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RESUMO ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
3º SEMESTRE 2021/ Prof. LÚCIA VEIGA SHERMACK
O homem pré-histórico já lia os sinais da natureza e os tentava reproduzir em mensagens nas pedras e rochas. Isso deu origem aos primeiros pictogramas. Sua principal intenção era a de se comunicar. A escrita era usada para narrar fatos cotidianos, enviar cartas para outras pessoas, escrever contratos, editar leis, além do registro da própria história.
“A alfabetização é um longo processo circunscrito entre duas vertentes indissociáveis: a aquisição do sistema de escrita e a sua efetiva possibilidade de uso no contexto social. Mais do que conhecer as letras, as regras ortográficas, sintáticas ou gramaticais, o ensino da língua escrita requer a assimilação das práticas sociais de uso, contribuindo assim para a conquista de um novo status na sociedade.”
Aprender a ler e a escrever significa adquirir uma tecnologia: a de codificar em língua escrita (escrever) e de decodificar a língua escrita (ler). Porém, somente adquirir não é o suficiente, é necessário se apropriar dela, o que significa fazer uso das práticas sociais de leitura e de escrita, articulando-as ou dissociando-as das práticas de interação oral, dependendo de cada situação vivida. Não basta uma criança saber ler as palavras, ela precisa entender o contexto na qual elas estão escritas. Isso quer dizer que não basta uma criança ser alfabetizada, ela precisa se tornar letrada, precisa saber dar significado àquela palavra que lê.
· Alfabetização: domínio do sistema de escrita, das letras, regras ortográficas, sintáticas e gramaticais, ler, escrever...
· Letramento: capacidade de fazer uso adequado da leitura e da escrita socialmente utilizadas, conjugando-as com as práticas orais, relacionado a leitura crítica, interpretação, produção de textos...
Velhos métodos ainda presentes: Os métodos tradicionais de alfabetização são utilizados desde o século XVIII e têm como embasamento teórico a visão associacionista empirista da aprendizagem (MORAIS, 2012). São eles: 
· Analíticos: a palavração, a sentenciação e o método global. Eles conduzem o aluno a, no final, trabalhar com as unidades menores.
· Sintéticos: os alfabéticos, os silábicos e os fônicos. Todos têm como princípio, que o aluno deve partir das unidades menores, ou seja, das letras, sílabas e fonemas, e a aprendizagem é gradativa e cumulativa.
Os métodos tradicionais têm em comum os textos repetitivos e descontextualizados da realidade do aluno, grande ênfase no domínio do código escrito, atividades pautadas na cópia e na memorização, considera o aluno como uma tábula rasa, aprendizagem considerada como simples acúmulo de informações e o objeto de conhecimento, caracterizam a escrita com um mero código de transcrição da língua oral.
PRINCIPAIS PENSADORES
I. Vygotsky e seus seguidores estudaram o desenvolvimento das capacidades intelectuais superiores do homem, acreditando que a linguagem atuaria como o principal fator de desenvolvimento. Analisando a linguagem como um conjunto de símbolos dotados de caráter histórico e social, enfatizaram a importância da informação e da interação linguística para a construção do conhecimento.
 II. Emília Ferreiro vem desenvolvendo teses sobre as hipóteses de pensamentos que a criança pode apresentar a respeito da linguagem escrita. Suas pesquisas deixam claro que o que leva o aprendiz à reconstrução do código linguístico não é o cumprimento de uma série de tarefas ou o conhecimento das letras e das sílabas, e sim a compreensão do funcionamento do código.
 III. Piaget preocupou-se em explicar a maneira como a criança interage com o mundo e com as pessoas para chegar ao conhecimento. Defendeu que o conhecimento é construído na interação do sujeito com o objeto da aprendizagem. A criança se apropria do conhecimento somente se “agir” sobre ele, pois aprender é descobrir, inventar, modificar.
PSICOGENESE DO CONHECIMENTO: PSICO-MENTE, GENESE-ORIGEM, ESTUDO DA ORIGEM DO CONHECIMENTO, INTERAÇÃO OBJETO+SUJEITO, CONSTRUTIVISMO
AS CARTILHAS: Os primeiros trabalhos escolares de alfabetização, na época do Brasil Colônia, foram realizados com cartilha, quando ainda se aprendia latim na escola (influência religiosa). Alguns exemplos: Método Castilho, Caminho Suave, No Reino Da Alegria Nos dias de hoje o uso da cartilha é muito condenado por ela possuir uma linguagem é irreal.
· Uma prática pedagógica que seja relevante para assegurar o processo de ensino/aprendizagem deve proporcionar à criança o contato com diversos portadores textuais, tais como: livros literários, revistas, jogos, jornais, internet e textos variados.
· A exploração de textos poéticos da tradição oral (cantigas, parlendas, quadrinhas etc.) são propostas que as crianças aprendem com facilidade e fazem parte da cultura infantil do brincar, favorecem a exploração dos efeitos sonoros acompanhada da escrita das palavras. Os jogos com palavras e situações lúdicas permitem a ludicidade, a exploração com a sonoridade e o texto escrito, provocando reflexões sem conduzir os alfabetizandos a treinos cansativos.
REALISMO NOMINAL: No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, estudando aprendizes que estavam frequentando turmas de alfabetização, pesquisadores de diferentes países constataram que alguns alunos não conseguiam compreender o sistema de escrita alfabética, porque ficavam atrelando as palavras a características físicas ou funcionais dos objetos.
· Um professor pode promover uma “boa” atividade criando situações significativas, produtivas e desafiadoras
Quando as crianças começam a alfabetização, elas chegam na sala de aula com um repertório de conhecimentos prévios sala de aula com um repertório de conhecimentos prévios, habilidades, crenças e conceitos que vão influenciar significativamente a sua percepção sobre o meio ambiente. Num sentido amplo, o entendimento contemporâneo da aprendizagem é de que são as pessoas que constroem novos conhecimentos e entendimentos com base no que já sabem e acreditam, no que já construíram com suas experiências e vivências de mundo.
Emília Ferreiro quando estudou as concepções que as crianças apresentam da escrita demonstrou essas etapas, chamadas de fases ou níveis de desenvolvimento na construção do pensamento em relação à linguagem escrita.
Estruturou-as em níveis conceituais:
· ICÔNICA: Nessa fase, a criança ainda não distingue escrita e desenho. Assim, é comum que, para escrever “brigadeiro” ou “gato”, ela procure desenhar a forma do objeto ou do animal que a palavra designa. A “leitura” não distingue seu registro gráfico em partes: ela diz respeito ao sinal ou desenho como um todo.
· NÃO ICÔNICA/GARATUJA: Para representar palavras, a criança produz garatujas (o que alguns autores, como Alexandroff, chamam de imitação de escrita, para diferenciar do termo “garatuja” relacionado ao desenho infantil), ou seja, rabiscos parecidos com letras e caracterizados pela linearidade e orientação horizontal. Nessa tentativa de representar a escrita, a criança começa usar as letras que vai aprendendo, muitas vezes misturando-as com números e outros símbolos, ou com letras que inventa.
· PRÉ SILÁBICA: A criança conhece algumas letras do alfabeto, mas a forma como as usa demonstra que ainda não entende a escrita como representação gráfica da fala. Nesse momento, muitas crianças acreditam que, para escrever uma palavra, são necessárias pelo menos três letras (critério da quantidade mínima de caracteres). Além disso, pensam que não podem repetir letras na mesma palavra (critério da variedade interna de caracteres). Muitas não acham possível ler apenas duas letras juntas, como pá ou só. Em alguns casos, observa-se o que se entende por realismo nominal: a criança relaciona o tamanho das palavras a características visuais ou funcionais dos objetos que elas nomeiam.
· SILÁBICA SEM VALOR SONORO: Como já entende que a escrita está relacionada à fala, a criança busca, em sua escrita, registrar com uma letra ou outro sinal cada sílaba oral (ou seja, faz registros gráficos toda vez que pronuncia um som da língua).A leitura silabada nesta fase está associada a esse entendimento, o que representa uma descoberta importante da criança: a de que a palavra é fragmentável, ou seja, constituída por partes sonoras.
COM VALOR SONORO: A criança já usa uma letra para cada sílaba oral, mas ainda não percebe os sons que formam a sílaba (fonemas). Essa consciência (fonêmica) será desenvolvida ao longo da aprendizagem da escrita. Para escrever, usa uma letra que tem correspondência com cada sílaba da palavra, geralmente a vogal. No entanto, em palavras pequenas, formada por três letras ou menos, muitas crianças duvidam de sua hipótese silábica e usam mais letras para “corrigir” essa “falta”. Outras vezes, em palavras como babá, coco, tevê, acreditam que bastam as vogais para registrar as sílabas, poderão escrever AA, OO, EE, o que poderá levá-las a duvidar dessa hipótese. A educadora Telma Weiss ressalta que é importante trabalhar a sílaba dentro da palavra (não desconexa dela) e entre palavras, contrastando sílabas iniciais, mediais e finais – ex. gato/rato; barata/batata; mapa/mata.
· ALFABÉTICA: Nessa fase, a criança já respondeu aos dois enigmas (“O que as letras representam?” e “Como elas criam representações?”). Assim, na maioria das vezes, utiliza uma letra para representar cada fonema de uma sílaba oral. Como raciocina segundo a hipótese alfabética, segundo a qual cada letra deveria representar um único som e cada som deveria ser grafado por uma única letra, nem sempre seus registros gráficos obedecem às convenções ortográficas de nossa língua. Ao avançar no processo de alfabetização, ainda inconcluso, a criança deve perceber que, no português, há fonemas representados por mais de uma letra, como o /s/, que pode ser grafado por s, ss, sc ou ç, e letras que representam mais de um fonema, com o x em táxi e em reflexo ou mais de uma letra representando um único fonema, como nos dígrafos (rr, ss, sc, nh, ch etc.). Surgem também dúvidas em relação à grafia de palavras e expressões como embaixo, em cima. Nesse momento, a aquisição da condição de alfabetizado depende de um trabalho sistemático com as convenções ortográficas da língua, não apenas para atender a essas regras, mas para compreender melhor os textos escritos e redigir de forma compreensível.
· ORTOGRÁFICA: Nesse momento, a criança tem mais claras as convenções grafema-fonema, de modo a ler e escrever com mais autonomia e fluência. Assim, pode-se ter como expectativas que, com o trabalho relacionado à leitura, escrita e análise linguística, essa criança avance na compreensão de textos cada vez mais complexos e na distinção de diferentes gêneros. Como sublinha Magda Soares, é preciso, de modo contínuo, integrado e sistematizado, trabalhar as duas dimensões do ensino-aprendizagem inicial da escrita: a alfabetização e o letramento.
MÉTODOS DE ALFABETIZAÇÃO TRADICIONAIS: COMO SÃO, COMO FUNCIONAM, VANTAGENS E RISCOS
https://novaescola.org.br/conteudo/17568/o-be-a-ba-dos-metodos-de-alfabetizacao#_=_
COSCIÊNCIA FONOLÓGICA:
· FASE PRÉ-FONOLÓGICA: Essa fase envolve as primeiras reflexões da criança a respeito do sistema de escrita alfabética. Nesse primeiro momento, a criança ainda não sabe que as letras representam sons e que a escrita das palavras são a notação gráfica de sua sequência sonora.
· CONSCIÊNCIA SILÁBICA: No percurso de conhecimento do sistema alfabético, as crianças começam a perceber que a palavra, ao ser pronunciada, é formada de partes. Ao “ler” uma sequência de letras ou sinais que escrevem para registrar uma palavra, muitas pronunciam as sílabas pausadamente. Assim, passam a buscar correspondências entre as letras ou marcas e as sílabas pronunciadas e a fazer ajustes visando a correspondência entre o oral e o escrito. Em plena hipótese silábica, elas consideram que a cada sílaba pronunciada corresponde uma letra.
· CONSCIÊNCIA FONÊMICA: À medida que a criança vai avançando na compreensão do sistema alfabético, começa a perceber que há sílabas formadas por mais de um som (fonemas) e passa a usar mais letras para representar esses sons.
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