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LG – 2o dia | Caderno 1 - Amarelo - Página 14 QUESTÃO 18 O poeta come amendoim Mastigado na gostosura quente de amendoim... Falado numa língua curumim De palavras incertas num remeleixo melado melancólico... Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons... Molham meus beiços que dão beijos alastrados E depois remurmuram sem malícia as rezas bem nascidas... Brasil amado não porque seja minha pátria, Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus [der... Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço [aventuroso, O gosto dos meus descansos, O balanço das minhas cantigas amores e danças. Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito [engraçada, Porque é o meu sentimento pachorrento, Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de [dormir. Mário de Andrade A nossa literatura, no seu processo evolutivo, apresenta muitos valores sociais e humanos que, como constituintes do patrimônio literário, se mostram atualizáveis e permanentes. Muitos de nossos poetas, ao longo do tempo, externaram, por exemplo, sentimentos semelhantes aos que foram o objeto primordial do poema de Mário de Andrade no fragmento acima. Manifestação desse tipo se encontra nos versos: Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros. E eu vos direi: “amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” Tinir de ferros... estalar de açoite... Legiões de homens negros como a noite, Horrendos a dançar... Se brasileiro nasci Brasileiro hei de morrer, Que um filho daquelas matas Ama o céu que o viu nascer; A água correu veloz, fica-me a espuma. Só o tempo não me deixa coisa alguma até que da própria alma me despoje! QUESTÃO 19 Em termos usuais, a ideia do que é jogo costuma ser significativamente misturada com a ideia de esporte. Por isso, caracterizar o que é jogo é fundamental para, inclusive, não confundi-lo com esporte. É bastante comum que as pessoas digam que uma pessoa que pratica profissionalmente voleibol seja um jogador. Isso não é verdade. Essa pessoa que se utiliza do esporte de forma profissional ou semiprofissional, cuja prática é revertida em termos financeiros, troféus e/ou medalhas, não é um jogador: é um atleta. Assim, de modo geral, pode-se dizer que jogador é aquela pessoa que participa de uma atividade tendo em vista o prazer que ela lhe proporciona. As características básicas para que uma atividade seja considerada um jogo são: 1) regras mutáveis, ou seja, os jogadores podem combinar e recombinar as regras durante a prática; 2) por ser uma atividade que pode estimular tanto a competição quanto a cooperação; 3) pode ser jogado individualmente ou em grupo; 4) proporcionar prazer no ato de jogar, o que nós chamamos de recompensa intrínseca. Você, aluno, deve estar pensando: “se eu jogo porque eu gosto de jogar, então o lugar de jogo é na escola?”. Sim: o lugar do jogo é na escola. E sabe por quê? Porque quando jogado coletivamente, ele faz você se relacionar melhor com os seus colegas: vocês aprendem a dividir as tarefas, a cooperarem entre si; o jogo desenvolve a rapidez de raciocínio necessária para resolver problemas das mais diversas naturezas; permite que você e seus colegas joguem com as regras tradicionais e modifiquem essas regras sempre que o grupo concordar, e esse tipo de prática permite preparar você para a sua própria vida, exercitando a atitude de ouvir a opinião do outro, de ele ouvir a sua e de vocês chegarem a um acordo bom para todos. E o melhor: além de tudo isso você ainda joga porque gosta, porque é um tipo de atividade prazerosa. É por todos esses motivos que o jogo é uma atividade escolar por excelência. E ele cabe ainda melhor na sua aula de Educação Física, já que para jogar, muitas vezes, você precisa colocar o seu corpo em movimento. Então, além de exercitar o raciocínio, melhorar a relação entre as pessoas, praticar a cooperação e a competição, ainda mexe com o seu corpo, diminuindo o risco de desenvolvimento de obesidade, de doenças cardíacas e de diabetes. (...) RONDINELLI, Paula. Disponível em: brasilescola.uol.com.br. Acesso em: 28 jun. 2016. O texto acima trata da conceituação do jogo, confrontando-o com a de esporte. Segundo sua autora, o jogo se caracteriza por seus aspectos predominantemente centrados no indivíduo e suas habilidades. por regras fixas, permanentes, o que garante a aproximação entre as pessoas. por ensejar ações voltadas para o relacionamento interpessoal e fixação de consensos. por encontrar, fora do ambiente escolar, os melhores espaços para desenvolvimento. por permitir a livre e geral distribuição dos prêmios, medalhas e troféus disputados.