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Hunt - Malthus

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, 1111I1I11I1h-natural",noqualo Governosótivessetrêsdeveresea"mãoinvisível"diri-
",'" IlIdos os atosegoístase gananciososparaum todo harmoniusoe mutuamentebe-'11111
II'vllndo.seem contaestasdificuldadese as inúmerasan.ílisesprofundase esclarece-
IIH dI' ;/ RiquezadasNações,nãoé de admirarquea innu~nciainlelectualde Smith
I',111SI'"percebidaem duastradiçõesrivaisdo pensamentoeconumicodosséculosXIX
\ X, umadelasenfatizandoa teoriado valor-trabalhoe o conflito,declassese aoutra
/.!lI/,andoa teoriado valor-utilidade,aharmoniasocialea "m:ioinvisível".
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THOMAS ROBERT MALTHUS
ThomasRobertMalthus(1766-1834)erafilhodeumafammainglesadeposses.Foi
educadona UniversidadedeCambridgee,em1805,foi nomeadoparao corpodocente
dafaculdadedaCompanhiadas!ndiasOrientais,emHarleybury.Ocupouaprimeiracáte-
drainglesadeEconomiaPolítÜ:a,ondepennaneceuatésuamorte,em1834.
. Malthusviveunumaépocatumultuada,deintensosconflitosdeclasses,esuasobras
rcnetemsuaposiçãocomrelaçãoaessesconflitos.Haviadoisconflitosprincipais.Discu-
tiremoscadaum delesseparadamente.Primeiro,a RevoluçãoIndustrialsófoi possível
comimensossacrifíciosegrandesofrimentodaclasseoperáriaemgeral.Ostrabalhadores
ncmsempreaceitavamhumildementeestessacrifíciose,conseqüentemente,sofriamnão
socomasangústiassociaiseeconômicas,comotambémcomaopressãolegislativaepolí.
IIca..Emsegundolugar,emfmsdoséculoXVIII e iníciodoséculoXIX, a antigaclasse
proprietáriadeterrasaindatinhao controleefetivodoParlamentoinglêsetravou-seúm
Intensoconflitoentreestaclassee a novaclassecapitalistaindustrial.Esteconflitofoi.
IravadocomvistasaocontroledoParlamento,masa razãoúltimaeradecidirsea Ingla-
terradeveriacontinuarcomumaeconomiaagrícolarelativamenteauto-suficienteou
Il'IJnsfonnar-senumailhadedicadabasicamenteàproduçãoindustrial..
CONFLITOSDE CLASSESNOTEMPODEMALTHUS
A RevoluçãoIndustrialtrouxeaumentosdaprodutividadehumanasemprecedentes
1111História.A construçãogeneralizadadefábricasconstituiuabasemecânicadesseau-
mClnlo.Mas,paracanalizara capacidadeprodutivadaeconomiaparaacriaçãodebensde
'1II'Ital,eraprecisodestinarumaparterelativamentemuitomenordestacapacidadeàfa-
hlllllçãodebensdeconsumo.Osbensdecapitaltinhamquesercompradosa umcusto
11111'1111que implicavaprivaçõesemmassa.Emboraasmudançastecnológicastenham
flll/lll'ntadoaprodutividade,diminuindo,comisso,umpoucoestecustosocial,seusefei-
1mnaoforam,demodoalgum,suficientesemrelaçãoaovolumecrescentedecapitalque
I,.IIIVIIsendoacumulado.
llistoricamente,emtodososcas easociedadefoiobriadaasu órtarumní-
\!W..c merasu slstênciaparaalgunsdeseusmembros,.Q.S~r.rifíciossempreforamfeitos
pliliu. e tinhammenospodereconômicoepolítico.'OmesmoaconteceucomaKevolU-
\ nll Industrial,na ng erra. casseoperriaVIviapertodoníveldesubsistência,em
1150,e seupadrãodevida(medidoemtermosdopoderaquisitivodossalários)deterio-
11111'\('nasegundametadedoséculoXVIII. Estatendênciadospadrõesdevidadaclasse
IlpnllrlllnasprimeirasdécadasdoséculoXIX éumtemacontrovertidoentreoshistoria-
.IIIII'S.O fatodemuitosestudiososeminentesencontraremevidênciabastanteparaargu-
IIIC'IIIII:queo padrãodevidadeixoudeaumentarouatémesmobaixounoslevaàconclu-
110dt,quequalqueraumento,naquelaépoca,devetersido,quandomuito,diminuto.
PmtodaaépocadaRevoluçãoIndustrial,nãohádúvidadeaueopadrãodevidados
1"llut'l'W sensivelmenteemrelaçãQ.aospadrõesdasclassesmédiaesuperior.Umaan
II~Idl'llIlhadamostraque .'. -
111
o, ".llIllvllll1cnlepobresficarammaispobressimplesmenteporqueo paíse suaclassericae média
111'1111111I,obviamente,maisricos.Noexatomomentoemqueospobresestavamnaspioresconlli-
\'0'" IHI~~lveis...a classemédiaestavacomsobradecapital,queinvestiaquasequeintegralmente
,'nl \',ll'óIdasde ferroe gastavaemmolibiárioe artigosdomésticosapresentadosnaGrandeMostra
\1\'11151eemconstruçõesopulentasnascidades...nasescurascidadesdonorte.'
"NI[o podehaverdúvidaquantoàclassequearcavacomoscustossociais,emtermos
doconsumosacrificadonecessárioparaaindustrialização..
Noentanto,oscustos,emtermosdemenorconsumo,nãoeram,demodoalgum,a
únicae talveznemapiordificuldadequeaRevoluçãoIndustrialobrigouaclasseoperá-
riaasuportar.O novosistema,fabrildestruiucompletamenteomododevidatradicional
dostrabalhadores,lançando-osnummundodepesadelosparao qualestavamcompleta-
mentedesprepara~os.Elesperderamo orgulhodahabilidadepessoalnotrabalhoeapro-
ximidadedasrelaçõespessoaisqueexistianasindústriasartesanais.Pelonovosistema,sua
únicarelaçãocomseuempregadoreraatravésdomercadoimpessoal,ouoelododinhei-
ro.,Elesperderamo acessodiretoaosmeiosdeprodução,tendosidoreduzidosameros
vendedoresdeforçadetrabalho,totalmentedependentesdascondiçõesdemercadQpara
suasobrevivência..
Talvezpiordoquequalquerdestasdificuldadesfossearegularidademonótonaeme-
cânicaimpostaao operáriopelosistemafabril.NaEuropapré-industrial,astarefasdo
operárionãoeramtãoespecializadas.Elepassavadeumatarefaparaoutra,eseutrabalho
erainterrompidopelavariaçãodasestaçõesdoanoou dotempo.Quandoqueriadescan-
sar,divertir-seoumudaro ritmodesuarotinadetrabalho,tinhacertaliberdadeparafazê-
10.O empregonafábricatrouxeconsigoatiraniadorelógio.A produçãoeramecanizada
eeraprecisoumaregularidadeabsolutaparacoordenaracomplexainteraçãodosproces-
sosemaximizarousodanovaecaramaquinaria.Oritmodetrabalhonãoeramaisde~i-
dopeloindivíduo,maspelamáquina.
A máquina,que,antes,eraumapêndicedohomem,era,agora,ocentrodasatenções
do processodeprodução.O homempassouaserumsimplesapêndicedamáquinafria,
implacávele ditadoradoritmodetrabalho.EmfinsdoséculoXVIII ecomeçodoséculo
XIX, umarevoltaespontâneacontrao novosistemafabrilfezcomquegruposdetraba-
lhadoresdestruíssemmáquinase fábricasque,paraeles,eramresponsáveispelasuamá
situação.Estasrevoltas,chamadasrevoltasdeLuddite,terminaramem 1813,quando
muitostrabalhadoresforamenforcadosoudeportadosporsuasatividades.
OA extensadivisãodo trabalhonafábric.atornougrandepartedo trabalhotãoroti-
nciroquemulheresecriançassemtreinamentoalgumpodiamtrabalhartãobemquanto
oshomens.oComoasmulherese criançaspodiamserempregadascomsaláriosmuitomais
baixosdoqueosdoshomensecomo,emmuitoscasos,famíliasinteirastinhamquetra-
balharparaganharo suficienteparacomer,asmulhereseascriançaserammuitorequisi-
tadas.Muitosdonosdefábricapreferiamasmulhereseascrianças,porqueelaspodiam
scrreuuzidasa umestadodeobediênciapassivamaisfacilmentedoqueoshomens.A
IIOIISIIi\WM, E. J. 1",llIslr)' al/(I Hlllflir,,: 111/l:'col/vlllic ltislor\' vf /lr/III/II ,\'11/,'1'1'10 I undl'c\,
W'!hklll,'ld & Nicolsoll, 1968, P 72, V;ír\:l~Idéiasde Iloh\lwWII1 aplll'l!\'CII1II\'~I,'',1111111111
h.lcologiadifundidanaquelaépoca~ dequeaboamulhereraamulhersubmissa- erade
Ill'Undevaliaparaseusempregadores.
JAs criançaseramligadasàsfábricasporcontratosdeaprendizad~comaduraçãode
jL'teanosou atéatingirem21anosdeidade.;lAscriançasnãorecebiamquasenadaemtro-
(,Udasmuitashorasdetrabalho,naspiorescondiçõespossiveis.:;7Asautoridauesquecon-
Ilolavama Lei daPobrezapodiamcontratarosfilhosdospobres,eistolevavaa"negocia-
ÇL)CShabituais...(emque)ascrianças...eramtratadascomomerasmercadorias...en-
1Il'asmáquinasdefiardeumladoeasautoridadesquecontrolavamaLei daPobrezado
"litro. Gruposdecinqüenta,oitentaou mesmocemcriançaserammandadosparaas fá-
hricascomogado,ondeficavampresasmuitosanos".2
As criançasviviamna maiscruelservidão.Permaneciamtotalmenteisoladasdequem
qllerquepudesseter penadelas,ficando,assim,à mercêdoscapitalistasou deseusgeren-
1\'\contr~tados,cuja principal preocupaçãoera o desafiodas fábricasconcorrentes.A
JLlllladadetrabalhodascriançasduravade14a 18horasou atéelascairemcompletamen-
11'l'xaustas.Oscapatazeserampagosdeacordocomovolumedeproduçãodascriançase,
PUI isso,forçavam-nassempiedade.Em quasetodasas fábricas,ascriançasquasenunca
Ilnhammaisde20minutospordiaparasuaprincipal(emuitasvezesúnica)refeição."Os
IIL~ldcnteserammuito comuns,principalmenteno lim do' intermináveldia de trabalho,
'IIIIIIIUOascrianças,exaustas,quasedormiamduranteo trabalho.Nuncaacabavamos
IIINUSde dedoscortadose membrosesmagadospelasrodas.,,3 As criançaseramdiscipli.
IIIIIIIISde maneiratão brutal e selvagem,queumanarrativadosmétodosempregauos
1'.lIl'ceriainteiramenteinacreditávelparao

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