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CLÍNICA AMPLIADA EM SAÚDE MENTAL AULA 10 Profª. Esp. Mariana Moura da Silva UNIDADE 4: CLI ́NICA E PROGRAMAS DE SAU ́DE Seção 4.1: RELAÇÃO SAÚDE-DOENÇA, AS LIMITAÇÕES E OS DESAFIOS DO ATENDIMENTO EM SAÚDE PÚBLICA. ´ Estudos de Czeresnia (2003) e Minayo (2008) argumentam que a saúde deve ser entendida como um estado de bem-estar amplo, considerando os determinantes sociais da saúde, que incluem variáveis como acesso a recursos, condições de vida e trabalho. ´ Segundo Breilh (2006), a ampliação da compreensão da saúde envolve entender que processos sociais e desigualdades afetam diretamente as condições de saúde das populações. Esse entendimento embasa políticas públicas que visam a equidade no atendimento e tratamento. AMPLIAÇÃO DA RELAÇÃO SAÚDE X DOENÇA ´ Conforme Buss e Pellegrini (2007), considera-se que fatores econômicos e sociais, como classe, educação, trabalho e condições de moradia, são determinantes para a saúde. O conceito está fortemente relacionado à justiça social e busca reduzir desigualdades. ´ Ayres (2007) descreve a Clínica Ampliada como uma proposta de prática clínica que supera o modelo biomédico tradicional, focando no entendimento do indivíduo em seu contexto. AMPLIAÇÃO DA RELAÇÃO SAÚDE X DOENÇA ´ O Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, conforme Paim et al. (2011), é um dos maiores e mais complexos sistemas de saúde pública do mundo, oferecendo uma cobertura universal, mas enfrentando desafios, como recursos limitados, desigualdade de acesso e sobrecarga dos profissionais. ´ O Programa Saúde da Família (PSF) e o CAPS são exemplos de programas que tentam abordar a saúde de forma integral, incluindo saúde mental. ANÁLISE CRÍTICA DOS PROGRAMAS DE SAÚDE PÚBLICOS E ATENDIMENTO EM CONVÊNIOS ´ Estudos apontam que a telemedicina pode aumentar o acesso ao atendimento, facilitar o acompanhamento de pacientes crônicos e oferecer suporte psicológico a distância (Ramos et al., 2021). ´ No entanto, a telemedicina também apresenta desafios, como a garantia da privacidade do paciente, a necessidade de tecnologias adequadas e a manutenção do vínculo terapêutico. ANÁLISE CRÍTICA DOS PROGRAMAS DE SAÚDE PÚBLICOS E ATENDIMENTO EM CONVÊNIOS ´ Segundo Malta et al. (2016), os convênios costumam ser pautados pela lógica do lucro, o que muitas vezes gera um atendimento centrado no tratamento rápido de sintomas. Essa prática limita o tempo de consulta e pode desestimular o atendimento psicossocial e preventivo. ´ Um estudo de Mendes (2018) discute que o foco no lucro no setor privado contribui para um atendimento fragmentado, onde os aspectos emocionais e sociais são negligenciados em prol de intervenções imediatas e farmacológicas. ANÁLISE CRÍTICA DOS PROGRAMAS DE SAÚDE PÚBLICOS E ATENDIMENTO EM CONVÊNIOS ´ A falta de comunicação entre diferentes áreas da equipe (como médicos, psicólogos e enfermeiros) gera uma fragmentação dos cuidados, prejudicando o atendimento integral (Garcia, 2016). ´ Segundo Campos e Castro (2013), a ausência de uma prática integrada resulta em uma visão limitada dos problemas dos pacientes. ´ Em contextos públicos e privados, a pressão para produtividade e a falta de apoio para capacitação impactam diretamente a qualidade do atendimento. IMPASSES NO TRABALHO DAS EQUIPES DE SAÚDE ´ As exigências institucionais e a burocracia dos sistemas de saúde dificultam a prática ampliada e criam entraves para a inovação. Essa realidade é particularmente difícil para os profissionais no setor público, que enfrentam escassez de recursos e restrições de tempo (Figueiredo, 2020). ´ Segundo estudos de Junior e colaboradores (2019), as equipes que não possuem comunicação efetiva tendem a desenvolver práticas fragmentadas. Esse problema afeta principalmente a continuidade dos cuidados e impede que o paciente receba um atendimento integral. IMPASSES NO TRABALHO DAS EQUIPES DE SAÚDE ´ A falta de coordenação entre os profissionais gera um tratamento sintomático e ignora as dimensões psicossociais dos pacientes. ´ Pacientes com questões de saúde mental frequentemente exigem um trabalho interdisciplinar intenso, mas a falta de integração entre psiquiatria, psicologia e assistência social limita essa abordagem, conforme Ayres (2007). IMPASSES NO TRABALHO DAS EQUIPES DE SAÚDE ´ A educação permanente é fundamental para que os profissionais de saúde atualizem suas práticas e adquiram novas competências. Este conceito é defendido por autores como Peduzzi (2016), que ressaltam a necessidade de formação contínua em saúde. ´ Iniciativas de capacitação que integrem os princípios da clínica ampliada devem envolver simulações práticas, discussão de casos e integração entre diferentes áreas. A troca de experiências entre profissionais pode ser uma forma eficaz de aprimorar o atendimento. IMPASSES NO TRABALHO DAS EQUIPES DE SAÚDE ´ Conforme Scherer et al. (2020), o trabalho multidisciplinar é limitado no setor privado, pois o foco geralmente está na especialização de cada profissional. O atendimento é menos integrado e mais voltado para o tratamento imediato de sintomas. ´ A estrutura do sistema privado, com foco em lucro e produtividade, muitas vezes impede um trabalho efetivamente integrado e multidisciplinar. Essa questão é reforçada pelo modelo econômico que prioriza tratamentos rápidos e o controle de custos. TRABALHO MULTIDISCIPLINAR NA REDE PARTICULAR: EXISTE? ´ Como futuros profissionais, como poderiam incentivar práticas multidisciplinares, mesmo em contextos de convênio? ´ Exemplo de situações em que a falta de uma abordagem integrada levou a diagnósticos ou tratamentos ineficazes. ´ Quais as barreiras práticas para o trabalho interdisciplinar e como esses desafios afetam o tratamento dos pacientes? TRABALHO MULTIDISCIPLINAR NA REDE PARTICULAR: EXISTE? ARTIGOS ´ AYRES, J. R. C. M. (2007). Cuidado e reconstrução das práticas de saúde.BUSS, ´ MENDES, E. V. (2018). O SUS e a construção da Clínica Ampliada. ´ P. M., & PELLEGRINI, F. A. (2007). A saúde e seus determinantes sociais. ´ PAIM, J. S. et al. (2011). O sistema de saúde brasileiro.