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FACULDADE DOCTUM DE SERRA Credenciada pela Portaria 05 de 23 de janeiro de 2014. BACHARELADO EM PSICOLOGIA Autorizado pela Portaria nº 632 de 28 de novembro de 2013 REDE DE ENSINO DOCTUM ERICKA FERNANDA DE OLIVEIRA ROSA THAIS SAMARA G. DA CUNHA FICHAMENTO- TRANSTORNO DA APRENDIZAGEM SERRA 2024 Fichamento: TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO/HIPERATIVIDADE: ASPECTOS CLÍNICOS O transtorno de déficit de atenção e sua relação com dificuldades de aprendizagem são a principal razão para a procura de neuropediatras por crianças em idade escolar. Desde o século XIX, especialistas têm descrito e estudado o comportamento diferenciado e o desempenho escolar insatisfatório dessas crianças. Em 1900, Still descreveu características de déficit de atenção e hiperatividade, enquanto Boncour e outros autores da época fizeram observações sobre crianças instáveis, diferenciando-as dos deficientes e histéricos. Estudos, como os de Binet e Simon, criaram escalas para medir o desenvolvimento intelectual, auxiliando na avaliação de crianças com dificuldades psicológicas. A partir de 1925, autores como Dupré e Wallon abordaram a motricidade e a instabilidade das crianças, relacionando-as com dificuldades motoras e problemas de comportamento. Na década de 1940, Strauss e Lehtinen descreveram uma síndrome caracterizada por dificuldades de aprendizado, função psíquica e motricidade. No início dos anos 1950, o termo "lesão cerebral mínima" foi utilizado para definir o comportamento de crianças sem evidência de lesão, posteriormente substituído por "disfunção cerebral mínima" (DCM) em 1962. Bradley introduziu o uso de psicoestimulantes, como metilfenidato, para tratamento. Em 1966, Clements cunhou o termo "déficit de atenção" e, em 1980, o DSM-III definiu o transtorno como "transtorno do déficit de atenção com ou sem hiperatividade". O DSM-5, atualmente, classifica o TDAH em três tipos: combinado, predominantemente desatento e predominantemente hiperativo/impulsivo. A prevalência do TDAH é estimada entre 3% e 30% nas crianças em idade escolar, com uma proporção maior em meninos. A persistência dos sintomas pode ocorrer em até 60% dos casos na idade adulta. A etiologia do TDAH é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, como o gene transportador de dopamina (DAT1) e o gene DRD4, e fatores ambientais, incluindo condições pré, peri e pós-natais, além do ambiente familiar e socioeconômico. O TDAH resulta de alterações neuroquímicas no SNC, particularmente no córtex pré-frontal e nos gânglios basais, influenciados pela função dopaminérgica. DIAGNOSTICO O diagnóstico do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) deve basear-se no quadro clínico comportamental, uma vez que não há um marcador biológico específico para todos os casos. O processo começa com a anamnese, buscando identificar fatores de risco e a queixa principal, que pode ser a desatenção, hiperatividade ou a combinação de ambas. É fundamental saber desde quando os sintomas foram observados e em que contextos ocorrem, sendo necessário que os sintomas se manifestem em mais de um ambiente, como escola e casa. O diagnóstico deve considerar a presença de condições que possam causar lesões cerebrais, como prematuridade ou traumatismos, e excluir outras síndromes que possam apresentar comportamentos semelhantes, como síndrome de Down e síndrome do X frágil. Também é essencial investigar a história familiar, dado que o TDAH possui uma base genética significativa. Após a anamnese, a observação dos critérios do DSM-IV é crucial, junto com exames neurológicos e avaliações de habilidades motoras e cognitivas. Escalas de comportamento, como Conners e SNAP-IV, podem ser utilizadas, e, em alguns casos, avaliações psicológicas e psicopedagógicas são necessárias. Não existe um teste que, isoladamente, diagnostique o TDAH; o diagnóstico deve ser clínico, fundamentado na combinação de evidências da história, observação e exame clínico. O DSM-5 estabelece que os sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade devem ser intensos o suficiente para impactar negativamente a vida da criança, com a possibilidade de classificá-los como leves, moderados ou graves. O diagnóstico diferencial é essencial, pois os sintomas de TDAH podem estar presentes em outros transtornos, como epilepsia, déficits sensoriais ou comorbidades psicossociais. A presença de comorbidades, como transtornos de aprendizagem e de linguagem, é comum em crianças com TDAH e pode influenciar o manejo clínico. Entre essas comorbidades, a dislexia é a mais frequente, e transtornos de comportamento, ansiedade e humor também estão frequentemente associados. Exames complementares, como eletroencefalograma (EEG), podem ser úteis no diagnóstico diferencial, especialmente em casos que envolvem lesões cerebrais. Alterações epileptiformes são mais comuns em crianças com TDAH do que na população geral, embora a relevância clínica dessas anormalidades ainda não esteja completamente clara. A neuroimagem é recomendada para diferenciar o TDAH de outras condições com lesões estruturais, mas ainda não possui aplicação diagnóstica validada na prática clínica. O prognóstico do TDAH tende a ser mais desfavorável quando acompanhado de comorbidades, o que torna a avaliação cuidadosa e abrangente crucial para um tratamento eficaz. QUADRO CLÍNICO / TRATAMENTO O quadro clínico do Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é caracterizado por alterações de comportamento significativas, sendo a desatenção um distúrbio importante que resulta de mudanças nos sistemas que regulam a vigília. As crianças com TDAH apresentam dificuldades em prestar atenção a detalhes, cometendo erros em atividades escolares, não conseguindo seguir instruções longas e não permanecendo atentas até o final das tarefas. Além disso, enfrentam problemas com organização, planejamento e esforços mentais prolongados, frequentemente perdendo objetos e se distraindo facilmente. A hiperatividade, por sua vez, se manifesta através de uma atividade motora excessiva, tornando difícil para a criança permanecer controlada e focada. Os comportamentos incluem agitação, dificuldade em permanecer sentado, correr em excesso e falar muito, o que impacta negativamente a capacidade de inibição das ações. A impulsividade também é uma característica marcante, revelando-se na dificuldade de esperar a vez, responder prematuramente a perguntas e interromper conversas. As crianças com TDAH podem apresentar três categorias de alterações clínicas: sinais neurológicos, comportamentais e problemas escolares. Os sinais neurológicos incluem desatenção, inquietação e instabilidade motora. As alterações comportamentais podem resultar em um ciclo vicioso de instabilidade motora e emocional, dificultando a gestão da criança em ambientes familiares, escolares e sociais. As dificuldades escolares são frequentemente atribuídas não apenas aos sintomas do TDAH, mas também a comorbidades como dislexia, disgrafia e discalculia. Os sintomas de TDAH tendem a mudar ao longo da vida, com um padrão de prevalência que se desloca da infância para a idade adulta. A imaturidade cortical e a gestão inadequada do ambiente social são fatores que agravam a sintomatologia. Crianças e adolescentes com TDAH enfrentam riscos elevados de baixo desempenho escolar, problemas de relacionamento, delinquência e abuso de substâncias, que podem ser mitigados com tratamento adequado. O tratamento do TDAH deve ser multifatorial e individualizado, visando melhorar o comportamento funcional da criança. Ele envolve quatro abordagens principais: modificação do comportamento, ajustamento acadêmico, atendimento psicoterápico e terapia farmacológica. É crucial que pais e professores compreendam o transtorno para facilitar o desenvolvimento da autoimagem e das habilidades sociais da criança. A intervenção educacional deve incluir a colocação da criança em turmas pequenas e a implementação de rotinas e suporte adicional, permitindo mais tempo paraa realização de tarefas. O tratamento farmacológico inicial geralmente envolve psicoestimulantes, que aumentam as catecolaminas na fenda sináptica, melhorando a atenção e reduzindo a impulsividade e hiperatividade. Os principais psicoestimulantes utilizados incluem o metilfenidato, disponível em diversas formulações que variam em duração de ação, e a lisdexanfetamina. Embora eficazes, os psicoestimulantes não são isentos de efeitos colaterais, que podem incluir anorexia, insônia e, em alguns casos, tiques. Alternativas farmacológicas, como antidepressivos tricíclicos, podem ser consideradas em casos que não respondem bem aos psicoestimulantes. Quando o TDAH está associado a comorbidades, como depressão ou transtornos de ansiedade, é comum o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Outros tratamentos podem incluir o uso de medicamentos como a atomoxetina, que é eficaz em reduzir a hiperatividade sem causar os efeitos emocionais típicos dos psicoestimulantes. image1.jpeg