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#RESTRITA# #RESTRITA# Audiologia Clínica na Infância Desenvolvimento Auditivo Infantil O desenvolvimento infantil refere-se ao próprio desenvolvimento da criança, em seus aspectos motores, sociais, cognitivos e emocionais. Para entender melhor como isso se aplica a cada faixa etária, existe o conceito de fases do desenvolvimento infantil. As fases do desenvolvimento cognitivo infantil compreendem todo o processo de transformação da criança, pelo qual ela passa ao longo do tempo enquanto adquire e aprimora inúmeras capacidades necessárias para a vida toda. O desenvolvimento auditivo infantil é crucial para o crescimento saudável das crianças. Desde a identificação dos primeiros sons até a compreensão da linguagem, o desenvolvimento auditivo desempenha um papel fundamental em várias áreas de suas vidas. Fases do Desenvolvimento Auditivo Infantil A audição começa a se desenvolver mesmo antes do nascimento. Durante a fase pré-natal, o feto já é capaz de perceber os sons do ambiente, o que é crucial para o desenvolvimento da audição. Quando Inicia o Desenvolvimento da Audição no Embrião Início do Desenvolvimento O sistema auditivo começa a se formar por volta da quinta semana de gestação. Desenvolvimento Completo Por volta do sexto mês de gestação, o sistema auditivo já está completo, permitindo que o bebê comece a perceber os sons do ambiente intrauterino. Fases do Desenvolvimento Auditivo Infantil Fase 1: Preparação Nesta fase, o sistema auditivo começa a se desenvolver, preparando-se para receber e processar sons. Fase 2: Reconhecimento As crianças começam a reconhecer e distinguir diferentes sons e estabelecem preferências auditivas. Fase 3: Compreensão Nesta fase, as crianças desenvolvem a capacidade de compreender a linguagem e os sons do ambiente ao seu redor. Fase Neonatal Sensibilidade Auditiva Após o nascimento, o bebê demonstra maior sensibilidade aos sons familiares, como a voz dos pais, que proporcionam conforto e segurança. Respostas Auditivas O bebê começa a reagir a estímulos sonoros, demonstrando curiosidade e atenção aos diferentes sons do ambiente. Conexões Neurais Neste estágio, as conexões neurais relacionadas à percepção auditiva estão se desenvolvendo rapidamente. Em 2006, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu os marcos para acompanhamento do desenvolvimento da audição e da linguagem de acordo com a idade das crianças ✅recém-nascidos devem acordar com sons fortes; ✅crianças entre 1 e 3 meses devem se acalmar com sons moderados ou com músicas; ✅3-4 meses prestar atenção aos sons e vocalizar; ✅6-8 meses localizar fonte sonora e balbuciar sons como “dadá”; ✅12 meses aumentar a frequência dos balbucios, falar as primeiras palavras e entende ordens simples como “dar tchau”; ✅18 meses falar com, no mínimo, 6 palavras; ✅2 anos produzir frases com, no mínimo, 2 palavras; ✅3 anos produzir sentenças. A Relação entre o Desenvolvimento Auditivo e a Linguagem Desenvolvimento Paralelo O desenvolvimento auditivo e a aquisição da linguagem caminham lado a lado, influenciando-se mutuamente. Processo Contínuo Um bom desenvolvimento auditivo proporciona a base necessária para a aprendizagem e o uso eficaz da linguagem ao longo da vida. Desafios Relacionados Dificuldades no desenvolvimento auditivo podem afetar adversamente a aquisição e compreensão da linguagem. A Importância do Desenvolvimento Auditivo na Infância Comunicação Efetiva O desenvolvimento auditivo na infância é essencial para a comunicação efetiva e a compreensão de linguagem. Desempenho Acadêmico Uma boa audição está diretamente ligada ao desempenho acadêmico, pois as crianças precisam ouvir claramente para aprender e assimilar informações. Interação Social Um bom desenvolvimento auditivo facilita a interação social e o desenvolvimento emocional das crianças. Como as Crianças Conhecem os Primeiros Sons Aprendizado Ativo Desde o nascimento, as crianças estão ativamente envolvidas no processo de conhecer e interpretar os sons do ambiente. Exploração Sensorial Elas exploram diferentes sons por meio de brinquedos, interações e experiências sensoriais. Associação de Sons Aos poucos, as crianças começam a associar sons a objetos e situações específicas, ampliando seu vocabulário auditivo. O Desenvolvimento Auditivo Infantil Estimulação Adequada A estimulação auditiva adequada é essencial para garantir um desenvolvimento saudável e completo do sistema auditivo na infância. Avaliações Periódicas A realização de avaliações auditivas periódicas é fundamental para identificar precocemente quaisquer dificuldades ou necessidades de intervenção. Intervenção Precoce Em caso de identificação de necessidades especiais, a intervenção precoce pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento auditivo e na qualidade de vida da criança. Fase do Primeiro Ano de Vida Desenvolvimento da Linguagem Os bebês começam a balbuciar e imitar sons, sinalizando o início do desenvolvimento da linguagem. Reconhecimento Sonoro As crianças reconhecem e respondem aos sons do cotidiano, como nomes de familiares, músicas e palavras repetidas. Exploração Sonora Nesta fase, as crianças se envolvem em atividades auditivas, como escutar música, brincar com instrumentos musicais e identificar sons ambientais. Fase da Primeira Infância Desenvolvimento da Fala As habilidades linguísticas tornam-se mais complexas, incluindo a capacidade de formar frases completas e expressar pensamentos e emoções. Reconhecimento de Padrões As crianças começam a identificar padrões sonoros e distinguir entre diferentes sons, palavras e entonações. Participação em Atividades Musicais A música desempenha um papel vital no desenvolvimento auditivo, e as crianças começam a participar ativamente de atividades musicais e de canto. Fase da Segunda Infância Textos e Narração Oral Nesta etapa, as crianças se envolvem em histórias narradas e leitura de textos, o que amplia sua compreensão auditiva e incentiva a imaginação. Participação em Atividades Teatrais O teatro e a dramatização proporcionam um ambiente rico em estímulos sonoros, onde as crianças aprendem a interpretar e enfatizar a fala e a expressão vocal. Desenvolvimento da Escuta Ativa As crianças aprimoram a habilidade de ouvir atentamente e interpretar corretamente as informações auditivas recebidas no ambiente escolar e social. Fatores que Influenciam o Desenvolvimento Auditivo Infantil Estímulos Sonoros Variados Exposição a uma ampla gama de sons, incluindo música, conversas, ruídos ambientais e narrativas, é crucial para a formação da percepção auditiva. Envolvimento Familiar Interagir com familiares em atividades sonoras e musicais contribui para a construção de uma base sólida para a compreensão e produção de sons. Experiências Sensoriais Interagir com brinquedos que produzem sons, ambientes musicais e jogos de escuta promove o desenvolvimento auditivo e a consciência sonora. Importância do Desenvolvimento Auditivo na Infância 85% Compreensão Verbal Um bom desenvolvimento auditivo na infância está diretamente relacionado a uma alta capacidade de compreender e processar a linguagem verbal. 90% Habilidades de Aprendizagem A escuta ativa e a compreensão auditiva aprimorada estão vinculadas a um maior desempenho acadêmico e habilidades de resolução de problemas. 70% Desenvolvimento Social Uma boa percepção auditiva contribui para a interação social bem-sucedida e adequada comunicação interpessoal entre as crianças. Fases Auditivas na Infância Relação da audição com desenvolvimento infantil Audição e Desenvolvimento da Linguagem · Deficiência auditiva na infância: atraso ou ausência do desenvolvimento das habilidades comunicativas. · Surdez não detectada- enorme impacto no desenvolvimento de crianças pequenas. · Crianças com perdas auditivas congênitas- severa e profunda: sem intervenção não desenvolverão a linguagem oral normalmente (Ling, 1976). Aquisição da Linguagem Oral Didaticamente dividida em três etapas: 1) Recepção 2) Interpretação Emissão 1ª Etapa- Recepção ·Desenvolvimento da capacidade de: receber, reconhecer, identificar, discriminar e manipular o mundo que nos cerca. · Recepção dos estímulos sensoriais: auditivo, tátil, visual e cinestésico, comandados pelo SNC. · Audição: sua integridade (periférica e central) é primordial para o estabelecimento da linguagem oral. · Aquisição da Linguagem pela Audição: “é uma função dependente do tempo, e está relacionada a períodos de maturação precoce, que são denominados de períodos críticos para o desenvolvimento da linguagem em tempo certo” (Lenneberg, 1967). 2ª Etapa- Interpretação · Desenvolvimento da capacidade de compreender, decodificar, associar e interpretar os sons linguísticos. · Função mental, dependente da integridade dos centros de associação do SNC. · Dependente do funcionamento de processos complexos, como: memória (símbolos verbais, pessoas, objetos, eventos, atividades, conceitos), organização têmporo-espacial, análise- síntese, figura-fundo, motivação e experiências emocionais. · Interpretação - ¨outro¨ 3ª Etapa- Emissão · Desenvolvimento da capacidade de produzir os sons da fala. · Envolve uma atividade motora, controlada pelo SNC (habilidade fonoarticulatória). · A linguagem verbal necessita para ser expressa do: desejo, da capacidade para separar a idéia principal, sua transformação em simbologia verbal (gramaticalmente e com cadência vocal apropriadas), mentalização da imagem cinestésica, e finalmente acionamento dos OFAs. · Com início nos três primeiros meses, o choro dá lugar no 6º mês, a vocalização, conhecida por balbucio. · Manutenção do balbucio : feedback acústico articulatório (monitoração que o ouvido exerce sobre as produções articulatórias do sujeito). Recepção- Interpretação-Emissão · Capacidade produtiva para a fala é defasada em relação à habilidade para perceber diferenças. · Por volta dos 9 meses, a criança passa a usar a primeira palavra. · A linguagem falada demanda um longo período de recepção dos símbolos auditivos (pré-requisito) para sua posterior emissão. Desenvolvimento da função auditiva Comportamento Auditivo · Inclui todas as reações a sons manifestadas primordialmente por reações motoras. · Dependente da integridade das estruturas centrais e periféricas, da integridade biológica e psicológica da criança. · Vocalizações, uso de gestos, riso, choro, expressão facial, além das respostas motoras (Downs, 1974). · Respostas Comportamentais do Recém-Nascido Respostas Comportamentais do Recém- Nascido (Downs & Sterritt, 1967) · Piscar de olhos ou atividade de pálpebras, chamado de reflexo cócleo-palpebral. A via aferente é o nervo coclear, o centro de associação é a formação reticular, e a via eferente, o nervo facial. · Reflexo de Moro- violenta reação de sobressalto, consistindo num movimento abrupto de todo o corpo, sendo braços e pernas esticados e afastados da linha média do corpo. Inibido antes do RCP. · Susto ou sobressalto (“startle”)- pode ou não acompanhar o reflexo de Moro. · Cessação de atividade, caretas, sucção, início de movimentos generalizados, arregalar os olhos, mudança na respiração, riso e/ou choro. · Despertar do sono* Maturação da Resposta Auditiva · Informação auditiva passa a ter real significado ao se estabelecer o processo de aprendizagem para ouvir. · Se por volta dos dois ou três meses, as respostas ainda são reflexas, após a maturação do SNC, o córtex inicia o comando das respostas do bebê. · Os sons de maior significado (voz da mãe, alimentação) são mais facilmente aprendidos. A localização da fonte sonora permite o contato da criança com o ambiente. · Defasagem entre recepção e emissão- maturação precoce do sistema receptivo, para prontidão do sistema expressivo. Desenvolvimento da Função Auditiva · RN a 6 semanas: RCP, abrir ou arregalar os olhos, sobressalto, agitar-se ou acordar do sono. 75 dB NA, tons puros 6 semanas a 4 meses: · Abrir ou arregalar os olhos, RCP, mudanças oculares, aquietar-se, virada rudimentar da cabeça aos 4 meses. 70 dB NA tons puros · 4 a 7 meses: · Virar a cabeça para o lado em direção ao som e atitude de escuta. 50 dB NA para tons puros · 7 a 9 meses: Localização de sons para o lado e indiretamente para baixo. 45 dB NA para tons puros · 9 a 13 meses de idade: Localização dos sons diretamente para baixo e para o lado. Os estímulos são de 38 dB NA para tons puros. · 13 a 16 meses de idade: Localização direta para o lado e para baixo e indiretamente para cima. Os estímulos são de 30 dB NA para tons puros. · 16-21 meses: Localiza diretamente para o lado, para baixo e para cima. · 21-24 meses: Localiza diretamente em todos os ângulos. · 21-24 meses: Localiza diretamente em todos os ângulos. NORTHERN & DOWNS (1989) Conhecimento da importância baseado em evidências* O diagnóstico e intervenção precoces maximiza a competência linguística e a alfabetização de crianças surdas. Sem oportunidades apropriadas, essas crianças não desenvolverão linguagem e ficarão atrás de seus pares em relação ao desenvolvimento da comunicação, cognição, leitura e aspecto sócio emocional. O atraso no processo de intervenção pode resultar em adultos com baixo desempenho educacional e profissional . Há um aumento de publicações científicas demonstrando que quando a identificação e a intervenção da surdez acontece antes dos 6 meses de idade, habilidades relacionadas à escola, como vocabulário, articulação, inteligibilidade, ajuste social e do comportamento alcançam escores melhores quando comparados à crianças que não foram diagnosticas e tratadas precocemente. Oportunidades · A família que recebe o diagnóstico da surdez deve ser informada de todas as possibilidades de abordagem educacional e de reabilitação, além de todas as opções de tecnologia disponíveis para o tratamento da surdez (de maneira imparcial). · Cabe a família a escolha e decisão sobre o processo de intervenção e tratamento da criança. · O sistema auditivo do recém-nascido é provido de uma plasticidade neuronal, que pode ser modificada a partir de variações na estimulação acústica. · A entrada de sons no sistema auditivo periférico é importante para a maturação e inervação de porções do sistema nervoso auditivo central. · Crianças identificadas e diagnosticadas até o mês de vida que iniciam a intervenção até o 6o mês podem ter o desenvolvimento das habilidades linguísticas e de fala muito melhor do que as crianças diagnosticadas tardiamente. (Apuzzo e Yoshinaga-Itano,1995). Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA) Os Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva Auditiva (IRDA) são sinais que podem indicar a indicar a possibilidade de uma deficiência auditiva em bebês, crianças e adultos e desencadeiam a necessidade de avaliação auditiva especializada. OMS 2018 Em 2018, a Organização Mundial da Saúde Saúde (OMS) lançou uma estimativa da magnitude da perda auditiva na população mundial • 466 milhões de pessoas com deficiência deficiência auditiva • Sendo 432 milhões de adultos • 34 milhões de crianças. • De cada 1.000 crianças , uma nasce com problema de surdez • A previsão é que esse número chegue a 900 Joint Committee on Infant Hearing • É um comitê internacional • Recomendações acerca da saúde auditiva infantil. • Compreende que são intercorrências pré, peri e pósnatais • Apenas um indicador no histórico clínico da criança é considerado sinal de alerta de risco auditivo • Mais de um indicador aumenta a probabilidade de perda auditiva, sendo importante o cuidado com a saúde auditiva desses sujeitos. O Joint Committee on Infant Hearing (JCIH), desde 1972, identifica fatores de risco específicos associados à perda auditiva em recémnascidos e crianças com dois propósitos: 1- Identificar crianças que têm prioridade para avaliação audiológica 2- Crianças que devem receber acompanhamentoaudiológico e acompanhamento médico após a triagem neonatal devido à possibilidade de perda auditiva progressiva ou déficit auditivo de início tardio. • História familiar de DA congênita; • Infecção congênita: Sífilis, Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes; • Anomalias crânio-faciais-deformações de orelha e/ou o canal auditivo; • Peso ao nascimento 5 dias; • Síndromes associadas à DA condutiva ou neurossensorial. Joint Committee on Infant Hearing (2000) • Neonatos que ficam mais que 48 horas na UTI neonatal; • Malformação de cabeça e pescoço; • Síndromes associadas a alterações auditivas; • História familiar de deficiência auditiva congênita; • Infecções neonatais (STORCH). Os Indicadores de Risco para a Deficiência Auditiva (IRDA) 1. Influência na Prevalência da DA em RN de Risco Os Indicadores de Risco para a Deficiência Auditiva (IRDA) devem ser levados em consideração na TAN, pois podem influenciar 20 vezes a prevalência da DA em RN de risco em relação aos RN sem risco (JCIH, 2000; VIEIRA et al., 2007). 2. Avaliação Audiológica Regular Sendo que as crianças com IRDA requerem avaliação audiológica pelo menos a cada 6 meses, até os 3 anos de idade, pois mesmo não apresentando alterações na TAN podem vir a desenvolver DA tardia (NORTHERN; DOWNS, 1989; CBPAI, 2000). Desenvolvimento da Audição em Bebês 1. Comportamento Reflexo Há semelhança na reação de um bebê DA e um bebê normouvinte até o sexto mês de vida devido ao comportamento reflexo ( KAUFFMAN 1996). 2. Desenvolvimento da Fala Às crianças normouvintes as primeiras palavras aparecem por volta de um ano de idade, inicia-se com a associação de consoante e vogal e duplicação das sílabas formadas (mama, dada...), além de jargões e palavras inventadas. (MENYUK; MENN 1979 apud KAUFMAN 1996). Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA) 1. Detecção e Intervenção Precoces São os fatores mais importantes para minimizar o impacto da perda auditiva no desenvolvimento e na educação das crianças. 2. Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal Prevenção e Cuidados Imunização Triagem Auditiva Neonatal Universal –Teste da Orelhinha 3. Prevenção e Cuidados Imunização Como identificar os IRDA em bebês e crianças 1. Observação Visual Observar as reações do bebê a sons e a presença de alertas visuais. 2. Testes de Triagem Realizar testes como o da orelhinha nos primeiros dias do nascimento. 3. Avaliação Comportamental Identificar comportamentos atípicos em relação à resposta a estímulos sonoros. Intervenção e tratamento para deficiência auditiva 1. Adaptações no Ambiente Implementação de estratégias para minimizar impactos da perda auditiva. 2. Aparelhos Auditivos Uso de tecnologia adequada para amplificar sons e facilitar a comunicação. 3. Terapia Fonoaudiológica Desenvolvimento de estratégias para aprimorar a percepção e produção de sons. Importância da detecção precoce dos IRDA 1. Prevenção de Complicações Identificar problemas auditivos precocemente evita complicações no desenvolvimento da linguagem. 2. Impacto na Família Permite intervenções adequadas que apoiam a família no suporte à criança. 3. Bem-Estar Emocional Contribui para a segurança emocional e autoestima da criança e seus familiares. A IMPORTÂNCIA DA FONOAUDIOLOGIA NA DEFICIÊNCIA AUDITIVA Triagem Auditiva Neonatal em Maternidades 1. A Triagem Auditiva Neonatal (TAN) é um dos componentes do Programa Nacional de Triagem Neonatal no Brasil; 2. Ela foi instituída a fim de se realizar o diagnóstico precoce das perdas auditivas, possibilitando uma intervenção também precoce que pudesse minimizar os impactos negativos da deficiência auditiva no desenvolvimento infantil. 3. A TAN também se constitui em uma das estratégias para o cuidado integral da criança no seu período neonatal, já que a saúde auditiva reflete no processo de crescimento e desenvolvimento das crianças nos seus diversos ciclos de vida. “Uma intervenção precoce é capaz de minimizar os impactos negativos da deficiência auditiva no desenvolvimento infantil”. (Yoshinaha, 1998) Introdução 1. Até 2010 as crianças com déficits auditivos eram diagnosticadas tardiamente, muitas vezes somente na fase escolar o que dificultava ou impossibilitava intervenções mais eficazes para a criança. 2. Em 2010 foi promulgada a Lei Federal 12.303 conhecida como lei do “Teste da Orelhinha” que torna obrigatória a realização de exames de emissões otoacústicas em todos os bebês nascidos em maternidades e hospitais do Brasil. 3. Em 2012, o Ministério da Saúde publicou as diretrizes da TAN estabelecendo normas para sua realização em todo território nacional. Todas as Maternidades brasileiras devem realizar a TAN, ou se organizar de modo a garantir que as crianças nascidas tenham acesso a esse exame via encaminhamento responsável ou outras estratégias de acesso. Objetivos da Triagem Auditiva Neonatal 1. Realizar o diagnóstico e intervenção precoces 2. Evitar privação de língua 3. Possibilitar o pleno desenvolvimento da linguagem 4. Favorecer o desenvolvimento cognitivo e social 5. Reduzir dificuldades de aprendizagem 6. Propiciar inserção social e no mercado de trabalho 7. Favorecer a autonomia e cidadania Prevalência de perda auditiva x demais doenças neonatais 1. Prevalência de deficiência auditiva no Brasil: 5,1% da população = 9 milhões de pessoas (IBGE, 2012); 2. Prevalência de deficiência auditiva neonatal: 30 por 10.000 recém-nascidos; 3. Prevalência entre recém-nascidos de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN): 100 a 400 por 10.000 recém-nascidos; 4. 50% das perdas auditivas em recém-nascidos sem indicador de risco (MS, 2012) A prevalência de deficiência auditiva na população de neonatos é 30 vezes maior que a prevalência de fenilcetonúria, por exemplo, doença triada pelo teste do pezinho. Fatores de risco para deficiência auditiva em recém-nascidos de acordo com a Declaração de Posição de 2000 do Joint Committe on Infant Hearing (JCIH) 1. Infecção intrauterina (citomegalovírus, herpes, rubéola, toxoplasmose); 2. História familiar de perda auditiva neurossensorial na infância; 3. Anomalias craniofaciais acompanhadas de anomalias no pavilhão auricular e canal auditivo; 4. Infecções pós natais (ex: meningite); 5. Síndromes associadas a perda auditiva progressiva (ex:osteopetrose, síndrome de Usher e eurofibromatose); 6. Indicação dos pais e/ou cuidadores sobre percepção de atraso na fala da criança; 7. Otite média recorrente com efusão e duração de pelo menos 3 meses 8. Doenças neurodegenerativas (ex: síndrome de Charcot-Marie-Tooth, Hunter e neuropatias motoras sensoriais). Testes Emissões Otoacústicas (EOA) 1. Exame utilizado para triar recém-nascidos sem indicadores de risco para perda auditiva; 2. Fornece dados sobre o funcionamento da cóclea (células ciliadas externas). Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico Automatizado (PEATE-A/BERA-A) 3. Exame utilizado para triagem de bebês com algum indicador de risco para perda auditiva e em bebês que falharam na triagem por EOA; 4. Avalia a via auditiva neural até o tronco encefálico, sendo capaz de detectar perdas auditivas retro cocleares. Boas Práticas 1. Todas os recém-nascidos devem realizar a Triagem Auditiva Neonatal, ainda na maternidade. 2. Crianças que não realizaram a TAN na maternidade, devem ter esse exame assegurado em outra unidade de saúde que possa realizá-lo. 3. Os profissionais da Atenção Primária devem observar se o RN/criança realizou ou não o TAN. Caso não tenha realizado, a criança deve ser encaminhada até os 3 meses de idade para serviços de referência (serviço de alta complexidade). 4. Crianças com resultados alterados devem ser encaminhadas para Centro Especializado de Reabilitação Auditiva. 5. Boas Práticas No caso de alterações auditivas, as condutas podem ser: 1. Seleção e adaptaçãode aparelho de amplificação sonora individual; 2. Indicação de cirurgia de implante coclear; 3. Adaptação do implante concomitante com a terapia fonoaudiológica de linguagem. 4. Caso a criança possua fatores de risco, deve ser submetida diretamente exame de Potencial Evocado Auditivo Automático (do BERA triagem); 5. Caso a criança não apresente fatores de risco, deve ser submetida ao exame de Otoacústicas Evocada. 6. O pré-natal é um momento estratégico para informar à família sobre a TAN. 7. Mesmo com o resultado inicial da TAN sem alterações, ao longo do desenvolvimento a criança pode apresentar alterações auditivas. Desafios da Triagem Auditiva Neonatal em Maternidades 1. Apesar do crescimento nas taxas de coberturas da Triagem Auditiva Neonatal nas maternidades brasileiras, o país precisa avançar para as metas de 95-100% de cobertura; 2. Em 2018, ⅔ (dois terços) dos recém-nascidos não passaram por triagem auditiva; 3. Falta de equipamentos tecnológico para a realização da TAN; 4. Falta de recursos humanos para a realização da TAN; 5. Não há consenso entre os profissionais sobre os limites dos parâmetros avaliados (critérios das crianças que “passam ou falham” no exame). FLUXOGRAMA NA TRIAGEM AUDITIVA NEONATAL 1- IDENTIFICAÇÃO 2-TRIAGEM 3- MONITORAMENTO 4- ENCAMINHAMENTO 5- DIAGNÓSTICO 6- REABILITAÇÃO 1. Identificação : Levantamento do histórico clínico e IRDA – obtidos no prontuário ou no resumo de alta ou durante as consultas de puerpério. 2. Triagem auditiva : Realizada no primeiro mês de vida. Nos neonatos prematuros ou com longo período de internação realizar preferencialmente até o terceiro mês de vida. 3. Monitoramento: Avaliações auditivas periódicas no Serviço Especializado ou CER, de infantis com resultado satisfatório na triagem auditiva, mas apresentam indicadores de risco. 4. Acompanhamento: Na Atenção primária em saúde, durante as consultas de puericultura, os neonatos e lactentes devem ser acompanhados quanto ao desenvolvimento da audição e linguístico. 5. Encaminhamento : Infantis com resultado insatisfatório na triagem auditiva deverá ser encaminhado para o processo de diagnóstico da deficiência auditiva no Serviço Especializado ou CER. 6. Reabilitação: A terapia fonoaudiológica com a concessão do dispositivo eletrônico deve ser iniciada imediatamente após o diagnóstico da perda auditiva, no Serviço Especializado ou CER. Considerações Finais 1. Nem todos os recém-nascidos que nascem com deficiência auditiva apresentam fatores de risco. Por esse motivo é importante a triagem universal, para que o máximo de crianças sejam avaliadas e, mesmo aquelas que não apresentem fatores de risco, mas apresentam perda auditiva, sejam diagnosticadas e tratadas precocemente. 2. As crianças identificadas quando tem mais de 6 meses podem ter atrasos na fala e linguagem. 3. As crianças identificadas com menos de 6 meses não apresenta esses atrasos e são iguais aos seus pares ouvintes em termos de fala e linguagem. 4. Crianças a partir de 1 mês de idade podem usar aparelhos auditivos e se beneficiar deles. O programa de Triagem Auditiva Neonatal é um instrumento que possibilita que os bebês com deficiência auditiva tenham acesso a uma língua em tempo oportuno e assim desenvolvam plenamente sua linguagem. #RESTRITA# #RESTRITA# image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image2.png image3.png