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Filosóficos
lntrodução
O aumento da população mundial e a falta de alimentos fizeram com que o setor agrícola
adotasse um modelo de produção baseado no manejo intensivo do solo, na monocultura e no
uso de pesticidas e fertilizantes. Entretanto essas práticas causam erosão e perda de matéria
orgânica do solo, prejudicam a microbiota e contaminam águas subterrâneas.
Problemas de degradação ambiental como erosão do solo, poluição das águas e do ar, con-
taminação dos alimentos, aumento da resistência de plantas espontâneas, aumento da incidência
de pragas e doenças, desertificação e salinização de solos pelo manejo agrícola convencional são
comuns tanto no meio rural como no meio urbano. Esses problemas levaram a humanidade a
refletir sobre a necessidade de mudança no siitema de manejo dos agroecossistemas, buscando
alternativas sustentáveis de produção agrícoÍa.
A Agroecologia veio de encontro a essa realidade, proporcionando as bases científicas
que orientam o processo de transição dos modelos convencionais de agricultura para modelos
sustentáveis, baseados na Ecologia. Ela também orienta a transição dos modelos convencionais
de desenvolvimento rural para modelos de desenvolvimento rural sustentável. Os ideais da
Agroecologia frzeram-na se difundir por todas as regiões do Brasil e encontrar, por isso, as
adaptações necessárias à realidade de cada local.
O novo padrão de desenvolvimento agrícola, proposto pela Agroecologia, respeita o
ecossistema natural, utilizando-o dentro de suas potencialidades e limitações. Isso implica o
conhecimento adequado sobre a biodiversidade e a complexidade dos ecossisremas. No sistema
agroecológico, utilizam-se recursos do próprio local, diminuindo os custos de produção, mini-
mizando a agressão ao ambiente e fortalecendo a agricultura familiar.
A Agroecologia é uma ciência que fornece bases para a reorientação do manejo de recur-
sos naturais nos sistemas de produção agrícola, ampliando a inclusão social, reduzindo os danos
ambientais e fortalecendo a segurança alimentar e nutricional pela oferta de alimentos sadios.
Ti^ata-se, portanto, de um campo de conhecimento multidisciplinar que apresenta uma série
de princípios, conceitos e metodologias que nos permitem estudar, analisar, dirigia desenhar e
avaliar os agïoecossistemas.
êtividade
Pesquise em livros ou na lnternet sobre a história da agricultura
e suas vertentes - conservadora e sistêmica. Com base no que
você pesquisou, responda:
Quais sáo os fatores que possivelmente levaram à descoberta
da agricultura pelo homem primitivo? Quais as mudanças
provocadas pela agricultura no comportamento do homem
primitivo?
Por que alguns críticos acham que a agricultura foi um grande
erro na história da humanidade? Você concorda com eles?
Justifique.
Quais sáo os produtos fornecidos pela agricultura?
Quais são as diÍerenças fundamentais entre a ótica conserva-
dora e a ótica sistêmica?
Que fatores proporcionaram a busoa de métodos alternativos
de produção?
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técnicas e métodos diferentes dos pacotes convencionais, normalmente estabe-
lecidos em função de regulamentos e regïas que orientam a produção e impõem
limites ao uso de certos tipos de insumos. Entretanto, um modelo de agricultura
que apenâs substitui os insumos quírnicos convencionais por alternativos, não
é, necessariamente, uma agricultura ecológica, em sentido mais amplo. A sim-
ples substituição de agroquímicos por adubos orgânicos mal manejados não é a
solução, podendo inclusive causar outro tipo de contaminação. A substituição
de àitrogênio, Íósforo e potássio de um fertilizante inorgânico por nitrogênio,
fósforo e potássio de um Grtilizante orgânico pode ter efeito adverso sobre as
plantas, aurnentando a suscetibilidade a pragas, além de contaminar o ambiente.
O uso inadequado dos materiais orgânicos por excesso, por aplicação fora de
época ou pelos dois motivos, pode provocar um curto-circuito, limitando o
desenvolvimento e o funcionamento dos ciclos naturais.
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No Brasil, em meados da década de 60 do século )O( foram instituídas algumas práti-
cas agrícolas como forma promissora de mudança, aumentando a produção' melhorando a
q,rrlã"d. dos alimen,or.,."r.rrdo maior rentabilidade para os agricultores' Esse processo de
modernização dos p"droes agrícolas foi denominado revolução verde e se estruturou dentro
de um convônio .nìr. o gorrírro dos Estados lJnidos da Âmérica e o governo brasileiro' que
se articularam pala íornecer aparatos técnicos e científicos aos agricultores' como maqui-
nários agrícolas, sementes modificadas, agrotóxicos, fertilizantes químicos e combustíveis
fósseis. Tàmbém foram destinados financiamentos pâra os agricultores e paÍa os comerciantes do
ramo, o que permitiu a estruturação de cadeias comerciais agrícolas e de complexos agroin-
dustriais. A partir desse processo, a agricultura brasileira se estruturou em torno de dinâmicas
ligadas à produção de commodities pataexportação' Esse sistema produtivo passou a ser conhe-
cido como agricultura convencionai, baseada em monoculturas que utilizavam agroquímicos
(fertilizantes e agÍotóxicos), sementes padronizadas e trabalho mecanizado'
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Quanto ao uso de agrotóxicos, o pro-
blema é mais grave. Dados divulgados pela
Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) mostram que, entre 2002 e 2006, o
uso de agrotóxicos no Brasil dobrou. Esse fato
é preocupante, pois quase todos os agrotóxi-
cos contêm metais pesados, como o chumbo,
o mercúrio e o arsênio, que se acumulam no
organismo. O uso indiscriminado de agrotó-
xicos na agricultura convencional afeta a saúde
dos agricultores. Ânálises feitas pela A\IVISA,
em 2006, como parte do Programa de Análise
de Resíduos de Agrotóxicos nos Alimentos,
mostraram qt;,e 28,68o/o das amostras de alface
e 37 ,680/o das amostras de morango continham
níveis de resíduos de agrotóxicos acima dos
estabelecidos peia legislação.
lixíviação:
Processo de lavagen das rochas e
dos solos pelas águas das chuvas,
por ocasião das enxurradas, que
arrastan os nutrientes.
Plantação recebendo agtotóxicos
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espécie à regiáo, sáo bons alimentos, pois possuem menor capâcidade de metabolização dos
aminoácidos liwes, para transformá-lÃs eá proteínas complexas. Desse.modo, as chamadas
pragas têm condiç0., a. se desenvolver, já que os aminoácidos livres são alimento para elas'
O desequilíbrio biológico do solo, causado pela utilização de produtos químicos, afeta
os micro-organismos responsáveis pelo ciclo de nutrientes importantes para a plantâ, que não
consegue absorvê-los do solo. Dessa forma, náohâa coiaboração de micro-organismos do solo
para o processamento da matéria orgânica, já que eles estão sendo sistematicamente elimina-
dos. Além disso, quando o agricultor trabalha constantemente com adubação química, cria a
necessidade cada vez maior de utilização de nutrientes químicos' gerando uma dependência
econômica e cultural.
O uso frequente e intensivo de biocidas (herbicidas, inseticidas, acaricidas' nematici-
das, fungicidas) i uma prática de consequências bastante graves' Os biocidas são produtos que
matam ervas, insetos, ácaros e vertebrados. Se o homem entra em contato com esses produtos,
também acabamorrendo ou adquirindo doenças como câncer e degenerações genéticas'
O que caracterízao modelo de agricultura convencional é a dependência tecnológica e
cultural. A cultura agrícola .r-porr.r"=tradicional vai se perdendo com o tempo' principal-
mente com o desresf,eito ao agricultor e a supervalorizaçío do técnico-cientista, que impõe
técnicas importadas, à.r.orrh.cidas pelo agricultor, assim como acontece com os insumos'
A destruiçáo de alimentos, o consumo exagerado, a insustentabilidade em longo prazo
e o balanço energético negativo também são características próprias da agricultura moderna'
Dentro das estruturas de transformação de alimentos, a perda e a ineficiência do processo são
muito grandes. A destruição de alimentos pode ser observada por meio das questões de mer-
cado, da estocagem, do transporte e da comercialí24ío'
A agriculturâ convencional, extremamentej consumista, não Gcha ciclos, não tem a preocupa-
ção de ,.ãi.1"., de regener ar, de fazet com que o produto retorne parâ a fonte' Isso é observado
íos lixões das cidadels. O material orgâlico não retorn a paÍaa agricultura em forma de adubo e
o material mineral não retornapúàa produção. Tudo é consumido ou descartado'
O náo fechamento de ciclos tem um balanço energético negativo. A sociedade moderna
consome mais do que produz e isso tem reflexos na insustentabilidade da agriculturaconven-
cional. Esse modelo de agricultura está em prâticahá pouco tempo, mas já entrqu em colapso
e a percepção desse colap-so levou à busca de alternativas. lJma delas é o retorno à agricultura
trad-i.ional do camponês, utilizando fundamentos e práticas agrícolas já esquecidas'
Como alternativa à agricultura convencional, amplamente praticadâ atualmente, a agfi'
cultura ecológica começa a se estender, no mundo inteiro, por meio de diversas correntes, que
se diferenciam em alguns pontos, mas possuem princípios comuns e o mesmo objetivo: pro-
mover mudanças tecnológicas e filosóficas na agricultura, tornando-a sustentável'
êgrã*axtrËure* de Sese 5**ló$ita
As práticas agrícolas alternativas sáo menos agressivas ao meio ambiente e existem h,a
muito telpo,.- ãirr..r"s partes do mundo. As mais conhecidas são a agricultura orgânica, a
agricultura biodinâmi ca, a agrictltura natural, a permacultura e a agricultura biológica, que
,i.gi."* em diferentes lugrres, motivadas por diferentes contextos econômicos e sociais'
Todas elas têm como objetivo a transformação da agricultura, incorporando processos
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, natllrais, reduzindo a utilização de recursos externos, aumentãndo a proclutividade pelo
, uso do potencial genético de espécies vegetais e animais e atingindo uma produção efi-
, ciente e lucrativa, pela rnaximtzação dos recursos disponíveis. Cada uma dessas práticas
, segue filosofias, princípios, tecnologias, normas e regras diferentes, conforme as correrÌtes
. 2 que estão ligadas. As principais características de cada uma delas são descritas a seguir.
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É a mais antig e tradicional corrente
da agricultura ecológica. Teve origem na
Índia e for trazida por acadêmicos fran-
ceses e ingleses, ainda influenciando, na
atualidade, a sua sistemática de traba-
lho. A agricultura orgânica é baseada na
compostagem de matéria orgânica, com
a utrlizaçío de micro-organismos efi cien-
tes para processamento mais rápido do
composto; na adubação exclusivamente
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orgânica, com reciclagem de nutrientes no solo;
utilizados na produção agrícola, a não ser como
recicladores de esterco.
e na rotação de culturas. Os animais não são
tração dos implementos e como produtores e
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Pesquise sobre a agricultura orgânica, em livros e na lnternet,
e com base na sua pesquisa responda às questões a seguir.
Quais são as características da agricultura orgânica? euais os
grandes problemas causados por ela?
Quais são as etapas da conversão do sistema convencional
para o sistema orgânico de produção?
Quais são as características do sistema agroecológico de pro-
dução que o tornam mais adequado do que o sistema orgânico
por substituiçáo de insumos?
Quais sáo as etapas da conversão do sistema tradicional para
o sistema agroecológico?
Qual é a meta final do sistema agroecológico de produção?
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Agri+rliu ra Siadinâmiça
Originária da Polônia, sua característica principal é a utilização da compostagem e de
preparados homeopáticos (biodinâmicos) parâ o fortalecimento das plantas, tornando-as
resistentes a determinadas bactérias e fungos, e para o fortalecimento do solo, ativando a
microbiota. Os animais são integrados à lavoura, para aproveitamento de alimentos, ou seja,
aquilo que o animal tira da terra, volta para a terra. A importação de adubo orgânico não é
permitida, pois materiais orgânicos de fora da propriedade ou da região não são adequados,
por não possuírem a bioquímica, a energia ou a vibração necessária à cultura. Há a preocupa-
ção com o paisagismo, com a arquitetura e com a captação da energia cósmica.
A agricultura biodinâmica é baseada na Antroposofia, fundada por Rudolf Steiner, que
prega a importância de conhecer a influência dos astros sobre todas as coisas que acontecem
na superÍïcie da Terra. Ela tem como consequência natural a renovação do manejo agrícola, o
saneamento do meio ambiente e a produção de alimentos realmente dignos do ser humano.
O objetivo da agricultura biodinâmica é ajudar os agricultores a vencer a unilateralidade
materialista na concepção da natvreza, para que eles possam, por si mesmos, achar uma relação
ética e espiritual com o solo, com as plantas, com os animais e com seus co-irmãos humanos.
Existe para lembrar a todos os homens que a agricultura é o fundamento de toda a cultura e
tem algo a ver com todos. Busca transformar a.{azenda ou o sítio em um organismo completo
e maximamente diversificado, capaz de renovar-se a partir de si mesmo.
O fundamento para tudo isso é a integração de tqdos os elementos agrícolas, como as cul-
turas do-campo e da horta, os pâstos, a fruticultura e outras culturas perÍÌanentes, as florestas,
sebes e capões arbustivos, os mananciais hídricos, asvârzeas, etc. Caso o organismo agrícola se
ordene em volta desses elementos, nasce a fertilidade permanente e a saúde do solo, das p,lantas,
dos animais e dos seres humanos.
âgri*arlt*lra ï{ateãraã
Está fundamentada na filosofia do estudioso japonês Mokiti Okada, que tem por
objetivo instaurar o Paraíso Terrestre, um mundo sem doenças, pobreza ou conflitos.
Por volta de 1935, Mokiti Okada fez experiências de aplicação do método no cultivo de
^rroz 
e hortaliças em Tóquio. Apoiado no bom resultado dessas experiências, ele passou
a transmiti-las a outras pessoâs, iniciando a sua divulgação. 
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A agricultura natural utiliza a compostagem e micro-organismos que têm capacidade
de processar e desenvolver matéria orgânica útil. Utilizatambém a adaptação da planta
ao solo e a adaptação deste à planta. Esse é o primeiro passo pâra a manipulação genótica
e para a dominação tecnológica, característica semèlhante à da agricultura convencional.
Por isso não é bem aceita por outras correntes de agricultura ecológica.
A agricultura natural procura restabelecer o estado natural da produção de alimen-
tos, por meio de um sistema técnico capaz de alcançar seus objetivos: produzir alimentos
que melhorem a saúde do homem; ser praticada por qualquer pessoa, em caráter perma-
nente; ser econômica e espirituaÌmente vantajosa, tanto para o produtor quanto para o
consumidor; respeitar a rìatureza, conservando-a; garantir alimento para toda a humani-
dade,independentedoaumerÌtodaspopulações.
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Na permacultura não há tecnologias adequadas ou próprias, mas tecnologias apropriadas.
A comunidade tem determinada importância e deve'ser autossustentável e autossuficiente,
.produzindo seus alimentos, implementos e serviços, sem a existência de capital. A comercia-
,;1 .Lrzação deve ser feita pela troca de produtos e de serviços.
âglricu lËu ra Ãlternativa
S.eus precursores no Brasil foram Ana Maria Primavesi, José Lutzenberger, Sebastião
Pinheiro, Pinheiro Machado e Maria José Guazelli. Os princípios dessa corrente são a com-
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:-postagem e a adubação orgânica e mineral de baixa solubilidade. Na agricultura alternativa, o
equilíbrio nutricional da planta é fundamental. Aparece o conceito de trofobiose, que consi-
dera a fisiologia da planta em relação à sua resistência a prâgas e doenças. Outra característica
é o usó de sistemas agrícolas regenerativos, que deu origem à agricultura regenerativa.
: I agricultura alternativa tem como princípio fundamental a sustentabilidade econô-
mica, social e ecológica e a busca constante pela sabedoria. Na agricultura ecológica, além de
aproveitar as plantas cultivadas, devem-se aproveitar também as plantas que nascem esponta-
neamente. Elas servem como alimento para os humanos ou como forragem para os animais.
fu plantas da família das leguminosas atraem as bactérias fixadoras de nitrogênio, além de
outras plantas, que se associam a outros tipos de micro-organismos benéficos, favorecendo
a absorção de Íósforo e de outros nutrientes. Muitos desses micro-organismos,se alimentam
de outros micro-organismos, que provocam doenças nas plantas. IJsando adubos naturais e
caldas para proteger e alimentar as plantas, pretende-se produzir alimentos puros e saudá-
veis, evitar a contaminação das pessoas, manter o equilíbrio da naturezâ, conservar os seres
vivos, aumentar a resistência das lavouras, diminuir os custos de produção e atender à grande
demanda por alimento sadio.
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No Estado do Espírito Santo, surgiu uma nova corrente da agricultura ecológica, criada
da experiência de Nasser YousseÍ Nasr. A agricultura nasieriana, também chamada
de biotecnologia tropical, preconiza o estímulo e o manejo das ervas nativas e exóti-
cas, a multidiversidade de insetos e plantas, a aplicação direta de estercos e resíduos
orgânicos na base das plantas, adubaçoes orgânicas e minerais pesados. para Nasser,
o Brasil, por ter uma agricultura de clima tropical, não necessita de compostagem,
pois o clima quente somado às reaçÕes fisiológicas e bioquímicas intensas garantem
a transÍormaçáo no solo da matéria orgânica. Segundo Nasser, o esterco deve ser
colocado diretamente na planta, pois esta sabe o momento apropriado de lançar suas
radículas na matéria orgânica que está em decomposiçã0, e os micro-organismos do
solo buscam no esterco os nutrientes necessários para a planta e os levam para baixo
da terra. Ervas nativas e exóticas são usadas, junto com a cultura, para que haja diver-
sidade de inços, havendo necessidade de manejar as ervas nativas de manôira que
elas mantenham o solo protegido e façam adubação verde. Não temos uma agricultura
de solo, mas de sol. â
Fonte: Adaptado de: w0LFE L.t. Asricuttura ecotósica. Disponível em:p.o..ìro de evolução contí-
,':nua e crescente, sem um momento final determinado. Entretanto, por se tratar de um
processo social, por depender da intervenção humana, a transição agroecológica implica
üão somen.te a busca de urna maior racionalização econômico-produtiva, com base nas
ificidades bioÍïsicas de cada agroecossistema, mas também a mudança de valores e
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A Agroecologia não trata apenas dos aspectos tecnológicos ou agronômicos da pro-
dução, mas incorpora dimensões mais amplas e complexas, que incluem tanto variáveis
econômicas, sociais e ambientais, como variáveis culturais, políticas e éticas da sustenta-
bilidade. Por esse motivo, o complexo processo de transição agroecológica não dispensa
o progresso técnico e o avanço do conhecimento científico. A agroecologia corresponde
a um campo de estudos que busca o manejo ecológico dos recursos nâturais, para recon-
duzir o .niËo alterado da coevolução social e ecológica, mediante o controle das forças
produtivas, por meio de uma ação social coletiva de caráter participativo, de um enfoque
holístico e de uma estratégia sistêmica. A dimensão local tem importância fundamen-
tal nessa estratégia, por ser portadora de um potencial endógeno, rico em recursos,
conhecimentos e saberes, que facilita a implementação de modelos de agricultura poten-
cializadores da biodiversidade ecológica e da diversidade sociocultural.
A Agroecologia não oferece uma teoria sobre desenvolvimento rural, sobre
metodologias participativas ou sobre métodos parz 
^ 
construção e validação do conhe-
cimento técnico. Ela busca nos conhecimentos e experiências acumulados, por meio
da investigação-ação participativa ou do diagnóstico rural participativo, um método de
intervenção que, além de manter coerência com suas bases epistemológicas, contribua
na Promoção das transformações sociais necessárias para gerar padrões de produção e
consumo mais sustentáveis.
Dependendo dos objetivos e das metas qúe se estabeleçâm, e do grau de sustentabi-
lidade que se deseja alcançar, o processo de transição agroecológica pode adquirir grande
complexidade, tanto tecnológica como metodológica e organizacional. Há três níveis funda-
: mentais no processo de transição para agroecossistemas sustentáveis. O primeiro diz respeito
ao incremento da eficiência das práticas convencionais, reduzindo o uso de insumos externos
caros, escassos e daninhos ao meio ambiente. Essa é a principal ênfase da investigação agrícola
convencional, resultando disso muitas irráticas e tecnologias que ajudam a reduzir os impac-
tos negativos desse modelo de agricultura. O segundo refere-se à substituição de insumos
e práticas convencionais por práticas alternativas. A meta seria a substituição de insumos e
práticas intensivas, contaminantes e degradadoras do meio ambiente, por outras benignas sob
o ponto de vista ecológico. Assim, a estrutura básica do agroecossistema seria pouco alterada,
podendo ocorrer problemas similares aos que se verificam nos sistemas convencionais. O
terceiro e mais complexo nível da transição é representado pelo redesenho dos agroecos-
sistemas, para que eles funcionem com base em novos conjuntos de processos ecológicos,
eliminando-se as causas dos problemas que não foram resolvidos nos dois níveis anteriores.
Como resultado da aplicação dos princípios da Agroecologia, podem-se implan-
tar modelos de agricultura de base ecológica, obtendo produtos de qualidade biológica
superior. Para respeitar aqueles princípios, a agricultura deve atender a requisitos sociais,
considerar aspectos culturais, preservar recursos ambientais, considerar a participação
política e o empoderamento dos seus atores, e possibilitar a obtenção de resultados eco-
nômicos favoráveis ao conjunto da sociedade, com uma perspectiva temporal em longo
prazo, ou seja, uma agricultura sustentável.
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Segundo Gliessman, um modelo de agricultura é sustentável, do ponto de vista agroeco-
gico, quando atender aos seguintes critérios:
baixa dependência de insumos comerciais;
uso de recursos renouáueis localmente acessíueís;
utili.zação dos impactos beneficos ou benignos do meio ambiente local;
aceitação efou tolerância das condições locais, antes que ocorra a dependência da intensa alteração ou
tentatiua de controle sobre o meio ambiente;
' manutenção, em longo prazo, da capacidade produtiua;
. preseruação da diuersidade biológica e cultural;
" utilizaçao do conhecimento e da cultura da população local;
' produção de mercadorias para o consutno interno e para a exportação.
A expressão agricultura sustentável refere-se à busca de rendimentos duráveis pela
tthzação de tecnologias de manejo ecologicamente adequadas, o que requer a otimização
sistema como um todo e não apenas o rendimento máximo de um produto específico.
'O Centro de Agroecologia da (Jniversidade da California, Câmpus de Santa Cri1z(EUA),
efiniu agricultura sustentável como: aquela que reconhece a natureza sistêmica da produção de
alímentos,forragens efibras, equilibrando, com equidade, preocupações relacionadas à saúde ambiental,
iça social e uiabilidade econômica entre os diferentes setores da população, incluindo distintos pouos
t'f'e aïerentes geraçAes.
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ttl Icorrente agroecológica com as demais
correntes que buscam o desenvolvimento sustentável:
Enquanto a corrente agroecológica susfenÍa a necess idade
da construção de processos de dese nvolvimento rural e agricultu-
ras susfentáveis que levem em conta a busca do equilíbrio entre as
seis dimensóes da susfentabilidade, outras correntes, por estarem
orientadas principalmente pela expectativa de lucro individual em
curto prazo, acabam minimizando certos compromissos éficos e
socioambientais. Sob a perspectiva de uma agricultura ecologizada
e desprovida desses comprornissos, pode-se supor que venha a
existir uma monocultura orgânica de larga escala, baseada em mão
de obra assalariada, mal remunerada. Essa monocultura ecológica
poderá até atender aos anseios e caprichos de consumidores ínfor-
mados sobre os benefícios de consumir produtos agrícolas limpos,
orgânicos, rsenÍos de resíduos contaminantes. Entretanto nenhum
produto será verdadeiramente ecológico se a sua produção estiver
sendo realizada à cusfa da exploraçáo da mão de obra, ou quando o
não uso de certos insumos estiver sendo compensado por novas for-
mas de esgotamento do so/o, de degradaçáo dos recursos naturais
ou de subordinaçáo dos agrÍcultores aos sefores agroindustriais. w
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A simplificação do conceito de Agroecologia, concentrando os esforços e os recursos ape-
nas na mudança da base técnica, para gerâr produtos diferenciados e de nicho, pode provocar
um novo tipo de espiral tecnológica, gerando novas contradições e outros tipos de diferenciação
social na agricultura. Atualmente, já é possível observar a existência de categorias de agricultores
ecológicos ou orgânicos, que começam a ser consideradas como novas categorias sociais, nos
estudos sobre a agricultura brasileira. Corre-se o risco de ampliar as diferenças entre os agricul-
tores que têm e os que não têm acesso a serviços de assistência técnica e extensão rural, crédito e
tecnologias de base ecológica, assim como entre os que dispõem e os que não dispõem de apoio
para se otganizar em grupos, com o objetivo de conquistar nichos de mercado que remunerem
melhor pelos produtos ecológicos que oferecem.
Fazer o enfoque agroecológico avançar envolve desafios grandes e complexos, cuja supe-$a
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', sociedade. Depende também do reconhecimento de que a sustentabilidade encerra não apenas
',' abstrações teóricas e perspectivas futuristas, mas também elementos práticos, que devem ser
'. radotados no dia a dia. Como a opinião pública não considera os impactos negativos causados
.. pela agricultura convencional como um problema a ser resolvido, retarda-se a tomada de cons-
=,., ciência da sociedade, no sentido de apoiar a construção de processos de desenvolvimento rural
., e de modelos de agricultura sustentáveis.
t, ' A socialização de conhecimentos e saberes agroecológicos entre agricultores, pesquisado-
: reS, estudantes, extensionistas, professores, políticos e técnicos em geral é fundamental, cabendo
:' a todos os cidadãos o dever e o direito de trabalhar pela ampliação das oportunidades de cons-
,,, trução dos saberes socioambientais necessários para a consolidação de um novo paradigma de
,. desenvolvimento rural, que considere as seis dimensões (ecológica, social, econômica, cultural,'r política e ética) da sustentabilidade. Como enfoque científico e estratógico de caráter multi-
., disciplinar, a Agroecologia tem potencial para fazer florescer novos modelos de agricultura e
'' novos modelos de desenvolvimento rural, que garântam a preservação ambiental ã resp.item
., os princípios éticos de solidariedade.
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A Agroecologia se nutre de outras disciplinas científicas e dos saberes, conhe-
cimentos e experiências dos agricultores, 0 que permite o estabelebimento de
marcos conceituais, metodológicos e estratégicos capazes de orientar o desenho
e o manejo de agroecossistemas sustentáveis e 0s modelos de desenvolvimento
rural sustentável.
A Agroecologia propoe o desenvolvimento de modelos de produção agrícola em
agroecossistemas semelhantes aos ecossisiemas naturais, enquanto a agricultura
convencional utiliza fertilizantes químicos, agrotóxicos e insumos externos.
0 enfoque agroecológico consiste na aplicação dos princípios da Agroecologia ao
manejar os agroecossistemas.
A socializaçáo dos conhecimentos tem importância fundamental para o desenvol-
vimento de modelos de agricultura e desenvolvimento rural sustentável,
Atividades
1) Que fatores levaram ao desenvolvimento do sistema de produ-
ção agrícola convencional? Quais são as características desse
sistema de produçáo?
Que fatores levaram ao questionamento do sistema de pro-
dução convencional e à busca de sistemas de produção
alternativos?
Qual a importância da Agroecologia para o desenvolvimento
de sistemas de produção alternativos?
Qual a diferença fundamental entre agricultura convencional e
agricultura ecológica?
Como pode ser entendida a Agroecologia?
Como pode ser entendido o enfoque agroecológico?
O que é transição agroecológica? Quais são as suas etapas?
Qual a principal dificuldade para o avanço da transiçáo agroe-
cológica? Como ela pode ser superada?
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A agricultura familiar, incentivada pelo debate sobre -desenvolvimento sustentá-
vel, geração de emprego e renda e segurança alimentar, está ganhando fqrça no Brasil.
O aumento do número de agricultores assentados pela reform a agríria e a criação do
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (pRóNAF) impulsiona-
ram a, busca de soluções para os problemas socioeconômicos da agricultrrra familiar, corn
base na estruturação de modelos de produção adequados à situaçãã fundiária e econômica
das famílias rurais, fornecendo condições de sobrevivência a essas famílias, evitando pro-
blemas como a expansão dos grandes latifundios e o êxodo rural, que geram dinâmicas
socioespaciais negativas para um grande número de pessoas.
A Agroecologia apresentâ-se como uma alternativa de produção para a agricultura
familiar, tornando possível a permanência e a estruturação ãas famílias rurais em suas
propriedades. Os-ideais propostos pela Agroecologia fizeram com que ela se difundisse
em todo o país, encontrando as adaptações necessárias às formas de produção utilizando
os recursos do próprio local, com isso diminuindo os custos de proá,rção, minimizando
a agressão ao meio e fortalecendo a agricultura familiar.
A Agroecologia proporciona o conhecimento e a metodologia necessários para
desenvolver uma agricultura ambientalmente consistente, altrmen"te produtiv" . ..o-
nomicamente viável. Ela abre a porta para o desenvolvimento de novãs paradigmas de
agricultura,valorizando o conhecimento local e empírico dos agricultores, a socúlização
desse conhecimento e sua aplicação ao objetivo comum da sustútabilidade. proporciJna
também a liberdade do agricultor frente aos padrões agrícolas convencionais.
A Agroecologia promove mudançâs nas relações sociais, enfatizando os benefícios
que as práticas agroecológicas podem tr^zer para o agricultor, tanto na renda familiar
quanto na qualidade dos alimentos produzidos. Ela incentiva a. organização dos agri-
cultores familiares em associações, para que eles possam fortalecerã classe e melhorar
as condições de produção e de come rcialização, melhorando assim a qualidade de vida
deles.
Resumo
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A Agroecologia é uma ciência que apresenta uma série de princípios, conceitos e
metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas,
com 0 propósito de apoiar a implantação e o desenvolvimento de modelos de
agricultura sustentáveis ao longo do tempo.
AAgroecol0gia, enquanto ciência, não deve ser confundida com uma prática ou
tecnologia agrícola, um sistema.de produção ou um estilo de agricultura.. 0s agroecossistemas constituem a unidade fundamental de estudo, em que os
ciclos mineraís, as transÍormaçoes energéticas, 0s processos biológicos e as
relaçoes socioeconômicas são investigados e analisados em conjunto, buscando
cOmpreender as complexas interaçÕes existentes entre as pessgas, os cultiv6s, 0scOmpreen0er as cOmplexas interaçoes existentes entre as pessoas, os cultiv6s, 0s :
solos e os animais. Ê
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