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<p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>PATOLOGIA VETERINÁRIA GERAL E ESPECIAL</p><p>ROTEIRO DE AULA PRÁTICA</p><p>ASSUNTO: TÉCNICA DE AUTOPSIA</p><p>1 AUTOPSIA</p><p>Pesquisa científica que requer habilidade, experiência e largos conhecimentos, sendo, portanto, de grande</p><p>responsabilidade para quem a realiza e dela deve obter um diagnóstico. No sentido genérico do termo, é um</p><p>exame que se realiza com o fim de determinar a causa que condicionou a morte ou, se ela é conhecida, qual a sua</p><p>exata natureza, a extensão das lesões e outras alterações que possam estar presentes no cadáver.</p><p>Os objetivos gerais da autopsia são os seguintes:</p><p>✓ Determinar a causa que condicionou a doença ou morte;</p><p>✓ Identificar anomalias congénitas;</p><p>✓ Estabelecer o diagnóstico morfológico e etiológico da doença;</p><p>✓ Confirmar o diagnóstico clínico e estabelecer a relação entre os dados clínicos e a patologia;</p><p>✓ Avaliar os resultados do tratamento com vista a melhorar a sua aplicação;</p><p>✓ Informar o clínico da necessidade de medidas sanitárias ou de saúde pública;</p><p>✓ Obter informação para análise estatística ou epidemiológica.</p><p>Deve ser efetuada em todos os casos sem diagnóstico clínico, com um diagnóstico presumível, e em</p><p>casos aleatórios que igualem 20% a 50% dos animais que morrem numa clínica.</p><p>Uma autópsia é constituída pela história clínica, exame do cadáver: Coleta de material, Hábito externo,</p><p>Hábito interno e Exames complementares.</p><p>2 COLETA DE MATERIAL PRÉ-AUTOPSIA</p><p>A) CITOLOGIA:</p><p>A.1 Objetivo: Identificar hiperplasias, inflamações, neoplasias e degenerações, além de auxiliar no diagnóstico</p><p>para a remoção de nódulos palpáveis em órgãos ou tecidos, tanto malignos quanto benignos.</p><p>A.2 Técnica por PAAF ou CAF (Punção aspirativa por agulha fina/Citologia aspirativa por agulha fina):</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>A.3 Confecção da lâmina – Técnica do Squash</p><p>A técnica consiste na deposição do material celular sobre a lâmina, posteriormente uma lâmina nova vai</p><p>ser colocada de forma vertical sobre a primeira e com movimento retilíneo e suave, deslizar uma lâmina sobre a</p><p>outra, sem promover pressão. Deixar a lâmina secar ao ar.</p><p>B) RASPADO DE PELE/PELO:</p><p>B.1 Objetivo: A pele é o maior órgão do corpo, atua como uma primeira barreira de defesa do organismo frente</p><p>a agentes agressores e permite interagir com meio ambiente. Cães e gatos são frequentemente acometidos por</p><p>doenças da pele, dentre elas destacam-se as alergias, infecções bacterianas, fúngicas, infestações parasitárias,</p><p>metabólicas, dermato-zoonoses etc. Lesões como falta ou queda de pelo, coceira intensa, secreções e</p><p>descamações podem indicar doenças da pele, estes são alguns sintomas que podem indicar a necessidade de um</p><p>exame de raspado de pele. O Exame parasitológico de pele e pelos (EPP) é realizado para verificar a presença de</p><p>ectoparasitas (sarna, carrapato, ácaro e pulga) e/ou microrganismos (bactérias, leveduras e fungos). Pois além de</p><p>acometer os animais provocando graves lesões e algumas ainda pode ser transmitido ao homem.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>B.2 Técnica: É de extrema importância que o animal não esteja sendo tratado pôr no mínimo 15 dias, para evitar</p><p>resultado falso negativo. Em animais de pelo comprido, corte o pelo à até cerca de 1,0 cm da pele. Coletar o</p><p>raspado de pele nas bordas da lesão, raspando profundamente até que ocorra sangramento utilizando</p><p>preferencialmente lâmina de bisturi e se possível enviá-la junto. Evitar o uso da tesoura pôr não ser o instrumento</p><p>adequado para raspado de pele.</p><p>Observação: Não lavar o animal ou a região da lesão para fazer o raspado. No máximo: se estiver muito</p><p>sujo</p><p>C) COLETA POR SWAB:</p><p>C.1 Objetivo: Coleta de material para análise microbiológica, pericial e toxicológica.</p><p>C. 2: Técnica: Swabs de ouvido, lesões de pele, abscessos, laringe, amígdalas, secreção vaginal, nasal, ocular,</p><p>devem ser densamente embebidos com o material infeccioso e remetidos imersos em meios de cultura adequados</p><p>para o transporte (ex.: Meio de Stuart) sob refrigeração. A amostra deve estará própria para análise por um período</p><p>de 24 horas.</p><p>3 A TÉCNICA:</p><p>• A realização da autopsia deve ser o mais breve possível após a morte ou eutanásia, do animal, não devendo</p><p>ultrapassar as 24 horas, já que se acentua a destruição ou autólise dos tecidos. No caso de tal não ser</p><p>possível, o animal deve ser refrigerado, mas nunca congelado.</p><p>• O material necessário para a execução da necropsia inclui: luvas de látex ou borracha, facas de necrópsia,</p><p>de aço, bisturi nº4, com lâmina, pinças bico de pato e dente de rato, tesouras de dissecção, tesouras de</p><p>enterotomia, equipamento de dissecção de osso, serra manual/ machadinha e costótomo/ tesoura de poda.</p><p>3.1 PASSO A PASSO:</p><p>Para estabelecer um diagnóstico preciso, há que seguir os seguintes procedimentos:</p><p>• Identificação do animal</p><p>• Exame externo: aspecto geral e cavidades naturais exploráveis.</p><p>• Incisão nos membros anteriores e posteriores, para estabilização do cadáver, observação do tecido</p><p>subcutâneo e músculos</p><p>• Incisão na linha média do cadáver, com rebatimento da pele.</p><p>• Incisão para abertura da cavidade abdominal com observação das relações e conteúdo dos diferentes</p><p>órgãos</p><p>• Incisão para abertura da cavidade torácica com observação das relações e conteúdo dos diferentes órgãos</p><p>• Evisceração dos órgãos da cavidade abdominal</p><p>• Evisceração de cada um dos órgãos da cavidade torácica em conjunto com os do pescoço</p><p>• Exame de cada um dos órgãos da cavidade torácica e abdominal</p><p>• Abertura da cavidade craniana e exame do encéfalo, olhos e ouvidos</p><p>• Abertura e exame do canal raquidiano, ossos e articulações e medula óssea.</p><p>• Colheita de amostras para exame histológico, microbiológico e exames moleculares.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>• O material colhido para exame histopatológico deve ser fixado em formol a 10% e manuseado com</p><p>cuidado para não danificar os tecidos.</p><p>• O material colhido para microbiológico deve ser o mais asséptico possível e encaminhado para cultura.</p><p>• Materiais para exames moleculares devem ser identificados e armazenados em sacos plásticos e</p><p>congelados.</p><p>3.2 PASSO 1: IDENTIFICAÇÃO DO CADÁVER:</p><p>Nesta deve constar a espécie, a raça, a idade, o sexo, o peso, a cor da pele, e outras características como o</p><p>corte de orelhas e cauda e ainda dados relacionados com a forma de maneio e eventual interesse zootécnico (cães</p><p>de reprodução e pastoreio).</p><p>3.3 PASSO 2: HÁBITO EXTERNO/NECROSCOPIA/ECTOSCOPIA:</p><p>Avaliam-se a condição corporal, tendo em conta as características de raça, sexo e idade, e as articulações</p><p>quanto à mobilidade. Examinam-se cuidadosamente todas as superfícies e estruturas externas, registando os</p><p>seguintes dados:</p><p>• Peso.</p><p>• Condição nutricional.</p><p>• Rigidez.</p><p>• Estado de decomposição postem mortem.</p><p>• Condição do pelo, pele, membranas mucosas, olhos e orifícios corporais.</p><p>• Devem descrever-se tatuagens, cicatrizes, feridas, tumores cutâneos, malformações ósseas, corrimentos</p><p>etc.</p><p>• Retrai-se o prepúcio e extrai-se o pénis e examinam-se os testículos.</p><p>• Eleva-se a cauda e examinam-se o ânus e vestíbulo vaginal.</p><p>❖ AVALIAÇÃO DA PELE E MUCOSA:</p><p>Avalia-se a elasticidade, possíveis alopecias, erosões ou úlceras, alterações de cor ou de espessura e</p><p>presença de ectoparasitas. Nas cavidades naturais externas (fossas nasais, cavidade oral, mucosa ocular, ouvido</p><p>externo, ânus, vulva e prepúcio) deve examinar-se o seu conteúdo e as diferentes alterações que apresentem as</p><p>mucosas. Nestas são importantes as variações de cor, humidade, erosões, exsudados e</p><p>corrimentos anormais,</p><p>úlceras e possíveis nodulações, e a presença de corpos estranhos.</p><p>❖ CAVIDADE ORAL:</p><p>É constituída pelos lábios, mucosa oral e dentes. O exame deverá ser sempre feito no início da autopsia,</p><p>logo que o rigor mortis o permita. Deve examinar-se o conteúdo. A presença de uma coloração diferente do</p><p>habitual que indica alterações locais.</p><p>a) Mucosa com hiperemia/hemorragia</p><p>b) Mucosa com melanose</p><p>c) Mucosa ictérica</p><p>d) Mucosa cianótica</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>A situação e estado dos dentes devem também ser observados. As modificações podem indicar processos</p><p>congénitos ou infecções adquiridas. Da mesma maneira devem analisar-se as glândulas salivares e as amígdalas,</p><p>relativamente ao tamanho e superfície de corte.</p><p>O estudo da língua tem como objetivo a observação da mucosa e do corpo papilar, devendo efetuar-se cortes</p><p>transversais para apreciação do músculo.</p><p>❖ CAVIDADE NASAL:</p><p>Na cavidade nasal avalia-se a presença de exsudados, e a simetria ou assimetria dos seios e ou massas nasais.</p><p>3.4 PASSO 3: HÁBITO INTERNO</p><p>1. Coloca-se o animal em decúbito dorsal e cortam-se os ligamentos musculares da escápula e os músculos</p><p>peitorais (examinam-se aqui o plexo braquial e os gânglios cervical superficial e axilar, relativamente ao volume</p><p>e superfície de corte, mudanças de coloração e consistência – Figura 1).</p><p>2. Em seguida desarticulam-se os membros posteriores, ao nível da articulação coxofemoral (Figura 2A). Faz-se</p><p>uma incisão na linha média, iniciando-se na sínfise mandibular, continuando-se pelo pescoço, tórax, abdómen, e</p><p>terminando no púbis (Figura 2B).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>3. Nos machos, a incisão deve rodear o pênis e nesta altura incidem-se os testículos. Estes devem ser removidos</p><p>após corte do escroto e túnicas envolventes. Em seguida corta-se o testículo esquerdo longitudinalmente e fazem-</p><p>se incisões seriadas no testículo e epidídimo direitos.</p><p>4. A pele do pescoço é retraída lateralmente (examinam-se aqui as glândulas salivares, a glândula parótida e os</p><p>gânglios mandibulares). Isola-se ao lado da traqueia a glândula tiroide (Figura 3).</p><p>5. Os gânglios são avaliados quanto ao volume e superfície de corte (fazendo um corte longitudinal), onde são</p><p>observadas alterações de cor e consistência. Em seguida faz-se a retração da pele em todo o cadáver (Figura 4).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>6. Avaliação:</p><p>> No tecido subcutâneo, apreciam-se os sinais de morte como manchas negro esverdeadas ou enfisema</p><p>cadavérico, que nesta zona são facilmente observáveis.</p><p>> A articulação coxofemoral é avaliada quanto às superfícies ósseas e à quantidade, cor e transparência do líquido</p><p>sinovial.</p><p>> A glândula mamária deve ser avaliada quanto ao volume, forma, consistência e superfície de corte: esta deve</p><p>ser granular, branco acinzentado ou nacarada. Outras alterações de cor devem-se a processos inflamatórios ou</p><p>neoplásicos. Da mesma forma, o líquido que escorre do corte de uma mama alterada pode ser sanguinolento,</p><p>seroso ou purulento.</p><p>3.5 PASSO 4: HÁBITO INTERNO – CAVIDADE ABDOMINAL</p><p>1. A abertura da cavidade abdominal faz-se por uma incisão na linha média rebatendo a musculatura abdominal,</p><p>desde o apêndice xifoide até a região do períneo (Figura 5).</p><p>2. A abertura da cavidade torácica faz-se por corte das articulações costocondrais desde a primeira até à última</p><p>costela, rebatendo-se o externo (Figura 6A). Posteriormente faz-se um corte entre os músculos da primeira e</p><p>segunda costelas (Figura 6B), desbrida-se o diafragma junto às suas inserções (Figura 6C) e força-se o tórax a</p><p>partir, por tração em cada um dos hemitorax (Figura 6D).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>3 Após a abertura na linha média faz-se inspeção dos órgãos da cavidade abdominal in situ. Observa-se a posição</p><p>dos órgãos, o conteúdo e o aspecto do peritônio e do epíploon/omento.</p><p>4 Avalia-se o diafragma quanto à sua concavidade, e relações com o fígado, baço, e ramos do trato digestivo. A</p><p>concavidade merece particular importância pois pode dar indicações sobre o conteúdo torácico. Esta é</p><p>normalmente côncava do lado abdominal, e a sua alteração pode ser indicadora de pneumotórax, hidrotórax etc.</p><p>5 Deve-se um pequeno furo no diafragma deve ouvir-se um silvo que corresponde à entrada de ar dentro da</p><p>cavidade torácica.</p><p>6 O líquido (se presente) pode ser sangue, transudado ou exsudado, ou conteúdo líquido procedente do trato</p><p>gastrointestinal.</p><p>7 Após secção dos omentos maior e menor extraem-se o fígado e o baço cortando as inserções dos ligamentos</p><p>que os relacionam com as vísceras abdominais (Figura 7).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>8 Corta-se o reto e retira-se em direção rostral todo o tubo digestivo até a cárdia (Figura 8). Na curvatura do</p><p>duodeno encontra-se o pâncreas, que será retirado mais tarde.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>9 As glândulas adrenais devem ser retiradas. Estas encontram-se cranialmente aos rins. A adrenal esquerda</p><p>encontra-se por baixo da veia frénica abdominal, e a adrenal direita está junto à veia cava (Figura 9). Fazem-se</p><p>incisões seriadas em cada uma delas.</p><p>10 Os rins devem ser observados in situ quanto ao seu tamanho que corresponderá ao tamanho aproximado de</p><p>três vértebras. Em seguida serão dissecados e separados da faixa subperitoneal apenas com as mãos, mantendo-</p><p>os sempre unidos aos ureteres (Figura 10). Estes, por sua vez, não devem ser separados da bexiga.</p><p>11 Os órgãos do trato urinário são eviscerados em bloco, após corte do colo da bexiga, que nos machos, deve</p><p>incluir também a próstata.</p><p>12 Nas fêmeas faz-se a dissecção dos ovários e do útero, retirando-os em bloco.</p><p>13 Depois de retirados todos os órgãos, os corpos vertebrais devem ser palpados e a aorta abdominal e os</p><p>linfonodos ilíacos inspecionados.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>3.6 PASSO 5: HÁBITO INTERNO – CAVIDADE TORÁCICA</p><p>1 Para a extração da língua, praticamos um corte na face medial do corpo da mandíbula, de ambos os lados, em</p><p>direção caudal (Figura 11 A).</p><p>2 Incidimos a fáscia e musculatura faríngea, puxando a língua manualmente, para baixo e para trás (Figura 11B).</p><p>3 Corta-se o teto da cavidade oral (palato mole) e as cartilagens do osso hioide (Figura 12A), seccionam-se todas</p><p>as aderências com o resto das estruturas, retirando-se tudo por tração posterior até à entrada do tórax onde se</p><p>seccionam os ligamentos frénico-pericárdicos, retirando-se de uma só vez todos os órgãos torácicos após corte</p><p>do esófago e grandes vasos (aorta e veia cava) junto ao hiato diafragmático (Figura 12B).</p><p>Observação: Nesta altura devem examinar-se as veias jugulares e palpar os corpos vertebrais para</p><p>verificação de assimetrias.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>3.7 PASSO</p><p>6: ABERTURA DA ARTICULAÇÃO FEMURO-TIBIO-PATELAR, DESARTICULAÇÃO</p><p>DA CABEÇA, INSPEÇÃO DA MEDULA ÓSSEA E TESTE DE RESISTÊNCIA ÓSSEA</p><p>1 Testa a resistência óssea: Com a faca, seccionar os músculos intercostais, isolando uma costela e quebrá-la</p><p>próximo, à sua articulação com a vertebra, observando o estalido.</p><p>2. Desarticular a cabeça: Remover a cabeça com corte da pele, músculos e ligamentos da região atlanto-occipital,</p><p>até sua desarticulação.</p><p>3. Desarticulação femuro-tibio-patelar: Com uma faca seccionar verticalmente articulação, expor a tabela, e com</p><p>uma tesoura, romper os ligamentos cruzados.</p><p>4. Inspeção da medula óssea: Dissecar o fêmur da pele e musculatura e com costotomo ou serrote, seccioná-lo</p><p>transversalmente na região diafisária, expondo a medula.</p><p>3.8 PASSO 7: AVALIAÇÃO DOS CONJUNTOS</p><p>1° CONJUNTO – LÍNGUA, ESOFAGO, TRAQUÉIA, PULMÕES E CORAÇÃO</p><p>➢ Seccionar a faca dorsal da língua, ao longo do suco mediano.</p><p>➢ Em seguida dissecar o esôfago da traqueia da porção torácica até a porção cranial.</p><p>➢ Posteriormente abrir o esôfago longitudinalmente e avaliar.</p><p>➢ A traqueia deve ser aberta com corte longitudinal, desde a região da laringe até os brônquios avaliando-</p><p>se os pulmões e os linfonodos traqueobronquiais.</p><p>➢ O coração deve ser retirado do saco pericárdico e avaliado, em relação a acúmulo de líquido ou presença</p><p>de fibrinas. Remover o coração dos grandes vasos. No ápice do coração, promover uma secção</p><p>longitudinalmente e avaliar. Posteriormente, no lado esquerdo, seccionar o coração verticalmente. Avaliar</p><p>todas as câmeras e válvulas.</p><p>➢ Avaliar as tireoides e as glândulas salivares promovendo corte vertical.</p><p>2° CONJUNTO – BAÇO E OMENTO/EPIPLOON</p><p>➢ Promover secção transversais ao longo de toda superfície parietal expondo o parênquima esplênico.</p><p>➢ Avaliar alterações ou rupturas no omento.</p><p>3º CONJUNTO – FÍGADO E VESICULA BILIAR, DIAFRAGMA, PÂNCREAS E ESTÔMAGO</p><p>➢ Fígado: Deve ser avaliado quanto ao peso, volume, cor, forma dos lobos, bordos, superfície, consistência,</p><p>superfície de corte e hilo. Fazem-se cortes transversais em toda a superfície do fígado, e da superfície de</p><p>corte examina-se a cor, aspeto e líquido que escorra.</p><p>➢ Vesícula Biliar: abrem-se os grandes ductos biliares e incide-se a vesícula biliar e os grandes vasos. O</p><p>exame interno realiza-se pela incisão, desde o ducto biliar até ao fundo de saco cego. Uma vez aberta,</p><p>avalia-se o conteúdo, a mucosa e as paredes.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>➢ No exame do hilo avaliam-se os ramos venosos direito e esquerdo da veia porta assim como o ducto biliar</p><p>hepático, e os linfonodos hepáticos.</p><p>➢ Diafragma: Avaliar o diafragma para possível ruptura, processo inflamatório ou qualquer tipo de lesão.</p><p>➢ Pâncreas: Secção transversal do pâncreas para avaliação do parênquima.</p><p>➢ Estômago: Abrir pela curvatura maior, da região da cárdia até a região pilórica. Avaliar todo conteúdo,</p><p>em busca de corpo estranho, resto alimentar, possíveis compostos tóxicos e úlceras.</p><p>4º CONJUNTO – INTESTINO</p><p>➢ Devem ser abertos longitudinalmente, sem serem levantado da mesa. Tomar cuidado para não retirar a</p><p>mucosa. Observar presença de parasitas, corpos estranhos, presença de sangue, muco ou secreções</p><p>purulentas.</p><p>5º CONJUNTO – GÊNITO-URINÁRIO</p><p>➢ Rins: Seccionar longitudinalmente os rins pela sua parte convexa e remover sua cápsula com a pinça.</p><p>➢ Ureteres: Observar e palpar. Só devem ser abertos se necessários.</p><p>➢ Vesícula Urinária: Aspirar a urina com uma seringa, antes de abrir e reservar o material. Abrir a mesma</p><p>longitudinalmente. Observar a mucosa, espessura, pontos hemorrágicos ou presença de materiais</p><p>grumosos.</p><p>➢ Macho: A uretra deve ser aberta da região prostática até a região peniana, procedendo também abertura</p><p>do prepúcio.</p><p>• Seccionar sagitalmente os testículos.</p><p>• Seccionar transversalmente a próstata.</p><p>➢ Fêmea: A uretra deve ser aberta da bexiga até a vulva.</p><p>• Seccionar a bolsa ovariana e expor os ovários, fazendo cortes longitudinais no mesmo.</p><p>• Com a tesoura abrir longitudinalmente os cornos uterinos e vagina.</p><p>6º CONJUNTO – ABERTURA E EXAME DA CABEÇA</p><p>➢ Seccionar longitudinalmente a pele da região do focinho até a cabeça.</p><p>➢ Rebater a pele e remover os músculos.</p><p>➢ Seccionar transversalmente o osso frontal, cerca de 3 cm caudalmente as apófises supraorbitárias. Unindo</p><p>o extremo caudal de um olho ao outro.</p><p>➢ Seccionar o osso temporal e occipital lateralmente.</p><p>➢ Unir a extremidade da secção anterior até o forame magno.</p><p>➢ Remover a calota craniana.</p><p>➢ Seccionar a dura-máter expondo o encéfalo e retirando do crânio. Realizar cortes transversais para avaliar</p><p>o interior do encéfalo.</p><p>➢ Avaliar a hipófise, localizada no assoalho do crânio.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>ASSUNTO: DESCRIÇÃO MACROSCÓPICA</p><p>A descrição das lesões deve conter os seguintes aspectos:</p><p>(1) distribuição,</p><p>(2) cor,</p><p>(3) forma,</p><p>(4) tamanho,</p><p>(5) consistência e</p><p>(6) certos aspectos especiais, como peso, som, presença de líquido e odor.</p><p>A interpretação da lesão é o que se conclui (diagnóstico) desses sete aspectos avaliados. Há várias</p><p>maneiras de se comunicar o diagnóstico de uma lesão:</p><p>(a) o diagnóstico morfológico é um resumo da lesão sem especificar a causa (exemplo: enterite granulomatosa,</p><p>difusa, acentuada). Nessa interpretação (diagnóstico morfológico) está implícito que a lesão é inflamatória,</p><p>ocorre no intestino, que atinge todo (ou quase todo) o intestino e que é grave. O nome do órgão sempre deve</p><p>constar do diagnóstico morfológico.</p><p>(b) O diagnóstico etiológico restringe-se a indicar apenas duas coisas – o local e o agente causador da lesão</p><p>(exemplo: enterite micobacteriana).</p><p>(c) A etiologia indica apenas a causa da doença. Não implica em colocar o nome do órgão, a distribuição da lesão</p><p>ou qualquer outro tipo de informação (exemplo: Mycobacterium paratuberculosis).</p><p>(d)Nome da doença/condição: nesse tipo de diagnóstico é necessário que se coloque o nome de uso comum da</p><p>doença (exemplo: doença de Johne).</p><p>1 DISTRIBUIÇÃO</p><p>Distribuição é o arranjo espacial das lesões. Quanto à distribuição, as lesões podem ser focais, multifocais</p><p>(e suas subdivisões), difusas, segmentares, simétricas ou aleatórias. Cada um desses aspectos deve ser descrito</p><p>objetivamente. A técnica para descrevê-los será apresentada a seguir.</p><p>Focais</p><p>Lesões focais ou multifocais são bem definidas num fundo normal. Esse tipo de lesão é subdividido em</p><p>lesões focais, multifocais, multifocais a coalescentes, miliares e disseminadas.</p><p>• Lesões focais (apenas uma lesão) são fáceis de distinguir, pois sobressaem num fundo normal.</p><p>• Lesões multifocais são lesões múltiplas distribuídas pelo órgão e separadas entre si por tecido não afetado.</p><p>Quando alguns focos de lesões multifocais se juntam (coalescem) formando um foco maior, a lesão é</p><p>denominada multifocal a coalescente. Uma apresentação multifocal a coalescente indica que a lesão é</p><p>mais antiga que uma multifocal simples. Quando os focos são numerosos e diminutos, as lesões</p><p>multifocais são denominadas miliares (pela analogia com o número e tamanho dos focos com as sementes</p><p>de painço (millet em inglês, daí miliar).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>Quando as lesões multifocais aparecem em todo um órgão ou sistema são denominadas multifocais</p><p>disseminadas.</p><p>Difusas</p><p>Nas lesões difusas tudo (ou quase tudo) no campo de referência aparece afetado.</p><p>São, em geral, mais difíceis de detectar porque não há contraste com tecido normal, como ocorre nas</p><p>lesões focais.</p><p>A. Simétricas</p><p>A distribuição simétrica ocorre quando a lesão se distribui ao logo de uma</p><p>subunidade anatômica ou</p><p>fisiológica. A lesão hepática centrolobular causada por uma planta de ação hepatotóxica aguda ou as lesões</p><p>inflamatórias em ductos biliares são lesões simétricas pois seguem um padrão anatômico do centro do lóbulo ou</p><p>da árvore biliar. Lesões simétricas bilaterais no encéfalo podem indicar uma alteração tóxica como na</p><p>intoxicaçção por Aeschynomene indica em suínos, enterotoxemia pela toxina de Clostridium perfringens tipo D</p><p>em ovinos e intoxicação por Centaurea spp. em equinos.</p><p>B. Segmentares</p><p>Lesões segmentares indicam que uma porção bem definida do órgão está anormal. Na maioria das vezes,</p><p>a parte afetada é definida por uma unidade vascular.</p><p>C. Aleatórias</p><p>Ao contrário das lesões simétricas, as lesões aleatórias não obedecem a qualquer padrão anatômico e</p><p>ocorrem sem referência a qualquer estrutura anatômica específica. Por exemplo, pontos de necrose distribuídos</p><p>aleatoriamente no parênquima hepático ou abscessos em uma pneumonia embólica.</p><p>2 AS CORES DA PATOLOGIA</p><p>A cor normal de um tecido é constituída pela sua cor própria (geralmente branca), acrescida da cor dos</p><p>pigmentos especiais, por ex., córtex da adrenal em bovinos e equinos, corpo amarelo e quantidade de sangue</p><p>presente. Órgãos que têm quociente sangue/tecido alto, como baço, fígado e rim, são mais escuros. Tecidos que</p><p>têm um quociente sangue/tecido baixo, como o pulmão e encéfalo, são claros. Lesões podem assumir vermelha,</p><p>amarela, preta, verde, serem translúcidas, brancas ou marrons.</p><p>A. Vermelha</p><p>Quando uma lesão é vermelha (seja um vermelho vivo ou um vermelho escuro) é porque há maior</p><p>quantidade de sangue no tecido. Condições em que ocorre avermelhamento do tecido incluem hiperemia,</p><p>congestão passiva e hemorragia. Um vermelho vinhoso ocorre em tecidos em consequência da embebição por</p><p>hemoglobina, usualmente, mas nem sempre, uma alteração pós-morte; em consequência da lise das hemácias a</p><p>hemoglobina se difunde nos tecidos conferindo essa cor característica.</p><p>Embebição por hemoglobina pode ser uma lesão antemortem em casos de doenças com hemólise</p><p>acentuada, como babesiose e hemoglobinúria bacilar em bovinos. Doenças que cursam com hemoglobinúria</p><p>(doenças hemolíticas), mioglobinúria (doenças com degeneração muscular) e hematúria (por ex., em bovinos</p><p>com lesões de bexiga na hematúria enzótica ou lesões renais de glomerulonefrite) são associadas a urina</p><p>vermelha.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>B. Amarela</p><p>Lesões amarelas incluem inflamação, icterícia, acúmulo de gordura, queratina, fibrina e edema. Artefatos</p><p>como embebição biliar também são amarelos. O acúmulo de exsudato inflamatório caseoso, como ocorre na</p><p>linfadenite caseosa e na tuberculose, é amarelo ou banco-amarelado. Exsudato purulento (abscessos) pode</p><p>também ser amarelo. Icterícia é a coloração amarela generalizada dos tecidos produzida pela deposição de</p><p>bilirrubina. Essa é uma alteração da cor vista principalmente em mucosas e tecidos brancos com grande conteúdo</p><p>de elastina, como a íntima das artérias (Figura 24), fáscia de músculos, meninges e superfícies articulares.</p><p>A icterícia ocorre por hiperbilirrubinemia (aumento da concentração de bilirrubina no sangue). As principais</p><p>causas de hiperbilirrubinemia e, consequentemente, de icterícia incluem: (i) hemólise (icterícia pré-hepática),</p><p>com produção excessiva de bilirrubina não-conjugada; (ii) redução na tomada, conjugação ou secreção da</p><p>bilirrubina pelo hepatócito (icterícia hepática ou tóxica), como consequência de lesão hepática difusa grave, aguda</p><p>ou crônica; e (iii) retardamento no fluxo da bile ou colestase (icterícia pós-hepática) por obstrução dos ductos</p><p>biliares extra-hepáticos (colestase extra-hepática) ou impedimento do fluxo dentro dos canalículos (colestase</p><p>intra-hepática).</p><p>A icterícia precisa ser diferenciada do amarelo normal da gordura de bovinos das raças Jersey e Guernsey</p><p>e de cavalos. Assim, a deposição de gordura nos hepatócitos do fígado de um bovino (lipidose hepática) pode dar</p><p>uma coloração amarelada ao fígado. Queratina, como aparece, por exemplo, sobre o quadrilátero esofágico do</p><p>estômago se suínos ou em carcinomas de células escamosas cornificados é amarela, assim como a fibrina quando</p><p>abundantemente infiltrada por neutrófilos.</p><p>A fibrina será branca, se não possuir números abundantes de neutrófilos mortos e degenerados, e será</p><p>marrom se misturada a tecido necrótico e sangue. Alguns tipos de edema conferem uma cor amarela aos tecidos.</p><p>Isso é particularmente evidente no edema do sistema nervoso central de equinos, porque esses animais têm um</p><p>índice ictérico elevado do soro.</p><p>Uma coloração amarela ou amarelo-esverdeada, devida à embebição biliar, ocorre nas porções do fígado</p><p>e outros tecidos adjacentes à vesícula biliar.</p><p>C. Preta</p><p>Lesões (ou estruturas que podem ser confunddas com lesões) pretas incluem melanose, pseudomelanose,</p><p>melanoma, sangue digerido e antracose. Manchas escuras nos tecidos muitas vezes são depósitos normais de</p><p>melanina, como ocorre na íntima de grandes vasos, nas meninges, na mucosa do esôfago, nos pulmões e em</p><p>outros tecidos de animais muito pigmentados, com por exemplo, de ovinos de raças de cara negra.</p><p>A pseudomelanose é uma alteração da cor dos tecidos em contato com os intestinos. Essa alteração resulta</p><p>da combinação do sulfeto de hidrogênio (produzido por bactérias da putrefação no intestino) com o ferro liberado</p><p>da hemólise pós-mortal de eritrócitos. O sulfeto de ferro é um pigmento que mancha os tecidos de azul</p><p>acinzentado, verde ou preto. Manchas pretas de significado patológico ocorrem associadas a tumores de</p><p>melanócitos (melanomas) que produzem grande quantidade de melanina, um pigmento preto.</p><p>Sangue digerido é preto e linfondos do hilo pulmonar de cães podem ser pretos em consequência da</p><p>inalação de carvão da queima de combustíveis ou de alguma outra origem. Essa alteração não tem importância</p><p>clínica e é denominada antracose. Lesões causadas por infecções por fungos pigmentados podem dar uma cor</p><p>preta à lesão, o que fica ainda mais evidente se ocorre em tecidos claros como o encéfalo.</p><p>D. Verde</p><p>Como foi referido acima, manchas verdes podem ocorrer como parte do processo de pseudomelanose e</p><p>de exsudato eosinofílico, principalmente miosite eosinofílica. As áreas de necrose causadas pela tumefação do</p><p>músculo supracoracóide em um compartimento não expansível em frangos e perus são verdes. Isso impede o</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>suprimento sangüíneo e causa necrose isquêmica. Dependendo do estágio de metabolismo, o pigmento biliar</p><p>pode ser verde.</p><p>Clorelose infecções por algas do gênero Chlorella, que produzem pigmento verde associado à lesão),</p><p>locais de injeções e deposição de biuratos de amônia na bexiga causam lesões verdes características.</p><p>E. Translúcida</p><p>Lesões que consistem em líquidos translúcidos (incolores ou citrinos, que deixam passar a luz) indicam</p><p>cistos ou transudatos, isto é intersticial edema cavitário. Por vezes o edema cavitário é amarelo citrino, mas</p><p>translúcido.</p><p>F. Branca</p><p>Um tecido banco indica ausência de sangue. Em casos de anemia acentuada, como na hemoncose de</p><p>ovinos, os tecidos, principalmente as mucosas, são branco porcelana. Infiltrados de células inflamatórias podem</p><p>produzir acúmulos brancos que contrastam com a coloração normal dos tecidos. Esse infiltrados de células</p><p>inflamatórias podem, às vezes, serem difíceis de diferenciar de infiltrados de células neoplásicas. Áreas de</p><p>necrose, queratinização e fibrose em tecidos escuros e áreas de tecido de granulação (cicatricial) aparecem</p><p>também com áreas brancas. É interessante notar que o tecido de granulação mais antigo é branco e o mais recente</p><p>é róseo avermelhado, pois nesse último há maior número de capilares</p><p>e, portanto, maior quantidade de sangue.</p><p>Dependendo da espécie, o acúmulo de gordura pode ser branco, como no caso de um lipoma em cães, branca ou</p><p>amarela, como no caso de lipidose hepática em bovinos. A mineralização também torna o tecido branco. Isso</p><p>tanto é o caso da mineralização dos tecidos moles como do osso. Áreas teciduais onde ocorreram infiltrações</p><p>celulares, como inflamação granulomatosa ou neoplasmas podem ser brancas. A fibrina que faz parte do exsudato</p><p>inflamatório é branca ou amarela se estiver respectivamente pouco ou muito infiltrada por neutrófilos.</p><p>G. Marrom</p><p>Exsudatos purulentos com uma certa quantidade de sangue e tecido necrótico são marrons. Isso é</p><p>particularmente verdadeiro em relação ao pus de cães, que geralmente têm essa cor.</p><p>3 CONSISTÊNCIA</p><p>Consistência é característica de um tecido encarada do ponto de vista da homogeneidade, coerência,</p><p>firmeza, compacidade, aderência entre as suas partes (resistência), densidade, viscosidade etc.. A organização</p><p>(ou falta de) de um tecido é mais bem apreciada na superfície de corte.</p><p>Se na superfície de corte a lesão é amorfa, não tem organização, isto é, suas partes se soltam ao serem</p><p>manuseadas ou o tecido é semisolido ou líquido espesso, provavelmente se trata de um tecido morto ou de um</p><p>exsudato. Há uma comparação usada por vários patologistas: se dá para passar o tecido com uma faca sobre um</p><p>pão como se fosse manteiga ou patê, trata-se de um exsudato não-organizado. Se o tecido possui organização,</p><p>isto é, aderência entre suas células, provavelmente trata-se de tecido de granulação, fibroplasia, inflamação</p><p>granulomatosa ou neoplasma.</p><p>A consistência de uma lesão pode ser líquida, como no caso de hemorragia, edema, ascite ou exsudato</p><p>em uma pleurite purulenta; macia, como no caso de um linfossarcoma; firme, como no caso de um carcinoma</p><p>de células escamosas cirrroso; e dura, como no caso de uma lesão de actinomicose na mandíbula. Há outra</p><p>comparação usada por vários patologistas: macia é a consistência do lobo da orelha de uma pessoa, firme é a</p><p>consistência da cartilagem da orelha ou da ponta do nariz e dura é a consistência da testa.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>4 FORMA</p><p>Aqui devem-se considerar os aspectos ou características geométricas da lesão. A lesão poderá ser elevada</p><p>e saliente, plana ou deprimida. A forma da lesão pode ser irregular ou geométrica.</p><p>A. Elevada ou saliente</p><p>Lesões elevadas ou salientes indicam que alguma coisa foi acrescentada ao tecido. Isso inclui edema,</p><p>tumores, hematomas ou granulomas.</p><p>B. Plana</p><p>Uma lesão plana, que mantém a altura que o tecido adjacente, indica uma lesão recente, isto é, não houve</p><p>ainda tempo para alterar o tecido. Por exemplo, numa área de necrose recente como necrose de coagulação ou</p><p>necrose recente do córtex telencefálico, como observado em casos de malacia na meningocefalite por herpesvírus</p><p>bovino no lobo frontal.</p><p>C. Deprimida</p><p>A lesão deprimida indica que alguma coisa foi retirada do tecido. Isso ocorre em casos mais crônicos de</p><p>necrose onde há tempo para a dissolução e retirada do tecido necrótico. Mantendo os dois exemplos acima, com</p><p>o tempo o tecido necrosado do infarto renal e da necrose cerebrocortical serão retirados do local, deixando áreas</p><p>deprimidas. É claro que uma lesão deprimida indica um processo mais crônico que a lesão plana.</p><p>D. Formas geométricas bem demarcadas</p><p>Correspondem geralmente a lesões produzidas por alterações que obstruíram uma unidade vascular; são,</p><p>portanto, em geral, lesões segmentares. Isso pode ser bem exemplificado no caso da erisipela suína e no caso dos</p><p>infartos renais (áreas de necrose de coagulação causadas por isquemia). Infartos renais que foram produzidos pela</p><p>obstrução da artéria interlobular têm uma forma de cunha (triangular quando vista nas duas dimensões de uma</p><p>superfície de corte) com o vértice voltado para interface córtex-medular. Infartos resultantes da obstrução da</p><p>artéria arciforme são localizados na cortical do rim e têm forma retangular, enquanto infartos resultantes de</p><p>obstrução da artéria interlobar têm também forma de cunha (triangular quando vista nas duas dimensões de uma</p><p>superfície de corte) mas seu vértice localiza-se na zona medular do rim. Um conhecimento da unidade vascular</p><p>do lobo renal permite entender perfeitamente esse fenômeno.</p><p>5 TAMANHO</p><p>O tamanho de uma lesão deverá ser relatado em unidades do sistema métrico. Por ex., “na cortical há um</p><p>cisto de 0,5 cm de diâmetro”. Alterações do tamanho dos órgãos são difíceis de avaliar quando pouco acentuadas.</p><p>Em órgãos pares essa avaliação é facilitada pelo termo de comparação; mesmo assim, pode ocorrer a dúvida de</p><p>se a diferença de tamanho é pelo aumento de volume do órgão esquerdo ou por diminuição de volume do órgão</p><p>direito ou ambos.</p><p>Aumento de volume considerável de órgãos únicos, como é o caso de um baço com hemangiossarcoma,</p><p>são mais fáceis de avaliar. Um controle, isto é, um órgão de um animal de mesma espécie, tamanho e idade, ajuda</p><p>a decidir por possíveis variações no volume do órgão. Órgãos ficam maiores por tumefação celular, por hipertrofia</p><p>de suas células, por proliferação benigna de suas células (hiperplasia ou neoplasmas benignas), por proliferação</p><p>maligna dessas células (neoplasmas malignas), infiltração de células malignas de outros neoplasmas (metástases)</p><p>ou por proliferação da matriz extracelular, como no caso da endocardiose.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>A assimetria de um órgão indica a alteração de volume de uma de suas partes. Por exemplo, a assimetria</p><p>do telencéfalo indica que houve aumento (alguma coisa acrescentada) ou diminuição (alguma coisa retirada) de</p><p>um dos hemisférios.</p><p>Alguns órgãos são fisiologicamente dinâmicos, isto é, podem alterar seu tamanho por razões funcionais.</p><p>Alguns são rapidamente dinâmicos (segundos a minutos), como o pulmão e a bexiga (Figura 81), e outros são</p><p>lentamente dinâmicos, como o baço e o trato gastrintestinal.</p><p>6 ASPECTOS ESPECIAIS</p><p>A avaliação de alguns aspectos especiais dos órgãos na necropsia ajuda na interpretação das lesões. O</p><p>peso indica se houve perda (alguma coisa retirada) ou ganho (alguma coisa acrescentada) de massa tecidual</p><p>(Figura 84). O som é um aspecto que fornece informações limitadas, mas o som crepitante do músculo esquelético</p><p>em um bovino indica miosite com produção de gás (provavelmente carbúnculo sintomático, infecção por</p><p>Clostridium chauvoei.</p><p>Odor é um parâmetro difícil de definir, mas o odor de fossa séptica no intestino de eqüinos indica</p><p>salmonelose. Em cães, enterite hemorrágica tem um cheiro suis generis. Na intoxicação por Senecio spp. há um</p><p>odor agridoce característico na pele de bovinos.</p><p>7 SIGNIFICADO CLÍNICO</p><p>Aspectos importantes que influem no significado de uma lesão incluem extensão, reversibilidade da lesão,</p><p>vulnerabilidade e localização.</p><p>Extensão</p><p>É importante que a extensão (porcentagem do tecido envolvido na lesão) seja observada e relatada: “30%</p><p>da região cranioventral do pulmão está consolidada”. É necessário que 80% do parênquima seja comprometido</p><p>por uma lesão para que ocorra insuficiência hepática; assim, uma lesão focal, como um abscesso (Figura 88) tem</p><p>um significado diferente do que uma lesão hepática difusa, como cirrose (Figura 88).</p><p>Reversibilidade</p><p>O potencial de reversibilidade e uma lesão é determinado pelo diagnóstico morfológico. Por exemplo, um</p><p>diagnóstico de dermatofitose num bovino indica um processo reversível enquanto o diagnóstico de carcinoma de</p><p>células escamosas na vulva de uma vaca indica um processo irreversível.</p><p>Vulnerabilidade do tecido</p><p>A vulnerabilidade de um tecido está relacionada a redundância de suas unidades anatômicas, de sua</p><p>reserva funcional e de sua</p><p>capacidade de regeneração. Por exemplo, o fígado é formado de unidades redundantes</p><p>(ácinos hepáticos) que se repetem aos milhares. A perda de algumas dessas unidades não trará qualquer prejuízo</p><p>ao funcionamento do órgão. No entanto, poucas estruturas se repetem no encéfalo e a perda dessas estruturas</p><p>redunda em dano permanente na função do órgão.</p><p>A reserva funcional está relacionada a estruturas redundantes que não são utilizadas normalmente e que</p><p>podem entrar em funcionamento em caso de lesão. O poder de regeneração diminui a vulnerabilidade de um</p><p>órgão. O fígado pode regenerar até 70% de seu parênquima em caso de lesão, o que não ocorre com o tecido do</p><p>sistema nervoso central.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>ASSUNTO: LEITURA DE LÂMINA</p><p>1 CONSIDERAÇÕES GERAIS</p><p>O exame histopatológico é um dos recursos de diagnóstico utilizados em diferentes situações na prática</p><p>clínica para que se possa obter auxílio na determinação de um diagnóstico.</p><p>As amostras encaminhadas ao laboratório devem estar acompanhadas de uma requisição (Figura 1 – modelo de</p><p>requisição). devidamente preenchida. Todas as informações solicitadas ao proprietário e/ou médico veterinário,</p><p>como os referentes aos dados clínicos, histórico e aspecto macroscópico da lesão são essenciais para a conclusão</p><p>de um diagnóstico.</p><p>O laboratório de anatomia-patológica inicia uma série de procedimentos para a confecção de lâminas, que</p><p>serão posteriormente analisadas. Com isso, obtêm-se um documento médico importante, que é o laudo ou</p><p>relatório histopatológico.</p><p>Quanto à descrição microscópica de uma lâmina, seja de histopatologia ou de citologia, é muito importante</p><p>descrever de forma clara e concisa todos os aspectos microscópicos (especialmente os mais relevantes)</p><p>observados no material encaminhado pelo clínico veterinário. Cabe também ao patologista interpretar o seu</p><p>significado e fazer comentários acerca dos diagnósticos diferenciais e prognóstico esperado.</p><p>Deve-se ter em mente que não há uma única maneira de descrever uma lâmina, no entanto alguns pontos</p><p>importantes devem ser levados em consideração para a elaboração de um bom laudo.</p><p>2 DICAS SOBRE COMO FAZER</p><p>1. Antes de colocar a lâmina no microscópio, olhando-a contra a luz, verifique o número de fragmentos teciduais.</p><p>Fragmentos de um ou de diversos órgãos podem ser colocados na mesma lâmina e é essencial que todos sejam examinados.</p><p>2. Seja conciso.</p><p>Nos casos em que foram remetidos múltiplos fragmentos de um mesmo órgão, deve-se listar o número de fragmentos e especificar a</p><p>descrição e diagnóstico para cada fragmento, exceto se o diagnóstico for o mesmo para todos os fragmentos.</p><p>3. Tenha cuidado na caligrafia, ortografia e gramática.</p><p>Erros na grafia, especialmente de nomes técnicos (de parasitas, bactérias, etc), bem como erros gramaticais (por exemplo, na</p><p>concordância) tiram ou põem em dúvida a acurácia da descrição.</p><p>4. Examine os órgãos de uma maneira sistemática e descreva apenas as lesões.</p><p>5. Use terminologias específicas, como os nomes de localizações anatômicas, os aspectos de parasitas e termos</p><p>descritivos específicos para os vários tipos de degeneração, inflamação, necrose e várias outras condições.</p><p>Sempre que possível, mencione o tamanho e a forma em suas descrições; esses são termos descritivos poderosos. Por exemplo: zoítos</p><p>de Sarcocystis podem ser descritos como “zoítos de 1x2 μm em forma de banana”</p><p>3 DICAS SOBRE O QUE DEVE SER EVITADO</p><p>Para uma descrição ser de fácil entendimento, não devem ser utilizados termos desnecessários, que</p><p>demandem perda de tempo tanto para quem descreve como para quem lê.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>Não descreva aspectos normais, exceto nos exames de microscopia eletrônica.</p><p>Não é necessário descrever lesões que não foram observadas, como por exemplo: “não há evidência de invasão vascular”</p><p>Não é necessário descrever cada célula ou cada padrão celular observados numa lâmina. Descreva os aspectos observados na</p><p>maioria das células.</p><p>Evite redundâncias ou outros termos inúteis, como por exemplo “de cor azul”.</p><p>4 DESCRIÇÃO DAS LESÕES NÃO NEOPLASICAS</p><p>Descreva a lâmina numa sequência de “pirâmide invertida”.</p><p>As lesões mais importantes para a elucidação do diagnóstico devem ser descritas primeiro; as demais alterações</p><p>devem ser descritas posteriormente.</p><p>1. Primeira frase. ÓRGÃO E LESÃO PREDOMINANTE.</p><p>• Inicie pelo nome do órgão. Quando o órgão não for óbvio faça uma breve descrição e dê uma interpretação.</p><p>• Descreva a principal lesão quanto a sua localização, distribuição e intensidade e evolução.</p><p>Ex.: Pulmão. Broncopneumonia supurativa multifocal grave aguda.</p><p>2. Segunda frase. COMPONENTES.</p><p>• Descreva os componentes celulares e/ou os componentes não-celulares. Liste todos os tipos celulares observados,</p><p>em ordem de prevalência e de números relativos de cada um. Liste as alterações associadas como fibrina, edema,</p><p>hemorragia, detrito celular etc.</p><p>Evite usar os termos “infiltrados de células mononucleares”, “inflamação não-supurativa”, “inflamação supurativa” ou</p><p>“inflamação granumomatosa”.</p><p>• Localize e quantifique tudo.</p><p>Ex.: Submucosa intestinal com pequeno número de linfócitos e plasmócitos e raros eosinófilos.</p><p>3. Terceira frase. AGENTE ETIOLÓGICO.</p><p>• Descreva a localização e aspecto do agente (tamanho, forma e cor)</p><p>• Faça a interpretação de acordo com os aspectos observados (bacilos, cocos, hifas de fungos etc.).</p><p>Ex.: Neurônios com a presença de corpúsculos de inclusão intracitoplasmáticos, pequenos, arredondados e eosinofílicos, compatíveis</p><p>com o Corpúsculo de Negri.</p><p>4. Quarta frase. DIAGNÓSTICO MORFOLÓGICO</p><p>Há muitas maneiras de formular um diagnóstico morfológico. Como muitas instituições de ensino brasileiras, aqui será adotado o</p><p>modelo utilizado pelo AFIP (Armed Forces Institute of Pathology).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>Assim, para concluir o diagnóstico morfológico consideramos:</p><p>• Local. Citar o órgão listado na descrição morfológica e sempre que possível, a localização específica da</p><p>lesão.</p><p>• Lesão. Utilizar termos específicos e adequados para caracterizar a lesão.</p><p>• Duração. Aguda, subaguda, crônica, crônico-ativa.</p><p>• Distribuição. Incipiente, focal, focalmente extensa, multifocal, multifocal a coalescente, difusa).</p><p>• Intensidade. Discreta, leve, moderada e acentuada; pode-se ainda utilizar termos intermediários, como</p><p>leve a moderada etc.</p><p>Ex.: "Fígado: necrose coagulativa centro-lobular, aguda, multifocal, moderada".</p><p>Ex.: "Rim, glomérulos: glomerulo-nefrite granulomatosa crônica acentuada”.</p><p>5 DESCRIÇÃO DAS LESÕES NEOPLÁSICAS</p><p>1. Primeira frase. ÓRGÃO</p><p>• Inicie pelo nome do órgão. Quando o órgão não for óbvio faça uma breve descrição e dê uma</p><p>interpretação.</p><p>2. Segunda frase. DESCRIÇÃO SUBMACROSCÓPICA.</p><p>• Neste ponto da descrição, deve-se dar uma ideia geral da neoplasia, quanto a sua localização, tamanho,</p><p>celularidade, forma, crescimento, encapsulamento e tipos celulares.</p><p>3. Terceira frase. PADRÕES CELULARES E TIPO DE ESTROMA</p><p>• Inicia-se com a caracterização da neoplasia quanto ao seu arranjo celular.</p><p>Os termos ninhos, pacotes, cordões (comuns aos carcinomas), túbulos, ácinos (adenocarcinomas), feixes, correntes, redemoinhos</p><p>(sarcomas) e mantos (sarcomas de células redondas) são comumente utilizados. Pode-se ainda acrescentar os adjetivos bem</p><p>agrupadas, frouxamente agrupadas etc.</p><p>• Na última parte desta frase deve-se falar sobre o estroma.</p><p>Ex.: Os termos fibrovascular e fibroso são comumente utilizados.</p><p>4. Quarta frase. ASPECTOS CITOLÓGICOS</p><p>• Inicie descrevendo o aspecto geral das células, como sua forma (redondas, fusiformes, ovais,</p><p>cuboides,</p><p>colunares, poligonais, multinucleadas ou pleomórficas), tamanho (anisocariose, anisocitose) e limites</p><p>celulares (distintos ou indistintos).</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>• Considere os aspectos do citoplasma, como sua quantidade (abundante, moderado ou escasso), cor</p><p>(eosinófilo, basófilo) e aspecto (homogêneo, fibrilar, granular).</p><p>• Considere os aspectos do núcleo, como sua forma (redondo, oval, alongado, fusiforme, pregueado etc.),</p><p>localização na célula (central, paracentral, excêntrico), distribuição da cromatina (esparsa, finamente</p><p>pontilhada, grosseiramente pontilhada, formando agregados) e coloração da cromatina (hipercromático).</p><p>• Considere os aspectos do nucléolo, como número (apenas um, dois, múltiplos) e cor.</p><p>• Considere a atividade mitótica, como o número de mitoses por campo de grande aumento (40x) e a</p><p>ocorrência de mitoses bizarras.</p><p>5. Quinta frase. EVIDÊNCIA DE MALIGNIDADE.</p><p>É importante observar a ocorrência de invasão de vasos sanguíneos e linfáticos e invasão da membrana basal ou da cápsula.</p><p>6. Sexta frase. OUTRAS ALTERAÇÕES.</p><p>Considerar as alterações não relacionadas diretamente com a neoplasia, como a ocorrência de inflamação, ulceração, hemorragia,</p><p>mineralização ou outras</p><p>7. Sétima frase. DIAGNÓSTICO MORFOLÓGICO.</p><p>O diagnóstico morfológico para uma neoplasia é simplesmente o local e o tipo da neoplasia.</p><p>Ex.: “Fêmur: osteossarcoma telangiectásico”</p><p>Ex.: “Pele hirsuta: plasmocitoma”.</p><p>ASSUNTO: PROCESSOS DEGENERATIVOS E ACÚMULOS INTRACELULARES</p><p>Objetivo: Reconhecer os diversos processos degenerativos intracelulares decorrentes do acúmulo de</p><p>várias substâncias no citoplasma celular.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>DEGENERAÇÕES são lesões reversíveis decorrentes de alterações bioquímicas que resultam em acúmulo de</p><p>substâncias no interior das células.</p><p>ACÚMULOS INTRACELULARES ocorrem como uma das manifestações dos transtornos metabólicos nas</p><p>células. As substâncias acumuladas podem ser parte de um constituinte celular normal, uma substância exógena</p><p>ou um pigmento.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>Estes acúmulos (muitas vezes também denominados de degenerações intracelulares) podem decorrer do</p><p>acúmulo de água (degeneração hidrópica), triglicérides (esteatose), colesterol (lipidose) ou glicogênio</p><p>(degeneração glicogênica) e têm como característica comum a vacuolização citoplasmática.</p><p>Observações: Ao microscópio óptico e através dos métodos de processamento rotineiros (inclusão em parafina e</p><p>HE), o aspecto de algumas destas alterações pode ser semelhante, dificultando o diagnóstico. A distinção destas</p><p>poderá ser confirmada por métodos especiais de coloração. A coloração de cortes de congelação com corantes</p><p>tipo Sudam III ou IV marca a gordura; em cortes parafinados o PAS marca os polissacarídeos (como o</p><p>glicogênio).</p><p>ASSUNTO: ALTERAÇÕES DO INTERSTÍCIO E INCLUSÕES</p><p>Objetivo: Reconhecer os diversos processos decorrentes do acúmulo de várias substâncias no interstício,</p><p>bem como identificar corpúsculos de inclusão, importantes para o diagnóstico de diversas doenças.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>ALTERAÇÕES INTERSTICIAIS: são decorrentes do depósito de determinada substância na matriz</p><p>extracelular.</p><p>CORPÚSCULOS DE INCLUSÃO: são agregados intracelulares decorrentes de diversas condições patológicas</p><p>e apresentam diferenças estruturais e tintoriais que, em geral, auxiliam no estabelecimento do diagnóstico</p><p>etiológico.</p><p>ASSUNTO: MORTE CELULAR</p><p>Objetivo: Reconhecer os diversos processos que cursam com morte celular.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>AUTÓLISE: é uma alteração que ocorre após a morte somática e que podem ser amplificadas ou aceleradas pela</p><p>proliferação bacteriana (putrefação). As alterações morfológicas mimetizam a necrose isquêmica, porém sem a</p><p>ocorrência de processo inflamatório associado.</p><p>NECROSE: é o conjunto de alterações morfológicas que se seguem à morte celular em um organismo vivo. As</p><p>alterações citoplasmáticas consistem em aumento da acidofilia, retração e vacuolização. As alterações nucleares</p><p>consistem em picnose (retração e aumento da basofilia nucleares), cariorréxis (fragmentação do núcleo) e</p><p>cariólise (dissolução nuclear).</p><p>APOPTOSE: é um fenômeno em que a morte celular ocorre de forma programada, envolvendo a degradação do</p><p>DNA e das proteínas celulares segundo um programa celular específico. As células apoptóticas diminuem de</p><p>tamanho e apresentam cromatina condensada formando agregados próximos à membrana nuclear. A seguir há</p><p>formação de corpos apoptóticos (fragmentos celulares), percebendo-se finalmente a fagocitose das células ou de</p><p>seus fragmentos por macrófagos, sem inflamação.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>ASSUNTO: CALCIFICAÇÃO PATOLÓGICA</p><p>Objetivo: Reconhecer o aspecto histopatológico das calcificações patológicas em diversos órgãos e</p><p>relacionadas a diferentes lesões.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>CALCIFICAÇÕES OU MINERALIZAÇÕES PATOLÓGICAS (ou heterotópicas) ocorrem quando há</p><p>deposição de sais (fosfatos, carbonatos e citratos) de cálcio (e de menores quantidades de ferro, magnésio e</p><p>outros) em tecidos frouxos não osteóides.</p><p>CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA: afeta tecidos lesados e não depende dos níveis plasmáticos de cálcio e</p><p>fósforo.</p><p>CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA: resulta na precipitação dos sais em tecidos normais devido a condições</p><p>hipercalcêmicas.</p><p>O aspecto morfológico destes dois tipos de calcificações é similar e ambas podem ocorrer concomitantemente, já</p><p>que a deposição de cálcio nos tecidos sadios pode resultar em lesão e que a hipercalcemia pode também favorecer</p><p>a deposição de cálcio nos tecidos lesados, intensificando a calcificação distrófica. A distribuição e localização</p><p>dos depósitos podem auxiliar na diferenciação entre calcificação distrófica e metastática.</p><p>ASSUNTO: PIGMENTAÇÕES</p><p>Objetivo: As pigmentações ocorrem em número considerável de doenças, mas o pigmento em si raramente</p><p>resulta em alterações significativas. A importância está em reconhecer os pigmentos macro e microscopicamente</p><p>e relacioná-los às possíveis causas para o diagnóstico de diversas patologias.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>PIGMENTOS são substâncias de composição química e cores próprias, amplamente espalhadas na natureza,</p><p>que também podem ser encontrados nas células e tecidos, sob a forma de grânulos e, em determinadas</p><p>circunstâncias, podem constituir causa ou efeito de alterações funcionais.</p><p>PIGMENTOS ENDÓGENOS: são oriundos de substâncias que fazem parte da organização corporal, sendo</p><p>produtos específicos da atividade celular. Ou seja, é uma substância produzida dentro e pelo próprio organismo.</p><p>PIGMENTOS EXÓGENOS: são oriundos do exterior, que introduzidos no organismo por ingestão, inalação</p><p>ou inoculação, se depositam nos tecidos, funcionando como corpos estranhos, sendo fagocitados por macrófagos</p><p>ou drenados por vasos linfáticos.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>ASSUNTO: ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS</p><p>Objetivo: Esta unidade tem como objetivo o reconhecimento das diversas alterações circulatórias, que</p><p>ocorrem em diferentes situações clínicas e estão relacionadas com distúrbios que interferem no fluxo e na</p><p>irrigação sanguínea e/ou no equilíbrio hídrico.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>HIPEREMIA decorre de um processo ativo, por aumento do influxo sanguíneo em determinado tecido.</p><p>CONGESTÃO decorre de um processo passivo por diminuição no fluxo de saída (com um fluxo de entrada de</p><p>sangue normal ou aumentado).</p><p>EDEMA refere-se ao acúmulo anormal de líquido nos espaços teciduais ou nas cavidades</p><p>orgânicas (que é uma</p><p>lesão, mas não uma doença específica).</p><p>TROMBOSE é o processo patológico caracterizado pela solidificação do sangue dentro dos vasos ou do coração,</p><p>no indivíduo vivo. Uma consequência importante é a EMBOLIA, a qual é caracterizada pela presença de uma</p><p>substância que circula livremente pela circulação sanguínea e que segue até um local distante do seu ponto de</p><p>origem.</p><p>HEMORRAGIA é definida como extravasamento de hemácias para fora do sistema cardiovascular.</p><p>CHOQUE é a via comum final de uma série de eventos clínicos potencialmente letais, decorrente de hipotensão,</p><p>seguida por redução da perfusão tecidual, hipóxia célula, degeneração e morte celular.</p><p>ASSUNTO: PROCESSOS INFLAMATÓRIOS</p><p>Objetivo: Reconhecer os principais aspectos microscópicos que caracterizam os processos inflamatórios</p><p>frente a diversas agressões.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>A reação inflamatória representa a resposta do organismo às agressões, sejam elas de natureza química,</p><p>física ou biológica. Tal resposta, apesar de complexa manifesta-se de maneira essencialmente estereotipada,</p><p>produzindo alterações da microcirculação da área afetada pelo estímulo lesivo e tecidos vizinhos e migração</p><p>celular, que corresponde à fase aguda do processo. A consequência mais frequente é a resolução do processo</p><p>inflamatório e a reparação morfológica e funcional do tecido afetado. Entretanto, se houver persistência do</p><p>estímulo lesivo, os eventos agudos predominantemente exsudativos diminuem de intensidade e o processo evolui</p><p>para uma condição crônica, com alterações da estrutura do tecido conjuntivo circunjacente, passando a adquirir</p><p>característica predominantemente proliferativa.</p><p>INFLAMAÇÃO AGUDA é uma resposta de curta duração, em que predominam as células polimorfonucleares,</p><p>representadas por neutrófilos e eosinófilos.</p><p>INFLAMAÇÃO CRÔNICA decorre da persistência do agente etiológico no tecido, com predomínio de células</p><p>mononucleares como macrófagos, linfócitos e plasmócitos, acompanhados por proliferação fibrovascular.</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO INGÁ</p><p>CREDENCIADA PELA PORTARIA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO N.º 776/2016</p><p>ASSUNTO: DISTÚRBIOS DO CRESCIMENTO E DIFERENCIAÇÃO CELULAR</p><p>Objetivo: Reconhecer as principais alterações microscópicas que caracterizam os diversos distúrbios do</p><p>crescimento e diferenciação celular.</p><p>1 CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>Há diversas alterações que resultam de distúrbios do crescimento e da diferenciação celular. Entre elas,</p><p>podemos citar:</p><p>HIPOPLASIA: falha no desenvolvimento de um órgão levando a formação do mesmo em tamanho menor que</p><p>o normal.</p><p>DISGENESIA: órgão formado de tamanho e conformação anormais.</p><p>ATROFIA: redução de um tecido principalmente por redução no tamanho de suas células após o</p><p>desenvolvimento normal do mesmo. Em algumas situações, o número de células também poderá reduzir.</p><p>HIPERTROFIA: aumento de um órgão devido ao aumento volumétrico das células que o compõe. Ocorre em</p><p>tecidos com baixa capacidade mitótica devido a aumento quantitativo dos constituintes celulares para atender um</p><p>aumento de demanda funcional.</p><p>HIPERPLASIA: aumento de um órgão devido ao aumento no número de células que o compõe. Ocorre por</p><p>aumento da taxa de replicação celular (mitoses), devido aumento da demanda funcional (adaptação) ou por</p><p>aumento de estímulos tróficos (ex.: hormonais).</p><p>METAPLASIA: mudança na diferenciação de células precursoras de um determinado tecido especializado para</p><p>um tipo menos especializado, porém mais resistente. Ocorre desta forma no tecido, uma substituição de um tipo</p><p>de célula madura em outro tipo celular maduro de uma mesma linhagem germinativa (exemplo: células basais da</p><p>mucosa de brônquios diferenciam-se em epitélio escamoso ao invés de epitélio respiratório quando submetidas a</p><p>irritações crônicas).</p><p>DISPLASIA: em geral este termo é utilizado para caracterizada aumento no número de células em um tecido</p><p>associado a falhas na diferenciação normal delas. Nestes casos ainda há chances de regressão se o estímulo a</p><p>proliferação celular for retirado. No entanto, são considerados distúrbios pré-cancerígenos, indicando que há</p><p>riscos de evolução para neoplasias.</p><p>NEOPLASIAS: aumento de determinado tecido por proliferação celular progressiva que não responde aos</p><p>mecanismos de controle do organismo. Mesmo com a retirado do estímulo inicial a proliferação celular não cessa.</p>