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<p>Profa. Ma. Tânia Trajano</p><p>UNIDADE I</p><p>Cibercultura</p><p>Debate sobre teorias e práticas sociocomunicacionais mediadas por tecnologias digitais.</p><p> Objetivo: propor reflexões que auxiliem a produzir criativamente nesse ambiente e a conduzir</p><p>sua prática profissional, compreendendo o futuro profissional como consumidor de</p><p>informações em constante interconexão, inserido em comunidades virtuais que constroem e</p><p>compartilham conhecimento e se utilizam desse meio, modificando-o e modificando</p><p>a si mesmo.</p><p> Como profissionais, estamos envoltos por uma cultura que passou a se constituir por meio</p><p>do uso coletivo do ambiente virtual.</p><p>Sobre a disciplina</p><p>Ao final da disciplina, o aluno estará apto a:</p><p> Conhecer os conceitos envolvidos com a cibercultura;</p><p> Entender a cibercultura como um processo dinâmico e veloz, que traz implicações à vida</p><p>social e a cada indivíduo em particular;</p><p> Analisar criticamente as dinâmicas e os movimentos pelos quais a sociedade, de</p><p>modo geral, e cada indivíduo, em particular, se inserem e são inseridos (ou excluídos)</p><p>no ambiente virtual;</p><p> Analisar as mudanças ocorridas no espaço público com a emergência da cibercultura;</p><p> Compreender as repercussões que a cibercultura traz</p><p>para a vida profissional;</p><p> Avaliar as implicações positivas e negativas da</p><p>cibercultura para a prática profissional.</p><p>Sobre a disciplina</p><p>Uma reflexão inicial: quais motivos tornam relevante o estudo de cibercultura na área de</p><p>atuação profissional?</p><p>O que é cultura?</p><p> Cibercultura pode ser entendida como um campo de conhecimento científico recente que</p><p>estuda as maneiras pelas quais a realidade foi alterada com a revolução provocada pelo</p><p>advento das tecnologias digitais.</p><p> Campo de estudo interligado com a pós-modernidade, o capitalismo pós-industrial, a</p><p>interatividade e a convergência dos meios e dos veículos de comunicação para</p><p>o ambiente digital.</p><p>Para começar...</p><p>Qual é a contribuição do conhecimento desse novo campo de pesquisa para a</p><p>prática profissional?</p><p>A resposta pode ser dada de diferentes maneiras:</p><p> A primeira tem relação com a própria ideia de que o estudante é, antes de tudo, um indivíduo</p><p>que está em atuação no ciberespaço, ou seja, que está conectado à internet muito antes da</p><p>decisão da escolha pelo curso.</p><p> A discussão das teorias sobre cibercultura e suas implicações para diferentes esferas de</p><p>atuação dos indivíduos (sociedade, construção da identidade, arte, comunicação, mundo</p><p>do trabalho, política e economia) é uma maneira estratégica de pensar as transformações</p><p>decorrentes do uso da tecnologia digital.</p><p> A segunda questão – prática profissional ocorre por meio</p><p>da utilização de ferramentas, aplicativos, softwares e</p><p>plataformas multimídia.</p><p>Introdução</p><p> Ciber + cultura</p><p> Cyber + culture</p><p> Cibernética – método de pesquisa multidisciplinar para desenvolver estudos que abordem</p><p>diretamente a construção de mensagens (programações) para desenvolver máquinas e</p><p>outros modelos autônomos, bem como a comunicação entre humanos e máquinas ou entre</p><p>máquinas e máquinas.</p><p> Nos dias atuais, sua influência é sentida no campo da engenharia genética, da robótica, da</p><p>biônica e das TICs.</p><p> Estudos sobre a construção de mensagens que não</p><p>necessitem diretamente da presença física do homem</p><p>carregam o prefixo ciber, a exemplo de ciberespaço, ciberarte,</p><p>ciberarqueologia, cibereducação, cibercultura, entre outras.</p><p>A origem dos conceitos</p><p>Cultura</p><p> O termo cultura, bem mais antigo e conhecido, data de estudos de antropologia e sociologia</p><p>e é utilizado para designar o modo de organização da vida de um grupo social. A cultura é,</p><p>portanto, de natureza simbólica e pode ser definida como a maneira pela qual a realidade</p><p>que se conhece é decodificada por uma sociedade.</p><p> Unindo os dois termos:</p><p> Cibercultura – estuda a dinâmica das relações entre o</p><p>desenvolvimento das técnicas e as práticas que propiciaram a</p><p>interação do homem com as máquinas, produzindo cálculos e</p><p>tarefas autonomamente, como no caso dos computadores e,</p><p>principalmente, com o advento da internet, produzindo</p><p>discursos e alterando as representações sociais por meio de</p><p>seu uso pela aldeia global.</p><p>A origem dos conceitos</p><p>Cibercultura:</p><p>Conceitua como essas técnicas modificaram as práticas cotidianas e os vários aspectos da</p><p>vida em sociedade, criando:</p><p> novas estratégias comerciais;</p><p> novas formas de consumo de mercadorias e informações;</p><p> novas possibilidades de construção de relações sociais e de comunicação;</p><p> um modo de vida que pode ser pensado e organizado em torno do conceito</p><p>de cibercultura.</p><p>A origem dos conceitos</p><p> Mark I (1930): Aiken-IBM Automatic Sequence Controlled Calculator.</p><p> Primeiro projeto de uma</p><p>máquina de calcular eletrônica;</p><p>deveria realizar, de modo</p><p>autônomo, um cálculo</p><p>matemático complexo</p><p>(demorava 11 segundos).</p><p>Da cibernética ao ciberespaço</p><p>Fonte: https://bit.ly/3iyrfAt.</p><p>Acesso em: 25 maio 2022.</p><p>Eniac</p><p> É considerado o primeiro</p><p>computador desenvolvido</p><p>pelos cientistas.</p><p>Da cibernética ao ciberespaço</p><p>Eniac (desenvolvido entre 1943 e 1945)</p><p>Fonte: https://bit.ly/3D9zHiX.</p><p>Acesso em: 25 maio 2022.</p><p> A mudança mais significativa não foi realizada pelo desenvolvimento de equipamentos</p><p>físicos, e sim pela idealização de uma arquitetura nova, um design novo para a</p><p>programação, utilizado até os dias atuais, a sequência binária, o bit a bit, programável na</p><p>memória do computador (e não fora dela) e que possibilitou a autoprogramação, utilizando</p><p>como base o aprofundamento de uma teoria do século XIX, a teoria de Boole.</p><p> A informática, naqueles idos de 1950 e 1960, era utilizada pelo Estado ou pela ciência com</p><p>o objetivo de decodificar mensagens criptografadas ou efetuar cálculos científicos</p><p>complexos, na esteira do desenvolvimento tecnológico competitivo entre nações que</p><p>ocorria em decorrência da Guerra Fria.</p><p>Da cibernética ao ciberespaço</p><p> Nas empresas, o computador passa a ser utilizado para realizar tarefas de gestão de dados,</p><p>como as folhas de pagamento de funcionários.</p><p> Foi entre as décadas de 1960 e 1970, com o aprimoramento da parte física e das questões</p><p>de armazenamento (mais memória e sem necessidade de leitura de cartões externos, por</p><p>exemplo), que passou a ser parte da gestão de algumas grandes corporações.</p><p> os primeiros computadores eram como máquinas de datilografar que</p><p>armazenavam informações;</p><p> a maior parte do uso, portanto, não alterava o que já era realizado por outras</p><p>máquinas, só tornava o trabalho menos dispendioso.</p><p>Da cibernética ao ciberespaço</p><p> Ao mesmo tempo que a estrutura física era pesquisada e desenvolvida, uma</p><p>gama de pesquisadores concentrava seus esforços em projetos interdisciplinares</p><p>na área da cibernética, estudando a comunicação entre humano e máquina e a</p><p>comunicação entre computadores.</p><p> Arpanet – sistema de comunicação entre computadores.</p><p> World Wide Web.</p><p>A comunicação entre máquinas e o advento do ciberespaço</p><p> Podemos dizer que a década de 1990 foi a que colocou pessoas comuns, cidadãos, dentro</p><p>desse espaço comunicacional novo. Tudo isso aos poucos, com muito investimento</p><p>empresarial e governamental. E, assim, nasceu o que hoje conhecemos como internet.</p><p>Dados do Brasil:</p><p> Em 1995, houve a criação dos domínios “.br” e a distribuição de endereços IP para pessoas</p><p>jurídicas pelo Comitê Gestor da Internet (CGI).</p><p> No Brasil, somente em 1964, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) foi</p><p>criado, para agilizar e auxiliar a gestão de dados da administração pública brasileira.</p><p> Na década de 1980, os minicomputadores entraram na vida de</p><p>alguns brasileiros.</p><p>A comunicação entre máquinas e o advento do ciberespaço</p><p> O ciberespaço só se tornou condição possível a partir de categorias científicas, estudos e</p><p>inovações efetivas de infraestrutura que a cibernética propiciou.</p><p> O digital é uma das condições técnicas criadas para que o uso da comunicação</p><p>por meio do ciberespaço ocorresse de maneira</p><p>inovadora, única, ao traduzir em</p><p>números uma informação.</p><p> Podemos dizer que o virtual, ou nossa capacidade de virtualização do mundo</p><p>da vida, ganhou potência e se tornou esse universo cheio de possibilidades de</p><p>criação e transformação.</p><p> Diferentemente do que pensa o senso comum, o virtual não</p><p>se opõe ao real. Não há um mundo virtual (falso) e um</p><p>mundo real (verdadeiro).</p><p>O digital e o virtual</p><p> Os indivíduos aderiram maciçamente ao ciberespaço, esse novo ambiente virtual, que</p><p>possibilita desmaterializar a relação física ou objetal dos meios da comunicação, diminuindo</p><p>os limites impostos pelo nosso corpo biológico e sua relação com o mundo dos objetos e dos</p><p>demais seres, com o espaço e o tempo que delimita nossa atuação no mundo da vida.</p><p> Por isso, automaticamente, ele é conhecido com um espaço virtual para criação e</p><p>comunicação coletiva.</p><p> Na questão espacial, os softwares e os bancos de dados</p><p>permitem não só o armazenamento, como a manipulação em</p><p>tempo real das simulações do mundo da vida. As imagens,</p><p>com a melhoria da qualidade dos softwares, atualizados de</p><p>forma rápida, como nunca antes, possibilitam decodificação,</p><p>criação e transformação de ambientes.</p><p>O digital e o virtual</p><p>A propósito da cibercultura, podemos afirmar que ela envolve, exceto:</p><p>a) Apenas as técnicas que modificaram os vários aspectos da vida em sociedade.</p><p>b) O desenvolvimento de novas estratégias comerciais.</p><p>c) Novas formas de consumo de mercadorias e informações.</p><p>d) Novas possibilidades de construção de relações sociais e de comunicação.</p><p>e) A dinâmica das relações entre o desenvolvimento das técnicas e as práticas que</p><p>propiciaram a interação do homem com as máquinas.</p><p>Interatividade</p><p>A propósito da cibercultura, podemos afirmar que ela envolve, exceto:</p><p>a) Apenas as técnicas que modificaram os vários aspectos da vida em sociedade.</p><p>b) O desenvolvimento de novas estratégias comerciais.</p><p>c) Novas formas de consumo de mercadorias e informações.</p><p>d) Novas possibilidades de construção de relações sociais e de comunicação.</p><p>e) A dinâmica das relações entre o desenvolvimento das técnicas e as práticas que</p><p>propiciaram a interação do homem com as máquinas.</p><p>Resposta</p><p> A primeira fase da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, em 2003, articulou os</p><p>países na elaboração de uma agenda mundial de ações envolvendo a Organização das</p><p>Nações Unidas (ONU) e o Banco Mundial, com definição de estratégias para diferentes</p><p>países, cada qual com sua especificidade e seu estágio de desenvolvimento, no sentido de</p><p>produzir as condições necessárias para garantir que a população mundial participe de forma</p><p>igualitária do ciberespaço.</p><p> O conceito utilizado no documento da ONU para designar as</p><p>características da sociedade contemporânea, na importância</p><p>de um debate mundial, foi o de sociedade da informação.</p><p>Outros termos encontrados definem a sociedade como pós-</p><p>moderna, pós-industrial, em redes, sociedade 4.0,</p><p>sociedade 5.0.</p><p>Cibercultura e sociedade</p><p> Sociedade da informação</p><p> Utilizada para designar um mundo marcado por tecnologias digitais e separar esse mundo</p><p>e suas características do modelo anterior, da sociedade industrial, marcado por</p><p>tecnologias analógicas.</p><p> Sociedade industrial X sociedade da informação.</p><p> A passagem de uma comunidade que vivia um modelo de produção baseado no sistema</p><p>feudal para uma sociedade que viveria em um modelo de produção industrializado</p><p>provocou uma ruptura na cultura nela. Modificou os hábitos, marcados agora pelo</p><p>tempo do trabalho da fábrica.</p><p>Cibercultura e sociedade</p><p> No que diz respeito ao impacto da cibercultura na vida da sociedade atual, é possível afirmar</p><p>que a designação sociedade da informação não quer dizer que a sociedade anterior não</p><p>tinha acesso à informação:</p><p> O novo meio de comunicação revolucionou o setor de produção pelas TICs, alterando</p><p>formas de consumo e de vida das comunidades, de modo a propiciar, pelo acesso às</p><p>redes, processos de criação e circulação de bens ou serviços, em que o ambiente digital</p><p>se torna fundamental para caracterizar o desenvolvimento social e gestar o crescimento</p><p>das empresas, da produção e do consumo.</p><p>Cibercultura e sociedade</p><p> Para compreender o conceito de sociedade 4.0 ou 5.0, é preciso entender que ele está</p><p>conectado à ideia de que houve um desenvolvimento das técnicas e que esse</p><p>desenvolvimento, sozinho, impactou na reorganização da vida das comunidades a partir de</p><p>seu modelo de produção.</p><p> O estilo de vida da sociedade foi reorganizado, de modo positivo, tendo como base as</p><p>alterações das técnicas que modificaram a vida dos grupos.</p><p> Revolução na base produtiva e, mais do que no caso da sociedade da informação, está</p><p>presente a ideia de um processo totalmente ligado às inovações tecnológicas.</p><p> Indústria 1.0 (caçador-coletor).</p><p> Indústria 2.0 (construção das cidades).</p><p> Indústria 3.0 (Revolução Industrial).</p><p> Indústria 4.0 (associada aos usos de</p><p>TICs e do ciberespaço no setor produtivo).</p><p>Sociedade 5.0</p><p> Essa sociedade privilegia a comunicação e, principalmente, a informação e o investimento</p><p>em conhecimento tecnológico.</p><p> Ao mesmo tempo, cobra das instituições e dos governos condições de mobilidade e de</p><p>acesso aos meios de comunicação (infraestrutura) para a percepção de novos</p><p>espaços de trabalho.</p><p> O conceito de sociedade 5.0 permite estabelecer que as modificações na sociedade</p><p>decorrentes do advento do ciberespaço são projeto para o futuro de uma sociedade na qual</p><p>ações governamentais são interligadas pelas inovações tecnológicas, como o setor</p><p>produtivo, com o uso da automação e com máquinas interligadas, com sistemas inteligentes</p><p>que gerenciam todo o processo da vida coletiva.</p><p>Sociedade 5.0</p><p> Falar sobre a modernidade é remeter a uma série de transformações nas condições de vida,</p><p>de trabalho, das relações sociais, entre outras, em decorrência das modificações no mundo</p><p>da vida a partir da Revolução Industrial.</p><p> A relação entre a tecnologia e o conhecimento científico modificou as estruturas de poder, de</p><p>saber e de viver.</p><p> A partir de então, nos territórios onde a república foi instaurada (seja com a revolução ou</p><p>com a abertura gradual dos próprios monarcas), os governantes são avaliados pela</p><p>condição de beneficiarem os seus cidadãos com condições de acesso a esses bens e, ao</p><p>mesmo tempo, garantir que todas as empresas, de diferentes setores de produção,</p><p>possam ser criadas, gerando emprego e renda aos trabalhadores.</p><p>A sociedade moderna</p><p> O marcador temporal de tal processo costuma ser vinculado à segunda metade do século</p><p>XIII, quando o processo de produção, principalmente o vinculado ao artesanato, foi sendo</p><p>substituído por outro, mais veloz e desvinculado do indivíduo que a produz.</p><p>O que mais nos interessa nesse processo?</p><p> Crescimento do comércio gestou um grupo social forte, a burguesia, e a possibilidade das</p><p>modificações na estrutura de produção, inclusive as de base agrícola.</p><p> Pela primeira vez, o indivíduo produzia ou transformava matéria-prima em produtos mediante</p><p>um acordo que validava seu trabalho a uma quantidade de horas e recebia o equivalente ao</p><p>seu tempo despendido na fábrica.</p><p> Aos poucos, a sociedade se adaptou ao sistema de produção</p><p>e novas tecnologias de produção e de organização das</p><p>cidades foram desenvolvidas.</p><p>A sociedade moderna</p><p> Foi a partir da Revolução Industrial que um salto tecnológico permitiu a construção do</p><p>conceito de sociedade industrial, assim como o de sociedade 3.0, discutido no</p><p>início desse tópico.</p><p> Há um fator, portanto, que reúne todos os elementos mencionados e foi utilizado como</p><p>justificativa da colonização: a crença social no progresso humano pela razão.</p><p> A representação de uma sociedade moderna une-se a uma determinante</p><p>incondicional: o progresso.</p><p> Ele pode ser definido por uma espécie de projeto comum</p><p>que a humanidade deveria incentivar para garantir a</p><p>felicidade de todos.</p><p>A sociedade moderna</p><p>Características</p><p>importantes:</p><p> Foi pelo caminho da ciência, primeiro, que a crença do progresso se diluiu, constituindo uma</p><p>espécie de ruptura na força e na coesão social conduzida pelos valores da</p><p>sociedade moderna.</p><p> Queda no poder discursivo do modelo racionalista-instrumentalista de pensamento, pautado</p><p>na relação causa e consequência.</p><p> No caso dos estudos na área de humanidades, essa descrença contribuiu para a</p><p>percepção de que o progresso, por exemplo, caminhava com desníveis sociais internos e</p><p>externos. Do mesmo modo, a percepção de que ações consideradas positivas, do</p><p>ponto de vista do crescimento político-econômico, nem sempre</p><p>geravam consequências positivas para a comunidade, o</p><p>país ou a humanidade.</p><p>A sociedade pós-moderna</p><p> A pós-modernidade também pode ser vista como uma agressão ou uma fonte de desalento,</p><p>com alguns fundamentos da sociedade moderna. Nesse momento, elementos estruturantes</p><p>da modernidade perderam poder de discurso.</p><p> Um elemento desestruturador da sociedade moderna foi o avanço das tecnologias de</p><p>comunicação e informação.</p><p> A inovação no setor produtivo, o consumo de aparelhos de televisão e a consolidação do</p><p>poder da mídia de massa aumentaram o poder da publicidade, fixando o consumismo como</p><p>marca de sociedade.</p><p> A sociedade de consumo é uma variação na maneira como</p><p>esta se relaciona com os objetos que produz e altera sua</p><p>percepção do que é necessário para garantir conforto e</p><p>qualidade de vida.</p><p>A sociedade pós-moderna</p><p> É comum que os pós-modernos vejam a simulação da vida oferecida pelos meios de</p><p>comunicação como sedutora, confortável e menos arriscada do que uma ação</p><p>política direta.</p><p> Diante da descrença, o homem pós-moderno constata que o desenvolvimento social passa</p><p>pela oferta dos serviços oferecidos (água, luz, pavimentação das ruas), e o acesso a bens,</p><p>produtos e serviços das empresas é o único indicador para garantir um governo</p><p>democrático satisfatório.</p><p> A pós-modernidade se configura como uma sociedade crítica,</p><p>em desalento com suas relações com o Estado, a ciência e o</p><p>progresso, que se utiliza do espaço comunicacional comum, o</p><p>ciberespaço, para estabelecer seus pontos de vista, cobrar</p><p>suas necessidades e criticar as estruturas que fundaram o</p><p>processo de industrialização e a construção das</p><p>democracias liberais.</p><p>A sociedade pós-moderna</p><p> Poder discursivo para associar a sociedade pós-moderna com os conceitos de sociedade 5.0</p><p>ou de sociedade da informação.</p><p> Quando o ciberespaço foi descoberto, a descrença social se viu diante de um potencial de</p><p>inovação e criação para sociedade. O digital permite o uso da tecnologia a fim de</p><p>alavancar transformações radicais no espaço da comunicação e estabelecer uma rede</p><p>atuante com o objetivo de melhorar sua vida e a de seus pares utilizando o poder</p><p>comunicacional do espaço virtual.</p><p> O uso do ciberespaço pela sociedade, portanto, é o motor que tem como resultado tornar a</p><p>informação e as possibilidades de comunicação no ciberespaço</p><p>mais importantes para os indivíduos do que as estruturas</p><p>anteriores que organizavam a vida da coletividade, gestando a</p><p>sociedade da informação.</p><p>Pós-modernidade, sociedade da informação, sociedade 5.0</p><p> O que o ciberespaço promove, em escala social, por meio da tecnologia (e não de uma</p><p>ideologia política) é um grande projeto sistêmico, de indivíduos interconectados. Sua</p><p>eficiência parece depender somente da adesão da sociedade ao novo meio de comunicação</p><p>e da crença no poder da tecnologia.</p><p> Neste sentido, o compromisso da ONU em 2003 e, portanto, de todos os países signatários</p><p>do documento, se volta ao aspecto mais fundamental da adesão ao projeto da Sociedade da</p><p>Informação: a participação dos indivíduos no ciberespaço de forma igualitária, o que implica</p><p>possibilitar a conexão de todos à aldeia global.</p><p>Pós-modernidade, sociedade da informação, sociedade 5.0</p><p> Em 2021, de acordo com pesquisa realizada pela agência We are social, somente 61% da</p><p>população mundial possuía acesso à internet, ou seja, um pouco mais da metade das</p><p>pessoas no mundo possuía condições mínimas de participar de todas as condições criadas e</p><p>utilizadas no ciberespaço.</p><p>Dados do Brasil:</p><p> De acordo com os dados do CGI, o percentual de acesso da população brasileira acima de</p><p>10 anos é de 81%. Esse relatório também aponta uma característica importante: 90% das</p><p>classes D e E, com menores condições de vida, se conectam à internet via celular. O papel</p><p>do celular no acesso à internet é importante e precisa ser</p><p>colocado em discussão pela sociedade, principalmente nas</p><p>condições ofertadas pelas operadoras de telefonia móvel.</p><p>Pós-modernidade, sociedade da informação, sociedade 5.0</p><p>A questão do acesso:</p><p> Algumas modalidades de planos oferecem acesso somente para redes sociais sem onerar o</p><p>plano de dados do cliente, criando uma inserção ao ciberespaço a partir das redes sociais,</p><p>ou seja, a partir das relações entre grupos que os usuários escolhem, ou pelo número de</p><p>convites que aceitam ou enviam para grupos de amigos.</p><p> Nesse caso, a natureza da informação recebida pelos usuários do ciberespaço depende das</p><p>relações que possuem nas redes sociais.</p><p>Uma questão contemporânea é fundamental no entendimento do</p><p>problema do uso do ciberespaço pelo celular: no caso de planos</p><p>que possuem livre acesso somente a redes sociais: como fazer a</p><p>conferência de uma informação para evitar o compartilhamento</p><p>de fake news?</p><p> Questão importante para reflexão: neutralidade!</p><p>Pós-modernidade, sociedade da informação, sociedade 5.0</p><p>Leia o texto:</p><p>Foi a partir deste momento que houve o desenvolvimento da escrita como meio de</p><p>comunicação, propiciando condições de aquisição e transmissão do conhecimento adquirido</p><p>pelos grupos. Essa sociedade transmitia seus valores, sua forma de organizar a produção e</p><p>suas práticas por meio dos documentos escritos.</p><p>Essa descrição é condizente com qual tipo de sociedade?</p><p>a) Sociedade 1.0.</p><p>b) Sociedade 2.0.</p><p>c) Sociedade 3.0.</p><p>d) Sociedade 4.0.</p><p>e) Sociedade 5.0.</p><p>Interatividade</p><p>Leia o texto:</p><p>Foi a partir deste momento que houve o desenvolvimento da escrita como meio de</p><p>comunicação, propiciando condições de aquisição e transmissão do conhecimento adquirido</p><p>pelos grupos. Essa sociedade transmitia seus valores, sua forma de organizar a produção e</p><p>suas práticas por meio dos documentos escritos.</p><p>Essa descrição é condizente com qual tipo de sociedade?</p><p>a) Sociedade 1.0.</p><p>b) Sociedade 2.0.</p><p>c) Sociedade 3.0.</p><p>d) Sociedade 4.0.</p><p>e) Sociedade 5.0.</p><p>Resposta</p><p>Zygmunt Bauman</p><p> Diante do desencantamento, a sensação que restou é a de que os indivíduos se libertaram</p><p>do peso árduo da crença em um fim comum, da exigência de uma tarefa social comum, e o</p><p>que surge é uma espécie de “cada um está por sua conta e risco”.</p><p> O autor é o responsável pela formulação de um conceito importante, o da</p><p>“sociedade líquida”:</p><p> Diante de um mundo líquido, de uma vida líquida, são os objetos que conectam</p><p>perspectivas de felicidade que podem ser projetadas ao longo de sua experiência vivida,</p><p>das suas escolhas, apontando o estágio (ou status) de sua trajetória individual na busca</p><p>por felicidade e sucesso.</p><p> A liquidez se torna, portanto, a possibilidade de que cada</p><p>indivíduo marque sua presença no universo da comunicação</p><p>virtual sem a necessidade de se prender a tradições ou</p><p>relações sociais.</p><p>Cibercultura e indivíduo</p><p> A pós-modernidade e, principalmente, o advento do ciberespaço propiciaram uma identidade</p><p>não somente fluida, instável, mas também multifacetada.</p><p> Distintos espaços de comunicação (ambientes virtuais) produzem diferentes ecossistemas</p><p>de relações para construir uma das muitas identidades virtuais de um mesmo indivíduo.</p><p>O indivíduo-consumidor da pós-modernidade</p><p> Sobre esse mesmo aspecto da construção do indivíduo, Lucia Santaella (2007) apresenta a</p><p>distinção entre corpo como organismo biológico e corpo virtual.</p><p> De acordo com a autora, a obsessão pela apresentação</p><p>de si e pela construção narcísica de</p><p>imagens corporais no espaço virtual foi construída um pouco antes, com a proliferação das</p><p>imagens e sua exaltação dos corpos pelas mídias de massa.</p><p> O poder sintetizador da mídia de massa, de perceber as demandas sociais ou de as</p><p>construir, é considerado pelos indivíduos no ciberespaço um potencial perigoso, porque</p><p>subjuga outros grupos sociais, criando invisibilidade e preconceito.</p><p>O indivíduo-consumidor da pós-modernidade</p><p> No ciberespaço, o poder sintetizador está nas mãos do indivíduo que o produz</p><p>em ambiente virtual.</p><p> Cada um dos indivíduos, no ciberespaço, é o selecionador de simulações da sua vida,</p><p>controlando processos de escolha, edição e relação com textos e contextos.</p><p> Além disso, o corpo virtual ultrapassa a fronteira do biológico, expandindo-se com as</p><p>possibilidades trazidas pelo acesso ao ciberespaço, pelo desenvolvimento de softwares e</p><p>aplicativos para auxiliar a construção da simulação (como pequenos softwares de edição de</p><p>imagens, presentes em quase todos os dispositivos mobile, como os celulares).</p><p>O corpo biológico, as imagens e o ciberespaço</p><p>O corpo biológico, as imagens e o ciberespaço</p><p>Ciclismo nas Paralimpíadas: atleta brasileiro</p><p>Fonte: https://bit.ly/3qxzJML. Acesso em: 20 maio 2022.</p><p> A transição da sociedade 4.0 e, especialmente, o projeto da sociedade 5.0, ao inserir a</p><p>proposta de utilização da internet das coisas e dos serviços para aumentar a qualidade de</p><p>vida dos humanos, possibilita imaginar a construção de um projeto ou a reconstrução de um</p><p>antigo projeto dos indivíduos na modernidade.</p><p> Fazia parte do discurso médico e científico do século XIX a construção de um futuro, uma</p><p>utopia, imaginada como um local em que o humano conseguiria se livrar de todos os</p><p>problemas e limitações de sua dimensão orgânico-biológica.</p><p> Esta talvez seja a utopia pós-moderna que une todos os indivíduos: gerar condições para</p><p>que cada indivíduo, diante de sua potência de consumir e de seu potencial de consumo (que</p><p>são coisas distintas), possa chegar a esse “admirável mundo novo” pela tecnologia.</p><p> Esse imaginário é um misto de cibernetização do corpo, da</p><p>saúde, da beleza e, ao mesmo tempo, é o “indivíduo sem erro”</p><p>das publicações nas redes sociais.</p><p>O corpo biológico, as imagens e o ciberespaço</p><p> Outra área que tem recebido o impacto de melhorias de desempenho na relação da biônica</p><p>com o corpo é a medicina.</p><p> Muitas próteses utilizam sensores que se conectam ao cérebro ou aos músculos, muitas</p><p>construídas com o auxílio de impressoras 3D para sua personalização-individuação.</p><p> Outro uso da biônica pode ser detectado na execução de exames complicados, como a</p><p>endoscopia. A NavCam, da Ankon, realiza o procedimento com uma pequena câmera</p><p>engolida pelo paciente que é controlada remotamente.</p><p>O corpo biológico, as imagens e o ciberespaço</p><p> Com a possibilidade de construção da identidade vinculada a um mundo de imagens</p><p>(estáticas ou em movimento), o indivíduo alterou o estatuto de sua relação com os espaços e</p><p>os locais de convívio.</p><p> Houve uma reorganização das localidades, com a ajuda de aplicativos ou mídias locativas</p><p>(que relacionam as publicações do indivíduo, automaticamente, com o local) e destes na</p><p>caracterização dos locais como ambientes de comunicação virtual.</p><p> O projeto da sociedade 5.0 no Japão também preconiza seu</p><p>uso para combater qualquer tipo de problema natural, evitando</p><p>tragédias ou encontrando soluções para minimizar os</p><p>problemas para os indivíduos, diante de alagamentos,</p><p>fechamentos de tráfego ou risco de vida.</p><p>O indivíduo, a cibercultura e o espaço recriado</p><p> Com o advento do ciberespaço, é condição incontestável da vida dos indivíduos a</p><p>possibilidade de criação e comunicação de si mesmo.</p><p> A liberdade de atuação dos indivíduos se configura como garantia desse</p><p>novo espaço comunicacional.</p><p> Todos os dias, no mundo todo, indivíduos selecionam conteúdo, editam fotos, compartilham</p><p>mensagens nesse ecossistema que constrói a identidade pós-moderna.</p><p> Ao mesmo tempo, o uso do ciberespaço se dá por uma conexão fixa, uma condição</p><p>rastreável. Cada ação e comunicação dos indivíduos nesse ambiente são monitoradas por</p><p>programas que coletam, registram e classificam nossa conduta com o objetivo de oferecer</p><p>dados para empresas de diversos setores de atuação.</p><p>Indivíduo em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p> Na pós-modernidade, os dados não são produzidos com a intenção do monitoramento da</p><p>conduta (a vigilância individual propriamente dita). O que fundamenta a organização dos</p><p>dados é a despersonalização e a busca por ações e informações de inúmeros</p><p>perfis no ciberespaço.</p><p>Sobre o monitoramento:</p><p> O rastreamento das atividades pode ser realizado pelas redes sociais e sites por meio de</p><p>algoritmos, com vistas a otimizar a oferta de informações de toda ordem para os usuários,</p><p>incluindo selecionar conteúdo com base em suas próprias interações.</p><p> As agências de pesquisa, como o Google Adwords, que</p><p>possuem contrato com sites, muitas vezes ligados à</p><p>construção de banco de dados, como as preferências, por</p><p>exemplo, de determinado perfil de consumidores, buscam</p><p>ofertar esses dados para que as empresas possam antecipar</p><p>tendências de produtos, de serviço, de comportamento nas</p><p>redes para melhor estratégia publicitária.</p><p>Indivíduo em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p>Ainda sobre o monitoramento:</p><p> É importante salientar que esse monitoramento do indivíduo que não guarda</p><p>registros “individuais”, somente rastreia, por meio de programas, suas ações para</p><p>um banco de dados geral;</p><p> No futuro, esse sistema pode atuar como vigilante, no sentido de prever comportamentos</p><p>individuais negativos para a vida da coletividade e auxiliar em modelos de comunicação</p><p>eficientes, no ciberespaço, com o objetivo de garantir a coesão do grupo social.</p><p> Exemplo: a criação de bancos de dados específicos, com grupos com determinado tipo de</p><p>doença de difícil detecção, pode produzir condições interpretativas para uma possível</p><p>conduta de rastreamento e acompanhamento de indivíduos “em potencial”.</p><p>Indivíduo em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p>Quais seriam as consequências disso?</p><p> Indivíduos saudáveis, mas com potencial para o desenvolvimento da doença em um futuro</p><p>próximo (graças às informações produzidas pelo rastreamento de suas atividades ou das</p><p>informações produzidas pelos dados interpretados por empresas da área ou governos),</p><p>poderão ser contatados pelo poder governamental, o qual exercerá o controle e o</p><p>tratamento dessa enfermidade (ou, pelo menos, buscará o tratamento) antecipado</p><p>para a cura da doença.</p><p> Esse é o comportamento da previsibilidade e é positivo para a vida da comunidade.</p><p> Outras formas de rastreamento: uso do rastreamento ocular.</p><p> A Microsoft detém, desde 2012, a patente de um sensor</p><p>que acompanha o movimento dos olhos. Os sensores</p><p>seguem a íris e a pupila e detectam para onde o olho</p><p>está se movimentando.</p><p>Indivíduo em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p> As técnicas de interação com imagens e realidade virtual promovem visitas on-line a museus,</p><p>por meio de obras que podem ser expandidas, giradas, reorganizadas, recortadas em</p><p>detalhes da obra, com digitalização em alta resolução.</p><p> A palavra-chave para entender a construção do indivíduo na cibercultura é o</p><p>desenvolvimento tecnológico, pensado como aperfeiçoamento a propiciar condições criativas</p><p>e a possibilidade, como afirma Pierre Lévy, da inteligência coletiva.</p><p> No caso do indivíduo-aparência, o corpo biológico e o corpo virtual se transformam,</p><p>dissolvendo possíveis interferências orgânicas com vistas ao consumo e ao</p><p>compartilhamento de experiências.</p><p> Do ponto de vista dos indivíduos-consumidores, o</p><p>ciberespaço trouxe possibilidades criativas na construção</p><p>de identidades, bem como a comunicação no ecossistema,</p><p>doando sentido e significado à explosão de coisas e aos</p><p>locais publicados e consumidos.</p><p>Indivíduo</p><p>em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p> A cibercultura pode ser entendida como um ambiente em que os criadores, em iguais</p><p>condições, se comparam, em ações incessantes de aparição e compartilhamento, e</p><p>constroem a si mesmos.</p><p> Não há restrição de liberdade no ciberespaço, ou há restrição de toda a liberdade individual.</p><p> Portanto, o ciberespaço explora as condições da liberdade, tendo como motor de</p><p>funcionamento a ideia maquínica, que nasce com a cibernética.</p><p> Na rapidez e na fluidez da identidade, a construção ecossistêmica (usuários, imagens,</p><p>localidade, relações, compartilhamentos, corpos, algoritmos, objetos etc.) é o modo de</p><p>individuar-se, de destacar-se no mar de navegantes, produzir comportamentos e influenciar</p><p>outros indivíduos. E, em última instância, condição de habitar o mundo e de ser feliz.</p><p>Indivíduo em rede e seu “outro” digital (big data)</p><p>Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo, elaborou um modo de organizar a compreensão da</p><p>sociedade pós-moderna diante da relação dos indivíduos com o mundo da vida utilizando as</p><p>noções de mundo líquido, amor líquido, vida líquida e modernidade líquida.</p><p>A propósito desse assunto, assinale a alternativa falsa:</p><p>a) O conceito se refere à criação de estruturas fixas com as quais o indivíduo se conectaria</p><p>para a construção de sua subjetividade.</p><p>b) O conceito se refere à posse de objetos temporários (modismos) ou da apresentação</p><p>desses objetos para outros indivíduos (sua espetacularização).</p><p>c) Um fator inovador do ambiente virtual é a possibilidade ou a</p><p>exploração da construção e criação de múltiplas identidades</p><p>para um único corpo biológico.</p><p>d) As diferentes comunidades criadas em torno de aplicativos</p><p>produzem possibilidades e meios distintos para a construção</p><p>de identidades.</p><p>e) O advento do ciberespaço propiciou uma identidade não</p><p>somente fluida, instável, mas também multifacetada.</p><p>Interatividade</p><p>Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo, elaborou um modo de organizar a compreensão da</p><p>sociedade pós-moderna diante da relação dos indivíduos com o mundo da vida utilizando as</p><p>noções de mundo líquido, amor líquido, vida líquida e modernidade líquida.</p><p>A propósito desse assunto, assinale a alternativa falsa:</p><p>a) O conceito se refere à criação de estruturas fixas com as quais o indivíduo se conectaria</p><p>para a construção de sua subjetividade.</p><p>b) O conceito se refere à posse de objetos temporários (modismos) ou da apresentação</p><p>desses objetos para outros indivíduos (sua espetacularização).</p><p>c) Um fator inovador do ambiente virtual é a possibilidade ou a</p><p>exploração da construção e criação de múltiplas identidades</p><p>para um único corpo biológico.</p><p>d) As diferentes comunidades criadas em torno de aplicativos</p><p>produzem possibilidades e meios distintos para a construção</p><p>de identidades.</p><p>e) O advento do ciberespaço propiciou uma identidade não</p><p>somente fluida, instável, mas também multifacetada.</p><p>Resposta</p><p> A produção de arte, ao longo da história da humanidade, sempre esteve ligada às</p><p>tecnologias desenvolvidas pelo homem.</p><p> Entre os gregos antigos, o termo techné era utilizado para fazer referência às técnicas</p><p>criadas pelo homem que o faziam diferenciar-se dos animais. Ao mesmo tempo, era</p><p>utilizado para falar sobre formas de expressão estéticas.</p><p> Portanto, para os gregos antigos, a arte era uma técnica e poderíamos chamar de arte a</p><p>produção de coisas de toda a ordem, inclusive de obras de arte.</p><p>Ciberarte</p><p> A cibercultura, ou seja, o modo como a sociedade pós-moderna organiza as representações</p><p>de si mesma após o advento do ciberespaço, redefiniu os limites e as possibilidades</p><p>comunicativas dessa experiência estética.</p><p> Portanto, ciberarte é um conceito que define os processos de criação e as formas de</p><p>expressão estéticas utilizando o ciberespaço como meio.</p><p> É também utilizada para designar expressões estéticas que se utilizam de equipamentos e</p><p>possibilidades tecnológicas, produzindo condições de interação, bem como o uso do digital</p><p>no processo de criação, que ampliou as possibilidades de edição e acesso ao</p><p>processo criativo.</p><p> Por outro lado, a arte produziu, de lá para cá, inúmeras</p><p>obras cujas criações surgiram da reflexão sobre modos</p><p>de expressão artística na sociedade contemporânea</p><p>diante do ciberespaço.</p><p>Ciberarte</p><p> Nas décadas de 1960 e 1970, houve o surgimento da eletroacústica e da arte eletrônica. A</p><p>música dos dias atuais é herdeira das criações e propostas desses compositores.</p><p> Outra grande contribuição para o cenário musical, que disseminou o conhecimento cultural</p><p>artístico, produzindo o ambiente que temos hoje de possibilidades de acesso ao</p><p>conhecimento e à produção musical, foi o surgimento do Napster, em 1999, o primeiro</p><p>software de compartilhamento de arquivos de música.</p><p> Douglas Davis foi considerado um dos pioneiros na produção</p><p>de arte eletrônica. Em 1976, ele realizou uma performance no</p><p>telhado de um ginásio nos EUA, que foi captada por satélite e</p><p>transmitida para a televisão. Nesse dia, declamou uma série</p><p>de poesias de sua autoria, as quais foram recebidas por</p><p>diferentes pessoas em diferentes lugares, modificando o</p><p>estatuto da circulação da expressão poética, antes reservada</p><p>somente para salas e ambientes artísticos.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p> The more the better,</p><p>Nam June Paik, 1988.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p>Fonte: https://bit.ly/3KE8lEF.</p><p>Acesso em: 12 abr. 2022.</p><p> Outro termo, de caráter classificador, é arte híbrida. É assim que museus e galerias incluem</p><p>obras que trabalham de forma mais específica com o universo da web;</p><p> As obras de arte telemática também se utilizam, nos dias atuais, da realidade virtual;</p><p> Fusão com a robótica:</p><p> Performances públicas envolvem a construção de máquinas e robôs que, por meio de</p><p>controle remoto, interagem com o objetivo de destruírem uns aos outros.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p> Projeto do exoesqueleto criado</p><p>por Stelarc, apresentado em</p><p>uma Conferência em Montreal,</p><p>no Canadá, em 2010.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p>Fonte:</p><p>https://bit.ly/3OrPP4Q.</p><p>Acesso em: 20 abr. 2022.</p><p> O potencial artístico dos dias atuais é herdeiro dessas experimentações, que modificaram e</p><p>introduziram tecnologias no processo de criação artística, bem como procederam a uma</p><p>série de reflexões que possibilitaram, em alguns casos, sua popularização e, em outros,</p><p>possibilidades novas de interação, principalmente no que concerne ao principal aspecto do</p><p>ciberespaço, a interface.</p><p> As interfaces conectadas, utilizadas para criar obras de arte, por meio da codificação digital,</p><p>democratizam o acesso e expandem as possibilidades de usos híbridos (texto, imagem, som,</p><p>vídeo, movimento etc.). É a interação, fundamento do ciberespaço, potência e disposição de</p><p>criadores e usuários.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p> Sem postura passiva diante da arte, o público não se trata mais de meros visitantes de</p><p>espaços de apreciação de obras, mas cocriadores, atuantes da expressão estética; essas</p><p>são as principais modificações que o advento do ciberespaço propiciou em termos de</p><p>experiências estéticas.</p><p>Precursores da ciberarte</p><p> Char Davies, pintora, começou a trabalhar com mídia digital em 3D ainda na década de</p><p>1980. Interior body series é um projeto que trabalha com imagens estáticas em 3D.</p><p> Nos sete trabalhos que compõem a série, a artista propõe a simbiose entre o conceito de</p><p>natureza e a criação digital.</p><p> Foi a partir desse software que Char Davies criou, em 1994, um de seus projetos mais</p><p>citados, Osmose.</p><p> Considerado por muitos estudiosos de ciberarte o primeiro trabalho artístico totalmente em</p><p>ambiente virtual.</p><p>Experimentações estéticas atuais</p><p> Outra inovação contemporânea, no que diz respeito à sua presença oficial em galerias e</p><p>museus, é a das NFTs.</p><p> Superchief, em Nova Iorque, é a primeira galeria criada para exposição física de obras</p><p>digitais. E, em março de 2021, o museu de Pequim abriu a primeira exposição física de</p><p>NFTs em telas de alta resolução.</p><p> A NFT é uma obra digital que passa por um processo de singularização no mercado, ou seja,</p><p>ela recebe um token identificador por meio de uma tecnologia de segurança, chamada</p><p>blockchain, que permite que se rastreiem o envio e o recebimento de informações no</p><p>ciberespaço. Foi o desenvolvimento dessa tecnologia que</p><p>possibilitou a existência de criptomoedas, como a bitcoin.</p><p>Experimentações estéticas atuais</p><p> A história e a conservação das obras de arte, desde a arte eletrônica até a ciberarte,</p><p>esbarram em problemas da relação direta com tecnologia.</p><p> Na conservação em museus, por exemplo, a manutenção desses equipamentos se torna, a</p><p>cada ano, mais difícil e sua substituição prejudicaria o entendimento da real condição em que</p><p>foi criada.</p><p> Para o público usuário, o ganho foi na democratização do processo de criação, a</p><p>participação, a interação, a missão de tornar a criação efetiva mediante sua contribuição.</p><p>Experimentações estéticas atuais</p><p> O comprador de uma NFT não compra uma obra (já que ela pode circular para onde quiser),</p><p>o que ele compra é o domínio dessa obra para posterior venda com segurança e</p><p>possibilidade de transação comercial.</p><p> A NFT The first 5000 days, ou Primeiros cinco mil dias, de Beeple, foi leiloada por 60 milhões</p><p>de dólares em 2021. Essa obra não existe fisicamente, somente no formato digital e é</p><p>composta pela colagem de 5.000 imagens publicadas pelo autor desde 2007.</p><p>Experimentações estéticas atuais</p><p> É importante compreender as condições de expressão estéticas atuais e a contribuição</p><p>histórica das criações híbridas dos artistas com o uso de tecnologias eletrônicas, na</p><p>reflexão e na criação de formas de expressividade estética no ciberespaço.</p><p> O que está em jogo? A alteração do papel dos indivíduos e sua inserção como coautores</p><p>dos processos de criação e de experimentação das obras de arte.</p><p>Sintetizando</p><p>A propósito da ciberarte, é correto afirmar:</p><p>a) A ciberarte redefiniu os limites e as possibilidades comunicativas da experiência estética,</p><p>praticamente eliminando as outras formas de arte.</p><p>b) Ciberarte é um conceito que define os processos de criação e as formas de expressão</p><p>estéticas utilizando o ciberespaço como meio.</p><p>c) Podemos designar como ciberarte apenas expressões estéticas que se utilizam de</p><p>equipamentos e possibilidades tecnológicas.</p><p>d) Na ciberarte, o público mantém a postura passiva, não existe</p><p>espaço para a cocriação.</p><p>e) As primeiras experiências de ciberarte datam dos anos 2000,</p><p>uma vez que elas dependem essencialmente do</p><p>desenvolvimento da internet.</p><p>Interatividade</p><p>A propósito da ciberarte, é correto afirmar:</p><p>a) A ciberarte redefiniu os limites e as possibilidades comunicativas da experiência estética,</p><p>praticamente eliminando as outras formas de arte.</p><p>b) Ciberarte é um conceito que define os processos de criação e as formas de expressão</p><p>estéticas utilizando o ciberespaço como meio.</p><p>c) Podemos designar como ciberarte apenas expressões estéticas que se utilizam de</p><p>equipamentos e possibilidades tecnológicas.</p><p>d) Na ciberarte, o público mantém a postura passiva, não existe</p><p>espaço para a cocriação.</p><p>e) As primeiras experiências de ciberarte datam dos anos 2000,</p><p>uma vez que elas dependem essencialmente do</p><p>desenvolvimento da internet.</p><p>Resposta</p><p> BAUDRILLARD, J. A sociedade de consumo. 2. ed. Rio de Janeiro: Elfos; Lisboa:</p><p>Edições 70, 2007.</p><p> BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro:</p><p>Zahar, 2003.</p><p> BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.</p><p> BAUMAN, Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria.</p><p>Rio de Janeiro: Zahar, 2008.</p><p> CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade.</p><p>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.</p><p>Referências</p><p> COMUNICAÇÃO Cinética. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São</p><p>Paulo: Itaú Cultural, 2022. Disponível em: https://bit.ly/3Krabbj. Acesso em: 25 abr. 2022.</p><p>Verbete da Enciclopédia.</p><p> CGIBR. Três em cada quatro brasileiros já utilizam a Internet, aponta pesquisa TIC</p><p>Domicílios 2019, 26 maio 2020. Disponível em: https://bit.ly/3wkHXLX. Acesso em: 17 mar.</p><p>2022.</p><p> CGIBR. Documentos da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação: Genebra, 2003 e</p><p>2005; Túnis 2005. Disponível em: https://bit.ly/3tkrCoE. Acesso em: 17 mar. 2022.</p><p>Referências</p><p> GIARDELLI, G. A sociedade 5.0: A sociedade da imaginação e uma utopia? São Paulo:</p><p>Fundação Dom Cabral, 2021. E-book. Disponível em: https://bit.ly/376mcFr. Acesso em:</p><p>12 abr. 2022.</p><p> GIBSON, W. Neuromancer. São Paulo: Aleph, 2008.</p><p> LEVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. 3. ed. São Paulo:</p><p>Loyola, 2000.</p><p> LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2010.</p><p> LEVY, P. O que e o virtual? São Paulo: Editora 34, 1996.</p><p> SANTAELLA, L. Figurações do corpo biológico ao digital.</p><p>Revista Ínterim, Dossiê temático, n. 2-4, v. 4, 2007. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/3Ijq9Db. Acesso em: 17 mar. 2022.</p><p> SANTAELLA, L. Novos desafios da comunicação. Luminar</p><p>[s.l.], v. 4, n. 1, p. 1-10, jan./jun. 2001. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3JgYSCI. Acesso em: 16 mar. 2022.</p><p>Referências</p><p>ATÉ A PRÓXIMA!</p>

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