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AULA DE APROFUNDAMENTO DO ENEAGRAMA – 1º encontro 
 
O Eneagrama é uma figura geométrica que representa graficamente os nove 
tipos de personalidade presente na natureza humana e suas complexas inter-
relações. É uma sabedoria milenar de autoconhecimento, suas raízes se 
encontram em diversas tradições espirituais e religiosas antigas. O Eneagrama 
funciona como um mapa psicoespiritual, apresenta com clareza e precisão os 
dinamismos e mistérios da alma humana. Este mapa de consciência revela quais 
caminhos nos levam de volta para nossa essência e quais caminhos nos afastam 
dela, nos deixando presos em padrões repetitivos de funcionamento das 
personalidades. 
A sua origem é parcialmente conhecida, mas quanto mais se aprofunda o estudo 
do Eneagrama, mais convicção se tem de que ele não foi inventado, mas sim 
descoberto, no correr dos séculos, por aqueles que procuravam e amavam a 
verdade. O Eneagrama quer ser uma ajuda para soltar o “falso eu”, representa 
uma verdade essencial de nossa vida psícoespiritual e nos leva à mais elevada 
forma de consciência espiritual. Acredito que o Eneagrama nos torne mais 
capazes de amar os outros, a nós mesmos e a Deus ou o Transcendente. 
 
TRÍADES 
 
 
A tríade é formada no triângulo interno do símbolo do Eneagrama. Dividimos os 
nove tipos em três centros de energia ou inteligência: prática (8,9,1), emocional 
(2,3,4) e racional (5,6,7), representadas pelo ventre, coração, cabeça. Em cada 
pessoa está presente os três centros, porém, privilegiamos um centro, aquele a 
que pertence o nosso tipo de personalidade. A energia própria do centro é 
comum aos três Tipos que o compõem, embora cada Tipo oriente essa energia 
de um modo diferente. Daí nasce a diferença básica entre cada tipo, dentro do 
mesmo centro. 
Também é comum aos tipos do mesmo centro uma sensação profunda daquela 
“ferida” que marcou a estruturação da personalidade na nossa infância. Cada 
tipo desenvolveu mecanismos inconscientes para abafar essa dor, busca nos 
outros o amor que lhes falta, procura na razão a segurança que não tem, busca 
na ação a importância que sente não ter. Nunca os outros poderão preencher 
essa carência afetiva, nunca o conhecimento e a razão poderão dar segurança 
que lhe falta, nunca o que se faz poderá compensar a sensação de 
insignificância. 
Centro no ventre: correspondem aos “tipos hostis”. O centro corporal que os 
rege é o aparelho digestivo e o plexo solar. Reagem instintivamente. Ouvidos e 
nariz são seus sentidos mais aguçados. Numa nova situação dizem em primeiro 
lugar: “Aqui estou, tratem comigo”. A vida para eles é um campo de batalha, se 
interessam por poder e justiça de forma muitas vezes inconsciente. Precisam 
saber quem está no comando, são em geral diretos, abertos ou 
dissimuladamente agressivos e reivindicam seu próprio “espaço”. Estas pessoas 
vivem no presente, recordam o passado e esperam algo do futuro. Mas é difícil 
para eles seguir um plano bem definido e manter-se fiel a ele. Quando se dão 
mal, atribuem a culpa geralmente em si mesmo: “Fiz tudo errado. Sou mau”. 
Essas pessoas são regidas – consciente ou inconscientemente – por agressões. 
Mas têm pouco domínio sobre suas angústias e temores que ficam atrás de uma 
fachada de autoafirmação. Externamente atuam com desembaraço e firmeza, 
ao passo que internamente podem ser atormentados por dúvidas morais. 
Centro do coração: a energia das pessoas do coração move-se em direção aos 
outros. O mundo dos sentimentos subjetivos é seu domínio. Seu tema são as 
relações inter-humanas. O coração e o sistema circulatório são seu centro 
corporal. Os sentidos mais desenvolvidos são o tato e o paladar. Assim como as 
pessoas do ventre o importante é o poder, nestas o que interessa é o estar à 
disposição. É difícil se concentrarem sobre si mesmas. Em cada situação 
perguntam logo de saída: “Vocês precisam de mim?” ou “Com quem estou 
reunido?” Encaram a vida como tarefa que precisa ser executada. Por isso 
procuram (muitas vezes de forma inconsciente) prestígio e aparência. O lado 
positivo disso é que possuem em geral um sentimento de responsabilidade bem 
desenvolvido. Tendem a adaptar-se, a reclamar atenção e espaço e a saber 
melhor das coisas. Muitas vezes são dominadas pelo que os outros pensam 
delas e julgam saber o que é bom para os outros, reprimem suas agressões e 
se escondem por trás de uma fachada de bondade e ativismo. Exteriormente 
atuam de forma desembaraçada, alegre e harmônica, mas internamente se 
sentem muitas vezes vazias, incapazes, tristes e envergonhadas. 
Centro da cabeça: os tipos que se afastam dos outros. Sua torre de controle é 
o cérebro, a energia cerebral é uma energia que se afasta dos outros. Em cada 
situação os integrantes desse grupo dão primeiro um passo para trás para 
refletir. São regidos pelo sistema nervoso central e o sentido mais desenvolvido 
neles é a visão. Numa situação nova querem primeiro localizar-se: “Onde estou? 
Ou: “Como isto tudo se ajusta?” Encaram a vida principalmente como enigma e 
mistério. Têm grande senso de ordem e dever. Sua atitude é, em geral, isenta e 
objetiva (“Está correto!”). Parecem ter menos necessidades e podem deixar 
espaço para os outros. Pessoas da cabeça se perguntam muitas vezes: “Será 
que sou dependente? Será que sou independente?” Agem apenas depois que 
refletiram e então prosseguem metodicamente. Em situações de necessidade, 
acusam a si mesmas de bobas e indignadas. Enquanto seu medo é exagerado, 
escondem não raro seus sentimentos de ternura atrás de uma fachada de 
objetividade e imparcialidade. Externamente agem de forma clara, convincente 
e inteligente, mas internamente sentem-se muitas vezes isoladas, confusas e 
absurdas. 
 
Os Pilares da Personalidade 
 Experiência de Infância, Mecanismo de Defesa, Armadilha / Fixação, Pecado 
de Raiz / Paixão 
 
Quando iniciamos a nossa aventura como humanos, recebemos gratuitamente 
a nossa Essência Divina, a sementinha com a pré-disposição à personalidade e 
os instintos equilibrado. A função da personalidade é defender e proteger a 
nossa essência. No estado de essência experimentamos um amor absoluto, 
segurança, reconhecimento, valorização. No entanto, em algum momento a 
criança passou por experiências traumáticas e dolorosas, que gera uma ferida 
emocional – o ponto é como ela interpreta, sente e reage a situação. 
A partir desta experiência dolorosa, a criança desenvolve inconscientemente o 
mecanismo de defesa – uma estratégia de proteção para fugir da dor, mas acaba 
sendo uma tentativa frustrada que reforça a ferida original. Armadilha/Fixação a 
criança deixa de enxergar a totalidade, o olhar da essência, para ter um olhar 
parcial, é um hábito mental de enxergar a realidade de forma distorcida. Paixão 
ou Pecado de Raiz é a distorção da emoção, é a questão central da 
personalidade, está na base e por trás do nosso comportamento e atitudes, esse 
sentir adoecido reforça a sensação dolorosa da infância. Motivação é a crença 
inconsciente, está por trás dos nossos comportamentos. 
Segundo André Prudente, a infância é a fase mais sensível do desenvolvimento 
humano porque as crianças ainda são sementes com uma potencialidade 
infinita, mas precisam de cuidados adequando para poder transformarem estas 
potências em capacidades concretas que sirvam para o seu dia a dia. Quando 
os adultos cuidadores e o meio à sua volta não são favoráveis, as crianças 
podem facilmente bloquear o seu desenvolvimento, criando traumas que as 
mantêm afastadas do seu Ser. Entretanto, quando existe o contexto “ideal”, elas 
manifestam, com muita espontaneidade, a criatividade que têm (e que considero 
inerente à natureza humana) encantando a todos à sua volta. 
Por isso, é vital pais, educadores, terapeutas e outros cuidadores de crianças, 
apenderem a criar e manter um modo de vida, de relação e uma educação que 
estimulem a plena expressão do Ser dos seus filhos,alunos ou clientes. Somente 
assim, auxiliarão estes a serem tudo que precisam ser para lidarem bem com os 
desafios inerentes à existência, sabendo encontrar a felicidade de Ser, mesmo 
nas condições mais adversas. 
 
As origens infantis de cada Tipo 
A partir da relação com as figuras patena e materna 
Podemos considerar a formação da personalidade a partir de um complexo 
contexto em que interferem as experiências da infância, incluindo as 
predisposições genéticas e fatores ambientais e culturais. A pessoa, a família e 
a cultura interagem profundamente nesse processo. A estruturação da 
personalidade acontece em nove padrões ou perfis, a partir da relação com as 
figuras paterna e materna. 
A figura paterna ou materna não é necessariamente a mãe ou o pai biológico, 
mas a pessoa que desempenha esse papel na experiência da criança. 
Vale pontuar que o determinante na formação da personalidade não é tanto 
aquilo que acontece, o que os pais fazem ou deixam de fazer, mas sobretudo o 
jeito como a criança interpreta, sente e internaliza a experiência. 
A criança pode experimentar uma primeira orientação ou ligação mais profunda 
com a figura paterna ou com a figura materna ou com as duas figuras de modo 
equivalente. Aqui, já temos três possibilidades diferentes. 
Essa orientação preponderante para cada uma das figuras, pode ser 
experimentada pela criança de modo positivo, de modo negativo ou de modo 
ambivalente (misturando às vezes positivo e às vezes negativo). Daqui nascem 
os nove Tipos do Eneagrama, dependendo de como a criança sente a relação 
com as figuras paterna e materna ou com as duas e dependendo da qualidade 
dessa relação. 
É bom lembrar que estamos falando da primeira orientação, daquilo que marcou 
a criança e isso acontece em tempos bem remotos da formação da 
personalidade. Essa primeira relação e a qualidade dessa relação estão 
profundamente ligadas com as experiências fundantes na estruturação da 
personalidade, provavelmente com uma ligação muito próxima com aquilo que 
chamamos de “ferida central” da personalidade, a partir da qual vários outros 
mecanismos se estruturam. 
Quadro que especifica a relação e a qualidade da relação para cada Tipo de 
personalidade 
 Positiva ambivalente negativa 
Figura paterna 6 2 1 
Figura materna 3 8 7 
Figura paterna e materna 9 5 4 
 
O grupo 6,2,1 – Tipos que experimentaram uma orientação maior em relação à 
figura paterna, que se defendem assumido uma postura submissa, aproximando-
se dos outros, misturam também traços agressivos que se manifestam quando 
eles se acham sob pressão, levando-os a condutas destrutivas. A influência 
paterna e as proibições internalizadas a partir dessa relação geram uma 
personalidade medrosa, insegura e autoritária (Tipo 6), uma personalidade 
farisaica e vingativa-castradora (Tipo 1) e uma personalidade manipuladora que 
faz os outros se sentirem culpados (Tipo 2). 
O grupo 3,8,7 – Tipos que experimentaram uma orientação maior em relação à 
figura materna, que se defendem agressivamente, opondo-se aos outros, numa 
atitude hostil. A influência da figura materna vai gerar, nos casos de pessoas 
imaturas, a personalidade sociopata narcisista (Tipo 3), A personalidade 
materialista maníaco-depressiva (Tipo 7) e a personalidade antissocial agressiva 
(Tipo 8). 
O grupo 9,5,4 – Tipos que experimentam uma orientação em relação às suas 
figuras, se defendem retraindo-se, afastando-se, são solitários, os intelectuais e 
os sonhadores da sociedade. Como na infância sentiram ligação com as duas 
partes, na vida adulta vão ter dificuldade de interagir com os outros, tendem a 
confundir-se por influência interna ou externa. Dessa relação, nasce a 
personalidade emocionalmente atormentada que odeia a si mesma (Tipo 4), a 
personalidade do paranoico isolado (Tipo 5) e a personalidade traumatizada e 
desligada (Tipo 9 imaturo). 
 
Os Nove Tipos de Personalidade 
Todos nós temos características dos Nove Tipos. No entanto, tem um Tipo com 
o qual cada pessoa se identifica mais, aquele padrão que explica a maior parte 
das reações e comportamentos e, sobretudo, os mecanismos centrais que a 
pessoa repete. O primeiro objetivo no trabalho de Eneagrama é possibilitar a 
identificação do seu Tipo de Personalidade. 
Algumas pistas que podem ajudar na identificação do seu Tipo de Personalidade. 
- Preste atenção no que você sente ao escutar a explicação de cada Tipo de 
Personalidade. Quando se sentir mal ou sentir que incomoda, que acorda 
lembranças que mexem ou trazem constrangimento ou vergonha...está perto, mas 
pode não ser ainda o seu Tipo. 
- Volte aos dezoito, vinte, vinte e poucos anos, lembre-se de como você era nessa 
idade, a pessoa é do jeito que é e não está nem aí para o que os outros pensam. 
Normalmente, a partir dessa idade, a pessoa vai mudando, vai tomando consciência 
dos seus comportamentos e transformando as suas atitudes, ou pelo 
amadurecimento natural ou pela caminhada espiritual ou através do sofrimento ou 
dos relacionamentos e da experiência da vida. 
- A dúvida faz parte do processo de autodescoberta. Mais importante que descobrir 
o seu Tipo, é o exercício de auto-observação, a partir das características essenciais 
de cada Tipo. 
- Preste atenção às suas motivações. Motivação é aquilo que nos move 
interiormente, aquilo que está por trás das nossas atitudes e comportamentos, aquilo 
que esperamos quando tomamos uma determinada atitude. 
Os Tipos de Personalidade no Eneagrama não se baseiam nas atitudes, mas nas 
motivações. Podemos ter as mesmas atitudes em vários Tipos, mas a motivação é 
específica de cada padrão de comportamento. Por isso, a pergunta que vai ajudar 
você é: o que me leva a fazer isso? O que eu espero quando faço isso ou quando 
deixo de fazer isso? 
 
Tipo 1 
A tentação é a perfeição: a busca da perfeição domina a vida toda da pessoa, 
numa ânsia de “não ser criticada” pelo seu crítico interno ou pelos outros. Essa 
busca se torna compulsiva, massacrando a pessoa e fazendo que seu 
relacionamento com os outros se torne estressante. 
A comunicação do Tipo 1 é a manifestação da sua busca de perfeição e de 
superioridade moral. Ele afirma com autoridade o que é correto ou o que está 
errado, diz o que é preciso fazer, tanto para si mesmo como para os outros. À 
primeira vista, pode dar a impressão de que a pessoa tem convicção absoluta 
do que está dizendo ou até um sentimento de superioridade; no entanto, isso é 
apenas aparência, no fundo a pessoa tem um medo permanente de se enganar, 
o que a leva a duvidar de si mesma. O seu tom de voz é moralista e de censura, 
às vezes ansioso. Normalmente, com as pessoas mais distantes a fala é cordial, 
de uma simpatia forçada para agradar e dar a imagem de uma pessoa 
“boazinha”, enquanto para os mais próximos o tom é de ressentimento, de 
lamentação, de desabafo, de recriminação e de censura, o que pode tornar a 
fala estressante para os ouvintes. 
O que provoca a ira do Tipo 1 é não ser sério com ele, também não gosta que 
as regras sejam quebradas ou desrespeitadas. Tem dificuldade de suportar 
críticas, fica profundamente ressentido quando acha que uma crítica lhe é feita 
injustamente. Qualquer tipo de injustiça normalmente a revolta. 
 
O fantasma do Tipo 1 é o ressentimento, a irritação. Ele foge de tudo que possa 
irritar e deixá-lo ferido. Essa sensação de irritação e ressentimento nasce de uma 
sensação profunda de insignificância. Sempre que algo ou alguém o confronta 
com suas imperfeições, a pessoa fica com raiva de si mesma e tenta fugir, 
reprimindo-a e negando-a em relação aos outros. Enfrentar o fantasma significa 
assumirsuas limitações e imperfeições, encarando-as como parte do seu 
processo de crescimento. Este fantasma é emocional: enfrentá-lo não significa 
tanto analisá-lo objetivamente, mas terá de passar sobretudo pelo acolher e 
liberar seus sentimentos reprimidos. 
O ponto de virada para esse Tipo é o confronto com as próprias limitações, 
assumindo-as. Enquanto não acontecer esse encontro, todos os esforços 
apenas conseguirão complicar ainda mais a vida da pessoa, em termos de 
autocobrança, impaciência e ansiedade. Reconhecer-se a aceitar-se como ser 
limitado, em crescimento. Aceitar as próprias limitações, aprendendo a conviver 
com elas e também com as próprias limitações do ambiente e das outras 
pessoas. Ser menos crítico, menos exigente, mais condescendente, não levar 
as coisas “tão a sério”, relaxar. A pessoa precisa aprender a relativizar o “crítico 
interno”, desligando, não se deixando escravizar por ele, pois essa “voz” interna 
é apenas o eco da voz cobradora dos adultos durante a infância da pessoa. 
Aprender a brincar com o “crítico interno” – aí está um grande segredo de vida 
para a pessoa deste Tipo. 
 
Tipo 2 
A tentação é a ajuda: a pessoa vive no dilema constante de ajudar sempre os 
outros e fugir de si mesmo. A sua identidade está nos desejos e necessidades 
dos outros, isso faz com que sua vida sentimental seja bastante caótica. A sua 
compulsão em ajudar é uma forma de dar aos outros exatamente o que deseja 
para si mesmo, para receber afeto, carinho, reconhecimento. 
A comunicação do Tipo 2 se interessa pelo outro, obtendo informação, 
parabenizando, dando ajuda e sugestões. Sorri continuamente e 
espontaneamente, criam proximidade com o interlocutor. Muitas pessoas deste 
Tipo gostam de tocar fisicamente a pessoa com quem falam, ressaltam o próprio 
pensamento com muitos gestos. Quando alguém fala com elas, as pessoas 
deste Tipo escutam e prestam muita atenção. Seu tom de voz é também meloso, 
às vezes “choroso”, como se a pessoa estivesse se lamentando, como uma 
forma de atrair atenção, colocando-se como vítima, embora isso se misture com 
uma fala desenvolta e aparentemente segura. 
O Tipo 2 fica chateado quando sua ajuda e gentileza não lhe trazem retorno e 
estima, ele sente que tem direito a isso. Isso piora quando se sente ignorado ou 
quando o acusam de egoísmo, imediatamente a raiva aflora. Fica indignado 
quando os fatores humanos não são levados em conta, seja numa empresa, na 
família ou num grupo. 
O fantasma do Tipo 2 é a carência. Ele foge de seus sentimentos e de suas 
emoções e necessidades. Reprime tudo o que seja necessidade pessoal e reage 
negativamente, sempre que alguém ou alguma situação o confronta com sua 
carência ou faz acordar nele esse núcleo de necessidades e sentimentos. Esse 
fantasma nasceu da sensação profunda de não ser amado. Enfrentar o fantasma 
significa olhar de frente seus sentimentos, necessidades e emoções, assumi-los, 
aprender a lidar com eles. 
O ponto de virada para este Tipo é o contato com os sentimentos e as próprias 
necessidades. O silêncio, a oração pessoal, a experiência de solidão podem 
tornar-se a porta de entrada para este espaço de encontro. Enquanto isso não 
acontecer, a pessoa continua vivendo fora dela, ajudando os outros, 
satisfazendo as necessidades alheias, como forma de satisfazer o orgulho e as 
próprias carências. Perceber e aceitar seus sentimentos e necessidades 
pessoais, poderá gerar na pessoa uma nova atitude de vida: a pessoa se 
reconhece como alguém que é especial, que tem necessidades, que precisa de 
ajuda, alguém humilde. Só isso pode curar o orgulho deste Tipo. 
 
Tipo 3 
A tentação é a eficiência: é o dilema constante em sua vida. Empenha-se 
compulsivamente no ativismo, buscando ser eficiente, lutando a todo o custo, 
contra tudo e contra todos se for preciso, para continuar vendendo sua imagem 
de competência. 
A comunicação do Tipo 3 é a pessoa que faz propaganda de si mesma, de seus 
produtos, de suas ideias e de seus desejos. Considera a pessoa que fala com 
ele como um cliente, por isso tenta ser persuasivo. Cria proximidade com o 
ouvinte, procurando ser afetuoso e simpático, tratando-o de forma bem pessoal, 
às vezes até usando diminutivos carinhosos do nome. Sorri e enfatiza sua ideia 
gesticulando muito com as mãos. Fala muito de seus sucessos, fala rápido, pois 
tem pressa para realizar algo. Quando a ouvimos falar, temos a impressão de 
que essa pessoa está vendendo alguma coisa e na realidade está tentando se 
vender a si mesma. O tom de voz é o mesmo dos comerciais de TV ou de rádio, 
usando frases de impacto, slogans, fazendo comentários exagerados, 
carregando nas cores para que a afirmação cause impacto. 
O Tipo 3 irrita-se com pessoas ineficientes, preguiçosas ou derrotistas, pois elas 
comprometem seu sucesso. A preocupação com a própria imagem e a vaidade 
pessoal, faz com que deteste as pessoas que o ignoram e aos seus sucessos. 
Também fica irritado com pessoas que tomam atitudes de superioridade em 
relação a ele, pois interpreta isso como obstáculo para seu brilho pessoal. Fica 
pouco à vontade perante alguém que lhe peça demasiada intimidade e 
facilmente entra em atrito com pessoas que exerçam liderança, embora seja 
calculista nesses confrontos e consiga “queimar o adversário” de forma 
diplomática, pois ele “nunca diz nada que possa ser utilizado contra ele”. O que 
o abala profundamente é a crítica, que ele a interpreta como sinal de rejeição. 
O fantasma do Tipo 3 é a rejeição. Ele foge de tudo o que possa ter o menor 
sinal de ser rejeitado pelos outros. Por isso evita o fracasso, acha que 
fracassando os outros não irão aceitá-lo. Por isso deixa de lado seus sentimentos 
e emoções, pois isso o atrapalha na busca do sucesso. Por trás desse ponto 
fraco está a sensação de não ser amado. Enfrentar o fantasma significa olhar de 
frente para si mesmo, confrontar-se com o fracasso, perceber e prestar atenção 
aos sentimentos e emoções, valorizando-os e aprendendo a lidar com eles como 
parte integrante de sua vida. 
O ponto de virada para este Tipo é o contato com o mundo interior de seus 
sentimentos. O “ficar sem fazer nada” pode ser a porta de entrada para este 
espaço. Decisivo mesmo pode ser o confronto com o fracasso. Fracasso é tudo 
o que este Tipo mais teme. Sem chegar aí, a pessoa vai andar a vida inteira 
representando, vivendo em função da imagem, entrando num poço sem fundo 
que a torna cada vez mais distante de si mesma. Confrontando-se com o 
fracasso e prestando atenção aos sentimentos que este gera, o Tipo 3 vai 
descobrindo que o seu valor pessoal está naquilo que ele é e não naquilo que 
faz para obter sucesso e aplauso. Na vida da pessoa deste Tipo, são de grande 
valor pedagógico os momentos de sofrimento ao qual a pessoa não tem como 
fugir: morte de pessoas próximas, fracassos indisfarçáveis, derrotas que não 
podem ser camufladas. 
 
Tipo 4 
A tentação ou dilema da vida é a busca compulsiva de autenticidade e quanto 
mais se esforça por ser autêntica, mais artificial pode parecer aos que estão a 
sua volta. 
A comunicação do Tipo 4 a sua fala manifesta a instabilidade de suas emoções. 
Seu tom de voz é muito vulnerável, oscilando entre a franca alegria e a 
lamentação, mas sempre dramatizando a expressão do que está sentindo. O seu 
estado emocional também se expressa nas mímicas, gestos, proximidade e 
também esses indicadores não verbais podem ir de um extremo ao outro em 
pouco tempo. Sabe escutar os outros de forma atenciosa e benevolente. A fala 
deste Tipo é marcada por silêncios profundos, carregados de sentimentos. Há 
um toque de lirismo no tom de voz, a pessoa fala como se estivesse sonhando, 
andando nas nuvens, vendo o mundo com óculos cor de rosa, declamando 
poesia ou coloca na voz o seu derrotismo, pessimismo, revolta e deboche em 
relação a tudo e a todos. 
O Tipo 4 sente-se mal quando não é respeitado como alguémespecial e 
diferente ou quando suas emoções e sentimentos são feridos ou não 
valorizados. As regras, normas, convenções sociais lhe causam tédio. Sente 
repugnância com a falta de sensibilidade em relação ao belo ou com a falta de 
estilo, classe e elegância. Fica desmotivado quando a sensibilidade humana é 
esquecida num projeto. Fica irritado e defende-se, às vezes de forma agressiva, 
quando é criticado, embora ele mesmo, às vezes, se critique publicamente. Não 
suporta ser tratado como alguém igual aos outros, irrita-se quando lhe dizem 
“que se adapte”. 
O fantasma do Tipo 4 é a banalidade, a inferioridade, o ser comum. Ele foge de 
tudo o que o faça sentir-se inferior, pois essa é a realidade dolorosa que 
experimenta no fundo de si mesmo e que não aceita. Por isso ele se fecha em 
si mesmo, remexendo seus sentimentos negativos e magoados, embora 
externamente transpareça uma imagem de superioridade e autenticidade, 
procurando ser diferente. É a fuga de sua inferioridade que o leva a evitar tudo 
o que seja banal, comum e inferior. Na origem de tudo, está a sensação profunda 
de não ser amado. Enfrentar o fantasma significa aceitar-se do jeito que é, olhar 
de frente sua sensação de inferioridade, sua revolta interna, ser mais objetivo 
em relação aos seus sentimentos dramatizados. 
O ponto de virada para este Tipo é ligar-se no presente. O Tipo 4 vive numa 
corda bamba permanente, estendida entre o passado e o futuro: ou ele está 
relembrando e ruminando os sofrimentos do passado, ou ele se lança nas asas 
de sua imaginação e fica fantasiando situações que lhe trarão amor no futuro. 
Mas, corre o risco de nunca estar no presente, onde a vida acontece, onde a 
pessoa se relaciona e se realiza no agir concreto. Perguntar-se frequentemente: 
“Onde estou?” Enquanto não chegar aqui a pessoa vai ser uma eterna 
insatisfeita, perambulando entre a melancolia e a fantasia. Encontrando-se com 
o presente e aprendendo a viver nele, este Tipo poderá encontrar um novo 
conceito de felicidade e realização pessoal, tornando-se mais concreto e ativo, 
mais engajado, mais próximo das pessoas e dos acontecimentos. No presente, 
o Tipo 4 encontrará a verdadeira autenticidade da sua vida! 
 
Tipo 5 
A tentação é o conhecimento: vive compulsivamente atraído por conhecer, para 
ele saber é poder. As informações que colhe do mundo exterior e armazena 
nunca bastam, precisa sempre de mais um curso, um livro ou um recolhimento 
ao silêncio. Geralmente, brilha por ser “intelectual”: “sei mais do que os outros, 
estou acima do emaranhado de sentimentos e da carga emocional dos outros”. 
A comunicação do Tipo 5 expõe ideias, teorias, hipóteses, como se fossem 
pequenos tratados. Às vezes fala pouco, como se estivesse sonegando 
informação. Usa termos abstratos e gerais. É teórico, fala de ideias e não 
exprime emoções. Sorri pouco e quase não gesticula. Guarda distância entre ele 
e o ouvinte. Durante a conversa, seu tom de voz permanece inalterado, frio, 
discreto, impávido e sereno, mesmo que seja provocado e atacado ou mesmo 
quando é elogiado e recebe demonstrações de afeto e carinho. Geralmente fala 
em tom baixo e se irrita quando lhe pedem para falar mais alto. Presta muita 
atenção, ouve pacientemente e quando fala, geralmente é para sistematizar, 
resumir, tirar conclusões. 
O Tipo 5 fica irritado com discursos superficiais e convencionais. Não suporta 
exposições confusas, argumentos infundados, raciocínios ilógicos, ideias 
contraditórias, quando seu saber é contestado. Fica indignado quando seu saber 
é contestado. Fica perturbado quando as emoções interferem no plano mental 
da comunicação, na hora de tomar decisões ou quando está na presença de 
alguém. Fica estressado quando mudanças imprevistas tomam o seu tempo, 
quando não tem tempo para se preparar suficientemente, e é apanhado de 
surpresa por algum compromisso. Irrita-se facilmente, quando lhe colocam 
perguntas imbecis, quando lhe pedem para explicar coisas óbvias ou quando 
tem que repetir a mesma coisa várias vezes. 
O fantasma do Tipo 5 é o vazio. Ele foge de tudo o que possa espelhar o vazio 
que vive dolorosamente dentro de si e que não aceita. Esse vazio nasceu da 
sensação profunda de incapacidade. A pessoa não aprendeu a lidar com isso, a 
manifestar seus sentimentos e emoções feridas e por isso evita o contato, o 
relacionamento, a manifestação de emoções. Enfrentar o fantasma significa 
olhar de frente para seu mundo interior, encarar sua sensação de incapacidade, 
procurando entender-se e aceitar-se em suas emoções e sentimentos. 
O ponto de virada para este Tipo é o engajamento, o compromisso concreto, a 
interação. Enquanto permanecer isolado, no mundo das teorias, este Tipo 
continuará desligado e vazio. Exercitar a convivência, o relacionamento, o 
trabalho em equipe, a ação concreta, prática, ajudará a pessoa a preencher seu 
vazio interior e a religar o mundo dos sentimentos, para poder aprender a 
conviver com eles. O trabalho manual, o contato direto com as coisas materiais, 
poderá ser uma grande alavanca de crescimento para a pessoa deste Tipo. Ela 
torna-se-á mais realista, mais envolvida e comprometida com o mundo, 
redescobrindo o sabor da realidade, das coisas, dos acontecimentos, da história, 
do saber fazer. Instintivamente, a pessoa deste Tipo acha que tudo isso é “perda 
de tempo e de energia”, mas aí está o princípio da verdadeira sabedoria, que 
nasce quando se unem “cabeça e coração”. 
 
Tipo 6 
A tentação é a busca constante de segurança. Esse é o grande dilema da 
pessoa: ela se sente compulsivamente empurrada para procurar segurança nas 
leis, nos sistemas ortodoxos, no fundamentalismo, nas instituições, nas pessoas, 
nas coisas fora dela. Enquanto não a descobrir dentro de si, sempre será 
insegura. 
A comunicação do Tipo 6 seu discurso é analítico, mas seu tom de voz é caloroso 
com as pessoas de seu grupo, com quem se sente seguro e à vontade. É 
reservado, prudente e distante com as pessoas de fora. Gesticula pouco. Fala 
sempre dos inconvenientes relativos à situação que está sendo analisada. 
Quando expõe um projeto, fala com calma e prudência, de forma discreta, de 
modo a sentir-se seguro quanto aos riscos que ele pode acarretar. Evita 
afirmações que possam causar rejeição por parte do grupo. Quando se abre 
muito e fala de forma mais descontraída, é capaz de se calar de repente, 
achando que já foi longe demais. Às vezes, o tom de voz é inseguro, nervoso, 
tímido, como se a fala custasse a sair, o que expressa a insegurança interna. 
Geralmente seu discurso é limitante, como se estivesse sempre podando a fala 
do outro, colocando barreiras e limites. 
O Tipo 6 perde a estabilidade quando é criticado, sobretudo por uma pessoa que 
tem sobre ele poder hierárquico. Fica confuso quando não há definição clara e 
precisa de suas tarefas e atribuições. Reage com raiva e agressividade quando 
as regras, convenções e rituais próprios do grupo não são cumpridos. O 
autoritarismo, a falta de lealdade e o não reconhecimento de sua fidelidade e de 
seu envolvimento o deixam agressivo e fazem dele um adversário. Fica inseguro 
quando é provocado e é capaz de reagir com agressividade quando isso atinge 
níveis mais fortes. 
O fantasma do Tipo 6 é o medo, a insegurança, a atitude errada. Ele foge de 
tudo o que possa confrontá-lo com esse núcleo que o atormenta. Esse ponto 
fraco nasceu da sensação de incapacidade, gerando desconfiança de si mesmo 
e dos outros e das próprias opções. Enfrentar o fantasma significa olhar o medo 
de frente, encarando suas inseguranças, procurar dar nome aos medos, 
objetivá-los, ganhar distância em relação a eles, analisando-os. 
O ponto de virada para este Tipo é o exercício da autonomia: arriscar, decidir, 
ousar fazer opções, agir sem precisar de confirmação prévia e de apoios. Assim, 
o Tipo 6 poderá desenvolver a autoconfiança, que virá trazendo a verdadeirasegurança. Enquanto não chegar neste ponto, a vida da pessoa corre o sério 
risco de ser uma eterna busca frustrada de seguranças falsas, por terem sido 
buscadas fora da pessoa. A autonomia fará realçar a capacidade de acreditar 
em si mesma, melhorar a autoestima e diminuir proporcionalmente os medos e 
inseguranças, o receio de ser castigado e o temor de ficar exposto. Arriscar, ser 
mais “agressivo”, agir mais pelo instinto e diminuir o peso da escravatura do 
pensar muito. A sensação profunda de incapacidade só diminuirá na medida em 
que a pessoa se acostumar a observar o fruto de sua capacidade pessoal, 
manifesta nas ações empreendidas e nas opções assumidas de forma 
autônoma. Há no Tipo 6 uma coragem espantosa que precisa ser libertada e o 
nó desse processo de libertação interior começa a desatar-se com a 
continuidade do exercício da autonomia. 
 
Tipo 7 
A tentação é o idealismo: ele precisa ter certeza de estar se empenhando por 
uma boa causa que traga alegria a ele mesmo e aos outros. Ele é 
compulsivamente atraído para idealizar, fantasiar, imaginar, criar cenários 
agradáveis, apreciar na sua imaginação experiências prazerosas que vai 
planejando para o futuro. Mas isso tira a pessoa do chão do presente e a impede 
de entrar em contato com o sofrimento que carrega. 
A comunicação do Tipo 7 gosta de falar e fala muito sobre coisas agradáveis. 
Adora contar piadas, histórias, fatos engraçados, que ele mesmo enfeita e 
recheia de forma interessante. É tagarela, mas fala pouco de emoções. Faz 
muitas perguntas, coloca muitas hipóteses e expressa suas ideias logo que estas 
surgem na sua cabeça. É sorridente e gesticula muito. O falar muito geralmente 
é uma forma de substituir a ação ou de salvar a própria pele. Seu tom de voz é 
expressivo, engraçado, sabe imitar com facilidade, comunica alegria. Fica 
inseguro e sua voz é capaz de tremer, quando tem de falar de assuntos que 
causam sofrimento ou quando é questionado e pressionado. Às vezes sua raiva 
e insegurança se expressam no tom de deboche com que ridiculariza os outros 
e as situações. 
O Tipo 7 sente um tédio profundo perante a rotina, as normas, as regras e as 
convenções. Não gosta de limites, de disciplina. A crítica ou até mesmo a falta 
de comentários calorosos sobre seu trabalho, ideias e planos, desencadeiam 
sua raiva, sobretudo quando isso acontece em público. Normalmente essa raiva 
aparece em tom de deboche, de ridicularização, de racionalizações. Tem 
dificuldade de envolver-se emocionalmente e os assuntos tristes e pessimistas 
geram fuga. 
O fantasma do Tipo 7 é o sofrimento. Ele foge de tudo o que possa ter sinal de 
sofrimento, pois qualquer sofrimento externo acorda a sensação de sofrimento 
que carrega dentro de si. Essa sensação, que se traduz também por uma 
sensação de incapacidade, nasceu do medo que ficou como “sombra” daquela 
experiência dolorosa da infância. Enfrentar o fantasma significa olhar para 
dentro, encarar o sofrimento, confrontar-se com as situações dolorosas que a 
vida apresenta e refletir sobre as situações difíceis que percebe no seu interior. 
Enfrentando o fantasma, a pessoa terá a grata surpresa de ir surgindo uma 
verdadeira serenidade interior. 
O ponto de virada para este Tipo é o contato com o sofrimento. Encarar o mundo 
do sofrimento e fazer as pazes com ele, aceitando-o, acolhendo os sentimentos 
que isso desperta. Enquanto isso não acontecer, a vida deste Tipo será apenas 
fuga, superficialidade, administração especulativa da imaturidade. Dentro da 
pessoa deste Tipo, há uma sensação vaga de medo, algo que ficou como eco 
ou como sombra da experiência dolorosa da infância que a pessoa esqueceu. A 
tendência instintiva é fugir de tudo o que traga sofrimento, profundidade, mas aí 
está o caminho de conversão. Olhar para dentro, entrar em contato com esse 
mundo, encarar o sofrimento que isso traz, aprender a conviver com os 
sentimentos que isso gera, até começar a perceber a agradável surpresa de uma 
alegria interior que vai surgindo à medida que o fantasma do “medo” vai sumindo. 
Conviver com situações humanas de sofrimento, de miséria, de doença, de 
morte, de fracasso, pode ser a porta de entrada para esse novo espaço. Encarar 
os momentos de “baixo astral”, saboreá-los, vencendo a tentação de fugir deles, 
pode tornar-se a alavanca de crescimento na vida da pessoa deste Tipo. O 
silêncio, a oração individual, a experiência de solidão, podem trazer um grande 
contributo. 
 
Tipo 8 
A tentação é a luta pela justiça. Esse é o seu dilema, sendo esse também seu 
ponto forte, pode destruir a pessoa, uma vez que é levada instintivamente a 
confundir justiça com retribuição e vingança. Isso pode levar a pessoa a buscar 
sempre um culpado a quem possa castigar. 
A comunicação do Tipo 8 é fala forte, “curto e grosso”, com autoridade e 
confiança. Gosta de dar ordens e é direto, diz o que acha justo e injusto, o que 
é bom para você e o que não é. Pode ser muito violento e pode usar uma 
linguagem energética. Mantém certa distância de seus interlocutores. Está 
convencido de que tem razão e mostra sua superioridade. Seu tom de voz dá a 
impressão de que está sempre brigando ou lutando por alguma coisa, pois é 
assim que encara a vida internamente. Usa muito os imperativos e tem um estilo 
de falar provocante, que mexe com as pessoas. Esse estilo, às vezes assume 
um disfarce de humor, pode servir à motivação de se aproximar e fazer contato 
ou pode expressar uma agressividade e vingança, para “dar o troco” ou passar 
na cara dos outros “certas verdades que merecem ouvir”. 
O Tipo 8 irrita-se com pessoas indecisas, ineficientes ou que ele julga fracas. 
Perde o controle quando sua autoridade não é admitida ou respeitada e 
sobretudo quando alguém tenta controlá-lo, impor-lhe obrigações ou exigências 
de comportamento, pois acha que sabe muito bem o que deve fazer e como 
fazer. A falta de franqueza, de verdade, de transparência, os compromissos 
arrastados, as explanações demoradas, as injustiças, despertam uma raiva 
imediata e direta. Rejeita as tentativas de envolvimento emocional e fica sem 
jeito com demonstrações de carinho. O que mais irrita profundamente esse Tipo 
é quando se sente ou se descobre enganado, enrolado, quando percebe que 
alguém está tentando ou já conseguiu tirar proveito dele, quando falam dele 
pelas costas ou quando decidem algo excluindo-o do grupo. 
O fantasma do Tipo 8 é a fraqueza. Há um núcleo de fragilidade, de 
vulnerabilidade, de sensação de impotência. A pessoa foge de tudo que traga à 
tona esse ponto fraco, pois ela não aceita e não aprendeu a lidar com ele. Isso 
nasceu de uma sensação profunda de insignificância. Isso leva a pessoa a 
esconder e negar seu núcleo frágil e vulnerável, por trás de uma fachada dura 
de insensibilidade. Enfrentar o fantasma significa confrontar-se com seus 
sentimentos e emoções, assumir sua fragilidade, seus erros e falhas, admitir 
suas fraquezas. 
 O ponto de virada para este Tipo é o contato com sua fraqueza pessoal. Aceitar 
suas fragilidades, limitações, condicionamentos. Entrar em contato com o seu 
lado frágil, terno e meigo. Aprender a conviver com esse mundo e exercitar a 
manifestação de sentimentos. Expressar sua compaixão, sem medo de parecer 
fraco e mole, mas acreditando que aí está sua verdadeira força e não na 
autossuficiência e na arrogância. Enquanto não chegar aqui, a pessoa deste Tipo 
vai viver perdida no eterno conflito entra a “casca dura” e o “cerne mole”: 
negando e escondendo seus sentimentos de ternura e vulnerabilidade atrás de 
uma fachada de força e dureza autoimposta. Isto implica aceitar e reconhecer os 
limites físicos, psicológicos, morais e deixar que a criança meiga e frágil que vive 
escondida no fundo do poço, possa emergir e sorrir livremente, com sua 
inocência e bondade natural. Um grande exercício nesta caminhada é praticar o 
gesto de pedir perdãoe fazê-lo explicitamente. Esta atitude ajuda a aceitar as 
limitações e fraquezas pessoais e manifesta o lado mais rico da pessoa: a 
capacidade de ter compaixão e de aceitar a compaixão dos outros. Este é o 
caminho para que a pessoa se torne mais condescendente com os outros e viva 
em harmonia com ela mesma. 
 
Tipo 9 
A tentação é o auto rebaixamento: é o dilema de sua vida, pois constantemente 
a pessoa sente-se inclinada a se menosprezar, a achar que não tem valor, não 
mostrando seus dons, o que à primeira vista pode parecer humildade, é no fundo 
uma falsa modéstia e um medo de se expor. Pelo fato de não estar seguro de si 
mesmo, prefere manter-se em segundo plano e cuidar para que sua imagem não 
desperte atenção. 
A comunicação do Tipo 9 fala de assuntos agradáveis e evita temas que possam 
gerar conflito. Fala mais acerca dos outros do que a respeito de si mesmo. Sua 
voz é calma e normalmente pouco modulada, tem tendência a falar durante muito 
tempo sobre coisas sem grande importância. Prende-se muito a detalhes e se 
arrasta em divagações. Sem razão aparente, muda de assunto e pouco depois 
volta ao mesmo. Gesticula pouco e sabe escutar com atenção e empatia. Seu 
ritmo de voz normalmente é lento e arrastado, dá muitas voltas para chegar 
aonde quer em suas conversas. Às vezes dá a impressão ao seu interlocutor de 
que não está prestando atenção, mas a questão é que o Tipo 9 consegue prestar 
atenção a várias coisas ao mesmo tempo. 
O Tipo 9 trava quando o forçam a tomar alguma decisão ou a fazer uma escolha 
para a qual não se sente preparado. Geralmente se sente paralisado quando há 
pressões, autoritarismo ou conflitos. Tem dificuldade de suportar críticas, 
especialmente quando estas são expressas de forma agressiva. Evita situações 
de competição. Não gosta de mudanças ou de novidades inesperadas. É 
extremamente teimoso, e isso é a manifestação de agressividade passiva, 
quando se sente cutucado, pressionado e provocado ou quando acha que os 
outros o estão tratando como bobo. 
O fantasma do Tipo 9 é o conflito. Ele foge de todo o conflito, por isso acorda a 
confusão dolorosa e a indecisão experimentadas em situações de conflito vividas 
na infância. No fundo, há uma sensação de insignificância. Por isso a pessoa 
deste Tipo fica em cima do muro, numa atitude condescendente com tudo e com 
todos, de forma a evitar qualquer conflito. Enfrentar o fantasma significa olhar de 
frente seu conflito interior, perceber os seus sentimentos e emoções, 
especialmente suas raivas e desacordos. 
O ponto de virada para este Tipo é entrar em contato com os sentimentos, estar 
atento às emoções, concentrar-se nelas, não as anestesiar. Dentro desse 
horizonte, podemos considerar duas maneiras concretas: tomar consciência da 
raiva e manifestá-la (praticar o desacordo, não ter medo de discordar, de ir 
contra, de enfrentar) e, por outro lado, não adiar problemas. É interessante 
acentuar que a mesma energia que está presente na vida do Tipo 1 e do Tipo 8 
(a energia da agressividade), também existe no Tipo 9, mas, neste Tipo, é como 
se ela estivesse obstruída, perdendo-se em ligações complicadas, encruzilhadas 
confusas, em problemas mal resolvidos, em tarefas adiadas, em raivas 
adormecidas e aí, toda essa energia vai ficando embolada e a pessoa se sente 
constantemente “cansada” e sem “garra”. Aprendendo a perceber e manifestar 
seus sentimentos em vez de anestesiá-los e cuidando de não adiar problemas e 
decisões, a pessoa do Tipo 9 manterá seus “canais” de energia sempre livres e 
a vida fluirá com mais dinamismo, vitalidade e clareza.

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