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AUTO CORREÇÃO AO JUIZO DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO. MARCELO DA SILVA, menor absolutamente incapaz, inscrito no CPF sob o nº xxxxxx, neste ato representado por sua genitora Raquel XXXXX, brasileira, casada, do lar, RG nº XXXX, inscrita no CPF sob o nº XXXXXXX, ambos residentes e domiciliados na Rua XXXXXXXX, Niterói - RJ, CEP: XXXXXXXX, vem, por meio de sua advogada, propor a presente AÇÃO DE CONCESSÃO DE BENEFÍCIO ASSISTENCIAL Em face de INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS), Autarquia Federal, Pessoa Jurídica de Direito Público, com CNPJ nº XXXXX com endereço na Rua XXXXXXX, Centro, CEP: XXXXXXX, com base nos fundamentos fáticos e jurídicos a seguir I – DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA: Conforme declaração de hipossuficiência em anexo declaram os representantes do autor que não possuem condições de arcar com os custos do processo sem prejuízo de seu sustento e de sua família, declaração esta que está provado por meio dos comprovantes de gastos e rendimentos colacionados aos autos, razão pela qual necessita dos benefícios da justiça gratuita, na forma do art. 98 e seguintes do CPC e do inciso LXXIV do artigo 5º da CF/88. II – DOS FATOS O autor, representado por sua genitora, requereu junto ao INSS a concessão de Benefício Assistencial ao menor com deficiência que foi indeferido em 05/01/2024. Contudo, o INSS negou por entender que o Requerente não se enquadra nos requisitos legais. Insta ressaltar que, o Autor preenche todos os requisitos para a concessão do benefício do LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social. O menor é deficiente permanente, nos termos do laudo médico, com diagnóstico do CID F84.0 TRANSTORNOS GLOBAIS DO DESENVOLVIMENTO (Autismo). Sua genitora precisou deixar o emprego para ficar à disposição do menor, que hoje tem 6 anos. É importante entender que o transtorno que acometem o Autor, causam dentre outros sintomas como: · Dificuldade de aprendizagem; · Comportamento impulsivo; · Dificuldade de adaptação; · Pouca capacidade de interação social; · Impaciência e isolamento; · Autoagressão; Portanto, conforme o laudo médico acostados aos autos, o menor necessita de cuidados constantes, bem como, é essencial para o tratamento a condução multidisciplinar com ênfase em abordagens de Fonoaudiologia, Psicologia e Terapia Ocupacional. Além disso, precisa de medicações contínuas para tratar quadros mentais e distúrbios do comportamento caracterizados pelo autismo e suporte escolar. Esse tipo de condição não atinge somente uma criança, mas também, em muitos casos, leva aos pais uma sensação de fracasso, como no caso em questão. O autor vem sendo abandonado pela Assistência Social, haja vista que até o presente momento, mesmo fazendo jus ao benefício assistencial, vê seu direito sendo negado sem qualquer explicação. A condição do autor é extremamente estigmatizada, diante da necessidade de cuidados constantes, segurança, rotina, por tratar-se de questões que envolvem tratamento com profissionais multidisciplinares, as pessoas carentes sofrem o dobro por não terem acesso à absolutamente nada do governo. O grupo familiar é composto por 4 (quatro) pessoas, sendo: Pai, mãe, irmão (menor) e o autor. A família sobrevive com a renda do pai, para adquirir os medicamentos necessários, custear as terapias, bem como o pagamento do aluguel da casa onde residem. Conforme declaração do CadÚnico a famílai está inserida no rol de famílias baixa renda, com renda per capta inferior à 1/5 do salário-mínimo. Por esses motivos, a concessão do benefício pretendido se faz imperativa. Trata-se de pessoa humilde, sendo que o Transtorno do Espectro do Autismo lhe incapacita e não tem meios de prover o próprio sustento, nem de sua família, ou seja, vestuário, alimentação, medicamentos, terapias, etc. O autor anexa aos atos os documentos pessoais, CTPS, laudos e atestados médicos, encaminhamentos médicos, relatório escolar, comprovante de despesas e o indeferimento do INSS. O direito social é um direito fundamental e não pode ser usurpado pela Autarquia. III- DOS FUNDAMENTOS Podemos citar a linha de pensamento do entendimento da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais, Súmula nº 11, com o objetivo de solucionar e consolidar o entendimento predominante nos tribunais. A Súmula 11 da TUN dispõe que mesmo quando a renda per capita for superior àquele limite legal, não há óbices à concessão do benefício assistencial quando a miserabilidade é configurada por outros meios de prova. Assim, presta-se somente como um paradigma de presunção objetiva de carência econômica, nada impedindo que o magistrado, diante da realidade do indivíduo conclua que a família não apresenta condições de prover subsistência do beneficiário, recorrendo desta forma a outros meios de prova para comprovar a hipossuficiência. A pretensão do Autor vem amparado nos termos da Lei 8.742/93, Decreto nº 1.744/95, conforme verifica abaixo: Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. Art. 2º. A assistência social tem por objetivos: (...) e) a garantia de 1 (um) salário-mínimo de benefício mensal à pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família; Parágrafo único. Para o enfrentamento da pobreza, a assistência social realiza-se de forma integrada às políticas setoriais, garantindo mínimos sociais e provimento de condições para atender contingências sociais e promovendo a universalização dos direitos sociais. O caso em questão, preenche todos os requisitos para a concessão de amparo assistencial, quais sejam: a deficiência física ou mental e a miserabilidade vigente na data do requerimento, além de não possuir meios de prover sua própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. Além disso, deve-se considerar que além da criança com deficiência ainda há um outro filho de 12 anos, em crescimento que precisa de uma condição digna de sobrevivência, a família tem se privado da compra de vestuários e por muitas vezes de alimentação básica. Assim, diante do presente caso, se faz de suma importância a concessão do benefício pleiteado, eis que a condição econômica evidenciada é claramente incapaz de promover a subsistência do autor e sua família. IV- DOS PEDIDOS: Posto isso, requer: 1) A concessão do benefício da gratuidade de justiça; 2) A citação do INSTITUTO NACIONAL DE SEGURO SOCIAL – INSS na pessoa de seu representante legal para responder a presente ação sob pena de confissão quanto aos fatos narrados aqui expostos; 3) Sendo necessária seja designadas datas para a realização de perícia médica, bem como estudo psicossocial por peritos nomeados por esse Juízo, para comprovar a condição de miserabilidade já descrita acima, e que a deficiência apresentada pelo Autor o torna vulnerável comparando-se aos demais, o que impedirá convivência em igualdade de condição com os demais, posto que trata-se de uma síndrome incurável; 4) Que seja julgada procedente a presente ação para que o INSS seja condenado a conceder o Benefício Assistencial, titularizada pelo Autor; 5) Condenar o INSS ao pagamento das parcelas vencidas, monetariamente corrigidas desde o respectivo vencimento e acrescidas de juros legais moratórios, incidentes até a data do efetivo pagamento, bem como as parcelas que se vencerem durante o curso do processo; 6) Honorários advocatícios de 20%; Dá-se a presente causa o valor de R$ 21.180,00. Termos em que, Pede e espera deferimento. Niterói, xx de março de 2024. XXXXXXXXX OAB/RJ XXXXX