Prévia do material em texto
<p>Resumo da Unidade de Estudo</p><p>A perspectiva ética e seus teóricos</p><p>Objetivos:</p><p>Apreender a teoria ética dos respectivos pensadores propostos;Compreender a per-</p><p>cepção de mundo de cada um deles em função do agir humano em relação à estrutura</p><p>social, cultural e politica;Compreender como eles elaboram sua perspectiva do agir ético</p><p>interligando a fundamentos conceituais.</p><p>Resumo da unidade:</p><p>A partir do entendimento da teoria ética é possível pensar a ação humana em sociedade</p><p>no sentido de expor um direcionamento para a conduta dos indivíduos, visando que os</p><p>mesmos possam estabelecer relações pautadas numa dimensão de justiça e alteridade.</p><p>Mediante a isso, os pensadores da ética buscam apresentar uma proposta reflexiva e</p><p>crítica atrelada a um referencial teórico que possa responder aos dilemas e problemáticas</p><p>da esfera existencial e social que se encontram os seres humanos.</p><p>É essencial que possamos dialogar com cada vertente, buscando entender como o referi-</p><p>do pensador, compreende o sentido da ação humana em sociedade, e quais os funda-</p><p>mentos apresentados para sustentar esse agir perante os dilemas postos pela dimensão</p><p>política, religiosa e sociocultural que está intimamente ligada ao seu desenvolvimento en-</p><p>quanto indivíduo singular. Assim sendo, a perspectiva do que seja correto ao agir humano</p><p>se torna o ponto central de cada teoria ética que considera uma ampla análise sistemática</p><p>e apreensão dos conceitos, visando instituir uma reflexão que possa favorecer a condição</p><p>humana.</p><p>Entre as várias vertentes, dialogaremos com três teóricos que nos apresentam uma visão</p><p>sobre a ética em relação ao agir humano. São eles: Platão, Agostinho e Weber. Cada um,</p><p>a partir de uma perspectiva teórica, refletirá sobre a realidade de seu tempo; os dilemas</p><p>sociais e religiosos e buscam compreender tais instâncias relacionando com o agir hu-</p><p>mano e todo problema que possa se estabelecer perante o convívio dos mesmos, isto é,</p><p>a violência, a injustiça, as desigualdades, entre outros.</p><p>O resultado disso é um referencial teórico que interpreta as condições do agir humano em</p><p>suas bases fundamentais, nos apresentando um retrato da vivência dos indivíduos e dos</p><p>desafios que os mesmos buscam superar. A finalidade é pensar o que se constitui como</p><p>correto tanto a partir de uma crítica social, como também, a partir de uma reflexão sobre os</p><p>fundamentos da existência humana. Assim sendo, começando por Platão; esse apresenta</p><p>uma ética fundamentada numa concepção de Bem-Uno onde a verdade é alcançada pelo</p><p>exercício dialético onde os indivíduos têm acesso ao real, isto é, as verdades primeiras</p><p>que podem fundamentar as instâncias ilusórias desse mundo. Essas verdades estão no</p><p>que o mesmo denomina de eidos ou mundo das ideias.</p><p>É com Platão que o discurso sobre a ética se amplia numa perspectiva de situar o indivíduo</p><p>perante uma dimensão de arché (origem ou princípio) que possibilita entender a verdade</p><p>que se encontra para além dessa realidade concreta. Disso surge a percepção de que</p><p>toda a realidade é uma ilusão ou cópias de uma verdade que se encontra nesse mundo</p><p>perfeito em que se tem acesso pelo exercício dialético da razão. Ora, acessar esse mundo</p><p>significa compreender os referenciais do agir justo. Por isso, o filósofo poderia governar a</p><p>república, pois, contempla essas ideias perfeitas. Nisso, a intrínseca relação da ética com</p><p>a dimensão politica.</p><p>Portanto, Platão visa oferecer uma síntese de todo o pensamento constituído anterior a</p><p>Ele. Seu referencial teórico produz um grande contributo para o pensamento humano des-</p><p>de sua profundidade, como também, pela forma pedagógica que Ele encontra, utilizando</p><p>os mitos para explicar algo que poderia parecer confuso ao entendimento humano. Essa</p><p>forma de pensar interessou a Aristóteles que amplia esse horizonte apontando alguns</p><p>pontos fortes, como também, alguns pontos frágeis dessa estrutura teórica. Todavia, esse</p><p>pensamento teve um interesse particular na pessoa de santo Agostinho que visando fun-</p><p>damentar sua perspectiva cristã sobre a ética; entendia que a reflexão platônica sobre o</p><p>Uno e o Bem estaria em consonância com a ideia de Uno enquanto Deus que se torna a</p><p>verdade real de todas as coisas e o fundamento de tudo que há, haja vista, esse Uno ser</p><p>o arquiteto do mundo.</p><p>A perspectiva ética de Agostinho enfrenta teoricamente o problema do mal. Esse parece</p><p>ser a grande questão ao pensamento agostiniano devido entender as ações humanas que</p><p>trazem sofrimento e rompem com a justiça, a solidariedade e o acolhimento do outro. Ele-</p><p>mentos como corrupção, paixões, ganância e desejo de poder ronda a atmosfera teórica</p><p>de sua reflexão e se encaixam na natureza humana que por ser livre faz escolhas determi-</p><p>nada por essa força dos sentidos que lhe impele. Nessa direção ele pensará a cidade de</p><p>Deus e cidade dos homens. Uma governada pelo amor e a outra pelos sentidos e o desejo</p><p>de poder. Todavia, ocorre que os elementos da cidade de Deus deveriam prevalecer sobre</p><p>a cidade dos homens e para isso ele apresenta como elemento central a experiência do</p><p>homem com a verdade que é Deus.</p><p>Agostinho, influenciado por Platão, segue uma linha de raciocínio muito parecida, porém</p><p>entende que o demiurgo ou esse criador e arquiteto de todas as coisas é Deus. Em Platão,</p><p>o filósofo que contempla as ideias perfeitas pode governar porque reconhece os princípios</p><p>de justiça e do belo. Em Agostinho, da mesma forma, ou seja, o homem que faz a exper-</p><p>iência com a verdade que é Deus age e governa a partir dessa experiência. Mediante essa</p><p>experiência, fundamenta seu agir perante o outro, sempre buscando esse bem comum. O</p><p>grande problema, na visão de Agostinho, é a separação do homem com esse princípio.</p><p>Claramente, o homem se distancia da verdade e quanto mais o faz se torna refém dos</p><p>sentidos, isto é, das paixões, dos vícios, do pecado e da ganância.</p><p>Partindo dessa análise, Agostinho entende que a ação desse homem distante da verdade</p><p>não representa um bem, ao contrário, representa atos egoístas que desestruturam a so-</p><p>ciedade, instituindo o conflito e o império da liberdade que se desvia do correto. Dessa for-</p><p>ma, o mal é uma opção dos homens e nada tem a ver com Deus. O agir segue a orientação</p><p>dos instintos de poder e não a dimensão da verdade. Assim sendo, a ética agostiniana</p><p>deve pensar a problemática da liberdade e da determinação. Essas duas problemáticas</p><p>se tornam um desafio a sua reflexão e para a busca de fundamentos de sua perspectiva</p><p>ética.</p><p>A partir dessa forma de perceber o mundo, adentramos na perspectiva de Weber, que</p><p>pensará as bases do comportamento social dos indivíduos em relação à ideia de pros-</p><p>peridade e acúmulo de riqueza. Ou seja, qual tipo de conduta pode ser originada no seio</p><p>dessa cultura e, como a mesma, nos revela o capitalismo que tanto influencia no agir</p><p>humano; determinando seu comportamento perante a obtenção de objetos e a forma de</p><p>obter esses recursos que desencadeará uma reflexão sobre o sentido do trabalho para a</p><p>vida humana.</p><p>Weber irá partir da análise de uma vivência religiosa e seus princípios para entender um</p><p>fato importante na sociedade de sua época que era o surgimento de uma forma de capi-</p><p>talismo que anunciava transformações sociais pertinentes para o corpo social. Ora, Weber</p><p>se interessa em compreender os hábitos e valores que a natureza desse comportamento</p><p>teria tanto para a dimensão econômica como para a dimensão das relações sociais e dos</p><p>mecanismos de dominação. Com isso, quando visa compreender o comportamento, já se</p><p>direciona a entender os valores que serão instituídos com correto e como esses valores</p><p>irão reconfigurar o convívio social.</p><p>Portanto, as teorias éticas, em especial desses três pensadores, nos fornece uma base</p><p>fundamental para podermos entender o contexto</p><p>em que estamos inseridos. Isso é rele-</p><p>vante para podermos de forma autônoma apreender a realidade de forma crítica e partic-</p><p>ipativa em seus processos de transformações.</p><p>Guia de estudo:</p><p>A:</p><p>Identifique os elementos essenciais que relaciona à ética em Platão a vida política. No</p><p>mesmo ensejo, entender qual a importância do mito da caverna para a estrutura reflexiva</p><p>proposta por Platão.</p><p>B:</p><p>Em sua leitura busque compreender o sentido da liberdade humana relacionando-a ao</p><p>problema do mal. Ao mesmo tempo, identifique as causas que propiciam para que o mal</p><p>seja uma ação presente na vida social. A ideia central é entender o que orienta o homem,</p><p>a verdade e o que orienta a corrupção, isto é, ao mal.</p><p>C:</p><p>Atentar-se para a ideia de política como vocação, buscando entender a importância dessa</p><p>percepção para a vida social e para a dimensão da responsabilidade. Em sua leitura perce-</p><p>ba as definições que Weber atribui para a ética protestante e sua relação com a esfera</p><p>econômica.</p>