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Basta de Autocrítica! EXERCÍCIOS DE COMPAIXÃO Antes de iniciarmos os exercícios de visualização mais complexos, vamos começar com algo mais simples: imaginar um espaço seguro. As visualizações de locais seguros, que são amplamente utilizadas em vários tipos de terapia, têm duas funções principais: • Primeiro, ajudam a direcionar a atenção dos clientes para uma sensação de segurança. Às vezes, quando as pessoas estão a sen- tir-se stressadas, tirar um tempo para imaginar um lugar seguro pode dar-lhes um sítio para descansar. • Em segundo lugar, criar um lugar seguro ajuda-os a imaginar que estão num sítio que lhes dá uma sensação de alegria. Comecemos então com o primeiro exercício de visualização. Exercício: Criar Um Lugar Seguro Esta visualização específica de um lugar seguro começa com a Res- piração Rítmica Calmante, como é típico nas meditações e visua- lizações compassivas e com a qual já deves estar familiarizado. O lugar seguro de cada um de nós é uma criação individual e brota da nossa imaginação, é um lugar que nos acolhe e valoriza. É importante que sintas que é o teu espaço. O lugar que criares é para incorporar calor compassivo e segurança. Neste exercício, estás a permitir-te experimentar sentimentos de segurança no aqui e no agora, permanecendo num lugar onde estás em paz, relaxado e confiante no teu bem-estar. Quando te sentires angustiado, uma sensação de contentamento e segurança pode parecer muito dis- tante. As nossas mentes respondem à nossa imaginação como se o que ela produz fosse ou pudesse ser real, dando-nos a capacidade inata de cultivar sentimentos de segurança e ativar o nosso sistema de autotranquilização. Sophie Seromenho Instruções: • Começa este exercício da mesma forma que começarias a Res- piração Rítmica Calmante, deitando-te confortavelmente num colchonete/tapete de exercício ou sentando-te numa posição confortável e segura numa cadeira ou almofada de meditação. • Dedica algum tempo para permitir que algumas respirações conscientes entrem e saiam do teu corpo. • Agora volta a tua atenção para a tua imaginação e começa a pensar num lugar feliz e seguro que te rodeia. Talvez seja um lugar que já visitaste no passado ou que apenas pensaste em visitar. É importante que este local seja calmo, como um pique- nique à sombra, uma varanda à beira-mar ou uma cadeira acon- chegante junto à lareira no inverno. Seja qual for, este lugar é apenas teu, e és livre para imaginares qualquer lugar que pareça certo para ti. Se imaginares uma praia serena, sente a areia lisa e macia sob os teus pés e o calor do sol. Ouves as ondas a bater na costa? Ouves gaivotas a chamar? Se imaginares um lugar seguro, acolhedor e quente dentro de casa, como uma cadeira confortável junto à lareira, consegues sentir o calor a irradiar e a aquecer-te? Qual é o cheiro do espaço? Consegues ouvir o crepitar do fogo? • Podes lembrar-te de algum lugar onde tenhas caminhado entre árvores antigas e vegetação, ou de outro lugar que te traga boas memórias — um lugar onde te sentiste apoiado e amado e foste capaz de sentir uma sensação de diversão. Para evocar vivamente as imagens desse lugar, recorda como era ou como seria se esti- vesses lá agora. • Repara na qualidade da luz, na textura da areia, no tecido da cadeira e na casca da árvore. Presta atenção aos sons, aos cheiros e à temperatura. • Mantém-te com esta visualização durante alguns minutos e, de vez em quando, repara no ritmo natural da tua respiração, sen- tindo o teu diafragma a expandir e a tua barriga a subir e a descer ao mesmo ritmo da tua respiração. • Sempre que a tua mente divagar, traz de volta a tua atenção para a imagem do teu espaço seguro na próxima inspiração natural. • Quando te sentires pronto, deixa a imagem desvanecer-se. Basta de Autocrítica! • Com a tua próxima inspiração natural, abandona completamente o exercício e traz a tua atenção ao ambiente real. Reflexão: (anota as respostas numa folha ou caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ USA IMAGENS DE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS PARA CULTIVAR A COMPAIXÃO Os dois exercícios a seguir permitem que comeces a aceder à tua mente compassiva, focando deliberadamente memórias e imagens pessoais que evocam uma experiência de calor e afiliação. Podes optar por começar com uma experiência de compaixão fluindo (recebendo-a de outra pessoa) ou com a experiência de compaixão fluindo (estendendo-a a outra pessoa), com base no teu histórico de Sophie Seromenho aprendizagem. O treino da mente compassiva deve ser desafiador, mas não avassalador; portanto, começamos com a abordagem que pareça menos exigente para ti e construímos a partir daí. Em essên- cia, esta é uma forma de exposição gradual às emoções envolvidas na vinculação segura; e, como tal, é particularmente útil para pessoas cujas experiências passadas, potenciais traumas e memórias de vin- culação resultaram em dificuldades de tolerância ao sofrimento e aversão à autocompaixão. Também é através de exercícios de visualização que utilizamos o hemisfério direito do cérebro, associado às memórias emocionais. Assim, estaremos a potenciar a «cura», ao contrário de quando fica- mos presos a exercícios puramente racionais. Exercício: Experimentando o Fluxo da Compaixão Antes de começares esta prática, deixa-me explicar que este exercício faz parte do teu treino de atenção consciente e compaixão. Vai aju- dar-te a aceder às emoções afiliativas ao focares-te deliberadamente em memórias e imagens pessoais que evocam uma sensação de calor e conexão. Quando praticares isto em casa, procura um espaço tran- quilo onde não sejas perturbado e reserva de 10 a 20 minutos. Instruções: • Senta-te com as costas direitas e apoiadas, numa cadeira con- fortável ou numa almofada de meditação. • Começa por prestar atenção à tua respiração, observando o seu fluxo e ritmo, permitindo que ela siga o seu próprio compasso. Observa e mantém-te atento a essa respiração durante alguns minutos, praticando a Respiração Calmante. • Agora, traz uma parte da tua atenção para o teu corpo e sente a força e compaixão que estão disponíveis para ti na tua postura. Sente os pés no chão, os ísquios apoiados na almofada ou cadeira, e a coluna ereta e sustentada. A tua postura reflete um senso de calma e autocompaixão. Permite que o teu rosto forme um leve sorriso. • Agora, com parte da tua atenção na tua respiração, começa a lembrar-te de um dia agradável no teu passado, quando alguém foi compassivo e solidário contigo. Essa pessoa não te julgou Basta de Autocrítica! nem condenou; em vez disso, mostrou empatia e preocupação genuína pela tua felicidade. • Tenta lembrar-te de todos os detalhes sensoriais dessa experiên- cia: lembras-te do que tinhas vestido? Onde estavas?Fazia calor ou frio? Chovia ou o vento soprava entre as árvores? Estava a tocar música de fundo? • Agora, trazendo parte da tua atenção de volta para a tua respi- ração, inspira e expira e mantém-te com esta imagem de receber compaixão por alguns momentos. Ao lembrares-te de receber essa ajuda e gentileza, podes concentrar a tua atenção e aumen- tar o desejo de ser gentil e prestativo, inclusive contigo mesmo. • Sempre que a tua mente inevitavelmente se distrair e se afas- tar dessa memória, traz a tua atenção de volta com a próxima inspiração natural, abrindo espaço para qualquer coisa que esteja a surgir. Depois, com a próxima expiração natural, volta a atenção para a tua respiração e a imagem dessa pessoa compassiva. • Quando inspirares novamente, presta atenção à expressão facial dessa pessoa do teu passado. Tenta lembrar-te o máximo que puderes da linguagem corporal e dos gestos dessa pessoa. O que disse essa pessoa? Como disse? Presta especial atenção ao tom de voz. Mantém-te com esta experiência, inspirando e expirando. • Agora, concentra a tua atenção na qualidade da emoção que essa pessoa demonstrou em relação a ti. Como se sentia essa pessoa em relação a ti? Como isso te faz sentir? Tens alguma sensação física como resultado dessa emoção? Dedica alguns minutos a estar na presença dessa emoção. Podes sentir-te seguro e prote- gido, como se o teu corpo estivesse ancorado e mais forte. Aceita como essa emoção se apresenta, identificando-a como compaixão consciente, e convida-te a abrir espaço para ela. • Este é um momento para focar na experiência de compaixão fluindo para ti. Agora, volta a tua atenção para o fluxo da tua respiração, inspirando e expirando suavemente, e dedica alguns momentos a sentir essa experiência. Conecta-te o máximo que conseguires com as emoções de apreço, gratidão e felicidade que surgem com o cuidado dessa pessoa. Fica na presença dessa Sophie Seromenho memória e sentimento durante o tempo que achares adequado, talvez mais alguns minutos. • Quando sentires que é o momento certo, deixa essa experiência desaparecer com a tua próxima expiração natural, permitindo que a memória e as imagens se desvaneçam. Após mais algumas respirações lentas e regulares, expira e deixa ir completamente este exercício. • Antes de abrires os olhos, tira um momento para te felicitares por te envolveres nesta prática de autocompaixão, reconhe- cendo que tomaste a decisão consciente de cuidar de ti e avançar na direção do alívio do teu sofrimento. Reflexão: (anota as respostas numa folha ou num caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Basta de Autocrítica! Exercício: Experimentando o «Flow» da Compaixão Antes de começarmos este exercício, é importante explicar que o mesmo se baseia na tua prática de atenção consciente e compaixão, e irá ajudar-te a cultivar a autocompaixão através de imagens de compai- xão estendida a outras pessoas. Ao sugerir ou designar este exercício para a tua prática em casa, recomendo que encontres um espaço tran- quilo onde não serás perturbado e reserves de 10 a 20 minutos para ele. Instruções: • Começa por adotar uma postura digna e meditativa. Deixa as solas dos teus pés estarem em contacto com o chão, a parte posterior das coxas bem apoiada na cadeira ou almofada, e man- tém as costas eretas e apoiadas. • Foca-te na tua respiração, seguindo a inspiração e a expiração do teu corpo. Toma consciência da tua presença física exata- mente como está neste momento. Permite que a tua respiração encontre o seu próprio ritmo. Se a tua mente se distrair, traz gentilmente a tua atenção de volta para a respiração. • Depois de alguns minutos de concentração consciente e com- passiva, direciona a tua atenção para um momento em que sen- tiste compaixão por outra pessoa, alguém que estava a precisar de apoio. Podes também direcionar a tua atenção para a com- paixão que sentiste por um animal, como um animal de estima- ção. Lembra-te plenamente desse tempo de paz e felicidade. Este exercício envolve usar imagens para evocar sentimentos separados das emoções difíceis. • Enquanto te imaginas a sentir bondade e compaixão por essa outra pessoa ou ser, procura imaginar que estás a expandir à medida que o calor e o cuidado da tua intenção aumentam. Imagina-te a tornares-te mais sábio, emocionalmente mais forte e mais caloroso a cada inspiração e expiração. À medida que te tornas mais sintonizado e resiliente a cada respiração, reconhece que isso significa que, a cada respiração, tens mais para dar, e a cada momento estás a tornar-te mais útil, aberto e sábio. • Como te sentes? Quais as sensações físicas que estás a experien- ciar? Agora, traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração e concentra-te novamente nesses sentimentos e nas Sophie Seromenho imagens associadas à tua experiência de estender compaixão a outro. • Durante todo este tempo, observa o teu desejo de que essa pes- soa ou ser seja feliz, cheio de compaixão, pacífico, à vontade e esteja bem. Como é o tom de voz? Qual a expressão no rosto? Como é que o corpo se move e reage aos teus sentimentos e aos da outra pessoa? Dedica algum tempo a apreciar a sensação de prazer que podes sentir por seres útil e atencioso. Sorri gentil- mente e, ao inspirar e expirar, permite-te perceber a sensação de compaixão fluindo de ti e a chegar àquela pessoa ou ser por quem te preocupas tanto. Imagina que a tua compaixão toca o coração do outro. Visualiza que o fardo do sofrimento do outro está a ser aliviado, pouco a pouco, a cada respiração. Com a tua próxima expiração natural, sente novamente a compaixão a fluir de ti, e a alegria e paz a fluírem para a pessoa ou ser a quem estás a estender a bondade. • Com a tua próxima expiração natural, abandona a representação da outra pessoa ou ser, e direciona a tua atenção para a expe- riência de compaixão em ti mesmo. Reconhece onde no teu corpo se manifesta o teu desejo aberto e sincero de partilhar bondade e ajuda. Permite-te descansar nesse sentimento de amor-bondade pelos outros, sentindo a presença da compaixão a fluir através de ti. Mantém essa sensação durante alguns momentos. Se a tua atenção se desviar, observa para onde foi e refocaliza, trazendo parte dela para a próxima inspiração natu- ral e para o exercício em questão. Continua a estar presente nesse calor e bondade por vários minutos. • Quando te sentires pronto para terminar esta visualização, traz a tua atenção de volta para os teus pés no chão, depois para a tua posição na cadeira, a seguir para as costas, eretas e apoiadas, e finalmente para o topo da tua cabeça. Quando achares que estás pronto, expira e deixa ir completamente este exercício. Antes de abrires os olhos, reserva um momento para te felici- tares porte teres envolvido nesta prática, reconhecendo que tomaste uma decisão consciente de cuidar de ti mesmo e de avançar em direção ao alívio do teu sofrimento. Basta de Autocrítica! Reflexão: (anota as respostas numa folha ou num caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ DESENVOLVE UMA IDENTIDADE COMPASSIVA ATRAVÉS DA VISUALIZAÇÃO O próximo exercício é uma prática compassiva fundamental que aproveita o poder da imaginação para cultivar a resposta compassiva. Envolve primeiro usar a imaginação para desenvolver uma imagem personalizada do eu compassivo e, em seguida, usar essa imagem numa prática de visualização. Como é o caso da maior parte do tra- balho de compaixão contextual deste livro, e particularmente das visualizações deste capítulo, esta pode ser usada como uma medita- ção diária ou ferramenta de enfrentamento para ti em qualquer situa- ção que precises. Sophie Seromenho Exercício: Visualiza o Eu Compassivo Instruções: • Como verás, a primeira parte do exercício não é bem uma visua- lização. Em vez disso, quero que comeces por pensar nas quali- dades que gostarias de ter num «eu compassivo», o que te dará uma base para a visualização. Este exercício ajudar-te-á a imagi- nar-te de uma forma bem diferente daquela a que estás habituado. É como se fosses um ator a ensaiar para um papel numa peça ou filme. Estás a criar uma personificação do teu «eu compassivo», que irás conhecer e com a qual te sentirás bem, contente, grato. Tira um momento para pensar nas qualidades do teu «eu com- passivo» e anota aquelas que desejarias ter se fosses uma pessoa calma, confiante e compassiva. Serias sábio? Serias forte e capaz de enfrentar o desconforto? Terias sentimentos calorosos pelos outros e por ti mesmo? Sentirias empatia pelo sofrimento de outras pessoas e terias mais compreensão do seu comportamento? Compreenderias as falhas e fraquezas dos outros e, por isso, não julgarias, aceitarias, serias gentil ou perdoarias? Terias coragem? Pergunta a ti mesmo como imaginas o teu «eu mais compas- sivo». Talvez possas imaginar-te mais velho e mais sábio, ou talvez mais jovem e mais inocente. Isto é algo muito pessoal, por isso, sente-te à vontade para criar uma imagem do teu «eu compassivo» e embelezá-la como desejares. • Agora vamos fazer uma visualização usando esse «eu compas- sivo» que identificaste e descreveste. • Fecha os olhos e começa por focar a tua atenção nas solas dos pés, sentindo-as ligadas ao chão e ao apoio da cadeira ou almo- fada. Mantém a coluna ereta e apoiada. Depois, direciona parte da tua atenção para a tua respiração enquanto entra e sai do teu corpo. Deixa-a encontrar um ritmo lento e calmo. Sente a ins- piração e expiração. Continua a respirar dessa forma até con- centrares a tua atenção e te sentires presente no momento. • Agora, recorda as qualidades do teu «eu compassivo» que ano- taste e imagina que já as tens. Inspira, sentindo-te com essa sabedoria, e expira, sabendo que fazes parte do fluxo da vida na Terra, com um cérebro e uma história de vida que não escolheste Basta de Autocrítica! ou desenhaste. Inspira e imagina-te forte e capaz de enfrentar o sofrimento e os teus medos, e depois expira. De cada vez que inspiras, sente que possuis as qualidades que anotaste. Sente-te comprometido, com uma intenção calma e totalmente dedicada a aliviar o sofrimento que encontrares. • À medida que continuas a inspirar e expirar, sente o teu corpo ficar pesado na cadeira e ligado à terra. A tua sabedoria, força e comprometimento estão todos presentes. Imagina-te como alguém completamente imparcial, que não se julga a si mesmo nem julga os outros por falhas. Traz à mente os detalhes senso- riais que notarias como o teu «eu compassivo». O que estás a usar? O teu corpo está relaxado e aberto? A tua linguagem cor- poral demonstra abertura e gentileza? Estás a sorrir? Se não estás, sorri agora e, ao mesmo tempo, imagina o calor que sen- tes quando pegas num bebé ao colo com cuidado. • À medida que inspiras, concentra a tua atenção no teu corpo, imagina-te a expandir e acolhe a tua capacidade de ser sábio, caloroso e resistente. • Nos próximos momentos, continua a imaginar que és o teu «eu compassivo» que descreveste. Como se manifestaria a tua com- paixão? Qual seria o tom da tua voz se fosses esse «eu compas- sivo»? Como te comportarias? Que expressão terias no teu rosto? • Permite-te desfrutar da tua capacidade de partilhar bondade e cuidado com as pessoas à tua volta e contigo mesmo. • Se a tua mente divagar, como acontece com todos nós, usa a próxima inspiração para trazeres gentilmente a tua atenção de volta a esta imagem do teu «eu compassivo». • Nos próximos minutos, continua a prestar atenção plena a este «eu compassivo», voltando e reorientando quando necessário. • Quando te sentires pronto, e com a tua próxima expiração natu- ral, permite que qualquer ligação a este exercício simplesmente desapareça. • Inspira novamente e, com a tua próxima expiração natural, per- mite-te tornar consciente do teu ambiente mais uma vez. • Tira um momento para reconhecer e agradecer o esforço que investiste neste exercício. Depois, volta a tua atenção totalmente para o ambiente à tua volta. Sophie Seromenho Reflexão: (anota as respostas numa folha ou caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Exercício: Contactar os Muitos Eus Diferentes Existem muitas partes diferentes de cada um de nós: o nosso eu compassivo, o nosso eu raivoso, o nosso eu ansioso, o nosso eu alegre e assim por diante. No roteiro a seguir1, vamos concentrar-nosem contactar o eu raivoso e o eu ansioso e examinar como eles inte- ragem. Quaisquer que sejam os aspetos do eu visados, depois de os invocar e talvez pôr em contacto, o eu compassivo da visualização anterior é convocado para ajudar a cultivar a compaixão por essas outras partes do eu. 1 Adaptado de Tirch, 2012, e inspirado em Gilbert & Choden, 2013. Basta de Autocrítica! Instruções: • Depois de assumires uma postura confortável e apoiada, fecha os olhos. • Depois de estabeleceres a tua consciência e focares a tua atenção na respiração, diminui o ritmo da tua respiração e equilibra as tuas inalações e exalações, praticando brevemente a respiração rítmica calmante. • Quando estiveres pronto, com a tua próxima inalação natural, imagina que estás a discutir com alguém que consegue ser duro e crítico. • O que o teu lado raivoso pensa sobre essa situação? Que sensa- ções surgem no teu corpo quando te sentes criticado ou atacado? Que impulsos comportamentais essa parte raivosa sente? E se essa parte raivosa da tua personalidade tomasse o controlo das coisas, o que farias? Permite-te dar um passo atrás e observar essa parte frustrada ou raivosa de ti e ver com o que se parece. Agora traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Com a tua próxima expiração natural, abandona essa imagem do eu raivoso. Então, com a tua próxima inspiração natural, concentra-te no teu eu ansioso e em como ele pode lidar com o mesmo argumento. • O que pensa a parte ansiosa de ti? Que sensações físicas surgem? O que faria essa parte ansiosa da tua personalidade se assumisse o controlo do teu comportamento? • Vê se consegues imaginar o teu eu ansioso à tua frente ou ter a sensação de estar na presença do teu eu ansioso. • Mais uma vez, traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Com a tua próxima expiração natural, abandona essa imagem do teu eu ansioso. • Em seguida, com a tua próxima inspiração natural, concentra-te na interação entre o teu eu zangado e o teu eu ansioso. • Eles gostam um do outro? O teu eu zangado aprova o teu eu ansioso e como ele se comporta? Ele sente-se ameaçado ou sufo- cado pelo eu ansioso? E o que pensa o teu eu ansioso sobre o teu eu zangado? Tem medo disso? A parte ansiosa sente-se pro- tegida pela tua raiva? Sophie Seromenho • Agora traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Mais uma vez, com a tua próxima expiração natural, deixa de imaginar essas duas partes de ti. Essas e todas as outras partes diferentes de ti são, na verdade, apenas a maneira como lidas com os eventos à medida que eles se desenrolam. Às vezes, essas diferentes partes estão em conflito umas com as outras, fazendo com que nos sintamos em conflito connosco próprios. No entanto, ativares e conectares-te com o eu compassivo pode mudar essa dinâmica de forma bastante dramática. • Agora, em vez de te concentrares nos aspetos ansiosos ou rai- vosos de ti mesmo, volta o teu foco para a parte sábia, calma e autoritária com a qual trabalhaste no exercício visualizando o eu compassivo. • Descansando no fluxo da tua respiração, passa alguns momen- tos concentrando-te no teu eu compassivo. Vê-te de fora. Vê um sorriso gentil no teu rosto e vê as outras pessoas a relacio- narem-se contigo como alguém calmo, gentil e sábio. • Depois de teres uma noção desse aspeto de ti mesmo, imagina o teu eu compassivo a lidar com o argumento que visualizaste no início desta prática. • Quais são os teus pensamentos sobre o argumento agora? Como sentes o teu eu calmo, sábio e compassivo? O que faz o teu eu compassivo quando assume o controlo do seu comportamento? Como difere isto das maneiras pelas quais os teus eus raivosos e ansiosos se comportam? • Traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Em seguida, expira e abandona completamente todas essas ima- gens e o exercício. • Volta a tua atenção para a sala em teu redor e abre os olhos. Reflexão: (anota as respostas numa folha ou caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Basta de Autocrítica! Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Exercício: Cultivar a Compaixão pelo Eu Ansioso e pelo Eu Irritado Este exercício baseia-se na prática anterior, com o intuito de que o teu eu compassivo entre em contacto e cultive a compaixão pelo eu ansioso e depois pelo eu zangado. Instruções: • Começa por encontrar um sítio tranquilo e confortável onde possas sentar-te ou deitar-te. Fecha os olhos e começa a focar a tua atenção na respiração, tornando-te consciente das sensações da tua respiração enquanto entra e sai. • Pratica a respiração rítmica calmante, equilibrando as inalações e exalações. Isso pode ser feito respirando profundamente e devagar, mantendo um ritmo confortável. • Agora, começa a visualizar uma imagem do teu «eu compas- sivo». Imagina as qualidades desse eu compassivo, como calor, sabedoria e força. Pode ajudar imaginar um meio sorriso no rosto desse eu compassivo, uma expressão facial amigável. Sophie Seromenho • Se quiseres, coloca uma ou ambas as mãos sobre o teu coração para trazer atenção consciente ao calor e às sensações físicas desse gesto enquanto visualizas o teu eu compassivo. • Quando te sentires ligado ao teu eu compassivo e estiveres pronto, lembra-te do teu «eu ansioso» no contexto da discussão que imaginaste anteriormente. Tenta olhar para essa parte de ti mesmo da perspetiva do teu eu compassivo, abrindo espaço para a tensão e o medo no eu ansioso e conectando-te com a expe- riência ansiosa enquanto permaneces enraizado nas qualidades do teu eu compassivo. • Permite que a tua força compassiva apoie o teu eu ansioso, que pode estar irritado, assustado ou inseguro. • Deixa a tua sabedoria testemunhar a impermanência da ansie- dade e como ela é afetada por pensamentos e memórias. • Traz calor para a parte ansiosa de ti mesmo, mostrando-lhe bondade e carinho. Pergunta a ti mesmo do que precisa essa parte de ti que está a lutar contra o medo e a ansiedade. Como é que o teu eu compassivo quer estar com o teu eu ansioso? Como podes validar e apoiar essa parte ansiosa de ti mesmo? • Após passares algum tempo a experimentar estas intenções compassivas para o teu eu ansioso, deixa-te levar por estas ima- gens. Expande a tua consciência para a tua respiração e a sensa- ção das tuas mãos sobre o coração. • Agora, traz a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Com a próxima expiração natural, e enquanto permaneces conectado ao teu eu compassivo, traz à mente o teu «eu raivoso» no contexto da discussão que imaginaste anteriormente. • Permite-te dar um passo atrás e olhar para essa parte frustrada ou zangada de ti mesmo. Observa o que o teu eu raivoso está a fazer, a expressão facial que ele tem, o tom de voz, com quem está zangadoe com o quê. • Pergunta a ti mesmo o que o teu eu raivoso mais precisa agora e o que o ajudaria a encontrar a paz. • Novamente, pergunta a ti mesmo como é que o teu eu compas- sivo quer estar com o teu eu zangado, como podes validar e apoiar essa parte de ti, e o que quer o teu eu compassivo ofere- cer ao teu eu zangado. Basta de Autocrítica! • Após passares algum tempo a experimentar estas intenções para o teu eu raivoso, deixa-te levar por estas imagens. • Deixa a tua consciência focar-se na respiração e na sensação das mãos sobre o coração. • Descansa nessa posição por um momento, permitindo-te per- ceber quaisquer outros sentimentos ou experiências que possam ter surgido durante esta visualização. • Chama a atenção para como te sentes física e emocionalmente, ou para qualquer coisa particularmente importante ou signifi- cativa que tenha aparecido. • Agora, traz de novo a tua atenção de volta para o fluxo da tua respiração. • Com a próxima expiração natural, deixa as tuas mãos descan- sarem confortavelmente no teu colo. • Em seguida, expira e abandona completamente esta prática. • Volta a tua atenção para a sala à tua volta, abre os olhos e ajusta a tua postura ou alonga-te suavemente, conforme necessário. Este exercício pode ajudar-te a desenvolver a autocompaixão e a capacidade de lidar com emoções difíceis de uma maneira mais gen- til e compassiva. Praticando regularmente, podes fortalecer a tua capacidade de enfrentares as emoções desafiadoras e de te apoiares a ti próprio de maneira amorosa. Reflexão: (anota as respostas numa folha ou num caderno) O que notei durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Como me senti durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendi durante a prática de imaginação: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Sophie Seromenho Foi-me útil esta prática? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Foi-me difícil esta prática? Em que aspeto? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que posso melhorar para a próxima? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Exercício: Sensibilidade o Sofrimento A tabela seguinte pode ajudar-te a estimular a compaixão a partir da sensibilidade ao sofrimento no momento presente. Ao fornecer uma prática rotineira de trazer a compaixão consciente para a gama de experiências da vida, irás ampliar o teu repertório de ações compas- sivas e psicologicamente flexíveis. Instruções: Preenche o formulário da Compaixão todos os dias para registar momentos de compaixão consciente ao longo do dia, seja por meio de prática formal ou informal ou surgindo espontaneamente. Usa a versão comentada fornecida como um guia. Também encontrarás aqui um formulário de amostra preenchido. Tenta lembrar-te de usar esta tabela sempre que perceberes e sentires uma oportunidade de aplicar atenção plena e compaixão durante uma situação stressante ou desafiadora. Basta de Autocrítica! TABELA DA COMPAIXÃO CONSCIÊNCIA DO MOMENTO TRAZER A ATENÇÃO PARA AS RESPOSTAS CULTIVAR A COMPAIXÃO Quem? Quem está comigo ou envolvido nesta experiência? Sensações: Usando os meus cinco sentidos, o que estou a experienciar neste momento? O que está o meu corpo a fazer? Como posso direcionar a compaixão para o meu ser físico neste momento? De que é que o meu corpo precisa agora? O quê? O que está a acontecer neste momento? O que está a ativar a minha mente? Pensamentos: O que estou a pensar? De que modo este pensamento influencia as minhas ações? Este pensamento orienta-me em sentidos que valorizo? Como posso trazer mais compaixão ao meu pensamento aqui e agora? Onde? Onde estou neste momento? Emoções: Que emoções estou a sentir agora? Em que espaço emocional me encontro? Estão presentes outros sentimentos ou outras partes de mim? Como posso trazer compaixão a estes sentimentos? Quando? Quando é que isto está a acontecer? (Agora?) Atenção: Em que estou a focar-me? A minha atenção está focada no passado, no presente ou no futuro? Como posso tornar-me tão presente quanto possível neste momento, com gentileza para comigo e para com os outros? O que está disponível para mim agora? Como? Como é que isto está a acontecer? Comportamentos e ânsias: Como estou a responder? Como desejo responder? Como posso agir com destreza para concretizar as aspirações que valorizo? EXEMPLO DE FORMULÁRIO DA COMPAIXÃO CONSCIÊNCIA DO MOMENTO TRAZER A ATENÇÃO PARA AS RESPOSTAS CULTIVAR A COMPAIXÃO Quem? Quem está comigo ou envolvido nesta experiência? A minha filha. Sensações: Usando os meus cinco sentidos, o que estou a experienciar neste momento? O que está o meu corpo a fazer? Coração disparado, borboletas na barriga, inquietação e nervosismo. Como posso direcionar a compaixão para o meu ser físico neste momento? De que é que o meu corpo precisa agora? Preciso de praticar a Respiração Rítmica Calmante e de uma chávena de chá de menta para beber e cheirar. O quê? O que está a acontecer neste momento? O que está a ativar a minha mente? Não telefonou e está a demorar muito a chegar. Pensamentos: O que estou a pensar? De que modo este pensamento influencia as minhas ações? Houve um acidente e ela ficou ferida ou pior. Devia ligar-lhe outra vez. Não suporto não saber onde ela está. Este pensamento orienta-me em sentidos que valorizo? Como posso trazer mais compaixão ao meu pensamento aqui e agora? Claro que estou preocupada. Sou mãe e amo a minha filha e importo-me com ela. Lá por a minha mente estar a tentar proteger-me a mim e a ela, não significa que tenha acontecido algo de mal. Posso esperar para saber se há realmente um problema antes de o resolver. Sophie Seromenho CONSCIÊNCIA DO MOMENTO TRAZER A ATENÇÃO PARA AS RESPOSTAS CULTIVAR A COMPAIXÃO Onde? Onde estou neste momento? Em casa, sentada à espera junto do telefone. Emoções: Que emoções estou a sentir agora? Em que espaço emocional me encontro? Medo. Estou ansiosa e em pânico. Estão presentes outros sentimentos ou outras partes de mim? Como posso trazer compaixão a estes sentimentos? Estou triste por ficar tão ansiosa e zangada quando ela não telefona. Valorizo muito ser mãe, e por isso vale a pena para mim lidar com este tipo de situações para ser o tipo de mãe que quero ser, incluindo ser o mais útil possível à minha família. Quando? Quando é que isto está a acontecer? (Agora?) Sábado à noite. Atenção: Em que estou a focar-me? A minha atenção está focada no passado, no presente ou no futuro? No futuro. Estou a imaginar a minha filha no hospital ou a mim no funeral dela. Como posso tornar-me tão presente quanto possível neste momento, com gentileza para comigo e para com os outros? O que está disponível para mim agora? Posso começar com três inspirações conscientes. Posso focar-me em outras maneiras de cuidar da minha família e da casa, tais como regar as plantas ou levar o cão a passear. Como? Como é que isto está a acontecer? Estive sentada ao pé do telefone a ligar repetidas vezes à minha filha.. Comportamentos e ânsias: Como estou a responder? Telefonando-lhe impulsivamente, e também a telefonar parahospitais, esquadras da polícia e para casa dos amigos dela. Como desejo responder? Telefonar uma vez e depois esperar pacientemente meia hora antes de voltar a ligar de novo. Falar com outras pessoas, ser compassiva para comigo e focar-me conscientemente no momento presente. Como posso agir com destreza para concretizar as aspirações que valorizo? Respirar. Lembrar a mim mesma que sou capaz de ser paciente e que sou uma mãe carinhosa que se preocupa, mas que é superior às preocupações. Vou beber um chá e focar-me no cuidado da casa, dos animais e das plantas, enquanto aguardo pacientemente pela chegada da minha filha. Se necessário, posso conversar com a minha irmã ou até mandar-lhe um e-mail. Posso ouvir a minha gravação de meditação e praticar estar presente para mim mesma. Vou ficar bem. Reflexão: (anota as respostas numa folha ou num caderno) Como foi para ti este exercício? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Que dificuldades sentiste? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Basta de Autocrítica! Foi-te útil? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ O que aprendeste com ele? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________