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Doença Hemolítica Perinatal (Eritroblastose Fetal) Incompatibilidade sanguínea materno-fetal + Anticorpos maternos anti-Rh que atacam as células sanguíneas do feto. ● A incompatibilidade Rh é responsáel por 80-90% dos casos de Doença Hemolítica Perinatal clinicamente detectável. ● Epidemiologia: mortalidade por essa doença vem diminuindo em função da melhora na assistência neonatal aos RN afetados, assim como o declínio na incidência da doença (por exposição reduzida ao sangue Rh-D+ e pela sensibilização reduzida na presença de hemorragia com uso de imunoglobulina). Fisiopatologia: Hemorragia materno-fetal que ocorre durante o parto (rompimento da placenta e dos vasos) com passagem placentária de hemácias fetais para a circulação materna (sensibilização da mãe), as quais são reconhecidas como “estranhas”/antígenos e, por conseqüência disso, a mãe produz anticorpos anti-Rh contra elas. 1ª GESTAÇÃO: O RN não vai apresentar a doença, pois é a primeira exposição ao “antígeno fetal” e nesse momento, o sistema imune da mãe produz apenas IgMs, as quais não passam pela barreira placentária e não afetam o feto. 2ª GESTAÇÃO: Aí que mora o perigo. O novo RN pode apresentar a doença em uma segunda exposição, pois o sistema imune materno estará produzindo agora IgGs rápida e intensamente contra os antígenos fetais e esse tipo de imunoglobulina atravessa a barreira placentária, seja durante a gestação, seja durante o parto, o que promove a destruição das hemácias fetais (aloimunização eritrocitária). Determina a manifestação da doença hemolítica perinatal. A mãe sendo Rh – produz anticorpos para as hemácias fetais, pois são diferentes das dela, logo, o organismo entende como “estranho” o Rh +, o que leva à destruição das hemácias fetais (aloimunização contra o antígeno = produção de anticorpos ANTI-D). Paralelamente à hemólise, ocorre aumento de bilirrubina livre fetal, a qual passa pelo líquido amniótico até a placenta e é metabolizada pela mãe. No fígado fetal, as células eritropoiéticas aumentam e morrem, o que ocasiona oclusão dos canalículos hepáticos e do sistema enzimático do fígado Insuficiência hepática (forma grave da doença). ● Hepatoesplenomegalia, hipoproteinemia, hipoalbuminemia, derrame pleural e pericárdico, insuficiência cardíaca, alteração na função e circulação placentária e óbito intraútero. Exposição materna ao sangue fetal: I) Espontânea: momento do parto, descolamento prematuro de placenta, abortamento espontâneo, morte fetal intraútero, gestação ectópica, mola hidatiforme. II) Traumática: amniocentese, biópsia de vilosidades coriônicas, cordocentese, abortamento provocado, transfusão sanguínea intrauterina, versão externa, manipulação obstétrica, trauma abdominal. MANIFESTAÇÕES: Manifestações menos graves: icterícia, hepatoesplenomegalia, aumento da concentração de eritroblastos e de bilirrubina indireta no sangue. Manifestação mais grave: HIDROPSIA FETAL – hemólise que prova hipóxia fetal, insuficiência cardíaca, edema generalizado, problemas respiratórios até o óbito antes de 20 semanas de gestação. DIAGNÓSTICO: História clínica compatível, confirmação laboratorial e sinais evidentes de hemólise. Diagnóstico laboratorial precoce: 1ª consulta pré-natal. ● Tipagem sanguínea (ABO/Rh) + pesquisa de anticorpos irregulares (Coombs indireto)¹ ¹ Coombs direto ou indireto: teste de antiglobulina direto ou indireto Realizado em gestantes Rh negativas com objetivo de detectar a presença de anticorpos livres no plasma/soro da pacientes. Tipagem com Rh POSITIVO Tudo ok! Tipagem com Rh NEGATIVO Solicitar Coombs INDIRETO. ● Se positivo: Mãe produzindo anticorpos contra o filho (CONDUTAS ESPECÍFICAS). ● Se negativo: Dosar quantitativamente o Coombs 1x por mês Com 28ª, 32ª e 36ª. QUANDO O RN NASCEU Realizar tipagem sanguínea. ● Se RN com Rh+: Fazer imunoglobulina na puérpera – 300 microgramas até 72h pós parto + Observar o RN. Diagnóstico tardio: ● Ultrassonografia (aumento da circunferência abdominal por hepatoesplenomegalia fetal, edema) ● Dopplervelocimetria (determina a hemoglobinemia) ● Cordocentese (determinação direta da Hb fetal e do hematócrito para definição de prognóstico + escolha do tto imediato) - exame de diagnóstico genético pré-natal, feito após a 20° semana de gestação. Consiste na coleta de sangue do feto através da punção do cordão umbilical. A técnica possibilita a identificação de alguma alteração cromossômica fetal e a determinação direta da hemoglobina fetal e do hematócrito, a fim de permitir o tratamento imediato. Apesar de determinar o fenótipo RhD fetal, não é considerado o melhor método devido aos incômodos inerentes os procedimentos invasivos realizados. TRATAMENTO Tratamento primário: I) A administração da Imunoglobulina anti-D é eficaz na prevenção da aloimunização de uma mulher Rh negativo. ● 300 microgramas de IgG anti-D (sucesso até 72h após o parto). Suficiente para neutralizar hemácias contidas em 30 mL d e sangue fetal. II) Transfusão intrauterina. Realizada apenas em casos graves, como na ocorrência de hidropsia fetal, alteração na Artéria cerebral media fetal, diminuição dos níveis de hemoglobina (abaixo de 10g/dL) e do hematócrito (abaixo de 30%) como forma de prevenir a morte intrauterina. Tratamento secundário: após o RN já ter nascido. I) Fototerapia É uma das formas de tratamento realizada no pós-parto, quando há indícios de icterícia. Esse método tem como finalidade expor o recém-nascido à luz ultravioleta para alterar a molécula de bilirrubina indireta, convertendo-a em formas hidrossolúveis para que sua excreção pelos rins ou pelo fígado não sofra alterações. (CARVALHO, 2012; AMARO, 2016). Maximiano e Barone, (2014) apontam ainda que a função principal da fototerapia em recém-nascidos é prevenir a anemia e hiperbilirrubenemia, causadas por hemólise ou não. II) Exsanguíneotransfusão Substituição do sangue do recém-nascido por sangue compatível ao de um doador, para retirar as hemácias fetais sensibilizadas e os anticorpos maternos da circulação, visando corrigir a anemia fetal,pela diminuição dos níveis de bilirrubina e hemólise. Ela é utilizada também para prevenir efeitos neurológicos, sepse, intoxicações exógenas e principalmente quando as terapias anteriores não apresentam resultados satisfatórios. ANAMNESE DAS GESTAÇÕES É necessário ter uma datação precisa da gestação em curso e, se possível, a tipagem sanguínea do pai. Se o pai for Rh-D-negativo, o feto não poderá ser afetado, pois com certeza será também Rh-D-negativo. Sabendo que a mãe é sensibilizada: acompanhar gestações sucessivas – o feto se for Rh-D-positivo e não for tratado é de 90%. RN RH-D-POSITIVO Pelo menos 75% das hemorragias fetoplacentárias ocorrem durante o parto, mas até 10% ocorrem antes de 28 semanas de gestação. Deve-se, portanto, administrar a IgG anti-D após abortamento espontâneo (2% de chance de aloimunização), após abortamentos provocados (5% de chance de aloimunização) e após todas as intervenções obstétricas. ● Mesmo com essa abordagem (IgG anti-D no pós-parto e após procedimento), há ainda uma chance de 1,8% de as mães serem sensibilizadas durante a gestação. ● Sensibilização precoce: 300 microgramas de IgG anti-D na 28ª semana de gestação. ● O teste de Coombs indireto torna-se positivo após a administração da imunoglobulina na gestação e só deve ser repetido com 35 semanas de gestação, quando um título de até ¼ deve ser considerado normal. INVESTIGAÇÃO DO FETO SOB RISCO O feto sob risco necessita de acompanhamento cuidadoso em unidade obstétrica de alto risco ou unidade de medicina fetal Investigação com: - Espectofotometria do líquido amniótico: o líquido amniótico da câmara âmnica de um feto acometido pela doença hemolítica é amarelado à presença de bilirrubina (hemólise). Medida indireta do grau de hemólise fetal. Técnica: coleta de líquido amniótico por amniocentese Enviado para análise protegido da luz Interpretação: Curva de Liley – gráfico em 3 zonas. - Ultrassonografia: Permite diagnosticar hidropsiafetal (anasarca) e avaliar a gravidade – se for positiva, o feto estará sempre gravemente anêmico, com Hb 90% com a transfusão intrauterina. INTERRUPÇÃO DA GESTAÇÃO: Situação fetal não tranqüilizadora 35 SEMANAS ● SOFRIMENTO FETAL AGUDO (HIPOXEMIA) ● HIDROPSIA INDEPENDENTE DA IDADE FETAL ALOIMUNIZAÇÃO PELO SISTEMA ABO A doença hemolítica causada pela incompatibilidade AB0 é bem menos grave do que a causada pela incompatibilidade RH-. Está presente em cerca de 20-25% das gestações, porém é clinicamente detectável em 10% desses casos. ALOIMUNIZAÇÃO POR ANTICORPOS IRREGULARES Corresponde a 2% dos casos de doença hemolítica pré-natal – os antígenos provocam resposta imunológica com a produção de anticorpos que são capazes de cruzar a placenta e produzir hemólise no feto. Todas as gestantes devem ser testadas para a presença de anticorpos contra os antígenos irregulares na PRIMEIRA CONSULTA PRÉ-NATAL; o maior risco será para as mulheres que já receberam transfusão sanguínea (potencialmente sensibilizadas), pois elas têm mais chance de produzir resposta imune com consequente acometimento do feto.