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<p>Cuidando da saúde do homem</p><p>Condições de conclusão</p><p>Ações do Ministério da Saúde, nos últimos anos, têm buscado contemplar a problemática da dificuldade de adesão dos homens aos tratamentos necessários. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (BRASIL, 2008) atende a esta necessidade e vem apresentar princípios e diretrizes sobre a atuação de profissionais de saúde sobre este contexto. Sobre o comportamento dos homens, perante o estado de saúde, vale destacar que partem da dificuldade em reconhecer suas necessidades de realizar um acompanhamento médico preventivo, rejeitando a possibilidade de adoecer (BRASIL, 2008).</p><p>Como vimos anteriormente, as distinções de gênero e o papel ocupado pelo homem na sociedade, certamente é fator determinante para a falta de cuidado deste com a saúde. Tal afirmação, parte, por exemplo, de uma das justificativas apresentadas pelos homens para o fato de não buscarem ajuda nos serviços de atenção primária. Eles alegam incompatibilidade de horários entre o funcionamento dos serviços de saúde e a carga horária de trabalho (BRASIL, 2008, p. 6).</p><p>Por outro lado, um aspecto que também merece evidência refere-se aos serviços e estratégias utilizadas pelos meios de comunicação que tem como prioridade “as ações de saúde para a criança, o adolescente, a mulher e o idoso” (BRASIL, 2008, p. 6). Percebemos que há pouco direcionamento dos meios midiáticos que incitem os homens, o interesse e necessidade de prevenção a doenças graves, como o câncer de próstata e outras doenças de menor complexidade. Desse modo, a saúde do homem fica à margem, apesar de algumas investidas por parte dos profissionais em momentos como, por exemplo, a campanha denominada “Novembro Azul”.</p><p>Figura 1 - Campanha de prevenção ao câncer de próstata</p><p>Fonte: https://morrinhos.go.gov.br/secretaria-de-saude-inicia-campanha-novembro-azul-que-alerta-homens-sobre-o-cancer-de-prostata/, acesso em 23 de maio de 2023.</p><p>Descrição da imagem: Cartaz da Campanha Novembro Azul com o seguinte texto: Um toque para você. A ocorrência do câncer de próstata é estimada entre dois e dois vírgula três por cento entre homens de quarenta e cinco a setenta e cinco reais anos de idade. Agora dê um toque em um amigo. Estima-se que cerca de quatrocentos mil homens entre quarenta e cinco e setenta e cinco reais anos no país possuam a doença, mas ainda não sabem. Curta a prevenção, diga não ao preconceito e se ligue nesse movimento.</p><p>Esta campanha, promovida por incentivo do Ministério de Saúde, preconiza a necessidade de investimentos sobre a necessidade de cuidado pela saúde do homem, com ênfase na prevenção ao câncer de próstata. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) apoia esta campanha. Sobre isto, a SBU traz em sua página na internet sobre a abertura dos eventos que compõem o “Novembro Azul”. Um exemplo dessas ações em prevenção ao Câncer de Próstata, ocorreu em 2013 quando o Congresso Nacional, em Brasília, o Cristo Redentor e Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, receberam iluminação especial no dia 4 de novembro. Neste dia, o Congresso homenageou a campanha de conscientização sobre o câncer de próstata e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) pelas suas ações de orientação da população sobre a doença. Logo após a homenagem, os locais citados acima foram iluminados em azul. O movimento Novembro Azul é realizado em parceria pela SBU e o Instituto Lado a Lado com o objetivo de orientar a população masculina sobre a importância do exame de toque retal e PSA para diagnóstico precoce do câncer de próstata.</p><p>O câncer de próstata é mais incidente que o câncer de mama, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), que, em sua estimativa 2012/2013, apontou 60.180 novos casos de câncer de próstata e 52.680 de mama. A pesquisa realizada pelo Datafolha para a SBU, em 2009, constatou que o preconceito com o exame de toque retal ainda é forte no Brasil. Apenas 32% dos homens brasileiros declararam já ter feito o exame. De acordo com pesquisas 30% dos pacientes do SUS são diagnosticados com câncer de próstata já avançado. Estima-se que se forem descobertos no estágio inicial, 90% dos casos são curáveis. E é estimado que um a cada seis homens será afetado pela doença e um a cada trinta e seis virá a óbito. Neste sentido, desde 2004, a SBU realiza ações de conscientização sobre a doença, tendo já contado com o apoio da apresentadora Ana Maria Braga, em 2004, e de Tony Ramos, em 2005.</p><p>Devido a esta falta de cuidados em caráter preventivo, acabam apresentando maior vulnerabilidade e altas taxas de mortalidade. Ao contrário das mulheres, os homens evitam buscar os serviços de atenção primária. A entrada dos homens nas unidades de saúde se dá, muitas vezes, pela atenção ambulatorial e hospitalar. Esta constatação se deve, pelo que discutimos, ao retardamento na busca por cuidados com a saúde. Por conseguinte, onera ainda o tratamento, pois quando os homens chegam a procurar ajuda já se encontram em estado mais agravado de saúde. Diante desses fatos, pesquisas qualitativas trazem várias razões para a baixa adesão para com os serviços da atenção primária, havendo dois grupos principais de seus principais determinantes, barreiras entre o homem e os serviços e ações de saúde, sendo elas as barreiras socioculturais e barreiras institucionais. (GOMES, 2003, apud MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008). Alguns estudos apontam que os homens são mais vulneráveis às doenças do que as mulheres, primordialmente em relação a doenças graves e crônicas, juntamente com o fato de que vem a óbito mais precocemente do que as mulheres (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008).</p><p>As variáveis socioculturais de não adesão partem de estereótipos de gênero, enraizados há séculos em na cultura patriarcal, potencializam práticas baseadas em crenças e valores do que é ser homem. As doenças são consideradas sinais de fragilidade, sendo assim, os homens acabam se expondo mais às situações de risco, tomando menos cuidados por se considerarem invulneráveis. Os homens têm medo de que se a equipe de saúde identifique algum problema em sua saúde, sua invulnerabilidade seja colocada à prova. Esta é então uma das justificativas que estão por trás do insucesso com medidas que buscam incentivar a prevenção.</p><p>O mês de novembro é o mês de conscientização sobre a saúde do homem. O vídeo abaixo irá explicar sobre a importância de fazer exames periódicos e do cuidado com a saúde do homem.</p><p>Referências:</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cuidador / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.</p><p>GOMES, R. Sexualidade masculina e saúde do homem: proposta para uma discussão. RJ Ciência Saúde Coletiva, 2003.</p><p>PESQUISA SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), 2013. Disponível em: http://www.sbu.org.br/.</p><p>Este material foi baseado em:</p><p>PINHEIRO, Ângela Fernanda Santiago. Saúde do Homem e do Idoso. Instituto Federal do Norte de Minas Gerais/Rede e-Tec Brasil, Montes Claros: 2015.</p><p>image1.png</p>

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