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Paralisia cerebral Uma das deficiências mais comuns em crianças, a paralisia cerebral afeta um a cada mil bebês nascidos vivos, sendo que no caso específico de prematuros, essa taxa aumenta consideravelmente. Mesmo assim, a condição ainda é bastante nebulosa na cabeça da maioria das pessoas, justamente por ser bastante ampla e ter diferentes causas e graus. No que pensamos quando pensamos em paralisia cerebral? Se levarmos em consideração o nome da condição ao pé da letra, provavelmente o que vem à mente é um “cérebro parado”. Por conta disso, muitos imaginam que uma criança com essa condição tem seu desenvolvimento totalmente comprometido e nunca vai se desenvolver — o que é uma visão bastante equivocada. A condição, na verdade, se trata de uma lesão neurológica que pode causar diferentes alterações e sintomas, dependendo do seu nível. Enquanto algumas crianças podem apresentar apenas uma leve rigidez muscular e dificuldades de coordenação motora, outras possuem deficiência intelectual e tanta rigidez que mal conseguem se movimentar. O espectro da deficiência, portanto, é bem amplo, mas em geral ela é considerada grave e, não raramente, está relacionada à epilepsia, dificuldades com a fala e demais problemas no desenvolvimento dos aspectos sensoriais e motores. Causas e tipos de paralisia cerebral As lesões neurológicas são causadas, em geral, por malformações cerebrais que ocorrem na gravidez ou por uma falta de oxigenação no órgão que pode ser causada durante a gestação, no momento do parto, por conta de acidentes ou como consequência de determinadas doenças. Tendo em vista que bebês que nascem antes do previsto passam menos tempo se desenvolvendo dentro do útero e, frequentemente, advêm de partos emergenciais e mais complicados, a prematuridade figura entre as principais causas de paralisia cerebral infantil. Por apresentar grupos de sintomas tão diferentes, a paralisia cerebral é dividida entre quatro principais tipos, que são classificados de acordo com a característica clínica dominante no paciente — o que também tem relação com sua causa. São elas: Paralisia cerebral espástica Tipo mais comum de paralisia infantil, a espástica responde por cerca de 70% dos casos e se caracteriza justamente pelo aumento do tônus muscular (rigidez) que causa a dificuldade de realizar movimentos. As lesões responsáveis por esse grupo de sintomas acontecem na parte do sistema nervoso que controla os movimentos transmitindo sinais aos músculos (sistema piramidal). Os pacientes podem ter diferentes partes do corpo afetadas pela rigidez, sendo que os que possuem tetraplegia espástica têm ambos os braços e pernas comprometidos e representam os casos mais graves, apresentando, também, com frequência, maior deficiência intelectual, dificuldades para se alimentar e convulsões. Crianças que possuem hemiplegia têm apenas o braço ou a perna de um dos lados do corpo afetados, as que possuem diplegia têm as pernas mais comprometidas que os braços e as que possuem paraplegia apresentam rigidez apenas nas pernas. Nesses casos, não são raros os casos de pacientes sem deficiência intelectual e que não apresentem convulsões. Paralisia cerebral atetóide Também conhecida como paralisia cerebral discinética, esse tipo se caracteriza por movimentos involuntários que têm origem no sistema extrapiramidal, parte do sistema nervoso responsável por modular os movimentos do corpo. Essa lesão faz com que haja uma distonia nos músculos do corpo, o que significa que o tônus muscular varia constantemente causando as contrações involuntárias. Com isso, por estarem em movimento o tempo todo, os músculos de pacientes com paralisia cerebral atetóide se desenvolvem mais que o normal, ficando hipertrofiados. Crianças afetadas por esse tipo de paralisia não costumam apresentar deficiência intelectual ou convulsões. Paralisia cerebral atáxica O caso mais raro da doença é causado por lesões neurológicas que atingem mais o cerebelo, órgão essencial para controlar e coordenar as funções motoras do corpo humano, incluindo a manutenção do equilíbrio e a precisão dos movimentos voluntários. Por conta disso, pacientes com paralisia cerebral atáxica apresentam dificuldades de coordenação, falta de equilíbrio, tremores e baixo tônus muscular, o que costuma causar também a abdução exagerada das pernas. Paralisia cerebral mista Como o próprio nome sugere, nesta categoria de paralisia, dois dos três tipos listados se combinam, sendo mais frequente a mescla entre os tipos espástica e atetóide https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/diretrizes_atencao_pessoa_paralisia_cerebral.pdf image1.jpg