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43
BOTÂNICA ECONÔMICA
Unidade II
5 PLANTAS ALIMENTÍCIAS NÃO CONVENCIONAIS (PANCS)
5.1 Definição e potencial das Pancs
Desde os primórdios as plantas fazem parte da alimentação humana. Consequentemente, foi preciso 
diferenciá‑las. Essa necessidade de distinguir o que poderia ser útil na alimentação ou não rendeu 
diversas descobertas a respeito da versatilidade e do grande potencial dessas plantas, que serviram como 
recurso fundamental para a sobrevivência do homem e seu desenvolvimento, conforme acentuamos. As 
plantas também vêm sendo usadas como matéria‑prima para a confecção de importantes ferramentas, 
além de servir como combustível para o fogo. Também foram incluídas em rituais religiosos, ganhando 
identidade mística e terapêutica. Ao longo dos tempos, muitos conhecimentos sobre as plantas foram 
adquiridos, os quais foram conservados e transmitidos de geração em geração, persistindo até hoje. 
Assim, pode‑se considerar que uma cultura alimentar foi construída durante todos esses anos, mas que 
infelizmente muitas foram dispersas no decorrer das últimas décadas.
Sem dúvida, muitos hábitos alimentares são fatores importantes quando se trata da cultura de um 
povo, pois constituem sua identidade e expressam indiretamente suas necessidades e alternativas de 
subsistência, podendo servir como registros de contribuição para a economia local, bem como representar 
parte de suas histórias. Vale ressaltar que muito do que se conhece hoje deve‑se aos conhecimentos 
tradicionais dos povos indígenas, quilombolas, das comunidades rurais e às trocas entre diferentes 
culturas. Tais hábitos fizeram parte da vida dessas comunidades e, mesmo hoje, após elas quase estarem 
completamente perdidas, resistem passando por um resgate sociocultural através de estudos científicos 
em busca das contribuições estabelecidas por elas.
Qualquer pessoa é capaz de observar um quintal abandonado, uma horta ou mesmo um canteiro 
de praça pública (figura 29) e notar que esses lugares estão geralmente repletos de plantas silvestres e 
rústicas que nasceram ali espontaneamente. Também conhecidas pela sigla Pancs (plantas alimentícias 
não convencionais), são plantas comumente indesejadas e consideradas invasoras pela maioria da 
população, que as caracterizam de forma pejorativa, com termos reducionistas como pragas, inços, 
ervas‑daninhas ou mesmo como um simples mato.
44
Unidade II
Figura 29 – Vegetação crescendo espontaneamente em uma praça
No entanto, dados da literatura vêm mostrando que essas plantas em sua maioria apresentam 
potencial alimentício com alto teor nutricional, igual ou superior às quais consumimos em nosso dia a 
dia. Além disso, as Pancs têm mecanismos de adaptação que podem torná‑las extremamente resistentes 
a ambientes que sofrem alternâncias climáticas, por exemplo. Tais condições as tornam vantajosas em 
relação às plantas convencionais, considerando que a maioria delas são plantas exóticas e carecem de 
condições ideais para o cultivo.
As Pancs têm inúmeras vantagens adaptativas: são de fácil manejo e têm uma diversidade fantástica 
de espécies. Vale ressaltar que muitas delas não necessitam de cultivo para o seu desenvolvimento e 
propagação, essa vantagem proporcionaria demanda suficiente durante o ano todo e um baixo custo ao 
produtor, sem gastos com adubos e manutenções no cultivo, como rega, podas, entre outros.
O consumo de plantas não convencionais é um hábito nada recente. Atualmente, as Pancs passam 
por um resgate sociocultural, há algumas décadas, o homem do campo, os sertanejos e as demais 
comunidades tradicionais brasileiras já as usavam em sua alimentação. Nativas em seus respectivos 
biomas, muitas espécies ganharam visibilidade nessas regiões, como é o caso da famosa planta 
ora‑pro‑nóbis (Pereskia aculeata) (figura 30), que ainda hoje é amplamente consumida e supervalorizada 
em todo o estado de Minas Gerais.
45
BOTÂNICA ECONÔMICA
Figura 30 – Ramos de ora‑pro‑nóbis (Pereskia aculeata)
Os estudos mostram que o êxodo rural, influenciado pelo processo de urbanização durante a 
Revolução Industrial, se tornou uma alternativa a fim de obter renda para os pequenos produtores rurais 
e suas respectivas famílias. Consequentemente, o processo de homogeneização alimentar causado pela 
urbanização reduziu drasticamente a diversidade das espécies usadas pelo homem urbano, erradicando 
a maioria dos alimentos que antes eram consumidos e garantindo a segurança e a soberania alimentar 
dos povos que vivem nos grandes centros urbanos.
 Lembrete
Muito do que se conhece hoje deve‑se aos conhecimentos tradicionais 
dos povos indígenas, quilombolas, das comunidades rurais e às trocas entre 
diferentes culturas.
6 CONTRIBUIÇÃO DA BIODIVERSIDADE VEGETAL BRASILEIRA COMO 
ALIMENTO
Atualmente, há muita divulgação a respeito da grande biodiversidade brasileira. Os jornais e a mídia 
em geral noticiam periodicamente conteúdos abordando temas como as queimadas e as demais faces 
do desmatamento no Brasil, além de importantes pautas sobre a necessidade de preservar a nossa 
biodiversidade. No entanto, pouco é realmente feito com intuito de estimular a real valorização dos 
nossos recursos. Tendo em vista que o Brasil possui umas das maiores diversidades florísticas do mundo, 
e considerando apenas as plantas com potencial alimentício, é possível perceber o quão pouco se 
conhece diante da imensidão de espécies endêmicas que possuímos distribuídas ao longo de todos os 
biomas brasileiros.
46
Unidade II
As Pancs podem ser consideradas alimentos de fontes sustentáveis e serem uma estratégia de 
valorização da biodiversidade, pois seu cultivo não causa impactos ao meio ambiente, o que reforça 
a ideia de conservação ambiental e sustentabilidade, tornando‑as ainda mais interessantes tanto para 
o contexto ambiental quanto socioeconômico. Nossas florestas tropicais estão repletas de espécies 
de Panc, como a vitória‑régia (Victoria amazonica), na Amazônia; o mandacaru (Cereus jamacaru), na 
Caatinga (figura 32); e o jaracatiá (Jacaratia spinosa), na Mata Atlântica (figuras 33 e 34); são plantas 
com potencial alimentício e não são consideradas convencionais.
Figura 31 – Folhas da vitória‑régia (Victoria amazonica) na Amazônia
Disponível em: https://shre.ink/8vJB. Acesso em: 9 abr. 2024.
Figura 32 – Frutos comestíveis do cacto mandacaru (Cereus jamacaru), comum em áreas de Caatinga
Disponível em: https://shre.ink/8v0N. Acesso em: 9 abr. 2024.
47
BOTÂNICA ECONÔMICA
Figura 33 – Frutos do jaracatiá (Jacaratia spinosa)
Disponível em: https://shre.ink/8v0z. Acesso em: 9 abr. 2024.
Figura 34 – Árvore com frutos do jaracatiá (Jacaratia spinosa), espécie comum na Mata Atlântica
Disponível em: https://shre.ink/8v0C. Acesso em: 9 abr. 2024.
Estudos mostram que, além de implementar a ideia de agroecologia e o conceito de etnobotânica 
por meio da manutenção das florestas, áreas preservadas e suas respectivas comunidades, o consumo 
dessas plantas pode ser considerado uma ferramenta estratégica para garantir inúmeros benefícios à 
população, como a diversificação alimentar, que reforça o conceito de soberania e segurança alimentar 
e nutricional, e a consequente diminuição do consumo de alimentos produzidos à base de defensivos 
agrícolas, que estão cada vez mais presentes na mesa do consumidor, bem como o suprimento nutricional 
de baixo custo para as comunidades que apresentam deficiências nutricionais devido às condições 
econômicas desfavoráveis.
A má distribuição de renda e a desigualdade social ainda são alguns dos problemas sociais que mais 
assolam a humanidade. Segundo dados do IBGE de 2017, cerca de 26,5% da população brasileira está 
48
Unidade II
abaixo da linha da pobreza, e a maioria é das regiões Norte e Nordeste (Souza; Lorenzi, 2019). Contudo, 
essas regiões ainda apresentam grandes áreas preservadas com recursos florísticos endêmicos de seus 
respectivos ecossistemas, além de inúmeras plantas com alto potencial nutritivo, porém não conhecidas 
ou subutilizadaspelas comunidades locais.
Alguns autores consideram que o real problema da fome não está relacionado a crises econômicas, 
mas sim ao mau uso, os desperdícios e a má distribuição de renda (Souza; Lorenzi, 2019). A produção 
de alimentos ultrapassa o considerado suficiente para a população mundial, porém os problemas 
causados pela miséria persistem. Ou seja, a falta de informação sobre o grande potencial alimentício e a 
versatilidade dos recursos disponíveis, bem como a má distribuição dos alimentos produzidos em grandes 
escalas pela agricultura convencional, sem dúvida, contribuem muito para esse triste cenário que atinge 
diversos países ainda hoje, inclusive os grandes exportadores de alimentos, como é o caso do Brasil.
Atualmente, os alimentos convencionais produzidos no Brasil apresentam uma cadeia preestabelecida, 
planta‑se um número irrelevante de espécies, geralmente não nativas; em contrapartida, essas 
poucas espécies em quantidades exacerbadas ocupam boa parte do território nacional. A agricultura é 
um dos setores envolvidos nas derrubadas de florestas e na consequente degradação dos ecossistemas. 
Vale salientar que essas plantas cultivadas necessitam de insumos e cuidados específicos, pois muitas 
das espécies cultivadas são exóticas e não estão adaptadas a grandes alterações climáticas. Portanto, 
além da exigência de mais cuidados, os custos são superiores aos necessários para cultivar espécies 
nativas e espontâneas.
No Brasil, os estudos mostram que as Pancs são diversas e devem ser interpretadas de acordo com a 
cultura local/regional de cada comunidade. Como no país existem biomas distintos e esses ecossistemas 
podem apresentar fitofisionomias distintas, isso acarreta enormes contrastes no quesito gastronômico. 
Alguns exemplos clássicos são o jambu (Acmella oleracea) (figura 35), muito utilizado no Pará, a taioba 
(Xanthosoma sagittifolium), no Espírito Santo, e a ora‑pro‑nóbis (Pereskia aculeata), em Minas Gerais. 
Ou seja, uma planta considerada Panc na região Sudeste pode não ser na região Norte ou Nordeste. Vale 
ressaltar que mesmo as plantas convencionais presentes em nosso cotidiano, mas que denotam partes 
comestíveis consideradas não convencionais para a comunidade local, têm o mesmo conceito.
Figura 35 – Jambu (Acmella oleracea), muito utilizado na culinária do Pará
Disponível em: https://shre.ink/8v0e. Acesso em: 9 abr. 2024.
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BOTÂNICA ECONÔMICA
Pesquisas a respeito do comércio de Pancs em grandes centros urbanos mostram uma pequena 
diversidade de espécies sendo negociadas, entre elas podemos destacar: cará (Dioscorea dodecaneura), 
açafrão‑da‑terra (Curcuma longa), inhame (Colocasia esculenta), bambu (Phyllostachys edulis), maxixe 
(Cucumis anguria), mandioquinha‑salsa (Arracacia xanthorrhiza) e pitaia vermelha (Hylocereus lemaire). 
Todas essas espécies são acentuadas na literatura como Pancs (Souza; Lorenzi, 2019).
 Lembrete
As Pancs podem ser consideradas alimentos de fontes sustentáveis e 
serem uma estratégia de valorização da biodiversidade, pois seu cultivo não 
causa impactos ao meio ambiente.
7 ESPÉCIES DE PANCS EM DESTAQUE
Uma das espécies mais conhecidas citadas na literatura como uma Panc é a cúrcuma ou o 
açafrão‑da‑terra (Curcuma longa). Pertencente à família Zingiberaceae, é uma planta herbácea, com 
folhas em tufos, grandes e longas; sua superfície é marcada por nervuras e tem caule de aspecto 
rizomatoso (figura 36). O caule tem uma forte coloração amarelo‑avermelhado devido à alta 
concentração de curcumina.
Figura 36 – Caule do tipo rizomas da cúrcuma ou açafrão‑da‑terra (Curcuma longa) 
e do caule moído preparado na forma de pó usado como tempero
Disponível em: https://tinyurl.com/46wy3r5x. Acesso em: 18 abr. 2024.
A parte reprodutiva da cúrcuma tem flores brancas e amarelas, com brácteas branco‑esverdeadas 
dispostas em uma inflorescência na forma de espiga cilíndrica pouco densa (figura 37). Originária da 
Índia e do sudeste da Ásia, ela é popularmente conhecida como açafrão‑da‑índia, açafrão‑da‑terra, 
cúrcuma e gengibre‑amarelo.
50
Unidade II
Figura 37 – Aspecto geral da inflorescência do açafrão‑da‑terra (Curcuma longa)
Disponível em: https://shre.ink/8v0I. Acesso em: 9 abr. 2024.
Cultivada em quase todo o território brasileiro, a cúrcuma é muito utilizada na culinária no preparo 
de molhos, curry, mostarda, queijos e manteiga. É um excelente corante condimentar comercializado 
em forma de pó, fonte de curcumina (figura 38), minerais, vitamina A e C, ácido fólico e riboflavina, 
essenciais para a manutenção da saúde.
HO OH
O
O O
O
H3C CH3
Figura 38 – Estrutura da molécula de curcumina
Disponível em: https://shre.ink/8v0s. Acesso em: 9 abr. 2024.
51
BOTÂNICA ECONÔMICA
A cúrcuma também vem sendo muito aplicada na indústria farmacêutica e para fabricar óleo e 
oleorresina. Muitas propriedades medicinais estão presentes no açafrão‑da‑terra, como a ação 
anti‑inflamatória, antibacteriana, cicatrizante, neuroprotetora, antimalárica e antifúngica. Ela também 
pode ser utilizada para tratar problemas estomacais, bem como câncer de esôfago e garganta.
Outra espécie de Panc que vale acentuar é a taioba (Xanthosoma sagittifolium). Pertencente à 
família Araceae, é uma planta herbácea tuberosa e com folhas membranáceas de coloração verde‑escuro 
(figura  39). Originária da América Tropical, é comestível e de elevado valor nutritivo. Seus órgãos 
subterrâneos (caules do tipo cormos) são consumidos por algumas populações no mundo e constituem 
fonte energética importante na dieta. O consumo de suas folhas, no entanto, não é muito difundido, 
sendo considerada uma hortaliça não convencional.
Figura 39 – Folhas de taioba (Xanthosoma sagittifolium), da família Araceae
A literatura relata que a utilização da taioba pode ser tanto das folhas (talos/pecíolo), no preparo de 
refogados, como dos rizomas amiláceos, usados no preparo de purês, cozidos e fritos.
A taioba é comumente confundida com outras plantas da família Araceae por apresentar morfologia 
muito semelhante, diferenciando‑se destas por suas folhas sagitadas e seiva de aparência esbranquiçada. 
A identificação correta dessas plantas é vital, pois muitas espécies de gêneros pertencentes a essa 
família têm alto potencial tóxico.
Entre as dicas para reconhecer a taioba verdadeira é observar a presença de uma linha circundante 
na margem da folha (figura 40). O pecíolo (talo) das folhas tem inserção que sai da união da margem 
da folha (figuras 40 e 42). A taioba verdadeira tem uma coloração verde uniforme na folha e no pecíolo 
(figura 42).
52
Unidade II
Figura 40 – Desenho esquemático de folha da taioba. As setas na imagem evidenciam a linha 
circundante na margem da folha e a inserção do pecíolo na união da margem foliar
Nas espécies de falsa taioba, é comum existirem folhas parecidas com as da verdadeira taioba, mas 
sem a presença da linha circundante na margem da folha (figura a seguir).
Figura 41 – Desenho esquemático de folha da falsa taioba. As setas na imagem evidenciam a falta da 
linha circundante na margem da folha e a inserção do pecíolo no meio da folha
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BOTÂNICA ECONÔMICA
Outro aspecto da falsa taioba é a presença de um pecíolo que sai do meio da folha (figuras 41 e 42). 
Há também a falsa taioba que tem um pecíolo de coloração roxa (figura a seguir).
Figura 42 – Desenho esquemático de folha da verdadeira taioba e da falsa taioba. As setas na imagem 
evidenciam a inserção do pecíolo e a coloração do pecíolo roxo
 Observação
É importante salientar que a taioba também tem peculiaridades quanto 
ao seu potencial alimentício, uma vez que ela precisa ser submetida ao 
calor do cozimento antes do consumo. Assim, suas substâncias prejudiciais 
podem ser eliminadas ou ao menos serem reduzidas, podendo inclusive 
apresentar respostas tóxicas caso sejam ingeridas de maneira inadequada, 
pois suas substâncias podem interferir no processo de absorção de 
nutrientes. Essas substâncias são decorrentes de um mecanismo de defesa 
que aplanta desenvolveu contra a herbivoria e os possíveis organismos 
patógenos. Contudo, a toxicidade não é obrigatória, mas ajuda a impedir 
que organismos estranhos possam predá‑la.
Quanto às propriedades medicinais, as folhas da taioba são constituídas principalmente de fibra 
alimentar, que auxiliam no processo de digestão, diminuem a glicemia e o colesterol, previnem doenças 
inflamatórias intestinais e a obesidade, além de apresentarem grande quantidade de ferro entre 
os nutrientes.
Outra espécie que merece destaque é o ora‑pro‑nóbis (Pereskia aculeata). Planta pertencente à 
família Cactaceae, é um arbusto semilenhoso muito espinescente, com folhas simples e de textura 
carnosa. Na alimentação as folhas podem ser utilizadas no preparo de saladas, farinhas, pães e bolos. Já 
os frutos podem ser usados no preparo de sucos, licores, geleias e musses.
54
Unidade II
Figura 43 – Ramo florido de ora‑pro‑nóbis (Pereskia aculeata)
Disponível em: https://shre.ink/8v6Z. Acesso em: 9 abr. 2024.
Nativo do Brasil, o ora‑pro‑nóbis é uma planta de fácil propagação devido a sua rusticidade e 
resistência a períodos de estiagem, podendo substituir hortaliças folhosas menos resistentes. Seus frutos 
são ricos em carotenoides e vitamina C, o que vem despertando interesse agrícola e farmacológico, 
pois apresenta alto teor de proteínas e aminoácidos essenciais e mucilagem. Estudos revelam que o 
ora‑pro‑nóbis é também uma ótima fonte de minerais, vitaminas e aminoácidos. A alta concentração de 
proteínas e de triptofano, principalmente, é elevada quando comparada ao teor presente nos alimentos 
convencionais como o arroz e o feijão. Também vale ressaltar que o triptofano é essencial para a síntese 
de serotonina, hormônio que regula o sono e humor. Foram observadas substâncias antinutricionais 
em concentrações reduzidas, entretanto não existe evidência alguma de que o consumo possa trazer 
quaisquer prejuízos à saúde humana.
Outro aspecto importante sobre as Pancs é que a maioria da população não as conhece, em especial 
nos grandes centros, onde predominam os famosos fast‑foods. Embora esses alimentos sejam muito 
nocivos à saúde, a exemplo da obesidade, apresentando altas quantidades de carboidrato e lipídeo, 
acabaram conquistando espaço no cardápio do mundo globalizado por venderem uma ideia de 
praticidade e baixo custo.
A literatura mostra que muitas plantas usadas tradicionalmente na alimentação humana, entre 
elas as Pancs, podem apresentar aspectos bioativos medicinais (Barbieri; Stumpf, 2008). As plantas 
medicinais constituem parte significativa da biodiversidade mundial, e o uso de recursos florísticos 
na  medicina é uma das práticas mais antigas ainda presentes. O ser humano sempre demonstrou 
interesse em encontrar formas que pudessem auxiliar no tratamento para curar enfermidades, e por 
muitos séculos as plantas foram o único recurso utilizado.
55
BOTÂNICA ECONÔMICA
Estudos mostram que algumas espécies amplamente comercializadas no mercado convencional 
podem causar intoxicação aos seres humanos e demais animais quando consumidas ou preparadas para 
o consumo de forma inadequada. Contudo, a prudência na identificação dessas plantas é vital, uma vez 
que muitas espécies podem ser confundidas com plantas tóxicas pela simples aparência morfológica 
(Barbieri; Stumpf, 2008). Portanto, a validação científica a respeito desses conhecimentos é o principal 
caminho para obter o aproveitamento adequado desse recurso e é preciso que a população tenha 
acesso às informações científicas sobre as substâncias presentes nessas plantas. Devem‑se conhecer os 
possíveis efeitos que elas podem causar aos humanos e demais seres vivos, garantindo mais segurança 
e benefícios à saúde.
 Observação
Você sabia que estudos propõem estratégias para ampliar o consumo 
de Pancs no país?
 Saiba mais
Para entender melhor o que estamos estudando, leia o seguinte artigo:
QUEIROZ, C. Panc na dieta dos brasileiros. Pesquisa FAPESP, ed. 320, out. 
2022. Disponível em: https://shre.ink/8uP7. Acesso em: 11 abr. 2024.
8 PLANTAS COMO FONTE ENERGÉTICA E OUTRAS APLICAÇÕES
8.1 Plantas como fonte energética
Há muitos anos vem‑se alertando que é preciso desenvolver técnicas para obtenção de matéria‑prima 
e transformação de biomassa vegetal em fontes energéticas para combustíveis que possam substituir o 
grande volume de combustíveis fósseis usado em quantidade crescente todos os anos.
A obtenção de combustíveis a partir de biomassa vegetal é uma recomendação em todas as propostas 
para um desenvolvimento sustentável. Além de ser um recurso praticamente inesgotável e de estar 
disponível em quase toda a superfície terrestre (o que não acontece com os combustíveis fósseis), a 
biomassa é um combustível muito menos poluente. Em geral, a biomassa contém menos de 0,1% de 
enxofre e 3‑5% de cinzas, enquanto o carvão libera em sua queima 2‑3% e 10‑15%, respectivamente, 
desses produtos (Barbieri; Stumpf, 2008). Outra enorme vantagem da biomassa sobre os combustíveis 
fósseis é que a sua produção não compromete as condições atmosféricas, como o aumento da quantidade 
de CO2, gerando o efeito estufa. Se a biomassa for produzida em escala sustentável, o CO2 liberado pela 
queima será todo reabsorvido durante a fotossíntese das plantas cultivadas para suprir futuras demandas. 
Desse modo, a bioenergia não representaria nenhuma contribuição para o aquecimento do planeta.
56
Unidade II
Embora os combustíveis fósseis contribuam com aproximadamente 80% do consumo mundial de 
fontes energéticas e a biomassa venha tendo uma participação muito pequena, já existe há muito 
tempo em numerosos países (especialmente naqueles em desenvolvimento) uma tradição em explorar os 
recursos energéticos de plantas. Em muitos casos, emprega‑se a madeira diretamente como combustível. 
Em outros, a madeira sofre uma transformação relativamente simples (em termos técnicos), sendo 
queimada e convertendo‑se em carvão, que será o gerador de energia a ser usada. Também processos 
industriais mais complexos são utilizados para obter os combustíveis líquidos, como o metanol e o 
etanol, a partir da madeira e de outras partes de plantas.
Além dos processos convencionais para obter recursos energéticos de plantas, há atualmente 
uma busca muito intensa por formas alternativas de uso de energia a partir de plantas inteiras, de 
determinados órgãos ou até mesmo de secreções de plantas. Esses processos não convencionais são 
pesquisados a fim de ampliar o espectro de utilização dos recursos energéticos oriundos de plantas, 
além de tentar obter combustíveis mais baratos e cultivar plantas fornecedoras de combustíveis em 
áreas inexploradas para a produção de alimentos.
Entre os processos convencionais para obter combustíveis, cita‑se a produção de lenha. O simples 
uso de madeira seca ao ar para gerar calor é a forma mais tradicional de geração de energia a partir de 
biomassa. Nas regiões agrícolas dos países em desenvolvimento, a lenha representa ainda a principal 
forma de energia para uso residencial. O uso de lenha nos fogões das residências pobres na zona rural 
é uma causa de intoxicação, principalmente nos lares em que a cozinha não dispõe de boa ventilação, 
o que causa alta concentração de gases tóxicos resultantes da queima da lenha, inclusive do monóxido 
de carbono (figura a seguir).
Figura 44 – Lenha no fogão de uma residência na zona rural
Disponível em: https://shre.ink/8v6u. Acesso em: 9 abr. 2024.
57
BOTÂNICA ECONÔMICA
Nos grandes centros urbanos, a lenha ainda é muito aplicada para determinados fins. Em São Paulo, 
muitas vezes, a produção de pão e pizza é dependente de lenha, que representa uma fonte de calor 
mais barata que a da energia elétrica. É interessante acrescentar também o uso da lenha nas grandes 
cidades como combustível para lareiras. Paradoxalmente, o uso doméstico da lenha no Brasil une os dois 
extremos do espectro socioeconômico: de um lado, as populações mais pobres, da zona rural, dependem 
da lenha comocombustível para a cozinha; de outro, as populações citadinas mais abastadas têm no 
uso da lenha um item luxuoso para alimentar as suas lareiras.
O desenvolvimento do transporte ferroviário no estado de São Paulo tornou‑se possível no início 
do século XX graças à introdução do eucalipto, realizada por Edmundo Navarro de Andrade, com o 
patrocínio da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Foi também Andrade quem estabeleceu o famoso 
horto localizado em Rio Claro, que contém o principal banco de germoplasma de espécies de eucalipto 
do Brasil. A lenha obtida do eucalipto era consumida para alimentar as caldeiras das locomotivas 
(marias‑fumaças).
A madeira, combustível usado hoje no Brasil, provém em sua maior parte do eucalipto (figura 45). As 
duas principais espécies utilizadas são Eucalyptus saligna e Eucalyptus grandis. O Brasil é atualmente o 
maior produtor mundial de eucalipto, e a maior parte de sua madeira é destinada à indústria de celulose 
e papel. São Paulo é o estado com a maior produção. A segunda maior aplicação do eucalipto é para 
a produção de carvão. Em menor escala, utilizam‑se para fins semelhantes as madeiras de coníferas, 
principalmente o pinus.
Figura 45 – Plantação de eucalipto usado para a produção de lenha
Disponível em: https://shre.ink/8v6h. Acesso em: 9 abr. 2024.
58
Unidade II
Outro processo convencional de obtenção de combustíveis é a produção de carvão vegetal.
Figura 46 – Carvão vegetal
Disponível em: https://shre.ink/8v6L. Acesso em: 9 abr. 2024.
A conversão da madeira em carvão leva a uma perda de 2/3 do conteúdo calórico original. No entanto, 
a obtenção do carvão oferece vantagens importantes sobre o uso da madeira como combustível. Em 
certos casos, o carvão não pode ser substituído pela madeira como gerador de calor. Por exemplo, na 
indústria do ferro e do aço, exigem‑se altas temperaturas nos fornos. Essa condição é satisfeita pelo 
carvão, e não pela madeira, pois o primeiro tem um poder calorífico maior que a segunda, no caso 
do eucalipto, os valores são 28 mil kJ/kg (quilojoules/quilograma) para o carvão e 16 mil kJ/kg para a 
madeira seca ao ar. Além disso, o carvão não se deteriora (o que simplifica o armazenamento), é mais 
leve que a lenha (o que barateia o transporte) e queima com a formação de pouca fumaça (embora, em 
ambientes pouco ventilados, ele ofereça o risco de intoxicação por CO).
No Brasil, Minas Gerais é o segundo estado com plantação de eucalipto. Boa parte da madeira 
destina‑se à produção de carvão, que é consumido na siderurgia, pois é nesse estado que ocorre a mais 
intensa atividade no país.
Outro processo convencional para obter combustíveis é a produção de etanol a partir de espécies 
vegetais. O etanol pode ser retirado de diversas fontes, dependendo das características agrícolas de cada 
região e do grau de desenvolvimento tecnológico conseguido para a implementação de cada processo. 
Nos países cujas condições climáticas são propícias para o cultivo da cana‑de‑açúcar (Saccharum 
officinarum, Poaceae) (figura 47), ela é normalmente a fonte de biomassa preferida para obter álcool, 
sobretudo porque essa espécie é a planta que tem o maior rendimento fotossintético que se conhece (3% 
da energia solar incidente é convertida em energia química, enquanto outras espécies têm rendimento 
fotossintético situado entre 1 e 2%).
59
BOTÂNICA ECONÔMICA
Figura 47 – Cana‑de‑açúcar usada para a produção do etanol
Disponível em: https://shre.ink/8v6q. Acesso em: 9 abr. 2024.
O Brasil é um dos grandes produtores de cana‑de‑açúcar. A planta foi introduzida no início da 
colonização, havendo registros de sua presença no Rio de Janeiro em 1519. A cultura da cana teve 
grande importância no período colonial, constituindo um dos ciclos da história econômica do país 
(figura a seguir).
Figura 48 – Colheita da cana‑de‑açúcar usada para a produção do etanol
Disponível em: https://shre.ink/8v6r. Acesso em: 9 abr. 2024.
60
Unidade II
No século XX, o maior incentivo para produzir a cana no Brasil veio com o programa Proálcool, 
instituído em 1975 como reação ao embargo do petróleo determinado pelos países produtores em 1973. 
A partir de então, observou‑se uma grande expansão da área cultivada, principalmente no estado de 
São Paulo, e do número de usinas. Houve também um substancial aumento na produtividade da cultura, 
de 55 ton/ha em 1971 para 72 ton/ha em 1981.
O álcool é obtido por fermentação da sacarose contida no caldo de cana. O rendimento de álcool 
é de 60‑70 litros por tonelada de cana‑de‑açúcar. Em 1981, o Brasil produziu cerca de 3,7 bilhões de 
litros de etanol; em 1983‑1984, a produção elevou‑se para 7,8 bilhões de litros, a maior parte destinada 
ao consumo como combustível de automóveis, quer como álcool hidratado (consumo correspondente 
a 51% do total), quer como álcool anidro adicionado à gasolina (25% do total produzido). A partir de 
meados da década de 1990, observou‑se um gradual e forte declínio do preço internacional do petróleo. 
Com isso, ocorreu um desestímulo na produção do álcool e, consequentemente, uma séria crise no 
Proálcool. Em 1984 a maioria dos automóveis novos era movida a álcool, hoje observamos o inverso.
O Brasil desenvolveu nas décadas de 1970‑1980 avançada tecnologia para produzir o etanol a partir 
da cana‑de‑açúcar, mantendo hoje uma liderança no setor e operando as refinarias mais eficientes do 
mundo. Sua utilização é ainda mais eficiente se o bagaço da cana passar a ser extensivamente aplicado 
como combustível para operar pequenas usinas geradoras de eletricidade movidas a vapor. Tais usinas 
poderiam gerar eletricidade suficiente para alimentar energeticamente a produção local de açúcar e 
álcool. O bagaço da cana vem sendo usado com essa finalidade, mas ainda em pequena escala e por 
poucos usineiros.
Com a introdução do Proálcool, houve progressos consideráveis em vários aspectos do cultivo da 
cana‑de‑açúcar e da produção de etanol. Por exemplo, desenvolveram‑se projetos bem‑sucedidos 
para o controle biológico da cultura. Assim, as grandes usinas têm laboratórios que produzem o fungo 
Metarrhizium anisopliae, que controla a cigarrinha Mahanarva posticata. Também se utiliza a mosca 
Apanteles flavipes, que ataca lagartas do gênero Diatraea. A extração do caldo de cana evoluiu de 
uma eficiência de 88% antes do programa para 95% atualmente. O tempo de fermentação passou 
de 18‑24 h para 5‑8 h. A eficiência fermentativa evoluiu de 70‑80% para 88‑92%.
A desvantagem da cana‑de‑açúcar como biomassa para produzir combustíveis é ela ser uma 
cultura exigente quanto a solo e clima. Ela prefere solos profundos, argilosos e de boa fertilidade, não 
sendo competitiva, por exemplo, nas condições do Cerrado, a não ser que se façam correções com 
calcário e fertilizantes. A cana exige também precipitações anuais mínimas de 1.200 mm e não tolera 
baixas temperaturas, essa é uma das razões pelas quais São Paulo é o principal produtor brasileiro, 
respondendo sozinho por cerca de 70% da produção do país. Devido a suas exigências, a opção pela 
cana‑de‑açúcar acaba se revestindo de um caráter perverso, pois ela compete com outras culturas, 
como as alimentícias, que deveriam em princípio merecer prioridade no planejamento agrícola de um 
país com uma população que tem um alto contingente de famílias subnutridas e famintas.
61
BOTÂNICA ECONÔMICA
 Observação
Em alguns países, as condições climáticas não permitem que a 
cana‑de‑açúcar se desenvolva, por isso outras fontes potenciais de etanol 
são a beterraba (Beta vulgaris) e as culturas amiláceas, com destaque para 
o milho (Zea mays, Poaceae). A beterraba é uma fonte viável para os países 
europeus, que dependem dessa cultura para a obtenção de açúcar. O milho 
é uma opção interessante, sobretudo para os EUA, graças à gigantesca 
produção desse país.
Outra espécie interessante para a produção de etanol seria a mandioca (Manihot esculenta) 
(figura 49), que representa uma opção para o Brasil como fonte amilácea para a produçãode etanol, 
mas ainda não vem sendo usada com esse objetivo. O país é um grande produtor desse tubérculo, e a 
mandioca não impõe tantas exigências para o cultivo como as da cana‑de‑açúcar. No entanto, não se 
dispõe ainda de tecnologia que permita à mandioca concorrer com a cana como matéria‑prima para 
a produção de etanol, principalmente porque, enquanto a cana fornece o caldo contendo sacarose, 
que pode ser imediatamente posto a fermentar; a mandioca fornece amido, que deve ser previamente 
hidrolisado para liberar açúcares, que serão fermentados depois.
Figura 49 – Raízes da mandioca: potencial para uso como fonte amilácea e produção de etanol
Vale a pena também mencionar como biomassa para a produção de etanol a madeira e os resíduos 
celulósicos vegetais, a exemplo do bagaço de cana. No caso desses resíduos, o álcool seria obtido por 
fermentação da glicose, que por sua vez seria proveniente de hidrólise da celulose da madeira. A obtenção 
da glicose pode ocorrer via enzimas (celulases, de fungos) ou por hidrólise ácida. Ainda não houve 
rendimentos que trouxessem alguma esperança de viabilizar tecnologicamente a potencialidade da 
62
Unidade II
madeira como matéria‑prima para a obtenção de etanol, que é considerado etanol de segunda geração 
quando produzido a partir da celulose. Assim, há uma mudança na forma de enxergar os subprodutos 
da cana‑de‑açúcar: a palha e o bagaço de cana, antes resíduos, agora passam por um novo tratamento, 
um processo altamente tecnológico de hidrólise e dupla fermentação que dá origem ao chamado de 
álcool de segunda geração.
Figura 50 – Aspectos gerais do resíduo da cana‑de‑açúcar 
com potencial para gerar etanol a partir da celulose
Disponível em: https://shre.ink/8v6c. Acesso em: 9 abr. 2024.
Tem‑se pesquisado muito nos últimos 20 anos a possibilidade de conversão de plantas vasculares 
aquáticas em metano por meio de processos de digestão anaeróbica. As plantas que normalmente são 
usadas como biomassa para a conversão em combustível são aquelas que frequentemente se enquadram 
em uma ou ambas as condições. Elas representam problemas para as hidroelétricas, para a navegação 
e para outros organismos aquáticos, pois têm crescimento muito vigoroso, chegando às vezes a cobrir 
toda a superfície da água, impedindo a penetração da luz nos lagos. Também há as plantas que são 
cultivadas como parte do tratamento de águas de esgoto. No último caso, a energia obtida da planta 
poderia ser investida nos próprios processos de tratamento do esgoto, como nas etapas de aeração da 
água, importante para auxiliar na oxidação da matéria orgânica.
Esses processos que utilizam biomassa representam um problema a várias atividades econômicas. Em 
outros casos, afetam o tratamento de águas residuais. Em ambos os casos, não temos os inconvenientes 
da cana‑de‑açúcar, uma cultura que compete com outras consideradas nobres, como as alimentícias 
ou as produtoras de fibras e madeiras. Uma planta que se enquadra nas condições referidas e que vem 
sendo investigada como fonte viável de biomassa para a produção de biogás é o aguapé (Eichhornia 
crassipes), provavelmente devido à altíssima produção que ele apresenta e aos sérios problemas que ele 
causa nos ambientes aquáticos artificiais ou perturbados. Em um dos experimentos realizados nos EUA, 
conseguiu‑se um rendimento de metano de 198 l/kg de peso seco de aguapé.
63
BOTÂNICA ECONÔMICA
Existem grandes esforços para pesquisar plantas produtoras de substâncias líquidas e que gerem bons 
combustíveis com o objetivo de substituir os derivados de petróleo. Em geral, um combustível orgânico 
libera tanto mais energia por unidade de massa quanto mais rico ele for em ligações C‑H. Quanto mais 
oxigenado for o material, menor será o conteúdo de energia liberada na combustão. A gasolina e o 
querosene, por exemplo, são constituídos por misturas de hidrocarbonetos, ou seja, substâncias cujas 
moléculas apresentam apenas C e H. Assim, as plantas procuradas como fontes de combustíveis devem 
preferencialmente produzir grandes quantidades de hidrocarbonetos, embora não necessariamente 
tendo composições semelhantes às dos combustíveis fósseis.
Vários autores fazem triagem de muitas plantas simultaneamente, seguindo uma sequência 
analítica que permite avaliar o conteúdo de fibras, proteínas, óleos (glicerídeos) e hidrocarbonetos 
(Souza; Lorenzi, 2019). Muitas plantas são grandes produtoras de glicerídeos. Esses produtos costumam 
ser acumulados em sementes, sob a forma de reserva energética para o embrião, especialmente as 
palmeiras e sementes oleaginoas. Propõe‑se o cultivo de algumas dessas plantas para produzir óleo, que 
poderia substituir o diesel, sobretudo para mover as máquinas agrícolas. Assim, as fazendas poderiam 
cultivar plantas energéticas, que seriam industrializadas em pequenas usinas locais para a produção de 
óleo, que seria então consumido na própria região, evitando o custo do transporte. O óleo de dendê 
(Elaeis guineensis) vem sendo usado em certas regiões da África como combustível sucedâneo do diesel 
(figura 51). Esse é um enorme campo para pesquisa, não apenas das potencialidades dos óleos como 
eventuais combustíveis, mas também como matéria‑prima para múltiplas aplicações na alimentação e 
na indústria.
Figura 51 – Colheita dos frutos do dendê para a produção de biodiesel
Disponível em: https://shre.ink/8v6a. Acesso em: 9 abr. 2024.
64
Unidade II
8.2 Outras aplicações para produtos de origem vegetal
Várias são as aplicações para os produtos de origem vegetal além dos fins alimentícios e medicinais, 
mas alguns se destacam, como a madeira, a celulose, a fibra têxtil, o látex, a cera, a resina, as gomas etc.
Entre as aplicações para os produtos vegetais, podemos destacar a produção de madeira. 
A exploração madeireira no Brasil é realizada em sua maioria a partir da extração de madeira em florestas 
nativas, com exceção para as plantações de pinus e eucaliptos. Essa forma de extração se concentrou 
durante muito tempo na Mata Atlântica e na Floresta Amazônica, reduzindo muitas espécies. Existe 
uma pressão internacional e de exigências legais para a definição de planos de manejo sustentável. 
Alguns exemplos desse tipo de exploração foi o que ocorreu com o jacarandá‑da‑bahia (Dalbergia 
nigra), uma Fabaceae, na Mata Atlântica, e o mogno (Swietenia macrophylla), uma Meliaceae, na região 
da Amazônia. A diminuição da exploração de madeiras nativas e a crescente demanda do mercado por 
recursos madeireiros levaram à formação de florestas de pinus (Pinus spp.), que também é explorado 
para a produção de resina; eucaliptos (Eucalyptus spp.); e mais recentemente a teca (Tectona grandis), a 
qual lidera a produção de madeira.
Essas espécies citadas também são fonte de celulose, que no Brasil tem predomínio na exploração da 
celulose do eucalipto e do pinus (figura 52). Vale salientar que existem fontes potenciais para possível 
exploração econômica como fonte de celulose, tais como o sisal, o bagaço da cana‑de‑açúcar e as 
folhas de palmeiras.
Figura 52 – Exploração de madeira para a exploração de celulose
Disponível em: https://shre.ink/8v6n. Acesso em: 9 abr. 2024.
65
BOTÂNICA ECONÔMICA
Várias espécies vegetais se evidenciam por ter fibras que podem ser utilizadas para produzir tecidos, 
vassouras, entre outros. O algodão é o maior destaque econômico para o país, pois as fibras do algodão são 
usadas na produção de tecidos com muito sucesso. O algodoeiro mais cultivado e de maior importância 
comercial é o herbáceo (Gossypium hirsutum), sendo amplamente cultivado na região do Centro‑Oeste 
brasileiro. Ele envolve uma enorme agroindústria, desde de seu plantio até o enfardamento e posterior 
produção de fios e tecidos (figura 53).
Figura 53 – Frutos do algodão aplicados para a exploração das fibras usadas na produção de tecidos
Disponível em: https://shre.ink/8v4J. Acesso em: 9 abr. 2024.
Entre as outras aplicações para os vegetais, podemos acentuar as plantas fornecedoras de látex,como a seringueira (Hevea spp.), da família Euphorbiaceae, que é a espécie mais usada. A espécie é nativa 
da região amazônica brasileira. Já tivemos o Brasil como o maior produtor no mercado da borracha. 
Contudo, no século XIX, mudas da espécie foram levadas para Londres e depois para suas colônias. 
Assim, a espécie passou a ser cultivada com sucesso em outros países, sobretudo no Oriente, como na 
Malásia. Outro aspecto que causou a diminuição na produção da borracha em escala comercial no Brasil 
foi o surgimento de um fungo contaminante nas plantações da Amazônia brasileira, que provocou o 
fracasso no cultivo da seringueira.
Outro produto de origem vegetal em destaque é a cera. A extração de cera de carnaúba (Copernicia 
prunifera) é a mais produtiva e importante, ela ocorre no Nordeste. Ela sempre foi usada para as seguintes 
finalidades: polimento, impermeabilização, como selador, fabricação de sabonete e batom. Todavia, o 
aparecimento de ceras sintéticas e mais baratas diminuiu o uso da cera de carnaúba, embora ainda 
exista sua exploração para fins específicos.
66
Unidade II
Figura 54 – Folhas da carnaúba, espécie usada na exploração da cera das folhas
Disponível em: https://shre.ink/8v4R. Acesso em: 9 abr. 2024.
Diversas árvores produzem exsudatos do tronco conhecidos como bálsamos ou, em alguns casos, 
como gomas, no Brasil. Ressaltam‑se as espécies do gênero Protium, conhecidas por breu‑branco. Tais 
resinas são terpenos, que podem ser utilizados no preparo de tintas e vernizes ou como aromáticos 
em incensos. Também temos o oleorresina, exsudato com ácidos resinosos e compostos voláteis. Ele é 
extraído da copaíba (Copaifera sp.) e é muito usado como medicinal.
A elevada diversidade vegetal brasileira e o clima tropical (que permite o cultivo de inúmeras espécies 
exóticas) tornam o Brasil riquíssimo em possibilidades de cultivo de plantas ornamentais e domesticação 
de plantas da nossa própria flora. Entre as espécies ornamentais brasileira, orquídeas, bromélias e aráceas 
se destacam pela beleza, resistência, diversidade de espécies e adaptabilidade.
Podemos fazer uma reflexão a respeito da aplicação do conhecimento sobre a flora nativa na 
bioeconomia, em destaque nos dias atuais, como um modelo de produção baseado na utilização de 
matérias‑primas naturais renováveis e de origem não fóssil, como florestas, animais, plantas e até 
microrganismos, para o desenvolvimento, a produção e comercialização de bioprodutos e energia.
67
BOTÂNICA ECONÔMICA
 Observação
Você sabia que pesquisadores pretendem estimar o potencial que o 
setor sucroalcooleiro apresenta para a produção de hidrogênio (H2) no 
país? A ideia é extrair o hidrogênio da biomassa que sobra da produção e 
do próprio etanol da cana‑de‑açúcar.
 Saiba mais
Para se aprofundar no tema estudado, leia:
GRUPO pretende mapear o potencial de produção de hidrogênio 
no setor sucroalcooleiro. Agência FAPESP, 22 nov. 2023. Disponível em: 
https://shre.ink/8ha2. Acesso em: 11 abr. 2024.
68
Unidade II
 Resumo
Estudamos nesta unidade os aspectos das plantas alimentícias, com 
destaque para as Pancs. Elas podem ser consideradas alimentos de fontes 
sustentáveis e serem uma estratégia de valorização da biodiversidade, pois 
seu cultivo não causa impactos ao meio ambiente, o que reforça a ideia de 
conservação ambiental e sustentabilidade.
Vimos que os vegetais são fontes energéticas. A obtenção de 
combustíveis a partir de biomassa vegetal é uma recomendação em todas 
as propostas com vistas a um desenvolvimento sustentável. Além de ser um 
recurso praticamente inesgotável e disponível em quase toda a superfície 
terrestre (o que não acontece com os combustíveis fósseis), a biomassa é um 
combustível muito menos poluente. Outra enorme vantagem da biomassa 
sobre os combustíveis fósseis é que a sua produção não compromete as 
condições atmosféricas, como aumentar a quantidade de CO2 e assim gerar 
o efeito estufa.
Por fim, destacamos várias outras aplicações para os produtos de origem 
vegetal além dos fins alimentícios e medicinais, como a madeira, a celulose, 
a fibra têxtil, o látex, a cera, a resina e as gomas.
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BOTÂNICA ECONÔMICA
 Exercícios
Questão 1. Examine o quadro a seguir.
Quadro 2 – Resumo das formas de preparo de Panc relatadas pelos informantes 
da comunidade rural de São José da Figueira, Durandé, Minas Gerais
Preparo Modo de preparo
Refogado Temperos como alho e cebola (ou outros) são fritos em uma panela com pouca gordura. 
Acrescente as folhas picadas ou rasgadas e refogue até que as folhas murchem
In natura Indicado para frutos e sementes que são consumidos sem nenhuma forma de preparo
Salada Folhas são lavadas, picadas e podem ser consumidas sem tempero ou temperadas com sal, 
vinagre, limão ou outros ingredientes
Tempero Folhas e caules são lavados, picados e usados como temperos para carnes, legumes e saladas
Suco Frutos, talos ou folhas são triturados no liquidificador com água e acrescidos de açúcar branco 
ou açúcar mascavo
Pó
Folhas ou sementes são lavadas, secas e torradas em panela de ferro ou levadas ao forno e 
depois são trituradas em pilão ou liquidificador até formarem um pó, sendo consumidas com 
as refeições, ou são diluídas em água
Empanado Folhas lavadas e secas são mergulhadas em uma mistura para empanar (ovo batido acrescido 
de trigo, fubá ou farinha de mandioca e temperos) e depois são fritas em óleo quente
Molho Frutos são lavados, retiradas as sementes e cozidos (com temperos variados) até que formem 
um molho encorpado. O molho é utilizado no preparo de massas e carnes
Conserva Frutos são servidos por cerca de 30 minutos para retirar o amargor, adicionando‑se a salmoura 
de vinagre e água e temperos variados
Doce Frutos são ralados e deixados de molho por cerca de 8 horas, trocando‑se a água a cada 2 
horas. Prepara‑se a calda com água e açúcar e adicionam‑se os frutos ralados para cozimento 
TULER, A. C.; PEIXOTO, A. L.; SILVA, N. C. B. Plantas alimentícias não convencionais (Panc) na comunidade rural de 
São José da Figueira, Durandé, Minas Gerais, Brasil. Rodriguésia, v. 70, 2019. Disponível em: 
https://shre.ink/8KUW. Acesso em: 9 abr. 2024 (com adaptações).
70
Unidade II
Com base nas informações do quadro e nos seus conhecimentos sobre plantas alimentícias não 
convencionais (Pancs), assinale a alternativa correta.
A) A pouca aceitação das Pancs deve‑se à pequena variedade de espécies vegetais que servem a 
essa finalidade.
B) Diferentes partes das Pancs, como frutos e raiz, podem ser usadas como fonte de alimento 
e nutrientes.
C) Embora existam muitas espécies disponíveis, a falta de sabor e os limitados modos de preparo 
desestimulam os brasileiros a incluírem as Pancs em sua dieta.
D) A denominação de Panc aplica‑se apenas às folhas dos vegetais.
E) A maior vantagem do uso de Pancs é o fato de elas serem de fácil acesso, podendo ser encontradas 
em terrenos e jardins. Contudo, em termos nutricionais, elas são muito inferiores aos vegetais que 
já consumimos.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: a lista de vegetais considerados Pancs cresce ano a ano, conforme novos estudos vão 
sendo realizados.
B) Alternativa correta.
Justificativa: a observação do quadro permite verificar que diversas partes das plantas são 
aproveitadas na alimentação e que existem tipos diferentes de preparo.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a observação do quadro permite verificar que existem diversas maneiras diferentes de 
preparo para as Pancs.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a observação do quadro permite verificar que diversas partes das plantas são 
aproveitadas na alimentação.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: a facilidade no acesso às Pancs deve ser somada ao teor nutritivo elevado, que se 
equipara ao das plantas convencionais que já fazem parte de nossa dieta.
71
BOTÂNICA ECONÔMICA
Questão 2. Leia o texto a seguir.
Desde o surgimento da espéciehumana, tanto os vegetais quanto o estudo e o seu conhecimento 
foram importantes para o homem de várias formas, recebendo diferentes classificações em diversas 
sociedades. De fato, a história da humanidade confunde‑se com a história do uso das plantas. 
A agricultura, por exemplo, iniciada há cerca de 11 mil anos, contribuiu para sobrevivência das populações 
humanas sedentárias. Autores apontam o amplo uso dos vegetais, que, além de servirem como alimento, 
são utilizados na cura de doenças, em festejos e em atos religiosos, sendo por isso considerados sagrados 
em muitas culturas. Embora pela etnobotânica e pela botânica econômica diversas plantas tenham 
seu uso classificado e explicitado, essas áreas revelaram, de forma fragmentada, apenas uma parte 
da utilização possível dos vegetais pelo ser humano, o que provavelmente está contribuindo para a 
cegueira botânica.
CORRÊA, A. M.; ALVES, L. A.; ROCHA, J. A. Organizando os usos e funções dos vegetais: a etnobotânica auxiliando na prevenção e 
diminuição da Cegueira Botânica. Educação, v. 46, n. 1, p. 1‑26, 2021 (com adaptações).
Considerando as informações apresentadas no texto e os seus conhecimentos, avalie as asserções e 
a relação proposta entre elas.
I – O conhecimento dos vegetais como importantes fontes de alimento desenvolveu‑se durante a 
história da humanidade.
porque
II – Conforme as civilizações desenvolveram‑se, cresceu a percepção de que os vegetais não podem 
ser empregados de maneira eficiente em nenhuma outra finalidade, restando a eles a tarefa de alimentar 
nossos ancestrais, a geração atual e as futuras gerações.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a I.
B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a I.
C) A asserção I é verdadeira, e a II é falsa.
D) A asserção I é falsa, e a II é verdadeira.
E) As asserções I e II são falsas.
Resposta correta: alternativa C.
72
Unidade II
Análise das asserções
I – Asserção verdadeira.
Justificativa: o acompanhamento da história das diferentes civilizações ao redor do mundo permite 
compreender que a integração com a natureza trouxe os vegetais para a vida cotidiana, especialmente 
pela alimentação, mas também por outros caminhos.
II – Asserção falsa.
Justificativa: desde as épocas mais antigas, desenvolveu‑se a percepção de que os vegetais poderiam 
ser úteis de outras maneiras, além da alimentação, como no fornecimento de energia e em construções.
73
REFERÊNCIAS
Textuais
BARBIERI, R. L.; STUMPF, E. R. T. Origem e evolução de plantas cultivadas. Brasília: Embrapa, 2008.
BELLWOOD, P. First farmers: the origins of agricultural societies. Malden: Blackwell, 2005.
BROWN, T. A. et al. The complex origin of domesticated crops in the fertile crescent. Trends in Ecology 
& Evolution, v. 24, p. 103‑109, 2009.
GRUPO pretende mapear o potencial de produção de hidrogênio no setor sucroalcooleiro. Agência 
FAPESP, 22 nov. 2023. Disponível em: https://shre.ink/8ha2. Acesso em: 11 abr. 2024.
GUIMARÃES, M. Os primeiros agricultores na Amazônia. Pesquisa FAPESP, 11 out. 2023. Disponível em: 
https://shre.ink/8KmK. Acesso em: 9 abr. 2024.
IBGE. PEVS: produção da extração vegetal e da silvicultura. Rio de Janeiro: IBGE, 2002.
KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas alimentícias não convencionais (Panc) no Brasil: guia de 
identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2014.
LEWINGTON, A. Plants for people. London: Eden Project Books, 2003.
QUEIROZ, C. Panc na dieta dos brasileiros. Pesquisa FAPESP, ed. 320, out. 2022. Disponível em: 
https://shre.ink/8uP7. Acesso em: 11 abr. 2024.
RIZZINI, C. T.; MORS, W. B. Botânica econômica brasileira. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1995.
SANTOS, R. D. et al. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular. Arquivos Brasileiros 
de Cardiologia, v. 100, n. 1, Supl. 3, p. 1‑40, jan. 2013. Disponível em: https://shre.ink/8uHf. 
Acesso em: 10 abr. 2024.
SIMPSON, B. B.; OGORZALY, M. C. Economic botany: plants in our world. 3. ed. New York: 
McGraw‑Hill, 2001.
SOUZA, V. C.; LORENZI, H. S. Botânica sistemática: guia ilustrado para identificação das famílias de 
fanerógamas nativas e exóticas no Brasil, baseado em APG IV. São Paulo: Instituto Plantarum, 2019.
74
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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