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<p>ATUAÇÃO EXTRAJUDICIAL</p><p>E JUDICIAL</p><p>W</p><p>JU</p><p>R</p><p>02</p><p>39</p><p>_v</p><p>2.</p><p>0</p><p>2</p><p>Rafael Altafin Galli</p><p>Londrina</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>2020</p><p>ATUAÇÃO EXTRAJUDICIAL E JUDICIAL</p><p>1ª edição</p><p>3</p><p>2020</p><p>Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza</p><p>CEP: 86041-100 — Londrina — PR</p><p>e-mail: editora.educacional@kroton.com.br</p><p>Homepage: http://www.kroton.com.br/</p><p>Presidente</p><p>Rodrigo Galindo</p><p>Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada</p><p>Paulo de Tarso Pires de Moraes</p><p>Conselho Acadêmico</p><p>Carlos Roberto Pagani Junior</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Carolina Yaly</p><p>Giani Vendramel de Oliveira</p><p>Henrique Salustiano Silva</p><p>Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Mariana Gerardi Mello</p><p>Nirse Ruscheinsky Breternitz</p><p>Priscila Pereira Silva</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Coordenador</p><p>Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Revisor</p><p>Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Editorial</p><p>Alessandra Cristina Fahl</p><p>Beatriz Meloni Montefusco</p><p>Gilvânia Honório dos Santos</p><p>Mariana de Campos Barroso</p><p>Paola Andressa Machado Leal</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>_______________________________________________________________________________________</p><p>Galli, Rafael Altafin</p><p>G168a Atuação extrajudicial e judicial/ Rafael Altafin Galli, –</p><p>Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2020.</p><p>44 p.</p><p>ISBN 978-65-86461-87-9</p><p>1. Trabalho. 2. Judicial. 3. Atuação. I. Galli, Rafael Altafin</p><p>II. ,. Título.</p><p>CDD 340</p><p>____________________________________________________________________________________________</p><p>Jorge Eduardo de Almeida CRB 8/8753</p><p>© 2020 por Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser</p><p>reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,</p><p>eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de</p><p>sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,</p><p>por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A.</p><p>4</p><p>SUMÁRIO</p><p>Atuação do Advogado na Justiça do Trabalho _______________________ 05</p><p>Audiência Trabalhista _______________________________________________ 20</p><p>Negociação, Mediação e Arbitragem ________________________________ 33</p><p>Acordo judicial e extrajudicial em jurisdição voluntária _____________ 47</p><p>ATUAÇÃO EXTRAJUDICIAL E JUDICIAL</p><p>5</p><p>Atuação do Advogado na Justiça</p><p>do Trabalho</p><p>Autoria: Rafael Altafin Galli</p><p>Leitura crítica: Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar a atuação do advogado na Justiça do</p><p>Trabalho.</p><p>• Desenvolver habilidades na resolução dos conflitos</p><p>trabalhistas.</p><p>• Compreender o processo do trabalho e seus</p><p>aspectos práticos.</p><p>6</p><p>1. Atuação do Advogado na Justiça do Trabalho</p><p>Figura 1 – Advogado e Justiça</p><p>Fonte: Jirapong Manustrong/iStock.com.</p><p>Neste tema, iremos estudar os aspectos teóricos e práticos sobre a</p><p>atuação do advogado na justiça do trabalho, bem como aqueles que</p><p>envolvem a contratação do profissional, o mandato, a petição inicial</p><p>trabalhista, sua propositura e as regras pertinentes à defesa processual</p><p>trabalhista.</p><p>A advogado na Justiça do Trabalho atua como procurador de uma</p><p>das partes, buscando a solução de um conflito entre reclamante</p><p>(empregado) e reclamada (empregador), de uma forma harmoniosa e</p><p>pacífica, agindo sempre com lealdade e boa-fé processual. Ao advogado</p><p>do reclamante, por exemplo, cabe a propositura da reclamação</p><p>trabalhista.</p><p>Antes é muito importante que o profissional faça uma entrevista</p><p>detalhada com seu cliente para colher o máximo de informações</p><p>possíveis sobre a relação de emprego, a fim de que possa pleitear os</p><p>possíveis direitos que tenham sido cerceados pelo empregador. Assim,</p><p>7</p><p>a entrevista inicial é realizada muitas vezes no escritório do advogado</p><p>e se mostra essencial para o êxito do processo. Além disso, cabe ao</p><p>advogado propor uma reclamação trabalhista por meio de uma petição</p><p>inicial descrita de forma clara e objetiva, utilizando um raciocínio lógico</p><p>e claro e obedecendo os requisitos da petição inicial, descritos no artigo</p><p>840, § 1º, da CLT (BRASIL, 1943) e no artigo 319 do CPC (BRASIL, 2015).</p><p>Para atuar como advogado de uma das partes, o profissional do</p><p>direito necessita de um mandato para exercer essa atividade. Esse</p><p>mandato é instrumentalizado por meio de uma procuração, chamada</p><p>de Procuração Ad Judicia, que deve ser assinada pelo seu cliente</p><p>(empregado ou empregador), não havendo necessidade de maiores</p><p>formalidades, como registro em cartório ou reconhecimento de firma da</p><p>assinatura.</p><p>A Súmula 395 do TST traz as condições de validade de um mandato</p><p>(BRASIL, 2016):</p><p>MANDATO E SUBSTABELECIMENTO. CONDIÇÕES DE VALIDADE (nova</p><p>redação dos itens I e II e acrescido o item V em decorrência do CPC de</p><p>2015)–Res. 211/2016, DEJT divulgado em 24, 25 e 26.08.2016</p><p>I–Válido é o instrumento de mandato com prazo determinado que contém</p><p>cláusula estabelecendo a prevalência dos poderes para atuar até o final</p><p>da demanda (§ 4º do art. 105 do CPC de 2015). (ex -OJ nº 312 da SBDI-1–DJ</p><p>11.08.2003)</p><p>II – Se há previsão, no instrumento de mandato, de prazo para sua</p><p>juntada, o mandato só tem validade se anexado ao processo o respectivo</p><p>instrumento no aludido prazo. (ex-OJ nº 313 da SBDI-1–DJ 11.08.2003)</p><p>III–São válidos os atos praticados pelo substabelecido, ainda que não haja,</p><p>no mandato, poderes expressos para substabelecer (art. 667, e parágrafos,</p><p>do Código Civil de 2002). (ex-OJ nº 108 da SBDI-1–inserida em 01.10.1997)</p><p>8</p><p>IV–Configura-se a irregularidade de representação se o substabelecimento</p><p>é anterior à outorga passada ao substabelecente. (ex-OJ nº 330 da SBDI-1–</p><p>DJ 09.12.2003)</p><p>V – Verificada a irregularidade de representação nas hipóteses dos itens</p><p>II e IV, deve o juiz suspender o processo e designar prazo razoável para</p><p>que seja sanado o vício, ainda que em instância recursal (art. 76 do CPC de</p><p>2015). (BRASIL, 2016)</p><p>Concedida a procuração, poderá ocorrer também o chamado</p><p>substabelecimento, ou seja, um documento que permite que o</p><p>advogado transfira os poderes a ele conferidos para um outro</p><p>profissional. Esse substabelecimento poderá se dar com reserva de</p><p>poderes, ou seja, quando o advogado substabelece à aptidão poderes</p><p>para um outro profissional continuado, porém com capacidade de</p><p>exercer atos no processo, ou ele pode ser sem reserva de poderes,</p><p>quando ocorre a transferência do mando para um novo profissional,</p><p>deixando de atuar no processo (MIESSA, 2017).</p><p>É importante ressaltar também que a reforma trabalhista ocorrida em</p><p>2017 (Lei n. 13.467/17) (BRASIL, 2017) trouxe como inovação o direito</p><p>do advogado ao recebimento de honorários de sucumbência. Nesse</p><p>sentido, dispõe o artigo 791-A da CLT (BRASIL, 1943):</p><p>Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos</p><p>honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% (cinco por</p><p>cento) e o máximo de 15% (quinze por cento) sobre o valor que resultar</p><p>da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo</p><p>possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa.</p><p>§ 1º Os honorários são devidos também nas ações contra a Fazenda</p><p>Pública e nas ações em que a parte estiver assistida ou substituída pelo</p><p>sindicato de sua categoria.</p><p>§ 2º Ao fixar os honorários, o juízo observará:</p><p>9</p><p>I–o grau de zelo do profissional;</p><p>II–o lugar de prestação do serviço;</p><p>III–a natureza e a importância da causa;</p><p>IV–o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu</p><p>serviço. (BRASIL, 1943)</p><p>Após a entrevista com o cliente e a assinatura da procuração, o</p><p>advogado do reclamante já poderá propor a reclamação trabalhista por</p><p>meio de uma petição inicial.</p><p>1.1 Petição inicial</p><p>Conforme disposto no artigo 840 da CLT (BRASIL, 1943), a reclamação</p><p>trabalhista poderá ser escrita ou verbal. Nota-se que o processo do</p><p>trabalho permite a propositura de uma reclamação trabalhista de forma</p><p>de homologação do acordo</p><p>extrajudicial. Dispõe o artigo 855-B que o processo de homologação de</p><p>acordo extrajudicial terá início por petição conjunta, sendo obrigatória a</p><p>representação das partes por advogado.</p><p>57</p><p>Assim, em primeiro lugar, temos que o empregado e o empregador</p><p>devem estar representados por advogados, não podendo ser um</p><p>advogado comum para as duas partes. Com relação ao empregado,</p><p>este poderá ser representado por um advogado particular ou por um</p><p>advogado do sindicato da sua categoria profissional.</p><p>É importante ressaltar que a reforma trabalhista revogou o artigo</p><p>477, § 1º, da CLT (BRASIL, 1943), retirando assim a obrigatoriedade de</p><p>homologação no sindicato da rescisão do contrato de trabalho para</p><p>os empregados com mais de um ano de trabalho na empresa. Assim,</p><p>a rescisão pode ser realizada na própria empresa, sendo facultado ao</p><p>empregado estar acompanhado de advogado. A homologação dessa</p><p>rescisão, com fundamento do artigo 855-B da CLT (BRASIL, 1943), poderá</p><p>ser feita judicialmente, porém com a participação dos advogados do</p><p>empregador e do empregado, não podendo ser um mesmo profissional</p><p>ou escritório para ambas as partes.</p><p>Após a distribuição da petição contendo o acordo extrajudicial assinada</p><p>pelos procuradores das partes, o juiz a analisará em um prazo de 15 dias</p><p>e proferirá a sentença, homologando-a ou não.</p><p>Reflexões: Após a distribuição da petição de acordo, o juiz poderá</p><p>marcar uma audiência, se entender necessário, para melhor</p><p>esclarecimento quanto à proposta de homologação.</p><p>Após a distribuição da petição de homologação do acordo, o prazo</p><p>prescricional será suspenso quanto aos direitos especificados na petição</p><p>(BRASIL, 1943, art. 855-E), voltando a fluir no primeiro dia útil seguinte</p><p>o trânsito em julgado da decisão do Magistrado que, eventualmente,</p><p>negar a homologação do acordo extrajudicial.</p><p>É importante ressaltar que os prazos estabelecidos no artigo 477, § 6º,</p><p>da CLT (BRASIL, 1943) com relação ao pagamento das verbas rescisórias</p><p>não afasta a aplicação da multa prevista no mesmo artigo 477, § 8º, da</p><p>58</p><p>CLT. Além disso, a Vara do Trabalho é competente para julgar o pedido</p><p>de homologação do acordo extrajudicial, conforme disposto no artigo</p><p>652, alínea f, da CLT (BRASIL, 1943).</p><p>Assim, podemos concluir que a reforma trabalhista trouxe uma nova</p><p>forma de rescisão do contrato de trabalho, qual seja a extinção do</p><p>contrato por mútuo acordo entre as partes, e, além disso, inovou com</p><p>relação à jurisdição voluntária, trazendo a possibilidade de realização</p><p>de acordo extrajudicial entre empregado e empregador referente ao</p><p>término da relação laboral com o pagamento da verbas rescisórias</p><p>devidas ao empregado, com posterior homologação judicial. Vale</p><p>ressaltar ainda que o advogado tem um papel fundamental nesse</p><p>processo de jurisdição voluntária, pois, além da obrigatoriedade legal</p><p>quanto a sua participação, é imprescindível que atue na defesa dos</p><p>direitos de seus representantes dentro da legalidade, garantindo, assim,</p><p>um acordo nos ditames da lei trabalhista e da lisura e boa-fé.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho. Rio de Janeiro: Presidência da República, [1943]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 3 jun.</p><p>2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho (CLT) [...]. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. Acesso</p><p>em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. Dispõe sobre a arbitragem.</p><p>Brasília, DF: Presidente da República, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm. Acesso em: 7 abr. 2020</p><p>BRASIL. TST. Tribunal Superior do Trabalho. Orientação Jurisprudencial n. 270</p><p>SDI-I. [2002]. Disponível em: http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/OJ_SDI_1/n_</p><p>s1_261.htm#TEMA270. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do Trabalho de acordo com a reforma trabalhista.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/OJ_SDI_1/n_s1_261.htm#TEMA270.</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/OJ_SDI_1/n_s1_261.htm#TEMA270.</p><p>59</p><p>CISNEIROS, Gustavo. Processo do Trabalho Sintetizado. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>JÚNIOR, Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito</p><p>processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 17. ed. Salvador:</p><p>Juspodivm, 2015. p. 107.</p><p>LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho.. 17. ed.</p><p>São Paulo: Saraivajur, 2019. cap. VI. p. 399.</p><p>MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos. 4. ed. Salvador: Juspodivm,</p><p>2017.</p><p>60</p><p>BONS ESTUDOS!</p><p>Sumário</p><p>Atuação do Advogado na Justiça do Trabalho</p><p>Objetivos</p><p>1. Atuação do Advogado na Justiça do Trabalho</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Audiência Trabalhista</p><p>Objetivos</p><p>1. Audiência Trabalhista</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Negociação, Mediação e Arbitragem</p><p>Objetivos</p><p>1. Negociação, Mediação e Arbitragem</p><p>Referências bibliográficas</p><p>Acordo judicial e extrajudicial em jurisdição voluntária</p><p>Objetivos</p><p>1. Acordo judicial em jurisdição voluntária</p><p>2. Acordo extrajudicial em jurisdição voluntária</p><p>Referências bibliográficas</p><p>verbal em respeito ao chamado jus postulandi, ou seja, ao direito de</p><p>postular em juízo, sem advogado. Nesse sentido, dispõe o artigo 791</p><p>da CLT (BRASIL, 1943) que os empregados e os empregadores poderão</p><p>reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as</p><p>suas reclamações até o final. Porém, notoriamente, é aconselhável ao</p><p>trabalhador procurar um advogado de sua confiança para propor uma</p><p>reclamação trabalhista, pois trata-se de um profissional que tem todo o</p><p>conhecimento jurídico e poderá identificar todos os direitos trabalhistas</p><p>que eventualmente foram violados em uma relação de trabalho.</p><p>Reflexões: O Direito processual do trabalho permite o jus postulandi</p><p>em todo e qualquer processo trabalhista?</p><p>O Tribunal Superior do Trabalho não permite o jus postulandi nas ações</p><p>rescisórias, na ação cautelar, no mandado de segurança e nos recursos</p><p>de competência do Tribunal Superior do Trabalho, conforme dispõe a</p><p>Súmula n. 425 do TST (MIESSA, 2017).</p><p>10</p><p>É importante ressaltar também que a reclamação trabalhista do menor</p><p>de 18 anos deverá ser proposta por meio de seus representantes</p><p>legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo</p><p>sindicato, pelo Ministério Público Estadual ou curador nomeado em juízo</p><p>(BRASIL, 1943, art. 793).</p><p>Sendo a petição apresentada por escrito, esta deverá conter a</p><p>designação do juízo, a qualificação das partes, a breve exposição</p><p>dos fatos de que resulte o dissídio, o pedido – que deverá ser certo,</p><p>determinado e com indicação de seu valor –, a data e a assinatura do</p><p>reclamante ou de seu representante (BRASIL, 1943, art. 840, § 1º).</p><p>Figura 2 – Ação trabalhista</p><p>Fonte: AndreyPopov Stock/iStock.com.</p><p>Os requisitos da petição inicial trabalhista estão previstos no artigo</p><p>840, §1º, da CLT (BRASIL, 1943). Porém, o referido artigo não exclui os</p><p>requisitos da petição inicial previstos no artigo 319 do CPC (BRASIL,</p><p>2015). Assim, cabe ao advogado ficar atento aos requisitos de ambos os</p><p>dispositivos para que todas as exigências sejam observadas.</p><p>11</p><p>O valor da causa, por exemplo, não está disposto no artigo 840, § 1º,</p><p>da CLT (BRASIL, 1943), como requisito da petição inicial. No entanto,</p><p>ele é um requisito indispensável de toda e qualquer petição inicial, nos</p><p>termos do artigo 319 do CPC (BRASIL, 2015), devendo, portanto, ser</p><p>indicado na ação trabalhista.</p><p>Quanto à designação do juízo prevista no artigo 840, § 1º, da CLT</p><p>(BRASIL, 1943), é importante destacar que a regra geral é a de que</p><p>a Reclamação Trabalhista deve ser interposta na cidade onde o</p><p>reclamante prestou o serviço, mesmo que ele resida em outra cidade.</p><p>Outro ponto importante é que, ao propor a reclamação, deve-se</p><p>apresentar pedido certo, determinado e com indicação de seu valor. Isso</p><p>porque, antes da reforma legislativa de 2017 (BRASIL, 2017), somente</p><p>as reclamações trabalhistas interpostas por meio do rito sumaríssimo</p><p>tinham a obrigatoriedade de indicar o valor de cada pedido, o que</p><p>foi alterado. Dessa forma, atualmente, toda e qualquer reclamação</p><p>trabalhista deve trazer a indicação do valor de cada pedido, sendo o</p><p>valor da causa a soma de todos eles. Assim, o advogado, quando da</p><p>propositura da ação trabalhista, já deverá realizar o cálculo de todos os</p><p>pedidos, sob pena de indeferimento da petição inicial.</p><p>As partes, quando da propositura da reclamação trabalhista da</p><p>apresentação da defesa, ou durante os demais atos processuais,</p><p>devem agir com respeito, lealdade e boa-fé profissional, sob pena de</p><p>responderem por litigância de má-fé. Nesse sentido, dispõe o artigo 793-</p><p>B da CLT:</p><p>Art. 793-B. Considera-se litigante de má-fé aquele que:</p><p>I–Deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato</p><p>incontroverso;</p><p>II–Alterar a verdade dos fatos;</p><p>12</p><p>III–usar do processo para conseguir objetivo ilegal;</p><p>IV–Opuser resistência injustificada ao andamento do processo;</p><p>V–Proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo;</p><p>VI–Provocar incidente manifestamente infundado;</p><p>VII–interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório. (BRASIL,</p><p>1943)</p><p>Ocorrendo a má-fé por qualquer um dos motivos previstos no artigo</p><p>transcrito anteriormente, o juiz condenará a parte litigante a pagar uma</p><p>multa superior a 1% (um por cento) e inferior a 10% (dez por cento) do</p><p>valor corrigido da causa, a qual será revertida à parte contrária como</p><p>indenização pelos prejuízos que esta sofreu; além disso, terá que arcar</p><p>com os honorários advocatícios e com todas as despesas que efetuou</p><p>(BRASIL, 1943, art. 793-C).</p><p>Vale ressaltar que pela própria redação do artigo 793-B da CLT (BRASIL,</p><p>1943), bem como dos artigos 77, § 8º, e 81 do CPC (BRASIL, 2015), a</p><p>multa aplicada não será estendida ao advogado, limitando-se à parte</p><p>que cometer a litigância de má-fé. Nesse sentido, o artigo 77, § 8º, do</p><p>CPC, deixa claro que o representante judicial da parte (o advogado) não</p><p>pode ser compelido a cumprir decisão em seu lugar.</p><p>Reflexões: Você conhece o termo assédio processual?</p><p>Para alguns autores, além da litigância de má-fé, pode ocorrer também o</p><p>chamado assédio processual. Assim, segundo Mauro Schiavi (2015):</p><p>Assédio processual é todo ato processual praticado de forma reiterada,</p><p>insidiosa, por um dos sujeitos que atuam no processo (juiz, partes,</p><p>servidores etc.), que tem por objetivo minar a autoestima de uma das</p><p>partes litigantes, degradando o processo. (SCHIAVI, 2015, p. 400)</p><p>13</p><p>Nesse caso, ocorrendo o assédio processual, a parte lesada deverá ser</p><p>indenizada nos termos em que ocorrerem as indenizações por danos</p><p>morais.</p><p>Figura 3 – Julgamento</p><p>Fonte: undefined undefined/iStock.com.</p><p>Após a propositura da reclamação trabalhista, ela será distribuída e a</p><p>reclamada será notificada para a apresentação da defesa. Segundo o</p><p>artigo 841 da CLT:</p><p>Art. 841–Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou secretário,</p><p>dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda via da petição,</p><p>ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para</p><p>comparecer à audiência do julgamento, que será a primeira desimpedida,</p><p>depois de 5 (cinco) dias.</p><p>§ 1º–A notificação será feita em registro postal com franquia. Se o</p><p>reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for encontrado,</p><p>far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial ou no que publicar</p><p>o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede da Junta ou Juízo.</p><p>14</p><p>§ 2º–O reclamante será notificado no ato da apresentação da reclamação</p><p>ou na forma do parágrafo anterior. (BRASIL, 1943)</p><p>O processo do trabalho utiliza o termo notificação no lugar do termo</p><p>citação, como utilizado no processo civil, pois, para o legislador, a</p><p>notificação no processo do trabalho tem dupla função: citar e intimar</p><p>para comparecer à audiência.</p><p>1. 2 Contestação</p><p>Na contestação, a reclamada deverá discorrer sobre toda a sua matéria</p><p>de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna</p><p>as pretensões do reclamante, presumindo-se verdadeiros os fatos não</p><p>impugnados.</p><p>Reflexões: Seria possível, ao advogado da reclamada, realizar uma</p><p>contestação simplesmente negando de forma geral todos os fatos</p><p>descritos pelo reclamante?</p><p>A resposta é não. Vigora no direito processual do trabalho o princípio</p><p>da impugnação específica, de modo que a reclamada deverá impugnar</p><p>detalhadamente as alegações de fato apresentadas pelo reclamante,</p><p>sob pena de serem presumidas verdadeiras, ou seja, é proibida a</p><p>contestação por negativa geral (MIESSA, 2017).</p><p>Porém, antes de contestar os fatos alegados pelo reclamante, a</p><p>reclamada poderá apresentar as chamadas preliminares, descritas no</p><p>artigo 337 do CPC, aplicáveis subsidiariamente ao processo do trabalho,</p><p>a saber:</p><p>I–Inexistência ou nulidade da citação;</p><p>II–Incompetência absoluta e relativa;</p><p>III–Incorreção do valor da causa;</p><p>15</p><p>IV–Inépcia da petição inicial;</p><p>V–Perempção;</p><p>VI–Litispendência;</p><p>VII–Coisa julgada;</p><p>VIII–Conexão;</p><p>IX–Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização;</p><p>X–Convenção de arbitragem;</p><p>XI–Ausência</p><p>de legitimidade ou de interesse processual;</p><p>XII–Falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar;</p><p>XIII–Indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. (BRASIL,</p><p>2015)</p><p>Assim, antes de discutir o mérito das alegações do reclamante, a</p><p>reclamada poderá apresentar qualquer uma das preliminares descritas</p><p>anteriormente. Superadas as preliminares, ou na ausência destas, cabe</p><p>à reclamada apresentar a defesa de mérito.</p><p>As defesas de mérito são relacionadas ao direito material reivindicado</p><p>pelo reclamante e podem ser divididas em defesa de mérito direta,</p><p>quando a reclamada simplesmente nega os fatos descritos pelo</p><p>reclamante, ou defesa de mérito indireta, quando a reclamada não nega</p><p>propriamente os fatos descritos, mas alega fato impeditivo, modificativo</p><p>ou extintivo do direito do reclamante. A decadência e a prescrição</p><p>também são consideradas defesas de mérito indiretas, porém são</p><p>denominadas de prejudiciais de mérito, visto que, quando presentes,</p><p>extinguem o processo com resolução do mérito (MIESSA, 2017).</p><p>16</p><p>Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o reclamante não</p><p>poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da ação (BRASIL,</p><p>1943, art. 841, § 3º).</p><p>É importante ressaltar também que a formação do processo ocorre em</p><p>momentos distintos para as partes. Para o reclamante, o processo é</p><p>formado a partir da distribuição da reclamação trabalhista, enquanto,</p><p>para a reclamada, a partir da sua notificação válida.</p><p>Assim, enquanto a reclamada não for notificada, está incompleta a</p><p>relação processual, e o reclamante tem total liberdade para alterar</p><p>os elementos da sua reclamação, tais como causa de pedir, pedido,</p><p>entre outros. Após a notificação válida da reclamada, estabiliza-se a</p><p>relação jurídica processual e qualquer alteração dos elementos da</p><p>reclamação, inclusive eventual desistência desta, só poderá ocorrer com</p><p>o consentimento da reclamada.</p><p>Na seara trabalhista, desde o ajuizamento da ação, são produzidos os</p><p>seguintes efeitos:</p><p>a. Torna prevento o juízo.</p><p>b. Induz litispendência.</p><p>c. Torna litigiosa a coisa.</p><p>d. Constitui em mora o devedor.</p><p>e. Interrompe a prescrição.</p><p>A contestação deverá ser protocolizada eletronicamente pelo</p><p>advogado da reclamada até antes do início da audiência, que poderá</p><p>ser inicial, UNA ou de instrução e julgamento. Tanto a distribuição da</p><p>reclamação trabalhista como a protocolização da defesa e os outros atos</p><p>processuais ocorrem de forma eletrônica devido à informatização da</p><p>Justiça do Trabalho.</p><p>17</p><p>Figura 4 – Processo Judicial</p><p>Fonte: VioletaStoimenova?iStock.com.</p><p>É importante ressaltar que os atos processuais são públicos, salvo</p><p>quando determinar o interesse social, e realizar-se-ão nos dias úteis</p><p>das 6h às 20h (BRASIL, 1943, art. 770). O segredo de justiça poderá ser</p><p>decretado pelo juiz quando houver necessidade de defesa da intimidade</p><p>ou do interesse social vigente (BRASIL, 1988, art. 5º, LX).</p><p>Segundo o autor Gustavo Cisneiros (2018):</p><p>Segredo de justiça não se confunde com a juntada de documentos em</p><p>sigilo no PJE. O primeiro deriva da proteção à dignidade e os autos ficam</p><p>indisponíveis para consulta, salvo para os advogados e para as partes,</p><p>além de impor a realização das audiências apenas com a presença</p><p>destes. A juntada de uma petição ou de um instrumento processual em</p><p>sigilo deságua da vontade de que aquele documento só seja revelado no</p><p>momento próprio, que geralmente é a audiência, e tem por base o art.</p><p>845 da CLT e o § 4º do art. 28 da Resolução 185/2013 do CNJ. O segredo de</p><p>justiça deriva de uma decisão do juiz, que pode ser proferida de ofício ou a</p><p>requerimento do interessado, mediante clara e robusta fundamentação. A</p><p>18</p><p>juntada de documentos em sigilo é uma faculdade de advogados e partes.</p><p>(CISNEIROS, 2018, p. 65)</p><p>Os prazos processuais contam-se com a exclusão do dia do começo e a</p><p>inclusão do dia do vencimento. Eles são contínuos, podendo, entretanto,</p><p>ser prorrogados por tempo estritamente necessário pelo juiz ou tribunal,</p><p>ou em virtude de força maior, devidamente comprovada (BRASIL, 1943,</p><p>art. 775). Os prazos que vencerem em sábado, domingo ou feriado</p><p>terminarão no primeiro dia útil seguinte (artigo 775, parágrafo único, da</p><p>CLT).</p><p>Diante deste panorama, são esses os atos iniciais de atuação do</p><p>advogado na seara trabalhista, quer seja representando o reclamante</p><p>ou o reclamado, sempre obedecendo a legislação vigente e atuando com</p><p>lealdade e boa-fé processual e pessoal.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil</p><p>de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [1988]. Disponível em: http://www.</p><p>planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho. Rio de Janeiro: Presidência da República, [1943]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 3 jun.</p><p>2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília,</p><p>DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho (CLT) [...]. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. Acesso</p><p>em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. TST. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n. 395. [2016]. Disponível em:</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_</p><p>351_400.html#SUM-395. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_</p><p>351_400.html#SUM-395.</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_</p><p>351_400.html#SUM-395.</p><p>19</p><p>CISNEIROS, Gustavo. Processo do Trabalho Sintetizado. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. 17. ed.</p><p>São Paulo: Saraiva, 2019. cap. VI. p. 399.</p><p>MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos. 4 ed. Salvador: Juspodivm,</p><p>2017.</p><p>SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 9 ed. São Paulo: LTr,</p><p>2015.</p><p>20</p><p>Audiência Trabalhista</p><p>Autoria: Rafael Altafin Galli</p><p>Leitura crítica: Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer as normas que envolvem uma audiência</p><p>trabalhista.</p><p>• Analisar a oralidade em uma audiência.</p><p>• Compreender as formas de inquirição das partes e</p><p>testemunhas.</p><p>• Entender os aspectos legais que envolvem uma ata</p><p>de audiência.</p><p>21</p><p>1. Audiência Trabalhista</p><p>Figura 1 – Audiência trabalhista</p><p>Fonte:mediaphotos/iStock.com.</p><p>Neste tema, estudaremos os aspectos legais que envolvem uma</p><p>audiência trabalhista, quer seja a inicial, UNA ou de instrução e</p><p>julgamento, bem como as regras pertinentes à lealdade processual, à</p><p>oralidade e à forma de inquirição das partes e testemunhas. Também</p><p>serão abordadas as regras para a elaboração de uma ata de audiência,</p><p>as formas de impugnação e o chamado processo invisível.</p><p>Após a distribuição da reclamação trabalhista, o reclamado será</p><p>notificado para a apresentação de sua defesa, a qual deverá ser</p><p>protocolizada até um minuto antes do início da primeira audiência,</p><p>que poderá ser inicial, UNA ou de instrução e julgamento. Na prática, a</p><p>notificação encaminhada ao reclamado, pelo correio, já traz a data da</p><p>primeira audiência, bem como o momento para a protocolização da</p><p>contestação.</p><p>As audiências devem ser realizadas, em regra, na Vara</p><p>do Trabalho</p><p>onde for distribuída a reclamação trabalhista, devendo ocorrer durante</p><p>22</p><p>o dia, das 8h às 18h. As audiências também são públicas, salvo quando</p><p>envolverem algum interesse social ou intimidade das partes, quando</p><p>poderá ser decretado segredo de justiça.</p><p>É importante ressaltar que, na data e hora marcadas, as partes e os</p><p>seus procuradores devem estar presentes para a audiência, pois não</p><p>há tolerância quanto ao atraso das partes no comparecimento. Se até</p><p>15 minutos após a hora marcada o juiz ou o presidente não houver</p><p>comparecido, os presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido</p><p>constar do livro de registro das audiências</p><p>Segundo o artigo 816 da CLT (BRASIL, 1943), o juiz ou presidente</p><p>manterá a ordem nas audiências, podendo mandar retirar-se do recinto</p><p>aquele que a perturbar. As audiências poderão ser gravadas. Em regra,</p><p>elas devem ser UNAs, ou seja, em uma única audiência devem ocorrer a</p><p>tentativa de conciliação, a instrução processual e o julgamento. Porém,</p><p>na prática, muitas vezes as audiências são fracionadas, divididas em</p><p>momentos distintos, da seguinte forma:</p><p>Quadro 1 – Divisão das audiências</p><p>Audiência inicial Recebimento da defesa e tentativa de</p><p>conciliação.</p><p>Audiência de instrução</p><p>Tentativa de conciliação, depoimento</p><p>pessoal das partes, oitiva de testemunhas,</p><p>razões finais.</p><p>Audiência de julgamento Súmula n. 197 do TST (BRASIL, 2003).</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>Independentemente do fracionamento da audiência, na data e hora</p><p>agendadas, as partes deverão comparecer. O não comparecimento do</p><p>reclamante ou do reclamado traz consequências jurídicas e processuais.</p><p>23</p><p>Para uma melhor compreensão quanto aos efeitos dessa ausência nas</p><p>audiências, vejamos o quadro a seguir:</p><p>Quadro 2 – Consequências da ausência</p><p>Parte ausente</p><p>Efeito da ausência</p><p>na audiência</p><p>inaugural</p><p>Efeito da ausência</p><p>na audiência de</p><p>instrução</p><p>Efeito da</p><p>ausência na</p><p>audiência de</p><p>julgamento</p><p>Reclamante Arquivamento. Confissão.</p><p>Início do prazo</p><p>recursal.</p><p>Reclamado</p><p>Confissão e revelia</p><p>quanto à matéria de</p><p>fato.</p><p>Confissão.</p><p>Início do prazo</p><p>recursal.</p><p>Reclamante e</p><p>reclamado</p><p>Arquivamento.</p><p>Confissão das duas</p><p>partes, julgando-se</p><p>com as provas já</p><p>existentes nos autos</p><p>e, se inexistentes</p><p>ou insuficientes, de</p><p>acordo com o ônus</p><p>da prova.</p><p>Início do prazo</p><p>recursal.</p><p>Fonte: adaptado de Miessa (2017, p. 466).</p><p>É importante ressaltar que, na hipótese de ausência do reclamante na</p><p>audiência inicial, ocorre o arquivamento do processo, com a condenação</p><p>ao pagamento das custas processuais, ainda que beneficiário da justiça</p><p>gratuita, salvo se comprovar, no prazo de 15 dias, que a ausência</p><p>ocorreu por motivo legalmente justificável (BRASIL, 1943, art. 844, §</p><p>2º). Nesse sentido, com o arquivamento da reclamação pela ausência</p><p>24</p><p>do reclamante na audiência inicial, este poderá interpor novamente a</p><p>mesma reclamação, porém, se der causa a dois arquivamentos seguidos</p><p>pelo mesmo motivo, ou seja, devido ao não comparecimento à audiência</p><p>inicial, ficará impossibilitado de ajuizar nova ação pelo prazo de seis</p><p>meses.</p><p>Com relação ao reclamado, conforme consta no quadro anterior, a</p><p>ausência deste na audiência inicial importará em revelia e confissão</p><p>quanto à matéria de fato. Porém, segundo o artigo 844, § 4º, da CLT, a</p><p>revelia não produzirá efeito, se:</p><p>I–havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a ação;</p><p>II–o litígio versar sobre direitos indisponíveis;</p><p>III–a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei</p><p>considere indispensável à prova do ato;</p><p>IV–as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem inverossímeis</p><p>ou estiverem em contradição com prova constante dos autos. (BRASIL,</p><p>1943)</p><p>Também não produzirá efeito da revelia, se, estando ausente o</p><p>reclamado ou preposto, estiver presente o seu advogado com a defesa</p><p>protocolizada. Isso porque, segundo o artigo 844 da CLT (BRASIL, 1943),</p><p>nesse caso, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente</p><p>apresentados. O reclamado também poderá ser representado por um</p><p>preposto, que poderá ser o gerente da empresa ou qualquer outra</p><p>pessoa que tenha conhecimento do fato, mesmo não sendo funcionário</p><p>da empresa reclamada (BRASIL, 1943, art. 843, § 3º).</p><p>25</p><p>1.1 A oralidade em uma perspectiva constitucional</p><p>Figura 2 – Audiência</p><p>Fonte: undefined/iStock.com.</p><p>Durante uma audiência, e também durante todo o processo do trabalho,</p><p>vigora o princípio da oralidade, segundo o qual, que não é próprio do</p><p>direito do trabalho, mas de outros ramos do direito, os atos processuais</p><p>trabalhistas, em regra, são orais. A própria reclamação trabalhista pode</p><p>ser feita de forma verbal, sendo posteriormente reduzida a termo pelo</p><p>secretário da Vara do Trabalho.</p><p>Na audiência, grande parte dos atos processuais são orais. Aberta</p><p>a audiência, o juiz deverá propor uma conciliação. Não ocorrendo</p><p>a conciliação, o reclamado terá 20 minutos para aduzir sua defesa;</p><p>após esse período, será feita a leitura da reclamação, quando não for</p><p>dispensada por ambas as partes (BRASIL, 1943, art. 847).</p><p>Na prática, a contestação, na grande maioria das vezes, é apresentada</p><p>de forma escrita, por meio do peticionamento eletrônico, até um minuto</p><p>26</p><p>antes da audiência inicial. Aliás, o artigo 847 (BRASIL, 1943), parágrafo</p><p>único, traz esta possibilidade.</p><p>A oralidade permanece, porém, no decorrer da audiência, pois,</p><p>terminada a defesa oral ou com a sua juntada por escrito, o juiz poderá</p><p>interrogar as partes, reclamante e reclamado, seguindo com a oitiva das</p><p>testemunhas, dos peritos e dos técnicos.</p><p>Terminada a instrução, as partes poderão aduzir razões finais, em</p><p>prazo não excedente a dez minutos cada um, e, em seguida, o juiz ou</p><p>presidente renovará a proposta de conciliação. É importante destacar</p><p>que, na sua ausência, o juiz prolatará a sentença (BRASIL, 1943, art. 850).</p><p>Assim, a oralidade se mostra presente em toda a audiência, quer seja na</p><p>inicial, Una ou de instrução e no julgamento.</p><p>1.2 A lealdade processual</p><p>A lealdade processual, ou a chamada boa-fé processual, deve vigorar</p><p>durante todo o processo do trabalho. Assim, com relação aos atos na</p><p>audiência trabalhista, não poderia ser diferente.</p><p>Durante a audiência, por exemplo, as partes devem agir com respeito</p><p>e boa-fé processual. Esta lealdade processual envolve não somente as</p><p>partes, como também testemunhas, o próprio magistrado e os auxiliares</p><p>da Justiça. Trata-se, inclusive, de um fundamento constitucional.</p><p>Segundo o professor Fredie Didier Júnior (2015):</p><p>O fundamento constitucional do princípio da boa – fé processual é</p><p>considerado, por muitos autores, como o art. 3º, I, da CF/88, uma vez que,</p><p>ao estabelecer a solidariedade como objetivo da República Federativa</p><p>Brasileira, decorreu o dever de confiança e lealdade. Há ainda autores que</p><p>sustentam como base constitucional da boa – fé processual, o princípio da</p><p>igualdade, da dignidade da pessoa humana ou o contraditório. A doutrina</p><p>27</p><p>majoritária, contudo, na mesma linha do Supremo Tribunal Federal,</p><p>acredita que a boa – fé processual decorre do devido processo legal,</p><p>como forma de proteção às garantias processuais de eticidade e lealdade.</p><p>(JÚNIOR, 2015, p. 107)</p><p>1.3 A forma de inquirição das partes e testemunhas</p><p>Segundo o artigo 848 da CLT (BRASIL, 1943), terminada a defesa, seguir-</p><p>se-á à instrução do processo, podendo o presidente, ex officio ou o</p><p>requerimento do advogado interrogar os litigantes. Pela ordem, o juiz irá</p><p>colher, primeiramente, o depoimento do reclamante e o ato contínuo do</p><p>reclamado ou preposto.</p><p>Reflexões: O advogado poderá também requerer o depoimento</p><p>pessoal das partes, caso o juiz não o faça, podendo, assim, realizar</p><p>perguntas para a parte contrária, com a mediação do Magistrado.</p><p>As partes, em seus respectivos depoimentos, não podem mentir em</p><p>juízo, pois poderão ser condenadas em litigância de má-fé. Podem,</p><p>contudo, realizar consulta a notas breves, desde que objetivem</p><p>completar esclarecimentos.</p><p>Após o depoimento das partes, tem-se início a oitiva</p><p>das testemunhas.</p><p>Segundo o artigo 821 da CLT (BRASIL, 1943), cada uma das partes poderá</p><p>indicar até três testemunhas, enquanto, nos casos de inquérito para</p><p>apuração de falta grave, poderá indicar até seis testemunhas.</p><p>O quadro a seguir traz um panorama sobre a forma de inquirição das</p><p>testemunhas:</p><p>28</p><p>Quadro 3 – Inquirição de testemunhas</p><p>• Primeiro as do reclamante e, depois, as do</p><p>reclamado.</p><p>• São inquiridas pelo juiz e, posteriormente,</p><p>pelos advogados, devendo as perguntas</p><p>serem remetidas ao juiz, que as repassará</p><p>às testemunhas.</p><p>Forma de inquirição das</p><p>testemunhas</p><p>• O depoimento de uma testemunha não</p><p>deve ser ouvido por outra. Assim, após</p><p>cada oitiva, a testemunha deve permanecer</p><p>na sala de audiência para a entrada da</p><p>testemunha subsequente.</p><p>• As testemunhas devem comparecer</p><p>independentemente de intimação.</p><p>• As testemunhas poderão ser intimadas,</p><p>se os advogados demonstrarem que</p><p>elas foram convocadas a comparecer</p><p>(carta extrajudicial) para a audiência e se</p><p>ausentaram.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>Quanto ao momento de inquirição das testemunhas, inicialmente, a</p><p>testemunha será qualificada pelo escrivão, que irá descrever em ata as</p><p>informações pessoais. As testemunhas deverão prestar o juramento</p><p>de dizer a verdade dos fatos, sob pena de incorrer no crime de falso</p><p>testemunho, ficando à disposição do juiz e posteriormente dos</p><p>advogados.</p><p>É importante ressaltar que, após qualificação das partes e antes do</p><p>juramento, o advogado poderá contraditar a testemunha, que é o ato</p><p>29</p><p>praticado pelo advogado para solicitar o impedimento ou suspeição de</p><p>uma testemunha devido a uma das hipóteses previstas na lei.</p><p>Os quadros a seguir relacionam as hipóteses de testemunhas suspeitas</p><p>ou impedidas:</p><p>Quadro 4 – Impedimento</p><p>O cônjuge, o companheiro, o</p><p>ascendente e o descendente em</p><p>qualquer grau e o colateral, até</p><p>o terceiro grau, de alguma das</p><p>partes.</p><p>Estão impedidos de testemunhar</p><p>(BRASIL, 2015, art. 447, § 2º)</p><p>Aquele que é parte na causa.</p><p>Aquele que intervém em nome</p><p>de uma parte, como o tutor, o</p><p>representante legal da pessoa</p><p>jurídica, o juiz, o advogado e</p><p>outros que assistam ou tenham</p><p>assistido as partes.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>Quadro 5 – Suspeição</p><p>São suspeitos de depor como</p><p>testemunha (BRASIL, 1943, art.</p><p>447, § 3º)</p><p>O inimigo da parte ou o seu amigo</p><p>íntimo.</p><p>Aquele que tiver interesse no litígio.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>30</p><p>Reflexões: Sendo contraditada a testemunha, esta poderá ser ouvida</p><p>como informante do juízo, ficando a decisão a cargo do Magistrado.</p><p>1.4 A Ata da Audiência</p><p>Na ata de audiência, serão registrados, resumidamente, os atos essenciais,</p><p>as afirmações fundamentais das partes e as informações úteis à solução</p><p>da causa trazidas pela prova testemunhal (BRASIL, 1943, art. 825-F). O</p><p>depoimento pessoal das partes, a oitiva de testemunhas, do perito e de</p><p>seus assistentes e outras provas eventualmente que surjam durante a</p><p>audiência serão registrados em ata, de forma resumida, pelo escrivão</p><p>presente na audiência.</p><p>É importante ressaltar que também deverão constar em ata todas as</p><p>perguntas realizadas pelos advogados das partes, bem como os eventuais</p><p>protestos realizados por estes, em virtude de eventual indeferimento de</p><p>alguma pergunta.</p><p>Ao final da audiência, a ata será impressa e, após a leitura atenta dos</p><p>advogados e das partes, será devidamente assinada por todos, inclusive</p><p>pelas testemunhas eventualmente ouvidas. A CLT (BRASIL, 1943) traz um</p><p>prazo improrrogável de 48 horas para a assinatura da ata de audiência,</p><p>porém, em regra, a assinatura ocorre no final da audiência após a leitura</p><p>atenta dos procuradores e das partes.</p><p>1.5 Impugnação</p><p>Havendo vícios ou divergências na ata de audiência, o advogado da parte</p><p>que se sentir prejudicado poderá impugná-la manifestando na própria</p><p>audiência, antes da assinatura da ata, o seu inconformismo quanto aos</p><p>fatos desta. É importante ressaltar que a referida impugnação deve</p><p>ocorrer ao final da audiência e antes da assinatura da ata. Caso o referido</p><p>inconformismo não seja acatado pelo Magistrado, deve-se registrar</p><p>31</p><p>também o protesto do advogado nela antes do encerramento da audiência.</p><p>Constando o referido protesto, poderá o profissional arguir eventual</p><p>nulidade em instâncias superiores.</p><p>1.6 O processo invisível</p><p>Figura 3 – Audiência e Verdade</p><p>Fonte: Pattanaphong Khuankaew/iStock.com.</p><p>Alguns doutrinadores se atentam à existência do processo invisível, em</p><p>especial no processo do trabalho. O processo invisível compreende aquelas</p><p>situações jurídicas que não necessariamente estão materializadas no</p><p>processo visível.</p><p>O Juiz deve estar atento às provas colhidas nos autos, ao depoimento das</p><p>partes, à oitiva das testemunhas e dos peritos, entre outros, porém deve</p><p>buscar a verdade real, muitas vezes além das provas, interpretando e</p><p>analisando as situações do cotidiano de uma relação de trabalho que não</p><p>são visíveis, mas fazem parte da natureza humana e contratual. Vigora no</p><p>32</p><p>processo do trabalho o princípio da livre investigação das provas, ou seja, o</p><p>juiz também pode assumir a iniciativa das provas, com o intuito de buscar a</p><p>verdade real dos fatos constantes naquele conflito.</p><p>Nesse sentido, dispõe o artigo 765 da CLT (BRASIL, 1943) que os Juízos e</p><p>Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na direção do processo e</p><p>velarão pelo andamento rápido das causas, podendo determinar qualquer</p><p>diligência necessária ao esclarecimento delas.</p><p>Conclui-se, assim, que a audiência trabalhista é um dos momentos mais</p><p>importantes de um processo trabalhista, na qual, além de a oralidade</p><p>estar presente, são apresentadas as principais provas, buscando a verdade</p><p>formal e real referente ao conflito existente entre as partes e almejando</p><p>sempre a Justiça.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis</p><p>do Trabalho. Rio de Janeiro: Presidência da República, [1943]. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília,</p><p>DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. TST. Tribunal Superior do Trabalho. Súmula n. 197. [2003]. Disponível em:</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_</p><p>151_200.html#SUM-197. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>CISNEIROS, Gustavo. Processo do Trabalho Sintetizado. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>JÚNIOR, Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao direito</p><p>processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 17. ed. Salvador: Juspodivm,</p><p>2015. p. 107.</p><p>LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. 17. ed.</p><p>São Paulo: Saraivajur, 2019. cap. VI. p. 399.</p><p>MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos. 4. ed. Salvador: Juspodivm,</p><p>2017.</p><p>SCHIAVI, Mauro. Manual de direito processual do trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr,</p><p>2015.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM-197.</p><p>http://www3.tst.jus.br/jurisprudencia/Sumulas_com_indice/Sumulas_Ind_151_200.html#SUM-197.</p><p>33</p><p>Negociação, Mediação</p><p>e Arbitragem</p><p>Autoria: Rafael Altafin Galli</p><p>Leitura crítica: Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar os meios de solução extrajudicial dos</p><p>conflitos.</p><p>• Compreender as regras referentes à arbitragem.</p><p>• Entender o funcionamento de uma mediação.</p><p>• Conhecer as técnicas de negociação para solução</p><p>dos litígios.</p><p>34</p><p>1. Negociação, Mediação e Arbitragem</p><p>Figura 1 – Solução de conflitos</p><p>Fonte: AndreyPopov/iStock.com.</p><p>Neste tema, estudaremos as técnicas</p><p>de negociação dos conflitos</p><p>trabalhistas, bem como as regras e técnicas de mediação e arbitragem</p><p>para a solução dos conflitos trabalhistas. Também serão abordadas</p><p>outras formas de solução extrajudicial dos conflitos, tais como as</p><p>comissões de conciliação prévia.</p><p>A negociação na justiça do trabalho tem se mostrado uma forma muito</p><p>eficaz na solução de conflitos individuais ou coletivos. Com a reforma</p><p>trabalhista, que ocorreu em 2017 por meio da Lei n. 13.467 (BRASIL,</p><p>2017), as negociações individuais ou coletivas ganharam uma maior</p><p>relevância e importância.</p><p>A negociação coletiva no direito do trabalho ocorre entre os sindicatos</p><p>das categorias profissional e econômica. Ela ocorre principalmente</p><p>quando os sindicatos das respectivas categorias começam a discutir</p><p>35</p><p>as modificações ou mesmo a renovação de uma convenção coletiva de</p><p>trabalho ou de um acordo coletivo. Assim, por exemplo, quando uma</p><p>convenção coletiva de trabalho está chegando ao término do seu prazo</p><p>de vigência, ocorre uma negociação entre os sindicatos dos empregados</p><p>e dos empregadores para discutir os aspectos legais que envolvem a</p><p>renovação da respectiva convenção.</p><p>O artigo 616 da CLT (BRASIL, 1943) dispõe que os sindicatos</p><p>representativos de categorias econômicas ou profissionais e as</p><p>empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando</p><p>provocados, não podem recusar-se à negociação coletiva. Analisando</p><p>esse artigo, conclui-se que, sempre que um sindicato manifestar</p><p>interesse em uma negociação coletiva, caberá ao sindicato da respectiva</p><p>categoria participar também da negociação.</p><p>É importante destacar aqui a diferença entre convenção coletiva de</p><p>trabalho e acordo coletivo de trabalho. A primeira compreende o acordo</p><p>pactuado entre um sindicato de uma determinada categoria profissional</p><p>e um sindicato da categoria econômica respectiva. As regras negociadas</p><p>entre esses dois entes são materializadas na respectiva convenção e</p><p>terão validade para todos os empregados e empregadores daquela</p><p>categoria profissional e econômica negociada. Já a segunda, o acordo</p><p>coletivo do trabalho, consiste no acordo realizado entre um sindicato de</p><p>uma determinada categoria profissional e uma ou mais empresas (grupo</p><p>econômico, por exemplo). Assim, ele é mais restrito em comparação à</p><p>convenção, pois terá validade somente entre os empregados de uma</p><p>determinada empresa e o seu respetivo empregador.</p><p>Com relação ao acordo coletivo do trabalho, dispõe o artigo 617 da CLT:</p><p>Art. 617–Os empregados de uma ou mais empresas que decidirem</p><p>celebrar Acordo Coletivo de Trabalho com as respectivas empresas</p><p>darão ciência de sua resolução, por escrito, ao Sindicato representativo</p><p>da categoria profissional, que terá o prazo de 8 (oito) dias para assumir</p><p>a direção dos entendimentos entre os interessados, devendo igual</p><p>36</p><p>procedimento ser observado pelas empresas interessadas com relação ao</p><p>Sindicato da respectiva categoria econômica. (BRASIL, 1943)</p><p>Assim, no âmbito do direito coletivo do trabalho, as negociações</p><p>coletivas ocorrem, principalmente, nas discussões que envolvem uma</p><p>convenção coletiva de trabalho ou um acordo coletivo de trabalho.</p><p>As negociações também ocorrem no âmbito do direito individual do</p><p>trabalho. Aliás, a reforma trabalhista deu grande ênfase e poder para as</p><p>negociações individuais entre empregado e empregador.</p><p>Uma mudança significativa que ocorreu com a reforma foi a</p><p>possibilidade de negociação individual entre empregado e empregador</p><p>com relação ao regime de compensação de jornada. Antes da alteração</p><p>legislativa citada, só era possível a criação do regime de compensação</p><p>de jornada em uma empresa por meio de convenção ou acordo coletivo</p><p>de trabalho. A reforma trabalhista alterou essa situação, permitindo que</p><p>a empresa crie o regime de compensação de jornada, mediante acordo</p><p>individual, por escrito ou mesmo tácito (BRASIL, 1943, art. 59, § 6º).</p><p>Da mesma forma, é possível, mediante acordo individual, a estipulação</p><p>pela empresa da realização de até duas horas extras por dia (BRASIL,</p><p>1943, art. 59, caput). A redução do intervalo intrajornada para um</p><p>prazo mínimo de 30 minutos, nas jornadas superiores a seis horas, é</p><p>outro exemplo de negociação individual que pode ser realizada entre</p><p>empregado e empregador.</p><p>Nesse sentido, a reforma trabalhista, tornou as negociações coletivas</p><p>ou individuais nas relações de trabalho de grande importância,</p><p>podendo, inclusive, prevalecer sobre a legislação em algumas situações</p><p>específicas.</p><p>Nesse sentido, dispõe o artigo 611-A da CLT:</p><p>Art. 611-A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm</p><p>prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre:</p><p>37</p><p>I–pacto quanto à jornada de trabalho, observados os limites</p><p>constitucionais;</p><p>II–banco de horas anual;</p><p>III–intervalo intrajornada;</p><p>IV–adesão ao Programa Seguro-Emprego;</p><p>V–plano de cargos, salários;</p><p>VI–regulamento empresarial;</p><p>VII–representante dos trabalhadores no local de trabalho;</p><p>VIII–teletrabalho, regime de sobreaviso, e trabalho intermitente;</p><p>IX–remuneração por produtividade;</p><p>X–modalidade de registro de jornada de trabalho;</p><p>XI–troca do dia de feriado;</p><p>XII–enquadramento do grau de insalubridade;</p><p>XIII–prorrogação de jornada em ambientes insalubres;</p><p>XIV–prêmios de incentivo em bens ou serviços;</p><p>XV–participação nos lucros ou resultados da empresa. (BRASIL, 1943)</p><p>Além da negociação, vale destaque também a conciliação extrajudicial.</p><p>Alguns autores, inclusive, entendem que conciliação extrajudicial</p><p>e mediação seriam sinônimos. Porém, na conciliação extrajudicial,</p><p>as partes chegam, por si só, à solução do conflito, não trazendo o</p><p>conciliador propostas ou sugestões, visto que este somente auxilia</p><p>na aproximação dos pontos de vista. Já na conciliação extrajudicial,</p><p>o conciliador atua como um auxiliar, incentivando as partes a se</p><p>38</p><p>comporem e aconselhando-as sobre as vantagens da conciliação, mas</p><p>sem entrar no mérito da discussão, com o objetivo de pôr fim ao conflito</p><p>e evitar o Judiciário (CASSAR, 2018).</p><p>1.1 Mediação</p><p>Figura 2 – Mediação</p><p>Fonte:Sam Edwards/iStock.com.</p><p>A Lei n. 13.140/15 (BRASIL, 2015) regulamentou a mediação como</p><p>solução das controvérsias entre particulares, podendo, assim, ser</p><p>utilizada também na seara trabalhista. Logo em seu artigo 2º, a referida</p><p>lei traz os princípios que devem nortear uma mediação, sendo eles:</p><p>• Imparcialidade do mediador.</p><p>• Isonomia entre as partes.</p><p>• Oralidade.</p><p>• Informalidade.</p><p>39</p><p>• Autonomia da vontade das partes.</p><p>• Busca do consenso.</p><p>• Confidencialidade.</p><p>• Boa-fé.</p><p>Esses princípios demonstram claramente o papel da mediação e</p><p>do mediador na solução dos conflitos. Assim, o mediador deve ser</p><p>imparcial, não fazer nenhuma distinção entre as partes, permitir a</p><p>autonomia da vontade destas, buscar um consenso e, principalmente,</p><p>agir com boa-fé. A oralidade e a informalidade também constam como</p><p>princípios da mediação, embora, atualmente, também seja possível</p><p>encontrar métodos de mediação pela internet, cujo mediador atua por</p><p>meio de um chat escrito com a participação das partes.</p><p>A mediação pode tratar de qualquer conflito cível ou trabalhista e</p><p>de direitos disponíveis ou indisponíveis, mas que permitam uma</p><p>transação. Nos conflitos individuais, poderá atuar como mediadora</p><p>extrajudicial qualquer pessoa capaz que tenha a confiança das partes e</p><p>seja capacitada para fazer mediação, independentemente de integrar</p><p>ou estar inscrita em qualquer tipo de conselho, entidade de classe ou</p><p>associação (BRASIL, 2015, art. 9º).</p><p>É importante ressaltar que há uma distinção entre conciliador e</p><p>mediador. O conciliador atua como um observador do conflito, como</p><p>um agente passivo, deixando a iniciativa da conciliação para as partes.</p><p>Já o mediador interfere no conflito com opiniões e sugerindo soluções,</p><p>ou seja, é um agente ativo na solução do conflito, sem, é claro, intervir</p><p>de forma coercitiva sobre as partes. O mediador propõe soluções,</p><p>entrando, assim, no mérito do conflito (CASSAR, 2018).</p><p>Nos conflitos</p><p>coletivos do trabalho, segundo o artigo 616, § 1º, da</p><p>CLT (BRASIL, 1943), havendo recusa à negociação coletiva, cabe aos</p><p>40</p><p>sindicatos ou às empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o</p><p>caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais</p><p>do Ministério do Trabalho e Previdência Social para convocação</p><p>compulsória dos Sindicatos ou das empresas recalcitrantes.</p><p>Nesse caso, havendo a recusa à negociação coletiva, surgirá a mediação,</p><p>que deverá ser exercida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A</p><p>mediação também poderá ser realizada pelo delegado do trabalho ou</p><p>inspetor do trabalho. Na prática, é realizada uma mesa redonda com</p><p>a participação do representante do sindicato dos empregadores e o</p><p>representante do sindicato dos empregados, quando são expostas</p><p>as propostas de ambas as partes, cabendo ao mediador buscar uma</p><p>solução pacífica para o conflito.</p><p>Havendo acordo entre as partes, este será inserido na Convenção</p><p>Coletiva de Trabalho da respectiva categoria. Na ausência de acordo,</p><p>ocorrerá o dissídio coletivo.</p><p>Nos conflitos individuais do trabalho, a mediação também se mostra</p><p>presente em diversas situações. A representação dos trabalhadores na</p><p>empresa, por exemplo, é uma forma de mediação do direito do trabalho,</p><p>quando um empregado, representando os interesses de seus colegas</p><p>obreiros, medeia juntamente com o empregador as reivindicações de</p><p>sua classe trabalhadora.</p><p>Nesse sentido, a reforma trabalhista instituiu o artigo 510-A na CLT</p><p>(BRASIL, 1943), que dispõe que, nas empresas com mais de 200</p><p>empregados, é assegurada a eleição de uma comissão para representá-</p><p>los com a finalidade de promover-lhes o entendimento direto com os</p><p>empregadores. Entre as atribuições dessa comissão, temos a mediação</p><p>expressamente destacada no artigo 510-B da CLT, nos seus incisos III e</p><p>IV:</p><p>41</p><p>Art. 510-B. A comissão de representantes dos empregados terá as</p><p>seguintes atribuições: [...]</p><p>III–promover o diálogo e o entendimento no ambiente de trabalho com o</p><p>fim de prevenir conflitos;</p><p>IV–buscar soluções para os conflitos decorrentes da relação de trabalho,</p><p>de forma rápida e eficaz, visando à efetiva aplicação das normas legais e</p><p>contratuais; (BRASIL, 1943)</p><p>1.2 Arbitragem</p><p>Figura 3 – Arbitragem</p><p>Fonte:Pattanaphong Khuankaew/iStock.com</p><p>Segundo o art. 507-A da CLT (BRASIL, 1943), nos contratos individuais de</p><p>trabalho, cuja remuneração seja superior a duas vezes o limite máximo</p><p>estabelecido para os benefícios do Regime Geral de Previdência Social,</p><p>poderá ser pactuada cláusula compromissória de arbitragem, desde</p><p>42</p><p>que por iniciativa do empregado ou mediante a sua concordância</p><p>expressa. O referido artigo foi inserido a partir da reforma trabalhista</p><p>de 2017 (BRASIL, 2017) e estabelece a possibilidade de as partes</p><p>estipularem a arbitragem para a solução do conflito quando a</p><p>remuneração do empregado for superior a duas vezes o limite</p><p>máximo do regime geral da previdência social.</p><p>A Lei n. 9.307/96 (BRASIL, 1996) regulamenta a arbitragem no</p><p>Brasil. Logo em seu artigo 3º, dispõe que as partes interessadas</p><p>podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral</p><p>mediante convenção de arbitragem, assim entendidos a cláusula</p><p>compromissória e o compromisso arbitral. Essa cláusula</p><p>compromissória compreende, na prática, uma cláusula contratual</p><p>que, nos termos do artigo 507-A da CLT (BRASIL, 1943), poderá ser</p><p>inserida no contrato de trabalho do empregado ou mesmo aditada</p><p>posteriormente no contrato por iniciativa do empregado ou mediante</p><p>sua concordância expressa.</p><p>Assim, a reforma trabalhista deixou clara a possibilidade da</p><p>convenção da arbitragem nas relações de trabalho. A arbitragem</p><p>é uma forma de solução de conflito em que uma terceira pessoa,</p><p>que não é o Magistrado, soluciona o conflito. Essa terceira pessoa é</p><p>chamada de árbitro e pode ser qualquer pessoa capaz, que tenha a</p><p>confiança das partes. Na prática, é importante que o árbitro possua</p><p>um conhecimento jurídico, pois aplicam-se sobre ele as regras de</p><p>impedimento e suspeição do Juiz, previstas no artigo 447 do CPC</p><p>(BRASIL, 2015).</p><p>A Lei n. 9.307/96 (BRASIL, 1996) estipula as regras quanto ao</p><p>procedimento da arbitragem, podendo as partes poderão ser</p><p>representadas por advogado. Durante o processo de arbitragem,</p><p>serão assegurados os princípios constitucionais do contraditório, da</p><p>ampla defesa, da imparcialidade (nesse caso, do árbitro) e do livre</p><p>convencimento.</p><p>43</p><p>Não havendo conciliação, o árbitro irá colher as provas produzidas</p><p>no processo de arbitragem e, posteriormente, em até seis meses (as</p><p>partes podem convencionar um prazo menor), irá proferir a sentença</p><p>arbitral. Conforme disposto no artigo 31 da Lei n. 9.307/96 (BRASIL,</p><p>1996), a sentença arbitral produz, entre as partes e os eventuais</p><p>sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida na Justiça e,</p><p>inclusive, constitui título executivo.</p><p>1.3 Meios de solução extrajudicial</p><p>Entre os meios de solução extrajudicial dos conflitos entre empregado</p><p>e empregador, é importante destacarmos aqui as comissões de</p><p>conciliação prévia. Segundo o artigo 625-A da CLT (BRASIL, 1943), as</p><p>empresas e os sindicatos podem instituir Comissões de Conciliação</p><p>Prévia, de composição paritária, com representante dos empregados</p><p>e dos empregadores, com a atribuição de tentar conciliar os conflitos</p><p>individuais do trabalho. Essas comissões têm como objetivo a solução</p><p>extrajudicial dos conflitos envolvendo empregado e empregador, os</p><p>quais são resolvidos na própria empresa ou no sindicato da respetiva</p><p>categoria. Vale destacar que o artigo 625-A da CLT deixa claro que</p><p>tanto as empresas como os sindicatos podem criar suas respectivas</p><p>comissões.</p><p>Com relação à organização das comissões, elas são formadas por</p><p>representantes dos empregados e empregadores, com no mínimo</p><p>dois e no máximo dez membros das respectivas categorias. O quadro</p><p>a seguir demonstra a composição das Comissões de Conciliação</p><p>Prévia.</p><p>44</p><p>Quadro 1 – Comissão de Conciliação Prévia</p><p>Comissão de Conciliação Prévia</p><p>• Metade de seus membros é indicada</p><p>pelo empregador e a outra metade é</p><p>eleita pelos empregados, a partir de</p><p>uma votação em escrutínio secreta e</p><p>fiscalizada pelo sindicato de categoria</p><p>profissional.</p><p>• Haverá suplentes na mesma proporção</p><p>da composição dos representantes</p><p>titulares.</p><p>• O mandato dos titulares e suplentes</p><p>será de um ano, permitida uma</p><p>recondução.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>A comissão instituída pelo sindicato terá as suas normas de</p><p>funcionamento e a sua constituição estipuladas pela convenção coletiva</p><p>da categoria ou pelo acordo coletivo da categoria (BRASIL, 1943, art. 625-</p><p>C). Qualquer conflito trabalhista poderá ser submetido à Comissão de</p><p>Conciliação Prévia, se, na localidade da prestação de serviços, houver</p><p>sido criada a Comissão, quer internamente na empresa ou no sindicato</p><p>da respectiva categoria (BRASIL, 1943, art. 625-D).</p><p>É importante destacar as consequências da conciliação no âmbito</p><p>trabalhista. Nesse sentido, destaca o professor Élisson Miessa (2017):</p><p>a) terá eficácia liberatória geral, ou seja, havendo acordo na CCP</p><p>o empregado não poderá rediscutir perante a Justiça do Trabalho</p><p>nenhuma matéria relacionada ao contrato de trabalho extinto, salvo se</p><p>expressamente fizer ressalva no momento do acordo;</p><p>b) será título executivo extrajudicial, isto é, poderá ser executado</p><p>diretamente na Justiça do Trabalho. Desse modo, o empregado já ajuizará</p><p>45</p><p>a ação de execução extrajudicial, não havendo necessidade de um</p><p>processo de conhecimento, pois a dívida já está reconhecida no termo da</p><p>CCP. (MIESSA, 2017, p. 417)</p><p>É importante ressaltar que a Comissão de Conciliação Prévia deve</p><p>ser realizada em um prazo total de dez dias, podendo, durante o seu</p><p>procedimento, o prazo prescricional ser suspenso.</p><p>Diante disso, podemos concluir que os conflitos envolvendo empregado</p><p>e empregador, ou um grupo de empregados e empregadores, podem</p><p>ser resolvidos extrajudicialmente de várias formas, quer seja por meio</p><p>da mediação, arbitragem</p><p>ou das Comissões de Conciliação Prévia. Além</p><p>disso, essas formas de solução extrajudicial dos conflitos trabalhistas se</p><p>mostram de suma importância para a nossa sociedade, desafogando,</p><p>assim, o Judiciário e levando a uma rápida solução do conflito e,</p><p>consequentemente, ao bem-estar das partes envolvidas.</p><p>Referências bibliográficas</p><p>BRASIL. Decreto-lei n. 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das</p><p>Leis do Trabalho. Rio de Janeiro: Presidência da República, [1943]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 3 jun.</p><p>2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília,</p><p>DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.140, de 26 de junho de 2015. Dispõe sobre a mediação entre</p><p>particulares como meio de solução de controvérsias e sobre a autocomposição</p><p>de conflitos no âmbito da administração pública [...]. Brasília, DF: Presidência da</p><p>República, [2015]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-</p><p>2018/2015/Lei/L13140.htm. Acesso em: 3 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei n. 13.467, de 13 de julho de 2017. Altera a Consolidação das Leis do</p><p>Trabalho (CLT) [...]. Brasília, DF: Presidência da República, [2017]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/lei/l13467.htm. Acesso</p><p>em: 3 jun. 2020.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13140.htm.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/Lei/L13140.htm.</p><p>46</p><p>BRASIL. Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. Dispõe sobre a arbitragem.</p><p>Brasília, DF: Presidente da República, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.</p><p>gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm. Acesso em: 3 jun. 2020</p><p>CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do Trabalho de acordo com a reforma trabalhista.</p><p>16. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>CISNEIROS, Gustavo. Processo do Trabalho Sintetizado. 2. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense; São Paulo: Método, 2018.</p><p>JÚNIOR, Fredie Didier. Curso de Direito Processual Civil: Introdução ao direito</p><p>processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 17. ed. Salvador:</p><p>Juspodivm, 2015. p. 107.</p><p>LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho.. 17. ed.</p><p>São Paulo: Saraivajur, 2019. cap. vi. p. 399.</p><p>MIESSA, Élisson. Processo do Trabalho para concursos. 4. ed. Salvador: Juspodivm,</p><p>2017.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9307.htm</p><p>47</p><p>Acordo judicial e extrajudicial em</p><p>jurisdição voluntária</p><p>Autoria: Rafael Altafin Galli</p><p>Leitura crítica: Juliana Caramigo Gennarini</p><p>Objetivos</p><p>• Analisar o acordo judicial em jurisdição voluntária.</p><p>• Compreender o acordo extrajudicial.</p><p>• Estudar a homologação do acordo extrajudicial.</p><p>48</p><p>1. Acordo judicial em jurisdição voluntária</p><p>Figura 1 – Acordo</p><p>Fonte:seb_ra/iStock.com.</p><p>Neste tema, estudaremos os acordos judicial e extrajudicial em</p><p>jurisdição voluntária. Em um primeiro momento, veremos os aspectos</p><p>que envolvem a jurisdição e o acordo judicial e, em seguida, o acordo</p><p>extrajudicial e o seu processo de homologação na Justiça do Trabalho.</p><p>A jurisdição é a última e principal forma de solução dos conflitos de vida</p><p>em sociedade. Em apertada síntese, corresponde à busca do judiciário</p><p>para a solução dos conflitos. Porém, a jurisdição não é a única forma</p><p>de solução desses conflitos; historicamente, podemos destacar quatro</p><p>formas: autotutela, autocomposição, arbitramento e jurisdição.</p><p>A autotutela corresponde à solução do conflito pelas partes, com as suas</p><p>próprias forças, sem a intervenção do judiciário. Essa forma é proibida</p><p>em nosso ordenamento jurídico, pois sabemos que não é permitido</p><p>fazer justiça com as próprias forças.</p><p>A autocomposição corresponde, em apertada síntese, ao acordo</p><p>realizado entre as partes para a solução de um conflito, sendo</p><p>49</p><p>uma forma mais civilizada de solução de conflito em comparação à</p><p>autotutela. Ela pode ocorrer por meio da transação, da desistência ou da</p><p>renúncia.</p><p>Na Justiça do Trabalho, a autocomposição pode ocorrer por meio das</p><p>Comissões de Conciliação Prévia, realizadas na própria empresa ou no</p><p>sindicato, e também por meio de acordo extrajudicial, que pode ser</p><p>realizado entre as partes e, posteriormente, homologado na Justiça do</p><p>Trabalho. Aliás, o processo de homologação de acordo extrajudicial será</p><p>objeto de estudo em próximo tópico.</p><p>O arbitramento, também conhecido como arbitragem, corresponde a</p><p>uma forma de solução de conflito em que uma terceira pessoa, chamada</p><p>de árbitro, soluciona o conflito. A arbitragem está regulamentada em</p><p>nosso ordenamento jurídico pela Lei n. 9.307/96 (BRASIL, 1996).</p><p>A reforma trabalhista trouxe, em um dos seus artigos, a possibilidade</p><p>de estipulação entre empregado e empregador da convenção de</p><p>arbitragem. Nesse sentido, dispõe o artigo 507-A da CLT (BRASIL, 1943)</p><p>que, nos contratos individuais de trabalho cuja remuneração seja</p><p>superior a duas vezes o limite máximo estabelecido para os benefícios</p><p>do Regime Geral de Previdência Social, poderá ser pactuada cláusula</p><p>compromissória de arbitragem, desde que por iniciativa do empregado</p><p>ou mediante a sua concordância expressa.</p><p>Por último, temos a jurisdição, que corresponde à busca do judiciário</p><p>para a solução do conflito. O Magistrado, investido do poder</p><p>jurisdicional, procura solucionar o conflito existente entre as partes,</p><p>em especial entre empregado e empregador ou entre um grupo de</p><p>empregados e empregadores. Ela possui como características a LIDE</p><p>(conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida) não</p><p>resolvida; a inércia, visto que depende de provocação; e a imutabilidade</p><p>das suas decisões. Ela também possui princípios fundamentais inerentes</p><p>à sua concepção, sendo estes:</p><p>50</p><p>Quadro 1 – Princípios</p><p>Princípio da investidura</p><p>A jurisdição deve ser exercida pelo Magistrado</p><p>investido no cargo, ou seja, que foi aprovado</p><p>em um concurso de provas e títulos para, entre</p><p>outras funções, solucionar os conflitos de vida</p><p>em sociedade.</p><p>Princípio da aderência ao</p><p>território</p><p>A jurisdição adere a uma determinada comarca</p><p>e a um determinado território, cabendo ao</p><p>Magistrado somente julgar os processos dentro</p><p>da sua área jurisdicional. Na Justiça do Trabalho,</p><p>por exemplo, o foro competente para propor</p><p>uma reclamação trabalhista é o local onde o</p><p>empregado prestou o serviço, mesmo que este</p><p>resida em outra cidade.</p><p>Princípio da</p><p>indelegabilidade</p><p>A função jurisdicional é intransferível.</p><p>Princípio da</p><p>inevitabilidade</p><p>Significa que, uma vez provocada a jurisdição,</p><p>é inevitável que haverá a solução do conflito,</p><p>independentemente da vontade das partes.</p><p>Princípio da</p><p>inafastabilidade</p><p>A jurisdição não pode se afastar de solucionar</p><p>um conflito, quando provocada. Todos têm</p><p>direito de acesso ao poder judiciário, e, uma</p><p>vez provocado, este tem o dever de solucionar</p><p>o conflito. Aliás, na Justiça do Trabalho, vigora</p><p>o jus postulandi, ou seja, o direito de postular</p><p>em juízo sem advogado. Assim, o empregado</p><p>poderá buscar a Justiça do Trabalho por meio de</p><p>um advogado ou mesmo pessoalmente, sem a</p><p>participação de um procurador.</p><p>Princípio do juiz natural</p><p>Significa que todos têm o direito de ter o seu</p><p>processo julgado por um Magistrado togado,</p><p>independente e imparcial, investido no cargo, de</p><p>acordo com as regras constitucionais.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>51</p><p>Na Justiça do Trabalho, a jurisdição é exercida nas Varas do Trabalho.</p><p>Nesse sentido, dispõe o artigo 650 da CLT (BRASIL, 1943) que a</p><p>jurisdição de cada Vara do Trabalho abrange todo o território da</p><p>Comarca em que tem sede, somente podendo ser estendida ou</p><p>restringida por lei federal.</p><p>Após a propositura da reclamação trabalhista,</p><p>o juiz irá marcar uma</p><p>audiência, na qual o juiz deve propor uma conciliação entre as partes.</p><p>É importante ressaltar que a audiência pode ser apenas para tentar</p><p>um acordo entre as partes ou ser uma audiência única com tentativa</p><p>de conciliação, instrução e julgamento. Mesmo sendo essa última, o</p><p>juiz deverá, obrigatoriamente, propor uma conciliação ao início e ao</p><p>final da audiência.</p><p>Segundo o artigo 846 da CLT (BRASIL, 1943), aberta a audiência, o</p><p>juiz ou o presidente proporá a conciliação. Se houver acordo, lavrar-</p><p>se-á termo assinado pelo presidente e pelos litigantes, consignando-</p><p>se o prazo e as demais condições para seu cumprimento (parágrafo</p><p>primeiro). Entre essas condições, poderá ser estabelecida a de ficar a</p><p>parte que não cumprir o acordo obrigada a satisfazer integralmente o</p><p>pedido ou a pagar uma indenização convencionada, sem prejuízo do</p><p>cumprimento do acordo (parágrafo segundo).</p><p>É importante ressaltar que o acordo judicial entre reclamante e</p><p>reclamado poderá ocorrer não só na audiência, mas também em</p><p>qualquer momento processual. Quando ocorre em audiência, o</p><p>juiz homologa o acordo realizado pelas partes e já o transcreve na</p><p>ata, consignando eventuais prazos para o cumprimento do acordo</p><p>e de outras determinações legais, cabendo às partes e aos seus</p><p>procuradores, em ato contínuo, assinarem os termos do acordo,</p><p>transcritos na ata final.</p><p>Reflexões: A decisão do Magistrado, que homologa o acordo</p><p>judicial, deve indicar a natureza jurídica das parcelas constantes</p><p>52</p><p>no acordo celebrado, destacando o limite de responsabilidade</p><p>do reclamante e do reclamado com relação ao recolhimento das</p><p>contribuições previdenciárias (BRASIL, 1943, art. 832, § 3º).</p><p>Porém, o acordo entre as partes pode ocorrer em um outro momento</p><p>processual: na fase de conhecimento, recursal ou mesmo na fase de</p><p>execução.</p><p>É perfeitamente possível e comum as partes, por meio de seus</p><p>procuradores, resolverem pôr fim à demanda existente entre</p><p>elas com um acordo no curso da reclamação trabalhista. Quando</p><p>isso ocorre, os advogados devem transcrever o acordo em uma</p><p>petição intermediária, a qual será protocolizada eletronicamente na</p><p>reclamação trabalhista em andamento. Após tal ato, o juiz analisará</p><p>o acordo celebrado pelas partes e, antes de sua homologação,</p><p>convocará o reclamante para comparecer à Vara do Trabalho</p><p>pessoalmente e ratificar os termos do acordo transcrito na petição</p><p>protocolizada pelos advogados.</p><p>Na prática, mesmo constando na petição do acordo a assinatura do</p><p>reclamante e do reclamado, o juiz deverá convocar o reclamante</p><p>para ratificar pessoalmente os termos do acordo, devendo explicar,</p><p>inclusive, as consequências deste para, a partir da ratificação pessoal,</p><p>homologar o acordo celebrado e extinguir o processo com julgamento</p><p>do mérito. É importante ressaltar que na petição de acordo deve ser</p><p>discriminada a natureza jurídica das parcelas constantes no acordo,</p><p>destacando-se a responsabilidade do reclamante ou do reclamado</p><p>quanto ao pagamento das contribuições previdenciárias, se houver.</p><p>53</p><p>1.1 Acordo extrajudicial para extinção do contrato de</p><p>trabalho</p><p>Figura 2 – Acordo</p><p>Fonte:nimis69/iStock.com.</p><p>A reforma trabalhista de 2017 (BRASIL, 2017) inovou em um dos seus</p><p>artigos com a possibilidade de extinção do contrato de trabalho por</p><p>mútuo acordo entre empregado e empregador. A doutrina denomina</p><p>essa modalidade de extinção do contrato de trabalho como distrato,</p><p>em referência ao direito civil, que se refere a uma modalidade de</p><p>rescisão contratual na qual as partes, de comum acordo, resolvem</p><p>pôr fim ao o que foi anteriormente pactuado.</p><p>Essa modalidade de extinção do contrato de trabalho já vinha sendo</p><p>permitida pelo Tribunal Superior do Trabalho, em especial com</p><p>relação ao reconhecimento dos programas de demissão voluntária. A</p><p>Orientação Jurisprudencial n. 270 da SDI-I do TST dispõe que:</p><p>Programa de incentivo à demissão voluntária. Transação extrajudicial.</p><p>Parcelas oriundas do extinto contrato de trabalho. Efeitos. A transação</p><p>extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho ante a</p><p>decisão do empregado a plano de demissão voluntária implica quitação</p><p>54</p><p>exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo. (BRASIL,</p><p>2002)</p><p>O Programa de Demissão Voluntária (PDV), antes da reforma</p><p>trabalhista e do distrato regulamentado no artigo 484-A da CLT</p><p>(BRASIL, 1943), era a principal forma de extinção do contrato de</p><p>trabalho, por mútuo acordo entre as partes. Segundo a professora</p><p>Vólia Bomfim Cassar (2018):</p><p>O Programa de Demissão Voluntária (PDV) ou Programa de Incentivo à</p><p>Rescisão (PIR) ou Programa de Demissão Incentivada (PDI) pressupõe</p><p>a criação de um programa ou plano, pelo empregador, com algum tipo</p><p>de estímulo em dinheiro (prêmio), bens, serviços ou utilidades, para</p><p>estimular e atrair empregados a pedir demissão ou aceitar a dispensa.</p><p>Pode ser criado em norma interna da empresa ou convenção coletiva</p><p>de trabalho. Quando previsto em convenção coletiva, gerará a plena,</p><p>irrevogável e ampla quitação geral de todos os direitos decorrentes do</p><p>contrato de trabalho. (CASSAR, 2018, p. 1.021)</p><p>A legalidade do Programa de Demissão Voluntária, como uma</p><p>forma de extinção do contrato de trabalho por mútuo acordo,</p><p>restou reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal</p><p>Superior do Trabalho, conforme Orientação Jurisprudencial n. 270</p><p>da SDI-I (BRASIL, 2002). Nesse sentido, com base nesse programa, já</p><p>reconhecido pelo Poder Judiciário e adotado em diversas convenções</p><p>coletivas, a reforma trabalhista criou o artigo 484-A da CLT (BRASIL,</p><p>1943), regularizando, assim, a possibilidade de extinção do contrato</p><p>de trabalho por mútuo acordo entre as partes.</p><p>Diferentemente do PDV, que, em regra, ocorre de forma coletiva, ou</p><p>seja, quando a empresa decide rescindir o contrato de trabalho de</p><p>uma parcela significativa do seu quadro de funcionários, a extinção</p><p>do contrato de trabalho por mútuo acordo, nos termos do artigo</p><p>484-A, ocorre de forma individual entre empregado e empregador.</p><p>É importante ressaltar que, ocorrendo essa forma de extinção do</p><p>55</p><p>contrato de trabalho, serão devidas ao empregado as seguintes</p><p>verbas trabalhistas (BRASIL, 1943, art. 484-A):</p><p>Quadro 2 – Verbas decorrentes de extinção do contrato por rescisão</p><p>Pela metade, o valor referente ao aviso-prévio, quando indenizado.</p><p>Pela metade, a indenização sobre o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de</p><p>Serviço, ou seja, se na dispensa sem justa causa, por exemplo, a multa do FGTS</p><p>a ser paga ao empregado corresponder a 40% do saldo do FGTS, na dispensa</p><p>por mútuo acordo, essa multa será de 20% sobre o respectivo saldo.</p><p>Na integralidade, as demais verbas, como férias proporcionais + 1/3, saldo de</p><p>salário, 13º salário proporcional, entre outras.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>É importante ressaltar que a extinção do contrato de trabalho por</p><p>mútuo acordo, nos termos do artigo 484-A da CLT (BRASIL, 1943),</p><p>permite que o empregado realize o saque do numerário existente</p><p>em sua conta no FGTS limitado em até 80% do valor dos depósitos</p><p>(art. 484-A, § 1º, CLT). Além disso, esse tipo de extinção do contrato</p><p>de trabalho não permite ao empregado solicitar ao Ministério do</p><p>Trabalho e Emprego o seguro-desemprego.</p><p>56</p><p>2. Acordo extrajudicial em jurisdição voluntária</p><p>Figura 3 – Acordo</p><p>Fonte:undefined undefined/iStock.com.</p><p>A reforma trabalhista (BRASIL, 2017) também inovou no direito e no</p><p>processo do trabalho, regulamentando a possibilidade de homologação</p><p>do acordo extrajudicial realizado entre empregado e empregador, ou</p><p>seja, após a rescisão de um contrato de trabalho as partes, de comum</p><p>acordo, podem homologar voluntariamente a extinção desse contrato</p><p>na Justiça do Trabalho. Trata-se de um processo de jurisdição voluntária</p><p>no qual o empregado e o empregador, de comum acordo e de forma</p><p>voluntária, resolvem homologar a rescisão do contrato na Justiça do</p><p>Trabalho.</p><p>A reforma trabalhista incluiu no artigo 855 da CLT (BRASIL, 1943) a</p><p>regulamentação referente a esse processo</p>