Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2
GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA
Darlan José Lansana Muller[footnoteRef:2] [2: Filosofia. PUC - RS. darlansdc@yahoo.com.br] 
Vilmar Tamagno[footnoteRef:3] [3: Mestre em Educação pela Universidade Del Mar. Chile.supremacorte123@gmail.com] 
Resumo
Na educação de hoje não podemos nos basear somente em livros didáticos e sim precisamos de uma educação que seja uma síntese da cultura experienciada. Essas experiências sociais também devem ser ouvidas e devem fazer parte da elaboração dos planos de trabalhos da escola. Isso se chama gestão democrática, ou seja, participação ativa dos diversos segmentos da escola nos processos de decisões. Todos são convidados a se envolverem na escola, para juntos alcançarem objetivos comuns, buscar a autonomia da instituição e o principal, integrarem a escola com a comunidade, buscando uma base sólida para uma maior qualidade do nosso ensino.
Palavras-chave: Escola. Gestão democrática. Diretor. Comunidade. Participação. 
1 - INTRODUÇÃO
	O presente trabalho tem como finalidade expor o novo modelo de educação e gestão do nosso ensino. Um modelo democrático, não mais centrado na figura do diretor, e sim que envolve toda a comunidade escolar no processo administrativo e educativo.
	Primeiramente vamos ver um novo modelo de escola, proposto principalmente pelo autor Libâneo, modelo este que não se limita a livros didáticos e sim uma formação que faça com que o aluno desenvolva capacidades cognitivas, afetiva e social. Uma escola que sintetize todas as experiências que acontece na vida do aluno e o ajude a atribuir significados a todas essas mensagens recebidas da sociedade. Para tanto precisa da participação coletiva, de uma escola democrática. Onde toda a comunidade local é membro ativo do processo educativo. 
	A gestão democrática envolve todos os segmentos da comunidade escolar, que mediante uma visão de conjunto, luta pela autonomia da unidade escolar, constrói e avalia os projetos pedagógicos, bem como participa da administração dos recursos. É um modelo que supera o estilo antigo de gestão, que tinha na pessoa do diretor a centralização de todo o poder, porém, este mesmo agia tutelado aos órgãos centrais, cabendo a ele apenas zelar pelo prédio e pelo cumprimento dos regulamentos. 
 	Nesta nova visão de gestão, a escola e o diretor criam mecanismos para a participação da comunidade, com isso superam se os processos de decisões centralizados e nascem discussões coletivas. Trata-se de buscar alternativas para uma boa qualidade do nosso ensino, ou seja, se queremos uma escola transformadora, precisamos transformar a escola que temos. 
	Por fim, o presente trabalho quer mostrar que na medida em que conseguimos a participação de todos, haverá maior condição de pressionar os escalões superiores e alcançar autonomia escolar. Para isso precisamos de uma verdadeira gestão colegiada, que lute pelos interesses populares da escola, que se envolva nas atividades pedagógicas, que aproximem a escola da comunidade e principalmente lute para resgatar os valores e a cultura, para que os alunos sejam atendidos em suas necessidades educacionais. 
2 - UMA NOVA ESCOLA, UMA NOVA GESTÃO. 
2.1 – A ESCOLA CONTEMPORÂNEA.
Está bem claro que no contexto educativo brasileiro de hoje, a escola não pode mais limitar-se a apenas passar informação sobre as matérias e transmitir o conhecimento do livro didático. Ela é uma síntese entre a cultura experienciada que acontece na cidade, na rua, nas praças, nos pontos de encontro, nos meios de comunicação, na família, no trabalho etc., e a cultura formal que é o domínio dos conhecimentos, das habilidades de pensamento. 
É na escola que os alunos aprendem a atribuir significados às mensagens e informações recebidas de fora, dos meios de comunicação, da vida cotidiana, das formas de educação proporcionadas pela cidade, pela comunidade. O professor tem aí seu lugar, com o papel insubstituível de provimento das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias, das multimídias e formas diversas de intervenção educativa urbana. O valor da aprendizagem escolar, com a ajuda pedagógica do professor, está justamente na sua capacidade de introduzir os alunos nos significados da cultura e da ciência por meio de mediações cognitivas e interacionais.
Seguindo este raciocínio do autor, ele nos diz:
“Na escola, pelos conhecimentos e pelo desenvolvimento das competências cognitivas, torna-se possível analisar e criticar a informação. Os alunos vão aprendendo a buscar a informação (na TV, no rádio, no jornal, no livro didático, nos vídeos, no computador, etc.), mas, também, os instrumentos conceituais para analisarem essa informação criticamente e darem-lhe um significado pessoal e social. A escola fará, assim, a síntese entre a cultura formal (dos conhecimentos sistematizados) e a cultura experienciada. Por isso, é necessário que proporcione não só o domínio de linguagens para a busca da informação, mas também para a criação da informação”. (LIBÂNEO, pag. 47)
O que está em questão, para ele, é uma formação que ajude o aluno a transformar-se num sujeito pensante, de modo que aprenda a utilizar seu potencial de pensamento na construção e reconstrução de conceitos, habilidades, atitudes, valores. Trata-se de investir numa combinação bem-sucedida entre a assimilação consciente e ativa dos conteúdos e o desenvolvimento de capacidades cognitivas e afetivas pelos alunos, visando ao desenvolvimento do pensar, para saber lidar com os problemas, dilemas e situações da realidade. 
Uma formação que visa a assegurar a ligação entre os aspectos cognitivo, social e afetivo. O ensino implica lidar com os sentimentos, respeitar as individualidades, compreender o mundo cultural dos alunos e ajudá-los a se construírem como sujeitos, a
aumentar sua auto estima, sua autoconfiança e o respeito consigo mesmo.
	Fazer o aluno compreender o mundo cultural e se construírem como sujeitos é uma das principais funções da escola, isto é, prepará-lo para a inserção na sociedade, na qual ele viverá como cidadão e como profissional de alguma área da atividade humana. Ou seja: 
“Preparar o sujeito para sua vida em sociedade não é apenas comunicar-lhe as normas de convivência social, transmiti-lhe os conhecimentos socialmente construídos e ajudá-lo a se acomodar a um grupo e viver dentro de um status quo estabelecido. O papel da escola, neste ponto de vista, nos parece ir, além disso – busca preparar atores transformadores da sociedade. Nesta linha de pensamento, formulamos este princípio: uma função social da escola: ajudar a formar gerentes de informação, e não meros acumuladores de dados”. (MORETTO, pag. 89).
	E qual é a função do professor neste processo? Para nosso autor, seguindo uma linha de pensamento semelhante com a de Libâneo, nos diz que o professor é o catalisador do processo de aprendizagem. Ele da o suporte necessário para a aprendizagem de seus alunos. 
 
	Para ele, o aluno aprende à medida que se engaja no processo, que responde aos incentivos do professor. Por isso, que o professor tem como responsabilidade criar um contexto para facilitar a aprendizagem. Mas se o aluno não se engajar, de pouco ou nada adiantará o envolvimento do docente. Dessa forma, antigas analogias jogam a responsabilidade maior no professor. Em uma delas, dizia-se que o aluno era como um diamante bruto, que o artista, o professor, deveria lapidar para mostrar a beleza da jóia. Nessa analogia, vem à tona a passividade do aluno na aprendizagem, como se ele fosse um mero “copiador” de informações prontas a serem apenas memorizadas e reproduzidas. 
	Mas não, o autor quer deixar outra posição sobre o assunto: 
“Queremos deixar clara nossa posição: o aluno é um elemento ativo no processo, como o é também o professor. Portanto, aquele não pode ser um mero “escutador” e este apenas um “falador”. A relação entre ambos deve ser de constante interação, com vista à produção dos objetos de conhecimento”. (MORETTO, pag. 91).Dando um passo adiante, ele afirma que o aluno chega à escola com conhecimentos prévios construídos sobre vários assuntos. Eles constituem suas teses. O professor apresenta novos conhecimentos, que muitas vezes são contrárias às representações dos alunos, constituindo as antíteses. Num processo de diálogo, de interação o aluno possivelmente modificará suas representações chegando a uma síntese, que constituirá o objeto de conhecimento do sujeito em determinado momento de sua evolução intelectual. 
Em contato com outro professor ou colega, ou outro agente social, ele terá de modificar novamente sua representação, elaborando nova síntese. Essa é a dinâmica do processo de construção das estruturas conceituais e cognitivas do sujeito. Em síntese, para Moretto, o professor funciona como questionador, um provocador, buscando a negociação para a elaboração da síntese com o aluno. 
	Portanto, a escola de hoje se diferencia da escola de alguns anos atrás. Deixamos de lado uma educação que tinha como foco a acumulação de dados pelo aluno, os melhores, no caso, eram aqueles que mais dados eram capazes de guardar e provar com soluções de fórmulas e o saber de cor definições, nomes e datas. E entramos em uma nova realidade, onde o aluno também e agente ativo no processo de aprendizagem. 
 	Em outra linha de atuação, a escola contemporânea também tem que atender às demandas produtivas e de emprego, promover a inserção competente e crítica no mundo do trabalho, incluindo a preparação para o mundo tecnológico e comunicacional e para as complexas condições de exercício profissional no mercado de trabalho. 
A preparação tecnológica inclui o desenvolvimento de saberes e competências exigidas pelo novo processo produtivo como: “compreender a totalidade do processo de produção; desenvolver capacidade de tomar decisões e de fazer análises globalizantes; interpretar informações de todo tipo; pensar estrategicamente; desenvolver flexibilidade mental para lidar com situações novas ou inesperadas” (LIBÂNEO, 2004, pag. 48). 
A escola também precisa continuar investindo na ajuda aos alunos para que se tornem críticos, para se engajarem na luta pela justiça social e pela solidariedade humana. A preparação para o exercício da cidadania, incluindo a autonomia, a participação e o diálogo como princípios educativos, envolve tanto os processos organizacionais internos da escola como a articulação com os movimentos e organizações da sociedade civil. 
Em fim, para nosso autor, a escola precisa propiciar conhecimentos, procedimentos e situações em que os alunos possam pensar sobre valores e critérios de decisão e ação perante problemas do mundo da política e da economia, do consumismo, dos direitos humanos, das relações humanas (envolvendo questões raciais, de gênero, das minorias culturais), do meio ambiente, da violência e das formas de exclusão social e, também, diante das formas de exploração do trabalho humano que subsistem na sociedade capitalista. 
Para o atendimento desses objetivos, põe-se a exigência de que os sistemas de ensino e as escolas prestem mais atenção à qualidade cognitiva das aprendizagens, colocada como foco central do projeto pedagógico-curricular e da gestão escolar. Serão de pouca valia a mudança nas formas de gestão, as mudanças curriculares e organizacionais, a introdução de tecnologias de ensino, a valorização da experiência sociocultural dos alunos e outros tipos de inovações, se os alunos não obtêm níveis satisfatórios de aprendizagem. Ou seja, a democratização da sociedade e a inserção dos alunos no mundo da produção requerem uma escola que proporcione às crianças e jovens os meios cognitivos e operacionais que atendam tanto às necessidades pessoais como as econômicas e sociais. 
Isso tudo não significa conceber a escola como a única impulsionadora das transformações sociais. As tarefas de construção de uma democracia econômica e política pertencem a várias esferas de atuação da sociedade, e a escola é apenas uma delas. Ela tem uma função importante que é a de articular-se com as práticas sociais. Para isso precisa ser uma escola democrática, que promova a participação coletiva, não só dos usuários, mas de toda a comunidade. 
2.2 - GESTÃO DEMOCRÁTICA
Quando se fala em gestão, temos que concordar de que há surgido um conceito novo no que se refere a esse ponto, principalmente quanto à gestão do nosso ensino. Superando o enfoque limitado de administração, partimos para um entendimento abrangente, onde os problemas educacionais são mais complexos, que demandam visão mais globalizada e conseqüentemente participativa e dinâmica. Corresponde a gestão educacional, a atuação para estabelecer o direcionamento e a mobilização capaz de sustentar o modo de ser e de fazer dos sistemas de ensino e das escolas, visando, deste modo, o objetivo comum da qualidade do ensino e seus resultados. 
	Neste raciocínio Lück (2013, p 28) afirma que, “a gestão educacional constitui, portanto, uma área importantíssima da educação, uma vez que, por meio dela, se observa a escola e se interfere sobre as questões educacionais globalmente, mediante visão de conjunto, e se busca abranger, pela orientação com visão estratégica e ações interligadas, tal como uma rede, pontos de atenção que, de fato, funcionam e se mantêm interconectadas entre si, sistematicamente, reforçando-se reciprocamente”. Esta nova demanda que a escola enfrenta trazem desafios, como, por exemplo, o caso da democratização da educação e seus desdobramentos, proposta trazida na lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 
	Construir uma gestão democrática implica uma grande luta pela autonomia da unidade de ensino. Esta gestão só é entendida se houver a efetiva participação dos vários segmentos da comunidade escolar, hoje quando se fala em escola, logo vem em mente alunos, professores e direção, porém, para democratização da gestão é necessário a participação também dos pais e funcionários na organização, construção e avaliação dos projetos pedagógicos e na administração dos recursos, ou seja, toda a comunidade escolar participa ativamente nos processos decisórios da escola. 
	Vale lembrar que a democratização é positiva quando possibilita melhorias, vejamos:
“A democratização da gestão é defendida enquanto possibilidade de melhoria na qualidade pedagógico do processo educacional das escolas, na construção de um currículo pautado na realidade local, na maior integração entre os agentes envolvidos na escola – diretor, professores, estudantes, coordenadores, técnico-administrativos, vigias, auxiliar de serviços – no apoio efetivo da comunidade às escolas, como participante ativa e sujeito do processo de desenvolvimento do trabalho escolar” (OLIVEIRA, MORAES E DOURADO, p. 04).
	Seguindo este raciocínio, os autores destacam que a gestão democrática implica um processo de participação coletiva e sua efetivação na escola pressupõe instâncias colegiadas de caráter deliberativo, bem como a implementação do processo de escolha de dirigentes escolares. Escolher bem o diretor é o mesmo que criar parcerias com o conselho, pois ele tem a responsabilidade de criar um ambiente propício que estimule trabalhos conjuntos, que considere todos os setores e coordene os esforços de todos os membros do processo educacional. 
	Com este novo modelo de atuação proposta ao diretor, superamos um modelo estático que tínhamos até pouco tempo. Era uma modelo de direção predominantemente centralizado na figura do diretor, que agia tutelado aos órgãos centrais, competindo-lhe zelar pelo cumprimento de normas e regulamentos. Assim atuava sem voz própria, portanto, desresponsabilizado dos resultados de suas ações. 
	Essa ação não é positiva, vejamos:
“Essa situação, é importante destacar, cria uma perspectiva estática, burocratizada e hierarquizada do sistema de ensino e das escolas, por orientar-se pelo estabelecimento de uniformidade do sistema de ensino – em vez de pela sua unidade – reforçando padrões não de resultados e sim de formas de desempenho que desconsideram a necessidadede criatividade, iniciativa e discernimento em relação a dinâmica interpessoais e sociais, envolvidos na realização do processo educacional” (LÜCK, 2013, p 35). 
Neste contexto, a autora afirma que o trabalho do diretor escolar constituía-se em repassar informações, assim como controlar, supervisionar em acordo com os as normas estabelecidas pelo sistema de ensino. Bom diretor era o que cumpria essas obrigações plena e zelosamente, de modo a garantir que a escola não fugisse ao estabelecido em âmbito central ou em nível hierárquico superior. 
É necessário que este diretor deixe de ser um intelectual para o Estado, e como um trabalhador como os demais membros dessa escola, volte a ser intelectual para a sua classe, fazendo parte da comunidade escolar mais como um organizador do que um administrador representante do Estado. 
O escritor Vitor Henrique Paro, também tem uma visão semelhante quando falamos da atividade exercida pelo diretor: 
“O que nós temos hoje é um sistema hierárquico que pretensamente coloca todo o poder nas mãos do diretor. Esse diretor, por um lado, é considerada a autoridade máxima no interior da escola, e isso, pretensamente, lhe daria um grande poder e autonomia; mas, por outro lado, ele acaba se constituindo, de fato, em virtude de sua condição de responsável último pelo cumprimento da lei e da Ordem na escola, em mero preposto do Estado... Essa impotência e falta de autonomia do diretor sintetizam a impotência e falta autonomia da própria escola. E se a escola não tem autonomia, se a escola é impotente, é o próprio trabalhador enquanto usuário que fica privado de uma das instâncias por meio das quais ele poderia apropriar-se do saber e da consciência crítica (PARO, 2000, p. 11).
Isto quer dizer que na gestão democrática da escola pública brasileira nós temos o diretor, que está sendo um preposto direto do Estado, sem fazer nenhuma avaliação consciente dessa sua função de dirigente junto também a sua classe, que é a trabalhadora. Esta é uma deficiência clara de sua formação desde a faculdade, que teria que ter demonstrado a ele que como professor teria que atuar como intelectual para a sua classe trabalho e não para o Estado. 
Ou seja, o diretor é um dirigente longe dos problemas da comunidade escolar. Para esse diretor pouco importa qual é a realidade de sua comunidade, se ela é rica ou pobre, se o bairro onde a escola esta inserida pode ser melhorada pela intervenção da ação educativa da escola junto à comunidade. O que é importante para ele é cumprir as determinações a risca do Estado, mesmo que isto faça custar à autonomia da escola, do seu próprio poder de gestor e da participação direta da comunidade escolar em sua gestão.
Portanto, podemos dizer que a democratização da escola, tem contribuído para escolha de diretores, para repensar a gestão escolar e o papel do conselho. A escola precisa criar mecanismos para garantir a participação da comunidade no processo de organização e gestão das instâncias educativas. Seguindo este raciocínio dos professores da UFG, fica claro a importância dos espaços de discussões promovidas pela escola, discussões essas, que incentivadas pelo diretor, começam no interior da escola:
“Entendemos que a democratização começa no interior da escola, por meio da criação de espaços nos quais professores, funcionários, alunos, pais de alunos, etc. possam discutir criticamente o cotidiano escolar. Nesse sentido, a função da escola é formar indivíduos críticos, criativos e participativos, com condições de participar criticamente do mundo do trabalho e de lutar pela democratização da educação em nosso país”. (OLIVEIRA, MORAES E DOURADO, p. 10).
	Nossos autores defendem uma escola participativa, que forme indivíduos criativos e críticos, modelo de ensino também defendido por Libâneo e mostrado no inicio deste trabalho. Mas seguindo este raciocínio, afirmam que a escola precisa ter clareza de que o processo de formação para uma vida cidadã e, portanto, de gestão democrática passa pela construção de mecanismos de participação da comunidade escolar. Precisa não só criar espaços de discussões que possibilitem a construção do projeto educativo por todos os segmentos da comunidade escolar, como consolidá-los como espaços que favoreçam a participação. Exemplifiquemos os mecanismos:
“Para que a tomada de decisão seja partilhada e coletiva, é necessária a efetivação de vários mecanismos de participação, tais como: o aprimoramento dos processos de escolha ao cargo de dirigente escolar; a criação e a consolidação de órgãos colegiados na escola (conselhos escolares e conselho de classe); o fortalecimento da participação estudantil por meio da criação e da consolidação de grêmios estudantis; a construção coletiva do Projeto Político-Pedagógico da escola; a redefinição das tarefas e funções da associação de pais e mestres, na perspectiva de construção de novas maneiras de se partilhar o poder e a decisão nas instituições. É nessas direções que se implementam e vivenciam graus progressivos de autonomia da escola”. (OLIVEIRA, MORAES E DOURADO, p. 10). 
Nesse sentido, a democratização da gestão escolar implica a superação dos processos centralizados de decisão, como vimos agora a pouco, principalmente na pessoa do diretor, e nascem discussões coletivas, envolvendo todos os segmentos da escola num processo pedagógico. A partir dele, vai ser efetiva a autonomia da unidade escolar. 
Em fim, como percebemos, gestão democrática é a efetivação de novos processos de organização e gestão, baseados em uma dinâmica que favoreça os processos coletivos e participativos de decisão. A participação não se apresenta de maneira padronizada, é uma prática polissêmica, que apresenta diferenças significativas quanto à natureza, ao caráter, às finalidades e ao alcance nos processos de aprendizagem cidadã. 
3 - PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE NA GESTÃO ESCOLAR
	
	A precariedade em que se encontra o ensino público é fato incontestável. Essa situação vem se arrastando por décadas, com tendência de agravamento dos problemas e carências, sem que o Estado tome medidas efetivas visando à sua superação. Esse fato leva a se colocarem sérias dúvidas a respeito do real interesse do Estado em dotar a população de um mínimo de escolaridade, expresso na própria Constituição, mas que não encontra correspondente em termos de sua concretização. 
	A universalização do saber é considerada algo desejável do ponto de vista social, no sentido da melhoria da qualidade de vida da população, trata-se, então, de se buscar alternativas que apontem para o oferecimento de um ensino de boa qualidade para todos os cidadãos. Os discursos de nossas autoridades estão repletos de belas propostas que nunca chegam a se concretizar porque falta vontade política e os recursos necessários. 
	Parece haver pouca probabilidade de o Estado empregar esforços para a democratização do saber sem que a isso seja compelido pela sociedade civil. Neste raciocínio de Paro, ele continua afirmando:
“No âmbito da unidade escolar, esta constatação aponta para a necessidade de a comunidade participar efetivamente da gestão da escola de modo a que esta ganhe autonomia em relação aos interesses dominantes representados pelo Estado. E isso só terá condições de acontecer na medida em que aqueles que mais se beneficiarão de uma democratização da escola puderem participar ativamente das decisões que dizem respeito a seus objetivos e às formas de alcançá-los”. (PARO, 2000, p. 40).
	O que o autor nos quer dizer é se queremos uma escola transformadora, precisamos transformar a escola que temos aí. E a transformação desta escola passa necessariamente por sua apropriação por parte das camadas trabalhadoras. É nesse sentido que precisam ser transformados o sistema de autoridade e a distribuição do próprio trabalho no interior da escola. Devemos dar autonomia à escola e isso consiste em dar poder e condições concretas para que ela alcance objetivos educacionais articulados com os interesses das camadas trabalhadoras. Por isso é preciso buscar areorganização da autoridade no interior da escola. 
	Para isso, Paro afirma que o maior obstáculo é a função atual do diretor que se coloca como autoridade última no interior da escola. Para ele, é preciso começar a lutar contra esse papel do diretor. É preciso aprofundar as reflexões de modo que se perceba que, ao se distribuir a autoridade entre os vários setores da escola, o diretor não estará perdendo poder, mas dividindo responsabilidade. E, aos acontecer isso, quem estará ganhando poder é a própria escola. 
 	Ele afirma claramente que:
“Na medida em que se conseguir a participação de todos os setores da escola – educadores, alunos, funcionários e pais – nas decisões sobre seus objetivos e seu funcionamento, haverá melhores condições para pressionar os escalões superiores a dotar a escola de autonomia e de recursos. A esse respeito, vejo no conselho de escola uma potencialidade a ser explorada”. (PARO, 2000, p. 12).
	Portanto para Paro, precisamos de uma verdadeira gestão colegiada que esteja articulada com os interesses populares da escola. Diz ele, que quando o diretor reivindica, é fácil dizer-lhe não, porém é muito mais difícil dizer não, quando a reivindicação não for de uma pessoa, mas de um grupo, que represente outros grupos e esteja instrumentalizado pela conscientização da sua própria organização. É nesse sentido, que há uma necessidade de a escola organizar-se democraticamente com vistas a objetivos transformadores. E aqui subjaz, portanto, o suposto de que a escola só poderá desempenhar um papel transformador se estiver junto com os interessados, e se organizarem para atender os interesses das camadas às quais essa transformação favorece.
	Com uma visão semelhante, Heloísa Lück afirma que o órgão colegiado escolar constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para se alcançar o objetivo de ajudar o estabelecimento de ensino, em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo de pais, professores e funcionários. Em sua atuação, cabe-lhe resgatar valores e cultura, considerando aspectos socioeconômicos, de modo a contribuir para que os alunos sejam atendidos em suas necessidades educacionais.
	Entende-se, para ela, que os membros do órgão colegiado sejam apenas o ponto de partida, para que todos os pais se envolvam com os trabalhos da escola, cabendo aos primeiros buscar os meios para promover esse desenvolvimento. Seu significado está centrado na maior participação dos pais na vida escolar, como condição fundamental para que a escola esteja integrada na comunidade, assim como a comunidade nela, que se constitui na base para a maior qualidade do ensino.
Esta participação pode ser promovida mediante atividades as mais diversas. Por exemplo: 
“a) participar da elaboração e acompanhamento do projeto pedagógico da escola; b) envolver-se na realização de atividades pedagógicas da escola; c) participar de círculos de pais, para trocar experiências sobre a educação dos filhos; d) apoiar iniciativas de enriquecimento pedagógico da escola; e) colaborar com ações de parcerias e trabalho voluntário na escola; f) auxiliar na promoção da aproximação entre escola e comunidade; g) participar da gestão de recursos financeiros da escola”. (LÜCK, 2013, p. 67). 
	
Assim, dando um passo a frente, enfatiza que cada escola deverá constituir-se em um núcleo de pressão a exigir o atendimento dos direitos das camadas trabalhadoras e defender seus interesses em termos educacionais:
“Quando falamos em núcleo de pressão não estamos imaginando núcleos isolados, sem ligação com outros, com associações educativas mais amplas e outras entidades da sociedade civil. Seu caráter de reivindicação de direitos que são comuns a amplas camadas da população deve conferir-lhe uma tendência a relacionar-se e a agir em sintonia com um elenco cada vez maior de entidades reivindicativas”. (PARO, 2000, p. 13). 
	Em fim, podemos afirmar baseado neste pensamento, que é de fundamental importância o momento em que rompemos com a idéia de que os problemas escolares podem ser resolvidos nos estritos limites da escola e procura propiciar condições concretas de participação das camadas trabalhadoras nos destinos da educação escolar. Devemos identificar as condições de possibilidade dessa participação e buscar mecanismos necessários à distribuição da autoridade no interior da escola, de modo a adequá-la ao mister de constitui-se em mecanismo de pressão junto ao Estado e aos grupos detentores do poder, para que sejam propiciadas as condições que possibilitem o seu funcionamento e autonomia. 
	 
4 – CONCLUSÃO 
	Podemos concluir dizendo que na realidade atual da nossa sociedade, precisamos continuar investindo em uma escola que tornem os alunos críticos, que estejam envolvidos com as questões sociais e se preparem para o correto exercício da cidadania. E que as escolas prestem mais atenção na qualidade cognitiva que cada aluno, que abra espaços para o desenvolvimento do seu pensar e o professor o ajude a decifrar os significados destes pensamentos e os ajude a lidar com os dilemas e as situações da realidade. 
	Já que a escola é instituída como uma organização a serviço da sociedade, com a missão de educar crianças e jovens, deve ter como característica principal a relação humana. A educação só pode dar-se mediante o processo pedagógico, dialógico, não dominador, que assegura condições positivas tanto para o professor como também para o aluno. 
	Estão-se preocupados com a qualidade oferecida aos nossos usuários, devemos nos preocupar é com a gestão da escola. Devemos criar e fazer funcionar continuamente mecanismos de gestão colegiada, abrir espaços para as ações coletivas e principalmente decidir em conjunto as estratégias a serem seguidas. 
	Em fim, a autonomia se constrói a partir da participação e contribuição da comunidade, é preciso estabelecer acordos e parcerias para essa contribuição. Por meio de acordos com diferentes pessoas, que contribuam com seus conhecimentos e habilidades, a escola aumenta seu capital cultural e intelectual, assim todos ganham com esse processo. 
REFERÊNCIAS
- LIBÂNEO, Jose Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004. 
- LÜCK, Heloísa. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. 9. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
- MORETTO, Vasco Pedro. Prova um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. 9. ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2010. 
- OLIVEIRA, João Ferreira de; MORAES, Karine Nunes de; DOURADO, Luiz Fernandes. Gestão escolar democrática: definições, princípios e mecanismos de implementação. Disponível em: (http://escoladegestores.mec.gov.br/site/4-sala_politica_gestao_escolar/pdf/texto2_1.pdf) acesso em: 14 de abril de 2015.
 
- PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. 3. ed. São Paulo: Ática, 2000.

Mais conteúdos dessa disciplina