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<p>UNICORP FENATEHD 2023</p><p>Curso Superior Sequencial</p><p>Gestão de Comunidades Terapêuticas – 560h</p><p>Disciplina: Princípios da Comunidade</p><p>Terapêutica</p><p>Professor: Esp. Clemilda Baesso Bossada</p><p>INÍCIO DE CONVERSA</p><p> Abordaremos o contexto histórico da Comunidade Terapêutica;</p><p> As definições e concepções existentes e</p><p> As influências na CTs.</p><p> A ideia de Comunidade Terapêutica como sendo uma</p><p>comunidade que ensina, que cura e que dá apoio aos seus</p><p>membros existiu desde os primórdios do ser humano.</p><p> Segundo as pesquisas de Slater (1984, em De Leon) os manuscritos</p><p>do Mar Morto, de Qûmran, detalham as práticas comunitárias de</p><p>uma seita religiosa ascética - Essênios, e que motivavam os seus</p><p>membros a aderirem às regras e aos ensinamentos da comunidade,</p><p>a fim de vida correta e saudável.</p><p> Fílon de Alexandria (25 a.C.-45d.C.) descrevia nos seus escritos um</p><p>grupo que vivia em Alexandria e que auto denominava uma</p><p>comunidade de agentes de cura (therapeutrides) das doenças</p><p>incuráveis da alma e que “professavam uma arte de medicina para</p><p>prazeres e apetites (excessivos) …para a imensurável multiplicidade</p><p>de paixões e vícios” (Slater, 1984 em De Leon, 2003, p.16).</p><p>CONTEXTO HISTÓRICO</p><p> A partir das polis, ou cidades-estados gregas (ver Antonio</p><p>Escohotado, 2004),inaugurou um tipo de sociedade na qual as</p><p>pessoas que vivem em Comunidade - vivência em grupos</p><p>terapêuticos estruturados, que vão desde seitas religiosas,</p><p>comunas utópicas, movimentos de reforma espiritual, de</p><p>temperança e de saúde mental.</p><p> Na Modernidade observamos dois movimentos em torno da Comunidade</p><p>Terapêutica.</p><p> O PRIMEIRO - CAMPO DA PSIQUIATRIA SOCIAL - Foi Maxwell Jones (1953) e seus</p><p>colegas que descreveram esta experiência</p><p> Características desta comunidade terapêutica psiquiátrica:</p><p>Considera-se a organização como um todo responsável pelo resultado terapêutico</p><p>• A organização social é útil para criar um ambiente que maximize os efeitos</p><p>terapêuticos, em vez de constituir mero apoio administrativo ao tratamento;</p><p>• Um elemento nuclear é a democratização: o ambiente social proporciona</p><p>oportunidades para que os pacientes participem activamente nos assuntos da</p><p>instituição;</p><p>• Todos os relacionamentos são potencialmente terapêuticos;</p><p>• A atmosfera qualitativa do ambiente social é terapêutica no sentido de estar</p><p>fundada numa combinação equilibrada de aceitação, controle e tolerância com</p><p>respeito a comportamentos disruptivos;</p><p>• Atribui-se um alto valor à comunicação;</p><p>• O grupo orienta para o trabalho produtivo e para o rápido retorno à sociedade;</p><p>• Usam-se técnicas educativas e a pressão do grupo para propósitos construtivos;</p><p>• A autoridade difunde-se entre funcionários e responsáveis e os pacientes .</p><p> O SEGUNDO - CONJUNTO DE INSTITUIÇÕES/ORGANIZAÇÕES no</p><p>panorama atual do tratamento de dependentes químicos.</p><p> São designadas como instituições com “programas livres de</p><p>droga” e nas quais a aprendizagem de um modo de vida livre</p><p>de drogas é aprendido e difundido.</p><p> Destacam-se 3 grandes precursores :</p><p></p><p>PRIMEIRO PRECURSOR - “Grupo de Oxford”, de Nova York -</p><p>organização religiosa fundada por Frank</p><p>Buchman, padre evangélico luterano, dos anos 1920 - objetivo :</p><p>retorno à pureza e à inocência dos primórdios da igreja cristã.</p><p> Missão do grupo de Oxford viam nestes comportamentos sinais</p><p>de erosão espiritual e assim apelavam ao renascimento espiritual</p><p>destes cristãos através da abstinência do álcool e de outras</p><p>substâncias.</p><p> Estas influências ainda hoje são visíveis nas Comunidades</p><p>Terapêuticas atuais.</p><p> As ideias predominantes incluíam a ética para o trabalho, o cuidado</p><p>mútuo, a orientação partilhada e os valores evangélicos da</p><p>honestidade, da pureza, do altruísmo e do amor, a autonálise, o</p><p>reconhecimento dos defeitos de carácter, a reparação de danos</p><p>causados e o trabalho em conjunto ( Wilson, 1957)</p><p> SEGUNDO PERCURSOR- Alcoólicos Anónimo(AA) -1935 por um</p><p>corrector da bolsa Bill Wilson e um médico, Doutor Bob Smith, que</p><p>através de suas conversas mútuas e entre-ajuda mútua conseguiram</p><p>parar de beber e adquirir um estilo de vida baseado na abstinência.</p><p> Princípios pelos AA nos 12 Passos e nas 12 Tradições, encontram-se os</p><p>princípios de perda de controle da pessoa em relação à substância,</p><p>entrega a um “Poder Superior”, o auto-exame, a busca individual de</p><p>um “Poder Superior” capaz de se substituir à substância consumida,</p><p>reparação de danos causados a outros, partilha com outros em</p><p>grupo, oração e entre-ajuda a outros consumidores no activo.</p><p> GRANDE DIFERENÇA ENTRE O GRUPO DE OXFORD E OS AA</p><p> Grupo de Oxford este implicava um “Deus” religioso e cristão ;</p><p> AA incentivam os seus membros e participantes a encontrarem</p><p>o seu próprio conceito de “Poder Superior” - escolhas</p><p>individuais.</p><p> TERCEIRO GRANDE MOVIMENTO - Organização Synanon.</p><p> Fundada -alcoólico em recuperação, Charles (Chuck) Dederich,</p><p>em Santa Monica, California em 1958, foi a primeira instituição</p><p>de tratamento no sentido específico.</p><p> Nascido a partir de experiências de grupo com “associação</p><p>livre” no seu apartamento privado, Dederich fundou em 1959</p><p>uma comunidade residencial, na qual recebia dependentes de</p><p>todas substâncias.</p><p>AA SYNANON</p><p>• Ambiente não residencial das</p><p>reuniões semanais de auto ajuda</p><p>Ambiente de Comunidade</p><p>residencial intensiva a tempo inteiro</p><p>das Comunidades Terapêuticas</p><p>• Atividades concentradas dentro da</p><p>comunidade</p><p>• Organização hierárquica estruturada</p><p>• Único requisito é vontade de parar de</p><p>beber</p><p>• Condição de parar de consumir como</p><p>condição de entrada</p><p>• Concentra-se no processo de partilha</p><p>de experiência dos membros que</p><p>participam nas reuniões, sendo a</p><p>aprendizagem de ensinamentos</p><p>facultativa</p><p>• técnica denominada “o jogo” nos quais</p><p>se promovia um intenso confronto mútuo</p><p>de todos os participantes do grupo, com</p><p>o objectivo de ogrupo produzir</p><p>“verdadeiros “ e reais sentimentos entre</p><p>todos os membros, desprovidos de</p><p>quaisquer mecanismos de defesa.</p><p>• tipo auto-curativas e de entre-apoio e</p><p>entre-ajuda</p><p>• Visava-se a mudança activa da pessoa,</p><p>do seu funcionamento psicológico, do</p><p>seu estilo de vida e do seu ambiente</p><p>social e familiar, por via da vivência</p><p>comunitária</p><p>•,</p><p>ATIVIDADE</p><p> Abordar a comparação AA x Synanon</p><p> Para De Leon (2012), “a CT é fundamentalmente uma</p><p>abordagem de autoajuda, desenvolvida de modo primordial</p><p>fora das práticas psiquiátricas, psicológicas e médicas</p><p>tradicionais” (DE LEON, 2012, p. 03). Reafirma-se aqui a influência</p><p>dos grupos iniciais de alcoolistas nos EUA, como Synonon e</p><p>outros.</p><p>https://famarct.org/o-que-e-uma-comunidade-terapeutica-como-ela-funciona/</p><p> A CT moderna vem sofrendo modificações ao longo dos anos.</p><p>Adaptações foram feitas para atender a públicos específicos,</p><p>como adolescentes, mulheres e pessoas com comorbidades</p><p>psíquicas, além de outras mudanças.</p><p> De Leon (2012) refere que “a abordagem básica da CT, o</p><p>tratamento da pessoa inteira por meio do uso da comunidade</p><p>de companheiros [...] foi ampliado pela inclusão de inúmeros</p><p>serviços adicionais vinculados à família, à educação, à</p><p>formação vocacional e à saúde física e mental” (DE LEON, 2012,</p><p>p. 03).</p><p> Segundo De Leon (2012) alguns problemas na evolução das CTs,</p><p>como:</p><p> a ampla diversidade de CT;</p><p> incompreensão do processo de tratamento;</p><p> abordagem transmitida oralmente, sem fundamentação escrita;</p><p> concepções errôneas acerca do tratamento; entre outras.</p><p> “um relato explícito da perspectiva, das bases, dos princípios e</p><p>métodos que sustentam a abordagem da CT poderia ajudar a</p><p>corrigir algumas dessas concepções errôneas e proporcionar um</p><p>quadro mais equilibrado do lugar da CT no espectro de serviços</p><p>humanos” (DE LEON, 2012, p.07).</p><p> Nas COMUNIDADES TERAPÊUTICAS contemporâneas continua a</p><p>observar-se muitos dos elementos.</p><p> Atualmente</p><p>programas especializados com recurso a novos</p><p>conhecimentos (a partir de Rogers, Erikson, Maslow, Beck, etc.),</p><p>novas práticas terapêuticas (psicodrama, relaxamento, grupos</p><p>de encontro, etc.), dirigidos a populações com características</p><p>psico-sociais específicas (população prisional, sem abrigo,</p><p>prostituição, etc.), dirigidos a indivíduos com dependências</p><p>específicas (dependência do jogo, distúrbios alimentares,</p><p>indivíduos que apresentam duplo-diagnóstico, etc.) e com</p><p>serviços complementares (assistência à família, formação</p><p>vocacional e socioprofissional, apoio psiquiátrico, prevenção de</p><p>recaída, pós-tratamento, etc.)</p><p>COMUNIDADES, VINCULADAS</p><p>PRINCIPALMENTE A CONFISSÕES</p><p>RELIGIOSAS (CATÓLICAS E EVANGÉLICAS)</p><p> 1º) questão do álcool e de outras drogas foi tratada em nosso país como</p><p>um “caso de polícia”. Até a década de 1960, época em que as</p><p>comunidades terapêuticas começaram a surgir no Brasil, o dependente</p><p>químico e/ou sua família tinham como única opção a internação em</p><p>manicômios, levando o usuário/dependente a ser considerado como uma</p><p>pessoa com transtornos psiquiátricos. Surgiram também as clínicas</p><p>particulares especificamente atuando nesta área, mas com custos</p><p>elevados, mantendo excluídos do tratamento uma grande parcela oriunda</p><p>das classes mais empobrecidas da sociedade.</p><p> 2º) Esse vácuo foi sendo ocupado por diferentes confissões religiosas,</p><p>motivadas pela perspectiva de “evangelização”, mas também pela</p><p>necessidade de fornecerem resposta aos pedidos de ajuda por tratamento</p><p>que chegavam às suas portas na mesma proporção em que a</p><p>dependência química alcançava números alarmantes de vítimas.</p><p>INFLUENCIAS MAIS AMPLAS DA CT</p><p> Fontes históricas – elementos da CT confluência de influencias</p><p>morais (ou espirituais), sociais e psicológicas, mediadas por vários</p><p>pioneiros e líderes, programa e movimentos.</p><p> Mas outros não especificados tais como: contexto social e clima</p><p>social ; influencia da personalidade e influencias culturais que</p><p>parecem ter ajudado a moldar as atividades e a organização</p><p>social da Synanon e da primeira geração de CTs.</p><p>CONTEXTO SOCIAL E CLIMA SOCIAL</p><p> Estruturas organizacionais eram as prisões, os hospitais e suas</p><p>próprias famílias (muitas vezes disfuncionais e abusivas)</p><p> Synanon- modelo substituto autocrático e hierárquico da</p><p>família</p><p>INFLUENCIA DA PERSONALIDADE</p><p> Problemas de toda uma vida com relação a autoridade, ao</p><p>controle dos impulsos e à pouca auto estima, associado com</p><p>restrição ao desempenho social</p><p> O Requisito relevante da aceitação da autoridade era a</p><p>credibilidade, simbolizada de maneira bem clara pelos</p><p>dirigentes em processo de recuperação</p><p>INFLUENCIAS CULTURAIS</p><p> A influência norte americana reflete caráter –empreendedor ,</p><p>pragmático e aquisitivo.</p><p> Valores conservadores tradicionais da família, da</p><p>responsabilidade social , da autoconfiança e da ética do</p><p>trabalho.</p><p>PRIMEIRO- ENQUADRAMENTO TEÓRICO –</p><p>DEFINE A CT COMO ABORDAGEM DE</p><p>AUTO AJUDA – SOCIAL E PSICOLÓGICA.</p><p> O termo “terapeutico!” denota as metas sociais e psicológicas</p><p>da CT, a saber, alterar o estilo de vida e da identidade do</p><p>individuo</p><p> O termo “comunidade” denota o método ou abordagem –</p><p>primário empregado para alcançar a meta da mudança</p><p>individual. Curar emocionalmente os indivíduos e educa-los nos</p><p>comportamentos, atitudes e valores de uma vida saudável .</p><p>SEGUNDO ENQUADRAMENTO</p><p> Identifica os elementos essenciais da abordagem da CT como</p><p>conjunto de conceitos, crenças, pressupostos, praticas clinicas e</p><p>educacionais e componentes de programa comuns .</p><p>TERCEIRO ENQUADRAMENTO</p><p> Elementos essenciais organizados num quadro composto por</p><p>componentes: perspectiva, o modelo e o método.</p><p> A perspectiva- descreve a CT – concebe o tratamento do</p><p>abuso de substancias , sua estrutura e sua organização diária</p><p> O modelo – auto ajuda</p><p> O método – são instruídos a usar a comunidade de</p><p>campanheiros para aprender sobre si mesmo.</p><p>QUARTO ENQUADRAMENTO</p><p> A formulação relaciona sobre os três componentes :</p><p>perspectiva, o modelo e o método – processo de mudança.</p><p> Todos os elementos da CT estão voltados para facilitar</p><p>mudanças individuais de estilo de vida e de indentidade. A</p><p>maneira como essas mudanças acontecem reflete a interação</p><p>especifica do individuo com a comunidade dos ensinamentos</p><p>que esta oferece.</p><p>ATIVIDADES</p><p> Comente suas experiência.</p><p>CONCLUSÃO</p><p> A busca da CT essencial revela a recorrência de uma ideia</p><p>universal, sob varias roupagens, ao longo da história de cura,</p><p>ensino, apoio, orientação por meio da comunidade. Em sua</p><p>forma contemporânea, a CT de tratamento de dependência</p><p>química desenvolveu-se a partir da Synanon, embora seja</p><p>possível identificar alguns elementos essenciais na AA e no</p><p>movimento Oxford, que é anterior. A organização desses</p><p>elementos num enquadramento teórico que apresenta a CT</p><p>como uma abordagem social e psicológica especifica é um</p><p>passo adiante em sua evolução.</p><p>REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p> BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.</p><p>Resolução nº. 101, de 30 de Maio de 2001.</p><p> DE LEON, George. A Comunidade Terapêutica: Teoria, Modelo e</p><p>Método. Ed. Loyola, 2003;</p>