Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
REVISÃO PROCESSO DO TRABALHO 
Introdução ao Processo do Trabalho 
Fundamentos do Direito Processual do Trabalho, iniciando com conceitos básicos da 
Ciência Processual segundo Francesco Carnelutti, como: 
• Bem, interesse, pretensão, lide, processo e suas causas (material, formal, 
eficiente e final). 
• Destaca a função do processo como meio estatal de composição da lide, e o 
papel da ação como instrumento de provocação do Judiciário. 
Aborda as espécies de processos judiciais: 
• Civil (patrimônio e estado da pessoa), 
• Penal (liberdade), 
• Trabalhista (verbas salariais e indenizatórias). 
Características do Processo do Trabalho 
• Jurisdição própria (VT, TRT, TST, STF); 
• Função conciliatória; 
• Legislação própria (CLT); 
• Poder normativo nos dissídios coletivos. 
Evolução Histórica do Processo 
• Direito Romano: ações confundidas com o direito material, processo 
inquisitório. 
• Costumes bárbaros: provas irracionais (ordálias). 
• Processo Canônico: inquirição escrita e decisão colegiada. 
• Glosadores e Comentadores: uso do Corpus Iuris Civilis. 
• Praxismo: influência das Ordenações do Reino em Portugal e Brasil. 
• Procedimentalismo: combate ao processo inquisitório, valorização da 
oralidade, publicidade e fundamentação. 
 
2 
• Processualismo Científico Moderno: distinção entre direito material e 
processual, com ênfase na função pública do processo. 
Processo na Era Digital 
• Início com digitalização dos autos; 
• Implantação do processo judicial eletrônico (a partir de 2012); 
• Virtualização das audiências e sessões com a pandemia da Covid-19 (2020). 
DIREITO MATERIAL – direito do trabalho – clt, leis etc. 
DIREITO FORMAL – processo do trabalho 
I. Processo de conhecimento – crise de certeza (dúvida sobre a afirmação do 
reclamante) 
II. Processo de execução – crise de adimplemento (pagamento) 
III. Processo cautelar – crise de segurança (testemunha adoece, empresa começa a 
perder dinheiro) 
 
ESTRUTURA 
Tribunal Superior do Trabalho ------------ 
Tribunal Regional Trabalho ----------- 
Varas do Trabalho --------------- 
Obs. Caso haja matéria constitucional pode subir para o STF. 
 
FASES DO PROCESSO DO TRABALHO 
I. Postulatória – Petição inicial, notificação e defesa. 
II. Saneamento – realizado em audiência. 
 
3 
III. Instrutória – produção de provas em audiência. (documentos, testemunhas, 
depoimento...) 
IV. Decisória – proferimento da sentença em audiência. 
V. Recursal – interposição de recursos. 
Petição Inicial – escrita ou oral - Art. 840 CLT 
 Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. 
§ 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do 
juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que 
resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com 
indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu 
representante. 
§ 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas 
vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que 
couber, o disposto no § 1o deste artigo. 
§ 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste 
artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. 
Art. 853 CLT obrigatoriamente escrita. 
 Art. 853 - Para a instauração do inquérito para apuração de 
falta grave contra empregado garantido com estabilidade, o 
empregador apresentará reclamação por escrito à Junta ou Juízo de 
Direito, dentro de 30 (trinta) dias, contados da data da suspensão do 
empregado. 
 
DA JURISDIÇÃO E DA COMPETENCIA 
a) Jurisdição: O Poder Judiciário é responsável por dizer o direito, ou seja, aplicar a 
jurisdição. 
 
4 
O termo jurisdição é de origem latina “jurisdictio”, podendo ser definida como o 
poder estatal de aplicar o direito, ou seja, de decidir, em relação a um caso concreto 
(lide). 
Segundo Marcelo Abelha, a jurisdição é a “função do Estado de, quando 
provocado, substituindo a vontade das partes, e mediante um processo 
democrático e justo, reconhecer e efetivar a tutela jurisdicional realizando assim a 
paz social”. 
Portanto, é o poder que o estado dá ao juiz de dizer o direito no caso concreto. Essa 
decisão tem força de lei entre as partes. 
Da mihi factum, dabo tibi jus: O princípio "Da mihi factum, dabo tibi jus" significa 
"Narra-me os fatos e eu te darei o Direito". Refere-se à necessidade de conhecer os fatos 
concretos de um caso para aplicar corretamente a lei. 
 
b) Competência: No que tange a competência deverão ser estudados o artigo 114 da 
Constituição Federal, bem como os artigos 643, 652, 653 e 659, todos da CLT) 
A competência é um critério de distribuição da jurisdição entre os diversos juízes. 
Os critérios de competência da Justiça trabalhista são repartidos em razão: das 
matérias (também chamada de razão objetiva ou em razão da natureza da relação 
jurídica); das pessoas (em razão da qualidade das partes envolvidas na controvérsia 
jurídica); em razão do lugar (também chamada de competência territorial) e em razão 
da função (também denominada competência em razão da hierarquia dos órgãos 
judiciários ou competência interna). 
 
COMPETENCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA: 
A competência material também é chamada de razão objetiva ou em razão da 
natureza da relação jurídica. É aquela competência para o julgamento de qualquer 
 
5 
conflito que decorra de relação de trabalho, isto é, a causa que envolva relação de 
emprego e trabalho. 
A Justiça do Trabalho é justiça federal especializada para resolver causas 
trabalhistas. 
Art. 114 - Compete à Justiça do Trabalho processar e 
julgar: 
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes 
de direito público externo e da administração pública direta e indireta 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
II as ações que envolvam exercício do direito de greve 
III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre 
sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; 
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , 
quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua 
jurisdição; 
V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição 
trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o 
VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, 
decorrentes da relação de trabalho; 
VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas 
aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de 
trabalho; 
VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas 
no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das 
sentenças que proferir; 
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na 
forma da lei. 
 
6 
§ 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger 
árbitros. 
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou 
à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar 
dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do 
Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais 
de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas 
anteriormente. 
§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com 
possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do 
Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do 
Trabalho decidir o conflito. 
 
COMPETENCIA FUNCIONAL 
A competência Funcional é aquela fixada em razão de certas atribuições 
específicas conferidas aos órgãos judiciais em determinados processos. Estão em vários 
diplomas legais. (também denominada competência em razão da hierarquia dos órgãos 
judiciários ou competência interna). 
Competência funcional decorre das funções exercidas pelo juiz em 
determinado processo de acordo com as suas fases, ou seja, funções diferentes 
desempenhadasno decorrer do procedimento, inclusive quanto ao grau de jurisdição. A 
competência hierárquica é uma espécie de competência funcional por se referir à 
competência originária para conhecer e decidir a causa bem como à competência 
recursal, ou seja, para o julgamento de eventual recurso. (GARCIA, 2017). 
 
COMPETENCIA EM RAZÃO DO LOCAL – Artigo 651 da CLT 
É determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, 
prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no 
estrangeiro – Artigo 651 da CLT. (também chamada de competência territorial). 
 
7 
“O apego arraigado ao artigo 651, da CLT, pode, em alguns casos, conduzir à 
denegação da Justiça, mediante o negatório do acesso ao Judiciário, princípio este 
insculpido no art. 5°, XXXV, Constituição Federal. Desta sorte, a interpretação da 
norma processual há de se pautar no asseguramento real e efetivo do acesso à Justiça. 
Esta ilação, podere-se, em passant, robustece-se ao lume do Direito Obreiro, onde se 
prima pela proteção do hipossuficiente (na expressão de Cesarino Jr)” (MARQUES, 
Gérson. Processo do trabalho anotado. São Paulo: RT, 2001. P. 47) 
 
DA COMPETENCIA ABSOLUTA E RELATIVA 
a) A competência absoluta compreende as questões ligadas ao interesse do Estado, 
quais sejam, material, pessoal ou funcional. Nestes casos trata-se de nulidade 
absoluta e deve ser declarada de ofício, em qualquer fase do processo. 
A Competência absoluta é de interesse do Estado, jamais poderá ser modificada. 
Não existe a possibilidade de alteração de foro por convenção das partes. (Artigo 62 do 
CPC). A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é 
inderrogável por convenção das partes. 
 Poderá ser 1- Material, 2- Pessoal e 3 - Funcional 
Sentença proferida por juiz incompetente, cabe ação rescisória. 
b) Competência relativa está ligada ao interesse das partes, compreendendo o 
1- território e 2 - valor da causa. Sendo relativa é de interesse das Partes (privado) 
As partes também podem suscitar a questão de incompetência, devendo a 
relativa ser alegada em sede de preliminar, na contestação, enquanto que a 
incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer outro momento, conforme 
artigo 64, §1º do CPC. 
Dessa forma, a relativa só pode ser requerida pelo réu, no prazo da resposta, 
sob a penalidade de preclusão (artigo 65 do CPC). O juiz não pode reconhecê-la de 
ofício, mas o Ministério Público pode alegá-la em benefício de réu incapaz se convir. 
 
8 
Caso não for arguida no momento oportuno o juiz incompetente passa ser 
competente 
Destaque-se que deverá ser alegada por meio de exceção de competência, que faz 
após 05 dias do recebimento da notificação. (Conforme CLT: Artigo 800. Apresentada 
exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da notificação, 
antes da audiência e em peça que sinalize a existência desta exceção, seguir-se-á o 
procedimento estabelecido neste artigo. 
Além disso, no caso de a ação ter terminado com a existência de decisão de mérito 
transitada em julgado proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente, o 
artigo 966 do CPC prevê a possibilidade da propositura de ação rescisória. 
 A competência territorial é relativa. Exige alegação da parte interessada. No 
silêncio, ocorre prorrogação. dar-se-á a prorrogação da competência e o juiz que era 
incompetente passa a ser competente. 
 
ATENÇÃO: 
Foro de eleição – Quando as partes, acordam em um contrato, que eventual demanda será 
resolvida em determinado local. Ocorre que tal foro de eleição não é admitido no 
processo do trabalho, pois o artigo 651 da CLT é norma cogente (publica). 
 
 
 
9 
JUÍZES DO TRABALHO 
1- Artigo 111, inciso III, da Constituição Federal; 
 Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: 
III - Juizes do Trabalho. 
2- Varas do Trabalho, Artigo 112 da Constituição Federal 
Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, 
podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, 
atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo 
Tribunal Regional do Trabalho. 
Juiz do Trabalho (Juiz Singular) - extinção das Juntas de Conciliação e Julgamento (EC 
24/1999). 
Ressalte-se que nas comarcas não abrangidas pela jurisdição trabalhista tramitará 
perante os Juízes de Direito. Recurso será o respectivo Tribunal Regional do Trabalho 
(TRT - Art. 112, CF) e não Tribunal de Justiça. 
Forma de Ingresso – Artigo 93 da Constituição Federal 1988. (Os Juízes do Trabalho 
devem manter perfeita conduta pública e privada e abster-se de atender solicitações ou 
recomendações relativas aos processos sob sua apreciação (artigo 658 da CLT). 
 
II.I GARANTIAS DOS JUÍZES: (ARTIGO 95, CF) 
 Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: 
I - vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida 
após dois anos de exercício, dependendo a perda do cargo, nesse 
período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver 
vinculado, e, nos demais casos, de sentença judicial transitada 
em julgado; 
 
10 
II - inamovibilidade, salvo por motivo de interesse 
público, na forma do art. 93, VIII; 
III - irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto 
nos arts. 37, X e XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. 
Parágrafo único. Aos juízes é vedado: 
I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou 
função, salvo uma de magistério; 
II - receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou 
participação em processo; 
III - dedicar-se à atividade político-partidária. 
IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou 
contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, 
ressalvadas as exceções previstas em lei; 
V - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se 
afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do cargo 
por aposentadoria ou exoneração. 
a) Vitaliciedade (após dois anos do exercício da magistratura), somente podendo 
perder o cargo por sentença judicial transitada em julgado); 
b) Inamovibilidade (somente pode ser removido por interesse público, por voto 
de dois terços do respectivo tribunal, assegurada ampla defesa) e 
c) Irredutibilidade de subsidíos. 
 Tendo em vista ser Juiz, não poderá exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo 
ou função, salvo, uma de magistério (inciso I, do artigo 95 da CF) 
Ainda, é vedado dedicar-se à atividade político-partidária (inciso III,do artigo 95 da 
CF) 
 
11 
 II,II ATUAÇÃO DO MAGISTRADO EM PRIMEIRO GRAU DE 
JURISDIÇÃO: 
Em apertada síntese, desempenha os trabalhos no Primeiro Grau de Jurisdição, em 
reclamatórias trabalhistas, ação de inquérito para apuração de falta grave, prestação de 
contas, consignação em pagamento, mandado de segurança, ação civil pública, cobrança 
de multas trabalhistas, anulatória de auto infração. 
Lembrete prático: 
Os juízes que atuam no segundo grau são chamados de Desembargadores. 
 
III - TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO – TRTS 
Artigos 111 e 115, ambos da Constituição Federal 
 Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: 
II - os Tribunais Regionais do Trabalho; 
I. Composição: Desembargadores. 
II. Objetivo: Via de regra, decidir/julgar os recursos interpostos das 
decisões proferidas pelos juízes do trabalho (Primeiro Grau) – Recurso ordinário e 
agravo de petição; 
III. Competência originaria: - ações que devem ser interpostas diretamente 
no tribunal: 
a) Dissidio coletivo – âmbito do tribunal (quando os sindicatos são regionais); 
b) Mandado de segurança; 
c) Ação rescisória – decisão prolatada pelo Juízo de Primeiro Grau 
d) Ação anulatória de cláusula de acordo ou convenção coletiva – âmbito, 
competência do tribunal – Ex: convenção que viola direito previsto em lei; 
e) Habeas Corpus (H.C.) – Caso em que o magistrado do Trabalho determina 
prisão da parte (questionar). 
 
12 
COMPOSIÇÃO: 
No mínimo, no mínimo, setejuízes, recrutados, quando possível, na respectiva 
região e nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 
trinta e menos de setenta anos de idade, sendo (Artigo 115 da CF) 
Os Tribunais Regionais do Trabalho constituem a 2ª Instância da Justiça do 
Trabalho no Brasil. São 24 (vinte e quatro) Tribunais Regionais, que estão 
distribuídos pelo território nacional. 
O Estado de São Paulo possui dois Tribunais Regionais do Trabalho: o da 2ª 
Região, sediado na capital do estado e o da 15ª Região, com sede em Campinas. 
Os Tribunais Regionais do Trabalho têm competência para apreciar recursos 
ordinários e agravos de petição e, originariamente, apreciam dissídios coletivos, 
ações rescisórias, mandados de segurança, entre outros. 
 
O PREENCHIMENTO DAS VAGAS: 
Artigo 115 da CONSTITUIÇÃO FEDERAL: 
I - um quinto dentre advogados com mais de dez anos 
de efetiva atividade profissional e membros do Ministério 
Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo 
exercício, observado o disposto no art. 94; 
II - os demais, mediante promoção de juízes do trabalho 
por antiguidade e merecimento, alternadamente 
§ 1º Os Tribunais Regionais do Trabalho instalarão a 
justiça itinerante, com a realização de audiências e demais 
funções de atividade jurisdicional, nos limites territoriais da 
respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e 
comunitários 
 
13 
§ 2º Os Tribunais Regionais do Trabalho poderão 
funcionar descentralizadamente, constituindo Câmaras 
regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à 
justiça em todas as fases do processo. 
1) Advogados (OAB); Exige-se mais de dez anos de carreira, notório saber jurídico 
e reputação ilibada. A OAB indica lista sêxtupla, o tribunal escolhe lista tríplice 
e encaminha para escolha de um nome pelo Presidente da República. Art. 93 da 
CF. 
2) Membros do Ministério Público do Trabalho (MTP). Os procuradores também 
devem ter mais de dez anos de carreira, sendo a lista sêxtupla elaborada pela 
Procuradoria Geral, já que a carreira não é regionalizada. O Tribunal reduz a 
lista a tríplice e envia ao Poder Executivo, para nomeação. 
Ressalte-se que o artigo 94 da Constituição Federal regula o quinto constitucional (1 
quinto dos desembargadores do tribunal vem da advocacia (OAB) ou MP do ministério 
do trabalho - MPT). 
 Os Tribunais podem ser divididos em turmas, cada uma formada por três juízes. 
 “Justiça itinerante” e a possibilidade de funcionar descentralizadamente, 
constituindo Câmaras regionais. Artigo 115, par. 1º e 2º da Constituição Federal. 
 
TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – TST 
Artigo 111, inciso I da Constituição Federal 
Art. 111. São órgãos da Justiça do Trabalho: 
I - o Tribunal Superior do Trabalho; 
Disposição: 
O artigo 111-A, da CF, dispõe que o TST será composto por 27 ministros escolhidos 
entre brasileiros com mais de 35 anos e menos de 70 anos, nomeados pelo Presidente 
 
14 
da República, após prévia aprovação no Senado Federal, um quinto dentre advogados 
com mais de dez anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério 
Público do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício. Os demais dentre juízes 
dos Tribunais Regionais do Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados 
pelo próprio Tribunal Superior. Não precisam ser brasileiros natos, podendo ser 
naturalizados. Apenas para o STF é preciso ser brasileiro nato. 
 Art. 111-A. O Tribunal Superior do Trabalho compõe-se 
de vinte e sete Ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais 
de trinta e cinco e menos de setenta anos de idade, de notável 
saber jurídico e reputação ilibada, nomeados pelo Presidente da 
República após aprovação pela maioria absoluta do Senado 
Federal, sendo: 
I um quinto dentre advogados com mais de dez anos de 
efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público 
do Trabalho com mais de dez anos de efetivo exercício, 
observado o disposto no art. 94; 
II os demais dentre juízes dos Tribunais Regionais do 
Trabalho, oriundos da magistratura da carreira, indicados pelo 
próprio Tribunal Superior. 
§ 1º A lei disporá sobre a competência do Tribunal 
Superior do Trabalho. 
§ 2º Funcionarão junto ao Tribunal Superior do 
Trabalho: 
I a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de 
Magistrados do Trabalho, cabendo-lhe, dentre outras funções, 
regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na 
carreira; 
II o Conselho Superior da Justiça do Trabalho, cabendo-
lhe exercer, na forma da lei, a supervisão administrativa, 
 
15 
orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de 
primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas 
decisões terão efeito vinculante. 
§ 3º Compete ao Tribunal Superior do Trabalho 
processar e julgar, originariamente, a reclamação para a 
preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas 
decisões. 
 O TST só julga matéria de direito, não julga matéria fática 
 
 V. MINISTÉRIO PÚBLICO 
 Órgão independente. Não tem vínculo com o Poder Judiciário. 
Tem como função a fiscalização do judiciário, do executivo e do legislativo. 
 A partir da CF/88 o MP deixou de ser órgão do Poder Executivo, passando a ser 
considerado uma “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, 
incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses 
sociais e individuais indisponíveis”. (art. 127). 
 Consoante artigo 128 da Constituição Federal, o Ministério Público pode ser 
dividido em: 
 I - o Ministério Público da União, que compreende: 
a) o Ministério Público Federal; 
b) o Ministério Público do Trabalho; 
c) o Ministério Público Militar; 
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios; 
II - os Ministérios Públicos dos Estados. (Promotores e Procuradores de Justiça). 
 
16 
 Os membros do MP desfrutam das mesmas garantias asseguradas aos 
Magistrados: 
a) vitaliciedade, 
b) inamovibilidade; 
c) irredutibilidade de subsídios. 
 O Ministério Público do Trabalho pertence ao Ministério Público da União, com 
autonomia funcional e administrativa, sem vinculação ao Poder Executivo. 
 Não tem mais por objetivo defender interesses da União, tarefa que cabe à 
Advocacia-geral da União. 
 O chefe do Ministério Público da União é o procurador-geral da República, 
nomeado pelo Presidente da República. 
 
Da Competência, dos Órgãos e da Carreira 
 Art. 85. São órgãos do Ministério Público do 
Trabalho: (A Lei Complementar 75, de 20/5/1993) 
 I - o Procurador-Geral do Trabalho; 
 II - o Colégio de Procuradores do Trabalho; 
 III - o Conselho Superior do Ministério Público do 
Trabalho; 
 IV - a Câmara de Coordenação e Revisão do 
Ministério Público do Trabalho; 
 V - a Corregedoria do Ministério Público do 
Trabalho; 
 VI - os Subprocuradores-Gerais do Trabalho; 
 
17 
 VII - os Procuradores Regionais do Trabalho; 
 VIII - os Procuradores do Trabalho. 
 
 Art. 86. A carreira do Ministério Público do Trabalho 
será constituída pelos cargos de Subprocurador-Geral do 
Trabalho, Procurador Regional do Trabalho e Procurador do 
Trabalho. 
 Parágrafo único. O cargo inicial da carreira é o de 
Procurador do Trabalho e o do último nível o de Subprocurador-
Geral do Trabalho. 
 
 O procurador-geral do Trabalho é o chefe do Ministério Público do Trabalho e 
exerce seu ofício perante o plenário do TST, instância onde atuam os subprocuradores-
gerais. Os Procuradores do Trabalho são designados para funcionar junto aos TRT e, na 
forma das leis processuais, nos litígios trabalhistas que envolvam, especialmente, 
interesses de menores e incapazes. 
 A competência está definida no art. 83 da Lei Complementar 75/93: 
Art. 83. Compete ao Ministério Público do Trabalhoo 
exercício das seguintes atribuições junto aos órgãos da Justiça 
do Trabalho: 
 I - promover as ações que lhe sejam atribuídas pela 
Constituição Federal e pelas leis trabalhistas; 
II - manifestar-se em qualquer fase do processo 
trabalhista, acolhendo solicitação do juiz ou por sua iniciativa, 
quando entender existente interesse público que justifique a 
intervenção; 
 
18 
 III - promover a ação civil pública no âmbito da 
Justiça do Trabalho, para defesa de interesses coletivos, quando 
desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente 
garantidos; 
IV - propor as ações cabíveis para declaração de nulidade 
de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva 
que viole as liberdades individuais ou coletivas ou os direitos 
individuais indisponíveis dos trabalhadores; 
 V - propor as ações necessárias à defesa dos direitos 
e interesses dos menores, incapazes e índios, decorrentes das 
relações de trabalho; 
VI - recorrer das decisões da Justiça do Trabalho, quando 
entender necessário, tanto nos processos em que for parte, como 
naqueles em que oficiar como fiscal da lei, bem como pedir 
revisão dos Enunciados da Súmula de Jurisprudência do 
Tribunal Superior do Trabalho; 
VII - funcionar nas sessões dos Tribunais Trabalhistas, 
manifestando-se verbalmente sobre a matéria em debate, sempre 
que entender necessário, sendo-lhe assegurado o direito de vista 
dos processos em julgamento, podendo solicitar as requisições e 
diligências que julgar convenientes; 
 VIII - instaurar instância em caso de greve, quando 
a defesa da ordem jurídica ou o interesse público assim o exigir; 
IX - promover ou participar da instrução e conciliação 
em dissídios decorrentes da paralisação de serviços de qualquer 
natureza, oficiando obrigatoriamente nos processos, 
manifestando sua concordância ou discordância, em eventuais 
acordos firmados antes da homologação, resguardado o direito 
de recorrer em caso de violação à lei e à Constituição Federal; 
 
19 
 X - promover mandado de injunção, quando a 
competência for da Justiça do Trabalho; 
 XI - atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas 
partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho; 
 XII - requerer as diligências que julgar convenientes 
para o correto andamento dos processos e para a melhor solução 
das lides trabalhistas; 
XIII - intervir obrigatoriamente em todos os feitos nos 
segundo e terceiro graus de jurisdição da Justiça do Trabalho, 
quando a parte for pessoa jurídica de Direito Público, Estado 
estrangeiro ou organismo internacional. 
 Promover ações, manifestar-se em qualquer fase do processo trabalhista, quando 
entender existente interesse público que justifica sua intervenção, sendo esta obrigatória 
no segundo e terceiro graus quando a parte for pessoa jurídica de Direito Público, 
Estado estrangeiro ou organismo internacional, promover ação civil pública, ações de 
declaração de nulidade de cláusula de contrato, acordo coletivo ou convenção coletiva. 
Artigo. 793 da CLT.: 
 A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será 
feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela 
Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo 
Ministério Público estadual ou curador nomeado em juízo. 
Assim, na falta de representantes legais de menores de 14 a 18 anos, a Procuradoria 
Regional, por intermédio de um procurador, funcionará, na primeira instância, como 
curador à lide nos dissídios individuais – Art. 793 da CLT. 
 
EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 80, DE 4 DE JUNHO DE 2014 
 Altera o Capítulo IV - Das Funções 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/emc%2080-2014?OpenDocument
 
20 
Essenciais à Justiça, do Título IV - Da 
Organização dos Poderes, e acrescenta 
artigo ao Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias da 
Constituição Federal. 
As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, nos termos do § 3º do art. 60 
da Constituição Federal, promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional: 
Art. 1º O Capítulo IV - Das Funções Essenciais à Justiça, do Título IV - Da 
Organização dos Poderes, passa a vigorar com as seguintes alterações: 
Art. 134. A Defensoria Pública é instituição permanente, 
essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, 
como expressão e instrumento do regime democrático, 
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos 
direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e 
extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma 
integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV 
do art. 5º desta Constituição Federal. 
............................................................................................
..... 
§ 4º São princípios institucionais da Defensoria Pública a 
unidade, a indivisibilidade e a independência funcional, 
aplicando-se também, no que couber, o disposto no art. 93 e no 
inciso II do art. 96 desta Constituição Federal."(NR) 
Art. 2º O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias passa a vigorar acrescido do 
seguinte art. 98: 
"Art. 98. O número de defensores públicos na unidade 
jurisdicional será proporcional à efetiva demanda pelo serviço 
da Defensoria Pública e à respectiva população. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art134.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art134%C2%A74
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#adctart98
 
21 
§ 1º No prazo de 8 (oito) anos, a União, os Estados e o 
Distrito Federal deverão contar com defensores públicos em 
todas as unidades jurisdicionais, observado o disposto no caput 
deste artigo. 
§ 2º Durante o decurso do prazo previsto no § 1º deste 
artigo, a lotação dos defensores públicos ocorrerá, 
prioritariamente, atendendo as regiões com maiores índices de 
exclusão social e adensamento populacional." 
 
 
 
 
DISSÍDIOS INDIVIDUAIS TRABALHISTAS E SUAS CARACTERÍSTICAS. 
I- Intróito: 
Conceito: O significado original da palavra dissídio é divergência, aplicada 
principalmente em âmbito jurídico para nomear os processos de disputa 
(contenda). No direito trabalhista, o termo indica conflito, discórdia e desavença 
sobre as relações de trabalho. 
Assim, utiliza-se a palavra dissídio para denominar os processos judiciais 
que buscam solucionar os conflitos de trabalho, sejam coletivos ou individuais. 
De acordo com os artigos 643 e 763 da Consolidação das Leis do Trabalho 
(CLT) e artigo 114 da Constituição Federal, cabe à Justiça do Trabalho processar e 
julgar dissídios de ações trabalhistas. 
No caso em tela, o dissídio individual parte de ações movidas por determinadas 
pessoas, simplesmente denominadas trabalhador e empregador. 
Destaque-se as principais características do dissídio individual: 
 
22 
a) A ação tem por objeto interesses concretos de indivíduos; 
b) Os sujeitos da relação processual são o empregado e empregador; 
c) A esfera de interesse é totalmente particular; 
d) A reclamação escrita pode ser submetida pelo próprio autor em juízo; 
e) A sentença costuma ser perene, em vez de possuir um tempo determinado. 
Na mesma baila, há ainda o dissídio individual simples, que inclui apenas um 
sujeito, e o dissídio individual plúrimo, que reúne diferentes pessoas em um grupo com 
interesse singular. 
 
Quando o dissídio ocorre, o trabalhador entra na Justiça do Trabalho contra o 
empregador na tentativa de fazer valer os seus interesses. 
Cumpre ressaltar que motivações comuns para essa situação são: 
a) Reajuste salarial; 
b) Equiparação salarial; 
c) Cobrança ou desavença quanto ao acerto de verbas rescisórias considerando 
variáveis como as horas extras, além do FGTS e do 13° salário. 
Como dito anteriormente, o processo de dissídio individual acontece na esfera 
particular por ser uma questão direta entreum trabalhador e o empregador. Procura-se 
evitar que novos dissídios individuais ocorram, sobretudo tendo em mente que um caso 
pode desencadear outros similares. (Cite-se como exemplo quando os demais 
funcionários se dão conta de que a ação movida pelo colega ou ex-colega de trabalho foi 
bem-sucedida) 
 
I.I - DOS TIPOS DE DISSÍDIO INDIVIDUAL 
No que tange ao tema, existem três tipos de dissídio individual, quais sejam: 
1) O Simples - é aquele em que apenas um trabalhador/empregado aciona a 
Justiça do Trabalho contra um ou mais empregadores 
 
23 
2) O Plúrimo : é aquele em que dois ou mais trabalhadores unem forças contra 
um ou mais empregadores. O termo jurídico utilizado é litisconsórcio que é 
um fenômeno processual em que existe pluralidade de sujeitos em um ou em 
ambos os lados algo que produz uma lide ou conflito de interesses que 
envolve dois ou mais empregados; 
3) O Especial ou Inquérito Judicial – Trata-se de uma demanda/ação 
trabalhista que tem por objetivo investigar uma falta grave cometida por um 
empregado/funcionário/obreiro estável visando a rescisão judicial do 
contrato de trabalho, portanto, de um processo de direito do empregador 
 
I.II – Das Mudanças no dissídio individual com a reforma trabalhista 
Referente as mudanças no dissídio individual com a chamada reforma 
trabalhista, a Lei sob nº 13.467/2017, a cada data-base, um novo acordo realizado entre 
trabalhadores e empregadores passa a valer para a empresa e a categoria. Pode ser, 
inclusive, que esse acordo só seja firmado por meio de um dissídio coletivo. (Data-
base No Brasil, data-base é o período do ano em que patrões e empregados 
representados pelos Sindicatos se reúnem para repactuar os termos dos seus 
contratos coletivos de trabalho. Neste período, os trabalhadores podem, de 
maneira coletiva através do Sindicato, reivindicar a revisão de salário, apontar a 
manutenção do acordo, além de incluir novas cláusulas. 
 
Do Rito Sumaríssimo nos Dissídios Individuais 
Referente ao rito sumaríssimo, também conhecido como Lei 9.957/2000, 
é o procedimento utilizado para dissídios trabalhistas individuais cujo valor da causa 
esteja entre 2 a 40 salários mínimos. 
Cumpre ressaltar que o procedimento sumaríssimo foi acrescentado à CLT no 
ano 2000, através de citada Lei, sob a justificativa de dinamizar o processo do trabalho, 
de forma a tomá-lo mais célere e eficaz na solução dos conflitos trabalhistas. Portanto, é 
 
24 
possível afirmar que os objetivos da Lei 9957/00 em simplificar o processo trabalhista e 
aumentar sua celeridade foram alcançados, ao menos, em parte, tendo em vista os dados 
obtidos pelo Tribunal Superior do Trabalho. 
Aponte-se como objetivos do procedimento sumaríssimo: 
a) celeridade do processo; 
b) efetividade processual; 
c) simplificação do procedimento; 
d) diminuição da dilação probatória. 
 
DOS DISSÍDIOS INDIVIDUAIS 
Fundamentação: Decreto-lei nº 5452 de 01/05/1943 – CLT 
Os estudos sobre o tema iniciam-se no artigo 837 da CLT: 
SEÇÃO I 
DA FORMA DE RECLAMAÇÃO E DA NOTIFICAÇÃO 
Art. 837 - Nas localidades em que houver apenas 1 (uma) Junta 
de Conciliação e Julgamento, ou 1 (um) escrivão do cível, a 
reclamação será apresentada diretamente à secretaria da Junta, ou ao 
cartório do Juízo. 
Art. 838 - Nas localidades em que houver mais de 1 (uma) junta 
ou mais de 1 (um) Juízo, ou escrivão do cível, a reclamação será, 
preliminarmente, sujeita a distribuição, na forma do disposto no 
Capítulo II, Seção II, deste Título. 
 Art. 839 - A reclamação poderá ser apresentada: 
a) pelos empregados e empregadores, pessoalmente, ou por seus 
representantes, e pelos sindicatos de classe; 
 
25 
b) por intermédio das Procuradorias Regionais da Justiça do 
Trabalho. 
 Art. 840 - A reclamação poderá ser escrita ou verbal. 
§ 1o Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do 
juízo, a qualificação das partes, a breve exposição dos fatos de que 
resulte o dissídio, o pedido, que deverá ser certo, determinado e com 
indicação de seu valor, a data e a assinatura do reclamante ou de seu 
representante. 
§ 2o Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em duas 
vias datadas e assinadas pelo escrivão ou secretário, observado, no que 
couber, o disposto no § 1o deste artigo. 
§ 3o Os pedidos que não atendam ao disposto no § 1o deste 
artigo serão julgados extintos sem resolução do mérito. 
Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão ou 
secretário, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeterá a segunda 
via da petição, ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo 
tempo, para comparecer à audiência do julgamento, que será a 
primeira desimpedida, depois de 5 (cinco) dias. 
§ 1º - A notificação será feita em registro postal com franquia. 
Se o reclamado criar embaraços ao seu recebimento ou não for 
encontrado, far-se-á a notificação por edital, inserto no jornal oficial 
ou no que publicar o expediente forense, ou, na falta, afixado na sede 
da Junta ou Juízo. 
§ 2º - O reclamante será notificado no ato da apresentação da 
reclamação ou na forma do parágrafo anterior. 
§ 3o Oferecida a contestação, ainda que eletronicamente, o 
reclamante não poderá, sem o consentimento do reclamado, desistir da 
ação. 
 
26 
Art. 842 - Sendo várias as reclamações e havendo identidade de 
matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de 
empregados da mesma empresa ou estabelecimento. 
 
DA AUDIÊNCIA DE JULGAMENTO 
Art. 843 - Na audiência de julgamento deverão estar presentes o 
reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de 
seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou 
Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se 
representar pelo Sindicato de sua categoria. 
§ 1º É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente, 
ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas 
declarações obrigarão o proponente. 
§ 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, 
devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer 
pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que 
pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. 
§ 3o O preposto a que se refere o § 1o deste artigo não precisa 
ser empregado da parte reclamada. 
Art. 844 - O não-comparecimento do reclamante à 
audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-
comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão 
quanto à matéria de fato. 
§ 1o Ocorrendo motivo relevante, poderá o juiz suspender o 
julgamento, designando nova audiência. 
§ 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será 
condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 
desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se 
comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por 
motivo legalmente justificável 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art789
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art789
 
27 
§ 3o O pagamento das custas a que se refere o § 2o é condição 
para a propositura de nova demanda. 
§ 4o A revelia não produz o efeito mencionado 
no caput deste artigo se: 
I - havendo pluralidade de reclamados, algum deles contestar a 
ação; 
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; 
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento 
que a lei considere indispensável à prova do ato; 
IV - as alegações de fato formuladas pelo reclamante forem 
inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos 
autos. 
§ 5o Ainda que ausente o reclamado, presente o advogado na 
audiência, serão aceitos a contestação e os documentos eventualmente 
apresentados. 
Art. 845 - Oreclamante e o reclamado comparecerão à 
audiência acompanhados das suas testemunhas, apresentando, nessa 
ocasião, as demais provas. 
Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a 
conciliação 
§ 1º - Se houver acordo lavrar-se-á termo, assinado pelo 
presidente e pelos litigantes, consignando-se o prazo e demais 
condições para seu cumprimento. 
§ 2º - Entre as condições a que se refere o parágrafo anterior, 
poderá ser estabelecida a de ficar a parte que não cumprir o acordo 
obrigada a satisfazer integralmente o pedido ou pagar uma 
indenização convencionada, sem prejuízo do cumprimento do acordo. 
 
28 
Art. 847 - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte minutos 
para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não 
for dispensada por ambas as partes. 
Parágrafo único. A parte poderá apresentar defesa escrita pelo 
sistema de processo judicial eletrônico até a audiência. 
Art. 848 - Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do 
processo, podendo o presidente, ex officio ou a requerimento de 
qualquer juiz temporário, interrogar os litigantes. 
§ 1º - Findo o interrogatório, poderá qualquer dos litigantes 
retirar-se, prosseguindo a instrução com o seu representante. 
§ 2º - Serão, a seguir, ouvidas as testemunhas, os peritos e os 
técnicos, se houver. 
Art. 849 - A audiência de julgamento será contínua; mas, se não 
for possível, por motivo de força maior, concluí-la no mesmo dia, o 
juiz ou presidente marcará a sua continuação para a primeira 
desimpedida, independentemente de nova notificação. 
Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir 
razões finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada 
uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de 
conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão. 
Parágrafo único - O Presidente da Junta, após propor a solução 
do dissídio, tomará os votos dos vogais e, havendo divergência entre 
estes, poderá desempatar ou proferir decisão que melhor atenda ao 
cumprimento da lei e ao justo equilíbrio entre os votos divergentes e 
ao interesse social. 
Art. 851 - Os tramites de instrução e julgamento da reclamação 
serão resumidos em ata, de que constará, na íntegra, a decisão 
§ 1º - Nos processos de exclusiva alçada das Juntas, será 
dispensável, a juízo do presidente, o resumo dos depoimentos, 
 
29 
devendo constar da ata a conclusão do Tribunal quanto à matéria de 
fato. 
§ 2º - A ata será, pelo presidente ou juiz, junta ao processo, 
devidamente assinada, no prazo improrrogável de 48 (quarenta e oito) 
horas, contado da audiência de julgamento, e assinada pelos juízes 
classistas presentes à mesma audiência. 
Art. 852 - Da decisão serão os litigantes notificados, 
pessoalmente, ou por seu representante, na própria audiência. No caso 
de revelia, a notificação far-se-á pela forma estabelecida no § 1º do 
art. 841. 
 
I.IV.II Das Característica do Procedimento Sumaríssimo: 
1) Valor da causa - Prevalece o entendimento na doutrina e na jurisprudência de 
que o advento do procedimento sumaríssimo não revogou o procedimento sumário. 
Assim, os dissídios individuais cujo valor da causa supere 2 salários mínimos e não 
exceda a 40 vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação ficam 
submetidos ao procedimento sumaríssimo. 
2) Partes - Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é 
parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Assim, quando for parte 
a Fazenda Pública (pessoas jurídicas de direito público interno União, Estados, 
Municípios, Distrito Federal, autarquias e fundações públicas), não será admitido o 
procedimento sumaríssimo. 
3) Requisitos específicos da reclamação trabalhista - Além dos requisitos 
clássicos ou tradicionais (endereçamento, qualificação das partes, breve exposição dos 
fatos de que resulte o dissídio, pedido, data e assinatura do reclamante ou de seu 
representante), a petição inicial trabalhista deverá apresentar dois requisitos específicos 
no procedimento sumaríssimo: 
a) Pedido Líquido: o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor 
correspondente; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art841
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art841
 
30 
b) correta indicação do nome e endereço do reclamado: incumbe ao autor a correta 
indicação do nome e endereço do reclamado. 
4) Prazo para apreciação da reclamação: a apreciação da reclamação deverá 
ocorrer no prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta 
especial, se necessário, de acordo com o movimento judiciário da Vara do Trabalho. 
Prazo para apreciação da reclamação. Esse prazo deverá ser analisado de acordo com a 
realidade da Vara do Trabalho. Por ser um prazo impróprio, direcionado aos juízes do 
trabalho e a seus servidores, poderá este ser mitigado ou relativizado de forma 
justificável, e partindo-se da premissa do número excessivo de processos na Vara. 
5) Mudanças de endereço ocorridas no curso do processo: As partes e 
advogados comunicarão ao juízo as mudanças de endereço ocorridas no curso do 
processo, reputando-se eficazes as intimações enviadas ao local anteriormente indicado, 
na ausência de comunicação. 
6) Audiência única: as demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão instruídas e 
julgadas em audiência única, sob a direção de juiz presidente ou substituto, que poderá 
ser convocado para atuar simultaneamente com o titular. Assim, em tese, não será 
admitido o fracionamento das audiências, como é muito comum na praxe forense em 
relação ao procedimento ordinário. 
7) Interrupção da audiência: interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a 
solução do processo dar-se-ão no prazo máximo de 30 dias, salvo motivo relevante 
justificado nos autos pelo juiz da causa. Pode ocorrer da necessidade excepcional de 
interrupção da audiência, como, por exemplo, necessidade de prova pericial, ou número 
excessivo de documentos. Nesse caso, o seu prosseguimento e a solução do processo 
deverão ocorrer no prazo máximo de 30 dias, salvo motivo relevante justificado nos 
autos pelo juiz da causa. 
8) Conciliação em qualquer fase da audiência: Aberta a sessão, o juiz 
esclarecerá as partes presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios 
adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em qualquer fase da 
audiência. Dessa forma, no procedimento sumaríssimo não temos momentos 
processuais de tentativas obrigatórias de conciliação, como ocorre no rito ordinário. 
 
31 
9) Registro resumido na ata de audiência: Na ata de audiência serão 
registrados resumidamente os atos essenciais, as afirmações fundamentais das partes e 
as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova testemunhal. 
10) Saneamento em audiência: Serão decididos, de plano, todos os incidentes e 
exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo. As 
demais questões serão decididas na sentença. O saneamento na própria audiência é 
fundamental para a celeridade processual e a efetividade do processo. 
11) Liberdade do juiz na produção probatória: O juiz dirigirá o processo com 
liberdade para determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus probatório 
de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que considerar excessivas, impertinentes 
ou protelatórias, bem como para apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência 
comum ou técnica. 
12) Provas em espécie: Todas as provas serão produzidas na audiência de 
instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. Veja-se algumas 
considerações importantes sobre a matéria: 
a) prova documental: sobre os documentos apresentados por uma das partes 
manifestar-se-á imediatamente a parte contrária, sem interrupçãoda audiência, salvo 
absoluta impossibilidade, a critério do juiz; 
 
b) prova testemunhal: as testemunhas, até o máximo de duas para cada parte, 
comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de intimação. 
Só será deferida intimação de testemunha que, comprovadamente convidada, deixar de 
comparecer. Não comparecendo a testemunha intimada, ojuiz poderá determinar sua 
imediata condução coercitiva (carta-convite ou provado convite prévio); No caso em 
estudo, prevalece o entendimento na doutrina e na jurisprudência que acarta-convite ou 
prova do convite prévio para a intimação da testemunha no procedimento sumaríssimo 
não precisa ser necessariamente documental nem escrita, podendo ser até oral, com a 
comprovação por outra testemunha. 
 
32 
c) prova pericial: somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente 
imposta, será deferida prova técnica, incumbindo-se ao juiz, desde logo, fixar o prazo, o 
objeto da perícia e nomear perito. As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o 
laudo, no prazo comum de cinco dias. 
Assim, vale ressaltar que, como a prova pericial, por ser naturalmente complexa, 
não se coaduna com os princípios da simplicidade, da informalidade e da celeridade, 
sendo cabível no procedimento sumaríssimo somente em duas hipóteses: 
1ª) quando a prova do fato exigir; 
2ª) quando for legalmente imposta. 
13) Sentença: A sentença mencionará os elementos de convicção do juízo, com 
resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. O juízo 
adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins 
sociais da lei e às exigências do bem comum. As partes serão intimadas da sentença na 
própria audiência em que prolatada. Assim, são características da sentença prolatada no 
rito sumaríssimo: 
1ª) as partes ou requisitos serão apenas a fundamentação (motivação)e o 
dispositivo (conclusão), sendo dispensado o relatório; 
2ª) mencionará apenas os elementos de convicção do juízo, com resumo dos fatos 
relevantes ocorridos em audiência; 
3ª) apresenta um viés de justiça e equidade, uma vez que a decisão deverá ser 
amais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem 
comum; e 
4ª) a intimação das partes deverá ocorrer na própria audiência em que prolatada. 
14) Recursos: Neste procedimento tem-se regras específicas sobre os seguintes 
recursos: 
a) recurso ordinário (art. 895, §§ 1º e 2º, da CLT): será imediatamente 
distribuído, uma vez recebido no Tribunal Regional do Trabalho; o relator deverá 
 
33 
liberá-lo no prazo máximo de 10 dias; a Secretaria do Tribunal ou Turma deverá colocá-
lo imediatamente em pauta para julgamento; não há revisor; terá parecer oral do 
representante do Ministério Público do Trabalho presente à sessão de julgamento, se 
este entender necessário o parecer, com registro na certidão; terá acórdão consistente 
apenas na certidão de julgamento, bastando a indicação do processo e da parte 
dispositiva, e das razões de decidir do voto prevalente; se a sentença for confirmada 
pelos próprios fundamentos, a certidão de julgamento, registrando tal circunstância, 
servirá de acórdão; os Tribunais Regionais do Trabalho, divididos em Turmas, poderão 
designar Turma para o julgamento dos recursos ordinários interpostos das sentenças 
prolatadas nas demandas sujeitas ao procedimento sumaríssimo; 
b) Recurso de Revista (artigo 896, § 9º, da CLT): nas causas sujeitas ao 
procedimento sumaríssimo, somente será admitido recurso de revista por contrariedade 
a súmula de jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula 
vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violaçãodireta da Constituição da 
República. Assim, o recurso de revista no procedimento sumaríssimo apresenta apenas 
três hipóteses de cabimento, quando: 
1) o acórdão do TRT contrariar a Constituição Federal; 
2) o acórdão do TRT contrariar Súmula do TST; e 
3) o acórdão do TRT contrariar Súmula Vinculante do STF. 
 
I.V Da Comissão de Conciliação Prévia (CCP) nos dissídios individuais 
A Comissão de Conciliação Prévia (CCP) foi criada com o advento da Lei 
n.9.958/2000, em consonância com o ideário da festejada autocomposição dos conflitos 
trabalhistas, que incluiu na CLT os arts.625-A a 625-H, in verbis: 
 
TÍTULO VI-A 
(incluído pela Lei nº 9.958, de 12.1.2000) 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9958.htm#art1
 
34 
DA COMISSÕES DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA 
Art. 625-A. As empresas e os sindicatos podem instituir 
Comissões de Conciliação Prévia, de composição paritária, com 
representante dos empregados e dos empregadores, com a 
atribuição de tentar conciliar os conflitos individuais do 
trabalho. Parágrafo único. As Comissões referidas no caput 
deste artigo poderão ser constituídas por grupos de empresas ou 
ter caráter intersindical 
Art. 625-B. A Comissão instituída no âmbito da empresa será 
composta de, no mínimo, dois e, no máximo, dez membros, e 
observará as seguintes normasI - a metade de seus membros será 
indicada pelo empregador e outra metade eleita pelos 
empregados, em escrutínio,secreto, fiscalizado pelo sindicato de 
categoria profissionalII - haverá na Comissão tantos suplentes 
quantos forem os representantes títularesIII - o mandato dos seus 
membros, titulares e suplentes, é de um ano, permitida uma 
recondução. 
§ 1º É vedada a dispensa dos representantes dos empregados 
membros da Comissão de Conciliação Prévia, titulares e 
suplentes, até um ano após o final do mandato, salvo se 
cometerem falta grave, nos termos da lei. 
§ 2º O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho 
normal na empresa afastando-se de suas atividades apenas 
quando convocado para atuar como conciliador, sendo 
computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa 
atividade. 
Art. 625-C. A Comissão instituída no âmbito do sindicato terá 
sua constituição e normas de funcionamento definidas em 
convenção ou acordo coletivo 
 
35 
Art. 625-D. Qualquer demanda de natureza trabalhista será 
submetida à Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade 
da prestação de serviços, houver sido instituída a Comissão no 
âmbito da empresa ou do sindicato da categoria 
§ 1º A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo 
por qualquer dos membros da Comissão, sendo entregue cópia 
datada e assinada pelo membro aos interessados. 
§ 2º Não prosperando a conciliação, será fornecida ao 
empregado e ao empregador declaração da tentativa 
conciliatória frustrada com a descrição de seu objeto, firmada 
pelos membros da Comissão, que devera ser juntada à eventual 
reclamação trabalhista 
§ 3º Em caso de motivo relevante que impossibilite a 
observância do procedimento previsto no caput deste artigo, será 
a circunstância declarada na petição da ação intentada perante a 
Justiça do Trabalho 
§ 4º Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria, 
Comissão de empresa e Comissão sindical, o interessado optará 
por uma delas submeter a sua demanda, sendo competente 
aquela que primeiro conhecer do pedido 
Art. 625-E. Aceita a conciliação, será lavrado termo assinado 
pelo empregado, pelo empregador ou seu proposto e pelos 
membros da Comissão, fornecendo-se cópia às partes. 
Parágrafo único. O termo de conciliação é título executivo 
extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às 
parcelas expressamente ressalvadas 
Art. 625-F. As Comissões de Conciliação Prévia têm prazo de 
dez dias para a realização da sessão de tentativa de conciliação a 
partir da provocação do interessado. 
 
36 
Parágrafo único. Esgotado o prazo sem a realização da sessão, 
será fornecida, no último dia do prazo, a declaração a que se 
refere o § 2º do art. 625-D 
Art. 625-G. O prazo prescricional será suspenso a partir da 
provocação da Comissão de Conciliação Prévia, recomeçandoa 
fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de 
conciliação ou do esgotamento do prazo previsto no art. 625-F 
Art. 625-H. Aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de 
Conciliação Trabalhista em funcionamento ou que vierem a ser 
criados, no que couber, as disposições previstas neste Título, 
desde que observados os princípios da paridade e da negociação 
coletiva na sua constituição. 
 
I.V.I - Do Objetivo 
O objetivo da CCP é o de tentar desafogar o grande número de ações trabalhistas 
ajuizadas diariamente e as que já tramitam no Judiciário Trabalhista. Com efeito, tem 
como importante papel conciliar os conflitos individuais de trabalho. 
 
I.V.II - Das Características 
1ª) A tentativa de conciliação extrajudicial somente é possível quando envolver 
conflitos individuais do trabalho, e não conflitos coletivos. 
2ª) Um dos pontos mais importantes é a composição paritária dessas comissões, 
ou seja, idêntico número de representantes dos empregados e empregadores. 
3ª) A instituição (criação) das comissões é facultativa, e não obrigatória. 
4ª) Poderão ser criadas no âmbito das empresas (ou grupos de empresas) ou dos 
sindicatos (ou ter caráter intersindical). 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art625d
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm#art625f
 
37 
Destaque-se que devido à alta rotatividade de empregados e ao elevado número de 
reclamações trabalhistas na Justiça do Trabalho, o que, de certa forma, prejudica a 
imagem de grandes empresas ou grupos econômicos, é comum a criação das referidas 
comissões. 
Caso exista, na mesma localidade e para a mesma categoria, comissão de empresa 
e comissão sindical, o interessado optará por uma delas para submeter a sua demanda, 
sendo competente aquela que primeiro conhecer do pedido. 
A comissão instituída no âmbito do sindicato terá sua constituição e as normas de 
funcionamento definidas em convenção ou acordo coletivo. 
A comissão instituída no âmbito da empresa tem as suas regras definidas na 
própria CLT. Veja-se: 
1 - Composição: No mínimo dois e, no máximo, dez membros, visto que metade 
deles será indicada pelo empregador e a outra metade será eleita pelos empregados. 
2 - Eleição: Será feita em escrutínio secreto, com a fiscalização do sindicato da 
respectiva categoria profissional. 
3- Suplentes: tantos quantos forem os representantes titulares. 
4- Mandato: De um ano, permitida uma recondução, tanto para os membros 
titulares quanto para os suplentes. 
5- Estabilidade provisória: Trata-se da garantia de emprego aos membros da 
CCP. 
Características: 
a) são titulares os representantes dos empregados, que passam por um processo 
eletivo; 
b) abrange tanto os membros titulares quanto os suplentes; 
c) termo final dá-se um ano após o fim do mandato; 
 
38 
d) no interregno de um ano somente poderão ser dispensados se cometerem falta 
grave. 
Cumpre destacar que a CLT é omissa quanto ao termo inicial da estabilidade 
provisória, ou seja, quando realmente começa essa garantia no emprego. Uma corrente 
entende que o “dies a quo” é a eleição, justamente pela lacuna no Diploma Consolidado. 
Outra corrente, tendo em vista que a hermenêutica jurídica preleciona como forma de 
integração do sistema jurídico a analogia, ou seja, ao caso concreto não regulado por lei 
aplica-se a norma que regulamenta caso semelhante. Analisando o ordenamento jurídico 
trabalhista, aplicam-se os arts. 8º, VIII, da CF/88 e 543, § 3º, da CLT, que delimitam o 
período de estabilidade provisória do dirigente sindical, qual seja, do registro da 
candidatura e, se eleito, até 1 ano após o final do mandato. Logo, o termo inicial correto 
para a estabilidade provisória do membro da CCP é o registro da candidatura, até 
porque isso lhe garantirá maior proteção contra represálias do empregador. 
Na mesma seara, em decorrência da controvérsia mencionada, há dúvida sobre a 
necessidade ou não de inquérito judicial para apuração de falta grave para o membro da 
CCP. Embora não seja pacífica, a linha de pensamento mais acertada é a da 
necessidade, por aplicação analógica do disposto ao dirigente sindical na Súmula 379 do 
TST. 
O representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa, 
afastando-se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, 
sendo computado como tempo de trabalho efetivo o despendido nessa atividade. 
Ainda, o tempo dedicado à atividade de conciliador consubstancia interrupção do 
contrato de trabalho, computando-se como tempo de trabalho efetivo. 
5ª) A demanda será formulada por escrito ou reduzida a termo por qualquer dos 
membros da comissão, sendo entregue cópia datada e assinada pelo membro aos 
interessados. 
6ª) Em caso de motivo relevante que impossibilite a observância da passagem 
obrigatória pela CCP (partindo da premissa de que isso é o que pressupõe a CLT),será a 
circunstância declarada na reclamação trabalhista ajuizada perante aJustiça do Trabalho. 
 
39 
 
7ª) As Comissões de Conciliação Prévia têm o prazo de 10 dias para a realização 
de sessão de tentativa de conciliação a partir da provocação do interessado. Dois 
caminhos são possíveis na referida sessão: 
a) sucesso no acordo aceita a conciliação, será lavrado o respectivo termo, 
assinado pelo empregado, pelo empregador ou seu preposto e pelos membros da 
comissão, fornecendo-se cópia às partes. O termo de conciliação é um título executivo 
extrajudicial e terá eficácia liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente 
ressalvadas; 
Destaque-se que as características do termo de conciliação lavrado na CCP são 
muito em concurso. Logo, atenção a elas: título executivo extrajudicial e eficácia 
liberatória geral, exceto quanto às parcelas expressamente ressalvadas. Nesse sentido, 
alguns doutrinadores sustentam o não cabimento da eficácia liberatória geral com 
quitação ao extinto contrato de trabalho, pois isso seria prejudicial ao empregado, 
impedindo-o de ajuizar reclamação trabalhista para pleitear eventuais diferenças de 
parcelas pagas ou títulos trabalhistas não quitados, principalmente quando não for 
deficiente a assistência ao trabalhador. Assim, ainda que tenha realizado acordo na 
Comissão de Conciliação Prévia, o empregado poderia ajuizar reclamação trabalhista 
para discutir na Justiça do Trabalho tanto o aspecto formal (higidez na manifestação de 
vontade) quanto ao specto de fundo ou mérito (outras parcelas trabalhistas e eventuais 
diferenças). 
b) fracasso na tentativa de conciliação não prosperando a conciliação, será fornecida ao 
empregado e ao empregador declaração da tentativa conciliatória frustrada (também 
chamada de carta de malogro), com a descrição de seu objeto, firmada pelos membros 
da comissão, que deverá ser juntada à eventual reclamação trabalhista. 
8ª) Esgotado o mencionado prazo de 10 dias sem a realização da sessão de tentativa de 
conciliação, será fornecida a declaração da tentativa conciliatória frustrada no último dia 
do prazo. 
9ª) No que concerne ao prazo prescricional, se o empregado provoca a CCP, é porque 
não está inerte na busca de reparação de lesão ao seu direito trabalhista, e isso gera 
 
40 
reflexos indubitáveis à prescrição, que é a perda da pretensão de reparação do direito 
violado pela inércia do titular no decurso do tempo (o direito não socorre quem dorme). 
Por conseguinte, o prazo prescricional será suspenso a partir da provocação da CCP, 
recomeçando a fluir, pelo que lhe resta, a partir da tentativa frustrada de conciliação ou 
do esgotamento do prazo de 10 dias. 
10ª) Por derradeiro, aplicam-se aos Núcleos Intersindicais de Conciliação Trabalhista 
em funcionamento ou que vierem a ser criados as regras mencionadas, desde que 
observados os princípios da paridade e da negociação coletiva na sua constituição. 
 
I.V.III - Da Obrigatoriedade ou não da CCP 
Indubitavelmentea questão mais polêmica do tema Comissão de Conciliação Prévia é a 
passagem obrigatória ou facultativa do empregado por essa comissão antes do 
ajuizamento da reclamatória trabalhista. Em outras palavras, será que o empregado, na 
hipótese de não pagamento de haveres trabalhistas por parte do empregador, terá que 
passar pela CCP antes do ajuizamento de eventual reclamação trabalhista, ou poderá 
ingressar com ação diretamente no Poder Judiciário? Duas principais correntes 
formaram-se sobre a indagação: 
1ªCorrente: a passagem pela CCP é obrigatória. Fundamentos: 
a) interpretação gramatical ou literal do caput do art. 625-D da CLT o dispositivo 
consolidado aduz que qualquer demanda de natureza trabalhista será submetida à 
Comissão de Conciliação Prévia se, na localidade da prestação de serviços, houver sido 
instituída a comissão no âmbito da empresa ou do sindicato da categoria. Compartilha-
se a ideia de obrigatoriedade; 
b) esse requisito configura condição da ação (interesse de agir) ou pressuposto 
processual, cuja não observância acarretará extinção do processo sem resolução do 
mérito, com base no art. 485, IV e VI, do CPC/2015; 
c) o objetivo da CCP é desafogar o Poder Judiciário Trabalhista, que já tem inúmeras 
lides trabalhistas tramitando em sua estrutura funcional; 
 
41 
d) a autocomposição é a melhor forma de solução dos conflitos trabalhistas; e 
e) não há limitação do exercício do direito de ação. Caso reste infrutífera a tentativa de 
conciliação, nada impede o ajuizamento da exordial trabalhista, considerando-se que o 
prazo, contado da provocação do interessado, para a realização da sessão de tentativa de 
conciliação é exíguo, ou seja, de 10 dias. 
2ªCorrente: a passagem pela CCP é facultativa. Fundamentos: 
a) a obrigatoriedade viola inexoravelmente o exercício do direito de ação(princípio da 
inafastabilidade da jurisdição) previsto no art. 5º, XXXV, da CF. Qualquer lesão ou 
ameaça de lesão a direito fundamental não poderá ser excluída de apreciação do Poder 
Judiciário por uma lei; 
b) a passagem pela CCP não consubstancia condição da ação ou pressuposto processual 
de existência ou de validade do processo; 
c) a Súmula 2 do TRT da 2ªRegião defende a ideia da facultatividade da passagem pela 
CCP, não sendo uma condição da ação ou um pressuposto processual.

Mais conteúdos dessa disciplina