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ROTEIRO DA APA PARA O ALUNO PROJETO INTEGRADOR: PROTOCOLO DE TRATAMENTO: LESÃO MENISCAL Professor(a): Esp. Jamile Rahal Cardoso 2 ROTEIRO DA APA PARA O DISCENTE PROTOCOLO DE REABILITAÇÃO PARA LESÃO DE MENISCO FASE AGUDA 01. Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 02. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 03. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte caracterizam-se como plágio, sendo o trabalho zerado. 04. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser referenciados conforme as normas da ABNT. 05. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 06. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. 07. Formatação exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12. ORIENTAÇÕES GERAIS 3 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? Objetivos da prática: – Compreender a anatomia e biomecânica do joelho: É essencial para os fisioterapeutas entenderem a estrutura e função do joelho, incluindo os componentes do menisco, para fornecer uma reabilitação eficaz. – Reconhecer os tipos de lesões de menisco: Existem diferentes tipos de lesões de menisco, como as lesões longitudinais, transversais, radiais e complexas. É importante que os fisioterapeutas possam reconhecer essas lesões e entender suas implicações na reabilitação. – Conhecer os protocolos de tratamento: Aprendendo sobre os protocolos de tratamento atualizados para a fase aguda da lesão de menisco, os fisioterapeutas podem ajudar na redução da dor, inflamação e na promoção da cicatrização do tecido. – Desenvolver habilidades de avaliação: Os fisioterapeutas precisam ser capazes de realizar uma avaliação completa do paciente para identificar déficits funcionais, restrições de movimento e instabilidade associada à lesão de menisco. – Aprender técnicas de intervenção precoce: Durante a fase aguda da lesão de menisco, intervenções como mobilizações articulares suaves, crioterapia, modalidades de controle da dor e exercícios terapêuticos específicos podem ser benéficas para promover a recuperação inicial. – Fornecer educação ao paciente: Parte importante da reabilitação é educar o paciente sobre sua lesão, prognóstico e o papel do exercício e da terapia na recuperação. Os acadêmicos de fisioterapia aprendem a fornecer informações precisas e motivar os pacientes a aderir ao programa de reabilitação. – Colaborar com outros profissionais de saúde: Os fisioterapeutas frequentemente trabalham em equipe com cirurgiões ortopédicos, médicos e outros profissionais de saúde no manejo da lesão de menisco. Portanto, é importante que os acadêmicos de fisioterapia aprendam a colaborar efetivamente com outros membros da equipe de saúde. – Promover a prevenção de lesões futuras: Além de tratar a lesão de menisco atual, os fisioterapeutas também podem ajudar os pacientes a identificar e corrigir fatores de risco para lesões futuras, como desequilíbrios musculares e padrões de movimento inadequados. Em resumo, aprender sobre a reabilitação da lesão de menisco na fase aguda prepara os acadêmicos de fisioterapia para fornecer uma abordagem abrangente e eficaz no manejo dessa condição, visando à recuperação funcional e à prevenção de complicações a longo prazo. 4 AMBIENTE NA PRÁTICA Essa atividade prática será realizada em um laboratório com macas, é importante você estar de jaleco, e levar uma roupa de prática como um shorts ou bermuda. A atividade será realizada em duplas, de forma que possam executar e receber a conduta. Obs.: Caro(a) aluno(a), no caso de atividades práticas em ambientes profissionais você deve verificar o calendário destas atividades com o seu polo de apoio presencial UniFatecie. Caso haja dúvidas, ou não possuir polo, entre em contato com seu tutor. 5 EMBASAMENTO TEÓRICO Os meniscos são estruturas fibrocartilaginosas formadas entre a 8ª e 10ª semanas de gestação, cuja função principal é aprofundar a superfície da tíbia e acomodar os côndilos femorais medial e lateral. Eles são compostos principalmente por colágeno tipo I e uma variedade de proteínas não colágenas, além de glicosaminoglicanos e glicoproteínas (Goes e McCormack, 2019). O menisco medial cobre aproximadamente 64% do platô medial, enquanto o menisco lateral cobre cerca de 84% do platô lateral. Sua estrutura periférica é espessa e convexa, fundindo-se com a cápsula articular e afinando-se para a periferia. Os meniscos desempenham um papel crucial na estabilidade e na distribuição de peso do fêmur sobre a tíbia, atuando como um amortecedor elástico. Eles são compostos por corno posterior, corpo e corno anterior, sendo o corno posterior do menisco medial maior que o corno anterior, enquanto no menisco lateral, os tamanhos dos cornos são semelhantes. Histologicamente, eles consistem em fibroblastos e células fibrocartilaginosas organizadas em uma matriz de fibras colágenas, projetadas para absorver cargas compressivas. O menisco medial tem uma forma semelhante a um “C”, quase semicircular, com aproximadamente 3,5 cm de comprimento. Seu corte transversal é triangular e assimétrico, destacando-se o corno posterior, que é consideravelmente maior que o corno anterior. O corno posterior está ligado à fossa intercondilar da tíbia por um ligamento chamado ligamento raiz, posicionado diretamente anterior à inserção do ligamento cruzado posterior (LCP). A fixação anterior do menisco medial é variável, cobrindo uma área maior, aproximadamente 61,4 mm. Geralmente, o menisco está firmemente ancorado à fossa intercondilar anterior, cerca de 7 mm à frente da margem de inserção do ligamento cruzado anterior (LCA), alinhado ao tubérculo tibial medial. No fêmur, o menisco medial é mais firmemente fixado por um espessamento capsular chamado ligamento medial profundo. Sua fixação na tíbia é realizada pelos ligamentos coronarianos, cerca de 5 milímetros distais à superfície articular. Posteriomedialmente, o menisco recebe uma parte da inserção do músculo semimembranoso, que se estende até a cápsula articular. Anatomicamente, o menisco medial pode ser dividido em cinco zonas distintas: raiz anterior (zona 1); anteromedial (zonas 2a e 2b); medial (zona 3); Vídeo Embasamento - Prática 1 https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=y-thXYeQGMHPXcs5 https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=y-thXYeQGMHPXcs5 https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=y-thXYeQGMHPXcs5 6 posterior (zona 4); e raiz posterior (zona 5). Essa divisão zonal baseia-se em características anatômicas diferentes, que ajudam a compreender melhor as forças mecânicas que atuam em cada área específica (Goes e McCormack, 2019). O menisco lateral tem uma forma quase circular e cobre uma ampla área da superfície articular. O corno anterior está firmemente ligado à fossa intercondilar, diretamente anterior ao tubérculo tibial lateral e adjacente ao LCA, enquanto o corno posterior está localizado posteriormente à espinha tibial lateral, um pouco à frente da inserção do corno posterior do menisco medial. Os ligamentos raízes do menisco lateral (anterior e posterior) são estruturas planas e largas, com uma inserção em forma de leque. O ponto de fixação do ligamento raiz do corno posterior do menisco lateral está anterior à inserção do corno posterior do menisco medial, medialmente à margem articular do platô tibial lateral e posteriormente à inserção tibial do LCA. Comparativamente à inserção do menisco medial, o lado lateral é mais complexo e diversificado. Os ligamentos raízes são compostos por quatro zonas: fibras meniscais, fibrocartilagem não calcificada, fibrocartilagem calcificada e osso. A fixação do ligamento raiz posterior do menisco lateral pode ocorrer em três formas diferentes, sendo que na maioria dos casos (76%) há duas inserções principais entre os tubérculosMaterial a ser fornecido pelo aluno Jaleco Material a ser fornecido pelo aluno Laboratório de fisioterapia Maca Disco proprioceptivo Thera band Material a ser fornecido pela UniFatecie Software/aplicativo/simulador Sim ( ) Não ( x ) Em caso afirmativo, qual? Pago ( ) Não Pago ( ) Tipo de Licença: Não se aplica Descrição do software/aplicativo/simulador: Caso não seja necessário o uso do recurso, preencher com *Não se aplica (NSA) Kit Laboratório individual de atividade prática Sim ( x ) Não ( ) Em caso afirmativo, qual? Pago ( ) Não Pago ( x ) Tipo de Licença: Não se aplica Descrição dos materiais do kit: Caso não seja necessário o uso do recurso, preencher com *Não se aplica (NSA) 41 Para essa atividade prática, é importante o uso do jaleco, sapato fechado, máscara descartável, touca descartável. ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA 42 O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Em duplas simular um atendimento, na fase de reabilitação para propriocepção e fortalecimento, seguindo a proposta descrita abaixo: 01. Utilização de elásticos para abdução, extensão, flexão e adução do quadril, e flexão dos isquiotibiais, em pé de frente para o espaldar. Realizar os exercícios em 3 séries de 15 repetições. 02. Elevação do quadril a partir da região lombar (ponte), realizar 3 séries de 15 repetições. 03. Adução do quadril: utilizando elásticos, são incorporados os seguintes três exercícios: – 1. Adução pura do quadril. – 2. Desenho de um círculo no chão com o dedão do pé no sentido anti-horário. – 3. Desenho de um círculo no ar no sentido anti-horário. – Extensão do quadril: realizando extensão pura em uma plataforma, visando um bom alinhamento da pelve. – Flexão do quadril: realizando flexão pura, começando na posição de corredor. – Fortalecimento dos músculos isquiotibiais: sentado, com aumento da resistência. – Em pé sobre o disco proprioceptivo, arremessar bola com membro superior e alternar o peso em membros inferiores. – Em pé sobre a cama elástica, promover alternância entre os membros inferiores. Realizar todos os exercícios descritos em duplas, simulando um atendimento e em seguida trocar as duplas, de forma que um seja o fisioterapeuta e outro o paciente e todos passam aplicar e receber o tratamento proposto. Vídeo - Prática 2 https://youtu.be/JycbsvNIdBo?si=pX3a2Ew_KGCF3KqA https://youtu.be/JycbsvNIdBo?si=pX3a2Ew_KGCF3KqA https://youtu.be/JycbsvNIdBo?si=pX3a2Ew_KGCF3KqA 43 RELATÓRIO Caro(a) aluno(a), como resultado desta atividade prática anexar duas fotografias da reabilitação, uma foto demostrando um exercício de propriocepção e outra demonstrando um exercício de fortalecimento. Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. 44 MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES BESSA, A. Exercício Físico Aplicado na Recuperação de Lesões do Menisco. Porto. 2023. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/151720/2/635975.pdf. Acesso em: 13 maio. 2024. SOUZA, A. G. M.; SOUZA, E. C. O.; SILVA, H. R. B. Tratamento fisioterapêutico no pós- operatório das lesões referente ao ligamento cruzado anterior e menisco medial em atletas. Feira de Santana. 2020. Disponível em: https://unifan.net.br/wp-content/uploads/2022/11/ TRATAMENTO-FISIOTERAPEUTICO-NO-POS-OPERATORIO-DAS-LESOES-REFERENTE- AO-LIGAMENTO-CRUZADO-ANTERIOR-E-MENISCO-MEDIAL-EM-ATLETAS.pdf. Acesso em: 13 maio. 2024. https://unifan.net.br/wp-content/uploads/2022/11/TRATAMENTO-FISIOTERAPEUTICO-NO-POS-OPERATORIO-DAS-LESOES-REFERENTE-AO-LIGAMENTO-CRUZADO-ANTERIOR-E-MENISCO-MEDIAL-EM-ATLETAS.pdf https://unifan.net.br/wp-content/uploads/2022/11/TRATAMENTO-FISIOTERAPEUTICO-NO-POS-OPERATORIO-DAS-LESOES-REFERENTE-AO-LIGAMENTO-CRUZADO-ANTERIOR-E-MENISCO-MEDIAL-EM-ATLETAS.pdf https://unifan.net.br/wp-content/uploads/2022/11/TRATAMENTO-FISIOTERAPEUTICO-NO-POS-OPERATORIO-DAS-LESOES-REFERENTE-AO-LIGAMENTO-CRUZADO-ANTERIOR-E-MENISCO-MEDIAL-EM-ATLETAS.pdf 45 BRUMITT, J.; JOBST, E. E. Casos clínicos em fisioterapia ortopédica. Porto Alegre: Artmed, 2015. CALANNA, F.; DUTHON, V.; MENETREY, J. Reabilitação e retorno ao esporte após reparos meniscais isolados: um novo protocolo baseado em evidências. J Exp. Ortopédia. 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35976500/ Acesso em: 05 abr. 2024. CAMANHO, Gilberto L. Joelho Agudo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2020. DUTTON, Marcos. Fisioterapia Ortopédica. São Paulo: Artmed. 2010. GOES, Rodrigo A.; MCCORMACK, Robert G. O Menisco: Da Avaliação e Lesão ao Transplante. Rio de Janeiro: Thieme Revinter. 2019. GUIRRO, E. C. O.; GUIRRO, R. R. de J. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos e patologias. São Paulo: Manole. 2004. LEDUC, A.; LEDUC, O. Drenagem linfática: teoria e prática. 2 ed. São Paulo: Manole, 2000. LOGERSTEDT, D.S. et al. Dor no Joelho e Deficiências de Mobilidade: Revisão de Lesões Meniscais e Cartilaginosas Articulares. Journal of Orthopaedic Sports Physical Therapy. Feb. V. 48. N.2. 2018. Disponível em: https://www.jospt.org/doi/10.2519/jospt.2018.0301 Acesso em: 05 abr. 2024. OLIVEIRA, Rogério M.; Oliveira, Adriana W.; CURRIER, Reitor P. Eletroterapia Clínica. São Paulo: Manole. 2003. PEREIRA, Maria de Fátima Lima. Eletroterapia. São Paulo: Editora Difusão, 2016. RODRIGUES, Paula A.; PETRI, Tatiana C. Eletroterapia facial e corporal avançada. Porto Alegre: SAGAH. 2018. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS 46 ROSA, Patrícia V.; LOPES, Fernanda M. Eletroterapia facial e corporal básica. Porto Alegre: SAGAH. 2018. SANTOS, Vera Lúcia dos; JÚNIOR, Aires Duarte. Fisioterapia nas lesões do esporte. São Paulo: Atheneu, 2014. TORRES, Diego de Faria M. Fisioterapia - Guia Prático para a Clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2006. VASCONCELOS, Gabriela Souza de. Métodos de avaliação aplicados à fisioterapia esportiva. São Paulo: Saraiva. 2021.tibiais, com uma extensão anterior à espinha tibial medial e um componente menor ao slope posterior, alinhado à espinha tibial lateral. Os ligamentos meniscofemorais conectam o corno posterior do menisco lateral à parede intercondilar do côndilo femoral medial. O ligamento de Humphry passa anteriormente ao LCP, enquanto o de Wrisberg passa posteriormente ao LCP. O hiato poplíteo interrompe a fixação do menisco lateral e é atravessado pelo tendão poplíteo. Diferentemente do lado medial, o menisco lateral não possui fixação direta ao ligamento colateral, o que explica sua maior mobilidade. Segundo Goes e McCormack (2019) existem quatro ligamentos menisco-meniscais distintos que conectam o menisco medial ao lateral: o ligamento intermeniscal oblíquo medial; o ligamento intermeniscal oblíquo lateral; o ligamento anterior, também conhecido como ligamento transverso; e o ligamento intermeniscal posterior. O ligamento transverso, o mais prevalente, é encontrado em 60-94% dos joelhos, enquanto o ligamento intermeniscal posterior é muito menos comum, presente em apenas 1-4% dos casos. O ligamento intermeniscal oblíquo medial é observado em apenas 1% dos joelhos e se estende da raiz anterior do menisco medial para a parte superior do corno posterior do menisco lateral, em uma trajetória oblíqua para trás. O ligamento intermeniscal lateral, encontrado em apenas 4% dos joelhos, tem origem na raiz anterior do menisco lateral e se insere na parte superior da raiz posterior do menisco medial. 01. Função dos meniscos A posição ortostática gera no joelho forças na direção do eixo, que pressionam os meniscos, gerando um estresse que, devido à disposição radial de suas fibras, transforma essas forças em 7 tensão ao redor e auxilia na distribuição da carga pela articulação, ampliando a área de contato e reduzindo o pico de pressão nos compartimentos interno e externo dos joelhos. Quando os meniscos estão intactos, essas cargas tendem a se distribuir uniformemente por toda a sua estrutura; no entanto, a remoção do menisco medial pode diminuir a área de contato entre as superfícies articulares em 50 a 70%, aumentando a carga na área de contato em até 100%. Os mecanismos de feedback sensorial desempenham um papel crucial na proteção e funcionamento adequado das articulações, semelhantes ao tato e à dor que protegem a pele. Os corpúsculos de Paccini e Ruffini, como mecanorreceptores, fornecem informações sensoriais essenciais para a integridade dos ligamentos e articulações, e também estão sujeitos a disfunções relacionadas à idade e a doenças neurodegenerativas. Segundo Goes e McCormack (2019) os elementos proprioceptivos também foram identificados nos meniscos, e estudos indicam que a evolução degenerativa da articulação não pode ser atribuída apenas à falta mecânica dos meniscos. Pesquisas mostraram comprometimento da propriocepção articular após meniscectomia, mesmo em casos parciais, destacando a importância da preservação dos meniscos por meio de reconstrução e suturas, mesmo em lesões não agudas. Além de suas funções de distribuição de carga, estabilidade articular e propriocepção, os meniscos também influenciam significativamente a biomecânica dos movimentos do joelho durante as atividades motoras. Estudos mostraram que a meniscectomia resulta em diferenças no deslocamento angular e nas forças internas dos joelhos, levando a um aumento da carga no compartimento medial, o que, combinado com a menor área de contato articular devido à lesão meniscal, pode contribuir para o desenvolvimento precoce de osteoartrite. A marcha de pacientes com lesões de menisco também foi estudada, revelando estratégias de proteção à dor que envolvem menor flexão e torque extensor do joelho. Essa redução na demanda do quadríceps é compensada por um aumento no torque extensor do quadril, resultando em maior carga na articulação coxofemoral (Goes e McCormack, 2019). A maioria das lesões meniscais no esporte resulta de entorses no joelho, devido à localização vulnerável dos meniscos, especialmente durante movimentos rotacionais. As lesões traumáticas ocorrem quando a tensão de cisalhamento dentro do joelho, combinada com rotação femoral, excede a resistência do colágeno meniscal. O mecanismo mais comum envolve uma torção do membro inferior com o pé fixado no chão, frequentemente durante atividades como futebol e basquete. Por outro lado, as lesões degenerativas ocorrem em faixas etárias mais avançadas e geralmente não têm um evento específico desencadeador. Fatores como desidratação dos tecidos, degradação do colágeno e perda de capacidade de absorção de choque podem contribuir para essas lesões, comuns em praticantes de corrida e ciclismo, especialmente acima dos 40 anos, devido aos microtraumas repetitivos. A avaliação clínica do joelho é fundamental para diagnosticar lesões meniscais, com exames físicos sendo cruciais, complementados por exames de imagem. A localização da dor e sintomas mecânicos devem ser precisamente identificados. Embora a incidência exata de lesões meniscais seja desconhecida, elas são as condições cirúrgicas mais comuns no joelho, com a 8 maioria das lesões ocorrendo em atividades não esportivas, especialmente durante movimentos como agachar ou levantar. Lesões traumáticas podem ocorrer devido a diferentes mecanismos, como torção do pé fixo, mudança abrupta de direção ou hiperflexão do joelho. A história clínica detalhada é fundamental, abordando o mecanismo de trauma, localização da dor e sintomas associados, como estalidos ou bloqueio articular. A dor deve ser avaliada considerando sua localização, periodicidade e fatores agravantes. O derrame articular e o estalido podem ser indicativos de lesões meniscais agudas. O falseio pode estar relacionado à instabilidade ligamentar ou outras causas, como corpos livres articulares. O bloqueio articular pode resultar de interposição de lesão meniscal ou corpo livre. Alguns pacientes podem apresentar cistos ao redor do joelho, indicativos de lesões meniscais, especialmente em pacientes acima de 40 anos. Segundo Camanho (2020) as lesões meniscais são comumente classificadas de acordo com diferentes etiologias, padrões e métodos de avaliação, incluindo os seguintes tipos de categorização: QUADRO 1: LESÕES MENISCAIS Fonte: Camanho, 2020. p. 237. Na classificação etiológica, as lesões meniscais podem surgir de origem traumática ou degenerativa: – Traumática: Predominantemente associada ao menisco lateral e pode ser categorizada, temporalmente, como aguda ou crônica. – Degenerativa: Principalmente ligada ao menisco medial, resultante de desgaste crônico, levando à degeneração mucóide de sua matriz. Também pode apresentar-se na forma de cisto meniscal, com uma prevalência significativa no menisco lateral. 9 IMAGEM 1: TIPOS DE LESÃO DE MENISCO Fonte: Goes; Mccormack, 2019. p. 67. 02. Testes Especiais Meniscais São procedimentos provocativos que, conforme o exame realizado, apresentam alta especificidade e sensibilidade. – Teste de McMurray: Inicia-se com flexão do joelho, seguida de extensão com rotação externa da tíbia para avaliar o menisco medial (MM) ou rotação interna para avaliar o menisco lateral (ML). É considerado positivo quando há detecção de um clique palpável na interlinha articular. – Teste de Bragard: Similar ao anterior, iniciando-se com flexão do joelho e seguido de extensão com rotação externa da tíbia, palpa-se a interlinha articular medial. É positivo para lesão do menisco medial se houver dor ou clique na interlinha e alívio ao realizar a rotação interna da tíbia. A ausência de alívio sugere lesão condral e/ou artrose. – Teste de Steinmann: O paciente senta-se na maca com as pernas pendentes, mantendo o joelho a 90 graus. O examinador realiza uma rotação súbita da tíbia. Indica lesão do MM se houver dor na interlinha medial durante a rotação externa e lesão do ML se houver dor lateral durante a rotação interna. – Sinal de Smillie:Dor à palpação da interlinha articular do joelho, com sensibilidade de até 89% para lesões do menisco lateral. Deve-se realizar a palpação em toda a interlinha articular, tanto medial quanto lateral, até as partes mais posteriores do joelho. – Teste de Steinmann secundário: Palpa-se a interlinha e nota-se que o local da dor se desloca posteriormente na flexão e anteriormente na extensão. A falta de deslocamento da dor durante a flexo-extensão sugere lesão condral e/ou artrose. – Apley: O paciente deita-se de costas, com o joelho a um ângulo de 90 graus. Aplica- se uma pressão axial junto com rotação externa para o menisco medial e rotação interna para o menisco lateral. É considerado positivo se o paciente relatar dor sob pressão que é aliviada quando a distração é aplicada posteriormente. Se a dor persistir após a distração, é mais provável que haja uma lesão condral e/ou artrose. 10 IMAGEM 2: TESTE DE APLEY Fonte: Goes; McCormack, 2019. p. 40. – Marcha de pato: O paciente é instruído a caminhar para frente enquanto agacha. A presença de dor sugere uma lesão no corno posterior do menisco. Muitas vezes, o próprio agachamento já provoca dor. – Merke: Com o paciente em pé, ele transfere seu peso corporal para o membro a ser examinado e realiza uma rotação interna do corpo, resultando em rotação externa da tíbia. Dor na interlinha medial sugere lesão no menisco medial, enquanto dor na lateral sugere lesão no menisco lateral. – Bohler: Este teste visa reproduzir os sintomas de dor aplicando estresse em varo para lesões no menisco medial e em valgo para lesões no menisco lateral. – Helfet: Utilizado em joelhos bloqueados, consiste em limitar a rotação lateral fisiológica da perna, o que resulta em um ângulo “Q” menor do que o normal quando o joelho é estendido, devido a um bloqueio mecânico que impede a rotação lateral da tíbia durante a extensão do joelho. – Thessaly: Este teste, considerado o mais sensível para avaliação de lesões meniscais, envolve o paciente em pé, com um pé apoiado, com o joelho flexionado a 20 graus. São realizados movimentos de rotação do membro apoiado. Os meniscos desempenham uma função crucial na absorção de choque, diminuindo as cargas sobre a articulação, e contribuem para a estabilidade e nutrição articular. No entanto, sua qualidade declina com o envelhecimento, tornando-os mais propensos a lesões. Nem todas as lesões meniscais demandam intervenção cirúrgica. Contudo, dado o risco de alterações estruturais na cartilagem articular, é crucial avaliar o paciente para determinar o tratamento adequado. Identificar uma lesão meniscal não é suficiente para orientar a conduta terapêutica; é necessário identificar sua localização precisa e se há lesões ligamentares ou cartilaginosas associadas. 11 As lesões meniscais são classificadas como traumáticas, ocorrendo após um evento agudo de dor na linha articular, ou degenerativas, com um desenvolvimento mais gradual em pacientes de meia-idade ou idosos. Pacientes com lesões meniscais traumáticas geralmente respondem melhor ao tratamento artroscópico do que aqueles com lesões degenerativas, que podem se beneficiar de abordagens conservadoras. No entanto, tanto o tratamento conservador quanto o cirúrgico não impedem o desenvolvimento de osteoartrite (Goes e McCormack, 2019). A escolha entre tratamento conservador e meniscectomia parcial artroscópica (MPA) representa um desafio significativo no manejo de pacientes com lesão meniscal, especialmente considerando o potencial agravamento da osteoartrite pela artroscopia em joelhos degenerativos. Apesar disso, a maioria das artroscopias é realizada em pacientes com mais de 40 anos, sugerindo que a maioria das lesões meniscais tratadas são de origem degenerativa. O manejo conservador das lesões meniscais primariamente inclui estratégias como observação atenta, controle do peso em casos de sobrepeso, e programas de reabilitação física e exercícios, sem uma sequência ou combinação predefinida. Algumas lesões meniscais têm potencial de cicatrização, evitando assim a necessidade de cirurgia. O tipo de lesão e seu suprimento vascular são determinantes importantes para a cicatrização e devem ser avaliados juntamente com o tamanho da lesão, sua estabilidade, lesões associadas e objetivos do paciente (Goes e McCormack, 2019). As lesões meniscais com melhor prognóstico de cicatrização estão localizadas na periferia (0 a 2 mm da junção menisco-capsular) e apresentam um padrão vertical longitudinal. Lesões meniscais longitudinais estáveis, especialmente na região periférica com vascularização adequada, geralmente não requerem intervenção, a menos que haja outras lesões associadas. A presença de sintomas mecânicos não compromete o resultado do tratamento conservador. Antes de discutirmos os benefícios da fisioterapia para pacientes com lesões meniscais, é importante compreender as principais características das abordagens e cirurgias comuns nesses casos. 03. Meniscectomia Parcial A remoção parcial do menisco (meniscectomia) é recomendada quando o tratamento conservador não é eficaz para pacientes com lesões meniscais sintomáticas e com baixa probabilidade de cicatrização. Geralmente, lesões radiais, degenerativas, complexas e aquelas na “zona branca” são tratadas dessa forma (Goes e McCormack, 2019). Ao realizar uma meniscectomia, vários aspectos devem ser considerados. Estudos recentes mostram que o nível de atividade esportiva pré-operatória, gênero e tipo de lesão meniscal não afetam os resultados clínicos. No entanto, a presença prévia de osteoartrite, sintomas crônicos e a remoção de uma grande quantidade de tecido estão associadas a piores resultados. Em pacientes mais jovens, devido à alta taxa de sucesso da reparação meniscal, a meniscectomia não é geralmente preferida. Já em pacientes mais velhos com lesões degenerativas, a meniscectomia é evitada até que o tratamento conservador falhe ou os sintomas se tornem graves. 12 04. Sutura Meniscal Embora a meniscectomia seja mais comum, houve um aumento nos reparos meniscais isolados, esses reparos têm se tornado mais frequentes devido a avanços nas técnicas cirúrgicas e na compreensão dos cuidados pós-operatórios. Na sutura meniscal, a área lesionada é costurada, semelhante a uma costura em um tecido rasgado. Estudos indicam que a sutura meniscal pode ser vantajosa para pacientes que desejam retornar a atividades físicas de alto nível (Goes e McCormack, 2019). 4.1 Diferenças entre Meniscectomia e Sutura Meniscal As principais diferenças estão nos cuidados iniciais. Após uma meniscectomia, os pacientes podem retomar a carga total rapidamente, enquanto na sutura meniscal, pode ser necessário limitar a carga e a flexão do joelho e usar muletas por até 6 semanas. Vamos rever alguns conceitos acerca do Laser de baixa potência e do ultrassom terapêutico para em seguida finalizar o protocolo de reabilitação de lesão meniscal destacando alguns exercícios terapêuticos. 05. Laserterapia ou Fototerapia A expressão terapia com laser de baixa potência descreve o uso da energia luminosa para fins terapêuticos. A luz é focalizada no tecido específico e, uma vez absorvida pelos cromóforos, desencadeia efeitos primários, secundários e terapêuticos. Esses efeitos são provocados pelo fenômeno da fotobioestimulação, levando a região tratada a alcançar a homeostase, isto é, um estado de normalidade celular. Segundo Rodrigues e Petri (2018) a expressão “laser” (abreviação de “light amplification by stimulated emission of radiation”) é utilizada para descrever um dispositivo emissor de radiação eletromagnética. Esse equipamento estimula os elementos constituintes (sejam sólidos, líquidos, gasosos, químicos ou semicondutores) através de uma corrente elétrica, resultando na emissão de fótons que amplificam a radiação, produzindo, por fim, um feixe de luz com as seguintes características: – Monocromático: todos os fótons emitidos possuem o mesmo comprimentode onda, determinando a cor específica do laser. Cada comprimento de onda é absorvido por moléculas específicas, influenciando os efeitos terapêuticos associados a cada tipo de irradiação a laser. – Coerente: todos os fótons viajam na mesma direção e, ao mesmo tempo, no espaço, resultando em um deslocamento coordenado das ondas. – Colimado: o feixe de fótons se move paralelamente, com mínima divergência da radiação emitida, mesmo ao atravessar tecidos. Essa característica está relacionada à concentração da energia do laser em um pequeno ponto focal. 13 TABELA 1: COMPRIMENTOS DE ONDA DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA E TÉCNICAS DE APLICAÇÃO Fonte: Rodrigues; Petri, 2018. p. 119. 06. Efeitos fisiológicos Quando um feixe luminoso é direcionado para o tecido-alvo, parte dessa energia é refletida, reduzindo a profundidade de penetração no corpo, enquanto outra parte é absorvida pelos cromóforos presentes no tecido-alvo. A interação da energia proveniente do laser de baixa potência com o tecido desencadeia respostas iniciais no local de aplicação, que podem ser de natureza fotoquímica ou fotoelétrica, resultando posteriormente em efeitos secundários. As reações ao estímulo luminoso podem ser imediatas, ocorrendo logo após a aplicação, ou podem se manifestar horas ou dias mais tarde. Durante o processo de reparação tecidual, dois tipos de respostas são observados: – Resposta imediata à aplicação, como a redução da dor e do inchaço; – Respostas tardias, incluindo síntese celular e proteica. Os efeitos fotoelétricos, que alteram a membrana celular, aumentam sua permeabilidade e estimulam a transferência de elétrons dentro das mitocôndrias. Isso ocorre devido à absorção de luz pela enzima Citocromo C Oxidase, presente na mitocôndria, impulsionando a produção de trifosfato de adenosina (ATP). Por outro lado, os efeitos fotoquímicos estimulam a síntese de ATP, glicólise, oxidação fosforilativa e a liberação de substâncias pré-formadas, como histamina, serotonina e bradicinina. Além disso, aumentam a quantidade de leucócitos, a atividade fagocitária e promovem a produção de tecido de granulação. Esses efeitos desencadeiam uma série de respostas celulares secundárias, incluindo o aumento da microcirculação, a melhoria do trofismo celular e a cicatrização tecidual em uma área mais ampla que a região de aplicação (Rodrigues e Petri, 2018). Efeitos do Laser de baixa potência: – Cicatrizante; – Aumenta a síntese de colágeno, útil para reparo tecidual; 14 – Aumenta a permeabilidade das membranas celulares com eficiência da bomba de sódio; – Aumenta o número de fibroblastos e promove tecido de granulação; – Aumenta os níveis de prostaglandinas, levando o aumento na ATP celular; – Ação anti-inflamatória; – Efeito bioestimulante atérmico (não produz calor); – Aumento e manutenção do potencial de membrana celular; – Normalização da bioenergia celular; – Aumento da ATP intracelular; – Aumento da atividade enzimática, acelerando a cicatrização; – Neovascularização, estímulo a microcirculação; – Antiiedematoso (ativa a microcirculação, vasodilatação de arteríolas, proliferação celular); – Ação Fibrinolítica (aumento da reabsorção fibrinogênica); – Estimulante do trofismo muscular. Técnica de Aplicação: – Pontual: consiste na aplicação sobre pontos de 1 a 2 cm, cobrindo toda a área da região de tratamento. – Varredura: normalmente utilizado em lesões dermatológicas, cobrindo toda a área da região de tratamento. Efeitos e Dosimetria (Rodrigues e Petri, 2018): – Efeito analgésico: 2 a 4 Joules/cm2. – Efeito regenerativo/cicatrizante: 3 a 6 Joules/cm2. – Efeito circulatório: 1 a 3 Joules/cm2. – Efeito anti-inflamatório: 1 a 3 Joules/cm2. – Fase aguda: não ultrapassar 2 Joules. – Fase sub-aguda: 3 a 4 Joules. – Fase crônica: 5 a 7 Joules. – Efeito estimulatório: Doses menores que 8 Joules. Contraindicações: – Na região ocular, devido ao risco de danos irreversíveis na retina. – Na região periocular em pacientes com glaucoma. 15 – Durante a gravidez, sobre o útero grávido, assim como outras formas de eletroterapia. – Na irradiação da glândula tireoide, especialmente em casos de hipertiroidismo. – Sobre as gônadas. – Em tecidos tumorais devido aos efeitos fotobioestimulantes. – Em pacientes com epilepsia. Indicações: – Estimular a regeneração dos tecidos; – Reduzir a inflamação; – Aprimorar a circulação sanguínea nas extremidades; – Proporcionar alívio da dor. Cuidados: – Utilizar óculos de proteção no cliente e no profissional. – Não deixar objetos metálicos ou espelhos que possam refletir a irradiação. Laser no local de tratamento: – Laser Vermelho: 630 a 690 nm: Luz visível. – Atua na derme superficial; – Ativa fibroblastos; – Inibe as enzimas colagenase e elastinase. – Laser Infravermelho: 790 a 830 nm – 904 nm: Luz invisível. – Atua na derme profunda; – Ativação de fibroblastos; – Ação anti-inflamatória; – Antiedematoso e analgesia. 07. Ultrassom Terapêutico 1MHz Na esfera terapêutica, referimo-nos ao ultrassom (US) como as oscilações cinéticas ou mecânicas geradas por um transdutor vibratório que é aplicado sobre a superfície da pele, atravessando-a e penetrando no corpo em várias profundidades (Rosa e Lopes, 2018). Ao aplicar uma corrente elétrica sobre um cristal de quartzo colocado entre duas placas metálicas, estes cientistas, constataram a geração de uma vibração de alta frequência, posteriormente caracterizada ultrassom. O processo de transformação da corrente elétrica em energia mecânica ou vice-versa se denominou efeito piezoelétrico, ou propriedade de piezoeletricidade. 16 A onda ultrassônica gerada por esse efeito é de natureza longitudinal, ou seja, a direção de propagação é a mesma que a direção de vibração. As ondas elásticas longitudinais causam compressão e rarefação ou expansão do meio à metade da distância de um comprimento de onda, conduzindo variações de pressão nesse meio. Transdutor da onda ultrassônica é o termo que designa todo dispositivo que converte a energia eletromagnética em energia mecânica. São materiais que sofrem variação nas suas dimensões físicas quando submetidos a campos elétricos, como cristal de quartzo, minerais policristalinos, Titanato de Bário. 7.1 Propriedades do Ultrassom Terapêutico Tamanho do transdutor, conhecido como ERA (área efetiva de emissão). O tamanho da ERA tem relação direta com o tempo de tratamento, ou seja, quanto menor a ERA maior o tempo de tratamento ou vice-versa. – Intensidade de emissão do ultrassom: ◦ É a energia / segundo a cada cm² de uma superfície perpendicular à emissão das ondas, calculada em W/ cm² ◦ Intensidade: 0,01 a 3,0 W/ cm². ◦ Sabemos que a onda do US se desloca longitudinalmente. Calibragem do US, que significa medir a potência assinalada no equipamento com a potência emitida no transdutor. – Potência: É a energia total que se produz por segundo, medida em watts. 08. Propagação As ondas sonoras necessitam de um meio para se propagarem (líquido, sólido e gasoso). – Assim, no vazio (ar) ela não é transmitida. – Dessa forma, deverá ser depositado entre o transdutor e a pele uma substância que apresente propriedades ótimas de condução da onda ultrassônica. A emissão das ondas ultrassônicas dependem de três fatores: – Densidade do meio. – Velocidade de emissão do US. – Impedância do meio. – A velocidade que a onda ultrassônica é transmitida por um meio depende da elasticidade e densidade desse meio. – Essa velocidade é fundamental, pois é a base para calcular a impedância acústica que consequentemente é a chave para a sua absorção. 17 Três fatores determinam a dosagem do ultrassom: – Tamanho da área a ser tratada; – Profundidade da lesão; – Natureza da lesão. Tempo = Área / ERA Ex.: ÁREA: Largura = 5 cm; comprimento = 8 cm - área = 40 cm2 ERA: 4 cm2 TEMPO = 40 / 4 = 10 min – Ultrassom Contínuo: a intensidade sonora permanececonstante ao longo do tratamento e a energia do ultrassom é produzida em 100% do tempo. – Ultrassom Pulsado: a intensidade é periodicamente interrompida, com nenhuma energia ultrassônica sendo produzida durante o período desligado. Na aplicação das ondas ultrassônicas é possível observar efeitos térmicos e não térmicos nos diferentes tipos de tecidos biológicos: células, tecidos e órgãos. Efeitos térmicos: – Aumento na extensibilidade das fibras de colágeno encontrada nos tendões e cápsulas articulares; – Diminuição da rigidez articular; – Redução do espasmo muscular; – Modulação da dor; – Aumento do fluxo de sangue. Efeitos mecânicos: – Cavitação: Formação de bolhas gasosas que se expandem e comprimem-se em razão da mudança de pressão induzida pelo ultrassom nos líquidos teciduais. – Cavitação: estável e instável. ◦ Estável: as bolhas se expandem e se contraem em resposta à mudança de pressão regularmente repetida durante muitos ciclos. ◦ Instável: existem grandes modificações violentas nos volumes de bolhas de ar antes que ocorra a implosão e o colapso depois de uns poucos ciclos. Na cavitação estável ocorre um movimento localizado e unidirecional de líquido em torno da bolha que está vibrando. 18 O efeito, chamado de microcorrenteza, exerce sobrecarga viscosa sobre a membrana da célula e, portanto, pode aumentar a permeabilidade da membrana. Este aumento de permeabilidade pode aumentar a secreção pelos mastócitos, aumento na captação de cálcio e maior produção do fator de crescimento pelos macrófagos. As ondas de compressão e rarefação podem produzir uma forma de micromassagem capaz de reduzir o edema. Indicações: – Condições agudas, subagudas e crônicas; – Cura e reparo do tecido mole; – Tecido cicatricial; – Contratura articular; – Aumento da extensibilidade do colágeno; – Redução do espasmo muscular; – Modulação da dor. – Aumento do fluxo sanguíneo; – Reparação do tecido mole; – Aumento da síntese de proteína; – Regeneração do tecido; – Pontos gatilho miofasciais. Contraindicações: – Tromboflebite; – Gravidez; – Marcapasso; – Câncer; – Áreas epifisárias em crianças; – Próteses; – Infecção. A Drenagem Linfática Manual é uma técnica de massagem altamente especializada, aplicada com pressões leves, lentas, intermitentes e relaxantes, que seguem o percurso do sistema linfático, aprimorando algumas de suas funções. A Drenagem Linfática Manual é uma técnica de massagem manual descrita, inicialmente, como método para tratamento de edemas, especialmente o linfedema. Proposta por Albert Leduc e também descrita por Emile e Astrid Vodder, onde Vodder utiliza uma ampla combinação de movimentos passivos e técnicas manuais de drenagem linfática. Já Leduc possui uma combinação 19 mais restrita de movimentos e propõe protocolos de tratamentos baseados no tipo de distúrbio encontrado, utilizando bandagens compressivas após as técnicas de drenagem linfática. A técnica de drenagem linfática manual é complexa, composta por um conjunto de manobras muito específicas, que atuam principalmente sobre o sistema linfático superficial, visando drenar o excesso de líquido acumulado no interstício, nos tecidos e dentro dos vasos, através das anastomoses superficiais linfáticas axilo-axilar e axilo-inguinal. Segundo Guirro (2004), há duas etapas a serem seguidas na drenagem linfática, sendo ambas realizadas sempre no sentido da circulação linfática de retorno e de forma centrípeta. Essas duas etapas são chamadas de evacuação e de captação. – Evacuação: O objetivo da evacuação é proporcionar um aumento do fluxo linfático na região proximal, deixando-a descongestionada e preparada para receber a linfa de outras regiões mais distantes. Com a melhora da circulação linfática dessa região, não haverá sobrecargas maiores sobre os vasos. – Captação: O objetivo da captação é absorver os líquidos excedentes da região com estase (linfedema, FEG) e transportá-los através dos vasos linfáticos de volta para a circulação venosa. – Considerações Importantes: A técnica deve ser executada no sentido proximal- distal, e onde há maior retenção de líquido, ou seja, linfedema, realizar os movimentos por mais tempo nessa área. Executar as manobras em ritmo lento, pausado e repetitivo, respeitando o mecanismo de transporte da linfa, cuja frequência de contração é de 5 a 7 vezes por minuto. As manobras não provocam dor ao paciente. – Ação da Drenagem Linfática: Aumenta a contração da musculatura lisa dos vasos linfáticos, o volume e a velocidade da linfa a ser transportada, melhora as condições de absorção intestinal, aumenta a oxigenação dos tecidos, favorece a nutrição celular, elimina toxinas e metabólitos, aumenta a absorção de nutrientes através do trato digestivo, aumenta a quantidade de líquidos a ser eliminada, reduz o edema, melhora a hidratação e nutrição celular, acelera a cicatrização de ferimentos e a reabsorção de hematomas e equimoses. – Técnica de Aplicação: A pele do cliente deve estar limpa e sem produtos. Deve-se usar cremes moderadamente, com ritmo lento, pressão moderada a leve (jamais deve causar dor ou vermelhidão na pele), no sentido proximal-medial-distal. A pressão da mão sobre o corpo deve ser leve para não produzir colapso linfático, variando entre 25 a 40 mmHg. – Tipos de Movimento: Bombeamento, rotação e drenagem dos linfonodos. – Sequência da Drenagem: Deve seguir o trajeto das vias linfáticas, repetindo cada manobra de 5 a 7 vezes. 09. Drenagem linfática de MMII (membros inferiores) – Passo a passo: 01. MMII em degravitação (elevação); 20 02. Dividir a coxa em proximal, medial e distal; 03. Com movimentos de acordo com a técnica escolhida, inicia-se a drenagem de proximal para distal; dando ênfase em região medial do mi (safena); 04. Realizar movimentos de acordo com o escolhido em proximal da coxa 3 - 7 vezes (de acordo com a necessidade); repetir o procedimento na parte medial e distal da coxa; 05. Dividir a perna em proximal, medial e distal e realizar o mesmo procedimento da coxa; 06. Drenar os pés em sentido tornozelo, após carrear tudo para inguinal. 07. Finalizar com o movimento optado no início da drenagem até a região inguinal. IMAGEM 03: DRENAGEM LINFÁTICA DE MEMBRO INFERIOR Fonte: Imagem adaptada: Guirro; Guirro, 2004. p. 75. As setas indicam a direção e o sentido das manobras de drenagem linfática manual. 21 RECURSOS UTILIZADOS Materiais de consumo: Descrição Observação Bermuda ou shorts Material a ser fornecido pelo aluno Laboratório de fisioterapia Material a ser fornecido pelo aluno Maca Material a ser fornecido pela UniFatecie Rolo de posicionamento Material a ser fornecido pela UniFatecie Software/aplicativo/simulador Sim ( ) Não ( X ) Em caso afirmativo, qual? Pago ( ) Não Pago ( ) Tipo de Licença: Não se aplica Descrição do software/aplicativo/simulador: Caso não seja necessário o uso do recurso, preencher com *Não se aplica (NSA) Kit Laboratório individual de atividade prática Sim ( X ) Não ( ) Em caso afirmativo, qual? Pago ( ) Não Pago ( X ) Tipo de Licença: Não se aplica Descrição dos materiais do kit: Bermuda ou shorts Caso não seja necessário o uso do recurso, preencher com *Não se aplica (NSA) 22 Para a realização dessa atividade prática é importante utilizar jaleco, touca e máscara. A atividade será realizada em um laboratório de fisioterapia simulando atendimentos entre os acadêmicos. ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA 23 O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Aplicar em duplas, simulando um atendimento, as seguintes condutas: – Mobilização da patela no sentido craniocaudal e medial-lateral do joelho direito ou esquerdo; – Mobilização passiva em flexão e extensão do joelho. Durante o período inicial de cicatrização, é recomendada a limitação da flexão a 60 graus, o que implica evitar agachamentos profundos e rotação da tíbia nas fasesiniciais da reabilitação após a reparação meniscal. – Cinesioterapia, por meio de exercícios de fortalecimento isométricos, extensão, adução e abdução com o paciente deitado em decúbito dorsal. – Drenagem linfática manual de membro inferior, com o intuito de melhorar o quadro de edema, comum em pós-operatório de lesão meniscal. Vídeo - Prática 1 https://youtu.be/sZLZVpNtaEE?si=5Gahlm-59ZEcLQ20 https://youtu.be/sZLZVpNtaEE?si=5Gahlm-59ZEcLQ20 https://youtu.be/sZLZVpNtaEE?si=5Gahlm-59ZEcLQ20 24 RELATÓRIO Caro(a) aluno(a), como resultado desta atividade prática realize um relatório descritivo da atividade prática, relatando quais as técnicas e equipamentos foram realizados, descrevendo os parâmetros dos equipamentos, e o tempo total de duração da prática. Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. 25 MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES RIBEIRO, P. M. P. Lesões Meniscais: Tratamento Conservador e Cirúrgico. U-Porto. Disponível em: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/150619/2/632162.pdf. Acesso em: 13 maio. 2024. CÔRREA, P. M. T. et al. Tratamento Fisioterapêutico Em Um Paciente Submetido À Meniscectomia Parcial Lateral: Um Relato De Caso. Anais Do 10º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – SIEPE. Disponível em: https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/ arq_trabalhos/16652/seer_16652.pdf. Acesso em: 13 maio. 2024. https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/150619/2/632162.pdf https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/16652/seer_16652.pdf https://guri.unipampa.edu.br/uploads/evt/arq_trabalhos/16652/seer_16652.pdf 26 ROTEIRO DA APA PARA O DISCENTE PROTOCOLO DE REABILITAÇÃO PARA LESÃO DE MENISCO FASE CRÔNICA 01. Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 02. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 03. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte caracterizam-se como plágio, sendo o trabalho zerado. 04. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser referenciados conforme as normas da ABNT. 05. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 06. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. 07. Formatação exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12. ORIENTAÇÕES GERAIS 27 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? A atividade prática proposta na reabilitação pós-operatória ou conservadora posterior a lesão meniscal tem como objetivos: – Compreender os princípios básicos da reabilitação pós-operatória após lesão de menisco. – Adquirir conhecimento sobre as diferentes fases da reabilitação e os cuidados específicos em cada uma delas. – Entender os protocolos de tratamento utilizados na recuperação pós-operatória de lesões de menisco. – Aprender a avaliar e monitorar o progresso do paciente durante o processo de reabilitação. – Desenvolver habilidades práticas para realizar técnicas fisioterapêuticas específicas, como mobilizações articulares, exercícios terapêuticos e modalidades de fisioterapia. – Promover a recuperação funcional do paciente, visando a retomada das atividades diárias e esportivas após a cirurgia de lesão de menisco. – Compreender a importância da comunicação interdisciplinar com cirurgiões, médicos e outros profissionais de saúde no processo de reabilitação. Habilidades: – Capacidade de realizar avaliação física detalhada do paciente, incluindo amplitude de movimento, força muscular e padrões de marcha. – Aptidão para elaborar um plano de tratamento individualizado com base na avaliação inicial do paciente e nas orientações médicas. – Competência em realizar técnicas de mobilização articular e manipulação para melhorar a amplitude de movimento e a função do joelho. – Habilidade para instruir e supervisionar exercícios terapêuticos adequados para fortalecer os músculos do quadril, coxa e panturrilha, visando restaurar a estabilidade e função do joelho. – Capacidade de utilizar modalidades terapêuticas, como crioterapia, ultrassom e laser, para reduzir a dor, o inchaço e promover a cicatrização dos tecidos. – Competência em avaliar e interpretar os resultados do tratamento, ajustando o plano de reabilitação conforme necessário para otimizar os resultados. – Aptidão para educar o paciente sobre os cuidados pós-operatórios, instruindo-o sobre exercícios domiciliares, prevenção de lesões e retorno gradual às atividades normais. – Aptidão para demonstrar empatia e sensibilidade ao lidar com as preocupações e necessidades do paciente durante todo o processo de reabilitação. 28 AMBIENTE NA PRÁTICA Essa atividade será realizada em um laboratório de fisioterapia ou clínica de fisioterapia, para isso é importante estar de jaleco. Obs.: Caro(a) aluno(a), no caso de atividades práticas em ambientes profissionais você deve verificar o calendário destas atividades com o seu polo de apoio presencial UniFatecie. Caso haja dúvidas, ou não possuir polo, entre em contato com seu tutor. 29 EMBASAMENTO TEÓRICO O tratamento conservador pode ser eficaz em certos casos de lesões meniscais: 01. Lesões pequenas: Lesões meniscais pequenas, especialmente aquelas inferiores a 1 cm, respondem bem ao tratamento conservador. 02. Lesões degenerativas: Lesões meniscais relacionadas ao desgaste natural podem melhorar com o tratamento conservador, especialmente em casos de dor leve a moderada. 03. Ausência de bloqueio articular: Quando não há bloqueio significativo da articulação, o tratamento conservador é adequado. 04. Sintomas não incapacitantes: Se a lesão meniscal não causa sintomas graves, o tratamento conservador é uma opção. 05. Estabilidade do joelho: Se o joelho é estável, sem instabilidade significativa dos ligamentos, o tratamento conservador é recomendado. Recomendações Gerais de Tratamento (Logerstedt et al., 2018). – A comunicação entre fisioterapeutas, médicos e pacientes é crucial para definir o prognóstico e o plano de tratamento. – Lesões concomitantes devem ser identificadas e tratadas sintomaticamente. – O tratamento inicial visa controlar a dor, o edema e a perda de movimento. – Após uma lesão traumática, a recuperação muscular é essencial, incluindo crioterapia, contração do quadríceps e exercícios de amplitude de movimento. – Atividades terapêuticas progressivas devem ser implementadas, incluindo exercícios de equilíbrio, propriocepção e fortalecimento. – A volta à atividade física deve ser gradual e supervisionada. Vídeo Embasamento - Prática 2 https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=hzpKAQPSJwKSM1iU https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=hzpKAQPSJwKSM1iU https://youtu.be/pj3oemKaNJg?si=hzpKAQPSJwKSM1iU 30 01. Reabilitação Física e Exercícios Foi previamente constatado que o tratamento de fisioterapia isolado não era menos eficaz do que a MPA combinada com fisioterapia para tratar lesões meniscais degenerativas, sendo recomendado como abordagem inicial para esse tipo de lesão. Os programas de reabilitação variam nos estudos, com duração de 16 sessões de 30 minutos a sessões de 60 minutos, três vezes por semana, por três semanas (Logerstedt et al., 2018). Da mesma forma, exercícios de fortalecimento e treinamento de resistência com progressão gradual foram sugeridos para tratar lesões meniscais identificadas em exames de ressonância magnética. Exercícios para fortalecer os músculos extensores e flexores do joelho também foram comparados à MPA, não revelando diferenças entre os grupos em termos de dor, melhora da função do joelho ou satisfação dos pacientes após dois anos de acompanhamento. Além disso, foi observado que os exercícios resultaram em aumento da massa muscularda coxa, pelo menos durante os dois anos de acompanhamento do estudo, sendo considerados como uma alternativa para pacientes com lesões meniscais degenerativas e sem sinais radiográficos de OA. Os protocolos pós-operatórios variam consideravelmente, e não há consenso sobre os parâmetros ideais de sustentação de peso e amplitude de movimento (ADM). Por exemplo, alguns estudos sugerem que a ADM inicial e a sustentação de peso no período imediato após a cirurgia podem não afetar adversamente os resultados clínicos após a meniscectomia parcial ou reparo (Logerstedt et al., 2018). A comunicação com o cirurgião orienta as progressões, mas a dor é o principal indicador na fase inicial, e a ADM recomendada não deve ser excedida. Se o paciente não conseguir alcançar a ADM recomendada, a progressão deve ser determinada pela avaliação clínica. Medidas preventivas, como monitoramento da dor e inchaço pós-exercício e fortalecimento muscular, podem minimizar a sobrecarga na articulação afetada (Camanho, 2020). É essencial compreender o princípio de “progressão com proteção” para garantir o retorno seguro do paciente ao desempenho anterior. Isso inclui aumentar gradualmente a carga, variar as atividades, aumentar a velocidade e melhorar a estabilidade. A transição para exercícios de cadeia cinética fechada após o retorno às atividades é crucial, pois a maioria dos esportes requer essa forma de movimento. A reabilitação inicial após a cirurgia pode incluir exercícios de cadeia aberta, seguidos pela progressão para exercícios de cadeia fechada à medida que o joelho suporta peso. 02. Fases da Reabilitação Cada sessão e semana de reabilitação devem incluir terapia manual e exercícios que visam melhorar a propriocepção, força, flexibilidade e função. As fases posteriores são dedicadas às demandas específicas do esporte, como corrida, pivôs e saltos (Camanho, 2020). O início de cada fase pode variar dependendo do tipo de cirurgia realizada. É crucial manter uma comunicação aberta com o cirurgião para entender o procedimento realizado e adaptar o 31 plano de reabilitação de acordo. O conhecimento detalhado do tipo de reparo realizado pode orientar a progressão da ADM e carga durante a reabilitação. O início da evolução nas sessões, pode variar conforme o cirurgião e o procedimento cirúrgico específico. É importante ressaltar que, mesmo que o paciente esteja sustentando o peso parcialmente, usando muletas e com apenas o dedo grande do pé tocando o chão, é crucial estabelecer a mecânica correta da marcha desde o início da reabilitação (Goes e McCormack, 2019). – Os pacientes devem tentar imitar a marcha normal. O apoio do calcanhar deve ser enfatizado, com tentativa de estender completamente o joelho durante a fase de apoio, impulsionando o dedo grande do pé para frente e depois movendo o joelho para frente rapidamente, com colocação rápida do calcanhar no chão. – Eduque o paciente sobre a atividade geral, destacando a importância de movimentar o joelho o máximo possível e evitar dormir com um travesseiro sob o joelho (o que pode causar contratura na flexão). – O paciente deve estar ciente das limitações nas primeiras fases da reabilitação, como a impossibilidade de realizar pivôs, movimentos laterais, agachamentos com carga, extensão do joelho com resistência e, possivelmente, sustentação total de peso até que seja aconselhado. – A terapia manual pode incluir mobilização articular usando técnicas de contração/ relaxamento ou sustentação/relaxamento para aumentar a amplitude de movimento em flexão ou extensão, além de facilitação neuromuscular proprioceptiva (PNF) manual. A PNF combina alongamento passivo e isométrico para alcançar a máxima flexibilidade estática. 03. Protocolo de Reabilitação Fase 1: O trabalho nos tecidos moles dos glúteos, isquiotibiais, banda iliotibial/tensor da fáscia lata, quadríceps e complexo gastrocnêmio/sóleo pode ser iniciado. Isso permite que os músculos de suporte permaneçam relaxados, evitando a tensão que poderia inibir a amplitude de movimento. Alguns cirurgiões podem sugerir que o paciente comece a suportar peso parcialmente, dependendo do tipo de cirurgia realizada. A reeducação da marcha pode começar com o uso de muletas e apoio apenas do dedo grande do pé no chão, com a quantidade necessária de peso sendo suportada pelos braços/muletas. Durante esta semana, os exercícios geralmente são realizados na cama para minimizar a pressão sobre o local cirúrgico. Isso pode incluir elevação de perna, exercícios para isquiotibiais e quadríceps, exercícios de glúteos com extensão e abdução do quadril, e fortalecimento do complexo gastrocnêmio/sóleo. 3.1 Reabilitação na fase pós-operatória inicial Fase Inicial: Etapa Inicial (0-2 semanas) 32 Objetivos: – Minimizar a dor e a inflamação. – Recuperar a amplitude de movimento (ADM) do joelho. – Iniciar a ativação dos músculos quadríceps e isquiotibiais. Condutas que podem/devem ser adotadas: – Aplicação de crioterapia, eletroterapia, mobilizações passivas, contrações isométricas e exercícios de bomba de panturrilha. Critérios para progredir para a próxima fase: – Ausência de dor significativa e debilitante. – ADM do joelho alcançando 90º. – Capacidade de realizar contração isométrica dos músculos quadríceps e isquiotibiais. Para a fisioterapia de reabilitação pós-meniscectomia, as medidas terapêuticas devem visar a redução da dor, ampliação da amplitude de movimento e fortalecimento dos músculos quadríceps femoral. Além disso, é crucial promover a melhoria na cicatrização dos tecidos, sendo que, a terapia a laser estimula a síntese de ATP intracelular, contribuindo para o processo de cicatrização tecidual, o que o torna um componente relevante no tratamento do paciente em questão, com o objetivo de potencializar a recuperação do menisco reparado. Os movimentos de flexo-extensão do joelho devem ser executados de maneira suave, evitando alcançar uma flexão total. Exercícios isométricos e resistidos devem ser realizados dentro dos limites de tolerância do paciente, até que a completa cicatrização do menisco ocorra, geralmente entre a 6ª e 8ª semana. O resfriamento e a aplicação de pressão são administrados no período pós-operatório utilizando um dispositivo de crioterapia comercial, enquanto para gerenciar a dor e a inflamação, são prescritos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). A ativação do quadríceps e a elevação do membro inferior em diferentes direções são encorajadas imediatamente após a cirurgia para promover o controle motor e prevenir a atrofia muscular. Os exercícios de amplitude de movimento ativa e assistida são iniciados para melhorar a mobilidade. Recomenda-se o início da reabilitação pós-operatória em ambiente ambulatorial assim que possível. Uma avaliação completa é realizada, os exercícios pós-operatórios são revisados e quaisquer modificações nas atividades são identificadas. A marcha é avaliada e um auxílio à locomoção adequado é fornecido. Após o período de reabilitação, os pacientes geralmente retomam suas atividades cotidianas normais dentro de 2 a 4 semanas. No caso de sutura meniscal por via artroscópica, os pacientes requerem um tempo de recuperação consideravelmente mais longo em comparação com a meniscectomia parcial. 33 Geralmente, o retorno às atividades esportivas de rotação pode ocorrer a partir de 4 meses após a cirurgia. No entanto, a sutura meniscal demonstra uma taxa de recuperação mais elevada em comparação com a meniscectomia parcial. A reabilitação pós-cirurgia segue uma abordagem mais conservadora em comparação com a meniscectomia parcial artroscópica, visando facilitar uma cicatrização bem-sucedida. As diretrizes de reabilitação ainda são motivo de controvérsia, e os programas de recuperação devem ser adaptados individualmente de acordo com o tipo de procedimento cirúrgico realizado e o tipo de lesão. A aplicação de cargas compressivas durante o suporte de peso em extensão totalapós uma sutura meniscal por ruptura vertical, longitudinal ou em forma de cesta pode estabilizar a lesão. No entanto, em rupturas radiais, a aplicação de carga deve ser adiada, pois as tensões do arco podem comprometer a cicatrização das raízes. Durante o período inicial de cicatrização, é recomendada a limitação da flexão a 60 graus, o que implica evitar agachamentos profundos e rotação da tíbia nas fases iniciais da reabilitação após a reparação meniscal. Fase 2: Fortalecimento e Estabilização (2-6 semanas) Objetivos: – Incremento progressivo da força nos membros inferiores. – Aprimoramento da estabilidade articular. – Aperfeiçoamento do equilíbrio e controle neuromuscular. – Condutas que podem/devem ser adotadas: – Realização de exercícios graduais de fortalecimento para quadríceps, isquiotibiais, glúteos e panturrilha. – Treinamento específico de equilíbrio e propriocepção. – Prática de exercícios que promovam estabilização dinâmica do joelho e estabilidade do tronco. Critérios para avançar para a próxima fase: – Equilíbrio de força simétrico entre quadríceps e isquiotibiais. – Demonstração de controle adequado de equilíbrio e estabilidade durante atividades funcionais. – Ausência de dor durante a realização de exercícios de fortalecimento e estabilização. – Progressão gradual da carga e intensidade das atividades. Fase 3: Retorno à Atividade (6-12 semanas) Objetivos: – Reintegração gradual às atividades esportivas ou funcionais. – Aumento da resistência muscular e cardiovascular. 34 – Condutas que podem/devem ser adotadas: – Implementação de um programa de treinamento funcional específico para o esporte ou atividade em questão. – Realização de exercícios de fortalecimento em cadeia cinética fechada e aberta. – Incorporação de treinamento cardiovascular para melhorar a resistência. Critérios para o retorno ao esporte: – Ausência de dor ou presença mínima durante atividades esportivas específicas. É crucial salientar que o tempo de recuperação pode variar conforme a gravidade da lesão, a resposta individual do paciente e a natureza da atividade esportiva. Portanto, este protocolo serve como um guia geral e deve ser adaptado de acordo com as necessidades e progresso de cada paciente. 04. Tratamento pós-meniscectomia Após uma meniscectomia, é comum os pacientes enfrentarem diversas alterações que podem afetar sua função. Isso inclui redução da força muscular, limitação da amplitude de movimento e alterações na marcha. No entanto, uma reabilitação bem planejada, com metas claras e alinhadas aos objetivos do paciente, pode otimizar os resultados. Tratamento após sutura meniscal (Calanna; Duthon; Menetrey, 2022). Após a realização de uma sutura meniscal (reparo meniscal), o protocolo de tratamento apresenta características distintas. As principais divergências surgem na fase inicial, pois é necessária uma proteção mais intensa, com restrição de carga e mobilidade durante as primeiras 6 semanas. Vários fatores podem influenciar a cicatrização após o reparo meniscal, atrasando o retorno às atividades esportivas. Esses fatores incluem o tipo de ruptura, menisco medial versus lateral, e a presença de lesões concomitantes. Como não há estudos na literatura avaliando a taxa/tempo de retorno a atividades esportivas após o reparo meniscal em rupturas longitudinais horizontais ou verticais, recomenda-se o retorno para atividades esportivas competitivas e de contato após quatro a seis meses. O retorno precoce e excessivo a atividades de alta intensidade é um fator de risco para falhas no tratamento, especialmente em uma população mais jovem (Calanna; Duthon; Menetrey, 2022). O menisco desempenha um papel crucial na funcionalidade e biomecânica da articulação do joelho. O aumento da atividade física ao longo da vida aumenta o risco de lesões meniscais, e a remoção excessiva do menisco pode levar à degeneração da cartilagem articular. Portanto, é amplamente reconhecido que a minimização, reparo ou substituição do tecido meniscal são abordagens preferenciais. Independentemente da abordagem escolhida, a fisioterapia desempenha um papel fundamental na obtenção de resultados funcionais positivos. Com critérios adequados e estratégias de tratamento bem definidas, é possível otimizar a recuperação e promover a função 35 articular a longo prazo para os indivíduos com lesões meniscais. O cuidado individualizado e a supervisão de profissionais capacitados são essenciais para garantir uma reabilitação eficaz e um retorno seguro às atividades físicas. É essencial que os fisioterapeutas estejam atualizados com as últimas evidências científicas e adaptem o tratamento de acordo com as necessidades de cada paciente. 4.1 Recuperação O avanço para esta fase é determinado pelo tipo de intervenção cirúrgica realizada e pelas preferências do cirurgião. Em casos de remoção extensiva do menisco (além da borda) ou reparo na raiz do menisco, a progressão pode ser adiada até a 4ª semana. O treinamento proprioceptivo deve iniciar com o simples equilíbrio do membro afetado. Esse treinamento pode progredir na direção caudal/cranial, sendo crucial para a adequada mobilidade e deslizamento da estrutura, o que auxilia na prevenção de dor e rigidez retro patelar. A amplitude de movimento começa com a extensão total, visando uma marcha mais natural. A flexão pode ser iniciada com a simples colocação da perna na beira da mesa, permitindo a ação da gravidade. É fundamental não forçar a flexão além desse ponto. A realização de atividades normais, como caminhar, executar tarefas diárias e realizar exercícios de fortalecimento e alongamento, contribuirá para a recuperação da amplitude de movimento ativa total. Ao final dessa etapa, a flexão deve estar entre 90º e 120º. A estimulação muscular elétrica (EMS) pode ser empregada para fortalecer o quadríceps. O paciente pode realizar exercícios em cadeia cinética fechada, como empurrar uma pequena bola ou usar uma toalha atrás do joelho para recuperar a extensão completa, enquanto permanece em pé. O uso de bicicleta ergométrica pode ser iniciado para promover a amplitude de movimento passiva (AMPP) e manter a capacidade aeróbica. Equipamentos elípticos podem ser introduzidos nos exercícios aeróbicos quando o paciente puder suportar o peso totalmente. Com a cicatrização dos portais, a caminhada e até mesmo a corrida na piscina são recomendadas. Os exercícios de fortalecimento incluem: – Utilização de elásticos para abdução, extensão, flexão e adução do quadril, e flexão dos isquiotibiais. – Utilização do aparelho de leg press para fortalecer quadríceps/glúteos/isquiotibiais. – Troca da plataforma de propriocepção por uma placa oscilatória (com os dois pés). – Início do fortalecimento do gastrocnêmio/sóleo e elevação do hálux no aparelho de leg press. – Aplicação de crioterapia por 10 - 15 minutos após cada sessão de exercício. – Início da elevação do quadril a partir da região lombar (ponte). 36 IMAGEM 4: FLEXÃO DE QUADRIL Fonte: Goes; McCormack, 2019. p. 343. IMAGEM 5: ELEVAÇÃO PÉLVICA Fonte: Goes; McCormack, 2019. p. 345. Fase 3: Nesta etapa, o paciente deve estar suportando todo o peso corporal, com o joelho em extensão completa e a amplitude de movimento (ADM) deve estar acima de 90 graus e próxima a 120 graus. Durante essa fase, o paciente deve começar a se sentir à vontade para realizar atividades lineares, ainda sem carga na articulação até o final da fase. Se as cicatrizes estiverem endurecidas, podem ser submetidas a uma leve fricção. Os exercícios de fortalecimento nesta fase são semelhantes aos da fase anterior, porém com uma resistência ligeiramente maior e podem ser realizados em uma plataforma mais desafiadora. 37 Propriocepção: arremessar bola em um trampolim ou parede, ficando em pé sobre o trampolim. Pode progredir para ficar em pé sobre uma bola BOSU. Todos os exercícios devem ser realizados em uma única perna. Os exercíciosde fortalecimento podem ser intensificados, incluindo: – Abdução do quadril: utilizando elásticos, com a perna de apoio levemente dobrada e a perna em abdução deslizando, simulando o movimento de patinação. É essencial manter as duas pernas como apoio. Este exercício visa estabilizar a pelve e fortalecer os glúteos. Treinamento de propriocepção: Adução do quadril: utilizando elásticos, são incorporados os seguintes três exercícios: 01. Adução pura do quadril. 02. Desenho de um círculo no chão com o dedão do pé no sentido anti-horário. 03. Desenho de um círculo no ar no sentido anti-horário. – Extensão do quadril: realizando extensão pura em uma plataforma, visando um bom alinhamento da pelve. – Flexão do quadril: realizando flexão pura, começando na posição de corredor. – Fortalecimento dos músculos isquiotibiais: sentado, com aumento da resistência. IMAGEM 6: PROPRIOCEPÇÃO Fonte: Goes; McCormack, 2019. p. 348. IMAGEM 7: ELEVAÇÃO PÉLVICA EM SUPERFÍCIE INSTÁVEL Fonte: Goes; McCormack, 2019. p. 348. 38 Uma maneira simples de identificar as necessidades do atleta é perguntar diretamente a ele. Elabore exercícios específicos em conjunto com o atleta e/ou treinador, conforme apropriado. Os pivôs podem representar o último movimento ou direção incluído no processo de recuperação. O paciente deve estar preparado tanto fisicamente quanto mentalmente para sua reintrodução no programa, considerando que muitas vezes é o movimento que causou a lesão e o receio de reproduzi-lo pode ser significativo. As progressões podem começar com exercícios de saltos, como 1/4 de giro seguido por 1/2 giro, com foco no equilíbrio após cada salto. Em seguida, a progressão envolve corrida e cortes lentos em um ângulo de 45 graus, seguido pelo giro de 90 graus. Inicialmente, a velocidade deve ser baixa e gradualmente aumentada para corridas curtas. Isso deve ser realizado ao longo de várias semanas, não em uma única sessão. No início, os exercícios devem ser realizados em uma superfície previsível, como o chão, antes de passar para grama sintética e, posteriormente, para o gramado. Além disso: – Troca de bola BOSU: o paciente realiza alternância de pés na bola BOSU, movendo- se rapidamente. – “V” com bola BOSU: o paciente corre entre duas bolas BOSU, separadas por uma certa distância, alternando os pés em cada bola. – Fortalecimento dos músculos isquiotibiais: o paciente, em posição supina, coloca a bola suíça sob os calcanhares e, ao levantar o quadril, pode puxá-la em direção ao glúteo. – Bandas X: exercícios de fortalecimento do CORE que envolvem todo o corpo, progredindo de uma posição neutra da coluna para passos laterais com movimento correspondente dos braços. – Treinamento lateral com bandas de resistência: exercícios de passos laterais e deslocamentos laterais com resistência. – Treinamento excêntrico em plataforma elevada, começando com saltos excêntricos para baixo e aumentando progressivamente a altura para fortalecer os músculos e garantir o alinhamento adequado da patela. 05. Exercícios de Reabilitação da Fase 4 As sugestões anteriores podem variar consideravelmente dependendo do tipo de cirurgia realizada. A reparação de uma lesão periférica vertical simples pode permitir o início precoce de alguns exercícios em comparação com lesões mais complexas. O fundamental é que o paciente inicie com intensidade baixa e avance até atingir a velocidade de jogo ou máxima. Os exercícios devem começar em uma superfície estável, como o chão, e progredir para superfícies mais desafiadoras e instáveis, como bolas BOSU, bolas suíças e plataformas oscilatórias. No caso de transplante de menisco, o processo mencionado anteriormente é similar, porém mais lento. Todas as fases têm, no mínimo, duração adicional de 4 semanas. É recomendado discutir com o cirurgião, os objetivos e resultados esperados da cirurgia e do paciente. Os estágios de recuperação após a cirurgia de menisco foram anteriormente delineados, porém, às vezes, torna-se desafiador determinar quando avançar com segurança para a próxima etapa e quais são os principais determinantes para um resultado satisfatório pós-procedimento. 39 Há uma multiplicidade de fatores a serem considerados, incluindo a natureza da lesão, o tipo de intervenção cirúrgica realizada, lesões concomitantes e variáveis relacionadas ao cirurgião. Apesar das discussões consideráveis e da falta de evidências de alta qualidade sobre o momento ideal para introduzir a carga de peso e a amplitude de movimento após a cirurgia, alguns aspectos biomecânicos cruciais devem ser levados em conta. Durante a carga de peso em extensão total, as forças exercidas sobre o menisco tendem a reduzir a lesão longitudinal vertical. Por outro lado, em casos de ruptura das fibras colagenosas circunferenciais que resistem às tensões circunferenciais ou da ruptura da inserção da raiz do menisco, a carga de peso pode deslocar o menisco, potencialmente causando extrusão (Goes e McCormack, 2019). Notavelmente, há um aumento substancial na carga sobre o corno posterior do menisco durante a flexão do joelho, que é quatro vezes maior a 90 graus de flexão. Além disso, a rotação e a translação da tíbia também aumentam consideravelmente as tensões sobre os meniscos. Além dessas considerações biomecânicas, as taxas de sucesso de um reparo isolado do menisco são de apenas 70 a 80%. Com o objetivo de preservar a função meniscal e devido aos resultados menos favoráveis da revisão do reparo meniscal, alguns cirurgiões adotam uma abordagem mais conservadora para a reabilitação, com atraso na introdução da carga de peso e amplitude de movimento (às vezes com imobilização em tala). No entanto, revisões sistemáticas não demonstraram benefícios desses protocolos de reabilitação conservadora. Além disso, ensaios clínicos randomizados demonstraram que os programas de reabilitação acelerada são bem-sucedidos no reparo do menisco. É importante reconhecer, no entanto, a considerável heterogeneidade dos dados e o fato de que a maioria das evidências e da literatura é de nível 4 (estudos de caso) (Goes e McCormack, 2019). Também é crucial considerar os fatores que podem influenciar positiva ou negativamente o sucesso da cirurgia de menisco e utilizá-los como ajustes para determinar o momento de implementação das diversas fases do programa de reabilitação. No caso de meniscectomia parcial, a maioria dos profissionais de saúde inicia com carga total de peso e amplitude de movimento, progredindo conforme os sintomas e a função permitirem. Entretanto, se a ressecção incluir a periferia do menisco, é necessário considerar atrasos na carga de peso para reduzir a extrusão do menisco, que prejudica a função biomecânica. Diversos fatores devem ser levados em conta nos reparos de menisco. A primeira categoria é a natureza da lesão reparada. Em caso de lesão vertical periférica, a carga precoce de peso em extensão impõe pouca tensão sobre o local reparado, mas a carga de peso com o joelho em flexão pode exercer uma carga significativa no corno posterior do menisco. Isso levou alguns autores a sugerir o adiamento de agachamentos e flexão do joelho com carga superior a 90 graus após o reparo do corno posterior. No caso de reparo de uma lesão radial completa (com extensão pelas fibras da alça circunferencial) ou da raiz do menisco, é defensável o atraso na carga de peso para permitir a cicatrização da borda e/ou raiz e evitar a extrusão do menisco. Outras considerações podem incluir a natureza aguda ou crônica da lesão, sendo esperada uma cicatrização mais eficaz em lesões não degenerativas agudas. A idade do paciente também pode ser considerada de duas perspectivas. O suprimento sanguíneo do menisco é melhor em indivíduos com esqueleto imaturo, mas, em algumas situações, os jovens precisam ser protegidos de si mesmos (Goes e McCormack, 2019). 40 RECURSOS UTILIZADOS Materiais de consumo: Descrição Observação Bermuda ou shorts