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INTRODUÇÃO GERAL À 
FILOSOFIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Robson Stigar 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, vamos conhecer as áreas da filosofia que abordam questões 
que se referem à prática humana e a forma como essa afeta o mundo. Em 
especial, vamos abordar os objetos de investigação da ética, estética, filosofia 
política e filosofia da mente. 
TEMA 1 – SOBRE AS ÁREAS DA INVESTIGAÇÃO FILOSÓFICA LIGADAS AO 
MUNDO DA PRÁTICA 
Como vimos em aulas anteriores, a filosofia é uma área do conhecimento 
investigativa, que busca refletir sobre a realidade por meio de uma análise 
radical, rigorosa e sistemática. Dentre os objetos de análise da filosofia, 
encontram-se os elementos que se relacionam com a vida prática, ou seja, com 
a forma como os sujeitos significam, atribuem valor, se comportam e convivem 
socialmente. 
Tal abordagem da filosofia, entretanto, não pode ser compreendida sem 
a intrínseca correlação com as teorias que fundamentam a visão de mundo dos 
pensadores. Dessa forma, o estudo das áreas relacionadas ao mundo da prática 
pressupõe uma concepção acerca do ser humano, sua função e relação com o 
mundo. 
Essas áreas do conhecimento se desenvolvem a partir de um 
posicionamento não apenas teórico, mas que incluem em si a prática. A relação 
desses promove o desenvolvimento de uma compressão da realidade 
denominada de práxis. Segundo Japiassú e Marcondes (2006, p. 224): 
A palavra grega práxis é usada para designar uma relação dialética 
entre o homem e a natureza, na qual o homem, ao transformar a 
natureza, transforma-se a si mesmo. A filosofia da práxis se caracteriza 
por considerar como problemas centrais para o homem os problemas 
práticos da de sua existência concreta: toda vida social é 
essencialmente prática. Todos os mistérios que dirigem a teoria para o 
misticismo encontram sua solução na práxis humana e na 
compreensão dessa práxis. 
Dessa forma, a abordagem filosófica fundamentada na perspectiva da 
práxis deve ser compreendida como uma análise do contexto real, no qual os 
sujeitos desenvolvem suas relações de modo intencional, dirigidos a 
determinado objetivo. Como afirma Noronha (2005, p. 88), a práxis é “constituída 
de elementos subjetivos como a produção e a interpretação das percepções e 
 
 
3 
emoções, a educação dos sentidos [...] a estruturação de valores, as operações 
mentais e demais formas de respostas dadas à realidade”. 
Assim, a práxis e a filosofia relacionada ao mundo da prática se organizam 
a partir de algumas categorias, como: 
transformação do meio natural em que vive o homem (conquista e 
humanização da natureza, modificação, supressão e criação de 
objetos, transformação das condições naturais da vida humana); 
criação de distintas formas e instituições da vida humana – das 
interações, comunicação mútua e trabalho cooperativo e associativo. 
(Noronha, 2005, p. 89) 
Nessa aula, em especial, vamos compreender como essa abordagem nos 
ajuda a compreender a estruturação de valores e o comportamento humano, a 
atribuição do valor de belo e sua fruição, a forma de organização social e seus 
impactos na vida humana, além dos fenômenos psicológicos e dos estudos 
sobre a mente. 
TEMA 2 – ÉTICA 
A palavra ética vem do adjetivo grego ethiké, que indica a qualidade 
daquele que vive segundo a sabedoria prática, a partir da qual a pessoa 
estabelece seus valores, faz suas escolhas e pauta seus comportamentos. Sob 
essa ótica, a ética, enquanto disciplina filosófica, versa sobre o comportamento 
humano, seus fundamentos, de que forma ele deveria ser e sobre os impactos 
do ser humano na vida e na sociedade. 
A palavra ética também deriva do substantivo ethos, que pode ser escrito 
de duas formas em grego:  ou  que indicam duas realidades 
distintas, porém correlatas: 
• o termo  se refere a um conjunto de normas e regras estruturadas 
por um grupo social que o ser humano precisa incluir em sua prática 
comportamental; e 
• o termo  se refere à reflexão e a vivência coerente das normas e 
regras, estruturada pelo grupo social em que ele vive. 
A primeira grafia do termo ethos que indica o conjunto de normas e regras 
era utilizada na antiguidade para indicar moradia, ou seja, o espaço no qual o 
ser humano estabelece suas primeiras relações sociais e no qual aprende as 
primeiras noções de certo e errado, estruturando, assim, seu conjunto valorativo. 
 
 
4 
Aqui, encontramos um dos campos de reflexão da ética enquanto disciplina 
filosófica: a moral. Segundo Vaz (1999, p. 33), “tal compreensão relaciona-se 
com a moral, que do latim mores, é denominada como o conjunto dos costumes 
e normas que são engendrados socialmente e que regem a vida das pessoas 
que pertencem à sociedade que os criou”. 
A segunda grafia do termo ethos designa diretamente a práxis do ser 
humano frente ao mundo. A partir da reflexão autônoma sobre os valores do 
grupo social do qual pertence, a pessoa estrutura a sua ação e sua conduta. 
Entretanto, não podemos entender tal postura a partir da premissa do 
relativismo, pois o comportamento aqui indicado deve ser coerente e constante, 
não podem ser alterados conforme as ocasiões. Dessa forma, compreendemos 
que a ética, enquanto disciplina filosófica, tem como missão refletir os valores 
das diferentes sociedades e tempos históricos, buscando analisar quais são 
coerentes à visão de mundo do povo. 
Nesse contexto reflexivo, compreendemos que a moral se relaciona à 
norma ou regra que rege o comportamento, e que a ética é a reflexão sobre a 
aplicabilidade dessa. Como afirma Cortina e Martínez (2005, p. 25): 
As teorias éticas, diferentemente das morais concretas, não buscam 
de modo imediato responder a perguntas como: o que devemos fazer? 
ou de que modo deveria organizar-se uma boa sociedade? e sim a 
estas outras: por que existe a moral? quais motivos – se é que existem 
- justificam que continuemos a utilizar alguma concepção moral 
concreta para orientar nossas vidas? quais motivos – se é que existem 
– avalizam a escolha de uma determinada concepção moral diante de 
outras concepções? [...] Cada teoria ética oferece uma determinada 
visão do fenômeno da moralidade e o analisa a partir de uma 
perspectiva diferente. 
Durante a história, a reflexão da ética esteve diretamente relacionada às 
concepções e paradigmas filosóficos de cada tempo, as quais destacamos a 
seguir. 
Quadro 1 – concepções e paradigmas filosóficos em cada época 
Antiguidade A reflexão ética esteve baseada na de virtude, que “é 
uma qualidade positiva do indivíduo que faz com que 
esse aja de forma a fazer o bem para si e para os 
outros” (Japiassú; Marcondes, 2006, p. 278) 
Idade Média A reflexão ética relacionou-se profundamente com a 
visão teocêntrica. Dessa forma, os valores de bem e 
mal derivavam dos aspectos relacionados à fé. “De 
 
 
5 
acordo com essa perspectiva, os valores são 
transcendentes porque resulta, de doação divina, o 
que determina a identificação do sujeito moral ao ser 
temente a Deus” (Aranha; Martins, 2009, p. 252). 
Modernidade Com a transição do teocentrismo para o humanismo, 
e posteriormente para o antropocentrismo, a reflexão 
sobre a ética passa a ter um caráter secularizado. 
Este caráter valoriza demasiadamente a autonomia 
da razão, por meio da qual o sujeito faz suas 
escolhas éticas. 
Contemporaneidade Há uma potencialização da reflexão ética a partir das 
premissas seculares. Em especial, destacamos a 
importância das perspectivas genealógicas que 
buscaram compreender a estruturação de valores a 
partir da história ocidental, e também dos aspectos 
culturais. Nesse período, as reflexões éticas que 
consideram o ser humano como um ser histórico, e, 
enquanto tal, como impactado e impactante pela 
sociedade. Dessa forma, concepções materialistas e 
existencialistas versam sobre a ação humana. De 
outro, tendo em vista a necessidadede possibilitar a 
reflexão e interação entre os indivíduos dos 
diferentes grupos culturais e sociais, surge a ética do 
discurso, que visa possibilitar a elaboração de 
princípios comuns, para uma vivência harmônica na 
sociedade. 
Esses modelos teóricos estão diretamente relacionados aos aspectos 
epistemológicos que estudamos na aula anterior. Assim, cada um dos 
pensadores, a partir de suas teorias, mas seguindo os modelos teóricos do 
tempo, ou contribuindo para a mudança desses, elaboraram análises sobre o 
comportamento humano. Dentre essas destacamos a seguir. 
Quadro 2 – análises de autores sobre o comportamento humano. 
Platão (IV a.C.) Afirma que a sabedoria ou o vício identificam-se com 
a ignorância. Assim, a virtude está relacionada com 
o alcance do conhecimento do bem. “Alcançar o bem 
relaciona-se com a capacidade de compreender 
bem. Distinguindo a sociedade em três classes”, das 
quais apenas uma era destinada a atingir o nível 
mais alto de conhecimento: os filósofos. “A esses se 
 
 
6 
dava a capacidade de exercer as virtudes” (Aranha; 
Martins, 2009, p. 249). 
Aristóteles (IV a.C.) Fundamentado na percepção de que a essência das 
coisas se encontra nelas mesmas, e que tudo tente 
para um fim, Aristóteles analisou o que para o ser 
humano era o fim último. “Examinando todos os bens 
desejáveis, tais como os prazeres, a riqueza, a 
honra, a fama, observa que eles visam sempre a 
outra coisa e não são fruídos por si mesmos. 
Pergunta-se então, pelo sumo bem, aquele que em 
si mesmo é um fim, e não um meio para o que quer 
que seja. E o encontra no conceito da ‘boa vida’, de 
‘vida feliz’”. Essa é encontrada por meio da vivência 
da virtude, que se constitui “a permanente disposição 
de caráter para querer o bem, o que supõe a 
coragem de assumir os valores escolhidos e 
enfrentar os obstáculos que dificultam a ação”. Para 
Aristóteles, a “vida moral não se resume só ao ato 
moral, mas é a repetição do agir moral. Em outras 
palavras, o agir virtuoso não é ocasional e fortuito, 
mas um hábito, fundado na capacidade de 
perseverar no bem” (Aranha; Martins, 2009, p. 250). 
Immanuel Kant 
(1724-1804) 
Em sua obra Crítica da Razão Prática, Kant versa 
sobre o tema do que pode ser feito, ou seja, quais os 
parâmetros para o agir moral. Kant parte do princípio 
que “tudo na natureza age segundo leis, apenas o 
ser humano age segundo princípios, o que exige dele 
a capacidade de escolha: portanto só ele tem 
vontade. E como para agir racionalmente precisa de 
princípios, a vontade é a razão prática, o instrumento 
para compreender o mundo dos costumes e orientar 
o indivíduo na sua ação”. Para isso, o autor salienta 
a necessidade da existência de um imperativo, um 
mandamento de origem racional a partir da qual o ser 
humano baseasse todas as suas ações. Para isso, 
elabora um imperativo categórico, que “visa a uma 
ação como necessária em si mesma, ou seja, uma 
ação boa em si, e não por ter como objetivo outra 
coisa”. Dessa forma estabelece como imperativo: 
“age apenas segundo uma máxima tal que possas ao 
mesmo tempo querer que ela se torne lei universal” 
(Aranha; Martins, 2009, p. 253-254). 
 
 
7 
Friedrich Nietzsche 
(1844-1900) 
Como vimos em nossa segunda aula, Nietzsche 
realiza, a partir da Genealogia da Moral, uma 
transvaloração dos valores, mostrando que os 
conceitos de bem e mal, bom e ruim, foram 
construídos socialmente a partir de forças sociais 
ideológicas múltiplas. Para tanto, ele apresenta a 
necessidade de que a reflexão da moral 
considerasse esses aspectos, tornando-se dessa 
forma perspectivista. Não havendo, assim, valores 
absoltos, mas inseridos em um tempo, um espaço e 
um jogo de forças. 
Martin Heidegger 
(1889-1976) 
Pertencente a corrente fenomenológica, Heidegger 
busca analisar o ser humano inserido na história, um 
‘ser-aí’, que não se constitui uma “consciência 
separada do mundo, mas está numa situação dada, 
toma conhecimento do mundo que ele próprio não 
criou e ao qual se acha submetido em um primeiro 
instante”. Esse mundo é a herança biológica, cultural 
e temporal. Sob esta ótica, e entendendo que a 
autonomia é o princípio da ação, Heidegger afirma 
que o comportamento humano deve ser autêntico, ou 
seja, deve projetar-se “no tempo, sempre em direção 
ao futuro. A existência é o lançar-se contínuo às 
possibilidades sempre renovadas” (Aranha; Martins, 
2009, p. 259). 
Jürgen Habermas 
(1929) 
Afirma que no contexto da vivência ética, em um 
mundo secular e perspectiva, a ética deve pautar-se 
no diálogo em busca de consensos valorativos. 
Pauta-se na concepção de razão comunicativa, na 
qual a interrelação entre os sujeitos é mediada pelo 
discurso, de caráter processual. “É construída a partir 
da relação entre os sujeitos, como seres capazes de 
posicionarem-se criticamente diante das normas. No 
entanto, a validade das normas não deriva de uma 
razão abstrata e universal, nem depende da 
subjetividade narcísica de cada um, mas do 
consenso encontrado a partir do grupo, do conjunto 
dos indivíduos” (Aranha; Martins, 2009, p. 261). 
Podemos perceber que a ética, enquanto disciplina filosófica, possui 
pressupostos epistemológicos na análise das ações humanas. 
 
 
 
8 
TEMA 3 – ESTÉTICA 
A palavra estética vem do grego aisthetikós, que se refere ao ato de 
perceber ou de sentir, indicando que essa disciplina filosófica se relaciona ao 
processo de fruição, ou seja, de uma percepção da realidade que impacta a 
pessoa, despertando nela sentimento de regozijo ou ainda de repulsa. O objeto 
de estudo da estética não se refere somente às percepções da pessoa, ou ainda 
à análise das realidades atribuindo às mesmas valores, mas à análise de como 
essas percepções podem ser estudadas e nelas encontradas uma lógica de 
organização. 
Apesar do estudo da estética estar presente desde a antiguidade, ela foi 
estruturada como disciplina filosófica no século XVIII pelo filósofo alemão 
Alexander Baumgarten. Esse filósofo concebia a estética como uma ciência com 
objeto e método próprio, pois ela relaciona a sensação, a percepção e o 
sentimento à análise racional. Dessa forma, para o autor, a estética dirige a 
faculdade do conhecimento para a sensibilidade humana. 
As duas categorias fundamentais por meio das quais a estética 
desenvolve suas análises são: 
• o belo, em que é “tudo aquilo que, como tal, suscita um prazer 
desinteressado (uma emoção estética) produzido pela contemplação e 
pela admiração de um objeto ou de um ser” (Japiassú; Marcondes, 2006, 
p. 28); e 
• o feio, em que, de forma objetiva, é compreendido como a realidade na 
qual há ausência do belo. 
Entretanto, considerando que a tal noção reside totalmente no campo da 
subjetividade, da experiência individual, o conceito de feio também é relacionado 
com os aspectos de representação. Uma obra humana que visa a imitação ou o 
retrato da realidade se considerada como feia à medida que distorce o que 
representa. 
Sob essa ótica, outra categoria da estética surge: o gosto. Esse não deve 
ser entendido apenas a partir de uma perspectiva subjetiva e intimista, mas sim 
como algo que é construído socialmente, e ao qual a pessoa adere, tendo em 
vista sua visão de mundo. Assim, não existe bom gosto, ou mal gosto, existem 
padrões de gosto. 
 
 
9 
No que se refere ao estudo da estética, enquanto disciplina filosófica, três 
autores se destacam. 
Quadro 3 – reflexões sobre a estética 
Immanuel Kant (1724-
1804) 
“Para Kant, a estética transcendental é a ciência de 
todos os princípios da sensibilidade a priori. Se a 
estética deve ser uma ciência, não pode ser uma 
ciência do belo, apenas uma crítica do gosto. Ela é 
uma teoria dos princípios da sensibilidade, teoria 
esta que se insere no conjunto da teoria do 
conhecimento [...] a estética intervém no projeto de 
uma crítica do juízo para definiro juízo do gosto 
pelo qual o sujeito pode distinguir o belo na 
natureza e no espírito: o juízo do gosto não é um 
juízo do conhecimento; por conseguinte, não é 
lógico, mas estético, seu princípio determinante só 
pode ser subjetivo” (Japiassú; Marcondes, 2006, p. 
95). 
Georg Wilhelm 
Friedrich Hegel (1770-
1831) 
Desenvolve sua análise sobre a estética a partir da 
perspectiva da obra de arte. Para Hegel, “a arte não 
é outra coisa, senão o mais subjetivo 
desenvolvimento do espírito a partir do real; suas 
formas históricas representam, cada uma a seu 
modo, momentos desse desenvolvimento. Assim, a 
arte [...] é relacionada a determinada civilização”. 
Hegel compreende a arte inserida em um processo 
histórico de evolução, tornando-se cada vez mais 
aperfeiçoada, sendo a arte romântica o ápice “na 
qual o infinito da intuição dissolve a cada instante 
as formas fixas” (Japiassú; Marcondes, 2006, p. 
95). 
Theodor Adorno (1903-
1969) 
Elaborou a teoria Industria Cultural e cultura de 
massa, na qual os bens culturais e artísticos, como 
também os padrões de gostos, são elaborados e 
estruturados a partir da lógica capitalista de 
consumo, tornando-os produtos de consumo e 
mercadorias. Para o autor, a arte “massificou-se 
para o consumo rápido no mercado da moda e nos 
meios de comunicação de massa, transformando-
se em propaganda e publicidade”. Adorno afirma 
que “sob os efeitos da massificação da indústria e 
consumo culturais, as artes perdem três de suas 
 
 
10 
principais características: de expressivas, 
tornarem-se reprodutivas e repetitivas; de trabalho 
de criação, tornarem-se eventos de consumo; de 
experimentação do novo, tornarem-se consagração 
do consagrado pela moda e pelo consumo” Assim, 
pode-se afirmar que “a indústria cultural vendo 
cultura, não a recria” (Chauí, 1999, p. 329-330). 
Sob essa ótica, a estética não pode ser concebida apenas como uma 
disciplina filosófica ligada à apreciação e análise do belo, mas como crítica da 
forma como a beleza e a arte são utilizadas pela sociedade como forma de 
manipulação. 
TEMA 4 – FILOSOFIA POLÍTICA 
A filosofia política é a disciplina filosófica que buscar compreender, 
analisar e teorizar acerca do fenômeno político. Entretanto, tal intento não pode 
ser dissociado dos fenômenos sociais aos quais a política faz parte. Assim, a 
filosofia política constituiu-se, até o século XIX, com o surgimento da sociologia, 
a área do conhecimento que versava sobre os aspectos de organização, 
constituição e convivência social. 
Porém, para justificar essa concepção de filosofia política, é necessário 
retomarmos o conceito de política. Esse termo tem sua origem no grego politeia, 
que indica aquilo que é realizado na cidade, que no grego polis é concebida 
como o espaço de organização social no qual a pessoa tem sua participação nas 
decisões relacionadas à vida pública. Sob essa ótica é que a política pode ser 
compreendida como a arte de compatibilizar interesses individuais em busca do 
bem comum. Isso difere da postura de compatibilizar interesses de apenas um 
grupo de indivíduos, ação essa que Aranha e Martins (2009, p. 267) consideram 
como “politicagem, falsa política em que predominam os interesses particulares 
sobre os coletivos”. 
Esse conceito de política, originário na Grécia, vai recebendo outros 
contornos ao longo da história. A partir da modernidade, a compreensão da 
política passa a estar diretamente relacionado com o conceito de poder. 
Entendido como a capacidade de fazer algo, no contexto das relações humanas, 
o poder é o que dá ao sujeito a legitimidade para realizar ações e para tomar 
decisões. No contexto da organização social, essas decisões têm impactos não 
 
 
11 
apenas na vida das pessoas, mas em todo o ambiente que as cerca. Segundo 
Bobbio (2007), existem três formas pelas quais o poder se manifesta: econômico, 
ideológico e político, sendo esse último o mais eficaz: 
O poder político é [...] o sumo poder, isto é o poder cuja posse distingue 
em toda sociedade o grupo dominante. De fato, o poder coativo [que 
coage] é aquele de que todo o grupo social necessita para defender-
se de ataques externos ou para impedir a própria desagregação interna 
(p. 83). 
Compreendendo esses aspectos, vamos conhecer as principais teorias 
filosóficas, desenvolvidas ao longo da história, que versam sobre a política. 
Quadro 4 – teorias sobre a política 
Platão (IV a.C.) Defende uma organização social aristocrática, na 
qual os governantes possuíam uma natureza 
superior, voltada para a racionalidade e para o 
desenvolvimento da justiça. 
Aristóteles (IV a.C.) Compreende o ser humano como um animal político, 
ou seja, como aquele que naturalmente tende ao 
processo de inter-relação. Entendendo que a política 
é a continuidade da ação ética, o autor defende que 
a democracia é o melhor tipo de governo, pois nele 
todos os cidadãos realizavam sua natureza. 
Nicolau Maquiavel 
(1469-1527) 
Compreende que a política tem como principal 
objetivo a manutenção do poder do Estado, seja ele 
de qual natureza for. Destaca também que existe 
uma discrepância entre o ideal e o real na prática 
política. Em seu livro, O Príncipe, destaca que a 
função do governante é regular as lutas e tensões de 
poder no contexto do Estado, fazendo com que esse 
possa desenvolver-se e consolidar-se. 
Thomas Hobbes (1588-
1679) 
A partir de uma visão negativa da natureza humana, 
afirma que a organização social deve ser de caráter 
absolutista, no qual o Estado é superior aos seus 
membros, podendo, assim, regular as suas ações e 
estabelecer leis que regulem a vida dos sujeitos. 
Karl Marx (1818-1883) Pontua que a sociedade tal qual está organizada 
fomenta a desigualdade entre os sujeitos, relegando 
a alguns o poder não apenas de decisão, mas o 
poder econômico, por meio do qual os demais são 
subjugados. Da mesma forma, afirma que essa 
 
 
12 
condição faz parte de um movimento da história, que, 
por meio de um desdobramento dialético, ocorre pela 
luta de classes. 
A filosofia política, não colaborou apenas para a reflexão e análise da 
organização social, mas também para sua legitimação, como no caso da filosofia 
de Thomas Hobbes, e sua modificação, como no caso da filosofia marxiana. 
TEMA 5 – FILOSOFIA DA MENTE 
A filosofia da mente é uma disciplina filosófica relativamente recente, data 
da primeira metade do século XX, mais especificamente a década de 1940. 
Nesse período, os estudos sobre o cérebro humano, principalmente seu 
funcionamento (neurofisiologia), trouxeram descobertas que permitiram 
compreender questões relacionadas ao comportamento humano, valores e até 
crenças. Tais questões reavivaram uma preocupação muito antiga: a mente 
humana. 
O que distingue a mente de outros objetos que estão no universo? Qual 
a natureza do pensamento? Será o pensamento algo imortal e eterno? 
Serão mente e cérebro uma só e mesma coisa? Será distinção entre 
espírito e matéria apenas uma ilusão produzida pela nossa linguagem 
ou pela nossa cultura? (Teixeira, 1994, p. 12) 
É necessário destacar que a preocupações com a natureza, as funções e 
as possibilidades da mente são uma constante em toda a história da filosofia. 
Vejamos no quadro a seguir. 
Quadro 5 – questões-chave na história da filosofia 
Platão (séc. IV a.C.) Concebia que o ser humano era composto por duas 
realidades dicotômicas: alma e corpo, sendo a 
primeira uma realidade superior, capaz de conhecer 
a verdade. Isso somente era possível pois a alma 
continha em si, de forma inata, o acesso à verdade. 
“A alma, imortal, sentiria o contato direto e íntimo 
com as realidades anteriores ao nascimento, mas a 
condição pós-natal do aprisionamento corporal faria 
alma esquecer a verdadeira situação. A meta da 
filosofia seria libertar a alma dessa condição ilusória 
na qual ela é enganada pela finita imitação e 
encobrimentodo eterno. A tarde do filósofo seria 
resgatar as ideias transcendentes, trazer de volta 
 
 
13 
um conhecimento das verdadeiras causas e origens 
de todas as coisas” (Tarnas, 2000, p. 57). 
Agostinho (354-430) Realizou uma adaptação da teoria platônica de 
alma para a fé cristã. Afirmava que a alma humana 
era a única realidade que permitia o conhecimento 
de Deus, a verdade suprema. “Afirmou também a 
absoluta dependência da alma em relação a Deus, 
sem o qual ela não poderia existir, muito menos 
dispor da capacidade de obter conhecimento ou 
chegar à realização” (Tarnas, 2000, p. 165). 
Assim, a crença era uma condição fundamental 
para a alma ascender à verdade. 
René Descartes (1596-
1650) 
Sua compreensão sobre a alma humana 
pressupunha-se na necessidade de afirmar a 
existência de uma verdade que pudesse ser 
abstraída pela razão. Tendo um posicionamento 
dualista (no qual mente e corpo são realidades 
distintas), Descartes afirmava que “a alma é 
entendida como espírito da consciência humana, 
distintamente pensante. Os sentidos inclinam-se ao 
fluxo e ao erro, a imaginação é presa de fantástica 
distorção, as emoções são insignificantes para a 
compreensão racional segura” (Tarnas, 2000, p. 
301). Por esse motivo, o autor afirmava que o único 
conhecimento seguro é o proveniente da 
racionalidade pura. 
Gottfried Wilhelm 
Leibniz (1646-1716) 
Tinha um posicionamento dualista. “Acreditava na 
existência de uma harmonia preestabelecida no 
universo. Mente e corpo não precisariam ter 
nenhum tipo de ligação, pois, de acordo com a 
harmonia preestabelecida, tudo o que se passa na 
esfera do mental encontra um correspondente na 
esfera do mundo físico. O físico e o mental não 
precisam ter nenhuma ligação entre si, eles apenas 
"caminham juntos" como se no início do universo 
um Deus tivesse programado o mundo ao modo de 
duas séries que correm simultânea e 
harmoniosamente” (Teixeira, 1994, p. 12) 
Sigmund Freud (1856-
1939) 
Como neurologista, perguntava-se não apenas 
sobre a fisiologia do cérebro humano, mas a forma 
como a consciência se manifestava e como ela 
poderia ser compreendida. Sua teoria “trouxe à luz 
as profundezas arqueológicas da psique; revelou a 
 
 
14 
inteligibilidade de sonhos, fantasias e sintomas 
psicopatológicos; iluminou a etiologia sexual da 
neurose [...] desvendou a pertinência psicológica da 
mitologia e do simbolismo; identificou os 
componentes psíquicos estruturais do ego [...] 
mostrou os mecanismos de resistência , repressão, 
e projeção, além de uma série de outras 
percepções que deixaram em aberto o caráter e a 
dinâmica interna da mente” (Tarnas, 2000, p. 352). 
Analisando essa trajetória da reflexão sobre a mente, podemos 
questionar: o que faz com que essa abordagem filosófica que surge na década 
de 1940 seja diferente da realizada em toda a história da filosofia? Nesse 
período, os estudos sobre a neurofisiologia se tornaram mais intensos, 
percebeu-se que a mente, e o seu influxo de possibilidades, era um campo mais 
amplo do que a análise filosófica tinha considerado até então. Nas décadas de 
1950 e 1960, um dos temas centrais da análise da filosofia da mente começa a 
ser estruturado: a identidade entre mente-cérebro. Essa teoria, de caráter 
materialista, afirma que os estados mentais são idênticos aos estados cerebrais 
e que, dessa forma, concepções, comportamentos, valores e crenças estão 
todas relacionadas às estruturas e funcionamento do cérebro, manifestando-se 
na atuação da consciência. 
É importante destacarmos que, no contexto de todas as análises 
desenvolvidas pela filosofia da mente, encontra-se também o desenvolvimento 
de uma nova área do conhecimento, que é a psicologia. Essa, em seu início, 
esteve muito ligada à medicina, principalmente à psiquiatria, e buscava entender 
os comportamentos considerados anormais. Para tanto, diversos cientistas e 
pensadores desenvolveram diferentes teorias de explicação da psiqué humana. 
Se formos, didaticamente, classificar essas teorias, poderíamos dividi-las em: 
Quadro 6 – teorias sobre a psiqué humana 
Tendência positivista Compreende que a psicologia “imita claramente 
a fisiologia [...] não estuda os processos mais 
complexos do pensamento, por considerá-los 
inacessíveis ao controle experimental. Volta-se 
para a observação da percepção sensorial, [...] 
estabelecendo as relações entre os fenômenos 
psíquicos e seus substratos orgânicos, 
 
 
15 
sobretudo cerebral” (Aranha; Martins, 2009, p. 
389) 
Tendência hermenêutica Compreende que a psicologia não tem como 
objeto de estudo fatos objetivos, “pois não 
percebemos o mundo como um dado bruto, 
desprovido de significados. Ao contrário, o que 
percebemos é um mundo para mim, daí a 
importância do sentido, da rede de significações 
que envolvem os objetos percebidos: a 
consciência é doadora de sentidos” (Aranha; 
Martins, 2009, p. 389). 
Dessa forma, podemos afirmar que a filosofia da mente é uma das 
disciplinas da filosofia que estabelece relações intrínsecas tanto com a 
neurofisiologia quanto com a psicologia, buscando, assim, compreender a mente 
humana. 
NA PRÁTICA 
Como vimos nesta aula, a filosofia possui várias disciplinas que versam 
sobre o comportamento humano: como ele age, sente, se organiza politicamente 
e estabelece sua conexão com a realidade. 
Escolha uma das disciplinas que estudamos nessa aula e busque analisar 
um fato concreto de sua vida, verificando como a filosofia pode atuar na vida 
cotidiana. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, estudamos as disciplinas da filosofia que versam sobre o 
comportamento humano. A ética se constitui como a disciplina que nos ajuda a 
refletir os valores morais e, a partir dessa reflexão, desenvolver ações e ter 
comportamentos que buscam ser coerentes com a realidade. A estética nos 
ajuda a compreender como as sensações frente à beleza presente na realidade 
pode ser analisada e compreendida. A filosofia política nos ajuda a compreender 
a forma como as relações sociais ocorrem, principalmente no âmbito da 
governança da sociedade. E, por fim, a filosofia da mente nos ajuda a 
compreender como se dá a relação do ser humano com o meio e como ele se 
constitui como ser racional. 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
ARANHA, M L A; MARTINS, M. H. P. Filosofando: introdução à Filosofia. São 
Paulo: Moderna, 2009. 
BOBBIO, N. Estado, governo, sociedade: para uma teoria geral da política. 
São Paulo: Paz e Terra, 2007. 
JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2006. 
NORONHA, O M. Práxis e Educação. In: Revista HISTEDBR, Campinas, n. 20, 
p. 86 - 93, dez. 2005. 
TEIXEIRA, J F. O que é filosofia da mente? São Paulo: Brasiliense, 1994. 
VAZ, Henrique de Lima. Escritos de Filosofia II: ética e cultura. São Paulo: 
Loyola, 1988.

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