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Por que precisamos de uma abordagem
de gênero na saúde do homem?
A saúde do homem demanda uma abordagem específica que leve em consideração as características e
necessidades do gênero masculino, reconhecendo as diferenças biológicas, sociais e culturais que
influenciam o acesso aos serviços de saúde e a forma como os homens vivenciam a saúde e a doença.
Tradicionalmente, a atenção à saúde se voltava para a mulher e a criança, desconsiderando as
particularidades da saúde masculina. Essa visão fragiliza a promoção da saúde e a prevenção de
doenças, perpetua preconceitos e estigmas, além de contribuir para a subnotificação de doenças e para
a busca tardia por atendimento médico pelos homens.
Os dados epidemiológicos reforçam essa necessidade: os homens apresentam maior mortalidade em
praticamente todas as faixas etárias e são mais vulneráveis a doenças graves e crônicas. Estudos
mostram que a expectativa de vida dos homens é, em média, 7 anos menor que a das mulheres no
Brasil, e as taxas de mortalidade por causas evitáveis são significativamente maiores entre a população
masculina. Isso evidencia a urgência de uma abordagem específica que considere não apenas aspectos
biológicos, mas também socioculturais que influenciam o comportamento masculino em relação à
saúde.
A abordagem de gênero na saúde do homem busca desconstruir estereótipos e promover a igualdade
de acesso aos serviços de saúde, garantindo que os homens tenham as mesmas oportunidades de
cuidado e atenção que as mulheres. Isso significa considerar as necessidades específicas do gênero
masculino, incluindo a prevenção de doenças como câncer de próstata, doenças cardiovasculares,
doenças mentais, além de promover a saúde sexual e reprodutiva masculina. É importante ressaltar que
certas condições de saúde afetam desproporcionalmente os homens, como acidentes de trabalho,
violência e dependência química, exigindo estratégias específicas de prevenção e tratamento.
A implementação efetiva dessa abordagem requer mudanças significativas no sistema de saúde. É
necessário criar ambientes mais acolhedores para os homens nas unidades de saúde, com horários
flexíveis que se adequem à jornada de trabalho, profissionais capacitados para lidar com as
especificidades masculinas e programas de educação em saúde que ressoem com o público masculino.
Além disso, é fundamental desenvolver estratégias de comunicação que dialoguem efetivamente com
os homens, utilizando linguagem e abordagens que façam sentido para esse público.
É fundamental integrar a perspectiva de gênero nas políticas públicas de saúde, na formação de
profissionais de saúde, nos serviços de atenção básica e especializada, além de promover a
participação e o protagonismo dos homens na promoção da própria saúde. A abordagem de gênero é
crucial para a garantia de uma saúde integral e equitativa para todos, considerando as particularidades
de cada indivíduo e fomentando a igualdade de oportunidades de acesso ao cuidado e à saúde.
Para alcançar resultados efetivos, é necessário um esforço conjunto de diferentes setores da sociedade.
Isso inclui a participação ativa de gestores públicos, profissionais de saúde, pesquisadores, educadores
e da própria comunidade masculina. O desenvolvimento de políticas públicas específicas, como a
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), representa um avanço importante,
mas ainda há muito a ser feito para sua efetiva implementação e para a transformação das práticas de
saúde voltadas ao público masculino.

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