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AULA DE APROFUNDAMENTO DO ENEAGRAMA – 1º encontro O Eneagrama é uma figura geométrica que representa graficamente os nove tipos de personalidade presente na natureza humana e suas complexas inter- relações. É uma sabedoria milenar de autoconhecimento, suas raízes se encontram em diversas tradições espirituais e religiosas antigas. O Eneagrama funciona como um mapa psicoespiritual, apresenta com clareza e precisão os dinamismos e mistérios da alma humana. Este mapa de consciência revela quais caminhos nos levam de volta para nossa essência e quais caminhos nos afastam dela, nos deixando presos em padrões repetitivos de funcionamento das personalidades. A sua origem é parcialmente conhecida, mas quanto mais se aprofunda o estudo do Eneagrama, mais convicção se tem de que ele não foi inventado, mas sim descoberto, no correr dos séculos, por aqueles que procuravam e amavam a verdade. O Eneagrama quer ser uma ajuda para soltar o “falso eu”, representa uma verdade essencial de nossa vida psícoespiritual e nos leva à mais elevada forma de consciência espiritual. Acredito que o Eneagrama nos torne mais capazes de amar os outros, a nós mesmos e a Deus ou o Transcendente. TRÍADES A tríade é formada no triângulo interno do símbolo do Eneagrama. Dividimos os nove tipos em três centros de energia ou inteligência: prática (8,9,1), emocional (2,3,4) e racional (5,6,7), representadas pelo ventre, coração, cabeça. Em cada pessoa está presente os três centros, porém, privilegiamos um centro, aquele a que pertence o nosso tipo de personalidade. A energia própria do centro é comum aos três Tipos que o compõem, embora cada Tipo oriente essa energia de um modo diferente. Daí nasce a diferença básica entre cada tipo, dentro do mesmo centro. Também é comum aos tipos do mesmo centro uma sensação profunda daquela “ferida” que marcou a estruturação da personalidade na nossa infância. Cada tipo desenvolveu mecanismos inconscientes para abafar essa dor, busca nos outros o amor que lhes falta, procura na razão a segurança que não tem, busca na ação a importância que sente não ter. Nunca os outros poderão preencher essa carência afetiva, nunca o conhecimento e a razão poderão dar segurança que lhe falta, nunca o que se faz poderá compensar a sensação de insignificância. Centro no ventre: correspondem aos “tipos hostis”. O centro corporal que os rege é o aparelho digestivo e o plexo solar. Reagem instintivamente. Ouvidos e nariz são seus sentidos mais aguçados. Numa nova situação dizem em primeiro lugar: “Aqui estou, tratem comigo”. A vida para eles é um campo de batalha, se interessam por poder e justiça de forma muitas vezes inconsciente. Precisam saber quem está no comando, são em geral diretos, abertos ou dissimuladamente agressivos e reivindicam seu próprio “espaço”. Estas pessoas vivem no presente, recordam o passado e esperam algo do futuro. Mas é difícil para eles seguir um plano bem definido e manter-se fiel a ele. Quando se dão mal, atribuem a culpa geralmente em si mesmo: “Fiz tudo errado. Sou mau”. Essas pessoas são regidas – consciente ou inconscientemente – por agressões. Mas têm pouco domínio sobre suas angústias e temores que ficam atrás de uma fachada de autoafirmação. Externamente atuam com desembaraço e firmeza, ao passo que internamente podem ser atormentados por dúvidas morais. Centro do coração: a energia das pessoas do coração move-se em direção aos outros. O mundo dos sentimentos subjetivos é seu domínio. Seu tema são as relações inter-humanas. O coração e o sistema circulatório são seu centro corporal. Os sentidos mais desenvolvidos são o tato e o paladar. Assim como as pessoas do ventre o importante é o poder, nestas o que interessa é o estar à disposição. É difícil se concentrarem sobre si mesmas. Em cada situação perguntam logo de saída: “Vocês precisam de mim?” ou “Com quem estou reunido?” Encaram a vida como tarefa que precisa ser executada. Por isso procuram (muitas vezes de forma inconsciente) prestígio e aparência. O lado positivo disso é que possuem em geral um sentimento de responsabilidade bem desenvolvido. Tendem a adaptar-se, a reclamar atenção e espaço e a saber melhor das coisas. Muitas vezes são dominadas pelo que os outros pensam delas e julgam saber o que é bom para os outros, reprimem suas agressões e se escondem por trás de uma fachada de bondade e ativismo. Exteriormente atuam de forma desembaraçada, alegre e harmônica, mas internamente se sentem muitas vezes vazias, incapazes, tristes e envergonhadas. Centro da cabeça: os tipos que se afastam dos outros. Sua torre de controle é o cérebro, a energia cerebral é uma energia que se afasta dos outros. Em cada situação os integrantes desse grupo dão primeiro um passo para trás para refletir. São regidos pelo sistema nervoso central e o sentido mais desenvolvido neles é a visão. Numa situação nova querem primeiro localizar-se: “Onde estou? Ou: “Como isto tudo se ajusta?” Encaram a vida principalmente como enigma e mistério. Têm grande senso de ordem e dever. Sua atitude é, em geral, isenta e objetiva (“Está correto!”). Parecem ter menos necessidades e podem deixar espaço para os outros. Pessoas da cabeça se perguntam muitas vezes: “Será que sou dependente? Será que sou independente?” Agem apenas depois que refletiram e então prosseguem metodicamente. Em situações de necessidade, acusam a si mesmas de bobas e indignadas. Enquanto seu medo é exagerado, escondem não raro seus sentimentos de ternura atrás de uma fachada de objetividade e imparcialidade. Externamente agem de forma clara, convincente e inteligente, mas internamente sentem-se muitas vezes isoladas, confusas e absurdas. Os Pilares da Personalidade Experiência de Infância, Mecanismo de Defesa, Armadilha / Fixação, Pecado de Raiz / Paixão Quando iniciamos a nossa aventura como humanos, recebemos gratuitamente a nossa Essência Divina, a sementinha com a pré-disposição à personalidade e os instintos equilibrado. A função da personalidade é defender e proteger a nossa essência. No estado de essência experimentamos um amor absoluto, segurança, reconhecimento, valorização. No entanto, em algum momento a criança passou por experiências traumáticas e dolorosas, que gera uma ferida emocional – o ponto é como ela interpreta, sente e reage a situação. A partir desta experiência dolorosa, a criança desenvolve inconscientemente o mecanismo de defesa – uma estratégia de proteção para fugir da dor, mas acaba sendo uma tentativa frustrada que reforça a ferida original. Armadilha/Fixação a criança deixa de enxergar a totalidade, o olhar da essência, para ter um olhar parcial, é um hábito mental de enxergar a realidade de forma distorcida. Paixão ou Pecado de Raiz é a distorção da emoção, é a questão central da personalidade, está na base e por trás do nosso comportamento e atitudes, esse sentir adoecido reforça a sensação dolorosa da infância. Motivação é a crença inconsciente, está por trás dos nossos comportamentos. Segundo André Prudente, a infância é a fase mais sensível do desenvolvimento humano porque as crianças ainda são sementes com uma potencialidade infinita, mas precisam de cuidados adequando para poder transformarem estas potências em capacidades concretas que sirvam para o seu dia a dia. Quando os adultos cuidadores e o meio à sua volta não são favoráveis, as crianças podem facilmente bloquear o seu desenvolvimento, criando traumas que as mantêm afastadas do seu Ser. Entretanto, quando existe o contexto “ideal”, elas manifestam, com muita espontaneidade, a criatividade que têm (e que considero inerente à natureza humana) encantando a todos à sua volta. Por isso, é vital pais, educadores, terapeutas e outros cuidadores de crianças, apenderem a criar e manter um modo de vida, de relação e uma educação que estimulem a plena expressão do Ser dos seus filhos,alunos ou clientes. Somente assim, auxiliarão estes a serem tudo que precisam ser para lidarem bem com os desafios inerentes à existência, sabendo encontrar a felicidade de Ser, mesmo nas condições mais adversas. As origens infantis de cada Tipo A partir da relação com as figuras patena e materna Podemos considerar a formação da personalidade a partir de um complexo contexto em que interferem as experiências da infância, incluindo as predisposições genéticas e fatores ambientais e culturais. A pessoa, a família e a cultura interagem profundamente nesse processo. A estruturação da personalidade acontece em nove padrões ou perfis, a partir da relação com as figuras paterna e materna. A figura paterna ou materna não é necessariamente a mãe ou o pai biológico, mas a pessoa que desempenha esse papel na experiência da criança. Vale pontuar que o determinante na formação da personalidade não é tanto aquilo que acontece, o que os pais fazem ou deixam de fazer, mas sobretudo o jeito como a criança interpreta, sente e internaliza a experiência. A criança pode experimentar uma primeira orientação ou ligação mais profunda com a figura paterna ou com a figura materna ou com as duas figuras de modo equivalente. Aqui, já temos três possibilidades diferentes. Essa orientação preponderante para cada uma das figuras, pode ser experimentada pela criança de modo positivo, de modo negativo ou de modo ambivalente (misturando às vezes positivo e às vezes negativo). Daqui nascem os nove Tipos do Eneagrama, dependendo de como a criança sente a relação com as figuras paterna e materna ou com as duas e dependendo da qualidade dessa relação. É bom lembrar que estamos falando da primeira orientação, daquilo que marcou a criança e isso acontece em tempos bem remotos da formação da personalidade. Essa primeira relação e a qualidade dessa relação estão profundamente ligadas com as experiências fundantes na estruturação da personalidade, provavelmente com uma ligação muito próxima com aquilo que chamamos de “ferida central” da personalidade, a partir da qual vários outros mecanismos se estruturam. Quadro que especifica a relação e a qualidade da relação para cada Tipo de personalidade Positiva ambivalente negativa Figura paterna 6 2 1 Figura materna 3 8 7 Figura paterna e materna 9 5 4 O grupo 6,2,1 – Tipos que experimentaram uma orientação maior em relação à figura paterna, que se defendem assumido uma postura submissa, aproximando- se dos outros, misturam também traços agressivos que se manifestam quando eles se acham sob pressão, levando-os a condutas destrutivas. A influência paterna e as proibições internalizadas a partir dessa relação geram uma personalidade medrosa, insegura e autoritária (Tipo 6), uma personalidade farisaica e vingativa-castradora (Tipo 1) e uma personalidade manipuladora que faz os outros se sentirem culpados (Tipo 2). O grupo 3,8,7 – Tipos que experimentaram uma orientação maior em relação à figura materna, que se defendem agressivamente, opondo-se aos outros, numa atitude hostil. A influência da figura materna vai gerar, nos casos de pessoas imaturas, a personalidade sociopata narcisista (Tipo 3), A personalidade materialista maníaco-depressiva (Tipo 7) e a personalidade antissocial agressiva (Tipo 8). O grupo 9,5,4 – Tipos que experimentam uma orientação em relação às suas figuras, se defendem retraindo-se, afastando-se, são solitários, os intelectuais e os sonhadores da sociedade. Como na infância sentiram ligação com as duas partes, na vida adulta vão ter dificuldade de interagir com os outros, tendem a confundir-se por influência interna ou externa. Dessa relação, nasce a personalidade emocionalmente atormentada que odeia a si mesma (Tipo 4), a personalidade do paranoico isolado (Tipo 5) e a personalidade traumatizada e desligada (Tipo 9 imaturo). Os Nove Tipos de Personalidade Todos nós temos características dos Nove Tipos. No entanto, tem um Tipo com o qual cada pessoa se identifica mais, aquele padrão que explica a maior parte das reações e comportamentos e, sobretudo, os mecanismos centrais que a pessoa repete. O primeiro objetivo no trabalho de Eneagrama é possibilitar a identificação do seu Tipo de Personalidade. Algumas pistas que podem ajudar na identificação do seu Tipo de Personalidade. - Preste atenção no que você sente ao escutar a explicação de cada Tipo de Personalidade. Quando se sentir mal ou sentir que incomoda, que acorda lembranças que mexem ou trazem constrangimento ou vergonha...está perto, mas pode não ser ainda o seu Tipo. - Volte aos dezoito, vinte, vinte e poucos anos, lembre-se de como você era nessa idade, a pessoa é do jeito que é e não está nem aí para o que os outros pensam. Normalmente, a partir dessa idade, a pessoa vai mudando, vai tomando consciência dos seus comportamentos e transformando as suas atitudes, ou pelo amadurecimento natural ou pela caminhada espiritual ou através do sofrimento ou dos relacionamentos e da experiência da vida. - A dúvida faz parte do processo de autodescoberta. Mais importante que descobrir o seu Tipo, é o exercício de auto-observação, a partir das características essenciais de cada Tipo. - Preste atenção às suas motivações. Motivação é aquilo que nos move interiormente, aquilo que está por trás das nossas atitudes e comportamentos, aquilo que esperamos quando tomamos uma determinada atitude. Os Tipos de Personalidade no Eneagrama não se baseiam nas atitudes, mas nas motivações. Podemos ter as mesmas atitudes em vários Tipos, mas a motivação é específica de cada padrão de comportamento. Por isso, a pergunta que vai ajudar você é: o que me leva a fazer isso? O que eu espero quando faço isso ou quando deixo de fazer isso? Tipo 1 A tentação é a perfeição: a busca da perfeição domina a vida toda da pessoa, numa ânsia de “não ser criticada” pelo seu crítico interno ou pelos outros. Essa busca se torna compulsiva, massacrando a pessoa e fazendo que seu relacionamento com os outros se torne estressante. A comunicação do Tipo 1 é a manifestação da sua busca de perfeição e de superioridade moral. Ele afirma com autoridade o que é correto ou o que está errado, diz o que é preciso fazer, tanto para si mesmo como para os outros. À primeira vista, pode dar a impressão de que a pessoa tem convicção absoluta do que está dizendo ou até um sentimento de superioridade; no entanto, isso é apenas aparência, no fundo a pessoa tem um medo permanente de se enganar, o que a leva a duvidar de si mesma. O seu tom de voz é moralista e de censura, às vezes ansioso. Normalmente, com as pessoas mais distantes a fala é cordial, de uma simpatia forçada para agradar e dar a imagem de uma pessoa “boazinha”, enquanto para os mais próximos o tom é de ressentimento, de lamentação, de desabafo, de recriminação e de censura, o que pode tornar a fala estressante para os ouvintes. O que provoca a ira do Tipo 1 é não ser sério com ele, também não gosta que as regras sejam quebradas ou desrespeitadas. Tem dificuldade de suportar críticas, fica profundamente ressentido quando acha que uma crítica lhe é feita injustamente. Qualquer tipo de injustiça normalmente a revolta. O fantasma do Tipo 1 é o ressentimento, a irritação. Ele foge de tudo que possa irritar e deixá-lo ferido. Essa sensação de irritação e ressentimento nasce de uma sensação profunda de insignificância. Sempre que algo ou alguém o confronta com suas imperfeições, a pessoa fica com raiva de si mesma e tenta fugir, reprimindo-a e negando-a em relação aos outros. Enfrentar o fantasma significa assumirsuas limitações e imperfeições, encarando-as como parte do seu processo de crescimento. Este fantasma é emocional: enfrentá-lo não significa tanto analisá-lo objetivamente, mas terá de passar sobretudo pelo acolher e liberar seus sentimentos reprimidos. O ponto de virada para esse Tipo é o confronto com as próprias limitações, assumindo-as. Enquanto não acontecer esse encontro, todos os esforços apenas conseguirão complicar ainda mais a vida da pessoa, em termos de autocobrança, impaciência e ansiedade. Reconhecer-se a aceitar-se como ser limitado, em crescimento. Aceitar as próprias limitações, aprendendo a conviver com elas e também com as próprias limitações do ambiente e das outras pessoas. Ser menos crítico, menos exigente, mais condescendente, não levar as coisas “tão a sério”, relaxar. A pessoa precisa aprender a relativizar o “crítico interno”, desligando, não se deixando escravizar por ele, pois essa “voz” interna é apenas o eco da voz cobradora dos adultos durante a infância da pessoa. Aprender a brincar com o “crítico interno” – aí está um grande segredo de vida para a pessoa deste Tipo. Tipo 2 A tentação é a ajuda: a pessoa vive no dilema constante de ajudar sempre os outros e fugir de si mesmo. A sua identidade está nos desejos e necessidades dos outros, isso faz com que sua vida sentimental seja bastante caótica. A sua compulsão em ajudar é uma forma de dar aos outros exatamente o que deseja para si mesmo, para receber afeto, carinho, reconhecimento. A comunicação do Tipo 2 se interessa pelo outro, obtendo informação, parabenizando, dando ajuda e sugestões. Sorri continuamente e espontaneamente, criam proximidade com o interlocutor. Muitas pessoas deste Tipo gostam de tocar fisicamente a pessoa com quem falam, ressaltam o próprio pensamento com muitos gestos. Quando alguém fala com elas, as pessoas deste Tipo escutam e prestam muita atenção. Seu tom de voz é também meloso, às vezes “choroso”, como se a pessoa estivesse se lamentando, como uma forma de atrair atenção, colocando-se como vítima, embora isso se misture com uma fala desenvolta e aparentemente segura. O Tipo 2 fica chateado quando sua ajuda e gentileza não lhe trazem retorno e estima, ele sente que tem direito a isso. Isso piora quando se sente ignorado ou quando o acusam de egoísmo, imediatamente a raiva aflora. Fica indignado quando os fatores humanos não são levados em conta, seja numa empresa, na família ou num grupo. O fantasma do Tipo 2 é a carência. Ele foge de seus sentimentos e de suas emoções e necessidades. Reprime tudo o que seja necessidade pessoal e reage negativamente, sempre que alguém ou alguma situação o confronta com sua carência ou faz acordar nele esse núcleo de necessidades e sentimentos. Esse fantasma nasceu da sensação profunda de não ser amado. Enfrentar o fantasma significa olhar de frente seus sentimentos, necessidades e emoções, assumi-los, aprender a lidar com eles. O ponto de virada para este Tipo é o contato com os sentimentos e as próprias necessidades. O silêncio, a oração pessoal, a experiência de solidão podem tornar-se a porta de entrada para este espaço de encontro. Enquanto isso não acontecer, a pessoa continua vivendo fora dela, ajudando os outros, satisfazendo as necessidades alheias, como forma de satisfazer o orgulho e as próprias carências. Perceber e aceitar seus sentimentos e necessidades pessoais, poderá gerar na pessoa uma nova atitude de vida: a pessoa se reconhece como alguém que é especial, que tem necessidades, que precisa de ajuda, alguém humilde. Só isso pode curar o orgulho deste Tipo. Tipo 3 A tentação é a eficiência: é o dilema constante em sua vida. Empenha-se compulsivamente no ativismo, buscando ser eficiente, lutando a todo o custo, contra tudo e contra todos se for preciso, para continuar vendendo sua imagem de competência. A comunicação do Tipo 3 é a pessoa que faz propaganda de si mesma, de seus produtos, de suas ideias e de seus desejos. Considera a pessoa que fala com ele como um cliente, por isso tenta ser persuasivo. Cria proximidade com o ouvinte, procurando ser afetuoso e simpático, tratando-o de forma bem pessoal, às vezes até usando diminutivos carinhosos do nome. Sorri e enfatiza sua ideia gesticulando muito com as mãos. Fala muito de seus sucessos, fala rápido, pois tem pressa para realizar algo. Quando a ouvimos falar, temos a impressão de que essa pessoa está vendendo alguma coisa e na realidade está tentando se vender a si mesma. O tom de voz é o mesmo dos comerciais de TV ou de rádio, usando frases de impacto, slogans, fazendo comentários exagerados, carregando nas cores para que a afirmação cause impacto. O Tipo 3 irrita-se com pessoas ineficientes, preguiçosas ou derrotistas, pois elas comprometem seu sucesso. A preocupação com a própria imagem e a vaidade pessoal, faz com que deteste as pessoas que o ignoram e aos seus sucessos. Também fica irritado com pessoas que tomam atitudes de superioridade em relação a ele, pois interpreta isso como obstáculo para seu brilho pessoal. Fica pouco à vontade perante alguém que lhe peça demasiada intimidade e facilmente entra em atrito com pessoas que exerçam liderança, embora seja calculista nesses confrontos e consiga “queimar o adversário” de forma diplomática, pois ele “nunca diz nada que possa ser utilizado contra ele”. O que o abala profundamente é a crítica, que ele a interpreta como sinal de rejeição. O fantasma do Tipo 3 é a rejeição. Ele foge de tudo o que possa ter o menor sinal de ser rejeitado pelos outros. Por isso evita o fracasso, acha que fracassando os outros não irão aceitá-lo. Por isso deixa de lado seus sentimentos e emoções, pois isso o atrapalha na busca do sucesso. Por trás desse ponto fraco está a sensação de não ser amado. Enfrentar o fantasma significa olhar de frente para si mesmo, confrontar-se com o fracasso, perceber e prestar atenção aos sentimentos e emoções, valorizando-os e aprendendo a lidar com eles como parte integrante de sua vida. O ponto de virada para este Tipo é o contato com o mundo interior de seus sentimentos. O “ficar sem fazer nada” pode ser a porta de entrada para este espaço. Decisivo mesmo pode ser o confronto com o fracasso. Fracasso é tudo o que este Tipo mais teme. Sem chegar aí, a pessoa vai andar a vida inteira representando, vivendo em função da imagem, entrando num poço sem fundo que a torna cada vez mais distante de si mesma. Confrontando-se com o fracasso e prestando atenção aos sentimentos que este gera, o Tipo 3 vai descobrindo que o seu valor pessoal está naquilo que ele é e não naquilo que faz para obter sucesso e aplauso. Na vida da pessoa deste Tipo, são de grande valor pedagógico os momentos de sofrimento ao qual a pessoa não tem como fugir: morte de pessoas próximas, fracassos indisfarçáveis, derrotas que não podem ser camufladas. Tipo 4 A tentação ou dilema da vida é a busca compulsiva de autenticidade e quanto mais se esforça por ser autêntica, mais artificial pode parecer aos que estão a sua volta. A comunicação do Tipo 4 a sua fala manifesta a instabilidade de suas emoções. Seu tom de voz é muito vulnerável, oscilando entre a franca alegria e a lamentação, mas sempre dramatizando a expressão do que está sentindo. O seu estado emocional também se expressa nas mímicas, gestos, proximidade e também esses indicadores não verbais podem ir de um extremo ao outro em pouco tempo. Sabe escutar os outros de forma atenciosa e benevolente. A fala deste Tipo é marcada por silêncios profundos, carregados de sentimentos. Há um toque de lirismo no tom de voz, a pessoa fala como se estivesse sonhando, andando nas nuvens, vendo o mundo com óculos cor de rosa, declamando poesia ou coloca na voz o seu derrotismo, pessimismo, revolta e deboche em relação a tudo e a todos. O Tipo 4 sente-se mal quando não é respeitado como alguémespecial e diferente ou quando suas emoções e sentimentos são feridos ou não valorizados. As regras, normas, convenções sociais lhe causam tédio. Sente repugnância com a falta de sensibilidade em relação ao belo ou com a falta de estilo, classe e elegância. Fica desmotivado quando a sensibilidade humana é esquecida num projeto. Fica irritado e defende-se, às vezes de forma agressiva, quando é criticado, embora ele mesmo, às vezes, se critique publicamente. Não suporta ser tratado como alguém igual aos outros, irrita-se quando lhe dizem “que se adapte”. O fantasma do Tipo 4 é a banalidade, a inferioridade, o ser comum. Ele foge de tudo o que o faça sentir-se inferior, pois essa é a realidade dolorosa que experimenta no fundo de si mesmo e que não aceita. Por isso ele se fecha em si mesmo, remexendo seus sentimentos negativos e magoados, embora externamente transpareça uma imagem de superioridade e autenticidade, procurando ser diferente. É a fuga de sua inferioridade que o leva a evitar tudo o que seja banal, comum e inferior. Na origem de tudo, está a sensação profunda de não ser amado. Enfrentar o fantasma significa aceitar-se do jeito que é, olhar de frente sua sensação de inferioridade, sua revolta interna, ser mais objetivo em relação aos seus sentimentos dramatizados. O ponto de virada para este Tipo é ligar-se no presente. O Tipo 4 vive numa corda bamba permanente, estendida entre o passado e o futuro: ou ele está relembrando e ruminando os sofrimentos do passado, ou ele se lança nas asas de sua imaginação e fica fantasiando situações que lhe trarão amor no futuro. Mas, corre o risco de nunca estar no presente, onde a vida acontece, onde a pessoa se relaciona e se realiza no agir concreto. Perguntar-se frequentemente: “Onde estou?” Enquanto não chegar aqui a pessoa vai ser uma eterna insatisfeita, perambulando entre a melancolia e a fantasia. Encontrando-se com o presente e aprendendo a viver nele, este Tipo poderá encontrar um novo conceito de felicidade e realização pessoal, tornando-se mais concreto e ativo, mais engajado, mais próximo das pessoas e dos acontecimentos. No presente, o Tipo 4 encontrará a verdadeira autenticidade da sua vida! Tipo 5 A tentação é o conhecimento: vive compulsivamente atraído por conhecer, para ele saber é poder. As informações que colhe do mundo exterior e armazena nunca bastam, precisa sempre de mais um curso, um livro ou um recolhimento ao silêncio. Geralmente, brilha por ser “intelectual”: “sei mais do que os outros, estou acima do emaranhado de sentimentos e da carga emocional dos outros”. A comunicação do Tipo 5 expõe ideias, teorias, hipóteses, como se fossem pequenos tratados. Às vezes fala pouco, como se estivesse sonegando informação. Usa termos abstratos e gerais. É teórico, fala de ideias e não exprime emoções. Sorri pouco e quase não gesticula. Guarda distância entre ele e o ouvinte. Durante a conversa, seu tom de voz permanece inalterado, frio, discreto, impávido e sereno, mesmo que seja provocado e atacado ou mesmo quando é elogiado e recebe demonstrações de afeto e carinho. Geralmente fala em tom baixo e se irrita quando lhe pedem para falar mais alto. Presta muita atenção, ouve pacientemente e quando fala, geralmente é para sistematizar, resumir, tirar conclusões. O Tipo 5 fica irritado com discursos superficiais e convencionais. Não suporta exposições confusas, argumentos infundados, raciocínios ilógicos, ideias contraditórias, quando seu saber é contestado. Fica indignado quando seu saber é contestado. Fica perturbado quando as emoções interferem no plano mental da comunicação, na hora de tomar decisões ou quando está na presença de alguém. Fica estressado quando mudanças imprevistas tomam o seu tempo, quando não tem tempo para se preparar suficientemente, e é apanhado de surpresa por algum compromisso. Irrita-se facilmente, quando lhe colocam perguntas imbecis, quando lhe pedem para explicar coisas óbvias ou quando tem que repetir a mesma coisa várias vezes. O fantasma do Tipo 5 é o vazio. Ele foge de tudo o que possa espelhar o vazio que vive dolorosamente dentro de si e que não aceita. Esse vazio nasceu da sensação profunda de incapacidade. A pessoa não aprendeu a lidar com isso, a manifestar seus sentimentos e emoções feridas e por isso evita o contato, o relacionamento, a manifestação de emoções. Enfrentar o fantasma significa olhar de frente para seu mundo interior, encarar sua sensação de incapacidade, procurando entender-se e aceitar-se em suas emoções e sentimentos. O ponto de virada para este Tipo é o engajamento, o compromisso concreto, a interação. Enquanto permanecer isolado, no mundo das teorias, este Tipo continuará desligado e vazio. Exercitar a convivência, o relacionamento, o trabalho em equipe, a ação concreta, prática, ajudará a pessoa a preencher seu vazio interior e a religar o mundo dos sentimentos, para poder aprender a conviver com eles. O trabalho manual, o contato direto com as coisas materiais, poderá ser uma grande alavanca de crescimento para a pessoa deste Tipo. Ela torna-se-á mais realista, mais envolvida e comprometida com o mundo, redescobrindo o sabor da realidade, das coisas, dos acontecimentos, da história, do saber fazer. Instintivamente, a pessoa deste Tipo acha que tudo isso é “perda de tempo e de energia”, mas aí está o princípio da verdadeira sabedoria, que nasce quando se unem “cabeça e coração”. Tipo 6 A tentação é a busca constante de segurança. Esse é o grande dilema da pessoa: ela se sente compulsivamente empurrada para procurar segurança nas leis, nos sistemas ortodoxos, no fundamentalismo, nas instituições, nas pessoas, nas coisas fora dela. Enquanto não a descobrir dentro de si, sempre será insegura. A comunicação do Tipo 6 seu discurso é analítico, mas seu tom de voz é caloroso com as pessoas de seu grupo, com quem se sente seguro e à vontade. É reservado, prudente e distante com as pessoas de fora. Gesticula pouco. Fala sempre dos inconvenientes relativos à situação que está sendo analisada. Quando expõe um projeto, fala com calma e prudência, de forma discreta, de modo a sentir-se seguro quanto aos riscos que ele pode acarretar. Evita afirmações que possam causar rejeição por parte do grupo. Quando se abre muito e fala de forma mais descontraída, é capaz de se calar de repente, achando que já foi longe demais. Às vezes, o tom de voz é inseguro, nervoso, tímido, como se a fala custasse a sair, o que expressa a insegurança interna. Geralmente seu discurso é limitante, como se estivesse sempre podando a fala do outro, colocando barreiras e limites. O Tipo 6 perde a estabilidade quando é criticado, sobretudo por uma pessoa que tem sobre ele poder hierárquico. Fica confuso quando não há definição clara e precisa de suas tarefas e atribuições. Reage com raiva e agressividade quando as regras, convenções e rituais próprios do grupo não são cumpridos. O autoritarismo, a falta de lealdade e o não reconhecimento de sua fidelidade e de seu envolvimento o deixam agressivo e fazem dele um adversário. Fica inseguro quando é provocado e é capaz de reagir com agressividade quando isso atinge níveis mais fortes. O fantasma do Tipo 6 é o medo, a insegurança, a atitude errada. Ele foge de tudo o que possa confrontá-lo com esse núcleo que o atormenta. Esse ponto fraco nasceu da sensação de incapacidade, gerando desconfiança de si mesmo e dos outros e das próprias opções. Enfrentar o fantasma significa olhar o medo de frente, encarando suas inseguranças, procurar dar nome aos medos, objetivá-los, ganhar distância em relação a eles, analisando-os. O ponto de virada para este Tipo é o exercício da autonomia: arriscar, decidir, ousar fazer opções, agir sem precisar de confirmação prévia e de apoios. Assim, o Tipo 6 poderá desenvolver a autoconfiança, que virá trazendo a verdadeirasegurança. Enquanto não chegar neste ponto, a vida da pessoa corre o sério risco de ser uma eterna busca frustrada de seguranças falsas, por terem sido buscadas fora da pessoa. A autonomia fará realçar a capacidade de acreditar em si mesma, melhorar a autoestima e diminuir proporcionalmente os medos e inseguranças, o receio de ser castigado e o temor de ficar exposto. Arriscar, ser mais “agressivo”, agir mais pelo instinto e diminuir o peso da escravatura do pensar muito. A sensação profunda de incapacidade só diminuirá na medida em que a pessoa se acostumar a observar o fruto de sua capacidade pessoal, manifesta nas ações empreendidas e nas opções assumidas de forma autônoma. Há no Tipo 6 uma coragem espantosa que precisa ser libertada e o nó desse processo de libertação interior começa a desatar-se com a continuidade do exercício da autonomia. Tipo 7 A tentação é o idealismo: ele precisa ter certeza de estar se empenhando por uma boa causa que traga alegria a ele mesmo e aos outros. Ele é compulsivamente atraído para idealizar, fantasiar, imaginar, criar cenários agradáveis, apreciar na sua imaginação experiências prazerosas que vai planejando para o futuro. Mas isso tira a pessoa do chão do presente e a impede de entrar em contato com o sofrimento que carrega. A comunicação do Tipo 7 gosta de falar e fala muito sobre coisas agradáveis. Adora contar piadas, histórias, fatos engraçados, que ele mesmo enfeita e recheia de forma interessante. É tagarela, mas fala pouco de emoções. Faz muitas perguntas, coloca muitas hipóteses e expressa suas ideias logo que estas surgem na sua cabeça. É sorridente e gesticula muito. O falar muito geralmente é uma forma de substituir a ação ou de salvar a própria pele. Seu tom de voz é expressivo, engraçado, sabe imitar com facilidade, comunica alegria. Fica inseguro e sua voz é capaz de tremer, quando tem de falar de assuntos que causam sofrimento ou quando é questionado e pressionado. Às vezes sua raiva e insegurança se expressam no tom de deboche com que ridiculariza os outros e as situações. O Tipo 7 sente um tédio profundo perante a rotina, as normas, as regras e as convenções. Não gosta de limites, de disciplina. A crítica ou até mesmo a falta de comentários calorosos sobre seu trabalho, ideias e planos, desencadeiam sua raiva, sobretudo quando isso acontece em público. Normalmente essa raiva aparece em tom de deboche, de ridicularização, de racionalizações. Tem dificuldade de envolver-se emocionalmente e os assuntos tristes e pessimistas geram fuga. O fantasma do Tipo 7 é o sofrimento. Ele foge de tudo o que possa ter sinal de sofrimento, pois qualquer sofrimento externo acorda a sensação de sofrimento que carrega dentro de si. Essa sensação, que se traduz também por uma sensação de incapacidade, nasceu do medo que ficou como “sombra” daquela experiência dolorosa da infância. Enfrentar o fantasma significa olhar para dentro, encarar o sofrimento, confrontar-se com as situações dolorosas que a vida apresenta e refletir sobre as situações difíceis que percebe no seu interior. Enfrentando o fantasma, a pessoa terá a grata surpresa de ir surgindo uma verdadeira serenidade interior. O ponto de virada para este Tipo é o contato com o sofrimento. Encarar o mundo do sofrimento e fazer as pazes com ele, aceitando-o, acolhendo os sentimentos que isso desperta. Enquanto isso não acontecer, a vida deste Tipo será apenas fuga, superficialidade, administração especulativa da imaturidade. Dentro da pessoa deste Tipo, há uma sensação vaga de medo, algo que ficou como eco ou como sombra da experiência dolorosa da infância que a pessoa esqueceu. A tendência instintiva é fugir de tudo o que traga sofrimento, profundidade, mas aí está o caminho de conversão. Olhar para dentro, entrar em contato com esse mundo, encarar o sofrimento que isso traz, aprender a conviver com os sentimentos que isso gera, até começar a perceber a agradável surpresa de uma alegria interior que vai surgindo à medida que o fantasma do “medo” vai sumindo. Conviver com situações humanas de sofrimento, de miséria, de doença, de morte, de fracasso, pode ser a porta de entrada para esse novo espaço. Encarar os momentos de “baixo astral”, saboreá-los, vencendo a tentação de fugir deles, pode tornar-se a alavanca de crescimento na vida da pessoa deste Tipo. O silêncio, a oração individual, a experiência de solidão, podem trazer um grande contributo. Tipo 8 A tentação é a luta pela justiça. Esse é o seu dilema, sendo esse também seu ponto forte, pode destruir a pessoa, uma vez que é levada instintivamente a confundir justiça com retribuição e vingança. Isso pode levar a pessoa a buscar sempre um culpado a quem possa castigar. A comunicação do Tipo 8 é fala forte, “curto e grosso”, com autoridade e confiança. Gosta de dar ordens e é direto, diz o que acha justo e injusto, o que é bom para você e o que não é. Pode ser muito violento e pode usar uma linguagem energética. Mantém certa distância de seus interlocutores. Está convencido de que tem razão e mostra sua superioridade. Seu tom de voz dá a impressão de que está sempre brigando ou lutando por alguma coisa, pois é assim que encara a vida internamente. Usa muito os imperativos e tem um estilo de falar provocante, que mexe com as pessoas. Esse estilo, às vezes assume um disfarce de humor, pode servir à motivação de se aproximar e fazer contato ou pode expressar uma agressividade e vingança, para “dar o troco” ou passar na cara dos outros “certas verdades que merecem ouvir”. O Tipo 8 irrita-se com pessoas indecisas, ineficientes ou que ele julga fracas. Perde o controle quando sua autoridade não é admitida ou respeitada e sobretudo quando alguém tenta controlá-lo, impor-lhe obrigações ou exigências de comportamento, pois acha que sabe muito bem o que deve fazer e como fazer. A falta de franqueza, de verdade, de transparência, os compromissos arrastados, as explanações demoradas, as injustiças, despertam uma raiva imediata e direta. Rejeita as tentativas de envolvimento emocional e fica sem jeito com demonstrações de carinho. O que mais irrita profundamente esse Tipo é quando se sente ou se descobre enganado, enrolado, quando percebe que alguém está tentando ou já conseguiu tirar proveito dele, quando falam dele pelas costas ou quando decidem algo excluindo-o do grupo. O fantasma do Tipo 8 é a fraqueza. Há um núcleo de fragilidade, de vulnerabilidade, de sensação de impotência. A pessoa foge de tudo que traga à tona esse ponto fraco, pois ela não aceita e não aprendeu a lidar com ele. Isso nasceu de uma sensação profunda de insignificância. Isso leva a pessoa a esconder e negar seu núcleo frágil e vulnerável, por trás de uma fachada dura de insensibilidade. Enfrentar o fantasma significa confrontar-se com seus sentimentos e emoções, assumir sua fragilidade, seus erros e falhas, admitir suas fraquezas. O ponto de virada para este Tipo é o contato com sua fraqueza pessoal. Aceitar suas fragilidades, limitações, condicionamentos. Entrar em contato com o seu lado frágil, terno e meigo. Aprender a conviver com esse mundo e exercitar a manifestação de sentimentos. Expressar sua compaixão, sem medo de parecer fraco e mole, mas acreditando que aí está sua verdadeira força e não na autossuficiência e na arrogância. Enquanto não chegar aqui, a pessoa deste Tipo vai viver perdida no eterno conflito entra a “casca dura” e o “cerne mole”: negando e escondendo seus sentimentos de ternura e vulnerabilidade atrás de uma fachada de força e dureza autoimposta. Isto implica aceitar e reconhecer os limites físicos, psicológicos, morais e deixar que a criança meiga e frágil que vive escondida no fundo do poço, possa emergir e sorrir livremente, com sua inocência e bondade natural. Um grande exercício nesta caminhada é praticar o gesto de pedir perdãoe fazê-lo explicitamente. Esta atitude ajuda a aceitar as limitações e fraquezas pessoais e manifesta o lado mais rico da pessoa: a capacidade de ter compaixão e de aceitar a compaixão dos outros. Este é o caminho para que a pessoa se torne mais condescendente com os outros e viva em harmonia com ela mesma. Tipo 9 A tentação é o auto rebaixamento: é o dilema de sua vida, pois constantemente a pessoa sente-se inclinada a se menosprezar, a achar que não tem valor, não mostrando seus dons, o que à primeira vista pode parecer humildade, é no fundo uma falsa modéstia e um medo de se expor. Pelo fato de não estar seguro de si mesmo, prefere manter-se em segundo plano e cuidar para que sua imagem não desperte atenção. A comunicação do Tipo 9 fala de assuntos agradáveis e evita temas que possam gerar conflito. Fala mais acerca dos outros do que a respeito de si mesmo. Sua voz é calma e normalmente pouco modulada, tem tendência a falar durante muito tempo sobre coisas sem grande importância. Prende-se muito a detalhes e se arrasta em divagações. Sem razão aparente, muda de assunto e pouco depois volta ao mesmo. Gesticula pouco e sabe escutar com atenção e empatia. Seu ritmo de voz normalmente é lento e arrastado, dá muitas voltas para chegar aonde quer em suas conversas. Às vezes dá a impressão ao seu interlocutor de que não está prestando atenção, mas a questão é que o Tipo 9 consegue prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo. O Tipo 9 trava quando o forçam a tomar alguma decisão ou a fazer uma escolha para a qual não se sente preparado. Geralmente se sente paralisado quando há pressões, autoritarismo ou conflitos. Tem dificuldade de suportar críticas, especialmente quando estas são expressas de forma agressiva. Evita situações de competição. Não gosta de mudanças ou de novidades inesperadas. É extremamente teimoso, e isso é a manifestação de agressividade passiva, quando se sente cutucado, pressionado e provocado ou quando acha que os outros o estão tratando como bobo. O fantasma do Tipo 9 é o conflito. Ele foge de todo o conflito, por isso acorda a confusão dolorosa e a indecisão experimentadas em situações de conflito vividas na infância. No fundo, há uma sensação de insignificância. Por isso a pessoa deste Tipo fica em cima do muro, numa atitude condescendente com tudo e com todos, de forma a evitar qualquer conflito. Enfrentar o fantasma significa olhar de frente seu conflito interior, perceber os seus sentimentos e emoções, especialmente suas raivas e desacordos. O ponto de virada para este Tipo é entrar em contato com os sentimentos, estar atento às emoções, concentrar-se nelas, não as anestesiar. Dentro desse horizonte, podemos considerar duas maneiras concretas: tomar consciência da raiva e manifestá-la (praticar o desacordo, não ter medo de discordar, de ir contra, de enfrentar) e, por outro lado, não adiar problemas. É interessante acentuar que a mesma energia que está presente na vida do Tipo 1 e do Tipo 8 (a energia da agressividade), também existe no Tipo 9, mas, neste Tipo, é como se ela estivesse obstruída, perdendo-se em ligações complicadas, encruzilhadas confusas, em problemas mal resolvidos, em tarefas adiadas, em raivas adormecidas e aí, toda essa energia vai ficando embolada e a pessoa se sente constantemente “cansada” e sem “garra”. Aprendendo a perceber e manifestar seus sentimentos em vez de anestesiá-los e cuidando de não adiar problemas e decisões, a pessoa do Tipo 9 manterá seus “canais” de energia sempre livres e a vida fluirá com mais dinamismo, vitalidade e clareza.