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13 CENTRO UNIVERSITÁRIO INTA-UNINTA GRADUAÇÃO LICENCIATURA EM MATEMÁTICA LABORATÓRIO DE MATEMÁTICA: CONFECÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS GILVASIO FERREIRA DA SILVA LABORATÓRIO DE MATEMÁTICA : PRATICANDO A LUDICIDADE VARZELÂNDIA – MINAS GERAIS 2024 GILVASIO FERREIRA DA SILVA Trabalho apresentado ao Centro Universitário INTA-UNINTA como requisito parcial para aprovação na disciplina de Laboratório de Matemática: Confecção de Materiais Didáticos. Orientador: Prof. Msc. Roberto Silva Guerra. VARZELÂNDIA – MINAS GERAIS 2024 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 04 1. OBJETIVOS ............................................................................................................06 1.1 OBJETIVOC GERAIS ..................................................................................................06 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..............................................................................................06 2. METODOLOGIA............................................................................................................. 07 INTRODUÇÃO O Laboratório de Ensino de Matemática (LEM) nos dias atuais desempenha seu papel enquanto espaço pedagógico que promove a reflexão, a discussão e a construção de significados matemáticos, com o intuito de levar os estudantes a aprofundar questões que se estabelecem na relação conteúdos escolares e situações vivenciadas no cotidiano. O entendimento de Laboratório de Ensino em Matemática apresentado aqui, não deve ser restrito à constituição de um espaço físico reservado para guardar e/ou disponibilizar materiais didáticos, ele vai além dessa ideia, trata-se de um ambiente onde professores e alunos podem encontrar instrumentos apropriados para o trabalho matemático e podem se reunir para pensar e fazer matemática (LORENZATO, 2006). Nos anos iniciais de escolarização, as atividades práticas e didáticas devem se apresentadas com metodologias que possibilitem a maior interação dos alunos com os conteúdos, tornando significativa a aprendizagem em Matemática . Atividades teórico/práticas podem ser realizadas com a utilização de problemas, materiais didáticos, como jogos e kits de experimentos, que possibilitem a participação mais ativa dos alunos, aumentando o seu envolvimento com a disciplina e despertando o interesse para a construção do conhecimento. O uso do LEM vem ao encontro das necessidades atuais de ensino e aprendizagem em Matemática, oportunizando tanto aos alunos quanto aos professores um espaço para “questionar, conjecturar, procurar, experimentar, analisar e concluir, enfim, aprender e principalmente aprender a aprender” (LORENZATO, 2006, p. 7). Na tentativa de responder o que é o LEM, resvalamos em duas outras questões : para que serve? E o que se faz nele? Um LEM, diferentemente do que muitos pensam, não é constituído somente de jogos ou materiais didáticos manipuláveis. Um LEM pode constituir-se de livros didáticos, artigos de jornais e revistas, quebra-cabeças, calculadoras, computadores, entre outros; ou seja, o que compõe um LEM deve estar voltado às concepções e às características de cada escola. Sendo assim, um LEM é constituído por diversos materiais (e aqui retomamos mais uma de nossas questões norteadoras: o que possui nele?), como: livros, materiais manipuláveis (material dourado, escala cuisenaire, tangram, jogos diversos, etc.), cola, tesoura, EVA, papel cartão, compasso, esquadro, calculadora, entre muitos outros. Esses materiais podem ser comprados ou até mesmo preparados pelos alunos, professores, pais e equipe escolar. Segundo Smole (2000, p. 174), “sucatas, palitos, materiais trazidos pelos alunos, confeccionados com pais, colegas e professores podem constituir um acervo valioso na organização do uso de materiais didáticos na aula”, pois o mais importante não é a maneira que o material foi construído e sim o modo como ele é utilizado, permitindo, por meio de sua manipulação e investigação, a construção de conhecimentos matemáticos. Por fim, são as atividades desenvolvidas e o modo com que lidamos com os materiais que refletem nas implicações do uso do LEM para o ensino e a aprendizagem de matemática, bem como na dinâmica das aulas, o que nos conduz à mais uma questão: Quais suas implicações para as aulas de matemática? De acordo com Lopes e Araújo (2007, p. 58), o trabalho com o LEM, em particular os autores citam a utilização de materiais manipuláveis, “permite que o aluno elabore sua própria aprendizagem, participe ativamente nas aulas, além de tornar, na maioria das vezes, o ensino dessa disciplina mais motivador”. Porém, é preciso ressaltar que “não se constrói um conhecimento simplesmente tocando, observando ou manipulando objetos” (BARROSO; FRANCO, 2010, p. 211), “o professor deve considerar que o objetivo a ser atingido não está no material em si, mas nas ações que são desenvolvidas através dele, isto é, no modo como o mesmo será explorado” (LOPES; ARAUJO, 2007, p. 58). Ou seja, não basta colocar os alunos em contato com materiais manipuláveis, jogos, ou tecnologias em geral, o simples contato não garante a aprendizagem, mas é preciso provocar reflexões, desenvolver investigações, levantar hipóteses e testá-las, somente assim o material pode ser considerado como uma ferramenta que auxilia no processo de ensino e aprendizagem. O material manipulável utilizado de maneira propícia tornar-se-á um facilitador da aprendizagem, além de torná-la, segundo Lopes e Araujo (2007, p. 58), mais prazerosa e o “ensino da Matemática mais acessível à maioria dos alunos”. Dentre essas várias atividades, uma das propostas da disciplina é a construção de materiais didáticos para auxiliar o aluno e o professor no processo de ensino e aprendizagem em matemática. Os materiais, cuja construção está relatado aqui, são resultados dessa proposta. 1 OBJETIVOS 1.1 OBJETIVOS GERAIS Implementar um Laboratório de Ensino de Matemática em uma escola pública da rede municipal de Sõa joão da Ponte – E.M. João Mendes dos Santos e a partir dele desenvolver Oficinas de Matemática com os alunos do 3º ano do ensino fundamental da professora Elisangela Borges de Souza para os conteúdos do sistema decimal e o estudo da Tabuada. OBJETIVOS ESPECÍFICOS · Compreender o LEM como um espaço de ensino e de aprendizagem da matemática · Subsidiar o professor com propostas pedagógicas envolvendo a utilização de metodologias alternativas para o ensino da Matemática. · Orientar a construção e utilização de material didático manipulável e de novas tecnologias no ensino-aprendizagem da Matemática para os alunos do 3º ano do ensino fundamental. · Munir a escola de materiais e apresentar uma nova proposta pedagógica visando auxiliar e melhorar o processo de ensino e de aprendizagem matemática. · Construir materiais didáticos que possam ser utilizados para facilitar a relação do Ensino Aprendizagem de Matemática. · Promover e permitir a troca de experiências entre os estudantes. 2 METODOLOGIA Para a implementação do Laboratório de Ensino em Matemática, o primeiro passo foi reunir todos os materiais disponíveis na escola, guardados em diferentes espaços da instituição como na biblioteca; na sala de recursos, sala de xerox, da coordenação, da Educação Física e do Laboratório de informática e levá-los para a sala do Laboratório de informática que será também do LEM. A Escola já possui, entre outros materiais: sólidos geométricos; réguas, transferidores, esquadros e compassos de madeira; material dourado; alguns jogos matemáticos como dominó, bingo, memória, dama, trilha e xadrez. Para organizar os materiais do LEM a escola adquiriu um novo armário além de instrumentos e materiais para a confecção de jogos, que podem ser utilizados pelos alunos e professores de todas as séries. Para o relatório desse projeto foram confeccionado dois jogos para o 3º ano Ensino Fundamental, com o objetivode auxiliar o processo de ensino e de aprendizagem matemática. Para a 3ª série foram confeccionados os jogos: Jogo da memória utilizando a Tabuada e o Bingo do Sistema de Numeração Decimal. Entre as atividades, outra que também foi realizada com intuito de fortalecer a construção de conceitos matemáticos que podemos destacar como exemplo de oficina realizada com os alunos, foi aquela na qual se trabalhou com medidas de comprimento. Os alunos mediram a largura e o comprimento da Sala do Laboratório de Ensino de Matemática, das janelas, da porta,das classes, do quadro negro e dos cadernos. 1. CONSTRUÇÃO DA SALA DE LABORATÓRIO DE MATEMÁTICA A matemática é uma ciência que está sempre em evolução e o lúdico, na forma de jogo, é uma ferramenta que auxilia seu aprendizado que antes parecia tão intricado. Assim, o ensino lúdico da matemática pode auxiliar na compreensão e na aprendizagem de conteúdos e conceitos matemáticos. Para tanto, o jogo pode ser uma estratégia muito importante. Os jogos na fase de ensino aprendizagem se tornam acessórios no desenvolvimento de conhecimentos. Até mesmo aqueles que têm dificuldade ou já criaram uma certa reserva com a matéria, se sentem familiarizados pelo simples fato de ver através dos jogos o concreto daquela determinada operação, deixando de fundamentar o ensino numa fórmula ou regra que deveria ser decorada e passando através da ludicidade a vivenciar a Matemática. Para a confecção dos jogos propostos as eguir segue a descrição dos materiais utilizados e das atividades realizadas. 1.1 MATERIAIS UTILIZADOS · O JOGO DA MEMÓRIA DA TABUADA O produto pode ser trabalhado com os alunos do ensino fundamental I, para esse LEM em específico será alunos do 3º ano do enino fundamental, porém por ser de um conteúdo muito utilizado em todos os anos e até mesmo no cotidiano, pode ser utilizado por qualquer idade. O conteúdo abordado é a tabuada. Para o desenvolvimento desse produto será feito uma adaptação do jogo da memória. Trata-se de um jogo da memória que pode ser confeccionado com diferentes materiais como papel sulfite A4 ou A3, cartolina, papel cartão ou ainda em lona. 1°: Pegamos os materiais necessários para fazer as peças. Para isso, vamos precisar de um papelão grande para fazer os quadradinhos e folha A4 (a quantidade de folhas vai depender de quantas peças o professor vai escolher fazer). Sugestão : 64 quadradinhos ( 32 quadradinhos de expressões + 32 quadradinhos com a resposta) de 5x5 (a quantidade e o tamanho dos quadradinhos vai depender do professor). 2º: Recortamos o papelão e a folha A4 por 5cmx5cm,colamos o pedaço da folha A4 no pedaço de papelão. 3º: Agora, basta colorir o fundo do card de uma cor para a operação matemática usada, por exemplo: Multiplicação (verde). · BINGO DO SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL Serão necessário para a confecção: cartolina americana , Papel Paraná – 100 cm x 80 cm Régua , Tesoura , Caneta esferográfica , EVA - 2mm – 50 cm x 40 cm Esse é um jogo tipo bingo com 30 peças retangulares medindo 4 cm por 9 cm, um tabuleiro medindo 24 cm por 36 cm e 54 retângulos medindo 2 cm por 6 cm. e 6 marcadores para cada aluno que irá participar do jogo como jogador, esses marcadores podem ser feijão, botão etc. Como construir : Em cartolina, recortar 30 retângulos com medidas de 4 cm por 9 cm, que serão as cartelas do bingo, e traçar, com caneta de cor contrastante com a cor da cartolina, em cada um dos retângulos outros retângulos de 2 cm por 3 cm. Preencher cada um dos retângulos pequenos com números da tabela abaixo, formando assim uma cartela do bingo com cada um dos retângulos recortados. Recortar em cartolina um retângulo medindo 24 cm por 36 cm e traçar com caneta de cor contrastante a cor da cartolina retângulos medindo 2 cm por 6 cm e copiar os números da tabela a cima de maneira a formar um “tabuleiro”. Recortar em cartolina 54 retângulos medindo 2 cm por 6 cm onde serão escrito, com caneta de cor contrastante a cor da cartolina a decomposição dos números da tabela a cima como segue, esses cartões serão utilizados para sortear os números durante o bingo. 1.2 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES O jogo da memória é um clássico, formado por peças que apresentam uma figura em um dos lados, pode ser jogado por um único jogador ou vários jogadores. Para começar o jogo, as peças são postas com as figuras voltadas para baixo, para que não possam ser vistas. Cada jogador deverá virar duas cartas e colocá-las para cima, para que todos os jogadores possam ver, se o jogador virar duas cartas que correspondem, ou seja, as cartas que são iguais, ele pega o par pra ele, se forem diferentes ambas as cartas devem ser viradas para baixo novamente no mesmo local e o próximo jogador brinca. Ganha quem tiver mais cartas no final. O jogo desenvolvido visou abranger as multiplicações da tabuada tirando a do 1, por ser muito fácil, indo então da multiplicação do 2 até o 10. Para se jogar basta escolher a tabuada que será usada, podendo também misturar mais de uma, conforme o nível do aluno começar a aumentar. Esse jogo auxilia na memorização da tabuada, pois o aluno terá que encontrar a multiplicação e sua resposta, por exemplo uma peça terá a multiplicação 5 x 6 = e a outra terá a resposta 30, portanto nesse jogo não tem figuras iguais, o desafio está em lembrar a resposta da multiplicação e assim encontrar a peça com a resposta. Assim o aluno estará aprendendo a identificar o número, a quantidade a ele correspondente, multiplicação, memorização, raciocínio lógico e pareamento quando as duas peças forem iguais. A aplicação da memória visou contribuir com o processo de ensino-aprendizagem e estimular o desenvolvimento de diversas habilidades dos alunos. OBSERVAÇÃO: a quantidade de fichas fica à escolha, desde que a quantidade de multiplicações esteja igual à quantidade de produto. Número de participantes: 2 participantes. BINGO DO SISTEMA DE NUMERAÇÃO DECIMAL Esse material segue o modelo do bingo tradicional com pequenas modificações. Para o seu desenvolvimento é necessário que os alunos façam a composição dos números lidos pela pessoa que esta “cantando” os números decompostos e apresenta a revisão do conteúdo de forma diferente do convencional. Os objetivos sãp trabalhar a composição de números e desenvolver a atenção. O Conteúdo estruturante trabalhado será Números e álgebra e Classes numéricas na expectativa de aprendizagem que o aluno fixe melhor e de maneira descontraída a composição de números naturais. A pessoa que ira “cantar” o bingo distribui aleatoriamente uma cartela para cada um dos jogadores e 6 marcadores e em seguida começa a “cantar” o bingo com os cartões, que deverão estar em um saco preferencialmente colorido. Será sorteado um número de cada vez como no bingo convencional e de maneira que todos os jogadores possam marcar os seus números, se for necessário o professor pode providenciar lápis e papel para que à medida que for sendo sorteado o números, os alunos possam ir fazendo a composição dos mesmos no papel para posteriormente erificarem sem os mesmos estão escritos em suas cartelas e colocarem o marcador em cima caso sua cartela contenha o número. Vence quem marcar todos os números de sua cartela primeiro e esses números deverão ter sido sorteado pela pessoa que esta “cantando” o bingo. 1.3 CONCLUSÃO DAS ATIVIDADES A participação dos alunos nas aulas de confecção dos jogos no laboratório, foi completa. Os alunos se interessaram muito, acharam as aulas mais prazerosas devido o contato com o material. Uns recotaram , outros coloriram e estavam muito ansiosos para utilizarem o material depois de pronto. As aulas se tornaram diferentes, e foi perceptível a aprendizagem dos alunos. Os alunos conseguiram desenvolver e compreender melhor os conteúdos. A dificuldade de usar o laboratório da escola, foi mais pelo fato de ser junto com um laboratório de Informática, pois a escola no momento não dispõe de salas suficientes para que os laboratórios funcionem separadamente. Todos os professoresque utilizam relatam a falta de estrutura física das salas dos laboratórios, que não acomodam bem os alunos. Apesar do material riquíssimo disponibilizado para trabalho, as vezes a desorganização e o descaso em que o ambiente se encontra se torna desmotivador. 1.4 AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES Este projeto se propôs aplicar uma proposta metodológica alternativa para o ensino da Matemática, ressaltando a importância da otimização de Material Didático Manipulável para o ensino da Matemática, possibilitando a formação integral do estudante. Por intermédio de um “mundo experimental”, propus estratégias para o ensino da Matemática, ressaltando o papel dos Materiais Didáticos Manipuláveis como alternativa metodológica que favorece a construção dos conceitos envolvidos em sua manipulação pelo aluno. Entendo que a visualização que este material proporciona, facilita muito a assimilação dos conteúdos de Matemática. Embasamos esse raciocínio pensando que tudo o que é mais próximo da realidade é mais fácil de compreender, de entender, e fixar, além de trazer motivação ao processo de ensino-aprendizagem. Considerando o que foi exposto, pode-se comprovar que a grande maioria dos alunos aprovam o uso do Material Didático Manipulável. As atividades propostas provocaram uma aprendizagem favorável e muito positiva na turma. A criação do Laboratório de Matemática na escola municipal João Mendes dos Santos ficou um espaço físico de grande aliado do professor, podendo ele contar com todos os modelos jogos matemáticos no mesmo local. Esse ambiente então, se torna um lugar de pesquisa prática dos alunos e professores. Um ambiente que tem por objetivo central provocar a reflexão sobre a matemática em seus diferentes âmbitos, tanto em professores como em alunos. Assim, este projeto e as atividdaes desenvolvidas na confecção dos materiais foi uma tentativa de contribuir para melhoria do ensino e aprendizagem da Matemática, por meio da discussão de uma nova estratégia de ensino. Acredita-se que este modelo de intervenção estimula o desenvolvimento da autonomia dos professores, pois lhes possibilita raciocinar, questionar, refletir sobre ideias pertinentes ao assunto em discussão; elaborar hipóteses e procedimentos para enfrentar novas situações para formar um cidadão crítico e atuante na sociedade. Na participação dos estudantes envolvidos considera-se a trabalhar com a avaliação formativa. Nesse tipo de avaliação, o professor investiga durante todo o tempo, na sala de aula, se os alunos estão ou não aprendendo e por quê. Essas informações servem para replanejar as atividades seguintes, de modo a atender às necessidades da turma ou de grupos de estudantes. Também permitem ao docente dar as orientações que os alunos precisam para se desenvolverem melhor, estimulando o protagonismo deles. 2 RESULTADOS E DISCUSSÕES O objetivo da observação foi perceber como os alunos reagiram e receberam essa proposta de ensino, usando Materiais Didáticos Manipuláveis, para o ensino e aprendizagem da Matemática. Os procedimentos e as falas dos alunos durante a realização das oficinas de confeccçao dos materiais dos jogos matemáticos foram analisados priorizando-se os seguintes indicadores: manifestações verbais dos professores; falas que expressem os limites e as perspectivas do uso desses materiais. Segundo Demo (1996, p. 45): “A finalidade específica de todo material didático é abrir a cabeça, provocar a criatividade, mostrar pistas em termos de argumentação e raciocínio, instigar ao questionamento e à reconstrução’’. Nesta prática, em que grande parte da oficina desenrolou-se mediante atividades compartilhadas, os resultados que destacaram a sua importância no processo de ensino aprendizagem foram evidentes. Percebeu-se, analisando-se os grupos, que alguns alunos começaram a construir os jogos da memória e do Bingo seguindo as instruções preparada pelo professor e acadêmico. Enquanto alguns recortavam, pintavam, outros membros do grupo os observavam. Nesse momento houve a troca nos grupos sobre questões especificas ligadas às construções dos jogos no sentido de como fazer. Já com os jogos prontos, construídos começaram a utilizar nas atividades sem a interferência do professor que ministrava as oficinas. 3 CONCLUSÕES Uma das angústias durante nossa formação é o como trabalhar com determinados conteúdos matemáticos; como fazer com que as aulas sejam dinâmicas e atrativas para os alunos e, além disso, que possibilitem a eles aprenderem matemática. O uso do LEM, trouxe-nos novas possibilidades para as aulas, ampliando nossa visão sobre o ensinar e o aprender matemática. A construção dos jogos, dentre outros materiais, ensinou nos não só como trabalhar os respectivos conteúdos matemáticos abordados sob uma perspectiva lúdica, mas também nos fez refletir sobre diferentes aspectos desses conteúdos, a partir de questões, que se propostas aos alunos, podem representar uma boa oportunidade para discutir os tópicos matemáticos envolvidos, de modo a auxiliá-los na compreensão de tais conceitos. A elaboração dos materiais manipuláveis se configurou como um desafio para nós, a partir do qual aprendemos com os erros e os acertos, sendo uma experiência positiva para a nossa formação e contribuindo com o nosso preparo para o exercício da docência. O fazer docente é marcado por uma gama de atribuições e afazeres. De modo que, as práticas desenvolvidas pelo professor são sempre fruto de um estudo e planejamento muitas vezes exaustivo, porém, direcionado a uma busca pelo sucesso da aprendizagem. Um dos grandes desafios desse fazer está relacionado com a dificuldade de pôr em prática alguns vieses vistos na teoria. Para esse contexto, o Laboratório de Ensino de Matemática se apresenta como esse espaço para o teste de práticas e estratégias que virão a ganhar forma em sala de aula. De outro modo, as contribuições para aprendizagem se tornam, ao longo dos encontros e vivências, cada vez mais evidentes. Características como criatividade, reflexividade e criticidade tão faladas em estudos, saem da retórica e são incentivadas a uma realidade prática. As possibilidades que surgem em meio a esse contexto são diversas e não dependem necessariamente de um grande aparato tecnológico para que possam ocorrer. Diante de um mundo cada vez mais moderno, a proposta de um Laboratório de Ensino de Matemática se torna cada vez mais interessante ao considerarmos que nossos estudantes precisam ter um maior contato com os aspectos práticos de muitas temáticas que são estudadas entre quatro paredes. Além disso, nesse ambiente ele se torna o pesquisador e construtor do seu próprio conhecimento, sendo assim, o protagonista de todo o processo. De um lado, o professor tem a oportunidade de se aperfeiçoar em suas práticas e vivências, de outro, os estudantes se tornam cada vez mais pertencentes e atuantes da realidade em que se encontram. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROSO, M. M.; FRANCO, V. S. O laboratório de ensino de matemática e a identificação de obstáculos no conhecimento de professores de matemática. Zetetiké, v. 18, n. 34, p. 205234, jul./dez. 2010. BRASIL. MEC. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: matemática / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997. 142p. DEMO, P. Educar pela Pesquisa. Campinas: Editora de Autores Associados, 1996. HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. LOPES, J. A.; ARAUJO, E. A. O Laboratório de Ensino de Matemática: implicações na formação de professores. In: Zetetiké, v. 15, n. 27, p. 57-70, jan./jun. 2007. LORENZATO, S. O laboratório de ensino de matemática na formação de professores. São Paulo: Autores Associados, 2006. RÊGO, R. M.; RÊGO, R. G. Desenvolvimento e uso de materiais didáticos no ensino de matemática. In: Lorenzato, S. O laboratório de ensino de matemática na formação de professores. São Paulo: Autores Associados, 2006. SMOLE, K. S. A matemática na Educação Infantil: a teoria das inteligências múltiplasna prática escolar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. image1.png