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Aula 5 - DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS
(Art. 138/154 c/c 171 a 184)
1- INTRODUÇÃO
Ao lado dos requisitos essenciais do negócio jurídico, (capacidade do agente, licitude do objeto, possibilidade física e jurídica do objeto, determinação ou possibilidade de determinação do objeto, forma prescrita ), cuja inexistência levam a nulidade absoluta do negócio jurídico (Art. 104 c/c 166/170 C.C.) existem os chamados defeitos do negócio jurídico (art. 138/154) que levam a anulabilidade/nulidade relativa do negócio jurídico (art. 171/184C.C)
 Quando o defeito do negócio jurídico atingir o querer (vontade) da parte, são chamados vícios do consentimento (erro ou ignorância, dolo, coação, lesão e estado de perigo). Por outro lado, se o defeito atingir o próprio negócio jurídico, o mesmo é chamado de vicio social (fraude contra credores e simulação). 
Estes defeitos levam a nulidade relativa do negócio jurídico, exceto a simulação, que leva a nulidade absoluta do negócio jurídico ( art. 167 CC).  
2. ERRO OU IGNORÂNCIA (art. 138 cc)
É a falsa da percepção de realidade. Ignorância é o completo desconhecimento da realidade. Tanto o erro como a ignorância levam a anulabilidade do negócio jurídico. 
No erro ou ignorância a pessoa se equivoca sozinha e acaba por celebrar um negócio jurídico que lhe é totalmente prejudicial.
Essa falsa noção faz com que a pessoa realize um negócio em que há divergência entre a vontade real e a vontade declarada.
Se a pessoa não estivesse agindo com erro ou ignorância ela não teria celebrado o negócio jurídico.
A anulação de negócio jurídico por erro e ignorância, não é muito comum, uma vez que é difícil de se provar que a pessoa agiu em erro. Além disso, é preciso entender que será levado em consideração o comportamento do homem médio e a diligência necessária na hora da realização do negócio jurídico. Prazo: 4 anos (art. 178, II)
Mas o que acontece com o negócio jurídico realizado com erro?
· Anulado – art. 138
· Mantido – art. 142
· Correção do erro – art. 144
 ESPÉCIES DE ERRO 
I) Erro Acidental – artigo 142 
É aquele erro irrelevante, ou seja, ainda que a pessoa soubesse que ela estava agindo por erro, ainda assim, ela teria celebrado o negócio jurídico, mas em condições menos desfavoráveis a ela. O erro acidental incide sobre um aspecto secundário do NJ e não o anula.
II) Erro Substancial ou Essencial 
É o erro relevante, importante. É a causa determinante da celebração do negócio jurídico, de forma que, se a parte soubesse da existência desse erro, ela não teria celebrado o negócio jurídico.
 O art. 139 do Código Civil descreve alguns casos de erro substancial.
a) Erro quanto a natureza do negócio jurídico: neste caso, a pessoa erra e acaba por celebrar um negócio jurídico diverso daquele que ela pretendia celebrar (art. 139, I, 1ª. Parte, CC). 
Ex.: Celebrar contrato de empreitada, supondo ser um de trabalho; celebrar contrato de locação supondo ser de comodato; empréstimo caixa eletrônico (idoso)
b) Erro quanto a natureza do objeto (error in corpore) ou alguma de suas qualidades (error in substantia): a pessoa acaba por adquirir determinado objeto supondo tratar-se de outro ou se enganando quanto às suas qualidades (art. 139, I 2ª. Parte CC).
Ex.: Comprar bijuteria supondo tratar-se de joia; comprar uma gravura supondo tratar-se do quadro original; compra lote A achando que é o lote B; compra um cavalo comum achando que é de corrida; produto falsificado achando que é verdadeiro (atenção!); compra TV de plasma achando que é LCD; compra um relógio banhado, achando que é de ouro (atenção!)
c) Erro quanto a identidade da pessoa (error in persona): nesse caso, o erro recai sobre uma das pessoas que participa do negócio jurídico (art. 139, II, CC), podendo o erro ser sobre a própria pessoa ou sobre as suas qualidades.
Ex. O agente faz uma doação a uma pessoa supondo que é seu parente; realiza depósito para a pessoa errada; contrata uma pessoa achando que está contratando outra (cabeleireiro, musico, pedreiro, etc).
d) Erro de direito: Neste caso, a pessoa conhece a lei, mas faz interpretação errônea, equivocada dessa lei e acaba por celebrar negócio jurídico que lhe é prejudicial.
Ex. Compra uma máquina de bronzeamento artificial importada, mas não sabeu que existe proibição para a oferta desse produto.
Erro de direito é diferente do desconhecimento da lei ignorântia legis (art. 3 LINDB). O Desconhecimento da lei não é motivo para deixar de cumpri-la.
III- Erro inescusável (injustificado)
É o erro grosseiro, injustificado de forma que, se a parte tivesse tomado as cautelas mínimas de um homem de conhecimento médio homo medius não teria se equivocado. Ex.: comprar bijuteria de uma barraca de feira supondo ser joia. Este erro não leva a anulabilidade do negócio jurídico
 IV - Erro escusável (justificável/desculpável)
É aquele erro no qual uma pessoa que de conhecimento médio homus médio nas mesmas situações, também cometeria. Art. 138. É esse erro que leva a anulabilidade do negócio jurídico
Avalia-se o erro escusável ou inescusável levando em consideração o homem de conhecimento médio homus médio, que adota as cautelas mínimas quando da realização do ato.
V - Falso motivo – artigo 140
Motivo é a razão que leva a pessoa a celebrar o negócio jurídico. Se este motivo for falso, inexistente, e a parte que somente celebrou negócio jurídico em razão do motivo, poderá anulá-lo se este motivo for falso (art. 140 CC). 
Ex.: A compra um fundo de comércio no qual o alienante garante uma grande freguesia.
VI - Retificação do erro – art. 144
O erro leva a anulabilidade do negócio jurídico, no entanto, se a parte beneficiada por este erro se propor a executar o negócio jurídico em conformidade com a vontade da pessoa prejudicada, o negócio jurídico não pode ser anulado (art. 144)
VII – Transmissão errônea da vontade – art. 141
Nesse caso o erro leva a uma divergência entre a vontade interna e a declarada.
Meios interpostos significam NJ não presencial, como e-mail, caixa eletrônico, etc. Declaração direta é a presencial.
Ex. Empréstimo em caixa eletrônico e acaba contratando título de capitalização; vai comprar um livro e digita 10.
VIII – Erro de cálculo – art. 143
Nesse caso existe possibilidade de corrigir o erro.
Ex. soma das parcelas 
JURISPRUDÊNCIA – ESTUDO DE CASO
ERRO OU IGNORÂNCIA
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 
AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 934.897 - DF (2016/0155509-8) RELATORA : MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI AGRAVANTE : CELSO ANTONIO MATSUNAGA DA SILVEIRA AGRAVANTE : CLARICE MIEKO MATSUNAGA DA SILVEIRA ADVOGADO : RICARDO ROESCH MORATO FILHO - DF030354 AGRAVADO : LEANDRO GARCIA BUENO SILVA AGRAVADO : MARCOS GUILHERME CUNHA ADVOGADO : ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA - GO025714 DECISÃO.
Trata-se de agravo manifestado por Celso Antônio Matsunaga da Silveira e outra contra decisão que negou seguimento a recurso especial, interposto pelo artigo 105, III, a, da Constituição Federal, no qual se alegou violação dos artigos 112, 113, 171, III, 421, 422, 441, 444, 445, § 6º, 446, 476 e 2.035 do Código Civil, impugnando acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, com a seguinte ementa: DIREITO CIVIL. CONTRATO. APELAÇÃO. AÇÃO DE ANULAÇÃO DE CONTRATO. ALEGAÇÃO DE VÍCIO DE CONSENTIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. HIPOTECA. VÍCIO REDIBITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. INOCORRÊNCIA.
O erro ou ignorância alegado por aquele que, por sua própria negligência, dá causa ao desconhecimento de eventuais vícios é inescusável, não havendo que se cogitar a incidência do disposto no art. 171, II, do CC. O alegado desconhecimento da hipoteca do imóvel antes da assinatura do contrato não autoriza a anulação do negócio jurídico, mormente porque decorreu de fato que deve ser imputado exclusivamente aos apelantes. Impede salientar que a existência de hipoteca não pode ser classificada como vício redibitório, uma vez que o vício redibitório é aquele oculto, ao passo que a hipoteca, por ser averbada na matrícula do imóvel, é de fácil conhecimento, bastandoque o interessado diligencie no cartório de registro de imóvel. Não há que se falar em condenação por litigância de má-fé se não restou cabalmente demonstra a ocorrência de qualquer situação prevista no art. 17 do CPC. Recurso conhecido e não provido. Afirmaram que contrataram com os recorridos a compra de clínica médica e que, não obstante, não foram informados da pendência de hipoteca sobre o imóvel, ao que requereram a anulação do negócio, seja por conta de erro, vício redibitório ou, ainda, violação aos princípios contratuais gerais, tal como a boa-fé objetiva e sua função social. Assim delimitada a controvérsia, decido. O Tribunal local consignou: "que o objeto do contrato compreenderia apenas os móveis e utensílios da supracitada clínica, não abrangendo o imóvel no qual estava situado o estabelecimento (cláusula 1ª e parágrafo único). Ademais, a previsão contratual acerca da necessidade de entrega do estabelecimento objeto do contrato livre e desembaraçado de quaisquer ônus não abrange o imóvel em si, mas apenas os móveis e utensílios da clínica" (e-STJ, fl. 124). Concluiu, assim, que: "cumpre destacar que a existência de hipoteca na matrícula do imóvel não enseja a ocorrência de vício na manifestação de vontade dos apelantes, razão pela qual não se mostra possível a anulação do negócio jurídico. Isso porque, apesar de o objeto do contrato não ser o imóvel em si, caberia aos apelantes, antes da assinatura do contrato, realizar diligências no cartório de registro de imóvel em que estava averbada a matrícula do imóvel para saber se existia alguma anotação na matrícula. Não se pode olvidar que o erro ou ignorância alegado por aquele que, por sua própria negligência, dá causa ao desconhecimento de eventuais vícios é inescusável, não havendo que se cogitar a incidência do disposto no art. 171, II, do CC" (e-STJ, fl. 224). Não houve, portanto, compra e venda de imóvel, mas apenas da clínica médica, ou seja, as instalações desta, de modo que a existência da hipoteca gravando o imóvel em que funcionava não poderia macular o negócio jurídico, além de a ignorância acerca da mencionada garantia teria decorrido de negligência dos próprios agravantes. Por fim, a alegação dos recorrentes no sentido de que várias dívidas anteriores poderiam levar à determinação para a desocupação do imóvel não foi confirmada pelo acórdão distrital, que se limitou a verificar que, em "relação à alegação da existência de débitos com empresa de telefonia, cumpre destacar que o documento de f. 100 demonstra que os apelados pagaram a referida conta, ainda que com pequeno atraso" (e-STJ, fl. 225), atraso este que foi aceito pelos agravantes, porquanto não se insurgiram no momento oportuno. Como se vê, indiscutivelmente a questão foi resolvida à luz dos elementos informativos do processo, cujo reexame encontra os óbices de que tratam os verbetes n. 5 e 7 da Súmula desta Corte. Diante do exposto, nego provimento ao agravo. Intimem-se. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2017. MINISTRA MARIA ISABEL GALLOTTI Relatora. 
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. EXISTÊNCIA DE USUCAPIÃO EM FAVOR DO ADQUIRENTE. OCORRÊNCIA DE ERRO ESSENCIAL. INDUZIMENTO MALICIOSO. DOLO CONFIGURADO. ANULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. 1. O erro é vício do consentimento no qual há uma falsa percepção da realidade pelo agente, seja no tocante à pessoa, ao objeto ou ao próprio negócio jurídico, sendo que para render ensejo à desconstituição de um ato haverá de ser substancial e real. 2. É essencial o erro que, dada sua magnitude, tem o condão de impedir a celebração da avença, se dele tivesse conhecimento um dos contratantes, desde que relacionado à natureza do negócio, ao objeto principal da declaração de vontade, a qualidades essenciais do objeto ou pessoa. 3. A usucapião é modo originário de aquisição da propriedade em razão da posse prolongada da coisa, preenchidos os demais requisitos legais, sendo que aqui, como visto, não se discute mais sobre o preenchimento desses requisitos para fins de prescrição aquisitiva, sendo matéria preclusa. De fato, preenchidos os requisitos da usucapião, há, de forma automática, o direito à transferência do domínio, não sendo a sentença requisito formal à aquisição da propriedade. 4. No caso dos autos, não parece crível que uma pessoa faria negócio jurídico para fins de adquirir a propriedade de coisa que já é de seu domínio, porquanto o comprador já preenchia os requisitos da usucapião quando, induzido por corretores da imobiliária, ora recorrente e também proprietária, assinou contrato de promessa de compra e venda do imóvel que estava em sua posse ad usucapionem. Portanto, incide o brocardo nemo plus iuris, isto é, ninguém pode dispor de mais direitos do que possui. 5. Ademais, verifica-se do cotejo dos autos uma linha tênue entre o dolo e o erro. Isso porque parece ter havido, também, um induzimento malicioso à prática de ato prejudicial ao autor com o propósito de obter uma declaração de vontade que não seria emitida se o declarante não tivesse sido ludibriado - dolo ( CC/1916, art. 92). 6. Portanto, ao que se depreende, seja pelo dolo comissivo de efetuar manobras para fins de obtenção de uma declaração de vontade, seja pelo dolo omissivo na ocultação de fato relevante - ocorrência da usucapião -, também por esse motivo, há de se anular o negócio jurídico em comento. 7. Rercuso especial não provido.(STJ - REsp: 1163118 RS 2009/0210626-4, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 20/05/2014, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 13/06/2014)
3 DOLO (Art. 145/155 CC)
Trata-se da utilização do ardil, de qualquer meio fraudulento, para induzir uma pessoa em erro, fazendo com que ela celebre um negócio jurídico que lhe é prejudicial. No erro o agente se engana sozinho, enquanto no dolo o agente é induzido a erro. No erro há uma (espontânea) falsa impressão das circunstâncias do NJ, enquanto no dolo o agente é induzido a se equivocar em razão de manobras astuciosas, ardilosas, maliciosas cometidas pelo outro agente.
No direito penal, dolo trata-se da vontade de praticar a conduta criminosa e da intenção de se obter o seu resultado (vontade/intenção).
Como defeito do negócio jurídico, dolo significa a utilização de ardil, meio fraudulento para induzir uma das partes em erro, fazendo com que ela celebre negócio jurídico que lhe é prejudicial. Para anular o NJ não precisa ter ocorrido prejuízo, basta que a pessoa tenha externado sua declaração de vontade em razão de induzimento malicioso do outro agente.
Prazo: 4 anos (art. 178, II do CC)
3.1 Espécies de dolo:
I- Dolo principal:
É aquele que é a razão determinante da celebração do negócio jurídico, ou seja, se não houvesse o induzimento da vítima em equívoco, ela não teria celebrado o negócio jurídico. 
Ex.: vendedor induz o comprador a pensar que uma bijuteria é uma joia de ouro; vendedor que induz o comprador a pensar que ele está comprando um terreno em local valorizado, quando na verdade o terreno adquirido é outro que fica em local desvalorizado; art. 145 CC; compra e venda de uma empresa com planilhas falsas de faturamento
 II- Dolo acidental
É aquele que recai sobre circunstâncias irrelevantes do negócio jurídico, ou seja, ainda que a vítima soubesse de sua existência, ainda assim ela teria celebrado o negócio jurídico, mas em condições mais favoráveis a ela. 
Ex.: vendedor que induz comprador adquirir um veículo pensando que ele é da cor preta, quando o mesmo é da cor azul escuro; pessoa que é induzida em erro faz uma doação a uma outra pessoa pensando que ela é filha de sua irmã, quando na realidade é filha de seu irmão.
 
III - Dolus Bonus
Trata-se de um costume do comércio em geral, no qual o vendedor tem por hábito ressaltar as qualidades do produto vendido. Esta espécie de dolo não causa a anulabilidade do negócio jurídico uma vez que este hábito é de conhecimento geral.  Consiste nos exageros cometidos pelo vendedor, mas que não rompe as barreiras da ética (boa-fé objetiva), não havendointenção de lesar ou prejudicar o outro sujeito.
Ex.: helmans, a verdadeira maionese; o melhor carro do mundo; 
No entanto, se o vendedor atribuir ao produto uma qualidade inexistente, sua conduta constitui propaganda enganosa, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. 
 IV- Dolus Malus
Este se caracteriza como dolo grave, ou seja, a intenção maliciosa de induzir a outra parte em erro, fazendo com que ela celebre o negócio jurídico que lhe é prejudicial. Esta espécie de dolo, leva a anulabilidade do negócio jurídico.
 
V - Dolo comissivo ou positivo
Neste caso, o autor do dolo pratica atos para induzir a outra parte em erro. Sua conduta constitui em um fazer. 
VI - Dolo omissivo ou negativo ( art. 147 CC)
Neste caso, diante do erro da outra parte, o autor do dolo permanece inerte, se omite, deixando de alertá-la quanto a seu equívoco. Ex.: o vendedor que toma conhecimento que o comprador está adquirindo uma bijuteria ao invés de uma joia e nada faz para alertá-la.
VI - Dolo praticado por terceiro (art. 148 cc). 
Terceiro é a pessoa que não é parte do negócio, no entanto, ela induz uma das partes em equívoco/erro.
Nesse caso é preciso saber se o beneficiário tinha conhecimento do dolo ou tinha como saber. A partir da resposta dessas questões apura-se a sua responsabilidade
Se a parte beneficiada sabia do dolo praticado por terceiro, o negócio jurídico é anulável (art. 148, 1ª., parte CC). Se nenhuma das partes sabia desse dolo, a parte prejudicada pelo negócio jurídico poderá ajuizar ação de perdas e danos contra o terceiro que a induziu ao dolo (Art. 148, 2ª., parte CC). 
VII - Dolo do representante
A representação ocorre quando uma pessoa, o representante, celebra negócio jurídico em nome de outra pessoa, o representado (art. 115 CC). 
Na representação legal, que é aquela deferida pela lei ao incapaz, o representado (incapaz) somente responde pelo dolo praticado por seu representante, até o limite do benefício que ela (representado) obteve com a celebração do negócio jurídico (art. 149 , 1ª., parte CC). 
Se a representação for convencional, decorrente de contrato de mandato (procuração), o representado responde solidariamente por perdas e danos que a vítima do dolo sofreu em razão da celebração do negócio jurídico (art. 149, 2ª., parte CC). Nesse caso, o representado escolheu mal culpa in eligiendo (culpa na escolha) de seu representante. 
VIII -Dolo bilateral
Neste caso, ambas as partes agiram com dolo na celebração do negócio jurídico, ou seja, uma induziu a outra em erro. Com base no princípio de quem ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, a lei determina que nenhuma delas poderá pleitear a anulação desse negócio jurídico ou indenização. Há uma espécie de compensação de dolo.
 
JURISPRUDÊNCIA – ESTUDO DE CASO
DOLO
Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro TJ-RJ –
 APELAÇÃO : APL 0015630-54.2004.8.19.0066 RJ 0015630-54.2004.8.19.0066
Ementa: COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. IMÓVEL OCUPADO POR TERCEIRO E COM DÉBITOS FISCAIS. OMISSÃO DOLOSA DO PROMITENTE VENDEDOR QUANTO A ESSES ASPECTOS. ART. 147, DO CC/02. ANULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO POR DOLO SUBSTANCIAL (ART. 145, DO CC/02). INDENIZAÇÃO. DIREITO.
I- Ação de anulação do negócio jurídico, cumulada com o ressarcimento da quantia paga. Compromisso de Compra e Venda de um terreno em Angra dos Reis, ocupado por terceiro e com débitos fiscais.
II- Acervo probatório que corrobora a tese autoral, no sentido de que houve silêncio sobre tais informações no momento da contratação. Silêncio intencional de uma das partes quanto a aspecto relevante do contrato, que configura dolo, na forma do art. 145, do Código Civil.
III- Desprezo ao princípio da boa fé e silêncio sobre circunstância que a natureza do negócio exigia fosse conhecida, que impõe a anulação do contrato e a restituição do valor comprovadamente pago.
IV- Danos morais caracterizados. Conduta que afronta a legítima expectativa criada no promitente comprador. 
V -Indenização fixada em obediência ao critério do lógico-razoável, não merecendo modificação.
 VI - Recurso a que nega seguimento, nos moldes do art. 557, caput, do C.P.C.
AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ANULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO POR DOLO. FALTA DE ARGUMENTOS NOVOS, MANTIDA A DECISÃO ANTERIOR. MATÉRIA JÁ PACIFICADA NESTA CORTE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83. I - Não tendo a parte apresentado argumentos novos capazes de alterar o julgamento anterior, deve-se manter a decisão recorrida. II - Pretendida a rescisão do contrato por omissão dolosa do vendedor do imóvel, que escondeu a existência informação relevante em curso na época da transação (silêncio intencional art. 147 do CC), o ato jurídico é anulável, incidindo quanto à prescrição o art. 178, § 9º, V, �b�, do Código Civil de 1916. Incidência da Súmula 83/STJ. Agravo improvido (STJ - AgRg no Ag: 783491 RJ 2006/0131102-8, Relator: Ministro SIDNEI BENETI, Data de Julgamento: 20/11/2008, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: --> DJe 12/12/2008)
APELAÇÃO. SOCIETÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. Cessão de quotas. Vício de consentimento. Dolo no negócio jurídico. Ocorrência. Omissão dolosa de informação relevante. Ocultação de passivo fiscal oriundo do descumprimento de obrigações tributárias. Dissimulação das finanças da empresa mediante sistema contábil paralelo (caixa 2). Identificação das irregularidades em fiscalização fazendária ocorrida após a cessão das quotas. Fatos geradores do passivo ocorridos previamente ao negócio jurídico. Impossibilidade de identificação das condições financeiras da empresa pelos adquirentes. Vício na declaração de vontade. Anulação do negócio jurídico nos termos do art. 145/CC. Restituição do statu quo ante. Invalidação das alterações contratuais efetuadas após a cessão. Restituição do montante desembolsado devidamente atualizado. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO PROVIDO. (TJ-SP - AC: 10027140220168260180 SP 1002714-02.2016.8.26.0180, Relator: AZUMA NISHI, Data de Julgamento: 28/04/2021, 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial, Data de Publicação: 29/04/2021)
APELAÇÃO. Compra e venda de veículo. "Golpe da OLX" ou "golpe do intermediário". Autor que, após proceder a entrega do veículo ao réu, se deu conta da fraude ao se deparar com falso comprovante de pagamento e reteve o recibo de compra e venda do veículo. Réu que insiste pela retomada do veículo, apreendido no curso do feito. Impossibilidade. Hipótese em que tanto comprador quanto vendedor deixaram de observar diligências mínimas na condução do negócio. Culpa concorrente. Anulação do negócio jurídico por dolo de terceiro. Sentença de procedência mantida. Recurso desprovido.(TJ-SP - AC: 10215987620208260071 SP 1021598-76.2020.8.26.0071, Relator: Lidia Conceição, Data de Julgamento: 25/08/2022, 36ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 25/08/2022)
Apelação. Ação declaratória de nulidade de negócio jurídico c./c. indenização por danos morais. Consumidor. Previdência Privada. Sentença de improcedência. Recurso da Autora que comporta provimento. Vício de consentimento. Caracterização. Autora, senhora idosa de 77 (setenta e sete) anos, leiga e inexperiente no que tange à aplicações financeiras e procedimentos bancários, que é convencida pelos prepostos dos Réus, com quem mantinha uma relação de confiança, a transferir todo o dinheiro que se encontrava investido em outros bancos e a realizar um plano de previdência complementar que claramente não atendia às suas necessidades e totalmente inadequado ao seu perfil. Autora que acreditava que estava investindo seu dinheiro num produto que tinha uma certa familiaridade anterior (VGBL). Falha na prestação dos serviços verificada (art. 14 do CDC). Falha no dever de prestar informações adequadas e claras sobre o produto bancário oferecido e sobre os riscos do negócio (art. 6º, III, do CDC). Erro substancial escusável sobre a sua natureza que permite a anulação do negócio jurídico entre as partes. Ocorrência de lesão. Inteligência dos arts. 138, 139, 157 do CC. Negócio jurídico anulado com base no art. 171, II do CC. Necessidade de prevalênciados princípios da probidade e da boa-fé objetiva, com respeito aos deveres anexos de colaboração e lealdade e afastamento do abuso de direito e da má-fé processual. Aplicação dos artigos 187 e 422 do Código Civil. Danos morais "in re ipsa" caracterizados e fixados em R$ 10.000,00 (dez mil reais). Sentença reformada. Sucumbência alterada. RECURSO PROVIDO. (TJ-SP - AC: 10217076620218260100 São Paulo, Relator: L. G. Costa Wagner, 34ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 03/08/2022)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. Seguro de vida empresarial. Informação equivocada quanto ao número de empregados da pessoa jurídica segurada que impedia a contratação na forma avençada – seguro empresarial, mas não de outra espécie de seguro. Omissão deliberada do proponente de informação relevante para a contratação que caracteriza dolo acidental (CC, art. 146), impondo a redução dos valores das indenizações à metade. Pontos que foram explicitados no julgado. Discordância de pronunciamento que não atende ao que preceitua o art. 535 do CPC/1973 – art. 1022 do CPC/2015. Ausência de omissão, contradição, obscuridade ou erro material que não admite a oposição de embargos com a finalidade de prequestionar dispositivos tidos como violados. Embargos rejeitados. (Relator(a): Dimas Rubens Fonseca; Comarca: São Paulo; Órgão julgador: 28ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento: 18/10/2016; Data de registro: 21/10/2016; Outros números: 21433032013826000350000)
Ação anulatória. Pretensão à desconstituição de partilha por omissão dolosa da informação de que um dos bens que a integra estava em litígio. Alegação de erro essencial. Hipótese, todavia, de dolo acidental (CC, 146), já que o negócio jurídico que se pretende anular seria realizado, ainda que por outro modo. Carência da ação bem decretada. 
Recurso desprovido.
(Relator(a): Araldo Telles; Comarca: Santos; Órgão julgador: 10ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento: 21/10/2014; Data de registro: 21/10/2014; Outros números: 6312394100)
4- COAÇÃO (art. 151/155 CC). 
1) CONCEITO: 
Trata-se de pressão de ordem moral, psicológica, física, que se faz mediante ameaça de mal sério e grave, que poderá atingir o agente, membro da família ou a pessoa a ele legada, ou, ainda, ao patrimônio, para que a pessoa pratique determinado negócio jurídico, obrigando-a a celebrar o negócio jurídico que lhe é prejudicial e, se não houvesse coação, ele não seria celebrado
· Coação sempre significa violência, enquanto o dolo compreende artifícios para enganar e causar prejuízo.
O prazo para entrar com a ação anulatória de negócio jurídico celebrado mediante coação é de 4 anos (artigo 178 CC). O ônus da prova é daquele que está alegar a coação, e se for provado, pode ser anulado. 
2) ESPÉCIES DE COAÇÃO
I -  COAÇÃO FÍSICA VIS ABSOLUTA: trata-se da utilização da força física para obrigar a parte a celebrar negócio jurídico contra a sua vontade. Este negócio jurídico é inexistente uma vez que a parte (vítima) não tinha vontade de celebrar este negócio jurídico. 
Ex.: através de tortura de uma das partes, alguém aponta arma de fogo para uma outra parte, obrigando a assinar um contrato. Essa espécie de coação gera defeito grave e a lei sequer reconhece o ato praticado como negócio jurídico. Ele inexiste para o mundo jurídico. 
II -  COAÇÃO MORAL VIS COMPULSIVA:  trata-se da utilização da ameaça ou pressão injusta para compelir a outra parte a celebrar um negócio jurídico que ela não celebraria se não existisse a coação. Aqui não há o emprego de força física, mas apenas da ameaça ou pressão injusta. Nesta espécie de coação o negócio jurídico celebrado tem existência jurídica, no entanto, o mesmo é passível de anulabilidade. (Art. 151 c/c art. 171, II, C.C.)
III – COAÇÃO ACIDENTAL 
É aquela irrelevante. Ainda que a mesma não existisse a parte teria celebrado o negócio jurídico. Ela não é a causa determinante da celebração do negócio jurídico 
 
IV – COAÇÃO PRINCIPAL 
É aquela que é a causa determinante da celebração do negócio jurídico. Se não houvesse esta coação, a vítima não teria celebrado o negócio jurídico. Para a caracterização da coação principal são necessários os seguintes requisitos:
 a) Causa determinante do negócio jurídico: deve haver uma relação de causalidade entre a celebração do negócio jurídico e a coação. Ao fazer a declaração, o agente opta pelo sacrifício que lhe parece menor.
b) Gravidade da coação: a ameaça de mal injusto e grave deve ser de forma a incutir na vítima medo de dano a sua pessoa, a alguém de sua família ou a seu patrimônio.
c) Injustiça da coação: a ameaça deve ser injusta, ou seja, deve contrariar o direito. Se a suposta ameaça caracterizar o exercício normal do direito ela não figura coação. Ex.: o empregado diz ao empregador que se ele não lhe der aumento salarial vai processá-lo perante a justiça do trabalho; cobrança de um débito; ação de despejo (“ameças” justas).
d) O dano deve ser atual ou iminente contra a pessoa da vítima, alguém da sua família ou a seus bens: dano atual ou iminente é aquele prestes a ocorrer. Desta forma se a ameaça for de um dano hipotético ou futuro não caracteriza coação. Ex.: assine este contrato, senão daqui 5 anos danificarei o seu carro. 
A expressão família utilizada pelo Art. 151 do C.C. deve ser interpretada no sentido amplo de forma a abranger os parentes na linha reta (ascendentes ou descendentes), na linha colateral, ou cônjuge e o companheiro de uma união estável.
 
3) COAÇÃO EXERCIDA CONTRA TERCEIRO
O artigo 151 menciona que a coação deve ser dirigida contra a pessoa da vítima ou alguém de sua família. Se esta coação (ameaça de dano injusto) for dirigida a uma terceira pessoa, ela pode anular o negócio jurídico desde que a vítima se sinta coagida. Caberá ao juiz avaliar se a coação exercida contra terceiro anula o negócio jurídico (parágrafo único do artigo 151 CC)
4) COAÇÃO EXERCIDA POR TERCEIRO
Terceiro é a pessoa que não participa da celebração do negócio jurídico, no entanto, ela ameaça uma das partes a celebrá-lo. Se a parte beneficiada pelo negócio jurídico sabia desta coação, ela se tornou uma espécie de partícipe da coação, razão pela qual este negócio jurídico é anulável.
Por outro lado, se nenhuma das partes sabia da coação, a parte prejudicada pelo negócio jurídico poderá processar o autor da coação por perdas e danos. (Art. 155, C.C.)
 Usa-se a seguinte premissa: o beneficiário tinha ou não tinha conhecimento da coação:
SIM – NJ poderá ser anulado – ambos respondem por perdas e danos
NÃO – NJ não será anulado – somente o 3º responde por perdas e danos
Ex.: João ameaça matar Maria se ela não doar o imóvel para sua filha. A filha (beneficiária) sabia da coação?
Ex.: João contratou Pedro para fazer uma cobrança e Pedro ameaçou o devedor com uma faca.
João sabia que Pedro usaria uma faca?
5) AVALIAÇÃO DA COAÇÃO
Para avaliar a coação, o legislador adotou um critério concreto, impondo ao juiz avaliar se aquela vítima se sentiu coagida no caso concreto, para tanto, devendo levar em consideração o sexo, a idade, o estado de saúde, o grau cultural, o temperamento etc., da vítima (artigo 152, CC)
Ressalta-se que, para avaliar o erro ou a ignorância, o legislador adotou o critério abstrato do homem médio homo medius. Ele retira a pessoa que se equivocou e coloca o homem médio na mesma situação e verifica se ele erraria ou não.
6) TEMOR REVERENCIAL – art. 153
Trata-se da relação de respeito e obediência que deve existir entre algumas pessoas, tais como, o filho relativamente com seus pais, do empregado relativamente ao seu empregador, do aluno em relação ao professor, etc. O temor reverencial não caracteriza coação, razão pela qual o mesmo não pode servir de fundamento para anular o negócio jurídico (artigo 153, 2ª. Parte CC).
ESTUDO DE CASO - JURISPRIDÊNCIA 
COAÇÃO
TJ-DF - 20150111452658 DF 0042524-18.2015.8.07.0001 (TJ-DF) 
Data de publicação: 08/06/2017 
Ementa: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. DOAÇÃO DE POSSE DE UM LOTE NÃO ESCRITURADO. COAÇÃO MORAL RELIGIOSA. NÃO COMPROVAÇÃO.DIREITOS POSSESSÓRIOS. AUSÊNCIA DE VÍCIO FORMAL. RECURSO IMPROVIDO.
 1.Ação de conhecimento, com pedido de anulação de contrato de doação de posse sobre lote. 1.1. Alegação de coação moral, de cunho religioso, e vínculo de confiança e amizade. 1.2. Sentença de improcedência, por ausência de prova quanto à coação. 
2. O art. 538 do Código Civil conceitua o contrato de doação como: "Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra." 2.1. A anulabilidade dos negócios jurídicos por coação é prevista no art. 151 do Código Civil , onde consta que: "A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens." 3. A coação capaz de implicar na anulação do contrato de doação exige que o donatário influencie na vontade do doador, de forma física ou moral, compelindo-o à prática do ato, sob pena de sofrimento ou penalidades. 3.1. No caso, inexiste qualquer prova de intimidação, moral ou física, que possa ser considerada como coação, apta à anulação do ato praticado. 3.2. Justamente por tratar-se de um negócio jurídico não oneroso, ou gratuito, a doação consuma-se por interesse filantrópico, afetivo e ainda e como no caso, religioso. 4. No caso, não há se falar em necessidade de escritura nem em falta de aceitação por parte da donatária. 4.1. Trata-se de um pequeno lote não escriturado, tendo como objeto da doação eventuais direitos sobre um lote de 700 m2. 5.Apelo improvido. 
Encontrado em: NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME 2ª TURMA CÍVEL Publicado no DJE : 08/06/2017 . Pág.: 177-213 - 8/6/2017 20150111452658 DF 0042524-18.2015.8.07.0001 (TJ-DF) JOÃO EGMONT
TEMOR REFERENCIAL
Ação de obrigação de fazer – Procedência para determinar a outorga da escritura de imóvel – Imóvel que fora transferido pelo autor ao réu para saldar dívida referente a aportes feitos na empresa do autor – Alegação de vício de consentimento – Anulação por vício de consentimento que não pode ser presumida, devendo ser provada, o que não ocorreu no caso concreto – Autor que pretende a anulação do negócio sob alegação de que o valor do imóvel suplanta a dívida e que o tio se utilizou de sua ascensão psicológica para convence-lo a realizar a transação – No entanto, confessou a dívida contraída para gerir a empresa e afirmou não saber o valor que fora emprestado pelo réu – Tese de que o réu por ser seu tio exercia pressão psicológica sobre ele que não foi demonstrada – Temor reverencial que não constitui coação, nos termos do art. 153 do CC – Dolo que não pode ser presumido, devendo ser demonstrado – Autor que não se desincumbiu do ônus de demonstrar o fato constitutivo de seu direito (art. 373, I do CPC) – Sentença reformada para que a ação seja julgada improcedente com inversão da sucumbência – Recurso provido (Relator(a): Silvério da Silva; Comarca: Sorocaba; Órgão julgador: 8ª Câmara de Direito Privado; Data do julgamento: 23/11/2016; Data de registro: 29/11/2016)
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