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<p>Imprimir</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A teoria do conhecimento é uma disciplina �losó�ca que busca compreender como acontece a complexa relação entre o</p><p>sujeito que aprende e o objeto que ele busca aprender, além de esclarecer quais são os múltiplos fatores que estão</p><p>envolvidos nesse processo.</p><p>Sendo um dos pilares mais fundamentais da prática pedagógica, entre os seus temas de estudo estão os relacionados à</p><p>origem dos saberes, isto é, à forma como o ser humano se apropria do conhecimento sobre o mundo físico e social.</p><p>Por ser uma teoria que trata de elementos mais subjetivos do que objetivos, não é possível encontrarmos uma única</p><p>abordagem nesse campo de estudo, pois nesse território convivem múltiplas e antagônicas concepções.</p><p>Assim, o objetivo central dessa disciplina é analisar a questão do conhecimento contido nas práticas pedagógicas do ponto</p><p>de vista da Filoso�a, a partir das perspectivas de alguns de seus principais epistemólogos (estudiosos do conhecimento).</p><p>A ORIGEM DO CONHECIMENTO</p><p>Aula 1</p><p>CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO</p><p>A teoria do conhecimento é uma disciplina �losó�ca que busca compreender como acontece a complexa</p><p>relação entre o sujeito que aprende e o objeto que ele busca aprender.</p><p>29 minutos</p><p>FUNDAMENTOS</p><p>FILOSÓFICOS DA</p><p>EDUCAÇÃO</p><p> Aula 1 - Conhecimento e educação</p><p> Aula 2 - Antropologia �losó�ca</p><p> Aula 3 - O papel da história na formação</p><p>do sujeito</p><p> Aula 4 - Os pressupostos �losó�cos e a</p><p>educação</p><p> Referências</p><p>112 minutos</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>Como sabemos o que sabemos, ou conhecemos aquilo que julgamos conhecer? Essa é uma questão que ocupa a mente</p><p>dos �lósofos desde a Antiguidade, e desde então eles vêm tentando desvendar os aspectos que envolvem a interação do</p><p>ser humano com o ambiente social, físico e cultural.</p><p>A Idade Moderna é o marco histórico que de�ne o início da teoria do conhecimento como disciplina autônoma, pois, na</p><p>Antiguidade e na Idade Média, este tipo de estudo estava vinculado à metafísica (área da Filoso�a que se ocupa de questões</p><p>como a existência do ser, a causa e o sentido da realidade e a natureza).</p><p>Na Idade Moderna, portanto, Descartes, Locke e Hume Kant, procuraram sistematizar questões sobre a gênese, a essência</p><p>e a verdade sobre o conhecimento apontando algumas questões, como por exemplo:</p><p>• Qual o critério fundamental para se chegar ao conhecimento;</p><p>• o sujeito pode apreender o objeto?</p><p>• o conhecimento investigado é fechado deixando brecha para a descrença?</p><p>• a fonte (origem) do conhecimento seria a experiência ou a razão?</p><p>Como consequência dessas indagações, durante a Idade Contemporânea, surgem outras teorias, de natureza menos</p><p>cientí�ca e de caráter mais próximo do existencialismo, pois percebemos que responder a toda essa complexa estrutura,</p><p>que envolve o ser humano e o conhecimento, não é tão somente uma possibilidade objetiva. Assim, em decorrência dessa</p><p>relação imbricada, que envolve o ser humano e suas interações com o meio natural e social, outros estudiosos se</p><p>posicionam, dando origem a novas formas de entendimento dessa questão.</p><p>Nesse contexto, um dos estudos teóricos mais complexos é o de Sigmund Freud, considerado o “pai” da Psicanálise. Para</p><p>este epistemólogo, o ser humano trava, desde o seu nascimento, uma incessante e complexa batalha entre o seu</p><p>consciente (a parte visível) e o inconsciente (volume invisível).</p><p>Segundo Freud, a mente consciente é caracterizada pela presença de pensamentos e sentimentos, que possibilitam ao ser</p><p>humano a capacidade de raciocinar. O pré-consciente seria composto pela memória não acessada pela mente consciente. E</p><p>o inconsciente é composta por instintos reprimidos, sentimentos e impulsos.</p><p>Além dessa importante contribuição teórica acerca do conhecimento, destacam-se os estudos da Escola Soviética de</p><p>Psicologia de L. S. Vygotsky, Luria e Leontiev. De acordo com essa concepção, por meio de uma abordagem semiótica, os</p><p>estudiosos russos pesquisaram sobre as formas como o ser humano interage com o mundo social no qual nasce e</p><p>gradativamente se apropria dos elementos da cultura (instrumentos físicos e simbólicos), transformando-os de maneira</p><p>própria, processo que Vygotsky e seus discípulos chamaram de intersubjetividade e subjetividade.</p><p>Ainda nesse campo de estudo teórico, um outro epistemólogo que muito in�uenciou a prática pedagógica contemporânea é</p><p>Jean Piaget, estudioso nascido na Suíça, que elaborou a teoria conhecida por epistemologia genética. De acordo com essa</p><p>abordagem, o ser humano constrói o próprio conhecimento em interação contínua com o meio, de acordo com os</p><p>estímulos que esse lhe coloca.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>COMO SABEMOS O QUE SABEMOS?</p><p>A origem do conhecimento sempre foi um enigma para o ser humano. A �loso�a “do ser humano”, praticamente iniciada</p><p>por Sócrates na Grécia Antiga, já trazia no seu nascedouro a clássica formulação epistemológica “sujeito-objeto”, ou seja,</p><p>desde que começou a ter consciência de sua existência como algo autônomo em relação aos elementos da natureza, o ser</p><p>humano passou a se preocupar com a busca da verdade (conhecimento).</p><p>Esse fato, ocorrido aproximadamente no século V antes de Cristo, passou a ocupar as mentes dos �lósofos da época.</p><p>Naquele contexto, Sócrates perguntou-se “o que é a verdade”, e ao fazê-lo consultou o famoso oráculo de Delfos, local onde</p><p>os �lósofos frequentavam para consultarem os deuses.</p><p>Conduzido pela �gura de Pítia (ou Pitonisa), uma mulher que ali �cava para verbalizar a voz dos deuses, Sócrates observou</p><p>letras escritas por algumas pedras esparramadas por ali, que �cavam como registro de visitas de outros que por lá</p><p>passaram para também se consultar. Juntando as referidas letras, o �lósofo construiu a máxima “conhece-te a ti mesmo”,</p><p>que se tornaria um divisor de águas entre a �loso�a da natureza e a �loso�a do ser humano.</p><p>Naquele cenário marcado pela dúvida e pelo conteúdo da fala dos deuses vocalizada pela Pítia, Sócrates saiu do oráculo</p><p>com mais perguntas do que respostas acerca da origem do conhecimento (verdade), a ponto de ter chegado a uma</p><p>conclusão, que é expressa por uma outra máxima também conhecida dos �lósofos ao longo dos séculos, qual seja “só sei</p><p>que nada sei”.</p><p>Dali em diante, Platão, um discípulo contemporâneo de Sócrates, a partir da máxima “conhece-te a ti mesmo”, faz uma</p><p>re�exão sistemática, rigorosa e de conjunto (como deve ser a verdadeira re�exão �losó�ca) e se pergunta: “se a verdade</p><p>(conhecimento) está dentro de mim, quem a colocou ali”?</p><p>Na sequência, buscando a resposta a essa pergunta que ele mesmo formulou, elabora sua cosmogonia (estrutura do</p><p>universo) e cosmologia (funcionamento do universo), apoiando-se numa narrativa que ele cria (alegoria das charretes),</p><p>a�rmando que o ser humano (condutor), ao procurar a verdade, terá de ir até os céus (Olimpo), utilizando-se de uma</p><p>charrete conduzida por dois cavalos: a razão e a vontade. Se ao longo do caminho ele perde seu foco e deixa-se guiar pelo</p><p>cavalo da vontade, perderá a chance de chegar ao Olimpo e voltará à terra na condição eterna de escravo.</p><p>Ao contrário, se o condutor se guiar pelo cavalo da razão e mantiver o foco na busca da verdade, ele chegará ao Olimpo e,</p><p>com isso, conhecerá a verdade. Nesse caminho, como consequência, ele retornará à terra na condição de �lósofo e retirará</p><p>o véu que encobre o conhecimento (descobrirá) e o passará para os que ali �caram. Ou seja, para Platão, o mundo da razão</p><p>(inteligível) é mais consistente que o mundo da experiência (sensível) e, para chegar até a verdade, o ser humano deve</p><p>buscar o mundo das ideias e evitar o mundo da matéria física (experiência).</p><p>No mesmo contexto, Aristóteles, um outro �lósofo grego, defendeu a tese de que a verdade (conhecimento) só pode ser</p><p>desvelada se, além da razão, o ser humano também considerar a sua experiência vivida no mundo real.</p><p>En�m, esse conjunto de teorias �losó�cas se alastraram pelo Ocidente e in�uenciaram por todos os séculos subsequentes a</p><p>maneira de se entender a origem do conhecimento na mente humana e,</p><p>como consequência, in�uenciaram fortemente a</p><p>educação.</p><p>A RESPEITO DOS “ISMOS”</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>A área educacional é marcada pelos “ismos”, isto é, se analisarmos os projetos curriculares de várias escolas, veremos que</p><p>eles não são idênticos, e em alguns casos, chegam a ser até profundamente divergentes.</p><p>Quem de nós já não ouviu falar em positivismo, behaviorismo, construtivismo, gestaltismo, entre tantos outros?</p><p>No cotidiano da vida familiar, quando a criança chega à idade de matrícula na escola, é comum ouvirmos os pais ou</p><p>responsáveis preocupados em saber em qual escola irão colocar os seus �lhos, pois sabem que há diferenças e que os</p><p>“ismos”, muitas vezes, determinam a qualidade da educação oferecida e a construção da personalidade de suas crianças.</p><p>O �lósofo pragmatista John Dewey a�rmava que “em vez de se perder em ‘ismos’, em discussões abstratas que levam do</p><p>nada a lugar nenhum, a pedagogia deveria se orientar por pesquisas abrangentes e construtivas sobre necessidades,</p><p>problemas e possibilidades reais dos aprendizados”, e frequentemente vemos que isso é bem verdadeiro, pois muitas</p><p>crianças vão às escolas e não aprendem o essencial (DEWEY, 1979, p 17)</p><p>Tomemos como exemplo dois fragmentos de projetos curriculares de duas instituições, a �m de analisarmos o quão é forte</p><p>a presença das in�uências epistemológicas na prática educativa. Manteremos o sigilo da fonte por questões éticas:</p><p>Referencial 1: “As concepções de criança e infância adotadas por esse Referencial, em consonância com as DCNEIs,</p><p>orientam as práticas pedagógicas que favorecem a aprendizagem e impulsionam o desenvolvimento de bebês, crianças</p><p>bem pequenas e pequenas. Mais do que uma fase provisória, a infância é uma idade em que a criança, além da intensa</p><p>capacidade de aprendizagem e desenvolvimento em seus vários campos de atividade, também está em processo de</p><p>estruturação nos domínios afetivo, cognitivo e motor que constituem sua evolução psíquica”.</p><p>Referencial 2: “A concepção behaviorista deixa evidente que o professor é visto como peça-chave no processo educativo,</p><p>pois cabe a ele identi�car o repertório existente, planejar o que precisa ser realizado de acordo com os objetivos almejados;</p><p>cabe a este promover a transmissão do conhecimento, que tem como foco a preparação para o futuro, e espera-se do</p><p>aluno a apropriação do que foi transmitido. Espera-se que o professor seja capaz de criar condições que proporcionem a</p><p>efetivação da aprendizagem. Acrescenta-se que, cabe também ao educador, utilizar reforçadores (positivos e negativos)</p><p>como estratégias necessárias à aprendizagem. O reforço positivo visando ao fortalecimento de comportamentos desejáveis</p><p>e ao reforço negativo, tendo como propósito a extinção de comportamentos indesejáveis”.</p><p>VÍDEO RESUMO</p><p>Neste módulo, faremos uma re�exão sobre a origem do conhecimento na mente humana. Veremos que, desde a</p><p>Antiguidade, os �lósofos se preocuparam em responder a essa questão, algumas vezes apoiando-se na experiência</p><p>(empirismo) e, em outras, na razão (racionalismo). Dessas formas variadas de busca dessa resposta surgiram as diferentes</p><p>concepções de educação e de metodologias de ensino, que ao longo da história da educação estiveram presentes na prática</p><p>dos educadores e ainda estão até hoje.</p><p> Saiba mais</p><p>https://blog.mackenzie.br/vestibular/materias-vestibular/o-que-e-epistemologia/</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>about:blank</p><p>https://sociologialiquida.org/o-que-e-epistemologia/</p><p>CORTELLA, M. S. A escola e o conhecimento. Fundamentos epistemológicos e políticos. São Paulo, SP: Cortez, 1996.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Dentre os muitos ramos do saber humano que têm por objeto o próprio ser humano, é especialmente importante a</p><p>antropologia �losó�ca. Esse campo de conhecimento constitui-se como uma re�exão sistemática e bem fundamentada</p><p>sobre a vida humana e o seu destino, sobre as suas faculdades e operações, suas relações interpessoais, referidas à</p><p>totalidade do seu ser. As ciências particulares a respeito do ser humano não conseguem dar resposta à pergunta: “O que é</p><p>o ser humano?”. E a falta de resposta adequada a essa questão é desorientada, pois os estudos são parciais e</p><p>especializados, daí a importância da antropologia �losó�ca.</p><p>ENTRE O ESSENCIAL E O NATURAL</p><p>A forma como pensamos hoje foi moldada durante milhares de anos, e ainda que falemos no singular (a forma), sabemos</p><p>que não existe uma única forma de pensar, pois, ao se relacionar com a natureza e viver em grupo, o ser humano vai se</p><p>deparando com diferentes estímulos e interações, o que o faz desenvolver inúmeras e variadas maneiras de tentar</p><p>entender e de explicar o funcionamento do mundo físico e social no qual ele está inserido.</p><p>Nesse contexto, inúmeras concepções surgem, estando, entre elas, a essencialista e a naturalista. De acordo com ambas as</p><p>concepções, há que se contemplar o princípio da diversidade, e a educação, como consequência, consiste em realizar o que</p><p>o ser humano deve vir a ser.</p><p>Um dos primeiros pensadores essencialistas da Antiguidade que realizou uma grande sistematização �losó�ca foi Platão</p><p>(428 ou 427-347 a.C.), que contribuiu com uma discussão acerca de importantes temas relacionados à perspectiva humana.</p><p>Entre as perguntas que este �lósofo fazia, havia a que se referia à possibilidade de superação do nível empírico, aquele que</p><p>circunda o mundo da experiência, a�rmando que havia a necessidade de se alcançar a esfera das essências, ou seja, da</p><p>verdade.</p><p>Nessa direção, Platão estabeleceu uma divisão entre o mundo das ideias e o mundo das sombras, dividindo o ser humano</p><p>entre o “eu empírico” (corpo) e o “eu essencial” (alma). No mundo do corpo, do desejo e dos sentidos, tudo é imperfeito,</p><p>sombrio e transitório, enquanto, no mundo da alma (ou o espírito pensante), tudo é verdadeiro, necessário, belo, puro e</p><p>bom.</p><p>Aula 2</p><p>ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA</p><p>Dentre os muitos ramos do saber humano que têm por objeto o próprio ser humano, é especialmente</p><p>importante a antropologia �losó�ca.</p><p>26 minutos</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>about:blank</p><p>Além de Platão, um outro pensador essencialista, já na Idade Média, Tomas de Aquino (1225-1274), entendia que educação</p><p>servia para educar o indivíduo na fé e para a vida após a morte. Segundo a tese desse �lósofo, a alma é a forma essencial</p><p>do corpo, responsável por dar vida a este. A alma é imortal e única, e por isso, o ser humano se volta naturalmente para</p><p>Deus. Conhecida como “ética tomista” (de caráter aristotélico), os estudos de Tomás de Aquino se concentram no</p><p>movimento do ser para Deus, culminando na visão ou contemplação imediata do criador.</p><p>No mesmo contexto dessa forma essencialista de conceber a relação do ser humano com o mundo físico e social, surge o</p><p>�lósofo Kant (1724-1804), que procurou demonstrar que, a despeito do peso da experiência sobre a construção do</p><p>conhecimento, aquela nunca ocorre de maneira neutra, pois a ela são impostas, a priori, a sensibilidade que é determinante</p><p>na estruturação da cognição humana.</p><p>Do lado oposto ao essencialismo, surge, na Idade Média, a concepção naturalista. Para essa perspectiva, contribuem os</p><p>estudos do britânico Francis Bacon (1561-1626), que elaborou uma metodologia racional para o trabalho cientí�co,</p><p>delimitando a linha entre  o pensamento medieval e o moderno.</p><p>Finalmente, há que se destacar ainda, no campo da concepção naturalista, o �lósofo e matemático René Descartes (1596-</p><p>1650), que, com o seu método �losó�co, trouxe ao campo �losó�co o rigor da matemática com a criação de um plano de</p><p>coordenadas que até contemporaneamente permite uma  aior precisão nos estudos da geometria analítica e da espacial.</p><p>PENSAR OU SENTIR?</p><p>Uma das áreas do saber humano que pode contribuir muito para o trabalho dos professores, é a Antropologia.</p><p>O ser humano produz e transmite cultura para as próximas gerações, garantindo assim um permanente movimento de</p><p>socialização; no entanto, a aquisição do conhecimento é algo singular, sendo que cada indivíduo o constrói à sua maneira.</p><p>No entanto, a dinâmica desse rico e complexo processo precisa ser desvelada pela Antropologia, que, ao reunir elementos</p><p>para a análise da interação do homem com o mundo circundante, trará à educação importantes contribuições.</p><p>Nesse sentido, a antropologia �losó�ca promove a re�exão sobre os conteúdos que são apresentados aos estudantes por</p><p>meio do projeto curricular, considerando o contexto cultural, a história de vida e o seu universo simbólico, fatores</p><p>fundamentais para a aprendizagem, contemplando também, as capacidades oriundas da infância, quais sejam</p><p>incorporação de experiências, a habilidade sensório-motora, a capacidade de locomoção, função imitativa,  lúdica,</p><p>linguística,  intelectual e a estética.</p><p>O ser humano, desejante por natureza, busca tornar-se participante do seu grupo social, porém esse desejo de participar</p><p>do mundo dos adultos pode ser estimulado ou bloqueado durante a socialização da criança durante o processo</p><p>pedagógico.</p><p>O movimento de internalização do espaço social estruturado, conhecido como socialização, se dá em constante interação</p><p>entre a história individual e a convivência coletiva. E é esse processo que traz à educação a necessidade de um olhar</p><p>antropológico.</p><p>A antropologia e a educação devem ser internalizadas por emoções e crenças. Cabe ao educador uma sensibilidade sobre a</p><p>diversidade cultural dos educandos, a �m de que possa ter empatia com eles mediante a detecção de suas necessidades</p><p>que são construídas na interação entre o estudante e sua comunidade de origem.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>Nesse sentido, a Antropologia histórica traz uma contribuição ao trabalhando docente, pois possibilita uma análise sobre a</p><p>cultura e os valores dos educandos.</p><p>QUE PESSOA QUEREMOS/PRECISAMOS FORMAR?</p><p>A Pedagogia é uma área de atuação humana responsável pela formação das novas gerações. Por não ser propriamente</p><p>uma ciência, ela se apoia em vários campos do conhecimento, como a Filoso�a, a Antropologia, a Sociologia, a Psicologia,</p><p>entre outras.</p><p>Apesar de ser um campo próprio e distinto das demais ciências, há uma forte e estreita relação entre ela e os diferentes</p><p>campos epistemológicos. Uma das relações mais básicas é a tentativa de compreender a natureza humana e suas formas</p><p>de aprendizagem.</p><p>Assim, é possível a�rmar que toda teoria pedagógica ou prática educacional tem em seu bojo uma determinada concepção</p><p>de ser humano, ou seja, toda pedagogia pressupõe uma visão de ser humano como sujeito do processo educativo, isto é,</p><p>toda educação é uma antropologia.</p><p>A Pedagogia encontra na Filoso�a uma fonte inesgotável de saberes acerca do ser humano e a dinâmica de funcionamento</p><p>da sociedade.</p><p>Desde sua origem o saber �losó�co esteve voltado para a preocupação de desvelar os mistérios da existência humana,</p><p>além a de encontrar o grau zero do conhecimento (Epistemologia).</p><p>A Filoso�a contempla no escopo de sua produção uma intencionalidade educativa, voltada para a formação e do</p><p>desenvolvimento do caráter humano.</p><p>Entre as escolas �losó�cas que contribuíram no passado para essa intenção, destaca-se a Paideia grega, a educação</p><p>formadora, pois para os gregos educar é humanizar, tendo portanto, um sentido coletivo e comunitário.</p><p>Os pedagogos encontram na Filoso�a um forte amparo teórico, que lhes fornece segurança para o desenvolvimento da</p><p>prática de ensino. Nesse sentido, essa área fornece para a educação importantes elementos antropológicos que auxiliam os</p><p>educadores a compreenderem os contextos culturais dos estudantes e assim desenvolverem estratégias de ensino</p><p>pedagogicamente sensíveis a esse universo.</p><p>No início de sua busca pela razão, o ser humano desenvolveu a mitologia, pois ele acreditava ser dependente das forças</p><p>cósmicas; posteriormente, aplicando a razão em suas análises, de maneira mais radical, rigorosa e de conjunto, construiu a</p><p>�loso�a, e assim caminhou até culminar no desenvolvimento do conhecimento cientí�co.</p><p>Essas formas de tentar entender racionalmente a dinâmica de funcionamento da vida trouxeram historicamente re�exos</p><p>nas formas de ele educar seus sucessores. Educação, portanto, signi�ca formar o ser humano de acordo com o que se</p><p>espera que ele possa ser.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>VÍDEO RESUMO</p><p>Neste módulo, faremos uma re�exão sobre as diversas abordagens acerca da prática educacional. Perceberemos que,</p><p>dentre os muitos campos das ciências humanas, é especialmente importante a antropologia �losó�ca. Essa disciplina nos</p><p>apresenta elementos sólidos para uma re�exão sistemática e bem fundamentada sobre a natureza do ser humano e as</p><p>formas como ele aprende. Tentando nos responder à questão “o que é o ser humano?”, a antropologia �losó�ca nos dá</p><p>uma excelente orientação, a qual é fundamental para nossa prática docente.</p><p> Saiba mais</p><p>Explore mais o naturalismo e o essencialismo através dos materiais disponíveis nos links abaixo:</p><p>• https://ensaiosenotas.com/2019/01/09/fundamentos-de-antropologia-</p><p>�loso�ca/#:~:text=A%20antropologia%20�los%C3%B3�ca%20lida%20com,%2C%20mente%2C%20dentre%20outros%2</p><p>0t%C3%B3picos</p><p>• https://www.youtube.com/watch?v=kYMad5xsucc</p><p>• https://www.stoodi.com.br/blog/historia/antropologia-o-que-e/</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A história é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo, analisando processos históricos,</p><p>personagens e fatos para promover uma melhor compreensão dos períodos históricos, das diferentes culturas e</p><p>civilizações.</p><p>Um dos seus principais objetivos é o resgate dos aspectos culturais de um determinado povo ou região para o</p><p>entendimento do processo de desenvolvimento.</p><p>O aprendizado da história traz uma forte contribuição para a formação do sujeito, tendo como objetivo principal a formação</p><p>cidadã do ser humano, pois essa disciplina apresenta dados sobre o contexto global e multicultural onde se inserem os</p><p>indivíduos.</p><p>A HISTÓRIA QUE NOS CONTAM</p><p>Aula 3</p><p>O PAPEL DA HISTÓRIA NA FORMAÇÃO DO SUJEITO</p><p>A história é uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no tempo, analisando</p><p>processos históricos.</p><p>30 minutos</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>about:blank#:~:text=A%20antropologia%20filos%C3%B3fica%20lida%20com,%2C%20mente%2C%20dentre%20outros%20t%C3%B3picos</p><p>about:blank</p><p>about:blank</p><p>Todo ser humano tem em seu interior uma espécie de “moldura”, semelhante à de um quadro, que dá forma à sua forma</p><p>de ver e entender o mundo.</p><p>Essa “moldura” começa a ser formada desde o nascimento, quando o seu cérebro começa a receber estímulos, inicialmente</p><p>sensoriais, vindos do meio natural, social e cultural no qual ele se encontra.</p><p>A partir de uma raiz biológica (cérebro), portanto, vão sendo formadas as estruturas de seu pensamento, que ao longo da</p><p>vida, por meio das interações com o ambiente externo, vão dando os contornos culturais à sua mente.</p><p>Nesse contexto, inicialmente familiar, os elementos históricos que caracterizam o grupo social no qual o sujeito nasceu,</p><p>passam a fazer parte da sua existência, sendo que de acordo com pesquisadores como Piaget e Vygotsky, a mente do</p><p>sujeito é fruto das ricas interações ocorridas entre ele e os membros do seu grupo social.</p><p>Nesse sentido, como não poderia ser de outra forma, os diferentes sujeitos, imersos em diferentes contextos sociais e</p><p>históricos, vão dando voz à suas formas de pensar, dando origem assim a inúmeras e diversas concepções de mundo.</p><p>Portanto, pensadores em diferentes épocas, por estarem imersos em diferentes contextos culturais e sociais, foram dando</p><p>forma às maneiras de entender e de explicar o funcionamento e os processos dessa rica dinâmica.</p><p>Dentre as diferentes “molduras, portanto dos pensadores, �lósofos e pesquisadores destacam-se a concepção essencialista</p><p>e a naturalista, sendo que para ambas, é necessário que a educação do ser humano deve considerar o princípio da</p><p>diversidade, uma vez que as “molduras” humanas são diferentes sendo que o processo educacional, teria como</p><p>consequência, a realização do ser humano como um “vir a ser”.</p><p>O �lósofo pioneiro da concepção de educação essencialista da Antiguidade</p><p>foi Platão (428 ou 427-347 a.C.), que pavimentou</p><p>o pensamento posterior sobre os principais temas relacionados à perspectiva humana. Entre as suas principais</p><p>preocupações estava a de formular respostas às perguntas sobre a superação do mundo da experiência, defendendo a tese</p><p>de que seria necessário o alcance da esfera das essências, pois só assim seria possível desvelar a verdade.</p><p>Numa sequência histórica a essa construção de “molduras”, na Idade Média, há o destaque para o pensador cristão Tomás</p><p>de Aquino (1225-1274), que entendia a educação como um processo de vivência do sujeito na fé e preparo para a vida pós</p><p>morte.</p><p>No contexto dessa “moldura” essencialista, o �lósofo Kant (1724-1804), mostrou que, apesar de experiência estar presente</p><p>na formulação do conhecimento, ela não é neutra, pois o ser humano dotado dos sentidos da experiência, carrega para a</p><p>sua cognição essas formas da sensibilidade o que de�ne a sua forma de entender o mundo (a sua “moldura</p><p>Como consequência desse processo de “emolduramento”, do lado oposto ao essencialismo, no contexto da Idade Média,</p><p>emerge a concepção naturalista. De acordo com Francis Bacon (1561-1626), um dos mais importantes �lósofos dessa</p><p>perspectiva, seria necessária uma metodologia racional para a atividade cientí�ca, tornando-se um marco entre o Ser</p><p>humano da Idade Média e o Ser humano moderno.</p><p>Finalmente, no contexto da “moldura” naturalista, René Descartes (1596-1650), �lósofo e matemático, propôs o uso da</p><p>racionalidade para a Filoso�a, tentando despi-la dos elementos metafísicos que até então predominavam nesse campo,</p><p>contribuindo com suas re�exões para o avanço dos estudos da geometria analítica e da geometria espacial.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>RAZÃO OU VONTADE?</p><p>Até o século XVII predominou nas teorias pedagógicas, o modelo cienti�cista, fato que incomodou pensadores como Jean-</p><p>Jacques Rousseau (1712-1778), que no século seguinte deslocou o foco central do processo educacional do mestre para o</p><p>educando.</p><p>Jean-Jacques Rousseau provocou uma grande revolução na pedagogia e colocou a emoção e a moral no epicentro de sua</p><p>visão do homem. Segundo o pensador, o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Nesse sentido idealizou a �gura de</p><p>um educando que seria livre das in�uências sociais</p><p>Hegel (1770-1831) dá mais uma contribuição ao processo de construção da �loso�a romântica, pois, ao desenvolver a</p><p>�loso�a do devir; concebe o ser como processo, como vir-a-ser. A dialética colocada como eixo de sua �loso�a transforma o</p><p>conceito de verdade, não mais um fato, uma essência, uma realidade, mas o resultado de um desenvolvimento do espírito.</p><p>A própria concepção de contradição como motor interno da história faz com que Karl Marx (1818-1883) inverta o sistema</p><p>hegeliano e sustente o primado da matéria sobre o espírito, estabelecendo assim a base da construção do materialismo</p><p>histórico. Só será possível compreender o que os homens fazem e pensam a partir da forma como os homens produzem os</p><p>bens materiais necessários.</p><p>Nesse contexto da concepção histórico-social de sujeito, uma outra contribuição às fundamentações do conceito de</p><p>educação relacionado com a consciência humana é a  antropologia sartreana. Esses conceitos foram formulados pelo</p><p>�lósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Na elaboração desses o conceito de Nada, considerado a base para as obras</p><p>de Sartre, recebeu forte in�uência de outros �lósofos, entre os quais, Descartes, Kant, Hegel, Russerl e Heidegger.</p><p>Nesse caso, a concepção de natureza humana defendida por Sartre, está intrinsecamente vinculada ao conceito de Nada</p><p>como o elemento de�nidor do homem, ou seja, ao mesmo tempo em que é pelo homem que o nada vem ao mundo, o</p><p>Nada, também, se constitui na essência do homem. Nesse sentido, o Nada habita a consciência humana como aquilo que o</p><p>constitui como homem. Ainda mais quando uma educação é bem orientada a outro homem com a �nalidade de revelar a</p><p>realidade da liberdade que todos os humanos se encontram, mas que muitos se negam em aceitá-la e logo vivê-la com</p><p>responsabilidade.</p><p>Em síntese, a grande contribuição da concepção histórica social resulta em três aspectos: a preocupação com o processo</p><p>(nada é estático), com a contradição (não há linearidade no processo) e com o caráter social do engendramento humano (o</p><p>ser do homem se faz presente nas relações entre os homens ao longo da história).</p><p>Ainda no conjunto desses fundamentos, porém com ênfase na consciência humana e sua relação com o conhecimento,</p><p>aparecem as in�uências da crítica de Kant, �lósofo alemão do século XVIII, que abordou questões relevantes que abrangem</p><p>o campo educacional.</p><p>Compreender o projeto pedagógico da Modernidade, numa perspectiva kantiana, nos faz re�etir sobre problemas</p><p>educacionais que atravessaram séculos, e que em plena contemporaneidade ainda não foram solucionados, como por</p><p>exemplo a questão da indisciplina, como questionamentos acerca da razão e moralidade.</p><p>Para Kant, a disciplina é o momento de maior tensão no processo pedagógico, por apresentar ao homem uma situação</p><p>diversa da vida a partir da natureza do ser que muda completamente o seu caminho de vida natural e selvagem para o</p><p>caminho do pensamento autônomo, levando-o à conquista da sua verdadeira liberdade.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>CONHECIMENTO É CONSTRUÇÃO SOCIAL E HISTÓRICA</p><p>O conhecimento pedagógico é uma construção social, e é feita pelos especialistas.</p><p>É pressuposto que alguém formado na área seja indicado para a função. A realidade, no entanto, nos mostra que tem muita</p><p>gente fora de área na educação brasileira em geral e na história, em particular. Não seria esse um dos fatores por que os</p><p>alunos, em geral, não gostem de História da Educação? Ou um dos motivos da baixa qualidade do da formação de</p><p>pedagogos no Brasil?</p><p>A história da educação é um tipo de conhecimento muito especializado; pensemos por exemplo na seguinte situação: como</p><p>era uma sala de aula na Idade Média? Será que há semelhanças com a sala de aula contemporânea? Em que aspectos são</p><p>semelhantes e quais são diferentes?</p><p>Quando pensamos nessas questões, não sobra dúvidas de que um leigo não conseguirá fazer uma interpretação adequada</p><p>e isso ocorre porque ele não tem os instrumentos teóricos e metodológicos que permitem essa análise. Portanto, em</p><p>termos de conhecimento sobre a história da educação, não pode haver “achismos”, mas existe uma interpretação que</p><p>apresenta certa coerência com o real. O cidadão comum pode até saber que o fato aconteceu, mas não saberá dizer por</p><p>que ele aconteceu. Esse é um trabalho do especialista, do pro�ssional das ciências humanas, em geral, e, mais</p><p>precisamente, do pedagogo. Portanto, a história é uma ciência que tem os seus métodos, suas técnicas e sua orientação</p><p>teórica, que sofre interferência política, porque é humana.</p><p>O estudo da história da educação nos possibilita entender as formas como outros povos lidam com o encaminhamento</p><p>educacional de seu povo, e mais especi�camente no Brasil, esse estudo nos esclarece que mesmo que o país tenha</p><p>avançado de forma substancial no século XX e XXI, a educação nacional ainda sofre de problemas graves e urgentes.</p><p>A precariedade de infraestrutura de escolas, a falta de quali�cação de professores, as diferenças regionais na qualidade</p><p>educacional, o ainda presente analfabetismo, a situação do analfabetismo funcional e o fosso existente entre o ensino</p><p>público e o ensino privado, são graves problemas sociais, que fazem com que o Brasil esteja nas piores colocações quando</p><p>o assunto é avaliação internacional do nível de aprendizado dos alunos.</p><p>Portanto, quando analisamos as de�ciências educacionais na base da população brasileira contemporânea, que provocam</p><p>sequelas que se estendem a outras esferas, como a econômica, a social e a cultural e escancara as desigualdades entre</p><p>ricos e pobres, agravando os problemas sociais como violência urbana e corrupção, percebemos que essa problemática tem</p><p>raízes históricas, ou seja, são a culminância de todo um</p><p>processo de políticas púbicas mal administradas ao longo do</p><p>tempo.</p><p>Nesse sentido, é mister que a formação de educadores no Brasil seja feita com cautela, de forma que os futuros</p><p>professores, ao se apropriarem do conhecimento do passado da realidade nacional da educação, e ainda das políticas</p><p>educacionais de outras nações ao longo do tempo, possam olhar para a realidade da sala de aula com referenciais teóricos</p><p>e históricos sólidos, mudando o paradigma de que o estudo da História da educação é inútil ou “chato”.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>VÍDEO RESUMO</p><p>Neste módulo faremos uma re�exão sobre a história, uma ciência humana que estuda o desenvolvimento do homem no</p><p>tempo, analisando processos históricos, personagens e fatos para promover uma melhor compreensão das diferentes</p><p>culturas e civilizações.</p><p>A história ajuda a resgatar os aspectos culturais de um determinado povo ou região para o entendimento do processo de</p><p>desenvolvimento humano.</p><p>Aprender história é fundamental para a formação da cidadania, pois essa disciplina nos apresenta dados sobre o contexto</p><p>global e multicultural onde se inserem os indivíduos.</p><p> Saiba mais</p><p>Para complementar os seus estudos, o material a seguir explora mais detalhadamente a biogra�a de Eric Hobsbawm.</p><p>• Arquivo - Eric Hobsbawn</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A educação é uma prática mediadora das práticas históricas sob as quais o ser humano constrói sua existência subjetiva e</p><p>social, por isso, é fundamental que haja uma re�exão mais elaborada sobre os pressupostos �losó�cos da formação e da</p><p>atuação prática docente. A qualidade da prática pedagógica só poderá ser garantida se, ao longo de sua formação, o</p><p>educador tiver acesso a um conjunto articulado de elementos formativos que lhe garantam no futuro uma competência</p><p>técnica e cientí�ca a ser desenvolvida com criatividade, sensibilidade ética e criticidade política. Nesse sentido, compete à</p><p>sua formação a presença de subsídios fornecidos pela �loso�a.</p><p>PRÁTICA MEDIADORA</p><p>O ser humano, ao interagir com seu grupo social, vai se modi�cando, o que o caracteriza como um ser em construção.</p><p>No âmago dessa interação está a contradição, pois a atividade humana é política por natureza, tendo no con�ito o alimento</p><p>para sua manutenção.</p><p>Aula 4</p><p>OS PRESSUPOSTOS FILOSÓFICOS E A EDUCAÇÃO</p><p>A educação é uma prática mediadora das práticas históricas sob as quais o ser humano constrói sua</p><p>existência subjetiva e social.</p><p>26 minutos</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>https://web.archive.org/web/20131008051740/http://www.spartacus.schoolnet.co.uk/HIShobsbawm.htm</p><p>Nesse sentido, a historicidade das experiências humanas torna-se elemento fundamental para o entendimento da natureza</p><p>humana, pois a todo momento o homem interage de forma dialética com a sua própria história e a estrutura social na qual</p><p>está inserido. Portanto, o saber produzido num dado momento histórico é edi�cado a partir do pavimento da base material</p><p>da sociedade na qual se insere.</p><p>Nesse sentido, vários �lósofos buscam relacionar os fatos históricos e sociais com seus re�exos sobre a educação. Assim,</p><p>por exemplo, para o �lósofo Theodor Adorno, a questão da emancipação no processo da educação deve, simultaneamente,</p><p>evitar a “barbárie” e buscar a emancipação pessoal.</p><p>O �lósofo entende como barbárie, o impulso humano destrutivo, que se manifesta nas diversas formas de agressividade</p><p>percebidas no cotidiano, podendo chegar a situações extremas, como por exemplo os campos de extermínio nazistas.</p><p>Nesse sentido, Adorno propõe uma educação “emancipatória”, pois formas autoritárias de educação não conseguem evitar</p><p>esse caráter impulsivo destrutivo.</p><p>Uma educação nesse modelo (emancipatório) é preventivo à repressão, e distante da reprodução tecnicista, que mantém o</p><p>caráter produtivo da vida humana. De acordo com essa perspectiva, o processo educacional pode favorecer a formação de</p><p>sujeitos críticos e livres, capazes de educar o próprio impulso destrutivo, fortalecendo a autonomia e contribuindo para a</p><p>extinção da barbárie.</p><p>Uma outra contribuição nessa perspectiva crítica da educação é da Escola de Frankfurt, surgida no início do século XX. Seus</p><p>representantes elaboraram importantes teses �losó�cas e sociológicas. Seus pensadores eram marxistas do Instituto para</p><p>Pesquisa Social, vinculado à Universidade de Frankfurt, na Alemanha.</p><p>Dentre as principais contribuições produzidas pela Escola de Frankfurt estão a Teoria Crítica e o conceito de Indústria</p><p>Cultural.</p><p>A Teoria Crítica se posiciona em relação à construção cartesiana do pensamento positivista e pela leitura crítica acerca do</p><p>pensamento de Karl Marx e o conceito de indústria cultural, diz respeito à padronização de produtos da cultura.</p><p>Portanto, ambas as re�exões se dirigem criticamente ao sistema capitalista. No interior de seu conteúdo é observável a</p><p>denúncia das formas de dominação presentes na política, economia, cultura e psicologia da sociedade desde a</p><p>modernidade.</p><p>A Escola de Frankfurt surge no contexto de acontecimentos importantes da história mundial. No século XX, (1920),</p><p>aconteceu a Primeira Guerra Mundial e, ao �nal da década, aconteceu a crise de 1929.</p><p>Portanto, os fundamentos �losó�cos da educação cumprem o importante papel de promotores da discussão dos graves e</p><p>históricos temas sociais, sendo um conjunto de conhecimentos necessários aos professores.</p><p>O SÉCULO DA MORTE</p><p>Ao longo do século XX, vários �lósofos buscaram relacionar os fatos históricos e sociais aos seus re�exos sobre a educação.</p><p>O historiador Eric Hobsbawn referiu-se ao século XX como “breve” no subtítulo de sua obra Era dos Extremos. Os “extremos”</p><p>de Hobsbawn fazem alusão à formação de ideologias extremadas próprias desse período, que foram implementadas por</p><p>meio de ditaduras de diversas tendências políticas (comunismo soviético e chinês, militarismos repressores de extrema-</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>direita na América Latina, totalitarismos nacionalistas do fascismo europeu).</p><p>A impressão que dá ao lermos os textos da “era dos extremos” é a de que o ser humano voltou para o tempo da barbárie,</p><p>quando ainda não havia nascido a organização social que conhecemos como “civilização”.</p><p>Naquele contexto, ganharam relevância o nacionalismo, representado pelo regime nazista de Hitler, na Alemanha; o</p><p>genocídio armênio, praticado pelo Império Turco-Otomano em 1915 (e até hoje não reconhecido pelo governo turco); a</p><p>Guerra da Bósnia (1992-1995), no território da ex-Iugoslávia, com fatores marcados por discursos nacionalistas; na África,</p><p>em Ruanda, com os massacres praticados pela maioria hutu contra a minoria tutsi.</p><p>No Brasil, Getúlio Vargas tomou diversas medidas contra estrangeiros, em decretos durante o “Estado Novo” que os</p><p>equiparavam a indigentes, vagabundos, ciganos, estabelecendo regras rígidas para concentração e assimilação de</p><p>estrangeiros. Além disso, violou direitos de imigrantes e descendentes de italianos, alemães e japoneses após a entrada do</p><p>Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, ao lado dos Aliados, con�scando os bens de pessoas dessas descendências.</p><p>Hobsbawn, a�rma ainda que o século XX foi considerado por ele como a “era dos extremos” devido aos acontecimentos</p><p>ocorridos no período como um todo.</p><p>Portanto, levando em consideração todo esse cenário de horrores, dá para se compreender o teor das teorias sobre a</p><p>educação e a emancipação social de Adorno, a Escola de Frankfurt e a perspectiva crítica da educação, que esclarece</p><p>conceitos sociais importantíssimos, como Indústria Cultural, en�m, os fundamentos �losó�cos da educação cumprem o</p><p>importante papel de promotores da discussão dos graves e históricos temas sociais, sendo um conjunto de conhecimentos</p><p>necessários aos professores.</p><p>NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS</p><p>No �lme brasileiro Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão, há a sobrepondo imagens com a</p><p>�nalidade de mostrar o pensamento dos personagens e a memória do século XX.</p><p>No documentário o autor aborda mudanças mundiais no cotidiano humano no período entre</p><p>guerras mostrando</p><p>revoluções, golpes, ditaduras, movimentos e nascimento do atual modelo tecnológico.</p><p>O autor se inspirou na obra “Era dos Extremos”, do historiador britânico Eric Hobsbawm, mostrando em sua produção, por</p><p>meio da montagem das imagens produzidas no século XX, ambientadas pelo fundo musical de Wim Mertens, o período de</p><p>contrastes de um mundo envolvido em duas guerras, colocando ênfase na banalização da violência, no desenvolvimento</p><p>tecnológico, na esperança e na loucura humanas.</p><p>Para a construção de sua narrativa, Masagão utilizou imagens que ligaram fatos acontecidos e histórias de pessoas</p><p>anônimas com toda a revolução e os acontecimentos históricos do tempo em que elas viveram.</p><p>O título do �lme foi inspirado num letreiro de um cemitério da cidade de Paraibuna (SP), "Nós que aqui estamos por vós</p><p>esperamos", tentando enfatizar as mortes banalizadas, dos anônimos que ajudaram a escrever a história.</p><p>Entre os temas principais estão a banalização da morte, a industrialização, as mudanças na comunicação após a invenção</p><p>do telefone, do rádio e da energia elétrica, a independência feminina, a igualdade dos sexos, a busca dos sonhos e ideais.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>O �lme revela a vida de pessoas comuns e de celebridades, com a �nalidade de levar ao interlocutor a importância</p><p>individual para a construção da história.</p><p>O documentário foi premiado no Festival de Gramado, em 1999, por sua montagem, e no Festival do Recife, como melhor</p><p>�lme, melhor roteiro e melhor montagem.</p><p>VÍDEO RESUMO</p><p>Neste módulo, faremos uma incursão pelo documentário de Marcelo Masagão, que tem o título de Nós que aqui estamos</p><p>por vós esperamos, com a �nalidade de visitarmos o complexo século XX, que o historiador Hobsbawn chamou de “breve”.</p><p>Trata-se de um �lme brasileiro que, por meio de imagens e músicas (sem texto escrito nem falado), o autor nos transporta</p><p>para um cenário de morte (com a Primeira e a Segunda Guerra Mundial), marcado pelo surgimento da sociedade industrial</p><p>e pelo cenário de barbárie.</p><p> Saiba mais</p><p>Para mais informações, acesse:</p><p>Igreja de São Francisco / Convento de São Francisco de Évora</p><p>Revisitando Charles Chaplin: tempos modernos na Enap</p><p>Aula 1</p><p>ARANHA, M. G. A. Filosofando. Introdução à Filoso�a. São Paulo, SP: Moderna, 1993.</p><p>DEWEY, John. Experiência e Educação. Tradução: Anísio Teixeira. São Paulo, SP: Companhia Editora Nacional, 1979.</p><p>JAPIASSU, H. Introdução à epistemologia da psicologia. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1977.</p><p>JAPIASSU, H. Nascimento e morte das ciências humanas. Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves, 1978.</p><p>JAPIASSU, H. O mito da neutralidade cientí�ca. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1975.</p><p>KANT, l. Crítica da razão pura. São Paulo, SP: Abril Cultural, 1980.</p><p>Aula 2</p><p>ARANHA, M. G. A. Filosofando. Introdução à Filoso�a. São Paulo, SP: Moderna, 1993.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1 minutos</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=2724</p><p>https://repositorio.enap.gov.br/handle/1/4398</p><p>Imagem de capa: Storyset e ShutterStock.</p><p>JAPIASSU, H. Introdução à epistemologia da psicologia. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1977.</p><p>JAPIASSU, H. Nascimento e morte das ciências humanas. Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves, 1978.</p><p>JAPIASSU, H. O mito da neutralidade cientí�ca. Rio de Janeiro, RJ: Imago, 1975.</p><p>KANT, l. Crítica da razão pura. São Paulo, SP: Abril Cultural, 1980.</p><p>MONDIN, B. O ser humano. Quem é ele? São Paulo, SP: Paulus, 2021.</p><p>Aula 3</p><p>HOBSBAWM, et al. Era dos extremos. Ed. Companhia das letras, 1995.</p><p>LUZURIAGA, L. História da educação e da Pedagogia, ED. Nacional, 1983.</p><p>Aula 4</p><p>ALTHUSSER, L. Aparelhos Ideológicos de Estado. 10. ed. São Paulo, SP: Graal, 2007.</p><p>BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo, SP: Perspectiva, 2007.</p><p>NOGUEIRA, M. A. Bourdieu e a Educação. 3. ed. Belo Horizonte, MG: Autêntica, 2009.</p><p>SILVA, T. T. da. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 3. ed. Belo Horizonte, MG: Autêntica,</p><p>2010.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>https://storyset.com/</p><p>https://www.shutterstock.com/pt/</p>

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