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Profa. Me. Tânia Trajano UNIDADE II Teorias e Técnicas de Comunicação Na Unidade I, abordamos as características e os tipos de comunicação, vistas sob o ponto de vista mais técnico. Nesta Unidade, a proposta é entender o que acontece na interação com o público; daí, a necessidade de olharmos para os diversos estudos que analisam a comunicação. Para começar, vamos à definição de cultura! Agenda de hoje No dia a dia, o conceito de cultura é, normalmente, confundido com instrução, mas ele abrange toda a produção humana em determinado contexto social. De que cultura estamos falando? Para fins didáticos, as referências dizem respeito às produções artísticas: Obras de literatura, música, pintura e escultura, entre outras manifestações. Cultura de massa, cultura erudita e cultura popular Por que isso nos interessa? Importância do campo simbólico; ... reproduz o social. Assim, é necessário fazer a distinção conceitual entre os tipos de cultura. Cultura de massa, cultura erudita e cultura popular Definição: Cultura erudita é a arte, geralmente, conservada em museus ou coleções particulares. Tem grande valor estético e exige os conhecimentos específicos sobre a arte. Algumas de suas principais características: Busca captar o significado da existência humana; Exige do público uma mudança em sua visão de mundo; Desenvolve a linguagem artística; Envolve a subjetividade do artista. É compreendida ou apreciada por uma pequena parcela da população (normalmente, a que apresenta maior grau de instrução ou educação); Cultura de elite. Cultura erudita Definir a cultura popular não é tarefa fácil... Critérios econômicos? Pensamento simplista. Segundo Arnold Hauser (1988), teórico e historiador da arte, arte popular é aquela produzida por uma parcela da população que não é intelectualizada, urbana ou industrial. Algumas de suas principais características: É anônima = “colagens” ao longo do tempo; Traduz a visão de mundo e sentimentos coletivos do grupo em que foi produzida, isto é, expressa as experiências coletivas; Desenvolve-se dentro de convicções fixas; Tem como público o próprio grupo que a criou; não é inspirada nem influenciada por “modas”. Cultura popular Antropólogos e sociólogos vêm discutindo essas características, de forma a tornar o conceito mais abrangente e adequado às sociedades modernas. Cultura popular também está presente nas cidades grandes, industrializadas. Manifestações urbanas, como a dança de salão, preservam os ritmos e as danças populares de várias regiões. O que realmente caracteriza a cultura popular é a produção pelo povo e para o povo, sendo enraizada nas experiências de determinado grupo. Cultura popular O que justifica o nome “popular” é o fato de que é, na cultura, que se encontra o reflexo da identidade do grupo. Quando isso não acontece, trata-se de um mero espetáculo a ser visto e esquecido, isto é, consumido. A cultura popular surge das tradições e dos costumes autênticos – geração para geração, principalmente, de forma oral. Cultura popular Fonte: https://fotospublicas.com/escolas-de-samba-do- rio-de-janeiro-anunciam-adiamento-do-carnaval-2021/. Foto de: Fernando Grilli | Riotur. Fonte: https://fotospublicas.com/programacao-da- prefeitura-de-belem-da-inicio-semana-folclore/. Agência Belém. Fonte: https://fotospublicas.com/wp- content/uploads/2017/08/Folclorebelem_011.jpg Agência Belém. Cultura de massa Arte de massa é aquela constituída por produtos da indústria cultural. Busca agradar ao “gosto médio” da população = “massa homogênea”. Algumas de suas principais características: Produzida por um grupo de profissionais de classe social diferente do público que a consome; Dirigida pela demanda, passando, assim, por modismos; Feita para um povo semiculto e passivo; Tem o povo como alvo de sua produção, não como a sua origem; Visa ao divertimento como meio de passar o tempo. Cultura de massa Conceito importante: mercadoria a ser consumida. Meios de comunicação em massa atingem, simultaneamente, vários receptores. Audiência composta por pessoas heterogêneas, mas que apresentam um comportamento único, o que dilui os indivíduos no anonimato. Outro conceito importante: a alienação! Característica essencial: assimetria entre o emissor e os receptores. Sistema acontece em um único sentido, mesmo dispondo de vários retornos, tais como a realimentação ou os feedbacks (índices de consumo ou de audiência, fóruns etc.). Cultura pop Fonte: https://www.michaeljackson.com/news/michael-jacksons-short-film-for-bad/. Cortesia: Getty Images. Cultura pop Definição: produtos culturais pops nasceram da indústria cultural, mas eles não se limitam às regras acríticas e homogeneizantes. A cultura pop está muito mais próxima da subversão do que da ideologia dominante. Ela tem como objetivo constante incomodar o receptor, em vez de acomodá-lo. Tal conceito é, portanto, aplicado aos produtos de grande veiculação que passam pelos mecanismos de reprodutibilidade técnica dos produtos de massa, mas que não visam à alienação do indivíduo. As principais características da cultura pop são: Ser inovadora na forma e no conteúdo; Apresentar uma leitura crítica de mundo; Ter um conteúdo arquetípico. Leia a frase: o que a caracteriza é a produção pelo povo e para o povo, portanto, é natural que ela seja enraizada nas referências de determinado grupo. Essa explicação é mais adequada para qual tipo de cultura? a) Cultura erudita. b) Cultura pop. c) Cultura de massa. d) Cultura popular. e) Cultura de elite. Interatividade Leia a frase: o que a caracteriza é a produção pelo povo e para o povo, portanto, é natural que ela seja enraizada nas referências de determinado grupo. Essa explicação é mais adequada para qual tipo de cultura? a) Cultura erudita. b) Cultura pop. c) Cultura de massa. d) Cultura popular. e) Cultura de elite. Resposta Televisão: Mais popular dos meios; Não necessita de conhecimento específico do código linguístico; Fácil acesso; Década de 1940 – aprimoramentos técnicos para que fosse possível a viabilidade comercial da televisão; Década de 1960, com o barateamento dos custos e a viabilidade dos preços, foi possível a aquisição do aparelho TV; Brasil: Tupi (Assis Chateaubriand). Os meios de comunicação de massa O que nos interessa no âmbito do nosso estudo? O seu “poder” na transmissão da cultura de massa; Efeitos da televisão na formação das pessoas; Democratização da cultura, uma vez que é acessível a todos indistintamente; Função alienadora e manipuladora. A força da imagem e o seu poder de mobilização fazem com que autores como Debord (1992) considerem que vivemos na “sociedade do espetáculo”. Além disso, apontam que, atualmente, a representação substitui a ação. Fronteira entre o real e o virtual adquire contornos tênues. Vetor de mobilização da sociedade, ocupando o vazio deixado pelo fim das grandes narrativas. “Teatralização” que as mídias têm ao narrar qualquer acontecimento. Os meios de comunicação de massa Televisão: O espetáculo televisivo acontece não, apenas, nas obras de ficção, mas, também, nos programas de entretenimento e jornalísticos; O indivíduo sente-se mobilizado pela narrativa audiovisual, emocionando-se com a realidade construída simbolicamente; Comoção dos telespectadores com as imagens de catástrofes, crimes chocantes ou, mesmo, as cerimônias de celebridades; Linguagem específica do meio; Comunhão de símbolos e valores do sistema estabelecido; Assunto quase obrigatório em todos os ambientes; Cultura nacional; Erudito e popular. Os meios de comunicação de massa Fonte: https://www.adorocinema.com/ filmes/filme-18671/ Rádio: O mais popular e o de maior alcance do público, não só noBrasil, mas no mundo; Um exemplo ilustrativo da importância histórica do rádio são os serviços prestados pela emissora BBC, durante a Segunda Guerra Mundial, os quais mantinham os aliados informados sobre as batalhas; A mensagem falada é de fácil percepção para o público, pois ele pode ouvir as informações enquanto realiza outras atividades. O rádio apresenta vantagens por suas características, entre as quais se destacam as seguintes: Linguagem oral; Penetração; Mobilidade; Baixo custo. Os meios de comunicação de massa Transmissão imediata: as informações podem ser transmitidas, exatamente, no momento em que acontecem. Instantaneidade: a mensagem é recebida no instante em que é emitida. Sensoriedade: é o poder imaginário que mantém o rádio vivo. O rádio consegue despertar a imaginação e a capacidade crítica do receptor. O ouvinte visualiza as mensagens transmitidas por meio das palavras (imagem mental) e pode interpretar os acontecimentos do mundo. Autonomia: o rádio é um meio de comunicação autônomo, ou seja, não necessita de outro para funcionar. Outra característica marcante do rádio é o fato de que ele é o meio de comunicação por excelência das pessoas menos favorecidas economicamente. Os números de audiência são significativos nas regiões pobres e com maior número de analfabetos. Podcasts – inserção no digital. Os meios de comunicação de massa Jornal: Viabilizados a partir da invenção da prensa móvel de Gutenberg, no século XV, passando a ser o principal meio de informação dos cidadãos durante muitos anos; Século XVIII – empresas jornalísticas cresceram e, logo, a notícia passou a ser uma mercadoria valiosa; Embora o primeiro jornal brasileiro date de 1808, ano em que a Família Real portuguesa mudou-se para a Colônia, a empresa jornalística, entendida como a transformação da notícia em mercadoria lucrativa, só foi se consolidar por volta de 1890; No século XX, jornais consolidaram-se como fonte de informação – Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, O Globo e o famoso Notícias Populares; Os meios de comunicação de massa Jornal: Pacto de confiabilidade, atribuindo ao discurso jornalístico o comprometimento com a veracidade; Pesquisa do Datafolha, realizada em 2020, apontou os jornais como o segundo meio de comunicação de maior credibilidade no Brasil. A TV ficou em primeiro e o rádio, em terceiro lugar; Na realidade brasileira, nem todas as pessoas têm acesso a esse veículo, pois, além de não ser gratuito, exige que o leitor tenha uma boa capacidade de leitura. Assim, a venda de jornal é maior nos países desenvolvidos que apresentam melhores índices educacionais; Os meios de comunicação de massa Jornal: Ano de 2000, cada grupo de mil japoneses comprava 500 exemplares de jornais anualmente. No Brasil, no mesmo período, cada grupo de mil pessoas comprava 44 edições; Nas últimas décadas, com a queda de circulação dos jornais impressos, essa situação se acentuou; A Folha, jornal com maior audiência do país, segundo os dados do IVC - Instituto Verificador de Comunicação, saiu de 211,9 mil exemplares, em 2014, para pouco mais de 65 mil exemplares impressos, em 2020; Considerando as 278,1 mil assinaturas digitais, a Folha chega a 343,5 mil exemplares – O Globo tem 341,1 mil exemplares e o Estado de S. Paulo, 233,3 mil, considerando o impresso e o digital. Os meios de comunicação de massa Fonte: https://acervo.folha.uol.com .br/digital/index.do O jornal, como meio de comunicação, apresenta as seguintes características: Cobertura local em, pelo menos, um caderno; Seletividade de público (o maior público concentra-se nas classes A e B); Agilidade de informação; Prestação de serviços. Mesmo com o avanço da internet, o meio jornal continua tendo o seu espaço, até porque, hoje, o conteúdo produzido também está disponível na web. Os meios de comunicação de massa Revista: Atinge o menor número de pessoas, pois trabalha com públicos segmentados; Característica tem-se mantido com a migração para as plataformas digitais; Embora seja um produto da indústria da informação como o jornal, a revista tem uma estrutura e linguagem próprias. Em primeiro lugar, podemos dizer que o jornal é perecível, uma vez que as pessoas não costumam guardar o jornal do dia anterior. Com a revista, a relação é diferente, pois é normal que as pessoas guardem algumas edições, sendo bem comum encontrarmos colecionadores; Produção gráfica mais elaborada; Conteúdo composto por reportagens – e não notícias – que procuram levar ao leitor as informações além do factual, uma vez que as matérias das revistas tendem a abordar a realidade de forma mais aprofundada do que as notícias do jornal; Os meios de comunicação de massa Revista: Algumas marcaram a história do jornalismo, como O Cruzeiro, do grupo de Assis Chateaubriand, e a revista Realidade, conhecida por suas reportagens literárias e humanizadas; Os meios de comunicação de massa Fonte: https://veja.abril.com.br/blog/augusto- nunes/voce-conhece/ Revista: Outra característica básica das revistas é o fato de que elas podem ser temáticas, ou seja, segmentadas. Temos, hoje, no mercado editorial brasileiro, inúmeras publicações especializadas nas mais diversas áreas, como: automobilismo, moda, celebridades, música, saúde, entre outras; Há, também, as revistas semanais de informação, que trazem assuntos variados; As revistas brasileiras, assim como os jornais, também tiveram o seu início com a vinda de Dom João VI e desenvolveram-se no século XX com o crescimento das empresas jornalísticas. Os meios de comunicação de massa Assinale a resposta correta que completa a afirmativa: Os meios de comunicação de massa emergem, no mundo ocidental, no século XX, em decorrência do desenvolvimento da(o): a) TV. b) Rádio e do meio impresso. c) Telégrafo, apenas. d) Meio impresso, apenas. e) Internet. Interatividade Assinale a resposta correta que completa a afirmativa: Os meios de comunicação de massa emergem, no mundo ocidental, no século XX, em decorrência do desenvolvimento da(o): a) TV. b) Rádio e do meio impresso. c) Telégrafo, apenas. d) Meio impresso, apenas. e) Internet. Resposta Por que teorias e não teoria? Diferentes visões sobre o mesmo objeto de estudo. E depende, também, dos elementos que estão sendo analisados: emissão, recepção, mensagem, canal, efeitos etc. Teoria da Informação/Teoria Matemática da Comunicação: Sistematização do processo comunicativo a partir de uma perspectiva, puramente, técnica e quantitativa; 1949 – Shannon e Weaver, dois pesquisadores engenheiros que, como tais, procuraram descrever o fenômeno da comunicação com a ajuda de fórmulas matemáticas e conceitos da Física; A comunicação é um processo de transmissão de uma mensagem por um canal para um destinatário. Abordagens teóricas de comunicação Teoria da Informação/Teoria Matemática da Comunicação: Informação: está ligada à incerteza, à probabilidade e ao grau de liberdade na escolha das mensagens; Entropia: determina a imprevisibilidade ou a desorganização de uma mensagem; Código: orienta a escolha e atua no processo de produção da mensagem; Ruído: consiste na interferência que atua sobre o canal e atrapalha a transmissão; Redundância: a repetição utilizada para garantir o perfeito entendimento; Conteúdo previsível – jornal, gibi, telenovela etc. Abordagens teóricas de comunicação Teoria Funcionalista: Princípio básico: sociedade deve ser considerada como um “organismo”, ou seja, um sistema articulado e constituído por partes, cada uma desempenhando a sua função de integração e de manutenção do sistema; Foco: descrever as funções da comunicação de massa na sociedade; Sistema social: a manutenção do modelo, o controle das tensões e a adaptação dos indivíduosao ambiente; Communication research – análise em comunicação. Abordagens teóricas de comunicação Teoria Funcionalista: Os estudos funcionalistas afirmam que o ato de comunicar está preso a um esquema básico, desenvolvido a partir do paradigma de Lasswell, constituído por cinco perguntas básicas: 1. Quem? 2. Diz o quê? 3. Em que canal? 4. Para quem? 5. Com que efeito? Para que isso? Para medir os efeitos que os meios de comunicação causavam nos indivíduos; Objetivo: regulação social. Abordagens teóricas de comunicação Teoria Funcionalista: Lasswell apresenta as seguintes funções para os meios de comunicação: Vigilância (função de alarme); Correlação das partes da sociedade (integração); Transmissão da herança cultural (educação). Lazarsfeld e Merton apresentam outras funções: Atribuição de status (estabilizar e dar coesão à hierarquia da sociedade); Execução de normas sociais (normatizar). Abordagens teóricas de comunicação Teoria Funcionalista: Conceito importante: “disfunção narcotizante”; Grande quantidade de informação pode “narcotizar” o cidadão, em vez de estimulá-lo; Resultado: população politicamente apática e inerte; Disfunção. No final da década de 1950, Wright apresentou um ensaio descrevendo a estrutura conceitual que define as ligações complexas entre os mass media e a sociedade. Veículos de comunicação de massa alertam os cidadãos contra os perigos e as ameaças, e fornecem os instrumentos para certas atividades, como as trocas econômicas. Além disso, reforçam as normas sociais e o caráter ético. Abordagens teóricas de comunicação Teoria Funcionalista: Classes de necessidades que os mass media satisfazem: Necessidades cognitivas: aquisição e reforço de conhecimentos e de compreensão; Necessidades afetivas e estéticas: reforço da experiência estética, emotiva; Necessidade de integração social: reforço dos contatos interpessoais; Necessidade de integração da personalidade: segurança, estabilidade emotiva; Necessidade de evasão: abrandamento das tensões e dos conflitos. Abordagens teóricas de comunicação Teoria Crítica: Os principais representantes da Teoria Crítica da Comunicação são os pensadores da Escola de Frankfurt, dentre os quais se destacam Theodoro Adorno e Max Horkheimer; Com forte influência do pensamento marxista, esses teóricos desenvolveram o conceito de indústria cultural, responsável por transformar manifestações culturais em mercadorias dentro do sistema capitalista; Na visão crítica, a indústria cultural transforma tudo em negócio. Adorno (1985) menciona, por exemplo, o cinema, antes considerado uma arte, transformado em mercadoria, que gera o lucro e, ao mesmo tempo, manipula as pessoas, impondo a ideologia dominante; Publicidade; Jornalismo. Abordagens teóricas de comunicação Semiótica: A palavra “semiótica” vem da raiz grega semeion, que quer dizer “signo”; A semiótica, de uma forma geral, é definida como a ciência que estuda os signos e abrange as linhas de pensamentos diferentes; Estudos diferentes tiveram início na Europa, na América do Norte e na União Soviética. Linguística Estrutural: O estudo da língua enquanto grande sistema organizado e uma estrutura determinante; Ferdinand de Saussure; Roman Jakobson. Abordagens teóricas de comunicação Semiótica: Ferdinand de Saussure; Signo linguístico. Natureza dicotômica, ou seja, é constituído por duas partes: Pelo significante e pelo significado; Significante → concreto; Significado → abstrato. Vejamos um exemplo: MESA MSEA Ao criarmos uma nova palavra, ela só constituirá um signo quando conseguirmos atribuir-lhe um significado. Essas novas palavras são denominadas neologismos. Abordagens teóricas de comunicação Semiótica: Ferdinand de Saussure; Signo é arbitrário; Uma das mais importantes contribuições de Saussure é a oposição entre a língua e a fala; A fala é o uso individual da língua. A língua, por sua vez, é um sistema e apresenta uma estrutura. Saussure dedicou-se a explicar os mecanismos do funcionamento linguístico, sob a ótica estruturalista; Charles Peirce, cientista e matemático. Seu campo de conhecimento era bastante amplo e abrangia a Filosofia, a Química, a Física e a Astronomia; Todos os sistemas de signos – e, não somente, a língua – são estudados a partir de unidades significativas; Tudo é linguagem – vida – informações de DNA, ou seja, depende de uma linguagem para a sua formação. Abordagens teóricas de comunicação Semiótica: Peirce; Semiótica é lógica, não uma ciência aplicada; Seu objetivo era criar conceitos sígnicos tão gerais que pudessem alicerçar qualquer ciência. O signo (também chamado de representamen) representa o objeto, mas que não deve ser confundido com ele. Ícone: mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o signo. Índice: é a parte representada de um todo, anteriormente, adquirido pela experiência subjetiva ou pela herança. Símbolo: é um signo que se refere ao objeto que denota, em virtude de uma lei, normalmente, uma associação de ideias gerais. Abordagens teóricas de comunicação Harold Lasswell propôs, na década de 1940, uma fórmula para servir de base ao estudo científico do processo comunicativo, que possibilitou um quadro conceitual para a Teoria Funcionalista das Comunicações de Massa. Qual é esta fórmula? a) Como a informação é processada? Qual é o código utilizado? Qual é o fim? b) Quem? Diz o quê? Em que canal? Para quem? Com que efeito? c) Qual é o signo utilizado? Qual é o receptor? Qual é o papel da audiência? d) Quem é o emissor? Quem é o receptor? Qual é o objetivo da mensagem? e) Qual é a quantidade de informação? Qual é o nível de retenção da mensagem? Interatividade Harold Lasswell propôs, na década de 1940, uma fórmula para servir de base ao estudo científico do processo comunicativo, que possibilitou um quadro conceitual para a Teoria Funcionalista das Comunicações de Massa. Qual é esta fórmula? a) Como a informação é processada? Qual é o código utilizado? Qual é o fim? b) Quem? Diz o quê? Em que canal? Para quem? Com que efeito? c) Qual é o signo utilizado? Qual é o receptor? Qual é o papel da audiência? d) Quem é o emissor? Quem é o receptor? Qual é o objetivo da mensagem? e) Qual é a quantidade de informação? Qual é o nível de retenção da mensagem? Resposta As metáforas da globalização: O final do século XX e o início do XXI são marcados pelo fenômeno da globalização, caracterizado pelo fluxo intenso de informações e de capital. Isso ocasionou a interdependência entre as nações; Assim, um fato, de qualquer natureza, não se restringe mais aos limites físicos de um país ou de uma região. A crise econômica de uma nação, por exemplo, afeta não, somente, a economia interna, mas todo o mercado financeiro internacional. Comunicação e Pós-Modernidade As metáforas da globalização: Características importantes: Fluxos de informações instantâneas que exercem o papel de elo entre as demais técnicas, unindo-as e assegurando a presença do sistema tecnoinformacional; Surgimento de novos aparelhos e sistemas de comunicação, de modo que a evolução das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) proporciona a quebra de paradigma na tradicional relação entre a emissão e a recepção; Assim, ao mesmo tempo em que observamos o crescimento de grandes empresas do setor de comunicação e de informação, a produção de conteúdos é, hoje, possível a qualquer cidadão que esteja conectado à rede mundial de computadores. Comunicação e Pós-Modernidade As novas tecnologias são o objeto de estudo de pesquisadores de diversas áreas: Uma das marcas mais significativas da atualidade é a facilidade de comunicação; As novas tecnologias encurtam as distâncias em tempo recorde; De acordo com Castells (2000), a sociedade atual estáconstruída em torno de fluxos: de capital, de informação, de tecnologia, de interação organizacional, de imagens, de sons e de símbolos; Fluxos – expressão dos processos que dominam a vida econômica, política e simbólica; As redes interligadas tornam-se a fonte de formação, orientação e desorientação da sociedade; Como resultado, vemos que o desenvolvimento tecnológico permite o aperfeiçoamento da organização de informações e as vias de buscas possibilitam o acesso por um público cada vez maior. Comunicação e Pós-Modernidade Novas possibilidades de comunicação: Ao lado das indústrias de entretenimento e informação, incrementadas pelos equipamentos multimídias, temos a participação do cidadão comum na troca de informações, como em sites de relacionamento, e-mails, blogs e redes sociais, por exemplo; Essa participação ocorre no novo espaço de sociabilidade, chamado de ciberespaço, com impactos na esfera cultural e social, de modo a permitir fácil interação. É no ciberespaço que assistimos a uma combinação entre a informação, a comunicação e a tecnologia que denominamos de cibercultura; As comunidades virtuais dão abrigo ao anonimato das sociedades modernas, desmaterializando as relações convencionais. Comunicação e Pós-Modernidade Assim, o ciberespaço constitui-se como uma extensão da realidade material e simbólica coletiva: As redes sociais não se constroem, somente, na virtualidade, mas podem se materializar no mundo real; Exemplo: blogs – anos 2000; Popularização, alcançando, também, o ambiente corporativo. Estima-se que existam 600 milhões de blogs espalhados pela internet (dados de 2020), provenientes de diversos pontos do planeta. Assim, o tamanho e o aumento constante da blogosfera comprovam a consolidação dessa ferramenta como uma forma de comunicação. Comunicação e Pós-Modernidade Pierre Lévy: 1. Um-todos: um emissor envia as suas mensagens a grande número de receptores. Exemplos: rádio, imprensa e televisão; 2. Um-um: relações estabelecidas entre indivíduo a indivíduo, ponto a ponto. Exemplos: telefone e correio; 3. Todos-todos: dispositivo comunicacional original, possibilitado pelo ciberespaço, pois permite que as comunidades constituam, de forma progressiva e de maneira cooperativa, um contexto comum. Exemplos: redes sociais e ambiente de educação a distância. Comunicação e Pós-Modernidade A linguagem na rede: A comunicação na internet alterou mais do que a noção de tempo e espaço; ela afeta as linguagens, ou seja, o modo de falar, de escrever, de ouvir e de ler; “Internetês” = linguagem que se desenvolveu nos ambientes virtuais de comunicação em tempo real; Em razão da necessidade de rapidez na resposta, algumas palavras passaram a ser abreviadas e a escrita aproximou-se da fala. A entonação passou a ser representada graficamente pela extensão das letras, com frequentes estruturas e expressões da oralidade. Comunicação e Pós-Modernidade O hipertexto: A estrutura básica da comunicação na internet é o hipertexto, caracterizado, essencialmente, pela dinamicidade e pela interatividade. Características: Permite uma infinidade de desdobramentos, ou seja, há um movimento constante de abertura de possibilidades de um texto e/ou das informações; Diferenças entre a interface da escrita (papel) e a interface virtual; É operacionalizado pela linguagem de programação HTML. Na web, cada documento pode conter vínculos, denominados de links, os quais levam a outros documentos; O usuário não tem o compromisso de seguir a sequência de “começo, meio e fim”; Lógica não linear. Comunicação e Pós-Modernidade Pierre Lévy (1993) define seis critérios para caracterizar os hipertextos: Princípio da metamorfose: como o nome indica, trata-se do processo de constante construção e renegociação que se dá nos hipertextos. A rede hipertextual encontra-se em constante renovação; Princípio da heterogeneidade: os nós, as informações organizadas em determinada seção de um hipertexto e as conexões que se estabelecem entre as diversas partes dele têm caráter heterogêneo. Os dados são compostos por imagens, palavras e sons de modo que, assim, não há uma padronização visual. Além disso, as pessoas que interagem na internet são de diferentes procedências e vivências; Comunicação e Pós-Modernidade Princípio da multiplicidade e de encaixe das escalas: o hipertexto é organizado de forma fractal, ou seja, qualquer nó, quando acessado, pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede de nós e conexões, e, assim, indefinidamente; Usuários anônimos do mundo inteiro podem provocar grandes efeitos a partir de uma rede sinérgica, sensível e desterritorializada de correlação de informações, em um tipo de “efeito cascata”; Princípio de exterioridade: a rede não possui um motor interno. Sua construção, definição e manutenção dependem de ações externas, de complexas e múltiplas interações, conexões entre as pessoas e os equipamentos; Comunicação e Pós-Modernidade Princípio da topologia: nos hipertextos, tudo funciona por proximidade, por vizinhança, de modo que o curso dos acontecimentos é uma questão topológica. A rede não está no espaço, ela é o próprio espaço; Princípio da mobilidade dos centros: a rede tem uma estrutura com múltiplos e móveis centros que se organizam, de acordo com o fluxo da narrativa e da leitura. A cada conexão desenham-se novos cenários de leitura com novos centros e novas possibilidades. O leitor é o centro, o elemento-chave do processo de leitura. O seu interesse, o seu tempo disponível e a sua cognição determinam as possibilidades de leitura. Comunicação e Pós-Modernidade Conceitos essenciais do processo de comunicação que ajudam a melhorar o seu desempenho como emissor e receptor nas variadas situações de comunicação do dia a dia, e que, também, possa refletir sobre as várias mensagens que recebe dos meios de comunicação. Obviamente, o assunto é bastante complexo e os tópicos, aqui, apresentados possuem diversos desdobramentos. O jornalista tem um importante papel na sociedade e, por isso, deve buscar, sempre, as formas de ampliar o seu repertório. E nem é preciso dizer, mas se exige que o profissional que atue nessa área tenha muita habilidade nas situações comunicacionais. Os modos de utilizar a linguagem são produtos do processo de socialização dos seres humanos, pois ela possibilita a construção da identidade de determinado grupo social. Assim, o jornalista deve ser capaz de compreender essa identidade. O que vimos nesta Unidade Em relação ao novo ambiente tecnológico, qual das afirmativas a seguir é incorreta? a) Por trás das técnicas agem e reagem as ideias, os projetos sociais, os interesses econômicos, as estratégias de poder etc. b) A comunicação na internet alterou mais do que a noção de tempo e espaço; ela afeta as linguagens, ou seja, o modo de falar, de escrever, de ouvir e de ler. c) A questão é que a tecnologia, apenas, oferece as desvantagens. d) A estrutura básica da comunicação na internet é o hipertexto, caracterizado, essencialmente, pela dinamicidade e pela interatividade. e) O ciberespaço constitui-se como uma extensão da realidade material e simbólica coletiva. Interatividade Em relação ao novo ambiente tecnológico, qual das afirmativas a seguir é incorreta? a) Por trás das técnicas agem e reagem as ideias, os projetos sociais, os interesses econômicos, as estratégias de poder etc. b) A comunicação na internet alterou mais do que a noção de tempo e espaço; ela afeta as linguagens, ou seja, o modo de falar, de escrever, de ouvir e de ler. c) A questão é que a tecnologia, apenas, oferece as desvantagens. d) A estrutura básica da comunicação na internet é o hipertexto, caracterizado, essencialmente, pela dinamicidade e pela interatividade. e) O ciberespaço constitui-se como uma extensão da realidade materiale simbólica coletiva. Resposta ADORNO, T. W.; HORKHEIMER. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000. DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. São Paulo: Contraponto, 1992. HAUSER, A. A teoria da arte. Lisboa: Presença, 1988. LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo: Editora 34, 1993. Referências ATÉ A PRÓXIMA!