. Os resultados são discutidos de acordo com as teorias</p><p>de coping (DINIZ; ZANINI, 2010). O artigo pode ser acessado</p><p>utilizando o QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>Existem intervenções clínicas que contribuem para que as pessoas desenvolvam</p><p>e aprimorem suas estratégias de coping. O jovem pode ser auxiliado a notar</p><p>quais são os dispositivos que ele possui para lidar com o estresse e conhecer</p><p>estratégias mais apropriadas perante os eventos estressores, para que ele faça</p><p>progressos nesse sentido.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>http://www.scielo.br/pdf/pusf/v15n1/08.pdf</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Temos uma recomendação de leitura para você que deseja</p><p>aprender sobre estratégias de enfrentamento na adolescên-</p><p>cia: Eventos estressores e estratégias de coping em adoles-</p><p>centes: implicações na aprendizagem.  Esse artigo lhe mos-</p><p>trará as mudanças que derivam do estresse, tal como os</p><p>efeitos que ele produz na vida das pessoas, mais especifica-</p><p>mente na esfera escolar. Você ainda poderá notar as relações</p><p>entre os eventos estressores e as estratégias de coping que</p><p>os adolescentes usam para lidar com eles. Essas diferentes</p><p>reações certamente interferem na aprendizagem de modos</p><p>desiguais. Além do mais, serão explanados alguns fatores</p><p>ambientais que influenciam no estresse, bem como a neu-</p><p>robiologia do estresse (BUSNELLO; SCHAEFER; KRISTENSEN,</p><p>2009). O artigo está disponível no QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>Coping e adultez</p><p>Boa parte das pesquisas sobre o uso de coping na vida adulta envolve o gênero</p><p>feminino. Por exemplo, uma simples busca na base de dados da BVS Psicologia</p><p>Brasil mostra que há cinco textos completos em bases para as palavras “homem</p><p>coping” e 44 textos completos em bases para as palavras “mulher coping”.</p><p>A título de exemplo, alguns desses 44 textos completos voltados ao gênero</p><p>feminino se referem ao enfrentamento da violência doméstica, à resiliência diante</p><p>do cárcere e ao luto pelo filho adulto. A seguir, apresentamos brevemente algumas</p><p>dessas pesquisas.</p><p>Parente, Nascimento e Vieira (2009) fizeram um estudo sobre as maneiras</p><p>de enfrentamento de situações de violência doméstica utilizadas por mulheres no</p><p>transcorrer da denúncia e depois dela. Circunstâncias de privação em termos eco-</p><p>nômico e cultural parecem atravancar a decisão por parte da mulher de romper</p><p>o silêncio sobre a violência doméstica e procurar meios de interrompê-la.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/pusf/v15n1/08.pdf</p><p>SUSCETIBILIDADE</p><p>E BARREIRAS</p><p>GRAU DE SERIEDADE</p><p>FORMAS DE</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>medo</p><p>falta de apoio</p><p>dependência financeira</p><p>vergonha</p><p>maternidade</p><p>cultura</p><p>Quando a violência</p><p>ultrapassa os limites da</p><p>natureza física e envolve</p><p>sofrimento psicológico,</p><p>emocional, econômico</p><p>e social.</p><p>Severidade = risco de</p><p>morte.</p><p>apoio da família</p><p>apoio de amigos</p><p>lei</p><p>setores de proteção</p><p>Deus</p><p>Quadro 1 – Aspectos da Violência Doméstica / Fonte: adaptado de Parente, Nascimento e Vieira (2009).</p><p>Parente, Nascimento e Vieira (2009) também observaram que mulheres descobri-</p><p>ram vantagens em evitar ocasiões e comportamentos que julgam arriscados.</p><p>Também pareceram beneficiadas nesses três pontos:</p><p>■ com o entendimento de que a violência pode ser culturalmente elaborada;</p><p>■ munidas de recursos que as auxiliam na identificação de barreiras para</p><p>se fazer a denúncia;</p><p>■ e, principalmente, com o vislumbre de que podem modificar essa situação.</p><p>Parente, Nascimento e Vieira (2009) argumentam que quando as mulheres refletem</p><p>sobre suas crenças com relação a sua vulnerabilidade à violência, a gravidade que</p><p>a violência pode atingir, aos fatores que contribuem para que evitem proceder com</p><p>a denúncia (barreira) e as formas de enfrentar adequadamente essas situações, po-</p><p>dem obter condições para a conscientização da situação e a efetivação da denúncia.</p><p>Além do mais, com a reflexão sobre todo esse processo, elas podem modificar os</p><p>significados que construíram acerca das vivências que tiveram com a violência.</p><p>A reflexão sobre a violência e a disposição de espaço para que elas se expres-</p><p>sem sobre isso dá chances para que cada mulher elabore o processo de ressignifi-</p><p>cação de seu sofrimento psíquico, de sua vida, de si mesma e de sua identidade.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>A ressignificação de experiências que envolvem mal-estar pode possibilitar</p><p>“[...] um reordenamento de sua visão de mundo, suas aspirações pessoais e</p><p>sociais, suas necessidades vitais e de suas estratégias cotidianas em busca de</p><p>uma melhor qualidade de vida” (VIEIRA FILHO, 2005, p. 308).</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>Mulheres que participaram da pesquisa de Parente, Nascimento e Vieira (2009)</p><p>externalizaram que passaram por circunstâncias que foram além da dimensão</p><p>física, já que resultaram, por vezes, em graus de sofrimento psicológico indi-</p><p>zíveis, envolvendo também desventuras nas dimensões emocional, econômica</p><p>e social. Além disso, essas mulheres deram mostras de que, após as reflexões que</p><p>fizeram, se sentiram capazes para adotar ações de enfrentamento que diminuíram</p><p>os efeitos acarretados pela violência.</p><p>Acesse o artigo sobre Enfrentamento da violência doméstica por</p><p>um grupo de mulheres após a denúncia, usando o QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>Outro artigo que trata do enfrentamento de situação de violência por parceiro</p><p>íntimo em mulheres foi escrito por Marques et al. (2017). No entanto, esse tex-</p><p>to aborda estratégias de enfrentamento executadas pelos enfermeiros diante de</p><p>pacientes grávidas que estavam sendo vítima de violência. Portanto, elenca estra-</p><p>tégias de identificação da violência na consulta pr��-natal (com</p><p>base nas lesões fí-</p><p>sicas, por exemplo). Também, envolve as</p><p>ações de enfrentamento adotadas após a</p><p>identificação, como encaminhamentos</p><p>a serviços especializados e discussão</p><p>conjunta com a equipe de saúde.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>http://www.scielo.br/pdf/ref/v17n2/08.pdf</p><p>Marques et al. (2017) elucidam que quando a pessoa estabelece um vínculo frágil</p><p>com o profissional da saúde ou com a instituição de saúde que está frequentando,</p><p>pode ter menor propensão a verbalizar a situação de violência. Outros fatores</p><p>que tendem a atrapalhar na identificação de vítimas de violência são o medo, a</p><p>vergonha, a dependência financeira e o emocional do agressor.</p><p>Outro artigo que relata estratégias de enfrentamento adotadas na vida adulta</p><p>de mulheres foi escrito por Lima et al. (2013), realizado com mulheres que foram</p><p>encarceradas. Os pesquisadores defendem que não convém que a prisão possua</p><p>exclusivamente um caráter punitivo, mas que precisaria oferecer às mulheres</p><p>aprisionadas os cuidados especializados.</p><p>EXPERIÊNCIAS AMEA-</p><p>ÇADORAS</p><p>À SAÚDE MENTAL</p><p>SIGNIFICADO</p><p>DO CÁRCERE</p><p>FORMAS DE ENFRENTA-</p><p>MENTO</p><p>Medo</p><p>Negação da maternidade</p><p>Perda de laços afetivos</p><p>familiares</p><p>Perda de</p><p>relacionamentos</p><p>amorosos</p><p>Fronteiras erguidas entre</p><p>o ser e o ambiente</p><p>Desconforto</p><p>Tristeza</p><p>Ansiedade</p><p>Insegurança do futuro</p><p>Mutilação do “eu”</p><p>Morte civil</p><p>Substituição do</p><p>convívio familiar</p><p>Vazio de ordem</p><p>emocional</p><p>Vazio de ordem material</p><p>Ausência da autonomia</p><p>Mortificação do eu</p><p>Fé</p><p>Amor aos filhos</p><p>Trabalho</p><p>Música</p><p>Espera pela liberdade</p><p>Mecanismos de</p><p>resiliência baseados</p><p>na interação com</p><p>as companheiras de</p><p>cárcere</p><p>Quadro 2 – Aspectos do Encarceramento Feminino / Fonte: adaptado de Lima et al. (2013).</p><p>A resiliência empreendida pelas mulheres apenadas, representada pelas estra-</p><p>tégias de enfrentamento, intentavam ajudá-las a adaptarem-se, ajustarem-se às</p><p>novas condições de vida decorrentes do encarceramento. “Os mecanismos de</p><p>enfrentamento correspondem aos suportes emocionais e sociais na busca pelo</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>alívio das experiências de sofrimento traduzidas pelo cotidiano do confinamento</p><p>diante da falha institucional” (LIMA et al., 2013, p. 455).</p><p>A pesquisa de Lima et al. (2013) se propõe a enriquecer os debates acerca</p><p>da saúde e das detenções femininas no Brasil, como mostra o excerto do artigo:</p><p>“ Nesse sentido é preciso proporcionar aos apenados cursos</p><p>profissionalizantes, cuidados especializados à condição física e</p><p>psicológica feminina; elaborar estratégias de maior convivên-</p><p>cia com os filhos; garantir o direito à visita íntima e a intimida-</p><p>de da visita; e promover ações de apoio espiritual, entre outras</p><p>ações. Caridade, direito, utopia ou possibilidade? A preserva-</p><p>ção da saúde mental das encarceradas passa pela perspectiva</p><p>da cidadania. A garantia da saúde largamente instituída nas</p><p>bases documentais é um direito inviolável a qualquer cidadão,</p><p>sem nenhuma ação discriminatória. Maior acesso a cuida-</p><p>dos especializados (psicológicos, psiquiátricos, terapêuticos,</p><p>laborais) e ações de promoção à saúde devem fazer parte da</p><p>agenda prioritária das ações de saúde desenvolvidas no cárce-</p><p>re. É preciso que o Estado assuma seu papel para além do seu</p><p>caráter punitivo, reconhecendo e efetivando os princípios de</p><p>cidadania e dignidade que devem estar presentes mesmo em</p><p>espaços punitivos (LIMA et al., 2013, p. 455).</p><p>Ficou com vontade de ler o artigo Mulheres no cárcere: signifi-</p><p>cados e práticas cotidianas de enfrentamento com ênfase na</p><p>resiliência na íntegra? Acesse o QR-Code.</p><p>EU INDICO</p><p>A última pesquisa que mencionaremos envolvendo resiliência e estratégias de</p><p>enfrentamento praticada por mulheres envolve o luto decorrente da perda de</p><p>um filho adulto.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/sdeb/v37n98/a08v37n98.pdf</p><p>FORMAS DE ENFRENTAMENTO</p><p>Suporte social (rede de apoio advindo da família e de amigos)</p><p>Relacionamento conjugal</p><p>Relacionamento parental</p><p>Religiosidade</p><p>Encontro de benefícios</p><p>Continuidade do vínculo com o filho morto</p><p>Quadro 3 – Resiliência: Luto de Mães por seus Filhos</p><p>Fonte: adaptado de Franqueira, Magalhães e Feres-Carneiro (2015).</p><p>Ao atentar para as primeiras linhas do quadro, é perti-</p><p>nente refletir sobre o papel que a sociedade e a família</p><p>ocupam na precaução e no cuidado para que os apertos</p><p>gerados pelo luto não levem as pessoas que passam por</p><p>ele a vergarem sob o peso da dor e a sucumbirem ao luto. É possível fomentar</p><p>que a resiliência e a rede de apoio podem promover recursos para que a enlutada</p><p>enfrente a dor da perda. O suporte social pode colaborar para que a mãe enlutada</p><p>atribua novos sentidos à experiência do luto, entrando em contato com os sen-</p><p>timentos, assegurando a ela que é possível conviver com essa fase e atravessá-la</p><p>(FRANQUEIRA; MAGALHÃES; FERES-CARNEIRO, 2015).</p><p>Sobre a religiosidade já foi discorrido algo sobre ela nesse tema. Mas, mais</p><p>especificamente no processo de luto, ela pode contribuir na medida em que</p><p>a sociedade e a</p><p>família ocupam</p><p>na precaução e</p><p>no cuidado</p><p>Franqueira, Magalhães e Feres-Carneiro (2015) buscaram discutir o pro-</p><p>cesso de luto dando realce aos recursos utilizados por elas no enfrentamento da</p><p>perda. Essas pesquisadoras constataram que as mães fizeram uso de estratégias</p><p>de enfrentamento para elaboração do luto, que serviram como potentes e eficazes</p><p>recursos de enfrentamento, como mostra o quadro a seguir:</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>crenças religiosas podem alavancar reavaliações positivas, reduzindo a po-</p><p>tência do pesar. A fé, por exemplo, pode possibilitar a construção de um sistema</p><p>de significados sobre o viver e o morrer.</p><p>“ A análise das entrevistas demonstrou que a religião foi usada como</p><p>importante recurso no enfrentamento do luto. Além da presença da</p><p>fé como fator organizador do enfrentamento do luto, a figura de Deus</p><p>como um ser superior e protetor que controla os eventos da vida este-</p><p>ve presente em todos os discursos das entrevistadas (FRANQUEIRA;</p><p>MAGALHÃES; FERES-CARNEIRO, 2015, p. 496).</p><p>O artigo O luto pelo filho adulto sob a ótica das mães é finalizado por suas au-</p><p>toras com essas palavras:</p><p>Este estudo mostrou que, apesar de sofrerem perdas tão</p><p>dolorosas, as mães são capazes de enfrentá-las pela cons-</p><p>trução de significados para esse evento, que as obrigou a</p><p>rever sua própria identidade, sua visão de mundo e os rela-</p><p>cionamentos em geral. Isso não significa que não estejam</p><p>sofrendo muito, mesmo que as perdas tenham ocorrido há</p><p>mais tempo. Porém, o que cada uma, idiossincraticamente,</p><p>está fazendo com sua dor aponta a importância de pesqui-</p><p>sas na área da resiliência. Experimentar o apoio de amigos e</p><p>familiares, perceber a vida como um desafio, transforman-</p><p>do a dor em luta, crer que é possível retomar o controle da</p><p>vida, buscar ajuda especializada são valiosas estratégias</p><p>de enfrentamento, em situações de crise, que merecem</p><p>ser estudadas mais profundamente. Como a resiliência se</p><p>revela em situações de crise, ela pode favorecer uma opor-</p><p>tunidade de crescimento, através do qual os indivíduos</p><p>descobrem recursos que desconheciam possuir, e delas</p><p>emergindo transformados, e não destruídos (FRANQUEIRA;</p><p>MAGALHÃES; FERES-CARNEIRO, 2015, p. 496).</p><p>Para ler o texto em sua completude, acesse o artigo aqui.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v32n3/0103-166X-estpsi-32-03-00487.pdf</p><p>Uma estratégia de enfrentamento que vem sendo utilizada cada vez mais é a</p><p>escrita. Muitas pessoas têm escrito músicas, blogs, sites, poemas, livros sobre</p><p>sua história de vida, sobre seus sentimentos ou sobre o que tem aprendido com</p><p>a sua vida. Algumas dessas produções podem ser classificadas como escrita</p><p>terapêutica. Os autores Myra Sch-</p><p>neider e Lily Amorous têm escrito</p><p>livros nesse sentido. Por exemplo, a</p><p>escritora Jane Moss escreveu livros</p><p>sobre escrita para o bem-estar.</p><p>O livro Writing Away the De-</p><p>mons: Stories of Creative Coping</p><p>Through Transformative Writing,</p><p>escrito por Sherry Reiter, também</p><p>segue por uma linha similar a essa</p><p>que estamos apresentando. Em língua portuguesa, o título do livro teria uma</p><p>versão semelhante a essa: Escrevendo para além dos Demônios: Histórias do En-</p><p>frentamento Criativo através da Escrita Transformadora. Essa autora preconiza</p><p>que tanto a fala quanto a escrita podem contribuir para</p><p>a cura, e tem se debruçado sobre histórias de homens e</p><p>mulheres que encontraram na escrita a força para pre-</p><p>servação de sua sobrevivência psicológica diante das</p><p>intempéries que atravessaram.</p><p>tanto a fala</p><p>quanto a escrita</p><p>podem contribuir</p><p>para a cura</p><p>Mary Shelley</p><p>Ano: 2019.</p><p>Recomendamos a apreciação do filme de drama histórico</p><p>Mary Shelley (2019), dirigido por Haifaa Al Mansour. O filme</p><p>aborda o romance entre a renomada escritora Mary Shelley e</p><p>o poeta Percy Shelley. Enquanto assiste ao filme, repare nas</p><p>reações dela diante das inúmeras objeções e contrariedades</p><p>que a vida impõe à protagonista Mary.</p><p>INDICAÇÃO DE FILME</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://www.instagram.com/lilyamorous/</p><p>https://www.instagram.com/lilyamorous/</p><p>https://www.instagram.com/lilyamorous/</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 5</p><p>Para ler o artigo Assistência Integral a Saúde do Homem:</p><p>necessidades, obstáculos e estratégias de enfrentamento</p><p>acesse o QR-Code.</p><p>Antes de encerrarmos esse tema, faremos a menção de um artigo que associa</p><p>estratégias de enfrentamento ao gênero masculino. Cavalcanti et al. (2014) ten-</p><p>cionaram inteirar-se das necessidades de saúde dos homens, dos obstáculos que</p><p>emperram o suprimento dessas necessidades e exprimir estratégias de enfrenta-</p><p>mento para uma assistência integral e humana aos homens.</p><p>OBSTÁCULOS ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO</p><p>Vergonha de se expor</p><p>Impaciência</p><p>Inexistência de tempo</p><p>Falta de resolutividade</p><p>das necessidades de saúde</p><p>Sensação de invulnerabilidade</p><p>Humanização em saúde</p><p>Acesso</p><p>Acolhimento</p><p>Comunicação</p><p>Vínculo</p><p>Autocuidado</p><p>Quadro 4 – Obstáculos e estratégias de enfrentamento masculinas</p><p>Fonte: adaptado de Cavalcanti et al. (2014).</p><p>Como se pode inferir, a partir do Quadro 4, o artigo trata do enfrentamento mais</p><p>relacionado à adesão dos homens aos serviços de atenção primária à saúde.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>http://www.scielo.br/pdf/ean/v18n4/1414-8145-ean-18-04-0628.pdf</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem!</p><p>Notamos que as estratégias de enfrentamento procederiam dos profissionais</p><p>da saúde. Faz parte delas a capacitação profissional, a disponibilização de mais</p><p>profissionais da saúde a fim de possibilitar a melhoria do acolhimento ao público</p><p>masculino. A humanização do atendimento e a solução dos problemas de saúde</p><p>também estão elencadas entre elas. Essas ações redundariam na maior inserção</p><p>de homens na utilização de serviços de saúde (CAVALCANTI et al., 2014).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. De acordo com Oliveira et al. (2008, p. 765), “o conceito e a aplicabilidade do termo resi-</p><p>liência torna-se fundamental na atualidade, visto que o homem passa constantemente</p><p>por adversidades como desemprego, ataques terroristas, violência urbana, miséria,</p><p>abandono e perdas, entre outros, cabendo às ciências da saúde contribuir com a cons-</p><p>trução de conhecimento teórico e aplicado que auxiliem os indivíduos a desenvolver</p><p>atitudes em direção à vida saudável”. Sendo assim, explique o conceito de resiliência.</p><p>2. Preencha o quadro com três estratégias de enfrentamento que foram mencionadas</p><p>no decorrer do tópico, diante das situações que estão na primeira linha do quadro:</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE À VIOLÊNCIA</p><p>DOMÉSTICA</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE À DETENÇÃO</p><p>FEMININA</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE AO LUTO</p><p>3. Após a apreciação do filme indicado em um uni desse tópico (Mary Shelley), cite três</p><p>situações adversas que a protagonista enfrentou e qual foi a estratégia de enfrenta-</p><p>mento utilizada por ela.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAVOSO, M. A. et al. Resiliência física de dois latossolos vermelhos sob plantio direto. Rev.</p><p>Bras. Ciênc. Solo, Viçosa, v. 36, n. 6, p. 1892-1904, dez. 2012. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-06832012000600023&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 28 jan. 2019.</p><p>BRANDÃO, J. M.; MAHFOUD, M.; GIANORDOLI-NASCIMENTO, I. F. A construção do conceito</p><p>de resiliência em psicologia: discutindo as origens. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 21, n. 49, p.</p><p>263-271, ago. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-863X2011000200014&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 28 jan. 2019.</p><p>BUSNELLO, F. B. de; SCHAEFER, L. S.; KRISTENSEN, C. H. Eventos estressores e estratégias</p><p>de coping em adolescentes: implicações na aprendizagem. Psicol. Esc. Educ., Campinas,</p><p>v. 13, n. 2, p. 315-323, dez. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=s-</p><p>ci_arttext&pid=S1413-85572009000200014&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>CARNEIRO, R. S. et al. Qualidade de vida, apoio social e depressão em idosos: relação com habilida-</p><p>des sociais. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 229-237, 2007. Disponível em: http://</p><p>www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102=79722007000200008-&lng=en&nrm-</p><p>iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>CAVALCANTI, J. R. da. et al. Assistência Integral a Saúde do Homem: necessidades, obs-</p><p>táculos e estratégias de enfrentamento. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 18, n. 4, p.</p><p>628-634, dez. 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1414-81452014000400628&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>CHAVES, E. C. de. et al. Ansiedade e espiritualidade em estudantes universitários: um estudo</p><p>transversal. Rev. Bras. Enferm; Brasília,DF, v. 68, n. 3, p. 504-509, jun. 2015. Disponível em: http://</p><p>www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034=71672015000300504-&lng=en&nrm-</p><p>iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>DINIZ, S. S.; ZANINI, D. S. Relação entre fatores de personalidade e estratégias de coping em</p><p>adolescentes. Psico-USF, Itatiba, v. 15, n. 1, p. 71-80, abr. 2010. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712010000100008&lng=en&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FRANQUEIRA, A. R.; MAGALHÃES, A. S.; FERES-CARNEIRO, T. O luto pelo filho adulto sob a óti-</p><p>ca das mães. Estud. psicol, Campinas, v. 32, n. 3, p. 487-497, set. 2015. Disponível em: http://</p><p>www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-166X2015000300487&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>LIMA, G. M. B. de. et al. Mulheres no cárcere: significados e práticas cotidianas de enfren-</p><p>tamento com ênfase na resiliência. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 37, n. 98, p. 446-</p><p>456, set. 2013. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-11042013000300008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>MARQUES, S. S. et al. Estratégias para identificação e enfrentamento de situação de vio-</p><p>lência por parceiro íntimo em mulheres gestantes. Rev. Gaúcha Enferm., Porto Alegre, v.</p><p>38, n. 3, e67593, 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1983-14472017000300405&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>MUNIZ, M.; FERNANDES, D. C. Autoconceito e ansiedade escolar: um estudo com alunos do ensino</p><p>fundamental. Psicol. esc. Educ., Maringá, v. 20, n. 3, p. 427-436, dez. 2016. Disponível em: http://</p><p>www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572016000300427&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>OLIVEIRA, M. A. de et al. Resiliência: análise das publicações no período de 2000 a 2006.</p><p>Psicol. Cienc. Prof., Brasília,DF,v. 28, n. 4, p. 754-767, 2008. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932008000400008&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 28 jan. 2019.</p><p>OMAR, A. et al. Un modelo explicativo de resiliencia en jovenes y adolescentes. Departamento de</p><p>Psicologia – Universidade Estadual de Maringá. psicol. Estud., v. 16, n. 2, p. 269-277, jun. 2011.</p><p>PANZINI, R. G.; BANDEIRA, D. R. Coping (enfrentamento) religioso/espiritual. Rev. Psiquiatr. Clín,</p><p>São Paulo, v. 34, supl. 1, p. 126-135, 2007. Disponível</p><p>em: http://www.scielo.br/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S0101-60832007000700016&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>PARENTE, E. O. de; NASCIMENTO, R. O. do; VIEIRA, L. J. E. S. de. Enfrentamento da violência</p><p>doméstica por um grupo de mulheres após a denúncia. Rev. Estud. Fem., Florianópolis, v. 17,</p><p>n. 2, p. 445-465, ago. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_art-</p><p>text&pid=S0104-026X2009000200008&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 23 jan. 2019.</p><p>PRIMI, R.; BUENO, J. M. H.; MUNIZ, M. Inteligência emocional: validade convergente e dis-</p><p>criminante do MSCEIT com a BPR-5 e o 16PF. Psicol. Cienc. prof., Brasília, v. 26, n. 1, p.</p><p>26-45, 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1414-98932006000100004&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>REGO, C. C. A. B. de; ROCHA, N. M. F. Avaliando a educação emocional: subsídios para um</p><p>repensar da sala de aula. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., Rio de Janeiro, v. 17, n. 62, p. 135-</p><p>152, mar. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0104-40362009000100007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>VALCANTI, C. C. et al. Coping religioso/espiritual em pessoas com doença renal crôni-</p><p>ca em tratamento hemodialítico. Rev. esc. enferm., USP, São Paulo, v. 46, n. 4, p. 838-</p><p>845, ago. 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0080-62342012000400008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>VIEIRA FILHO, N. G. A prática complexa do psicólogo clínico: cotidiano e cultura na atua-</p><p>ção em circuito de rede institucional. Estud. Psicol. , Campinas, v. 22, n. 3, p. 301-308,</p><p>set. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0103-166X2005000300008&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 28 jan. 2019.</p><p>ZONTA, R.; ROBLES, A. C. C.; GROSSEMAN, S. Estratégias de enfrentamento do estresse de-</p><p>senvolvidas por estudantes de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina. Rev.</p><p>bras. Educ. Med., Rio de Janeiro, v. 30, n. 3, p. 147-153, dez. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022006000300005&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>1. R.: Trata-se de um importante fenômeno do desenvolvimento humano. É um conceito</p><p>ainda em desenvolvimento nas ciências da saúde, já que foi trazido de outras áreas do</p><p>conhecimento, no sentido de ter capacidade para retornar ao estado anterior, a ser flexível.</p><p>O conceito está atrelado à promoção da saúde. Em linhas gerais, pode ser associado à</p><p>expressão “dar a volta por cima”, “recuperar-se de um desfortúnio ou de um desgosto”.</p><p>2.</p><p>Espera-se que o acadêmico cite três dessas estratégias, em consonância ao tipo de</p><p>enfrentamento correspondente.</p><p>3. R.: Algumas tribulações que a desafiaram foram: proibição por parte de seu pai em</p><p>relação ao seu romance com o poeta casado, Shelley; expulsão da casa de sua família</p><p>diante da insistência dela nesse envolvimento amoroso; vivência com precárias situa-</p><p>ções econômicas/financeiras; traição, luto, objeções de editores por sua obra por ser</p><p>uma mulher jovem. Ela chegou a atravessar longos períodos de frustração e desânimo,</p><p>até que num determinado momento ergueu-se e pôs-se a escrever. Transferiu suas</p><p>vivências em um livro de suposta “ficção”, classificado por alguns como “terror”, e de</p><p>acordo com o filme, começou a ter êxito ainda em vida, pela publicação de tal livro.</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE À VIOLÊNCIA</p><p>DOMÉSTICA</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE À DETENÇÃO</p><p>FEMININA</p><p>ENFRENTAMENTO</p><p>FRENTE AO LUTO</p><p>apoio da família fé</p><p>suporte social (rede de</p><p>apoio advindo da família e</p><p>de amigos)</p><p>apoio de amigos amor aos filhos relacionamento conjugal</p><p>lei trabalho relacionamento parental</p><p>setores de proteção música religiosidade</p><p>Deus espera pela liberdade encontro de benefícios</p><p>mecanismos de resiliência</p><p>baseados na interação</p><p>com as companheiras de</p><p>cárcere</p><p>continuidade do vínculo</p><p>com o filho morto</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO</p><p>EM AMBIENTE DE TRABALHO</p><p>Conhecer as estratégias de enfrentamento frente às situações adversas da</p><p>vida e do trabalho.</p><p>Compreender como as estratégias de enfrentamento são importantes para a</p><p>saúde física e psíquica.</p><p>Compreender as condições de reconfigurar o significado da situação vivenciada</p><p>e superar a condição de vulnerabilidade diante da situação adversa.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 6</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>Prezado acadêmico, neste Tema de Aprendizagem serão abordadas as estraté-</p><p>gias de enfrentamento em espaços de trabalho. Sabe-se que o estresse ocupacional</p><p>é uma urgência do nosso tempo, portanto discorrer sobre esse tema se torna um</p><p>compromisso com a saúde dos profissionais envolvidos no campo da educação,</p><p>em especial àqueles que se interessam pela inteligência e saúde emocional. Nesse</p><p>sentido, o estresse ocupacional pode ter consequências de ordem física e emo-</p><p>cional, pois está ligado à satisfação e à performance do indivíduo em realizar sua</p><p>atividade da melhor forma possível.</p><p>Entretanto, essa aspiração moderna estimulada pelo sistema capitalista,</p><p>através da concorrência e da evolução tecnológica, promove um forte controle</p><p>e pressão do tempo, no qual o profissional deve adaptar-se rapidamente para se</p><p>sujeitar às demandas do sistema. Isso se torna visível nas relações de trabalho</p><p>através do medo da demissão pela baixa produtividade, através da insatisfação</p><p>pessoal por não ser valorizado profissional e financeiramente, enfim, são inú-</p><p>meras as características da intuição de trabalho que podem estar intimamente</p><p>ligadas ao estresse do indivíduo.</p><p>Por isso, desenvolver estratégias de enfrentamento diante de tais situações</p><p>que podem ser compreendidas como situações de adversidade em ambientes</p><p>organizacionais é dar a possibilidade do sujeito de superar as situações adversas</p><p>por meio da resiliência e dos fatores de proteção que configuram as estratégias</p><p>de enfrentamento e, assim, levar uma vida mais tranquila.</p><p>Como desenvolver uma estratégia para enfrentar uma situação adversa no</p><p>ambiente de trabalho? Como ativar os fatores de proteção internos e externos</p><p>para combater o estresse emocional? Como ganhar condições de reconfigurar</p><p>o significado da situação vivenciada e superar a condição de vulnerabilidade</p><p>diante da situação adversa? Tais questões serão respondidas e exploradas nesse</p><p>tema. Bons estudos!</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO EM AMBIENTE DE</p><p>TRABALHO</p><p>Sabe-se que nas sociedades contemporâneas as</p><p>pessoas cada vez mais são movidas pelos inte-</p><p>resses de mercado. Desde a escola, os interesses</p><p>de mercado estão presentes na vida das pessoas</p><p>através de discursos que direcionam os desejos</p><p>pessoais com o objetivo de conquistar o sucesso profissional. Entretanto, numa</p><p>sociedade que endeusa o mercado, as consequências para a saúde humana são</p><p>graves. Há inúmeras situações que vão na contramão daquilo que desejamos</p><p>quando entramos no mercado de trabalho. A frustação ao perceber que o traba-</p><p>lho não é reconhecido, o estresse em decorrência do dia a dia, as relações tóxicas</p><p>nesse espaço são exemplos de situações adversas que podem prejudicar a saúde</p><p>física e psíquica de uma pessoa.</p><p>Segundo Duarte e Silva (2013), diante dessas situações adversas da vida,</p><p>inclusive as vivenciadas em ambiente de trabalho, as pessoas frequentemente</p><p>demonstram a capacidade de administrar a própria subjetividade e de compreen-</p><p>der a situação para se defender. Essa capacidade de se colocar numa posição</p><p>de autodefesa ou de enfrentamento de situações adversas da vida e do trabalho</p><p>é conhecida pelo movimento da psicologia como o fenômeno da resiliência</p><p>humana. Tal movimento está fundamentado nos fatores de proteção internos –</p><p>denominados de coping – e externos – denominados de buffers – que a pessoa</p><p>lança mão frente a um fator de risco (DUARTE; SILVA,</p><p>2013).</p><p>Os termos resiliência e coping são úteis em nossa vida. Por exemplo, como ser</p><p>resiliente em situações adversas? Juan O’Keeffe oferece dez dicas para as pessoas</p><p>se tornarem mais resilientes:</p><p>desejos pessoais com o</p><p>objetivo de conquistar</p><p>o sucesso profissional</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>1. DESENVOLVA SUA CAPACIDADE DE SE ADAPTAR A MUDANÇAS.</p><p>Em vez de ficar criticando a situação e se mantendo nela, coloque a mente na nova</p><p>realidade o mais rápido possível e faça o que tiver que fazer a partir daí.</p><p>2. PROCURAR SER FLEXÍVEL.</p><p>Não achar que tudo tem que ser preto no branco e exatamente como você imag-</p><p>inou. Às vezes os ventos sopram o barco para fora do curso e é a sua capacidade</p><p>de resiliência que vai fazer você puxar a vela para colocá-lo de novo na direção.</p><p>3. EXERCITE AUTOCONTROLE.</p><p>É importante fazer força para manter a serenidade em momentos de estresse e</p><p>pressão. Perder o controle só piora a situação.</p><p>4. ENCARE A VIDA COM POSITIVIDADE E OTIMISMO.</p><p>A vida é feita de ciclos. Aquele momento de stress não veio para ficar. Amanhã ou</p><p>depois você estará bem. É importante lembrar disso.</p><p>5. APRENDA A UTILIZAR AS ADVERSIDADES COMO UMA FONTE DE FORÇA</p><p>PARA SE FORTALECER.</p><p>Se toda criança desistisse de andar de bicicleta depois de cair a primeira vez, ninguém</p><p>saberia andar de bicicleta. Quando algo acontece fora dos planos foque em quais as</p><p>lições podem ser tiradas disso para que da próxima vez saiba como agir. Aprenda com</p><p>as decepções encarando a adversidade como uma oportunidade de crescimento.</p><p>6. APRENDA A SER MAIS PACIENTE.</p><p>Geralmente as coisas não acontecem exatamente como você quer, na hora que quer.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Portanto, podemos dizer que a resiliência é a capacidade humana de se auto-</p><p>gerir emocionalmente buscando superar as adversidades e transformando os</p><p>momentos difíceis em oportunidades para aprender, crescer e mudar. Nesse sen-</p><p>tido, as pessoas quando conseguem ser resilientes, não apenas amadurecem emo-</p><p>cionalmente, mas também se tornam mais fortes e mais confiantes em si mesmas.</p><p>7. ACEITE QUANDO ALGO MUDAR E TOQUE EM FRENTE.</p><p>Resistir exige grande esforço emocional e não muda um fato concretizado. Perce-</p><p>ba que você deve construir o novo futuro considerando as coisas como são agora</p><p>e não como eram antes.</p><p>8. EVITE ENXERGAR A ADVERSIDADE COMO UM PROBLEMA INSUPERÁVEL.</p><p>Você não pode mudar o evento que ocorreu, mas pode mudar como interpreta e</p><p>responde a esses eventos. Evite deixar que as suas emoções transformem o prob-</p><p>lema em algo maior do que ele realmente é.</p><p>9. TOME CONSCIÊNCIA DE QUE AS DIFICULDADES FAZEM PARTE DA VIDA</p><p>Devemos aprender a aceitá-las. É condicionando-se dessa forma que você poderá</p><p>aprender a tolerá-las.</p><p>10. LEMBRE DOS MOTIVOS PELO QUAL VOCÊ ESTÁ LUTANDO.</p><p>Eles servem de motivação para vencer seus obstáculos.</p><p>FONTE: https://bit.ly/44OR3id. Acesso em: 31 jul. 2023.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Você sabia que existem pessoas famosas que são exemplos de resiliência? Ao</p><p>longo deste tema, citaremos no mínimo três pessoas que tiveram muitas difi-</p><p>culdades na sua vida pessoal e profissional, mas exerceram a resiliência para</p><p>mudar radicalmente suas vidas.</p><p>Após cinco décadas de luta, Nelson Mandela (1918-2013) foi eleito o primeiro</p><p>presidente negro da África do Sul, mas antes disso o líder da África Negra lutou</p><p>contra um intenso e perverso regime de segregação e discriminação racial -</p><p>o apartheid. Mesmo após 27 anos preso numa cela minúscula, com apenas</p><p>poucos metros de comprimento para se locomover e privado de poder ver a</p><p>sua família por quase três décadas, Mandela não aparentou ódio ou desejo de</p><p>vingança quando finalmente foi libertado. Vencedor do Nobel da Paz (em 1993),</p><p>Mandela é um dos exemplos mais claros da resiliência humana.</p><p>Fonte: https://bit.ly/47frZT6. Acesso em: 31 jul. 2023</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Figura 1 - Nelson Mandela</p><p>Fonte: https://bit.ly/457g7kf.</p><p>Acesso em: 3 jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: uma fotografia</p><p>em preto e branco, de um homem idoso,</p><p>negro, cabelos brancos, trajando uma</p><p>camisa de gola escura.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Para Duarte e Silva (2013), quando as pessoas estão expostas à situação adversa</p><p>ou a um fator de risco, os fatores de proteção atuam na redução do desequilí-</p><p>brio emocional, proporcionando condições para o enfrentamento dos impactos</p><p>gerados pela situação. Alguns exemplos de fatores de proteção internos e externos</p><p>acionados em situações adversas são: a autonomia do indivíduo; sua autoestima;</p><p>autodeterminação; respeito; reconhecimento; participação da família; amigos; es-</p><p>perança; delimitação de significados para a vida; a preservação de sua identidade;</p><p>as crenças individuais; autoafirmação e fé (DUARTE; SILVA, 2013).</p><p>Nesse sentido, Duarte e Silva (2013) chamam a atenção para o fato de que</p><p>o fortalecimento da pessoa frente à situação adversa surge por meio da:</p><p>“ [...] combinação dos fatores de proteção internos e externos que</p><p>é realizada, para que, assim, os mesmos sejam transformados em</p><p>estratégias de enfrentamento, isto é, mecanismos de defesa, os quais</p><p>propiciam meios para a pessoa reconfigurar o significado da situa-</p><p>ção, minimizando assim, o desequilíbrio emocional frente à adver-</p><p>sidade (DUARTE; SILVA, 2013, p. 740).</p><p>Portanto, é através dos mecanismos de defesa que há pos-</p><p>sibilidade de enfrentamento de situações adversas, pois</p><p>eles correspondem às inúmeras estratégias, como a de co-</p><p>ping ou de buffers, no qual as pessoas desenvolvem a partir</p><p>de aspectos individuais, psicológicos e ambientais e, por</p><p>conseguinte, lançam mão para enfrentar as situações que</p><p>lhes causam desequilíbrio emocional (DUARTE; SILVA, 2013).</p><p>Para Silva e Sachuk (2012a), os fatores de enfrentamento atuam sobre a</p><p>modificação da resposta das pessoas aos fatores de risco com as quais se defronta.</p><p>Para Rutter (1987), os fatores de proteção têm por função:</p><p>é através dos</p><p>mecanismos de</p><p>defesa que há</p><p>possibilidade de</p><p>enfrentamento</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>Assim, os fatores de proteção não buscam trazer simplesmente um conforto para</p><p>as pessoas que vivenciam uma situação adversa na vida ou no trabalho, mas bus-</p><p>cam fortalecer as pessoas na medida que tais fatores lançam mão de estratégias</p><p>de enfrentamento para intervir e agir sob a situação de adversidade. Na visão de</p><p>Lazarus e Folkman (1984), quan-</p><p>do a pessoa frente a uma situação</p><p>adversa consegue lançar mão de</p><p>estratégias de enfrentamento para</p><p>lidar com a situação, tal atitude</p><p>indica que a pessoa obteve um</p><p>processo de transformação de</p><p>seus fatores de proteção em meca-</p><p>nismos de defesa.</p><p>1. REDUZIR O IMPACTO DOS RISCOS</p><p>Fato que altera a exposição da pessoa à situação adversa.</p><p>2. REDUZIR AS REAÇÕES NEGATIVAS</p><p>Que decorrem da exposição da pessoa à situação de risco.</p><p>3. ESTABELECER E MANTER A AUTOESTIMA E AUTOEFICÁCIA</p><p>Por meio do estabelecimento de relações de apego seguras e o cumprimento de</p><p>tarefas com sucesso.</p><p>4. CRIAR OPORTUNIDADES</p><p>Para reverter os efeitos do estresse.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>É interessante olharmos para esses dois fatores de proteção: coping e buffers,</p><p>que combinados podem se configurar em mecanismos de defesa importantes</p><p>para se fortalecer e superar as situações adversas vivenciadas no trabalho. Na</p><p>perspectiva de Silva e Sachuk (2012a, p. 6, grifo da autora): “o processo de coping</p><p>faz com que as pessoas realizem reexames cognitivos sobre o ambiente em que vi-</p><p>vem, ou seja, as pessoas refletem sobre o dano ou ameaça proveniente do contexto</p><p>no qual elas estão inseridas”. Nesse sentido, os reexames cognitivos estão ligados</p><p>ao desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, pois atuam diretamente na</p><p>reconfiguração da situação adversa. Desse modo, as pessoas podem minimizar as</p><p>relações de tensão em ambientes de trabalho utilizando do processo de coping.</p><p>Segundo Silva e Sachuk (2012a, p. 6), “uma das maneiras utilizadas pelas pes-</p><p>soas para enfrentar um fator adverso está centrada na emoção”. Desse modo, o</p><p>processo de coping foca na emoção e sinaliza que as estratégias de enfrentamento</p><p>da pessoa estão direcionadas a reduzir o desconforto dela associado à situação</p><p>de adversidade. A atitude da pessoa é de negar ou de se esquivar das situações</p><p>adversas vivenciadas. Assim, as estratégias de evitação/negação da realidade</p><p>incluem tentativas cognitivas ou comportamentais da pessoa para se manter</p><p>longe de um fator estressor, como por exemplo, a estratégia de evitar o pro-</p><p>blema, fugir da situação ou deixar o tempo passar (DELL’AGLIO; HUTZ, 2002).</p><p>O segundo modo de enfrentar um fator adverso está centrado no problema,</p><p>ou seja, a pessoa opta pela neutralização do fator que gera a situação adversa,</p><p>sendo esta a maneira pela qual ela busca conseguir superá-lo (LAZARUS;</p><p>FOLKMAN, 1984). Segundo Silva e Sachuk (2012a), a pessoa quando lança mão</p><p>da estratégia de coping automaticamente não está negando a existência da si-</p><p>tuação adversa, mas se predispõe a enfrentar a situação adversa de maneira</p><p>objetiva, focando na superação do problema.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>Existem, ainda, dentro das estratégias de enfrentamento, um processo que</p><p>ocorre através de estilos de coping, ou seja, diz respeito ao estilo de coping</p><p>situacional, quando a pessoa desenvolve estratégias específicas para enfren-</p><p>tar determinadas situações adversas. Segundo Silva e Sachuk (2012a), são es-</p><p>tratégias de enfrentamento embasadas sob um conjunto de pensamentos e</p><p>comportamentos da pessoa que ocorrem em resposta às situações adversas</p><p>específicas que vivencia.</p><p>Além do estilo de coping situacional, o processo de enfrentamento desenvolv-</p><p>ido por uma pessoa também pode ocorrer por meio do estilo de coping dis-</p><p>posicional, quando são usadas as estratégias de enfrentamento já utilizadas</p><p>anteriormente pela pessoa para lidar com as situações de adversidade. Para</p><p>Silva e Sachuk (2012a, p. 7), “independentemente da situação adversa, a pessoa</p><p>sempre lançará mão das mesmas estratégias de enfrentamento, já utilizadas</p><p>em outras situações, para enfrentar a nova adversidade”.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>As estratégias de enfrentamento não são apenas internas</p><p>na pessoa, ou seja, não são exclusivamente centradas na</p><p>emoção. Existem recursos externos que a pessoa dispõe</p><p>ou capta do seu próprio ambiente ao se defrontar com um</p><p>fator de risco. Esses recursos externos são denominados</p><p>de buffers. Segundo Rutter (1987), os buffers representam as influências que</p><p>modificam, melhoram ou alteram a resposta de uma pessoa a algum risco am-</p><p>biental ao qual se defronta no decorrer de sua vida. Desse modo, na perspectiva</p><p>de Silva e Sachuk (2012a, p. 7, grifo da autora), “enquanto recursos, os buffers são</p><p>os elementos, prontamente disponíveis na ocasião em que ocorre a situação ad-</p><p>versa, que são mobilizados pela pessoa como fatores de proteção para enfrentar</p><p>a situação”. Tais elementos podem ser classificados como “dinheiro, ferramentas,</p><p>outras pessoas e habilidades relevantes” (LAZARUS; FOLKMAN, 1984, p. 158).</p><p>Esses recursos</p><p>externos são</p><p>denominados</p><p>de buffers</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Na visão de Lazarus e Folkman (1984, p. 159), “seria impossível catalogar</p><p>todos os recursos que as pessoas dispõem para enfrentar as infinidades deman-</p><p>das da vida”. É importante compreender que os fatores de proteção emergem da</p><p>capacidade das pessoas de realizar a</p><p>junção ou combinação de atributos</p><p>internos e externos para enfrentar as</p><p>situações adversas (SILVA; SACHUK,</p><p>2012a). Tal junção é possível pela ca-</p><p>tegoria de recursos denominada de</p><p>competências, que proporciona à pes-</p><p>soa manifestar a habilidade de re-</p><p>solução de problemas (LAZARUS;</p><p>FOLKMAN, 1984).</p><p>Para melhor compreender as es-</p><p>tratégias de enfrentamento vamos</p><p>apresentar uma síntese da pesqui-</p><p>sa de Silva e Sachuk (2012a), que</p><p>buscou compreender o processo de</p><p>transformação dos fatores de proteção em mecanismos de defesa, empreendido</p><p>pelos funcionários que vivenciaram a operação de aquisição de uma instituição</p><p>financeira internacional por uma instituição financeira nacional, em 2006, para</p><p>enfrentarem essa situação adversa e permanecerem trabalhando na instituição</p><p>até o ano de 2010. As perguntas elaboradas pelos pesquisadores foram: “Como</p><p>você reagiu perante a situação? Você tomou alguma atitude em relação a isso?”</p><p>Os seguintes relatos dos funcionários segundo Silva e Sachuk (2012a, p. 9), foram:</p><p>“ B1: “Quando você precisa de um trabalho, de um emprego... Você...</p><p>(referindo-se a si própria), está separada, morando com a irmã até</p><p>se estabilizar, tem filhos e seus filhos dependem de você, você se</p><p>adapta a qualquer coisa! (pausa) entendeu?... Você aprende novos</p><p>procedimentos... muda de função... faz qualquer coisa pra se manter</p><p>no emprego! [...] Meus filhos são meu apoio, porque eles são minha</p><p>alegria. Eles (os filhos) te ajudam a extravasar, porque você brinca</p><p>com as crianças, ai você relaxa... se distrai”.</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>No caso de B1, os fatores internos, ou seja, os elementos do processo de coping</p><p>foram os seguintes:</p><p>A AUTODETERMINAÇÃO</p><p>por julgar-se capaz de realizar qualquer atividade para manter o seu emprego;</p><p>A AUTOCONFIANÇA</p><p>em se adaptar a quaisquer circunstâncias;</p><p>A RESPONSABILIDADE</p><p>com os seus filhos, motivo pelo qual enfrentou as mudanças organizacionais para</p><p>manter-se empregada;</p><p>A CAPACIDADE DE APRENDER</p><p>novos procedimentos;</p><p>MOBILIDADE FUNCIONAL</p><p>por ser capaz de se adequar às novas funções de trabalho.</p><p>Segundo Silva e Sachuk (2012a), os buffers no caso de B-1 foram: a família, a</p><p>sua irmã que lhe deu apoio e os seus filhos por serem eles sua fonte de alegria;</p><p>as atividades de recriação/lazer realizadas com os filhos; e o próprio emprego na</p><p>instituição, pois estar empregada lhe deu condições de cumprir suas responsa-</p><p>bilidades financeiras e prover sua família.</p><p>“ B2: “A primeira reação foi a de saber que o banco N não tinha o</p><p>cargo que eu exercia no banco I. [...] Eu continuei fazendo o meu</p><p>(atividades de trabalho)... fui me especializar e tirar a ANBID, que</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>é o certificado CPA-10 do mercado financeiro. Eu queria atingir</p><p>mais algumas ‘coisas’ (objetivos pessoais) lá dentro... (do banco N</p><p>com a profissão de bancário). Trabalhando eu atinjo o que eu quero,</p><p>sabe?! [...] Ia ter que fazer alguma coisa entendeu?! E aí fui mais</p><p>eu mesmo... iniciativa minha... ‘Quero?’ ‘Não quero?’... e vamos lá</p><p>(prosseguir trabalhando no banco)” (SILVA; SACHUK, 2012a, p. 9).</p><p>Para Silva e Sachuk (2012a), os fatores de coping utilizados por B2 foram:</p><p>Os buffers identificados no depoimento de B2 foram: a especialização obtida</p><p>por meio da certificação ANBID; e a própria condição de estar empregado que</p><p>o possibilita realizar objetivos pessoais.</p><p>A AUTOCONFIANÇA</p><p>por considerar-se capaz de enfrentar situações de mudanças;</p><p>A AMBIÇÃO</p><p>permanecer trabalhando e se realizar por meio de seu trabalho;</p><p>A INICIATIVA</p><p>que o deixou em condições de reagir frente às situações adversas do ambiente</p><p>de trabalho.</p><p>1</p><p>4</p><p>4</p><p>A pesquisa de Silva e Sachuk (2012a) concluiu que o processo de transfor-</p><p>mação dos fatores de proteção em mecanismos de defesa dos participantes da</p><p>pesquisa ocorreu da seguinte maneira: a condição de vulnerabilidade dos funcio-</p><p>nários ao se defrontarem com a operação de aquisição fez com que eles mobili-</p><p>zassem seus fatores de proteção internos e externos, combinando-os por meio de</p><p>recursos de competências e transformando-os em estratégias de enfrentamento,</p><p>ou seja, mecanismos de defesa, o que lhes possibilitou empregar maneiras al-</p><p>ternativas para lidar com a operação de aquisição. Partindo desse pressuposto,</p><p>segundo Silva e Sachuk (2012a), os participantes da pesquisa passaram a atribuir</p><p>um novo sentido à situação adversa, e ao enfrentá-la eles conseguiram reconfi-</p><p>gurar o seu significado.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>O que significa, de fato, a palavra “enfrentamento”? Quais são as estratégias que</p><p>podem ser utilizadas para enfrentar situações adversas em ambiente de trabalho?</p><p>Na visão de Ryan-Wenger (1992), estratégias de enfrentamento são ações de-</p><p>liberadas, conscientes, que podem ser aprendidas,</p><p>usadas e descartadas com o</p><p>objetivo de enfrentar o estresse percebido. Portanto, quando falamos em estra-</p><p>tégias de enfrentamento nos referimos a um processo no qual a pessoa conduz,</p><p>administra as demandas da relação pessoa/ambiente e as emoções que elas geram.</p><p>Por exemplo, quando uma pessoa está diante de uma situação que lhe causa</p><p>estresse no trabalho, deve-se realizar uma avaliação do que está ocorrendo, a</p><p>fim de que o organismo possa responder adequadamente ao estressor, buscando</p><p>solucionar ou amenizar o estresse gerado. Mas, como saber se o estresse é algo</p><p>exterior ao indivíduo, ou seja, é motivado por um acontecimento, ou o estresse</p><p>é algo interior ao indivíduo, ou seja, é motivado pelo próprio organismo?</p><p>Segundo Silva e Salles (2016), hoje em dia a palavra estresse é utilizada para</p><p>se referir a um estado de irritação, impaciência ou nervosismo, no qual decorre de</p><p>uma situação de pressão, tensão momentânea ou duradoura. O termo “estresse”</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>é muito empregado pelas pessoas, em especial quando estão saturadas das ati-</p><p>vidades do dia a dia. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Estou muito estressado</p><p>com tantas coisas pra fazer hoje no trabalho, não sei nem por onde começar!”;</p><p>“Esse trânsito me deixa muito estressado!”; “Estou muito estressado com a nossa</p><p>política, quando esse país vai mudar?!”. Essas afirmações permeiam nosso senso</p><p>comum e estão carregadas de significados importantes quando tratamos de in-</p><p>teligência emocional e estratégias de enfrentamento.</p><p>De onde surgiu essa terminologia tão usada no nosso cotidiano? O termo “estres-</p><p>se” surgiu por meio do Dr. Hans Selye, em 1936. Selye se interessou em entender</p><p>as reações que cada organismo apresentava ao ser exposto a distintas situações de</p><p>riscos. Segundo Rocha (2005, p. 156), o Dr. Hans Selye afirmava que “o estresse é</p><p>um processo vital e fundamental onde pode ser dividido em dois tipos, ou seja,</p><p>quando passamos por mudanças boas, temos o estresse positivo e quando atra-</p><p>vessamos alguma fase negativa, estamos vivenciando o estresse negativo”.</p><p>Nesse sentido, segundo Silva e Salles (2016), os resultados dos estudos de Selye</p><p>demonstraram que os organismos reagem de forma semelhante distribuindo-se</p><p>em três estágios: a reação breve de alarme mediante apresentação aguda do</p><p>agente danoso é quando se ativa o estado de alerta; o período de resistência a</p><p>partir da permanência do agente danoso, e finalmente, a exaustão do organismo</p><p>ou a fase do esgotamento, que ocorre após a apresentação crônica do agente, po-</p><p>dendo levar o organismo à morte. Desse modo, a partir desse estudo, Silva e Salles</p><p>(2016) afirmam que a primeira fase do estresse está ligada ao momento em que o</p><p>indivíduo perde o controle do seu corpo, já no segundo estágio o corpo tenta</p><p>O dicionário Houaiss define o termo “estresse” como o “estado gerado por estímu-</p><p>los que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, disparam</p><p>um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento</p><p>de secreção de adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas com</p><p>distúrbios fisiológico e psicológico” (HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2001, p. 1264)</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>recuperar o equilíbrio fazendo com que o organismo se adapte ao problema</p><p>ou o elimine e, por fim, a última etapa diz respeito ao comprometimento físico</p><p>em forma de doença, como diarreia e insônia.</p><p>Silva e Salles (2016, p. 237) argumentam que:</p><p>“ O estresse nada mais é que o desequilíbrio físico e mental, podendo</p><p>ter efeito negativo ou positivo de acordo com a percepção e in-</p><p>terpretação de cada pessoa. Se esse desequilíbrio se reestabelecer</p><p>em curto prazo não haverá danos, caso isso não ocorra, a pessoa</p><p>necessitará de tratamentos para controlá-los antes que desenvolva</p><p>outras doenças.</p><p>Assim, o estresse diz respeito a uma alteração psicofisio-</p><p>lógica do organismo, dito de outro modo, é possível ob-</p><p>servá-lo através de sintomas físicos e psicológicos. Nesse</p><p>sentido, as causas do estresse são evidenciadas através da</p><p>personalidade e a maneira com que a pessoa reage, ou seja,</p><p>de modo interno. Também pode ser evidenciado exclusi-</p><p>vamente através do ambiente e não ligado ao indivíduo</p><p>em si, ou seja, de modo externo.</p><p>Entretanto, existem outras abordagens sobre estresse que o compreendem</p><p>ligado a uma relação transacional. Segundo Lazarus e Folkman (1984), o</p><p>estresse está intimamente ligado à relação transacional que existe entre a</p><p>pessoa e o meio ambiente. Nesse sentido, os autores chamam a atenção para a</p><p>importância do estudo do significado do acontecimento para cada indivíduo, já</p><p>que o estresse é motivado por acontecimentos perturbadores externos e reações</p><p>internas, como sentimentos, pensamentos e comportamentos do próprio indi-</p><p>víduo. Nessa perspectiva, as estratégias</p><p>de enfrentamento funcionam como</p><p>um processo transacional e funda-</p><p>mentam-se em dois eixos: a avaliação</p><p>cognitiva do acontecimento e o con-</p><p>trole do estresse.</p><p>estresse diz</p><p>respeito a</p><p>uma alteração</p><p>psicofisiológica</p><p>do organismo</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Na visão de Lazarus e Folkman (1984), o processo de conhecimento cogni-</p><p>tivo e a avaliação do estressor determinam a intensidade com que cada pessoa</p><p>experimenta sentimentos de ameaça ou de desafio. Nesse sentido, pela ótica cog-</p><p>nitiva ou transacional, o modelo de enfrentamento é o mediador entre um agente</p><p>estressor e o resultado proveniente desse estressor. Portanto, o enfrentamento,</p><p>como mediador, está dividido em duas categorias funcionais: centralizado no</p><p>problema e centralizado na emoção (LAZARUS; FOLKMAN, 1984).</p><p>Segundo Chamon e Santos (2008), o enfrentamento quando centralizado</p><p>no problema constitui-se no esforço que a pessoa realiza, buscando mudar a</p><p>situação que deu origem ao estresse. Essa ação pode ser direcionada interna ou</p><p>externamente. Quando o enfrentamento focalizado no problema é dirigido para</p><p>uma fonte externa de estresse são utilizadas algumas estratégias, como negociar</p><p>para resolver um conflito interpessoal ou solicitar ajuda prática de outras pessoas.</p><p>Já quando o enfrentamento é dirigido internamente, geralmente inclui reestru-</p><p>turação cognitiva, como por exemplo, a redefinição do elemento estressor</p><p>(CHAMON; SANTOS; CHAMON, 2008).</p><p>Para Chamon, Santos e Chamon (2008, p. 7), “quando as estratégias de enfre-</p><p>tamento são focalizadas na emoção, elas derivam de processos defensivos e fazem</p><p>com que os indivíduos evitem confrontar-se com a ameaça, não modificando a</p><p>situação”. Os autores denominam de “reavaliação cognitiva”, pois o indivíduo</p><p>realiza uma série de manobras cognitivas, como fuga, distanciamento, aceitação,</p><p>com o objetivo de modificar o significado da situação, independentemente se for</p><p>de forma realista ou por meio da distorção da realidade. Na visão de Chamon,</p><p>Santos e Chamon (2008), o uso de uma ou outra dessas estratégias de enfren-</p><p>tamento depende de uma avaliação da situação estressora em que o sujeito se</p><p>encontra envolvido.</p><p>Nesse sentido, segundo Duarte e Silva (2013), entende-se que uma pessoa, ao</p><p>enfrentar as situações adversas da vida ou do trabalho, transita por três estágios:</p><p>fase de antecipação; fase de impacto; fase de pós-impacto ou pós-confrontação.</p><p>1</p><p>4</p><p>8</p><p>FASE DE ANTECIPAÇÃO</p><p>Diz respeito ao momento em que um evento de mudança brusca ainda não ocor-</p><p>reu, mas a pessoa já está imbuída de um sentimento de ameaça pela possibilidade</p><p>de ocorrência do evento inicia um processo de questionamento sobre quais se-</p><p>rão as possíveis consequências para ela se, de fato, o mesmo ocorrer. Essa fase</p><p>é permeada por questionamentos, como por exemplo: "Pode ser evitado? De que</p><p>forma? O que pode ser feito de maneira preparatória para minimizar ou evitar os</p><p>danos? Alguns danos podem ser evitados enquanto outros danos devem ser resis-</p><p>tidos?" (LAZARUS; FOLKMAN, 1984, p. 147).</p><p>FASE DE IMPACTO</p><p>Na fase de impacto, muitas reflexões e ações planejadas pela pessoa, em sua</p><p>fase de antecipação ao evento de abrupta mudança,</p><p>DIVERSOS PREJUÍZOS FINANCEIROS</p><p>dívidas, compras ou vendas das quais depois se arrepende.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>https://www.bibliaon.com/versiculo/proverbios_16_32/</p><p>https://www.bibliaon.com/versiculo/proverbios_25_28/</p><p>https://www.bibliaon.com/versiculo/galatas_5_22-23/</p><p>Na Psicologia e em muitas de suas áreas afins, raramente pode-se dar garantias</p><p>tangíveis, por envolver assuntos subjetivos (influen-</p><p>ciados por incontáveis fatores e nem sempre ple-</p><p>namente previsíveis). De qualquer modo, Agüera</p><p>(2008) argumenta que a inteligência emocional pode</p><p>interferir na saúde e na qualidade das relações que a</p><p>pessoa estabelece com outrem.</p><p>AS CAPACIDADES MENTAIS E O DESENVOLVIMENTO DO CÉREBRO</p><p>De acordo com Agüera (2008), existem cinco capacidades mentais que se desta-</p><p>cam: os instintos, as emoções, os raciocínios, as intuições e as estratégias.</p><p>O CONTÁGIO DE DOENÇAS</p><p>DST, por exemplo.</p><p>O SURGIMENTO DE DOENÇAS QUE NÃO SÃO CONTAGIOSAS</p><p>o descontrole sobre o apetite pode desencadear a obesidade, por exemplo.</p><p>DESISTÊNCIA DE SONHOS OU DE OBJETIVOS</p><p>como os estudos, uma viagem que se almeja, aquisições, hobbies.</p><p>DIFICULDADES PARA CONSEGUIR SE INSERIR NO AMBIENTE DE TRABALHO</p><p>ou manter-se nele.</p><p>a inteligência</p><p>emocional pode</p><p>interferir na saúde</p><p>e na qualidade das</p><p>relações</p><p>1</p><p>1</p><p>Conforme o ciclo vital vai se desenrolando na vida de uma pessoa, é possível</p><p>observar que seu cérebro vai se desenvolvendo. Consequentemente, falar</p><p>de inteligência emocional na infância é diferente do que falar de inteligência</p><p>emocional na vida adulta. Portanto, seguem algumas dicas de leitura, caso você</p><p>queira se aprofundar nas primeiras fases do desenvolvimento humano, isto é, no</p><p>período da vida até a puberdade:</p><p>INSTINTOS</p><p>São espontâneos, reflexos. Isto é, acontecem involuntariamente.</p><p>Podem atiçar emoções e também podem sinalizar a necessidade de</p><p>atuar racionalmente.</p><p>EMOÇÕES</p><p>São reações fisiológicas incitadas pelos instintos. Apesar de apre-</p><p>sentarem um alto grau de automatismo, possibilitam maior controle</p><p>do que os instintos.</p><p>RACIOCÍNIOS</p><p>Procedem dos estímulos enviados pelos instintos, pelas emoções ou</p><p>pelas intuições. Seu processamento é mais vagaroso, está direta-</p><p>mente aliançado à lógica e à análise de fotos objetivos.</p><p>INTUIÇÕES</p><p>Emanam da interseção entre emoções e raciocínios e recebem in-</p><p>fluências de ambos. Há elementos conscientes e inconscientes por</p><p>trás delas. Ainda que não existam fatos comprovados, há indícios de</p><p>que as intuições proporcionam colaborações subjetivas.</p><p>ESTRATÉGIAS</p><p>São possibilitadas pelas interações das quatro capacidades (in-</p><p>stintos, emoções, raciocínios e intuições). Portanto, é a capacidade</p><p>mental mais refinada e sofisticada, também denominada de planeja-</p><p>mento estratégico. Envolve a organização e delegação de atividades</p><p>das demais capacidades mentais.</p><p>Quadro 1 – Principais capacidades mentais / Fonte: adaptado de Agüera (2008).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>SÃO ESPONTÂNEOS, REFLEXOS. ISTO É, ACONTECEM INVOLUNTARIAMENTE. PODEM ATIÇAR EMOÇÕES E TAMBÉM PODEM SINALIZAR A NECESSIDADE DE ATUAR RACIONALMENTE</p><p>Rego e Rocha (2009) fizeram um estudo sobre a educação emocional instigando</p><p>reflexões sobre o foco das escolas nos dias atuais. Considerando que já existem</p><p>embasamentos teóricos acerca da importância da educação das emoções, por</p><p>que as escolas continuam praticamente girando em torno do desenvolvimento</p><p>da inteligência intelectual e analítica das crianças?</p><p>Assim, voltamos à discussão que já emergiu nas primeiras linhas desse tema:</p><p>a hegemonia da inteligência analítica, lógico-matemática, intelectual, acadêmica.</p><p>Vale lembrar que esse tipo de inteligência, que costumeiramente é mensurado</p><p>com testes de QI (quociente de inteligência), não deveria ser usado para medir a</p><p>inteligência global das pessoas e, sim, a inteligência intelectual (AGÜERA, 2008).</p><p>Até porque um bom QI não assegura que uma criança terá bom rendimento</p><p>escolar ou que um funcionário apresentará excelente desempenho profissional,</p><p>ou que um idoso terá mais propensão a ter boa saúde, ou a se relacionar bem</p><p>com os seus cuidadores.</p><p>Para visualizar como vai se processando o desenvolvimento</p><p>da compreensão emocional já na infância, recomendamos a</p><p>leitura de dois artigos:</p><p>1- Desenvolvimento da Compreensão Emocional, publicado</p><p>em 2015, por Franco e Santos.</p><p>2- Compreensão de emoções, aceitação social e avaliação</p><p>de atributos comportamentais em crianças escolares,</p><p>publicado em 2011, por Pavarini, Loureiro e Souza.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>8</p><p>http://www.scielo.br/pdf/ptp/v31n3/1806-3446-ptp-31-03-00339.pdf.</p><p>http://www.scielo.br/pdf/prc/v24n1/v24n1a16.pdf.</p><p>Sendo assim, acompanhe na sequência o resumo do artigo pertinente, elaborado</p><p>por Rego e Rocha (2009, p. 135):</p><p>“ O papel da inteligência emocional dentro e fora da escola, exige</p><p>"educar" as emoções para que as pessoas tornem-se aptas a lidar</p><p>com frustrações, angústias e medos. Este artigo tem como objetivo</p><p>geral avaliar a importância da educação emocional no contexto da</p><p>educação, partindo-se das seguintes indagações: será que a Educa-</p><p>ção Emocional pode contribuir no processo de ensino-aprendiza-</p><p>gem, favorecendo o equilíbrio entre aspectos cognitivos racionais</p><p>e emocionais do educando? Em caso positivo, que caminhos teóri-</p><p>co-metodológicos podem ser trilhados e/ou apontados para que a</p><p>Educação Emocional se torne realidade nas escolas? A opção me-</p><p>todológica foi a pesquisa-ação, realizada em quinze oficinas, com</p><p>participação de 14 docentes, 1 coordenador e a pesquisadora. Os</p><p>resultados das oficinas constituíram-se em um plano de ação que</p><p>visou disseminar os estudos da educação emocional nas escolas. As</p><p>conclusões da pesquisa apontam que as competências da inteligên-</p><p>cia emocional, como autoconhecimento, autogestão, consciência</p><p>social e administração de relacionamentos, podem contribuir para</p><p>a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, conduzindo o</p><p>ser humano ao equilíbrio da razão e emoção.</p><p>Quantas crianças que foram consideradas prodígios não fizeram maiores</p><p>proezas do que colecionar boas notas nas escolas? Quantas pessoas com alto</p><p>quociente de inteligência tiveram uma carreira profissional decadente, ao passo</p><p>que pessoas cujo QI não era destacável foram longe, profissionalmente falando?</p><p>Como as pessoas reagem aos percalços que a vida lhes apresenta? Como elas</p><p>administram suas próprias vidas? (SANTOS; ALMEIDA; LEMOS, 1999). Como</p><p>explica Agüera (2008), bom resultado no teste de QI não dá mostras sobre as</p><p>habilidades dessa pessoa no que tange o trabalho em equipe, tampouco sobre</p><p>como enfrenta situações de estresse ou de frustração.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>SÃO ESPONTÂNEOS, REFLEXOS. ISTO É, ACONTECEM INVOLUNTARIAMENTE. PODEM ATIÇAR EMOÇÕES E TAMBÉM PODEM SINALIZAR A NECESSIDADE DE ATUAR RACIONALMENTE</p><p>Na vida adulta, a inteligência emocional também é muito importante, inclusive</p><p>no contexto profissional . A enfermagem é uma profissão que requer habilidades</p><p>atinentes à inteligência emocional, como a empatia, por exemplo (SANTOS;</p><p>ALMEIDA; LEMOS, 1999). Por isso, além de concordarmos que é conveniente</p><p>estimular o desenvolvimento da inteligência emocional nas escolas, pensamos</p><p>que também seja apropriado promover seu desenvolvimento nos cursos</p><p>profissionalizantes e/ou superiores, sobretudo, naqueles que formam profissionais</p><p>que precisarão ter competências emocionais.</p><p>Para obter informações sobre a inteligência emocional na fase</p><p>adulta e na senilidade, leia o artigo: Bem-estar psicológico e</p><p>inteligência emocional entre homens e mulheres na meia-</p><p>idade e na velhice, publicado por Queroz e Neri, em 2005.</p><p>Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem!</p><p>Agora que você já sabe quais são as principais capacidades mentais e que ao</p><p>longo do desenvolvimento humano as formas de lidar com a inteligência emo-</p><p>cional podem ir se aperfeiçoando, voltemos, com um pouco mais de atenção e</p><p>propriedade à questão da "superioridade" da racionalidade sobre as emoções, ou</p><p>seria das</p><p>deixam de ser relevantes. A</p><p>pessoa percebe que a maneira como a situação de mudança se coloca pode ser</p><p>além ou aquém do que previamente se havia tentado prever. Portanto, nessa fase,</p><p>o indivíduo realiza um reexame cognitivo sobre o evento ocorrido, para conseguir</p><p>compreender com maior precisão (e um menor nível de mera inferência) os signifi-</p><p>cados da situação adversa que vivência (DUARTE; SILVA, 2013).</p><p>FASE DE PÓS-IMPACTO OU PÓS-CONFRONTAÇÃO</p><p>Diz respeito ao “processo de transformação dos fatores de proteção em meca-</p><p>nismos de defesa, no qual a pessoa, em conhecimento sobre como se deu seu</p><p>processo de enfrentamento à situação adversa, inicia uma série de considerações</p><p>sobre o fato ocorrido” (DUARTE; SILVA, 2013, p. 740). Tais considerações são fruto</p><p>de questionamentos que a pessoa faz a si mesma, dentre os quais: "Qual foi o</p><p>significado pessoal ou a importância do que aconteceu? Que novas exigências,</p><p>ameaças e desafios a situação impõe? Pode tudo voltar ao que era ou as coisas</p><p>mudaram significativamente?" (LAZARUS; FOLKMAN, 1984, p. 148).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>4</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Para saber na prática as estratégias de enfrentamento em ambiente de tra-</p><p>balho, a pesquisa de Duarte e Silva (2008) buscou ouvir dos participantes as</p><p>suas vivências e percepções em relação à situação enfrentada no ambiente</p><p>de trabalho, na qual se viram diante da necessidade de realizar mudanças em</p><p>suas vidas profissionais. A problemática da pesquisa se deu da seguinte ma-</p><p>neira: como os funcionários que vivenciaram, no ano de 2006, a operação de</p><p>aquisição da instituição financeira internacional em que trabalhavam, por outra</p><p>nacional, conseguiram reconstruir suas carreiras frente à situação vivenciada?</p><p>Concluiu-se que os funcionários, ao realizarem o processo de enfrentamen-</p><p>to diante de uma situação adversa, não o fizeram apenas para não sucumbir</p><p>à abrupta mudança no ambiente de trabalho, pois emergiram evidências nos</p><p>relatos dos participantes de que os mesmos deram início a um novo ciclo de</p><p>gestão de suas carreiras. Isso indica que, ao reconfigurarem o significado da si-</p><p>tuação vivenciada, os funcionários encontraram maneiras de repensar a cons-</p><p>trução de suas próprias carreiras, pois a eles surgiram novos objetivos e metas,</p><p>bem como estratégias para concretizá-las em face do processo de enfrenta-</p><p>mento que realizaram frente à operação de aquisição. Para ler o texto na íntegra</p><p>e saber mais, clique aqui.</p><p>Assim, na perspectiva de Duarte e Silva (2013), o processo de enfrentamento</p><p>realizado pela pessoa lhe dá condições para reequilibrar suas emoções frente</p><p>à situação adversa, seja na sua vida ou no trabalho, flexibilizando as ações e o</p><p>comportamento para lidar com o novo ambiente. Deste modo, para Duarte e</p><p>Silva (2013, p. 740-741):</p><p>“ Compreende-se que um processo de enfrentamento às situações</p><p>adversas no ambiente de trabalho ocorre da seguinte maneira: ao</p><p>emergirem sentimentos que causam um desequilíbrio emocional</p><p>nas pessoas, elas mobilizam e combinam fatores de proteção internos</p><p>e externos. Após esta combinação, os transformam em estratégias de</p><p>enfrentamento, ou seja, mecanismos de defesa, os quais, ao serem</p><p>utilizados, criam maneiras alternativas para se lidar com a situação.</p><p>Assim, as pessoas passam a atribuir um novo sentido à adversidade,</p><p>já que, ao enfrentá-la, conseguem reconfigurar o seu significado.</p><p>EU INDICO</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/osoc/v20n67/a09v20n67.pdf</p><p>Segundo Fontes, Neri e Yassuda (2010), no ambiente de trabalho, a avaliação cog-</p><p>nitiva da situação estressante inclui o reconhecimento da ameaça, as estratégias</p><p>de enfrentamento selecionadas e a percepção de si mesmo como alguém capaz</p><p>ou eficaz para lidar com os estressores. Nesse sentido, as pessoas que são con-</p><p>fiantes em suas habilidades para realizar tarefas podem usar mais efetivamente</p><p>estratégias para lidar com os estressores.</p><p>Para Fontes, Neri e Yassuda (2010), algumas características do trabalho po-</p><p>dem dar lugar a desajustes, ao sofrimento, ao esgotamento e a doenças psiquiátri-</p><p>cas, por exemplo, sobrecarga quantitativa (pressão no tempo e fluxo de trabalho</p><p>repetitivo) e qualitativa (falta de variação de estímulo e de oportunidade para o</p><p>exercício da criatividade, solução de problemas e de interação social); os conflitos</p><p>de papéis no contexto do trabalho e entre papéis familiares e laborais; falta de</p><p>controle sobre a situação de trabalho (o trabalhador não tem autonomia sobre</p><p>seu ritmo e método de trabalho); falta de apoio social (envolvendo amigos e</p><p>família); presença de estressores físicos (ex.: ruídos, odores, luzes, temperatura,</p><p>produtos químicos), uso de tecnologia de produção em série, processos de traba-</p><p>lho automatizados, riscos físicos e psicológicos e trabalho em turnos.</p><p>Além disso, não podemos nos esquecer de que os conflitos pessoais e os con-</p><p>flitos entre demandas familiares e do trabalho também se incluem como estres-</p><p>sores. A seguir, veremos as medidas de enfrentamento do estresse no trabalho.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Medidas de Enfretamento do Estresse no Trabalho</p><p>Latack (1986) mensurou o enfrentamento do estresse no ambiente de trabalho</p><p>considerando três tipos de estratégias:</p><p>A Segunda Guerra Mundial foi um dos episódios mais macabros do século XX</p><p>e um dos mais horrendos de toda a história da Humanidade. O médico psiqui-</p><p>átrico austríaco, Viktor Frankl (1905-1997) experimentou na pele durante três</p><p>anos o inferno de viver em quatro diferentes campos de concentração nazista:</p><p>os guetos de Theresienstadt, Auschwitz, Kaufering e, por fim, Türkheim. Como</p><p>se não bastasse todo o sofrimento vivenciado nos campos, Viktor descobre que</p><p>sua mãe, esposa e irmão foram assassinados nas câmaras de gás de Auschwitz.</p><p>Mesmo depois de todos esses eventos trágicos, Frankl consegue ultrapassar a</p><p>depressão e seguir com a sua vida. Torna-se um dos mais prestigiados psiquia-</p><p>tras do mundo, sendo convidado para lecionar em importantes universidades,</p><p>como Harvard e Cambridge, por exemplo.</p><p>Fonte: https://bit.ly/47frZT6. Acesso em: 31 jul. 2023.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Figura 2 – O médico psiquiátrico austríaco,</p><p>Viktor Frankl (1905-1997)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3qb6X7E.</p><p>Acesso em: 3 de jan. 2019.</p><p>Descrição da Imagem: um homem de cabe-</p><p>los lisos penteados para trás, de óculos de</p><p>grau, trajando jaleco branco, camisa branca</p><p>e gravata escura. Imagem em preto e branco.</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>1. AÇÕES E REAVALIAÇÕES COGNITIVAS DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS</p><p>Por exemplo: a pessoa pode se dirigir a seu chefe ou superior e relatar o problema</p><p>no qual está passando para tentar resolvê-lo em conjunto.</p><p>2. AÇÕES E REAVALIAÇÕES COGNITIVAS DE ESQUIVA</p><p>Por exemplo: a pessoa pode se recusar ou se esquivar das situações adversas por</p><p>meio de estratégias de enfrentamento internas, conhecidas como coping.</p><p>3. MANEJO DE SINTOMAS, REFERINDO-SE ÀS AÇÕES PARA MANEJO DO</p><p>ESTRESSE RELACIONADO</p><p>Por exemplo: a pessoa pode se submeter à prática de exercícios físicos, de um es-</p><p>porte, à dança ou ao relaxamento, utilizando o fator de proteção externo (buffers),</p><p>amenizando os impactos negativos de eventos estressantes sobre o bem-estar</p><p>físico e psicológico.</p><p>Segundo Silva e Sachuk (2012b), o processo de enfrentamento das pessoas em si-</p><p>tuações adversas da vida e do trabalho estão fundamentados nos fatores de proteção</p><p>internos e externos (coping e buffers) que elas mobilizam, transformando-se em</p><p>estratégias de enfrentamento, ou seja, mecanismos de defesa para combater e saber</p><p>compreender a situação. Nesse sentido, quando as situações adversas ocorrem no</p><p>contexto de trabalho e acabam impactando as pessoas, gerando nelas sentimentos</p><p>negativos, “percebe-se que é a partir da interação da pessoa com o seu ambiente de</p><p>trabalho permeado por adversidades que surge a suscetibilidade dela ao risco, ou</p><p>seja, a pessoa fica em uma condição vulnerável” (SILVA; SACHUK, 2012b, p. 73).</p><p>Ainda segundo Silva e Sachuk (2012b), a partir do momento em que a pes-</p><p>soa percebe a sua condição de vulnerabilidade é que começa</p><p>o seu processo de</p><p>enfrentamento da situação, mobilizando os recursos internos e externos. Nesse</p><p>sentido, quando as pessoas ativam tais recursos, elas têm a possibilidade de com-</p><p>binar seus fatores de proteção, atribuindo uma utilidade para cada um de seus fa-</p><p>tores, desenvolvendo estratégias eficazes de enfrentamento às situações adversas.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>Na visão de Silva e Sachuk (2012b, p. 73), “quando uma pessoa desenvolve</p><p>estratégias de enfrentamento, ou seja, mecanismos de defesa, ela ganha condições</p><p>de reconfigurar o significado da situação vivenciada, superando, portanto, a sua</p><p>condição de vulnerável diante da situação adversa”. Desse modo, Silva e Sachuk</p><p>(2012b) apresentam um esquema interpretativo para se compreender o ciclo do</p><p>processo de transformação dos fatores de proteção em mecanismo de defesa,</p><p>empreendido pelas pessoas inseridas em contextos organizacionais adversos.</p><p>O esquema interpretativo do processo de enfrentamento humano aos am-</p><p>biente e contextos de trabalho foi compreendido por Silva e Sachuk (2012b, p.</p><p>73) da seguinte maneira:</p><p>Figura 3 – Esquema interpretativo do processo de enfrentamento humano aos</p><p>contextos organizacionais adverso / Fonte: adaptado de Silva e Sachuk (2012b).</p><p>Descrição da Imagem: a imagem mostra um esquema onde se relacionam os seguintes elementos: no centro,</p><p>dentro de um círculo azul o texto “Relação Pessoa/Ambiente de trabalho; “Início do processo”, seta indicando</p><p>para “Situação Adversa (fator de risco); seta indicando para “Vulnerabilidade (sentimentos); seta indicando para</p><p>“Fatores de proteção” (combina recursos), seta indicando para “Mecanismos de defesa (estratégias de enfrenta-</p><p>mento); seta indicando para “Reconfiguração (Reexame cognitivo). Abaixo do esquema, setas relacionam “Buffers”</p><p>(externos) e “Coping” (internos) à “Fatores de Proteção”. Ao lado esquerdo, setas relacionam “Forma” (foco na</p><p>emoção/problema) e “Estilo” (Disposicional/situacional) à “Mecanismos de Defesa”.</p><p>1</p><p>5</p><p>4</p><p>1º PASSO:</p><p>Identificar uma situação adversa em um contexto organizacional, considerada como</p><p>um fator de risco para as pessoas inseridas em uma determinada organização.</p><p>2º PASSO:</p><p>Revelar os sentimentos que emergiram nas pessoas e as deixaram suscetíveis a</p><p>vulnerabilidade.</p><p>3º PASSO:</p><p>Identificar os fatores de proteção internos (coping) e fatores de proteção exter-</p><p>nos (buffers) que as pessoas mobilizaram no momento em que elas tomaram con-</p><p>sciência da situação.</p><p>4º PASSO:</p><p>Identificar os mecanismos de defesa (forma e estilo) utilizados pelas pessoas para</p><p>enfrentar a situação.</p><p>5º PASSO:</p><p>Revelar o significado da situação adversa para as pessoas após o enfrentamento.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 6</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem! Diante do exposto, percebe-se</p><p>a importância de se delinear estratégias de enfrentamento em ambientes que</p><p>causam estresse, como é o caso do ambiente de trabalho, pois os impactos das</p><p>situações adversas nesses ambientes podem acarretar prejuízos diretamente para</p><p>elas e indiretamente para as organizações e para a sociedade, em termos psicoló-</p><p>gicos e econômicos (SILVA; SACHUK, 2012b).</p><p>O físico teórico e cosmólogo renomado, Stephen Hawking, foi diagnosticado</p><p>aos 21 anos com esclerose lateral amiotrófica, uma doença grave que, gra-</p><p>dativamente, vai paralisando todos os músculos do corpo da pessoa. Passados</p><p>mais de 50 anos do diagnóstico, Hawking já não tem quase nenhum controle</p><p>sobre o seu próprio corpo, mas isso nunca o impediu de continuar a trabalhar,</p><p>ter filhos, e de feitos extraordinários. Hawking tinha tudo para viver isolado numa</p><p>casa sombria no alto de uma montanha, ignorando a tudo e a todos, devido a</p><p>sua condição física. Mas o astrofísico é um grande exemplo de resiliência por ter</p><p>conseguido superar muito bem as adversidades que surgiram ao longo de sua</p><p>vida e a adaptar-se plenamente.</p><p>Fonte: https://bit.ly/47frZT6. Acesso em: 31 jul. 2023</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Figura 4 - Stephen Hawking</p><p>Fonte: https://bit.ly/47frZT6. Acesso em:</p><p>31 jul. 2023.</p><p>Descrição da Imagem: uma fotografia de</p><p>um homem idoso, pele branca, cabelos</p><p>claros, óculos de grau, sentado em uma</p><p>cadeira preta em frente a um dispositivo</p><p>eletrônico similar a uma tela de computa-</p><p>dor. Ao fundo, as cores laranja e vermelho</p><p>formam um aspecto de chamas.</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. Os fatores de proteção são estratégias importantes que, combinados, podem se trans-</p><p>formar em eficientes mecanismos de defesa para o enfrentamento de situações ad-</p><p>versas. Segundo Silva e Sachuk (2012b), os fatores de enfrentamento atuam sobre a</p><p>modificação da resposta das pessoas aos fatores de risco com as quais se defronta.</p><p>Diante do exposto, apresente as principais funções dos fatores de proteção.</p><p>2. Um dos fatores de proteção mais conhecido atualmente é denominado coping. O pro-</p><p>cesso de coping atua internamente no indivíduo através de reexames cognitivos sobre</p><p>o meio em que vivem, ou seja, as pessoas refletem sobre o dano ou ameaça proveniente</p><p>do contexto no qual elas estão inseridas. Nesse sentido, analise o seguinte depoimento:</p><p>B2: “A primeira reação foi a de saber que o banco N não tinha o cargo que eu exercia no</p><p>banco I. [...] Eu continuei fazendo o meu (atividades de trabalho)... fui me especializar e</p><p>tirar a ANBID, que é o certificado CPA-10 do mercado financeiro. Eu queria atingir mais</p><p>algumas ‘coisas’ (objetivos pessoais) lá dentro... (do banco N com a profissão de bancário).</p><p>Trabalhando eu atinjo o que eu quero, sabe?! [...] Ia ter que fazer alguma coisa entendeu?!</p><p>E ai fui mais eu mesmo... iniciativa minha... ‘Quero?’ ‘Não quero?’... e vamos lá (prosseguir</p><p>trabalhando no banco)”.</p><p>A seguir assinale a alternativa que corresponde aos fatores de coping utilizados por B2:</p><p>a) Os fatores de coping utilizados por B2 foram: a especialização obtida por meio da</p><p>certificação ANBID; e a própria condição de estar empregado que o possibilita realizar</p><p>objetivos pessoais.</p><p>b) Os fatores de coping utilizados por B2 foram: autodeterminação, por julgar-se capaz</p><p>de realizar qualquer atividade para manter o seu emprego; a autoconfiança em se</p><p>adaptar a quaisquer circunstâncias; a capacidade de aprender novos procedimentos;</p><p>e a mobilidade funcional por ser capaz de se adequar às novas funções de trabalho.</p><p>c) Os fatores de coping utilizados por B2 foram: a autoconfiança, por considerar-se ca-</p><p>paz de enfrentar situações de mudanças; permanecer trabalhando; a ambição de se</p><p>realizar por meio de seu trabalho; e a iniciativa que o deixou em condições de reagir</p><p>frente às situações adversas do ambiente de trabalho.</p><p>d) Os fatores de coping utilizados por B2 foram: ajuda da família; atividades de lazer</p><p>desenvolvidas pelo B2 com seus parentes; o próprio emprego na instituição, pois</p><p>estar empregado lhe deu condições de cumprir suas responsabilidades financeiras e</p><p>prover sua família.</p><p>1</p><p>5</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. O termo estresse é muito empregado pelas pessoas, em especial quando estão satu-</p><p>radas das atividades do dia a dia. Segundo Silva e Salles (2016), hoje em dia a palavra</p><p>“estresse” é utilizada para se referir a um estado de irritação, impaciência ou nervosis-</p><p>mo, no qual decorre de uma situação de pressão, tensão momentânea ou duradoura.</p><p>Diante do exposto, descreva o estresse do ponto de vista da relação transacional.</p><p>4. Um dos maiores desafios do homem moderno é conseguir buscar o equilíbrio emocio-</p><p>nal diante de situações adversas da vida e do trabalho. Portanto, é importante tomar</p><p>ciência das estratégias de enfrentamento que podem auxiliar as pessoas nessa busca</p><p>do rendimento profissional sem prejudicar a saúde física e psíquica. Diante do exposto,</p><p>descreva os três tipos de estratégias de enfrentamento do estresse no ambiente de</p><p>trabalho apresentadas por Latack (1986).</p><p>5. A resiliência é um fenômeno humano, uma capacidade adaptativa e um processo de</p><p>interação dos indivíduos com o contexto em que estão inseridos. Nesse sentido, a</p><p>resiliência não é um</p><p>aspecto inato do indivíduo ou um simples processo, mas é conce-</p><p>bida como uma resposta positiva a fatores de risco causadores de estresse. Sabendo</p><p>disso, como a resiliência pode contribuir para a saúde do professor diante de situações</p><p>adversas no contexto escolar?</p><p>6. Segundo os estudos realizados por Maturana e Valle (2014), quais são as principais</p><p>causas de estresse nos trabalhadores da saúde?</p><p>1</p><p>5</p><p>8</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CHAMON, E. M. Q. O.; SANTOS, O. A. S. G; CHAMON, M. A. Estresse e estratégias de enfrenta-</p><p>mento: instrumentos de avaliação e aplicações. XXXII Encontro da ANPAD, Rio de Janeiro, 2008.</p><p>DELL’AGLIO, D. D.; HUTZ, C. S. Estratégias de coping e estilo atribucional de crianças em</p><p>eventos estressantes. Estudos de Psicologia, v. 7, n. 1, p. 5-13, 2002.</p><p>DUARTE, M. F. de; SILVA, A. L. A reconstrução da carreira em ambientes de trabalho em trans-</p><p>formação. Organ. Soc., v. 20, n. 67, p. 699-715, dez. 2013.</p><p>FONTES, A. P.; NERI, A. L.; YASSUDA, M. S. Enfrentamento de estresse no trabalho: relações entre</p><p>idade, experiência, autoeficácia e agência. Psicol. Cienc. prof., v. 30, n.3, p. 620-633, set., 2010.</p><p>HOUAISS, A., VILLAR, M.S., FRANCO, F.M. Dicionário da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de</p><p>Janeiro, 2001. p. 1264.</p><p>LATACK, J. C. Coping with job stress: Measures and future directions for scale develop-</p><p>ment. Journal of Applied Psychology,</p><p>LAZARUS, R. S.; FOLKMAN, S. Stress, apraisal and coping. New York: Springer Publishing</p><p>Company, 1984.</p><p>OMAR, A. et al. Un modelo explicativo de resiliencia en jovenes y adolescentes. Departamento de</p><p>Psicologia – Universidade Estadual de Maringá. Psicol. Estud., v. 16, n. 2, p. 269-277, jun. 2011.</p><p>ROCHA, A. C. F. da. O estresse no ambiente de trabalho. Rio de Janeiro: Pedagogia em Foco,</p><p>2005. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm. Acesso em: 10 fev. 2019.</p><p>RUTTER, M. Psychosocial resilience and protective mechanisms. American Journal of Or-</p><p>thopsychiatry, v. 57, p. 316-331, 1987.</p><p>RYAN-WENGER, N. M. A taxonomy of children’s coping strategies. A step toward theory deve-</p><p>lopment. American Journal of Orthopsychiatry, n. 62, 1992, p. 256-263.</p><p>1</p><p>5</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>SANTOS, L. M. dos; ALMEIDA, F. L. de; LEMOS, S. C. da. Inteligência emocional: testando a enferma-</p><p>gem do futuro. Rev. Bras. Enferm., Brasília, DF,v. 52, n. 3, p. 401-412, set. 1999. Disponível em: http://</p><p>www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71671999000300010&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>SILVA, A. L.; SACHUK, M. I. A Transformação dos fatores de proteção em mecanismos</p><p>de defesa no contexto organizacional: o caso dos funcionários de uma instituição finan-</p><p>ceira. VII Encontro de estudos organizacionais da ANPAD. Curitiba, 2012a, p. 1-16.</p><p>SILVA, A. L.; SACHUK, M. I. Interpretação do processo de enfrentamento aos contextos orga-</p><p>nizacionais adversos. Revista Administração em Diálogo, v. 14, n.3, /dez. 2012b, p. 54-77.</p><p>SILVA, L. C. da; SALLES, T. L. A. de. O estresse ocupacional e as formas alternativas de trata-</p><p>mento. Revista de Carreiras e Pessoas São Paulo, v. 6, n. 2. 2016, p. 234-247.</p><p>ZONTA, R.; ROBLES, A. C. C.; GROSSEMAN, S. Estratégias de enfrentamento do estresse de-</p><p>senvolvidas por estudantes de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina. Rev.</p><p>Bras. Educ. Med., Rio de Janeiro, v. 30, n. 3, p. 147-153, dez. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-55022006000300005&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 24 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. As principais funções dos fatores de proteção são: reduzir o impacto dos riscos, fato</p><p>que altera a exposição da pessoa à situação adversa; reduzir as reações negativas que</p><p>decorrem da exposição da pessoa à situação de risco; estabelecer e manter a autoestima</p><p>e autoeficácia, por meio do estabelecimento de relações de apego seguras e o cumpri-</p><p>mento de tarefas com sucesso e criar oportunidades para reverter os efeitos do estresse.</p><p>2. Os fatores de coping utilizados por B2 foram: a autoconfiança, por considerar-se capaz</p><p>de enfrentar situações de mudanças; permanecer trabalhando; a ambição de se realizar</p><p>por meio de seu trabalho; e a iniciativa que o deixou em condições de reagir frente às</p><p>situações adversas do ambiente de trabalho.</p><p>3. Existem diferentes abordagens sobre o que constitui o estresse. Uma delas é sob o ponto</p><p>de vista da relação transacional que consiste na relação entre a pessoa e o ambiente.</p><p>Lazarus e Folkman (1984) chamam a atenção para a importância do estudo do significado</p><p>do acontecimento para cada indivíduo, já que o estresse é motivado por acontecimentos</p><p>perturbadores externos e reações internas, como sentimentos, pensamentos e com-</p><p>portamentos do próprio indivíduo. Nessa perspectiva, as estratégias de enfrentamento</p><p>funcionam como um processo transacional e fundamentam-se em dois eixos: a avaliação</p><p>cognitiva do acontecimento e o controle do estresse.</p><p>4. Latack (1986) mensurou o enfrentamento do estresse no ambiente de trabalho conside-</p><p>rando três tipos de estratégias:</p><p>1 - Ações e reavaliações cognitivas de resolução de problemas – por exemplo: a pessoa</p><p>pode se dirigir a seu chefe ou superior e relatar o problema no qual está passando</p><p>para tentar resolvê-lo em conjunto.</p><p>2 - Ações e reavaliações cognitivas de esquiva – por exemplo: a pessoa pode se recusar</p><p>ou se esquivar das situações adversas por meio de estratégias de enfrentamento</p><p>internas, conhecidas como coping.</p><p>3 - Manejo de sintomas, referindo-se às ações para manejo do estresse relacionado - por</p><p>exemplo: a pessoa pode se submeter à prática de exercícios físicos, de um esporte, à</p><p>dança ou ao relaxamento, utilizando do fator de proteção externo (buffers), amenizando</p><p>os impactos negativos de eventos estressantes sobre o bem-estar físico e psicológico.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>5. Segundo os estudos de Mariano e Muniz (2006), na medida em que as professoras desen-</p><p>volveram estratégias para suas atividades no trabalho, o que realmente elas buscavam</p><p>era transformar o sofrimento, canalizando-o para uma vivência de prazer no trabalho.</p><p>A resiliência exercida pelas professoras consiste em centralizar o problema na situação</p><p>adversa e transformá-lo em desejo de comprometimento profissional, exercendo a ativi-</p><p>dade docente guiada pelo interesse e prazer, o que lhes permite dar um maior sentido e</p><p>identificação com sua prática educativa. Apesar das adversidades existentes no contexto</p><p>escolar, as professoras buscam e constroem entre si estratégias, que contribuem para o</p><p>exercício e manutenção da saúde no trabalho docente.</p><p>6. Segundo as pesquisadoras Maturana e Valle (2014), as principais causas de estresses nos</p><p>profissionais da saúde estão relacionadas à pressa, à necessidade de apresentar respos-</p><p>tas rápidas, às pressões dos superiores, às características institucionais, burocráticas e</p><p>principalmente à dificuldade de relacionamento interpessoal com a equipe de trabalho.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>UNIDADE 3</p><p>MINHAS METAS</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>E TRABALHO</p><p>Compreender o que são relações interpessoais e como elas acontecem entre os</p><p>grupos e os indivíduos.</p><p>Aprender a interação entre as pessoas no trabalho e como as relações interpes-</p><p>soais interferem na motivação e na liderança organizacional.</p><p>Verificar os problemas que podem surgir nas empresas devido aos conflitos e às</p><p>tensões interpessoais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 7</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>É difícil vermos uma pessoa que diga que precisa aperfeiçoar suas habilidades de</p><p>relacionamento interpessoal, mas a grande verdade é que se relacionar bem com</p><p>outras pessoas é mais complicado do que nos parece. Isso se dá porque cada um</p><p>de nós tem um jeito peculiar de ser.</p><p>Relacionar-se bem com outras pessoas vai muito além de agradar aos ou-</p><p>tros. O ponto capital é que ninguém vive sozinho. Vivemos em sociedade e</p><p>precisamos conviver uns com os outros. No seu lar, você precisa da ajuda de</p><p>alguém para realizar alguma tarefa doméstica, por exemplo,</p><p>ir ao supermercado</p><p>enquanto você toma banho; no trabalho, é bem provável que já precisou de um</p><p>colega para cobrir um horário seu para que conseguisse resolver algum proble-</p><p>ma pessoal etc. Então, durante este Tema de Aprendizagem, vamos conversar</p><p>com você sobre algumas dicas para se tornar mais sociável no seu ambiente de</p><p>trabalho, como se comunicar e explicar por que a ética é tão importante para o</p><p>seu sucesso pessoal e profissional.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS E TRABALHO</p><p>Um dos grandes desafios das lideranças empresariais é ter entre os membros</p><p>das suas equipes um bom relacionamento. A problemática enfrentada pelos</p><p>gestores alcança a convivência diária que sua equipe vivencia e até os encontros</p><p>e desencontros que acontecem diariamente.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Compreenda que as relações interpessoais se desenvolvem por meio do processo</p><p>de interação entre os membros das equipes. Devido a essa ambientação, o sucesso</p><p>da empresa passa a ter proximidade com o relacionamento interpessoal, porque</p><p>os colaboradores são aqueles que desenvolvem diversas atividades que dependem</p><p>da contrapartida dos colegas de trabalho para que os resultados sejam pertinentes</p><p>para as empresas. Daí, infere-se que, se a equipe não tem bom relacionamento</p><p>entre si, as chances de criar, inovar, produzir, ou seja, de trabalhar junta serão</p><p>menores. Nesse contexto, as empresas valorizam cada vez mais o perfil do pro-</p><p>fissional que consegue se relacionar com o outro, sabendo que há vários tipos</p><p>de personalidades dentro de uma mesma equipe.</p><p>Até algum tempo atrás, as empresas tinham foco</p><p>em profissionais com experiência técnica. Porém,</p><p>atualmente, há mais espaço para as habilidades com-</p><p>Figura 1 – Relações Interpessoais / Fonte: https://bit.ly/3lLc48K. Acesso em: 12 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: uma fotografia, em que aparecem seis pessoas sentadas em uma mesa redonda, em</p><p>ângulo aéreo, São três homens e três mulheres. Na mesa estão espalhados os objetos: pranchetas com folha</p><p>de papel, canetas coloridas, calculadora, post-its, régua, óculos de grau, tesoura e copos de plástico. As pessoas</p><p>escrevem e parecem conversar entre si.</p><p>há mais espaço</p><p>para as habilidades</p><p>comportamentais</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>https://bit.ly/3lLc48K</p><p>portamentais, por exemplo, flexibilidade, inteligência emocional, criatividade,</p><p>dentre outras. Claro que é preciso habilidade técnica. Contudo, é necessário ir</p><p>além, ou seja, perceber e respeitar as diferenças de cada membro da equipe e saber</p><p>que a sua forma de agir com as pessoas a sua volta diz muito a respeito de você.</p><p>Entenda que os membros de uma empresa fazem com que a cultura dela seja</p><p>estabelecida e, por conseguinte, seja vista no mercado de trabalho. Assim, a sua</p><p>forma de ser, pensar e agir influencia sobremaneira todos os demais relaciona-</p><p>mentos nas empresas. Então, imagine que na empresa em que atua há um clima</p><p>harmônico, positivo e respeitoso; fica perceptível para todos a sua volta que o</p><p>ambiente é sadio e que, se houver dificuldades, serão superadas mais facilmente.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Porém, em vez disso, imagine que o ambiente da empresa em que trabalha seja</p><p>negativo, competitivo e pesado. Como resultado, o que poderemos esperar?</p><p>Inimizades, antipatia e desconfiança, que vão impactar os resultados indi-</p><p>viduais, do setor e, por conseguinte, de toda a empresa, interferindo no seu de-</p><p>sempenho, no seu crescimento profissional e empresarial.</p><p>Precisamos compreender que, à medida que vamos trabalhar com mau</p><p>humor, não ficamos propensos à cooperação nem nos integramos ao grupo,</p><p>provocando ruídos na comunicação, desmotivando todos a nossa volta. No</p><p>entanto, se tivermos maturidade, autoconhecimento e bom senso em nossas</p><p>ações, conseguiremos fazer com que nossa autoestima se eleve e passaremos</p><p>a participar grupalmente, colaborando para um ambiente de trocas sadias e</p><p>crescimento vertiginosamente positivo. Ressaltamos que a responsabilidade de</p><p>se ter um bom nível de relacionamento com todas as pessoas é tanto dos cola-</p><p>boradores quanto da empresa. Pode acontecer de alguns gestores ainda dizerem</p><p>que devemos deixar nossos problemas em casa para conseguirmos trabalhar</p><p>focados. Contudo, o ser humano é constituído de sentimentos e emoções, não</p><p>sendo, portanto, uma máquina. Então, esse tipo de pensamento não tem for-</p><p>ça argumentativa dentro das empresas. O que precisamos é trabalhar em nós</p><p>mesmos o autoconhecimento, para que nossas emoções não sejam empecilhos</p><p>para o nosso crescimento profissional.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Por sua vez, cada colaborador precisa ser visto como ser único e com caracte-</p><p>rísticas particulares que, ao serem observadas e respeitadas, contribuem para o</p><p>sucesso da empresa. Com base no exposto, vamos conversar de forma objetiva</p><p>sobre os relacionamentos interpessoais dentro das empresas, dialogando com as</p><p>principais variáveis, que são o início do tema relacionamentos interpessoais nas</p><p>empresas, e como se dá a sua manutenção.</p><p>Percebe-se que é algo bastante sistêmico, em que o grupo faz parte de um</p><p>grande todo chamado organização, onde cada um dos indivíduos deve ser visto</p><p>como um ser único e dotado de peculiaridades que precisam ser observadas e</p><p>respeitadas com cuidado. O interior das organizações será o nosso principal</p><p>cenário para o estudo dessas relações. As principais variáveis que propiciam o</p><p>surgimento e a manutenção das relações interpessoais são os indivíduos, os ob-</p><p>jetivos e metas, a liderança e o meio ambiente.</p><p>Compreenda que a empresa pode ser vista como um grande organismo vivo que</p><p>funciona sistemicamente e com as partes do seu todo, com os setores estando</p><p>equilibrados e harmoniosos com os demais setores.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>INTERAÇÃO ENTRE AS PESSOAS E O TRABALHO</p><p>Para falarmos da interação entre as pessoas e o seu ambiente de trabalho, precisa-</p><p>mos considerar algumas variáveis, como indivíduos, objetivos e metas, liderança</p><p>e meio ambiente. Vamos lá?</p><p>Figura 2 – Colaboradores / Fonte: https://bit.ly/3MWfhye. Acesso em: 12 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: uma ilustração em que aparecem sete pessoas interagindo no ambiente de trabalho. À</p><p>esquerda temos um rapaz de camisa verde e calça preta, sentada em uma poltrona ao seu lado, uma moça de camisa</p><p>vermelha e calça verde, com um notebook apoiado nas pernas; ao lado uma moça em pé, camisa azul e saia preta,</p><p>cabelos soltos fala ao telefone; ao lado dela, um rapaz em pé, de camisa vermelha e calça azul segura um documento,</p><p>interagindo com ele, uma moça em pé, de cabelos presos, camisa verde e colete preto, calça laranja, gesticula em sua</p><p>direção; sentada em uma mesa, uma moça de cabelos curtos, camisa vermelha e calça preta, olha para um notebook</p><p>e gesticula; atrás dela, um rapaz de cabelos pretos e barba, trajando terno e gravata, gesticula e observa o notebook.</p><p>Quando abordamos a questão dos indivíduos, falamos das individualidades dos</p><p>colaboradores que têm seis características. São elas:</p><p>PERCEPÇÃO</p><p>Cada um de nós percebe uma mesma situação de forma diferente, devido à inter-</p><p>pretação que damos a ela, ou seja, depende da nossa interpretação.</p><p>ATITUDES</p><p>É quando reagimos a um estímulo ao nos vermos em determinadas situações ou</p><p>por meio de opiniões. Nossas atitudes mudam quando, por exemplo, o estímulo</p><p>muda ou o nosso comportamento em relação ao estímulo também mudou.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3MWfhye</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>Entenda que essas características nos fazem visualizar de uma forma mais ampla</p><p>os aspectos de comportamento dos colaboradores de uma empresa.</p><p>Agora, é fácil entendermos porque as empresas</p><p>são muito diversificadas em relação ao seu capital</p><p>intelectual, culminando para uma diversidade de</p><p>desejo e a necessidade de exposição de ideias, visto</p><p>que cada colaborador é oriundo de uma cultura, de</p><p>uma determinada região, cresceu com base em educação específica, faz parte de</p><p>algum nível social, trazendo consigo características distintas e peculiares.</p><p>Por isso, as empresas precisam</p><p>se preparar para conseguirem ajustar todas</p><p>essas diferenças a seu favor e para atenderem aos seus objetivos, reconhecendo os</p><p>comportamentos individuais, propiciando uma vivência de experiências e de trocas</p><p>mútuas que modifique o processo empresarial para algo além de atingir seus obje-</p><p>tivos lucrativos, mas também que valorize que eles sejam alcançados pelas pessoas.</p><p>APTIDÕES</p><p>Cada um de nós tem potencial para a realização de algum tipo de tarefas e ativi-</p><p>dades. Então, a aptidão varia de indivíduo para indivíduo, podendo ser categoriza-</p><p>da em intelectual, física e interpessoal.</p><p>INTELIGÊNCIA</p><p>É a nossa capacidade de trabalhar em meio à complexidade. Entende-se também</p><p>que a inteligência é uma aptidão geral que dirige as demais aptidões.</p><p>PERSONALIDADE</p><p>Envolve todos os nossos traços do comportamento e as características funda-</p><p>mentais de cada um de nós.</p><p>BIOGRAFIA</p><p>Cada indivíduo tem a sua biografia composta por dados pessoais, como idade,</p><p>local de nascimento, identidade sexual, estado civil e experiências.</p><p>as empresas são</p><p>muito diversificadas</p><p>em relação ao seu</p><p>capital intelectual</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>A próxima variável que precisamos</p><p>considerar é a dos objetivos e metas,</p><p>porque, quando as pessoas buscam algo</p><p>em comum, elas se aproximam.</p><p>A família é um grupo no qual fomos</p><p>inseridos desde o nosso nascimento e</p><p>não temos escolha de sair dele. Con-</p><p>tudo, dos demais grupos podemos, e</p><p>só nos deixamos ficar em determina-</p><p>do grupo por livre-arbítrio, ou seja,</p><p>por nossa escolha ao perpassar pelos</p><p>nossos interesses, objetivos e metas. Se</p><p>você quer aprender dança de salão, faz a</p><p>matrícula em um curso, compartilhan-</p><p>do com todos ali o mesmo objetivo.</p><p>Quando já não for mais seu objetivo,</p><p>você cancela a sua matrícula.</p><p>Figura 3 – Meta / Fonte: https://bit.ly/3z8d8eR.</p><p>Acesso em: 12 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta um alvo</p><p>preto, vermelho e branco, em ângulo lateral, atingido</p><p>por três dardos verdes, no centro do alvo.</p><p>Veja você, pare alguns instantes e relembre quantas pessoas já passaram por</p><p>sua vida e se foram, quantos colegas de escola, quantos colegas de trabalho,</p><p>quantos amigos de infância e quantos ficaram em sua vida. Desses que “se fo-</p><p>ram”, pergunte-se: por que você os deixou ir embora?</p><p>Para aqueles que estão com você desde a infância, ou há muitos anos, por</p><p>que ficaram? Talvez você chegue à conclusão de que os que se foram tinham</p><p>opiniões diferentes da sua, gostos que não convergiam para os seus, falta de</p><p>afi- nidades sobre assuntos, lazer ou estilo de vida, dentre outros. Para aqueles</p><p>que ficaram, o raciocínio pode ser o inverso, que possuem o mesmo objetivo</p><p>que você, que compartilham dos mesmos gostos, afinidades etc. Consegue</p><p>perceber, então, o quanto ter objetivos e metas semelhantes proporciona uma</p><p>convivência melhor e de longevidade?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3z8d8eR</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 7</p><p>O líder tem uma função catalisadora de facilitador das relações interpessoais,</p><p>sendo o responsável por ajudar a sua equipe a atingir suas metas.</p><p>Figura 4 – Líder / Fonte: https://bit.ly/3wSly7l. Acesso em: 26 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: uma ilustração onde aparecem cinco pessoas, sobre um fundo branco e rosa. Ao centro,</p><p>em primeiro plano, uma mulher de pele clara, de cabelos curtos, camisa preta com gola branca, apoia os braços na</p><p>cintura, ao seu lado esquerdo, uma mulher de cabelos claros, pele clara, camisa branca e saia azul, à sua esquerda</p><p>um homem de pele clara de cabelos curtos, terno e gravata, apoia a mão esquerda no bolso do terno. À direita</p><p>da figura principal, uma mulher negra de cabelos longos, camisa branca e calça azul, à sua direita uma pessoa de</p><p>pele clara, cabelos claros, camisa escura e calça azul.</p><p>O papel do líder é muito relevante para o desenvolvimento de relações harmonio-</p><p>sas e positivas dentro das empresas.</p><p>Queremos ressaltar a você que o líder faz parte da equipe e precisa ser considera-</p><p>do como um membro, e não como um indivíduo à parte ou externo a ela. Dessa</p><p>forma, tudo o que acontecer na equipe também o afeta diretamente. Uma boa</p><p>liderança pode contribuir para que as relações interpessoais melhorem, porém,</p><p>uma má liderança pode fazer com que o grupo se desintegre.</p><p>Não é uma tarefa fácil liderar, pois o líder deve saber reconhecer as par-</p><p>ticularidades de cada membro da sua equipe, colocando as diferenças a seu</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>https://bit.ly/3wSly7</p><p>favor para atingir os resultados empresariais. Não raro o líder é mediador</p><p>de conflitos, tendo que ter habilidades específicas de negociador, buscando</p><p>soluções pacíficas e concretas.</p><p>Agora, vamos pensar: onde as relações interpessoais acontecem? Em algum</p><p>ambiente, correto?! Sendo assim, o ambiente interfere muito em como essas</p><p>relações acontecerão. O ambiente pode ser interno, dentro das empresas, ou fora</p><p>delas. Se pensarmos no ambiente interno, fatores como estrutura da empresa,</p><p>modelo de administração que a gestão adotou e clima organizacional precisam</p><p>ser levados em consideração e observados, pois vão refletir em toda a empresa,</p><p>impactando um ambiente harmonioso, equilibrado, tenso ou conflituoso.</p><p>Já pensando no ambiente externo, é de se levar em consideração que é nele</p><p>que o colaborador vive as suas experiências e traz para dentro da empresa</p><p>toda a sua história, sua bagagem pessoal. Aqui, também podemos citar outras</p><p>variáveis, como a política, a economia e a cultura social na qual a empresa está</p><p>inserida e que repercute diretamente nas relações interpessoais.</p><p>Lembre-se das eleições de 2018, em como foi instalado um clima de guerra no</p><p>Brasil, refletindo em todos os tipos de relações dentro e fora das empresas?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem!</p><p>Diante desse cenário, observamos que o ambiente influencia demasiadamente</p><p>as relações interpessoais, tendo, se for o caso, um clima de confiança mútua,</p><p>cooperação e coleguismo, propiciando uma terra fértil para o desenvolvimento</p><p>de relações positivas e duradouras, cujo benefício será de todos: colaboradores</p><p>e empresa. Por outro lado, se ocorrerem influências negativas, podendo ser in-</p><p>ternas ou externas à empresa, elas desencadearão relações nada recomendáveis</p><p>para os colaboradores e a empresa.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. O profissional que sabe se relacionar cria oportunidades de desenvolvimento de carreira</p><p>cada vez mais promissoras. Assinale a alternativa CORRETA com relação ao relaciona-</p><p>mento interpessoal no ambiente de trabalho.</p><p>a) ( ) Nos dias de hoje, as competências individuais são mais requeridas que as coletivas.</p><p>Portanto, o trabalho em equipe não é prioridade para as empresas.</p><p>b) ( ) Os gestores querem perfis de colaboradores que competem entre si, que buscam</p><p>resultados e que não se importam com o relacionamento dentro da equipe.</p><p>c) ( ) Num ambiente organizacional, todo profissional precisa saber se impor, por isso,</p><p>é fundamental ter falas objetivas e diretas.</p><p>d) ( ) Existem pessoas que são intolerantes e, por isso, têm menos probabilidade de</p><p>serem promovidas a um cargo superior.</p><p>2. Com relação ao relacionamento interpessoal no ambiente de trabalho, há indicadores</p><p>que contribuem para a identificação do nível de satisfação ou insatisfação. Assinale a</p><p>alternativa que corresponde a esses indicadores:</p><p>a) ( ) Individuais; coletivos.</p><p>b) ( ) Perceptíveis; imperceptíveis.</p><p>c) ( ) Intrínsecos; extrínsecos.</p><p>d) ( ) Claros; obscuros.</p><p>3. As relações interpessoais se desenvolvem por meio do processo de interação entre os</p><p>membros das equipes. Devido a essa ambientação, o sucesso da empresa passa a ter</p><p>proximidade com o relacionamento interpessoal. É sempre bom manter as relações</p><p>entre os colaboradores saudáveis, mas para que isso aconteça é preciso evitar algumas</p><p>situações que se caracterizam como:</p><p>a) ( ) Assertivas.</p><p>b) ( ) Empáticas.</p><p>c) ( ) Altruísticas.</p><p>d) ( ) Arbitrárias.</p><p>4. Cite pelo menos cinco indicadores do nível de satisfação ou insatisfação (intrínsecos</p><p>e extrínsecos):</p><p>5. A motivação humana está relacionada com a satisfação das suas necessidades, se-</p><p>gundo Maslow. Cite quais sãos essas necessidades e seus respectivos exemplos.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>TORQUATO, F. G. Comunicação empresarial/comunicação institucional: conceitos, es-</p><p>tratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas. 5. ed. São Paulo: Summus, 1986.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. D</p><p>2. C</p><p>3. D</p><p>4. Fatores intrínsecos (pessoais): a personalidade individual da equipe; a quantidade de</p><p>aprendizagem que será absorvida durante o trabalho; quais emoções suas envolvidas</p><p>serão mais acessadas; de que tipo de atitudes se precisa para realizar o trabalho. Fato-</p><p>res extrínsecos (ambientais): como é a equipe de trabalho; quais recompensas são</p><p>ofertadas; qual é o nível de con- fiança que a liderança tem em seu trabalho; quais são</p><p>as normas estabelecidas; como é o ambiente de trabalho.</p><p>5. Necessidades fisiológicas: são as nossas necessidades de sobrevivência, vitais para</p><p>nós, como: alimentação, dormir, atividade física, sexo, água, moradia etc.</p><p>Necessidades de segurança: são as necessidades que sentimos ao logo da nossa vida:</p><p>do corpo, trabalho, saúde, prosperidade, dentre outros.</p><p>Necessidades sociais: são as nossas necessidades de estarmos envolvidos em diversos</p><p>grupos, como os da amizade, família, grupos sociais, e por aí vai.</p><p>Necessidades de status (ou de estima): são aquelas de reconhecimento da família,</p><p>do grupo de trabalho, da sociedade por tudo que fez e faz ou é na vida;</p><p>Necessidades de autorrealização: é o último degrau da pirâmide e o mais difícil de</p><p>ser alcançado, pois envolve o cultivo de alguma crença religiosa, atin- gir um cargo pro-</p><p>fissional de alto nível, ter crescimento pessoal, dentre outros. Ou seja, é ter o impulso de</p><p>desenvolver o seu próprio potencial e de ser em contínuo aperfeiçoamento.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>MINHAS METAS</p><p>RELAÇÕES HUMANAS</p><p>E COMUNICAÇÃO</p><p>Verificar os problemas que podem surgir nas empresas devido aos conflitos</p><p>e às tensões interpessoais.</p><p>Identificar como a comunicação pode facilitar as relações interpessoais.</p><p>Analisar as mudanças comportamentais impostas pela globalização e quais</p><p>seus reflexos no ambiente organizacional.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 8</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>O termo comunicação é oriundo do latim communicatio, de communis, e quer</p><p>dizer fazer com que alguma coisa se torne comum entre algumas pessoas. Em</p><p>outras palavras, é quando conseguimos transmitir uma mensagem.</p><p>Independentemente de qual segmento de mercado que a empresa atua, para</p><p>que ela prospere e atinja resultados positivos é preciso que a comunicação seja</p><p>um elemento fluido em sua estrutura e nos processos internos e externos. Não</p><p>há como realizar o planejamento empresarial, efetivar a organização da sua estru-</p><p>tura, determinar a coordenação e o controle do trabalho entre os colaboradores</p><p>se não houver a comunicação.</p><p>Isso se dá porque é através da comunicação que o gestor consegue integrar,</p><p>desenvolver e motivar os colaboradores para atingirem determinados resultados.</p><p>Sendo assim, é a comunicação responsável por juntar os colaboradores e formar</p><p>um grupo empresarial. Porque, sem a comunicação, o que existe são pessoas</p><p>agindo isoladamente. Fica a cargo da comunicação também realizar a promoção</p><p>do contato entre os diversos setores dentro das empresas.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>RELAÇÕES HUMANAS E COMUNICAÇÃO</p><p>Você já compreendeu que para haver bons relacionamentos é preciso que os in-</p><p>divíduos se comuniquem bem. Pois bem, para isso, os elementos que compõem a</p><p>comunicação precisam estar atuando coerentemente. Mas que elementos são esses?</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Os elementos da comunicação são: emissor, receptor e a mensagem, que são con-</p><p>siderados os básicos. Contudo, há outros três elementos necessários para que a</p><p>comunicação se efetive: código, canal e contexto, conforme descrito na Figura 2:</p><p>Figura 1 – Comunicação entre as pessoas / Fonte: https://bit.ly/3PO5Hz0. Acesso em: 12 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem mostra dois homens jovens se comunicando por um artefato de fio e latas.</p><p>À esquerda, um homem de cabelos escuros, barba, óculos de grau, camisa vermelha e calça marrom claro, com</p><p>uma das mãos segura uma lata interligada a outra por um fio; à direita, um homem jovem de cabelos escuros e</p><p>bigodes, camisa amarela e calça avermelhada, com uma das mãos segura a outra lata.</p><p>Figura 2 – Elementos da comunicação / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: um esquema onde se relacionam: um elemento verde, seguido por uma seta indicando</p><p>a palavra “Canal” e “Mensagem / Código”, ao lado direito, um elemento vermelho. Ambos os elementos estão</p><p>envolvidos em um retângulo de traço verde, abaixo dele, a palavra “Contexto”.</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3PO5Hz0</p><p>Agora, vamos conhecer cada um desses elementos:</p><p>EMISSOR</p><p>É quem emite a informação/mensagem. O emissor tem o papel de fazer uso dos mel-</p><p>hores elementos para que o receptor compreenda a mensagem que ele quer passar.</p><p>RECEPTOR</p><p>É quem precisa receber a informação/mensagem que o emissor envia. Para isso,</p><p>ele precisa decodificar a mensagem, quer dizer, o receptor não só precisa receber</p><p>a mensagem como também precisa entender do jeito que o emissor quer que ele a</p><p>entenda. Esse entendimento é o que chamamos de feedback. Ressaltamos que para</p><p>que a comunicação seja eficaz, o maior responsável é o emissor, por que a transmite.</p><p>MENSAGEM</p><p>É a informação ou um conjunto de informações que precisa ser transmitida por</p><p>algum emissor que será recebida e compreendida por algum receptor.</p><p>CONTEXTO</p><p>São as circunstâncias ou situações nas quais acontece a comunicação.</p><p>CANAL</p><p>É o meio pelo qual a informação ou mensagem é enviada e que pode ser de vários</p><p>tipos: escritos, orais, digitais etc.</p><p>CÓDIGO</p><p>É o mesmo que o signo que será utilizado para realizar a transmissão das in-</p><p>formações ou mensagens. É o mesmo que sinais que são utilizados para fazer</p><p>com que a informação ou mensagem seja decodificada. Pode ser de vários tipos:</p><p>linguagens escrita, oral e não verbal (gestos, sinais visuais, sinais corporais).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>A comunicação é fundamental para que um grupo informal ou formal (empre-</p><p>sarial) funcione corretamente. Todavia, para isso, é preciso que seja compreen-</p><p>dida qual é a função da comunicação dentro do contexto em que ela está sendo</p><p>aplicada. A comunicação pode ter quatro funções básicas:</p><p>■ Controlar: a comunicação pode funcionar para obter o controle do</p><p>comportamento dos indivíduos. Por exemplo: no trabalho, quando</p><p>você recebe uma orientação por escrito ou verbalmente de que todo</p><p>problema que acontecer no seu setor é preciso que seu superior fique</p><p>sabendo. Aqui, a comunicação desempenha a função de controle. Por-</p><p>que ou você obedece, ou terá que arcar com as consequências dentro</p><p>das políticas internas da empresa. Na comunicação informal também</p><p>existe a função do controle de comportamento quando, por exemplo,</p><p>um pai dá uma ordem para o filho não jogar videogame a noite toda,</p><p>caso contrário, será cortada a sua mesada semanal.</p><p>■ Motivar: a comunicação é muito útil quando o assunto é motivação, pois</p><p>por meio dela é possível acessar níveis emocionais intrínsecos dos indiví-</p><p>duos, proporcionando uma sensação de capacidade e motivando-os a ir</p><p>além. É um recurso muito utilizado pelos líderes quando, por exemplo,</p><p>evidenciam determinada qualidade de um colaborador por causa de uma</p><p>fase complicada na vida pessoal ou profissional, fazendo-o lembrar que</p><p>o momento presente, por mais que pareça difícil para ele, é fácil superar</p><p>devido a tantos outros momentos que já superou e venceu.</p><p>■ Expressar as emoções: por meio da comunicação é possível expressar-</p><p>mos nossas emoções positivas ou negativas, extravasando sentimentos</p><p>de satisfação ou frustração. Por exemplo, às vezes, o seu gestor faz al-</p><p>guém chorar de raiva, como também se emocionar de felicidade pelo</p><p>reconhecimento dos seus esforços.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Diante desse contexto sobre os elementos de uma comunicação, você já parou</p><p>para pensar no porquê e para que as pessoas se comunicam?</p><p>1</p><p>8</p><p>4</p><p>■ Informar: a comunicação deixa tudo mais transparente quando as in-</p><p>formações são verdadeiras e confiáveis. Assim, fica mais fácil para os</p><p>gestores e colaboradores tomarem decisões. Como quando é preciso</p><p>decidir pela demissão de um colaborador com base nos dados efetivos</p><p>de resultados junto à sua equipe.</p><p>BARREIRAS DA COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL</p><p>Agora vamos falar com você sobre o ruído. Caso aconteça algo que atrapalhe</p><p>quando a informação estiver sendo transmitida, ela não chegará do jeito correto</p><p>para o receptor, influenciando na sua interpretação.</p><p>Veja a seguir alguns ruídos que podem acontecer durante a comunicação:</p><p>FONTE DAS INFORMAÇÕES</p><p>Para que uma informação ou mensagem tenha credibilidade, é preciso que a sua</p><p>fonte seja confiável. As fontes mais confiáveis podem ser de pessoas que são au-</p><p>toridade em algum assunto; as instituições que promovem anúncios e divulgação</p><p>de seu portifólio, formadores de opinião em geral. Essas são algumas fontes que</p><p>tendem a ter uma maior aceitação.</p><p>TIPOS DE INFORMAÇÕES</p><p>Todos nós temos afinidades por determinados assuntos e, sendo assim, as</p><p>mensagens ou informações que coincidem com o nosso autoconceito passam</p><p>a ter maior probabilidade de serem aceitas por nós. Por conseguinte, aquelas</p><p>que não se aderem aos nossos conceitos e valores passam a serem tratadas</p><p>por nós com maior resistência.</p><p>DEFENSIVIDADE DOS PARTICIPANTES</p><p>Se alguém está na posição de defesa no momento da comunicação é muito</p><p>provável que ela não se efetive, porque o indivíduo que se sente intimidado ou</p><p>ameaçado passa a ter um comportamento refratário.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Outros fatores também podem se tornar obstáculos (ruídos) nas comunicações:</p><p>você se lembra de entrar na sala do escritório da sua empresa ou na sala de aula</p><p>para falar algo para alguém e esse alguém estar concentrado em sua atividade</p><p>e dizer: “Pode falar, eu estou te ouvindo!”. Ele está ouvindo, mas será que está</p><p>escutando? Será que ele vai conseguir reter a mensagem corretamente? Bom, é</p><p>bem provável que não.</p><p>Vamos conhecer agora as cinco tendências naturais dos seres huma-</p><p>nos, que, caso não sejam administradas corretamente, vão se tornar obstá-</p><p>culos na nossa comunicação:</p><p>GRANDE CARGA DE INFORMAÇÕES</p><p>A quantidade de informação influencia na compreensão da comunicação,</p><p>porque quanto maior a quantidade de mensagem a se decodificar, maior será</p><p>nossa dificuldade para fazer a sua ordenação, absorvendo-a e utilizando-a de</p><p>maneira mais eficaz.</p><p>LOCALIZAÇÃO FÍSICA</p><p>Quanto mais próximos emissor e receptor estiverem, maiores são as chances de</p><p>a informação/mensagem ser transmitida corretamente. Porém, há de se levar em</p><p>conta se no local existe barulho que possa interferir, por exemplo, buzina, muita</p><p>conversa, sirene, música alta etc.</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>Para saber controlar essas tendências, é preciso desenvolver a capacidade de es-</p><p>cuta. No entanto, os obstáculos à comunicação não param por aí. Muitas barrei-</p><p>ras podem ser encontradas, tanto no emissor quanto no receptor.</p><p>Veja:</p><p>• Normalmente, tendenciamos nossas conclusões para o lado negativo, en-</p><p>fatizando os pontos a melhorar dos outros, discordando de seus argumen-</p><p>tos frente ao que discordam dos nossos, minimizando e desqualificando o</p><p>outro e sua opinião. É o que chamamos de crítica negativa.</p><p>• Temos o hábito de aceitar o que já conhecemos e rejeitar o novo, pois ele</p><p>nos faz sair da “zona de conforto”. Essa característica nos leva a ter falta de</p><p>abertura para nossas possibilidades, visões de mundo e soluções de prob-</p><p>lemas, pelo simples fato de confiarmos somente naquilo que sabemos, sem</p><p>levar em consideração outras possibilidades de resolução.</p><p>• Na maioria das vezes culpamos os outros pelo que acontece em nossas</p><p>vidas, por não sermos capazes de lidar com a rejeição. Daí, começamos a</p><p>pedir justificativas, ficamos na defensiva de um suposto ataque que im-</p><p>aginamos que nos fizeram.</p><p>• Por outro lado, tendemos também a generalizar, principalmente, quando</p><p>temos poucos dados ou as informações não são confiáveis. Concluímos</p><p>nossas análises e tomamos as decisões com base em algum tipo de com-</p><p>portamento específico que acontece com frequência.</p><p>• Falta paciência para saber ouvir e caímos no erro de interromper os outros</p><p>sem parar, não deixando que o outro conclua seu raciocínio e explique todos</p><p>os seus argumentos. E nossa desculpa é porque já sabemos o que vão dizer.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>BLOQUEIO EMOCIONAL</p><p>Pode acontecer que algum tipo de emoção possa ser envolvido na mensagem de</p><p>forma descontrolada, tanto da parte do emissor quanto da parte do receptor, difi-</p><p>cultando a transmissão ou a recepção da informação. Assim, as reações de ambos</p><p>não possibilitam uma comunicação efetiva, devido à carga emocional envolvida.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>INTENÇÕES OCULTAS</p><p>O emissor precisa transmitir uma mensagem que não queria transmitir ou o re-</p><p>ceptor, que tem interesse direto na comunicação, distorce o seu entendimento</p><p>para não executar a tarefa do jeito que lhe foi pedido. Nos dois casos, o resulta-</p><p>do da comunicação é ineficaz.</p><p>HOSTILIDADE</p><p>Se há indivíduos com rivalidade e que tendem a ser agressivos uns com os out-</p><p>ros, ou ainda alguma das partes da comunicação tem experiência de confronto,</p><p>pode ocorrer deformação na comunicação.</p><p>RELACIONAMENTO</p><p>Quando há bom relacionamento entre emissor e receptor sempre haverá uma boa</p><p>comunicação. Porém, se uma das partes se preocupar somente em “não prejudicar o</p><p>relacionamento com a comunicação que vai dar”, ou se o receptor ficar pedindo a con-</p><p>firmação para saber se o relacionamento está bom ou não por causa do seu feedback,</p><p>a comunicação tenderá a não ser espontânea e o resultado passa a ser ineficaz.</p><p>STATUS</p><p>A falta de diálogo em virtude do grau de hierarquia em grupos formais ou in-</p><p>formais, porque quem está em posição hierarquicamente superior acha que</p><p>não deve “satisfações” para quem está hierarquicamente inferior nem precisa</p><p>fornecer ou receber feedback. Outra possibilidade é quando o emissor reage de-</p><p>fensivamente, quer dizer, de forma hostil ou, ainda, com medo de dizer algo sem</p><p>sentido diante de uma pessoa de status superior a ele. Essa situação pode fazer</p><p>com que ele perca ou distorça o conteúdo da mensagem.</p><p>ESTADO FÍSICO OU EMOCIONAL</p><p>Quando alguém está passando por uma situação conturbada, com muito</p><p>trabalho, problemas financeiros, situações de saúde graves na família, essas</p><p>situações de tensão ou até de alegria (euforia) e cansaço físico ou mental podem</p><p>prejudicar a emissão ou a recepção de uma mensagem, impactando o resultado</p><p>da comunicação, tornando-a ineficiente.</p><p>1</p><p>8</p><p>8</p><p>Perceba o quanto é desafiador se comunicar bem. Compreenda também que para</p><p>melhorar nossa comunicação é preciso esforço e requer envolvimento no pro-</p><p>cesso. Para tanto, também é preciso trabalhar a autoconfiança, o relacionamento</p><p>interpessoal, bem como ter como apoio o feedback para que sirva como encora-</p><p>jamento para ouvir e aceitar outras opiniões em vez de aumentar nossas defesas.</p><p>FACILITADORES DA COMUNICAÇÃO</p><p>A melhor forma de conhecer uma pessoa é intera-</p><p>gindo com ela. A interação pressupõe uma troca</p><p>mútua, ou seja, de contrapartida não só de infor-</p><p>mações, mas de sentimentos e emoções. O objetivo</p><p>PALAVRAS DE DUPLO SENTIDO</p><p>É preciso ter muito cuidado ao utilizar as palavras quando for se comunicar,</p><p>porque tanto o emissor pode utilizar palavras que podem ter duplas significações</p><p>ou o receptor passa a atribuir outro sentido às palavras que lhe foram ditas.</p><p>Percebe-se que a ambiguidade cria um obstáculo à comunicação e, portanto, a</p><p>exata compreensão da mensagem não é transmitida.</p><p>DIFERENÇAS DE PERCEPÇÃO</p><p>Todos nós somos diferentes, fomos criados por famílias diferentes, temos idades</p><p>distintas, profissões de acordo com o nosso perfil, enfim, uma história de altos e baix-</p><p>os, conquistas e perdas, vitórias</p><p>e derrotas etc. Tudo isso nos faz ter percepções de</p><p>mundo diferentes, nos fazendo tomar conclusões diversas dos outros. Assim, cada</p><p>um pode ter uma conclusão diferente do outro e a comunicação não ficar correta.</p><p>SENTIMENTOS</p><p>Algumas pessoas têm dificuldade de se libertar dos julgamentos dos outros, dos</p><p>seus pontos de vista, das suas opiniões e na hora de se comunicar têm medo do</p><p>que vão pensar ou dizer a seu respeito.</p><p>A interação</p><p>pressupõe uma</p><p>troca mútua</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>8</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>da comunicação em uma empresa não é apenas trocar informações, mas, sim,</p><p>possibilitar a modificação de comportamento por parte dos colaboradores</p><p>para que se aperfeiçoem em suas tarefas e atinjam maiores resultados.</p><p>Precisamos concordar que o papel da gestão é muito importante para possi-</p><p>bilitar o fluxo da comunicação. Por isso, Penteado (1986, p. 63) nos esclarece que:</p><p>“ O líder que desejar facilitar a Comunicação dentro do grupo, deverá</p><p>trabalhar no sentido de estimular seus membros a comunicarem-se</p><p>uns com os outros, sempre que necessário e desejável, descentra-</p><p>lizando sua parte no processo, de maneira que todos os membros</p><p>possam transformar-se em comunicadores eficientes e habilitados.</p><p>Nosso argumento se valida porque, não raro, ouvimos da diretoria das em-</p><p>presas que os gestores de nível médio são responsáveis pelos insucessos das</p><p>estratégias organizacionais, por não saberem transmitir eficientemente as</p><p>mensagens, tornando-as confusas e conflitantes; o que impede os resultados</p><p>de serem atingidos corretamente. Devido a isso, os gestores de nível médio</p><p>precisam estar abertos para receber a participação dos membros da sua equipe,</p><p>bem como estar abertos para ouvi-los.</p><p>É de sua responsabilidade criar um</p><p>ambiente de trabalho que encoraje o</p><p>diálogo, a proximidade entre as pes-</p><p>soas para que os pontos de vista sejam</p><p>ouvidos e levados em consideração.</p><p>Sendo assim, cria-se uma rede eficaz</p><p>de comunicação, na qual há confiança e</p><p>segurança entre os membros dessa rede.</p><p>Assim, propiciando o desenvolvimento</p><p>da criatividade e da inteligência.</p><p>Além de tudo isso, ainda precisamos ressaltar a importância de o gestor de</p><p>nível médio ter bom senso e humildade para reconhecer que o seu colaborador</p><p>está com a razão e ele não. Afinal, foi para isso que ele foi contratado – para</p><p>encontrar soluções, não é mesmo? Contudo, de uma forma geral, toda a gestão</p><p>e equipe precisa saber compartilhar informações, não retendo nenhuma men-</p><p>sagem importante que precise ser repassada, ao mesmo tempo de não precisar</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>transmitir alguma que não seja útil. Ou seja, é preciso discernimento. Vamos</p><p>citar agora alguns facilitadores da comunicação. Veja a seguir:</p><p>■ a linguagem que está sendo utilizada deve ser acessível e apropriada tanto</p><p>para o emissor quanto para o receptor;</p><p>■ o canal que está sendo utilizado deve ser apropriado para o tipo de men-</p><p>sagem ou informação que se deseja transmitir;</p><p>■ deve existir boa relação entre emissor e receptor;</p><p>■ fazer uso de um tipo de canal para transmitir a mensagem;</p><p>■ as informações devem ser claras tanto para o emissor quanto para o receptor.</p><p>Compreenda que é indispensável que toda a empresa conheça as técnicas de co-</p><p>municação e os canais disponíveis para que ela aconteça. Além, é claro, de saber</p><p>como realizar a comunicação.</p><p>COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL</p><p>A comunicação organizacional é bastante complexa e tem como objetivo dire-</p><p>cionar a equipe de colaboradores para um mesmo resultado, ofertando consenso</p><p>e facilitando a aceitação dos valores que a empresa adota.</p><p>A missão principal da comunicação interna é ajudar a desenvolver e man-</p><p>ter um clima harmonioso e positivo na equipe, proporcionando que as metas</p><p>estratégicas estabelecidas para o crescimento sejam concretizadas por meio da</p><p>execução de atividades e serviços, bem como pela ampliação das linhas de pro-</p><p>dutos oferecidos no mercado.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>A comunicação interna é um processo de interação verbal (oral ou escrita) e não</p><p>verbal, entre dois ou mais colaboradores, realizando o processo de comunicação. Para</p><p>ser eficaz, a comunicação interna deve ser clara, objetiva e não permitir que ruídos</p><p>aconteçam e gerem mágoas e ressentimentos, assim como não originem fofocas.</p><p>Além disso, precisamos reforçar que é preciso que todos os elementos da comuni-</p><p>cação sejam utilizados corretamente. Assim, a possibilidade de ruídos diminui e a</p><p>comunicação ocorre de maneira eficaz (TERCIOTTI; MACARENCO, 2010).</p><p>Dentro de uma equipe, a comunicação é o principal instrumento de infor-</p><p>mação para manter todos os setores sintonizados. E, para isso, é preciso que</p><p>a empresa consiga fazer com que a informação circule. Daí surge a necessi-</p><p>dade de realizar a comunicação de maneira formal, cujo objetivo é oficializar as</p><p>informações que estão sendo transmitidas, dando veracidade à mensagem,</p><p>fazendo serem respeitados os trâmites burocráticos que são necessários e</p><p>fazendo uso de canais oficiais da empresa.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Já a comunicação informal também acontece nas empresas e, por não ser rea-</p><p>lizada oficialmente, não é tão visível quanto a comunicação formal, pois pode</p><p>acontecer somente em alguns grupos, por meio de fofocas ou até faltando</p><p>algum dado que prejudique e invalide a comunicação. Sendo assim, ocorre</p><p>paralelamente à comunicação formal, envolvendo</p><p>vários colaboradores nas conversas entre eles, ges-</p><p>tores, donos da empresa, CEO e até colaboradores</p><p>hierarquicamente mais baixos, com característica</p><p>não oficial e não sistemática. Esse tipo de comu-</p><p>nicação comumente é denominado como boato e</p><p>fofoca (TERCIOTTI; MACARENCO, 2010).</p><p>Quem nunca ouvir falar ou participou da “rádio peão”, ou seja, de um tipo</p><p>de comunicação informal que é contrária à comunicação formal que tem origem</p><p>entre os colaboradores? Em boa parte das vezes, inicia com eles próprios, porque</p><p>a comunicação oficial da empresa foi realizada de forma demorada, lenta ou</p><p>ineficaz, tornando-a não democrática e sem transparência. De uma forma geral,</p><p>o boato (ou “rádio peão”) tem a conotação negativa pelo que já explicamos, con-</p><p>Esse tipo de</p><p>comunicação</p><p>comumente é</p><p>denominado como</p><p>boato e fofoca</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>tudo, serve para divulgar mensagens específicas de maneira informal, bem como</p><p>pode ser utilizado por alguns gestores ao adotarem algumas condutas, as quais</p><p>citamos (TERCIOTTI; MACARENCO, 2010). Para evitá-lo, devemos:</p><p>■ ficar atentos às comunicações sem profundidade ou vagas, que não são</p><p>baseadas em fatos verídicos e que podem dar margem a interpretações</p><p>equivocadas e carregadas de anseios;</p><p>■ cultivar a comunicação saudável e pontual, realizada de forma oficial,</p><p>buscando a promoção da comunicação transparente;</p><p>■ procurar dar todo o tipo de notícias, inclusive as ruins;</p><p>■ fazer a correção pontual das comunicações erradas.</p><p>Figura 3 – Organograma empresarial / Fonte: https://bit.ly/3GqFUsL. Acesso em: 12 maio 2022.</p><p>Descrição da Imagem: a imagem apresenta um modelo de organograma empresarial.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3GqFUsL</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>Torquato (1986) nos esclarece quanto aos três fluxos básicos de comunicação den-</p><p>tro das empresas: o fluxo descendente, o fluxo ascendente e o fluxo lateral, sendo que</p><p>os dois primeiros acontecem na direção vertical e o último se direciona na horizontal.</p><p>Para Stoner e Freeman (1999), a comunicação vertical faz parte de um</p><p>sistema de informação, que conduz a comunicação</p><p>de cima para baixo e de baixo para cima, de acordo</p><p>com a hierarquia da empresa.</p><p>Vamos, então, conhecer um pouco da comunicação</p><p>descendente, ou seja, que parte do topo para a base da</p><p>pirâmide organizacional. Aqui, é importante a comuni-</p><p>cação face a face, evitando desníveis de entendimento</p><p>na comunicação em virtude dos degraus que ela deverá</p><p>descer para poder ser entendida corretamente. Por isso, é preciso tomar alguns cui-</p><p>dados com esse tipo de comunicação, pois, caso contrário, será prejudicada.</p><p>No decorrer da sua transmissão, deve se atentar se não houve falha</p><p>de interpre-</p><p>tação ou se não chegou da maneira correta a comunicação. Pois, como já dissemos,</p><p>dependendo de onde e para onde a comunicação vai, podem acontecer alterações in-</p><p>tencionais ou não. É bom se atentar também que, como a mensagem vai passando por</p><p>um canal tecnológico, por exemplo, ela acaba por perder força, deixando de ser natural.</p><p>Precisamos que você compreenda também que em uma empresa a comunicação</p><p>flui por todos os sentidos.</p><p>Precisamos que</p><p>você compreenda</p><p>também que em</p><p>uma empresa</p><p>a comunicação</p><p>flui por todos os</p><p>sentidos.</p><p>Já a comunicação ascendente é aquela que acontece da base para o topo da</p><p>hierarquia empresarial. Ela é muito importante, pois é por esse tipo de comuni-</p><p>cação que os diretores das empresas conhecem a realidade de trabalho de seus</p><p>colaboradores e ficam sabendo de suas necessidades. Dessa forma, é avaliado</p><p>pela diretoria se aceita ou não os pedidos feitos pelos colaboradores. Esse tipo de</p><p>comunicação é tão importante que Drucker (1992) esclarece que a estrutura de</p><p>uma empresa precisa ser baseada nessa comunicação, de baixo para cima, para</p><p>conseguir informações que subsidiem a diretoria sobre os acontecimentos ocor-</p><p>ridos na base da empresa ou, como alguns costumam dizer, no chão da fábrica.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>1</p><p>9</p><p>4</p><p>Já a comunicação horizontal é a que flui entre os departamentos da em- presa,</p><p>ou seja, de forma lateral. A sua importância se relaciona ao fato de garantir o</p><p>equilíbrio das relações e a harmonia entre os setores da empresa. Por isso, Stoner</p><p>e Freeman (1999, p. 238) nos orientam que:</p><p>“ Relacionamento lateral é o que atravessa a cadeia de comando,</p><p>permitindo contato direto entre membros de departamentos dife-</p><p>rentes... Contato direto é a forma mais simples de relacionamento</p><p>lateral; comunicação entre indivíduos que devem enfrentar a mes-</p><p>ma situação ou problema.</p><p>Para que as atividades da empresa sejam executadas com sucesso, os colabora-</p><p>dores precisam atuar no mesmo nível e é preciso se comunicar de forma eficaz.</p><p>Sendo assim, a comunicação em nível horizontal ajuda a garantir a harmonia e</p><p>a criatividade das equipes. Já o fluxo de comunicação vertical precisa ser mais</p><p>flexível, porém, a troca de informações verticais em um mesmo nível hierárquico</p><p>tende a influenciar mais o ambiente organizacional (DAVENPORT, 1998).</p><p>Perceba que o fluxo de informações lateral ou horizontal tem o objetivo de</p><p>fazer com que a comunicação flua em todas as direções e setores da empresa,</p><p>com o intuito de que todos trabalhem em conjunto.</p><p>A GLOBALIZAÇÃO E AS MUDANÇAS COMPORTAMENTAIS</p><p>A globalização implicou muitas mudanças em todos os setores da sociedade. A ex-</p><p>pansão sem fronteiras rompeu com quase todas as barreiras mundiais, provocando</p><p>a supremacia dos interesses; a desregulamentação dos mercados; disseminando</p><p>privatizações, deixando de lado a política do bem-estar social que o estado oferta-</p><p>va; a utilização plena da tecnologia de informação; e</p><p>o desapareci- mento do emprego formal.</p><p>Tudo isso faz com que o mundo não seja mais o</p><p>mesmo, pois a globalização também é responsável por</p><p>milhares de demissões corporativas, fazendo com que</p><p>suas produções sejam realizadas em países em desen-</p><p>volvimento, com o intuito de diminuírem os custos.</p><p>a globalização</p><p>também é</p><p>responsável</p><p>por milhares</p><p>de demissões</p><p>corporativas</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 8</p><p>A globalização motivou os modos de produção das empresas, tirando o foco de</p><p>produtos que não são segmentados e voltando aos produtos diferenciados para</p><p>se ajustar aos diversos tipos de preferências e necessidades dos consumidores</p><p>(BALLASTERO-ALVAREZ, 2001).</p><p>A globalização ainda consegue refletir tanto na capacitação, quanto na mo-</p><p>bilização dos colaboradores para que seu desempenho seja maximizado, exi-</p><p>gindo deles a compreensão de outras culturas, costumes e línguas. Isso porque</p><p>as empresas multinacionais, segundo Chiavenato (2000), conseguem transferir</p><p>muitas riquezas de ativos de um país para outro, passando a influenciar econo-</p><p>mias nacionais, políticas e culturas locais.</p><p>Porém, isso não é tudo, com a substituição do homem pela máquina, as es-</p><p>truturas organizacionais originárias da época fordista-taylorista, que atuavam</p><p>dividindo o trabalho humano com as tarefas programadas, nesse novo cenário</p><p>global, retiram do colaborador a possibilidade de domínio das tarefas.</p><p>É claro que o homem já vinha sendo tratado pelas empresas como máquinas,</p><p>porque o desenvolvimento tecnológico nem sempre pede que o colaborador</p><p>tenha maior qualificação. Com o treinamento correto, qualquer indivíduo com per-</p><p>fil moderado em nível de escolaridade e alguma experiência, é capaz de aprender</p><p>como apertar botões, sendo essa função mais fácil do que montar um televisor</p><p>de forma manual ou de ser um editor de um anúncio de revista; ou ainda, de</p><p>aprender a costurar uma roupa. Por sua vez, o computador está democratizando</p><p>o conhecimento por meio da escola digital (KRUGMAM, 1997). Sendo assim, com</p><p>a globalização, o quadro de colaboradores deve ser aprimorado continuamente.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>Sobre as hierarquias gerenciais em uma empresa, as novas tecnologias da infor-</p><p>mação também provocam impacto, pois é preciso entregar produtos personali-</p><p>zados, de marcas próprias, aprimorando toda a cadeia de suprimentos, que vai</p><p>desde a concepção da ideia até a entrega ao consumidor final (RICHERS,1996).</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem!</p><p>A globalização altera radicalmente as relações humanas, o ambiente de trabalho,</p><p>bem com o mundo dos negócios, proporcionando um novo modelo, desenvol-</p><p>vendo novos perfis de colaboradores, com gestores menos presos a um local</p><p>específico, sendo mais virtual e mais global.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>1</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. A comunicação é fundamental para que um grupo informal ou formal (empresarial)</p><p>funcione corretamente. Considerando os elementos, aspectos e possíveis barreiras</p><p>relacionados à comunicação, assinale a alternativa INCORRETA:</p><p>a) ( ) Só podemos dizer que foi realizada uma comunicação quando o receptor com-</p><p>preende a mensagem enviada pelo emissor.</p><p>b) ( ) Para que o receptor compreenda o significado da mensagem, ruídos podem</p><p>acontecer durante a transmissão pelo emissor.</p><p>c) ( ) As mensagens que o emissor transmitir podem ser elaboradas por meio de vários</p><p>códigos, por exemplo, palavras, desenhos, números etc.</p><p>d) ( ) Para haver a comunicação, o receptor tem que enviar uma mensagem de fee-</p><p>dback para o emissor.</p><p>2. Geraldo é um antigo colaborador de uma empresa têxtil na grande São Paulo e, em</p><p>uma reunião com seu gestor, que estava irritado, ouviu: “Geraldo, precisamos aumentar</p><p>as vendas. Caso contrário, não conseguirei mais segurar as demissões da equipe de</p><p>produção”. O que está destacado entre aspas é:</p><p>a) ( ) O emissor.</p><p>b) ( ) O código.</p><p>c) ( ) A mensagem.</p><p>d) ( ) O ruído.</p><p>3. Caso aconteça algo que atrapalhe quando a informação estiver sendo transmitida,</p><p>ela não chegará do jeito correto para o receptor, influenciando na sua interpretação.</p><p>Considerando essa afirmação. assinale a alternativa que corresponde à denominação</p><p>CORRETA para essa interferência no processo de comunicação interpessoal:</p><p>a) ( ) Emissor.</p><p>b) ( ) Código.</p><p>c) ( ) Canal.</p><p>d) ( ) Ruído.</p><p>4. As comunicações têm facilitadores e dificultadores. Cite três facilitadores e três di-</p><p>ficultadores:</p><p>1</p><p>9</p><p>8</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>5. A comunicação organizacional é um aspecto fundamental para o sucesso das em-</p><p>presas. Contudo, surge com frequência a “rádio peão”, pondo em risco a harmonia do</p><p>grupo e sua produtividade. Quais as condutas que os gestores podem ter para que não</p><p>ocorra a “rádio peão”?</p><p>1</p><p>9</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BALLASTERO-ALVAREZ, M. E. Administração da qualidade e produtividade: abordagens</p><p>do processo administrativo. São Paulo: Atlas, 2001.</p><p>CHIAVENATO, l. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações.</p><p>Rio de Janeiro: Campus, 2000.</p><p>DAVENPORT, T. H. Ecologia da informação: porque só a tecnologia não basta</p><p>para o su-</p><p>cesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998.</p><p>DRUCKER, P. F. Administrando para o futuro: os anos 90 e a virada do século. São Paulo:</p><p>Enio Matheus Guazzelli & cia Ltda,1992.</p><p>KRUGMAM, P. Pop internacionalism.Boston: Harvard Business Review, 1997.</p><p>PENTEADO, J. R. W. Técnica de che�����ança. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 1986.</p><p>RICHERS, R. Surfando as ondas do mercado. São Paulo: RR&CA, 1996. STONER, J. A. F.;</p><p>FREEMAN, R. E. Administração. Rio de Janeiro: LTC, 1999.</p><p>TERCIOTTI, S. H.; MACARENCO, I. Comunicação empresarial na prática. 2. ed. São Pau-</p><p>lo: Saraiva, 2010.</p><p>TORQUATO, F. G. Comunicação empresarial/comunicação institucional: conceitos, es-</p><p>tratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas. 5. ed. São Paulo: Summus, 1986.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>1. B</p><p>2. C</p><p>3. C</p><p>4. Facilitadores: a linguagem que está sendo utilizada deve ser acessível e apropriada tanto</p><p>para o emissor quanto para o receptor; o canal utilizado deve ser apropriado para o tipo de</p><p>mensagem ou informação que se deseja transmitir; deve haver boa relação entre emissor</p><p>e receptor. Dificultadores: fonte das informações; tipos de informações; localização física.</p><p>5. Ficar atentos às comunicações sem profundidade ou vagas, que não são baseadas em</p><p>fatos, que podem dar margem a interpretações equivocadas e carregadas de anseios.</p><p>Cultivar a comunicação saudável e pontual, realizada de forma oficial, buscando a pro-</p><p>moção da comunicação transparente. Procurar dar todo o tipo de notícias, inclusive as</p><p>ruins. Fazer a correção pontual das comunicações erradas.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS METAS</p><p>ÉTICA E VALORES NAS RELAÇÕES</p><p>PROFISSIONAIS</p><p>Compreender o conceito de ética.</p><p>Conhecer a ética em sua vertente profissional.</p><p>Conhecer os padrões morais e éticos que regem as profissões.</p><p>Compreender o efeito da prática da ética no desempenho da sua profissão.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 9</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>Abordaremos, primeiramente, a respeito da ética e das profissões, compreen-</p><p>deremos o significado da palavra ética como o modo de ser ou o caráter de um</p><p>indivíduo, assim como o significado da palavra moral, que se refere ao conjunto</p><p>de normas ou regras adquiridas por hábito de cada indivíduo, bem como ao</p><p>comportamento adquirido ou modo de ser de cada indivíduo.</p><p>Veremos que na prática dos negócios a cultura organizacional poderá propor-</p><p>cionar aos gestores maior consistência e coerência em suas ações e decisões,</p><p>de forma a alcançar seus objetivos e metas traçados no planejamento estratégico.</p><p>Na sequência, veremos que se torna possível compartilhar valores e práticas</p><p>no ambiente organizacional com todos os membros participantes, visto que va-</p><p>lores serão compartilhados quando interesses e metas forem aceitos e assumidos</p><p>pelos membros, o que também mudará de forma positiva e construtiva o com-</p><p>portamento de cada um com a sua equipe. Torna-se necessário, então, que os</p><p>gestores consigam institucionalizar a cultura organizacional de forma a for-</p><p>talecer a geração de valores de acordo com os objetivos e metas organizacionais.</p><p>Por fim, veremos que nas relações pessoais e profissionais a conduta ética</p><p>de cada indivíduo causará forte impacto na sua imagem, de forma a atrair ou</p><p>afastar pessoas com as quais se relaciona. Salienta-se a importância da existência</p><p>do Código de Ética profissional nas organizações, cujo objetivo é oferecer</p><p>diretrizes para que a conduta dos profissionais da categoria seja tal que não</p><p>comprometa as demais pessoas e a classe a que pertence.</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>ÉTICA E VALORES NAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS</p><p>Caro aluno, vamos compreender, a definição para ética e qual a relação com as</p><p>profissões, o valor dela nas organizações e nas relações pessoais e profissionais.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>Podemos entender a ética como o código de princípios e valores morais que</p><p>regem o comportamento de um indivíduo ou grupo no que diz respeito ao que</p><p>é certo ou errado, de forma que possa influenciar na conduta e na tomada de</p><p>decisões de cada pessoa.</p><p>Compreendemos ainda que a ética está relacionada ao desejo de se manter</p><p>com os outros indivíduos relações ou condutas justas e aceitáveis, de modo que</p><p>permita a escolha da melhor forma de agir com base em uma reflexão crítica a</p><p>respeito de alguma situação (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Primeiramente, o que é ética?</p><p>É importante aprendermos que a palavra ética vem do grego ethos e significa</p><p>“modo de ser” ou “caráter”, enquanto forma de vida adquirida pelo indivíduo</p><p>(FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001).</p><p>A palavra moral vem do latim “mos” ou “mores”, “costume” ou “costumes”,</p><p>no que se refere ao conjunto de normas ou regras adquiridas por hábito de cada</p><p>indivíduo, ou seja, refere-se ao comportamento adquirido ou ao modo de ser</p><p>conquistado pelo indivíduo (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001).</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>E o que significam as palavras ética e moral?</p><p>Complementarmente, definimos aqui a moral como o “[...] conjunto de princípios, nor-</p><p>mas e valores que cada geração transmite à geração seguinte”, com base na confi-</p><p>ança de que se trata de um legado de orientações a respeito do modo que cada in-</p><p>divíduo irá se comportar para viver uma vida justa (CORTINA; MARTÍNEZ, 2005, p. 20).</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Conforme os autores mencionados, a ética trata-se da “[...] disciplina filosófica</p><p>que constitui uma reflexão de segunda ordem sobre os problemas morais” (COR-</p><p>TINA; MARTÍNEZ, 2005, p. 20).</p><p>Nesse sentido, a pergunta básica da moral seria: “O que devemos fazer?”; ao</p><p>passo que a questão central da ética seria, antes: “Por que devemos?”, ou seja,</p><p>“Que argumentos corroboram e sustentam o código moral que estamos aceitando</p><p>como guia de conduta?” (CORTINA; MARTÍNEZ, 2005, p. 20).</p><p>Ainda, a ética pode ser compreendida como “[...] a ciência da conduta hu-</p><p>mana perante o ser e seus semelhantes” (SÁ, 2009, p. 17). Ela está relacionada à</p><p>conduta de um indivíduo e à sua relação com outro indivíduo.</p><p>De acordo com Sá (2009) e Antunes (2018), a ética estará presente tam-</p><p>bém na vontade e nas atitudes virtuosas de um indivíduo no que se refere a ele</p><p>mesmo e àqueles com quem</p><p>convive socialmente em sua</p><p>vida pessoal e profissional.</p><p>Nesse sentido, com-</p><p>preendemos que a ética</p><p>existirá quando o indivíduo</p><p>estiver na presença de outras</p><p>pessoas, mas também quan-</p><p>do estiver sozinho.</p><p>Ao falarmos de conduta</p><p>ética e da reputação de um</p><p>indivíduo em seu ambiente</p><p>de trabalho e na sua vida pessoal, compreendemos que a reputação poderá ser</p><p>considerada o resultado que se faz do julgamento de uma pessoa ou de uma</p><p>organização diante de alguma situação ou fato ocorrido (SÁ, 2009).</p><p>Nesse contexto, no fundamento da reputação estará a conduta ética que</p><p>causará impacto direto na imagem de um indivíduo, de forma que possa</p><p>atrair ou afastar pessoas com os quais venha a se relacionar ou pessoas com</p><p>quem mantinha contato em sua vida profissional e pessoal. Vamos pensar em</p><p>um exemplo do nosso dia a dia?</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>No ambiente organizacional é importante que se defina o Código de Ética pro-</p><p>fissional, que tem como objetivo oferecer diretrizes para que a conduta dos pro-</p><p>fissionais das diversas áreas de uma organização seja tal que não comprometa os</p><p>demais colegas e membros das equipes.</p><p>Primeiramente, deve-se definir a cultura organizacional e esclarecer para os</p><p>colaboradores quais serão os princípios e valores a serem cumpridos por todos</p><p>os participantes na organização.</p><p>E o que significa a cultura organizacional? Vamos entender melhor?</p><p>Faça uma reflexão a respeito. Na sua experiência profissional, já vivenciou al-</p><p>guma situação em que você tenha identificado a má conduta ética por parte de</p><p>outra pessoa e que esse fato tenha impactado diretamente na sua imagem?</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Figura 1 – Elementos da cultura organizacional / Fonte: Fleury e Sampaio (2002, p. 291).</p><p>Descrição da Imagem: a imagem</p><p>emoções sobre a razão?</p><p>1</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-79722005000200018&script=sci_abstract&tlng=pt.</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. No decorrer da leitura desse tópico, você passou seus olhos por algumas expressões es-</p><p>pecíficas do universo da inteligência emocional. A proposta dessa atividade é que você</p><p>faça uma pesquisa nos motores de busca da internet, como Google, por exemplo, com</p><p>expressões relacionadas à inteligência emocional que mais chamaram a sua atenção.</p><p>Esse tópico trouxe, em algum momento, a expressão "consciência social". Então, po-</p><p>deríamos inferir que existe um tipo de consciência que é individual ou uma consciência</p><p>de si mesmo, isto é, uma consciência de caráter intrapessoal. Sendo assim, procure</p><p>nos motores de busca, as palavras:</p><p>a) Consciência de si mesmo:</p><p>b) Autocontrole:</p><p>c) Empatia:</p><p>Atenção! Lembre-se de que seus colegas também farão a mesma atividade, então, se</p><p>todos escreverem os primeiros significados que aparecerem, haverá pouco material para</p><p>trocarem ideias no encontro presencial ou nos ambientes de aprendizagem mediados</p><p>pelas tecnologias de informação e comunicação. Portanto, aplique-se com esmero!</p><p>2. Em um artigo acerca de propostas de redução da maioridade penal, os autores obser-</p><p>vam que: "[...] seguindo a lógica penal, os legisladores procuram um indivíduo cons-</p><p>ciente, autônomo, pleno de suas capacidades mentais e responsável por seus atos"</p><p>(VAVASSORI; TONELI, 2015, p. 1189, grifo do autor). Desse modo, cite as cinco principais</p><p>capacidades mentais.</p><p>3. Você concorda com Agüera (2008), no sentido que o Renascimento, o Neoclassicismo,</p><p>o Cubismo, Bauhaus, a arte abstrata, o minimalismo e o estilo gótico exemplificam a</p><p>valorização da razão? Escolha um desses itens para justificar sua resposta, citando</p><p>pelo menos três características.</p><p>4. Você concorda com Agüera (2008), no sentido que o românico, a arte flamenca, o Bar-</p><p>roco, o Romantismo, o Modernismo, o Impressionismo e o Surrealismo exemplificam a</p><p>valorização da emoção? Escolha um desse itens para justificar sua resposta, citando,</p><p>pelo menos três características.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AGÜERA, L. G. Além da inteligência emocional. As cinco dimensões da mente. São</p><p>Paulo:Cenage Learning, 2009.</p><p>ALMEIDA, F. J. R. de; SOBRAL, F. J. B. A. de. Emoções, inteligência e negociação: um estudo</p><p>empírico sobre a percepção dos gerentes portugueses. Rev. adm. contemp., Curitiba, v. 9,</p><p>n. 4, p. 9-30, Dec. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-</p><p>t&pid=S1415-65552005000400002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>BÍBLIA ON. Versículos de domínio próprio. 2019. Disponível em: https://www.bibliaon.</p><p>com/dominio_proprio/. Acesso em: 8 maio 2019.</p><p>COBÊRO, C. Manual de inteligência emocional. Psico-USF (Impr.), Itatiba, v. 8, n. 1, p. 95-</p><p>96, jun. 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1413-82712003000100014&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 5 jan. 2019.</p><p>GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. ed. 2. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 1995.</p><p>GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. 2. ed. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2002.</p><p>GONZAGA, A. R.; MONTEIRO, J. K. Inteligência emocional no Brasil: um panora-</p><p>ma da pesquisa científica. Psic. Teor. e Pesq., Brasília,DF, v. 27, n. 2, p. 225-232,</p><p>jun. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-37722011000200013&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 5 jan. 2019.</p><p>LISPECTOR, C. Um sopro de vida (pulsações). Rio de Janeiro: Rocco, 1999.</p><p>MONTEIRO, L. P.; SMOLE, K. S. Um caminho para atender às diferenças na escola. Educação</p><p>e Pesquisa, v. 36, n. 1, p. 357-371, 2010.</p><p>PAVARINI, G.; LOUREIRO, C. P.; SOUZA, D. H. de. Compreensão de emoções, aceitação social e</p><p>avaliação de atributos comportamentais em crianças escolares. Psicol. Re��x. Crit., Porto</p><p>Alegre, v. 24, n. 1, p. 135-143, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=s-</p><p>ci_arttext&pid=S0102-79722011000100016&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>REGO, C. C. A. B. de; ROCHA, N. M. F. Avaliando a educação emocional: subsídios para um</p><p>repensar da sala de aula. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., Rio de Janeiro, v. 17, n. 62, p. 135-</p><p>152, mar. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0104-40362009000100007&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>ROBERTS, R. D.; FLORES-MENDOZA, C. E.; NASCIMENTO, E. do. Inteligência emocional: um cons-</p><p>truto científico? Paidéia, Ribeirão Preto, v. 12, n. 23, p. 77-92. 2002. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2002000200006&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>ROCHA, A. C. F. da. O estresse no ambiente de trabalho. Rio de Janeiro: Pedagogia em</p><p>Foco, 2005. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/pemp05.htm. Acesso em:</p><p>10 fev. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>SANTOS, L. M. dos; ALMEIDA, F. L. de; LEMOS, S. C. da. Inteligência emocional: tes-</p><p>tando a enfermagem do futuro. Rev. bras. enferm., Brasília, DF,v. 52, n. 3, p. 401-</p><p>412, set. 1999. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0034-71671999000300010&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>VAVASSORI, M. B.; TONELI, M. J. F. Propostas de Redução da Maioridade Penal: a Ju-</p><p>ventude Brasileira no Fio da Navalha? Psicol. cienc. prof., Brasília, DF, 35, n. 4, p. 1188-</p><p>1205, dez. 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S1414-98932015000401188&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 15 jan. 2019.</p><p>WOYCIEKOSKI, C.; HUTZ, C. S. Inteligência emocional avaliada por autorrelato difere do construto</p><p>personalidade? Psico-USF,Itatiba, v. 15, n. 2, p. 151-159, Aug. 2010. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712010000200003&lng=en&nrm=iso.</p><p>Acesso em 12 de abril de 2019.</p><p>WOYCIEKOSKI, C.; HUTZ, C. S. Inteligência emocional: teoria, pesquisa, medida, aplicações e con-</p><p>trovérsias. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 22, n. 1, p. 1-11, 2009. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722009000100002&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 5 jan. 2019.</p><p>1</p><p>1</p><p>1.</p><p>a) Consciência de si mesmo: permite que a pessoa consiga se perceber, se observar,</p><p>notar quais são as emoções e sentimentos que são proeminentes em si mesma, bem</p><p>como dar nome a eles.</p><p>b) Autocontrole: está ligado a ser capaz de desenvolver a si mesmo, coordenar seus</p><p>próprios sentimentos e emoções, elaborar estratégias para atingir objetivos específicos</p><p>traçados por si mesmo ou por outrem, ter disciplina na execução de tais estratégias. Pode</p><p>agasalhar, ainda, a capacidade de desistir temporariamente de algum prazer ou privilégio</p><p>em prol de um prazer ou privilégio ainda maior futuramente.</p><p>c) Empatia: aptidão para notar e depreender as emoções ou sentimentos alheios, por meio</p><p>da observação de seus comportamentos.</p><p>2. Os instintos, as emoções, os raciocínios, as intuições e asestratégias.</p><p>3. Resposta de cunho pessoal. Vai depender do item selecionado peloacadêmico e pela</p><p>sua visão acerca do item. A título de exemplo:Renascimento: expressa a valorização da</p><p>racionalidade na medidaem que: 1) expandiu as pesquisas com métodos experimentais e</p><p>deobservação de elementos naturais; 2) valorização da representaçãoda figura humana</p><p>em obras de arte, afinal, acreditavam que o homemera o centro do universo, o principal</p><p>ser que habitava na Terra, porconta do seu poder de raciocinar; 3) romperam com os pen-</p><p>samentos que antecederam aquela época – que em sua maioria, valorizavam adivindade,</p><p>Deus. No Renascimento, os pensamentos que enalteciam o divino foram substituídos pela</p><p>valorização da razão humana, algo que podia ser constatado por meio da observação.</p><p>4. Resposta de cunho pessoal. Vai depender do item selecionado pelo estudante e pela sua</p><p>visão acerca do item. A título de exemplo: Romantismo – 1) enaltecimento do subjetivismo;</p><p>2) a expressão da completa vazão das emoções, como o deixar-se levar completamente</p><p>por</p><p>apresenta um círculo, em tons de verde, semelhante a um alvo, de onde partem</p><p>linhas traçadas delimitando um recorte, onde se lê “Políticas e práticas”.</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>A cultura organizacional refere-se às características, valores, costumes, cren-</p><p>ças e normas de comportamento de uma organização, de forma que as pessoas</p><p>pertencentes a ela passam a conhecer e respeitar, visto que cada empresa deverá</p><p>definir a sua cultura, o seu padrão, ações e decisões organizacionais (ROBBINS,</p><p>2010). É importante compreendermos que, na prática dos negócios, a cultura or-</p><p>ganizacional poderá proporcionar aos gestores maior consistência e coerência</p><p>em suas ações e decisões, de forma a alcançar seus objetivos e metas traçados no</p><p>planejamento estratégico (LACOMBE, 2011).</p><p>Porém, segundo Robbins (2010) e Lacombe</p><p>(2011), não basta apenas definir valores, torna-se</p><p>necessário que os colaboradores envolvidos enten-</p><p>dam claramente por meio de ações, palavras, histó-</p><p>rias, rituais, símbolos e linguagem a cultura daquela</p><p>organização em que está inserido.</p><p>os colaboradores</p><p>envolvidos</p><p>entendam</p><p>claramente</p><p>Entende-se que, dessa forma, quanto mais forte e consolidada for a cultura or-</p><p>ganizacional para os colaboradores, mais simples será o entendimento das regras</p><p>e regulamentos, o que facilitará o comportamento organizacional desejado.</p><p>Na sequência podemos observar na figura os diferentes níveis de cultura e sua</p><p>interação no ambiente organizacional, permitindo observar o ambiente físico,</p><p>linguagem, estilo, tecnologia, padrões de comportamento, mitos e rituais.</p><p>Em outro nível estão os valores e crenças, capazes de orientar as pessoas,</p><p>oferecendo segurança aos colaboradores em momentos de incertezas. Já o nível</p><p>definido como pressupostos básicos refere-se às crenças aceitas consensualmente</p><p>pelos colaboradores em uma organização (SCHEIN, 2017).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>E na prática das organizações poderá haver mudanças na cultura organizacional?</p><p>Conforme ocorrem mudanças no ambiente interno e externo de uma organiza-</p><p>ção, ela poderá, sim, sofrer mudanças em sua cultura organizacional, visto que</p><p>mudanças no ambiente externo, por exemplo, facilmente podem levar um gestor</p><p>a tomar novas decisões e agir de forma assertiva, com base em seus conhecimen-</p><p>tos e informações a respeito do mercado em que está inserido.</p><p>Salienta-se aqui a importância de se definir no ambiente organizacional um</p><p>programa ético eficaz, de forma que cada profissional possa compreender a cul-</p><p>tura organizacional, assim como os valores definidos e cumprir as políticas e</p><p>códigos de conduta de forma que propicie um clima ético entre todos os cola-</p><p>boradores pertencentes à organização (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001).</p><p>Figura 2 – Níveis de cultura e sua interação / Fonte: Schein (2017, p. 18).</p><p>Descrição da Imagem: um esquema onde se relacionam os seguintes elementos: verticalmente - visíveis, mas</p><p>frequentemente não decifráveis; maior grau de consciência; aceitos invisíveis inconscientes. Ao lado, lê-se “pres-</p><p>supostos básicos”, relacionado a “valores” e “artefatos e criações”. Em tópicos - tecnologia; arte; padrões de</p><p>comportamento visível e audível. À direita, em tópicos - relação com o ambiente; natureza da realidade tempo e</p><p>espaço; natureza do ser humano; natureza da atividade humana; natureza das relações humanas.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>Ao definir um programa ético e eficaz, a organização poderá evitar a responsa-</p><p>bilidade civil, sendo responsável pela conduta de seus profissionais na execução</p><p>de seus deveres (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001). Nesse contexto, com-</p><p>preende-se que busca ser uma boa pessoa jurídica e reconhecer a importância</p><p>da ética para atividades bem-sucedidas em seus negócios, o que proporciona</p><p>desenvolver uma cultura ética para que todos possam conviver bem e com res-</p><p>peito (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001). Na prática, alguns requisitos são</p><p>exigidos da organização ao se definir um programa ético, como:</p><p>■ códigos de ética capazes de identificar má conduta;</p><p>■ pessoas do nível estratégico responsáveis pelo cumprimento do pro-</p><p>grama de ética;</p><p>■ comunicação eficaz;</p><p>■ sistemas para monitorar casos de má conduta;</p><p>■ exigência do cumprimento de padrões e códigos;</p><p>■ aprimoramento contínuo do programa de cumprimento de normas éticas.</p><p>Vamos compreender um pouquinho mais do surgimento e a evolução dos estu-</p><p>dos sobre a ética empresarial?</p><p>Assista ao vídeo “O que é cultura organizacional de uma em-</p><p>presa produtiva?”, com Gilberto de Souza, sócio fundador da</p><p>Nortus. Ele afirma que, na prática, todas as vezes que você</p><p>tem um ótimo plano e ele é executado de acordo com o que foi</p><p>planejado, é porque temos a interferência da cultura organiza-</p><p>cional. Clique aqui para acessá-lo.</p><p>EU INDICO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>É importante compreendermos que o Código de Ética tem como objetivo</p><p>também informar aos profissionais que tipos de comportamentos serão acei-</p><p>táveis ou impróprios no ambiente organizacional, visto que o código precisa</p><p>refletir o desejo da alta administração, ou seja, que a organização cumpra os</p><p>valores, as regras e as políticas que sustentam um clima ético entre todos os</p><p>participantes (FREITAS, 2000).</p><p>É importante entendermos que o estudo sobre a ética empresarial evoluiu ao</p><p>longo de cinco estágios, sendo, antes de 1960, tratados assuntos do ponto de</p><p>vista religioso, visto que na década de 1960 surgiram questões sociais e uma</p><p>consciência social ampla a respeito da ética empresarial (FERREL; FRAEDRICH;</p><p>FERREL, 2001).</p><p>Na sequência, em 1970, foram surgindo novos campos de estudos independ-</p><p>entes; em 1980, surgiram publicações, cursos e seminários sobre ética empre-</p><p>sarial; em 1990, surgiram programas éticos buscando uma empresa cidadã; e, a</p><p>partir de 2000, foi possível que a ética se tornasse parte dos valores da empre-</p><p>sa, associada aos negócios (FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Reforçamos aqui que a ética empresarial está se referindo aos princípios e va-</p><p>lores de uma organização, aos padrões e procedimentos definidos, de forma que</p><p>orientem o comportamento das pessoas envolvidas nesse ambiente. Salienta-se,</p><p>assim, a importância de existir o Código de Ética, representado e definido pelo</p><p>nível estratégico da organização (FREITAS, 2000).</p><p>De acordo com Freitas (2000), Ferrel, Fraedrich e Ferrel (2001) e Antunes</p><p>(2018), compreende-se que existe uma condição para a difusão da cultura ética</p><p>nas organizações de forma que se exige das pessoas o comprometimento para</p><p>formar uma empresa. O Código de Ética constituído não garante que na prática</p><p>ele funcionará para orientar a conduta de uma coletividade no ambiente organi-</p><p>zacional. É necessário buscar ferramentas adequadas que busquem a efetividade</p><p>de uma normatização ética, de forma que exista a prevenção, a investigação e a</p><p>punição quando preciso, conforme veremos nos próximos subtópicos.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>ÉTICA E O VALOR NAS ORGANIZAÇÕES</p><p>Compreendemos até aqui a definição para a cultura organizacional, mas torna-se</p><p>importante entendermos que as definições não são consideradas uniformes</p><p>para cada organização. Destacam-se os valores, que se tornam elementos fun-</p><p>damentais para se identificar a cultura de uma organização.</p><p>Com base em Tamayo e Gondim (1996), valores organizacionais podem ser</p><p>definidos como princípios ou crenças organizados de forma hierárquica em um</p><p>ambiente organizacional, relacionados às metas que orientem o funcionamento</p><p>e a estrutura organizacional.</p><p>Ao pensarmos na convivência das pessoas no dia a dia, é importante enten-</p><p>dermos que o sistema de valores que prevalecerá em uma organização poderá</p><p>não ser o mesmo conjunto de valores que terá cada membro pertencente a ela, o</p><p>que em algumas situações poderá provocar conflito e tensão entre os membros.</p><p>Da mesma forma, cada membro poderá iden-</p><p>tificar um conjunto de valores ideal, o que pode-</p><p>rá gerar um desempenho organizacional superior</p><p>(TAMAYO; GONDIM, 1996).</p><p>É possível compartilhar valores e práticas no am-</p><p>biente organizacional com todos</p><p>os membros parti-</p><p>cipantes, visto que valores serão compartilhados quando interesses e metas forem</p><p>aceitos e assumidos pelos membros, o que também mudará de forma positiva e</p><p>construtiva o comportamento de cada um com a sua equipe.</p><p>Nesse sentido, será necessário que os gestores consigam institucionalizar a</p><p>cultura organizacional de forma a fortalecer a geração de valores de acordo com</p><p>os objetivos e metas organizacionais.</p><p>Espera-se que os colaboradores se-</p><p>jam éticos e respeitem um conjunto</p><p>de valores definidos e declarados pela</p><p>organização, dessa forma havendo um</p><p>alinhamento dos valores da organização</p><p>com a atitude ética dos colaboradores</p><p>(TAMAYO; GONDIM, 1996).</p><p>Na prática, os gestores buscam uma</p><p>integração do colaborador com a orga-</p><p>cada membro</p><p>poderá identificar</p><p>um conjunto de</p><p>valores ideal</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>nização, visto que, quando se iniciam atividades neste ambiente, encontram-se</p><p>valores e um novo vocabulário, capazes de mudar o comportamento do colabo-</p><p>rador conforme o desejo da organização (BERGAMASCO, 2017).</p><p>Nesse contexto, entende-se que quando a ética organizacional é bem defini-</p><p>da pelo nível estratégico da organização poderá gerar um clima de confiança e</p><p>respeito entre os colaboradores inseridos nesse ambiente, de forma que possam</p><p>se relacionar de forma direta ou indireta com a organização e compartilhar ex-</p><p>periências e conhecimentos entre si (BERGAMASCO, 2017).</p><p>Assista ao vídeo “Ética é questão de opinião?”, com Mário Sérgio</p><p>Cortella, professor e filósofo. Cortella afirma que a ética é um con-</p><p>junto de valores que orientam a vida e o convívio em sociedade.</p><p>Afirma que a ética é relativa, seus valores não são fixos e pode</p><p>ser alterada no curso histórico, o que não significa que a opinião</p><p>individual se sobreponha a ela. Clique aqui para acessá-lo.</p><p>EU INDICO</p><p>Destaca-se ainda que, com base em um clima de confiança e respeito e ao com-</p><p>portamento ético no contexto organizacional, poderá haver a redução de custos</p><p>e o aumento da produtividade das pessoas, em função do crescente nível de</p><p>satisfação e da cultura que foi possível de se institucionalizar nesse ambiente</p><p>favorável (BERGAMASCO, 2017).</p><p>Nesse sentido, entende-se que a busca pelo sucesso corporativo torna a ética</p><p>organizacional uma ferramenta para modelar e controlar o comportamento espe-</p><p>rado das pessoas. Porém, na prática, não basta definir um Código de Ética e cobrar</p><p>dos colaboradores; será preciso estabelecer a transparência e o reconhecimento</p><p>de gestores perante os colaboradores por meio de diálogo (BERGAMASCO, 2017).</p><p>Segundo os estudos de Bondarik, Pilatti e Francisco (2006) e Passos</p><p>(2007), aquelas organizações que atuam com base em seus princípios éticos e</p><p>não por interesse ou conveniência para seus negócios estará praticando suas</p><p>atividades e tomando suas decisões de forma honesta, justa e democrática, o</p><p>que gerará sucesso e reconhecimento por parte da sociedade e contribuirá para</p><p>o crescimento e a estabilidade do mercado fortemente competitivo.</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>Salienta-se aqui, de acordo com Passos (2007), Castro e Ávila (2013), como</p><p>um desafio das organizações atuais a adoção de uma postura ética e socialmente</p><p>responsável, fato cada vez mais cobrado da sociedade. Nesse sentido, espera-se</p><p>que as organizações atuem conforme os princípios, os valores e os padrões éticos</p><p>impostos e aceitos de maneira correta pela sociedade.</p><p>É importante compreendermos que a responsabilidade ética e social das organ-</p><p>izações poderá causar impactos positivos ou negativos, visto que os consum-</p><p>idores influenciarão no poder de compra dos demais consumidores em função</p><p>de seus julgamentos éticos a respeito de uma determinada empresa ou marca</p><p>(CASTRO; ÁVILA, 2013).</p><p>Ainda de acordo com os autores, na prática, compreende-se que os gestores</p><p>devem manter a consciência e o compromisso de sua empresa com mudanças</p><p>sociais, reconhecendo sua responsabilidade para a construção de uma socie-</p><p>dade mais justa, honesta e solidária, visando uma sociedade melhor para todos,</p><p>orientada pela prática moral e pela ética, indo além de suas obrigações legais</p><p>e econômicas e respeitando as culturas, as necessidades e os desejos sociais.</p><p>APROFUNDANDO</p><p>ÉTICA NAS RELAÇÕES PESSOAIS E PROFISSIONAIS</p><p>Estudamos que toda organização apresenta uma cultura organizacional com base</p><p>em seus valores e princípios definidos e compartilhados nos diferentes níveis or-</p><p>ganizacionais, de forma que estejam fundamentados em seus costumes, crenças,</p><p>realizações, comportamento e interação das pessoas em suas equipes.</p><p>Ao refletirmos aqui a respeito de relações pessoais e profissionais fundadas</p><p>nos princípios éticos de cada indivíduo e das organizações, compreendemos que</p><p>o relacionamento entre duas pessoas poderá iniciar no primeiro contato, e as pri-</p><p>meiras impressões remeterão a significados que podem favorecer ou prejudicar</p><p>a relação (CARVALHO, 2009).</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>5</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>De acordo com Moscovici (2008) e Cardozo e</p><p>Silva (2014), salienta-se que cada profissional leva</p><p>para o seu ambiente de trabalho seus valores, suas</p><p>crenças e expectativas referentes ao seu “eu”, assim</p><p>como compartilha nesse ambiente suas experiências,</p><p>emoções e sentimentos que poderão interferir no</p><p>relacionamento interpessoal com as demais pessoas e que, consequentemente,</p><p>influencia no ambiente organizacional. É importante compreendermos que, no</p><p>ambiente organizacional, atitudes, valores, crenças e ideologias predispõem as</p><p>pessoas a perceberem e interpretarem as situações, assim como a criar, analisar</p><p>e avaliar possíveis linhas de ação e soluções. As pessoas optam por fazer suas</p><p>escolhas com segurança no respaldo moral ou a sofrer conflitos interpessoais,</p><p>como sentimento de culpa, rejeição e isolamento.</p><p>Sabe-se que no dia a dia, em um ambiente organizacional e de negócios,</p><p>exige-se o comportamento ético de todos os membros envolvidos naquele local,</p><p>e dessa forma as relações interpessoais que compõem as habilidades humanas,</p><p>técnicas e conceituais são exigidas dos profissionais que estão diretamente en-</p><p>volvidos com os negócios e o mercado (CHIAVENATO, 2003). Nesse sentido,</p><p>E o que isso significa? É importante entendermos que a comunicação e a linguagem</p><p>se tornam importantes para se iniciar um relacionamento entre duas ou mais pes-</p><p>soas, sendo capaz de expressar sentimentos, elogios e críticas, o que poderá gerar</p><p>intimidade, confiança, empatia, respeito e harmonia entre as pessoas que convivem</p><p>em um ambiente organizacional (CARVALHO, 2009; PIMENTEL; RODRIGUES, 2018).</p><p>cada profissional</p><p>leva para o seu</p><p>ambiente de</p><p>trabalho seus</p><p>valores</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>a relação interpessoal se torna um dos elementos essenciais e construtivos da</p><p>condução humana, sendo um dos campos onde mais se produzem os conflitos,</p><p>e, assim, os gestores necessitam ter um olhar atencioso para cuidar da saúde men-</p><p>tal das pessoas, permitindo o diálogo entre as equipes de forma que consigam</p><p>conciliar a relação pessoal e profissional de forma ética.</p><p>Salienta-se que mantendo um bom relacionamento interpessoal nas orga-</p><p>nizações, valorizando e incentivando o crescimento pessoal e profissional das</p><p>pessoas, haverá melhoria no ambiente de trabalho, maior motivação das pessoas,</p><p>o que, consequentemente, vai gerar maior alcance dos resultados nos negócios</p><p>(CARDOZO; SILVA, 2014).</p><p>Assista ao vídeo “Relacionamento interpessoal no trabalho”,</p><p>com Regina Pereira. Ela apresenta questões importantes sobre</p><p>o relacionamento entre as pessoas pertencentes ao ambiente</p><p>organizacional, sendo citados cinco pilares essenciais para que</p><p>possamos refletir, como o autoconhecimento, a empatia, a as-</p><p>sertividade, a cordialidade e a ética. Clique aqui para acessar.</p><p>EU INDICO</p><p>E como proporcionar às equipes uma forma adequada de comunicação interpes-</p><p>soal? Busca-se oferecer a integração efetiva entre líderes e equipes, que possam</p><p>conversar de maneira clara sobre as questões envolvidas no cotidiano das orga-</p><p>nizações, de forma a incentivar e valorizar trocas simultâneas</p><p>de informações, o</p><p>feedback e o esclarecimento de dúvidas importantes a respeito dos processos ou</p><p>de decisões a serem tomadas (MACEDO, 2007).</p><p>Entende-se que desenvolver as pessoas no contexto organizacional depende</p><p>do relacionamento interpessoal, sendo o indivíduo influenciável e influenciado</p><p>pela organização, com base em um conjunto de princípios e valores. Vive-se em</p><p>uma sociedade com acesso rápido à tecnologia, o que também proporciona às</p><p>pessoas uma aproximação, mas, ao mesmo tempo, desenvolve um baixo contato</p><p>interpessoal (MACEDO, 2007; CARVALHO, 2009).</p><p>Compreende-se que a liderança é também um processo pelo qual um indiví-</p><p>duo exerce influência sobre outras pessoas e inspira, motiva e dirige suas atividades</p><p>para ajudar a atingir metas organizacionais. Nesse sentido, a ética é a demonstração</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>TEMA DE APRENDIZAGEM 9</p><p>normativa da conduta adequada por meio de ações</p><p>pessoais e relações interpessoais. É importante citarmos</p><p>que a confiança dos colaboradores nos resultados da li-</p><p>derança poderá melhorar o desempenho e a conformi-</p><p>dade das equipes com padrões éticos, enquanto a baixa</p><p>confiança poderá resultar em conflito e ineficiência.</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem! Vimos anteriormente em nossos</p><p>estudos que a ética está relacionada à forma como mantemos com as pessoas re-</p><p>lações e condutas justas, que têm base em uma reflexão crítica de cada indivíduo</p><p>e que permitam escolher a melhor forma de agir, pessoal ou profissionalmente</p><p>(FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001; SÁ, 2009). Assim, nas relações pessoais</p><p>e profissionais a conduta ética de cada indivíduo causará forte impacto na sua</p><p>imagem, de forma que possa atrair ou afastar pessoas com as quais se relaciona.</p><p>Salienta-se que a existência do Código de Ética profissional nas organizações</p><p>tem como objetivo oferecer diretrizes para que a conduta dos profissionais da</p><p>categoria seja tal que não comprometa as demais pessoas e a classe a que pertence</p><p>(FERREL; FRAEDRICH; FERREL, 2001; SÁ, 2009; MAIA; OLIVEIRA, 2015).</p><p>a ética é a</p><p>demonstração</p><p>normativa da</p><p>conduta adequada</p><p>1</p><p>1</p><p>8</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. Estudamos que, ao definir um programa ético e eficaz, a organização poderá evitar a</p><p>responsabilidade civil, sendo responsável pela conduta de seus profissionais na exe-</p><p>cução de seus deveres. Na prática, alguns requisitos são exigidos da organização ao</p><p>se definir um programa ético. De acordo com os requisitos exigidos, classifique V para</p><p>as sentenças verdadeiras e F para as falsas:</p><p>( ) Códigos de ética, capazes de identificar má conduta.</p><p>( ) Pessoas do nível estratégico responsáveis pelo cumprimento do programa de ética.</p><p>( ) Comunicação eficaz.</p><p>( ) Sistemas para monitorar casos de má conduta.</p><p>( ) Exigência do cumprimento de padrões e códigos.</p><p>( ) Aprimoramento contínuo do programa de cumprimento de normas éticas.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>a) V – F – F – V – F – F.</p><p>b) V – V – V – V – V – V.</p><p>c) F – V – F – V – F – F.</p><p>d) F – F – V – V – F – F.</p><p>2. A ética pode ser definida como o código de princípios e valores morais que regem o</p><p>comportamento de um indivíduo ou grupo no que diz respeito ao que é certo ou errado,</p><p>de forma que possa influenciar na conduta e na tomada de decisões de cada pessoa.</p><p>Com base nas definições a respeito da ética, analise as sentenças a seguir:</p><p>I - A ética está relacionada ao desejo de se manter com os outros indivíduos relações ou</p><p>condutas justas e aceitáveis, de maneira que permita a escolha da melhor forma de</p><p>agir, com base em uma reflexão crítica a respeito de alguma situação.</p><p>II - A palavra ética vem do grego ethos e significa “modo de ser” ou “caráter” enquanto</p><p>forma de vida adquirida pelo indivíduo.</p><p>III - A ética trata-se da disciplina filosófica que constitui uma reflexão de segunda ordem</p><p>sobre os problemas morais.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) As sentenças I e II estão corretas.</p><p>b) Somente a sentença II está correta.</p><p>c) As sentenças I, II e III estão corretas.</p><p>d) Somente a sentença III está correta.</p><p>1</p><p>1</p><p>9</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>3. A e a tornam-se importantes para se iniciar</p><p>um relacionamento entre duas ou mais pessoas, sendo capaz de expressar sentimen-</p><p>tos, elogios e críticas, o que poderá gerar intimidade, confiança, empatia, respeito e</p><p>harmonia entre as pessoas que convivem em um ambiente organizacional. Assinale a</p><p>alternativa que apresenta os termos que preenchem de forma CORRETA as lacunas da</p><p>sentença anterior:</p><p>a) Ética – moral.</p><p>b) Comunicação – linguagem.</p><p>c) Confiança – empatia.</p><p>d) Ética – conduta.</p><p>4. Estudamos a respeito da cultura organizacional, que se refere a características, valores,</p><p>costumes, crenças e normas de comportamento de uma organização, de forma que as</p><p>pessoas pertencentes a ela passam a conhecer e respeitar, visto que cada organização</p><p>deverá definir a sua cultura, o seu padrão, ações e decisões organizacionais. Disserte so-</p><p>bre a importância da cultura organizacional para a prática dos negócios de uma empresa.</p><p>5. Sabe-se que no dia a dia, em um ambiente organizacional e de negócios, exige-se o</p><p>comportamento ético de todos os membros envolvidos naquele local, e, dessa forma, as</p><p>relações interpessoais que compõem as habilidades humanas, técnicas e conceituais</p><p>são exigidas dos profissionais que estão diretamente envolvidos com os negócios e o</p><p>mercado. Nesse contexto, disserte sobre a importância de se manter uma boa relação</p><p>interpessoal no ambiente organizacional.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANTUNES, M. T. Ética. 2. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018.</p><p>BERGAMASCO, E.; ZIANI, L.; BEGNAMI, P.; CARVALHO, L. A influência e importância da ética</p><p>organizacional: ênfase em uma multinacional sob a perspectiva de gestores e de colabora-</p><p>dores. Revista Espacios, Caracas, v. 38, n. 14, p. 6-19, 2017.</p><p>BONDARIK, R.; PILATTI, L. A.; FRANCISCO, A. C. Ética managerial: a ética nas organizações em-</p><p>presariais. Journal Technology Management & Innovation, [s. l.], v. 1, n. 5, p. 69-75, 2006.</p><p>CARDOZO, C. G.; SILVA, L. O. S. A importância do relacionamento interpessoal no ambiente de</p><p>trabalho. Interbio, Dourados, v. 8 n. 2, jul./dez. 2014.</p><p>CARVALHO, A. P.; GRISSON, D. Manual do secretariado executivo. 5. ed. São Paulo: D’Li-</p><p>vros, 2002.</p><p>CARVALHO, M. Relacionamento interpessoal: como preservar o sujeito coleti- vo. Rio de</p><p>Janeiro: LTC, 2009.</p><p>CASTRO, D. S. P.; ÁVILA, A. D. S. O ensino da sustentabilidade e a formação ética do admi-</p><p>nistrador: um estudo bibliométrico sobre o estado da questão. Revista de Educação do</p><p>Cogeime, Belo Horizonte, v. 22, n. 43, p. 37-51, 2013.</p><p>CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos: fundamentos básicos. 5. ed. São</p><p>Paulo: Atlas, 2003.</p><p>CORTELLA, M. S.; BARROS FILHO, C. de. Ética e vergonha na cara. Campinas: papiros 7</p><p>mares, 2014.</p><p>CORTINA, A.; MARTÍNEZ, E. Ética. São Paulo: Edições Loyola, 2005.</p><p>ÉTICA é questão de opinião? [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (6 min). Publicado pelo canal do Cortella, 12</p><p>out. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3O0ZRsI. Acesso em: 7 jun. 2022.</p><p>FERREL, O. C.; FRAEDRICH, J.; FERREL, L. Ética empresarial: dilemas, tomadas de decisões</p><p>e casos. 4. ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2001.</p><p>FREITAS, M. E. Contexto social e imaginário organizacional moderno. Revista de Adminis-</p><p>tração de Empresas, São Paulo, n. 2, p. 6-15, 2000.</p><p>LACOMBE, F. Recursos humanos: princípios e tendências. São Paulo: Saraiva, 2005.</p><p>LACOMBE, F. Recursos humanos: princípios e tendências. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.</p><p>MAIA, F.; OLIVEIRA, V. Secretariado em pauta: técnicas de assessoria e métodos de orga-</p><p>nização. Curitiba: Intersaberes, 2015.</p><p>MOSCOVICI, F. Desenvolvimento interpessoal: treinamento em grupo. 17. ed. Rio de Ja-</p><p>neiro: José Olympio, 2008.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3O0ZRsI</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>PASSOS, E. Ética nas organizações. São Paulo: Atlas, 2007.</p><p>RELACIONAMENTO interpessoal no trabalho. [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (4 min). Publicado pelo canal Por-</p><p>tal do Palestrante, 6 ago. 2014. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/ 3tkps84. Acesso em: 28 maio 2022.</p><p>O QUE É CULTURA organizacional de uma empresa produtiva? [S. l.: s. n.]. 1 vídeo (8 min). Pu-</p><p>blicado pelo canal Gilberto de Souza, 12 ago. 2020. Disponível em: ht- tps://bit.ly/3Hag78w.</p><p>Acesso em: 28 maio 2022.</p><p>PIMENTEL, M.; RODRIGUES, F. Em pauta: manual prático da comunicação organizacional.</p><p>São Paulo: Intersaberes, 2018.</p><p>ROBBINS, S. Comportamento organizacional. 14. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010.</p><p>SÁ, A. Ética profissional. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>SCHEIN, E. H. Organizational culture and leadership. 5. ed. Hoboken: Wiley, 2017.</p><p>TAMAYO, A., GONDIM, M. G. C. Escala de valores organizacionais. Revista de Administra-</p><p>ção, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 62-72, abr./jun. 1996.</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>https://bit.ly/3tkps84</p><p>https://bit.ly/3tkps84</p><p>https://bit.ly/3Hag78w</p><p>https://bit.ly/3Hag78w</p><p>1. B (V - V - V - V - V - V).</p><p>2. C.</p><p>3. B.</p><p>4. É importante compreender que na prática dos negócios a cultura organizacional poderá</p><p>proporcionar aos gestores maior consistência e coerência em suas ações e decisões, de</p><p>forma a alcançar seus objetivos e metas traçados no planejamento estratégico. Porém,</p><p>não basta apenas definir valores, é necessário que os colaboradores envolvidos entendam</p><p>claramente, por meio de ações, palavras, histórias, rituais, símbolos e linguagem, a cultura</p><p>daquela organização em que está inserido. Entende-se que, dessa forma, quanto mais</p><p>forte e consolidada for a cultura organizacional para os colaboradores, mais simples será</p><p>o entendimento das regras e regulamentos, o que facilitará o comportamento organiza-</p><p>cional desejado. Conforme ocorrem mudanças no ambiente interno e externo de uma</p><p>organização, ela poderá, sim, sofrer mudanças em sua cultura organizacional, visto que</p><p>mudanças no ambiente externo, por exemplo, facilmente podem levar um gestor a tomar</p><p>novas decisões e agir de forma assertiva com base em seus conhecimentos e informações</p><p>a respeito do mercado em que está inserido.</p><p>5. A relação interpessoal torna-se um dos elementos essenciais e construtivos da condução</p><p>humana, sendo um dos campos onde mais se produzem os conflitos e, neste contexto, os</p><p>gestores necessitam ter um olhar atencioso para cuidar da saúde mental das pessoas e</p><p>que permita o diálogo entre as equipes, de forma que consigam conciliar a relação pessoal</p><p>e profissional de forma ética. Salienta- se que, mantendo um bom relacionamento inter-</p><p>pessoal nas organizações, valorizando e incentivando o crescimento pessoal e profissional</p><p>das pessoas, haverá melhoria no ambiente de trabalho, maior motivação das pessoas, o</p><p>que, consequentemente, vai gerar maior alcance dos resultados nos negócios.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>1</p><p>4</p><p>unidade 1</p><p>O que é inteligência emocional?</p><p>Inteligência emocional e competências pessoais e sociais</p><p>Mensuração da Inteligência Emocional, Estados de ânimo e transtornos emocionais</p><p>unidade 2</p><p>Teorias das inteligências múltiplas</p><p>Estratégias de Enfrentamento</p><p>Estratégias de Enfrentamento em ambiente de trabalho</p><p>unidade 3</p><p>Relações Interpessoais</p><p>e trabalho</p><p>Relações Humanas</p><p>e Comunicação</p><p>Ética e valores nas relações profissionais</p><p>_gjdgxs</p><p>_2s8eyo1</p><p>_17dp8vu</p><p>Button 28:</p><p>Forms - Uniasselvi:</p><p>Botão 44:</p><p>Botão 45:</p><p>Botão 46:</p><p>Botão 47:</p><p>Botão 48:</p><p>Botão 49:</p><p>Botão 50:</p><p>Botão 52:</p><p>Botão 53:</p><p>Botão 56:</p><p>Botão 58:</p><p>Botão 60:</p><p>paixões amorosas. Tanto que uma das principais características do movimento literário,</p><p>chamado de Romantismo, é justamente a frequente presença de emoções exageradas,</p><p>que transbordam sentimentalismo; e 3) valorização da tristeza, do tédio, do pessimismo.</p><p>Também há uma preferência por retratar a noite, em alusão ao momento mais propenso</p><p>aos devaneios, sonhos – algo que é involuntário, inconsciente, portanto pode estar des-</p><p>provido de racionalidade.</p><p>GABARITO</p><p>1</p><p>4</p><p>MINHAS ANOTAÇÕES</p><p>1</p><p>5</p><p>MINHAS METAS</p><p>INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E</p><p>COMPETÊNCIAS PESSOAIS E</p><p>SOCIAIS</p><p>Compreender as competências emocionais, tanto pessoais quanto sociais.</p><p>Conhecer os estados de ânimo.</p><p>Conhecer os principais transtornos emocionais.</p><p>T E M A D E A P R E N D I Z A G E M 2</p><p>1</p><p>1</p><p>INICIE SUA JORNADA</p><p>Olá, estudante! Seja bem vindo!</p><p>A inteligência emocional pode ser medida, potencializada e desenvolvida?</p><p>A partir dos conhecimentos sobre as especificidades da inteligência emocional,</p><p>você aprofundará noções como competência emocional e suas subdivisões:</p><p>competências pessoais e sociais. No decorrer deste tema você obterá orientações</p><p>para desenvolver a sua competência emocional.</p><p>Você aprenderá que as competências sociais estão relacionadas à empatia e às</p><p>habilidades que desenvolvemos no contexto social que estamos inseridos. Você</p><p>consegue administrar bem seus relacionamentos interpessoais? Também serão</p><p>apresentados dicas e conselhos que buscam fortalecer as relações interpessoais</p><p>e levar a um aprendizado sobre si mesmo.</p><p>Por fim, entrará em contato com algumas pesquisas acerca da mensuração</p><p>da inteligência emocional, ou seja, instrumentos de avaliação que se propõem</p><p>a medir, aferir a inteligência emocional de uma pessoa. Boa leitura!</p><p>DESENVOLVA SEU POTENCIAL</p><p>INTELIGÊNCIA EMOCIONAL E COMPETÊNCIAS PESSOAIS E</p><p>SOCIAIS</p><p>Para retomar o conceito de inteligência emocional, traremos as palavras de</p><p>Miguel, Zuanazzi e Villemor-Amaral (2017, p. 1853): “Inteligência emocional</p><p>diz respeito à capacidade de perceber e compreender adequadamente as emoções</p><p>e gerenciá-las de maneira adaptativa e construtiva”. Você já deve ter notado que</p><p>as palavras “perceber”, “compreender”, “gerenciar”, “adaptar”, associadas à palavra</p><p>“emoções”, frequentemente fazem parte dos conceitos de inteligência emocional.</p><p>A palavra “construtiva” não havia aparecido nos conceitos que foram apresentados</p><p>nas páginas anteriores. “Construtiva” foi um vocábulo acertadamente utilizado</p><p>por Miguel, Zuanazzi e Villemor-Amaral (2017), pois seus significados envolvem</p><p>algo positivo, edificante, instrutivo, no sentido de levantar, crescer, valorizar.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>Antes de focalizar o conceito de competência emocional em si, segue mais</p><p>um conceito de inteligência emocional, dessa vez elaborado por Dantas e No-</p><p>ronha (2006, p. 59): “[...] capacidade de perceber, entender e usar precisamente</p><p>as emoções em si e em relação aos outros, bem como gerenciá-las para facilitar</p><p>os processos cognitivos e promover o crescimento pessoal e intelectual”. Nessa</p><p>conceituação, fica evidente que é possível gerir as emoções em prol dos processos</p><p>intelectuais, visando a um progresso ou elevação inclusive na dimensão pessoal.</p><p>Talvez você esteja se fazendo uma dessas perguntas:</p><p>■ Mas Um dos motivos que estimulou as primeiras pesquisas sobre in-</p><p>teligência emocional não foi justamente romper com a hegemonia da</p><p>intelectualidade que repousava sobre o termo inteligência?</p><p>■ E, agora, vemos uma pesquisa de 2006 afirmando que a inteligência emo-</p><p>cional pode contribuir para o desenvolvimento intelectual de uma pessoa?</p><p>Não parece contraditório?</p><p>O que ocorre é que até a década de 1990, os pesquisadores pareciam conside-</p><p>rar “mais inteligentes” aquelas pessoas que apresentavam os melhores resultados</p><p>nos testes de QI – que se destacavam no desempenho acadêmico, que “sabiam”</p><p>sobre mais conteúdos geralmente vistos na escola. Não importava se essas pessoas</p><p>soubessem gerir as próprias emoções ou não.</p><p>O que a pesquisa de Dantas e Noronha (2006) sugere é que a inteligência</p><p>global das pessoas pode resultar da junção de dimensões cognitivas/intelectuais</p><p>e emocionais, e que essa somatória pode contribuir para o desenvolvimento in-</p><p>telectual da pessoa (dentre outros desenvolvimentos).</p><p>Caso isso ainda não tenha sido compreensível para você, aproveite a oportu-</p><p>nidade para desenvolver sua paciência. Fique tranquilo, nos próximos parágrafos</p><p>isso poderá ficar mais claro.</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Enquanto você procura assimilar essas novas informações, compreendê-las, já</p><p>consegue presumir o que é a competência emocional?</p><p>1</p><p>8</p><p>Antes de entregar esse novo conceito para você, segue um trecho da pesquisa feita</p><p>por Ferreira et al. (2018, p. 22) acerca da prevenção do abandono dos estudos</p><p>por parte de estudantes da educação em nível superior:</p><p>“ No que se refere aos resultados da relação entre o abandono escolar</p><p>com as variáveis sociodemográficas e com as competências emo-</p><p>cionais, verificou-se que a perceção emocional estabelece uma re-</p><p>lação direta com a dimensão organizacional, sugerindo que quanto</p><p>mais perceção emocional os estudantes têm menos percecionam a</p><p>dimensão organizacional como fator de abandono escolar. A ex-</p><p>pressão emocional estabelece uma relação direta com a dimensão</p><p>gestão de vida, sugerindo que quanto mais expressão emocional</p><p>os estudantes têm menos percecionam a dimensão gestão de vida</p><p>como fator de abandono escolar, enquanto o sexo estabelece uma</p><p>relação inversa, indicando que, independentemente do sexo, os</p><p>estudantes mais perceção têm da dimensão gestão de vida como</p><p>potencial fator de abandono escolar. A expressão emocional tam-</p><p>bém estabelece uma relação inversa com a dimensão relacional, su-</p><p>gerindo que quanto menos expressão emocional os estudantes têm</p><p>maior é perceção da dimensão relacional como fator de abandono</p><p>escolar, enquanto a capacidade de lidar com a emoção estabelece</p><p>uma relação direta, indicando que quanto menos capacidade de</p><p>lidar com a vida têm os estudantes mais perceção têm da dimensão</p><p>relacional como latente fator de abandono escolar. O sexo estabelece</p><p>uma relação inversa com a dimensão profissão/carreira e com o</p><p>abandono escolar global, sugerindo que, independentemente do</p><p>sexo, maior é perceção da dimensão profissão/carreira como fator</p><p>de abandono escolar e do abandono escolar na sua globalidade.</p><p>A palavra “perceção” existe! Ela é mais utilizada em Portugal, onde se encontra-</p><p>vam boa parte dos pesquisadores durante a realização da pesquisa que acabou</p><p>de ser mencionada. O significado da palavra é muito parecido com o da palavra</p><p>“percepção”.</p><p>ZOOM NO CONHECIMENTO</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>Com base nesse trecho da pesquisa, sobre o abandono dos estudos, você já se</p><p>aventura a rascunhar um conceito de “competência emocional”?</p><p>Conforme Agüera (2008), a competência emocional consiste nas</p><p>habilidades de:</p><p>■ monitorar e refrear os impulsos emocionais;</p><p>■ se desvencilhar de estados de ânimo desfavoráveis;</p><p>■ entender que para obter grandes gratificações geralmente é necessário abrir</p><p>mão de pequenas gratificações, ou, no mínimo, deixá-las para depois.</p><p>Essas habilidades parecem se articular harmoniosamente com as palavras de</p><p>Primi, Bueno e Muniz (2006, p. 29):</p><p>“ A emoção, como facilitadora do ato de pensar, diz respeito à in-</p><p>fluência que as emoções têm nos processos cognitivos, e, ao mesmo</p><p>tempo, à eficácia com que a pessoa compreende e utiliza a infor-</p><p>mação desse sistema de alerta que dirige a atenção e o pensamento</p><p>para as informações (internas ou externas) mais importantes no</p><p>processo de solução de problemas.</p><p>1</p><p>1</p><p>Enquanto cursamos a faculdade, nossa vida continua paralelamente, e assim como</p><p>com todas as pessoas, surgem problemas vez ou outra. Aparecem situações ad-</p><p>versas, queiramos ou não. Se nos deixarmos abater por elas, e passarmos longos</p><p>períodos entristecidos, irritados, irados, desanimados, também corremos grande</p><p>risco de sairmos da instituição de ensino superior antes de concluirmos</p><p>o curso. Já</p><p>que estamos aprendendo sobre inteligência emocional, lembre-se de que você pre-</p><p>cisará conseguir sair, libertar-se de estados emocionais</p><p>negativos para conseguir se concentrar nos estudos.</p><p>Não significa fingir que nada está acontecendo. Signi-</p><p>fica ser resiliente e dar continuidade aos seus projetos</p><p>de vida, ainda que em meio aos problemas.</p><p>E as gratificações? Só quem conclui um curso</p><p>superior pode dizer quantas festas, viagens, jantares, almoços, precisou deixar</p><p>de frequentar para ficar estudando – ou para economizar dinheiro para pagar as</p><p>mensalidades da faculdade. Quantas horas de sono foram perdidas? E o distan-</p><p>ciamento de seus hobbys? De um jeito ou de outro, é necessário abrir concessões</p><p>para seguir a vida acadêmica. Quem não consegue trocar os prazeres imediatos</p><p>vindos dessas ou outras situações, pela gratificação da obtenção de conhecimen-</p><p>to, da conquista de um novo diploma, também pode ter maiores dificuldades de</p><p>prosseguir nos estudos.</p><p>Para que isso fique mais perceptível para você, convidamos você a re��tir</p><p>sobre suas atitudes, agora que está ocupando o papel de universitário. Você</p><p>sente vontade de estudar o tempo todo? Você se sente empolgado todos os</p><p>dias para ler ou fazer as atividades de estudo? Você sempre se sente com</p><p>energia suficiente para continuar concentrado por horas em seus estudos? Ou,</p><p>às vezes, você sente vontade de trocar as leituras, atividades acadêmicas por</p><p>atividades de lazer?</p><p>Sejamos francos! Cursar uma graduação requer muitos esforços. Uma pessoa</p><p>que sempre e prontamente cede aos impulsos emocionais de largar os livros</p><p>para dormir ou para passear, ou para ficar navegando nas redes sociais, têm</p><p>menor chance de concluir os estudos universitários, simplesmente porque ela</p><p>provavelmente desistirá deles ou acabará reprovando em várias disciplinas. En-</p><p>tão, ser universitário exige uma coibição de impulsos emocionais dia após dia.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>Significa ser</p><p>resiliente e dar</p><p>continuidade aos</p><p>seus projetos de</p><p>vida</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>Ficou claro, agora, por que Dantas e Noronha (2006) afirmam que a inteligên-</p><p>cia emocional pode ser proveitosa para o crescimento pessoal ou intelectual</p><p>de uma pessoa?</p><p>Quem sabe, nessas alturas das suas leituras e reflexões, você esteja se per-</p><p>guntando se é possível desenvolver a própria inteligência emocional, ou se é</p><p>algo que já está determinado geneticamente. A pesquisa realizada por Bueno e</p><p>Primi (2003) lhe permitiu constatar que sujeitos na fase adulta deram maiores</p><p>demonstrações de inteligência emocional do que os adolescentes. Isso parece</p><p>sinalizar que com o transcorrer dos anos de vida e das experiências que cada um</p><p>vai vivenciando, a inteligência emocional vai sendo enriquecida.</p><p>Agüera (2008) alega que por meio da reflexão íntima e interior, costumei-</p><p>ramente chamada de introspecção e da prática, ou seja, do aprendizado, treino,</p><p>exercício, a inteligência emocional pode ser aperfeiçoada, otimizada.</p><p>Diante dessa afirmação, não seria espantoso se uma pergunta que passasse a</p><p>pulsar em meio aos seus pensamentos, nesse momento fosse: “Como eu posso</p><p>desenvolver a minha inteligência emocional?”, ou: “O que eu tenho que fazer para</p><p>melhorar competência emocional?”. Que tal algumas respostas? O primeiro passo</p><p>é ler e ponderar sobre o quadro que segue:</p><p>COMO AUMENTAR A SUA COMPETÊNCIA EMOCIONAL?</p><p>Produza, suscite motivação para si mesmo.</p><p>Se você se deparar com fracassos, não aceite ficar triste, acabrunhado por muito tempo.</p><p>Levante-se. Persevere. Siga adiante.</p><p>Comande seus impulsos em vez de permitir que eles comandem você.</p><p>Policie e contenha seus estados de ânimo.</p><p>Se esforce para ter compreensão com os outros. Faça o exercício de tentar olhar para as</p><p>circunstâncias a partir do ponto de vista deles.</p><p>Viva de modo que suas ações demonstrem segurança, credibilidade e confiabilidade.</p><p>Tente transformar positivamente o ambiente em que está.</p><p>Comporte-se de modo gentil, cortês e benevolente.</p><p>Quadro 1 – Para desenvolver a competência emocional / Fonte: adaptado de Agüera (2008).</p><p>1</p><p>1</p><p>Você percebeu que habilidades como autocontrole, entusiasmo, automotivação,</p><p>expressão e empatia entremeiam essas orientações?</p><p>Antes de passar para o próximo subtópico, releia o quadro que acabou</p><p>de ser exposto.</p><p>Você observou que algumas das frases dizem mais respeito ao relacionamento</p><p>consigo mesmo e outras se referem ao relacionamento com outrem?</p><p>Precisa de algumas dicas para desenvolver a sua abertura para outros pontos</p><p>de vista? Agüera (2008) tem algumas delas para você:</p><p>Seja eclético e ��xível. Permita-se considerar atentamente os argumentos</p><p>das outras pessoas, até mesmo daquelas que pensam de maneira totalmente</p><p>diferente da sua. Não é preciso mudar de opinião sempre, mas é benéfico re-</p><p>cordar que grande parte das discordâncias possuem mais dois pontos de vista</p><p>além do seu! Ou seja, o de seu interlocutor e de outras pessoas que olhem para</p><p>a situação a partir de outro lugar (observam as coisas por um prisma diferente</p><p>do seu e do seu interlocutor). Além do mais, quem garante que você é realmente</p><p>o detentor da verdade? Assim como o seu interlocutor pode estar equivocado,</p><p>você também pode. Cuidado para não cair na armadilha de julgar as circun-</p><p>stâncias de modo irrefletido, tomado exclusivamente por emoções. Procure</p><p>não rejeitar com veemência os argumentos dos outros. Existem maneiras mais</p><p>socialmente aceitas de ouvir contra palavras e de se posicionar diante delas.</p><p>Tomando esses cuidados, você aumenta as probabilidades de desenvolver a</p><p>sua empatia!</p><p>APROFUNDANDO</p><p>Existem conselhos para melhorar a</p><p>competência emocional nos dois sentidos,</p><p>porque elas dividem-se em competências</p><p>pessoais e sociais, como você poderá</p><p>conferir a seguir.</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>COMPETÊNCIAS PESSOAIS</p><p>Na concepção de Agüera (2008), as competências pessoais definem a maneira</p><p>pela qual uma pessoa se conecta com suas emoções e sentimentos individuais e</p><p>sobre como ela estabelece relações com o que sente. As competências pessoais</p><p>pressupõem a consciência de si, a autorregulação e a motivação, como você pode</p><p>visualizar na sequência:</p><p>■ Consciência de si</p><p>■ Engelmann (2002) esclarece que a consciência é a via pela qual cada um</p><p>pode tanto sentir-se quanto saber-se algo. A consciência é imprescin-</p><p>dível para a construção do conhecimento, para o saber, e é individual.</p><p>Isso inclui o sentir e o saber sobre as próprias emoções, estados de</p><p>ânimo e sentimentos.</p><p>Quer desenvolver sua consciência de si? Que tal começar literalmente pela escrita</p><p>de sua própria história? “O exercício de (re)memoração autobiográfica é desen-</p><p>cadeador de um processo de produção de consciência de si. Escrever sua história</p><p>de vida é, portanto, o dispositivo que, ao ser acionado, permite a construção de</p><p>uma representação de si” (CUNHA, 2016, p. 96, grifo do autor).</p><p>■ Autorregulação</p><p>■ Para Bendassolli et al. (2016, p. 2), a autorregulação é um “[...] processo</p><p>psicológico individual que contribui bastante com o desempenho pro-</p><p>fissional, já que influencia a agência das ações”. A autorregulação inicia</p><p>com o policiamento das próprias sensações e afetos, bem como com</p><p>a análise de ambos. Tendo identificado as emoções, os sentimentos e</p><p>os estados de ânimo, a pessoa tem condições de manejá-las em certa</p><p>medida, controlando-as de modo a ajustar as próprias atitudes e ações</p><p>positivamente. Trata-se do autocontrole emocional, que está associado</p><p>ao autorreforço e autoeficácia orientados para metas, por exemplo.</p><p>1</p><p>4</p><p>■ Motivação</p><p>■ Você já deve ter ouvido alguém dizer que as empresas deveriam investir</p><p>mais na motivação de seus funcionários, ou, que os professores deve-</p><p>riam instigar a motivação de seus alunos. Então, será que a motivação</p><p>é algo que só vem de fora para dentro? Ou uma pessoa pode ser capaz</p><p>de produzir motivação em si mesma? Há indícios de que é possível</p><p>gerar uma motivação em si mesmo. É o que parece defender Clement</p><p>et al.</p><p>(2014, p. 46) ao propalarem a expressão: “[..] motivação autôno-</p><p>ma (formas autodeterminadas de motivação extrínseca e motivação</p><p>intrínseca)”. Vale lembrar que a palavra extrínseca se refere ao que é</p><p>externo, de fora, enquanto intrínseca significa inerente, interno, de</p><p>dentro. “A motivação intrínseca se caracteriza pelo interesse e satisfação</p><p>pela atividade em si, ou seja, o envolvimento é livre e voluntário e não</p><p>necessita de recompensas ou punições” (CLEMENT et al., 2014, p. 46).</p><p>Dito em outras palavras, a motivação abrange inclinações, predisposi-</p><p>ções internas que favorecem que objetivos sejam atingidos.</p><p>Portanto, ao analisarmos as correlações entre essas três características, que, para</p><p>Agüera (2008), compõem o substrato das competências pessoais da inteligência</p><p>emocional, podemos inferir que o autoconhecimento, a percepção e o entendi-</p><p>mento das próprias emoções, ânimos e ponderações são qualidades que definem</p><p>as pessoas que possuem a intrínseca inteligência emocional.</p><p>No entanto, é válido lembrar que não é possível</p><p>dominar completamente as emoções, desde o surgi-</p><p>mento até o seu desfecho. Até porque, quando somos</p><p>repentinamente afetados por uma emoção, não con-</p><p>seguimos antever o que pode acontecer, reduzindo</p><p>Você sabia que a palavra autorregulação tem sido muito as-</p><p>sociada com a aprendizagem atualmente? Indicamos ler o ar-</p><p>tigo Atividades de Ensino que desenvolvem a Autorregulação</p><p>da Aprendizagem, publicado em 2018 por Basso e Abrahão.</p><p>Acesse o QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>não é possível</p><p>dominar</p><p>completamente as</p><p>emoções</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>5</p><p>http://www.scielo.br/pdf/edreal/v43n2/2175-6236-edreal-43-02-495.pdf.</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>assim nosso poderio sobre ela. Algumas emoções nos acometem de modo to-</p><p>talmente inesperado (AGÜERA, 2008).</p><p>Por que às vezes nos sentimos surpreendidos por emoções e ficamos sem</p><p>saber como reagir, ou agimos impensadamente em resposta a elas?</p><p>“ O sistema límbico assume o controle antes que a parte do cérebro</p><p>pensante (neocórtex) tenha tomado consciência de nossa emoção</p><p>(sentimento) e tenha elaborado uma decisão. O sistema emocio-</p><p>nal “decide” uma atuação com base nas lembranças e impressões</p><p>guardadas em nossas memórias emocionais, antes que chegue à</p><p>consciência do neocórtex de que emoção se trata e que ação estamos</p><p>tomando (AGÜERA, 2008, p. 97).</p><p>O que é o sistema límbico? Está relacionado às estruturas cerebrais cujas</p><p>bases neurais estão associadas às emoções (ESPERIDIÃO-ANTONIO et al., 2008).</p><p>O que é o neocórtex? São as regiões cerebrais responsáveis pela coordena-</p><p>ção de distintas informações obtidas pelas vias sensitivas e sensoriais do corpo</p><p>humano. Pode-se dizer que é o núcleo do planejamento de ações, abrangendo</p><p>também a organização e administração até das ações desencadeadas pelas</p><p>emoções (RIBAS, 2007).</p><p>APROFUNDANDO</p><p>1</p><p>1</p><p>Por isso, algumas vezes somos precipitados, impulsivos, agimos imponderada-</p><p>mente, porque o comportamento se desdobra antes que dê tempo para a reflexão,</p><p>a análise dos fatos, a ponderação.</p><p>Para exemplificar uma situação em que o comportamento antecede o pensamen-</p><p>to, sugerimos a apreciação da música “Refrão de Bolero”, do grupo Engenheiros do</p><p>Hawaii. Um dos trechos da música é esse:</p><p>Mas eu falei sem pensar</p><p>Coração na mão</p><p>Como um refrão de um bolero</p><p>Eu fui sincero como não se pode ser</p><p>Fonte: <bit.ly/3K9SWxN>. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>Falar sem pensar, ser sincero além do que deveria revela uma situação em que a</p><p>pessoa não refletiu antes de agir, e acabou "metendo os pés pelas mãos".</p><p>Segundo Primi, Bueno e Muniz (2006), o processo decisório, isto é, as to-</p><p>madas de decisão podem ser beneficiadas, incrementadas quando a pessoa de-</p><p>senvolve sua capacidade de gerar sentimentos em si mesma. Assim, a pessoa</p><p>pode avaliar as circunstâncias, treinando a si própria para gerar suas emoções,</p><p>examiná-las sensatamente, senti-las de modo conveniente e manuseá-las positi-</p><p>vamente antes de definir sua escolha.</p><p>Ainda assim, Agüera (2008) defende que</p><p>prontamente podemos controlar a durabilidade da</p><p>emoção, ou seja, pelo menos é possível reger, sem</p><p>demora, o espaço de tempo que a emoção ocupará.</p><p>A capacidade de comedir a extensão da emoção é</p><p>fundamental para que ela não se apodere inteiramente do nosso estado de ânimo</p><p>ou para que ela não perdure mais tempo do que o inevitável. Assim, podemos</p><p>reagir de forma mais apropriada perante os dilemas e percalços da vida.</p><p>Existem pessoas que não conseguem se ajustar adequadamente as suas emo-</p><p>ções, permitindo-se ser o tempo todo sugestionáveis pelo o que sentem. Entre-</p><p>gam-se globalmente às emoções e, assim, correm riscos de paulatinamente serem</p><p>é possível reger, sem</p><p>demora, o espaço</p><p>de tempo que a</p><p>emoção ocupará</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>1</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>desmantelados por elas, ou, minimamente danificados. Inclusive, seus relaciona-</p><p>mentos ficam vulneráveis, prestes a ruir. Esses são mais alguns motivos para que</p><p>tais pessoas procurem psicólogos e/ou médicos (AGÜERA, 2008).</p><p>Quando a motivação está muito baixa, as demais habilidades da inteligência</p><p>emocional podem ser avariadas, abaladas, deixando de ser demonstradas de</p><p>forma propícia (AGÜERA, 2008).</p><p>Antes de avançarmos para a temática das competências sociais, vamos recapitular</p><p>que o conhecimento emocional inclui algumas capacidades, conforme Primi,</p><p>Bueno e Muniz (2006):</p><p>■ identificar as emoções;</p><p>■ indicar as diferenças e gradações entre elas;</p><p>■ compreender sentimentos complexos;</p><p>■ passar de um sentimento para outro.</p><p>Você quer mais orientações para desenvolver suas competências pessoais? Acei-</p><p>tar os próprios erros e procurar o lado positivo das coisas sãos dois conselhos dei-</p><p>xados por Agüera (2008). Veja as demais sugestões deixadas pelo mesmo autor:</p><p>■ Lembre-se que seus erros podem lhe propiciar aprendizado, depois de</p><p>terem sido assimilados por você.</p><p>■ Todos os seres humanos são suscetíveis a errar, e ter a hombridade para</p><p>admitir que um erro foi cometido por você pode, inclusive, elevar o nível</p><p>de confiança nas pessoas que convivem ao seu redor.</p><p>■ Faça o máximo possível para consertar as complicações que seus erros</p><p>causaram.</p><p>■ Focar no lado positivo das coisas pode lhe ajudar a superar os momentos</p><p>mais sofríveis.</p><p>1</p><p>8</p><p>■ Procure ampliar seu campo de visão. Não focalize tanto nos problemas.</p><p>Olhe para os lados, em outras direções. Talvez você descubra oportuni-</p><p>dades em meio às adversidades.</p><p>■ Ter uma atitude positiva pode melhorar o seu entorno e a sua vida como</p><p>um todo!</p><p>COMPETÊNCIAS SOCIAIS</p><p>A maneira pela qual uma pessoa se comporta em âmbito social, isto é, quando</p><p>seus comportamentos são diretamente direcionados a outrem, é influenciada</p><p>por seus pensamentos acerca das interações sociais e pelo seu repertório de</p><p>habilidades sociais. Os pensamentos dela acerca dos contatos sociais incluem</p><p>suas impressões sobre os acontecimentos sociais em que está inserida (PEREIRA;</p><p>DUTRA-THOME; KOLLER, 2016).</p><p>Assim, pode-se afirmar que as competências sociais explicitam a maneira</p><p>pela qual nos relacionamos com as outras pessoas, e são compostas pela empatia</p><p>e pelas habilidades sociais (AGÜERA, 2008):</p><p>UNIASSELVI</p><p>1</p><p>9</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>■ Empatia</p><p>■ É a capacidade de reparar quais são/perceber como são as emoções, os</p><p>sentimentos, as necessidades, as apreensões das outras pessoas. Para</p><p>desenvolver a empatia é essencial saber ouvir e ter capacidade para</p><p>observar outrem atentamente. Então, é possível captar e concatenar os</p><p>indícios verbais e não verbais do estado de ânimo alheio. A empatia é</p><p>imprescindível para formar relacionamentos sociais adequados tanto</p><p>na esfera pessoal (íntima, familiar) quanto na esfera profissional,</p><p>acadêmica (SOMBRA NETO et al., 2017). “É a sensibilidade para</p><p>detectar os sinais externos que mostram o que os outros querem ou</p><p>precisam” (AGÜERA, 2008, p. 97).</p><p>Se você constata que necessita desenvolver-se em termos de empatia, que tal</p><p>iniciar por prestar atenção na vida</p><p>e no cotidiano de seus familiares ou de pessoas</p><p>que são importantes por você? Observe-os. Ouça-os. Mantenha-se concentrado</p><p>no que dizem quando falam com você.</p><p>Entretanto, a empatia não é suficiente para estabelecer relacionamentos inter-</p><p>pessoais saudáveis. Agüera (2008) chama a atenção para o fato de que há pouca</p><p>serventia em ter habilidade refinada de compreender as emoções de outrem,</p><p>se não souber manobrá-las ou usá-las. Por isso, o segundo fator que compõe as</p><p>competências sociais são as habilidades sociais:</p><p>■ Habilidades sociais</p><p>■ Capacidades melindrosas formadas por vários elementos e aspectos</p><p>que permitem ao sujeito a emissão de comportamentos interpessoais</p><p>relativos à expressão adequada de sentimentos (SIMÕES; CASTRO,</p><p>2018). De acordo com Agüera (2008, p. 97), as habilidades sociais</p><p>representam “[...] as capacidades para induzir respostas desejáveis</p><p>nos outros”. Habilidades sociais revelam a capacidade de relacionar-</p><p>se bem com as emoções alheias, coerentemente. Englobam ainda a</p><p>maestria em solucionar conflitos entre pessoas, ter inclinação para</p><p>confiar nos outros e transmitir confiança a eles. Para Carneiro et al.</p><p>4</p><p>1</p><p>(2007), as habilidades sociais abrangem distintos comportamentos</p><p>sociais realizados para lidar apropriadamente com as situações</p><p>interpessoais. Assim, as habilidades sociais parecem estar relacionadas</p><p>à autoconfiança, atitudes/pensamentos positivos acerca das interações</p><p>sociais, disposição para apresentar-se a outrem, facilidade para iniciar</p><p>conversas e sustentá-las, competências para o diálogo, demonstração de</p><p>sentimentos, estratégias de enfrentamento, assertividade e moderação</p><p>de comportamentos coléricos ou aborrecidos.</p><p>Você sabia que pessoas com um repertório enriquecido de</p><p>habilidades sociais tendem a ser mais saudáveis e a desfrutar</p><p>de melhor qualidade de vida quando idosas? Para saber mais</p><p>sobre o assunto, indicamos a leitura do artigo intitulado Quali-</p><p>dade de vida, apoio social e depressão em idosos: relação com</p><p>habilidades sociais, publicado em 2007 por Carneiro et al. Você</p><p>pode acessá-lo no QR code.</p><p>EU INDICO</p><p>Além de maiores indicadores de saúde e de melhor qualidade de vida, pessoas</p><p>com vasto repertório de habilidades sociais costumam estabelecer relações de</p><p>amizade de melhor qualidade (PEREIRA; DUTRA-THOME; KOLLER, 2016).</p><p>As habilidades sociais não interferem apenas em relacionamentos entre ami-</p><p>gos, mas também a outros estilos de relacionamentos: “[...] um repertório bem</p><p>desenvolvido em habilidades sociais pode melhorar as relações interpessoais,</p><p>tendo como consequência melhor bem-estar psicológico” (QUELUZ et al.,</p><p>2018, p. 537).</p><p>As habilidades sociais consideradas como recursos convenientes utiliza-</p><p>dos pelo estudante afetam positivamente no seu próprio desempenho escolar,</p><p>como apontam Fernandes et al. (2018). Pessoas que dispõem de diversificadas</p><p>habilidades sociais ainda são mais propensas a solicitar ajuda quando pre-</p><p>cisam, portanto possuem maiores chances de resolver problemas (PEREIRA;</p><p>DUTRA-THOME; KOLLER, 2016), “[...] além de saber estabelecer boas equipes</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>http://www.scielo.br/pdf/prc/v20n2/a08v20n2.pdf.</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>de colaboradores para enfrentar questões coletivas”</p><p>(AGÜERA, 2008, p. 98). Assim, pode-se afirmar que</p><p>as habilidades sociais possibilitam vantagens no que</p><p>tange o suporte social.</p><p>Queluz et al. (2018) trazem uma informação que</p><p>pode parecer contraditória. Alegam que quanto mais</p><p>desenvolvida for uma pessoa em termos de habilidades sociais, ela tende a usu-</p><p>fruir de maior suporte emocional, bem como de maior autoestima e de melhor</p><p>qualidade da relação. Em contrapartida, pode experimentar sobrecarga, níveis</p><p>mais elevados de estresse além da presença de conflitos.</p><p>as habilidades</p><p>sociais possibilitam</p><p>vantagens no que</p><p>tange o suporte</p><p>social</p><p>Em geral, pessoas ricas em habilidades sociais possuem empatia, portanto se</p><p>importam com os outros e possuem maior propensão a serem sensíveis às emo-</p><p>ções deles. Isso faz com que elas fiquem preocupadas com o bem-estar alheio,</p><p>contribuindo para a elevação do estresse e para a sobrecarga. Talvez você conheça</p><p>alguém que busque resolver os problemas de várias pessoas que o cercam. Isso</p><p>pode gerar alto investimento de tempo e de energia na tentativa de ajudar os</p><p>outros. Agora, vamos pensar na pessoa que não possui um repertório muito rico</p><p>de habilidades sociais. Possivelmente, é uma pessoa que não se implica tanto com</p><p>os problemas alheios, nem se aplica sobremaneira em tentar resolvê-los – por</p><p>isso, menos estressada e menos sobrecarregada.</p><p>E quanto à presença de conflitos? Dispor de variadas habilidades sociais não</p><p>isenta a pessoa de lidar com conflitos. Ela pode ter empatia e facilidades de resol-</p><p>ver impasses que emerjam em seu relacionamento com outras pessoas, mas nem</p><p>sempre as outras pessoas estão dispostas a solucioná-los. Então, hipoteticamente,</p><p>uma pessoa com escasso repertório de habilidades sociais pode simplesmente</p><p>afastar-se das pessoas com quem estabelece conflitos. Fugir dos conflitos não é</p><p>VOCÊ SABE RESPONDER?</p><p>Você pode levantar hipóteses das causas de mais estresse, conflito e sobrecarga</p><p>em pessoas mais hábeis socialmente?</p><p>4</p><p>1</p><p>necessariamente positivo, ou se ela não fugir, tende a não se preocupar muito</p><p>com o fato de que sua opinião diverge da opinião de alguém. Pessoas com mais</p><p>habilidades sociais dificilmente se satisfarão em simplesmente afastar-se de quem</p><p>discorda delas. Há uma tendência ao diálogo e à construção coletiva de novas</p><p>possibilidades de solução. E enquanto o conflito continuar, tendem a ficar pen-</p><p>sando em maneiras de resolver a situação. Elas se importam.</p><p>É válido destacar que mesmo entre duas pessoas que desenvolveram suas</p><p>habilidades sociais, é inevitável o surgimento de conflitos. Conflitos não podem</p><p>ser considerados como algo necessariamente negativo! Barrios (2016) nos lem-</p><p>bra de que os conflitos interpessoais são constitutivos da personalidade, sendo</p><p>assim, relevantes nos processos de socialização, desenvolvimento e educação</p><p>moral desde a infância. Por isso, a escola representa</p><p>um lócus privilegiado para o desencadeamento de</p><p>tais experiências que contribuem para o desenvolvi-</p><p>mento psicológico e social, como indicam as pala-</p><p>vras de Barrios (2016, p. 263, tradução nossa): “[...] a</p><p>perspectiva sociocultural construtivista, que enfatiza a importância dos conflitos</p><p>interpessoais no processo de socialização, desenvolvimento e educação moral</p><p>da criança, além de ver a escola como um contexto central para esses processos”.</p><p>a escola representa</p><p>um lócus</p><p>privilegiado</p><p>Ser paciente, tolerante, flexível, benevolente e tratar as pessoas com respeito são</p><p>ótimas formas de safar-se de conflitos que por vezes são evitáveis e infrutíferos.</p><p>Algo que precisa ficar compreensível, antes que você dê continuidade a sua leitura,</p><p>é que a falta de inteligência emocional pode acarretar diversos dispêndios ou</p><p>malefícios a si mesmo e/ou aos demais. Começando pelo fato de que pessoas que</p><p>necessitam desenvolver sua inteligência emocional com urgência estão fadadas</p><p>a dilacerar suas relações pessoais em qualquer uma das esferas (profissional,</p><p>familiar, social), podendo, ainda, gerar impactos preocupantes na saúde física,</p><p>enquanto protelam em fazer algo para desenvolver sua inteligência emocional</p><p>(AGÜERA, 2008). O autor esclarece que a inteligência intrapessoal pode auxiliar</p><p>tanto na escolha por um parceiro (em qualquer esfera), ou na escolha do</p><p>ambiente de trabalho, quanto no processo de adaptação a eles.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>1</p><p>PRODUZA, SUSCITE MOTIVAÇÃO PARA SI MESMO</p><p>PRECISANDO DE DICAS PARA AGIR DURANTE AS DISCUSSÕES?</p><p>De acordo com Agüera (2008), é ideal, antes de mais nada, acalmar-se. Mesmo</p><p>que seu oponente se mostre irado ou descontrolado, a melhor coisa que você</p><p>pode fazer é mostrar-se pacífico e tranquilo. Não se deixe dominar pelo nervo-</p><p>sismo ou pela raiva. O melhor a fazer é preservar o silêncio até que você e a outra</p><p>pessoa estejam</p><p>calmos. Porém, não aja com desdém, pois isso pode deixar o</p><p>outro ainda mais furioso. Demonstre estar prestando atenção a ele, responda</p><p>breve e serenamente às perguntas que ele fizer. Você até pode demonstrar que</p><p>está descontente, desde que evite o uso de palavras ou ações agressivas das</p><p>quais poderá se arrepender posteriormente. Procure lembrar-se de que a pessoa</p><p>que está perante você supostamente seja muito mais valiosa para você do que</p><p>o ponto de vista que ela está defendendo naquele momento – com o qual você</p><p>não necessita consentir. Se for possível adiar a continuação do diálogo para outro</p><p>dia, quando ambos estiverem mais serenos, é melhor. Enquanto ainda estiverem</p><p>conversando, deixe claro que respeita a opinião que diverge da sua, ainda que</p><p>você não concorde com ela.</p><p>VOCÊ POSSUI DIFICULDADES PARA APRESENTAR SEU PONTO DE VISTA COM</p><p>FIRMEZA?</p><p>Quiçá Agüera (2008) possa auxiliá-lo! Concentre-se em falar sobre seu ponto de</p><p>vista com honestidade e franqueza. Procure enfraquecer os pensamentos que</p><p>lhe fazem sentir com vergonha, com medo ou ridículo, ou inconveniente na hora</p><p>em que expor seus argumentos. Lembre-se de que se você não defender seus in-</p><p>teresses, não existem muitas pessoas por aí que se prontificarão a fazer isso por</p><p>você. Se você sinceramente acreditar estar certo, não tem porque se calar. Quan-</p><p>do sobrevierem os pensamentos de que procurar apresentar seus interesses não</p><p>vai ajudar em nada, lembre-se de que guardá-los para você talvez também não</p><p>ajude. Além do mais, defender sua posição pode ser proveitoso, desde que você</p><p>o faça de modo assertivo. Cuidado com as mentiras! Geralmente elas requerem</p><p>outras mentiras para se manterem! A verdade pode vir à tona e lhe trazer compli-</p><p>cações. O mais adequado é falar a verdade desde o começo. Assim você não corre</p><p>o risco de ser flagrado mentindo e piorar ainda mais as coisas.</p><p>4</p><p>4</p><p>VOCÊ TEM EXCESSO DE FIRMEZA PARA EXPOR A SUA OPINIÃO?</p><p>Ou seja, você se vê instituindo seus pontos de vista, recorrendo à imposição,</p><p>coação, força? Agüera (2008) explica que o foco não deveria ser "vencer" a con-</p><p>versa. Não se trata de uma batalha. É melhor focar em "convencer" seu interlocu-</p><p>tor por meio de argumentos analíticos, até porque impor as coisas forçosamente</p><p>podem fazer com que seu interlocutor vire um inimigo, ao passo que convencer</p><p>de modo argumentativo, tende a tornar o interlocutor seu aliado.</p><p>E QUANDO VOCÊ SE SENTE COAGIDO A ENGOLIR A OPINIÃO DE OUTREM</p><p>FORÇOSAMENTE?</p><p>Agüera (2008) recomenda que você não aceite tal situação silenciosamente. É</p><p>mais adequado você respeitar seus pensamentos e suas emoções e não deixar</p><p>que outras pessoas mandem deliberadamente neles. Se você não tiver outra</p><p>solução, deixe claro que até se dá por vencido, mas que não está persuadido ou</p><p>convencido disso. Apenas se dá por vencido para manter a amizade, por exemplo.</p><p>VOCÊ QUER SABER COMO DEVE TRATAR AS PESSOAS?</p><p>Agüera (2008) aconselha que você trate a todas as pessoas com honra, sendo</p><p>cortês e gentil, ou seja, da melhor forma possível! Se você não se importa muito</p><p>com os outros, faça isso por si mesmo, afinal, ser maravilhoso com os outros lhe</p><p>renderá muitos mais benefícios do que você imagina.</p><p>NOVOS DESAFIOS</p><p>Chegamos ao fim deste Tema de Aprendizagem!</p><p>Embora sabemos que algumas pessoas são emocionalmente mais inteligentes</p><p>que outras, como podemos saber se existem níveis ou graus de inteligência emo-</p><p>cional? Você está curioso para saber como se mede a inteligência emocional? É</p><p>possível medir o quanto uma pessoa está desenvolvida em termos de inteligência</p><p>emocional? Reflita sobre esses assuntos para aprofundar seus conhecimentos</p><p>sobre inteligência emocional.</p><p>UNIASSELVI</p><p>4</p><p>5</p><p>VAMOS PRATICAR</p><p>1. De acordo com Moraes, Hasselmann e Reichenheim (2002, p. 165), "[...] a violência entre</p><p>casais é uma das principais formas de violência familiar em nosso meio". Sendo assim,</p><p>vamos supor que um homem lhe procure para desabafar sobre as várias situações de</p><p>violência verbal que ele tem vivenciado com sua esposa – a qual ele descreve como</p><p>"descontrolada" nos últimos meses. Quando ele lhe pedisse conselhos sobre o que fazer</p><p>nos momentos de discussão conjugal, o que você lhe responderia?</p><p>2. Ao longo do tópico, apareceram duas palavras que não são muito faladas no dia a dia:</p><p>"resiliente" e "assertividade". Pesquise o significado de ambas em dicionários ou na</p><p>internet e transcreva-os a seguir, com suas palavras, citando exemplos.</p><p>3. O que são habilidades sociais?</p><p>4</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AGÜERA, L. G. Além da inteligência emocional. As cinco dimensões da mente. São Paulo.</p><p>Cenage Learning, 2009.</p><p>BARRIOS, A. Concepciones de conflictos interpersonales y desarrollo moral en la educación in-</p><p>fantil brasileña. Rev. psicol., Lima, v. 34, n. 2, p. 261-291, jul. 2016. Disponível em: http://pepsic.bv-</p><p>salud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0254-92472016000200003&lng=pt&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>BENDASSOLLI, P. F. et al. Desempenho, autorregulação e competências de empreen-</p><p>dedores de indústrias criativas brasileiras. Psic. Teor. e Pesq., Brasília,DF,v. 32, n. spe,</p><p>e32ne221, 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-37722016000500220&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>BUENO, J. M. H. et al. Inteligência emocional em estudantes universitários. Psic. Teor. e</p><p>Pesq., Brasília,DF, v. 22, n. 3, p. 305-316, dez. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/</p><p>scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722006000300007&lng=pt&nrm=iso. Acesso</p><p>em: 8 jan. 2019.</p><p>BUENO, J. M. H.; PRIMI, R. Inteligência emocional: um estudo de validade sobre a ca-</p><p>pacidade de perceber emoções. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 279-</p><p>291, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-79722003000200008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 8 jan. 2019.</p><p>CARNEIRO, R. S. et al. Qualidade de vida, apoio social e depressão em idosos: rela-</p><p>ção com habilidades sociais. Psicol. Re��x. Crit., Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 229-</p><p>237, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-</p><p>d=S0102-79722007000200008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 16 jan. 2019.</p><p>CLEMENT, L. et al. Motivação autônoma de estudantes de física: evidências de validade de uma</p><p>escala. Psicol. Esc. Educ., Maringá, v. 18, n. 1, p. 45-55, jun. 2014. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572014000100005&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>CUNHA, J. L. da. Aprendizagem histórica: narrativas autobiográficas como dispositivos de</p><p>formação. Educ. rev., Curitiba, n. 60, p. 93-105, jun. 2016. Disponível em: http://www.scie-</p><p>lo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-40602016000200093&lng=pt&nrm=iso.</p><p>Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>DANTAS, M. A.; NORONHA, A. P. P. Inteligência emocional: validade discriminante entre MSCEIT</p><p>e 16 PF. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 16, n. 33, p. 59-70, abr. 2006. Disponível em: http://www.</p><p>scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-863X2006000100009&lng=en&nrm=i-</p><p>so. Acesso em: 9 jan. 2019.</p><p>ENGELMANN, A. A teoria das duas consciências: comentários. Paidéia, Ribeirão Preto, v. 12,</p><p>n. 22, p. 107-109, 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-</p><p>t&pid=S0103-863X2002000100012&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>4</p><p>1</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ESPERIDIÃO-ANTONIO, V. et al. Neurobiologia das emoções. Rev. psiquiatr. Clín., São Paulo,</p><p>v. 35, n. 2, p. 55-65, 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttex-</p><p>t&pid=S0101-60832008000200003&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>FERNANDES, L. M. de. et al. Preditores do desempenho escolar ao final do ensino fundamen-</p><p>tal: histórico de reprovação, habilidades sociais e apoio social. Temas psicol., Ribeirão Preto,</p><p>v. 26, n. 1, p. 215-228, mar. 2018. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?scrip-</p><p>t=sci_arttext&pid=S1413-389X2018000100009&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 14 jan. 2019.</p><p>FERREIRA, M. et al. Competências</p>

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