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Transações imobiliárias Assista ao vídeo de uma entrevista com uma prefeita acerca da sustentabilidade na cidade. A contribuição para a sustentabilidade pode ser alcançada por meio de pequenas ações diárias. Além disso, educar-se sobre questões ambientais e apoiar iniciativas locais de conservação e sustentabilidade são ações que também desempenham um papel importante na construção de um futuro mais verde e equilibrado para as próximas gerações. Pequenos gestos individuais podem, coletivamente, fazer uma grande diferença no caminho para um mundo mais sustentável. Assista! No mundo inteiro, o plano diretor e as operações urbanas são temas de muito estudo e planejamento nas grandes cidades. A necessidade de nortear o crescimento urbano de forma equilibrada, para realizar articulações das diversas políticas públicas 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 1/13 existentes tem como objetivo atender ao bem-estar geral da população, ou seja, a satisfação de todos que compartilham determinado espaço. Acredite, você vai ouvir falar muito sobre esse assunto em lançamentos de empreendimentos, quando sua cidade passar por alterações ou mesmo em reuniões do conselho de corretores. No decorrer desse material você compreenderá um pouco mais sobre esse tema. Entendendo a cidade como a matéria prima do trabalho de um corretor, esse é um assunto de muita relevância, pois o corretor deve estar sempre atualizado sobre o plano diretor de sua cidade, conhecendo as alterações e seus impactos, sabendo quais mudanças estruturais irão acontecer e que planos significativos estão previstos para um futuro próximo em determinados bairros. Isso é importante para que o corretor possa passar informações corretas e com segurança ao seu cliente comprador no momento em que estiver ofertando um determinado imóvel. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 2/13 Quando a constituição federal foi elaborada, em 1988, vários movimentos reivindicaram o planejamento do crescimento das cidades. Essa demanda resultou na inclusão de um capítulo especifico sobre a política urbana (artigos 182 e 183) na constituição, e posteriormente, a Lei 10.257 de julho de 2001, denominada Estatuto da Cidade, que estabelece princípios e diretrizes da política e gestão urbana no Brasil. O artigo 182 da constituição federal aborda como deve ser realizada uma política de desenvolvimento urbano e como deve ocorrer a ocupação do solo urbano. Esse artigo indica que a política de desenvolvimento urbano, executada pelo poder público municipal, deverá ser organizada conforme diretrizes gerais fixadas em lei, com o objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 3/13 bem-estar de seus habitantes. Em seu parágrafo 1º, o artigo 182 indica que o plano diretor, aprovado pela câmara municipal, é instrumento básico da política de desenvolvimento e da expansão urbana e que ele será obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes. O Estatuto da Cidade regulamentou os artigos 182 e 183 da constituição. Ele indica para o município como a ocupação do solo urbano pode ser organizada, além de ampliar a obrigatoriedade do plano diretor também para: Cidades integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. Cidades nas quais o poder público municipal pretenda utilizar os instrumentos previstos no parágrafo 4º do artigo 182. Cidades integrantes de áreas de especial interesse turístico. Cidades inseridas na área de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional. Cidades incluídas no cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos, entre outras situações. O capítulo III do Estatuto da Cidade indica como deve ser feito o plano diretor e, em seu artigo 41, parágrafo 2º, aborda atribuições e determinações para as cidades com mais de 500 mil habitantes, como a elaboração de um plano de transporte urbano integrado compatível com o plano diretor ou nele inserido. Trata-se de uma lei federal, mas como cada município tem as suas peculiaridades, deverá estar contemplado no seu plano diretor. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 4/13 Segundo a constituição federal, a propriedade urbana cumpre a sua função social quando atende às exigências fundamentais dispostas no plano diretor. Isso envolve estar acessível para toda a população com os seus serviços e equipamentos urbanos de saúde, educação, assistência social, habitação, saneamento, lazer, emprego e renda. No que diz respeito à função social da habitação/propriedade urbana, trata-se de atender ao bem-estar geral, ou seja, ser bom para todos. Por isso a realização do plano diretor é um processo participativo de toda a sociedade. Plano diretor Como exemplo de ações que podem afetar o desenvolvimento urbano, podemos citar a construção de uma nova residência, abertura de uma rua, reurbanização de uma favela, entre outros. Ou seja, o plano diretor serve para que a cidade se organize, para que não se construa qualquer coisa em qualquer lugar, para que a população tenha uma melhor qualidade de vida, para que haja um melhor aproveitamento do solo. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 5/13 Se perguntarmos o que valoriza a terra, o solo urbano, iremos nos deparar com explicações sobre a sua localização. O que entendemos por localização quando estamos buscando um imóvel? Chegaremos as explanações sobre a qualidade dos serviços urbanos e a infraestrutura disponível no bairro. O aproveitamento que pode ser feito na ocupação de um terreno também o valoriza. Se for possível construir mais ou menos andares, se pode implantar essa ou aquela atividade. O valor do imóvel não representa o investimento de capital e trabalho utilizado na sua construção, mas o que está à disposição em termos de serviço e qualidade de vida é o que o valorizará. O impacto de qualquer lançamento residencial ou da instalação de um shopping center, de um prédio com quatro ou seis andares, de um prédio comercial, ou da instalação de uma universidade tem que ser planejado para que a cidade possa fluir. Isso pode envolver até mesmo alterações no trânsito com a criação de novas ruas ou avenidas, como também impacto de ruído e de acessibilidade. O corretor muitas vezes não entende porque determinados lançamentos estão sendo feitos em certas regiões, porque alguns bairros antes comerciais passam a ter a construção de prédios residenciais com a mudança da vocação do bairro. Tudo é fruto do planejamento do plano diretor, que pode envolver até mesmo a reurbanização de uma favela, por exemplo. O cenário das grandes cidades muda constantemente e o planejamento urbano se faz necessário e imprescindível para que a cidade se torne mais habitável. Na construção de novos prédios, na mudança de vocação do bairro tem outras implicações, no qual o poder público necessitará levar transporte, energia elétrica, redes de esgoto até esses locais, e tudo isso deve ser planejado no momento da decisão de como uma cidade será ocupada. Imaginem se as construtoras e empresários decidissem construir em qualquer lugar. Eles necessitariam dessa infraestrutura e é isso que o plano diretor articula, ele coloca incentivos e regras que irão nortear essa ocupação, e ao mesmo tempo indica ao poder público a necessidade de intervenção, como a construção de um viaduto, de uma avenida, mudança de direção de rua, tendo muitos órgãos envolvidos, por isso a necessidade de se ter um único plano de planejamento do desenvolvimento das cidades. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 6/13 O corretor de imóveis deve entender porque em certos bairros o preço do metro quadrado é mais elevado, e determinados bairros que têm procura, mas não tem lançamento,os terrenos ficam mais caros e o valor dos imóveis sobe, e ainda tem a questão da cobrança da outorga onerosa pela prefeitura. Imagine um bairro muito adensado, como por exemplo, onde havia duas ou três casas, de repente é construído um prédio que comporta 60 famílias, então, todo fornecimento de energia tem que ser alterado e isso gera custo, pois a prefeitura tem que fazer mudança em todas as instalações gerando encargos chamador de outorga. Por isso construir em determinados bairros sai mais caro do que em outros mais afastados, e o preço do metro quadrado fica mais caro. A prefeitura incentiva a construção/lançamentos em novos bairros, com a infraestrutura migrando para estes bairros. A outorga onerosa é explicitada no Estatuto da Cidade na seção IX- da outorga onerosa do direito de construir. Artigos 28, 29, 30 e 31. Às vezes, além do plano diretor é necessário ter operações urbanas que são um conjunto de regras e incentivos para determinados bairros para que haja uma mudança de vocação, como é o exemplo de algumas cidades com relação às zonas centrais, que geralmente são mais degradadas e perigosas da cidade. Veja o exemplo o bairro do Porto, em Recife ou o caso do Pelourinho, em Salvador, da área do Mercado Central em São Luiz do Maranhão, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza. Todas essas áreas foram revitalizadas e reintegradas à sociedade com muito sucesso e se transformaram em pontos turísticos. Quando o corretor de imóveis estiver intermediando a venda de terrenos é importante conhecer a lei municipal que determina o parcelamento, edificação ou a utilização do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, conforme estabelece o artigo 5º da Lei do Estatuto da Cidade. Conhecer o zoneamento da sua cidade é fundamental para solucionar as dúvidas do cliente comprador que deseja construir a sua casa ou o seu negócio, o corretor deverá informar se naquele terreno é possível realizar a construção desejada com base no plano diretor. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 7/13 Zoneamento Trata-se de um instrumento utilizado nos planos diretores, que regulariza o uso do solo urbano, onde a cidade é dividida em áreas com diferentes diretrizes para uso e ocupação do solo. A escolha de abertura de uma via urbana pode afetar a acessibilidade da área e consequentemente o valor imobiliário. Cada atividade liberada deve ter seu impacto medido e calculado. A lei do zoneamento trata de 3 aspectos importantes no desenvolvimento urbano: o parcelamento do solo urbano, os usos desses solos e os parâmetros de ocupação. Clique ou toque nos títulos para expandir o conteúdo. Parcelamento do solo O parcelamento do solo urbano é a divisão da terra em unidades juridicamente independentes para edificação, podendo ser realizado na forma de loteamento, desmembramento e fracionamento. Esse tema é abordado com mais profundidade no material intitulado Parcelamento do solo urbano dessa unidade curricular. A Lei Nº 6766 de 19 de dezembro de 1979 – Lei do Loteamento também é conhecida como Lei do Parcelamento do Solo. Desde sua aprovação, esta lei foi alterada pelas seguintes legislações: Lei Federal nº 9.785, de 29 de janeiro de 1999, Lei nº 10.932, 03 de agosto de 2004, Lei n º 11.445, de 5 de janeiro de 2007 e pela Lei 12.608, de 10 de abril de 2012 – que se aplica a áreas urbanas dentro da zona urbana dos municípios. Zonas de uso Definição do que se pode fazer, de quais atividades podem ser desenvolvidas dentro dessa zona de uso (residencial, comércio, serviços, industrias). 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 8/13 Parâmetros de ocupação Define como deve ser feita a ocupação de um determinado lote para uma determinada atividade, o que significa que para ter um determinado tipo de comércio dentro de uma zona de uso, os parâmetros definirão de que forma poderá ser colocado esse comércio dentro do lote, quais são os recusas (resposta negativa) que tem que se obedecer, qual o gabarito máximo de altura, nível máximo de ruído etc. O zoneamento define o que devemos fazer em cada espaço da cidade. Essa definição tem que ser feita de forma coletiva e consensual. Já o porte das edificações é controlado por meio de índices que estabelecem o número máximo de pavimentos, e/ou altura total da edificação, pelo coeficiente de aproveitamento máximo do terreno (CA), que diagnostica a área máxima a ser construída; pela taxa de ocupação máxima permitida para o terreno e os afastamentos frontal, lateral e de fundos e o tamanho mínimo do terreno. Taxa de ocupação A legislação diz que não se pode construir em toda a área de um terreno, existindo a “ taxa de ocupação”, que é uma porcentagem máxima de construção permitida em um terreno de uma determinada zona da cidade, definido no plano diretor, nas leis de zoneamento e de edificações. Esta lei municipal pode ser encontrada na câmara municipal de cada município, no seu site, em legislação. A taxa de ocupação é um instrumento que controla o crescimento urbano, pois estabelece a forma como acontecerá a ocupação de determinada área ao longo dos anos. Esse limite é dado aos investidores ou proprietários de terrenos particulares que desejam construir em suas propriedades. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 9/13 A taxa de ocupação refere a área total da edificação no plano horizontal, não considerando a altura e o número de pavimentos que é controlado pelo coeficiente de aproveitamento. Caso o andar superior superar a área do andar térreo, deverá ser contabilizado, pois a área excedente passa a contar para a taxa de ocupação. Veja a figura 1. Figura 1 – Exemplificação de taxa de ocupação Fonte: . Acesso em: 25 ago. 2017. Coeficiente de aproveitamento – CA O coeficiente de aproveitamento (CA), também denominado de índice de aproveitamento, é definido pelo plano diretor, especificamente na lei de zoneamento de cada município que estabelece a quantidade máxima de metros quadrado que podem ser construídos no terreno. O cálculo é simples: CA é o número definido que multiplicado pela área do terreno indica a quantidade total de metros quadrado que pode ser construído. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 10/13 Geralmente, é possível encontrar no zoneamento da cidade as tabelas com esses parâmetros construtivos de cada zona. Poderemos encontrar além do CA, a taxa de ocupação, o número máximo de pavimentos e os afastamentos a serem respeitados pelas edificações em relação às divisas do terreno. Como lei municipal, o plano diretor e a lei de zoneamento têm critérios próprios em cada município, e estará determinando o que é ou não contabilizado. Por exemplo, em alguns municípios não são contabilizados a área de sacada/ varanda e/ou garagens. Recuos A lei de zoneamento define a taxa de ocupação, o coeficiente de aproveitamento de uma edificação e também o quanto de recuo deve estar livre na frente, nos fundos e nas laterais do terreno, especificamente no código de obras. 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 11/13 Recuo frontal É distância entre o início do terreno e a construção, é a frente do terreno. Em algumas cidades é de 2 metros, mas pode variar até 4 metros ou 5 metros. Ou seja, só poderá começar a construir a partir destse recuo determinado. Recuo lateral Nesse recuo deve ser observado se a edificação terá ou não aberturas. Se não possuir aberturas na lateral (portas, janelas) a construção poderá iniciar na divisa do terreno. Se tiver abertura, deverá ter uma distância obrigatória de no mínimo 1,5 metros em algumas cidades, e também estará na diretriz do município essa distância em relação ao número de andares. Recuo dos fundos Semelhante ao recuo lateral, se possuir abertura ou não quando fizer divisa com outro terreno, ou sefizer divisa com rua ou praça deverá estar definido o limite mínimo. Esses recuos podem variar nos diferentes bairros do município. O plano diretor é o instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão de sua cidade. É uma lei municipal que impõe obrigações conforme estabelecido na constituição federal e no Estatuto da Cidade. Deste modo, não é possível a criação de projetos e construções de edificações de forma independentes e desvinculadas do plano. O corretor de imóveis necessita conhecer a fundo o seu produto, o imóvel, e para tanto, necessitará conhecer o zoneamento do local. Sem esses conhecimentos, poderá induzir um comprador ao erro, intermediando uma transação imobiliária em 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 12/13 desacordo com as definições locais, como a intenção de abertura de um negócio comercial em uma zona em que não é permitido ou a edificação de uma casa acima dos limites possíveis. Temos que entender que hoje o corretor não é simplesmente um aproximador de partes, ele é um profissional necessário tanto nas transações imobiliárias, como nas definições da política urbana, pois é um conhecedor da sua cidade. Em um mercado tão competitivo, não há mais lugar para amadorismo na área imobiliária, como os ditos “tiradores de pedidos” ou “mostradores de imóveis”.O corretor de imóveis deve buscar sempre atualização, para alcançar um profissionalismo, para ser um consultor imobiliário ou um gestor imobiliário. O plano diretor tem um impacto muito grande no imóvel, caso seja alterado ou modificado, podendo haver valorização, desvalorização ou nenhuma alteração para o imóvel. Saber se o bairro mudará ou não a sua vocação ou se será construído um shopping faz toda a diferença em um atendimento. Você conhece o plano diretor de sua cidade? O que acha de visitar o site da câmara municipal e se apropriar desse importante argumento de vendas? 25/09/2024, 19:59 Versão para impressão about:blank 13/13