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CURSO DE NUTRIÇÃO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM SAÚDE COLETIVA AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM UMA ESCOLA PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE PALHOÇA SC Trabalho científico elaborado pela acadêmica Débora Rocha como parte integrante do Estágio Supervisionado em Saúde Coletiva, sob orientação das professoras Greice Bordignon, Waleska Nishida e Michele de Souza. SÃO JOÃO BATISTA, MAIO DE 2024 RESUMO A avaliação do estado nutricional de crianças e adolescentes é de extrema importância para detectar manifestações de inúmeras doenças, que podem ocorrer no processo de desenvolvimento. A fase mais crítica para desenvolver obesidade é a infância e a adolescência, porém ela também pode ser mais facilmente revertida, pois os hábitos alimentares e de atividade física ainda não estão completamente consolidados. Este trabalho teve como objetivo, levantar o perfil nutricional de crianças e adolescentes atendidos em uma escola pública municipal de Palhoça, SC; informar o perfil nutricional dos alunos às nutricionistas do PNAE, para que façam as intervenções necessárias em âmbito escolar e sugerir estratégias de educação nutricional para a promoção da saúde. Para tanto, foram coletados peso, estatura e idade dos alunos. Adotou-se a classificação através do escore-z, utilizando o indicador antropométrico IMC para idade. Verificou-se que a maioria das crianças se encontra em eutrofia (72,5%), enquanto o sobrepeso aparece em 13,8% dos alunos, em seguida a obesidade em 7,5% dos alunos e a obesidade grave (score-z > +3) em 3,8% dos alunos, por fim a magreza aparece em 2,5% dos alunos. Conclui-se que é de suma importância valorizar a análise do estado nutricional, bem como implementar ações de educação alimentar e nutricional nas escolas, como forma de auxiliar políticas públicas eficientes, fortalecendo a atenção primária, através de programas e instituições como o PNAE. INTRODUÇÃO A frequente avaliação do crescimento de uma criança ou adolescente é de extrema importância para detectar manifestações de inúmeras doenças, endócrinas ou não, que podem ocorrer no processo de desenvolvimento. Normalmente este processo é bastante previsível, porém, multifatorial e complexo, o que acende um alerta para acompanhá-lo periodicamente através de avaliações físicas. O crescimento acontece de formas diferentes em cada fase da vida. Na fase pré-púbere, período que corresponde do terceiro ano de vida até o início da puberdade, o crescimento é mais estável e os fatores genéticos e hormonais têm maior relevância. Como a velocidade do crescimento sofre oscilações, não convém fazer avaliações tão frequentes (menos de 6 meses), pois podem levar a erros. A fase puberal está associada aos hormônios esteroides sexuais e de crescimento, ocorrendo estirão de crescimento primeiro em meninas, mas mais acentuadamente em meninos (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2009). A crescente prevalência da obesidade e do sobrepeso no Brasil e no mundo estão associadas ao modo de vida (hábitos alimentares e sedentarismo), fatores sociais, econômicos, ambientais e genéticos. A fase mais crítica para desenvolver obesidade é a infância e a adolescência, porém ela também pode ser mais facilmente revertida, pois os hábitos alimentares e de atividade física ainda não estão completamente consolidados (Parizzi et al., 2008). No Brasil, a melhora nas condições de moradia, escolaridade, saneamento básico, aleitamento materno, vacinação diminuiu a desnutrição na infância, porém observa-se a prevalência da obesidade que cursa com casos de carência de micronutrientes que, juntamente com a incidência das doenças crônicas não transmissíveis, aponta para a importância do monitoramento do estado nutricional como medida preventiva, iniciando em crianças e adolescentes (Sociedade Brasileira de Pediatria, 2009). Assim, em conformidade com o artigo 3º da Resolução nº 465 de 23 de agosto de 2010 do Conselho Federal de Nutricionistas, compete ao nutricionista, vinculado à Entidade Executora, no âmbito do Programa de Alimentação Escolar (PNAE), realizar o diagnóstico e o acompanhamento do estado nutricional de todos os alunos devidamente matriculados na educação básica. Dessa forma, o nutricionista realizará a avaliação do estado nutricional através da antropometria, que é um método de avaliação baseado nas variações físicas e composição corporal global. É um método pouco invasivo, barato, simples, de fácil aplicação e padronização, permitindo fornecer um diagnóstico coletivo, revelando o perfil nutricional do grupo avaliado. Este método é bastante adequado, pois fornece dados que permitem acompanhar o crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, 2018). Os dados antropométricos e demográficos a serem coletados para fins de vigilância nutricional para crianças e adolescentes são: peso, estatura, sexo, data de nascimento. De posse dos valores encontrados na avaliação, é necessário compará-los com valores de referência. Estes, compreendem valores aferidos em uma população sadia, vivendo em condições socioeconômicas, culturais e ambientais satisfatórias em comparação com outros grupos. Para as crianças com cinco anos ou mais e adolescentes, recomenda-se o uso da referência internacional da OMS lançada em 2007, que são curvas de crescimento que se destinam a descrever como deve ser uma criança saudável, expressas em percentil ou escore z. Os índices antropométricos e demais parâmetros adotados para a vigilância nutricional, segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde para crianças são: peso por idade, estatura por idade, peso por estatura e IMC por idade; já para adolescentes são: IMC por idade e estatura por idade. Assim, pode-se definir o estado nutricional que é o resultado do equilíbrio entre o consumo e o gasto energético do organismo para suprir suas necessidades. Dessa forma temos: Adequação nutricional (eutrofia): equilíbrio entre consumo e necessidades nutricionais; Carência nutricional: deficiência de energia e nutrientes que podem ter efeitos adversos à saúde; Distúrbios nutricionais: desnutrição ou obesidade, tanto por carência quanto por excesso devido ao consumo inadequado de nutrientes (Brasil, 2011). Portanto, conhecer o estado nutricional de crianças e adolescentes que frequentam escolas públicas é importante para subsidiar a formulação de estratégias de prevenção e controle dos distúrbios nutricionais que acometem a infância. Desta forma, o presente estudo teve o objetivo de fazer o levantamento do perfil nutricional de crianças e adolescentes matriculadas em uma escola da rede pública de ensino do município de Palhoça, SC, informar às nutricionistas para que, em âmbito escolar possam fazer intervenções necessárias e ainda, sugerir estratégias de educação nutricional para promover a saúde. OBJETIVOS Levantar o perfil nutricional de crianças e adolescentes atendidos em uma escola pública municipal de Palhoça, SC; Informar o perfil nutricional dos alunos às nutricionistas do PNAE, para que façam as intervenções necessárias em âmbito escolar. Sugerir estratégias de educação nutricional para a promoção da saúde. METODOLOGIA Tipo de Estudo Trata-se de uma pesquisa com abordagem quantitativa. Local do Estudo Estudo realizado em uma escola municipal de educação básica, na zona urbana do município de Palhoça SC. População do Estudo Participaram da avaliação antropométrica, 80 alunos (23,8% dos alunos da escola) do período matutino com idades entre 6 e 14 anos que compõem 6 turmas de ensino fundamental I e 2 turmas de ensino fundamental II.Variáveis do Estudo A coleta dos dados, peso e altura, foi realizada nos dias 21/05, 24/05 e 04/06 do ano de 2024. Das 335 crianças e adolescentes que estudam na escola, sede do estudo, 80 participaram mediante autorização assinada pelos pais ou responsáveis, sendo 40 meninas e 40 meninos. O alcance na coleta de dados não foi maior devido ao fato de o período de estágio ser somente o matutino e de muitas crianças e adolescentes não terem trazido as autorizações assinadas, inviabilizando o tempo para a coleta de dados. Coleta de dados Os dados foram coletados por três estagiárias do curso de Nutrição do sétimo período e as medidas antropométricas foram aferidas de acordo com as técnicas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma das nutricionistas, responsáveis pelo estágio, acompanhou as estagiárias supervisionando a atuação das mesmas. As crianças e adolescentes eram chamados um a um, fora da sala de aula, retiravam os casacos e jaquetas mais pesados e também os tênis e no caso das meninas, os adornos de cabelo. O peso foi verificado em uma balança digital com capacidade para 150kg e divisão de 100g da marca Alira Home, a estatura foi aferida com fita métrica de 2 metros, com divisão de 1 cm, fixada em uma parede lisa e sem rodapé. Os dados foram anotados com atenção nas listas de chamadas fornecidas previamente pela escola e também nas autorizações assinadas pelos pais ou responsáveis. Ao finalizar a coleta e estudo, as autorizações com os dados das crianças e adolescentes foram entregues na Central de nutrição. Os dados antropométricos, bem como a classificação de cada criança avaliada estão demonstrados no quadro a seguir: Quadro 01 – Dados Antropométricos Turma Data da Coleta Idade Sexo Peso Altura (cm) IMC Score Z Classificação 1º ANO - 1 21/05/2024 6a 4m M 21.100 118 15,2 -0,15 Eutrofia 1º ANO - 1 21/05/2024 6a 11m M 23.550 120 16,4 0,59 Eutrofia 1º ANO - 1 21/05/2024 6a 8m M 19.400 118 13,9 -1,2 Eutrofia 1º ANO - 1 21/05/2024 7a 1m M 21.300 124 13,9 -1,33 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 7a 5m M 25.200 122 16,9 0,84 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 6a 4m F 23.750 116 17,7 1,26 Sobrepeso 1º ANO - 3 21/05/2024 7a 0m M 25.000 128 15,3 -0,17 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 6a 5m M 20.150 124 13,1 -1,98 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 7a 0m F 34.900 138 18,3 1,45 Sobrepeso 1º ANO - 3 21/05/2024 6a 5m M 25.150 124 16,4 0,67 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 6a 3m M 23.250 123 15,4 0,02 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 7a 6m F 22.050 124 14,3 -0,77 Eutrofia 1º ANO - 3 04/06/2024 6a 3m M 30.55 1,21 20,9 2,97 Obesidade 1º ANO - 3 04/06/2024 7a 1m M 25.60 1.30 15,1 -0,27 Eutrofia 1º ANO - 3 04/06/2024 6a 6m F 23.50 1.20 16,3 0,58 Eutrofia 1º ANO - 3 21/05/2024 7a 6m M 38.800 138 20,4 2,39 Obesidade 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 4m M 23.850 126 15 -0,4 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 7m F 21.950 118 15,8 0,12 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 8a 1m F 27.200 128 16,6 0,46 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 4m M 21.200 125 13,6 -1,63 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 7m F 23.600 118 16,9 0,73 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 4m M 21.200 123 14 -1,22 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 9a 9m F 31.450 140 16 -0,23 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 8m M 42.650 136 23,1 3,21 Obesidade Grave 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 8m F 31.450 128 19,2 1,63 Sobrepeso 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 7m M 31.450 137 16,8 0,71 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 7a 7m M 24.350 127 15,1 -0,38 Eutrofia 2º ANO - 1 21/05/2024 8a 1m M 28.350 129 17 0,76 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 9a 0m F 38.100 145 18,1 0,9 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 3m M 26.000 131 15,2 -0,47 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 2m M 27.400 133 15,5 -0,47 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 9a 1m F 37.550 139 19,4 -0,47 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 10m M 29.800 136 16,1 0,9 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 9a 6m F 25.750 134 14,3 0,9 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 3m F 31.800 129 19,1 1,46 Sobrepeso 3º ANO - 1 21/05/2024 11a 10m M 64.700 149 29,1 1,46 Obesidade 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 4m M 29.900 134 16,7 0,49 Eutrofia 3º ANO - 1 21/05/2024 8a 3m F 24.400 128 14,9 -0,53 Eutrofia 3º ANO - 1 04/06/2024 8a 11m M 38.70 1.43 18,9 1,45 Sobrepeso 3º ANO - 1 21/05/2024 9a 8m F 33.650 140 17,2 0,34 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 10a 0m F 28.200 134 15,7 -0,48 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 10m F 46.250 144 22,3 1,98 Sobrepeso 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 9m F 25.650 136 13,9 -1,62 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 8m F 32.200 138 16,9 0,26 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 11m M 62.900 153.5 26,7 3,15 Obesidade Grave 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 7m F 27.600 128 16,8 0,22 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 11m M 33.750 147 15,6 -0,49 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 9m F 43.750 137 23,3 2,21 Obesidade 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 1m M 28.050 137 14,9 -0,77 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 3m F 27.600 136 14,9 -0,76 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 10m F 36.150 145 17,2 0,32 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 6m F 28.000 144 13,5 -1,85 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 11m F 26.400 137 14,1 -1,53 Eutrofia 4º ANO - 1 21/05/2024 10a 6m M 70.000 155 29,1 3,39 Obesidade Grave 4º ANO - 1 21/05/2024 9a 7m F 28.650 145 13,6 -1,77 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 6m F 27.350 144 13,2 -2,42 Magreza 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 5m F 37.000 145 17,6 0,32 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 9m F 41.700 145 19,8 1,04 Sobrepeso 5º ANO - 1 24/05/2024 12a 0m F 50.600 157 20,5 0,89 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 5m F 36.000 142 17,9 0,43 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 4m M 31.650 148 14,4 -1,47 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 11a 8m F 63.100 160,5 24,5 1,97 Sobrepeso 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 10m F 34.750 148 15,9 -0,66 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 6m F 49.750 145 23,7 2,11 Obesidade 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 7m M 48.000 145 22,8 2,2 Obesidade 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 7m M 42.850 148 19,6 1,24 Sobrepeso 5º ANO - 1 04/06/2024 10a 10m M 25.60 130 15,1 -1,08 Eutrofia 5º ANO - 1 24/05/2024 10a 4m F 32.200 149 14,5 1,24 Sobrepeso 6º ANO - 1 04/06/2024 11a 2m M 47,5 154 20 1,24 Sobrepeso 6º ANO - 1 04/06/2024 11a 11m F 34.60 150 15,4 -1,34 Eutrofia 6º ANO - 1 04/06/2024 12a 0m F 73,7 162 28,1 0,26 Eutrofia 6º ANO - 1 24/05/2024 11a 6m M 37.850 146 17,8 0,26 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 13a 3m F 40.070 156 16,5 -1,17 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 13a 10m M 50.150 163,5 18,8 -0,06 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 14a 0m M 50.200 167 18 -0,49 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 13a 4m F 38.600 157 15,7 -1,66 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 14a 1m M 52.900 167 19 -0,05 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 14a 11m F 56.800 175 18,5 -0,63 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 12a 6m M 54.000 166 19,6 0,72 Eutrofia 8º ANO - 1 24/05/2024 13a 2m M 38.600 162 14,7 -2,27 Magreza Fonte: O próprio Autor Análise dos dados Para a classificação do estado nutricional foi utilizado o índice IMC para idade, expresso em valores de escore z, o aplicativo utilizado para análise dos dados foi o WHO Anthro Plus, desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2006), os resultados são expressos da seguinte forma, observando para este estudo, a coluna de IMC para idade: Imagem 1 – Quadro Classificação do Estado Nutricional Fonte: SISVAN 2011 O perfil antropométrico total dos alunos avaliados é demonstrado no gráfico a seguir de acordo com a escore-z, observando o índice IMC para idade: Imagem 2 – Gráfico: Classificação do Estado Nutricional Fonte: O próprio Autor Podemos observar que a maioria das crianças se encontra em eutrofia (72,5%), enquanto o sobrepeso aparece em 13,8% dos alunos, em seguida a obesidade em 7,5% dos alunos e a obesidade grave (score-z > +3) em 3,8% dos alunos, por fim a magreza aparece em 2,5% dos alunos. Ao somar a quantidade de alunos que se encontramem sobrepeso, obesidade e obesidade grave, chegamos a um percentual de 25% da população avaliada, número bastante expressivo e preocupante. Dentre os 80 alunos avaliados, 81,2% tinham entre 6 e 10 anos e 18,7% entre 11 e 14 anos, sendo 50% meninas e 50% meninos. O perfil antropométrico destes alunos está demonstrado, respectivamente nos gráficos a seguir: Imagem 3 – Gráfico: Classificação do Estado Nutricional 6 a 10 anos Fonte: O próprio Autor Imagem 4 – Gráfico: Classificação do Estado Nutricional 11 a 14 anos Fonte: O próprio Autor Ao analisar os gráficos percebemos que o maior percentual de sobrepeso, obesidade e obesidade grave, que totalizaram 25% de todos os alunos avaliados, foi encontrado de forma mais significativa, entre os alunos de 6 a 10 anos que estudam do 1º ao 5º ano do ensino fundamental I (26,8%) seguido dos alunos de 11 a 14 anos que estudam no 6º e 8º anos do ensino fundamental II (15,3%). Ao analisarmos estes 25% de alunos com sobrepeso, obesidade e obesidade grave, separando-os por sexo, podemos verificar que 50% das meninas e 50% dos meninos encontram-se com excesso de peso, como mostra o gráfico a seguir: Imagem 5 – Gráfico: Classificação do Estado Nutricional por Sexo Fonte: O próprio Autor RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos nesta pequena amostra corroboram com o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade que vem ocorrendo de forma constante no Brasil, constituindo um grave problema de saúde pública, devido às suas consequências, como as doenças crônicas não transmissíveis (Hobold e Arruda, 2014). Semelhante aos achados desta pesquisa, os resultados encontrados por Moraes, Adami e Fassina (2021), que utilizaram metodologia semelhante, mostrou que a maioria estava em eutrofia, seguida de sobrepeso e em algum nível de obesidade. Da mesma forma, Melo, Silva e Santos (2018) também observaram que dentre os alunos avaliados, a maioria estava em estado nutricional adequado. São diversos os fatores que levam crianças e adolescentes a passarem pelo processo de excesso de peso, como o excessivo consumo de alimentos hipercalóricos e o sedentarismo ocasionado pelo tempo elevado nas telas. Os alimentos processados e ultraprocessados tendem a ter um maior consumo por parte da população, fazendo com que haja substituição de alimentos in natura ou minimamente processados, por conta da sua formulação e apresentação e hiper palatabilidade. Porém, eles devem ser evitados, pois possuem grandes quantidades de sal, açúcar e gordura, estando associados a doenças diversas crônicas, dentre elas, a obesidade (Guia Alimentar para a População Brasileira, 2014). Esses determinantes junto ao ambiente familiar influenciam nas escolhas e padrões alimentares (IBGE, 2010). Portanto, é necessário o apoio de todos os envolvidos: pais, comunidade escolar e políticas públicas para reverter este sério problema. No âmbito da escola, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), está incumbido de promover, através de seu quadro de nutricionistas, dentre outras atribuições, ações de educação alimentar e nutricional, de forma articulada com a direção e coordenação pedagógica das escolas, considerando a autenticidade dos saberes de diferentes naturezas (Conselho Federal de Nutricionistas, 2010). A escola é considerada um espaço estratégico para esta intervenção, no intuito de colaborar para a formação de hábitos alimentares saudáveis. Nesta fase da vida, as atividades de educação alimentar e nutricional podem ser mais efetivas devido a receptividade das crianças. Além disso, quanto mais jovens forem os alunos, melhor a sua incorporação de hábitos saudáveis como escolha por alimentos de melhor qualidade e atividade física. Sabe-se que a obesidade na infância tende a continuar na fase adulta e se não for devidamente controlada, leva ao aumento da morbimortalidade. Desta forma, a identificação prévia de crianças com excesso de peso, juntamente com a tomada de medidas para controlar este problema, faz com que o prognóstico seja mais favorável a longo prazo (Leão et al., 2003). A Resolução/CD/FNDE nº 26 de 17 de julho de 2013, recomenda que a Educação Alimentar e Nutricional percorra o currículo escolar, abordando o tema alimentação e nutrição, e a Lei nº 13.666 de 18 de maio de 2018, institui a Educação Alimentar e Nutricional como tema transversal no currículo escolar. Portanto, atividades em sala de aula podem ser abordadas em praticamente qualquer disciplina do currículo escolar. Estão disponíveis na internet um número muito grande de materiais que trazem ideias de atividades adaptadas a muitas disciplinas. No caso de os nutricionistas fazerem a intervenção, estas podem se configurar como palestras destinadas aos pais e à comunidade escolar como um todo, gincanas com os alunos que incluam atividades lúdicas e atividades físicas, panfletos, atividades culinárias utilizando alimentos locais, incluindo situações que promovam a reflexão sobre o cotidiano dos indivíduos com vistas à busca de soluções (Silva, 2018). CONCLUSÃO O presente estudo apresenta a limitação de possuir uma pequena amostra de alunos participantes, porém seus resultados corroboram com o que acontece no Brasil: o aumento das taxas de excesso de peso em crianças e adolescentes. É correto e positivo dizer que a maioria cursa em eutrofia, mas o perigo do excesso do consumo de alimentos ultraprocessados e a inatividade física são determinantes presentes nos tempos e famílias atuais. Diante do exposto, conclui-se que é de suma importância valorizar a análise do estado nutricional, focando no excesso de peso que ocorre na faixa etária aqui estudada, bem como em todas as questões ligadas a alimentação e nutrição das famílias, como forma de auxiliar políticas públicas eficientes, fortalecendo a atenção primária, através de programas e instituições como o PNAE. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2ª ed. Brasília: MS; 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Orientações para a coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: Norma Técnica do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional - SISVAN / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. BRASIL. Presidência da República. Secretaria Geral. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei nº 13.666, de 16 de maio de 2018. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para incluir o tema transversal da educação alimentar e nutricional no currículo escolar. Brasília, DF: 2018. BRASIL. Resolução CD/FNDE nº 26, de 17 de junho de 2013. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar aos alunos da educação básica no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar–PNAE. Diário Oficial da União, 2013. Conselho Federal de Nutricionistas. Resolução CFN nº 465, de 23 de agosto de 2010. Dispõe sobre as atribuições do Nutricionista, estabelece parâmetros numéricos mínimos de referência no âmbito do Programa de Alimentação Escolar (PAE) e dá outras providências. Diário Oficial da União 2010; 25 ago. DE MORAES, Vanessa Cristina; ADAMI, Fernanda Scherer; FASSINA, Patricia. Associação entre o consumo alimentar e o estado nutricional de crianças pré-escolares do município de Venâncio Aires–RS, Brasil. 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Dispõe sobre as atribuições do Nutricionista, estabelece parâmetros numéricos mínimos de referência no âmbito do Programa de Alimentação Escolar (PAE) e dá outras providências. Diário Oficial da União. Disponível em: https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/resolucoes/DOU_465.pdf Acesso em: 20/05/2024. SILVA, Simoni Urbano da et al., As ações de educação alimentar e nutricional e o nutricionista no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, p. 2671-2681, 2018. Sociedade Brasileira de Pediatria. Avaliação nutricional da criança e do adolescente – Manual de Orientação/ Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. –São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 2009. https://www.cfn.org.br/wp-content/uploads/resolucoes/DOU_465.pdf ANEXOS Imagem 6 – Autorização para avaliação antropométrica Fonte: O próprio Autor Imagens 7 e 8 – Realização da Avaliação Antropométrica Fonte: O próprio Autor