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<p>MANUTENÇÃO</p><p>DE SISTEMAS</p><p>ELÉTRICOS</p><p>SÉRIE METALMECÂNICA - MECÂNICA</p><p>MANUTENÇÃO</p><p>DE SISTEMAS</p><p>ELÉTRICOS</p><p>SÉRIE METALMECÂNICA - MECÂNICA</p><p>CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI</p><p>Robson Braga de Andrade</p><p>Presidente</p><p>DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA</p><p>Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti</p><p>Diretor de Educação e Tecnologia</p><p>Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira</p><p>Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia</p><p>SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI</p><p>Conselho Nacional</p><p>Robson Braga de Andrade</p><p>Presidente</p><p>SENAI – Departamento Nacional</p><p>Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti</p><p>Diretor Geral</p><p>Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira</p><p>Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia</p><p>Gustavo Leal Sales Filho</p><p>Diretor de Operações</p><p>SÉRIE METALMECÂNICA - MECÂNICA</p><p>MANUTENÇÃO</p><p>DE SISTEMAS</p><p>ELÉTRICOS</p><p>SENAI</p><p>Serviço Nacional de</p><p>Aprendizagem Industrial</p><p>Departamento Nacional</p><p>Sede</p><p>Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto</p><p>Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001</p><p>Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br</p><p>© 2015. SENAI – Departamento Nacional</p><p>© 2015. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina</p><p>A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,</p><p>mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,</p><p>por escrito, do SENAI.</p><p>Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Educação e Tecnologia do SENAI</p><p>de Santa Catarina, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada</p><p>por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.</p><p>SENAI Departamento Nacional</p><p>Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP</p><p>SENAI Departamento Regional de Santa Catarina</p><p>Gerência de Educação e Tecnologia dp SENAI de Santa Catarina – GEDUT</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>S491m</p><p>Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional</p><p>Manutenção de sistemas elétricos / Serviço Nacional de Aprendizagem</p><p>Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.</p><p>Departamento Regional de Santa Catarina. - Brasília : SENAI/DN, 2015.</p><p>226 p. : il. ; 30 cm. - (Série metalmecânica. Mecânica)</p><p>Inclui índice e bibliografia</p><p>ISBN 978-85-7519-983-1</p><p>1. Sistemas de energia elétrica. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.</p><p>Departamento Regional de Santa Catarina II. Título</p><p>CDU: 621.316</p><p>Lista de ilustrações</p><p>Figura 1 - Teste elementar de circuito de comando (a) ......................................................................................24</p><p>Figura 2 - Teste elementar de circuito de comando (b) ......................................................................................25</p><p>Figura 3 - Diagrama multifilar ......................................................................................................................................26</p><p>Figura 4 - Exemplo de circuito multifilar de uma partida direta .....................................................................27</p><p>Figura 5 - Exemplo de circuito unifilar de uma partida direta .........................................................................27</p><p>Figura 6 - Diagrama de atuação de sensores .........................................................................................................34</p><p>Figura 7 - Exemplo de diagramas (manual e eletrônico) de máquinas ........................................................38</p><p>Figura 8 - Análise termográfica ...................................................................................................................................41</p><p>Figura 9 - Instrumento para Medir Cosseno (Fi) ou Fator de Potência .........................................................44</p><p>Figura 10 - Termovisor visualizando o funcionamento componentes com problemas de</p><p>aquecimento .......................................................................................................................................................................47</p><p>Figura 11 - Alicate Amperímetro ................................................................................................................................48</p><p>Figura 12 - Leitura de alicate amperímetro ............................................................................................................48</p><p>Figura 13 - Wattímetro de 0 a 3000W .....................................................................................................................49</p><p>Figura 14 - Comunicação entre laptop e controladores lógicos .....................................................................53</p><p>Figura 15 - Comparação entre portas lógicas e linguagem Ladder...............................................................54</p><p>Figura 16 - Exemplo de Hardware ..............................................................................................................................54</p><p>Figura 17 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 1 ...............................56</p><p>Figura 18 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 2 ...............................56</p><p>Figura 19 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 3 ..............................57</p><p>Figura 20 - Noção básica de Soft-Starter com diagrama lógico de funcionamento ................................58</p><p>Figura 21 - Configuração estrela e configuração triângulo ..............................................................................59</p><p>Figura 22 - Ligação de motores acima de 5 cv ......................................................................................................60</p><p>Figura 23 - Ligação de motor 12 pontas ..................................................................................................................61</p><p>Figura 24 - Relé de sobrecarga ....................................................................................................................................63</p><p>Figura 25 - Fusível NH00 160 A ....................................................................................................................................64</p><p>Figura 26 - Fluxograma de decisão de variável matemática para dimensionamento de fusível .......65</p><p>Figura 27 - Montagem e desmontagem de conjuntos elétricos ....................................................................67</p><p>Figura 28 - Identificação de Conexões dos Contatores ......................................................................................70</p><p>Figura 29 - Exemplo de Botão Pulsante ..................................................................................................................71</p><p>Figura 30 - Exemplo de emergência .......................................................................................................................71</p><p>Figura 31 - Conexão de chave fim de curso ............................................................................................................72</p><p>Figura 32 - Sinalização de conexão de relé de sobrecarga ...............................................................................73</p><p>Figura 33 - Identificação de cabos .............................................................................................................................73</p><p>Figura 34 - Estratificação dos defeitos em 4 meses .............................................................................................83</p><p>Figura 35 - Árvore de causas ........................................................................................................................................85</p><p>Figura 36 - Diagrama de Pareto ..................................................................................................................................89</p><p>Figura 37 - Exemplo de árvore de falha - FTA ........................................................................................................91</p><p>Figura 38 - Diagrama de Ishikawa ..............................................................................................................................93</p><p>como raios-X, análise termográfica, exame de sangue, entre outros. Esse tipo de exame que o</p><p>médico pede se chama exame não invasivo.</p><p>Nas mesmas proporções, está a manutenção industrial, que também tem maneiras não invasivas para</p><p>saber a real situação de funcionamento de uma máquina, ou elemento de máquinas.</p><p>2.4.1 TERMOGRAFIA</p><p>“Termografia é a técnica de ensaio não destrutivo que permite o sensoriamento remoto de pontos ou</p><p>superfícies aquecidas por meio da radiação infravermelha”. (VIANA, 2002, p. 14). Essa técnica é muito usada</p><p>na manutenção preditiva elétrica, quando há a necessidade de saber o estado dos elementos elétricos,</p><p>especialmente disjuntores responsáveis por equipamentos vitais para a produção.</p><p>O equipamento é uma câmera digital, com recursos de infravermelho, que consegue medir temperaturas</p><p>internas do contator8, disjuntores ou outros componentes, com o intuito de encontrar aquecimentos em</p><p>contatos ou conexões, sem a necessidade de contato físico com os dispositivos investigados, só através de</p><p>imagens.</p><p>7 Combinações de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinada a manter ou recolocar um item</p><p>em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida. (ABNT, 1994)</p><p>8 Interruptor cujo movimento é mecânico acionado por eletricidade.</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 41</p><p>O profissional tira uma foto normal do elemento e uma usando o sistema infravermelho, que demonstra a</p><p>temperatura real do corpo. Estas informações dão credibilidade para um relatório que será enviado à equipe</p><p>de eletricistas. Dessa forma, eles podem se antecipar na compra de algum elemento que eventualmente</p><p>não tenha na empresa, para futura intervenção.</p><p>Em uma subestação, por exemplo, quando é feita uma limpeza, encaminha-se uma ordem de serviço,</p><p>para se fazer os reapertos de todas as conexões possíveis encontradas no ambiente, para evitar mau</p><p>contato.</p><p>Com essa tecnologia aplicada, a equipe se concentra apenas na conexão que está com problemas,</p><p>reduzindo o custo de mão de obra para a empresa, além de não haver o desperdício de tempo. Dessa</p><p>forma, trabalha-se somente onde é necessário.</p><p>Depois de reapertadas as conexões que sinalizavam problemas, é refeito o serviço termográfico,</p><p>comprovando a eficiência do trabalho da equipe.</p><p>Empresas que tem certificações de qualidade necessitam arquivar esses relatórios, para apresentá-los</p><p>em auditorias realizadas por empresas certificadoras.</p><p>Figura 8 - Análise termográfica</p><p>2.4.2 CORRENTE DE PARTIDA</p><p>A corrente de partida é a corrente elétrica consumida no instante em que se liga um motor. Nesse</p><p>momento, a corrente é de 6 a 9 vezes maior que a corrente nominal, porque há a necessidade do campo</p><p>magnético vencer a inércia do motor.</p><p>A corrente de partida termina quando o motor começa a trabalhar na corrente nominal. A relação entre</p><p>a corrente de partida e a corrente nominal normalmente aparece na placa de identificação do motor (Ip/</p><p>In).</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS42</p><p>2.4.3 CORRENTE NOMINAL</p><p>A corrente nominal é a corrente elétrica determinada pelo fabricante e na qual o dispositivo trabalha</p><p>em regime normal. Ela deve estar descrita na placa de identificação do componente, como: motores,</p><p>disjuntores e contatores.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Sempre observe as informações de placa de um motor. Ali você encontrará diversas</p><p>informações, como corrente nominal, corrente de pico/partida, rolamentos usados</p><p>pelo motor, modelo e tensão nominal.</p><p>2.4.4 POTÊNCIA ATIVA</p><p>A potência ativa é quando existe uma modificação de energia elétrica em qualquer forma de energia</p><p>favorável, por exemplo, térmica, luminosa etc., sem que exista a obrigatoriedade de uma transformação</p><p>intermediária de energia (FRANCHI, 2008).</p><p>A potência ativa é aquela que é efetivamente transformada em calor, luz ou movimento. Os equipamentos</p><p>que consomem quase que exclusivamente potência ativa são:</p><p>a) chuveiro;</p><p>b) aquecedores;</p><p>c) fornos a resistência.</p><p>Para calcular a potência ativa em um circuito monofásico, emprega-se a seguinte equação:</p><p>Pot. Ativa = V.I.COSφ (WATT)</p><p>P = Potência Ativa em W (Watt)</p><p>V = Tensão em V (Volts)</p><p>I = Corrente elétrica em A (Ampere ou Ampère)</p><p>COSφ = Fator de Potência</p><p>Para calcular a potência ativa em um circuito trifásico, emprega-se a seguinte equação:</p><p>Pot. Ativa = 1,73. V.I.COSφ (WATT)</p><p>P= Potência Ativa em W (Watt)</p><p>V = Tensão em V (Volts)</p><p>I= Corrente elétrica em A (Ampere ou Ampère)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 43</p><p>COSφ = Fator de Potência ou Cosseno Phi (Fi)</p><p>1,73 ou Raiz de 3 = defasagem entre as fases num sistema trifásico.</p><p>2.4.5 FATOR DE POTÊNCIA</p><p>Para apoiar os estudos de fator de potência, é necessário que o manutentor conheça o teorema de</p><p>Pitágoras, que determina que a soma dos catetos do quadrado é igual à hipotenusa ao quadrado. (FRANCHI,</p><p>2008):</p><p>O ângulo formado pelo cateto adjacente e a hipotenusa (ᵩ) é a letra grega Phi. A seguir, estão apresen-</p><p>tadas as relações trigonométricas no triângulo retângulo:</p><p>Quando se resolve uma expressão matemática, é preciso de pelos menos duas informações: tamanho</p><p>de dois lados do triângulo retângulo. Mas, há momentos em que é necessária a informação de apenas um</p><p>lado. Então, é necessário resolver a equação com o ângulo ᵩ, a fim de encontrar o tamanho do lado do</p><p>triângulo retângulo desconhecido.</p><p>Quando se precisa determinar os valores de potência em um sistema elétrico, pode-se utilizar as mesmas</p><p>relações trigonométricas aplicadas ao triângulo retângulo.</p><p>Usando o mesmo princípio matemático, fica assim:</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS44</p><p>Assim:</p><p>Com as equações anteriores, é possível calcular os valores de potência ativa, reativa ou o fator de</p><p>potência (FP). Perceba que o fator de potência é o cosseno do ângulo formado entre a potência ativa e a</p><p>potência aparente. Esta grandeza não tem unidade, ela é chamada de grandeza adimensional.</p><p>Na prática, os profissionais conhecem o fator de potência (cosφ) por um instrumento que é instalado no</p><p>primeiro painel de distribuição elétrica da fábrica, após o transformador. Esse instrumento é chamado de</p><p>indicador de fator de potência (cosφ). Com essa medida, mais a medida da Potência Aparente consumida,</p><p>chega-se a dedução das outras potências, usando as equações apresentadas anteriormente.</p><p>Figura 9 - Instrumento para Medir Cosseno (Fi) ou Fator de Potência</p><p>Fonte: Adaptado de Kron (2013)</p><p>Quem define o valor da tarifa aplicada pelas concessionárias? O valor da tarifa de</p><p>fornecimento praticada pelas concessionárias é aprovado pela ANEEL, mediante</p><p>publicação de resoluções homologatórias.</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>Dependendo do consumo da empresa, o fator de potência é lido diretamente na fatura. Porém, não</p><p>estando dentro do que a concessionária define, a empresa poderá receber multa. Para combatê-las, os</p><p>engenheiros dimensionam o banco de capacitores para serem instalados nas suas subestações, usando as</p><p>fórmulas já apresentadas anteriormente. Perceba que, para saber o mínimo e tomar qualquer decisão, é</p><p>necessário medir, usando ferramentas.</p><p>A seguir, será apresentada a Potência Reativa.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 45</p><p>2.4.6 POTÊNCIA REATIVA</p><p>Os consumidores, como transformadores, reatores e capacitores, precisam da potência reativa para</p><p>poder excitar o seu campo elétrico ou magnético, viabilizando o emprego da energia efetivamente</p><p>necessária para realizar o trabalho, que é a potência ativa. Ou seja, é uma potência intercambiada entre a</p><p>carga e o gerador (FRANCHI, 2008).</p><p>Os equipamentos que utilizam potência reativa são:</p><p>a) motor de indução;</p><p>b) transformadores;</p><p>c) forno de indução.</p><p>Para calcular a potência reativa de um circuito monofásico, emprega-se a seguinte equação:</p><p>Q= Potência Reativa em Var (Volt Ampere Reativo);</p><p>V= Tensão em V (Volts);</p><p>I = Corrente em A (Ampere);</p><p>senoφ = Razão trigonométrica entre a Potência Reativa e Potência Aparente.</p><p>Para calcular a potência reativa de um circuito trifásico, emprega-se a seguinte</p><p>equação:</p><p>Q= Potência Reativa em Var (Volt Ampere Reativo);</p><p>V= Tensão em V (Volts);</p><p>I = Corrente em A (Ampere);</p><p>senoφ = Razão trigonométrica entre a Potência Reativa e Potência Aparente</p><p>1,73 ou raiz de 3 = defasagem entre as fases num sistema trifásico.</p><p>2.4.7 POTÊNCIA APARENTE (VA)</p><p>A potência aparente é a soma vetorial da potência ativa com a potência reativa. Para dimensionar os</p><p>condutores, transformadores e motores, leva-se em consideração essa potência. Segundo Franchi (2008),</p><p>a expressão matemática da potência aparente em corrente alternada é representada por uma equação.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS46</p><p>Para calcular a potência aparente de um circuito monofásico, emprega-se a seguinte equação:</p><p>S= Potência Ativa em VA (Volt Ampere);</p><p>V= Tensão em V (Volts);</p><p>I = Corrente em A (Ampere).</p><p>Para calcular a potência aparente de um circuito trifásico, emprega-se a seguinte equação:</p><p>S= Potência Ativa em VA (Volt Ampere);</p><p>V= Tensão em V (Volts);</p><p>I = Corrente em A (Ampere);</p><p>1,73 ou raiz de 3 = defasagem entre as fases num sistema trifásico.</p><p>Na sequência, você irá identificar as ferramentas para a coleta de dados. Acompanhe.</p><p>2.5 FERRAMENTAS PARA COLETA DE DADOS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS, APLICAÇÃO</p><p>Atualmente já existe uma nova maneira de medir os problemas em componentes elétricos, que usa</p><p>princípios simples da estatística. Por exemplo, o profissional faz uma observação com seu termovisor em</p><p>um disjuntor qualquer e constata que ele está com um pequeno aumento de temperatura, entre um mês</p><p>para o outro. Essa observação é registrada, mas isso não quer dizer que necessite de uma programação de</p><p>manutenção preventiva.</p><p>Esse disjuntor necessita ser observado por mais de um período e com uma frequência menor. Se essa</p><p>rotina é feita de seis em seis meses, passará a ser executada de dois em dois meses, por exemplo. Nesse</p><p>período, os profissionais fazem novas medições e novos registros. Então esses valores são lançados em</p><p>uma planilha e a tendência do aquecimento é observada. Como assim? Pode ter havido um aumento</p><p>pequeno da temperatura de um mês para o outro e depois ela se estabilizou. Porém, se a temperatura for</p><p>aumentando com o tempo, isso sinaliza aos manutentores que uma manutenção preventiva é necessária.</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 47</p><p>2.5.1 TERMOVISOR</p><p>Com a ajuda de um termovisor, é possível acompanhar a temperatura de contatos de um disjuntor, de</p><p>contatos de um contator ou dos rolamentos de um motor, por exemplo. Com tal ferramenta, você tem</p><p>a possibilidade de observar o ponto mais quente do elemento, o que é impossível a olho nu. Com um</p><p>pouco de experiência e banco de dados de acompanhamentos anteriores, o profissional consegue se</p><p>fundamentar para uma tomada de decisão. Normalmente, componentes observados são estratégicos na</p><p>empresa, ou seja, são componentes ou máquinas que proporcionam grandes prejuízos, caso deixem de</p><p>funcionar.</p><p>Figura 10 - Termovisor visualizando o funcionamento componentes com problemas de aquecimento</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Analisando a figura anterior, no lado direito temos a imagem real dos fusíveis, dos cabos e dos locais de</p><p>encaixe dos fusíveis. No lado esquerdo temos a imagem vista pelo Termovisor, facilitando a identificação</p><p>dos pontos com excesso de temperatura. Podemos verificar que o fusível de cor avermelhada está mais</p><p>aquecido e que um simples reaperto, na maioria das vezes, é a solução para a equalização da temperatura.</p><p>Agora, conheça as funções do alicate amperímetro.</p><p>2.5.2 ALICATE AMPERÍMETRO</p><p>Os alicates amperímetro normalmente são usados para medir a corrente, a tensão e a resistência de um</p><p>equipamento. Dificilmente o profissional de manutenção elétrica consegue chegar a algum diagnóstico sem</p><p>utilizar este equipamento. O alicate amperímetro deve estar sempre em excelente estado de conservação,</p><p>porque dele virá a certeza se o equipamento está desligado ou não.</p><p>Se ele falhar, pode ocasionar graves acidentes ao usuário. Por isso, é necessário que se faça testes com</p><p>o instrumento antes de entrar em atividade. Uma boa prática é ter esse equipamento sempre limpo e</p><p>guardado em um estojo. Não o deixe guardado com ferramentas pesadas, como alicates, martelos ou</p><p>chaves. A figura, a seguir, apresenta um modelo de alicate amperímetro.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS48</p><p>Figura 11 - Alicate Amperímetro</p><p>Com o passar dos anos, o alicate amperímetro pode apresentar rompimento em seu cabo de medição,</p><p>ou o rompimento de fusível. Preste muita atenção com a substituição desses elementos e observe</p><p>atentamente qual a tensão ou corrente que cada um suporta para poder prosseguir com a substituição.</p><p>Um erro grosseiro na substituição desse item, dependendo o nível de tensão com que se trabalha, poderá</p><p>ser fatal ao usuário no momento da utilização.</p><p>Figura 12 - leitura de alicate amperímetro</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>2.5.3 WATTÍMETRO</p><p>O Wattímetro é um instrumento destinado a medir potência. Ele é constituído de duas bobinas, sendo</p><p>uma destinada a medir a tensão e a outra para medir corrente, o que permite a identificação da corrente e</p><p>da tensão fornecida/consumida em watts. Esse modelo é instalado normalmente em painéis de comando,</p><p>podendo ser digital ou analógico.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 49</p><p>Atualmente, já são encontrados wattímetros que têm a estrutura idêntica à do alicate amperímetro,</p><p>tendo a capacidade de medir potência ativa, potência aparente, potência reativa, tensão, corrente e fator</p><p>de potência com interface para computadores.</p><p>Figura 13 - Wattímetro de 0 a 3000W</p><p>Fonte: o Autor</p><p>Com esse tipo de instrumento, é possível fazer previsões de consumo e programar futuros gastos com</p><p>energia elétrica. Se uma máquina consome 2 kw e sem explicação o consumo passa para 3 kw, fica evidente</p><p>que há algo de errado. Por isso, na próxima seção, serão analisados os procedimentos de manutenção</p><p>elétrica.</p><p>2.6 PROCEDIMENTOS DE MANUTENÇÃO ELÉTRICA - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E APLICABILIDADE</p><p>Os itens mais utilizados no campo industrial, dicas de segurança e algumas práticas comuns vivenciadas</p><p>pelas equipes de manutenção industrial são:</p><p>a) parametrizações;</p><p>b) anotações no momento da substituição de elementos elétricos;</p><p>c) sinalização de conexões;</p><p>d) importância de documentos relacionados às máquinas e suas respectivas normas.</p><p>2.6.1 PARAMETRIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS</p><p>Em um mundo em crescente expansão tecnológica, é normal haver uma preocupação com</p><p>parametrizações de dispositivos elétricos. Ao comprar um novo eletrodoméstico, nos primeiros dias, as</p><p>pessoas não se sentem muito à vontade. Há um acervo de novidades e muitos recursos ali à disposição que</p><p>não estão bem. Mas, com o tempo, pesquisando no manual do produto e conversando com os amigos,</p><p>descobrem uma vastidão de aplicações que até então eram novidades.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS50</p><p>Isso acontece com todos, pode ser na compra de uma nova TV ou um telefone móvel. Na indústria,</p><p>não é diferente, há dispositivos que permitem parametrizações, como em Inversores de Frequência, em</p><p>Controladores Lógicos e em Soft-Starters.</p><p>O que o profissional tem que conhecer são os conceitos básicos de eletricidade para saber alimentar</p><p>esses instrumentos com as informações necessárias e garantir pleno desempenho a esses dispositivos. É</p><p>muito comum encontrar profissionais testando esses elementos em bancadas, justamente para aprender</p><p>a parametrizar todas as funções cabíveis a suas necessidades. Nem sempre tal prática é possível e outros</p><p>cuidados deverão ser observados. No caso de inversores de frequência e soft-starters, podem ser aplicados</p><p>em motores de baixa potência para simulação de parametrizações. Posteriormente, o dispositivo é levado</p><p>para ser instalado de maneira definitiva em campo. Usam-se motores pequenos, porque, para motores</p><p>grandes, é necessário ter instalações elétricas robustas, para sustentar o motor com sua corrente de partida.</p><p>Quando você for parametrizar um inversor</p><p>de frequência ou soft-starter diretamente em campo, deve</p><p>ter o cuidado de desacoplar o motor da máquina. Desta forma, há a possibilidade de primeiro testar, para</p><p>depois colocar a máquina em plena atividade, evitando assim algum tipo de imprevisto.</p><p>Para a instalação de um soft-starter ou inversor de frequência, procure no manual ou na placa de</p><p>identificação dos dispositivos informações relevantes, como:</p><p>DADOS DE INSTALAÇÃO CONDIÇÕES DE PARTIDA</p><p>a) tensão nominal;</p><p>b) frequência;</p><p>c) temperatura do ambiente onde irá operar o motor.</p><p>a) quantidade de partida hora;</p><p>b) intervalo mínimo entre partidas sucessivas;</p><p>c) corrente máxima admitida pela instalação, em função</p><p>da queda de tensão.</p><p>DADOS DO MOTOR DADOS DA CARGA</p><p>a) potência nominal;</p><p>b) tensão nominal;</p><p>c) corrente nominal;</p><p>d) velocidade angular;</p><p>e) conjugado nominal;</p><p>f ) curva conjugado x velocidade angular na partida di-</p><p>reta.</p><p>a) potência da carga;</p><p>b) velocidade angular;</p><p>c) momento de inércia;</p><p>d) curva conjugado x velocidade angular;</p><p>e) característica do conjugado da carga, constante, linear,</p><p>quadrática, descrescente.</p><p>Quadro 5 - Informações para parametrizações de equipamentos</p><p>Fonte: adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>Os Parâmetros de Proteção Partida Suave (Soft-Starter) e Inversores de Frequência estão relacionados</p><p>a seguir.</p><p>a) Parâmetros de falta de fase, ou subcorrente, e a diferença entre a corrente nominal do motor</p><p>do nível de atuação em %. Se o profissional inserir 5% nesse parâmetro, a chave permitirá essa</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 51</p><p>folga em corrente, permitindo seu desarmamento. Esse parâmetro normalmente trabalha em con-</p><p>cordância com outro parâmetro de tempo em segundos. Supondo que foi inserido 5 segundos no</p><p>parâmetro do tempo, a chave Soft-Starter permitirá que o motor trabalhe 5% abaixo da sua corrente</p><p>nominal e falta de fase por 5 segundos. Há aplicações em que é necessário o desligamento do motor</p><p>por falta da carga, por anomalias de sistemas mecânicos e rompimento de uma correia, por exemplo.</p><p>b) Parâmetro de sobre corrente imediata. Aqui é o valor que poderá subir em % e da mesma forma</p><p>necessitará de outro parâmetro para determinar o tempo de atuação.</p><p>c) Parâmetro desbalanceamento de corrente entre fases. Ajusta-se um valor % o máximo de des-</p><p>balanceamento admissível entre correntes de fases diferentes, sem que haja danos ao motor. Como</p><p>os outros parâmetros, necessita-se de outro parâmetro de apoio, definindo o tempo de atuação.</p><p>d) Rotor bloqueado - Essa informação é encontrada geralmente na folha de dados do motor. Esse</p><p>tempo dependerá das características do motor e da carga.</p><p>e) Falha9 por tiristores queimados - Imediatamente o aparelho identifica o problema e já emite um</p><p>aviso em sua IHM.</p><p>Para cada item citado, há um parâmetro a ser alterado, conforme necessidade do manutentor.</p><p>Diferente de uma partida convencional, os métodos de partida com Soft-Starters e inversores de</p><p>frequência não necessitam de relé de sobrecarga. Havendo um monitoramento constante pelos seus</p><p>próprios dispositivos eletrônicos, eles desarmam e avisam através da sua IHM a falha ou o erro que ocorreu.</p><p>Os erros são relacionados aos tópicos anteriormente listados.</p><p>Para a mudança de sentido do giro do motor, deve-se procurar o parâmetro correto com a ajuda do</p><p>manual do fabricante, que permitirá alterar a rotação do motor, sem a necessidade de inverter os cabos de</p><p>alimentação.</p><p>Em inversores de frequência, existem muito mais recursos disponíveis do que na chave de partida suave.</p><p>É necessário encontrar tais parâmetros no manual do fabricante e analisar como se deve fazer a</p><p>parametrização de suas funções. Essa parametrização deve ser realizada de forma que as condições impostas</p><p>pela máquina possam ser implementadas no inversor de frequência. Caso contrário, poderá gerar um mau</p><p>funcionamento, ou possíveis refugos dos produtos fabricados. Um inversor, quando é parametrizado para</p><p>trabalhar com o motor com uma velocidade muito baixa, poderá gerar um problema de aquecimento, já</p><p>que o motor trifásico tem seu ventilador instalado em seu próprio eixo para se refrigerar. Outro problema</p><p>frequente é a parametrização da rampa de aceleração e desaceleração. Há situações em que, se o motor</p><p>alcançar a velocidade nominal de maneira súbita, poderá haver desgaste nas partes mecânicas diretamente</p><p>envolvidas.</p><p>Havendo a necessidade de trabalhos com motores em velocidades mais baixas, uma alternativa adotada</p><p>por vários profissionais do ramo é a instalação de ventiladores, para fazer a refrigeração forçada em cima</p><p>da sua estrutura.</p><p>9 “Término da capacidade de um item desempenhar a função requerida. Depois da falha, o item tem uma pane.” (VIANA, 2002, p. 6).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS52</p><p>Nos inversores de frequência, é possível trabalhar em diversas velocidades, já que eles possuem um</p><p>potenciômetro ou entradas digitais, que são recursos de comando de velocidade. Eles também têm os</p><p>mesmos recursos de rampa de aceleração no momento da energização e desenergização do motor. Tanto</p><p>um método de partida quanto o outro são usados para se obter vantagens competitivas no mercado.</p><p>Neste caso, basta saber identificar sua necessidade e buscar o equipamento que melhor atenda suas</p><p>necessidades.</p><p>É tecnicamente impossível citar todas as marcas e modelos disponíveis no mercado atualmente. Por isso,</p><p>busque sempre outros meios de informação, como livros, manuais, revistas, internet e canais educativos.</p><p>A seguir, conheça como são enviados os programas de Controladores Lógicos Programáveis.</p><p>2.6.2 ENVIO DE PROGRAMAS DE CLPS</p><p>Os Controladores Lógicos Programáveis (CLP) são equipamentos usados no controle de processos</p><p>para automatizar as máquinas. Como o nome indica, eles são programáveis e utilizam um software de</p><p>programação disponibilizado pela empresa fabricante do equipamento.</p><p>Existem diversas linguagens padronizadas para programar o CLP, mas a forma de passar um programa</p><p>do computador para o CLP costuma ser igual para todos os fabricantes. Depois que o programa foi</p><p>desenvolvido e alguns testes e simulações foram feitos, o programa deverá ser transferido via cabo de</p><p>comunicação para o CLP.</p><p>Quando se está fazendo uma manutenção ou melhoria em uma máquina ou processo industrial,</p><p>é comum utilizar um laptop para observar a execução do programa e verificar se todos os dispositivos,</p><p>como sensores, botões e fim de curso estão atuando corretamente. O laptop é conectado ao CLP através</p><p>do cabo de comunicação e é possível acompanhar o desenvolvimento do programa com a máquina em</p><p>regime normal de trabalho. Dessa forma, se algum sensor não está sendo atuado, o profissional consegue</p><p>identificá-lo facilmente. Se for necessário mudar a ordem de atuação de alguma parte do processo ou</p><p>diminuir o tempo de algum temporizador, também é possível fazer com o laptop diretamente conectado</p><p>à máquina.</p><p>Alguns tipos de CLP mais simples podem ser programados diretamente, sem a necessidade de um</p><p>computador ou laptop. Nesse caso, eles possuem teclas e um display, cuja linguagem mais usada é a</p><p>booleana.</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 53</p><p>Q1</p><p>OK SAIR</p><p>CLP SENAI JM1</p><p>Q2 Q3 Q4</p><p>Laptop</p><p>Figura 14 - Comunicação entre laptop e controladores lógicos</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>É comum que os CLPs tenham softwares disponíveis para que haja a possibilidade de parametrizações</p><p>via laptops. Com eles, o manutentor entra em um programa específico e faz as devidas parametrizações</p><p>lógicas, como se fosse fazer um desenho, com contatos NA, NF e relés. Depois do diagrama pronto, munido</p><p>com um Controlador Lógico mais um cabo de comunicação, ele terá condições de transferir o desenho, ou</p><p>melhor, suas parametrizações ou programa para a memória do CLP.</p><p>O controlador tem uma memória de excelente qualidade que não permite que seu programa se altere</p><p>sozinho ou se perca por queda de energia. É comum que os manutentores tenham programas salvo em seu</p><p>laptop, caso haja qualquer eventualidade com o software do CLP. O CLP se divide em duas partes: a parte</p><p>de software,</p><p>ou programação, e a parte palpável, chamada de hardware. Em um projeto pequeno, não</p><p>há tantas mudanças, mas em uma grande projeto, com 32 entradas e 16 saídas, por exemplo, ocorre uma</p><p>redução considerável de componentes e cabos no interior dos painéis, principalmente quando há muitas</p><p>aplicações de temporizadores e contadores.</p><p>A primeira diferença que o manutentor vai observar é a linha que, invés de ser na vertical, é desenhada na</p><p>horizontal. Lembre-se de que todo o comportamento lógico é o mesmo do comando elétrico convencional.</p><p>São duas as linguagens usadas para programação de CLP, sendo a linguagem Ladder a mais usada. Já</p><p>a outra linguagem, usada pelos fabricantes, é baseada na lógica booleana10, ou portas lógicas, inventada</p><p>por George Boole. Essa lógica é muito aplicada na eletrônica digital e pode ser aplicada em alguns CLPs.</p><p>Há modelos que permitem programar tanto na lógica de boole, quanto em Ladder. Acompanhe, a seguir.</p><p>10 Álgebra booleana: Álgebra de Boole, ou álgebra booleana é composta por inúmeras portas lógicas que representam operações</p><p>matemáticas, sendo as principais E, OU e NÃO (AND, OR, NOT).</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS54</p><p>E</p><p>l1</p><p>l2</p><p>( ) Q0.0</p><p>( ) Q0.0</p><p>( ) Q0.0</p><p>l1</p><p>l2</p><p>l1</p><p>OU</p><p>NOT PORTA NOT</p><p>PORTA OU</p><p>l1</p><p>( ) Q0.0</p><p>( ) Q0.0</p><p>( ) Q0.0</p><p>Linguagem LadderPortas Lógicas</p><p>l1</p><p>l2</p><p>l1 l2</p><p>PORTA E</p><p>Figura 15 - Comparação entre portas lógicas e linguagem Ladder</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Veja, na figura, a seguir, a aparência física de um Controlador Lógico Programável de pequeno porte.</p><p>OK SAIR</p><p>CLP SENAI</p><p>Q1 Q2 Q3 Q4</p><p>1 2 3 4 5 61 1 1 1 11</p><p>Figura 16 - Exemplo de Hardware</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Leia, a seguir, as principais características de um CLP.</p><p>a) Entradas de sinais (I) - poderão ser ligados sensores, botões, fim de curso etc.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 55</p><p>b) Saídas (Q) - podem ser instalados relés, sinalizadores e solenoides etc.</p><p>c) Monitor - o manutentor consegue observar os sinais de entrada e os sinais saída em um pequeno</p><p>monitor existente no aparelho do lado direito. Isso é evidenciado, porque na tela principal de tra-</p><p>balho do controlador lógico estão descriminadas todas as entradas e saídas. Qualquer entrada ou</p><p>saída que estiver em nível 1, o caractere correspondente fica em negrito. Isso significa que, se houver</p><p>um sinal oscilante, por exemplo, na entrada I2, o caractere que corresponde a I2 piscará, conforme o</p><p>sinal que está chegando.</p><p>d) Botões de comando - em alguns casos, há a necessidade de se programar o controlador lógico sem</p><p>auxílio de computadores. Então, o manutentor terá que inserir os comandos com a ajuda desses</p><p>botões.</p><p>A tensão de alimentação e os sinais de entrada poderão variar, conforme a necessidade do manutentor.</p><p>Alguns admitem como sinais de entrada alimentação 220 volts, outros trabalham inteiramente com</p><p>alimentação e sinais de entrada 24 volts. No caso de novas instalações, é recomendável que seja usado o</p><p>comando 24 volts (NR 10).</p><p>No quadro, a seguir, estão os principais símbolos da linguagem Ladder, muito semelhante com os</p><p>contatos convencionais que usamos.</p><p>Linguagem Ladder</p><p>Circuito Elétrico Convencional</p><p>Quadro 6 - Linguagem Ladder</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>A diferença entre um circuito aplicando o CLP com o seu programa e um circuito elétrico convencional</p><p>está representado na figura, a seguir. Nela é possível identificar que, ao ligar B1, a lâmpada liga no circuito</p><p>convencional. Já quando há aplicação de um CLP, necessita-se da instalação física e da implementação</p><p>do programa. Também é possível identificar no programa que há um contato aberto, que se chama I0.0,</p><p>ligado em série com o Q0.0. Mas, o que significa isso? Significa que, quando entrar um sinal lógico 1, na</p><p>entrada I0.0 (circuito CLP), o Controlador Lógico processará de maneira muito rápida e dará como resultado</p><p>a ativação da saída Q0.0 (Circuito CLP), ligando uma lâmpada.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS56</p><p>Figura 17 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 1</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Porta E</p><p>Agregando mais um contato na lógica do programa e mais um contato externo em seu hardware (circuito</p><p>CLP), tem-se uma porta lógica “E”, ou duas chaves em série. Observe que, se um dos contatos estiver aberto,</p><p>a saída ficará em nível 0 (desligada). E, o que está acontecendo nesse momento? O controlador lógico está</p><p>esperando o sinal lógico 1 em suas respectivas entradas (circuito CLP), I0.0 e I0.1. Quando esses dois sinais</p><p>forem verdadeiros, ou seja, nível 1, ele processará a informação, colocando nível 1 na saída Q0.0.</p><p>Figura 18 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 2</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Porta OU</p><p>Na Porta Lógica OU, representada na figura, a seguir, há duas chaves em paralelo e, nesse caso, se</p><p>qualquer das duas chaves fechar, dará condições de funcionamento à lâmpada. Verifique que a instalação</p><p>no hardware é sempre feito da mesma maneira (circuito CLP), ou seja, sempre em paralelo. Note que o que</p><p>muda é o programa, não importando o número de entradas que estão sendo utilizadas.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 57</p><p>Figura 19 - Comparação de linguagem Ladder e CLP com elétrica convencional 3</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Atualmente há simuladores Free para CLPs. E todos esses exemplos aqui apresentados</p><p>poderão ser feitos diretamente em um computador. Procure por videoaulas nos canais</p><p>disponíveis da internet.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Instalação Soft-Starter e Parametrização.</p><p>O Soft-Starter é um equipamento eletrônico usado para partida suave em motores elétricos trifásicos. É</p><p>o método que permite a redução da corrente de partida em relação ao método estrela-triângulo e partida</p><p>direta. Além de consumir menos no momento da partida, a chave Soft-Starter proporciona uma sobrevida</p><p>nos equipamentos mecânicos, diminuindo impactos em polias ou engrenagens.</p><p>Esse dispositivo contribui apenas para o disparo do motor e seu desligamento. A rampa de aceleração</p><p>e a rampa de desaceleração são definidas pelo manutentor. Quanto mais longa a rampa de aceleração,</p><p>menor será a corrente de partida. Em grandes instalações, como em motores de 200 cv, a rampa poderá</p><p>atingir um minuto ou mais, dependendo da carga acoplada ao eixo.</p><p>Na chave de partida Soft-Starter, é comum termos uma IHM, botão liga, botão desliga e botões para</p><p>sua parametrização, independentemente da marca. O manutentor precisa saber buscar as informações</p><p>pertinentes no manual de fabricante e fazer a programação do Soft-Starter, que são:</p><p>a) corrente nominal do motor;</p><p>b) corrente máxima de pico desejada. (o Soft-Starter jamais passará do valor estipulado);</p><p>c) tensão nominal da rede;</p><p>d) modo de partida usando entradas digitais ou disparando pela IHM;</p><p>e) tempo de rampa de aceleração, no momento em que o motor é ligado;</p><p>f ) tempo de desaceleração, no momento de desligar o equipamento em alguns casos é necessário.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS58</p><p>No exemplo, a seguir, existe uma ligação típica com alimentação trifásica no Soft-Starter e em sua saída</p><p>está conectado ao motor, concluindo assim o circuito de força da chave Soft-Starter. Note que o comando</p><p>também é muito simples.</p><p>Normalmente, o equipamento possui um borne com a tensão para alimentação de suas entradas</p><p>digitais. Esta tensão deverá ser colocada em um botão ou chave liga/desliga e então conectada na entrada</p><p>digital do Soft-Starter e alimentá-lo com as informações via IHM ou computador. Normalmente existe um</p><p>parâmetro dentro do programa do Soft-Starter que é alterado, evidenciando que você deseja ligá-lo via</p><p>entradas digitais ou via IHM, ou seja, liga-lo diretamente usando um botão que tem em sua própria face,</p><p>ou via cabos.</p><p>Observe a tensão nominal da rede e da chave para fazer a instalação. outro</p><p>cuidado que se deve ter</p><p>é jamais alimentar as entradas digitais com a tensão da rede, o que acarretará danos permanentes ao</p><p>dispositivo. No entanto, comercialmente há chaves que permitam que seja feita ligação direta na tensão</p><p>nominal em suas entradas digitais. Entre os fabricantes, é comum ter um parâmetro que possa ser alterado</p><p>para o equipamento voltar a funcionar conforme veio de fábrica, caso dê algo de errado com a programação.</p><p>SOFTSTART</p><p>OK</p><p>SAIR</p><p>PROGRAMAR</p><p>5 VCC</p><p>ENTRADA DIGITAL 1</p><p>ENTRADA DIGITAL 2</p><p>MOTOR</p><p>R S T</p><p>IHM -</p><p>PARAMETRIZAÇÃO</p><p>LIGA</p><p>DESLIGA</p><p>RAM</p><p>PA DE ACELERAÇÃO</p><p>RAM</p><p>PA D</p><p>E A</p><p>CELERAÇÃO</p><p>1 = Ligado</p><p>0 =Desligado</p><p>MOTOR EM PLENA VELOCIDADE</p><p>MOTOR</p><p>ENTRADA DIGITAL</p><p>1</p><p>0</p><p>1</p><p>0</p><p>Figura 20 - Noção básica de Soft-Starter com diagrama lógico de funcionamento</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>A seguir, acompanhe como realizar a configuração para ligação de motores. Bom estudo.</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 59</p><p>2.6.3 CONFIGURAÇÃO DE LIGAÇÃO DE MOTORES</p><p>Os dois tipos de configuração para ligação de motores mais populares são: Configuração Estrela e</p><p>Configuração em Triângulo. Caso o motor seja abaixo de 5 cv, poderá ser usada uma das configurações,</p><p>utilizando o método de partida direta. Caso o motor seja acima de 5 cv, é recomendado o método de</p><p>partida que usa as duas configurações, chamada Estrela-Triângulo, este modo de ligação faz com que haja</p><p>uma economia de energia elétrica no momento da partida. Inicialmente, o motor parte em Estrela e, em</p><p>alguns segundos, deve ser acionado em triângulo.</p><p>A placa do motor apresenta a forma de ligação e a tensão relacionada a ela. Por exemplo, se a placa diz:</p><p>Estrela 380 V e Triângulo 220 V, significa que:</p><p>a) se você tem uma rede trifásica de 220 V, deve ligar o motor em triângulo;</p><p>b) se você tem uma rede trifásica de 380 V, deve ligar o motor em estrela.</p><p>Configuração Estrela (Y): Liga-se os terminais do motor da seguinte forma: R-1, S-2, T-3 e interliga 4,5</p><p>e 6, que é determinado como ponto neutro.</p><p>Configuração Triângulo (Delta): Neste tipo de conexão, liga-se o final de uma bobina com o começo</p><p>de outra, ficando, dessa forma, R-1-6, S-2-4, T-3-5, conforme exemplo, a seguir.</p><p>Figura 21 - Configuração estrela e configuração triângulo</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS60</p><p>Partida Estrela-Triângulo</p><p>Esse é o método de partida que usa as duas configurações. Primeiro os contatores K1 e K3 são disparados</p><p>para formar a Configuração Estrela, respeitando as conexões nos terminais do motor. No momento que se</p><p>liga esses dois contatores, o motor está sendo energizado com apenas 58% da tensão nominal do motor</p><p>(FRANCHI, 2008).</p><p>Depois de contar um tempo, o temporizador desligará o contator K3 e ligará o K2, respectivamente,</p><p>convertendo assim a ligação do motor para triângulo e admitindo a tensão nominal.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Preste muita atenção na montagem desse circuito. Jamais os contatores K3 e K2</p><p>poderão ser acionados simultaneamente, já que provocará um curto-circuito11, por</p><p>causa do fechamento das três fases no contator K3.</p><p>11</p><p>2 3</p><p>Figura 22 - Ligação de motores acima de 5 cv</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>11 Circuito fechado acidentalmente produzido pelo contato entre dois condutores. A corrente que os atravessar será destrutiva e de</p><p>um valor altamente perigoso (BARIO; SANTOS; BENEDITO, 2006).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 61</p><p>A justificativa principal para se aplicar o método estrela-triângulo é reduzir a corrente de partida no</p><p>momento do disparo do motor, ganhando redução na bitola do cabo de alimentação e redução do custo da</p><p>energia elétrica. Lembre-se de que o cobre é caro e sua bitola é diretamente proporcional com o consumo</p><p>do motor. A redução da bitola de um cabo, sabendo que a rede é trifásica mais neutro e terra (5 cabos) e</p><p>dependendo da distância, pode ser muito significativa, uma vez que os motores são normalmente ligados</p><p>distantes dos painéis de alimentação. A diferença financeira entre uma instalação é grande, comparado ao</p><p>método de partida direta.</p><p>Alguns motores elétricos fornecem mais opções no momento da alimentação. Para isso, é necessário</p><p>um número maior de pontas para se interligar. Essa é uma alternativa usada pelos fabricantes de motores</p><p>elétricos para atender uma quantidade de clientes em diferentes localidades do país. Observe, na figura, a</p><p>seguir, a ligação de motor de 12 pontas.</p><p>Figura 23 - Ligação de motor 12 pontas</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Na próxima seção, você conhecerá o que deve ser observado ao realizar algum ajuste nos equipamentos</p><p>de proteção.</p><p>2.6.4 AJUSTES DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO</p><p>Antigamente, qualquer tipo de sobrecarga que um motor sofresse provocava a sua queima por anomalia</p><p>mecânica. Isso ocorria, porque a segurança dos motores elétricos era feita por chavetas, dimensionadas</p><p>para partir ou cisalhar no momento de um golpe brusco. Desta forma, houve a percepção que muitos</p><p>dos problemas relacionados às máquinas estava ligado diretamente com a corrente nominal do motor,</p><p>ou seja, mecanismos ficam mais pesados por falta de lubrificação ou falta de ajustes mecânicos. Logo, isso</p><p>acarreta na elevação da corrente. Observando esse cenário, os profissionais da manutenção começaram a</p><p>entender a importância de monitorar a corrente nominal de um motor elétrico e passaram a instalar relés</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS62</p><p>de sobrecarga em seus circuitos, incumbido de desarmar o circuito por elevação de corrente nominal.</p><p>Porém, ainda assim ocorria a queima dos motores por falhas nesses dispositivos. Hoje a queima de motores</p><p>é algo difícil de acontecer, por causa da evolução dos dispositivos de proteção, que conseguem medir a</p><p>corrente e, se o valor ultrapassar o máximo durante um intervalo de tempo, eles desligam o circuito. Mas,</p><p>para que não haja queima de um motor por sobrecarga, é necessário que sejam feitos alguns ajustes,</p><p>conforme a corrente nominal do motor instalado.</p><p>Disjuntor motor</p><p>O disjuntor motor é um equipamento usado para a proteção de motores trifásicos, que substitui os</p><p>fusíveis e relés de sobrecargas. Seu ajuste é bastante simples. Para isso, observe a corrente nominal da placa</p><p>do motor e, em seguida, ajuste o disjuntor motor com a mesma corrente informada. O ajuste é encontrado</p><p>logo acima do dispositivo e pode ser feito com uma chave de fenda.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Desarme por sobrecorrente em motor trifásico</p><p>No departamento de produção, existe uma esteira para carregamento de peças. O motor principal</p><p>da esteira desligava várias vezes, porque era protegido pelo seu disjuntor motor que desarmava</p><p>por sobrecarga.</p><p>Depois de um tempo estudando o problema, foi diagnosticado que o motor estava trabalhando</p><p>com a corrente superior a sua corrente nominal. Por isso, foi investigado o motivo que estava</p><p>elevando a sua corrente nominal. Identificou-se que, por falta de lubrificação no sistema mecânico</p><p>do motor, este estava sendo forçado, provocando a abertura do seu disjuntor motor.</p><p>Sabendo disso, foi instalado um sistema de lubrificação que funcionasse automaticamente de 4 em</p><p>4 horas. E, para monitorar o nível do óleo no reservatório, foi instalado um sensor, que acionaria um</p><p>alarme na falta do produto, que só desligaria quando o reservatório fosse novamente abastecido.</p><p>Relé de sobrecarga ou relé térmico</p><p>O relé de sobrecarga é um dispositivo usado para monitorar a corrente de motores elétricos, normalmente</p><p>instalado logo abaixo do contator que os alimenta. Ele também tem dispositivo de ajuste que deve ser</p><p>posicionado igual à corrente nominal do motor.</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 63</p><p>Sua ação ocorre graças às lâminas bimetálicas, que são rigorosamente calculadas para acionar quando</p><p>há uma corrente superior passando por elas. As lâminas bimetálicas têm a propriedade física de se</p><p>mover quando há um calor fora das suas especificações. Usando esse método, foi desenvolvido</p><p>o relé de</p><p>sobrecarga, que é de uso exclusivo para motores elétricos trifásicos ou monofásicos.</p><p>Figura 24 - Relé de sobrecarga</p><p>Fusível NH</p><p>São dispositivos feitos para a proteção de circuitos elétricos. Quando passa uma corrente maior que</p><p>a projetada, seu elemento fusível ou filamento é rompido, impedindo a passagem da corrente. Esse</p><p>dispositivo é eficiente apenas para proteger o circuito de um curto-circuito, exigindo a necessidade de</p><p>instalação de um disjuntor motor ou relé de sobrecarga para proteção de motores elétricos.</p><p>Quando o fusível está rompido, há um indicador de interrupção em cima dele. Seu corpo normalmente</p><p>é cerâmico e internamente é composto de um meio de extinção de arco voltaico, caso haja um rompimento</p><p>do elemento fusível. Seus terminais são usados para encaixar em sua base, que fica fixado dentro de um</p><p>painel elétrico. Havendo a necessidade de sua troca ou instalação, é necessário utilizar uma ferramenta</p><p>apropriada, conhecida como Sacador de Fusível NH.</p><p>Sua utilização é necessária, porque esse tipo de fusível fica muito bem preso pelos seus terminais e</p><p>ainda há o risco de choque elétrico no momento da troca.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS64</p><p>Legenda:</p><p>1. elemento fusível</p><p>2. corpo</p><p>3. indicador de interrupção</p><p>4. meio extintor</p><p>5. terminal</p><p>5</p><p>1 4 2 3</p><p>5</p><p>Figura 25 - Fusível NH00 160 A</p><p>Fonte: Adaptado de Siemens (2013)</p><p>Você sabe por que um fusível rompe? No momento do curto-circuito, a corrente tende a ir ao infinito,</p><p>instantaneamente. Se não houver um dispositivo de proteção, o curto-circuito continuará e derreterá as</p><p>isolações dos cabos, chegando até a incendiar casas ou prédios. Por isso, não se deve colocar cabos livres</p><p>em cima de estruturas de madeiras ou outros materiais inflamáveis. Veja, a seguir, a tabela de informações</p><p>de motores trifásico, onde algumas informações são fundamentais para a fundamentação do tema.</p><p>POTÊNCIA POTÊNCIA KW CORRENTE</p><p>NOMINAL RPM RELAÇÃO IP/IN</p><p>ROTOR</p><p>BLOQUEADO EM</p><p>SEGUNDOS</p><p>220</p><p>VOLTS</p><p>380</p><p>VOLTS</p><p>25 18,5 64 35,5 1715 6,7 6</p><p>30 22 78 43,3 1715 6,7 9</p><p>40 30 102 56,6 1715 6,7 10</p><p>50 37 124 68,8 1715 6,7 12</p><p>60 45 150 83,3 1715 6,7 12</p><p>Tabela 1 - Tabela com informações de motores de 25 cv a 60 cv.</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>Para dimensionar um fusível para um motor de 40 cv / 380 V/1715 RPM, é importante buscar as</p><p>informações do motor no site do fabricante, ou em livros. Lembre-se de que é preciso ter dois valores, que</p><p>são: o valor de corrente nominal do motor, informação retirada da tabela anterior, 56 A, e a corrente de</p><p>partida Ip/In, também extraída da mesma tabela, que é igual a 6,7. O valor IP/IN, representa a corrente de</p><p>partida do motor, que é 6,7 vezes maior que a corrente nominal.</p><p>Em</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>Ro</p><p>dr</p><p>ig</p><p>o</p><p>Ce</p><p>ol</p><p>in</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 65</p><p>Cálculo:</p><p>Corrente de partida = 6,7 x 56,6 Amperes</p><p>Corrente de partida = 379,22 A</p><p>Corrente de partida menor ou igual a 40A ,k=0,5</p><p>40A menor que a Corrente de partida menor igual a 500A ,k=0,4 “ SIM!”</p><p>500< Corrente de partida, k=0,3</p><p>Figura 26 - Fluxograma de decisão de variável matemática para dimensionamento de fusível</p><p>Fonte: do Auto (2015)</p><p>Portanto, observe:</p><p>Fusível = Resultado 1 x k</p><p>Fusível = 379,22 x 0,4</p><p>Fusível = 151,68 Amperes, como não há fusível de 151,68 Amperes, é necessário escolher o fusível maior</p><p>e mais próximo do resultado. Note, na tabela, que o Fusível NH, que atende essa situação, é de 160 amperes,</p><p>conforme está destacado na tabela.</p><p>No quadro, a seguir, você encontrará mais informações sobre o tamanho e as correntes de um fusível.</p><p>TAMANHO CORRENTES NOMINAIS</p><p>1</p><p>125</p><p>160</p><p>200</p><p>224</p><p>250</p><p>2</p><p>224</p><p>250</p><p>315</p><p>355</p><p>400</p><p>3</p><p>400</p><p>500</p><p>630</p><p>Tabela 2 - Informações de fusíveis</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>Observe, no quadro anterior, que um fusível NH poderá ter o tamanho 1, 2 e 3, sendo que o tamanho do</p><p>NH 1 vai de 125A a 250 A, o NH 2 vai de 224A a 400A e o NH 3 vai de 400A a 630A.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS66</p><p>Para saber mais, pesquise os tamanhos de fusíveis disponíveis no mercado em sites de</p><p>fabricantes e em catálogos.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>A seguir, acompanhe como proceder na desmontagem e na montagem de conjuntos elétricos e as</p><p>ferramentas necessárias para fazer estes procedimentos.</p><p>2.7 DESMONTAGEM E MONTAGEM DE CONJUNTOS ELÉTRICOS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E</p><p>APLICAÇÃO</p><p>Antes de começar uma desmontagem, coloque seus EPIs, principalmente luvas e óculos, e tenha em</p><p>mãos os documentos do conjunto elétrico no qual o trabalho será realizado. Dê preferência a desenhos em</p><p>explosão, que dão uma ideia mais ampla de como o conjunto é desmontado ou montado.</p><p>Conheça, a seguir, quais são as ferramentas necessárias para fazer estes procedimentos. Caso o conjunto</p><p>seja muito grande, talvez seja necessário transportá-lo com a ajuda de guincho hidráulico (girafa), ponte</p><p>rolante ou empilhadeira. Lembre-se de que as normas NR 10 e NR 11 devem ser observadas, porque</p><p>determinam como realizar adequadamente o deslocamento e o transporte de materiais e orientam sobre</p><p>a segurança em serviços com eletricidade, respectivamente.</p><p>Desmontando o motor elétrico</p><p>A vida útil de um motor elétrico está ligada diretamente às condições de seus rolamentos e enrolamentos</p><p>elétricos. Também é comum, após anos de trabalho, haver folgas entre a tampa e os rolamentos. Portanto,</p><p>comece o trabalho desligando o disjuntor do circuito, coloque uma placa de aviso de manutenção e</p><p>tranque o disjuntor com um cadeado de segurança em posição desligado, de maneira que não seja ligado</p><p>por pessoas desavisadas.</p><p>Confirme a ausência de tensão com o seu multímetro e então abra a caixa de ligação, marcando os</p><p>cabos, para não haver o problema de troca de rotação por fases invertidas. Logo após, desligue os cabos</p><p>do motor, para dar início ao processo de desmontagem. Porém, não se esqueça de fazer a conexão do</p><p>cabo terra nos cabos que foram soltos, conforme determina a NR 10. Marque com um marcador industrial</p><p>ou punção a posição das tampas em relação ao estator, para que, ao montar o motor novamente, saiba</p><p>exatamente como ele estava montado. Normalmente, faz-se um ponto com o punção na tampa dianteira</p><p>e um ponto com o punção no estator (dianteira), e dois pontos na tampa traseira e dois pontos no estator</p><p>(traseira). Dessa forma, você saberá onde irá a tampa traseira e de que forma ela estava montada.</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 67</p><p>Punção</p><p>Tampa traseira Estator Tampa Dianteira</p><p>Motor Elétrico</p><p>Martelo</p><p>x x xx xx</p><p>Figura 27 - Montagem e desmontagem de conjuntos elétricos</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Mantenha o local de trabalho organizado e tenha em mãos um recipiente para armazenagem dos</p><p>parafusos. A seguir, você encontrará a instrução da Norma de Segurança NR 10, que define segurança em</p><p>instalações elétricas desenergizadas:</p><p>10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas</p><p>para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a sequência abaixo:</p><p>a) seccionamento;</p><p>b) impedimento de reenergização;</p><p>c) constatação da ausência de tensão;</p><p>d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos</p><p>circuitos;</p><p>e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo I);</p><p>f ) instalação da sinalização de impedimento de reenergização.</p><p>10.5.2 O estado de instalação desenergizada deve ser mantido até a autorização para</p><p>reenergização, devendo ser reenergizada respeitando a sequência de procedimentos</p><p>abaixo:</p><p>a) retirada das ferramentas, utensílios e equipamentos;</p><p>b) retirada da zona controlada de todos os trabalhadores não envolvidos no processo</p><p>de reenergização;</p><p>c) remoção do aterramento temporário, da equipotencialização e das proteções adicio-</p><p>nais;</p><p>d) remoção da sinalização de impedimento de reenergização;</p><p>e) destravamento, se houver, e religação dos dispositivos de seccionamento. (Brasil,</p><p>2004).</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS68</p><p>Na tampa traseira, é comum haver uma</p><p>arruela que faz a função de uma mola, além de não permitir que</p><p>tenha folga no rotor no sentido axial (mola dá encosto no rolamento traseiro), ou seja, de frente para trás. A</p><p>tampa dianteira, o eixo e a polia sairão pela frente, permitindo o acesso ao eixo até uma prensa para sacar</p><p>a polia e os rolamentos. Ou, se preferir, estes podem ser removidos com um sacador manual ou hidráulico,</p><p>conforme o tamanho do motor que estás consertando.</p><p>Limpe tudo, retire os novos rolamentos da embalagem e traga o aquecedor indutivo para aquecê-</p><p>los. Com o aquecimento, haverá uma dilatação do metal, que dará uma folga entre o rolamento e o eixo,</p><p>proporcionando a instalação do rolamento com as mãos, sem que haja a necessidade de nenhum tipo de</p><p>impacto. Lembre-se de que, ao sujeitar os rolamentos a impactos, você poderá danificar o mecanismo,</p><p>comprometendo a qualidade do seu trabalho. Por isso, é importante usar um aquecedor indutivo.</p><p>No aquecedor indutivo de rolamentos, existe um sensor de temperatura, que controlará o aquecimento</p><p>do rolamento. Isso se faz necessário, porque, no rolamento, há lubrificante em seu interior. Caso seja</p><p>submetido a uma temperatura muito elevada, pode haver perda do seu lubrificante, reduzindo assim a vida</p><p>útil do elemento, por má instalação. Na falta de um aquecedor indutivo, poderá ser feito o aquecimento do</p><p>rolamento por banho de óleo, em temperatura entre 80 a 100oC, para ambos os processos.</p><p>Observe o estado dos enrolamentos/bobinas, para verificar se existe algum dano na isolação elétrica</p><p>entre as bobinas ou de uma bobina para a carcaça. Meça a resistência elétrica das bobinas e, se for possível,</p><p>utilize um megômetro para medir a resistência de isolamento.</p><p>Sacador de Polias/Rolamentos</p><p>Aquecedor de Rolamento Indutivo</p><p>Cadeado de Bloqueio</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 69</p><p>Motor Elétrico Trifásico Explodido</p><p>Quadro 7 - Montagem e desmontagem de conjuntos elétricos</p><p>Depois de instalar os rolamentos, comece a montar o motor novamente. Para tanto, verifique as</p><p>folgas entre tampas e rolamentos e, no caso de dúvida, troque-as, principalmente se for um motor muito</p><p>velho. Aproveite que o motor está desmontado e coloque apenas a tampa dianteira. Assim, você terá a</p><p>possibilidade de usar uma prensa para instalar a polia. Caso contrário, terá que levar o motor inteiramente</p><p>montado, o que é muito mais pesado. Instale a polia com a ajuda de uma prensa e dê continuidade na</p><p>montagem do motor.</p><p>Depois de colocar a polia, basta encaixar o rotor com a tampa dianteira na posição anteriormente</p><p>marcada. Posicione os parafusos da tampa dianteira e coloque a tampa traseira sem apertar os parafusos.</p><p>Depois, comece a apertar os parafusos, para ajustar as tampas, iniciando por qualquer um, porém o seguinte</p><p>deverá ser o oposto, para a tampa ficar bem encaixada e alinhada no estator. Lembre-se de que tudo o</p><p>que for montando deve respeitar esse procedimento, principalmente quando há muitos parafusos para</p><p>serem rosqueados. Instale o ventilador e parafuse a tampa defletora. Agora instale o motor na máquina,</p><p>respeitando as marcações anteriormente mencionadas e isole bem as pontas dos cabos. Feche a caixa</p><p>de ligação e coloque os parafusos da base do motor, sem apertar. Coloque as correias do motor, ajuste</p><p>o esticador de correia e aperte os parafusos da base do motor. Olhe tudo novamente e verifique se não</p><p>esqueceu nenhum detalhe ou ferramentas na máquina.</p><p>Deixe a máquina limpa, para evidenciar que a manutenção foi realizada. Retire as sinalizações e cadeados</p><p>de segurança e teste o equipamento. Meça a corrente do motor e verifique se a corrente está dentro da</p><p>faixa nominal. Se tudo estiver certo, libere o equipamento para o setor produtivo e não se esqueça de</p><p>preencher a ordem de serviço, para manter o histórico do equipamento em dia.</p><p>2.7.1 SINALIZAÇÃO DE CONEXÕES</p><p>Ao manusear componente elétrico, percebe-se que normalmente seus contatos ou pontos de conexão</p><p>estão identificados por números, letras ou, às vezes, cores. O manutentor ou instalador, conhecendo essas</p><p>informações, já consegue entender como o elemento deve ser instalado.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS70</p><p>Conexão Padrão dos contatores</p><p>Em um contator, a representação de conexão do contato de força é feita por apenas um dígito 1, 2,</p><p>3, 4, 5 e 6, representando um contato normalmente aberto (NA), o que significa que a maior corrente</p><p>passará por esses contatos. Enquanto os contatos auxiliares são representados por dois dígitos 13 e 14. O</p><p>dígito número 1 está indicando o primeiro contato auxiliar, o segundo dígito nos informa que o contato</p><p>mencionado é normalmente aberto.</p><p>Note que existe uma diferença de identificação entre um contato auxiliar NA e um contato auxiliar</p><p>NF. O contato aberto sempre está seguido pelos números 3 e 4 (NA 13 e 14). Por outro lado, um contato</p><p>auxiliar fechado sempre será seguido pelos números 1 e 2 (NF 21 e 22). A alimentação da bobina sempre é</p><p>representada por letras A1 e A2.</p><p>Há fabricantes que identificam contatos de força de outra forma, por exemplo: L1, L2, L3.</p><p>Figura 28 - Identificação de Conexões dos Contatores</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Botão pulsante</p><p>Nos botões, há 1 ou mais contatos, que podem ser abertos ou fechados. Para a identificação desses</p><p>contatos, usa-se a mesma lógica de numeração dos contatos dos contatores, sendo contato 13 e 14 abertos</p><p>(NA) e 11 e 12 fechado (NF). Alguns botões expressam seu contato também pelas cores, sendo vermelho o</p><p>contato fechado e verde o contato aberto.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 71</p><p>Lembre-se de que o 13 e o 14 formam um contato Normalmente Aberto e 11 e 12 um contato</p><p>Normalmente Fechado. Isso significa que, enquanto não pressionados os botões, os contatos ficam em</p><p>suas posições de repouso, aberto e fechado, respectivamente. Ao pressionarmos o botão, estes contatos</p><p>mudam de estado e, ao soltarmos o botão, os contatos voltam para a posição original (aberto e fechado).</p><p>Isso acontece graças a uma mola que é estrategicamente posicionada em seu interior.</p><p>Figura 29 - Exemplo de Botão Pulsante</p><p>Botão de emergência</p><p>Os botões de emergências devem ser vermelhos, maior que os demais e diferentes dos botões pulsantes,</p><p>por não retornar depois de acionado. Quando acionado, ele necessita de um giro sobre ele mesmo para</p><p>voltar à posição de origem.</p><p>Figura 30 - Exemplo de emergência</p><p>Sensores</p><p>Normalmente os fabricantes de sensores seguem a norma Europeia EN 5044 IEC 757, respeitando as</p><p>cores e as numerações. Em algumas ocasiões, basta saber as cores padrões do sensor para poder instalá-lo.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS72</p><p>FUNÇÃO COR INGLÊS ABREVIAÇÃO INGLÊS Nº</p><p>Positivo da Alimentação Marrom Brown BN 1</p><p>Negativo da</p><p>Alimentação</p><p>Azul Blue BU 3</p><p>Saída aberta NA Preto Black BK 4</p><p>Saída fechada NF Branco White WH 2</p><p>Quadro 8 - Sinalização de conexão de sensores</p><p>Fonte: Adaptado de Capeli (2006)</p><p>Porém, existem casos em que é necessário instalar esses sensores em plugs (macho e fêmea). Neles estão</p><p>marcados os respectivos números. Note, na tabela acima, que, de forma visual, informam ao manutentor</p><p>onde deve ser feita cada conexão. Na prática, você enxerga apenas as cores nos cabos e é necessário</p><p>correlacioná-las com os números do plug, para executar a conexão correta. Esse padrão de cores serve</p><p>para sensores PNP12 ou sensores NPN13.</p><p>Chave Fim de Curso</p><p>Como os demais componentes, segue o mesmo princípio do contato 3 e 4 NA e 1 e 2 NF. Sua principal</p><p>característica é ser projetada para ser acionada mecanicamente pelo equipamento, por exemplo, uma</p><p>porta de um equipamento, quando abre ou fecha, aciona uma chave fim de curso.</p><p>3 1</p><p>24</p><p>Figura 31 - Conexão de chave fim de curso</p><p>Fonte: Adaptado de Capeli (2006)</p><p>12 A alimentação é positivo e negativo, com seu sinal o POSITIVO.</p><p>13 A alimentação é negativo e positivo, com seu sinal o NEGATIVO.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 73</p><p>Relé térmico (sobrecarga)</p><p>Suas conexões lembram as de um contator, porque tem contatos de força e comando. E, como num</p><p>contator, as fases entram 1, 3, e 5 e saem 2, 4 e 6, respectivamente. Já no circuito de comando, poderá haver</p><p>uma variação na numeração e na configuração dos contatos, como pode ser observado na figura, a seguir.</p><p>Observe que, num relé térmico, seus contatos auxiliares, ou de comando, começam com número 9 e é</p><p>formado por dois dígitos. Quando o relé térmico desarma por algum excesso de corrente, é possível fazer</p><p>o rearme por um botão que normalmente fica em cima do rele térmico.</p><p>Figura 32 - Sinalização de conexão de relé de sobrecarga</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Identificação de cabos</p><p>Em instalações de painéis elétricos de máquinas, sempre são feitas marcações nos cabos elétricos.</p><p>Unindo as informações encontradas no painel e visualizando um bom diagrama, o manutentor tem plenas</p><p>condições de saber para onde vai e de onde vem cada cabo. No mercado, são encontrados identificadores</p><p>de vários modelos, como você pode visualizar na figura, a seguir.</p><p>Figura 33 - Identificação de cabos</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS74</p><p>O modelo mais comum e barato utilizado nas empresas parece um anel ou anilha. Em cada anel, vai</p><p>um caractere, dando condições ao manutentor montar uma palavra ou um número, conforme a sua</p><p>necessidade.</p><p>A seguir, acompanhe como é feito o registro das parametrizações. Boa leitura.</p><p>2.7.2 REGISTRO DAS PARAMETRIZAÇÕES E AJUSTES</p><p>Existem inversores com os quais você consegue se comunicar através de cabos USB, passando</p><p>informação de um inversor para um computador, ou de inversor para outro inversor, com auxílio de pen</p><p>drive ou via internet. Já há modelos para os quais não existe nenhum tipo de tecnologia que facilite a</p><p>transferência de dados. Portanto, é necessário entrar nas parametrizações e copiar as informações usando</p><p>uma caneta. Pegue essas informações e as anexe ao diagrama elétrico, porque um dia você poderá precisar</p><p>dessas informações (parametrizações) para transferi-las a um novo aparelho. Lembre-se de que, quando um</p><p>dispositivo entra em falha, é comum não conseguir mais resgatar essas informações. Por isso, é importante</p><p>manter todos os registros.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Às vezes, as atividades elétricas são começadas e não concluídas, por causa do</p><p>término do expediente, por exemplo. Por isso, você precisa deixar registrado o</p><p>que fez, para que outro profissional possa dar sequência à atividade. Deixe tudo</p><p>organizado, sinalizado e guarde todos os parafusos em um recipiente para o próximo</p><p>profissional assumir o serviço.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Procedimento de manutenção Preventiva em Subestações, com Auxílio de relatório ter-</p><p>mográfico</p><p>O planejador de manutenção, sabendo que no próximo mês será feita uma limpeza nas sub-</p><p>estações da empresa, solicitou uma análise termográfica a uma equipe externa especializada. No</p><p>relatório de análise termográfica, ele observou um aquecimento anormal em um dos contatos de</p><p>um disjuntor de 13,8 kv, sendo sua placa de identificação DS001(Tag).</p><p>Olhando o relatório do ano anterior, ele verificou que o aquecimento começou a poucos meses.</p><p>Então, ele envia uma ordem de desligamento da subestação para a concessionária da região, pro-</p><p>gramando o serviço para um fim de semana qualquer, em concordância com o departamento</p><p>produtivo da empresa. Simultaneamente, ele abre uma ordem de serviço e envia para a equipe de</p><p>manutentores, anexando o relatório termográfico.</p><p>Passadas algumas semanas, foi solicitado uma nova análise termográfica, com a mesma equipe,</p><p>para verificar se o problema realmente foi solucionado e tudo estava correto com o disjuntor</p><p>(DS001). O novo relatório termográfico foi anexado à ordem de serviço, evidenciando a eficiência</p><p>do trabalho junto com as demais informações, hora homem, material utilizado e serviço prestado.</p><p>Tudo foi devidamente documentado, para futuras consultas e possíveis auditorias de qualidade no</p><p>departamento.</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você teve a oportunidade de compreender a aplicabilidade de vários dispositivos</p><p>elétricos e a identificação das suas conexões e a importância dos seus ajustes. Estes temas tem</p><p>aplicabilidade direta para os profissionais que desejam trabalhar em um departamento de ma-</p><p>nutenção de máquinas ou sistemas elétricos.</p><p>Informações como coleta de dados usando instrumentação de medidas são temas que fundamen-</p><p>tam a realização de um ajuste de componentes para identificar problemas, propondo alternativas</p><p>de soluções e possíveis melhorias.</p><p>Estudou também que, no departamento de manutenção de sistemas elétricos, as leituras de pro-</p><p>jetos e interpretação de dados obtidos pelas leituras de instrumentação é algo comum, já que</p><p>é humanamente impossível ver a energia passando entre os contatos dos componentes. Essas</p><p>leituras retiradas em campo lhe darão fundamentação para elaborar relatórios. Nestes relatórios,</p><p>deverão estar descritos os parâmetros em que estavam e como foram deixados atualmente, além</p><p>das vantagens da aplicação da solução. Isso serve para um relé de sobrecarga, para um inversor</p><p>de frequência e para CLP. Ou, ainda, pode ser base de justificativas de métodos de disparo de um</p><p>motor elétrico</p><p>Toda corporação tem por objetivo o lucro. Para tanto, é necessário entregar um produto</p><p>com excelente qualidade. Mas, o que fazer para desenvolver um produto ou serviço de exce-</p><p>lência? Um bom produto é apenas o resultado de uma série de atitudes corretas. Para a compa-</p><p>nhia atingir esse nível de satisfação, é necessário ter uma boa prestação de serviço interna do</p><p>departamento de manutenção, departamento de qualidade, departamento de compras etc.,</p><p>que inicia no momento da compra da matéria-prima, passa pela produção e termina entrega.</p><p>No entanto, são necessárias pessoas com treinamento e atitudes. Atitudes que deverão ser</p><p>compreendidas por todos da companhia, do baixo até o alto escalão. Sendo assim, ao final</p><p>deste capítulo, você terá subsídios para:</p><p>a) interpretar os procedimentos de manutenção estabelecidos no planejamento;</p><p>b) definir o tipo de manutenção aplicável a cada equipamento, considerando sua importân-</p><p>cia no processo produtivo, bem como as técnicas de manutenção elétrica aplicáveis às</p><p>máquinas e equipamentos a serem reparados;</p><p>c) definir metodologias de análise de falhas (RCFA, FMEA, FTA, Diagrama de Ishikawa, RCM</p><p>etc.), se necessário, de acordo com o tipo e complexidade da falha em questão;</p><p>d) definir as ferramentas de controle (qualidade, custos etc.) requeridas para o start-up de</p><p>máquinas e equipamentos.</p><p>e) determinar, para fins de planejamento, o detalhamento e periodicidade das atividades</p><p>a serem desenvolvidas na manutenção elétrica de máquinas e equipamentos,</p><p>considerando os métodos, processos, metas e pontos críticos envolvidos;</p><p>f ) identificar no checklist as condições de funcionamento de máquinas e equipamentos;</p><p>g) analisar a gestão da manutenção elétrica, através da aplicação de ferramentas informa-</p><p>tizadas;</p><p>h) prever, para fins de planejamento, a gestão (controle, planejamento, estoque, logística</p><p>etc.) da manutenção elétrica e mecânica, utilizando ferramentas informatizadas;</p><p>i) analisar, na execução da manutenção, causas de falhas elétricas em máquinas e equipa-</p><p>mentos, tendo em vista o aperfeiçoamento do processo de produção e/ou manutenção.</p><p>Bons estudos!</p><p>3</p><p>Gestão de Processos</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS78</p><p>3.1 MANUTENÇÕES DE SISTEMAS ELÉTRICOS - CARACTERÍSTICAS E APLICAÇÃO</p><p>É natural a degradação de máquinas e componentes ao longo da sua vida útil. Por isso, o departamen-</p><p>to de manutenção de sistemas elétrico deve implementar boas práticas para evitar prejuízos e acidentes</p><p>(humano, material e ambiental), decorrentes de possíveis falhas. Máquinas, dispositivos e equipamentos</p><p>podem apresentar falhas sem motivo aparente ou aviso prévio. Contudo, é possível diminuir os impactos</p><p>produtivos e financeiros, empregando</p><p>técnicas e táticas para manter ou recompor as condições de funcio-</p><p>namento de um equipamento.</p><p>O principal função de um departamento de manutenção não é realizar os consertos de maquinaria e</p><p>equipamentos e sim manter a disponibilidade da máquina, ou seja, hora de máquinas em atividade. No</p><p>panorama fabril, há diferentes custos de falhas e, por isso, deve haver diferentes tipos de tratamento. Pro-</p><p>blemas que geram maiores prejuízos devem ter maior disponibilidade financeira, ou seja, terão métodos</p><p>de manutenção mais sofisticados (caros) para serem monitorados. Falhas com baixa relevância financeira</p><p>terão tratativas com menores recursos. Por isso, é necessário analisar o histórico de falhas em máquinas e</p><p>equipamentos, para evidenciar possíveis investimentos, auxiliado pelas ferramentas de gestão.</p><p>Na sequência, acompanhe o método de manutenção mais simples, que é o método de manutenção</p><p>corretiva.</p><p>3.1.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA</p><p>Ao trocar uma lâmpada em sua casa, você está fazendo uma manutenção corretiva. Ela é corretiva,</p><p>porque não se troca a lâmpada antes de ela queimar, ou seja, usa-se o componente até o final da sua capa-</p><p>cidade de reproduzir luz.</p><p>A manutenção corretiva, em algumas circunstâncias, pode ser ideal, como em máquinas e equipamen-</p><p>tos que não estão ligados diretamente à cadeia produtiva.</p><p>A manutenção corretiva sempre é feita depois que a falha ocorreu. Em princípio, a opção por este mé-</p><p>todo de manutenção deve levar em conta fatores econômicos: é mais barato consertar uma falha do que</p><p>tomar ações preventivas? Se for, a manutenção corretiva é uma boa opção. Logicamente, não podemos</p><p>nos esquecer de levar em conta também as perdas por paradas na produção, pois a manutenção corretiva</p><p>pode acabar saindo muito mais cara do que imaginávamos em princípio. (XENOS, 2004, p. 23).</p><p>Para decidir pelo emprego da manutenção corretiva em um componente ou máquina, deve-se levar</p><p>em conta os custos da parada ou falha da máquina ou componente. Lembre-se de considerar os custos</p><p>relativos à hora/homem, ao atraso de entrega do produto, à hora extra e ao refugo decorrente do mau</p><p>funcionamento do item.</p><p>Para saber qual o melhor método de manutenção, conheça o método de manutenção preventiva.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 79</p><p>3.1.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA</p><p>Toda pessoa que deseja ter um veículo confiável e não quer ter surpresas faz a manutenção preventiva,</p><p>que é a troca de óleo e filtro, calibragem dos pneus, verificação das pastilhas de freios etc.</p><p>A manutenção preventiva normalmente é usada para equipamentos que estão diretamente ligados à</p><p>cadeia produtiva da empresa. Quando os prejuízos têm a possibilidade de custar mais caro do que as pos-</p><p>síveis falhas e paradas (componentes ou máquinas), este método é o mais recomendado.</p><p>A manutenção preventiva, feita periodicamente, deve ser a atividade principal de</p><p>manutenção em qualquer empresa. Na verdade, a manutenção preventiva é o coração</p><p>das atividades de manutenção! Ela envolve algumas tarefas sistemáticas, tais como</p><p>as inspeções, reformas e trocas de peças, principalmente. Uma vez estabelecida, a</p><p>manutenção preventiva deve ter caráter obrigatório. Se comparada com a manutenção</p><p>corretiva - somente do ponto de vista do custo de manutenção - a manutenção</p><p>preventiva é mais cara pois as peças têm que ser trocadas e os componentes têm que</p><p>ser reformados antes de atingirem seus limites de vida. (XENOS, 2004, p.24).</p><p>O método de manutenção preventiva, além de evitar prejuízos em muitas ocasiões, é prevista pela NR</p><p>12, que sugere que seja feita tal prática, levando em consideração o manual do equipamento. Lembre-se</p><p>de que, sempre que for feita alguma manutenção preventiva, o trabalho deve ficar registrado, mencionan-</p><p>do o profissional, o equipamento, nome, data, hora e peças trocadas e depois devidamente arquivado,</p><p>indiferente se for por meio eletrônico ou por meio físico. A seguir, você encontrará uma sugestão de manu-</p><p>tenção preventiva trimestral, no formato de Check List para ser aplicada em uma ponte rolante.</p><p>PREVENTIVA TRIMESTRAL - PONTE ROLANTE</p><p>CHECKLIST REGULAR IRREGULAR</p><p>1 CONDIÇÕES DA CHAVE DE EMERGÊNCIA</p><p>2</p><p>CONDIÇÕES DO FIM DE CURSO DO CABO</p><p>DE AÇO</p><p>3</p><p>CONDIÇÕES DO FIM DE CURSOS DO MOVI-</p><p>MENTO LONGITUDINAL</p><p>4</p><p>CONDIÇÕES DA FIM DE CURSO DO MOVI-</p><p>MENTO TRANSVERSAL</p><p>5</p><p>CONDIÇÕES DA CORRENTE NOMINAL DO</p><p>MOTOR DO GUINDASTES</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS80</p><p>CHECKLIST REGULAR IRREGULAR</p><p>6</p><p>CONDIÇÕES DA CORRENTE NOMINAL DOS</p><p>MOTORES DO MOV. LONGITUDINAL</p><p>7</p><p>CONDIÇÕES DA CORRENTE NOMINAL DOS</p><p>MOTORES DO MOV. TRANSVERSAL</p><p>8</p><p>CONDIÇÕES DE LIMPEZA DOS PAINÉIS</p><p>ELÉTRICOS</p><p>9 CONDIÇÕES DO ATERRAMENTO</p><p>Tabela 3 - Sugestão de itens para ser avaliado em uma Manutenção Preventiva</p><p>Fonte: do Autor.</p><p>Depois de estudar a manutenção corretiva ou a manutenção preventiva, será apresentado o método de</p><p>manutenção preditiva. Acompanhe.</p><p>3.1.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA</p><p>Quando um componente chega próximo do final da sua vida útil, ele começa a dar sinais normalmente</p><p>perceptíveis a uma pessoa. Para a prática da manutenção preditiva, é necessário que o manutentor tenha</p><p>ferramentas, como artifícios eletrônicos, para perceber o final da vida útil de um componente.</p><p>Algumas das análises mais comuns são: análise termográfica, por exemplo, para chaves de alta tensão,</p><p>contatores, disjuntores e conexões de cabos; análise de vibração, para rolamentos de motor e mancaliza-</p><p>ções; e análise de ultrassom, para estruturas de máquinas. Os relatórios emitidos a partir dessas análises</p><p>devem ser armazenados e conhecidos pelos manutentores. Quando houver uma tendência de parada, é</p><p>programada uma manutenção preventiva, para solucionar o problema.</p><p>Portanto, a manutenção preditiva é um método que permite evidenciar a verdadeira condição do esta-</p><p>do de um item, sem precisar desmontar, por exemplo, um motor elétrico. Se for detectado que a vida útil do</p><p>componente está perto de deixar de executar suas funções, é programada uma manutenção preventiva.</p><p>Exemplos comuns em atividades de manutenção elétrica é a análise termográfica de subestações e de</p><p>óleo de um transformador (VIANA, 2002). De todos os métodos, esse é o mais caro. Por isso, os custos de</p><p>sua aplicação deve ser comparada com os valores das perdas de máquina parada, frequência de parada,</p><p>custo hora/homem, perda do cliente e insatisfação gerada e multas por atraso de entrega dos produtos.</p><p>Para ajudar nesse tipo de decisão, devem ser usados os próprios registros feitos pela equipe de manuten-</p><p>ção em um determinado intervalo de tempo. Nesses momentos evidencia-se, de maneira prática, o valor</p><p>das informações arquivadas.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 81</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Análise de Óleo</p><p>Um planejador de manutenção fez um levantamento em sua planta fabril e descobriu que haviam</p><p>37 unidades hidráulicas em funcionamento, sendo que cada uma tem a capacidade de armazena-</p><p>mento de 50 litros de óleo, totalizando 1850 litros aproximadamente.</p><p>Sabendo disso, ele contratou uma empresa terceirizada para saber a real situação do óleo das uni-</p><p>dades hidráulicas da empresa. A análise apontou que algumas unidades precisavam ter seu óleo</p><p>trocado urgentemente, mas em outras houve apenas o apontamento de particulados (contami-</p><p>nação por poluição ou poeira), havendo a necessidade apenas de filtragem. Já em outras unidades</p><p>hidráulicas não foram encontradas anomalias, não necessitando de intervenção. Entretanto, outras</p><p>unidades necessitavam que seu óleo fosse filtrado e adicionado um aditivo, para ele voltar a ter as</p><p>mesmas propriedades químicas recomendadas.</p><p>Essa análise permitiu que o gestor identificasse que não havia a necessidade de fazer a troca total</p><p>do volume de óleo das unidades operacionais de toda a planta fabril. Então, ele decidiu realizar</p><p>primeiramente a manutenção preventiva nas máquinas mais vitais da empresa, naquelas em que o</p><p>relatório apontou os piores índices, depois a limpeza das unidades hidráulicas, filtragem de óleo e</p><p>troca de filtro das demais unidades. De maneira compassada, associando a mão de obra disponível</p><p>e o recurso financeiro oferecido, o planejador de manutenção conseguiu alcançar junto à sua</p><p>equipe melhor disponibilidade das máquinas e, consequentemente, maior lucro para a empresa.</p><p>Conhecendo todos os métodos contemporâneos de manutenção, ainda há mais para aprender, pois</p><p>existem departamentos que incorporam algumas atividades que até então eram exclusivas do departa-</p><p>mento de manutenção. Na próxima seção, será abordado o TPM com mais detalhes.</p><p>3.1.4 TPM - MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL</p><p>O que é manutenção produtiva total? Sua sigla vem do inglês “TPM - Total Productive Maintenance”, que</p><p>traduzindo para português significa Manutenção Produtiva Total ou Manutenção Autônoma.</p><p>Pense no seu automóvel. Você não toma uma série de cuidados com ele, como, a verificação do nível de</p><p>óleo, a calibração dos pneus, a limpeza, o nível de água, teste de luzes etc.? Estes mesmos cuidados devem</p><p>ser tomados com os equipamentos com os quais você trabalha, sem que necessariamente seja um mecâ-</p><p>nico ou um eletricista. Manutenção Produtiva Total é uma série de contribuições diárias dos operadores de</p><p>máquinas ao cuidar dos seus equipamentos. Tais contribuições favorecem a indústria, porque conseguem</p><p>alcançar índices de disponibilidade muito bons.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS82</p><p>Embora sempre tenham existido, esporadicamente, ações típicas do processo TPM, o</p><p>responsável pela sua sistematização, conceituação e disseminação foi Nakajima, através</p><p>de um livro publicado no Brasil em 1998. O TPM é aplicado em conjunto com as técnicas</p><p>da Qualidade Total, aumentando a qualidade e a produtividade das indústrias. Essa téc-</p><p>nica vem sendo implementada no Japão desde 1971. (VERRI, 2007, p. 34).</p><p>Partindo desse conceito, os operadores passam a ser os responsáveis diretos por ajudar a monitorar as</p><p>condições das máquinas, tendo como política: “Da minha máquina cuido eu!” Ou, “Minha máquina deve</p><p>der protegida por mim.” Essa técnica é chamada de “Manutenção Autônoma” (VERRI, 2007), porque está</p><p>relacionada a pequenos serviços, como aperto de porcas, lubrificações, limpeza etc.</p><p>As atividades complexas devem ser feitas pelo departamento de manutenção, que auxilia a equipe de</p><p>TPM com treinamentos e troca de informações sobre o estado de conservação dos equipamentos. Todo</p><p>esse esforço é para alcançar “a quebra zero” de máquinas.</p><p>Esse tipo de serviço não é usado em qualquer tipo de indústria, porque, para ser aplicado, é necessário</p><p>que a empresa tenha operadores responsáveis por uma ou mais máquinas de pequeno porte (VERRI, 2007).</p><p>Empresas de serviços contínuos possuem equipamentos maiores ou um conjunto de máquinas e equi-</p><p>pamentos trabalhando em conjunto, e normalmente apenas um operador monitora tudo. Nesse tipo de</p><p>situação, é impossível implantar o TPM.</p><p>Para saber mais sobre os princípios da manutenção autônoma, acesse:</p><p>http://www.guiadografico.com.br/artigos/principios-da-manutencao-autonoma</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Agora que você já estudou o conceito de TPM, compreenda como utilizar os métodos de análises de</p><p>falhas.</p><p>3.2 MÉTODOS DE ANÁLISE DE FALHAS</p><p>Você sabe o que são os Métodos de Análise de Falhas? Para que servem? Quando usar? A partir de ago-</p><p>ra, você estudará as ferramentas e itens de controle de processos produtivos. Estas ferramentas servem</p><p>para controlar a qualidade de um produto ou serviço. Por exemplo, uma bicicleta apresentou 4 defeitos de</p><p>maior ocorrência nos últimos 4 meses: queda de corrente, falta de freio, pneu furado, aro torto. Como você</p><p>saberá qual defeito apresentou maior ocorrência?</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 83</p><p>O gráfico, a seguir, apresenta um exemplo destas ocorrências, de forma clara e objetiva.</p><p>0</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>JANEIRO FEVEREIRO ABRILMARÇO</p><p>3 4</p><p>4 1</p><p>1 1</p><p>1 0</p><p>2 5</p><p>3 4</p><p>4 2 1 3</p><p>ARO TORTO</p><p>PNEU FURADO</p><p>QUEDA DE CORRENTE</p><p>FALTA DE FREIO</p><p>OCORRÊNCIA DE MANUTENÇÃO EM UMA BICICLETA</p><p>N</p><p>Ú</p><p>M</p><p>ER</p><p>O</p><p>D</p><p>E</p><p>O</p><p>CO</p><p>RR</p><p>ÊN</p><p>CI</p><p>A</p><p>Figura 34 - Estratificação dos defeitos em 4 meses</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Para saber o que está acontecendo com maior frequência, inicialmente você precisa estratificar os defei-</p><p>tos nos últimos 4 meses, anotando os dados em uma folha de verificação. Veja um exemplo de uma folha</p><p>de verificação no quadro, a seguir.</p><p>JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL TOTAL %</p><p>AROS TORTOS 3 4 1 1 9 23%</p><p>PNEUS</p><p>FURADOS</p><p>4 1 2 5 12 31%</p><p>QUEDA DE</p><p>CORRENTE</p><p>1 0 3 4 8 21%</p><p>FALTA DE FREIO 4 2 1 3 10 26%</p><p>Quadro 9 - Estratificação dos defeitos em 4 meses</p><p>Fonte: do Autor</p><p>O quadro anterior apresenta, de forma clara, que os dois maiores defeitos são pneus furados e falta de</p><p>freio, 31% e 26%, respectivamente. Desta forma, fica evidente que, se houvesse um trabalho para neutrali-</p><p>zar esses dois problemas, 57 % dos defeitos seriam resolvidos.</p><p>A estratificação de problemas é isso, mas, para saber diretamente o que você deverá fazer para atingir</p><p>tal resultado, terá que usar as ferramentas de gestão. As ferramentas de gestão, como o 5W2H, respondem</p><p>perguntas sobre o problema. Por exemplo: quais serão as medidas que devem ser tomadas para reduzir o</p><p>número de manutenções por pneus furados?</p><p>Sa</p><p>br</p><p>in</p><p>a</p><p>Fa</p><p>ria</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS84</p><p>Respondendo às perguntas, você provavelmente encontrará possíveis soluções para o problema, como</p><p>comprar pneus novos, usar a bicicleta sem fazer manobras radicais, comprar aro de melhor qualidade etc.</p><p>Pode ser que, resolvendo o problema de pneus furados, a frequência dos outros problemas diminua, como</p><p>o problema de aros tortos (pneu pode estar furando por causa do aro) e falta de freio (talvez está faltando</p><p>freio por causa do aro torto). Dependendo do defeito, tanto o aro, os pneus e os freios podem estar rela-</p><p>cionados. Por isso, comece resolvendo os problemas de maior ocorrência, depois vá desenvolvendo os</p><p>demais, de maneira gradativa.</p><p>Para saber mais sobre a aplicação de métodos e ferramentas da qualidade para</p><p>otimização de recursos nos processos administrativos e produtivos, acesse:</p><p>http://www.abepro.org.br/biblioteca/enegep2011_tn_stp_135_861_18920.pdf</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Na próxima seção, você estudará um método chamado RCFA. Bons estudos!</p><p>3.2.1 RCFA - ROOT CAUSE FAILURE ANALYSIS</p><p>O método RCFA - Análise da Causa Raiz das Falhas é a metodologia organizada que busca as causas</p><p>raízes de um problema e ajuda na determinação de ações para impedir a repetição do fenômeno (KARDEC;</p><p>XAVIER, 2006). Toda falha é consequência de uma ação que foge do padrão de execução, ou seja, é o re-</p><p>sultado de uma ação indesejada dentro de um processo, projeto ou serviço. A análise da causa raiz de um</p><p>problema é uma investigação organizada sobre o modo como ela está influenciando na falha.</p><p>As análises podem ser elaboradas após a ocorrência da falha. Ela consiste em uma análise profunda,</p><p>para identificar a causa raiz e, então, tomar as medidas necessárias para eliminá-la. Outra forma de estudo</p><p>consiste em uma análise sistêmica, com ações estruturadas, para eliminação das causas mais prováveis.</p><p>A causa raiz é a que desencadeia o efeito visualizado no equipamento ou no processo. Já os fatores cau-</p><p>sais são os que podem, de alguma forma, influenciar no efeito indesejado, inclusive a causa raiz.</p><p>A análise da causa raiz é o estudo sistematizado dos fatores que estão influenciando na situação inde-</p><p>sejada e, para realizá-la, é preciso empregar concomitantemente as ferramentas da qualidade, para obter</p><p>um melhor resultado. Para tanto, deve-se seguir as seguintes etapas:</p><p>1) definir o problema;</p><p>2) se necessário, fazer Análise de Falhas;</p><p>3) identificar as possíveis causas;</p><p>4) verificar a(s) real(is) causa(s);</p><p>1 Criação de condições mais favoráveis para o desenvolvimento de algo.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 85</p><p>5) propor solução para o problema;</p><p>6) implantar a solução;</p><p>7) acompanhar os resultados.</p><p>A figura, a seguir, exemplifica uma situação em que o acidente é o evento principal e as demais causas</p><p>são as que possivelmente o influenciaram.</p><p>Superaquecimento</p><p>do Motor</p><p>Falha no Rolamento</p><p>Lubri�cante fora das</p><p>Especi�cações</p><p>Alta Corrente</p><p>Rolamento</p><p>Figura 39 - Exemplo de utilização Triz ......................................................................................................................95</p><p>Figura 40 - Ciclo PDCA ....................................................................................................................................................96</p><p>Figura 41 - Entrada de Ordem de Produção, solicitação de insumos simultânea ................................. 101</p><p>Figura 42 - Evolução do Sistema MRP ao ERP ..................................................................................................... 104</p><p>Figura 43 - Evolução dos sistemas do MRP ao ERPdf ....................................................................................... 105</p><p>Figura 44 - Transporte de Ferramentas ................................................................................................................. 110</p><p>Figura 45 - Arco de Serra ............................................................................................................................................ 111</p><p>Figura 46 - Alicate de Bico .......................................................................................................................................... 111</p><p>Figura 47 - Alicate de Corte ....................................................................................................................................... 112</p><p>Figura 48 - Alicate Universal ...................................................................................................................................... 112</p><p>Figura 49 - Chave Ajustável ....................................................................................................................................... 113</p><p>Figura 50 - Terminais pré-isolados .......................................................................................................................... 114</p><p>Figura 51 - Exemplo de terminais tubulares ....................................................................................................... 114</p><p>Figura 52 - Alicate de corte, chave de fenda, alicates prensa terminais tipo catraca e alicate</p><p>universal ............................................................................................................................................................................ 114</p><p>Figura 53 - Chave L Hexagonal ................................................................................................................................. 115</p><p>Figura 54 - Chave catraca com soquetes .............................................................................................................. 115</p><p>Figura 55 - Chave de Boca .......................................................................................................................................... 116</p><p>Figura 56 - Chave Estrela ............................................................................................................................................ 116</p><p>Figura 57 - Chave Combinada .................................................................................................................................. 116</p><p>Figura 58 - Chave de Fenda ....................................................................................................................................... 117</p><p>Figura 59 - Chave Cruzada ......................................................................................................................................... 117</p><p>Figura 60 - Chave estriada ou chave multidentada .......................................................................................... 118</p><p>Figura 61 - Estilete ........................................................................................................................................................ 118</p><p>Figura 62 - Sacador de Polias e Rolamentos ........................................................................................................ 118</p><p>Figura 63 - Parafusadeira Pneumática ................................................................................................................... 119</p><p>Figura 64 - Uso de Lixadeira pneumática em caso de navio ......................................................................... 120</p><p>Figura 65 - Torquímetro .............................................................................................................................................. 120</p><p>Figura 66 - Sacador de Polia Hidráulico ................................................................................................................ 121</p><p>Figura 67 - Macaco Hidráulico .................................................................................................................................. 121</p><p>Figura 68 - Prensa terminal hidráulico ................................................................................................................... 122</p><p>Figura 69 - Furadeira Manual .................................................................................................................................... 123</p><p>Figura 70 - Corte de peça usando lixadeira ......................................................................................................... 123</p><p>Figura 71 - Motor Trifásico ......................................................................................................................................... 125</p><p>Figura 72 - Percentual do conjugado para cada categoria ............................................................................ 126</p><p>Figura 73 - Partes de um motor elétrico ............................................................................................................... 127</p><p>Figura 74 - Exemplo de troca de sentido de giro em um motor monofásico e troca de tensão ...... 130</p><p>Figura 75 - Gráfico das principais falhas de motores elétricos ..................................................................... 134</p><p>Figura 76 - Ligação Triângulo para Resistência .................................................................................................. 142</p><p>Figura 77 - Contator ..................................................................................................................................................... 145</p><p>Figura 78 - Princípio de funcionamento de um inversor de frequência ................................................... 147</p><p>Figura 79 - Funcionamento elementar de um inversor de frequência ...................................................... 148</p><p>Figura 80 - Exemplo de funcionamento de um compressor ......................................................................... 149</p><p>Figura 81 - Visualização Lógica de um Processador ......................................................................................... 150</p><p>Figura 82 - Exemplo de temporizador ................................................................................................................... 151</p><p>Figura 83 - Exemplo prático de linha de produção........................................................................................... 151</p><p>Figura 84 - Exemplo de Cortador de peças .......................................................................................................... 152</p><p>Figura 85 - Sistema de Lubrificação ........................................................................................................................ 154</p><p>Figura 86 - Sistema de Lubrificação Programação ............................................................................................ 154</p><p>Figura 87 - Sensor Óptico ........................................................................................................................................... 158</p><p>Figura 88 - Sensor Óptico Difuso ............................................................................................................................. 158</p><p>Figura 89 - Sensor ultrassônico ................................................................................................................................ 159</p><p>Figura</p><p>com</p><p>defeito</p><p>Erro na escolha do</p><p>lubri�cante</p><p>Excesso de Carga</p><p>Rolamento fora das</p><p>especi�cações</p><p>técnicas</p><p>Erro de montagem</p><p>do rolamento</p><p>Figura 35 - Árvore de causas</p><p>Fonte: do Autor</p><p>O RFCA é uma forma estruturada para ponderar os modos de falha, verificando a relação das causas se-</p><p>cundárias com a causa principal, ou causa raiz. Este método é imprescindível para a gestão da manutenção,</p><p>que deverá também buscar a integração desta ferramenta com as demais.</p><p>A partir de agora, acompanhe outra ferramenta para análise de falha, que é FMEA.</p><p>3.2.2 FMEA</p><p>Outro método que poderá ser utilizado por profissionais que buscam a melhoria no processo ou serviço</p><p>e realizar a análise de modos e efeitos de falha é o FMEA. Esta ferramenta é empregada para fazer o prog-</p><p>nóstico de um problema. Através desta ferramenta, são elaborados os procedimentos para o desenvolvi-</p><p>mento e a realização das atividades relacionadas aos projetos, produtos ou serviços.</p><p>A sigla FMEA vem do inglês, Failure Mode and Effect Analysis, ou seja, Análise dos Modos de Falha e seus</p><p>Efeitos. Esta ferramenta constitui-se em um esforço conjunto de todas as áreas envolvidas na atividade. Por</p><p>isso, os resultados tornam-se mais eficazes. O FMEA pode ser elaborado de duas formas distintas: FMEA de</p><p>Produto ou FMEA de Processo.</p><p>FMEA de Produto: Também pode ser chamado de FMEA de Projeto e se inicia no nível de desdobra-</p><p>mento das necessidades do cliente até o nível de componente, ou até que as ações de engenharia aten-</p><p>dam aos requisitos do produto.</p><p>S</p><p>ab</p><p>rin</p><p>a</p><p>Fa</p><p>ria</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS86</p><p>FMEA de Processo: A análise de modos e efeitos de falha do projeto ou processo desdobra as ações</p><p>requisitadas pelo FMEA do produto, de modo a prever todos os possíveis modos de falha encontrados no</p><p>desenvolvimento do processo.</p><p>O FMEA de Produto e o FMEA de processo são realizados em um mesmo documento, o que os diferencia</p><p>é o foco da análise feita durante o desenvolvimento do mesmo. Observe um exemplo no quadro, a seguir.</p><p>1 PLANEJAMENTO DO FMEA</p><p>2 Modos de Falha Causa Efeitos</p><p>3 Ocorrência Severidade Detecção</p><p>4 Interpretação</p><p>5 Acompanhamento</p><p>Quadro 10 - Elemento básico do FMEA</p><p>Fonte: Adaptado de Palady (1997)</p><p>Acompanhe, a seguir, o detalhamento de cada uma das etapas do FMEA.</p><p>ELEMENTO 1: PLANEJAMENTO DO FMEA</p><p>A etapa de planejamento da elaboração do FMEA é uma das mais importantes, pois é nela que serão</p><p>listados os objetivos e as responsabilidades dos participantes da análise, tais como:</p><p>a) Qual será o foco de análise, produto ou processo?</p><p>b) Quem será ou serão os responsáveis pelo FMEA?</p><p>c) Quais áreas ou profissionais irão participar do FMEA?</p><p>d) Quais serão as etapas?</p><p>e) Qual a frequência de encontro e como se darão: presencial, online ou afins?</p><p>f ) Qual o prazo para elaboração do mesmo?</p><p>g) Como avaliar ou atribuir escalas de maneira confiável?</p><p>h) Quais os recursos disponíveis?</p><p>i) A ferramenta está sendo aplicada corretamente e a equipe entende a importância de elaborá-la cor-</p><p>retamente?</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 87</p><p>Além destes objetivos e responsabilidades listados, podem surgir outros, que sejam mais específicos do</p><p>processo ou da empresa na qual está sendo realizada a análise.</p><p>ELEMENTO 2: MODOS DE FALHA</p><p>Consiste em verificar quais serão as possíveis falhas, também chamadas de falhas potenciais. A falha</p><p>sempre vem antes do defeito, ou efeito. O trabalho da equipe deverá ser de prevenção destas falhas. Caso</p><p>alguns efeitos sejam inerentes à atividade, a equipe deverá então definir medidas de prevenção ou medi-</p><p>das compensatórias para o efeito gerado.</p><p>ELEMENTOS 3: OCORRÊNCIA</p><p>As possíveis causas poderão ocorrer com certa frequência. Por isso, deverá ser elaborado um sistema</p><p>capaz de identificá-las e classificá-las, no sentido de que sejam tomadas as medidas necessárias para solu-</p><p>cionar o problema. A classificação deverá ser feita conforme o grau de importância da falha no processo.</p><p>ELEMENTO 4: INTERPRETAÇÃO</p><p>A fase de interpretação consiste na etapa de direcionamento das atividades de solução das falhas con-</p><p>forme a classificação das ocorrências. As falhas potenciais ou de grau de importância maior serão tratadas</p><p>em primeiro lugar.</p><p>ELEMENTO 5: ACOMPANHAMENTO</p><p>Na construção do FMEA, verifica-se a necessidade da utilização de outras ferramentas de apoio que pos-</p><p>sibilitem uma maior confiabilidade2 na análise e na solução proposta. Por exemplo, na fase de acompanha-</p><p>mento do processo, a utilização de ferramentas de análises estatísticas serão necessárias, tais como cartas</p><p>de controle e análise de capabilidade3. A estabilidade do processo deverá ser um dos objetivos da equipe.</p><p>Embora o FMEA de Produto e o FMEA de Processo possuam diferenças conceituais, eles utilizam formu-</p><p>lários semelhantes e a mesma metodologia para sua elaboração. Os formulários para elaboração podem</p><p>variar, contendo pontos que poderão ser específicos de um determinado produto, processo ou serviço,</p><p>conforme exemplo, a seguir.</p><p>2 É a capacidade de um item desempenhar uma função requerida sob condições especificadas, durante um dado intervalo de</p><p>tempo. ABNT NBR 5462:1994.</p><p>3 É a capacidade de um item atender a uma demanda de serviço. ABNT NBR 5462:1994.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS88</p><p>FMEA- ANÁLISE DE EFEITOS E MODOS DE FALHAS</p><p>Página de _______________________</p><p>Original</p><p>________________________________</p><p>Data: ___________________________</p><p>Aprovações</p><p>_____________</p><p>DESCRIÇÃO (PROJETO/PROCESSO/SERVIÇO) MEMBROS DA EQUIPE/ÁREAS</p><p>PARTICIPANTES</p><p>DOCUMENTOS</p><p>AFETADOS</p><p>FUNÇÃO DO</p><p>PROCESSO</p><p>MODO DE FALHA</p><p>POTENCIAL</p><p>EFEITO(OS)</p><p>POTENCIAL(IS)</p><p>DE FALHA</p><p>ÍNDICE DE</p><p>SEVERIDADE</p><p>CAUSA(AS) E</p><p>MECANISMO(OS)</p><p>POTENCIAL(IS)</p><p>ÍNDICE DE</p><p>OCORRÊNCIA</p><p>CONTROLES</p><p>ATUAIS DO</p><p>PROCESSO</p><p>ÍNDICE DE</p><p>DETECÇÃO NPR</p><p>AÇÕES RESPONSÁVEL E</p><p>PRAZO</p><p>AÇÕES</p><p>RECOMENDADAS TOMADAS</p><p>RESULTADOS DAS AÇÕES</p><p>SEVERIDADE OCORRÊNCIA DETECÇÃO NPR</p><p>Quadro 11 - Formulário básico - FMEA</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Conheça, a seguir, o que deve constar em cada um dos campos do formulário básico do FMEA.</p><p>Cabeçalho: É a parte do documento que possui as informações básicas, porém essenciais ao processo</p><p>de desenvolvimento do FMEA. Neste campo, serão descritos, de forma sucinta, sobre o que o documento</p><p>trata: é um projeto, um processo ou um serviço. Além disso, devem constar neste campo o nome dos en-</p><p>volvidos na atividade, documentos afetados na elaboração e informações sequenciais, tais como etapa de</p><p>desenvolvimento e responsáveis pela aprovação do documento.</p><p>Função do processo: Neste campo, devem ser descritas as etapas em análise ou a que o projeto se pro-</p><p>põe. Para preenchimento desta etapa, é imprescindível que toda a equipe esteja consciente dos objetivos</p><p>da atividade. A equipe deverá fazer a seguinte pergunta: Que função deverá ser desenvolvida para atender</p><p>às necessidades do cliente?</p><p>Modo de falha potencial: Neste campo, descreve-se todas as possíveis não conformidades que pode-</p><p>rão ocorrer no projeto, processo ou serviço, mesmo aqueles que efetivamente tenham percentual muito</p><p>pequeno de ocorrer. Falha é quando a atividade deixa de apresentar o resultado para a qual foi proposta e</p><p>pode estar associada a uma outra falha ocorrida na etapa anterior.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 89</p><p>Efeitos potenciais de falha: Os efeitos são os resultados da concretização de um modo de falha, ou</p><p>seja, é o impacto sentido pelo cliente, ao perceber a diferença da atividade proposta da atividade realizada.</p><p>Ao preencher esta etapa, a equipe deverá se concentrar nos três pilares que sofrerão impactos: Ambiental,</p><p>Social e Econômico.</p><p>Índice de severidade: Neste campo, deve-se descrever uma avaliação da gravidade do que o efeito</p><p>pode provocar. Esta classificação normalmente emprega uma escala de 1 a 10, sendo 1 para efeito imper-</p><p>ceptível pelo cliente e 10 quando ele pode causar danos irreversíveis, ameaçando a vida ou paralisando a</p><p>operação da organização.</p><p>Causa(s) e mecanismo(s) potencial(is): Há diversos problemas que poderão ser originados por</p><p>um</p><p>único modo de falha. Algumas das fontes são: projeto, fornecedor, processo, cliente, ambiente, equipa-</p><p>mentos, sistemas de medição entre outros. Neste campo, deve-se listar as causas fundamentais de falha,</p><p>ou seja, todas as causas que contribuirão para os modos de falhas. Algumas terão pouca influência, po-</p><p>rém as chamadas causas básicas tendem a ter maior contribuição nos modos de falha. Assim, haverá a</p><p>necessidade da aplicação de ferramentas que possibilitem a priorização do estudo das causas. Uma das</p><p>ferramentas que poderá ser utilizada é o diagrama de Pareto. Conheça, na figura, a seguir, um exemplo</p><p>de diagrama dessa ferramenta de análise de falhas. Observe que o gráfico azul está indicando os tipos de</p><p>falhas e a quantidade. Na escala, à esquerda, têm-se: a falha A (falha de maior ocorrência), que ocorreu 58</p><p>vezes; enquanto a falha G (falha de menor ocorrência) ocorreu 8 vezes. Já a linha vermelha do gráfico está</p><p>mostrando a soma, ou melhor, o acumulativo de todas as falhas, usando a escala à direita como base.</p><p>QDADE DE FALHAS ACUMULADO DE FALHAS</p><p>0</p><p>50</p><p>100</p><p>150</p><p>200</p><p>250</p><p>PARETOS DAS FALHAS</p><p>70</p><p>60</p><p>50</p><p>40</p><p>30</p><p>20</p><p>10</p><p>0</p><p>FALHA A FALHA B FALHA C FALHA D FALHA F FALHA G</p><p>Figura 36 - Diagrama de Pareto</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Sa</p><p>br</p><p>in</p><p>a</p><p>Fa</p><p>ria</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS90</p><p>Índice de ocorrência: Neste campo, apresenta-se a frequência que uma causa de falha pode ocorrer.</p><p>Normalmente, a escala desta variável emprega os números de 01 a 10, onde 01 representa uma condição</p><p>remota, altamente improvável de ocorrer, e 10 é uma probabilidade de altíssima ocorrência.</p><p>Controles atuais do processo: Neste campo, deve-se descrever todos os meios utilizados para detectar</p><p>os modos de falha no projeto, processo ou serviço. O FMEA tem por objetivo prever as falhas mais impac-</p><p>tantes e tentar evitá-las ou reduzi-las. Para isso, meios de controles são inseridos estrategicamente nas</p><p>atividades, a fim de identificar estes modos de falha.</p><p>Índice de detecção: A pergunta que a equipe deverá fazer para preencher esta coluna do FMEA é a</p><p>seguinte: Qual a chance de detectar o modo de falha ou as causas deste modo de falha? A escala de atri-</p><p>buição varia de 01 a 10, onde 01 representa uma provável detecção e 10 uma remota chance de detecção.</p><p>Número de priorização de risco (NPR): Neste campo, apresenta-se o indicador que é o resultado do</p><p>produto de três indicadores já mencionados no FMEA, que são: índice de severidade, índice de ocorrência</p><p>e índice de detecção. O NPR serve como indicador de priorização na busca por soluções, em que os valores</p><p>mais altos indicam uma maior necessidade de ações.</p><p>Ações recomendadas: Neste campo, apresenta-se a descrição das ações que resultam na redução dos</p><p>problemas potenciais. As ações deverão ser executadas na solução dos modos de falhas que resultam em</p><p>um maior NPR, sem esquecer os custos de implementação e os benefícios de qualidade e de confiabilidade.</p><p>Responsável e prazo: Este campo serve para garantir que todas as ações planejadas sejam efetiva-</p><p>mente realizadas. Para isso, são determinados responsáveis para cada ação, além da fixação de prazos para</p><p>apresentação dos resultados propostos.</p><p>Ações tomadas: Neste campo, devem ser descritas todas as ações executadas, que poderão, em alguns</p><p>casos, divergirem das ações planejadas. Por isso, cabe ao responsável a descrição das mesmas, para que</p><p>os seus resultados sejam então avaliados. Após a implantação das ações, deve-se avaliar o resultado das</p><p>mesmas. O cálculo do NPR para o resultado das ações faz-se necessário pelo fato de compor outros índices</p><p>que assegurarão a eficiência ou não do que foi executado. Espera-se que o NPR tenha reduzido, pois isso</p><p>significa uma possível redução no impacto do modo de falha.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 91</p><p>3.2.3 FTA - ANÁLISE DE ÁRVORE DE FALHAS</p><p>FTA significa Fault Tree Analysis, que é um método que foi desenvolvido para medir o grau de segurança</p><p>do sistema de controle de lançamento de mísseis. Posteriormente foi adaptado para outras funções como</p><p>para o desenvolvimento de projetos, máquinas e equipamentos. O FTA é capaz de sinalizar de maneira</p><p>objetiva problemas em diversos segmentos.</p><p>A partir da falha em um sistema, começa-se a fazer o levantamento de hipóteses que possam ocasionar</p><p>uma falha.</p><p>FTA MOTOR PAROU!</p><p>OU</p><p>FALHA</p><p>ELÉTRICA</p><p>PARADA DE</p><p>EMERGÊNCIA</p><p>ACIONAMENTO</p><p>PELO OPERADOR OU</p><p>CURTO-</p><p>CIRCUITO</p><p>OU OU</p><p>QUEIMA DE</p><p>FUSÍVEL</p><p>DESARME PELO</p><p>RELÉ DE</p><p>SOBRECARGA</p><p>SUJEIRA</p><p>FALHA NA</p><p>TENSÃO</p><p>FALHA NO</p><p>COMPONENTE</p><p>BOBINA</p><p>QUEIMADA</p><p>FALHA</p><p>MECÂNICA</p><p>MOTOR</p><p>EXCESSO DE</p><p>CARGA</p><p>FALHA NA</p><p>REFRIGERAÇÃO</p><p>Figura 37 - Exemplo de árvore de falha - FTA</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Quando se inicia a busca de uma falha (FTA), é necessário partir da falha maior, ou evento topo, por</p><p>exemplo: Quais as possíveis falhas que poderão ocorrer para um motor elétrico parar? Quais os possíveis</p><p>componentes que poderão falhar para ocasionar o evento topo? Em resposta a essas questões, é feita uma</p><p>análise dos elementos que poderão gerar um possível evento topo.</p><p>A análise FTA inicia-se a partir de uma falha ou problema particular do sistema, con-</p><p>siderado o motivo do estudo e denominado “evento do topo”. O evento do topo é um</p><p>estado do sistema considerado anormal, obtido como consequência de fatores normais</p><p>ou não. A análise continua com a elaboração da sequência ou combinação de fatos ca-</p><p>pazes de conduzir ao tal evento. A árvore de falhas é um modelamento gráfico que per-</p><p>mite mostrar o encadeamento dos diferentes eventos que podem dar como resultado</p><p>o evento de topo. A análise é conduzida até atingir eventos ou situações básicas, cuja</p><p>análise não se considera necessária aprofundar. (MIGUEL, 2001, p. 222).</p><p>Sa</p><p>br</p><p>in</p><p>a</p><p>Fa</p><p>ria</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS92</p><p>Agora que você já conhece FTA, terá a oportunidade de estudar o diagrama de Ishikawa. Acompanhe.</p><p>3.2.4 DIAGRAMA DE ISHIKAWA</p><p>No meio industrial de processamento mecanizado ou de montagem, geralmente são as perdas por ava-</p><p>rias que comprometem a qualidade e o preço final dos serviços e produtos. Exemplos de avarias podem ser</p><p>compreendidas como a deterioração de uma parte da instalação de uma máquina ou equipamento, ou de</p><p>outra parte do processo de produção, montagem de componentes elétricos mal feitos, que podem gerar</p><p>derretimento de fiação, por exemplo.</p><p>Muitas vezes, o desgaste do equipamento ou de algum componente é tão oculto ou pequeno que pas-</p><p>sa despercebido. Exemplo de perdas geradas por estas avarias podem ser as paralisações das máquinas ou</p><p>equipamentos ou até da produção, o tempo ocioso devido às paralisações, o reajuste dos cronogramas de</p><p>produção em decorrência da redução da velocidade da produção por causa de alguma perda de compo-</p><p>nente, ou que venceu sua vida útil, ou foi instalado errado. (TAKAHASHI; OSADA, 1993).</p><p>O autor indica que a meta inicial para a manutenção bem planejada é a eliminação de todas estas ava-</p><p>rias, seja em máquinas, equipamentos ou em outras partes da produção. No entanto, muitas vezes, é com-</p><p>plicado convencer o pessoal envolvido de que estas avarias pequenas ou ocultas podem provocar uma</p><p>série de perdas e, consequentemente, prejuízos financeiros. Mas, porque é tão difícil convencer as pessoas</p><p>de que é necessário estar atento a estas irregularidades?</p><p>Muitas vezes, pode ser por falta de conhecimento do pessoal envolvido nos serviços de manutenção,</p><p>ou pelos registros das paralisações das operações, ocorridos em virtude de algum problema que necessite</p><p>ser solucionado pela manutenção (TAKAHASHI; OSADA, 1993).</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Além das avarias, também existem outros fatores que interferem na produtividade e</p><p>que exigem a atenção do manutentor. Dentre esses fatores, há a geração de sucatas,</p><p>aumento da velocidade, frequentes paralisações menores, trocas de componentes</p><p>etc.</p><p>A manutenção deve ser planejada para eliminar os fatores que interferem nas atividades do proces-</p><p>so produtivo. Uma sugestão interessante para isso é a criação de equipes especializadas (ou</p><p>que sejam</p><p>preparadas, ou treinadas), para sistematizar ou padronizar os métodos de manutenção e que sejam bem</p><p>lideradas.</p><p>A busca pela melhoria da produtividade deve ser constante e seu foco está na compreensão da relação</p><p>que existe entre o mau funcionamento de uma máquina, a perda da produtividade e as avarias relaciona-</p><p>das (TAKAHASHI; OSADA, 1993). Para evitar que as perdas aconteçam, é necessário que se realize a manu-</p><p>tenção preventiva e se reconheça a importância do uso de métodos de controle e de qualidade para gerir</p><p>as tarefas. Agindo assim, a manutenção conseguirá analisar os problemas e as suas causas, bem como criar</p><p>medidas para corrigi-los.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 93</p><p>É difícil resolver problemas complexos sem considerar suas causas. No entanto, existem métodos fáceis</p><p>e simples que auxiliam na solução de problemas ou na identificação de suas causas, além de propor me-</p><p>didas de correção. Um dos métodos utilizado para o controle da qualidade que pode auxiliar na análise de</p><p>causas é o diagrama de Ishikawa. Esse método analisa a relação de causa e efeito de um problema.</p><p>O diagrama de Ishikawa é estruturado com algumas categorias que auxiliam na identificação das cau-</p><p>sas dos problemas. Construir esse gráfico pode parecer complicado no início, mas depois fica fácil de listar</p><p>quais as causas que estão relacionadas com o tipo de problema que se está analisando (KUME, 1993).</p><p>Inicialmente, deve-se identificar o problema (efeito) e selecionar as categorias que serão analisadas para</p><p>identificar as suas causas, que são: métodos utilizados no processo, máquinas e equipamentos, materiais</p><p>(recursos, ferramentas, matéria-prima), ambiente de trabalho, medições e pessoas envolvidas no processo</p><p>(mão de obra).</p><p>O próximo passo é desenhar o diagrama no formato de uma espinha de peixe, conforme demonstrado</p><p>na figura, a seguir. Uma vez que o desenho está estruturado, deve-se criar uma lista de causas relacionadas</p><p>a cada uma das categorias mencionadas anteriormente. Em relação a estas causas principais, existem tam-</p><p>bém as causas secundárias e terciárias, conhecidas como subcausas.</p><p>Lembre-se de que esta análise deve ser feita por uma equipe, para evitar interpretações individuais</p><p>possivelmente errôneas. A análise correta permite o direcionamento para a tomada de medidas certeiras</p><p>na solução dos problemas apresentados (KUME, 1993).</p><p>Figura 38 - Diagrama de Ishikawa</p><p>Fonte: Adaptado de Kume (1993)</p><p>Lembre-se de que você poderá utilizar o número de categorias que estiverem relacionadas diretamente</p><p>com o efeito a ser analisado pela sua equipe. Por isso, o exemplo anterior demonstra apenas quatro das seis</p><p>categorias citadas anteriormente.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS94</p><p>3.2.5 RCM</p><p>Se você tem um automóvel e está preocupado com a segurança da sua família, provavelmente analisará</p><p>os principais itens que poderão oferecer riscos ou fazer ele parar de funcionar. Para tanto, você observará</p><p>com mais criticidade itens como freios, motor e direção, porque necessitam uma manutenção preditiva.</p><p>Já itens como amortecedor e pneus terão uma criticidade média. Por isso, você realizará a manutenção</p><p>preventiva. Agora a manutenção corretiva deve ser feita nos itens que não oferecem riscos de parada para</p><p>o automóvel ou de segurança à integridade física, como o limpador de para-brisas, pintura e assentos. É</p><p>desta maneira que as empresas dividem seus recursos financeiros, já que alocam mais recursos financeiros</p><p>para situações que são mais críticas e menos para os que não são de grande impacto.</p><p>A partir de agora, você estudará melhor a filosofia de manutenção e saber como melhorar ainda mais</p><p>o departamento de manutenção.</p><p>O livro Realiability – Centered MaintenanceI (Manutenção Centrada na Confiabilidade - MCC) foi lançado</p><p>em 1978 e elaborado por funcionários da United Airlines, que deu início à política baseadas nesse conceito.</p><p>A abordagem nasceu da necessidade de reduzir a quantidade de quedas das aeronaves comerciais nesse</p><p>período. Os números eram alarmantes, que, se comparados aos dias atuais, representaria uma queda de</p><p>avião a cada dois dias (VIANA, 2002). A técnica consiste em estudar componente por componente de um</p><p>avião, para saber quais as falhas que poderão ocorrer e se elas afetariam diretamente no processo do equi-</p><p>pamento.</p><p>A partir dessa análise, decide-se o que realmente é importante inspecionar, se a falha do componente</p><p>faz ou não o avião cair. Portanto, se não faz o avião cair, o componente não participa das inspeções perió-</p><p>dicas.</p><p>Em um departamento de manutenção industrial, se o componente não afetar a qualidade dos produtos</p><p>fabricados, não afeta o meio ambiente e não afeta a segurança dos trabalhadores, o componente fica fora</p><p>das inspeções periódicas.</p><p>A MCC consiste em um processo usado para determinar os requisitos de manutenção de</p><p>qualquer item físico no seu contexto operacional. Esta técnica visa estudar as diversas</p><p>formas de como um componente pode vir a falhar, visualizando através disto as ações</p><p>de bloqueios pertinentes a serem tomadas. Na verdade, a MCC se coloca como um im-</p><p>portante instrumento para tomada de decisão gerencial, sobre quais diretrizes da políti-</p><p>ca de manutenção a serem seguidas por um processo industrial. (VIANA, 2002, p. 101).</p><p>Sabendo dessas informações, é possível entender por que o segmento de manutenção industrial co-</p><p>meçou a ter uma posição estratégica nas indústrias e por que passou a agregar outros tipos de profissio-</p><p>nais. Em algumas empresas, o departamento de manutenção conta com sua própria engenharia, tendo à</p><p>sua disposição gerente de departamento, engenheiro, projetista, desenhista, planejador, programadores e</p><p>inspetor de manutenção. Por vezes, esse departamento conta inclusive com uma equipe de compras para</p><p>agilizar a aquisição de peças sobressalentes.</p><p>Agora, conheça as ferramentas aplicadas à manutenção e a metodologia TRIZ.</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 95</p><p>3.2.6 TRIZ</p><p>A metodologia TRIZ é um meio de solucionar problemas semelhante ao FMEA ou PDCA, porque permite</p><p>raciocinar e encontrar soluções.</p><p>Essa metodologia nasceu na antiga União Soviética e seu idealizador é G.S. Altshuller, que viveu entre</p><p>1926 a 1998. A palavra TRIZ significa Teoria Rechénia Izobretátelskih Zadátchi, que significa Teoria da Reso-</p><p>lução de Problemas Inventivos. Esse método nasceu na área da engenharia, mas pode ter outras aplicabili-</p><p>dades, tendo o maior objetivo auxiliar em diversas áreas do conhecimento.</p><p>Para encontrar a solução de um processo, é desejável escrevê-lo de uma maneira bem simples, tudo que</p><p>é desejável e o que não é desejável no processo, sem se importar o que deve ser feito para alcançar o final</p><p>do processo.</p><p>Um exemplo clássico do emprego da metodologia TRIZ é quando um químico necessita fazer um teste</p><p>de resistência à oxidação em uma pequena amostra de aço. Esse processo era feito com certa frequência,</p><p>porque ele precisava saber a qualidade do metal que ele estava trabalhando. Porém, havia um efeito inde-</p><p>sejado em seu processo, que era a deterioração do recipiente que ele usava para colocar a peça junto com</p><p>a sua solução. Talvez esse material que estava se soltando do ataque do copo poderia estar alterando o</p><p>resultado de suas experiências. Então ele relacionou o que ele desejava e o que não desejava. De maneira</p><p>bem simples.</p><p>Relação de Itens Desejáveis:</p><p>-Ataque Químico na Amostra</p><p>Relação de Itens Indesejáveis:</p><p>-Ataque Químico no Recepiente</p><p>TRIZ</p><p>Figura 39 - Exemplo de utilização Triz</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Após relacionar o efeito desejável e o indesejável, para que haja o questionamento correto sobre o fe-</p><p>nômeno que se deseja estudar, o químico chegou à solução. Resolveu fazer uma amostra em formato de</p><p>copo, assim haveria apenas o fenômeno desejável.</p><p>O mecanismo funciona como uma sessão de ideias, que deve reunir um grupo de pes-</p><p>soas com perfis bem diferentes, idade e níveis de conhecimento variados. A equipe faz</p><p>um brainstorming para resolver um problema ou desafio</p><p>e é importante não frear a cria-</p><p>tividade, por mais absurda que uma ideia possa parecer. O fundamental é ter membros</p><p>no grupo com conhecimentos técnicos para validar as propostas e avaliar o grau de di-</p><p>Ju</p><p>lio</p><p>C</p><p>es</p><p>ar</p><p>B</p><p>or</p><p>ch</p><p>er</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS96</p><p>ficuldade de implementação. Ao formar o grupo para a sessão de ideias, o empreende-</p><p>dor pode convidar pessoas de fora da empresa para complementar a formação de seu</p><p>time uma escolha do empreendedor. (GLOBO, 2012).</p><p>Você sabia que a TRIZ foi desenvolvida a partir do estudo de patentes de produtos</p><p>da Rússia? Para saber mais, acesse: http://www.webartigos.com/_resources/files/_</p><p>modules/article/article_129239_20150201150416b331.pdf</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>O método TRIZ busca soluções para problemas semelhante ao PDCA e FMEA, porém a diferença entre</p><p>um e outro é fazer os profissionais pensarem de maneiras diferentes. Depois que você estudar todos, qual</p><p>será o seu método preferido? Será o PDCA? Acompanhe.</p><p>3.2.7 PDCA</p><p>O ciclo do PDCA é um método que auxilia no processo de melhoria contínua de processos, produtos ou</p><p>serviços. É um ciclo composto por quatro etapas: planejamento, execução, verificação e atuação corretiva,</p><p>como podem ser observado na figura, a seguir.</p><p>Figura 40 - Ciclo PDCA</p><p>Fonte: adaptado de Campos (1996)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 97</p><p>Apesar da figura anterior não mencionar, existem oito etapas dentro do ciclo do PDCA: quatro etapas</p><p>dentro do Plan, uma etapa no Do, uma no Check e duas no Action.</p><p>Planejamento (Plan): trata-se da etapa de estabelecimento das metas e dos meios para alcançá-las. Por</p><p>essa razão que existem quatro etapas no “P”. Na primeira, será identificado o problema a ser tratado (ou a</p><p>melhoria sugerida para implantação). Na segunda etapa, serão descritas as características desse problema</p><p>ou a melhoria proposta. Na terceira, são rastreadas as causas fundamentais ou potenciais e, por último, é</p><p>criado o plano de ação para bloquear estas causas.</p><p>Um plano de ação é uma ferramenta de grande importância na etapa de planejamento, porque é um</p><p>documento elaborado em forma de tabela, onde as colunas identificam o direcionamento (com pergun-</p><p>tas) para gerir as ações que serão descritas nas linhas. Um modelo de plano de ação muito utilizado é o</p><p>5W2H, que contém sete perguntas fundamentais para direcionar a tomada de ação: What - O que? How -</p><p>Como? Why - Por quê? Where - Onde? When - Quando? Who - Quem? How much - Quanto?</p><p>Analise o seguinte exemplo: falha na instalação de componentes elétricos. Quais as ações que você es-</p><p>colheria para resolver esta situação? Fica difícil determinar isso sem ter analisado as características desta fa-</p><p>lha e suas causas fundamentais. Muitas causas poderão ser determinadas a respeito desse problema. Mas,</p><p>para identificá-las, você deve analisar quais as características que estão relacionadas ao problema, como,</p><p>por exemplo, como foi o treinamento do manutentor, ou se existe manutenção preventiva ou preditiva. O</p><p>quadro, a seguir, apresenta um plano de ação com uma das soluções.</p><p>PROPOSTA DE SOLUÇÃO PARA A FALHA NA INSTALAÇÃO DE COMPONENTES ELÉTRICOS</p><p>Plano de ação - Área de produção de ferramentas Data: __/ __/ __</p><p>O QUÊ? POR QUÊ? ONDE? QUANDO? QUEM? COMO? CUSTO?</p><p>Descrever a ação</p><p>iniciando com verbo</p><p>no infinitivo (ar, er, ir...)</p><p>Justificativa do</p><p>porque da ação e as</p><p>vantagens.</p><p>Local onde</p><p>será implan-</p><p>tada a ação</p><p>Data</p><p>Nome do profis-</p><p>sional e função.</p><p>Resumo do</p><p>passo a passo</p><p>da ação a ser</p><p>implantada.</p><p>Custo da ação em</p><p>reais.</p><p>Criar um</p><p>procedimento</p><p>de manutenção</p><p>preventiva</p><p>Para padronizar a</p><p>atividade de ma-</p><p>nutenção preventi-</p><p>va e evitar acidentes</p><p>e perdas</p><p>Setor de</p><p>produção de</p><p>ferramentas</p><p>04/07/15</p><p>José F. Souza</p><p>SESMT, Cipeiros</p><p>Reunir SESMT,</p><p>os manuten-</p><p>tores e Cipeiros</p><p>Reunião: Custo hora</p><p>funionário</p><p>Criação do procedi-</p><p>mento: Custo hora</p><p>funcionário</p><p>Treinar e materiais</p><p>utilizados: R$100,00</p><p>Implantação: Custo</p><p>hora funcionário</p><p>04/07/15 à</p><p>10/07/15</p><p>Rita Borba</p><p>José Souza</p><p>SESMT</p><p>Cipeiros</p><p>Criar o</p><p>procedimento;</p><p>11/07/15 Rita D. Borba Treinar;</p><p>20/07/15</p><p>SESMT, cipeiros,</p><p>José Souza</p><p>Implantar.</p><p>Quadro 12 - Modelo plano de ação</p><p>Fonte: do Autor</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS98</p><p>Procure sempre elaborar um plano de ação em conjunto com seus colegas, para evitar que sejam ge-</p><p>rados problemas secundários e justifique no item “Por quê” quais as vantagens da ação proposta (KUME,</p><p>1993).</p><p>Execução (Do): Nesta etapa, as atividades planejadas na etapa anterior são realizadas. Nesta fase, cada</p><p>pessoa da empresa deverá estar treinada para executar as tarefas corretamente. Também é necessário que</p><p>cada atividade seja documentada para facilitar sua execução e acompanhamento por parte da supervisão.</p><p>A empresa deverá assegurar, através de auditorias, que todas as atividades estão sendo realizadas confor-</p><p>me os padrões estabelecidos.</p><p>Verificação (Check): Nesta etapa, faz-se o acompanhamento e a verificação da efetivação das metas e</p><p>ações propostas. Deverá constatar se o que foi planejado foi executado e se foram alcançados os objetivos</p><p>propostos.</p><p>Ação (Action): Caso a meta tenha sido alcançada e as atividades propostas tenham sido executadas,</p><p>caberá então a padronização das mesmas e também a conclusão por parte dos responsáveis, que deverá</p><p>ser acompanhada com uma revisão de todo o trabalho. No entanto, caso as metas não tenham sido alcan-</p><p>çadas, elas deverão ser revistas, para buscar a solução das causas raízes dos problemas, reiniciando o ciclo</p><p>do PDCA.</p><p>3.3 FLUXOS DE PROCESSOS DE PRODUÇÃO - TIPOS E CARACTERÍSTICAS</p><p>O fluxo de produção de uma empresa está ligado diretamente com o valor do produto fabricado, com a</p><p>sobrevivência da empresa no mercado e maiores lucros. Entenda agora como funciona o fluxo de proces-</p><p>sos de produção e suas características.</p><p>Os sistemas de produção são aqueles que têm por objetivo a fabricação de bens manufaturados, a</p><p>prestação de serviços ou o fornecimento de informações. Logo, pode-se dizer que os sistemas de produção</p><p>são um conjunto de elementos associados e relacionados à produção de um bem, serviço ou informação.</p><p>Os sistemas de produção atualmente estão focados na elaboração de produtos que tenham sua devida</p><p>aceitação no mercado.</p><p>De acordo com o grau de interação com seus clientes, pode-se classificar os sistemas de produção em</p><p>quatro tipos:</p><p>a) produção para estoque ou produção contínua (MTS: Make to Stock);</p><p>b) descontinuada;</p><p>c) produção por fases;</p><p>d) produção por encomenda.</p><p>Na próxima seção, conheça, com mais detalhes, cada tipo de fluxo de produção. Bons Estudos!</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 99</p><p>3.3.1 PRODUÇÃO PARA ESTOQUE OU PRODUÇÃO CONTÍNUA (MTS: MAKE TO STOCK)</p><p>Analise o seguinte exemplo: seu pai solicitou que você fosse comprar 10 parafusos de 10 mm x 20 mm.</p><p>Então, você procura o produto no mercado da cidade, mas não o encontra no primeiro estabelecimento.</p><p>Você vai para casa sem comprar os parafusos? É bem provável que você os procurará em outros estabele-</p><p>cimentos.</p><p>Na empresa, ninguém faz uma encomenda para comprar 10 parafusos para a próxima semana, porque</p><p>a necessidade é imediata, o que obriga os empresários a terem um estoque para atender à demanda.</p><p>Os empresários, com bases em seus históricos dos últimos anos, antecedem a produção já com a expec-</p><p>tativa de venda do produto. Normalmente são produtos padronizados e os clientes têm remotas possibi-</p><p>lidades de interagir no projeto do produto. Esse tipo de produção é baseada em previsões de demanda e</p><p>sua principal vantagem é a rapidez na entrega do produto. Na produção contínua, as máquinas são dedi-</p><p>cadas ao uso de um único produto, tendo como característica principal pequena quantidade de peças e</p><p>grande estoque de matéria-prima. Esse método é diferente da produção descontinuada, em que o parque</p><p>fabril admite outros tipos de peças não padronizadas.</p><p>3.3.2 PRODUÇÃO DESCONTINUADA</p><p>Normalmente empesas que trabalham nesse método tem grande</p><p>flexibilidade, pois sua maquinaria ad-</p><p>mite fazer itens bem diferentes. Na produção descontinuada, os materiais, dimensionais de peças e ajustes</p><p>podem variar de acordo com as solicitações dos clientes.</p><p>3.3.3 PRODUÇÃO POR FASES</p><p>Quando a matéria-prima é processada várias vezes, sofrendo alterações até a companhia conseguir a</p><p>finalização do produto, estas alterações ao longo do processo podem ser admitido por um processo sem</p><p>paradas, processo contínuo, ou por um processo com paradas, processo descontínuo.</p><p>3.3.4 PRODUÇÃO POR ENCOMENDA</p><p>Os produtos são confeccionados totalmente baseados nas necessidades e especificações dos clientes,</p><p>com baixa produtividade. São exigidos termos e critérios de qualidade e prazo de entrega. Exemplos: na-</p><p>vios, aviões e hidroelétricas (TUBINO, 2008).</p><p>A seguir, serão apresentadas as ferramentas e itens de controle de processos produtivos. Acompanhe.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS100</p><p>3.4 FERRAMENTAS E ITENS DE CONTROLE DE PROCESSOS PRODUTIVOS</p><p>A partir de agora, você estudará as ferramentas e itens de controle de processos produtivos. É algo</p><p>relativamente simples. como analogia, será utilizado o exemplo de um restaurante, no qual o cliente pede</p><p>uma porção média de batatas fritas com bacon e calabresa. Esse é o início do processo de produção. Com</p><p>o pedido em mãos, o garçom o leva até a cozinha, e o cozinheiro, por sua vez, irá produzir apenas os itens</p><p>que foram solicitados, na quantidade que foi solicitado e no menor tempo possível. Todo este processo</p><p>deve ser seguido e acompanhado pelo responsável, que, neste caso, é o gerente.</p><p>Agora, observe, por exemplo, a movimentação em uma grande empresa que trabalha 24 horas por dia</p><p>fabricando um carro. Você já imaginou a quantidade de itens que vão nesse produto? Parafusos, lâmpadas,</p><p>pneus, porcas, para-brisas, retrovisores etc. Onde cada item mencionado é fabricado em local diferente, ou</p><p>em uma fábrica terceirizada. Todos os postos de trabalho na linha de montagem do veículo devem estar</p><p>trabalhando compassadamente e entregando tudo no tempo certo para concluir a montagem do produto</p><p>final. Se forem montados 83 veículos por dia, necessitará de 83 chassis, 83 consoles do painel, 415 pneus</p><p>(considerando que cada veículo necessitará de 5). Todos os postos de trabalho têm um tempo previsto</p><p>para montagem de cada item, sem que haja falta ou sobra de peças.</p><p>3.4.1 CARTA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO</p><p>O começo de todo planejamento de produção se dá com o programa mestre de produção (MPS-Master</p><p>program Schedule). Segundo Gaither (2004, p. 249-250), “O programa mestre de produção define a quanti-</p><p>dade a ser concluída em cada semana do horizonte de planejamento de curto prazo.” E acrescenta que “O</p><p>MPS é um plano para a produção futura de itens ao longo de um horizonte de planejamento de curto prazo</p><p>que geralmente abrange algumas semanas ou meses.” Para tanto, o MPS deverá ser atualizado constante-</p><p>mente, para não gerar uma sobrecarga ou ociosidade no setor produtivo.</p><p>De acordo com Pires (1995, p. 140), “A elaboração de um bom programa mestre de produção não costu-</p><p>ma ser uma tarefa fácil, principalmente para as indústrias que produzem sob encomenda.” A não utilização</p><p>de estoques de produtos acabados, juntamente com a customização dos produtos solicitados, são fatores</p><p>que afetam a programação da produção.</p><p>Somente ter um bom e bem elaborado MPS não garante sucesso para a empresa. Como acontece com</p><p>qualquer outra ferramenta, ela deve ser bem gerenciada, a fim de evitar o mau uso dos recursos e o não</p><p>cumprimento dos prazos de entrega dos pedidos.</p><p>Bem gerenciado, o MPS colabora com a melhora do processo de promessa de ordens</p><p>para clientes, com melhor gestão de estoques dos produtos acabados, melhor uso e</p><p>gestão da capacidade produtiva e melhor integração na tomada de decisão entre fun-</p><p>ções, permitindo que as decisões multifuncionais, possam ser tomadas com base ob-</p><p>jetiva, suportada por dados, e não por opiniões não fundamentadas. (CORRÊA, 2001,</p><p>p.204).</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 101</p><p>Com o auxílio do MPS, é possível programar a produção, mantendo as taxas mais estáveis possíveis, com</p><p>mínima formação de estoques e levando em conta os custos envolvidos.</p><p>Slack (2002, p. 455) descreve que “O programa mestre de produção (MPS), é a fase mais importante do</p><p>planejamento e controle de uma empresa. Constitui-se na principal entrada para o planejamento das ne-</p><p>cessidades de materiais.”</p><p>A figura, a seguir, demonstra a importância do MPS no planejamento das necessidades de materiais.</p><p>Início Departamento de Vendas</p><p>Entrada de Encomendas / Abertura de Ordem</p><p>de Produção ! Departamento</p><p>de Compras</p><p>Almoxarifado</p><p>Suplemento</p><p>Equipe de Apoio:</p><p>Departamento de Qualidade</p><p>Departamento de Engenharia de Processo</p><p>Departamento de Manutenção</p><p>Depatrtamento de Suplementos</p><p>Departamentos</p><p>de Produção 1</p><p>Departamento</p><p>de Produção 2</p><p>Departamento</p><p>de Produção 3</p><p>Informação para Equipe</p><p>de Vendas!</p><p>Fim</p><p>Departamento</p><p>de Expedição</p><p>Fechamento da Ordem</p><p>de Produção</p><p>Emissão de Nota Fiscal</p><p>Figura 41 - Entrada de Ordem de Produção, solicitação de insumos simultânea</p><p>Fonte: do Autor</p><p>O MPS elaborado servirá de base de dados para um sistema, que fará o cálculo do material necessário</p><p>e no tempo necessário, para que a produção se efetive. Segundo Corrêa (2001), o MPS, é responsável por</p><p>elaborar o plano de produção de produtos finais e fornece dados de entrada para o MRP.</p><p>A ideia principal de um sistema produtivo é ter um processo bem ajustado, que, a partir da encomenda</p><p>do produto, são comprados os insumos necessários conforme a ordem de produção, no tempo certo e na</p><p>quantidade certa. Se não houver essa ordem, corre-se o risco de ter prejuízo em pouco tempo.</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS102</p><p>3.4.2 ORDEM DE PRODUÇÃO</p><p>Após realizados os procedimentos de planejamento e de programações da produção, diversas ações</p><p>devem ser tomadas para que o processo de produção ocorra dentro do planejado.</p><p>De acordo com Tubino (2000), a emissão e a liberação das ordens produtivas antecedem a execução</p><p>da produção, informando, basicamente, o que será produzido, quanto será produzido e quando deverá</p><p>ocorrer esta produção.</p><p>A tabela, a seguir, apresenta um modelo de uma ordem de produção em que é possível identificar todos</p><p>os dados necessários para a produção de um determinado produto.</p><p>ORDEM DE PRODUÇÃO</p><p>Data: 08/10/2015</p><p>Número da ordem: 201</p><p>Prazo de entrega 5 Dias</p><p>Lote: 32</p><p>PRODUTO A SER FABRICADO QUANT. UNIT QUANT. TOTAL UNIDADE</p><p>Motor elétrico 3UHGY98 30 30 pç</p><p>Rotor 1 30 pç</p><p>Estator 1 30 pç</p><p>Rolamento dianteiro 1 30 pç</p><p>Rolamento traseiro 1 30 pç</p><p>Borners de ligação 1 30 pç</p><p>Cabo esmaltado 120 3600 m</p><p>Isolante plástico das ranhuras 24 720 pç</p><p>Isolante plástico das bobinas 24 720 pç</p><p>Embalagem 1 30 pç</p><p>Início 8 h</p><p>Término 16 h</p><p>Tabela 4 - Ordem de Produção</p><p>Fonte: do Autor</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 103</p><p>3.4.3 MANUAL DE PROCEDIMENTOS</p><p>Em empresas de alta produtividade e com grande número de trabalhadores, é comum haver uma folha</p><p>com instrução padrão para cada posto de trabalho. Isso acontece para não haver alteração de procedimen-</p><p>tos, caso haja mudança de funcionários. A seguir, conheça um exemplo do procedimento padrão.</p><p>PROCEDIMENTO OPERACIONAL CÓDIGO:</p><p>PO - PIN - 001</p><p>PÁGINA</p><p>4 DE 11</p><p>PINTURA IDUSTRIAL (PIN) APROVAÇÃO</p><p>10/02/2014</p><p>REVISÃO</p><p>02</p><p>CORES DE CANALIZAÇÃO: NB - 6493 (out/94)</p><p>Vermelho</p><p>Água e substâncias para combate a incêndio</p><p>Azul</p><p>Ar comprimido</p><p>Verde</p><p>Água, exceto destinada a combater incêndio</p><p>Preto</p><p>Inflamável combustíveis de alta viscosidade (óleo combustível,</p><p>óleo lubrificante, asfalto, alcatrão, piche, etc.)</p><p>Quadro 13 - Procedimento Padrão de Pintura de Tubulações</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A seguir, serão apresentadas as ferramentas informatizadas utilizadas para a Gestão de Processos.</p><p>3.5 FERRAMENTAS INFORMATIZADAS PARA GESTÃO DE PROCESSOS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS</p><p>E APLICAÇÃO</p><p>Ferramentas informatizadas em sistema de produção vieram para agilizar a integração entre os depar-</p><p>tamentos de uma companhia. As ordens de serviço e os procedimentos servem para saber como estão os</p><p>estoques e devem estar à disposição de quem tem acesso a um computador e a um software específico.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS104</p><p>3.5.1 SOFTWARES DE GERENCIAMENTO</p><p>A denominação do sistema ERP (Enterprise Resource Planning) se deu no ano de 1995, por Keller, em</p><p>um relatório do Gartner Group, uma empresa de consultoria. Esse novo sistema, segundo Martins (2005,</p><p>p.387), “É um modelo de gestão corporativo baseado num sistema de informação, com o objetivo de pro-</p><p>mover a integração entre os processos de negócios da organização e fornecer elementos para as decisões</p><p>estratégicas.”</p><p>Segundo Martins (2005), o surgimento do ERP pode ser considerado como uma evolução dos sistemas</p><p>MRP-I e do MRP-II.</p><p>Na figura, a seguir, pode-se verificar a evolução dos sistemas, do MRP-I ao ERP e a consequente evolução</p><p>na quantidade de processos de trabalho que cada software possuía.</p><p>Figura 42 - Evolução do Sistema MRP ao ERP</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>3 GESTÃO DE PROCESSOS 105</p><p>Na figura, a seguir, pode-se observar como deve ser um bom software de gestão de produção, que en-</p><p>globa o cliente até chegar aos fornecedores.</p><p>Figura 43 - Evolução dos sistemas do MRP ao ERPdf</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Este sistema foi desenvolvido pela necessidade cada vez maior em manter sob controle e de maneira</p><p>prática todos os processos inerentes à produção/prestação de serviços. Esse sistema também facilita o flu-</p><p>xo de informações na empresa, integrando todos os setores. Como os demais sistemas, ele opera com uma</p><p>única base de dados, e consolida todas as informações em um único ambiente computacional.</p><p>Pode-se verificar que o ERP apresenta uma funcionalidade de informações para todos os setores da</p><p>corporação: engenharia, contabilidade, vendas, manufatura, suprimentos e, inclusive, para os parceiros</p><p>comerciais. É uma ferramenta importante, cujo ponto forte a se destacar é a velocidade da informação.</p><p>Os ERPs, assim como o MRP-I e o MRP-II, apresentam diversos módulos, que tratam as diversas áreas da</p><p>empresa. Neste caso, pode-se desenvolver aptidões específicas para o sistema, de acordo com a necessi-</p><p>dade do setor.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS106</p><p>O ERP é um software que promete a integração das informações que fluem pela em-</p><p>presa. Esse sistema impõe sua própria lógica à estratégia, à cultura e à organização da</p><p>empresa. É uma solução genérica que procura atender a todo tipo de empresa e seu</p><p>projeto reflete uma série de hipóteses sobre como operam as organizações. É desen-</p><p>volvido para refletir as melhores práticas do negócio, porém a decisão sobre a melhor</p><p>prática é de responsabilidade do cliente. (SOUZA, 2003, p. 105),</p><p>A adoção do sistema ERP requer a análise dos processos executados pela empresa. O ideal é que, pri-</p><p>meiramente, a empresa faça a análise dos seus processos e que seja feita a verificação das funcionalidades</p><p>existentes. Então, é feito um levantamento sobre a carência da customização e os custos da sua implanta-</p><p>ção.</p><p>O ERP agiliza o fluxo de informações dentro de uma organização. Um gerente que tem acesso rápido</p><p>a informações precisas pode também tomar decisões com agilidade, evitando prejuízos ou melhorando</p><p>ainda mais seus lucros.</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você estudou a diferença entre os três métodos de manutenções existentes: ma-</p><p>nutenção corretiva, manutenção preventiva e manutenção preditiva. Eles serão mais eficientes,</p><p>quando se aplica os métodos de análises de falhas, com seus respectivos históricos, para atacar</p><p>primeiro as mais urgentes. Na gestão de projetos, existem algumas ferramentas da qualidade mui-</p><p>to importantes para a fase de planejamento das atividades e a gestão de manutenção, como o</p><p>PDCA, o 5W2H e o diagrama de Ishikawa.</p><p>Também percebeu que cartas de controle servem para informar quantas peças serão necessárias</p><p>para a montagem de um item. Com a ordem de serviço e o histórico de falhas, é possível propor</p><p>melhorias nos processos de fabricação, aplicando os métodos de análise de falhas. Antigamente,</p><p>todos esses controles eram feitos manualmente. Porém, com um ERP eficiente, pode-se fazer todo</p><p>o controle dos processos industriais, inclusive dos serviços de manutenção. O que importa é ter os</p><p>dados arquivados para futuras consultas, indiferente do meio disponível.</p><p>4</p><p>Tecnologia de Ferramentas e Materiais</p><p>Neste capítulo, você estudará algumas das ferramentas mais utilizadas no dia a dia de um</p><p>eletricista, como devem ser armazenadas e as Boas Práticas no Manuseio desses instrumentos.</p><p>Também conhecerá os motores elétricos, o que é corrente nominal, corrente de partida e o</p><p>tipo de padronização que existe entre os fabricantes. Além disso, estudará como se comandam</p><p>os motores, contator, inversores de frequência e chaves Soft-Starters. Para tanto, ao final desse</p><p>capítulo, você será capaz de:</p><p>a) definir as ferramentas e os materiais a serem utilizados na manutenção elétrica de</p><p>máquinas e equipamentos;</p><p>b) selecionar as ferramentas e equipamentos requeridos para a execução da manutenção</p><p>elétrica e mecânica de máquinas e equipamentos, considerando tipos, características e</p><p>aplicações;</p><p>c) avaliar, através de inspeção visual e medições, a integridade e o funcionamento dos</p><p>equipamentos elétricos e mecânicos;</p><p>d) definir as ferramentas informatizadas a serem usadas na manutenção elétrica de máqui-</p><p>nas e equipamentos;</p><p>e) interpretar as recomendações dos fabricantes de dispositivos, peças e equipamentos</p><p>elétricos.</p><p>Você deve estar se perguntando: para que serve tudo isso? Onde se aplica cada um desses</p><p>elementos? Quais as vantagens econômicas e técnicas para cada elemento? Muitas vezes, é</p><p>possível chegar ao mesmo resultado de formas diferentes, porém nem sempre se toma a deci-</p><p>são certa. Assim, a partir desse estudo, você terá condições de propor alternativa para cada tipo</p><p>de situação, melhorar seu ambiente de trabalho e propor mudanças tecnológicas, aproveitan-</p><p>do os recursos disponíveis.</p><p>Bons Estudos!</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS110</p><p>4.1 FERRAMENTAS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E APLICAÇÕES</p><p>Em qualquer procedimento de manutenção elétrica e mecânica, torna-se impossível começar a traba-</p><p>lhar sem o uso de um bom conjunto de ferramentas. É importante saber usá-las, ou seja, saber a aplicação</p><p>de cada uma delas, para não haver desgaste das ferramentas e acidentes por mau uso. Manter as ferra-</p><p>mentas em condições de confiabilidade máxima é responsabilidade do manutentor, pois atividades de</p><p>manutenção poderão iniciar a qualquer momento. Portanto, use apenas ferramentas em excelente estado</p><p>de conservação e limpas, porque sujas poderão escorregar das mãos do manutentor e ocasionar acidentes.</p><p>Normalmente, um manutentor recebe uma caixa de ferramentas, sendo de sua responsabilidade zelar</p><p>pelos itens fornecidos pela empresa até o final da vigência de seu contrato de trabalho. Essa caixa de ferra-</p><p>mentas é composta principalmente por ferramentas manuais, que normalmente são levadas pelo manu-</p><p>tentor para realizar alguma atividade.</p><p>Nas grandes empresas, existem também ferramentas de uso coletivo, que não são levadas pelo manu-</p><p>tentor em sua caixa, por causa do peso ou uso eventual. Por exemplo, uma chave combinada para apertar</p><p>uma porca de 80 mm tem peso aproximado de 9 kg e comprimento de 860 mm. Note que o transporte</p><p>manual dessa ferramenta é cansativa, porém, em algumas situações, é comum o uso de bancadas com</p><p>rodas, para auxiliar na sua movimentação.</p><p>Existem situações em que as máquinas a serem atendidas não estão no pátio da empresa. Por exemplo,</p><p>uma empresa de assistência técnica de tornos pode ter que realizar a manutenção em uma organização</p><p>que está localizada em outro parque fabril, cidade ou estado. Por isso, o deslocamento deverá ser feito de</p><p>carro, ônibus ou avião. Diante disso, dá-se preferência a caixas que possuam divisórias, para que as ferra-</p><p>mentas</p><p>não colidam, danificando-as.</p><p>Figura 44 - Transporte de Ferramentas</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 111</p><p>No caso dos eletricistas industriais, as ferramentas usadas no dia a dia são mais leves e normalmente são</p><p>transportadas em pequenas maletas. Por questão de segurança, não se transporta ferramentas nos bolsos</p><p>da roupa. Em caso de trabalho com rede energizada, o eletricista terá que utilizar ferramentas específicas</p><p>para esta atividade, com certificados de testes e aprovação (NR 10).</p><p>As ferramentas usadas em campo poderão ser manuais, elétricas, pneumáticas ou hidráulicas, como</p><p>você estudará a seguir.</p><p>4.1.1 FERRAMENTAS MANUAIS</p><p>As ferramentas manuais são as mais utilizadas e dependem diretamente do esforço do profissional de</p><p>manutenção. Recomenda-se que o manutentor leia os manuais e consulte os sites especializados, porque</p><p>há uma infinidade de ferramentas disponíveis no mercado. A seguir, conheça as ferramentas mais usadas.</p><p>a) Arco de serra – Utilizado para serrar ou cortar itens metálicos, plásticos e compensados.</p><p>Figura 45 - Arco de Serra</p><p>b) Alicate de bico – Muitas vezes, é preciso segurar pequenos parafusos que as mãos não conseguem</p><p>alcançar. Por isso, usa-se o alicate de bico, que é uma ferramenta muito empregada em manutenções</p><p>elétricas. Ele é usado para segurar, apertar amassar ou cortar fios. Exemplo: Alicate Bico Reto e Alicate</p><p>Bico Curvo.</p><p>Figura 46 - Alicate de Bico</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS112</p><p>c) Alicate de corte – Essa ferramenta é utilizada apenas para o corte de cabos.</p><p>Figura 47 - Alicate de Corte</p><p>d) Alicate universal – Essa ferramenta é muito difundida na indústria e tem a função de prender,</p><p>apertar, amassar e cortar. Tem uma empunhadura que facilita na realização dessas operações e duas</p><p>alavancas cruzadas, que amplificam a força das mãos do usuário. Essa configuração permite que a</p><p>peça fique bem presa e dificilmente escapa após ser segurada pelo alicate. Recomenda-se extremo</p><p>cuidado com essa ferramenta e nunca a use como martelo, porque poderá danificar o seu isolamento.</p><p>Também não se pode segurar com o alicate alguma peça para esquentar com o maçarico, porque</p><p>poderá romper sua isolação.</p><p>Figura 48 - Alicate Universal</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 113</p><p>e) Chave ajustável – É uma chave com a qual o profissional tem a possibilidade de ajustar o tamanho</p><p>da boca da chave ao tamanho da porca ou parafuso que se deseja apertar, afrouxar ou segurar. Muito</p><p>útil no dia a dia de uma equipe de manutenção.</p><p>Figura 49 - Chave Ajustável</p><p>f) Alicate prensa terminais – Usado para conectar terminais em pontas de cabos elétricos, com a</p><p>finalidade de melhorar a fixação de cabos com contator e disjuntores. Alguns alicates possuem a</p><p>opção de troca de moldes, ampliando assim a sua utilização para diversos tipos de terminais. Os</p><p>terminais mais usados nas industrias são:</p><p>1) terminais pré-isolados tipo garfo/forquilha – esse terminal é usado para fixar o cabo em, sem a reti-</p><p>rada do parafuso;</p><p>2) terminais pré-isolado tipo pino – usado normalmente em bornes saída de painéis;</p><p>3) terminal pré-isolado tipo olhal/anel – usado quando há condições de retirada do parafuso;</p><p>4) terminais tipo luva – usado para emendas de cabos;</p><p>5) terminais pré-isolado tipo tubular – diferente dos demais terminais, esse tem a particularidade de</p><p>ser tubular e permite que o cabo fique colocado inteiramente em seu interior em que a conexão será</p><p>feita na ponta do terminal. Para prensagem desse terminal, é usado um alicate diferente dos demais</p><p>terminais pré-isolados.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS114</p><p>Figura 50 - Terminais pré-isolados</p><p>Figura 51 - Exemplo de terminais tubulares</p><p>Figura 52 - Alicate de corte, chave de fenda, alicates prensa terminais tipo catraca e alicate Universal</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 115</p><p>g) Chave L hexagonal – Utilizada para apertar parafusos com sextavados internos. Lembre-se de que</p><p>essa ferramenta jamais pode ser esmerilhada, soldada ou usada com extensor, porque isso a danifi-</p><p>cará, podendo ocasionar acidentes.</p><p>Figura 53 - Chave L Hexagonal</p><p>h) Chave catraca com soquetes – Utilizada em equipamentos apertados, onde não há a possiblidade</p><p>de dar um giro de 360 graus em uma porca ou parafusos com uma chave comum. A alavanca catraca</p><p>permite acoplamento de diversos tipos de soquetes. Com um pequeno espaço, consegue-se afrouxar</p><p>ou apertar fixadores. No que se refere a soquetes, existem vários modelos, podendo ser sextavado,</p><p>chave cruzada ou allen.</p><p>Figura 54 - Chave catraca com soquetes</p><p>i) Chave de boca – Existem chaves de boca em milímetro e em polegadas. Por isso, deve-se prestar</p><p>atenção para usar a chave correta para cada porca ou parafuso. Caso essa regra não seja obedecida,</p><p>poderão acontecer acidentes ou amassamento do sextavado, prejudicando o aperto ou a retirada</p><p>do parafuso ou porca. Os números que estão marcados na cabeça indicam sua classe e orientam o</p><p>manutentor que se trata de um parafuso em milímetro.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS116</p><p>Figura 55 - Chave de Boca</p><p>j) Chave estrela – É uma chave que poderá ser encaixada de diversas maneiras sobre a porca ou</p><p>parafuso. Isso acontece devido ao seu desenho geométrico interno e possibilita que o encaixe da</p><p>chave sobre o sextavado seja feito em condições mais favoráveis ao manutentor.</p><p>Figura 56 - Chave Estrela</p><p>k) Chave de boca combinada – Tem a característica da Chave de Boca e a Chave estrela. Normalmente</p><p>esse é o modelo preferido entre os profissionais das indústrias.</p><p>Figura 57 - Chave Combinada</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 117</p><p>l) Chave de fenda – Utilizada para apertar e soltar parafusos que tenham fendas em suas cabeças. Essa</p><p>ferramenta, por não ter uma boa fixação sobre a cabeça do parafuso, poderá escapar e machucar o</p><p>profissional ao utilizá-la. Outro cuidado que o profissional deve ter ao empregar essa ferramenta é</p><p>utilizar a chave exatamente do tamanho da cabeça do parafuso. Chaves com as pontas menores que</p><p>a cabeça do parafuso poderão ocasionar rompimento no momento do esforço.</p><p>Figura 58 - Chave de Fenda</p><p>m) Chave Cruzada – A chave cruzada se encaixa de maneira mais uniforme sobre a cabeça do parafuso,</p><p>diminuindo assim a possibilidade da ponta da chave escapar.</p><p>Figura 59 - Chave Cruzada</p><p>n) Chave estriada ou chave multidentada – Normalmente, essa chave é usada na manutenção de</p><p>equipamentos elétricos, como furadeiras e lixadeiras. É a chave que melhor se adequa à cabeça dos</p><p>parafusos. Por isso, as empresas as empregam com maior frequência.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS118</p><p>Figura 60 - Chave estriada ou chave multidentada</p><p>o) Canivete ou estilete – Utilizado para desencapar e retirar o esmalte dos cabos elétricos antes de</p><p>fazer uma emenda e evitar mau contato. O recomendável é usar luva no uso dessa ferramenta, con-</p><p>forme a figura, a seguir.</p><p>Figura 61 - Estilete</p><p>p) Sacador de polias e rolamentos – É a ferramenta destinada a sacar rolamentos e polias. Nas empre-</p><p>sas, os modelos mais utilizados são de 2 ou 3 pernas. Para executar a extração, deve ser levado em</p><p>consideração o tamanho do rolamento ou da polia a ser sacada, conforme você pode acompanhar</p><p>na figura, a seguir.</p><p>Figura 62 - Sacador de Polias e Rolamentos</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 119</p><p>A seguir, conheça</p><p>as ferramentas pneumáticas. Acompanhe.</p><p>4.1.2 FERRAMENTAS PNEUMÁTICAS</p><p>São ferramentas movidas pela força do ar, cujo objetivo é ganhar agilidade nas operações de grande</p><p>repetitividade. Outra vantagem desse tipo de ferramenta é que podem ser usadas em lugares confinados</p><p>e com risco de explosões, uma vez que não haverá o risco de choque elétrico e nem de faiscamentos. Essas</p><p>ferramentas são mais robustas e duráveis que as elétricas, já que não há aquecimento nem desgaste de</p><p>escovas1. O ruído e o alto custo na preparação do ar é sua principal desvantagem.</p><p>Conheça, a seguir, algumas ferramentas pneumáticas.</p><p>a) Furadeiras pneumáticas – São usadas abundantemente em grandes linhas de produção. Há vários</p><p>modelos e tamanhos, conforme a necessidade do operador. São ferramentas ágeis, compactas e</p><p>competitivas, dando menos manutenção e possuem melhor torque que a furadeira elétrica.</p><p>b) Parafusadeiras pneumáticas – Os engenheiros sabem que uma porca ou parafuso necessita do</p><p>aperto correto na montagem de qualquer produto, principalmente em produção em alta escala.</p><p>Apertando demais, o operador estará danificando o fixador, e, se apertar pouco, a peça poderá se</p><p>soltar. Pensando nessa situação, essa ferramenta é altamente recomendada, quando há a necessidade</p><p>de alta repetitividade e padronização de aperto de porcas ou parafusos. Acompanhe a figura, a seguir.</p><p>Figura 63 - Parafusadeira Pneumática</p><p>c) Lixadeiras pneumáticas – É uma ferramenta mais leve, confiável e possui maior torque. Muito</p><p>usada em locais onde há pouco espaço e em ambientes atípicos, como demonstra a figura, a seguir.</p><p>Note que um mergulhador está preparando a superfície de um navio para poder fazer a aplicação</p><p>de solda.</p><p>1 Peça metálica ou de carvão que se emprega para receber ou entregar corrente elétrica do coletor ou enrolamento de um motor</p><p>ou gerador. (BARIO; SANTOS; BENEDITO, 2006)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS120</p><p>Figura 64 - Uso de Lixadeira pneumática em caso de navio</p><p>Agora que você já estudou as principais ferramentas pneumáticas, conheça a ferramentas hidráulicas.</p><p>4.1.3 FERRAMENTAS HIDRÁULICAS</p><p>Acompanhe a descrição das principais ferramentas hidráulicas.</p><p>a) Torquímetro hidráulico – Usado na montagem de grandes máquinas, onde se precisa saber com</p><p>exatidão o esforço ao qual o parafuso foi submetido. Ao apertar muito um parafuso, este ficará com</p><p>a rosca danificada e perderá suas características mecânicas. Já apertando pouco um parafuso, o</p><p>equipamento poderá ficar solto ou com folga, podendo ocasionar problemas futuros. A parte da</p><p>ferramenta que faz esforço na porca precisa ser conectada a duas mangueiras, que permitirão a</p><p>ligação entre a chave e a bomba hidráulica. A bomba hidráulica envia óleo à chave, para dar início ao</p><p>movimento. Observe, na figura, a seguir, que o operador tem um controle nas mãos, o que permite</p><p>que ele tenha condições de ligar e desligar a bomba hidráulica, conforme sua necessidade. As chaves</p><p>aplicadas no torquímetro são intercambiáveis. Portanto, o operador escolhe a bitola da chave que</p><p>desejar e a encaixa no torquímetro hidráulico.</p><p>Figura 65 - Torquímetro</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 121</p><p>Essa chave precisa de apoio para realizar o aperto do parafuso. Lembre-se de que há risco do manu-</p><p>tentor colocar uma das mãos entre o apoio e a chave, havendo o esmagamento de membros. Por isso, é</p><p>preciso muito cuidado ao manusear esse tipo de ferramenta.</p><p>b) Sacador de polia/rolamento hidráulico - Essa ferramenta facilita bastante o dia a dia do manuten-</p><p>tor quando se trata de rolamento/polias de eixos maiores. Sua aplicação é simples e o seu aciona-</p><p>mento pode ser manual ou através de bombas, conforme você pode observar na figura, a seguir.</p><p>Figura 66 - Sacador de Polia Hidráulico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>c) Macaco hidráulico - É frequentemente usado para erguer equipamentos pesados. Tem modelo</p><p>simples de apenas um cilindro com bomba alojado em seu próprio corpo. Há outro mais sofisticado,</p><p>que permite a troca do cilindro com a mesma bomba, ampliando as possibilidades de trabalho com</p><p>essa ferramenta, conforme a figura, a seguir.</p><p>Figura 67 - Macaco Hidráulico</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS122</p><p>d) Prensa terminal hidráulico – Na necessidade de trabalhar com instalações de grande porte, é muito</p><p>comum a aplicação desta ferramenta. Evite improvisações para esse tipo de trabalho, porque um</p><p>trabalho malfeito no momento da prensagem do terminal no cabo ocasionará um mau contato. Isso</p><p>poderá motivar um aquecimento na peça e, se não verificado a tempo, causar uma grande parada de</p><p>máquina ou de todas as atividades da empresa. Esse dispositivo é um alicate que troca seus moldes,</p><p>conforme a bitola do cabo a ser instalado. Por exemplo, trabalho para cabo de 100 milímetros</p><p>quadrados terá um molde para ele, e assim por diante. Esse alicate é conectado a uma mangueira</p><p>com óleo vindo da bomba (manual ou elétrica), que dará condições ao movimento da boca do alicate</p><p>para o ato da prensagem, também conhecida como crimpagem2. Há alicates que não necessitam</p><p>aplicação de mangueiras, funcionam de maneira semelhante a um macaco hidráulico, que possui</p><p>sua bomba no seu interior. Neste caso, basta movimentar seu cabo para obter o movimento.</p><p>Figura 68 - Prensa terminal hidráulico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Dê preferência a ferramentas normalizadas e nunca improvise quando for fazer</p><p>qualquer atividade. Observe sempre a condição das suas ferramentas e se estão de</p><p>acordo com a tensão que você está trabalhando.</p><p>2 Ato de prensar um terminal em um cabo elétrico ou de redes de computadores.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 123</p><p>4.1.4 FERRAMENTAS ELÉTRICAS</p><p>As ferramentas elétricas são movidas sem o esforço do manutentor, tendo a eletricidade como o agente</p><p>de esforço. Esse tipo de ferramenta é para uso eventual, ou seja, não é recomendado para altos índices de</p><p>produção, já que apresentam indicadores de manutenabilidade superior às ferramentas pneumáticas, por</p><p>causas de suas escovas que se desgastam com o passar do tempo. Outro problema que é levado em consi-</p><p>deração é o risco de choque elétrico para quem a manuseia.</p><p>A seguir, conheça as principais ferramentas elétricas.</p><p>a) Furadeira manual elétrica – A furadeira manual é usada para furar, apertar ou retirar parafusos e</p><p>porcas de máquinas ou paredes. Para apoiar essas atividades, são usadas ferramentas chamadas de</p><p>bits, que são intercambiáveis e podem ser usadas na furadeira no lugar da broca para apertar parafu-</p><p>sos. O modelo deve ser escolhido conforme a cabeça do parafuso. Observe.</p><p>Figura 69 - Furadeira Manual</p><p>b) Lixadeira Elétrica – A lixadeira elétrica é uma ferramenta que agiliza o processo de corte de</p><p>eletrodutos, corte de parafusos, corte de eletrocalhas e lixamento de peças para pintura. Observe.</p><p>Figura 70 - Corte de peça usando lixadeira</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS124</p><p>Para saber mais sobre as ferramentas manuais, elétricas e pneumáticas, acesse os sites</p><p>de empresas fabricantes de ferramentas.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Acompanhe, a seguir, o estudo de materiais aplicados em máquinas e equipamentos.</p><p>4.2 MATERIAIS APLICADOS EM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E</p><p>APLICAÇÕES</p><p>Na manutenção de sistema elétricos, é preciso conhecer algumas características dos elementos elétri-</p><p>cos, fundamentais para um manutentor. Ao entrar em contato com um novo segmento, sempre encontra</p><p>situações novas, inclusive diferença nos termos usualmente empregados no mundo da manutenção.</p><p>A seguir, você estudará como funcionam os motores e as resistências, elementos fundamentais para</p><p>fazer a maioria das transformações de energia.</p><p>4.2.1 ELEMENTOS DE TRABALHO (MOTORES, RESISTÊNCIAS ETC.)</p><p>Elementos de Trabalho são os que transformam a energia elétrica em outro tipo de energia. Por exem-</p><p>plo, o motor transforma energia elétrica em energia mecânica, e a resistência transforma energia elétrica</p><p>em calor.</p><p>a) Motores Elétricos – “O motor elétrico é uma máquina que transforma energia elétrica em energia</p><p>mecânica de utilização.” (MAMEDE FILHO, 2007, p.264)</p><p>b) Motores Trifásicos Assíncronos – O motor elétrico de corrente alternada pode ser trifásico ou</p><p>monofásico. Chama-se assíncrono, porque o motor gira em sincronia com a frequência da rede, que</p><p>é 60 hertz, no Brasil. Ele é um elemento fundamental em diversos tipos de equipamentos, já que sem</p><p>eles os movimentos dos equipamentos seriam limitados, reduzindo a velocidade de produção. Eles</p><p>são compostos por bobina ou enrolamento, rolamento, induzido (ou eixo), carcaça, caixa de ligação,</p><p>ventilador e duas tampas que funcionam como se fossem um mancal mecânico, encaixando os rola-</p><p>mentos para dar suporte ao eixo do motor. Por possuir uma estrutura simples, consegue ter uma vida</p><p>útil muito longa, quando bem instalado. (FRANCHI 2008).</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 125</p><p>Figura 71 - Motor Trifásico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Um motor trifásico é constituído de três bobinas, ou seja, um conjunto de muitas espiras de cobre de-</p><p>fasadas em 1200 entre si, no interior do seu estator, chamadas de enrolamento. Esses três enrolamentos,</p><p>no momento da sua energização, são responsáveis por um campo magnético girante que influenciará no</p><p>rotor ou induzido, a fim de girá-lo.</p><p>O estator é constituído de diversas chapas eletromagnéticas e tem como função principal orientar o</p><p>campo eletromagnético3 criado pelo enrolamento, além de não permitir que se propague o calor, inimigo</p><p>número um dos motores elétricos. Em suas ranhuras, é alojado um papel isolante, sobre o qual são assen-</p><p>tados os fios esmaltados, que formam o enrolamento ou bobina. O rotor ou induzido é a parte móvel do</p><p>motor, constituída de barras condutoras interligadas com um anel, formando uma gaiola de esquilo.</p><p>Uma das desvantagens desse tipo de motor é o torque de partida reduzido, se comparado com a cor-</p><p>rente consumida pelo estator. Existem outros tipos de motores que possuem o rotor bobinado, ou seja,</p><p>existem bobinas no rotor também, são mais eficientes, devido à corrente de partida ser mais baixa.</p><p>Para os motores de indução trifásicos tipo gaiola de esquilo4, existem dois tipos de ligações, que pode</p><p>se fazer diretamente, respeitando as informações de sua placa:</p><p>a) ligação triângulo;</p><p>b) ligação estrela.</p><p>3 Região ao redor de um condutor percorrido por uma corrente, provocando o surgimento de uma forma semelhante as forças de</p><p>atração e repulsão existentes num imã. (BARIO, SANTOS, BENEDITO, 2006)</p><p>4 Termo dado ao rotor que é formado por barras de alumínio fundidas nas chapas do rotor, formando uma espécie de gaiola.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS126</p><p>Conheça, a seguir, as categorias de conjugados.</p><p>a) Categoria H – Conjugado de partida alto, baixo escorregamento entre o induzido e o campo mag-</p><p>nético e corrente de partida considerada normal. Exemplo: esteiras carregadas.</p><p>b) Categoria HY – Similar ao anterior, porém necessita de uma instalação de uma partida estrela triân-</p><p>gulo.</p><p>c) Categoria D – Conjugado5 de partida alto, corrente de partida normal e elevado escorregamento.</p><p>Exemplo: prensas.</p><p>Conheça, na figura, a seguir, um exemplo de conjugado.</p><p>Figura 72 - Percentual do conjugado para cada categoria</p><p>Fonte: Adaptado de Franchi (2008)</p><p>Conheça, a seguir, as classes de isolamentos segundo a NBR IEC 60085:2012, que apresenta a divisão de</p><p>classes de isolamento:</p><p>a) Classe A: 105 0 C;</p><p>b) Classe E: 120 0 C;</p><p>c) Classe B: 1300 C;</p><p>d) Classe F: 1550 C;</p><p>e) Classe H: 1800 C.</p><p>5 É o esforço que o eixo faz no momento do giro em um motor elétrico, também conhecido como torque.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 127</p><p>Acompanhe.</p><p>Bobina ou Espiras</p><p>Constituídas por</p><p>�o esmaltado.</p><p>Isolamento entre o estator e o</p><p>bobinado ou enrolamento.</p><p>Figura 73 - Partes de um motor elétrico</p><p>Segundo a norma vigente, motores com aplicações normais devem trabalhar em ambientes até 400C.</p><p>Acima disso, as condições são caracterizadas como especiais e, para ter uma proteção complementar nos</p><p>enrolamentos, instalam-se sensores térmicos. Os sensores usados normalmente são, termorresistores, ter-</p><p>mostatos, e protetores térmicos (MAMEDE FILHO, 2007).</p><p>a) Termostato – É um elemento constituído de lâmina bimetálica, com seu coeficiente de dilatação</p><p>feito conforme o projeto. Seu contato é de prata, que comuta quando chega a temperatura dimen-</p><p>sionada.</p><p>b) Termorresistor – É usada para acompanhar a evolução térmica dos motores. Seu coeficiente de</p><p>temperatura é positivo. Conforme a temperatura do ambiente aumenta, altera o valor da resistência.</p><p>Isso é possível, porque existem alguns materiais, como cobre, platina e níquel, que mudam a re-</p><p>sistência conforme a temperatura. Esse sistema é utilizado para monitorar motores vitais em regime</p><p>extremo, ou seja, o termorresistor terá a função de monitorá-los diretamente.</p><p>c) Termistores – É um elemento que tem sua comutação de forma repentina, conforme o ambiente</p><p>em que ele está. Estes termistores são constituídos de diferentes coeficientes de temperatura e</p><p>dois modelos que são facilmente encontrados no mercado. O modelo PTC6 possui coeficiente de</p><p>temperatura positivo, isto é, quando a temperatura do ambiente chega à temperatura que o elemento</p><p>6 Termistores que tem seu coeficiente de temperatura Positivo.</p><p>M</p><p>at</p><p>eu</p><p>s</p><p>Fe</p><p>lip</p><p>e</p><p>G</p><p>oe</p><p>de</p><p>rt</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS128</p><p>foi calibrado, o circuito se abrirá. Uma sugestão de segurança de uso severo é instalar dois PTCs, um</p><p>com uma temperatura mais baixa e outro com a temperatura limite. O primeiro alerta e o outro</p><p>desarma o circuito principal do motor. O Modelo NTC7 trabalha com o coeficiente de temperatura</p><p>negativo, ou seja, quando o ambiente atinge o valor calibrado, o contato se fecha (MAMEDE FILHO,</p><p>2007).</p><p>Umas das variáveis, fornecidas pelos fabricantes de motores é chamada de Tempo com Rotor Bloque-</p><p>ado a Quente (TRB). O fabricante coloca seu motor em condições extremas com o motor ligado, o rotor</p><p>trancado e sem refrigeração. Assim, esse motor ficará com corrente elevada e aumenta sua temperatura.</p><p>Em seguida, anota-se quantos segundos o motor consegue suportar essas condições. Historicamente, esse</p><p>tempo tem uma diferença de 5 a 30 segundos. Além disso, deve ser avaliada a necessidade de instalação</p><p>de um motor em um projeto. 8</p><p>REGIME DE SERVIÇO CARACTERÍSTICA</p><p>S1 Regime contínuo.</p><p>S2 Regime de tempo limitado.</p><p>S3 Regime intermitente periódico.</p><p>S4 Regime intermitente periódico com partida.</p><p>S5</p><p>Regime intermitente periódico com frenagem</p><p>elétrica.</p><p>S6</p><p>Regime de funcionamento contínuo</p><p>periódico com carga intermitente8.</p><p>S7</p><p>Regime de funcionamento contínuo</p><p>periódico com carga intermitente.</p><p>S8</p><p>Regime de funcionamento contínuo</p><p>periódico com mudanças correspondentes de</p><p>carga e velocidade.</p><p>S9</p><p>Regime com variações não periódicas de</p><p>carga e velocidade.</p><p>S10 Regime com cargas constantes e distintas.</p><p>Quadro 14 - Regime de Serviço especificado pela NBR 7094</p><p>Fonte: Adaptado de Franchi (2008)</p><p>OS MOTORES REGIME S2 E S10 DEVEM SER ENCOMENDADOS DIRETO COM O FABRICANTE.</p><p>a) Fator de Serviço</p><p>O fator de serviço mostra o percentual de carga a mais ao qual o motor pode ser submetido em condi-</p><p>ções específicas (FRANCHI, 2008). Por exemplo, F.S. = 1,15 significa que o motor suportará 15% a mais da</p><p>sua carga nominal em condições específicas, ou seja, é a capacidade de o motor admitir uma sobrecarga (é</p><p>uma reserva de potência do motor).</p><p>7 Termistores que tem coeficiente de temperatura Negativo.</p><p>8 Que tem interrupções ou paradas.</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 129</p><p>b) Tensão Nominal Múltipla</p><p>A tensão nominal múltipla é a informação que se encontra nas placas dos</p><p>motores, tanto em trifásicos</p><p>quanto em monofásicos. A maioria dos motores ou geradores são munidos com terminais nos enrolamen-</p><p>tos de armadura conectáveis, dando a possibilidade de alimentá-los com duas diferentes tensões pelo</p><p>menos.</p><p>c) Corrente de Partida</p><p>Para saber a corrente de partida de um motor, é comum que se recorre à placa de identificação do mo-</p><p>tor. No campo Ip/In, tem-se a indicação de quantas vezes a corrente de pico é maior que a corrente nominal</p><p>(FRANCHI, 2008).</p><p>d) Número de Rotações</p><p>O número de rotações dos motores trifásicos depende de dois elementos:</p><p>F= frequência;</p><p>P= número de polos.</p><p>Observe a equação a seguir:</p><p>Se um motor de 2 polos estiver trabalhando em 60Hz, tem-se:</p><p>NÚMERO DE POLOS RPM</p><p>2 POLOS 3600</p><p>4 POLOS 1800</p><p>6 POLOS 1200</p><p>8 POLOS 900</p><p>10 POLOS 720</p><p>Tabela 5 - Rotação dos Motores e RPM em 60Hz</p><p>Fonte: Adaptado de Franchi (2008)</p><p>A aplicação de motores com 8 e 10 polos não é comum e, por isso, havendo a necessidade, deve-se</p><p>encomendá-lo diretamente com o fabricante.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS130</p><p>a) Sentido de Rotação</p><p>A mudança de rotação de um motor trifásico se faz invertendo duas fases de alimentação (FRANCHI,</p><p>2008). No caso de um motor monofásico, deve ser invertido o terminal T5 pelo T8, conforme diagrama a</p><p>seguir.</p><p>Figura 74 - Exemplo de troca de sentido de giro em um motor monofásico e troca de tensão</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Havendo a necessidade de compra de um motor elétrico trifásico, um detalhe a ser observado é o Grau</p><p>de Proteção do Invólucro, que indica o grau de proteção suportada pela estrutura do elemento. Por exem-</p><p>plo, suponha que você trabalhe em uma empresa que permita a exposição do motor a particulados 2mm,</p><p>algo comum em metalúrgicas, então, no momento da compra, você fará a recomendação do motor com</p><p>invólucro adequado à situação, ou seja, o recomendado seria 50, no qual o algarismo 5 refere-se a “protegi-</p><p>do contra objetos sólidos maiores de 1 mm”. E, o segundo algarismo, representado pelo 0, refere-se a “não</p><p>protegido contra penetração de líquidos”. Observe, a seguir, tabela de grau de proteção do invólucro do</p><p>motor e as demais configurações possíveis nos motores.</p><p>b) Grau de Proteção do Invólucro do Motor</p><p>PROTEÇÃO CONTRA PENETRAÇÃO</p><p>DE CORPOS SÓLIDOS</p><p>PROTEÇÃO CONTRA PENE-</p><p>TRAÇÃO DE LÍQUIDOS</p><p>NUMERAL PRIMEIRO NUMERAL SEGUNDO NUMERAL</p><p>0 Não protegido. Não protegido.</p><p>1</p><p>Protegido contra objetos sólidos maiores</p><p>de 50 mm.</p><p>Protegido contra quedas vertic-</p><p>ais de gotas de água.</p><p>2</p><p>Protegido contra objetos sólidos maiores</p><p>de 12 mm.</p><p>Protegido contra quedas de</p><p>gotas de água com inclinação</p><p>máxima de 15.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 131</p><p>PROTEÇÃO CONTRA PENETRAÇÃO</p><p>DE CORPOS SÓLIDOS</p><p>PROTEÇÃO CONTRA PENE-</p><p>TRAÇÃO DE LÍQUIDOS</p><p>NUMERAL PRIMEIRO NUMERAL SEGUNDO NUMERAL</p><p>3</p><p>Protegido contra objetos sólidos maiores</p><p>de 2,5 mm.</p><p>Protegido contra água aspergida</p><p>de um ângulo de 60 da vertical.</p><p>4</p><p>Protegidos contra objetos sólidos maiores</p><p>de 2,5 mm.</p><p>Protegido contra projeções de</p><p>água em qualquer direção.</p><p>5</p><p>Protegido contra objetos sólidos maiores</p><p>de 1 mm.</p><p>Protegido contra jato de água</p><p>em qualquer direção.</p><p>6 Totalmente protegido contra poeira.</p><p>Protegido contra ondas do mar</p><p>ou água projetada em jatos</p><p>potentes.</p><p>7</p><p>Protegido contra imersões em</p><p>água, sob condições definidas</p><p>de tempo e pressão.</p><p>8</p><p>Protegido para submersão</p><p>contínua em água nas condições</p><p>especificadas pelo fabricante.</p><p>Quadro 15 - Grau de Proteção do Invólucro</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>a) Motores à Prova de explosão - Esses motores são instalados em lugares em que há presença de</p><p>produtos inflamáveis ou risco de explosões devido à existência de gases. Há um cuidado especial com</p><p>suas vedações, pois, no surgimento de uma faísca, poderá gerar um acidente de grandes proporções.</p><p>b) Forma construtiva – A norma NBR 15623 estabelece as especificações de montagem de máquinas</p><p>elétricas, que está em concordância com a normalização International Electrotechnical Commissin-</p><p>IEC-72. Na prática, com bases nessas informações, há uma padronização entre os fabricantes, que é</p><p>muito bom para os consumidores. Por exemplo, se queimar um motor do modelo M100 da marca</p><p>“X”, este poderá ser substituído por um M100 que atenda à NBR 15623 de qualquer marca disponí-</p><p>vel no mercado. A norma ABNT NBR IEC 60034-7:2013 estabelece a forma construtiva dos motores,</p><p>tomando como ponto de partida suas partes em relação à fixação, mancalização, pontas de eixo e</p><p>caixa de ligação. A figura, a seguir, apresenta os diversos tipos de montagem, tanto na vertical como</p><p>na horizontal.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS132</p><p>DESIGNAÇÃO DESENHO</p><p>TIPO DE CONSTRUÇÃO ARRANJO DA</p><p>MONTAGEM</p><p>(EIXO</p><p>HORIZONTAL)</p><p>NÚMERO DE</p><p>TAMPAS DE</p><p>MANCAIS</p><p>PÉ FLANGE OUTROS</p><p>DETALHES</p><p>IM B25 2</p><p>Com pés eleva-</p><p>dos</p><p>Com flange</p><p>Fixação por</p><p>flange no lado</p><p>acionado com</p><p>acesso traseiro</p><p>Fixação por pés,</p><p>para baixo, com</p><p>fixação adicional</p><p>por flange</p><p>IM B34 2 Com pés Com flange</p><p>Flange de</p><p>encaixe. Sem</p><p>acesso à</p><p>parte traseira do</p><p>flange no lado</p><p>acionado</p><p>IM B35 2 Com pés Com flange</p><p>Fixação por</p><p>flange no lado</p><p>acionado com</p><p>acesso traseiro</p><p>Quadro 16 - Exemplo Formas construtivas de motores</p><p>Fonte: Adaptado de ABNT NBR IEC 60034-7 (2013)</p><p>a) Normas ABNT para Motores Trifásicos Gaiola de Esquilo</p><p>As principais Normas ABNT para Motores Trifásicos Gaiola são:</p><p>NBR 5383-1 / NBR 5383-2</p><p>MÁQUINAS ELÉTRICAS</p><p>GIRANTES - MOTORES DE</p><p>INDUÇÃO</p><p>MOTORES TRIFÁSICOS</p><p>E MONOFÁSICOS.</p><p>DEFINIÇÕES DE ENSAIOS.</p><p>NBR IEC 60034-7: 2013</p><p>Máquinas elétrica girantes -</p><p>Classificação das formas</p><p>construtivas e montagens</p><p>Classificação dos tipos de</p><p>construção, arranjos de</p><p>montagem e posição da caixa</p><p>de terminais.</p><p>NBR IEC 60034-6:2013</p><p>Máquinas elétricas girantes -</p><p>Classificação dos Métodos de</p><p>resfriamento</p><p>Classificação dos tipos de</p><p>construção, arranjos de</p><p>montagem.</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 133</p><p>NBR 5383-1 / NBR 5383-2</p><p>MÁQUINAS ELÉTRICAS</p><p>GIRANTES - MOTORES DE</p><p>INDUÇÃO</p><p>MOTORES TRIFÁSICOS</p><p>E MONOFÁSICOS.</p><p>DEFINIÇÕES DE ENSAIOS.</p><p>NBR 5383/1983</p><p>Máquinas elétricas girantes -</p><p>Parte 1- Motores de indução</p><p>trifásicos</p><p>Ensaios: Estabelece procedi-</p><p>mentos a serem seguidos na</p><p>execução de ensaios destinados</p><p>à determinação das caracterís-</p><p>ticas de máquinas de indução.</p><p>Não se aplica às máquinas para</p><p>tração elétrica.</p><p>NBR 15623:2008</p><p>Máquinas elétricas girantes -</p><p>Dimensões e potências</p><p>nominais</p><p>Dimensões e séries de potên-</p><p>cias para máquinas elétricas</p><p>girantes.</p><p>NBR IEC 60085: 2012</p><p>Materiais Isolantes elétricos –</p><p>Classificações térmicas.</p><p>Isolação elétrica — Avaliação</p><p>térmica e designação.</p><p>NBR IEC 60034-9</p><p>Máquinas elétricas girantes –</p><p>Limites de ruído.</p><p>Limites de ruído.</p><p>NBR IEC 60034-5</p><p>Máquinas elétricas girantes</p><p>– Graus de proteção</p><p>proporcionados pelos</p><p>invólucros.</p><p>Graus de proteção proporcio-</p><p>nados pelo projeto completo</p><p>de máquinas elétricas girantes</p><p>(Código IP) – Classificação.</p><p>Quadro 17 - Principais normas para fabricação de motores elétricos</p><p>Fonte: Adaptado de ABNT (2015)</p><p>MANUTENÇÃO EM MOTORES ELÉTRICOS</p><p>Motores elétricos de indução, quando bem instalados, são muito duráveis, devido à sua baixa comple-</p><p>xidade. Em condições normais de temperatura de até 40oC, estima-se que esse motor possua vida útil de</p><p>20.000 horas (2 anos), tanto para os isolantes como para a sua mancalização. Entretanto, como as condi-</p><p>ções da maioria dos motores não é tão severa, há motores com vida útil superior a 10 anos. Motores com</p><p>potências maiores, a expectativa de vida pode chegar a 30 anos.</p><p>Para se obter o feito desejado, deve-se ter um bom programa de manutenção preventiva. Porém, em</p><p>alguns casos, devido à severidade dos ambientes onde são instalados, ocorrem alguns inconvenientes,</p><p>que deverão ser controlados, para que o motor tenha uma boa longevidade. Em fundições, por exemplo,</p><p>acontece muita incidência de acúmulo de areia em cima do aletado9, prejudicando diretamente a troca</p><p>90 - Sensor Magnético ................................................................................................................................... 161</p><p>Figura 91 - Funcionamento de um transformador de diferencial ............................................................... 162</p><p>Figura 92 - Teste com Ohmímetro de Enrolamentos de Motor Trifásico ................................................... 164</p><p>Figura 93 - Testando com Ohmímetro Enrolamentos de Motor Trifásico ............................................... 165</p><p>Figura 94 - Teste com Ohmímetro de curto-circuito entre enrolamentos e estator de um motor</p><p>Trifásico ............................................................................................................................................................................. 166</p><p>Figura 95 - Teste prático em resistores .................................................................................................................. 167</p><p>Figura 96 - Teste de diodos com o Ohmímetro .................................................................................................. 168</p><p>Figura 97 - Característica de encapsulamento de um transistor na prática ............................................ 169</p><p>Figura 98 - Referências para medições para testes de transistor ................................................................. 169</p><p>Figura 99 - Entrada de Serviços para uma equipe de Manutentores ......................................................... 179</p><p>Figura 100 - Tempo médio da velocidade de atendimentos por funcionários ...................................... 180</p><p>Figura 101 - Média do tempo de atendimento de um departamento de manutenção ..................... 181</p><p>Figura 102 - Organograma departamento de manutenção ......................................................................... 187</p><p>Figura 103 - Exemplo de bloqueio de Energia em painel elétrico .............................................................. 199</p><p>Figura 104 - Exemplo de mapa de riscos .............................................................................................................. 201</p><p>Figura 105 - Representação de cores dos riscos no mapa de riscos ........................................................... 201</p><p>Figura 106 - Representação de graduação dos riscos no mapa de riscos ................................................ 202</p><p>Figura 107 - Selos verdes ............................................................................................................................................ 227</p><p>Figura 108 - Símbolo de gestão sustentável e economia de energia ........................................................ 227</p><p>Quadro 1 - Matriz Curricular ..........................................................................................................................................19</p><p>Quadro 2 - País de origem das principais Normas Técnicas ...............................................................................22</p><p>Quadro 3 - Simbologia aplicada na indústria ..........................................................................................................34</p><p>Quadro 4 - Categoria de Documentos Técnicos .....................................................................................................37</p><p>Quadro 5 - Informações para parametrizações de equipamentos ..................................................................50</p><p>Quadro 6 - Linguagem Ladder .....................................................................................................................................55</p><p>Quadro 7 - Montagem e desmontagem de conjuntos elétricos .....................................................................69</p><p>Quadro 8 - Sinalização de conexão de sensores ....................................................................................................72</p><p>Quadro 9 - Estratificação dos defeitos em 4 meses ..............................................................................................83</p><p>Quadro 10 - Elemento básico do FMEA .....................................................................................................................86</p><p>Quadro 11 - Formulário básico - FMEA ......................................................................................................................88</p><p>Quadro 12 - Modelo plano de ação ............................................................................................................................97</p><p>Quadro 13 - Procedimento Padrão de Pintura de Tubulações ....................................................................... 103</p><p>Quadro 14 - Regime de Serviço especificado pela NBR 7094 ........................................................................ 128</p><p>Quadro 15 - Grau de Proteção do Invólucro ......................................................................................................... 131</p><p>Quadro 16 - Exemplo Formas construtivas de motores ................................................................................... 132</p><p>Quadro 17 - Principais normas para fabricação de motores elétricos ........................................................ 133</p><p>Quadro 18 - Queima de motores elétricos e prováveis causas ...................................................................... 136</p><p>Quadro 19 - Principais defeitos em Contatores ................................................................................................... 146</p><p>Quadro 20 - Relação de resíduos de manutenção. ............................................................................................ 214</p><p>Quadro 21 - Relação de resíduos com a legislação vigente ............................................................................ 216</p><p>Tabela 1 - Tabela com informações de motores de 25 cv a 60 cv. ...................................................................64</p><p>Tabela 2 - Informações de fusíveis ..............................................................................................................................65</p><p>Tabela 3 - Sugestão de itens para ser avaliado em uma Manutenção Preventiva .....................................80</p><p>Tabela 4 - Ordem de Produção .................................................................................................................................. 102</p><p>Tabela 5 - Rotação dos Motores e RPM em 60Hz ................................................................................................ 129</p><p>Tabela 6 - Resistividade de Materiais ....................................................................................................................... 139</p><p>Tabela 7 - Carga Específica (W/cm2) ........................................................................................................................ 140</p><p>Tabela 8 - Características das Ligas Cromel e Copel .......................................................................................... 140</p><p>Tabela 9 - Energia para elevar as temperaturas dos metais (kwh/t) ............................................................ 140</p><p>Tabela 10 - Propriedades dos Materiais .................................................................................................................. 141</p><p>Tabela 11 - Referências para medições para testes de transistor NPN ........................................................ 170</p><p>Tabela 12 - Referências para medições para testes de transistor PNP ........................................................ 170</p><p>Tabela 13 - Teste em transistores PNP ..................................................................................................................... 171</p><p>Tabela 14 - Teste em transistores .............................................................................................................................. 171</p><p>Sumário</p><p>1 Introdução ........................................................................................................................................................................17</p><p>2 Tecnologia de processos .............................................................................................................................................21</p><p>de</p><p>calor do motor, necessitando imediatamente a retirada do resíduo. Quando possível, muda-se esse motor</p><p>de lugar ou se coloca uma proteção, para eliminar esse problema. Isso acontece também com a obstrução</p><p>de ar da ventoinha (MOTOR ELÉTRICO, 2009).</p><p>9 É projetado para melhorar a eficiência da troca de calor entre a estrutura de um motor elétrico com o ar.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS134</p><p>Outro tipo de cuidado que se deve tomar é a secagem e a limpeza recorrente das bobinas (enrolamen-</p><p>tos) de motores que ficam em ambientes úmidos. Essa atitude previne o acúmulo de materiais que possam</p><p>acelerar a degradação da carcaça e da bobina. Essa sujeira pode dar passagem para correntes de fuga,</p><p>fechando curto-circuito.</p><p>Pesquisas realizadas pela EPRI (Eletric Power Reserch Institute) e pela IEEE (Institution of Electrical & Elec-</p><p>tronics Engineers) informam que entre 41% e 45% dos motores elétricos apresentam problemas em seu</p><p>sistema de mancalização (eixos e rolamentos), comprovando, assim, a importância de um bom plano de</p><p>lubrificação.</p><p>Observe quais são os rolamentos utilizados no motor e pesquise junto ao fabricante a quantia exata de</p><p>graxa a ser aplicada e qual é o período ideal de uso. Observe também o RPM do motor. Essas informações</p><p>são cruciais para melhorar o sistema do mecanismo.</p><p>Falha do Estator</p><p>Falha no Rolamento</p><p>Falha no Rotor</p><p>Outras Falhas</p><p>44%</p><p>26%</p><p>22%</p><p>8%</p><p>Dados Instituto IEEE</p><p>Falha do Estator</p><p>Falha no Rolamento</p><p>Falha no Rotor</p><p>Outras Falhas</p><p>Dados Instituto EPRI</p><p>38%</p><p>34%</p><p>21%</p><p>7%</p><p>Figura 75 - Gráfico das principais falhas de motores elétricos</p><p>Fonte: Adaptado de WEG (2015)</p><p>Por que um motor queima? Imagine a seguinte situação: o motor está com seu rotor trancado e ligado,</p><p>além de não terem sido instalados seus respectivos itens de proteção. O motor elevará sua corrente elétrica</p><p>e sua temperatura. Em seguida, aquecerá a tal ponto de abrir uma microfissura no isolamento do esmalte</p><p>da bobina.</p><p>No momento em que a isolação se rompe, a corrente elétrica da bobina escapa pela ruptura do esmalte</p><p>(da isolação) e chega a seu estator. Quando essa corrente chega ao estator, o motor queima por corrente de</p><p>fuga, necessitando que a peça seja rebobinada. Na prática, o motor normalmente está aterrado e, havendo</p><p>um sistema de proteção no momento da fuga para a carcaça, seu fusível se romperá.</p><p>Pode ocorrer também que não foram instalados os itens de proteção do motor. Imagine a seguinte</p><p>situação: um motor com uma carga excessiva, trabalhando fora da corrente nominal, começará a aquecer</p><p>aos poucos, dissipando o calor por sua estrutura. Mas, como o estator não foi projetado para resfriar esse</p><p>excesso de temperatura, então o calor começará a derreter a graxa dos rolamentos do motor. As esferas dos</p><p>rolamentos começarão a trabalhar sem lubrificação e, por isso, eles trancarão, levando o motor a queimar.</p><p>Atualmente, com os recursos disponíveis, como disjuntor motor, relé de sobrecarga, termistores e fusí-</p><p>veis, é praticamente inadmissível que um motor queime por esses motivos.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 135</p><p>Outro problema que pode ocorrer com motores elétricos é a falta de fase em um dos terminais. Neste</p><p>caso, a potência exercida pelo motor, apesar da sua alimentação passar para bifásica, fará com que o motor</p><p>apresente um ruído diferente, havendo aumento de corrente elétricas nas outras duas fases, que estão em</p><p>funcionamento.</p><p>Já o desbalanceamento, ou desequilíbrio de fases, acontece quando o manutentor mede a corrente das</p><p>três fases do motor e percebe que elas estão com os valores diferentes entre si. Esse defeito significa que</p><p>internamente existe um campo que está trabalhando de maneira contrária, ocorrendo uma frenagem, mas</p><p>o motor continua girando normalmente, sofrendo uma pequena queda em seu rpm.</p><p>Acontecendo isso, haverá um aquecimento fora do normal na estrutura do motor e ele não conseguirá</p><p>dissipar seu calor, ocasionando a queima. Normalmente, esse defeito não é detectado por relé de sobrecar-</p><p>gas ou disjuntor motor. Neste caso, é necessária a instalação de termostato, termorresistores ou termistores</p><p>(MAMEDE FILHO, 2007). A seguir, observe uma relação de tipos de queima de motores elétricos e suas</p><p>prováveis causas.</p><p>TIPO DE QUEIMA DE MOTOR TRIFÁSICO CAUSAS PROVÁVEIS</p><p>Curto-circuito entre enrolamentos ou bobinas</p><p>Súbitas mudanças de tensão.</p><p>Falha no isolamento do esmalte do fio.</p><p>Falha no banho do verniz no momento do rebobinamento.</p><p>Contaminação interna do motor.</p><p>Curto-circuito entre fases</p><p>Degradação do material isolante devido ao ressecamento por</p><p>elevadas temperaturas.</p><p>Contaminação interna do motor.</p><p>Falha no material isolante.</p><p>Curto-circuito entre ranhuras</p><p>Degradação do material isolante por ressecamento, ocasionada</p><p>por excesso de temperatura.</p><p>Falha na isolação do fio.</p><p>Falha no verniz.</p><p>Desbalanceamento de tensão</p><p>Desequilíbrio entre RST ou desequilíbrio entre as correntes.</p><p>Falha em banco de capacitores.</p><p>Mau contato entre conexões, chaves, contatores, disjuntores etc.</p><p>Oscilações de tensão entre fases.</p><p>Rotor bloqueado</p><p>Excessiva dificuldade na partida do motor, devido à elevada</p><p>queda de tensão, inércia e torque de carga muitos elevados.</p><p>Travamento do eixo do motor.</p><p>Sobreaquecimento</p><p>Cabos de alimentação muito longos ou muitos finos.</p><p>Conexão incorreta dos cabos de ligação do motor.</p><p>Excessivo número de partidas em tempo curto.</p><p>Excesso de carga na ponta do eixo (eventual ou periódico).</p><p>Sobretensão ou sobtensão na rede de alimentação (permanente</p><p>ou eventual).</p><p>Tampa defletora danificada ou obstruída, sujeira sobre a carcaça,</p><p>temperatura ambiente elevada etc.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS136</p><p>TIPO DE QUEIMA DE MOTOR TRIFÁSICO CAUSAS PROVÁVEIS</p><p>Falta de fase</p><p>Mau contato em contator, disjuntor motor ou relé de sobrecarga.</p><p>Mau contato nas conexões.</p><p>Mau contato nos terminais.</p><p>Queima de um fusível.</p><p>Rompimento de cabo.</p><p>Quadro 18 - Queima de motores elétricos e prováveis causas</p><p>Fonte: do Autor</p><p>MOTOR MONOFÁSICO COM CAPACITOR DE PARTIDA</p><p>É comum o uso, por exemplo, em máquina de lavar roupa. Seu motor monofásico, com capacitor, tem</p><p>as mesmas características do motor trifásico, com três elementos a mais: um capacitor, um interruptor</p><p>centrífugo e uma bobina. É baseado na energização de seu enrolamento e uma bobina auxiliar, que fica</p><p>em série com um capacitor. Quando o motor tem seu giro próximo ao seu rpm nominal, esse interruptor</p><p>centrífugo comuta, desligando a bobina auxiliar e seu capacitor. Tem como principais defeitos os mesmos</p><p>relacionados a motores trifásicos, com acréscimo de mais duas deficiências, que são:</p><p>a) capacitor danificado: o motor liga, mas não tem a capacidade de começar a girar o seu eixo.</p><p>b) interruptor centrífugo danificado: se o contato travar aberto, ele não terá condições de partir,</p><p>simulando um defeito, como se fosse capacitor em falha. Caso o interruptor centrífugo travar ligado,</p><p>queimará sua bobina auxiliar, caso não houver proteções instalada. Tipicamente é encontrado em</p><p>potências de ¼ a 15 cv (FRANCHI,2008).</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Manutenção em motor monofásico com capacitor permanente</p><p>Ao longo do tempo, o proprietário de uma residência percebeu que a porta da sua garagem</p><p>basculante automática estava abrindo cada dia mais devagar. Então ele chamou um eletricista</p><p>para avaliar a situação. Chegando lá, o eletricista fez medição de corrente, medição de tensão e</p><p>percebeu que o motor estava com pouco torque. Por isso, a porta basculante era levantada com</p><p>dificuldade.</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 137</p><p>Habilidoso, ele retirou o motor e movimentou o sistema mecânico manualmente, para ter certeza</p><p>que não teria nada trancado ou pesado, prejudicando o motor. Verificando o sistema mecânico, ele</p><p>percebeu que todos os mecanismos estavam perfeitos, bem leves e lubrificados. Dessa forma, ele</p><p>concluiu que o problema não era mecânico e sim elétrico.</p><p>Então resolveu trocar o capacitor usado do motor por um novo. Após trocado o capacitor,</p><p>o torque</p><p>do motor foi normalizado. Assim, o motor foi acoplado em sua posição e a porta basculante voltou</p><p>a trabalhar novamente.</p><p>A tensão e a corrente foram medidas novamente, além de conferidas com os valores de placa de</p><p>motor. Visto que estava tudo normal, o portão foi liberar posteriormente. Após o conserto, o eletri-</p><p>cista explicou ao dono da propriedade que esse tipo de problema é bem comum em motores que</p><p>usam capacitores.</p><p>MOTOR DE CAPACITOR PERMANENTE</p><p>É muito parecido com o motor monofásico com capacitor de partida, diferenciando-se no detalhe que</p><p>o circuito auxiliar não se desliga. Esse motor apresenta menor manutenção, ter uma quantidade menor de</p><p>partes móveis.</p><p>MOTORES DE CORRENTE CONTÍNUA</p><p>Esses motores são mais caros, necessitam de uma fonte de corrente contínua ou um dispositivo que</p><p>converta corrente alternada em contínua. Tem a facilidade de funcionar com velocidade variável, tendo</p><p>flexibilidade e precisão em suas manobras. Seu custo é mais elevado. Por isso, é usado somente em aplica-</p><p>ções especiais.</p><p>Principais defeitos:</p><p>a) curto-circuito entre espiras;</p><p>b) curto-circuito entre massa e espiras;</p><p>c) sobrecargas;</p><p>d) rolamentos;</p><p>e) desgastes de escovas.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS138</p><p>MOTOR DAHLANDER</p><p>Esse tipo de motor é muito útil quando há a necessidade de ter duas velocidades fixas e é normalmente</p><p>usado em pontes rolantes. Pela viabilidade comercial de inversores de frequência e a amplitude de possi-</p><p>bilidade que esse aparelho fornece, esse tipo de motor não está sendo utilizado com tanta frequência. “O</p><p>enrolamento Dahlander é o preferido para os motores de duas velocidades, sendo uma velocidade maior</p><p>e outra menor. O número de rotações em velocidade menor corresponde sempre à metade do número de</p><p>rotações em velocidade maior.” (Franchi,2008, p.21). O motor Dahlander é constituído de 6 bobinas, que</p><p>podem ser ligadas de duas formas. O motor tem 6 terminais e funciona em apenas uma tensão.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Otimização de uma Ponte Rolante</p><p>Certa siderúrgica tinha uma ponte rolante, onde havia a necessidade de ter um operador. Esse</p><p>operador trabalha dentro de uma cabine, a 25 metros de altura, deslocando-se com a translação</p><p>do equipamento.</p><p>Foi sugerido pelo departamento de manutenção Industrial que fosse instalado um controle</p><p>remoto sem fio, para reduzir o risco de altura para esse operador. Além disso, essa pessoa con-</p><p>seguiria realizar outras atividades paralelamente em solo, melhorando o desempenho da equipe</p><p>de produção. Em uma reunião técnica, confrontando o diagrama elétrico sugerido com o atual</p><p>diagrama da ponte rolante, visualizou-se a necessidade das instalações de inversores de frequência</p><p>no momento da translação e no movimento longitudinal.</p><p>Essa decisão foi mantida, porque haveria uma simplificação nos circuitos, facilitando a instalação</p><p>do controle remoto, além de reduzir os solavancos no momento de partida da ponte rolante, au-</p><p>mentar a vida útil de seus componentes mecânicos e auxiliar na frenagem usando recursos do</p><p>inversor de frequência.</p><p>Tanto no movimento longitudinal quanto no movimento transversal, há dois motores (dahlander e</p><p>bobinado duplo) que usam as duas velocidades. Desta forma, cada motor necessita de 2 contatores</p><p>(velocidade alta e baixa direita + velocidade alta e baixa esquerda). Totalizando 4 contatores por</p><p>motor, reduziu-se 16 contatores de força, sem contar com os contatores de comando do sistema.</p><p>A otimização foi muito impactante e considerada um sucesso. Com isso, foram eliminados vários</p><p>componentes elétricos. O painel elétrico ficou praticamente vazio, muito mais simples de se iden-</p><p>tificar problemas, reduziu problemas de mau contatos e eliminou a possibilidade de curto-circuito</p><p>por contator colado10 no momento das trocas de fases (na mudança de sentido de giro do motor)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 139</p><p>RESISTÊNCIA 10</p><p>É capacidade de um material em dificultar a passagem da corrente elétrica. Essa dificuldade que a cor-</p><p>rente tem de se locomover é representada pelo símbolo Ω (ômega), chamado de Ohm. “Como cada ma-</p><p>terial tem sua característica atômica, tem também resistividades diferentes.” (BARRIO; SANTOS; BENEDITO;</p><p>2006, p. 12).</p><p>Como cada material tem sua estrutura atômica diferente, seus átomos estão mais próximos ou mais</p><p>distantes um dos outros. Essa diferença é que define se o material é bom ou mau condutor. Então, a resisti-</p><p>vidade dependerá diretamente do material aplicado e suas dimensões, envolvendo o comprimento, seção</p><p>transversal. É simbolizada por um caráter grego ρ (Rô).</p><p>R = Resistência (Ω)</p><p>ρ= Resistividade (mm2/m)</p><p>L= Comprimento (m)</p><p>S= Seção transversal (mm2)</p><p>MATERIAL Ρ EM Ω.mm2/m</p><p>Cobre 0,017</p><p>Prata 0,015</p><p>Alumínio 0,027</p><p>Estanho 0,13</p><p>Mercúrio 0,94</p><p>Tabela 6 - Resistividade de Materiais</p><p>Fonte: Adaptado de Barrio; Santos; Benedito (2006)</p><p>FORNO DE AQUECIMENTO INDIRETO</p><p>Os fornos usualmente encontrados nas indústrias são do tipo à resistência. São usados nos produtos</p><p>farmacêuticos, cozimento de produtos, tratamentos térmicos de metais, entre outros. Ao dimensionar tais</p><p>resistências, o forno deve satisfazer algumas imposições fundamentais:</p><p>a) temperatura de fusão elevada, superior a 25% do material a ser trabalhado;</p><p>b) ser durável à corrosão a altas temperaturas;</p><p>c) resistente mecanicamente em altas temperaturas.</p><p>Uma pequena quantidade de materiais admite ser empregado como resistência de fornos elétricos, tais</p><p>como Nicromo V (80%NI-20%Cr), Cromax (30%NI-20%Cr-50%), Kantal (Cr,Al /Co ,Fe).</p><p>10 Termo utilizado pelos eletromecânicos para indicar quando em um contator, mesmo desenergizado, seus contatos não retornam.</p><p>Isso normalmente se deve pelo excesso de corrente num ou mais contatos, fazendo com que eles se soldem.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS140</p><p>TIPO DE LIGA TEMPERATURA DO FORNO</p><p>600° 700º 800° 900º 1000º 1100º 1200º</p><p>80% Ni - 20% Cr 5 3,2 2,2 1,5 1,1 0,9 -</p><p>30% Ni - 20% Cr 4,6 3 2 1,4 1 0,8 -</p><p>20% Cr - 5% Al 8 5,8 4,3 3,1 2,2 1,3 -</p><p>Cr-Al-Co-Fe 3,9 3,5 3 2,4 1,5 - -</p><p>Tabela 7 - Carga Específica (W/cm2)</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>Conforme o material e a temperatura escolhida para se fazer uma resistência, automaticamente mudará</p><p>o coeficiente para cálculos. Por exemplo, 80% Ni - 20% Cr para trabalhar em 900oC, o coeficiente para cál-</p><p>culo será de 1,5.</p><p>DIÂMETRO DO</p><p>FIO (MM)</p><p>RESISTÊNCIA (OHM/M) DIÂMETRO DO</p><p>FIO (MM)</p><p>RESISTÊNCIA (OHM/M)</p><p>80% Ni-20 Cr 55% Cu-45 Ni 80% Ni-20 Cr 55% Cu - 45 Ni</p><p>10,414 0,01269 0,005742 0,64260 3,3368 1,5092</p><p>8,255 0,02017 0,009121 0,51050 5,2791 2,3886</p><p>6,553 0,03205 0,014502 0,40380 8,4322 3,8158</p><p>5,182 0,05124 0,022467 0,32000 13,4190 6,0764</p><p>4,115 0,08136 0,036747 0,25400 21,3300 9,661</p><p>3,2513 0,13025 0,058861 0,20320 33,3350 15,0600</p><p>2,591 0,20506 0,09285 0,16000 53,7100 24,3120</p><p>2,057 0,32515 0,14699 0,12700 85,3060 38,5840</p><p>1,626 0,52102 0,23557 0,11430 105,32 47,6400</p><p>1,295 0,8202 0,37075 0,10160 133,2100 60,2720</p><p>1,016 1,3321 0,60272 0,089 174,2200 78,7400</p><p>0,813 2,0834 0,94165 0,07870 221,7900 100,4000</p><p>Tabela 8 - Características das Ligas Cromel e Copel</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>Na tabela anterior, está relacionada a resistência por metros para cada bitola. Na bitola 8,255mm, por</p><p>exemplo, a resistência é de 0,02017 Ω em um metro.</p><p>MATÉRIA TEMPERATURA DESEJADA (��C)</p><p>200 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 1300 1400 1500</p><p>Aço 20 38 50 60 90 120 160 175 215 225 250 260 280 295</p><p>Gusa - - - - - - - - - - 310 330 345 375</p><p>Al 55 80 100 140 170 300 335 370 393 - - - - -</p><p>Cu - - - 57 65 76 90 100 120 135 200 215 223 235</p><p>Ag - - 27 38 45 50 55 60 105 110 120 127 135 140</p><p>Ni 20 38 50 60 85 100 115 140 160 180 195 220 237 333</p><p>Tabela 9 - Energia para elevar as temperaturas dos metais (kwh/t)</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 141</p><p>Na tabela anterior, estão relacionadas matérias com a energia necessária para elevar o material até a</p><p>temperatura desejada.</p><p>Se você usar a prata (Ag), por exemplo, precisa de 60Kw/t para alcançar 900oC.</p><p>MATERIAL COMPOSIÇÃO RESISTIVIDADE</p><p>Ω.mm2/m</p><p>PONTO DE FUSÃO</p><p>(°C)</p><p>RESISTÊNCIA À TRA-</p><p>ÇÃO (Kgf/mm2)</p><p>Nicromo Ni-Fe-Cr 1,1221 1350 66,79</p><p>Nicromo V Ni-Cr 1,0806 1400 70,31</p><p>Cromax Fe-Ni-Cr 0,9975 1380 49,22</p><p>Nirex Ni-Cr-Fe 0,9809 1395 56,25</p><p>Nilvar Fe-Ni 0,8046 1425 49,22</p><p>Bronze comercial Cu-Zn 0,0415 1040 26,01</p><p>Ni puro Ni 0,0997 1450 42,18</p><p>Platina Pt 0,106 1773 34</p><p>Aço Fe 0,0999 1535 35,15</p><p>Zinco Zn 0,0592 419 15,47</p><p>Molibdênio Mo 0,0569 2625 70,31</p><p>Tungstênio W 0,0552 3410 344,52</p><p>Alumínio Al 0,0267 660 24,61</p><p>Ouro Au 0,0242 1063 27</p><p>Cobre Cu-Zn 0,0172 1083 24,61</p><p>Prata Ag 0,0163 960 -</p><p>Tabela 10 - Propriedades dos Materiais</p><p>Fonte: Adaptado de Mamede Filho (2007)</p><p>De forma simples, as resistências poderão ser instaladas em circuitos monofásicos ou trifásicos. Quando</p><p>instalados em redes trifásicas, podem ser instaladas em estrela ou em triângulo, conforme tensão nominal</p><p>da resistência.</p><p>DIMENSIONANDO UM FORNO À RESISTÊNCIA</p><p>Para se dimensionar o forno, é necessário ter algumas informações:</p><p>T - Tempo desejado para o material alcançar a sua temperatura ideal de trabalho (em horas);</p><p>Pm – Peso do material que se deseja elevar a temperatura (Toneladas);</p><p>Pff – Potência por fase do forno (kw/H);</p><p>ƞ - rendimento do Forno;</p><p>E – Energia consumida no processo desejado Kwh/t (verificar tabela anterior).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS142</p><p>Para dimensionar um forno de aquecimento indireto, para fusão de 700 kg de prata, com o tempo esti-</p><p>mado de 30 minutos (900oC), será utilizado como resistência do forno a liga Nicromo V (80% Ni-20%Cr, com</p><p>tensão nominal de 380 Volts e ligação em triângulo, considerando a fusão da prata a 900oC).</p><p>Pff=?</p><p>E = 60 - tabela de elevação de energia dos materiais</p><p>ƞ = 0,60 adotado</p><p>T = Tempo em horas = 30 minutos, que transformado em horas = 0,5 horas</p><p>Pm = kg em toneladas =700 kg =0,7T.</p><p>Figura 76 - Ligação Triângulo para Resistência</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A resistência está ligada em triângulo, conforme pôde ser observado na figura anterior. A corrente con-</p><p>sumida irá se dividir nas 3 fases:</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 143</p><p>Para o cálculo da bitola da resistência, com base no exemplo anterior, usa-se a seguinte expressão:</p><p>Df = diâmetro do fio do resistor, em mm</p><p>Ρ = resistividade do material do resistor, em Ω. mm2/m</p><p>P1 = carga específica superficial do resistor, em W/cm2</p><p>Pff = potência por fase, em KW</p><p>Np = número de circuitos</p><p>Então, acompanhe:</p><p>Como não tem outro resistor em paralelo, o Np = 1</p><p>P = 1,0806, o valor pertence à tabela de materiais Nicromo V</p><p>P1 = 1,5 tabela carga específica superficial do resistor, em W/cm2</p><p>Np = 1</p><p>V = 380, tensão de trabalho</p><p>Pff = 43,33 potências total</p><p>Observação: o valor 34,4 é fixo.</p><p>O resultado do cálculo aponta 7,61 mm. Na tabela das ligas, o valor mais próximo é de 8,255. Assim, é</p><p>possível calcular a corrente nominal para cada fase.</p><p>Observe que 380 volts foram divididos por 1000:</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS144</p><p>Cálculo da resistência por fase:</p><p>Cálculo do comprimento do resistor por fase:</p><p>RΩm = 0,2017 retirada da tabela Característica das ligas Cromel e Copel.</p><p>Agora que já se sabe como se dimensiona resistências industriais, serão estudados os elementos de</p><p>comando.</p><p>4.2.2 ELEMENTOS DE COMANDO (CONTATORES, INVERSORES, CHAVES MANUAIS ETC).</p><p>CONTATORES</p><p>Elemento usado para acionamento de motores, resistências, iluminação etc. Admite o comando de cir-</p><p>cuitos de alta corrente com circuito de baixa tensão. É constituído de bobina, contato fixo, contato móvel,</p><p>núcleo fixo, núcleo móvel, mola.</p><p>a) Bobina: sua representação gráfica simboliza a entrada da alimentação do contator. Quando ener-</p><p>gizada, ela magnetiza e puxa a parte móvel do contator, assim comutando todos os seus contatos.</p><p>Os contatos, que estão fechados, abrirão e, os que estiverem abertos, fecharão. É normal encontrar</p><p>bobinas de 24 volts, 110 V, 220 V, 380 v para comando dos contatores.</p><p>b) Núcleo de ferro: é feito de várias chapas, para atenuar seu aquecimento.</p><p>c) Contato: é a parte do contator que se move no momento da energização.</p><p>d) Mola: responsável em trazer os contatos na posição de origem quando desenergizado.</p><p>O circuito de um contator se divide em dois: circuito de força e circuito de comando.</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 145</p><p>Figura 77 - Contator</p><p>Fonte: do Autor</p><p>REGIME DE TRABALHO EM CORRENTE ALTERNADA PARA CONTATOR</p><p>Deve-se sempre observar onde será a aplicação de um contator, pois cada tipo de circuito tem caracte-</p><p>rísticas próprias, que precisam ser verificadas, para se obter a melhor vida útil possível. Impede-se, assim,</p><p>manutenções prematuras e atropelos indesejados. Além disso, geram as seguintes perdas:</p><p>a) perda de hora homem;</p><p>b) perda do componente, muitas vezes insignificante, relacionado aos demais custos;</p><p>c) hora máquina parada;</p><p>d) custo da não entrega do produto do prazo.</p><p>As categorias de trabalho de contatores são:</p><p>Categoria AC1 – Os contatores desta categoria fazem manobras de cargas resistivas com fator de po-</p><p>tência acima de 0,95.</p><p>Categoria AC2 – Os contatores desta categoria fazem manobras de motor com rotor blindado em ser-</p><p>viço nominal.</p><p>Categoria AC3 – Os contatores desta categoria fazem manobras de motor com rotor de curto-circuito,</p><p>em regime normal de trabalho.</p><p>Categoria AC4 – Os contatores desta categoria fazem manobras de motores que exigem interrupções</p><p>na corrente de partida, com frenagem, ou reversão de rotação.</p><p>Ju</p><p>lio</p><p>C</p><p>es</p><p>ar</p><p>B</p><p>or</p><p>ch</p><p>er</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS146</p><p>Observe os principais defeitos em contatores.</p><p>DEFEITO CAUSA</p><p>Ruído de vibração:</p><p>a) Degradação dos contatos</p><p>b) Danificação da bobina</p><p>a) Sobtensão no comando.</p><p>b) Transformador de comando subdimensio-</p><p>nado.</p><p>c) Tensão de comando derivada do circuito de</p><p>força.</p><p>d) Falha na condução.</p><p>Soldagem leve (separável):</p><p>a) Área de brilho fosco</p><p>a) Capacidade de ligação e condução.</p><p>Perda acelerada de massa nos contatos:</p><p>a) Destruição das partes adjacentes aos contatos</p><p>a) Capacidade de ligação e condução.</p><p>Destruição das partes adjacentes aos contatos:</p><p>a) Soldagem intensa (não separável)</p><p>a) Durabilidade elétrica.</p><p>Soldagem leve (separável):</p><p>a) Área de brilho fosco</p><p>a) Frequência de manobras.</p><p>Perda de massa com pingos de derretimento:</p><p>a) Destruição das partes adjacentes aos contatos</p><p>a) Curto circuito.</p><p>Quadro 19 - Principais defeitos em Contatores</p><p>Fonte: Adaptado de Franchi (2008)</p><p>INVERSORES</p><p>O RPM de um motor trifásico está relacionado diretamente à frequência da rede. Então, ao se alterar a</p><p>frequência da rede de alimentação de um motor trifásico assíncrono, é possível alterar seu RPM. Ou seja, o</p><p>inversor atuará diretamente em cima da frequência da alimentação do motor.</p><p>Como a tensão normal tem 60Hz, se você conseguir acelerar a frequência ou reduzir proporcionalmente</p><p>o motor que estiver instalado, nela aumentará ou diminuirá seu rpm, respectivamente. Para isso, há um</p><p>apanhado de componentes eletrônicos associados para fazer essa realidade acontecer.</p><p>PARAMETRIZAÇÃO DE INVERSORES</p><p>Quando se trata de parametrizações haverá mudanças de uma marca para outra, mas o que o manu-</p><p>tentor tem que entender é que algumas funções são básicas a todos os inversores, ou seja, é comum para</p><p>todas as marcas de inversores. O manutentor deve buscar informações básicas, como:</p><p>a) corrente nominal;</p><p>b) tensão nominal;</p><p>c) frequência que deseja trabalhar;</p><p>d) RPM nominal;</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 147</p><p>e) rampa de aceleração e desaceleração;</p><p>f ) entradas digitais para receber o comunicado de mudança de velocidade;</p><p>g) alimentação três fases mais terra, ou alimentação monofásica mais terra;</p><p>h) tensão nominal do motor.</p><p>Os itens citados são encontrados nos parâmetros. Para cada modelo haverá números diferentes de pa-</p><p>râmetros, pois possuem números diferentes de funções. Esses parâmetros nem sempre serão iguais. Por</p><p>exemplo, num inversor “x”, o parâmetro 40 tem a função de regular a corrente nominal. Já no inversor “Y”,</p><p>o</p><p>parâmetro 40 tem a função de regular a frequência. O importante em todos os casos é utilizar o manual de</p><p>instalações para descobrir a função de cada parâmetro.</p><p>Na figura, a seguir, acompanhe os inversores de frequência.</p><p>Figura 78 - Princípio de funcionamento de um inversor de frequência</p><p>Fonte: do Autor</p><p>O inversor em seu circuito de força é similar a um contator, isto é, há uma parte do circuito que passa por</p><p>correntes maiores (circuito de força ). Já onde não passa a corrente do motor, tem-se a parte responsável</p><p>em comandar o circuito de força (circuito de comando). Nele é feito todo o processamento e definido a</p><p>hora de partir, parar ou reduzir a velocidade, conforme programação.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS148</p><p>Assim, é preciso relacionar a nomenclatura dos contatos escritos no aparelho com o manual, para se ter</p><p>certeza de onde conectar cada cabo.</p><p>A ligação de um motor pode estar tanto em estrela quanto em triângulo (respeite a tensão nominal).</p><p>Importante é a tensão de ligação do motor e do inversor de frequência estar relacionada com sua rede.</p><p>A tensão do inversor também deve ser observada e se a corrente nominal do motor é abaixo da corren-</p><p>te nominal do inversor de frequência. Estando tudo de acordo, começa-se a fazer as conexões dos cabos,</p><p>lembrando que estes deverão estar também dimensionados para a carga do motor. O comando do inversor</p><p>de frequência normalmente é de 5 volts e ele necessita do sinal que ele mesmo gera para haver o disparo.</p><p>Em alguns modelos de inversores, existem exemplos de ligações rápidas que já vêm programadas de</p><p>fábrica, usando o próprio botão de sua IHM (interface homem máquina). É preciso verificar também se o</p><p>motor está desacoplado, para evitar acidentes no momento dos testes.</p><p>Fusível NH</p><p>M</p><p>R1</p><p>Pressostato</p><p>Inversor de</p><p>Frequência</p><p>Entrada Digítal 1</p><p>Entrada Digítal 2</p><p>Comum 5VCC</p><p>Figura 79 - Funcionamento elementar de um inversor de frequência</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Após ligar o inversor de frequência, são inseridos parâmetros elementares, como:</p><p>a) tempo de rampa de partida;</p><p>b) frequência de trabalho, entrada 1;</p><p>c) frequência de trabalho, entrada 2;</p><p>d) tensão nominal;</p><p>e) corrente nominal.</p><p>Em</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>Ro</p><p>dr</p><p>ig</p><p>o</p><p>Ce</p><p>ol</p><p>in</p><p>(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 149</p><p>Exemplo de Funcionamento de Inversor de Frequência</p><p>Quando o sinal da entrada estiver energizada, o nível lógico será 1, ou seja, 5 volts. O inversor funcionará</p><p>em 60 Hz, ou seja, 100% da sua velocidade nominal com rampa de 10 segundos. Quando o sinal da entrada</p><p>2 estiver energizada, o nível lógico será 1, e o inversor de frequência reduzirá sua velocidade nominal para</p><p>40%. Qual a lógica disso?</p><p>Por exemplo, um compressor de ar necessita trabalhar em 100% da sua velocidade quando seu reserva-</p><p>tório estiver vazio. Em alguns momentos, em uma empresa, o ar passa a ser consumido em menor escala e,</p><p>desta forma, sobra ar. Tendo ar a mais, haverá maior pressão e ocorrerá o acionamento de um pressostato,</p><p>que fechará um contato NA, possibilitando, assim, ao inversor de frequência entender que naquele mo-</p><p>mento ele deve reduzir a velocidade do seu motor. O objetivo disso é poupar energia elétrica. Note que a</p><p>rampa de aceleração do motor está em 10 segundos no momento da partida e 5 segundos para reduzir de</p><p>100 % para 40% da velocidade nominal.</p><p>Quando o pressostato volta a retornar para sua posição de origem, o motor tem 5 segundos para retor-</p><p>nar à velocidade nominal, ou melhor, a 100% da sua capacidade. E, quando se desliga o sinal de entrada 1,</p><p>o motor automaticamente é desligado. Observe esse comportamento no exemplo, a seguir.</p><p>Figura 80 - Exemplo de funcionamento de um compressor</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Independentemente se o sistema for hidráulico, pneumático ou mecânico, será sempre um apanhado</p><p>de informações práticas que farão o ritmo das otimizações. Há inversores de frequência que oferecem</p><p>condições de se trabalhar com 8 velocidade diferentes, ou seja, são os chamados multispeed11 (FRANCHI,</p><p>2008). Elementarmente, para ter as 8 velocidades, o inversor de frequência terá que ter 8 entradas digitais,</p><p>devidamente parametrizadas.</p><p>11 Múltipla velocidade.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS150</p><p>4.2.3 ELEMENTOS DE PROCESSAMENTO DE SINAIS (RELÉS, CLPS, MICROCONTROLADORES).</p><p>Como não é possível dar respostas sem dados, é fundamental ter essas informações de maneira rápida,</p><p>que, após processadas, podem ser manipuladas e fornecer soluções.</p><p>Acompanhe, a seguir.</p><p>Figura 81 - Visualização Lógica de um Processador</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Relé – Constituído de uma bobina que, ao ser energizada, move um ou mais contatos. O contato que</p><p>está aberto se fecha e o que está fechado se abre. Quando a bobina é desenergizada, os contatos voltam a</p><p>sua posição de origem com auxílio de uma mola.</p><p>Função Temporizador Controlador Lógico Programado – Funciona parecido com a maneira conven-</p><p>cional: quando se aciona B1, liga-se a entrada I1.0, que, por sua vez, comutará o contato dentro do software,</p><p>dando permissão ao temporizador começar a contar. O temporizador conta um tempo como se fosse um</p><p>relógio. Passando o tempo determinado, ele fecha seu contato NA. Em algumas literaturas, esse temporiza-</p><p>dor é chamado de delay (temporizador de retardo), ou seja, tem um atraso no fechamento do seu contato.</p><p>O tempo pode ser em minutos ou segundos, sendo determinado pelo programador.</p><p>Um temporizador desses pode ser usado dezenas de vezes internamente no Controlador Lógico Pro-</p><p>gramável (CLP). Em alguns casos, é mais barato comprar um CLP do que comprar certa quantidade de</p><p>temporizadores.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 151</p><p>Acompanhe o exemplo a seguir.</p><p>Figura 82 - Exemplo de temporizador</p><p>Fonte: do Autor</p><p>FUNÇÃO CONTADOR DE PEÇAS</p><p>Na produção de uma indústria, a aplicação de um contador pode ser a mais variada possível. Com um</p><p>pouco de criatividade, o manutentor pode oferecer uma grande quantidade de soluções ao seu emprega-</p><p>dor. Por exemplo, quando se quer contar o número de peças constantes em uma caixa, ao caírem 10 peças,</p><p>uma esteira é ligada, transportando essa caixa para o final da linha, conforme você pode acompanhar na</p><p>figura, a seguir.</p><p>Sensor Contador de Peças</p><p>Sensor</p><p>Reset</p><p>ESTEIRA</p><p>caixaCaixa</p><p>Figura 83 - Exemplo prático de linha de produção</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS152</p><p>O esquema ficaria com dois sensores, uma para contagem de peças e outro sensor desligará a esteira</p><p>e dará o reset para o contador. A entrada I1.0 recebe o sinal da entrada de peças em uma caixa. Quando</p><p>fechar as dez peças, o contador comutará seu contato aberto, dando condições para que a saída Q1.0 ligue,</p><p>acionando, por sua vez, um relé externo, que alimentará um motor.</p><p>Ao ligar o motor, acionará uma esteira transportadora. Quando a caixa passar diante do sensor do final</p><p>da esteira, automaticamente o contador será zerado e a esteira desligará. Atenção: se não for retirada a</p><p>caixa da frente do Sensor Reset, o contador não fará nova contagem.</p><p>Figura 84 - Exemplo de Cortador de peças</p><p>Fonte: do Autor</p><p>CONTROLADOR LÓGICO - MEMÓRIA DE SAÍDAS</p><p>Além das saídas físicas apresentadas, há outras (memória, contadores e temporizadores) que ajudam a</p><p>processar informações na entrada. Um exemplo de aplicação dessa ferramenta em campo ocorre quando o</p><p>técnico é encarregado para desenvolver um pequeno sistema para monitorar a lubrificação de uma esteira</p><p>com sistema de lubrificação.</p><p>Na ordem de serviço consta que deverá ser instalado um sensor no eixo do motor que deverá contar</p><p>o número de giros, ou revoluções. Trata-se de um lubrificante especial e muito caro, não podendo haver</p><p>desperdícios, ou seja, tem que ser dosado na quantidade certa.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS</p><p>153</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Antes de fazer qualquer alteração em softwares, primeiro grave o programa atual.</p><p>Caso sua alteração não dê certo, você terá o programa velho para ser instalado</p><p>novamente no dispositivo.</p><p>Dessa forma, deve ser instalado um sensor de nível do lubrificante e um botão na entrada do sistema,</p><p>junto com o botão que já existe em campo (muito comum de acontecer). Seguindo a lógica, apertando o</p><p>botão de partida, ligará a memória M 0.1, que se sustenta através do seu próprio selo.</p><p>Para obter mais conhecimentos em Controladores Lógicos Programáveis, busque</p><p>na internet catálogos de fabricantes, fóruns ou canais de redes sociais. Lá você</p><p>encontrará excelentes dicas de funcionamento de programações.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Essa mesma memória liga um temporizador (para deixar a esteira se mover na sua velocidade nominal).</p><p>Desta forma, o lubrificante será aplicado de maneira mais uniforme. Assim, o temporizador contará um</p><p>tempo e ligará a bomba de lubrificação. O motor jamais ligará se não houver lubrificante em seu reservató-</p><p>rio. Com essa medida, evita-se que a bomba trabalhe seca, podendo danificá-la.</p><p>Após ligar a bomba de lubrificação, há um sensor conectado na entrada I0.2 do CLP, que conta em seu</p><p>próprio eixo a quantidade de giros. Chegando a 10 giros, o sistema será desligado pelo contato do conta-</p><p>dor 0.0 (NF). O contador também tem a função de se resetar no seu contato (NA).</p><p>Assim, na próxima vez em que o circuito for ligado, ele funcionará normalmente, admitindo o valor zero.</p><p>Caso contrário, o sistema não entrará em funcionamento.</p><p>Quando havia alguma mudança em linhas de montagem automotivas, perdia-</p><p>se dias para alterar os painéis elétricos, além dos altos custos envolvidos. Com a</p><p>chegada do Controlador Lógico Programável, essas mudanças passaram a ser feitas</p><p>em minutos, ou seja, as mudanças ocorrem sem a necessidade de se pagar horas</p><p>extraordinárias e ainda com uma redução significativa de componentes elétricos</p><p>(MORAES; CASTRUCCI, 2001).</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS154</p><p>LUBRIFICANTE SENSOR NÍVEL DE ÓLEO</p><p>BOMBA</p><p>ESTEIRA DE TRANSPORTE</p><p>Figura 85 - Sistema de Lubrificação</p><p>Fonte: do Autor</p><p>M0.1</p><p>CONTADOR 0.0</p><p>SENSOR DE NÍVEL TEMPORIZADOR 0.1 --10</p><p>10.0</p><p>M0.1</p><p>M0.1</p><p>10.2 - SENSOR / CONTAGEM DE GIRO</p><p>CONTADOR 0.0</p><p>TEMPORIZADOR 0.1</p><p>10 SEGUNDOS</p><p>Q0.0</p><p>BOMBA</p><p>CONTADOR 0.0</p><p>10 PULSOS</p><p>RESET</p><p>Figura 86 - Sistema de Lubrificação Programação</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Em</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>Ro</p><p>dr</p><p>ig</p><p>o</p><p>Ce</p><p>ol</p><p>in</p><p>(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 155</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Procedimento de maximização de resultados.</p><p>Em uma linha de fundição, o manutentor observou que a máquina simplesmente parava, aguar-</p><p>dando um único cilindro terminar seu avanço e recuar para fazer um determinado processo. Neste</p><p>caso, a máquina poderia dar sequência a outras atividades, simultaneamente enquanto aquele</p><p>cilindro fizesse sua ação. O manutentor experiente primeiramente tirou o tempo de produção de</p><p>peças da máquina, que é de 20 segundos.</p><p>Depois gravou todas as informações contidas no CLP. Em seguida, iniciou a alteração do software.</p><p>Após terminar as alterações, ele tirou o tempo de produção novamente, que passou para 18</p><p>segundos.</p><p>Então o manutentor chegou à conclusão de que a eficiência (velocidade) da máquina melhorou</p><p>em 10%, sem ter que comprar nenhum componente.</p><p>MICROPROCESSADORES</p><p>No cotidiano, os processadores usados pelo CLP são dotados de alta capacidade. Existem sistemas com</p><p>processadores paralelos que constantemente confrontam resultados. Assim, evitam sinais errados, ou dis-</p><p>crepâncias, que poderiam ocasionar um acidente ou refugos de produtos, conforme a disposição do equi-</p><p>pamento.</p><p>“O desenvolvimento tecnológico de um CLP depende principalmente do Processador utilizado, que</p><p>pode ser desde um microprocessador/ Controlador convencional “ 80286, 8051, até um processador dedi-</p><p>cado – DSP (Digital Signal Processor – Processador Digital de Sinais), por exemplo.” (GIORGINI, 2006, p. 54).</p><p>Indiferente da tecnologia aplicada, os processadores são responsáveis por toda disposição de um siste-</p><p>ma, gerenciando os barramentos de endereço, de dados e de controle, conforme o regimento do software</p><p>em execução (GEORGINI, 2006). Sendo os controladores responsáveis pela velocidade do processo de um</p><p>Controlador lógico, é preciso ser analisada a real necessidade de cada aplicação.</p><p>Acompanhe, na próxima seção, os elementos de sinais.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS156</p><p>4.2.4 ELEMENTOS DE SINAIS (BOTÕES, SENSORES, CHAVES FIM DE CURSO).</p><p>São dispositivos que transmitem informações externas para o circuito, dando condições de que haja um</p><p>processamento conforme os arranjos de contatos de relés, temporizadores, controladores de temperatura,</p><p>contadores ou talvez um CLP. Máquinas automatizadas sempre estão buscando informações com esses</p><p>dispositivos para tomar a próxima ação. Como exemplo, tem-se a abertura de uma porta de proteção de</p><p>polia de uma máquina qualquer. Normalmente os equipamentos tem uma chave de segurança que está</p><p>sendo monitorada por um relé de segurança, que, por sua vez, desliga todo o circuito de comando da má-</p><p>quina.</p><p>CHAVES FIM DE CURSO</p><p>Amplamente difundido nas indústrias, evidencia o momento da abertura de uma porta de máquina,</p><p>por exemplo, ou evidencia o recuo ou avanço de um cilindro pneumático. As chaves fim de curso são</p><p>usadas para inúmeras aplicações. Seu ponto forte é a robustez e não oscilam em altas temperaturas. São</p><p>dispositivos usados para detectar a posição de objetos ou materiais (MORAIS; CASTRUCCI, 2001).</p><p>CHAVE DE NÍVEL</p><p>Essas chaves de nível são utilizadas para supervisionar níveis de líquidos em seus reservatórios. Na me-</p><p>dida em que o líquido vai saindo, existe uma boia que se move e comuta seus contatos. (MORAIS; CAS-</p><p>TRUCCI, 2001).</p><p>CHAVE DE FLUXO</p><p>São chaves feitas para detectar fluxo ou vazão de fluidos, podendo ser ar, óleo, resina ou gás. Existe um</p><p>rotor que se move na medida em que o fluido entra e aciona um contato elétrico que fica ligado a algum</p><p>tipo de processador. Através dessa contagem, deduz-se quanto de fluido passou pela chave de fluxo. (MO-</p><p>RAIS; CASTRUCCI, 2001).</p><p>CHAVE DE PRESSÃO</p><p>São chaves que têm seus contatos modificados, conforme a pressão em tubulações alterna. No caso de</p><p>redes de ar, as chaves de pressão são usadas para acionar o compressor quando a pressão está baixa.</p><p>O contato é comutado, fechando-se. Ao perceber a queda de pressão da rede de ar, a chave de pressão</p><p>acionará o motor do compressor. Outro exemplo de aplicação mais comum é quando se enche o pneu de</p><p>uma bicicleta em máquinas automáticas em postos de gasolinas. Quando chega na pressão desejada, há a</p><p>comutação de contato, que avisa o mecanismo a hora de parar de mandar ar ao pneu (MORAIS; CASTRUC-</p><p>CI, 2001).</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 157</p><p>CHAVE DE TEMPERATURA</p><p>Essas chaves são constituídas mecanicamente por lâminas bimetálicas, que têm a particularidade de</p><p>se mover em mudanças de temperatura. Em qualquer aplicação, quando a chave entra na sua região de</p><p>atuação, seus contatos se movem. Esse sistema é usado em larga escala nos refrigeradores. Outro exemplo</p><p>bem mais comum é encontrado em fornos elétricos residenciais, que usam os mesmos princípios (MORAIS;</p><p>CASTRUCCI, 2001).</p><p>SENSORES</p><p>Sensor é o termo usado para explicar um elemento que tem a sensibilidade a algum tipo de energia de</p><p>um ambiente, podendo ser luminosa, térmica ou cinética. Atrela informações sobre uma grandeza que ne-</p><p>cessita ser medida, como: pressão, velocidade, corrente, temperatura. Existem sensores NPN (alimentação</p><p>negativo e positivo, com retorno negativo) e sensor PNP (alimentação positivo e negativo, com retorno</p><p>positivo) (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>SENSORES ANALÓGICOS</p><p>“Esse tipo de sensor pode assumir qualquer valor no seu sinal de saída ao longo do tempo, desde que</p><p>esteja dentro da sua faixa de operação.” (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005 p. 18). Grandezas físicas po-</p><p>dem</p><p>admitir qualquer valor ao longo do tempo, podendo ser: pressão, temperatura, velocidade, umidade,</p><p>vazão, força, ângulo, distância, toque, luminosidade.</p><p>SENSORES DIGITAIS</p><p>Esse sensor assume apenas dois valores, 1 ou zero. Não existem grandezas físicas que se comportam de</p><p>tal forma, mas esses sensores, munidos de um circuito transdutor, são parametrizados pela fábrica ou tal-</p><p>vez pelo seu instalador com seu nível máximo e mínimo. Ou seja, ele comutará no ponto que foi ajustado.</p><p>(THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>SENSOR ÓPTICO</p><p>São sensores que tem a capacidade de fechar um contato sem um contato físico com o objeto que pas-</p><p>sa diante dele. Basicamente funciona com o emissor e o receptor, ou seja, o emissor envia uma luz dentro</p><p>de uma determinada frequência que o receptor reconhece. Desta forma, existe a mudança de contato</p><p>(THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS158</p><p>SENSOR ÓPTICO POR TRANSMISSÃO</p><p>Esse tipo de sensor tem uma vasta aplicação pelas empresas, usados como barreira de luz. É constituído</p><p>por emissor e receptor em corpos separados. Ao estarem alinhados, os dois estabelecem uma cortina de</p><p>luz, invisível aos olhos. Quando algo invade o meio do receptor e do emissor, o sensor, por sua vez, comuta</p><p>seus contatos. Por motivos de segurança (NR 12), o dispositivo é usado em muitos equipamentos, princi-</p><p>palmente em prensas, dobradeiras e sistemas de alarme (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>Figura 87 - Sensor Óptico</p><p>Fonte: Directindustry (2015)</p><p>SENSOR ÓPTICO DIFUSO</p><p>Esse sensor possui, no mesmo equipamento, o emissor e o receptor. A luz enviada pelo emissor funciona</p><p>com a presença de um corpo, ou seja, a luz se reflete no corpo, que é refletida da forma difusa, de volta ao</p><p>receptor. Desta forma, os contatos são comutados. Tipicamente, os sensores, tanto os ópticos e os demais,</p><p>tem a mesma estrutura de ligação, podendo funcionar com três ou quatros fios. Por definição, sempre o</p><p>fio 1 será o positivo e o 3 o negativo, ficando sempre com o sinal o 2 e o 4 (THOMAZINI; ALBURQUERQUE,</p><p>2005).</p><p>objeto</p><p>a ser</p><p>detectado</p><p>Sensor</p><p>Figura 88 - Sensor Óptico Difuso</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Em</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>Ro</p><p>dr</p><p>ig</p><p>o</p><p>Ce</p><p>ol</p><p>in</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 159</p><p>SENSORES ULTRASSÔNICOS</p><p>Você lembra do movimento da água quando uma pedra cai em uma poça? Então, é da mesma forma</p><p>que se comporta as ondas do som. Sensores ultrassônicos trabalham em uma frequência que não é audí-</p><p>vel, ou seja, uma frequência mais alta. Os sensores ultrassônicos têm cristais chamados piezelétricos, que</p><p>ressonam a uma frequência desejada. As alterações ultrassônicas do meio convertem energia mecânica em</p><p>energia elétrica, ou vice-versa.</p><p>Algumas variáveis têm que ser analisadas com critério antes da escolha desse tipo de sensor, como dis-</p><p>tância do trabalho, ângulo de superfície do objeto, rugosidade da superfície, mudanças na temperatura ou</p><p>umidade do ambiente. Esse sensor pode ser constituído de emissor e receptor ou montado em apenas um</p><p>corpo (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>Onda de sonido</p><p>Sensor</p><p>Figura 89 - Sensor ultrassônico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>SENSORES DE PRESENÇA</p><p>São constituídos por três tipos de sensores:</p><p>a) sensores indutivos;</p><p>b) sensores capacitivos;</p><p>c) sensores magnéticos.</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS160</p><p>SENSORES INDUTIVOS</p><p>Esse sensor envia sinal apenas na presença de um corpo metálico. Leituras em seu circuito identificam</p><p>uma variação do seu campo magnético de alta frequência. Essa variação é identificada pelo circuito que o</p><p>transforma em um sinal claro para o resto do sistema. Esses sensores têm configuração NPN ou PNP, como</p><p>os demais sensores, e podem ser encontrados tanto em corrente contínua ou corrente alternada (THOMA-</p><p>ZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>Atuam sem contato físico:</p><p>a) não possuem peças móveis;</p><p>b) têm grande vida útil sem dar manutenção;</p><p>c) podem funcionar em alta velocidade;</p><p>d) podem ser usados em lugares sujos e úmidos;</p><p>e) substituem com vantagem, nas maiorias das vezes, as chaves fim de curso.</p><p>Aplicação recomendada:</p><p>a) a leitura do sensor indutivo tem alta velocidade;</p><p>b) peças a detectar podem ter pequenas dimensões;</p><p>c) trabalha em condições severas, vibrações, vapores e óleo.</p><p>SENSORES CAPACITIVOS</p><p>Os sensores capacitivos trabalham com campo eletrostático na detecção de alterações que ocorrem</p><p>quando um corpo se aproxima da sua face. Na falta de um corpo, o seu dispositivo fica inativo. Quando al-</p><p>gum corpo se aproxima, ele aumenta a capacitância, atingido valores definidos, ocorrendo comutação de</p><p>seus contatos. Aplicação: são recomendados para uso de metais e não metais, tais como: água, óleo, grãos,</p><p>madeira, papelão, vidro, PVC (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>SENSORES MAGNÉTICOS</p><p>Esse tipo de sensor funciona com base no princípio magnético, convertendo um campo em sinal elé-</p><p>trico. Esse sensor normalmente é encontrado no formato Reed Switch. É um imã permanente que se move</p><p>em frente ao sensor, fazendo a comutação de contatos. Esse sistema é muito simples e é muito usado por</p><p>fabricantes de cilindros pneumáticos (THOMAZINI; ALBURQUERQUE, 2005).</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 161</p><p>Figura 90 - Sensor Magnético</p><p>Fonte: Adaptado de Thomazini; Albuquerque (2005)</p><p>SENSOR DE POSIÇÃO:</p><p>São elementos eletrônicos que, com precisão, fornecem sua posição aos mecanismos de controle. Esse</p><p>tipo de controle é muito usado em máquinas operatrizes computadorizadas e braços de robôs.</p><p>TRANSDUTORES DE POSIÇÃO</p><p>Normalmente usado em máquinas operatrizes, o sistema de transdutores funciona basicamente com</p><p>referência de tensão do início do seu trajeto da sua régua, relacionado com a posição atual do carro de</p><p>deslocamento. Resumindo, será sempre uma leitura entre dois pontos: A e B (MORAES; CASTRUCCI, 2001).</p><p>TRANSDUTOR RESISTIVO</p><p>Pode ser de translação ou de rotação. Um transdutor resistivo excita-se por tensão, tanto alternada ou</p><p>contínua. Conforme há o movimento, a resistência é alterada e, desta maneira, consegue-se obter uma</p><p>leitura (MORAES; CASTRUCCI, 2001).</p><p>SENSOR DE POSIÇÃO COM MÚLTIPLOS RESISTORES</p><p>Tem como elementos de medição vários resistores ligados em paralelos, de maneira que o objeto se</p><p>move e vai ligando e desligando as respectivas resistências. Assim, as medidas elétricas irão se alterar,</p><p>dando condições ao circuito transformar essas medidas elétricas em medidas dimensionais (MORAES; CAS-</p><p>TRUCCI, 2001).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS162</p><p>TRANSFORMADORES DIFERENCIAIS</p><p>São chamados de LVDT (linear variable differential–transformer). É um sensor de movimento linear (trans-</p><p>dutor). Seu princípio de funcionamento está no movimento da haste de ferrite, que faz mudar a tensão in-</p><p>duzida em seu secundário (sinal). Simplificando, tem o princípio de um transformador, tendo uma bobina</p><p>primária e outra secundária.</p><p>Alimentando a bobina primária, já existe uma tensão no secundário, mas a tensão do seu secundário</p><p>depende diretamente da localização da haste de ferrite. Sabendo dessas informações, basta ter um peque-</p><p>no processador que compreenda essa relação (MORAES; CASTRUCCI,2001)</p><p>Figura 91 - Funcionamento de um transformador de diferencial</p><p>Fonte: do Autor</p><p>POTENCIÔMETRO SÍNCRONO E INDUTIVO</p><p>Componente usado para medição de ângulos, compara a posição real com a esperada. Quando entra</p><p>em atividade e percebe que a diferença entre os dois pontos é zero, gera um sinal avisando o equipamento</p><p>para parar. No sistema de indução, existe uma bobina no rotor e no estator (igual um motor convencional).</p><p>A bobina (estator) induz uma tensão para o secundário (rotor). A amplitude da distância entre as duas bobi-</p><p>nas geram diferentes tipos de tensão, que gera a capacidade de uma leitura de posicionamento (MORAES;</p><p>CASTRUCCI, 2001).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 163</p><p>ENCODERS</p><p>Encoder tem a competência de</p><p>transformar um movimento retilíneo ou angular em um trem de pulso,</p><p>sem uso de conversores analógico ou digital. Divide-se em dois tipos, encoder incremental ou absoluto. No</p><p>caso do encoder incremental, ele mede o deslocamento apenas em relação ao ponto inicial de referência.</p><p>No caso do encoder absoluto, mede o trajeto em relação a um ponto de referência interno do dispositivo,</p><p>gerando um sinal codificado ao processador (MORAES; CASTRUCCI, 2001).</p><p>Agora que você já conhece os dispositivos que poderão ser usados nas entradas de controladores ló-</p><p>gicos programáveis, acompanhe as medições aplicáveis nos testes de funcionamento de componentes</p><p>elétricos.</p><p>4.3 MEDIÇÕES APLICÁVEIS NOS TESTES DE FUNCIONAMENTO DE COMPONENTES ELÉTRICOS</p><p>Trabalhar fazendo manutenções ou instalações, mesmo que não seja de caráter profissional, não deixa</p><p>de ser um artifício que gera riqueza ao elemento que o executa. Qualquer atividade que você consiga fazer</p><p>sem solicitar ajuda de terceiros gerará economia.</p><p>Quantas atividades pertinentes à manutenção podem ser feitas por você em sua casa? Você já havia</p><p>pensado nisso antes?</p><p>4.3.1 TESTE DE CONTINUIDADE EM MOTORES TRIFÁSICOS</p><p>Há alguns testes que são clássicos para motores elétricos, usando continuidades como:</p><p>a) Teste de continuidade de enrolamentos;</p><p>b) Teste de curto-circuito entre enrolamentos;</p><p>c) Teste de curto-circuito entre enrolamento e estator.</p><p>TESTE DE CONTINUIDADE EM ENROLAMENTO</p><p>Você já observou os motores de 6 pontas, que possuem 3 enrolamentos? Com um teste simples, po-</p><p>sicionando um multímetro (em escala de ohm Ω) entre o terminal do motor 1 e 4, é possível saber que</p><p>há continuidade no enrolamento do motor. Da mesma forma, faz-se esse teste para o enrolamento 2 e 5,</p><p>posteriormente 3 e 6. Todos os enrolamentos terão que dar continuidade e ter suas medições bem aproxi-</p><p>madas.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS164</p><p>Em alguns casos, a leitura poderá dar alterada, dando valor muito baixo, ou próximo de zero Ω. Isso</p><p>pode significar que tem um enrolamento em curto-circuito. Em outros casos, poderá acontecer que o en-</p><p>rolamento esteja com sua resistividade muito alta em relação as demais. Isso significa que esse motor</p><p>poderá estar trabalhando com desbalanceamento de corrente. Ou seja, uma das fases do motor está com</p><p>consumo maior, necessitando a troca do motor ou rebobinamento.</p><p>Figura 92 - Teste com Ohmímetro de Enrolamentos de Motor Trifásico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>TESTE DE CURTO-CIRCUITO ENTRE ENROLAMENTOS</p><p>Segure uma ponteira do multímetro no terminal número 1, por exemplo, a outra ponteira começa a ser</p><p>medida no terminal 2, depois terminais 5, 3 e 6. Se o motor estiver em boas condições, não haverá con-</p><p>tinuidade, ou seja, o motor não está em curto-circuito entre bobinas ou enrolamentos. A figura, a seguir,</p><p>demonstra os procedimentos por etapas para a melhor compreensão do mencionado. Evidentemente</p><p>apenas terminais do respectivo enrolamento poderão dar continuidade.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 165</p><p>Figura 93 - Testando com Ohmímetro Enrolamentos de Motor Trifásico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>TESTE DE CURTO-CIRCUITO ENTRE ENROLAMENTO E ESTATOR</p><p>Suponha que todos os testes aplicados foram positivos, mas, ao ligar o motor, ele desliga subitamente.</p><p>O que pode ter acontecido? Pode haver curto-circuito entre enrolamento e estator.</p><p>No momento da partida do motor, pode haver uma falha no isolamento de um enrolamento, entrando</p><p>diretamente em curto-circuito com seu estator, não permitindo que o motor entre em operação. Então, o</p><p>manutentor terá que testar todos os terminais dos enrolamentos em relação ao estator do motor, à procura</p><p>de passagem de corrente com o seu multímetro.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS166</p><p>Assim, evidenciando a condução entre enrolamento e estator, você poderá afirmar com categoria e</p><p>propriedade que o motor está queimado por curto-circuito entre estator e enrolamentos. Acompanhe.</p><p>Figura 94 - Teste com Ohmímetro de curto-circuito entre enrolamentos e estator de um motor Trifásico</p><p>Fonte: do Autor</p><p>4.3.2 RESISTÊNCIA</p><p>Você foi chamado para verificar um forno à resistência e o operador está alegando que o aparelho não</p><p>está chegando em sua plena temperatura (800°C). Chegando lá, você desconfia que uma resistência está</p><p>queimada. Para piorar a situação, você não tem contato visual com as resistências, obrigando descobrir a</p><p>resistência queimada por teste. Da maneira que a resistência está configurada na máquina, um teste direto</p><p>com o Ohmímetro não será eficiente, sabendo que as resistências estão ligadas em paralelo e alteram o</p><p>valor medido.</p><p>Diante disso, você desliga a tensão do forno, desliga os terminais do circuito e começa a medir as resis-</p><p>tências uma a uma. Desta forma, saberá com exatidão qual a resistência que está queimada.</p><p>Com placas de circuitos integrados, haverá o mesmo comportamento para averiguação de resistores.</p><p>Terá que ser solto um dos terminais e feita a medição. Caso o manutentor tenha um amperímetro, o teste</p><p>será mais rápido. Basta medir a corrente elétrica diretamente em cima dos respectivos terminais. Se não</p><p>houver corrente, significa que a resistência está queimada. Acompanhe, a seguir.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 167</p><p>Figura 95 - Teste prático em resistores</p><p>Fonte: do Autor</p><p>4.3.3 TESTE DE SEMICONDUTORES</p><p>Nessa seção, serão demonstrados alguns testes elementares para saber o real estado de elementos ele-</p><p>trônicos, como diodo e transistores.</p><p>TESTE PRÁTICO DE DIODO</p><p>Diodo12 é um componente semicondutor com conexão P-N, que é conectado em dois terminais. A es-</p><p>trutura do diodo é feita de forma que se tenha uma certa resistência mecânica. O diodo tem suas carac-</p><p>terísticas especificadas em sua estrutura igual à do resistor. Possui também um traço desenhado em sua</p><p>estrutura, que evidencia onde está o catodo (N). O outro terminal chama-se Anodo (P). Esse elemento tem</p><p>a propriedade de conduzir só de um sentido. Ligando o multímetro em escala de Ohmímetro, ficará evi-</p><p>dente esse comportamento.</p><p>12 Elemento semicondutor que somente deixa passar corrente num sentido (BARIO; SANTOS; BENEDITO, 2006).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS168</p><p>No circuito, funciona da seguinte forma: quando alimentado por uma fonte qualquer e o positivo estiver</p><p>entrando no anodo, ele conduzirá, mas se a fonte estiver invertida e alimentando o positivo no catodo, o</p><p>componente se comporta como se estivesse aberto. Caso o componente esteja em uma placa de circuito</p><p>impresso, um dos terminais deverá ser levantado para se fazer a leitura.</p><p>Em algumas referências, encontra-se o catodo escrito com “K”, como sugere a figura, a seguir.</p><p>BAIXA RESISTÊNCIA !! ALTA RESISTÊNCIA !!</p><p>A</p><p>A K</p><p>K</p><p>catodo (N) catodo (N)Anodo (P) Anodo (P)</p><p>Figura 96 - Teste de diodos13 com o Ohmímetro</p><p>Fonte: do Autor</p><p>CARACTERÍSTICA DE UM TRANSISTOR EM UM CIRCUITO NA PRÁTICA</p><p>Um transistor possui uma série de características. Na prática, em primeiro lugar, é preciso ser observado</p><p>o seu encapsulamento. Assim, é possível saber onde está o terminal da base, o coletor, o emissor, a tensão</p><p>de trabalho e qual a corrente que ele suporta. Tudo isso é encontrado nos manuais. Esses manuais são</p><p>chamados de Data-Sheet (planilha de dados). Também são amplamente disponibilizados em sites ou em</p><p>revistas especializadas. A riqueza de informações geralmente é bem completa, de tal forma que o desenho</p><p>vem com suas respectivas dimensões, identificando os terminais.</p><p>13 Elemento semicondutor que somente deixa passar corrente num sentido (BARIO; SANTOS; BENEDITO, 2006).</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 169</p><p>Acompanhe, na figura a seguir, um exemplo.</p><p>21</p><p>3</p><p>Vista por baixo</p><p>2</p><p>1</p><p>3</p><p>Vista por baixo</p><p>2</p><p>1</p><p>3</p><p>Vista por baixo</p><p>SOT-23 TO-18 TO-39</p><p>TO-72 TO-92</p><p>TO-126 / SOT-32</p><p>TO-220 T0-3P TO-3PF</p><p>2</p><p>1</p><p>3</p><p>4</p><p>Vista</p><p>por baixo</p><p>21 3</p><p>Vista por baixo 21 3</p><p>Vista de frente</p><p>21 3</p><p>Vista de frente Vista de frente Vista de frente</p><p>21 3 21 3</p><p>Figura 97 - Característica de encapsulamento de um transistor na prática</p><p>Fonte: Adaptado de Souza (2003)</p><p>O transistor é formado de base, coletor e emissor. Na figura, a seguir, será explicado como evidenciar</p><p>através de testes a diferença de coletor, emissor e base de um transitor.</p><p>E</p><p>B</p><p>C</p><p>B</p><p>C</p><p>E</p><p>NPN PNP</p><p>(2)</p><p>(1)</p><p>(3)</p><p>Figura 98 - Referências para medições para testes de transistor</p><p>Fonte: Adaptado de Marques; Cruz; Choueri (1998)</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS170</p><p>Na figura anterior, estão identificados transistores NPN e transistores PNP. Numere os terminais, como</p><p>sugere a figura. Na figura, a seguir, estão os procedimentos a serem realizados. Acompanhe.</p><p>MULTÍMETRO NAS ESCALAS Ω X 1 OU Ω X 10</p><p>Identificação de Terminais</p><p>Condição Ligação Medida em Ohm Identificação</p><p>1º (+) - (B)</p><p>( - ) - ( C )</p><p>Baixa 2= B</p><p>( - ) - ( E )</p><p>Transistor NPN</p><p>Multímetro em nas Escalas Ω x 10k</p><p>Condição Ligação Medida em Ohm Identificação</p><p>2º</p><p>(+) - (1) ( - ) - ( 3 ) Aprox. 100x 10k 1 = C</p><p>(+) - (3) ( - ) - ( 1 ) Infinito 3 = E</p><p>Tabela 11 - Referências para medições para testes de transistor NPN</p><p>Fonte: Adaptado de Marques; Cruz; Choueri (1998)</p><p>PRIMEIRA CONDIÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DA BASE DO TRANSISTOR</p><p>Para identificar a base do transistor, é preciso fixar a ponta de prova positiva do multímetro em um dos</p><p>terminais do transistor. Com a ponta de prova negativa, toca-se nos dois outros terminais, para verificar se</p><p>ambos apresentam resistência baixa. Caso essa condição não se verifique na primeira tentativa, deve-se</p><p>repetir o procedimento, fixando a ponta de prova positiva em outro terminal do transistor.</p><p>Segunda Condição - Identificação do coletor e emissor do transistor. Basta seguir as me-</p><p>didas indicadas na tabela. Para a identificação dos terminais de um transistor PNP , as</p><p>mesmas condições anteriores são válidas, mas tomando - se como referência a ponta de</p><p>prova negativa do multímetro.(MARQUES; CRUZ; CHOUERI, 1998, p. 360).</p><p>Acompanhe o ajuste da escala do seu multímetro e prossiga com os testes, levando em consideração as</p><p>afirmações citadas pelos autores citados anteriormente.</p><p>TRANSISTOR PNP</p><p>Multímetro nas Escalas Ω x 1 ou Ω x 10</p><p>Condição Ligação Medida em Ohm Identificação</p><p>1º (-) - (B)</p><p>( + ) - ( C )</p><p>Baixa 2= B</p><p>( + ) - ( E )</p><p>Multímetro em nas Escalas Ω x 10k</p><p>Condição Ligação Medida em Ohm Identificação</p><p>2º</p><p>(-) - (3) ( + ) - ( 1 ) Aprox. 100x 10k 1 = C</p><p>(-) - (1) ( + ) - ( 3 ) Infinito 3 = E</p><p>Tabela 12 - Referências para medições para testes de transistor PNP</p><p>Fonte: Adaptado de Marques; Cruz; Choueri (1998)</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 171</p><p>Acompanhe o teste do componente. Para saber se o componente está danificado ou não, poderão ser</p><p>feitos os seguintes testes:</p><p>TRANSISTOR PNP</p><p>Multímetro nas Escalas Ω x 1 ou Ω x 10</p><p>1º</p><p>(-) - (B)</p><p>( + ) - ( C )</p><p>Baixa</p><p>Bom</p><p>( + ) - ( E )</p><p>(+) - (B)</p><p>( -) - ( C )</p><p>Alta</p><p>( - ) - ( E )</p><p>2º (+) - (B)</p><p>( -) - ( C )</p><p>Baixa Ruim</p><p>( + ) - ( E )</p><p>3º</p><p>(-) - (C) ( + ) - ( E )</p><p>Baixa Ruim</p><p>(-) - (E) ( + ) - ( C )</p><p>Tabela 13 - Teste em transistores PNP</p><p>Fonte: Adaptado de Marques; Cruz; Choueri (1998)</p><p>A seguir, você pode observar outro transistor. Se for NPN, o procedimento muda um pouco, conforme</p><p>a figura, a seguir.</p><p>TRANSISTOR NPN</p><p>Multímetro nas Escalas Ω x 1 ou Ω x 10</p><p>Condição Ligação Medida em Ohm Estado</p><p>1º</p><p>(+) - (B)</p><p>( - ) - ( C )</p><p>Baixa</p><p>Bom</p><p>( - ) - ( E )</p><p>(-) - (B)</p><p>( +) - ( C )</p><p>Alta</p><p>( + ) - ( E )</p><p>2º (-) - (B)</p><p>( +) - ( C )</p><p>Baixa Ruim</p><p>( + ) - ( E )</p><p>3º</p><p>(+) - (C) ( - ) - ( E )</p><p>Baixa Ruim</p><p>(+) - (E) ( - ) - ( C )</p><p>Tabela 14 - Teste em transistores</p><p>Fonte: Adaptado de Marques; Cruz; Choueri (1998)</p><p>Antigamente, a forma de obter informações era apenas por livros, jornais e revistas. Esse panorama</p><p>mudou. Hoje, pode-se ter acesso a informações técnicas por meios eletrônicos, utilizando computadores,</p><p>tablets ou um telefone móvel. Acompanhe esses aspectos na próxima seção.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS172</p><p>4.4 FERRAMENTAS INFORMATIZADAS QUE ACOMPANHAM MATERIAIS ELÉTRICOS UTILIZADOS</p><p>NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS</p><p>Existem alguns softwares free que poderão lhe proporcionar melhor desempenho no dia a dia do tra-</p><p>balho, desde que você tenha acesso a um computador ou quem sabe um telefone móvel ou um tablet. Lá</p><p>você encontrará, por meios de aplicativos e revistas eletrônicas, documentos de dispositivos disponibiliza-</p><p>dos por fabricantes de máquinas, elementos mecânicos ou elementos eletrônicos.</p><p>4.4.1 SOFTWARES ESPECÍFICOS</p><p>Programas free para download estão disponíveis na internet, que possibilitam fazer diferentes tipos de</p><p>cálculos (cálculos de potência, dimensionamento de cabos).</p><p>É muito importante que você tenha à disposição um ambiente rápido e prático para consultas técnicas.</p><p>Essa dica serve para elementos mecânicos, elementos elétricos, elementos eletrônicos e para gerenciador</p><p>de manutenção. E como funciona?</p><p>Você pode fazer um download de um aplicativo específico, inserir os dados solicitados e o aplicativo cal-</p><p>cula rapidamente o que você quer saber. Por exemplo, lei de Ohm: forneça o valor da resistência e tensão e</p><p>o valor da corrente, que o aplicativo fornece o resultado.</p><p>Veja abaixo alguns aplicativos free que podem ser utilizados no computador ou no celular:</p><p>CADe_SIMU</p><p>Software em CAD para montagem de diagrama multifilar, com um diferencial de fazer a simulação do</p><p>circuito. Free, pode rodar em computador sem necessidade de instalação</p><p>FLUIDSIM</p><p>Software para montagem de circuitos hidráulicos, pneumáticos, elétricos, e CLP, com o diferencial de</p><p>fazer a simulação do circuito. Free, pode rodar em computador sem necessidade de instalação .</p><p>DOC ABB</p><p>Software para dimensionamento de instalações elétricas, diagrama unifilares, realiza cálculos e dimen-</p><p>sionamentos de condutores.</p><p>DCE PRYSMIAN</p><p>O DCE permite o dimensionamento de circuitos com cargas de motores (lâmpadas, tomadas, etc.) e</p><p>também circuitos em forma de árvore, ou seja, nos quais as cargas se ramificam em trechos a partir de nós.</p><p>4 TECNOLOGIA DE FERRAMENTAS E MATERIAIS 173</p><p>SDN</p><p>Primeiro aplicativo brasileiro a realizar o cálculo do dimensionamento de cabos elétricos a partir de</p><p>especificações de instalação.</p><p>CLIC</p><p>Software utilizado no micro CLP CLIC, realiza a programação do CLP com o diferencial de realizar a simu-</p><p>lação do programa executando todas as rotinas do programa, sendo possível realizar download e upload</p><p>no equipamento.</p><p>ENGELETRICA</p><p>Aplicativo para celular que faz dimensionamento de instalações prediais.</p><p>ELECTRODROID</p><p>Aplicativo para celular com componentes e explicação de cada um.</p><p>PROJETO FILTRO ELÉTRICO</p><p>Aplicativo para celular para cálculos de circuitos com resistor e capacitor.</p><p>AMPÈRE MOBILE</p><p>Aplicativo para celular para cálculos de circuitos e dimensionamento elétrico.</p><p>MOBILE ELECTRICIAN</p><p>Aplicativo para celular para cálculos da lei de ohm, transformação, corrente, etc.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS174</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você estudou uma série de questões que tipicamente envolvem o cotidiano de um</p><p>manutentor, por exemplo, corrente nominal e para que serve. A corrente nominal serve como pon-</p><p>to de partida de tudo o que você for dimensionar e especificar. Na mecânica, tudo é dimensionado</p><p>pela força ou esforço para dimensionar uma viga, por exemplo. Na elétrica, tudo é dimensionado</p><p>partindo da corrente nominal dos componentes.</p><p>Esse conceito ajudará você a lembrar que esse detalhe é fundamental na hora de especificar um</p><p>contator, um inversor, um fusível ou cabos. São questões fundamentais ao manutentor ou pro-</p><p>jetista, tão fundamental como saber qual a Norma que regulamenta os trabalhos em manutenção</p><p>em sistemas elétricos (NR 10).</p><p>Foram estudadas também as principais características de elementos elétricos, conforme especifi-</p><p>cado nas Normas</p><p>Regulamentadoras, tentando retratar ao máximo a realidade com a teoria. Além</p><p>disso, foram apresentados os cuidados com a segurança no manuseio de ferramentas e instrumen-</p><p>tos, características de motores, CLPs, inversor de frequência e suas parametrizações, incluindo suas</p><p>referências bibliográficas e curiosidades para o manutentor visualizar em campo onde é aplicado</p><p>cada elemento.</p><p>O contexto organizacional tem como objetivo o alcance dos resultados para que haja sus-</p><p>tentabilidade da empresa, competição com o mercado e, desta forma, possa continuar ofertan-</p><p>do oportunidades no mercado de trabalho. Para se manter tal coesão, é imprescindível que o</p><p>trabalho seja medido de alguma forma. Assim, é necessário criar um objeto ou meio de medi-</p><p>ção, que, por sua vez, recebe o nome de indicador.</p><p>O alto desempenho surge em organizações no momento em que elas conseguem estabe-</p><p>lecer processos adequados e descritos de trabalho, e que sejam efetivamente cumpridos pelos</p><p>profissionais que ali atuam, alcançando a capacidade organizativa de exercerem suas ativida-</p><p>des em um regime de gestão.</p><p>Desta forma, este capítulo tem por objetivo, abordar a prática das equipes de manutenção,</p><p>especificamente dos profissionais que atuam com sistemas elétricos e como estas devem ser</p><p>avaliadas em sua performance e na entrega de resultados.</p><p>Ao longo do capítulo, serão discutidas técnicas de avaliação de serviços destas equipes,</p><p>tendo como requisitos: a velocidade e qualidade no atendimento, a eficácia do serviço e a</p><p>adaptação e conhecimento ao processo produtivo.</p><p>5.1 TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DAS EQUIPES DE MANUTENÇÃO</p><p>Ao se tratar de manutenção de qualquer equipamento elétrico, é preciso considerar que</p><p>é uma área em constante evolução, pois o aproveitamento da energia elétrica é um recurso</p><p>poderoso que está sempre sendo estudado. O custo de qualquer interrupção de energia e con-</p><p>sequente parada de equipamentos elétricos é elevado. Por isso, as equipes de manutenção</p><p>de sistemas elétricos devem estar em constante atenção e prevenção das possíveis causas de</p><p>falhas ou necessidades de reparos/consertos.</p><p>O objetivo das inspeções visando à manutenção preventiva de equipamentos elétricos é</p><p>salvaguardá-los contra interrupções e danos por meio da detecção e supressão de causas po-</p><p>tenciais de defeitos. Essa prática, se feita com regularidade, proporciona longos períodos livres</p><p>de problemas de maiores proporções.</p><p>5</p><p>Gestão de Pessoas</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS178</p><p>De acordo com Zaccarelli (1990), foi na década de 80 que a importância da manutenção ganhou desta-</p><p>que, pois, nesta ocasião, conceitos como qualidade e eficiência dos produtos e serviços começaram a ser</p><p>cobrados.</p><p>Desta forma, passou a ser necessário realizar um acompanhamento mais criterioso nos serviços das</p><p>equipes de manutenção e incorporar técnicas específicas, trabalhando alguns indicadores.</p><p>Indicador refere-se a um parâmetro numérico que facilita o monitoramento e alteração de comporta-</p><p>mentos num sistema. Desta maneira, ele pode ser utilizado como um instrumento de acompanhamento</p><p>da evolução nos serviços prestados pelas equipes de manutenção. Um dos maiores problemas das equipes</p><p>de manutenção é saber como estão os equipamentos. Para resolver essa questão, é necessário utilizar estes</p><p>índices como fonte de informação.</p><p>De acordo com VIANA (2002, p. 139), “Os índices de manutenção devem retratar aspectos importantes</p><p>no processo da planta.”</p><p>Agora que você compreendeu o conceito de indicadores, pode-se passar para aqueles que devem ser</p><p>considerados na avaliação das equipes de manutenção de sistemas elétricos. Os autores Pinto e Xavier</p><p>(2001) apresentam indicadores de manutenção que são considerados de classe mundial, ou seja, são utili-</p><p>zados e calculados semelhantemente em todos os lugares do mundo. Acompanhe.</p><p>Tempo Médio entre Falhas (TMEF): que corresponde à relação entre a multiplicação do número de</p><p>itens por seu tempo de operação e o número total de falhas detectadas.</p><p>Tempo Médio para Reparo (TMPR): que diz respeito ao tempo total de intervenção corretiva em um</p><p>conjunto de itens com falhas e seu número total de falhas.</p><p>Tempo Médio para Falha (TMPF): relação entre seu número total de falhas e o tempo total de opera-</p><p>ção de um conjunto de itens não reparáveis.</p><p>Disponibilidade1 de Física (DF): mede o número total de horas do período considerado em relação à</p><p>diferença do número de horas do período considerado (horas calendário) com o número de horas de inter-</p><p>venção para manutenção para cada item observado.</p><p>Custo de Manutenção por Faturamento: relação entre faturamento da empresa e o custo total de</p><p>manutenção.</p><p>Custo de Manutenção pelo Valor de Reposição: relação entre valor de compra (novo - valor de repo-</p><p>sição) e o custo total acumulado na manutenção de um determinado equipamento.</p><p>Backlog: relação entre o montante de serviços de manutenção planejado a ser realizado num determi-</p><p>nado momento (medido em dias ou hora/homem), representando o tempo que a equipe de manutenção</p><p>deve trabalhar para concluir todos os serviços pendentes, supondo que não cheguem novos pedidos du-</p><p>rante a execução destes serviços (PINTO; XAVIER, 2001).</p><p>1 Capacidade de um item estar em condições de executar uma certa função em um dado instante ou durante um intervalo de tem-</p><p>po determinado, levando-se em conta os aspectos combinados de sua confiabilidade, manutenabilidade e suporte de manutenção,</p><p>supondo que os recursos externos requeridos estejam assegurados.</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 179</p><p>Esses são os principais indicadores usados mundialmente por uma equipe de manutenção industrial, o</p><p>que não impede que sejam criados outros. Isso dependerá da necessidade de cada empresa ou estratégia</p><p>de cada gestor.</p><p>Na sequência, você estudará a velocidade de atendimento.</p><p>5.1.1 VELOCIDADE DE ATENDIMENTO</p><p>No restaurante, normalmente você solicita um prato, o garçom anota o pedido, marcando na própria</p><p>comanda a hora da entrada da solicitação. Por exemplo, às 20 h 10 min, faz-se uma solicitação, que chega</p><p>à cozinha e entra em uma fila de espera. O prato começa a ser preparado à 20 h 30 min - note que é neste</p><p>momento que a solicitação de serviço se transforma em ordem de serviço.</p><p>Neste caso, o cozinheiro faz a anotação na própria comanda do início das atividades e, ao finalizar o</p><p>prato, faz sua anotação de término da atividade, por exemplo, 20 h 55 min.</p><p>Terminado o prato, o garçom serve o cliente às 21 h. Desta forma, encerra a ordem de serviço com-</p><p>pletamente. Perceba que existe o tempo total da solicitação de serviço até a sua finalização, que é de 50</p><p>minutos, e o tempo real de trabalho da cozinha e do garçom, que é de 25 minutos.</p><p>ABERTURA DE</p><p>SOLICITAÇÃO DE SERVIÇO</p><p>AVALIAÇÃO DA</p><p>SOLICITAÇÃO DE</p><p>SERVIÇO</p><p>ORDEM DE SERVIÇO</p><p>EXECUTADA?</p><p>A ORIGEM DA</p><p>ORDEM DE</p><p>SERVIÇO É UMA</p><p>SOLICITAÇÃO DE</p><p>SERVIÇO?</p><p>AVALIAÇÃO DA</p><p>SATISFAÇÃO PELO</p><p>REQUISITANTE</p><p>DATA :</p><p>HORA</p><p>QUEM ABRIU:</p><p>DATA :</p><p>HORA</p><p>DATA E HORA</p><p>QUEM ABRIU:</p><p>NÃO</p><p>SIM</p><p>SIM</p><p>SIM</p><p>NÃO</p><p>NÃO</p><p>PROCEDE?</p><p>ELIMINAR SOLICITAÇÃO DE</p><p>SERVIÇO</p><p>ORDEM DE SERVIÇO URGÊNTE!</p><p>MÁQUINA PARADA!</p><p>ABERTURA DA</p><p>ORDEM DE SERVIÇO</p><p>PROGRAMAÇÃO</p><p>DA ORDEM DE</p><p>SERVIÇO</p><p>EXECUÇÃO DO</p><p>SERVIÇO ENCERRAR ORDEM</p><p>DE SERVIÇO</p><p>HORA/DATA/</p><p>PROFISSIONAL</p><p>Figura 99 - Entrada de Serviços para uma equipe de Manutentores</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Conforme fluxograma citado, o trabalho das equipes de manutenção não é diferente do caso do gar-</p><p>çom e do cozinheiro, ou seja, quando se trata do índice de velocidade, o que não for urgente é uma solici-</p><p>tação de serviço e entra em uma fila de espera. O que for urgente, já entra em atividade instantaneamente</p><p>como ordem de serviço.</p><p>Ka</p><p>ro</p><p>lin</p><p>a</p><p>M</p><p>ac</p><p>ha</p><p>do</p><p>P</p><p>ra</p><p>do</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS180</p><p>Desta maneira, pode-se ter dois indicadores, isto é, tempo total de atendimento da abertura da solicita-</p><p>ção de serviço até o seu fechamento, ou apenas o tempo da ordem de serviço (tempo do preparo do prato</p><p>a entrega ao cliente).</p><p>No caso dos manutentores industriais, essas</p><p>informações são inseridas em um gerenciador (software</p><p>de manutenção). Neste caso, basta o manutentor inserir as informações solicitadas e o critério de como</p><p>essas informações serão avaliadas ficará a cargo do gestor da área. As informações serão armazenadas e,</p><p>de tempos em tempos, é retirado um relatório que informará a média do tempo de atendimento de cada</p><p>profissional, por exemplo. Obviamente, se houver algum ponto fora da média, haverá um questionamento</p><p>do que aconteceu naquele mês. Acompanhe.</p><p>TEMPO MÉDIO DA VELOCIDADE DE ATENDIMENTO NOS ÚLTIMOS 8</p><p>MESES POR FUNCIONÁRIO</p><p>M</p><p>IN</p><p>U</p><p>TO</p><p>S</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN AGO</p><p>TEMPO TOTAL EM MINUTOS EM UM</p><p>MÊS</p><p>CRISTIAN</p><p>CRISTIANO</p><p>DELOIR</p><p>WILLIAN</p><p>42 22</p><p>10</p><p>15</p><p>15</p><p>2</p><p>5</p><p>4</p><p>5</p><p>8</p><p>15</p><p>1</p><p>2</p><p>5</p><p>7</p><p>14</p><p>6</p><p>1</p><p>4</p><p>3</p><p>19</p><p>2</p><p>5</p><p>8</p><p>4</p><p>29</p><p>5</p><p>7</p><p>38</p><p>2</p><p>23</p><p>8</p><p>9</p><p>10</p><p>3</p><p>0</p><p>5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>30</p><p>35</p><p>40</p><p>45</p><p>Figura 100 - Tempo médio da velocidade de atendimentos por funcionários</p><p>Fonte: do Autor</p><p>O ponto que fica muito diferente da média é classificado na estatística de ponto fora da curva. No exem-</p><p>plo de gráfico que ilustra tal situação, o funcionário Cristiano, no mês de agosto (linha vermelha), está fora</p><p>da média, apresentando indicador bem diferente dos demais. Já Cristian, no mesmo mês, está fora da mé-</p><p>dia, ou seja, inferior aos demais. No mês de janeiro, o gráfico apresenta alteração no comportamento de</p><p>Deloir e Cristiano, trabalhando acima dos demais.</p><p>Sa</p><p>br</p><p>in</p><p>a</p><p>Fa</p><p>ria</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 181</p><p>A seguir, tem-se um gráfico que evidencia o comportamento da média da equipe inteira, cujo momento</p><p>de menor ocorrência é no mês de julho. Observe.</p><p>12</p><p>10</p><p>8</p><p>6</p><p>4</p><p>2</p><p>0</p><p>JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO</p><p>10,5 5,5 3,75 3,5 4,75 7,25 3,25 9,5MÉDIA ATENDIMENTO</p><p>MENSAL</p><p>MÉDIA DE VELOCIDADE DE ATENDIMENTO - EQUIPE DE</p><p>MANUTENÇÃO</p><p>M</p><p>IN</p><p>U</p><p>TO</p><p>S</p><p>Figura 101 - Média do tempo de atendimento de um departamento de manutenção</p><p>Fonte: do Autor</p><p>Quando se fala em atendimento, na área de manutenção elétrica, além da explicação anterior, é preciso</p><p>ter em mente qual a dimensão do problema. Se este diz respeito ao equipamento em si, terá uma conta-</p><p>gem em termos de manutenção e tempo dedicado da equipe. E, em caso de uma queda de energia, que</p><p>impacta diretamente no sistema elétrico da empresa, ou seja, quando o reparo depende de equipes exter-</p><p>nas (na estação de abastecimento de energia), deverá ter outra forma de mensuração.</p><p>Na literatura técnica, há dois procedimentos que se destacam como formas de medição na velocidade</p><p>de atendimento das equipes de manutenção de modo geral. Uma dessas técnicas é a medição por amos-</p><p>tra, que utiliza apenas parte do universo do evento para fazer a análise geral da atividade. Outra é a medi-</p><p>ção contínua, em que a atividade é controlada todo o tempo.</p><p>A técnica por amostragem, também chamada de worksampling (TOLEDO Jr, 1989), apresenta-se como</p><p>ferramenta para analisar a eficiência da manutenção e direcionar ações para sua melhoria contínua. A auto-</p><p>ra aponta também que o planejamento de manutenção tem se mostrado importante para as organizações.</p><p>Outra técnica para medir a velocidade do atendimento é a aplicação da técnica de coleta, conforme</p><p>destacado por Brisley (1970), em que um observador, num horário indicado numa tabela de números alea-</p><p>tórios, dirige-se para o posto de trabalho e anota qual atividade o observado está realizando nesse instan-</p><p>te. A atividade deve ser dividida em tarefas e a lista organizada em uma tabela, para agilizar o processo de</p><p>anotação da observação. A divisão deve ser discutida previamente para garantir padronização e entendi-</p><p>mento na equipe responsável por anotar as observações.</p><p>Desta forma, é possível obter os tempos gastos nos processos utilizados pela equipe de manutenção e</p><p>ter qualidade de atendimento, como você estudará a seguir.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS182</p><p>5.1.2 QUALIDADE DE ATENDIMENTO</p><p>Pode-se dizer que, até meados dos anos 70, manutenções eram apenas baseadas no tempo de falha, de</p><p>reparo da máquina. Mas, foi nos anos 80 que surgiu o conceito que se baseia também no acompanhamen-</p><p>to das máquinas mesmo em funcionamento, o que permite prever com certa antecedência as ocorrências</p><p>de falhas.</p><p>Nesta ocasião, percebeu-se que os serviços prestados pelos profissionais de manutenção têm impactos</p><p>diretos e indiretos nos produtos e serviços das empresas, o que gera redução de lucros, custo com mão de</p><p>obra e principalmente clientes insatisfeitos.</p><p>Segundo Campos (2013), garantir a qualidade depende de todas as pessoas envolvidas, ou seja, todo</p><p>aquele que atua direta ou indiretamente para que o produto e o serviço tenham as especificações técnicas</p><p>necessárias.</p><p>Sabe-se que um produto não é em si perfeito, mas cumprir procedimentos operacionais com rigor e</p><p>padrão traz sustentabilidade e confiabilidade na qualidade do produto.</p><p>Nas equipes de manutenção, isto é imprescindível, pois estar atento ao tempo de parada da máquina</p><p>e em quais manutenções devem ser realizadas é fundamental, para que o resultado não tenha avarias, ou</p><p>seja, qualquer peça fora do nivelamento pode acarretar prejuízo em termos de especificações técnicas dos</p><p>produtos.</p><p>Pode-se ainda constatar que, para atender os clientes de forma satisfatória, implantar uma manutenção</p><p>centrada na confiabilidade pode ser bastante interessante. Neste contexto, pode-se basear na aplicação de</p><p>um questionário bastante simples, segundo ressaltam Pinto e Xavier (2001). Algumas das perguntas que se</p><p>pode fazer para prestar um bom atendimento:</p><p>a) Quais são as funções e padrões de desempenho do item no seu contexto operacional atual?</p><p>b) De que forma ele falha em cumprir suas funções?</p><p>c) O que causa cada falha operacional?</p><p>d) O que acontece quando ocorre a falha?</p><p>e) Qual a importância que cada falha possui no processo produtivo?</p><p>f ) O que pode ser feito para prevenir cada falha?</p><p>g) O que deve ser feito, se não for encontrada uma tarefa preventiva apropriada?</p><p>É de suma importância considerar, no contexto da manutenção centrada na confiabilidade, alguns con-</p><p>ceitos básicos relacionados à confiabilidade, tais como:</p><p>a) seleção do sistema;</p><p>b) definição das funções e padrões de desempenho;</p><p>c) determinação das falhas funcionais e de padrões de desempenho;</p><p>d) análise dos modos e efeitos das falhas;</p><p>e) histórico de manutenção e revisão da documentação técnica;</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 183</p><p>f ) determinação de ações de manutenção - política, tarefas, frequência.</p><p>Tavares (1999) aponta que a diminuição das quebras não programadas, com a avaliação antecipada do</p><p>estado dos equipamentos mais o uso adequado dos recursos de lubrificação, da organização, padroniza-</p><p>ção, planejamento das intervenções, tudo isto ligado a um sistema de manutenção, serve de ponto chave</p><p>do sucesso da manutenção centrada na confiabilidade.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Análise de falhas para redução da manutenção</p><p>Em um departamento produtivo, foi detectado que sua ponte rolante estava com baixo</p><p>desempenho de produtividade. Um dos motivos apontados foi que havia muita intervenção da</p><p>equipe de manutenção. Para melhorar o atendimento nesse equipamento, foi gerado um relatório</p><p>com o auxílio do gerenciador de manutenção (software específico) para se saber qual foi o histórico</p><p>de sintomas que essa máquina apresentou nos últimos 6 meses. Em primeiro lugar, apresentou</p><p>problema referente à queima de motor, com 40% de indicação. Então, aplicando a Técnica de Análise</p><p>de Falha, descobriu-se que as queimas estavam acontecendo devido à falha nos rolamentos, que</p><p>trabalhavam com lubrificantes fora das especificações. Outra solução aplicada para essa situação</p><p>foi diminuir o curso de trabalho da ponte rolante, reduzindo o pé direito do teto. Com isso, houve</p><p>uma economia significativa de energia elétrica e ganho de agilidade da ponte rolante. Passou-se a</p><p>comprar cabo de aço mais curto, pois não haveria mais a necessidade de usar o cabo de aço com</p><p>o mesmo comprimento.</p><p>Pode-se verificar que, em algumas empresas, existe</p><p>2.1 Normas técnicas aplicáveis à manutenção de sistemas elétricos .............................................22</p><p>2.2 Desenhos técnicos - interpretação ......................................................................................................23</p><p>2.2.1 Esquemas multifilar .................................................................................................................26</p><p>2.2.2 Esquemas unifilar .....................................................................................................................27</p><p>2.2.3 Diagramas de automação .....................................................................................................28</p><p>2.3 Documentos técnicos - tipos, características e interpretação. ...................................................35</p><p>2.3.1 Manual de máquina ................................................................................................................38</p><p>2.3.2 Catálogos de fabricantes .......................................................................................................39</p><p>2.4 Diagnóstico de dados da manutenção elétrica - tipos, características e aplicação ............40</p><p>2.4.1 Termografia ................................................................................................................................40</p><p>2.4.2 Corrente de partida .................................................................................................................41</p><p>2.4.3 Corrente nominal .....................................................................................................................42</p><p>2.4.4 Potência ativa ............................................................................................................................42</p><p>2.4.5 Fator de potência ......................................................................................................................43</p><p>2.4.6 Potência reativa ........................................................................................................................45</p><p>2.4.7 Potência aparente (VA) ...........................................................................................................45</p><p>2.5 Ferramentas para coleta de dados - tipos, características, aplicação ......................................46</p><p>2.5.1 Termovisor ..................................................................................................................................47</p><p>2.5.2 Alicate amperímetro ...............................................................................................................47</p><p>2.5.3 Wattímetro ..................................................................................................................................48</p><p>2.6 Procedimentos de manutenção elétrica - tipos, características e aplicabilidade ................49</p><p>2.6.1 Parametrização de equipamentos .....................................................................................49</p><p>2.6.2 Envio de programas de CLPS ...............................................................................................52</p><p>2.6.3 Configuração de ligação de motores ................................................................................59</p><p>2.6.4 Ajustes de equipamentos de proteção ............................................................................61</p><p>2.7 Desmontagem e montagem de conjuntos elétricos - tipos, características e aplicação ..66</p><p>2.7.1 Sinalização de conexões ........................................................................................................69</p><p>2.7.2 Registro das parametrizações e ajustes ...........................................................................74</p><p>3 Gestão de processos ....................................................................................................................................................77</p><p>3.1 Manutenções de sistemas elétricos - características e aplicação ..............................................78</p><p>3.1.1 Manutenção corretiva ............................................................................................................78</p><p>3.1.2 Manutenção preventiva ........................................................................................................79</p><p>3.1.3 Manutenção preditiva ............................................................................................................80</p><p>3.1.4 TPM - Manutenção Produtiva Total ....................................................................................81</p><p>3.2 Métodos de análise de falhas .................................................................................................................82</p><p>3.2.1 RCFA - Root Cause Failure Analysis .....................................................................................84</p><p>3.2.2 FMEA .............................................................................................................................................85</p><p>3.2.3 FTA - Análise de Árvore de Falhas .......................................................................................91</p><p>3.2.4 Diagrama de Ishikawa ............................................................................................................92</p><p>3.2.5 RCM ...............................................................................................................................................94</p><p>3.2.6 Triz .................................................................................................................................................95</p><p>3.2.7 PDCA ..............................................................................................................................................96</p><p>3.3 Fluxos de processos de produção - tipos e características ..........................................................98</p><p>3.3.1 Produção para estoque ou produção contínua (mts: make to stock) ....................99</p><p>3.3.2 Produção descontinuada ......................................................................................................99</p><p>3.3.3 Produção por fases ..................................................................................................................99</p><p>3.3.4 Produção por encomenda ....................................................................................................99</p><p>3.4 Ferramentas e itens de controle de processos produtivos ....................................................... 100</p><p>3.4.1 Carta de controle de produção ........................................................................................ 100</p><p>3.4.2 Ordem de produção ............................................................................................................ 102</p><p>3.4.4 Manual de procedimentos ................................................................................................ 103</p><p>3.5 Ferramentas informatizadas para gestão de processos - tipos, características e</p><p>aplicação ........................................................................................................................................................... 103</p><p>3.5.1 Softwares de gerenciamento ............................................................................................ 104</p><p>4 Tecnologia de ferramentas e materiais .............................................................................................................. 109</p><p>4.1 Ferramentas - tipos, características e aplicações .......................................................................... 110</p><p>4.1.1 Ferramentas manuais .......................................................................................................... 111</p><p>4.1.2 Ferramentas pneumáticas ................................................................................................. 119</p><p>4.1.3 Ferramentas hidráulicas ..................................................................................................... 120</p><p>4.1.4 Ferramentas elétricas ..........................................................................................................</p><p>um preenchimento precário das ordens de serviço</p><p>e um precário armazenamento das informações. No entanto, informações que não são bem armazenadas</p><p>ou mal escritas tendem a piorar a situação, pois, a partir delas as decisões tomadas serão equivocadas,</p><p>gerando mais tempo e mais custo para resoluções dos problemas.</p><p>Na sequência, você acompanhará a eficácia do serviço.</p><p>5.1.3 EFICÁCIA DO SERVIÇO</p><p>Segundo Robbins (2010), há uma constante preocupação em se identificar fatores relacionados à efi-</p><p>cácia das equipes de trabalho, o que também é pertinente que seja discutido para a área de manutenção.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS184</p><p>Dois fatores são determinantes nesse processo: o primeiro diz respeito à forma e a estrutura, pois as</p><p>equipes diferem entre si, ou seja, a eficácia do serviço das equipes de manutenção vai depender da intera-</p><p>ção com as demais equipes.</p><p>Um segundo ponto a se considerar em relação à eficácia é que nem sempre estará na equipe em si a</p><p>questão do atendimento, mas poderá estar no individual. Se a tarefa a ser executada seria melhor realizada</p><p>por apenas uma pessoa, esta deve ser respeitada. O que acontece é que, às vezes, todas querem dar a sua</p><p>contribuição, o que mais atrapalha do que ajuda.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>A Norma Regulamentadora nº 10 (NR 10) especifica claramente como devem ser</p><p>realizados os serviços em instalações elétricas energizadas em Alta Tensão, bem</p><p>como aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP. Leia o documento</p><p>completo em: http://portal.mte.gov.br/data/files/8A7C812D308E216601310641F676</p><p>29F4/nr_10.pdf.</p><p>Em relação às ordens de serviço, a sugestão é arquivá-las e manter os históricos desses registros. Cor-</p><p>relacionando-as de maneira estatística, é possível saber como anda a eficácia dos atendimentos em um</p><p>determinado período de tempo.</p><p>Na próxima seção, acompanhe a adaptação e o conhecimento ao processo produtivo.</p><p>5.1.4 ADAPTAÇÃO E CONHECIMENTO AO PROCESSO PRODUTIVO</p><p>Toda empresa ou instalação que deseja produzir algo precisa, sem dúvida, de vários meios para que</p><p>isto aconteça. Como já dito anteriormente, a área da manutenção é vital para as empresas que desejam</p><p>prosperar, pois as atividades de manutenção têm como objetivo dar apoio e sustentação à produção com</p><p>materiais, informações e serviços, de forma que esta possa cumprir a sua finalidade, sem danos ao processo</p><p>produtivo.</p><p>Desta forma, é imprescindível que os profissionais da área de manutenção conheçam o processo produ-</p><p>tivo e as instalações fabris onde atuam, pois isto garantirá a adaptação dos procedimentos de manutenção</p><p>ao contexto da empresa.</p><p>De acordo com Pinto e Xavier (2001), a manutenção deve ser gerenciada por meio de uma administra-</p><p>ção moderna, onde se tenha uma ação estratégica de desenvolvimento e que esta seja apoiada por uma</p><p>visão clara de futuro, que traga uma gestão eficaz do processo produtivo e a plena satisfação dos clientes.</p><p>Conhecendo o processo produtivo com profundidade, o gestor da área tem condições de formar uma</p><p>equipe de manutenção agregando valor onde a empresa realmente necessita, por ação de treinamento,</p><p>por exemplo.</p><p>Nesta perspectiva, a próxima abordagem tem como tema a equipe de manutenção.</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 185</p><p>5.2 EQUIPE DE MANUTENÇÃO - TIPOS, CARACTERÍSTICAS DAS ÁREAS DE RESPONSABILIDADE:</p><p>Nas equipes de manutenção de sistemas elétricos, há profissionais responsáveis pelo monitoramento</p><p>de carga (corrente e tensão) e de temperatura, que devem possuir um bom grau de familiaridade com</p><p>procedimentos e equipamentos específicos. Algumas das rotinas, como a termovisão, devem ser realizadas</p><p>por equipes independentes, responsáveis pela inspeção de todo um conjunto de equipamentos. De modo</p><p>geral, uma equipe de manutenção de sistemas elétricos deve ser composta por:</p><p>Coordenador: de nível técnico ou superior, além de liderar a equipe, é o responsável técnico pela exe-</p><p>cução de todos os procedimentos e rotinas que constituem a Manutenção Preventiva;</p><p>Mecânicos: de nível técnico, são responsáveis pela execução de todos os procedimentos e rotinas que</p><p>envolvem predominantemente serviços de fundo, principalmente, mecânico, a exemplo de inspeções em</p><p>radiadores;</p><p>Eletrotécnicos: de nível técnico, têm por responsabilidade a execução de todos os procedimentos e</p><p>rotinas que envolvam predominantemente serviços de fundo, principalmente, eletrotécnico, a exemplo de</p><p>inspeção em relés, ensaios de tensão aplicada, resistência de isolamento, rigidez dielétrica e cabeamento,</p><p>entre outros.</p><p>Eletromecânicos: de nível técnico, tem como responsabilidade a execução de procedimentos</p><p>mecânicos e elétricos, dependendo da empresa realizar atividades somente de origem elétrica e ou</p><p>somente atividades de origem mecânica.</p><p>Para que o gerenciamento da manutenção seja o mais tranquilo possível e que se minimizem proble-</p><p>mas entre outros departamentos, deve haver a presença de alguns itens bem importantes:</p><p>a) divisão clara de responsabilidades, com o mínimo possível de sobreposições de funções;</p><p>b) as linhas verticais de poder ou autoridade as menores possíveis;</p><p>c) cada líder/chefe deve ter uma quantidade ideal de subordinados.</p><p>Segundo Pinto e Xavier (2001), o perfil estrutural das empresas é traduzido por modificações na relação</p><p>de empregados de cada área, bem como no perfil funcional. Além disto, outros aspectos que vêm mo-</p><p>tivando as mudanças é a forte automação do processo produtivo, levando à redução de operadores e à</p><p>modificação nos perfis funcionais dos operadores.</p><p>Em uma equipe de manutenção, há um nível mínimo de escolaridade para assumir cada tipo de profis-</p><p>são, porque apenas vontade não é suficiente, é necessária ter o mínimo de conhecimento, para tomar as</p><p>melhores decisões, fundamentadas em critérios técnicos.</p><p>Na próxima seção, você conhecerá o organograma das equipes de manutenção, que mostrará como são</p><p>organizadas as principais empresas do mundo.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS186</p><p>5.2.1 ORGANOGRAMA DAS EQUIPES MANUTENÇÃO</p><p>A manutenção é organizada de acordo com o porte, a demanda de serviços e a área de atuação da</p><p>empresa. Os setores de manutenção são formados por diferentes especialidades, tais como: elétrica, ele-</p><p>trônica, mecânica, hidráulica, pneumática, instrumentação, caldeiraria, usinagem, utilidades (vapor, água,</p><p>produtos químicos, ar comprimido, veículos, construção civil, lubrificação, esgotos e refrigeração). Segun-</p><p>do Furtado (2001), há várias formas de estruturar as equipes de manutenção. Acompanhe.</p><p>Centralizada: nestas estruturas, as operações são planejadas e dirigidas por um único departamento.</p><p>As oficinas para onde convergem as solicitações de serviços, são centralizadas, e as equipes de manuten-</p><p>ção atendem todos os setores ou unidades de operação, outros setores, como projetos, orçamentos, custos</p><p>e planejamento. Além disso, fazem parte do departamento que, usualmente, é dirigido por um gerente, em</p><p>posição hierárquica igual ao gerente de produção, que é subordinado ao diretor de produção.</p><p>Descentralizada: a estrutura descentralizada tem uma divisão da planta em áreas ou setores produti-</p><p>vos. Cada setor fica sob os cuidados de uma equipe de manutenção. Neste caso, a manutenção se subordi-</p><p>na à área de produção, não havendo a presença do gerente de manutenção.</p><p>Mista: é na estrutura mista ou integrada que os engenheiros e gerentes procuram equilibrar a prestação</p><p>de serviços e o custo de manutenção, visando solucionar e resolver os problemas. Numa estrutura onde</p><p>coexiste a manutenção centralizada e descentralizada, os resultados são, na maioria, mais eficazes.</p><p>Matricial: neste modelo, o atendimento aos postos de trabalho é realizado por equipes multidisciplina-</p><p>res, da manutenção e da produção. A organização matricial proporciona maior eficiência e especialização,</p><p>porém requer mais esforços de concordância, a fim de evitar conflitos. Segundo Pinto e Xavier (2001), a</p><p>estrutura matricial privilegia a formação de grupos preocupados com o funcionamento daquela unidade,</p><p>gerando um grau maior</p><p>de cooperação entre as operações e a manutenção.</p><p>Segundo Pinto e Xavier (2001), as manutenções atualmente buscam por estruturas cada vez mais leves,</p><p>ou seja:</p><p>a) extinguir níveis de chefia e supervisão;</p><p>b) buscam por profissionais que possam atuar tanto em manutenção, como na operação;</p><p>c) contratação de serviços por parceria;</p><p>d) fusão de especialidades como, eletricidade e instrumentação.</p><p>Xenos (1998) afirma que o plano de manutenção tem uma posição de destaque em um sistema de ge-</p><p>renciamento da manutenção, pois a elaboração e o cumprimento deste plano permitirão que a empresa</p><p>atinja seus objetivos de lucratividade.</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 187</p><p>Além disso, garante a sobrevivência por meio de equipamentos que não apresentem falhas, ou seja,</p><p>que não prejudicam a qualidade, diminuem o custo e asseguram a entrega dos produtos e serviços, sem</p><p>colocar em risco a segurança e a integridade do meio ambiente.</p><p>PLANEJADOR DE MANUTENÇÃO</p><p>TÉCNICOS ELETRICISTAS TÉCNICOS MECÃNICOS TÉCNICOS CALDEIREIROS</p><p>GERENTE INDUSTRIAL</p><p>SUPERVISOR MANUTENÇÃO</p><p>INDUSTRIAL</p><p>ORDENS DE SERVIÇOS</p><p>Figura 102 - Organograma departamento de manutenção</p><p>Fonte: do Autor</p><p>A manutenção deve ser organizada e gerenciada coerentemente, de forma que cada funcionário tenha</p><p>sua função especifica. De maneira geral, a organização da área de manutenção é executada pelo respon-</p><p>sável do setor, conforme orientação estabelecida pela direção geral. No entanto, a organização somente</p><p>prestará serviços com alta eficiência, custos reduzidos e qualidade elevada, se as orientações estiverem</p><p>atreladas à estratégia organizacional.</p><p>5.2.2 RESPONSABILIDADE CONFORME OCUPAÇÃO PROFISSIONAL (CBO)</p><p>O CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) define as descrições de cargo, conforme a ocupação pro-</p><p>fissional, mencionando de forma objetiva cada uma delas, para que se tenha uma visão geral de quais as</p><p>funções/atividades designadas a cada cargo da área da manutenção.</p><p>Supervisores de manutenção eletromecânica:</p><p>a) tem como atividades supervisionar a manutenção eletromecânica, distribuindo e controlando a re-</p><p>alização de atividades de manutenção, analisando registros de ocorrências técnicas e operacionais e</p><p>avaliando condições das máquinas e equipamentos;</p><p>b) planejam manutenções eletromecânicas, elaborando planos e propostas e definindo metas e co-</p><p>ordenam equipes de trabalho;</p><p>c) administram recursos humanos e aquisição de recursos materiais para manutenções;</p><p>Em</p><p>er</p><p>so</p><p>n</p><p>Ro</p><p>dr</p><p>ig</p><p>o</p><p>Ce</p><p>ol</p><p>in</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS188</p><p>d) supervisionam projetos de melhorias em leiaute, equipamentos e instalações, elaborando projetos e</p><p>inspecionando implementações de melhorias;</p><p>e) administram documentação técnica e trabalham seguindo normas de segurança, qualidade e</p><p>preservação ambiental.</p><p>Eletricista, Eletricista de manutenção em geral, Eletricista de manutenção industrial:</p><p>a) atuam predominantemente na fabricação de máquinas, aparelhos, materiais elétricos, eletrônicos e</p><p>aparelhos e equipamentos de comunicação;</p><p>b) atuam nas indústrias de extração de petróleo e serviços correlatos e na fabricação de produtos têx-</p><p>teis, alimentícios e de bebidas, entre outros ramos de atividades;</p><p>c) eventualmente estão sujeitos a pressões e podem atuar em posições desconfortáveis, locais subter-</p><p>râneos e grandes alturas;</p><p>d) frequentemente permanecem expostos à radiação, a materiais tóxicos, a ruído intenso e a altas tem-</p><p>peraturas.</p><p>Técnicos em eletromecânica:</p><p>a) planejam, executam e participam da elaboração de projetos eletromecânicos de máquinas, equipa-</p><p>mentos e instalações;</p><p>b) usinam peças e interpretam esquemas de montagem e desenhos técnicos;</p><p>c) montam máquinas;</p><p>d) fazem entrega técnica e realizam manutenção eletromecânica de máquinas, equipamentos e insta-</p><p>lações;</p><p>e) podem coordenar e liderar equipes de trabalho.</p><p>Para conhecer a descrição dos cargos e o detalhamento das atividades de cada</p><p>ocupação, acesse o CBO – Classificação Brasileira de Ocupações, disponível em: http://</p><p>www.mtecbo.gov.br/</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Na próxima seção, serão tratados os tipos e características de procedimentos logísticos. Acompanhe.</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 189</p><p>5.3 LOGÍSTICA - TIPOS E CARACTERÍSTICAS DE PROCEDIMENTOS DOS NEGÓCIOS</p><p>A riqueza dos empreendimentos depende, principalmente, das pessoas envolvidas. Não basta somente</p><p>intuição, precisa sim competência em virtude da grande concorrência. No mundo globalizado e competiti-</p><p>vo, é preciso ser competente. Competência nada mais é do que o conjunto de conhecimentos, habilidades</p><p>e atitudes em que você se desenvolve e se torna o melhor ou, pelo menos, igual ao melhor no seu ramo.</p><p>Quando se fala em empreendedorismo, o termo plano de negócios é amplamente difundido. Porém,</p><p>há um segundo documento de muita importância para o sucesso de seu empreendimento, os tipos e</p><p>características de procedimentos de negócios. Há 3 fatores-chave no processo de desenvolvimento das</p><p>competências de um empreendedor: saber, querer e fazer.</p><p>Os procedimentos de um negócio é o que a empresa irá desenvolver sobre os conceitos de entrega de</p><p>valor aos seus públicos de interesse, sejam eles acionistas ou colaboradores de sua empresa. Ele, geral-</p><p>mente, é formado por conceitos utilizados no desenvolvimento da empresa, sendo os mais comuns:</p><p>a) conceito do negócio;</p><p>b) como será sua estrutura;</p><p>c) quais necessidades você está suprindo e quem possui estas necessidades;</p><p>d) como pretende se manter competitivo;</p><p>e) como seus clientes vão conhecer sua solução a suas necessidades;</p><p>f ) o que vai trazer de novo ao mercado?</p><p>g) como serão seus contratos, prazos de entrega e recebimento, e multas por atrasos.</p><p>Todos esses conceitos devem estar bem claros na ocasião da abordagem de um potencial cliente. Desta</p><p>forma, você estará evidenciando suas potenciais vantagens para o cliente, gerando oportunidade de fazer</p><p>negócio.</p><p>Na próxima seção, acompanhe como deve ser redigido um contrato.</p><p>5.3.1 CONTRATOS</p><p>Contrato é o acordo escrito entre partes que estabelece obrigações recíprocas a respeito do objeto de</p><p>execução do serviço a ser executado, tal e qual foi pactuado. Deve ser estabelecido por escrito, não pro-</p><p>priamente para dar valor ao serviço, mas para provar as condições nas quais foi contratado. Então, pode-se</p><p>confirmar que o contrato escrito é uma segurança para as partes. Por isso, é de suma importância que um</p><p>bom contrato mencione os detalhes importantes, de forma clara e precisa.</p><p>É importante que esteja descrito exatamente tudo aquilo que as partes combinaram sobre o serviço.</p><p>Em um mundo coorporativo algo inadmissível é considerado imprevisto. E, o contrato é a ferramenta</p><p>que combate os imprevistos, tudo está relacionado lá: deveres e obrigações, custo, entrega, qualidade,</p><p>quantidade, peça a ser fornecida e prazo. Impossível falar de contrato sem falar de prazo.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS190</p><p>Na próxima seção, serão abordados os prazos. Acompanhe.</p><p>5.3.2 PRAZOS</p><p>Prazo é o “[...] tempo determinado para a execução de alguma coisa, época, tempo em que é costume</p><p>fazer-se algo, período de tempo que dura alguma coisa, fim do período de tempo concedido para a execu-</p><p>ção de alguma coisa.” (DICIONÁRIO PRIBERAM DA LÍNGUA PORTUGUESA, 2008, p. 201).</p><p>A meta fundamental de qualquer empreendimento é obter lucro, mas sempre através da conquista da</p><p>satisfação dos clientes, parceiros e da sociedade. Um dos fatores que tem maior impacto na satisfação dos</p><p>clientes é o respeito ao prazo de entrega.</p><p>Para uma empresa produzir todos os seus pedidos respeitando o prazo de entrega, ela tem que consi-</p><p>derar alguns requisitos, tais como: capacidade produtiva para grande quantidade de pedidos, a disponibi-</p><p>lidade de todos os produtos no momento da entrega, entre outros.</p><p>Por isso, antes de qualquer contrato fechado com o cliente, é preciso alinhar capacidade à produção,</p><p>para não cometer erros na hora de finalizar os prazos de entrega e sofrer multas de caráter punitivo, como</p><p>você verá a seguir.</p><p>5.3.3 MULTAS</p><p>A multa tem caráter</p><p>punitivo, ou seja, tem como finalidade primordial desestimular o cumprimento da</p><p>obrigação fora de prazo. Para garantir um contrato fiel, as empresas adotam mecanismos que desestimu-</p><p>lam sua rescisão. Em alguns casos, até mesmo chegam a impedir a desistência, pelo pesado valor imposto</p><p>pela multa. O principal mecanismo adotado para que isso ocorra tem sido a imposição de multa pela resci-</p><p>são antecipada do contrato ou o não cumprimento de metas estabelecidas em contrato. Tal penalidade é</p><p>legal, desde que seja imposta para ambas as partes e seja proporcional.</p><p>Conforme NERY e KUHN (2006), a boa-fé objetiva é a regra de conduta dos</p><p>indivíduos nas relações jurídicas obrigacionais, compreendendo valores éticos</p><p>como a honestidade, lealdade e veracidade. É um valor semelhante à solidariedade</p><p>que deve existir entre os contratantes, ao respeito mútuo e à cooperação. Portanto,</p><p>ao analisar a boa-fé subjetiva, tem-se a consciência do agente, os direitos reais e</p><p>ausência de dolo. Já a boa-fé objetiva é a conduta com que houve a contratação e</p><p>corresponde ao comportamento leal e honesto. Ambas derivam da vontade livre e</p><p>consciente da outra pessoa ou de sua simples conduta ao contratar.</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>5 GESTÃO DE PESSOAS 191</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você estudou que, para manter uma empresa competitiva, é necessário saber</p><p>medir e ter indicadores confiáveis. Afinal, ao demorar em saber a real situação da empresa, poderá</p><p>estar contabilizando prejuízos. Além disso, atitudes ou estratégias em grandes companhias são</p><p>mudadas de maneira constante. Não basta ter indicadores, mas estes necessitam ser vigiados e</p><p>auditados. Portanto, neste cenário, a equipe de manutenção, por exemplo, precisa estar atenta</p><p>para alcançar seus propósitos.</p><p>O segundo contexto reside na necessidade de todo contratante possuir amparo jurídico em tempo</p><p>integral, para não correr o risco desnecessário de ver seu negócio ruir sem a possibilidade real de</p><p>exercer seu direito constitucional de defesa. Desta forma, o contratante deve obrigatoriamente</p><p>zelar pela boa formação e execução contratual, saber que existem prazos a serem cumpridos,</p><p>evitando assim várias medidas administrativas e judiciais que podem evitar a aplicação de penali-</p><p>dades desproporcionais.</p><p>Além disso, percebeu também que se deve sempre estar atento aos cumprimentos das normas</p><p>contratuais, fazendo, com isso, que o trabalho realizado seja de qualidade, com pontualidade e</p><p>tenha comprometimento com o que o cliente está solicitando, fazendo com que o mesmo esteja</p><p>satisfeito com o serviço prestado.</p><p>Estudos demostram que a autorrealização, tanto na vida pessoal quanto na profissional,</p><p>dependem de uma série de fatores relacionados às necessidades de cada pessoa. Você saberia</p><p>reconhecer tais necessidades em você mesmo? As empresas têm buscado, cada vez mais, sa-</p><p>tisfazer algumas necessidades básicas comuns de seus colaboradores, a fim de melhorar a sua</p><p>qualidade de vida e, consequentemente, gerar mais lucratividade. Um trabalhador satisfeito</p><p>produz mais.</p><p>Neste capítulo, serão apresentados conhecimentos relacionados à autorrealização do tra-</p><p>balhador e como esse conteúdo poderá ser útil na sua atividade profissional. Você também</p><p>acompanhará como as condições de trabalho afetam a vida do colaborador e como estão in-</p><p>terligadas à segurança, a saúde e o meio ambiente, os quais servem tanto para a promoção do</p><p>bem comum da sociedade, quanto para a melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Além</p><p>disso, perceberá também como a qualidade de vida influencia as atividades industriais.</p><p>Assim, você estudará quais as ferramentas a segurança do trabalho utiliza para promover a</p><p>saúde e segurança no trabalho. Ao final deste capítulo, você terá subsídios para:</p><p>a) compreender como a autorrealização e a qualidade de vida são necessárias no ambiente</p><p>de trabalho;</p><p>b) entender a importância das Normas ambientais, de saúde e segurança no trabalho;</p><p>c) conhecer a aplicação do Mapa de risco nos setores da empresa e reconhecer os riscos de</p><p>sua atividade com base no Mapa de risco e PPRA;</p><p>d) inspecionar sua rotina de trabalho;</p><p>e) conhecer as medidas de proteção e aplicar nas suas rotinas de trabalho.</p><p>A partir de agora, você terá a oportunidade de conhecer diversos temas que farão a diferen-</p><p>ça em suas rotinas de trabalho. Bons estudos!</p><p>6</p><p>Qualidade de Vida no Trabalho</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS194</p><p>6.1 AUTORREALIZAÇÃO E SEGURANÇA NO TRABALHO</p><p>Nesta seção, você estudará como as condições e a organização do ambiente de trabalho estão interli-</p><p>gadas, tanto para a promoção quanto para a diminuição da qualidade de vida do trabalhador. Perceberá</p><p>como as atividades laborais são determinantes para o desenvolvimento da sociedade e que a Qualidade</p><p>de vida é peça fundamental para que as atividades sejam realizadas da melhor maneira possível (TEIXEIRA</p><p>et al., 2009).</p><p>Apesar de sua importância, ainda existem barreiras para o alcance da qualidade de vida do trabalhador.</p><p>Além disso, a legislação brasileira ainda é limitada sobre o tema, pois seu enfoque se dá nas Normas de se-</p><p>gurança e saúde do trabalhador, não atendendo à sua abrangência, à sua pluralidade e à relevância social</p><p>do tema (TEIXEIRA et al., 2009).</p><p>A qualidade de vida é um conceito multidimensional, pois depende de fatores internos, como a per-</p><p>cepção, e também externos, como o ambiente ou mundo do trabalho no qual se está inserido, sendo</p><p>diretamente ligada aos estímulos que levam à motivação para o trabalho e, consequentemente, à maior</p><p>produtividade (TEIXEIRA et al., 2009).</p><p>Ao explorar o tema qualidade de vida do trabalhador, você perceberá que estudos já realizados mos-</p><p>tram que a satisfação dos trabalhadores se dá através de salários justos, relevância social e valorização,</p><p>segurança no ambiente de trabalho, flexibilidade nas empresas, entre outros fatores, pois esses fatores são</p><p>fundamentais para que a qualidade de vida do trabalhador exista ou seja promovida (TEIXEIRA et al., 2009).</p><p>Entenda aqui que a qualidade de vida do trabalhador é considerada uma ramificação dos estudos ge-</p><p>rados sobre a qualidade de vida geral da sociedade (como o bem-estar físico, emocional e mental, família,</p><p>amigos, trabalho etc.) e vem recebendo, cada vez mais, a atenção de estudiosos e cientistas de várias áreas,</p><p>como da psicologia, da saúde, da administração, da engenharia, da economia e até da ecologia (VASCON-</p><p>CELOS, 2001 apud TEIXEIRA et al., 2009), assim como das organizações que têm implantado programas que</p><p>visam à melhoraria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores (TEIXEIRA et al., 2009).</p><p>Portanto, a qualidade de vida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “reflete a percepção</p><p>dos indivíduos de que suas necessidades estão sendo satisfeitas ou estão sendo negadas oportunidades</p><p>de alcançar a felicidade e a autorrealização.” (ALMEIDA; GUTIERREZ; MARQUES, 2012).</p><p>Já a qualidade de vida no trabalho é um meio para se atingir alta produtividade, através da promoção</p><p>de condições mais favoráveis e mais humanas aos trabalhadores, a fim de satisfazê-los (NAHAS, 2003 apud</p><p>TEIXEIRA et al., 2009). E, quando o trabalhador está satisfeito, ele produz mais.</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 195</p><p>Categorias profissionais têm se manifestado em busca de melhores condições no ambiente de trabalho,</p><p>e que as empresas ofereçam oportunidades dos colaboradores desempenharem suas funções sem o des-</p><p>gaste ocasionado por problemas mentais ou físicos (OLIVEIRA et al., 2006).</p><p>Por um lado, o avanço tecnológico representa uma ameaça aos cargos dos trabalhadores e, por outro,</p><p>representa uma oportunidade de aperfeiçoamento e especialização. Serve de desafio para acompanhar</p><p>estas mudanças, tornando-se apto a novas oportunidades e crescimento dentro da empresa que estiver</p><p>trabalhando. Esta nova oportunidade exige que o trabalhador de hoje seja um empreendedor amanhã</p><p>(OLIVEIRA et al., 2006). É neste contexto que você se encaixa, ou seja, no aperfeiçoamento de seus conhe-</p><p>cimentos e na busca por oportunidades</p><p>de empreender tais conhecimentos.</p><p>Reconheça que a qualidade de vida no ambiente de trabalho visa sempre à compreensão das necessi-</p><p>dades dos funcionários e proporciona uma maior participação do colaborador, criando um espaço de in-</p><p>tegração com seus colegas de setor, de outros setores e também com superiores. A QVT1 se preocupa com</p><p>dois aspectos importantes, um é o bem-estar do trabalhador e o outro é a com a eficácia organizacional</p><p>(MORETTI, 1999).</p><p>Estudos mostram que existem alguns fatores determinantes para a autorrealização profissional. Dentre</p><p>eles, é sugerido que as empresas se atentem na percepção dos seus colaboradores, em relação às suas ne-</p><p>cessidades, que poderão envolver o ambiente de trabalho, a vida pessoal ou familiar, remuneração, o lazer,</p><p>o relacionamento com seus colegas e superiores imediatos e a sua visão em relação à organização. E um</p><p>bom referencial teórico, que poderá auxiliar neste entendimento, é a teoria de Maslow, a qual foi comple-</p><p>mentada por outras teorias, que se utilizam de questionário com perguntas relacionadas aos quesitos da</p><p>hierarquia de Maslow. Resultados de pesquisas revelam que os funcionários demonstrarão seu nível de sa-</p><p>tisfação neste questionário e que a partir daí a empresa poderá tomar medidas para alterar o que demons-</p><p>trar um índice menor e, portanto, desfavorável. Além disso, demonstra se a organização oferece condições</p><p>para a busca do crescimento profissional e de autorrealização (CATTANI; VILAS BOAS; CONCEIÇÃO, 2003).</p><p>Acompanhe, a seguir, os aspectos regulamentados que envolvem o ambiente de trabalho.</p><p>1 Qualidade de Vida no Trabalho.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS196</p><p>6.2 NORMAS AMBIENTAIS, REGULAMENTADORAS E DE SAÚDE</p><p>Nesta seção, você irá estudar algumas normas importantes que norteiam o universo de trabalho e do</p><p>meio ambiente. E, vale lembrar que norma remete logo à ideia de regra, ou até mesmo legislação.</p><p>Mas, uma Norma pode ser considerada uma lei? Do ponto de vista do Direito, pode ter força de lei sim,</p><p>mas desde que seja uma Norma que esteja em acordo com o direito Constitucional. No entanto, existem</p><p>regras ou normas internas das empresas que, mesmo não tendo sido inspiradas na legislação brasileira,</p><p>devem ser respeitadas do ponto de vista moral e ético.</p><p>A Organização Internacional do Trabalho – OIT, por exemplo, estabelece orientações internacionais para</p><p>a organização da legislação do trabalho nos países, mas solicita que cada nação crie a sua legislação pró-</p><p>pria. No Brasil, há a Constituição Federal (CF) de 1988, que regulamenta todas as regras de nossa sociedade</p><p>(algumas inspiradas na OIT) e a partir dela são geradas outras Leis, Decretos, Portarias, Normas.</p><p>Exemplos disso são a Lei 9.605, de Crimes ambientais, de 1998, e as Normas Regulamentadoras, pela</p><p>Portaria 3.214, de 1978, todas inspiradas na CF. Outras legislações possuem relação Constitucional. Dentre</p><p>as quais estão: a Consolidação das Leis do Trabalho, Capítulo V – Segurança e Medicina do trabalho, o Có-</p><p>digo Penal, a Seguridade Social etc. (ENDO; RIZZATTO, 2009).</p><p>Outro fator interessante é que nossa Constituição faz divisão entre o meio ambiente de trabalho e a se-</p><p>gurança e saúde do trabalhador e os trata diferentemente. Ou seja, orienta que as ações ao meio ambiente</p><p>natural sejam tratadas de maneira separada do ambiente de trabalho.</p><p>Com o artigo 225 e seus incisos, a Constituição Federal (BRASIL, 1988) especifica que: “Todos têm direito</p><p>ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade</p><p>de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presen-</p><p>tes e futuras gerações”. Além de assegurar que esse direito se efetive por meio de “I - preservar e restaurar</p><p>os processos ecológicos” [...]; “III - definir [...] espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente</p><p>protegidos” [...]; “IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora</p><p>de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publi-</p><p>cidade” [...]; “V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias</p><p>que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente” [...]; e “VI - promover a educação</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 197</p><p>ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente”</p><p>[...], estabelece também a proteção (inciso VII) da “fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que</p><p>coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a</p><p>crueldade” e (§ 2º) aquele que “explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente de-</p><p>gradado” [...] e (§ 3º) as “condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infrato-</p><p>res, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas”. (ENDO; RIZZATTO, 2009).</p><p>Já no artigo 200, a CF estabelece que, “Ao sistema único de saúde, compete, além de outras atribuições,</p><p>nos termos da lei: [...] VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho.”</p><p>(BRASIL, 1988).</p><p>Apesar do meio ambiente de trabalho fazer parte do meio natural, é importante você saber que este é o</p><p>local das rotinas laborais, é um ambiente interno das empresas, no qual as pessoas são remuneradas e deve</p><p>estar equilibrado, livre de agentes insalubres para promover a sadia qualidade de vida, sendo um direito</p><p>fundamental da dignidade da pessoa humana. (ENDO; RIZZATTO, 2009).</p><p>Além disso, existe a diferença entre proteção do meio ambiente de trabalho e a proteção do direito do</p><p>trabalho. Este último refere-se às relações somente empregatícias com vínculos de subordinação.</p><p>A CF também estabelece a ideia de prevenção, evitar riscos, proteção da vida, das pessoas e do meio em</p><p>que se vive. Foi deste modo que a obtenção de um meio ambiente de trabalho com absoluta adequação</p><p>e segurança ganhou status e se tornou um dos mais importantes direitos do cidadão trabalhador, pois, se</p><p>não atendido corretamente, representa uma agressão a toda a sociedade, além dos gastos pelos acidentes</p><p>(ENDO; RIZZATTO, 2009).</p><p>E em relação ao meio ambiente natural, sua proteção e como as empresas e as pessoas devem proceder</p><p>para apoiar esta causa, a legislação brasileira é uma das mais completas do mundo, apesar de não ser obe-</p><p>decida da maneira adequada. Um exemplo disso são as Normas da ABNT sobre Gestão ambiental, as quais</p><p>serão estudadas no próximo capítulo.</p><p>Infelizmente ainda falta uma cultura empresarial adequada para prevenir os riscos ambientais e aciden-</p><p>tes no trabalho, pois o lucro ainda é o foco principal, deixando o fator humano um tanto de lado. O que</p><p>realmente se necessita é a criação de uma cultura ambiental, do ponto de vista da proteção do ambiente</p><p>de trabalho também, e não somente proteção do ambiente natural.</p><p>Logo, o que se pode fazer para apoiar esta causa? Isso é o que você estudará nas próximas seções.</p><p>6.2.1 NR</p><p>As Normas Regulamentadoras - NRs tratam do conjunto de regras e procedimentos relativos à seguran-</p><p>ça e medicina do trabalho, de observância obrigatória nas empresas privadas, públicas e órgãos do gover-</p><p>no que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. Estas Normas foram</p><p>inspiradas nos art. 154 ao 201 da Lei nº 6.514, de 1977, relativa à Consolidação das Leis do Trabalho – CLT.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS198</p><p>Mas, as NRs foram instituídas pela Portaria 3.214, em 1978. Ao todo, são 36 normas até o primeiro se-</p><p>mestre de 2015, sobre as mais variadas formas de trabalho, como atividades portuárias, rurais, mecânicas,</p><p>com eletricidade, trabalho em altura.</p><p>Segundo a NR 1, que estabelece orientações gerais sobre o cumprimento das demais Normas, nas em-</p><p>presas (públicas e privadas) e empregados, cabe ao empregado “[...] cumprir as disposições legais e regu-</p><p>lamentares sobre segurança e saúde no trabalho, inclusive as ordens de serviço expedidas pelo emprega-</p><p>dor”, sendo considerado “ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento do disposto [...]”</p><p>nesse item. (BRASIL, 1943).</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Será considerado ato faltoso do trabalhador (com vistas à advertência e justa causa,</p><p>art. 482) a não observância das normas e instruções de segurança e medicina do</p><p>trabalho do Capítulo V da CLT, art. 158, inclusive a recusa injustificada do empregado</p><p>quanto [...] “ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual fornecidos pela</p><p>empresa [...]”. (BRASIL, 1943)</p><p>As NRs mais importantes para a manutenção eletromecânica são a NR 35, NR 33, NR 26, NR 17, NR 12, NR</p><p>10 e NR 6, as quais normatizam atividades como ergonomia (posturas adequadas), práticas de segurança</p><p>sobre o trabalho com instalação, operação, reparos, limpeza e manutenção de máquinas com energia elé-</p><p>trica e os equipamentos de proteção a serem usados pelo trabalhador, respectivamente.</p><p>Dentre os EPIs mais indicados para os trabalhos com manutenção, tem-se os capacetes de segurança</p><p>para trabalhos com eletricidade, luvas isolantes e calçados de segurança para trabalhos com eletricidade,</p><p>cintos de segurança para trabalhos em altura com isolantes de mosquetões e talabartes duplos, protetor</p><p>auricular tipo plugue ou concha, dependendo do local (se houver ruído de outras máquinas). Também são</p><p>indicados os EPCs, que são as proteções coletivas, como faixas zebradas, cones, placas de sinalização na cor</p><p>azul para indicar manutenção.</p><p>É importante respeitar o que a NR 10 (trabalho com energia elétrica) menciona a respeito da sequência</p><p>de desbloqueio de energia antes de iniciar qualquer trabalho em alguma máquina ou outro ambiente que</p><p>utilize energia. A figura, a seguir, exemplifica um bloqueio de painel de uma máquina, como estabelecem a</p><p>NR 10 e a NR 12, em termos de identificação. Lembrando que a NR 12 faz referência à NR 10 e orienta sobre</p><p>a manutenção, instalação, reparos em máquina e equipamentos e a sinalização adequada. Acompanhe.</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 199</p><p>Figura 103 - Exemplo de bloqueio de Energia em painel elétrico</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Note que a figura possui cadeados e etiquetas de identificação. Eles são mencionados na NR 10 (item</p><p>10.10) e NR 12 (item 12.113) e deve ser usados como equipamento de proteção do trabalhador, pois cada</p><p>um deverá possuir o seu cadeado, de cor específica e com seu nome, mais a etiqueta de identificação do</p><p>manutentor, com foto, data e hora da manutenção. E, lembre-se de comunicar os setores que você estará</p><p>realizando manutenções em certa máquina, mesmo em troca de turno.</p><p>A NR 26 menciona que as atividades que oferecem risco deverão ser sinalizadas conforme as Normas</p><p>Brasileiras, além do que preconizam as demais NRs.</p><p>A NR 33 estabelece as regras de segurança para trabalho em espaço confinado. Nas regras são mencio-</p><p>nados os procedimentos de entrada e saída do local. Todo trabalho em espaço confinado deverá passar por</p><p>uma análise de risco prévia, para conferência de todos os equipamentos necessários. Além disso, deverá</p><p>ser monitorado por um vigia e um supervisor, que irá liberar a equipe para os trabalhos e nunca o trabalha-</p><p>dor deverá entrar sozinho em um espaço confinado. A orientação é que entrem sempre pelo menos dois</p><p>trabalhadores.</p><p>Dependendo da atividade, os trabalhadores deverão realizar suas atividades com proteção respiratória</p><p>autônoma ou sistema de ar mandado. Por exemplo, na tarefa de soldagem, o supervisor orientará o uso</p><p>de proteção respiratória autônoma, com proteção visual para soldador e roupa de raspa (avental, luvas,</p><p>mangas e perneiras). Nas demais tarefas, por exemplo, na de instalação de algum componente elétrico ou</p><p>mecânico, será utilizado o sistema de ar mandado.</p><p>Para os trabalhos em altura, de acordo com a NR 35, também será exigida uma análise preliminar de</p><p>riscos e o apontamento dos equipamentos de proteção necessários, além da supervisão para liberação</p><p>das atividades e da execução da tarefa em pelo menos dois trabalhadores. Os equipamentos de proteção</p><p>necessários serão o cinto de segurança tipo paraquedista, talabarte duplo, cabo guia, cadeira de trabalho</p><p>em altura.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>([2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS200</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Nunca utilize o cadeado e a identificação de outro manutentor e sempre sinalize a</p><p>área em que for realizar algum serviço de reparo e manutenção, com sua etiqueta,</p><p>cadeado e a placa indicando que a máquina encontra-se em manutenção.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Segurança no bloqueio de energia elétrica</p><p>Uma equipe interna de manutenção foi solicitada para realizar a troca do óleo isolante do trans-</p><p>formador. Foi constatado, por uma empresa terceirizada, que as propriedades químicas deste óleo</p><p>estavam alteradas, necessitando assim ser substituído. Como já havia uma programação de inter-</p><p>venção em uma chave faca de 13,8 Kvolts, anunciado pelo Planejamento e Controle de Manuten-</p><p>ção, a equipe formada por eletricista e eletromecânicos foi acionada para fazer a troca do óleo do</p><p>transformador e dessa chave.</p><p>No primeiro momento, foi preenchida a permissão para o trabalho pelo formulário chamado PT,</p><p>depois foi realizada a análise preliminar dos riscos, acompanhada dos executores, da supervisão e</p><p>do responsável pela segurança do trabalho.</p><p>Na sequência, os manutentores muniram-se dos EPIs (calçado de segurança e capacete com viseira</p><p>para trabalhos com eletricidade, luvas isolantes, balaclava, casaco de cobertura e o cadeado de</p><p>segurança com a etiqueta de identificação).</p><p>Também selecionaram os EPCs para a sinalização do local, com cones e faixas zebradas e a placa</p><p>indicando manutenção na cor azul, o bastão para manobra do circuito de alta tensão e o cabo para</p><p>aterramento.</p><p>Após a reunião de segurança, o supervisor orientou que todos devem sempre estar atentos no</p><p>momento da desernergização e na religação da energia, por motivos de segurança. Dado início às</p><p>atividades de desernergização da subestação, o profissional eletricista usou o bastão de manobra</p><p>e demais EPIs, Os demais manutentores assistiram a distância.</p><p>Após realizada a manobra, o profissional iniciou o seccionamento que desliga o sistema, realizou</p><p>o bloqueio da porta que dá acesso a chave de alta tensão e passou seu cadeado de segurança,</p><p>depois cada profissional adicionou seu cadeado para o travamento da porta. Em seguida, foram</p><p>verificadas as condições de aterramento e foi dado início à manutenção.</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 201</p><p>6.2.2 MAPA DE RISCOS</p><p>O mapa de riscos é um croqui do ambiente de trabalho, com uma relação de cinco tipos de categorias</p><p>de riscos que poderão afetar a vida do trabalhador. Geralmente é realizado por setor, mas também existe o</p><p>Mapa geral de riscos de uma empresa.</p><p>Tais riscos são previstos nas NRs, principalmente nas NRs 5 e 9. O esquema de mapeamento de riscos</p><p>é elaborado por meio de cinco cores distintas e com três tipos de graduação (MATTOS; FREITAS, 1999).</p><p>Acompanhe.</p><p>Linha montagem</p><p>Administração BWC CPD</p><p>Almoxarifado</p><p>Vestiário</p><p>Recepção</p><p>BWC</p><p>DepósitoEmbalagemTornearia e soldagem</p><p>Co</p><p>zi</p><p>nh</p><p>a</p><p>Figura 104 - Exemplo de mapa de riscos</p><p>Fonte: Adaptado de Ribeiro Neto; Tavares; Hoffmann (2008).</p><p>Os riscos ocupacionais são os riscos físicos, na cor verde; riscos químicos, na cor vermelha; riscos biológi-</p><p>cos, na cor marrom; riscos ergonômicos, na cor amarela; e riscos mecânicos ou de acidente, representados</p><p>na cor azul (Quadro 1).</p><p>Risco físico Risco químico Risco biológico Risco Risco de</p><p>ergonômico acidente</p><p>Figura 105 - Representação de cores dos riscos no mapa de riscos</p><p>Fonte: Adaptado de Ribeiro Neto; Tavares; Hoffmann (2012)</p><p>Existem os graus de risco representados por círculos pequenos, médios e grandes. Por exemplo, o grau</p><p>de risco pequeno é representado por um círculo menor que os demais (MATTOS; FREITAS, 1999).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>([2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>([2</p><p>01</p><p>5)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS202</p><p>Acompanhe o quadro, a seguir.</p><p>Grau de risco:</p><p>Pequeno Médio Grande</p><p>Figura 106 - Representação de graduação dos riscos no mapa de riscos</p><p>Fonte: Adaptado de Ribeiro Neto; Tavares; Hoffmann (2012)</p><p>O mapa de riscos é uma exigência da NR 5, uma das Normas Regulamentadoras do MTE. A CIPA é res-</p><p>ponsável pela sua elaboração, mas os demais colaboradores poderão ajudar a levantar os riscos no am-</p><p>biente de trabalho juntamente com o SESMT (RIBEIRO NETO, TAVARES, HOFFMANN, 2008).</p><p>As normas regulamentadoras estabelecem que, em caso de risco grave e iminente,</p><p>o trabalhador tem o direito de negar a realização de alguma atividade que julgue</p><p>perigosa, principalmente se ele não estiver com as proteções adequadas e exposto a</p><p>atividade envolvendo eletricidade. (MORAES, 2012).</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>A CIPA2 é uma comissão formada por colaboradores eleitos e indicados pela empresa, que se reúnem</p><p>mensalmente para discutir sobre os riscos no ambiente de trabalho e propor sugestões para sua solução</p><p>de riscos ocupacionais, juntamente com o SESMT3 (MORAES, 2012).</p><p>Os demais colaboradores poderão participar das reuniões e das propostas de segurança. Um dos seto-</p><p>res que mais apoia a segurança é o de manutenção.</p><p>Acompanhe, na próxima seção, as inspeções de segurança e os perigos e riscos nos locais de trabalho.</p><p>2 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.</p><p>3 Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho.</p><p>Pa</p><p>co</p><p>G</p><p>io</p><p>rd</p><p>an</p><p>i M</p><p>or</p><p>a</p><p>([2</p><p>01</p><p>5)</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 203</p><p>6.2.3 INSPEÇÕES DE SEGURANÇA</p><p>A inspeção consiste em identificar os perigos e riscos nos locais de trabalho e documentar isso formal-</p><p>mente, repassar à gerência, com as possibilidades de soluções. Embora simplificada, a inspeção é uma</p><p>abordagem tradicional muito importante na prevenção dos acidentes e que ainda possibilita a análise das</p><p>causas dos problemas encontrados (SEIFFERT, 2010).</p><p>As inspeções Preditivas, por exemplo, foram desenvolvidas com o objetivo de oferecer um maior con-</p><p>trole das informações quanto ao prognóstico de situações de problemas ou riscos e para maior qualidade</p><p>e confiabilidade de produção, com redução de custo com manutenção corretiva. (BERNECK, 2015). É fun-</p><p>damental prestar a atenção em alguns aspectos na hora de inspecionar um ambiente ou equipamento:</p><p>a) certifique-se de detalhar a instalação e seus procedimentos operacionais (manutenção, produção,</p><p>segurança, emergências);</p><p>b) relacione as normas e legislações vigentes aplicáveis a cada situação como justificativa das mudan-</p><p>ças;</p><p>c) realize entrevistas e documente os envolvidos;</p><p>d) acesse documentos anteriores sobre algum problema recorrente ou dano que tenha acontecido no</p><p>local, apure os fatos também sobre equipamentos, funções etc.;</p><p>e) realize visitas nos vários setores, acompanhado pelo gerente da instalação ou técnico designado</p><p>(SEIFFERT, 2010).</p><p>No entanto, é relevante para o manutentor realizar inspeções antes de iniciar suas atividades, conferir</p><p>o estado de seus equipamentos, ferramentas e máquinas e verificar as condições de riscos e segurança do</p><p>ambiente a sofrer manutenção.</p><p>Outro fator imprescindível é o estabelecimento de procedimentos específicos de Inspeção, os quais têm</p><p>como objetivo a padronização das rotinas de inspeção, além da busca pela adequação da manutenção aos</p><p>requisitos de segurança do trabalho e reduzir a frequência de erros, falhas e riscos de acidente.</p><p>Mas por onde começar? O que deve ser inspecionado? Quais os riscos no local? Quais os requisitos a</p><p>serem seguidos? Quais os EPIs necessários? É a partir das respostas desses questionamentos que se inicia</p><p>o processo de criação das rotinas de inspeção.</p><p>Estas rotinas poderão ser definidas a partir do acesso às máquinas e equipamentos, ou aos leiautes,</p><p>vistoria de ferramentas etc.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS204</p><p>Para o registro das inspeções, são usadas fichas de inspeção contendo as informações referentes à má-</p><p>quina, ou equipamento, às ferramentas, ao ambientes etc. a ser inspecionado, tais como: localização, sina-</p><p>lização, tempo de operação, tipos de operações, EPI necessários.</p><p>É importante ressaltar que a identificação dos equipamentos e máquinas por meio de selos ou etiquetas</p><p>com dados sobre o equipamento é fundamental na hora da inspeção, para melhor visualização e controle.</p><p>Existem alguns métodos sugeridos para o momento da inspeção. Dentre eles, destaca-se o Método</p><p>Sensitivo, que usa os próprios sentidos humanos para monitoramento das condições da máquina ou equi-</p><p>pamento, tais como: o tato, pela mudança na frequência de vibração, temperatura, umidade.</p><p>Pelo olfato, pode ser detectado o cheiro de queima de isolamento, fumaça, combustível; pela audição,</p><p>através das mudanças de ruídos, roncos, chiados, batidas etc.; e pela visão, observando a alteração de cor,</p><p>distorção, limpeza, tamanho, posição, alinhamento etc. (BERNECK, 2015). Os manutentores utilizam muito</p><p>esta prática para identificar irregularidades com o motor de alguns equipamentos.</p><p>Também há o Método Sequencial de Inspeção, que visa maior retorno produtivo e ganho de tempo,</p><p>pois é elaborado seguindo um roteiro, evitando que o inspetor esqueça de algo. Exemplos disso são os</p><p>checklist de inspeção (BERNECK, 2015).</p><p>De acordo com o autor, dentre os objetivos plausíveis para a prática destas metodologias de inspeção</p><p>é evitar, por exemplo, as queimas de motores elétricos, permitir sua máxima disponibilidade sem agredir o</p><p>meio ambiente, manter a segurança dos profissionais envolvidos e estabelecer metas para manutenções</p><p>racionais.</p><p>Além disso, permite que um plano de inspeção em painéis elétricos seja realizado, observando o funcio-</p><p>namento dos instrumentos de medição (voltímetro, amperímetro), temperatura de componentes (disjun-</p><p>tores, transformadores, barramentos), malha de aterramento, histórico de alarmes, cabeamento, organiza-</p><p>ção e diagramas, painéis contendo a parte de força, comando e acionamento e os quesitos de segurança</p><p>fundamentais (BERNECK, 2015).</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>6 QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 205</p><p>Além dos itens de inspeções, deve ser ressaltada a questão de segurança na verificação destes dispo-</p><p>sitivos. Por exemplo, no caso dos sensores, muitas vezes podem ser instalados em pontos de difícil acesso</p><p>ou que apresente risco de acidente por algum resíduo do processo ou funcionamento do equipamento</p><p>(BERNECK, 2015).</p><p>Esteja atento para inspecionar principalmente os riscos relacionados aos trabalhos em sistemas que</p><p>envolvem energia, pois o risco de choque elétrico é mais comum na atividade de manutentor eletromecâ-</p><p>nico. E, confira todos os EPIs e EPCs que você deverá utilizar para realizar os seus serviços.</p><p>Lembre-se de que o seu supervisor, membros da CIPA e do SESMT deverão ser envolvidos nestas práti-</p><p>cas, para auxiliar na identificação dos riscos, até mesmo os mapas de riscos elaborados pela CIPA e SESMT</p><p>poderão ser úteis para conhecer os riscos do seu ambiente de trabalho.</p><p>E, por fim, apresente a relação do que foi inspecionado e documentado, com as respectivas medidas de</p><p>segurança, com as correções propostas por você e sua equipe (quando couber) e colete a assinatura de to-</p><p>dos os envolvidos (SEIFFERT, 2010; MORAES, 2012). É sempre importante ter registrado todas as inspeções</p><p>de segurança e avaliações de riscos com manutenção para análise futura.</p><p>A seguir, conheça o PPRA, que é um programa de prevenção de riscos.</p><p>6.2.4 PPRA</p><p>O PPRA é um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, obrigatório nas empresas, inclusive nas</p><p>terceirizadas. Este programa é previsto pela NR 9, uma das Normas Regulamentadoras do MTE e é apresen-</p><p>tado no formato de um relatório. A NR 9 estabelece que toda empresa deve elaborar e implantar o PPRA</p><p>juntamente com outros programas de segurança. Um deles é o PCMSO4, previsto na NR 7 (MORAES, 2012).</p><p>A empresa é responsável por nomear um profissional que tenha conhecimento sobre os riscos no am-</p><p>biente de trabalho.</p><p>Geralmente é o SESMT que realiza os levantamentos e avaliações dos riscos ambientais</p><p>nos ambientes, que são os riscos físicos, químicos e biológicos. Estes três são considerados agentes de risco</p><p>que darão direito à insalubridade, de acordo com a NR 15 (MORAES, 2012).</p><p>Para saber mais sobre o estudo do PPRA, acesse o portal do Ministério do Trabalho e</p><p>Emprego: http://portal.mte.gov.br/fisca_trab/10-2-ppra.htm.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>4 O Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional é um programa de controle de exames admissionais, periódicos e demis-</p><p>sionais.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS206</p><p>De acordo com a NR 9, o PPRA deverá contemplar a identificação, avaliação e antecipação destes riscos</p><p>ambientais das atividades executadas nas empresas, além de estabelecer medidas de controle que mini-</p><p>mizem a exposição ou até eliminem o agente de risco. E isso tudo tem o objetivo de garantir as condições</p><p>de saúde e segurança dos trabalhadores (MORAES, 2012).</p><p>O PPRA deverá ser informado aos trabalhadores, pois ele contempla as descrições das funções dos co-</p><p>laboradores, os riscos associados a estas funções e os EPIs e medidas de segurança necessários por função.</p><p>Solicite informações do PPRA ao seu supervisor ou ao SESMT de sua empresa.</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você conheceu algumas medidas necessárias para contribuir com a preservação da</p><p>saúde do trabalhador, atentando-se para os riscos de sua atividade e os riscos ocupacionais, como</p><p>o ruído de máquinas e risco de choque elétrico.</p><p>Você estudou também como a CIPA trabalha para favorecer a segurança no local de trabalho e</p><p>como a empresa está obrigada legalmente a promover a saúde e segurança de seus trabalhadores</p><p>por meio dela e do programa de riscos ambientais.</p><p>Percebeu que a CIPA é responsável pela elaboração do mapa de risco, tão necessário para informar</p><p>aos trabalhadores os riscos no ambiente de trabalho. E PPRA e o PCMSO são programas de segu-</p><p>rança que visam levantar e avaliar esses riscos e estabelecer um plano para corrigi-los, além dos</p><p>exames ocupacionais para monitorar a saúde do trabalhador.</p><p>Neste ponto, você já deve ter a resposta de que todas essas ações em segurança e saúde no tra-</p><p>balho buscam promover a qualidade de vida para o trabalhador. Parte da responsabilidade em</p><p>promover a segurança e a qualidade no ambiente de trabalho é da empresa. Em contrapartida, é</p><p>de responsabilidade do trabalhador em autorrealizar-se, pois a empresa não poderá atender todas</p><p>as necessidades individuais.</p><p>Na atualidade, há uma preocupação intensa em relação à preservação ambiental. E também</p><p>não é novidade que, há algumas décadas, os cientistas tem avisado a humanidade a respeito</p><p>do esgotamento de recursos naturais, agravamento da poluição e de catástrofes, em virtude</p><p>do descuido humano com o meio ambiente.</p><p>Mas, que relevância ou relação isso teria para a atividade de manutenção eletromecânica?</p><p>Evidencia-se que, dentro de alguns anos, haverá escassez de alguns recursos naturais, como é</p><p>o caso de alguns metais, com previsão de acabar nos próximos 50 ou 60 anos.</p><p>E muitos componentes utilizados pela manutenção são formados a partir de metais. Logo, o</p><p>que você estudará neste capítulo responderá a esta pergunta e lhe fornecerá noções para atuar</p><p>de maneira mais consciente, a fim de ajudar a preservar o meio em que você vive.</p><p>Para tanto, o foco desse capítulo está relacionado aos conceitos da qualidade ambiental,</p><p>uso racional dos recursos do planeta e o que se deve fazer com os resíduos para promover a</p><p>saúde ambiental.</p><p>Assim, ao final deste capítulo, você terá subsídios para:</p><p>a) entender a importância da qualidade ambiental na vida das pessoas e no trabalho;</p><p>b) conhecer os resíduos e poluentes mais comuns e sua classificação;</p><p>c) compreender como funcionam as práticas de tratamento e reaproveitamento dos re-</p><p>síduos;</p><p>d) conhecer as medidas de proteção ambiental, uso racional dos recursos naturais e a des-</p><p>tinação final dos resíduos para aplicar nas suas rotinas de trabalho.</p><p>A partir deste momento, você terá a chance de conhecer alguns temas sobre práticas de</p><p>preservação no seu ambiente de trabalho.</p><p>7</p><p>Qualidade Ambiental</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS210</p><p>7.1 QUALIDADE AMBIENTAL</p><p>A qualidade ambiental deve fazer parte dos preceitos de uma organização que pretende manter-se</p><p>comprometida com sua posição no mercado globalizado, pois visa atender aos requisitos da natureza, ou</p><p>seja, respeitar os ciclos naturais que envolvem fatores químicos, físicos, biológicos, econômicos, sociais etc.</p><p>(VALLE, 2010). O meio ambiente é tido como o que nos rodeia, seja ele natural ou artificial. E, o uso da tec-</p><p>nologia pelas atividades empresariais deve ser em prol da busca pela estabilidade das relações ambientais,</p><p>juntamente com estes outros fatores (VALLE, 2010).</p><p>As empresas que desejam obter financiamentos internacionais, por exemplo, devem demonstrar a qua-</p><p>lidade ambiental de seu segmento. E, as ferramentas que auxiliarão muitas empresas nesta demonstração</p><p>são as mesmas utilizadas para a busca da qualidade na produção, as quais envolvem treinamentos, planos</p><p>de ação, controles documentais, ordem e limpeza, auditorias e inspeções, revisões de objetivos e metas</p><p>etc. (VALLE, 2010).</p><p>O autor acrescenta que, geralmente, as empresas são orientadas para que contemplem ações de quali-</p><p>dade ambiental na fase de concepção de seus projetos, principalmente no que se refere aos resíduos que</p><p>serão gerados, ao ciclo de vida do produto - desde a matéria-prima até seu descarte final ou inutilização.</p><p>Outro ponto a considerar aqui é que as problemáticas ambientais influenciam diretamente a qualidade</p><p>de vida das pessoas. Portanto, a preocupação ecológica envolve também a responsabilidade social. Então,</p><p>até que ponto um produto afeta a vida das pessoas assim que perde sua vida útil? (TONICELO, 2003).</p><p>Observe que todo produto, independente da substância utilizada na sua fabricação, provoca um impac-</p><p>to ou algum tipo de dano ao meio ambiente, seja pela extração de matérias-primas da natureza, ou pelo</p><p>processo produtivo ou ainda pelo seu uso e disposição final.</p><p>A Análise do Ciclo de Vida refere-se a uma metodologia que visa analisar os impactos ambientais, que</p><p>poderão ser ocasionados, em todas as etapas de geração e vida de um produto, ou seja, desde a matéria-</p><p>-prima até o fim da vida deste produto (o que inclui também a embalagem, expedição, publicidade, do-</p><p>cumentos gerados e manuais com instruções), bem como sua recolha para descarte, tratamento final, ou</p><p>reutilização e reciclagem (TONICELO, 2003).</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 211</p><p>O autor acrescenta que as ações que envolvem esta análise do ciclo de vida levam em consideração o</p><p>esgotamento de recursos ambientais, a destruição de ecossistemas e extinção de espécies, a geração de</p><p>gases do efeito estufa e de materiais (ou processos) nocivos à fauna, à flora e aos seres humanos, além da</p><p>poluição atmosférica, do solo e da água, da poluição visual etc. Portanto, é nestas situações que as em-</p><p>presas buscarão reduzir o consumo de recursos naturais, ou substituí-los pelos materiais menos nocivos,</p><p>utilizar energias renováveis, facilitar a desmontagem de componentes, reduzir as embalagens.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Estudo compara impactos ambientais da aplicação de ferro fundido e alumínio na produção</p><p>de blocos de motor e analisa o ciclo de vida dos materiais</p><p>Os blocos de motor produzidos em alumínio apresentam menor impacto ao meio ambiente e à</p><p>saúde humana do que os fabricados com ferro fundido. Esta é a conclusão dada pela pesquisa</p><p>italiana sobre o ciclo de vida dos componentes.</p><p>O estudo analisou o ciclo do material desde a extração de matéria-prima, passando pela produção,</p><p>uso e reutilização, até o final de sua vida útil. A análise consistiu em comparar os blocos de motor</p><p>1.6 (comumente utilizados em veículos da classe C, com potência de 75 kW e 6.000 rpm, peso de</p><p>1.250 kg e torque de 145 Nm e 4.000 rpm).</p><p>As duas únicas diferenças entre os</p><p>seus componentes foi certamente a matéria-prima (ferro fun-</p><p>dido e alumínio) e o processo produtivo – a fundição em areia é para o ferro fundido cinzento, e a</p><p>fundição de alumínio é sob alta pressão com 9% de silício e 3% de cobre.</p><p>Ambas as atividades apresentaram impactos significativos ao meio ambiente. No entanto, a pes-</p><p>quisa foca nas vantagens de se aplicar o alumínio nos blocos, pois, na fase de uso do componente,</p><p>a leveza do material é muito significativa, além de reduzir exponencialmente a carga ambiental</p><p>que provém da produção do alumínio primário.</p><p>A pesquisa mostra ainda que, nesta fase de utilização, pode ser observado que, enquanto a solução</p><p>de ferro fundido aponta prejuízo ambiental de 37 pontos, o índice do bloco de alumínio não passa</p><p>a marca de 19,3 pontos, ou seja, 90% do valor obtido pelo indicador do metal ferroso é em razão</p><p>do uso de combustíveis fósseis e emissões de gases nocivos.</p><p>Sem contar na economia de combustível do veículo em virtude da leveza do motor, cerca de</p><p>150.000 km (pois o bloco de alumínio =16,4 kg e o bloco de ferro fundido = 31 kg. A pontuação</p><p>final do estudo somou que o prejuízo ambiental para o bloco de ferro fundido foi de 41,3 pontos</p><p>e o de alumínio foi de 28,9 pontos, demonstrando, assim, sua viabilidade em termos de qualidade</p><p>ambiental (ABAL, 2015).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS212</p><p>Para saber mais sobre o estudo do ciclo de vida de alguns metais, acesse: http://www.</p><p>abal.org.br/aluauto/ed25/ciclo.htm.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>Então, o que fazer com a sucata metálica ou não metálica de algum produto que já perdeu sua utilidade,</p><p>por exemplo, a sucata de alumínio de algum componente de máquina? Pois bem, deverá ser estabelecido</p><p>um plano para sua destinação ou reutilização e isso já vem acontecendo ao longo do tempo.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Empresa do norte do Paraná é líder nacional de reciclagem de alumínio</p><p>A Latasa Reciclagem, empresa sediada em São Paulo, confirmou a construção de uma fábrica no</p><p>município de Centenário do Sul, no Norte do Paraná. A companhia vai investir R$ 30 milhões na im-</p><p>plantação do empreendimento, que vai trabalhar com todos os tipos de sucata. Em contrapartida,</p><p>vai receber incentivos fiscais do governo estadual.</p><p>Ao todo, serão criados 150 empregos diretos e 300 indiretos e a unidade de negócios terá capaci-</p><p>dade para processar de duas a três mil toneladas de sucata por mês. Fundada em 1991, a empresa,</p><p>que é líder nacional em reciclagem de alumínio, foi a pioneira nesse segmento no país. São mais</p><p>de 200 mil toneladas de alumínio processadas por ano em três centros de fundição localizados no</p><p>Estado de São Paulo.</p><p>A rede contempla ainda 20 centros de coleta em 11 Estados brasileiros e um em Miami, nos Es-</p><p>tados Unidos. A cidade de Curitiba abriga um dos pontos de coleta. A companhia trabalha com</p><p>qualquer sucata, sendo que a reciclagem do alumínio representa 98% da produção. A Latasa utiliza</p><p>o alumínio secundário, ou seja, todo metal resultante da reciclagem da sucata em alumínio.</p><p>O insumo no nível primário é aquele obtido após o processamento da bauxita e da alumina, por</p><p>meio de uma série de processos químicos. Segundo o diretor-presidente da empresa, Mário Fer-</p><p>nandez, o alumínio secundário consome apenas 5% da energia que o primário necessita.</p><p>Para atender essa demanda energética, a Companhia Paranaense de Gás (Compagás) vai atuar em</p><p>parceria com a empresa para fomentar o correto derretimento do alumínio, que depende do for-</p><p>necimento do combustível (STACZUK, 2014).</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 213</p><p>Você sabia? O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de minerais e de seus</p><p>subprodutos (BETTENCOURT; MORESCHI, 2001, p. 464) e o maior produtor de Nióbio,</p><p>usado na fabricação de aços de alta resistência, o segundo maior produtor de ferro</p><p>e o quarto maior produtor de alumínio, estanho e manganês. (BRAILE; CAVALCANTI,</p><p>1993, p. 355)</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>Acompanhe agora o que estabelece a legislação em relação ao descarte de resíduos de materiais.</p><p>7.1.1 DESCARTE DE RESÍDUOS (GESTÃO)</p><p>Como já mencionado anteriormente, a preocupação com a diversidade dos resíduos gerados e a possi-</p><p>bilidades de reuso fez com que a legislação se ampliasse no que tange também ao tratamento e destina-</p><p>ção. A obrigatoriedade tem se intensificado após a criação da Lei 12.305, de 2010, sobre a Política Nacional</p><p>de Resíduos Sólidos - PNRS.</p><p>A separação dos resíduos, por exemplo, permite que a reutilização, a reciclagem e a agregação sejam</p><p>mais eficientes com potencial para acrescentar maior valor ao material a ser reciclado (GOMES, 2010).</p><p>E, é através da gestão adequada dos resíduos sólidos que serão reduzidos seus efeitos nocivos. Logo,</p><p>uma gestão para a separação e a destinação de resíduos permite a preservação ambiental e promove a</p><p>saúde torna-se ideal não apenas para as comunidades, mas para as empresas também (DEL GROSSI, 2011).</p><p>Conforme o que foi visto na seção anterior, a Norma da ABNT NBR 10.004:2013 estabeleceu a classifica-</p><p>ção dos resíduos em perigosos e não perigosos. Dentre os materiais perigosos, há as pilhas, as baterias e as</p><p>lâmpadas fluorescentes, que deverão ter coleta e destinação distintas, sendo proibido o descarte em lixo</p><p>comum (GOMES, 2010).</p><p>Nesse sentido, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), sancionada em 2010, traz determinações</p><p>importantes para o recolhimento e o correto descarte dos resíduos, incluindo os elementos com nível tóxi-</p><p>co (pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, placas de circuitos). �As empresas receberam o prazo de dois</p><p>anos para disponibilizarem pontos de recolhimento e tomarem as medidas cabíveis para providenciar a</p><p>destinação adequada para esses equipamentos� (GOMES, 2010).</p><p>A separação e as destinações de componentes eletrônicos e eletroeletrônicos inutilizados são funda-</p><p>mentais, tanto para a reciclagem, quanto na hora de se fazer a incineração de alguns componentes ou</p><p>destinar certos componentes aos aterros, pois os resíduos perigosos deverão ser separados dos demais e</p><p>destinados ao aterro ou empresas especializadas, conforme orienta a PNRS.</p><p>Por exemplo, percebe-se que a manutenção está presente em todos os processos da indústria e a de-</p><p>manda pelos seus serviços é significativa. Logo, a geração de resíduos irá acompanhar estas atividades</p><p>(SANCHES; MENDONÇA; FEICHAS, 2013).</p><p>Na análise sobre os modelos de gestão de resíduos adotado pela manutenção feita pelos autores, per-</p><p>cebe-se que o fluxo do sistema de descarte de componentes, peças e outros elementos durante a manu-</p><p>tenção pode ser visualizada no quadro a seguir.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS214</p><p>TIPOS DE RESÍDUOS LEGISLAÇÕES DESTINO</p><p>Borras de óleos, graxas ou solventes;</p><p>resíduos de fluido hidráulico.</p><p>Resolução CONAMA nº 313/2002 - geração</p><p>de resíduos industriais, disposição e trata-</p><p>mento.</p><p>Recuperação por re-refino ou</p><p>reprocessamento.</p><p>Latas com resíduos de óleos.</p><p>Resolução CONAMA nº 362/2005 - obrig-</p><p>ações quanto ao descarte e destinação de</p><p>óleo lubificante.</p><p>*** Resolução CONAMA nº 450/2012 -</p><p>alterou itens da 362.</p><p>Destino e tratamento adequado por em-</p><p>presas especializadas.</p><p>Componentes e cabos elétricos: conta-</p><p>tores, inversores, fios de várias bitolas,</p><p>placas eletrônicas.</p><p>Lei 12.305/2010 - PNRS e Lei 13.576/2009 -</p><p>normas para reciclagem, gerenciamento e</p><p>destinação de lixo eletrônico.</p><p>Reciclagem de itens metálicos (ouro, cobre,</p><p>etc);</p><p>Destino e tratamento adequado por em-</p><p>presas especializadas.</p><p>Quadro 20 - Relação de resíduos de manutenção.</p><p>Fonte: adaptado de Sanches; Mendonca; Feichas (2013)</p><p>Os tipos de armazenamento e tratamento relatados na CONAMA nº 313 (2002) envolvem: o armazena-</p><p>mento adequado em tambores ou bombonas para resíduos de óleos, por exemplo; tratamento por incine-</p><p>ração de elementos que não gerem gases tóxicos, geralmente para a oxidação de algumas substâncias; e o</p><p>destino em aterros industriais para componentes que não se pode reaproveitar nem reciclar, que é o caso</p><p>de alguns elementos contidos dentro dos dispositivos de sensores e</p><p>as latas sujas de óleo.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Para a Gestão de Resíduos, procure identificar as fontes de resíduos, reduzir a</p><p>quantidade de geração de materiais de descarte, separar os materiais e identificar</p><p>possibilidades de reuso e reciclagem, além de substituir as substâncias tóxicas (IEL,</p><p>2011).</p><p>Acompanhe agora o processo de reciclagem de resíduos. Boa leitura.</p><p>7.1.2 RECICLAGEM DE RESÍDUOS</p><p>A geração de Resíduos Sólidos na sociedade está diretamente interligada aos hábitos de consumo, pro-</p><p>dução e também com a cultura de cada região. Pesquisas demonstram que a falta de uma política ade-</p><p>quada de gestão ou até mesmo fiscalizações mais eficientes sobre a geração e destinação dos resíduos é,</p><p>potencialmente, um dos fatores que tem influenciado o agravamento da degradação do meio ambiente</p><p>(DEL GROSSI, 2011).</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 215</p><p>Além de considerar as ameaças à saúde humana, provocadas por diversas substâncias químicas presen-</p><p>tes em vários materiais, como em baterias e lâmpadas fluorescentes, fontes de mercúrio, chumbo, cádmio,</p><p>zinco-manganês e outros, estudos demonstram que substâncias como estas podem levar a doenças, como</p><p>a anemia, câncer e problemas neurológicos (GOMES, 2010).</p><p>Mas, é exatamente a gestão de resíduos sólidos uma maneira de reduzir os efeitos danosos ao meio am-</p><p>biente. Logo, o reaproveitamento e a reciclagem de matérias-primas são capazes, não apenas de preservar</p><p>o meio ambiente, mas também, de promover a diminuição do lixo nos aterros e gerar emprego e renda,</p><p>com inclusão social, além de poupar a saúde da população (DEL GROSSI, 2011).</p><p>De acordo com a autora, a reciclagem é a melhor e mais eficiente forma de destinação dos resíduos,</p><p>além de propiciar a recuperação de substâncias e reduzir o consumo dos recursos naturais (DEL GROSSI,</p><p>2011).</p><p>O processo de reciclar significa transformar os resíduos ou materiais provenientes de residências, es-</p><p>critórios e indústrias, cuja primeira utilidade se encerrou, para gerar outros produtos (RODRIGUES, 1997;</p><p>COELHO, 2001). Por exemplo, transformar o plástico da garrafa PET em cerdas de vassoura ou fibras para</p><p>moletom. A reciclagem gera economia de matérias-primas, água e energia, é menos poluente e alivia os</p><p>aterros sanitários, propiciando aumento de sua vida útil e evitando, assim, o uso de espaços que poderiam</p><p>ser usados para outros fins, como a criação de parques, por exemplo (COELHO, 2001).</p><p>O processo de reciclagem pode ser dividido em vários estágios, ou seja, os que envolvem a separação</p><p>dos componentes, levando em conta o que ainda pode ser utilizado (podem ser destinados a outra apli-</p><p>cação) e os componentes que não têm outra utilização, isto é, não são encaminhados diretamente para</p><p>usinas de reciclagem. Outra etapa seria a categorização, ou seja, a pesagem, desmontagem, separação dos</p><p>componentes, descaracterização, compactação e acondicionamento. Deste modo, estes são destinados à</p><p>terceiros para reciclagem dos materiais lucrativos e preciosos, ou geram matéria-prima para outros produ-</p><p>tos (METARECICLAGEM, 2010).</p><p>Em 2004, a Norma da ABNT NBR 10.004 estabeleceu a classificação dos resíduos sólidos em perigosos e</p><p>não perigosos (GOMES, 2010). Dentre os resíduos não perigosos, há os inertes (classe II B) e os não inertes</p><p>(classe II A). Este último tem caráter não perigoso, mas pode ser biodegradável, se solubilizar em água e</p><p>pode também ter caráter combustível, que é o caso dos resíduos de papel. Já os resíduos inertes não têm</p><p>nenhum destes caracteres, não tem nenhum de seus componentes solubilizados em água, que é o exem-</p><p>plo do plástico (ABETRE, 2006).</p><p>De acordo com a Resolução nº 313, do CONAMA (2002), o resíduo sólido industrial é aquele que resulta</p><p>de atividades fabris “e que se encontre nos estados sólido, semissólido, gasoso - quando contido [...] - cujas</p><p>particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgoto ou em corpos d`água”, ou</p><p>que exijam soluções técnicas adequadas.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS216</p><p>Então, se você for observar os resíduos ou pontas de fiação que você utilizar durante suas atividades,</p><p>contendo o núcleo de cobre envolto por plástico, certamente será considerado resíduo não perigoso e,</p><p>portanto, poderá ser destinado para a reciclagem, juntamente com resíduos de papel ou plásticos de em-</p><p>balagens e alguns metais como o cobre, o alumínio e o ferro. Já os resíduos perigosos, como borras de óle-</p><p>os e graxas, e os recipientes destas substâncias, deverão ser destinados adequadamente para tratamento</p><p>por empresa especializada. E para você ter a certeza de que está fazendo certo, o quadro, a seguir, mostra</p><p>algumas legislações para o destino e reciclagem dos resíduos.</p><p>TIPOS DE RESÍDUOS LEGISLAÇÕES DESTINO</p><p>Ferrosos e não ferrosos: tarugos de</p><p>alumínio, aço e ferro.</p><p>Lei 12.305/2010 - PNRS;</p><p>Resolução CONAMA nº 313//2002 - ger-</p><p>ação de resíduos industriais, destinação,</p><p>disposição e tratamento.</p><p>Passível de reciclagem.</p><p>Ferrosos e não ferrosos: sucatas e cavacos</p><p>metálicos de usinagem.</p><p>Passível de reciclagem.</p><p>Ferrosos e não ferrosos: retalhos de equi-</p><p>pamentos, tubos e cabos fiação elétrica</p><p>(Figura 3).</p><p>Passível de reciclagem.</p><p>Resíduos de papel e papelão e embalagem</p><p>plástica.</p><p>Lei 12.305/2010 - PNRS;</p><p>Resolução CONAMA nº 313/2002 - ger-</p><p>ação de resíduos industriais, disposição e</p><p>tratamento.</p><p>Passível de reciclagem.</p><p>Quadro 21 - Relação de resíduos com a legislação vigente</p><p>Fonte: Adaptado de BRASIL (2002); Sanches; Mendonca; Feichas (2013)</p><p>O interessante é que a reciclagem poderá ser realizada para alguns componentes eletrônicos, por exem-</p><p>plo, as aparas de fiações.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 217</p><p>Você sabia? O aço reciclado representa 40% dos recursos ferrosos da indústria</p><p>do aço no mundo. A Arcelor Mittal é o maior reciclador mundial de sucata: 1,2</p><p>toneladas de aço são recicladas a cada segundo. (CONSTRUCTALIA, 2015)</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>A reciclagem de outros componentes eletrônicos, por exemplo, se dá pelo reaproveitamento dos com-</p><p>ponentes de placas e chips, da qual são retiradas pequenas quantidade de metais, como prata, ouro, cobre,</p><p>entre outros metais nobres. E, a vantagem é que a extração destes metais acaba sendo poupada ou econo-</p><p>mizada (STTAFORD, 2012; CARDOSO, 2013).</p><p>De acordo com a autora, os equipamentos elétricos e eletrônicos são compostos por placas de circuito</p><p>impresso (Figura 4), os equipamentos de microinformática, vídeos, ferramentas elétricas, DVDs, câmeras,</p><p>televisores, rádios, telefones celulares, lâmpadas fluorescentes e muitos outros produtos são passíveis de</p><p>reaproveitamento, reciclagem ou deverão ser incinerados, conforme as especificações da PNRS.</p><p>Mas, vale lembrar que a reciclagem, no entanto, não pode ser vista como a principal solução para o lixo.</p><p>É uma atividade econômica que deve ser encarada como um elemento dentro de um conjunto de soluções</p><p>(DEL GROSSI, 2011).</p><p>Além disso, é importante você dar atenção ao uso racional dos recursos, que será tratado a seguir.</p><p>7.1.3 USO RACIONAL DE RECURSOS E ENERGIAS DISPONÍVEIS</p><p>De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, os atuais padrões de produção e consumo geram a cul-</p><p>tura do desperdício, aumentado a demanda por recursos naturais. Práticas de conscientização vêm sendo</p><p>implantadas desde a legislação nacional até as leis municipais, as quais vem atingindo não apenas a socie-</p><p>dade, mas as empresas de um modo geral.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS218</p><p>A abordagem relacionada às preocupações ambientais direciona para a utilização positiva do meio am-</p><p>biente no processo de desenvolvimento socioeconômico. Trata-se da valorização de recursos e a reutiliza-</p><p>ção de materiais para poupar a exploração de tais recursos.</p><p>Ainda segundo o Ministério do Meio Ambiente (2015), “A economia brasileira caracteriza-se por elevado</p><p>nível de desperdício de recursos energéticos e naturais”), o que gera atraso no desenvolvimento do país.</p><p>“Esta visão equivocada está levando à excessiva utilização</p><p>dos recursos naturais não renováveis e à</p><p>poluição ambiental”. Por exemplo, “[...] as reservas de fosfato no mundo que podem ser exploradas a baixo</p><p>custo são suficientes para 40 a 100 anos e as reservas mundiais de potássio são suficientes para 50 a 200</p><p>anos”. A situação piora “[...] para os micronutrientes, em que as reservas de cobre e zinco são suficientes</p><p>para 60 anos, manganês para 35 anos e selênio para 55 anos.” (LANA, 2009, p. 330).</p><p>Mas, como já foi mencionado anteriormente, a separação e destinação adequada para reaproveitamen-</p><p>to e reciclagem dos resíduos auxiliam na redução das extrações de recursos naturais. Portanto, é preciso</p><p>incentivar esta prática.</p><p>Logo, reciclar resíduos é transformá-los em produtos com valor agregado. E, conservar energia, água e</p><p>outros recursos naturais é reduzir custos de produção.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>A corrente elétrica flui de um polo negativo para um positivo, isso porque são os</p><p>elétrons (cargas negativas) que se movimentam. Apesar disso, convencionou-se que</p><p>a corrente flui em sentido oposto, do polo positivo para o negativo, a fim de facilitar</p><p>o entendimento desse fenômeno.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Manutenção preventiva em forno de Indução</p><p>Em uma fundição de discos de freio, havia uma falha em seu sistema de refrigeração em um forno</p><p>a indução. Isso acontecia mais ou menos em uma frequência regular, que só foi percebido devido</p><p>a um bom histórico escrito pelos profissionais da equipe de manutenção.</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 219</p><p>Havia um entupimento nos cabos refrigerados devido às propriedades químicas da água ali</p><p>apresentada. A solução do problema era sempre desligar o forno e executar a limpeza dos cabos</p><p>refrigerados. Isso gerava um atraso de 45 minutos na produção.</p><p>Então, devido ao histórico, sabia-se que o forno apresentava esse problema mais ou menos a cada</p><p>120 dias.</p><p>Com essa informação, o planejador responsável da ocasião aplicou um plano de manutenção</p><p>preventiva num intervalo de 100 em 100 dias. Desta forma, ele conseguiu eliminar uma das ma-</p><p>nutenções que eram recorrentes na fundição. Houve melhora na disponibilidade do forno e conse-</p><p>quentemente indicadores de desempenho da equipe de produção.</p><p>Na próxima seção, você conhecerá a importância da reciclagem.</p><p>7.1.4 A IMPORTÂNCIA DA RECICLAGEM</p><p>De acordo com o Portal do Meio Ambiente (2011), o processo de reciclagem é um gerador de riquezas,</p><p>já que empresas de todos os lugares utilizam este procedimento como uma maneira de reduzir os custos,</p><p>além de contribuir com a preservação do ambiente.</p><p>É crescente o aumento da população, consequentemente aumenta a produção, e quanto mais se pro-</p><p>duz, mais resíduos orgânicos e inorgânicos serão gerados também. E, devido a essa grande quantidade</p><p>de “lixo”, reciclar torna-se importantíssimo para a saúde das pessoas e do meio ambiente. O desequilíbrio</p><p>provocado pela extração dos recursos naturais coloca todo o meio ambiente em risco. Assim, quanto maior</p><p>for a reciclagem menor será a extração destes recursos.</p><p>Além da redução dos impactos ambientais, pode-se reduzir a quantidade de energia elétrica utilizada</p><p>na extração e fabricação desses novos materiais, surgem também como uma solução socioeconômica,</p><p>podendo gerar mais empregos formais e informais.</p><p>Materiais como vidro e alumínio podem ser reaproveitados em praticamente 100%. Além disso, resídu-</p><p>os eletroeletrônicos ainda são inadequadamente descartados, ou seja, jogados no lixo comum.</p><p>Acompanhe, na seção, a seguir, propostas de reciclagem em estações de tratamento.</p><p>7.1.5 ATERROS INDUSTRIAIS E ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE EFLUENTES/ESGOTOS</p><p>Além das propostas de reaproveitamento e reciclagem de resíduos, existem as opções de tratamento</p><p>de poluentes. Estas opções de tratamento são uma abordagem técnica de caráter corretivo, que altera as</p><p>características do resíduo após ser gerado, a fim de neutralizar seus efeitos nocivos (VALLE, 2010).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS220</p><p>Exemplos de tratamento para resíduos sólidos são a incineração e a extração de substância, como os</p><p>metais. Também há o destino final de alguns tipos de resíduos em aterros industriais controlados, princi-</p><p>palmente para os resíduos perigosos Classe I (restos de embalagens sujas de óleos e graxas etc.).</p><p>Por isso, é importante que, durante as suas atividades, você separe os resíduos perigosos dos não peri-</p><p>gosos, para, então, a empresa destinar corretamente tais materiais, evitando custos adicionais e da mistura</p><p>de resíduos perigosos com os não perigosos.</p><p>Os aterros industriais são especializados em tratar e dispor os resíduos perigosos em células protegidas</p><p>e enterradas no solo, pois têm como objetivo evitar que os contaminantes penetrem o lençol de água sub-</p><p>terrâneo. Para isso, utilizam mantas impermeáveis para forrar as células que receberão tais resíduos.</p><p>Sobre os poluentes líquidos, existem dois tipos principais que necessitam de atenção e tratamento: são</p><p>as águas residuárias industriais, ou efluentes, e os esgotos de instalações sanitárias de residências, indús-</p><p>trias ou comércio.</p><p>Para o tratamento de poluentes líquidos, por exemplo, são instaladas Estações de Tratamento de Efluen-</p><p>tes e Esgotos - ETE. Nestas estações, são usados os processos de tratamentos biológicos, para os esgotos</p><p>sanitários, que envolve o uso de microrganismos. São os chamados tratamentos biológicos aeróbios e ana-</p><p>eróbios, usados em estações de tratamento por lodos ativados, lagoas de estabilização, filtros biológicos.</p><p>Também há os processos físico-químicos, geralmente utilizados no tratamento de água e em estações</p><p>de tratamento de efluentes industriais, que irão diluir, filtrar, coagular, flocular, precipitar, sedimentar os</p><p>poluentes. Existem também os tratamentos físico-químicos de adsorção, troca iônica, oxidação química</p><p>(MMA, 2009), muito utilizados para tratamento de poluentes industriais.</p><p>Existem algumas empresas especializadas em tratar águas de resfriamento de máquinas e também os</p><p>resíduos líquidos contendo borras de óleos minerais e sintéticos. Por essa razão, é importante sempre sepa-</p><p>rar os resíduos líquidos das máquinas contendo óleos e graxas e da lavagem de peças etc., para que sejam</p><p>destinados adequadamente.</p><p>Além disso, no momento de realizar a manutenção em equipamentos de ETE, você deverá se atentar</p><p>para os cuidados com a sua segurança e evitar o risco de se contaminar com os resíduos.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>7 QUALIDADE AMBIENTAL 221</p><p>RECAPITULANDO</p><p>Neste capítulo, você pode perceber o quanto a questão ambiental ganhou espaço nas empresas</p><p>e quais as medidas que estão sendo tomadas a nível internacional. A legislação é responsável por</p><p>boa parte das iniciativas empresariais quanto à preservação do meio ambiente, pois obriga as em-</p><p>presas a adequar seus processos, a fim de proteger o meio externo.</p><p>Foi possível você conhecer algumas práticas simples de separação e destinação adequada dos re-</p><p>síduos, além dos meios de tratar e destinar os resíduos sólidos e líquidos, tão importantes para</p><p>evitar a poluição e, mais do que isso, as práticas de reutilizar, reaproveitar ou reciclar os resíduos</p><p>que auxiliam na preservação dos recursos naturais. Recursos estes que tem data marcada para</p><p>acabar. Mas, se você escolher adequadamente os componentes que economizam energia e desti-</p><p>nar outros componentes para a reciclagem, assertivamente você estará contribuindo com a causa</p><p>ambiental.</p><p>Ao longo do tempo, algumas empresas passaram a investir mais na sua imagem. Não</p><p>apenas diante de seus clientes mais próximos ou colaboradores e fornecedores, mas de toda a</p><p>sociedade, incluindo a comunidade global.</p><p>Estas empresas conseguem isso por meio de sistemas de gestão que comprovam a sua</p><p>seriedade e que promovem a qualidade de seus produtos, processos e serviços.</p><p>Você consegue identificar que sistemas de gestão são esses e que relevância têm para sua</p><p>atividade de manutenção? A resposta a esse questionamento poderá ser compreendida neste</p><p>capítulo.</p><p>Por isso, você estudará os aspectos gerais dos sistemas</p><p>123</p><p>4.2 Materiais aplicados em máquinas e equipamentos - tipos, características e</p><p>aplicações ......................................................................................................................................................... 124</p><p>4.2.1 Elementos de trabalho (motores, resistências etc.) .................................................. 124</p><p>4.2.2 Elementos de comando (contatores, inversores, chaves manuais etc). ............ 144</p><p>4.2.3 Elementos de processamento de sinais (relés, clps, microcontroladores). ...... 150</p><p>4.2.4 Elementos de sinais (botões, sensores, chaves fim de curso). .............................. 156</p><p>4.3 Medições aplicáveis nos testes de funcionamento de componentes elétricos ................ 163</p><p>4.3.1 Teste de continuidade em motores trifásicos .............................................................. 163</p><p>4.3.2 Resistência ............................................................................................................................... 166</p><p>4.3.3 Teste de semicondutores ................................................................................................... 167</p><p>4.4 Ferramentas informatizadas que acompanham materiais elétricos utilizados na</p><p>manutenção de máquinas e equipamentos ........................................................................................ 172</p><p>4.4.1 Softwares específicos ........................................................................................................... 172</p><p>5 Gestão de pessoas ...................................................................................................................................................... 177</p><p>5.1 Técnicas de avaliação dos serviços das equipes de manutenção .......................................... 177</p><p>5.1.1 Velocidade de atendimento .............................................................................................. 179</p><p>5.1.2 Qualidade de atendimento ............................................................................................... 182</p><p>5.1.3 Eficácia do serviço ................................................................................................................ 183</p><p>5.1.4 Adaptação e conhecimento ao processo produtivo ................................................. 184</p><p>5.2 Equipe de manutenção - tipos, características das áreas de responsabilidade: .............. 185</p><p>5.2.1 Organograma das equipes manutenção ...................................................................... 186</p><p>5.2.2 Responsabilidade conforme ocupação profissional (CBO) .................................... 187</p><p>5.3 Logística - tipos e características de procedimentos dos negócios....................................... 189</p><p>5.3.1 Contratos .................................................................................................................................. 189</p><p>5.3.2 Prazos ........................................................................................................................................ 190</p><p>5.3.3 Multas ........................................................................................................................................ 190</p><p>6 Qualidade de vida no trabalho .............................................................................................................................. 193</p><p>6.1 Autorrealização e segurança no trabalho ....................................................................................... 194</p><p>6.2 Normas ambientais, regulamentadoras e de saúde.................................................................... 196</p><p>6.2.1 NR ................................................................................................................................................ 197</p><p>6.2.2 Mapa de riscos ........................................................................................................................ 201</p><p>6.2.3 Inspeções de segurança ...................................................................................................... 203</p><p>6.2.4 PPRA ........................................................................................................................................... 205</p><p>7 Qualidade ambiental ................................................................................................................................................ 209</p><p>7.1 Qualidade ambiental .............................................................................................................................. 210</p><p>7.1.1 Descarte de resíduos (gestão) ........................................................................................... 213</p><p>7.1.2 Reciclagem de resíduos ....................................................................................................... 214</p><p>7.1.3 Uso racional de recursos e energias disponíveis ........................................................ 217</p><p>7.1.4 A importância da reciclagem ............................................................................................. 219</p><p>7.1.5 Aterros industriais e estação de tratamento de efluentes/esgotos ..................... 219</p><p>8 Sistema de gestão qualidade ................................................................................................................................. 223</p><p>8.1 ISO 9001: aspectos centrais ................................................................................................................. 224</p><p>8.2 Sistema de gestão ambiental: aspectos centrais da ISO 14000 .............................................. 226</p><p>Referências........................................................................................................................................................................231</p><p>Minicurrículo.....................................................................................................................................................................237</p><p>Índice...................................................................................................................................................................................239</p><p>Na Revolução Industrial, ocorreram mudanças significativas, principalmente marcadas pela</p><p>introdução do uso de máquinas no processo de produção e pela substituição do trabalho arte-</p><p>sanal pelo trabalho assalariado. Neste período, as máquinas a vapor começaram a tomar espa-</p><p>ço no desenvolvimento de produtos, que até então eram produzidas manualmente. Foi dessa</p><p>maneira que a Inglaterra começou a ganhar força no cenário industrial, já que foi o primeiro</p><p>país a usar essa nova tecnologia e aos componentes seguindo alguns padrões. Por exemplo,</p><p>até hoje existem produtos que são vendidos em polegadas, cuja unidade de medida era deter-</p><p>minada pela medida do “polegar” do rei da Inglaterra. Depois disso, foi descoberta a energia</p><p>elétrica, promovendo uma aceleração ainda maior, porque não se precisava mais da claridade</p><p>do dia para se trabalhar.</p><p>Para as indústrias se desenvolverem mais rapidamente, foi preciso um novo tipo de profis-</p><p>sional, os chamados manutentores. Eles iniciaram na área mecânica, com os mecanismos das</p><p>máquinas. Depois vieram os eletricistas, que começaram a se destacar com o novo descobri-</p><p>mento. Durante a Segunda Guerra Mundial, houve um grande avanço na área da manutenção.</p><p>Neste livro, serão abordados itens que ajudam esse manutentor no desenvolvimento dessas</p><p>atividades, sendo que, no primeiro capítulo, será apresentada a tecnologia de processos, que</p><p>inclui grandezas elétricas e seus equipamentos, além de uma série de itens que ajuda o técnico</p><p>em eletromecânica no desempenho de suas funções.</p><p>Seguindo a nova tendência mundial, foi criado um novo departamento nas indústrias para</p><p>manter essas máquinas em funcionamento. Com o tempo, não bastava apenas ter um Departa-</p><p>mento de Manutenção, onde o manutentor apenas consertava os equipamentos, precisavam</p><p>de algo maior e melhor, cujo principal produto passou a ser a disponibilidade de</p><p>de gestão da qualidade e da gestão</p><p>ambiental que afetam todos os setores de uma empresa, que ao implantar tais sistemas,</p><p>inclusive no setor de manutenção, necessita tanto de controles e procedimentos que visem a</p><p>garantia de qualidade e melhoria de seus serviços, como qualquer outro setor.</p><p>Serão apresentadas, também, as influências dos sistemas de gestão ambiental e da qualidade</p><p>para a promoção da melhoria dos processos industriais e para as atividades de manutenção de</p><p>sistemas elétricos. Assim, ao final deste capítulo, você terá subsídios para:</p><p>a) entender a importância da gestão da qualidade e do meio ambiente nas empresas e</p><p>para a sociedade;</p><p>b) conhecer os Sistemas de Gestão Ambiental e da Qualidade;</p><p>c) compreender a necessidade de práticas e medidas de proteção ambiental, de qualidade</p><p>e melhoria dos processos de trabalho, e como isso pode ser útil para as suas rotinas de</p><p>trabalho.</p><p>A partir deste instante, você terá a chance de conhecer práticas de gestão da qualidade e</p><p>do meio ambiente.</p><p>8</p><p>Sistema de Gestão Qualidade</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS224</p><p>8.1 ISO 9001: ASPECTOS CENTRAIS</p><p>Com a necessidade das empresas de se tornarem mais competitivas no mercado, veio a busca incessante</p><p>pela qualidade total, que foca na satisfação dos seus clientes, nas vantagens da reengenharia, pois nada</p><p>está perfeito, tudo pode ser melhorado (MORETTI, 1999).</p><p>Com esta visão, as empresas passaram a investir também em sua imagem, além de buscarem satisfazer</p><p>requisitos de qualidade internacionais. Isso se tornou possível através das certificações ISO. A produção</p><p>com qualidade não é tão fácil assim, sendo fundamental utilizar-se do desenvolvimento e da implantação</p><p>do sistema de gestão da qualidade, para garantir esta busca por excelência nos processos, produtos,</p><p>serviços e possibilitar o aprimoramento contínuo (OLIVEIRA et al., 2006).</p><p>É importante você entender que um sistema é um conjunto de partes que interagem entre si, mesmo</p><p>que sejam independentes na aplicação. Esse conceito envolve um composto de sistemas menores que irão</p><p>se influenciar mutuamente, em busca do melhor desempenho (OLIVEIRA et al., 2006). E, é necessário que a</p><p>alta direção aponte uma política de gestão para direcionar seus esforços.</p><p>Vale ressaltar que os sistemas de gestão necessitam de certificação, que deverá ser solicitada por um</p><p>órgão terceirizado, um Órgão Certificador. No Brasil, é aceito pelo INMETRO, que é o caso da BSI1 (CICCO,</p><p>2000; VALLE, 2010).</p><p>O Sistema de Gestão da Qualidade - Modelo para a garantia da qualidade em projetos, desenvolvimento,</p><p>produção, instalação e assistência técnica é a ISO 9001. Especifica os requisitos de capacidade para uso e</p><p>prevenção de não conformidades (OLIVEIRA et al., 2006).</p><p>Você sabia que as equipes de engenharia e manutenção da Petrobrás envolvem</p><p>outros setores na gestão de seus projetos de construção e montagem industrial,</p><p>com o objetivo de atingir o maior nível de qualidade, preservação ambiental e</p><p>segurança? (DELLAMEA, 2004).</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>1 Órgão Certificador.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>8 SISTEMA DE GESTÃO QUALIDADE 225</p><p>Este sistema institui os aspectos que envolvem a responsabilidade da alta administração em estabelecer</p><p>uma política da qualidade, bem definida e documentada, que sirva de base para atingir os objetivos e as</p><p>metas traçados pela organização. Estabelece também que o sistema deve não apenas documentar, mas</p><p>manter ativas as ações que promovem a qualidade, obedecendo aos requisitos da Norma.</p><p>Alguns dos requisitos centrais do sistema são o controle de processos (baseados em padrões definidos,</p><p>calibrações por órgãos competentes, inspeções, medições e ensaios) e de documentos (rastreabilidade</p><p>e controle de registros), aquisições - garantia de matérias-primas de qualidade e o controle de produtos</p><p>pelo cliente (procedimentos que favoreçam o atendimento das suas expectativas), além das auditorias e</p><p>treinamentos, que devem ser periódicas, os controles de não conformidade (ação corretiva e preventiva) e,</p><p>por fim, a análise crítica pela alta direção (OLIVEIRA et al., 2006).</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>CESP investe na melhoria contínua do seu processo de gestão da qualidade</p><p>A CESP é uma empresa criada em 1966 e permaneceu como a maior geradora de energia elétrica</p><p>do Brasil por 30 anos. Sediada em São Paulo, a companhia marca a história como uma empresa</p><p>inovadora no setor elétrico e na engenharia do país. Uma de suas Iniciativas foi a certificação em</p><p>qualidade. Foi a primeira empresa de energia brasileira a receber a ISO 9000 para o processo de</p><p>geração de energia elétrica.</p><p>Hoje ela está baseada no sistema de gestão da qualidade da NBR ISO 9001, de 2008, nos processos</p><p>de Geração de energia elétrica em seis unidades: na Unidade de Produção Ilha Solteira, em Três</p><p>Irmãos; na Usina Hidrelétrica Eng. Sérgio Motta, em Porto Primavera; na Usina Hidrelétrica Eng.</p><p>Souza Dias, em Jupiá; na regularização da vazão do Rio Paraíba do Sul, realizando o manejo de</p><p>fauna e flora, educação ambiental e travessias na Unidade de Produção do Rio Paraíba, das Usinas</p><p>Hidrelétricas Paraibuna e Jaguari.</p><p>A CESP também realiza o controle da produção de energia elétrica da empresa sob a ótica da ISO</p><p>9001, prevê a Avaliação e recuperação de estruturas com a injeção de concreto com ensaios em</p><p>laboratório e a Segurança de Barragens. Além de capacitar e desenvolver seu pessoal dentro dos</p><p>padrões de qualidade, faz o gerenciamento da Engenharia de manutenção eletromecânica das</p><p>Unidades de Produção da CESP e a Gestão da Manutenção de suas instalações estruturais.</p><p>A implantação do SGQ contribui para o aperfeiçoamento da empresa, de seus colaboradores e de</p><p>seus processos, além do monitorar o ambiente e a satisfação dos seus clientes, servindo de incen-</p><p>tivo para o processo de melhoria contínua do sistema (CESP, 2009).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS226</p><p>8.2 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL: ASPECTOS CENTRAIS DA ISO 14000</p><p>Como foi mencionado anteriormente, a Norma ISO 9001 serviu de inspiração para a criação do Sistema</p><p>de Gestão Ambiental. Para alcançar esta certificação, a empresa deverá cumprir três exigências básicas:</p><p>implantação do Sistema de Gestão da Ambiental, cumprir a legislação vigente e assumir o compromisso</p><p>da melhoria contínua (VALLE, 2010). Contudo, esta melhoria estará voltada para as práticas ambientais.</p><p>Do mesmo modo que o Sistema da ISO 9001 necessita de uma política voltada para a qualidade, a</p><p>ISO 14001 requer uma Política ambiental, que também norteará a empesa a estabelecer os objetivos e as</p><p>metas a partir de então, só que com o enfoque ambiental. E, também deverão ser criados, nesta fase, os</p><p>procedimentos de controle de documentação e o treinamento de pessoal (VALLE, 2010).</p><p>Numa segunda etapa da ISO 14001, serão exigidos o diagnóstico ou pré-auditoria, que permitirá a</p><p>identificação dos pontos vulneráveis em termos ambientais, ensejando suas quantificação e soluções.</p><p>Assim que o sistema estiver implantado, a certificadora será acionada para avaliar os processos e determinar</p><p>se atende ou não aos requisitos do sistema de Gestão Ambiental (VALLE, 2010).</p><p>Você sabia que a Amanco, integrante do Grupo Mexichem, está no Brasil desde 1991</p><p>e é considerada o exemplo de operação e manutenção industrial, já que utiliza a</p><p>ecoeficiência e melhorias em seus processos e oferece educação ambiental a seus</p><p>funcionários, além de possuir três certificações internacionais dos Sistemas de</p><p>Gestão: ambiental, de qualidade e de saúde e segurança no trabalho? (IPEA, 2007).</p><p>CURIOSI</p><p>DADES</p><p>Vale ressaltar que o Sistema de Gestão Ambiental - NBR ISO 14001 considera a prevenção da poluição</p><p>e a conservação de recursos em novos projetos, com objetivo de garantir o desempenho ambiental da</p><p>empresa. Ou seja, as empresas deverão modificar seus processos e lançar novos produtos e embalagens,</p><p>atentando aos cuidados com o consumo de energia e água, com o lançamento dos efluentes líquidos,</p><p>resíduos sólidos e emissões atmosféricas, tornando-os mais ecoeficientes.</p><p>equipamen-</p><p>tos. Esse setor começou a se desenvolver de maneira gradativa.</p><p>1</p><p>Introdução</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS18</p><p>Para cada tipo de máquina, existe um tipo de manutenção que se adequa melhor. Isso também depen-</p><p>de da função estratégica que a máquina ocupa dentro da corporação. Então, além de consertar máquinas</p><p>e equipamentos, as empresas já estão agregando valor aos manutentores, dando-lhes a responsabilidade</p><p>de tomar decisões para aplicar o melhor método possível na maquinaria do seu pátio, sempre levando em</p><p>consideração o custo da indisponibilidade dos equipamentos. E este será o tema do segundo capítulo, que</p><p>apresentará os vários processos de manutenções existentes nas empresas, além de destacar as vantagens</p><p>e desvantagens de cada uma e as principais ferramentas para o gerenciamento dos processos de manuten-</p><p>ção que um técnico necessita conhecer para melhor tirar proveito dos seus benefícios.</p><p>O terceiro capítulo apresentará as ferramentas e os materiais necessários para que os processos de ma-</p><p>nutenção sejam efetivos, além de evidenciar alguns roteiros para testes em componentes eletromecânicos.</p><p>No quarto capítulo, será apresentado um dos principais itens nos processos de manutenção: as pessoas,</p><p>sua organização, os procedimentos de trabalhos e a qualidade de vida no trabalho.</p><p>O quinto capítulo apresentará a qualidade de vida no trabalho e suas relações com a segurança, junta-</p><p>mente com as Normas Reguladoras, que auxiliam o técnico em eletromecânica a realizar suas atividades de</p><p>forma correta, minimizando os riscos da profissão.</p><p>O sexto capítulo abordará a qualidade ambiental e suas relações que com a manutenção eletromecâ-</p><p>nica, os descartes dos materiais utilizados, materiais substituídos ou danificados e os impactos ambientais</p><p>que podem provocar ao meio ambiente se não forem tratados de forma correta. O último capítulo abor-</p><p>dará os sistemas de gestão da qualidade, apresentando as normas ISO que estão diretamente ligadas aos</p><p>processos de manutenção, além das normas de gestão ambiental e os aspectos centrais da ISO 14000.</p><p>Com a leitura deste livro, você terá contato com informações importantíssimas no planejamento e no</p><p>desenvolvimento de suas atividades, focadas nos processos de manutenção elétrica, No entanto, informa-</p><p>ções precisas não bastam, são necessárias pessoas com experiência, que respeitem as regras de segurança,</p><p>o meio ambiente e conheçam as normas técnicas.</p><p>“Uma máquina pode fazer o trabalho de cinquenta pessoas comuns. Máquina alguma pode fazer o tra-</p><p>balho de um homem incomum.” (Elbert Hubbard).</p><p>1 INTRODUÇÃO 19</p><p>Técnico em Eletromecânica</p><p>MÓDULOS UNIDADES CURRICULARES CARGA HORÁRIA CARGA HORÁRIA</p><p>DO MÓDULO</p><p>Básico</p><p>Fundamentos Elétricos 100h</p><p>300h</p><p>Fundamentos Mecânicos 200h</p><p>Específico I</p><p>Montagem de Sistemas Elétricos 100h</p><p>300h</p><p>Montagem de Sistemas Mecânicos 100h</p><p>Montagem de Sistemas de Controle e Acionamentos</p><p>Eletromecânicos</p><p>100h</p><p>Específico II</p><p>Manutenção de Sistemas Elétricos 100h</p><p>300h</p><p>Manutenção de Sistemas Mecânicos 100h</p><p>Manutenção de Sistemas de Controle e Acionamentos</p><p>Eletromecânicos</p><p>100h</p><p>Específico III</p><p>Desenvolvimento de Projetos de Sistemas Eletromecânic-</p><p>os</p><p>300h 300h</p><p>Total 1200h</p><p>Quadro 1 - Matriz Curricular</p><p>Fonte: SENAI DN</p><p>Todas as empresas têm por objetivo obter o máximo de resultados com o mínimo de</p><p>recursos possíveis. Um dos motivos que mais geram prejuízos nas empresas são os imprevistos</p><p>com manutenções industriais. Tendo como alicerce principal normas, literaturas diversificadas</p><p>e opinião de diversos especialistas da área, de maneira gradativa, você será colocado em</p><p>situações típicas, enfrentadas diariamente por profissionais do mundo inteiro. Neste momento,</p><p>você perceberá a importância das normas e das literaturas na vivência prática de manutentor1.</p><p>Atualmente há uma corrida tecnológica em busca das melhores práticas para atender esse</p><p>mercado tão exigente. Para tanto, ao final desse capítulo você será capaz de:</p><p>a) interpretar, de acordo com as normas técnicas a documentação técnica (desenhos,</p><p>dados e informações) aplicáveis à manutenção dos sistemas elétricos das máquinas e</p><p>equipamentos;</p><p>b) identificar os instrumentos necessários para a coleta de dados;</p><p>c) identificar os dados a serem coletados na máquina, tendo em vista a condição de fun-</p><p>cionalidade do equipamento;</p><p>d) identificar os serviços de ajustagem que se fazem necessários na manutenção de máqui-</p><p>nas e equipamentos;</p><p>e) analisar as informações obtidas durante o processo de manutenção e start-up de máqui-</p><p>nas e equipamentos, tendo em vista a elaboração de relatório técnico;</p><p>f ) avaliar a eficácia do ajuste realizado na manutenção de máquinas e equipamentos;</p><p>g) comparar os dados coletados com os padrões de funcionalidade de máquinas e equipa-</p><p>mentos, tendo em vista a manutenção elétrica;</p><p>h) interpretar os procedimentos de utilização das ferramentas e instrumentos.</p><p>Portanto, aprofunde seus conhecimentos e compartilhe dos desafios de um dos segmentos</p><p>que mais empregam no mundo. Bom estudo!</p><p>1 Profissional que trabalha no departamento de manutenção.</p><p>2</p><p>Tecnologia de Processos</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS22</p><p>2.1 NORMAS TÉCNICAS APLICÁVEIS À MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS</p><p>O que seria do mundo sem as Normas Técnicas? Seria muito difícil atualmente viver em sociedade e</p><p>realizar as atividades diárias. Por exemplo: A placa de trânsito PARE poderia ter um formato e uma cor</p><p>diferente em cada cidade. Note que seria impossível até escrever, se não houvesse uma norma ou uma</p><p>ordem.</p><p>Para o crescimento de qualquer organização, é necessário que haja uma organização. Por isso, foram</p><p>criados alguns órgãos para esse fim. O trabalho em uma indústria exige o respeito a algumas regras já</p><p>ajustadas por uma equipe de especialistas. No Brasil, o órgão responsável por essas regras e convenções se</p><p>chama Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).</p><p>Na Alemanha, é o Deutsche Institut für Normung (DIN) e em Portugal é o Instituto Português de Qualidade</p><p>(IPQ). No Brasil, o manutentor, ao realizar suas atividades diárias, baseia-se principalmente na ABNT e na</p><p>DIN. Nos serviços elétricos, é muito comum empregar a ABNT 5410:2008, que cuida de instalações elétricas</p><p>de baixa tensão.</p><p>Já as Normas Regulamentadoras (NRs) são elaboradas pelo Ministério do Trabalho apenas para cuidar</p><p>da segurança do funcionário e são obrigatórias. Na manutenção elétrica e mecânica, as duas normas mais</p><p>empregadas são a NR 10 e NR 12, normas de segurança de atividades elétricas e normas de operação e</p><p>manutenção de equipamentos, respectivamente. Leia, no quadro, a seguir, a origem das principais normas</p><p>técnicas.</p><p>PAÍS NORMA</p><p>ABNT Brasil</p><p>DIN Alemanha</p><p>ANSI EUA</p><p>JIS Japão</p><p>IEC Suíça</p><p>Quadro 2 - País de origem das principais Normas Técnicas</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>A norma aplicável para a manutenção de transformadores é a NBR 5416:1997. Ela apresenta o nível</p><p>tolerável de água misturado ao óleo do transformador. Para ter tal informação, é retirado um pouco de óleo</p><p>(em uma manutenção preventiva) e enviado para análise em um laboratório especializado.</p><p>Para conhecer melhor as Normas Regulamentadoras, acesse o portal do Ministério</p><p>do Trabalho e Emprego, disponível em: http://portal.mte.gov.br/legislacao/normas-</p><p>regulamentadoras-1.htm.</p><p>SAIBA</p><p>MAIS</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 23</p><p>No relatório emitido pelo laboratório, haverá o percentual de água contido no óleo do transformador,</p><p>comparado com a tabela existente na norma NBR 5416:1997 e, em função disso, o manutentor pode dizer</p><p>se há a necessidade da troca do óleo ou não.</p><p>Outra norma aplicável para manutentores da parte elétrica é a NBR 12090:1991 - Chuveiros Elétricos -</p><p>Determinação da Corrente de Fuga, que apresenta um dos itens de teste sobre a corrente de fuga tolerável</p><p>para um chuveiro elétrico. Todas essas normas devem ser observadas por todos, não apenas pelo público</p><p>técnico.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Normalizar é mais barato</p><p>O chefe de um departamento de manutenção solicitou à sua equipe que fosse</p><p>feita uma lista</p><p>de peças que são usadas por uma calha vibratória alemã recém chegada ao Brasil, que naquele</p><p>instante já estava em atividade.</p><p>Os eletricistas perceberam que o motor instalado na calha não era fabricado de acordo com a nor-</p><p>ma estabelecida pela ABNT, mas produzida a partir da norma DIN. Nesta circunstância, esse motor</p><p>só poderia ser adquirido por encomenda ou importado diretamente do fabricante.</p><p>Com isso, o chefe da manutenção percebeu a importância de indicar as normas que devem ser</p><p>seguidas no caso de compra de máquinas e equipamentos.</p><p>A seguir, acompanhe a interpretação de desenhos técnicos, que é imprescindível na atividade de</p><p>manutenção elétrica.</p><p>2.2 DESENHOS TÉCNICOS - INTERPRETAÇÃO</p><p>Por que um desenho é tão importante? Pense em uma pessoa que quer fazer uma casa. Ela chama</p><p>um mestre construtor, que começa a fazer uma infinidade de perguntas, como, por exemplo: Quais as</p><p>dimensões? Como será o telhado? Onde serão as janelas? Como ficará o jardim? Onde será a frente da casa?</p><p>Observe que são detalhes básicos, que já ficariam evidenciados para o construtor se houvesse um desenho</p><p>no primeiro encontro. Uma casa é um exemplo pequeno, agora imagine a construção de um navio, que</p><p>necessita de vários grupos de pessoas, vários países diferentes, realizando atividades diferentes e tudo ao</p><p>mesmo tempo, para, no final, montar um grande “quebra-cabeça”.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS24</p><p>Como seriam organizados esses procedimentos sem os desenhos técnicos? Impossível! Seria uma grande</p><p>calamidade, pois as partes não se encaixariam, resultando em prejuízos milionários. O que aconteceria se</p><p>você fosse chamado para realizar uma manutenção em uma máquina sem seu diagrama elétrico?</p><p>Com certeza, você tentaria consertá-la fazendo testes. Porém, os testes que poderiam ser realizados</p><p>seriam limitados, já que estão faltando informações cruciais para sua compreensão, uma vez que você não</p><p>sabe e não conhece todos os detalhes do referido equipamento. Sem o projeto em mãos, você continuará</p><p>sem saber as causas dos problemas, porque existem equipamentos que necessitam de um painel elétrico</p><p>do tamanho de uma casa, cheio de relés, para seu funcionamento. E, como saber para que serve cada</p><p>elemento instalado?</p><p>Em manutenção elétrica, não existe “eu acho”, não existe “adivinhar os problemas”. O que existe são</p><p>testes lógicos, sempre baseados em diagramas. Sabendo interpretá-los, você saberá o que testar, como</p><p>testar e o que cada elemento faz. E, por fim, saberá montar um circuito, se um dia houver a necessidade.</p><p>Figura 1 - Teste elementar de circuito de comando (a)</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Observe que o diagrama elétrico facilita bastante os testes. O manutentor, já de início, sabe em que</p><p>tensão está trabalhando e que tem dois contatos em série, sendo um NA2 (contato aberto do relé auxiliar</p><p>C1) e o outro NF3 (contato fechado do pressostato). Então, sempre com a referência do negativo, ele faz</p><p>teste de baixo para cima, para buscar a tensão que não está chegando ao relé C2.</p><p>2 NO: Normal open, que significa normalmente aberto ou NA.</p><p>3 NC: Normal closed, que significa normalmente fechado ou NF.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 25</p><p>Neste caso, acompanhando a sequência desses testes, o manutentor consegue deduzir que o relé C2 não</p><p>está funcionando, porque o contato auxiliar do relé C1 está aberto. Dessa forma, o manutentor continuará</p><p>sua investigação usando a mesma lógica para identificar por que o relé auxiliar C1 não está funcionando.</p><p>Sendo assim, o projeto deverá ser folheado até encontrar o desenho da bobina C1 e fazer os testes e</p><p>identificar o real problema do circuito. Dessa forma, verificando o diagrama, fica comprovado que o botão</p><p>deve estar desligado ou com defeito4, que recebe o nome de “Problema Cascata”, onde um elemento</p><p>depende de outro para funcionar.</p><p>Figura 2 - Teste elementar de circuito de comando (b)</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>O diagrama a seguir apesar de ser um pouco mais complexo que ao anterior, mas não muda a lógica de</p><p>análise.</p><p>O técnico em eletromecânica deve munido com seu multímetro identificar os componentes do diagrama</p><p>no painel elétrico e encontra-los fisicamente no painel para posteriormente fazer os mesmos testes.</p><p>Vamos supor uma falha, em que a sirene chamada H6 não está acionando, o técnico munido do diagrama</p><p>e do multímetro deverá fazer os testes. Verifique que no diagrama os pontos marcados com um pequeno</p><p>círculo seriam os locais onde o técnico deverá colocar a ponta de teste do cabo do multímetro e analisar</p><p>que há tensão nesses pontos.</p><p>4 Qualquer desvio de uma característica de um item em relação a seus requisitos (NBR 5462:1994).</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS26</p><p>Segue analise:</p><p>Cabo preto no neutro. Cabo vermelho inicialmente na saída 14 de K5 (contator), na saída 58 de KA (relé</p><p>temporizador).</p><p>Se KA não estiver acionado deverá então, verificar se chegou alimentação nesse componente, testando</p><p>com o multímetro na saída 14 de S2 (fim de curso), após testar saídas 14 de S1, depois testar saídas 14</p><p>de K1 ou 14 de K2, até este momento todos os pontos devem estar energizados, pois os contatos NA</p><p>(normalmente aberto) devem estar fechados para que a lâmpada acione, porém no teste você verificou</p><p>que esses contatos NA estavam fechados, mas estavam sem tensão até chegar ao borne 13 de S1, neste</p><p>local havia tensão, ou seja a tensão chegava em S1 (borne 13) mas não saía do componente (borne 14),</p><p>assim o técnico em eletromecânica deverá encontrar o componente fim de curso S1, e verificar o está</p><p>acontecendo, supondo que o mesmo esteja quebrado, o técnico deverá fazer a substituição por um</p><p>componente semelhante.</p><p>Figura 3 - Diagrama multifilar</p><p>Fonte: do Autor (2015)</p><p>Acompanhe, na próxima seção, uma representação do sistema elétrico.</p><p>2.2.1 ESQUEMAS MULTIFILAR</p><p>O esquema multifilar é a representação de todo o sistema elétrico com todos os condutores. Nesse tipo</p><p>de representação, cada traço representa um fio que será utilizado em uma instalação.</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s</p><p>(2</p><p>01</p><p>5)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 27</p><p>Figura 4 - Exemplo de circuito multifilar de uma partida direta</p><p>Fonte: Adaptado de Correia; Dutra Filho (2008)</p><p>2.2.2 ESQUEMAS UNIFILAR</p><p>É uma maneira simplificada de se representar um projeto elétrico. Observe que, mesmo sendo mais</p><p>simples, não deixa de ter riquezas de detalhes para o observador.</p><p>Figura 5 - Exemplo de circuito unifilar de uma partida direta</p><p>Fonte: Adaptado de Correia; Dutra Filho (2008)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS28</p><p>2.2.3 DIAGRAMAS DE AUTOMAÇÃO</p><p>Um bom manutentor, para poder prestar um serviço de excelência, tem que ter uma boa noção de</p><p>símbolos aplicados na indústria. Veja, a seguir, um quadro com os principiais símbolos estabelecidos pelas</p><p>normas.</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>GRANDEZAS ELÉTRICAS - FUNDAMENTOS</p><p>Corrente contínua DC</p><p>Corrente alternada AC</p><p>Corrente contínua e</p><p>alternada</p><p>Exemplo de</p><p>corrente alternada</p><p>monofásica, 60Hz</p><p>1-60Hz 1-60Hz 1 Phase 2 Wire-60Hz 1-60Hz 1-60Hz</p><p>Exemplo de</p><p>corrente alternada</p><p>trifásica, 3</p><p>condutores, 60Hz,</p><p>tensão de 220V</p><p>3-60Hz 220 3-60Hz 220</p><p>2 Phase 3 Wire</p><p>60Cycle - 220V</p><p>3-60 Hz - 220V (3N</p><p>3W 220 V-60Hz)</p><p>3-60Hz 220V</p><p>Exemplo de</p><p>corrente alternada</p><p>trifásica com neutro,</p><p>4 condutores, 60Hz</p><p>tensão 380V</p><p>3-60Hz 380 3-60Hz 380</p><p>3 Phase 4 Wire</p><p>60Cycle - 380V</p><p>3M-60 Hz - 380V</p><p>3+M-50Hz 380 V 30</p><p>4 W 380 V 60 Hz</p><p>3-60Hz 380V</p><p>Exemplo de</p><p>corrente contínua, 2</p><p>condutores, tensão</p><p>de 220V</p><p>2 - 220V 2 - 220V 2WireDC, 220V 2 - 220V (2N 220V)) 2 - 220V</p><p>Exemplo de</p><p>corrente contínua,</p><p>2 condutores e</p><p>neutro, tensão de</p><p>110V</p><p>2 - 110V 2N - 110V 3WireDC, 110V</p><p>2N - 110V (3N DC</p><p>110V))</p><p>2 - 110V</p><p>Terra</p><p>Massa</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 29</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>GRANDEZAS ELÉTRICAS - FUNDAMENTOS</p><p>Polaridade positiva</p><p>Polaridade negativa</p><p>Tensão perigosa</p><p>(Obstáculo geral)</p><p>Ligação delta ou</p><p>triângulo</p><p>Ligação Y ou estrela</p><p>Ligação estrela com</p><p>neutro acessível</p><p>Ligação zigue-</p><p>zague</p><p>Ligação em Y ou</p><p>triângulo aberto</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>COMPONENTES DE CIRCUITO</p><p>Resistor</p><p>Resistor com</p><p>derivações</p><p>Indutor,</p><p>enrolamento,</p><p>bobina</p><p>Indutor com</p><p>derivações</p><p>Capacitor</p><p>Capacitor com</p><p>derivações</p><p>Capacitor</p><p>eletrolítico</p><p>Ímã permanente</p><p>Diodo</p><p>semicondutor</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS30</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>COMPONENTES DE CIRCUITO</p><p>Diodo zener</p><p>unidirecional e</p><p>bidirecional</p><p>Fotorresistor</p><p>com variação</p><p>independente da</p><p>tensão</p><p>Fotorresistor</p><p>com variação</p><p>dependente da</p><p>tensão</p><p>Fotoelemento</p><p>Gerador hall</p><p>Centelhador (de</p><p>pontas)</p><p>Para-raios</p><p>Acumulador,</p><p>bateria, pilha</p><p>Mufla terminal ou</p><p>terminação</p><p>Mufla de junção ou</p><p>emenda reta</p><p>Mufla ou emenda</p><p>de derivação</p><p>simples</p><p>Mufla ou emenda</p><p>de derivação dupla</p><p>Par termoelétrico</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>DISPOSITIVOS DE SIINALIZAÇÃO ÓPTICA E ACÚSTICA</p><p>Buzina</p><p>Campainha</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 31</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>DISPOSITIVOS DE SIINALIZAÇÃO ÓPTICA E ACÚSTICA</p><p>Sirene</p><p>Cigarra</p><p>Lâmpada de</p><p>sinalização</p><p>Indicador</p><p>INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO</p><p>Indicador, símbolo</p><p>geral</p><p>Amperímetro</p><p>indicador</p><p>Voltímetro</p><p>indicador</p><p>Voltímetro duplo ou</p><p>diferencial indicador</p><p>Wattímetro</p><p>indicador</p><p>Frequencímetro</p><p>indicador</p><p>Indicador de fator</p><p>de potência</p><p>Registrador, símbolo</p><p>geral</p><p>Registrador de</p><p>potência</p><p>Integrador, símbolo</p><p>geral</p><p>Integrador de</p><p>energia</p><p>Tomada e plugue</p><p>Fusível</p><p>Fusível com</p><p>indicação do lado</p><p>ligad á rede após a</p><p>ruptura</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS32</p><p>INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO</p><p>Secionador - fusível</p><p>tripolar</p><p>Lâmina ou barra de</p><p>conexão, reversora</p><p>Secionador tripolar</p><p>Interruptor tripolar</p><p>(sob carga)</p><p>Disjuntor</p><p>Secionador</p><p>disjuntor</p><p>Contatos com relé</p><p>térmicoo, contatos</p><p>auxiliares</p><p>Disjuntor tripolar</p><p>com relés</p><p>eletromagnéticos</p><p>com contatos</p><p>auxiliares</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>CONTATOS E PEÇAS DE CONTATO COM COMANDOS DIVERSOS</p><p>Fechador</p><p>(normalmente</p><p>aberto)</p><p>Abridor</p><p>(normalmente</p><p>fechado)</p><p>Comutador</p><p>Comutador sem</p><p>interrupção</p><p>Temporizador:</p><p>no fechamento</p><p>na abertura</p><p>na abertura</p><p>no fechamento</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 33</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>CONTATOS E PEÇAS DE CONTATO COM COMANDOS DIVERSOS</p><p>Fechador de co-</p><p>mendo manual</p><p>Abridor com</p><p>comando por</p><p>excêntrico</p><p>Fechador com</p><p>comando por</p><p>bobina</p><p>Fechador com</p><p>comando por</p><p>mecanismo</p><p>Abridor com</p><p>comando por</p><p>pressão</p><p>Fechador com</p><p>comando por</p><p>temperatura</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>TRANSFORMADORES</p><p>Transformador com</p><p>dois enrolamentos</p><p>Transformador com</p><p>três enrolamentos</p><p>Autotransformador</p><p>Bobina de reatância</p><p>Transformador de</p><p>corrente</p><p>Transformador de</p><p>potencial</p><p>Transformador de</p><p>corrente capacitivo</p><p>Transdutor com três</p><p>enrolamentos, um</p><p>de serviço e dois de</p><p>controle</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS34</p><p>SIGNIFICADO ABNT DIN ANSI JIS IEC</p><p>TRANSFORMADORES</p><p>Transformador de</p><p>dois enrolamentos</p><p>com diversas de-</p><p>rivações (TAPs) em</p><p>um dos enrolamen-</p><p>tos (com variação</p><p>em escalões)</p><p>Transformador de</p><p>dois enrolamentos</p><p>com variação con-</p><p>tínua de tensão</p><p>Nota 1: ABNT recomenda para transformadores de rede o uso do símbolo simplificado, formado por dois círculos que se</p><p>cortam, especialmente na representação unifiar. Os traços inclinados que cortam a linha vertical indicam o número de fases.</p><p>Nota 2: Simplificação análoga é normalizada para transformadores de corrente e de potencial.</p><p>Quadro 3 - Simbologia aplicada na indústria</p><p>Fonte: Adaptado de Franchi (2008)</p><p>Diagrama de Lógica dos Atuadores</p><p>Para simbolizar as sequências de ações que acontecem em uma máquina, é usado um diagrama que</p><p>mostra o momento em que cada elemento deve ser acionado. É uma maneira que foi desenvolvida para</p><p>ajudar no entendimento do funcionamento lógico de uma máquina que tenha um conjunto de cilindros</p><p>e fim de curso. Desta forma, os profissionais da área mecânica e elétrica conseguem fazer um ajuste de</p><p>informações em novos desenvolvimentos.</p><p>Esse diagrama é comumente encontrado nos manuais de equipamentos para mostrar à equipe de</p><p>manutenção o momento em que cada elemento deve ser usado.</p><p>Figura 6 - Diagrama de atuação de sensores</p><p>Fonte: Adaptado de Noll (2009)</p><p>A</p><p>lin</p><p>e</p><p>da</p><p>S</p><p>ilv</p><p>a</p><p>Re</p><p>gi</p><p>s(</p><p>20</p><p>15</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 35</p><p>O diagrama apresentado anteriormente mostra dois cilindros e quatro sensores em que ambos os</p><p>cilindros estão recuados. Para acionar os sensores, os cilindros possuem, na ponta de suas hastes, um came5.</p><p>Em um primeiro momento, cada cilindro está acionando seus respectivos sensores. Eles são comutados</p><p>todas as vezes que os cilindros avançam ou recuam, ou seja, se o came estiver na frente do sensor, ele está</p><p>ligado (nível lógico 1); se o came não estiver na frente do sensor, ele está desligado (nível lógico zero).</p><p>O cilindro A aciona a0 e o cilindro B aciona b0, no momento 1, conforme diagrama. É preciso considerar</p><p>a convenção de que cilindros e atuadores, quando acionados, estão com valor lógico 1, e desligados, valor</p><p>lógico 0. Neste exemplo, o cilindro é desenhado nos dois níveis, 0 e 1, enquanto os sensores estão sendo</p><p>considerados apenas em nível alto. Há autores que também consideram os dois níveis para sensores.</p><p>Analisando esse diagrama, pode-se evidenciar que esta máquina tem o primeiro movimento de avanço</p><p>no cilindro A. Com esse movimento, o cilindro deixará de acionar o a0 e consequentemente acionará o</p><p>a1, no momento 2. Ainda no momento 2, observa-se que o cilindro B foi acionado, consequentemente</p><p>b0 desligará e acionará o sensor b1. Observe que o diagrama mostra perfeitamente o sensor b1, sendo</p><p>acionado no momento 3. Simultaneamente, o cilindro A recuará, chegando ao momento 4, e o sensor a0</p><p>será acionado.</p><p>Observe que, entre o momento 3 e 4, o cilindro B se mantém avançado, respectivamente com sua chave.</p><p>Finalmente, chegando ao momento 4, o cilindro B é recuado, desligando o sensor b1 e ligando o sensor b0,</p><p>no momento 5. Com esse tipo de documento, o manutentor saberá qual o cilindro deve avançar primeiro</p><p>e quanto tempo ele deve ficar acionado.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as Normas Regulamentadoras de</p><p>Saúde e Segurança no Trabalho, às regulamentações técnicas oficiais estabelecidas, e</p><p>deve ser assinado por profissional legalmente habilitado. A NR 10 – SEGURANÇA EM</p><p>INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE está Disponível em: <http://portal.mte.</p><p>gov.br/data/files/8A7C816A38CF493C013906EC437E23BF/NR-10%20(atualizada).</p><p>pdf>.</p><p>Na próxima seção, você estudará os documentos técnicos, os tipos, as características e as interpretações</p><p>dos documentos técnicos.</p><p>2.3 DOCUMENTOS TÉCNICOS - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E INTERPRETAÇÃO.</p><p>Quando uma empresa compra um equipamento, é obrigação de quem vende fornecer todos os</p><p>documentos técnicos necessários. Normalmente, nesses documentos técnicos, estão inclusos o projeto</p><p>elétrico, o projeto mecânico, o projeto hidráulico, o projeto pneumático, a lista de componentes, a descrição</p><p>de como o equipamento funciona e quantos operadores são necessários para a operação do equipamento.</p><p>5 Uma parte na ponta de um eixo ou roda, usada para transmitir um movimento de um mecanismo para o outro. Também é usado</p><p>para acionar sensores ou fim de curso.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS36</p><p>Alguns detalhes se encontram em uma placa metálica fixada na máquina. A NR 12 obriga que se tenha</p><p>essa placa, para saber o endereço do fabricante, o registro do engenheiro responsável, o peso e a tensão de</p><p>funcionamento. Se a máquina for importada, todas essas informações, tanto na placa quanto no manual,</p><p>devem estar escritas em português.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Tag, ou Tag Dog, é a placa metálica de identificação. Na indústria, as máquinas</p><p>precisam ser identificadas. Elas</p><p>são “tagueadas”, para facilitar a rastreabilidade</p><p>em seu banco de informações, tais como data de compra da máquina, histórico</p><p>de manutenções, custo de hora homem e relação de peças utilizadas nos</p><p>equipamentos.</p><p>Recomendações de segurança também são previstas em manuais de operações de equipamentos,</p><p>comentando sobre zonas de perigo, como o operador deverá trabalhar, uso de EPIs e as capacitações</p><p>que eles deverão receber para poder operá-lo. Além disso, os documentos devem apresentar avisos</p><p>sobre os perigos que o operador poderá estar exposto, caso coloque eventualmente a mão em um local</p><p>inapropriado, por exemplo.</p><p>Outro detalhe que se espera dos documentos fornecidos pelo fabricante é que eles tenham todos os</p><p>elementos de máquina identificados, com seus respectivos códigos, para que a equipe de manutenção</p><p>possa comprar alguma peça, se houver uma quebra eventual.</p><p>O quadro, a seguir, demonstra a amplitude de documentos que poderão ser utilizados por uma equipe</p><p>de engenharia.</p><p>CÓDIGO DO DOCUMENTO DESCRIÇÃO COMENTÁRIO PARA UTILIZAÇÃO E</p><p>EXEMPLOS</p><p>CE Certificado</p><p>Certificados de inspeção de conclusão</p><p>de obra, de aferição de insrtumentos, de</p><p>auditoria, entre outros.</p><p>CR Cronograma</p><p>Diagramas de barras, de caminho crítico e</p><p>assemelhado.</p><p>DE Desenho</p><p>Planta, curvas de níveis, tabela, ábaco,</p><p>gráfico, croqui, diagrama, fluxograma,</p><p>anteprojeto e símbolos.</p><p>EC Estimativa de Custos</p><p>Estimativa de Custos nas Fases Conceitual,</p><p>Básico, Detalhamento e Contratação.</p><p>ET Especificação Técnica</p><p>Critérios de projeto, especificação de ma-</p><p>teriais, sistemas e equipamentos, especifi-</p><p>cação de processo ou instalações.</p><p>IM Imagem</p><p>Fotos, ortofotos, mosaico, hipsométrico,</p><p>vídeos, entre outros.</p><p>IS Instrução de Serviço</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 37</p><p>CÓDIGO DO DOCUMENTO DESCRIÇÃO COMENTÁRIO PARA UTILIZAÇÃO E</p><p>EXEMPLOS</p><p>LA Laudo</p><p>Parecer envolvendo aspectos de</p><p>engenharia emitidos para fins legais</p><p>do tipo: processo formal de partilha, de</p><p>perícia ou avaliação, perícia ambiental e</p><p>assemelhada.</p><p>LD Lista de Documentos Sem comentários (auto-explicativo).</p><p>LO Lógica</p><p>Específico ou indicado para o armaze-</p><p>namento de código fonte/objeto, de</p><p>programas, de sistemas e de aplicações</p><p>de automação industrial que estejam</p><p>instalados em PLCs, Sistemas de Controle,</p><p>Sistemas Supervisores etc.</p><p>MA Manual</p><p>De operação, de manutenção, de equipa-</p><p>mento, de instrumentação, da embarcação,</p><p>da garantia da qualidade, “data-books” e</p><p>outros.</p><p>MC Memória de Cálculo Sem comentários (auto-explicativo).</p><p>MD Memorial Descritivo</p><p>Documento que descreve um conjunto de</p><p>atividades, serviços ou processos e outros.</p><p>MO Modelo</p><p>Documento que descreve o modelo 3D</p><p>(tridimensional) de uma instalação de</p><p>produção ou parte dela (módulo, pacote,</p><p>etc.).</p><p>NS Notas de Serviço e Cálculo de Volumes</p><p>OR Orçamento</p><p>PT Parecer Técnico</p><p>Parecer para aquisição de sistemas, equipa-</p><p>mentos e materiais.</p><p>RA Relatório de Andamento</p><p>RL Relatório</p><p>De resultados, de estudo técnico, de levan-</p><p>tamentos de campo, proposta técnica.</p><p>Quadro 4 - Categoria de Documentos Técnicos</p><p>Fonte: Adaptado de Brasil (2010)</p><p>A seguir, você estudará como fazer alguns ajustes com o auxílio do manual de máquinas.</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS38</p><p>2.3.1 MANUAL DE MÁQUINA</p><p>Nos manuais, são encontradas algumas dicas, explicando procedimentos, por exemplo, de alguns ajustes,</p><p>como lubrificações e manutenções. Os fabricantes, quando entregam os equipamentos, responsabilizam-</p><p>se pelo equipamento em condições normais de trabalho, indicando até em que momento deverão ser</p><p>feitas as manutenções preventivas regulares. Em caso de alterações nesses equipamentos, deverão ser</p><p>feitas as devidas atualizações nos diagramas e assinado pelo profissional habilitado.</p><p>FIQUE</p><p>ALERTA</p><p>Não faça alterações em máquinas e equipamentos sem ter esses documentos em</p><p>mãos e conhecer seu conteúdo. A segurança é responsabilidade de todos. Então,</p><p>evite improvisações de qualquer espécie.</p><p>Máquinas alteradas sem atualização em seus projetos podem fazer com que os responsáveis técnicos,</p><p>engenheiros ou empresa sofram penalidades de órgãos fiscalizadores governamentais. É importante que</p><p>todos esses documentos estejam devidamente arquivados em lugares de fácil acesso para os manutentores</p><p>e os agentes fiscalizadores (NR10 e NR12). Na indústria fabril, por exemplo, ocorrem muitas alterações na</p><p>maquinaria, desde singelas alterações realizadas pelo próprio operador do equipamento, até modificações</p><p>no funcionamento, buscando aumentar a velocidade de produção. Tais alterações devem ser precedidas</p><p>de um projeto, cuja expressão é feita através de desenhos. (VIANA, 2002).</p><p>Figura 7 - Exemplo de diagramas (manual e eletrônico) de máquinas</p><p>Na próxima, seção conheça a importância de catálogos de fabricantes.</p><p>Th</p><p>in</p><p>ks</p><p>to</p><p>ck</p><p>([</p><p>20</p><p>--</p><p>?]</p><p>)</p><p>2TECNOLOGIA DE PROCESSOS 39</p><p>2.3.2 CATÁLOGOS DE FABRICANTES</p><p>Quando há uma previsão de aumento de produtividade, normalmente o corpo técnico da empresa</p><p>é acionado para ajudar a escolher um equipamento que melhor se adeque à produção. Para ajudar a</p><p>consolidar a decisão, buscam-se catálogos que tenham informações mínimas para esse tipo de decisão.</p><p>Mas, o que se procura para ajudar na decisão?</p><p>Itens que sejam estratégicos, como produção por hora de algum tipo de peça, consumo de ar, consumo</p><p>de eletricidade, tamanho, número de operadores, manutenabilidade6 e riscos ambientais que essa máquina</p><p>possa ter.</p><p>Por exemplo, um motor elétrico que tem o consumo “x” de energia, que só consegue transformar em</p><p>energia mecânica 200 cv. Outra marca de motor consome “x”, mas produz energia mecânica de 250 cv. Se</p><p>estes motores têm o mesmo preço, o catálogo aponta uma vantagem competitiva no segundo motor.</p><p>Outro detalhe importante que deve ser observado é a opção de adicionar itens em máquinas, conforme</p><p>a necessidade do cliente. Por exemplo, o cliente pode escolher a qualidade da pintura (pintura a pó ou</p><p>pintura convencional), o que permite ao fornecedor estabelecer um custo flexível com a expectativa de</p><p>qualidade do comprador.</p><p>CASOS E RELATOS</p><p>Problema com o projeto</p><p>Um novo eletricista foi contratado para o quadro de funcionários de uma indústria e sua primeira</p><p>tarefa foi verificar um torno no departamento de usinagem. Chegando lá, ele fez alguns testes</p><p>elementares no equipamento, mas a princípio não conseguiu colocar a máquina em funcionamento.</p><p>Então ele pegou a referência do equipamento para buscar o diagrama elétrico nos arquivos do</p><p>departamento de manutenção e foi executar a manutenção. Nesse momento, ele percebeu que o</p><p>painel elétrico da máquina não estava de acordo com o diagrama elétrico.</p><p>Conversando com seu encarregado, ficou sabendo que havia outra máquina do mesmo modelo</p><p>com outro número de série (mudando projeto elétrico e ano de fabricação) e que, com certeza, ele</p><p>havia se enganado no momento de apanhar o diagrama nos arquivos.</p><p>6 É a capacidade de um item ser mantido ou recolocado em condições de executar suas funções requeridas, sob condições de uso</p><p>especificadas, quando a manutenção é executada sob condições determinadas e mediante procedimentos e meios prescritos. (ABNT,</p><p>1994).</p><p>MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ELÉTRICOS40</p><p>Sendo assim, o funcionário foi buscar o outro diagrama e verificou a diferença. Chegando à máqui-</p><p>na, tudo estava de acordo. Assim, conseguiu liberá-la para funcionamento no departamento de</p><p>usinagem.</p><p>Interpretar catálogos de máquinas é apenas um dos atributos do profissional que deseja ingressar em</p><p>uma carreira técnica.</p><p>Na próxima seção, você estudará como realizar um diagnóstico de dados da manutenção7 elétrica. Estes</p><p>são meios que os profissionais usam para evitar a indisponibilidade de máquinas ou sistemas.</p><p>2.4 DIAGNÓSTICO DE DADOS DA MANUTENÇÃO ELÉTRICA - TIPOS, CARACTERÍSTICAS E</p><p>APLICAÇÃO</p><p>Você já pensou se um médico precisasse fazer uma cirurgia para saber a real situação de saúde do</p><p>seu paciente? Seria um terror, não acha? Isso não acontece por causa do grande avanço nos métodos de</p><p>diagnóstico,</p>