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<p>Profª Me. Gisele Almada</p><p>PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO</p><p>Os títulos de crédito, conforme se observou, são formas de se agilizar a transação e circulação de mercadorias e serviços, sem a necessidade de haver, naquele determinado momento, a presença de moeda.</p><p>São estudados pelo direito cambial e presentes no direito empresarial, à medida que a utilização rotineira se dá principalmente por empresas, seja como emissores ou recebedores.</p><p>Em síntese, os títulos de crédito representam obrigações de crédito ou débito, como instrumentos de prova da natureza jurídica da relação entre as partes. Legalmente, a definição trazida pelo artigo 887 do Código Civil dispõe que: “o título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei”.</p><p>No ordenamento jurídico brasileiro existem diferentes espécies de títulos de crédito sendo que para cada espécie de título tem-se a necessidade de se preencher determinados requisitos legais. E apesar de cada modalidade possuir suas particularidades, a sua grande maioria possui alguns requisitos em comum.</p><p>São características ou princípios inerentes aos títulos de crédito: a cartularidade, a literalidade e a autonomia das obrigações cambiais.</p><p>A cartularidade é o principio pelo qual o credor do título de crédito deve provar que se encontra na posse do documento para exercer o direito nele mencionado .Logo, é necessário o documento (carta) para o exercício do direito nele contido. Tal principio é uma garantia de que quem postula a satisfação do direito é de fato o seu titular. Ressalta-se que, inobstante o principio da cartularidade exija a presença do documento para comprovação do direito, os tribunais tem mitigado a regra. Nessa seara, o CC/02 dispôs em seu art. 889, § 3º, sobre a possibilidade de o título ser emitido pelo computador. Trata-se da chamada desmaterialização dos títulos de crédito.</p><p>O avanço dos títulos na modalidade magnética, coloca em xeque o principio da cartularidade, na medida em que permite a emissão de títulos não materializados em documentos físicos. Para o autor, o processo de desmaterialização dos títulos de crédito é uma consequência natural do desenvolvimento do comércio eletrônico, que exige que repensemos o conceito de documento, o qual não pode mais ser visto apenas como algo materializado em papel. O documento eletrônico é uma realidade já consolidada nos dias atuais, e o mercado, obviamente, foi quem mais rápido se adaptou a ela, criando a assinatura digital, por meio do sistema de criptografia.</p><p>O princípio da literalidade associasse a ideia de que somente é considerado aquilo que está expressamente escrito no título. Pelo principio da literalidade somente produzem efeitos jurídico-cambiais os atos lançados no próprio título de crédito. A literalidade garante às partes envolvidas na relação de crédito receber a exata correspondência entre aquilo que está disposto no título e o direito assegurado, de modo que o credor poderá exigir aquilo que está expressamente previsto na carta e o devedor terá o direito e dever de pagar apenas aquilo que está disposto, não podendo lhe imputar uma obrigação que não tenha sido admitida no título .</p><p>Por fim, o princípio da autonomia é aquele pelo qual o título de crédito configura documento constitutivo de direito novo, autônomo, originário e completamente desvinculado da relação que lhe deu origem. Isso significa que o adquirente do título passa a ser um titular autônomo do direito nele mencionado, ou seja, o crédito é desvinculado da causa que lhe deu origem e todos aqueles que passam a assumir obrigações no título, o fazem de forma autônoma em relação aos demais.</p><p>Pelo princípio da autonomia das obrigações cambiais, os vícios que comprometem a validade de uma relação jurídica, documentada em título de crédito, não se estendem às demais relações abrangidas no mesmo documento. Há neste princípio, existência de dois subprincípios decorrentes da autonomia, a abstração e a inoponibilidade de exceções pessoais.</p><p>A abstração ocorre quando o título de crédito circula, pois neste caso ele se desvincula do negócio jurídico que lhe deu origem (visa dar segurança às relações cambiárias). Caso contrário (em não ocorrendo a circulação), o título continua vinculado entre os negociantes originários.</p><p>A inoponibilidade das exceções pessoais aos terceiros de boa-fé significa que o devedor não pode alegar em sua defesa matéria estranha à sua relação direta com o credor/portador, no caso de ter o título circulado, salvo provando a sua má-fé, em sendo este terceiro, que não o credor originário.</p><p>De acordo com a lei, são apenas três os casos em que poderão ocorrer, com validade, as oponibilidades ao pagamento na ação cambiária, sendo:</p><p>1) direito pessoal do réu contra o autor;</p><p>2) defeito de forma de título;</p><p>3) falta de requisito ao exercício da ação.</p><p>1) DIREITO PESSOAL DO RÉU CONTRA O AUTOR</p><p>O Dir. pessoal é compreendido como um direito que deriva de obrigação assumida pessoal e diretamente pelo obrigado cambiário para com o portador. Deste modo, são válidas todas as alegações que a pessoa do réu pode opor à pessoa do autor, aquelas relativas tanto aos requisitos gerais de direito precisos à origem das obrigações, como aos atinentes à sua validade e efeitos, e também à sua extinção.</p><p>São exemplos das exceções que podem ser opostas pelo réu contra o autor: as relações diretas e pessoas derivadas de má fé, erro, fraude e violência, simulação, dolo, causa ilícita, pagamento, novação, condição ou contrato não cumprido, compensação, remissão, confusão, dilação e concordata.</p><p>2) DEFEITO DE FORMA DO TÍTULO</p><p>Em constância com o princípio do formalismo, os títulos de crédito devem respeitar requisitos essenciais, previstos na lei, a fim de que se caracterizem como tais. O defeito de forma do título é justamente a ausência destes requisitos.</p><p>O defeito de forma do título pode ser extrínseco ou intrínseco. O primeiro se revela materialmente na redação do título, por exemplo, se no título faltar à expressão "letra de câmbio", deixa de ser uma cambial, desejando uma "defesa relativa ao conteúdo literal" . Já o defeito intrínseco, é o que interfere na obrigação cambial, em sua origem, como a incapacidade do signatário.</p><p>3) FALTA DE REQUISITO PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO</p><p>A defesa fundamentada nesta hipótese tem natureza processual, pois se refere à ação e não ao título propriamente dito. São dessa ordem as defesas que se fundarem, por exemplo, na não exibição da cambial vencida, na falta de posse da cambial, ou até mesmo na falta ou nulidade do protesto se a ação é regressiva e também na prescrição.</p><p>As duas últimas hipóteses, não são exceções baseadas em relações pessoais do devedor com os obrigados anteriores, razão pela qual aquele jurista considera-as afastadas do princípio da inoponibilidade das exceções. Apenas uma exceção comporta a regra: quando houver má fé por parte do portador caracterizada pelo fato de haver ele agido "conscientemente", ao adquirir o título, com a finalidade de prejudicar o devedor.</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p>

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