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<p>Qual é a diferença entre</p><p>Atenção Primária à Saúde</p><p>e Estratégia Saúde da</p><p>Família?</p><p>4.1 ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE</p><p>4.1.1 Conceitos e princípios</p><p>A Atenção Primária à Saúde (APS) pode ser entendida como um</p><p>nível de atenção do sistema de saúde — a porta de entrada,</p><p>oferecendo serviços que respondem às necessidades de saúde</p><p>envolvendo ações preventivas, de promoção à saúde, curativas e</p><p>de reabilitação — e como um modelo de organização de um</p><p>sistema de saúde. Nessa perspectiva, o livro Atenção primária:</p><p>equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia</p><p>(2002) refere que:</p><p>A atenção primária é aquele nível de um sistema de serviço de saúde que oferece</p><p>a entrada no sistema para todas as novas necessidades e problemas, fornece</p><p>atenção sobre a pessoa (não direcionada para a enfermidade) no decorrer do</p><p>tempo, fornece atenção para todas as condições, exceto as muito incomuns ou</p><p>raras, e coordena ou integra a atenção fornecida em algum outro lugar ou por</p><p>terceiros. Assim, é definida como um conjunto de funções que, combinadas, são</p><p>exclusivas da atenção primária.</p><p>A Declaração de Alma Ata sobre Cuidados Primários (1978), que</p><p>corresponde a um dos principais marcos históricos do</p><p>desenvolvimento da APS, afirma que:</p><p>Os cuidados primários de saúde são cuidados essenciais de saúde baseados em</p><p>métodos e tecnologias práticas, cientificamente bem fundamentadas e</p><p>socialmente aceitáveis, colocadas ao alcance universal de indivíduos e famílias da</p><p>comunidade, mediante sua plena participação e a um custo que a comunidade e</p><p>o país podem manter em cada fase de seu desenvolvimento, no espírito de</p><p>autoconfiança e autodeterminação. Fazem parte integrante tanto do sistema de</p><p>saúde do país, do qual constituem a função central e o foco principal, quanto do</p><p>desenvolvimento social e econômico global da comunidade. Representam o</p><p>primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o</p><p>sistema nacional de saúde pelo qual os cuidados de saúde são levados o mais</p><p>proximamente possível aos lugares onde pessoas vivem e trabalham, e</p><p>constituem o primeiro elemento de um continuado processo de assistência à</p><p>saúde.</p><p>No Brasil, a APS nasce com características de APS seletiva —</p><p>realizada com programas focalizados e seletivos —, mas, a partir</p><p>do momento em que é assumida como estratégia para</p><p>reorientação do modelo assistencial, no contexto do Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS), pode ser caracterizada como uma APS</p><p>integral — caracterizada como uma concepção de modelo</p><p>assistencial e de organização do sistema de saúde.</p><p>Os princípios gerais da APS têm base na Declaração de Alma-Ata,</p><p>e podem ser resumidos em quatro atributos essenciais: acesso ou</p><p>primeiro contato, integralidade, longitudinalidade e coordenação</p><p>do cuidado; e três atributos derivados: orientação familiar,</p><p>orientação comunitária e competência cultural (Atenção primária:</p><p>equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia,</p><p>2002).</p><p>Os atributos essenciais são:</p><p>▶ Acesso (ou primeiro contato): definido como porta preferencial</p><p>de entrada da população aos serviços de saúde, ou seja, a</p><p>população e a equipe identificam aquele serviço como o primeiro</p><p>recurso a ser buscado quando há uma necessidade ou problema</p><p>de saúde. Para que o serviço de saúde possa ser o primeiro</p><p>contato ou porta de entrada, é preciso analisar os quesitos de</p><p>acesso e acessibilidade. O acesso se refere a como os serviços</p><p>ser organizam para atender às necessidades da população. Já</p><p>acessibilidade é pertinente a questões sócio-organizacionais</p><p>(como a forma que se dá o agendamento das consultas, por</p><p>exemplo) e geográficas (tempo, distância, obstáculos físicos,</p><p>como um trilho de trem, para se chegar ao serviço de saúde);</p><p>▶ Integralidade: é também um dos princípios doutrinários do SUS.</p><p>Trata-se da capacidade da equipe de saúde em lidar com o amplo</p><p>espectro de necessidades em saúde do indivíduo, da família ou</p><p>das comunidades, resolvendo-os em até 85% das vezes ou</p><p>referindo-os a outros níveis de atenção à saúde conforme a</p><p>necessidade (secundário ou terciário). Pressupõe um conceito</p><p>amplo de saúde, no qual são reconhecidas necessidades</p><p>biopsicossociais, culturais e subjetivas; a promoção, a prevenção</p><p>e o tratamento são integrados na prática clínica e comunitária, e a</p><p>abordagem envolve o indivíduo, sua família e seu contexto;</p><p>▶ Longitudinalidade: ou vínculo e responsabilização, é uma</p><p>relação personalizada entre usuário e serviço de saúde que se</p><p>estabelece ao longo do tempo, independentemente do tipo de</p><p>problemas de saúde ou mesmo da presença de um problema de</p><p>saúde. Nesse conceito surge a proposta do acolhimento, que</p><p>consiste na busca constante de reconhecimento das</p><p>necessidades de saúde dos usuários e das formas possíveis de</p><p>satisfazê-las, o que resulta em resolução na unidade,</p><p>encaminhamentos ou deslocamentos e trânsitos pela rede</p><p>assistencial;</p><p>▶ Coordenação do cuidado: atributo essencial para a obtenção</p><p>dos outros aspectos, é considerada a capacidade de integrar todo</p><p>cuidado que o paciente recebe em diferentes pontos, por meio do</p><p>gerenciamento e da coordenação entre os serviços. É, portanto,</p><p>um estado de harmonia por meio de uma ação ou um esforço</p><p>comum. Sem ela, a longitudinalidade perderia muito do seu</p><p>potencial, a integralidade seria dificultada, e a função de primeiro</p><p>contato se tornaria puramente administrativa.</p><p>E, ainda, os atributos derivados:</p><p>▶ Orientação familiar: corresponde à responsabilização, por parte</p><p>da equipe de determinado número de famílias que vivem num</p><p>território definido. As ações de abordagem familiar requerem a</p><p>realização de intervenções personalizadas na família</p><p>considerando a estrutura e o ciclo de vida familiar;</p><p>▶ Orientação comunitária: diz tanto quanto ao uso de habilidades</p><p>clínicas, epidemiológicas e sociais para abordar os problemas</p><p>mais prevalentes específicos daquela população adscrita a</p><p>determinada equipe quanto ao envolvimento da comunidade na</p><p>tomada de decisão (controle social como nos conselhos e</p><p>conferências de saúde);</p><p>▶ Competência cultural: capacidade de as equipes de saúde e das</p><p>organizações de cuidados de saúde de compreenderem e</p><p>responderem às necessidades da sua população adscrita</p><p>considerando os aspectos culturais e linguísticos trazidos pelos</p><p>usuários nas demandas de cuidados de saúde.</p><p>As abordagens familiar e comunitária e a competência cultural</p><p>são observadas principalmente na Estratégia Saúde da Família</p><p>(ESF), relacionadas ao foco de atenção da equipe de saúde.</p><p>#importante</p><p>Identificar os atributos da APS é questão</p><p>recorrente nas provas.</p><p>4.1.2 Histórico</p><p>4.1.2.1 Relatório Dawson</p><p>O conceito de APS surgiu na Inglaterra no início do século 20. Na</p><p>época, vivia-se uma revolução na estrutura do cuidado em saúde</p><p>e no ensino médico proposta por Flexner em 1910; observava-se</p><p>uma expansão de cuidados médicos apenas de cunho curativo,</p><p>fundado no reducionismo biológico e na atenção individual em</p><p>nível predominantemente hospitalar. Esse modelo preocupava as</p><p>autoridades inglesas em razão do elevado custo, à crescente</p><p>complexidade, à fragmentação da atenção médica e à sua baixa</p><p>resolutividade.</p><p>Nesse contexto, o médico britânico Bertrand Edward Dawson, em</p><p>1920, após ter sido convocado pelo governo inglês, escreveu o</p><p>Interim Report on the Future Provision of Medical and Allied</p><p>Services (mais conhecido como Relatório Dawson), no qual a ideia</p><p>de atenção primária foi utilizada pela primeira vez como forma de</p><p>organização de um sistema de saúde e se tornou uma alternativa</p><p>para contrapor o modelo flexneriano. Nesse documento, Dawson</p><p>organizava o modelo de atenção em centros de saúde primários e</p><p>secundários, serviços domiciliares, serviços suplementares e</p><p>hospitais de ensino. Os centros de saúde primários e os serviços</p><p>domiciliares deveriam estar organizados de maneira</p><p>regionalizada, em que a maior parte dos problemas de saúde</p><p>deveria ser resolvida por médicos com formação em Clínica Geral.</p><p>Os casos em que o médico não tivesse condições de solucionar</p><p>com os recursos disponíveis na atenção primária deveriam ser</p><p>encaminhados para os centros de atenção secundária,</p><p>nos quais</p><p>haveria especialistas das mais diversas áreas, ou então, para os</p><p>hospitais, quando existisse indicação de internação ou cirurgia.</p><p>Essa organização caracteriza-se pela hierarquização dos níveis de</p><p>atenção à saúde. As concepções desse documento influenciaram</p><p>a criação do sistema nacional de saúde britânico (National Health</p><p>Service — NHS), em 1948, que, por sua vez, passou a orientar a</p><p>reorganização dos sistemas de saúde em vários países do mundo.</p><p>Além disso, as discussões propostas em torno do relatório quanto</p><p>a hierarquização dos níveis de atenção, regionalização e primeiro</p><p>contato são centrais até hoje.</p><p>4.1.2.2 Declaração de Alma-Ata</p><p>Os elevados custos dos sistemas de saúde mundiais, o uso</p><p>indiscriminado da tecnologia, como exames laboratoriais e de</p><p>imagem, e a baixa resolutividade preocupavam a economia da</p><p>saúde nos países desenvolvidos, fazendo-os pesquisar novas</p><p>formas de organização da atenção com custos menores e maior</p><p>eficiência. Em contrapartida, os países subdesenvolvidos e em</p><p>desenvolvimento sofriam com a desigualdade do acesso à saúde,</p><p>aliada à falta de cobertura dos cuidados primários, à alta</p><p>mortalidade infantil e às péssimas condições sociais, econômicas</p><p>e de saneamento básico.</p><p>Nesse contexto, a Organização Mundial da Saúde (OMS)</p><p>fomentou o debate sobre os rumos mundiais para a saúde,</p><p>gerando, em 1978, na cidade de Alma-Ata (antiga URSS, hoje no</p><p>Cazaquistão), a Conferência Internacional sobre Cuidados</p><p>Primários de Saúde (Figura 4.1), na qual foi proposto o maior nível</p><p>de saúde até o ano 2000, por meio da APS, conhecida como</p><p>”Saúde para Todos no ano 2000”. Nessa conferência, foi escrita a</p><p>Declaração de Alma-Ata sobre Cuidados Primários, em que 134</p><p>países (incluindo o Brasil) assinaram uma carta comprometendo-</p><p>se a modificar seus sistemas de saúde, levando em conta um</p><p>conjunto de princípios que ampliavam o conceito de saúde.</p><p>A partir da Alma-Ata definiu-se, em nível mundial, a saúde como</p><p>um direito do cidadão, defendendo a ideia de que a saúde</p><p>depende da elaboração de políticas públicas, que vão desde o</p><p>comprometimento com o planejamento até a equidade social,</p><p>passando pelo fortalecimento da sociedade, por meio do acesso à</p><p>educação e informação e direito à participação social para o</p><p>fortalecimento das ações de saúde a serem implantadas.</p><p>Figura 4.1 - Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde (1978)</p><p>Fonte: site da Organização Pan-Americana da Saúde, 2015.</p><p>4.1.2.3 Carta de Ottawa e o Movimento de Promoção da</p><p>Saúde</p><p>Em 1986, em Ottawa, Canadá, foi realizada a Primeira</p><p>Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Essa</p><p>conferência foi uma resposta às crescentes expectativas por uma</p><p>nova saúde pública, movimento que vinha ocorrendo em todo o</p><p>mundo.</p><p>A conferência tinha como plano discutir o futuro da saúde pública,</p><p>principalmente nos países desenvolvidos, e introduzir um</p><p>conceito novo de promoção de saúde (nome dado ao processo de</p><p>capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua</p><p>qualidade de vida).</p><p>Como estratégias de ação, a Carta de Ottawa defendia a criação</p><p>de ambientes sustentáveis, a reorientação dos serviços de saúde,</p><p>o desenvolvimento da capacidade dos sujeitos individuais e o</p><p>fortalecimento de ações comunitárias.</p><p>As discussões basearam-se nos progressos alcançados com a</p><p>Declaração de Alma-Ata e tinham como objetivo auxiliar no</p><p>alcance da meta de “Saúde para Todos no ano 2000”.</p><p>Entre 1986 e 2000, realizaram-se cinco conferências</p><p>internacionais de promoção da saúde em vários países do mundo.</p><p>A reorientação dos serviços de saúde proposta nessas</p><p>conferências fortalece a ideia de organizar os sistemas de saúde</p><p>com base na atenção primária. Em 2014, foi publicada a Portaria</p><p>nº 2.446, de 11 de novembro de 2014, que redefine a Política</p><p>Nacional de Promoção da Saúde e, em seu texto, afirma a</p><p>necessidade de articulação com a Política Nacional de Atenção</p><p>Básica (2012).</p><p>4.1.2.4 Histórico da Atenção Primária à Saúde no Brasil</p><p>No Brasil, outros movimentos também foram importantes para</p><p>que a APS ganhasse a importância e a conformação atuais. Nas</p><p>décadas de 1920 e 1930, baseados em conceitos da higiene</p><p>privada, foram criados os centros de saúde, que salientavam a</p><p>educação sanitária e a promoção de saúde. Com essa proposta,</p><p>esses centros foram inovadores, pois, até o então, as ações de</p><p>saúde pública eram temporárias e voltadas iminentemente para o</p><p>controle de doenças epidêmicas. Nos anos 1950, com a influência</p><p>do modelo da história natural da doença de Leavell e Clark,</p><p>emerge a proposta da Medicina Preventiva, que reformula as</p><p>proposições de higiene e educação sanitária e traz a premissa da</p><p>abordagem do indivíduo como um todo biopsicossocial e a</p><p>reorientação dos cuidados de saúde em um sistema integral e</p><p>hierarquizado. Essas proposições foram importantes para a</p><p>Reforma Sanitária e a Programação em Saúde. Em 1960 houve</p><p>outra experiência, a criação da Fundação Serviço Especial de</p><p>Saúde Pública (FSESP), a partir de uma transformação do Serviço</p><p>Especial de Saúde Pública (SESP). A fundação teve atuação</p><p>marcante nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste,</p><p>organizando e operando serviços de saúde pública e assistência</p><p>médica. Contudo, apenas na década de 1970 houve uma</p><p>expansão da APS em nível nacional, com o surgimento do</p><p>Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento</p><p>do Nordeste (PIASS), cujo objetivo era possibilitar o acesso à</p><p>saúde às populações marginalizadas, e a criação em 1976 dos</p><p>primeiros programas de Residência Médica em Medicina de</p><p>Família e Comunidade (na época Medicina Geral e Comunitária),</p><p>formando médicos especializados em construir um novo modelo</p><p>de atenção à saúde no país. Ao longo dos anos 1980, a APS</p><p>ganhou papel central nas políticas de saúde com a instalação de</p><p>serviços básicos na rede assistencial da saúde pública e nos</p><p>serviços de medicina previdenciária. Além disso, o Movimento da</p><p>Reforma Sanitária continuou ganhando força e discutiu a crise na</p><p>saúde e novas propostas na 8º Conferência Nacional de Saúde, na</p><p>qual se consolidaram conceitos que seriam bases para a</p><p>Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Assim, principalmente após a Constituição, a APS se tornou o</p><p>modelo de saúde preconizado pelo SUS. Em 1991, criou-se o</p><p>Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e, em 1994,</p><p>o Programa Saúde da Família (PSF), representando modelos APS</p><p>bastante restritos, pois focalizavam populações específicas e</p><p>ofereciam serviços restritos ao enfrentamento de problemas</p><p>específicos. A partir de 1997, com a publicação pelo Ministério da</p><p>Saúde do documento PSF: uma reorientação do modelo</p><p>assistencial, a APS foi alçada à condição de estratégia</p><p>estruturante de organização do sistema de saúde brasileiro,</p><p>reiterado em 2006 e 2011, quando da publicação e republicação</p><p>da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), pela Portaria nº</p><p>648, de 28 de março de 2006, e pela Portaria nº 2.488, de 21 de</p><p>outubro de 2011. A versão da PNAB de 2011 manteve a essência</p><p>da anterior, embora tenha feito mudanças, como a flexibilização</p><p>da carga horária de médicos, antes contratados obrigatoriamente</p><p>em regime de 40 horas semanais, podendo, desde então,</p><p>estabelecer contratos de 20, 30 ou 40 horas semanais.</p><p>A Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017, aprovou uma</p><p>nova versão da PNAB, em que a ESF deixou de ser o único modelo</p><p>para a organização da Atenção Básica no Brasil; passou a ser</p><p>admitida, também, a composição de equipes multiprofissionais</p><p>apenas por médicos, enfermeiros e técnicos ou auxiliares de</p><p>enfermagem (portanto, sem Agente Comunitário de Saúde —</p><p>ACS), com carga horária mínima de 10 horas semanais para os</p><p>médicos.</p><p>4.2 POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO</p><p>BÁSICA</p><p>A PNAB mais recente foi publicada com a Portaria nº 2.436, de 21</p><p>de setembro de 2017. Nela, a Atenção Básica é concebida como</p><p>sinônimo de Atenção Primária. Segundo o Art. 2:</p><p>A Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais,</p><p>familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção,</p><p>proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos,</p><p>cuidados</p><p>paliativos e vigilância em saúde, desenvolvida por meio</p><p>de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizada</p><p>com equipe multiprofissional e dirigida à população em território</p><p>definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade</p><p>sanitária.</p><p>#importante</p><p>Na PNAB 2017, os termos “atenção</p><p>primária” e “atenção básica” são</p><p>considerados sinônimos.</p><p>4.2.1 Princípios e Diretrizes da Atenção Básica no Brasil</p><p>A Atenção Básica, assim como o SUS, tem como princípios a</p><p>universalidade, a integralidade e a equidade, assim definidos:</p><p>▶ Universalidade: possibilitar o acesso universal e contínuo a</p><p>serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados</p><p>como a porta de entrada aberta e preferencial da rede de atenção</p><p>(primeiro contato), com o acolhimento das pessoas, promovendo</p><p>a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas</p><p>necessidades de saúde. O estabelecimento de mecanismos que</p><p>assegurem acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica</p><p>de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte</p><p>do princípio de que as equipes que atuam na Atenção Básica nas</p><p>Unidades Básicas de Saúde (UBSs) devem receber e ouvir todas</p><p>as pessoas que procuram seus serviços, de modo universal, de</p><p>fácil acesso, sem diferenciações excludentes e, a partir daí,</p><p>construir respostas para suas demandas e necessidades;</p><p>▶ Equidade: ofertar o cuidado, com o reconhecimento das</p><p>diferenças nas condições de vida e saúde, de acordo com as</p><p>necessidades das pessoas, considerando que o direito à saúde</p><p>passa pelas diferenciações sociais e deve atender à diversidade. É</p><p>proibida qualquer exclusão com base em idade, gênero, cor,</p><p>crença, nacionalidade, etnia, orientação sexual, identidade de</p><p>gênero, estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade</p><p>ou limitação física, intelectual, funcional, entre outras, com</p><p>estratégias que permitam minimizar desigualdades, evitar</p><p>exclusão social de grupos que possam vir a sofrer estigmatização</p><p>ou discriminação, de maneira que impacte na autonomia e na</p><p>situação de saúde;</p><p>▶ Integralidade: é o conjunto de serviços executados pela equipe</p><p>de saúde que atendem às necessidades da população adscrita</p><p>nos campos do cuidado, da promoção e manutenção da saúde, da</p><p>prevenção de doenças e agravos, da cura, da reabilitação, da</p><p>redução de danos e dos cuidados paliativos. Inclui a</p><p>responsabilização pela oferta de serviços em outros pontos de</p><p>atenção à saúde e o reconhecimento adequado das necessidades</p><p>biológicas, psicológicas, ambientais e sociais causadoras das</p><p>doenças (considerando a pessoa de forma integral), além do</p><p>manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão</p><p>necessárias a esses fins, além da ampliação da autonomia das</p><p>pessoas e coletividade.</p><p>As diretrizes da Atenção Básica são:</p><p>▶ Regionalização e hierarquização dos pontos de atenção das</p><p>Redes de Atenção à Saúde (RAS), tendo a Atenção Básica como</p><p>ponto de comunicação entre eles. Consideram-se regiões de</p><p>saúde como um recorte espacial estratégico para fins de</p><p>planejamento, organização e gestão de redes de ações e serviços</p><p>de saúde em determinada localidade, e a hierarquização como</p><p>forma de organização de pontos de atenção das RASs entre si,</p><p>com fluxos e referências estabelecidos;</p><p>▶ Territorialização e adstrição, de forma a permitir o planejamento,</p><p>a programação descentralizada e o desenvolvimento de ações</p><p>setoriais e intersetoriais com foco em um território específico,</p><p>com impacto na situação, nos condicionantes e determinantes da</p><p>saúde das pessoas e coletividades que constituem aquele espaço</p><p>e estão, portanto, adscritos a ele. Para efeitos da PNAB,</p><p>considera-se território a unidade geográfica única, de construção</p><p>descentralizada do SUS na execução das ações estratégicas</p><p>destinadas à vigilância, promoção, prevenção, proteção e</p><p>recuperação da saúde. Os territórios são destinados para</p><p>dinamizar a ação em saúde pública, o estudo social, econômico,</p><p>epidemiológico, assistencial, cultural e identitário, possibilitando</p><p>uma ampla visão de cada unidade geográfica e subsidiando a</p><p>atuação na Atenção Básica para atenderem a necessidade da</p><p>população adscrita e/ou das populações específicas;</p><p>▶ População adscrita: população presente no território da UBS, a</p><p>fim de estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e</p><p>responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a</p><p>continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do</p><p>cuidado, com o objetivo de ser referência para o seu cuidado;</p><p>▶ Cuidado centrado na pessoa: aponta para o desenvolvimento de</p><p>ações de cuidado de forma singularizada, que auxilie as pessoas a</p><p>desenvolverem os conhecimentos, aptidões, competências e a</p><p>confiança necessária para gerir e tomar decisões embasadas</p><p>sobre sua própria saúde e seu cuidado de saúde de forma mais</p><p>efetiva. O cuidado é construído com as pessoas, de acordo com</p><p>suas necessidades e potencialidades na busca de uma vida</p><p>independente e plena. A família, a comunidade e outras formas de</p><p>coletividade são elementos relevantes, muitas vezes</p><p>condicionantes ou determinantes na vida das pessoas e, por</p><p>consequência, no cuidado;</p><p>▶ Resolutividade: reforça a importância de a Atenção Básica ser</p><p>resolutiva, utilizando e articulando diferentes tecnologias de</p><p>cuidado individual e coletivo, por meio de uma clínica ampliada</p><p>capaz de construir vínculos positivos e intervenções clínica e</p><p>sanitariamente efetivas, centrada na pessoa, na perspectiva de</p><p>ampliação dos graus de autonomia dos indivíduos e grupos</p><p>sociais. Deve ser capaz de resolver a maioria dos problemas de</p><p>saúde da população, coordenando o cuidado do usuário em</p><p>outros pontos da RAS, quando necessário;</p><p>▶ Longitudinalidade do cuidado: pressupõe a continuidade da</p><p>relação de cuidado, com construção de vínculo e</p><p>responsabilização entre profissionais e usuários ao longo do</p><p>tempo, de modo permanente e consistente, com</p><p>acompanhamento dos efeitos das intervenções em saúde e de</p><p>outros elementos na vida das pessoas, a fim de evitar a perda de</p><p>referências e diminuir os riscos de iatrogenia decorrentes do</p><p>desconhecimento das histórias de vida e da falta de coordenação</p><p>do cuidado;</p><p>▶ Coordenar o cuidado: elaborar, acompanhar e organizar o fluxo</p><p>dos usuários entre os pontos de atenção das RASs. Para tanto, a</p><p>APS atua como o centro de comunicação entre os diversos</p><p>pontos de atenção, responsabilizando-se pelo cuidado dos</p><p>usuários em qualquer desses pontos por meio de uma relação</p><p>horizontal, contínua e integrada, com o objetivo de produzir a</p><p>gestão compartilhada da atenção integral, além de articular</p><p>outras estruturas das redes de saúde e intersetoriais, públicas,</p><p>comunitárias e sociais;</p><p>▶ Ordenar as redes: reconhecer as necessidades de saúde da</p><p>população sob sua responsabilidade, organizando essas</p><p>necessidades em relação aos outros pontos de atenção à saúde,</p><p>contribuindo para que o planejamento das ações, assim como a</p><p>programação dos serviços de saúde, parta das necessidades de</p><p>saúde das pessoas;</p><p>▶ Participação da comunidade: estimular a participação das</p><p>pessoas, a orientação comunitária das ações de saúde na</p><p>Atenção Básica e a competência cultural no cuidado como forma</p><p>de ampliar sua autonomia e capacidade na construção do cuidado</p><p>à sua saúde e das pessoas e coletividades do território;</p><p>considerar, ainda, o enfrentamento dos determinantes e</p><p>condicionantes de saúde, pela articulação e integração das ações</p><p>intersetoriais na organização e orientação dos serviços de saúde,</p><p>a partir de lógicas mais centradas nas pessoas e no exercício do</p><p>controle social.</p><p>4.2.2 A Atenção Básica nas Redes de Atenção à Saúde</p><p>As RASs são arranjos organizativos formados por ações e</p><p>serviços de saúde com diferentes configurações tecnológicas —</p><p>na atenção primária, secundária e terciária — e missões</p><p>assistenciais — prevenção, promoção e recuperação da saúde —,</p><p>articulados de modo complementar em determinada região de</p><p>saúde (espaço geográfico geralmente composto por municípios</p><p>circunvizinhos com características sociodemográficas e</p><p>epidemiológicas semelhantes).</p><p>A Atenção Básica é parte integrante das RASs e atua como porta</p><p>de entrada</p><p>preferencial e ordenadora dessas redes e</p><p>coordenadora dos cuidados nelas oferecido. Para cumprir sua</p><p>missão, a Atenção Básica deve apresentar alta resolutividade,</p><p>com capacidade clínica e de cuidado, e incorporação de</p><p>tecnologias leves, leve/duras e duras (diagnósticas e</p><p>terapêuticas), além de articulação com os demais serviços da</p><p>rede. Assim, a Atenção Básica deve, no interior da RAS, ordenar o</p><p>fluxo de pessoas aos demais pontos de atenção da rede, gerir a</p><p>referência e contrarreferência, bem como estabelecer relação</p><p>com os especialistas que cuidam das pessoas de seu território.</p><p>4.2.3 Funcionamento da Atenção Básica</p><p>A Atenção Básica funciona nas chamadas Unidades Básicas de</p><p>Saúde (UBS), Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) e</p><p>Unidades Odontológicas Móveis (UOM), onde atuam equipes</p><p>multiprofissionais.</p><p>As UBSs funcionam 40 horas semanais, cinco dias por semana,</p><p>no mínimo, habitualmente em horário matutino e vespertino.</p><p>Horários alternativos podem ser pactuados nas instâncias de</p><p>participação social, como os Conselhos de Saúde. Podem ter até</p><p>quatro equipes de Atenção Básica ou Saúde da Família para</p><p>atingir seu potencial resolutivo. Pela PNAB 2017, ficou indicado</p><p>que as equipes devem assumir a responsabilidade sanitária por</p><p>uma população de 2.000 a 3.500 pessoas, contudo, a partir da</p><p>portaria do Programa Previne Brasil, o número máximo foi</p><p>ampliado para até 4.000 vidas, conforme o padrão de</p><p>vulnerabilidade menor da população. As ações realizadas deverão</p><p>seguir dois padrões: essencial, com ações e procedimentos</p><p>básicos relacionados a condições básicas/essenciais; e ampliado,</p><p>com ações e procedimentos considerados estratégicos.</p><p>Todas as UBSs devem monitorizar a satisfação dos usuários</p><p>(registro de elogios, críticas, reclamações) e assegurar</p><p>acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo que</p><p>não sejam da sua área de abrangência, com classificação de risco</p><p>e encaminhamento responsável e articulado com outros serviços.</p><p>Há cinco tipos de equipes multiprofissionais que podem atuar na</p><p>Atenção Básica: Equipe de Saúde da Família (eSF), Equipe de</p><p>Atenção Básica (eAB), Equipe de Saúde Bucal (eSB), Núcleo</p><p>Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB ou</p><p>NASF-AP, considerando a equivalência entre atenção primária e</p><p>básica) e Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS).</p><p>Considera-se ainda a organização de equipes de Atenção Básica</p><p>para Populações específicas: Equipe de Saúde da Família</p><p>Ribeirinha (ESFR), Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF),</p><p>Equipe de Consultório na Rua (eCR) e Equipe de Atenção Básica</p><p>Prisional (eABP).</p><p>#importante</p><p>A eAB não exige a participação de ACSs</p><p>em sua composição e pode ser formada</p><p>com médico, enfermeiro e técnico ou</p><p>auxiliar de enfermagem, o que não é</p><p>possível no caso da eSF, que deve contar</p><p>com todos esses profissionais.</p><p>A eSF é composta por, no mínimo:</p><p>▶ Um médico — preferencialmente da especialidade Medicina de</p><p>Família e Comunidade;</p><p>▶ Um enfermeiro — preferencialmente especialista em Saúde da</p><p>Família;</p><p>▶ Um auxiliar e/ou técnico de enfermagem;</p><p>▶ ACS — o número de ACSs por equipe deverá ser definido de</p><p>acordo com a base populacional, critérios demográficos,</p><p>epidemiológicos e socioeconômicos, de acordo com definição</p><p>local. Em áreas de grande dispersão territorial e áreas de risco e</p><p>vulnerabilidade social, recomenda-se a cobertura de 100% da</p><p>população com número máximo de 750 pessoas por ACS.</p><p>Podem compor ainda a equipe o Agente de Combate às Endemias</p><p>(ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião-dentista,</p><p>preferencialmente especialista em Saúde da Família, e auxiliar ou</p><p>técnico em saúde bucal.</p><p>As Equipes de Saúde Bucal, compostas por dentista, técnico de</p><p>saúde bucal ou auxiliar de saúde bucal (modalidade I) ou dentista,</p><p>técnico de saúde bucal e auxiliar de saúde bucal ou outro técnico</p><p>de saúde bucal (modalidade II), atuam sempre vinculados às eSFs</p><p>ou eABs. As equipes da EACS são uma possibilidade para a</p><p>reorganização inicial da Atenção Básica, com vistas à implantação</p><p>gradual da eSF ou como forma de agregar os agentes</p><p>comunitários a outras maneiras de organização da Atenção</p><p>Básica. Para isso, é necessária a existência de UBS, ACS e</p><p>enfermeiro supervisor. Cada ACS deverá realizar suas ações</p><p>previstas, dentro de sua microárea de responsabilidade, com um</p><p>limite máximo de até 750 pessoas.</p><p>As Equipes de Consultório de Rua objetivam ampliar o acesso</p><p>desses usuários ao serviço de saúde e ofertar de maneira mais</p><p>oportuna a atenção integral à saúde. Realizam atividades de</p><p>forma itinerante, desenvolvendo ações na rua, em instalações</p><p>específicas, na unidade móvel e nas instalações das UBSs do</p><p>território onde atuam, sempre articuladas e desenvolvendo ações</p><p>em parceria com as demais equipes de Atenção Básica do</p><p>território (UBS e NASF-AB) e dos Centros de Atenção</p><p>Psicossocial, da Rede de Urgência e dos serviços e instituições</p><p>componentes do Sistema Único de Assistência Social, entre</p><p>outras instituições públicas e da sociedade civil. As eSFRs</p><p>desempenham a maior parte de suas funções em UBSs</p><p>construídas/localizadas nas comunidades pertencentes à área</p><p>adscrita e cujo acesso ocorre por meio fluvial e as eSFFs</p><p>desempenham suas funções em UBSFs.</p><p>Já as Equipes do NASF foram criadas pelo Ministério da Saúde</p><p>por meio da Portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008, com o</p><p>objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da</p><p>Atenção Básica, bem como sua resolubilidade. Com a PNAB 2017,</p><p>o NASF passou a complementar não só as eSFs, mas também as</p><p>eABs. Por isso, o nome foi trocado para Núcleo Ampliado de</p><p>Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). As equipes do</p><p>NASF-AB são compostas por diferentes ocupações da área da</p><p>saúde para dar suporte — clínico, pedagógico e sanitário — às</p><p>eSFs e eABs, atuando em conjunto com elas, em seus respectivos</p><p>territórios. Assim, as equipes do NASF-AB não se constituem</p><p>como serviços com unidades físicas independentes ou especiais,</p><p>nem são de livre acesso para atendimento individual ou coletivo;</p><p>estes, quando necessários, devem ser regulados pelas equipes</p><p>que atuam na Atenção Básica. Devem, a partir das demandas</p><p>identificadas no trabalho conjunto com as equipes, atuar de</p><p>maneira integrada à RAS e seus diversos pontos de atenção, além</p><p>de outros equipamentos sociais públicos/privados, redes sociais e</p><p>comunitárias.</p><p>Com o novo modelo de financiamento de custeio da APS,</p><p>instituído pelo Programa Previne Brasil por meio da Portaria nº</p><p>2.979, de 12 de novembro de 2019, alguns instrumentos</p><p>normativos foram revogados, entre os quais as normas que</p><p>definem os parâmetros e custeio do NASF-AB. Dessa forma, a</p><p>composição de equipes multiprofissionais deixa de estar</p><p>vinculada às tipologias de equipes NASF-AB, como acontecia</p><p>anteriormente. Com essa desvinculação, o gestor municipal passa</p><p>a ter autonomia para compor suas equipes, multiprofissionais,</p><p>definindo os profissionais, a carga horária e os arranjos de equipe.</p><p>O gestor municipal pode então, cadastrar esses profissionais</p><p>diretamente nas equipes de Saúde da Família ou equipes de</p><p>Atenção Primária, ampliando sua composição mínima. Poderá,</p><p>ainda, manter os profissionais cadastrados como equipe NASF-</p><p>AB ou cadastrar os profissionais apenas no estabelecimento de</p><p>atenção primária sem vinculação a nenhuma equipe.</p><p>Entre as Estratégias e Programas da Atenção Básica, que inclui as</p><p>equipes citadas, há também o Programa de Saúde na Escola</p><p>(PSE). Foi criado em 2007, pelo Decreto nº 6.286, de 5 de</p><p>dezembro de 2007, na perspectiva da atenção integral</p><p>(promoção, prevenção, diagnóstico e recuperação da saúde e</p><p>formação) à saúde de crianças, adolescentes e jovens do ensino</p><p>público básico, no âmbito das escolas e UBSs, realizada pelas</p><p>equipes de saúde da Atenção Básica e educação de forma</p><p>integrada, por meio de ações de avaliação clínica e psicossocial,</p><p>promoção e prevenção, visando o desenvolvimento de</p><p>alimentação saudável, de práticas corpóreas e atividades físicas</p><p>nas escolas, à educação para a saúde sexual e reprodutiva, à</p><p>prevenção ao uso de álcool, tabaco e outras drogas, à promoção</p><p>da</p><p>cultura de paz e prevenção das violências, à promoção da</p><p>saúde ambiental e desenvolvimento sustentável; educação</p><p>permanente para qualificação da atuação dos profissionais da</p><p>educação e da saúde e formação de jovens.</p><p>4.2.4 Atribuições dos profissionais da Atenção Básica</p><p>Quadro 4.1 - Atribuições comuns a todos os integrantes da equipe</p><p>Nota: o Quadro apresenta incoerência de sequência numérica (item XIV após o</p><p>XXIV), porém está aqui apresentado de acordo com a publicação oficial da revisão</p><p>de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS).</p><p>Fonte: adaptado de Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017.</p><p>Quadro 4.2 - Atribuições específicas dos profissionais da Atenção Básica</p><p>Nota: para conhecer outras atribuições dos ACSs, além das atribuições do</p><p>cirurgião dentista, do técnico em saúde bucal, do auxiliar em saúde bucal e do</p><p>gerente da Atenção Básica, consulte o documento.</p><p>Fonte: adaptado de Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017.</p><p>O médico da equipe de Saúde da Família é responsável pela</p><p>conduta de todos os pacientes de sua região de atendimento,</p><p>sendo, muitas vezes, o único ponto de acesso à saúde aos</p><p>usuários. Por esse motivo, deve entender e evitar o processo de</p><p>medicalização social, compreendido como a expansão</p><p>progressiva do campo de intervenção da Biomedicina por meio da</p><p>redefinição de experiências e comportamentos humanos como</p><p>se fossem problemas médicos. O desfecho prático disso mostra</p><p>que resfriados, lutos, pequenas contusões, tristezas, crises de</p><p>relacionamento, dores ocasionais, morte e nascimentos, crises</p><p>existenciais etc. passam a ser vertiginosamente medicalizados.</p><p>4.2.5 O processo de trabalho na Atenção Básica</p><p>A Atenção Básica como contato preferencial dos usuários na RAS</p><p>orienta-se pelos princípios e diretrizes do SUS, a partir dos quais</p><p>assume funções e características específicas. Considera as</p><p>pessoas em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando</p><p>produzir a atenção integral, por meio da promoção da saúde, da</p><p>prevenção de doenças e agravos, do diagnóstico, do tratamento,</p><p>da reabilitação e da redução de danos ou de sofrimentos que</p><p>possam comprometer sua autonomia. Dessa forma, é</p><p>fundamental que o processo de trabalho na Atenção Básica se</p><p>caracterize por:</p><p>▶ Definição do território e territorialização: a gestão deve definir o</p><p>território de responsabilidade de cada equipe, e esta deve</p><p>conhecer o território de atuação para programar suas ações de</p><p>acordo com o perfil e as necessidades da comunidade,</p><p>considerando diferentes elementos para a cartografia:</p><p>ambientais, históricos, demográficos, geográficos, econômicos,</p><p>sanitários, sociais, culturais etc. Importante refazer ou</p><p>complementar a territorialização sempre que necessário, já que o</p><p>território é vivo. A nova PNAB possibilita, por meio de pactuação e</p><p>negociação entre gestão e equipes, que o usuário possa ser</p><p>atendido fora de sua área de cobertura, mantendo o diálogo e a</p><p>informação com a equipe de referência;</p><p>▶ Responsabilização sanitária: papel que as equipes devem</p><p>assumir em seu território de referência (adstrição), considerando</p><p>questões sanitárias, ambientais (desastres, controle da água, solo,</p><p>ar), epidemiológicas (surtos, epidemias, notificações, controle de</p><p>agravos), culturais e socioeconômicas, contribuindo por meio de</p><p>intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde da</p><p>população com residência fixa, os itinerantes (população em</p><p>situação de rua, ciganos, circenses, andarilhos, acampados,</p><p>assentados etc.) ou mesmo trabalhadores da área adstrita;</p><p>▶ Porta de entrada preferencial;</p><p>▶ Adscrição de usuários e desenvolvimento de relações de</p><p>vínculo e responsabilização entre a equipe e a população;</p><p>▶ Acesso de modo a acolher todas as pessoas do seu território, de</p><p>modo universal e sem diferenciações excludentes (acesso tem</p><p>relação com a capacidade do serviço em responder às</p><p>necessidades de saúde da população — residente e itinerante).</p><p>Isso implica dizer que as necessidades da população devem ser o</p><p>principal referencial para a definição do escopo de ações e</p><p>serviços a serem ofertados, para a maneira como estes serão</p><p>organizados e para o todo o funcionamento da UBS, permitindo</p><p>diferenciações de horário de atendimento (estendido, sábado</p><p>etc.), formas de agendamento (por hora marcada, telefone, e-mail</p><p>etc.) e outros, para assegurar o acesso;</p><p>▶ O acolhimento em todas as relações de cuidado nos encontros</p><p>entre trabalhadores de saúde e usuários;</p><p>▶ Trabalho em equipe multiprofissional;</p><p>▶ Resolutividade, com capacidade de intervir nos riscos,</p><p>necessidades e demandas de saúde da população, solucionando</p><p>problemas de saúde. A equipe deve ser resolutiva desde o</p><p>contato inicial até demais ações e serviços da atenção básica de</p><p>que o usuário necessite;</p><p>▶ Atenção integral, contínua e organizada à população adscrita,</p><p>com base nas necessidades sociais e de saúde;</p><p>▶ Realização de ações de atenção domiciliar destinada a usuários</p><p>que tenham problemas de saúde controlados/compensados e</p><p>com dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma</p><p>Unidade Básica de Saúde, que necessitam de cuidados com</p><p>menor frequência e menor necessidade de recursos de saúde,</p><p>para famílias e/ou pessoas para busca ativa, ações de vigilância</p><p>em saúde e realizar o cuidado compartilhado com as equipes de</p><p>atenção domiciliar nos casos de maior complexidade;</p><p>▶ Programação e implementação de ações com base nas</p><p>necessidades de saúde, priorizando-as de acordo com a</p><p>frequência, risco, vulnerabilidade e resiliência;</p><p>▶ Implementação da Promoção da Saúde como um princípio para</p><p>o cuidado em saúde; Desenvolvimento de ações de prevenção</p><p>primária, secundária, terciária e quaternária;</p><p>▶ Desenvolvimento de ações educativas;</p><p>▶ Desenvolver ações intersetoriais em interlocução com escolas,</p><p>equipamentos do Sistema Único de Assistência Social,</p><p>associações de moradores, equipamentos de segurança, entre</p><p>outros, que tenham relevância na comunidade, integrando</p><p>projetos e redes de apoio social, voltados para o desenvolvimento</p><p>de uma atenção integral;</p><p>▶ Implementação de diretrizes de qualificação dos modelos de</p><p>atenção e gestão;</p><p>▶ Participação do planejamento local de saúde;</p><p>▶ Implantação de estratégias de segurança do paciente;</p><p>▶ Apoio às estratégias de fortalecimento da gestão local e do</p><p>controle social;</p><p>▶ Formação e Educação Permanente em Saúde.</p><p>4.2.5.1 Projeto Terapêutico Singular</p><p>Uma das possibilidades de trabalho em equipe remete ao Projeto</p><p>Terapêutico Singular, que corresponde a um conjunto de</p><p>propostas, condutas, ações ou medidas, clínicas ou não,</p><p>articuladas para dialogar com as necessidades de um sujeito</p><p>individual ou coletivo, construído a partir da discussão de uma</p><p>equipe interdisciplinar, podendo ter apoio matricial, caso</p><p>necessário. Em geral, é reservado para as situações mais</p><p>complexas.</p><p>O PTS é desenvolvido em quatro fases:</p><p>▶ Diagnóstico: com avaliação clínica, psicológica e social,</p><p>possibilitando incluir a discussão quanto a riscos e</p><p>vulnerabilidades do usuário e um conceito ampliado de saúde;</p><p>▶ Definição de metas: partindo da lista de problemas, a equipe</p><p>propõe metas de curto, médio e longo prazo que serão</p><p>negociadas com o usuário;</p><p>▶ Divisão de responsabilidades: define a tarefa de cada um dos</p><p>indivíduos envolvidos;</p><p>▶ Reavaliação: discute-se a evolução e são traçadas novas</p><p>tarefas.</p><p>A política de Humanização do SUS propõe que a coordenação do</p><p>PTS seja realizada pelo profissional com melhor vínculo com o</p><p>sujeito ou com a família.</p><p>4.2.6 Financiamento da Atenção Básica</p><p>O financiamento da Atenção Básica é tripartite, fundo a fundo e</p><p>deve estar detalhado no Plano Municipal de Saúde, garantido nos</p><p>instrumentos conforme especificado no Plano Nacional, Estadual</p><p>e Municipal de gestão do SUS. Até 31 de dezembro de 2019, o</p><p>orçamento destinado à Atenção Primária era composto pelo Piso</p><p>da Atenção Básica (PAB) Fixo (valor obtido pela multiplicação da</p><p>população residente do município por um valor per capita) e pelo</p><p>PAB Variável (dependente do credenciamento e implantação de</p><p>estratégias e programas). A partir de 1º de janeiro de 2020,</p><p>conforme determinação da Portaria nº 2.979, de 12 de novembro</p><p>de 2019, instituiu-se o Programa Previne Brasil, em que ficou</p><p>estabelecido o novo modelo de financiamento da APS no SUS. O</p><p>novo modelo considera o repasse a partir de três critérios:</p><p>capitação ponderada, pagamento por desempenho e incentivo</p><p>para ações estratégicas.</p><p>4.2.6.1 Capitação ponderada</p><p>Repasse calculado com base no número de pessoas cadastradas</p><p>e sob responsabilidade das equipes de Saúde da Família ou</p><p>equipes de Atenção Primária credenciadas. Ela considera fatores</p><p>de ajuste, como vulnerabilidade socioeconômica, perfil de idade e</p><p>classificação rural-urbana do município.</p><p>A fórmula para cálculo da pontuação do município ou Distrito</p><p>Federal para definição do valor total da capitação ponderada é a</p><p>seguinte:</p><p>Na fórmula, o peso para cada pessoa cadastrada corresponde a:</p><p>▶ 1,3, para os indivíduos que atendem aos critérios de</p><p>vulnerabilidade socioeconômica (pessoas do Programa Bolsa</p><p>Família, do benefício de prestação continuada ou de benefício</p><p>previdenciário no valor de até dois salários-mínimos) ou perfil</p><p>demográfico (se a pessoa tiver menos de 5 anos ou mais de 65</p><p>anos de idade). Caso a pessoa se enquadre tanto em</p><p>vulnerabilidade socioeconômica quanto no perfil demográfico, o</p><p>peso de 1,3 será aplicado apenas uma vez;</p><p>▶ 1, para as que não se enquadram na vulnerabilidade</p><p>socioeconômica ou no perfil demográfico.</p><p>Para o critério de classificação geográfica do município ou do</p><p>Distrito Federal, será utilizada a tipologia rural-urbana definida</p><p>pelo IBGE, conforme Quadro a seguir.</p><p>Quadro 4.3 - Critérios de classificação</p><p>Fonte: adaptado de Portaria nº 2.979, de 12 de novembro de 2019.</p><p>O Quadro 4.4 apresenta a aplicação dos pesos considerando o</p><p>cruzamento do critério geográfico com o peso por pessoa</p><p>cadastrada conforme situação de vulnerabilidade e critério</p><p>demográfico.</p><p>Quadro 4.4 - Capitação — Aplicação dos pesos</p><p>Fonte: adaptado de Portaria nº 2.979, de 12 de novembro de 2019.</p><p>A Portaria nº 169, de 31 de janeiro de 2020 definiu o valor per</p><p>capita base anual em R$ 50,50 (cinquenta reais e cinquenta</p><p>centavos) por pessoa cadastrada nas eSF e eAB. O valor final per</p><p>capita será alterado conforme os pesos já apresentados. No</p><p>Quadro 4.5, apresentam-se os valores pagos por pessoa por ano,</p><p>conforme os ajustes de distância e critérios socioeconômicos e</p><p>demográficos.</p><p>Quadro 4.5 - Capitação — Valor per capita/ano</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>4.2.6.2 Pagamento por desempenho</p><p>Considera os resultados dos indicadores alcançados pelas</p><p>equipes. Os valores serão recalculados a cada quatro</p><p>competências e transferidos mensalmente, sendo utilizados os</p><p>dados colhidos pelo SISAB. Por exemplo, os resultados</p><p>alcançados nos indicadores durante as competências janeiro,</p><p>fevereiro, março e abril serão considerados para calcular os</p><p>valores do pagamento por desempenho transferidos</p><p>mensalmente nas quatro competências seguintes (maio, junho,</p><p>julho e agosto), e assim sucessivamente.</p><p>Os indicadores, metas e valores serão publicados detalhados em</p><p>portaria e combinarão ações relativas a: gestantes, saúde da</p><p>mulher, saúde da criança, doenças crônicas, infecções</p><p>sexualmente transmissíveis, tuberculose, saúde bucal, saúde</p><p>mental e indicadores globais. Como exemplo, para o ano de 2020,</p><p>já foram elencados como indicadores:</p><p>▶ Proporção de gestante com pelo menos seis consultas de pré-</p><p>natal, sendo a primeira realizada até a 20ª semana de gestação;</p><p>▶ Proporção de gestantes com realização de exames para sífilis e</p><p>HIV;</p><p>▶ Proporção de gestantes com atendimento odontológico</p><p>realizado;</p><p>▶ Cobertura de exame citopatológico;</p><p>▶ Cobertura vacinal de poliomielite inativada e de pentavalente;</p><p>▶ Percentual de pessoas hipertensas com pressão arterial aferida</p><p>em cada semestre;</p><p>▶ Percentual de diabéticos com solicitação de hemoglobina</p><p>glicada.</p><p>Desde 2011 ocorria o Programa Nacional de Melhoria do Acesso e</p><p>da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ). Este se tratava de um</p><p>programa cujo objetivo era ampliar o acesso e melhorar a</p><p>qualidade da Atenção Básica, com parâmetros de qualidade</p><p>comparáveis nacional, regional e localmente, permitindo maior</p><p>transparência e efetividade das ações governamentais</p><p>direcionadas à Atenção Básica. O PMAQ foi organizado em quatro</p><p>fases, de modo que os compromissos assumidos fossem</p><p>cumpridos, avaliados e, assim, fizessem jus ao incentivo</p><p>financeiro de 20% do valor integral do Componente de Qualidade</p><p>do PAB variável por Equipe de Atenção Básica participante. Com</p><p>a implementação do pagamento por desempenho, os indicadores</p><p>deixaram de se vincular ao PMAQ. Assim, o programa deixou de</p><p>existir. Durante a transição do modelo de financiamento, a partir</p><p>da competência financeira de janeiro de 2020 até a competência</p><p>financeira de agosto de 2020, foi mantido o repasse do PMAQ</p><p>para as equipes certificadas pelo programa. A partir da</p><p>competência financeira de setembro de 2020, o valor passou a</p><p>considerar o resultado real dos indicadores alcançados por todas</p><p>as equipes de Saúde da Família e Equipes de Atenção Primária do</p><p>Brasil, desde que credenciadas e cadastradas no Sistema de</p><p>Cadastro Nacional de Estabelecimentos da Saúde (SCNES). Isso</p><p>quer dizer também que equipes que não participaram do PMAQ</p><p>somente receberam pagamento por desempenho a partir da</p><p>competência financeira de setembro de 2020.</p><p>4.2.6.3 Incentivo para ações estratégicas</p><p>O cálculo para definição dos recursos financeiros para incentivo</p><p>de ações estratégicas considera as especificidades e prioridades</p><p>em saúde, os aspectos estruturais das equipes e a produção em</p><p>ações estratégicas em saúde. Contempla o custeio de ações,</p><p>programas e estratégias como: Programa Saúde na Hora, Equipe</p><p>de Saúde Bucal (ESB), Unidade Odontológica Móvel (UOM),</p><p>Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), Laboratório</p><p>Regional de Prótese Dentária (LRPD), Equipe de Consultório na</p><p>Rua (ECR), Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF), Equipe de</p><p>Saúde da Família Ribeirinha (ESFR), Microscopista, Equipe de</p><p>Atenção Básica Prisional (EABP), custeio para o ente federativo</p><p>responsável pela gestão das ações de Atenção Integral à Saúde</p><p>dos Adolescentes em Situação de Privação de Liberdade,</p><p>Programa Saúde na Escola (PSE), Programa Academia da Saúde,</p><p>Programas de apoio à informatização da APS, incentivo aos</p><p>municípios com residência médica e multiprofissional, Estratégia</p><p>de Agentes Comunitários de Saúde (EACS) e outros que venham</p><p>a ser instituídos por meio de ato normativo específico.</p><p>4.3 PROGRAMA/ESTRATÉGIA SAÚDE DA</p><p>FAMÍLIA: HISTÓRICO E MUDANÇAS</p><p>RECENTES</p><p>O Programa Saúde da Família (PSF) foi criado no Brasil em 1994,</p><p>com a publicação do Ministério da Saúde Programa de Saúde da</p><p>Família: dentro de casa. Seu antecedente imediato foi o Programa</p><p>de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), iniciado em 1991, que</p><p>foi criado com o objetivo de aumentar a acessibilidade ao sistema</p><p>de saúde e incrementar as ações de prevenção e promoção da</p><p>saúde, contribuindo para a redução das mortalidades infantil e</p><p>materna, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Para ser</p><p>um ACS de determinada unidade de saúde, o profissional deve</p><p>morar na área adscrita de abrangência da unidade, ter ensino</p><p>médio (sendo aceitos ACSs apenas com ensino fundamental</p><p>quando inexistirem candidatos ao processo seletivo que tenham</p><p>ensino médio) e ter realizado o curso introdutório de ACS. A Lei nº</p><p>13.595, de 5 de janeiro de 2018 (que alterou a Lei nº 11.350 que</p><p>regulamenta sobre o ACS) que indicou a formação preferencial de</p><p>ensino médio e acrescentou a possibilidade de que, caso um ACS</p><p>adquira casa própria fora da área geográfica de sua atuação,</p><p>possa-se manter a vinculação à mesma equipe de saúde da</p><p>família em que já estava atuando antes, ou possa-se remanejar, na</p><p>forma de regulamento, para a equipe atuante da área em que está</p><p>a sua nova casa.</p><p>Na segunda publicação oficial do PSF, em 1997, intitulada PSF:</p><p>uma reorientação do modelo assistencial, observa-se a mudança</p><p>de sua característica de programa (com tempo de início</p><p>e fim</p><p>definidos) para Estratégia Saúde da Família (ou ESF, sem tempo</p><p>determinado para o término). Em 28 de março de 2006, o</p><p>Ministério da Saúde emitiu a Portaria nº 648, de 28 de março de</p><p>2006, na qual ficou estabelecido que o PSF é a estratégia</p><p>prioritária do Ministério da Saúde para organizar a Atenção Básica</p><p>no Brasil, o que se mantém com a PNAB em 2011 e não mais</p><p>utiliza o nome programa, e sim Estratégia Saúde da Família.</p><p>Com a PNAB publicada em 2017, ocorreu uma flexibilização no</p><p>modo de organizar a Atenção Básica, não sendo mais obrigatório</p><p>a ESF como único modelo de organização, pois os municípios</p><p>podem, desde então, compor equipes menores, as chamadas</p><p>Equipes de Atenção Básica, sem a presença do ACS. Outras</p><p>mudanças significativas também são verificadas com a PNAB</p><p>2017: estabelecimento de padrões na oferta de serviços —</p><p>padrão de ações e serviços essenciais e padrão de ações e</p><p>serviços ampliados; flexibilização da carga horária dos</p><p>profissionais das eABs, que podem ser contratados com carga</p><p>horária de 10 horas semanais (no caso da ESF continua sendo 40</p><p>horas semanais, com exceção do médico); flexibilização do</p><p>atendimento nas UBSs, não sendo obrigatório o usuário pertencer</p><p>ao território de abrangência de sua equipe de referência para ser</p><p>atendido.</p><p>4.4 SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE</p><p>A OMS define um sistema de informação em saúde como</p><p>mecanismo de coleta, processamento, análise e transmissão da</p><p>informação para planejar, organizar, operar e avaliar serviços de</p><p>saúde. São alguns exemplos de sistemas de informação em saúde</p><p>no Brasil:</p><p>▶ Sistema de Internação Hospitalar-SUS (SIH-SUS), relacionado</p><p>com cadastramento das Autorizações de Internação Hospitalar</p><p>(AIHs), destinadas ao pagamento das internações de hospitais</p><p>públicos e privados conveniados ao SUS;</p><p>▶ Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), para coletar</p><p>dados sobre mortalidade no país;</p><p>▶ Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas</p><p>(SINITOX), que tem, como principal atribuição, coordenar a coleta,</p><p>a compilação, a análise e a divulgação dos casos de intoxicação e</p><p>envenenamento notificados no país;</p><p>▶ Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), que</p><p>visa reunir informações relativas aos nascimentos em todo o</p><p>território nacional. A fonte dos dados é a Declaração de Nascido</p><p>Vivo, padronizada pelo Ministério da Saúde;</p><p>▶ Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES),</p><p>responsável por integrar informações relacionadas aos recursos</p><p>físicos e humanos disponíveis no SUS (consultórios,</p><p>equipamentos etc.);</p><p>▶ Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA-SUS), que</p><p>permite repasse financeiro, com base nos Boletins de Produção</p><p>Ambulatorial (BPAs) e Autorização de Procedimentos de Alta</p><p>Complexidade (APAC).</p><p>4.4.1 Sistema de Informação em Saúde para a Atenção</p><p>Básica</p><p>Dentro dos sistemas de informação, foi criado um sistema</p><p>exclusivamente para a Atenção Básica, que teve início em 1993</p><p>com o nome de Sistema de Informação do Programa de Agentes</p><p>Comunitários de Saúde (SIPACS), com troca para o nome para</p><p>Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB) em 1998. O</p><p>SIAB foi um sistema desenvolvido pelo Datasus com o objetivo de</p><p>agregar, armazenar e processar as informações relacionadas à</p><p>Atenção Básica, usando como ponto central a ESF. Tal</p><p>instrumento incorporou em sua formulação conceitos como</p><p>território, problema e responsabilidade sanitária, completamente</p><p>inserido no contexto de reorganização do SUS no país, fazendo</p><p>que assumisse características distintas dos demais sistemas</p><p>existentes.</p><p>No intuito de reestruturar o SIAB para um sistema unificado,</p><p>integrando todos os sistemas de informação para a Atenção</p><p>Básica e garantindo o registro individualizado por meio do Cartão</p><p>Nacional de Saúde (CNS), foi instituído o Sistema de Informação</p><p>em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), pela Portaria nº 1.412,</p><p>de 10 de julho de 2013. Este tem como finalidade o financiamento</p><p>e a adesão aos programas e estratégias da PNAB. O SISAB</p><p>integra a estratégia do Departamento de Saúde da Família,</p><p>denominada Estratégia e-SUS Atenção Básica (e-SUS AB), que</p><p>propõe o incremento da gestão da informação, a automação dos</p><p>processos, a melhoria das condições de infraestrutura e dos</p><p>processos de trabalho.</p><p>O SISAB é alimentado pelo Sistema e-SUS AB: sistema com</p><p>Coleta de Dados Simplificada (CDS), sistema com Prontuário</p><p>Eletrônico do Cidadão (PEC), aplicativos móveis para a captação</p><p>dos dados coletados em ações fora da UBS (como o aplicativo e-</p><p>SUS AB Território, voltado às atividades dos agentes</p><p>comunitários de saúde, de combate às endemias e os agentes de</p><p>ação social) ou ainda por sistemas terceiros que apenas utilizam o</p><p>Sistema e-SUS AB para transmitir os dados para o SISAB. Nessa</p><p>perspectiva, o desenvolvimento do Sistema e-SUS AB passa a</p><p>priorizar o atendimento realizado pelos profissionais de saúde, e</p><p>não mais o preenchimento de informações gerenciais e</p><p>administrativas, as quais devem ser geradas de forma secundária</p><p>pelo sistema.</p><p>Os sistemas e-SUS AB foram desenvolvidos para atender os</p><p>processos de trabalho da Atenção Básica para a gestão do</p><p>cuidado em saúde, podendo ser utilizados por profissionais de</p><p>todas as equipes, incluindo o Núcleo de Apoio à Saúde da Família-</p><p>Atenção Básica, do Consultório na Rua, de Atenção à Saúde</p><p>Prisional, do Programa Saúde na Escola, da Academia de Saúde e</p><p>da Atenção Domiciliar.</p><p>Foi lançado, ainda, pelo governo federal, no final de 2019 o</p><p>programa Conecte SUS, que visa à informatização da saúde. O</p><p>programa roda como projeto-piloto inicialmente no estado do</p><p>Alagoas e prevê ações para a informatização da atenção primária</p><p>e para a criação de uma Rede Nacional de Dados em Saúde</p><p>(RNDS). Para a informatização da APS, o programa disponibiliza</p><p>recursos destinados à implantação e à manutenção (cujo valor</p><p>varia conforme a produção de informação qualificada pelas</p><p>equipes de saúde). Já para a Rede Nacional de Dados em Saúde</p><p>propõe um sistema apoiado em tecnologia de nuvem, que segue</p><p>as regras de segurança conforme a Lei Geral de Proteção de</p><p>Dados Pessoais e a decisão do próprio usuário sobre os seus</p><p>dados. A RNDS tem como objetivo propiciar a troca de</p><p>informações entre os pontos da rede de atenção à saúde e ainda</p><p>permitir uma transição de cuidado entre os setores público e</p><p>privado. O conjunto mínimo de dados inicialmente proposto para</p><p>compor a RNDS engloba o resumo de atendimentos, sumário de</p><p>alta, imunizações, medicações dispensadas e exames realizados.</p><p>Qual é a diferença entre</p><p>Atenção Primária à Saúde</p><p>e Estratégia Saúde da</p><p>Família?</p><p>A APS significa tanto a orientação da organização de</p><p>um serviço de saúde de um país ou de uma população</p><p>definida (primary health care) quanto o primeiro nível de</p><p>atenção desse sistema (primary care); é regida por</p><p>quatro atributos essenciais — acesso ou primeiro</p><p>contato, integralidade, longitudinalidade e coordenação</p><p>do cuidado — e por três atributos derivados —</p><p>orientação para a família, orientação para a comunidade</p><p>e competência cultural. No Brasil, a Estratégia Saúde da</p><p>Família é considerada a estratégia prioritária de</p><p>expansão, consolidação e qualificação da Atenção</p><p>Básica no Brasil.</p><p>Universidade Federal do Ceará - Processo Seletivo</p><p>Unificado</p><p>O processo seletivo UFC-PSU é composto por duas fases: um</p><p>exame escrito, seguido da análise curricular do candidato. É</p><p>preciso ter em mente que na prova escrita deverão ser</p><p>respondidas 100 questões de múltipla escolha, com quatro</p><p>alternativas cada. Não deixe de estudar as áreas do</p><p>conhecimento de Clínica Médica, Cirurgia Geral, Pediatria,</p><p>Ginecologia e Obstetrícia e Medicina Preventiva e Social.</p><p>Lembrando que uma boa pontuação nas questões da área da</p><p>Medicina Preventiva pode te ajudar a ser melhor colocado nessa</p><p>avaliação.</p><p>A prova geralmente apresenta uma grande quantidade de</p><p>questões sobre casos clínicos, então estude tratamentos,</p><p>diagnósticos e melhores condutas. Alguns dos temas que você</p><p>pode esperar encontrar na avaliação são Medicina de Família e</p><p>Comunidade, atenção primária à saúde e Estratégia Saúde da</p><p>Família, Neonatologia, parto, assistência</p><p>ao pré-natal, doenças</p><p>infecciosas, doenças alérgicas em Pediatria, aleitamento materno,</p><p>cuidados pré-operatórios e atendimento inicial ao</p><p>politraumatizado.</p><p>UFC-PSU | 2021</p><p>Mulher, 65 anos, acompanhada por hipertensão, diabetes,</p><p>obesidade comparece à unidade de atenção primária à saúde</p><p>com queixa de febre baixa, dor de garganta, tosse, cefaleia e</p><p>astenia há 7 dias. Na oximetria de pulso apresentou saturação de</p><p>oxigênio de 89% em ar ambiente. O SAMU foi acionado e a</p><p>paciente foi transferida na UPA e em seguida para hospital, onde</p><p>ficou em leito de terapia intensiva por 5 dias. A sua equipe de</p><p>saúde da família (ESF) manteve contato com os profissionais da</p><p>UPA e do hospital e realizou acompanhamento remoto por</p><p>telefone e mensagens de aplicativo até a alta hospitalar, quando</p><p>agendou visita domiciliar. Qual princípio da atenção primária à</p><p>saúde está representado pela ação de sua ESF?</p><p>a) coordenação do cuidado</p><p>b) longitudinalidade</p><p>c) integralidade</p><p>d) equidade</p><p>Gabarito: a</p><p>Comentários:</p><p>a) No exemplo descrito no enunciado, a paciente seguiu sendo</p><p>acompanhada pela equipe mesmo durante a internação</p><p>hospitalar, propiciando uma continuidade dos cuidados após a</p><p>alta hospitalar. Esse é um exemplo de coordenação do cuidado,</p><p>em que a equipe, mesmo quando o paciente necessita de atenção</p><p>de outros serviços, acompanha o estado de saúde do mesmo,</p><p>possibilitando que o tratamento não seja fragmentado.</p><p>b) Veja o comentário geral na alternativa correta.</p><p>c) Veja o comentário geral na alternativa correta.</p><p>d) Veja o comentário geral na alternativa correta.</p><p>4.1 ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE</p><p>4.2 POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA</p><p>4.3 PROGRAMA/ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: HISTÓRICO E MUDANÇAS RECENTES</p><p>4.4 SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE</p><p>DE OLHO NA PROVA</p>