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e-Book 1 Larissa Lisboa LITERATURAS AFRICANAS EM LÍNGUA PORTUGUESA Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 DESCONSTRUIR ÁFRICA: PRIMEIROS CAMINHOS REFLEXIVOS ������������������������������� 7 Conhecendo o continente africano�������������������������������������� 8 Desconstruindo estereótipos ��������������������������������������������� 13 OS PAÍSES AFRICANOS DE LÍNGUA PORTUGUESA ����������������������������������������������18 Um pouco das suas histórias ��������������������������������������������� 20 Novas abordagens: a teoria pós-colonial �������������������������� 30 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������36 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������37 3 INTRODUÇÃO Nos últimos vinte anos, no Brasil, houve um au- mento da procura por escritores originários do continente africano� Esse interesse, todavia, não é resultado do acaso, mas sim de um contexto histórico que se inicia no final da década de 1970, nos processos de redemocratização do nosso país� Naquele período, foram criadas diretrizes que reformulariam o ensino a partir de diversos preceitos éticos, discutindo, inclusive, a importância da identidade afrodescendente para a formação da sociedade brasileira� Dessa forma, houve uma busca, também, pelas escritas africanas como forma de construir essa identidade, e a primeira disciplina de literaturas africanas de língua portu- guesa, em uma universidade, foi inaugurada já no final da década de 1970. Contudo, apenas a partir de duas leis específicas, criadas no início deste século, é que os currículos brasileiros, de fato, inseriram as literaturas africanas de língua portuguesa tanto no ensino básico como no ensino superior. As leis 10.639/03 (obrigato- riedade do ensino e história da cultura africana e afro-brasileira) e 11.645/08 (reformula a anterior, inserindo a questão indígena) foram fundamentais para que um diálogo entre as relações étnico-raciais no Brasil e no continente africano fosse construído� 4 A partir delas, o mercado editorial se expandiu, editoras brasileiras passaram a publicar obras de autores africanos (não apenas de língua portugue- sa) e alguns desses textos se tornaram referência no Programa Nacional do Livro e Leitura (PNLL), além do aumento de disciplinas especializadas nos cursos superiores sobre o assunto, possibilitando que essas discussões fossem “descobertas” pelo público brasileiro� A disciplina Literaturas Africanas de Língua Portugue- sa está, portanto, inserida nesse contexto político� Todavia, estudá-la vai além de uma compreensão dialógica entre a África e o Brasil, ou mesmo en- tre a África, o Brasil e Portugal� É preciso reiterar que as discussões propostas nesta disciplina possibilitarão a você não apenas o conhecimento sobre determinadas obras, mas sim uma descons- trução de uma visão estereotipada do continente africano, pautando-se nas particulares dos cinco países africanos de língua portuguesa (Cabo Ver- de, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), através de suas histórias oficiais e de suas historiografias literárias. Como disse o escritor moçambicano Mia Couto, em seu ensaio “Que África escreve o escritor africano?” (2005), é preciso ir além de uma visão redutora sobre o escritor africano e sua obra artística, não apenas inserindo-o na perspectiva racial, por exemplo� 5 A crítica literária tem priorizado o estudo comparado dessas literaturas, haja vista a recente construção nacional de todos esses países, conquistando suas independências em 1975. Porém, isso não quer dizer que essas literaturas só existam a partir de 1975. Pelo contrário, ainda sob o regime colonial português houve uma intensa produção literária veiculada, principalmente na imprensa� Por isso, a necessidade de um diálogo entre esses territórios e a produção literária portuguesa� A presente disciplina terá como fio condutor, ao longo de todas as discussões propostas, refle- xões sobre uma teoria que tensiona os preceitos hegemônicos e coloniais, além do lugar dessas literaturas: a teoria pós-colonial� Essa teoria propõe que algumas questões sejam revisitadas, como a necessidade de um sistema literário baseado ape- nas nos modelos eurocêntricos, a ideia de cânone literário, a visibilidade do discurso do “outro”, as re- alidades periféricas e as tensões colocadas nesses discursos, através de novas construções estéticas, seja antes ou depois da colonização, pois a teoria pós-colonial não tem a ver, necessariamente, com uma reflexão cronológica. A partir dela, você terá suficientes ferramentas teóricas para construir leituras críticas dos textos literários selecionados� Serão abordadas as experiências literárias desde o início do século 20 até as produções mais contem- 6 porâneas� As escritas do período colonial tratarão da construção dos discursos revolucionários para a formação dos nacionalismos africanos. Após 1975, os diferentes projetos literários serão estudados, os quais demonstravam a utópica esperança das nações libertas, como também os seus primeiros desencantos, relacionados, principalmente, aos contextos de guerra civis que se desenrolaram em Angola e Moçambique� Também serão abordadas as multiplicidades literárias que surgiram a partir dos anos 2000, com um maior número de editoras nesses países, além de muitos escritores africanos que publicam em editoras portuguesas e brasileiras, visibilizando, cada vez mais, as suas escritas� Alguns nomes talvez já sejam conhecidos por você, como Pepetela, Ondjaki ou Paulina Chiziane� Outros, ainda que menos conhecidos pelo público brasileiro, não deixam de ter a sua importância, como Paula Tavares, Germano de Almeida, Odete Semedo, Vera Duarte, Ungulani Ba ka khosa, Rui Duarte de Carvalho, Evel Rocha, Noémia de Sousa e tantos outros� Portanto, convidamos você a descobrir os países africanos de língua portuguesa e suas literaturas, desconstruindo, assim, possíveis visões distor- cidas sobre essas realidades. Afinal, como dizia o escritor e dirigente político guineense Amílcar Cabral, junto ao nosso educador Paulo Freire, é preciso descolonizar as mentes� 77 DESCONSTRUIR ÁFRICA: PRIMEIROS CAMINHOS REFLEXIVOS Para iniciarmos nossos estudos sobre as litera- turas africanas de língua portuguesa é preciso, anteriormente, construirmos algumas reflexões sobre o continente africano� Por isso, convidamos você a realizar um exercício reflexivo: Observe as fotografias atentamente. Você reco- nhece alguma dessas pessoas? Se sim, quem são elas? Se não, observando cada uma, você poderia supor suas origens? Figura 1: Escritores africanos� Fonte: Wikipedia� Difícil, não? Para nós, brasileiros, a origem de cada pessoa está muito atrelada ao fenótipo� Provavel- 88 mente, você supôs que as pessoas negras poderiam ser originárias de algum país africano, enquanto as pessoas brancas, de países europeus, por exemplo� A verdade é que todas elas são africanas! Você verá que, embora todos sejam originários de um mesmo continente, essas pessoas são escritores e escritoras com nacionalidades diversas e escrevem em língua portuguesa� São eles: Paulinha Chiziane, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Isabela Figuei- redo, Vera Duarte, Luandino Vieira, Ungulani Ba Ka Khosa e Ondjaki. Essa importante discussão fará parte deste e-book� Para que você possa compreender as obras ar- tísticas literárias e seus autores, é preciso, antes, desconstruir alguns olhares sobre o continente africano e suas diversidades� CONHECENDO O CONTINENTE AFRICANO O Brasil ainda conhece pouco sobre a África, infelizmente� Fazemos referência a esse conti- nente quando refletimos sobre o nosso passado histórico, principalmente no período colonial, e também sobre as manifestações culturais que dialogam com essas experiências� Porém, pouco realmente conhecemos sobre sua história, sua geografia, suas regiões e culturas, além de todaa diversidade que se apresenta como um quadro 99 complexo� Nesse sentido, vamos propor a você outro exercício reflexivo. Você encontrará abaixo o mapa contemporâneo do continente africano com os seus limites territoriais, contudo, sem os nomes dos países� O exercício é que você aponte no mapa os territórios africanos que você conhece� Será que serão muitos? Figura 2: Mapa da África sem os nomes dos países� Fonte: Wikipedia� 1010 Agora, vamos comparar os seus palpites com o mapa contemporâneo atualizado, com todos os 54 países, além dos 7 territórios independentes. E então, conseguiu acertar muitos deles? Figura 3: Mapa da África� O C E A N O A T L  N T I C O O C E A N O Í N D I C O MAR MEDITERRÂNEO M AR VER M ELH O GOLFO DE ÁDEN Lago Vitória MARROCOS ARGÉLIA LÍBIA EGITO MAURITÂNIA MALI NÍGER CHADE SUDÃO SUDÃO DO SUL ETIÓPIA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA NIGÉRIA CONGO- KINSHASA TANZÂNIA QUÊNIA ANGOLA ZÂMBIA BOTSUANA NAMÍBIA ÁFRICA DO SUL ZIMBÁBUE GABÃO CA M AR Õ ES UGANDA GUINÉ- CONACRI COSTA DO MARFIM GA NA CO NG O -B RA ZZ AV IL LE SENEGAL BURKINA FASO LIBÉRIA GÂMBIA GUINÉ-BISSAU GUINÉ EQUATORIAL SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE SERRA LEOA 1 2 3 4 5 6 7 8 SOMÁLIA JIBUTI MAURÍCIA M AD AG AS CA R M OÇAM BI QUE COMORES 9 REUNIÃO (França) CABO VERDE ILHAS CANÁRIAS (Espanha) SAARA OCIDENTAL (Reivindicado pelo Marrocos) TUNÍSIA Fonte: Wikipedia� Provavelmente, você deve ter uma ideia vaga de onde fica o Egito, a África do Sul, o Marrocos ou Angola� A maior parte dos brasileiros, em verdade, 1111 desconhece por completo o mapa do continente africano. E esse desconhecimento geográfico re- flete no desconhecimento como um todo sobre a África. Vamos, então, mudar esse cenário? O continente africano é uma extensão territorial com mais de 30 milhões de quilômetros quadrados, com territórios muito diversos e mais de 1 bilhão de habitantes, que falam mais de mil línguas! Desse modo, você consegue perceber a complexidade de refletir sobre ele? A divisão geográfica que você observou nos mapas tem relação com o contexto colonial que quase todo o continente vivenciou� A partilha do território africano aconteceu no século 19, com a explora- ção massiva por alguns países europeus, como a Inglaterra e a França� No século 20, uma série de mudanças ocorreu, graças às independências de grande parte desses territórios, mas, atualmente, ainda existem impasses, como a reivindicação de alguns locais por autonomias, a exemplo de Cabinda, um pequeno território ao norte de Angola� Os estudiosos sobre o continente africano geralmen- te dividem esse grande território em cinco partes: 1212 Figura 4: Mapa da subdivisão do continente africano� Fonte: Wikipedia�� 1) África setentrional (em azul na Figura 4), ao norte do continente (o Egito está neste território); 2) África ocidental (em verde na Figura 4), à parte oeste, com alguns países banhados pelo oceano atlântico e outros com uma porção do deserto do Saara (o Mali está localizado neste território); 1313 3) África central (em rosa na Figura 4), ao centro do continente (a República Democrática do Congo, outro importante país, faz parte deste território); 4) África oriental (em amarelo na Figura 4), à parte leste, banhada pelo oceano índico (Madagascar, país considerado a quarta maior ilha do mundo, está localizado neste território); 5) África austral (em vermelho na Figura 4), ao sul do continente, banhada tanto pelo oceano índico como pelo atlântico (a África do Sul é o maior país deste território)� Ainda, há outra classificação para esses territórios, a partir da divisão étnica e religiosa� Nessa, sub- divide-se o continente africano em 2 categorias: África Setentrional, formada pelos 8 países da parte norte (também considerada como a “África branca”), e a África Subsaariana, formada pelos outros 44 países do continente (a “África negra”). DESCONSTRUINDO ESTEREÓTIPOS Grande parte das informações veiculadas sobre o continente africano trazem muitas imagens nega- tivas� Se você pesquisar rapidamente, perceberá que muitas dessas notícias e reportagens estão relacionadas com o que o cientista político moçam- bicano Elísio Macamo reflete sobre o problema da 1414 “falta” (MACAMO, 2016); o que falta ao continente africano, não o que ele oferece� É preciso lembrar que as grandes agências in- ternacionais de notícias estão ligadas a grandes empresas dos blocos hegemônicos� Logo, há um interesse em reiterar essa “falta” como um processo de continuidade de exploração, o que muitos teóricos chamam de “neocolonialismo” no mundo globalizado� Porém, há outros discursos que também trazem as experiências desses territórios, observando as suas potencialidades� A geógrafa moçambicana Inês Macamo (2009), por exemplo, alerta-nos para o desenvolvimento científico no continente e a chamada “exportação de cérebros”: imigrantes africanos que chegam a outros países não na condição de refugiados, mas sim como profissionais qualificados. Além disso, dados de 2017 apontaram que das 20 economias que mais cresceram no mundo, 5 estavam no continente africano� Há alguns países, como a África do Sul, a Líbia, a Argélia, o Gabão, o Egito e a Tunísia, com índices de desenvolvimento humano (IDH) considerados altos. Enquanto Sei- chelles, um país insular no oceano índico, tem o IDH muito alto, ocupando a posição 63 no ranking entre todos os países do globo, com o maior pro- duto interno bruto (PIB) do continente africano. 1515 No âmbito cultural, há uma enorme variedade de expressões ao longo de todo o continente, o que muito representa a riqueza criativa desses diver- sos países� A Nigéria, por exemplo, é o país com a maior produção cinematográfica do continente e o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas de Hollywood e Bollywood (o cinema indiano). Chamada de “Nollywood”, a produção interna distribui seus filmes em vídeos, visto que o país possui poucas salas de cinema� Contudo, há uma estimativa de mais de 1000 vídeos feitos por ano e, ainda que a distribuição seja informal, não deixa de ser um impulso cultural relevante ao continente� Além do cinema, as artes plásticas foram e são importantes expressões culturais, seja através dos interessantes caixões decorativos feitos em Gana, da inovadora arte em tecido no Mali, da arte reciclável dos dejetos de guerra em Moçambique, do grafite no Quênia etc. No contexto musical, em Burkina Faso há um dos mais importantes museus sobre a música tradicional africana, contudo, não é preciso visitar um museu para conhecê-la, visto que há particulares estilos musicais e instrumen- tos específicos de outros territórios que marcam as experiências da cultura musical tradicional, em diálogo com as manifestações mais contemporâ- neas, como a mbira, no Zimbábue� 1616 A diversidade natural do continente é outra caracte- rística que contribui para a construção de imagens positivas, uma vez que oferece uma infinidade de atrações ambientais� Atualmente, com o chamado “boom das unidades de conservação e do ecoturis- mo” (AFREAKA, 2017, p.25), há inúmeras atrações naturais; desde passeios com os povos Bérbères no deserto do Saara, no Marrocos, museus a céu aberto no Zimbábue e safaris na África do Sul a vulcões e gorilas no Monte Nyiragongo, no Congo� Para quem é menos aventureiro, há uma intensa atividade cosmopolita ao longo de todo o extenso território, afinal, o continente africano conta com cidades de alta densidade populacional, oferecen- do aos turistas uma diversidade de atrações em suas cidades, como em Cape Town, na África do Sul, Luanda, em Angola, Marrakesh, no Marrocos, Alexandria, no Egito, etc� Ainda que o continente africano tenha inúmeros problemas em grande parte de seu território, refle- xo principalmente dos séculos de colonialismo e exploração europeia, compreende-se, portanto, que a sua variedade artística, as potências científicas e seus crescimentoseconômicos têm favorecido, cada vez mais, a desconstrução da imagem da “falta”, observando, também, como essas experi- ências bem-sucedidas são um convite a uma nova 1717 visão sobre este território, conhecendo a fundo as suas particularidades� Certamente, a literatura, como expressão cultural que tem a palavra escrita ou oralizada como arte maior, não estaria de fora dessa desconstrução reflexiva. Conheça a coleção da Unesco História Geral da África� Uma série de livros com os maiores especialistas do continente africano refletindo sobre a história, a cultura, a geografia e as questões contemporâneas. Disponível para download em: portal�mec�gov�br� Conheça o projeto Afreaka, em parceria com a prefeitura de São Paulo, que conta com uma coleção intitulada África sem estereótipos� Disponível em: www�afreaka� com�br� Saiba mais sobre o continente africano como uma das principais economias do mundo em: www�bbc�com� SAIBA MAIS http://portal.mec.gov.br/?option=com_content&view=article&id=16146 http://www.afreaka.com.br/notas/afreaka-e-educacao-uma-abordagem-sem-estereotipos-para-tratar-de-afr http://www.afreaka.com.br/notas/afreaka-e-educacao-uma-abordagem-sem-estereotipos-para-tratar-de-afr https://www.bbc.com/portuguese/internacional-40603081 18 OS PAÍSES AFRICANOS DE LÍNGUA PORTUGUESA Para discutirmos as literaturas africanas de língua portuguesa precisamos, também, conhecer um pouco de cada um desses 5 países� Assim, con- vidamos você a fazer mais um exercício reflexivo: desses 5 territórios, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique, você saberia dizer algo sobre eles, como suas histórias, culturas, economias etc�? Bem, esse exercício também não é simples, visto que pouco sabemos sobre esses países, ainda que todos tenham suas histórias atravessadas pela história brasileira, seja através do processo de colonização portuguesa, do tráfico de africanos na condição de escravizados para o Brasil, ou mesmo dos contemporâneos intercâmbios culturais� Nas décadas de 50 e 60 do século 20, por exemplo, a literatura brasileira influenciou muitos intelectuais africanos, principalmente com as obras do baiano Jorge Amado� Muitos desses países receberam e recebem a influência brasileira em diversos segmen- tos, mas não apenas no âmbito literário� Inclusive, nem todas elas são atravessadas pela perspectiva positiva de intercâmbio� Nessas últimas décadas, as novelas brasileiras, por exemplo, são muito 19 vistas pelos africanos e, claro, recebendo duras críticas por esses trânsitos da cultura de massa� Além desses exemplos, a religião pentecostal e as igrejas evangélicas brasileiras também estão presentes, cada vez mais, nesses países, muitas vezes, resultando em alguns conflitos, seja pela interferência nas tradições religiosas locais, como na imposição de culturas estrangeiras� O contrário, contudo, pouco acontece no Brasil� Poucos são os escritores africanos de língua portuguesa lidos pelo público brasileiro e pouco é sabido das produções culturais desses países� Enquanto Portugal recebe mais fortemente as culturas africanas, principalmente através das músicas cabo-verdiana e angolana, por exemplo, o brasileiro pouco as conhece� Quanto à cultura religiosa, ainda que existam intercâmbios entre as religiões de matrizes africanas, como o Candom- blé e a Umbanda junto às religiões africanas, os preconceitos e estereótipos dessas manifestações sincréticas no Brasil desfavorecem o interesse em conhecer as raízes africanas dessas culturas tradicionais� Nesse sentido, conhecer as literaturas africanas de língua portuguesa é, acima de tudo, conhecer um pouco de cada um desses 5 países� Ainda que todos eles tenham suas histórias recentes em comum, dado o processo de colonização, descolo- 20 nização e exercício de construção de seus estados nacionais, cada país tem as suas particularidades e experiências contemporâneas, e essas diferen- ças também são observáveis nos textos literários, principalmente nas obras mais recentes� UM POUCO DAS SUAS HISTÓRIAS Ainda que os 5 países africanos de língua portu- guesa tenham “nascido” em 1974 e 1975 (Guiné- -Bissau oficializou a sua independência em 1974, enquanto o restante em 1975), suas histórias são muito mais antigas (COSTA & SILVA, 2011). Considerados, desde o século 16, como “territórios ultramarinos” (terminologia para caracterizar os espaços colonizados por Portugal), o processo de colonização de cada um desses países foi construído de forma diversificada. O território angolano, por exemplo, antes mesmo da chegada dos portugueses, já contava com uma importância no continente� Como parte do antigo Império do Congo, esse extenso território mantinha uma in- tensa comercialização de mercadorias e pessoas� Com a chegada dos portugueses, acordos foram feitos, mas inicialmente não se deu um processo de colonização efetivo� Por isso, é nesse período que se conhece a história da Rainha Nzinga, conhecida como uma figura feminina de poder do império, haja vista suas negociações com os portugueses� 21 Figura 5: Desenho da Rainha Nzinga� Fonte: Wikipedia� Durante o período efetivo da colonização, Angola foi um dos territórios africanos mais explorados, e diversas cidades foram criadas� Algumas benes- ses foram possíveis, certamente, a exemplo do 22 surgimento de gráficas, as quais possibilitaram o início da imprensa, mas apenas no século 19. Ao longo do século 20, a Guerra pela Independência (1961-1974) foi importantíssima para a indepen- dência e formação do estado nacional� Contudo, a Guerra Civil (1975-2002) que se sucedeu arrasou o país, desestabilizando sua economia� Ainda se recuperando dos efeitos da guerra, Angola é o ter- ritório de língua portuguesa com o maior número de investimentos no mercado financeiro, visto contar com jazidas de diamante, além de poços de petróleo� O mercado também se aquece devido aos investimentos parceiros com a China� Mas isso não quer dizer, necessariamente, uma distribuição econômica e social melhor para todos os seus ci- dadãos, pelo contrário� Angola tem um alto índice de pobreza e uma das maiores concentrações de renda do mundo� Quanto à perspectiva cultural, o país conta com inúmeros artistas que visibilizam suas expressões ao longo do país e em territórios estrangeiros� O estilo de dança Kuduro, por exemplo, ultrapassou a sua geografia, chegando até mesmo aqui no Brasil, quando fez parte de uma trilha sonora de novela, enquanto o rap angolano faz muito sucesso em Portugal� No cenário literário, como veremos, o país conta com os principais escritores, sendo, portanto, referência aos estudos literários africanos� 23 Cabo Verde é exemplo completamente distinto de Angola� Dentre os países africanos de língua portuguesa, esse é o único com um processo de colonização particular, visto que ainda no século 17 já era possível encontrar grupos privilegiados de negros e mestiços� Além disso, o arquipélago fora pouco habitado até o século 19 pela sua precária condição climática, tendo pouquíssimas chuvas ao longo de anos e um solo improdutivo, devido ao magma vulcânico� Atualmente, o país tem certa estabilidade econômica e social e con- ta com uma série de intelectuais e artistas que levam a cultura cabo-verdiana e a língua crioula para diversos lugares� Em contrapartida, é o ter- ritório de língua portuguesa com o maior número de imigrantes, demonstrando que os problemas ainda existem� No âmbito cultural, Cabo Verde conta com um presidente escritor, Jorge Carlos Fonseca, que tem como uma das prioridades políticas a cultura cabo- -verdiana. Logo, o país investe em financiamentos internos e estrangeiros que garantem ao pequeno arquipélago grande visibilidade artística� No cenário fonográfico, por exemplo, cantoras como Cesária Évora foram fundamentais para a circulação inter- nacional de um estilo musical particular, a morna� Já com um estilo mais contemporâneo e híbrido,a cantora Mayra Andrade faz sucesso em muitos 24 países, inclusive no Brasil� No cenário literário, Cabo Verde conta com um seleto grupo de escritores que visibilizam suas literaturas, principalmente em Portugal, haja vista haver nesse país uma co- munidade migrante considerável (ARENAS, 2019). Guiné-Bissau é um pequeno país na parte conti- nental da África Ocidental e está mais próximo geograficamente de Cabo Verde. Contudo, a sua relação com os países de fronteira traz caracte- rísticas particulares a ele� O território fez parte do antigo Império do Mali e do Reino de Gabu, e teve uma colonização portuguesa efetiva apenas a partir do século 19, como entreposto de escravos e fortificação militar. Durante o período da Guerra de Libertação Nacional (1963-1974), teve figuras protagonistas fundamentais para a construção do Nacionalismo Africano em todos os países de língua portuguesa, como Amílcar Cabral, e uma relação de acordos e união coletiva de luta com Cabo Verde (VILLEN, 2013). No pós-independência, todavia, as benesses não se mantiveram� O país atualmente conta com uma precária economia, com inúmeros problemas políticos e sociais, que dificultam o seu crescimento. 25 No cenário cultural, o país tenta resgatar as suas culturas locais através de trabalhos artísticos que dialogam a cultura estrangeira com as culturas tradicionais, a exemplo de publicações bilíngues a partir de textos em português junto ao crioulo guineense (SEMEDO, 2011). São Tomé e Príncipe também é um arquipélago, como Cabo Verde. Tornando-se um entreposto de escoamento de produtos e pessoas, durante a colonização, o cultivo inicial de cana-de-açúcar foi a principal economia do território, estagnando-se devido ao mercado brasileiro� Posteriormente, o cultivo de cacau, importante produto de expor- tação, tornou-se o carro-chefe de sua economia, inclusive atualmente� As suas duas ilhas, São Tomé e Príncipe, eram temidas por grande parte das pessoas escravizadas durante o século 19, e esse característica se manteve até o fim da co- lonização, por conta dos presídios e campos de trabalho forçado� Atualmente, com uma economia relativamente estável, São Tomé e Príncipe conta com problemáticas relacionadas à sua construção étnica, nos conflitos entre os povos Forro, Angolares e Principenses (MATA, 1993). 26 O teatro é uma das manifestações artísticas mais importantes quanto à cultura contemporânea do país� Os teatros de rua, como o Auto do Floripes, congregam não apenas o desenvolvimento cênico, como também as manifestações carnavalescas� Quanto à dança, o estilo congo, também conhecido aqui no Brasil, é uma das marcas culturais de São Tomé e Príncipe� Moçambique é o único país que fora colônia por- tuguesa na margem índica do continente africano� Como esse território era muito mais distante de Portugal, geograficamente, a Coroa Portuguesa não o ocupou até o século 19, apenas criando alguns portos de navegação� Contudo, com as investidas inglesa e alemã, na tentativa de tomada do lugar, Portugal iniciou o processo de ocupação� Por isso, ainda no século 19 se veiculou na imprensa portuguesa os conflitos com grupos originários do território� O maior deles, o Império de Gaza, com o imperador Ngungunhane, que lutou por décadas contra os portugueses, sendo vencido no final do século. 27 Figura 6: Ngungunhane, o último imperador do Império de Gaza� Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ngungunhane Durante o século 20, Moçambique passou por inú- meras transformações relacionadas ao desenvol- vimento das cidades coloniais, aos processos de 28 independência e às gestões democráticas pós-1975, em meio à Guerra Civil (1975-1992). Atualmente, o país enfrenta diversos desafios relacionados à sua condição climática, longos períodos de seca em determinados territórios e grandes quantidades de chuva em outros� Quanto à produção cultural, a diversidade regio- nal, étnica e religiosa possibilita ao país uma di- versidade artística� Seja no teatro e na dança, na união do estilo da marrabenta com questões que envolvem o novo homem pós-1975, a exemplo dos trabalhos artísticos do bailarino Panaibra Gabriel, seja nas artes plásticas, com o renomado artista Malangatana, ou mesmo nas expressões literárias, a exemplo da visibilidade do escritor Mia Couto, Moçambique é um dos principais países africanos de língua portuguesa que disseminam suas culturas para além do continente� Certamente, essas questões são pontuais e ape- nas ilustram a você a complexidade de se pensar sobre esses cinco países tão diversos em suas geografias, histórias e processos culturais. Nesse sentido, esperamos que as poucas questões que foram colocadas, inicialmente, instiguem o seu interesse em conhecer mais sobre eles, compreen- dendo, assim, a importância de se conhecer suas particularidades para entender as suas literaturas� 29 Saiba mais sobre os 5 países africanos de língua por- tuguesa no site da Comunidade dos países de língua portuguesa: www�cplp�org� O Instituto Camões é uma das mais importantes institui- ções que promovem intercâmbios culturais e acadêmicos entre todos os países de língua portuguesa. Vale a pena conferir o seu site: https://www.instituto-camoes.pt/ Conheça algumas expressões artísticas da música africana: Kuduro – Daddy Kall (Angola) e Latino (Brasil) https://www.youtube.com/watch?v=com8zsb73aY Morna – Cesária Évora (Cabo Verde) https://www.youtube.com/watch?v=ERYY8GJ-i0I Mayra Andrade (Cabo Verde) https://www.youtube.com/watch?v=nTrtasaAO1A Vanda Mãe Grande (Angola) https://www.youtube.com/watch?v=CzVcLz1Y6g4 Érico Daro (Guiné-Bissau) https://www.youtube.com/watch?v=SQdMMh1QsQY Marllen (Moçambique) https://www.youtube.com/watch?v=2l4zHqZmn8Y&lis- t=PLW_A2a5tteuRczChtyb963MEE_mPYWQ3j Bodon Culu (São Tomé e Príncipe) https://www.youtube.com/watch?v=6bjjQHj2IC0 SAIBA MAIS https://www.cplp.org/ https://www.youtube.com/watch?v=com8zsb73aY https://www.youtube.com/watch?v=ERYY8GJ-i0I https://www.youtube.com/watch?v=nTrtasaAO1A https://www.youtube.com/watch?v=CzVcLz1Y6g4 https://www.youtube.com/watch?v=SQdMMh1QsQY https://www.youtube.com/watch?v=2l4zHqZmn8Y&list=PLW_A2a5tteuRczChtyb963MEE_mPYWQ3j https://www.youtube.com/watch?v=2l4zHqZmn8Y&list=PLW_A2a5tteuRczChtyb963MEE_mPYWQ3j https://www.youtube.com/watch?v=6bjjQHj2IC0 30 NOVAS ABORDAGENS: A TEORIA PÓS-COLONIAL Figura 7: A primeira missa no Brasil, de Paula Rego (1993). Fonte: http://poscolonial.dlc.ua.pt/P_Inicio.aspx� Os estudos críticos mais contemporâneos têm buscado teorias e terminologias específicas para abarcar a gama de discussões e reflexões parti- culares de seus espaços, além das experiências de diásporas e dos processos de colonização� No âmbito cultural, ainda na década de 1970, originou-se o termo “pós-colonial”, vindo de uma perspectiva anglo-saxônica e de movimentos anticoloniais que se disseminavam� http://poscolonial.dlc.ua.pt/P_Inicio.aspx 31 Para grande parte desses teóricos, ainda que a terminologia sugira pensar no prefixo “pós” de forma datada, ou seja, depois das independên- cias de diversos países, o pós-colonialismo não pode ser pensado por uma vertente cronológica� Logo, não há uma linha temporal definida (antes e após as independências) para compreendê-lo, mas sim a preocupação com toda a interferência colonial imposta, inclusive na contemporaneidade� Segundo a teórica Ana Mafalda Leite, “o termo Pós-colonialismo pode entender-se como incluindo todas as estratégias discursivas e performativas (criativas, críticas e teóricas) que frustram a visão colonial, incluindo, obviamente, a época colonial” (LEITE, 2013, p.10), o que podemos muito bem compreender quando observamos o quadro da artista plástica Paula Rego, acima, trazendo outra perspectiva sobre a colonização no Brasil� Nesse sentido, na adequação da terminologia aos estudos literários, a literatura pós-colonial seria toda a produção artística produzida pelas populaçõescolonizadas, o que insere, inclusive, a produção literária brasileira, propondo, portanto, a ruptura de uma visão ocidental eurocêntrica e estadunidense, tanto da teoria literária como da própria construção estético-discursiva dos textos literários� Bill Ashcroft, importante teórico dos estudos pós- -coloniais, afirma que todas essas escritas repre- 32 sentam as “experiências de colonização, afirmando a tensão com o poder imperial e enfatizando suas diferenças dos pressupostos do centro imperial” (ASHCROFT apud BONNICI, 1998, p. 9) e, atualmente, como explicita Thomas Bonnici (1998), através de uma abordagem alternativa para compreender os efeitos da globalização e do imperialismo� Algumas obras teóricas são fundamentais para se compreender a terminologia� Muitas delas foram publicadas em inglês e sem traduções para a lín- gua portuguesa� Entretanto, há um extenso debate acadêmico, em língua portuguesa, sobre o tema� No cenário anticolonial, os textos do martinicano Frantz Fanon são referência imprescindível, com os seus Pele negra, máscaras brancas (2008) e Os condenados da terra (2015). Esses são estu- dos que uniram os trabalhos de Fanon no campo da psiquiatria com os sobreviventes da guerra na Argélia junto às questões raciais� Quanto à perspectiva literária, o livro pioneiro é, sem dúvida, The Empire Writes Back – Theory and Practice in Post-Colonial Literatures, de Bill Ashcroft, Gareth Griffiths e Helen Tiffin (1989), que traz as primei- ras proposições pós-coloniais para a análise dos textos artísticos� No âmbito discursivo, o crítico literário palestino Edward Said foi um dos pioneiros da teoria, com a publicação de Orientalismo (2007), em 1978, 33 observando como as narrativas ocidentais im- perialistas criaram a própria dicotomia oriente x ocidente� Além dele, a crítica literária indiana Gayatri Spivak é outra referência, com textos como Pode o Subalterno Falar? (2017), como também o crítico indiano Homi Bhabha, com Nation and Narration (1990). No contexto africano de língua portuguesa, a termi- nologia também teve que se adaptar às particulares realidades desses territórios que conquistaram suas independências mais tardiamente (quando comparados aos outros territórios africanos), além das experiências particulares do colonialismo português no século 20, considerado por alguns críticos, como Perry Anderson (1966), um dos piores regimes colonialistas que se perpetuou no século 20, chamando-o de “ultracolonialista” (ANDERSON, 1966). Segundo a teórica sãotomense Inocência Mata, pensar o pós-colonial nas literaturas africanas é refletir sobre a própria condição periférica nesses locais� Para Mata, o escritor africano é munido de uma “consciência pós-colonial” (MATA, 2013) já observada nas produções de língua francesa e inglesa, como nas obras literárias O sol das Inde- pendências, do escritor costa-marfinense Ahmadou Kourouma (1970) e Quando tudo se desmorona, do nigeriano Chinua Achebe (2009). 34 No âmbito crítico, também há mudanças� O pós- -colonial propõe, através de suas rupturas, a rein- terpretação e reescrita de obras canônicas, nas discussões sobre o lugar que essas obras sempre ocuparam, marginalizando outras experiências his- toriográficas, a exemplo de novos olhares sobre as obras de William Shakespeare, especificamente a peça A tempestade, demonstrando a marginalização e as atitudes colonialistas (SOUSA SANTOS, 2003), e, até mesmo, nas nossas experiências literárias brasileiras, como os textos infantis de Monteiro Lobato, observando a marginalização e o lugar problemático da personagem Tia Anastácia, em O Sítio do pica-pau amarelo (BODÊ DE MORAES, 1997). Quanto às literaturas africanas de língua portuguesa, há novas abordagens que propõem releituras de textos ainda do período colonial, além da percepção de uma visão pós-colonial em alguns escritores, tais como João Dias, Luandino Vieira, Noémia de Souza e José Craveirinha, como veremos� Certamente, é preciso finalizar a discussão com- preendendo que o termo, hoje, abrange questões mais complexas e interdisciplinares, a exemplo do feminismo, das diásporas, dos nacionalismos, das zonas de contato, do racismo, do pós-modernismo, ecologia, ensino etc. Thomas Bonnici afirma que há muito ainda a ser desenvolvido: 35 “Sem dúvida, muitas questões ainda não foram resolvidas, como: a relação da língua europeia tra- zida pelos colonizadores e as línguas indígenas; a conveniência das traduções; a influência cultural híbrida dentro de uma mesma cultura e fora dela; a paridade da oratura (narrativas orais) com a litera- tura; os padrões de valores estéticos; a importância das instituições (como as universidades) para a produção literária e crítica; a revisão do cânone literário (BONNICI, 1998, p.10).” Portanto, essa é uma discussão apenas iniciática sobre o termo� Esperamos que você tenha se inte- ressado mais sobre essas questões e que procure pelas referências que oferecemos� A terminologia faz parte tanto das questões históricas sobre os países africanos de língua portuguesa como das próprias análises das obras literárias� 3636 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book você entrou em contato com impor- tantes discussões aos estudos africanos� Iniciamos este material com a perspectiva da desconstrução porque acreditamos ser fundamental a você com- preender a necessidade de estudar as literaturas africanas através de pensamentos e reflexões que não sejam essencialistas� Além disso, você pôde conhecer um pouco da riqueza contemporânea do continente, bem como uma breve passagem pelas histórias dos cinco países de língua portuguesa, pela perspectiva pós-colonial� Acreditamos que com essas ferramentas básicas você terá muito êxito tanto na compreensão como na análise dos textos literários que estudará� Referências Bibliográficas & Consultadas ACHEBE, C� Quando tudo se desmorona� Tradução: Eugénia Antunes e Paulo Rêgo� Lisboa: Mercado de Letras, 2007. 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