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Como Deve Ser Realizada a Punção Intraóssea? A punção intraóssea é uma técnica crucial para o acesso vascular em situações de emergência, especialmente em casos de parada cardiorrespiratória (PCR) em crianças e adultos, quando o acesso venoso periférico é difícil ou impossível. Ela permite a administração rápida de medicamentos e fluidos, vital para o sucesso da ressuscitação. A punção intraóssea envolve a inserção de um cateter na medula óssea, geralmente na tíbia ou no fêmur, e é considerada uma via de acesso vascular classe I nas diretrizes internacionais de ressuscitação. Indicações e Contraindicações As principais indicações incluem situações de emergência com necessidade de acesso vascular imediato, como choque, parada cardiorrespiratória, grandes queimados e politrauma. As contraindicações absolutas incluem fraturas no osso alvo, infecção local, osteoporose severa e tentativa prévia recente no mesmo local. Preparo do Procedimento: A área de punção deve ser cuidadosamente preparada, incluindo a assepsia da pele com clorexidina alcoólica 2% ou PVPI e a aplicação de anestésico local (lidocaína 2% sem vasoconstritor). É crucial utilizar agulhas e cateteres específicos para punção intraóssea, com calibre e comprimento adequados para o paciente. O kit completo deve incluir luvas estéreis, campos estéreis, gazes, antisséptico, anestésico local e material para fixação. Localização Anatômica: A tíbia proximal (1-2 cm abaixo da tuberosidade tibial) é o local mais comum para punção, seguido do fêmur proximal e do úmero proximal. Na tíbia proximal, o ponto de inserção deve estar na face anteromedial, aproximadamente 2 cm abaixo da tuberosidade tibial. Em crianças menores de 6 anos, deve-se ter especial atenção para não danificar a placa de crescimento ósseo. Técnica de Inserção: A técnica de punção intraóssea envolve os seguintes passos: Posicionar o paciente adequadamente com o membro exposto Realizar antissepsia ampla da área Aplicar anestésico local quando possível Inserir a agulha em ângulo de 90 graus com o osso Aplicar pressão firme e controlada com movimentos rotatórios Aguardar a sensação do "clique" ao penetrar na cortical óssea Confirmar o posicionamento através da aspiração de material medular Realizar flush com 5-10 ml de soro fisiológico Cuidados e Monitorização: O monitoramento contínuo é essencial: Verificar sinais de extravasamento ou infiltração a cada hora Monitorar sinais de síndrome compartimental Avaliar temperatura e coloração do membro a cada 2 horas Trocar o curativo sempre que necessário, mantendo técnica estéril Documentar data, hora e local da punção Complicações Possíveis As principais complicações incluem: extravasamento de líquidos, síndrome compartimental, osteomielite, embolia gordurosa, lesão da placa epifisária em crianças e fratura óssea. A prevenção dessas complicações envolve técnica adequada, monitorização constante e remoção do dispositivo assim que possível. Manutenção e Remoção O acesso intraósseo deve ser mantido apenas pelo tempo necessário, idealmente não ultrapassando 24 horas. A remoção deve ser realizada assim que um acesso venoso adequado seja estabelecido. O local deve ser mantido sob pressão por 5 minutos após a remoção e um curativo compressivo deve ser aplicado por 24 horas.