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<p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 1</p><p>BASES BIOLÓGICAS APLICADAS</p><p>À EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>PROF. MÁRCIA YURI KAWAUCHI</p><p>“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma</p><p>ação integrada de suas atividades educacionais, visando à</p><p>geração, sistematização e disseminação do conhecimento,</p><p>para formar profissionais empreendedores que promovam</p><p>a transformação e o desenvolvimento social, econômico e</p><p>cultural da comunidade em que está inserida.</p><p>Missão da Faculdade Católica Paulista</p><p>Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.</p><p>www.uca.edu.br</p><p>Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma</p><p>sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria,</p><p>salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a</p><p>emissão de conceitos.</p><p>Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 3</p><p>SUMÁRIO</p><p>AULA 01</p><p>AULA 02</p><p>AULA 03</p><p>AULA 04</p><p>AULA 05</p><p>AULA 06</p><p>AULA 07</p><p>AULA 08</p><p>AULA 09</p><p>AULA 10</p><p>AULA 11</p><p>AULA 12</p><p>AULA 13</p><p>AULA 14</p><p>AULA 15</p><p>AULA 16</p><p>05</p><p>09</p><p>14</p><p>18</p><p>24</p><p>32</p><p>36</p><p>42</p><p>47</p><p>51</p><p>55</p><p>58</p><p>62</p><p>65</p><p>70</p><p>73</p><p>A CÉLULA</p><p>UMA VOLTA PELA CÉLULA - CONHECENDO A</p><p>MEMBRANA PLASMÁTICA</p><p>O NÚCLEO</p><p>A MAQUINARIA CELULAR</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO NOSSO ORGANISMO I</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO NOSSO ORGANISMO II</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO NOSSO ORGANISMO III</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO NOSSO ORGANISMO IV</p><p>A CONTRAÇÃO DO MÚSCULO ESTRIADO ESQUELÉTICO</p><p>MECANISMO MOLECULAR DA CONTRAÇÃO MUSCULAR</p><p>COMO CONSEGUIR ENERGIA PARA A CONTRAÇÃO</p><p>MUSCULAR?</p><p>ENERGIA PELO SISTEMA ATP-FOSFOCREATINA</p><p>ENERGIA PELA VIA GLICOLÍTICA</p><p>ENERGIA PELO METABOLISMO OXIDATIVO OU</p><p>FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA</p><p>TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES</p><p>HIPERTROFIA MUSCULAR - UMA ADAPTAÇÃO AO</p><p>AUMENTO DE DEMANDA</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 4</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Quanto mais compreendemos o organismo humano, em todos os seus pormeno-</p><p>res precisamente engrenados, sincronizados, interdependentes e interrelacionados,</p><p>mais nos questionamos de como tudo isto pode ser possível e de quão magistral esta</p><p>maravilhosa e precisa máquina chamada de corpo humano pode atuar. O princípio de</p><p>tudo isto encontra-se na nossa unidade fundamental da vida: a célula. Esta engenhosa</p><p>estrutura apresenta componentes básicos que são comuns a todas elas, na sua es-</p><p>sência. Cada componente celular desempenha uma atividade específica de maneira</p><p>organizada e coordenada. Isto é espetacular!!! Todos os componentes se entendem!!!!</p><p>A formação dos tecidos baseia-se essencialmente em células que, trabalhando em</p><p>equipe, conseguem executar determinadas funções. Pois é !!! É possível e elas conse-</p><p>guem!! Dos quatro tecidos fundamentais do nosso organismo - epitelial, conjuntivo,</p><p>nervoso e muscular daremos ênfase ao tecido muscular pela importância com que</p><p>este conhecimento pode e deve nortear as atividades relacionadas ao educador físico.</p><p>Abordaremos as questões biológicas da contração muscular; das fontes de energia</p><p>que temos para executar as atividades físicas; dos tipos de fibras e culminaremos</p><p>com um capítulo sobre hipertrofia muscular, caracterizando a adaptabilidade e flexi-</p><p>bilidade com que o músculo pode atuar, conforme as demandas necessárias. Assim,</p><p>este livro traz de uma maneira despretensiosa e simples, uma apresentação dos as-</p><p>pectos biológicos do organismo humano, aplicados à área de Educação Física. Espero</p><p>que gostem!!!!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5</p><p>AULA 1</p><p>A CÉLULA</p><p>Para entender nosso organismo e como ele funciona precisamos iniciar pelo co-</p><p>nhecimento da nossa unidade fundamental da vida que é a célula. É a partir dela</p><p>que todo o nosso corpo se materializa... um conjunto de células trabalhando com o</p><p>mesmo objetivo formam os tecidos... diversos tecidos associados formam os órgãos</p><p>... e, vários órgãos formam os sistemas que conhecemos, como sistema respiratório,</p><p>sistema reprodutor, sistema digestório, sistema urinário, sistema endócrino, sistema</p><p>nervoso, sistema locomotor e muitos outros. Se você fica doente ou algo está errado</p><p>com o seu corpo ... é porque a célula foi atingida.</p><p>Esse conhecimento só se tornou possível inicialmente com o advento do micros-</p><p>cópio, pois foi quando confirmamos que existiam estruturas bem pequenas e que não</p><p>conseguíamos ver a olho nu (Figura 1.1). Mas, com o desenvolvimento da tecnologia,</p><p>cada vez mais, novos métodos científicos vêm contribuindo com novas informações</p><p>sobre o funcionamento da célula.</p><p>Figura 1.1 – Microscópio desenvolvido por Robert Hooke, em 1665, em que o pesquisador conseguiu observar que a cortiça apresentava espaços que ele</p><p>denominou de CÉLULA</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-xry69b/</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6</p><p>1.1 Tipos celulares</p><p>Quando pensamos num universo maior, dois tipos celulares podem ser encontra-</p><p>dos – as células procarióticas e as células eucarióticas.</p><p>Mas, independente do tipo celular – procariótica ou eucariótica, todas as células</p><p>apresentam as seguintes estruturas:</p><p>membrana plasmática ou membrana celular (barreira seletiva);</p><p>citosol (semifluido semelhante à gelatina no qual os componentes subcelulares</p><p>ficam suspensos).</p><p>cromossomos (carregam os genes na forma de DNA – ácido desoxirribonuclei-</p><p>co);</p><p>ribossomos (minúsculos complexos que sintetizam as proteínas a partir dos ge-</p><p>nes).</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7</p><p>Outras diferenças podemos observar entre esses dois tipos celulares, conforme</p><p>o quadro 1. Nos capítulos seguintes, vocês entenderão melhor, pois conhecerão</p><p>melhor as estruturas celulares.</p><p>PROCARIÓTICA EUCARIÓTICA</p><p>Estruturas intracelulares sem</p><p>delimitação de membrana</p><p>Organelas (estruturas intracelulares</p><p>delimitadas por membrana)</p><p>Sem citoesqueleto Presença de citoesqueleto</p><p>Tamanho de 1 a 5 um de diâmetro Tamanho de 10 a 100 um de diâmetro</p><p>Exigência metabólica menor Exigência metabólica maior</p><p>Quadro 1.1 – Algumas diferenças entre as células procarióticas e eucarióticas</p><p>Vale ressaltar que no nosso caso, estamos falando de células eucarióticas que são</p><p>células mais organizadas e elaboradas. Lembrando que são células com um núcleo</p><p>delimitado por membrana onde encontramos nosso código genético e um citoplas-</p><p>ma, onde encontramos as demais estruturas celulares (Figura 1.2).</p><p>Figura 1.2 – Desenho de uma célula animal. O número 2 representa o NÚCLEO e o restante fora do núcleo corresponde ao CITOPLASMA onde encontramos</p><p>as demais estruturas intracelulares</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/</p><p>Pela figura 1.2 também podemos observar que a célula encontra-se envolvida por</p><p>uma estrutura que denominamos membrana plasmática ou membrana celular (nú-</p><p>mero 14). Esta membrana apresenta um papel fundamental para a célula, mas que</p><p>iremos discutir em capítulos posteriores. No citoplasma encontramos as organelas,</p><p>a matriz citoplasmática ou citosol e diversos depósitos de substratos importantes</p><p>para as funções daquela determinada célula. Consideramos “organelas”, as estruturas</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8</p><p>que se apresentam envolvidas por membrana. A matriz citoplasmática contém água,</p><p>íons diversos, aminoácidos, numerosas enzimas que participam de várias vias meta-</p><p>bólicas e outras moléculas importantes para cada célula específica. Além disso, não</p><p>poderiam faltar no citoplasma, os depósitos de substratos, como glicogênio e lipídios.</p><p>1.2 Resumindo</p><p>Vimos neste capítulo a diferença entre os tipos celulares - a célula procariótica e</p><p>a célula eucariótica. E entre estes dois tipos, o</p><p>A disposição espiralada da tropomiosina sobre a actina faz com que alguns sítios ati-</p><p>vos fiquem cobertos em situação de repouso muscular. Por outro lado, as moléculas</p><p>de troponina alojam-se sobre a actina e ao lado da tropomiosina de forma intermitente</p><p>(Figura 10.2). Formam um complexo de três subunidades proteicas frouxamente liga-</p><p>das – a troponina I (forte atividade com a actina), a troponina T (forte afinidade com a</p><p>tropomiosina) e a troponina C (forte afinidade com o íon cálcio).</p><p>Figura 10.2 - Filamento de actina - composto pela actina, pela tropomiosina e pelos complexos de troponina. Os locais ativos em que a cabeça da miosina</p><p>se encaixa ficam cobertos pela tropomiosina, numa fibra em fase de relaxamento</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-wbwy0f/</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53</p><p>10.2 Interação entre as proteínas contráteis e a contração muscular</p><p>Após o estímulo nervoso e a liberação da acetilcolina, vimos que ocorre a liberação</p><p>de grande quantidade de íons cálcio para o meio intracelular pelo retículo sarcoplas-</p><p>mático. Os íons cálcio livres acabam se ligando ao complexo de troponina (troponina</p><p>C) que induz a alteração espacial da tropomiosina. Esta movimentação da tropo-</p><p>miosina expõe locais ou sítios ativos em que as cabeças das pontes cruzadas da</p><p>miosina conseguem se encaixar. Por um mecanismo ainda desconhecido, a cabeça</p><p>da miosina se inclina em direção a sua cauda e nesse movimento acaba deslizando a</p><p>actina por sobre ela. Mas, imediatamente após a inclinação, a cabeça do filamento de</p><p>miosina se separa do sítio ativo e volta a sua conformação inicial. Esse processo se</p><p>repete e cada vez que isso acontece, leva a actina em direção ao centro do sarcômero</p><p>– assim, a fibra muscular se contrai. Esta teoria é conhecida como teoria da “catraca”</p><p>ou teoria do “ir para adiante” (Figura 10.3).</p><p>Figura 10.3 - Teoria “ir para adiante” da contração muscular</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-wbwy0f/</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54</p><p>10.2.1 Adenosina trifosfato (ATP) como fonte de energia para a contração</p><p>muscular e relaxamento</p><p>Como mencionado anteriormente, as cabeças do filamento de miosina apresentam</p><p>a capacidade de clivar o ATP pela presença da enzima adenosina trifosfatase (ATPa-</p><p>se). Desta forma, antes do início da contração muscular a cabeça das pontes cruza-</p><p>das se ligam ao ATP promovendo sua clivagem e deixando como produtos o ADP e</p><p>o íon fosfato inorgânico ainda ligados à cabeça da miosina. Já neste momento, as</p><p>pontes cruzadas assumem uma conformação estendida em direção à actina, mas só</p><p>conseguem se encaixar nos sítios ativos após a sua exposição induzida pela união do</p><p>íon cálcio com o complexo troponina-tropomiosina. Esta ligação promove uma alte-</p><p>ração conformacional na cabeça que se inclina em direção à cauda da ponte cruzada</p><p>consumindo a energia gerada durante a clivagem do ATP e promovendo o deslize da</p><p>actina sobre a miosina. Com esta inclinação, o ADP e o íon fosfato é liberado da cabe-</p><p>ça e uma nova molécula de ATP pode ocupar esse lugar. A ligação dessa nova molé-</p><p>cula faz com que a cabeça se solte da actina. Desta forma, voltamos ao início do pro-</p><p>cesso e o mesmo pode ser repetido sucessivamente até que os filamentos de actina</p><p>se sobreponham ou até que a carga sobre os músculos fique demasiadamente forte.</p><p>A contração muscular termina com o cálcio sendo bombeado de volta para o re-</p><p>tículo sarcoplasmático. A liberação de cálcio ocorre também na presença de ATP. E</p><p>este cálcio agora fica disponível para uma nova contração muscular. Quando este íon</p><p>é removido a tropomiosina passa a cobrir novamente os sítios ativos e a miosina não</p><p>consegue encaixar nos mesmo. Além disso, ocorre a interrupção da utilização do ATP.</p><p>Desta forma, o músculo relaxa.</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Quando os íons cálcio não se desprendem da troponina e, a tropomiosina continua</p><p>a expor os sítios ativos - a contração continua. A falta de energia (ATP) mantém os</p><p>íons cálcio ligados no complexo troponina, por este motivo é comum observar a</p><p>rigidez muscular quando a pessoa morre.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55</p><p>AULA 11</p><p>COMO CONSEGUIR ENERGIA</p><p>PARA A CONTRAÇÃO MUSCULAR?</p><p>Para o exercício físico é preciso energia e como conseguir energia? Chamamos</p><p>estes processos de vias metabólicas de produção de ATP.</p><p>11.1 Generalidades</p><p>O que é metabolismo?</p><p>O termo metabolismo (do grego metábole, que significa mudança)</p><p>é usado para descrever as várias reações químicas existentes no</p><p>organismo que garantem as necessidades estruturais e energéticas</p><p>de um ser vivo. Entre as finalidades dessas reações químicas,</p><p>podemos citar a síntese e quebra de biomoléculas, a produção de</p><p>energia e a conversão de moléculas dos nutrientes em unidades</p><p>precursoras de macromoléculas.</p><p>(SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “O que é metabolismo?”; Brasil</p><p>Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/</p><p>biologia/o-que-e-metabolismo.htm. Acesso em: 25 de jun. de</p><p>2021).</p><p>A partir desse conceito, entendemos que o metabolismo celular é essencial para</p><p>a produção de energia. Quando falamos de energia estamos nos referindo à produ-</p><p>ção de adenosina trifosfato (ATP) que é uma molécula fundamental para a função</p><p>de todas as células do nosso organismo e imaginem então para a fibra muscular,</p><p>principalmente numa condição de exercício físico. Pois é!!! Precisamos de ATP e essa</p><p>quantidade irá depender da demanda. Mas, como o nosso corpo dá conta para tantos</p><p>tipos de esportes ou exercícios físicos? Temos atividades físicas de alta intensidade</p><p>e curta duração, atividades leves a moderadas, mas por um tempo prolongado ou</p><p>mesmo uma grande variabilidade entre os extremos (Figura 11.1). Nosso estoque in-</p><p>tracelular de ATP normalmente é limitado e por isso necessitamos de várias maneiras</p><p>para produção de ATP, ou seja, várias vias metabólicas!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56</p><p>Figura 11.1 - Qualquer tipo de atividade muscular necessita de ATP</p><p>Fonte: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay</p><p>ANOTE ISSO</p><p>A adenosina trifosfato (ATP) possui três radicais fosfato de alta energia. Quando um</p><p>radical fosfato é removido, mais do que 7.300 calorias de energia são liberadas para</p><p>a contração muscular e esta molécula passa a ser chamada de adenosina difosfato</p><p>(ADP). Se outro radical fosfato for removido, mais 7.300 calorias ficam disponíveis e</p><p>passa a ser uma adenosina monofosfato (AMP).</p><p>Bom, quando falamos em vias metabólicas de uma forma resumida, significa dizer</p><p>que precisamos de um substrato (glicose, ácidos graxos e/ou aminoácidos) e de en-</p><p>zimas que irão transformar este substrato no nosso produto final (ATP)(Figura 11.2).</p><p>Figura 11.2 - Esquema geral das vias metabólicas</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57</p><p>Desta forma, a disponibilidade, a captação e o armazenamento de substratos são</p><p>considerações importantes quando pensamos na efetividade das vias metabólicas.</p><p>Não significa que você precisa comer muito... vamos com calma.... vamos pensar que</p><p>esse substrato precisa ser captado pela célula, ou seja, entrar nela. Como vimos nos</p><p>capítulos iniciais, o substrato precisa passar pela membrana celular ou membrana</p><p>plasmática ou sarcolema. Lembrando que essa membrana apresenta uma bicamada</p><p>lipídica associada a proteínas. Sendo assim, os ácidos graxos que são lipossolúveis</p><p>passam facilmente por ela por meio da difusão simples, mas a glicose e os amino-</p><p>ácidos necessitam de uma “porta de entrada” (proteínas transportadoras)... de uma</p><p>ajudinha! A natureza é sábia... existe uma proteína responsável por captar a glicose,</p><p>chamada GLUT. Na fibra muscular temos dois tipos de GLUT (GLUT-1 e GLUT-4),</p><p>em</p><p>que o primeiro fica disposto na membrana a posto para a captação da glicose enquan-</p><p>to o GLUT-4 fica guardado em vesículas intracelulares e a medida em que ocorre a ne-</p><p>cessidade de mais glicose para as vias metabólicas, o GLUT-4 é liberado e chega até a</p><p>membrana para dar uma ajuda nesta captação. Os aminoácidos também necessitam</p><p>de uma proteína para entrar na célula, só que eles acabam utilizando as portas de</p><p>entradas e entrando com outros íons como os gradientes dos íons sódio, hidrogênio,</p><p>potássio e hidroxila. Os ácidos graxos, embora não precisem de “porta de entrada”,</p><p>ainda assim nosso organismo possui algumas delas, caso seja necessário.</p><p>Esse substrato (glicose, ácidos graxos e aminoácidos) podem ser captados da cor-</p><p>rente sanguínea ou de reservas intracelulares do nosso organismo que se encontram</p><p>armazenados na forma de glicogênio, triacilglicerol e proteínas.</p><p>11.2 Vias metabólicas de produção de ATP</p><p>Quando pensamos no tecido muscular, as vias metabólicas geradoras de ATP são:</p><p>Sistema ATP-fosfocreatina</p><p>Via glicolítica</p><p>Metabolismo oxidativo ou fosforilação oxidativa</p><p>Cada uma destas vias tem suas características e suas peculiaridades que iremos</p><p>discutir a seguir.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58</p><p>AULA 12</p><p>ENERGIA PELO SISTEMA</p><p>ATP-FOSFOCREATINA</p><p>A primeira fonte de energia utilizada pelo nosso organismo é o sistema ATP-fosfo-</p><p>creatina. Tenho certeza que vocês já ouviram falar de creatina, especialmente aqueles</p><p>que frequentam uma academia! O pessoal fala que a creatina propicia mais energia.</p><p>A sua fundamentação se encontra aqui, mas a ingestão de creatina tem as suas indi-</p><p>cações e consequências!</p><p>12. 1 Sistema ATP-fosfocreatina</p><p>Este sistema consiste na primeira fonte de energia a ser utilizada pelo nosso orga-</p><p>nismo por ser a mais simples e a mais rápida da fibra muscular. Contudo, tem uma</p><p>duração de 3 a 5 segundos apenas. Junto com os estoques celulares de ATP podem</p><p>chegar a durar de 10 a 12 segundos, diante de uma atividade física intensa. Em condi-</p><p>ções de normalidade, a fosfocreatina ou o fosfato de creatina (CP) que consiste numa</p><p>molécula altamente energética, acaba sendo sintetizada e armazenada na fase de</p><p>recuperação após o exercício (Figura 12.1).</p><p>PENSE NISSO</p><p>A maioria das células musculares possuem de duas a quatro vezes mais</p><p>fosfocreatina do que ATP. O sistema ATP-fosfocreatina consegue sustentar a</p><p>contração muscular em potência máxima por 10 a 12 segundos. Isso é quase</p><p>suficiente para uma corrida de 100 metros!!!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59</p><p>Figura 12.1 - Esquema do Sistema ATP-fosfocreatina</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>A enzima responsável pela produção da fosfocreatina é a creatinoquinase (CQ).</p><p>Esta mesma enzima atua na produção como na degradação da fosfocreatina e o que</p><p>regula a sua função é a disponibilidade de ATP e de ADP. Este sistema apresenta um</p><p>mecanismo de autorregulação. Como assim? Na realidade podemos considerar que</p><p>a fosfocreatina é uma forma de armazenar ATP, então no início de um exercício físico,</p><p>a enzima CQ atua sobre a CP removendo um fosfato da sua molécula e direcionando</p><p>para o ADP e transformando-o em ATP, que então é utilizada (Figura 12.2).</p><p>Figura 12.2 - Fosfocreatina (CP) como reserva de fosfato. ADP (adenosina difosfato), CQ (enzima creatinoquinase), ATP (adenosina trifosfato) e C</p><p>(creatina)</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Quando nossa fibra muscular cliva a molécula de ATP ficamos com uma molécula</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60</p><p>de ADP mais fosfato inorgânico (Pi). Esse ADP associa-se a CP que na presença da</p><p>CQ se transforma em ATP, novamente. Enquanto houver CP teremos a produção de</p><p>ATP (Figura 12.3).</p><p>Figura 12.3 - A nova molécula de ATP pode, então, ser usada pela célula, transformando-se em ADP mais Pi (fosfato inorgânico)</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Nos momentos de repouso, ou seja, na fase pós-exercício, na mitocôndria, temos a</p><p>formação de novas moléculas de CP (Figura 12.4).</p><p>Figura 12.4 - Fase pós-exercício - recuperação da fosfocreatina (CP)</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Observe no quadro 12.1 que o sistema ATP-fosfocreatina consiste num sistema</p><p>em que não há necessidade de oxigênio sendo considerado desta forma um sistema</p><p>anaeróbio.</p><p>Quadro 12.1 - Características do Sistema ATP-fosfocreatina</p><p>Características Sistema ATP- fosfocreatina</p><p>Velocidade de geração de ATP Muito alta</p><p>Tempo de duração 3 a 5s</p><p>Necessidade de O2 Anaeróbio</p><p>Eficiência energética Muito baixa</p><p>Substratos energéticos Fosfocreatina</p><p>Produtos finais Creatina</p><p>ATP</p><p>Fonte: Adaptado de (PITHON-CURI, 2017, p. 25)</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>“Uma consequência inconveniente à suplementação de creatina é o ganho de peso</p><p>corporal.... Esse aumento da massa corporal é resultante da elevação da quantidade</p><p>de água intramuscular, pois a incorporação de creatina no tecido muscular eleva a</p><p>osmolaridade intracelular” (PITHON-CURI, 2017, p.322).</p><p>Nos próximos capítulos iremos conhecer as outras fontes de energia, pois somente</p><p>o sistema ATP-fosfocreatina… nem sempre é o suficiente!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62</p><p>AULA 13</p><p>ENERGIA PELA VIA GLICOLÍTICA</p><p>13.1 Via glicolítica ou glicólise ou metabolismo anaeróbio</p><p>A via glicolítica consiste na segunda fonte de energia a ser requisitada durante uma</p><p>atividade física. Como o próprio nome diz esta via parte da degradação da glicose pro-</p><p>veniente da corrente sanguínea e do glicogênio encontrado na fibra muscular. Porém,</p><p>ela também representa uma via rápida e sem eficiência energética, pois gastam-se</p><p>2 moléculas de ATP no processo e formam-se 4 moléculas ao final, tendo um saldo</p><p>positivo de apenas 2 moléculas de ATP, considerando a utilização da glicose como</p><p>substrato. No caso do glicogênio, temos um saldo positivo de 3 moléculas de ATP pois</p><p>o gasto é de apenas 1 molécula de ATP (Figura 13.1 e 13.2).</p><p>Figura 13.1 - Fase de preparação da via glicolítica em que temos gasto de duas moléculas de ATP. Observem que com o glicogênio, temos apenas o</p><p>consumo de apenas uma molécula de ATP</p><p>Fonte: PHITON-CURI, 2017, p.27 adaptada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63</p><p>Figura 13.2 - Fase de geração energética onde temos a produção de quatro moléculas de ATP. Mas, para isso foi necessário clivar o NAD+ em NADH para</p><p>iniciar o processo. Ficamos, então com quatro moléculas de ATP e duas de NADH, além do piruvato</p><p>Fonte: PHITON-CURI, 2017, p.27 adaptada pela autora</p><p>A via glicolítica consiste numa reação mais longa que o sistema ATP-fosfocreatina</p><p>e apresenta várias enzimas no processo. Ao final, além das moléculas de ATP, temos</p><p>a formação de 2 moléculas de piruvato e de duas moléculas de nicotinamida adenina</p><p>dinucleotídeo reduzida (NADH) (Figura 13.2).</p><p>Até aqui não houve a necessidade de oxigênio e se assim continuar, as moléculas</p><p>de piruvato se transformarão em ácido lático e voltarão para a corrente sanguínea</p><p>para serem reaproveitadas em outros locais do organismo. Essa conversão em ácido</p><p>lático utiliza o NADH que resulta na formação do NAD+, desta forma, esta molécula</p><p>volta a fazer parte da via metabólica e é responsável pela manutenção da mesma</p><p>(Figura 13.3) .</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64</p><p>Figura 13.3 - Na ausência de oxigênio ou oxigênio baixo, as moléculas de piruvato se transformam em ácido lático (lactato). A molécula de NADH é</p><p>utilizada e apresenta como resultante o NAD+ que pode voltar ao início desta segunda fase da glicólise e dar continuidade ao processo</p><p>Fonte: PHITON-CURI, 2017,</p><p>p.27 adaptada pela autora</p><p>Entretanto, na presença de oxigênio, o piruvato é convertido em acetil-CoA ou em</p><p>oxaloacetato e, na mitocôndria, passa a fazer parte do ciclo de Krebs (glicólise aeró-</p><p>bia) que veremos no capítulo seguinte.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65</p><p>AULA 14</p><p>ENERGIA PELO</p><p>METABOLISMO OXIDATIVO</p><p>OU FOSFORILAÇÃO OXIDATIVA</p><p>14.1 Metabolismo oxidativo ou fosforilação oxidativa</p><p>Como o próprio nome diz, essa via metabólica utiliza o oxigênio para a obtenção</p><p>de energia. Consiste num sistema mais duradouro e que apresenta maior eficiência</p><p>energética com a formação de 38 moléculas de ATP. Contudo, consiste num processo</p><p>mais lento e por precisar de oxigênio representa a última fonte a ser requisitada. Esse</p><p>processo metabólico ocorre na mitocôndria e por esse motivo esta organela se encon-</p><p>tra dispersa no citoplasma adjacente às miofibrilas e em grande número dependendo</p><p>da demanda de energia.</p><p>Figura 14.1 - Mitocôndria: organela responsável pelo metabolismo oxidativo</p><p>Fonte: Imagem Sieglinde Sterbling por Pixabay</p><p>Pelo quadro 14.1 abaixo podemos observar que dependendo do substrato as vias</p><p>metabólicas podem ser diferentes e, por este motivo, serão abordadas separadamen-</p><p>te.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66</p><p>SUBSTRATO MECANISMOS</p><p>Glicose Via glicolítica anaeróbia</p><p>Ciclo de Krebs</p><p>Fosforilação Oxidativa</p><p>Ácidos Graxos B – oxidação</p><p>Ciclo de Krebs</p><p>Fosforilação Oxidativa</p><p>Aminoácidos Transaminação e desaminação</p><p>Ciclo de Krebs</p><p>Fosforilação Oxidativa</p><p>Quadro 14.1 - Diferentes vias metabólicas utilizadas na oxidação dos diferentes substratos</p><p>14.1.1 Via metabólica da oxidação da glicose</p><p>A partir da glicólise anaeróbia formam-se duas moléculas de piruvato para uma mo-</p><p>lécula de glicose. Esse piruvato pode seguir por três caminhos diferentes dependendo</p><p>da presença ou não de oxigênio e também pela quantidade de acetil-CoA pré-existente.</p><p>Como conversado anteriormente, na ausência de oxigênio ou níveis bem baixos de oxi-</p><p>gênio, o piruvato é convertido em ácido lático e formação de NAD+ que mantém a via</p><p>glicolítica anaeróbia. Contudo, na presença de oxigênio, este piruvato se transforma na</p><p>acetil-CoA e segue a via oxidativa. Uma terceira via, consiste na conversão do piruvato em</p><p>oxaloacetato em condições de aerobiose e na presença de grande quantidade de acetil-</p><p>-CoA pré-existente.</p><p>14.1.2 Via metabólica da oxidação dos ácidos graxos</p><p>Os ácidos graxos provenientes da corrente sanguínea ou dos estoques intracelulares</p><p>que serão utilizados na produção de ATP, entram na mitocôndria e nesta organela sofrem</p><p>um processo chamado de beta-oxidação que culmina com a formação de acetil-CoA. Por</p><p>este motivo, podemos ter uma grande quantidade de acetil-CoA na mitocôndria.</p><p>14.1.3 Via metabólica da oxidação dos aminoácidos</p><p>Na realidade, os aminoácidos são pouco utilizados com o objetivo de obter energia. So-</p><p>mente em condições específicas de jejum prolongado ou algum exercício físico de longa</p><p>duração em que as reservas de glicose/glicogênio e lipídios acabam este recurso é utili-</p><p>zado. Para tanto, torna-se necessário a remoção do grupamento amino dos aminoácidos.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67</p><p>Este processo denomina-se desaminação (remoção) ou transaminação (transferência).</p><p>Após esse processo, eles podem ser convertidos em piruvato ou acetil-CoA e entrarem na</p><p>via metabólica.</p><p>14.1.4 Continuando pela via metabólica</p><p>Todos os substratos chegam a formarem por diferentes caminhos a acetil-CoA. Essa</p><p>coenzima entra, então, no Ciclo de Krebs ou Ciclo do Ácido Cítrico, pela condensação com</p><p>o oxaloacetato, formando o citrato. A cada volta do ciclo ocorre a formação de uma molé-</p><p>cula de GTP (trifosfato de guanosina) e três moléculas de NADH que serão fundamentais</p><p>para o processo seguinte que é a cadeia de transporte de elétrons. O GTP atua diretamen-</p><p>te na formação de ATP.</p><p>NADH doam elétrons para a cadeia de transporte de elétrons e à medida que os elé-</p><p>trons são transportados por essa cadeia ocorre liberação de energia e ao final ocorre a</p><p>formação de água. Como esse processo consome oxigênio e resulta na formação de ATP</p><p>(fosforilação do ADP), recebe o nome de fosforilação oxidativa. O ganho energético final é</p><p>de 38 moléculas de ATP.</p><p>Figura 14.2 - Ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico. Inicia-se a partir do piruvato que se transforma em acetil-CoA, entrando desta forma no ciclo</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-6rah6y/</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68</p><p>Este sistema consegue utilizar os ácidos graxos no processo metabólico que são</p><p>os principais substratos utilizados durante as atividades físicas leves a moderadas,</p><p>de longa duração. Este sistema, embora lento, atende a demanda de energia para as</p><p>atividades físicas prolongadas (várias horas) (Quadro 14.2).</p><p>ANOTE ISSO</p><p>...em média, 35% da energia dos alimentos se transformam em calor durante</p><p>a formação do ATP…. Grande parte da energia usada na atividade muscular,</p><p>simplesmente, é usada para vencer a viscosidade dos músculos ou dos tecidos,</p><p>para que os membros possam se mover. Esse movimento viscoso causa fricção</p><p>nos tecidos, o que gera mais calor (HALL, 2021, p. 866).</p><p>Moles de ATP/min Tempo</p><p>Sistema ATP-fosfocreatina 4 8 a 10 segundos</p><p>Glicólise anaeróbia 2,5 1,3 a 1,6 minutos</p><p>Metabolismo oxidativo 1 Indeterminado (substrato)</p><p>Quadro 14.2 - Comparação da geração e da duração de energia</p><p>Fonte: Adaptado de (HALL, 2021, p. 1037)</p><p>14.1.5 Recuperação dos sistemas metabólicos do músculo após o</p><p>exercício</p><p>A remoção do excesso de ácido lático acumulado no organismo é de extrema im-</p><p>portância, pois o mesmo acaba causando fadiga extrema. Essa remoção pode ocorrer</p><p>de duas maneira: (1) uma pequena porção volta a ser convertida em piruvato e entra</p><p>na sequência da via metabólica e, (2) o ácido lático remanescente volta a ser conver-</p><p>tido em glicogênio no fígado, repondo as reservas intracelulares.</p><p>Já a recuperação do glicogênio muscular é mais demorado e complicado e vai de-</p><p>pender das características nutricionais de cada um. Em uma dieta rica em carboidra-</p><p>tos, a recuperação total ocorre em torno de dois dias. Em dietas ricas em gorduras</p><p>e proteínas ou mesmo sem alimentação, a recuperação pode demorar mais do que</p><p>cinco dias.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69</p><p>ANOTE ISSO</p><p>Pensando na recuperação metabólica é importante que os atletas tenham uma</p><p>dieta rica em carboidratos antes de uma atividade exaustiva e que não participem</p><p>de atividades intensas 48 horas antes de outra atividade física intensa.</p><p>14.2 Recuperação do sistema metabólico após o exercício</p><p>A grande preocupação encontra-se na eliminação do ácido lático acumulado nos</p><p>líquidos corporais, pois esta substância acaba promovendo fadiga muscular extrema.</p><p>Essa remoção pode ser realizada de duas maneiras: 1) uma parte pequena é conver-</p><p>tida em piruvato entrando na via metabólica que iremos falar no próximo capítulo; 2)</p><p>o ácido lático remanescente é convertido em glicose e se transforma em glicogênio</p><p>no fígado.</p><p>ANOTE ISSO</p><p>Exercícios físicos intensos e prolongados podem levar ao acúmulo de ácido lático</p><p>resultando em câimbras musculares e outros problemas musculares. Consumir</p><p>álcool em excesso pode causar problemas de acidose lática e a utilização de</p><p>alguns medicamentos também, como o paracetamol, a metformina (tratamento do</p><p>diabetes) e alguns medicamentos para o tratamento de pacientes com HIV.</p><p>ISTO ESTÁ NA REDE</p><p>A hidratação ajuda a remover os excessos de ácidos do nosso corpo.</p><p>Sintomas leves de acidose podem ser esperados durante ou após exercícios</p><p>físicos, mas a sua continuidade exige uma avaliação mais pormenorizada.</p><p>Veja mais em:</p><p>https://www.mundoboaforma.com.br/acido-latico-o-que-e-para-que-serve-exame-</p><p>funcao-e-dicas/</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70</p><p>AULA 15</p><p>TIPOS DE FIBRAS MUSCULARES</p><p>Você sabia que existem também tipos de fibras musculares diferentes e que irão</p><p>caracterizar se uma pessoa possui maior aptidão para esportes de explosão ou espor-</p><p>tes que exigem resistência? Pois, é.... existe! Vamos conhecê-las!!!</p><p>Todos nós temos dois tipos principais de fibras musculares nos músculos esque-</p><p>léticos do nosso corpo. As chamadas fibras vermelhas e as fibras brancas. As fibras</p><p>vermelhas ou fibras oxidativas lentas ou ainda, fibras do tipo I, recebem esta denomi-</p><p>nação por terem a coloração vermelha que vem da mioglobina e por utilizarem o meta-</p><p>bolismo oxidativo para obtenção de energia (ATP). A mioglobina é muito parecida com</p><p>a hemoglobina - faz a captação do oxigênio e tem muito ferro que lhe confere a cor,</p><p>vista ao microscópio. Mas, não é só isso, o oxigênio é responsável pelo metabolismo</p><p>oxidativo que representa a forma de como o nosso organismo consegue energia para</p><p>exercícios físicos mais prolongados e de baixa intensidade (exercício aeróbio prolon-</p><p>gado). Desta forma, as fibras vermelhas apresentam uma grande quantidade de mio-</p><p>globina. Mas, para esse metabolismo oxidativo se efetivar existe a necessidade de um</p><p>grande número de mitocôndrias (como vimos, é o local de produção de energia – ATP)</p><p>e uma grande quantidade de glicogênio (que é o substrato para a produção de energia</p><p>– ATP). Essas fibras então apresentam a característica de possibilidade de produção</p><p>de energia no decorrer do tempo, essencial para a contração muscular e do exercício</p><p>físico propriamente dito. Contudo, essas fibras não apresentam muita atividade ATPá-</p><p>sica, ou seja, muita disponibilidade de energia imediata (Figura 15.1).</p><p>ANOTE ISSO</p><p>As fibras vermelhas ou fibras oxidativas lentas favorecem esportes que exigem</p><p>resistência e não explosão, pois apresentam possibilidade de produção de energia</p><p>(ATP) com o decorrer do tempo.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71</p><p>Figura 15.1 - Nadadores, normalmente, apresentam um número maior de fibras oxidativas lentas, pela necessidade de resistência durante a prática deste</p><p>esporte</p><p>Fonte: Imagem de H.B. por Pixabay</p><p>Ao contrário das fibras vermelhas, as fibras brancas também chamadas de fibras</p><p>glicolíticas rápidas ou do tipo II, apresentam o oposto, ou seja, grande atividade ATPá-</p><p>sica resultando em energia imediata por meio do metabolismo anaeróbio mas, com</p><p>pouca quantidade de mioglobina, mitocôndrias e reserva de glicogênio que represen-</p><p>taria a possibilidade de resistência ao esforço físico por mais tempo. Estas fibras têm a</p><p>capacidade de geração rápida de energia e consequente, contração rápida das fibras.</p><p>Estariam mais relacionadas aos esportes que exigem mudanças de ritmos como o</p><p>basquete, o futebol ou as corridas de curtas distâncias (Figura 15.2). Além disso, ain-</p><p>da temos uma subdivisão das fibras do tipo II – fibras do tipo IIa, IIb e IIc. As fibras do</p><p>tipo IIa utilizam também o metabolismo oxidativo, ou seja, são consideradas de con-</p><p>tração intermediária. Já as fibras do tipo IIb são potencialmente anaeróbias e rápidas</p><p>e, as do tipo IIC estão presentes na fase embriológica. No quadro abaixo, temos um</p><p>resumo destas características.</p><p>Fibras Oxidativas Lentas ou</p><p>tipo I (Fibras vermelhas)</p><p>Fibras Glicolíticas Rápidas</p><p>ou tipo II (Fibras brancas)</p><p>Atividade ATPásica BAIXA ALTA</p><p>Mioglobina ALTA BAIXA</p><p>Mitocôndrias ALTA BAIXA</p><p>Reserva de Glicogênio ALTA BAIXA</p><p>Quadro 15.1 - Características das fibras musculares vermelhas e brancas</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72</p><p>ANOTE ISSO</p><p>As fibras brancas ou fibras glicolíticas rápidas favorecem esportes que exigem</p><p>explosão, pois apresentam possibilidade de produção de energia imediata.</p><p>Figura 15.2 - Velocistas, normalmente, apresentam um número maior de fibras glicolíticas rápidas, pela necessidade de explosão durante a prática deste</p><p>esporte</p><p>Fonte: Imagem de Pexels por Pixabay</p><p>Contudo, em muitos músculos encontramos os dois tipos de fibras, mas outro pon-</p><p>to a ser considerado é que a quantidade de cada um dos tipos de fibras em cada</p><p>pessoa parece ser determinada geneticamente. Desta forma, poderíamos sugerir qual</p><p>área esportiva seria mais adequada para cada um, em decorrência do tipo de fibra</p><p>muscular que mais se expressa naquela pessoa. Além disso, ainda não foi demons-</p><p>trado cientificamente que o treinamento atlético possa ser responsável por alterar as</p><p>proporções de fibras rápidas e de fibras lentas, embora possa se tentar melhorar a</p><p>performance de um tipo de fibra sobre a outra.</p><p>No quadro abaixo, temos um exemplo dos percentuais de fibras de contração rápi-</p><p>da e de contração lenta no quadríceps de diferentes tipos de atletas.</p><p>CONTRAÇÃO RÁPIDA CONTRAÇÃO LENTA</p><p>Maratonistas 18 82</p><p>Nadadores 26 74</p><p>Homens (média) 55 45</p><p>Levantadores de peso 55 45</p><p>Velocistas 63 37</p><p>Saltadores 63 37</p><p>Quadro 15.2 - Percentuais de fibras de contração rápida e de contração lenta no quadríceps de diferentes tipos de atletas</p><p>Fonte: (HALL, 2021, p.1040)</p><p>Sabendo destas considerações, fica mais fácil entender porque algumas pessoas</p><p>apresentam maior aptidão para determinado esporte ou exercício físico.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73</p><p>AULA 16</p><p>HIPERTROFIA MUSCULAR –</p><p>UMA ADAPTAÇÃO AO</p><p>AUMENTO DE DEMANDA</p><p>Quando falamos de aumento do tamanho do músculo, na realidade estamos nos</p><p>referindo à hipertrofia muscular. Esta hipertrofia muscular representa o aumento no</p><p>número de miofibrilas, ou seja, de proteínas contráteis e não do número de novas cé-</p><p>lulas musculares. Em algumas situações podemos ter esse aumento do número de</p><p>fibras, mas é muito difícil isso acontecer.</p><p>Nesta hipertrofia muscular podemos ter:</p><p>Aumento do número de miofibrilas proporcional ao grau de hipertrofia.</p><p>Aumento de até 120% de enzimas mitocondriais (onde acontece o metabolismo</p><p>oxidativo).</p><p>Aumento de 60% a 80% do sistema ATP-fosfocreatina.</p><p>Aumento de até 50% no estoque de glicogênio.</p><p>Aumento de 75% a 100% no estoque de gordura.</p><p>Estas alterações podem resultar em aumento de até 45% do metabolismo oxidativo.</p><p>O músculo estriado esquelético apresenta esta adaptabilidade em resposta a um</p><p>aumento da demanda funcional. E como isso acontece? Vocês se lembram das célu-</p><p>las satélites? Aquelas células... que não se fundiram na fibra muscular durante o perí-</p><p>odo embrionário? Parece que são elas as responsáveis por este aumento do músculo,</p><p>pois diante da demanda funcional, começam a se dividirem e a se fusionarem com a</p><p>fibra muscular. Desta forma, temos um aumento no número de núcleos e isso faz com</p><p>que o potencial celular de produção de proteínas aumente também.</p><p>Então, todos podemos aumentar a massa muscular o quanto desejarmos? Não é</p><p>bem assim! Existe um componente genético nesta determinação. Estes genes codi-</p><p>ficam o fator de crescimento – IGF-1 e a miostatina. Além desse fator genético pre-</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74</p><p>sente, a quantidade de testosterona também acaba influenciando na quantidade de</p><p>hipertrofia, por isso os homens conseguem uma maior performance neste sentido do</p><p>que as mulheres (Figura 16.1).</p><p>Figura 16.1 - Fisiculturista</p><p>Fonte: Imagem de OpenClipart-Vectors por Pixabay</p><p>Podemos considerar dois tipos de hipertrofia do músculo esquelético – a hipertro-</p><p>fia radial e a hipertrofia longitudinal.</p><p>16.1 Hipertrofia radial</p><p>Resulta no aumento do diâmetro muscular e no aumento da força muscular. Ocorre</p><p>quando o músculo é submetido a um aumento de estresse mecânico, por exemplo,</p><p>uma pessoa sedentária resolve realizar exercícios com baixo número de repetições</p><p>com carga muito elevada. Nosso organismo busca alcançar a força necessária para</p><p>realizar esta</p><p>atividade com eficiência, aumentando o número de miofibrilas. Importan-</p><p>te ressaltar a necessidade de gasto de energia (ATP).</p><p>16.2 Hipertrofia longitudinal</p><p>A hipertrofia longitudinal ocorre, como o próprio nome diz, no sentido longitudinal</p><p>da fibra muscular. Essa adaptação é resultante de exercícios de estiramento da mus-</p><p>culatura (alongamento), desde que persista por certo tempo, tenha certa frequência e</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75</p><p>que não tenha caráter lesivo. Da mesma forma, ocorre aumento do número de prote-</p><p>ínas contráteis que formam novos sarcômeros nas extremidades da fibra muscular.</p><p>Isso propicia um aumento da amplitude articular, mas não de força. Um exemplo:</p><p>ginástica olímpica (Figura 16.2).</p><p>Figura 16.2 - Ginástica Olímpica</p><p>Fonte: Imagem de Please Don’t sell My Artwork AS IS por Pixabay</p><p>16.3 Mecanismos reguladores da hipertrofia</p><p>Embora o mecanismo de ativação das células satélites ainda não seja claro, sabe-</p><p>mos que o IGF-1 (insulin-like growth factor) e a miostatina estão envolvidos na regu-</p><p>lação desse processo. A miostatina funcionaria como um inibidor da hipertrofia mus-</p><p>cular e o IGF-1, um estimulante. Imaginem vocês se pudéssemos inibir a miostatina!</p><p>Isso poderia reduzir a perda de massa muscular que acontece com o envelhecimen-</p><p>to... já pensou?</p><p>IGF-1 MIOSTATINA</p><p>Estimula a hipertrofia muscular Inibe a hipertrofia muscular</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76</p><p>Fonte: Imagem de Sabine Van Erp por Pixabay</p><p>16.4 Hipertrofia cardíaca</p><p>O músculo estriado do coração também pode sofrer hipertrofia. Quando executa-</p><p>mos um exercício físico aeróbio regularmente (várias semanas), há necessidade de</p><p>aumentar o débito cardíaco. Com isso, ocorre um crescimento longitudinal das célu-</p><p>las cardíacas, aumentando a câmara cardíaca e garantindo o aumento de volume de</p><p>sangue a cada ciclo cardíaco.</p><p>ANOTE ISSO</p><p>“... Acreditava-se até pouco tempo que as adaptações fisiológicas, observadas em</p><p>função do aumento da força muscular, ocorriam exclusivamente no músculo. No</p><p>entanto, há agora evidências de que o treinamento de resistência altera o modo</p><p>com que o músculo é recrutado pelo sistema nervoso central, sugerindo que</p><p>ele sofra adaptações com a função, importante no ganho de força muscular. Há</p><p>também ganho de força, sem alterações musculares substanciais, no membro</p><p>contralateral aos músculos treinados, fortalecendo as evidências de que o</p><p>treinamento de resistência é acompanhado de adaptação neural.” (PHITON-CURI,</p><p>2017, p.69).</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77</p><p>CONCLUSÕES</p><p>O nosso organismo é algo maravilhoso… a forma como as células trabalham e in-</p><p>teragem… e o resultado desse trabalho somos nós. Este livro não teve a pretensão</p><p>de abordar de forma minuciosa todos os eventos mencionados, mas sim, de trazer</p><p>a curiosidade para a vida de vocês e mostrar que existe um mundo inimaginável das</p><p>células. Demos ênfase ao tecido muscular, mas não se esqueçam, não tem como se-</p><p>pararmos o nosso organismo em partes… um depende do outro para executar cada</p><p>função.</p><p>Espero que vocês tenham aproveitado!!!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78</p><p>ELEMENTOS COMPLEMENTARES</p><p>Vídeo</p><p>Skeletal muscle contraction. The sliding filamente mechanism. The McGraw-Hill</p><p>Companies. 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=gsEF8l3xuyQ.</p><p>Acesso em: 11 jun.2021.</p><p>Artigo</p><p>OLIVEIRA, L.M.; AZEVEDO, M.O.; CARDOSO, C.K.S. Efeitos da suplementação de creatina</p><p>sobre a composição corporal de praticantes de exercícios físicos. Rev Bras Nutrição</p><p>Esportiva. v. 11, n.61, p.10-15, jan/fev. 2017. Disponível em: https://dialnet.unirioja.</p><p>es/servlet/articulo?codigo=5771924. Acesso em: 11 jul. 2021.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>HALL, J. Guyton and Hall - Tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Guanabara Koogan, 2021.</p><p>HAMILL, J. et al. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. São Paulo:</p><p>Manole, 2016.</p><p>JUNQUEIRA, L.C.U.; CARNEIRO, J. Histologia básica - Texto & atlas. 13. ed. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.</p><p>PITHON-CURI, T.C. Fisiologia do exercício. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,</p><p>2017.</p><p>SANTOS, V. S. O que é metabolismo? Brasil Escola. Disponível em: https://</p><p>brasilescola.uol.com.br/o-que-e/biologia/o-que-e-metabolismo.htm. Acesso em: 25</p><p>de jun. de 2021.</p><p>ser humano se enquadra naquele or-</p><p>ganismo formado por células eucarióticas. Essas células apresentam como caracte-</p><p>rística principal um núcleo totalmente delimitado por membrana e organelas no seu</p><p>citoplasma. Aos poucos, vocês irão perceber que a nossa célula, independente da sua</p><p>especialidade, ou seja, se uma célula muscular, nervosa ou qualquer outra, se estrutu-</p><p>ra de uma forma extremamente inteligente para desenvolver suas funções.</p><p>Desta forma, devemos ver a célula como uma fábrica extremamente organizada</p><p>onde cada setor sabe exatamente o que fazer, quanto fazer e quando fazer. Esta orga-</p><p>nização permite aumentar a sua eficiência na execução de suas funções.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9</p><p>AULA 2</p><p>UMA VOLTA PELA CÉLULA -</p><p>CONHECENDO A MEMBRANA</p><p>PLASMÁTICA</p><p>Nos próximos capítulos, iremos conhecer as estruturas celulares normalmente en-</p><p>contradas em todas as nossas células, independente da sua função ou do tecido ou</p><p>órgão de que participam.</p><p>Como mencionado anteriormente, a célula apresenta o núcleo e o citoplasma. No</p><p>núcleo, organiza-se todo o nosso código genético. No citoplasma encontramos as or-</p><p>ganelas, a matriz citoplasmática e os depósitos de substratos essenciais para o meta-</p><p>bolismo daquela célula. Contudo, este capítulo será dedicado a uma estrutura de pri-</p><p>mordial importância que é a membrana plasmática, também chamada de membrana</p><p>celular, que não está no núcleo nem no citoplasma, mas envolve ambas as estruturas.</p><p>2.1 Generalidade da membrana plasmática ou membrana celular</p><p>A membrana plasmática apresenta uma função extremamente importante que é a</p><p>de atuar como uma barreira seletiva, ou seja, oferecer proteção à célula e permitir que</p><p>somente entre e saia aquelas substâncias que são de interesse para ela. Entretanto,</p><p>não podemos esquecer que em algumas situações esta membrana pode ser invadida</p><p>de forma indesejada, como no caso dos vírus. Hoje, vivemos uma situação epidemio-</p><p>lógica mundial que é a pandemia do SARS-CoV2, um vírus que encontrou um meio de</p><p>transpor esta barreira imposta pela membrana e entrando na célula, consegue utilizar</p><p>todo o seu maquinário até destruí-la. Por esse motivo, a primeira “coisa” que os cien-</p><p>tistas estudaram foi “por onde o vírus entra na célula”.</p><p>Devemos considerar que toda membrana celular compõe-se de uma bicamada</p><p>ipídica, principalmente formada por fosfolipídios e entremeada por proteínas (Figu-</p><p>ra 2.1). E são justamente estas proteínas que servem de entrada para determinadas</p><p>substâncias. No quadro 2.1, observam-se as principais funções destas proteínas da</p><p>membrana.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10</p><p>Figura 2.1 - Estrutura da membrana plasmática composta por uma bicamada lipídica associada à proteinas</p><p>Fonte: Imagem de Clker-free-vector-images por Pixabay e adaptada pela autora</p><p>FUNÇÃO</p><p>Transporte Permite a passagem de substâncias pela membrana</p><p>plasmática, muitas vezes necessitam de energia (ATP –</p><p>trifosfato de adenosina)</p><p>Atividade enzimática Uma enzima consiste numa proteína capaz de clivar um</p><p>determinado composto. Essa capacidade apresenta-se</p><p>muito importante nas rotas metabólicas</p><p>Transdução de sinais Importantíssima função da membrana plasmática é</p><p>a capacidade de receber mensagens de outras partes</p><p>do organismo, chamamos de sinalização. Por meio da</p><p>sinalização, a célula recebe a mensagem para executar</p><p>uma determinada função</p><p>Reconhecimento célula-célula Por meio de determinadas proteínas, uma célula reconhece</p><p>a outra</p><p>Ligação intercelular Para que uma célula fique unida a outra, essa união se dá</p><p>por meio de proteínas específicas da membrana</p><p>Ligação do citoesqueleto à</p><p>matriz extracelular</p><p>A relação entre o citoesqueleto e a membrana plasmática</p><p>permite que a célula mantenha a sua forma</p><p>Quadro 2.1 - Principais funções das proteínas da membrana plasmática</p><p>LIPÍDIOS</p><p>LIPÍDIOS</p><p>PROTEÍN</p><p>A</p><p>PROTEÍNA</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11</p><p>2.2 Permeabilidade da Membrana Plasmática</p><p>Sabendo-se que a membrana nada mais é do que uma bicamada lipídica entreme-</p><p>ada por proteínas, as substâncias lipossolúveis, ou seja, lipídios também, conseguem</p><p>passar diretamente pela membrana sem muita dificuldade.</p><p>Convém salientar que pelo desenho esquemático abaixo (Figura 2.2) essa bi-</p><p>camada lipídica apresenta uma cabeça hidrofílica e uma cauda hidrofóbica. Des-</p><p>ta forma, as substâncias ou moléculas hidrofóbicas conseguem também passar</p><p>diretamente, por exemplo, o oxigênio e o gás carbônico (difusão simples). Entre-</p><p>tanto, as substâncias hidrofílicas não conseguem passar pela cauda hidrofóbica</p><p>e por isso elas precisam das proteínas da membrana para transpor esta barreira</p><p>(difusão facilitada).</p><p>Figura 2.2 - Membrana plasmática formada por uma bicamada lipídica em que cada lipídio apresenta uma cabeça hidrofílica e uma cauda hidrofóbica.</p><p>Por este motivo, apenas lipídios e substâncias hidrofóbicas conseguem passar tranquilamente pela membrana (difusão simples). As demais substâncias</p><p>necessitam do transporte executado pelas proteínas (difusão facilitada)</p><p>Fonte: Imagem de Microbiology Club por Pixabay adaptado pela autora</p><p>v</p><p>v</p><p>CABEÇA - HIDROFÍLICA</p><p>Oxigênio</p><p>Oxigênio</p><p>CAUDA - HIDROFÓBICA</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Se não fosse uma proteína canal a “Aquaporina” nas células renais, que permite que</p><p>a água (H2O) passe pela membrana, uma pessoa teria que beber 180 litros de água</p><p>por dia e excretar o mesmo volume. Já imaginaram?!</p><p>Este transporte também encontra-se regulado pelo gradiente de concentração.</p><p>Chamamos de transporte passivo quando não há necessidade de energia (ATP - tri-</p><p>fosfato de adenosina) para passar pela membrana, pois ocorre em direção ao menor</p><p>gradiente de concentração (Figura 2.3). Chamamos de transporte ativo, quando ocor-</p><p>re gasto de energia (ATP) pois ocorre contra um gradiente de concentração (Figura</p><p>2.4).</p><p>Figura 2.3 - Transporte passivo ocorre em direção ao gradiente de menor concentração da substância e não tem gasto de energia (ATP)</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Figura 2.4 - Transporte ativo ocorre em direção ao gradiente de maior concentração da substância e necessita de energia (ATP)</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>TRANSPORTE PASSIVO</p><p>TRANSPORTE ATIVO</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13</p><p>2.3 Sinalização ou Comunicação Celular</p><p>Não poderíamos deixar de comentar aqui sobre a sinalização celular que se inicia na</p><p>membrana plasmática. De acordo com o quadro 2.1, uma das funções das proteínas de</p><p>membrana consiste na recepção do sinal (mensagem) vindo de outro local do organismo</p><p>para a célula, como a mensagem do sistema nervoso através de sua célula (neurônio)</p><p>para a célula muscular se contrair. A célula muscular apresenta na sua membrana recep-</p><p>tores (proteínas) capazes de identificar a mensagem (molécula sinalizadora). Essa men-</p><p>sagem recebida pela célula muscular, ou qualquer outra célula, desencadeia uma série de</p><p>reações químicas intracelulares (transdução) e resultam numa determinada resposta. É</p><p>assim que as nossas células se comunicam!!! E são super rápidas!!!</p><p>Figura 2.5 - Desenho esquemático do processo de sinalização celular</p><p>Fonte: Imagem de Microbiology Club por Pixabay adaptado pela autora</p><p>2.4 Resumindo</p><p>Neste capítulo conhecemos um pouco da membrana plasmática, a sua importân-</p><p>cia no contexto celular, a sua constituição e como ocorre o transporte de substância</p><p>através dela. Finalizamos comentando a comunicação celular que se inicia pela recep-</p><p>ção da mensagem pela proteína de membrana desencadeando uma série de reações</p><p>dentro</p><p>da célula até chegar na ativação da resposta celular, como aumentar a produ-</p><p>ção de proteínas contráteis para aumentar a força muscular.</p><p>1</p><p>ATIVAÇÃO</p><p>DA</p><p>RESPOSTA</p><p>CELULAR</p><p>RESPOSTATRANSDUÇÃO</p><p>2 3</p><p>RECEPÇÃO</p><p>MOLÉCULA</p><p>SINALIZADORA</p><p>1</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14</p><p>AULA 3</p><p>O NÚCLEO</p><p>Se quisermos resumir a função do núcleo, diríamos que ele representa a “central de</p><p>informações” da célula, guardando todo o nosso código genético. Consiste na princi-</p><p>pal característica da célula eucariótica por apresentar-se bem individualizado e sepa-</p><p>rado do restante da célula por uma dupla membrana.</p><p>O núcleo apresenta-se composto pelo envoltório nuclear, pelo nucléolo, pela croma-</p><p>tina e pelo nucleoplasma. Na figura 3.1 podemos ver o núcleo representado pela cor</p><p>roxa, algumas vezes posicionado no centro da célula, outras vezes para um dos lados</p><p>(polarizado) ou até na periferia da célula.</p><p>Figura 3.1 - Desenho esquemático de uma célula. Note na cor roxa - o núcleo. O número 1 representa o nucléolo e o número 2, o envoltório nuclear</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/</p><p>3.1 Componentes do núcleo</p><p>3.1.1 Envoltório Nuclear</p><p>É formado por uma dupla membrana, a interna e a externa, apresentando perfura-</p><p>ções em toda a sua extensão, denominadas de poros. Esse complexo do poro regula a</p><p>entrada e a saída de proteínas e de RNA (ácido ribonucleico) do núcleo. A membrana</p><p>externa dá continuidade ao retículo endoplasmático rugoso (figura 3.1- número 5) e</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15</p><p>guarda uma relação importante na cadeia produtiva da célula e, a membrana interna</p><p>dá suporte aos componentes do núcleo.</p><p>Figura 3.2 - Desenho esquemático do núcleo e suas relações com o retículo endoplasmático. O envoltório nuclear apresenta-se composto por uma dupla</p><p>membrana entremeada por poros que facilitam o transporte de substâncias entre o núcleo e o citoplasma. A membrana interna dá suporte ao formato do</p><p>núcleo enquanto a membrana externa interage com o retículo endoplasmático.</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-szmewu/</p><p>3.1.2 Cromatina</p><p>Na figura 3.1 o desenho esquemático do núcleo não traz a evidência da cromatina,</p><p>mas esses grânulos se encontram espalhados pela extensão do núcleo, como pode</p><p>ser evidenciado na figura 3.2. Hoje, sabemos que a cromatina é na realidade consti-</p><p>tuída pelo ácido desoxirribonucleico (DNA) associados a proteínas e contém o nosso</p><p>código genético.</p><p>3.1.3 Nucléolo</p><p>Na figura 3.1, o número 1 representa o nucléolo e, na figura 3.2, ele está represen-</p><p>tado pela estrutura desenhada na cor roxa. Realmente, esta estrutura aparece ao mi-</p><p>croscópio com uma coloração mais escura sobressaindo-se dentro do núcleo. São</p><p>corpúsculos esféricos cheios de ácido ribonucleico (RNA). Tem como função a produ-</p><p>ção de um tipo de RNA, chamado de RNA ribossômico que dará origem aos ribosso-</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16</p><p>mos. No citoplasma, esses ribossomos, muito embora de tamanho tão pequeno, re-</p><p>presentam as únicas estruturas dentro da célula capazes de traduzir as informações</p><p>do núcleo para a produção de proteínas. Olha a importância dos ribossomos!!!</p><p>3.1.4 Nucleoplasma</p><p>Refere-se ao restante do conteúdo do núcleo.</p><p>3.2 Princípios básicos da transcrição e da tradução</p><p>Quando falamos de núcleo a ideia do código genético expresso pela molécula de</p><p>DNA se faz sempre presente. Essa molécula apresenta regiões que chamamos de ge-</p><p>nes e que codificam uma determinada característica ou ação. Esses genes fornecem</p><p>as instruções para a produção de proteínas específicas pelas células. Mas, como isso</p><p>ocorre? Por um processo que chamamos de transcrição e tradução.</p><p>Figura 3.3 - Desenho esquemático da transcrição e da tradução celular</p><p>Fonte: Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay adaptado pela autora</p><p>TRANSCRIÇÃO</p><p>Este processo consiste na síntese de RNA utilizando-se as informações contidas no DNA, ou</p><p>seja, essa molécula de RNA é uma cópia do DNA. Este RNA recebe o nome de RNA mensageiro</p><p>pois leva a informação genética para a produção de proteínas pelas estruturas do citoplasma.</p><p>Observe a fita vermelha saindo do núcleo na figura 3.2, é o RNA mensageiro.</p><p>TRADUÇÃO</p><p>Com o RNA mensageiro, a mensagem precisa ser traduzida para a produção do polipeptídeo</p><p>(proteína). A síntese desse polipeptídeo representa a tradução da informação genética</p><p>enviada. Essa tradução é realizada pelo ribossomos (no citoplasma).</p><p>RNAmensageiro</p><p>RIBOSSOMOS</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17</p><p>A partir da tradução e consequente síntese do polipeptídeo, esta cadeia de amino-</p><p>ácidos é conduzida para o retículo endoplasmático rugoso para a complementação</p><p>da mesma. O retículo endoplasmático rugoso representa uma fábrica de proteínas e</p><p>veremos no próximo capítulo.</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Quando falamos de hipertrofia muscular, observamos um aumento do volume da</p><p>fibra muscular e isto ocorre pela produção de novas miofibrilas. Estas miofibrilas</p><p>são formadas por proteínas contráteis, ou seja, esta produção se inicia com o</p><p>processo descrito acima.</p><p>3.3 Resumindo</p><p>Neste capítulo conhecemos o núcleo, seus componentes e como ocorre o início da</p><p>produção de proteínas pela célula. As características da proteína que será fabricada</p><p>pela célula parte da informação dada pelo DNA. Essa informação é transcrita numa</p><p>fita - o RNA mensageiro - que com a ajuda dos ribossomos é realizada a tradução de</p><p>como essa proteína será. Só lembrando que essa tradução já ocorre no citoplasma e</p><p>não no núcleo.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18</p><p>AULA 4</p><p>A MAQUINARIA CELULAR</p><p>Imaginando a célula como uma grande fábrica e com diversos setores, na linha de</p><p>produção, após a tradução pelos ribossomos, entramos agora no retículo endoplas-</p><p>mático com um projeto de proteína que é o polipeptídeo. É nesta organela que ocorre</p><p>o aprimoramento daquela cadeia de aminoácidos com vista à produção de proteínas.</p><p>4.1 O Retículo endoplasmático</p><p>4.1.1 Características Gerais do Retículo Endoplasmático</p><p>O retículo endoplasmático pode ser rugoso (granular) ou liso (agranular).</p><p>O retículo endoplasmático rugoso (RER) apresenta ribossomos em sua parede vol-</p><p>tada para o citosol, até porque os polipeptídeos estão sendo formados por estas es-</p><p>truturas e serão conduzidos posteriormente ao RER. Esta estrutura apresenta uma</p><p>conformação com várias cisternas achatadas que se comunicam entre si (Figura 4.1).</p><p>Por estas cisternas, as proteínas vão sendo formadas gradativamente.</p><p>Figura 4.1 Retículo Endoplasmático Rugoso. Observem os pontinhos na parede que correspondem aos ribossomos</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/ adaptada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19</p><p>Já o retículo endoplasmático liso (REL) não apresenta ribossomos na sua parede,</p><p>pois sua função consiste na produção de lipídios, na detoxificação e no armazenamen-</p><p>to de íons cálcio (Figura 4.2). Muitas vezes, algumas substâncias podem se acumular</p><p>no organismo chegando a níveis tóxicos, para que isto não aconteça o nosso orga-</p><p>nismo utiliza a capacidade de detoxificação do retículo endoplasmático liso, muitas</p><p>vezes aumentando a área de REL da célula e até transformando o REG em REL. Esta</p><p>flexibilidade apresentada pela célula torna-se primordial para se adequar às deman-</p><p>das envolvidas. Outra consideração muito importante, principalmente para as células</p><p>musculares é a função de reservatório de cálcio. Posteriormente, veremos que o cálcio</p><p>é imprescindível para a contração muscular e que esse cálcio advém do REL que na</p><p>célula muscular passa a se chamar retículo sarcoplasmático.</p><p>Figura 4.2 - Retículo Endoplasmático Liso</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/ adaptada pela autora</p><p>ANOTE ISSO</p><p>O retículo endoplasmático apresenta uma função primordial para que a contração</p><p>muscular ocorra. Esta estrutura disponibiliza o cálcio quando da contração</p><p>muscular e armazena o mesmo quando do relaxamento muscular. Sem o cálcio</p><p>disponibilizado pelo retículo endoplasmático não há contração!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20</p><p>4.2 O aparelho ou complexo de golgi</p><p>Na linha de produção celular chegamos ao complexo de Golgi. Esta estrutura forma um</p><p>complexo de vesículas achatadas e vesículas esféricas que “brotam” lateralmente, condu-</p><p>zindo as substâncias de uma vesícula para outra. Se parece muito como um grande cen-</p><p>tro de distribuição... as moléculas sintetizadas são acabadas, separadas e endereçadas ...</p><p>sendo conduzidas como vesículas de secreção (as moléculas serão secretadas para fora</p><p>da célula), como lisossomos (vesículas intracelulares com conteúdo enzimático) ou como</p><p>vesículas utilizadas na renovação da membrana celular (Figura 4.3).</p><p>Figura 4.3 - Complexo de Golgi</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/ adaptada pela autora</p><p>O retículo endoplasmático, o complexo de Golgi e as vesículas de transportes for-</p><p>mam a “via biossintética secretora”, pois promovem o processamento, a seleção e o</p><p>transporte das substâncias a serem secretadas da célula (Figura 4.4 e 4.5).</p><p>Figura 4.4 - Via biossintética secretora</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>VIA</p><p>BIOSSINTÉTICA</p><p>SECRETORA</p><p>Re�culo</p><p>Endoplasmá�co</p><p>Complexo de Golgi</p><p>Vesículas de</p><p>Trasnporte</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21</p><p>Figura 4.5 - Via biossintética secretora</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ws9i7h/ adaptada pela autora</p><p>4.3 Lisossomos</p><p>Um dos produtos finais do complexo de Golgi é o lisossomo. São organelas (ve-</p><p>sículas) de forma e tamanho bastante variados que apresentam no seu interior en-</p><p>zimas hidrolíticas (enzimas que rompem moléculas). Essas enzimas possuem sua</p><p>importância na digestão celular, atuando sobre restos celulares e corpos estranhos e</p><p>participando do processo de renovação celular, eliminando as organelas desgastadas</p><p>pelo uso (Figura 4.6).</p><p>Figura 4.6 - Lisossomos, peroxissomos e centríolos</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ywpyo5/ adaptada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>A doença de Tay-Sachs é uma doença hereditária em que as funções cerebrais</p><p>acabam sendo afetadas. Desta forma, a criança apresenta severa deterioração das</p><p>habilidades mentais e físicas, cegueira, surdez, incapacidade de engolir, paralisia</p><p>e atrofia muscular que acaba levando a criança à morte. Isto acontece porque</p><p>a criança não apresenta uma enzima que digere lipídios e, com isso, os lipídios</p><p>acabam acumulando e danificando as células nervosas.</p><p>4.4 Mitocôndrias</p><p>Sem energia não teríamos esta fábrica produzindo, não é mesmo? Quem fornece a</p><p>maior parte da energia necessária para o metabolismo celular são as mitocôndrias (Fi-</p><p>gura 4.7). A partir de substratos como</p><p>glicose e ácidos graxos, provenientes</p><p>dos alimentos, essa energia (trifosfato</p><p>de adenosina - ATP) é produzida, assim</p><p>como a liberação de calor.</p><p>Na mitocôndria ocorre um processo</p><p>metabólico denominado fosforilação</p><p>oxidativa ou metabolismo oxidativo,</p><p>onde nós conseguimos a maior parte</p><p>da energia, principalmente para ativida-</p><p>de de longa duração. Neste processo,</p><p>ocorre a utilização do oxigênio e a libe-</p><p>ração de gás carbônico, sendo também</p><p>conhecida como respiração celular ae-</p><p>róbia.</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA#</p><p>Na mitocôndria encontramos, também, moléculas de DNA dispersas no seu interior.</p><p>Esse DNA tem origem materna somente e é denominado de DNA mitocondrial. Por</p><p>esse motivo, o exame de DNA mitocondrial pode autenticar a maternidade em caso</p><p>de dúvida.</p><p>Figura 4.7 -Mitocôndria</p><p>Fonte: Open Clipart-Vectors por pixabay</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23</p><p>4.5 Peroxissomos</p><p>Os peroxissomos são organelas (vesículas) que apresentam no seu interior enzi-</p><p>mas oxidativas, principalmente a catalase celular (Figura 4.6). Essa enzima converte</p><p>o peróxido de hidrogênio (H2O2), que é prejudicial à célula, em água e oxigênio. Os</p><p>peroxissomos também catalisam a degradação dos ácidos graxos permitindo que</p><p>estes substratos participem da produção de ATP na mitocôndria (como veremos pos-</p><p>teriormente). Além disso, apresentam papel na desintoxicação, sendo a metade do</p><p>álcool etílico consumido por uma pessoa destruído pela oxidação nos peroxissomos,</p><p>principalmente nos peroxissomos do fígado e dos rins.</p><p>4.6 Citoesqueleto, Centríolos e Centrossomo</p><p>O citoesqueleto compõe uma rede de fibras que se estende por todo o citoplasma e é</p><p>responsável pela forma da célula. Apresenta-se constituída por microtúbulos, microfilamen-</p><p>tos (filamentos de actina) e filamentos intermediários. Além da sustentação mecânica da</p><p>célula e da manutenção da forma celular, propicia também em algumas células a motilida-</p><p>de celular (movimento), como nos espermatozoides, por exemplo. Mas, podemos entender</p><p>também, a motilidade como sendo uma rede em que as vesículas podem trafegar.</p><p>Dentro do centrossomo existe um par de centríolos que funcionam como vigas-</p><p>-mestras do citoesqueleto (Figura 4.6). A formação de microtúbulos parte dos cen-</p><p>trossomos. Os centríolos apresentam participação importante nos processos de divi-</p><p>são celular, direcionando os fusos mitóticos.</p><p>Figura 4.8 - Célula em divisão. Observem os fusos mitóticos formados por microtúbulos.</p><p>Fonte: www.gratispng.com adaptado pela autora</p><p>4.7 Resumindo</p><p>Neste capítulo abordamos sucintamente a maquinaria celular, destacando as prin-</p><p>cipais características das organelas envolvidas.</p><p>FUSOS MITÓTICOS</p><p>microtúbulos</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24</p><p>AULA 5</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO</p><p>NOSSO ORGANISMO I</p><p>5.1 Generalidades</p><p>Lá no início da nossa disciplina, comentamos que as células que executam a mes-</p><p>ma função acabam se agrupando e se transformando no que chamamos de tecido.</p><p>Todas estas células possuem a composição básica que descrevemos nos capítulos</p><p>anteriores, mas adquirem forma e especializações próprias de acordo com o tecido</p><p>que passam a formar. Essencialmente, nós temos quatro tecidos fundamentais que</p><p>são: o tecido epitelial, o tecido conjuntivo, o tecido muscular e o tecido nervoso. Só</p><p>isso? Sim! Mas, e o osso, o sangue ... Pois é... o que acontece é que o tecido conjuntivo</p><p>acaba se especializando e dando origem aos demais tecidos como pode ser visto na</p><p>figura 5.1.</p><p>Figura 5.1 - Tipos de tecido conjuntivo</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25</p><p>A ideia dos próximos capítulos consiste na compreensão dos tecidos fundamen-</p><p>tais e principalmente, da célula e do tecido muscular que estão diretamente relaciona-</p><p>dos com a atuação prática do educador físico. Mas, nunca se esqueça os tecidos não</p><p>atuam sozinhos e de forma individual. Todos estão relacionados para que as funções</p><p>desempenhadas por cada um resultem no que somos fisicamente.</p><p>E quando falamos em função, vocês irão perceber que ela está intimamente relacio-</p><p>nada à estrutura do tecido. Vamos dar um exemplo: todos nós sabemos que o pulmão</p><p>é um órgão responsável pelas trocas gasosas, ou seja, pela captação de oxigênio e</p><p>eliminação de gás carbônico, certo? Pois bem, esta troca gasosa ocorre no nível dos</p><p>alvéolos pulmonares que são cavidades bem pequenas (como se fosse uma bexiga</p><p>de festa), então as células que revestem essa cavidade são células de revestimento</p><p>(tecido epitelial) e elas precisam ser</p><p>muito fininhas. Mas, por quê? Porque para que o</p><p>oxigênio seja levado para todo o nosso corpo, ele precisa cair na corrente sanguínea</p><p>e precisa passar por esta célula de revestimento do alvéolo e pela célula de revesti-</p><p>mento dos capilares sanguíneos que também precisam ser muito finas. Além disso,</p><p>o capilar sanguíneo deve estar do lado do alvéolo, caso contrário este transporte se</p><p>torna prejudicado. Viram como a estrutura está intimamente relacionada à função.</p><p>Então, pense sempre nisso!</p><p>ANOTE ISSO</p><p>As células são nossas unidades funcionais básicas e os tecidos são arranjos</p><p>celulares funcionais.</p><p>5.2 Tecido Epitelial</p><p>Todo tecido é composto por células e por matriz extracelular. A matriz extracelular</p><p>refere-se ao conteúdo ao redor da célula com características próprias em cada tecido.</p><p>No quadro 5.1, estão dispostas as principais características do tecido epitelial.</p><p>CARACTERÍSTICAS TECIDO EPITELIAL</p><p>Densidade celular Alta</p><p>Quantidade de matriz extracelular Baixa</p><p>Disposição espacial Lado a lado, justapostas</p><p>Polarização Sim</p><p>Especializações Sim</p><p>Presença de vasos sanguíneos Não</p><p>Quadro 5.1 - Principais características do tecido epitelial</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26</p><p>Desta forma, percebemos que o tecido epitelial apresenta uma densidade celular</p><p>grande com pouca matriz extracelular ao redor, em decorrência de suas células esta-</p><p>rem dispostas lado a lado e justapostas (Figura 5.2). Esta disposição espacial confere</p><p>a função de revestimento e de proteção.</p><p>Figura 5.2 - Desenho esquemático do tecido epitelial demonstrando a grande densidade celular (muitas células e pouca matriz extracelular). As células</p><p>epiteliais encontram-se lado a lado e justapostas</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Pela necessidade de apresentarem esta justaposição não temos, neste tecido, va-</p><p>sos sanguíneos (avascular). A nutrição para estas células advém do tecido adjacente,</p><p>normalmente do tecido conjuntivo. São células polarizadas (até por uma questão de</p><p>logística da linha de produção da célula) podendo apresentar diversos tipos de espe-</p><p>cializações na sua membrana celular, como a presença de cílios, por exemplo, (Figura</p><p>5.2).</p><p>O tecido epitelial apresenta uma classificação funcional. Então, de acordo com a</p><p>função, o tecido epitelial pode ser considerado como epitélio de revestimento e epité-</p><p>lio glandular. As principais características que determinam esta classificação podem</p><p>ser visualizadas no quadro 5.2.</p><p>CARACTERÍSTICA MORFOLÓGICA FUNÇÃO</p><p>EPITÉLIO DE REVESTIMENTO CAMADAS CONTÍNUAS</p><p>PROTEÇÃO</p><p>ABSORÇÃO</p><p>EPITÉLIO GLANDULAR AGRUPAMENTOS CELULARES SECREÇÃO</p><p>Quadro 5.2 - Principais características da classificação funcional do tecido epitelial</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27</p><p>5.2.1 Epitélio de revestimento</p><p>5.2.1.1 Funções</p><p>O epitélio de revestimento, como o próprio nome diz, apresenta como função prin-</p><p>cipal a de proteção contra agentes externos, impedindo que injúrias e danos possam</p><p>acontecer em decorrência de agressões externas. Temos então, tecido epitelial na</p><p>pele e em superfícies de cavidades internas, como os órgãos tubulares que compõem</p><p>os sistemas digestório, respiratório, circulatório e urogenital. A função de absorção,</p><p>importantíssima também, permite que gases, nutrientes e outros metabólitos entrem</p><p>nos pulmões, intestinos e túbulos renais, por exemplo. Mas, essa absorção também é</p><p>seletiva e específica, dependendo do órgão em que o tecido epitelial faz parte.</p><p>5.2.1.2 Características</p><p>Para a efetividade da barreira de proteção oferecida pelo tecido epitelial, as células</p><p>precisam estar bem justapostas e unidas. Esta união ocorre por especializações na</p><p>membrana celular, como as zônulas de oclusão, zônulas de adesão, desmossomos</p><p>e hemidesmossomos. Todas estas estruturas compõem-se de proteínas que promo-</p><p>vem a união de uma célula a outra, e permitem que elas funcionem como uma estru-</p><p>tura só (Figura 5.3).</p><p>Figura 5.3 - Especializações de membrana que promovem a adesão entre as células epiteliais: zônula de oclusão, zônula de adesão, desmossomos e</p><p>hemidesmossomos</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28</p><p>5.2.1.3 Classificação morfológica</p><p>Este tecido de revestimento pode ser classificado morfologicamente de acordo</p><p>com o número de camadas e com a forma das células. Veja o quadro 5.3.</p><p>Quadro 5.3 - Classificação morfológica do tecido epitelial de revestimento</p><p>TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO</p><p>NÚMERO DE CAMADAS FORMA DA CÉLULA</p><p>SIMPLES PAVIMENTOSO</p><p>ESTRATIFICADO CÚBICO</p><p>COLUNAR</p><p>PSEUDOESTRATIFICADO* TRANSIÇÃO*</p><p>* EXCEÇÕES</p><p>Com essa classificação, se o tecido apresentar apenas uma camada de células,</p><p>este epitélio será classificado como simples e, se apresentar mais do que uma cama-</p><p>da, será classificado como estratificado (Figura 5.4).</p><p>Figura 5.4 - Tipos de epitélio de acordo com o número de camadas</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29</p><p>Por outro lado, se a última camada de células tiver a forma de uma coluna será clas-</p><p>sificado como epitélio colunar, se tiver a forma cúbica estaremos diante de um epitélio</p><p>cúbico e se tivermos a última camada (mais superficial) com células pavimentosas,</p><p>receberá o nome de epitélio pavimentoso (Figura 5.5). Unindo as duas classificações</p><p>poderemos ter: epitélio simples pavimentoso ou epitélio estratificado pavimentoso e</p><p>assim por diante.</p><p>Figura 5.5 - Tipo de epitélio simples de acordo com a forma da célula</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Contudo, existem exceções: o epitélio pseudoestratificado e o epitélio de transição.</p><p>O primeiro recebe este nome, pseudoestratificado, pois na lâmina microscópica este</p><p>epitélio assume uma aparência de estratificado (várias camadas), mas na realidade é</p><p>composta por apenas uma. O que acontece é que são células de diversos tamanhos e</p><p>por isso, dá essa impressão. Já o epitélio de transição é assim denominado por apre-</p><p>sentar formas diferentes dependendo da situação. O exemplo mais clássico consiste</p><p>no epitélio que reveste a bexiga. Uma hora a bexiga está vazia e as células apresen-</p><p>tam-se mais uniformes e em outra hora, a bexiga está cheia e com isto, promove o</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30</p><p>estiramento das células alterando a sua conformação.</p><p>Epitélio Simples Epitélio Estratificado Exceções</p><p>Pavimentoso Vasos sanguíneos</p><p>e linfáticos</p><p>Alvéolos</p><p>pulmonares</p><p>Epiderme da pele</p><p>Esôfago</p><p>Cúbico Superfície do ovário</p><p>Folículos da</p><p>tireóide</p><p>Ductos de glândulas</p><p>sudoríparas</p><p>Folículos ovarianos</p><p>Colunar Estômago</p><p>Intestino</p><p>Ductos de glândulas</p><p>salivares</p><p>Conjuntiva dos olhos</p><p>Epitélio</p><p>pseudoestratificado</p><p>Traquéia</p><p>Brônquios</p><p>Epitélio de transição Bexiga</p><p>Ureteres</p><p>Quadro 5.4 - Exemplos de locais onde são encontrados diferentes epitélios</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Existe uma doença autoimune rara chamada Penfigóide Bolhoso. Nessa doença,</p><p>os anticorpos se ligam em algumas proteínas dos hemidesmossomos induzindo</p><p>a separação das células do tecido adjacente abaixo do tecido epitelial. Com isso,</p><p>as células começam a se separar desse tecido adjacente refletindo em inúmeras</p><p>bolhas e ulcerações na pele.</p><p>5.2.2 Epitélio glandular</p><p>A função primordial do tecido epitelial glandular é a secreção de diversas substân-</p><p>cias. Nós conhecemos este tecido como glândulas. Dependendo de onde essa se-</p><p>creção atua e como ela chega ao local de ação podemos ter as glândulas exócrinas</p><p>e as endócrinas. As glândulas exócrinas liberam seus produtos de secreção para o</p><p>ambiente externo, como as glândulas salivares, as glândulas sebáceas, as glândulas</p><p>mamárias e outras. Já a glândula endócrina libera seu produto na corrente sanguínea</p><p>e, pela circulação, esta secreção chega ao destino final – são os hormônios.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA</p><p>DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>O suor é uma forma de liberar o calor produzido na obtenção de energia durante</p><p>um exercício físico. Sem essa liberação de calor pelas glândulas sudoríparas, em</p><p>dias quentes, podemos ter até sintomas de tonturas.</p><p>5.2.3 Resumindo</p><p>Neste capítulo iniciamos no mundo dos tecidos, ou seja, do conjunto de células que</p><p>desempenham as mesmas funções. Abordamos o primeiro tecido fundamental do</p><p>nosso corpo que é o tecido epitelial. Conhecemos seus tipos e suas características.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32</p><p>AULA 6</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS</p><p>DO NOSSO ORGANISMO II</p><p>6.1 tecido conjuntivo</p><p>Outro tecido fundamental do nosso organismo é o tecido conjuntivo. Ao contrário</p><p>do tecido epitelial, este tecido caracteriza-se por ter muita matriz extracelular e pou-</p><p>cas células, proporcionalmente falando. Sua função básica é fornecer o suporte e a</p><p>manutenção da forma do nosso corpo e por esse motivo o tecido conjuntivo está</p><p>presente em todos os lugares. A sua matriz extracelular participa efetivamente desta</p><p>função e é rica em fibras, principalmente fibras colágenas, fibras elásticas e fibras re-</p><p>ticulares. Apresenta na sua composição, a substância fundamental amorfa formada</p><p>por grandes moléculas de proteínas como as glicosaminoglicanas, os proteoglicanos</p><p>e as proteínas multiadesivas, além do líquido tissular intersticial (água, íons e outros)</p><p>(Quadro 6.1).</p><p>CÉLULAS MATRIZ EXTRACELULAR</p><p>Fibroblasto Proteínas fibrosas (fibras colágenas, reticulares e</p><p>elásticas)</p><p>Substância Fundamental Amorfa</p><p>(glicosaminoglicanos, proteoglicanos e</p><p>glicoproteínas multiadesivas)</p><p>Líquido tissular intersticial (água, íons e outros)</p><p>Quadro 6.1 - Composição da matriz extracelular do tecido conjuntivo</p><p>6.1.1 Tipos de fibras</p><p>6.1.1.1 Fibras colágenas</p><p>As fibras colágenas são constituídas por colágeno. E é justamente esta proteína</p><p>que confere resistência ao tecido. Encontramos vários tipos de colágenos dependen-</p><p>do do local e da força a que esta fibra está sujeita.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Se esticarmos a nossa pele você verificará que a pele estica, mas não rasga,</p><p>pois as fibras colágenas oferecem resistência neste momento. A busca por esta</p><p>resistência pelo mercado da estética apresenta-se estonteante. Este é um dos</p><p>motivos que a indústria da beleza tem investido bastante em encontrar algo que</p><p>substitua o colágeno natural produzido por nossas células do tecido conjuntivo – os</p><p>fibroblastos.</p><p>6.1.1.2 Fibras elásticas</p><p>São estruturas mais delicadas que as fibras colágenas. Compostas por uma pro-</p><p>teína chamada elastina, permite que o tecido conjuntivo frouxo seja esticado até a</p><p>resistência oferecida pelas fibras colágenas. Estas fibras permitem que o tecido seja</p><p>esticado e que depois volte à configuração inicial. Contudo, com o tempo, o nosso</p><p>organismo vai perdendo esta capacidade de elasticidade e se tornando mais rígido.</p><p>6.1.1.3 Fibras reticulares</p><p>Também são formadas por um tipo de colágeno (colágeno tipo III). Apresentam</p><p>uma disposição entrelaçada como se fosse uma rede e se liga ao tecido adjacente de</p><p>muitos órgãos que apresentam possibilidades de mudanças fisiológicas de forma e</p><p>volume, com o objetivo de dar suporte aos mesmos.</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>A deficiência de vitamina C pode levar ao escorbuto. Essa doença se caracteriza</p><p>pela formação defeituosa do colágeno e consequentemente degeneração do tecido</p><p>conjuntivo. Na boca temos muitas fibras colágenas que mantêm os dentes na</p><p>posição, por isso nessa doença, como essas fibras são extremamente afetadas, a</p><p>pessoa pode acabar perdendo os seus dentes.</p><p>6.1.2 Células do tecido conjuntivo</p><p>Se considerarmos todos os tipos de tecido conjuntivo temos que mencionar vários</p><p>tipos de células, mas aqui cabe uma menção especial ao fibroblasto, que tem sua ori-</p><p>gem no tecido conjuntivo e permanece toda a sua vida nele.</p><p>Entretanto, outras células normalmente também são encontradas no tecido con-</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34</p><p>juntivo, como os macrófagos, os mastócitos, os plasmócitos e os leucócitos que</p><p>constituem células de defesa do nosso organismo.</p><p>6.1.2.1 Fibroblasto</p><p>Estas células produzem o colágeno e a elastina, além das proteínas que compõem</p><p>a substância fundamental amorfa. Desta forma, participam dos processos regenerati-</p><p>vos de forma pontual, como na cicatrização. Em casos de lesão tecidual, cujas células</p><p>não regeneram, como no músculo estriado cardíaco, por exemplo, os espaços da le-</p><p>são serão preenchidos por tecido conjuntivo originando a fibrose.</p><p>É importante saber que os fibroblastos, com o passar do tempo, perdem a capaci-</p><p>dade de se dividirem em condições normais. Essa divisão somente pode ocorrer no</p><p>caso de cicatrização de feridas.</p><p>6.1.2.2 Macrófagos</p><p>Embora tenham sua origem na medula óssea (monócitos) é no tecido conjuntivo</p><p>que essas células amadurecem e adquirem as características morfofuncionais para</p><p>executar a fagocitose. Fagocitose significa o processo de englobar um corpo estranho</p><p>e/ou restos celulares e digeri-los com as enzimas lisossomais. Estas células partici-</p><p>pam dos processos de defesa imunológica do nosso organismo</p><p>6.1.2.3 Mastócitos</p><p>Participam efetivamente dos eventos inflamatórios iniciais. Apresentam em seu</p><p>interior, uma quantidade grande de grânulos secretores com a histamina e a heparina,</p><p>que darão continuidade ao processo inflamatório.</p><p>6.1.2.4 Plasmócitos</p><p>São células que se originam na medula óssea, mas que amadurecem em outros</p><p>tecidos. Tem como função primordial a síntese de anticorpos.</p><p>6.1.2.5 Leucócitos</p><p>Mesmo em situação normal, encontramos leucócitos no tecido conjuntivo. Mas</p><p>esse número aumenta exponencialmente quando da invasão de microrganismos, pois</p><p>os leucócitos são células relacionadas à defesa do nosso organismo.</p><p>6.1.3 Tipos de tecido conjuntivos</p><p>A figura 6.1 apresenta um esquema dos principais tecidos conjuntivos do nosso</p><p>organismo.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35</p><p>Figura 6.1 - Esquema dos principais tipos de tecido conjuntivo</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>6.1.3.1 Tecido conjuntivo propriamente dito</p><p>Fora as diferentes especializações do tecido conjuntivo que apresentam funções</p><p>diferenciadas, o tecido conjuntivo propriamente dito pode ser dividido em frouxo e</p><p>denso (Figura 6.1).</p><p>Naquelas regiões com menores impactos mecânicos encontramos o tecido con-</p><p>juntivo frouxo preenchendo os espaços entre os demais tecidos. É muito comum en-</p><p>contrarmos tecido conjuntivo frouxo nos espaços entre os grupos de células muscu-</p><p>lares, dando suporte para as células epiteliais e envolvendo os vasos sanguíneos.</p><p>Contudo, em regiões que demandam maior resistência, o tecido conjuntivo torna-se</p><p>denso com um maior número de fibras colágenas. Se estas fibras apresentam uma</p><p>organização e uma orientação definida, estamos diante do tecido conjuntivo denso</p><p>modelado. Esta orientação das fibras ocorre normalmente em resposta às forças de</p><p>tração exercidas em um determinado sentido. Um exemplo clássico de tecido conjun-</p><p>tivo modelado são os tendões que conectam os músculos aos ossos. Por outro lado,</p><p>se as fibras se apresentarem sem uma orientação definida, denominamos de tecido</p><p>conjuntivo denso não modelado, na realidade, formam uma trama com o objetivo de</p><p>conferir resistência à tração em qualquer direção.</p><p>6.2 Resumindo</p><p>Neste capítulo conhecemos sucintamente o tecido conjuntivo. Foram menciona-</p><p>dos os diversos tipos de tecido conjuntivo, mas a ênfase foi dada ao tecido conjuntivo</p><p>propriamente dito, suas células e seu conteúdo da matriz extracelular.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA</p><p>| 36</p><p>AULA 7</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS DO</p><p>NOSSO ORGANISMO III</p><p>7.1 Tecido nervoso</p><p>Sem dúvida nenhuma, o nosso sistema nervoso comanda todas as funções do</p><p>nosso organismo. Claro que ele recebe a ajuda do sistema endócrino que produz nos-</p><p>sos hormônios, mas a resposta do sistema nervoso por meio de suas células e de</p><p>como ele está organizado permite que as respostas sejam bem rápidas, enquanto o</p><p>sistema endócrino leva um tempo maior. O sistema nervoso pode ser dividido anato-</p><p>micamente em sistema nervoso central (encéfalo e medula espinal) e sistema nervo-</p><p>so periférico (nervos e gânglios). Os nervos são compostos por neurônios considera-</p><p>dos as principais células deste tecido. Mas, além dos neurônios, temos também um</p><p>grupo de células chamadas de células da glia. Existem aproximadamente 100 bilhões</p><p>de neurônios no nosso organismo e o número de células da glia correspondem a um</p><p>quantitativo 10 vezes maior. Vamos conhecer melhor esse tecido e suas células???</p><p>Vamos lá!!!</p><p>7.1.1 O neurônio</p><p>O neurônio é a principal e mais importante célula do tecido nervoso. Apresenta</p><p>uma morfologia peculiar, composto pelo corpo celular, dendritos e axônio (Figura</p><p>7.1). Tem como funções primordiais a recepção do estímulo, a condução, a inte-</p><p>gração e a transferência da informação e da resposta. Essa condução das infor-</p><p>mações é realizada por um processo chamado sinapse que normalmente ocorre</p><p>entre a porção terminal do axônio de um neurônio e o dendrito de outro neurônio.</p><p>Importante saber que os dendritos diminuem com a subnutrição e a idade e, des-</p><p>ta forma, podemos esperar uma deficiência de condução da informação nestas</p><p>situações. Existem dois tipos de sinapse, a elétrica e a química, sendo a química</p><p>mais comum pela liberação de moléculas sinalizadoras (neurotransmissores) na</p><p>transmissão da resposta (Figura 7.2).</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37</p><p>Figura 7.1 - Desenho esquemático de um neurônio. a) dendritos; b) corpo celular; c) núcleo; d) início do axônio; e) bainha de mielina; f) célula de Schwann;</p><p>g) nódulo de Ranvier; h) botão terminal do axônio</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-jd3ekb/</p><p>Figura 7.2 - Desenho esquemático de uma sinapse química. Observem em maior aumento o botão terminal de um axônio liberando neurotransmissores que</p><p>se ligarão com locais específicos na superfície de um músculo, por exemplo</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-kunzrt/</p><p>7.1.1.1 Classificação dos neurônios</p><p>De uma forma sintética podemos ter neurônios motores, sensitivos e de integra-</p><p>ção. Os neurônios motores são responsáveis pela resposta motora (contração), os</p><p>neurônios sensitivos pela condução do estímulo ao sistema nervoso central e os de</p><p>integração ou interneurônios, quando há a necessidade de intermediar essa informa-</p><p>ção (Figura 7.3).</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38</p><p>Figura 7.3 - Desenho esquemático da sequência da informação. O estímulo é percebido pelo neurônio sensitivo que leva a informação ao sistema nervoso</p><p>central. Essa informação pode passar por vários neurônios que são os interneurônios, até que o sistema nervoso central envie uma resposta pelo neurônio</p><p>motor</p><p>Fonte: Adaptada pela autora com imagens obtidas no site: www.gratispng.com</p><p>7.1.2 As células da glia</p><p>Como nós vimos o tecido nervoso, além dos neurônios, também é constituído por</p><p>células da glia ou neuróglia. Essas células estão em maior quantidade, pelo menos</p><p>10 vezes mais do que o número de neurônios. Sua função consiste na proteção e no</p><p>suporte dos neurônios e não possuem a capacidade de gerar e de conduzir um impul-</p><p>so nervoso, mas por outro lado são capazes de se dividirem no adulto, o que nos traz</p><p>uma possibilidade de algum tipo de regeneração. Como vocês sabem, nós temos um</p><p>número “x” de neurônios e à medida que se vai perdendo.... não tem volta, perdeu! Os</p><p>neurônios não se regeneram!!!</p><p>As principais células da glia são (Figura 7.4):</p><p>Astrócitos</p><p>Oligodendrócitos</p><p>Células de Schwann</p><p>Micróglia</p><p>Células ependimárias</p><p>Células satélites ou capsulares</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39</p><p>Figura 7.4 - Desenho esquemático de algumas células da glia ao redor de neurônios</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-znqc79/</p><p>7.1.2.1 Astrócito</p><p>O astrócito consiste numa célula que apresenta muitas ramificações do seu cito-</p><p>plasma (podemos fazer uma analogia com um astro) (Figura 7.4). Essas ramificações</p><p>permitem que esta célula forneça uma comunicação entre o axônio de um neurônio</p><p>com um vaso sanguíneo ou entre vários neurônios. Desta forma, estabelecendo uma</p><p>sustentação ao neurônio, além de permitir a troca de nutrientes e metabólitos entre o</p><p>neurônio e o vaso sanguíneo.</p><p>7.1.2.2 Oligodendrócito</p><p>O oligodendrócito consiste numa célula bastante elástica que se enrola várias ve-</p><p>zes no axônio dos neurônios localizados no Sistema Nervoso Central (encéfalo e me-</p><p>dula espinal) (Figura 7.4). Esta porção do oligodendrócito que se enrola recebe o nome</p><p>de bainha de mielina.</p><p>7.1.2.3 Células de Schwann</p><p>As células de Schwann também são células que se enrolam várias vezes nos axô-</p><p>nios formando, desta forma, a bainha de mielina. A diferença entre o oligodendrócito</p><p>e a célula de Schwann, com relação a esta bainha é a localização. Quem constrói</p><p>a bainha dos axônio que se encontram no Sistema Nervoso Periférico é a célula de</p><p>Schwann, enquanto que no Sistema Nervoso Central é o oligodendrócito. Várias célu-</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40</p><p>las de Schwann podem formar a bainha de um mesmo axônio deixando um espaço</p><p>entre elas. Esse espaço denomina-se nódulos de Ranvier (Figura 7.1).</p><p>ANOTE ISSO</p><p>A mielinização (bainha de mielina) aumenta drasticamente a velocidade de</p><p>condução do impulso nervoso dos neurônios, propiciando respostas muito rápidas.</p><p>Importante frisar que nem todos os neurônios apresentam a bainha de mielina.</p><p>Além disso, como comentado anteriormente, as células da glia possuem a capa-</p><p>cidade de se dividirem e desta forma, aumentarem o número de células. Este fato</p><p>torna-se muito importante quando da lesão de um nervo, ou seja, quando o axônio de</p><p>um neurônio é lesionado. Existe a possibilidade do nosso organismo reagir, induzindo</p><p>a multiplicação e a proliferação das células de Schwann neste local que acabam repo-</p><p>voando e criando uma possibilidade de reestruturação do neurônio. Que maravilha!!!</p><p>Amém!!!</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Nos casos de amputação de um membro, o paciente continua a ter uma sensação</p><p>dolorosa, isto porque houve a lesão do nervo e o axônio continuou a crescer de uma</p><p>forma desorganizada durante o processo de reparação (neuroma de amputação)</p><p>e não tem a proliferação das células de Schwann para dar o suporte para a</p><p>reestruturação do neurônio.</p><p>7.1.2.4 Micróglia</p><p>A micróglia nada mais é do que uma célula semelhante ao macrófago (fagocitose),</p><p>ou seja, uma célula responsável pela limpeza de resíduos e estruturas danificadas do</p><p>sistema nervoso (Figura 7.4).</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>Não se sabe porque, mas na doença conhecida por esclerose múltipla em que a</p><p>pessoa apresenta diversos distúrbios neurológicos, a bainha de mielina é destruída</p><p>gradativamente e os restos removidos pela micróglia.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41</p><p>7.1.2.5 Células ependimárias</p><p>As células ependimárias revestem as cavidades do encéfalo e o canal central da</p><p>medula espinal. São células de revestimento.</p><p>7.1.2.6 Células satélites ou capsulares</p><p>São células que encontramos nos gânglios e que preenchem os espaços existentes</p><p>entre os neurônios.</p><p>7.1.3 Tipos de nervos</p><p>Conhecendo agora a bainha de mielina, podemos caracterizar os nervos como um</p><p>conjunto de fibras nervosas (neurônios). Esse conjunto pode ser formado por fibras</p><p>nervosas</p><p>com bainha de mielina, chamadas de fibras mielínicas e por fibras nervosas</p><p>amielínicas que não apresentam a bainha de mielina. Então, podemos ter nervos mie-</p><p>línicos formados por um conjunto de neurônios, com essa bainha; podemos ter nervos</p><p>amielínicos, com neurônios sem a bainha e, podemos ter nervos mistos, ou seja, com-</p><p>posto por fibras mielínicas e amielínicas. Essa diferença permite que um nervo seja</p><p>mais rápido do que o outro na condução da informação.</p><p>Independente do tipo de nervo, cada fibra nervosa (neurônio) é revestida por um</p><p>tecido conjuntivo denominado endoneuro. Essas fibras se agrupam em feixes e são</p><p>envolvidas também por um tecido conjuntivo denominado perineuro e, o conjunto de</p><p>feixes nervosos que formam um nervo apresenta também um tecido conjuntivo ao</p><p>redor com o nome de epineuro.</p><p>7.1.4 Resumindo</p><p>O tecido nervoso que forma o Sistema Nervoso é constituído por dois grupos de</p><p>células: o neurônio e as células da glia. O neurônio é o ator principal que faz todo o tra-</p><p>balho de informar o nosso Sistema Nervoso do que está acontecendo no nosso corpo.</p><p>Com essa informação o encéfalo tem condição de resolver o que fazer e desta forma,</p><p>enviar esta resposta, por meio de outro neurônio para que o músculo contraia ou para</p><p>que uma ocorra a secreção de uma glândula, por exemplo.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42</p><p>AULA 8</p><p>OS TECIDOS FUNDAMENTAIS</p><p>DO NOSSO ORGANISMO IV</p><p>8.1 tecido muscular e sua organização</p><p>O último tecido fundamental do nosso organismo que falta abordarmos é o tecido</p><p>muscular. Deixamos por último pela importância que esse tecido representa para o</p><p>educador físico. Todos são extremamente importantes e não funcionam isoladamen-</p><p>te, mas o tecido muscular fará parte do dia a dia da profissão.</p><p>8.1.1 Generalidades</p><p>O tecido muscular pode ser classificado de acordo com a aparência de suas células</p><p>contráteis em: músculo estriado e músculo liso. O músculo estriado recebe essa de-</p><p>nominação por apresentar estriações (estrias) transversais ao microscópio e o mús-</p><p>culo liso, não. Ainda assim, os músculos estriados podem ser classificados, de acordo</p><p>com a sua localização em: músculo estriado esquelético, músculo estriado visceral e</p><p>músculo cardíaco.</p><p>Iremos falar aqui do músculo estriado esquelético, pois é este músculo que está</p><p>relacionado ao sistema locomotor.</p><p>A musculatura esquelética é muito elástica e apresenta quatro propriedades: irrita-</p><p>bilidade, contratilidade, extensibilidade e elasticidade. A irritabilidade ou excitabilidade,</p><p>melhor dizendo, é a capacidade do músculo responder a um estímulo. Isso é o que</p><p>normalmente acontece: temos um estímulo que é conduzido ao nosso sistema nervo-</p><p>so e com isso ocorre uma resposta através de um neurônio motor. Esse neurônio mo-</p><p>tor libera substâncias (neurotransmissores) na célula muscular para que ela execute</p><p>uma determinada função. Essa função normalmente é a contração, que discutiremos</p><p>mais adiante e que caracteriza a contratilidade. A extensibilidade é a capacidade do</p><p>músculo alongar ou esticar além do seu comprimento em repouso. E a elasticidade é</p><p>a capacidade do músculo de retornar ao seu comprimento em repouso, após o alon-</p><p>gamento.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43</p><p>ANOTE ISSO</p><p>“O músculo esquelético pode ser alongado ou encurtado em velocidade</p><p>razoavelmente alta sem grandes danos ao tecido…. A quantidade de extensibilidade</p><p>no músculo fica determinada pelo tecido conjuntivo que circunda e está situado</p><p>no interior do músculo... . A elasticidade do músculo é determinada pelo tecido</p><p>conjuntivo no músculo e não nas próprias fibrilas.” (HAMILL, 2016)</p><p>8.1.2 A célula muscular</p><p>Não podemos esquecer que nosso sistema locomotor apresenta-se constituído</p><p>pela interação de diversos tecidos, como o muscular, o esquelético, o conjuntivo (ten-</p><p>dões), o cartilaginoso (articulações) e o nervoso. Mas, conhecer a célula muscular</p><p>esquelética significa conhecer como o nosso corpo consegue se movimentar. Esta</p><p>célula tem como função principal a contração.</p><p>Fonte: OpenClipart-Vectors por Pixabay</p><p>A célula muscular é mais conhecida como fibra muscular e algumas de suas estru-</p><p>turas recebem também denominações diferentes. A membrana celular passa a cha-</p><p>mar “sarcolema”, o citoplasma “sarcoplasma”, o retículo endoplasmático denomina-se</p><p>“retículo sarcoplasmático” e as mitocôndrias “sarcossomos” (Quadro 8.1).</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44</p><p>CÉLULA FIBRA MUSCULAR</p><p>Membrana Celular SARCOLEMA</p><p>Citoplasma SARCOPLASMA</p><p>Retículo Endoplasmático RETÍCULO SARCOPLASMÁTICO</p><p>Mitocôndrias SARCOSSOMOS</p><p>Quadro 8.1 - Denominações das estruturas da fibra muscular</p><p>Para entender melhor a sua morfologia e a sua constituição devemos lembrar que</p><p>a fibra muscular se formou - lá no embrião, a partir da fusão de várias pequenas célu-</p><p>las chamadas mioblastos. Cada mioblasto apresentava um núcleo e um citoplasma</p><p>com proteínas contráteis. Desta forma, se a fibra muscular representa um conjunto de</p><p>mioblastos que se uniram precocemente, então é de se esperar que a fibra muscular</p><p>apresente vários núcleos e muitas proteínas contráteis. Assim, a fibra muscular apre-</p><p>senta-se bastante longa, podendo chegar a ter até 30 cm, tendo os diversos núcleos</p><p>dispostos na periferia e as proteínas contráteis na porção mais interna da célula. Con-</p><p>tudo, alguns mioblastos permanecem na superfície da fibra muscular sem se fusiona-</p><p>rem e passam a chamar células satélites (Figura 8.1).</p><p>As proteínas contráteis que se encontram na fibra muscular formam inúmeras</p><p>miofibrilas e são compostas por, principalmente, actina, miosina, tropomiosina e tro-</p><p>ponina. Estas proteínas contráteis apresentam-se organizadas, demonstrando uma</p><p>disposição repetitiva e por isso, quando olhamos no microscópio parecem estriações</p><p>transversais (que cruzam a fibra muscular). Por este motivo, esta fibra muscular dá</p><p>origem ao que chamamos, músculo estriado esquelético – é estriado pois apresenta</p><p>estriações como característica histológica e é esquelético, por estarem intimamente</p><p>relacionados com os ossos para a sua função de locomoção.</p><p>Um conjunto de MIOFIBRILAS formam a FIBRA MUSCULAR. O conjunto de FIBRAS</p><p>MUSCULARES formam um FEIXE ou FASCÍCULO e o conjunto de FEIXES MUSCULA-</p><p>RES formam o MÚSCULO. Cada fibra muscular encontra-se protegida por um envol-</p><p>tório de tecido conjuntivo chamado ENDOMÍSIO. Cada feixe muscular apresenta-se</p><p>envolvido, também, por tecido conjuntivo chamado PERIMÍSIO e o músculo apresen-</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45</p><p>ta-se envolvido pelo EPIMÍSIO. Este tecido conjuntivo denso irá se unir ao tendão fa-</p><p>zendo a conexão com o osso (Figura 8.2).</p><p>Podemos dizer, então, que o músculo estriado esquelético é formado por um con-</p><p>junto de fibras musculares cilíndricas e longas, multinucleadas na região periférica,</p><p>com estriações transversais e que apresenta uma contração rápida e vigorosa e sujei-</p><p>to ao controle voluntário.</p><p>Figura 8.1 - Numa determinada fase embrionária, os mioblastos começam a se dividir, aumentando o número de mioblastos que posteriormente se</p><p>fundem. Esta fusão dá origem a fibra muscular caracterizando uma célula longa com os núcleos posicionados na periferia da célula e as proteínas</p><p>contrateis na região interna como se fossem estrias transversais. Na superfície da fibra muscular, algumas células não se fundem e passam a chamar</p><p>células satélites</p><p>Fonte: da célula representativa do mioblasto: Clker-Free-Vector-Images por Pixabay</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46</p><p>Figura 8.2 - Esquema representativo das estruturas que compõem o músculo estriado esquelético</p><p>Fonte da imagem: OpenClipart-Vector</p><p>por Pixabay</p><p>ISTO ACONTECE NA PRÁTICA</p><p>DISTROFIA MUSCULAR DE DUCHENNE</p><p>É uma doença genética de caráter recessivo, ligada ao sexo, degenerativa e</p><p>incapacitante. Por ser ligada ao sexo atinge o sexo masculino. É uma doença de</p><p>progressão rápida em que a criança começará a apresentar dificuldades em andar</p><p>por volta dos 4 anos de idade, chegando aos 12 anos, aproximadamente, com a</p><p>necessidade de ficar em uma cadeira de rodas. Esta doença ocorre pela ausência e/</p><p>ou alteração de uma proteína da membrana da fibra muscular chamada distrofina.</p><p>A distrofina é responsável pela manutenção da forma da fibra muscular, sem ela a</p><p>fibra muscular e consequentemente, os músculos não conseguem manter a sua</p><p>forma.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47</p><p>AULA 9</p><p>A CONTRAÇÃO DO MÚSCULO</p><p>ESTRIADO ESQUELÉTICO</p><p>Quarenta por cento do nosso corpo é composto pela musculatura estriada esque-</p><p>lética. E como falamos no capítulo anterior, a principal função do músculo estriado</p><p>esquelético é a contração e consequente movimentação. Esta contração acontece</p><p>devido à presença de proteínas contráteis dentro da fibra muscular: a miosina, a acti-</p><p>na, a tropomiosina e a troponina. Mas, como essas proteínas promovem a contração?</p><p>9.1 Morfologia microscópica da fibra muscular e do sarcômero</p><p>Antes devemos lembrar que a fibra muscular apresenta um comprimento longo</p><p>dependendo da musculatura em questão que é multinucleada, pela fusão de inúme-</p><p>ros mioblastos e que apresenta no seu interior as miofibrilas que nada mais são do</p><p>que o conjunto das proteínas contráteis mencionadas acima e que se organizam em</p><p>unidades de se repetem por toda extensão da fibra muscular. Estas unidades são</p><p>chamadas de sarcômero. Cada unidade apresenta uma organização estrutural como</p><p>demonstrada na figura 9.1. Esta unidade que se repete dá à fibra muscular a carac-</p><p>terística de estriações transversais vista ao microscópio e por este motivo recebe o</p><p>nome de músculo estriado.</p><p>Pela figura 9.2 podemos observar que o sarcômero apresenta-se delimitado pela</p><p>LINHA Z ou DISCO Z, onde estão ligados os filamentos de actina. A linha Z também é</p><p>uma proteína filamentosa e une os sarcômeros. E é por isso, que quando cada sarcô-</p><p>mero encurta temos como resultante o encurtamento total da fibra muscular. Na con-</p><p>tração muscular, o filamento de actina de ambos os lados do sarcômero desliza sobre</p><p>o filamento de miosina e com isso a fibra muscular encurta (Figura 9.3). No desenho</p><p>esquemático apresentado na figura 9.3, a banda A refere-se a porção do sarcômero</p><p>relativo a miosina, na banda H, observamos apenas parte da miosina e na banda I, ob-</p><p>servamos apenas a presença da actina. Com a contração muscular, este sarcômero</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48</p><p>diminui de tamanho com o deslizamento da actina sobre a miosina. Então, a banda H</p><p>e I acabam diminuindo de tamanho também. Dizemos que quando as pontas dos fila-</p><p>mentos de actina vão deslizando e acabam se sobrepondo uma na outra, o músculo</p><p>apresenta sua força máxima de contração.</p><p>Além das miofibrilas não podemos esquecer que a fibra muscular é uma célula que</p><p>precisa de muita energia e por isso encontramos muitos sarcossomos (mitocôndrias)</p><p>e um retículo sarcoplasmático com uma forma especial para dar suporte a demanda</p><p>de contração requisitada. Trocando em miúdos – quanto maior for a demanda de</p><p>movimentos musculares maior a quantidade de sarcossomos e a extensão do retículo</p><p>sarcoplasmático.</p><p>ANOTE ISSO</p><p>A fibra muscular apresenta um diâmetro de 10 a 80 micrômetros e é composta por</p><p>centenas a milhares de miofibrilas. E cada miofibrila é composta por cerca de 1500</p><p>filamentos de miosina e por 3000 filamentos de actina. O deslizamento da actina</p><p>sobre a miosina resulta na contração muscular.</p><p>Figura 9.1 - A fibra muscular é compostas por inúmeras miofibrilas que apresentam uma disposição organizada e repetitiva das subunidades compostas</p><p>pelas proteínas contráteis chamada de sarcômero.</p><p>Fonte: OpenClipart-Vector por Pixabay adaptada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49</p><p>Figura 9.2 - Desenho esquemático do sarcômero</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>Figura 9.3 - O esquema dois ilustra a contração muscular com a diminuição da banda H e I. A banda A continua do mesmo tamanho, pois corresponde ao</p><p>tamanho da miosina. Observe que o tamanho da actina também continua o mesmo, o que aconteceu é que o filamento de actina deslizou sobre o filamento</p><p>de miosina</p><p>Fonte: elaborada pela autora</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50</p><p>9.2 Mecanismo geral da contração muscular</p><p>De uma forma resumida, observamos as seguintes etapas para que ocorra a con-</p><p>tração muscular:</p><p>1. O estímulo para contração chega até a fibra muscular por meio dos nervos</p><p>motores.</p><p>2. Chegando na fibra muscular, as terminações nervosas secretam pequena</p><p>quantidade de substância neurotransmissora – a acetilcolina.</p><p>3. A acetilcolina atua sobre o sarcolema (membrana celular) induzindo uma altera-</p><p>ção nos níveis iônicos da membrana, levando a mensagem para toda a fibra muscular.</p><p>4. Com isso, o retículo sarcoplasmático entende que se torna necessário a libera-</p><p>ção de grandes quantidades de íons cálcio para o meio intracelular.</p><p>5. São estes íons de cálcio que juntamente com o ATP fazem com que a con-</p><p>tração ocorra, ou seja, que os filamentos de actina deslizem sobre os filamentos de</p><p>miosina.</p><p>6. A contração só termina quando estes mesmos íons cálcio são bombardeados</p><p>de volta para o retículo sarcoplasmático na presença de ATP.</p><p>Nos próximos capítulos, vocês encontrarão detalhes dos mecanismos envolvidos</p><p>na contração muscular. Aguardem!!!</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51</p><p>AULA 10</p><p>MECANISMO MOLECULAR DA</p><p>CONTRAÇÃO MUSCULAR</p><p>Já sabemos que a contração muscular ocorre pelo deslizamento dos filamentos de</p><p>actina sobre os filamentos de miosina. Para entender o que faz com que isso acon-</p><p>teça devemos ver um pouco mais de perto estes filamentos, ou seja, o mecanismo</p><p>molecular da contração muscular.</p><p>10.1 Características moleculares dos filamentos contráteis</p><p>10.1.1 Características dos filamentos de miosina</p><p>Os filamentos de miosina são espessos e formados por múltiplas moléculas de</p><p>miosina (200 ou mais moléculas). Estes filamentos apresentam nas suas extremi-</p><p>dades, extensões correspondentes a uma cauda e uma cabeça formando as pontes</p><p>cruzadas. Estas pontes cruzadas apresentam dois locais flexíveis (dobradiças), um na</p><p>junção entre a cauda e o corpo do filamento de miosina e, o outro entre a cabeça e a</p><p>cauda. Numa analogia podemos comparar a um barco a remo onde a cauda e a cabe-</p><p>ça da miosina teria a aparência do remo e o barco seria sua estrutura básica do corpo</p><p>do filamento. Somente o centro do filamento de miosina não apresenta a cauda e a</p><p>cabeça (Figura 10.1). Outra característica da cabeça da miosina é a sua capacidade</p><p>de clivar o ATP pela presença da enzima adenosina trifosfatase (ATPase). Em decor-</p><p>rência desta quebra do ATP, a alta energia liberada pode ser utilizada no processo de</p><p>contração.</p><p>ALGORITMOS E LÓGICA DE</p><p>PROGRAMAÇÃO I</p><p>ESPECIALISTA JOSÉ HENRIQUE HONJOYA</p><p>FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52</p><p>Figura 10.1 - Molécula de miosina composta pelo corpo, cauda e cabeça. A cauda e a cabeça formam as pontes cruzadas. Notem as dobradiças entre o</p><p>corpo e a cauda</p><p>Fonte: https://www.gratispng.com/png-ffegs3/ adapatada pela autora</p><p>10.1.2 Características dos filamentos de actina, tropomiosina e troponina</p><p>Os filamentos de actina são mais finos e compostos por moléculas de actina, tropo-</p><p>miosina e troponina. As moléculas de actina formam uma estrutura de dupla hélice e</p><p>entremeadas nos sulcos dessa estrutura encontramos as moléculas de tropomiosina.</p>