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Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Unidade 1
Organização Morfofuncional do Sistema Nervoso
Aula 1
Apresentação do Sistema Nervoso
Apresentação do sistema nervoso
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula você verá os aspectos anatômicos e �siológicos relacionados ao sistema
nervoso.
Esse conteúdo é importante, pois a partir dele você compreenderá o processo de aprendizagem
motora e os aspectos da psicomotricidade, o que facilitará o seu aprendizado.
Está pronto para embarcar nessa incrível jornada de estudos? Vamos lá, juntos alcançaremos
novos patamares!
Ponto de Partida
Estudante, boas-vindas à disciplina de Aprendizagem Motora e Psicomotricidade.
A aprendizagem motora aborda os aspectos relacionados às mudanças no comportamento
motor que acontecem devido à prática ou à experiência. Ela está relacionada a como
aprendemos a controlar nossos movimentos por meio da prática. Já a psicomotricidade é o
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
estudo do movimento com um olhar para o intelecto, o que engloba funções neuro�siológicas e
psíquicas. Dessa maneira, o controle dos nossos movimentos e essa ligação com o pensamento
dependem do nosso sistema nervoso e do nosso sistema musculoesquelético. Diante disso,
nessa primeira aula faremos uma apresentação do sistema nervoso, apontando suas
características, componentes e funções. Esse conteúdo irá te ajudar a compreender os aspectos
que envolvem a aprendizagem de movimentos e a psicomotricidade.
Para facilitar o entendimento, vamos trazer uma situação que vai te levar a elaborar uma solução
por meio do conteúdo desta aula. Mariana vai começar a ensinar habilidades esportivas para
crianças e adolescentes. Para traçar uma melhor estratégia de ensino-aprendizagem, ela decide
compreender a fundo como acontece a aprendizagem de novos movimentos. Ao iniciar seus
estudos, Mariana percebe que precisa aprender mais sobre o sistema nervoso e, diante de suas
leituras, algumas dúvidas começam a surgir. Quais são as estruturas que compreendem o
sistema nervoso? Como elas estão relacionadas com o movimento humano? Qual o
funcionamento das células nervosas? Essas dúvidas de Mariana fazem sentido para você? Você
saberia respondê-las?
Caso essas respostas ainda não estejam na ponta da sua língua, nessa aula você terá
oportunidade de retomar os aspectos anatômicos e �siológicos do sistema nervoso e pensar em
sua aplicação na aprendizagem motora e psicomotricidade, aumentando seu conhecimento e
preparando-o para a sua atuação pro�ssional. 
Vamos Começar!
Nossos movimentos aprendidos ao longo da vida, sejam os mais básicos, como andar, correr e
saltar, até os mais complexos, como os movimentos esportivos, são resultados da interação dos
nossos sistemas, principalmente o sistema nervoso e o muscular. Dessa maneira, para nos
aprofundarmos no mundo da aprendizagem motora e compreendermos a psicomotricidade, é
importante conhecermos a fundo estes sistemas. Vamos começar então com o sistema
nervoso.
O sistema nervoso
O sistema nervoso tem como função coordenar e integrar as células do nosso organismo. Assim,
ele é capaz de captar diversos estímulos do ambiente e do próprio corpo, transmiti-lo para
diferentes partes do corpo, elaborar respostas e agir sobre o sistema muscular, por meio do
movimento (Santos, 2014).
Podemos pensar que o sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central, sistema nervoso
periférico e sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso central (SNC) é composto pelo
encéfalo e pela medula espinhal. Já o sistema nervoso periférico é composto pelos gânglios,
plexos nervosos e nervos cranianos que emergem do encéfalo e pelos nervos espinhais que
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APRENDIZAGEM MOTORA E
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emergem da medula espinhal. Na Figura 1, você poderá ver a composição de cada um dos
sistemas. Em vermelho, o sistema nervoso central (SNC) e, em azul, o sistema nervoso periférico
(SNP) (Mourão Júnior, 2021; Silverthorn, 2017). Como o sistema nervoso autônomo é
responsável pelas atividades automáticas do nosso corpo, como a respiração, batimentos
cardíacos e pressão arterial, não iremos abordá-lo neste livro.
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Figura 1 | Sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. Fonte: adaptada de Freepik. 
Agora vamos nos aprofundar em cada um desses sistemas.
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PSICOMOTRICIDADE
Sistema nervoso central
Como você já viu, o sistema nervoso central é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. O
encéfalo é dividido entre cérebro, cerebelo e tronco encefálico (Figura 2). O tronco encefálico, por
sua vez, é dividido em: mesencéfalo, ponte e bulbo. Todas as estruturas do sistema nervoso
central (encéfalo e medula espinhal) estão envolvidas por meninges e banhadas pelo líquido
cerebroespinhal.
Figura 2 | O encéfalo. Fonte: adaptada de Freepik.
O cérebro é dividido em dois hemisférios (direito e esquerdo), interconectados pelo corpo caloso.
Os hemisférios possuem funcionalidades diferentes no que diz respeito a linguagem, orientação
espacial, destreza motora, dentre outras. No entanto, ambos os hemisférios são divididos em
lobos: o lobo frontal, o lobo parietal, o lobo temporal e o lobo occipital. O cérebro constitui a
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PSICOMOTRICIDADE
maior parte do encéfalo e é responsável pelos comportamentos do sistema nervoso, exceto os
movimentos re�exos que veremos mais adiante (Mourão Júnior, 2021).
O tronco encefálico, composto pelo mesencéfalo, ponte e bulbo (Figura 3), é responsável pela
regulação neural no meio interno, ou seja, regula nossos sinais vitais de respiração e circulação
sanguínea de forma autônoma por meio de sensores localizados nas artérias. Dessa maneira, a
regulação da nossa pressão arterial, frequência cardíaca, oxigênio e gás carbônico acontece de
forma automática, sem a necessidade de comandos do cérebro. O mesencéfalo é uma região
pequena situada entre o cérebro e a ponte, e é responsável pelos movimentos dos olhos, além de
transmitir sinais para os re�exos auditivos e visuais. A ponte se situa entre o mesencéfalo e o
bulbo, funcionando como uma estação retransmissora de informação entre o cerebelo e o
cérebro; ela também coordena a respiração juntamente com o bulbo. O bulbo, ou medula
oblonga, é a transição entre o encéfalo e a medula e tem como função controlar funções
involuntárias, como pressão arterial, vômito, deglutição e respiração (Mourão Júnior, 2021;
Silverthorn, 2017).
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Figura 3 | Estruturas do tronco encefálico. Fonte: adaptada de Freepik.
Já o cerebelo tem a função de modulação e regulação dos componentes do movimento, sendo
responsável pela correção do equilíbrio, postura corporal, controle do tônus muscular e dos
movimentos voluntários e pela aprendizagem motora. O cerebelo está situado na base do crânio,
logo acima da nuca (Mourão Júnior, 2021; Silverthorn, 2017).
A medula espinhal está localizada na parte interna da coluna vertebral e é dividida em quatro
regiões: cervical, torácica, lombar e sacral. Ela funciona como uma via principal que leva
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informação do encéfalo para a pele em ambos os sentidos. Por conter redes neurais, a medula
também é responsável pela locomoção, e, quando ocorre uma lesão, pode haver perda de
movimentos a partir da região lesionada. Além disso, a medula funciona como um centro
integrador dos re�exos espinhais simples, em que a informação chega até a medula e retorna
rapidamente ao músculo, fornecendo uma resposta re�exa e rápida, sem a necessidade de a
informação passar pelo encéfalo (Silverthorn, 2017).
Tantoe a via eferente?
Como ocorre a aprendizagem de novos movimentos?
Com você responderia a essas dúvidas? Se necessário, revise o conteúdo para resolvê-las.
O professor Gabriel Resende leu todas as perguntas e respondeu para os alunos todas as
dúvidas da seguinte forma:
A placa motora é a estrutura especializada existente entre as terminações nervosas
somáticas e as �bras estriadas esqueléticas.
Unidade motora é o conjunto formado pelo neurônio somático e as �bras musculares
estriadas esqueléticas por ele inervado.
A via aferente leva informação da periferia para o centro e é uma via sensitiva, enquanto a
via eferente leva informação do centro para a periferia e é uma via motora.
O sistema nervoso possui uma capacidade de se reorganizar quando um estímulo novo é
fornecido, o que é conhecido como plasticidade. Assim, acredita-se que aprendemos
movimentos novos pois nossas estruturas do SNC são capazes de se reorganizar para que
um novo comando seja estruturado para, então, ser enviado para a ação.
Agora, con�ra a seguir uma síntese do conteúdo desta unidade.
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PSICOMOTRICIDADE
Recebemos estímulos do ambiente o tempo todo. Quando este estímulo é captado e essa
informação enviada para o SNC, ela é processada, e uma resposta é selecionada e enviada para
os músculos para que a ação aconteça. As vias que captam a informação e levam para o SNC é
chamada de vias aferentes. E as vias que levam a resposta para um órgão efetor são chamadas
de vias eferentes. 
CRAMER, S. C. et al. Harnessing neuroplasticity for clinical applications. Brain, 2011.
FOX, S. I. Fisiologia humana. Barueri, SP: Manole, 2007.  
KREBS, C. Neurociência ilustrada. Porto Alegre: Artmed, 2013.
MOURÃO JÚNIOR, C. A. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
,
Unidade 2
Aspectos Básicos da Aprendizagem Motora
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Aula 1
Introdução à Aprendizagem Motora
Introdução à aprendizagem motora
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula você irá compreender por que cada indivíduo apresenta um desempenho de
aprendizagem diferente e quais os fatores que in�uenciam este desempenho. Além disso, você
irá aprender as diferenças entre capacidades motoras e habilidades motoras, acompanhando,
por meio de exemplos, suas de�nições e classi�cações.
Esse conteúdo é muito importante para a sua atuação pro�ssional, pois, ao ensinar novas
habilidades, você saberá os fatores que podem in�uenciar o aprendizado, ajudando-o a organizar
melhor as sessões de prática.
Prepare-se para essa jornada de conhecimento!
Ponto de Partida
Estudante, esta aula traz os assuntos introdutórios da aprendizagem motora. Desta maneira,
você verá os fatores que interferem na aprendizagem motora relacionados ao próprio aprendiz,
ao ambiente em que ele se encontra e à tarefa a ser realizada. Sabendo que cada pessoa é única,
você vai aprender também sobre as diferenças individuais e como elas afetam o processo de
aprendizagem. Além disso, você, como pro�ssional que irá ensinar novas habilidades, precisa
saber diferenciar capacidades motoras de habilidades motoras e compreender as classi�cações
de habilidades motoras.
Para compreender tudo isso, vamos para a nossa situação: Mariana é formada em Educação
Física e vai ensinar novas habilidades motoras para crianças e adolescentes. Para poder fazer
um bom trabalho com esse público, ela decide relembrar os conteúdos vistos na graduação e
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PSICOMOTRICIDADE
estudar mais a fundo os aspectos que envolvem a aprendizagem motora. Ao separar o material
para estudar, Mariana percebe que precisa retomar os fundamentos básicos da aprendizagem
motora. Assim, ela se pergunta: o que pode in�uenciar a aprendizagem dos meus alunos?
Somente as questões individuais ou algo mais? Habilidades motoras e capacidades motoras são
as mesmas coisas? Existem classi�cações de habilidades motoras que precisam ser levadas em
consideração na hora de ensinar?
Depois desta aula, você e Mariana saberão responder a cada pergunta e conseguirão aplicá-las
na prática ao ensinar novas habilidades motoras.
Vamos Começar!
Para começarmos a nossa aula de hoje, precisamos de�nir alguns conceitos para compreender o
que é aprendizagem motora. Para começar, precisamos de�nir primeiro comportamento motor.
Comportamento motor é uma grande área de estudo que envolve as mudanças no controle dos
movimentos, por meio do aprendizado e do desenvolvimento motor. Assim, podemos dizer que
comportamento motor está subdivido em três áreas: a aprendizagem motora, o controle motor e
o desenvolvimento motor.
A aprendizagem motora se refere às mudanças relativamente permanentes do comportamento
motor relacionadas à prática ou à experiência (Schimidt; Wrisberg, 2016; Haywood; Gretchel,
2010). O controle motor está relacionado aos aspectos neurais, físicos e comportamentais do
movimento (Haywood; Gretchel, 2010), e o desenvolvimento motor são as mudanças no
comportamento motor ao longo da vida (Tani et al., 2010).
As três subáreas do comportamento motor sofrem in�uência de três fatores importantes: o
próprio indivíduo, o ambiente e a tarefa, sendo estes três fatores relacionados entre si. Vamos
entender melhor a seguir.
Restrições do indivíduo, do ambiente e da tarefa
O comportamento motor como um todo, ou seja, seus aspectos ligados à aprendizagem, ao
controle e ao desenvolvimento motor, sofrem in�uência constante de três fatores, que são: o
indivíduo, o ambiente e a tarefa. Isso quer dizer que, para que uma habilidade seja aprendida
(seja adquirido o controle motor) e uma pessoa se desenvolva, os fatores relacionados a quem
está aprendendo, o que será aprendido e onde esse aprendiz irá aprender devem ser levados em
consideração. Para explicar melhor esse fenômeno, Karl Newell (1986) criou um modelo de
restrições chamado de Modelo de Newell.
Esse modelo explica que existe uma interação entre o indivíduo que está realizando a ação, o
ambiente em que o movimento ocorre e a tarefa a ser realizada. Assim, se qualquer um desses
fatores mudarem, o movimento �nal muda. Por exemplo: a sua marcha é diferente na areia e no
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chão molhado (ambientes diferentes). No entanto, a marcha de um idoso é diferente daquela de
um jovem (indivíduos diferentes). Já uma pessoa quando anda de salto é diferente de quando
anda de tênis (tarefas diferentes).
Apesar de Newell utilizar a palavra restrição remetendo a algo que limita ou desencoraja, a
restrição aqui também remete a algo que encoraja ou permite o movimento. Sendo assim,
restrição pode ser algo que limita e desencoraja ou pode ser algo que permite ou encoraja o
movimento. Assim, as restrições do indivíduo são consideradas as características físicas e
mentais únicas de quem está aprendendo. Elas podem ser estruturais, ou seja, dizerem respeito
à estrutura corporal do aprendiz (massa corporal, estatura, comprimento das pernas) ou
funcionais, relacionadas à função comportamental (motivação, foco de atenção, medo). Já as
restrições do ambiente são aquelas relacionadas ao mundo que nos envolve (temperatura, luz,
umidade, tipos de superfícies, ambiente sociocultural), ou seja, onde essa habilidade será
aprendida. Por �m, as restrições da tarefa são aquelas relacionadas às metas de um movimento,
às estruturas de regras ou aos equipamentos utilizados (tamanho da bola, altura da cesta de
basquete), ou seja, ao que será feito.
Sendo assim, para que ocorra o aprendizado de novas habilidades, o seu sucesso vai depender
tanto do indivíduo (suas características físicas e mentais), quanto do ambiente em que essa
habilidade está sendo ensinada (tipo de pisona quadra, chuva, sol) e da tarefa a ser ensinada
(bolas mais leves para crianças menores, cesta de basquete mais baixa para crianças). Por
exemplo, um bebê aprendendo a andar deve ter amadurecido o su�ciente para isso (restrição do
indivíduo), deve estar em um ambiente propício (local amplo, sem coisas que podem machucar,
com incentivo de pais e cuidadores) e com sapato ideal ou descalço.
Siga em Frente...
Diferenças individuais
Por que algumas crianças aprendem uma habilidade motora mais rápido que outras? Por que
algumas crianças são melhores que as outras, mesmo sendo da mesma idade e treinando no
mesmo lugar pelo mesmo período?
A resposta para estas perguntas está nas diferenças individuais.
Cada ser humano é único e é in�uenciado pelo meio em que vive. Até mesmo os gêmeos
idênticos, que apresentam o mesmo DNA, ou seja, o mesmo código genético, apresentam
comportamentos e personalidades diferentes. Sendo assim, diversos fatores podem contribuir
para essas diferenças entre os indivíduos e, consequentemente, para o processo de
aprendizagem; são eles:
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
1. Capacidades motoras: são as características funcionais de uma habilidade motora, como a
força, a �exibilidade, a aptidão cardiorrespiratória. Mesmo duas crianças tendo a mesma
idade, suas capacidades motoras podem ser diferentes, uma pode ser mais forte que a
outra e a outra ter mais resistência aeróbia que a primeira.
2. Tipo corporal: pessoas mais baixas têm mais di�culdade de jogar vôlei devido à altura da
rede. Já pessoas com pernas mais longas têm mais facilidade em fazer corridas com
obstáculos. E pessoas mais leves têm mais facilidade de fazer movimentos de saltos, pois
a massa que irão deslocar é menor.
3. Background cultural: algumas crenças determinadas culturalmente e socialmente, como a
participação das mulheres em alguns esportes ou a permissão para a prática devido à
religião, podem in�uenciar a aprendizagem.
4. Nível emocional e motivacional: uma pessoa mais alegre e disposta aprende com mais
facilidade, assim como as pessoas mais motivadas.
5. Nível de aptidão física: a força, a �exibilidade e a resistência cardiorrespiratória irão
in�uenciar a realização de algumas tarefas, uma vez que quem está melhor condicionado
sairá melhor do que quem não está.
�. Experiências prévias de movimento: se a pessoa já teve experiência com o movimento ou
com algum movimento parecido, pode ser mais fácil a aprendizagem.
7. Nível maturacional: a habilidade a ser aprendida deve estar de acordo com o processo
maturacional. Uma criança de 1 ano não consegue correr sem antes ter aprendido a andar.
Da mesma forma, crianças de 3 anos não aprendem um movimento mais complexo, como
a bandeja do basquetebol.
�. Estilo de aprendizagem: algumas pessoas têm mais facilidade de aprender um movimento
quando veem alguém fazendo; outras, quando escutam as instruções; e outras, quando
realizam o movimento.
Assim, o processo de aprendizagem é único para cada indivíduo, uma vez que ele
sofre in�uência de diversos fatores. É importante durante o ensino de habilidade e na elaboração
das aulas olhar cada aluno como um ser diferente e estruturar a aula de maneira diversi�cada na
tentativa de abarcar a todos.
Capacidades motoras e habilidades motoras
Nesta aula já foram mencionadas diversas vezes as palavras capacidades e habilidades.
Normalmente, esses dois termos são bem confundidos ou até mesmo utilizados como
sinônimos. Como vamos falar muito ainda sobre eles, é melhor você já entender como
diferenciá-los.
Habilidade motora é uma tarefa aprendida que possui um objetivo especí�co, sendo uma ação
voluntária com movimentação do corpo todo ou parte dele (Gallahue; Ozmum; Goodway, 2013).
Sendo assim, habilidade motora são ações como andar, correr, saltar, girar, arremessar uma bola,
chutar uma bola, chutar em uma luta e assim por diante. Elas são muitas em números e
precisam das capacidades motoras para que aconteçam. Por outro lado, capacidades motoras
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PSICOMOTRICIDADE
são traços estáveis e duradouros, de�nidos geneticamente, que vão embasar a habilidade
motora. Elas são poucas em números, sendo algumas delas a força, a resistência muscular, a
�exibilidade, a resistência aeróbia, a potência, a velocidade e a agilidade. O quadro a seguir vai te
ajudar a diferenciar melhor:
HABILIDADE MOTORAS CAPACIDADES MOTORAS
Desenvolvidas com a prática
Modi�cáveis com a prática
Muitas em números
Dependem dos diferentes subconjuntos
de capacidades
Traços herdados
Estáveis e permanentes
Poucas em números
Embasam a performance de muitas
habilidades motoras
 Quadro 1 | Diferenças entre habilidades motoras e capacidades motoras
Assim, para que uma pessoa consiga sacar no voleibol, além de ter que aprender a habilidade
motora do saque, ela precisará de força, potência e velocidade dos membros superiores, que são
capacidades motoras.
Como as habilidades motoras são muitas, podemos classi�cá-las de acordo com os grupos
musculares utilizados, com a previsibilidade do ambiente, com os aspectos temporais, com
aspectos cognitivos e motores e o propósito do movimento. Assim, teremos:
Critério de
classi�cação
Classi�cação Exemplo
Grupos
musculares
Ampla/global/g
rossa –
utilização de
grandes grupos
musculares
Andar, correr,
arremessar,
chutar
Fina –
utilização de
pequenos
grupos
musculares
Escrever, pintar
uma tela,
desenhar no
caderno, jogar
videogame
Previsibilidade
do ambiente Fechada –
ambiente
previsível 
Salto em
distância,
tacada do
golfe,
exercícios em
academia
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Aberta –
ambiente
imprevisível
Jogos
coletivos, lutas,
rebater uma
bola
arremessada
por outra
pessoa
Aspectos
temporais
Discreta – tem
começo e �m
de�nidos
Apertar um
botão,
arremessar
uma bola,
cobrar um
pênalti.
Seriada –
combinação de
discretas e
contínuas
Bandeja do
basquete,
ataque no vôlei,
bater palmas
Contínua – não
tem começo e
�m de�nidos
Pedalar, correr,
nadar
Aspectos
cognitivos e
motores
Cognitiva –
maior
utilização da
cognição
Jogar xadrez,
jogos de
tabuleiro
Motora – maior
utilização
motora
Arremesso,
chute, salto,
corrida
Aspectos
funcionais do
movimento
(propósito do
movimento)
Estabilização –
enfatiza o
equilíbrio
Sentar, levantar,
equilibrar-se
em um pé só,
andar em uma
barra estreita
Locomoção –
deslocamento
do corpo de um
ponto ao outro
Correr, andar,
saltar
Manipulação –
transmitir força
a um objeto ou
Arremessar,
escrever, chutar
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
receber força
dele
 Quadro 2 | Classi�cação das habilidades motoras
Assim, uma mesma habilidade pode se encaixar em diversas classi�cações, como, por exemplo:
receber uma bola de manchete em uma situação de jogo será uma habilidade motora ampla,
aberta, discreta, motora e de manipulação. Ampla porque utiliza grandes grupos musculares;
aberta pois o ambiente é imprevisível, não se sabe onde a pessoa que está sacando vai jogar a
bola; discreta porque tem começo e �m de�nidos; motora porque utiliza mais os aspectos
motores do que cognitivos; e manipulativa porque o propósito do movimento é dominar a bola de
manchete, ou seja, manipular a bola.
Sendo assim, o processo de aprendizagem é in�uenciado pelo ambiente em que a habilidade é
aprendida (onde), pela tarefa que será aprendida (o que) e pelo próprio indivíduo que irá aprender
(quem). E, quando falamos do próprio indivíduo, devemos levar em consideração suas diferenças
individuais, que o tornam um ser único e com uma capacidade de aprendizagem diferente. Além
disso, a tarefa motora a ser aprendida é chamada de habilidade motora, embasada pelas
capacidades motoras como força, �exibilidade, aptidão cardiorrespiratória e velocidade.
Compreender a classi�cação das habilidades motoras nos permite elaborar um plano de prática
mais e�caz, que irá levar em consideração os aspectos como a temporalidade da ação, a
previsibilidade, grupos musculares e utilização cognitiva ou motora. 
Vamos Exercitar?Voltando a nossa situação do início da aula. Mariana é formada em Educação Física e vai
ensinar novas habilidades motoras para crianças e adolescentes. Para poder fazer um bom
trabalho com esse público, ela decide relembrar os conteúdos vistos na graduação e estudar
mais a fundo os aspectos que envolvem a aprendizagem motora. Ao separar o material para
estudar, Mariana percebe que precisa retomar os fundamentos básicos da aprendizagem
motora. Assim, ela se pergunta: o que pode in�uenciar a aprendizagem dos meus alunos?
Somente as questões individuais ou algo mais? Habilidades motoras e capacidades motoras são
as mesmas coisas? Existem classi�cações de habilidades motoras que precisam ser levadas em
consideração na hora de ensinar?
A aprendizagem dos alunos pode ser in�uenciada pelo ambiente em que essa tarefa será
ensinada, pela própria tarefa e pelo próprio aluno. Assim, cada aluno é único, apresentando suas
diferenças individuais, como, por exemplo, as capacidades motoras, experiências prévias, nível
emocional e motivacional, nível de aptidão física, etc. Ainda, as capacidades motoras e
habilidades motoras não são as mesmas coisas, sendo que capacidades motoras são traços
herdados que embasam a habilidade motora, como a força, �exibilidade e aptidão
cardiorrespiratória. Já a habilidade motora é a ação ou tarefa a ser aprendida, que sofre
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PSICOMOTRICIDADE
in�uência das capacidades motoras. As habilidades motoras são muitas e podem ser
classi�cadas de acordo com seus aspectos temporais (discreta, seriada ou contínua), a
previsibilidade do ambiente (aberta ou fechada), os grupos musculares (ampla ou �na),
utilização cognitiva ou motora (cognitiva ou motora) e aspectos funcionais (estabilização,
locomoção e manipulação). 
Saiba mais
Quer se aprofundar mais e obter mais exemplos das restrições do indivíduo, do ambiente e da
tarefa?
Leia o Capítulo 4 do livro Compreendendo o desenvolvimento motor, disponível na sua biblioteca
digital. Neste mesmo capítulo, você poderá compreender mais sobre as diferenças individuais.
 
 
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescente e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SCHMIDT, R.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação 5. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
TANI, G. et al. Pesquisa na área de comportamento motor: modelos teóricos, modelos de
investigação, instrumentos de análise, desa�os, tendências e perspectivas. Revista da Educação
Física/UEM, v. 21; n. 12, p. 229-380, 2010.  
Aula 2
Compreendendo o Processo de Aprendizagem Motora
Compreendendo o processo de aprendizagem motora
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
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Nesta videoaula você vai ver que o processo de aprendizagem acontece por estágios, em que
iniciamos o movimento mais impreciso, descoordenado e com muitos erros. Após algum tempo
de prática, começamos a �car mais con�antes, coordenamos melhor o movimento e diminuímos
nossos erros, podendo chegar à pro�ciência. Além disso, você verá como se comporta a curva
da aprendizagem e quando sabemos que o aluno está realmente aprendendo. Por �m, esta aula
te proporcionará o conhecimento sobre as teorias que explicam como controlamos o movimento
a partir da aprendizagem.
Todo esse conhecimento é importante para a sua prática pro�ssional, pois, ao planejar o
processo de aprendizagem de movimentos dos seus alunos, você terá o embasamento teórico
necessário para esse processo ser um sucesso.
Essa aula está com muito conteúdo interessante para você.
Ponto de Partida
Ao ensinar novos movimentos, é importante que alguns conhecimentos estejam bem
consolidados, para que você promova um aprendizado de sucesso. Sabendo disso, nesta aula
você compreenderá que o processo de aprendizagem acontece por estágios, em que partimos
de um estágio inicial e passamos por um intermediário até chegarmos ao pro�ciente. E, quando
pensamos em cada tentativa de prática realizada, podemos veri�car uma curva de
aprendizagem, em que identi�camos algumas características e testamos o quanto a
aprendizagem persistiu no aprendiz e o quanto ele consegue adaptá-la a outros conceitos e
tarefas. Por �m, todo esse processo de aprendizagem é explicado por meio de teorias
desenvolvidas por pesquisadores da área, e cada uma apresenta as suas características.
Para nos aprofundarmos em todo esse conteúdo, vamos à situação da aula de hoje. Mariana
acabou de se formar em Educação Física e vai ensinar habilidades esportivas para crianças e
adolescentes. Para fazer um bom trabalho, ela decide se aprofundar mais, retomando os
conteúdos vistos na graduação. Mariana já retomou os conteúdos sobre restrição do indivíduo,
do ambiente e da tarefa, sobre diferenças individuais, capacidades motoras e habilidades
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motoras. Agora, suas dúvidas são: em uma turma que está em diferentes níveis de
aprendizagem, eu consigo classi�cá-las em estágios para facilitar o aprendizado? Como eu
avalio se meus alunos estão aprendendo? E como ocorre o controle do movimento com o
aprendizado? Percebendo que tem muitas coisas para relembrar, Mariana sai em busca de livros
e artigos para sanar suas dúvidas.
Se essas dúvidas de Mariana são as mesmas que as suas, continue �rme aqui que muita coisa
está por vir!
Vamos Começar!
Imagine que você vai aprender um movimento novo, que pode ser surfar, andar de skate, uma
bandeja no basquetebol ou até mesmo dirigir. Tente pensar como seria esse movimento.
Pensou?
Provavelmente, esse movimento será bem descoordenado, cheio de erros, impreciso, e você
colocará toda a sua atenção nele, não é mesmo?
Agora, se você continuar praticando, o movimento vai sendo coordenado, os erros vão
diminuindo e você consegue até prestar atenção em outras coisas.
Pessoas pro�cientes, por exemplo, atletas de alto nível, fazem o movimento com �uidez, com
pouquíssimos erros e quase automáticos, ou seja, sem ou com quase nenhuma demanda de
atenção.
Assim, por meio desse exemplo, podemos concluir que, até nos tornarmos indivíduos
habilidosos, passamos por estágios ou fases de aprendizagem. E é sobre isso que vamos falar
no próximo tópico.
Modelos de estágios e desempenho pro�ciente
Vários estudiosos apresentaram modelos diferentes de estágios de aprendizagem motora. Por
exemplo, Adams (1971) apresentou dois estágios, o verbal-motor e o motor. Gentile (1972)
também apresentou dois estágios, sendo o primeiro um estágio de aquisição da ideia de
movimento e o segundo de �xação/diversi�cação. Já Fitts e Posner (1967) trouxeram a ideia de
que passamos por três estágios, sendo eles: cognitivo, associativo e autônomo. Aqui,
utilizaremos os estágios propostos por Fitts e Posner (1967), pois acreditamos que existe uma
fase entre o inexperiente (novato) e o experiente (expert), chamada de intermediária.
Assim, o estágio cognitivo é caracterizado pela busca em descobrir qual é a tarefa. Nessa busca,
o movimento sai descoordenado, com presença de movimentos desnecessários e sem �uidez.
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Por tentar encontrar a melhor forma de realizar o movimento, cometem-se muitos erros, e o
movimento é bem variável. Verbalizam-se os movimentos durante a execução e coloca-se boa
parte da capacidade de atenção no movimento, não se conseguindo prestar atenção em fatores
externos.
Já no estágio associativo, os movimentosdesnecessários diminuem, a sequência dos
movimentos vai ganhando �uidez e harmonia, e os erros também vão diminuindo. Já se
consegue prestar atenção em outros estímulos importantes para a tarefa, e o aprendiz se torna
mais con�ante e menos impreciso.
Por �m, no estágio autônomo, o aprendiz já sabe como executar a ação, com mínimo de gasto de
energia e tempo, com �uidez e e�ciência. Como o próprio nome do estágio diz, os movimentos já
estão automatizados, fazendo com que o aluno consiga dirigir grande parte da atenção para
estímulos externos. O padrão de movimento é estável e preciso, com pouco ou nenhum erro. A
Figura 1 mostra como ocorre a diminuição dos erros e da atenção e o aumento do desempenho
conforme o aprendiz vai vencendo os estágios por meio da prática.
Figura 1 | Grá�co da melhora do desempenho e da diminuição de erros e da atenção entre os três estágios
Diante disso, um desempenho pro�ciente é aquele em que o indivíduo realiza a habilidade com a
máxima certeza, o mínimo de gasto de energia e tempo e, consequentemente, cometendo
menos erros. Caso haja qualquer alteração no seu padrão de movimento que o faça perder essa
certeza e aumentar o gasto de energia e tempo, o indivíduo volta para o estágio anterior. 
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Apesar de a palavra estágio remeter a algo sequencial, ou seja, acaba um e começa o outro,
podemos dizer que esses estágios ocorrem em paralelo. Assim, podemos estar no estágio
autônomo para a habilidade de saltar, no estágio associativo na habilidade de saque por baixo do
vôlei e no estágio cognitivo no saque viagem no vôlei.
Além do mais, o padrão pro�ciente visto no estágio autônomo é muito comum em atletas de alto
nível, por exemplo. No entanto, a maioria de nós não chega a este estágio na maior parte das
habilidades esportivas e, às vezes, nem em habilidades mais básicas, como galopar e saltar em
um pé só.
Como conseguimos avaliar essas mudanças de estágios, ou seja, se o aluno realmente está
aprendendo? Vamos ver isso a seguir.
Avaliação: curvas de desempenho e transferência de
aprendizagem
Conforme a aprendizagem de movimentos vai acontecendo, notamos mudanças no desempenho
do aprendiz. Nessas mudanças, podemos observar quatro características, com as quais
podemos dizer que houve aprendizagem; são elas:
Aperfeiçoamento: é observado quando o aprendiz está desempenhando a habilidade
melhor do que quando começou, ou seja, seu desempenho é aperfeiçoado ao longo do
tempo.
Consistência: conforme vai acontecendo o aperfeiçoamento, os níveis de desempenho
devem se tornar cada vez mais semelhantes e estáveis a cada tentativa de prática.
Persistência: o desempenho melhorado com a prática persiste de uma sessão de
prática/treino para a outra e por vários dias ou anos. À medida que o aprendiz melhora com
a prática, seu desempenho melhorado se estende por períodos mais longos.
Adaptabilidade: o desempenho que foi aperfeiçoado se adapta a vários contextos.
Dessa maneira, podemos dizer que houve ou está havendo aprendizagem motora a partir do
momento em que uma pessoa apresenta melhora com a prática, essa melhora se torna cada vez
mais estável e duradoura e você consegue adaptar em um outro contexto. Por exemplo, ao
ensinar uma criança a jogar tênis com uma bolinha mais leve e mais lenta, você vai observar
melhora no seu desempenho com as práticas (aperfeiçoamento), vai veri�car que essa melhora
está cada vez mais estável. Quando ela chegar para um novo dia de treino, ela vai conseguir
manter o desempenho do dia de prática anterior e, quando você utilizar a bolinha o�cial de tênis,
ela conseguirá manter o desempenho e se adaptar à nova tarefa.
Quando medimos a aprendizagem motora, utilizamos a curva de aprendizagem ou de
desempenho e, normalmente, encontramos algo como mostrado no grá�co a seguir.
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Figura 2 | Curva de aprendizagem motora
Assim, no eixo “x” do grá�co temos os blocos de tentativas. Neste caso, em cada bloco o
aprendiz realiza dez tentativas. No eixo “y” temos uma medida de distância, em que quanto maior
é a distância atingida, melhor é o aprendizado. Repare que o desempenho melhora de forma
ascendente no grá�co, até alcançar um ponto em que quase não ocorre melhora; chamamos
este ponto de platô de desempenho. Sendo assim, platô de desempenho é um período durante a
aprendizagem no qual o desempenho permanece sem ou com pouca alteração. Depois do platô,
a aprendizagem continua de maneira linear e crescente. Isso quer dizer que, durante a
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aprendizagem de movimentos, no início temos uma grande melhora do desempenho e, após
algum tempo de prática, parece que estabilizamos na aprendizagem e não vemos muita melhora.
Ao continuar a prática, essa melhora volta a acontecer, no sentido da pro�ciência.
Entretanto, já sabemos que, para a�rmar que houve aprendizagem, precisamos observar as
quatro características já mencionadas (aperfeiçoamento, consistência, persistência e
adaptabilidade). Assim, nesta curva de aprendizagem, observamos que houve aperfeiçoamento
pela melhora da distância, e essa melhora foi consistente. No entanto, não conseguimos
observar neste grá�co se essa melhora é persistente (ou seja, persiste quando se para a prática
por um tempo) e adaptável a outro contexto. Para veri�carmos essas duas características,
realizamos então dois testes: o teste de retenção e o teste de transferência. O teste de retenção
é quando o aprendiz, mesmo após uns dias do término da prática, ainda consegue realizar a
habilidade com um bom desempenho, e o teste de transferência é quando adaptamos essa
habilidade a um outro contexto ou tarefa, por exemplo, ensino com uma bola maior e mais leve, e
depois transferimos para a bola o�cial.
 
 
Siga em Frente...
Teorias de aprendizagem e modelos de aprendizagem
Na tentativa de explicar como aprendemos os movimentos, ou seja, como adquirimos as
mudanças no nosso comportamento motor com a prática ou experiência, estudiosos se
reuniram e �zeram uma série de pesquisas. A partir disso, surgiram diversas teorias, sendo que
duas delas são mais difundidas: a teoria do processamento de informação e a teoria dos
sistemas dinâmicos. Essas duas teorias explicam a aprendizagem de maneira bem oposta e
divergente. A teoria do processamento de informação apresenta uma hierarquia, em que o SNC é
o sistema que comanda toda a ação; ele possui os comandos (programas motores) para que o
movimento aconteça e os envia para os músculos para que eles realizem seus comandos. Já a
teoria dos sistemas dinâmicos não entende que exista uma hierarquia e, sim, um trabalho em
conjunto, em que os sistemas (nervoso e muscular) se auto-organizam para que o movimento
emerja.
Assim, dentro da teoria de processamento de informação, temos dois circuitos funcionando que
irão responder aos comandos com uma ação; esses circuitos são conhecidos como circuito
aberto e circuito fechado. O circuito aberto entra em ação quando temos atividades que exigem
respostas mais rápidas. Assim, recebemos o estímulo, programamos a resposta no cérebro e
não temos tempo de mudar essa resposta para corrigi-la. Por exemplo, eu jogo uma bola muito
rápido para alguém, essa pessoa percebe essa bola, decide o que fazer e, como a bola está
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muito rápida, ela não tem tempo de mudar sua decisão; o que ela planejou fazer, será feito.
Agora, caso eu jogue essa bola mais alta e mais lenta para a pessoa, ela terá tempo de receber
informações sobre o que está acontecendo e reprogramar sua resposta a partir disso,
procurando uma melhor maneira de reagir a esse estímulo (no caso, a bola lançada). A esse
processo em que a informação chega de maneira mais lenta, e o aprendiz tem tempo de
programar e reprogramar de acordo com as informações que estão sendo recebidas durante a
ação, chamamos de circuito fechado.
Os estudiosos defensores dessa teoria acreditam que o aprendizado acontece a partirde uma
estrutura abstrata situada no SNC denominada programa motor, a qual armazena uma série de
normas que são adquiridas durante o processo de aprendizado.
Por outro lado, a teoria dos sistemas dinâmicos contrapõe essa ideia de programas motores,
defendendo que o aprendizado se desenvolve a partir do aumento da percepção e ação, sendo
in�uenciado pelas restrições do indivíduo, do ambiente e da tarefa. Assim, ao querer realizar um
movimento, os sistemas se auto-organizam, e o movimento emerge a partir dessa interrelação.
Assim, o processo de aprendizagem acontece por meio de uma sinergia que surge entre os
sistemas e que busca a coordenação e o controle do movimento.
Assim, quando pensamos nos estágios de aprendizagem a partir da teoria de processamento de
informações, podemos sugerir que a cada estágio criamos e aprimoramos os programas
motores, estabelecendo comandos cada vez melhores com a prática. Já na teoria de sistemas
dinâmicos, sugere-se que em uma fase mais inicial congelamos parte dos graus de liberdade do
movimento (ou seja, mantêm-se parte dos ângulos das articulações �xos ao longo da ação). No
segundo estágio, os graus de liberdade mais congelados são liberados e incorporados em
unidades de ações maiores, denominadas estruturas coordenativas. E, no terceiro estágio, os
graus de liberdade continuam sendo liberados e ocorre uma maior exploração das forças de
ação passiva.
Vamos Exercitar?
Agora que você já compreendeu muita coisa sobre a aprendizagem motora, voltamos à situação
do início da aula para resolvê-la.
Mariana irá ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes e, ao se aprofundar mais
no assunto por meio de estudos, algumas dúvidas surgem. Dessa vez, as dúvidas são: em uma
turma em que os alunos estão em diferentes níveis de aprendizagem, eu consigo classi�cá-las
em estágios para facilitar o aprendizado? Como eu avalio se meus alunos estão aprendendo? E
como ocorre o controle do movimento com o aprendizado?
A aprendizagem motora pode passar por três estágios: o iniciante, o intermediário e o avançado
(pro�ciente). Em uma turma heterogênea quanto ao nível de aprendizagem, você pode
determinar o estágio em que cada um se encontra e fazer atividades que promovam o
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desenvolvimento de todos. Para saber se seus alunos estão aprendendo, eles devem apresentar
quatro características: aperfeiçoamento, consistência, persistência e adaptabilidade. Existem
algumas teorias que buscam explicar como aprendemos o movimento; as mais abordadas são:
teoria do processamento de informação e teoria de sistemas dinâmicos.   
Saiba mais
Você quer compreender mais a fundo sobre os modelos teóricos de aprendizagem motora?
Acesse o artigo de Tani et al. (2010).
Agora, para entender mais a fundo sobre os estágios de aprendizagem, procure pelo artigo:
PELLEGRINI, A. M. Aprendizagem de habilidades motoras I: o que muda com a prática? Revista
Paulista de Educação Física, 2000.  
 
 
Referências
PELLEGRINI, A. M. Aprendizagem de habilidades motoras I: o que muda com a prática? Revista
Paulista de Educação Física, 2000.
SCHMIDT, R.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação 5. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
TANI, G. et al. Pesquisa na área de comportamento motor: modelos teóricos, modelos de
investigação, instrumentos de análise, desa�os, tendências e perspectivas. Revista da Educação
Física/UEM, v. 21; n. 12, p. 229-380, 2010. Disponível em:
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9254. Acesso em: 2 fev. 2024.
Aula 3
Processamento de Informação e Tomada de Decisão
Processamento de informação e tomada de decisão
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9254/5831
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9254/5831
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9254/5831
https://www.revistas.usp.br/rpef/article/view/139610/134911
https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RevEducFis/article/view/9254
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Quando a aprendizagem ocorre, várias mudanças acontecem no comportamento motor. Assim,
nesta videoaula, você entenderá os fatores relacionados ao tempo de reação e à tomada de
decisão e o que acontece com a prática. Além disso, você verá como é a nossa capacidade de
atenção e o que acontece com o nosso movimento quando focamos na precisão. Por �m, você
entenderá como e o que armazenamos na nossa memória.
Esse conteúdo é importante para a sua atuação pro�ssional, pois esses aspectos farão total
diferença no processo de aprendizagem do seu aluno, e você conseguirá pensar em um plano de
ensino de habilidades motoras que levará em consideração esses pontos.
Você está preparado?
Então, vamos lá!
Ponto de Partida
Conforme vamos aprendendo os movimentos, mudamos a forma como percebemos o mundo a
nossa volta e a forma de respondermos a estímulos. Assim, passamos a reagir com mais
rapidez, a nossa tomada de decisão se torna mais rápida e diminuímos nossa atenção, podendo
dividi-la com outras tarefas. Além disso, a tarefa passa de complexa para simples, e
conseguimos realizá-la com mais velocidade, sem deixar de lado a precisão. Com isso, esse
novo movimento aprendido �ca gravado na nossa memória de longo prazo.
Na aula de hoje, vamos abordar o tempo de reação, tomada de decisão, capacidade de atenção,
precisão e memória. Para nos ajudar, vamos a nossa situação já conhecida, em que Mariana vai
ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes. Assim, chegou o momento de
pensar o que muda nos aspectos perceptivos com a prática e com a aprendizagem. Para
compreender mais sobre o assunto, Mariana decide buscar ajudar nos livros e artigos para sanar
as seguintes dúvidas: o que pode in�uenciar o tempo de reação e a tomada de decisão do meu
aluno? Como é a utilização da nossa atenção em tarefas simples e complexas? O movimento
aprendido �ca em qual tipo de memória?
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Está preparado para compreender mais sobre os aspectos perceptivos que afetam a
aprendizagem?
Então, vamos lá!
Vamos Começar!
O ambiente e o nosso próprio corpo enviam estímulos o tempo todo. Conforme vamos
aprendendo uma determinada habilidade, desenvolvemos também nossas capacidades
perceptivas, ou seja, reagimos mais rápido a esses estímulos, tomamos decisões mais rápidas,
diminuímos nossa atenção no movimento e distribuímos melhor a nossa atenção ao mundo
externo. Além disso, após a prática, esses movimentos �cam armazenados na nossa memória,
facilitando a sua realização. São esses aspectos perceptivos que veremos a seguir.
Tempo de reação e tomada de decisão
Imagine a seguinte situação: uma prova de 100m rasos no atletismo, todos os atletas
posicionados no bloco de saída, o árbitro apita e os atletas saem correndo. Existe um tempo
entre o apito do árbitro e o início do movimento dos atletas, e esse tempo é chamado de tempo
de reação. Assim, podemos dizer que tempo de reação é o tempo que leva da apresentação do
estímulo ao início da resposta. Em algumas situações, o tempo de reação é muito importante,
como é o caso da saída da natação, pisar no freio do carro ao ver a luz de freio do carro da
frente, ou o goleiro pegar uma bola rápida, por exemplo.
Além disso, podemos dizer que o tempo de reação é um indicador da e�cácia e da velocidade da
tomada de decisão de uma pessoa. Assim, quando você recebe um estímulo, uma bola vindo em
sua direção, por exemplo, você precisa tomar uma decisão do que vai fazer — você vai segurar a
bola, vai se defender dela, vai rebater?O tempo de reação é muito importante para movimentos rápidos e que precisam de uma tomada
de decisão e�ciente, sendo muito utilizado como um indicador da velocidade em que
processamos as informações que chegam até nós. Ainda, tanto o tempo de reação quanto a
tomada de decisão podem ser in�uenciados por diversos fatores, como, por exemplo, o número
de alternativas de estímulo-resposta e a compatibilidade de estímulo-resposta. Com relação ao
número de alternativas de estímulo-resposta, quando eu tenho um estímulo e uma possível
resposta, meu tempo de reação tende a ser mais rápido do que quando eu tenho duas ou mais
opções de escolha. Por exemplo, em uma tarefa em que você precisa apertar um único botão
quando uma única luz acender, o tempo de reação será menor do que se eu tiver três luzes de
cores diferentes e tiver que escolher, entre três botões, o que tem a mesma cor da luz que
acender. Agora, a compatibilidade de estímulo-resposta seria o grau de associação natural entre
o estímulo e a resposta que deve ser dada. Por exemplo: ao acender uma luz do meu lado direito,
eu aperto um botão do lado direito; se acender a luz do lado esquerdo, eu aperto o botão do lado
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esquerdo. Essa associação seria mais fácil do que se eu tivesse que apertar o botão direito
quando a luz do lado esquerdo acendesse ou vice-versa.
Para lidar com atrasos na tomada de decisão, é muito comum anteciparmos o estímulo, o que
chamamos de antecipação. Isso acontece quando somos capazes de predizer o que irá
acontecer e quando irá acontecer, antes mesmo de acontecer. Assim, a antecipação pode ser
bené�ca, quando nos possibilita responder a algo mais rápido, por exemplo em uma luta, quando
o atleta consegue predizer o golpe que o adversário vai dar e se antecipa, conseguindo se
esquivar. Por outro lado, a antecipação pode ter custos, como é o caso da largada de uma prova
de 100m rasos no atletismo ou a saída da natação, em que, se o atleta antecipar, ele será
desclassi�cado.  
Siga em Frente...
Atenção e precisão
A atenção é a nossa capacidade de processar as informações que recebemos. Esse processo é
considerado um processo mental limitado, pois não conseguimos processar todas as
informações à nossa volta ao mesmo tempo.
A todo momento recebemos estímulos do ambiente, mas nem todos os estímulos chegam ao
nível da nossa atenção, ou seja, nem sempre processamos a informação. Para entender melhor,
vamos pensar no que você está fazendo agora. Provavelmente, você está fazendo a leitura deste
texto e prestando atenção e interpretando o que está escrito. Mas, se eu pedir para você sentir a
sua roupa encostando na sua pele, você vai deslocar a sua atenção para lá. No entanto, a roupa
encostando na sua pele estava ali o tempo todo, mas você não estava prestando atenção nisso,
pois a sua atenção está voltada para os seus estudos.
Podemos dizer então que a nossa capacidade de atenção é limitada, pois conseguimos prestar
atenção em poucas coisas de cada vez. Assim, quando estamos dirigindo, recebemos muitas
informações ao mesmo tempo: dos carros ao nosso redor, dos pedestres, da música tocando no
rádio, do caminho que estamos fazendo e assim por diante. Quando pegamos o celular para
mandar uma mensagem ou fazer uma ligação, a atenção que estávamos dedicando ao trânsito
se torna comprometida, o que pode fazer com que cometamos erros e coloquemos a nossa vida
e a de outras pessoas em risco. Além disso, o quanto vamos colocar de atenção em cada tarefa
vai depender da sua complexidade. Assim, tarefas mais simples demandam menos atenção,
então conseguimos dividir a atenção com uma segunda tarefa. Por exemplo: andar e falar ao
celular ao mesmo tempo. Agora, se uma tarefa for mais complexa, menos atenção conseguimos
dar a uma segunda tarefa. Por exemplo: dirigir e digitar uma mensagem no celular ao mesmo
tempo. A �gura a seguir demonstra como a nossa atenção funciona.
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Figura 1 | Atenção disponível em tarefas duplas simples e complexas. Fonte: adaptada de Schimdt e Wrisberg (2016).
Um outro fator importante no processo de aprendizagem é a precisão. Algumas tarefas exigem
maior precisão do que outras; por exemplo, acertar uma cesta de basquete, acertar um tiro ou
uma �echa no alvo, encaçapar a bola de golfe e assim por diante. No entanto, um aspecto a que
precisamos nos atentar é a relação da precisão com a velocidade. Sendo assim, quando
queremos fazer algo rapidamente, tendemos a fazê-lo de maneira menos e�ciente ou com menor
precisão, e o contrário também acontece — quando queremos ser mais precisos, somos mais
lentos. Essa troca de velocidade-precisão é sustentada por um princípio matemático
desenvolvido por Paul Fitts (1954) que se tornou lei, chamado Lei de Fitts. A Lei de Fitts
considera que o tempo de movimento está linearmente relacionado com o índice de di�culdade
do movimento. Ou seja, quanto mais difícil é uma tarefa, mais lentos somos.
Dessa maneira, ao pensar em um processo de aprendizagem, entendemos que nos estágios
mais iniciais de aprendizagem a atenção está mais voltada para o movimento, e o aprendiz não
consegue prestar atenção ao ambiente ao seu redor. Além disso, na tentativa de sermos mais
precisos, de acertarmos mais, somos mais lentos no movimento. Assim, quando ensinamos uma
nova habilidade, precisamos diminuir os estímulos ao redor e compreender que o movimento
sairá mais lento. Conforme a aprendizagem vai ocorrendo, o aprendiz consegue prestar mais
atenção às informações a sua volta e vai aumentando a velocidade do seu movimento, pois a
tarefa vai se tornando mais fácil de ser realizada e �ca mais fácil de alcançar a precisão.  
Sistemas de memória
O que a nossa memória tem a ver com os nossos movimentos?
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Quando ocorre a persistência de um movimento, ou seja, quando depois de um tempo de prática
ainda o realizamos, esse movimento �ca armazenado na nossa memória. Dessa maneira,
existem três sistemas de memória, que são: armazenamento sensorial a curto prazo, memória
de curto prazo e memória de longo prazo.
O armazenamento sensorial de curto prazo é a nossa memória mais periférica. Neste sistema, a
informação que chega é mantida até que o indivíduo a identi�que e seja substituída pela próxima
corrente. Acredita-se que o armazenamento sensorial ocorra antes de tomarmos consciência,
sendo quase ilimitado, porém de breve duração. Já a memória de curto prazo é aquela em que as
informações que passam pelo armazenamento sensorial de curto prazo são selecionadas e
atingem o nosso nível de consciência. Acredita-se que ela seja limitada e de duração breve. Por
�m, a memória de longo prazo é aquela em que as informações e experiências da vida �cam
retidas ao longo do tempo. Acredita-se que ela seja ilimitada e de longa duração. A Figura 2
demonstra o funcionamento dos três componentes da memória.
Figura 2 | Os três componentes da memória humana. Fonte: adaptada de Schimdt e Wrisberg (2016).
Dessa maneira, podemos dizer que uma pessoa realmente aprendeu um movimento quando a
informação foi processada na memória de curto prazo e transferida para a memória de longo
prazo. 
 
 
Vamos Exercitar?
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Voltando a nossa situação no início da aula. Mariana é recém-formada e vai trabalhar ensinando
habilidades esportivas para crianças e adolescentes. Para compreender mais sobre os aspectos
da percepção que in�uenciam ou mudam com a aprendizagem, Mariana decide estudar mais. No
entanto, algumas dúvidas aparecem em sua mente. O que pode in�uenciar o tempo de reação e
a tomada de decisão do meu aluno? Como é a utilização da nossa atenção em tarefas simples e
complexas? O movimento aprendido �ca em qual tipo de memória?
O tempo de reação e a tomada de decisão são in�uenciados pelo número de alternativas
estímulo-resposta e pela compatibilidade de estímulo-resposta. A nossa atenção é maior no
início da aprendizagem epara tarefas mais complexas. Conforme acontece o aprendizado e a
tarefa se torna mais fácil, nossa atenção vai diminuindo e conseguimos distribui-la em outras
tarefas. Temos três tipos de memória: o armazenamento sensorial de curto prazo, a memória de
curto prazo e a memória de longo prazo. Quando aprendemos, a memória de longo prazo
armazena alguns aspectos do movimento. No entanto, quando a prática não foi su�ciente e as
características do movimento �caram armazenadas na memória de curto prazo, ele pode ser
facilmente esquecido.
Saiba mais
Quer se aprofundar mais nos assuntos da aula de hoje?
Procure pelo livro: Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem
baseada na situação.
No Capítulo 2, da página 53 até a 61, você encontra muitas informações sobre tempo de reação,
tomada de decisão e antecipação.
Neste mesmo capítulo, nas páginas 66 e 67, você poderá se aprofundar no tema sobre
capacidade de atenção.
Sobre os três sistemas de memória apresentados nesta aula, você poderá ler mais nas páginas
76 a 79, também no Capítulo 2.  
Referências
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescente e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
SCHMIDT, R.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação 5. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
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TANI, G. et al. Pesquisa na área de comportamento motor: modelos teóricos, modelos de
investigação, instrumentos de análise, desa�os, tendências e perspectivas. Revista da Educação
Física/UEM, v. 21; n. 12, p. 229-380, 2010.
Aula 4
Aprendizagem de Habilidades Motoras
Aprendizagem de habilidades motoras
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para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Na aula de hoje você irá ver que é importante um planejamento de como as habilidades motoras
serão ensinadas. Assim, você irá aprender sobre os tipos de práticas, os feedbacks e como
avaliamos o desempenho motor.
Esse conteúdo é muito importante para o pro�ssional que irá ensinar novas habilidades, para que
ele saiba se organizar e preparar o processo de ensino para que haja uma aprendizagem mais
e�ciente.
Prepare-se para aprender a ensinar habilidades motoras!
Ponto de Partida
Ensinar novas habilidades motoras é uma responsabilidade grande para os pro�ssionais que
trabalham com o movimento. Sendo assim, saber como organizar a prática, como fornecer as
informações para o aprendiz de maneira correta e como analisar o desempenho motor é muito
importante para o sucesso da aprendizagem.
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Para nos aprofundarmos neste conteúdo, vamos à situação da nossa aula. Mariana é recém-
formada em Educação Física e vai ensinar novas habilidades esportivas para crianças e
adolescentes. Como deseja ter sucesso e que os alunos aprendam as habilidades, ela resolve
estudar um pouco mais sobre o processo de aprendizagem de novas habilidades motoras. Ao
estudar sobre o assunto, Mariana tem as seguintes dúvidas: como posso organizar a prática para
que meus alunos tenham um aprendizado e�ciente? Como posso fornecer os feedbacks para
que sejam adequados à aprendizagem? Como avalio a melhora no desempenho motor dos meus
alunos?
Quer compreender como organizamos as sessões de prática para um aprendizado mais e�caz?
Então, vamos lá!
Vamos Começar!
Para que uma nova habilidade motora seja aprendida, é importante planejar as experiências de
aprendizagem que esse aluno irá receber. Essas experiências vão desde a instrução dada pelo
professor até a estruturação dessa prática. As instruções seriam as informações fornecidas ao
aprendiz antes de começar a prática. Assim, a instrução pode ser verbal, quando é só falada; por
demonstração, quando o movimento é mostrado ao aprendiz; ou pode ser verbal e demonstrada
ao mesmo tempo.
Além disso, durante a execução da prática, uma série de correções e dicas são dadas durante o
movimento ou após ele, o que chamamos de feedback (da tradução do inglês, retroalimentação).
Por �m, devemos de�nir como será a prática da habilidade mais e�ciente. E é por esse tema,
tipos de práticas, que começaremos nossa aula de hoje.
Tipos de prática
O aprendizado de habilidades motoras requer prática, ou seja, fazer repetidas vezes. Mas como
essa prática é orientada vai fazer uma grande diferença no aprendizado. Para começar, podemos
dividir os tipos de prática em: física e mental. A prática física seria você realizar o movimento
com o seu corpo, e a prática mental seria imaginar-se realizando o movimento.
Quanto à prática física, em habilidades mais complexas podemos dividir a tarefa em partes para
serem praticadas e facilitar o aprendizado. Dentro dessa prática parcial, temos três tipos:
fracionalização, segmentação e simpli�cação. A fracionalização (ou fragmentação) ocorre
quando você divide a habilidade em duas ou mais partes e as pratica separadamente. Por
exemplo: ao ensinar o nado crawl, você pode ensinar a bater as pernas com os braços apoiados
na prancha (isolando os braços) e depois as braçadas utilizando uma boia (pullboy) nas pernas
(isolando as pernas), antes de juntá-las em uma habilidade só. A segmentação ocorre quando
você pratica uma parte da habilidade durante um tempo, depois adiciona uma segunda parte,
que é praticada com a primeira, e, depois, adiciona a terceira parte, que é praticada com as duas
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primeiras. Como exemplo, temos a bandeja do basquete. O aprendiz pratica por um tempo a
passada com o drible de bola, depois adiciona o salto, o qual é praticado por um tempo com a
passada e o drible e, depois, adiciona o arremesso, o qual é praticado com as outras partes. Por
�m, a simpli�cação é quando a habilidade a ser realizada é simpli�cada. Por exemplo: praticar
em câmera lenta ou utilizar uma bola mais leve e maior no saque do tênis. 
Para a escolha de qual utilizar, precisamos pensar na natureza da habilidade (complexidade) e na
interação dos componentes. A complexidade seria o processamento de informação e número de
partes e componentes de uma habilidade. E a interação entre os componentes seria o quanto
eles se relacionam entre si para que uma habilidade aconteça. A Figura 1 apresenta como
devemos de�nir: as setas amarelas representam o grau de complexidade e as azuis a interação
entre os componentes. As setas voltadas para cima representam uma alta demanda e as setas
para baixo, uma baixa demanda.
Figura 1 | Como de�nir a prática de uma habilidade complexa 
Assim, utilizamos o método de fragmentação quando a tarefa é complexa, mas os componentes
têm pouca interação entre si. Já a segmentação, também utilizamos quando temos uma alta
complexidade, mas a interação entre os componentes é alta. E a simpli�cação ocorre quando a
habilidade não é complexa, mas os componentes podem ser de grande ou pequena interação
entre si. Para de�nir qual utilizar, precisamos pensar nas restrições do indivíduo, do ambiente e
da tarefa.
Como falado anteriormente, podemos realizar a prática mental, ou seja, nos imaginamos
realizando as sessões de prática sem que ocorra o movimento. Esse tipo de prática não é melhor
do que a prática física, no entanto, ela pode ser realizada quando o movimento não pode ser
feito, como em caso de lesões e fraturas osteomusculares.
Além disso, em algumas aulas de prática física, podemos ensinar mais de uma habilidade ou
variações da mesma habilidade. Então, em uma aula de vôlei, podemos ensinar o toque, a
manchete e o saque (diferentes habilidades), mas podemos também ensinar o saque para
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diferentes posições da quadra adversária (variaçãode uma mesma habilidade). Dessa maneira, é
importante pensarmos em como vamos organizar cada sessão de prática.
Vamos compreender primeiro como podemos organizar a prática de diferentes habilidades.
Eu posso ensinar primeiro o toque e pedir que realizem a prática por um tempo. Depois, ensino a
manchete, a qual será praticada por mais um tempo e, por �m, o saque, que será praticado por
mais um tempo. Esse tipo de prática recebe o nome de prática blocada. Mas eu também posso
ensinar em forma de rodízio. Um aluno “A” irá sacar uma bola para o outro lado da quadra e um
outro aluno “B” irá receber de manchete, passando a bola para um outro aluno “C” que está perto
da rede e que fará o levantamento. Esse aluno “A” que sacou irá pegar o lugar do aluno “B” que
recebeu de manchete, que irá pegar o lugar do aluno “C” que levantou de toque. E, assim, a cada
tentativa de prática, o aluno fará uma habilidade diferente. Esse tipo de prática recebe o nome de
prática randômica.
E como posso ensinar uma mesma habilidade com variações diferentes?
Ela pode ser ensinada de forma constante, em que o aluno irá sacar durante um tempo na
posição 6, depois mudar para a 5, depois para a 4, sendo que em cada posição faz um
determinado número de tentativas. Ou de forma variada, em que em uma tentativa o saque será
na 6, na outra na 5 e na outra na 4, e o aluno irá variar a cada tentativa.
A escolha entre qual organização de prática utilizar vai depender do indivíduo (grau de
di�culdade que ele tem, experiências prévias e estágio de aprendizagem), da tarefa e do
ambiente, uma vez que as evidências de qual organização da prática é melhor não estão claras
na literatura (Ammar et al., 2023).
 
 
Siga em Frente...
Feedback
O feedback é uma informação sobre o desempenho ou a resposta do movimento. Ele pode ser
classi�cado de diversas maneiras. Quanto a sua natureza, ele pode ser extrínseco ou intrínseco.
O feedback extrínseco é aquele cuja informação vem de uma fonte externa ao aprendiz, como o
comentário do professor, o vídeo do jogo, a pontuação da ginástica e assim por diante. Também
é conhecido como feedback aumentado. Já o feedback intrínseco é aquele em que a informação
vem do próprio aprendiz, e pode chegar por meio de percepções externas, vindas pela visão,
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olfato, tato, audição e paladar (exterocepção) ou de percepções internas, advindas dos músculos
e das articulações (propriocepção).
Além disso, o feedback pode ser classi�cado de acordo com o tipo, podendo ser: conhecimento
de resultado ou conhecimento de desempenho. O conhecimento de resultado é a informação
recebida após o término da ação sobre o resultado do movimento desejado pelo aprendiz. Pode
ser informação sobre o tempo em que realizou a corrida, a nota recebida na apresentação de
ginástica, o gol realizado, a cesta no basquete e assim por diante. O conhecimento de
desempenho fornece informação sobre a qualidade do movimento, ou seja, se o realizou com
�uidez, não quebrou o pulso no arremesso do basquete, manteve o ritmo da dança com a
música, seu passe foi curto, etc. 
Quanto à frequência de fornecimento de feedback, ela pode ser: concomitante (enquanto a ação
acontece), terminal (realizada após o movimento), resumida (fornecida após um número de
tentativas) e autocontrolada (quando o aprendiz solicita).
O feedback serve para facilitar o alcance da meta, direcionar o foco de atenção, sintetizar as
informações mais importantes, controlar períodos de assimilação das informações, controlar a
quantidade e a natureza das informações e motivar o aprendiz em direção à meta. Normalmente,
nos estágios iniciais de aprendizagem, o feedback se torna mais presente, com a �nalidade de
corrigir os movimentos do aprendiz. Depois, é importante que ocorra uma redução dessas
informações para que o aluno não �que dependente do feedback para conseguir realizar o
movimento (Schimdt; Wrisberg, 2016).
Aprendizagem e desempenho motor
A prática motora e as experiências levam à aprendizagem, e o desempenho motor é o resultado
desta aprendizagem. Assim, uma prática bem elaborada tem mais chance de levar a um bom
desempenho motor, e uma prática precária acarreta um desempenho motor ruim.
Diante disso, para que a aprendizagem gere um bom desempenho motor, é necessário ter um
plano de ação. Neste plano de ação devem estar contidas as informações dos indivíduos
(capacidades, experiências prévias, estágio de aprendizagem), a meta que se deseja alcançar, o
ambiente em que será realizada a tarefa, como será a organização da prática e quais feedbacks
serão fornecidos.
Após colocar esse plano de ação em prática, é necessário avaliar o progresso do aprendiz e
compreender mais sobre o seu desempenho motor na habilidade aprendida. A avaliação é um
componente muito importante de qualquer experiência de aprendizagem, pois permitirá que o
professor saiba como está seu desempenho com relação a sua meta. Então, como deve ser feita
essa avaliação?
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A resposta é: depende! Isso mesmo, depende da meta que o aprendiz quer atingir. Por exemplo:
podemos avaliar o desempenho pelo tempo realizado em uma corrida ou pela distância
percorrida em um determinado tempo, ou pelo número de acertos em uma partida. Podemos
analisar a qualidade do movimento, classi�cando-o em bom, ruim, adequado, perfeito, etc. Você
pode querer algo mais quanti�cado ao analisar os ângulos do movimento do joelho durante a
corrida, ou do punho no arremesso de basquete. O importante aqui é que você escolha uma
maneira de avaliar que seja precisa e con�ável e que realmente meça o que você deseja medir.
Outro aspecto importante é a frequência com que a avaliação deve ser realizada. Em alguns
momentos a avaliação precisa ser realizada em períodos pré-determinados, em outras a decisão
é tomada pelo professor e aprendiz em conjunto. É necessário estar atento a alguns fatores que
podem afetar o desempenho no teste, como a fadiga, fatores emocionais e fatores ambientais
(situações competitivas).
Assim, as avaliações mais importantes são aquelas que acontecem no contexto desejado, ou
seja, se desejo ver desempenho no jogo, a avaliação deveria ser durante o jogo. Se é durante a
corrida, a avaliação deve ser feita em uma prova de corrida.
Com isso, compreender os aspectos que mudam com o aprendizado não é su�ciente para
garantir a aprendizagem motora. É importante também um planejamento adequado da prática
que acarretará a aprendizagem. Nesse planejamento estão incluídos os tipos de práticas, o
feedback a ser fornecido e a avaliação do desempenho motor.   
Vamos Exercitar?
Retomando a situação do início da aula, Mariana se formou recentemente em Educação Física e
vai ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes. Para tornar o aprendizado
incrível, Mariana decide elucidar algumas dúvidas que ela tem por meio de seus estudos. Suas
dúvidas são: como posso organizar a prática para que meus alunos tenham um aprendizado
e�ciente? Como posso fornecer os feedbacks para que sejam adequados à aprendizagem?
Como avalio a melhora no desempenho motor dos meus alunos?
A prática física de habilidades complexas pode ser realizada de forma fragmentada, segmentada
e simpli�cada. Quanto à prática, pode ser organizada de forma blocada ou randômica se forem
habilidades diferentes, ou de forma constante e variada se for a mesma habilidade com
variações. Os feedbacks podem ser dados sobre os resultados (conhecimento de resultado) ou
sobre o desempenho (conhecimento de desempenho). E o resultado da aprendizagem é uma
melhora no desempenho motor, que deve ser avaliado de acordo com a informação que se
deseja obter, tentando ser mais próximo do contexto-alvo.  
Saiba mais
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Quer ver a aplicação de feedback na prática?
Acesse o artigo cientí�co Efeitos do "feedback" autocontrolado na aprendizagem do lançamento
da bola da ginástica rítmica. Nele você verá o uso de feedback autocontroladono lançamento de
bola na ginástica rítmica.
 
 
Referências
AMMAR, A. et al. The myth of contextual interference learning bene�ts in sports practice: a
systematic review and meta-analysis. Educational research review. v. 39, 2023. 
LEMOS, A. et al. Efeitos do "feedback" autocontrolado na aprendizagem do lançamento da bola
da ginástica rítmica. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, v. 27, n. 3, p. 485–492, jul.
2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbefe/a/xLSVBP4jhQMxxc3zGwVdyJk/?
lang=pt&format=html. Acesso em: 28 mar. 2024.
MCKAY, B. et al. Meta-analysis of the reduced relative feedback frequency effect on motor
learning and performance. Psychology of sports and science. v. 61, 2022.
SCHMIDT, R.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação. 5. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Dica para você
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Disciplina
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula você irá compreender os aspectos básicos da aprendizagem motora,
começando pelos aspectos introdutórios na abordagem da aprendizagem motora, perpassando
os processos de aprendizagem motora a partir de estágios e curvas de aprendizagem e do
processamento de informação e da tomada de decisão. Além disso, você aprenderá como
organizar a prática de habilidades para um aprendizado mais e�caz.
Esse conteúdo te permitirá aplicar os conceitos anatômicos e �siológicos de sistema nervoso e
muscular para a aplicação de modelos teóricos na prática da aprendizagem motora no ensino de
habilidades motoras.
Essa jornada está incrível e te trará muito aprendizado!
Ponto de Chegada
Estudante, a competência para esta unidade é que você seja capaz de aplicar os conceitos de
sistema nervoso às teorias da aprendizagem motora e às habilidades motoras, facilitando o
entendimento do processamento de informação, assim como o processo da aprendizagem e do
controle motor. Para isso, você compreendeu os aspectos básicos da aprendizagem motora,
começando pelos aspectos introdutórios na abordagem dos fatores que interferem na
aprendizagem motora, como as restrições do ambiente, do indivíduo e da tarefa, compreendendo
como as diferenças individuais afetam a aprendizagem motora. Você aprendeu a diferenciar
capacidades motoras e habilidades motoras, conhecendo a classi�cação das últimas. Além
disso, você compreendeu que passamos por estágios de aprendizagem, �utuando do estágio
inicial para o intermediário e avançado, entendendo que um aprendizado não é linear,
apresentando períodos em que a aprendizagem é mais rápida e outros em que é mais lenta.
A explicação para tudo isso acontece por meio de teorias e você viu duas teorias mais utilizadas
que apresentam como controlamos o nosso movimento a partir da aprendizagem. Você
entendeu também que, a partir das mudanças que ocorrem no comportamento motor com a
aprendizagem, nossa percepção muda, o que afeta nosso tempo de reação, tomada de decisão,
atenção e precisão, em que tudo �ca armazenado em um sistema de memória. Ainda, para que o
sistema nervoso trabalhe em prol do aprendizado motor, a estruturação da prática deve ser feita
de maneira e�ciente para que ocorram mudanças positivas no desempenho motor.   
Re�ita
Quais fatores podem in�uenciar a aprendizagem motora?
Como aprendemos a controlar os movimentos com a prática?
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Qual a melhor maneira de estruturar uma prática motora para que o aprendizado seja
e�ciente? 
É Hora de Praticar!
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Thiago é professor de vôlei de um clube em uma cidade. Ele sempre trabalhou com a iniciação
do esporte, mas agora irá começar um trabalho com o treinamento de meninas de 13 a 15 anos.
Com o passar dos treinos, Thiago nota que as alunas não estão com o desempenho motor como
deveriam estar e resolve conversar com o seu professor de comportamento motor da
Universidade em que estudou.
Os questionamentos do Thiago ao professor são:
O que pode estar afetando a aprendizagem das alunas?
Como a aprendizagem acontece?
O que muda com a prática que pode favorecer a aprendizagem?
Como posso organizar melhor a prática para garantir um aprendizado?  
Como você responderia a esses questionamentos? Para resolvê-los, se necessário, revise o
conteúdo desta unidade.
O professor de Thiago pensa um pouco sobre as perguntas e responde:
O aprendizado das alunas pode estar sendo afetado por fatores relacionados a elas, ou ao
ambiente ou à tarefa. Relacionados a elas, podem ser as diferenças individuais, que contemplam
as condições genéticas, nível emocional, experiências prévias, interesse pela prática, nível de
condicionamento e aspectos culturais. Os aspectos relacionados ao ambiente seriam se o local
de treino está adequado, as questões de luminosidade, temperatura, tipo da quadra e assim por
diante. Com relação à tarefa, o professor questiona se não está muito difícil ou fácil para elas ou
se os equipamentos são apropriados.
Ao explicar como a aprendizagem acontece, o professor expõe que ela não é linear e que em
determinados momentos podemos apresentar uma melhora do desempenho pequena, e isso é
normal. Ainda, a prática permite um melhor tempo de reação para responder aos estímulos e
uma melhor tomada de decisão de qual movimento realizar. As alunas se tornam mais atentas e
precisas.
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PSICOMOTRICIDADE
O professor sugere que Thiago repense como ele está estruturando as sessões de prática das
meninas; talvez o método esteja incorreto, o que pode estar afetando a aprendizagem.
Aconselhou a pesquisar mais sobre o feedback, pois pode estar sendo realizado de maneira
errada, o que pode estar prejudicando as meninas.    
A seguir, con�ra uma síntese desta unidade.
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PSICOMOTRICIDADE
Para ensinar habilidades motoras, sejam elas esportivas ou tarefas do nosso dia a dia, é
importante compreender os aspectos básicos da aprendizagem, conhecendo os fatores que
interferem na aprendizagem, como aprendemos a controlar os movimentos, o que acontece com
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
o nosso comportamento motor com a prática e como organizamos essa prática para que a
aprendizagem seja e�ciente. 
 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C.; GOODWAY, J. D. Compreendendo o desenvolvimento motor:
bebês, crianças, adolescente e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
SCHMIDT, R.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da
aprendizagem baseada na situação 5. ed. Porto Alegre: Grupo A, 2016.
TANI, G. et al. Pesquisa na área de comportamento motor: modelos teóricos, modelos de
investigação, instrumentos de análise, desa�os, tendências e perspectivas. Revista da Educação
Física/UEM, v. 21; n. 12, p. 229-380, 2010. 
,
Unidade 3
Aspectos da Psicomotricidade
Aula 1
Introdução à Psicomotricidade
Introdução à psicomotricidade
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Dica para você
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula, você aprenderá sobre o processo histórico desde o surgimento da
psicomotricidade no mundo até sua chegada ao Brasil. Além disso, você compreenderá o que é
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psicomotricidade e a sua integração física, mental e emocional. Por �m, você conhecerá as áreas
de atuação em psicomotricidade.
Esta aula é muito importante para a sua formação pro�ssional, pois trará os fundamentos
básicos da psicomotricidade e as possíveis áreas de atuação.
Prepare-se para construir o seu conhecimento sobre a psicomotricidade. Vamos lá!
Ponto de Partida
A psicomotricidade está relacionada aos aspectos cognitivos e motores do ser humano, o que
pode in�uenciar diretamente em sua aprendizagem. Compreender os processos históricos da
psicomotricidade no mundo e no Brasil e conhecer os conceitos fundamentais faz toda a
diferença quando buscamos o desenvolvimento do ser humano de forma integral. Diante disso,
nesta aula você se aprofundará no surgimento da psicomotricidade e compreenderá o que é
psicomotricidade e os aspectos envolvidos nela. Além disso, você conhecerá as possíveis áreas
de atuação da psicomotricidade.
Para atingirmos o objetivo desta aula, seguimos com uma situação hipotética que irá lhe ajudar
na compreensão. Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de
Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os
professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e
propõem um bate-papo para convencê-la a manter as aulas. A diretora aceita o bate-papo, e você
e os professores se reúnem para decidir como ele será. Você se voluntaria a falar sobre a
psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode
trabalhar com a psicomotricidade. Para preparar o bate-papo, você decide utilizar três perguntas
norteadoras: como se deu o surgimento da psicomotricidade no Brasil e no mundo? O que é
psicomotricidade? Quais as áreas de atuação da psicomotricidade?
Responder a essas perguntas é o primeiro passo para compreender o tema da psicomotricidade
e conseguir aprofundar seu conhecimento.   
Vamos Começar!
A psicomotricidade é uma área de estudo e de atuação que envolve diversos aspectos do ser
humano. Para compreender mais a fundo, vamos iniciar nosso aprendizado abordando o
processo histórico da psicomotricidade no mundo e no Brasil.
Epistemologia e evolução histórica no mundo e no Brasil
A história da psicomotricidade começou em 1870, quando os médicos neurologistas Fritsch e
Hitzig estudavam o córtex cerebral e sentiram a necessidade de nomear uma zona pouco
esclarecida. Eles observavam que, nesta zona, havia uma atividade misteriosa que consistia na
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junção entre a imagem mental e o movimento, e, a partir daí, a palavra psicomotricidade foi
adicionada em seus discursos (Gusi, 2020).
Assim, a neuro�siologia identi�cou aspectos de alterações patológicas e disfunções que
surgiam em um determinado paciente, no qual não se conseguia identi�car nenhum aspecto
patológico em região central que possuísse relação direta, ou mesmo indireta, com os sinais e
sintomas apresentados. Isso gerou um grande questionamento, e o conceito de
psicomotricidade auxiliou na explicação de alterações e disfunções patológicas no
desenvolvimento da aprendizagem motora e controle motor sem lesões em regiões motoras
centrais.
Ainda que o termo psicomotricidade tenha sido empregado, este ainda não constituía, de fato,
uma ciência completa. Em 1907, Edouard Dupré começou a perceber que nem sempre as
incapacidades motoras estavam relacionadas a um atraso mental. Mas foi em 1925 que Henri
Wallon apresentou uma relação existente entre o movimento e a afetividade, as sensações, a
emoção, os costumes e o meio em que a criança está inserida. Pouco tempo depois, em 1935,
Edouard Guilmain apresentou a reeducação psicomotora com modelos de exercícios para suprir
as demandas mal reguladas na infância (Gusi, 2020).
Em 1947, Julian de Ajuriaguerra trouxe à tona um grande marco para a psicomotricidade ao
a�rmar que os transtornos psicomotores podem oscilar entre o neurológico e o psiquiátrico, o
que fez com que muitos psicomotricistas da área buscassem em estudos da psicanálise as
respostas às atuações das vivências emocionais (Gusi, 2020).
Na Europa, entre 1960 e 1970, as pesquisas buscavam estudar as relações entre a pessoa como
um todo, desde as suas sensações corporais até a sua interação com o meio, fazendo com que
as práticas psicomotoras ganhassem novos formatos, levando ao fortalecimento de uma
postura mais relacional à prática. Entre esse período, em Portugal, os psicanalistas João dos
Santos e Margarida Mendo preconizaram a psicomotricidade realizando os primeiros testes
motores no Centro de Saúde Mental de Lisboa (Gusi, 2020).
No Brasil, a chegada da psicomotricidade é datada a partir de 1950. No ano de 1955, na cidade
de Porto Alegre, a pro�ssional de psicologia Dra. Rosat, diretora do centro de Educação do
Estado, concluiu a criação do serviço de Educação Especial, em que a atenção dada às crianças
especiais possuía um forte aspecto psicomotor, levando em consideração os fatores cognitivos,
emocionais e afetivos, formadores de caráter, relacionando-os ao desenvolvimento motor,
acreditando em uma via de mão dupla, em que um auxilia o outro.
Em 1968, no estado de Minas Gerais, a psicologia deu força ao estudo da psicomotricidade
criando o instituto de psicopedagogia, em que o grande diferencial era a visão da
psicomotricidade incluída no diagnóstico psicomotor da criança. Nesse mesmo ano, um grande
nome surgiu na área da psicomotricidade, Simone Ramain, propondo o método Ramain, sendo a
primeira proposta conhecida de formação integral em psicomotricidade no Brasil. Também no
ano de 1968, os pro�ssionais da fonoaudiologia incluíram na formação pro�ssional os aspectos
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psicomotores. A partir desse ano, muitos foram os pro�ssionais que buscaram formação
especí�ca e especializações em psicomotricidade fora do Brasil. Em 19 de abril de 1980, a
Sociedade Brasileira de Psicomotricidade foi fundada e, em 1982, aconteceu o 1º Congresso
Brasileiro de Psicomotricidade.  
Conceitos fundamentais em psicomotricidade
Psicomotricidade é composta pela palavra “psico”, referente as áreas cognitiva e emocional, e
pela palavra “motricidade”, referente aos aspectos motores e físicos. Assim, a junção dessas
duas palavras signi�ca o mecanismo do corpo e suas ações se tornarem veículos pelo qual a
pessoa se move, se relaciona e sente. O conceito de psicomotricidade pode ser entendido como
uma ferramenta que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas,
emocionais e sociais. Assim, podemos dizer que a psicomotricidade integra as interações
cognitivas, emocionais, simbólicas e físicas na capacidade do indivíduo de ser e agir em um
contexto social (Denche-Zamorano et al., 2022).
Com isso, devido essa integração entre os aspectos cognitivos, emocionais, físicos e sociais, a
psicomotricidade integra diferentes áreas, tais como: comunicação e expressão, equilíbrio,
percepção, coordenação, respiração, esquema corporal, imagem corporal, lateralidade e
organização espaço-temporal.
A psicomotricidade tem como objetivo integrar a percepção ao movimento, melhorando e
normalizando o comportamento geral do indivíduo. As atividades que envolvem a
psicomotricidade são indicadas para todas as pessoas com inteligência normal, com ou sem
problemas psicomotores; pessoas com de�ciência e pessoas com distúrbios de voz, de fala, de
linguagem e aprendizagens isoladas ou associadas. Além disso, a psicomotricidade pode ajudar
na coerência da linguagem gestual da criança,o encéfalo quanto a medula espinhal possuem nervos que conectam o sistema nervoso a
pontos mais distantes do corpo. Por estarem localizados na periferia do corpo, estes nervos
fazem parte do sistema nervoso periférico. Falaremos mais sobre este sistema a seguir.
Sistema nervoso periférico
O sistema nervoso periférico é formado pelos gânglios e pelos nervos. Os gânglios são
agrupamentos de corpos celulares de neurônios localizados fora do SNC. Já os nervos são
responsáveis por levar informações para o sistema nervoso ou para os músculos e glândulas.
Por exemplo: vamos imaginar que você deseja pegar um copo de água para levar até a sua boca
e tomar. Uma informação é enviada ao cérebro pelos nervos (o que chamamos via aferente), o
cérebro processa essa informação e envia os comandos aos músculos pelos nervos para que
essa ação aconteça (o que chamamos de via eferente) (Mourão Júnior, 2021; Fox, 2007).
Assim, quando os nervos são provenientes do encéfalo, são chamados de nervos cranianos e,
quando são provenientes da medula espinhal, são chamados de nervos espinhais. Existem 12
pares de nervos cranianos, compostos em sua maioria por �bras sensitivas e motoras, sendo
considerados mistos. Isso quer dizer que estes nervos levam informações do SNC e trazem para
o SNC também. Já os nervos espinhais compreendem 31 pares agrupados ao longo da coluna
vertebral, e cada nervo é composto por �bras sensitivas e motoras, sendo também considerados
mistos (Fox, 2007).
Agora que você já conhece as estruturas e funções do sistema nervoso, é preciso conhecer as
células que formam esse sistema. Basicamente, o sistema nervoso é formado por dois tipos de
células; são elas: os neurônios e as células de sustentação, que também são chamadas de
células da glia ou neuroglia.
 
 
Siga em Frente...
Neurônios
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APRENDIZAGEM MOTORA E
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O sistema nervoso possui uma rede de bilhões ou trilhões de células nervosas conectadas umas
às outras de maneira muito organizada, formando um sistema rápido de controle do corpo.
Essas células nervosas são chamadas de neurônios. Esses neurônios são capazes de conduzir
rapidamente impulsos elétricos entre si, liberando neurotransmissores que geram a
comunicação entre as células vizinhas. A estrutura celular do neurônio é única, formada pelo
axônio (que conduz informação de saída), dendritos (que recebem sinais de entrada) e o corpo
celular (em que o núcleo se encontra) (Figura 4). Dessa maneira, um neurônio está conectado a
outro, passando as informações para que as ações aconteçam. Assim, o neurônio recebe a
informação pelos dendritos e passa para outro neurônio por meio do axônio (Silverthorn, 2017). 
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PSICOMOTRICIDADE
Figura 4 | Estrutura do neurônio. Fonte: adaptada de Freepik.
Existem diferentes tipos de con�gurações de neurônios com relação ao posicionamento dos
axônios, dendritos e corpo celulares, como demonstrado na Figura 5.
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Figura 5 | As diferentes con�gurações dos neurônios. Fonte: Shutterstock. 
Os neurônios podem ser classi�cados como: neurônios sensoriais (aferentes), neurônios
motores (eferentes) e interneurônios (Silverthorn, 2017). As funções de cada tipo de neurônio
são apresentadas na Tabela 1.
Tipo de neurônio Função
Sensitivo ou aferente Conduzem informações sobre luz, pressão,
temperatura e outros estímulos dos receptores
sensoriais para o SNC.
Motor ou eferente Conduzem informações do SNC para o
músculo ou glândulas.
Interneurônio Localizados apenas dentro do SNC. Sua forma
permite a comunicação com muitos
neurônios.
Tabela 1 | Tipos de neurônios e suas funções
Células de sustentação
As células da glia ou células de sustentação têm a função de dar suporte aos neurônios. Elas
não participam diretamente da transmissão de sinais elétricos, no entanto, sua comunicação
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com os neurônios permite um importante suporte físico e bioquímico a eles (Silverthorn, 2017).
Existem seis categorias de células de sustentação, que são: células de Schwann, células
satélites, oligodendrócitos, micróglias, astrócitos e células ependimais. Dentre essas, duas
merecem destaque: as células de Schwann e os oligodendrócitos. Essas duas células participam
da formação da bainha de mielina nos nervos periféricos e nos neurônios do SNC,
respectivamente. A bainha de mielina (Figura 4) é uma substância localizada no axônio do
neurônio, composta por várias camadas concêntricas de fosfolipídeos de membrana que têm
como funções fornecer suporte aos neurônios, atuar como isolante em torno dos axônios e
acelerar a transmissão dos sinais nervosos (Fox, 2007; Silverthorn, 2017).
As bainhas de mielina contribuem para a coloração das áreas do SNC. Dessa maneira, as áreas
que apresentam maior concentração de axônio são brancas (chamada de substância branca),
devido à presença das bainhas de mielina. Já as áreas com altas concentrações de dendritos e
corpos celulares, que não possuem bainha de mielina, são cinzentas (chamadas de substância
cinzenta) (Fox, 2007).
Curiosidade
Você já ouviu falar de uma doença chamada esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença degenerativa crônica que destrói progressivamente a
bainha de mielina, afetando o funcionamento do SNC. Essa destruição das bainhas de mielina
impede a condução normal dos sinais nervosos, acarretando uma perda progressiva das
funções. Sua causa não é totalmente conhecida, mas acredita-se que haja uma predisposição
genética combinada a um ataque imune contra os oligodendrócitos e a mielina.
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Figura 6 | Bainha de mielina dani�cada. Fonte: adaptada de Freepik.
 
 
Vamos Exercitar?
Voltamos a nossa situação do início da aula. Assim como acontecerá com você em breve,
Mariana irá iniciar sua atuação pro�ssional na área da Educação Física. No caso de Mariana, ela
irá ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes. Ao buscar mais conhecimento
sobre aprendizagem motora e psicomotricidade, Mariana percebe que precisa estudar mais a
fundo os sistemas envolvidos no movimento humano. No início de seus estudos surgem os
seguintes questionamentos: quais são as estruturas que compreendem o sistema nervoso?
Como elas estão relacionadas com o movimento humano? Qual o funcionamento das células
nervosas?
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O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central, que compreende o encéfalo e a
medula espinhal, e o sistema nervoso periférico, que compreende os nervos. O encéfalo
compreende o cérebro, cerebelo e tronco encefálico. Além disso, o sistema nervoso conta com
um conjunto de células nervosas conectadas entre si denominadas neurônios. Esses neurônios
enviam sinais nervosos que podem iniciar na pele, por exemplo, chegar até o encéfalo e depois
voltar para o músculo em forma de movimento. Dessa maneira, para que haja o movimento, o
cérebro envia sinais para o músculo por meio dos neurônios para que ocorra a contração
muscular.  
Saiba mais
Para aprofundar mais seu conhecimento sobre as estruturas do sistema nervoso e sua
localização, sugerimos a leitura dos Capítulos 7 e 8 do livro encontrado na sua biblioteca digital:
TANK, P. W; GEST, T. R. Atlas de anatomia humana. Porto Alegre: Artmed, 2009.
Já no Capítulo 5 do livro de Lauralee Sherwood, você poderá se aprofundar no funcionamento do
sistema nervoso e suas propriedades. Disponível na sua biblioteca digital em:
SHERWOOD, L. Fisiologia Humana: das células aos sistemas. São Paulo: Cengage Learning,
2011.
O artigo de Michele Aparecida Cerqueira Rodrigues traz contribuições do sistema nervoso central
no processo de aprendizagem. Esse texto pode te ajudar a compreender mais a fundo a
importância do sistema nervoso para o processo de aprendizagem. Disponível em:
RODRIGUES, M. A. C. Contribuições do sistema nervoso central no processo de aprendizagem.
Cognitionis Scienti�c Journal, v. 5, n. 2, semestrecom as linguagens oral e escrita, o que tem
grande importância no período pré-escolar, auxiliando no processo de alfabetização.
Siga em Frente...
Áreas de atuação da psicomotricidade
A psicomotricidade é uma ciência de abordagem multidisciplinar. Você pode analisar que, ao
segregar as informações, diferentes pro�ssões podecontribuir de modo diferente para a
evolução psicomotora, porém, nenhuma pode contribuir de modo integral, uma vez que cada uma
possui a visão com um enfoque diferenciado, sendo que apenas conjuntamente o ser humano
pode ser tratado de modo psicomotor com totalidade.
Dentro da evolução motora, você pode perceber que pro�ssionais como o pedagogo e o
professor podem ser os primeiros a identi�car as alterações na evolução psicomotora, e assim
alertar os familiares e outros pro�ssionais, como o de Educação Física, o psicopedagogo, o
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�sioterapeuta e o fonoaudiólogo. Estes, podem identi�car alterações a partir de um ponto de
vista diferenciado e propor tratamentos, terapias e reabilitações para o paciente.
Com o enfoque voltado aos aspectos cognitivos, podemos citar o psicólogo e o psiquiatra, que
podem in�uenciar diretamente tanto no diagnóstico quanto no tratamento, de um modo
diferenciado dos pro�ssionais antes aqui citados. Você pode perceber que o ideal é que o
paciente visite todos esses pro�ssionais para ser avaliado de modo global, contemplando assim
as suas reais necessidades.
Como área de atuação da psicomotricidade, temos três diferentes abordagens: a terapia
psicomotora, a educação psicomotora e a reeducação psicomotora. A terapia psicomotora é
destinada às pessoas com desenvolvimento típico ou atípico que apresentam di�culdades de
comunicação, expressão corporal e vivência simbólica. O atendimento é individualizado em
clínicas, hospital psiquiátrico, grupos de ajuda psicopedagógica e centro médico pedagógico. Já
a educação psicomotora é uma técnica que utiliza de exercícios e brincadeiras apropriados para
a idade voltados ao desenvolvimento global da criança, focando nas potencialidades de cada
uma, sendo necessário alcançar três metas: aquisição de domínio corporal (de�nindo a
lateralidade, a orientação espaço-temporal, desenvolvimento da coordenação motora, o equilíbrio
e a �exibilidade); controle da inibição voluntária (melhorando o nível de abstração e
concentração); e desenvolvimento socioafetivo (reforçando as atitudes de lealdade,
companheirismo e solidariedade). Essas atividades podem ser realizadas em espaços próprios
para o desenvolvimento psicomotor ou em escolas. Assim, caso a criança apresente di�culdades
que estejam afetando negativamente sua vida, uma reeducação psicomotora é indicada.
Ao envolver os aspectos cognitivos, afetivos, emocionais, sociais e simbólicos que in�uenciam
as ações do ser humano, a psicomotricidade se torna uma área de atuação entre várias
disciplinas e pro�ssões, em que o indivíduo deve ser olhado de maneira global e completa.  
Vamos Exercitar?
Voltando a nossa situação do início da aula, você trabalha em uma escola, e a diretora quer
diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e retirar da grade da Educação
Infantil. Você e os outros professores não concordam e propõem um bate-papo com a diretora
para convencê-la a mudar de ideia, o que ela aceita prontamente. Você se voluntaria a falar sobre
a psicomotricidade e vai embasar a sua narrativa em três perguntas norteadoras: como se deu o
surgimento da psicomotricidade no Brasil e no mundo? O que é psicomotricidade? Quais as
áreas de atuação da psicomotricidade?
A psicomotricidade surgiu por volta de 1870 quando neurologistas buscavam explicar uma
atividade misteriosa que consistia na junção entre a imagem mental e o movimento; assim,
surgiu a palavra psicomotricidade. Na Europa, a partir de 1907 alguns pesquisadores perceberam
uma relação existente entre o movimento e a afetividade, as sensações, a emoção, os costumes
e o meio em que a criança está inserida, e que alguns aspectos da psicomotricidade não
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estavam relacionados com o mau funcionamento do sistema nervoso. Assim, várias pesquisas
foram desenvolvidas até chegar ao Brasil e, em 1982, foi fundada a Sociedade Brasileira de
Psicomotricidade.
Psicomotricidade é uma ferramenta que busca promover o bom desenvolvimento de habilidades
motoras, cognitivas, emocionais e sociais. As possíveis atuações são nas escolas, clínicas e
hospitais, buscando adentrar três áreas: a terapia psicomotora; a educação psicomotora e a
reeducação psicomotora.
Saiba mais
Quer aprofundar ainda mais seus conhecimentos?
O Capítulo 2 do livro Transtorno psicomotor e aprendizagem, de Rachel de Carvalho Ferreira,
disponível na sua biblioteca digital, contém muita informação interessante. Além disso, o livro
Psicomotricidade relacional: conhecendo o método e a prática do psicomotricista, de Elisângela
Gonçalvez Branco Gusi, disponível em sua biblioteca virtual, tem um ótimo aprofundamento no
processo histórico da psicomotricidade no Brasil e no mundo. 
 
 
Referências
DENCHE-ZAMORANO, A. et al. Bibliometric analysis of psychomotricity research trends: the
current role of childhood. Children, v. 9, n. 12, 2022. 
FERREIRA, R. F. A importância do conhecimento em psicomotricidade para educadores em suas
diversas áreas de atuação. Tópicos especiais em ciências da saúde: teoria, métodos e práticas, v.
4, p. 365-383, 2018.
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional: conhecendo o método e a prática do psicomotricista.
Curitiba: Contentus, 2020.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650063/pageid/0
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/186733/pdf/0?code=m7fz2AVZtly5Bp/OZUJB905WBUaZV4qzNuNNyzasewkkfaoLt6BaMbm9QzNH9T2VETAg0EN9DqVCXpI97l96nw==
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Aula 2
O Desenvolvimento Psicomotor
O desenvolvimento psicomotor
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula, você verá como acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida,
aprofundando em seus fundamentos, compreendendo as fases e a ação pro�ssional
multidisciplinar.
Esta etapa da disciplina é importante para a sua formação, pois traz conhecimentos acerca da
criança e do seu desenvolvimento. E, ao compreender as fases desse desenvolvimento, você
poderá elaborar e adequar suas intervenções. Além do mais, compreender a
multidisciplinaridade da psicomotricidade faz com que você entenda que o trabalho é mediado
por diversos pro�ssionais, sempre em busca da evolução do ser humano como um todo.
Prepare-se para se aprofundar mais nos aspectos referentes ao desenvolvimento psicomotor.
Ponto de Partida
Chegou o momento de você se aprofundar nos fundamentos e fases do desenvolvimento
psicomotor. Você já viu que a psicomotricidade envolve os aspectos relacionados ao movimento,
às emoções e à cognição. A partir disso, é importante compreender como acontece o
desenvolvimento desses aspectos ao longo da vida, para, assim, podermos avaliar, identi�car e
intervir de maneira adequada. Para isso, nesta aula você verá os fundamentos do
desenvolvimento psicomotor, as fases do desenvolvimento psicomotor e a psicomotricidade
como uma atuação multidisciplinar.
Para isso, vamos a uma situação que te ajudará a compreender a aplicação deste conteúdo.
Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do
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Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professoresde Educação
Física e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para
convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre
psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode
trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo, mas ainda não se sentiu
convencida e pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um próximo bate-papo,
que ela agendaria para a próxima semana. Assim, para o próximo bate-papo você achou
importante falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de
uma atuação multidisciplinar. Para preparar esse bate-papo, você seguiu três perguntas
norteadoras: como acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida? As fases do
desenvolvimento humano possuem características especí�cas? Como se dá a atuação
multidisciplinar na psicomotricidade?
Ao nos aprofundarmos mais nos assuntos da psicomotricidade, vamos �cando cada vez mais
próximos de uma intervenção de qualidade.    
Vamos Começar!
A psicomotricidade envolve elementos relacionados ao movimento, à cognição e às emoções,
reunidos em conjunto para determinar como uma pessoa interage no mundo. Assim, a
psicomotricidade não acontece de uma hora para outra; ela é fruto de um desenvolvimento que
ocorre ao longo da vida, com períodos críticos na infância, na adolescência e no envelhecimento.
A esse processo em busca do desempenho psicomotor, chamamos de desenvolvimento
psicomotor.
Fundamentos do desenvolvimento psicomotor
O desenvolvimento psicomotor é sobre como o corpo e suas partes se desenvolvem em seu
funcionamento ao longo da vida. É através dele que a criança transcende a fragilidade da
primeira infância, emergindo como um ser autônomo e independente, desvinculado da
assistência externa (Pereira, 2018).
Existe uma forte ligação entre as habilidades motoras e as emoções. Como alguém usa o corpo
re�ete seus sentimentos em relação a coisas ou pessoas. Através de atividades e terapias
motoras, podemos ajudar as crianças a melhorarem suas interações sociais e emocionais,
levando-as a entenderem melhor seus corpos e a aprenderem gestos apropriados para diferentes
situações da vida (Pereira, 2018).
O desenvolvimento da criança acontece de forma contínua, sendo que, ao nascer, a criança
possui movimentos re�exos característicos que desaparecem ou evoluem até chegar a
movimentos mais re�nados e precisos. Além disso, ocorre uma integração entre precisão,
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rapidez e força muscular, que se traduz na necessidade de a criança ter um bom
desenvolvimento motor para que tenha uma boa evolução motora (Pereira, 2018).
O desenvolvimento é individualizado, ou seja, apesar de o desenvolvimento ser universal e
relacionado à idade, cada criança é única, pois apresenta diferenças de personalidade, de
capacidades físicas, de vivências e de ambientes familiares. Nota-se, também, que o
desenvolvimento motor passa por uma série de fases e estágios relacionados ao seu processo
maturacional e às vivências alcançadas por meio de experiências e práticas (Pereira, 2018).
Além disso, podemos dizer que o desenvolvimento motor ocorre sempre em um mesmo sentido,
sendo céfalo-caudal e próximo-distal. Céfalo-caudal é o desenvolvimento que se inicia na cabeça
e gradativamente descende ao resto do corpo até chegar aos pés. Por exemplo: um bebê
primeiro tem controle da cabeça, depois do pescoço, posteriormente do tronco, para então
conseguir se sentar. Assim, vem o controle das pernas, que permite primeiro engatinhar e depois
andar. Ainda, o desenvolvimento pode ser próximo-distal, ou seja, primeiro controla-se o centro e
depois as extremidades. Por exemplo, o bebê controla o tronco primeiro, depois braços, o que
permite movimentos mais amplos, e, por �m, ocorre o controle dos dedos, para realização de
habilidades motoras �nas (Pereira, 2018).
Sendo assim, três conhecimentos básicos sustentam a psicomotricidade: o movimento, o
intelecto e o afeto. Ou seja, a psicomotricidade é suportada por três pilares: o emocional (querer
fazer), comandado pelo sistema límbico; o motor (poder fazer), comandado pelo sistema
reticular, e o cognitivo (saber fazer), comandado pelo córtex cerebral. Assim, é importante que
haja um equilíbrio entre esses três pilares, caso contrário, uma desestruturação na aprendizagem
pode acontecer.
Siga em Frente...
Fases do desenvolvimento psicomotor
As fases do desenvolvimento psicomotor são abordadas por diferentes autores e de diferentes
formas, cada um trazendo uma nomenclatura diferenciada. No entanto, a de�nição das fases
acontece na tentativa de identi�car padrões no desenvolvimento da criança. Nesta disciplina
vamos adotar a classi�cação das fases de Jean Piaget.
Piaget possui a formação básica de biólogo e dedicou seus primeiros estudos a essa área,
porém, logo se interessou por sociologia, �loso�a e até mesmo por política. Em sua íntima
relação com a psicomotricidade, estudou o modo como a inteligência contribui integralmente
para a relação do ser humano em seu íntimo com o ambiente externo. Assim, as fases do
desenvolvimento psicomotor de Piaget são:
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Sensório-motor – do nascimento até 2 anos de idade. Período em que os diferentes
movimentos re�exos presentes ao nascimento e que contribuíam para distintas respostas
automáticas foram substituídos, e a partir da maturação do sistema nervoso central tais
respostas são conscientes e não mais autônomas. Recebe esse nome devido ao fato de os
processos evolutivos estarem vinculados às sensações em relação às questões motoras,
em que a exploração do mundo se relaciona com o momento e os elementos presentes no
espaço ao redor da criança, sem que ela possua a percepção de permanência. A evolução
do conceito de permanência segue concomitante aos conceitos de: temporalidade e causa
e efeito.
Pré-operacional – dos 2 aos 7 anos. Seu início está relacionado ao domínio de uma nova
modalidade de comunicação, a fala. As ações da criança são compreendidas por ela e
analisadas, porém dominadas por um pensamento concreto, rígido e limitado. Tal
pensamento limitado é traduzido por Piaget como raciocínio transdutivo, em que, muitas
vezes, dois fatos que não possuem ligação acabam sendo erroneamente relacionados. Tal
período é ainda marcado pelo egocentrismo, quando a descoberta do “eu” ganha uma
proporção elevada, sendo que apenas após alguns anos podemos perceber que a
brincadeira nas escolas, por exemplo, passa de individual para cooperativa. Outro marco
dessa etapa está na confusão entre a realidade e a fantasia, percebida quando as crianças
brincam com um objeto, por exemplo, sendo capazes de transformar uma caixa de papelão
em uma nave espacial. O elemento identi�cado como principal característica por Piaget é
denominado animismo, que seria a ideia que consiste em dar alma ou sentimentos a
coisas e objetos inanimados.
Operações concretas – dos 7 aos 11 anos. Nessa etapa a noção espacial e de lateralidade
é propriamente de�nida, estando também caracterizada pela fase de operação sobre os
objetos. São de�nidas também questões quanto ao futuro e ao passado, momento em que
a questão temporal é conceituada. Em questões pedagógicas, os fatores numéricos
ganham grande proporção e são percebidos integralmente quando aprendem conceitos de
soma, subtração e outros fundamentos da matemática. Você pode perceber que a criança
nessa etapa ainda cria brincadeiras de fantasia, porém, esse “faz de conta” possui uma
diferença signi�cativa em relação à fase anterior, quando a fantasia era confundida com a
realidade. Essa fase de pensamento Piaget chamou de reversibilidade.
Operações formais – a partir dos 12 anos. A fase que se inicia a partir dos doze anos de
idade é marcada pelo potencial adquirido de tornar as situações hipotéticas, logo, o
raciocínio ganha um grande poder hipotético-dedutivo. A inteligência nessa etapa se
conceitua pelo poder de solucionarproblemas de forma sistemática, utilizando
assimilações de alta complexidade.
Contudo, conforme vamos envelhecendo, entramos em uma fase de involução psicomotora, ou
seja, fase de perdas psicomotoras devido ao envelhecimento, conhecida como retrogênese
psicomotora. Assim, diversos fatores como estilo de vida saudável (alimentação e exercício
físico), depressão, solidão, satisfação com a vida, vivências familiares e assim por diante podem
afetar positiva ou negativamente a psicomotricidade na vida adulta e no processo de
envelhecimento (Fonseca, 1998).
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Compreender sobre as fases facilita o entendimento do que a criança é capaz de fazer, o que é
capaz de aprender e se tem algum atraso com relação a outras crianças da mesma idade.
A psicomotricidade como uma abordagem multidisciplinar
Ao longo da sua história no Brasil e no mundo, a psicomotricidade foi ganhando autonomia
como uma ciência desvinculada de uma pro�ssão única. Além disso, diferentes pro�ssionais
voltaram suas atenções à psicomotricidade e, assim, aderiram a terapias, diagnósticos,
tratamentos e até disciplinas em cursos de formação, tanto de pós-graduação como de
graduação.
Como já abordado anteriormente, a psicomotricidade é uma ciência multidisciplinar que engloba
todos os pro�ssionais envolvidos com o movimento, com as relações sociais, afetivas e
emocionais e com os aspectos cognitivos. Assim, a atuação na área da psicomotricidade pode
acontecer por parte dos pedagogos, professores de Educação Física, assim como professores
de outras disciplinas. A atuação acontece na percepção de sinais que demonstrem algum atraso
ou transtorno, no trabalho junto aos pais e na intervenção.
Além disso, a psicomotricidade pode ser trabalhada em clínicas que atendem crianças com
desenvolvimento motor típico, porém com di�culdades, e crianças com desenvolvimento motor
atípico, com presença de transtornos. Assim, esse trabalho pode ser feito por pro�ssionais de
Educação Física, �sioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, psicopedagogos, médicos
e fonoaudiólogos. Existe a possibilidade da intervenção em hospitais e clínicas psiquiátricas
também.
Pela psicomotricidade envolver os aspectos do movimento, da cognição e das emoções, que
podem afetar os aspectos motores, a fala, a escrita, a vida social e a aprendizagem, seria ideal
um trabalho em conjunto com os diversos pro�ssionais em suas especialidades na identi�cação
de sinais e no tratamento e intervenção. 
Vamos Exercitar?
Voltamos à situação-problema do início da aula.
Você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física
das crianças, mas os professores e pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e
propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e
você deu uma aula sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos
básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo e pediu
para que você se aprofundasse mais no assunto em um próximo bate-papo, que ela agendaria
para a próxima semana. Assim, para o próximo bate-papo você achou importante falar do
desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma atuação
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multidisciplinar. Para preparar esse bate-papo, você seguiu três perguntas norteadoras: como
acontece o desenvolvimento psicomotor ao longo da vida? As fases do desenvolvimento
humano possuem características especí�cas? Como se dá a atuação multidisciplinar na
psicomotricidade?
O desenvolvimento psicomotor está intimamente relacionado ao desenvolvimento humano.
Assim, ele acontece em uma direção céfalo-caudal e próximo-distal e está relacionado com a
idade. Piaget traz o desenvolvimento em quatro fases: sensório-motora, pré-operacional,
operações concretas e operações formais. A avaliação, identi�cação de transtornos ou
anormalidades e a intervenção exigem uma atuação multidisciplinar, que envolve professores de
Educação Física, pedagogos, médicos, terapeutas ocupacionais, �sioterapeutas, fonoaudiólogos
e psicólogos, cada um trabalhando na sua área em busca da resolução de um mesmo problema.
Saiba mais
Que tal nos aprofundarmos mais no tema do desenvolvimento psicomotor?
Sugerimos a leitura dos artigos a seguir:
Considerações sobre a psicomotricidade na educação infantil, de Francieli Santos Rossi.
Psicomotricidade: um recurso envolvente na psicopedagogia para a aprendizagem, de
Juliane Caron.
Educação física escolar no desenvolvimento da psicomotricidade, de Henrique Martins et
al. 
 
 
 
Referências
CARON, J. Psicomotricidade: um recurso envolvente na psicopedagogia para a aprendizagem.
REI: Revista de Educação do IDEAU, v. 5, n. 10, jan.-jun. 2010. Disponível em:
https://www.bage.ideau.com.br/wp-
content/�les_mf/e4009326097b8ed3a056965fe86fc942208_1.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024.
FONSECA, V. da. Psicomotricidade: �logênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1998.
http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Considera%C3%A7%C3%B5es-sobre-a-Psicomotricidade-na-Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf
https://www.bage.ideau.com.br/wp-content/files_mf/e4009326097b8ed3a056965fe86fc942208_1.pdf
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/17982/15557
https://www.bage.ideau.com.br/wp-content/files_mf/e4009326097b8ed3a056965fe86fc942208_1.pdf
https://www.bage.ideau.com.br/wp-content/files_mf/e4009326097b8ed3a056965fe86fc942208_1.pdf
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020 
MARTINS, H. M. et al. Educação Física escolar no desenvolvimento da psicomotricidade.
Research, Society and Development, v. 10, n. 8, 2021. Disponível em:
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/17982. Acesso em: 28 mar. 2024.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.
ROSSI, F. S. Considerações sobre a psicomotricidade na educação infantil. Revista Vozes dos
Vales da UFVJM, MG, n. 1, Ano 1, maio 2012. Disponível em:
http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/�les/2011/09/Considera%C3%A7%C3%B5es-
sobre-a-Psicomotricidade-na-Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf. Acesso em: 28 mar. 2024.
Aula 3
Teorias da Psicomotricidade
Teorias da psicomotricidade
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Dica para você
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Olá, estudante,
Nesta videoaula você irá se aprofundar nas teorias da psicomotricidade. Você irá conhecer os
teóricos mais in�uentes que estudaram o movimento a partir das emoções e da cognição. Cada
um desses teóricos contribuiu ricamente para a psicomotricidade, explicando os processos
envolvidos nela.
Todo esse conteúdo é muito importante para a sua formação, pois lhe trará processos históricos
do surgimento das teorias e as principais características de cada teórico, facilitando a
compreensão dos aspectos relacionados à psicomotricidade.
Prepare-se para aprender ainda mais sobre a psicomotricidade.
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/17982
http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Considera%C3%A7%C3%B5es-sobre-a-Psicomotricidade-na-Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf
http://site.ufvjm.edu.br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Considera%C3%A7%C3%B5es-sobre-a-Psicomotricidade-na-Educa%C3%A7%C3%A3o-Infantil.pdf
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Ponto de Partida
A psicomotricidade surgiu de um processo histórico na tentativa de compreender o movimento
por meio das emoções, do pensamento, do raciocínio e dos aspectos cognitivos envolvidos.
Compreender sobre os teóricos que buscaram explicar a psicomotricidadenos faz entender o
seu porquê e pensar na ação a partir do que motivou sua evolução.
Para explicarmos a aula de hoje, vamos à seguinte situação. Você trabalha em uma escola
estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e
tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não
concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la a manter as
aulas. A diretora aceita o bate-papo e você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade e seus
fundamentos. O primeiro bate-papo gerou interesse na diretora, que solicitou uma nova conversa.
Você decide então falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a
importância de uma atuação multidisciplinar. No �nal da segunda conversa, a diretora pergunta
quem são os teóricos envolvidos com a psicomotricidade e como eles abordam a ideia de corpo,
psicomotricidade e signi�cação. Você diz que os nomes são diversos e sugere mais um bate-
papo para um outro dia. Ela aceita.
E então, como você poderia levar essas informações para a diretora? 
Vamos Começar!
Desenvolvimento da psicomotricidade segundo as teorias
psicogenéticas
A psicogenética é uma área de estudo que busca entender o desenvolvimento das funções da
mente, em que a evolução pode explicar ou oferecer informações complementares para
encontrar respostas para aspectos psicológicos gerais. Dessa maneira, a teoria psicogenética
está relacionada ao conhecimento e à aprendizagem, que contribuem tanto para a psicologia
quanto para a educação. Sendo assim, essas teorias colaboram para um olhar para o indivíduo
como um todo e seu relacionamento com o ambiente.
A teoria da psicogenética tem como objeto de estudo o ser humano, suas leis e seu modo de
pensar como produto da infância, sendo considerada uma das teorias do construtivismo pelo
seu alcance na educação e conduta sobre a aprendizagem.
O surgimento da teoria psicogenética se deu pelo psicólogo experimental, �lósofo e biólogo
suíço Jean Piaget, que defendia que a afetividade era um subproduto do cognitivo, e depois
representada por Wallon, dentre outros teóricos. 
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Jean Piaget
Você certamente já ouviu falar sobre Jean Piaget, ou mesmo já leu o seu nome em algum lugar.
Ele é conhecido por sua contribuição não apenas em relação à psicomotricidade, mas também
no que se refere à �loso�a, pedagogia, entre outros estudos. Piaget possui a formação básica de
biólogo e dedicou seus primeiros estudos a essa área, porém, logo se interessou por sociologia,
�loso�a e até mesmo por política. Em sua íntima relação com a psicomotricidade, estudou o
modo como a inteligência contribui integralmente para a relação do ser humano em seu íntimo
com o ambiente externo. Foi Piaget o teórico que dividiu o desenvolvimento nas seguintes fases:
sensório-motora, pré-operacional, operações concretas e operações formais. 
Henri Wallon
Henri Paul Hyacinthe Wallon, nascido em 1879 na França, país de forte conscientização
psicomotora, tendo vivido até a data de primeiro de dezembro de 1962, possuía uma forte
bagagem cultural, uma vez que em sua vida atuou como médico, psicólogo, político e �lósofo,
vivenciando as catástrofes das grandes guerras mundiais, sendo responsável por atender muitas
crianças que foram vítimas das calamidades que ocorriam na época. Wallon, junto a outros
políticos da época, criou diferentes projetos sociais para favorecer o desenvolvimento
psicomotor das crianças. Wallon foi um pro�ssional da área da saúde que se preocupou em
desvendar o que existe por trás de cada movimento que fazemos, não apenas se limitando ao
aspecto visível e percebido pelo senso comum, mas avaliando até mesmo a relação do tônus
com os aspectos mentais.
Wallon se diferencia de Piaget e de Le Boulch por não analisar o esquema corporal como uma
porção apenas envolvida com os aspectos psicológicos ou com os aspectos biológicos, mas sim
por compreendê-lo como uma constante evolução que atua como base sólida de sustentação da
personalidade da criança. Ou seja, o esquema corporal para Wallon é o antecessor de uma
personalidade íntegra. É visto e explicado pela escola Walloniana, como assim é conhecida por
muitos, que a primeira via de comunicação essencial e total da criança está em suas ações
motoras, uma vez que a verbalização, ou seja, a fala ainda não dominada é incapaz de conseguir
exteriorizar todas as necessidades e vontades da criança, que, de modo parcialmente
inconsciente, possui seus desejos, vontades e sentimentos demonstrados por suas ações
motoras.
Algumas fases são percebidas por Wallon e foram nomeadas, sendo estas: fase impulsiva,
tônico-emocional, sensório-motora, projetiva e personalística. Você deve se atentar, ao estudar
as fases de Wallon, que elas não possuem ponto �nal antes de iniciarem a próxima, mas acabam
se entrepondo; ou seja, antes do término de uma fase a seguinte já se iniciou.
Fase impulsiva — a fase impulsiva é a primeira fase, iniciada logo no nascimento, e é
relacionada totalmente às “explosões” re�exas e automatizadas que re�etem as sensações
de satisfação ou insatisfação.
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PSICOMOTRICIDADE
Fase tônica-emocional — normalmente, essa fase se inicia aos seis meses de vida e
�naliza-se aos doze meses, sendo marcada pelo signi�cado não automático das ações
motoras. Nesse período, as sensações são as desencadeadoras das ações, ainda com
forte maturação tônica.
Fase sensório-motora — período percebido aos doze meses, momento em que a criança
“ganha” o mundo através da marcha, e inicia a integração entre as sensações e os atos
motores. A marcha simboliza a orientação dos movimentos. Para Wallon, a capacidade de
repetir movimentos nessa etapa é a percussora do movimento intencional, logo, o
movimento inteligente.
Fase projetiva — fase entre o terceiro e quarto ano de vida, em que Wallon entende que o
real domínio da linguagem é capaz de objetivar a intenção, conceituando a ação como
resultado de uma análise mental das situações. Período marcado pela imitação, mostrando
a ligação entre o meio externo e a percepção da criança.
Fase personalística — fase entre o quinto e sexto ano de vida, em que o conceito do “eu”
está em plena maturação, com a identidade em crescimento. Nessa fase os movimentos
representam claramente os desejos. 
Julian de Ajuriaguerra
Ajuriaguerra foi um médico de origem basca, com formação na França, que realizou muitas
pesquisas na área da neuro�siologia, neuropatologia e neuropsiquiatria infantil. Foi na
neuropsiquiatria infantil que contribuiu para a psicomotricidade. Ele acreditava que a evolução da
criança acontecia pela consciencialização e conhecimento cada vez mais profundo do seu
próprio corpo. Assim, a criança elabora todas as suas experiências vitais e organiza sua
personalidade única por meio do corpo. Ou seja, a criança é seu corpo (Fonseca, 2008).
Ajuriaguerra introduziu o termo somatognosia, que signi�ca reconhecimento (gnosia) do corpo
(soma) e, a partir dele, apresentou os conceitos de imagem corporal e esquema corporal. A
somatognosia é a tomada de consciência do corpo como um todo e de suas partes, que estão
intimamente ligadas e inter-relacionadas conforme evolução de movimentos voluntários, ou seja,
toma-se consciência do corpo a partir de experiências (Fonseca, 2008). 
Le Boulch
Também francês, Le Boulch foi o percussor do termo psicocinética ao incluir na prática
pedagógica pro�ssional os conceitos motores aplicados que podem contribuir diferencialmente
para o desenvolvimento cognitivo e motor das crianças. A psicocinética visa a uma sequência
evolutiva lógica sobre a aquisição de instrumentos de expressão entre o ser interno e o meio
externo. Podemos entender psicocinética como o elo entre a educação e o movimento.
A visão de Le Boulch quanto ao desenvolvimento psicomotor possui íntima relação com o
momento escolar. O pesquisador percebe que o período em que a criança frequenta a escola é
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PSICOMOTRICIDADE
primordial para sua base psicomotora, estando intimamente relacionado com até setenta e cinco
por cento do desenvolvimento total. 
Lev Vygotsky
Vygotsky era formado em direito, literatura, história, �loso�a, psicologia e medicina. Sua vida não
foi muito longa — faleceu com 39 anos, depois de 14 anos combatendo a tuberculose. Vygotsky
estudou as funções psíquicas superiores humanas, como o controle do comportamento, a
memorização ativa, atenção voluntária, o raciocínio dedutivo, dentre outros temas. Ele buscou
estudar as mudanças qualitativas do comportamento humano observadas no desenvolvimento
ao longo da vida e a sua relação com o ambiente social (Fonseca, 2008).
Segundo Vygotsky, a cultura é parte da natureza humana de cada indivíduo, remetendo à ideia de
que a origem das funções psíquicas são socioculturais e surgem a partir de funções
psicológicas básicas de origem biológica. Assim, Vygotsky acreditava que os principais objetivos
da psicomotricidade seriam a consciência do próprio corpo, organização do esquema corporal,
organização espaço-temporal, domínio do equilíbrio e e�cácia das coordenações globais. Todos
esses elementos em conjunto na geração de uma melhor adaptação do indivíduo ao mundo e
auxiliando na sua aprendizagem de habilidades (Peres; Cruz, 2014). 
Arnold Gesell
Gesell adota uma perspectiva de desenvolvimento maturacional, em que a história biológica e
evolucionária dos seres humanos determinava suas sequências ordenadas e invariáveis de
desenvolvimento, sendo que cada estágio do desenvolvimento era correspondente a um estágio
na evolução. Gesell acreditava que a maturação era determinada por fatores genéticos (internos)
e não fatores ambientais (externos) (Haywood; Getchell, 2010).
Siga em Frente...
O corpo, a relação psicomotora e a signi�cação
A psicomotricidade se dá pelos processos motores, cognitivos e emocionais que acontecem
simultaneamente na expressão do movimento. Assim, o movimento realizado tem seu
signi�cado a partir das possibilidades motoras de execução, dos pensamentos e raciocínios e
dos aspectos emocionais, como a afetividade.
Todo esse processo ocorre pelo estímulo que é recebido e ativação dos órgãos dos sentidos
(sensação) e da atribuição e interpretação desses estímulos (percepção), chegando à cognição.
Assim, a cognição tem como responsabilidade organizar como pensamos e construímos o
pensamento. Esses pensamentos são ligados ao comportamento motor por meio das células
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PSICOMOTRICIDADE
nervosas, realizando processos biológicos e gerando a contração muscular, para que a ação seja
realizada.
Dessa maneira, o desenvolvimento psicomotor ocorre por meio de processos de aprendizagem,
em que os elementos motores são desenvolvidos e auxiliam nos movimentos e na realização de
habilidades motoras. A forma como o indivíduo entende seu corpo (imagem e esquema corporal)
pertence aos aspectos cognitivos que irão in�uenciar a atuação dos outros elementos motores e,
consequentemente, a realização de habilidades motoras. Do mesmo modo, a forma como esse
corpo se organiza no espaço, se equilibra e se coordena, in�uencia nos movimentos e na forma
como o indivíduo se vê.
Assim, os signi�cados dados ao corpo, ao objeto, ao ambiente e às emoções vão interferir na
forma como esse corpo se movimenta no espaço e a sua relação com os elementos
psicomotores.   
Vamos Exercitar?
Voltando à situação do início da aula, você trabalha em uma escola estadual, e a diretora quer
diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar essas aulas da
Educação Infantil. Os professores de Educação Física e pedagogos não concordam com essa
decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. A diretora
aceita o bate-papo e você se voluntaria a falar sobre a psicomotricidade e seus fundamentos. O
primeiro bate-papo gerou interesse na diretora, que solicitou uma nova conversa. Você decide
então falar do desenvolvimento psicomotor e as suas fases, apontando a importância de uma
atuação multidisciplinar. No �nal da segunda conversa, a diretora pergunta quem são os teóricos
envolvidos com a psicomotricidade e como eles abordam a ideia de corpo, psicomotricidade e
signi�cação. Você diz que os nomes são diversos e sugere mais um bate-papo para um outro
dia. Ela aceita.
Primeiro você explica sobre a psicogenética, que foi um termo abordado por Jean Piaget, que
tem como objeto de estudo o ser humano, suas leis e seu modo de pensar como produto da
infância, sendo considerada uma das teorias do construtivismo pelo seu alcance na educação e
conduta sobre a aprendizagem. Outros teóricos também contribuíram para a psicomotricidade,
como: Henry Wallon, Le Boulch, Ajuriaguerre, Vygotsky e Gesell. Assim, o signi�cado a partir do
movimento acontece por meio da estreita relação do corpo e da mente.  
Saiba mais
Quer se aprofundar mais nas teorias psicomotoras e psicogenéticas? Leia os Capítulos 1, 2, 3 e
11 do livro Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem, de Vitor da Fonseca, disponível na sua
biblioteca digital. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536314020/pageid/0
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
 
 
Referências
FONSECA, V. da. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.
HAYWOOD, K. M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. Porto Alegre: Artmed,
2010.
PERES. T. S.; CRUZ, M. A. de O. Psicomotricidade no processo de alfabetização da criança.
Perspectivas em psicologia, v. 18, n. 2, p. 136-152, 2014.  
Aula 4
Elementos Psicomotores
Elementos psicomotores
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Dica para você
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula você irá se aprofundar nos conhecimentos sobre os elementos psicomotores.
Você irá compreender a de�nição de: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade,
organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora e suas
in�uências no desenvolvimento e na aprendizagem psicomotora.
Esta aula é de grande importância na sua formação pro�ssional, pois você conseguirá identi�car
os elementos psicomotores e pensar nas possíveis formas de intervenção para diferentes
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problemas ou transtornos.
Prepare-se para colocar todo o seu conhecimento em prática!
Ponto de Partida
Vamos nesta aula conhecer quais elementos são fundamentais para o desenvolvimento
psicomotor. Passamos por fases no nosso desenvolvimento, e essas fases, quando bem
desenvolvidas, nos preparam para as fases seguintes, tornando-as mais fáceis e assimiláveis.
Dentro dessas fases, temos alguns elementos importantes que devem ser observados e
trabalhados para que consigamos realizar as habilidades motoras no futuro.
Para compreender os elementos psicomotores, vamos a nossa situação da aula. Você trabalha
em uma escola estadual, e a diretora quer diminuir as aulas de Educação Física do Ensino
Fundamental I e II e tirar essas aulas da Educação Infantil. Os professores de Educação Física e
pedagogos não concordam com essa decisão da diretora e propõem um bate-papo para
convencê-la de manter as aulas. O primeiro bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre a
psicomotricidade, explicando os aspectos históricos, fundamentos básicos e quem pode
trabalhar com a psicomotricidade. A diretora gostou do conteúdo, mais ainda não se sentiu
convencida e pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um segundo bate-papo,
no qual você abordou o desenvolvimento psicomotor, suas fases e a atuação multidisciplinar.
Dando continuidade à temática, a diretora solicitou um terceiro bate-papo em que você abordou
as teorias psicomotoras.E, como em todos os bate-papos você mencionou os elementos
psicomotores, a diretora �cou curiosa para saber mais e pediu o último bate-papo para fechar o
assunto. Assim, para nortear esse bate-papo, você focou em responder às seguintes questões:
quais são os elementos psicomotores? Como eles contribuem para o desenvolvimento
psicomotor e para a aprendizagem?
Já sabe elencar os elementos psicomotores? Continue aqui que você vai compreender além
deles.
Vamos Começar!
A aprendizagem de movimentos está ancorada no desenvolvimento dos elementos
psicomotores. Esses elementos são: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade,
organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora. Assim,
todos esses elementos desenvolvidos colaboram em conjunto para a estrutura de formação do
indivíduo no que diz respeito ao seu reconhecimento corporal, temporal e espacial e simétrico.
Esses elementos são desenvolvidos a partir do nascimento e evoluem com a idade, auxiliando no
processo de aprendizagem de movimentos. Nesta aula, você vai compreender cada um desses
elementos psicomotores e a sua contribuição para o desenvolvimento psicomotor e a
aprendizagem motora.
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Esquema corporal
O esquema corporal é um elemento básico do desenvolvimento psicomotor da representação
consciente do próprio corpo. Sua formação começa no nascimento e �naliza aos 12 anos.
Assim, a personalidade da criança se forma a partir da consciência de si, de seu corpo, de seu
ser, das possibilidades de agir e de se transformar. Por meio do esquema corporal, a criança
desenvolve a capacidade de correr sem se chocar em móveis, reconhecer as partes do seu
corpo, sendo capaz de nomear e sinalizar e escolher trajetos que melhor se adaptam ao tamanho
de seu corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018).
Segundo Pereira (2017), o desenvolvimento do esquema corporal ocorre em três etapas:
1. Corpo vivido – até os três anos de idade: fase de identi�cação das partes do corpo a partir
das vivências e experiências.
2. Corpo percebido ou descoberto – de três a sete anos: quando ocorre a organização do
esquema corporal, que acontece por meio da “função de interiorização”.
3. Corpo representado – de 7 a 12 anos: fase em que ocorre a estruturação do esquema
corporal, em que a criança o amplia e organiza, devido à noção do todo e das partes do
corpo, do conhecimento das posições e do controle e domínio corporal.
O esquema corporal mal desenvolvido acarreta sérios problemas na orientação temporal e
espacial, no equilíbrio e na postura (Pereira, 2018).
Imagem corporal
A imagem corporal é a imagem mental do corpo a partir das vivências do indivíduo. A imagem
corporal envolve a expressão da história psicomotora, envolvendo as áreas motora, afetiva e
cognitiva, cujo desenvolvimento de estruturação e reestruturação acontece por meio da inter-
relação das áreas �siológicas, sociológicas e libidinais. Podemos dizer que a imagem corporal é
a representação visual que a pessoa tem do seu próprio corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018).
Contudo, para diferenciar esquema corporal de imagem corporal, podemos entender que o
esquema corporal é o mesmo para todos os indivíduos, por exemplo, saber onde �ca a cabeça,
as mãos, os pés e seus formatos e localizações. Já a imagem corporal é a imagem que cada
indivíduo tem de seu próprio corpo relacionado a sua história, ou seja, se ele se sente muito
magro, muito alto, com olhos bonitos e assim por diante (Gusi, 2020).
Siga em Frente...
Equilíbrio
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O equilíbrio tem como signi�cado o controle da estabilidade postural, com a ação do sistema
vestibular, que integra as informações proprioceptivas, visuais, cinestésicas e tônicas recebidas
pelo cerebelo (Fonseca, 2008). Assim, o equilíbrio pode ser estático ou dinâmico.
O equilíbrio estático é a manutenção da postura em diferentes posições, por exemplo: �car em
pé, sentado, ajoelhado. Ele é mais abstrato, exige mais concentração e quando está sob controle
facilita a aprendizagem. Já o equilíbrio dinâmico é o sair e voltar para o eixo corporal, como, por
exemplo, deslocar-se caminhando, inclinar o corpo à frente e voltar. Ele depende de como o
esquema corporal se estrutura e da integração do sistema neuropsicomotor. 
Lateralidade
A lateralidade é a opção de utilização do lado corporal de maior precisão, força e destreza. É a
noção do lado que prefere para realizar movimentos (direita ou esquerda), por exemplo: escrever
com a mão direita, chutar com o pé esquerdo. A lateralidade pode envolver o corpo todo ou
partes dele, como a visão, audição, membros superiores e inferiores. Conforme a criança vai
crescendo, ela vai de�nindo a sua preferência lateral pela agilidade e força. Além disso, a
lateralidade pode ser in�uenciada por hábitos sociais, por meio de estímulos de um dos lados do
corpo (Gusi, 2020; Pereira, 2018). 
A lateralidade pode se manifestar de três formas:
Homogênea: quando a pessoa tem preferência de utilização dos olhos, ouvidos, braços e
pernas de um mesmo lado do corpo.
Cruzada: quando a pessoa apresenta preferência de utilização que não se concentra
somente de um lado do corpo, por exemplo: ela chuta com o pé direito e escreve com a
mão esquerda.
Ambidestra: quando a pessoa apresenta a preferência de utilização dos dois lados e os
dois apresentam a mesma destreza.
O desenvolvimento da lateralidade é muito importante, pois in�uencia na percepção que a
pessoa tem do seu esquema corporal e na simetria de seu corpo. Além disso, contribui para
determinar a estruturação espacial, ou seja, sua percepção do eixo de seu corpo e do ambiente
em relação a esse eixo. Assim, a criança que não desenvolveu a lateralidade apresenta
problemas de estruturação espacial e não consegue distinguir seu lado preferido (Gusi, 2020;
Pereira, 2018).
Organização espaço-temporal
A orientação espaço-temporal é a consciência que tomamos da situação dos objetos e das
pessoas entre si. Compreende a noção de direção, da organização diante de tudo que nos cerca
e de distâncias. Como o espaço e tempo são indissociáveis, não é possível compreendê-los
sozinhos, sendo assim, utilizamos o termo: organização espaço-temporal. Dessa maneira, a
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organização espaço-temporal tem sua importância no processo de adaptação do indivíduo no
ambiente, já que todo corpo ocupa um espaço em um dado momento (Gusi, 2020; Pereira, 2018).
A orientação espacial diz respeito a como nos vemos e vemos as coisas a nossa volta, tomando
nós mesmos como referência. Em um primeiro momento, a criança se orienta no espaço de
forma inconsciente e gradativa até conseguir dominar seus movimentos e reconhecer um
sentido do espaço. A organização espacial tem como objetivo desenvolver a capacidade de
orientação no espaço, associar ideias, analisar e sintetizar, formar conceitos básicos em relação
à distância, dimensão, forma, posição e altura e desenvolver a percepção, ritmo e raciocínio.
Assim, trabalhar a orientação espacial permite que a pessoa se conscientize de suas ações de
maneira mais completa (Gusi, 2020; Pereira, 2018).
Já a orientação temporal é a capacidade de nos situarmos no tempo, na ordem de sucessão dos
acontecimentos (antes, durante e depois), entender quanto dura um intervalo (pouco tempo,
muito tempo, períodos curtos e longos), os períodos que se renovam de forma cíclica (dias da
semana, meses do ano, estações do ano) e a irreversibilidade do tempo (noção de
envelhecimento das pessoas, plantas, animais) (Gusi, 2020; Pereira, 2018). 
Ritmo
O ritmo abrange a ideia de ordem, de duração, de sucessão e de alternância. Primeiro
percebemos o ritmo interno, depois o externo e, por �m, vem a percepção e reprodução das
estruturas rítmicas. O ritmo está presente na maneira como andamos, falamos e como
realizamos os gestos das atividades diárias. Além disso, o ritmo está presente na dança, na
música e nas coreogra�as. Assim, podemos dizerque cada pessoa tem o seu ritmo, o qual se
inicia com os ritmos naturais internos, como o ritmo do batimento cardíaco, por exemplo. Por
isso, o ritmo é um fenômeno individual e espontâneo (Pereira, 2018). 
Tônus
O tônus é uma atividade postural que permite uma �xação dos músculos em determinadas
articulações, o que garante as atitudes, as posturas, as mímicas, as emoções que são resultados
de todas as ações motoras humanas. Contudo, essa garantia acontece pois o tônus muscular
está associado à unidade funcional do cérebro, às funções de alerta e de vigilância e às
condições genéticas. Assim, o tônus muscular é uma tensão �siológica dos músculos que
garantem o equilíbrio estático e dinâmico, a coordenação motora e o controle postural, sendo ele
a base das atividades práticas. 
Motricidade
A motricidade é compreendida como as sensações conscientes do ser humano em movimento
com intencionalidade e signi�cado que ocorrem no tempo e no espaço e que envolvem a
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percepção, memória, emoção, afetividade, projeção e raciocínio. Além disso, a motricidade pode
ser vista de diferentes formas, como gestos, falas, cênicas e assim por diante (Kolyniak Filho,
2010). De acordo com a musculatura envolvida, a motricidade pode ser classi�cada em ampla ou
�na. A motricidade ampla envolve grandes grupos musculares na sua execução, por exemplo:
correr, nadar, pedalar, jogar futebol, rebater ou segurar uma bola e assim por diante. Já a
motricidade �na envolve pequenos grupos musculares na sua execução, como, por exemplo:
escrever, desenhar, pintar uma tela, tricotar, apertar o botão do controle do vídeo game.
O desenvolvimento da motricidade acontece de forma progressiva, dos grandes músculos para
os pequenos músculos e do simples para o complexo, sendo dependente dos processos
maturacionais da criança. Além disso, motricidade se desenvolve a partir do desenvolvimento
dos outros elementos psicomotores, como: lateralidade, organização espaço-temporal, esquema
corporal, coordenação motora e equilíbrio. 
Coordenação motora
É a associação entre o corpo e a motricidade, em que se aumenta de forma gradativa a precisão
e a harmonização da postura e da locomoção, bem como todas as atividades motoras. A
coordenação motora pode ser: estática, ampla ou �na (Gusi, 2020; Pereira, 2018).
A coordenação motora estática é aquela realizada em repouso, o que envolve o equilíbrio entre
ações de músculos antagonistas, em que se estabelece um tônus e se permite a conservação
voluntária das atitudes. A coordenação motora ampla ocorre em atividades de movimentação e
experimentação em que o indivíduo busca o equilíbrio e grandes grupos musculares estão
envolvidos. Como exemplos, temos: andar, correr, saltar, arremessar, nadar, andar de bicicleta,
dentre outros. Já a coordenação motora �na é aquela que envolve a habilidade e a destreza
manual, pois mobiliza pequenos grupos musculares. Em muitas tarefas, a coordenação motora
vem acompanhada da coordenação visomotora, que diz respeito à coordenação da visão e do
objetivo da tarefa, envolvendo o controle dos olhos e da musculatura que realiza o movimento.
Por exemplo, na motricidade �na, podemos citar a escrita, em que a pessoa movimenta os dedos
e acompanha com os olhos. Num exemplo de motricidade ampla, o jogador de basquete
coordena os braços para o arremesso e acompanha com o olhar para cesta (Gusi, 2020; Pereira,
2018).
Como mencionado anteriormente, a aprendizagem motora depende do desenvolvimento desses
elementos psicomotores; uma vez desenvolvidos de forma precária ou não desenvolvidos, a
aprendizagem motora será afetada.
Vamos Exercitar?
Vamos voltar a nossa situação do início da aula. Você trabalha em uma escola estadual, e a
diretora quer diminuir as aulas de Educação Física. Os professores não concordam com essa
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decisão da diretora e propõem um bate-papo para convencê-la de manter as aulas. O primeiro
bate-papo aconteceu e você deu uma aula sobre a psicomotricidade, explicando os aspectos
históricos, fundamentos básicos e quem pode trabalhar com a psicomotricidade. A diretora
pediu para que você se aprofundasse mais no assunto em um segundo bate-papo, no qual você
abordou o desenvolvimento psicomotor, suas fases e a atuação multidisciplinar. Dando
continuidade à temática, a diretora solicitou um terceiro bate-papo, em que você abordou as
teorias psicomotoras. E, como em todos os bate-papos você mencionou os elementos
psicomotores, a diretora �cou curiosa para saber mais e pediu o último bate-papo para fechar o
assunto. Assim, para nortear esse bate-papo, você focou em responder às seguintes questões:
quais são os elementos psicomotores? Como eles contribuem para o desenvolvimento
psicomotor e para a aprendizagem?
Os elementos psicomotores são: esquema corporal, imagem corporal, equilíbrio, lateralidade,
organização espaço-temporal, ritmo, tônus muscular, motricidade e coordenação motora.
Quando esses elementos estão bem desenvolvidos, a aprendizagem motora �ui com mais
facilidade e o aluno aprende melhor. Cada elemento desse está interrelacionado com os outros, e
eles são dependentes entre si. Esses elementos precisam ser desenvolvidos na infância e, caso
não sejam, o indivíduo pode apresentar di�culdades motoras, sociais, afetivas e emocionais.
Saiba mais
Para saber mais sobre os elementos psicomotores, acesse o artigo a seguir e faça a leitura: A
importância dos jogos e brincadeiras como elemento psicomotor no processo ensino e
aprendizagem, de Silva e Silva (2021). 
 
 
Referências
FONSECA, V. da. Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2008.
FONSECA, V. da. Psicomotricidade: �logênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1998.
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.
KOLYNIAK FILHO, C. Motricidade e aprendizagem: algumas implicações para a educação escolar.
Construção psicopedagógica, v. 18; n. 17; p.53-66, 2010.
https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/98/73
https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/98/73
https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/98/73
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.
SILVA, R. S.; SILVA, F. J. A da. A importância dos jogos e brincadeiras como elemento psicomotor
no processo de ensino e aprendizagem. Revista Ilustração. Cruz Alta, v. 2, n. 3, p. 25-35, set./dez.
2021. Disponível em:
https://journal.editorailustracao.com.br/index.php/ilustracao/article/view/98/73. Acesso em: 31
mar. 2024.
Aula 5
Encerramento da Unidade
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Olá, estudante,
Nesta unidade você vai aprender sobre os aspectos básicos da psicomotricidade. Primeiro você
entenderá os conceitos e fundamentos da psicomotricidade, depois compreenderá como
acontece o desenvolvimento psicomotor. A partir disso, serão apresentados os teóricos que
estavam envolvidos com a psicomotricidade, e você compreenderá quais in�uências tiveram na
área. Por �m, você saberá quais são os elementos psicomotores e as suas características.
Esse conteúdo permitirá que você compreenda os aspectos em que a psicomotricidade está
envolvida para que seja possível a sua aplicação na prática.
Aproveite essa oportunidade de aprender sobre a psicomotricidade.
Ponto de Chegada
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Estudante, esta unidade tem como competênciascompreender os principais conceitos da
psicomotricidade, aprofundando nas suas possibilidades de atuação e entendendo como
acontece o desenvolvimento psicomotor. Além disso, espera-se que você conheça os principais
teóricos que in�uenciaram a psicomotricidade e, a partir disso, aprofunde-se nos elementos
psicomotores e suas características.
Dessa maneira, para que você atingisse esses objetivos, você estudou o processo histórico da
psicomotricidade, desde o seu surgimento até sua chegada ao Brasil. A partir disso, você
compreendeu que a psicomotricidade envolve os aspectos do movimento relacionados aos
elementos emocionais e cognitivos. Assim, você pôde ser capaz de entender quais as
possibilidades de atuação com a psicomotricidade. Por meio dos aspectos básicos, seu
conhecimento evoluiu para o entendimento do desenvolvimento psicomotor, suas fases e a
psicomotricidade como uma abordagem multidisciplinar. Assim, você não pôde deixar de
aprender quais foram os teóricos que in�uenciaram e contribuíram para a psicomotricidade,
conhecendo as teorias psicogenéticas, maturacionais e construtivistas. Aprender sobre Piaget,
Wallon, Le Boulch, Vygotski, Ajuriaguerra e Gesell fez toda a diferença no seu entendimento sobre
a psicomotricidade. Por �m, o aprofundamento sobre os elementos psicomotores, como imagem
corporal, esquema corporal, orientação espaço-temporal, equilíbrio, coordenação, etc., e o
entendimento das suas in�uências no desenvolvimento psicomotor foram importantes para que
você pudesse intervir na prática.   
Re�ita
O que é psicomotricidade?
Como acontece o desenvolvimento psicomotor?
Quais são os elementos psicomotores e suas características? 
É Hora de Praticar!
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Você se inscreveu em uma palestra sobre psicomotricidade avançada. O palestrante irá abordar
como é o brincar na psicomotricidade, as alterações psicomotoras, a avaliação na
psicomotricidade e os transtornos psicomotores. Como faz um tempo que você não estuda
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
sobre os aspectos básicos da psicomotricidade, você decide retomar esse tema para poder
aproveitar melhor a palestra.
Diante do cenário apresentado, você vai atrás das seguintes respostas:
Quais os conceitos fundamentais da psicomotricidade?
Como acontece o desenvolvimento psicomotor?
Quem foram os principais teóricos envolvidos na psicomotricidade?
Quais são os elementos psicomotores e quais suas contribuições para o desenvolvimento
psicomotor?
Você estudou que psicomotricidade é uma ferramenta que busca promover o bom
desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Dessa maneira, o
desenvolvimento psicomotor ocorre a partir do desenvolvimento do ser humano, em que
podemos dizer que é céfalo-caudal e próximo-distal. Ele pode acontecer em fases, que, de
acordo com Piaget, podem ser divididas em: fase sensório-motora, fase pré-operacional, fase de
operações concretas e fase de operações formais. Além de Piaget, outros teóricos contribuíram
para a psicomotricidade, como Wallon, Le Boulch, Ajuriaguerra, Vygotsky e Gesell, cada um com
as suas ideias e teorias. Esses teóricos defendem que alguns elementos são importantes para o
desenvolvimento psicomotor e que, quando um ou mais não são bem desenvolvidos, surgem
di�culdades na realização de movimentos. Esses elementos são: imagem corporal, esquema
corporal, coordenação motora, equilíbrio, orientação espaço-temporal, lateralidade, ritmo, tônus
muscular e motricidade �na e ampla.    
Con�ra a seguir uma síntese do conteúdo desta unidade.
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
A psicomotricidade é uma área de estudo que busca promover o bom desenvolvimento de
habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. Assim, podemos dizer que a
psicomotricidade integra as interações cognitivas, emocionais, simbólicas e físicas na
capacidade do indivíduo de ser e agir em um contexto social. 
 
FONSECA, V. da. Psicomotricidade: �logênese, ontogênese e retrogênese. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1998.
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018. 
,
Unidade 4
Aplicação da Psicomotricidade na Atuação Pro�ssional
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Aula 1
O Corpo e o Brincar na Psicomotricidade
O corpo e o brincar na psicomotricidade
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula você compreenderá a importância de a criança conhecer seu corpo e suas
funcionalidades; como a criança se desenvolve nos seus aspectos físicos, motores, afetivos,
cognitivos e sociais; e as implicações do brincar para o desenvolvimento psicomotor.
Esse conteúdo fornecerá um vasto entendimento a respeito da importância das brincadeiras e
dos brinquedos na vida da criança e as suas contribuições para o desenvolvimento psicomotor.
Você conseguirá compreender, a partir do desenvolvimento somático, social, afetivo e cognitivo,
como trabalhar as brincadeiras com as crianças como ferramenta para a psicomotricidade.
Prepare-se para essa grande jornada!
Ponto de Partida
Estudante, a atividade que a criança mais faz é brincar. Por meio das brincadeiras, ela desenvolve
aspectos motores, afetivos, sociais e cognitivos. Assim, essa atividade, que parece ser tão
simples, é capaz de in�uenciar o desenvolvimento da criança e prepará-la para a vida adulta.
Para adentrarmos nesse assunto, vamos à situação da aula. Você trabalha em uma escola e, em
um primeiro momento, a diretora informa que vai diminuir as aulas de Educação Física para o
Ensino Fundamental I e II e tirá-las da Educação Infantil. Para convencer a diretora a não fazer
isso, foram realizados diversos bate-papos sobre a psicomotricidade. A diretora não só se
convenceu, como decidiu que a psicomotricidade fosse mais trabalhada na escola. Assim, ela
propôs que os professores se reunissem em um grupo de estudos de aprofundamento sobre os
aspectos relacionados à psicomotricidade. Ficou estipulada uma reunião por semana para
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
debaterem o assunto. Nessa primeira reunião serão discutidos os seguintes pontos: qual a
importância da compreensão do corpo e suas funcionalidades para a criança? Como acontece o
desenvolvimento da criança nos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais? Como o
brincar pode in�uenciar o desenvolvimento psicomotor? Para não �car para trás, você resolve ler
mais sobre o assunto.
Vamos Começar!
Ao brincar, a criança o faz com seu corpo. Com as brincadeiras, ela vai adquirindo o
conhecimento do próprio corpo e de suas capacidades. Compreende-se como o ser humano que
interage no ambiente e em suas tarefas. Coloca-se como um ser que dita suas próprias regras ou
se envolve com regras de outras pessoas, sejam elas crianças ou adultos.
Compreensão da estrutura corporal e suas possibilidades
funcionais
No contexto da psicomotricidade, a compreensão da estrutura corporal e suas possibilidades
funcionais é fundamental para o desenvolvimento saudável das crianças. E é no brincar que elas
exploram intuitivamente os limites e capacidades de seus corpos, experimentando uma
variedade de movimentos que contribuem para a percepção de si mesmas no espaço. Essa
vivência lúdica não apenas fortalece os músculos e articulações, mas também promove a
coordenação motora, o equilíbrio e a consciência corporal, aspectos essenciais para o seu
crescimento físico e cognitivo.
Atravésdo brincar, as crianças têm a oportunidade de descobrir as potencialidades de seu corpo
de forma prazerosa e signi�cativa. Desde os primeiros movimentos exploratórios até atividades
mais complexas, como jogos de equilíbrio e coordenação, elas desenvolvem habilidades
motoras fundamentais para a interação com o ambiente e com os outros. Além disso, o brincar
proporciona um espaço seguro para experimentar diferentes expressões corporais, estimulando
a criatividade, a imaginação e a autocon�ança das crianças em seu próprio corpo.
Desenvolvimento da criança: aspectos somáticos, afetivos,
cognitivos e sociais
O desenvolvimento da criança apresenta muitas mudanças, que são resultados de processos
maturacionais, ambientais, sociais e comportamentais. Agora, vamos compreender melhor como
acontece esse desenvolvimento na infância, a partir dos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos
e sociais. É importante ressaltar aqui que, apesar de serem apresentados de forma separada no
quadro a seguir, estes aspectos se interrelacionam e são dependentes uns dos outros. Devemos
sempre olhar a criança e seu desenvolvimento como um todo e não somente para um aspecto
da vida.
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Bloco 1
Idade Somático Afetivo Cognitivo
Infância 
 Nascimento
 a 3 anos
Crescimento rápido
nos dois primeiros
anos. Os movimentos
são re�exos nos
primeiros meses e
vão se tornando
voluntários, porém
rudimentares.
Demonstram as
emoções desde o
nascimento de forma
re�exa e difusa e,
depois, se
transformam em
emoções
verdadeiras, que
evoluem para a
capacidade de avaliar
seus próprios
pensamentos e
desejos. Grandes
proximidades com os
cuidadores.
Iniciam com a
ausência de
coordenação dos
sentidos. A partir dos
quatro meses
começam a
coordenar as
informações
sensoriais com os
movimentos e
evoluem até
conseguirem a
representação mental
de eventos, usarem
símbolos, como
gestos e palavras, e
fazerem o uso da
fantasia.
3 a 6 anos O crescimento é mais
lento, as crianças vão
perdendo as
características de
bebês, e ocorre um
avanço no
crescimento
muscular e ósseo
que torna a criança
mais forte. As
crianças apresentam
uma melhor
coordenação motora
e grandes avanços
nas habilidades
motoras grossas,
como correr e saltar.
Tornam-se capazes
de imaginar como os
outros podem se
sentir. Presumem que
todas as pessoas
pensam, percebem e
sentem como elas.
Aprendem a regular,
controlar e
compreender as
próprias emoções.
Proximidade com os
cuidadores, porém
interagem com
outras crianças.
Grande expansão do
pensamento
simbólico, começam
a ter compreensão de
causa-efeito, iniciam
a compreensão
numérica,
conseguem organizar
objetos, pessoas e
eventos em
categorias e atribuem
vida a objetos
inanimados
(animismo)
6 a 12 anos O crescimento é
ainda mais lento.
Melhora na
coordenação motora,
Podem regular e
controlar melhor
suas emoções e
responder ao
Melhora o
entendimento dos
conceitos espaciais,
do raciocínio
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
boa oportunidade
para a aprendizagem
de habilidades
motoras
fundamentais.
sofrimento
emocional alheio.
Aprendem o
signi�cado de seus
sentimentos e o que
os desencadeia.
Demonstram grande
afetividade aos
amigos.  
dedutivo e indutivo,
de categorização, de
causa-efeito e de
números.
Adolescência Puberdade que leva a
maturidade sexual e
muitas mudanças
físicas. Período do
estirão (rápido
crescimento em
estatura). Fase
motora em que as
habilidades
fundamentais
aprendidas são
re�nadas e
combinadas para
formar habilidades
mais complexas.
Fase que pode ser de
crises em relação
aos sentimentos e
identidade. Menor
afetividade com os
pais e maior
afetividade com os
amigos.
Capacidade de
pensar de forma
abstrata. Raciocínio
hipotético-dedutivo,
lidando com
problemas de forma
�exível, testando
hipóteses.
Bloco 2
Social
Infância 
Até os três meses respondem de forma aberta aos estímulos ambientais e, depois, passam
a demonstrar sentimentos (alegria, raiva, tristeza) e aumentam gradativamente a interação
com os cuidadores e com outros bebês.
A criança inicia o processo de conhecimento do seu senso de identidade, já consegue
descrever a si própria. Demonstra sua autoestima em seus comportamentos.
Os julgamentos sobre si mesmos se tornam mais realistas, conscientes, abrangentes e
equilibrados. Seu autoconceito é amplo e inclusivo, integrando vários aspectos da
identidade. Mais desapego a família e apego aos amigos.
Fase de busca da identidade, sendo uma fase de confusão e con�ito. Com os pais os
con�itos tendem a ser maiores, e passam mais tempo com amigos.
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
 Quadro 1 | Desenvolvimento da criança de acordo coma a faixa etária dentro dos aspectos
somático, afetivo, cognitivo e social
O quadro apresenta as principais características das idades com relação aos aspectos
somáticos, afetivos, cognitivos e sociais. Ao trabalhar a psicomotricidade com crianças, é
importante que levemos em consideração o seu desenvolvimento para pensar em uma
intervenção.
Siga em Frente...
O brincar e o brinquedo: implicações no desenvolvimento
psicomotor
O ato de brincar surge de forma espontânea e voluntária, visando criar momentos agradáveis e
prazerosos. Para a criança, brincar é algo sério, exigindo concentração e atenção, pois engloba
diversos aspectos interligados e requer motivação e foco para as atividades lúdicas. De acordo
com o psicanalista Donald Woods Winnicott, o brincar é fundamental para a saúde mental, pois
contribui para o desenvolvimento infantil e facilita a integração social, permitindo a comunicação
por meio das brincadeiras. O psicanalista argumenta que: "É somente através do brincar que o
indivíduo, seja criança ou adulto, pode expressar sua criatividade e utilizar plenamente sua
personalidade, e é somente através da criatividade que o indivíduo descobre seu verdadeiro eu"
(Winnicott, 1975).
As brincadeiras têm como elemento essencial a imaginação, permitindo que a criança expresse
seus pensamentos, raciocínios e ideias. Elas funcionam como uma ponte entre a fantasia e a
realidade, ajudando o indivíduo a lidar com desa�os psicológicos e resolver con�itos através da
imitação, promovendo o desenvolvimento das habilidades linguísticas, cognitivas, socioafetivas
e psicomotoras.
Além disso, a abordagem psicanalítica de Freud (1854-1938) destaca a importância do brincar
no desenvolvimento emocional da criança, sugerindo seu uso em terapias. A teoria da
modulação do interesse sugere que o brincar pode estimular o sistema nervoso central,
mantendo o interesse durante uma atividade. A teoria da brincadeira metacomunicativa indica
que as crianças podem operar tanto no nível da imaginação quanto no nível real através das
brincadeiras. Finalmente, Jean Piaget (1896-1980) e Lev Vygotsky (1896-1934) argumentam que
o brincar desempenha um papel fundamental na formação das representações mentais do
mundo da criança, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo (Brok et al., 2011).
As atividades lúdicas desempenham um papel crucial no desenvolvimento infantil, permitindo
que as crianças expressem e se posicionem no ambiente ao seu redor. Brincadeiras espontâneas
oferecem uma oportunidade para as crianças demonstrarem seus sentimentos, medos,
curiosidades, interesses e necessidades.
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
De acordo com Duprat (2014, p. 39), o brincar estimula uma variedade de áreas de
desenvolvimento, incluindo cognitiva, linguística, socioafetiva, psicológica e motora, contribuindo
para o desenvolvimento holístico da criança. As brincadeiras oferecem uma maneira de explorar
diferentes formas de linguagem simultaneamente, tornando os conceitos mais compreensíveis e
relevantes para elas, o que as torna uma ferramenta valiosa no campo pedagógico. Além disso, o
ato de brincar permite ao professor avaliar o comportamento e o progresso da criança, ajudando
a compreender suas ideias, necessidades e con�itos através da espontaneidade durante o jogo.
O aspecto lúdico é fundamental parao desenvolvimento da sociabilidade, promovendo uma
visão positiva da sociedade. As brincadeiras desempenham um papel importante na linguagem,
tanto verbal quanto corporal, através de atividades como música, desenho, dança e diversas
formas de expressão. Na linguagem verbal, o brincar auxilia no desenvolvimento da fala e da
escrita, podendo ser uma ferramenta útil no processo de alfabetização e na comunicação. Na
linguagem corporal, as atividades lúdicas, quando direcionadas adequadamente, ajudam no
desenvolvimento da psicomotricidade, incluindo aspectos como lateralidade, equilíbrio,
coordenação motora e percepção corporal.
Além disso, as brincadeiras ajudam as crianças a se situarem no espaço e perceberem os outros
e os objetos ao seu redor. Além de trabalhar as funções psicomotoras, as brincadeiras
contribuem para o desenvolvimento motor, colaborando com a maturação do sistema nervoso, o
aprimoramento dos sentidos, das habilidades motoras (como manipulação, locomoção e
estabilização) e das capacidades físicas básicas (como velocidade, resistência, força e
�exibilidade). Além disso, as brincadeiras proporcionam uma saída para a energia, estimulam a
criatividade e promovem a liberdade de expressão.
Portanto, podemos concluir que o ato de brincar desempenha um papel fundamental no
desenvolvimento infantil, estimulando tanto aspectos cognitivos, como memória, raciocínio,
linguagem e atenção, quanto aspectos motores, através do movimento, da orientação no tempo
e no espaço e das habilidades psicomotoras. Além disso, o brincar estimula a imaginação,
promove a criatividade, auxilia na aprendizagem e facilita a socialização e a interação com
outras pessoas, sejam elas colegas, amigos, pais ou professores.
Vamos Exercitar?
Voltamos à situação do início da aula.
Ao convencer a diretora a não diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental e
não tirá-las da Educação Infantil, ela percebeu a importância desse tema e decidiu que a
psicomotricidade fosse mais trabalhada na escola. Ela fez a proposta para que os professores
realizassem grupos de estudos de aprofundamento sobre os aspectos relacionados à
psicomotricidade. Ficou estipulada uma reunião por semana para debaterem o assunto. Nessa
primeira reunião serão discutidos os seguintes pontos: qual a importância da compreensão do
corpo e suas funcionalidades para a criança? Como acontece o desenvolvimento da criança nos
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais? Como o brincar pode in�uenciar o
desenvolvimento psicomotor?
É por meio do corpo que a criança compreende o mundo. Ela troca experiências afetivas, ela
brinca e se desenvolve. Assim, conhecer o próprio corpo e as suas funcionalidades é importante
para sua interação com o mundo e, consequentemente, seu desenvolvimento. O
desenvolvimento da criança acontece em fases, em que os aspectos cognitivos, afetivos,
somáticos e sociais acontecem ao mesmo tempo, mas são diferentes entre si. É por meio do
brincar que a criança pode se desenvolver e desenvolver os aspectos psicomotores, como
coordenação, equilíbrio, esquema corporal, imagem corporal, lateralidade e organização espaço-
temporal. 
Saiba mais
Quer saber mais sobre o desenvolvimento da criança?
Nas partes de 2 a 5 do livro Desenvolvimento Humano, de Papalia e Martorell, disponível da sua
biblioteca digital, você encontrará um aporte teórico de ótima qualidade.
Agora, se você quer ler mais sobre o brincar e as implicações para o desenvolvimento
psicomotor, você pode ler as partes I e II do livro Brincar: aprendizagem para a vida, de Brok e
colaboradores, 2011.
 
 
Referências
BROK, A. et al. Brincar: aprendizagem para a vida. Porto Alegre: Penso, 2011.
DUPRAT, M. C. Ludicidade e educação infantil. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014.
PAPALIA, D. E.; MARTORELL, G. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2022.
WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago Editora LTDA, 1975. 
Aula 2
Alterações Psicomotoras
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786558040132/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcapa.xhtml]!/4/2/4%4051:1
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788563899347/pageid/0
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Alterações psicomotoras
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Dica para você
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Olá, estudante,
Nesta videoaula você saberá o que compreende o per�l psicomotor e o que possíveis alterações
psicomotoras podem in�uenciar na aprendizagem. Além disso, você compreenderá que nas
alterações psicomotoras ocorrem sinais comuns que podem ser identi�cados para serem
tratados na intervenção.
Esta aula é de grande importância para a sua formação pro�ssional, pois, dentro do processo de
aprendizagem motora, você será capaz de identi�car alterações na psicomotricidade do seu
aluno, podendo então intervir com maior precisão e e�cácia.
Prepare-se para continuar o aprofundamento em psicomotricidade.
Ponto de Partida
Estudante, muitas crianças apresentam padrões diferenciados no seu desenvolvimento motor,
sendo esse afetado também pelos aspectos cognitivos, emocionais e sociais. Saber identi�car o
per�l psicomotor é muito importante, mas também se faz necessário compreender sobre as
alterações psicomotoras e suas in�uências na aprendizagem motora.
Para compreender melhor sobre o per�l psicomotor e as possíveis alterações psicomotoras,
vamos à situação da aula. Você trabalha em uma escola e, depois de convencer a diretora por
meio de bate-papos a não diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e
não tirar as aulas da Educação Infantil, ela viu a necessidade de os professores se aprofundarem
mais no assunto da psicomotricidade. Ficou estipulado que serão realizadas reuniões semanais
para discussão do assunto. Na primeira reunião foram discutidos a importância da compreensão
do corpo e suas funcionalidades para a criança, como acontece o desenvolvimento da criança
nos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais e como o brincar pode in�uenciar o
desenvolvimento psicomotor. Nesta segunda reunião, será discutido o per�l psicomotor, as
alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na aprendizagem motora. Assim, você �cou
com dúvida nos seguintes tópicos: o que contempla o per�l psicomotor? Como as alterações
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
psicomotoras podem in�uenciar na aprendizagem? Quais sinais o indivíduo apresenta quando
tem alterações psicomotoras?
Vamos Começar!
A psicomotricidade envolve não somente a aprendizagem e realização de habilidades motoras,
como também os fatores emocionais, sociais e cognitivos interligados ao movimento. Alguns
elementos são importantes de serem desenvolvidos na infância para que tanto os aspectos
motores como cognitivos do indivíduo não �quem comprometidos. Esses elementos são: tônus
muscular, equilíbrio, lateralidade, imagem corporal, esquema corporal, estruturação espaço-
temporal, coordenação, dentre outros. Assim, quando um ou mais desses elementos não são
desenvolvidos na infância, o indivíduo pode apresentar di�culdades na fase adulta. Diante disso,
é muito importante conhecer o aluno, apropriando-se do seu per�l psicomotor, de possíveis
alterações psicomotoras e sua in�uência no processo de aprendizagem.
Per�l psicomotor
O per�l psicomotor é caracterizado pelas di�culdades e potencialidades da criança, fornecendo
suporte para identi�cação e intervenção das di�culdades de aprendizagem, sendo possível
satisfazer as necessidades mais especí�cas da criança (Fonseca, 1995). Assim, a partir de uma
avaliação psicomotora, é possível traçar o per�l psicomotor da criança e trabalhar a intervenção
adequada para a solução ou melhoria.2, 2022. 
 
Referências
FOX, S. I. Fisiologia humana. Barueri, SP: Manole, 2007.  
MOURÃO JÚNIOR, C. A. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
RODRIGUES, M. A. C. Contribuições do sistema nervoso central no processo de aprendizagem.
Cognitionis Scienti�c Journal, v. 5, n. 2, semestre 2, 2022. Disponível em:
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/134. Acesso em: 26 mar. 2024.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788536319308/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522126484/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788522126484/pageid/0
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/134/129
https://revista.cognitioniss.org/index.php/cogn/article/view/134
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
SANTOS, N. C. M. Anatomia e �siologia humana. São Paulo: Érica, 2014.
SHERWOOD, L. Fisiologia Humana: das células aos sistemas. São Paulo: Cengage Learning,
2011.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: Uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed, 2017.
TANK, P. W; GEST, T. R. Atlas de anatomia humana. Porto Alegre: Artmed, 2009.
Aula 2
Sistema Nervoso no Movimento Humano
Sistema nervoso no movimento humano
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante!
O que acontece em nosso sistema nervoso quando captamos um estímulo e precisamos
devolver com uma resposta motora, ou seja, um movimento?
Nesta videoaula você irá compreender qual o caminho que um estímulo percorre quando é
captado por um nervo periférico e transformado em um movimento.
Esse conteúdo é importante pois permitirá que você compreenda como o seu aluno responde a
uma ação a partir de um comando seu ou de uma atividade que você propõe em aula, e como
isso ajudará no seu processo de aprendizagem.
Preparado para essa emocionante aventura de conhecimento? Vamos lá, tem muito
conhecimento esperando por você!
Ponto de Partida
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Estudante, na aula anterior, você aprendeu sobre os aspectos morfofuncionais do sistema
nervoso, em que você viu sobre a divisão do sistema nervoso em central e periférico, suas
estruturas e funções.
Mencionamos que o sistema nervoso é responsável por captar as informações do ambiente ou
do próprio corpo, levá-las ao cérebro, onde é processada e elaborada uma resposta a essa
informação. Já sabendo disso, vamos precisar compreender agora como funciona esse caminho
dos nervos periféricos (que captam a informação do ambiente ou do próprio corpo) até o
sistema nervoso central (que processa e elabora uma resposta) e do sistema central até os
nervos periféricos. 
Para isso, vamos dar continuidade à situação de Mariana, que vai começar a ensinar habilidades
esportivas para crianças e adolescentes e decidiu se aprofundar mais nos estudos sobre o
sistema nervoso e como ele está envolvido com a aprendizagem motora. Já entendendo sobre
as estruturas que compreendem o sistema nervoso, suas funções e características, Mariana
começou a ter dúvidas sobre como essas informações chegam até o sistema nervoso central e
como elas retornam. São inervações especí�cas? Todos os movimentos passam pelo
processamento no cérebro? E como ocorre a interação do sistema nervoso com o músculo ao
realizar um movimento como resposta a um estímulo?
Nesta aula vamos aprofundar ainda mais o funcionamento do sistema nervoso na produção do
movimento. Toda essa informação irá te ajudar a compreender os aspectos do sistema nervoso
e muscular que envolvem a aprendizagem e o controle de movimentos.   
Vamos Começar!
Ao observar uma bola vindo em nossa direção, recebemos diversos estímulos, o que podemos
chamar de informações. Assim, recebemos informações sobre a distância que a bola está de
nós, do seu tamanho, da sua velocidade, de onde ela está vindo, dentre outros estímulos, a
depender do contexto. Além disso, recebemos informações do nosso próprio corpo, do
posicionamento dele como um todo, de seus segmentos, sentimentos (como medo ou
motivação) e assim por diante.
Essas informações são recebidas pelo nosso sistema nervoso periférico (SNP), ou seja, pelos
nervos dos órgãos que estão captando essas informações. Esses nervos possuem milhares de
neurônios conectados entre si, formando uma rede neural. Isso possibilita que essas
informações passem de neurônio em neurônio até chegar ao sistema nervoso central. Quando
essa informação chega ao cérebro, é onde tomamos consciência do que está acontecendo.
Dessa maneira, essas informações que chegam ao cérebro são processadas, e uma resposta é
selecionada. Assim, os nervos carregam essa informação de resposta de neurônio em neurônio
até que chegue aos músculos, para que sejam contraídos e realizem a ação desejada.
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Podemos perceber que existem duas vias aqui: a via que capta o estímulo e leva até o sistema
nervoso central e a via que leva a resposta até os músculos. Com isso, chamamos essa via que
capta o estímulo e leva até o sistema nervoso central (SNC) de via aferente ou sensitiva. Já a via
que leva a resposta do SNC ao órgão efetor (por exemplo, o músculo) é chamada de via eferente
ou motora.
Ainda, algumas vezes acontecem movimentos em que os estímulos não chegam ao nosso nível
de consciência; reagimos, literalmente, sem pensar. Você já deve ter feito aquela brincadeira de
bater em um local do joelho e a sua perna estender sozinha. Talvez você tenha ido ao médico e
ele fez esse mesmo teste com você. Neste caso, você não teve o desejo de estender a sua perna,
ela simplesmente se estendeu sozinha. O que acontece, nesse caso, é um movimento re�exo,
que nós veremos nesta aula também.
Via aferente ou sensitiva
Como abordado anteriormente, a via aferente ou sensitiva é a via que leva a informação do
ambiente e/ou sobre as condições internas do nosso corpo ao sistema nervoso central (SNC)
(Figura 1).
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Figura 1 | Representação da via aferente. Fonte: adaptada de Reshot.
As células que trabalham para que esse processo aconteça são os neurônios aferentes ou
sensitivos. Os neurônios aferentes se diferem dos outros dois tipos de neurônios (eferentes e
interneurônios) pois as suas terminações periféricas possuem um receptor sensorial que
transmite informações a partir de um estímulo especí�co. Os neurônios aferentes estão
situados, principalmente, no SNP, sendo que somente uma pequena parte de suas terminações
dos axônios centrais estão projetadas para dentro da medula espinhal para transmitir os sinais
do SNP para o SNC (Sherwood, 2010; Fox, 2007).
No entanto, nem sempre a informação do ambiente ou do nosso próprio corpo chega ao nosso
nível de consciência, ou seja, chega ao nosso cérebro. Algumas informações chegam somente
até a medula espinhal e já retornam com uma resposta rápida e involuntária. Essa resposta
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rápida e involuntária é chamada de re�exo. O re�exo é uma resposta que acontece sem que
desejemos, sem que tomemos consciência, por isso chamamos de movimento involuntário.
Sabe quando encostamos a mão sem querer no ferro quente e imediatamente a retiramos? A
retirada da nossa mão acontece por um movimento re�exo, ou seja, não tomamos consciência
antes de retirá-la. Isso acontece para nossa proteção, pois, por mais que essa transmissão de
informação que chega na pele e vai até o cérebro seja rápida, a resposta re�exa é mais rápida
ainda, o que evita danos maiores de queimadura. Esse processo que envolve receber a
informação pelos nervos da pele (SNP) e enviá-la até a medula para que uma resposta
involuntária e imediata aconteça é chamado de arco re�exo.Na avaliação psicomotora são analisados os seguintes
fatores psicomotores: tonicidade, equilibração, lateralização, noção do corpo, estruturação
espaço-temporal, praxia global e praxia �na.
Vamos compreender cada um desses fatores:
Tonicidade: é referente ao tônus muscular, ou seja, à tensão do músculo mesmo que em
repouso. Assim, a tonicidade re�ete o primeiro grau da maturação neurológica, na
aquisição de um padrão antigravídico na aquisição do desenvolvimento postural e da
motricidade. A tonicidade é a base fundamental da psicomotricidade, pois, sem essa
organização tônica como suporte, não há desenvolvimento das habilidades motoras e do
equilíbrio postural.
Equilibração: o equilíbrio é responsável pelos ajustes posturais antigravitacionais,
fornecendo suporte às habilidades motoras e ao controle postural, auxiliando nas posturas
estáticas (equilíbrio estático) ou posturas dinâmicas (locomoção). Para que o corpo �que
em equilíbrio, todas as forças que agem nele estão balanceadas, garantindo a noção de
distribuição de peso em relação ao espaço, tempo e eixo gravitacional.
Lateralização: diz respeito à preferência do indivíduo na utilização de um dos lados do
corpo, sendo assim uma capacidade de integração sensório-motora em ambos os lados do
corpo. A lateralização envolve vários níveis de identi�cação das partes do corpo, como, por
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exemplo: a identi�cação das partes do corpo no outro e em si mesmo, utilização
homolateral, contralateral ou ambidestra.
Noção do corpo: é compreendida como a recepção, análise e armazenamento das
informações do corpo, sendo representada pelo altas do corpo, com equivalentes visuais,
táteis, auditivos e cinestésicos.
Estruturação espaço-temporal: a estruturação espacial diz respeito a localização,
orientação, reconhecimento visoespacial, noção de distância, superfície, velocidade,
volume e assim por diante. Já a estruturação temporal diz respeito a ordem, duração,
processamento, armazenamento e rememorização do movimento. As estruturações
espacial e temporal estão interligadas no processo de aprendizagem.
Praxia global: é um movimento voluntário, intencional, realizado para alcançar um objetivo.
Este movimento é resultado de um planejamento nos níveis superiores (encéfalo) e de um
sistema de autorregulação. Os componentes de tonicidade, equilíbrio e lateralização são
responsáveis pela integração da praxia.
Praxia �na: são os movimentos �nos, realizados com as mãos. A praxia �na é muito
importante para a aprendizagem escolar, como, por exemplo, na escrita, leitura, pintura e
cálculo matemático.
O desenvolvimento psicomotor da criança deveria avançar em direção à aquisição do potencial
máximo de cada um desses fatores. No entanto, como a psicomotricidade é multifatorial, muitas
vezes, a criança apresenta alterações em um ou mais desses fatores, que podem gerar
di�culdades na execução da habilidade motora e/ou no seu processo de aprendizagem.
Siga em Frente...
Alterações psicomotoras e suas in�uências no processo de
aprendizagem
Qualquer alteração em um ou mais fatores psicomotores pode desencadear di�culdades na
realização de habilidades motoras e di�culdades no processo de aprendizagem. Sendo assim, as
tensões musculares desnecessárias, rigidez ou má-postura desencadeiam um desequilíbrio
motor e di�culdade na realização de habilidades motoras simples.
Por outro lado, quando não há estabilidade postural, ou seja, a pessoa tem di�culdades de se
manter em equilíbrio, não é possível que haja controle motor, e o nível de atenção à tarefa
diminui, o que compromete o sistema psicomotor e gera di�culdade na aprendizagem de
habilidades motoras.
Uma falta de entendimento do próprio corpo e localização de suas estruturas também é capaz
de provocar atrasos motores e di�culdades de aprendizagem. Por exemplo, uma criança com a
percepção tátil fraca pode apresentar uma noção de corpo prejudicada, o que pode interferir na
coordenação, na elaboração motora diferenciada e nas experiências na vida social e escolar.
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Além disso, crianças que apresentam di�culdades na estruturação espaço-temporal apresentam
di�culdades em tempo de bola, desviar de objetos e obstáculos, localização espacial, ritmo,
controle de objetos e tempo de reação, por exemplo.
Assim, entendendo que os fatores psicomotores estão interligados, você compreende que a
di�culdade em um ou mais deles desencadeia di�culdades em outros. Assim, di�culdades em
tonicidade, estabilização e lateralização acarretam di�culdades de praxia global e �na,
di�cultando o aprendizado tanto de habilidades motoras quanto cognitivas, como a escrita. É
importante compreender que uma alteração que cause incapacidade ou dano ao indivíduo é
considerada um transtorno.
Instabilidade, inibição e debilidade psicomotora
Os transtornos psicomotores são demonstrados por meio da instabilidade psicomotora,
debilidade psicomotora e inibição psicomotora.
A instabilidade psicomotora é o transtorno mais complexo apresentado e pode causar uma série
de outros transtornos decorrentes das reações do indivíduo que apresenta esse sinal. Neste
quadro, atividades musculares contínuas e incessantes são predominantes.
A debilidade psicomotora é caracterizada pela presença de paratonia e sincinesia. A paratonia
seria a presença de uma certa rigidez muscular, que pode ser ou não generalizada. Já a
sincinesia é a participação de músculos no movimento que não são necessários.
Por �m, a inibição psicomotora é quando ocorre uma debilidade psicomotora (paratonia e
sincinesia) com a presença constante da ansiedade.
Esses transtornos serão aprofundados mais adiante.
O conhecimento a fundo do aluno permite compreender seus aspectos psicomotores,
identi�cando as potencialidades e intervindo nas di�culdades. Assim, é importante que um per�l
psicomotor seja traçado para o direcionamento das atividades a serem propostas.
Vamos Exercitar?
Retomando a situação do início da aula.
Você trabalha em uma escola e, depois de convencer a diretora por meio de bate-papos a não
diminuir as aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e não tirar as aulas da
Educação Infantil, foi veri�cada a necessidade de os professores se aprofundarem mais no tema
da psicomotricidade. Assim, �cou estipulado que serão realizadas reuniões semanais para
discussão do assunto. Nesta segunda reunião, será discutido sobre o per�l psicomotor, as
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alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na aprendizagem motora. Assim, você �cou
com dúvida nos seguintes tópicos: o que contempla o per�l psicomotor? Como as alterações
psicomotoras podem in�uenciar na aprendizagem? Quais sinais o indivíduo apresenta quando
tem alterações psicomotoras?
O per�l psicomotor são as potencialidades e di�culdades da criança em sua psicomotricidade. É
contemplado pela tonicidade, equilibração, lateralização, noção de corpo, estruturação espaço-
temporal, praxia global e praxia �na. Qualquer alteração nesses fatores, e o indivíduo apresentará
di�culdade de aprendizagem, demonstrando alguns sinais, como: instabilidade, inibição ou
debilidade psicomotora. 
Saiba mais
Vamos nos aprofundar mais nos fatores psicomotores e compreender seu papel dentro da
organização funcional do cérebro e no processo de aprendizagem? Acesse o Capítulo 4 do livro
Transtorno psicomotor e aprendizagem, da sua biblioteca digital. 
 
 
Referências
FONSECA, V. Manual de observação psicomotora: signi�cação psiconeurológica dos fatores
psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018. 
Aula 3
Avaliação e Prevenção na Psicomotricidade
Avaliação e prevenção na psicomotricidade
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650063/pageid/0
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PSICOMOTRICIDADEEste conteúdo é um vídeo!
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula você irá aprender como podemos trabalhar em medidas de pro�laxias na
psicomotricidade e como podemos avaliar o desenvolvimento psicomotor. Além disso, você
entenderá como o desenvolvimento está correlacionado à idade cronológica.
Este conteúdo é importante para a sua formação, pois a partir dele você conseguirá elaborar
aulas envolvendo elementos motores pensando da educação psicomotora a ser fornecida ao
aluno. Além disso, você irá saber quais testes aplicar para a realização de uma avaliação
psicomotora. Por �m, saber sobre a relação entre idade cronológica e desenvolvimento lhe
permitirá compreender o que esperar do aluno em cada fase da vida.
Prepare-se para subir mais um degrau do seu conhecimento.
Ponto de Partida
Estudante, entender os conceitos e o que envolve a psicomotricidade é de grande importância
para o pro�ssional que trabalha com o movimento. No entanto, pensar na aula de forma que
esses conhecimentos sejam aplicados na tentativa de prevenir o agravamento de transtornos
também é importante. Além disso, reconhecer as ferramentas de análises do desempenho motor
ajudará a aplicá-las de forma e�ciente, garantindo bons resultados. Ainda, muitas vezes a idade
cronológica é relacionada ao desenvolvimento; será que essa é a melhor maneira?
Para compreendermos mais sobre esses assuntos mencionados, vamos à situação da aula.
Você trabalha em uma escola e, após conseguir convencer a diretora a manter as aulas de
Educação Física para o Ensino Fundamental I e II e para a Educação Infantil, por meio de bate-
papos sobre a psicomotricidade, �cou determinado que seriam realizadas reuniões para que
sejam aprofundados os assuntos relacionados a esse tema. Assim, na primeira reunião foi
discutida a importância da compreensão do corpo e suas funcionalidades para a criança, como
acontece o desenvolvimento da criança nos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais e
como o brincar pode in�uenciar o desenvolvimento psicomotor. Na segunda reunião, foi
discutido o per�l psicomotor, as alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na
aprendizagem motora. Para a terceira reunião, os temas serão: pro�laxia e educação motora,
como fazer uma avaliação psicomotora e qual a relação entre a idade cronológica e o
desenvolvimento. Como você poderá contribuir para o andamento dessa reunião?   
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Vamos Começar!
Uma das formas de prevenir o aparecimento ou o desenvolvimento de transtornos psicomotores
é trabalhar com a pro�laxia, utilizando uma educação psicomotora. Por outro lado, quando existe
uma descon�ança da existência de um transtorno, uma avaliação psicomotora é necessária.
Além disso, o desenvolvimento motor tem uma correlação com a idade cronológica que precisa
ser compreendida.
Pro�laxia e educação psicomotora
Pro�laxia tem como signi�cado a utilização de recursos ou procedimentos para prevenir o
aparecimento de doenças. Assim, uma forma de trabalhar com a prevenção de transtornos
psicomotores é a educação psicomotora.
A educação psicomotora é compreendida como uma ação psicopedagógica que faz o uso da
Educação Física para normalizar ou melhorar o comportamento motor de crianças,
principalmente aquelas que estão na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. A educação
psicomotora tem com fundamento a formação de uma base indispensável a todas as crianças
com desenvolvimento típico ou atípico. Além disso, ela tem como objetivos assegurar o
desenvolvimento funcional da criança e fornecer ajuda em sua afetividade, expandindo-a e
equilibrando por meio da troca com o ambiente humano (Pereira, 2018).
Na educação motora, exercícios e jogos adequados para cada faixa etária são utilizados para
que o desenvolvimento da criança aconteça de forma global. Assim, são incentivadas atividades
com o corpo, respeitando as próprias diferenças e despertando no indivíduo sua percepção,
expressão e criação em direção à autonomia. As atividades buscam o desenvolvimento da
criança de forma global, associado aos seus potenciais motores, afetivos, cognitivos e sociais,
fornecendo suporte e segurança. A atuação é proposta com base no desempenho motor,
estimulando as estruturas envolvidas no movimento e aperfeiçoando as possibilidades
perceptomotoras (Pereira, 2018).
Existem três metas as serem alcançadas na educação psicomotora: aquisição do domínio
corporal (trabalhando a lateralidade, orientação espaço-temporal, coordenação e �exibilidade);
controle da inibição voluntária (melhorar o nível de abstração, concentração e reconhecimento
dos objetos por meio dos sentidos) e desenvolvimento socioafetivo (reforçar as atitudes de
lealdade, solidariedade e companheirismo) (Pereira, 2018).
Assim, podemos dizer que a educação psicomotora procura aperfeiçoar os elementos
psicomotores que podem in�uenciar no desenvolvimento intelectual, social e afetivo da criança.
Avaliação psicomotora
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A avaliação psicomotora acontece por meio de uma anamnese e de testes motores que
analisam os elementos psicomotores. Na anamnese é interessante constar os dados pessoais
da pessoa avaliada, como nome, data de nascimento, sexo, endereço, telefone, nacionalidade,
naturalidade, nome dos pais, idade dos pais, pro�ssão dos pais e irmãos (idade e pro�ssão).
Além disso, pergunte as principais queixas, tratamentos e uso de medicações. Algumas
perguntas de antecedentes pessoais podem ser úteis, como: condições do nascimento, sucção e
alimentação, como foi o desenvolvimento motor e da linguagem, escolaridade e aspectos
neurológicos, emocionais e sociais. Em casos de avaliação de um menor de idade, é necessária
a presença de um responsável.
Juntamente com a anamnese, pode-se realizar uma avaliação psicomotora. Apresentaremos
aqui duas baterias de testes que possuem essa �nalidade: a Bateria Psicomotora (BPM)
(Fonseca, 1995) e a Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) (Rosa Neto, 2020).
A Bateria Psicomotora (BPM) avalia de forma quantitativa crianças de 4 a 12 anos nos fatores
psicomotores de tonicidade, equilibração, lateralização, noção do corpo, estruturação espaço-
temporal, praxia global e praxia �na. Sua aplicação leva em torno de 30 a 40 minutos e serve para
identi�car crianças com di�culdades de aprendizagem. É feita uma somatória da pontuação em
cada teste e com o total de pontos é possível classi�car pelo tipo de per�l psicomotor e o dé�cit
de aprendizagem (Fonseca, 1995).
A Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) avalia crianças de 2 a 11 anos nos elementos
psicomotores de motricidade �na, motricidade global, esquema corporal, organização espacial,
organização temporal e equilíbrio. A escala fornece dados como idades motoras, quocientes
motores, escala motora e per�l motor e é utilizada com crianças que apresentam di�culdades de
aprendizagem.
Outros testes são capazes de avaliar o desenvolvimento motor de crianças, como a Bateria de
Avaliação Motora para Crianças (MABC-2), o Teste de Desenvolvimento Motor Amplo (TGMD-3) e
o teste KTK. No entanto, esses testes focam em habilidades motoras e não nos elementos
psicomotores.
Siga em Frente...
Identi�cação dos níveis de desenvolvimento correlacionados à
idade cronológica
A classi�cação dos níveis de desenvolvimento pode ser realizada de diversas formas. A forma
mais conhecida, porém menos precisa, é a classi�cação pela idade cronológica. A idade
cronológica é a idade da pessoa em meses ou em anos, que é usada universalmente e
representa uma constante. Ao saber a data de nascimento, conseguimos calcular a idade em
anos. A tabela a seguir representa o desenvolvimento a partir da idade cronológica.
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Período Faixa etária
Vida pré-natal (da concepção ao nascimento) 
  Período zigoto Concepção – 1 semana
  Período embrionário 2 semanas – 8 semanas
  Período fetal 8 semanas – nascimento
O bebê (do nascimento aos 24 meses)  
  Período neonatal Nascimento – 1 mês
  Início do período de bebê 1 – 12 meses
  Restante do período de bebê 12 – 24 meses
Infância (dos 2 aos 10 anos)  
  Período entre 2 e 3 anos 24 – 36 meses
  Início da infância 3 – 5 anos
  Meio/�nal da infância 6 – 10 anos
Adolescência (dos 10 aos 20 anos)  
  Pré-puberdade 10 – 12 anos (meninas)
11 – 13 anos (meninos)
  Pós-puberdade 12 – 18 anos (meninas)
14 – 20 anos (meninos)
Juventude (dos 20 aos 40 anos)  
  Período inicial 20 – 30 anos
  Período de consolidação 30 – 40 anos
Meia idade (dos 40 aos 60 anos)  
  Transição da meia idade 40 – 45 anos
  Meia-idade 45 aos 60 anos
Adulto mais velho (60 anos +)  
  Velho jovem 60 – 70 anos
  Velho mediano 70 – 80 anos
  Velho mais velho 80 anos +
Tabela 1 | Classi�cação convencional por faixa etária. Fonte: adaptada de Gallahue, Ozmum e
Goodway (2013).
É importante ressaltar que o desenvolvimento é mais especí�co nos primeiros anos, depois se
torna mais geral no decorrer da vida. Assim, ao analisar essa tabela, entenda que o
desenvolvimento é relacionado à idade; no entanto, não depende dela.
Assim, a educação psicomotora acontece como uma forma de prevenção de possíveis
transtornos, que podem ser identi�cados a partir de uma avaliação psicomotora, mas é
importante levar em consideração o desenvolvimento a partir da idade cronológica.  
Vamos Exercitar?
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Vamos resolver a situação do início da aula.
Você trabalha em uma escola e, após conseguir convencer a diretora a manter as aulas de
Educação Física para o Ensino Fundamental I e II e para a Educação Infantil, por meio de bate-
papos sobre a psicomotricidade, �cou determinado que seriam realizadas reuniões para que
sejam aprofundados os assuntos relacionados a esse tema. Assim, na primeira reunião foi
discutido a importância da compreensão do corpo e suas funcionalidades para a criança, como
acontece o desenvolvimento da criança nos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais e
como o brincar pode in�uenciar o desenvolvimento psicomotor. Na segunda reunião, foi
discutido sobre o per�l psicomotor, as alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na
aprendizagem motora. Para a terceira reunião, os temas serão: pro�laxia e educação motora,
como fazer uma avaliação psicomotora e qual a relação entre a idade cronológica e o
desenvolvimento.
A educação motora é uma forma de trabalhar os elementos psicomotores em aula com os
alunos na tentativa de prevenir o agravamento de transtornos. A avaliação psicomotora pode ser
realizada por meio de anamneses ou testes motores já desenvolvidos. Desenvolvimento é
relacionado à idade, mas não depende dela.
Saiba mais
Para saber mais sobre como fazer uma anamnese, leia o Capítulo 6, Avaliação psicomotora, do
livro Transtorno psicomotor e aprendizagem, de Raquel de Carvalho Pereira, disponível na sua
biblioteca digital. No Capítulo 2 desse mesmo livro, você poderá encontrar mais informações
sobre educação psicomotora.
Para se aprofundar mais sobre a relação da idade cronológica com o desenvolvimento, você
pode ler nas páginas 28 e 29 do livro Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças,
adolescentes e adultos, de Gallahue, Ozmun e Goodway, disponível na sua biblioteca digital.
 
 
Referências
FONSECA, V. Manual de observação psicomotora: signi�cação psiconeurológica dos fatores
psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J.; GOODWAY, J. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês,
crianças, adolescentes e adultos. Porto Alegre: AMGH, 2013.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650063/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580551815/pageid/0
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PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.
ROSA NETO, F. Manual da Avaliação Motora – EDM III. 4. ed. Porto Alegre: EDM, 2020.  
Aula 4
Transtornos Psicomotores
Transtornos psicomotores
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Dica para você
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante,
Nesta videoaula você irá aprender sobre os transtornos que podem afetar o desempenho motor.
Assim, você verá os transtornos psicomotores, os transtornos psicossomáticos e orgânicos e os
transtornos de atenção, de aprendizagem e de desenvolvimento da coordenação.
O conteúdo desta aula é de grande importância para a sua formação, pois o ajudará a identi�car
os principais sinais e sintomas de possíveis transtornos para que você consiga alertar pais,
professores e outros pro�ssionais e agirem conforme o diagnóstico médico ou psicológico,
intervindo de maneira adequada.
Prepare-se para compreender ainda mais sobre os transtornos de desenvolvimento que afetam o
desempenho motor e a aprendizagem motora.
Ponto de Partida
Estudante, conhecer os transtornos existentes e saber aqueles que afetam o desempenho motor
é papel do pro�ssional que está envolvido com o movimento. Com esse conhecimento, você
torna-se capaz de identi�car as alterações cognitivas, motoras, sociais e emocionais para auxiliar
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no encaminhamento ao pro�ssional adequado. Assim, a partir de um diagnóstico, você consegue
ajudar no desenvolvimento por meio de uma intervenção adequada, respaldada em
conhecimento teórico. Assim, nesta aula, você aprenderá sobre os transtornos psicomotores,
transtornos psicossomáticos e orgânicos e transtornos de atenção, de aprendizagem e de
desenvolvimento da coordenação.
Para atendermos esse conteúdo, vamos à situação da aula. Você trabalha em uma escola em
que, em um primeiro momento, a diretora decidiu diminuir as aulas de Educação Física do Ensino
Fundamental I e II e tirá-las da Educação Infantil. Para convencer a diretora, uma série de
encontros foi realizada em que foram discutidos temas da psicomotricidade. A diretora não
somente �cou convencida, como propôs que os professores se aprofundassem nesse tema com
reuniões semanais. Assim, na primeira reunião foi discutido a importância da compreensão do
corpo e suas funcionalidades para a criança, como acontece o desenvolvimento da criança nos
aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais e como o brincar pode in�uenciar o
desenvolvimento psicomotor. Na segunda reunião, foi discutido sobre o per�l psicomotor, as
alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na aprendizagem motora. Para a terceira
reunião, os temas foram pro�laxia e educação motora, como fazer uma avaliação psicomotora e
qual a relação da idade cronológica com o desenvolvimento. Na quarta reunião serão abordados
os assuntos relacionados aos transtornos motores. Quais são os transtornos psicomotores? O
que são transtornos psicossomáticos e orgânicos? E quais outros transtornos podem in�uenciar
o desempenho psicomotor?   
Vamos Começar!
Nesta aula vamos abordar os transtornos de desenvolvimento. Mas, antes de iniciarmos a
abordagem sobre os transtornos psicomotores, vamos de�nir o que consideraremos como
transtorno. Utilizaremos a de�nição de Montagu (1962), de que transtorno é um distúrbio
estrutural e/ou funcional devido a uma falha genética ou embriológica ou devido a fatores
externos (lesão, doença, substâncias químicas, traumas), podendo ser inato ou adquirido. É
importante determinar aqui que os transtornos levam à incapacidade ou ao sofrimento
signi�cativo nas atividades sociais,escolares ou outras atividades importantes do dia a dia da
pessoa. Assim, quando o transtorno é analisado, é importante veri�car se existe um desvio do
normal, do padrão; se esse desvio acarreta prejuízo, incapacidade ou sofrimento para a pessoa; e
qual a intensidade e a frequência com que acontece um determinado comportamento, ou
qualquer sinal e sintoma.
Transtornos psicomotores
Os transtornos psicomotores são distúrbios na execução de um ou mais elementos
psicomotores, que acontecem sem nenhuma causa neurológica ou orgânica aparente. Dessa
maneira, os transtornos mais observados na psicomotricidade são: instabilidade psicomotora ou
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hipercinesia, debilidade psicomotora, inibição psicomotora, lateralidade cruzada e imperícia ou
apraxia motora. Vamos compreendê-los mais a fundo.
Instabilidade psicomotora ou hipercinesia: é uma instabilidade psíquica e motora em que
predomina uma atividade muscular incessante, até mesmo durante o sono. A pessoa não
consegue �xar a atenção em nada, mesmo que esteja interessada, levando ao prejuízo da
aprendizagem. Apresenta tanto alterações das funções motoras, da fala e da linguagem
como dos processos de pensamento, do sono, afetando aspectos emocionais, sociais e
escolares. Assim, a instabilidade psicomotora tende a ser o transtorno mais complexo e
pode causar uma série de prejuízos para a pessoa. A instabilidade psicomotora apresenta
atrasos no desenvolvimento motor e da maturidade geral e coordenação motora
prejudicada devido aos gestos bruscos e à falta de atenção.
Debilidade psicomotora: está relacionada a alterações na tonicidade muscular, são
observados re�exos osteotendinosos acentuados e imperícia nos movimentos voluntários.
Pode ser caracterizada pela paratonia ou sincinesia. A paratonia é a apresentação de
rigidez muscular, que pode aparecer nas quatro extremidades do corpo ou somente em
duas. Assim, a pessoa que apresenta paratonia realiza o movimento de forma rígida,
contraída, sem muita liberdade. Já a sincinesia é a realização de movimentos que não são
necessários, ou seja, alguns músculos são ativados sem que seja necessária sua
participação no movimento. Um exemplo disso são as pessoas que abrem a boca para se
equilibrar, ou colocam a língua para fora para escrever. A debilidade motora pode
comprometer a afetividade e a cognição e pode fazer com que a pessoa apresente apatia,
sonolência, falta de atenção e alterações motoras, cognitivas, da fala, in�uenciando nas
atividades escolares, no sono, nos aspectos sociais e emocionais. Aqui encontramos
pessoas com di�culdades de ritmo e de realizar movimentos �nos.
Inibição psicomotora: são as alterações vistas na debilidade psicomotora com a presença
constante da ansiedade. Assim, as pessoas com inibição psicomotora apresentam as
mesmas alterações da debilidade psicomotora, no entanto, apresentam um maior número
de distúrbios psicossomáticos dos diferentes sistemas corporais. Como a inibição
psicomotora apresenta as mesmas características da debilidade psicomotora, as pessoas
apresentarão di�culdades de ritmo e de realizar movimentos �nos.
Lateralidade cruzada: a lateralidade é a preferência na utilização de uma das partes
simétricas do corpo (direita ou esquerda), que está relacionada à utilização das mãos, olho,
ouvido e pernas. Quando há uma discordância na utilização de alguma dessas partes,
chamamos de lateralidade cruzada. É teorizado que o hemisfério esquerdo do nosso
cérebro controla o lado direito do nosso corpo, e o hemisfério direito controla o lado
esquerdo. Assim, acredita-se que é importante que haja uma especialização desses
hemisférios para garantir a e�ciência dos processos cerebrais. Quando a pessoa escreve
com a mão direita e chuta com a esquerda, por exemplo, percebe-se uma di�culdade maior
na aprendizagem, na escrita e na fala (Rosa Neto et al., 2013).
Imperícia ou apraxia motora: seria a incapacidade ou uma grande di�culdade em realizar os
movimentos de atividades corriqueiras, do dia a dia. O desenvolvimento cognitivo é normal,
mas a pessoa apresenta uma frustração por não conseguir realizar certos movimentos, o
que faz com que a ansiedade aumente e possa recorrer a agressividade. Os sinais mais
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comuns são di�culdades de coordenação motora �na, movimentos rígidos, falta de
adaptação da coordenação motora global e fadiga facilmente.   
Assim, a psicomotricidade possibilita um olhar global do ser humano, o que permite determinar
onde está o problema: no corpo, na cognição ou na afetividade. Saber identi�car os transtornos é
importante, pois eles podem afetar o processo de aprendizagem, acarretando prejuízos e
interferindo na vida. A partir de um diagnóstico preciso, é possível intervir para amenizar os
prejuízos.
Transtornos psicossomáticos e orgânicos
Transtornos psicossomáticos são aqueles nos quais os sintomas apresentados pelo corpo são
causados por distúrbios mentais ou emocionais. Esses sintomas provocam múltiplas queixas,
como dores generalizadas, diarreia, constipação, tremores nas extremidades, manchas na pele e
podem surgir em diferentes partes do corpo. No entanto, ao pesquisar as causas desses
sintomas, não há nenhuma alteração orgânica e muitas vezes não é possível fazer o diagnóstico.
Acredita-se que os transtornos psicossomáticos são desencadeados por desequilíbrios mentais,
como a falta de controle das emoções, dos sentimentos e do modo de pensar, que sobrecarrega
as funções orgânicas e atrapalha o funcionamento do corpo. Alguns fatores podem exercer
in�uência no desencadeamento de transtornos psicossomáticos, como: herança familiar,
traumas, tendência a negatividade e aos transtornos de personalidade, maior sensibilidade a dor,
in�uência ambiental, modo de enfrentamento dos problemas, di�culdade no controle das
emoções, fatores como depressão, ansiedade e estresse, isolamento social, angústia e tristeza.
Em contrapartida, os transtornos orgânicos acontecem a partir de problemas de natureza clínica,
por exemplo, infecções, distúrbios metabólicos, neoplasias, doenças cardíacas, acidente
vascular cerebral, doenças degenerativas. Ou seja, existem alterações �siológicas, biológicas e
bioquímicas no corpo que levam ao aparecimento de sinais e sintomas. No caso dos transtornos
mentais, quando são de origem orgânica, entendemos que existe uma doença, lesão ou
disfunção cerebral que contribui para o aparecimento de alterações na personalidade ou no
comportamento. Por exemplo, no caso do Mal de Parkinson, alterações �siológicas orgânicas
acarretam mudanças nos padrões motores da marcha. Assim, podemos entender que existe
uma causa �siológica para que uma incapacidade aconteça.
Assim, podemos dizer que, nos transtornos psicossomáticos, os sinais e sintomas não têm uma
causa �siológica, são distúrbios emocionais e mentais que geram sintomas no corpo. Já nos
transtornos orgânicos, existe uma causa �siológica possível de ser detectada por exames, que
acarreta o transtorno.
Siga em Frente...
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Transtornos de atenção, de aprendizagem e de desenvolvimento
da coordenação
Transtornos de atenção
O transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade (TDAH) é o transtorno neurocomportamental
de maior prevalência entre as crianças. Ele se manifesta por níveis inapropriados de falta de
atenção e hiperatividade e impulsividade, o que pode resultar em incapacidades de funções em
uma ou mais dessas áreas: acadêmica, social ou emocional. Além disso, pessoas com TDAH
podem apresentar em conjunto transtornos de aprendizagem, cognitivos, de linguagem, motor e
de saúde mental, sendo que 67% das crianças com TDAH apresentam algum transtorno
pediátrico ou de desenvolvimento coexistente. Os sinais e sintomas do TDAH aparecem antes
dos 12 anos, mas o TDAH pode ser diagnosticado em qualquer fase da vida (Antshel; Barkley,
2020).
Transtornos de aprendizagem
Os transtornos de aprendizagem acontecem quando a aprendizagem não ocorre dentrodo
esperado. Assim, pode ocorrer um atraso ou uma di�culdade de aprendizagem, que pode ser
resultado de uma possível disfunção do sistema nervoso central e que pode se manifestar em
privações da percepção, atenção, memória, linguagem e funções motoras (Pereira, 2018).
Diversos fatores podem causar os transtornos de aprendizagem, como: orgânicos (doenças),
cognitivos, neurológicos, psicológicos, pedagógicos, emocionais, socioeconômicos ou
socioculturais (Pereira, 2018).
Os transtornos de aprendizagem podem ser divididos em: dislexia, disgra�a, disortogra�a e
discalculia. A dislexia é a di�culdade na �uência correta na leitura e escrita e na habilidade de
decodi�cação e soletração, apresentando inversões, omissões e substituição de letras ou
sílabas. A disgra�a é a di�culdade na execução da escrita, caracterizada por alterações na
pressão da letra, signos grá�cos indiferenciados, falta de harmonia e movimentos dissociados. A
disortogra�a é a incapacidade de escrever corretamente a linguagem oral, apresentando trocas
ortográ�cas, confusão de letras, problemas de ligação lógica de ideias. Por �m, a discalculia é o
distúrbio do pensamento quantitativo, apresentando di�culdades na matemática, em processar
números e resolver problemas (Pereira, 2018).
Transtorno de desenvolvimento da coordenação
O transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC) refere-se a di�culdades de execução de
habilidades motoras, que não ocorrem devido a problemas cognitivos, sensoriais ou
neurológicos. A pessoa com TDC apresenta di�culdades na realização de tarefas do dia a dia,
como vestir-se, amarrar cadarços ou abotoar camisa; e em atividades físicas, como saltar, chutar
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
uma bola ou driblar. Apresenta também falta de equilíbrio, ritmo, orientação espacial e
coordenação motora, podendo in�uenciar negativamente a sua vida acadêmica e social. O TDC
pode ser um transtorno coexistente com o TDAH, o transtorno do espectro autista e transtornos
de aprendizagem (Pulzi; Rodrigues, 2015).
Assim, podemos perceber que os transtornos podem in�uenciar o desenvolvimento da criança
em seus aspectos motores, cognitivos, emocionais e sociais. A detecção e diagnóstico desses
transtornos é importante para que uma intervenção adequada seja feita. É importante ressaltar
que um indivíduo pode apresentar mais de um transtorno coexistente. O diagnóstico é feito por
meio de psicólogos e médicos especializados, mas os pro�ssionais envolvidos com o
movimento podem ser capazes de perceber alterações e fazer o alerta aos pais para que
procurem esses pro�ssionais.  
Vamos Exercitar?
Agora que você já aprendeu sobre os transtornos de desenvolvimento, voltamos à situação da
aula.
Você trabalha em uma escola em que, em um primeiro momento, a diretora decidiu diminuir as
aulas de Educação Física do Ensino Fundamental I e II e tirar as da Educação Infantil. Para
convencer a diretora, uma série de encontros foi realizada em que foram discutidos temas da
psicomotricidade. A diretora não somente �cou convencida, como propôs que os professores se
aprofundassem nesse tema com reuniões semanais. Assim, na primeira reunião foi discutido a
importância da compreensão do corpo e suas funcionalidades para a criança, como acontece o
desenvolvimento da criança nos aspectos somáticos, afetivos, cognitivos e sociais e como o
brincar pode in�uenciar o desenvolvimento psicomotor. Na segunda reunião, foi discutido sobre
o per�l psicomotor, as alterações psicomotoras e como elas in�uenciam na aprendizagem
motora. Para a terceira reunião, os temas foram pro�laxia e educação motora, como fazer uma
avaliação psicomotora e qual a relação da idade cronológica com o desenvolvimento. Na quarta
reunião serão abordados os assuntos relacionados aos transtornos motores. Quais são os
transtornos psicomotores? O que são transtornos psicossomáticos e orgânicos? E quais outros
transtornos podem in�uenciar o desempenho psicomotor?
Os transtornos psicomotores são: instabilidade psicomotora ou hipercinesia, debilidade
psicomotora, inibição psicomotora, lateralidade cruzada e imperícia ou apraxia motora. Os
transtornos psicossomáticos são distúrbios emocionais e mentais que geram sintomas no
corpo, e os transtornos orgânicos apresentam uma causa �siológica possível de ser detectada
por exames, o que acarreta o transtorno. O desempenho psicomotor pode também ser
in�uenciado pela existência de outros transtornos, como: TDAH, transtornos de aprendizagem e
TDC.
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Saiba mais
Para saber mais sobre os transtornos psicomotores e os transtornos de aprendizagem, leia os
Capítulos 1 e 2 do livro: Transtorno psicomotor e aprendizagem, de Raquel Pereira.
Para saber mais sobre TDAH, leia o artigo Transtorno de dé�cit de atenção e hiperatividade
(TDAH), inclusão educacional e treinamento, desenvolvimento e educação de pessoas (TD&E):
uma revisão integrativa.
Já sobre o transtorno de desenvolvimento da coordenação, leia o artigo Transtorno do
desenvolvimento da coordenação: revisão sistemática da produção cientí�ca no banco de dados
da Scielo.
 
 
Referências
ABRAHÃO, A. L. B. et al. Transtorno de Dé�cit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), inclusão
educacional e Treinamento, Desenvolvimento e Educação de Pessoas (TD&E): uma revisão
integrativa. Revista Psicologia: Organizações e Trabalho, v. 20, n. 2, p. 1025-1032, 2020.
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v20n2/v20n2a09.pdf. Acesso em: 1º abr.
2024.
ANTSHEL, K. M.; BARKLEY, R. Chapter 3 – Attention de�cit and hyperactivity disorder. Handbool
of clinical neurology, v. 174, 2020.
MONTAGU, A. On the distinction between disease and disorder. JAMA, 1962.
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.
PULZI, W.; RODRIGUES, G. M. Transtorno do desenvolvimento da coordenação: uma revisão de
literatura. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 21, n. 3, 2015
ROSA NETO, F. et al. A lateralidade cruzada e o desempenho da leitura e escrita em escolares.
Revista CEFAC, v.15, n. 4, 2013.
SODRÉ, M. P. F.; SANTOS, F. F. dos; SANTOS, J. O. L. dos. Transtorno do desenvolvimento da
coordenação: revisão sistemática da produção cientí�ca no banco de dados da Scielo. BIUS –
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788554650063/pageid/0
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v20n2/v20n2a09.pdf
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v20n2/v20n2a09.pdf
http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpot/v20n2/v20n2a09.pdf
https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/9192
https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/9192
https://www.periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/9192
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Boletim Informativo Unimotrisaúde em Sociogerontologia, v. 25, n. 19, jul. 2021. Disponível em:
https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/9192. Acesso em: 1º abr. 2024.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, na videoaula desta unidade você aprenderá como a psicomotricidade é aplicada na
atuação pro�ssional. Assim, você irá compreender a relação do corpo e do brincar com a
psicomotricidade, verá quais são as alterações psicomotoras e quando podemos considerar que
essas alterações sejam transtornos. Aprenderá, também, como prevenir o agravamento de
alterações motoras e quais avaliações podem ser realizadas para detectar essas alterações.
Esse conteúdo é de grande importância para sua formação, pois permitirá que você saiba
trabalhar de maneira preventiva com as crianças, buscando uma intervenção baseada em um
processo avaliativo, e consigaidenti�car possíveis transtornos.
Prepare-se para se aprofundar nesse assunto muito interessante da psicomotricidade.
Ponto de Chegada
Estudante, para atingirmos os objetivos desta unidade, abordamos as seguintes competências:
saber como aplicar os conceitos aprendidos sobre psicomotricidade no brincar da criança,
fazendo a relação com o seu corpo, e como utilizar esses conhecimentos para prevenção por
meio da educação psicomotora. Além disso, pretendemos entender como avaliar os aspectos da
psicomotricidade e conhecer os transtornos psicomotores, além de outros transtornos que
podem afetar o desempenho motor.
https://periodicos.ufam.edu.br/index.php/BIUS/article/view/9192
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
Para chegar a essas competências, você compreendeu a estrutura corporal e suas
possibilidades funcionais, entendendo como acontece o desenvolvimento físico, afetivo, social e
cognitivo da criança de acordo com a sua idade, percebendo como o brincar contribui para o seu
desenvolvimento. Você compreendeu ainda que algumas pessoas apresentam alterações
psicomotoras que podem ser trabalhadas e melhoradas, mas, quando começam a causar danos
e incapacidades para a pessoa, elas passam a ser consideradas transtornos. Esses transtornos
podem ser psicomotores, ou seja, relacionados aos elementos psicomotores, ou de outra
natureza, in�uenciando de maneira negativa o desempenho motor. Além disso, você aprendeu
que, a partir de uma avaliação motora, você pode ser capaz de determinar um per�l psicomotor
para, caso necessário, realizar a intervenção mais adequada. Você também entendeu que a
prevenção de um agravo dessas alterações pode ser bené�ca, e que uma educação motora pode
ajudar a construir uma base motora para a vida e auxiliar na aprendizagem não só motora, como
também cognitiva, afetiva e emocional.   
Re�ita
Como a noção de corpo e o brincar in�uenciam no desenvolvimento psicomotor?
Como avaliar o desenvolvimento psicomotor?
Quais transtornos podem afetar a psicomotricidade?  
É Hora de Praticar!
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Você tem formação em Educação Física, especializou-se em psicomotricidade e foi convocado
para dar uma palestra sobre transtornos do desenvolvimento que afetam a psicomotricidade:
como prevenir, como avaliar e intervir.
Para preparar a palestra você seleciona três perguntas-chave que nortearão os objetivos da
palestra. As perguntas são:
Qual é o aspecto mais importante da prevenção na psicomotricidade?
Como avaliar a psicomotricidade?
Quais outros transtornos podemos analisar ao pensar em desempenho motor? 
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
As respostas para essas perguntas vão direcionar a sua palestra. Assim, é importante abordar a
educação psicomotora e o seu papel na prevenção, apontando seus objetivos e forma de
trabalho. Sobre a avaliação da psicomotricidade, é importante falar que ela precisa de uma
avaliação multipro�ssional, que o diagnóstico pertence a médicos especialistas e psicólogos,
mas que o pro�ssional que trabalha com o movimento pode fazer uso de uma anamnese
completa e de baterias de testes. A partir dos resultados é possível uma conversa com os pais e
outros pro�ssionais e desenvolver os aspectos que tiveram um desempenho ruim nos testes. É
importante falar também dos transtornos psicomotores, aqueles relacionados aos elementos
psicomotores, e falar sobre os transtornos de atenção (TDAH), de aprendizagem e de
desenvolvimento da coordenação (TDC), que podem afetar o desempenho motor.  
Para �nalizar, a seguir, conheça uma síntese dos nossos estudos.
A psicomotricidade na infância tem um olhar para o desenvolvimento dos aspectos motores,
cognitivos, sociais e afetivos que estão relacionados com a idade, mas não dependem dela.
Comportamentos padrões são observados para que possamos identi�car o que está alterado e
onde se apresentam danos ou incapacidades para a criança. 
FONSECA, V. Manual de observação psicomotora: signi�cação psiconeurológica dos fatores
psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GUSI, E. G. B. Psicomotricidade relacional. Curitiba: Contentus, 2020.
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
PEREIRA, R. de C. Transtorno psicomotor e aprendizagem. Rio de Janeiro: Thieme Revinter
Publicações, 2018.Para compreender melhor, observe a Figura 2: uma pessoa encostou no ferro quente sem querer;
assim, essa informação foi transmitida via neurônios aferentes (via aferente ou sensitiva) para a
medula espinhal, a qual enviou uma resposta imediata via neurônios eferentes (via eferente ou
motora) para que o músculo contraísse para a retirada da parte que encostou no ferro.
Figura 2 | Demonstração do arco re�exo pelo re�exo de retirada. Fonte: adaptada de Reshot e Wikimedia Commons.
Assim, a via aferente pode levar informação tanto para o cérebro, quando chega ao nível de
consciência para a tomada de decisão da resposta a ser dada, quanto para a medula espinhal,
como um movimento re�exo, ou seja, involuntário e rápido.
Vias eferentes
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
A via eferente ou motora é aquela que transmite a informação do SNC e envia para um órgão
efetor, por exemplo, músculos e glândulas.
Figura 3 | Representação da via eferente. Fonte: adaptada de Reshot e Wikimedia Commons.
As células presentes nessa via são os neurônios eferentes ou motores. Os neurônios motores
podem ser somáticos ou autônomos. Os neurônios motores somáticos são aqueles
responsáveis pelo controle do músculo esquelético e do movimento re�exo. Já os neurônios
motores autônomos controlam os músculos lisos, cardíaco e glândulas. Por serem responsáveis
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
pelos movimentos involuntários do nosso corpo (batimento cardíaco, digestão, funções do
intestino), os neurônios motores autônomos não serão abordados nesta disciplina.
Vimos até aqui que os neurônios se conectam entre si, transmitindo informações. Essa conexão
entre os neurônios é chamada de sinapse. Mas então vem a pergunta: como essa informação é
passada para o músculo para que ele se contraia para realizar a ação?
Um neurônio especí�co, o qual chamamos de neurônio motor (ou motoneurônio), se conecta a
várias �bras musculares, formando o que chamamos de unidade motora. Essa conexão entre
neurônio motor e �bras musculares é feita por sinapses também, e recebe o nome de junção
neuromuscular. Nessa junção, as terminações nervosas do axônio se encaixam na �bra
muscular, então, essa membrana da �bra muscular passa a se chamar placa motora (Figura 4). 
Figura 4 | Representação da unidade motora e da junção neuromuscular. Fonte: adaptada de Freepik.
 
Siga em Frente...
Integração do sistema nervoso e sistema muscular no
movimento
Para compreendermos sobre a integração entre sistema nervoso e sistema muscular, o que
chamamos de sistema neuromuscular, precisamos primeiro entender sobre o músculo.
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
O corpo humano é formado por três tipos de tecidos musculares, que são: o músculo
esquelético, o músculo liso e o músculo cardíaco. O músculo cardíaco é encontrado no coração
e o músculo liso é encontrado nos órgãos e estruturas tubulares internas, como a bexiga,
estômago e vasos sanguíneos. O músculo que nos interessa aqui é o músculo esquelético, o
qual permite a realização dos movimentos corporais.
Os músculos esqueléticos são formados por células longas e cilíndricas conhecidas como �bras
musculares, que estão organizadas em paralelo. Várias �bras musculares são envolvidas por um
tecido conjuntivo e, juntos, formam os fascículos. Entre os fascículos, encontramos �bras
colágenas e elástica, nervos e vasos sanguíneos. O conjunto de fascículos também envolvido
por tecido conectivo forma o músculo, que se conecta aos tendões e ossos por meio desse
mesmo tecido (Figura 5) (Fox, 2017).
Figura 5 | O músculo. Fonte: adaptada de Freepik.
Dessa maneira, quando existe a necessidade de uma resposta motora, o SNC envia o sinal
elétrico (potencial de ação), que percorre os neurônios até chegar a um neurônio motor
conectado às �bras musculares. Assim, as placas motoras são acionadas e o estímulo será
produzido em cada uma das �bras musculares que estão inervadas por esse neurônio motor.
Quando o sinal elétrico chega até a placa motora, ele induz a liberação do neurotransmissor
acetilcolina (ACh), que propaga o estímulo elétrico por toda a �bra muscular. Esse sinal elétrico
estimula a liberação de íons de cálcio, que induzem a interação entre os �lamentos de actina e
miosina, que realizam a contração muscular e, consequentemente, a força (Fox, 2017).
De uma forma resumida, recebemos a informação do ambiente ou do nosso corpo e enviamos
para o SNC por meio dos neurônios aferentes, caracterizando a via aferente. Assim, essa
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
informação é processada e sinais elétricos (potenciais de ação) são enviados, via neurônios
eferentes (via eferente). Para que essa ação ocorra, neurônios motores conectados a �bras
musculares pela junção neuromuscular conduzem esse potencial de ação às �bras fazendo com
que ocorra a liberação do neurotransmissor ACh e se realize a contração.
 
 
Vamos Exercitar?
Relembrando a situação colocada no início da aula. Mariana está estudando para adquirir
conhecimento para ajudar nas suas aulas, em que ela ensinará habilidades esportivas para
crianças e adolescentes. Ela já adquiriu o conhecimento sobre as estruturas e o funcionamento
do sistema nervoso. Agora, suas dúvidas são outras. Ela quer saber como as informações
chegam até o sistema nervoso central e como elas retornam. São inervações especí�cas? Todos
os movimentos passam pelo processamento no cérebro? E como ocorre a interação do sistema
nervoso com o músculo ao realizar um movimento como resposta a um estímulo?
Recebemos a informação do ambiente ou do nosso corpo e enviamos para o SNC por meio de
inervações especí�cas denominadas neurônios aferentes. Assim, essa informação é processada
no SNC, e sinais elétricos (potenciais de ação) são enviados via neurônios eferentes para que
uma ação seja realizada. Para que essa ação ocorra, os neurônios motores estão conectados às
�bras musculares pela junção neuromuscular e conduzem esse potencial de ação às �bras
fazendo com que ocorra a liberação do neurotransmissor ACh e se realize a contração do
músculo que irá executar a ação desejada.
Quando o movimento é voluntário, a informação recebida vai até o cérebro, onde é processada e
uma resposta é selecionada, ou seja, tomamos consciência desse estímulo e decidimos o que
fazer. No entanto, às vezes, a informação recebida não vai até o cérebro, chegando até a medula
espinhal, e a resposta é elaborada e enviada sem que tenhamos consciência. Esse tipo de
movimento é conhecido como re�exo, e esse trajeto dos nervos periféricos aferentes até a
medula espinhal e da medula espinhal até o músculo é denominado arco re�exo.  
Saiba mais
Para se aprofundar mais no funcionamento do arco re�exo e da contração muscular, leia o
Capítulo 19 do livro Fisiologia do exercício, disponível na biblioteca digital.
MCARDLE, W. et al. Fisiologia do exercício: nutrição, energia e desempenho humano. Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:39
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527730167/epubcfi/6/2[%3Bvnd.vst.idref%3Dcover]!/4/2/2%4051:39
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O Capítulo 5 do livro Fisiologia Básica, sobre contração muscular, poderá te ajudar a
compreender o processo de contração muscular. A leitura poderá ser feita da página 113 até a
página 120.
SILVA, F. T.; BONJARDIM, L. R. Contração muscular. In: QUINTANS JÚNIOR, L. J. et al. Fisiologia
básica. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD, 2009.
 
 
Referências
FOX, S. I. Fisiologia humana. Barueri, SP: Manole, 2007.
MOURÃO JÚNIOR, C. A. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
SANTOS, N. C. M. Anatomia e �siologia humana. São Paulo: Érica, 2014
SILVA, F. T.; BONJARDIM, L. R. Contração muscular. In: QUINTANS JÚNIOR, L. J. et al. Fisiologia
básica. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe, CESAD,2009. p. 111-124.
SILVERTHORN, D. U. Fisiologia humana: uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed, 2017.
Aula 3
Funcionamento do Sistema Nervoso Durante a Aprendizagem
Funcionamento do sistema nervoso durante a aprendizagem
https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/15181716022012Fisiologia_Basica_aula_5.pdf
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula você verá como os aspectos cognitivos afetam o movimento humano, ou seja,
como o estímulo recebido é interpretado no cérebro. Além disso, você entenderá como
funcionam as áreas encefálicas responsáveis pelas nossas emoções. Por �m, você verá as
diferenças entre os movimentos voluntários, automáticos e re�exos.
Com esse conteúdo você será capaz de compreender o papel do processamento cognitivo e das
emoções na aprendizagem motora e, ainda, como pensar no processo de aprendizagem motora
a partir dos diferentes tipos de movimentos.
E aí, vamos iniciar mais uma jornada de conhecimento? 
Ponto de Partida
Estudante, você já se perguntou como um estímulo percebido por você é interpretado? Quem faz
essa “tradução” para que chegue ao seu entendimento o que está acontecendo a sua volta para
que você seja capaz de responder com um movimento? Em outras palavras, como identi�co que
um objeto vindo em minha direção é uma bola? Como calculo a distância e a velocidade em que
essa bola está vindo?
Para explicar todo esse funcionamento, vamos relembrar a situação de Mariana. Mariana vai
ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes e está se aprofundando nos estudos
sobre o sistema nervoso e como ele está envolvido com a aprendizagem motora. Já conhecendo
as estruturas que compreendem o sistema nervoso, suas funções, características e como as vias
aferentes e eferentes funcionam, Mariana quer saber agora qual sistema processa essas
informações para que a resposta seja dada. Além disso, qual o órgão responsável pelas
emoções e se elas podem in�uenciar no processo de aprendizagem. Uma outra dúvida de
Mariana seria, a partir dessas informações percebidas, quais movimentos é possível realizar. 
Nessa aula vamos nos aprofundar nas questões cognitivas e emocionais do ser humano no seu
processo de produção de movimentos, pensando nos aspectos da aprendizagem e da
psicomotricidade. Com esse conteúdo você será capaz de compreender a função da cognição
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na aprendizagem, como as emoções são controladas e as diferenças entre os tipos de
movimentos.
Vamos Começar!
Os estímulos que recebemos do ambiente ou do próprio corpo são percebidos pelo nosso
sistema nervoso e interpretados pelo nosso cérebro. O processo de interpretação e elaboração
de uma resposta é chamado de processo cognitivo. Além disso, algumas estruturas do cérebro e
tronco encefálico são capazes de adicionar a essas informações sentimentos e emoções. Tudo
isso irá in�uenciar como responderemos a esse estímulo por meio da ação motora.
Processos cognitivos superiores e aprendizagem motora
As informações recebidas do ambiente são ativadas pelos nossos órgãos dos sentidos (visão,
audição, tato, paladar e olfato), que nos causam sensações. Essas sensações, quando
interpretadas, tornam-se percepções. A partir daí, ocorrem as primeiras interações do sistema
nervoso central com essas informações percebidas que chegam, sendo elas organizadas por um
terceiro processo denominado cognição.
A cognição engloba a aprendizagem, a memória, a percepção, a linguagem, a capacidade de
compreensão, o pensamento e o raciocínio, tendo como �nalidade organizar como pensamos e
construímos nossos pensamentos.
A aprendizagem motora tem relação direta com os processos cognitivos, pois o movimento
aprendido é resultado da interação do sistema nervoso (organização das informações,
percepção e elaboração da resposta) com o sistema muscular (que vai realizar a ação).
Tente lembrar a última vez que aprendeu um movimento novo. Possivelmente, esse movimento
saiu bem descoordenado, feio e impreciso. Caso você tenha continuado praticando esse mesmo
movimento, provavelmente você teve uma melhora na sua execução. Isso acontece porque você
tem em mente (cognição) um movimento ideal que quer realizar e, a cada prática, você envia
comandos aos músculos para que esse movimento seja realizado cada vez mais próximo do
desejado. Assim, cada tentativa de prática lhe permite comparar o que você fez com o ideal e
corrigir para a próxima tentativa. Podemos dizer que, com a prática, você vai estabelecendo
conexões nervosas (sinapses) mais fortes e frequentes, e o mesmo acontece com a junção
neuromuscular. Assim, o movimento humano voluntário está ligado ao pensamento, ou seja, ao
desejo de realizar o movimento e como se organiza essa resposta. Enquanto os processos
cognitivos preparam, planejam e elaboram as ações, o sistema motor executa essas ações.
No início da aprendizagem de movimentos, ocorre mais a utilização dos processos cognitivos,
em que é necessário pensar mais no movimento, administrar as informações do professor ou
técnico e compreender a ação a ser executada. Conforme o movimento vai sendo aprendido, os
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processos cognitivos vão diminuindo e o movimento vai se tornando cada vez mais automático,
até que o realizamos sem que precisemos pensar em sua execução.
As áreas encefálicas que controlam as emoções
Já vimos que o encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo e tronco encefálico. Para entendermos
sobre o controle das emoções, precisamos explorar ainda mais essa estrutura. Na Figura 1, você
pode ver o encéfalo em um corte sagital, ou seja, dividindo-o em um hemisfério, sendo possível
visualizar a parte interna. Essas estruturas em conjunto formam um sistema responsável pelas
nossas emoções, chamado de sistema límbico. O sistema límbico é formado pelo giro do
cíngulo, amígdala, hipocampo, os núcleos da área septal e o hipotálamo, formando um anel em
torno do tronco encefálico (Krebs; Weinberg; Akesson, 2013; Fox, 2007). Assim, os nervos
sensitivos recebem informações, as quais são interpretadas pelo hipotálamo, giro do cíngulo e
hipocampo, e o funcionamento �siológico das emoções é ativado (Moraes, 2020; Krebs;
Weinberg; Akesson, 2013). Sugere-se que o sistema límbico esteja envolvido nas seguintes
emoções: agressão, medo, fome, impulso sexual e sistema de recompensa e punição, felicidade,
tristeza e desgosto (Fox, 2007; Bear, 2017).
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Figura 1 | Estruturas do sistema límbico. Fonte: adaptada de Freepik.
Assim, sabendo que existe uma conexão entre o sistema cognitivo e o motor, como vimos, as
emoções controladas pelo SNC também podem in�uenciar as ações motoras, uma vez que as
emoções sentidas afetarão o estado de motivação e ativação no processo de aprendizagem do
movimento e no desempenho.
 
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Siga em Frente...
O controle dos movimentos re�exos, automáticos e voluntários
Movimentos re�exos
Os movimentos re�exos são respostas rápidas e pré-programadas do sistema nervoso,
desempenhando um papel crucial em nossa capacidade de interação com o ambiente. Podemos
dizer que esses movimentos são respostas involuntárias e automáticas do sistema nervoso a
estímulos especí�cos, sem a necessidade de intervenção consciente, ou seja, sem a
necessidade de que seja processado no encéfalo.
Características marcantes desses movimentos incluem sua velocidade surpreendente e a
aparente simplicidade de execução. Ao sermos submetidos a um estímulo, comoum toque
quente ou um susto repentino, nosso sistema nervoso desencadeia respostas motoras rápidas
que visam proteger o organismo ou ajustar a postura corporal. Essa e�ciência é fruto de uma
intricada rede de comunicação neural, na qual neurônios sensoriais, interneurônios e neurônios
motores colaboram harmoniosamente.
Os movimentos re�exos são comuns em bebês desde o ventre da mãe até um ano de vida.
Assim, o bebê reage de maneira involuntária, com movimentos estereotipados, e, conforme vai
amadurecendo e interagindo com o ambiente, esses re�exos vão diminuindo e movimentos
voluntários se iniciam, até que, com um ano de idade, esses movimentos re�exos desaparecem e
outros se iniciam, como o re�exo patelar, por exemplo (Gallahue; Ozmum; Goodway, 2013).
O re�exo patelar é muito testado por neurologistas e pediatras. Para isso, os pacientes se
mantêm sentados com as pernas livres e relaxadas e, então, o médico bate levemente com um
martelo de ponteira emborrachado no tendão patelar, e a perna se estende naturalmente. Isso
acontece porque nesse tendão existem receptores que enviam essa informação do toque até a
medula, que retorna com uma resposta imediata e re�exa.
Alguns movimentos re�exos são realizados por intermédio de estruturas presentes no nosso
corpo, como, por exemplo, o fuso muscular. O fuso muscular é uma estrutura localizada na
região do ventre muscular e que se alonga até a medula espinhal, onde faz conexões com
neurônios motores que se ligam ao ventre muscular. Assim, quando um músculo é estirado
muito rapidamente, essa informação é enviada para a medula via nervos aferentes, uma
informação imediata é conduzida via nervos eferentes e uma resposta involuntária ocorre. Isso
acontece como forma de proteger o músculo para que ele não seja estirado em excesso.
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Outra estrutura muscular envolvida nos movimentos re�exos é o órgão tendinoso de Golgi (OTG).
Ele se localiza na intersecção entre o tendão e o ventre muscular, repleto de �bras aferentes
sensitivas, que são ativadas quando há uma pressão ou tração naquele músculo. 
Assim, o movimento re�exo ocorre quando uma estrutura é estimulada (por receptores na pele,
como é o caso da queimadura, por um estiramento do músculo ou por uma pressão no tendão),
esse estímulo é transmitido até a medula espinhal pelas vias aferentes ou sensitivas, e uma
resposta estereotipada é produzida rapidamente e enviada ao músculo para que realize a ação
pelas vias eferentes ou motoras. Todo esse ciclo é conhecido como arco re�exo. Essas
informações sobre o estímulo não chegam ao encéfalo nesse caso, ou seja, não tomamos
consciência primeiro para depois elaborarmos uma resposta; essa resposta acontece de forma
automática. 
Movimentos automáticos
Apesar de os movimentos re�exos serem elaborados de forma automática, eles não entram na
classi�cação de movimentos automáticos. Se você parar para pensar, quando decidimos
caminhar, não pensamos a cada passada no que devemos fazer. Simplesmente decidimos que
vamos iniciar uma caminhada e os passos saem. O mesmo acontece com o movimento de
varrer a casa ou de escovar os dentes. Nós determinamos quando iniciamos e quando paramos,
e o que fazemos no meio disso nem sempre é pensado.
Os movimentos automáticos são respostas motoras pré-programadas e, muitas vezes,
inconscientes, desencadeadas por estímulos especí�cos ou pela necessidade de realizar ações
rotineiras. Estão enraizados no sistema nervoso, agindo como uma rede so�sticada que permite
ao corpo reagir de maneira rápida e e�ciente diante de determinadas situações.
Uma característica notável dos movimentos automáticos é sua execução sem a necessidade de
um controle consciente. Esses movimentos, como correr e andar, aparentemente simples, são
orquestrados por mecanismos automáticos que economizam energia cognitiva e permitem que
nos concentremos em tarefas mais complexas.
Outro ponto relevante é a rapidez com que esses movimentos ocorrem. Diante de um estímulo,
seja um objeto que se aproxima rapidamente ou uma superfície escorregadia, o corpo responde
de maneira instantânea e ajusta seus movimentos para evitar possíveis danos. Essa agilidade é
resultado de uma comunicação e�ciente entre diferentes partes do sistema nervoso, que operam
em harmonia para garantir uma resposta imediata. Assim, os movimentos automáticos possuem
um envolvimento cognitivo diminuído, ou seja, são atividades rotineiras para as quais não
precisamos despender atenção. 
Movimento voluntário
Caracterizados por um controle consciente, os movimentos voluntários representam a fusão
harmoniosa entre a mente e o corpo. Cada gesto, desde o mais sutil até o mais dinâmico, é uma
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expressão direta da intenção individual, marcado pela nossa vontade de realizá-lo.
Ao contrário dos movimentos automáticos e re�exos, os movimentos voluntários requerem a
participação ativa do córtex cerebral. Este é o centro de comando onde decisões são tomadas,
planos são elaborados, e a execução do movimento é cuidadosamente orquestrada. Essa
integração intricada entre o sistema nervoso central e o sistema muscular confere aos
movimentos voluntários uma riqueza de detalhes e uma gama diversi�cada de possibilidades.
A aprendizagem desempenha um papel central nesse domínio. Desde os primeiros passos de
uma criança até a e�ciência de um atleta, os movimentos voluntários são moldados pelo
processo contínuo de prática e re�namento.
A Tabela 1 apresenta as principais diferenças entre os movimentos re�exos, automáticos e
voluntários.
  Movimentos re�exos Movimentos
automáticos
Movimentos
voluntários
Origem e
desencadeamento
Originam-se de
respostas
automáticas e pré-
programadas do
sistema nervoso em
resposta a estímulos
especí�cos. Essas
respostas são inatas e
não requerem
envolvimento
consciente.
Ocorrem de forma
automática, muitas
vezes em resposta a
estímulos rotineiros.
Podem envolver um
aprendizado inicial,
mas, uma vez
automatizados, são
executados com
intervenção cognitiva
mínima.
São iniciados pela
vontade consciente do
indivíduo. Originam-se
no córtex cerebral,
envolvendo decisões
conscientes e
planejamento antes
da execução.
Controle cognitivo
O controle cognitivo é
mínimo ou inexistente,
já que esses
movimentos ocorrem
rapidamente e
automaticamente em
resposta a estímulos
especí�cos.
Podem envolver
algum controle
cognitivo durante o
aprendizado, mas,
uma vez
automatizados,
ocorrem de forma
mais inconsciente.
Envolve um alto nível
de controle cognitivo.
A mente desempenha
um papel ativo na
tomada de decisões,
planejamento e
execução dos
movimentos.
Velocidade e
complexidade
São extremamente
rápidos e envolvem
uma cadeia neural
direta, geralmente
com poucas sinapses.
Têm uma velocidade
variável, dependendo
da prática e
automatização.
Podem envolver
padrões motores mais
A velocidade e
complexidade são
altamente variáveis,
dependendo da
natureza da ação e do
nível de habilidade do
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complexos do que os
re�exos.
indivíduo. Podem ser
executados em uma
ampla gama de
velocidades e podem
envolver sequências
motoras complexas.
Adaptação e
aprendizado
São inatos e não
passíveis de
aprendizado ou
adaptação
signi�cativa.
Podem ser
aprimorados e
automatizados por
meio de prática, mas
geralmente têm uma
base pré-existente.
São suscetíveis a
aprendizado contínuo,
re�namento e
adaptação ao longo
do tempo.
Expressividade e
individualidade
Geralmente têm uma natureza mais funcional
e menos expressiva, sendo menos suscetíveis
à individualidade.
Têm potencial para
expressar a
individualidade, estilo
pessoal e até mesmo
emoções, tornando-se
manifestações únicas
da personalidade e
experiência do
indivíduo.
Tabela 1 | Diferenças e características dos movimentos re�exos, automáticos e voluntários
Assim, podemos dizer que os movimentos re�exos acontecem a partir de um estímulo
especí�co, que vai gerar uma ação rápida e involuntária especí�ca, a qual émediada pelo arco
re�exo (o que chamamos de movimento estereotipado). Já o movimento automático é uma ação
aprendida em que não há necessidade de utilização dos processos cognitivos; fazemos o
movimento sem pensar. Por �m, o movimento voluntário é formado por ações elaboradas pelos
nossos centros superiores (encéfalo) e tem uma alta demanda cognitiva.  
Vamos Exercitar?
Voltemos à situação da nossa personagem Mariana colocada no início dessa aula. Mariana terá
a incrível tarefa de ensinar habilidades esportivas para crianças e adolescentes, e resolveu se
aprofundar mais nos estudos sobre o sistema nervoso e como ele está envolvido com a
aprendizagem motora. Já conhecendo as estruturas que compreendem o sistema nervoso, suas
funções, características e como as vias aferentes e eferentes funcionam, Mariana quer saber
agora qual sistema processa essas informações para que a resposta seja dada. Além disso, qual
o órgão responsável pelas emoções e se elas podem in�uenciar no processo de aprendizagem.
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Uma outra dúvida de Mariana seria, a partir dessas informações percebidas, quais movimentos é
possível realizar.
Um estímulo é percebido no nosso sistema nervoso central, mais precisamente nas estruturas
do encéfalo, em um processo que chamamos de cognitivo. Esses processos cognitivos
permitem que a nossa mente interprete esse estímulo e elabore uma resposta a ele. Já as
nossas emoções são interpretadas no sistema límbico, o qual contempla algumas estruturas do
cérebro e do tronco encefálico reagindo às percepções que chegam. As nossas emoções
in�uenciam nossa aprendizagem, pois podem aumentar ou diminuir o nível de ansiedade ou
ativação no momento de prática (motivação, medo, empolgação, tristeza, por exemplo).
Quando falamos de movimentos, nem sempre uma resposta é elaborada no encéfalo. Em alguns
momentos, o movimento acontece de forma re�exa como uma resposta rápida e estereotipada
para garantir a nossa proteção (chamado de movimento re�exo). No entanto, outras vezes,
praticamos tanto um movimento que o realizamos de forma automática, sem a necessidade de
pensarmos e elaborarmos como deve ser feito. Esses movimentos são chamados de
automáticos. Já em outras vezes, precisamos que o encéfalo nos diga o que fazer, e realizamos
a partir de seus comandos. Esses movimentos são considerados voluntários.  
Saiba mais
Você poderá se aprofundar mais a respeito do sistema límbico no Capítulo 20 do livro:
Neurociências: ilustrada, de Claudia Krebs, Joane Weinberg e Elisabeth Akesson, disponível na
sua biblioteca digital.  
Já na Parte IV do livro Princípios de neurociências, de Eric Kandel e colaboradores, disponível na
sua biblioteca digital, você poderá se aprofundar nos processos cognitivos envolvidos no
movimento.
Agora, para saber mais sobre os tipos de movimento, acesso o Capítulo 14 do livro Neurociência:
desvendando o sistema nervoso, de Mark F. Bear. 
 
 
Referências
ALBUQUERQUE, M. R.; FORTES, L. de S.; LAGE, G. M. Neurociências do comportamento motor,
atividade física e esporte: conceitos e aplicações. Belo Horizonte: Editora Ampla, 2023.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788565852661/pageid/0
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788580554069/pageid/0
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BEAR, M. F. Neurociência: desvendando o sistema nervoso. Porto Alegre: Artmed, 2017.
FOX, S. I. Fisiologia humana. Barueri, SP: Manole, 2007.
KANDEL, R. et al. Princípios de neurociências. São Paulo: Artmed, 2023.
KREBS, C; WEINBERG, J.; AKESSON, E. Neurociências: ilustrada. Porto Alegre: Artmed, 2013.
MORAIS, E. A. de. Desenvolvimento neuropsicomotor e aprendizagem. 1. ed. São Paulo:
Contentus, 2020. E-book.
Aula 4
Alterações no Sistema Nervoso Central
Alterações no sistema nervoso central
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Dica para você
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aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante!
Nesta videoaula você vai aprender o que é plasticidade neural e a sua relação com a
aprendizagem motora. Além disso, você compreenderá como as experiências já vivenciadas
alteram o nosso sistema nervoso e como as pessoas se recuperam de lesões no sistema
nervoso central.
Este conteúdo é essencial, pois compreenderá como a plasticidade neural está envolvida nos
processos de aprendizagem, nas experiências que passamos na vida e na recuperação de
lesões. Você verá que o nosso corpo é capaz de se adaptar a situações novas em contextos de
aprendizagem de um novo movimento ou em casos de lesões.
Você está preparado para se aprofundar ainda mais no funcionamento do nosso sistema
nervoso?
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Ponto de Partida
Estudante, a aprendizagem motora e a psicomotricidade são tão incríveis que conseguem
abarcar diversos assuntos e áreas, como, por exemplo: a biologia, a neurociência, a psicologia, a
educação física e a biomecânica.
Você já sabe que o nosso sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central e periférico,
que ambos trabalham para enviar informações para o encéfalo pelas vias aferentes e enviar
comandos para o músculo realizar a ação motora pelas vias eferentes. No encéfalo ocorrem os
processamentos cognitivos que irão interpretar essa ação e enviar os comandos necessários.
Mas, se os comandos já estão prontos no SNC, como conseguimos aprender coisas novas?
Para respondermos a isso e a mais alguns questionamentos relacionados a esse tema, vamos
retornar a nossa situação desta unidade. Mariana vai começar a ensinar habilidades esportivas
para crianças e adolescentes. Com isso, ela achou importante se aprofundar mais nesse
universo e começou a estudar o sistema que mais está envolvido com a aprendizagem de novas
habilidades: o sistema nervoso. Ela já aprendeu como é formado o sistema nervoso, suas
estruturas e características. Já compreendeu como a informação chega ao cérebro e como o
movimento acontece. Estudou também os processos cognitivos e viu que, no encéfalo, os
neurônios realizam sinapses que enviam comandos para a ação seja realizada. Agora, as
dúvidas de Mariana são: se já existem comandos (sinapses), como aprendemos coisas novas?
Como as nossas experiências alteram o sistema nervoso central? E as pessoas que sofrem de
lesões neurais, como se recuperam?
O tema da aula de hoje permitirá a você compreender o que é plasticidade neural e como utilizar
essas informações na sua atuação pro�ssional ao ensinar movimentos e habilidades motoras
novas para as diferentes populações.  
Vamos Começar!
Você já aprendeu que recebemos informações do mundo a nossa volta e as enviamos para o
nosso sistema nervoso central, o qual seleciona a informação relevante e envia comandos para
que o músculo realize um movimento. Esses comandos estão estruturados nos neurônios, que
se conectam entre si e entram em ação quando necessário. Desta forma, quando você quer
iniciar uma corrida, você recebe o estímulo, envia para o SNC, que irá selecionar o comando de
correr e enviar para os músculos realizarem esta ação. No entanto, você já aprendeu a correr,
portanto, o comando de corrida já está armazenado na sua memória e você já tem experiência
com isso. Mas, no caso de um movimento que você nunca fez antes, por exemplo uma tacada de
golfe, surfar uma onda, um movimento da ginástica ou dirigir uma moto, como você consegue
aprender, se não existe um comando para isso? É aí que entra o primeiro assunto da aula de hoje:
plasticidade neural. 
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Plasticidade neural
A palavra plasticidade vem do grego “plassein”, que pode ser traduzido de duas maneiras:
capacidade de ganhar forma ou capacidade de dar forma. Segundo Cramer e colaboradores
(2011), plasticidade é: “a capacidade dosistema nervoso em responder a um estímulo intrínseco
ou extrínseco, reorganizando sua estrutura, conexões e funções”. Assim, podemos dizer que
plasticidade neural é a capacidade do sistema nervoso de se modi�car, de forma estrutural ou
funcional, em resposta a uma experiência ou lesão, sendo considerada um componente chave
para o desenvolvimento e o funcionamento normal do sistema nervoso e uma resposta para as
mudanças ambientais, doenças e envelhecimento. Além disso, a plasticidade pode ocorrer em
diferentes níveis do nosso sistema nervoso, como, por exemplo: plasticidade do tecido nervoso,
plasticidade sináptica, plasticidade neuronal e assim por diante (Von Bernhardi; Bernhardi;
Eugenín, 2017).
Sendo assim, os neurônios se conectam por meio de redes neurais, e essas redes neurais são
plásticas. Isso quer dizer que são capazes de se transformar e podem �car mais fracas ou mais
fortes a depender da frequência de uso (Mourão Júnior, 2021).
A plasticidade neural pode acontecer a partir de demandas �siológicas, mudanças na atividade
neural ou lesão no tecido nervoso. No entanto, a plasticidade acontece também durante o
desenvolvimento, na formação de redes e na aquisição de novos comportamentos motores ou
na aprendizagem ao longo da vida (Von Bernhardi; Bernhardi; Eugenín, 2017).
O processo de aprendizagem motora está diretamente relacionado à capacidade de plasticidade
do sistema nervoso (Kandel et al., 2014). No entanto, essa capacidade de plasticidade neural é
diminuída com o processo de envelhecimento, mas não se acaba por completo (Morais, 2020).
Isso explica a nossa capacidade de estar sempre aprendendo, independente da nossa idade,
mesmo que o aprendizado nem sempre seja tão e�caz quanto quando mais novos, pois a
qualidade e quantidade das conexões neurais diminuem com o envelhecimento. Por exemplo,
uma pessoa de 50 anos terá mais di�culdade de aprender um movimento complexo do que um
adolescente. Isso não signi�ca que essa pessoa de 50 anos não vá aprender, mas, sim, que seu
movimento pode não ser tão e�caz e coordenado como o do adolescente.
Siga em Frente...
Experiências e alterações no sistema nervoso central
Percebemos que nos tornamos melhores em algo conforme vamos adquirindo experiências.
Para começar esse assunto, vamos de�nir experiência como o efeito da estimulação extrínseca
no desenvolvimento e no comportamento (Horn; Rose; Bateson, 1979). Assim, o aprendizado é
resultado das experiências que causam alterações no comportamento que duram por um longo
do tempo. Consequentemente, no aprendizado são observadas mudanças neurais que podem
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ser associadas à aquisição e armazenamento de informações. A partir disso, podemos levantar
a seguinte questão: se o sistema nervoso é conectado de uma forma tão precisa, como o
comportamento se altera com a aprendizagem?
O psicólogo polonês Jerzy Konorski (1948, apud Kandel et al., 2014) apresentou que a aplicação
de um estímulo acarreta mudanças por meio de duas hipóteses: (1) as células reagem ao
impulso aferente por meio da excitabilidade, denominadas alterações relacionadas à
excitabilidade; (2) as mudanças funcionais aparecem em sistemas de neurônios particulares em
virtude de estímulos apropriados ou sua combinação, o que é conhecido como plasticidade.
Assim, podemos dizer que quando uma pessoa se envolve em experiências motoras, como
praticar esportes, aprender a tocar um instrumento musical ou aprimorar habilidades motoras
�nas, ocorrem diversas alterações no SNC. Estas mudanças podem ocorrer em vários níveis,
como, por exemplo:
Adaptações neurais: a prática repetida de uma habilidade motora leva a mudanças nas
sinapses entre os neurônios. Isso inclui a otimização das conexões neurais envolvidas na
execução da tarefa, resultando em uma transmissão de sinal mais e�ciente.
Reorganização cortical: experiências motoras intensivas podem levar à reorganização da
topogra�a cortical. Áreas especí�cas do cérebro associadas à execução de determinadas
tarefas motoras podem expandir-se ou se modi�car para acomodar as demandas
especí�cas da atividade praticada.
Formação e fortalecimento de circuitos neurais: o aprendizado motor está associado à
formação e ao fortalecimento de circuitos neurais especí�cos. A repetição e a prática
constante resultam na criação de caminhos neurais mais e�cientes para a execução de
movimentos especí�cos.
Mudanças na plasticidade sináptica: a plasticidade sináptica, a capacidade das sinapses
de se adaptarem e mudarem sua e�cácia, é fundamental para o aprendizado motor. A
experiência motora induz alterações na plasticidade sináptica, possibilitando a otimização
das conexões neurais envolvidas na realização de tarefas motoras especí�cas.
Liberação de neurotransmissores: a prática de atividades motoras desencadeia a liberação
de neurotransmissores, como a dopamina, que desempenham um papel crucial no reforço
positivo e na motivação associada ao aprendizado motor.
Contudo, a todo momento estamos tendo experiências que podem ser motoras, auditivas,
visuais, cognitivas ou sentimentais. Assim, algumas experiências �cam na nossa memória, às
vezes pela prática ou repetição e outras vezes devido às emoções que nos causam. Quando
atingem a memória, signi�ca que nosso sistema nervoso central armazenou essas informações
e poderá utilizá-las quando necessário, seja para realizar um movimento parecido, para fazer
uma prova ou para acionar lembranças boas ou ruins. 
Lesões neurais no sistema nervoso central e sua recuperação
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As lesões no sistema nervoso central podem se manifestar de diferentes maneiras e ocorrem
como consequência de traumas ou de doenças degenerativas. A lesão pode di�cultar ou
interromper o �uxo de informações das vias aferentes e eferentes, di�cultando a percepção de
estímulos, a elaboração e a execução de uma resposta, podendo em alguns casos causar
paralisias. Dessa maneira, as lesões podem ocorrer no encéfalo (cérebro e tronco encefálico) e
na medula espinhal.
Na medula espinhal, o nível da lesão pode ser determinado pela perda das funções na pele e nos
tecidos responsáveis pelo movimento, ou seja, nas funções sensitivas e motoras na área de
distribuição dos nervos espinhais. Uma lesão transversal (transecção da medula) resulta em
perda imediata e permanente de todas as sensações e do controle motor voluntário abaixo do
nível da lesão. Por exemplo, se a lesão for próxima da região da cintura, a perda sensitiva e
motora voluntária será logo abaixo da lesão, ou seja, da cintura para baixo. Caso a lesão seja
mais acima, na vértebra T2, por exemplo, a perda será a partir de T2, provavelmente atingindo os
membros superiores também. Assim, dependendo da região atingida, pode ser causada também
paralisia espástica ipsilateral (paralisia do mesmo lado da lesão com aumento do tônus
muscular), perda ipsilateral da sensação tátil, vibratória e proprioceptiva, dor ou temperatura
(Young, 2018).
No tronco encefálico, o nível de lesão é mais facilmente identi�cado pelo nervo craniano que
está envolvido na lesão. As lesões que envolvem o tronco encefálico podem ser divididas em
dois grupos conforme a sua localização. Assim, as lesões localizadas nas regiões mediais
envolvem estruturas (trato piramidal) que resultam em uma hemiplegia espástica contralateral,
ou seja, uma paralisia do lado contrário à lesão com aumento do tônus muscular. O nível da
lesão é determinado pelo envolvimento dos nervos presentes no trato piramidal. Já as lesões
localizadas nas regiões laterais do tronco encefálico envolvem estruturas que resultam em
dé�cits motores da face, músculos da mastigação, músculos vocais e palatinos, e perdas
sensoriais na face ipsilateral (mesmo lado) ou no corpo contralateral (lado oposto), dor e
temperatura. Essas consequências dependem de qual região sofreu a lesão e do nível da lesão,
podendo em alguns casos chegar a hemianestesia (perda da sensibilidade de um lado do corpo)
(Young, 2018).
As lesões queafetam o hemisfério cerebral manifestam-se no lado contralateral do corpo
(contrário à lesão). As lesões nesta região podem levar a hemiplegia espástica contralateral,
hemianestesia contralateral e fraqueza muscular na face ou no corpo a depender da região
afetada (Young, 2018).
As sequelas das lesões podem ser revertidas totalmente ou parcialmente ou se tornar
permanentes, dependendo do nível da lesão e da região afetada. Em casos de traumas, as
sequelas dependem do atendimento imediato realizado também. Assim, o tratamento depende
das características da lesão (nível, localização, regiões afetadas e assim por diante), que pode
ser por meio de cirurgia, �sioterapia e exercício físico. Como as estruturas dos neurônios não
regeneram, acredita-se que, no caso da �sioterapia e do exercício físico, a recuperação funcional
parcial ou total pós-lesão possa acontecer pela plasticidade neural, denominada plasticidade
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induzida por lesão. A extensão da plasticidade neural depende muito da idade e dos sistemas
neurais envolvidos (Young, 2018). 
Assim, podemos dizer que a plasticidade neural está diretamente ligada à nossa aprendizagem e
às experiências vividas que causam mudanças no nosso sistema nervoso central, tornando-o
capaz de se adaptar a novas situações. Além disso, sugere-se que a recuperação de lesões
também esteja associada à plasticidade neural na reorganização do sistema nervoso. 
Vamos Exercitar?
Pensando na situação proposta no início da aula, Mariana vai ensinar habilidades motoras para
crianças e adolescentes e tem buscado se aprofundar sobre aprendizagem motora e
psicomotricidade. Nesse momento de seus estudos, Mariana tem as seguintes dúvidas: se
nosso SNC possui comandos para que ações sejam realizadas, como aprendemos coisas
novas? Como as nossas experiências alteram o sistema nervoso central? E as pessoas que
sofrem de lesões neurais, como se recuperam?
Diversos mecanismos podem explicar como acontece a aprendizagem de novos movimentos, as
alterações das experiências no SNC e a recuperação de lesões. Acredita- se que uma delas é a
plasticidade neural, ou seja, a capacidade do sistema nervoso de se reorganizar quando um
estímulo novo é fornecido. Assim, aprendemos movimentos novos pois nossas estruturas do
SNC são capazes de se reorganizar para que um novo comando seja estruturado, para então ser
enviado para a ação. As experiências que passamos na vida também são resultados da
reorganização do SNC que foi guardado na memória. No caso das lesões, supõe-se que a
recuperação funcional da área lesionada aconteça como resultado da plasticidade neural.    
Saiba mais
Para se aprofundar mais sobre os conteúdos desta aula, leia o artigo cientí�co: Os efeitos da
prática de habilidades motoras sobre a neuroplasticidade. 
 
 
Referências
BORELLA, M. de P.; SACCHELLI, T. Os efeitos da prática de atividades motoras sobre a
neuroplasticidade. Revista Neurociências, v. 17, n. 2, p. 161-169, 2009. Disponível em:
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8577/6111
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8577/6111
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APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8577. Acesso em: 26 mar.
2024.
CRAMER, S. C et al. Harnessing neuroplasticity for clinical applications. Brain, jun. 2011.
KANDEL, E. R. et al. Princípios da neurociência. Porto Alegre: AMGH Editora, 2014.
MORAIS, E. A. de. Desenvolvimento neuropsicomotor e aprendizagem. 1. ed. São Paulo:
Contentus, 2020. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 18 jan.
2024.
MOURÃO JÚNIOR, C. A. Fisiologia humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.
VON BERNHARDI, R.; BERNHARDI, L. E.; EUGENÍN, J. What is neural plasticity? In: VON
BERNHARDI, R.; EUGENÍN, J.; MULLER, K. J. The plastic Brain. Cham, Switzerland: Springer, 2017.
YOUNG, P. A. Neurociência clínica básica. Barueri: Manole, 2018. 
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
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Nesta videoaula você irá conhecer as principais estruturas do sistema nervoso, suas funções e
características. Após compreender os aspectos morfológicos, você irá aprender sobre o
funcionamento do sistema nervoso para a realização de uma ação motora. Com esses
conteúdos básicos você se aprofundará no entendimento dos processos cognitivos e das
https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/8577
https://plataforma.bvirtual.com.br/
Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
emoções nas aprendizagens humanas e aprenderá as diferenças entre movimentos re�exos,
automáticos e voluntários. A partir disso, você irá entender o que acontece com o sistema
nervoso central quando se aprende um movimento novo ou se recupera de alguma lesão.
Esses conteúdos são importantes para sua prática pro�ssional, pois, conhecendo os
mecanismos anatômicos e �siológicos do sistema nervoso, você terá mais facilidade de
compreender os processos de aprendizagem motora e psicomotricidade. Esses são os
requisitos básicos e fundamentais para a disciplina.
Prepare-se para seguir em frente. Vamos lá, a aula o aguarda!
Ponto de Chegada
Estudante, temos como competência desta unidade conhecer as principais características
anatômicas e o funcionamento do sistema nervoso central e periférico em condições normais,
com algumas alterações e durante a aprendizagem.
Dessa maneira, para conseguirmos alcançar essa competência, primeiramente, você estudou a
estrutura do sistema nervoso, suas características, funções e organização. Após conhecer a
anatomia do sistema nervoso, você aprendeu sobre o seu funcionamento, como as sensações
são captadas, interpretadas e uma resposta motora é realizada. A partir disso, você conheceu
como funciona o processo cognitivo de interpretação e seleção de uma resposta nos centros
superiores e como controlamos nossas emoções. E, como o produto �nal é o movimento, você
conheceu os movimentos re�exos, automáticos e voluntários e aprendeu como diferenciá-los.
Por �m, você aprendeu sobre a plasticidade neural, que lhe permitiu conhecer como esse
mecanismo in�uencia a aprendizagem motora e a recuperação de lesões.   
Re�ita
Ao ver uma bola vindo em sua direção, o que acontece em seu sistema nervoso até a tomada
de decisão do que fazer (da percepção e a ação)?
Dois atletas olímpicos de natação deixam de competir após os 30 anos de idade. O atleta A
para de treinar por 10 anos e decide voltar a competir na categoria master. Já o atleta B
continua treinando durante esse tempo e também decide competir na categoria master. Qual
deles você acha que será melhor? Explique o porquê.
Quando falamos em movimento humano, podemos separar o corpo da mente, ou seja, os
processos cognitivos da ação muscular? 
É Hora de Praticar!
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Disciplina
APRENDIZAGEM MOTORA E
PSICOMOTRICIDADE
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Uma palestra sobre aprendizagem motora e psicomotricidade, ministrada na universidade federal
do interior para alunos do curso de graduação, levou bastante conhecimento aos alunos, mas
também gerou muitas dúvidas. O professor e neurologista Gabriel Resende ministrou duas horas
de palestra com o tema: �siologia neural e controle motor. Ao longo da palestra, várias dúvidas
foram escritas e entregues à comissão organizadora do evento.
As principais dúvidas foram:
O que é uma placa motora?
O que é uma unidade motora?
Qual a diferença entre a via aferente

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