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Educação - Jogos e Brincadeiras Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Pascoal Fernando Ferrari Revisão Textual: Prof.a Esp. Vera Lídia de Sá Cicaroni Breve História dos Jogos e Brincadeiras • Introdução; • Os Seres Humanos são Seres Brincantes; • A Criança e a Cultura Lúdica; • Na Escola Também se Brinca. • Fazer alguns apontamentos históricos sobre os Jogos e Brincadeiras; • Investigars as ideias de Frederico Froebel (1782 – 1852), fi lósofo alemão do período romântico; • Ver como os Jogos e Brincadeiras se relacionaram com a escola no decorrer dos tempos. OBJETIVOS DE APRENDIZADO Breve História dos Jogos e Brincadeiras Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Contextualização Nossa sugestão, para o momento de contextualização, é que você assista a dois vídeos: • A Importância do Brincar: O vídeo é uma entrevista com a professora Tizuko Kishimoto, que fala sobre o direito de brincar da criança e sobre a importância do protagonismo infantil. A Importância do Brincar, acesse em: https://youtu.be/HpiqpDvJ7-8 Ex pl or • A importância do Brincar e Jogar: O vídeo é uma iniciativa da TV Educador e traz uma importante reflexão sobre o desenvolvimento infantil relacionado aos jogos e brincadeiras. TV Educador 01 - A importância do Brincar e Jogar: https://youtu.be/6vHT5IX9fVM Ex pl or 8 9 Introdução Sejam bem-vindos à unidade da disciplina Educação: Jogos e Brincadeiras. Espe- ramos que gostem e que construam conhecimentos pertinentes à sua área de estudo. Nesta unidade pretendemos investigar a história dos jogos e das brincadeiras. Faremos alguns apontamentos históricos sobre a Antiguidade Greco-romana, pas- sando pela Idade Média até chegarmos à Modernidade histórica. Faremos uma análise mais profunda sobre a inclusão dos jogos e brincadeiras na educação. Vamos iniciar nossos estudos com uma simples pergunta: Você já brincou hoje? Os Seres Humanos são Seres Brincantes Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver me- ninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem. (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE) Se pensarmos na história social do homem, vamos, em muitos casos, encontrá-lo jogando e brincando. Parece-nos natural a brincadeira para a criança; elas brincam e ponto. E, como diz Drummond, brincar é ganhar tempo. O homem é um ser complexo e alcança diversas dimensões. Podemos pensar no homo culturalis (que produz e é produzido pela cultura), ou no homo faber (o que faz, produz) ou na dimensão do homo sapiens (o que conhece e aprende), ou ainda, no homo ludens (o que brinca, o que cria). Esta é a dimensão humana que iremos abordar em nossa investigação. O jogo e a brincadeira são fenômenos culturais que estão presentes na vida hu- mana desde a Pré-história. Parece-nos que esses fenômenos são inatos nos seres humanos e também nos animais; como exemplo, o leão aprende a caçar e a lutar brincando e jogando com seus pais ou irmãos. É através de jogos e brincadeiras que construímos nossos conhecimentos. Os antigos gregos já sabiam da importância do brincar e do jogar para o desen- volvimento físico e mental do homem. Hoje sabemos que, além do aspecto físico e mental, o brincar favorece o desenvolvimento afetivo e social, o que facilita a nossa convivência em sociedade. Ligados ao esporte, os Jogos Olímpicos são um grande exemplo da importância dada ao jogo na antiguidade grega. Esses jogos consideravam a disputa entre pes- soas. Pressupõe-se que foram iniciados em 776 a.C. e eram realizados em honra a Zeus. Observe as imagens a seguir: 9 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Figura 1 e 2 – As imagens da escultura e da cerâmica grega mostram como os jogos estavam presentes na vida grega Fonte: Wikimedia Commons Na educação grega, de caráter militar, não era diferente. Os gregos valorizavam o desenvolvimento mental e físico de seus aprendizes; os jogos e exercícios físicos eram usados como instrumentos de ensino. Na Idade Média, essa configuração da educação mudou; os jogos e brincadeiras foram afastados da escola. O conceito de ser criança era confuso na Idade Média e não era muito considerado pelos adultos da época. Vamos observar a imagem a seguir: Figura 3 – Pieter Bruegel, 1560. Museu de Viena, Óleo sobre painel. Dimensões 118 × 161 cm Fonte: Wikimedia Commons 10 11 A obra é do artista Pieter Bruegel, feita no ano de 1560. Bruegel chamou-a de Jogos Infantis. Mostra mais de 80 brincadeiras e jogos infantis, mas, ao olharmos mais aten- tamente, veremos que muitos personagens da pintura são jovens e adultos. A falta de clareza sobre o que era a condição humana de ser criança é notória na imagem. No período medieval, a infância tinha pequena duração. Ao alcançar seis ou sete anos de idade, o indivíduo deixava de ser criança, pois, a partir dessa idade, considerava-se que a criança já compreendia o que os adultos falavam e, sendo assim, passava a acompanhar o adulto do mesmo gênero, executando, de forma parecida, as mesmas atividades da vida adulta. O período da adolescência dos indi- víduos não era considerado, consequentemente, as crianças eram entendidas como adultos em miniatura e assim eram tratadas pelos adultos. Observe a seguir mais uma imagem medieval: Figura 4 – Maximiliano I e família, Bernhard Strigel , Áustria, século 15 Fonte: Wikimedia Commons Observe que as roupas vestidas pelas crianças possuem padrões de adultos e suas feições não lembram, nem um pouco, o universo infantil. Na chegada do século XV, uma nova concepção sobre ser criança estava em curso e trazia mudanças que apontavam para o entendimento da criança como ser social, ocupando um papel importante nas relações familiares e na comunidade onde crescia e se desenvolvia: um indivíduo com características e necessidades pró- prias, passível de ser educado através de uma ação pedagógica que reconhecesse suas diferenças individuais e a sua condição de ser criança. 11 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Podemos afirmar que a concepção de infância que conhecemos hojesuporte de ação, conduta lúdica, formas, imagens, símbolos para serem manipulados. Portanto, a criança pas- sará pelo processo de modificações do brinquedo, que Brougère (2008) classifica como: » Animismo: a criança vai dar características humanas a seres inanimados; Desenhos que viraram bonecos de verdade: http://bit.ly/2UNx4zC Ex pl or » Antropomorfismo: a criança atribui características ou aspectos humanos a elementos da natureza ou animais (Figura 8). Nesse sentido, é importante ressaltar a importância da aqui- sição de conhecimentos para as crianças através da Arte, no sentido de uma compreensão do mundo na qual a dimensão poéti- ca esteja presente. Buscando am- pliar uma experiência de apren- dizagem comunicativa por meio das linguagens artísticas e com a interação com o lúdico. Figura 7 Fonte: Acervo do conteudista Figura 8 Fonte: Lowenfeld, 1997 17 UNIDADE Brincadeiras e Jogos Simbólicos Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Brinquedo e Cultura BROUGERE, G. Brinquedo e Cultura. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2004. Filmes Os Croods Com direção de Kirk De Micco e Chris Sanders, essa animação é uma comédia que se passa com uma família que vive na Pré-história. Eles partem em busca de uma nova casa, depois que a caverna do clã foi destruída. O que os Croods não sabiam era que, além das pedras da caverna existia um mundo novo e fantástico, que mudaria suas vidas para sempre. Para quem for assistir a uma cópia legendada, poderá conferir o trabalho de dublagem de atores como Nicolas Cage, Ryan Reynolds e Emma Stone, que dão vida aos personagens. https://youtu.be/53RBPjMlO_s 18 19 Referências BOULCH, J. Le. O Desenvolvimento Psicomotor: do nascimento até os 6 anos – a psicocinética na idade pré-escolar. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Funda- mental. Parâmetros curriculares Nacionais. v. 1. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Funda- mental. Parâmetros curriculares Nacionais. v. 6. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997. BROUGERE, G. Brinquedo e Cultura. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2004. FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2010. KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 8. ed. São Paulo: Cortez, 2005. KISHIMOTO, T. M. O Brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 2002. WAJSKOP, Gisela. Brincar na Pré-Escola. 5. ed. São Paulo: Cortez, 1995. (Coleção: Questões da Nossa Época, 48). 19 Educação - Jogos e Brincadeiras Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Pascoal Fernando Ferrari Revisão Textual: Prof.a Esp. Vera Lídia de Sá Cicaroni A Criança e o Brinquedo • Introdução; • A Bola; • A Pipa; • A Boneca e o Boneco; • As Miniaturas; • O Brinquedo e a Brincadeira; • O Brinquedo e seus Espaços; • Considerações Finais. • Analisar alguns brinquedos e sua relação com o brincar; • Destacar alguns apontamentos históricos sobre o brinquedo e sua utilização na atualidade; • Investigar o brinquedo e suas relações com o desenvolvimento sensório-motor e o universo simbólico da criança. OBJETIVOS DE APRENDIZADO A Criança e o Brinquedo Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE A Criança e o Brinquedo Contextualização Neste momento, sugerimos que você acesse o site Portal do Professor, do Minis- tério da Educação do Brasil. Na página específica, você encontrará uma sequência didática com o tema brinquedos e brincadeiras indígenas. Importante! Você sabia que inúmeros brinquedos vêm da tradição indígena, como a perna de pau, pião, peteca, entre outros? Também, no mesmo site, encontraremos dezenas de brinca- deiras que vieram da tradição indígena brasileira. Você Sabia? Ainda sugerimos que você visite os links indicados na sequência. Após visitar a página e os links indicados, faça uma reflexão sobre as contribuições indígenas que influenciaram nossos brinquedos e brincadeiras e sobre como poderíamos levar essas propostas para a sala de aula. Portal do Professor. Disponível em: http://bit.ly/2Ur2bSd Ex pl or Obrigado e bons estudos! 8 9 Introdução Nesta unidade, faremos alguns apontamentos históricos sobre o brinquedo, sua utilização na atualidade. Também faremos uma investigação sobre o brinquedo e suas relações com o desenvolvimento sensório-motor e o universo simbólico da criança. Finalizaremos a unidade com uma análise sobre os brinquedos eletrônicos que são muito utilizados nos dias atuais. Iniciaremos a unidade contando a história dos brinquedos. É bom lembrar que contar a história dos brinquedos é, certamente, contar um pouco a história do pró- prio homem, seu desenvolvimento, valores e visões de mundo que estão impregna- dos em alguns brinquedos tradicionais. Vejamos alguns exemplos. A Bola Podemos citar, como primeiro exemplo de brinquedo, a bola. Ela é um dos brinquedos mais antigos. Seu surgimento data de 6.500 anos, no Japão, mas é um objeto que está presente em outras culturas antigas, como China, Grécia, Egito, entre outras. As bolas apareceram confeccionadas com diversos materiais, como couro e bexiga de animais. Hoje, a bola é um brinquedo que está popularizado em todas as partes do mundo. Além de ser um brinquedo, a bola é utilizada em inúme- ras modalidades esportivas. A bola, dependendo de sua utilização, apresenta não só diversidade do material empregado em sua confecção, como também diferentes tamanhos, que vão desde as bolas grandes, como as de exercícios terapêuticos de Pilates, até as pequenas bolas de gude. Podem ser duras, como as bolas de boliche, ou macias, como as que oferecemos para os bebês brincarem e morderem. A bola é um objeto que pode ser rolado, atirado, chutado, batido, empurrado ou arremessado. São muitas as possibilidades de contato com uma bola; depende da brincadeira ou do jogo que se está praticando. Figura 1 – Bola de Futebol; Gizo; Beisebol e Gude Fonte: Adaptado de Getty Images 9 UNIDADE A Criança e o Brinquedo Froebel atribuía grandes expectativas educacionais para a bola e a esfera. Em seus Dons, como vimos anteriomente,estavam presentes as bolas macias e as esferas. Segundo Kishimoto (2002), na esfera não existem lados, a identidade e a unidade pre- valecem; as bolas satisfazem o desejo primitivo de exercer força e causar mudanças. Ao brincar com a bola, a criança experimenta movimentos e diferentes direções. A bola é um artefato utilizado para o lazer e o brincar dos indivíduos, mas tam- bém é um artefato esportivo, na medida em que é utilizada em inúmeras modalida- des esportivas. A Pipa Outro exemplo bastante curioso é a tradicional Pipa, também conhecida como quadrado, papagaio, arraia, entre outros nomes, dependendo do lugar ou época de utilização. A Pipa não nasceu como brinquedo, mas como instrumento de guerra. Consta que, na China antiga, por volta de 1.200 a.C., as pipas eram utilizadas como arte- fato de sinalização militar. Uma determinada cor e o movimento que a pipa fazia no ar indicavam o movimento e a estratégia dos exércitos. Outra curiosidade é a sua utilização pelo inventor americano Benjamin Franklin, que usou uma pipa para investigar as des- cargas elétricas que vinham das nuvens e, assim, inventar o para-raios. Empinando uma pipa em uma tempestade, provou que existia carga elétrica acumulada no ar e teve a ideia de capturar as descargas elé- tricas e devolvê-las à terra. Com o passar do tempo, a pipa foi se transformando em um interessante brinque- do. Hoje encontramos pipas de todos os ta- manhos e cores enfeitando os céus e diver- tindo inúmeras crianças por todo o mundo. A Boneca e o Boneco A boneca é um dos brinquedos mais antigos e mais populares em todo o mundo. Ela reproduz as formas humanas, com predomínio das formas feminina e infantil, como as bonecas bebês, por exemplo. Em várias civilizações antigas, como a chinesa e a egípcia, já se encontrava o artefato. Segundo pesquisadores, bonecas egípcias eram colocadas no túmulo para Figura 2 – Pipas Fonte: Getty Images 10 11 a criança brincar no mundo do além. Na Grécia Antiga, nos rituais que antecediam o casamento, as jovens noivas entregavam suas bonecas à deusa Ártemis, simboli- zando o fim da infância. Feitas de diversos materiais, as mais antigas eram de barro, madeira ou fibras naturais e, hoje, as mais modernas são de pano, plásticos e borrachas, além das mais sofisticadas, como as bonecas de porcelana. Essa diversidade de materiais é, também, influenciada pelas novas tecnologias da indústria. As bonecas são consideradas altamente socializadoras por serem um brinquedo com características humanas e, assim, estimularem brincadeiras de relacionamento. Brincar com as bonecas estimula as crianças a entrar no universo da imaginação e do faz de conta, criando histórias e experimentando, mesmo que de forma imaginária, diferentes situações de vida. Figura 3 – Bonecas Fonte: Adaptado de Getty Images A tradição da boneca iniciou-se com uma confecção caseira e familiar. Em se- guida, foi também, confeccionada de maneira artesanal em pequena escala, mas a fabricação de bonecas, com objetivos comerciais, teve início na França, presumida- mente no século XV. Hoje em dia, algumas bonecas possuem marcas registradas, são produzidas em grande escala pela indústria de brinquedos e consumidas por milhares de crianças em todo o planeta. As bonecas, muitas vezes, são consideradas um brinquedo que prepara para a maternidade, por esse motivo as bonecas, em muitas culturas, são vistas como um brinquedo associado às meninas, no entanto existem versões de bonecos direcio- nados aos meninos. Na modernidade encontramos diversos bonecos direcionados ao gênero masculino. Existem inúmeros bonecos com características masculinas, como os super-heróis, personagens saídos do cinema ou da revista em quadrinhos, os bonecos militares ou personagens de guerra e uma infinidade de bonecos articuláveis em geral. 11 UNIDADE A Criança e o Brinquedo As Miniaturas A ideia de diminuir o tamanho dos objetos é algo que acompanha o homem desde há muito tempo. Essa ideia talvez tenha surgido da necessidade do homem de manipular as coisas a seu bel prazer, o que sugere certo “poder”. Porém as pes- quisas sobre as miniaturas são escassas, o que prejudica as referências históricas. Sobre a seu uso, consta que, no início do século XII, as miniaturas eram utili- zadas para simular situações de batalha. Era uma tecnologia empregada para de- terminar qual seria a estratégia utilizada pelas tropas de guerra. Castelos, cenários representando o espaço geográfico com rios e montanhas, aldeias e os soldados de chumbo representando as tropas. Os soldados vieram, mais tarde, no século XIX, a ser industrializados e vendidos em larga escala, ocasionando o barateamento de seu custo e, consequentemente, a sua popularização. Muito populares também, as casas de bonecas são presentes na vida das crianças. Algumas casas de bonecas ganham ricos detalhes e alto grau de perfeição e realida- de, criando ambientes como cozinha, sala de estar, banheiros, entre outros cômodos de uma casa. Não podemos nos esquecer do mobiliário dos ambientes; dentre alguns móveis e objetos, encontramos relógio, fogão, mesa, guarda-roupa, cama. Veja um exemplo: Figura 4 – Casa de Bonecas Fonte: Wikimedia Commons O registro das primeiras casas de bonecas consta do século XVI, quando os nobres europeus mandavam construir casas de bonecas para suas filhas. Assim, as casas de bonecas nasceram para os ricos. Hoje em dia, muitas destas minia- turas são consideradas objetos de arte e fazem parte de exposições artísticas por todo o mundo. Todavia o brinquedo casa de boneca passou por uma popularização devido à sua fabricação em larga escala e aos preços acessíveis para uma parcela signifi- cativa da população. 12 13 Outro exemplo de miniaturização de objetos são os meios de transportes. Encontramos uma infinidade de carros, motos, caminhões, navios, aviões, trens e até espaçonave, miniaturizados. Esses brinquedos colocam em atividade a ima- ginação das crianças. Meninos e meninas sonham e criam histórias com suas miniaturas. Criam pas- seios fantásticos a lugares que ainda estão por serem criados na realidade ou, também, simulam suas futuras profissões. O sonho de ser um piloto aviador, um caminhoneiro livre das estradas pode começar com uma brincadeira com minia- turas. A miniatura pode criar ou alimentar sonhos e fantasias. É bom lembrar que algumas realidades tiveram origem no mundo do faz de conta. São muitas as possibilidades de miniaturas. De forma geral, qualquer objeto pode ser miniaturizado e tornar-se um brinquedo colecionável. Hoje vemos criar-se uma indústria das miniaturas colecionáveis, agregando, em seu entorno, diversas outras atividades econômicas, como, por exemplo, editoras de revistas, clubes e lojas especializadas em miniaturas. Museu do brinquedo. Disponível em: http://bit.ly/2UrblhJ Ex pl or Como podemos notar, existe uma infinidade de tipos e categorias de brinquedos, cada qual com seu objetivo e público alvo definido. São brinquedos eletrônicos, mui- to comuns na contemporaneidade, que acendem luzes, se movem e emitem sons, réplicas perfeitas do universo adulto. Existem os brinquedos educativos que visam ensinar algo ou desenvolver determinadas habilidades. Há brinquedos únicos, feitos em casa pelos pais ou pelas crianças, com materiais diversos, como, por exemplo, o carrinho de rolimã. Brinquedos feitos por mestres artesãos. E até, brinquedos raros, com os quais ninguém mais brinca, pois estão em exposição em algum museu ou guardados com algum colecionador de brinquedos. No decorrer do texto, até agora, abordamos a questão histórica, cultural e sim- bólica do brinquedo, entretanto não podemos nos esquecer da questão comercial que envolve o brinquedo. Através das propagandas dirigidas ao público infantil, as mídias podem incentivar o consumo inadequado dos brinquedos. Vejamos o que a pesquisadora Cristina Porto diz a respeito do tema. A sociedade ocidental moderna dá ao brinquedo um lugar e uma difu-são sem precedentes, por meio de um desenvolvimento industrial que instituiu a produção, a venda e o consumo sistemático desses objetos. [...] Da concepção à fabricação, das obrigações econômicas às tradições industriais regionais, é necessário conhecer o contexto que torna possí- veis os brinquedos de hoje. Neste sentido, é extremamente importante abordar o brinquedo tal como na nossa sociedade de consumo. (PORTO. In: KRAMER e LEITE, 1998, p. 179) 13 UNIDADE A Criança e o Brinquedo Ao fazermos uma análise do brinquedo, devemos considerar os fatores de pro- dução, comerciais e de consumo do brinquedo. A força exercida pelas mídias, na hora da decisão de escolher um brinquedo para uma criança, é fundamental. Se você fosse um(a) diretor(a) de uma escola de Educação Infantil e estivesse na hora de adquirir novos brinquedos, quais seriam os três brinquedos que não poderia faltar nessa compra? Por quê? Ex pl or O Brinquedo e a Brincadeira Estar de posse de um brinquedo é, de certa forma, poder manipular ou transfor- mar a realidade. O brinquedo pode nos sugerir também uma reinvenção da realida- de, na medida em que, através da imaginação e do brincar, a criança experimenta ou testa soluções para seus problemas do cotidiano. Veja o que Kishimoto (2005) diz a respeito do brinquedo. [...] Diferindo do jogo, o brinquedo supõe uma relação íntima com a crian- ça e uma indeterminação quanto ao seu uso, ou seja, a ausência de um sistema de regras que organizam sua utilização. Uma boneca permite à criança várias formas de brincadeiras, desde a manipulação até a realização de brincadeiras como “mamãe e filhinha”. O brinquedo estimula a representação e expressão de imagens que evo- cam aspectos da realidade. [...] (KISHIMOTO, 2005, p. 18) A autora fornece pistas para melhor entendermos as relações íntimas e pes- soais entre o brinquedo e a criança. O brinquedo sugere uma manipulação ou brincadeira mais aberta e livre de regras fixas. Essa forma espontânea de relacio- nar-se com o brinquedo é que abre as possibilidades de reinvenção da realidade imediata da criança. Para compreendermos a brincadeira, dois fatores são fundamentais: o primeiro é entendermos a brincadeira como conduta livre e expressiva da criança, conside- rando que a imaginação conduz a brincadeira, e o segundo é entendermos a brinca- deira como representação da realidade imediata da criança. Imaginação e realidade são os principais elementos de uma brincadeira infantil. O brinquedo é o suporte de uma brincadeira e, em última análise, ele é um por- tador dos significados culturais. Para Gilles Brougère, o brinquedo pode ser analisa- do sobre dois aspectos preliminares e distintos: o aspecto Material e o aspecto das Significações. Observe o quadro a seguir, sugerido por Brougère (2008, p. 44). 14 15 Tabela 1 Aspecto Material Aspecto das Signifi cações Material Representação de uma realidade Forma/desenho Modificações induzidas nessa realidade Cor Universo imaginário representado Tátil Representação isolada ou que pertence a um universo Odorífico Impacto da dimensão funcional Produção de sons A análise preliminar de Brougère expressa uma lógica própria do brinquedo; o brinquedo adquire uma característica autônoma que sugere um tipo de ação sobre ele. Porém a falta de regras de como brincar garante, também, a liberdade de ima- ginação e de criação de como e do que brincar com tal objeto. Ao trabalhar com brinquedos, o educador deverá fazer essa análise preliminar do brinquedo, para poder planejar sua aula e garantir suas expectativas de ensino. Não podemos nos esquecer de que o brinquedo é, também, suporte de aprendizagens. Brinquedos e brincadeiras são elementos que fazem parte do que Brougère deno- minou de cultura lúdica e são parte integrante do universo infantil no qual a criança se insere e através do qual ela aprende e se desenvolve. Inserida nessa cultura, a criança se socializa e cria a sua rede de relacionamentos sociais da qual a família e a escola fazem parte. Devemos, ainda, lembrar que a criatividade e a inventividade da criança são fundamentais em sua vida; assim, uma lata pode virar um carrinho, uma panelinha para fazer comidinha ou uma vassoura pode transformar-se em um cavalo na ima- ginação da criança. As crianças significam e ressignificam os objetos que estão ao seu redor e podem transformá-los em brinquedos interessantes. Você pode ampliar seu repertório de brincadeiras visitando o site Mapa do brincar. O site oferece várias brincadeiras e brinquedos para você conhecer e praticar com sua turma. Disponível em: http://bit.ly/2UpYWud Ex pl or O Brinquedo e seus Espaços A criança que cresce no meio urbano, com grande concentração de pessoas, fica, cada vez mais, sem espaço para brincar livremente. Nos grandes centros, a rua, que era um ótimo lugar para se brincar e fazer novas amizades, já se transformou; hoje a criança perdeu esse espaço, em alguns casos, para o trânsito, em outros, para a insegurança que reina nos grandes centros. 15 UNIDADE A Criança e o Brinquedo O quintal, que também era um excelente lugar para a brincadeira, hoje desa- pareceu e, em seu lugar, surgem construções verticais, cada vez mais próximas umas das outras, e fazem do quintal, floreiras ou passeios para os moradores. Nos lugares mais pobres, as casas se espremem, em uma disputa palmo a palma pelo espaço nos morros ou nas comunidades carentes, criando vielas que dificul- tam o brincar. As praças das cidades, que poderiam ser espaços maravilhosos para se brincar, também não garantem esse direito para as crianças; muitas delas são maltratadas pelo poder público, configurando-se como um espaço não inclusivo e inseguro para os pequenos. Qual espaço resta para a criança brincar? A escola pode cumprir esse papel? Como se pode notar, espaços para brincar são escassos nas regiões urbaniza- das. Entretanto o homem cria espaços específicos para a criança brincar e conviver com outras, espaços que tenham características acolhedoras e inclusivas, para que a brincadeira se desenvolva e seja garantida a todas as crianças que frequentam esses espaços para brincar. Como exemplo, vamos falar dos parques infantis e das brinquedotecas de natureza pública ou privada. Os Parques infantis Também conhecidos como parquinho ou playground, os parques infantis são espaços geralmente instalados ao ar livre com intenções recreativas. É uma área pensada especialmente para as crianças, com o principal objetivo de estimular a atividade física e motora e promover o encontro das crianças para que possam brin- car. Nesse sentido, é importante que seja um espaço inclusivo e sob a supervisão de um adulto. Apenas no século XIX pensou-se em um espaço equipado com brinquedos para as crianças brincarem de forma segura. Atualmente, esses espaços multiplicam-se em diferentes formas e são exemplos: os parques de diversão voltados às crianças e adolescentes, praças e parques públicos que reservam uma área para os brinquedos infantis, condomínios de moradias que possuem uma área para as crianças brin- carem, ou casas comerciais que criam esses espaços para entreterem as crianças enquanto os adultos consomem objetos ou serviços. Esses parques também foram adaptados para as escolas de Educação Infantil e tornaram-se parte integrante da rotina e dos currículos escolares. Mediadas pelo professor, as brincadeiras e atividades surgidas nesses parques podem ser um instrumento importante para a aprendizagem e o desenvolvimento 16 17 da criança. Existe uma infinidade de brinquedos específicos para esses espaços. Veja alguns exemplos a seguir: • Gira-gira: São divertidos e as crianças adoram. • Gangorra: Trabalham o equilíbrio e a relação entre as crianças. • Balanços: São tradicionais nos parques infantis. • Brinquedos múltiplos: que agregam diversas atividades. Figura 5 – Gira Gira Figura 6 – Gangorra Figura 7 – Balanços Brinquedos múltiplos, acesse em: http://bit.ly/2Uc880F Ex pl or Sãoinfinitas as possibilidades de brinquedos. Os materiais utilizados vão desde resina plástica até madeira e materiais reciclados, como pneus de carro. O impor- tante é que esses brinquedos ofereçam total segurança para as crianças brincarem. Os parques infantis devem ser um espaço democrático e inclusivo, necessários para o desenvolvimento integral das crianças pequenas. A Brinquedoteca Constitui-se em um espaço que contém brinquedos e jogos e que é organizado para o uso livre dos frequentadores. Existem duas modalidades de brinquedoteca: a que permite que se brinque no local ou a que funciona com empréstimo de brinque- dos ou jogos, como uma biblioteca. O tema brinquedoteca faz parte das discussões de terapeutas e educadores por todo o mundo, sendo incluído em diversos congressos e seminários. Veja o que Porto (In: KRAMER, 1998) diz a respeitos das brinquedotecas: As brinquedotecas vêm se tornando um lugar novo de convívio, onde o brinquedo e a brincadeira podem ser mediadores de relações em que os indivíduos falem sobre suas vidas e troquem experiências. (PORTO, 1998, p. 191) 17 UNIDADE A Criança e o Brinquedo As brinquedotecas tornam-se um lugar para brincar e, em especial, para conviver. É uma ideia nova que surgiu nos Estados Unidos na década 1930, em Los Angeles. Elas estão, cada vez mais, ocupando espaços alternativos. Além das escolas, elas podem estar em hospitais, conjugadas em bibliotecas infanto-juvenis, em parques, comunidades, entre outros, cumprindo diferentes papéis e objetivos. Em 1984, criou- -se, no Brasil, a Associação Brasileira de Brinquedotecas (ABB), responsável pela organização e orientação da montagem das brinquedotecas. Uma brinquedoteca, por ser um espaço lúdico, favorece as brincadeiras de faz de conta, por isso é importante que as brinquedotecas possuam peças de roupas e fantasias de personagens infantis, abrindo espaço para a imaginação e o simbo- lismo da criança, além de proporcionar o desenvolvimento físico e intelectual por meio das brincadeiras. Figura 8 Fonte: Acervo do conteudista A estrutura básica das brinquedotecas é composta por: • brinquedos de vários tipos e para várias idades; • um espaço para a produção artística, com mesas, papéis, tintas e lápis; • um espaço para descanso com tapetes e almofadas; • um espaço para a contação de histórias e outras atividades livres; • espelhos, que não podem faltar em uma brinquedoteca. A existência desses objetos e equipamentos depende das instalações e da situ- ação financeira da instituição propositora; também são sugestões, pois não existe rigidez nessa estrutura. 18 19 Considerações Finais A história do brinquedo e da brincadeira acompanha a história dos homens. Brinquedo e brincadeira sempre estiveram presentes na sociedade. O brinquedo não pode ser considerado apenas um objeto para a criança se distrair e divertir; ele é um poderoso instrumento de aprendizagem e uma forma de conhecer o mundo em que a criança está inserida. Brinquedos e brincadeiras oferecem asas à imaginação infantil, estabelecem con- vivências sociais importantes para o desenvolvimento da criança. Através das brin- cadeiras, as crianças ressignificam as coisas e os conceitos próprios do seu mundo. O brinquedo é parte integrante da cultura lúdica e é um retrato fiel do universo interior da criança. Assim, torna-se fundamental o brinquedo e a brincadeira na vida da criança e no currículo das escolas. 19 UNIDADE A Criança e o Brinquedo Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Infância e produção cultural KRAMER, S. e LEITE, M. I. (Org.) Infância e produção cultural. 8ª edição. Campinas: Papirus, 1998. 20 21 Referências BROUGÈRE G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez Editora, 2008. Coleção: Questões da nossa época; V.43. KISHIMOTO, T. M. (Org.) Jogo, Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 8ª edição. São Paulo: Cortez, 2005. ________. (Org.) O brincar e suas Teorias. São Paulo: Pioneira, 2002. KRAMER, S.; LEITE, M. I. (Org.) Infância e produção cultural. 8ª edição. Campinas: Papirus, 1998. 21 Educação - Jogos e Brincadeiras Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Pascoal Fernando Ferrari Revisão Textual: Prof.a Dr.a Maria Isabel D. Andrade De Sousa Moniz A Criança e o Direito de Brincar • Introdução; • O Lúdico e o Corpo na Escola; • A Formação do Professor. • Fazer uma revisão bibliográfi ca sobre o direto de a criança brincar, através de uma análise da legislação que garante esse direito; • Abordar a formação do professor para trabalhar com jogos e brincadeiras na escola. OBJETIVOS DE APRENDIZADO A Criança e o Direito de Brincar Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE A Criança e o Direito de Brincar Contextualização Para o momento de contextualização, convido você a refletir acerca do tema: a formação lúdica do professor. Assista ao vídeo “A formação lúdica do professor”, do programa Salto para o futuro. O vídeo pretende oferecer caminhos para a formação do professor, mos- trando a importância dos jogos e das brincadeiras na educação. Aula ludica com mágica - programa salto para o futuro: https://youtu.be/UQVUoFmLW2c Ex pl or 8 9 Introdução Vamos dar início a esta unidade lembrando que anteriormente vimos que o con- ceito de criança, como o temos hoje, começa a se configurar apenas no decorrer dos séculos XVI e XVII. Com o aclaramento do conceito de estar - ou de ser - criança, vieram também as condições para se estabelecerem outras questões, como por exemplo: a ideia do desenvolvimento humano passando pelo momento de ser bebê, criança, jovem, adulto e idoso, e as condições para que este desenvolvimento aconteça com qualidade e para todas as crianças. Consequentemente, tivemos outros desdobramentos com relação ao estabeleci- mento do conceito de infância. Porém, somente no século XX surgiu um movimen- to social em prol do estabelecimento de uma legislação apropriada à garantia dos direitos das crianças, inclusive o direito de brincar. Alguns momentos são fundamentais na história da construção dos direitos das crianças. Podemos apontar: em 1924, a Sociedade das Nações adota aDeclaração de Genebra sobre os Direitos da Criança, em 1946 o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas reco- menda a adoção da Declaração de Genebra e se manifesta a favor da criação do Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Ex pl or Continuando os apontamentos, é importante lembrar que, em 1959, a Declara- ção dos Direitos da Criança é adotada por unanimidade pelos países das Nações Unidas. Por não ser obrigatória, liberava os países para construírem suas legisla- ções em relação à infância e a adolescência, porém, inspirados na declaração do referido documento. Finalizando, citamos o ano de 2001, já no século XXI, quando foi celebrado o Ano Interamericano da Infância e Adolescência, que ofereceu certo protagonismo infantojuvenil para a sociedade mundial. Notamos que os direitos das crianças foram se construindo e se constituindo na legislação de diversos países. É claro que, no mundo, nem todos os países se inte- graram à ideia de garantir os direitos da infância. Brincar, por muito tempo, foi considerado como algo que seria apenas um passatempo ou atividade sem muita importância. Essa visão de mundo levou os homens a pensarem que “é melhor trabalhar do que ficar sem fazer nada, ou brin- cando”. Desta forma, um paradigma foi criado: o trabalho infantil para ocupar a criança. A consequência deste paradigma foi a exploração do trabalho infantil e a remoção do direito de brincar da criança. A Declaração dos Direitos da Criança foi adaptada da Declaração Universal dos Direitos Humanos, no entanto, voltada para as crianças. A Declaração é formada por dez princípios de proteção e direitos das crianças e adolescentes. Dos princípios 9 UNIDADE A Criança e o Direito de Brincar expostos na Declaração dos Direitos da Criança, podemos ressaltar o Princípio número sete. Veja um detalhe desse princípio: Princípio 7: A criança terá direito a receber educação, que será gratuita e compulsó- ria pelo menos no grau primário [...]. A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educa- ção; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito. Observe que, além do direito à educação de qualidade, esse princípio ressalta que a criança constitui-se em um ser com direito de brincar e divertir-se e, ainda, que o poder público deve promover este direito. É importante que estes e outros direitos dos pequenos sejam garantidos e praticados na forma da lei. Procure informar-se mais sobre a Declaração dos Direitos da Criança no seguinte endereço eletrônico: http://bit.ly/2G5lGWnEx pl or Ainda sobre a estruturação e as conquistas dos direitos da criança, em especial o de brincar, lembramos a Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pelas Nações Unidas em 1989 e ratificada na reunião de Portugal, em 1990. Em confor- midade com as Declarações dos Direitos do Homem e dos Direitos da Criança, essa convenção, com 54 artigos, irá garantir, internacionalmente, os direitos da infância. Dessa convenção, destacamos o seguinte artigo: Artigo 31.º 1 – Os Estados Partes reconhecem o direito da criança ao descanso e ao lazer, ao divertimento e às atividades recreativas próprias da idade, bem como à livre participação na vida cultural e artística. 2 – Os Estados Partes promoverão oportunidades adequadas para que a criança, em condições de igualdade, participe plenamente da vida cultural, artística, recreativa e de lazer. Esta convenção reconhece a importância da cooperação internacional para a me- lhoria das condições de vida das crianças em todos os países e ratifica o direito de recreação da criança e de participação na vida cultural e artística de sua comunidade. É brincando e jogando que a criança se insere nestas atividades. Procure se informar sobre a Convenção dos Direitos da Criança no seguinte endereço eletrônico: http://bit.ly/2GdtTbtEx pl or 10 11 Com relação ao Brasil, a Declaração dos Direitos da Criança foi um dos docu- mentos que orientou a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no ano de 1990. Esse documento é a grande referência da legislação brasileira, dos direitos de proteção integral das crianças e dos adolescentes. Entre os diversos artigos do Estatuto, vamos destacar o seguinte artigo e seus incisos: Artigo 16º O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: II - opinião e expressão; IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; Brincar e divertir-se se tornam um direito da criança brasileira, pelo menos no que prevê o Estatuto. Porém, sabemos o quanto esta prerrogativa está longe de ser alcançada por muitas crianças. Todavia, o ato de brincar é crucial para o pleno desenvolvimento da criança, pois é através deste ato que a criança cria e recria a sua própria vida. De forma geral, as brincadeiras e os jogos criam possibilidades do desenvolvi- mento da função simbólica do ser humano, a compreensão das regras e, o mais fundamental, a possibilidade da convivência pacífica com outras crianças e com outros adultos. Figura 1 Fonte: Getty Images No decorrer das unidades, mostramos o quanto o brincar é importante para a criança em vários aspectos, entre eles o cognitivo, afetivo e a interação social. São aspectos essenciais para o desenvolvimento infantil, pois ao brincar, a criança co- nhece seus limites e possibilidades, ou seja, a criança aprende ao brincar. Brincar independe da condição da criança. Dificuldades nos aspectos físico ou cognitivo não impedem as crianças de brincar e divertir-se. O direito de brincar, como já falado, estende-se a todas as crianças, sem exceção. Esse direito de brin- car foi conquistado no decorrer da história da humanidade, fruto da determinação de inúmeros educadores, apoiada na crença de que brincar é fundamental para o desenvolvimento e a aprendizagem da criança e, assim, torna-se um direito natural da infância e da adolescência humana. 11 UNIDADE A Criança e o Direito de Brincar O Lúdico e o Corpo na Escola O trabalho com brincadeiras e jogos corporais é um importante aspecto a ser analisado no ambiente escolar. O movimento e o gesto, propiciados por estas ativi- dades educativas, impulsionam e dão ritmo ao desenvolvimento da motricidade das crianças e, de maneira geral, ampliam a cultura corporal de cada criança. Utilizamos o termo “cultura corporal” para indicar o campo da cultura que abrange a produção de práticas expressivas e comunicativas exteriorizadas pelo movimento humano. As brincadeiras, a dança, o teatro, os esportes, os jogos e a ginástica são exemplos do repertório da cultura corporal que devem ser conhecidos e valorizados. Vejamos o que o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) nos diz, a respeito da linguagem corporal: [...] Dessa forma, diferentes manifestações dessa linguagem foram sur- gindo, como a dança, o jogo, as brincadeiras, as práticas esportivas etc., nas quais se faz uso de diferentes gestos, posturas e expressões corporais com intencionalidade. Ao brincar, jogar, imitar e criar ritmos e movimentos, as crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas. (BRASIL, 1998, p.16) É evidente que os documentos oficiais, sobre a educação brasileira, valorizam os jogos e as brincadeiras no cotidiano escolar. Reconhece que, ao jogar ou brincar, a criança irá se apropriar de determinada cultura corporal, da sociedade na qual está inserida. Todavia, pela importância do brincar e do jogar para a criança, a sua utilização nas escolas de Educação Infantil se faz necessária. Agregar os jogos e brincadei- ras ao currículo escolar é assegurar um espaço para essas atividades, é vincular o aprender e o prazer na ação pedagógica. Para tanto, também é necessário que estas temáticas estejam presentes na formação do professor da Educação Infantil. A reflexão sobre a importância dos jogose brincadeiras na educação trará maio- res competências e habilidades ao professor e o preparará para desenvolver a fun- ção de mediador dos jogos e brincadeiras, além da ampliação do repertório de brin- cadeiras e jogos. Em outras palavras, é admitir a cultura lúdica na escola. A cultura lúdica, entendida como nos indica Brougère, é um conjunto de procedimentos que permite tornar o jogo possível (apud KISHIMOTO, 2002, p. 24). Ao brincar mais espontânea ou livremente, a criança produzirá expressões fa- ciais e gestos que exprimem seus sentimentos e pensamentos, além de interferirem na comunicação e interação social. É importante que a criança da Educação Infantil experimente e conheça suas capacidades expressivas e aprenda progressivamente a identificar as expressões das pessoas com as quais se relaciona, estabelecendo e ampliando sua capacidade de comunicação e suas possibilidades expressivas. 12 13 A Formação do Professor As crianças nativas dos grandes centros urbanos não possuem plenas possibilidades para brincar, por falta de espaço e tempo para as brincadeiras, principalmente as coletivas. Nos grandes centros, os quintais são cada vez mais escassos e as ruas, perigosas demais para as crianças brincarem. As agendas das crianças estão lotadas de compromissos, como escola, atividades-extras, cursos livres, entre outros. E o espaço e o tempo reservado para brincar, onde estão? E a escola, onde entra nessa história? E o professor, sabe brincar? Ex pl or A criança que não brinca, ou brinca pouco, não está plenamente inserida na cultura lúdica. A falta de brincar interfere negativamente no desenvolvimento da criança. Assim, a escola de Educação Infantil torna-se espaço privilegiado para a criança brincar e desenvolver-se. O professor deverá, em sua formação, refletir sobre a utilização dos jogos e das brincadeiras na educação, além de compreender o desenvolvimento infantil e as suas necessidades. Como mediador, o professor contribui para o desenvolvimento de diferentes brincadeiras e jogos na escola, com fins educativos ou mesmo recreativos. A formação inicial e a pesquisa do professor sobre essas atividades podem levar ao resgate de inúmeras brincadeiras esquecidas pelo tempo. A tradição de muitas brincadeiras é fundamental para o desenvolvimento e manutenção da cultura lúdica. Diversas brincadeiras e jogos antigos continuam sendo capazes de despertar a curio- sidade e o prazer das crianças nos dias de hoje. Não se trata aqui da defesa de se criar uma disciplina específica de jogos e brin- cadeiras na educação, mas de ter o lúdico, os jogos e brincadeiras, como funda- mento da Educação Infantil. Este fundamento deveria atingir todas as disciplinas do currículo da formação inicial do pedagogo. É colocar a temática do trabalho com os jogos e as brincadeiras nas diretrizes curriculares dos cursos de pedagogia. Importante! É importante que a formação inicial do professor permita que ele construa ideias sobre a necessidade e a importância das atividades lúdicas como instrumentos para a inter- venção pedagógica assertiva para o desenvolvimento infantil. Importante! Observe a tabela a seguir sobre a utilização e algumas categorias de jogos e brincadeiras para a educação: Tabela 1 Jogos e Brincadeiras pedagógicas Jogos e Brincadeiras para recreação Jogos e Brincadeiras livres · uso de brinquedos e jogos para favorecer a aprendizagem escolar. · recurso da brincadeira para estimular a aprendizagem e o desenvolvimento infantil. · dinâmicas criadas para ensinar novas brincadeiras e jogos. · compor o currículo da Educação Infantil com atividades lúdicas e prazerosas. · são momentos em que as crianças brincam sem a interferência direta do professor. · incentivam o desenvolvimento da autonomia na criança. 13 UNIDADE A Criança e o Direito de Brincar As brincadeiras e jogos são fenômenos ou linguagens recorrentes em toda vida humana. Elas reúnem um repertório de gestos, sons, expressões, movimentos que se inter-relacionam com o desenvolvimento infantil. Desta forma, é imperativo ao pro- fessor saber o que os jogos e o brincar têm a ver com o seu trabalho em sala de aula. Conhecer e compreender os conceitos sobre o jogar, o brincar e o lúdico, propiciam aos profissionais da educação uma atuação e um domínio maior sobre estas ativida- des, bem como uma reflexão sobre implicações pedagógicas dos jogos e brincadeiras. Ao reconhecer o jogar e o brincar como metodologia de atuação pedagógica, o professor avança em sua formação. Não podemos abrir mão de uma formação inicial qualificada para o professor. A ideia é que este profissional irá incluir estas atividades em sua prática, contudo, deve fazê-lo de forma crítica e consciente. Fazer o próprio brinquedo também é uma iniciativa interessante para o profes- sor mediador de brincadeiras. São várias as possibilidades de construção de brin- quedos e as sucatas podem oferecer materiais interessantes para essa construção. A criança transforma naturalmente os objetos à sua volta, impulsionada pelo seu imaginário, seus desejos e de acordo com suas habilidades. Ao ressignificar objetos, a criança pode construir o seu próprio brinquedo. Criar o próprio brinquedo estimula a criatividade e a imaginação dos pequenos. Neste sentido, construir objetos lúdicos para a atuação pedagógica é fundamental para o professor. Ao trabalhar com brinquedos, o professor reconhece a importân- cia do lúdico na formação das crianças e reafirma a relação entre os processos de ensinar e aprender e o brinquedo. Outras questões estão envolvidas na construção do próprio brinquedo pela crian- ça. A princípio, questões de socialização são mobilizadas quando a proposta é criar brinquedos juntos em sala de aula. Ainda devemos refletir sobre as questões afetivas que são mobilizadas com o brinquedo que construímos, uma vez que é a criação e a expressão pessoal da criança que estão em jogo. Veja alguns exemplos de brinquedos confeccionados com materiais alternativos: Figura 2 Fonte: Acervo do conteudista 14 15 Saber relacionar e selecionar os jogos e brincadeiras de forma crítica e contex- tualizada depende da perspicácia do professor, ou seja, da percepção que este tem sobre a classe com a qual está trabalhando. A escolha de sequências didáticas que sejam significativas para o aprendiz depende da formação e do olhar crítico e sen- sível do professor. A brincadeira é uma linguagem e é através dessa linguagem que a criança aprende. Durante sua formação inicial, o futuro professor deve perceber que a ludicidade tem características éticas, morais, biológicas e sociais, adquirindo assim, uma visão global dos jogos e brincadeiras. Durante o desenvolvimento das atividades, o pro- fessor deverá manter uma atitude de respeito às diferenças relativas às capacidades, habilidades, conhecimentos, necessidades e interesses dos jogadores e brincantes. Ao elaborar suas rotinas educativas, o professor pode fazê-lo através da ludici- dade, para que sejam valorizadas ações e atitudes espontâneas ao brincar ou jogar com as crianças. O professor deverá, então, reconhecer-se como referência lúdica para os aprendizes, propondo e participando ativamente das atividades propostas, aceitando e compreendendo a importância dos jogos e brincadeiras como possibi- lidades efetivas de ensinar e aprender. Finalmente, vamos fechar a unidade e a disciplina com uma citação das autoras Pereira e Souza (1998), quando falam sobre a infância e a contemporaneidade, para uma reflexão final: Crianças e adultos já não se misturam. Constituem suas histórias separa- damente. E antes as crianças estavam misturadas com os adultos, e toda reunião de trabalho, o passeio ou o jogo juntava crianças e adultos, hoje, como desde o fim do século XIX, percebemos a tendência crescente de separar o mundo das crianças do mundo dos adultos. Uma das consequ- ências mais radicais do sentimento moderno da infância foi, portanto, o afastamento do adulto da criança.(PEREIRA; SOUZA, apud KRAMER; LEITE, 1998, p. 37) Pense sobre a questão. 15 UNIDADE A Criança e o Direito de Brincar Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Jogos e Brincadeiras Para complementar e ampliar seus conhecimentos sobre o brincar e o jogar, convi- damos você a visitar e explorar o site da revista Nova Escola. Com o site da página indicada, você terá acesso a inúmeras brincadeiras e jogos e o seu emprego na Edu- cação Infantil e no Ensino Fundamental I. Na página, você encontrará reportagens, vídeos e entrevistas com os melhores especialistas na área e ainda jogos online e planos de aula que poderão auxiliar você no ofício de ser professor. http://bit.ly/2UqN1wn 16 17 Referências BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providên- cias. Brasília, DF, 1990. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998. 3v. BROUGÈRE G. Brinquedo e cultura. São Paulo: Cortez Editora, 2008. Coleção: Questões da nossa época; V.43. KISHIMOTO, Tizuko M. (Org.) O brincar e suas Teorias. São Paulo: Pioneira, 2002. KRAMER, S. e LEITE, M. I. (Org.) Infância e produção cultural. 8ª edição. Campinas: Papirus, 1998. 17 Educação - Jogos e Brincadeira Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Silvana Silva Buchini Bomtorin Revisão Textual: Prof.ª Dr.ª Maria Isabel Andrade Sousa Moniz O Brincar e a Criança com Deficiência • Introdução; • Jogando, Brincando e Incluindo: A Adaptação da Prática Pedagógica para o Ensino do Aluno com Deficiência; • Brincando e Aprendendo pelos Sentidos; • Brinquedos e Brincadeiras Eficientes e Não para “Deficientes”. • Refl etir sobre as condições para a criança brincar e as adaptações necessárias de local, brincadeiras e brinquedos; • Discutir sobre a formação do professor e legislação, no que se refere à inclusão; • Correlacionar jogos, brinquedos e brincadeiras e a aprendizagem da criança com defi ciência, por meio de materiais adaptados, se necessário; • Investigar o processo do brincar da criança, com ou sem defi ciência, e a elaboração de materiais. OBJETIVOS DE APRENDIZADO O Brincar e a Criança com Defi ciência Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência Contextualização Para o momento de contextualização, sugerimos que leia o livro Menina Bonita do Laço de Fita. Coleção: Barquinho De Papel. Autor: Ana Maria Machado.Ex pl or Observe o desenvolvimento das habilidades imaginativas e a importância da diver- sidade para a organização social contemporânea. Faça uma reflexão crítica. 8 9 Introdução Nesta unidade, iremos refletir sobre as condições para a criança brincar e as adaptações necessárias de local, brincadeiras e brinquedos. Iremos discutir sobre a formação do professor e legislação, no que se refere à inclusão. Nas unidades anteriores, discutimos a relação entre o jogo, brinquedo e a brinca- deira, porém não podemos deixar de analisar essas questões no espaço escolar, já que estamos discutindo Educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei n.º 9.394/96 – garante aos indivíduos o acesso e permanência no ensino regular, tendo como obrigação assegurar currículos, métodos, técnicas e recursos educativos que garantam as ne- cessidades dos alunos, sejam eles ditos normais ou com deficiência. Art. 37 “(...) oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as ca- racterísticas do alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.” Art. 59 – I “Os sistemas de ensino devem assegurar aos alunos currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades.” Dessa forma, a necessidade de uma escola inclusiva tornou-se o grande desafio da contemporaneidade, tendo em vista o atendimento à diversidade humana, condi- ção reafirmada pela Declaração de Salamanca, promulgada na Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade – Espanha – Junho de 1994 – UNESCO, que reafirmou o direito de todos à Educação, independentemente de suas diferenças, enfatizando que a educação de pessoas portadoras de deficiên- cias é parte integrante do sistema educativo. Também o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA - Lei N.º 8069/90 no Art. 54, inciso III – estabelece o atendimento educacional especializado aos porta- dores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. O mesmo esta- tuto, no Art. 55, obriga os pais ou responsáveis a matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. No que se refere à formação de professores, a legislação aponta a Resolução CNE/CP (Conselho nacional de Educação / Conselho Pleno), nº 1/2002, que define que as instituições de ensino superior devem prever, em sua organização curricular, formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contem- ple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessidades educa- cionais especiais. 9 UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência Importante! Porém, mesmo com a legislação buscando a efetivação da inclusão, a realidade aponta uma escola separativista. Segundo Mantoan (2003), os sistemas escolares estão sistema- tizados a partir de um pensamento que permite dividir os alunos em normais e deficien- tes, no que se refere às modalidades de ensino, em regular e especial e os professores, em especialistas das diferenças. A mesma autora ainda afirma que a organização da escola está marcada por uma visão determinista (rígidas relações), mecanicista (obedecendo às relações), formalista (obedece às normas de comportamento) e reducionista (redução sistemática) (MANTOAN, 2003). Trocando ideias... A partir da perspectiva de inclusão, surgiram diversas discussões, no campo da educação, com o objetivo de cumprir as propostas de ensino de qualidade para todos, independentemente das necessidades do aluno. Jogando, Brincando e Incluindo: A Adaptação da Prática Pedagógicapara o Ensino do Aluno com Deficiência Ao estudarmos as unidades anteriores, pudemos perceber a importância do lúdico na formação da personalidade e identidade da criança. Para o aluno com deficiência não é diferente. Um dos fatores de maior complexidade que encontramos em relação à formação do professor é a dificuldade que os alunos encontram em relação à experimentação com novos conhecimentos e vivências. No Brasil, a influência de um pensamento predominantemente religioso e regido pelos conceitos morais, muitas vezes dificulta a aprendizagem pelo lúdico e pelas brincadeiras do futuro professor. Importante! Ao analisarmos que um dos fatores mais importantes para a inclusão no espaço escolar é a adaptação do aluno com os amigos de sala e professor, para que assim a prática peda- gógica venha favorecer a independência e autonomia dentro da escola e da sala de aula, precisamos investigar como essas relações se estabelecem. Revisitando a história da educação especial, podemos encontrar fatores significativos para a permanência dos estigmas em relação à dificuldade dos alunos e professores ao ter que lidar com a inclusão. Uma delas se deve ao fato da deficiência, desde o século XV, estar ligada ao misticismo e ocultismo (MAZZOTA, 2001), resultando na marginalização das pessoas com deficiência e indivíduos com qualquer tipo de comportamento que se diferencie da maioria do grupo social. Trocando ideias... 10 11 As crianças aprendem, antes de estar no espaço escolar, a excluir e discriminar as diferenças, por meio de um reforço muitas vezes nem percebido pelos pais, quando são ensinados a não se misturarem ou falarem com qualquer pessoa des- conhecida ou diferente. Nesse contexto, afirmamos a necessidade de reflexões no que se refere às ques- tões da formação do professor, pautada na necessidade de que ele próprio revisite a história da humanidade e seu percurso pessoal, para entender o processo de apropriação do brincar na efetivação da construção da aprendizagem. No que se refere às estratégias de ensino utilizadas na prática pedagógica para o ensino do aluno com deficiência, Reganhan e Braccialli (2007), apontam a necessi- dade de observar a escolha de estratégias mais adequadas, que possibilitem o sucesso da aprendizagem e, assim, ampliem suas experiências, criatividade e flexibilidade. Segundo os mesmos autores, é importante eliminar atividades que não bene- ficiam o aluno ou que impossibilitem a execução das mesmas. No entanto, é ne- cessário introduzir atividades complementares específicas para o aluno, de forma individual ou em grupo. Os recursos utilizados pelos professores para o ensino do aluno com deficiência é fundamental para o ensino e para o aprendizado, pois contribuem na estruturação, compreensão e interpretação dos conceitos estudados. A princípio, a inserção do aluno com deficiência sem a necessidade de adaptação de procedimentos de ensino é fundamental, partindo para a observação das necessidades educacionais especiais dos mesmos para realizar a adaptação quando necessário. Importante! É importante o professor refletir sobre sua prática de ensino, a fim de conhecer e en- tender seus métodos e o aluno a ser trabalhado, tentando quebrar o estigma social, que reforça a forte desaprovação de características ou crenças pessoais que vão contra nor- mas culturais. Uma delas, a de seleção natural na busca da perfeição de habilidades e competências universais e o afastamento das diferenças. Importante! No momento anterior, discutimos que brincar traz para a criança uma nova noção do que é realidade, no sentido que ela tem, para transformá-la. O mundo dos adultos é complexo e pode ser muitas vezes imutável. Diferente o mundo da criança, em que tudo é fantasia e fácil de ser modificado sem imposição a sua ma- neira de pensar, reafirmando nossa reflexão da necessidade da escola se efetivar como espaço inclusivo. Ao desenvolvermos procedimentos, métodos e teorias que atinjam as especifici- dades das deficiências, estaremos criando experiências de extrema importância para qualquer criança, independente de sua condição. Já que os mesmos procedimentos e métodos possibilitam a aquisição de conhecimento da criança com deficiência, es- timulará ainda mais as habilidades e competências das crianças ditas normais, sendo que aprimorará as que já possuem. 11 UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência Anteriormente, discutimos que os primeiros anos de vida da criança são os mais significativos para vivenciar as experiências. Para que resultem em uma memória corporal significativa, as experiências vividas anteriormente, entretanto, podem ser estimuladas pela atuação do adulto no que se refere à educação, tanto nos aspectos da instrumentação, como na afetividade. Portanto, trabalhar a criança de forma global resulta o estímulo da plasticidade cerebral, relacionada com as possibilidades de adaptação motora frente a novas situações, independente de sua condição. Para Le Boulch (2001), o jogo simbólico caracteriza-se por recriar a realidade, utiliza sistemas simbólicos, estimula a imaginação e a fantasia da criança e favorece a interpretação e ressignificação do mundo real. Promove ainda a interação com o outro e possibilita a expressão das emoções e percepções vivenciadas na relação que a criança estabelece com o mundo real. Essa atividade estimula o desenvolvimento psicomotor, cognitivo, emocional, social e cultural das crianças. Le Boulch afirma: A emergência da função de interiorização, que é paralela ao rápido de- senvolvimento da função simbólica, vai passar além do funcional ao jogo simbólico, verdadeira atividade projetiva própria para criar um universo mágico onde o real e o imaginário se misturam. (2001, p.97) Assim, a aprendizagem por meio dos jogos, brinquedos e brincadeiras se efe- tiva como necessária para crianças com deficiência, tendo em vista a exploração sensório-motora e as várias experiências. Por meio da relação entre a aprendi- zagem com os jogos, brinquedos e brincadeiras, segundo Brougère (2008), esta- mos explorando diferentes aspectos e conceitos, como a imaginação, que varia de acordo com a idade, a situação e o sexo da criança. Apoiando-se em histórias reais e irreais, o toque, a criança desenvolve sentimentos e a sua atividade lúdica, permitindo assim manipular os códigos culturais e sociais. A falta de referência dos pais na vida da criança pode ser muito significativa. A socialização da crian- ça através do objeto e do brinquedo, além de ser um objeto de fonte cultural, traz à criança suporte de ação, conduta lúdica, formas, imagens, símbolos, para serem manipulados. Para se aprofundar nos conceitos acima citados, assista: Radio (br: Meu nome é Rádio / pt: Rádio) é um filme (drama) americano, lançado em 2003, dirigido por Michael Tollin, baseado em uma história verídica: https://youtu.be/apGVJsQGXik Ex pl or 12 13 Brincando e Aprendendo pelos Sentidos Como pudemos perceber anteriormente, o jogo, o brinquedo e a brincadeira para a criança muito dependerá da sociedade em que vive, portanto ao ethos a que pertence. Segundo Geertz: Os símbolos sagrados funcionam para sintetizar o ethos de um povo, as formas, o caráter e a qualidade de sua vida, seu estilo e disposições mo- rais e estéticos, sua visão de mundo, o quadro que fazem do que são, suas ideias mais abrangentes sobre a ordem. (GEERTZ, p.1989) A necessidade de refletir sobre cultura, já que estamos buscando nos aprofun- dar no processo pedagógico, é também criar o hábito de investigar o ambiente e o público com que iremos trabalhar. Assim como os conceitos que cada brincadeira ou brinquedo têm em cada cultura, assim recebem diferentes nomes e formatos, mas mantêm os mesmos fundamentos básicos. Para que a criança possa desenvolver-se integralmente na área do conhecimento, independente de sua condição, os professores precisam ter um pensamento interdis- ciplinar, ou seja, explorar sua inteligência, a linguagem,o sensorial, o sócio-motor, o perceptivo e a coordenação motora (LEGARDA e MIKETTA, 2012, p. 101). Para as crianças com deficiência, a mediação com o brincar permite a ação física e mental, pois possibilita a experiência da ordem, desordem e reordenação. Estimula a formação do laço social através da história contida nos jogos e brincadeiras e ex- pressa pelos companheiros de jogo e por ter como premissa a atividade simbólica, estimula a função representativa e o deslocamento, a simbolização dos impulsos, em detrimento da atuação. As cores das flores (dirigido por Miguel Bemfica – Espanha): https://youtu.be/s6NNOeiQpPM Ex pl or O objeto artístico é desafiante na educação de pessoas com deficiência, assim como a educação pela arte. As linguagens artísticas possibilitam a interação com o mundo por meio dos contatos sinestésicos. Nesse sentido, devemos ressaltar a importância da aquisição de conhecimento, pelas crianças com ou sem deficiência, através da Arte, no sentido de uma compre- ensão do mundo na qual a dimensão poética esteja presente. A Pinacoteca do Estado de São Paulo, assim como outras instituições, promove pesquisas para todos os públicos, inclusi- ve com deficiência (Programa Educativo para Públicos Especiais – PEPE). Pesqui- se mais sobre o assunto. Pinacoteca do Estado de São Paulo - Como chegar Endereço: Praça da Luz, 2 - Luz, São Paulo, 01120-010 Telefone:(11) 3324-1000 Horário:10:00–17:30 13 UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência Outra opção, quando houver a necessidade de adaptar jogos e brinquedos, é a construção dos mesmos com materiais reaproveitados. Para saber mais, pesquise nos sites a seguir: • 2a Parte”Brinquedos, jogos e personagens feitos com reciclagem: https://youtu.be/GFRw5voD8lk • Brinquedos reciclados: Faça você mesmo brinquedos de sucata: http://bit.ly/2GdTfGb Ex pl or Figura 1 Brinquedos e Brincadeiras Eficientes e Não para “Deficientes” Como vimos, os jogos, brincadeiras e brinquedos são tão importantes para a criança dita normal como para a criança com deficiência e que o processo da apro- priação desses conceitos, como processo pedagógico, inicia-se na formação para educadores, no momento em que o aluno-professor passa pelas experiências e pelo processo de interiorização das vivências vividas. Assim, o aluno-professor poderá avaliar a eficiência do material, elaborar estra- tégias de trabalho e posteriormente colher e analisar dados do processo de apren- dizagem da criança por meio dos brinquedos, jogos e brincadeiras. A adaptação dos mesmos pelo aluno-professor e futuro professor terá, além da fundamentação 14 15 teórica, a experimentação, nas mais diversas áreas do conhecimento, do qual a disciplina que estamos estudando propõe. Figura 2 – Brincando de casinha, Curso Pedagogia- 2013 – Universidade Cruzeiro do Sul- Disciplina Jogos e Brinquedos Fonte: Acervo do conteudista A interação do professor na condução da brincadeira e seu envolvimento é um dos passos da exploração lúdica A elaboração dos brinquedos e jogos, assim como o conhecimento da história dos mesmos, é fundamental no processo criativo. A elaboração de materiais com objetivos específicos proporciona ao futuro pro- fessor uma reflexão sobre a articulação das diferentes linguagens, para produção de materiais que serão utilizados para qualquer público. Os jogos e brinquedos podem ser desenvolvidos a partir de disciplinas distintas, ampliando a exploração das metodologias de ensino. Acima, a proposta surgiu do conceito de Cartografia, na disciplina de Fundamentos Metodológicos de Geografia e História, na qual os alunos da graduação em Pedagogia fizeram todo o percurso teórico e a seguir o material, com foco na Educação Infantil. Além de trabalhar com diferentes linguagens, há a preocupação de trabalhar com a deficiência visual, auditiva e síndrome Down. O material foi elaborado com materiais que possibilitam sentir diferentes texturas e sons, que se relacionam entre si. Outra preocupação foi explorar e ampliar o repertório da criança na elaboração do material. A exploração dos elementos da sintaxe visual na elaboração de jogos e brinque- dos é também importante, tanto para o professor-aluno, quanto para as crianças. 15 UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência A alfabetização visual para as crianças com deficiência cria a possibilidade da co- municação e expressão além da verbal. A elaboração de materiais com os conceitos de Artes, produzidos com os mais variados materiais, cria a possibilidade de trabalho pela sinestesia. O material pode ser explorado com crianças autistas e com superdotação. A construção de jogos concretos amplia a apropriação do conhecimento, es- tabelecendo uma relação dialética. Crianças com discalculia, embora não tenham uma deficiência, podem ser beneficiadas para regredir no que se refere ao distúr- bio que possuem. A elaboração de jogos não se restringe à Educação Infantil e ao Ensino Fundamen- tal. No Ensino Superior, tem sido um recurso pedagógico muito explorado, visando resgatar as dificuldades de aprendizagem, nas mais variadas áreas do conhecimento. Releitura de obras de arte elaboradas com materiais diversos e tamanhos amplia- dos, apropriadas para trabalhar com crianças da Educação Infantil e com crianças com deficiência motora. Material adequado para que essas crianças montem suas cenas na Contação de História. Linha do tempo explorada por meio de jogos com miniaturas, a interação do mundo da criança com a experiência lúdica. Possibilidade de narrativa para alunos com problemas de verbalização. Para a aprendizagem da criança, independente de sua condição, a linguagem musical é um dos mais completos recursos a serem explorados. A boneca, a bola, a pipa, as miniaturas, são objetos que fazem parte da nossa cul- tura e do nosso imaginário, porém, devem ser adequados a cada criança ou situação, independentemente de sua condição econômica, social ou cognitiva. Figura 3 – Curso Pedagogia 2013 - Universidade Cruzeiro do Sul - Disciplina Jogos e Brinquedos Fonte: Acervo do conteudista Figura 4 – Curso Pedagogia- 2011 - Universidade Cruzeiro do Sul - Disciplina Fundamentos Metodológicos de Artes e Música Fonte: Acervo do conteudista 16 17 Figura 5 – Curso Pedagogia - 2009 - Universidade Cruzeiro do Sul - Disciplina Fundamentos Metodológicos de Artes e Música e Matemática Fonte: Acervo do conteudista Figura 6 – Curso Pedagogia - 2012 - Universidade Cruzeiro do Sul- Disciplina Fundamentos Metodológicos de Artes e Música - Obra O Beijo, de Romero Brito Fonte: Acervo do conteudista Figura 7 – Curso Pedagogia - 2006 - Universidade Cruzeiro do Sul - Disciplina Fundamentos Metodológicos de Artes e Música Fonte: Acervo do conteudista Figura 8 Fonte: Acervo do conteudista 17 UNIDADE O Brincar e a Criança com Deficiência Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Filmes Oitavo Dia Le Huitième Jour é um filme belga de 1996, dirigido por Jaco van Dormael. 1997 (Estados Unidos), Direção: Jaco Van Dormael, Duração: 118 minutos. Georges, com sua síndrome de Down, vive em um mundo distante e ilusório, visto apenas por seus olhos, sempre em pensamentos positivos, menos quando alguém rejeita o seu amor. Nesse momento, ele entra em crise e fica triste. Sua busca pelo amor é incansável e sua dor pela rejeição é tremenda. Essa busca é pelo amor de sua mãe e de várias mulheres que ele encontra no decorrer da narrativa, uma em especial, sua colega também com síndrome Down. O filme retrata muito bem como se podem tirar conclusões precipitadas no decorrer de uma cena e a reviravolta que a cena seguinte causa, mostrando o contrário. Um momento de reflexão para o público perceber os erros e preconceitos cometidos por essas conclusões. Mostra também como a vida pode ser simples e porque nunca se deve desistir. https://youtu.be/UddCQaylBHc 18 19 Referências BOULCH, J. Le. O DesenvolvimentoPsicomotor. Do nascimento até os 6 anos. A psicocinética na idade pré-escolar. Porto Alegre: Artmed, 2001. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fun- damental. Parâmetros curriculares Nacionais: Introdução. Brasília: MEC/SEF, 1997. V.1. ________. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fun- damental. Parâmetros curriculares Nacionais – Temas Transversais. Brasília: MEC/SEF, 1997. V. 6. BROUGERE, G. Brinquedo e Cultura. São Paulo: Cortez, 2004. FONSECA, Vitor da. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre: Artmed, 2010. KISHIMOTO, T. M. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo: Cortez, 2005. KISHIMOTO, T. M. O Brincar e suas Teorias. São Paulo: Pioneira, 2002. LEGARDA, María Del Carmen Ordóñez e MIKETTA, Alfredo Tinajero. Esti- mulação Precoce. Inteligência Emocional e Cognitiva. São Paulo: Grupo Cultural, 2012. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna , 2003. MAZZOTA, M. J. S. Atendimento Educacional aos Portadores de Deficiência; His- tória da educação especial no Brasil. In: Educação Especial no Brasil: História e Políticas Públicas. São Paulo: Cortez, 2001. WAJSKOP, Gisela. Brincar na Pré-Escola. Coleção: Questões da Nossa Época. São Paulo: Cortez, 1995. REGANHAN, W.G. BRACCIALLI, L.M.P. Percepção dos professores sobre a mo- dificação da prática pedagógica para o ensino do aluno deficiente inserido no ensi- no regular. In: MANZINI, E. J. Inclusão do aluno com deficiência na escola: os desafios continuam. Marília: Abpee, 2007. Sites visitados . Acesso em: 12/03/13. . Acesso em: 12/03/13. 19vem evo- luindo e mudando com o decorrer do tempo. É no final do século XV que, de fato, podemos observar alguma diferença no trato e no entendimento da infância. Como exemplo, podemos citar a instituição escolar. A princípio, o que existiam eram salas de aula, frequentadas, ao mesmo tempo, por alunos de todas as idades - crianças, jovens e adultos -, geralmente do gênero masculino. As salas continham muitos alunos e não havia uma distinção acentuada entre as classes sociais. A partir do século XVI, as crianças adquiriram o direto de estarem mais próximas de seus pais graças à pressão exercida pela sociedade em função da necessidade de cuidado com as crianças pequenas e de se desenvolver uma atitude social de afetivi- dade fraterna pelos filhos. Alguns importantes pensadores de século XVII e XVIII foram, particularmente, fundamentais para a mudança do conceito de infância, destacando o respeito à condição de ser criança e a valorização da brincadeira e dos jogos na educação das crianças pequenas. Pensadores que romperam com a educação tradicionalista proposta pelos jesuítas. A educação adquiria um caráter humanista, valorizando o que se pressupunha natural e sensorial na criança, mediante a utilização de jogos e materiais didáticos e uma pedagogia voltada para a criança. São eles: • Comenius: 1593 - 1670; • Rousseau: 1712 - 1778; • Pestalozzi: 1746 - 1827. Para saber mais a respeito desses pensadores, indicamos os artigos a seguir que podem am- pliar seu referencial teórico. Entre nos sites e leia os artigos da revista Nova Escola: • Comênio, o pai da didática moderna: http://bit.ly/2Upllbp • Jean-Jacques Rousseau, o filósofo da liberdade como valor supremo: http://bit.ly/2Ut0vYD • Pestalozzi, o teórico que incorporou o afeto à sala de aula: http://bit.ly/2UncOpj Ex pl or No entanto, quando falamos em jogos e brin- cadeiras na educação escolar, um nome, em espe- cial, deve ser lembrado: Froebel. Frederico Froebel é considerado um filósofo do período romântico; nasceu na Alemanha em 1782 e morreu 1852. Além de Filosofia, estu- dou Biologia, Matemática e Psicologia. Sua famí- lia pertencia à Igreja Luterana, o que influenciou fortemente sua obra e pensamento e também o individualismo burguês predominante no perío- do. Em sua teoria, o autor discute a relação entre o Homem, a Natureza e Deus. Acreditava que a educação, desde o nascimento, traria uma unida- de entre essas três forças. Figura 5 – Frederico Froebel 12 13 Veja o que Kishimoto (2002) diz sobre a união dessa tríade proposta por Froebel: Froebel mostra a unidade entre o homem, seu criador e a natureza, sua conexão interna, aponta como a educação pode garantir essa unidade, desde a infância por meio da natureza. Valoriza a individualidade do ser humano, que se completa na coletividade. Ao perceber a unidade ou con- tinuidade entre a infância, juventude e maturidade, verifica a necessidade de educar a criança desde que nasce para garantir o pleno desenvolvimen- to do ser humano. (KISHIMOTO, 2002, p. 60) Segundo Kishimoto, Froebel indica, como caminho do desenvolvimento humano, essa unidade, formada entre o ser humano, o seu criador e a natureza. Diferente das ideias medievais, esclarece o fato de que o desenvolvimento passa por diferentes es- tágios, como a infância, a adolescência e a vida adulta. Froebel valorizava a livre expressão através do jogo e da brincadeira na educação, apontando a relevância dessas duas atividades na vida pré-escolar da criança. Com esse pensar, ele criou a ideia de “Jardim de Infância”, (Kindergarten, em alemão), desenvol- vendo uma metodologia baseada nos dons e ocupações. Froebel conheceu e trabalhou com Pestalozzi, pedagogo suíço que revolucionou e humanizou nosso entendimento sobre o que seja infância. A partir das ideias de Pestalozzi, ele criou o Jardim de infância, um lugar onde a criança poderia conviver com outras e desenvolver-se de forma espontânea, tendo respeitada a sua condição de ser criança. Podemos considerar que o jardim de infância tenha sido a primeira proposta curricular escolar para a infância com um enfoque teórico-prático, trabalhando com tecelagem, desenho, pintura, recorte, colagem, entre outras atividades práticas. Dessa forma, foi concebida uma educação que promove a criatividade, a esponta- neidade e a autorrealização da criança. Froebel, para desenvolver sua proposta pedagógica, criou os Dons, que são ma- teriais, como bola, cubo, varetas, anéis etc., que permitem atividades denominadas Ocupações. Essa proposta tem os jogos e as brincadeiras como eixo da pedagogia. Veja a relação dos dons: Tabela 1 – Relação dos dons 1. seis bolas de borracha, cobertas de tecidos de várias cores; 2. esfera, cubo e cilindro de madeira; 3. cubo dividido em oito cubinhos; 4. cubo dividido em oito partes oblongas; 5. cubo dividido em metade ou quartas partes; 6. cubo consistindo em partes oblongas, duplamente divididas; 7. tabuazinhas quadradas e triangulares para compor figuras; 8. varinhas para traçar figuras; 9. anéis e meio anéis para compor figuras; 10. material para desenho; 11. material para picar; 12. material para alinhavo; 13. material para recortes de papel e combinação; 14. papel para tecelagem; 15. varetas para entrelaçamentos; 16. réguas com dobradiças – (goniógrafo); 17. fitas para entrelaçamento; 18. material para dobradura; 19. material para construção com ervilhas; 20. material para modelagem. 13 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Veja os exemplos de Dons: Figura 6 A pessoa que iria cuidar das crianças e educá-las Froebel denominou de Jardineira, a qual seria responsável pelo desenvolvimento das atividades do Jardim da Infância. A teoria de Froebel indicava que as Jardineiras criariam momentos pedagógicos di- rigidos, com base nos dons, e deixariam momentos livres em que a criança poderia escolher de qual jogo ou brincadeira gostaria de participar naquele momento. Assim a criança se desenvolveria de forma autônoma. Certamente, as ideias de Froebel deram início a um novo entendimento sobre os jogos e as brincadeiras aplicadas e desenvolvidas no ambiente escolar infantil. Para saber mais sobre a vida e a obra de Froebel, visite o site da revista Nova Escola, onde você encontrará quatro textos: 1- O formador das crianças pequenas; 2- Treino de habilidades; 3- Educação espontânea; 4 Biografia e contexto histórico. Disponível em: http://bit.ly/2UrHFkk Ex pl or Na contemporaneidade, os jogos e brincadeiras são vistos como fundamentais para o processo de ensino e aprendizagem das crianças. A resistência inicial dos educadores a incluírem esses tipos de atividades no currículo escolar foi se desfa- zendo com o tempo e a nova prática foi ganhando espaço no âmbito educacional. Veja como o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) trata a questão: Os jogos, as brincadeiras, a dança e as práticas esportivas revelam, por seu lado, a cultura corporal de cada grupo social, constituindo-se em ati- vidades privilegiadas nas quais o movimento é aprendido e significado. (BRASIL, 1998, p.20) 14 15 Para a criança, os momentos de jogos e brincadeiras são ricos para a sua aprendi- zagem e desenvolvimento, além de serem momentos de expressividade das crianças; são momentos que, segundo o RCNEI, revelam uma cultura corporal por influência do grupo social em que a criança está inserida. O documento ainda ressalta a importância do jogo na escola, principalmente em relação ao estabelecimento de regras. As instituições devem assegurar e valorizar, em seu cotidiano, jogos motores e brin- cadeiras que contemplem a progressiva coordenação dos movimentos e o equilíbrio das crianças. Os jogos motores de regras trazem também a oportunidade de aprendi- zagens sociais, pois, ao jogar, as crianças aprendem a competir, a colaborar umas com as outras, a combinar e a respeitar regras (BRASIL, 1998, p. 35). No documento, é claro o incentivo à apropriação dos jogos e das brincadeiraspela escola, inicialmente, tendo em vista o desenvolvimento físico da criança e, em seguida, pelo fato de esta descobrir a existência de regras estabelecidas e aprender a respeitá-las. Esse aprendizado, de estabelecer e respeitar as regras, se levado para além dos muros da escola, contribuirá para que a criança aprenda, também, a viver em uma sociedade democrática e cidadã. Finalizamos esta breve história dos jogos e brincadeiras e de sua inserção na es- cola, sugerindo que você observe o quadro síntese a seguir, que retrata a visão dos jogos e brincadeiras em diferentes épocas: Jogos e Brincadeiras Na Antiguidade, eram importantes na educação. Momento de relaxamento necessário às atividades físicas e mentais. No Romantismo, o Jogo apareceu com conduta típica e espontânea da criança. Apresentava a criança com sua natureza “boa”, que se expressa espontanea- mente através do jogo. Na Idade Média, o jogo era visto como “não sério” e era relacionado a jogos de azar. No Renascimento, a brincadeira passou a ser vista como “conduta livre”, que desenvolve a inteligência e facilita o estudo. O “Lúdico” substituiu as formas mais tradicionais de aprendizagem (casti- gos, palmatórias). Figura 7 15 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras A Criança e a Cultura Lúdica A dimensão lúdica do homem, que prevê o jogo, deve ser considerada para que se tenha um melhor entendimento do ser humano. Huizinga (1996) entende que o jogo é uma categoria primária da vida, surgindo antes da cultura, que se desenvolve com o próprio jogo. Huizinga (1996) conceitua o jogo da seguinte forma: Parece-nos que essa noção poderá ser razoavelmente bem definida nos seguintes termos: o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da “vida quotidiana”. Assim definida, a noção parece capaz de abranger tudo aquilo a que chamamos “jogo” entre os animais, as crianças e os adultos: jogos de força e de des- treza, jogos de sorte, de adivinhação, exibições de todo o gênero. Pareceu- -nos que a categoria de jogo fosse suscetível de ser considerada um dos elementos espirituais básicos da vida. (HUIZINGA, 1996, p. 24) O autor entende que a existência do jogo é inegável na vida humana, um elemen- to básico da vida; demostra que há vários gêneros de jogos e que somos capazes de diferenciar entre uma situação de jogo e a vida real. Reconhece, também, a cultura como possuidora de um caráter lúdico. O jogo adquire uma função significante na vida humana, inclusive o caráter de competição que os jogos apresentam. Para aprofundar o conceito de Homo Ludens sugerimos o livro de Johan Huizinga: Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. O livro é uma importante referência para com- preendermos a relação entre o homem e o jogo do ponto de vista histórico e cultural. Ex pl or A partir dos jogos e brincadeiras, o homem cria uma cultura lúdica. Gilles Brougère, autor francês, propicia-nos interessantes ideias sobre essa manifestação cultural, contri- buindo para entendermos melhor esse conceito: A cultura lúdica é, então, composta de um certo número de esquemas que permitem iniciar a brincadeira, já que se trata de produzir uma reali- dade diferente daquela da vida quotidiana: [...] A cultura lúdica compreende evidentemente estruturas de jogo que não se limitam às de jogos com regras. [...] Mas a cultura lúdica compreende o que se poderia chamar de esquemas de brincadeiras, para distingui-los das regras stricto sensu. Trata-se de regras vagas, de estruturas gerais e imprecisas que permitem organizar jogos de imitação ou de ficção. [...] (BROUGÈRE, 1998, s/p.) 16 17 Segundo Brougère (1998), a cultura lúdica também se estabelece com as brin- cadeiras ou jogos de faz-de-conta. Essas brincadeiras, como diz o autor, são porta- doras de “regras vagas”. Nesse sentido, muitas brincadeiras e jogos não possuem regras claras, tornado, assim, uma regra maleável, que pode ser modificada ou retirada da ação de brincar por intencionalidade da criança. A cultura lúdica torna-se uma referência para o brincar. O brincar parte da reali- dade imediata da criança, que pressupõe os brinquedos que estão ao seu alcance ou qualquer objeto que possa ser ressignificado (uma caixa vazia pode se transformar em um carrinho, por exemplo) e as suas referências vindas da cultura lúdica (tipos diferentes de brincadeira, determinadas pelo tempo histórico e o espaço geográfico em que a criança se insere). A criança irá, então, misturar em suas brincadeiras a realidade e a fantasia. O autor lembra que é brincando que a criança constrói sua cultura lúdica; são as suas experiências lúdicas, iniciadas pelas primeiras brincadeiras do bebê, que irão constituir esse universo cultural lúdico. E mergulhada nesse universo, a criança constitui e é constituída por essa cultura através de suas brincadeiras e jogos. Na Escola Também se Brinca Sendo uma agência socializadora e promotora de cultura, a escola pode ser tam- bém entendida como lugar privilegiado para a criança aprender a brincar e a jogar. Não nascemos sabendo brincar, as brincadeiras e jogos são aprendidos com os me- diadores desses conhecimentos. Nesse sentido, a brincadeira pode ter um fim em si mesmo ou, ainda, ser um instrumento prazeroso de aprendizagem. Dos 4 aos 5 anos, a criança estará, teoricamente, na modalidade da Educação Infantil; essa é uma idade rica para o aprendizado. Nesse período, as crianças estão desenvolvendo o autocontrole das emoções. Diante de situações de medo, como, por exemplo, gritos, medo de ficar sozinha no escuro, entre outros, que são fruto de uma insegurança própria da idade, a escola pode e deve trabalhar essas questões. Todavia esse é, também, um período em que os pequenos gostam de mostrar o que sabem fazer, suas conquistas vindas das superações dos desafios que se apre- sentam em seu cotidiano; é uma fase de curiosidades e descobertas; é quando eles experimentam o prazer de brincar junto com outros indivíduos, crianças ou adultos. Como construtora de conhecimentos, a escola pode trabalhar muitos conteúdos a partir de jogos e brincadeiras infantis. Recursos como contar e ouvir histórias, par- ticipar de jogos de regras, dançar, dramatizar, desenhar, entre outras proposições pedagógicas, constituem recursos prazerosos de aprendizagem e desenvolvimento físico, cognitivo e afetivo dos aprendizes. 17 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Há muitos benefícios nas atividades lúdicas, tanto pela dimensão da diversão e prazer, como um fim em si mesmo, quanto pela dimensão da aprendizagem, como recurso pedagógico. Através dos jogos e brincadeiras, desenvolvemos inúmeras habilidades; também vivenciamos o ambiente e a cultura em que estamos inseridos. É jogando e brincando que as crianças incorporam e/ou questionam as regras e os papéis sociais que são a ela apresentados. A brincadeira e o jogo devem ocupar um lugar de destaque na prática pedagógica; a sala de aula deve torna-se um lugar privilegiado para desenvolver as atividades lúdicas e a escola, espaço de prazer e de boas lembranças quando a criança se tornar adulta. Porém há um mito no interior da escola que precisa ser desfeito. A brincadeira e a aprendizagem, em muitos casos, são consideradas processos com finalidades bastan- te diferentes e que não podem coexistir em um mesmo espaço e tempo. Muitas vezes, a criança, na escola, é impossibilitada de conhecer e desenvolver sua corporeidade, passando horas imobilizadas em uma carteira escolar, e o brincar, quando acontece, restringe-se aos intervalos entre as aulas, e não sendo aceito durante as aulas. A formação dos educadores dos anos iniciais deve discutir mais cuidadosamente o brincar e os jogos. É importanteque o professor tenha um repertório maior de brincadeiras para serem trabalhadas em aula. As crianças gostam de brincar com adultos; são ótimas referências, por exemplo, para o esclarecimento e aprendi- zagem de regras, para apresentar novas brincadeiras e jogos. O professor, como mediador de brincadeiras, é fundamental; mediar oportuniza o brincar juntos. Brin- car juntos acentua os laços afetivos; a participação do educador na brincadeira faz crescer o nível de interesse da criança pela brincadeira. Compreender e interpretar o fazer lúdico da criança é importante. Nesse sentido, a formação do educador deve prestigiar essa área do conhecimento, para que esses profissionais possam se apropriar dos jogos e das brincadeiras, a fim de utilizá-los na construção do aprendizado da criança. E assim, finalizamos a unidade I. Esperamos que tenha gostado e tenha constru- ído novos conhecimentos a partir da que foi proposto. Agora refazemos e ressignificamos a pergunta inicial, caso a resposta a ela tenha sido negativa: E amanhã, você irá brincar? 18 19 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros A ludicidade na educação: Uma atitude pedagógica RAU, Maria Cristina Trois Dorneles. A ludicidade na educação: Uma atitude pedagógica. Editora: Ibpex, 2011. Série: Dimensões da Educação. O livro traz importantes informações, conceitos e práticas para a utilização do lúdico nas aulas da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental. 19 UNIDADE Breve História dos Jogos e Brincadeiras Referências BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Funda- mental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília: MEC/SEF, 1998. 3v.: il. BROUGÈRE G. A criança e a cultura lúdica. Rev. Fac. Educ. [online]. 1998, vol. 24, n.2, pp. 103-116. ISSN 0102-2555. Disponível em: . Acesso em: 20/03/2013. HUIZINGA, Johan, Homo Ludens: O Jogo Como Elemento da Cultura. São Paulo: Perspectiva, 1996. KISHIMOTO, T. M. O brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 2002. 20 Educação - Jogos e Brincadeiras Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.a Me. Silvana Silva Buchini Bomtorin Revisão Textual: Prof.a Esp. Vera Lídia de Sá Cicaroni Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores • Introdução; • Um Olhar para Cultura; • Estimulação das Áreas do Conhecimento - Jogando, Brincando com ou Sem Brinquedo; • Os Tipos de Jogos, Brinquedos e Brincadeiras e as Áreas de Estimulação do Conhecimento; • A Evolução da Imagem do Corpo dos 3 aos 6 Anos; • O Educador e a Criança - Um Jogo de Aprendizagem Recíproca. • Abordar o tema como recursos de intervenção pedagógica voltada para o desenvolvimento humano, especialmente para a maturação cerebral e funções, processos cognitivos básicos. OBJETIVO DE APRENDIZADO Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Contextualização Para o momento de contextualização, sugerimos que assista a um trecho ou, se possível, à integra do filme A guerra do fogo. Observe o desenvolvimento sensó- rio-motor e a importância das brincadeiras para a evolução humana. A Guerra do fogo (Trailer): https://youtu.be/gZ0Uvjo4B2M Ex pl or Faça uma reflexão crítica. 8 9 Introdução Nesta unidade, faremos uma reflexão para compreender as brincadeiras, brin- quedos e jogos sensoriais e motores como recursos de intervenção pedagógica voltada para o desenvolvimento humano, especialmente para a maturação cerebral e funções, processos cognitivos básicos. A infância é a fase mais importante da vida, na qual ocorrem várias descobertas em relação ao mundo que, para a criança, é desconhecido. Desde que está sendo gerado, o bebê, ao tomar consciência de cada parte de seu corpo em desenvolvi- mento no ventre da mãe, inicia a exploração sinestésica, ou seja, explora a vida pelos sentidos, pelo olfato, tato, paladar, audição e visão. O jogo de sensações produzidas por seu corpo em desenvolvimento, pelo cor- po da mãe e por algumas percepções externas torna-se a primeira brincadeira da criança, segundo Piaget brincadeira semiótica (1995), que, ao nascer e reconhecer esses mesmos estímulos, encontra, ainda, um desafio maior, já que passa a ser um ser social, independente da sociedade da qual possa vir a fazer parte. Mauss afirma: Portanto, são mais que temas, mais que elementos de instituições, mais que instituições complexas, mais que sistemas de instituições, divididos, por exemplo, em religião, direito, economia etc. São “todos”, sistemas sociais inteiros cujo funcionamento tentamos descrever. Vimos socieda- des no estado dinâmico ou fisiológico. Não as estudamos como se esti- véssemos imóveis, num estado estático ou cadavérico, e muito menos as decompusemos e dissecamos em regras de direito, em mito sem valores e preços. Foi considerando o conjunto que pudemos perceber o essencial, o movimento do todo, o aspecto vivo, o instante fugaz em que a sociedade toma, em que os homens tomam consciência sentimental de si mesmos e de sua situação frente a outrem. Há, nessa observação concreta da vida social, o meio de descobrir fatos novos que apenas começamos a entrever. Em nossa opinião a mais urgente e frutífera do que esse estudo dos fatos sociais. (MAUSS,1999, p.310) Para o autor Le Boulch, baseado nas teorias de Piaget, a educação pscicomotora pode contribuir para estes dois campos funcionais: assimilação e acomodação. A assimilação é a integração do exterior às estruturas próprias do sujeito. A acomodação é a transformação das estruturas próprias em função das variáveis do meio exterior. O que nós chamamos de ajustamento é o aspec- to que toma a acomodação logo que dá resposta motora às solicitações do meio. A organização perceptiva representa um dos aspectos do processo de assimilação quando se dá a tomada de informação a partir dos receptores sensoriais. (LE BOULCH, 2001, p.28) 9 UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Para Le Boulch (2001), a criança, unicamente pela sua bagagem hereditáriae pelas suas características de reação com o mundo - e depois na adolescência, é de- pendente do meio humano em que a natureza a tenha colocado. Desde o nascimento, a criança vai adquirindo conhecimentos sobre o mundo através de suas próprias ações realizadas e, assim, constrói, aos poucos, sua personalidade por meio das relações sociais com o mundo ao seu redor. Dessa forma, as atividades psicomotoras devem ser utilizadas desde os anos iniciais. Assim podemos perceber que, mes- mo antes do nascimento, a criança já está sendo influenciada pela cultura. Um Olhar para Cultura O conceito de cultura tem sido um dos objetos de estudo das mais diferentes áreas do conhecimento. Recorrendo ao conceito criado por Tylor, no século XIX: A cultura ou civilização, num sentido etnográfico alargado, é aquele tudo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e quaisquer outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem enquanto membro da sociedade. (TYLOR, 1975, p. 29) Ainda, o mesmo autor divide cultura entre cultura não material - crenças. normas e valores - e cultura material - tecnologia (TYLOR, 1975). Como podemos perceber, o jogo, o brinquedo e a brincadeira, para a criança, muito dependerão da relação que a mãe tem com seu corpo, com a gestação, a amamentação, o acolhimento do parceiro ou parceira e do grau de hierarquização que ela terá na educação da criança na sociedade em que vive, portanto do ethos a que ambas pertencem. Segundo Geertz: Os símbolos sagrados funcionam para sintetizar o ethos de um povo, as formas, o caráter e a qualidade de sua vida, seu estilo e disposições morais e estéticas, sua visão de mundo, o quadro que fazem, do que são, suas ideias mais abrangentes sobre a ordem. (GEERTZ, 1989) Você, que está buscando se aprofundar no processo pedagógico, deve ampliar sua reflexão sobre cultura, criar o hábito de investigar o ambiente e o público com o qual irá trabalhar, assim como investigar qual a relação que você tem com a cultura da qual faz parte e, neste caso, qual o conceito que você tem sobre jogo, brinqwuedo e brin- cadeira. A mesma brincadeira ou brinquedo recebe os mais variados nomes, depen- dendo da região que pesquisamos, porém os fundamentos básicos são os mesmos. Figura 1 Fonte: Getty Images 10 11 As crianças apresentam um desenvolvimento que nos possibilita investigar e pes- quisar o aspecto sensório-motor nas mais diferentes culturas, como aponta Rabuske: Todos os homens têm a mesma natureza, tanto na dimensão espiritual quanto na dimensão corporal. Não há raça superior; pelo menos não há evidência biológica que pudesse fornecer uma razão para o preconceito racial (2008, p.56). No Brasil, com uma cultura repleta de tantas facetas e ethos, de um sincretismo pouco entendido, de uma moral e pensamento ainda submetidos à eugenia de uma educação do medo, do domínio do pecado, ainda é muito complicado trabalhar com o ato de brincar, com a brincadeira e com o jogo, resquícios da história, como vimos na anteriormente. Hoje em dia, quantas vezes ainda escutamos a frase: “cabeça vazia oficina do diabo”?! Ex pl or O desenvolvimento global da criança, portanto, dependerá das experiências nas mais diferentes áreas do conhecimento que di- zem respeito ao ser humano e que abrangem os aspectos: motor, físico, intelectual, sensorial, perceptivo, psicológico e da linguagem. Como podemos perceber, na imagem a seguir, a criança transfere para os objetos o afeto que recebe e, nele, se aconchega. Nas próximas unida- des, nos aprofundaremos mais nes- sas questões. As descobertas positivas interferem na evolução psicomotora da criança. A aco- modação do comportamento, de maneira significativa, fará com que ela tenha mais confiança em si mesma e explore o mundo ao seu redor. Assim, aos 3 anos, a criança manifesta um bem-estar motor global, per- mitindo-lhe explodir na atividade sensório-motora. Este desempenho ga- rante-lhe uma certa influência sobre o meio. Esta intuição motora eficaz encontrar-se-á em outro nível, quando possa programar uma resposta a partir de uma representação mental e não reagindo a uma situação de forma espontânea, ou seja, ela deverá escolher a forma de agir. (LE BOULCH, 2001, p.102) Figura 2 Fonte: Getty Images 11 UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Dessa forma, a criança necessita de um ambiente acolhedor; a princípio, da família ou grupo que a espera e que, nem sempre, é a que temos como idealiza- ção nos modelos em que fomos culturalmente criados. Se revisitarmos a história da humanidade, poderemos verificar que a família não se desestruturou, mas que, dependendo do rumo da própria história, elabora outras estruturas. Assim se reorganiza, cria e recria outros valores e, como vimos, como em um jogo semiótico, cria outros signos, símbolos e significados. Estimulação das Áreas do Conhecimento – Jogando, Brincando com ou Sem Brinquedo Para que a criança possa desenvolver- se integralmente na área do conhecimento, como pesquisadores precisarão ter um pensamento interdisciplinar, ou seja, olhar a mesma criança nas mais possibilidades em que ela virá adquirir esse mesmo conheci- mento, entre eles a: a inteligência, a linguagem, o sensorial, o sócio-motor, o perceptivo e a coordenação motora. O pesquisador precisará ter um pensamento interdisciplinar, ou seja, olhar a mesma criança nas mais diversas possibilidades que ela terá de adquirir um mesmo conhecimento e as quais envolvem a inteligência, a linguagem, os aspec- tos sensorial, sócio-motor, perceptivo e a coordenação motora para que ela possa se desenvolver integralmente na área do conhecimento (LEGARDA e MIKETTA, 2012). Legarta e Mikketa (2012), classificam a partir de estudos de Piaget, Le Boulch, as áreas socioafetivas, de linguagem, cognitiva e motora. A partir do nascimento, a criança, até o primeiro ano de vida, fará suas maio- res descobertas sensório-motoras e iniciará o controle dos movimentos voluntários, por meio de estímulos visuais e auditivos, aguçando sua memória e desenvolvendo, nesse sentido, suas habilidades de mo- tricidade ampla, ou seja, posturais, no que se refere ao esforço para utilizar a bipedia e, em seguida, a locomoção, e também a motricidade fina, isto é, a uti- lização das mãos. Para isso é necessário que as destrezas céfalo-cauldal e próxi- mo-distal amadureçam e se fortaleçam (Legarda e Miketta, 2012). A resolu- ção de problemas trará, em seguida, a apropriação da linguagem verbal (oral e escrita) no que se refere às habilidades cognitivas e socioafetivas; habilidades e competências cada vez mais aprimora- das pela percepção. Figura 3 Fonte: Getty Images 12 13 Os Tipos de Jogos, Brinquedos e Brincadeiras e as Áreas de Estimulação do Conhecimento A atividade pedagógica e os jogos, brinquedos e brincadeiras estão ligados, como pudemos perceber. De acordo com Kishimoto (2009), o brinquedo difere do jogo, isso porque o brinquedo supõe uma relação com a criança e uma determinação quanto ao uso, ou seja, a ausência de regras que organizam sua utilização; Conforme o tempo passa, a criança toma conhecimento de si por meio de diver- sos ajustes que irão transformá-la num ser completo intelectual, social e moralmente. O conhecimento é internalizado de dentro para fora, ou seja, a criança expressa seu senso prévio das coisas para o meio transformar. Categorias de Brincadeiras Kishimoto (2009) destaca algumas categorias de brincadeiras: • Brincadeiras tradicionais infantis, brincadeiras de cooperação e brincadeiras de construção; • Brincadeiras tradicionais infantis, brincadeiras de faz-de-conta e brincadeiras de construção; • Brincadeiras populares, brincadeiras de cooperação e brincadeiras de construção; • Brincadeiras regionais infantis, brincadeiras de cooperação e brincadeiras de construção; • Brincadeiras tradicionais infantis, brincadeiras de emancipação e brincadeiras de construção. Ao analisarmos ascategorias de brincadeiras na educação, podemos observar que, segundo a autora, elas buscam investigar a construção cognitiva da criança ou o desenvolvimento global. Tipos de Brinquedo e Brincadeira A criatividade facilita a comunicação e a livre expressão. Ser criativo auxilia a canalizar tensões, conflitos e ansiedades; equilibra a relação consigo mesmo e com os demais, além de fortalecer o autoconceito, reforçando positivamente a imagem corporal de si e do outro. Para Kishimoto (2009), não basta apenas ressaltar al- gumas modalidades de brincadeiras presentes na educação infantil, mas é preciso também pesquisar seu uso com fins pedagógicos e a relevância desse instrumento para situações complexas de ensino e aprendizagem e do desenvolvimento infantil. Segundo a mesma autora, na estimulação das áreas do conhecimento, o brinquedo permite uma ação intencional, construção de representações mentais e sensório-moto- ras (KISHIMOTO, 2009). 13 UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Ainda a mesma autora define as categorias de brincadeiras (KISHIMOTO,2009. p.38,39 e 40): • Brincadeiras tradicionais infantis; • Brincadeiras de faz-de-conta; • Brincadeiras de construção. Na fase dos 3 aos 6 anos de idade, o desenvolvi- mento motor deve ser estimulado de forma natural, ou seja, livre de pressões, por meio de jogos e expressão livre (LE BOULCH, 2001). Se isso não ocorrer, o indivíduo terá dificuldades de convívio e relacionamento com as outras pessoas e, por con- sequência, terá problemas em relação ao seu cará- ter. Podemos perceber, portanto, a necessidade do desenvolvimento sensório-cognitivo da criança, por meio da construção das categorias de brincadeira a que se refere Kishimoto e da utilização. Segundo Le Boulch: Uma das características principais de gestos, movimentos e atitudes da criança de escola maternal é sua espontaneidade e naturalidade. Toda manifestação contrária, inibição, rigidez, tensões desnecessárias, inco- ordenação, arritmia, sincinesias, são expressões de dificuldades que a criança apresenta na organização de sua personalidade. (LE BOULCH, 2001, p.88) O bem-estar corporal, que adquiriu em etapas anteriores, permite à criança ser mais confiante e chegar a um objetivo determinado sem dificuldades. Para pros- seguir com seu desenvolvimento, ela depende do afeto e de que as experiências vivenciadas com sucesso sejam reconhecidas pelo adulto. As situações do cotidiano, como alimentar-se, escovar os dentes após as refeições e vestir-se, ajudam a melhorar a coordenação motora da criança e tornam-na mais independente, isto é, capaz de fazer as coisas sozinhas e de cuidar de si mesma. A Evolução da Imagem do Corpo dos 3 aos 6 Anos A criança começa a ter noção de seu próprio corpo através da imagem de ou- tras pessoas, como, por exemplo, a de sua mãe. Ela cria imagens e possibilidades de interagir com as outras pessoas a partir da percepção e da visão que tem de si mesma, o que anteriormente só era possível por meio das atividades motoras. Figura 4 Fonte: Getty Images 14 15 “Introjetando a imagem de outra pessoa e, em primeiro lugar, a imagem do corpo materno é que a criança adquire o conhecimento de seu ‘corpo próprio’ ”. (LE BOULCH, 2001, p.96) A partir dos 3 anos, a criança desenvolve a sua personalidade e aprende que a sua personalidade é diferente da dos outros indivíduos. Seu objetivo principal será o de defini-la como própria, porque é um ser que possui identidade e características diferentes no que se refere a aspectos físicos e sociais. A tendência agora não é mais de assimilar os sentimentos e atitudes de outra pessoa, mas, sim, de preferência, de opor-se para afirmar sua per- sonalidade nascente. ( LE BOULCH, 2001, p.97) Quando a criança consegue definir a sua personalidade, ela passa a ser menos egocêntrica em relação ao outro e também ao mundo que a cerca, ou seja, deixa de ser alguém centrado no seu próprio eu e adquire maturidade para lidar com suas frustrações de maneira saudável. Colocando-se sucessivamente como pessoa ativa e como companheiro, bus- cará ensaiar os dois aspectos complementares necessários à constituição de um Ego equilibrado. (LE BOULCH, 2001, p.97) A atitude narcisista da criança ocorre, na maioria das vezes, pelo fato de ela não se sentir aceita ou não ser reconhecida pelos adultos. Em primeiro lugar, deve-se ter um diálogo com ela e fazê-la sentir que é importante e que faz parte de um todo, ou seja, está integrada no coletivo. A necessidade de reconhecer-se e se fazer reconhecer vai, às vezes, ser substituída por aquela de ser aprovado e apreciado, e as reações de gentileza vão invadir os comportamentos da criança. Em outro mo- mento, as exigências e os caprichos serão para ela os meios de ex- pressar os sentimentos de independência através dos quais ela quer afirmar-se. (LE BOULCH, 2001, p.97) A criança apresenta-se, muitas vezes, egocêntrica e sente a necessidade de ser ouvida e reconhecida pelo adulto, por isso expressa-se através de gestos e atitudes que satisfaçam seus desejos de acordo com suas conveniências. Isso desperta a ausência de necessidade de explicar aquilo que diz por ter certeza de que é compre- endida. Os jogos e brincadeiras são importantes e imprescindíveis na construção das relações da criança com a sociedade, com a família e com ela mesma. Segundo Vânia Dohme, há quatro propriedades do jogo: 1) É livre, não está ligado à noção de dever; obrigatoriedade. 2) É uma evasão da vida real para uma atividade temporária com orien- tação própria. Tem uma finalidade autônoma e se realiza tendo em vista uma satisfação que consiste nessa própria realização. 15 UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores 3) Tem uma limitação de tempo e de espaço e é jogado até o fim dentro desses limites. 4) Tem regras próprias, o que significa uma ordem rígida. (2003,p.16) O jogo é uma maneira pela qual a criança aprende as regras e raciocina de forma lógica por meio da concentração, recriando um novo conceito ou reafirmando o conceito já concebido. Esse conceito será percebido no seu modo de se relacionar tanto com as pessoas como com seu corpo, sua postura, suas escolhas futuras, seu modo de se vestir e de enfrentar a vida. Nas práticas pedagógicas que envolvem o desenvolvimento da psicomotricidade, muitas vezes, a criança poderá apresentar expressões de afetividade, com ensejo de demonstrar seus desejos simbolicamente e as diversas maneiras de se relacionar com o mundo, e também poderá apresentar agressividade, se suas opiniões não forem percebidas e nem ouvidas. Para Vasconcelos (2003), podemos classificar os jogos em: • Jogos ou atividades artísticas: » Envolvem competências artísticas: » Artes plásticas: recorte e colagem, desenho, pintura, dobraduras entre outros; » Teatro: jogos dramáticos, fantoches, teatro de sombras entre outros; » Música: canto, instrumentos de sucata, coral entre outros. • Jogos expressivos: » Envolvem competências corporais: mímica, dança e expressão corporal, entre outros. • Jogos de sensibilidade: » Envolvem competências ligadas à sensibilidade: relaxamento, jogos de aguçamento dos sentidos entre outros. • Jogos recreativos e brincadeiras: » Jogos individuais ou em grupo que fazem parte de nosso cotidiano: Brincadeiras de roda, pega-pega, amarelinha, entre outros. • Jogos desportivos: » Jogos individuais ou coletivos: futebol, queimada, vôlei, basquete entre outros. Ao transitar da fase egocêntrica para a formal, a criança passa a desenvolver sua própria identidade; manifesta seus interesses, que partem do mundo concreto para o abstrato; consegue realizar novas ações com a ajuda dos adultos, o que estimulará o raciocínio lógico e seu senso crítico; e começa mostrar suas preferências, por isso seria importante que ela pudesse conhecer um repertório de atividades. 16 17 Dessa forma, a infância, para ter garantida sua elaboração de autonomia, deveria teroutro direito além do não-trabalho, para que, assim, pudesse, por meio de ati- vidades bem trabalhadas e vivendo um bem-estar geral, desenvolver seus aspectos físicos, psicológicos e sociais de forma adequada. Portanto, através das atividades psicomotoras e da união das habilidades de correr e andar, falar, ter noções musicais, a criança adquire atenção e concentração, desen- volve a lateralidade e o equilíbrio e supera suas limitações. A partir dos 5 aos 7 anos, as crianças podem praticar exercícios relacionados a atividades global, como, por exemplo, atividades de percepção e de tomada de consciência do próprio corpo (LE BOULCH, 2001). O Educador e a Criança - Um Jogo de Aprendizagem Recíproca Como vimos, trabalhar com jogos, brinquedos e brincadeiras na educação é muito mais que aplicar regras e conhecer as fases do desenvolvimento da criança. É conhecer cultura, diferentes culturas, subculturas; é revisitar valores e estabelecer novos conceitos. Não devemos esquecer que mais que por palavras, ensinamos pelos gestos, pelo olhar. A criança observa a intervenção de quem a estimula e percebe a sutileza do afastamento do adulto no momento da acomodação dos conflitos. A escolha dos materiais e brinquedos também deve ser pensada seguindo o Projeto Pedagógico da Escola e esses materiais devem ser apresentados com clareza para os pais. O espaço físico, o arquitetônico, o entorno da escola e o público que a escola pretende atender deve estar sempre em pauta nas discus- sões pedagógicas. A criança precisa poder interagir com os brinquedos e com as brin- cadeiras; não pode ser um mero expectador de um mundo fantásti- co cujos objetos, muitas vezes, não pode tocar nem passar tempo su- ficiente com eles para explorá-los, desmontá-los e, quem sabe, dar-lhes outra forma. Figura 5 Fonte: Getty Images 17 UNIDADE Brincadeiras, Jogos Sensoriais e Motores Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Estimulação Precoce. Inteligência Emocional e Cognitiva LEGARDA, María Del Carmen Ordóñez; MIKETTA, Alfredo Tinajero. Estimulação Precoce. Inteligência Emocional e Cognitiva. Grupo Cultural, 2012. Jogos de Todo o Mundo. Mais de 100 jogos individuais e de grupo RIPOLL, Oriol; CURTO, Rosa María. Jogos de Todo o Mundo. Mais de 100 jogos individuais e de grupo. São Paulo: Ciranda Cultural, 2012. Filmes As Aventuras de PI Sugerimos que você assista ao filme As Aventuras de Pi. É um drama-aventura, dirigido por Ang Lee, com Surai Sama, Irrfan Khan, Adil Hussainmais. Quando se preparar para assistir ao filme, faça como criança quando não conhece a brincadeira: olhe os detalhes, não perca nada, não faça pré-julgamentos e não perca nenhum elemento do jogo. https://youtu.be/dF-MF4pk3mM 18 19 Referências DOHME, Vânia. Atividades Lúdicas na Educação. O caminho de tijolos amarelos do aprendizado. 4ª edição. Editora: Vozes, Petrópolis, 2003. FREITAS, Marcos Cezar de (Org.). História social da infância no Brasil. 3ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2001. GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro, 1989. LE BOULCH, J. O Desenvolvimento Psicomotor. Do nascimento até os 6 anos. A psicocinética na idade pré-escolar. 7ª edição. 2ª reimpressão. Editora: Arimed. 2001. LEGARDA, María Del Carmen Ordóñez; MIKETTA, Alfredo Tinajero. Estimula- ção Precoce. Inteligência Emocional e Cognitiva. São Paulo: Grupo Cultural.2012. MAUSS , M. Sociologia e antropologia. São Paulo, Cosac&Naify [edição france- sa: Mauss , M. (1999), Sociologie e anthropologie. 8 ed. Paris, PUF], 2003. TYLOR, E. B. (1975, or. 1871): “La ciencia de la cultura”, In: KAHN, J.S. (comp.): El concepto de cultura: textos fundamentales. Barcelona: Anagrama, pp. 29-46. KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a Educação. São Paulo: CORTEZ, 2009. KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O Jogo e a Educação Infantil. Série A Pré – Escola Brasileira. 1ª edição. Editora: Pioneira, 1994. RIPOLL, Oriol; CURTO, Rosa María. Jogos de Todo o Mundo. Mais de 100 jogos individuais e de grupo. São Paulo: Ciranda Cultural, 2012. VASCONCELOS, Paulo A.C. O jogo e Piaget. São Paulo: Suplegraf, 2003. 19 Educação - Jogos e Brincadeiras Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Silvana Silva Buchini Bomtorin Revisão Textual: Prof. Me. Claudio Brites Brincadeiras e Jogos Simbólicos • Introdução; • Percepção da Imagem do Corpo; • Grafismo e Imagem do Corpo; • Fusão da Imagem Visual e das Sensações Táteis e Cinestésicas; • Brincadeiras Lúdicas. • Analisar o desenvolvimento da compreensão da constituição do imaginário e da subjetivida- de humana por meio de jogos, brinquedos e brincadeiras, predominantemente, simbólicas; • Fazer a correlação entre: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras; • Analisar a estrutura imaginária da brincadeira infantil, segundo Wajskop (1995); • Fazer a investigação do processo do brincar da criança, analisando sua consciência em relação à realidade e sua intenção de transformá-la, a partir da imaginação que vai além de seu comportamento diário. OBJETIVOS DE APRENDIZADO Brincadeiras e Jogos Simbólicos Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Brincadeiras e Jogos Simbólicos Contextualização Para o momento de contextualização, sugerimos o filme O pequeno príncipe (Direção: Stanley Donen. Roteiro: Alan Jay Lerner. Ano de Produção: 1974). Você pode encontrar esse material em várias versões, inclusive versão dublada no YouTube. O Pequeno Principe, veja o trailer: http://bit.ly/2UsdOZ4 Ex pl or Observe o desenvolvimento das habilidades imaginativas e a importância do processo simbólico para a evolução Humana. Faça uma reflexão crítica. Bons estudos e reflexões! 8 9 Introdução Nesta Unidade, analisaremos o desenvolvimento da compreensão da consti- tuição do imaginário e da subjetividade humana por meio de jogos, brinquedos e brincadeiras, predominantemente, simbólicas. A análise sobre a estrutura imaginária da brincadeira infantil para Henriot (apud WAJSKOP, 1995) remete-nos a observar uma situação organizada, na qual a criança faz escolhas constantes, através de diferentes simbologias que traz aosdesenvolvimento. A fidelidade com a qual se pode apreciar o nível real da representação vi- sual que a criança tem de seu corpo através do desenho da figura humana está limitada pela defasagem entre a representação mental e o grafismo. (LE BOULCH, 2001, p. 100) 13 UNIDADE Brincadeiras e Jogos Simbólicos Figura 5 – Estágios do desenho do corpo Fonte: Fonseca, 2010 BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâ- metros curriculares Nacionais. v. 6. Brasília, DF: MEC/SEF, 1997. Leia a Introdução, p. 19.Ex pl or Fusão da Imagem Visual e das Sensações Táteis e Cinestésicas A criança adquire noção da imagem de seu corpo através dos sentidos. Por exemplo, em sua higiene diária, ela tem a possibilidade de cuidar de si e começa a se conhecer e ter autonomia. Essa experiência deve ser reconhecida pelo adulto e o mesmo deve estimular o indivíduo para que ele tenha bons hábitos. O banho representa um momento privilegiado no sentido de favorecer a experiência perceptiva do corpo, a utilização do espelho permite associar as informações visuais ás informações táteis e cinestésicas. As outras ati- vidades da vida cotidiana: vestir-se, rabiscar, abrir uma porta, atirar uma bola, rolar no chão, rastejar, manipular um objeto, representam tantas outras situações favoráveis. Faz falta que o adulto se interesse pelos êxitos das tarefas da criança e a incite a prestar atenção sobre aquilo que ela sente durante a execução da atividade. (LE BOULCH, 2001, p.102) 14 15 A hora do banho é o momento em que a criança se realiza através de ações espontâneas que propor- cionam prazer e autonomia para que ela conheça seu próprio corpo e suas limitações. Isso lhe traz mais confiança para que seja uma pessoa indepen- dente e ativa em diferentes situações da vida. As consequências positivas em relação à evolu- ção psicomotora da criança são que a mesma con- seguirá ter uma coordenação motora bem desenvol- vida e isso influenciará no seu comportamento de maneira significativa, porque fará com que ela tenha mais confiança em si mesma e explore o mundo ao seu redor. Assim aos 3 anos, a criança manifesta um bem-estar motor global, permi- tindo-lhe explodir na atividade sensório-motora. Este desempenho garante- -lhe certa influência sobre o meio. Esta intuição motora eficaz encontrar-se- -á em outro nível, quando possa programar uma resposta a partir de uma representação mental e não reagindo a uma situação de forma espontânea, ou seja, ela deverá escolher a forma de agir. (LE BOULCH, 2001, p. 102) Quando a criança é estimulada através de atividades bem trabalhadas, ela ganha um bem-estar geral a partir do qual desenvolverá seus aspectos físicos, psicológicos e sociais de forma adequada. Portanto, é através das atividades psicomotoras que a criança adquire atenção e concentração com a união das habilidades de correr e andar, falar, ter noções mu- sicais, desenvolvendo ainda a lateralidade e o equilíbrio, superando suas limitações. A partir dos 5 aos 7 anos, as crianças podem praticar exercícios relacionados a atividades globais como, por exemplo, atividades de percepção e de tomada de consciência do próprio corpo. Também pode-se trabalhar a partir dos sentidos: tato, audição, visão; componentes essenciais para um bom desenvolvimento psicomotor. Desde os 5 aos 7 anos, a criança integra progressivamente seu corpo, adquirindo consciência do seu corpo, “corpo próprio”, com possibilidade ulterior de representação mental e de transformação de si em relação à outra pessoa. Nesta etapa podem ser propostos, junto aos exercícios de atividade global, exercícios de percepção e de tomada de consciência do “próprio corpo”, feitos com verbalização. Nesse estágio, a associação dos dados sinestésicos aos dados de outros sensoriais (tátil, visual e sonoro) é fundamental. Um aspecto da associação do campo sonoro a outros cam- pos de perceptivos está representado pela associação do símbolo verbal a outras sensações do “próprio corpo”. (LE BOULCH,1992, p. 162) Figura 6 Fonte: Acervo do conteudista 15 UNIDADE Brincadeiras e Jogos Simbólicos É importante respeitar o ritmo da criança porque cada indivíduo tem suas ne- cessidades, especificidades e potencialidades que precisam ser analisadas como um todo. Isso contribui para que ele tenha um desenvolvimento satisfatório. A atividade psicomotora não tem por objetivo fazer a criança adquirir os ritmos, senão favorecer a expressão de sua motricidade natural, cuja característica essencial é a ritimicidade. (LE BOULCH, 1992, p. 181) O esquema do nosso corpo é dinâmico, aprendemos a descobri-lo através dos movimentos, do contato com o meio externo e o retorno que vem desde saber quem somos e como somos. Para Piaget (2004, p. 26), “é importante que o corpo esteja integrado com as demais áreas do conhecimento. O corpo vai ocupar um lugar de destaque em suas brincadeiras através do movimento”. Quando a criança nasce, sua primeira expressão é corporal, porém, a mesma se comunica por gestos, pois ainda não consegue expressar verbalmente. Só irá adquirir essa habilidade com o passar do tempo, os primeiros sinais vêm através de gritos. As operações sensório-motoras e a atenção são partes integradas do com- portamento. A fala certamente irá introduzir mudanças significativas na forma com que a criança se relacionará com as outras funções sensoriais. A criança começa a perceber o mundo que a cerca através da voz, tam- bém. Anteriormente o seu único instrumento eram os olhos. Por meio da palavra a criança pode se expressar e, é importante percebermos que, mesmo usado a linguagem verbal as vazes não consegue exprimir o que deseja; aí ela experimenta o uso da linguagem gestual, facilitando a sua comunicação. A fala, a linguagem segundo Vygotsky, “é a parte essencial do desenvolvimento conjuntivo da criança”. (VYGOTSKY, 1991, p. 37 apud LE BOULCH, 1992, p. 32) O desenvolvimento da fala da criança deve ocorrer naturalmente sem pressões sobre a forma correta de falar, porque nessa fase ela continuará a falar errado mesmo que os outros a corrijam. O desempenho da linguagem verbal da criança só ocorrerá se ela estiver à língua. Para que ela fale corretamente, é necessário que os outros também falem e evitem igualar sua fala à dela. Ao brincar, jogar, imitar e criar ritmos e movimentos, as crianças também se apropriam do repertório da cultura corporal na qual estão inseridas. Brincadeiras Lúdicas Entre os mecanismos que devem permear a educação por meio das brincadeiras lúdicas, temos o incentivo, a sociabilidade e a afetividade. Outros aspectos como no- ções de tempo e espaço, classificação e seriação podem ser trabalhados também. Algumas dessas brincadeiras têm sido exploradas há muito tempo com as crianças, sendo algumas delas: • Pega-pega; • Esconde-esconde; • Cabra Cega; • Gato Mia; • Queimada; • Pular Corda. 16 17 Outro aspecto a ser observado é a relação que a criança tem com o brinquedo. Nos contatos múltiplos e com a diversificação de brinquedos, a criança passa por várias experiências, tais como: sentimentos de posse, desejos, negociações, desco- bertas, relações afetivas e explorações; efetivando o contexto do imaginário. Segundo Brougère (2008), os principais aspectos e conceitos que devem ser observados e trabalhados nessas relações são: • A imaginação: a imaginação varia de acordo com a idade, a situação e o sexo da criança, se apoiando em história reais e irreais; • O toque: ao tocar em um brinquedo, a criança desenvolve sentimentos e a sua capacidade lúdica, permitindo assim manipular os códigos culturais e sociais; • A falta de referência dos pais na vida da criança pode ser muito significativa; • A socialização da criança vai acontecer através do objeto, mas ela não está totalmente condicio- nada ao brinquedo e sim à sua imaginação, que se considera ser o mais importante; O brinquedo, mesmo sendo um objeto, é uma grande fonte cultural, traz à criançaPsicomotor. Do nascimento até os 6 anos. A psicocinética na idade pré-escolar. Porto Alegre: Artmed, 2001. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fun- damental. Parâmetros curriculares Nacionais: Introdução. 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