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1181Formação do professor, adaptações curriculares e recursos pedagógicos na Educação Especial Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Refl etir e analisar a importância sobre a formação do professor, adaptações curriculares e recursos pedagógicos na Educação Especial. 17 ob jet ivo A U L A C E D E R J20 Educação Especial | Formação do professor, adaptações curriculares e recursos pedagógicos na Educação Especial A formação do professor para atender alunos com necessidades educativas especiais e para desenvolver trabalhos em equipe é fator indispensável para garantir a inclusão. O inciso III, do art. 59 da LDBEN aponta para dois perfi s de professores para atender às exigências da escola inclusiva: o professor da classe comum que deverá ser capacitado e o professor especializado em Educação Especial. Os professores capacitados para atender alunos com necessidades educacionais especiais em classes comuns deverão comprovar que, na sua formação, foram incluídos conteúdos e disciplinas específi cas da área de Educação Especial, bem como, desenvolvidas competências para (LDBEN, p.13-4): I- perceber as necessidades educacionais especiais dos alunos; II- fl exibilizar a ação pedagógica nas diferentes áreas de conhecimento; III- avaliar continuamente a efi cácia do processo educativo; IV- atuar em equipe, inclusive com professores especializados em Educação Especial. Os professores especializados em Educação Especial deverão desenvolver competências que lhes possibilitem identifi car as necessidades educacionais especiais, defi nir e implementar respostas educativas a essas necessidades, apoiar o professor da classe comum, atuar nos processos de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, complementando estratégias de fl exibilização, adaptação curricular e práticas pedagógicas alternativas, entre outras. Além disso, deverão comprovar (LDBEN, p. 14): a) formação em cursos de Licenciatura em Educação Especial ou em uma de suas áreas, de preferência, concomitantemente e associado à Licenciatura para a Educação Infantil ou para os anos iniciais do Ensino Fundamental; b) complementação de estudos ou Pós-Graduação em áreas específi cas de Educação Especial, posterior à licenciatura nas diferentes áreas do conhecimento, para a atuação nos anos fi nais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Aos professores que já exercem o magistério serão oferecidas oportunidades de formação continuada, inclusive em nível de especialização, pelas instâncias educacionais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. INTRODUÇÃO C E D E R J 21 A U LA 1 7 M Ó D U LO 5 ESTUDOS E PESQUISAS AMPLIAM CONCEITOS As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica determinam que os setores de pesquisa e as Universidades desenvolvam estudos buscando a melhoria dos recursos para auxiliar e ampliar a capacidade das pessoas com necessidades educacionais especiais. Sejam elas de se comunicar ou de se locomover para que possam participar de maneira cada vez mais autônoma no meio educacional, na vida produtiva e na vida social, exercendo assim de maneira plena, a sua cidadania. Estudos e pesquisas sobre inovações na prática pedagógica e desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias ao processo educativo, por exemplo, são de grande relevância para o avanço das práticas inclusivas, assim como atividades de extensão junto às comunidades escolares. As necessidades educacionais especiais requerem da escola condi- ções específi cas em termos de recursos e apoio especializado, permitindo, assim, que o aluno tenha acesso aos conteúdos do cur rículo. Trata-se de um conceito bem mais amplo, que não reforça a defi ciência, mas enfatiza o ensino, a escola, as formas e condições de aprendizagem. A escola inclusiva não procura no aluno a origem de um problema. Defi ne-se pelo tipo de resposta educativa e de recursos e apoios utilizados para que este obtenha sucesso escolar. Por fi m, em vez de pressupor que o aluno deva ajustar-se a padrões de normalidade para aprender, aponta para o desafi o de ajustar-se para atender à diversidade de seus alunos. Um projeto pedagógico que inclua os educandos com necessidades educacionais especiais, deverá seguir as mesmas diretrizes já traçadas pelo Conselho Nacional de Educação para a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, a educação profi ssional de nível técnico, a educação de jovens e adultos e a educação escolar indígena. Entretanto, esse projeto deverá atender ao princípio da fl exibilização, para que o acesso ao currículo seja adequado às condições dos discentes, respeitando seu caminhar próprio e favorecendo seu progresso escolar. C E D E R J22 Educação Especial | Formação do professor, adaptações curriculares e recursos pedagógicos na Educação Especial AVALIAR PARA ASSEGURAR O ÊXITO DO PROCESSO No decorrer do processo educativo, deverá ser realizada a avaliação pedagógica dos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, objetivando identifi car barreiras que estejam impedindo ou difi cultando o processo educativo em suas múltiplas dimensões. A avaliação deverá levar em consideração todas as variáveis que incidem na aprendizagem: as de cunho individual; as que incidem no ensino, como as condições da escola e da prática docente; as que inspiram diretrizes gerais da educação, bem como as relações que se estabelecem entre todas elas. Sob esse enfoque, ao contrário do modelo clínico, tradicional e classificatório, a ênfase deverá recair no desenvolvimento e na aprendizagem do aluno, bem como na melhoria da instituição escolar, onde a avaliação é entendida como processo permanente de análise das variáveis que interferem no processo de ensino e aprendizagem, para identifi car potencialidades e necessidades educacionais dos alunos e as condições da escola para responder a essas necessidades. Para sua realização, deverá ser formada, no âmbito da própria escola, uma equipe de avaliação que possa contar com a participação de todos os profi ssionais que acompanhem o aluno. Nesse caso, quando os recursos existentes na própria escola não forem suficientes para compreender melhor as necessidades educacionais dos alunos e identifi car os apoios indispensáveis, a escola poderá recorrer a uma equipe multiprofi ssional composta de médicos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos, fi sioterapeutas e outros. A composição dessa equipe pode abranger profissionais de uma determinada instituição ou profissionais de instituições diferentes. Cabe aos gestores educacionais buscar essa equipe multiprofi ssional em outra escola do sistema educacional ou na comunidade, o que se pode concretizar por meio de parcerias e convênios entre a Secretaria de Educação e outros órgãos, governamentais ou não. A partir dessa avaliação e das observações feitas pela equipe escolar, legitima-se a criação dos serviços de apoio pedagógico especializado para atendimento de necessidades educacionais especiais dos alunos, ocasião em que o “especial” da educação se manifesta. C E D E R J 23 A U LA 1 7 M Ó D U LO 5 CLASSES ESPECIAIS PARA O “ESPECIAL” Para responder aos desafi os que se apresentam, é necessário que os sistemas de ensino constituam e façam funcionar um setor responsável pela Educação Especial, dotado de recursos humanos, materiais e fi nanceiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva. Para aqueles alunos que apresentem difi culdades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, e demandem ajuda e apoio intenso e contínuo, cujas necessidades especiais não puderem ser atendidas em classes comuns, os sistemas de ensino poderão organizar, extraordinariamente, classes especiais, nas quais será realizado o atendimento de carátertransitório. Os alunos que apresentem necessidades educacionais especiais e requeiram atenção individualizada nas atividades da vida autônoma e social, recursos, ajudas e apoios intensos e contínuos, bem como adaptações curriculares tão signifi cativas que a escola comum não tenha conseguido prover, podem ser atendidos, em caráter extraordinário, em escolas especiais, públicas ou privadas, atendimento esse complementado, sempre que necessário e de maneira articulada, por serviços das áreas de Saúde, Trabalho e Assistência Social. É nesse contexto de idéias que a escola deve identifi car a melhor forma de atender às necessidades educacionais de seus alunos, em seu processo de aprender. Assim, cabe a cada unidade escolar diagnosticar sua realidade educacional e implementar as alternativas de serviços e a sistemática de funcionamento de tais serviços, para favorecer o êxito de todos os seus alunos. Nesse processo, há que se considerar as alternativas já existentes e utilizadas pela comunidade escolar, que se têm mostrado efi cazes, tais como sala de recursos, salas de apoio pedagógico, serviços de itinerância em suas diferentes possibilidades de realização (itinerância intra e interescolar). Deve-se também investir na criação de novas alternativas, sempre fundamentadas no conjunto de necessidades educacionais especiais encontradas no contexto da unidade escolar, como por exemplo a modalidade de apoio alocado na classe comum, sob a forma de professores e/ou profi ssionais especializados, com os recursos materiais adequados. C E D E R J24 Educação Especial | Formação do professor, adaptações curriculares e recursos pedagógicos na Educação Especial Da mesma forma, é necessário se estabelecer um relacionamento profi ssional com os serviços especializados disponíveis na comunidade, tais como aqueles oferecidos pelas escolas especiais, centros ou núcleos educacionais também especializados, instituições públicas e privadas de atuação na área de Educação Especial. Importante, também, é a integração dos serviços educacionais com os das áreas de Saúde, Trabalho e Assistência Social, garantindo a totalidade do processo formativo e atendimento adequado ao desenvolvimento integral do cidadão. É imprescindível planejar a existência de um canal ofi cial e formal de comunicação, de estudos, de tomada de decisões e de coordenação dos processos referentes às mudanças na estruturação dos serviços na gestão e na prática pedagógica para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Para o êxito das mudanças propostas, é importante que os gestores educacionais e escolares assegurem a acessibilidade aos alunos que apresentem necessidades educacionais especiais, mediante a eliminação de barreiras arquitetônicas urbanísticas, na edifi cação, incluindo instalações, equipamentos e mobiliário e nos transportes escolares, bem como as barreiras nas comunicações. Para o atendimento dos padrões mínimos estabelecidos com respeito à acessibilidade, deve ser realizada a adaptação das escolas existentes assim como deve ser obtida a autorização de construção e funcionamento de novas escolas direcionadas para o preenchimento dos requisitos de infra-estrutura defi nidos. C E D E R J 25 A U LA 1 7 M Ó D U LO 5 AUTO-AVALIAÇÃO 1. Qual o perfil do professor da escola inclusiva? Como deve ser a sua formação? 2. Qual a diferença “marcante” entre a escola inclusiva e a escola comum? 3. Quais ações são importantes para o avanço das práticas inclusivas? 4. Qual o conceito da expressão “necessidades educacionais especiais”? 5. A partir do que foi estabelecido na aula, como deveria ser a formação do professor da escola inclusiva? Quais as suas competências? 6. Como o professor de educação especial deve desenvolver o currículo? INFORMAÇÃO SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula continuaremos falando sobre os serviços e atendimentos na área de Educação Especial. Até lá! R E S U M O O professor de Educação Especial deverá apresentar uma formação específi ca, precisa saber trabalhar em equipe e desenvolver competências que lhe permitam identifi car necessidades educativas especiais, defi nir e implementar respostas a essas necessidades e dar apoio ao professor de classe comum. A LDB aponta dois perfi s de professores da “escola inclusiva”: o professor da classe comum que deverá ser capacitado e o professor especializado em Educação Especial. Outras instituições, como as universidades, precisam colaborar para que a educação inclusiva aconteça de fato, através de pesquisas e práticas inclusivas. As escolas devem adaptar-se às necessidades dos alunos, oferecendo recursos e apoios especializados. A avaliação dos alunos deve ser realizada por uma equipe que fará os devidos encaminhamentos para classes especiais ou não. A escola inclusiva deve ser uma escola para todos e dispor de um currículo dinâmico e fl exível que possa se adequar às necessidades dos alunos.