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<p>Etnia e raça</p><p>Apresentação</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, observaremos as distinções entre o conceito de etnia e raça e, ao</p><p>mesmo tempo, abordaremos as peculiaridades de cada um dos termos.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Distinguir os termos "etnia" e "raça".•</p><p>Relacionar os conceitos de etnia e raça com questões histórico-sociais.•</p><p>Construir um raciocínio crítico sobre o preconceito racial.•</p><p>Desafio</p><p>Neste desafio, propomos a redação de um texto que reflita acerca da relação raça versus igualdade.</p><p>Para tal, considere os seguintes pontos:</p><p>- a questão da construção biológica e social da raça;</p><p>- quais os possíveis efeitos que uma construção fechada pode ocasionar em relação ao tema do</p><p>preconceito.</p><p>Infográfico</p><p>Neste infográfico, você observará a relação da construção racial entre a natureza e a cultura.</p><p>Conteúdo do livro</p><p>Neste capítulo, você vai aprender a distinguir os conceitos de raça e etnia, mas também vai</p><p>perceber que a ideia de raça vem sendo ressignificada e até mesmo valorizada como um</p><p>componente étnico importante atrelado à identidade. Inicialmente, o conceito de raça estava ligado</p><p>às questões fenotípicas dos grupos sociais, mas você vai perceber que essa afirmação não tem</p><p>tanto fundamento científico assim.</p><p>Boa leitura.</p><p>ESTUDOS</p><p>CULTURAIS E</p><p>ANTROPOLÓGICOS</p><p>Priscila Farfan Barroso</p><p>Etnia e raça</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Distinguir os termos “etnia” e “raça”.</p><p> Relacionar os conceitos de etnia e raça com questões histórico-sociais.</p><p> Construir um raciocínio crítico sobre o preconceito racial.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai aprender a distinguir os conceitos de raça e etnia,</p><p>mas também vai perceber que a ideia de raça vem sendo ressignificada e</p><p>até mesmo valorizada como um componente étnico importante atrelado</p><p>à identidade. Inicialmente, o conceito de raça estava ligado às questões</p><p>fenotípicas dos grupos sociais, mas você vai perceber que essa afirmação</p><p>não tem tanto fundamento científico assim.</p><p>Na sequência, vamos associar esses conceitos com questões histórico-</p><p>-sociais, a fim de compreender como a ideia de raça dividiu os grupos</p><p>sociais e até mesmo hierarquizou uns sobre os outros. Alguns pontos</p><p>históricos mundiais são relevantes, e cabe destacar algumas questões</p><p>nacionais que se valeram desses conceitos para a construção da iden-</p><p>tidade brasileira.</p><p>Ao final, discutiremos sobre o preconceito racial e as suas implicações</p><p>no mundo atual. Nesse sentido, serão apresentados alguns movimen-</p><p>tos étnicos que buscam valorizar aspectos culturais no contexto em</p><p>que vivem. Assim, você terá uma visão ampla de como raça e etnia são</p><p>agenciadas desde o passado até os dias atuais!</p><p>Distinção entre etnia e raça</p><p>Somos todos iguais? Essa questão é muito complexa, e é sobre ela que va-</p><p>mos nos debruçar neste capítulo. Para iniciar a discussão, precisamos saber</p><p>que, apesar de termos em comum a condição de humanidade, temos origens</p><p>biológicas, territoriais e culturais diferentes, e isso faz com que tenhamos</p><p>diferenças não só no modo de viver a vida, mas também em aspectos físicos.</p><p>Segundo Neves (2006), as principais espécies hominídeas consideradas</p><p>cruciais para a história da evolução humana datam de sete milhões de anos</p><p>atrás. De lá pra cá, o bipedismo, o consumo de proteína animal, a fabricação</p><p>de ferramentas, o desenvolvimento do cérebro e a construção da vida em</p><p>sociedade permitiram que o homem chegasse aos dias atuais como o conhe-</p><p>cemos. Entretanto, é importante considerar esse aspecto temporal e pensar</p><p>nos processos biológicos pelos quais a nossa sociedade passou:</p><p>O acaso na evolução biológica remete-se à existência ou não de variante</p><p>numa população exatamente no momento em que essas variantes poderiam</p><p>ser instadas à condição de solução adaptativa. A existência de variabilidade</p><p>depende de mutações, que ocorrem de forma absolutamente imprevisível no</p><p>genoma. A necessidade, por sua vez, remete-se ao desafio de sobrevivência</p><p>imposto por uma nova situação ambiental, ambiente aqui entendido no seu</p><p>sentido lato, que inclui também os competidores (NEVES, 2006, p. 81).</p><p>Em essência, para sobreviver, cada sociedade passou por processos de</p><p>adaptação em sua forma de alimentação, de vestimentas, de proteção das</p><p>intempéries climáticas e de tantos outros aspectos. Estes interferiram não</p><p>somente nas expressões culturais às quais se filiavam, mas também em as-</p><p>pectos biológicos que resultaram em mudanças físicas perceptíveis. Desse</p><p>modo, a cor da pele, a cor do olho, a cor do cabelo, a altura, o tamanho, as</p><p>formas corporais de partes do corpo são aspectos visíveis que diferenciam as</p><p>sociedades e as culturas que conhecemos.</p><p>Vamos compreender melhor como podemos analisar essas sociedades</p><p>a partir da noção de raça e etnia. Carolus Linnaeus (1758) foi quem criou a</p><p>taxonomia moderna e o termo Homo sapiens, reconhecendo quatro variedades</p><p>do homem: o americano (Homo sapiens americanus), o europeu (Homo sapiens</p><p>europaeus), o asiático (Homo sapiens asiaticus) e o africano (Homo sapiens</p><p>afer). Essa situação difundiu a ideia de que há uma diferença entre grupos</p><p>sociais a partir de cores: respectivamente, o vermelho, o branco, o amarelo</p><p>e o preto. Para refletir o que a cor nos leva a pensar sobre raça, cabe lembra</p><p>o que diz Guimarães (2008, p. 76–77): “[...] cor é uma categoria racial, pois</p><p>quando se classificam as pessoas como negros, mulatos ou pardos é a ideia</p><p>de raça que orienta essa forma de classificação [...]”.</p><p>Logo, a difusão desse conhecimento influenciou os estudos evolutivos</p><p>no sentido de reforçar a ideia de que há divisão, de certa forma homogênea,</p><p>entre os grupos sociais. Todavia, poderíamos dizer que estas são raças dife-</p><p>Etnia e raça2</p><p>rentes — muitas vezes percebidas pelas cores — que compõem a base para as</p><p>sociedades que conhecemos hoje? Para isso, vamos estudar o próprio termo</p><p>raça e problematizar os seus usos.</p><p>O termo raça tem uma variedade de definições geralmente utilizadas para</p><p>descrever um grupo de pessoas que compartilham certas características</p><p>morfológicas. A maioria dos autores tem conhecimento de que raça é um</p><p>termo não científico que somente pode ter significado biológico quando o</p><p>ser se apresenta homogêneo, estritamente puro; como em algumas espécies</p><p>de animais domésticos. Essas condições, no entanto, nunca são encontradas</p><p>em seres humanos. (SANTOS et al., 2010, p. 122).</p><p>A explicação sobre a diferença entre as sociedades por meio da divisão</p><p>dos grupos sociais a partir das cores se torna sem fundamento, até mesmo</p><p>porque é rara a existência de sociedades isoladas. Em geral, há grandes trocas</p><p>culturais entre sociedades que vivem próximas — os seus membros inclusive</p><p>transitam por esses grupos sociais por meio de casamentos.</p><p>Guimarães (2008, p. 64–65) destaca que é preciso esclarecer uma dife-</p><p>rença importante para compreender esse termo de forma conceitual e mais</p><p>aprofundada:</p><p>O que é raça? Depende. Realmente depende se estamos falando em termos</p><p>científicos ou de uma categoria do mundo real. Essa palavra “raça” tem pelo</p><p>menos dois sentidos analíticos: um reivindicado pela biologia genética e outro</p><p>pela sociologia. [...] A biologia e a antropologia física criaram a idéia de raças</p><p>humanas, ou seja, a idéia de que a espécie humana poderia ser dividida em</p><p>subespécies, tal como o mundo animal, e de que tal divisão estaria associada</p><p>ao desenvolvimento diferencial de valores morais, de dotes psíquicos e inte-</p><p>lectuais entre os seres humanos. Para ser sincero, isso foi ciência por certo</p><p>tempo e só depois virou pseudociência. [....] Depois da tragédia da Segunda</p><p>Guerra, assistimos a um esforço de todos os cientistas — biólogos, sociólogos,</p><p>antropólogos — para sepultar a idéia de raça, desautorizando o seu uso como</p><p>categoria científica [...]. Ou seja, as raças são, cientificamente, uma construção</p><p>social e devem ser estudadas por um ramo próprio</p><p>da sociologia ou das ciências</p><p>sociais, que trata das identidades sociais. Estamos, assim, no campo da cultura,</p><p>e da cultura simbólica. [...] As sociedades humanas constroem discursos sobre</p><p>suas origens e sobre a transmissão de essências entre gerações. Esse é o terreno</p><p>próprio às identidades sociais e o seu estudo trata desses discursos sobre origem.</p><p>Cabe deixar de lado o termo raça usado pelas ciências biológicas e tão</p><p>difundido nos séculos XVIII e XIX, que entendiam como pertinente a ideia de</p><p>raças humanas para diferenciar os grupos sociais — e até mesmo hierarquizá-</p><p>-los —, para compreender que a única raça existente é a raça humana. Neves</p><p>3Etnia e raça</p><p>(2006) compreende que esse termo só faz sentido se for utilizado no âmbito</p><p>sociológico, no qual são levadas em consideração as origens do grupo, tanto</p><p>pelos traços fisionômicos como pelos aspectos culturais, abarcando as suas</p><p>complexidades históricas e a identidade dos seus membros.</p><p>Silva e Soares (2011) destacam que esse “novo” uso do termo vem se</p><p>consolidando; porém, em outros momentos, diferentes conceitos tentaram</p><p>dar conta de identificar os grupos sociais de forma que considerassem a sua</p><p>pluralidade sem hierarquizá-los, como explicam a seguir:</p><p>Apesar dessas novas leituras conceituais e usos das palavras, o que confere uma</p><p>mudança histórica altamente comum e saudável no campo das mentalidades,</p><p>o conceito de “raça”, por muitas vezes foi deixado de lado em detrimento de</p><p>outros, não completamente substituidores, mas que talvez fizessem o mesmo</p><p>papel definidor e classificador dessas pessoas unidas por características,</p><p>cultura e instituições semelhantes e, num contexto de luta por igualdades,</p><p>experiências parecidas de resistência e/ou percepção de todo um sistema</p><p>insistentemente segregacionista. Atualmente, um desses outros conceitos</p><p>seria o de “etnia”, que tem origem do grego ethnos, o que entendemos não só</p><p>como um conjunto de pessoas da comunidade. É o pertencimento do grupo,</p><p>independente dos laços consanguíneos e a construção de ações coletivas</p><p>(SILVA; SOARES, 2011, p. 106).</p><p>Assim, o termo etnia abrange a complexidade dos contextos sociais, po-</p><p>líticos e econômicos dos grupos sociais, não só enquanto identificação de</p><p>grupo, mas enquanto mobilização política para a sua existência em meio aos</p><p>outros grupos sociais. Luvizotto (2009, p. 30) explica que “[...] a concepção</p><p>de etnicidade está além da definição de culturas específicas e, portanto, é</p><p>composta de mecanismos de diferenciação e identificação que são acionados</p><p>conforme os interesses dos indivíduos em questão, assim como o momento</p><p>histórico no qual estão inseridos [...]”. Logo, com essa discussão, temos um</p><p>quadro panorâmico de como os conceitos de raça e etnia se inserem nas</p><p>sociedades e nos debates atuais.</p><p>Sobre as transformações culturais nas sociedades, leia o artigo Culturas em transforma-</p><p>ção: os índios e a civilização, da antropóloga Clarice Cohn. Ele revisita os conceitos de</p><p>cultura e de tradição a partir da ideia de mudanças culturais entre um grupo indígena</p><p>brasileiro, a fim de compreender como não há sociedade “pura” ou “intocável”.</p><p>Etnia e raça4</p><p>Questões histórico-sociais dos conceitos</p><p>de etnia e raça</p><p>Para que você possa entender como esses conceitos foram utilizados diante</p><p>das questões histórico-sociais, vamos enfatizar alguns momentos da história</p><p>mundial e até mesmo da história nacional pertinentes a essa compreensão. É</p><p>importante perceber que alguns usos políticos dos conceitos de raça e etnia</p><p>podem explicitar diferenças entre grupos sociais dispostas pelos poderes</p><p>político e econômico ou mesmo pretendem invisibilizar aspectos específi cos</p><p>de culturas que vivem no mesmo espaço territorial, a partir de uma suposta</p><p>de ideia de democracia racial.</p><p>O primeiro destaque aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial</p><p>(1939–1945). O plano alemão de conquista do mundo se valia da diferen-</p><p>ciação dos grupos sociais para hierarquizar uns sobre os outros e valorizar</p><p>a dita raça ariana: os descendentes de uma das três grandes sociedades</p><p>humanas provenientes do Cáucaso (região da Europa Oriental e da Ásia</p><p>Ocidental, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio). Mazowe (2008) destaca</p><p>que os nazistas optaram pelos velhos padrões coloniais europeus, tanto em</p><p>termos geopolíticos como em termos de questões raciais, para impor as</p><p>suas ideias imperiais, exterminar povos considerados diferentes dos seus e</p><p>se apresentar como raça superior.</p><p>Assim, essa era uma estratégia política de Adolf Hitler (político alemão</p><p>que foi líder do Partido Nazista) para dividir os grupos sociais, mas também</p><p>fazer com que os arianos apoiassem esse regime político por medo de morrer,</p><p>como analisa Foucault (1996, p. 210):</p><p>[...] o regime nazista não terá como único objetivo a destruição das outras raças.</p><p>Este é apenas um de seus aspectos. O outro [aspecto] é o de expor a própria</p><p>raça ao perigo absoluto e universal da morte. O risco de morrer, a exposição</p><p>à destruição total é um princípio inscrito entre os deveres fundamentais da</p><p>obediência nazista e entre os objetivos essenciais da política.</p><p>Entretanto, em nome da construção da Alemanha somente por pessoas</p><p>provenientes da raça ariana, inúmeras atrocidades foram cometidas, misturando</p><p>nazismo com eugenia — a seleção das pessoas com base em características</p><p>genéticas. Umas das consequências desse pensamento político entre os go-</p><p>vernantes alemães da época foi o holocausto, que, segundo Katz (1994, p. 28),</p><p>é descrito como “[...] fenomenologicamente único em virtude do fato de que</p><p>nunca antes um Estado se fixara, como objetivo de princípio e como política</p><p>5Etnia e raça</p><p>de fato, a tarefa de aniquilar fisicamente cada um dos homens, mulheres e</p><p>crianças pertencentes a um povo determinado [...]”. Para ter ideia de quantos</p><p>judeus morreram nos vários países, veja os números do Quadro 1.</p><p>Fonte: Adaptado de Coggiola (2015).</p><p>País</p><p>População judia</p><p>antes da Guerra</p><p>População judia</p><p>exterminada</p><p>Percentual</p><p>exterminado</p><p>Polônia 3.300.000 3.000.000 91</p><p>Países Bálticos 253.000 228.000 90</p><p>Alemanha e Áustria 240.000 210.000 88</p><p>Boêmia e Morávia 90.000 80.000 89</p><p>Eslováquia 90.000 75.000 83</p><p>Grécia 70.000 54.000 77</p><p>Holanda 140.000 105.000 75</p><p>Hungria 650.000 450.000 70</p><p>Bielorrússia 375.000 245.000 65</p><p>Ucrânia 1.500.000 900.000 60</p><p>Bélgica 65.000 40.000 60</p><p>Iugoslávia 43.000 26.000 60</p><p>Romênia 600.000 300.000 50</p><p>Noruega 1.800 900 50</p><p>França 350.000 90.000 26</p><p>Bulgária 64.000 14.000 22</p><p>Itália 40.000 8.000 20</p><p>Luxemburgo 5.000 1.000 20</p><p>Rússia 975.000 107.000 11</p><p>Dinamarca 8.000 120 2</p><p>Finlândia 2.000 ? ?</p><p>Total 8.861.800 5.933.900 67</p><p>Quadro 1. Extermínio dos judeus na Europa</p><p>Etnia e raça6</p><p>Diante desses números, percebemos como determinado uso da ideia de</p><p>raça pode ter consequências perversas e aterrorizantes. Um segundo destaque</p><p>para pensar nos conceitos estudados neste capítulo é em relação à difusão</p><p>de uma suposta democracia racial no Brasil do século XIX. Assim como o</p><p>nosso primeiro exemplo, essa proposta também tem implicações políticas de</p><p>modo a invisibilizar as disputas raciais da constituição do povo brasileiro.</p><p>Freyre (1995) apresenta uma convivência quase harmoniosa entre brancos,</p><p>indígenas e negros desde a colonização do Brasil, trazendo a ideia de que não</p><p>havia disputas raciais, imposições culturais ou mesmo resistência por parte dos</p><p>povos colonizados. A sua perspectiva era de evidenciar traços de diferentes</p><p>culturas que formaram o que hoje conhecemos como a cultura brasileira, mas</p><p>essa leitura foi apropriada politicamente pelos governantes da época para dizer</p><p>que havia no Brasil uma democracia racial. No entanto, apesar de esse ter sido</p><p>um discurso oficial por muito tempo, os cidadãos reconhecem no cotidiano das</p><p>cidades brasileiras que isso é um mito, como explicita Hasenbalg (1979, p. 239):</p><p>[...] as pessoas não se iludem com relação ao racismo no Brasil; sejam bran-</p><p>cas, negras ou mestiças, elas sabem que existe preconceito e discriminação</p><p>racial. O que o mito racial no brasileiro</p><p>faz é dar sustentação a uma etiqueta</p><p>e regra implícita de convívio social, pela qual se deve evitar falar em racis-</p><p>mo, já que essa fala se contrapõe a uma imagem enraizada do Brasil como</p><p>nação. Transgredir essa regra cultural não explicitada significa cancelar ou</p><p>suspender, mesmo que temporariamente, um dos pressupostos básicos que</p><p>regulam a interação social do cotidiano, que é a crença na convivência não</p><p>conflituosa dos grupos raciais.</p><p>Para refletir sobre questões de desigualdades sociais vinculadas à discussão de raça</p><p>e de classe no Brasil, leia o artigo Raça ou classe? Sobre a desigualdade brasileira, do</p><p>sociólogo Jessé Souza.</p><p>https://goo.gl/Dm4C8C</p><p>Sabe-se que houve, no começo do século XIX, políticas de branqueamento</p><p>que buscavam atrair populações da Europa ao Brasil, a partir de vantagens</p><p>para a fixação desses povos no território brasileiro. Silva (2017, p. 594) explica</p><p>como se deu essa articulação:</p><p>7Etnia e raça</p><p>[...] para o entendimento da democracia racial como dispositivo biopolítico as-</p><p>sentado na miscigenação e no chamado “projeto” de branqueamento da nação,</p><p>nomeadamente a partir dos anos 1930, quando a miscigenação e a negação</p><p>oficial do racismo passaram a ser emblemáticos nas narrativas identitárias da</p><p>nação. [...] É neste contexto que defendo a ideia de que a população negra acaba</p><p>por ser constituída como saber, pois incluída nas narrativas nacionais pelo</p><p>viés da miscigenação é excluída pelo seu virtual desaparecimento, uma vez</p><p>que o branqueamento é concebido mediante a própria ideia de miscigenação.</p><p>Mesmo evidenciando os motivos e as consequência do mito da democracia</p><p>racial, Munanga (1999, p. 125–126) explica que essas ideias influenciam até</p><p>mesmo a maneira como a nossa sociedade é constituída hoje:</p><p>Apesar do esforço dos movimentos negros em redefinir o negro, dando-lhe</p><p>uma consciência política e uma identidade étnica mobilizadoras, contrariando</p><p>a ideologia de democracia racial construída a partir de um racismo universal,</p><p>assimilacionista, integracionista — o universalismo — aqui, concordamos</p><p>com Peter Fry — essa ideologia continua forte no Brasil, na sua constituição</p><p>e na idéia da democracia racial, mesmo se há sinais [...] de uma crescente</p><p>polarização. Se a mestiçagem representou o caminho para nivelar todas as</p><p>diferenças étnicas, raciais e culturais que prejudicavam a construção do povo</p><p>brasileiro, se ela pavimentou o caminho não acabado do branquecimento, ela</p><p>ficou e marcou significativamente o inconsciente e o imaginário coletivo do</p><p>povo brasileiro.</p><p>Chamando atenção para essas situações que envolvem a discussão de raça</p><p>e etnia, pretendemos enfatizar a relevância das conceituações apresentadas e</p><p>a necessidade de um olhar crítico para a proposição de diferença dos grupos</p><p>sociais. Longe de resolver a questão, o objetivo é ampliar a percepção de como</p><p>esses conceitos estão atrelados às discussões políticas e econômicas, não só</p><p>na nossa história, mas também nos dias atuais.</p><p>Um importante aspecto histórico em relação à questão de raça e etnia se refere à</p><p>escravidão de um povo sobre o outro. Assista ao filme 12 Anos de Escravidão, de Steve</p><p>McQueen, que mostra as humilhações físicas e morais pelas quais o ser humano passa</p><p>quando está sob o domínio de outro ser humano.</p><p>Etnia e raça8</p><p>Repensando o preconceito racial</p><p>A partir dos exemplos emblemáticos enfatizados, devemos lembrar que o</p><p>preconceito racial ainda é velado nos dias de hoje. Talvez não tão explícito</p><p>como no holocausto, na escravidão ou mesmo nas políticas de branqueamento</p><p>anteriormente citadas, o olhar com desdém para alguém de etnia diferente ou</p><p>mesmo a exclusão de um currículo por conta da cor da pele são considerados</p><p>formas de preconceito racial.</p><p>Para Blumer (1965), quatros aspectos permite evidenciar as formas de</p><p>preconceito racial por um grupo dominante: (a) de superioridade; (b) de que</p><p>a raça subordinada é intrinsecamente diferente e alienígena; (c) de monopólio</p><p>sobre certas vantagens e privilégios; e (d) de medo ou suspeita de que a raça</p><p>subordinada deseje partilhar as prerrogativas da raça dominante.</p><p>Logo, as populações que se sentem prejudicadas em função do preconceito</p><p>racial têm se organizado em movimentos sociais e se articulado para fazer</p><p>valer os seus direitos sociais. Considera-se que as políticas ações afirmativas:</p><p>[…] tomam como base para sua implementação a extrema desigualdade racial</p><p>brasileira no acesso ao ensino superior. Os argumentos favoráveis concentram-</p><p>-se nesse sentido, afirmando a necessidade de um enfrentamento direto da</p><p>sociedade brasileira a esse respeito, o que implica o reconhecimento de que o</p><p>Brasil é um país racialmente desigual e que tal situação é fruto de discrimina-</p><p>ção e preconceito, e não de uma situação de classe social (LIMA, 2010, p. 87).</p><p>Essas políticas são consequência da mobilização dos movimentos sociais</p><p>vinculados à noção de raça e etnia. Entre eles, podemos destacar:</p><p>A partir da segunda metade da década de 1990 acelera-se um processo de</p><p>mudanças acerca das questões raciais, marcado fortemente por uma aproxima-</p><p>ção entre o Movimento Negro e o Estado brasileiro. É a partir deste momento</p><p>que as reivindicações por ações mais concretas para o enfrentamento das</p><p>desigualdades raciais começam a ser cobradas. Dois acontecimentos — um</p><p>de âmbito nacional e outro, internacional — são destacados consensualmente</p><p>pelos estudiosos do tema como momentos importantes desse processo: a</p><p>Marcha Zumbi de Palmares contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, em</p><p>1995, ano de comemoração do tricentenário da morte de Zumbi dos Palmares,</p><p>e a Conferência de Durban, em 2001 (LIMA, 2010, p. 89).</p><p>Podemos dizer que, apesar de diferentes grupos sociais que reivindicam</p><p>a questão da identidade étnica no Brasil, como negros, indígenas, ciganos e</p><p>9Etnia e raça</p><p>outros povos que habitam o território brasileiro, a mobilização do movimento</p><p>negro tem se destacado (Figura 1). Essas mobilizações descritas acima tiveram</p><p>consequências concretas nas implantações das cotas raciais, como explicita</p><p>Maio e Santos et al. (2010, p. 189):</p><p>Logo após a conferência, o governo brasileiro definiu um programa de po-</p><p>lítica de cotas no âmbito de alguns ministérios (Desenvolvimento Agrícola</p><p>e Reforma Agrária, Justiça e Relações Exteriores) (Moehlecke, 2002). No</p><p>plano estadual e municipal, diversas iniciativas foram realizadas para a im-</p><p>plementação do sistema de cotas. Aquela que obteve maior destaque no final</p><p>do ano de 2001 foi a da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,</p><p>que estabeleceu uma porcentagem das vagas das universidades estaduais</p><p>para pretos e pardos (Maggie; Fry, 2004). A partir de 2002, o debate e a</p><p>implementação de políticas de ação afirmativa com viés racial, com foco no</p><p>sistema de cotas, estenderam-se por diversas universidades públicas, tanto</p><p>estaduais como federais. Em sua ampla maioria, com regras variadas, foram</p><p>definidos mecanismos centrados na autodeclaração dos candidatos. Já a UnB,</p><p>além de ser a primeira universidade federal a adotar o programa, estabeleceu</p><p>critérios adicionais à autodeclaração para definir os beneficiários, ou seja,</p><p>quem seriam os "negros".</p><p>A implantação das cotas não se deu sem polêmicas, e desde então são</p><p>produzidas avaliações sobre o programa em inúmeros estados.</p><p>Figura 1. Movimento por Igualdade Racial.</p><p>Fonte: Carlos (20178, documento on-line).</p><p>Etnia e raça10</p><p>As principais críticas à política de cotas destacadas por Guarnieri e Melo-</p><p>-Silva (2017, p. 185) desde a sua implantação em 2012 apontam:</p><p>[...] inexistência biológica das raças; caráter ilegítimo das ações de “repara-</p><p>ção” aos danos causados pela escravidão em tempo presente; risco de acirrar</p><p>o racismo no Brasil; possibilidade de manipulação estatística da categoria</p><p>“parda”; inviabilidade de identificação racial em um país mestiço; a questão</p><p>da pobreza como determinante da exclusão social.</p><p>Por outro ladro, também é preciso evidenciar pontos que foram vantajosos</p><p>e que conseguiram provocar uma nova configuração</p><p>da população no acesso</p><p>à educação superior. Logo, a mesma pesquisa destacou:</p><p>Os argumentos favoráveis concentraram-se na discussão sobre a constituciona-</p><p>lidade das cotas e relevância para o país. A intervenção do Estado foi colocada</p><p>como fundamental diante dos quadros de desigualdade raciais remanescentes</p><p>de fenômenos sociais que precisam ser enfrentados; destacando-se que as</p><p>“ações afirmativas” atuariam como alternativa para a busca de igualdade</p><p>através da promoção de condições equânimes entre brancos e negros (GUAR-</p><p>NIERI; MELO-SILVA, 2017, p. 185).</p><p>Assim, pretendeu-se mostrar como podemos criar estratégias e apontamentos</p><p>críticos para combater o preconceito racial, ainda que o seu processo histórico</p><p>tenha se enraizado não somente no contexto nacional, como também no contexto</p><p>internacional.</p><p>Para compreender mais sobre o processo de implementação das cotas em termos das</p><p>discussões sobre raça e etnia, leia o artigo A reserva de vagas para negros nas universidades</p><p>brasileiras, de Yvonne Maggie e Peter Fry.</p><p>https://goo.gl/xfpMVn</p><p>11Etnia e raça</p><p>BLUMER, H. The nature of racial prejudice. In: HUNTER, G. Industrialization and Race</p><p>Relations. Westport: Greenwood, 1965.</p><p>CARLOS, J. Manifestantes marcham por igualdade racial em frente ao viaduto do Chá, no</p><p>centro de São Paulo. 1978. Disponível em: <http://memorialdademocracia.com.br/card/</p><p>ato-reorganiza-o-movimento-negro>. Acesso em: 31 out. 2018.</p><p>COGGIOLA, O. A Segunda Guerra Mundial: causas, estruturas, consequências. 2015.</p><p>Disponível em: <https://irp-cdn.multiscreensite.com/9cf088fc/files/uploaded/OC-</p><p>SegundaGuerraMundial.pdf>. Acesso em: 31 out. 2018.</p><p>FOUCAULT, M. Genealogia del racismo. La Plata: Altamira, 1996.</p><p>FREYRE, G. Casa-grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da eco-</p><p>nomia patriarcal. 30. ed. Rio de Janeiro: Record, 1995.</p><p>GUARNIERI, F. V.; MELO-SILVA, L. L. Cotas universitárias no Brasil: análise de uma década</p><p>de produção científica. Psicologia Escolar e Educacional, São Paulo, v. 21, n. 2, p. 183-193,</p><p>maio/ago. 2017.</p><p>GUIMARÃES, A. S. Cor e raça. In: SANSORE, L.; PINHO, O. A. (Org.). Raça: novas perspec-</p><p>tivas antropológicas. 2. ed. rev. Salvador: Associação Brasileira de Antropologia, 2008.</p><p>HASENBALG, C. Discriminação e desigualdade raciais no Brasil. Rio de Janeiro: Graal, 1979.</p><p>KATZ, S. The holocaust in historical context. Nova York: Oxford University, 1994.</p><p>LIMA, M. Desigualdades raciais e políticas públicas: ações afirmativas no governo Lula.</p><p>Novos estudos CEBRAP, São Paulo , n. 87, p. 77-95, jul. 2010.</p><p>LINNAEUS, C. Systema naturae.10. ed. [S.l.: s.n.], 1758.</p><p>LUVIZOTTO, C. K. Cultura gaúcha e separatismo no Rio Grande do Sul. São Paulo: UNESP,</p><p>2009.</p><p>MAZOWE, M. Hitler's empire: how the nazis ruled Europe. New York: Penguin Books, 2008.</p><p>MUNANGA, K. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade</p><p>negra. Petrópolis: Vozes, 1999.</p><p>NEVES, W. A. E no princípio... era o macaco! Estudos avançados, São Paulo, v. 20, n. 58,</p><p>p. 249-285, 2006.</p><p>SANTOS, D. J. S. et al. Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar. Dental Press</p><p>Journal of Orthodontis, Maringá, v. 15, n. 3, p. 121-124, maio/jun. 2010.</p><p>SILVA, M. A. L.; SOARES, R. L. S. Reflexões sobre os conceitos de raça e etnia. Entrelaçando:</p><p>Revista Eletrônica de Culturas e Educação, ano 2, n. 4, p. 99-115, nov. 2011.</p><p>SILVA, M. L. População-sacer e democracia racial no Brasil. Sociedade e Estado, Brasília,</p><p>v. 32, n. 3, p. 593-620, set./dez. 2017.</p><p>Etnia e raça12</p><p>Leituras recomendadas</p><p>AZEVEDO, C. M. M. Abolicionismo: Estados Unidos e Brasil, uma história comparada.</p><p>São Paulo: Anna Blume, 2003.</p><p>FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: Fator, 1983.</p><p>GUIMARÃES, A. S. A. Racismo e anti-racismo no Brasil. São Paulo: Fundação de Apoio à</p><p>Universidade de São Paulo, 1999.</p><p>MAGGIE, Y.; FRY, P. A reserva de vagas para negros nas universidades brasileiras. Estudos</p><p>Avançados, São Paulo, v. 18, n. 50, jan./abr. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.</p><p>br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142004000100008>. Acesso em: 31</p><p>out. 2018.</p><p>NASCIMENTO, A. Combate ao racismo: discursos e projetos. Brasília: Câmara dos De-</p><p>putados, 1983.</p><p>SOUZA, J. Raça ou classe? Sobre a desigualdade brasileira. Lua Nova, São Paulo, v. 65,</p><p>p. 43-69, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ln/n65/a03n65.pdf>. Acesso</p><p>em: 31 out. 2018.</p><p>TURRA, C.; VENTURI, G. Racismo cordial: a mais completa análise sobre o preconceito</p><p>de cor no Brasil. São Paulo: Ática, 1998.</p><p>13Etnia e raça</p><p>Conteúdo:</p><p>Dica do professor</p><p>Neste vídeo, você poderá perceber, principalmente, que a ideia de raça é algo que se dá</p><p>socialmente.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/605fee5b9b96d6b89abd85d99e23be19</p><p>Exercícios</p><p>1) A etnia se baseia em semelhanças e diferenças culturais em uma sociedade ou nação.</p><p>Sobre a raça é correto afirmar que:</p><p>A) é um conceito imutável.</p><p>B) é um conceito que possui apenas uma definição.</p><p>C) a raça se relaciona com o material genético.</p><p>D) A questão política não se relaciona com a construção do conceito de raça.</p><p>E) A cor da pele é uma maneira infalível de distinção da raça.</p><p>2) As características fenotípicas em que as raças se baseiam, supostamente, refletem o material</p><p>genético compartilhado que se manteve igual por longos períodos de tempo. No entanto, as</p><p>semelhanças e diferenças fenotípicas não têm necessariamente uma base genética. Sobre</p><p>essa questão, marque a alternativa correta.</p><p>A) Com a classificação pelo fenótipo alcançou-se uma resposta precisa para a questão da raça.</p><p>B) O fenótipo não é influenciado pelo clima, por exemplo.</p><p>C) A alimentação e a geografia não influenciam no fenótipo.</p><p>D) O fenótipo é uma maneira definitiva para conceituar a raça.</p><p>E) Sabe-se que a semelhança biológica nem sempre determina uma ancestralidade necessária.</p><p>3) Os grupos étnicos, incluindo as “raças”, derivam de contrastes percebidos e perpetuados em</p><p>determinadas sociedades, e não de classificações científicas baseadas em genes comuns. A</p><p>respeito disso, marque a alternativa correta.</p><p>A) A raça é uma questão meramente biológica.</p><p>B) A etnia é uma questão apenas biológica.</p><p>C) As raças humanas são definidas biologicamente.</p><p>D) A raça apenas se distingue pela via cultural.</p><p>E) É impossível determinar uma raça a partir dos componentes culturais.</p><p>4) Carolus Linnaeus (1758) é criador do termo Homo sapiens e elaborou uma categorização da</p><p>variedade racial dos seres humanos tais como: o americano, o europeu, o asiático e o</p><p>africano. Neste sentido, podemos dizer que tal categorização (presente até hoje no</p><p>imaginário de muitas sociedades) difundiu quais das ideias abaixo?</p><p>A) De que a diferença das pessoas reside exclusivamente na pele.</p><p>B) De que existe uma divisão racial, homogênea, sendo o europeu o mais desenvolvido.</p><p>C) De que a divisão racial não se sustenta para compreender tais comportamentos e raças.</p><p>D) De que a divisão racial existe, porém isso não é fator para se pensar em desigualdades sociais</p><p>e raciais.</p><p>E) De que a divisão racial, em cores, auxilia na distinção de sociedades mais desenvolvidos e das</p><p>menos desenvolvidas.</p><p>5) Durante o século XIX o conceito de raça foi amplamente utilizado e debatido nas ciências</p><p>biológicas como uma justificativa para o exercício do domínio europeu sobre outros povos.</p><p>No século XX, por exemplo, o Nazismo alemão partia do princípio de que a raça ariana era</p><p>superior sobre qualquer outra existente na terra e isso os legitimava a governar sobre a</p><p>Europa. Com o fim da Segunda Guerra Mundial (1945) o termo raça foi perdendo sua força e</p><p>aos poucos um outro conceito foi formulado, qual seja:</p><p>A) O de Etnia, que abrange a complexidade cultural, línguas, costumes, dentre outros.</p><p>B) O de Eugenia, cuja ideia era evitar que houvesse a miscigenação na Europa.</p><p>C) O de Xenofobia, cuja ideia era compreender que todos os estrangeiros,</p><p>não apenas europeus,</p><p>eram consanguíneos.</p><p>D) O de Eugenia, cuja ideia era abranger os diferentes costumes, ideias, cultura e hábitos.</p><p>E) O de Etnologia, cuja ideia era fornecer bases para o princípio da igualdade entre as raças, no</p><p>mundo.</p><p>Na prática</p><p>O tema do preconceito racial assola os continentes, desde a África até a América do Sul. A partir da</p><p>cor da pele, o ser humano criou uma identidade racial e o preconceito apoia-se nessa distinção.</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:</p><p>Preconceito de cor e racismo no Brasil.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Racismo Estrutural</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Raça versus etnia: diferenciar para melhor aplicar</p><p>https://www.revistas.usp.br/ra/article/view/27181/28953</p><p>https://www.scielo.br/j/dpjo/a/cpSn3rmDvrkMNTHj7bsPxgh/?lang=pt</p><p>https://www.youtube.com/embed/Ia3NrSoTSXk</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://www.scielo.br/j/dpjo/a/cpSn3rmDvrkMNTHj7bsPxgh/?lang=pt&format=pdf</p>