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<p>Copyright © 2012 by Marcio Bontempo</p><p>Copyright desta edição © 2019 by Livros Ilimitados</p><p>LIVROS ILIMITADOS</p><p>Conselho Editorial:</p><p>Bernardo Costa</p><p>John Lee Murray</p><p>Colaboração e Pesquisa: Roberta Von Doelinger</p><p>Projeto gráfico e diagramação: John Lee Murray</p><p>Direitos desta edição reservados à</p><p>Livros Ilimitados Editora e Assessoria LTDA.</p><p>Rua República do Líbano n.º 61, sala 902 – Centro</p><p>Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20061-030</p><p>contato@livrosilimitados.com.br</p><p>www.livrosilimitados.com.br</p><p>Dedicatória</p><p>Dedico este livro, com grande sentimento de respeito e honradez, a Epicuro, o</p><p>grande filósofo grego, e à sua memória.</p><p>Tendo passado para a História como um devasso, um hedonista libidinoso, um</p><p>bebedor inveterado de vinho, ateu e desvirtuador da juventude, sinto-me na</p><p>obrigação de resgatar a sua verdadeira imagem de mestre incomum, um médico</p><p>refinado e sábio, rico porém desapegado das suas posses materiais, que reunia</p><p>amigos em sua casa para beberem moderadamente a bebida dos deuses e</p><p>perscrutarem os mistérios da vida.</p><p>Para Epicuro é necessário ter a faculdade de sentir prazer, sublimando-o, e não a</p><p>escravização ou necessidade de senti-lo. Epicuro ensinava que podemos usufruir</p><p>dos prazeres do corpo físico, mas devemos entender sua natureza ilusória e</p><p>buscar fazer foco maior nos prazeres morais, estéticos, intelectuais e espirituais,</p><p>como valores perenes da alma, considerados como os mais elevados e</p><p>sofisticados.</p><p>Neste aspecto, Epicuro é o único filósofo da Grécia antiga que realiza a essência</p><p>do In vino veritas.</p><p>E a</p><p>Heitor de Andrade, in memorian</p><p>Agradecimentos</p><p>Antes de seguir adiante, gostaria que o(a) digníssimo leitor(a) conhecesse cinco,</p><p>das muitas pessoas que contribuíram para que este trabalho pudesse ser</p><p>realizado, às quais agradeço com o coração enternecido.</p><p>E assim o faço, sem estar sob efeito de uma ou duas taças da bebida do milagres,</p><p>como, confesso, ter ocorrido em alguns momentos, eventualmente, enquanto</p><p>escrevia partes menos técnicas deste opúsculo.</p><p>E se assim me manifesto, é tão somente para deixar claro que os predicados aqui</p><p>apresentados relativos às cinco pessoas excepcionais ocorreram sem os efeitos</p><p>dos eflúvios de Baco, e, portanto, são expressão autêntica – e sóbria– do que vai</p><p>em minha alma.</p><p>Assim explico, pois, como é característico, sob efeitos etílicos (mesmo leves),</p><p>nosso coração, solto das amarras do juízo contido, tende a exagerar nos</p><p>adjetivos, mesmo quando nos referimos àqueles que não nos são tão próximos.</p><p>Desse modo, os mais que sóbrios agradecimentos se dirigem a:</p><p>Ademir Brandelli – Meu nobilíssimo amigo e irmão junto ao Grande Arquiteto</p><p>do Universo, um dos mais denodados empresários na promoção dos vinhos do</p><p>Brasil.</p><p>In memorian, também ao Patriarca, Don Laurindo.</p><p>Paulo Kunzler – Meu Mestre e amigo, que, em sua excelência, irreverência,</p><p>profundo conhecimento e galhardia, ensinou-me muito sobre o vinho, além da</p><p>difícil arte de abrir um espumante com uma taça (“Taçage”).</p><p>Petrus Elesbão – Amigo, grande conhecedor de vinhos, a quem chamo de</p><p>“Petrus Trimegistro”, ou Três Vezes Grande, por ser de fato grande, não só em</p><p>corpo, mas em alma e espírito.</p><p>Sergio Pires – Meu mestre de vinhos que, com imensa humildade, leveza e</p><p>profundo conhecimento, ensina a todos nós, com notável simplicidade, aquilo</p><p>que os chamados “eruditos” do mundo do vinho ensinam com circunspecção e</p><p>austeridade.</p><p>Roberta Von Doelinger – Minha agente literária e pesquisadora, certamente</p><p>uma das profissionais que mais conhecem e se dedicam à difusão do vinho e</p><p>dos espumantes brasileiros. Sem ela, suas pesquisas, seu trabalho, sua</p><p>dedicação, a realização desta obra seria um tremendo fiasco.</p><p>A todos estes cinco, minhas eternas reverências.</p><p>“Por mais raro que seja, ou mais antigo,</p><p>só o vinho é deveras excelente,</p><p>aquele que tu bebes, docemente,</p><p>com teu mais velho e silencioso amigo.”</p><p>Mário Quintana</p><p>Sumário</p><p>Apresentação</p><p>Prefácio – por Eustáquio Palhares</p><p>Depoimentos</p><p>Explicando o título</p><p>Introdução – Porque um livro sobre o vinho</p><p>A fascinante história do vinho</p><p>Curiosidades sobre a bebida dos deuses</p><p>O vinho na filosofia – o epicurismo</p><p>O vinho nas artes</p><p>A história do uso medicinal do vinho</p><p>Uva – a matéria prima mágica</p><p>Como é feita a bebida do milagre</p><p>Características especiais dos vinhos</p><p>As propriedades medicinais</p><p>O mundo do vinho, o vinho no mundo</p><p>O Brasil no mundo do vinho</p><p>Por uma vitivinicultura brasileira forte e desenvolvida – por Oscar Ló</p><p>A vitivinicultura brasileira e seu avanço</p><p>Denominação de Origem – Brasil</p><p>Enoturismo – por Renata Serrano</p><p>Vinificação em grupo – por Douglas Chamon</p><p>Personalidades do mundo do vinho e suas indicações</p><p>Conto: O seu melhor vinho</p><p>Como escolher o vinho certo</p><p>Algumas palavras sobre alcoolismo</p><p>A importância da boa alimentação</p><p>O fundamento da atividade física</p><p>Glossário de termos sobre o vinho</p><p>Referências científicas – Pesquisas</p><p>Bibliografia</p><p>Apresentação</p><p>Assim como um bom enólogo faz seus cortes de vinho, o autor, com palavras,</p><p>foi feliz em realizar o difícil assemblage do qual fazem parte, não apenas os</p><p>aspectos médicos e científicos – propósito central desta obra -, mas pesquisas,</p><p>história, filosofia, curiosidades, detalhes de como o vinho é produzido, as</p><p>principais regiões produtoras, os melhores vinhos do mundo, e até poesia, tudo</p><p>em relação à bebida do milagre.</p><p>Como nota de destaque, a obra enaltece o vinho brasileiro, reforçando a corrente</p><p>que valoriza a vitivinicultura nacional.</p><p>Mas assim como os grandes enólogos têm sempre um talento incomum, quando</p><p>adicionam o seu vinho secreto de corte final, temos aqui o acréscimo de um gran</p><p>cuvèe, especialmente guardado, que é sensibilidade e a capacidade de síntese do</p><p>autor, resultando assim um “produto” encorpado, elegante, equilibrado,</p><p>harmônico, fácil de degustar, cujos elementos produzem uma persistência</p><p>agradável, exótica, marcante e inesquecível.</p><p>Prefácio da nova edição, Safra 2019</p><p>A proposta deste livro guarda analogia com o rito da produção vitivinífera,</p><p>devido à assemblage de tantas doutas opiniões de enólogos sobre suas</p><p>preferências e recomendações, que transcendem a subjetividade dos gostos, para</p><p>se estender nas características que fazem o caráter, a estrutura, o corpo, o</p><p>equilíbrio de cada marca, de cada bebida.</p><p>A ideia do autor em buscar a diversidade de apreciações de uma bebida previne</p><p>idiossincrasias e contempla o mosaico de paladares e critérios de avaliação.</p><p>Mesmo regido por padrões que intentam ser objetivos em relação a sabor, aroma</p><p>e aparência, o vinho pode ser melhor fruído com a disponibilidade de dados e</p><p>informações que revelam o terroir, a colheita, os aspectos da produção, a guarda,</p><p>enfim, os ritos de produção, que se complementam com os protocolos do</p><p>consumo, como a temperatura adequada, a areação ou respiração, a</p><p>harmonização, entre outros aspectos decisivos para uma experiência prazerosa.</p><p>O efeito agregador do vinho, fermentando a filosofia, explica a expansão do</p><p>consumo em níveis que instauram uma nova cultura e, por isso, as informações</p><p>se revestem de maior valor, bem como as opiniões de autoridades, como as que</p><p>esta publicação reúne.</p><p>O texto é pródigo ao elencar os grandes vinhos, as principais regiões produtoras,</p><p>a singularidade que as variações climáticas imprimem em cada safra e a</p><p>reverência tributada ao esmero das casas que tornaram suas marcas célebres. A</p><p>reunião de enólogos, enófilos, empreendedores do setor e sommeliers</p><p>proporciona uma preciosa orientação no sentido de adequar a indicação das</p><p>marcas às preferências pessoais.</p><p>Marcio Bontempo detém intimidade com o assunto, tornando-se apologista do</p><p>vinho, tanto pelos prazeres encontrados nos eflúvios de Baco, como pela</p><p>embriaguez suave, que suscita a filosofia – tão adequada aos momentos de</p><p>celebração –, quanto pelo pelos atributos e propriedades medicinais da bebida.</p><p>O encadeamento dos depoimentos de indiscutíveis autoridades da enologia e do</p><p>empreendedorismo do setor, referências nacionais, flui pela prosa hábil de</p><p>Bontempo, com a elegância de estilo que o consagra como um fecundo</p><p>Epicuro ensina a renúncia, esta não é diretamente apontada</p><p>para a negação do prazer físico, mas da sua sublimação e no pleno desapego; no</p><p>entanto, Epicuro valoriza os prazeres positivos espirituais, estéticos e</p><p>intelectuais, a sensibilidade e principalmente a amizade, que no epicurismo</p><p>representa o ideal supremo na concepção grega da vida. A vida, mais do que o</p><p>mundo e a sociedade, é um espetáculo maravilhoso, não um enigma a ser</p><p>desvendado (como para Aristóteles, Platão, e outros pensadores), mas um</p><p>mistério a ser vivido. Epicuro propunha isso sugerindo uma vida sóbria,</p><p>refinada, no isolamento do mundo, distante da vida social ilusória e do poder</p><p>enganoso, no culto da amizade, nas reflexões delicadas e profundas, porém não</p><p>intelectualizadas.</p><p>A filosofia epicurista inspira-se nos mais requintados costumes, com foco nas</p><p>mais nobres ocupações, procurando a unidade estética e racional da vida mais do</p><p>que do mundo. Portanto, o epicurismo, vulgarmente considerado como</p><p>propagador de devassidão, sensualidade e libertinagem, de ateísmo irreverente,</p><p>representa, ao contrário, uma norma de vida mais espiritual do que material.</p><p>Também o epicurismo não propaga o ateísmo, como pode parecer aos olhos de</p><p>um estudante menos atento. Epicuro admite a divindade transcendente única,</p><p>porém num panteão politeísta hierárquico, até de certo modo abstrato. Os</p><p>“deuses” são imortais, constituídos de átomos sutis, dotados de corpos</p><p>luminosos, belos, de diversas formas, inclusive humanas, que nunca dormem e</p><p>passam o seu tempo em filosófico convívio; vivem, nos espaços siderais sutis.</p><p>Essa imagem dos deuses se manifesta claramente na alva serenidade do mármore</p><p>que transmite o ideal grego contemplativo da vida. Para Epicuro, os “deuses”</p><p>representam tão somente elementos do ideal estético da vida, que tem uma</p><p>expressão nas exuberantes divindades do panteão helênico.</p><p>Assim como mostramos anteriormente que Dionísio e Baco nada têm a ver com</p><p>o uso do vinho em libações alcoólicas e festas pagãs devassas, Epicuro fica aqui</p><p>salvo de uma imagem errônea e deturpada pelo tempo. Portanto, a clássica</p><p>associação entre epicurismo, vinho (que era a bebida de preferência do filósofo e</p><p>de seus discípulos, nos famosos encontros ministrados por Epicuro, em seus</p><p>majestosos jardins), e o prazer exclusivo e inconsequente dos sentidos é falsa. A</p><p>associação mais fiel é a identificação real com o refinamento, a elegância, o</p><p>equilíbrio, a sobriedade, a sensibilidade e outros atributos comuns ao epicurismo</p><p>autêntico e o legítimo mundo do vinho.</p><p>Foi observando a sabedoria (sofia) ligada à filosofia do equilíbrio e da</p><p>parcimônia que envolve o mundo do vinho (mundo exclusivo para aqueles que</p><p>compreendem a sua essência verdadeira), que eu, inspirado em Epicuro, não me</p><p>considero mais um enófilo, ou seja um “amigo do vinho”, mas um ENÓSOFO.</p><p>Basta ver a desinência deste adjetivo para entender o que o vinho significa para</p><p>este humilde escriba.</p><p>1 Do grego hedon, que significa “prazer”. Doutrina filosófica que considera ser o</p><p>prazer individual e imediato o único bem possível, o princípio e o fim da vida</p><p>moral.</p><p>O vinho nas artes</p><p>“Um bom vinho é poesia engarrafada.”</p><p>Robert Louis Stevenson</p><p>Existem citações e menções ao vinho em todas os campos da arte – na literatura,</p><p>na poesia, na música, no teatro, no cinema e principalmente na culinária.</p><p>Na poesia, diversos são os autores, como Baudelaire, Shakespeare, Pablo</p><p>Neruda, Juan Ponce, os nossos Mario Quintana e Jorge Luiz Borges, além de</p><p>muitos outros, em poemas conhecidos, como pode ser verificado em diversas</p><p>páginas deste trabalho. Destacamos abaixo mais alguns, também muito</p><p>interessantes:</p><p>Soneto do Vinho</p><p>Jorge Luis Borges</p><p>Em que reino, em que século, sob que silenciosa</p><p>Conjunção dos astros, em que dia secreto</p><p>Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa</p><p>E singular ideia de inventar a alegria?</p><p>Com outonos de ouro a inventaram.</p><p>O vinho flui rubro ao longo das gerações</p><p>Como o rio do tempo e no árduo caminho</p><p>Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.</p><p>Na noite do júbilo ou na jornada adversa</p><p>Exalta a alegria ou mitiga o espanto</p><p>E a exaltação nova que este dia lhe canto</p><p>Outrora a cantaram o árabe e o persa.</p><p>Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história</p><p>Como se esta já fora cinza na memória.</p><p>Vinhoterapia</p><p>Roberta Von Doelinger</p><p>Na confraria do tempo</p><p>Degusto emoções</p><p>Exponho sentimentos</p><p>Medeio aflições</p><p>Sorvo o mais seleto vinho</p><p>Ergo taças ao céu</p><p>Embriago-me de anseios</p><p>E lanço-me ao léu</p><p>No hálito quente</p><p>De lábios sem verbo</p><p>Tenho o silêncio como testemunha</p><p>E um Shiraz por perto</p><p>A embriaguez que me venha</p><p>de um modo voraz</p><p>E que me faça companheira</p><p>Do seu barco sem cais</p><p>Na manhã seguinte</p><p>Presto conta do meu ato</p><p>Tomando a certeira decisão</p><p>De ser cúmplice... de Baco</p><p>Ode ao Vinho</p><p>Pablo Neruda</p><p>Vinho cor do dia</p><p>vinho cor da noite</p><p>vinho com pés púrpura</p><p>o sangue de topázio</p><p>vinho,</p><p>estrelado filho</p><p>da terra</p><p>vinho, liso</p><p>como uma espada de ouro,</p><p>suave</p><p>como um desordenado veludo</p><p>vinho encaracolado</p><p>e suspenso,</p><p>amoroso, marinho</p><p>nunca coubeste em um copo,</p><p>em um canto, em um homem,</p><p>coral, gregário és,</p><p>e quando menos mútuo.</p><p>O vinho</p><p>move a primavera</p><p>cresce como uma planta de alegria</p><p>caem muros,</p><p>penhascos,</p><p>se fecham os abismos,</p><p>nasce o canto.</p><p>Oh tú, jarra de vinho, no deserto</p><p>com a saborosa que amo,</p><p>disse o velho poeta.</p><p>Que o cântaro do vinho</p><p>ao peso do amor some seu beijo.</p><p>Amo sobre uma mesa,</p><p>quando se fala,</p><p>à luz de uma garrafa</p><p>de inteligente vinho.</p><p>Que o bebam,</p><p>que recordem em cada</p><p>gota de ouro</p><p>ou copo de topázio</p><p>ou colher de púrpura</p><p>que trabalhou no outono</p><p>até encher de vinho as vasilhas</p><p>e aprenda o homem obscuro,</p><p>no cerimonial de seu negócio,</p><p>a recordar a terra e seus deveres,</p><p>a propagar o cântico do fruto.</p><p>Canção do Vinho</p><p>Juan Ponce</p><p>Ave, color vini clari, (ave cor do vinho claro)</p><p>Ave, sapor sine pari, (ave sabor inigualável)</p><p>Tua nos inebriari,</p><p>Digneris potência. (seu poder que nos embriaga )</p><p>O quam felix creatura! (que feliz criação)</p><p>Quam perduxi vitis pura. (produzida pela pura vinha)</p><p>Omnis mensa sit secura. (toda mesa está segura)</p><p>In tua prescencia (com tua presença)</p><p>O quam placens in colore, (Ó quão agradável na cor)</p><p>O quam fragans in odore, (quão fragrante em aroma)</p><p>O quam sapidum in ore, (quão saboroso na boca)</p><p>Dulce linguis vinculum. (cujo doce aprisiona a língua)</p><p>Felix venter quem intrabis. (feliz do ventre em que tu entras)</p><p>Felix gutur quod rigabis.(feliz da garganta que tu molhas)</p><p>O felix os quod lababis (feliz da boca que tu lavas)</p><p>O beata labia! (ó lábios santificados!)</p><p>Ergo vinum colaudemus (louvemos o vinho)</p><p>Non potantes confundemos (e que os abstêmios sejam confundidos)</p><p>In eterna secula (pela eternidade dos séculos)</p><p>Amen. (Amém)</p><p>Existem também milhares de músicas com títulos que mencionam o vinho. Uma</p><p>das mais famosas foi a trilha sonora do famoso filme Days of Wine & Roses</p><p>(Dias de vinho e rosas), de Henry Mancini e letra de Johnny Mercer, que marcou</p><p>época. Outras também conhecidas, entre tantas e de diversos estilos, temos (em</p><p>ordem alfabética): A Steel Guitar and a Glass of Wine – Paul Anka, Bottle of</p><p>Red Wine – Eric Clapton / Derek and the Dominos, Champagne (per brindare</p><p>um encontro) – Nico Fidenco e outros, Honk Tonk Wine – Jerry Lee Lewis,</p><p>Kisses Sweeter than Wine – The Weavers, Lips of Wine – Andy Williams, Little</p><p>Ole Wine Drinking Me – Dean Martin, Old Red Wine – The Who, Wine and</p><p>Roses – John Fahey, etc. Estas são apenas algumas das músicas com vinho em</p><p>seus títulos. Músicas que mencionam o vinho em suas letras são aos milhares</p><p>No cinema, são numerosos também os filmes que mostram cenas nas quais se</p><p>bebe vinho, como Casablanca, Cleópatra, O Poderoso Chefão, todos os filmes de</p><p>007 (James Bond) bebendo champanhe, Tarde demais para esquecer (An Affair</p><p>to Remember), O Falcão Maltês, A Vida é Bela, Assassinato no Expresso do</p><p>Oriente, Silêncio dos Inocentes, Marcelinho Pão e Vinho, Jornada nas Estrelas, o</p><p>Idiota, O Senhor dos Anéis e outros.</p><p>Livros famosos citando o vinho também existem</p><p>aos milhares, tais como “Ana e</p><p>o Rei”, “A Cidadela”, “O Grande Gatsby”, “Hamlet”, “Tubarão”, “Os três</p><p>mosqueteiros” e muitos, muitos outros.</p><p>Na França e na Itália é comum servir-se vinho e champanhe (eventualmente</p><p>mousseux) de boa qualidade gratuitamente nos intervalos em teatros e óperas.</p><p>A história do uso medicinal do vinho</p><p>“In vino sanitas”</p><p>(No vinho está a saúde)</p><p>Plínio, o Antigo, 79 AD</p><p>Indicações para o uso medicinal do vinho podem ser encontradas em papiros</p><p>egípcios datados de 1.500 AC e relatam o seu uso como tratamento contra asma,</p><p>constipação, epilepsia, indigestão, icterícia e contra a depressão.</p><p>Hipócrates deixou muitos escritos e observações sobre as virtudes terapêuticas</p><p>do vinho, até hoje citados em textos de história da medicina; ele comenta as</p><p>qualidades medicinais do vinho em sua “História da Medicina”, onde recomenda</p><p>a bebida para o tratamento da desnutrição, como purgativo, antitérmico,</p><p>antisséptico e também contra a depressão.</p><p>São numerosas as referências ao uso do vinho como remédio na medicina de</p><p>todos os povos antigos, modernos e contemporâneos. Os registros históricos</p><p>informam que a bebida fazia parte da lista de recursos terapêuticos dos hindus,</p><p>chineses, egípcios, persas, gregos, romanos, turcos, e considerados em todos os</p><p>relatos como um “remédio para o corpo e para a alma” . Famosos médicos da</p><p>antiguidade como Hipócrates, Galeno, Celso e Avicena conheciam e aplicavam</p><p>as propriedades medicinais do vinho, sendo que alguns apontavam detalhes</p><p>sobre o seu mecanismo de ação¹.</p><p>Galeno, o famoso grego médico contemporâneo de Hipócrates, que viveu em</p><p>Roma (131 – 201 d.C), médico particular do imperador Marco Aurélio, é autor</p><p>de um tratado denominado De antídotos, que detalha o efeito de elixires à base</p><p>de vinho e ervas usados como antídotos de venenos. Mais do que isso, o tratado</p><p>tece considerações pormenorizadas sobre como deveriam ser analisados,</p><p>conservados e envelhecidos os vinhos de várias partes do mundo, bebidos em</p><p>Roma nessa época. Segundo Galeno, o vinho para fins medicinais deveria ser</p><p>escolhido iniciando-se com aqueles com a idade de 20 anos, pois deveriam ser</p><p>amargos, e depois se experimentar safras mais novas até que se encontrasse o</p><p>vinho mais velho, destituído de amargor, que seria então o vinho adequado para</p><p>ser ingerido ou para a elaboração das famosas fórmulas “galênicas”. Galeno cita</p><p>em seu tratado dois vinhos famosos na época, como o Sorrentino e o Falerniano,</p><p>escolhidos por ele como os melhores, produzidos em vinhedos próximos a</p><p>Roma. Galeno assim resgatou o prestígio dos vinhos romanos, que perdiam</p><p>terreno para os vinhos gregos, por serem considerados demasiado ácidos quando</p><p>comparados aos estrangeiros, mais suaves e adocicados. O médico chega a</p><p>descrever detalhes que qualificavam os vinhos romanos, notadamente os</p><p>brancos, como sendo mais fortes e levemente adstringentes, variando entre</p><p>encorpados e leves.</p><p>O primeiro livro impresso conhecido sobre o vinho (já mencionado no capítulo</p><p>anterior), publicado no ano de 1.300, o “Liber de Vinis”, foi escrito por Arnaldo</p><p>de Vilanova, que era médico e professor da Universidade de Montpellier. O livro</p><p>apresenta uma abordagem médica do vinho, citando as propriedades curativas de</p><p>vinhos aromatizados com ervas, indicados para uma infinidade de doenças. Num</p><p>dos trechos do “Liber de Vinis” está a citação de que “o vinho aromatizado com</p><p>arlequim tem qualidades maravilhosas, tais como: restabelecer o apetite e as</p><p>energias, exaltar a alma, embelezar a face, promover o crescimento dos cabelos,</p><p>limpar os dentes e manter a pessoa jovem”.</p><p>As aplicações do vinho na medicina moderna serão apresentadas a seguir.</p><p>1 Segundo Johnson H. Em The Story of Wine. London: Mitchell-Beazley, 1989:</p><p>480.</p><p>Uva: a matéria-prima mágica</p><p>Para compreendermos os efeitos do vinho, primeiramente precisamos conhecer a</p><p>composição da uva, a sua matéria-prima.</p><p>A incrível composição da uva e do vinho</p><p>A uva é uma fruta detentora de grande potencial medicinal, utilizada como</p><p>remédio natural desde tempos antigos. Na medicina natural e na naturopatia,</p><p>existem dezenas de indicações e procedimentos terapêuticos que se utilizam de</p><p>dietas à base de uva e de suco de uva. A medicina tradicional e a medicina</p><p>doméstica apontam que a uva tem ação diurética, que ajuda a ativar a função</p><p>renal, além de ser levemente laxante, atuando eficazmente contra muitas</p><p>enfermidades intestinais e hepáticas. As uvas verdes, ou brancas, têm poderes</p><p>antibacterianos e antivirais.</p><p>A composição da uva</p><p>A composição da uva muda conforme a variedade, mas de um modo geral as</p><p>uvas contêm componentes comuns. 70% Da composição das uvas é de água. É</p><p>uma fruta das mais ricas em carboidratos, sendo que a glicose é o mais comum:</p><p>são cerca de 25% de glicose e 3% de outros açúcares. Em geral, 100 gramas de</p><p>uva (como a niágara madura, por exemplo) fornecem cerca de 70 calorias. A uva</p><p>apresenta pequenas quantidades de vitaminas do complexo B e vitamina C.</p><p>Outros componentes presentes em menor quantidade são o cremor de tártaro</p><p>(0,5%), ácido tartárico (0,3%), outros ácidos (0,3%) e minerais – dependendo do</p><p>tipo de uva – como potássio, cálcio, fósforo, magnésio, cobre e iodo, 0,5% ao</p><p>todo.</p><p>A casca contém cerca de 200 compostos químicos conhecidos como polifenóis,</p><p>que são encontrados em diversas formas na natureza, que integram os</p><p>flavonoides, atuando como antioxidantes. São estruturas microscópicas,</p><p>presentes na polpa da uva, na casca, nas sementes e no engaço. O mais</p><p>importante polifenol da uva é o resveratrol, encontrado em uma película junto à</p><p>casca dos grãos da uva, que será comentado adiante. A casca de uva é a parte</p><p>mais rica em pigmentos chamados flavonoides, sendo o mais frequente a</p><p>quercetina. Estes componentes são bem mais concentrados nas uvas tintas,</p><p>vermelhas ou escuras, e menos nas uvas brancas, ou verdes.</p><p>Semente</p><p>A semente da uva contém proantocianidinas (ver mais detalhes adiante), que são</p><p>estruturas 15 a 25 vezes mais potentes que a vitamina E para neutralizar radicais</p><p>livres. O óleo da semente da uva também aumenta o colesterol HDL,</p><p>considerado o bom colesterol.</p><p>As uvas viníferas</p><p>As uvas mais nobres utilizadas para a produção de vinho pertencem à espécie</p><p>europeia vitis vinifera, mas há outras 30 espécies, sendo as mais conhecidas as</p><p>americanas como: a vitis labrusca (uva Isabel, por exemplo), vittis riparia, vittis</p><p>rupestris, vittis aestivalis, vittis cardifolia, vittis berlandieri, vittis monticola; há</p><p>também as espécies asiáticas, raramente utilizadas nas Américas e na Europa.</p><p>De um modo geral, as uvas podem ser tintas ou brancas. Existem muitos tipos de</p><p>uvas utilizadas na produção de vinho. Aqui apontamos apenas algumas delas.</p><p>Tipos de uvas</p><p>No mundo inteiro vinhos são produzidos com centenas de tipos de uvas, sendo</p><p>que a seguir apresentamos apenas algumas das principais, classificadas como</p><p>nobres e especiais, em ordem alfabética:</p><p>Alvarinho</p><p>Cepa típica do norte da Península Ibérica, é muito encontrada em Portugal e na</p><p>Galícia. Em terras portuguesas, ela é fundamental na produção dos</p><p>famosos Vinhos Verdes, elaborados no Minho. Hoje, ela tem se espalhado cada</p><p>vez mais e alcançado bons resultados em diferentes países, como Estados</p><p>Unidos, Austrália, Uruguai, Chile, Argentina e mesmo por aqui, no nosso Brasil.</p><p>O vinho branco produzido com esta uva mostra acidez elevada, frescor e caráter</p><p>mineral marcantes.</p><p>Barbera</p><p>Uva tinta característica do Piemonte, noroeste da Itália, produz ótimo vinho</p><p>varietal, equilibrado, mas com certa acidez, que lhe caracteriza. O vinho feito</p><p>com esta uva apresenta bela cor rubi vivo, com boa transparência, aromas de</p><p>frutas vermelhas, ervas finas, um toque de especiarias e talvez hortelã.</p><p>Cabernet Franc</p><p>Uma das mais apreciadas uvas francesas, originária da região de Bordeaux, de</p><p>Saint-Emilion e Pomerol. Produz vinhos de coloração clara, mais delicados que</p><p>os da Cabernet Sauvignon, leves, frutados, de boa acidez e com característico</p><p>aroma intenso de framboesa. É muito utilizado para a produção de grande parte</p><p>dos vinhos tintos</p><p>brasileiros. Deve ser consumido jovem, ou seja, não muito</p><p>envelhecidos. Equivale à uva Tauriga, utilizada em Portugal.</p><p>Cabernet Sauvignon</p><p>É a uva mais utilizada para vinhos tintos de qualidade, típica da França,</p><p>cultivada em Medoc, Graves e Bordeaux. Dependendo da experiência do</p><p>produtor, com ela se faz um vinho de excelente e característico buquê, de tom</p><p>violeta-escuro. A Cabernet Sauvignon é a rainha das uvas tintas e com ela se faz</p><p>o vinho chamado “Rei dos Tintos”.</p><p>Chardonnay</p><p>Esta é a rainha das uvas brancas utilizadas na produção dos champanhes e</p><p>espumantes, além dos mais delicados vinhos brancos convencionais de alta</p><p>qualidade, equilibrados, refrescantes, de aromas sutis. É originária das regiões</p><p>francesas de Borgonha e Champanhe.</p><p>Chenin Blanc</p><p>Uva versátil, gera desde um vinho branco seco até cremosas bebidas de</p><p>sobremesa, com aromas doces, lembrando mel e flores.</p><p>Gewürztraminer</p><p>Uva branca, delicada, originária da Alemanha e da França, que produz um vinho</p><p>branco de elevada qualidade, cujos aromas caracteristicamente lembram flores</p><p>silvestres, de sabor agradável e intenso, inconfundível para os “experts”.</p><p>Merlot</p><p>Outra uva francesa muito famosa, comum à região de Bordeaux. Produz vinhos</p><p>mais encorpados, de tonalidade mais escura, de baixa acidez, de sabor mais</p><p>adocicado; seu buquê é menos acentuado que os vinhos elaborados com a uva</p><p>Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.</p><p>Marselan</p><p>Uva de origem francesa, resultante do cruzamento entre Cabernet Sauvignon e</p><p>Grenache-noir. Produz um vinho de coloração intensa, boa estrutura, com</p><p>taninos macios, notas de damasco e cacau, e aroma delicado de frutos</p><p>vermelhos.</p><p>Moscato</p><p>Muito usada na elaboração de vinhos de sobremesa e espumantes moscatel, com</p><p>acidez bem marcada e do moderado teor de açúcar.</p><p>Nebbiolo</p><p>Uva tinta especial, original do Piemonte, Itália, com que são produzidos os</p><p>grandes Barolos e Barbarescos. É uma uva nobre, e geralmente não é combinada</p><p>com outras para elaboração de grandes vinhos. Produz um vinho com bela cor</p><p>granada escura, de bouquet complexo, com equilíbrio do álcool, acidez,</p><p>apresentando taninos finos.</p><p>Pinot Grigio</p><p>Também conhecida como Pinot Gris (cinza, em francês), é uva rosada, originária</p><p>da região da Alsácia, França. Apesar da cor escura da uva, a Pinot Gris é usada</p><p>para produção de vinhos brancos. Essa característica garante aos seus vinhos</p><p>uma cor mais intensa do que a vista em outros exemplares brancos.</p><p>Pinot Noir</p><p>Uva tinta difícil de cultivar e vinificar, pode gerar tanto vinhos complexos como</p><p>inexpressivos, dependendo da experiência do produtor. Produz vinhos de</p><p>coloração clara para média, com relativo baixo teor de taninos e acidez, com</p><p>aroma intenso e complexo, levemente apimentado ou madeirado (cerejeira), com</p><p>tendência a notas de tomate maduro (em terras ácidas), cogumelos, alecrim,</p><p>cominho, orégano, ruibarbo, couro, baunilha, carvalho, alcatrão, tabaco e outros,</p><p>como características mais comumente descritas sobre esta uva. Tem textura leve</p><p>e aveludada. Dois dos vinhos mais renomados e caros do mundo, o Romanèe-</p><p>Conti e o Volnay, são varietais de Pinot Noir. É a uva vedete dos os enólogos e</p><p>com ela, apesar de tinta, são feitos os champanhes e espumantes mais</p><p>conhecidos e raros.</p><p>Pinotage</p><p>A casta Pinotage é característica da África do Sul, criada por Abraham Izak</p><p>Perold a partir de um cruzamento entre a uva Pinot Noir e a casta Cinsault (ou</p><p>Hermitage). É muito cultivada em todo o país, compondo cerca de 6% da</p><p>plantação total da região. A uva pode ser vinificada no estilo fortificado e como</p><p>tinto espumante.</p><p>Prosecco (Glera)</p><p>Famosa pelos espumantes do norte da Itália, a uva Prossecco varia conforme a</p><p>vinificação, podendo ser um espumante mais seco ou, como é mais comum, com</p><p>maior teor de açúcar residual.</p><p>Muitos acreditam que Prosecco também é a denominação de uma uva porém, em</p><p>agosto de 2009, ficou decretado que Prosecco se tornaria a denominação apenas</p><p>da região no norte da Itália, enquanto que a cepa seria denominada de Glera para</p><p>que não houvesse mais essa confusão. A Glera é produzida nas regiões do norte</p><p>da Itália.</p><p>Riesling Itálico</p><p>Uva típica do norte da Itália e Áustria, com a qual são feitos os mais conhecidos</p><p>vinhos brancos, italianos ou de outros países, incluindo espumantes, champanhes</p><p>e similares. Tem um aroma característico de frutas cítricas, sabor leve,</p><p>proporciona um delicado frescor.</p><p>Sangiovese</p><p>A varietal mais importante da região de Chianti. Produz vinhos de corpo médio a</p><p>encorpado, secos, levemente picantes, bastante ácidos, com aroma e sabores de</p><p>cerejas adocicadas, especiarias e ervas, e com leve toque amargo.</p><p>Sauvignon Blanc</p><p>Adapta-se bem a muitos tipos de clima. Gera aromas e sabores de frutas tropicais</p><p>e um toque suave floral, tem notas cítricas e típicas de melão maduro. Uma das</p><p>uvas brancas mais utilizadas no mundo.</p><p>Syrah</p><p>Sinônimo: Shiraz (na Austrália e África do Sul). Produz vinhos tintos escuros,</p><p>encorpados, fortes e de longa vida, notadamente se envelhecidos no carvalho.</p><p>Apresentam muito tanino quando jovens e que vão desaparecendo à medida que</p><p>envelhecem; podem permanecer muito tempo no envelhecimento. Os aromas são</p><p>de frutas vermelhas e especiarias, principalmente cravo e canela, que são</p><p>acentuados no envelhecimento em barris de carvalho.</p><p>Tannat</p><p>Oriunda do Madirã, no sudoeste da França. Uma das uvas mais tânicas</p><p>conhecidas, produzindo vinhos firmes e bem estruturados, bem escuros, com</p><p>aromas muito característicos de amoras e groselhas, tabaco, frutas e especiarias.</p><p>Devido à sua concentração de taninos, tende a envelhecer muito bem.</p><p>Tempranillo</p><p>A mais famosa uva tinta da Espanha. De maturação precoce (temprano em</p><p>espanhol significa “cedo”) e aromática. Produz vinhos elegantes, de baixa</p><p>acidez, principalmente se envelhecida em tonéis de carvalho, mostrando aromas</p><p>característicos de frutas vermelhas e de frutas secas.</p><p>Touriga Nacional</p><p>A rainha das uvas tintas portuguesas, tem origem nas terras da região de Dão, um</p><p>importante reduto vinícola do país lusitano, mas seu cultivo há muito tempo</p><p>ganhou importância em todo o território nacional, indo do Alentejo ao Douro.</p><p>É uma cepa versátil que produz vinhos diversos, geralmente elegantes, com bom</p><p>teor alcoólico, concentração de cor com marcante complexidade, além de taninos</p><p>finos, sabores intensos, volume, equilíbrio e aromas florais distintos.</p><p>A composição do Vinho</p><p>O vinho é considerado um alimento. A maioria dos países grandes produtores de</p><p>vinho tem definido oficialmente o vinho como um alimento. O vinho contém</p><p>cerca de mil substâncias, das quais apenas 600 foram estudadas.</p><p>O vinho é um produto mais complexo do que a uva e o suco de uva, por passar</p><p>por um longo período de maturação. Além dos componentes da própria uva, o</p><p>vinho agrega à sua composição muitas outras substâncias que também mantêm a</p><p>bebida em constante mutação, apresentando características diversas nos</p><p>diferentes momentos de sua jornada evolutiva.</p><p>Por ter uma composição tão complexa, como verificamos, é que o vinho pode</p><p>ser também considerado um alimento e não somente uma bebida. Por definição,</p><p>alimento é toda substância que contribui para a formação, manutenção e</p><p>desenvolvimento do organismo humano. Os estudiosos afirmam que o consumo</p><p>moderado e regular do vinho ajuda a estabelecer uma dieta saudável para o</p><p>organismo.</p><p>Principais componentes do vinho</p><p>Álcool</p><p>A principal diferença entre o simples suco de uva e vinho, sejam ambos de uvas</p><p>tintas ou brancas, é a presença variável do álcool etílico. Depois da água, o</p><p>álcool é o componente do vinho presente em maior quantidade, variando entre 8</p><p>a 13% do volume ou com 80 a 110 g/L, do peso, no vinho convencional (Porto,</p><p>Xerez, Madeira, etc. são vinhos mais fortes, com maior teor alcoólico).</p><p>Conforme será visto adiante, o álcool, ou etanol, é formado na fermentação</p><p>alcoólica dos açúcares do mosto, pela ação das leveduras. Além de atuar na</p><p>conservação do vinho, pequenas doses de álcool favorecem a assimilação dos</p><p>nutrientes e dos componentes benéficos da bebida.</p><p>Além do álcool, o vinho</p><p>contém outros componentes voláteis ou aromáticos</p><p>semelhantes, em bem menor proporção, que participam das características</p><p>organolépticas do vinho, correspondendo a cerca de 1% do peso do álcool.</p><p>Ácidos orgânicos</p><p>O vinho contém vários tipo de ácidos orgânicos, encontrados na forma livre ou</p><p>como sais, entre os quais se destacam o tartárico, o málico, o cítrico e o lático. O</p><p>ácido tartárico é o mais marcante e que determina as características do vinho.</p><p>Uma curiosidade interessante é que a videira é a única planta conhecida capaz de</p><p>produzir quantidades abundantes desse ácido.</p><p>São os ácidos orgânicos do vinho que determinam o seu gosto característico</p><p>estimulante da salivação, definido pelo seu caráter acidobásico (pH), que varia</p><p>entre 3,0 a 3,8, e exatamente o que permite um dos seus efeitos medicinais,</p><p>como digestivo (eupéptico) e antisséptico. A ação digestiva dos ácidos orgânicos</p><p>do vinho é explicada pelo estímulo da pepsina, uma enzima que no suco gástrico</p><p>funciona melhor num pH próximo de 2,0 e é responsável hidrólise das proteínas.</p><p>Devido a este fato, o vinho é conhecido por aumentar a nossa capacidade</p><p>digestiva.</p><p>Outros ácidos presentes em menor proporção no vinho são os ácidos fenólicos,</p><p>na forma livre ou salina, como: p-hidroxibenzóico, protocatéico, vanílico, gálico,</p><p>siríngico, como os mais importantes pois possuem também ação antisséptica.</p><p>Além destes existem no vinho os ácidos cinâmicos, como o p-cumárico, caféico</p><p>e ferúlico, também de efeito antisséptico. Também os ácidos salicílico e</p><p>gentísico são encontrados tanto no vinho como na uva.</p><p>Nos sucos de uva frequentemente encontramos um outro ácido, o benzóico,</p><p>utilizado como conservador, que é um aditivo e não um componente da uva. É</p><p>raramente utilizado como conservante no vinho e seu excesso pode produzir</p><p>efeitos tóxicos sobre o fígado, além da tradicional dor de cabeça, ou cefaleia.</p><p>Tanino</p><p>Taninos são compostos fenólicos presentes tanto na uva e no vinho, assim como</p><p>em diversos vegetais como o carvalho, a acácia, nas frutas verdes, etc. São</p><p>estruturas químicas que se caracterizam pela propriedade de se combinar com as</p><p>proteínas, favorecendo a conservação. São largamente utilizados, por exemplo,</p><p>na curtição do couro, para evitar a putrefação e conferir impermeabilidade.</p><p>Produzem na boca a sensação de adstringência, pois provocam a precipitação das</p><p>glicoproteínas encontradas na saliva, reduzindo a propriedade lubrificante desta.</p><p>Os taninos do vinho são responsáveis pela atividade antiviral, recentemente</p><p>descobertas, principalmente dos vinhos envelhecidos. Tem uma ação antibiótica</p><p>ampla sobre um grande número de bactérias, sendo capaz de inibir o crescimento</p><p>de vários vírus, entre os quais o do herpes e da poliomielite.</p><p>Também o tanino age sobre a musculatura do estômago estimulando as</p><p>contrações, favorecendo assim a digestão. Qualquer outro alimento rico em</p><p>tanino produz muita adstringência incomodativa na boca, mas a originalidade do</p><p>vinho está no fato de ele permitir absorver uma quantidade elevada de tanino,</p><p>mas de modo agradável.</p><p>Antocianinas</p><p>As antocianinas são pigmentos vermelhos muito difundidas na natureza, fazem</p><p>parte da coloração das flores e dos frutos e presentes na casca das uvas tintas.</p><p>São responsáveis pela coloração vermelha dos vinhos tintos jovens. As</p><p>principais antocianinas do vinho são a malvidina, a cianidina, a petunidina, a</p><p>peonidina e a delfinidina.</p><p>A malvidina é a antocianina mais importante nos vinhos tintos feitos de uvas</p><p>europeias (vitis vinifera) e apresenta a capacidade de inibição ao crescimento de</p><p>bactérias perigosas. Os vinhos novos, mais ricos em malvidina e outras</p><p>antocianidinas livres, apresentam maior potencial antibacteriano mais elevada</p><p>em relação aos vinhos mais velhos.</p><p>O notável livro “Vinha – Planta Medicinal”, de autoria do professor J.</p><p>Mesquelier mostra pesquisas contundentes sobre as qualidades medicinais do</p><p>vinho, devido à ação dos antocianos, presentes nos polifenóis com efeitos</p><p>confirmados como fator anticancerígeno, fator anti-histamínico, anti-</p><p>inflamatório, protetor vascular e redutor de radicais livres, além de proteção</p><p>contra as radiações ionizantes, e até ação anticárie.</p><p>Flavonoides</p><p>São compostos também fenólicos, ou pigmentos amarelos, presentes na película</p><p>da uva tinta, na forma de monoglicosídeos de kaempferol, quercetina e da</p><p>mirecetina. A quercetina está presente também nas películas das uvas brancas.</p><p>Os flavonoides são conhecidos pelo seu grande poder antioxidante, maior que a</p><p>vitamina e, atua na redução dos radicais livres.</p><p>Procianidinas</p><p>São compostos químicos classificados como catequinas. Estão mais</p><p>concentradas nas sementes das uvas e, nos vinhos, em bem maior concentração</p><p>nos tintos do que nos brancos. Estão relacionadas ao efeito de maior resistência</p><p>dos vasos sanguíneos e proteção contra doenças cardiovasculares.</p><p>Estilbenos</p><p>Também do grupo de compostos fenólicos, ou polifenóis, há o resveratrol (uma</p><p>fitoalexina) como principal vedete. O resveratrol é sintetizado pela videira como</p><p>reação de defesa, em resposta a uma situação de estresse, como por exemplo, o</p><p>ataque de microrganismos prejudiciais. O composto tem sido muito estudado</p><p>devido ao efeito protetor das doenças cardiovasculares. A concentração de</p><p>resveratrol no vinho varia de 1,3 a 7,0 mg/L.</p><p>Vitaminas</p><p>O vinho apresenta quantidades modestas de vitaminas, mas não deixa de ser uma</p><p>fonte das mesmas, razão pela qual é considerado como alimento em diversos</p><p>países. Entre as vitaminas hidrossolúveis, o vinho contém vitamina C, várias do</p><p>complexo B (B1, B2, B12 e PP), colina, ácido fólico e mesoinositol. Entre as</p><p>lipossolúveis a bebida possui as vitaminas A, D, E e K. Devido às suas</p><p>quantidades de vitaminas lipossolúveis, o vinho, apesar de poder ser entendido</p><p>com alimento, não é um alimento base, no entanto, o mesoinositol está presente</p><p>no vinho em quantidades próximas às necessidades humanas diárias. Além disso,</p><p>as pequeníssimas quantidades de vitamina B12 presentes na bebida já são</p><p>suficientes para que o vinho seja considerado uma fonte aceitável deste</p><p>nutriente, principalmente para vegetarianos, uma vez que as necessidades diárias</p><p>de B12 são medidas em microgramas.</p><p>Aminoácidos</p><p>Aminoácidos são estruturas químicas responsáveis pela estruturação das</p><p>proteínas, enzimas e de muitos outros elementos do corpo humano e do</p><p>metabolismo. O vinho contém os 24 aminoácidos, em proporções semelhantes às</p><p>do sangue humano, sendo que os principais mais encontrados são:</p><p>Alanina Lisina</p><p>Arginina Serina</p><p>Glicina Treonina</p><p>Cistidina Tirosina</p><p>Leucina Valina</p><p>Isoleucina Fenilalanina</p><p>Triptofano Ácido aspártico</p><p>Prolina Ácido glutâmico</p><p>Metionina</p><p>O aminoácido predominante do vinho é a prolina, além de quantidades razoáveis</p><p>de alanina, ácido aspártico e ácido glutâmico, este último afeta positivamente o</p><p>metabolismo cerebral.</p><p>Alguns dos aminoácidos presentes no vinho atuam como ativadores do sistema</p><p>nervoso, estimulantes do apetite e na utilização da vitamina C. O triptofano, por</p><p>exemplo, é um precursor da serotonina e de outros mediadores químicos</p><p>cerebrais; quando os níveis de triptofano estão reduzidos, há menor crescimento</p><p>cerebral, tendência à depressão (redução da serotonina) e ansiedade.</p><p>Minerais</p><p>Os minerais do vinho (cinzas) representam em média 2,0 g/L e aproximadamente</p><p>10% do teor do extrato seco reduzido. Os minerais e microminerais mais comuns</p><p>são: sódio, potássio, cloro, cálcio, magnésio, ferro, manganês, cobre, zinco,</p><p>cromo, silício, iodo, boro, flúor, molibidênio, lítio e vanádio.</p><p>Potássio</p><p>O potássio é o mineral mais importante do vinho, compondo cerca de 50% do</p><p>teor de cinzas e é grandemente responsável pela propriedade diurética dos</p><p>vinhos. Os brancos possuem menos potássio, mas são mais diuréticos que os</p><p>tintos, por possuírem menor teor de tanino. O potássio exerce papel fundamental</p><p>na manutenção do ambiente alcalino intracelular, é importante para as células</p><p>nervosas que controlam as contrações musculares e estimulante da função renal.</p><p>Meia-garrafa de vinho fornece 1/5 (um quinto) da necessidade diária</p><p>de potássio.</p><p>A deficiência deste íon produz problemas nervosos, fraqueza muscular,</p><p>taquicardia e batimento irregular do coração.</p><p>Cálcio</p><p>O cálcio e o magnésio presentes no vinho são fundamentais em diversas funções</p><p>conhecidas e explicam vários dos efeitos benéficos da bebida. O vinho tem</p><p>grande quantidade de cálcio, que é fundamental para a formação e a sanidade</p><p>dos ossos e dentes, regulação do coração, transmissão nervosa e funcionamento</p><p>muscular.</p><p>Cromo</p><p>O cromo atua no metabolismo da glicose e das gorduras e é necessário à ação da</p><p>insulina. Uma dieta deficiente em cromo produz diminuição da tolerância à</p><p>glicose, desenvolvimento de um quadro moderado de diabete, distúrbios na</p><p>síntese proteica, elevação do colesterol, deposição de placas ateromatosas na</p><p>aorta, diminuição da resistência ao estresse induzido por exercício, retardo do</p><p>crescimento e diminuição da vida média. O suco de uva é rico em cromo, mas o</p><p>mineral está presente em menor quantidade que no vinho devido à ação das</p><p>leveduras, que podem sintetizar um composto do cromo (o fator de tolerância à</p><p>glicose) até 20 vezes mais efetivo do que o cloreto crômico na atenuação dos</p><p>sintomas da sua deficiência. As necessidades diárias de cromo variam de 20 a</p><p>500 mg e o vinho contem em média 450 mg/litro.</p><p>Silício</p><p>Micromineral essencial existente em quantidades significativas no vinho, na</p><p>proporção de 20 mg/litro. As necessidades diárias não são bem definidas, mas</p><p>calcula-se que deva estar entre 3 a 5 mg por dia, a quantidade presente em cerca</p><p>de dois cálices de vinho. Ele atua no metabolismo do colesterol e há a hipótese</p><p>de que a sua ausência contribua para o surgimento aterosclerose. O silício se liga</p><p>aos mucopolissacarídeos e ao colágeno e nas artérias ateroscleróticas há redução</p><p>da sua concentração.</p><p>Ferro</p><p>O ferro está presente em pequena quantidade (3 a 4 mg/litro) no vinho, na forma</p><p>de ferro ferroso, um composto mais facilmente assimilável. Por isso, de um</p><p>modo geral, o vinho é uma boa fonte de ferro. Meia garrafa de vinho fornece</p><p>cerca de 40% das necessidades diárias de um adulto. O ferro contribui</p><p>enormemente para a saúde, na saturação das células vermelhas e metabolismo do</p><p>oxigênio.</p><p>Enxofre</p><p>O enxofre natural da uva e do vinho (na confundir com o anidrido sulfuroso ou o</p><p>dióxido de enxofre que são acrescentados ao vinho) está na forma de sulfato.</p><p>Este enxofre natural protege o fígado, atuando como um filtro preventivo contra</p><p>microrganismos prejudiciais e contra toxinas orgânicas.</p><p>Sódio</p><p>O sódio tem a função primária de regular a acidez dos fluidos corpóreos. A</p><p>deficiência em sódio causa desidratação, fraqueza, desmaio e confusão mental;</p><p>em excesso produz edemas, hipertensão e eventual dano renal.</p><p>Fósforo</p><p>O fósforo dinamiza o metabolismo do oxigênio e tem influência no balanço entre</p><p>a gordura e o açúcar no sangue, sendo também essencial para as contrações</p><p>musculares e para a composição dos lipídios cerebrais.</p><p>Iodo</p><p>Em pequena quantidade no vinho e na uva, mas suas necessidades são também</p><p>pequenas. O iodo está relacionado com a produção ideal dos hormônios</p><p>tireoidianos.</p><p>Flúor</p><p>Um micromineral essencial na formação de tecidos ósseos e dentários.</p><p>Lítio</p><p>O lítio também está presente em pequena quantidade no vinho, mas as suas</p><p>necessidades são também diminutas; ele tem conhecida ação antidepressiva.</p><p>Também no vinho são encontrados outros elementos minerais na forma de</p><p>ânions, tais como fosfatos, sulfatos e cloretos.</p><p>Aminas</p><p>O vinho contém pequenas quantidades de aminas, sendo as principais, a recém</p><p>descoberta serotonina – famoso hormônio do bom humor, talvez um dos</p><p>responsáveis pelo bem-estar provocado pelo vinho; e a histamina – resultante de</p><p>vinhos elaborados em condições microbiológicas inadequadas.</p><p>Tabela de composição aproximada de nutrientes</p><p>e alguns componentes presentes no vinho tinto e branco</p><p>Nutrientes Unidade Vinho tinto (180 ml)Vinho branco (180 ml) QDR*</p><p>Calorias Kcal 180,000 170,000 2.700,000</p><p>Carboidratos g 4,250 2,000 -</p><p>Proteínas g 0,500 0,250 -</p><p>Álcool g 23,250 23,250 45,000**</p><p>Cinzas g 0,750 0,500 -</p><p>Colesterol mg 0 0 300,000</p><p>VITAMINAS</p><p>Tiamina mg 0,012 0,010 1,100</p><p>Riboflavina mg 0,070 0,012 1,700</p><p>Ácido nicot. mg 0,202 0,167 -</p><p>Ácido pantot. mg 0,085 0,052 -</p><p>Vitamina B6 mg 0,085 0,035 2,000</p><p>Vitamina B12 mcg 0,025 0,000 2,000</p><p>MINERAIS</p><p>Cálcio mg 20,000 22,500 800,000</p><p>Ferro mg 1,075 0,800 7,000</p><p>Magnésio mg 32,500 25,000 320,000</p><p>Fósforo mg 35,000 35,000 1,000,000</p><p>Potássio mg 280,000 200,000 95,000</p><p>Sódio mg 12,500 12,500 70,000</p><p>Zinco mg 0,225 0,175 12,000</p><p>Cobre mg 0,050 0,052 2,000</p><p>Manganês mg 1,492 1,147 -</p><p>* Quantidades diárias recomendáveis para um homem de porte físico médio.</p><p>**Limite em que o álcool é considerado totalmente inócuo a um homem de porte</p><p>físico médio.</p><p>Sulfitos ou anidrido sulfuroso e sorbatos, componente não natural, mas</p><p>presente na maioria dos vinhos.</p><p>É o conservante P-V, SO2, anidrido sulfuroso ou metasulfito, derivado do</p><p>enxofre, utilizado pelos fabricantes de vinho em vários estágios do processo de</p><p>produção com vários objetivos, entre eles evitar que o vinho se torne vinagre ou</p><p>que se deteriore devido à exposição ao oxigênio; além disso é usado para</p><p>proteger o sabor do vinho. O uso do enxofre na produção do vinho, apesar de</p><p>parecer uma atividade nova, é utilizado desde os tempos dos romanos e raros são</p><p>os produtores que deixam de fazer uso deste recurso, mesmo para os vinhos mais</p><p>raros. O sulfito, ou SO2 é um gás incolor, mas pode ser usado na forma de sal</p><p>(dióxido de enxofre). Na forma gasosa apresenta um odor irritante característico.</p><p>Em ambas as formas os compostos de enxofre têm efeito antisséptico,</p><p>antifermentativo, desinfetante e esterilizante, cujo principal efeito é impedir o</p><p>desenvolvimento e a multiplicação dos microrganismos. Quando empregado em</p><p>doses elevadas, acima do recomendado, o SO2 produz um odor e um sabor</p><p>característicos e pode ser tóxico para o organismo.</p><p>Efeitos tóxicos do SO2 ou do dióxido de enxofre</p><p>O dióxido de enxofre é um gás tóxico e corrosivo na presença de umidade, age</p><p>principalmente no sistema respiratório, exercendo uma ação corrosiva e</p><p>causando grande irritação. A exposição a altas concentrações do gás pode causar</p><p>queimadura nos olhos. O contato direto dos olhos com dióxido de enxofre</p><p>líquido causa queimaduras muito serias. O contato do dióxido de enxofre com a</p><p>pele, dependendo da intensidade, poderá causar irritação ou queimaduras.</p><p>Nos vinhos e em alguns sucos de uva, o SO2 está presente em quantidades muito</p><p>pequenas e não produz danos ao organismo, porém, se estiver presente em</p><p>quantidades acima do permitido pela lei, pode ter efeito tóxico sobre o fígado.</p><p>Comumente, os vinhos de muito baixa qualidade contém quantidades de SO2</p><p>acima do permitido, o que pode ser danoso ao organismo.</p><p>Para limitar a ingestão de sulfitos, é importante saber que os vinhos tintos secos</p><p>de qualidade, seguindo de vinhos brancos, exigem menos desse produto, já os</p><p>vinhos suaves tendem a conter maiores quantidades de anidrido sulfuroso.</p><p>PIV (sorbato de potássio)</p><p>O sorbato de potássio é o sal de potássio do ácido sórbico, usado como fungicida</p><p>e bactericida, inibidor do crescimento de bolores e leveduras, amplamente</p><p>utilizado na alimentação como conservante em diversos alimentos, incluindo</p><p>alguns sucos de uva e vinhos de qualidade inferior. Apesar de classificado como</p><p>irritante, é um conservante considerado não-tóxico e seguro. Raramente podem</p><p>ocorrer reações alérgicas, mas é um aditivo geralmente bem tolerado quando</p><p>administrado corretamente.</p><p>Como é feita a bebida do milagre</p><p>“O Homem faz o vinho e o vinho refaz o Homem.”</p><p>Autor desconhecido</p><p>Está escrito que Jesus conseguia fazer a partir da água, mas para nós, simples</p><p>mortais, não é tão fácil assim, aliás, fazer vinho é deveras complicado e</p><p>trabalhoso, como veremos a seguir.</p><p>A produção do vinho</p><p>Muito da qualidade de um vinho depende da correta colheita das uvas. Com o</p><p>desenvolvimento da maturação, as uvas vão perdendo acidez e se enriquecendo</p><p>em açúcar, até que atingem um ponto em que o açúcar deixa de se formar;</p><p>portanto, o mais importante é a escolha da época certa para a colheita, e depois a</p><p>escolha dos cachos apropriados. Inicia-se então a vindima, que é o período entre</p><p>a colheita das uvas e o início da produção do vinho. No momento da colheita, os</p><p>cachos não podem apresentar bagos deteriorados e não devem estar molhados,</p><p>pois isso pode produzir vinho de qualidade inferior.</p><p>A colheita das uvas sempre foi um momento especial, onde camponeses e</p><p>funcionários dedicam-se ao trabalho de cortar os cachos das parreiras, o que</p><p>geralmente é seguido de um momento de comemoração e alegria. Recomenda-se</p><p>que a colheita seja realizada cedo pela manhã, quando a temperatura ainda não</p><p>está alta. As uvas são então transportadas para galpões, onde são classificadas e</p><p>separadas por variedade, pesadas e analisadas. Depois são despejadas em</p><p>tanques de concreto ladrilhados ou de aço inoxidável, específicos para cada tipo</p><p>de uva. Estes tanques possuem o fundo inclinado por onde as uvas são</p><p>encaminhadas para serem imediatamente esmagadas. Ainda em alguns lugares se</p><p>mantém a tradição do esmagamento das uvas por grupos festivos de pessoas</p><p>descalças.</p><p>Atualmente, os vinhos tintos finos passam pelo processo de esmagamento e de</p><p>desengaçamento, que é a retirada do engaço, ou galhinhos que fixam as</p><p>sementes. A retirada do engaço melhora em muito a qualidade do vinho e o torna</p><p>mais aveludado, eleva um pouco o teor alcoólico e diminui a adstringência do</p><p>vinho, tornando-o mais límpido. Antigamente, os vinhos tintos eram elaborados</p><p>sem desengaço.</p><p>Depois, as uvas separadas do engaço são amassadas sem contudo esmagar as</p><p>sementes, formando assim o mosto, composto pela polpa, sementes e cascas dos</p><p>frutos, que depois é levado para cubas de fermentação. Antes do início da</p><p>fermentação, é prática quase universal realizar a sulfitação do vinho, através da</p><p>adição do gás dióxido de enxofre (SO2), um composto usado para inibir</p><p>bactérias e fungos que se desenvolvem na fase pré-fermentativa.</p><p>A seguir adiciona-se uma cultura especial de levedos para produzir melhor</p><p>fermentação, sendo o Saccharomyces cerevisae ellipsoideus o mais comum, por</p><p>ser capaz de resistir ao dióxido de enxofre.</p><p>Inicia-se a fermentação alcoólica que ocorre em duas fases: a primeira, rápida e</p><p>tumultuosa e a segunda, que acontece mais suavemente, num tempo bem mais</p><p>longo. Na primeira fase, as polpas e cascas (ricas em material corante e tanino)</p><p>fermentam produzindo uma crosta flutuante e há elevação da temperatura devido</p><p>à ação das leveduras sobre o açúcar. A fermentação dos vinhos tintos é efetuada</p><p>a temperaturas bem mais elevadas do que a dos brancos, normalmente entre 25 e</p><p>28°Celsius. Caso a temperatura se eleve ou caia demais, pode haver interrupção</p><p>da fermentação, prejudicando enormemente a produção. As vinícolas mais</p><p>modernas possuem técnicas para controle automático de temperatura, mas no</p><p>passado, eram comuns os prejuízos com a perda de todo o material em produção</p><p>e o trabalho.</p><p>No processo de fermentação, dependendo do tipo de vinho, das características</p><p>específicas da safra e da tradição da região, o mosto fermenta em contato com as</p><p>cascas por tempos variáveis, por um período de 3 a 6 dias, resultando em vinhos</p><p>mais leves e prontos para serem consumidos mais cedo. Na Borgonha, a tradição</p><p>difere, sendo que o mosto permanece nas cubas entre 2 a 4 dias apenas. No</p><p>Brasil, o tempo de cubagem é de cerca de 3 a 5 dias.</p><p>Depois da fermentação tumultuosa, o mosto irá consumir os açúcares já no</p><p>período de fermentação lenta, que dura entre 1 e 4 semanas. A retirada do vinho</p><p>da cuba acontece quando a sua densidade diminui, o que indica a transformação</p><p>do açúcar em álcool e gás carbônico. O vinho é então bombeado para uma pipa</p><p>maior, que possui uma saída para o gás carbônico e que ao mesmo tempo impede</p><p>a entrada de ar. Aqui o vinho sofre a chamada fermentação malolática,</p><p>provocada por bactérias que transformam o ácido málico em ácido láctico, que</p><p>apresenta sabor mais aveludado. Esta fermentação é geralmente favorável aos</p><p>vinhos tintos, mas nem sempre para os brancos.</p><p>Depois o vinho é drenado da cuba de fermentação e retirado o bagaço restante,</p><p>que é então prensado para recuperar o vinho nele contido. Mesmo depois de</p><p>prensado, o bagaço continua ainda a reter certa quantidade de vinho, por isso ele</p><p>é normalmente destilado para aproveitamento, formando a bagaceira, o</p><p>conhaque, a grapa e outras bebidas similares. A semente da uva faz parte do</p><p>bagaço e pode ser retirada para a produção de um óleo muito fino e nutritivo, ou</p><p>para a produção de remédios.</p><p>Em seguida, o líquido passa pelo processo de estabilização, o que acontece em</p><p>grandes pipas, atualmente de aço inoxidável, concreto revestido de epóxi, ou de</p><p>plástico reforçado com fibras de vidro, porém o material mais indicado é a</p><p>madeira, mais propriamente o carvalho. A estabilização é importantíssima para</p><p>permitir que o vinho mantenha-se em repouso, onde partículas oriundas da</p><p>fermentação se depositam lentamente no fundo. Nesse período, o vinho é</p><p>transportado com alguma frequência de uma pipa para outra, de modo a se retirar</p><p>bem esses resíduos de borra, que é basicamente formada por sais (tartarato de</p><p>cálcio, bitartarato de potássio), compostos de tanino e proteínas, enzimas</p><p>pépticas, levedos e bactérias, inclusive algumas que podem ser nocivas a ponto</p><p>de deteriorar o vinho.</p><p>A mistura dos vinhos</p><p>Denomina-se “corte” a mistura consciente de vários vinhos de várias pipas, até</p><p>de várias safras e de diversas variedades, com a finalidade de formar um produto</p><p>de melhor qualidade, sendo que aqui reside o segredo de muitos vinicultores e</p><p>dos produtores mais famosos. Isto é realizado pelo enólogo casa que produz o</p><p>vinho, com base na sua experiência e seus sentidos. Nos sistemas tradicionais,</p><p>este segredo é transmitido de geração para geração.</p><p>O corte pode tanto ser realizado logo após a estabilização, como após o</p><p>envelhecimento.</p><p>A arte do envelhecimento</p><p>Os vinhos tintos especiais, chamados de tintos de bouquet, são colocados em</p><p>pipas ou barris de madeira para passarem pelo meticuloso processo de</p><p>envelhecimento. Os vinhos finos jovens, frutados, rosados ou brancos não</p><p>passam necessariamente pelo envelhecimento, ou apenas durante um período</p><p>mais curto. Durante o envelhecimento, o cuidado é extremo para evitar qualquer</p><p>contato do vinho com o ar, de modo a conservar o seu aroma frutado. O processo</p><p>é feito em recipientes de madeira, sendo o carvalho a ideal. Devido ao alto custo</p><p>do carvalho, no Brasil muitas vinícolas usam recipientes elaborados com uma</p><p>madeira mais barata chamada grápia, revestida com parafina, pois o seu sabor</p><p>amargo pode transferir-se ao vinho.</p><p>Muitas vinícolas envelhecem seus vinhos frutados em tanques de aço inoxidável,</p><p>aço carbono, plástico reforçado com fibra de vidro, com bons resultados. Na</p><p>famosa região vinícola francesa de Bordeaux, os vinhos tintos são fermentados</p><p>em grandes cubas de carvalho e depois envelhecidos em pequenos barris de</p><p>carvalho (de cerca 200 litros), feitos com a mesma madeira, mas o famoso</p><p>Château Latour fermenta seu mosto em pipas de aço inoxidável.</p><p>De qualquer modo, o resultado do envelhecimento do vinho em recipientes de</p><p>madeira é importante uma vez que o oxigênio, necessário às reações químicas,</p><p>penetra o vinho através dos poros da madeira. Isso não mais ocorrerá por ocasião</p><p>do engarrafamento, quando cessa toda e qualquer fermentação e o vinho passa</p><p>para outra fase do envelhecimento.</p><p>No envelhecimento, à medida em que os meses passam, o vinho vai perdendo</p><p>grande parte da adstringência provocada pelo tanino, tornando-se mais</p><p>agradável, mas o tempo de envelhecimento é muito variável. Nas regiões</p><p>viníferas mais tradicionais, vinhos tintos podem permanecer nos tonéis por três</p><p>anos ou mais, sendo que o habitual é a permanência entre 18 e 30 meses. Há</p><p>vinhos que permanecem em madeira por muito mais tempo, como os produzidos</p><p>em Rioja, que envelhecem por 3, 4, 5 anos ou mais, antes de serem engarrafados.</p><p>No Brasil, os vinhos mais finos são engarrafados, normalmente, entre 12 e 24</p><p>meses de</p><p>permanência nas pipas de envelhecimento.</p><p>No passado, depois da fase de depuração, o vinho passava pelo processo de</p><p>colagem, que é adição de substâncias clarificantes ou “colas”, para agregarem</p><p>matérias em suspensão e tanino, provocando mais uma precipitação. São vários</p><p>os produtos utilizados para esse fim, como clara de ovo, gelatina, pó de ossos,</p><p>caseína, gelatina de peixe, bentonite, etc.; em alguns lugares usa-se sangue de</p><p>boi, que no Brasil é proibido. A colagem permite a clarificação do vinho, que se</p><p>torna mais límpido. Atualmente é mais raro lançar mão da colagem, pois com os</p><p>métodos de filtragem mais apurados e da enologia preventiva, é possível extrair</p><p>os pigmentos (antocianina) com o mínimo de absorção de taninos, permitindo-se</p><p>vinhos de qualidade sem a necessidade de agregar mais nada a ele. Os vinhos de</p><p>prensa podem necessitar da colagem (pois acumulam mais tanino), caso o</p><p>produtor não disponha de tecnologias modernas. No Brasil o método não é muito</p><p>usado.</p><p>Caso tenha ocorrido ou não a colagem, o vinho é filtrado ou centrifugado,</p><p>dependendo da técnica do produtor, de modo a se retirar as últimas partículas</p><p>precipitadas.</p><p>O delicado processo de engarrafamento</p><p>Depois vem, enfim, a fase de engarrafamento, em que o produto é posto para</p><p>“descansar” por um período que varia entre 1 a 3 meses, dependendo do tipo de</p><p>vinho. Isto é necessário e tem um objetivo muito requintado: para “reencontrar</p><p>seu equilíbrio”. Portanto, aqui aprendemos que nenhum vinho deve ser bebido</p><p>logo após ser engarrafado. Também a colocação do vinho nas garrafas deve ser</p><p>cuidadosa, para evitar o “choque” ao vinho, que pode “ressentir-se” e não</p><p>adquirir o sabor esperado. O excesso de aeração reduz o aroma frutado e o buquê</p><p>da bebida. Sem a ação do oxigênio, o vinho “reencontra” o seu equilíbrio.</p><p>Mais envelhecimento na garrafa</p><p>Alguns vinhos mais finos recebem um envelhecimento extra na própria garrafa,</p><p>durante um período variável, dependendo do que se queira, antes de ser</p><p>oferecido ao comércio. Neste ponto aparece a importância da rolha de cortiça</p><p>(ou de material similar), cuja função é garantir o suprimento de ar na quantidade</p><p>exata para que o vinho amadureça no ritmo certo.</p><p>Também a cor das garrafas deve ser escura, negra, verde ou castanha, de modo a</p><p>reduzir ou impedir a incidência de luz, que pode ser prejudicial, principalmente</p><p>para os vinhos tintos e rosados. Os vinhos brancos geralmente são engarrafados</p><p>em frascos brancos comuns, pois não sofrem a ação da luz como os tintos.</p><p>Dimensões das garrafas.</p><p>É praxe quase mundial acondicionar os vinhos em garrafas de 750 ml ou de 375</p><p>ml, para as meia-garrafas. Os vinhos espumantes (Champanhe, Mousseux, etc.)</p><p>são normalmente condicionados em garrafas de 750 ml e, pequenas, cujo</p><p>tamanho pode variar entre a dose de uma taça, cerca de 150 ml até 250 ou 275</p><p>ml, dependendo do fabricante. Também garrafas de dimensões maiores que as de</p><p>750 ml são comuns para champanhes e espumantes, como as de 2 litros, 3 litros</p><p>e maiores (como as utilizadas nas premiações de corridas automobilísticas e</p><p>similares, o que aliás é um desperdício...). Há ainda recipientes maiores para</p><p>champanhes especiais que podem conter até 5, 10, 15 litros e até mais. Uma</p><p>maison que apresenta grande variedade de recipientes em garrafas é a Veuve</p><p>Clicquot Ponsardin.</p><p>No Brasil, os vinhos de categoria normalmente são comercializados em garrafas</p><p>de 750 ml, mais raramente em 375 ml a 1.500 ml, e os vinhos comuns, mais</p><p>ordinários, em garrafões de 3 ou 5 litros, certamente de qualidade inferior.</p><p>Encontramos também vinhos em pacotes de papelão (comuns para leite), mas é</p><p>uma apresentação que certamente depõe contra a nobreza da bebida e não há um</p><p>bom apreciador de vinho que veja essas embalagens com bons olhos.</p><p>Vinhos brancos</p><p>Assim como os vinhos tintos, os vinhos brancos podem ser secos, semidoces</p><p>(respectivamente brut e demi-sec para os espumantes) ou doces, dependendo do</p><p>grau de conversão de açúcar em álcool ou, nos vinhos de menor qualidade, da</p><p>quantidade de açúcar extra adicionada. Para este efeito a técnica de elaboração é</p><p>diferente para cada tipo.</p><p>Vimos como é complexa a produção dos vinhos tintos, mas o que poucos sabem</p><p>é que a elaboração dos vinhos brancos é mais complicada ainda e exige muito</p><p>mais cuidado. O principal problema na produção dos brancos é a presença de</p><p>oxigênio, pois este gás pode alterar a cor e prejudicar o aroma frutado.</p><p>Vinhos brancos podem tanto ser produzidos com uvas brancas ou tintas</p><p>Vinhos brancos podem ser produzidos tanto com uvas brancas ou mesmo tintas,</p><p>mas neste caso as cascas das uvas tintas não permanecem em contato com o</p><p>mosto, pois é nelas que reside o pigmento que tinge o vinho. Mas em qualquer</p><p>dos casos, para a produção, as uvas, tanto tintas quanto brancas, passam em uma</p><p>esmagadeira imediatamente após a chegada na vinícola. Como no caso dos</p><p>vinhos tintos, antigamente (e ainda em alguns locais mais tradicionais ou</p><p>artesanais) as uvas são amassadas com os pés, mas o mais comum é a utilização</p><p>de prensas horizontais automáticas, onde a prensagem é feita suavemente, sem</p><p>quebrar as sementes, evitando-se desta forma gosto desagradável. Isso é feito em</p><p>duas etapas. Na primeira, com pouca pressão, extrai-se a maior parte do mosto,</p><p>que servirá para a elaboração de vinhos mais finos; na segunda, aproveita-se o</p><p>líquido para a elaboração de vinho de categoria inferior.</p><p>Também há o bagaço, que posteriormente é usado para a destilação que forma</p><p>bebidas como a bagaceira, por exemplo.</p><p>Em seguida, o mosto é drenado para cubas de decantação, ali permanecendo em</p><p>descanso por cerca de 12 horas, quando a atividade das leveduras (fermentação)</p><p>é retardada através da redução brusca da temperatura ou, mais modernamente,</p><p>pelo acréscimo de gás sulfuroso. Há vinícolas que utilizam os dois processos</p><p>simultaneamente, principalmente em regiões mais quentes, como Vale do São</p><p>Francisco, no nordeste brasileiro</p><p>Nos vinhos brancos, o cuidado é mais extremo na retirada de matérias em</p><p>suspensão e precipitadas, que podem escurecer o produto; para isso, a</p><p>refrigeração, a filtragem e a centrifugação são recursos fundamentais e outros</p><p>para impedir o indesejável início precipitado da fermentação. Há produtores que</p><p>nesta fase utilizam betonite para a clarificação precoce do mosto. Já outros</p><p>utilizam partículas de carvão para a descoloração do mosto proveniente de uvas</p><p>tintas, ainda durante o período de sua depuração.</p><p>Assim como os tintos, os vinhos brancos podem ser fermentados tanto em</p><p>grandes cubas de madeira quanto de aço, concreto com epóxi e outros. Mas o</p><p>grande segredo de um bom branco está na fermentação lenta, fria e controlada.</p><p>Os alemães do vale do Reno tornaram-se mestres na produção de finíssimos</p><p>vinhos brancos, também com a ajuda da natureza, pois as baixas temperaturas da</p><p>região favorecem a conservação dos aromas. O mesmo acontece com as regiões</p><p>a leste da França, como a Alsácia e Champanhe, fronteiriças com a Alemanha,</p><p>onde são produzidos os melhores vinhos brancos do mundo, sem necessidade de</p><p>adições químicas. Em outras partes do mundo, os vinhos brancos doces são</p><p>frequentemente colados com bentonite.</p><p>Quanto ao teor de açúcar e sabor, há vários métodos para a produção dos vinhos</p><p>brancos. São usadas uvas muito ricas em açúcar de maneira a que todo ele não</p><p>seja convertido em álcool, pois acima de 16°GL a fermentação tende a se</p><p>encerrar. Uvas mais doces são raras, mas um tipo de doença da uva permite a</p><p>formação de um tipo de uva rica em açúcar, um fenômeno raro que acontece em</p><p>poucas partes do mundo, como nos vales do Reno e Mosela (Alemanha), em</p><p>Sauternes (França), em Tokay (Hungria) e em outros raros microclimas, onde as</p><p>uvas são atacadas pelo fungo botrytis cinérea, que rompe a casca, permitindo a</p><p>evaporação de parte da água contida nos bagos. Mas vinhos brancos de alta</p><p>qualidade podem ser elaborados através da concentração do açúcar por meio da</p><p>secagem de uvas em esteiras de palha, conforme usado em certos locais da</p><p>França, Itália e Espanha, onde o fungo citado é raro.</p><p>A adição</p><p>de conhaque ou álcool vínico, antes ou durante a fermentação, dá ao</p><p>vinho um sabor diferenciado, obtendo-se deliciosos vinhos licorosos, como</p><p>famoso Porto, o Jerez e o Madeira.</p><p>Vinho rosado</p><p>Os delicados vinhos rosados são elaborados do mesmo modo que os brancos</p><p>feitos a partir de uvas tintas, quando as cascas são separadas um pouco mais</p><p>tardiamente, não mais que um dia, mas o suficiente para evitar que o pigmento</p><p>tinja demasiadamente o produto. O processo chama-se “vinificação em rose”,</p><p>utilizado na produção dos mais finos rosados conhecidos. Podem também ser</p><p>produzidos a partir de uma mistura de uvas tintas e brancas, o que exige uma</p><p>grande quantidade de uvas brancas para que o vinho adquira a cor rosada.</p><p>Os Vinhos Espumantes, Champanhes, Etc.</p><p>“Espumante” é todo vinho com bolhas, equivalente a Spumanti na Itália, Cava</p><p>na Espanha, Crémant ou Mousseux na França, Sekt na Alemanha. Vinhos</p><p>denominados “espumantes”, ou em inglês sparkling wines (vinhos comuns, sem</p><p>bolhas, são chamados de still wines em inglês), são vinhos tintos, rosados ou</p><p>brancos que apresentam bolhas de gás carbônico. A denominação “espumante” é</p><p>considerada imprópria por muitos enólogos e produtores, pois o que caracteriza</p><p>esses vinhos não é a espuma, mas o gás que forma “bolhas”. Certamente que em</p><p>temperaturas mais elevadas, um vinho sparkling (que significa faísca, partículas</p><p>brilhantes) produzirá forte espuma, mas não em temperatura baixas, dependendo</p><p>da qualidade do produto. Os vinhos mais nobres possuem gás originário da</p><p>fermentação da própria uva e os mais vulgares são os que recebem gás</p><p>artificialmente, embora encontremos alguns de qualidade aceitável.</p><p>Champanhe</p><p>Por conceito, champanhe é um vinho “espumante” natural em que o gás presente</p><p>no líquido, gás carbônico, é resultante somente da segunda fermentação</p><p>alcoólica do vinho já nas garrafas ou grandes recipientes.</p><p>Embora existam muitas técnicas e métodos para a elaboração de vinhos deste</p><p>tipo, apenas três são considerados oficiais e nobres: o método Champenoise, o</p><p>Charmat e o Asti.</p><p>O método Champenoise</p><p>É o processo tradicional da região de Champanhe na França, onde se usa uma</p><p>mistura de cepas de uvas tintas e brancas, como a tintas Pinot Noir</p><p>(predominante na região) e Pinot Meunier e a branca Chardonnay.</p><p>Embora tenhamos a imagem dos champanhes como brancos, mesmo nos</p><p>brancos, são as uvas tintas que predominam. Há porém champanhes brancos</p><p>elaborados apenas com a uvas brancas, como a Chardonnay e a Riesling, quando</p><p>o produto recebe o diferenciado nome de Blanc de Blancs. Os champanhes</p><p>produzidos apenas com uvas tintas, são denominados de Blanc de Noirs.</p><p>Importante informar que a denominação Blanc de Blancs e Blanc de Noirs são</p><p>também utilizadas para muitos vinhos brancos não espumantes, desde que sejam</p><p>seguidas as mesmas regras.</p><p>Depois da prensagem, o mosto sofre uma decantação por um período de</p><p>aproximadamente 12 horas, sendo depois transportado por caminhões-pipa para</p><p>os locais de produção (as famosas Maisons, dos grandes champanhes) onde será</p><p>fermentado em grandes tonéis de carvalho, ou, mais comumente nos dias atuais,</p><p>em grandes cubas de aço inoxidável ou concreto forrado.</p><p>A primeira fase da fermentação (como nos outros tipos de vinho é chamada</p><p>também de fase “tumultuosa”), dura de três semanas a um mês, quando a</p><p>temperatura da cuba é mantida entre 15-20°C, de modo a gerar o borbulhamento</p><p>decorrente da transformação do açúcar da uva em álcool e gás carbônico. Depois</p><p>ocorre redução do borbulhamento, que para ser completa, o produto é</p><p>refrigerado a O°C. Então o vinho é drenado para separá-lo dos depósitos que se</p><p>formam no fundo do recipiente. Depois começa a fase de fermentação lenta, sob</p><p>a temperatura constante em torno de 20°C, e dura cerca de 12 semanas, às vezes</p><p>mais. A partir daí, ocorre o complicado processo de corte, ou de mistura de</p><p>vinhos, do novo com outros da mesma ou de outras safras, o que caracteriza os</p><p>segredos das “personalidades” dos vinhos de diversas maisons e seus terroirs.</p><p>São os experts provadores das maisons (o que deve ser uma profissão deveras</p><p>agradável, porém plena de responsabilidades) que definem as misturas, de modo</p><p>a formar um blend base, denominado vin de cuvée que deve ter a</p><p>“personalidade” de cada maison. Definidas as proporções das misturas, o</p><p>produto (vin de cuvée) recebe uma quantidade de vinho velho de excelente</p><p>qualidade, guardado de boas safras anteriores, chamado vin de reserve de modo</p><p>a melhorá-lo e conferir homogeneidade. Nem sempre, porém uma maison lança</p><p>mão deste recurso, pois há situações em que a qualidade do novo produto é tão</p><p>boa que o vin de reserve não é necessário; este é chamado então de vin</p><p>millésimé e certamente poderá vir a ser o próximo vin de reserve da maison.</p><p>A fase seguinte é a mais interessante, quando o vinho é engarrafado, mas antes</p><p>recebe um líquido (o liqueur de tirage) composto, geralmente uma solução de</p><p>vinho velho, açúcar branco, tanino e leveduras selecionados, de modo a permitir</p><p>a segunda fermentação do champanhe dentro da garrafa. Muito importante na</p><p>produção do champanhe são as garrafas e rolhas, que devem ser capazes de</p><p>suportar as fortes pressões resultantes da fermentação, que podem atingir até 6</p><p>atmosferas. No passado, antes do domínio da tecnologia, os produtores de vinhos</p><p>espumantes perdiam quase a metade das suas garrafas, que explodiam com</p><p>grande frequência; mas até hoje, apesar de toda experiência, perde-se entre 2 a 3</p><p>% das garrafas nas produtoras.</p><p>As garrafas permanecem em ambiente de baixa temperatura, geralmente em</p><p>porões muito frios, de modo a se produzir envelhecimento, o que pode durar</p><p>vários anos. Nesse período recebem periodicamente uma forte agitação de modo</p><p>a evitar a deposição permanente de sedimentos. Quando o vinho atinge a</p><p>maturação adequada, as garrafas são colocadas em artefatos de madeira para</p><p>receberem pequenos e constantes movimentos de rotação e inclinação</p><p>progressivos, para que os sedimentos sejam direcionados para os gargalos, junto</p><p>às rolhas, num procedimento que dura de 6 a 8 semanas. Depois é necessário</p><p>retirar os sedimentos das garrafas. Antigamente, e nos métodos tradicionais</p><p>ainda utilizados em algumas maisons, as garrafas são desarrolhadas</p><p>cuidadosamente para permitir que os sedimentos sejam expulsos pela própria</p><p>pressão interna da garrafa, mas a perda de uma parte do vinho é inevitável.</p><p>Atualmente, o mais comum é que as garrafas sejam mergulhadas em um tipo de</p><p>salmoura gelada e só depois desarrolhadas; com isto os cilindros congelados que</p><p>contém os sedimentos são expelidos, com menos perda de líquido.</p><p>Para compensar eventual perda de conteúdo, a garrafa é completada com vinho</p><p>da mesma produção, recebendo a adição de uma mistura, ou “licor”, que pode</p><p>ser de conhaque especial, vinho velho ou açúcar.</p><p>Os champanhes e espumantes de melhor qualidade são aqueles classificados</p><p>como brut e são os preferidos pelos experts e conhecedores, pois defeitos na</p><p>bebida podem ser mascarados através da adição de açúcar.</p><p>Somente depois desta fase as garrafas são definitivamente arrolhadas e rotuladas,</p><p>sendo que as rolhas, sempre de cortiça especial, recebem o grade de arame</p><p>protetora. Mas o produto não é encaminhado para o comércio ainda. É</p><p>necessário que o vinho seja guardado para “repousar”, o que pode levar de 1 a 7</p><p>anos, e até mais. Vinhos mais finos, geralmente brut podem permanecer nessa</p><p>fase por sete anos, os intermediários como os sec e demi-sec, de 4 a 5 anos,</p><p>enquanto os doux (doce), por cerca de um ano antes de serem destinados ao</p><p>consumo.</p><p>Champanhe, só em Champagne</p><p>Atualmente, só podem receber a denominação de champanhe os vinhos</p><p>espumantes originários dessa região, mesmo que tenham sido elaborados pelo</p><p>método Champenoise em qualquer outro lugar do mundo. A legislação francesa</p><p>é exigente neste ponto. Durante muito tempo vinhos espumantes produzidos em</p><p>qualquer país recebiam o nome de champanhe, até mesmo os que não eram</p><p>elaborados através do mesmo método da região, o Champenoise.</p><p>A França, e mais propriamente a região de Champanhe, conseguiu</p><p>uma grande</p><p>vitória nesse aspecto ao proteger a qualidade e a imagem do seu produto, de</p><p>modo que qualquer outro espumante, de qualquer parte mesmo da França ou de</p><p>outro país, não importa que produzido pelo mesmo método, recebe apenas a</p><p>indicação de mousseux e não de champanhe. Embora seja praxe internacional,</p><p>muitos bons produtores de vinhos espumantes que utilizam o método</p><p>champenoise não aceitaram essa determinação e alguns não mencionam a</p><p>palavra mousseux no rótulo dos seus vinhos, pois a palavra significa</p><p>“espumoso”, o que os irrita, uma vez que existem nomes tradicionais e famílias</p><p>famosas produzindo esses vinhos.</p><p>A diferença entre o método anterior e este, é que a segunda fermentação ocorre</p><p>dentro de grandes recipientes e não na garrafa.</p><p>Neste método, o vinho base é conservado em tanques grandes tanques,</p><p>geralmente de aço inoxidável ou então tonéis de madeira, ou concreto com</p><p>epóxi, onde fica armazenado por muitos meses ou até anos.</p><p>Na segunda fase de fermentação, o produto é bombeado para autoclaves, que são</p><p>grandes containers, geralmente de aço inoxidável, capazes de suportar pressões</p><p>internas de até 7 atmosferas, com dispositivos de controle automático de</p><p>temperatura, onde a temperatura da fermentação é mantida entre 10 e 14°C.</p><p>Nessas autoclaves o vinho em produção recebe o chamado “licor de tiragem”,</p><p>uma mistura de açúcar de cana, levedos e vinho velho de qualidade superior, de</p><p>outras safras.</p><p>Nessa fase a fermentação é mantida entre um a dois meses, dependendo do tipo</p><p>de espumante desejado. É no final deste período que surge o característico gás</p><p>carbônico produzido pelo processo gerado e matérias se sedimentam. Em</p><p>seguida, o vinho sofre filtração, para que seja retirado o material decantado,</p><p>porém a baixas temperaturas e sob uma pressão de cerca de 5 atmosferas, desta</p><p>forma diferenciando-se o espumante do vinho branco comum.</p><p>Assim como no método champenoise, antes do engarrafamento o produto recebe</p><p>a adição do licor de expedição, responsável pelo teor de açúcar do produto final.</p><p>Embora neste método, alguns produtores não usam este recurso, desde que uma</p><p>maior quantidade de açúcar seja adicionada junto com o licor de tiragem, com o</p><p>cuidado de evitar a elevação excessiva da pressão no interior da autoclave.</p><p>Depois o produto é engarrafado gelado e sob pressão, para não perder o gás,</p><p>arrolhado e colocado para descansar, quando recupera lentamente a mesma</p><p>temperatura ambiente. Só depois o produto é encaminhado para a rotulagem e</p><p>expedição.</p><p>Grande parte dos espumantes produzidos no Brasil é elaborada pelo método</p><p>charmat, sendo o Rio Grande do Sul o principal estado produtor.</p><p>O método Asti</p><p>Este é o método de produção de vinhos gasosos (espumantes) criado e praticado</p><p>na cidade de Asti, no Piemonte, Itália, utilizando-se de uvas Moscatel. São</p><p>espumantes resultantes de uma única fermentação alcoólica do mosto, em</p><p>garrafa ou autoclave, de baixa graduação alcoólica (7 a 10° GL) e doces, devido</p><p>à interrupção da fermentação ainda com uma boa dose de açúcar residual da</p><p>própria uva. A técnica Asti consegue a interrupção da fermentação por meio do</p><p>esgotamento de nutrientes nitrogenados.</p><p>Nessa famosa região, que recebe a categoria de “D.O.C” – Denominação de</p><p>Origem Controlada, são produzidos dois vinhos: o Asti Spumante, que é</p><p>fermentado na própria garrafa, e o Moscato D’Asti, fermentado primeiro em</p><p>grandes autoclaves.</p><p>Prosecco – uva ou região?</p><p>Muitos acreditam que Prosecco também é a denominação de uma uva, porém,</p><p>em agosto de 2009, ficou decretado que Prosecco se tornaria a denominação</p><p>apenas da região no norte da Itália, enquanto que a cepa seria denominada de</p><p>Glera, para que não houvesse mais essa confusão entre ambos.</p><p>A Glera é produzida nas regiões do norte da Itália, como Veneto, Friuli Venezia</p><p>Giulia, Conegliano, Valdobbiadene, entre outras, sendo todas elas muito</p><p>reconhecidas por sua intensa produção de tradicionais vinhos espumantes</p><p>tradicionalmente leves e frutados.</p><p>Cava</p><p>Cavas são espumantes produzidos na Espanha, que antes não poderia ser</p><p>utilizado para qualquer produto. Tratava-se de uma denominação de origem</p><p>imposta pela Comunidade Européia, para os espumantes produzidos</p><p>exclusivamente da região espanhola da Catalunha, mas hoje encontramos Cavas</p><p>de outras regiões da Espanha.</p><p>Características especiais dos vinhos</p><p>A classificação dos vinhos</p><p>O vinho pode ser simplesmente definido como uma bebida resultante da</p><p>fermentação alcoólica do suco de uva, mas classificação, elaboração e produção</p><p>envolvem questões muito complexas e delicadas.</p><p>O principal elemento na classificação de um vinho é o tipo de uva ou de uvas</p><p>utilizadas. Os bons vinhos apontam no rótulo o nome da uva, das uvas ou da</p><p>variedade delas que deram origem ao vinho. Em geral, a uva principal numa</p><p>mistura (corte) deve representar 65% da sua composição, quando então o vinho,</p><p>caso não apresente a denominação de origem, é classificado como Varietal. O</p><p>vinho elaborado a partir da mistura de outros vinhos, em proporções diferentes, é</p><p>classificado como Assemblage.</p><p>Para classificar um vinho, entre outros numerosos detalhes, deve-se levar em</p><p>conta o tipo de uva com que foi produzido, seu teor de açúcar e de álcool.</p><p>Teor de açúcar</p><p>A quantidade de açúcar presente define a classificação dos vinhos em secos,</p><p>doces ou suaves. Os secos devem possuir o mínimo de açúcar das próprias uvas</p><p>pois o processo de fermentação é conduzido até que seja eliminado o açúcar</p><p>presente no suco de uva para fermentação</p><p>Os vinhos suaves podem ter açúcar da própria uva, porém o processo de</p><p>fermentação é interrompido antes que todo o açúcar se transforme em álcool, ou</p><p>então é adicionado açúcar. Como este não é consumido pela levedura, durante a</p><p>fermentação alcoólica, ele se acumula no meio, fator este que acaba ocultando as</p><p>características aromáticas das uvas. Os vinhos doces geralmente recebem açúcar</p><p>extra, o que pode ocorrer de várias formas, desde a sacarose, melado, frutose,</p><p>etc.</p><p>Coloração</p><p>O tipo de uva determina a coloração ao vinho, mas esta pode mudar após o</p><p>processo de envelhecimento.</p><p>Envelhecimento</p><p>As principais características dos diferentes vinhos são determinadas pelo tempo</p><p>de envelhecimento. Nem todo vinho envelhecido é bom e nem todo vinho</p><p>“jovem” é ruim. Uns podem ter qualidade mesmo jovens, e outros necessitam</p><p>envelhecer, para que o tempo se encarregue de promover a qualidade necessária.</p><p>Os vinhos mais velhos, geralmente envelhecidos em barris de carvalho, ou na</p><p>própria garrafa, apresentam um aroma mais forte (conhecido como bouquet),</p><p>assemelhando-se à madeira, baunilha, manteiga, etc., e a coloração torna-se mais</p><p>opaca. Eles duram muitos anos e alguns vinhos mais caros são aqueles mais</p><p>velhos, de até 20 ou 30 anos, embora isso não seja tão essencial para a qualidade</p><p>e bom sabor do vinho, conforme veremos adiante neste estudo.</p><p>Os vinhos jovens são mais frágeis e perecíveis, duram em média dois anos. São</p><p>de paladar agradável e o aroma de frutas (vinho frutado) é mais perceptível ou</p><p>marcante, podendo também apresentar aroma floral e uma coloração mais viva.</p><p>Álcool</p><p>Os vinhos contêm geralmente de 8 a 15 % de álcool, podem alcançar até 19 ou</p><p>20% no caso dos chamados vinhos mais fortes (como o Jerez e o Porto).</p><p>Safra</p><p>É o ano de produção e engarrafamento do vinho. Os bons vinhos apresentam no</p><p>rótulo o ano da safra das uvas que lhes deu origem.</p><p>Elaboração</p><p>A elaboração é responsável pela origem dos diferentes vinhos, onde residem os</p><p>maiores segredos da técnica da produção. Aqui apontamos apenas alguns deles.</p><p>Identidade aromática</p><p>O odor emanado pelo vinho chama-se “aroma” e se divide em primário,</p><p>secundário e terciário. O primário é proveniente da uva, o secundário é resultante</p><p>da vinificação e o terciário origina-se do envelhecimento e determina o que se</p><p>chama tecnicamente de bouquet. Portanto, só apresentam bouquet os vinhos</p><p>envelhecidos, os demais têm apenas “aroma”.</p><p>Tradicionalmente, existem cerca de 150 aromas nos vinhos, tanto tintos quanto</p><p>brancos e rosados. Estes aromas têm origem no processo de fermentação</p><p>da uva</p><p>e no envelhecimento, e são identificados pelo conhecedor ao se colocar o vinho</p><p>na taça e cheirá-lo. A seguir alguns dos aromas mais identificados nos vinhos</p><p>conhecidos.</p><p>Os aromas dos vinhos conhecidos</p><p>Abacaxi: Sauvignon Blanc, do Novo Mundo; Chardonnay sem madeira.</p><p>Ameixa: Nebbiolo, Malbec, Barbera, Merlot, Cabernet Sauvignon.</p><p>Amêndoa: Champanhes, Chablis, Jerez.</p><p>Aspargos: Sauvignon Blanc.</p><p>Azeitona: Albariño e alguns tintos espanhóis envelhecidos.</p><p>Banana: Aroma típico da uva Gamay, como os Beaujolais.</p><p>Baunilha: Aroma de vinhos envelhecidos em madeira, como Chardonnay,</p><p>Malbec, Merlot, Cabernet Sauvignon.</p><p>Café: Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo.</p><p>Canela: Shiraz, Mourvèdre e Pinot Noir, do Novo Mundo.</p><p>Cassis: Cabernet Sauvignon, Merlot, Sangiovese.</p><p>Castanha: Vinhos de sobremesa, bons Chardonnay da Borgonha, Porto.</p><p>Cereja: Pinot Noir, Sangiovese, Pinotage, Grenache.</p><p>Chocolate: Merlot, Grenache.</p><p>Coco: Chardonnay, Alfrocheiro, Grenache, Pinot Noir, do Novo Mundo.</p><p>Cravo: Syrah, Grenache, Cabernet Sauvignon, Mourvèdre.</p><p>Damasco: Riesling.</p><p>Especiarias: Shiraz, Merlot, Cabernet Sauvignon, Torrontes e alguns Nebbiolo</p><p>especiais.</p><p>Figo seco: Vinhos doces em geral, Porto.</p><p>Framboesa: Típico em vinhos novos, como Shiraz, Tempranillo, Merlot,</p><p>Cabernet Sauvignon e Malbec e o californiano Zinfadel.</p><p>Hortelã: Em vinhos bem vinificados, com bom álcool e madeira, Cabernet</p><p>Sauvignon, Malbec, Merlot, Tannat, Syrah.</p><p>Limão: Sauvignon Blanc, Riesling, Pinot Gris.</p><p>Maça verde: Riesling, Chardonnay sem madeira, Chenin Blanc.</p><p>Maça vermelha: Tempranillo.</p><p>Manteiga: Chardonnay com madeira.</p><p>Melão: Albariño, Sauvignon Blanc, Pinot Blanc.</p><p>Morango: Sangiovese.</p><p>Nozes: Jerez, vinhos de sobremesa, botritizados.</p><p>Pêra: Viognier, Sauvignon Blanc, Chardonnay.</p><p>Pêssego: Sauvignon Blanc, Riesling, Viognier.</p><p>Pimentão: Cabernet Sauvignon, principalmente os chilenos.</p><p>Tabaco: Tannat.</p><p>Torrada: Champanhes safrados.</p><p>Uva-passa: Vinhos de sobremesa em geral, como Sauternes, Tokay, Amarone.</p><p>As propriedades medicinais</p><p>“O vinho é o melhor elixir que já se inventou para assegurar uma vida</p><p>longa, com melhor qualidade.”</p><p>Léon Douarche</p><p>“A penicilina cura os homens,</p><p>mas é o vinho que os torna felizes.”</p><p>Fleming</p><p>Os efeitos positivos comprovados do vinho sobre a saúde</p><p>Ultimamente tem-se falado e escrito muito sobre os efeitos medicinais e</p><p>benéficos do vinho. Entre essas citações, destacamos algumas mais</p><p>contundentes:</p><p>As pessoas que envelhecem tomando vinho regularmente, moderadamente e</p><p>durante as refeições, envelhecem com melhor qualidade de vida, apresentando:</p><p>Q.I. (quociente intelectual) mais elevado.</p><p>Maior capacidade de atenção e memorização.</p><p>Melhor capacidade de comunicação.</p><p>Melhor humor.</p><p>Nível inferior de ansiedade e agitação.</p><p>* * *</p><p>Pessoas que bebem vinho moderadamente, durante as refeições e regularmente,</p><p>têm 20% menos chance de ter câncer de qualquer tipo.</p><p>* * *</p><p>Portadores de câncer que bebem vinho regularmente têm sobrevida maior. Os</p><p>que fazem tratamento com quimioterapia e radioterapia toleram bem mais o</p><p>tratamento.</p><p>* * *</p><p>As mulheres que tomam de 2 a 3 taças de vinho ao dia, regularmente, têm menor</p><p>incidência de osteoporose e até ganham massa óssea.</p><p>* * *</p><p>As pessoas que tomam vinho durante as refeições têm melhor digestão.</p><p>* * *</p><p>Takuo Hashizume, da Universidade do Japão, comprovou que durante a Segunda</p><p>Guerra Mundial, a saúde pública nas regiões vinícolas era melhor que nas</p><p>regiões que não consumiam vinho. Certas carências vitamínicas haviam sido</p><p>evitadas graças ao consumo do vinho.</p><p>* * *</p><p>O vinho tem uma ação anti-inflamatória bem definida devido aos seus</p><p>antioxidantes concentrados.</p><p>* * *</p><p>Os componentes do vinho são uma real barreira às manifestações alérgicas.</p><p>* * *</p><p>Os componentes do vinho têm ação preventiva e curativa na placa e cárie</p><p>dentária. No Japão já existem várias patentes de creme dental à base de</p><p>polifenóis do vinho.</p><p>* * *</p><p>O vinho melhora a consistência, elasticidade, hidratação e microcirculação da</p><p>pele. O efeito da ação dos polifenóis do vinho na recuperação da pele é bem</p><p>marcante.</p><p>* * *</p><p>Devido aos seus componentes, o vinho é a bebida mais favorável aos</p><p>hipertensos, diabéticos e obesos. Evidências apontam que pessoas habituadas a</p><p>ingerirem vinho moderadamente estão 30% menos sujeitas a acidentes</p><p>cardiovasculares cerebrais isquêmicos.</p><p>* * *</p><p>O consumo de vinho está relacionado à redução de doenças cardíacas,</p><p>diminuição da taxa do mau colesterol e aumento da taxa do bom colesterol.</p><p>* * *</p><p>Os efeitos benéficos do uso moderado de vinho já são comprovados pela</p><p>Organização Mundial da Saúde, como por exemplo: o combate às enfermidades</p><p>cardiovasculares, à ação bactericida, o provável efeito antiviral, a facilidade de</p><p>digestão e o efeito retardador do envelhecimento celular e orgânico.</p><p>* * *</p><p>Segundo o Dr. Jairo Monson, o vinho age também como diurético, vasodilatador</p><p>periférico, além de atuar como antidepressivo, desinibidor, relaxante e grande</p><p>estimulador de otimismo. Segundo ainda o médico, os polifenóis estão ligados a</p><p>cerca de sessenta condições clínicas. Seus estudos mostram que as pessoas que</p><p>têm o hábito de beber regularmente vinho junto às refeições têm uma expectativa</p><p>de vida 30% maior; demonstram inclusive que as regiões vitivinícolas</p><p>apresentam populações mais longevas.</p><p>* * *</p><p>O vinho e o Paradoxo Francês</p><p>Convencionou-se chamar de Paradoxo Francês o fato de que países como a</p><p>França, por exemplo, com uma dieta de alto consumo de queijo, gordura animal</p><p>e manteiga, terem uma taxa menor de doenças do coração que outros países que</p><p>têm uma alimentação sem estes componentes. A explicação estaria na presença</p><p>de polifenóis no vinho, incluindo o resveratrol com efeitos antioxidantes.</p><p>Segundo pesquisas efetuadas pelos doutores Frankel, Waterhouse e Kinsela, o</p><p>consumo regular e moderado do vinho inibe a produção da endotelina, uma</p><p>substância que endurece as artérias. A motivação para as pesquisas que</p><p>culminaram na ideia do Paradoxo Francês foi o fato de que os povos do</p><p>Mediterrâneo, que adotam uma dieta baseada principalmente em peixe, vinho e</p><p>azeite de oliva apresentam menor tendência às doenças coronarianas e vivem</p><p>mais tempo.</p><p>Nos anos 80, a Organização Mundial de Saúde verificou que os franceses, além</p><p>de acumular outros fatores de risco como o uso do fumo e o sedentarismo,</p><p>ingeriam gorduras saturadas em maior quantidade do que os habitantes de outros</p><p>países – e mesmo assim não sofriam tanto de problemas cardiovasculares. Na</p><p>década de 1990, o epidemiologista francês Serge Renaud chegou às mesmas</p><p>conclusões que a OMS, comparando as estatísticas da França com as dos</p><p>Estados Unidos, justificando o Paradoxo Francês do consumo diário e</p><p>sistemático de vinho tinto. Depois disso diversos estudos comprovaram essa</p><p>proposição, observando-se que o vinho tem a capacidade de retirar gordura do</p><p>corpo e desobstruir as veias, elevando os níveis do “bom” colesterol (HDL).</p><p>Ficou famoso o estudo conduzido por Renaud e Lorgeril, que gerou o conceito</p><p>de Padadoxo Francês. O estudo foi publicado pela Organização Mundial de</p><p>Saúde (5) e mostrou que na França, apesar da população estar exposta aos</p><p>mesmos fatores risco que outros países (consumo de gordura saturada, nível de</p><p>colesterol, pressão arterial, índice de massa corporal, tabagismo e sedentarismo)</p><p>foi menor a constatação da incidência de doenças cardíacas e circulatórias. Os</p><p>pesquisadores atribuíram os resultados ao fato dos franceses regularmente</p><p>consumirem vinho que, pelo seu teor de bioflavonóides e do resveratrol teria</p><p>ação de proteger os vasos sanguíneos e consequentemente prevenir doenças</p><p>cardiovasculares ou pelo menos reduzir a sua incidência.</p><p>* * *</p><p>Um preventivo da úlcera do estômago</p><p>Um estudo de maio de 2003 realizado pela Universidade de Belfast, Irlanda do</p><p>Norte, com 10.500 pessoas, apontou que consumidores de 3 a 6 cálices de vinho</p><p>por semana têm 17% menos de risco de contrair úlcera do estômago em relação</p><p>aos que não bebem vinho. Os pesquisadores especulam a possibilidade de tal</p><p>efeito dever-se à estimulação</p><p>e</p><p>reconhecido escritor na área da saúde e da medicina.</p><p>Creia, você não poderia estar em melhores companhias.</p><p>Eustáquio Palhares</p><p>Jornalista, enófilo e filósofo.</p><p>Depoimentos</p><p>“O vinho é tratado neste livro pelo Dr. Marcio Bontempo de uma maneira muito</p><p>agradável, precisa, contando suas histórias com bastantes detalhes que o tema</p><p>merece. A história do vinho é encorpada e densa, tornando envolvente sua</p><p>narração, com riquezas de minúcias de um verdadeiro estudioso e pesquisador</p><p>do assunto.</p><p>Na parte médica, tem a força de um tratado, pois apresenta uma dissecção da</p><p>documentação científica nos seus detalhes, e são fartas as citações de livros,</p><p>artigos e documentos que enriquecem e até facilitam uma pesquisa sobre o</p><p>assunto.</p><p>Tem uma visão agradavelmente epicurista, sem perder a rigidez do raciocínio</p><p>científico, que costuma guiar as mãos de um médico.</p><p>A amenização de uma possível aridez do texto se dá por narrar ao leitor, a todo o</p><p>momento, uma grande variedade de curiosidades úteis e esclarecedoras sobre</p><p>verdades e mitos dessa ciência artística que é a enologia.”</p><p>Dr. José Ruy Sampaio</p><p>Médico, sommelier, enófilo,</p><p>sócio fundador da Maison du Vin, em 1975.</p><p>“Conheci o Dr. Marcio Bontempo em um evento sobre vinhos, e não podia ser</p><p>diferente.</p><p>Fiquei sabendo de seu livro e minha curiosidade aumentou. O vinho é o ‘norte’</p><p>de minha vida, da tradição familiar, desde a mamadeira.</p><p>‘A Saúde da água para o vinho’ interessa a todos: enólogos, sommeliers,</p><p>enófilos, especialistas e até aos insuportáveis ‘enochatos’.</p><p>Dr. Marcio demonstra de forma clara os benefícios milenares desta nobre bebida</p><p>(ou alimento), em uma linguagem aprazível a quaisquer leitores.</p><p>Dr. Márcio mergulha em taças de conhecimento, sem contanto embriagar-se em</p><p>seus inúmeros encantos. Mantém-se ético, sóbrio, apenas degusta, gole por gole,</p><p>o mundo do vinho!”</p><p>Paulo Kunzler</p><p>Sommelier, membro da ABE – Associação Brasileira de Enologia,</p><p>cofundador e instrutor da ABS – Associação Brasileira de Sommeliers –</p><p>Brasília e da SBAV – Sociedade Brasileira Amigos dos Vinhos.</p><p>“Quem deseja mergulhar no universo da vitivinicultura tem a oportunidade de</p><p>conhecer e aprofundar-se, com esta nova edição deste livro do Dr. Marcio</p><p>Bontempo, sobre regiões, variedades, estilos, história, geografia, politica,</p><p>sociedade, economia, modos de fazer e consumir, enfim, uma obra abrangente,</p><p>como é o vinho: um produto cultural que nos possibilita prazer, bem-estar, saúde</p><p>e conhecimento. Ele o faz de forma ampla, abordando diversos aspectos, com</p><p>ênfase é claro, sobre as relações entre vinho e saúde.</p><p>Escrita por um médico homeopata, nutrólogo e praticante da medicina</p><p>biomolecular, esta é uma obra imperdível para enófilos e curiosos do mundo do</p><p>vinho.”</p><p>Carlos Raimundo Paviani</p><p>Professor e Jornalista, Especialista em Marketing do Vinho</p><p>pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM)</p><p>Licenciado em Ciências e Bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela</p><p>Universidade de Caxias do Sul (UCS)</p><p>Ex-Diretor de Relações Institucionais do</p><p>Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN)</p><p>“A Saúde da água para o vinho deslumbra por sua apresentação leve, fluídica,</p><p>não cansativa, mesmo sendo uma matéria técnica ou científica. Para ser lido</p><p>como se estivéssemos apreciando um grand cru premium. Saúde!”</p><p>Heitor Humberto de Andrade</p><p>Enófilo, jornalista, poeta e escritor</p><p>“A melhor forma de guardar um vinho é na lembrança... E assim como um</p><p>vinho é um momento que fica na lembrança, apreciem o momento com esta bela</p><p>obra de vinho e saúde elaborada por Marcio Bontempo.”</p><p>Jose Carlos Santanita</p><p>Sommelier e produtor alentejano</p><p>“O vinho tem o poder de reunir pessoas e de fazer bem à saúde. O autor defende</p><p>aqui o consumo diário e moderado de vinho para prevenir doenças, prestando</p><p>um grande serviço à humanidade.”</p><p>Rachel Alves</p><p>Sommelier e Juíza de Vinho</p><p>“Marcio como escritor é um excelente “chef”, pois consegue harmonizar estudo,</p><p>conhecimento e história em ótimo livro.”</p><p>Petrus Elesbão</p><p>Enófilo e empresário do vinho</p><p>“Este livro mostra a história, a arte, a técnica e amor pelo vinho como</p><p>ingredientes que temperam o dia a dia de trabalho do enólogo. Um bom vinho</p><p>melhora com o tempo, eu melhoro com o vinho.”</p><p>Ademir Brandelli</p><p>Enólogo, produtor e empresário do vinho</p><p>Explicando o título</p><p>Originalmente o título deste livro seria “O Vinho e a Saúde – Aspectos médicos</p><p>e científicos” e foi pensado a princípio como um trabalho dirigido para médicos</p><p>e profissionais de saúde, para que conhecessem os aspectos da bebida ligados à</p><p>saúde, de modo a romper com o preconceito relacionado à pecha de “bebida</p><p>alcoólica” e, como tal, prejudicial à saúde. Mais detalhes serão mostrados no</p><p>próximo capítulo.</p><p>Inicialmente estava estruturado num molde científico, com cruzamento de</p><p>referências a pesquisas e trabalhos. Não havia pensado no público leitor comum.</p><p>Seria um trabalho a ser oferecido para uma editora médica, ou revista científica.</p><p>Ao realizar as pesquisas, porém, deparei-me com dados e informações</p><p>contundentes, de tal modo que o texto foi se tornando progressivamente mais</p><p>denso e consistente.</p><p>Ao terminar, resolvi mostrar o trabalho a um amigo jornalista, Heitor de Andrade</p><p>(que descanse em paz, ao lado de Dionísio ou Baco, sorvendo os certamente</p><p>bons vinhos do paraíso), grande apreciador de vinhos e filósofo, como eu,</p><p>admirador de Epicuro. Meu amigo enófilo leu o texto durante um final de</p><p>semana e na segunda-feira me ligou logo cedo. Imaginei, orgulhoso, que</p><p>receberia os parabéns do amigo pela consistência da base científica do material,</p><p>comprovando o efeito benéfico da bebida que ele tanto apreciava. Mas não foi</p><p>bem assim. Heitor, sincero como sempre foi, disparou:</p><p>– Márcio, seu livro está muito chato!</p><p>Obviamente estremeci. Estaria mal escrito ou algo similar? Preocupado argui:</p><p>– Mas Heitor, não estou entendendo. O que há de errado nele?</p><p>Meu amigo não mediu palavras:</p><p>– Você fez um livro maçante e pesado! Cientificamente está perfeito,</p><p>maravilhoso e convincente até para o maior abstêmio da Terra, que ao ver tantas</p><p>evidências passará até beber vinho regularmente.</p><p>Você deve escrever sobre o vinho para todos! Todas as pessoas precisam saber</p><p>da excelência do vinho para a saúde e seus benefícios. Não limite sua obra</p><p>restringindo-a ao mundo científico.</p><p>Um tanto contrariado, agradeci e comecei a refletir sobre a sugestão de Heitor.</p><p>Ele estava coberto de razão. Resolvi reescrever o livro.</p><p>Para torná-lo mais “suave”, reduzi a apresentação das autorias das pesquisas</p><p>científicas, numerando-as e apontando-as apenas na parte final do livro, junto à</p><p>bibliografia. Depois fui agregando ao texto um pouco da história e curiosidades</p><p>sobre o vinho, pensamentos, poemas, reflexões, dados sobre o seu uso medicinal,</p><p>dados sobre a alquimia da produção do vinho e alguns dos seus segredos,</p><p>descrição dos países produtores e muitos outros elementos imprescindíveis e</p><p>inusitados. Também incorporei muitos dados sobre os vinhos brasileiros, as</p><p>regiões produtoras nacionais, vinícolas e opiniões ou indicações de</p><p>personalidades brasileiras do mundo do vinho. Ou seja, tornei o livro mais</p><p>“degustável”, amaciando sua “acidez” científica, reduzindo seus “taninos”</p><p>médicos mais ásperos, sem contudo desfazer da sua estrutura, sua elegância que</p><p>lhe garante a credibilidade. Na linguagem técnica própria do mundo do vinho,</p><p>transformei um “varietal” num “assemblage”, incorporando cortes de cepas</p><p>informativas mais delicadas e aromáticas, visando permitir um “retrogosto” mais</p><p>agradável e persistente.</p><p>Após alguns dias de trabalho, ofereci novamente o texto a Heitor, que, ato</p><p>contínuo, dispendeu um final de semana para reler.</p><p>Desta vez não precisei aguardar ansioso pela segunda-feira para saber a opinião</p><p>do velho amigo. Heitor enviou mensagem já no domingo à tarde, informando</p><p>que desejava falar comigo. Embora eu acreditasse na melhor qualidade do</p><p>trabalho, imaginei duas coisas pelo fato do amigo ter feito contato tão precoce:</p><p>ou não gostou novamente ou o texto estava excelente. Vigorou a última forma.</p><p>– Doutor! (modo carinhoso com</p><p>da produção do suco gástrico, que com isso</p><p>destruiria o heliobacter pilorii, bactéria tida como responsável pelo surgimento</p><p>da úlcera. Entretanto, outros acreditam que efeito se deva à ação protetora dos</p><p>pigmentos do vinho em relação à ação dos radicais livres já no estômago. Há</p><p>também cientistas que atribuem tal efeito à incrementação do processo digestivo</p><p>de que o vinho (tanto o tinto quanto o branco) é capaz, o que reduziria a</p><p>produção do suco gástrico, reduzindo um pouco o excessivo pH ácido do</p><p>estômago. Esperamos que as próximas pesquisas elucidem a questão, mas a</p><p>certeza do efeito é incontestável.</p><p>* * *</p><p>Regenera neurônios e reduz a gordura e a circunferência abdominal</p><p>Descobriu-se na Itália que o resveratrol e outros polifenóis presentes no vinho</p><p>ativam uma enzima chamada mapquinase, que tem a capacidade de regenerar os</p><p>neurônios. Pesquisas mostraram que pessoas que tomam vinho durante as</p><p>refeições têm melhor digestão e portanto a ingestão regular e moderada de vinho</p><p>diminui a circunferência abdominal, em ambos os sexos.</p><p>* * *</p><p>Um amigo das mulheres</p><p>Resultados de estudos com o resveratrol mostram que a substância, assim como</p><p>as isoflavonas de soja, tem uma acentuada similaridade estrutural e funcional</p><p>com os hormônios sexuais femininos, principalmente com o estrogênio. Esta</p><p>notícia é importante e mostra que o vinho traz, adicionalmente, algumas</p><p>vantagens para as mulheres. Por exemplo, o câncer de mama, aquele que mais</p><p>mata no universo feminino, tem uma relação direta com o hábito regular de</p><p>ingestão de bebidas alcoólicas, isto é, quanto mais álcool uma mulher ingere,</p><p>maior é a probabilidade de ela contrair a doença. Mas as evidências resultantes</p><p>de diversas pesquisas (ver adiante) mostram que quando a bebida ingerida é o</p><p>vinho, ocorre proteção contra o desenvolvimento desse tipo de câncer,</p><p>notadamente contra o adenocarcinoma.</p><p>Também há dados referentes à redução dos riscos de desenvolver câncer de</p><p>ovário quando a mulher bebe vinho de maneira regular e moderadamente, junto</p><p>às refeições. Os dados apontam que a incidência de câncer de ovário é</p><p>praticamente a mesma entre as mulheres que bebiam regularmente destilados e</p><p>cerveja e as abstêmias. Os resultados foram mais claros entre as mulheres que</p><p>bebiam vinho tinto, em comparação com as que utilizaram vinho branco.</p><p>* * *</p><p>Redutor dos sintomas da na menopausa</p><p>Devido à similaridade estrutural e funcional com o estrogênio, do mesmo modo</p><p>que as isoflavonas, cientistas comprovaram que mulheres que tomam de duas a</p><p>três taças de vinho ao dia, principalmente tinto, regularmente, apresentam menos</p><p>sinais das manifestações clínicas da menopausa e do climatério (ondas de calor,</p><p>ressecamento da pele, etc...) e têm reduzida a incidência de osteoporose,</p><p>tendendo a ganhar mais massa óssea (o vinho é rico em cálcio e magnésio).</p><p>Também graças à ação dos polifenóis sobre o organismo feminino, a ingestão de</p><p>vinho tinto tem relação direta também com a recalcificação (ou a redução da</p><p>menor perda de minerais), o aumento da fertilidade feminina, da libido e a</p><p>preservação da consistência e elasticidade da pele.</p><p>* * *</p><p>Condições para que o vinho seja benéfico</p><p>Estas informações, aparentemente aleatórias, têm grande base científica. Vamos</p><p>saber com certeza e segurança porque o vinho tem estes e outros efeitos. Para</p><p>tanto, apresentamos referências científicas de pesquisas e experiências relativas</p><p>ao tema que podem ser verificadas nos números entre parênteses em algumas das</p><p>citações mais importantes e conferidas na lista enumerada de bibliografia e</p><p>trabalhos adiante.</p><p>Existem hoje centenas de evidências e provas científicas de que o vinho pode ser</p><p>salutar e benéfico à saúde. Porém, é importantíssimo deixar bem claro que isto</p><p>só é possível sob três condições básicas:</p><p>Primeira: que o vinho seja ingerido com moderação.</p><p>Segundo: que seu uso seja regular.</p><p>Terceiro: que seja ingerido juntamente com uma refeição.</p><p>Além destas três condições, acrescentamos a informação de que o suco de uva</p><p>tinta, de boa qualidade, sem açúcar (natural ou adicionado), pode produzir</p><p>efeitos antioxidantes e nutricionais muito semelhantes, conforme veremos</p><p>adiante.</p><p>A nossa preocupação básica ao escrever este livro, conforme já colocamos</p><p>anteriormente, foi a de não nos colocarmos na posição de incentivar o uso do</p><p>vinho, enquanto visto apenas como bebida alcoólica, para prevenir ou tratar</p><p>doenças. Tanto médicos conhecedores do assunto, quanto instituições idôneas e</p><p>autoridades sanitárias entendem que os efeitos benéficos para a saúde com a</p><p>ingestão de vinho só podem acontecer se a bebida for consumida</p><p>moderadamente.</p><p>* * *</p><p>As instituições abaixo reconhecem o fato de que o vinho tem efeitos medicinais,</p><p>não tem contraindicação e é benéfico se ingerido com moderação:</p><p>Organização Mundial de Saúde.</p><p>Sociedade Brasileira de Hipertensão Arterial.</p><p>Associação Brasileira de Nutrologia.</p><p>FDA – Food and Drug Administration.</p><p>American Heart Association.</p><p>National Stroke Association.</p><p>Outras.</p><p>Entendendo porque o vinho pode fazer bem</p><p>“A tristeza pode ser aliviada por um bom sono,</p><p>um banho e um copo de um bom vinho.”</p><p>São Tomas de Aquino</p><p>Os estudiosos concluíram que os benefícios do vinho se devem à sua</p><p>composição, principalmente pela presença de polifenóis, de pigmentos que</p><p>possuem ação conhecida como antioxidante, entre outras, e também do álcool.</p><p>Antes de conhecermos a ação específica de cada componente da uva ou do</p><p>vinho, é fundamental saber o que é um antioxidante</p><p>Entendendo o que é ação antioxidante</p><p>Antioxidante é todo composto capaz de reduzir a ação “oxidante” do oxigênio</p><p>residual extra, que forma a maior parte dos chamados radicais livres. Mas o que</p><p>são os radicais livres?</p><p>Radicais livres – os vilões desmascarados</p><p>Os radicais livres mais comuns são estruturas derivadas de um excedente do</p><p>oxigênio presente no organismo. 95% Deste gás se transforma em energia</p><p>utilizada para produzir elementos vitais e manter a vida, mas 5% é transformado</p><p>no metabolismo em espécies reativas tóxicas, denominadas radicais livres, tais</p><p>como o radical superóxido, o peróxido de hidrogênio e radical hidroxila. Há</p><p>outros como o radical oxigênio singlet, extremamente tóxico, derivado de</p><p>reações do nosso corpo com os raios ultravioleta do sol.</p><p>Radicais livres são necessários à vida, que não pode ocorrer sem eles, porém o</p><p>problema se resume no seu excesso, que aparece devido ao enfraquecimento da</p><p>capacidade orgânica de reduzir os excessos, função esta atribuída às enzimas</p><p>antioxidantes. Radicais livres são gerados no organismo desde a concepção logo</p><p>nos primeiros segundos de vida intrauterina e a sua produção é continua durante</p><p>toda a nossa existência. Até os 40/45 anos de idade aproximadamente,</p><p>administra-se muito bem esses 5% e consegue-se neutralizá-los. Atualmente,</p><p>porém, com o estresse, a poluição, a alimentação industrializada, a radiação, os</p><p>hábitos perniciosos como o tabagismo, o alcoolismo e outros, o organismo sofre</p><p>a redução da sua capacidade de combater o excesso de radicais livres.</p><p>Com o avançar da idade, a produção de radicais livres excede a sua degradação e</p><p>sobrepuja os mecanismos de defesa natural antirradical e de reparo celular e tem-</p><p>se o início das alterações estruturais de proteínas, lipídeos, ácidos nucléicos e</p><p>carboidratos, as quais produzem lesão celular. Então, gradativamente, a agressão</p><p>às moléculas, células, tecidos, órgãos e funções diversas, aparecem as doenças,</p><p>tanto agudas como crônicas, mas principalmente degenerativas, como o câncer, o</p><p>diabetes, o infarto, mal de Alzheimer, as doenças autoimunes, etc., mas de modo</p><p>mais acentuado o fenômeno do envelhecimento precoce. Um dos mecanismos</p><p>mais frequentes de lesão celular ocorre na membrana celular no fenômeno</p><p>conhecido como peroxidação lipídica.</p><p>Para evitar o excesso de agressão dos radicais livres é necessário oferecermos às</p><p>células todos os elementos necessários ao seu metabolismo, para que elas</p><p>tenham condições de produzir energia, fabricar substâncias vitais, degradar os</p><p>radicais livres, agir nos mecanismos de reparo celular</p><p>e de vigilância</p><p>imunológica. A abordagem ortomolecular (hoje medicina biomolecular), da</p><p>medicina utiliza diversos agentes considerados antioxidantes, como vitaminas,</p><p>minerais, fitoterápicos, alimentos funcionais, etc. para combater o excesso de</p><p>radicais livres, tanto em procedimentos terapêuticos quando preventivo de</p><p>enfermidades. Entre estes agentes, diversos são conhecidos, como o</p><p>betacaroteno, o licopeno, a vitamina E, a vitamina C, alimentos como o alho, a</p><p>soja, o limão, a pimenta, a linhaça, etc., ricos em compostos antioxidantes, como</p><p>os polifenóis. É aqui que entra o nosso vinho, principalmente o tinto, como um</p><p>dos produtos (alimento) mais rico em compostos antioxidantes.</p><p>Agora podemos entender como agem os componentes do vinho, começando pelo</p><p>mais polêmico: o álcool.</p><p>Pequenas quantidades de álcool podem fazer bem, grandes sempre fazem</p><p>mal.</p><p>“E olhai por vós, para que não aconteça que o vosso coração se</p><p>sobrecarregue de glutonaria, de embriaguez.”</p><p>Lucas, 21:34</p><p>Estudos atuais mostram claramente que pequenas quantidades de álcool têm</p><p>efeito medicinal. O consumo moderado, equivalente a 20-30 g de etanol/dia ou</p><p>250-300 ml de vinho, desde que as calorias provenientes do álcool não</p><p>ultrapassem a 10% das necessidades diárias, permitem os conhecidos efeitos</p><p>benéficos do vinho. Curiosamente, o excesso de álcool, ou mesmo doses um</p><p>pouco além das apontadas, é prejudicial à saúde e atua em sentido oposto,</p><p>perturbando a assimilação e a utilização desses mesmos componentes. Uma</p><p>ressalva importante, porém, é que os efeitos danosos do excesso de vinho</p><p>(devido ao álcool) são mais contundentes no caso da bebida ser ingerida fora das</p><p>refeições, ou sem acompanhamento de alimentos. No caso do vinho ser ingerido</p><p>juntamente, por exemplo, com alimentos gordurosos ou proteicos, dependendo</p><p>da quantidade, o álcool nele contido contribuirá para a digestão dos mesmos,</p><p>porém, é necessário muito cuidado, pois se corre o risco de cometer dois</p><p>excessos: o de alimentos e de álcool. Além disso, o álcool tem ação oxidante e</p><p>em excesso se antagoniza à ação antioxidante dos componentes do vinho,</p><p>anulando o efeito deste.</p><p>O vinho pode provocar cirrose?</p><p>Os cientistas dizem que nas doses moderadas e durante a alimentação, não. O</p><p>Tratado de Medicina Interna – Cecil, no capítulo referente à hepatopatia</p><p>alcoólica, cirrose e suas principais sequelas, num artigo do Dr. Scott L.</p><p>Friedman, professor de Medicina e Diretor de Pesquisas Sobre Doenças</p><p>Hepáticas do Mount Sinai Schoof of Medicine, Nova Iorque, para que uma</p><p>pessoa de porte médio e de idade mediana desenvolva cirrose no fígado, precisa</p><p>ingerir diariamente 80 g de etanol por dia durante 20 anos seguidos, o que</p><p>significa cerca de uma garrafa e meia de vinho, diariamente. E é bom que se</p><p>saiba que a cirrose não é provocada somente pela ingestão de álcool, mas por</p><p>diversos fatores, entre eles os vírus das hepatites B e C, além de carências</p><p>nutricionais crônicas.</p><p>Mais efeitos do álcool sobre o organismo serão abordados novamente adiante.</p><p>Polifenóis, os principais responsáveis pelos bons efeitos do vinho</p><p>OBS. Os números entre parênteses são marcadores para localização das</p><p>pesquisas mencionadas, apresentadas no capítulo “Referências Científicas e</p><p>Pesquisas”, na parte final deste trabalho.</p><p>Já mencionados como componentes das uvas, os polifenóis são estruturas</p><p>microscópicas complexas que dão consistência ao vinho. Estão presentes na</p><p>casca, nas sementes, no engaço e em bem menor quantidade na polpa da uva,</p><p>mais concentrados no vinho que no suco e na fruta. São divididos em dois</p><p>grupos principais, os flavonoides, como as antocianinas, a catequina, a</p><p>quercetina e outros pigmentos, e os não flavonoides, como os taninos e os ácidos</p><p>fenólicos. Também do grupo dos compostos fenólicos está o resveratrol. Todos</p><p>estes componentes da uva – e portanto do vinho e do suco da uva – já foram</p><p>descritos anteriormente e possuem ação principalmente antioxidante.</p><p>Cientistas como Kinsella e colaboradores (1) descobriram que os polifenóis</p><p>agem inibindo a oxidação dos ácidos graxos que resultam em formação de</p><p>radicais livres, como peróxidos e hidroperóxidos, capazes de produzir</p><p>aterosclerose e trombose. Eles mencionam uma série de perturbações</p><p>metabólicas e tissulares que resultam comprovadamente da oxidação de lipídeos,</p><p>tais como: alterações de funções relacionadas com membranas (enzimas,</p><p>receptores, permeabilidade); polimerização de proteínas; mutação no DNA;</p><p>modificação da função dos macrófagos; aterogênese; alteração das funções das</p><p>plaquetas e alteração da “cascata do ácido aracdônico”.</p><p>Os pesquisadores verificaram que os polifenóis agem como antioxidantes ativos,</p><p>doando hidrogênio aos radicais livres, e como preventivos, impedindo a</p><p>peroxidação de lipídeos e inibindo enzimas oxidativas. Também verificaram que</p><p>esses compostos podem atuar como protetores e regeneradores dos antioxidantes</p><p>primários do organismo como a vitamina C, a vitamina E o betacaroteno. Desse</p><p>modo, o consumo contínuo e moderado de vinho, bem como a ingestão de frutos</p><p>e vegetais, contendo esses antioxidantes podem, efetivamente, inibir as reações</p><p>oxidativas deletérias aos tecidos, agentes das principais enfermidades,</p><p>principalmente as cardiovasculares.</p><p>Diversas pesquisas mostram que os polifenóis têm ação antisséptica, antivirótica</p><p>e protetora dos vasos sanguíneos, são capazes de prevenir as doenças vasculares</p><p>e retardar o envelhecimento. A pesquisadora Paula Santos, em sua obra “Vinho e</p><p>Cultura”, informa a descoberta recente que, do grupo dos polifenóis, a citrina</p><p>tem ação preventiva em algumas doenças hemorrágicas, e as catequinas</p><p>aumentam a resistência dos micro vasos sanguíneos capilares(2).</p><p>Cientistas demonstraram há poucos anos que os compostos fenólicos do vinho</p><p>tinto inibem as reações de oxidação das lipoproteínas de baixa densidade, a</p><p>LDL, reação esta responsável pela formação de placas de ateroma nas artérias e</p><p>trombos(3). Kinsella e colaboradores confirmam o papel dos compostos</p><p>fenólicos do vinho na prevenção de fenômenos como trombose e aterosclerose,</p><p>mostrando que o vinho é superior às outras bebidas alcoólicas no efeito protetor</p><p>contra várias doenças cardiovasculares(1). Os autores concluíram que o principal</p><p>papel daqueles dos compostos fenólicos é devido à sua ação antioxidante. Os</p><p>polifenóis ajudam a baixar o LDL, o chamado colesterol ruim, e a aumentar o</p><p>HDL, o bom colesterol.</p><p>Os polifenóis têm também ação preventiva e curativa sobre as placas e cáries</p><p>dentárias, causadas pelo streptococus mutans. No Japão já existem várias</p><p>patentes de creme dental à base de polifenóis.</p><p>Os polifenóis do vinho atuam como antialérgicos, além de terem ação anti-</p><p>inflamatória bem definida, inclusive nas artrites e processos reumáticos.</p><p>Descobriu-se que os polifenóis e outros componentes pigmentares da casca da</p><p>uva atuam na redução da pressão sanguínea. É possível que em breve se produza</p><p>um remédio para hipertensão arterial com base nessa descoberta.</p><p>Resveratrol – a grande vedete</p><p>A maior descoberta relacionada ao vinho (e à uva) foi a de uma fitolexina do</p><p>grupo dos polifenóis estilbenos, o comentado resveratrol, ou mais propriamente,</p><p>trans-resveratrol, que quimicamente é o 3, 5, 4 trihidroxitrans-estibeleno. As</p><p>fitoalexinas, como o resveratrol, são compostos produzidos pela uva como</p><p>defesa contra microrganismos, principalmente para proteger-se de fungos, ou da</p><p>radiação ultravioleta (4).</p><p>A esta substância atribui-se a capacidade de redução da viscosidade do sangue e</p><p>do bloqueio da evolução da aterosclerose.</p><p>Os especialistas da Universidade de Carolina do Norte, Estados Unidos,</p><p>observaram que o resveratrol atua sobre um processo genético envolvido na</p><p>inflamação, no desenvolvimento da arteriosclerose ou no bloqueio dos vasos</p><p>sanguíneos, o que mostra as aplicações do composto em doenças</p><p>cardiovasculares.</p><p>Cientistas brasileiros, do curso de pós-graduação em Biotecnologia, do</p><p>Departamento de Química e de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa</p><p>Catarina, FSC; e Miguel Soriano Caro concluíram que, devido ao resveratrol,</p><p>o</p><p>consumo moderado de vinho tinto é capaz de reduzir a agregação plaquetária e</p><p>aumentar a concentração de HDL, o bom colesterol.</p><p>O resveratrol é uma recurso também contra o câncer</p><p>Segundo a doutora Minnie Holmes-McNary, também da Universidade de</p><p>Carolina do Norte em Chapel Hill, o resveratrol possui propriedades anti-</p><p>inflamatórias e anticancerígenas. A pesquisadora utilizou células de cultivo</p><p>humano e de ratos, observando que o resveratrol modula a atividade da NF-</p><p>kappa B, uma proteína que une o DNA ao interior do núcleo celular e genes</p><p>ativos ou inativos. Há evidências fortes de que o resveratrol ajuda a desativar um</p><p>mecanismo de proteção natural que resguarda as células cancerígenas de serem</p><p>aniquiladas. Segundo os pesquisadores, quando o resveratrol estava ausente do</p><p>cultivo in vitro, as células cancerosas sobreviveram, mas quando presente,</p><p>conseguiu-se provocar a morte dessas células, desencadeando a ação de um</p><p>gene. A Dra. Holmes-McNary afirma que esta experiência foi muito interessante</p><p>porque explicou como uma dieta rica em antioxidantes atua ao nível das</p><p>moléculas. A pesquisadora mostra que o resveratrol é capaz de inibir a oxidação</p><p>do LDL, o colesterol ruim. Quando oxidada, essa molécula nociva tem ainda</p><p>mais facilidade para se depositar nas artérias até obstruí-las, provocando um</p><p>infarto ou derrame.</p><p>Uma das mais recentes descobertas sobre o resveratrol mostra que a substância é</p><p>capaz de potencializar a atividade do gene SIRT1 humano, ligado à longevidade.</p><p>Mais concentração nos vinhos tintos</p><p>Por serem fermentados na presença das cascas e sementes das uvas –</p><p>diferentemente do que ocorre em relação aos brancos –, os vinhos tintos são</p><p>mais ricos em polifenóis e, em consequência, possuem maiores virtudes</p><p>terapêuticas, independentemente de serem secos ou suaves. A variedade de uva</p><p>tinta com maior concentração de polifenóis e resveratrol é a Merlot.</p><p>Vinhos rosés, brancos e espumantes em geral contêm, portanto, menor</p><p>quantidade de polifenóis, pigmentos e resveratrol, produzindo resultados</p><p>menores.</p><p>Vinhos brasileiros podem conter mais polifenóis</p><p>e resveratrol</p><p>Recente pesquisa realizada pelo professor André Souto, da Pontifícia</p><p>Universidade Católica do Rio Grande do Sul, mostrou surpreendente resultado,</p><p>apontando que os vinhos produzidos na Serra Gaúcha contêm quantidades de</p><p>polifenóis das mais altas do mundo. O fato se deve a questões climáticas. A</p><p>maioria dos vinhos produzidos no Brasil são da Serra Gaúcha, que apresenta</p><p>calor e acentuada umidade no verão, justamente na época da vindima, ou</p><p>colheita das uvas. Devido a essas características, ocorre maior desenvolvimento</p><p>de fungos que atacam as videiras, que, para se defenderem, aumentam a</p><p>produção de polifenóis e resveratrol. Devido a essa circunstância, concluiu-se</p><p>que o vinho do Rio Grande do Sul seja um dos mais potentes do mundo em</p><p>virtudes terapêuticas.</p><p>Pesquisa recente comprova que o suco de uva tinta</p><p>contém resveratrol.</p><p>Um pesquisa atual desenvolvida por Caroline Dani, da Universidade de Caxias</p><p>do Sul, comprova a presença de resveratrol no suco de uvas tintas quase na</p><p>mesma proporção que nos vinhos tintos. O estudo que durou quase dois anos fez</p><p>uma avaliação nutricional antioxidante e antimutagência de nove tipos de sucos</p><p>tintos, brancos e rosados.</p><p>A ação antioxidante da uva já era conhecida em vinhos, especialmente nos tintos,</p><p>mas pouco se sabia da presença da substância em sucos de uva, principalmente</p><p>porque os sucos comerciais de baixa qualidade apresentam baixa concentrações</p><p>de resveratrol. A pesquisadora verificou, contudo, a presença de quantidade</p><p>elevada de resveratrol nos sucos tintos orgânicos especiais, que possuem 0,22</p><p>ppm de resveratrol contra 0,008 dos comerciais. Já nos sucos de uva branca,</p><p>onde não há contato com a casca, a quantidade de resveratrol é muito inferior.</p><p>Concluiu se que, na comparação dos sucos comerciais, os tintos possuem três</p><p>vezes mais polifenóis que os brancos, entretanto todos apresentam atividade</p><p>antioxidante.</p><p>O problema do suco de uva</p><p>O problema do suco da uva é que ele contém muito açúcar – natural da uva ou</p><p>acrescentado– e é, portanto, muito fermentativo, podendo produzir gases</p><p>intestinais, além de ser mais calórico e incrementador da elevação das taxas da</p><p>glicose sanguínea. Deve ser bebido em pequenas quantidades, de uvas tintas,</p><p>preferencialmente longe das refeições. Já o vinho não fermenta no aparelho</p><p>digestivo, pois já foi fermentado pelo processo de elaboração.</p><p>O uso medicinal externo do vinho</p><p>Não somente ingerido, o vinho pode ser usado como remédio, mas também para</p><p>algumas situações externas.</p><p>Um remédio tópico contra micoses</p><p>Devido à presença de polifenóis, que possuem efeito antimicrobiano, para</p><p>fungos, vírus e bactérias, o vinho tinto seco pode ser aplicado em micoses das</p><p>unhas e pé de atleta (frieiras). Basta aplicar um pouco de vinho nas áreas</p><p>afetadas e, de preferência, expor ao sol por alguns minutos. Repetir até a cura.</p><p>Devido à sua ação antialérgica e cicatrizante, também é um procedimento útil em</p><p>coceiras e feridas abertas.</p><p>Observação: os procedimentos aqui indicados não substituem nenhum</p><p>tratamento médico. Em casos persistentes, mais sérios, um médico deve ser</p><p>consultado.</p><p>As mais recentes pesquisas científicas sobre a ação medicinal do vinho</p><p>“Até uma década atrás não se havia escrito mais do que</p><p>umas três centenas de trabalhos científicos sobre as virtudes terapêuticas do</p><p>vinho, enquanto que hoje já existem publicados mais de 250 mil artigos</p><p>tratando,</p><p>direta ou indiretamente, do assunto.”</p><p>Dr. Jairo Monson</p><p>OBS. Os números entre parênteses são marcadores para localização das</p><p>pesquisas mencionadas apresentadas no capítulo “Referências Científicas e</p><p>Pesquisas”, na parte final deste trabalho.</p><p>Estudos dos efeitos do vinho sobre o aparelho cardiovascular</p><p>Um dos efeitos mais notáveis do vinho sobre o organismo ocorre principalmente</p><p>sobre o coração e os vasos sanguíneos – o aparelho cardiovascular. A seguir o</p><p>que existe de mais atual em termos de pesquisas científicas sobre o tema:</p><p>O que se sabe sobre os efeitos do álcool no coração e na circulação</p><p>sanguínea</p><p>Antes de se conhecer com detalhes a ação antioxidante e protetora dos polifenóis</p><p>e dos pigmentos do vinho, os clássicos e seculares efeitos da bebida sobre o</p><p>aparelho cardiovascular sempre foram atribuídos ao álcool. Depois que as</p><p>análises químicas descobriram outras substâncias componentes do vinho, estas</p><p>passaram a receber mais atenção dos pesquisadores, que atribuíram a elas esses</p><p>efeitos. Porém, há evidências e pesquisas de que o álcool tem alguma</p><p>participação nesses resultados, uma vez que, em pequenas quantidades, não só</p><p>atua como favorecedor da assimilação dos demais componentes e nutrientes do</p><p>vinho, como também tem atividade medicinal.</p><p>Verificou-se, por exemplo, que em doses moderadas, o álcool tem como efeito</p><p>um aumento da frequência e débito cardíacos, associado a uma diminuição da</p><p>eficiência miocárdica, devido ao possível vazamento de eletrólitos e enzimas</p><p>para o seio coronário. O excesso de álcool, na corrente sanguínea produz ainda</p><p>ligeiro aumento da pressão sistólica, vasodilatação periférica e aumento ou</p><p>diminuição da resistência periférica, dependendo da intensidade da</p><p>vasoconstrição visceral (6).</p><p>Mas em doses altas, o álcool atua ao contrário, como forte depressor do</p><p>miocárdio e tem efeito tóxico direto sobre o mesmo. Há inclusive a chamada</p><p>“doença cardíaca alcoólica”. Há muitas controvérsias entre os estudiosos sobre a</p><p>ação do álcool como vasodilatador coronariano, porém, existem casos</p><p>registrados em que o álcool pode gerar alívio da dor de crises de angina sem</p><p>modificar as alterações isquêmicas do eletrocardiograma, sugerindo um efeito</p><p>depressor sobre o sistema nervoso central. De qualquer modo, o bom senso nos</p><p>diz que doses excessivas de álcool devem ser evitadas de qualquer modo.</p><p>Diversos estudos mostram relação inversa entre consumo moderado de álcool e</p><p>incidência de doenças cardíacas obstrutivas, incluindo-se a angina e o enfarte. (6,</p><p>7, 8, 9, 10, 11).</p><p>Sobre os efeitos</p><p>do consumo moderado de álcool sobre o sistema circulatório,</p><p>principalmente sobre o coração, é importante frisar que os estudos se basearam</p><p>no vinho como fonte de álcool e não de outras bebidas alcoólicas (9, 12, 13, 14,</p><p>15, 16, 17). Isto é particularmente importante porque os efeitos benéficos do</p><p>vinho sobre essa função orgânica se devem não somente pela ação do álcool (em</p><p>pequenas quantidades) verificados no estudo, mas devido aos seus outros</p><p>componentes, como veremos a seguir.</p><p>Ainda nas pesquisas sobre os feitos salutares de pequenas quantidades de álcool</p><p>sobre o coração e vasos sanguíneos, verificou-se que o vinho é superior à cerveja</p><p>quanto à proteção contra doenças isquêmicas (angina, enfarte e coronariopatias)</p><p>(18).</p><p>Definição de “consumo moderado”</p><p>Considera-se como consumo moderado a ingestão máxima de 60 g de álcool por</p><p>dia, o que equivale a cerca de 400 ml (cerca de meia garrafa) de um vinho com</p><p>15% de álcool ou 1.200 ml de cerveja com 5% de álcool ou ainda 120 ml (cerca</p><p>de 2 doses regulares) de bebida destilada com teor alcoólico de 50%, como</p><p>uísque, cachaça, vodca, conhaque, etc. (6,7,19,20,21). Porém devemos</p><p>considerar que a tolerância e os efeitos do álcool são variáveis e variam de</p><p>pessoa a pessoa, portanto, cada um deve dimensionar para si o que significa um</p><p>consumo pequeno, moderado ou elevado.</p><p>Mesmo que esses estudos apontem para um efeito benéfico de pequenas doses de</p><p>álcool sobre o sistema cardiovascular, há outros, de igual seriedade, que</p><p>demonstram evidências de que o consumo excessivo de álcool pode produzir</p><p>efeito oposto (19).</p><p>Um estudo mostrou que em 3.786 pacientes submetidos à</p><p>cineangiocoronariografia, apenas 10% eram consumidores de vinho e a maioria</p><p>dos pacientes consumiam bebidas mais fortes (15).</p><p>Um dos estudos mais surpreendentes mostrou que o consumo moderado de</p><p>vinho e de cerveja, entre não fumantes, é capaz de reduzir a mortalidade mais do</p><p>que as bebidas fortes destiladas (17).</p><p>Vários estudos mostraram que há maior risco de enfarte e doenças</p><p>cardiovasculares entre pessoas que param de beber depois de 10 anos e em</p><p>abstêmios (21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28).</p><p>Nos Estados Unidos, entre 1969 e 1978, o consumo de vinho cresceu 55% e a</p><p>taxa de mortalidade por doenças coronarianas caiu 22% (12).</p><p>O número de mortes por doenças cardiovasculares (entre elas o enfarte) na</p><p>Europa é menor nos países consumidores de vinho, principalmente na França e</p><p>na Itália, seguindo um gradiente de norte para sul, inverso ao gradiente de</p><p>consumo de vinho, ou seja, nos locais onde o vinho é mais consumido, nas</p><p>regiões mais ao norte, a incidência de doenças cardiovasculares é menor(18).</p><p>Menor risco de derrame cerebral, mas somente para quem bebe pouco</p><p>Um conhecido estudo de A. L. Klatsky, que investigou os hábitos de 129 mil</p><p>pessoas durante seis anos, mostrou que o risco de acidente vascular cerebral é</p><p>30% menor entre os consumidores de um copo de vinho por dia e de 20% entre</p><p>os consumidores de um a dois copos de vinho diários. Porém, a má notícia para</p><p>aqueles que exageram, é que essa mesma pesquisa confirma os malefícios do</p><p>excesso, mesmo de bons vinhos: o risco de um derrame cerebral aumenta em</p><p>90% para consumos superiores a seis copos por dia. O estudo chama-se “Is</p><p>alcohol good for your health?” (o álcool é bom para sua saúde?) e foi publicado</p><p>em 2003 na Nova Inglaterra, Estados Unidos, por Klatsky A.L. & Friedman</p><p>G.D.</p><p>No Circulation – Journal of the American Heart Association, achamos um artigo</p><p>apontando 13 estudos publicados pela médica L. Lacoviello e colegas, do</p><p>Consorzio Mario Negri Sud, Santa Maria, Imbaro, Itália, mostrando redução do</p><p>risco de desenvolvimento de doença vascular para quem bebe vinho</p><p>regularmente. As pesquisas envolveram 201.307 participantes, mostrando que</p><p>aqueles que bebiam vinho tiveram redução significativa do risco de doença</p><p>vascular quando comparados aos que não bebiam. Os dados mostraram que</p><p>consumir até 150 ml de vinho por dia estava ligado a uma redução significativa</p><p>do risco vascular. A autora e seus colaboradores sugerem na publicação que “os</p><p>abstêmios devem ser informados de que, na ausência de contraindicações e no</p><p>contexto de alimentação e estilo de vida saudáveis, o consumo leve e moderado</p><p>de vinho contribui para uma saúde melhor. As pessoas que já são consumidoras</p><p>leves a moderadas de vinho devem ser incentivadas a continuar”.</p><p>Vinho, alho e azeite – segredos para uma boa saúde.</p><p>O consumo regular de alho (presente na alimentação dos habitantes dos países</p><p>consumidores de vinho, como a Itália e a França), pelo seu efeito</p><p>antiaterogênica, é uma das explicações para o baixo índice de doenças</p><p>cardiovasculares, segundo alguns cientistas que se antagonizam aos colegas que</p><p>atribuem esse efeito ao consumo de vinho (29, 30). O azeite de oliva faz parte da</p><p>tradição antiga e acompanha muitos produtores de vinho, sendo um dos</p><p>responsáveis pela longevidade e boa saúde dos povos mediterrâneos e europeus,</p><p>graças ao seu teor de óleos monoinsaturados. Segundo nosso ponto de vista,</p><p>tanto o vinho quanto o alho e o azeite contribuem para uma saúde melhor, uma</p><p>vez que os dois possuem ação antioxidante, protetora do DNA e redutora do</p><p>colesterol. Isso é confirmado por estudos recentes que comprovam a ação</p><p>redutora da taxa de açúcar no sangue (glicemia) e da inibição da adesividade</p><p>plaquetária desses dois alimentos (31).</p><p>Efeitos do consumo de vinho sobre o excesso de colesterol</p><p>É de aceitação geral na medicina moderna que as lipoproteínas de alta densidade</p><p>(HDL), ou o “bom” colesterol, do plasma, têm ação protetora contra as doenças</p><p>coronarianas obstrutivas (32). Segundo Gómez (33), populações com grande</p><p>longevidade apresentam níveis elevados de HDL e baixos de LDL – o “mau”</p><p>colesterol. É sabido que a vida sedentária, a obesidade e hábitos como o</p><p>tabagismo levam a uma queda da HDL, que inclusive é maior entre as mulheres</p><p>do que em homens (o HDL tem ação redutora da testosterona e elevadora do</p><p>estrógeno). O autor aponta que a atividade física diária e a ingestão de</p><p>quantidades moderadas de álcool (1 a 2 doses por dia) eleva o HDL, talvez, pela</p><p>conversão de VLDL (o “excelente” colesterol) em HDL, sugere.</p><p>Confirmando esses achados, também Castelli e colegas (34, 35), ao estudarem o</p><p>efeito do consumo de álcool sobre as lipoproteínas e triglicérides plasmáticos em</p><p>cinco populações consumidoras de vinho, descobriram que o consumo moderado</p><p>de vinho eleva os níveis sanguíneos de HDL, diminui os níveis das LDL, não</p><p>influi nos níveis das VLDL e causa pequena elevação dos triglicérides. Os</p><p>autores informam que o vinho pode ter efeito benéfico na aterosclerose,</p><p>possivelmente por aumentar as HDL que removem o colesterol dos depósitos e o</p><p>transportam até o fígado, onde é excretado na bile. As HDL também bloqueiam a</p><p>interiorização das LDL, o que pode ser o principal mecanismo que abastece as</p><p>células de gorduras saturadas, um dos elementos básicos na formação da</p><p>aterosclerose. Muitos outros autores encontraram alta correlação positiva entre</p><p>HDL e a ingestão moderada e regular de vinho (36 a 39) ou de bebidas</p><p>alcoólicas em geral (19, 31, 38, 40, 41). Nesse aspecto, houve um trabalho</p><p>bastante convincente realizado por Breier e Lisch (39). Eles estudaram um</p><p>paciente que ingeria aproximadamente 400 ml de vinho diariamente, mas era</p><p>portador de hipercolesterolemia familiar, sem sinais de aterosclerose precoce,</p><p>mas que apresentava alta concentração plasmática da HDL. Na pesquisa foram</p><p>feitas dosagens de HDL, controlando-se a ingestão de vinho. Uma primeira</p><p>dosagem foi feita com o paciente ainda ingerindo vinho e revelou HDL alta. Em</p><p>seguida, uma segunda dosagem após 21 dias sem ingestão de vinho revelou 75%</p><p>de redução da HDL. Seguiu-se um período de 21 dias de ingestão usual de</p><p>vinho, ao final do qual uma terceira dosagem revelou uma concentração de HDL</p><p>igual à da primeira dosagem. O estudo mostra muito claramente que o paciente</p><p>estava protegido contra as complicações ateroscleróticas devido ao aumento das</p><p>taxas de colesterol total, também devido ao aumento da antiaterogênica</p><p>HDL,</p><p>provocado pelo consumo moderado de vinho.</p><p>Também os estudos mostram que o consumo moderado de álcool do vinho, além</p><p>dos efeitos sobre a HDL, produz diminuição da LDL, o “mau” colesterol (7, 19,</p><p>39, 31, 41, 42). Diversos autores acreditam que a ação do álcool na prevenção</p><p>das doenças coronarianas não se deve a um efeito contra a aterosclerose, mas</p><p>sim através da inibição da agregação plaquetária. Esta posição é ratificada por</p><p>outros autores (24, 25) . Há trabalhos que indicam que o consumo regular e</p><p>moderado de álcool pode provocar redução das plaquetas (19, 41, 43) e</p><p>diminuição, da agregação plaquetária (11, 19, 41, 43). Estudos surpreendentes</p><p>mostram que houve maior redução na agregação entre as plaquetas em situações</p><p>de ingestão elevada de gorduras saturadas ou baixa ingestão de ácidos graxos</p><p>poli-insaturados, junto com o consumo de vinho. Manku e colaboradores (44)</p><p>levantam a hipótese de que o consumo de álcool produz um aumento</p><p>significativo, dose dependente, de prostaglandina E nas plaquetas, o que inibe a</p><p>agregação plaquetária e dilata as coronárias.</p><p>Cientistas como Langer e colegas (41) publicaram trabalhos mostrando que</p><p>cerca de 50% da proteção fornecida pelo consumo moderado de álcool contra as</p><p>doenças coronarianas deve-se a HDL. Incluem que uma proteção adicional de</p><p>mais 18% poderia ser atribuída à baixa de LDL. Os restantes 50% da proteção</p><p>do vinho são desconhecidos para alguns autores mas definidos por outros como</p><p>resultado da ação dos outros componentes da bebida além do álcool, como</p><p>bioflavonóides, resveratrol, vitamina C, etc. que agem como antioxidantes e</p><p>podem, inclusive, interferir nos mecanismos de formação de coágulos. Na</p><p>explicação do Paradoxo francês, Renaud e Lorgeril (5) argumentam que “embora</p><p>estudos anteriores mostrem que o consumo de álcool pode reduzir o risco de</p><p>DCI em pelo menos 40% através do aumento da HDL, os níveis de HDL na</p><p>França não são maiores do que em outros países”, porém a agregação plaquetária</p><p>é menor (5,11). Barnard e Linter (45) acreditam que a associação entre o</p><p>consumo de alho e de álcool pode explicar o efeito protetor do álcool, por</p><p>diminuição da agregação plaquetária, uma vez que existem muitos trabalhos que</p><p>comprovam a ação antiagregadora de plaquetas exercida pelo “ajoene”, um dos</p><p>componentes do alho.</p><p>Uma esperança efetiva contra o envelhecimento, a senilidade e a Doença de</p><p>Alzheimer</p><p>“Moderadamente bebido, o vinho é medicamento</p><p>que rejuvenesce os velhos.”</p><p>Platão [427 a. C. – 347 a. C.]</p><p>Em 1997, na França já se demonstrou a associação entre consumo moderado e</p><p>frequente de vinho e prevenção de doenças degenerativas, principalmente a</p><p>doença de Alzheimer e a demência dos idosos. No estudo, os observadores</p><p>concluíram que pessoas que bebem de 250 a 500 ml de vinho por dia, nas</p><p>refeições, correm 75 por cento menos o risco de desenvolver a doença de</p><p>Alzheimer.</p><p>Em novembro de 2002, em Santiago do Chile, houve um grande debate entre</p><p>cientistas, entre eles médicos, biólogos, bioquímicos e biofísicos do mundo</p><p>inteiro para debater a relação entre vinho e saúde . Concluiu-se que os</p><p>consumidores moderados de vinho (por exemplo, de um a dois cálices por dia)</p><p>estão menos sujeitos à doença de Alzheimer e de doenças cardiovasculares do</p><p>que abstêmios ou consumidores exagerados.</p><p>O envelhecimento da célula, dos tecidos, do organismo como um todo é uma</p><p>ação dos radicais livres. O organismo produz algumas enzimas, como</p><p>superoxidesmutase, catalase e a glutation peroxidase para se proteger, mas essa</p><p>produção diminui com o passar dos anos, gerando os processos biológicos do</p><p>envelhecimento.</p><p>Os vinhos, ricos em polifenóis, são potentes antioxidantes, ou seja, “varredores”</p><p>de radicais livres. Pesquisas desenvolvidas pelo National Institute for Longevity,</p><p>do Japão, mostraram que as pessoas que bebem vinho moderadamente vivem</p><p>mais e têm um Q.I. mais elevado do que as que bebem outras bebidas alcoólicas</p><p>ou que não bebem.</p><p>Estudos feitos em já 1933 pelo Dr. Dougnac demostram que as pessoas que</p><p>têm o hábito regular de beber vinho junto às refeições têm uma expectativa</p><p>de vida de 25 a 45% maior.</p><p>Uma experiência realizada pelo Dr. David A. Sinclair e equipe da Universidade</p><p>de Harvard e do Laboratório Biomol, publicado na Revista Nature, conseguiu</p><p>aumentar em 70% a duração da vida de seres unicelulares chamados</p><p>Saccharomyces cerevisiae tratando-os com resveratrol. Também espécies de</p><p>moscas que vivem cerca de 30 dias, quando recebiam o resveratrol, passaram a</p><p>viver em média 40 dias. A dose estudada nesses animais corresponde para o</p><p>homem ao conteúdo de resveratrol existente em aproximadamente 3 taças de</p><p>vinho. O Dr. Sinclair atribui esse efeito de aumentar o tempo de vida ao fato do</p><p>resveratrol aumentar a enzima Sir2, que estabiliza o DNA e com isso aumenta a</p><p>vida da célula, diminui o declínio funcional na senilidade, deixando as pessoas</p><p>mais saudáveis. Ele aponta outras 17 substâncias no vinho com uma possível</p><p>ação anti-envelhecedora.</p><p>Benefício comprovado para os diabéticos: beber vinho moderadamente</p><p>durante as refeições reduz o risco de doença coronariana.</p><p>Um estudo de dezembro de 2001 realizado por investigadores da Escola de</p><p>Saúde Pública de Harvard, publicado no Journal of The American College of</p><p>Cardiology, mostrou que diabéticos tipo 2 que bebem um a dois copos por dia</p><p>têm menores risco de sofrer doença coronária, a principal causa de mortalidade</p><p>das pessoas com esta doença. Os pesquisadores chegaram a esta conclusão após</p><p>terem acompanhado 2.500 doentes diabéticos durante 11 anos. Eles constataram</p><p>que o perigo de sofrer afecções coronárias diminuía com o consumo moderado</p><p>de álcool. Conclui-se, com este estudo que beber vinho moderadamente durante</p><p>as refeições pode ser benéfico para os diabéticos do tipo 2, reduzindo o risco de</p><p>doença coronariana.</p><p>Os microminerais do vinho e seu efeito à saúde</p><p>Apesar de muitos estudos relacionarem o efeito benéfico do álcool em doses</p><p>moderadas sobre a saúde, atualmente sabe-se os bebedores de vinho têm</p><p>resultados mais satisfatórios, o que aponta para uma ação conjunta, positiva, de</p><p>todos os componentes do vinho. Entre estes componentes estão os microminerais</p><p>essenciais, já apresentados anteriormente. Nesta seção apontamos as pesquisas</p><p>que indicam os efeitos benéficos destes microminerais através do vinho (18,</p><p>46,47). Esses elementos, cujas necessidades diárias para o homem são muito</p><p>pequenas, estão presentes nos alimentos, incluindo no vinho, alguns em grandes</p><p>quantidades (18), como o cálcio, o cromo, o silício, o sódio e o potássio.</p><p>A importância do cromo na saúde</p><p>O cromo foi estudado por Schroeder e colegas (48, 49, 50 e 51) que verificaram</p><p>as propriedades biológicas do mineral, concluindo que ele atua no metabolismo</p><p>da glicose e de lipídeos e é necessário à ação da insulina. Conforme já informado</p><p>anteriormente, as necessidades diárias de cromo variam de 20 a 500 µg e o vinho</p><p>contem em média 450 µg / litro. Check (52) aponta o efeito benéfico do cromo</p><p>sobre o metabolismo da glicose, dos lipídeos e da insulina e atribui ao elevado</p><p>teor de cromo no vinho (a cerveja também tem um pouco, porém menos que o</p><p>vinho) e o menor risco de doenças coronarianas.</p><p>Os estudos de Schroeder (48 a 51) mostram que animais tratados com dieta</p><p>deficiente em cromo tiveram:</p><p>Deposição de placas ateromatosas na aorta.</p><p>Desenvolvimento de um quadro moderado de diabete.</p><p>Diminuição da resistência ao estresse induzido por exercício.</p><p>Diminuição da tolerância à glicose.</p><p>Diminuição das reservas de glicogênio.</p><p>Distúrbios na síntese proteica.</p><p>Elevação do colesterol.</p><p>Hemorragia.</p><p>Pneumonia.</p><p>Retardo do crescimento e diminuição da vida média.</p><p>A administração de cromo aos animais evitou tais problemas.</p><p>No vinho, as leveduras são responsáveis pela síntese de um composto de cromo</p><p>(o fator de tolerância à glicose) 20 vezes mais efetivo do que os compostos</p><p>similares utilizados na clínica.</p><p>A importância do silício do vinho na saúde</p><p>Este micromineral, existente em quantidades significativas no vinho, foi</p><p>extensamente estudado por Schwarz (53).</p><p>O autor mostrou as relações do</p><p>oligoelemento no metabolismo do colesterol e concluiu que a sua ausência pode</p><p>contribuir para o surgimento da aterosclerose; entre as evidências disto, o fato de</p><p>que o silício está em baixas concentrações nas artérias acometidas pela</p><p>aterosclerose. Paar (46) aponta o vinho como uma fonte importante de silício</p><p>(cerca de 20 mg/litro, no vinho tinto), para uma necessidade média diária entre 3</p><p>a 5 mg.</p><p>Sódio e potássio</p><p>Na uva a proporção entre potássio e sódio é de aproximadamente 50 para 1, ou</p><p>seja 30 vezes maior do que a proporção considerada ótima para o músculo</p><p>cardíaco, o que pode ser considerado excelente para a saúde, conforme os</p><p>estudos de autores como Hancock e Mayo (54).</p><p>Pesquisas e estudos brasileiros comprovam os efeitos medicinais do vinho</p><p>Um trabalho que relaciona os estudos e pesquisas científicas mais recentes, no</p><p>mundo e no Brasil, realizado pelos autores brasileiros(58) comprovam os</p><p>benefícios do consumo moderado do vinho em relação às doenças</p><p>cardiovasculares, à prevenção de vários tipos de câncer e também em doenças</p><p>hepáticas e na senilidade. Um dos itens aponta que estudos epidemiológicos na</p><p>Finlândia, entre 1992 e 1998, confirmam que o consumo moderado de vinho está</p><p>relacionado a uma maior expectativa de vida. O trabalho menciona ainda dois</p><p>interessantes estudos realizados na Dinamarca, o primeiro envolvendo 49.763</p><p>homens e mulheres na faixa etária entre 50 e 64 anos, e o segundo realizado</p><p>durante 16 anos, envolvendo 13.329 homens e mulheres na faixa etária de 45 a</p><p>58 anos, ambos mostrando que o vinho contém compostos aos quais se podem</p><p>atribuir efeitos protetores contra o derrame cerebral. Um dos estudos mais</p><p>recentes referentes ao vinho e seus efeito sobre a saúde, em Melbourne, na</p><p>Austrália, comprovou o mesmo efeito.</p><p>Novos efeitos comprovados sobre o diabetes tipo 2</p><p>Evidências mais atuais sugerem que os consumidores leves a moderados de</p><p>bebidas alcoólicas, principalmente de vinho, apresentam risco menor de diabetes</p><p>quando comparados a abstêmios ou a bebedores exagerados. Os resultados de</p><p>uma meta-análise que examina a relação entre o consumo moderado de álcool e</p><p>diabetes tipo 2 indicam um efeito protetor para o desenvolvimento de diabetes</p><p>quando o vinho é apreciado moderadamente.</p><p>Um risco reduzido de 30% de diabetes foi verificado em homens bem como em</p><p>mulheres. Mas não apenas o risco de desenvolver diabetes tipo 2 diminui com o</p><p>consumo, também foram verificadas redução de potenciais complicações</p><p>cardíacas relacionadas ao diabetes. Isso é especialmente importante,</p><p>considerando que a doença coronariana é a principal causa de morte entre</p><p>pessoas com diabetes tipo 2, que também têm um risco quatro vezes maior de</p><p>sofrer um ataque cardíaco ou derrame.</p><p>Pesquisas indicam que esse risco diminui consideravelmente quando se consome</p><p>vinho moderadamente com as refeições. Considerando a epidemia mundial de</p><p>diabetes tipo 2, que deve aumentar ainda mais e está associada a grandes custos</p><p>de saúde, a prevenção do diabetes é um importante problema de saúde pública.</p><p>À luz desses resultados, os benefícios do consumo moderado de vinho também</p><p>precisam ser adequadamente reconhecidos. No entanto, os achados científicos</p><p>sobre os benefícios do consumo moderado, seja físico, mental ou social, não</p><p>devem ser um incentivo para exceder as diretrizes para o consumo moderado de</p><p>bebidas alcoólicas.</p><p>O mundo do vinho, o vinho no mundo</p><p>Segundo a Agence France-Presse (AFP), a média mundial per capita de consumo</p><p>de vinho em 2018 foi de 3,23 litros.</p><p>* * *</p><p>Em 2018, 246 milhões de hectolitros de vinho foram consumidos em todo o</p><p>mundo, contra 246,7 milhões em 2017, segundo dados da OIV, uma organização</p><p>internacional sediada em Paris.</p><p>* * *</p><p>Os Estados Unidos, o maior consumidor de vinho do mundo desde 2011,</p><p>registraram um aumento na demanda doméstica, com 33 milhões de hectolitros</p><p>de vinho, um aumento de 1,1% em relação a 2017.</p><p>* * *</p><p>Na Europa, o consumo permaneceu praticamente estável na França (26,8 Mhl, -</p><p>0,7%), na Itália (22,4 Mhl, - 0,9%), na Alemanha (19,7 Mhl, + 1,3%) e na</p><p>Espanha (10,7 Mhl, + 1,8%). Os britânicos, grandes amantes do vinho, beberam</p><p>apenas 12,3 milhões de hectolitros em 2018, uma queda de 3,1% em relação a</p><p>2017.</p><p>Na América Latina, o consumo caiu na Argentina, um grande produtor de vinho</p><p>(8,4 milhões de hectolitros, - 6,3%).</p><p>* * *</p><p>O consumo mundial de vinho ficou estagnado em 2018 devido à desaceleração</p><p>da economia chinesa e à incerteza em torno do Brexit, de acordo com uma</p><p>estimativa da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).</p><p>* * *</p><p>Há uma “estagnação na progressão” do consumo mundial de vinho, devido</p><p>“principalmente a uma queda no consumo na China e no Reino Unido”,</p><p>divulgou a OIV em comunicado.</p><p>Na China, OIV estima uma queda de 6,6% no consumo de vinho, em relação a</p><p>2017, para 18 milhões de hectolitros.</p><p>Maiores consumidores de vinhos no Mundo (2018)</p><p>(Referência em milhões de hectolitros de vinho)</p><p>1º – EUA</p><p>2º – França</p><p>3º – Itália</p><p>4º – Alemanha</p><p>5º – China</p><p>6º – Reino Unido</p><p>7º – Espanha</p><p>8º – Argentina</p><p>9º – Rússia</p><p>10º – Austrália</p><p>11º – Canadá</p><p>12º – Portugal</p><p>13º – África do Sul</p><p>14º – Romênia</p><p>15º – Holanda</p><p>16º – Japão</p><p>17º – Brasil</p><p>18º – Bélgica</p><p>19º – Suíça</p><p>20º – Áustria</p><p>Maiores produtores de vinho em 2018</p><p>Produção por país em milhões de hectolitros</p><p>1º Itália – 48,5</p><p>2º França – 46,4</p><p>3º Espanha – 40,9</p><p>4º Estados Unidos – 23,9</p><p>5º Argentina – 14,5</p><p>6º Chile – 12,9</p><p>7º Austrália – 12,5</p><p>8º África – 10,8</p><p>9º China – 10,5</p><p>10º Alemanha – 9,8</p><p>11º Rússia – 6,5</p><p>12º Portugal – 6,1</p><p>20º Brasil – 3,1</p><p>As principais regiões produtoras, por ordem de classificação</p><p>Itália</p><p>A Itália é um país onde se produz vinho praticamente em todos os lugares, com</p><p>destaque para as regiões de maiores produção, como a Toscana, Veneto,</p><p>Piemonte e a Sicília, onde existem grandes produtores (cantinas) e também uma</p><p>imensa quantidade de pequenos, que produzem vinho artesanal de excelente</p><p>qualidade, praticamente desde o tempo do Império Romano.</p><p>França e Itália se revezam no primeiro e segundo lugares no ranking mundial de</p><p>produtores de vinho. A Itália é a maior exportadora e produtora em volume,</p><p>produzindo também os melhores e mais caros vinhos do mundo. Existem lá mais</p><p>de um milhão de vitivinicultores e o consumo per capita é de aproximadamente</p><p>104 litros por pessoa.</p><p>Só os Estados Unidos importam 60% dos vinhos italianos.</p><p>As principais regiões produtoras de vinho da Itália</p><p>(em ordem alfabética)</p><p>Leis rígidas para o controle da qualidade dos vinhos</p><p>Assim como acontece na França e em diversos países vitivinicultores (incluindo</p><p>o Brasil) há leis para regularizar a produção que se baseiam na definição das</p><p>uvas utilizadas, em restrições de áreas para plantação, em práticas viticultoras e a</p><p>regulação de quantidades máxima e mínima de álcool, que classificam os vinhos</p><p>em três categorias:</p><p>Vino da tavola</p><p>Na Itália os chamados vino de tavola (tradução: vinho de mesa) não têm tanto o</p><p>mesmo sentido dos vin de table franceses, ou seja, a denominação não</p><p>desmerece o vinho, por ser “de mesa”, ou “gastronômico”; alguns dos maiores</p><p>vinhos italianos, entre os melhores do mundo, são vino de tavola.</p><p>I.G.T. (Indicazione Geografica Típica, ou Indicação Geográfica Típica).</p><p>Trata-se de uma nova classificação, criada em 1992. São vinhos de qualidade,</p><p>porém não tão nobres; nesta classificação estão alguns vinhos de tavola.</p><p>D.O.C. (Denominazione di Origine Controllata) – Denominação de Origem</p><p>Controlada).</p><p>D.O.C.G. (Denominazione di Origine Controllata e Garantita –</p><p>Denominação de Origem Controlada e Garantida)</p><p>São os de qualidade muito superior, fazem parte do topo da pirâmide do vinho</p><p>italiano e são em pequeno número, não passando de 20 marcas, entre elas os</p><p>famosíssimos Barolo, Barbaresco, Brunello di Montalcino, Vino Nobile di</p><p>Montepulciano e Chianti. Há muitos “Chiantis” na Itália, mas os autênticos são</p><p>dois: o Chianti Classico e o Chianti Ruffina; os Chianti DOCG são sempre tintos</p><p>secos, feitos com as uvas Sangiovese. O detalhe desses</p><p>vinhos é que eles podem</p><p>durar até dez anos ou mais se forem bem armazenados.</p><p>Características das regiões</p><p>A Toscana é uma região coberta por vinhedos que produzem alguns dos vinhos</p><p>mais reputados do mundo. Suas uvas são de alta produtividade e qualidade como</p><p>Sangiovese, Trebbiano, Canaiolo, Malvasia e a excepcional Brunello, cultivadas</p><p>nas principais regiões como Chianti, Montalcino e Montepulciano.</p><p>A Sicília é a segunda maior região produtora de vinho da Itália, lar dos grandes e</p><p>clássicos vinhos de mesa, como o Corvo Duca di Salaparuta e onde impera a uva</p><p>Trebbiano.</p><p>O Piemonte é a região que produz alguns dos melhores vinhos tintos da Itália, o</p><p>Barolo DOCG (feito com uva Nebbiolo, é envelhecido por quatro anos antes de</p><p>ser engarrafado) e o famoso, o Barbaresco DOCG, também feito com a uva</p><p>Nebbiolo, é mais suave que o Barolo e mais jovem.</p><p>No Piemonte é produzido também o famoso Dolcetto D´Alba DOC.</p><p>O Asti Spumante DOCG e o Moscato d’Asti DOCG oferecem frisantes e</p><p>espumantes feitos, geralmente, com uvas Moscatel.</p><p>A Lombardia é a região mais popular da Itália, tendo como regiões produtoras de</p><p>vinhos a Valtellina (uva Chiavennasca, próxima à Nebbiolo) e Oltrépo Pavese,</p><p>que produzem a maior quantidade de vinhos da classificação DOC.</p><p>Veneto é a maior região nordestina da Itália, possuindo três regiões de vinhos</p><p>importantes, chamadas de Tre Venezie (Três Venezas), como os tintos Bardolino</p><p>e Valpolicella, o branco Soave (uvas Garganega e Trebbiano), o espumante</p><p>Prosecco. O Amarone della Valpolicella é um dos vinhos mais famosos da Itália.</p><p>Emilia-Romagna, na Itália central, produz o Lambrusco, um frisante saboroso,</p><p>em versão branco e tinto, feitos com diversas uvas brancas e tintas do mesmo</p><p>nome.</p><p>A região da Úmbria produz um excelente vinho branco seco fresco, o Orvieto</p><p>DOC (que leva o mesmo nome da cidade) e o Torgiano, um tinto fino e uma</p><p>denominação de mesmo nome, feito com a uva Sangiovese.</p><p>O Lazio é a região em volta de Roma, conhecida como Frascati, que produz um</p><p>vinho branco seco do mesmo nome, com as uvas Trebbiano e Malvasia.</p><p>Outras regiões vinícolas menos importantes, como Marche, Abruzzo, Puglia e</p><p>Campânia, produzem bons vinhos, alguns também famosos, como o Taurasi (uva</p><p>Aglianico), Lacrima Christi e Greco di Tufo, da uva Greco, uma das uvas mais</p><p>antigas de origem grega.</p><p>França</p><p>A França é o país considerado “mestre dos vinhos”, com a maior variedade e</p><p>grande qualidade em tintos e brancos. Existem no país acima de 100 produtores</p><p>principais e centenas de secundários, divididos nas seguintes regiões vinícolas:</p><p>Alsace</p><p>Bordeaux</p><p>Bourgogne</p><p>Champagne</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=ALS</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=BXR</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=BGN</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=CHA</p><p>Corse</p><p>Côtes du Rhône</p><p>Jura</p><p>L`Est</p><p>Languedoc-Roussillon</p><p>Provence</p><p>Savoie</p><p>Sud-Ouest</p><p>Val de Loire</p><p>Terroir</p><p>O conjunto de características do solo do local, do clima, das tradições vinícolas e</p><p>segredos dos vitivinicultores, a qualidade do vinhedo e do vinho, recebe o nome</p><p>de terroir (em francês terreno), que geralmente indica também a região</p><p>produtora. Os principais terroirs da França são:</p><p>1. Saint Emilion</p><p>2. Medoc</p><p>3. Chablis</p><p>4. Margaux</p><p>5. Gewurztraminer</p><p>6. Pomerol</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=CRS</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=RHO</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=JUR</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=EST</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=LNG</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=PRV</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=SAV</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=SUE</p><p>http://www.academiadovinho.com.br/mostra_regiao.php?reg_num=LOI</p><p>7. Nuits Saint Georges</p><p>8. Vosne Romanée</p><p>9. Côte Rôtie</p><p>10. Coteaux du Layon</p><p>O vinho da França é motivo de grande orgulho nacional. O francês presta grande</p><p>valor ao seu vinho e é um povo que raramente bebe vinho de outro país.</p><p>Tipos de vinhos franceses e suas uvas</p><p>Wine Type Principal Grape(s)</p><p>Beaujolais Gamay</p><p>Bordeaux (red) Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc</p><p>Bordeaux (white) Sauvignon Blanc, Sémillon</p><p>Burgundy (red) Pinot Noir</p><p>Burgundy (white Chardonnay</p><p>Chablis Chardonnay</p><p>Champagne Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier</p><p>Côtes du Rhône Grenache, Syrah, Mourvèdre</p><p>Pouilly-Fuissé Chardonnay</p><p>Pouilly-Fumé Sauvignon Blanc</p><p>Sancerre Sauvignon Blanc</p><p>Fonte: Dummies.com</p><p>Classificação dos vinhos franceses</p><p>A partir de 2012 a classificação dos vinhos franceses mudou para uma forma</p><p>mais simples:</p><p>Vin de France (vinho sem identificação geográfica da região de produção).</p><p>Indication Géographique Protégée (IGP) (vinho com identificação geográfica)</p><p>Apellation d’Origine Protégée (AOP), a classificação mais alta.</p><p>Esse sistema foi introduzido para simplificar e padronizar o sistema de</p><p>classificação em toda a União Europeia, em substituição ao sistema antigo em</p><p>Vin de Table, Vin de Pays ou regionais, Vin Délimité de Qualité Superiore e</p><p>Appellation d’Origine Contrôlée.</p><p>Na França está uma das maiores regiões produtoras de vinhos do mundo,</p><p>Languedoc, com 617.750 acres de vinhedos plantados, mas Bordeaux é a</p><p>segunda do mundo em área cultivada. É a mais famosa e está dividida em sub-</p><p>regiões, entre elas estão: Saint Émilion, Pomerol, Medoc e Graves, ao todo com</p><p>284.320 acres de vinhedos, com cerca de treze mil viticultores e uma produção</p><p>anual de mais de 700 milhões de garrafas.</p><p>A região produz tanto vinhos de mesa (vin de France) como também os mais</p><p>caros e prestigiados vinhos do mundo.</p><p>Bordeaux</p><p>O potencial de Bordeaux está no solo calcáreo, rico portanto em cálcio. Além</p><p>disso o clima litorâneo propicia umidade e insolação adequada ao cultivo de</p><p>vinhedos. As uvas utilizadas na região são: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc,</p><p>Merlot, Petit Verdot (antes também a Malbec e a Carmenére, hoje quase</p><p>desaparecidas), Sauvignon Blanc, Semillon e Muscadelle.</p><p>Por determinação oficial, o vinho de Bordeaux está classificado em cinco</p><p>categorias de cru, divididos em tintos Premier Cru e os Grand Cru . Os cinco</p><p>Premier Cru de Bordeaux, que estão entre os vinhos mais famosos e caros do</p><p>mundo, são:</p><p>Château Lafite-Rothschild</p><p>Château Margaux</p><p>Château Latour</p><p>Château Haut-Brion</p><p>Château Mouton Rothschild</p><p>Existem ainda o “Bordeaux” e o “Bordeaux Superior”, vinhos genéricos que</p><p>refletem bem as características peculiares do terroir da região.</p><p>Curiosidade sobre o Château Margaux</p><p>O Château Margaux é considerado um dos melhores e mais caros vinhos do</p><p>mundo. Produzido exclusivamente na região de Bordeaux, recebe a distinta</p><p>classificação de Grand Cru premier classé. Esta obra de arte da vinicultura é</p><p>composta de aproximadamente 75% de Cabernet Sauvignon, 20% de Merlot, 5%</p><p>de Petit Verdot e um pouco de Cabernet Franc.</p><p>Borgonha</p><p>A Borgonha é a segunda região mais importante e possui sub-regiões</p><p>importantes como Côtes de Beaunne, Côte de Nuits, Côte Chalonnaise, Chablis,</p><p>Mâconnais e Beaujolais.</p><p>Em Borgonha são cultivadas exclusivamente a uva tinta Pinot Noir e as uvas</p><p>brancas Chardonnay e Aligoté, para borgonhas brancos.</p><p>Os vinhos levam as classificações regionais genéricas “Bourgogne”, “Bourgogne</p><p>Grand Ordinaire”, “Bourgogne Passe-ToutGranis” etc., além da classificação</p><p>habitual Premier Cru, AOC atribuída a vinhos de excelente qualidade; e Grand</p><p>Cru, atribuição exclusiva de 33 vinhos de qualidade excepcional, sendo 32</p><p>produzidos no Côte d’Or, como o Romanée Conti.</p><p>http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ch%C3%A2teau_Lafite-Rothschild&action=edit</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Ch%C3%A2teau_Margaux</p><p>http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ch%C3%A2teau_Latour&action=edit</p><p>http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ch%C3%A2teau_Haut-Brion&action=edit</p><p>http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ch%C3%A2teau_Mouton_Rothschild&action=edit</p><p>Em Chablis, ao Norte da Borgonha,</p><p>cultiva-se a uva branca Chardonnay, e que</p><p>produz o famoso vinho que leva o nome da região.</p><p>E em Beaujolais, região ao sul da Borgonha, cultiva-se somente a uva tinta</p><p>Gamay, que também produz o vinho que leva o nome da região.</p><p>Em Saint Émilion foram criadas duas novas classes, os Premier Cru classe A:</p><p>Château Ausone e o Château Cheval Blanc.</p><p>Outras regiões vinícolas francesas de destaque são: Alsácia, famosa pelos seus</p><p>vinhos brancos semelhantes aos dos alemães; Champanhe, terra natal do vinho</p><p>do mesmo nome; Val de Loire, conhecida pelos seus rosados e brancos; Côtes du</p><p>Rhône, com as suas sub-regiões Hermitage, Crozes-Hermitage e Châteauneuf-</p><p>du-Pape, com maravilhosos tintos.</p><p>Curiosidades dobre a “família Pinot”</p><p>Pinot, nome derivado de pin, pinha em francês, é um grupo de uvas cuja origem</p><p>remete às frias terras da Borgonha. Uma das mais conhecidas, a principal dessa</p><p>família é a Pinot Noir. Além dela, também compõem o grupo Pinot Blanc, Pinot</p><p>Gris, Meunier, Auxerrois e, surpreendentemente, a Chardonnay, que seria o</p><p>resultado do cruzamento da Pinot Noir com a Gouais Blanc.</p><p>Apesar de a Pinot Noir ser umas das Pinot mais conhecidas, algumas outras são</p><p>tão icônicas quanto, como no caso da Pinotage, que é a casta emblemática da</p><p>África do Sul. A Pinot Meunier, que entra no corte de um dos espumantes mais</p><p>famosos do mundo, o Champagne, e a Pinot Gris/Grigio, uma das variedades</p><p>brancas da Pinot Noir, também.</p><p>Seguem abaixo algumas irmãs que integram a família Pinot:</p><p>Pinotage: nasce do cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault e é a uva símbolo</p><p>da África do Sul.</p><p>Pinot Bianco: mesma variedade da Pinot Blanc.</p><p>Pinot Blanc: é a variedade branca da Pinot Noir. Cultivada principalmente nas</p><p>regiões de Champagne, Vale do Loire e usada na elaboração do Crémant</p><p>d’Alsace.</p><p>Pinot Blanco: mesma variedade que a Chenin.</p><p>Pinot Chardonnay: mesma variedade que a Chardonnay.</p><p>Pinot d’Évora: mesma variedade que a Carignan.</p><p>Pinot Droit: mesma variedade que a Pinot Noir.</p><p>Pinot Grigio: mesma variedade que a Pinot Gris.</p><p>Pinot Gris: uma variedade branca da Pinot Noir. A mesma que Auxerrois Gris,</p><p>na Alsácia, Tokay e Tokay d’Alsace, também da Alsácia, e Grauburgunder, na</p><p>Alemanha.</p><p>Pinot Liébault: uva cultivada em Côte d’Or (região no coração da Borgonha),</p><p>mutação da Pinot Noir, de rendimento mais elevado.</p><p>Pinot Meunier: mutação da Pinot Noir. A mesma que Meunier, Black Riesling e</p><p>Auvernat Gris.</p><p>Pinot Nero: mesma variedade que a Pinot Noir.</p><p>Pinot Noir: uva tinta característica da Borgonha, muito cultivada no mundo todo.</p><p>Apesar de ser muito sensível às condições climáticas, ela tem apresentado bons</p><p>resultados em vários terroirs pelo mundo.</p><p>Pinot Rouge: mesma variedade que a Dameron.</p><p>Pinot Saint George: mesma variedade que a Négrette (Califórnia).</p><p>Pinot Sardone: mesma variedade que a Chardonnay.</p><p>Fonte: wine.com</p><p>Espanha</p><p>A Espanha é o terceiro maior produtor mundial de vinhos, com a vantagem de</p><p>possuir a maior área cultivada em vinhedos. Assim como na França, Itália e</p><p>Argentina, o povo espanhol costuma preferir consumir seu próprio vinho.</p><p>A classificação dos vinhos espanhóis obedece a três categorias:</p><p>Vino de mesa – É um produto inferior, cuja produção pode ser feita em</p><p>qualquer região do país.</p><p>Vino de la Tierra – Um vinho de mesa um pouco mais diferenciado, produzido</p><p>geralmente da Andalucía, Castilla-La Mancha, e outras.</p><p>Vino de Denominación de Origen (D.O.) – De mais qualidade, produzido em</p><p>região delimitada, sujeito a regras reguladoras rígidas. Existem hoje na</p><p>Espanha cerca de 60 regiões D.O.s (Denominación de Origen). Na Espanha as</p><p>regiões classificadas como D.O.s estão concentradas nas áreas Nordeste,</p><p>Noroeste, Centro, Sudeste, Sudoeste e Ilhas Canárias.</p><p>Regiões vinícolas:</p><p>Alella</p><p>Bierzo</p><p>Bizkaiko-Txakolina</p><p>Calatayud</p><p>Campo de Borja</p><p>Cariñena</p><p>Cava</p><p>Centro</p><p>Cigales</p><p>Costers del Segre</p><p>Empordá-Costa Brava</p><p>Getariako-Txakolina</p><p>Jerez</p><p>La Mancha</p><p>Méntrida</p><p>Mondéjar</p><p>Navarra</p><p>Penedés</p><p>Pla de Bages</p><p>Priorato</p><p>Rioja</p><p>Somontano</p><p>Tarragona</p><p>Terra Alta</p><p>Valdepeñas</p><p>Madrid</p><p>A região central da Espanha é a mais importante produtora e compreende as</p><p>seguintes D.O.s: La Mancha, Méntrida, Mondéjar, Valdepeñas e Vinos de</p><p>Madrid.</p><p>La Mancha é a mais extensa região vinícola do mundo, com 170 mil hectares,</p><p>situada ao sul de Madrid. Produz vinhos simples, ligeiros e de bom frescor, tanto</p><p>brancos como tintos varietais e rosès, sendo a maioria sob a classificação D.O..</p><p>As uvas mais utilizadas são Airén, Mabaceo, Pardillo e Verdoncho (brancas) e</p><p>Cabernet Sauvignon, Cencíbel, Garnacha e Moravia (tintas).</p><p>A região de Méntrida situa-se entre as cidades de Madrid, Toledo e Ávila e</p><p>possui vinhos da uva Garnacha, que permite a produção de rosados frutados e</p><p>tintos jovens, potentes e encorpados. Além desta são usadas a Tinto Basto e</p><p>Cencíbel (Tempranillo).</p><p>Cava</p><p>Região exclusiva dos melhores vinhos espumantes D.O. de qualidade. Como os</p><p>outros vinhos espumantes, as “Cavas” foram inspiradas no Champanhe francês e</p><p>a maior parte delas é elaborada pelo método francês que produz os champanhes</p><p>(champenoise).</p><p>Jerez</p><p>É a região que circunda a famosa cidade de Jerez de la Frontera região ao sul de</p><p>Sevilha, uma das mais famosas regiões vinícolas da Espanha, próxima da costa</p><p>atlântica, próximas a Cadiz. Lá se produz um vinho forte, do mesmo nome.</p><p>Como o vinho do Porto, o “Jerez” é um vinho que recebe a adição de aguardente</p><p>vínica, tornando-se mais alcoólico. O Jerez é apreciado no mundo inteiro e tem</p><p>propriedades digestivas e aperitivas. Há oito tipos: Fino, Manzanilla,</p><p>Amontillado, Oloroso, Palo Cortado,Pale Cream, Pedro Ximenez e Cream.</p><p>Todos os tipos de Jerez precisam envelhecer por pelo menos três anos; os de</p><p>melhor qualidade são envelhecidos por cinco e até sete anos.</p><p>Estados Unidos</p><p>Para a surpresa dos europeus, os Estados Unidos se tornaram grandes produtores</p><p>de vinhos, superando a Alemanha e Portugal. O responsável por esse sucesso é</p><p>estado da Califórnia. As primeiras parreiras foram plantadas na região por</p><p>missionários franciscanos por volta de 1779. Em 1849, houve migrações e</p><p>concentração de cultivadores de uvas ao norte da baía do São Francisco e</p><p>adjacências. Em 1891 a região já possuía 22.683 acres, sendo que quase</p><p>exclusivamente na região do Napa Valley.</p><p>O sucesso da Califórnia como estado produtor de vinho se deve ao seu clima, em</p><p>parte semelhante ao mediterrâneo.</p><p>Uma das maiores características dos vinhos produzidos na Califórnia é a grande</p><p>variedade e, hoje, grande qualidade.</p><p>A variedade de uvas encontradas na Califórnia é uma das maiores do mundo. As</p><p>uvas mais plantadas são Chardonnay e a Cabernet Sauvignon. Há também</p><p>produção de Sauvignon Blanc, Grenache, Barbera e Sangiovese. As variedades</p><p>que constituem a especialidade da Califórnia, produzidas para o mercado interno</p><p>e externo são: Zinfandel, Emerald Riesling, Charbono,Flora, Green Hungarian,</p><p>Petit Syrah, Ruby Cabernet e Symphony.</p><p>Os vinhos californianos, devido à sua complexidade e qualidade, são respeitados</p><p>em todo o mundo. Com a Cabernet Sauvignon são feitos vinhos conhecidos</p><p>como o destacado Burgundy da Califórnia.</p><p>Argentina</p><p>A Argentina é atualmente a quinta produtora mundial de vinhos, a maior em</p><p>volume na América Latina e o quinto maior consumidor mundial da bebida. As</p><p>uvas Malbec e Cabernet Sauvignon são preponderantes na região,</p><p>principalmente na região de Mendoza e próximo à encosta dos Andes.</p><p>Graças à chegada dos imigrantes italianos e espanhóis no século XIX, a</p><p>produção vinícola começou a prosperar, pois eles trouxeram novas videiras e</p><p>técnicas vitícolas com base na tradição europeia. Depois a introdução de</p><p>variedades de uvas como a Malbec, Cabernet Sauvignon, Merlot e Chenin Blanc</p><p>melhoraram substancialmente a qualidade do vinho argentino. A variedade</p><p>Bonarda, originária da região do Piemonte, na Itália, já tem feito grande sucesso.</p><p>A Torrontés é a variedade de uva branca mais distintiva da Argentina. Produz um</p><p>vinho branco frutado e elegante de uma fresca acidez. Constitui um grande</p><p>atrativo para os jovens bebedores de vinho branco que apreciam</p><p>o seu caráter</p><p>frutado e floral.</p><p>Mendoza é a mais importante zona vinícola argentina, com produção de 75% do</p><p>total de vinhos do país e 85% dos vinhos de qualidade.</p><p>Entre os vinhos argentinos mais famosos temos os excelentes Alta Vista Grande</p><p>Reserva, Altas Cumbres, Amalaya de Colomé, Andes Peak, Anúbis Bonarda de</p><p>Susana Balbo, Anúbis Syrah de Suzana Balbo, Bodega Del Fin Del Mundo e</p><p>outros.</p><p>Chile</p><p>O Chile produz atualmente vinhos secos e frutados, equilibrados, ricos em tanino</p><p>e de fácil conservação, que lembram muito os grandes vinhos franceses. Os</p><p>novos produtores chilenos criaram vinhos de diferentes estilos, uns para</p><p>conquistar consumidores internacionais e outros mais finos e elegantes. Toda a</p><p>variedade e qualidade dos vinhos chilenos fizeram com que o país conhecido</p><p>como o “Bordeaux” do hemisfério do sul.</p><p>Os vinhos do Chile são produzidos em sua maioria ao longo do Vale Central, de</p><p>quase mil quilômetros de extensão, situado bem no meio do país, e uma das</p><p>zonas agricultoras mais férteis do mundo. A região é um imenso platô andino,</p><p>entre duas colunas de cristas montanhas, com clima parecido com o</p><p>mediterrâneo, com temperaturas máximas no verão entre 15ºC e 30ºC.</p><p>Classificações</p><p>A qualidade das uvas e do vinho no Chile passou por uma grande evolução. No</p><p>período em que o país produziu vinhos apenas para o mercado interno, havia</p><p>varietais que produziram grandes volumes de vinho inferior, feitos com uvas não</p><p>tão nobres, como Moscatel Alejandria, Sauvignon Vert ou Sauvigon Gris,</p><p>Sauvignonasse e Torontel (que ainda são utilizadas para alguns vinhos chilenos).</p><p>Mas em 1995 o Chile estabeleceu por lei que 75% do vinho deve ser da</p><p>variedade e do exato local que aparecem no rótulo, permitindo que apenas 25%</p><p>possa variar a essas especificações.</p><p>Não há nenhuma exigência particular a respeito da produção de vinhos de</p><p>reserva, mas todos os vinhos que indicam a designação Reserva, Gran Reserva</p><p>ou Reserva Especial devem indicar o lugar de origem. Essas medidas,</p><p>juntamente com a entrada de uvas mais nobres provocaram grande melhora na</p><p>qualidade vinícola do país.</p><p>As regiões</p><p>As regiões vinícolas designadas pela lei de 1995 são:</p><p>Aconcágua (incorporando Casablanca)</p><p>Vale Central (incluindo Maipo, Rapel, Curicó, e Maule)</p><p>Região do sul (incluindo Itata e Bío-Bío).</p><p>As uvas mais utilizadas no Chile são: Cabernet Sauvignon, Merlot, Shiraz,</p><p>Carmenére, entre as tintas; entre as brancas Sauvignon Blanc, Chadornnay e</p><p>Riesling.</p><p>Dentre as vinícolas e vinhos mais conhecidos temos: Cousiño Macul (Antígua</p><p>Reservas, Don Luis, Don Matias), a Concha y Toro (Casillero Del Diablo, Late</p><p>Harvest, Marques Casa Concha) a Viña Undurraga, a Viña Valdivieso, além das</p><p>também conhecidas Luis Felipe Edwards, Tamaya, Santa Helena, Santa</p><p>Carolina, Don Elias, etc.</p><p>Existe um fato marcante em relação a um vinho chileno, o Reservado Rabat</p><p>1976 – do Vale de Apalta, vinhedo ancestral ao do Clos Apalta. Uma garrafa</p><p>dessa safra foi aberta em janeiro de 2008. Após 32 anos seu estado de</p><p>conservação estava perfeito!</p><p>Austrália</p><p>A produção vinícola australiana começou a se estabelecer efetivamente no sul do</p><p>país de 1820 a 1840. Por volta de 1870, o setor já era importante em South, New</p><p>South Wales Austrália e Victoria, onde produção chegava a 8,7 milhões de litros.</p><p>Hoje, 63 mil hectares produzem 3,23 milhões de hectolitros e a Austrália ocupa</p><p>a décima primeira posição entre os produtores mundiais. O consumo interno está</p><p>em torno de 18,6 litros por habitante.</p><p>Na Austrália não há uvas não-viníferas ou híbridas, com predominância da Syrah</p><p>(rebatizada como Shiraz), e a Cabernet Sauvignon entre as tintas, e a Sémillon</p><p>entre as brancas, com franco avanço da Chardonnay. Existem no país outras</p><p>cepas, inclusive algumas de Portugal, usadas em vinhos de imitações do Porto.</p><p>As Regiões</p><p>A vitivinicultura na Austrália se divide em quatro grandes regiões com inúmeras</p><p>sub-regiões: Oeste, Sul, Victoria e New South Wales.</p><p>O país teve a maioria das leis para a criação de um sistema de denominações</p><p>reunidas em 1963, denominado Wine and Brandy Corporation através do bureau</p><p>Label Integrity Programme (LIP), que asseguram que uma variedade ou região</p><p>que apareça no rótulo tenha no mínimo 85% dos vinhos ou da região; que 95%</p><p>seja das uvas da propriedade.</p><p>África do Sul</p><p>A África do Sul tem despontado com muita força no mercado do vinho,</p><p>produzindo recentemente vinhos de qualidade crescente. Os recentes</p><p>lançamentos são bem melhores, mais frescos, mais frutados e muito</p><p>concentrados, recebendo prêmios em concursos internacionais.</p><p>A musa das uvas da África do Sul é a tinta Pinotage, derivada do cruzamento</p><p>entre Pinot Noir e Cinsault, que era conhecida como Hermitage. A união não só</p><p>das uvas, mas de seus nomes criou o “Pinot-Age”. Tem aroma muito</p><p>característico, com notas de amêndoas tostadas no retrogosto. Os produtores</p><p>africanos do sul conseguem elaborar vinhos poderosos, de aromas e sabores de</p><p>pequenas frutas pretas maduras.</p><p>Os vinhos sul-africanos são também rotulados com a variedade de uva que entra</p><p>em maior proporção no corte impressa no rótulo. Para os brancos a Chardonnay</p><p>é a predominante, produzindo vinhos muito balanceados que estão entre os de</p><p>aromas minerais dos franceses e os de estilo marcante da Austrália e Califórnia.</p><p>A uva mais plantada é a conhecida localmente como Steen (na verdade uma</p><p>Chenin Blanc), seguida da Sauvignon Blanc, produzindo vinhos com aromas</p><p>frutados e típico acento tropical.</p><p>Pode-se encontrar uvas Merlot, Shiraz e Cabernet Sauvignon em diversas</p><p>regiões.</p><p>A maior parte das vinhas de qualidade da África do Sul está localizada na região</p><p>costeira sudoeste, favorecida pelas brisas frias do Oceano Atlântico, como</p><p>Stellenbosch, uma das mais antigas produtoras de vinho, sendo grande a procura</p><p>por seus tintos superiores. A região adjacente, Paarl, também tem seus vinhos</p><p>muito procurados e é a região das vinícolas mais conhecidas.</p><p>Outras regiões produtoras da África do Sul são Constantia, Franschoek,</p><p>Swartland (ou “terra negra”), que produz vinhos frutados excelentes, de grande</p><p>concentração de cor.</p><p>Os vinhedos e os vinhos</p><p>Buitenverwachting</p><p>Klein Constantia</p><p>Thelema</p><p>Grangehurst</p><p>Stellenzicht</p><p>Kanonkop</p><p>Vergelegen</p><p>Lievland</p><p>Mulderbosch</p><p>Meerlust</p><p>Outros produtores – Backsberg, Fairview, Glen Carlou, Veenwouden, Hamilton</p><p>Russel e Bouchard Fynlaisson (duas vinícolas que produzem os melhores Pinot</p><p>Noir da África do Sul).</p><p>Os espumantes sul-africanos mais cotados são Graham Beck, JC Le Roux, Pierre</p><p>Jourdan, Pongracz, Villiera e Twee Jonge Gezellen Krone Borealis.</p><p>Entre os melhores sherries estão os produzidos pela KWV, Bertrams e Monis.</p><p>O país produz também vinhos doces fortes, semelhantes ao Porto, como:</p><p>Boplaas, Bredell, Die Krans, Glen Carlou, Landskroon e Overgaauw.</p><p>China</p><p>A China é hoje o quinto maior consumidor mundial de vinho. Segundo a Wine</p><p>and Spirit Record, da Inglaterra, o vinho produzido na China representa 98% do</p><p>mercado interno, e somente 2% é importado.</p><p>O vinho chinês é um produto básico, todo produzido e consumido na China,</p><p>elaborado de uvas finas europeias aclimatadas, cujo mercado é dominado pelas</p><p>empresas Dinasty, Great Wall e Dragon Seal.</p><p>Devido ao crescimento do consumo na China, num momento em que os</p><p>produtores europeus estão com seus estoques altíssimos, está ocorrendo uma</p><p>enxurrada de vinhos europeus ruins importados.</p><p>Não há bons vinhos conhecidos produzidos na China, mas há destaque para o</p><p>Changyu, ou Bodega Langes, um Cabernet Sauvignon excepcional, produzido</p><p>por Gernot Langes-Swarovski na Baía de Bohai.</p><p>Alemanha</p><p>Embora o clima preponderantemente frio da Alemanha não seja propício ao</p><p>cultivo da uva, a região cultiva e consome vinho desde o tempo dos romanos e é</p><p>uma das mais importantes regiões vinícolas do mundo.</p><p>A igreja cristã é uma das responsáveis pela superação dos desafios climáticos</p><p>que dificultam a produção de vinho, pois a bebida sempre foi usada para</p><p>cerimônias e para uso diário nos monastérios. A grande variação climática é o</p><p>problema principal na produção do vinho alemão. Há contrastes</p><p>climáticos</p><p>extremos no país, o que afeta a sensibilidade das uvas, tornando a produção de</p><p>vinho um empreendimento em contínuo risco. Também os solos variam, desde a</p><p>ardósia decomposta das montanhas à argila das planícies.</p><p>Mestres em vinho branco</p><p>A grande maioria dos vinhos alemães é de brancos. A uva mais utilizada é a</p><p>Riesling, que ocupa 85% dos vinhedos, que produz os vinhos mais finos e alguns</p><p>dos melhores do mundo, talvez pelas características climáticas, que exigem</p><p>esmero e atenção na produção.</p><p>Também a uva Traminer (Gewürztraminer) tem lugar de destaque na produção</p><p>vinícola alemã e a germânica Grauburgunder (Ruländer ou Pinot Gris) produz</p><p>tanto vinhos secos quanto doces. Outras qualidades brancas incluem Kerner,</p><p>Huxelrebe, Chardonnay, Muskateller (Muscat), Elbling, Ehrenfelser, Faberrebe,</p><p>Gutedel, Siegerrebe, Bacchus, e Ortega.</p><p>Os tintos</p><p>Ocupando cerca de 15% da produção alemã, os vinhos tintos mais finos são</p><p>feitos a partir da uva Spätburgunder (Pinot Noir), particularmente aqueles de</p><p>Rheingau, Pfalz, e Baden. Produz-se mais vinhos tintos secos, mas há versões</p><p>mais doces e viçosas, feitas de Spätlese ou Auslese no estilo dos Bourgogne,</p><p>com amadurecimento em carvalho. São vinhos muito bons e famosos. Outras</p><p>uvas tintas incluem a Portugieser, Trollinger, Dornfelder, Schwarzriesling</p><p>(Müllerrebe/Meunier), e Lemberger (Blaufränkischer).</p><p>Classificações</p><p>Na Alemanha, os vinhos precisam ser fiéis às suas heranças e seguidos do</p><p>vinhedo até o consumidor. Os vinhos são classificados dentro das seguintes</p><p>categorias:</p><p>Tafelwein – Equivale de certo modo ao vin de table francês. É um, “vinho de</p><p>mesa”, para o consumo trivial, sem grandes qualidades.</p><p>Deutscher Tafelwein – É um tipo melhorado do anterior, produzidos em oito</p><p>regiões demarcadas.</p><p>Landwein – É também um vinho básico, sujeito a poucas regulamentações. Não</p><p>pode ser doce e é obrigatoriamente um seco (Trocken) ou meio seco</p><p>(Halbtrocken).</p><p>Qualitätswein – De qualidade levemente superior aos anteriores, equivalente ao</p><p>Controle de Denominações da França para os padrões da União Europeia.</p><p>Representa 95% das safras do país.</p><p>As regiões produtoras (por ordem alfabética)</p><p>Ahr</p><p>Baden</p><p>Franken</p><p>Hessische Bergstrasse</p><p>Mittelrhein</p><p>Mosel-Saar-Ruwer</p><p>Nahe</p><p>Pfalz</p><p>Rheingau</p><p>Rheinessen</p><p>Esta última região vinícola mais extensa da Alemanha, com 165 vilas produtoras</p><p>que mais contribui para a produção do Liebfraumilch, um dos mais bem</p><p>conhecidos vinhos de mercado, A região produz também excelentes Sylvaner.</p><p>Saale-unstrut</p><p>Sachsen</p><p>Württemberg</p><p>Portugal</p><p>Portugal é um país de grande tradição vinícola, tendo como origem a vinicultura</p><p>estabelecida na região pelos romanos. As terras lusitanas produzem vários tipos</p><p>de vinhos, com características bem distintas, desde os vinhos verdes, os tintos</p><p>encorpados, os brancos e o famoso Porto, além dos Bairradas, que adquirem</p><p>equilíbrio e bouquet característicos à medida que envelhecem. Hoje, cada região</p><p>produtora tem vinhos de excelente qualidade, elaborados com tecnologia recente</p><p>e a partir de castas nacionais provenientes de vinhas cheias de história.</p><p>A localização geográfica de Portugal e a sua área reduzida (92.072 km²), não o</p><p>impedem de ser um dos maiores produtores mundiais de vinho, e de grande</p><p>excelência. É um país marcado pela presença do Oceano Atlântico, sempre</p><p>muito influenciado pela cultura mediterrânica, claramente expressa na culinária,</p><p>marcada pela onipresença do vinho.</p><p>Com informações fundamentadas colhidas de vários Institutos portugueses</p><p>ligados ao vinho, principalmente o IVV – Instituto da Vinha e do Vinho,</p><p>podemos classificar o vinho português do seguinte modo:</p><p>Classificação:</p><p>Os vinhos portugueses estão classificados em quatro níveis de qualidade:</p><p>Vinho de Mesa – Como nos outros países, é um vinho inferior, cuja produção</p><p>pode ser feita em qualquer região do país. Nesta classificação os vinhos perdem</p><p>direito à menção de Regional e DOP (citados abaixo) por não terem uma origem</p><p>definida, são vinhos preparados com Cortes de varias regiões.</p><p>Vinho Regional – (IGP) – Indicação Geográfica Protegida. Já um produto de</p><p>qualidade superior ao anterior, que deve ser produzido com, no mínimo, 85% de</p><p>uvas provenientes da própria região.</p><p>DOP – Vinho de Denominação de Origem Protegida – No passado se chamava</p><p>DOC (D.O.C.) – Equivale à A.O.C. francesa, à D.O.C. italiana e à D.O.</p><p>espanhola. Concedida ao vinho produzido em região delimitada, para ter esta</p><p>designação, os vinhos necessitam respeitar limites , quantidades de castas</p><p>recomendadas e autorizadas, garantindo assim a tipicidade de determinada</p><p>região. As regras são mais rígidas quanto à procedência e variedades de uvas</p><p>utilizadas, o método de vinificação, o teor alcoólico, o tempo de envelhecimento,</p><p>etc.. Não quer dizer que esta designação seja de maior qualidade que um</p><p>regional .</p><p>V.Q.P.R.D. – Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada – Tem a</p><p>qualidade dos D.O.P., porém de controle mais apurado. É uma classificação</p><p>criada para atender ao Mercado Comum Europeu e manter os vinhos</p><p>portugueses competitivos.</p><p>Também foram criadas denominações para os vinhos espumantes e licorosos:</p><p>V.E.Q.P.R.D. (Vinho Espumante de Qualidade Produzido em Região</p><p>Determinada) e V.L.Q.P.R.D. (Vinho Licoroso de Qualidade Produzido em</p><p>Região Determinada).</p><p>Além destas classificações mais modernas, existem outras que podem ser</p><p>encontradas nos rótulos, que obedecem a tradição portuguesa mais antiga, que</p><p>são os vinhos de Reserva e de Garrafeira.</p><p>Vinho de Reserva é aquele que apresenta uma graduação alcoólica meio grau</p><p>acima do não Reserva, da mesma vinícola, não tem estágio obrigatório e</p><p>envelhece ao menos três anos em adega. Tem sempre origem determinada e</p><p>safra.</p><p>O Garrafeira é aquele que provém de uma adega em Portugal, pode não ser de</p><p>denominação de origem, mas deve passar três anos em adega, sendo que apenas</p><p>um ano em garrafa e os outros dois em tonel de madeira.</p><p>As regiões produtoras</p><p>Lisboa</p><p>Na região de Lisboa é produzida uma enorme variedade de vinhos, possível pela</p><p>diversidade de relevos e microclimas concentrados em pequenas zonas da</p><p>região. Anteriormente conhecida por Estremadura, situa-se a noroeste de Lisboa</p><p>numa área de cerca de 40 km2. O clima é temperado em virtude da influência</p><p>atlântica.</p><p>A Região de Lisboa é constituída por nove Denominações de Origem: Colares,</p><p>Carcavelos e Bucelas (na zona sul, próximo de Lisboa), Alenquer, Arruda,</p><p>Torres Vedras, Lourinhã e Óbidos (no centro da região) e Encostas d’Aire (a</p><p>norte, junto à região das Beiras).</p><p>Os vinhos, essencialmente elaborados a partir da casta Arinto, foram muito</p><p>apreciados no estrangeiro, especialmente pela corte inglesa.</p><p>Colares é uma Denominação de Origem que se situa na zona sul da região de</p><p>Lisboa. Os vinhos são essencialmente elaborados a partir da casta Ramisco.</p><p>Hoje, os melhores vinhos DOP desta zona provêm de castas tintas como a casta</p><p>Castelão, a Aragonez (Tinta Roriz), a Touriga Nacional, a Tinta Miúda e a</p><p>Trincadeira que por vezes são lotadas com a Alicante Bouschet, a Touriga</p><p>Franca, a Cabernet Sauvignon e a Syrah, entre outras. Os vinhos brancos são</p><p>normalmente elaborados com as castas Arinto, Fernão Pires, Seara-Nova e Vital,</p><p>apesar da Chardonnay também ser cultivada em algumas zonas.</p><p>A região de Alenquer produz vinhos excepcionais, mais concentrados. Noutras</p><p>zonas da região de Lisboa, os vinhos tintos são aromáticos, elegantes, ricos em</p><p>taninos e capazes de envelhecer alguns anos em garrafa. Os vinhos brancos</p><p>caracterizam-se pela frescura e carácter citrino.</p><p>A maior Denominação de Origem da região, Encostas d’Aires, com a plantação</p><p>de novas castas como a Baga ou Castelão, Arinto, Malvasia, Fernão Pires, hoje</p><p>possuem mais cor, corpo e intensidade.</p><p>Região do Vinho Verde</p><p>O Minho é a maior zona vitícola portuguesa e situa-se no noroeste do país,</p><p>região típica, situada ao norte de Portugal, delimitada ao norte pelo Rio Minho,</p><p>ao sul pelo lendário Rio Douro, a oeste pelo Oceano Atlântico. A cidade mais</p><p>importante da região é Braga. A região é conhecida pela produção de vinhos</p><p>que Heitor se referia a mim quando considerava</p><p>eu ter feito algo bom), você realizou um milagre! Agora arrebentou! O livro está</p><p>excelente! Só há um problema...</p><p>Obviamente estremeci um pouco.</p><p>– Sim Heitor, o que foi desta vez? Alguma coisa para tirar ou algo assim?</p><p>Perguntei, sem conseguir esconder minha ansiedade.</p><p>– O título! Não presta! Não tem nada a ver “O Vinho e a Saúde”. Isso está muito</p><p>careta. Tem que mudar! Disparou novamente Heitor.</p><p>– Mas o que sugere então? argui um tanto tenso.</p><p>– Marcio, como você realizou um milagre nessa transformação do texto, eu</p><p>pensei no seguinte: Jesus é o autor do milagre de transformação da água em</p><p>vinho, na festa de Canaã, mencionada na Bíblia. O seu livro é sobre o vinho. E</p><p>essa ação de Jesus gerou a conhecida metáfora “da água para o vinho”, como</p><p>referência a algo ou situação se transformam radicalmente. Ora, você é médico e</p><p>lida com saúde. O livro aponta os efeitos do vinho sobre a saúde. Então nada</p><p>melhor do que o título mudar para “A saúde da água para o vinho”. – E assim</p><p>ficou.</p><p>Obviamente que eu e Heitor comemoramos o novo e mais significativo título</p><p>sorvendo um bom vinho. Para consagrar a origem do título, apresento a</p><p>passagem bíblica que registrou o milagre de Jesus:</p><p>“No terceiro dia se realizou uma festa de casamento em Canaã da Galileia, e a</p><p>mãe de Jesus estava lá. Jesus e seus discípulos também foram convidados para a</p><p>festa de casamento. Quando o vinho estava acabando, a mãe de Jesus lhe disse:</p><p>“Eles não têm vinho.” Mas Jesus respondeu: “O que eu e a senhora temos a ver</p><p>com isso? Minha hora ainda não chegou.” Sua mãe disse então aos que</p><p>serviam: “Façam o que ele lhes disser.” Havia ali seis jarros de pedra, para</p><p>água, conforme exigido pelas regras de purificação dos judeus; a capacidade de</p><p>cada jarro era de duas ou três medidas de líquidos. Jesus disse a eles: “Encham</p><p>os jarros com água.” E eles os encheram até a borda. Então ele lhes disse:</p><p>“Agora tirem um pouco e levem ao diretor da festa” E eles fizeram isso. Quando</p><p>o diretor da festa provou a água que tinha sido transformada em vinho, sem</p><p>saber de onde o vinho tinha vindo (embora os servos que haviam tirado a água</p><p>soubessem), o diretor da festa chamou o noivo e lhe disse: ‘todos servem</p><p>primeiro o vinho bom e, quando as pessoas ficam embriagadas, o inferior. Você</p><p>guardou o vinho bom até agora’. Jesus fez isso em Canaã da Galileia como o</p><p>início dos seus sinais, e revelou a sua glória, e seus discípulos depositaram fé</p><p>nele.”</p><p>(João 2:1-11)</p><p>Introdução</p><p>Porque um livro sobre o vinho</p><p>O vinho é uma bebida que faz parte da história da humanidade. Sempre se bebeu</p><p>vinho desde os tempos antigos, como comprovam os escritos, incluindo a Bíblia,</p><p>onde o vinho é mencionado 215 vezes. Mas ultimamente, há cerca de três</p><p>décadas, tem-se falado mais sobre o vinho, sendo o foco nos seus benefícios para</p><p>a saúde. Diversas matérias e estudos foram aparecendo gradativamente,</p><p>favoráveis ao vinho como remédio para coração e como inibidor do</p><p>envelhecimento. Acredito que a fama do vinho tomou força a partir do chamado</p><p>“paradoxo francês”, que sugeria ser o hábito de beber vinho regularmente a</p><p>causa da melhor saúde e da longevidade dos franceses, apesar da sua dieta rica</p><p>em alimentos gordurosos, semelhante as de outros povos não tão usuários da</p><p>bebida. Adiante exploraremos bem este fato. É inegável que o impacto do</p><p>“paradoxo francês” desencadeou uma grande quantidade de pesquisas científicas</p><p>sobre os efeitos medicinais do vinho.</p><p>Pessoalmente, acredito que o avanço do conceito ortomolecular na medicina</p><p>projetou muitas luzes sobre a questão do vinho e explicou, ao menos em parte, o</p><p>que se denominou “paradoxo francês”, além de outros efeitos da bebida. O</p><p>entendimento de que o excesso de radicais livres está no centro causal do</p><p>envelhecimento precoce, da senilidade, das doenças degenerativas, do</p><p>enfraquecimento do sistema imunológico, etc. dominou a terapêutica médica e</p><p>iniciou uma nova era nos métodos de tratamento.</p><p>O novo conceito dos “alimentos funcionais”, ou seja, do poder de cura e</p><p>prevenção de doença de alguns alimentos – que inundou a medicina de recursos</p><p>mais baratos no combate aos radicais livres –, foi marcante e projetou a uva (e o</p><p>vinho…) como um dos mais eficazes alimentos curativos. Centenas, e depois</p><p>milhares de pesquisas comprovaram a ação antioxidante desses alimentos e o</p><p>vinho apareceu como um dos mais poderosos redutores de radicais livres</p><p>conhecidos.</p><p>Como médico e praticante da terapêutica com base no conceito ortomolecular</p><p>(hoje Medicina Biomolecular), sempre prescrevi fórmulas vitamínicas, minerais</p><p>e fitoterápicas, ou da medicina biológica; além disso, devido ao meu</p><p>envolvimento com a macrobiótica e alimentação natural, a dieta e a cura pelos</p><p>alimentos sempre marcaram o compasso dos meus procedimentos, tratamentos e</p><p>protocolos na prática profissional. Antes, quando não sabíamos sobre os radicais</p><p>livres (o assunto será explorado adiante), usávamos os alimentos terapêuticos,</p><p>como arroz integral, alho, soja, cebola, gengibre, mamão, abacaxi, uva, entre</p><p>outros, somente baseados no conhecimento empírico e na tradição da Medicina</p><p>Natural e da Naturopatia; depois, com o advento da Medicina Ortomolecular,</p><p>tudo se explicou, permitindo a ampliação da credibilidade dos médicos não</p><p>ortodoxos e uma grande produção de obras. Embora eu tenha me convencido dos</p><p>poderes medicinais do vinho, nunca tive anteriormente a intenção de escrever</p><p>um livro específico sobre ele, em parte por ser uma bebida alcoólica e porque a</p><p>uva – e o suco de uva – podem produzir efeitos similares aos do vinho. Depois</p><p>descobri que há algumas diferenças entre eles e seus efeitos. Quando descobri</p><p>que o suco de uva contém cerca de 600 componentes conhecidos e que o vinho</p><p>tem mais de mil, algo mudou para mim. A princípio, eu havia acumulado um</p><p>pouco de informações sobre o vinho e suas virtudes terapêuticas. Mas então</p><p>começaram a aparecer questões e situações que foram exigindo mais explicações</p><p>e aprofundamentos. Talvez por um pouco de preconceito em relação ao álcool,</p><p>confesso, tenha estudado sobre o vinho procurando provas em contrário, mas</p><p>não consegui nada, a não ser a confirmação de que o álcool pode ser prejudicial,</p><p>mas apenas em excesso e que em pequenas doses até ajuda, como veremos</p><p>adiante. Ainda sem a pretensão de escrever sobre o tema, fui aos poucos lendo e</p><p>mergulhando no curioso e fascinante mundo dessa bebida.</p><p>Embora tivesse acumulado muitas informações sobre o vinho, eu não possuía</p><p>mais experiência ou informações do que um consumidor habitual, de</p><p>conhecimento perto do aceitável sobre o tema. Mas fui obrigado a me</p><p>aprofundar cada vez mais e descortinei um mundo maravilhoso. Mais e mais</p><p>informações foram agregadas ao material e passei a selecionar melhor meus</p><p>vinhos, ao mesmo tempo em que ampliava o meu conhecimento sobre detalhes</p><p>na elaboração da bebida. A sutileza e complexidade da produção do champanhe,</p><p>o requinte do vinho do Porto, as variedades de uvas e técnicas de produção, o</p><p>charme das degustações... Tudo encantador e cativante.</p><p>Não se pode negar que o vinho é uma bebida elegante e a sua produção quase</p><p>uma alquimia. Sempre fui atraído pelo requinte dos apreciadores e conhecedores</p><p>de vinho. Uma das coisas que aprendi observando os “experts”, enólogos e bons</p><p>bebedores de vinho, é que eles são pessoas sensíveis, moderadas, equilibradas,</p><p>com apurado senso de observação, que evitam o exagero e buscam a harmonia,</p><p>não só no consumo da nobre bebida, mas desenvolvem a habilidade de projetar</p><p>esse estado de espírito em tudo o que fazem, embora algumas possam ir ao</p><p>extremo de serem pedantes e até presunçosos; os verdadeiramente bons lidam</p><p>com o vinho como o fazem com a filosofia, com o casamento, com os negócios,</p><p>com os relacionamentos e praticamente como em tudo na vida. Os maus</p><p>bebedores, aqueles que exageram, que se embebedam, a estes não se pode culpar</p><p>o vinho, uma vez que se excederão com qualquer outra bebida, comida, prazeres,</p><p>etc. na medida em que não dominam a arte do equilíbrio, da parcimônia, da</p><p>sobriedade. O</p><p>brancos, onde as uvas são colhidas antes da fase final de maturação, chamados</p><p>genericamente de vinhos “verdes”. São vinhos mais ácidos, de cor amarela</p><p>palha, esverdeados, com frescor e aromas frutados e complexos. Os “verdes”</p><p>mais finos são elaborados com 100% de uva Alvarinho. O Alvarinho de Monção</p><p>é um vinho branco seco e bastante encorpado, enquanto o Loureiro do Vale do</p><p>Lima é mais suave e perfumado. A região também produz um tinto verde, muito</p><p>ácido com cor vermelha muito carregada, elaborado a partir de castas como</p><p>Vinhão, Borraçal, Brancelho, entre outras. É consumido quase exclusivamente</p><p>pelas populações locais, para acompanhar a gastronomia típica da região.</p><p>Douro</p><p>A famosa e tradicional região do Douro situa-se a nordeste do país. Mais ao</p><p>norte está a região vitivinícola de Trás-os-Montes que se divide em três sub-</p><p>regiões: Chaves, Valpaços e Planalto Mirandês.</p><p>O nome Trás-os-Montes refere-se à localização da região situada além do norte</p><p>do Rio Douro.</p><p>A região do Douro é antiga na cultura da uva. Lá crescem as melhores castas de</p><p>uvas para a elaboração dos mais finos “Portos” além de vinhos tintos e secos,</p><p>generosos e doces. As castas cultivadas na região não são célebres pela sua</p><p>elevada produção, contudo têm uma história secular, já que algumas castas</p><p>provêm da época da Ordem de Cister (Idade Média). Navegadores e</p><p>comerciantes ingleses descobriram os grandes vinhos do Douro e passaram a</p><p>importá-lo sistematicamente. Antes o “Porto” era um vinho de teor alcoólico</p><p>menor, mas como o produto não suportava bem as viagens de navio e para não</p><p>desperdiçar a oportunidade de comércio com a Inglaterra, os produtores e os</p><p>comerciantes passaram a acrescentar álcool vínico aos vinhos durante a</p><p>fermentação, de modo que estes não se deteriorassem no trajeto. Por causa disso,</p><p>perceberam que esta prática, além de conservar o produto, melhorava-o e</p><p>conferia mais qualidades permitindo a realização de um vinho único no mundo.</p><p>As principais variedades de uvas cultivadas no Douro são a Touriga Nacional</p><p>(equivale à Cabernet Franc) e Touriga Francesa, a Tinta Roriz (a Tempranillo</p><p>espanhola), a Tinta Barroca e Tinta Cão.</p><p>Existem vários tipos de Porto: Uma categoria é a dos vinhos jovens, Ruby,</p><p>Tawny e Branco, que são equilibrados em aromas e sabores, cujo</p><p>engarrafamento acontece três anos após a sua vinificação.</p><p>A produção de vinhos brancos tem como base as castas como a Malvasia Fina,</p><p>Gouveio, Rabigato e Viosinho. Para a produção de Moscatel, planta-se a casta</p><p>Moscatel Galego.</p><p>Um rosé servido por “Mãos” experientes</p><p>No Douro, em Portugal experimentei o excepcional Irmãos Rose (Mãos) “Douro</p><p>Family” da R4, um dos roses mais agradáveis,</p><p>de maior equilíbrio e mineralidade que já degustei, notável por sua cor cereja,</p><p>seu frescor e aroma. Servido exatamente num barco no meio do famoso rio,</p><p>como um presente de Rafael Miranda, que com seus outros 3 irmãos, Roberto,</p><p>Rudolfo</p><p>e Ricardo estão seguindo a missão do meu colega,</p><p>Dr. Eduardo Miranda, com sua vinícola secular.</p><p>Bairrada</p><p>Região situada sobre o circuito entre Aveiro e Coimbra, a noroeste de Portugal,</p><p>onde localizam-se os municípios de Anadia, Mealhada, Oliveira do Bairro, e</p><p>parte de Águeda, Aveiro, Cantanheiro, Coimbra e Vagos. A região da Bairrada é</p><p>rica na produção de vinhos brancos e tintos, elaborados a partir de castas</p><p>tradicionais, como a abundante Baga, a Bastardo, Camarate, Jaen e a Cabernet</p><p>Sauvignon.</p><p>Os brancos são produzidos preponderantemente com a casta Fernão Pires (Maria</p><p>Gomes), secundada pelas castas Arinto, Bical, Rabo de Ovelha, Cercial e</p><p>Chardonnay, caracterizados pelos seu tom dourado, secos e aromas florais</p><p>intensos. São delicados e aromáticos. Há também espumantes, os mais famosos</p><p>no país. A maioria é do tipo Brut, elaborada tanto com uvas brancas como tintas,</p><p>de intenso aroma floral. São muito utilizados como bebidas aperitivas ou a</p><p>acompanhar a cozinha local.</p><p>Beira Interior</p><p>As regiões da Beira Interior, Távora-Varosa e Lafões situam-se no interior do</p><p>país, entre a zona da Beira Baixa e da Beira Alta, próximas à fronteira com</p><p>Espanha.</p><p>A Denominação de Origem de Lafões é uma pequena região no norte do Dão</p><p>com poucos produtores, mas cujos vinhos tintos são especialmente reconhecidos</p><p>pela sua luminosidade, enquanto os brancos são caracterizados por elevada</p><p>acidez.</p><p>Alentejo</p><p>O Alentejo está situada numa extensa área, as planícies a sudeste de Portugal,</p><p>onde se encontram as cidades de Évora e Beja. É uma das maiores regiões</p><p>vitivinícolas de Portugal. Produz vinhos desde a época dos romanos, às vezes</p><p>ainda artesanalmente, com uvas pisadas, depois fermentadas e envelhecem em</p><p>ânforas de argila, conforme a tradição ancestral.</p><p>O Alentejo é dividido em oito sub-regiões, a maioria sob a classificação D.O.C.</p><p>Há inúmeras castas plantadas, contudo umas são mais relevantes que outras. A</p><p>região produz também brancos, atualmente de mais complexidade e riqueza,</p><p>com a uva síria Roupeiro, Antão Vaz e a Arinto. Em relação às castas tintas,</p><p>salienta-se a importância da casta Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante</p><p>Bouschet (uma variedade francesa que se adaptou ao clima alentejano).</p><p>Os vinhos brancos DOC alentejanos são geralmente suaves, ligeiramente ácidos</p><p>e apresentam aromas a frutos tropicais. Os tintos são encorpados, ricos em</p><p>taninos e com aromas a frutos silvestres e vermelhos. Além da produção nas sub-</p><p>regiões DOC, o Alentejo produz grande variedade de vinhos regionais.</p><p>Tejo</p><p>É situada no centro-sul de Portugal, estendida ao longo do curso do Rio Tejo,</p><p>destacando-se as cidades Tomar, Abrantes e Santarém. A Denominação de</p><p>Origem do Ribatejo apresenta seis sub-regiões (Almeirim, Cartaxo, Chamusca,</p><p>Coruche, Santarém e Tomar).</p><p>Os vinhos tintos DOC do Ribatejo provêm não só de castas tradicionais da</p><p>região (Trincadeira ou Castelão), mas também de outras castas nobres, como a</p><p>Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon ou Merlot. A casta branca mais plantada</p><p>na região é a Fernão Pires, sendo praticamente indispensável na produção dos</p><p>brancos ribatejanos. Por vezes, é lotada com outras castas típicas da região como</p><p>a Arinto, Tália, Trincadeira das Pratas, Vital ou a internacional Chardonnay.</p><p>São sub-regiões do Tejo: Almeirim, Chamusca, Coruche e Tomar.</p><p>Dão</p><p>A zona do Dão situa-se na região da Beira Alta, no Centro Norte, entre os 400 e</p><p>os 700 metros de altitude, onde se encontram as serras do Caramulo,</p><p>Montemuro, Buçaco e Estrela. A região tem o mesmo nome do seu principal rio,</p><p>o Dão, que nasce nas terras altas ao norte, não distante do Rio Douro. O Dão é</p><p>uma região com muitos produtores, onde cada um detém pequenas propriedades.</p><p>Também uma região que produz vinhos desde o período romano, tendo sido</p><p>reconhecida como DOC em 1990, seus vinhos tintos estão entre os mais</p><p>importantes produzidos no país.</p><p>A maior parte dos vinhos do Dão são tintos, produzidos a partir da combinação</p><p>de uvas como Tauriga, Touriga Nacional, Tinta Cão, Tinta Roriz (Tempranillo),</p><p>Pinheira, Alfrocheiro Preto e Jaen. A Touriga Nacional é mais nobre da região e</p><p>está presente em, pelo menos, 20% nos cortes dos vinhos tintos da região.</p><p>A uva Encruzado é a predominante na produção dos brancos, além da Assario</p><p>Branco ou Borrado das Moscas, brancos vivos, florais e muito aromáticos.</p><p>Península de Setúbal</p><p>Rodeada pelo Oceano Atlântico e pelos rios Tejo e Sado, ao sul de Lisboa,</p><p>Setúbal é uma das mais poéticas, antigas e destacadas regiões vinícolas</p><p>portuguesas. É uma área demarcada que produz vinhos doces, principalmente a</p><p>partir de duas variedades de moscatel: Moscatel Romano ou da Alexandria (para</p><p>brancos) e, em menor escala, Moscatel Roxo (para tintos). O destacado Moscatel</p><p>de Setúbal é um vinho generoso de excelente qualidade, em especial quando</p><p>envelhecido durante largos anos em barricas de carvalho. Mas a maior parte dos</p><p>vinhos da região utilizam a casta Castelão na sua composição, que é a casta</p><p>tradicional, exigida pela legislação para a produção de vinhos DO, que obriga a</p><p>utilização de uma percentagem elevada de Castelão, como o DO de Palmela que</p><p>tem de</p><p>ser constituído por 66,7% desta casta.</p><p>Algarve</p><p>O Algarve, bem ao sul de Portugal, uma região onde a área vinícola decresceu</p><p>nos últimos anos devido ao crescimento do turismo. É constituída por quatro</p><p>Denominações de Origem: Lagos, Lagoa, Portimão e Tavira. Contudo, a maior</p><p>parte do vinho produzido insere-se na designação “Vinho Regional do Algarve”.</p><p>As castas tradicionais da região são a Castelão e a Negra Mole (tintas) e a Arinto</p><p>e a Síria (brancas). A casta Syrah foi umas das castas utilizadas na replantação</p><p>das vinhas e demonstrou excelente adaptação ao clima da região.</p><p>Madeira</p><p>Apelidada “pérola do Atlântico”, é uma ilha de origem vulcânica, situada a 750</p><p>km a oeste de Casablanca, com clima tipicamente mediterrâneo, apresentando</p><p>temperaturas amenas durante todo o ano e baixas amplitudes térmicas”. A</p><p>Denominação de Origem Madeira é constituída por cerca de 450 hectares de</p><p>vinha, onde são plantadas castas tintas e brancas. A casta Tinta Mole é a mais</p><p>plantada na região, contudo também existem castas mais raras como a Sercial, a</p><p>Boal, a Malvasia e Verdelho.</p><p>Assim como o Porto e o Xerez, o acréscimo de álcool vinífero (fortificação),</p><p>produzido a partir da destilação do fermentado das cascas, criou o famoso</p><p>“Madeira”. Este vinho possui uma longevidade incomum, com aromas</p><p>complexos e um sabor distintivo que ganhou notoriedade mundial.</p><p>Ilha dos Açores</p><p>O Arquipélago dos Açores, em pleno Oceano Atlântico, é composto de nove</p><p>ilhas de origem vulcânica, apresentando condições climáticas pouco favoráveis</p><p>ao cultivo da uva. Porém, a parreira tem uma longa tradição na região, pois é</p><p>cultivada desde o século XV. Apesar de tudo, os Açores destacam-se na</p><p>produção de vinho nas regiões do Pico e Graciosa.</p><p>Uruguai</p><p>O Uruguai está localizado numa região privilegiada para o cultivo da videira e é</p><p>um país produtor de bons vinhos, onde o consumo interno do produto é</p><p>tradicionalmente elevado.</p><p>O país está na mesma latitude das melhores regiões vitivinícolas da Argentina,</p><p>Chile, África do Sul e Austrália. A produção de vinhos no Uruguai teve início no</p><p>final do século XIX, com a imigração de bascos e franceses para a região, e a</p><p>introdução da uva da variedade Tannat, que é cultivada para a produção de</p><p>vinhos de boa qualidade.</p><p>Assim como no Brasil, grande parte da produção de vinhos de mesa uruguaios</p><p>ainda é feita com uvas não-viníferas (espécies americanas ou híbridas), mas as</p><p>principais vinícolas utilizam as variedades europeias, com base na Tannat,</p><p>gerando também vinhos mais complexos e sofisticados, ou assemblages com</p><p>Merlot, Cabernet Sauvignon e Franc, Pinot Noir, Petit,Verdot, entre outras..</p><p>Entre as brancas, a Chardonnay, a Gewürztraminer, a Sauvignon Blanc e a</p><p>Viognier.</p><p>O Uruguai tem quatro regiões vitícolas:</p><p>Região sul</p><p>Litoral sudoeste</p><p>Região norte e nordeste</p><p>Região Central</p><p>Viticultura uruguaia</p><p>Com a grande renovação dos vinhedos, iniciada há cerca de 40 anos, estruturou-</p><p>se uma viticultura tradicional e outra moderna, baseada em tecnologia mais</p><p>avançada, que produz vinhos de excelente qualidade.</p><p>Entre os vinhos uruguaios mais conhecidos estão os da Fisano (Rio de Los</p><p>Pajaros), Albariño, a excelente Bodega Bouza e da esmerada Casa Filgueira.</p><p>Da Casa Filgueiras, provei um excelente varietal Cabernet Savignon, o Fuga</p><p>2010, presente do meu amigo poeta uruguaio Raúl Ballestra. Minha percepção</p><p>sobre este vinho: aromas finos, notas leves de cassis, algum pimentão, café, e</p><p>especiarias com algum tostado. Apresenta à boca taninos polidos, evidência de</p><p>frutas vermelhas, acidez mediana. Apesar de jovem, tem ótima concentração de</p><p>sabor, com retrogosto digno de grandes obras.</p><p>Nova Zelândia</p><p>Até o final do século XIX, a Nova Zelândia não possuía atividade vinicultora,</p><p>nem seus habitantes estavam interessados na bebida, mas hoje o país está entre</p><p>os 10 maiores produtores de vinho do planeta. Somente a partir de 1835,</p><p>surgiram os primeiros vinhedos, mas para produzir vinhos destinados ao</p><p>consumo das tropas britânicas, que haviam invadido a região.</p><p>No século XX, a indústria se desenvolveu primeiramente na Ilha Norte, ao redor</p><p>de Auckland, centro onde se encontra um terço da população. Depois a</p><p>vinicultura cresceu rapidamente para o sudeste, em Gisborne, a seguir para o sul,</p><p>na região de Hawke´s Bay, depois para Marlborough na Ilha Sul, que se tornou o</p><p>maior produtor da nação. Nas regiões mais frias e mais ao sul, na Ilha Sul até</p><p>Canterbury e Otago, estão os vinhedos mais ao sul do mundo.</p><p>As Variedades</p><p>Quase 70% dos vinhos da Nova Zelândia são de uvas brancas, com</p><p>predominância de uvas francesas e algumas alemãs. A uva Chardonnay é</p><p>predominante seguida da Sauvignon Blanc, que produzem um excelente branco.</p><p>Também são usadas, Riesling, um pouco de Gewürztraminer, Pinot Gris e</p><p>Sémillon.</p><p>Os tintos são produzidos com a Pinot Noir, a variedade mais importante, que</p><p>produz um grande número de excelentes vinhos, sendo uma uva promissora para</p><p>a produção de Grand Crus no futuro. As uvas Merlot e Cabernet Sauvignon vêm</p><p>em segundo plano, mas há grandes vinhedos de Syrah, de Malbec, de Cabernet</p><p>Franc e mesmo de Zinfandel e Pinotage em crescimento.</p><p>Classificações</p><p>Na Nova Zelândia os rótulos dos vinhos do país são regulamentados por um</p><p>comitê oficial chamado Fair Trading Act and the Food Act, que criou as</p><p>indicações geográficas do país.</p><p>As regiões</p><p>Ilha Norte</p><p>Gisborne</p><p>Hawke´s Bay</p><p>Auckland</p><p>Ilha Sul</p><p>Marlborough</p><p>Otago</p><p>O Brasil no mundo do vinho</p><p>As primeiras videiras foram trazidas para o Brasil da Ilha da Madeira, por</p><p>Martim Afonso de Souza em 1532 e plantadas por Brás Cubas no litoral paulista</p><p>e depois, em 1551, na região da atual cidade de São Paulo (na época,</p><p>Piratininga), com bom resultado.</p><p>As Bandeiras, que partiam de São Paulo de Piratininga para o sertão, levavam</p><p>estacas de videiras para serem cultivadas, como mais um item para contribuir</p><p>nas conquistas de vasto interior, ao mesmo tempo por ser uma cultura de fixação</p><p>do homem à terra, ajudando na ocupação do imenso território.</p><p>Na época, por volta de 1640, o vinho era ainda rude, sem nenhuma qualidade,</p><p>mas já fazia parte da riqueza da cidade de São Paulo. Os vinhedos se estendiam</p><p>para além do Rio Tamanduateí, chegando até Mogi das Cruzes, quando se criou</p><p>a primeira Ata da Sessão de Implantação da Câmara de São Paulo, que tratou da</p><p>padronização da qualidade e dos preços dos vinhos produzidos.</p><p>Neste período, chegaram os holandeses ao nordeste do país e logo se dedicaram</p><p>à exploração do açúcar. Pela dificuldade de receber vinhos da europa, para suprir</p><p>o consumo de vinhos seja para o prazer, para acompanhar as refeições ou ritos</p><p>religiosos, Maurício de Nassau ordenou o cultivo de videiras na Ilha de</p><p>Itamaracá, e na época proferiu a seguinte frase: “são as melhores uvas desta</p><p>terra»,e determinou a colocação de três cachos das uvas no Brasão d’Armas da</p><p>ilha, criado pelo pintor Franz Post.</p><p>Mais tarde, em 1785, Dona Maria I baixou alvará proibindo atividade</p><p>manufatureira da uva, o que sepultou a jovem indústria vinícola. Antes, Portugal</p><p>já impunha a compra de cotas de vinho do Porto. Mas pouco depois, com Dom</p><p>Pedro I, começou a ocupação das terras ao sul do Brasil.</p><p>Em 1824, Dom Pedro I autorizou o fluxo migratório para a ocupação das terras</p><p>do sul do país, quando então chegaram imigrantes alemães formando a primeira</p><p>colônia, em São Leopoldo, próxima a Porto Alegre. Assim foi o início a uma</p><p>atividade industrial.</p><p>Pouco depois, com a chegada dos imigrantes italianos, uma verdadeira corrida</p><p>implantou-se na Serra Gaúcha. O fluxo migratório durou 10 anos, surgindo as</p><p>raízes indústria vinícola brasileira.</p><p>A evolução da cultura da uva e do vinho pode ser dividida em três períodos no</p><p>Brasil, classificada em três gerações ao longo dos últimos 120 anos.</p><p>Vinhos de 1ª Geração</p><p>Quando houve a verdadeira implantação da vitivinicultura, porém com a</p><p>utilização de uvas americanas, como a Isabel, Niágara, Bordô e outras.</p><p>Vinhos de 2ª Geração</p><p>Quando foram utilizados híbridos, vinhas americanas e europeias</p><p>Vinhos de 3ª Geração</p><p>Iniciou com vigor, a partir dos anos</p><p>de 1970, através de um significativo</p><p>aumento do plantio de uvas europeias vitis vinifera L, na Serra Gaúcha,</p><p>objetivando a elaboração de vinhos finos. As variedades viníferas utilizadas</p><p>foram de origem francesa, como a Cabernet Franc, Merlot, Chardonnay e depois</p><p>as italianas Sangiovese, Barbera e Bonarda. A fase se fortaleceu com a chegada</p><p>de empresas estrangeiras que trouxeram investimentos volumosos, modernização</p><p>e tecnologias de vinificação, o que melhorou sobremaneira a qualidade dos</p><p>vinhos brasileiros.</p><p>Classificação da qualidade dos vinhos brasileiros</p><p>Os vinhos brasileiros estão classificados em dois níveis de qualidade:</p><p>Vinho de Mesa</p><p>Vinho inferior, elaborado a partir de variedades de uvas comuns (Concord,</p><p>Herbemont, Isabel, Seyve Willard, Niágara, etc.) de espécies americanas (vitis</p><p>labrusca, vitis rupestris, etc.).</p><p>Vinho Fino de Mesa</p><p>Vinho de mesa diferenciado, elaborado a partir de variedades de uvas nobres</p><p>(Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Merlot, Chardonnay, Riesling,</p><p>Sauvignon Blanc, etc.) da espécie européia (vitis vinifera).</p><p>Confusão na classificação</p><p>Diferentemente de alguns países europeus, o termo “vinho de mesa” não tem</p><p>exatamente o mesmo significado no Brasil. Conforme a Lei n° 10.970/04, no seu</p><p>artigo 9°, um “’vinho de mesa’ é aquele com teor alcoólico de 8,6% a 14% em</p><p>volume, podendo conter até uma atmosfera de pressão a 20ºC”. Mas a lei não</p><p>especifica qual espécie de uva deve ser usada.</p><p>Para se ter certeza de consumir um vinho elaborado com alguma variedade vitis</p><p>vinifera, o nome dela ou as expressões “fino” ou “de “viniferas” (parágrafos 2° e</p><p>3° do artigo mencionado) devem estar estampados no rótulo ou no contrarrótulo.</p><p>Na classificação dos vinhos, pode-se encontrar as expressões seco, meio seco,</p><p>suave, etc.</p><p>Outras denominações utilizadas</p><p>Vinho Varietal</p><p>Feito com uma só variedade de uva ou com o mínimo de 60% da variedade de</p><p>uva declarada no rótulo. As boas vinícolas utilizam 100% da variedade</p><p>declarada.</p><p>Vinho de Corte (ou de Assemblage)</p><p>Elaborado a partir de diferentes uvas.</p><p>Vinho seco</p><p>Com teor de açúcar menor do que 5 gramas por litro.</p><p>Vinho demi-sec</p><p>Com teor de açúcar entre 5 e 20g/l.</p><p>Vinho suave</p><p>Com teor de açúcar maior do que 20g/l.</p><p>Principais tipos de uvas viníferas utilizadas no Brasil e suas</p><p>características</p><p>Tintas:</p><p>Ancellotta</p><p>Em um universo dominado por uvas de ascendência francesa, a Ancellotta</p><p>defende a influência italiana na disseminação da vitivinicultura pelo mundo.</p><p>Quando combinada com outras variedades, contribui principalmente com</p><p>intensidade de cor. Se destaca por um agradável aroma de frutas negras maduras,</p><p>como ameixa e mirtilo.</p><p>Cabernet Franc</p><p>Geralmente usada como corte em vinhos que levam outras cepas. Menos ácida e</p><p>tânica do que a Cabernet Sauvignon, gera rótulos não tão estruturados, mas ainda</p><p>assim muito agradáveis. Apresenta toque herbáceo típico refrescante, com aroma</p><p>de frutas maduras intrínseco à variedade.</p><p>Cabernet Sauvignon</p><p>É denominada a “rainha das uvas”, pois dá origem a mais rótulos de qualidade</p><p>do que qualquer outra variedade. Ela se adapta facilmente a diferentes climas e</p><p>solos, sem perder suas características básicas. A casca grossa das uvas confere</p><p>cor e tanino aos vinhos, que lembram cassis, pimentão e frutas negras no olfato.</p><p>Os seus vinhos evoluem muito bem quando mantidos em garrafas por alguns</p><p>anos e amadurecem muito bem.</p><p>Merlot</p><p>Tida por muitos especialistas como a variedade tinta que melhor representa a</p><p>vitivinicultura brasileira. Ela faz contraposição à Cabernet Sauvignon por ser</p><p>menos adstringente e ácida, mais leve e doce. Talvez por isso as duas combinem</p><p>tão bem em vinhos de corte. Individualmente, apresenta generoso aroma de</p><p>frutas e um elegante sabor aveludado.</p><p>Pinot Noir</p><p>Delicadeza é o predicado que melhor define a Pinot Noir, pois é uma uva que</p><p>exige extremo cuidado dos produtores, no campo e na cantina, gerando vinhos</p><p>suaves e elegantes. Por causa de seu ciclo de crescimento naturalmente curto, se</p><p>adapta melhor a regiões de clima frio, que desaceleram seu desenvolvimento e</p><p>permitem a plena maturação no tempo certo. Suas aplicações mais comuns são</p><p>em varietais, de taninos muito macios e com complexidade de aromas, e</p><p>espumantes, onde geralmente é associada a outras castas.</p><p>Syrah</p><p>As cascas negras das uvas e a coloração profunda do vinho dão pistas do que</p><p>esperar da Syrah: potência de aromas, sabor envolvente e notas que remetem a</p><p>frutas, às vezes especiarias. No Brasil, mostrou boa adaptação em regiões que</p><p>oferecem mais calor e menos umidade, onde seu amadurecimento pleno traz</p><p>taninos redondos e agradáveis. Nessas condições, pode ser vinificada</p><p>isoladamente ou em parceria com outras cepas.</p><p>Tannat</p><p>Além do Uruguai, esta uva produz bons vinhos também no Brasil. Dá origem a</p><p>um vinho de cor profunda, estrutura firme e aroma de frutas negras. Tamanha</p><p>potência faz com que muitas vezes ele seja usado para corrigir carências de</p><p>outras castas em rótulos de corte. A grande adstringência dos varietais</p><p>geralmente exige envelhecimento em garrafa. Uma vez que seus taninos são</p><p>domados pelo tempo, o vinho apresenta olfato complexo e instigante.</p><p>Tempranillo</p><p>De composição aromática e acidez moderadas, é marcada principalmente pela</p><p>complexidade e pela elegância. No Brasil, para que ganhe mais corpo, muitas</p><p>vezes é associada a outras cepas, como a Cabernet Sauvignon, ou envelhecida</p><p>em barricas de carvalho. Temprano em espanhol significa “amadurecer cedo”,</p><p>como característica que deu nome a esta uva.</p><p>Touriga Nacional</p><p>Representante da influência portuguesa na vitivinicultura brasileira, esta uva</p><p>ficou famosa em seu país de origem por ser uma das principais bases do Vinho</p><p>do Porto. Bastante flexível na vinificação, pode resultar em bons varietais, nos</p><p>quais se observa potente concentração de aromas e sabores, ou compor um corte</p><p>com outras variedades, contribuindo principalmente com coloração intensa, uma</p><p>de suas principais características.</p><p>Uvas Brancas</p><p>Chardonnay</p><p>Tem forte presença no mundo inteiro e muito utilizada no Brasil, pelo fato de ser</p><p>amplamente usada na elaboração de espumantes e vinhos brancos nobres. Em</p><p>geral dá origem a rótulos bastante frutados, que enriquecem muito em aromas</p><p>quando passam por barricas de carvalho.</p><p>Chenin Blanc</p><p>Uva que produz desde um vinho seco até bebidas adocicadas de sobremesa. Tem</p><p>aromas doces, lembrando mel e flores. Suas videiras tendem a apresentar alta</p><p>produtividade, mas justamente quando o rendimento é limitado é que os cachos</p><p>apresentam maior qualidade.</p><p>Gewürztraminer</p><p>No olfato, seus vinhos lembram manga, lichia e trazem uma marcante carga</p><p>floral. Seu perfume é tão intenso que pode confundir o degustador: se por um</p><p>lado aponta para notas doces, na boca é seco (sua apresentação mais comum) e</p><p>corpulento, muito devido à graduação alcoólica elevada que atinge com</p><p>facilidade.</p><p>Glera</p><p>A uva do Espumante Prosecco, famosa pelos espumantes que gera no norte da</p><p>Itália, a uva Prossecco se adaptou bem ao Brasil e, assim como em seu país de</p><p>origem, caiu no gosto do público por gerar bebidas de boa qualidade. Seu estilo</p><p>varia conforme a vinificação, podendo ser um espumante mais seco ou, como é</p><p>mais comum, com maior teor de açúcar residual.</p><p>Glera é uma uva branca de muito prestígio e cultivada há séculos em tradicionais</p><p>vinícolas italianas. Predominante conhecida como uva Prosecco, essa cepa está</p><p>presente na composição de espumantes e de rótulos mais tradicionais.</p><p>Muitos acreditam que Prosecco também é a denominação de uma uva, porém,</p><p>em agosto de 2009, ficou decretado que Prosecco se tornaria a denominação</p><p>apenas da região no norte da Itália, enquanto que a cepa seria denominada de</p><p>Glera para que não houvesse mais essa confusão entre ambos. Dessa forma, essa</p><p>importante região italiana passou de DOC (Denominazione di Origine</p><p>Controllata) para DOCG (Denominazione di Origine Controllata e Garantita).</p><p>A Glera é produzida nas regiões do norte da Itália, como Veneto, Friuli Venezia</p><p>Giulia, Conegliano, Valdobbiadene, entre outras, sendo todas elas</p><p>muito</p><p>reconhecidas por sua intensa produção de tradicionais vinhos espumantes</p><p>reconhecidos por serem leves e frutados.</p><p>Malvasia</p><p>Produz um vinho acentuadamente doce, a exemplo da Moscato, que pode ser</p><p>comercializado como varietal, usado como fonte de aroma em cortes com outros</p><p>vinhos ou servir como base para espumantes.</p><p>Moscato</p><p>Existem muitas ramificações na extensa família das uvas Moscato, todas unidas</p><p>por uma característica comum: o sabor doce e refrescante. Por causa disso, a</p><p>variedade é muito usada na elaboração de vinhos de sobremesa e espumantes</p><p>moscatel, que vão bem tanto no início de uma refeição, como aperitivo, quanto</p><p>no encerramento. Aliás, os espumantes dessa uva são apontados como um</p><p>diferencial da vitivinicultura brasileira, em função da acidez bem marcada e do</p><p>moderado teor de açúcar que esses produtos alcançam no país</p><p>Pinot Grigio</p><p>Esta uva branca pode enganar olhos desavisados enquanto pende das videiras</p><p>por causa do tom rosado de sua casca. Essa característica garante aos seus vinhos</p><p>uma cor mais intensa do que à vista em outros exemplares brancos. Estimula o</p><p>olfato e o paladar pelo equilíbrio entre estrutura e sutileza, muitas vezes</p><p>lembrando aromas doces, como o mel, ou mais evoluídos, como especiarias e</p><p>fumaça. Sua variedade, a Pinot Gris, é uma uva rosada da família da vitis</p><p>vinifera, originária da região da Alsácia, França. Apesar da cor escura da uva, a</p><p>Pinot Gris é usada para produção de vinhos brancos. Gris significa cinza em</p><p>francês. Esta variedade apresenta diferentes nomes pelo mundo, como Pinot</p><p>Grigio.</p><p>Riesling Itálico</p><p>É uma das uvas que vêm ajudando a construir a identidade dos espumantes</p><p>brasileiros. Tem potencial aromático moderado, mas contribui com uma acidez</p><p>característica que ajuda a tornar a bebida mais leve e agradável. Essa mesma</p><p>delicadeza é observada nos vinhos varietais.</p><p>Sauvignon Blanc</p><p>O que é comum a todas é a vivacidade aromática, geralmente lembra frutas</p><p>cítricas ou exóticas e a acidez pungente que provoca salivação e enruga as</p><p>bordas da língua. Bastante sensível às diferenças de temperatura, a Sauvignon</p><p>Blanc apresenta características muito distintas ao redor do mundo. Dificilmente</p><p>mostra evolução com o tempo, mesmo quando estagia em barricas de carvalho.</p><p>Deve ser consumido jovem.</p><p>Fonte: Vinhos do Brasil.</p><p>Por uma vitivinicultura brasileira forte e desenvolvida</p><p>O Ibravin – Instituto Brasileiro do Vinho – completou duas décadas de</p><p>atividades em prol do desenvolvimento do setor vitivinícola. Neste período,</p><p>muitas foram as realizações. Podemos citar a desburocratização e estímulo à</p><p>formalização de micro e pequenas vinícolas através da opção pelo Simples</p><p>Nacional e a aprovação da Lei do Vinho Colonial. Ambas medidas buscam</p><p>reduzir custos tributários, gerar renda e agregar valor à produção. Recentemente,</p><p>trabalhamos na eliminação da substituição tributária (ST), instrumento que onera</p><p>as indústrias vinícolas com a cobrança antecipada do ICMS de toda cadeia de</p><p>valor, tornando-se o principal entrave para o crescimento do setor vitivinícola</p><p>brasileiro.</p><p>Outra importante conquista foi a estruturação do Laboratório de Referência</p><p>Enológica (Laren), em cooperação com a Secretaria de Agricultura do Estado do</p><p>Rio Grande do Sul, o qual tem sido fator importante para a qualificação da</p><p>produção. Cabe ainda mencionar o trabalho desenvolvido com o Sebrae e o</p><p>Senar para levar capacitação e treinamento a centenas de produtores,</p><p>estimulando a qualificação da produção, através do Programa Alimento Seguros</p><p>(PAS) ou do Uva para Processamento ou de assistência técnica e extensão rural.</p><p>O desenvolvimento do mercado através da qualificação dos canais de</p><p>distribuição e/ou a promoção das exportações, com apoio do Sebrae, da Apex</p><p>Brasil e do Ministério das Relações Exteriores tem sido uma constante no</p><p>fortalecimento de nossa vitivinicultura.</p><p>Enfim, trabalhamos na defesa dos interesses de produtores de uvas, indústrias e</p><p>cooperativas vinícolas para possibilitar o crescimento do setor e a consolidação</p><p>do Brasil como um país produtor de vinhos de qualidade, ajudando a fomentar o</p><p>crescimento de mercado registrado nos últimos anos, em especial de produtos</p><p>como o espumante e o suco de uva 100%. As campanhas publicitárias realizadas,</p><p>em especial as últimas ações, sob a denominação “Seu vinho, suas regras”</p><p>dirigida a ampliar o número de novos consumidores, particularmente os</p><p>millenials, tem contribuído para ampliar o mercado, que tem ainda grande</p><p>potencial de crescimento.</p><p>Tal campanha tem sido um verdadeiro manifesto para que o consumidor dessa</p><p>faixa etária sinta-se livre para beber seu vinho da forma que quiser, sem as</p><p>amarras das regras de degustação, conservação, harmonização e outros ritos, que</p><p>muitas vezes afastam o consumidor com esse perfil.</p><p>Importante frisar que, onde se produz uvas e vinhos, temos regiões</p><p>desenvolvidas econômica e socialmente, consequência da equitativa distribuição</p><p>de renda que essa atividade alcança. Desse modo, a vitivinicultura contribui para</p><p>o crescimento do país. Bons vinhos e boa leitura!</p><p>Oscar Ló</p><p>Diretor Presidente da Cooperativa Vinícola Garibaldi</p><p>A vitivinicultura brasileira</p><p>e seu avanço</p><p>Segundo dados fornecidos pelo IBRAVIN – Instituto Brasileiro do Vinho, o</p><p>Brasil possui 82.000 hectares de vinhedos, sendo o 20º maior produtor em área</p><p>cultivada do mundo, o 5º maior produtor do hemisfério sul, com mais de 225</p><p>variedades de uvas cultivas de sul ao norte do país.</p><p>Os estados onde há produção vitivinícola são, pela ordem de importância: Rio</p><p>Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Vale do São Francisco (entre</p><p>Bahia e Pernambuco), Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.</p><p>O Rio Grande do Sul elabora 90% dos vinhos brasileiros, sendo 85% de</p><p>espumantes e 90% de suco de uvas.</p><p>Um dos maiores produtores mundiais e exportadores de suco de uva</p><p>Apesar da sua posição distante em termos de produção de vinho, o Brasil é,</p><p>curiosamente, um dos maiores exportadores mundial de suco de uva. As</p><p>variedades de uvas americanas continuam a ser cultivadas no Brasil, mas</p><p>destinadas à produção de suco de uva, uma vez que as variedades europeias, que</p><p>embora sejam excelentes para a produção de vinho, não são boas para a</p><p>produção de suco, como são as americanas, Isabel, Niágara, Bordô e outras, que,</p><p>curiosamente, não produzem vinhos de qualidade como as europeias.</p><p>Hoje o Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais de suco de uva,</p><p>exportando o produto para diversos países.</p><p>A agricultura familiar é base da cadeia produtiva, voltada para a produção de</p><p>vinhos e sucos de uva, com 15 mil famílias no Rio Grande do Sul e cerca 5 mil</p><p>famílias em Santa Catarina, os maiores polos agrícolas de uva do país.</p><p>O mercado brasileiro do vinho*</p><p>O Brasil é hoje o 15° no ranking de países consumidores no mundo, com cerca</p><p>de 360 milhões de litros ao ano (cerca de 2,2 litros per capita/ ano), bem atrás de</p><p>países como os Estados Unidos, que consomem 3,2 bilhões de litros ao ano. São</p><p>menos de 30 milhões de brasileiros (num universo de 180 milhões com mais de</p><p>18 anos, que podem beber) que consomem vinho ao menos uma vez por mês.</p><p>Atualmente o Brasil produz:</p><p>310 milhões de litros de vinho</p><p>De acordo com o último relatório da Wine Intelligence Brazil Landscapes 2019,</p><p>o mercado brasileiro de vinhos está se recuperando após 2016.</p><p>*Dados de produção e consumo, segundo a atualização em junho de 2019 com</p><p>base na Conjuntura Vitivinícola Mundial 2018 (OIV)– Abril/2019</p><p>* * *</p><p>Embora as vendas de volume de vinho tenham sido voláteis (elas caíram 14%</p><p>em 2016, apenas para recuperar em 2017), os dados publicados pela Ideal</p><p>Consultoria, em 2018, mostram que o consumo de vinho importado cresceu</p><p>notavelmente desde 2014 e agora representa 1/3 do total do mercado. Além</p><p>disso, o Brasil é hoje o 26º mercado de vinhos mais atraente do mundo, de</p><p>acordo com o modelo de atratividade do mercado de vinhos da Wine Intelligence</p><p>Global Compass.</p><p>* * *</p><p>O país também foi o “mais rápido” neste relatório, subindo 12 posições, de 38º</p><p>para 26º, mais atraentes desde 2017.</p><p>* * *</p><p>A população habitual de consumidores de vinho no Brasil é agora composta por</p><p>32 milhões de adultos que bebem vinho uma vez por mês, com 70% deste grupo</p><p>bebendo vinho pelo menos uma vez por semana. Isso é comparado a 29,7</p><p>milhões de adultos que bebiam vinho uma vez por mês em 2016.</p><p>* * *</p><p>Os consumidores mais jovens representam 20% da população adulta e 16% da</p><p>população regular de consumidores de vinho; Eles também mostram o menor</p><p>grau de envolvimento dentro da categoria de vinho, que se alinha com os</p><p>consumidores de vinho mais jovens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, porém,</p><p>os bebedores mais jovens tendem mais a consumir vinho no comércio, além de</p><p>gastar mais dinheiro por garrafa. O relatório registra os esforços bem sucedidos</p><p>feitos pelos produtores domésticos de espumantes, que estão investindo em</p><p>formas de atrair consumidores mais jovens.</p><p>* * *</p><p>Esse foco no engajamento do consumidor, juntamente com o fato de o Brasil ser</p><p>a 8ª maior economia mundial e o 17º maior mercado de vinho em volume de</p><p>vinho, indica que há muito espaço para crescimento e oportunidades promissoras</p><p>para os envolvidos, ou para quem busca entrar no mercado brasileiro de vinhos.</p><p>Fonte: Wine Intelligence</p><p>Infográfico– IBRAVIN – Produção Vitivinícola Brasileira. 2019</p><p>A nossa Primeira Região Demarcada</p><p>Os brasileiros eram basicamente importadores de vinho devido à menor</p><p>qualidade do produto nacional. Esse quadro tem mudado nos últimos anos com a</p><p>melhoria da nossa vitivinicultura, que hoje produz vinhos de qualidade</p><p>comparável a qualquer vinho e de qualquer região.</p><p>O Vale dos Vinhedos foi a primeira Indicação Geográfica do Brasil reconhecida</p><p>em 22 de novembro de 2002 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial –</p><p>INPI para vinhos tintos, brancos e espumantes. Para nosso orgulho, esse fato</p><p>histórico marca a entrada do Brasil no círculo mundial das Indicações</p><p>Geográficas.</p><p>Santa Catarina – novas regiões a serem demarcadas</p><p>O estado de Santa Catarina vem despontando como um grande produtor de</p><p>vinhos especiais e deve, muito em breve, determinar a próxima região</p><p>demarcada brasileira.</p><p>Os vinhos catarinenses são de grande qualidade e é crescente o surgimento de</p><p>novos vinhos, equiparáveis às grandes marcas francesas, italianas, portuguesas,</p><p>espanholas, chilenas e de outros países produtores tradicionais. Produtores</p><p>catarinenses já se projetam no mundo do vinho com produtos regulares até</p><p>excelentes “crus”, guardadas as devidas proporções.</p><p>Um novo vinho, em Goiás</p><p>Uma das mais recentes regiões produtoras de vinho do Brasil surgiu na Serra dos</p><p>Pireneus, uma cadeia de montanhas situada entre os municípios de Pirenópolis,</p><p>Corumbá de Goiás e Cocalzinho. Trata-se de uma iniciativa do médico Marcelo</p><p>de Souza, proprietário da Pireneus Vinhos e Vinhedos, que em 2005 encontrou</p><p>uma área em uma altitude de 930 metros. Os vinhedos estão em um vale, cerca</p><p>de 200 metros abaixo de montanhas que guarnecem o local. Lá o médico-</p><p>enólogo produz dois excelentes rótulos de produção própria: o Intrépido (Syrah</p><p>2010) e o Bandeiras (Barbera 2010). Um projeto pleno de sucesso e muito</p><p>promissor.</p><p>Sobre o acordo de Livre Comercio entre União Europeia e o Mercosul e a</p><p>vitivinicultura brasileira</p><p>Acredito que seja uma boa oportunidade para que todos os protagonistas do</p><p>mercado brasileiro de vinhos se convençam que existem duas alternativas:</p><p>continuar brigando entre nós por uns mililitros do constrangedor consumo por</p><p>pessoa inferior a 2 litros/ano, ou nos unirmos com ideias e recursos (estes em</p><p>especial) para colocar no ar uma grande, bem pensada, longa e consistente</p><p>campanha de publicidade do vinho como instituição.</p><p>Poucas bebidas tem tanto a dizer ao coração das pessoas como o vinho, sua</p><p>história, suas raízes, sua luta, seus valores... Teremos que transmitir sentimentos</p><p>e valores culturais e não regras, técnicas, carvalho, variedades, safras,</p><p>medalhas... As faltas de conhecimento e hábitos de consumo não podem ser</p><p>encaradas como um deserto, devem ser encaradas como um campo fértil pronto</p><p>para o cultivo.</p><p>Os produtores brasileiros acostumados a esperar que algo de milagroso aconteça,</p><p>ou que alguém resolva a constante queda na participação do mercado, deveriam</p><p>SE UNIR, e tomar a iniciativa de convocar dirigentes e produtores de todos os</p><p>países que vendem vinhos no Brasil para, JUNTOS, enfrentarem o desafio do</p><p>aumento de consumo. Ao final, o Brasil é um dos poucos países do mundo que</p><p>oferece um mercado de mais de 120 milhões de habitantes com capacidade de</p><p>consumir.</p><p>Serão necessários muitos recursos que deverão sair, sugiro, proporcionalmente</p><p>dos países que participam ativamente do mercado. Vamos arregaçar as mangas e</p><p>participar do desafio de aumentar o consumo inicialmente para 3 litros, depois</p><p>4... Será o fim do setor da uva e do vinho brasileiro? Se continuarmos desunidos</p><p>e nos lamentando, talvez sim. Mas se reagimos com inteligência, com certeza</p><p>será o renascimento.</p><p>Adolfo Lona</p><p>Enólogo e Empresário</p><p>Denominação de Origem – Brasil</p><p>As regiões vinícolas brasileiras vêm investindo na busca por certificação de</p><p>origem, uma espécie de assinatura que atesta a qualidade de cada terroir de nosso</p><p>país. Confira quais zonas produtoras já foram consagradas e as que estão em</p><p>processo de reconhecimento.</p><p>Vale dos Vinhedos</p><p>Pioneiro na busca por regras de certificação, o Vale dos Vinhedos foi a primeira</p><p>zona produtora a receber a Denominação de Origem (DO) para vinhos no Brasil.</p><p>A conquista ocorreu em 2012, exatos 10 anos após a região alcançar o status de</p><p>Indicação de Procedência (IP), pré-requisito exigido pelo Instituto Nacional de</p><p>Propriedade Industrial (INPI) para a concessão da DO.</p><p>A classificação exige o cumprimento de normas bastante restritas, que abrangem</p><p>desde o cultivo da uva até o engarrafamento do vinho.</p><p>Algumas regras do Vale dos Vinhedos</p><p>Variedades autorizadas – Vinhos: Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc,</p><p>Tannat, Chardonnay e Riesling Itálico; Espumantes: Chardonnay, Pinot Noir e</p><p>Riesling Itálico.</p><p>A produtividade é limitada em 10 toneladas por hectare para os vinhos e 12</p><p>toneladas por hectare para espumantes.</p><p>Graduação alcoólica mínima é de 12% para tintos, 11% para brancos e 11,5%</p><p>para espumantes. Espumantes secos devem ser feitos pelo Método Tradicional</p><p>Chaptalização e uso de chips ou lascas de carvalho não são autorizados.</p><p>Farroupilha</p><p>A área delimitada da IP (Indicação de Procedência) de Farroupilha é a maior área</p><p>de produção de uvas moscatéis do Brasil, com destaque para a cultivar Moscato</p><p>Branco, cujo perfil genético foi identificado como único no mundo. A produção</p><p>das uvas moscatéis é realizada por centenas de pequenos produtores</p><p>concentrados na Região Delimitada de Produção de Uvas Moscatéis, enquanto</p><p>os vinhos são elaborados por diversas vinícolas que se encontram distribuídas</p><p>em todo o território da IP no município de Farroupilha.</p><p>A Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e</p><p>Derivados (Afavin), constituída por vinícolas familiares e cooperativas de</p><p>pequenos viticultores, promove e estimula a vitivinicultura regional, cuja</p><p>identidade é reconhecida na Indicação de Procedência Farroupilha, de fortes</p><p>traços culturais, com foco na produção de vinhos finos moscatéis, incluindo os</p><p>vinhos finos tranquilos, moscatel espumante, moscatel frisante, vinho licoroso,</p><p>mistela e brandy de moscatel.</p><p>Algumas regras da IP Farroupilha</p><p>Variedades autorizadas: Moscato Branco (tradicional); Moscato Bianco;</p><p>Malvasia de Cândia (aromática); Moscato Giallo; Moscatel de Alexandria;</p><p>Malvasia Bianca; Moscato Rosado e Moscato de Hamburgo.</p><p>– Os vinhos só podem ser elaborados com as uvas Moscatéis autorizadas;</p><p>– Mínimo de 85% das uvas produzidas na RDPM – área com 128,62 km2 que</p><p>delimita a origem histórica da produção de moscatéis da região;</p><p>– Elaboração, engarrafamento e envelhecimento na origem (espumantes e</p><p>frisantes podem ser engarrafados também nos municípios limítrofes da I.P.).</p><p>– Vinhos com padrões de qualidade estabelecidos e controlados para valorizar as</p><p>características naturais dos produtos</p><p>desta origem.</p><p>Monte Belo</p><p>Em 2003, um grupo de viticultores criou a Associação de Vitivinicultores de</p><p>Monte Belo do Sul (Aprobelo), motivados a estimular e promover a produção de</p><p>vinhos de qualidades de origem controlada na região, onde quase 40% da área é</p><p>cultivada com vinhedos.</p><p>A Indicação de Procedência (IP) Monte Belo tem como grande diferencial o fato</p><p>de ser constituída exclusivamente por vinícolas familiares de pequeno porte. A</p><p>área geográfica delimitada é de 56,09 km2, distribuídos pelos municípios de</p><p>Monte Belo do Sul (com 80% da área), Bento Gonçalves e Santa Tereza.</p><p>Monte Belo do Sul é o município com a maior produção per capita de uvas para</p><p>a elaboração de vinhos finos (vitis vinifera) da América Latina, com 16</p><p>toneladas per capita/ano, sendo a grande região produtora de uvas de qualidade</p><p>utilizadas na elaboração de vinhos finos em vinícolas da Serra Gaúcha. Agora,</p><p>com a produção de vinhos de origem controlada no local, os pequenos</p><p>produtores poderão agregar mais valor à sua produção e a região ter a</p><p>visibilidade merecida.</p><p>Algumas regras da IP Monte Belo</p><p>– Os produtos autorizados são elaborados na região delimitada, com as</p><p>respectivas cultivares autorizadas, exclusivamente de vitis vinifera:</p><p>Vinhos Finos Brancos Tranquilos: Riesling Itálico e Chardonnay</p><p>Vinhos Finos Tintos Secos: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot,</p><p>Tannat, Egiodola e Alicante Bouschet;</p><p>Espumante Fino: Riesling Itálico (> 40%), Pinot Noir (>30%), Chardonnay e</p><p>Prosecco;</p><p>Moscatel Espumante: elaborado com base em seis cultivares moscatéis da</p><p>região.</p><p>100% das uvas utilizadas na elaboração dos vinhos devem ser produzidas na área</p><p>geográfica delimitada.</p><p>Vinhedos com produtividade controlada e padrões de maturação das uvas para</p><p>vinificação; vinhedos georreferenciados, garantindo o rastreamento dos</p><p>produtos;</p><p>– Levedura exclusiva da região para vinificação.</p><p>Pinto Bandeira</p><p>A vocação das vinícolas localizadas em Pinto Bandeira para a elaboração de</p><p>espumantes foi reconhecida em 2010 pelo Instituto Nacional de Propriedade</p><p>Industrial (INPI) por meio da Indicação de Procedência (IP) para a região.</p><p>A grande qualidade dos espumantes, sejam eles secos ou doces, chamou atenção</p><p>também para os vinhos feitos na mesma área, que foram igualmente incluídos na</p><p>classificação.</p><p>Os produtos que recebem o selo da IP são previamente avaliados por um júri</p><p>regulador, que verifica se os rótulos apresentam a qualidade mínima esperada e</p><p>se trazem as características particulares dos vinhos e espumantes elaborados em</p><p>Pinto Bandeira.</p><p>Algumas regras da IP Pinto Bandeira</p><p>Variedades autorizadas – Espumantes secos: Chardonnay, Pinot Noir, Riesling</p><p>Itálico, Viognier; Espumantes doces: Moscato Branco, Moscato Giallo, Moscatel</p><p>Nazareno, Moscato de Alexandria, Malvasia de Candia, Malvasia Bianca;</p><p>Vinhos: Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Tannat,</p><p>Pinotage, Ancellotta, Sangiovese, Chardonnay, Riesling Itálico, Moscato Branco,</p><p>Moscato Giallo, Trebbiano, Malvasia Bianca, Malvasia de Candia, Sémillon,</p><p>Peverella, Viognier, Sauvignon Blanc, Gewurztraminer</p><p>Espumantes secos devem ser feitos pelo Método Tradicional</p><p>Vinhedos com controle de produtividade.</p><p>Altos Montes</p><p>Com 173,84 quilômetros quadrados, a Indicação de Procedência (IP) Altos</p><p>Montes é a maior já certificada no Brasil. Abrange Flores da Cunha e Nova</p><p>Pádua, municípios que estão entre os maiores produtores de vinhos por volume</p><p>do Brasil.</p><p>Foi assim batizada por causa de seu relevo acidentado e pela altitude, que chega</p><p>a 885 metros em relação ao nível do mar.</p><p>O cultivo da uva na região é marcado pela ocorrência em pequenas propriedades</p><p>e por empregar basicamente mão-de-obra familiar. Isso não impediu que as</p><p>vinícolas fizessem uso de alta tecnologia para elaborar vinhos cada vez</p><p>melhores.</p><p>Algumas regras da IP Altos Montes</p><p>Variedades autorizadas – Vinhos: Cabernet Franc, Merlot, Cabernet Sauvignon,</p><p>Pinot Noir, Ancellotta, Refosco, Marselan, Tannat, Riesling Itálico, Malvasia de</p><p>Candia, Chardonnay, Moscato Giallo, Sauvignon Blanc, Gewurztraminer,</p><p>Moscato de Alexandria, clone R2; Espumantes secos: Riesling Itálico,</p><p>Chardonnay, Pinot Noir, Trebbiano; Espumantes doces: Moscato Branco,</p><p>Moscato.</p><p>No mínimo 85% das uvas utilizadas devem ser provenientes da área delimitada.</p><p>A elaboração, envelhecimento e engarrafamento dos produtos devem ocorrer</p><p>dentro da área geográfica delimitada.</p><p>Vinhedos com controle de produtividade.</p><p>Nenhum vinho pode ir para o mercado sem passar pelo crivo da comissão de</p><p>degustação.</p><p>Vales da Uva Goethe</p><p>Única Indicação de Procedência (IP) relativa à vitivinicultura fora do Rio</p><p>Grande do Sul até agora, os Vales da Uva Goethe compreendem a produção de</p><p>vinhos brancos, espumantes ou licorosos a partir dessa variedade no Litoral Sul</p><p>de Santa Catarina. O ponto de referência geográfico da IP é a cidade de</p><p>Urussanga, mas ela se estende por outros sete municípios vizinhos.</p><p>Obtida em 2011, a certificação de origem foi uma conquista da Associação dos</p><p>Produtores da Uva e do Vinho Goethe da Região de Urussanga (Progoethe),</p><p>entidade fundada para agregar vinicultores e desenvolver a imagem dessa casta.</p><p>Fonte: IBRAVIN e Vinhos do Brasil.</p><p>Os espumantes brasileiros entre os melhores do mundo</p><p>“O brasileiro se identifica com o espumante por ser uma bebida</p><p>alegre e descontraída. Nasceram um para o outro.”</p><p>Adolfo Lona</p><p>As serras Gaúcha e Catarinense estão entre as três melhores regiões do mundo</p><p>para a produção de espumantes, devido a fatores como clima e solo, que</p><p>permitem a obtenção de uvas ligeiramente ácidas, com boa característica e</p><p>frescor de frutado. Além disso, os produtores brasileiros dominam uma boa</p><p>tecnologia, equipamentos e experiência na elaboração.</p><p>Dada a nossa característica climática, como um país tropical em sua maior</p><p>extensão, de clima preponderantemente quente, o espumante é mais adaptado</p><p>que o vinho tinto ou branco, por ser bebido gelado, e parece ser uma preferência</p><p>nacional, com tendência a crescer.</p><p>20 principais regiões produtoras vinhos e espumantes</p><p>(Do norte para o sul, sem relação direta de importância)</p><p>Vale do São Francisco</p><p>Experiência única no universo enológico, a viticultura do semiárido tropical</p><p>desperta curiosidade no mundo todo. A capacidade produtiva das videiras é</p><p>determinada pelo manejo, e não pelo clima, sempre seco e quente. Cada planta</p><p>gera duas safras por ano, em ciclos de 120 a 130 dias. O período de repouso das</p><p>vinhas é induzido pela irrigação artificial e dura de 30 a 60 dias. O solo,</p><p>abastecido com água do Rio São Francisco apresenta grandes depósitos de</p><p>sedimentos rochosos. O alto índice de insolação produz uvas com elevado nível</p><p>de açúcar, resultando em vinhos bastante frutados.</p><p>Região Serrana do Espírito Santo</p><p>O polo vitivinícola é privilegiado por uma paisagem com grandes belezas</p><p>naturais, o que propiciou, a partir de programas oficiais, a organização e o</p><p>desenvolvimento do turismo regional. Neste contexto, a uva, o vinho e outros</p><p>derivados, como o suco de uva e a gastronomia, constituem os principais</p><p>atrativos. A crescente venda direta aos turistas, associada às oportunidades de</p><p>comercialização dos produtos na grande Vitória, estimulou, em anos recentes, a</p><p>retomada da vitivinicultura, tanto para a venda de fruta in natura como para a</p><p>produção de vinhos e suco de uva.</p><p>Norte de Minas</p><p>A viticultura foi introduzida no norte de Minas Gerais pela colônia japonesa. A</p><p>colheita é feita no período de estiagem, entre os meses de julho e outubro. A uva</p><p>é destinada ao mercado interno.</p><p>Sul de Minas</p><p>A viticultura da região Sul do estado de Minas Gerais, ao longo da história,</p><p>consagrou-se como produtora de vinhos de mesa, elaborados com as variedades</p><p>Bordô, localmente chamada de “Folha de Figo”, Jacquez e Niágara, tendo como</p><p>principais produtores os municípios de Caldas, Andradas e Santa Rita de Caldas.</p><p>Embora de forma ainda pouco organizada e baseada em iniciativas isoladas, a</p><p>exploração da atividade do enoturismo já é uma realidade.</p><p>Nova Mutum</p><p>A viticultura foi introduzida como atividade comercial no estado</p><p>de Mato Grosso</p><p>no final da década de 1990, quando descendentes de italianos que imigraram do</p><p>Rio Grande do Sul implantaram parreirais das cultivares Niágara Rosada e</p><p>Patrícia, para a produção de uvas de mesa, nos municípios de Nova Mutum,</p><p>Lucas do Rio Verde e Primavera do Leste. A colheita é realizada no período</p><p>entre junho a setembro.</p><p>Santa Helena de Goiás</p><p>As principais iniciativas de empreendimentos vitivinícolas em Goiás estão nos</p><p>municípios de Santa Helena de Goiás, Paraúna e Itaberaí. Os projetos</p><p>implantados nestes três municípios têm como base o cultivo de uvas americanas</p><p>e híbridas, com foco na produção de vinho de mesa e suco de uva.</p><p>Noroeste de São Paulo</p><p>A viticultura da região noroeste de São Paulo desenvolveu-se a partir da década</p><p>de 1980, com base na produção de uvas finas de mesa, tendo como polo</p><p>referencial o município de Jales. O clima da região apresenta uma estação seca,</p><p>de abril a outubro, e uma estação chuvosa, de novembro a março. Não há frio</p><p>hibernal suficiente para induzir à dormência prolongada da videira, o que</p><p>possibilita a obtenção de duas colheitas/ano.</p><p>Leste de São Paulo</p><p>O sistema de produção de uvas no leste de São Paulo (São Roque, Jundiaí,</p><p>Louveira, Vinhedo, Atibaia, etc.) ainda é o tradicional, seja para a produção de</p><p>vinhos, seja para a produção de uvas de mesa. Nesta região, predomina a</p><p>produção de uvas em pequenas propriedades que se utilizam da mão-de-obra</p><p>familiar. Ainda existe nesta região um considerável número de pequenas</p><p>vinícolas produtoras de vinhos artesanais. Como novidade, registra-se algumas</p><p>novas iniciativas no sentido da produção de vinhos finos.</p><p>Norte do Paraná</p><p>Nesta região, concentrada entre os municípios de Londrina, Marialva, Maringá,</p><p>Rolândia e outros adjacentes, onde tradicionalmente predomina a produção de</p><p>uvas finas de mesa, é verificada nos últimos anos uma diversificação da</p><p>produção. No município de Maringá também são produzidos vinhos finos e</p><p>vinhos de mesa, em pequena escala.</p><p>Oeste do Paraná</p><p>O oeste paranaense tem o seu centro na cidade de Toledo. Variedades tintas</p><p>pouco exploradas em outras partes do Brasil, como Tempranillo, Sangiovese e</p><p>Negro Amaro vêm demonstrando ótima adaptação a esse novo terroir brasileiro.</p><p>Grande Curitiba</p><p>Concentrada nos municípios de Colombo, São José dos Pinhais e Campo Largo,</p><p>a vitivinicultura na região metropolitana de Curitiba se origina na colonização</p><p>italiana. A estrutura da produção vinícola mantém-se elaborando vinhos e sucos</p><p>de uva que são comercializados localmente, com o apoio de um bem organizado</p><p>programa de turismo, ancorado na vitivinicultura e complementado pela</p><p>gastronomia regional.</p><p>Vale do Rio Tijucas</p><p>A região é reconhecida pela tradição na produção de uvas e na elaboração e</p><p>comercialização do vinho colonial e do suco de uva. A estrutura produtiva</p><p>vitivinícola da região conta com aproximadamente 60ha de videiras no</p><p>município de Nova Trento e 90ha no município de Major Gercino, com</p><p>predominância das cultivares de vitis labrusca.</p><p>Litoral Sul</p><p>A vitivinicultura da região carbonífera, no sul do estado de Santa Catarina, está</p><p>concentrada nos municípios de Urussanga, Pedras Grandes e Morro da Fumaça.</p><p>Se consolidou a partir do cultivo da variedade de uva Goethe, com a qual é</p><p>elaborado um vinho típico da região. Essa tipicidade rendeu à região o</p><p>reconhecimento com Indicação de Procedência (IP) para os vinhos feitos com a</p><p>variedade.</p><p>Planalto Catarinense</p><p>A identidade dos vinhos desta região é moldada pela altitude. Zona produtiva</p><p>mais alta do país, entre 900 e 1,4 mil metros acima do nível do mar, o Planalto</p><p>Catarinense tem solo basáltico que confere complexidade aos seus tintos,</p><p>brancos e espumantes. No clima temperado e úmido, as temperaturas são</p><p>bastante baixas, principalmente à noite. Esse fator influencia no calendário de</p><p>colheita. Lá, as videiras apresentam desempenho tardio, e as uvas só ficam</p><p>maduras entre março e abril.</p><p>Alto Uruguai</p><p>Zona produtora em processo de descobrimento, Alto Uruguai testemunha um</p><p>ciclo precoce de suas videiras, já a partir de janeiro. Com isso, evita a vindima</p><p>durante o período de chuva, algo que sempre é celebrado quando se trata da</p><p>produção de vinhos.</p><p>Campos de Cima da Serra</p><p>Por muito tempo, a região dos Campos de Cima da Serra ficou à sombra da Serra</p><p>Gaúcha. A predominância do cultivo de variedades híbridas e o clima frio e</p><p>ventoso eram encarados como entraves para o desenvolvimento de grandes</p><p>vinhedos. Atualmente, no entanto, o cenário é o oposto. A baixa temperatura e a</p><p>incidência constante do vento foram transformadas em diferenciais, pois</p><p>propiciam uma maturação mais longa e condições para que as uvas viníferas</p><p>apresentem excelente sanidade. As iniciativas de empresários que se</p><p>aventuraram em elaborar vinhos na região foram recompensadas com grandes</p><p>rótulos, hoje nacionalmente conhecidos pela qualidade.</p><p>Serra Gaúcha</p><p>É a maior e mais importante região vinícola do Brasil, respondendo por cerca de</p><p>85% da produção nacional de vinhos. Aproveita-se do solo basáltico e do clima</p><p>temperado, úmido, com noites amenas, para cultivar uvas com personalidade</p><p>forte. A Serra Gaúcha abrange hoje as quatro áreas de produção enológica</p><p>certificadas do país. O Vale dos Vinhedos, que ocupa 72,45 quilômetros</p><p>quadrados entre as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul,</p><p>foi pioneiro ao buscar a Denominação de Origem (DO) para seus rótulos.</p><p>Seguindo seus passos, os municípios de Pinto Bandeira e Monte Belo do Sul</p><p>conquistaram a Indicação de Procedência (IP) para os rótulos lá elaborados,</p><p>assim como a região dos Altos Montes, que abrange as cidades de Flores da</p><p>Cunha e Nova Pádua.</p><p>Região Central</p><p>Estima-se a existência de cerca de 130 hectares de vinhedos na região,</p><p>basicamente cultivados com as variedades de Goethe e Bordô, aproximadamente</p><p>50% de cada. Todo o vinho produzido em Jaguari, cujo volume estimado varia</p><p>de 700 mil a 1 milhão de litros/ano, é comercializado na região.</p><p>Serra do Sudeste</p><p>Descoberto na década de 1970, o potencial vitícola na Serra do Sudeste levou</p><p>cerca de 30 anos para ganhar vulto. Foi a partir dos anos 2000, com a abertura de</p><p>investimentos na região por parte de renomadas vinícolas da Serra Gaúcha, que</p><p>o país voltou sua atenção para os vinhos elaborados com uvas de lá. Desde</p><p>então, ela é apontada como uma das mais promissoras zonas produtoras</p><p>brasileiras. Curiosamente, a Serra do Sudeste abriga pouquíssimas cantinas. O</p><p>relevo suavemente ondulado serve de sede quase que exclusivamente para</p><p>vinhedos. A maior parte das uvas é transportada, geralmente à noite, até outras</p><p>regiões do Rio Grande do Sul, onde é vinificada. No entanto, com o crescimento</p><p>de sua importância no cenário enológico nacional e com o surgimento de</p><p>empreendimentos locais voltados à produção de uva, essa situação deve sofrer</p><p>mudança em um futuro breve.</p><p>Campanha</p><p>Ao mesmo tempo em que abrigam alguns dos mais antigos vinhedos do Brasil,</p><p>as pequenas planícies e colinas da porção meridional do Rio Grande do Sul, já</p><p>na fronteira com o Uruguai, vêm recebendo jovens e audaciosos investimentos.</p><p>Essa concentração de extremos não tira de Campanha o prestígio, pois é uma</p><p>grande aposta do setor no país. Os dias longos, com grande período de</p><p>luminosidade para as plantas, e a grande variação de temperatura entre o dia e a</p><p>noite beneficiam o cultivo das videiras. As condições favoráveis são</p><p>complementadas pelo solo, rico em granito e calcário.</p><p>Fonte: IBRAVIN</p><p>Algumas das principais vinícolas brasileiras</p><p>Hoje, a produção de vinhos finos no Brasil chega a 10 mil hectares de uvas vitis</p><p>vinifera, divididos principalmente entre seis regiões. São aproximadamente 150</p><p>vinícolas elaborando vinhos finos espalhadas pelo país.</p><p>A indústria vitivinícola brasileira é formada ainda por cerca de outras mil</p><p>vinícolas, a maioria instalada em pequenas propriedades (média de 2 hectares</p><p>por família), dedicando-se à produção de vinhos de mesa ou artesanais. Ao todo,</p><p>entre variedades viníferas e comuns, a área coberta por vinhedos no país é de 89</p><p>mil hectares, em polos localizados</p><p>de norte a sul.</p><p>O país se consolidou como o quinto maior produtor da bebida no Hemisfério Sul</p><p>e certamente é um dos mercados que cresce mais rapidamente no globo.</p><p>Conheça melhor os autores dos vinhos que vêm surpreendendo o mundo todo.</p><p>Adolfo Lona – Garibaldi, RS</p><p>Quando Adolfo Lona iniciou a produção de seus espumantes em Garibaldi, o fez</p><p>numa adega especialmente preparada para elaborar pequenas quantidades, de</p><p>forma artesanal, sem equipamentos sofisticados.</p><p>Sua experiência de mais de trinta anos como diretor técnico de uma grande</p><p>vinícola, foi decisiva para esta postura: somente pequenos volumes de produção</p><p>permitem garantir o nível de qualidade que o consumidor espera da marca</p><p>Adolfo Lona.</p><p>A necessidade de proporcionar as melhores condições para os longos prazos de</p><p>maturação dos espumantes, elaborados pelo método tradicional, exigiram</p><p>investimentos em salas totalmente abrigadas da luz externa e acondicionadas a</p><p>temperaturas constantes e baixas. O tempo é o melhor aliado da qualidade</p><p>superior, por isso, o ciclo de produção dos espumantes Adolfo Lona são</p><p>superiores aos habituais: 180 dias para o método charmat e 18 meses para o</p><p>método tradicional.</p><p>Website: www.adolfolona.com.br</p><p>Almaúnica – Bento Gonçalves, RS</p><p>Fundada em 2008, a Vinícola Almaúnica tem em seu DNA uma paixão secular</p><p>pelos vinhos. Foi criada pelos irmãos gêmeos Magda e Márcio Brandelli na</p><p>cidade de Bento Gonçalves. Filhos de Laurindo Brandelli e Doracy Brandelli, os</p><p>irmãos montaram uma empresa que alia tradição familiar na cultura do vinho</p><p>com propostas inovadoras, embasadas no desejo de elaborar produtos nos quais</p><p>se expressa o amor e o carinho pelas videiras e arte de elaborar vinhos com</p><p>alegria e prazer.</p><p>Magda e Márcio pertencem à quarta geração de uma família que nasceu para</p><p>produzir vinhos. Uma história que começou em 1887, quando o imigrante</p><p>italiano Marcelino Brandelli chegou à região de Bento Gonçalves, na Serra</p><p>Gaúcha, trazendo na bagagem a paixão pelas videiras. Após passarem um</p><p>período trabalhando na vinícola da família, que leva o nome do pai, os irmãos</p><p>decidiram seguir um caminho próprio.</p><p>A Vinícola Almaúnica elabora vinhos e espumantes com o máximo cuidado e</p><p>dedicação, da videira à garrafa. Aliando tradição às técnicas mais modernas de</p><p>elaboração para consumidores cada vez mais informados e exigentes. A</p><p>Almaúnica foi planejada para produzir garrafas limitadas de cada vinho e assim</p><p>se tornar um conceito na elaboração de vinhos finos e espumantes. No</p><p>enoturismo, apresenta aos visitantes: modernidade nos processos e</p><p>conhecimentos seculares de elaboração, de uma gente que nasceu para isso.</p><p>Website: www.almaunica.com.br</p><p>Aracuri – Campos de Cima da Serra, RS</p><p>A Aracuri nasceu da paixão que seus criadores têm pelo vinho. Henrique</p><p>Aliprandini e João Meyer são dois produtores de maçã da região dos Campos de</p><p>Cima da Serra, estado do Rio Grande do Sul. Seus conhecimentos sobre as</p><p>regiões produtoras de maçã ao redor do mundo sempre alimentaram a</p><p>observação de que “regiões que produzem maçã de qualidade também produzem</p><p>uva para vinho de qualidade”.</p><p>Então, em 2005, resolveram unir o conhecimento e a paixão e iniciaram o</p><p>plantio dos vinhedos da Aracuri. O munícipio escolhido foi Muitos Capões, RS.</p><p>E logo a filosofia de trabalho pretendida e o local escolhido harmonizaram.</p><p>Aracuri é uma palavra indígena que significa pássaro de árvore alta. O pássaro é</p><p>o papagaio Charão e a árvore, o pinheiro Araucária. Ambos ameaçados de</p><p>extinção. Em Muitos Capões existe a Reserva Ecológica Aracuri, criada para</p><p>ajudar na preservação destas espécies.</p><p>Natureza, preservação, brasilidade, identidade, regionalidade, tipicidade. Tudo</p><p>ficou se encaixou e assim nasceu a Aracuri Vinhos Finos. Com o objetivo de</p><p>elaborar vinhos que expressem sua origem, seu terroir, a região Campos de Cima</p><p>da Serra, RS. E que, para alcançar este objetivo, respeite o ambiente, o ser</p><p>humano que trabalha no campo e que degusta os vinhos.</p><p>Website: www.aracuri.com.br</p><p>Arbugeri – Caxias do Sul, RS</p><p>A história da Vinícola Arbugeri tem início na década de 1960 quando Casemiro</p><p>Arbugeri, neto de imigrantes italianos, ainda jovem, dedicou-se à elaboração de</p><p>vinhos. Por mais de 50 anos, Casemiro e família se dedicaram à verdadeira arte</p><p>de transformar uvas em vinhos, até que em 1999, surge um novo conceito.</p><p>Nascida no ano 2000 a Vinícola Arbugeri fora projetada para elaboração de</p><p>vinhos de uvas americanas com padrão elevado de qualidade; para tal a empresa</p><p>foi estruturada com tecnologia de ponta, para facilitar o processo e garantir a</p><p>qualidade desejada.</p><p>Com uma área total de 10 mil m² a empresa vinificou em 2001 a sua primeira</p><p>safra; tão logo em 2002 atendendo a demanda do mercado, parte da produção</p><p>fora engarrafada, surgindo assim a necessidade de uma marca para o mercado.</p><p>Com a finalidade de suprir a demanda, iniciaram-se pesquisas e após um ano</p><p>surgiu então a marca Cristalle.</p><p>Website: www.vinhoscristalle.com.br</p><p>Angheben – Bento Gonçalves, RS</p><p>A Angheben é uma vinícola familiar. Produção extremamente limitada e</p><p>artesanal focada em vinhos que primam pela autenticidade e estilo único. Além</p><p>de uvas já consagradas como Pinot Noir e Cabernet Sauvignon, elaboram vinhos</p><p>de uvas pouco usuais no Brasil, como tintos de Barbera, Teroldego, Touriga</p><p>Nacional, um branco de Gewürztraminer e um requintado espumante pelo</p><p>método tradicional.</p><p>Website: https://www.angheben.com.br</p><p>Aurora – Bento Gonçalves, RS</p><p>No dia 14 de fevereiro de 1931, 16 famílias de produtores de uvas do município</p><p>de Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, reuniram-se para lançar a pedra</p><p>fundamental do que viria a se transformar no maior empreendimento do gênero</p><p>no Brasil: a Cooperativa Vinícola Aurora. Um ano mais tarde, já contabilizava a</p><p>produção coletiva de 317 mil quilos de uvas e fixava a base de um</p><p>empreendimento destinado a ser não apenas o maior, mas também um dos mais</p><p>qualificados tecnologicamente.</p><p>Hoje, bem no coração de Bento Gonçalves, a Vinícola Aurora é a maior do</p><p>Brasil. Mais de 1.100 famílias se associaram à cooperativa, sendo a produção</p><p>orientada por técnicos que, diariamente, estão em contato com o produtor</p><p>fornecendo toda a assistência necessária. A equipe técnica se responsabiliza pelo</p><p>acompanhamento permanente do processo industrial e pela qualidade final dos</p><p>produtos, sempre com a atenção voltada para o desenvolvimento de uma</p><p>tecnologia de ponta.</p><p>Website: www.vinicolaaurora.com.br</p><p>Basso – Farroupilha, RS</p><p>Vindo da Itália, ao final do século XIX, Vitório Basso aportou no Brasil trazendo</p><p>consigo uma grande dose de esperança e algumas mudas de videiras. No local</p><p>denominado Mato Perso, hoje município de Flores da Cunha, começou a</p><p>produzir vinhos, prática cultivada com afinco por seus descendentes.</p><p>Mais tarde, por volta de 1940, Hermindo Basso fundou a primeira vinícola da</p><p>família, denominada na época como Cantina Rural, que hoje constitui a Basso</p><p>Vinhos e Espumantes, sediada em Monte Bérico, 2º Distrito de Farroupilha.</p><p>Na elaboração dos vinhos e espumantes finos, a família Basso implantou seus</p><p>próprios vinhedos para cultivar com cuidado especial a matéria prima, fator</p><p>fundamental na qualidade dos produtos. Além disso anexou equipamentos</p><p>italianos de última geração que aliados a tradição da família elabora vinhos e</p><p>espumantes inesquecíveis.</p><p>Website: www.vinicolabasso.com.br</p><p>Batalha – Candiota, RS</p><p>Um grupo de jovens idealistas e de espírito empreendedor uniu o idealismo com</p><p>as características que conferem uma vocação natural de uma região promissora</p><p>para uma nova vitivinicultura mundial. O resultado econômico é uma</p><p>consequência. A pretensão deste grupo é produzir algo em escala limitada que</p><p>possa surpreender os consumidores. O objetivo é a valorização da pequena</p><p>propriedade, onde não se prioriza o volume, mas sim, a qualidade, em uma</p><p>propriedade de 29 hectares. O vinho está ligado à história, já que estão</p><p>localizados nas terras onde ocorreu a Batalha do Seival, motivo de orgulho para</p><p>seus donos. Quase dois séculos depois da Batalha do Seival, neste mesmo local,</p><p>nasceu o vinho Batalha,</p><p>produzido em condições ideais de clima e solo na região</p><p>considerada berço dos grandes vinhos do Rio Grande do Sul. Região essa,</p><p>localizada no paralelo 31º, latitude onde atualmente se encontram os melhores</p><p>vinhos do novo mundo.</p><p>Website: www.vinhosbatalha.com.br</p><p>Bellavista Estate (Bueno Wines) – Candiota, RS</p><p>É na Campanha Gaúcha, em Candiota, no Rio Grande do Sul, que se encontra a</p><p>concretização de quase 20 anos da paixão que o Galvão Bueno cultiva pelos</p><p>vinhos.</p><p>Dessa paixão nasceu um sonho e, em 2009, tornou-se realidade com a Bellavista</p><p>Estate, propriedade situada no ponto de encontro do perfeito terroir do Novo</p><p>Mundo, uma região estratégica apelidada por Galvão Bueno como a “Califórnia</p><p>Brasileira”. Já são 17 vinícolas nesse novo terroir, em uma faixa de 200km que</p><p>corre paralela à fronteira com o Uruguai. É nessa extensão que a Campanha</p><p>Gaúcha se enquadra como uma das melhores produtoras de vinhos do</p><p>Hemisfério Sul.</p><p>Resultado de muito trabalho e dedicação, a produção da Bellavista Estate, hoje</p><p>sob a supervisão do renomado winemaker italiano Roberto Cipresso, é</p><p>considerada uma das melhores do Brasil.</p><p>Website: www.buenowines.com.br</p><p>Campestre – Vacaria, RS</p><p>Fundada há meio século, a Vinícola Campestre é uma empresa familiar</p><p>empenhada em elaborar vinhos, sucos, coolers e espumantes de qualidade</p><p>diferenciada.</p><p>Métodos enológicos e tecnologia são aliados na vinificação. Buscando cada vez</p><p>mais satisfazer o consumidor com produtos naturais e com sabor e características</p><p>da Serra Gaúcha. Os vinhos da Campestre nos conduzem a diferentes emoções;</p><p>olfato e paladar, delicados toques de frutas vermelhas, cassis, mel e flores. Toda</p><p>esta arte de transformação é uma declaração muito firme de amor e respeito ao</p><p>produto e aos apreciadores.</p><p>Website: www.pergola.com.br</p><p>Campos de Cima – Campanha Gaúcha, RS</p><p>A Fazenda Campos de Cima é uma propriedade familiar com mais de 150 anos,</p><p>com tradição em pecuária, situada na Campanha Gaúcha, fronteira com a</p><p>Argentina. Com um excelente potencial para a vitivinicultura, em 2002, os seus</p><p>proprietários José Silva Ayub e Hortência Ravache Brandão Ayub acreditaram</p><p>neste novo empreendimento e iniciaram o projeto de implantação de 15 hectares</p><p>de vinhedos em uma coxilha denominada Campos de Cima.</p><p>Em 2008 foi criada a Vinícola Campos de Cima, cujas sócias são Hortência e</p><p>suas duas filhas, Vanessa e Manuela. O casal e toda a família, produtores</p><p>dedicados e comprometidos com a elaboração de vinhos finos, têm como</p><p>premissa uma produção limitada onde cada garrafa de vinho guarda uma perfeita</p><p>identidade com as características e tradições desta região.</p><p>Website: www.camposdecima.com.br</p><p>Casa Perini – Farroupilha, RS</p><p>Em 1929 o filho de imigrantes italianos, João Perini, começou a elaborar seus</p><p>primeiros vinhos de forma artesanal no porão de sua casa, quando os fornecia</p><p>para cerimônias festivas da comunidade local, no Vale Trentino, em Farroupilha.</p><p>Quatro décadas após o patriarca iniciar sua modesta produção, seu filho, Benito,</p><p>viria a promover mudanças maiores.</p><p>“Em outubro de 1970 resolvi ampliar os negócios da família, fundando a Casa</p><p>Perini. Motivado e apaixonado por transformar a uva em vinho, busco a cada</p><p>ano aperfeiçoar a vinícola com equipamentos, tecnologia e equipe qualificada,</p><p>pois sem uma equipe profissional, a arte de elaborar vinhos perde criatividade e</p><p>talento. E o que seria de qualquer arte sem esses elementos? O reconhecimento</p><p>vem a cada prêmio alcançado e a cada consumidor satisfeito, o que se</p><p>comprova com a conquista de mais de 200 medalhas nacionais e internacionais</p><p>e, principalmente, com a recente premiação do Casa Perini Moscatel, eleito o 5°</p><p>melhor vinho do mundo de 2017 pela WAWWJ (World Association of Writers &</p><p>Journalists of Wines & Spirits).</p><p>Agradeço, em nome da família, aos apreciadores de vinhos que nos ajudam a</p><p>fazer melhor em cada safra. Um brinde à evolução!”</p><p>Benildo Perini,</p><p>Diretor-Presidente.</p><p>Website: www.casaperini.com.br</p><p>Casa Valduga – Bento Gonçalves, RS</p><p>A história da Casa Valduga se inicia em 1875, com a chegada da família Valduga</p><p>ao Brasil. Vindos da cidade de Rovereto, ao norte da Itália, os imigrantes</p><p>trouxeram na mala a paixão pelo vinho e o desejo de prosperar. Foi assim que</p><p>cultivaram os primeiros parreirais no coração do que hoje é o Vale dos Vinhedos,</p><p>na Serra Gaúcha, região Sul do país.</p><p>Mais de um século e quatro gerações depois, o sonho de construir uma vinícola</p><p>referência no Brasil é uma realidade. Com a ajuda dos filhos, o casal Luiz e</p><p>Maria Valduga aliou tradição e tecnologia para modernizar a elaboração de</p><p>vinhos finos. E o resultado não poderia ser outro: a Casa Valduga hoje se</p><p>consolida entre as marcas líderes do Brasil, reunindo um vasto portfólio de</p><p>produtos ícones como os vinhos Luiz Valduga e Gran Villa-Lobos Cabernet</p><p>Sauvignon e os espumantes Maria Valduga e 130 Brut.</p><p>Atualmente, o Grupo Famiglia Valduga é composto pelas empresas Casa</p><p>Valduga, vinícola que está entre as dez maiores elaboradoras de espumante e</p><p>vinhos do país; Domno, importadora de vinhos finos; Ponto Nero, elaboradora</p><p>de espumantes jovens e modernos; Casa Madeira, produtora de sucos, geleias,</p><p>antepastos, molhos de pimenta, chás gelados e cremes balsâmicos; Cervejaria</p><p>Leopoldina, o mais novo desafio do Grupo e Vinotage Vinoterapia, uma linha de</p><p>cosméticos diferenciada à base de uva.</p><p>Website: www.casavalduga.com.br</p><p>Cave Geisse – Pinto Bandeira, RS</p><p>Produzindo espumantes que frequentemente são listados entre os melhores do</p><p>Brasil, a Vinícola Geisse surgiu a partir da busca do chileno Mario Geisse por</p><p>um lugar que pudesse expressar todo o potencial da Serra Gaúcha para a</p><p>elaboração de borbulhas. A procura terminou em 1979, quando ele encontrou os</p><p>22 hectares que a empresa hoje ocupa em Pinto Bandeira, distrito de Bento</p><p>Gonçalves. A qualidade dos rótulos Geisse é construída a partir do cuidado com</p><p>os detalhes, desde o sistema de controle térmico de pragas nos vinhedos até a</p><p>definição dos cortes que vão compor cada safra. O perfil clássico de seus</p><p>produtos conquistou paladares mundo afora, e em 2011 o Cave Geisse Brut 1998</p><p>foi escolhido pela crítica Jancis Robinson para abrir um painel sobre grandes</p><p>vinhos fora de Bordeaux durante o Wine Future Hong Kong.</p><p>Website: www.familiageisse.com.br</p><p>Cave de Pedra – Bento Gonçalves, RS</p><p>Construída em 1997, no encantador e tradicional Vale dos Vinhedos, a Cave de</p><p>Pedra dispõe de uma arquitetura diferenciada, composta por três castelos que</p><p>mexem com a imaginação de todos os seus visitantes.</p><p>Além da beleza, as instalações construídas integralmente em pedra basalto</p><p>garantem a temperatura constante em dezoito graus nas caves subterrâneas,</p><p>espaço onde repousam tranquilamente os vinhos e espumantes de sua exclusiva e</p><p>limitada produção, o que garante o cuidado e a qualidade dos produtos, tornando</p><p>a sua degustação um momento de verdadeira satisfação.</p><p>Com uma produção de aproximadamente quarenta e cinco mil garrafas por safra,</p><p>os produtos destacam-se pela singularidade comercial, tendo como ponto de</p><p>venda apenas casas realmente engajadas e focadas no consumo do vinho. Toda</p><p>esta história pode ser conhecida através da visitação à empresa acompanhada de</p><p>excelentes degustações para tornar a experiência inesquecível.</p><p>Website: www.cavedepedra.com.br</p><p>Chandon – Garibaldi, RS</p><p>Localizada no nordeste do estado do Rio Grande do Sul, a 110 quilômetros de</p><p>Porto Alegre, a pequena cidade de Garibaldi, onde a vinícola se localiza, é</p><p>conhecida pela qualidade de suas uvas e pelo alto potencial para a elaboração de</p><p>vinhos espumantes de qualidade.</p><p>Assim como a França tem na região de Champagne o terroir ideal para o</p><p>nascimento de seus famosos champagnes, o Rio Grande do Sul tem nas serras</p><p>sua vocação para os melhores espumantes. Este potencial vinícola, aliado à</p><p>cultura do vinho na região, levou a Maison Moët & Chandon a escolher</p><p>Garibaldi, em 1973, para implementar seus vinhedos e sua adega, elaborando</p><p>espumantes com o mesmo padrão de alta qualidade que tornou a Maison e seus</p><p>champagnes famosos no mundo inteiro ao longo de quase</p><p>três séculos.</p><p>Em nossos vinhedos, são cultivadas variedades nobres das cepas Chardonnay e</p><p>Pinot Noir, a partir de mudas importadas da França e ali aclimatadas. O Riesling</p><p>Itálico, já cultivado na região, foi melhorado e incorporado aos assemblages.</p><p>Website: www.chandon.com.br</p><p>Courmayeur – Garibaldi, RS</p><p>Um grupo de amigos, impulsionados pelas características peculiares de clima e</p><p>solo da região, fundou a vinícola em 1976.</p><p>A vinícola foi adquirida pelo grupo Cinzano em 1986, empresa italiana</p><p>especializada na elaboração de bebidas. A partir desta data passou a denominar-</p><p>se Vinícola Courmayeur Ltda. O nome Courmayeur provém de uma comuna que</p><p>fica entre a França e a Itália, no Vale D’osta, destacado pelo grande fluxo de</p><p>turistas para as pistas de ski.</p><p>Em 2003 Família Nicolini Verzeletti abraçou o projeto, desde então primando</p><p>pela qualidade e inovação na elaboração de espumante e vinhos finos.</p><p>Website: www.courmayeur.com.br</p><p>Dal Pizzol – Bento Gonçalves, RS</p><p>A Dal Pizzol traz consigo uma tradição na vitivinicultura que remonta o Século</p><p>XIX (1878), quando os primeiros imigrantes da família chegaram ao Brasil. Sua</p><p>história expressa um talento natural e cheio de experiências, sabedoria e</p><p>sensibilidade, que lhe permitiu alcançar a qualidade dos vinhos que elabora,</p><p>através do amor no cultivo de castas nobres, do trato cuidadoso na arte do vinho</p><p>e de um atendimento personalizado a todos que se relacionam com a Dal Pizzol.</p><p>A vinícola faz parte da Rota Cantinas Históricas, distante 11 quilômetros do</p><p>centro de Bento Gonçalves, RS. O projeto é composto por propriedades rurais</p><p>que retratam a vida cotidiana dos imigrantes italianos que se instalaram nas</p><p>encostas de Faria Lemos e lá cultivam a videira e seus costumes há mais de 130</p><p>anos. O passeio possibilita vasto contato com moradores locais que adoram</p><p>partilhar dos seus saberes e fazeres, visita às cantinas com degustação de vinhos,</p><p>espumantes e sucos de uva.</p><p>Os vinhos da Dal Pizzol podem ser encontrados no mercado nacional em lojas,</p><p>delicatessens, hotéis, bares, restaurantes e no próprio varejo da vinícola,</p><p>localizado no km 5,3 da ERS 431, distrito de Faria Lemos, em Bento Gonçalves.</p><p>Website: www.dalpizzol.com.br</p><p>Dom Cândido – Bento Gonçalves, RS</p><p>A Dom Cândido Vinhos Finos é uma vinícola familiar de Bento Gonçalves, RS,</p><p>instalada no Vale dos Vinhedos, território reconhecido pelas características</p><p>favoráveis de clima, insolação e terreno que favorecem o desenvolvimento dos</p><p>vinhedos e a elaboração de grandes vinhos.</p><p>Cândido Valduga, o criador da empresa, desde sua infância, convive com a</p><p>produção de uvas e vinhos, quando já acompanhava o pai nas lidas do campo e</p><p>lavava as pipas que abrigavam a bebida artesanal que a família elaborava para</p><p>consumo próprio. Quando adulto, passou a cultivar uvas que fornecia para</p><p>vinícolas da região, até fundar sua vinícola e produzir seus próprios vinhos e</p><p>espumantes.</p><p>Desde sua fundação, a empresa ampliou seus vinhedos e hoje é responsável por</p><p>100% do cultivo das uvas utilizadas na elaboração de suas bebidas. Atualmente,</p><p>a Dom Cândido conta com 12 hectares no Vale dos Vinhedos, além de 50</p><p>hectares no município vizinho de Veranópolis, onde são cultivadas uvas viníferas</p><p>das variedades Marselan, Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Moscato Branco,</p><p>Riesling, Pinot Noir, Cabernet Franc, Chardonnay, Isabel, Bordô e Concord.</p><p>Com uma produção controlada, a vinícola aposta na elaboração de vinhos de</p><p>qualidade internacional em pequenos lotes.</p><p>Website: www.domcandido.com.br</p><p>Don Affonso – Caxias do Sul, RS</p><p>A Vinícola Don Affonso tem sua sede em Caxias do Sul, RS. Nas proximidades</p><p>do Parque da Festa da Uva, onde está desde 1980, ano de sua fundação, a</p><p>vinícola dedica-se a produzir vinhos, sucos de uva e espumantes, de alta</p><p>qualidade e reconhecidos como destaques na Serra Gaúcha. Com uma estrutura</p><p>característica das melhores vinícolas, possui vinhedos próprios e preza pelo alto</p><p>padrão dos produtos, seguidamente premiados.</p><p>Em 13 de Julho de 1982, o descendente Affonso Gasperin fundou a Vinícola</p><p>Don Affonso a pedido de seus amigos, pois produzia vinhos a vários anos e este</p><p>era apreciado por todos. A produção para o consumo próprio passou a ser</p><p>insuficiente, já que a fama do seu vinho se espalhava pela região, e a procura</p><p>aumentava a cada dia.</p><p>Localizada em espaço aconchegante, que alia as facilidades de acesso no</p><p>perímetro urbano de Caxias do Sul com a preservação do meio ambiente</p><p>exuberante em seu entorno, a Vinícola Don Affonso expressa toda a</p><p>hospitalidade da gente da Serra Gaúcha, recebendo os clientes, amigos e turistas,</p><p>em seu varejo próprio, para uma degustação, com atendimento personalizado,</p><p>acompanhado pelo enólogo André Gasperin e equipe, onde o visitante pode</p><p>conhecer e apreciar a qualidade dos seus produtos, que começa no vinhedo</p><p>mantido com todo carinho, passa por modernas técnicas de vinificação e culmina</p><p>com a plena satisfação do consumidor.</p><p>Website: www.donaffonso.com.br</p><p>Don Giovanni – Pinto Bandeira, RS</p><p>Ao iniciar suas atividades em 1979, a Don Giovanni já carregava uma grande</p><p>herança histórica. A vinícola foi montada na antiga propriedade de uma</p><p>destilaria, que desde 1910 elaborava uma bebida à base de álcool vínico. A troca</p><p>de administração provocou uma mudança radical na direção dos negócios, que se</p><p>voltaram para vinhos finos e espumantes. Não é apenas a tradição que colabora</p><p>para a qualidade dos produtos da empresa. Tanto a cantina quanto seus 18</p><p>hectares de vinhedos próprios estão instalados no município de Pinto Bandeira, o</p><p>segundo terroir do Brasil a conquistar a Indicação de Procedência (IP).</p><p>Website: www.dongiovanni.com.br</p><p>Don Guerino – Alto Feliz, RS</p><p>Uma das mais belas vinícolas do Brasil, a Don Guerino foi totalmente pensada e</p><p>projetada pelo proprietário Osvaldo Motter e pelo arquiteto Daniel Palavro. A</p><p>vinícola de estilo moderno foi totalmente edificada em 2007, tendo como</p><p>objetivo a praticidade em cada etapa do processo, mantendo sempre a</p><p>integridade das uvas. Localizada em meio aos vinhedos, a estrutura de</p><p>elaboração proporciona um rápido transporte das uvas para iniciarem seu</p><p>processo sem perdas de potencial enológico.</p><p>A Don Guerino conta com o que há de mais moderno em equipamentos e</p><p>tecnologia. Resfriam todas nossas uvas no momento de entrada na vinícola e</p><p>utilizam em cada tanque atmosfera inerte para proteção de aromas e proteção de</p><p>oxidações. Prensas pneumáticas inertes, filtro tangencial, autoclaves para</p><p>espumantes, gerador de nitrogênio, barricas novas de carvalho francês e</p><p>americano, análises e controles diários são algumas das tecnologias usadas para</p><p>manter o potencial das uvas e expressar o estilo de seus vinhos.</p><p>Website: www.donguerino.com.br</p><p>Don Laurindo – Bento Gonçalves, RS</p><p>Em 1887, procedente de Zévio, pequeno povoado na província de Verona, norte</p><p>da Itália, chegou a Bento Gonçalves Marcelino Brandelli. Como todos os</p><p>imigrantes, no início, sobreviveu dedicando-se à agricultura rudimentar da época</p><p>e simultaneamente, iniciou o plantio de videiras, cujo vinho se destinava ao</p><p>consumo da família. Em 1946, Cezar, filho de Marcelino, com sua família,</p><p>adquiriram terras na localidade Oito da Graciema, onde se consolidaram na</p><p>produção de uvas e vinhos, muito apreciados pelos vizinhos e amigos.</p><p>Essa tradição e a arte foram transmitidas de pai para filho. Laurindo, filho de</p><p>Cezar, esmerou seus conhecimentos juntamente com o filho Ademir, que</p><p>formou-se em enologia. Passaram a produzir e a elaborar vinhos finos de castas</p><p>nobres. Em 1991 Laurindo resolveu institucionalizar a venda de seus vinhos,</p><p>criando a Vinhos Don Laurindo ltda.</p><p>Unindo tradição, arte e técnica, através da produção própria e seleção das uvas,</p><p>obtém-se excelentes resultados na elaboração dos vinhos. Os vinhos são</p><p>elaborados para o consumo da família e o excedente, comercializado. Dentro</p><p>dessa filosofia, conseguiram degustar e apreciar vinhos com garantia de</p><p>qualidade e de sabores exclusivos.</p><p>Website: www.donlaurindo.com.br</p><p>Estrelas do Brasil – Bento Gonçalves, RS</p><p>Estrelas do Brasil é uma empresa</p><p>alcoólatra não conhece medidas e pode se embebedar com</p><p>qualquer coisa que contenha álcool, com grande preferência às bebidas</p><p>destiladas mais fortes.</p><p>Se iniciar no real universo do vinho significa saber dimensionar seus limites,</p><p>saber o momento de parar. Mas mesmo motivado, relutei, a princípio, em</p><p>publicar um livro sobre uma bebida alcoólica. Foram semanas de reflexão.</p><p>Estaria eu estimulando o alcoolismo? Foi quando em conversa com meu amigo,</p><p>o poeta e escritor Heitor de Andrade – apreciador do que ele chama de “a bebida</p><p>do milagre”, fui por ele convencido a seguir adiante, graças a alguns argumentos</p><p>muito simples: nos países onde o vinho é consumido regularmente, como a</p><p>França, a Itália, a Espanha, etc., os índices de alcoolismo são os menores,</p><p>inferiores àqueles onde a cerveja e as bebidas destiladas são as preferidas. O</p><p>alcoolismo é uma doença onde o consumo de álcool é uma consequência, um</p><p>meio, e não uma causa.</p><p>Sou descendente de italianos, e minha família sempre bebeu vinho às refeições e</p><p>nas festas, de modo que meu contato com essa bebida é atavicamente familiar e</p><p>cultural. Na minha infância, inclusive era costume, à mesa, se fornecer um pouco</p><p>para as crianças, sempre diluído em água, conforme a tradição italiana. Não</p><p>tenho nenhuma informação sobre alcoólatras na minha família, mas sim de</p><p>longevos e pessoas bem saudáveis, que trabalharam e se mantiveram lúcidos até</p><p>idades avançadas.</p><p>Sempre me admirei com as citações de que vinho faz bem, de que vinho é bom</p><p>para a saúde, que quem bebe vinho vive mais e todas as coisas que são ditas</p><p>sobre ele. Porém, como médico, nunca associei de fato o uso do vinho com a</p><p>saúde diretamente. Eu sabia antes da capacidade digestiva do vinho e</p><p>desconfiava que havia nele algo a mais ser conhecido e que cor característica do</p><p>vinho tinto deveria conter alguma virtude curativa ou preventiva. Os</p><p>bioflavonoides, pigmentos naturais, ainda não eram conhecidos como</p><p>antioxidantes protetores da saúde e agentes capazes de prevenir doenças. Minha</p><p>motivação para escrever este livro aumentou quando descobri que o vinho é</p><p>considerado um alimento (possui vitaminas, minerais, açúcares e diversos outros</p><p>nutrientes) em muitos países, como a França, Portugal, Itália, Argentina, Chile,</p><p>Espanha e muitos outros. E certamente falta o Brasil nessa lista, pois apesar de</p><p>muitos esforços dos nossos produtores de vinho, as autoridades sanitárias ainda</p><p>não classificam o vinho desse modo. Será um grande incentivo ao vinho</p><p>brasileiro, seja para o consumo interno quanto para a exportação, que tal</p><p>classificação se oficialize. Tenho forte esperança de que este livro contribua para</p><p>tal desiderato, inclusive este é um dos motivos pelos quais resolvi escrevê-lo.</p><p>Mais tarde, com as pesquisas, estarreceu-me a quantidade de experiências, dados</p><p>e resultados positivos hoje conhecidos e registrados. No que se relaciona com a</p><p>área médica, deparei-me com informações notáveis e curiosas sobre o vinho e a</p><p>história do seu uso como remédio. A cada leitura, novos dados foram</p><p>enriquecendo o meu arquivo, da mesma maneira como sorvemos goles de um</p><p>bom champanhe ou de um bom vinho do Porto.</p><p>A decisão de publicar um livro sobre o vinho surgiu justamente pelo fascínio que</p><p>o mundo dessa bebida acabou exercendo sobre mim. Percebi que conhecer o</p><p>vinho, seu mundo e seus mistérios é como conhecer a vida. É como uma</p><p>iniciação mística, em que a cada momento novos elementos aparecem, novas</p><p>portas de percepção se abrem...</p><p>Mas assim como para se fazer um bom vinho, este livro exigiu trabalho apurado</p><p>e atenção, não por falta de informações – pois elas existem em grande</p><p>quantidade, tanto na literatura afim, quanto na assombrosa internet –, mas pela</p><p>impossibilidade de apenas concentrar o texto na questão das propriedades</p><p>medicinais da bebida. Como já mencionado anteriormente, primeiramente veio a</p><p>ideia de publicar algo exclusivamente sobre as propriedades medicinais do</p><p>vinho. Mas como isso pode ser possível? Com tantos elementos como a</p><p>sofisticação da escolha das uvas, a história dos terroirs – as características das</p><p>regiões produtoras de vinho – e seu charme, os tipos de vinho, a própria história</p><p>do vinho, acrescento que fica difícil separar os assuntos. Não é possível escrever</p><p>sobre as virtudes do vinho sem incorporar os outros elementos do seu requintado</p><p>universo.</p><p>O título deste livro tem como base a ideia de que é possível mudar má condição</p><p>de saúde, tão comum atualmente, utilizando adequadamente o vinho (ou</p><p>eventualmente o suco de uva) como fator preventivo das doenças e para uma</p><p>vida mais saudável, longa e alegre.</p><p>A melhor medicina é a preventiva. O vinho, se bem utilizado, funciona como</p><p>fator de prevenção de diversas moléstias, principalmente as doenças</p><p>coronarianas, a aterosclerose, o câncer, o enfarte, a pressão alta e muitos outros</p><p>problemas, sendo capaz de reduzir o processo de envelhecimento e ativar as</p><p>funções cerebrais, como será exposto adiante. É importante, contudo, insistir que</p><p>não me coloco na posição de um estimulador do consumo de vinho e que os</p><p>bons resultados, com ele, só podem ser obtidos em pequenas e regulares</p><p>quantidades, como por exemplo uma ou duas taças comuns em duas refeições</p><p>diárias. Para os abstêmios, crianças e adolescentes, um suco de uva tinta de boa</p><p>qualidade pode produzir resultados próximos.</p><p>Para completar o quadro de informações, acrescento que resultados mais amplos</p><p>só podem ser obtidos através da adoção de uma dieta mais inteligente, natural,</p><p>integral, composta de alimentos não industrializados. Ato contínuo, atividades</p><p>físicas, hábitos mais naturais e eliminação dos vícios são fatores fundamentais</p><p>para uma boa saúde, conforme abordaremos adiante.</p><p>Então, saúde! E bem-vindos ao fascinante mundo do vinho... E da uva!</p><p>A fascinante história do Vinho</p><p>“Cada garrafa de um bom vinho é a culminação de um longo</p><p>período, e tem uma história por trás. O homem vem tentando, há</p><p>milênios, aperfeiçoar a produção dessa bebida celestial.”</p><p>Noah Gordon no romance “Adega”</p><p>Embora existam diversas versões, não é possível determinar exatamente o local e</p><p>a época em que o vinho foi produzido pela primeira vez. O que podemos</p><p>presumir é que uvas silvestres eram amassadas e eventualmente transformadas</p><p>em suco como bebida regular; esse suco pode ter sido guardado, ou esquecido, e</p><p>consequentemente fermentado, produzindo o álcool. É só usar a imaginação para</p><p>projetar uma situação em que alguém, no longínquo passado, tenha ingerido esse</p><p>suco “estragado” e sentido a euforia característica que o álcool proporciona.</p><p>Assim como outras descobertas maravilhosas, é certo concluir que o vinho</p><p>surgiu por “acidente”. Esse personagem hipotético pode ter passado a produzir</p><p>sistematicamente a bebida através do suco de uva e, com o tempo os homens</p><p>passaram a elaborar mais o processo.</p><p>Os registros históricos e as evidências mostram que as uvas existiam há cerca de</p><p>dois milhões de anos e também o homem que as podia colher e consumir. Antes</p><p>da última Era Glacial existiram primatas inteligentes, como os povos de Cro-</p><p>Magnon, que deixaram suas marcas nas cavernas de Lascaux, na França, onde</p><p>ainda hoje vinhedos medram selvagens.</p><p>Foram descobertas na Geórgia, na Ásia, antigas sementes de uvas, cultivadas</p><p>entre 7000 – 5000 a.C.. Em escavações realizadas em Catal Hüyük, na atual</p><p>Turquia; em Biblos, no Líbano; em Damasco, na Síria e na Jordânia,</p><p>descobriram sementes de uvas mais antigas ainda, que datavam o Período</p><p>Neolítico B, de cerca de 8000 a.C..</p><p>A videira para a produção do vinho pertence à espécie vitis vinifera e seus</p><p>parentes são a vitis aestivalis, a vitis rupestris e a vitis riparia, mas a vitis</p><p>vinifera é a mais rica em elementos necessários para a confecção do vinho, com</p><p>a capacidade de acumular açúcar na proporção de um terço do seu volume. A</p><p>forma selvagem pertence à subespécie sylvestris e a cultivada à subespécie</p><p>sativa. As sementes encontradas na Geórgia foram classificadas como vitis</p><p>vinifera variedade sativa, o que indica a possibilidade de que as uvas possam ter</p><p>sido cultivadas e a produção do vinho</p><p>fundada em 2005 na região da Serra Gaúcha,</p><p>em Bento Gonçalves, RS, entre dois amigos enólogos, um brasileiro e outro</p><p>uruguaio, com o objetivo principal de atuação focado na elaboração e</p><p>comercialização de vinhos espumantes finos de qualidade.</p><p>Os sócios fundadores possuem larga experiência em vitivinicultura. Participam</p><p>diretamente em todas as etapas de produção, desde o vinhedo até a</p><p>comercialização. Primando sempre pela preservação do meio ambiente e a saúde</p><p>do consumidor.</p><p>O nome Estrelas do Brasil é uma homenagem especial ao descobridor Dom</p><p>Pérignon, que no ano de 1670, na região de Champagne, França, após desvendar</p><p>esta magnífica bebida saiu gritando “estou provando estrelas!”.</p><p>Website: www.estrelasdobrasil.com.br/</p><p>Fabian – Nova Pádua, RS</p><p>A família imigrou da Itália para o Brasil no final do século XIX. A tradição</p><p>vitivinícola herdada dos ancestrais foi favorecida pelo clima encontrado na</p><p>região dos Vinhos dos Altos Montes, no município de Nova Pádua, na Serra</p><p>Gaúcha. A localização entre colinas de 780m de altitude proporciona amplitude</p><p>térmica, fator relacionado a uma boa formação de componentes que determinam</p><p>a qualidade do vinho.</p><p>A paixão pela produção de uvas e vinhos fez com que a família elaborasse no</p><p>ano de 1985 a primeira safra da vinícola. A vinícola investe em tanques de aço</p><p>inox, barricas de carvalho e equipamentos italianos. Aplica uma enologia</p><p>moderna com o objetivo de extrair ao máximo as virtudes de cada variedade de</p><p>uva a vinificar. A ascendência francesa traz consigo o símbolo da flor-de-lis que</p><p>caracteriza a marca Fabian.</p><p>Website: www.vinhosfabian.com.br</p><p>Família Bebber – Flores da Cunha, RS</p><p>Situada em Flores da Cunha, atua no mercado desde 2015, buscando o melhor</p><p>de cada terroir no estado do Rio Grande Sul. A Vinícola, ainda nova, já mostrou</p><p>que seus vinhos possuem uma identidade única. Ganhadora de muitos prêmios</p><p>nestes últimos anos, inclusive o melhor Tannat do Brasil em 2017, seus vinhos e</p><p>espumantes são repletos de medalhas.</p><p>A ideia de viver do vinho foi longamente amadurecida pelo enólogo Felipe</p><p>Bebber, hoje sócio-diretor da vinícola.</p><p>“Não somos investidores, e o vinho não é o nosso hobby. Nós realmente</p><p>vivemos disso. Daí o nosso foco na estratégia comercial, para que tenhamos</p><p>retorno financeiro”, conclui Felipe.</p><p>A proposta da Família Bebber é fazer vinhos jovens e com grande leveza, ao</p><p>gosto do consumidor brasileiro. Mesmo os mais estruturados, segundo o</p><p>enólogo, devem seguir a vocação do terroir da Serra Gaúcha, que é de vinhos</p><p>com acidez e corpo equilibrados.</p><p>Instagram: @familiabebber</p><p>Fante – Flores da Cunha, RS</p><p>Localizada na maior cidade produtora de vinhos do Brasil, Flores da Cunha,</p><p>Serra Gaúcha, a Fante, com 49 anos de tradição, é hoje uma das mais</p><p>conceituadas indústrias de bebidas do Brasil, com tecnologia de ponta e</p><p>modernos processos industriais, produzindo uma completa linha de bebidas –</p><p>vinhos, espumantes, sucos e destilados, todas com qualidade já comprovada e</p><p>amplamente consagrada no mercado nacional e no exterior.</p><p>A empresa foi fundada na década de 1970 produzindo vinhos de mesa em</p><p>pequena escala. Hoje, já conta com 25 mil m2 de área construída, onde uma</p><p>equipe profissional comprometida com a qualidade dá o tom que norteia sua</p><p>filosofia, e destaca-se no cenário nacional pela notável linha de produtos: são</p><p>mais de 20 marcas, somando mais de 100 itens, entre as várias linhas de vinhos</p><p>finos, de mesa e frisantes, espumantes, sucos, vodcas, uísques, cachaça,</p><p>aperitivos, ices e coquetéis não alcoólicos.</p><p>Website: www.fante.com.br/</p><p>Franco Italiano – Colombo, PR</p><p>A Vinícola Franco Italiano tem por filosofia elaborar vinhos em pequena</p><p>quantidade, com produção limitada para a exclusividade e total satisfação de</p><p>seus clientes. Esse conceito veio da tradição na fabricação de vinhos para a</p><p>família, herdado das descendências italiana e francesa.</p><p>Inspirada na busca pela excelência na qualidade em seus produtos, a vinícola</p><p>cerca-se de bons profissionais e ótimos parceiros. Todo o manejo da uva, desde o</p><p>plantio até a colheita, é acompanhado pelos técnicos da vinícola, todos focados</p><p>no terroir e em metodologias modernas de vinificação. Toda essa dedicação é</p><p>recompensada pelo alto padrão de qualidade atingido pelos produtos elaborados,</p><p>tendo como principal característica o máximo respeito ao estilo próprio de</p><p>vinhos que este país pode oferecer.</p><p>Essa qualidade é comprovada através das premiações de seus vinhos, sendo duas</p><p>internacionais.</p><p>Website: www.francoitaliano.com.br</p><p>Garibaldi – Garibaldi, RS</p><p>Situada em Garibaldi (120Km de Porto Alegre) no coração da Serra Gaúcha,</p><p>apresenta índices de crescimento superiores aos da média nacional. Resultado de</p><p>uma história de investimentos, de profissionalização, de união e de uma</p><p>trajetória que carrega em sua bagagem o trabalho e a vida de milhares de</p><p>pessoas. Com um quadro de 400 famílias associadas, investem permanentemente</p><p>em manutenção e melhoria dos processos produtivos e na qualidade dos</p><p>produtos. Com uma área de 32 mil m2 de construção e capacidade de</p><p>processamento que ultrapassa os 20 milhões de quilos, utilizam tecnologia e</p><p>equipamentos europeus para a elaboração de seus vinhos e espumantes.</p><p>Uma identidade marcante, personalidade e características próprias, aliadas ao</p><p>terroir da Serra Gaúcha, fez com que seus espumantes acumulassem uma série</p><p>de premiações em concursos no Brasil e no exterior. Além disso, atingiram o</p><p>reconhecimento do consumidor pelo ótimo padrão de qualidade, figurando na</p><p>lista das cinco maiores produtoras de espumantes do país; e hoje elaboram um</p><p>dos 100 melhores vinhos do mundo. O presidente da Vinícola, Oscar Ló, sempre</p><p>destacou que este desempenho é o resultado do trabalho, de investimentos e da</p><p>permanente qualificação de toda a cadeia produtiva. “Trabalhamos próximo ao</p><p>produtor de uva, valorizando ao máximo a importância da matéria-prima para o</p><p>resultado final de nossos produtos.”</p><p>Website: www.vinicolagaribaldi.com.br</p><p>Gran Legado – Bento Gonçalves, RS</p><p>Com o mesmo amor que os imigrantes italianos plantaram as primeiras mudas de</p><p>videiras na Serra Gaúcha, a Gran Legado Vinhos e Espumantes coloca na taça</p><p>toda experiência adquirida em pouco mais de duas décadas. Seus vinhedos</p><p>próprios estão localizados na única região do Brasil com Denominação de</p><p>Origem de vinhos, o Vale dos Vinhedos. Com produção controlada, assegura a</p><p>qualidade da matéria prima e garante uma elaboração de excelência,</p><p>conquistando os paladares nos principais concursos nacionais e internacionais.</p><p>Detentora de grandes prêmios, esbanja sofisticação com a elaboração de</p><p>espumantes nobres e exclusivos, além de vinhos finos, leves e frutados.</p><p>Website: www.granlegado.com.br</p><p>Guaspari – Espírito Santo do Pinhal, SP</p><p>A Vinícola Guaspari traduz a paixão e o espírito empreendedor de uma família</p><p>que se dedicou a transformar uma antiga fazenda de café em uma bela e</p><p>instigante vinícola.</p><p>É uma história sobre assumir riscos, ousar e testar os limites para o cultivo de</p><p>parreirais, abrindo novas fronteiras para a vitivinicultura do Brasil e colocando a</p><p>região de Espírito Santo do Pinhal no mapa dos vinhos de alta qualidade.</p><p>É a combinação da visão com o pioneirismo, da sensibilidade para perceber o</p><p>potencial da região com um otimismo incansável, da experiência internacional</p><p>com o desenvolvimento de talentos locais e da mais alta tecnologia com o</p><p>cuidado artesanal.</p><p>É, finalmente, uma história sobre como plantar, produzir e engarrafar um sonho,</p><p>inspirando tantos outros a sonhar junto.</p><p>Website: www.vinicolaguaspari.com.br</p><p>Guatambu – Dom Pedrito, RS</p><p>A Guatambu produz 100% dos seus vinhos com uvas próprias, de vinhedos</p><p>cultivados na região da Serrinha de Dom Pedrito, a 260m de altitude. Os</p><p>vinhedos compreendem 21,5 hectares das variedades Chardonnay, Sauvignon</p><p>Blanc, Gewürztraminer, Tempranillo, Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon e</p><p>Pinot Noir.</p><p>A produção de vinhos em pequena escala, com produção média limitada em 7</p><p>toneladas por hectare, é supervisionada por Gabriela Hermann Pötter, Eng.</p><p>Agrônoma, Msc. em Ciência e Tecnologia</p><p>de Alimentos, membro da terceira</p><p>geração da família proprietária da Estância Guatambu.</p><p>Em maio de 2016, foi instalado na vinícola um parque solar com 600 painéis</p><p>fotovoltaicos, com investimento de R$ 1,5 milhão. Estes servem para suprir</p><p>100% da demanda energética do empreendimento, tornando a Guatambu a</p><p>primeira vinícola da América Latina a ser movida a energia solar.</p><p>“Ao escolher o vinho Guatambu, o consumidor sabe que está valorizando a</p><p>preservação do meio ambiente. Assim como fomos referência em 2013 ao</p><p>inaugurar o complexo enoturístico na região da Campanha Gaúcha, agora somos</p><p>referência em produção de vinhos sustentáveis e isso nos orgulha muito”, celebra</p><p>Valter José Pötter, diretor da vinícola.</p><p>Website: www.guatambuvinhos.com.br</p><p>Hermann – Pinheiro Machado, RS</p><p>A família Hermann trouxe todo o seu know-how de profundos conhecedores de</p><p>diversas regiões vinícolas do mundo para a esfera da produção de vinhos,</p><p>apostando no potencial dos melhores terroirs da região sul do Brasil.</p><p>Proprietários de uma das maiores importadoras de vinhos de alta qualidade do</p><p>país, a Decanter, compraram em 2009 um vinhedo de grande vocação em</p><p>Pinheiro Machado, na Serra do Sudeste no Rio Grande do Sul, plantado com</p><p>mudas de alta qualidade por um dos viveiros líderes de Portugal.</p><p>A assessoria enológica de um dos mais brilhantes enólogos de Portugal, o</p><p>renomado “rei do Alvarinho” Anselmo Mendes – “Enólogo do Ano” pela</p><p>Revista de Vinhos de Portugal em 1997 – ao lado do talentoso enólogo Átila</p><p>Zavarizze, garante a excelência na transformação das uvas promissoras em</p><p>grandes vinhos brasileiros, com caráter e tipicidade.</p><p>Website: www.vinicolahermann.com.br</p><p>Kranz – Treze Tílias, SC</p><p>Fundada em 2007, a jovem vinícola trezetiliense conquistou dez medalhas de</p><p>ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil 2019. Já havia conquistado 11 medalhas</p><p>de ouro em 2018 somado ao resultado deste ano, a Kranz, passa a ser a vinícola</p><p>mais premiada de Santa Catarina.</p><p>Website: www.vinicolakranz.com.br</p><p>Laurentia – Barra do Ribeiro, RS</p><p>A Laurentia representa um interessante movimento na vitivinicultura brasileira: a</p><p>descoberta de novos terroirs. Entre as regiões produtoras já consagradas, a que</p><p>fica mais próxima à vinícola é a Serra Gaúcha. No entanto, sua localização</p><p>exata, no município de Barra do Ribeiro, não pertence a nenhuma zona vinícola</p><p>específica. Essa situação torna a empresa pioneira na elaboração de vinhos finos</p><p>de qualidade na região metropolitana de Porto Alegre, capital do estado do Rio</p><p>Grande do Sul. Como se esse fato por si só não chamasse a atenção para o</p><p>empreendimento, os vinhos que a Laurentia vem colocando no mercado desde</p><p>2005 surpreendem pela complexidade e pela força aromática, conquistando fãs</p><p>no país todo.</p><p>Website: www.laurentia.com.br</p><p>Larentis – Bento Gonçalves, RS</p><p>Os vinhos Larentis são elaborados através de uma ótica que preza pelo cuidado</p><p>minucioso em todo o processo, iniciando pelos vinhedos 100% próprios,</p><p>passando pela elaboração, que dispõe de alta tecnologia, até chegar à taça do</p><p>consumidor. Tudo é feito pela Família Larentis com muito entusiasmo, paixão e</p><p>atenção a todos os detalhes, resultando em vinhos equilibrados e de alta</p><p>complexidade.</p><p>Qualidade é a palavra de ordem. Na tomada de decisão, esse princípio está acima</p><p>de qualquer outra consideração. O trabalho inicia nos vinhedos, localizados no</p><p>Vale dos Vinhedos, a primeira região a obter Indicação Geográfica para vinhos</p><p>no Brasil e que hoje ostenta a Denominação de Origem. Conduzidas pelo</p><p>sistema de espaldeira – princípio básico para quem busca produzir vinhos de alta</p><p>qualidade –, as 4 mil plantas por hectare recebem um cuidado único por parte da</p><p>Família Larentis, que realiza quase todos os processos manualmente.</p><p>Website: www.larentis.com.br</p><p>Legado – Campo Largo, PR</p><p>“Um bom vinho é uma poesia engarrafada” (Stevenson, Robert Louis) – A</p><p>Vinícola Legado leva ao pé da letra a frase deste famoso escritor escocês. Vinhos</p><p>produzidos com máxima excelência para proporcionar bons momentos a todos,</p><p>assim como acontece após ler uma grata poesia. Trabalham no cultivo e pesquisa</p><p>do terroir há 20 anos, produzindo vinhos e espumantes com qualidade, sabor e</p><p>muito carinho em todos os processos. Com o passar dos anos prêmios foram</p><p>acumulados, assim como elogios e clientes satisfeitos. Isso só serve de</p><p>combustível para seguir inovando e trazendo as melhores bebidas para todos.</p><p>Responsáveis por executar todos os processos dos seus vinhos, são mais de 5</p><p>hectares de terra, onde são plantadas uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Viogner,</p><p>Pinot Noir e Fiano, cada uma delas passam por cuidados especiais de</p><p>profissionais capacitados para que ao final da colheita, as uvas tragam o máximo</p><p>sabor e aroma para os vinhos.</p><p>Website: www.vinicolalegado.com.br</p><p>Leone di Venezia – São Joaquim, SC</p><p>Instalada em uma área de 15 hectares no município de São Joaquim,SC, numa</p><p>altitude média de 1.280 metros, a vinícola está integrada à paisagem do Morro</p><p>Agudo e Vale do Rio Antonina. Em 2008 iniciaram os trabalhos de infraestrutura</p><p>e o plantio das primeiras parreiras.</p><p>Os vinhedos somam cinco hectares plantados com variedades italianas. A</p><p>condução é em espaldeira com proteção lateral de telas anti granizo, mas que</p><p>protegem também do ataque de insetos e pássaros. São utilizadas as mais</p><p>modernas práticas agrícolas com a preocupação permanente da preservação do</p><p>meio ambiente.</p><p>A vinícola foi concebida para a produção de vinhos de alta qualidade, pequenos</p><p>volumes, buscando o estilo italiano, no resgate das origens da família. Foi</p><p>planejada para utilização inteligente das condições climáticas da região e a</p><p>elaboração de produtos diferenciados, que maximizem as peculiaridades de cada</p><p>variedade italiana, dentro das excelentes condições deste particular terroir de</p><p>altitude.</p><p>Website: www.leonedivenezia.com.br</p><p>Lidio Carraro – Bento Gonçalves, RS</p><p>A Lidio Carraro é uma vinícola boutique de propriedade familiar, de</p><p>descendentes de imigrantes italianos que se dedica no ramo da viticultura há</p><p>mais de cinco gerações. Inspirada na busca pela identidade e excelência do vinho</p><p>brasileiro e comprometida a elaborar somente vinhos de primeira linha, a Lidio</p><p>Carraro surgiu no mercado quebrando paradigmas. Com uma filosofia purista, de</p><p>resgate à essência e a integridade do vinho, todo o processo da Lidio Carraro é</p><p>conduzido com o mínimo de interferência e o máximo respeito à expressão</p><p>natural da uva e do terroir de origem.</p><p>Ao longo da sua trajetória, a vinícola tem se destacado pela qualidade</p><p>diferenciada e tem sido reconhecida pelo espírito jovem, ousado e de vanguarda.</p><p>“Trazemos no sangue, nas mãos e no coração a paixão em elaborar os melhores</p><p>vinhos.” Lidio Carraro</p><p>Website: www.lidiocarraro.com</p><p>Lovara – Bento Gonçalves, RS</p><p>A história da vinícola Lovara inicia aproximadamente nos anos de 1878, quando</p><p>Giuseppe Benedetti e Angelo Tecchio, vindos do norte da Itália, desembarcam</p><p>no Brasil. Vizinhos de terras no município de Bento Gonçalves iniciaram a</p><p>produção de uvas para consumo in natura em suas propriedades onde um</p><p>ajudava o outro nas safras. Com o incremento da produção, fundaram juntos a</p><p>Vinícola Lovara em 1967.</p><p>Alguns anos depois e com a tradição da vitivinicultura herdada de seus pais,</p><p>Henrique Benedetti e Arcângelo Gabriel Tecchio, em 1991, passaram a elaborar</p><p>somente vinhos finos.</p><p>Hoje a Vinícola Lovara, além da produção de vinhos e espumantes, conta com</p><p>um espaço para eventos com capacidade de 150 pessoas, a também a opção de</p><p>cerimonias ao ar livre para quem deseja casar em meio aos vinhedos.</p><p>Website: www.vinicolalovara.com</p><p>Luiz Argenta – Flores da Cunha, RS</p><p>Homenageando o patriarca da família, foi fundada a Luiz Argenta Vinhos Finos,</p><p>um empreendimento que reúne a tradição de um dos melhores terroirs do Brasil</p><p>com as mais modernas técnicas de elaboração de vinhos finos.</p><p>No ano de 1999 os irmãos Deunir e Neco, filhos de Luiz Argenta, adquiriram a</p><p>propriedade da antiga Granja União em Flores da Cunha, RS, onde foram</p><p>plantadas as uvas viníferas que deram origem aos primeiros varietais de vinhos</p><p>finos do Brasil, desde 1929. Um terroir reconhecido pela suas excelentes</p><p>características para a produção de vinhos do Brasil, originando produtos de</p><p>excelente qualidade</p><p>Com um projeto inovador e moderno, toda a estrutura da vinícola Luiz Argenta</p><p>ficou pronta em 2009. Devido à sua arquitetura diferenciada, a vinícola já</p><p>recebeu o título de uma das mais belas Vinícolas do Mundo, segundo a revista</p><p>Adega.</p><p>Hoje, Deunir junto com sua filha, Daiane Argenta, se dedicam a esse projeto que</p><p>carrega o nome, a personalidade e a paixão pelo vinho da Família Argenta. Seus</p><p>vinhos e espumantes são referência em todo Brasil e estão sempre em destaque</p><p>em importantes premiações.</p><p>Website: www.luizargenta.com.br</p><p>Maximo Boschi – Bento Gonçalves, RS</p><p>As obras elaboradas pela Vinícola Maximo Boschi são criadas para atender</p><p>paladares exigentes. Com uma elaboração singular, a vinícola conta em seu</p><p>portfólio com vinhos tintos de guarda, vinhos brancos envelhecidos e maturados</p><p>em carvalho, espumantes evoluídos de método clássico e suco de uva integral.</p><p>A vinícola está localizada no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, coração</p><p>da principal região de elaboração de vinhos no Brasil. O principal diferencial da</p><p>Vinícola Maximo Boschi está nas suas uvas: vinhos de guarda, potentes e</p><p>maduros só são gerados a partir de uvas excepcionais. É este ponto que gera o</p><p>efeito engrandecedor de cada taça sob a assinatura da vinícola.</p><p>Website: www.maximoboschi.com.br</p><p>Miolo – Bento Gonçalves, RS</p><p>Presente em quase todas as regiões produtoras do país, a Miolo Wine Group é</p><p>resultado da união de diferentes empresas e investidores do setor do vinho no</p><p>Brasil. A formalização do grupo ocorreu em 2008, mas suas raízes na</p><p>vitivinicultura são muito anteriores, remetendo à chegada de imigrantes italianos</p><p>no país no Século XIX. Uma das primeiras vinícolas brasileiras a despertar para</p><p>o mercado internacional, a Miolo Wine Group hoje faz negócios com mais de 10</p><p>países. Mas não é apenas mercado que a empresa busca no exterior. Por meio de</p><p>parcerias e consultorias, conquistou a ampliação de seu catálogo e um melhor</p><p>desenvolvimento de seus produtos. Os franceses Michel Rolland e Henry</p><p>Marionnet constam na lista de estrangeiros que ajudam a Miolo a crescer.</p><p>O grupo conta com projetos em quatro regiões vitivinícolas: Vinícola Miolo</p><p>(Vale dos Vinhedos,RS), Seival (Campanha Meridional, RS), Vinícola Almadén</p><p>(Campanha Central, RS), Vinícola Terra Nova (Vale do São Francisco, BA).</p><p>Website: www.miolo.com.br</p><p>Mioranza – Flores da Cunha, RS</p><p>A história da Vinícola Mioranza se inicia em 1964, quando a Família Mioranza,</p><p>de origem italiana, começa com o cultivo das vinhas em Flores da Cunha, cidade</p><p>localizada na Serra Gaúcha, região reconhecida nacionalmente pelos excelentes</p><p>vinhos e belezas naturais.</p><p>Para atingir a excelência na elaboração de seus vinhos, a Vinícola Mioranza não</p><p>conta apenas com as melhores uvas, clima e solo. Ela também conta com a</p><p>tradição de seus antepassados aliada a modernos processos e equipamentos para</p><p>a perfeita vinificação dos seus vinhos.</p><p>Ao longo dos anos, a Mioranza passou por diversas etapas de aperfeiçoamento.</p><p>A produção da uva é quase toda em vinhedos próprios, recebendo todo o cuidado</p><p>e atenção possível para garantir o cultivo de uvas nobres, que serão utilizadas na</p><p>elaboração dos melhores vinhos.</p><p>Website: www.mioranza.com</p><p>Monte Reale – Flores da Cunha, RS</p><p>A Monte Reale está localizada na entrada da cidade de Flores da Cunha, na Serra</p><p>Gaúcha. Desde 1972, se especializou na produção de vinhos e sucos de uva de</p><p>alta qualidade. Além dos vinhos de mesa, a vinícola possui uma linha de vinhos</p><p>finos e espumantes – a Valdemiz. As uvas utilizadas na elaboração dos vinhos e</p><p>sucos são cultivadas em uma das regiões mais nobres do país para vinicultura, a</p><p>Serra Gaúcha. O fundador, Valdecir Mioranza, apostou na preservação da</p><p>tradição de mais de sete séculos da família italiana, elaborando produtos</p><p>premiados e reconhecidos.</p><p>Website: https://www.montereale.com.br/</p><p>Panizzon – Flores da Cunha, RS</p><p>Com sede em Flores da Cunha, RS, município maior produtor de vinhos do</p><p>Brasil, a Panizzon, fundada em 1960 por Ricardo Panizzon e filhos, hoje se</p><p>apresenta como uma das maiores empresas do país no setor de bebidas.</p><p>Sustentada por um mix de produtos com dezenas de itens, muitos dos quais</p><p>líderes de mercado em seus segmentos, a Panizzon tem seu reconhecimento</p><p>obtido na forma de premiações conquistadas nos mais afamados concursos</p><p>nacionais e internacionais de espumantes e vinhos finos. A sua postura</p><p>inovadora, responsável pela introdução de novos gêneros de produtos em</p><p>território nacional evidencia a maturidade da empresa, que possui mais de 50</p><p>anos de mercado.</p><p>Além da tradição e do legado da família, o que impulsiona a Panizzon é a</p><p>responsabilidade em aprimorar constantemente os conhecimentos adquiridos,</p><p>formar técnicos, investir em tecnologia e novos projetos, como o plantio de</p><p>grandes áreas de vinhedos próprios. O resultado deste incansável trabalho são os</p><p>espumantes, vinhos finos, vinhos de mesa, vinagres, sucos e bebidas quentes,</p><p>todos produtos referência no mercado por sua excelência em qualidade.</p><p>Website: http://www.panizzon.com.br</p><p>Peculiare – Bento Gonçalves, RS</p><p>A Peculiare é uma pequena vinícola familiar, muito acolhedora e de produção</p><p>restrita. Fundada em 2003, a vinícola está atenta aos detalhes e novas tecnologias</p><p>sem esquecer das antigas práticas dos imigrantes que trouxeram a magia do</p><p>vinho para o Brasil.</p><p>Os produtos Peculiare são elaborados a partir de uvas produzidas pela própria</p><p>vinícola no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, colhidas em sua plena</p><p>maturação e durante as horas mais frescas do dia.</p><p>Na elaboração, são aplicadas modernas técnicas de vinificação na produção</p><p>limitada dos vinhos Peculiare.</p><p>Website: http://www.peculiare.com.br/</p><p>Pericó – São Joaquim, SC</p><p>Muito ensolarado e com noites frias, o Pericó Valley, em São Joaquim, é um dos</p><p>pontos mais altos de Santa Catarina. Por isso foi escolhido para abrigar o</p><p>vinhedo da Pericó a 1.300 m.s.n.m. no paralelo 28 S.</p><p>Do plantio à colheita, a equipe da Vinícola Pericó dedica-se a cada etapa, do</p><p>crescimento à maturação das uvas de castas francesas, com todo o cuidado</p><p>necessário para preservar a qualidade única dos frutos.</p><p>As uvas são constantemente avaliadas para serem colhidas no pico máximo de</p><p>cor e açúcares naturais, o que permite a Pericó obter espumantes e vinhos</p><p>estruturados e sabor exclusivo.</p><p>Website: http://www.vinicolaperico.com.br</p><p>Peruzzo – Bagé, RS</p><p>Motivados por um desejo antigo de produzir vinhos, associado com as</p><p>oportunidades e perspectivas que a Região da Campanha oferece no mundo dos</p><p>vinhos, a família Peruzzo, com muito entusiasmo decidiu investir no cultivo de</p><p>uvas viníferas em sua propriedade localizada no município de Bagé, RS.</p><p>As primeiras videiras foram plantadas em 2003, provenientes de mudas</p><p>importadas de renomados viveiristas da França, Itália e Portugal. A vinícola foi</p><p>inaugurada em 2008, com um processo de elaboração que incorpora modernas</p><p>tecnologias. Sua cave, localizada no subsolo da cantina, garante que os</p><p>espumantes e vinhos amadureçam sob temperaturas constantes próximas dos 18</p><p>a 20º C.</p><p>Com muito entusiasmo, alegria e dedicação, a Vinícola Peruzzo trabalha na arte</p><p>de criar seus vinhos e espumantes para fazer parte de momentos alegres,</p><p>descontraídos, únicos e marcantes na vida de seus clientes.</p><p>Website: http://vinicolaperuzzo.com.br</p><p>Peterlongo – Garibaldi, RS</p><p>Em sua história de 100 anos, a Peterlongo sempre teve como meta principal a</p><p>conquista da excelência na elaboração de espumantes. Dessa forma, a empresa é</p><p>uma das responsáveis pelo renome que o Brasil alcançou mundialmente na</p><p>produção da bebida. A tradição, no entanto, não segurou a vinícola no passado.</p><p>No país, foi uma das pioneiras na adoção do enoturismo como forma de</p><p>promover seus rótulos. Sua estratégia comercial também está alinhada com</p><p>modernas práticas de mercado, algo possível graças a um vasto catálogo de</p><p>produtos. Além disso, a tecnologia da cantina garante</p><p>que sua história de</p><p>qualidade dure ainda muitos anos.</p><p>Website: http://www.peterlongo.com.br/</p><p>Pizzato – Bento Gonçalves, RS</p><p>Em 1999, a Família Plínio Pizzato constitui a Pizzato Vinhas e Vinhos para</p><p>agregar a elaboração de vinhos ao já existente cultivo de videiras, ao qual se</p><p>dedica desde a imigração de Antônio Pizzato para o Brasil, vindo do Vêneto,</p><p>Itália, ao final dos anos 1800.</p><p>Os integrantes da família são os responsáveis por todo o processo que faz do</p><p>vinho uma bebida de identidade única, da produção de uvas à elaboração e</p><p>comercialização dos vinhos, gerando um diferencial de entusiasmo, dedicação,</p><p>personalidade e exclusividade traduzidos em vinho.</p><p>É com muito orgulho que hoje a Família vê seus vinhos entre os mais destacados</p><p>em degustações e painéis de vinhos brasileiros e internacionais, além de estarem</p><p>presentes em restaurantes e lojas especializadas no Brasil e no exterior.</p><p>Website: http://www.pizzato.net</p><p>Quinta da Neve – São Joaquim, SC</p><p>A Quinta da Neve foi a primeira empresa a investir e apostar na produção de</p><p>vinhos finos de altitude em São Joaquim, serra de Santa Catarina.</p><p>Em 1999, os quatro sócios da vinícola – Acari Amorim, Robson Abbdala,</p><p>Nelson Essemburg e Francisco Brito, os dois últimos venderam suas quotas para</p><p>a família Hermann – compraram uma área de 87 hectares, no distrito de Lomba</p><p>Seca, antiga Fazenda Bentinho, distante 30 quilômetros do centro da cidade. No</p><p>ano 2000 começaram o plantio das mudas vitiníferas importadas da Itália e de</p><p>Portugal.</p><p>Hoje, esse trabalho pioneiro da Quinta da Neve é seguido por quase uma centena</p><p>de empreendedores que administram empreendimentos de plantio e produção de</p><p>vinhos e que formam a Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos</p><p>de Altitude (Acavitis).</p><p>A vinícola tem hoje em produção 25 hectares de uvas, com destaque para as</p><p>variedades Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Merlot, Sangiovese, Montepulciano,</p><p>Touriga Nacional, Sauvignon Blanc e Chardonnay, além de uma área de</p><p>experimentação com 16 variedades diferentes.</p><p>Website: http://quintadaneve.com.br/</p><p>Raul Anselmo Randon (RAR) – Vacaria, RS</p><p>Os vinhedos de Raul Anselmo Randon estão localizados na região dos Campos</p><p>de Cima da Serra, um dos pontos mais elevados do estado, com</p><p>aproximadamente mil metros. Localizada a uma latitude de 28°, a região conta</p><p>com clima temperado, de verões amenos, com temperatura máxima média de</p><p>25°C e mínima média 15°C. No inverno, mais frio pela altitude elevada, a</p><p>temperatura máxima média fica em torno de 16°C e a mínima média em torno de</p><p>7°C. Devido à essa altitude e à amplitude térmica, originam-se vinhos mais</p><p>concentrados e aromáticos.</p><p>Os vinhos RAR se destacam pelo paladar marcante, que combina frutos com</p><p>especiarias da mais alta qualidade. Essa elegante linha de vinhos harmoniza-se</p><p>com as mais diversas ocasiões, garantindo sabor e sofisticação à mesa.</p><p>A linha de vinhos e espumantes RAR é composta pelo Cabernet</p><p>Sauvignon/Merlot, Gewurztraminer, Viognier, Collezione Merlot, Collezione</p><p>Pinot Noir, Collezione Sauvignon Blanc e Reserva Merlot, além dos espumantes,</p><p>Cuvée RAR Brut, Cuvée Nilva Brut Rosé, Brut Reserva e RAR Moscatel.</p><p>Website: www.rarvinhos.com.br</p><p>Ravanello – Gramado, RS</p><p>Idealizador e proprietário da vinícola, Normélio Ravanello, desde jovem</p><p>participava das atividades vitivinícolas da família em Antônio Prado, na Serra</p><p>Gaúcha. Tendo construído carreira profissional na área de engenharia e como</p><p>executivo, manteve ininterrupta convivência com o vinho. Junto com a esposa</p><p>Rosa Maria, que tem raízes familiares em Gramado, iniciaram, em 2005, o</p><p>empreendimento vitivinícola na propriedade adquirida em 1987. As primeiras</p><p>vinificações, em 2008 e 2009, ocorreram na vinícola experimental da Embrapa,</p><p>em Bento Gonçalves, RS. A vinificação no estabelecimento da Vinícola</p><p>Ravanello iniciou em fevereiro de 2010.</p><p>Todos os vinhos da Vinícola Ravanello (tintos, brancos e bases para espumante)</p><p>são elaborados em tanques verticais de aço inoxidável, sob controle</p><p>automatizado de temperatura. Alguns tintos ou brancos específicos são</p><p>elaborados em barricas de carvalho francês tipo “super premium”, de 400 ou 500</p><p>litros de capacidade unitária, no sistema de vinificação integral. Após a</p><p>fermentação, a estabilização dos vinhos pode ocorrer nos próprios tanques de</p><p>aço inoxidável ou em barricas de 300 litros, da mesma qualidade e origem</p><p>daquelas utilizadas na vinificação integral. A vinícola possui ainda uma estrutura</p><p>laboratorial para controle de qualidade dos produtos ao longo da vinificação.</p><p>Todas as variáveis e processos são controlados por sistema de gestão específico</p><p>para vinificações, assegurando um controle completo da produção.</p><p>Website: www.vinicolaravanello.com.br</p><p>Salton – Bento Gonçalves, RS</p><p>A empresa foi formalmente constituída em 1910, quando os irmãos Paulo,</p><p>Angelo, João, José, Cesar, Luis e Antonio deram cunho empresarial aos negócios</p><p>do pai, o imigrante Antonio Domenico Salton, que vinificava informalmente,</p><p>como a maioria dos imigrantes italianos. Os irmãos passaram a se dedicar à</p><p>cultura de uvas e à elaboração de vinhos, espumantes e vermutes, com a</p><p>denominação “Paulo Salton & Irmãos”, no centro de Bento Gonçalves.</p><p>Um século depois, a Salton é reconhecida como uma das principais vinícolas</p><p>brasileiras, líder na comercialização de espumantes nacionais no Brasil. Hoje, à</p><p>frente da vinícola, membros da quarta geração da família preservam o legado de</p><p>seu fundador, Paulo Salton, amparados nos valores construídos ao longo dos</p><p>mais de 100 anos de história e inspirados pela simplicidade e pelo trabalho árduo</p><p>das primeiras gerações.</p><p>Website: www.salton.com.br</p><p>Salvattore – Flores da Cunha, RS</p><p>Buscando reconhecer seus anos de dedicação ao ramo da uva e do vinho, o</p><p>Enólogo Antônio Salvador, juntamente com sua família, edifica seu projeto: a</p><p>Vinícola Salvattore.</p><p>Estabelecida em um pavilhão histórico no município de Flores da Cunha, na</p><p>Serra Gaúcha, faz da natureza o segredo dos complexos vinhos elaborados,</p><p>dentro de um ambiente arquitetônico cultural minuciosamente restaurado. Um</p><p>espaço único, inimaginável, fomentado por uma história vivida pela própria</p><p>família, onde o vinho é a essência de todos.</p><p>Website: www.vinicolasalvattore.com.br</p><p>Sanjo – São Joaquim, SC</p><p>Mais do que tradição ou anos de história, um bom vinho é feito a partir da</p><p>identificação de oportunidades e do investimento em qualidade. E esses são</p><p>preceitos bastante presentes no trabalho da Sanjo, cooperativa que enxergou na</p><p>vitivinicultura uma forma de diversificar a atuação de quase duas décadas no</p><p>ramo da maçã. Tendo terras apropriadas para o cultivo de uvas no Planalto</p><p>Catarinense e o domínio das técnicas agrícolas adequadas para a zona de</p><p>altitude, o empreendimento, iniciado em 2005, obteve êxito em pouco tempo. O</p><p>mercado externo também apreciou a novidade, com o Japão o primeiro país a</p><p>importar os vinhos da marca.</p><p>Website: www.sanjo.com.br</p><p>Santa Augusta – Videira, SC</p><p>Ao poder escolher a dedo onde cultivar seus vinhedos e com a tecnologia</p><p>necessária para elaborar bons rótulos, os novos empreendedores da</p><p>vitivinicultura brasileira se tornaram bastante ágeis em fornecer ao mercado</p><p>produtos de alta qualidade e com um perfil jovem, moderno. É o caso da Santa</p><p>Augusta, que começou a escrever sua história no Planalto Catarinense em 2005.</p><p>Em pouco mais de cinco anos, a empresa construiu um catálogo bastante</p><p>completo, com tintos, brancos, rosés, espumantes e um intrigante passito,</p><p>inspirado nos grandes vinhos de sobremesa italianos. O futuro da vinícola aponta</p><p>para a o processo biodinâmico, mostrando sua atenção às tendências mundiais do</p><p>setor.</p><p>Website: www.santaaugusta.com.br</p><p>Santa Maria – Lagoa Grande, PE</p><p>Mais conhecida como Rio Sol, seus vinhos são marcados pela tipicidade</p><p>nordestina, mas num estilo internacional e de qualidade inquestionável</p><p>respeitando os padrões mais rigorosos.</p><p>Website: www.vinhosriosol.com.br</p><p>Suzin – São Joaquim, SC</p><p>A relação da Vinícola Suzin com o campo é profunda. Seus fundadores já</p><p>trabalhavam a terra antes de plantar os primeiros vinhedos.</p><p>No início, as uvas</p><p>eram uma maneira de diversificar a produção agrícola. Hoje, são os principais</p><p>responsáveis por divulgar a marca Suzin. A produção é pequena, selecionada. A</p><p>maior parte dos parreirais é ocupada por variedades tintas, mas é um vinho</p><p>branco que atualmente traz mais orgulho à vinícola. O Sauvignon Blanc</p><p>adaptou-se perfeitamente à altitude do Planalto Catarinense, assim como ao</p><p>estilo de vinificação da Suzin.</p><p>Website: www.vinicolasuzin.com.br</p><p>Thera – Bom Retiro, SC</p><p>O nome da vinícola é uma homenagem a Therezinha Borges de Freitas,</p><p>carinhosamente chamada de Thera pelo marido Manoel Dilor de Freitas (in</p><p>memoriam), o visionário empreendedor, pioneiro dos vinhos de altitude de Santa</p><p>Catarina, e por seus quatro filhos, entre os quais João Paulo, o idealizador da</p><p>Vinícola Thera.</p><p>Alcançar uma conexão entre o céu e a terra e expressá-la de forma prazerosa,</p><p>elegante e harmônica por meio de vinhos cuidadosamente elaborados: essa é a</p><p>alma da Vinícola Thera, cujas formas arredondadas da própria marca casam</p><p>perfeitamente com a arquitetura orgânica e inovadora do concept design da</p><p>Vinícola, numa reverência ao ciclo natural da atividade vinífera, que vai do</p><p>plantio das mudas à colheita e à fabricação dos vinhos.</p><p>Website: vinicolathera.com.br</p><p>Torcello – Bento Gonçalves, RS</p><p>A História da Torcello inicia com a chegada do primeiro imigrante italiano da</p><p>Família Valduga ao Brasil, Marco Valduga, em 1875. Com muita fé, trabalho e</p><p>perseverança, desbravaram matas virgens e construíram o que hoje conhecemos</p><p>como Vale dos Vinhedos.</p><p>A Vinícola Torcello foi fundada no ano de 2000 por Rogério Carlos Valduga,</p><p>quarta geração da Família Valduga, e filho de Remy Valduga, viticultor, escritor</p><p>e bisneto de Marco. A Torcello surgiu do fascínio de Rogério pela vitivinicultura</p><p>e pelo seu desejo de resgatar a tradição da família, a qual elaborava vinho de</p><p>maneira totalmente artesanal no próprio porão de casa para consumo próprio.</p><p>Website: www.torcello.com.br</p><p>Valmarino – Pinto Bandeira, RS</p><p>Uma Família de origem italiana e centenária, onde pela tradição e vocação,</p><p>Orval Salton e filhos criaram o Estabelecimento Vinícola Valmarino em 1997. O</p><p>nome homenageia os antepassados oriundos de Cison de Valmarino, Treviso,</p><p>Itália.</p><p>Por ser uma empresa familiar, com produções limitadas, tem como meta</p><p>principal a elaboração, com qualidade, de vinhos e espumantes diferenciados,</p><p>que possibilitam prazer e satisfação aos seus apreciadores. A tecnologia e os</p><p>cuidados artesanais são como ferramentas principais para revelar a qualidade das</p><p>uvas e buscar o equilíbrio e a complexidade de seus produtos.</p><p>Website: www.valmarino.com.br</p><p>Vallontano – Bento Gonçalves, RS</p><p>Adepta da filosofia terroirista, a Vallontano Vinhos Nobres exprime, em cada</p><p>uma das garrafas de vinhos e espumantes elaboradas, um profundo respeito à</p><p>natureza, ao solo, ao clima e à cultura local.</p><p>Localizada no Vale dos Vinhedos, Serra Gaúcha, a Vallontano propõe-se, desde</p><p>1999, a elaborar vinhos finos de qualidade superior. Hoje elabora</p><p>aproximadamente 60 mil garrafas de vinhos finos e espumantes por ano. Esses</p><p>vinhos, elaborados com arte, profissionalismo e amor dedicados à vitivinicultura,</p><p>são reflexos do solo, clima e tratos culturais de seus vinhedos. É o vinho</p><p>brasileiro em seu melhor – com identidade própria – primando pela elegância,</p><p>refinamento e extensa capacidade de harmonizar com diversos tipos de comida.</p><p>O enólogo da Vallontano, Luís Henrique Zanini, foi buscar inspiração para suas</p><p>saborosas criações em um dos mais fervorosos defensores do terroir – o mítico</p><p>Domaine de Montille, na Borgonha – onde trabalhou e aprendeu a expressar a</p><p>individualidade de cada microclima. A proposta da Vallontano é a de trabalhar</p><p>com métodos não intervencionistas preservando as características conferidas</p><p>pelo solo e pelo clima de seus vinhedos, respeitando assim seu terroir. Prima-se</p><p>pela técnica e pelo conhecimento em detrimento da tecnologia.</p><p>Website: www.vallontano.com.br</p><p>Viapiana – Flores da Cunha, RS</p><p>A Viapiana Vinhos e Vinhedos surgiu em 1986, mas sua história se remete há</p><p>muitos anos antes, quando os primeiros imigrantes italianos desembarcaram no</p><p>país e produziam, de forma artesanal, seus próprios vinhos. Prova disso é a</p><p>medalha conquistada pela família Viapiana, em Porto Alegre, no ano de 1925</p><p>durante o cinquentenário da imigração.</p><p>Numa área de 2.800 m², a Viapiana tem uma estrutura com tecnologia de ponta e</p><p>modernos sistemas de condução. São 30 hectares de vinhedos próprios que</p><p>recebem cuidados extremos para baixa produção de uvas a fim de qualificar os</p><p>produtos. Os vinhos têm controle total de temperatura e permanecem em barricas</p><p>de carvalho americanas e francesas.</p><p>Website: www.vinhosviapiana.com.br</p><p>Villa Francioni – São Joaquim, SC</p><p>Uma das empresas responsáveis por despertar a atenção para a região do</p><p>Planalto Catarinense, a Villa Francioni tem como inspiração algumas das</p><p>melhores vinícolas do mundo. É fruto de uma longa e intensa pesquisa do</p><p>fundador, Manoel Dilor Freitas, que criou a empresa para satisfazer sua paixão</p><p>pelos vinhos. Brancos frescos e aromáticos e tintos complexos compõem o</p><p>catálogo da Villa Francioni, uma referência da vinicultura de Santa Catarina não</p><p>apenas por seus rótulos, mas também por exibir uma das mais belas estruturas</p><p>enoturísticas do país. A Villa Francioni é o resultado de uma paixão pelo vinho e</p><p>pela sofisticação da vinicultura internacional. Seus rótulos da Linha Villa</p><p>Francioni, Joaquim e Aparados são reconhecidos nacional e internacional.</p><p>Website: www.villafrancioni.com.br</p><p>Villa Mosconi – Andradas, MG</p><p>A Vinícola Villa Mosconi nasceu com uma pretensão: fazer bons espumantes.</p><p>Respeitando a genética francesa consagrada universalmente pelas uvas</p><p>Chardonnay e Pinot Noir, introduziram um toque de Riesling para oferecer maior</p><p>leveza e frescor aos espumantes, em benefício do paladar brasileiro, estimulado</p><p>pelo clima tropical.</p><p>Os espumantes são elaborados através do método tradicional, o famoso</p><p>champenoise, obrigatório na região de Champagne na França e responsável,</p><p>entre outras exigências, pela excelência do produto.</p><p>Confiantes nesta premissa e na qualidade das uvas produzidas na Serra da</p><p>Mantiqueira, os espumantes Villa Mosconi possuem propriedades muito</p><p>agradáveis.</p><p>Website: www.vinicolavillamosconi.com.br</p><p>Villaggio Conti – São Joaquim, SC</p><p>Situada no Vale do Pericó, em São Joaquim na Serra Catarinense, a 1.300 metros</p><p>sobre o nível do mar, a Villaggio Conti resgata as origens italianas, com a</p><p>máxima expressão de suas castas na altitude do Brasil.</p><p>As variedades Sangiovese, Montepulciano, Nero dAvola, Teroldego, Pignolo,</p><p>Refosco dal Pedunculo Rosso e Aglianico são as tintas cultivadas. Algumas já se</p><p>expressaram em vinhos ímpares tanto varietais como em cortes.</p><p>Website: www.villaggioconti.com.br</p><p>Villaggio Grando – Água Doce, SC</p><p>A história se inicia nos anos 1990, quando com um amigo francês cuja família</p><p>era produtora de armanhaque há muitos anos na França, visitando a região onde</p><p>hoje se localiza a vinícola, mexendo na terra e analisando o clima e a altitude,</p><p>indicou o local como “um dos grandes lugares do mundo para se plantar uva</p><p>para produção de vinhos de qualidade”.</p><p>Um ano após este fato, o fundador Maurício Carlos Grando, encontrou-se com o</p><p>enólogo Jean Pierre Rosier, formado na universidade de enologia de Bordeaux,</p><p>na França, em uma degustação e este confirmou as ideias expostas. Este mesmo</p><p>enólogo trouxe da França as primeiras mudas, as quais, em dezembro de 1998</p><p>foram plantadas, iniciando um laboratório de pesquisa para a adaptação de</p><p>castas, o qual, hoje conta com mais de 100 variedades de vitis viniferas, em 5</p><p>hectares, diariamente pesquisadas e controladas para se chegar ao exato</p><p>conhecimento das variedades que melhor se adaptarão ao terroir. Dois anos se</p><p>passaram e em 2000 foram implantados alguns dos vinhedos hoje existentes em</p><p>escala comercial com aquelas que melhor se adaptaram à região.</p><p>Sempre prezando pela máxima qualidade dos produtos, a vinícola vem, ano após</p><p>ano, investindo no controle</p><p>de produção, melhoramento dos produtos e conta</p><p>com um vinhedo de 45 hectares cuja produção, que engloba tintos, brancos,</p><p>espumantes, licoroso e em um futuro próximo um brandy, chega a 260 mil</p><p>garrafas por ano.</p><p>Website: /www.villaggiogrando.com.br</p><p>Zanella – Antônio Prado, RS</p><p>A Vinícola Zanella é uma empresa familiar que tem por objetivo a elaboração de</p><p>vinhos finos e espumantes diferenciados e originais. Os produtos são</p><p>desenvolvidos sob o conceito de terroir da região de Antônio Prado, local de</p><p>transição entre a tradição da Serra Gaúcha e o novo mundo dos Vinhos de</p><p>Altitude. A principal característica da vinícola é a utilização de vinhedos</p><p>próprios, cultivados em pequenas parcelas e distribuídos de acordo com a</p><p>adaptação de cada tipo de uva.</p><p>Elaborar vinhos modernos e sedutores, que tornam a experiência de abrir uma</p><p>garrafa agradável e conveniente para cada momento, sempre aliados às novas</p><p>tendências e hábitos dos consumidores, é o principal foco do trabalho</p><p>desenvolvido pelos enólogos da vinícola.</p><p>Os produtos da Vinícola Zanella podem ser encontrados em restaurantes e lojas</p><p>especializadas em vinhos de diversas regiões do país.</p><p>Website: www.vinicolazanella.com.br</p><p>Zanlorenzi – São Marcos, RS</p><p>Fundado em 1942, a Zanlorenzi é uma das maiores empresas de vinhos e uma</p><p>das mais importantes indústrias de bebidas do Brasil, além de ser detentora da</p><p>mais moderna e ágil linha de envase da América Latina. A base produtora da</p><p>Zanlorenzi está situada na Serra Gaúcha, na cidade de São Marcos, RS, e seu</p><p>polo industrial se encontra na cidade de Campo Largo, PR.</p><p>A Zanlorenzi está presente em todo o território nacional, bem como em diversos</p><p>países da América Latina, e é um dos líderes de mercado no Brasil.</p><p>Website: www.zanlorenzi.com.br</p><p>Fontes: Wines of Brazil, Vinhos do Brasil, IBRAVIN, Mídias Digitais e/ou</p><p>Equipe de Marketing das Vinícolas</p><p>Enoturismo</p><p>Falar sobre enoturismo é tão prazeroso quanto vivenciá-lo. Eu amo elaborar</p><p>roteiros cujo foco principal é o vinho. E posso destacar aqui alguns deles que</p><p>recomendo.</p><p>Começo pelos nossos vizinhos Uruguai, Chile e Argentina.</p><p>Os brasileiros adoram viajar para estes países e visitar vinícolas, não é para</p><p>menos.</p><p>O Uruguai está cada vez mais focado nos turistas que apreciam bons vinhos.</p><p>Você pode conhecer toda cultura de sua capital Montevidéu, o balneário mais</p><p>luxuoso do país que é Punta Del Este, com seus cassinos e a famosa Casapueblo,</p><p>do artista Carlos Vilaró, e todo o charme de Colonia do Sacramento.</p><p>No Chile, além de belas paisagens, temos as estações de ski como Valle Nevado,</p><p>Farellones e Portillo. A capital Santiago reserva numerosas atrações como o Ski</p><p>Costanera, a casa de Neruda – La Chascona – e muito mais. Os encantos de Viña</p><p>Del Mar e Valparaíso e as regiões vinícolas de Casablanca, Aconcágua,</p><p>Colchagua, Maipo, Curicó e muitas outras. O Chile é repleto de descobertas e</p><p>bons vinhos. Há muito a se ver e degustar no país.</p><p>Falar da Argentina e dos seus vinhos é um grande prazer. A capital, Buenos</p><p>Aires, tem uma grande oferta de restaurantes e vinhos que deixam qualquer um</p><p>perdido. As atrações também são muitas como os famosos shows de tango,</p><p>cultura, bairros tradicionais como Recoleta, Caminito, Palermo, Puerto Madero e</p><p>Mendoza, a cidade paraíso dos enófilos, que além de vinhos excelentes, oferece</p><p>a sensacional gastronomia.</p><p>No blog “Rota dos Vinhos” há vários posts sobre destinos em Mendonza e muito</p><p>mais.</p><p>O Peru também produz vinhos de boa qualidade. Além do tradicional Pisco,</p><p>expressos nas conhecidas Rota do Vinho e do Pisco. A gastronomia peruana é</p><p>reconhecida internacionalmente e seus vinhos estão buscando o mesmo</p><p>reconhecimento. O país quer ser destaque no mundo dos vinhos na América do</p><p>Sul e, ao que tudo indica, está no caminho certo.</p><p>No Brasil produzimos vinhos de primeira qualidade, ganhando cada vez mais</p><p>destaque. Nossas vinícolas não deixam nada a desejar para outros países. A</p><p>região mais conhecida é o Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, no Rio</p><p>Grande do Sul. São tantas vinícolas de renome produzindo vinhos de alta</p><p>qualidade que você vai precisar de alguns dias para conhecer todas. Nossos</p><p>espumantes são espetaculares e além de Bento Gonçalves, também produzimos</p><p>vinhos em Santa Catarina, conhecidos como “vinhos de altitude”. Em Minas</p><p>Gerias, encontramos inclusive vinhos premiados internacionalmente. No estado</p><p>de São Paulo posso destacar São Roque (com a Rota dos Vinhos) e Espírito</p><p>Santo do Pinhal, com a Guaspari e seus vinhos também premiados.</p><p>O Vale do São Francisco está na lista de destinos de enoturismo no nosso país.</p><p>Englobando os estados de Pernambuco e Bahia, o roteiro tem passeio de barco à</p><p>vapor pelo Rio São Francisco, em que se degusta espumantes e se vislumbra as</p><p>belas paisagens ao redor.</p><p>Outros destinos de destaque são os países europeus como Itália, França,</p><p>Espanha, Alemanha, Grécia, Eslovênia, Portugal e muitos mais.</p><p>Portugal é o destaque da vez. Falar em enoturismo é lembrar de Portugal. O país</p><p>investe cada vez mais nesse segmento e os vinhos portugueses apresentam</p><p>excelente aceitação mundo afora. Contando também a gastronomia e o povo</p><p>hospitaleiro. A Itália é outro destino muito procurado pelos amantes de vinho; a</p><p>região da Toscana é o sonho de todos que visitam o país. Os vinhos italianos têm</p><p>qualidade, aroma, sabor e elegância. A gastronomia italiana dispensa</p><p>comentários. Além de vinhos incríveis você vai encontrar paisagens exuberantes</p><p>que não podem faltar em sua viagem.</p><p>Na França podemos visitar o Museu do Vinho (La Cité du Vin) que fica em</p><p>Bourdeaux. Esse é um museu interativo com tudo sobre o mundo do vinho. Não</p><p>posso deixar de destacar as regiões de Champagne, Languedoc, Bourgogne,</p><p>Alsace, Côtes du Rhône e seus vinhos sensacionais. Cada uma com seu encanto</p><p>e seus roteiros super charmosos.</p><p>Nos Estados Unidos, o destaque é o estado da Califórnia, mais precisamente a</p><p>região de Napa Valley. Lá você vai encontrar numerosas vinícolas para visitar e</p><p>ficar encantado. Junto com Sonoma, configuram-se as duas principais regiões de</p><p>produção vinícola na Califórnia. No entanto, não é apenas nessa região onde</p><p>encontramos bons vinhos nos Estados Unidos. Os estados de Washington,</p><p>Oregon, Texas, Virginia e Nova Iorque também são destaques na produção de</p><p>vinhos no país.</p><p>A África do Sul foi uma grata surpresa no quesito vinho. Nota 10 em todos os</p><p>sentidos. O país é riquíssimo em paisagens naturais e o povo extremamente</p><p>acolhedor. Garanto que nem só de safari vive a África. Claro que é um passeio</p><p>maravilhoso, mas conhecer as regiões de Stellenbosch e Franschhoek são mais</p><p>que imperdíveis para enófilos fervorosos e, próximas a Cidade do Cabo, a visita</p><p>é obrigatória. E ainda há Constantia, que não deve faltar no seu roteiro. A</p><p>gastronomia é espetacular e o mais interessante é que tudo isso tem um custo</p><p>muito bom. Coloque esse destino na sua lista de desejos e tenho certeza que não</p><p>se arrependerá.</p><p>Uma novidade: você sabia que o berço do vinho está localizado na Georgia, um</p><p>país da Europa Oriental localizado no Cáucaso? Fica próximo a Turquia. A</p><p>região de Kakheti é produtora de vinhos e poucas pessoas sabem de sua</p><p>existência. Quem nunca esteve na Georgia, talvez não consiga imaginar que o</p><p>país não só produz vinho, como é o pioneiro na fabricação da bebida. Agora</p><p>você já sabe. Quando programar uma viagem a Turquia, por exemplo, inclua</p><p>esse destino no seu roteiro.</p><p>O que eu sempre digo: existe vinho pelo mundo todo, nos cinco continentes! Por</p><p>onde andarmos sempre encontraremos vinhos e roteiros interessantes. Poderia</p><p>ficar horas e dias falando sobre os diversos destinos de enoturismo, mas vou</p><p>deixar um gostinho de “quero mais” e estarei sempre à disposição para quem</p><p>quiser se infiltrar no fantástico e fascinante mundo do vinho.</p><p>Renata Serrano</p><p>Empresária, proprietária da agência de viagens Barbarela Turismo</p><p>especialista em roteiros de enoturismo. Idealizadora da Confraria VIP em</p><p>Vinhedo, enófila, organizadora de enoeventos e escritora do Blog “Rota dos</p><p>Vinhos”.</p><p>Instagram: @renata66 e @barbarelaturismo</p><p>Blog: https://www.rotadosvinhos.com/</p><p>Site: https://www.barbarelaturismo.com.br/</p><p>Vinificação em Grupo –</p><p>Um case de sucesso</p><p>O objetivo da Vinificação em Grupo é aproximar o enófilo das ciências da</p><p>viticultura e enologia, dando-lhe a oportunidade de acompanhar a elaboração de</p><p>seus vinhos, da escolha da uva à entrega das garrafas, em tempo real (parreiral</p><p>ou vinícola), por meio de um aplicativo de internet, com explicações técnicas</p><p>repassadas em textos, fotos, áudios e vídeos. Os membros com disponibilidade</p><p>são convidados a participar pessoalmente dos processos, assim como degustar os</p><p>seus vinhos em elaboração na vinícola. Anualmente um novo grupo é formado,</p><p>sendo a adesão livre a todos que desejam se aprofundar nesse maravilhoso</p><p>mundo de paixão, prazer e saúde.</p><p>Em sua primeira edição, na safra 2017, houve a presença de 46 membros, com o</p><p>processamento de 4 toneladas de 3 cultivares vitis viníferas, atingindo na safra</p><p>2019, a participação de 273 membros de 14 estados, Distrito Federal e 6 países,</p><p>com a vinificação de 25 toneladas de 10 uvas distintas.</p><p>Douglas Chamon</p><p>Enólogo, economista e empresário capixaba, graduado e mestre em</p><p>economia, enófilo há 30 anos, enólogo formado pelo IFRS – Bento</p><p>Gonçalves – RS, desenvolve projetos que valorizam o vinho brasileiro, em</p><p>especial a Vinificação em Grupo.</p><p>http://www.adegadochamon.com/vinificacao-em-grupo.html</p><p>Instagram: @adegadochamonblog</p><p>Facebook: https://www.facebook.com/adegadochamon/</p><p>Personalidades do mundo do vinho e suas indicações</p><p>Neste capítulo apresentamos alguns dos mais notáveis e dedicados</p><p>representantes do mundo do vinho, suas histórias e indicações especiais.</p><p>Abílio Cardoso</p><p>Dentista e enófilo há mais de 25 anos. Participa da Vinus Vivus, uma confraria</p><p>de Brasília que já se encontra mensalmente há 14 anos para degustar e estudar os</p><p>vinhos consumidos naquela noite.</p><p>Instagram: @drabiliocardoso</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Chile: Matetic EQ Syrah, Don Melchor, Vik.</p><p>Brasil: Estrelas do Brasil Brut Rosé, Maison Dachery Tannat 2005, Guaspari</p><p>Syrah.</p><p>Espanha: Faustino I Gran Reserva, Vega Sicília, Emílio Moro Malleolus, Aalto</p><p>PS.</p><p>França: Sílex Didier Dagueneau, Clos Rougeard, Les Jardins du Babylone,</p><p>Chateau Lafite.</p><p>Itália: Barbaresco Gaja, Brunello Montalcino Riserva Soldera, Tignanello.</p><p>Portugal: Madeira Terrantez 20 anos Henriques & Henriques, Carrocel da Quinta</p><p>da Pellada, Guru branco, Pai Abel, Porto Noval (vários diferentes da Noval, para</p><p>todas as ocasiões e bolsos).</p><p>Líbano: Chateau Musar.</p><p>Nova Zelândia: os Pinot Noir produzidos em Central Otago. Elegantes como</p><p>alguns “Borgonhas”, mas ainda pouco degustados aqui.</p><p>Alexandre Santucci</p><p>Criador do Descomplicando o Vinho, com o site/blog “Descomplicando o</p><p>Vinho” (o mais antigo sobre vinhos no Brasil, desde 2005) e o livro publicado</p><p>em 2013. É psicólogo, ator, produtor, especialista em Marketing e pós-graduado</p><p>em Artes Cênicas e Teatro. Também pós-graduado em Medicina Psicossomática.</p><p>Especialista e consultor de vinhos, trabalha profissionalmente no setor desde</p><p>1994, com passagens de sucesso dentro das maiores importadoras de vinhos</p><p>finos do país, como Expand, World Wine -La Pastina, Mistral, dentre outras, nas</p><p>áreas de Marketing, Marketing Estratégico, Vendas e Educação. Recebeu por</p><p>dois anos consecutivos o prêmio Prazeres da Mesa, como uma das melhores</p><p>cartas de vinho do país, pelo restaurante Arábia, São Paulo.</p><p>Foi colunista semanal do 17º maior jornal do país: A Tribuna, de Vitória, por 6</p><p>anos ininterruptos. Foi apresentador do quadro “Descomplicando o Vinho” no</p><p>programa Central de Cultura – CNT. Apresentou durante o ano de 2012 o</p><p>programa Bomdi Vinho pela ClicTV-UOL, co-criação com Marcelo di Morais,</p><p>além de ser palestrante para Enogastronomia e Comportamento.</p><p>No ano de 2017 criou (também com Marcelo di Morais) o espetáculo teatral (e</p><p>corporativo) “Wine Comedy”.</p><p>Professor Universitário (graduação e pós) de diversas cadeiras: Vinho e Serviço,</p><p>Marketing & Vendas, Psicologia e Gestão de Pessoas, em instituições como</p><p>SENAC, Anhembi Morumbi, FMU, Espaço Gourmet (Curitiba), dentre outros.</p><p>Vinhos indicados (memoráveis)</p><p>Ao longo da experiência profissional esteve diante de grandes vinhos de todas as</p><p>partes do mundo, alguns podem ser citados, mas a lista seria muito maior:</p><p>França: Romanée-Conti Montrachet (1982), Champagne Krug , Bordeaux 1er</p><p>Cru safras 1982 e 1986, Chateau Lafite e Mouton Rothschild, Margaux e Latour.</p><p>Brasil: Carrau -Velho do Museu (1972), Miolo Reserva Cabernet Sauvignon</p><p>(1991). Itália: Biondi Santi Brunello di Montalcino Riserva (1983). Portugal:</p><p>Krohn Reserva Porto (1900), Eugenio de Almeida Cartuxa Pera Manca (várias</p><p>safras, sempre excelente). Espanha: Vega Sicilia Único (1971), Marques de</p><p>Murrieta Castillo Ygay (1958) Chile: Don Melchor (vertical), Domus Aurea</p><p>(vertical).</p><p>Almir Luppi dos Anjos</p><p>Editor do site Vinho dos Anjos (www.vinhodosanjos.com.br) e editor de vinhos</p><p>da revista impressa Esplêndida Gastronomia (Rio de Janeiro e região).</p><p>Um dos idealizadores do Canal Rotas e Notas no Youtube. Membro da Fhive,</p><p>empresa com atuação “in company” que disponibiliza cursos de vinhos e</p><p>bebidas, além de experiências em gastronomia, mixologia e vinhos em eventos e</p><p>projetos específicos. Um dos idealizadores do “Experiência Fhive”, evento</p><p>voltado ao consumidor para experiências diversas no campo da enogastronomia.</p><p>Pós-graduado em Marketing, graduado em Comunicação, especialista em varejo,</p><p>vinhos e e-commerce. Tem sua atuação como jornalista e consultor de varejo.</p><p>Foi professor do curso “Marketing do Vinho” na ABS-SP, tendo em seu</p><p>currículo cursos de vinhos na SBAV-SP e ABS– SP.</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Brasil: Lote 43 da Miolo (Merlot e Cabernet Sauvignon). DNA99 Single</p><p>Vineyard Merlot da Pizzato. Espumante Sur Lie Casa Valduga. Salton Campanha</p><p>linha Domenico (Marselan e Tannat). Leopoldina Chardonnay Casa Valduga.</p><p>Armando Memória Cabernet Sauvignon Vinícola Peterlongo. RAR Reserva de</p><p>Família Cabernet Sauvignon Vinícola Randon.</p><p>Álvaro Cézar Galvão</p><p>Enófilo apaixonado, sommelier por formação na ABS, hábil em harmonizações</p><p>enogastronômicas, razões pelas quais abandonou a carreira de engenheiro civil</p><p>para trabalhar com o emocional e o lúdico da enogastronomia.</p><p>Atuou como colunista no Jornal Vinho & Cia, revista São Paulo, revista</p><p>Gourmet & Food Service e GoWhere. Desde 2007 comanda o site Divino Guia</p><p>(www.divinoguia.com.br), é um dos idealizadores do Canal Rotas & Notas no</p><p>Youtube.</p><p>Consultor nas áreas de bebidas fermentadas e destiladas, faz parte da Academia</p><p>Brasileira de Gastronomia. Editor de enogastronomia do Programa Chefs do</p><p>Apetite (www.chefsdoapetite.com.br).</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Vallontano Reserva Cabernet Sauvignon da Vallontano. Espumante Cave</p><p>Geisse Rosé Brut. Espumante Extra Brut 60 meses Gran Casa Valduga. Anima</p><p>Gran Reserva da Bueno Wines. Gran Báculo Cabernet Sauvignon 2012, Vinícola</p><p>Salvattore. Sesmarias da Miolo Group.</p><p>Ana Carla Wingert de Moraes</p><p>Idealizadora da GastroRosé, fala sobre enogastronomia de forma próxima,</p><p>mostrando de maneira descomplicada, desde opções acessíveis até as mais</p><p>luxuosas, confirmando que gostar de vinhos é para todos. Além do instablog e da</p><p>Confraria GastroRosé, está à frente da empresa, com foco em gerenciamento de</p><p>confrarias, além de coordenadora do primeiro guia online de Cursos e Eventos</p><p>de vinhos do Brasil. Tornou-se empresária com 30 anos, conciliando a paixão</p><p>pela enogastronomia com a carreira jurídica, e busca com a sua marca conectar</p><p>pessoas através da boa cultura do vinho.</p><p>Instagram e Facebook: @gastrorose</p><p>Portal: www.gastrorose.com.br</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Chile: Morandé Reserva Pinot Noir Rosé</p><p>Nova Zelândia: Marlborough Sun Sauvignon Blanc</p><p>Argentina: Bramare Chardonnay Los Arbolitos Vineyard, DV Catena Pinot Noir</p><p>– Pinot Noir</p><p>Brasil: Villagio Grando Brut Rosé</p><p>Antônio Cunha</p><p>Sommelier e empresário. Atua com vinhos desde 2007. Iniciou projeto de abrir</p><p>uma Adega em 2016, hoje com duas unidades em Brasília, a Doc Vinhos é uma</p><p>loja que se destaca pelo excelente atendimento e preços justos.</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Espumante Pedrucci Reserva</p><p>Brut, Villa Francioni Rose. Pirineus</p><p>Bandeiras Barbera. Torcello Perfeito Tannat.</p><p>Argentina: Marcelo Pellerite Reserva Chardonnay. Tonel 46 Reserva Malbec.</p><p>Vicentin El Tramposo Cabernet Franc. Kauzo Malbec e Syrah.</p><p>Chile: Psiquê Blend. Farmus Gran Reserva Chardonnay. Farmus Gran Reserva</p><p>Syrah.</p><p>França: Michel Lynch Reserva Medoc, Domaine les Ondines Vacqqueyras.</p><p>Cuvee Sidoine Côtes de Provance. Petit Guiraud Sauternes.</p><p>Italia: Mandorla Salentino Negroamaro. Villa Pani Toscana Sangiovese. Ater</p><p>Primitivo di Manduria. Barolo Antario Vendimia 2007. Piccini Brunello di</p><p>Montalcino 2008.</p><p>Espanha: Castillo de Landa Ribera Del Duero. Yllera 12 meses. Albarino Paco e</p><p>Lola 2014. Corral de Campanas Quinta de La Quietud. Marques de Carceres</p><p>Rioja 2009.</p><p>Portugal: Lello Douro DOC 2015. Borges Quinta da Soalheira Vinhas Velhas.</p><p>Borges Porto White. 1808. Collection Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.</p><p>Caliandra Belniowski</p><p>Sommelière, proprietária da marca Brinda Comigo e idealizadora do projeto que</p><p>leva o mesmo nome nas redes sociais (@brinda_comigo).</p><p>Representante de vinícolas e importadoras, pioneira em unir o mundo do vinho</p><p>ao mundo do erotismo no Brasil no seu evento para mulheres “Da Magia à</p><p>Sedução”, atraindo novos consumidores e quebrando paradigmas.</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Espumante Extra Brut – Vinícola RH (Paraná). Corceis Tannat 2013 –</p><p>Vinícola Helios (Rio Grande do Sul). Sfizio tinto Merlot Lote 13 – Vinícola</p><p>Legado (Paraná).</p><p>Espanha: Tempranillo 2015 – Bodega del Muni – Castilla – La Mancha.</p><p>Portugal: Dão Encruzado – Titular Branco 2015.</p><p>Eduardo Gastaldo</p><p>“As degustações e o estudo sobre vinhos despertaram grande interesse e</p><p>curiosidade, ao ponto de não mais satisfazerem este engenheiro, natural de Porto</p><p>Alegre. Em 2016, após longo período de preparação, consegui adquirir</p><p>ferramental necessário, bem como a confiança de um produtor do Vale dos</p><p>Vinhedos (Bento Gonçalves, RS) que se dispôs fornecer pequena quantidade de</p><p>uvas Cabernet Sauvignon, que deram origem ao primeiro vinho: João Pedro (em</p><p>homenagem ao filho caçula), vinificado na garagem de casa, em plena capital</p><p>gaúcha.</p><p>Após o grande interesse dos amigos e familiares pelo vinho, que logo se esgotou</p><p>(produção de apenas 391 garrafas), decidi investir na estrutura, adequando-a para</p><p>atender às exigências legais. Passados estes anos, muitas obras e contratações de</p><p>profissionais, a certificação veio e o sonho se tornou realidade.</p><p>A Bodega possui relacionamento com produtores de destaque, cuidadosos e</p><p>focados, capazes de produzir com alta qualidade, safra após safra. As uvas são</p><p>transportadas para Porto Alegre em caminhões frigoríficos e recebem</p><p>acompanhamento, para atingir a identidade e expressão desejadas.”</p><p>E-mail: contato@bodegaruizgastaldo.com.br</p><p>Website: www.bodegaruizgastaldo.com.br</p><p>Instagram/facebook: @bodegaruizgastaldo.com.br</p><p>Whatsapp: 51 98164-8114</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Brasil: Luisa Chardonnay 2017, Matheus Cabernet Franc 2018 e o Marina Franc</p><p>Rosé 2019. Estão em produção o Matheus Cabernet Franc 2019 e o Arthur</p><p>Teroldego 2019, ambos com engarrafamento previsto para 2020.</p><p>Elias Cabral</p><p>“Tive meu primeiro contato com vinhos ainda criança. O vinho era um porto</p><p>(Adriano Ramos Pinto) preferido de um tio português. Em 2003 acabei tendo a</p><p>oportunidade de trabalhar e inaugurar o renomado hotel e restaurante Fasano, o</p><p>que foi uma grande experiência pela amizade e regalos que recebi de um dos</p><p>maiores sommeliers do Brasil. O sonho de trabalhar com vinhos surgiu após um</p><p>curso no SENAC/São Paulo, em 2016.</p><p>Após anos trabalhando com consultoria e palestras na área comercial, o sonho se</p><p>tornou realidade quando cheguei na Vinícola Bueno Wines em 2018, na função</p><p>de executivo de contas.</p><p>Nas horas vagas atuo como Sommelier em eventos, Wine Dinner e verticais de</p><p>vinhos ícones, consultoria em restaurantes e elaboração de carta.</p><p>Executivo de Contas Bueno Wines. Parceiro m1ll1mm Rótulos & Eventos.</p><p>Fundador Confraria Vindima”.</p><p>Vinhos indicados.</p><p>Uruguai: Prelúdio 2000 Família Deicas.</p><p>Portugal: Leo d’ Honor 2008 Casa Ermelinda</p><p>Espanha: Arzuaga Crianza 2007</p><p>Chile: Almaviva safra 2000. M – Montes Alpha 2005.</p><p>Itália: Serre 2013 Sussumanielo Cantine Due Palme, Impari 2011 Nero D’ Avola</p><p>Vigneti Zabú, Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino Riserva 2004.</p><p>Brasil: Paralelo 2015 Bueno Wines, Anima Grand Reserva 2015 Bueno Wines.</p><p>Elza Nóbrega</p><p>Idealizadora do Wine Tour Enoturismo na Itália, técnica em turismo pela Istituto</p><p>Alberghiero di Tivoli, doutora em Economia pela Università la Sapienza di</p><p>Roma, sommelier pela A. I. S., Itália. No Brasil frequentou a I.S.G. e a Wine &</p><p>Spirits, chef de cozinha com experiência na Itália e passagem pelo restaurante</p><p>com estrela Michelin I Due Buoi localizado no Piemonte, Itália.</p><p>Durante uma de suas aulas surgiu a ideia de um tour pela Itália para conhecer</p><p>melhor os vinhos do país, onde em 2017 fez sua primeira rota turística, com foco</p><p>nas vinícolas do norte.</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Itália: Monsupello Nature (Oltrepò Pavese). Petra (Toscana). Amarone della</p><p>Valpolicella DOCG classico Riserva Mater 2011. Monteceresino Cruase</p><p>(Oltrepò Pavese). Barolo Dragomis (Piemonte). Chardonnay Cuveè Bois Le</p><p>Cretes (Val d’Aosta).</p><p>Site: https://www.winetourturismo.com</p><p>instagram: @elza.nobrega</p><p>Etiene Gomes</p><p>Jornalista e fundadora do blog Vinho Tinto. Especialista em Comunicação</p><p>Digital pela Universidad de Alcalá (Espanha). Qualificação de Nível 3 em</p><p>Vinhos WSET. Sommelier Avançado pela Fisar; French Wine Scholar (FWS)</p><p>pela Wine Scholar Guild, California e Wine Apellation Specialist (CWAS) pela</p><p>San Francisco Wine School. Sommelier Internacional pela Fisar/UCS.</p><p>Site: www.blogvinhotinto.com.br</p><p>Instagram: @blogvinhotinto</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Espumante Terroir Brut Rosé Cave Geisse. Pizzato DNA 99 Merlot</p><p>Single Vineyard. Miolo Single Vineyard Touriga Nacional.</p><p>Estados Unidos: Robert Mondavi Winery Reserve Oakvile, Napa Valley, 2010</p><p>Cabernet Sauvignon. Silver Oak Napa Valley 2007 Cabernet Sauvignon. Francis</p><p>Coppola Reserve Knights Valley, Sonoma County, Cabernet Sauvignon 2012.</p><p>Uruguai: Primo Pizzorno 2013. Amat Tannat 2009, Bodegas Carrau. Licor de</p><p>Tannat 2007 Gimenez Mendez.</p><p>África Do Sul: Chardonnay Eikendal 2016. Vin de Constance Natural Sweet</p><p>Wine – Klein Constantia. Pinotage Kanonkop 2017.</p><p>Portugal: Quinta da Gaivosa 2015, Domingo Alves de Sousa, Douro. Eminência</p><p>Loureiro 2015. Scala Coeli Tinto 2013, Alentejo.</p><p>França: Champagne Cattier Brut Blanc des Blans. Vin d’Alsace P.E. Dopf Fils,</p><p>Riesling 2016. Châteuneuf du Pape Bousquet des Papes 2014.</p><p>Itália: Greco di Tufo Feudi di San Gregorio 2015. Barolo Dragomis Gaja 2009.</p><p>Brunello di Montalcino Castelo Banfi.</p><p>Felipe Bebber</p><p>Enólogo por formação desde 2011, atua no segmento vinícola há mais de dez</p><p>anos. Hoje à frente do projeto familiar, consolida seu estilo de vinificação</p><p>buscando extrair com elegância e fineza o melhor de cada cada terroir.</p><p>Com estilo moderno e dinâmico, sempre presente no mercado próximo aos</p><p>consumidores, ministrando palestras e cursos de degustação pelo Brasil. Atuou</p><p>como professor no curso de sommelier do Senac-RS.</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Almejo Tannat. Sentiero Cabernet Franc. Família Bebber Touriga</p><p>Nacional. Maragato Cuvée.</p><p>Francelize Chiarotti</p><p>Engenheira Agrônoma, Mestre em Produção Vegetal pela Universidade Federal</p><p>do Paraná. Atua na área de Vitivinicultura desde 2014, prestando assistência</p><p>técnica e consultoria. É instrutora do SENAR – Serviço Nacional de</p><p>Aprendizagem Rural (Paraná) e professora de vitivinicultura na escola de</p><p>sommeliers Alta Gama.</p><p>Instagram @francelize_eng.agronoma</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Espumante Poty Nature (Vinícola Araucária). Sfizio Merlot lote 13 (Vinícola</p><p>Legado). Campana cabernet Sauvignon 2015 (Bodega Sossego). Vino Naranja</p><p>Moscatel de Alejandria 2018 (Cacique Maravilha). The Famous Gate Pinot Noir</p><p>2015 (Los Carneros).</p><p>Franco Onzi Perini</p><p>“Nascido em 28/05/1980, sou graduado em Administração de Empresas pela</p><p>Universidade de Caxias do Sul.</p><p>Trabalhei em todos os processos de produção de uvas</p><p>e elaboração de vinhos</p><p>entre os 12 e os 25 anos de idade, sempre na Casa Perini. Buscando know how</p><p>no assunto, em vinícolas parceiras e instituições pelo mundo, adquiri bastante</p><p>conhecimento sobre o tema. Desde os 26 anos atuo nas áreas comercial,</p><p>marketing e administrativa da Casa Perini, conseguimos transformar uma</p><p>pequena vinícola familiar em uma empresa com boa produção, um grande</p><p>portfólio e importantes reconhecimentos internacionais. Com essas atribuições,</p><p>tenho a oportunidade de frequentar as melhores e maiores feiras de vinhos do</p><p>mundo, já havendo degustado milhares de rótulos.</p><p>Ao realizar indicações sobre vinhos e saúde, os rótulos que me vêm à mente são</p><p>os brasileiros que apresentaram maior concentração de resveratrol (até 5 vezes</p><p>mais que vinhos argentinos, chilenos, franceses, italianos e portugueses),</p><p>segundo análises realizadas por nós nos laboratórios Lavin e Larem.”</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Fração Única Cabernet Sauvignon. Fração Única Merlot. Casa Perini</p><p>Cabernet Sauvignon. Casa Perini Merlot. Arbo Cabernet Sauvignon. Arbo</p><p>Merlot.</p><p>Frederico Benjamim</p><p>Sommelier da Porto a Porto, possui diploma de sommelier pelo CETT –</p><p>Barcelona e da Escola Argentina de Sommeliers (EAS), tem a certificação WSET</p><p>nível 3, French Wine Scholar (FWS) e Introductory Course da Court of Master</p><p>Sommelier. Em 2018 venceu o concurso “Melhor Sommelier de vinhos do</p><p>Alentejo no Brasil”.</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Espanha: Marques de Tomares Crianza (Rioja). Cava Don Roman Brut.</p><p>Portugal: Duorum Colheita (Douro). Marques de Borba (Alentejo). Reguengos</p><p>Reserva (Alentejo).</p><p>França: Chateau Reynon, Denis Dubourdieu, Cadillac (Côtes de Bordeaux).</p><p>Chateau Caronne Ste Gemme, Haut Medoc (Bordeaux).</p><p>Gerson Ricardo Garcia</p><p>Empreendedor, jornalista, escritor, analista de sistemas e Gran Embaixador da</p><p>Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture. Idealizador e editor da</p><p>revista aEmpreendedora (com mais de 1 milhão e seiscentos e cinquenta mil</p><p>acessos e 226 colunistas em 13 países).</p><p>Organizador e idealizador do I Encontro aEmpreendedora – “O Vinho no Mundo</p><p>das Mulheres”, primeiro evento de vinhos focado no empreendedorismo</p><p>feminino, realizado em junho de 2019 em Curitiba. No encontro foi apresentado</p><p>o aspecto empreendedor de cada participante, desde o agronegócio ao consumo</p><p>das mais variadas formas.</p><p>Site: www.aempreendedora.com.br</p><p>Instagram: @a_empreendedora</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Argentina: Alamos Malbec, DV Catena Cabernet Malbec 2016</p><p>Brasil: Flair Rosé Brut – Vinícola Legado</p><p>Japão: Sakura L’Orient</p><p>França: Château Champs de Lucas Bordeaux 2012</p><p>Luiz Cola</p><p>Enófilo há mais de vinte anos e organizador de diversas confrarias de vinho no</p><p>Espírito Santo. Realiza palestras, cursos, degustações temáticas e presta</p><p>consultoria em vinhos para restaurantes e adegas privadas.</p><p>Editor do blog “Vinhos e mais Vinhos” desde 2009, considerado um dos mais</p><p>relevantes do gênero no Brasil, no portal Gazeta Online. Comentarista de vinhos</p><p>da Rádio CBN Vitória (92,5 FM) e colunista de vinhos da Revista AG (Jornal A</p><p>Gazeta).</p><p>blogs.gazetaonline.com.br/vinhosemaisvinhos</p><p>www.facebook.com/blogvinhosemaisvinhos</p><p>http://blogs.gazetaonline.com.br/vinhosemaisvinhos</p><p>www.instagram.com/luizcola</p><p>twitter.com/luizcola</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Don Giovanni Espumante Nature. Tormentas Fvlvia Pinot Noir e Serena</p><p>Pinot Noir.</p><p>Argentina: López Montchenot, Weinert Cavas de Weinert. Carmelo Patti</p><p>Cabernet Sauvignon.</p><p>Chile: Santa Rita Casa Real, Montsecano Pinot Noir. De Martino Viejas Tinajas</p><p>Cinsault;</p><p>França: Château Léoville Las Cases. Taupenot-Merme Chambolle-Musigny La</p><p>Combe d’Orveau. Ganevat Cuvée d’Enfant Terrible Poulsard.</p><p>Itália: Aldo Conterno Barolo Cicala. La Cerbaiona Salvioni Brunello di</p><p>Montalcino. Fontodi Flaccianello.</p><p>Espanha: Tondonia Gran Reserva Tinto e Blanco. Marques de Murrieta Castillo</p><p>Ygay Gran Reserva. La Rioja Alta 904.</p><p>Portugal: Caves São João Porta dos Cavaleiros. Palácio do Buçaco Tinto e</p><p>Branco. Wine & Soul Guru Branco.</p><p>Leandro Baena</p><p>“Meu nome é Leandro, sou médico e moro em São Paulo. Certo dia, saí de uma</p><p>degustação de vinhos, tão constrangido, que fiquei um bom tempo sem beber</p><p>vinho. Achei que deveria saber muito para beber vinho. Quando voltei a estudar,</p><p>me matriculei na ABS-SP (Associação Brasileira de Sommeliers), onde formei-</p><p>me no curso profissional. Conforme ia estudando, postava no Instagram as</p><p>dúvidas ou informações que achava úteis. Surgiu então a página Choro da</p><p>Videira (@chorodavideira).</p><p>O compartimento de experiências e a interação com as pessoas alçaram a página</p><p>a uma das mais acessadas, quando o assunto é vinho no Brasil. Prometi, a mim</p><p>mesmo, que ninguém mais sentir-se-ia intimidado em qualquer degustação de</p><p>vinhos, se isso dependesse de mim. É assim que ‘o médico virou vinho’ e os</p><p>amigos do vinho nunca pararam de chegar. Vinho bom é aquele que você gosta.</p><p>E ninguém tem o direito de definir, o que você pode ou não gostar.”</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>“Os vinhos da minha vida são os seguintes”:</p><p>Brasil: Reserva do Choro (Vinícola Enos). Merlot Grande Vindima (Vinícola</p><p>Lídio Carraro). Sesmarias (Miolo Group). Syrah Vista da Serra (Vinícola</p><p>Guaspari). Salton Septimum (Vinícola Salton).</p><p>Portugal: Pintas, Wine & Soul (Douro).</p><p>França: Château Margaux (Bordeaux).</p><p>Lucio Rossi Ferreira</p><p>Para o gerente regional da Vinícola Famiglia Valduga Co., da Domno</p><p>Importadora, .Nero e Casa Madeira, trabalhar no mercado de vinhos é “mais que</p><p>arte!”, e continua: “é um dom para transferir emoções, provocando satisfação em</p><p>quem lhe confiou a possibilidade de prestar um serviço, de tornar realidade algo</p><p>que o cliente desejava e parecia impossível. Não existe mais lugar no mercado</p><p>para profissionais que não sejam apaixonados, motivados e comprometidos com</p><p>o cliente. O foco não é vender, é levar soluções para os clientes, até mesmo</p><p>benefícios para o seu negócio. Trabalhar com o desejo, a inovação, celebração,</p><p>alegria e realização. Tenho um trabalho diferenciado, onde convivo com a</p><p>alegria, sempre conhecendo e aprendendo algo novo.”</p><p>Lucio tem larga experiência do mercado. Foi gerente líder de equipe e comercial</p><p>regional na Moët Hennessy por 19 anos, atuando na prospecção, atendimento,</p><p>negociação e fidelização de clientes on e off trade. Responsável pelo alcance de</p><p>volumes estipulados pela companhia, por marca (pontos e volumes), pela</p><p>abertura e desenvolvimento de novos clientes atacadistas e distribuidores, bem</p><p>como a manutenção e crescimento dos já ativos, merchandising e promoção de</p><p>eventos para divulgação da marca.</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Brasil: Maria Valduga Brut Vintage. Gran Villa-Lobos Cabernet Sauvignon. Sur</p><p>Lie | Nature. Luiz Valduga. Gran Leopoldina Chardonnay D.O. 130 Brut. Gran</p><p>Identidade. Ponto Nero Sauvignon Blanc.</p><p>Itália: Amaranta Montepulciano D´Abruzzo DOP. 1921 Primitivo di Manduria</p><p>Riserva DOP. Don Tommaso Chianti Clássico DOCG.</p><p>França: Champagne Armand de Brignac Gold Brut. Château Guiraud Sauternes.</p><p>Márcio Duarte Passos Bonilha</p><p>Profissional com 34 anos de experiência no segmento de bebidas finas e</p><p>alimentos, há 22 ocupando posições executivas em empresas multinacionais e</p><p>nacionais como: Seagram’s, Allied Domecq, Campari, Miolo Wine Group,</p><p>Vinícola Perini, Casa Flora e Bueno Wines.</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Argentina: Cobos Malbec 2013, da Viña Cobos.</p><p>Portugal: Barca Velha Douro 1999, da Casa Ferreirinha. Pêra-Manca Tinto 2005,</p><p>da Cartuxa.</p><p>Itália: Bueno – Cipresso Brunello di Montalcino 2004 Riserva, Vinicola</p><p>Cipresso. Sangiovese Toscana 2006, da Soldera.</p><p>França: Margaux (Premier Grand Cru Classé) 2010, do Château Margaux. Cuvee</p><p>William DEUTZ 2000, Deutz. Château Cheval Blanc 2014, da Cheval Blanc.</p><p>Brasil: Anima Gran Reserva 2015, da Bueno Wines.</p><p>Chile: Almaviva 2014.</p><p>Olavo de Castro M. de Araujo</p><p>“Enófilo apaixonado, sommelier por formação na ABS e Diretor do Castro`s</p><p>Park Hotel em Goiânia. Comecei a realmente gostar de vinhos quando morei em</p><p>San Francisco, Califórnia, em 1990 e tive um curso sobre Enologia. Comecei</p><p>então a ir vários finais de semana para o Napa Valley onde minha paixão</p><p>começou.</p><p>Em 2003 ajudei a fundar uma das primeiras confrarias de Goiânia, a</p><p>“Olá Vinho!”, que existe até hoje, reunindo uma vez por mês, desde então. Em</p><p>2016 criei o Castro`s Wine Weekend, um final de semana dedicado ao vinho e</p><p>boa gastronomia, já em sua quarta edição. Esse evento foi criado com o intuito</p><p>de aumentar o conhecimento e o consumo de vinhos. Para isso temos ao longo</p><p>do final de semana palestras, almoços e jantares harmonizados e o Wine Festival.</p><p>Esse é o principal evento do final de semana, das 18:00 às 22:00 do sábado, na</p><p>piscina do hotel. Nele são degustados mais de 200 rótulos de parceiros (lojas e</p><p>importadoras de vinhos), queijos, comidinhas e musica lounge de qualidade. A</p><p>intenção é um evento não só de degustação tradicional, mas diversão associada à</p><p>gastronomia e à música, aos vinhos, principalmente para desmistificar a</p><p>degustação de vinhos e trazer ao evento, não apenas enófilos, mas pessoas</p><p>começando a gostar de vinhos.”</p><p>Site: www.castrospark.com.br</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brancos: Kalfu Molu Sauvignon Blanc by Viña Ventisquero. Cortes de Cima</p><p>Branco. Paco & Lola Ophalum Albariño. Maycas del Limari Quebrada Seca</p><p>Chardonnay.</p><p>Rosé: Adolfo Lona Brut Rosé.</p><p>Tintos: Clan Charco Las Animas Bodegas Estefania. Calabria Private Bin Oak</p><p>Aged. A Lisa Bodega Noemia. Bodegas Garzon Reserva Tannat. Corral de</p><p>Campanas Quinta de la Quietud.</p><p>Patricia Nigro</p><p>Empresária do ramo enogastronômico no interior paulista, advogada, executiva</p><p>de vendas e coordenadora de projetos do Museu do Vinho de São Paulo.</p><p>Possui os certificados 1, 2 e 3 da escola inglesa Wine & Spirit Education Trust.</p><p>Palestrante do I Encontro aEmpreendedora – “O Vinho no Mundo das</p><p>Mulheres”. Usa suas redes sociais para divulgar e promover atividades e cultura</p><p>do vinho. Atualmente possui mais de 40 mil seguidores em seu Instagram e</p><p>promove diversas parcerias, trabalhos e engajamentos, como Wine Influencer.</p><p>Seu perfil @winelover_br é considerado um dos mais influentes quando o</p><p>assunto é vinho. É um dos perfis mais procurados mundialmente para difundir a</p><p>cultura do vinho. Foi uma das percursoras do movimento Wine Influencers no</p><p>Brasil.</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Chile: Loma Larga Pinot Noir 2017</p><p>Argentina: Dante Robino Gran Dante Bonarda 2015</p><p>Espanha:Vinho Tinto Clos Martinet Priorato 2013</p><p>Uruguai: El Capricho Aguara Special Reserve Tannat</p><p>Portugal: Esporão Reserva 2015</p><p>Sérgio da Silva Venancio Pires</p><p>Pensando em trabalhar naquilo que mais gostava, se formou como sommelier</p><p>pela ABS/DF, da qual é diretor e professor no Curso de Formação Profissional</p><p>de Sommeliers. Atua como consultor de vinhos e professor. Organiza jantares</p><p>temáticos harmonizados, resgatando cardápios históricos, culturais ou</p><p>relacionados a alguma personalidade ou evento.</p><p>Escreve coluna semanal no jornal Metrópoles de Brasília.</p><p>Email: sergiosvp@yahoo.com.br</p><p>Facebook: Sergio Pires Sommelier.</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Brasil: Calza Ouro Negro 2005. Barcarola tipo Amarone Iridium 2009. Dom</p><p>Bernardo Edição do Enólogo. Virtuoso Maison Dachery. Don Bonifácio</p><p>Refosco. Don Bonifácio Alta Gama. Espumante Casa Valduga Sur Lie Nature.</p><p>Espumante Cave Geisse 2002 Brut. Barbera Piemonte 2017, do Projeto de</p><p>Vinificação em Grupo da Adega do Chamon.</p><p>Talise Valduga Zanini</p><p>Possui formação em Administração de Empresas. Durante o curso desenvolveu o</p><p>projeto de negócio de um empreendimento vitivinícola com foco em</p><p>Enoturismo. O projeto se concretizou com a fundação da vinícola Vallontano,</p><p>em 1999, no Vale dos Vinhedos – Bento Gonçalves (RS), junto ao enólogo Luís</p><p>Henrique Zanini e sua irmã Ana Paula Valduga. Mestre em Turismo pela</p><p>Universidade de Caxias do Sul, cuja dissertação foi um estudo comparativo entre</p><p>o enoturismo no Vale do São Francisco (BA/PE) e Vale dos Vinhedos (RS), é</p><p>Sommelière pela UCS/Fisar. Foi professora nos cursos de Bacharelado em</p><p>Turismo, ministrando aulas de Enogastromia e outras afins. Atualmente trabalha</p><p>na vinícola Vallontano que em 2015 lançou uma linha de vinhos que leva seu</p><p>nome.</p><p>Site: www.vallontano.com.br</p><p>https://www.facebook.com/Vallontano/</p><p>Instagram: @vallontano / @talisevinhos</p><p>Vinhos indicados:</p><p>Brasil: Talise Pinot Noir 2018. Talise Sauvignon Blanc 2019. Vallontano</p><p>Reserva Tannat 2014.</p><p>França: Domaine Zind-Humbrecht Riesling 2014. M. Lapierre Morgon 2010.</p><p>Itália: Quintarelli Valpolicella Clássico 2004.</p><p>Vicente Jorge – Wine Hunter</p><p>Trabalha no mercado de vinhos há 25 anos. Viaja o mundo buscando e</p><p>selecionando rótulos para o Brasil. Há mais de 7 anos é o responsável pelo</p><p>portfólio do maior clube de vinhos do mundo e maior e-commerce da América</p><p>Latina, a Wine.com.br.</p><p>São por ele degustados mais de 2.000 rótulos ao ano. Passa cerca de 170 dias no</p><p>exterior, visitando vinícolas e feiras internacionais. Toda essa dedicação rendeu-</p><p>lhe seis reconhecimentos internacionais: 1- Comendador da ”Comanderie du</p><p>Bontemps”, Bordeaux. 2 – Prud’homme de Saint Emilion. 3 – Hospitalier de</p><p>Pomerol. 4 – Cavaleiro dos vinhos do Porto. 5 – Confrade de Honra de Ribeira</p><p>del Duero. 6 – Chevaliers du Taste Vin – Bourgogne.</p><p>Site: www.wine.com.br</p><p>Instagram: @diariodowinehunter</p><p>@winevinhos</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Espanha: La Enfermera Toro. Toro Loco.</p><p>Chile: Vik A. Calyptra Inedito.</p><p>França: Enclos du Wine Hunter.</p><p>Brasil: Espumante Salton Domenico Giornata 140.</p><p>Portugal: Manu Dona Fátima Cheleiros Jampal.</p><p>Argentina: Val de Flores Malbec.</p><p>Wesley Moreira</p><p>Fundador e Diretor Técnico da Sommelier School.</p><p>Iniciou sua formação através de vários cursos técnicos pelo SENAC, na área de</p><p>Alimentos & Bebidas, momento em que despertou seu interesse pelo vinho,</p><p>direcionando a formação para esse setor. Foi barman, garçom, maitre, gerente e</p><p>sommelier em restaurantes e hotéis. Atua há mais de 15 anos como sommelier e</p><p>consultor para importadoras, restaurantes, lojas e atacadistas.</p><p>É palestrante e jurado em concursos de vinhos.</p><p>Instagram: @wesleysommelier_school e @sommelierschool</p><p>Site: www.sommelierschool.com.br</p><p>Vinhos Indicados:</p><p>Brasil: Espumante Cuvée RAR Méthode Traditionnelle, Casa Valduga 130 anos.</p><p>Aurora Chardonnay 2015. Villa Francioni Sauvignon Blanc. Primeira Estrada</p><p>Chardonnay 2017. Don de Minas Syrah 2017. Cordilheira de Santana Cabernet</p><p>Sauvignon 2005. Valmarino Cabernet Franc 2016.</p><p>Itália: Espumante Ferrari Perlè. Barolo Giacomo Borgogno 2001. Montepulciano</p><p>D´Abruzzo Prima Classé Itinera.</p><p>França: Champagne Barnaut Grand Cru Blanc de Noir. Sirene Sauvignon Blanc</p><p>2018, Chateau Larosse Trindaund 2005.Minervois Paul Mas 2015.</p><p>Espanha: Espumante Cava Viña Adelaida Brut. Marques de Murrieta Reserva</p><p>2014.</p><p>Faustino V Reserva 2013.</p><p>Portugal: Cortes de Cima Dois Terroirs tinto 2014.</p><p>O seu melhor vinho – conto</p><p>Alguns dizem que a narrativa a seguir é uma ficção, mas há quem diga – e estes</p><p>são muitos – que se trata de um fato. De qualquer modo, tenha acontecido ou</p><p>não, a mensagem embutida no texto que será apresentado bem serve como alerta</p><p>e ensinamento para os que os vitivinicultores brasileiros estejam unidos e em</p><p>laço de fraternidade, pelo bem comum e pela excelência do vinho brasileiro,</p><p>notadamente após o recente tratado de cooperação entre o Mercosul e a União</p><p>Europeia, seguindo os passos da proposição de Adolfo Lona, já aqui apontada.</p><p>Conta-se que em um certo país da Europa, grande produtor de vinhos, havia uma</p><p>região com muitos produtores que estava perdendo a concorrência e o mercado</p><p>para outras regiões. As vendas andavam baixas e a recessão batia às portas das</p><p>famílias, ameaçando a bancarrota, enquanto suas dívidas aumentavam.</p><p>Um dos prefeitos de uma das cidades teve a feliz ideia de reunir os demais</p><p>prefeitos da região para criarem uma feira, ou um evento que reunisse os</p><p>produtores, para o qual seriam convidados empresários, negociantes de vinho,</p><p>além dos melhores compradores, ou importadores estrangeiros, num ambiente de</p><p>festa e diversão.</p><p>Nessa feira, cada produtor teria seu stand para apresentar seus vinhos e produtos</p><p>a serem conhecidos e degustados, de modo a atrair negócios, não apenas para si,</p><p>como para toda a região. Para isso os prefeitos criaram uma cooperativa,</p><p>muito possível. Nesse período começaram</p><p>também a surgir utensílios de cobre e as primeiras cerâmicas nas margens do</p><p>Mar Cáspio. A idade dessas sementes coincide com a transição das culturas mais</p><p>adiantadas da Europa e do Oriente Próximo, quando os povos passaram de uma</p><p>vida nômade para uma vida sedentária, mesclando o cultivo estacionário ou</p><p>rotativo, mas sem abandonar a caça.</p><p>A videira era cultivada não somente nas regiões ao norte do Cáucaso, como a</p><p>Geórgia e a Armênia, mas também nas regiões mais ao sul, existindo na Turquia</p><p>(Anatólia), na Pérsia (atual Irã) e no sul da Mesopotâmia (atual Iraque), nas</p><p>montanhas de Zagros, entre o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico. Acredita-se que as</p><p>videiras do Cáucaso, ancestrais de várias das atuais uvas brancas, tenham sido</p><p>levadas pelos fenícios, que habitavam a região do atual Líbano, para toda a</p><p>Europa e até mesmo as Américas. Há poucas décadas, uma ânfora de</p><p>aproximadamente 3.500 anos (confirmada pelo carbono 14), contendo vinho</p><p>seco no seu interior, foi encontrada no Irã por arqueólogos.</p><p>Existe uma imensa quantidade de lendas sobre onde o vinho teria sido</p><p>inicialmente produzido. Uma delas figura na Bíblia, no Velho Testamento: em</p><p>Gênesis, capítulo 9, está a afirmação de que Noé, depois do dilúvio, plantou um</p><p>vinhedo do qual fez vinho, bebeu e se embriagou. Existe a versão babilônica de</p><p>Noé, um personagem chamado Upnapishtim, que faz parte do poema épico</p><p>Gilgamesh, o mais antigo trabalho literário conhecido (1.800 a.C.). Contam os</p><p>textos que Upnapishtim também construiu uma Arca, encheu-a de animais,</p><p>atracou-a numa montanha, soltou sucessivamente três pássaros sobre as águas e</p><p>finalmente sacrificou um animal em oferenda aos deuses. Porém ele não fez</p><p>vinho, como Noé. A bebida surge em outra parte dos textos, quando o herói</p><p>Gilgamesh entra no reino do sol e encontra um vinhedo mágico, de cujo vinho</p><p>obteria a imortalidade se lhe fosse permitido beber.</p><p>Uma antiga lenda basca que celebra um herói, Ano, que teria trazido a videira e</p><p>outras plantas num barco. Curiosamente, o basco é uma das mais antigas línguas</p><p>ocidentais e “ano”, em basco, também significa “vinho”. Também interessante é</p><p>que na mitologia grega, o deus Dionísio foi criado por sua tia Ino, uma deusa do</p><p>mar, e a palavra grega para vinho é “oinos”.</p><p>Também o suco de uva e a própria fruta recebem menção na História com</p><p>significado religioso. Identificada como o haoma de Zoroastro e o soma védico,</p><p>os poderes de exaltação e intoxicação da fermentação da uva e seu suco eram</p><p>vistos como manifestações da influência divina. A uva simboliza especialmente</p><p>a fertilidade da mulher, e seu suco, principalmente não fermentado, era bebido</p><p>em cerimônias e rituais para favorecer a fertilidade feminina.</p><p>Na mitologia grega também há uma lenda sobre o vinho que se assemelha ao</p><p>relato de Noé. O próprio significado do Festival de Dionísio, em Atenas, era a</p><p>comemoração do grande dilúvio com que Zeus castigou o pecado da raça</p><p>humana primitiva. Dessa catástrofe encomendada, somente sobreviveu um casal,</p><p>com 3 filhos: Helena, a primogênita, cujo nome deu origem ao nome da raça</p><p>grega, Orestheus, que teria plantado a primeira vinha; e Amphictyon, a quem o</p><p>próprio Dionísio ensinou sobre a produção do vinho.</p><p>Embora existam registros de produção e consumo do vinho feito da uva em</p><p>muitas partes do mundo antigo, inclusive na Índia e na China, é na Grécia antiga</p><p>onde vamos encontrar referências mais ricas sobre a bebida. É famosa a relação</p><p>do vinho com Baco. O rei, ou deus Baco, era festejado em Atenas, com</p><p>procissões e espetáculos, e a ele era dedicado um dia do ano, no qual aconteciam</p><p>orgias, originadas na Grécia, e difundidas mais tarde em Roma, que perduraram</p><p>até 186 a.C., depois proibidas através de um decreto oficial. Ainda na Grécia,</p><p>mais especificamente em Atenas, o vinho está ligado ao já mencionado Festival</p><p>de Dionísio, na verdade, um culto profano onde Dionísio é confundido com</p><p>Baco, o “deus do vinho”. No entanto, este epíteto foi uma corruptela da</p><p>verdadeira natureza de Dionísio que, segundo a Sagrada Doutrina, representa o</p><p>deus inefável, imortal, eterno, sem princípio nem fim, causa e origem de tudo e</p><p>de todas as coisas. A imagem de Dionísio como um deus libidinoso, ao qual se</p><p>associam licenciosidade e orgias, deve-se a uma interpretação deturpada, uma</p><p>projeção material do mesmo, na forma de Baco que, na verdade não é um</p><p>devasso, mas o portador da “sabedoria inebriante”, que não é proporcionada pelo</p><p>vinho, mas pelo Conhecimento. A associação deste estado com o efeito do vinho</p><p>é apenas uma forma analógica e aproximativa da “embriaguez” ou do êxtase</p><p>proporcionado pela revelação iniciática. Baco foi uma espécie de “Cristo”, uma</p><p>emanação de Dionísio (e não o próprio), que se manifestou como um manú, ou</p><p>mensageiro, portador da chave que liberta o ser humano dos grilhões da matéria,</p><p>ou a luz que liberta das trevas da ignorância. O vínculo com as libações é,</p><p>portanto, profano e corrompido, oriundo da chamada festa das “bacantes” – as</p><p>seguidoras de Baco –, apontadas na história e na mitologia como mulheres</p><p>vulgares, mas que, na verdade eram sacerdotisas virginais, capazes de, em estado</p><p>de êxtase místico, prever o futuro e transmitir sabedoria. Há trechos da mitologia</p><p>em que Dionísio era apenas o deus da vegetação e da fertilidade e depois,</p><p>personificado como Baco, foi se tornando gradualmente o vulgar “deus do</p><p>vinho”.</p><p>Seguindo a descrição da mitologia relativa ao vinho, uma antiga lenda grega</p><p>conta que um pastor de nome Estáfilo notou que uma de suas cabras comia</p><p>cachos de frutos azedos de uma planta até então desconhecida. O pastor colheu</p><p>alguns frutos e levou-os ao seu patrão, Oinos, que deles extraiu um sumo que</p><p>passou a ser bebido regularmente e a planta cultivada. Certo dia Oinos,</p><p>acidentalmente, esqueceu por várias semanas um pouco do sumo dessa fruta</p><p>numa bolsa de pele de carneiro (utilizada para acondicionar água e outros</p><p>líquidos). Sem saber do esquecido, imaginando que bebia um suco fresco da</p><p>planta, provou do conteúdo da bolsa, tendo com resultado um efeito inebriante, e</p><p>atribuiu isso ao contato de algum deus. Desse dia em diante, Oinos passou a</p><p>deixar guardado o suco dessas frutas para produzir a inebriante bebida. Por isso,</p><p>em grego, a palavra videira é designada por staphyle, e o vinho por oinos.</p><p>Já a mitologia romana atribui ao herói e semideus Hércules a introdução das</p><p>primeiras videiras na Península Ibérica, como presente de Saturno.</p><p>Uma conhecida lenda persa conta que o rei Djemchid, entretido com as</p><p>atividades dos seus arqueiros, percebeu que uma grande ave lutava contra uma</p><p>imensa serpente que a envolvia e sufocava. O rei deu ordem imediata a um</p><p>arqueiro para que atirasse. A sete penetrou certeiramente a cabeça da serpente,</p><p>sem que a ave fosse atingida. Uma vez liberta, a ave, que era mágica, voou até</p><p>aos pés do soberano, deixando cair umas sementes e alçou voo para o céu. De</p><p>retorno ao seu reino, o rei ordenou que as sementes fossem plantadas e delas</p><p>nasceram as primeiras videiras, fornecendo abundância de saborosos frutos.</p><p>Além de comidos, com esses frutos era produzido delicioso suco. Um dia,</p><p>porém, tendo sido guardado, o suco tornou-se amargo e estranho, sendo</p><p>considerado como um veneno. Começaram a ter cuidado em ingerir apenas o</p><p>sumo fresco daquelas frutas, acreditando que quando envelhecido ou guardado,</p><p>poderia produzir envenenamento e até matar. Uma donzela do harém, estando</p><p>triste, tentou se matar ingerindo o possível veneno, mas ao invés de morrer,</p><p>mostrou-se alegre e eufórica, caindo depois em sono. O rei então ordenou que</p><p>uma grande quantidade dessa bebida fosse produzida; Jamshid e sua corte</p><p>beberam, gostaram. A bebida foi promovida à categoria de bebida do seu povo,</p><p>tornando-se conhecida como Darou-é-Shah, ou “remédio do rei”, e assim surgiu</p><p>o vinho para os persas.</p><p>O grande rei Cambises, descendente de Djemchid, fundador de Persépolis,</p><p>determinou que parreiras fossem plantadas ao redor da cidade, dando origem a</p><p>uma notável casta de uvas, que deram origem ao célebre vinho de Shiraz.</p><p>onde</p><p>todos os produtores participassem e os negócios fechados seriam divididos de</p><p>modo equitativo entre todos, mesmo entre aqueles que não vendessem à</p><p>contento.</p><p>Tudo seria realizado numa grande praça numa das cidades da região.</p><p>Para valorizar o evento, os prefeitos tiveram a ideia de colocar no meio dessa</p><p>praça um imenso barril de madeira, de onde sairia um vinho especial para a</p><p>degustação geral dos convidados e participantes, além das degustações de cada</p><p>stand. Esse barril teria um vinho representativo dos vinhos da região e, para tal,</p><p>foi solicitado que cada produtor contribuísse com um tonel do seu melhor vinho,</p><p>de modo a que todos conhecessem a excelência da vitivinicultura local. Portanto,</p><p>os idealizadores imaginaram que, se cada produtor levasse o seu melhor vinho</p><p>(que seria composto de apenas um tipo de uva, a mais característica dessa área</p><p>do país), certamente no grande barril haveria o supra sumo de qualidade e</p><p>perfeição, para encantar os convidados.</p><p>Ocorre que cada produtor estava mais preocupado em vender seus próprios</p><p>vinhos e fechar negócios isoladamente e diretamente com os visitantes, à</p><p>despeito da ideia de bem caracterizar os vinhos da região, o que garantiria a</p><p>projeção da fama dos vinhos locais. E então cada um imaginou que se levasse</p><p>um vinho bem ruim, ele reduziria a qualidade da mistura geral e os experts</p><p>acabariam por preferir o seu vinho na degustação isolada no stand.</p><p>O problema é que a maioria dos produtores pensou do mesmo modo: quase</p><p>todos levaram vinhos ruins e deitaram no grande barril no momento do início da</p><p>festa, diante dos juízes e empresários.</p><p>Antes das visitas a cada stand, haveria a prova do vinho do grande barril do meio</p><p>da praça.</p><p>Obviamente a decepção foi geral quando provaram do vinho. Cuspiram</p><p>imediatamente com grande reprovação. Muitos juízes e empresários se retiraram</p><p>do evento, pois se o vinho principal apresentado era de péssima qualidade, não</p><p>havia motivo de ali permanecer.</p><p>O evento foi um fiasco e a região conheceu uma das piores crises de sua história,</p><p>justamente porque cada produtor foi egoísta e não pensou no conjunto, levando,</p><p>em vez do melhor, o seu pior vinho.</p><p>O “conto” nos ensina que, na vida, ou onde quer que estejamos, sempre</p><p>apresentemos o melhor de nós, pensando sempre na coletividade, pois assim</p><p>estaremos beneficiando a todos e a nós mesmos. Caso contrário, isolados ou</p><p>sozinhos, nada realizaremos por muito tempo.</p><p>Um bom conto (ou fato) para inspirar os vitivinicultores e produtores brasileiros</p><p>de modo a estarem unidos em fraternidade e comunhão, pelo bem de todos... E</p><p>pelo barril da vida no meio da praça.</p><p>Como escolher o vinho</p><p>O vinho pode nos proporcionar saúde e prazer simultaneamente, mas além disso,</p><p>podemos descobrir um novo universo de requinte e fascinação ao conhecer o</p><p>mundo dessa nobre bebida, quando procuramos saborear vinhos diferentes e de</p><p>várias origens. Para os apreciadores e conhecedores da “bebida dos deuses”,</p><p>acreditamos que este livro pode trazer informações que complementem e</p><p>ampliem o seu campo de conhecimento, principalmente ao mostrar a relação</p><p>entre o vinho e a saúde, com bases científicas. Para os iniciantes, que procuram</p><p>mais saúde e uma vida mais longa, afirmamos que optar por consumir vinho</p><p>adequadamente pode contribuir para esse objetivo, pois, conforme afirmamos, o</p><p>mundo do vinho permite abertura de uma nova e interessante porta na nossa</p><p>vida.</p><p>Depois das informações já apresentadas, resta saber como escolher o vinho</p><p>certo.</p><p>Aprender a examinar</p><p>É preciso examinar bem a garrafa antes de comprar. O nível do líquido nunca</p><p>deve estar abaixo do normal e a rolha deve estar em boas condições. Observar a</p><p>garrafa contra uma forte luz, Verificar se o vinho tinto não está com muito</p><p>sedimento ou acastanhado e se o vinho branco não está muito amarelo, tendendo</p><p>para o marrom, pois que são sinais de oxidação que os entendedores nos ensinam</p><p>a evitar.</p><p>De olho no rótulo</p><p>Outra sugestão é aprender a conhecer o que está escrito nos rótulos, conforme</p><p>apontamos anteriormente. A grande tendência de um principiante é adquirir</p><p>vinhos franceses, por serem considerados os melhores do mundo. Aqui vão</p><p>algumas dicas para não errar. Os enólogos ensinam, por exemplo, que os vinhos</p><p>que mostram no rótulo a sigla AOC (Vin d´Appellation d’Origine Contrôlée)</p><p>são, em tese, superiores aos VDQS (Vin Delimité de Qualité Supérieure), que,</p><p>por sua vez, tendem a ser melhores que os vulgares “vin de pays” e estes que os</p><p>mais vulgares “vin de table”. Quanto aos AOC, quanto menos genéricos melhor.</p><p>Por exemplo, um vinho Appellation Margaux Contrôlée deverá ser superior a um</p><p>Appellation Bordeaux Contrôlée. Quanto aos “vin de table”, muitos cometem o</p><p>erro de, às vezes, pagar mais por um vinho destes, simplesmente porque são de</p><p>origem francesa. Podemos ter a certeza de que há muitos vinhos nacionais</p><p>superiores à maioria dos “vin de table” da França. Também é necessário cuidado</p><p>com colocações em rótulos que, na verdade apenas ali estão para enganar ou</p><p>motivar o comprador menos entendido, como “Cuvèe especial”, que podemos</p><p>ver em alguns espumantes. Ora, “cuvèe”, como vimos no capítulo relativo aos</p><p>espumantes e champanhes, são vinhos muito especiais, de boas safras, que são</p><p>acrescidos ao vinho em produção para dar-lhes “personalidade”; somente os</p><p>grandes champanhes e vinhos regulares são “cuvèes” e são caríssimos.</p><p>Frequentemente notamos essa expressão em alguns vinhos.</p><p>Outra expressão comum, que não engana mas mascara a realidade do vinho é a</p><p>obscura “Blanc de Blancs”, que, no caso, não acrescenta nada em termos de</p><p>informação sobre a qualidade do vinho, que apenas esse vinho branco foi feito</p><p>com uvas brancas.</p><p>O mais caro nem sempre é o melhor</p><p>A primeira regra básica é que nem sempre o mais caro é o melhor, ou seja, não</p><p>precisamos comprar os vinhos mais caros e melhores do mundo. Conforme</p><p>vimos ao longo de todo o texto, podemos escolher vinhos de grande qualidade e</p><p>poder medicinal a preços baixos. É importante procurar o vinho que nos dá</p><p>prazer em degustar e não aquele que aparece nos rankings nacionais ou</p><p>internacionais, ou que tenhamos ouvido falar ou lido que é maravilhoso.</p><p>No começo, pedir opiniões e sugestões</p><p>Quando iniciamos a nossa relação com o mundo do vinho, ficamos</p><p>impressionados com as pessoas que conhecem a bebida, como os experts, os</p><p>enólogos e sommeliers. Eles têm opiniões próprias e geralmente as expressam</p><p>com muita personalidade, mas não devemos nos enganar, conhecer vinhos é uma</p><p>atividade infinita e ninguém domina completamente o assunto, ou seja, sempre</p><p>há alguém que sabe mais, como tudo na vida. Portanto, para conhecermos cada</p><p>vez mais o mundo do vinho, é necessário humildade. Não há quase nada pior do</p><p>que o pedantismo dos grandes e refinados conhecedores de vinho. Pessoalmente,</p><p>prefiro o contato com aqueles que não procuram demonstrar o seu conhecimento</p><p>apenas para atrair a atenção, o que denota um problema de personalidade. Então,</p><p>não devemos nos envergonhar em perguntar, pedir ajuda a um sommelier,</p><p>solicitar uma opinião, ou pedir uma sugestão de vinho para um maitre num</p><p>restaurante. Melhor um começo humilde do que uma falsa imagem de</p><p>conhecedor, somente para impressionar. Muitos nesta situação acabam</p><p>cometendo gafes vergonhosas.</p><p>Procurar um fornecedor de confiança</p><p>O local onde se adquire o vinho é também de suma importância. É fundamental</p><p>perguntar, trocar ideias, anotar as informações e, principalmente, escolher uma</p><p>adega de confiança, com um orientador ou comerciante honesto, porém o melhor</p><p>é experimentar os vinhos. Sempre se aconselha a adquirir o vinho em locais em</p><p>que haja variedades e grande rotatividade de vendas, de modo a evitar comprar</p><p>um vinho prematuramente envelhecido e mal conservado.</p><p>Cuidado com o preconceito</p><p>Sugere-se que cada um forme uma pequena adega e não ter preconceito.</p><p>Podemos ter ótimos Cabernets Sauvignons e Merlots varietais chilenos, mas</p><p>também há os similares nacionais de excelente qualidade, além dos argentinos,</p><p>franceses, italianos, portugueses, espanhóis, australianos, etc. que</p><p>Os</p><p>persas cultivavam as uvas com extremo cuidado e arte. Escavações e achados</p><p>arqueológicos na região do Irã (antiga Pérsia) descobriram imensos recipientes</p><p>capazes de conter até 200 litros de mosto de uvas. O vinho era produzido em</p><p>grande quantidade, pois era distribuído aos soldados, para lhes dar coragem nas</p><p>batalhas.</p><p>Os povos mesopotâmicos também apreciavam o vinho. A região onde se</p><p>encontra atualmente o Iraque, situada entre os rios Tigre e Eufrates (que nasce no</p><p>Monte Ararat) é quente e árida, inadequada para o cultivo da uva. Entre 4.000 a</p><p>3.000 a.C, os sumérios lá se estabeleceram e fundaram as cidades de Kish e Ur.</p><p>Parece que eles tentaram produzir vinho, sem sucesso, sendo necessário importar</p><p>a bebida. Há registros de que o rio Eufrates foi usado para transporte de vinho da</p><p>região da Armênia para Babilônia. Os hititas ocuparam a região da Babilônia por</p><p>volta de 2.000 a.C. e, como apreciavam muito o vinho, conseguiram produzi-lo</p><p>no local, possivelmente de boa qualidade. O próprio Código de Hamurabi e o</p><p>código de lei aplicado pelos hititas são os dois primeiros livros conhecidos sobre</p><p>leis e ambos fazem referência ao vinho.</p><p>No Código de Hamurabi há três seções relacionadas ao vinho. A primeira afirma</p><p>que “a vendedora de vinhos que errar a conta será atirada à agua”; o segundo</p><p>aponta que “se a vendedora não prender marginais que estiverem tramando e os</p><p>levar ao palácio seria punida com a morte”; a última diz que “se uma sacerdotisa</p><p>abrir uma casa de vinhos ou nela entrar para beber, será queimada viva”.</p><p>No mundo antigo havia um grande intercâmbio comercial ligado à uva e ao</p><p>vinho. A serviço do Império Assírio, os cananeus controlavam pontos comerciais</p><p>importantes como Al-Mina, Ugarit, Sidon e Tiro, sendo depois substituídos pelos</p><p>fenícios (grandes consumidores de vinho). Depois Alexandre o Grande</p><p>conquistou toda a região e fundou Alexandria, onde era muito forte o comércio</p><p>do vinho.</p><p>Há relatos sobre detalhes da produção de vinho em pinturas egípcias que datam</p><p>de 1 mil a 3 mil a.C., incluindo textos que apontam a existência de peritos</p><p>envolvidos na diferenciação da qualidade dos vinhos. Detalhes das várias etapas</p><p>da elaboração do vinho, tais como a colheita da uva, a prensagem e a</p><p>fermentação podiam ser verificados nas tumbas dos faraós, além de cenas</p><p>mostrando como o vinho era bebido, em diferentes recipientes e situações, como</p><p>festas, comemorações, indo desde eventos formais até libidinosos.</p><p>A relação do Egito com o vinho é marcante. Como uma das civilizações mais</p><p>antigas, os egípcios podem ter herdado a tradição de plantar uvas e produzir</p><p>vinhos de civilizações bem mais antigas, incluindo a lendária Atlântida, ou</p><p>então, videiras, uva, ou o próprio vinho já elaborado, podem ter chegado ao</p><p>Egito pelo Rio Nilo, originários do Líbano, Síria, Assíria, da Núbia, da costa</p><p>norte da África. No Egito, nitidamente o consumo de vinho parece ter sido</p><p>inicialmente limitado aos nobres, sacerdotes e pessoas ricas, para depois chegar</p><p>aos pobres, que, como hoje, só têm acesso aos vinhos mais baratos e certamente</p><p>de qualidade inferior. No Egito, os vinhedos e o vinho eram oferecidos aos</p><p>deuses, especialmente pelos faraós, conforme pode ser visto em ilustrações nas</p><p>pirâmides, que mostram as oferendas de Ramsés III (1100 a.C.) fez a Amon. Na</p><p>tumba do faraó Tutankamon (1371-1352 a.C.), foram encontradas, em 1922, 36</p><p>ânforas de vinho, algumas das quais continham inscrições sobre regiões</p><p>produtoras de vinho, safra, nome do comerciante e até a referências a uma</p><p>excelente qualidade.</p><p>É notável como toda a região ligada ao Mar Mediterrâneo tenha ligação com a</p><p>história do vinho, que trouxe uma nova forma de relação entre as pessoas dada à</p><p>sua capacidade de produzir relaxamento e diferente estado de espírito, sendo</p><p>então imprescindível nas festividades e comemorações. Como curiosidade,</p><p>descobrimos que no próprio cerco histórico a Tróia, o vinho era fundamental</p><p>para as longas noites ao redor das fogueiras e nos acampamentos gregos, ao</p><p>longo dos supostos dez anos de sítio. Se faltasse o vinho, os soldados talvez não</p><p>tivessem ânimo suficiente para ter tanta paciência, a ponto de esperar tanto</p><p>tempo. A bebida era tão considerada entre os gregos que nas épocas de escassez,</p><p>durante o cerco de Tróia, não era raro um intercâmbio de vinho contrabandeado,</p><p>originário de dentro da própria cidade sitiada, obtido graças à participação de</p><p>comerciantes nada interessados em questões bélicas. Ademais, conta-se que os</p><p>próprios gregos faziam vistas grossas aos vendedores de vinho que se</p><p>esgueiravam à noite para suprir Tróia com o milagroso néctar; só podiam</p><p>permitir isso, pois poderiam ser beneficiados com algum suprimento do mesmo,</p><p>uma vez que os barcos que buscavam o vinho em regiões distantes, às vezes</p><p>demoravam, ou nunca reapareciam, vitimados por alguma tempestade. Na Ilíada,</p><p>Homero fala de vinhos da ilha de Lemnos, no mar Egeu, como a fornecedora de</p><p>vinho para as tropas que sitiavam Tróia, cujo vinho era proveniente da Frigia.</p><p>Homero também descreve os vinhos gregos ao narrar as viagens de Ulisses,</p><p>incluindo o caso do vinho do sacerdote Maro: um vinho tinto muito doce e tão</p><p>forte que era diluído com água na proporção de 1:20 (um por vinte). Quando foi</p><p>aprisionado pelo ciclope Polifemus na costa da Sicília, Ulisses ofereceu-lhe o</p><p>vinho de Maro. Como o ciclope estava acostumado com o fraco vinho da Sicília,</p><p>caiu em sono profundo, o que permitiu a Ulisses extrair-lhe o olho, segundo a</p><p>mitologia. Homero também menciona outros detalhes sobre o vinho,</p><p>descrevendo poeticamente a sua colheita durante o outono.</p><p>Uma descoberta recente mostra o quanto os gregos gostavam de vinho: a adega</p><p>do rei Nestor, de Pilos, cidade da Peloponésia, no sul da Grécia, cuja capacidade</p><p>foi estimada em 6 mil litros, estocados em grandes jarras denominadas “pithoi”.</p><p>Pitorescamente, o vinho era levado até a adega dentro de bolsas de pele de</p><p>cordeiro e outros animais, o que certamente conferia algum “buquê” extra à</p><p>bebida.</p><p>A expansão da cultura grega fez com que a Sicília e a Calábria na Itália fossem</p><p>designadas, nessa época, Magna Grécia, também chamada de Oenotri, a “terra</p><p>dos vinhos”. Em 500 a.C., período de grande procura por novas terras, ocorreu</p><p>também a colonização do sul da França pelos gregos habitantes da Lídia, que</p><p>fugiam da invasão dos persas e fundaram Marselha (antes Massalia) e se</p><p>estabeleceram também na Córsega. Os gregos controlaram rotas do Rhône, do</p><p>Saône, através da Borgonha, do Sena e do Loire. Massalia fazia seu próprio</p><p>vinho e as ânforas para exportá-lo. Segundo o historiador romano Justiniano, “os</p><p>gauleses aprenderam com os gregos uma forma civilizada de vida, cultivando</p><p>olivas e videiras”. A misteriosa ilha de Lesbos, ao norte de Chios, possuía um</p><p>vinho destacado e, provavelmente, foi a origem do Pramnian, um vinho mítico,</p><p>equivalente do lendário vinho búlgaro Tokay Essenczia.</p><p>Segundo a história, não era costume consumir apenas o vinho tinto seco, mas</p><p>havia predileção pelos vinhos doces. Laerte, o pai de Ulisses, o herói da Guerra</p><p>de Tróia, possuía 50 tipos de vinhedos, cada um com diferentes uvas. Os vinhos</p><p>eram também misturados e raramente eram bebidos puros, sendo comum a</p><p>adição de água; quanto mais formal o evento e mais sofisticada a comida, mais</p><p>ou menos água ou especiarias aromáticas eram adicionadas ao vinho.</p><p>O vinho sempre esteve estreitamente vinculado a eventos e reuniões. Tanto</p><p>assim que a palavra simpósio (do latim simposium), tem o significado literal de</p><p>“bebendo junto”. Os simposium eram eventos onde as pessoas se reuniam para</p><p>beber vinho em salas especiais, reclinados confortavelmente em almofadas e</p><p>divãs, onde conversas e negócios aconteciam num ambiente propício,</p><p>geralmente em clima de festa, com dançarinas, ao som de violas, harpas e</p><p>flautas.</p><p>O vinho chegou ao sul da Itália através dos gregos a partir de 800 a.C., mas os</p><p>etruscos já viviam ao norte, na região da atual Toscana, onde elaboravam bons</p><p>vinhos e os comercializavam na Gália e, talvez, na Borgonha. É com a expansão</p><p>de Roma que ocorre a maior</p><p>difusão e comércio do vinho pelo mundo. Os</p><p>romanos se dedicaram com seriedade à vitivinicultura que, com eles, atingiu seu</p><p>clímax na época. O senador Catão em sua obra De Agri Cultura foi o primeiro</p><p>romano a escrever sobre o tema mas a obra mais famosa foi escrita por Mago,</p><p>um cartaginês, e traduzida para o grego e o latim. O livro estimulava a plantação</p><p>comercial intensiva de vinhedos, como fonte de divisas.</p><p>“O vinho? Eu preparo três taças para o moderado:</p><p>uma para a saúde, que ele sorverá primeiro,</p><p>a segunda para o amor e o prazer e a terceira para o sono.</p><p>Quando essa taça acaba, os convidados sábios vão para casa. A</p><p>quarta taça é a menos demorada, mas é a da violência;</p><p>a quinta é a do tumulto, a sexta da orgia, a sétima a do olho roxo,</p><p>a oitava é a do policial, a nona da ranzinzice e</p><p>a décima a da loucura e da quebradeira dos móveis.”</p><p>Filósofo Eubulus, Grécia. 375 a.C.</p><p>Na Itália romana apareceram os primeiros grandes vinhedos e vinhos de</p><p>qualidade, muitos dos quais existem até hoje. Na baía de Nápoles e na península</p><p>de Sorrento estavam os melhores produtores. É dessa época o maravilhoso e</p><p>lendário Opimiano, safra de 121 a.C. do vinhedo Falernum, que foi consumido,</p><p>conforme registros históricos, até 125 anos depois; foi produzido em</p><p>homenagem ao cônsul Opimius, um apreciador inveterado de vinho e grande</p><p>incentivador da produção de muitos vinhedos.</p><p>Uma curiosidade sobre os hábitos romanos relacionados ao vinho é semelhante</p><p>ao que acontecia na Grécia: em vez de preferirem o vinho tinto, bebiam mais o</p><p>vinho doce, daí a realizarem as colheitas o mais tardiamente possível, conforme</p><p>a antiga técnica grega, colhendo o fruto um pouco imaturo (como no caso dos</p><p>vinhos “verdes”) mas deixando-o secar ao sol para concentrar o açúcar. Outra</p><p>técnica para formar um vinho mais forte e doce era fervê-lo, aumentando a</p><p>concentração de açúcar (Defrutum), ou ainda adicionar mel (Mulsum).</p><p>Preparavam também um mosto cuja fermentação era interrompida por</p><p>submersão da ânfora em água fria e, portanto, contendo mais açúcar, produzindo</p><p>o semper mustum, que é um mosto permanente. Os romanos também praticavam</p><p>as misturas com vinhos que eram fervidos em infusões ou macerações com</p><p>ervas, especiarias, resinas e denominados “vinhos gregos”, pois os gregos</p><p>raramente tomavam vinhos sem temperá-los. Sobre esta prática há receitas</p><p>deveras exóticas registradas, passadas para a história dos vinhos através de</p><p>Apícius, Plínio, Columella, Apitínio e Clesus, entre outros.</p><p>Os romanos adquiriram também dos gregos o hábito de envelhecer o vinho. Os</p><p>fortes e doces eram expostos ao ar livre e os mais fracos eram acondicionados</p><p>em jarras e enterrados. Outra técnica para envelhecer e tornar mais apurado o</p><p>vinho era o fumarium, ou a defumação, em que as ânforas com vinho eram</p><p>colocadas em cima de uma lareira, tornando o produto com cheiro de fumaça e</p><p>levemente mais ácido.</p><p>Os romanos parecem ter sido o povo que mais difundiu a arte de fazer e</p><p>consumir vinho. Partindo de Provença, eles subiram o vale do Rhône e mais</p><p>tarde dirigiram-se a oeste, atingindo a região de Bordeaux, a mais famosa região</p><p>produtora da atualidade. Os vinhedos da Borgonha surgiram no século II; do vale</p><p>do Loire no século III; das regiões de Paris, Champagne, Mosela e Reno no</p><p>século IV; já os da Alsácia, que não tiveram origem romana, e só aparecem bem</p><p>mais tarde, no século IX, mas sob forte influência germânica.</p><p>A França é atualmente o país mais importante em relação ao vinho e a região,</p><p>segundo os experts, onde são produzidos os melhores vinhos conhecidos. Mas há</p><p>controvérsias quanto à origem da vitivinicultura francesa. Alguns historiadores</p><p>que acreditam ser a região da atual França o berço de origem da vinicultura na</p><p>Terra, mas os italianos afirmavam serem eles os pioneiros na região da Gália,</p><p>estendendo a cultura para toda a atual França e sul da Alemanha. Alguns</p><p>estudiosos acreditam que esta iniciativa partiu dos celtas, que muito ativos,</p><p>místicos e guerreiros, dominaram quase toda a região dos Alpes, na mesma</p><p>época em que Atenas exercia a sua hegemonia sobre a Grécia. Os celtas</p><p>invadiram a Lombardia, na Itália (onde fundaram Milão) e alcançaram Roma,</p><p>Macedônia, e Belgrado, na região do Rio Danúbio. Certamente que, se foram</p><p>grandes produtores de vinho, devem ter levado a vitivinicultura por onde</p><p>passaram; curiosamente, o roteiro de conquistas deste povo passa exatamente</p><p>por regiões produtoras de grande parte dos melhores vinhos da atualidade, seja</p><p>da França ou da Itália.</p><p>Com o declínio do Império Romano, a produção de vinho da Itália entrou</p><p>também em decadência, só reaparecendo mais tarde, com a ascensão do</p><p>cristianismo, cujos monges produziam vinho e o comercializavam.</p><p>A Igreja Católica se firma e difunde o simbolismo do vinho na sua liturgia,</p><p>estimulando assim amplamente a vitivinicultura por todo o mundo e fazendo-a</p><p>renascer nas áreas que anteriormente foram exuberantes na produção da bebida.</p><p>A Igreja passou a ser, por séculos, proprietária de inúmeros vinhedos nos</p><p>mosteiros das principais ordens religiosas da época, como a os franciscanos,</p><p>beneditinos e outras, que se espalharam por toda Europa, levando consigo a arte</p><p>da produção da bebida que representava o “sangue de Cristo”. O mosteiro de</p><p>Eberbach, na região alemã do Rheingau, construído em 1136, foi o maior</p><p>estabelecimento vinícola do mundo durante os séculos XII e XIII e até hoje</p><p>produz excelentes vinhos.</p><p>Podemos afirmar que a Igreja Católica teve na produção e comércio do vinho a</p><p>sua fonte principal de riquezas, tendo lucrado mais com o vinho do que com os</p><p>dízimos dos fiéis, em todos os tempos. Até hoje, mesmo com os grandes trustes</p><p>de comércio de vinho, nada ou ninguém superou o Vaticano como o maior</p><p>comerciante de vinho de todas as épocas da história humana. Com o apelo de</p><p>que o vinho “representa” o sangue de Jesus, fica fácil tratar em produzi-lo em</p><p>larga escala e comercializá-lo. O que muitos não aceitam é que este “sangue” –</p><p>que supostamente deveria ser ingerido em pequenas quantidades, apenas nos</p><p>rituais e missas – sempre foi o principal ingrediente nas festas, orgias, banquetes</p><p>pantagruélicos, e outras libações, consumido em grandes quantidades. Podemos</p><p>concluir que, em pequenas quantidades, o vinho pode ser, sim, o “sangue de</p><p>Jesus”, mas em grandes, é o “sangue do Diabo”. Sob o prisma humorístico que o</p><p>fato merece, bem que poderia ser esta uma das razões de atualmente se exigir</p><p>que toda propaganda de bebidas alcoólicas – incluindo o vinho – apresente a</p><p>advertência: “Beba com moderação”.</p><p>Ao contrário de que se imagina, depois da Igreja Católica, os maiores difusores</p><p>do hábito de consumo de vinho não foram as tabernas, mas os hospitais! Nas</p><p>Idade Média e Moderna, os hospitais não cuidavam apenas dos doentes, mas</p><p>também recebiam viajantes, estudantes, peregrinos, etc. A palavra “Hotel”</p><p>deriva-se da palavra “Hospital”, que possuem a mesma raiz semântica. Um dos</p><p>mais famosos “hospitais” foi o Hôtel-Dieu, Hospice de Beaune, fundado em</p><p>1443 e até hoje mantido pelas vendas de vinho.</p><p>As universidades também tiveram grande importância na difusão e no consumo</p><p>do vinho, desde a Idade Média à Contemporânea. Os registros apontam que o</p><p>fato teve como origem a iniciativa da Universidade de Paris que, para contar</p><p>com mais estudantes e estimular a cultura, oferecia salvo conduto e ajuda de</p><p>custos para viagens de intercâmbio com outras universidades. O problema é que</p><p>os estudantes mais pobres e os andarilhos permaneciam mais tempo em tavernas</p><p>do que em salas de aulas, mostrando mais interesse em vinhos e boemia. Houve</p><p>até um grupo de estudantes que bebia e conhecia com detalhes todos os bons</p><p>vinhos da Europa, a Ordem dos Goliardos, que se tornou muito famosa.</p><p>Depois da Igreja, dos Hospitais e dos estudantes, foram as expedições</p><p>colonizadoras os maiores difusores da produção e consumo de vinho. A</p><p>atingirem outros continentes, levavam tanto vinho quanto videiras, e iniciavam o</p><p>cultivo das parreiras. Isso ocorreu especialmente nas Américas do Norte e do Sul</p><p>(Argentina, Chile e Brasil) e na África</p><p>(África do Sul). Para as Américas, a uva</p><p>foi trazida primeiro por Américo Vespúcio, mas a produção só tomou corpo com</p><p>Cristóvão Colombo, após a sua segunda viagem às Antilhas em 1493,</p><p>espalhando-se depois para o México e as colônias espanholas da América do</p><p>Sul. Para o Brasil, as primeiras videiras foram trazidas da Ilha da Madeira por</p><p>Martin Afonso de Souza em 1532 e plantadas por Brás Cubas no litoral paulista</p><p>e depois, em 1551, na região de São Paulo de Piratininga, com bom resultado.</p><p>O vinho nos dias atuais</p><p>As descobertas de Pasteur (1822-1895) sobre os microrganismos e a fermentação</p><p>publicadas na sua obra Études sur le vin, representam um marco histórico no</p><p>desenvolvimento da vitivinicultura moderna, abrindo as portas para que, a partir</p><p>do século XX, a elaboração dos vinhos tomasse novos rumos, potencializada</p><p>depois com o desenvolvimento tecnológico e biológico. O cruzamento genético</p><p>de diferentes cepas de uvas, o desenvolvimento de leveduras (fermentos)</p><p>especiais, a colheita mecanizada, a fermentação “a frio” na elaboração dos</p><p>vinhos brancos permitiu um grande impulso à enologia, a ciência que estuda a</p><p>produção do vinho.</p><p>Devido a estes fatores, pode-se dizer que, apesar da fama de alta qualidade dos</p><p>vinhos do passado, os vinhos atuais têm um nível de qualidade bem superior.</p><p>Curiosidades sobre a bebida dos deuses</p><p>A Bíblia é o primeiro documento escrito que menciona a uva e o vinho. Há 180</p><p>menções do vinho no Velho Testamento e mais de 35 no Novo Testamento.</p><p>* * *</p><p>Ao procurarmos no Velho Testamento, somente um livro não contém referência</p><p>alguma ao vinho: o de Jonas. As referências são tantas que durante a Lei Seca</p><p>nos Estados Unidos, quando a fabricação, transporte e venda de bebidas</p><p>alcoólicas foram proibidos, tentaram provar que o vinho citado na Bíblia era, na</p><p>verdade, suco de uva sem fermentação alcoólica. Mas a história não pegou!</p><p>* * *</p><p>Origem do termo “saúde” ao brindar</p><p>Na Grécia antiga, o anfitrião tomava o primeiro gole de vinho para garantir aos</p><p>hóspedes que o vinho não estava envenenado, daí vem a expressão “saúde”. Já o</p><p>ato de brindar começou na Roma Antiga quando os romanos deram continuidade</p><p>à tradição grega, mas começaram a colocar um pedaço de pão torrado em cada</p><p>copo de vinho para neutralizar sabores indesejáveis ou acidez excessiva.</p><p>* * *</p><p>O primeiro livro impresso sobre o vinho, o “Líber de Vinis”, foi publicado no</p><p>ano de 1300, de autoria do médico Arnaldo de Vilanova, que aponta diversos</p><p>usos terapêuticos da bebida, descrevendo muitos aspectos interessantes, entre</p><p>eles a denúncia do costume fraudulento dos comerciantes de vinho que tentavam</p><p>disfarçar a acidez e o amargor de vinhos velhos ou ordinários, ao oferecerem aos</p><p>fregueses alcaçuz, nozes ou queijos salgados, antes que eles provassem seus</p><p>vinhos.</p><p>* * *</p><p>Gregos e romanos não conheciam os métodos de envelhecimento e conservação</p><p>do vinho, o que os obrigava a beber todo o vinho que produziam ao longo do</p><p>primeiro ano de produção, antes que a bebida avinagrasse. Isso perdurou até</p><p>meados do século XIX, quando passaram a envelhecer os vinhos, apurando</p><p>enormemente a sua qualidade e sabor. O vinho, mesmo para durar poucos meses,</p><p>precisava receber conservantes, sendo os mais comuns aqueles à base de ervas,</p><p>mel, queijo ou até mesmo sal, até mesmo para tentar disfarçar o gosto do</p><p>vinagre.</p><p>* * *</p><p>Por que as garrafas de vinho, em geral, são de 750 ml?</p><p>Esse padrão surgiu na França, pouco depois que foram inventadas as garrafas de</p><p>vidro e as garrafas tinham vários tamanhos e capacidades. Mas a Inglaterra era o</p><p>maior importador de vinhos de Bordeaux e a França não tinha o mesmo sistema</p><p>métrico inglês, que usava a medida chamada “galão Imperial” que correspondia</p><p>4,54609 litros. Os vinhos de Bordeaux eram transportados em barris de 225</p><p>litros, que correspondiam a 50 galões imperiais. De modo a facilitar os cálculos,</p><p>os comerciantes procuravam uma garrafa com uma quantidade fácil de lembrar e</p><p>usar, com base no seguinte: 225 litros correspondem a 300 garrafas de 750 m (ou</p><p>75 centilitros, cl), um barril é igual a 50 litros ou 300 garrafas de 750ml. E o</p><p>costume de se vender a caixa de vinho com 6 garrafas, como acontece até hoje,</p><p>se deve ao fato simples de que 6 garrafas de 750 ml correspondem exatamente a</p><p>um galão de líquido.</p><p>* * *</p><p>De onde veio o saca-rolha</p><p>Ninguém sabe ao certo, mas ele foi inventado apenas no século XVII, quase ao</p><p>mesmo tempo em que garrafas de vidro começaram a surgir. Os vinhos então</p><p>passaram a ser conservados por muitos anos.</p><p>* * *</p><p>O século XIX foi importante para a maior conservação do vinho, quando Pasteur</p><p>explicou a origem química da fermentação e identificou os agentes responsáveis</p><p>por este processo. Também ao notável químico francês se deve outra invenção</p><p>que foi o método de esterilização por meio do calor, conhecido como</p><p>“pasteurização”. Este método é utilizado até hoje para eliminar as bactérias e</p><p>outros microrganismos, não do vinho, obviamente, mas dos frascos.</p><p>****</p><p>Sabrage – Abrindo o champagne com o sabre</p><p>Método de degola de uma garrafa de champagne (espumante ou similar). Conta</p><p>a história que, no início do século XVIII, Napoleão e seus soldados possuíam a</p><p>tradição de comemorar suas vitórias nos campos de batalha realizando a degola</p><p>das garrafas de champagne um único golpe de seu sabre.</p><p>* * *</p><p>In vino veritas – Origem</p><p>“No vinho está a verdade” – é um antigo provérbio considerado a expressão</p><p>máxima do efeito do vinho, ou seja, sob a sua ação prevalece a verdade. A</p><p>origem remonta a uma situação ocorrida numa aldeia romana, na era do</p><p>cristianismo. Como os habitantes da aldeia eram avessos à nova doutrina, as</p><p>autoridades enviaram para o local um bispo para estudar o que se estava a passar.</p><p>O bispo concluiu que o jovem sacerdote era muito tímido e os seus sermões não</p><p>entusiasmavam os habitantes da aldeia. O bispo aconselhou-o, então, a beber</p><p>alguns cálices de vinho antes de iniciar os seus sermões, o que o jovem aceitou</p><p>de bom grado. O resultado foi espantoso! O sacerdote enalteceu tanto as virtudes</p><p>do cristianismo, que o bispo, pasmo com a transformação do jovem, considerou</p><p>que este tinha exagerado nos copos. A aldeia tornou-se um exemplo de</p><p>cristandade.</p><p>* * *</p><p>Mulher não podia beber</p><p>No passado, em muitas culturas o uso do vinho era restrito aos homens. De</p><p>acordo com Lewin, as mulheres da Roma Antiga não tinham permissão de beber</p><p>vinho. Ignácio Mecênio espancou a esposa até a morte quando a mesma bebeu</p><p>vinho de um barril. Pompílio Fauno mandou chicotear a esposa porque ela</p><p>bebera o seu melhor vinho. Há registros também em Roma que uma mulher da</p><p>nobreza foi condenada a morrer de fome, somente porque abrira o armário onde</p><p>eram guardadas as chaves da adega.</p><p>* * *</p><p>Vinhos gregos controvertidos na antiguidade</p><p>O teor alcoólico dos vinhos gregos não poderia ter excedido a 14%, pois o</p><p>processo de fermentação é naturalmente inibido nessa graduação, cessando a</p><p>produção de álcool. Entretanto, esses vinhos são descritos muitas vezes como se</p><p>necessitassem de muitas diluições antes de serem bebidos. Desse modo, ao que</p><p>parece, os vinhos gregos se caracterizavam mais como extratos e tinturas, como</p><p>de outros itens vegetais do que de vinho propriamente dito, como conhecemos</p><p>hoje.</p><p>* * *</p><p>Na Grécia era costume se adicionar resinas ao vinho para fazer retisina, como</p><p>em outros tempos em que outras plantas, talvez a o absinto, o estramônio ou a</p><p>beladona, faziam parte da composição do vinho.</p><p>* * *</p><p>O vinho “turbinado” dos papas</p><p>O vinho sempre foi apreciado pelo clero e principalmente pelos papas. O que</p><p>pouca gente sabe é que houve um vinho especial, criado em 1863 pelo vinicultor</p><p>Ângelo Mariani, obtido por decocção de folhas de coca em vinho Bordeaux, que,</p><p>obviamente apresentava teor de cocaína. A bebida ficou conhecida como Vinho</p><p>Mariani e tinha até um cartaz de propaganda, idêntico ao seu rótulo,</p><p>apresentando a figura alegre do papa Leão XIII, pois tanto este quanto seu</p><p>sucessor, Pio X, eram consumidores regulares do vinho turbinado.</p><p>Leão XIII parece ter gostado mesmo do vinho Mariani,</p><p>pois promovia a bebida e</p><p>até atribuiu-lhe uma medalha de ouro do Vaticano.</p><p>* * *</p><p>A praga que dizimou as vinhas na Europa</p><p>Um período negro para a vitivinicultura europeia aconteceu entre 1870 e o início</p><p>do século XX, quando uma doença parasitária provocada pelo inseto Phylloxera</p><p>vastatrix devastou praticamente todas as parreiras da Europa. A praga foi levada</p><p>ao continente europeu por vinhas americanas contaminadas e trouxe sério</p><p>prejuízo à produção do vinho no período. Curiosamente, a própria causadora da</p><p>praga trouxe a salvação, pois se descobriu que as raízes das videiras americanas</p><p>eram resistentes ao inseto e passaram a serem usadas como porta-enxerto para o</p><p>replantio de vinhas europeias, causando a retomada da produção.</p><p>Curiosidades da matéria Vem da Uva, da Wine Tourism Spain e Fact</p><p>Retriever:</p><p>Vinho e sexo</p><p>Como o vinho tem propriedades relaxantes, beber quantidades moderadas antes</p><p>do ato sexual poderia torná-lo mais agradável, especialmente para as mulheres. É</p><p>o que diz um estudo italiano, referente ao efeito de duas taças de vinho por dia</p><p>na atividade sexual. As mulheres seriam mais suscetíveis aos efeitos da bebida</p><p>por processarem-na mais lentamente.</p><p>Os maiores produtores</p><p>O maior produtor de vinhos do mundo é a França, seguida pela Espanha, Itália e</p><p>Califórnia. A Espanha detém o maior vinhedo do mundo, mas os franceses</p><p>teriam mais videiras por hectare que os espanhóis. Nos Estados Unidos, o vinho</p><p>é produzido em absolutamente todos os estados, incluindo o Alasca. Não é</p><p>surpresa que a uva seja a fruta mais cultivada em termos de hectares plantados</p><p>no mundo!</p><p>Nem todo vinho melhora com a idade</p><p>Apenas 5% de todo o vinho produzido no mundo realmente vai “melhorar com a</p><p>idade”, e 95% da produção mundial deve ser bebida dentro de 1 ano após</p><p>chegarem ao mercado. Os vinhos de fato mudam com a idade, alguns para</p><p>melhor, mas a maioria não. Essa evolução depende da mistura de ácidos,</p><p>açúcares, fenóis e taninos, mas a grande maioria dos vinhos produzidos está</p><p>pronta para beber e não tem muito potencial para envelhecer.</p><p>Vinho branco de uvas tintas?</p><p>Somente os conhecedores sabem que o vinho branco também pode ser feito de</p><p>uvas tintas. Isso porque a coloração do vinho é definida pela extração de</p><p>pigmentos presentes na casca da uva, que ficam de fora da fermentação no caso</p><p>dos vinhos brancos. Aliás, um dos principais espumantes é feito com a uva tinta</p><p>Pinot Noir. Já na produção do vinho rosé, as cascas de uva tinta ficam em</p><p>contato com a mistura apenas por tempo suficiente para alcançar o tom rosado.</p><p>O poder antioxidante</p><p>O vinho pode ser uma poderosa fonte de antioxidantes. Para obter a mesma</p><p>quantidade de antioxidantes de uma garrafa de vinho, seria necessário beber 20</p><p>copos de suco de maçã ou 7 de laranja. Importante saber que o vinho tinto tem</p><p>bem mais antioxidantes e resveratrol que o branco.</p><p>10 coisas que precisamos saber sobre o vinho</p><p>1. São necessárias aproximadamente 300 uvas para produzir uma garrafa de</p><p>vinho, mas isso depende de como foi feita a fermentação, as dimensões e</p><p>condição das uvas, sua acidez, teor de açúcar, etc. Já um hectare de videiras tem</p><p>mais ou menos 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) bagos de uvas e produz</p><p>cerca de 33 barris de vinho. Dividindo-se esse número até chegar a uma garrafa,</p><p>temos o valor de 300 uvas por garrafa.</p><p>2. Uvas tintas também produzem vinhos brancos e rosés. Tanto é que existem</p><p>raros Malbecs e Pinots Noirs brancos. Para que isso aconteça, basta fermentar a</p><p>uva sem deixar as cascas em contato com o mosto, pois são elas que dão cor ao</p><p>vinho. No caso dos rosés, é só manter o contato por pouco tempo, para que a</p><p>coloração não chegue a ser tinta.</p><p>3. Vinho doce (de sobremesa) não tem adição de açúcar. Um vinho de sobremesa</p><p>pode ser doce por vários fatores: pela maturação em excesso da uva, pela</p><p>fortificação, pelas uvas serem atingidas pelo fungo botrytis cinerea ou ainda por</p><p>se tratar de um icewine.</p><p>4. A diferença entre vinho seco e suave. O vinho suave tem adição de açúcar. É</p><p>geralmente um vinho de qualidade mais baixa, elaborado com uvas comuns de</p><p>espécies americanas Concord, Herbermont, Niágara, Isabel, entre outras,</p><p>facilmente encontrados em supermercados. Já os vinhos secos (também</p><p>chamados de vinhos finos) são elaborados com uvas mais nobres, como</p><p>Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay. O açúcar nesses vinhos é produzido</p><p>naturalmente pela uva durante a fermentação.</p><p>5. Vinho Verde… Não é verde! São uvas cultivadas às margens do rio Minho,</p><p>em Portugal, região demarcada de Vinho Verde, que dá nome ao vinho. Portanto,</p><p>ele pode ser branco, tinto e até rosé.</p><p>6. Vinho do Porto não é produzido no Porto. A cidade do Porto é por onde escoa</p><p>a produção dos vinhos produzidos no Douro.</p><p>7. Nem todo espumante é Champagne. Apenas o espumante produzido na</p><p>província histórica de Champagne, na França, recebe esse nome. Regra: nem</p><p>todo espumante é champagne, mas todo champagne é um espumante.</p><p>8. Os chineses são os maiores consumidores de vinho tinto do mundo,</p><p>ultrapassando a França e a Itália. Em 2014, os chineses chegaram a consumir</p><p>1,86 bilhão de garrafas de vinho tinto, segundo pesquisas publicadas na revista</p><p>Exame.</p><p>9. E a Itália é a maior produtora do mundo. Há aproximadamente cinco anos, a</p><p>Itália tem assumido a primeira posição mundial, à frente da França, até então a</p><p>maior produtora.</p><p>10. O Douro, é a primeira Denominação de Origem do mundo, produzindo vinho</p><p>há mais de dois mil anos. O Douro conquistou o título de primeira DOC do</p><p>mundo, e a região, inclusive, foi classificada como Patrimônio da Humanidade</p><p>pela UNESCO.</p><p>Fonte:Sonoma</p><p>O vinho na filosofia – O Epicurismo</p><p>“In vino veritas”</p><p>Provérbio latino</p><p>Não há filósofo da Antiguidade Grega mais identificado com o vinho do que o</p><p>incompreendido Epicuro. Tido como adepto do hedonismo¹, ateu e cultuador do</p><p>prazer e da libidinagem, Epicuro, no entanto, desenvolveu uma filosofia muito</p><p>diferente dessa posição. Para o filósofo, que era muito respeitado em sua época,</p><p>o prazer imediato, inconsequente e egoísta é um atributo do homem vulgar;</p><p>Epicuro cultuava, sim, o prazer imediato, mas desde que refletido, avaliado pela</p><p>razão, escolhido sabiamente, com prudência, filosoficamente. Segundo o mestre,</p><p>é preciso desenvolver a capacidade de dominar os prazeres, e não se deixar por</p><p>eles dominar; ato contínuo, é necessário ter a faculdade de gozar e não a</p><p>necessidade de gozar. Aqui a essência da filosofia epicurista, que não se fixa nos</p><p>prazeres do corpo físico, mas presta maior atenção e mantém grande foco nos</p><p>prazeres morais, estéticos, intelectuais e espirituais, considerados como os mais</p><p>altos e sofisticados. Neste ponto, podemos entender a diferença entre bebedores</p><p>vulgares de vinho (ou de qualquer bebida alcoólica) com aqueles que cultuam a</p><p>bebida de modo adequado, consciente, elegante, sem excessos e com critério de</p><p>seleção, ou seja, bem à moda do epicurismo autêntico.</p><p>Para Epicuro, o verdadeiro prazer não é positivo, mas negativo, consistindo na</p><p>ausência do sofrimento, na quietude, sendo o objeto de prazer um mero</p><p>componente dentro de um conjunto maior, num mundo mais contemplativo do</p><p>que prático.</p><p>Epicuro divide os desejos em naturais e necessários – por exemplo, a fome, o</p><p>instinto da reprodução; não naturais e não necessários – como o poder, a</p><p>ambição. Os primeiros exigem muito pouco e cessam quando satisfeitos; os</p><p>segundos acarretam inexoravelmente inquietação e agitação, perturbam a</p><p>serenidade e a paz. Aqui talvez uma surpresa para quem tem uma imagem</p><p>deturpada do epicurismo: em vez se atirar sem controle à busca irracional e</p><p>impulsiva do prazer físico, o estudante, ou aquele que aspira a verdadeira e</p><p>completa liberdade, deve renunciar à escravização aos desejos, no sentido de</p><p>gratificação isolada e exclusiva dos sentidos, e precaver-se contra as surpresas</p><p>irracionais do sentimento, da emoção, da paixão. O desejo é inimigo do sossego.</p><p>Para o epicurismo, os prazeres são fundamentais para uma vida plena, devem ser</p><p>cultivados como momentos de felicidade, porém em plena ausência de</p><p>ansiedade. Enquanto</p>