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SIMULACAO SIMULAÇÃO (Artigo 167) Simular é fingir, mascarar, camuflar, esconder a realidade. É a prática de ato ou negócio que esconde a real intenção. A intenção dos simuladores é encoberta mediante disfarce, parecendo externamente negócio que não é espelhado pela vontade dos contraentes. (SSV). A simulação é configurada quando existe divergência intencional entre a vontade e a declaração, emanada do acordo entre os contratantes, com o intuito de enganar terceiros. A simulação ocorre quando as partes celebram um NJ com a finalidade de lesar terceiros. Ex.: Imagina que “A” resolve se separar de “B”. “A” possui um patrimônio considerável e, visando, lesar sua esposa, finge ter uma dívida com seu amigo “C”, por meio de uma confissão de dívida ou uma nota promissória. A maior finalidade é a fabricação de uma dívida inexistente para que “A” esvazie seu patrimônio e, assim, não partilhe nada com sua ex-esposa. 2 pessoas de comum acordo, intencionalmente, praticam um negócio jurídico falso, com a finalidade de iludir uma terceira pessoa. Tem um componente diferente dos defeitos do negócio jurídico: Na simulação as partes declaram algo diferente do verdadeiro querer, de forma intencional, pois elas querem prejudicar terceiros. - declaração enganosa da vontade Ato NULO (2002 – deficiência mais grave, norma de interesse público) Ato anulável (1916 – menos grave, interesse particulares) Clovis B. – “A declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado” “Simulação é uma declaração falsa, enganosa, da vontade, visando aparentar negócio diverso do efetivamente desejado” (CRG) - Divergência intencional entre o declarado (declaração) e o pretendido (vontade) (pretende-se realmente aquilo que se passa no interior das consciências, mas expressando algo diferente) - Ato jurídico aparente (aparece, porém não entrou no mundo jurídico) - produto de conluio entre os contratantes, visando obter efeito diverso daquele que o negócio aparenta conferir; - desconformidade consciente da declaração; - Objetivo enganar terceiros ou fraudar a lei - declaração enganosa da vontade - Há conluio, um acerto entre os contratantes para aparência exterior do negócio - pretende atingir através do negócio um outro dissimulado - No erro o declarante tem representação errônea da realidade. No dolo, o erro é induzido por outrem. Na coação, a violência conduz a vontade. VÁRIOS SÃO OS EXEMPLOS: - a redução do preço no contrato de compra e venda de um imóvel, com a finalidade de diminuição do valor do Imposto de Transmissão; - aposição de data anterior ou posterior à real em contratos e títulos de crédito, seja para transparecer que não pertencia o imóvel ao vendedor quando da penhora, seja para fugir ao prazo da prescrição; - as compras e vendas ou doações por interposta pessoa, como no caso de venda a descendentes (antecipação de legítima); - a venda simulada de um imóvel com o objetivo de justificar uma ação de despejo; - a venda fictícia de bens para fugir de expropriações em execuções de dívidas; - a doação de bens para amante, sob a forma de venda; - a colocação de um preço superior na venda de um imóvel alugado para impedir que o locatário exerça seu direito de preferência - alienação forjada de patrimônio para fugir ao pagamento de meação na separação judicial - a emissão de cambiais ou instrumento particular de confissão de dívida a pessoas amigas com a finalidade de execução e, frustar a execução de outras dívidas; CARACTERÍSTICAS DA SIMULAÇÃO a. Acordo simulatório É a declaração bilateral de vontade, tratada com a outra parte, com a finalidade de lesar terceiro ou fraudar a lei. Portanto, tem no contrato seu campo natural, porém pode ocorrer também nos negócios unilaterais (raro), desde que se verifique ajuste simulatório entre o declarante e a pessoa que suporta os efeitos do negócio, como destinatário da declaração. (ex.: promessa de recompensa, mas na verdade é doação em favor de estranho) b. Não corresponde à intenção das partes, as quais disfarçam seu pensamento. O declarante mostra um fim jurídico, porém quer encobertar uma intenção diversa. As partes, maliciosamente, disfarçam seu pensamento, apresentado sob aparência irreal ou fictícia. (art. 167) c. É feita no sentido de iludir terceiro ou fraudar a lei Todos os participantes do negócio jurídico devem estar em concerto prévio, no sentido de ser emitida declaração de vontade em desacordo com a vontade interna. Os ajustes aparentam ser positivos e certos, mas formam negócios jurídicos fantasiosos, imaginários, não queridos pelos interessados. Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Nota art 167 Elementos da simulação 1. Intencionalidade da divergência entre a vontade interna e a declarada 2. Intuito de enganar 3. Conluio entre os contratantes ESPÉCIES DE SIMULAÇÃO ABSOLUTA: Duas pessoas de comum acordo, praticam um negócio jurídico falso, quando na realidade as partes não gostariam de praticar qualquer negócio. Ex.: “A” é inquilina de “B”. “B” não pode exercer o direito de despejo, uma vez que há um prazo para tanto. “B” simula que vendeu o imóvel para um terceiro, para que este exerça a ação de despejo em face da inquilina. (venda rompe a locação) Se verifica quando a declaração de vontade exprime aparentemente um negócio jurídico, mas as partes não efetuam negócio algum. Na absoluta as partes não realizam nenhum negócio. Apenas fingem para criar uma aparência, uma ilusão externa, sem que, na verdade desejem o ato. É absoluta pois a declaração de vontade se destina a não produzir resultado (Ex.: dívidas fictícias, obrigações contraídas na véspera de um divórcio para desfalcar o patrimônio, emissão de títulos de crédito em favor de amigos e posterior pagamento por dação, falta confissão de dívida, com concessão de garantia real, para se esquivar dos quirografários) Fingiu, simulou.. RELATIVA: ou dissimulação. Tem maior carga de complexidade. 2 NJ’s: aparente (simulado) e o oculto (dissimulado) Para escondê-lo, realizam outro negócio. O tem por objetivo encobrir outro de natureza diversa (dissimulado). As partes pretendem realizar determinado negócio, prejudicial a terceiro ou em fraude à lei. Para escondê-lo, realizam outro negócio. Há dois negócios: um deles é o simulado, aparente, destinado a enganar o outro é o dissimulado, oculto, mas verdadeiramente desejado. O negócio aparente, simulado, serve apenas para ocultar a efetiva intenção dos contratantes, ou seja, o negócio real. Ex.: doação a um amigo, quando na realidade quero doar para minha amante. Ex.: Tenho a titularidade com mais três irmãos de um bem em condomínio. O código exige, em caso de compra e venda, o direito de preferencia dos demais condôminos. Caso não tenha interesse em efetuar a venda, simulo que efetuei a doação para um terceiro (504). Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Realce Victor Realce (Ex.: doação a amante, mascarada na forma de venda (art. 1643, V e 550); doação a um descendente – adiantamento de legítima – instrumenta-se negócio jurídico com roupagem de compra e venda. O negócio dissimulado não será nulo, pois o ordenamento jurídico não veda o adiantamento da legítima – art. 544 e 2003) Na simulação procura-se aparentar o que não existe, na dissimulação oculta-se o verdadeiro. Hipóteses legais de simulação Artigo 167 I – por interposição de pessoas: terceiro que adquire bem do homem casado e o transfere à amante deste II – por ocultação da verdade (declaração de valor inferior) III – por falsidade de data Efeitos da simulação O CC de 16 tratava a simulação com um defeito do negócio jurídico, portanto, passível de anulabilidade. O CC de 2002 alterou este entendimento, deslocando-o para o capítulo da invalidade, considerando- o causa de nulidade e não de anulabilidade. Art 167– O negócio dissimulado subsistirá se válido for na substância e na forma. Ex.: doação a um descendente – adiantamento de legítima – instrumenta-se negócio jurídico com roupagem de compra e venda. O negócio dissimulado não será nulo, pois o ordenamento jurídico não veda o adiantamento da legítima – art. 544 e 2003) j O vendedor faz constar da escritura de compra-e-venda o valor de R$ 100.000,00, quando a venda foi feita, realmente, por R$ 200.000,00; k O comerciante que, requerida a sua falência, emite títulos em favor de amigos com data anterior ao pedido para gerar créditos que lhe serão repassados, quando recebidos; l Homem casado, para contornar a proibição legal de fazer doação à concubina, simula a venda a um terceiro, que transferirá o bem àquela; m O pai que “vende” um apartamento a um filho sem a permissão dos outros descendentes, mas que na verdade, realiza uma doação; n O testamento, nos casos onde houver cláusula testamentária mencionando confissão de dívida a alguém para prejudicar os herdeiros; o Compra e venda de imóvel com promessa de devolução; p Pagamento de parte do financiamento pelo vendedor