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NEGÓCIOS JURÍDICOS ANULÁVEIS Parte II LESÃO – artigo 157, CC É o negócio defeituoso em que uma das partes, abusando da inexperiência da outra, obtém vantagem manifestamente proporcional ao proveito resultante da prestação, ou exageradamente exorbitante dentro da normalidade. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. § 1 o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. § 2 o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. Victor Realce Victor Realce A caracterização da lesão é efetivada pela desproporção das prestações. A lesão traduz um prejuízo decorrente da desproporção entre as prestações do NJ, em virtude do abuso da necessidade ou inexperiência de uma das partes. A aplicação deste instituto é difícil dada a situação de ser constante a “desproporção” das prestações nos vários contratos que são diariamente celebrados, além do conceito de “premente necessidade” ser genérico. JUSTIFICATIVA DO INSTITUTO: Proteção da parte contratante que se encontra em estado de inferioridade, em razão do prejuízo sofrido na conclusão do contrato, devido à desproporção existente entre as prestações das duas partes. Enunciado 149 CJF/STJ e Enunciado 291 da IV Jornada de Direito Civil – preservar o contrato e não anular ELEMENTOS OBJETIVO: Desproporção das prestações a gerar uma onerosidade excessiva, um prejuízo a uma das partes (Art. 157, §1 CC) ELEMENTO SUBJETIVO: A premente necessidade ou inexperiência que decorrem da falta de paridade (igualdade) entre as partes LESÃO LESÃO O desequilíbrio entre as prestações deve ser manifesto, não se qualificando a lesão a partir do simples lucro, ainda que elevado, de uma das partes, ou seja, MAL NEGÓCIO, ARREPENDIMENTO POSTERIOR, LUCRO ALTO DA OUTRA PARTE, FALTA DE ATENÇÃO NA CONTRATAÇÃO NÃO CAUSAM, POR SI SÓ, A ANULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO O que se coíbe é a desproporção exagerada entre as prestações. O código civil deixou de traçar parâmetros (nem seria “capaz” de fazer), ficando a matéria reservada à apreciação judicial em face dos valores praticados no mercado para hipóteses semelhantes. Enunciado 290 do CJF: “A lesão acarretará a anulação do negócio jurídico quando verificada, na formação deste, a desproporção manifesta entre as prestações assumidas pelas partes, não se presumindo a premente necessidade ou a inexperiência do lesado” Victor Realce LESÃO Premente necessidade (necessidade contratual, não necessariamente ligada a necessidade de salvar vida, tal qual ocorre no estado de perigo): Conceito genérico e que dependerá de apreciação ao caso concreto. É a necessidade contratual, isto é, necessidade de realização do negócio, não se identifica com o estado de perigo. Pode envolver a questão penúria, miserabilidade financeira, mas não depende do poder econômico, mas sim na extrema urgência em contratar Ex.: O lesado paga um preço exorbitante pelo fornecimento de água em razão de seca, Sujeito compra gasolina por valor extremamente incompatível, LESÃO - JURISPRUDÊNCIA Ap Civel - 1093706-21.2017.8.26.0100 Ação anulatória (...) Prova oral que não teria o condão de comprovar a arguição de ausência de capacidade pelo estado de saúde agravado do contratante, na medida em que, para tanto, era necessária prova documental específica, que inexiste nos autos – Demais elementos de prova produzidos que comprovam sua plena capacidade, tanto que se manteve à frente das empresas apelantes, gerindo-as e administrando-as até seu óbito, o que também é corroborado pela outorga de procurações por sua esposa e filha, sem revogação – Oitiva de testemunhas que também não alteraria o deslinde da causa no que tange aos serviços prestados – Depoimento pessoal que também seria inócuo – (...) ANULATÓRIA DE CONTRATOS e EMBARGOS À EXECUÇÃO – Mérito – Prestação de serviços advocatícios – Arguição de vício de lesão nas contratações (art. 157/CC) – Ações julgadas improcedentes – Insurgência – Descabimento – Lesão não configurada – Ausência de incapacidade ou inexperiência por parte do contratante em decorrência de sua idade avançada ou de suas condições de saúde, bem como de premente necessidade de contratar ou de desproporção nas contraprestações – Contratos que foram livremente firmados por quem sempre esteve à frente da administração da empresa SOMA até o óbito, em valores condizentes com o vulto dos riscos bilionários envolvidos e que foram devidamente cumpridos pelos apelados, com resultados favoráveis às apelantes, devendo prevalecer a vontade livremente manifestada – Sentença de improcedência de ambas as ações mantida – Efeito suspensivo excepcional inicialmente concedido que fica agora revogado, com determinação de que a ação executiva retome seu andamento - Honorários recursais devidos e elevados em 3% (três por cento) em relação à ação anulatória, a teor do contido no art. 85, §11, CPC, inviável aumento em relação aos embargos, cuja verba honorária é somada àquela fixada na execução – Recurso desprovido.* ESTADO DE PERIGO – Artigo 156, CC No estado de perigo, a pessoa encontra-se premida por circunstâncias criadas fora do negócio jurídico. Não nascem essas circunstâncias da vontade das partes, mas de estado de necessidade, que provoca a realização do contrato em excessiva desvantagem a um dos contratantes. Uma das partes tira vantagens despropositadas da extrema necessidade da outra. O estado de perigo é, assim, uma espécie do estado de necessidade (art. 24, Código Penal – pratica o fato para salvar de perigo atual, que não foi provocado por sua vontade. Ex. - bem jurídico é eliminado - a vida do feto - para salvar outro - a vida da gestante - que se encontra em situação de risco), de sentido mais amplo. Pelo estado de necessidade, por exemplo, pode uma pessoa negar auxílio a outra, em um incêndio, para salvar a própria vida. “Configura-se o estado de perigo quando o agente, ante uma situação de perigo de dano, conhecida pela outra parte, emite declaração de vontade, assumindo obrigação excessivamente onerosa.” (Pablo Stolze) “A situação de extrema necessidade que conduz uma pessoa a celebrar negócio jurídico em que assume obrigação desproporcional e excessiva” (Carlos Roberto Gonçalves) ESTADO DE PERIGO- art. 156, CC Victor Realce Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias. ESTADO DE PERIGO Victor Realce Exemplos - Pessoas bastante doente e com grave risco de vida, concorda com o pagamento de altos honorários exigidos pelo cirurgião, Mãe que promete toda fortuna para salvar a vida do filho, O pai realiza um negócio jurídico desproporcional, apenas para pagar o resgate e, assim, salvar o filho. Sujeito efetua o pagamento de valores desproporcionais ao veterinário para salvar a vida de seu cachorro. “Um cavalo, um cavalo, meu reino por um cavalo!” Gritava Ricardo III, perambulando já derrotado, pelo campo de batalha de Bosworth. (William Shakespeare) Etc. ESTADO DE PERIGO Elemento Objetivo - é a condição onerosa, desproporcional do negócio. Assunção de obrigação excessivamente onerosa, o que deve ser analisado no caso concreto, já que em regra, não existe tabelamento de preços em nosso país. Portanto, cada profissional liberal, hospital particular, etc., possuem a liberdade de cobrar. Elemento subjetivo - Exigido pelo Código Civil tanto em relação à vítima como em relação à parte que se beneficia do negócio jurídico. Em relação à vítima, o elemento subjetivo caracteriza-sepela situação de inferioridade em que se encontra a vítima, qualificada pela necessidade de salvar-se de grave dano. Em relação à outra parte (beneficiário), o elemento subjetivo caracteriza-se pelo estado de consciência quanto à ameaça que paira sobre o declarante “grave dano conhecido da outra parte” (dolo de aproveitamento). ESTADO DE PERIGO – elementos Victor Realce CIVIL E ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO COMUM – INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO - INTERNAÇÃO EM HOSPITAL DA REDE PRIVADA – ESTADO DE PERIGO NÃO CARACTERIZADO – VÍCIO DE CONSENTIMENTO NÃO CONFIGURADO – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – DIREITO À SAÚDE – PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS – VAGA EM LEITO HOSPITALAR – ESGOTAMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE – DEMORA NA DISPONIBILIZAÇÃO DE VAGA – OMISSÃO OU FALHA DO SERVIÇO – AUSÊNCIA – DEVER DE INDENIZAR INEXISTENTE. 1. Pretensão à declaração de inexistência de débito. Paciente levado a atendimento em hospital da rede privada. Internação após agravamento de quadro clínico durante consulta médica. Celebração de contrato para prestação de serviços médico- hospitalares. Atendimento de urgência ou emergência e requerimento de vaga em hospital da rede pública de saúde. Demora na disponibilização de vaga em decorrência do esgotamento do sistema de saúde durante os picos da pandemia do novo coronavírus (COVID-19). 2. Contrato celebrado entre as partes que é válido e eficaz, ausente demonstração de vício de consentimento. Ainda que inegável a emoção do momento, é consciente a opção de celebrar contrato de que resulta sacrifício patrimonial extremo na tentativa de salvar a vida de ente querido. "O estado de perigo pressupõe a onerosidade excessiva e o dolo de aproveitamento que, se não provados, inviabilizam a anulação do negócio jurídico" (AgRg no AREsp 672.493/DF, Segunda Turma, rel. Min. Herman Benjamin, j. 07/05/2015). 3. Não questionada a necessidade dos serviços prestado, ou demonstrado que o preço cobrado está acima da média daqueles que são usualmente praticados no mercado, o sacrifício patrimonial extremo por si só não basta para a caracterização do estado de perigo. Exigibilidade da dívida. 4. Responsabilidade civil do Estado. Imputação de conduta omissiva. Exame da exigibilidade da conduta estatal, invocada como causa do dano, que deve ser feito tendo em vista as reais possibilidades de se exigir o cumprimento de um dever por parte do Poder Público, laborando com a concepção de proporcionalidade, de diligência e de prudência. Crise sanitária, de gravidade e proporcionalidade inéditas no país e no mundo. Da imprevisibilidade e inevitabilidade da pandemia advém a inexigibilidade de conduta diversa que rompe o nexo causal entre a alegada omissão da Administração e o dano. Ausência de prova de falha no gerenciamento da crise sanitária. Dever de indenizar inexistente. Pedidos improcedentes. Sentença mantida. Pedidos improcedentes. Recurso desprovido (Ap. cível nº 1012046-55.2020.8.26.0405 , TJSP) JURISPRUDÊNCIA - CONTRÁRIA A APLICAÇÃO AÇÃO DE COBRANÇA DE DESPESAS HOSPITALARES. Sentença de improcedência dos pedidos e procedência parcial dos pedidos formulados na reconvenção. Apelação de ambas as partes. Ré que na condição de cuidadora encaminhou seu empregador ao hospital mais próximo de sua residência e assinou termo de responsabilidade. Vício do consentimento. Estado de perigo. Art. 156 do CC. Não há dúvidas de que a ré estava premida pela necessidade de salvar seu empregador de grave dano, qual seja, a morte, residindo a onerosidade excessiva na impossibilidade de pagamento da internação diante de suas condições financeiras, tendo se responsabilizado por obrigação de terceiro que não lhe era razoável e possivelmente não assumiria, caso houvesse uma manifestação de vontade livre e desembaraçada. Inexigibilidade da dívida. Precedente deste E. Tribunal de Justiça. Danos morais não caracterizados. Honorários de advogado majorados. Sentença reformada. RECURSO DO AUTOR NÃO PROVIDO. RECURSO DA RÉ PROVIDO EM PARTE(Ap. cível nº 1011516-02.2019.8.26.0562, tj/sp) JURISPRUDÊNCIA - FAVORÁVEL A APLICAÇÃO jornada de Direito Civil III - Conselho de Justiça Federal , em 2004, foi aprovado o enunciado: Enunciado n.148 “Ao estado de perigo aplica-se por analogia, o §2° do art. 157” Trata-se do reflexo do princípio de conservação dos negócios jurídicos, que estimula sua preservação sempre que seja possível salvá-lo do vício. PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO CELEBRADO EM ESTADO DE PERIGO FRAUDE CONTRA CREDORES – arts. 158 ao 165, CC – vício social A fraude contra credores é um vício social. É praticada com o intuito de prejudicar os credores quirografários ou ainda os que possuem alguma espécie de garantia, quando esta é insuficiente diante do negócio praticado pelo devedor. “Cuida-se de uma atuação maliciosa do devedor que em estado de insolvência ou na iminência de assim tornar-se, dispõe de maneira gratuita ou onerosa o seu patrimônio, para afastar a possibilidade de responderem os seus bens por obrigações assumidas em momento anterior à transmissão”. “É qualquer ato praticado pelo devedor já insolvente ou por esse ato levado à insolvência com prejuízo de seus credores”. “Há fraude contra credores, quando o devedor insolvente, ou na iminência de tornar-se tal, pratica atos suscetíveis de diminuir seu patrimônio, reduzindo, desse modo, a garantia que este representa, para resgate de suas dívidas” FRAUDE CONTRA CREDORES Victor Realce Fraude em geral: A fraude é um vício de muitas faces, podendo ocorrer em vários campos do direito e na vida social. Em suma, a fraude pode ser conceituada como todo artifício malicioso que uma pessoa emprega com a intenção de transgredir o direito ou prejudicar interesses de terceiros. (má-fé e dolo) Fraude contra credores: O tema fraude compreende um dos princípios gerais do direito: Viver honestamente. O dever de conduta leal é essencial para o equilíbrio das relações sociais, além de agir segundo a boa- fé objetiva nos termos do artigo 422 do CC. A garantia dos credores para o recebimento de seus créditos reside exclusivamente no patrimônio do devedor (princípio da responsabilidade patrimonial) É princípio basilar do ordenamento, desde os tempos em que o devedor parou de responder com seu próprio corpo por suas dívidas. Caso o credor não tenha qualquer tipo de garantia real, privilegiada, como por exemplo, uma hipoteca, contará com a garantia genérica consistente na totalidade dos bens do devedor. Em regra, o devedor tem plena possibilidade de praticar quaisquer atos com os seus bens (venda, doação, renúncia, comodato, dar em garantias a terceiros), desde que não coloque em choque a garantia dos seus credores, a partir do momento em que as dívidas do devedor superam seus ativos, os atos de alienação podem ser anulados. FRAUDE CONTRA CREDORES Victor Realce Victor Realce Neste sentido, o patrimônio do devedor pode ser colocado em risco, isto é, frustrar as garantias da totalidade de credores a partir do momento em que realiza, por exemplo: a) alienação gratuita de bens (doação) – artigo 158, CC b) alienação onerosa de bens (venda) – artigo 159, CC c) remissão de dívidas (perdão) - artigo 158, CC d) renúncia à herança – artigo 158, CC e) privilégio concedido a determinado credor, em detrimento dos demais - art. 163, CC f) dentre outros meios que são capazes de diminuir a garantia do credor. O direito tenta defender os interesses dos credores prejudicados, dando-lhes oportunidade de coibir a prática destes artifícios (arts. 158 a 165). Isto porque, devemos ter em mente que o patrimônio do devedor responde por suas dívidas, e esse patrimônio possui ativo e passivo. Se o passivo supera o ativo, ao diminuir seus bens esta alienando bens que pertencem mais propriamente a seus credores. FRAUDE CONTRA CREDORES Victor Realce 1) Anterioridade do crédito: Para que haja possibilidade do credor anular o negócio jurídico, é necessário que seu crédito seja constituídoantes da realização do negócio tido como fraudulento (Art. 158, § 2 do CC), ou seja, a dívida tem que estar vencida e não paga, em via de regra. 2) Prejudicialidade do ato (evento danoso) É a insolvência do devedor. É o efetivo prejuízo (ato prejudicial ao credor). Sem o prejuízo não existe legítimo interesse na propositura da ação, uma vez que o devedor tem plena liberdade de alienar seus bens, em decorrência do direito de propriedade que lhe é assegurado, ou seja, se possui uma dívida de 300 mil e imóveis no valor total de 3 milhões, em tese, os atos não seriam fraudulentos, pois possui capacidade patrimonial para arcar com o pagamento da obrigação. 3) Consilium fraudis: A má-fé do devedor, a consciência, a intenção de prejudicar terceiros do devedor ou do devedor aliado a terceiro. ATENÇÃO!!!!!!!!! A aplicabilidade deste requisito, não é mais necessária no CC de 2002, pois não se exige a a ciência da fraude para anulação do negócio, pois mesmo que o devedor ignore tal situação o fato de reduzir a garantia será causa para anulação do ato, conforme artigo 158. OU seja, não poderá alegar em juízo “eu não sabia Exa.,” se lesou o credor com a venda ou a doação, o ato poderá ser anulado, independentemente do seu estado de consciência. FRAUDE CONTRA CREDORES- REQUISITOS Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Realce a) Atos de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida (art. 158) – doações, renúncia a herança, renúncia a usufruto, POR EXEMPLO O estado de insolvência é objetivo (existe ou não), independentemente do conhecimento ou não do insolvente. Nesta hipótese não se cogita saber se houve entre o doador e o donatário o conluio fraudulento, pois a lei presume a existência do propósito de fraude. O ato é anulável porque o devedor esta doando coisa que indiretamente pertence aos seus credores. Mesmo se o donatário estiver do boa-fé, o ato será anulado, já que não teve contraprestação, ou seja, pagamento de preço. + FÁCIL PARA CONSEGUIR A ANULAÇÃO Ex – é MUITO comum os pais realizarem doações de bens aos filhos menores, visando, justamente, evitar que os imóveis sejam penhorados para pagamento das obrigações anteriormente ajustadas. Vejam que nesta hipótese, o filho sequer tem consciência de que está recebendo um imóvel em doação, portanto, não há necessidade de prova do conluio fraudulento, como destacado no slide anterior (VIDE ATENÇÃO) HIPÓTESES LEGAIS b) Atos de transmissão onerosa (art. 159) – VENDA, POR EXEMPLO + difícil de anular. O panorama é completamente diferente, uma vez que entra em conflito dois interesses legitimamente respeitáveis: A do credor do alienante (vendedor) e a do adquirente de boa-fé (comprador). Lembre-se, que o cobertor é curto, pois ao decidir a questão, o juiz terá que optar por anular o negócio (prejudicando assim o comprador) ou não anular o negócio (prejudicando assim o credor do vendedor) Em regra, entre esses dois interesses, prevalece o do adquirente de boa-fé que vai ser preferido em detrimento dos credores. Assim, se o adquirente ignorava a insolvência, nem podia em diligência ordinária, descobrir, vale o negócio efetuado. Por isso que o CC exige, além da insolvência, o conhecimento dessa situação pelo adquirente, qual seja, o consilium fraudis HIPÓTESES LEGAIS Victor Realce Victor Realce b) Atos de transmissão onerosa (art. 159) – VENDA, POR EXEMPLO + difícil de anular. Art. 159. Serão igualmente anuláveis os contratos onerosos (compra e venda, por exemplo) do devedor insolvente, quando a insolvência for notória, ou houver motivo para ser conhecida do outro contratante. Insolvência notória ? Existência de títulos de crédito protestados, diversas execuções em face do devedor, SERASA cheio de apontamento, CPF suspenso, enfim, trata-se de uma INSOLVÊNCIA COM PUBLICIDADE A TERCEIROS!!!!! Motivos para ser conhecida da do outro contratante? São presunções que decorrem de circunstâncias que envolvem o negócio, como por exemplo, o parentesco, afinidade entre o devedor e terceiro (amante), a venda por preço vil (quando a esmola é demais, o santo desconfia), alienação de todos os bens, etc. Art. 160 – a fraude não esta ultimada, já que o preço total não foi pago. Deve ser levada em consideração o “preço justo”. HIPÓTESES LEGAIS Victor Realce Victor Realce c) Pagamento antecipado da dívida – artigo 162, CC O ordenamento jurídico pretende estabelecer no concurso de crédito a maior igualdade possível entre os credores quirografários, pois o patrimônio do devedor é garantia comum de todos. Se o devedor saldo débitos vincendos, comporta-se de maneira anormal, o que demonstra o seu propósito fraudulento. Esta regra não se aplica aos credores privilegiados (credores hipotecários, por exemplo), uma vez que seu direito é assegurado em virtude da garantia especial que é titular. d) Concessão fraudulenta de garantias (art. 163, CC) As garantias estipuladas são as reais (hipoteca ou penhor), ficando a coisa dada em garantia sujeita por um vínculo real ao cumprimento da obrigação. A concessão de garantia feita pelo devedor insolvente a um dos credores, representa ameaça ao direito dos outros, porque a coisa em garantia sai, de certo modo, do seu patrimônio. O que se anula é a garantia, ficando o crédito intacto, isto é, retornando ao status de credor quirografário. (Art. 165, parágrafo único) HIPÓTESES LEGAIS Atos de transmissão onerosa (art. 159) – VENDA, POR EXEMPLO + difícil de anular. É a ação por do qual o negócio jurídico será anulado. É a ação pela qual os credores impugnam os atos fraudulentos de seu devedor. A legitimidade ativa será somente dos credores quirografários que já o eram ao tempo do referido ato. Os credores de garantia real tem direito de sequela, possibilitando a penhora dos bens dados em garantia na mão de quem quer que os detenha. ART. 161 – Legitimidade passiva AÇÃO PAULIANA OU REVOCATÓRIA