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Conteudista Prof.ª Ma. Evelyn Camponucci Cassillo Rosa Revisão Textual Aline de Fátima Camargo da Silva Desenvolvimento Funcional e Desenvolvimento Funcional na Infância 2 Sumário Introdução .............................................................................................................................. 4 Importância do Movimento em cada uma das Faixas Etárias e o Desenvolvimento Funcional na Infância ............................................................................7 Desenvolvimento Funcional na Infância ...................................................................................11 Habilidades Motoras ............................................................................................................14 Habilidades de Estabilização e Habilidades Motoras Fundamentais de Estabilidade ..................................................................................................... 15 Habilidades de Locomoção ..........................................................................................................18 Habilidade de Manipulação e Habilidades Motoras Fundamentais de Manipulação ................................................................................................................................. 22 Considerações finais .......................................................................................................... 27 Em Síntese ............................................................................................................................ 29 Atividades de Fixação ........................................................................................................30 Material Complementar......................................................................................................31 Referências ........................................................................................................................... 32 Gabarito ................................................................................................................................ 33 3 Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo on-line para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Este arquivo PDF contém o mesmo conteúdo visto on-line. Sua disponibili- zação é para consulta off-line e possibilidade de impressão. No entanto, re- comendamos que acesse o conteúdo on-line para melhor aproveitamento. • Apresentar as possibilidades envolvidas em atividades relacionadas com os movimentos humanos e as emoções geradas a partir da relação entre meio/ aluno(a), aluno(a)/aluno(a) e aluno(a)/professor(a), tanto na perspectiva intrín- seca quanto extrínseca; • Viabilizar situações adequadas para os diferentes momentos de desenvolvi- mento dos(as) estudantes da Educação Infantil e Ensino Fundamental I; • Otimizar a relação de ensino-aprendizagem na perspectiva do desenvolvimen- to do cidadão crítico e reflexivo. Objetivos da Unidade 4 VOCÊ SABE RESPONDER? Já sabemos da importância dos movimentos para o desenvolvimento e aprendiza- gem, mas como devem ser os estímulos e atividades que os favorecem? Introdução Ao longo da história da humanidade, o movimento vem sofrendo modificações quanto à sua funcionalidade. Além disso, por muito tempo, as destrezas e as capaci- dades físicas eram elementos essenciais para a sobrevivência do ser humano. Assim, a necessidade de se ter força, agilidade e resistência estavam ligadas às si- tuações de vida ou morte. Afinal de contas, a caça para a alimentação e o uso da força para a defesa de suas famílias contra outros predadores, exigiam de forma natural essas habilidades e capacidades. As atividades relacionadas à infância já possuíam uma relação direta com esse desenvolvimento, que podemos comparar com os outros animais, os quais testam e desenvolvem suas habilidades e capacidades brincando, as- sim como fazem os cães, os leões etc. Graças à capacidade intelectual do ser humano, que viabiliza análises mais sofistica- das em comparação com outras criaturas da natureza, torna-se possível guardar in- formações para as gerações futuras se apropriarem desse conhecimento, sem terem vivenciado uma determinada situação na qual levou ao conhecimento específico. Desse modo, com o passar do tempo, as sobrevivências se tornaram menos ameaçadas. Além disso, a manipulação de novas ferramentas que facilitaram a vida cotidiana do ser humano e o desenvolvimento de novas tecnologias permi- tiram que os indivíduos fossem cada vez menos dependentes de suas capacida- des e destrezas físicas. 5 Na sociedade moderna, o uso exacer- bado de alguns utensílios, como car- ros, motos, escadas rolantes, eleva- dores entre outros, afasta ainda mais o movimento da rotina diária de cada indivíduo e, assim, por falta de estímu- lo, problemas como obesidade, menor desenvolvimento dos músculos, defi- ciências físicas (força, resistência e flexibilidade), tornam-se fatores rela- cionados diretamente ao desenvolvi- mento de doenças crônicas, além de problemas psicossociais. As pesquisas atuais mostram a importância da presença do movimento no desen- volvimento dos indivíduos. Crianças cujas vidas sejam restritas de brincadeiras com a presença de ações motoras, por terem a maior parte do seu tempo de diversão relacionados a uma postura estática em frente a uma tela, seja de computador, tele- visão, vídeo games e tablet, acabam não vivenciando atividades fundamentais para o seu desenvolvimento motor, cognitivo e psicossocial. É relevante salientar que crianças que não praticam atividades físicas têm uma maior probabilidade de se tornarem adultos sedentários. Ainda, podemos associar esse comportamento ao fato de que pais sedentários tendem a aumentar a incidência dessas características em seus filhos. Dessa maneira, a falta de conhecimento dos pais em relação aos potenciais de aprendizagem envolvidos nas brincadeiras coletivas que contemplem movimento, raciocínio para solucionar problemas ou solicitam aspectos intelectuais, destrezas corporais e adaptações contínuas de ambas, contribuem ainda mais para a ausência do movimento na rotina das crianças. 6 Igualmente, podemos destacar fatores da sociedade contemporânea, como a violência, que nos torna cada vez mais presos dentro de nossas casas, condomínios, shopping centers etc. Dentro desse contexto, a escola desempenha um papel fundamental para estimular ações nas quais possi- bilitem aos estudantes vivências motoras, afetivas e sociais, a fim de im- pulsionar práticas que contribuirão para o desenvolvimento integral da(o) criança/indivíduo. Nesta unidade, iremos refletir sobre as seguintes questões: • O que devemos apresentar em termos de movimento para cada uma das faixas etárias que compõem a Educação Infantil e os Anos Iniciais do Ensino Fundamental? Sobre qual contextualização precisamos apresentar cada uma dessas atividades? • Qual o potencial de aprendizagem em atividades interdisciplinares que envol- vem o movimento? • Quais são os movimentos essenciais para garantir o desenvolvimento global de nossos(as) alunos(as)? • Quais são os estímulos sociais relacionados com essas atividades e quais as emoções envolvidas que proporcionam o desenvolvimento do(a) discente equilibrado emocionalmente? O artigo demonstra a relevância do movimento no desenvolvimento do indivíduo, apontando características do desenvolvimento motor, aprendizagem cognitiva e crescimento sócio afetivo cognitivo, e crescimento sócio afetivo. Leia o artigo e faça uma reflexão acerca da importância do movimento no currículo escolar em relação à sua prática profissional futura, ressaltando a relevância do es- tudo da unidade para a sua formação pessoal e profissional. Leitura Sugerimos a leitura de um artigo, o qual resu- me os estudos de David L Gallahue intitulado Educação Física Desenvolvimentista. https://bit.ly/2XYcy0z 7 Importância do Movimento em cada umadas Faixas Etárias e o Desenvolvimento Funcional na Infância Compreendemos, por meio dos nossos estudos, a importância do movimento para o desenvolvimento humano. Este está presente desde a concepção até os últimos dias de vida. Desde a barriga da mãe (período fetal), a criança exibe seus primeiros movimentos perceptíveis. Nessa fase, há movimentação da boca e punhos e, de forma reflexa, o sugar do polegar e, ainda, com seu crescimento e o espaço restrito, os movimentos reflexos já são consistentes e consideráveis, tornando-se cada vez mais ativo até o nascimento. Figura 1 – Primeiros movimentos Fonte: Freepik, 2023 Nos dois primeiros anos de vida, há um desenvolvimento motor substancial. A criança passa de um ser sem defesa, relativamente sedentária, para uma criança consideravelmente maior, vertical e ativa. O desenvolvimento motor tem uma forte influência no crescimento físico e no desenvolvimento de suas capacidades como força e resistência. 8 Frise-se que nessa fase, cabe aos responsáveis e aos educadores possibilitarem um ambiente seguro para uma exploração nata das crianças, sendo que critérios de comparação não devem ser estabelecidos, pois algumas características físicas, como tamanho da cabeça, que influencia no equilíbrio em pleno desenvolvimento; o tamanho da mão, que influencia na manipulação de objetos; e as capacidades físicas (principalmente força e resistência) se alteram no tempo de desenvolvi- mento subjetivo. No primeiro ano de vida, o aumento tanto de peso como de comprimento ocorre de maneira veloz, contínua e de forma acentuada até o segundo ano, porém, já com intensidade relativamente menor. Os movimentos reflexos têm funções essenciais na sobrevivência das crianças e servem de base para o desenvolvimento dos movimentos voluntários posteriores. Ações como engatinhar e caminhar demonstram uma relação de dependência para o seu desenvolvimento funcional e serão a base para futuras ações mais complexas. Observe a tabela a seguir: Tabela 1 – Sequência de desenvolvimento e taxa aproximada de aparição e inibição de reflexos selecionados primitivos e posturais MESES 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Reflexos Primitivos De moro X X X X X X X Susto X X X X X Procura X X X X X X X X X X X X Sucção X X X X X Palmar-mental X X X Palmar- mandibular X X X X Agarramento palmar X X X X X De Babinki X X X X Agarramento plantar X X X X X X X X X Firmeza do pescoço X X X X X X X 9 Reflexos Posturais Direção auditiva X X X X X Direção ótica X X X X X X X Flexão dos braços X X X X X X X X X X Amortecimento e apoio X X X X X X X X X Endireitamento do pescoço X X X X X X X Endireitamento do corpo X X X X X X X Engatinhar X X X X Caminhar X X X X X Nadar X X X X X Fonte: Adaptado de Gallahue, D L., 2003 Os reflexos primitivos estão relacionados diretamente com a obtenção de alimento e a segurança dos bebês. Portanto, apresentaremos alguns reflexos primitivos que devem ser acompanhados ao longo do desenvolvimento das crianças. Reflexo de Moro Testado a partir de uma condição de insegurança que pode ser gerada por uma postura supina. Também pode ser provocado por um barulho ou até a própria tosse do bebê. A permanência desse reflexo por mais de seis meses pode ser um indício de distúrbios neurológicos e quando ele ocorre de forma assimétri- ca pode indicar paralisia de Erb ou lesão de um membro. Reflexos de Busca e de Sucção estão associados diretamente com a busca pelo alimento e devem ser esti- mulados principalmente na amamentação, estando presentes em todos os re- cém-nascidos normais. 10 Reflexo Palmar de Pressão Ocorre desde os primeiros meses e com tamanha intensidade que é possível que a criança sustente o peso do seu próprio corpo em suspensão. Um aperto sem força e o prolongamento de ato, após o primeiro ano de vida, pode ser um sinal de retardo no desenvolvimento motor ou de hemiplegia; nesse caso, cabe uma investigação com laudo específico para esse diagnóstico. Reflexo de Babinsk Esenvolve-se para o reflexo plantar. A persistência do ato, após o sexto mês, pode ser um indicador de falha no desenvolvimento. Reflexos Posturais Enquadram-se em uma classe de ações que precedem os movimentos volun- tários e, por esse motivo, devem ser estudados pelos indivíduos envolvidos no desenvolvimento motor das crianças. De uma forma geral, esse reflexo posi- ciona a criança em uma postura ereta em relação ao seu ambiente e pode durar até o primeiro ano de vida, sendo identificado em todas as crianças normais. Reflexos Corretivos Labirínticos e Visuais Estão envolvidos diretamente na manutenção da postura ereta das crianças e podem ser identificados com inclinações diferenciadas do tronco, sendo que a cabeça se posiciona sempre para um equilíbrio da postura ereta. Essas ações ainda são reforçadas pelo reflexo de levantamento, que envolve os braços em uma ação para o mesmo objetivo postural. 11 Desenvolvimento Funcional na Infância Do nascimento até o final da primeira infância, o desenvolvimento motor, de uma forma geral, está associado aos processos de sobrevivência, tendo como principal foco a alimentação e a defesa. Os movimentos reflexos e as habilidades rudimentares (manipulação, estabilização e locomoção), que servem de base para o desenvolvimento motor posterior, com- pletam-se nesse período. Os aspectos cognitivos e o fortalecimento das muscula- turas envolvidas nas ações reflexas e rudimentares são extremamente necessários para dar condição básica às crianças para tentativas mais ousadas e complexas para as novas possibilidades que a vida lhes apresentará. A introdução na fase motora fundamental exige que as atividades de locomoção e de manipulação estejam totalmente controladas, pois a sua combinação será inevi- tável no desenvolvimento natural do ser humano. Reflexos de Engatinhar, Andar e Nadar Embora, aparentemente, estejam relacionados com atos voluntários poste- riores, não estão bem esclarecidos nos estudos do desenvolvimento motor. Thelen (1985) propõe que o estímulo de um reflexo desenvolva a força dos membros envolvidos, facilitando o desenvolvimento futuro dos movimentos voluntários. Vídeo Para compreender melhor a sequência de desenvolvimento dos reflexos primitivos e posturais, assista aos vídeos do professor Rogério J. de Souza: Reflexos primitivos – Avaliação e Integração Reações Posturais https://youtu.be/wm-ApSbCMK8 https://youtu.be/9MohtXdx5AU 12 E, embora não seja o foco central desta unidade, não há como dissociar os aspec- tos afetivos, os quais influenciam de forma significativa a velocidade do desenvol- vimento motor das crianças, da segurança relacionada ao meio e às pessoas, que permitem um avanço mais intenso no desenvolvimento das habilidades que serão adquiridas nessa fase. A forma como os fatores de estímulos são mostrados tam- bém pode melhorar a capacidade de aprendizagem dos nossos estudantes. O modelo proposto, a seguir, mostra-nos uma condição de interação entre os principais fatores que atuam nessa proposta de desenvolvimento e interação com os(as) discentes. Figura 2 – Esquema geral de desenvolvimento motor Fonte: Acervo da conteudista #ParaTodosVerem: esquema com três círculos em intersecção. Nos círculos há os textos: “Indivíduo: genética, subjetividade e fatores psicológicos”; “Ambiente: vivências, segurança, encorajamento e fatores intrínsecos”; e “Atividades: fatores físicos e mecânicos”. Fim da descrição. A interação desses fatores é crucial no desenvolvimento de todo ser. As caracterís- ticas genéticas, os conceitos/valores familiares e a forma como a criança percebe, refletem-se diretamente em seus aspectos psicológicos. Nesse panorama, poderíamos, ainda, destacar características de saúde, como nutri- ção, sono e patologias. O ambiente oferecido às crianças precisa ter características que transmitem possibilidades de desenvolvimento, sem colocar em risco a sua saúde. Indivíduo Ambiente AtividadesVivências, segurança, encorajamento e fatores intrínsecos Fatores físicos e mecânicos Genética, subjetividade e fatores psicológicos 13 Espera-se, para a fase da infância, um desenvolvimento motor e físico rápido, ha- vendo, normalmente, pequenas confusões no que se refere à consciência corporal, temporal, espacial e direcional. Os aspectos físicos são necessários, inclusive, para o controle adequado das necessidades fisiológicas, como urinar e defecar. As ações envolvidas na troca de vestimenta também são esperadas nesse período. Os movimentos bilaterais apresentam menor dificuldade de exploração quando comparados aos unilaterais, e não há distinção significativa nas habilidades e nas capacidades quando comparamos meninas e meninos dessa faixa etária. Os as- pectos cognitivos são facilmente observados pela quantidade de ideias expressas, que constituem o desenvolvimento de raciocínio pré-operacional, o qual demonstra como resultante a transição de um comportamento de autossatisfação para o com- portamento socializado fundamental. O desenvolvimento afetivo circula em torno do vencer a timidez, a insegurança por experimentar o novo, associado ao controle de riscos na execução das atividades, principalmente as lúdicas, que compõem o mágico mundo do imaginário, do faz de conta, o qual permite que a aprendizagem vá muito além do mundo concreto. A dificuldade de pais e educadores está em saber até onde há excesso de segurança que possa estar privando a criança de uma possibilidade de de- senvolvimento maior, e até que ponto a displicência de proteção é capaz de colocá-la em risco severo. De uma forma geral, na infância, as brincadeiras são o principal caminho para o desenvolvimento como um todo. O senti- do da autonomia e o estímulo às iniciativas estão envolvidos diretamente à capacidade de desenvolvimento socioafetivo que irá servir de alicerce para os próximos passos, caminhando para um novo sentido de independência e fomentando habilidades para a manipulação de fatores ambientais de acor- do com o anseio da criança para explorar novas vivências. Importante Aos educadores e aos pais cabe oferecer uma abundância de atividades que apresentem problematizações a serem solucio- nadas de forma autônoma, a fim de maximizar a criatividade e o anseio de explorar um mundo novo, mas cada vez menos temi- do, fomentando o encorajamento positivo e reduzindo o medo do fracasso. 14 O nível de exigência das habilidades deve estar de acordo com habilidades pré-exis- tentes, mas sempre com um grau ótimo de desafio para estimular uma participação engajada das crianças na busca pelo sucesso da realização da atividade. O envolvimento global do corpo se faz necessário para os desenvolvimentos moto- res posteriores; é preciso usar braços, pernas, cintura pélvica e escapular, tanto de forma bilateral como unilateral, variando velocidade, amplitude e agilidade, favore- cendo, também, uma postura adequada. Na fase final da infância (de 6 a 10 anos), o desenvolvimento se dá em uma ve- locidade mais lenta, e já é notado um controle no sistema sensorial e motor mais desenvolvido. Habilidades Motoras As habilidades motoras estão ligadas diretamente com os fatores intrínsecos às ati- vidades diárias, ao ambiente e ao indivíduo, sendo denominados de rudimentares, quando nos referimos ao desenvolvimento motor crescente da primeira infância. Figura 3 – Estímulos do ambiente Fonte: Freepik, 2023. 15 O desenvolvimento motor da criança está associado diretamente aos estímulos mostrados em sua rotina. Assim, mesmo que a solução do problema apresentado como estímulo para ela gere um movimento rudimentar, ele precisa ser persistente, a fim de afinar as características motoras dela. Dessa feita, o controle da musculatura, a experiência com a ação da força da gravidade e o ato de se movimentar em espaços restritos são fundamentais para o desenvolvimento motor da criança, sendo que este se dá de forma sequencial previsível, mas em ritmos individualizados, conforme a subjetividade e estímulo apresentado a cada criança. Vale lembrar que as habilidades rudimentares podem ser divididas em: estabilidade, locomoção e manipulação. Habilidades de Estabilização e Habilidades Motoras Fundamentais de Estabilidade De maneira segmentada, o controle relacionado à estabilidade se inicia pela capa- cidade motora do pescoço e prossegue com o desenvolvimento do controle do tronco e das pernas, sucessivamente. Ao nascer, temos uma preocupação constante quanto aos cuidados exibidos ao posicionamento da cabeça dos bebês, pois os músculos ligados ao controle do pescoço são os primeiros controles de estabilização observados. Dessa forma, a velocidade de desenvolvimento de força e resistência dessa região, assim como das outras, dependerá dos estímulos. Portanto, crianças privadas de movimento, como eram usados, os “charutinhos de fraldas” em bebês recém-nascidos em tempos passados, inibem esse controle. O controle seguinte a ser desenvolvido é o do tronco, tanto da região torácica (porção superior do tronco) como o da região lombar (porção inferior do tron- co). Ele é detectado com o posiciona- mento inclinado do tronco e a reação de inclinação do bebê na busca pela posi- ção ereta. Outra habilidade observada nessa fase, é a rotação do tronco da po- sição supinada para a posição pronada, a qual acontece aproximadamente no sexto mês ou um pouco mais tarde. 16 Com o controle completo do tronco, o bebê está apto a iniciar a postura de sentar. O sentar com apoio na região lombar exige o controle pleno do tronco, mas, ainda, não há o controle das pernas. A necessidade de apoio diminui com o tempo, estan- do inversamente proporcional ao ganho de controle dos membros inferiores, sendo que o auxílio para o sentar se faz desnecessário aproximadamente no sétimo mês de vida, lembrando que, em paralelo, o controle das mãos e dos membros superiores ocorre de forma simultânea ao desenvolvimento dessas habilidades. Observe a tabela a seguir, e acompanhe a sequência de desenvolvimento em cada faixa etária, segundo Gallahue (2003): Tabela 2 – Sequência de desenvolvimento e idade aproximada de surgimento de habilidades rudimentares de estabilidade Controle da cabeça e do pescoço Segura-se com apoio. 1º mês Desencosta o queixo da superfície de contato. 2º mês Bom controle de cúbito ventral. 3º mês Bom controle de cúbito dorsal. 5º mês Controle do tronco Levanta cabeça e peito. 2º mês Tenta virar de bruço. 3º mês Rola com sucesso para ficar de bruço. 6º mês Rola de bruço para a posição de barriga para cima. 8º mês Sentar Senta com apoio. 3º mês Senta com o próprio apoio. 6º mês Senta sozinho. 8º mês Fica em pé com apoio. 6º mês Ficar em pé Apoia-se segurando com as mãos. 10º mês Puxa-se para ficar em pé com apoio. 11º mês Fica em pé sozinho. 12º mês Fonte: Adaptado de Gallahue, D. L., 2003 O marco no processo de desenvolvimento relacionado à estabilidade é o ato de ficar em pé, o controle involuntário da musculatura dos membros inferiores em proces- sos de contração e relaxamento para ação estável do corpo na posição ereta com apoio exclusivo das pernas. 17 Essa ação, geralmente, é tida como a mais espetacular nessa fase de desenvolvi- mento motor, pois é a partir dela que o bebê inicia a ação de caminhar, sendo os primeiros passos realizados com apoio, transcendendo de uma forma muito veloz para as primeiras tentativas de excluí-los. Assim, os estímulos são cruciais para essa realização e o encorajamento deve ser feito de modo contínuo e seguro, a fim de que não aconteçam inibições traumáticas e riscos excessivos. O equilíbrio dinâmico está ligado à manutenção de uma postura corporal na qual se tenha o domínio do centro de gravidade em deslocamento, como os processos de diferentes formas de caminhar, em que há uma constante projeção do centro de gravidade, cujo é deslocado para frente e recuperado ao eixo corporal imediata- mente após,isto é, uma sucessão de desequilíbrio e recuperação do equilíbrio que ocorrem enquanto caminhamos. Já o equilíbrio estático acontece quando não temos deslocamento, mas pode ser estimulado tanto na posição bípede ou invertida (cabeça para baixo). Os movimen- tos axiais são relacionados a posturas estáticas que envolvem inclinações de tronco, alongamentos, giros, rotações e similares. Tabela 3 – Média de idade no desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais de estabilidade Padrão de movimento Habilidades Idade aproximada de início Equilíbrio dinâmico Caminhar em linha reta. 3 anos Caminhar em linha circular. 4 anos Ficar em pé sobre uma trave de equilí- brio baixa. 2 anos Caminhar com apoio sobre uma trave de 10 cm a curta distância. 3 anos Caminhar na mesma trave alternando os pés. 3-4 anos Executar rolamento de frente de forma grosseira. 3-4 anos Executar rolamento de frente de forma refinada. 6-7 anos 18 Equilíbrio estático Colocar-se em pé. 10 meses Colocar-se em pé sem apoio das mãos. 11 meses Colocar-se em pé sem apoio. 12 meses Equilibrar-se em um pé por aproxima- damente 4 segundos. 5 anos Suportar o peso do corpo em apoio invertido com 3 contatos. 6 anos Movimentos axiais Refina-se progressivamente até o momento em que esses movimentos estejam incluídos nos padrões de mo- vimentos manipulativos emergentes de lançar, aparar, chutar, bater, etc. 2 meses a 6 Fonte: Adaptado de Gallahue D L., 2003 Apesar de o desenvolvimento das habilidades ser analisado de forma isolada, não podemos deixar de enfatizar a importância do conjunto das habilidades a serem estimuladas com nossos(as) alunos(as), pois cada nova aprendizagem dá à criança novos recursos para continuar a exploração de um mundo ainda novo. Habilidades de Locomoção A capacidade de explorar um mundo em plena expansão se dá com o desenvolvi- mento das habilidades de locomoção. Assim, a familiarização com a ação constante da força da gravidade se faz necessária para esse processo e os movimentos de lo- comoção têm uma relação de dependência das habilidades rudimentares anteriores para que seja desenvolvida. Arrastar-se é o primeiro indício de que a criança está apta a iniciar as habilidades ligadas à locomoção com o apoio dos braços no solo. Quando estimulada por algum desejo pessoal, ela empurra seu tronco em direção aos seus pés e, no retorno do tronco, há um leve deslocamento iniciando a ação dessa habilidade. Cabe destacar que o estímulo para esse desenvolvimento está relacionado ao fato dela ficar no solo solta, pois quando ela é privada dessa situação, dificilmente haverá alguma evolução nesse sentido. Devemos lembrar, portanto, que o uso do andador é um exemplo dessa privação, pois inibe o desenvolvimento da musculatura que atua como base para movimento motor e cognitivo da criança. 19 Com o domínio geral do corpo, as crianças iniciam a tentativa de se colocar na pos- tura em pé. Com os pés afastados, virados para fora e joelhos levemente flexio- nados, a habilidade de caminhar não ocorre inicialmente de maneira fluida. Assim, os fatores ambientais são essenciais para o estímulo dessa habilidade, visto que o sentimento de segurança da criança propulsionará o maior número de tentativas e, logo, uma evolução mais rápida. Essa fase do desenvolvimento possui uma relação direta com o desenvolvimento do sistema nervoso e das aptidões físicas. Tabela 4 – Sequência de desenvolvimento e idade aproximada de início de surgimento de habilidades de locomotoras rudimentares Galope ereto Andar segurando com as mãos. 10º mês Andar com orientação. 11º mês Andar sozinho (mãos para o alto). 12º mês Andar sozinho (mãos abaixadas). 13º mês Fonte: Adaptado de Gallahue, D L., 2003 O primeiro deslocamento eficaz das crianças é o engatinhar, com a combi- nação de movimentos dos membros superiores com os membros inferio- res, associados ao controle pleno da cabeça e pescoço, havendo evolução de velocidade e estabilidade. Segundo Carl Delacano (1966), o aprimoramen- to do engatinhar e as técnicas de se arrastar são necessários para o alcance do domínio hemisférico cortical, sendo que esse domínio de um lado do córtex está ligado à organização neurológica apropriada, considerando ainda que uma organização com falhas levará a problemas motores, perceptivos e de linguagem na criança e no adulto. Essa hipótese é confirmada por neurologis- tas, pediatras e pesquisas na área de desenvolvimento infantil. 20 A literatura indica quatro estágios relacionados ao desenvolvimento das crianças para o caminhar sem auxílio: • Período precoce do caminhar, no qual pouco progresso é realizado; • Período de ficar em pé com ajuda; • Período de caminhar amparado; • Período de caminhar sozinho. Com o domínio do caminhar, as crianças começam as tentativas de suas variações, como caminhar para os lados e para trás e nas pontas dos pés. Tabela 5 – Média de idade no desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais de locomoção Padrão de movimento Habilidades Idade aproximada de inicío Caminhada Galope ereto rudimentar sem auxílio. 13 meses Caminhada lateral. 16 meses Caminhada para trás. 17 meses Sobe degraus com auxílio. 20 meses Sobe degraus sozinho (passos seguidos). 24 meses Desce degraus sozinho (passos seguidos). 25 meses Corrida Caminhada rápida (mantém contato com o solo). 18 meses Corrida verdadeira. 2-3 anos Corrida eficiente e refinada. 4-5 anos Corrida madura. 5 anos 21 Salto Desce de objetos baixos. 18 meses Salta de objetos com o impulso de um pé. 2 anos Salta de objetos com o impulso dos dois pés. 28 meses Salta em distância (aproximadamente 1 m). 5 anos Salta em altura (aproximadamente 30 cm). 5 anos Padrão de salto maduro. 6 anos Saltito Saltita até três vezes com o pé de preferência. 3 anos Saltita de 4 a 6 vezes no mesmo pé. 4 anos Saltita de 8 a 10 vezes no mesmo pé. 5 anos Saltita distâncias de 15 cm em cerca de 11 seg. 5 anos Saltita com habilidade com alternâncias rítmicas. 6 anos Galope Galope básico (ineficiente). 4 anos Galopa habilmente, padrão maduro. 6 anos Skipping Skipping com uma perna. 4 anos Skipping completo. 5 anos Skipping completo maduro. 6 anos Fonte: Adaptado de Gallahue, D. L., 2003 Com o domínio das habilidades motoras rudimentares, as crianças estão prontas para a execução de movimentos mais elaborados e complexos. Os movimentos exi- gidos nas novas vivências serão o estímulo para o desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais de locomoção. 22 Habilidade de Manipulação e Habilidades Motoras Fundamentais de Manipulação As habilidades de manipulação estão relacionadas aos ajustes visuais e manuais e ao processo de interação com objetos dispostos no ambiente da criança, e funcio- nam como estímulos para o desenvolvimento dessa habilidade, os movimentos de ombros e braços, mesmo que descoordenados, e que inicialmente, antecedem os movimentos de punho e das mãos. As crianças, desde muito cedo, conseguem segurar alguns objetos de forma refle- xiva, porém é necessário colocarmos um objeto em suas mãos, agindo como os primeiros estímulos para o desenvolvimento das habilidades manipulativas. Eckert (1987) resumiu seis atos para a conquista da preensão: • Transição da localização visual de um objeto para a tentativa de alcançá-lo; • Transição da coordenação simples, visual e manual, para a progressiva inde- pendência do esforço visual com sua expressão máxima em atividades com dedilhar, digitar ou tocar um piano; • Transição do movimento máximo inicial da musculatura corporal para um en- volvimento mínimo, com maior economia de esforço; • Transição da atividade proximal dos grandes músculos dos braços e dos om- bros para a atividade distal dos músculos finos dos dedos; • Transição dos movimentos precoces,rudimentares e abrangentes, na mani- pulação de objetos, para a precisão de controle similar à de uma pinça, com o polegar e o dedo indicador em oposição; • Transição do alcance e da manipulação inicial bilateral para o uso ideal da mão perfeita. 23 Tabela 6 – Sequência de desenvolvimento e idade aproximada de início de surgimento de habilidades de manipulação rudimentares Alcance controlado 6º mês Pegar Pegadura flexível. Nascimento Pegadura voluntária. 3º mês Pegadura palmar com as duas mãos. 3º mês Pegadura palmar com uma mão. 5º mês Pegadura de pinça. 9º mês Pegadura controlada. 14º mês Come sem ajuda. 18 meses Soltar Soltura básica. 12º ao 14º mês Soltura controlada. 18º meses Fonte: Adaptado de Gallahue, D. L., 2003 A habilidade de soltar os objetos acontece para um polimento final. As habilidades rudimentares de manipulação desde os seis meses, a criança consegue segurar, mas o controle motor relacionado ao soltar ocorre de forma tardia, aproximadamente aos 14 meses. O desenvolvimento dessas habilidades proporciona a elas o explorar de um mundo com mais detalhes, não se limitando apenas em segurar e colocar na boca, conseguindo, assim, identificar formas e detalhes mais minuciosos. A seguir, veja a tabela que aponta a idade média aproximada no desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais de manipulação. 24 Tabela 7 – Média de idade no desenvolvimento das habilidades motoras fundamentais de manipulação Padrão de movimento Habilidades Idade aproximada de início Alcançar, segurar e soltar Comportamento de alcance primitivo. 2–4 meses Captura de objetos. 2–4 meses Pegar espalmando 3-5 meses Pegar pinçando. 8–10 meses Pegada controlada. 12–14 meses Soltura controlada. 14–18 meses Lançar Corpo vira para o alvo, pés mantêm-se estáticos, objeto é lançado somente com a extensão dos braços. 2–3 anos Idem ao anterior, acrescentando a rotação do corpo. 3–5 anos Com deslocamento do pé do mesmo lado do braço utilizado para o lançamento. 4–5 anos Padão maduro de lançamento. 6 anos Pegar Persegue a bola, não responde a bolas áereas. 2 anos Responde a bolas aéreas com movimento de braços atrasados. 2–3 anos Precisa de orientação de como posicionar os braços. 2–3 anos Reação de medo (gira a cabeça). 3–4 anos Utiliza o corpo para apanhar objetos. 3 anos Apanha objetos utilizando somente as mãos. 5 anos Padrão maduro do movimento de apanhar. 6 anos 25 Chutar Empurra a bola. 18 meses Chute com a perna extendida e com discreto movimento corporal. 2–3 anos Flexiona a perna na sua porção inferior. 3–4 anos Grande balança frente/trás com oposição definida dos braços. 4–5 anos Padrão maduro do chute. 5–6 anos Bater Visualiza o objeto e faz um balanço no plano vertical. 2–3 anos Faz um balanço no plano horizontal e de desloca ao lado do objeto. 4–5 anos Giro de tronco e quadril e leva o peso do corpo para a frente. 5 anos Padrão horizontal maduro utilizando bola estacionária. 6–7 anos Fonte: Adaptado de Gallahue D. L., 2003 O trabalho com as mãos é exigido todos os dias por nossas rotinas. A mão é uma das principais portas de entrada para o conhecimento das crianças. O uso delas se inicia na gestação, com ações reflexas. Isso pode ser observado quando o bebê coloca a mão no rosto ou mesmo chupa os dedos ainda no ventre materno. A capacidade de manipulação de objetos se amplia de modo crescente. Os atos de alcançar, segurar e soltar estão ligados ao contato bem-sucedido com o objeto a ser manipulado, mantendo-o preso e soltando-o de forma espontânea, o qual se torna possível com o desenvolvimento cognitivo que ocorre com o desenvolvi- mento das habilidades. Saliente-se que essa tarefa surge, inicialmente, com as brincadeiras, as quais podem ser estimuladas com móbiles, brinquedos de várias formas e/ou que emitam algum tipo de som ou sejam feitos de diferentes materiais e rugosidade, e passam, rapida- mente, a serem usados como maneira de se alimentar, de se higienizar e também de comunicação. 26 A habilidade fundamental de lançar, consiste na projeção de um objeto em uma determinada direção-alvo, sendo ela desenvolvida por estímulos, normalmente, já relacionados a algum esporte, como o basquete e o beisebol, entre outros. A habi- lidade fundamental de pegar tem uma forte ligação com o lançar, pois precisamos deter o objeto de forma controlada a fim de poder lançá-lo. Uma definição para o ato de pegar está relacionada ao fazer uma recepção de um objeto que foi lançado para ser seguro em pleno voo. Os pais acabam, de forma inconscien- te, apresentando à criança objetos e brincadeiras que aumentam a velo- cidade de aprendizagem de uma de- terminada habilidade. Qual criança, no Brasil, não ganha uma bola para que faça o movimento de chute, sob influ- ência diretamente do nosso futebol? O desenvolvimento da habilidade de chutar, em brasileiros, é precoce, quan- do comparada com os americanos. A cultura, de uma forma geral, é o principal caminho para o uso de certos estímulos (tipo de brinquedo, brincadeira e espaço disponível) e, durante a infância, há uma projeção de complexidade deles, que são direcionados para as habilidades cujas são exigidas nesses esportes. Convém mencionar que gestos motores predefinidos em todas as modalidades es- portivas como sendo os corretos não devem ser exigidos nessa fase, pois há muitos caminhos a serem percorridos até que a criança execute, de forma perfeita, um de- terminado gesto esportivo e essa cobrança pode ser causa de inibição para a prática. Chutar pode ser definido como a transferência de força com os pés para um objeto, geralmente, a bola, mas existem outros objetos que podem ser usados na execução de um chute. Esse movimento se inicia apenas com um empurrar com os pés e desenvolve-se para chegar ao uso do corpo com deslocamento frontal e utilização simultânea de rápida flexão/extensão do joelho da perna a ser usada no chute. 27 Importante A habilidade fundamental de manipulação de bater não deve estar associada à agressão, pois é uma habilidade que exige di- versos sensores associados à interação de aspectos cognitivos e capacidades físicas para ser executada. Ela pode ser descrita como um breve contato com o objeto com os braços acima da cabeça, ao lado do corpo ou mesmo abaixo da linha da cintu- ra pélvica. Há inúmeras maneiras de estímulo para a realização dessa habilidade, podendo ser um bater de bola de várias for- mas, um rebater com algum objeto, exemplo do beisebol, do tênis, do cricket, entre outros. Considerações finais O conhecimento exibido nesta unidade se faz necessário aos educadores, a fim de impulsionar as habilidades adequadas para cada uma das faixas etárias na qual atuam, e, ainda auxiliá-los na avaliação de habilidades pré-adquiridas em fases anteriores. Sabemos que a curiosidade nata de explorar um mundo desconhecido ocorre na- turalmente, contudo, o uso do imaginário, do faz de conta, de atividades lúdicas, de músicas, são possibilidades importantes para o desenvolvimento dessas habilidades rudimentares, além do desenvolvimento paralelo dos aspectos sociais e afetivos en- volvidos nesse período. Os estímulos demonstrados ao longo do crescimento das crianças de 3 a 10 anos, em média, devem proporcionar uma variedade de atividades.É importante apresentar à criança todas as habilidades cabíveis à sua faixa etária e colocá-las no planejamento de atividades que contenham alguma habilidade fundamental envolvida. Não devemos esquecer essas variações, fomentando, assim, o vocabulário motor diversificado, auxiliando, ainda mais, no desenvolvimento de aspectos sensoriais. A adoção de músicas enriquece os trabalhos feitos com crianças de idades infe- riores, mas a dança pode ser aplicada em todas as fases da vida e não devendo ser deixada de lado quando estamos definindo os conteúdos a serem utilizados. 28 De uma forma geral, o esquema a seguir, simplifica os itens envolvidos no processo de desenvolvimento da criança, lembrando que não conseguimos desenvolver qual- quer habilidade de forma única e isolada, pois aspectos sociais, cognitivos e afetivos envolvem cada uma das atividades práticas, principalmente quando trabalhadas de forma coletiva. Aspectos ambientais Objetivos da atividade Indivíduo Resultado Figura 4 – Proposta de desenvolvimento da atividade proposta Fonte: Acervo da conteudista #ParaTodosVerem: esquema com quatro círculos. Os dois do topo têm os textos: “Aspectos ambientais” e “Objetivos da atividade”. Deles, parte flechas apontando para baixo, em sentido diagonal, para os outros dois círculos, os quais estão dispostos um abaixo do outro. Neles, há os textos: “Indivíduo” e “Resultado”. Fim da descrição. A contextualização das atividades engloba o imaginário das crianças no desenvol- vimento de suas tarefas. Se apresentarmos uma simples atividade de busca a um determinado objeto, o estímulo para a brincadeira não será tão elevado, mas se nela, contarmos uma história que prenda a atenção e envolva suas emoções, teremos um envolvimento completo da criança. Portanto, o faz de conta presente no imaginário das crianças precisa ser sempre ali- mentado, pois isso as torna grandiosas em suas realizações. Qual criança não brinca e imagina que voa? Que está no sol? Que luta com monstros grandiosos? Que lida com fadas variadas? Só não nos permitimos mais isso quando ganhamos maturi- dade e encaminhamos para outra fase de nossas vidas. A riqueza desse universo necessita ser explorada ao máximo, garantindo, assim, o envolvimento pleno da criança em seu desenvolvimento motor. 29 As atividades motoras, por muitas vezes, podem ainda ser relacionadas a outras dis- ciplinas em uma contextualização e para o resultado final. A interdisciplinaridade traz grande potencial de aprendizagem quando há movimentos envolvidos. Devemos, então, quebrar o paradigma de que criança comportada é aquela que fica sentada, prestando atenção, e envolvê-la em atividades ricas em aspectos motores, afetivos, sociais e cognitivos. Somente assim alcançaremos o caminho para a transformação e ao alcance da vida autônoma. Em Síntese 30 1 – Qual é o papel dos reflexos primitivos no desenvolvimento inicial de um recém-nascido? a. Os reflexos primitivos não têm relevância no desenvolvimento infantil. b. Os reflexos primitivos são habilidades conscientemente controladas pelo bebê desde o nascimento. c. Os reflexos primitivos são respostas automáticas e involuntárias que auxiliam no desenvolvimento inicial, como a sucção e a preensão palmar. d. Os reflexos primitivos são habilidades cognitivas que surgem após o primeiro ano de vida. e. Os reflexos primitivos são habilidades de comunicação que a criança aprende gra- dualmente ao longo dos anos. 2 – Qual é uma das habilidades motoras fundamentais de estabilidade que as crian- ças desenvolvem durante seu crescimento? a. Corrida de longa distância. b. Saltos acrobáticos. c. Rolamentos laterais. d. Arremesso de alta precisão. e. Dança. Atividades de Fixação Atenção, estudante! Veja o gabarito desta atividade de fixação no fim deste conteúdo. 31 Material Complementar Compreendendo o Desenvolvimento Motor: Bebês, Crianças e Adultos GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças e adultos. (cap. 9). 2. ed. São Paulo: Editora Phorte, 2003. Educação Física na Escola – Implicações para a Prática Pedagógica de Co- ordenação DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A. Educação física na escola – implicações para a prática pedagógica de coordenação. (cap. 10-15). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. Livros Jogos e Brincadeiras e o Desenvolvimento Motor na Educação Infantil GONÇALVES, R. P. Jogos e Brincadeiras e o Desenvolvimento Motor na Edu- cação Infantil. Centro Universitário de Brasília – UniCEUB, 2016. https://bit.ly/3eMdYkL A Dança como Estratégia para o Desenvolvimento Motor de Crianças NOGUEIRA JR., J. E. A dança como estratégia para o desenvolvimento mo- tor de crianças. IV Simpósio Internacional de Ciências Integradas da Unaerp. Unaerp, Guarujá, São Paulo, [s.d]. https://bit.ly/3bCcXJQ Leituras https://bit.ly/3eMdYkL https://bit.ly/3bCcXJQ 32 BRASIL. Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil. v.3. Brasília: MEC/ SEF, 1998. DARIDO, S. C.; RANGEL, I. C. A.; Educação física na escola: implicações para a prá- tica pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças adolecentes e adultos. São Paulo: Phorte Editora, 2003. Referências 33 Questão 1 c) Os reflexos primitivos são respostas automáticas e involuntárias que auxiliam no desenvolvimento inicial, como a sucção e a preensão palmar. Justificativa: Os reflexos primitivos são respostas automáticas e involuntárias que são observadas em recém-nascidos e bebês. Eles desempenham um papel crucial no desenvolvimento inicial, ajudando-os a realizarem tarefas essenciais, como ma- mar, agarrar objetos e responder a estímulos ambientais. Questão 2 c) Rolamentos laterais. Justificativa: Os rolamentos laterais são uma das habilidades motoras fundamentais de estabilidade que as crianças desenvolvem durante seu crescimento. Essa habili- dade envolve a capacidade de rolar o corpo de lado, o que contribui para o desenvol- vimento do equilíbrio, coordenação e consciência corporal. Gabarito