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GESTÃO DE CARREIRA AULA 4 Profª Cintya Alessandra Santos 2 CONVERSA INICIAL Seja bem-vindo a nossa aula! Hoje, vamos estudar os seguinte assuntos: • Ciclo de vida e de carreira; • Tipos de carreiras; • Carreira tradicional; • Carreira linear, em Y, em X, em W e proteana; • Diferenças entre as carreiras. Esses cinco temas são interligados e se relacionam. No primeiro tema, abordaremos o ciclo de vida e de carreira, como eles se relacionam e como e quando acontece a escolha de determinada carreira. No segundo, terceiro e quarto tema, traremos os tipos de carreiras, analisando os diversos modelos e as possibilidades de percurso e, por fim, quais as principais diferenças entre esses modelos. O objetivo desta aula é que você conheça os principais conceitos sobre o assunto, os tipos e modelos de carreira e o papel do profissional como protagonista desse processo, para que possa atuar como agente transformador em sua carreira. CONTEXTUALIZANDO Vamos analisar alguns modelos, o que é e qual a importância de se construir uma carreira. Antes de iniciarmos os temas, reflita sobre alguns pontos sobre o assunto: • Existe um tempo médio de duração de uma carreira? Esse tempo pode beneficiar o profissional ou definir sua remuneração? • Há alguma relação entre carreira e melhoria da remuneração? • Será que existe uma relação entre carreira e crescimento profissional? TEMA 1 – CICLO DE VIDA E DE CARREIRA Como é feita a escolha por determinada carreira? Essa escolha nem sempre se dá no momento de ingresso na vida profissional, a não ser que tenha sido feita uma orientação quanto à carreira que deseja seguir. Uma pessoa só 3 poderá ter a certeza de que fez a melhor escolha após estar atuando nessa carreira, encontrando nela uma perspectiva de crescimento, desde seu início, no momento do ingresso, até a sua finalização, com a aposentadoria (De Cenzo; Robbins, 2001). Podemos considerar a carreira em estágios, possibilitando, assim, a análise e a avaliação de cada um dos estágios. Ao compararmos com o desenvolvimento dos seres humanos, que possui ciclos bem definidos como a infância, a adolescência e a fase adulta, esses ciclos são chamados Ciclos da Vida. A carreira também possui esses ciclos definidos por estágios, que são desenvolvidos ao longo da vida profissional do indivíduo. A seguir, veremos um pouco mais sobre os ciclos da vida e os ciclos de carreira. 1.1 Ciclos de vida Nos ciclos de vida, temos os estágios de desenvolvimento humano, desde a infância, passando pela adolescência e chegando à fase adulta. Sabemos que o desenvolvimento se dá desde os anos iniciais e perdura durante toda a vida, o que chamamos de ciclo de vida. Cada ciclo possui suas características, um não sobrepondo ou se tornando mais importante que o anterior. De acordo com Papalia e Feldman, “o conceito de períodos de desenvolvimento é uma construção social”. O ciclo de vida é dividido em oito períodos: pré-natal, primeira infância, segunda infância, terceira infância, adolescência, início da vida adulta, vida adulta intermediária e vida adulta tardia, como veremos no quadro a seguir. Quadro 1 – Principais desenvolvimentos típicos em oito períodos de desenvolvimento humano Faixa etária Desenvolvimento cognitivo Desenvolvimento psicossocial Período pré-natal (da concepção ao nascimento) Desenvolvem-se as capacidades de aprender e lembrar, bem como as de responder aos estímulos sensoriais. O feto responde à voz da mãe e desenvolve a preferência por ela. Primeira infância (do nascimento aos 3 anos) Capacidade de aprender e lembrar. Uso de símbolos e a capacidade de resolver problemas se desenvolvem. Compreensão e o uso da linguagem se desenvolvem. Formam-se os vínculos afetivos com os pais e outras pessoas. A autoconsciência se desenvolve. Ocorre a passagem da dependência para autonomia. Segunda infância (3 a 6 anos) O pensamento é um tanto egocêntrico. O autoconceito e a compreensão das emoções se tornam complexos. 4 A imaturidade resulta em ideias ilógicas sobre o mundo. Aprimoram-se a memória e a linguagem. A inteligência torna-se mais previsível. Aumentam a independência, a iniciativa e o controle. Desenvolve-se a identidade de gênero. Terceira infância (6 a 11 anos) Diminui o egocentrismo. As crianças começam a pensar com lógica, porém, concretamente. As habilidades de memória e linguagem aumentam. O autoconceito torna-se mais complexo, afetando a autoestima. Adolescência (11 a aproximadamente 20 anos) Desenvolvem-se a capacidade de pensar em termos abstratos e de usar o raciocínio científico. O pensamento imaturo persiste em algumas atitudes e comportamentos. A busca pela identidade, incluindo a sexual, torna-se central. Início da vida adulta (20 a 40 anos) O pensamento e os julgamentos morais tornam-se mais complexos. São feitas escolhas educacionais e vocacionais, às vezes após um período exploratório. Traços e estilos de personalidade tornam-se relativamente estáveis, mas as mudanças na personalidade podem ser influenciadas pelas fases e acontecimentos da vida. Vida adulta Intermediária (40 a 65 anos) As capacidades mentais atingem o auge: a especialização e as habilidades relativas à solução de problemas práticos são acentuadas. Para alguns, o sucesso na carreira e o sucesso financeiro atingem o seu máximo; para outros, poderá ocorrer o esgotamento ou mudança de carreira. O senso de identidade continua a se desenvolver; pode ocorrer uma transição para a meia-idade. A dupla responsabilidade pelo cuidado dos filhos e dos pais idosos pode causar estresse. Vida adulta Tardia (65 anos em diante) A maioria das pessoas está mentalmente alerta. Embora inteligência e memória possam se deteriorar em algumas áreas, a maioria encontra meios de compensação. A aposentadoria pode oferecer novas opções para o aproveitamento do tempo. As pessoas desenvolvem estratégias mais flexíveis para enfrentar perdas pessoais e morte iminentes. A busca de significado para a vida assume uma importância fundamental. Fonte: Elaborado com base em Papalia e Feldman, 2010. Os ciclos de vida que trataremos nos ciclos de carreira são aqueles que compreendem a faixa etária em que os indivíduos se interessam por uma área profissional ou expressam uma vocação e se preparam para iniciar sua carreira, ou seja, a partir do início da vida adulta, após os 20 anos de idade. 5 1.2 Ciclos de carreira Como no ciclo da vida, o ciclo de carreira é marcado pela progressão ao longo dos estágios que a compõem, temos o estágio inicial, momento de busca por uma carreira, os estágios intermediários, em que se constrói e desenvolve a vida profissional e o estágio final, de término da carreira. Esse ciclo pode ser marcado de acordo com a faixa etária do indivíduo, mas devemos considerar o estágio em que determinado indivíduo está na carreira e não a faixa etária, pois nem todos têm a mesma experiência na carreira. Uns começam a trabalhar mais cedo que outros e alguns iniciam suas atividades na vida adulta intermediária, após os 40 anos. Com o aumento da longevidade dos indivíduos, devido ao avanço da tecnologia, da medicina e da melhora na qualidade de vida, as pessoas vivem mais tempo, havendo um deslocamento, com relação à faixa etária, do término da carreira. A aposentadoria tem ocorrido mais tarde e as pessoas usufruem e se empenham em suas carreiras após o ingresso na vida adulta tardia, acima de 65 anos. Saiba mais Caso você queira aprofundar um pouco mais sobre o tema, acesse o link, a seguir, que mostra a pesquisa realizada que a expectativa de vida do brasileiro cresceu consideravelmente ao longo dos últimos anos (IBGE, 2019). Disponível em:noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/26103-expectativa-de-vida-dos- brasileiros-aumenta-para-76-3-anos-em-2018>. Acesso em: 7 jul. 2020. Muitos autores dividem os estágios do ciclo de carreira de forma distinta, como podemos observar a seguir: Schein (1996), divide a carreira em dez fases, com início na infância e término na aposentadoria, não relacionando cada fase a faixa etária do indivíduo, conforme segue: 1. Crescimento, fantasia e exploração. 2. Educação, treinamento. 3. Ingresso no mundo profissional. 4. Treinamento básico, socialização. 5. Admissão como membro. 6 6. Estabilização no emprego, permanência como membro. 7. Crise no meio da carreira, reavaliação. 8. Avanço, recomeço ou estabilização. 9. Desligamento. 10. Aposentadoria. De Cenzo e Robbins (2001) dividem o ciclo de carreira em cinco fases, atreladas à idade, também com início na infância e término na aposentadoria: 1. Exploração (do nascimento aos 25 anos). 2. Consolidação (dos 25 aos 35 anos). 3. Meio de carreira (dos 35 aos 50 anos). 4. Fim de carreira (dos 50 aos 70 anos). 5. Declínio (dos 70 anos em diante). Dutra (2004) nos traz o ciclo de carreira relacionado à idade do indivíduo, mas cita a idade como algo mutável, que pode variar de acordo com a pessoa: 1. Início: é a entrada na carreira, quase sempre é possível estabelecer os requisitos e as condições de acesso à carreira. 2. Crescimento: é possível identificar o início da carreira, mas o processo de crescimento é mais difícil. Algumas empresas são mais estruturadas que outras. 3. Final: raramente os indivíduos e as empresas têm clareza sobre o final da carreira, que se dá na aposentadoria ou saída da empresa. Podemos observar, com base nesses autores e em sua compreensão dos ciclos e características que marcam o desenvolvimento de uma carreira, que o indivíduo desenvolve o conceito a seu respeito formado pela percepção de si mesmo, de suas experiências, valores, competências e objetivos. Ocorre o ajuste da sua inclinação profissional, possibilitado pelo uso da experiência e conhecimento adquirido durante o desenvolvimento da carreira em favor dos interesses pessoais, objetivos e estilo de vida. A duração dos ciclos é muito particular, depende de indivíduo a indivíduo. Atualmente, os ciclos estão cada vez mais curtos, e o profissional precisa reconhecer em que fase de seu ciclo de carreira está, de maneira que ele possa observar evidências que indicam mudança ou evolução neste ciclo. Nem todos 7 os indivíduos alcançam a fase final ou de aposentadoria, são profissionais que vivem na plenitude a sua vida profissional, estando sempre ligados à empresa em que trabalham. Da mesma forma, muitos não alcançam a fase de crescimento, ficam estagnados e não tomam atitudes para se reinventarem e acabam se tornando profissionais desmotivados e menos produtivos. Observamos ainda que o mundo e as carreiras têm mudado constantemente, novas profissões estão surgindo e outras desaparecendo. E como controlar essa situação? Como garantir que a profissão escolhida e o seu ciclo de carreira, terá um crescimento ou no mínimo uma estabilidade? Como um produto, o indivíduo precisa de melhorias e alterações para atender a essas demandas. Embora as pessoas não sejam realmente um produto, precisam se manter competitivas nesse mercado em franca transformação. Para isso, é necessário: • Aplicar conhecimentos e experiências adquiridos. • Estar atento às demandas e tendência do mercado. • Buscar estratégias de atualização na área de atuação. • Manter rede de contatos profissionais. Se o indivíduo observar que há saturação no mercado e desmotivação, é importante que ele busque o desenvolvimento, se aprimore e agregue valor para sua carreira. TEMA 2 – TIPOS DE CARREIRAS Entendidos os ciclos de carreira e sua necessidade de gerenciamento tanto pelo indivíduo quanto pela empresa, de acordo com Dutra (2004), observamos que as carreiras podem “ter vários desenhos e naturezas diferentes”, de acordo com as entregas exigidas pelo mercado e pelas organizações. O autor descreve três categorias de carreiras e características, conforme a seguir: 8 Quadro 2 – Tipos de carreiras Categorias Características Operacionais Carreiras ligadas a atividade fim da organização Exigem habilidade manual Estruturadas Encerram em si mesmas, é importante que a organização defina critérios de mobilidade para outras carreiras ou os ocupantes vão para o mercado de trabalho Profissionais Carreiras ligadas a atividades específicas Exigem formação técnica ou de nível superior, subdividem- se em administrativas ou técnica Gerenciais Carreiras ligadas a atividades de gestão da organização Os ocupantes são oriundos das carreiras operacionais ou profissionais, que ao longo do seu processo de crescimento demostraram vocação e competência para a carreira gerencial Fonte: Elaborado com base em Dutra, 2004. Você pode estar se perguntando: “se eu migrar ou mudar de carreira, o que ocorre?”. Esse é um processo complexo, tanto para a organização quanto para o indivíduo, porque as carreiras possuem naturezas distintas. A mobilidade entre as carreiras requer que a organização tenha uma gestão estruturada. Vamos analisar as movimentações na mesma carreira e entre carreiras dentro de uma organização. Dutra (2004) nos traz as carreiras gerenciais, profissionais e profissionais. 9 Figura 1 – Movimentações na mesma carreira e entre carreiras Fonte: Dutra, 2004. Vamos ao exemplo de uma organização que possui: • Cinco níveis de gestão: cargos de supervisor, coordenador, gerente, diretor e presidente. • Seis níveis administrativos: cargos de auxiliar, assistente, analista I, analista II, analista III e consultor. • Seis níveis técnicos. • Quatro níveis operacionais. As movimentações podem ser feitas na mesma carreira, representadas pelas colunas, ocorrendo quando o colaborador é promovido de supervisor para coordenador dentro da carreira gerencial, neste caso, continuando na mesma carreira. Outro tipo de movimentação é entre carreiras. É feita em níveis próximos, tendendo a um menor grau de complexidade e encontrando mais facilidade de adaptação. Há também um desnível entre as carreiras, como nos mostra a figura. Esse desnível representa que as faixas salariais são diferentes, por exemplo, na carreira gerencial: o G1 tem o salário maior que os cargos da carreira A3, T2 e O4. Gerencial Técnico Administrativo Operacional G5 G4 G3 A6 G2 A5 G1 A4 A3 A2 O3 O4 T2 T4 T6 T5 T3 T1 A1 O1 O2 10 É necessário levar em conta que as movimentações para as carreiras gerenciais são mais complexas, pois ocorre a mudança da natureza da atividade exercida. Por isso, temos a frase popular “perdemos um bom técnico e ganhamos um péssimo gestor”. A carreira representa o avanço gradual de um indivíduo dentro da organização, representa a sequência de cargos ocupados ao longo de sua trajetória profissional e a sequência de experiências que adquire. Encontramos diversas formas para denominar os tipos de carreiras. Com base em outros autores, temos a identificação em quatro tipos: • Burocrática: baseada na divisão do trabalho, tem a hierarquia bem definida e com as regras de acesso bem delimitadas. Esse tipo de carreira é encontrado em organizações com gestão e estrutura mais rígidas. • Profissional: atuação do indivíduo em cargos de sua área de formação acadêmica. Exemplo: médicos, advogados, contadores etc. • Empreendedora: atuação do indivíduo requer criatividade e inovação para desenvolver novos produtos ou serviços. • Sociopolítica: atuação dos indivíduos que seguem carreira política ou buscam carreira em atividades sociais em organizações não governamentais.Quando uma organização faz a escolha por implantar um tipo de carreira, as diferenças entre elas precisam ser analisadas, possibilitando que os colaboradores tenham a oportunidade de crescimento de acordo com o seu perfil e competência. Atualmente, as organizações têm trabalhado com alguns tipos de carreira, por exemplo: a tradicional, a carreira linear, carreira em Y, em X, em W, e a proteana. Vamos analisar cada uma delas nos temas a seguir. TEMA 3 – CARREIRA TRADICIONAL O conceito de carreira tradicional está baseado no modo como a sociedade se organizou com a Revolução Industrial. O empregado desempenha um trabalho e em troca a organização a recompensa, com estabilidade e segurança. Esse tipo de carreira predominou até os anos de 1980. Uma pessoa trabalhava para uma única empresa até a sua aposentadoria. Eram valorizadas 11 pelas empresas a senioridade e a maturidade dos funcionários. Essas carreiras eram ligadas a grandes empresas, pois presumiam um ambiente estável, interdependência entre a empresa e o empregado, a aprendizagem e a transferência de conhecimento se davam dentro da empresa. Entre as atitudes dos profissionais que seguiam esse tipo de carreira, podemos citar: • O profissional planejava se manter na empresa durante toda a vida, as mudanças causavam apreensão e desconforto. • O desenvolvimento profissional se dava de acordo com os interesses da empresa; a carreira mudava para atender às demandas da empresa. • Havia um desejo de ascensão hierárquica, pois era símbolo de poder e status. A carreira tradicional é marcada pela escolha profissional logo quando se ingressa na vida profissional, uma área ou atividade, e se elabora todo um planejamento para ascender nessa carreira. O declínio da carreira tradicional nas últimas décadas foi acompanhado pelo surgimento de novas perspectivas de carreira. Vamos falar sobre elas nos próximos temas. TEMA 4 – CARREIRA LINEAR, EM Y, EM X, EM W E PROTEANA As empresas atualmente trabalham com alguns tipos de carreira. Como exemplos, temos a carreira linear, a carreira em Y, a carreira em X, a carreira em W e a carreira proteana. Vamos apresentar cada uma delas a seguir. 4.1 Carreira linear ou em linha Uma carreira linear ou em linha é também chamada de carreira vertical, em que a promoção dos cargos se dá hierarquicamente acima do cargo ocupado. Esse tipo de formato de carreira tem como objetivo o desenvolvimento das pessoas, sendo direcionadas para a gestão de carreiras, o que implica em mudança de responsabilidades e a recompensa com um salário superior ao atual. 12 Figura 2 – Carreira linear A figura traz como exemplo um analista de informática para demonstrar a carreira linear, na qual um profissional inicia em uma carreira e seu crescimento ocorre na mesma área de atuação. Chiavenato (2009), refere-se ao encarreiramento por meio de aquisições de diferentes experiências, habilidades e competências que enriquecem os aspectos profissionais do colaborador. Esse tipo de carreira prioriza os cargos de gestão, mais do que os cargos técnicos e de especialização. Ela é inflexível, pois, ao promover o profissional a um cargo de gestão, os aspectos técnicos, financeiros e legais o impedem o retorno ao seu cargo anterior em caso de necessidade. Crédito: LeoWolfert/Shutterstock. Um ponto negativo da carreira linear é a não possibilidade de crescimento de profissionais sem competências de gestão. Um exemplo é a promoção de um ótimo profissional de perfil técnico para uma função gerencial que não tem 13 afinidade com essa nova função, mas acaba aceitando por questões salariais. O resultado pode ser desastroso tanto para a empresa, quanto para o profissional, que passa de um excelente técnico para um gestor medíocre. Esse modelo de carreira depende do surgimento de novas vagas na empresa, por isso as possibilidades desse tipo são sempre em menor número dentro das empresas. 4.2 Carreira em Y A carreira em Y é assim chamada, pois lembra o formato da letra Y. Para Chiavenato (2009), esse tipo de carreira possibilita uma promoção que permite subir na estrutura hierárquica da empresa, bem como assumir outras posições de nível hierárquico. A figura explica de maneira gráfica como ocorre. Nessa carreira, em determinado momento, o profissional tem que tomar uma decisão: se quer permanecer na carreira técnica ou mudar para a carreira gerencial, não havendo a possibilidade de retorno para a carreira anterior. Figura 3 – Carreira em Y A carreira em Y apresenta pressupostos de mudança e ascensão, pois, de um lado, o profissional tem aspirações a cargos hierárquicos em que pode continuar ascendendo em sua carreira a funções de gestão; e, de outro lado, o profissional pretende se especializar ascendendo profissionalmente em cargos 14 na sua área de atuação. Esse tipo de carreira é um exemplo de como os profissionais podem ser reconhecidos por sua competência no sentido de que as empresas oferecem a possibilidade de crescimento até o mais alto nível da sua hierarquia organizacional. 4.3 Carreira em X A carreira em X tem como objetivo proporcionar o crescimento profissional tanto para aqueles que desejam uma carreira técnica quanto para aqueles que buscam um desenvolvimento em carreiras de gestão. Figura 4 – Carreira em X Na figura, observamos como ocorre a carreira em X. As áreas foram distribuídas em estratégica, tática e operacional, os níveis de carreira, em gestão e técnica. Esse modelo traz uma carreira flexível, o profissional pode mudar de uma carreira para a outra. A empresa que atua com esse tipo de carreira dá oportunidade aos seus colaboradores de crescer dentro da própria carreira, dentro do seu perfil e também dentro das necessidades da empresa. 15 4.4 Carreira em W Na carreira em W, há a possibilidade de um profissional seguir três caminhos no seu crescimento profissional: administrativo, técnico e o gerencial. Crédito: Ozz Design/Shutterstock. Esse modelo de carreira foi idealizado por Roberto Pierre Rigaud, com o objetivo de promover a flexibilidade entre os cargos nas empresas. O profissional tem a oportunidade de maneira dinâmica e versátil de atuar, por exemplo, no cargo de líder-técnico. Ao mesmo tempo, ocupa um cargo de gestão na liderança de pessoas, mas também tem a oportunidade de desenvolver suas competências técnicas. O Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), em um artigo chamado “3 Dicas para elaborar um plano de carreira em W”, publicado em seu site, em 2018, traz algumas vantagens do Plano de Carreira em W: • Visão sistêmica da carreira. • Aumento da satisfação do colaborador no trabalho. • Colaboradores motivados. • Desenvolvimento de inteligência emocional. • Melhorias nas relações interpessoais. 4.5 Carreira proteana O primeiro autor a utilizar a expressão proteana foi Hall (1976), fazendo uma metáfora ao deus grego Proteus, que mudava sua aparência de acordo com a circunstância. O autor descreve o profissional que é capaz de adaptar o seu conhecimento, habilidades e atitudes ao contexto econômico, social e 16 tecnológico que estava surgindo ao final dos anos de 1980. A pessoa, não a empresa, passa a ter controle de sua carreira. Esse tipo de carreira se popularizou duas décadas depois, conforme Sullivan e Baruch (2009), com um novo trabalho de Hall (citado por Sullivan; Baruch, 2009) em que é “um profissional flexível, que valoriza a liberdade, acredita em aprendizado constante e procura recompensas intrínsecas ao trabalho. O que está em jogo agora é o sucesso psicológico em oposição ao sucesso definido por valores externos”. Hall (2002) traz duas variáveis que são características da carreira proteana: • Autogestão da carreira: o profissional assume o controle do seu destino profissional e cria suas própriasoportunidades de desenvolvimento. • Carreira orientada por valores: o profissional prioriza os próprios valores ao estabelecer prioridades e objetivos e quando o sucesso é definido a partir de critérios próprios, não da empresa e do mercado. “As atitudes proteanas estão positivamente correlacionadas com personalidade proativa, autenticidade na carreira, abertura a experiências e orientação a objetivos” (Briscoe et al., 2006). Como decorrência dessas variáveis, um profissional nesse tipo de carreira pode ter atitudes como mudança frequente, intensa renovação de competências e autonomia nas suas decisões de carreira. TEMA 5 – DIFERENÇAS ENTRE CARREIRAS Nenhum dos tipos de carreira é considerado melhor que outro, ao optar por um tipo, a empresa deve levar em conta suas demandas e estratégias organizacionais. A escolha por um dos tipos dependerá do porte da empresa, seu grau de maturidade e de seus objetivos. As carreiras em X e em W são as mais atuais, mas requerem da empresa um plano de cargos, carreiras e salários estruturados. Contudo, uma empresa pode iniciar seu plano de carreiras com uma destas. Se a empresa é mais rígida, ou seja, mais conservadora, pode iniciar com uma a carreira linear ou com a carreira em Y (Dutra, 1996). A diferença com maior representatividade que podemos citar é entre a carreira Y e W, pois na carreira em Y o profissional inicia sua carreira nos cargos 17 dos níveis inicias partir de determinado momento da sua vida profissional, precisa decidir para que área deseja direcionar sua carreira, se para liderança e gestão ou consultoria e especialização, exigindo do profissional um direcionamento linear para determinada área dentro da organização, a fim de direcionar suas experiências e estudos, ao contrário da carreira em W. Esta última permite maior flexibilidade e competências especificas para que o profissional percorra entre as áreas de gestão, especialista e administrativa ao longo de sua trajetória, dentro da organização. Já na carreira em X o profissional pode percorrer pelas áreas operacionais, técnicas e de gestão, porém, para continuidade de crescimento, chegará dado momento em que precisará escolher se permanecerá na área de gestão ou se irá atuar como especialista (Hall, 2002, IBC, 2018). Diferente de todas as outras, a carreira proteana está voltada a atender às expectativas profissionais do indivíduo e não necessariamente das organizações. No entanto, esse profissional se adaptará melhor nas empresas que oferecem oportunidades de desenvolvimento, crescimento pessoal e profissional que estejam condizentes com os seus (Hall, 2002). Crédito: Who is Danny/Shutterstock. 18 TROCANDO IDEIAS Agora, troque uma ideia com seus colegas no fórum de seu ambiente virtual. • A gestão de carreiras é papel do indivíduo ou da organização? Justifique sua resposta. • Qual tipo de carreira a empresa em que você trabalha possui? • Você sabe qual trajetória profissional deseja traçar? NA PRÁTICA Tendo como referência o modelo de Plano de Cargos, Carreiras, Salários e Benefícios adotado pelo Instituto Santos Dumont, elaborado em 2017, você deverá elaborar um esboço do plano de carreira para aplicação em uma empresa fictícia. Disponível em: . Acesso em: 7 jul. 2020. Uma empresa do ramo comercial que atua com venda de eletrodomésticos possui duas lojas físicas, mas seu maior volume de vendas é por meio do seu site. Possui 600 funcionários. Há três anos, seus dirigentes estão percebendo quedas nas vendas. Após realização de uma pesquisa, identificaram alguns problemas, como entrega demorada, produtos defeituosos, mau atendimento dos funcionários, a empresa não conhece as necessidades de seus clientes e os gerentes não acompanham os trabalhos e são autoritários com a equipe. Em função desse cenário, é solicitado ao profissional da área de desenvolvimento humano que elabore um projeto para implantação do plano de carreira. Neste momento, elabore o projeto para o gerente de RH contendo: 1. Importância de um plano de carreira. 2. Qual tipo de carreira sugere que a empresa implante. 3. Descrição de dois tipos de alteração funcional: vertical e horizontal. 4. Critérios para a promoção. 19 FINALIZANDO Nesta aula, abordamos diferentes temáticas em torno dos aspectos da carreira. Analisamos o ciclo de vida e o ciclo de carreira, conhecemos os tipos de carreira e vimos sobre a carreira tradicional, linear, em Y, em X, em W e a proteana. O ciclo de vida da carreira tem três momentos distintos: o início, o crescimento e o fim. O início é marcado pelo ingresso na carreira e o crescimento, pelas possibilidades ao longo da carreira. Dificilmente as empresas ou os profissionais tem clareza sobre o final da carreira. É importante tanto para as empresas quanto para os profissionais o desenvolvimento de projetos que possibilitem a preparação para esta finalização, seja ela dentro ou fora da empresa. Voltemos à pergunta inicial: será que existe um tempo de carreira que pode beneficiar ou definir a remuneração de um profissional? O que você discutiu sobre esse assunto? É difícil chegar a uma conclusão única, o que podemos ter certeza é que não podemos perder a oportunidade de se desenvolver, mas, por outro lado, nunca é tarde para iniciar uma nova carreira, caso esta represente seu objetivo profissional. Esta aula não teve a pretensão de esgotar o assunto sobre carreiras, na medida em que o tema está em constante transformação e muitos autores podem trazer novas construções. Demostramos os principais pontos de referência para que você aprofunde o conteúdo e possa aplicar os conhecimentos na sua vida profissional e pessoal. 20 REFERÊNCIAS AGÊNCIA IBGE Notícias. Disponível em: . Acesso em: 7 jul. 2020. BRISCOE, J. P; HALL, D. T. The interplay of boundaryless career and protean careers: Combinations and Implications. Journaul of Vocational Behavior, v. 69, pp. 4-18, 2006. CHIAVENATO, I. Remuneração, benefícios e relações de trabalho: como reter talentos na organização. Baureri: Manole, 2009. DE CENZO, D. A., ROBBINS, S. P. Administração de recursos humanos. Tradução de Alfredo Barcellos Pinheiro de Lemos. 6. ed. Rio de Janeiro: LTC Editora, 2001. DUTRA, J. S. Administração de carreiras: uma proposta para repensar a gestão de carreiras. São Paulo: Atlas, 1996. _____. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. HALL, D. T. Careers in and out of organizations. London: Sage, 2002. PAPALIA, D. E., FELDMAN, R. D., MARTORELL, G. Desenvolvimento humano. Tradução de Cristina Monteiro / Mauro de Campos Silva. 12. ed. Porto Alegre: AMGH Editora, 2013. PORTAL IBC. 3 dicas de como elaborar um plano de carreira em W. Disponível em: . Acesso em: 7 jul. 2020. SCHEIN, E. H. Identidade profissional: como ajustar suas inclinações a suas opções de trabalho. São Paulo: Nobel, 1996. SULLIVAN, S. E.; BARUCH, Y. 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