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NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR AÇÃO POPULAR A ação popular encontra previsão no art. 5, LXXIII, da Constituição Federal. LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor (atenção ao verbo) ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência; A finalidade da ação popular é anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Via de regra, o autor é isento de custas. Trata-se de uma maneira para incentivar o ajuizamento de ação popular. Apenas quando for comprovada a má-fé do autor que ele não ficará isento das custas judiciais e do ônus da sucumbência. A Lei 4.717/1965 disciplinou a ação popular. Possui como legitimado ativo qualquer cidadão e legitimado passivo qualquer pessoa física ou jurídica que esteja vinculada a determinado ato ilegal. Ato nulo Lei 4.717/1965 - Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência. Lei 4.717 admite suspensão liminar do ato impugnado, mas não aponta quais seriam os seus requisitos (art. 5, §4). Importante destacar que o art. 22, por sua vez, remete que o CPC será utilizado subsidiariamente. Vejamos esses dispositivos legais. Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR § 1º Para fins de competência, equiparam-se atos da União, do Distrito Federal, do Estado ou dos Municípios os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de direito público, bem como os atos das sociedades de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades por elas subvencionadas ou em relação às quais tenham interesse patrimonial. § 2º Quando o pleito interessar simultaneamente à União e a qualquer outra pessoas ou entidade, será competente o juiz das causas da União, se houver; quando interessar simultaneamente ao Estado e ao Município, será competente o juiz das causas do Estado, se houver. § 3º A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações, que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. § 4º Na defesa do patrimônio público caberá a suspensão liminar do ato lesivo impugnado. (Incluído pela Lei n. 6.513, de 1977) Art. 22. Aplicam-se à ação popular as regras do Código de Processo Civil, naquilo em que não contrariem os dispositivos desta lei, nem a natureza específica da ação. E quais seriam, então, os requisitos do CPC/2015? É o que dispõe o art. 300 do CPC/2015. Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. § 1 o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente hipossuficiente não puder oferecê-la. § 2º A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação prévia. § 3º A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão. É importante lembrar que na ação popular não há foro por prerrogativa de função. A competência está disciplinada no art. 5º da lei 4.717/1965. Art. 5º Conforme a origem do ato impugnado, é competente para conhecer da ação, processá-la e julgá-la o juiz que, de acordo com a organização judiciária de cada Estado, o for para as causas que interessem à União, ao Distrito Federal, ao Estado ou ao Município. § 1º Para fins de competência, equiparam-se atos da União, do Distrito Federal, do Estado ou dos Municípios os atos das pessoas criadas ou mantidas por essas pessoas jurídicas de direito público, bem como os atos das sociedades de que elas sejam acionistas e os das pessoas ou entidades por elas subvencionadas ou em relação às quais tenham interesse patrimonial. § 2º Quando o pleito interessar simultaneamente à União e a qualquer outra pessoas ou entidade, será competente o juiz das causas da União, se houver; quando interessar simultaneamente ao Estado e ao Município, será competente o juiz das causas do Estado, se houver. § 3º A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações, que forem posteriormente intentadas contra as mesmas partes e sob os mesmos fundamentos. Deve-se ter atenção ao prazo prescricional. A legislação prevê que cabe ação popular no prazo de 5 anos, na forma do art. 21 dessa lei. Art. 21. A ação prevista nesta lei prescreve em 5 (cinco) anos. Dentre os pedidos possíveis, destaca-se a seguinte lista: NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR a) concessão da tutela de urgência (ou liminar) para..., com amparo no art. 5º, § 4º, da Lei n. 4.717/65 e art. 300 do CPC; b) intimação dos réus para audiência de conciliação ou mediação (desde que se trate de direito disponível); c) citação do (s) réu (s) d) a intimação do Ministério Público para acompanhar a presente ação (art. 7º, I, a, da Lei n. 4.717/65); e) procedência do pedido, para os fins de anular o... e reparar... (art. 11 da Lei n. 4.717/65); f) procedência do pedido, para declarar a inconstitucionalidade da norma (quando for o caso); g) juntada da cópia do título de eleitor (comprovação da legitimidade ativa – ser cidadão); h) condenação do (s) réu(s) honorários advocatícios. CASO CONCRETO A sociedade empresária K, concessionária do serviço de manutenção de uma estrada municipal, na qual deveria realizar investimentos sendo remunerada com o valor do pedágio pago pelos usuários do serviço, decidiu ampliar suas instalações de apoio. Após amplos estudos, foi identificado o local que melhor atenderia às suas necessidades. Ato contínuo, os equipamentos foram alugados e foi providenciado o cerco do local com tapumes. De imediato, foi fixada a placa, assinada por engenheiro responsável, indicando a natureza da obra a ser realizada e a data do seu início, o que ocorreria trinta dias depois, prazo necessário para a conclusão dos preparativos. João da Silva, usuário da rodovia e candidato ao cargo de deputado estadual no processo eleitoral que estava em curso, ficou surpreso com a iniciativa da sociedade empresária K, pois era público e notório que o localescolhido era uma área de preservação ambiental permanente do Município Alfa. Considerando esse dado, formulou requerimento, dirigido à concessionária, solicitando que a obra não fosse realizada. A sociedade empresária K indeferiu o requerimento, sob o argumento de que o local escolhido fora aprovado pelo Município, que concedeu a respectiva licença, assinada pelo prefeito Pedro dos Santos, permitindo o início das obras. O local, ademais, era o que traria maiores benefícios aos usuários. João da Silva, irresignado com esse estado de coisas, contratou seus serviços, como advogado(a). Ele afirmou que quer propor uma ação judicial para que seja declarada a nulidade da licença concedida e impedida a iminente realização das obras no local escolhido, que abriga diversas espécies raras da flora e da fauna silvestre. Levando em consideração as informações expostas, elabore a medida judicial adequada, com todos os fundamentos jurídicos que confiram sustentação à pretensão. (Valor: 5,00) Obs.: a peça deve abranger todos os fundamentos de Direito que possam ser utilizados para dar respaldo à pretensão. A simples menção ou transcrição do dispositivo legal não confere pontuação. ESTRUTURA DA PEÇA • 1º endereçamento • 2º qualificação das partes e nome da peça • 3º dos fatos • 4º do direito • 5º tutela de urgência/ evidência (quando for o caso) • 6º dos pedidos • 7º valor da causa • 8º Fechamento da peça (termos em que pede deferimento/local e data/ advogado/ OAB). Trata-se de uma inicial de ação popular. Como perceber se o autor possui legitimidade para o ajuizamento dessa ação? O enunciado menciona que João da Silva é usuário da rodovia e candidato ao cargo de deputado estadual no processo eleitoral que estava em curso. NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR Para se candidatar a cargo eleitoral, o art. 14, §3, da Constituição Federal exige, dentre os requisitos, o pleno exercício dos direitos políticos. Daí é possível constatar que João da Silva é sim um cidadão. Art. 14. § 3º São condições de elegibilidade, na forma da lei: I – a nacionalidade brasileira; II – o pleno exercício dos direitos políticos; III – o alistamento eleitoral; IV – o domicílio eleitoral na circunscrição; V – a filiação partidária; Regulamento VI – a idade mínima de: a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador; b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de paz; d) dezoito anos para Vereador. Endereçamento: (o enunciado não deu detalhes se seria Vara Cível ou Vara de Fazenda Pública. Não há nenhuma informação que remeta a Justiça Federal. Não se enquadra na competência do STF nem do STJ). •Justiça Estadual, Vara Comum: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA CÍVEL DA COMARCA DO MUNICÍPIO ALFA, ESTADO DE... •Justiça Estadual, Vara de Fazenda Pública: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA... VARA DE FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DO MUNICÍPIO ALFA, ESTADO DE... NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR A petição deve ser endereçada ao Juízo Cível ou ao Juízo de Fazenda Pública da Comarca do Município Alfa, já que os dados constantes do enunciado não permitem identificar a organização judiciária do local. JUÍZO CÍVEL OU AO JUÍZO DE FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DO MUNICÍPIO ALFA JOÃO DA SILVA, qualificação e endereço completo, por meio de seu advogado abaixo assinado (procuração em anexo), com escritório em, endereço completo, onde recebe as suas intimações, com fundamento no art. 5º, LXXIII, da Constituição Federal e na Lei n. 4.717/65, ajuizar a presente AÇÃO POPULAR em face de PREFEITO MUNICIPAL PEDRO DOS SANTOS, qualificação e endereço completo, pessoa jurídica de direito público, inscrito no CNPJ sob o n...., com sede em ENDEREÇO... e da sociedade empresária K, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. ..., endereço eletrônico, com sede em ENDEREÇO..., cidade, Estado, CEP n.... pelas razões de fato e de direito que veremos a seguir. 1) DOS FATOS A sociedade empresária K, concessionária do serviço de manutenção de uma estrada municipal decidiu realizar obras para ampliar as suas instalações de apoio. Entretanto, o local escolhido uma área de preservação ambiental permanente do Município Alfa. O Autor formulou requerimento, dirigido à concessionária, solicitando que a obra não fosse realizada, mas tal pedido foi indeferido, sob o argumento de que houve aprovação municipal, tendo sido permitido o início das obras. 2) DA LEGITIMIDADE ATIVA Exige-se para o ajuizamento da ação popular que o autor seja cidadão. Tal fato é comprovado, no caso concreto, pelo título de eleitor em anexo. Destaca-se que o João da Silva é candidato a deputado estadual, de modo que o pleno exercício dos direitos políticos é exigido pela Carta Maior em seu art. 14, §3, II. NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR 3) DA LEGITIMIDADE PASSIVA A legitimidade passiva do prefeito PEDRO DOS SANTOS está relacionada a concessão da licença de construção (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, caput); a do Município Beta por se almejar obstar os efeitos de uma licença que concedeu por intermédio do prefeito (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, § 3º); e da sociedade empresária K pelo fato de ser a beneficiária da licença concedida (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, caput), estando na iminência de realizar a obra. 4) DO CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR Conforme restou demonstrado, o autor é um cidadão. Ademais, a ação possui como objeto o ato que é lesivo ao meio ambiente. Admite-se que tal ato seja anulado via ação popular, na forma do art. 5º, LXXIII, da Constituição Federal. 5) DO MÉRITO 5.1) DA VIOLAÇÃO AO MEIO AMBIENTE E AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE É inquestionável que a realização de obras em área sabidamente reconhecida como área de preservação ambiental permanente acaba por atentar ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto no art. 225, caput, da Constituição Federal. O argumento de existência de um possível benefício dos usuários não é capaz de justificar a lesão ao meio ambiente. Os atos do poder concedente e do concessionário devem ser praticados em harmonia com a ordem jurídica, que protege o meio ambiente, nos termos do art. 225, caput, da CRFB/88, inclusive no âmbito da atividade econômica, conforme dispõe o art. 170, VI, da CRFB/88. A licença por ter sido concedida em desrespeito a Carta Maior violou o art. 37 da Constituição, em especial o princípio da legalidade. 5.2) DA NULIDADE DA LICENÇA A sociedade empresária K, enquanto concessionária do serviço público, deve observar a legalidade em igual intensidade, não podendo causar danos ao meio ambiente, ainda que amparada por um ato estatal que nitidamente a afronta. Portanto, percebe-se que a licença concedida é nula, em razão da ilegalidade do objeto, já que a realização da obra importará em afronta ao ato normativo que considerou o local uma área de preservação ambiental permanente (Art. 2º, parágrafo único, c, da Lei n. 4.717/65). 6) DA LIMINAR O fumus boni iuris decorre da flagrante ilegalidade da licença de construção, e o periculum in mora da iminência de serem causados danos irreversíveis ao meio ambiente, considerando as raras espécies da fauna e da flora silvestre existentes no local. NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR 7) DOS PEDIDOS a) concessão da tutela de urgência (ou liminar) para impedir que a sociedade empresária K inicie as obras no local, com amparo no art. 5º, § 4º, da Lei n. 4.717/65 e art. 300 do CPC;b) citação do (s) réu (s) c) a intimação do Ministério Público para acompanhar a presente ação (art. 7º, I, a, da Lei n. 4.717/65); d) procedência do pedido, para os fins de anular a licença que permitia a realização de obras em área de proteção ambiental permanente (art. 11 da Lei n. 4.717/65), vedando a realização de obras nesse local; (sempre detalhar de modo a especificar o que você pediu na ação) e) juntada da cópia do título de eleitor (comprovação da legitimidade ativa – ser cidadão); f) condenação do (s) réu(s) honorários advocatícios. Obs.:O gabarito da OAB mencionou apenas a liminar e a nulidade da licença como pedidos e a necessidade da juntada do título de eleitor. 8) DAS PROVAS Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente pela prova documental já acostadas e outras supervenientes. 9) VALOR DA CAUSA Dá-se a causa o valor de R$.... Termos em que Pede deferimento Local e data Advogado e OAB NPJ – CAMPUS CAMPO GRANDE PROFº ORIENTADOR – JORGE AUGUSTO P. FERREIRA AÇÃO POPULAR GABARITO DA BANCA A peça adequada nessa situação é a petição inicial de Ação Popular. A petição deve ser endereçada ao Juízo Cível ou ao Juízo de Fazenda Pública da Comarca do Município Alfa, já que os dados constantes do enunciado não permitem identificar a organização judiciária do local. O examinando deve indicar, na qualificação das partes, o autor João e, como demandados, o prefeito municipal Pedro dos Santos, o Município Alfa e a sociedade empresária K. A legitimidade ativa de João da Silva decorre do fato de ser cidadão, conforme dispõe o Art. 5º, inciso LXXIII, da CRFB/88 ou o Art. 1º, caput, da Lei n. 4.717/65, qualidade intrínseca à sua condição de candidato ao cargo de deputado estadual. A legitimidade passiva do prefeito Pedro dos Santos decorre do fato de ter concedido a licença de construção (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, caput); a do Município Beta por se almejar obstar os efeitos de uma licença que concedeu por intermédio do prefeito (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, § 3º); e da sociedade empresária K do fato de ser a beneficiária da licença concedida (Lei n. 4.717/65, Art. 6º, caput), estando na iminência de realizar a obra. Como o ato é lesivo ao meio ambiente, é possível a sua anulação via ação popular (CRFB/88, Art. 5º, inciso LXXIII). O examinando deve indicar, no mérito, que a licença concedida pelo Prefeito Pedro dos Santos é atentatória ao meio ambiente, pois o local abriga uma área de preservação ambiental permanente do Município Alfa. Não merece ser acolhido o argumento de que o possível benefício dos usuários justifica a lesão ao meio ambiente. Os atos do poder concedente e do concessionário devem ser praticados em harmonia com a ordem jurídica, que protege o meio ambiente, nos termos do Art. 225, caput, da CRFB/88, inclusive no âmbito da atividade econômica, conforme dispõe o Art. 170, inciso VI, da CRFB/88. A licença, portanto, afrontou a concepção mais ampla de legalidade, prevista no Art. 37, caput, da CRFB/88. A sociedade empresária K, enquanto concessionária do serviço público, deve observar a legalidade em igual intensidade, não podendo causar danos ao meio ambiente, ainda que amparada por um ato estatal que nitidamente a afronta. Em consequência, a licença concedida é nula, em razão da ilegalidade do objeto, já que a realização da obra importará em afronta ao ato normativo que considerou o local uma área de preservação ambiental permanente (Lei n. 4.717/65, Art. 2º, parágrafo único, alínea c). O examinando deve requerer a concessão de provimento liminar, para impedir que a sociedade empresária K inicie as obras no local. O fumus boni iuris decorre da flagrante ilegalidade da licença de construção, e o periculum in mora da iminência de serem causados danos irreversíveis ao meio ambiente, considerando as raras espécies da fauna e da flora silvestre existentes no local. O examinando ainda deve pedir a declaração de nulidade da licença concedida pelo Município Alfa, assinada pelo prefeito Pedro dos Santos e a proibição de realização de obras na área de preservação ambiental permanente. O examinando ainda deve: - juntar aos autos o título de eleitor de João da Silva; - atribuir valor à causa; e - se qualificar como advogado, assinando a respectiva petição.